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  • Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    Pode usar análogos de GLP-1 para sempre? Saiba quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro

    O tratamento com os análogos de GLP-1, como semaglutida ou tirzepatida, atua diretamente nos mecanismos que regulam o apetite, a saciedade e o metabolismo, te ajudando a reduzir a ingestão alimentar de forma mais natural e sustentável.

    Por isso, eles são indicados especialmente em casos de obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Em algumas semanas, já é possível notar os primeiros resultados na perda de peso, o que pode levantar uma dúvida comum: afinal, por quanto tempo é necessário manter a aplicação das injeções? Segundo a endocrinologista Daniella Romanholi, a resposta depende de cada caso e deve ser individualizada, sempre com o acompanhamento de um médico.

    Quanto tempo dura o tratamento com Ozempic ou Mounjaro?

    A duração do tratamento com semaglutida ou tirzepatida pode variar de acordo com o perfil de cada pessoa. O tempo de uso depende especialmente de três fatores: a causa do ganho de peso, a resposta ao tratamento e a presença de outras condições de saúde.

    De acordo com Daniella, em situações em que o ganho de peso está ligado a um fator pontual, como uma gestação, um período de estresse intenso ou mudanças na rotina, o uso pode ser indicado temporariamente para a pessoa retornar ao peso anterior.

    Após a perda de peso e a retomada de hábitos saudáveis, alguns pacientes conseguem suspender a medicação com acompanhamento médico.

    Por outro lado, em casos de obesidade de longa data, em que existe uma tendência biológica ao ganho de peso, o tratamento pode ser mais prolongado. A obesidade é considerada uma doença crônica e, assim como outras condições, pode precisar de um cuidado contínuo para manter os resultados ao longo do tempo.

    Então, é possível usar para sempre?

    Em alguns casos, sim. Quando a obesidade é crônica e existe risco de reganho de peso, o uso pode ser prolongado ou até contínuo, de forma semelhante ao tratamento de outras doenças, como hipertensão ou diabetes.

    O que acontece ao interromper o uso?

    Quando o uso de medicamentos como Ozempic ou Mounjaro é interrompido, Daniella explica que um dos principais efeitos é o retorno gradual do apetite. Os remédios agem enquanto estão presentes no organismo, ajudando a aumentar a saciedade e reduzir a fome. Sem eles o corpo volta a funcionar como antes do tratamento, o que pode levar a:

    • Aumento da fome ao longo do dia;
    • Redução da sensação de saciedade nas refeições;
    • Maior dificuldade em controlar as porções;
    • Tendência ao reganho de peso.

    Em muitas pessoas, acontece a recuperação parcial ou total do peso perdido, especialmente quando ela não consegue manter uma rotina de hábitos saudáveis durante o tratamento.

    Também vale apontar que, durante o emagrecimento, pode ocorrer a perda de massa muscular, principalmente quando não há o consumo adequado de proteínas nem a prática de exercícios de força. Segundo Daniella, como a massa muscular influencia diretamente o gasto calórico em repouso, a redução pode facilitar ainda mais o ganho de peso com a interrupção do medicamento.

    Com isso, pode surgir o conhecido efeito sanfona, em que a pessoa perde e ganha peso repetidamente ao longo do tempo.

    Em cada ciclo, o corpo tende a perder a massa muscular durante o emagrecimento e recuperar principalmente gordura quando o peso volta a subir. Daniella aponta que o processo pode desacelerar o metabolismo progressivamente, tornando cada nova tentativa de emagrecimento mais difícil.

    É possível evitar o reganho do peso?

    A resposta é sim, desde que a interrupção do remédio seja feita com acompanhamento médico e de maneira gradual. Algumas medidas incluem:

    • Redução gradual da medicação: o médico pode diminuir a dose ou espaçar as aplicações aos poucos, o que ajuda o corpo a se adaptar sem provocar picos de fome;
    • Cuidado com o metabolismo: durante o emagrecimento, a pessoa pode perder massa muscular. Por isso, a prática de exercícios de força e o consumo adequado de proteínas são importantes para manter o metabolismo mais ativo;
    • Manutenção dos hábitos: o período de uso do medicamento deve servir para ajustar a rotina alimentar. Quando o tratamento termina, os hábitos precisam já fazer parte do dia a dia;
    • Apoio emocional: em muitos casos, o acompanhamento psicológico ajuda a lidar com a relação com a comida, evitando que a alimentação volte a ser uma forma de compensar emoções.

    Como os remédios imitam hormônios naturais do corpo, parar de usar de forma abrupta pode aumentar a fome e diminuir o gasto de energia, facilitando o ganho de peso.

    Existem riscos no uso prolongado de Ozempic ou Mounjaro?

    Os análogos de GLP-1 são considerados seguros quando bem indicados e acompanhados, mas o uso contínuo precisa de monitoramento. Os efeitos mais comuns são gastrointestinais, principalmente no início ou após aumento de dose:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia ou constipação;
    • Sensação de estômago cheio.

    Os estudos de longo prazo ainda são limitados, e o uso indevido sem supervisão médica pode aumentar riscos cardiovasculares e metabólicos, como desidratação, alterações na função renal e desequilíbrios eletrolíticos, especialmente em casos de vômitos e diarreia frequentes.

    A perda de peso rápida e sem acompanhamento também pode causar a perda de massa muscular, o que afeta diretamente o metabolismo e pode dificultar a manutenção do peso ao longo do tempo. Em alguns casos, também pode acontecer a formação de pedras na vesícula, principalmente quando o emagrecimento ocorre de forma muito acelerada.

    Também é importante lembrar que nem todas as pessoas podem usar os medicamentos. As pessoas com histórico de pancreatite, com doenças específicas da tireoide ou com problemas gastrointestinais precisam de uma avaliação médica antes de iniciar o uso.

    Quando o médico pode recomendar a interrupção?

    O médico pode recomendar a interrupção do Ozempic ou do Mounjaro em algumas situações específicas, como:

    • O objetivo do tratamento foi alcançado e a pessoa consegue manter uma rotina saudável com alimentação equilibrada e atividade física regular;
    • O ganho de peso teve uma causa pontual, como uma gestação, um período de estresse ou uma mudança de rotina;
    • Há efeitos colaterais persistentes, como náuseas intensas, vômitos frequentes ou dor abdominal importante;
    • Surgem sinais de complicações, como suspeita de pancreatite, problemas na vesícula ou alterações nos exames;
    • O medicamento não está trazendo o resultado esperado mesmo com o uso correto;
    • Existe alguma contraindicação, como histórico de pancreatite ou doenças específicas da tireoide.

    Vale ressaltar que você nunca deve iniciar ou interromper o uso de análogos de GLP-1 sem orientação médica. Apenas um profissional pode determinar a dosagem segura, avaliar contraindicações e realizar o desmame correto para evitar riscos para a saúde.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo leva para o Ozempic começar a fazer efeito?

    Os níveis de açúcar no sangue começam a baixar nos primeiros dias, mas a perda de peso significativa costuma ser percebida após as primeiras 4 semanas, conforme a dose é ajustada.

    2. O uso prolongado de GLP-1 vicia o organismo?

    Não causa dependência química (vício), mas como a obesidade é crônica, o corpo pode precisar do estímulo contínuo para manter o peso, assim como na hipertensão.

    3. Posso usar Ozempic apenas para perder 2 ou 3 quilos?

    Não, o medicamento é indicado para casos de obesidade ou sobrepeso com complicações de saúde, não para fins puramente estéticos e de curto prazo.

    4. É normal parar de perder peso depois de alguns meses de uso?

    Sim, pode ocorrer o chamado “platô”. Nesses casos, o médico avalia se é necessário ajustar a dose ou mudar a estratégia alimentar e de exercícios.

    5. O que acontece se eu esquecer de aplicar na data certa?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar disso, pule a dose e retome no dia habitual da semana seguinte.

    6. É seguro usar análogos de GLP-1 durante a gravidez?

    Não, o uso deve ser interrompido pelo menos 2 meses antes de tentar engravidar, pois pode afetar o desenvolvimento do feto.

    7. É necessário fazer exames de sangue periódicos durante o uso prolongado?

    Sim, o médico normalmente solicita exames de função renal, hepática, amilase e lipase (pâncreas), além de monitorar os níveis de glicose e vitaminas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

  • Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Medicamentos para emagrecer: quem não pode usar os análogos de GLP-1? 

    Não é novidade que o uso de qualquer medicamento precisa ser orientado por um profissional de saúde, e não seria diferente com os análogos de GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Apesar dos resultados de Ozempic e Mounjaro na perda de peso e no controle da glicemia, eles não são indicados para todo mundo, de acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi.

    Por serem remédios que alteram processos metabólicos e hormonais complexos, existem contraindicações e grupos de risco que podem ter complicações graves ao usá-los sem a devida orientação médica, como pancreatite ou problemas renais.

    Como funcionam as canetas emagrecedoras?

    No organismo, os princípios ativos das canetas emagrecedoras, como semaglutida e tirzepatida, funcionam imitando a ação de um hormônio natural chamado GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições e atua diretamente na regulação da fome e da glicose no sangue.

    Segundo Daniella, o hormônio envia sinais ao cérebro de que o corpo já recebeu alimento suficiente, ajudando a controlar o apetite no dia a dia.

    Com o uso do medicamento, a pessoa passa a sentir menos fome ao longo do dia e maior saciedade nas refeições, o que torna mais fácil reduzir a quantidade de comida sem ter a sensação constante de restrição. Como o esvaziamento do estômago também fica mais lento, a endocrinologista explica que a digestão acontece de forma mais gradual, prolongando a sensação de estômago cheio por mais tempo.

    Para completar, os análogos de GLP-1 atuam no controle da glicose no sangue, estimulando a liberação de insulina quando necessário e ajudando a evitar picos de açúcar. Por isso, eles foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2.

    Quem não pode usar Ozempic e Mounjaro?

    As principais contraindicações das canetas emagrecedoras são:

    Histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT)

    O carcinoma medular de tireoide é um tipo raro de câncer que se desenvolve nas células da tireoide responsáveis pela produção de hormônios específicos. Aqui, a contraindicação dos análogos de GLP-1 existe por um motivo de segurança.

    Em estudos realizados com roedores, os pesquisadores observaram que os medicamentos da classe podem estimular alterações nas células da tireoide, especialmente nas chamadas células C, justamente aquelas envolvidas nesse tipo de câncer.

    Até o momento, não existem evidências conclusivas de que o mesmo efeito aconteça em humanos, mas, por precaução, o uso não é recomendado para pessoas que apresentam maior risco, como quem já teve diagnóstico de carcinoma medular de tireoide ou quem tem casos da doença na família.

    Síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2)

    A NEM 2 é uma condição genética rara, em que a pessoa tem maior risco de desenvolver tumores em glândulas hormonais, incluindo a tireoide. Quem convive com a síndrome já apresenta uma predisposição aumentada para o carcinoma medular de tireoide. Por isso, Daniella aponta que o uso de análogos de GLP-1 não é indicado.

    Gestantes e mulheres em fase de amamentação

    Não existem estudos de segurança suficientes que garantam que a semaglutida ou a tirzepatida não causem malformações fetais ou passem pelo leite materno. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, para garantir que a substância tenha sido totalmente eliminada do organismo.

    Diabetes tipo 1

    Diferente do diabetes tipo 2, no tipo 1 o organismo perdeu a capacidade de produzir insulina. Como o mecanismo de ação de remédios como Ozempic e Mounjaro depende de um pâncreas funcional para estimular a liberação hormonal, eles não são capazes de substituir a insulina e, por isso, são contraindicados para diabetes tipo 1.

    Hipersensibilidade aos componentes da fórmula

    A hipersensibilidade é uma contraindicação básica para qualquer medicamento. No caso dos análogos de GLP-1, a pessoa não deve usar se tiver alergia à semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou à tirzepatida (Mounjaro), ou a qualquer outro componente da fórmula.

    Em casos mais graves, pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia), que exige atendimento imediato. Por isso, se já houve reação a esse tipo de medicamento, o uso não é indicado.

    Situações que exigem cautela e avaliação médica

    Não são contraindicações absolutas, mas são situações em que o uso precisa ser feito com mais cuidado e sempre com acompanhamento médico:

    Histórico de pancreatite

    A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, que pode causar dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. Como os análogos de GLP-1 atuam diretamente no sistema digestivo e no próprio pâncreas, o uso poderia aumentar o risco de uma nova inflamação.

    Por isso, quem já teve pancreatite precisa de uma avaliação mais cuidadosa antes de iniciar o tratamento.

    Doenças gastrointestinais graves (como gastroparesia)

    Uma das formas de ação do GLP-1 é deixar a digestão mais lenta, fazendo com que o estômago demore mais para esvaziar e aumentando a sensação de saciedade.

    Se a pessoa já possui o esvaziamento gástrico lento, como em quadros de gastroparesia, o medicamento pode paralisar o trato digestivo, causando náuseas crônicas, vômitos persistentes e obstruções.

    Doença renal ou risco de desidratação

    Os análogos de GLP-1 não são diretamente tóxicos para os rins em todos os pacientes, mas os efeitos colaterais comuns, como vômitos e diarreia intensos, podem aumentar o risco de desidratação. Em quem já possui a função renal comprometida, isso pode levar a uma insuficiência renal aguda súbita.

    Uso junto com insulina ou sulfonilureias (risco de hipoglicemia)

    Quando os análogos de GLP-1 são usados junto com outros medicamentos que também diminuem a glicose, como a insulina ou as sulfonilureias, aumenta o risco de hipoglicemia, que é a queda do açúcar no sangue. Os sintomas podem incluir:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Suor frio;
    • Tremor;
    • Confusão.

    Nesses casos, o médico costuma ajustar as doses dos outros medicamentos para evitar o risco.

    Quando procurar um médico imediatamente?

    Sintomas como náuseas leves e desconforto abdominal são comuns no início do tratamento, mas alguns sinais indicam complicações graves que não devem ser ignoradas:

    • Dor abdominal intensa e persistente, principalmente na parte superior do abdômen, que pode ir para as costas e vir com vômitos frequentes, pode indicar pancreatite aguda;
    • Alterações na urina ou inchaço nas pernas, como urinar menos, urina escura ou inchaço nos pés e tornozelos, podem ser sinais de problema nos rins por desidratação;
    • Problemas de visão, como visão embaçada ou mudança repentina, precisam de avaliação, principalmente em pessoas com diabetes;
    • Sintomas de reação alérgica grave, como dificuldade para respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta, além de coceira com manchas vermelhas pelo corpo;
    • Alterações no ritmo cardíaco, como sensação de coração acelerado ou batimentos irregulares mesmo em repouso;
    • Mudanças intensas de humor, como ansiedade forte, tristeza profunda ou pensamentos negativos, devem ser comunicadas ao médico o quanto antes.

    Sempre que algum dos sintomas aparecer, a orientação é não ignorar e buscar avaliação médica o quanto antes.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre Ozempic e Mounjaro?

    O Ozempic contém semaglutida (imita o GLP-1). O Mounjaro contém tirzepatida, que imita dois hormônios (GLP-1 e GIP), o que pode potencializar a perda de peso.

    2. Por que as canetas emagrecedoras causam náuseas?

    Porque elas diminuem a velocidade com que o estômago se esvazia. A comida fica mais tempo no órgão, o que pode gerar desconforto, náuseas e até vômitos.

    3. Posso beber álcool usando Ozempic ou Mounjaro?

    Não é recomendado, pois o álcool pode irritar o estômago e aumentar o risco de hipoglicemia ou inflamação no pâncreas (pancreatite) durante o tratamento.

    4. O remédio causa o “rosto de Ozempic”?

    O termo se refere à aparência mais abatida ou flácida do rosto após uma perda de peso muito rápida. Não é um efeito do remédio em si, mas do emagrecimento acelerado.

    5. Quanto tempo demora para começar a emagrecer?

    Os efeitos na saciedade são imediatos, mas a perda de peso significativa costuma ser notada após as primeiras 4 semanas, quando as doses são ajustadas.

    6. Onde devo aplicar a injeção?

    A aplicação é subcutânea (embaixo da pele) na região do abdômen, coxa ou parte superior do braço.

    7. O que fazer se eu esquecer uma dose?

    Se o atraso for de até 5 dias, aplique assim que lembrar. Se passar de 5 dias, pule a dose e retorne ao cronograma normal na semana seguinte.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria 

    Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria 

    Cansaço constante, dificuldade para emagrecer, sensação de frio mesmo em dias quentes. Sintomas como esses são comuns e, muitas vezes, atribuídos à rotina ou ao estresse. Em alguns casos, no entanto, podem estar relacionados a alterações hormonais que passam despercebidas.

    O hipotireoidismo é uma dessas condições. De evolução geralmente lenta e com sinais pouco específicos no início, ele pode impactar o funcionamento de todo o organismo. Por isso, reconhecer os sintomas e entender quando investigar é essencial para um diagnóstico precoce e tratamento adequado.

    O hipotireoidismo é uma condição em que a glândula tireoide produz quantidade insuficiente de hormônios, levando a uma desaceleração do metabolismo.

    Esses hormônios são essenciais para o funcionamento adequado de diversos órgãos, e sua deficiência pode causar sintomas variados, muitas vezes inespecíficos.

    O diagnóstico é relativamente simples, e o tratamento costuma ser eficaz quando realizado corretamente.

    O que é o hipotireoidismo

    A tireoide é uma glândula localizada no pescoço responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo.

    No hipotireoidismo, há redução na produção desses hormônios (T3 e T4), o que leva a um funcionamento mais lento do organismo. Essa condição pode se desenvolver de forma gradual.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar de leves a mais intensos.

    Os mais comuns são:

    • Cansaço excessivo;
    • Ganho de peso;
    • Intolerância ao frio;
    • Pele seca;
    • Queda de cabelo;
    • Constipação;
    • Lentidão mental;
    • Alterações de humor.

    Em casos mais avançados, pode haver inchaço e sonolência importante.

    Principais causas

    O hipotireoidismo pode ter diferentes causas.

    As mais comuns são:

    • Doença de Hashimoto (autoimune);
    • Remoção cirúrgica da tireoide;
    • Tratamento com iodo radioativo;
    • Deficiência de iodo (menos comum em alguns países);
    • Uso de certos medicamentos.

    A causa mais frequente é a doença autoimune.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns fatores aumentam o risco:

    • Sexo feminino;
    • Idade acima de 60 anos;
    • Histórico familiar de doença da tireoide;
    • Doenças autoimunes;
    • Pós-parto.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é feito por exames de sangue.

    Os principais são:

    • TSH (geralmente elevado);
    • T4 livre (geralmente baixo).

    Esses exames confirmam a função da tireoide e ajudam a definir o diagnóstico.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento é simples e eficaz. A principal abordagem é o uso de levotiroxina, que repõe o hormônio da tireoide. A dose é ajustada individualmente e requer acompanhamento médico.

    Como é o acompanhamento

    O acompanhamento é feito com:

    • Monitoramento periódico do TSH;
    • Ajuste da dose conforme necessário;
    • Avaliação dos sintomas.

    O tratamento costuma ser contínuo.

    Hipotireoidismo tem cura?

    Na maioria dos casos, não. É uma condição crônica, mas pode ser controlada com reposição hormonal adequada. Com o tratamento correto, porém, a pessoa pode levar vida normal.

    Confira:

    Quando o corpo ataca a própria tireoide: entenda a síndrome de Hashimoto

    Perguntas frequentes sobre hipotireoidismo

    1. Hipotireoidismo engorda?

    Pode causar ganho de peso, mas geralmente discreto.

    2. Tem cura?

    Na maioria dos casos, não, mas é controlável.

    3. O tratamento é para sempre?

    Geralmente sim.

    4. Pode causar cansaço?

    Sim. É um dos sintomas mais comuns.

    5. Como é feito o diagnóstico?

    Por exames de sangue, principalmente TSH e T4.

    6. A levotiroxina é segura?

    Sim, quando usada corretamente.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver sintomas sugestivos ou alterações em exames.

    Veja mais:

    Nódulos na tireoide: quando se preocupar e como diferenciar benignos de malignos

  • Impetigo: a infecção de pele comum em crianças que se espalha rápido

    Impetigo: a infecção de pele comum em crianças que se espalha rápido

    Lesões na pele que surgem rapidamente, coçam e formam crostas podem causar preocupação, especialmente quando aparecem em crianças. Em ambientes como escolas e creches, esse tipo de quadro pode se espalhar com facilidade, chamando a atenção de pais e cuidadores.

    O impetigo é uma dessas infecções comuns da infância. Embora geralmente seja leve, é uma condição altamente contagiosa, que exige cuidados simples, mas importantes, para evitar a disseminação e acelerar a recuperação.

    O que é o impetigo

    O impetigo é uma infecção superficial da pele causada por bactérias, muito comum em crianças, mas que também pode ocorrer em adultos.

    Ele se caracteriza pelo surgimento de lesões que evoluem para crostas amareladas, frequentemente ao redor da boca e do nariz.

    Apesar de geralmente ser leve, o impetigo é altamente contagioso e pode se espalhar rapidamente se não tratado.

    Os principais agentes causadores do impetigo são:

    • Staphylococcus aureus;
    • Streptococcus pyogenes.

    Essas bactérias entram na pele através de pequenas lesões, como arranhões ou picadas.

    Tipos de impetigo

    Existem dois tipos principais:

    1. Impetigo não bolhoso

    • Forma mais comum;
    • Lesões que evoluem para crostas amareladas (“melicéricas”);
    • Frequente em face e membros.

    2. Impetigo bolhoso

    • Menos comum;
    • Formação de bolhas com líquido;
    • Mais frequente em crianças pequenas.

    Como ocorre a transmissão

    O impetigo é altamente contagioso. A transmissão pode ocorrer por:

    • Contato direto com a pele infectada;
    • Compartilhamento de objetos pessoais (toalhas, roupas);
    • Autoinoculação (espalhamento para outras áreas do corpo).

    Ambientes como escolas e creches aumentam a chance de disseminação.

    Principais sintomas

    Os sintomas variam conforme o tipo. Os mais comuns são:

    • Lesões avermelhadas na pele;
    • Formação de bolhas ou crostas;
    • Crostas amareladas características;
    • Coceira;
    • Em alguns casos, leve dor.

    Geralmente não há sintomas sistêmicos.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    O impetigo é mais comum em:

    • Crianças;
    • Pessoas com pequenas lesões na pele;
    • Ambientes quentes e úmidos;
    • Situações de higiene inadequada.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado na aparência das lesões.

    Na maioria dos casos, não são necessários exames.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da extensão das lesões.

    As principais opções são:

    • Antibióticos tópicos, em casos leves;
    • Antibióticos orais, em casos mais extensos;
    • Higiene adequada da pele.

    O tratamento reduz a transmissão e acelera a cura.

    Como prevenir o impetigo

    Algumas medidas ajudam a evitar a infecção:

    • Lavar bem as mãos;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter a pele limpa e seca;
    • Tratar pequenas lesões da pele;
    • Evitar contato com lesões infectadas.

    Veja mais:

    Irritação ou infecção? Como identificar a foliculite

    Perguntas frequentes sobre impetigo

    1. Impetigo é contagioso?

    Sim. É altamente contagioso.

    2. É comum em crianças?

    Sim. É mais frequente na infância.

    3. Precisa de antibiótico?

    Na maioria dos casos, sim.

    4. Pode coçar?

    Sim. A coceira é comum.

    5. Pode deixar cicatriz?

    Geralmente não, se tratado adequadamente.

    6. Pode voltar?

    Sim, especialmente se houver novos fatores de risco.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando as lesões se espalham ou não melhoram.

    Confira:

    Dermatite atópica: o que é, sintomas e cuidados

  • Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    A gravidez em idade mais avançada, normalmente considerada a partir dos 35 anos, apresenta um risco maior de comorbidades para a mãe, como pressão alta e diabetes gestacional, condições que podem elevar a indicação de uma cesárea. Mas será que a idade, por si só, define a via de parto?

    Apesar da incidência de intervenções cirúrgicas ser maior em mulheres nessa faixa etária, na prática, a escolha entre o parto normal e a cesárea precisa considerar fatores como a saúde da gestante, o histórico de gestações, como a gravidez está evoluindo e as condições do bebê.

    A idade obriga a realização de cesárea?

    A resposta é não, a idade sozinha não obriga a realização de uma cesárea. O que acontece é que, após os 35 anos, acontece uma maior incidência de condições que podem levar à indicação cirúrgica, como pressão alta e diabetes, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    No entanto, uma mulher com 35 anos ou mais pode ter um parto normal de forma segura, desde que a gestação esteja evoluindo sem complicações graves. A decisão pela via de parto é baseada em fatores clínicos, e não apenas na data de nascimento da gestante.

    Por que a cesárea é mais comum após os 35 anos?

    A cesárea é mais comum após os 35 anos porque há uma maior incidência de fatores de risco e complicações clínicas, como:

    • Diabetes gestacional: o aumento do açúcar no sangue, identificado pela primeira vez durante a gravidez, pode levar ao crescimento excessivo do bebê (macrossomia), dificultando a passagem pelo canal de parto;
    • Hipertensão arterial e pré-eclâmpsia: são condições que podem exigir a antecipação do parto ou limitar a realização do parto normal devido ao risco materno, como AVC ou convulsões;
    • Doenças crônicas (tireoidianas, cardíacas, autoimunes): são mais frequentes com o avanço da idade e, dependendo do caso, podem contraindicar o esforço do parto vaginal;
    • Insuficiência placentária: ocorre quando a placenta não consegue fornecer oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente para o bebê. Durante o trabalho de parto, com as contrações, essa troca pode se tornar ainda mais limitada, dificultando a tolerância do bebê ao processo;
    • Oligoidrâmnio (pouco líquido amniótico): a redução do líquido diminui a proteção ao redor do bebê e pode favorecer a compressão do cordão umbilical durante as contrações, interferindo na oxigenação fetal e aumentando o risco de alterações nos batimentos cardíacos.

    Uma mulher com 35 anos ou mais que está na sua primeira gestação (primípara) tem, em geral, uma maior probabilidade de cesárea do que uma mulher da mesma faixa etária que já teve partos normais.

    O primeiro parto é, por si só, um fator de risco para cesárea, pois o colo do útero e os tecidos pélvicos estão passando pelo processo de dilatação e parto pela primeira vez, o que pode levar a um trabalho de parto mais longo ou dificuldades na progressão.

    Quando o parto normal é indicado?

    O parto normal é indicado quando a gestação está evoluindo de forma saudável, como nas seguintes situações:

    • A gestante está em boas condições de saúde, sem doenças que contraindiquem o trabalho de parto ou aumentem o risco durante o esforço;
    • A gravidez evolui sem complicações importantes, com um pré-natal dentro do esperado e sem intercorrências relevantes;
    • O bebê está bem e com crescimento adequado, com batimentos cardíacos normais e sem sinais de sofrimento fetal;
    • O bebê está na posição adequada, preferencialmente de cabeça para baixo (posição cefálica), o que facilita a passagem pelo canal de parto;
    • A placenta está bem posicionada, sem obstruir o colo do útero;
    • O trabalho de parto evolui de forma adequada, com contrações eficazes, progressão da dilatação e descida do bebê.

    É importante lembrar que a escolha pelo parto normal não depende de um único fator, mas de uma combinação de condições. Mesmo quando tudo começa bem, deve-se manter o acompanhamento durante o trabalho de parto para observar como tudo está evoluindo e garantir a segurança da mãe e do bebê em cada momento.

    Quando a decisão sobre a via de parto deve ser tomada?

    A decisão sobre a via de parto não precisa ser tomada logo no início da gestação. Na verdade, ela é um processo construído ao longo do pré-natal, durante as conversas com o médico.

    Nas primeiras consultas, a gestante pode compartilhar os seus desejos, expectativas e até possíveis receios, mas é mais para o final da gravidez, por volta da 34ª a 36ª semana, que já é possível avaliar com mais precisão a posição do bebê, a saúde da placenta e as condições clínicas da gestante, o que ajuda a definir o caminho mais seguro.

    Caso a escolha seja por uma cesárea programada, a legislação brasileira permite que o agendamento seja feito a partir da 39ª semana, um momento em que o bebê já está mais maduro e preparado para o nascimento.

    Ainda assim, é importante lembrar que o plano pode mudar durante o trabalho de parto, caso surja qualquer sinal de risco, já que a prioridade sempre será a segurança da mãe e do bebê.

    Como se preparar para o parto após os 35 anos?

    Primeiro de tudo, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência, de acordo com Andreia. O período permite avaliar a saúde de maneira mais completa e adotar hábitos de vida saudáveis, que contribuem para uma gestação saudável.

    Para quem já está grávida ou planejando os próximos passos, a preparação para o parto envolve alguns cuidados, como:

    • Mantenha o pré-natal em dia: as consultas e exames regulares são importantes para acompanhar de perto a saúde da placenta e o desenvolvimento do bebê;
    • Cuide do assoalho pélvico: a fisioterapia pélvica ajuda a preparar a musculatura para o parto, além de evitar desconfortos como a perda de urina;
    • Alimente-se com equilíbrio: priorizar alimentos naturais e controlar o açúcar ajuda a evitar a pressão alta e o diabetes gestacional;
    • Pratique atividades leves: caminhadas, hidroginástica ou pilates para gestantes melhoram a resistência física e ajudam no controle do peso;
    • Priorize o descanso: o corpo pede mais energia nessa fase, então respeite os limites e tente manter uma rotina de sono tranquila.

    Além dos cuidados físicos, é importante cuidar também do preparo emocional para o parto, porque ele faz toda a diferença na experiência como um todo. Ter acesso a uma informação de qualidade, participar de cursos para gestantes e manter uma conversa aberta com o médico ajudam a diminuir a ansiedade e a trazer mais segurança e tranquilidade para o momento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Toda grávida com mais de 35 anos é considerada “gestante de alto risco”?

    Nem sempre. Apesar da idade exigir um monitoramento mais atento, se a mulher for saudável e não tiver doenças crônicas ou complicações na gravidez, ela pode ser acompanhada como uma gestação de risco habitual.

    2. É verdade que a bacia “fica rígida” com a idade?

    Isso é um mito. As articulações da bacia se tornam mais flexíveis durante a gravidez devido à ação de hormônios como a relaxina, independentemente da idade.

    3. Posso ter parto normal se a minha gravidez foi por FIV?

    Sim, a técnica usada para engravidar não impede o parto normal. A decisão dependerá apenas da saúde da mãe e do bebê durante a gestação.

    4. A recuperação da cesárea é mais lenta após os 35?

    O tempo de cicatrização pode ser ligeiramente maior, mas o que mais influencia a recuperação é a saúde geral da mulher e se ela teve complicações como diabetes ou anemia.

    5. Posso ter parto humanizado após os 35 anos?

    Com certeza. O parto humanizado é focado no respeito às escolhas da mulher e na segurança, e pode ser realizado tanto no parto normal quanto na cesárea necessária.

    6. O risco de pré-eclâmpsia aumenta no final da gravidez?

    Sim, o risco aumenta levemente com a idade, por isso aferir a pressão arterial em todas as consultas e ficar atenta a inchaços súbitos é fundamental.

    7. O que é mais seguro: cesárea agendada ou esperar o parto normal?

    Não há uma resposta única. A opção mais segura é aquela discutida com seu médico, baseada nos exames mais recentes e no bem-estar do seu bebê naquele momento.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Legionelose: a infecção que pode vir da água e do ar-condicionado 

    Legionelose: a infecção que pode vir da água e do ar-condicionado 

    Embora muitas infecções respiratórias sejam associadas ao contato direto entre pessoas, algumas têm origem em fontes menos óbvia, como sistemas de água e ambientes artificiais. A legionelose é um exemplo disso: uma doença que pode surgir a partir da inalação de gotículas contaminadas presentes no ar.

    Apesar de não ser tão conhecida pelo público, a condição pode variar desde quadros leves até uma pneumonia grave. Entender como a bactéria se prolifera e quais são os sinais de alerta é essencial, especialmente em ambientes coletivos ou com sistemas de água compartilhados.

    O que é a legionelose

    A legionelose é uma infecção causada pela bactéria Legionella pneumophila, que pode provocar desde quadros leves até uma forma grave de pneumonia, conhecida como doença dos legionários.

    Essa bactéria é encontrada em ambientes aquáticos e pode se multiplicar em sistemas artificiais de água, como caixas d’água, chuveiros e sistemas de ar-condicionado.

    A infecção ocorre principalmente pela inalação de gotículas contaminadas, e não pelo consumo de água.

    A legionelose pode se apresentar de duas formas principais.

    1. Doença dos legionários

    • Forma mais grave;
    • Causa pneumonia;
    • Pode exigir internação.

    2. Febre de Pontiac

    • Forma mais leve;
    • Sem pneumonia;
    • Sintomas semelhantes aos de gripe.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão ocorre pela inalação de partículas de água contaminadas.

    As principais fontes são:

    • Sistemas de ar-condicionado;
    • Torres de resfriamento;
    • Chuveiros;
    • Banheiras de hidromassagem;
    • Sistemas de água mal mantidos.

    É importante lembrar que não há transmissão de pessoa para pessoa.

    Principais sintomas

    Os sintomas variam conforme a forma da doença.

    Doença dos legionários:

    • Febre alta;
    • Tosse;
    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Fadiga;
    • Em alguns casos, sintomas gastrointestinais.

    Febre de Pontiac:

    • Febre;
    • Dor muscular;
    • Mal-estar;
    • Sem comprometimento pulmonar.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns grupos têm maior risco:

    • Idosos;
    • Fumantes;
    • Pessoas com doenças pulmonares;
    • Indivíduos com imunidade reduzida;
    • Pessoas com doenças crônicas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico pode ser feito por:

    • Exames laboratoriais;
    • Teste de antígeno urinário;
    • Exames de imagem, como radiografia de tórax.

    A identificação precoce é importante para o tratamento adequado.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento envolve o uso de antibióticos específicos. As principais medidas são:

    • Antibióticos apropriados;
    • Suporte clínico, quando necessário;
    • Internação em casos mais graves.

    O tratamento precoce melhora o prognóstico.

    Como prevenir a legionelose

    A prevenção está relacionada ao controle da qualidade da água.

    Medidas importantes sãoão:

    • Manutenção adequada de sistemas de água;
    • Limpeza de caixas d’água;
    • Controle de sistemas de ar-condicionado;
    • Monitoramento de ambientes de risco.

    Legionelose é grave?

    Pode ser. A forma grave (doença dos legionários) pode levar a complicações, especialmente em grupos de risco. Por isso, o diagnóstico e tratamento precoces são essenciais.

    Leia também:

    Pneumonia adquirida na comunidade: entenda como se pega e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes sobre legionelose

    1. Legionelose é contagiosa?

    Não. Não é transmitida entre pessoas.

    2. Pode causar pneumonia?

    Sim. A doença dos legionários é uma forma de pneumonia.

    3. Água contaminada sempre causa doença?

    Não necessariamente. Depende da exposição e da pessoa.

    4. Precisa de antibiótico?

    Sim. O tratamento envolve antibióticos específicos.

    5. Pode ser grave?

    Sim, especialmente em pessoas de risco.

    6. Como evitar?

    Com manutenção adequada de sistemas de água.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar sintomas respiratórios associados a febre.

    Veja mais:

    7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

  • Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Por que os antidepressivos demoram para fazer efeito?

    Indicados para o tratamento de transtornos como depressão, ansiedade e pânico, os antidepressivos são medicamentos que atuam diretamente no sistema nervoso central para regular o humor e as emoções. Eles contribuem para equilibrar substâncias químicas no cérebro chamadas neurotransmissores, só que o efeito não acontece imediatamente.

    Na verdade, com o início do tratamento, é comum se sentir frustrado ao perceber que, após os primeiros dias de uso, os sintomas de tristeza ou desânimo continuam presentes. Em alguns casos, aparecem apenas os efeitos colaterais, como náuseas, dores de cabeça e boca seca.

    Diferente de um analgésico, que faz efeito rápido, os antidepressivos precisam de um tempo para agir no organismo. Eles vão ajustando aos poucos o funcionamento do cérebro e a ação das substâncias que regulam o humor, por isso o resultado não aparece de um dia para o outro. Vamos entender mais, a seguir.

    Como os antidepressivos atuam no cérebro?

    Os antidepressivos atuam no cérebro regulando substâncias químicas que participam diretamente do humor, das emoções e da resposta ao estresse, chamadas neurotransmissores. Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, os principais são a serotonina e a noradrenalina, substâncias diretamente ligadas ao humor e ao bem-estar.

    Em quadros de depressão ou ansiedade, as substâncias costumam estar em baixas concentrações ou são reabsorvidas rápido demais. Para corrigir o desequilíbrio, os medicamentos agem de três formas principais:

    • O medicamento impede que o neurotransmissor seja reabsorvido rápido demais pelo neurônio, fazendo com que a serotonina ou a noradrenalina fiquem mais tempo ativas entre as células do cérebro;
    • Com mais das substâncias disponíveis, a comunicação entre os neurônios melhora, facilitando a transmissão de sinais ligados ao bem-estar e ao equilíbrio emocional;
    • Com o uso contínuo, o cérebro se adapta. Os receptores dos neurônios passam a funcionar melhor, ficando mais sensíveis e eficientes para captar os sinais químicos disponíveis.

    O processo químico ocorre poucas horas após a ingestão do comprimido, mas é comum que a melhora apareça de forma gradual, ao longo de algumas semanas de uso contínuo.

    Por que o alívio não é imediato?

    O alívio com o uso de antidepressivos não é imediato porque, segundo Luiz, o cérebro precisa de tempo para reorganizar as sinapses e equilibrar o sistema.

    • Nos primeiros dias, até acontece um aumento de neurotransmissores, como a serotonina, mas isso sozinho não é suficiente para melhorar os sintomas;
    • O cérebro precisa reorganizar a forma como as células se comunicam, fortalecendo as conexões entre os neurônios;
    • Os receptores, que são como sensores das células, também passam por um processo de ajuste para responder melhor aos sinais químicos;
    • O conjunto de mudanças acontece de forma gradual, ao longo de semanas.

    Durante o período, é normal que os sintomas ainda estejam presentes ou variem de intensidade, e que alguns efeitos colaterais apareçam antes da melhora, como dor de cabeça, boca seca e enjoo.

    Quanto tempo leva para sentir os primeiros resultados?

    De acordo com Luiz, o alívio real dos sintomas costuma levar de 2 a 4 semanas para começar a ser percebido. Na maioria dos casos, por volta de 21 dias.

    Alguns sintomas podem até apresentar melhora antes do prazo: por exemplo, a qualidade do sono costuma ser uma das primeiras mudanças positivas, já que algumas medicações possuem um efeito mais sedativo. Ao mesmo tempo, a ansiedade pode diminuir mais rápido com certos tipos de antidepressivos.

    No entanto, o humor e a tristeza profunda demoram um pouco mais de tempo para responder. Por isso, Luiz orienta ter paciência e persistência: mesmo que você sinta que o remédio não está funcionando nos primeiros dias, saiba que isso é perfeitamente normal e esperado.

    Sinais de que o antidepressivo está começando a fazer efeito

    Como o corpo e a mente levam um tempo para se ajustar, os sinais de melhora costumam ser sutis no início, aparecendo de forma gradual. Alguns deles incluem:

    • O sono começa a melhorar, com mais facilidade para dormir e sensação de descanso mais reparador ao acordar;
    • As tarefas do dia a dia ficam mais leves, exigindo menos esforço para atividades simples, como tomar banho ou arrumar a casa;
    • A irritação diminui, trazendo mais calma e paciência em situações que antes causavam estresse;
    • O interesse por pequenas coisas volta aos poucos, como ouvir música, ler ou conversar com alguém;
    • Os pensamentos ficam menos acelerados, com redução da preocupação excessiva e mais momentos de clareza mental.

    É importante notar que a melhora não costuma seguir uma linha reta, com dias melhores e dias piores ao longo do processo. No entanto, se após um período de 21 a 30 dias você não perceber nenhum dos pequenos sinais, o ideal é conversar com o médico para avaliar a necessidade de ajustar a dose.

    O que pode atrasar o efeito do medicamento?

    Os principais motivos que podem atrasar ou prejudicar o efeito do antidepressivo são:

    • Pular ou esquecer doses atrapalha o tratamento, porque o cérebro precisa de uma quantidade constante do medicamento no organismo para se estabilizar;
    • O consumo de álcool interfere no efeito do remédio, podendo reduzir a eficácia e aumentar sintomas como sonolência e tristeza no dia seguinte;
    • Alguns medicamentos e fitoterápicos podem interagir com o antidepressivo, dificultando a ação ou diminuindo o efeito no organismo;
    • Situações de estresse intenso ou crises emocionais podem fazer com que a melhora pareça mais lenta, já que fatores externos também influenciam o bem-estar;
    • Em alguns casos, a dose inicial pode ser baixa e precisar de ajuste médico para alcançar o efeito esperado.

    Se você sente que o tempo está passando e nada muda, não pare de tomar o remédio por conta própria. O ideal é anotar o que você está sentindo e levar as informações para a próxima consulta com o médico.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Antidepressivo vicia?

    Não. Ao contrário dos ansiolíticos (tarja preta), os antidepressivos não causam dependência química. O que existe é a necessidade de desmame gradual para o corpo não sentir a retirada brusca.

    2. Posso beber álcool socialmente durante o tratamento?

    O ideal é evitar, especialmente no início. O álcool pode potencializar efeitos colaterais e anular a eficácia do remédio, retardando a sua melhora.

    3. Vou engordar tomando antidepressivo?

    Depende da medicação. Alguns podem aumentar o apetite, enquanto outros são neutros ou até ajudam no controle da compulsão. Converse com seu médico sobre essa preocupação.

    4. Esqueci de tomar o remédio hoje, e agora?

    Tome assim que lembrar. Se já estiver perto da dose do dia seguinte, pule a dose esquecida e siga o horário normal. Nunca tome duas doses juntas.

    5. Vou ter que tomar o remédio para o resto da vida?

    Não necessariamente. O tratamento geralmente dura de 6 meses a 1 ano após a remissão total dos sintomas, mas cada caso é avaliado individualmente.

    6. Grávidas podem tomar antidepressivo?

    Sim, sob orientação médica. Existem opções seguras que protegem a saúde mental da mãe sem prejudicar o desenvolvimento do bebê.

    7. O que é a “síndrome de descontinuação”?

    É um conjunto de sintomas (tontura, dor de cabeça, irritabilidade) que o corpo sente quando o remédio é parado de uma vez, sem o desmame correto.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Análogos de GLP-1: como armazenar os medicamentos corretamente? 

    Se você está em tratamento com os medicamentos análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” (Ozempic ou Mounjaro), já deve saber que elas precisam de alguns cuidados no armazenamento para manter a eficácia ao longo do tempo.

    Os análogos de GLP-1, sendo compostos por substâncias sensíveis a variações de temperatura, luz e manuseio, podem perder a estabilidade quando não são armazenados corretamente, o que compromete o efeito esperado do tratamento e, em alguns casos, até a segurança do uso.

    Na prática, isso significa que deixar a caneta exposta ao calor, ao sol ou a mudanças bruscas de temperatura pode reduzir a potência do medicamento, mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.

    Por que o armazenamento correto é importante para o tratamento?

    O princípio ativo dos análogos de GLP-1 é composto por proteínas extremamente sensíveis a variações ambientais. Quando a caneta é exposta a temperaturas acima de 30°C ou ao congelamento, as moléculas sofrem um processo de desnaturação, o que significa que o remédio perde a estrutura química original e, consequentemente, a capacidade de agir no organismo.

    Isso faz com que a dose aplicada não produza o efeito esperado no controle do apetite ou da glicemia, o que compromete diretamente o progresso do tratamento.

    Além disso, a conservação inadequada coloca em risco a segurança biológica do paciente, pois o calor excessivo e a exposição direta à luz podem acelerar a degradação dos conservantes presentes na fórmula.

    Sem a proteção, o líquido pode se tornar um meio propício para a proliferação de microrganismos ou sofrer alterações químicas que aumentam o risco de reações adversas no local da aplicação, como irritações severas ou infecções.

    Como armazenar a caneta emagrecedora antes do primeiro uso?

    Antes de iniciar o uso, a caneta deve ser mantida sob refrigeração adequada para preservar a estabilidade do medicamento:

    • Guardar na geladeira, em temperatura entre 2 °C e 8 °C;
    • Manter na embalagem original, para proteger da luz e de variações externas;
    • Armazenar na parte interna da geladeira, onde a temperatura é mais estável;
    • Evitar deixar na porta, pois há maior oscilação térmica;
    • Não posicionar próximo ao congelador;
    • Não congelar em nenhuma hipótese.

    O congelamento é um dos principais riscos do armazenamento dos análogos de GLP–1, pois quando acontece, mesmo que por pouco tempo, pode alterar a estrutura do remédio e comprometer totalmente a eficácia. Nesses casos, a recomendação é não utilizar a caneta e fazer o descarte adequado.

    Dica: ao chegar da farmácia, certifique-se de retirar a caneta da sacola e colocá-la na geladeira o mais rápido possível, evitando que ela fique exposta ao calor ambiente por períodos prolongados antes de ser refrigerada.

    Como guardar a caneta após aberta (em uso)?

    Se você já começou a usar o medicamento, existem duas possibilidades seguras de armazenamento: manter na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, ou manter em temperatura ambiente controlada, normalmente abaixo de 30 °C.

    Na prática, muitas pessoas optam por deixar fora da geladeira para facilitar o uso no dia a dia, já que a aplicação com o medicamento menos frio pode ser mais confortável. Ainda assim, o mais importante não é o local em si, mas evitar extremos de temperatura a partir de alguns cuidados:

    • Sempre manter a caneta tampada, protegida da luz;
    • Evitar exposição ao calor, como locais próximos ao fogão, bolsa fechada ao sol ou carro;
    • Não deixar em ambientes com variações bruscas de temperatura;
    • Não armazenar em locais úmidos ou com risco de contato com líquidos.

    Sobre o tempo de uso, vale destacar que cada medicamento tem um limite específico, que pode ser verificado na bula. O Ozempic, por exemplo, pode ser utilizado por até 6 semanas após aberto. Já o Mounjaro pode permanecer fora da geladeira por até 21 dias, desde que abaixo de 30 °C.

    Passado o período, o remédio pode perder a estabilidade, mesmo sem alteração visível.

    Cuidados que você deve ter com a agulha

    O uso incorreto pode causar entupimento da agulha, vazamento do medicamento, aplicação incompleta da dose e até mesmo infecções. Por isso, alguns cuidados são recomendados:

    • Utilizar uma agulha nova em cada aplicação;
    • Nunca reutilizar a agulha, mesmo que pareça em bom estado;
    • Não tentar recolocar a tampa interna, para evitar acidentes;
    • Descartar a agulha imediatamente após o uso;
    • Não utilizar agulhas tortas, danificadas ou com sinais de contaminação;
    • Nunca compartilhar a caneta ou a agulha com outras pessoas.

    Como transportar a caneta emagrecedora em viagens?

    Durante viagens, é preciso manter a temperatura o mais estável possível e proteger o medicamento de extremos. Veja algumas dicas que podem te ajudar:

    • Utilizar uma bolsa térmica para ajudar a manter a temperatura;
    • Evitar contato direto com gelo, para não correr risco de congelamento;
    • Proteger da luz solar direta;
    • Não deixar em locais muito quentes, como carro fechado;
    • Evitar locais muito frios ou com risco de congelamento.

    No caso de viagens de avião, o ideal é levar o medicamento sempre na bagagem de mão, pois o compartimento de carga pode atingir temperaturas muito baixas, aumentando o risco de congelamento.

    Quando descartar a caneta emagrecedora?

    Mesmo que ainda tenha remédio na caneta, existem situações em que você precisa realizar o descarte para garantir a segurança do tratamento, como:

    • O prazo de uso após abertura for ultrapassado;
    • Houve congelamento, mesmo que por pouco tempo;
    • Ficou exposta a temperaturas inadequadas por tempo prolongado;
    • Apresenta alteração no aspecto, como líquido turvo ou diferente do padrão.

    Para o descarte, as agulhas devem ser colocadas em recipientes resistentes, como embalagens rígidas de plástico, para evitar acidentes e perfurações. Depois disso, o material deve ser levado a pontos de coleta adequados, como farmácias, drogarias ou unidades de saúde, que possuem descarte apropriado para resíduos perfurocortantes.

    A importância do acompanhamento médico no uso de GLP-1

    Como qualquer outro tratamento médico, o uso de análogos de GLP-1 precisa de acompanhamento de um profissional do início ao fim.

    Hoje, não é incomum ver pessoas iniciando o tratamento com análogos de GLP-1 sem receita ou orientação médica, o que não é indicado. De acordo com a endocrinologista Daniella Romanholi, o uso inadequado das medicações pode levar à perda de massa muscular, à desaceleração do metabolismo e à dificuldade de manter o peso a longo prazo.

    Nem todas as pessoas têm indicação para o uso, por isso apenas um médico pode avaliar, de forma individualizada, se o tratamento é adequado, considerando o histórico de saúde, o índice de massa corporal e a presença de outras condições associadas.

    Veja também: Está usando Mounjaro? Saiba por que é importante comer bem mesmo com menos fome

    Perguntas frequentes

    1. Posso guardar a caneta emagrecedora na porta da geladeira?

    Não é recomendado. A porta sofre grandes variações de temperatura toda vez que é aberta. O ideal é guardar nas prateleiras centrais ou na gaveta de verduras.

    2. Como saber se a caneta emagrecedora estragou?

    Observe o líquido dentro da caneta: ele deve ser límpido e incolor. Se estiver turvo, com partículas ou com coloração alterada, não utilize.

    3. Por que devo retirar a agulha após a aplicação?

    Deixar a agulha acoplada pode causar vazamento do medicamento, entrada de bolhas de ar e contaminação do líquido.

    4. Esqueci minha caneta fora da geladeira a noite toda, e agora?

    Se a temperatura ambiente não ultrapassou 30°C, ela ainda pode ser usada, mas o prazo de validade passa a ser de apenas 30 dias a partir desse momento.

    5. Posso usar uma caixa térmica com gelo comum para transportar a caneta?

    Sim, mas com cuidado. O gelo comum derrete e pode molhar a embalagem. O ideal é envolver a caneta em um pano ou plástico bolha para que ela não fique em contato direto com o gelo, evitando o risco de congelamento acidental.

    6. Existe algum problema em guardar a caneta perto de alimentos com cheiro forte?

    Desde que a caneta esteja dentro da caixa original e com a tampa, não há interferência química. No entanto, por higiene, recomenda-se mantê-la em uma prateleira isolada ou dentro de um pote organizador limpo.

    7. É normal o líquido da caneta emagrecedora ficar com uma bolha de ar?

    Sim, uma pequena bolha de ar não afeta a qualidade do medicamento nem o armazenamento. O importante é que o líquido continue transparente e sem partículas sólidas.

    Leia mais: GLP-1 e compulsão alimentar: como os injetáveis podem ajudar no controle da vontade de comer?

  • Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    A busca por estabilidade profissional, financeira ou pessoal está entre os motivos pelos quais algumas mulheres optam por adiar a maternidade. No entanto, o corpo feminino passa por mudanças naturais com o avanço da idade, especialmente em relação à fertilidade.

    Após os 35 anos, o organismo apresenta uma redução mais expressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, além de uma maior predisposição ao surgimento de comorbidades que podem impactar a gestação.

    Isso não significa que a gravidez seja impossível, mas destaca a importância de informação, acompanhamento médico e de medidas que ajudem nesse processo. Vamos entender mais a seguir.

    O que muda na fertilidade após os 35 anos?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que serão liberados ao longo da vida reprodutiva até a chegada da menopausa.

    A reserva ovariana sofre um impacto significativo por volta dos 35 anos, em que ocorre uma queda não apenas na quantidade, mas também na qualidade das células. Com o envelhecimento dos gametas, as chances de erros na divisão celular aumentam, o que eleva o risco de alterações genéticas, como as cromossomopatias.

    A especialista ainda ressalta que a idade é um ponto de transição metabólica. É quando o organismo começa a apresentar uma maior prevalência de comorbidades, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, com um acompanhamento pré-concepcional adequado, é possível identificar riscos precocemente e preparar o corpo para uma gestação saudável.

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35?

    1. Cuide do planejamento antes de tentar

    Na consulta pré-concepcional, o médico avalia o estado geral da saúde, solicita exames, verifica o status vacinal e orienta a suplementação, como o uso de ácido fólico.

    Também é o momento de ajustar medicações e controlar doenças pré-existentes, como problemas de tireoide ou resistência à insulina. Segundo Andreia, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência.

    2. Conheça o seu ciclo e o período fértil

    Com o avanço da idade, as chances de engravidar por ciclo diminuem de forma natural. Por volta dos 25 anos, a probabilidade de gravidez a cada ciclo menstrual está entre 20% e 25%, enquanto aos 35 anos a taxa pode cair para cerca de 10% a 15%.

    Assim, vale entender o funcionamento do ciclo menstrual e identificar o período fértil, pois ter relações sexuais próximas ao momento da ovulação aumenta as chances de concepção.

    Para ajudar no processo, podem ser usados aplicativos de monitoramento do ciclo, que ajudam a prever os dias férteis, além de testes de ovulação disponíveis em farmácias, que identificam alterações hormonais relacionadas à ovulação.

    3. Envolva o parceiro no processo

    Segundo Andreia, a qualidade do espermatozoide muda ao longo do tempo, sendo responsável por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. É necessário que o parceiro também participe ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como:

    • Redução ou eliminação do cigarro;
    • Moderação no consumo de álcool;
    • Adoção de uma alimentação equilibrada;
    • Controle do peso corporal, já que a obesidade pode prejudicar a qualidade dos espermatozoides.

    Em alguns casos, o médico pode indicar a realização de um espermograma, exame que avalia a quantidade, a motilidade e a morfologia dos gametas masculinos.

    4. Melhore o estilo de vida e cuide da saúde dos óvulos

    Não é possível aumentar a quantidade de óvulos ao longo da vida, mas é viável melhorar o ambiente hormonal e metabólico em que eles se desenvolvem, a partir de medidas como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, antioxidantes e gorduras boas, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando o próprio corpo, já que o movimento ajuda no equilíbrio hormonal, na circulação e na saúde metabólica;
    • Controlar o peso corporal, evitando tanto o excesso quanto a baixa de peso, pois ambos podem interferir no funcionamento dos hormônios e na ovulação;
    • Reduzir o estresse no dia a dia, com estratégias como momentos de descanso, sono de qualidade e atividades que promovam bem-estar.

    Após os 30 anos, algumas alterações, como a resistência à insulina e disfunções da tireoide, se tornam mais frequentes e podem impactar a fertilidade, sendo necessário manter o acompanhamento médico e o controle das condições.

    5. Considere o congelamento de óvulos

    Para mulheres com 35 anos ou mais que ainda não pretendem engravidar, o congelamento de óvulos é uma medida de planejamento reprodutiva que permite preservar os óvulos no momento atual, mantendo a qualidade das células para uma tentativa futura.

    O processo envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e o congelamento em laboratório, sempre com acompanhamento médico especializado. Dessa forma, quando a mulher decidir engravidar, poderá utilizar óvulos mais jovens, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

    Vale lembrar que, quanto mais cedo o congelamento é realizado (idealmente antes dos 35 anos), maiores são as chances de sucesso no futuro. Ele não é uma garantia de 100% de gravidez futura, mas aumenta consideravelmente as chances em comparação à tentativa natural em idade avançada, segundo Andreia.

    Quando procurar um especialista em reprodução humana?

    Para mulheres com mais de 35 anos, a recomendação médica é procurar um especialista em reprodução humana:

    • Após 6 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com 35 anos ou mais;
    • Após 12 meses de tentativas, para mulheres com menos de 35 anos.

    Em qualquer idade, a presença de fatores como ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou histórico de dificuldade para engravidar pode justificar uma investigação antecipada.

    O especialista poderá solicitar exames, avaliar o casal de forma completa e indicar o melhor caminho, que pode ir desde ajustes simples até tratamentos mais específicos. Quanto mais cedo a investigação começa, maiores tendem a ser as chances de sucesso.

    Veja também: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Engravidar após os 35 é considerado sempre uma gravidez de alto risco?

    Não, muitas mulheres têm gestações de baixo risco nessa idade. O risco depende da presença de doenças prévias (como hipertensão) ou de condições que surgem durante o pré-natal.

    2. O uso prolongado de anticoncepcional pode dificultar a gravidez mais tarde?

    Não. Ao parar o método, a fertilidade que a mulher terá é a que ela já teria naturalmente para a sua idade atual.

    3. Quais são os principais riscos da gravidez tardia para o bebê?

    O principal risco é o aumento de cromossomopatias (alterações genéticas), como a Síndrome de Down. Isso ocorre porque os óvulos envelhecem e podem apresentar erros na divisão celular.

    4. E quais são os riscos para a saúde da mãe?

    Há uma maior incidência de comorbidades metabólicas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), além de uma maior taxa de partos cesárea.

    5. Como o estilo de vida do homem influencia o processo?

    O espermatozoide é sensível a hábitos como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e dietas inflamatórias. Melhorar o estilo de vida pode elevar significativamente a viabilidade do sêmen.

    6. Por que devo tomar ácido fólico antes de engravidar?

    O ácido fólico deve ser iniciado pelo menos 3 meses antes da concepção para prevenir malformações no tubo neural do bebê (cérebro e medula).

    7. O pré-natal de uma mulher de 35 anos é diferente?

    O protocolo é o mesmo, mas o médico terá uma vigilância maior para detectar precocemente sinais de diabetes ou pressão alta, realizando exames de rastreio genético com mais atenção.

    8. Como saber se ainda sou fértil aos 35 ou 40 anos?

    O médico pode solicitar exames como a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a ultrassonografia para contagem de folículos antrais para avaliar a reserva ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • O que pode ser a língua branca? Saiba quando você deve procurar um médico

    O que pode ser a língua branca? Saiba quando você deve procurar um médico

    Você já notou uma camada esbranquiçada cobrindo a sua língua ao se olhar no espelho? Na maioria das vezes, a língua branca é apenas um sinal de que restos de alimentos e bactérias se acumularam sobre as papilas linguais, formando a chamada saburra.

    No entanto, você deve ficar atento se a mancha não sair facilmente com a escovação ou se vier acompanhada de sintomas como dor, ardência ou mau hálito persistente. Nesses casos, a alteração pode indicar desde uma desidratação até infecções por fungos, como a candidíase oral.

    O que pode ser a língua branca?

    A língua branca costuma surgir quando a higiene bucal não é feita de forma adequada, como quando a língua não é escovada ou o fio dental não é usado regularmente. Consequentemente, restos de alimentos e células mortas se acumulam entre as papilas, formando uma camada esbranquiçada que, inclusive, pode causar mau hálito.

    Em casos menos comuns, a língua branca também pode ser causada por:

    • Candidíase oral: infecção fúngica, popularmente conhecida como sapinho, que forma placas esbranquiçadas semelhantes a leite coalhado;
    • Leucoplasia: manchas brancas que surgem na mucosa da boca e na língua, sendo mais frequentes em pessoas que fumam;
    • Líquen plano: uma condição inflamatória que gera linhas ou manchas brancas, podendo causar sensibilidade a alimentos ácidos;
    • Sífilis: a doença, quando em estágio secundário, pode apresentar feridas e manchas brancas na cavidade oral;
    • Desidratação: a falta de ingestão de água reduz a produção de saliva, facilitando o acúmulo de detritos na superfície lingual.

    Como limpar a língua corretamente?

    O ideal é fazer a limpeza da língua todos os dias, preferencialmente pela manhã e antes de dormir, junto com a escovação dos dentes. Para isso, você pode usar um raspador lingual ou a própria escova de dentes:

    • Posicione o raspador ou a escova na parte mais posterior da língua, indo até onde for confortável, sem causar náuseas. Com o tempo, o reflexo tende a diminuir;
    • Faça movimentos de trás para frente, deslizando suavemente em direção à ponta da língua, com leve pressão, repetindo de 3 a 5 vezes e cobrindo toda a superfície, incluindo as laterais;
    • Enxágue o instrumento após cada passada em água corrente para remover os resíduos acumulados;
    • Finalize com um bochecho com água para eliminar os detritos e, se quiser, utilize um enxaguante bucal sem álcool.

    Vale destacar que muitas escovas de dente já vêm com um raspador de língua na parte de trás da cabeça, o que facilita ainda mais. Além disso, lembre-se de manter uma boa hidratação ao longo do dia e não esquecer do uso do fio dental.

    Se você notar acúmulo excessivo de saburra e mau hálito persistente, pode ser necessário aumentar a frequência da limpeza.

    Como tratar a língua branca?

    O tratamento para a língua branca depende do que está causando a alteração. Quando o motivo é a higiene bucal inadequada, limpar a língua todos os dias e beber bastante água já costuma ser suficiente para reduzir a mancha.

    Mas, em casos de infecções, pode ser necessário o acompanhamento médico e o uso de medicamentos específicos:

    • Candidíase oral (sapinho): tratada com antifúngicos, que podem ser em forma de gel, solução ou comprimidos, conforme orientação médica;
    • Infecções bacterianas: podem exigir o uso de antibióticos, dependendo da avaliação do profissional;
    • Líquen plano oral: pode necessitar de medicamentos anti-inflamatórios ou imunomoduladores para controlar os sintomas;
    • Leucoplasia: requer acompanhamento profissional, já que pode estar associada a alterações celulares e, em alguns casos, requer uma investigação mais detalhada.

    Além disso, é importante tratar fatores que contribuem para o problema, como boca seca, uso de determinados medicamentos, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

    Quando ir ao médico?

    Procure um médico nas seguinte situações:

    • A mancha não desaparece mesmo após uma semana de higiene rigorosa com raspadores ou escova;
    • Sensação de queimação constante, especialmente ao comer alimentos ácidos ou picantes;
    • Presença de aftas, úlceras ou caroços que não cicatrizam em até 15 dias;
    • Problemas ou desconforto ao mastigar, engolir ou falar;
    • A língua sangra facilmente ao ser escovada ou ao tentar remover as placas brancas;
    • Manchas que parecem rígidas, ásperas ou que apresentam relevos incomuns (como as da leucoplasia);
    • Presença de febre, gânglios inchados no pescoço ou perda de peso sem causa aparente.

    Nesses casos, a avaliação profissional é importante para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

    Como prevenir o aparecimento de manchas na língua?

    Para evitar o surgimento da camada esbranquiçada e manter a saúde da boca em dia, algumas mudanças simples na rotina ajudam, como:

    • Manter a higiene bucal completa, escovando a língua diariamente e usando fio dental;
    • Beber bastante água ao longo do dia para manter a boca hidratada e estimular a produção de saliva;
    • Evitar hábitos irritantes, como fumar e consumir álcool em excesso;
    • Ter uma alimentação equilibrada, com frutas e vegetais que ajudam na limpeza natural da boca;
    • Evitar o consumo excessivo de açúcar, que favorece o crescimento de fungos;
    • Manter bons níveis de vitaminas, como ferro e vitamina B12;
    • Ir regularmente ao dentista para avaliação e limpeza profissional.

    Sempre que terminar de escovar os dentes, dê uma olhada rápida no espelho: uma língua saudável deve ser rosada e limpa. Se notar qualquer mudança que dure mais de uma semana, é hora de reforçar a limpeza ou buscar orientação médica.

    Leia mais: Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a língua branca em bebês?

    Pode ser candidíase oral (sapinho) ou resíduos de leite. Se não sair ao passar uma gaze úmida, deve-se consultar o pediatra.

    2. Por que a língua fica branca durante o jejum?

    A falta de mastigação e a menor produção de saliva durante o jejum diminuem a autolimpeza da boca, favorecendo o acúmulo de detritos.

    3. Língua branca pode ser sinal de HIV?

    Pode ser um sintoma indireto, já que o vírus enfraquece a imunidade, facilitando o surgimento de candidíase oral ou leucoplasia pilosa.

    4. Língua branca causa mau hálito?

    Sim, a saburra lingual é uma das principais causas de halitose, pois as bactérias ali presentes liberam gases com odor forte.

    5. Qual o melhor raspador de língua: plástico ou metal?

    Ambos funcionam, mas os de metal (aço inox ou cobre) são mais duráveis, fáceis de esterilizar e acumulam menos bactérias com o tempo.

    6. Língua branca pode ser câncer?

    É bastante raro, mas manchas brancas que não saem (leucoplasia) devem ser avaliadas, pois podem ser lesões pré-cancerígenas, especialmente em fumantes.

    7. Quanto tempo demora para a língua voltar ao normal?

    Se for apenas higiene, a melhora é imediata após a raspagem. Se for infecção, o tratamento com remédios costuma se resolver em 7 a 14 dias.

    Veja também: Candidíase oral (sapinho): por que aparecem placas brancas na boca?