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  • Afta na boca: o que causa e como tratar em casa

    Afta na boca: o que causa e como tratar em casa

    A afta na boca, também conhecida como estomatite aftosa, é uma pequena lesão arredondada, esbranquiçada ou amarelada, que surge nos lábios, língua ou bochechas. Apesar de normalmente não ser grave, a dor e a sensibilidade podem dificultar as tarefas simples do dia a dia, como comer, beber ou falar.

    Na maioria das vezes, a afta aparece por causa de pequenos traumas, quedas na imunidade ou deficiências nutricionais, e tende a desaparecer sozinha em poucos dias. Mas se feridas são muito frequentes ou demoram a cicatrizar, pode ser necessário procurar orientação médica. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é afta?

    A afta é uma pequena ferida que aparece na parte interna da boca, como na língua, gengiva, bochechas ou lábios. Ela costuma ser arredondada, com o centro esbranquiçado ou amarelado e uma borda avermelhada ao redor, e pode causar bastante dor, principalmente ao falar, comer ou escovar os dentes.

    Diferente do herpes, a afta não é contagiosa e ocorre sempre na parte interna da cavidade bucal, nunca do lado de fora dos lábios.

    Quais os tipos de afta?

    As aftas podem ser classificadas de acordo com o tamanho, a quantidade e a intensidade dos sintomas:

    • Afta menor (afta comum): é a mais frequente, sendo pequenas, arredondadas, superficiais e bastante dolorosas, mas não deixam cicatriz. Elas costumam desaparecer sozinhas em 7 a 14 dias;
    • Afta maior: é menos comum, porém mais intensa. As lesões são maiores, mais profundas, podem demorar mais para cicatrizar (até semanas) e, em alguns casos, deixam cicatriz. A dor costuma ser mais forte;
    • Afta herpetiforme: apesar do nome, não tem relação com herpes. Aparece em forma de várias pequenas lesões agrupadas, que podem se juntar e formar áreas maiores. Costuma ser bastante dolorosa e pode surgir com mais frequência em algumas pessoas

    O que causa afta na boca?

    A causa da afta na boca nem sempre é clara, mas ela pode surgir por diversos fatores do dia a dia, que irritam a mucosa ou deixam o organismo mais sensível:

    • Pequenos traumas locais, como mordidas acidentais, uso de aparelhos ortodônticos, próteses mal ajustadas ou escovação muito forte;
    • Períodos de estresse, cansaço extremo ou situações que reduzem a imunidade, facilitando o aparecimento das lesões;
    • Consumo frequente de alimentos mais ácidos, como abacaxi, kiwi e tomate, ou de comidas muito condimentadas, que podem irritar a mucosa da boca;
    • Deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, ferro, ácido fólico e zinco, que são importantes para a saúde da mucosa oral;
    • Alterações hormonais, que podem explicar o surgimento de aftas em alguns períodos específicos, como durante o ciclo menstrual.

    Além disso, algumas pessoas têm uma predisposição natural a desenvolver aftas com mais frequência, o que pode estar relacionado a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade da mucosa oral.

    Quando é preciso se preocupar?

    Apesar das aftas serem comuns, vale a pena buscar orientação de um dentista ou clínico geral se:

    • A afta for excepcionalmente grande (maior que 1 cm de diâmetro) ou se surgirem várias feridas ao mesmo tempo;
    • A ferida demorar mais de 3 semanas para desaparecer completamente;
    • A dor for intensa e não apresentar melhora mesmo com o uso de analgésicos comuns ou pomadas tópicas;
    • O surgimento das lesões vier acompanhado de febre, mal-estar geral, cansaço excessivo ou gânglios inchados no pescoço (“ínguas”);
    • As aftas forem recorrentes, surgindo quase todos os meses, o que pode indicar deficiências vitamínicas, intolerâncias alimentares ou doenças inflamatórias intestinais;
    • Se a dor impedir completamente a hidratação, especialmente em crianças e idosos, devido ao risco de desidratação.

    Nesses casos, o médico ou dentista poderá prescrever tratamentos mais específicos, como corticoides de uso local, ou solicitar exames de sangue para verificar os níveis de ferro, ferritina e vitaminas do complexo B.

    O que é bom para afta na boca?

    As aftas pequenas normalmente não precisam de tratamento e desaparecem sozinhas em até 15 dias, mas alguns cuidados podem acelerar o processo:

    • Manter a higiene bucal adequada, com escovação suave e uso de fio dental;
    • Fazer bochechos com água morna e sol, que ajudam a limpar a região e reduzir a inflamação;
    • Usar pomadas ou géis específicos para afta, que formam uma camada protetora e aliviam a dor;
    • Optar por alimentos mais frios e macios, que não irritam a lesão;
    • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
    • Evitar alimentos ácidos, muito quentes ou condimentados, que podem piorar a dor.

    Em alguns casos, o médico ou dentista pode indicar medicamentos com ação analgésica, anti-inflamatória ou até suplementos vitamínicos, quando há deficiência nutricional envolvida.

    Importante: evite usar bicarbonato de sódio puro diretamente sobre a afta, pois ele pode causar uma queimadura química na mucosa e piorar o tamanho da ferida, retardando a cicatrização.

    Dicas para prevenir o surgimento de aftas

    No dia a dia, pequenos ajustes nos hábitos podem reduzir drasticamente a frequência das crises de afta, como:

    • Usar escovas de cerdas macias e cabeça pequena para evitar machucar a boca;
    • Preferir cremes dentais sem lauril sulfato de sódio (LSS), caso tenha aftas frequentes;
    • Ajustar aparelhos ortodônticos ou próteses quando estiverem incomodando;
    • Observar alimentos que podem desencadear aftas, como os muito ácidos ou crocantes;
    • Manter uma alimentação rica em vitamina B12, ferro e ácido fólico;
    • Controlar o estresse com hábitos como atividade física e sono regular;
    • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
    • Evitar morder a parte interna da boca;
    • Não colocar objetos na boca, como canetas ou unhas.

    Além dos cuidados diários, o recomendado é visitar o dentista a cada seis meses para realizar uma limpeza profissional e uma avaliação completa da boca. O profissional pode identificar precocemente alterações na mucosa e indicar o melhor tratamento, evitando que pequenos problemas se tornem recorrentes.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para uma afta sumir?

    Em média, de 7 a 15 dias. Se a lesão persistir por mais de 3 semanas, é fundamental procurar um médico ou dentista.

    2. O que causa afta constante?

    Pode ser sinal de imunidade baixa, estresse crônico, carências vitamínicas (principalmente B12 e Ferro) ou sensibilidade a certos alimentos e componentes de cremes dentais.

    3. Afta na garganta é perigosa?

    Geralmente não, mas é muito desconfortável. Pode dificultar a deglutição e, se vier acompanhada de febre, deve ser avaliada para descartar infecções como a amigdalite.

    4. Bebês podem ter aftas?

    Sim. Em bebês, é comum ocorrer devido a traumas com brinquedos ou infecções virais (como a estomatite). É importante consultar o pediatra para o manejo da dor.

    5. Afta pode ser sinal de HIV?

    Aftas muito grandes, múltiplas e que não cicatrizam podem ocorrer em diversas condições de imunossupressão, mas apenas um exame de sangue pode dar esse diagnóstico.

    6. Qual a diferença entre estomatite e afta?

    A afta é a lesão em si. A estomatite é o nome dado a qualquer inflamação ou infecção na boca que cause o surgimento de várias aftas ou feridas ao mesmo tempo.

  • Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Receber a notícia de que uma cirurgia será feita com anestesia geral costuma disparar uma série de medos. O principal deles é o receio de dormir e não acordar mais. A partir daí, surgem outras preocupações, como medo de acordar durante o procedimento ou de ter alguma reação grave aos medicamentos.

    Esses receios são compreensíveis, mas nem sempre correspondem ao que acontece na prática. Hoje, a anestesia geral é considerada muito segura, especialmente quando há avaliação pré-operatória adequada, revisão do histórico do paciente e monitorização contínua durante todo o procedimento.

    Isso não significa que seja isenta de riscos, mas significa que ela é feita com protocolos, equipamentos e acompanhamento altamente estruturados.

    O que é anestesia geral?

    A anestesia geral é um estado induzido por medicamentos que provoca inconsciência, ausência de dor e, em muitas cirurgias, relaxamento muscular. Em outras palavras, não é apenas dormir. É um controle médico do nível de consciência e das respostas do corpo para que o procedimento aconteça com segurança e sem sofrimento.

    Dependendo da cirurgia, a anestesia pode envolver medicamentos aplicados na veia, medicamentos inalatórios ou uma combinação dos dois. O anestesiologista ajusta essa estratégia conforme o tipo de procedimento, o tempo de cirurgia, a condição clínica do paciente e outras variáveis importantes.

    O que acontece no corpo durante a anestesia?

    Durante a anestesia geral, o cérebro deixa de perceber a dor e perde a consciência de forma reversível. Ao mesmo tempo, o médico anestesista monitora e, quando necessário, ajuda em funções como respiração, pressão arterial e frequência cardíaca. Isso é uma parte essencial do processo.

    Em muitas cirurgias, um tubo ou outro dispositivo é usado para ajudar na via aérea e na ventilação. Isso pode parecer assustador quando descrito antes, mas faz parte justamente da segurança do procedimento.

    A anestesia, portanto, é um acompanhamento ativo do organismo do começo ao fim.

    Então a anestesia geral é segura?

    Sim. Hoje, ela é considerada muito segura na grande maioria dos pacientes. Os serviços de anestesia usam equipamentos de monitorização, protocolos de segurança e avaliação pré-operatória para reduzir riscos.

    Problemas graves existem, mas são incomuns. Hospitais e serviços bem estruturados trabalham justamente para identificar risco antes, durante e depois da cirurgia.

    Isso também ajuda a explicar por que o medo de não acordar costuma ser maior do que o risco real na maioria dos casos. O risco anestésico não depende só da anestesia em si, mas do estado clínico da pessoa, da cirurgia proposta e das doenças associadas.

    Quais efeitos são mais comuns depois da anestesia?

    Os efeitos mais frequentes costumam ser leves e passageiros. Náusea, vômito, dor de garganta, sonolência, confusão momentânea e calafrios podem acontecer no pós-operatório, mas tendem a ser monitorados e tratados pela equipe.

    A confusão ao acordar, por exemplo, pode ser temporária. Em idosos, esse período pode ser um pouco mais delicado, e por isso a equipe costuma observar o despertar com atenção redobrada.

    Quais riscos realmente existem?

    Complicações sérias existem, mas são incomuns. Entre elas, estão reação alérgica importante a algum medicamento, dificuldade respiratória, lesões em dentes ou boca causadas pelo manejo da via aérea, e, mais raramente, complicações específicas como hipertermia maligna em pessoas suscetíveis.

    Isso não significa que toda pessoa precise se preocupar intensamente com esses eventos, e sim que o médico anestesista trabalha para preveni-los, reconhecê-los cedo e tratá-los rapidamente se ocorrerem. Segurança em anestesia envolve justamente prever risco e agir antes que ele vire problema.

    Quem costuma ter risco maior?

    O risco tende a ser maior em pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, renais, história recente de AVC, uso intenso de álcool ou múltiplos medicamentos, entre outros fatores clínicos. Idade avançada, isoladamente, não é o único problema; a saúde geral e a presença de comorbidades pesam bastante na avaliação.

    É por isso que a consulta pré-anestésica é tão importante. Nela, a equipe revisa doenças, medicações, alergias, cirurgias anteriores, hábitos de saúde e exames. Quanto mais informação correta, melhor a preparação.

    Dá para acordar no meio da cirurgia?

    Esse é um dos medos mais famosos, mas é raro. O chamado awareness, ou percepção intraoperatória, é incomum, e o monitoramento anestésico existe justamente para manter a profundidade adequada da anestesia.

    Como reduzir riscos antes da cirurgia?

    Aqui entram medidas simples, mas muito importantes. Contar à equipe sobre medicamentos em uso, uso de álcool, doenças prévias, alergias e reações anteriores à anestesia faz diferença real. Seguir o jejum prescrito e as orientações médicas também é parte da segurança.

    Pessoas que usam medicamentos agonistas do GLP-1, que retardam o esvaziamento gástrico, precisam seguir as orientações de suspensão do medicamento de acordo com a orientação médica e jamais esconder essa informação do cirurgião e anestesista.

    O paciente não precisa controlar a anestesia, mas pode colaborar muito com a segurança sendo honesto, atento e seguindo as recomendações.

    Preciso ter medo?

    Medo e respeito são coisas diferentes. É razoável ter receio de algo desconhecido, mas a anestesia geral não deve ser vista como um evento misterioso ou inevitavelmente perigoso. Ela é uma prática médica altamente estudada, monitorada e aprimorada há décadas.

    A melhor forma de lidar com esse medo costuma ser conversar com a equipe, esclarecer dúvidas e entender que a anestesia faz parte do cuidado.

    Confira:

    Checklist cardíaco antes da cirurgia: veja como garantir uma operação mais segura

    Perguntas frequentes sobre anestesia geral

    1. Anestesia geral é segura?

    Sim, na maioria dos casos ela é considerada muito segura, com monitorização contínua.

    2. Posso não acordar da anestesia?

    Esse medo é comum, mas eventos fatais diretamente ligados à anestesia são muito raros.

    3. É normal ficar confuso ao acordar?

    Sim, uma confusão breve pode ocorrer, especialmente em idosos.

    4. Náusea depois da anestesia é comum?

    Sim, náusea e vômito estão entre os efeitos mais frequentes do pós-operatório.

    5. Vou sentir dor durante a cirurgia?

    Não. A anestesia geral é feita justamente para impedir dor e consciência durante o procedimento.

    6. Acordar no meio da cirurgia pode acontecer?

    É raro que isso aconteça.

    7. O que mais aumenta o risco anestésico?

    Doenças prévias, uso de certos medicamentos, problemas cardíacos e pulmonares, entre outros fatores clínicos.

    Veja mais:

    Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

  • TEA: como identificar os sinais de autismo na infância

    TEA: como identificar os sinais de autismo na infância

    O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode se manifestar ainda na primeira infância, mas cada criança apresenta características próprias. Nem sempre os sinais são claros logo no início, e, em muitos casos, eles aparecem de forma sutil, no jeito de se comunicar, de brincar ou de interagir com o mundo ao redor.

    Mas afinal, como os pais podem identificar os sinais no dia a dia? O desenvolvimento infantil tende a variar de criança para criança, mas existem marcos esperados que, quando não atingidos ou quando apresentam atrasos significativos, devem servir de alerta para os pais e responsáveis.

    É importante observar não apenas o que a criança faz, mas também a forma como ela reage a estímulos externos, como sons, toques e ao contato social.

    Com quantos anos aparecem os primeiros sinais de autismo?

    Os primeiros sinais de autismo podem aparecer ainda no primeiro ano de vida, normalmente entre os 6 e 12 meses, embora nem sempre sejam fáceis de perceber. Em muitos casos, eles ficam mais evidentes por volta dos 18 aos 24 meses, fase em que atrasos na fala e diferenças na interação social chamam mais atenção.

    Nos primeiros meses, os indícios tendem a ser mais sutis, como pouca troca de olhar, menor resposta ao nome ou pouco interesse por interação. Mas, à medida que a criança cresce, os pais podem perceber sinais mais claros, como atraso na linguagem, pouco interesse por outras crianças ou comportamentos repetitivos.

    Principais sinais de alerta de autismo por faixa etária

    Primeiros meses (até 12 meses)

    Nesta fase, os sinais são predominantemente sensoriais e de interação social básica. Como a fala ainda não surgiu, o foco deve ser na resposta aos estímulos dos pais:

    • O bebê não sorri de volta quando os pais sorriem ou brincam com ele;
    • Dificuldade em sustentar o olhar durante a amamentação ou trocas de fralda;
    • Por volta dos 9 meses, a criança parece não ouvir quando é chamada, embora não tenha problemas auditivos;
    • O bebê não estica os braços para ser pego no colo e não demonstra empolgação com brincadeiras de “cadê/achou”;
    • Parece mais quieto ou menos interessado nas pessoas ao redor.

    De 12 a 24 meses de idade

    Nessa faixa etária, as diferenças de comportamento costumam ficar mais visíveis, principalmente na comunicação não verbal e na forma como a criança se conecta com as pessoas ao redor:

    • A criança não aponta para mostrar algo interessante, não acena “tchau”, não manda beijo e não usa gestos para pedir ou compartilhar algo;
    • Quando um adulto aponta para um objeto ou chama atenção para algo, a criança não acompanha o olhar ou o gesto, como se não dividisse aquele momento;
    • Não tenta chamar o adulto para brincar, não mostra objetos espontaneamente e não busca dividir descobertas;
    • Em vez de usar o brinquedo de forma funcional (como empurrar um carrinho), a criança pode focar em partes específicas, como girar rodas, abrir e fechar objetos ou enfileirar itens repetidamente;
    • Dificuldade em imitar gestos simples, expressões faciais ou ações do dia a dia;
    • Reações intensas a sons (como aspirador ou liquidificador), incômodo com certas roupas, etiquetas ou texturas de alimentos;
    • Mesmo sem alterações auditivas, pode não responder quando chamada.

    De 2 a 3 anos de idade

    Nesta idade, o foco é para a linguagem e o início da interação com outras crianças:

    • A criança não fala palavras isoladas ou não começa a formar frases simples, como “quer água” ou “dá bola”;
    • Pode deixar de falar palavras que já utilizava ou reduzir interações que antes fazia;
    • Repete falas de desenhos, músicas ou frases ouvidas, muitas vezes sem intenção de comunicação funcional;
    • Usa pouco a fala para pedir, compartilhar ou expressar necessidades, podendo puxar o adulto ou usar gestos de forma limitada;
    • Prefere brincar sozinha, sem buscar interação ou troca com pares da mesma idade;
    • Pouca presença de brincadeiras de faz de conta, como fingir que dá comida para uma boneca ou simular situações do cotidiano;
    • Reage com irritação ou crises intensas diante de alterações na rotina, mesmo que pequenas;
    • Movimentos ou ações repetidas, como girar objetos, alinhar brinquedos ou repetir atividades de forma rígida.

    De 4 a 6 anos (idade pré-escolar)

    Com o aumento das demandas sociais, mesmo os sinais mais sutis podem se sobressair:

    • Interesses muito específicos com foco intenso em temas restritos, como dinossauros, mapas, números ou marcas, com dificuldade em ampliar o repertório;
    • Dificuldade com regras sociais, com pouca compreensão de turnos de fala, dificuldade em esperar a vez e em seguir regras em grupo;
    • Desafios na interação social, com dificuldade em iniciar ou manter conversas e em interpretar expressões faciais e emoções;
    • Comunicação literal, com interpretação ao pé da letra e dificuldade em entender ironias, metáforas ou brincadeiras;
    • Estereotipias motoras, com movimentos repetitivos como balançar o corpo, bater as mãos ou andar na ponta dos pés;
    • Rigidez de comportamento, com preferência por rotinas estruturadas e desconforto diante de mudanças;
    • Sensibilidade sensorial persistente, com incômodo diante de sons, luzes, cheiros ou texturas específicas.

    Como diferenciar atraso de fala de autismo?

    Nem toda criança que demora para falar está dentro do espectro autista. Na verdade, o atraso de fala pode acontecer de forma isolada, sem estar associada a outras alterações no desenvolvimento. Já no autismo, além da linguagem, existem diferenças na comunicação social e no comportamento.

    No dia a dia, os pais ou responsáveis podem observar como a criança se comunica e interage, e não apenas se ela fala ou não. No atraso de fala isolado, ela frequentemente demonstra vontade de se comunicar. Mesmo sem usar palavras, a criança aponta para o que deseja, faz gestos, olha nos olhos e busca a atenção do adulto para compartilhar interesses.

    Além disso, a criança costuma responder ao nome, entender comandos simples e se envolver em brincadeiras adequadas para a idade, incluindo o faz de conta. A intenção de comunicação está presente, mesmo que a fala ainda não tenha se desenvolvido como esperado.

    Já no transtorno do espectro autista, ela pode apresentar menor interesse em interações sociais, pouco contato visual, dificuldade em responder ao nome e menos uso de gestos para se comunicar.

    Em muitos casos, há também desafios na compreensão da linguagem, além de comportamentos repetitivos, interesses restritos e uma forma diferente de brincar, mais focada em padrões do que em significado simbólico.

    O autismo pode surgir apenas na vida adulta?

    Como o autismo é um transtorno de neurodesenvolvimento, a neurologista Paula Dieckmann aponta que ele está presente desde o momento que a pessoa nasce. Logo, não é possível uma pessoa desenvolver o espectro apenas na vida adulta.

    O que acontece é que, em muitos casos, os sinais são sutis o suficiente para não serem identificados precocemente, levando a um diagnóstico tardio. Isso é comum especialmente em pessoas em nível 1 de suporte.

    O que fazer após notar os sinais de alerta?

    Se a criança apresentar vários dos sinais, de forma frequente, o mais indicado é procurar um especialista em desenvolvimento infantil. Nos primeiros anos de vida, o cérebro ainda tem uma capacidade enorme de adaptação, e quanto mais cedo o suporte começar, maiores as chances de um desenvolvimento melhor.

    Na consulta, o profissional poderá indicar uma avaliação mais detalhada, que costuma envolver uma equipe multidisciplinar, com neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais, dependendo do caso.

    Segundo Paula, como o autismo tem uma base genética importante, pode ser necessário um aconselhamento genético, porque existe uma chance maior de outro filho (se houver) também apresentar o espectro.

    Vale lembrar que receber uma indicação de avaliação não é motivo para pânico, mas sim uma chance de oferecer o estímulo correto no momento em que a criança mais precisa. Com o acompanhamento adequado, as dificuldades tendem a diminuir, e a família tem mais segurança para entender e apoiar o jeito único do filho de se desenvolver e se relacionar com o mundo.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. Bebês com autismo costumam sorrir?

    Muitos bebês autistas podem sorrir, mas a falta do “sorriso social”, aquele que ocorre em resposta ao sorriso ou à brincadeira de outra pessoa, é um sinal de alerta.

    2. O que são as estereotipias motoras na infância?

    São movimentos repetitivos sem uma função óbvia, como abanar as mãos (flapping), balançar o corpo ou andar na ponta dos pés, comuns quando a criança está animada ou ansiosa.

    3. Crianças autistas podem ser muito sensíveis a barulhos?

    Sim. A hipersensibilidade sensorial é comum, fazendo com que a criança tape os ouvidos ou entre em crise com sons do dia a dia, como o aspirador ou secadores de mãos.

    4. O que é a ecolalia?

    É a repetição de frases, palavras ou diálogos de desenhos animados e filmes, sem intenção comunicativa imediata, comum no desenvolvimento de crianças no espectro.

    5. O pediatra geral consegue diagnosticar o autismo?

    O pediatra identifica os sinais de alerta e faz o rastreio inicial, mas o diagnóstico definitivo deve ser feito por especialistas como neuropediatras ou psiquiatras infantis.

    6. O que observar na interação com outras crianças?

    Observe se a criança tenta participar nas brincadeiras dos pares ou se permanece na periferia. No autismo, é comum a criança brincar ao lado das outras, mas não com as outras, sem trocar brinquedos ou seguir regras de grupo.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

  • 6 sinais de alerta da doença de Parkinson 

    6 sinais de alerta da doença de Parkinson 

    A doença de Parkinson costuma ser lembrada, quase sempre, por um sinal muito específico: o tremor. Mas a realidade é mais ampla do que isso. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem de forma discreta, se confundem com cansaço, envelhecimento ou perda de agilidade, e acabam demorando a chamar atenção.

    Isso ajuda a explicar por que tanta gente só procura avaliação quando os sintomas já estão mais evidentes.

    O Parkinson trata-se de uma doença neurológica progressiva, ligada à degeneração de neurônios produtores de dopamina, substância importante para o controle dos movimentos.

    Ela afeta principalmente a motricidade, mas também pode trazer sintomas não motores, como alterações do sono, do olfato e do intestino. Isso significa que o Parkinson não começa, necessariamente, com um quadro clássico. Muitas vezes, os sinais vão se somando aos poucos.

    O que é a doença de Parkinson?

    A doença de Parkinson é um distúrbio do movimento. O cérebro perde, progressivamente, neurônios que produzem dopamina, e isso compromete a forma como o corpo inicia e coordena movimentos. Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra, tanto em intensidade quanto em velocidade de progressão.

    Os sinais motores mais típicos costumam ser:

    • Tremor de repouso;
    • Rigidez;
    • Lentidão;
    • Alterações na marcha e no equilíbrio.

    Embora seja mais frequente em pessoas mais velhas, o Parkinson não deve ser visto como uma consequência normal da idade. Tremores persistentes, rigidez crescente e dificuldade para realizar movimentos do dia a dia não devem ser naturalizados.

    Quanto mais cedo o quadro é reconhecido, mais cedo a pessoa pode iniciar tratamento, fisioterapia, atividade física orientada e acompanhamento neurológico.

    Por que reconhecer os sinais cedo faz diferença?

    O Parkinson ainda não tem cura, mas tem tratamento. E esse tratamento não se resume a remédio. A abordagem costuma envolver também reabilitação, atividade física, estratégias para fala, equilíbrio e funcionalidade.

    Em outras palavras, reconhecer os sinais cedo não muda só o diagnóstico, mas também o tempo de intervenção e o impacto da doença na autonomia da pessoa.

    Além disso, nem todo tremor é Parkinson, e nem toda lentidão indica uma doença neurodegenerativa. Justamente por isso, observar o conjunto dos sintomas é tão importante.

    O diagnóstico é clínico e depende da avaliação médica da combinação entre sinais motores e da sua evolução ao longo do tempo.

    6 sinais de alerta de doença de Parkinson

    1. Tremor em repouso

    Esse é o sinal mais conhecido, mas não está presente em todos os pacientes. O tremor do Parkinson costuma aparecer quando a parte do corpo está parada, principalmente em mãos e dedos, e tende a melhorar durante o movimento voluntário. Também pode surgir em queixo, pés ou, em alguns casos, de forma mais evidente em um lado do corpo.

    O ponto importante aqui é a persistência. Um tremor passageiro, depois de esforço físico, estresse ou excesso de cafeína, pode ter outra explicação. Já um tremor recorrente, especialmente em repouso, merece investigação.

    2. Lentidão para se mover

    A bradicinesia, ou lentidão motora, é um dos sinais centrais do Parkinson. A pessoa passa a demorar mais para iniciar movimentos, sente que o corpo não responde com a mesma rapidez e pode perceber dificuldade para tarefas simples, como levantar da cadeira, abotoar roupas ou começar a andar.

    Esse tipo de lentidão é uma redução real da velocidade e da amplitude dos movimentos, muitas vezes acompanhada de esforço aumentado para fazer atividades comuns. Em algumas pessoas, isso aparece antes mesmo do tremor.

    3. Rigidez muscular

    Outro sinal frequente é a rigidez. Ela pode dar a sensação de músculos duros, travados ou resistentes ao movimento. Às vezes, a pessoa não descreve isso como rigidez, mas como dor, incômodo ou dificuldade para mexer braços, pernas, pescoço ou ombros.

    Essa rigidez pode afetar a marcha, a postura e até a forma de balançar os braços ao caminhar. Quando progressiva, costuma interferir bastante no conforto e na mobilidade.

    4. Alterações no caminhar e no equilíbrio

    No Parkinson, a marcha pode mudar. A pessoa passa a caminhar com passos mais curtos, arrastando mais os pés, com postura inclinada para frente e menor balanço dos braços. Conforme a doença evolui, o equilíbrio também pode ser afetado, aumentando o risco de tropeços e quedas.

    5. Mudança na escrita

    A letra pode ficar progressivamente menor, mais apertada e difícil de ler. Esse achado é conhecido como micrografia e pode ser uma pista útil, principalmente quando surge em pessoas que antes escreviam de forma diferente.

    Como a escrita envolve coordenação fina, velocidade e controle de movimento, ela costuma refletir mudanças motoras precoces. Nem sempre é um sintoma valorizado pelo paciente, mas às vezes chama a atenção da família.

    6. Rosto mais parado e menos expressivo

    A redução da expressão facial também é um sinal possível. A pessoa pode parecer mais séria, piscar menos ou transmitir a impressão de que está com o rosto mais rígido, mesmo sem perceber isso.

    Esse sinal costuma passar despercebido no começo, mas pode ser observado por familiares ou amigos. Quando aparece junto com lentidão, rigidez e alteração da marcha, ganha relevância clínica.

    Outros sinais que também podem aparecer

    A doença de Parkinson também pode causar sintomas não motores. Entre eles estão:

    • Diminuição do olfato;
    • Constipação intestinal;
    • Alterações do sono;
    • Fadiga;
    • Ansiedade;
    • Depressão.

    Em algumas pessoas, esses sintomas surgem antes mesmo dos sinais motores clássicos.

    Quando procurar um médico?

    Vale procurar um neurologista ou clínico geral se houver:

    • Tremor persistente;
    • Rigidez;
    • Lentidão progressiva;
    • Alteração da escrita;
    • Mudança na marcha;
    • Perda de equilíbrio.

    Também vale investigar quando familiares percebem mudanças motoras que a própria pessoa minimiza.

    Veja mais:

    Tremores, lentidão e rigidez: o que é e como tratar o Parkinson

    Perguntas frequentes sobre doença de Parkinson

    1. Tremor sempre significa Parkinson?

    Não. Existem várias causas de tremor, incluindo estresse, medicamentos e tremor essencial.

    2. Parkinson só acontece em idosos?

    É mais comum após os 60 anos, mas pode ocorrer antes disso.

    3. O Parkinson afeta só os movimentos?

    Não. Também pode causar sintomas não motores, como constipação, alterações do sono e de humor.

    4. A doença tem cura?

    Não tem cura, mas tem tratamento para controle dos sintomas.

    5. A escrita menor pode ser um sinal real?

    Sim. A micrografia é um sinal possível da doença.

    6. Toda pessoa com Parkinson tem tremor?

    Não. O tremor é comum, mas não aparece em todos os casos.

    7. Exercício físico ajuda?

    Sim. Atividade física e fisioterapia são consideradas partes importantes do cuidado.

    Confira:

    Exames de sangue: como pequenas alterações podem indicar tendência futura?

  • 5 sintomas de hemorroida que não devem ser ignorados 

    5 sintomas de hemorroida que não devem ser ignorados 

    As hemorroidas são veias dilatadas e inflamadas na região anal ou retal, que surgem quando a pressão nos vasos sanguíneos da área aumenta excessivamente. Isso pode acontecer por esforço físico ao evacuar, sedentarismo prolongado ou mesmo devido a gravidez, já que o crescimento do bebê aumenta a pressão pélvica e comprime os vasos sanguíneos locais.

    A partir da dilatação das veias, começam a aparecer os primeiros sintomas de hemorroidas, que variam conforme o tipo de hemorroida (interna ou externa) e o grau de inflamação.

    Quais os sintomas de hemorroidas?

    1. Coceira persistente (prurido)

    A coceira é um dos primeiros sinais a aparecer em um quadro hemorroidas, especialmente nas externas. Como a pele da região é muito sensível, qualquer irritação causada pela inflamação das veias, pelo atrito ou pela umidade local pode desencadear uma coceira persistente. Com o tempo, o ato de coçar pode causar mais irritação e aumentar o desconforto.

    Vale lembrar que a coceira frequente também pode estar relacionada a outros fatores, como higiene inadequada e dermatites na região, o que torna importante a avaliação médica.

    2. Pequenos caroços

    A presença de pequenas protuberâncias (do tamanho de grãos de feijão) na borda do ânus indica que o sangue pode estar coagulado dentro da veia. O processo, conhecido como trombose hemorroidária, é a complicação mais comum na condição e costuma provocar dor intensa e súbita, além de endurecimento e aumento do volume local.

    Nesses casos, a região pode ficar mais sensível ao toque, com vermelhidão e dificuldade para sentar ou evacuar.

    3. Inchaço ou sensação de peso

    Antes mesmo da dor aparecer, você pode sentir aquele desconforto ao sentar em superfícies duras ou a sensação de latejamento na região após longos períodos em pé.

    Com o aumento da pressão intra-abdominal, seja por esforço ou má postura, as veias hemorroidais se enchem de sangue e aumentam de tamanho, criando a sensacão de que há algo sendo empurrado de dentro para fora no canal anal.

    4. Dor intensa

    As hemorroidas tendem a ser indolores nos estágios iniciais, especialmente quando são internas, mas podem causar dor intensa à medida que o quadro piora.

    Ela normalmente está associada à formação de fissuras anais, que são pequenos cortes ou rachaduras no revestimento do ânus, causados pela passagem de fezes muito endurecidas em pacientes que convivem com prisão de ventre. A dor costuma ser mais intensa durante ou após as evacuações.

    5. Sangramentos

    O sangramento é mais comum nas hemorroidas internas, porque o tecido da região é mais delicado e sangra com facilidade. Na maioria das vezes, o sangue é vermelho vivo e pode aparecer no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário após evacuar.

    Como o sangramento também pode estar relacionado a outras condições mais sérias, como pólipos ou câncer colorretal, qualquer episódio deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Qual a diferença entre hemorroida interna e externa?

    A diferença entre a hemorroida interna e a hemorroida externa está principalmente na localização, nos sintomas e no tipo de desconforto que causam:

    • Internas: se formam dentro do resto, acima da abertura anal, e são revestidas por uma mucosa, uma espécie de tecido semelhante ao da parte interna da bochecha. Normalmente não causam dor, mas podem levar ao sangramento durante as evacuações;
    • Externas: são veias que se projetam para fora do ânus, normalmente devido a um esforço intenso para evacuar. Elas costumam causar dor, ardor, inchaço e desconforto, principalmente ao sentar ou evacuar, sendo bastante sensível ao toque. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de um coágulo (trombose), o que intensifica a dor e o inchaço local.

    O diagnóstico de hemorroidas é feito durante uma consulta médica, a partir da avaliação dos sintomas e de um exame físico da região anal. O médico pode observar diretamente a área para identificar hemorroidas externas e realizar o toque retal para avaliar alterações internas.

    Quando o profissional suspeita de hemorroidas internas, pode ser indicada uma anuscopia, um exame simples que permite visualizar o interior do canal anal.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Hemorroida pode virar câncer?

    Não. As hemorroidas são varizes (veias dilatadas) e não têm nenhuma relação biológica com o câncer. No entanto, como ambas as condições podem causar sangramento anal, é fundamental que um médico realize o diagnóstico para descartar doenças mais graves.

    2. Quem tem hemorroida precisa de cirurgia?

    A grande maioria dos casos (cerca de 80% a 90%) é tratada com mudanças na dieta, aumento da ingestão de água, pomadas específicas e banhos de assento. A cirurgia é reservada para graus avançados ou quando o tratamento clínico não funciona.

    3. Por que grávidas têm mais chance de ter hemorroidas?

    O aumento do volume do útero pressiona as veias da região pélvica e o aumento do hormônio progesterona relaxa as paredes das veias, facilitando a dilatação. Além disso, a constipação é comum na gestação, o que agrava o quadro.

    4. O que é o banho de assento e como ele ajuda?

    É o ato de sentar em uma bacia com água morna por 10 a 15 minutos. A temperatura da água promove o relaxamento do esfíncter anal e melhora a circulação local, reduzindo significativamente a dor e o inchaço.

    5. Quanto tempo dura uma crise de hemorroida?

    Uma crise aguda costuma durar de 7 a 10 dias com o tratamento adequado. Se houver trombose (um coágulo endurecido), o desconforto pode persistir por algumas semanas até que o corpo reabsorva o coágulo.

    6. Qual a melhor posição para evacuar?

    A posição de cócoras (com os pés elevados em um banquinho à frente do vaso) é a mais anatômica. Ela relaxa o músculo puborretal e retifica o canal anal, exigindo muito menos esforço para a saída das fezes.

    7. Sexo anal causa hemorroidas?

    A prática em si não causa hemorroidas, mas se já houver uma inflamação ou dilatação presente, o atrito pode causar dor, sangramento e agravar os sintomas. O uso de lubrificação adequada e o relaxamento são necessários.

    Veja também: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

  • Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    A escolha de um método contraceptivo nem sempre é simples, e pode ficar ainda mais delicada no caso de pessoas que convivem com enxaqueca. Com as flutuações hormonais, as crises podem se tornar mais frequentes ou intensas, especialmente quando há uso de métodos que contêm estrogênio.

    Além do desconforto, em alguns casos, como na enxaqueca com aura, o uso de determinados anticoncepcionais pode aumentar o risco de complicações, como o acidente vascular cerebral (AVC).

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou alguns critérios para ajudar a escolher o método contraceptivo mais adequado para cada mulher, de acordo com a sua saúde. A seguir, vamos entender melhor como isso funciona.

    Afinal, quem tem enxaqueca pode tomar anticoncepcional?

    Pessoas que convivem com enxaqueca podem usar anticoncepcional, mas nem todos os métodos são indicados. A escolha depende principalmente de dois fatores: a presença de aura e o tipo de hormônio presente no contraceptivo.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, existem critérios que classificam cada método de acordo com a condição de saúde da mulher. A escala vai de 1 a 4 e serve como o principal guia para o médico:

    • Categoria 1: totalmente indicado, podendo inclusive trazer benefícios;
    • Categoria 2: aceitável e seguro para o uso;
    • Categoria 3: não é totalmente contraindicado, mas exige cautela extrema e deve ser usado apenas se não houver outra opção;
    • Categoria 4: contraindicado (risco à saúde).

    Qual a relação entre o estrogênio e a enxaqueca?

    O estrogênio atua diretamente na sensibilidade do sistema nervoso e no funcionamento dos vasos cerebrais, sendo o principal gatilho hormonal para a enxaqueca, segundo Andreia. Quando passa pelo processo de metabolização no fígado, ele pode influenciar substâncias relacionadas à dor, como a serotonina, além de alterar a forma como os vasos se contraem e se dilatam.

    Como resultado, tanto o excesso circulante quanto a queda brusca dos níveis do hormônio no organismo podem desencadear crises, especialmente em mulheres mais sensíveis a essas variações.

    Além da dor, o uso do estrogênio também está associado a um aumento do risco de trombose, já que pode interferir na coagulação do sangue, o que se torna especialmente perigoso para quem tem enxaqueca com aura, devido à maior predisposição ao AVC.

    Por isso, métodos combinados que utilizam estrogênio são frequentemente substituídos por opções sem hormônios ou apenas com progesterona.

    Quais os métodos anticoncepcionais indicados para quem tem enxaqueca?

    De maneira geral, a prioridade é evitar o estrogênio, principalmente nos casos com aura, e optar por alternativas mais seguras, como aponta Andreia:

    1. DIU de cobre

    Por não possuir nenhum tipo de hormônio, é considerado o método mais seguro (categoria 1) para qualquer tipo de enxaqueca. Ele não interfere no ciclo hormonal, então não atua como gatilho para crises, embora possa aumentar o fluxo menstrual em algumas mulheres.

    2. DIU hormonal (Mirena e Kyleena)

    O DIU hormonal libera uma dose baixa de progesterona diretamente no útero, com uma absorção sistêmica mínima. Normalmente é classificado como categoria 2, sendo seguro inclusive para quem precisa evitar picos hormonais.

    3. Implante subdérmico

    O método libera apenas progesterona de forma contínua e constante, evitando as oscilações que costumam disparar a dor de cabeça. Por não conter estrogênio, é uma opção segura para reduzir o risco vascular associado às crises de enxaqueca.

    4. Pílulas de progesterona isolada (minipílula)

    Diferente das pílulas combinadas, as minipílulas não contém estrogênio. Elas são indicadas para mulheres que preferem o método oral, mas precisam de uma composição que não agrave as crises de dor ou aumente o risco de eventos mais graves, como o AVC.

    5. Métodos de barreira

    O uso de preservativos (masculinos ou femininos) também é uma alternativa livre de riscos para a enxaqueca, podendo ser utilizado isoladamente ou como complemento a outros métodos para garantir proteção extra contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    Quais métodos devem ser evitados?

    Os métodos que devem ser evitados por quem tem enxaqueca são aqueles conhecidos como contraceptivos hormonais combinados, sendo eles:

    • Pílulas anticoncepcionais combinadas (estrogênio e progesterona);
    • Injetáveis mensais;
    • Anel vaginal;
    • Adesivo contraceptivo.

    Para mulheres com enxaqueca com aura, os métodos são frequentemente classificados como categoria 4 (contraindicados) pelos critérios médicos, pois o risco de um evento isquêmico supera qualquer benefício contraceptivo.

    Quando procurar um médico para trocar o método?

    A decisão de trocar o método contraceptivo deve sempre ser feito com um ginecologista, mas alguns sinais indicam que o método atual não está sendo adequado para o seu perfil, como:

    • Aumento na frequência ou na intensidade das crises após iniciar o método, com dores mais constantes, mais fortes ou mais difíceis de controlar com os remédios de costume;
    • Surgimento de aura, como pontos brilhantes na visão, visão embaçada, formigamento no corpo ou dificuldade para falar, mesmo que você nunca tenha tido esses sintomas antes;
    • Mudança no padrão da dor, como crises diferentes do habitual, com duração, localização ou características novas;
    • Presença de sinais de alerta vascular, como dor nas pernas, inchaço em apenas um lado do corpo ou falta de ar súbita, que podem indicar alterações na circulação;
    • Percepção de que as crises aparecem ou pioram durante a pausa da pílula, sugerindo relação com a queda hormonal.

    Mesmo que o método escolhido seja, em teoria, seguro (como os de progesterona isolada), Andreia esclarece que cada organismo reage de uma forma. Por isso, a avaliação deve sempre ser individualizada.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. O que é a “aura” na enxaqueca?

    São sintomas neurológicos que precedem a dor, como pontos brilhantes na visão, formigamento nas mãos ou dificuldade para falar.

    2. O que fazer se a enxaqueca piorar após começar o anticoncepcional?

    Você deve procurar seu ginecologista para reavaliar o método. Nunca suspenda o uso sem orientação médica para evitar uma gravidez indesejada.

    3. Posso usar pílula combinada se minha enxaqueca for sem aura?

    Médicos costumam evitar, mas para mulheres com menos de 35 anos e sem outros fatores de risco, pode ser aceitável sob supervisão rigorosa.

    4. O que é enxaqueca catamenial?

    É a enxaqueca que ocorre especificamente no período que antecede ou acontece durante a menstruação, causada pela queda nos níveis de estrogênio no sangue.

    5. Posso trocar de anticoncepcional várias vezes até acertar?

    Sim, mas cada troca exige um período de adaptação (em média, 3 meses). Trocas muito frequentes podem desregular o organismo e dificultar a identificação do que realmente está causando as dores.

    6. O excesso de peso interfere na escolha do anticoncepcional?

    Sim, pois o sobrepeso pode aumentar o risco vascular e influenciar o metabolismo hormonal. Nesses casos, médicos costumam preferir métodos com baixa dosagem hormonal, como o DIU ou o implante, para evitar sobrecarregar o sistema circulatório.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • Oncofertilidade: como funciona a preservação da fertilidade antes de tratamento de câncer? 

    Oncofertilidade: como funciona a preservação da fertilidade antes de tratamento de câncer? 

    O tratamento de câncer, seja para tumores sólidos ou para doenças onco-hematológicas, é feito com terapias que atuam eliminando as células doentes, como a quimioterapia, a radioterapia e, em alguns casos, a cirurgia. Mas, apesar de necessárias no controle da doença, elas podem afetar também células saudáveis, incluindo as reprodutivas.

    No caso das mulheres, isso pode significar uma redução da reserva de óvulos ou até a perda da função ovariana, dependendo do tipo de tratamento e da idade. Já para os homens, os tratamentos podem comprometer a produção de espermatozoides, levando à diminuição da fertilidade ou até à infertilidade temporária ou permanente.

    Em razão disso, antes de começar qualquer tratamento oncológico, são consideradas alternativas que permitem preservar a fertilidade, dependendo do tipo de câncer, a urgência para começar o tratamento, as condições de saúde da paciente e o desejo de ter filhos no futuro.

    O que é oncofertilidade?

    A oncofertilidade é uma área da medicina que combina a oncologia à medicina reprodutiva para preservar a capacidade de ter filhos em pacientes diagnosticados com câncer.

    Como os tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias podem causar infertilidade temporária ou permanente, a especialidade atua no planejamento de estratégias de preservação antes do início das intervenções oncológicas.

    A decisão envolve uma equipe multidisciplinar, normalmente com oncologista e especialista em reprodução humana, para garantir segurança e alinhamento com o plano de tratamento.

    Como o tratamento de câncer pode afetar a fertilidade?

    Uma boa parte dos tratamentos oncológicos é tóxica para os tecidos e pode levar a uma infertilidade temporária ou definitiva, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Eles funcionam, em sua maioria, atacando células que se multiplicam rapidamente, que é uma característica principal dos tumores. No entanto, o mecanismo também afeta outras células saudáveis do corpo com comportamento semelhante, como as células germinativas responsáveis pela produção de óvulos e espermatozoides.

    • Quimioterapia: o uso de medicamentos citotóxicos pode reduzir drasticamente a reserva ovariana nas mulheres ou interromper a produção de esperma nos homens, podendo levar à infertilidade temporária ou permanente (menopausa precoce ou azoospermia);
    • Radioterapia: quando aplicada na região pélvica ou próxima às gônadas, a radiação pode danificar de forma irreversível os tecidos dos ovários ou testículos;
    • Cirurgias: procedimentos para retirada de tumores no sistema reprodutor ou em órgãos próximos podem exigir a remoção total ou parcial de órgãos essenciais para a concepção.

    Como não é possível prever se a infertilidade será definitiva, já que isso depende do tipo de tratamento e da resposta da paciente, Andreia orienta que é sempre válido considerar a preservação da fertilidade antes do início da terapia.

    Quais os principais métodos de preservação da fertilidade?

    Os métodos de preservação da fertilidade variam de acordo com a idade, o tipo de câncer e o tempo disponível antes do início do tratamento, mas alguns são mais comuns:

    1. Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é uma técnica de reprodução assistida em que os óvulos são coletados dos ovários e congelados para uso futuro.

    A terapia é feita a partir da estimulação ovariana, feita por meio de hormônios, para que o corpo produz um número maior de óvulos em um único ciclo. Durante a fase, a paciente é acompanhada com exames de sangue e ultrassonografias para monitorar o desenvolvimento dos folículos.

    Quando os óvulos atingem o estágio adequado, é realizada a coleta por um procedimento simples, guiado por ultrassom e feito com sedação. Após a coleta, os óvulos maduros são congelados em laboratório por uma técnica chamada vitrificação, que permite a preservação das células sem formação de cristais de gelo.

    Os óvulos podem ser utilizados no futuro, quando a paciente deseja engravidar, por meio da fertilização in vitro. Segundo Andréia, ele é indicado especialmente para mulheres que não têm parceiro ou não desejam formar embriões naquele momento.

    2. Congelamento de embriões

    O congelamento de embriões, também chamado de criopreservação, é uma técnica da fertilização in vitro (FIV) em que os embriões formados em laboratório são preservados para uso futuro.

    Após a coleta dos óvulos e a fertilização com o sêmen do parceiro ou de um doador, os embriões são cultivados por alguns dias e, em seguida, congelados em condições controladas, normalmente em nitrogênio líquido a -196 °C. A técnica mais utilizada é a vitrificação, a mesma utilizada no congelamento de óculos.

    Os embriões podem ficar armazenados por tempo indeterminado e, quando a pessoa decide engravidar, podem ser descongelados e transferidos para o útero.

    3. Congelamento de tecido ovariano

    O congelamento de tecido ovariano consiste na retirada de pequenos fragmentos do ovário por meio de uma cirurgia. O tecido é congelado e pode ser reimplantado no corpo da paciente após o término do tratamento oncológico.

    A ideia é que o ovário volte a funcionar, permitindo a produção de hormônios e, em alguns casos, a ovulação natural.

    O método pode ser uma alternativa quando não há tempo para realizar a estimulação ovariana ou em situações específicas, sempre com avaliação criteriosa do tipo de câncer. Segundo Andreia, em casos de tumor de ovário, não se recomenda a retirada e o reimplante do tecido, já que há risco de presença de células cancerígenas.

    4. Supressão ovariana com medicamentos

    A supressão ovariana é feita com o uso de medicamentos que bloqueiam os sinais cerebrais que estimulam os ovários durante o tratamento, especialmente durante a quimioterapia. Com isso, os ovários ficam menos ativos e, teoricamente, mais protegidos contra os efeitos tóxicos do tratamento oncológico.

    Os remédios são aplicados por injeções, que podem ser mensais ou trimestrais, e costumam ser iniciados antes do começo da quimioterapia e mantidos durante o tratamento. No período, a mulher pode apresentar sintomas semelhantes aos da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e ausência de menstruação.

    Após o término do tratamento contra o câncer, em muitos casos, os ovários podem voltar a funcionar aos poucos. No entanto, é importante entender que a terapia não substitui os métodos de congelamento e nem sempre garante a preservação da fertilidade.

    Por isso, costuma ser utilizada como uma forma complementar de cuidado, e não como única alternativa.

    Quando considerar a preservação da fertilidade?

    A preservação da fertilidade deve ser considerada imediatamente após o diagnóstico de câncer, assim que houver a indicação de tratamentos que possam comprometer a reserva de óvulos ou a produção de espermatozoides.

    Contudo, Andreia explica que a possibilidade de preservar a fertilidade depende de alguns fatores, como o tipo de câncer, a urgência para começar o tratamento, a idade, as condições de saúde da paciente e o desejo de ter filhos no futuro.

    Por exemplo, se a mulher já decidiu que não quer engravidar, a ginecologista aponta que não faz sentido indicar o procedimento.

    Em alguns casos, o tratamento precisa começar rápido e não há tempo para fazer a preservação, especialmente se a paciente estiver mais debilitada ou se o câncer exigir tratamento imediato. Nesses casos, pode não ser indicado esperar.

    Em todos os casos, a decisão deve ser tomada em conjunto com o ginecologista, especialista em reprodução, oncologista e cirurgião. Segundo Andréia, tudo deve ser feito o mais rápido possível para não atrasar o início do tratamento.

    Quando iniciar o processo de preservação?

    O processo de preservação da fertilidade deve começar o quanto antes, logo após a confirmação do diagnóstico de câncer. Os tratamentos oncológicos podem começar a agir nas células reprodutoras (óvulos e espermatozoides) logo no início.

    Se o paciente espera o tratamento começar para depois pensar na preservação, o estoque ou a qualidade das células já pode ter sido prejudicado.

    O ideal é que, na mesma semana em que você recebeu o diagnóstico e o plano de tratamento do oncologista, você já agende uma consulta com um especialista em reprodução humana. Eles vão trabalhar juntos para encaixar a coleta de gametas no intervalo de tempo que você tem antes de iniciar o combate ao tumor.

    Quanto tempo dura o processo?

    O tempo do processo de preservação da fertilidade pode variar de acordo com a técnica escolhida, mas eles costumam ser curtos. O congelamento de óvulos ou embriões, por exemplo, costuma levar entre 10 dias e duas semanas. O período inclui a estimulação dos ovários com hormônios, o acompanhamento com exames e a coleta dos óvulos.

    Já o congelamento de tecido ovariano pode ser ainda mais rápido, pois envolve apenas um procedimento cirúrgico para retirada del tecido, sem necessidade de estimulação hormonal.

    Quando a preservação da fertilidade é contraindicada?

    A preservação da fertilidade pode ser contraindicada em algumas situações, como:

    • O tratamento precisa começar imediatamente: em casos mais agressivos ou avançados, em que não é possível adiar o início da terapia nem por alguns dias, a prioridade é tratar o câncer;
    • A paciente está clinicamente debilitada: quando o estado de saúde não permite a realização de procedimentos, como a estimulação ovariana ou uma cirurgia, a preservação pode não ser segura;
    • O tumor é hormônio-dependente: alguns tipos de câncer, como certos tumores de mama, ovário ou endométrio, podem crescer com estímulo hormonal. Nesses casos, o uso de hormônios para estimular os ovários pode ser contraindicado;
    • Há risco de reintrodução de células cancerígenas: no caso do congelamento de tecido ovariano, por exemplo, não é indicado quando existe risco de o tecido conter células do câncer, como em tumores de ovário;
    • Não há desejo reprodutivo: se a paciente não deseja ter filhos no futuro, não há indicação para realizar o procedimento.

    É possível fazer a preservação da fertilidade em crianças?

    Na criança, não é possível realizar a preservação da fertilidade da mesma forma. Segundo Andreia, o processo envolve, no mínimo, o congelamento de óvulos, e a criança ainda não está na fase de ovulação.

    Para que isso fosse possível, seria necessário induzir uma puberdade precoce, o que não é adequado e pode trazer prejuízos para o crescimento e para a saúde óssea.

    Por isso, o que se faz é o acompanhamento ao longo da adolescência. Caso surja algum distúrbio hormonal, existem tratamentos para correção, mas a preservação, nessa fase, não é possível.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Para os homens, como funciona a preservação da fertilidade?

    A melhor opção é a criopreservação de sêmen. O homem realiza a coleta através da masturbação e a amostra fica congelada por tempo indeterminado.

    2. Quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

    Não existe um prazo de validade. Os óvulos e o sêmen permanecem preservados em nitrogênio líquido e mantêm a qualidade por muitos anos.

    3. A preservação da fertilidade pode fazer o câncer voltar?

    Não há evidências científicas de que a coleta de gametas aumente o risco de recidiva da doença.

    4. Quem já começou a quimioterapia ainda pode congelar óvulos ou sêmen?

    O ideal é fazer antes. Após o início, a qualidade das células pode estar comprometida, mas cada caso deve ser avaliado individualmente pelo especialista.

    5. É possível engravidar naturalmente após o câncer?

    Sim, algumas pessoas recuperam a função reprodutiva após o término das terapias. Porém, como não há garantias, o congelamento funciona como um seguro.

    6. Homens trans ou mulheres trans com câncer também podem preservar?

    Com certeza. O direito à parentalidade futura é para todos, e os procedimentos de coleta seguem protocolos semelhantes, respeitando a identidade de cada pessoa.

    7. O procedimento de coleta de óvulos dói?

    A coleta é realizada sob sedação leve, de modo que a paciente não sente dor durante o processo. Após o procedimento, pode haver um leve desconforto abdominal, semelhante a uma cólica menstrual, que costuma passar em pouco tempo.

    8. É possível preservar a fertilidade em casos de leucemia?

    Sim, pacientes com cânceres hematológicos podem realizar a preservação. No entanto, o médico precisa avaliar o estado geral de saúde e os níveis de plaquetas para garantir que a coleta ocorra com total segurança.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico? 

    Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico? 

    O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição de neurodesenvolvimento que afeta a percepção de mundo e a forma como a pessoa se comunica e interage socialmente. Ele pode se manifestar de forma diferente em cada pessoa, com diferentes níveis de intensidade e necessidades de apoio.

    Enquanto algumas precisam de maior apoio nas atividades do dia a dia, outras têm mais autonomia, conseguem estudar, trabalhar e manter relações sociais. Mas como é possível classificar esses diferentes níveis de necessidade de apoio?

    Nesse caso, os profissionais utilizam uma classificação em níveis de suporte, que ajuda a entender o grau de apoio necessário em diferentes áreas da vida.

    O que são os níveis de suporte no autismo?

    Os níveis de suporte no autismo são uma forma de classificar o quanto a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) precisa de apoio no dia a dia, segundo a neurologista Paula Dieckmann. Eles ajudam os profissionais e as famílias a entenderem melhor as necessidades de cada um e a organizar o cuidado de forma mais adequada.

    A classificação é feita durante o processo de diagnóstico, a partir de uma avaliação do comportamento, da comunicação e da interação social. Com base nas informações, os profissionais da saúde conseguem compreender melhor o grau de apoio necessário em diferentes áreas da vida.

    Vale destacar que os níveis de suporte não servem para resumir toda a experiência de uma pessoa autista, e duas pessoas no mesmo nível podem ser bem diferentes entre si.

    Quais são os 3 níveis de suporte do autismo?

    De maneira geral, o TEA é classificado em três níveis:

    Nível 1: Suporte leve

    O nível 1 de suporte, antigamente conhecido como autismo leve, é aquele em que a pessoa precisa de apoio, mas de forma mais leve ou mais pontual.

    Normalmente, ela consegue estudar, trabalhar, falar, se comunicar e ter certa autonomia, mas ainda enfrenta algumas dificuldades importantes, principalmente nas interações sociais e na flexibilidade para lidar com mudanças.

    Em muitos casos, a pessoa com autismo nível 1 consegue passar despercebida por bastante tempo, especialmente na infância. De acordo com Paula, isso acontece porque ela pode aprender a observar os outros e a imitar comportamentos sociais, tentando se adaptar ao ambiente, o que é conhecido como ‘masking’.

    Características frequentes no nível 1

    Na prática, uma pessoa no nível 1 pode ter dificuldade para iniciar conversas, entender indiretas, perceber ironias, interpretar expressões faciais ou manter amizades. Ela também pode se sentir muito desconfortável em ambientes barulhentos, ter rigidez com horários, rotinas e formas de fazer as coisas, além de apresentar interesses muito intensos em temas específicos.

    Um exemplo comum é a pessoa que trabalha ou estuda bem, mas se sente exausta depois de situações sociais, tem dificuldade em entrevistas, reuniões, conversas informais e mudanças inesperadas. Também pode haver sofrimento emocional por se sentir diferente, deslocada ou incompreendida.

    O apoio, nesse caso, costuma envolver psicoterapia, orientação para a família, adaptações na escola ou no trabalho, treino de habilidades sociais quando isso faz sentido para a pessoa, e medidas para lidar com sobrecarga sensorial, ansiedade e organização da rotina.

    Nível 2: Suporte moderado

    No nível 2, a pessoa precisa de um apoio mais consistente e estruturado ao longo do dia. As dificuldades na comunicação social e na adaptação à rotina costumam ser mais visíveis e podem impactar de forma significativa a vida diária, tanto em casa quanto na escola, no trabalho ou em outros ambientes sociais.

    O suporte tende a ser frequente, com a necessidade de acompanhamento mais próximo para organizar atividades, lidar com demandas do cotidiano e atravessar situações que exigem adaptação.

    Características frequentes no nível 2

    A pessoa de nível 2 pode ter mais dificuldade para manter uma conversa, compreender regras sociais, lidar com frustrações e mudanças, além de apresentar comportamentos repetitivos e interesses restritos de forma mais evidente.

    Em alguns casos, ela fala pouco ou tem uma comunicação mais concreta, mais direta, com mais dificuldade para entender nuances da linguagem.

    As mudanças de rotina tendem a causar mais sofrimento: um imprevisto, uma troca de horário, uma alteração no ambiente ou na sequência das atividades pode gerar muito estresse, irritação, crise de ansiedade ou desorganização emocional. Também pode haver uma necessidade maior de previsibilidade e ajuda constante para organizar as demandas do dia a dia.

    Na escola, no trabalho ou em casa, a pessoa no nível 2 costuma precisar de mediação mais frequente. Ela pode ter dificuldade para acompanhar atividades sem orientação, para se adaptar a ambientes com muitos estímulos ou para se relacionar de forma espontânea com outras pessoas.

    Além disso, as estereotipias, que são movimentos ou comportamentos repetitivos, e as sensibilidades sensoriais podem estar mais presentes, de modo que sons, cheiros, luzes, texturas ou contato físico podem provocar muito incômodo.

    Nível 3: Suporte muito substancial

    No nível 3, a pessoa precisa de um apoio muito mais intenso e contínuo ao longo do dia. As dificuldades são mais marcantes e afetam profundamente a autonomia, a organização da rotina e a participação em diferentes ambientes.

    A pessoa normalmente demanda de um acompanhamento próximo e constante para realizar atividades do dia a dia, lidar com mudanças e se adaptar a diferentes contextos. Para se ter uma ideia, situações que fogem do esperado podem causar um sofrimento intenso e dificuldade para retomar o equilíbrio sem ajuda.

    Características frequentes no nível 3

    A pessoa de nível 3 pode ter bastante limitação para se comunicar verbalmente ou não se comunica pela fala. Isso não significa ausência de inteligência ou de sentimentos, mas mostra que ela precisa de formas alternativas ou complementares de comunicação, como gestos, figuras, dispositivos ou sistemas específicos.

    As dificuldades diante de mudanças, frustrações e estímulos do ambiente também costumam ser mais intensas, e até pequenas alterações na rotina ou no espaço podem gerar um grande desconforto e desencadear crises.

    Em muitos casos, a autonomia fica mais comprometida, e a pessoa passa a precisar de apoio constante para atividades do dia a dia, como se alimentar, cuidar da higiene, se locomover, se organizar e manter a própria segurança.

    Ela também pode ter dificuldade para compreender demandas sociais, expressar necessidades, tolerar ambientes diferentes ou lidar com situações novas. Em algumas situações, existe uma deficiência intelectual associada, mas não acontece em todos os casos.

    O cuidado no nível 3 requer uma rede de apoio mais ampla, com participação de profissionais de diferentes áreas, adaptações importantes no ambiente, estratégias de comunicação, rotina bem estruturada e suporte direto da família ou de cuidadores.

    Como é feito o diagnóstico do autismo?

    O diagnóstico do autismo é feito de forma clínica, a partir de uma avaliação detalhada do comportamento, da comunicação e do desenvolvimento da pessoa ao longo da vida. Não existe um exame de sangue, uma tomografia ou um teste único que confirme o diagnóstico, então o processo costuma ser cuidadoso e normalmente leva mais de uma consulta.

    Segundo Paula, como o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, os sintomas precisam estar presentes desde a infância.

    O médico realiza uma investigação detalhada da história do paciente, buscando entender como era o comportamento na escola, o desenvolvimento e as interações iniciais. É comum a necessidade de entrevistar os pais ou responsáveis que conheceram a pessoa quando criança.

    Aplicação dos critérios do DSM-5

    O diagnóstico é guiado pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que divide os sintomas em dois grandes grupos, conforme aponta Paula:

    • Critérios A: déficits na comunicação social e na interação social (como dificuldade em iniciar conversas ou entender sinais não verbais);
    • Critérios B: padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (como rigidez com rotinas e hipersensibilidade a estímulos sensoriais).

    Vale destacar que ter “traços autísticos” (fenótipo ampliado) não é o mesmo que ter o transtorno. Para fechar o diagnóstico e determinar o nível de suporte, o médico avalia a intensidade dos sintomas.

    Paula explica que eles precisam ser fortes o suficiente para causar sofrimento real e prejuízo funcional no dia a dia, como dificuldades persistentes em manter empregos ou relacionamentos.

    Quando a avaliação neuropsicológica é indicada?

    A avaliação neuropsicológica pode ser solicitada como um complemento, mas não é obrigatória para fechar o diagnóstico. Ela ajuda a entender melhor aspectos como cognição, atenção, linguagem e habilidades sociais.

    Paula ainda ressalta que as escalas de rastreio preenchidas pelo próprio paciente não substituem a avaliação clínica, pois podem gerar confusão com outras condições, como a ansiedade social.

    O nível de suporte do autista pode mudar ao longo da vida?

    O nível de suporte no autismo pode mudar ao longo do tempo, pois ele não é uma característica fixa da pessoa, mas sim uma forma de entender como a pessoa está funcionando em determinado momento da vida.

    Com as intervenções adequadas, como acompanhamento psicológico e fonoaudiológico, muitas pessoas desenvolvem habilidades que ajudam no dia a dia e reduzem a necessidade de apoio. Por outro lado, o nível também pode mudar conforme as demandas do ambiente e as fases do desenvolvimento.

    Por exemplo, um adulto que funciona bem com pouco suporte pode passar a exigir mais ajuda diante de grandes mudanças, como crises no trabalho ou problemas de saúde mental.

    Por isso, o nível de suporte pode mudar com o tempo e precisa ser reavaliado de vez em quando, para garantir que a pessoa receba o apoio certo e consiga manter a autonomia e a qualidade de vida.

    Leia mais: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O autismo nível 1 é o mesmo que a antiga Síndrome de Asperger?

    Sim, muitos indivíduos que anteriormente seriam diagnosticados com Asperger hoje são classificados como autistas de Nível 1 de suporte, pois geralmente não apresentam atraso cognitivo ou de fala.

    2. É possível receber o diagnóstico de nível de suporte apenas na vida adulta?

    Sim. Muitos adultos de nível 1 passaram a vida mascarando os sintomas e só buscam diagnóstico ao enfrentar esgotamento mental ou dificuldades severas em relacionamentos e no trabalho.

    3. Por que o termo “graus de autismo” caiu em desuso?

    O termo “níveis de suporte” é considerado mais respeitoso e funcional, pois foca no que a pessoa precisa para viver melhor, em vez de apenas rotulá-la como “mais” ou “menos” autista.

    4. Existe medicação para mudar o nível de suporte?

    Não existe remédio para o autismo. Medicamentos são usados para tratar comorbidades (ansiedade, insônia, irritabilidade) que, quando controladas, podem melhorar a funcionalidade da pessoa.

    5. Qual a diferença entre os níveis na área da comunicação?

    No nível 1, há dificuldade em iniciar conversas; no nível 2, a fala é limitada a frases simples ou tópicos de interesse; no nível 3, o indivíduo pode ser não verbal ou usar poucas palavras inteligíveis.

    6. O diagnóstico de nível de suporte garante direitos por lei?

    Sim. No Brasil, toda pessoa com TEA, independentemente do nível de suporte, é considerada pessoa com deficiência (PcD) para todos os efeitos legais (Lei Berenice Piana).

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

  • Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento 

    Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento 

    Uma dor persistente no baixo ventre, que piora após passar muito tempo em pé ou logo após o contato íntimo, é um dos principais sintomas da síndrome de congestão pélvica. A condição, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, acontece devido ao surgimento de varizes nas veias próximas ao útero e aos ovários.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que a condição acontece, quais são os principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Confira!

    O que é a síndrome da congestão pélvica?

    A síndrome da congestão pélvica é uma condição causada pela dilatação das veias na região da pelve, especialmente ao redor do útero e dos ovários. As veias ficam dilatadas e passam a acumular sangue, o que dificulta a circulação adequada na região pélvica, um quadro semelhante ao das varizes nas pernas, segundo Andreia.

    Como consequência, ocorre uma sensação de peso, pressão ou dor na parte inferior do abdômen, que pode se tornar crônica em alguns casos. A dor costuma piorar ao longo do dia, após longos períodos em pé ou durante e após a relação sexual.

    Além da dor, algumas mulheres podem apresentar cólicas mais intensas, piora dos sintomas no período pré-menstrual e alterações no funcionamento do intestino ou da bexiga. Em certos casos, também podem surgir varizes visíveis na região da vulva ou da vagina, que funcionam como um sinal de que as veias internas estão comprometidas.

    O que causa a condição?

    A síndrome da congestão pélvica acontece quando há uma dificuldade no retorno do sangue pelas veias da região pélvica. Como consequência, as veias se dilatam, acumulam sangue e formam um quadro semelhante aos das varizes.

    Segundo Andreia, alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento da condição, como:

    • Gravidez: o aumento do volume do útero comprime as veias da pelve e dificulta a circulação, além de haver um aumento do volume sanguíneo no corpo;
    • Uso de estrogênio: o hormônio tem efeito vasodilatador, o que pode contribuir para a dilatação das veias ao longo do tempo;
    • Alterações anatômicas: algumas mulheres já têm uma predisposição a uma maior fragilidade ou dilatação das veias;
    • Presença de miomas ou outras massas pélvicas: podem comprimir as veias e dificultar o retorno venoso.

    Como diferenciar a congestão pélvica e a endometriose?

    A congestão pélvica e a endometriose são condições diferentes, mas que podem causar sintomas bastante parecidos, como dor pélvica crônica, desconforto abdominal, piora no período menstrual e dor durante a relação sexual.

    Para diferenciar, é preciso observar atentamente o tipo da dor e os momentos em que ela se manifesta, já que as causas são completamente diferentes:

    • Na endometriose: a dor é normalmente uma cólica aguda e intensa, tendo ligação muito forte com o ciclo menstrual, tornando-se quase insuportável nos dias que antecedem ou durante a menstruação. Na relação sexual, ela costuma ocorrer durante a penetração (dor profunda), causada pelo toque em regiões inflamadas ou com focos da doença;
    • Na congestão pélvica: a dor é descrita como um peso ou pressão. Ela tende a piorar ao longo do dia (devido à gravidade) e após a pessoa passar muito tempo em pé, mas costuma aliviar ao deitar ou elevar as pernas. A dor é mais comum depois da relação sexual, podendo durar horas ou até o dia seguinte.

    Como os sintomas são parecidos, muitas mulheres levam anos para descobrir qual das duas condições possuem e, em alguns casos, é possível ter as duas simultaneamente. Por isso, é necessário a avaliação de um ginecologista.

    Sintomas da síndrome da congestão pélvica

    De acordo com Andreia, em muitos casos a síndrome pode não causar nenhum sintoma e acaba sendo descoberta apenas em exames. No entanto, quando os sinais aparecem, eles costumam incluir:

    • Dor pélvica crônica, que pode piorar ao longo do dia;
    • Sensação de peso no baixo ventre, com pressão constante (semelhante à sensação de varizes nas pernas);
    • Dor após o contato íntimo, que pode surgir ou se intensificar e durar horas;
    • Surgimento de varizes (veias dilatadas) na região da vulva, nádegas ou na parte superior das coxas;
    • Aumento do fluxo sanguíneo ou períodos menstruais mais dolorosos do que o habitual;
    • Sensação de necessidade frequente de urinar, causada pela pressão das veias dilatadas sobre a bexiga.

    Os sintomas podem se intensificar durante a gravidez ou no período pré-menstrual, devido às flutuações hormonais que dilatam ainda mais os vasos sanguíneos.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da síndrome da congestão pélvica é feito a partir de uma avaliação detalhada, em que o médico analisa o histórico da paciente e as características da dor. Em seguida, o principal exame solicitado é o ultrassom transvaginal com Doppler, que permite avaliar o fluxo de sangue nas veias da pelve e identificar possíveis dilatações.

    Em alguns casos, Andreia esclarece que outros exames podem ser indicados para complementar a investigação:

    • Angiotomografia;
    • Angiorressonância;
    • Flebografia pélvica (mais invasiva e indicada em situações específicas).

    Nem todo ultrassom comum consegue identificar a condição, então o uso do Doppler e a experiência do profissional fazem diferença para um diagnóstico mais preciso.

    Como os sintomas podem se confundir com os de endometriose, síndrome do intestino irritável e doença inflamatória pélvica, é importante descartar outras causas antes de confirmar o diagnóstico.

    Tratamento da síndrome da congestão pélvica

    O tratamento da síndrome da congestão pélvica é individualizado, dependendo da intensidade dos sintomas e das causas identificadas. Segundo a Andreia, as abordagens podem incluir:

    • Acompanhamento clínico para casos leves, onde o desconforto é esporádico e não interfere significativamente na rotina;
    • O uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que ajudam a aliviar a dor durante as crises. Além disso, podem ser prescritos medicamentos hormonais para reduzir a dilatação das veias;
    • Em alguns casos, o médico pode recomendar o ajuste, redução ou suspensão do uso de estrogênio, já que o hormônio favorece a dilatação dos vasos.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, podem ser indicados procedimentos específicos, como a embolização das veias pélvicas. É um procedimento minimamente invasivo, realizado com um cateter, que bloqueia as veias dilatadas para melhorar a circulação e reduzir os sintomas.

    Em situações mais raras e complexas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para ligar ou remover as veias afetadas, ou até mesmo a retirada do útero (histerectomia) em casos extremos onde outros tratamentos não surtiram efeito.

    Congestão pélvica tem cura?

    A síndrome da congestão pélvica não tem cura definitiva e, na maioria das vezes, o foco é o controle dos sintomas, já que o sistema vascular já foi afetado. Mesmo assim, Andreia aponta que é possível ter uma melhora significativa da qualidade de vida com o acompanhamento adequado.

    Quando a dor pélvica deve ser investigada com mais atenção?

    A dor pélvica deve ser investigada com mais atenção nas seguintes situações:

    • A dor é persistente ou crônica;
    • A dor interfere nas atividades do dia a dia e compromete a qualidade de vida;
    • Há associação com sintomas urinários ou intestinais, como dor ao urinar, alteração no hábito intestinal ou desconforto abdominal;
    • Existe dor durante ou após a relação sexual;
    • Há presença de sangramento genital fora do período menstrual ou com características diferentes do habitual;
    • São observadas varizes na região íntima, como na vulva ou na vagina.

    Muitas vezes, a mulher acredita que sentir dor na região pélvica é normal ou parte do ciclo menstrual. No entanto, a investigação precoce ajuda a diferenciar a síndrome da congestão pélvica de outros problemas sérios, como a endometriose, miomas ou até problemas inflamatórios intestinais.

    Confira: Parou o anticoncepcional? Veja 8 mudanças que podem acontecer no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome da congestão pélvica pode causar infertilidade?

    Não diretamente. Ela não impede a concepção, mas a dor intensa pode dificultar a frequência das relações sexuais.

    2. Por que a dor piora ao ficar em pé?

    Porque a gravidade dificulta o retorno do sangue pelas veias dilatadas, aumentando a pressão e o represamento na região pélvica.

    3. Como diferenciar a congestão pélvica de uma cólica menstrual comum?

    A dor da congestão pélvica é um “peso” constante que melhora ao deitar, enquanto a cólica menstrual é aguda e ligada estritamente aos dias do período.

    4. Qual médico devo procurar?

    O ginecologista é o primeiro contato, mas o diagnóstico e tratamento definitivo muitas vezes envolvem o cirurgião vascular.

    5. A síndrome pode voltar após o tratamento?

    A taxa de sucesso da embolização é alta, mas como em qualquer problema vascular, novas veias podem se dilatar com o tempo em pessoas com forte predisposição.

    6. Alimentos específicos ajudam a melhorar a circulação pélvica?

    Alimentos anti-inflamatórios (como cúrcuma e ômega-3) e ricos em fibras (para evitar a prisão de ventre, que aumenta a pressão abdominal) podem auxiliar indiretamente no conforto pélvico.

    7. Quem tem a síndrome pode fazer musculação?

    Pode, mas com cautela. Exercícios que exigem muita força abdominal ou “manobra de valsalva” (prender a respiração para fazer força) podem aumentar a pressão nas veias pélvicas. O ideal é o acompanhamento profissional.

    8. Qual a idade mais comum para o surgimento do problema?

    Acomete principalmente mulheres entre os 20 e 45 anos, especialmente aquelas que já tiveram mais de uma gestação. É rara após a menopausa.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

  • Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Durante a gravidez, o corpo da mulher convive com tantas mudanças que é natural se perguntar se ela fica mais vulnerável a infecções ou se qualquer sintoma, como uma febre, já é motivo de preocupação.

    Na prática, o que acontece é uma redução da resposta imune celular e um aumento da resposta humoral. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é uma adaptação fisiológica do organismo para manter a gestação e evitar rejeição ou aborto.

    Mas, ao mesmo tempo, as mudanças também podem modificar a forma como o corpo reage a vírus, bactérias e processos inflamatórios. Conversamos com a especialista para entender o que é esperado, o que merece atenção e quando procurar ajuda médica. Confira!

    Quando a febre na gravidez é preocupante?

    A febre na gravidez é sempre um sinal de alerta e deve ser investigada, mesmo quando aparece sem nenhum outro sintoma associado, segundo Andreia. Ela normalmente indica a presença de uma infecção no organismo, e o ideal é identificar a causa o quanto antes para iniciar o tratamento adequado.

    O aumento da temperatura corporal pode impactar tanto a mãe quanto o bebê, elevando a frequência cardíaca de ambos e aumentando o gasto metabólico. Dependendo do agente causador, algumas infecções podem atravessar a barreira placentária e atingir o feto.

    Gestantes ficam mais vulneráveis a infecções?

    A resposta é não necessariamente. O que acontece, na prática, é uma mudança no funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com Andreia, o organismo feminino na gravidez passa por uma modulação imunológica complexa e necessária para garantir a sobrevivência do feto. Como o bebê possui material genético diferente do materno, o corpo realiza um ajuste inteligente para não o identificar como um agente invasor.

    Contudo, a mudança altera a forma como o sistema imunológico responde a determinados patógenos. As gestantes não ficam necessariamente mais vulneráveis a infecções, mas passam a ter um sistema de defesa que funciona de maneira diferente, o que pode aumentar a suscetibilidade a infecções virais, como gripes e resfriados, e a complicações respiratórias, já que a resposta celular se torna menos intensa.

    Além disso, algumas infecções podem se manifestar de forma atípica durante a gestação, com sintomas mais leves ou diferentes do habitual, o que pode atrasar a identificação do problema. Por isso, qualquer sinal of infecção, mesmo que pareça simples, deve ser avaliado com atenção.

    Quais as infecções mais comuns na gravidez?

    As infecções mais comuns na gravidez incluem:

    • Infecção urinária: é a mais frequente na gestação e pode acontecer sem sintomas, por isso é rastreada no pré-natal. Quando não tratada, pode evoluir para infecção renal e aumentar o risco de complicações, como parto prematuro;
    • Infecções respiratórias: incluem gripe, resfriados e covid-19, e podem se manifestar de forma diferente na gestante e, em alguns casos, evoluir com mais gravidade, exigindo acompanhamento mais próximo;
    • Infecções gastrointestinais: normalmente estão relacionadas ao consumo de alimentos contaminados. Podem causar diarreia, vômitos e desidratação, o que exige atenção, principalmente pela perda de líquidos;
    • Infecções de pele: como furúnculos ou celulites costumam ter evolução semelhante à de pessoas não gestantes, mas ainda assim precisam ser avaliadas para evitar complicações.

    Existem infecções que podem ser transmitidas ao feto (transmissão vertical) e por isso são rastreadas rigorosamente no pré-natal:

    • Toxoplasmose, normalmente contraída por água ou alimentos contaminados;
    • Citomegalovírus (CMV), é um vírus comum da família da herpes que pode ser transmitido pelo contato com fluidos corporais;
    • Sífilis e outras ISTs, que devem ser detectadas precocemente para evitar malformações ou complicações no nascimento;
    • Listeriose, uma infecção bacteriana ligada ao consumo de alimentos crus ou mal lavados, que pode ser perigosa para a placenta.

    Riscos da febre e de infecções na gravidez

    A febres leve e passageira normalmente não é perigosa, mas dependendo da intensidade e da causa, ela também pode impactar o bebê, principalmente no início da gravidez, que é um período mais sensível para o desenvolvimento.

    Quando a temperatura da mãe aumenta, o organismo entra em um estado de maior esforço, com aceleração do metabolismo. Andreia aponta que isso pode levar ao aumento da frequência cardíaca tanto da gestante quanto do bebê, como uma resposta natural do corpo ao processo infeccioso.

    Além disso, alguns tipos de infecção conseguem atravessar a placenta, que funciona como uma espécie de barreira de proteção, aumentando o risco de malformações congênitas ou até de aborto espontâneo.

    Em estágios mais avançados, o processo inflamatório pode estimular a liberação de substâncias que provocam contrações uterinas precoces, resultando em parto prematuro ou restrição de crescimento fetal, quando o bebê não recebe os nutrientes necessários para se desenvolver plenamente.

    Algumas infecções bacterianas e virais persistentes, inclusive, podem comprometer a oxigenação do bebê, o que requer um acompanhamento médico mais rigoroso.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    A gestante deve procurar o pronto-socorro o quanto antes sempre que apresentar febre, mesmo que seja o único sintoma. Também é importante ficar atento aos seguintes sinais, que podem indicar uma infecção:

    • Temperatura igual ou maior que 38 °C;
    • Febre que persiste por mais de 24 horas;
    • Dor ao urinar ou suspeita de infecção urinária;
    • Falta de ar, tosse intensa ou dor no peito;
    • Vômitos persistentes ou dificuldade para se alimentar;
    • Dor abdominal ou contrações;
    • Mal-estar importante ou sensação de fraqueza.

    Na gestação, o ideal é não esperar os sintomas piorarem e também não aguardar a consulta pré-natal. A avaliação precoce ajuda a identificar a causa e iniciar o tratamento mais seguro para a mãe e o bebê.

    Como tratar a febre na gravidez?

    O tratamento da febre costuma envolver o uso de medicamentos para controlar a temperatura, como paracetamol e dipirona, que são considerados seguros durante a gravidez. No entanto, Andreia ressalta que eles não tratam a causa da febre, apenas aliviam o sintoma.

    Para o tratamento das infecções, é necessário identificar o agente causador, pois cada condição requer uma abordagem específica. Entre as mais comuns, Andreia explica:

    • Infecção urinária pode exigir antibióticos específicos, definidos após exames como a urocultura;
    • Infecções bacterianas têm tratamento direcionado conforme o agente;
    • Infecções virais, na maioria das vezes, são tratadas com suporte, como hidratação e repouso;
    • Em casos de influenza, pode ser indicado antiviral como o oseltamivir.

    Hoje, exames como o PCR (reação em cadeia da polimerase) permitem identificar com precisão o agente infeccioso, especialmente vírus, o que facilita um diagnóstico mais assertivo.

    Vale lembrar que a gestante não deve tomar medicamentos por conta própria. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais seguro e adequado.

    Como prevenir infecções durante a gravidez?

    A prevenção das infecções na gravidez está muito ligada aos hábitos do dia a dia, como:

    • Manter boa higiene das mãos ao longo do dia;
    • Ter uma alimentação equilibrada e bem higienizada;
    • Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e ovos;
    • Beber bastante água para manter o organismo hidratado;
    • Dormir bem, com sono de qualidade;
    • Praticar atividade física de forma regular e orientada;
    • Manter as vacinas recomendadas em dia;
    • Evitar contato com pessoas doentes sempre que possível.

    Também é importante manter o pré-natal em dia, já que muitos exames ajudam a identificar infecções silenciosas antes mesmo de causarem sintomas.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Qual temperatura é considerada febre na gravidez?

    A partir de 37,8°C já é considerado estado febril. Acima de 38°C, a gestante deve monitorar de perto e entrar em contato com o médico.

    2. Posso tomar paracetamol para baixar a febre?

    Sim, o paracetamol é geralmente o analgésico e antitérmico mais seguro na gestação. No entanto, a dose deve ser sempre orientada pelo obstetra.

    3. O que causa calafrios na gravidez sem febre?

    As mudanças hormonais ou ansiedade podem causar calafrios. Porém, se houver mal-estar, pode ser o início de uma infecção que ainda não manifestou febre.

    4. Como saber se o corrimento é infecção ou normal da gravidez?

    O corrimento normal é fluido e sem cheiro. Se houver cor (amarelado, esverdeado), coceira ou odor forte, pode ser candidíase ou vaginose.

    5. O que é a infecção pelo Estreptococo B?

    É uma bactéria que pode habitar o trato genital da mulher. Ela não costuma causar sintomas na mãe, mas pode infectar o bebê durante o parto normal.

    6. Banho frio ajuda a baixar a febre na gestante?

    O ideal é o banho morno. O banho muito frio pode causar choque térmico e tremores, o que aumenta ainda mais a temperatura interna do corpo.

    7. Quando a febre é considerada uma emergência?

    Se a temperatura não baixar com remédios, se houver falta de ar, dor abdominal forte, sangramento, diminuição dos movimentos do bebê ou confusão mental.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência