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  • Aprenda alongamentos simples para aliviar dores musculares

    Aprenda alongamentos simples para aliviar dores musculares

    Incorporar exercícios de alongamento na rotina é uma das formas mais eficazes de aliviar dores musculares e prevenir lesões. Embora muitas vezes negligenciados diante da correria do dia a dia, os alongamentos podem ser feitos em poucos minutos e proporcionam benefícios que vão desde a melhora da postura até o relaxamento físico e mental.

    “O ideal é incorporar os alongamentos em diferentes momentos estratégicos do dia para obter diversos benefícios”, garante o ortopedista Caio Gonçalves, que explica nesta reportagem como tornar o hábito mais seguro e eficiente.

    Em que momento apostar nos alongamentos para dores musculares?

    O ortopedista ressalta que não existe apenas um horário correto para se alongar. A prática pode ser incorporada em diferentes momentos do dia, cada um trazendo benefícios específicos.

    • Ao acordar: desperta o corpo, ativa a circulação e reduz a rigidez após o sono
    • No trabalho (a cada 1–2 horas): pausas curtas com alongamento no trabalho aliviam a tensão acumulada de quem fica muito tempo sentado ou em pé
    • Após atividades físicas: favorece o relaxamento, auxilia na recuperação e ajuda a prevenir dor tardia
    • Antes de dormir: alongamentos leves reduzem o estresse e contribuem para um sono mais tranquilo

    “Praticar alongamentos nesses momentos permite cuidar da saúde postural, reduzir desconfortos e aumentar o bem-estar ao longo do dia”, fala o especialista.

    Confira: Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores

    Exercícios de alongamento simples que podem ser feitos no trabalho ou ao acordar

    Para quem busca alongamentos para dores musculares simples no ambiente de trabalho ou mesmo na hora de despertar, o especialista indica exercícios discretos, que não exigem equipamentos e podem ser feitos em qualquer lugar:

    • Cervical (pescoço): incline suavemente a cabeça para os lados, para a frente e para trás, alongando a região do pescoço
    • Ombros/trapézio: leve um braço estendido à frente do corpo e, com a outra mão, puxe suavemente em direção ao peito; repita com o outro braço
    • Rotação torácica sentada: sentado, cruze os braços à frente do peito e rode o tronco para a direita e depois para a esquerda, sentindo o alongamento nas costas
    • Punhos/antebraços: estique um braço à frente, com a palma virada para cima e, com a outra mão, puxe delicadamente os dedos para baixo e para cima, alternando os lados
    • Isquiotibiais sentado: sentado, estenda uma das pernas à frente e tente tocar a ponta do pé (sem forçar), mantendo a coluna ereta. Repita na outra perna

    Cada alongamento deve ser mantido entre 20 e 30 segundos, sentindo apenas um leve desconforto, nunca dor. O ideal é repetir de duas a três vezes, sempre de forma lenta, sem balanços ou impulsos, e retornando à posição inicial com cuidado. “São exemplos que podem ser feitos em poucos minutos e ajudam a diminuir desconfortos, aumentar a disposição e prevenir dores”, garante o profissional.

    Esses alongamentos para dores musculares são ótimos para o ambiente de trabalho, mas não são os mesmos alongamentos que devem ser feitos nos treinos diários (como na academia ou na corrida, por exemplo). Vamos entender!

    Alongamento antes e depois do treino: o que fazer?

    Antes do treino, a recomendação é dar preferência aos alongamentos dinâmicos, aqueles que envolvem movimento, como elevação de joelhos ou rotações de tronco. Eles ajudam a preparar músculos e articulações para o esforço, além de reduzir o risco de lesões.

    Já os alongamentos estáticos, em que se mantém a posição por alguns segundos, são mais indicados após o exercício. Eles relaxam a musculatura, reduzem a tensão acumulada durante a atividade e contribuem para prevenir dores musculares tardias.

    Exemplos de alongamentos dinâmicos (pré-treino)

    1. Elevação de joelhos
      Como fazer: Eleve alternadamente os joelhos até a altura do quadril, simulando uma marcha no lugar. Movimente os braços de forma natural
      Duração: 30 segundos
    2. Kickbacks (calcanhar nos glúteos)
      Como fazer: Flexione um joelho e leve o calcanhar em direção ao glúteo, alternando as pernas rapidamente
      Duração: 30 segundos
    3. Rotação de tronco
      Como fazer: Com os pés afastados na largura dos ombros, flexione levemente os joelhos e gire o tronco de um lado para o outro, mantendo os quadris parados
      Duração: 20 repetições (10 para cada lado)
    4. Elevação lateral de braços circulares
      Como fazer: Estenda os braços lateralmente e faça pequenos círculos, primeiro para frente e depois para trás
      Duração: 15 segundos para cada direção
    5. Agachamento com elevação de braços
      Como fazer: Agache e, ao levantar, eleve os braços acima da cabeça. Repita o movimento de forma contínua e controlada
      Duração: 10 a 15 repetições
    6. Estocada com rotação do tronco
      Como fazer: Dê um passo à frente em uma estocada e, com as mãos juntas à frente do peito, gire o tronco para o lado da perna da frente. Volte e troque de lado
      Duração: 10 repetições para cada lado
    7. Abdução dinâmica de quadril
      Como fazer: Em pé, levante lateralmente uma perna de cada vez, mantendo o movimento fluido
      Duração: 10 repetições por perna

    Exemplos de alongamentos estáticos (pós-treino)

    1. Alongamento do pescoço lateral
      Como fazer: Sentado ou em pé, mantenha as costas eretas. Com uma das mãos, segure a lateral da cabeça e incline suavemente o pescoço para o lado, aproximando a orelha do ombro (sem elevar o ombro)
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    2. Alongamento de trapézio e ombros
      Como fazer: Cruze um braço sobre o corpo na altura do peito e, com a outra mão, puxe delicadamente o braço estendido, mantendo o ombro relaxado
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    3. Alongamento de peitoral na parede
      Como fazer: Em pé, coloque a mão e o antebraço em uma parede, com o cotovelo flexionado a 90°. Gire o tronco levemente para o lado oposto até sentir alongar o peito e o ombro
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    4. Alongamento de flexores de quadril
      Como fazer: Em posição de avanço/afundo, com uma perna à frente e a outra estendida para trás, empurre suavemente o quadril para frente até sentir alongar a parte da frente do quadril da perna de trás
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    5. Alongamento de posterior da coxa
      Como fazer: Sentado com uma perna esticada e outra flexionada, incline-se lentamente sobre a perna esticada, mantendo as costas retas, até sentir alongar a parte de trás da coxa
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    6. Alongamento de panturrilha na parede
      Como fazer: Apoie as mãos na parede, coloque uma perna à frente flexionada e a outra atrás esticada com o calcanhar no chão. Incline o corpo para frente, mantendo o calcanhar da perna de trás no chão e a perna reta, até sentir alongar a panturrilha
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    7. Alongamento de glúteos deitado
      Como fazer: Deite-se de costas, cruze um tornozelo sobre o joelho oposto. Segure a coxa da perna apoiada no chão e puxe suavemente em direção ao peito até sentir alongar o glúteo
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado

    Para evitar problemas, mesmo em alongamentos simples, a orientação é alongar devagar, manter a postura correta e interromper o exercício se a dor ultrapassar o desconforto leve. Em caso de dúvidas, vale buscar orientação de um fisioterapeuta ou profissional de educação física.

    Veja também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Cuidados na hora de alongar para evitar lesões

    Quando feitos sem atenção à postura ou ultrapassando os limites do corpo, os alongamentos para dores musculares podem trazer mais problemas do que benefícios. Entre os riscos estão distensões musculares, sobrecarga articular e lesões em tendões.

    Segundo o especialista, os erros mais comuns incluem realizar movimentos bruscos, insistir apesar da dor intensa ou alongar sem alinhamento adequado da coluna.

    “Sempre realize os alongamentos lentamente, preste atenção à postura e pare imediatamente se sentir dor intensa — alongamento deve ser confortável!”, enfatiza o médico.

    É seguro alongar com dor?

    A resposta depende da intensidade da dor. “Em uma dor leve e relacionada à tensão muscular, por exemplo, alongamentos suaves e controlados podem ser benéficos, proporcionando alívio imediato”, diz o ortopedista.

    No entanto, quando há dor intensa, sinais de inflamação (como inchaço, vermelhidão e calor local) ou grande limitação dos movimentos, o ideal é evitar alongar até uma avaliação médica.

    “Jamais force o movimento caso sinta dor aguda. O ideal é sempre escutar o corpo e respeitar seus limites para que o alongamento seja seguro e eficaz.”

    Veja também: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna

    Perguntas frequentes sobre alongamento para dores musculares

    1. Qual é o melhor momento do dia para se alongar?

    O alongamento pode ser feito em diferentes momentos, cada um trazendo benefícios: ao acordar, para ativar o corpo; no trabalho, para aliviar tensões; após os exercícios, para acelerar a recuperação; e antes de dormir, para relaxar.

    2. Quais alongamentos posso fazer no trabalho ou ao acordar?

    Exercícios simples como inclinar a cabeça para alongar o pescoço, cruzar o braço à frente do peito para os ombros, torcer o tronco sentado, alongar punhos e tocar a ponta do pé sentado já trazem bons resultados.

    3. Qual a diferença entre alongar antes e depois do treino?

    Antes do treino, os alongamentos dinâmicos (com movimento) são os mais indicados, pois preparam músculos e articulações. Depois do treino, prefira alongamentos estáticos (mantidos por alguns segundos), que ajudam a relaxar e prevenir dores.

    4. Existe risco de lesão ao se alongar?

    Sim. Movimentos bruscos, postura inadequada ou insistir mesmo sentindo dor podem causar distensões e sobrecarga articular. O correto é alongar de forma lenta, respeitando os limites do corpo.

    5. É seguro alongar quando já estou com dor?

    Depende. Se for dor leve por tensão muscular, alongamentos suaves podem ajudar. Mas em caso de dor intensa, inflamação ou limitação de movimentos, o ideal é evitar alongar e procurar um médico antes de retomar a prática.

    Leia também: Como evitar dores ao usar computador e celular: um guia prático de ajustes na rotina

  • Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Os primeiros anos de vida são um período de intenso desenvolvimento cerebral, em que a criança aprende a falar, caminhar, se comunicar, interagir com outras pessoas, desenvolver habilidades motoras e adquirir conhecimentos importantes para a vida. Porém, quando há alguma interrupção ou alteração nesse processo natural, podem surgir os chamados transtornos do neurodesenvolvimento.

    As condições, como o TDAH e transtorno do espectro ausista (TEA), costumam se manifestar ainda na primeira infância e podem impactar aspectos importantes do dia a dia da criança, como a fala, a aprendizagem, a atenção e o comportamento, de acordo com a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Mas, apesar dos desafios que podem trazer, os transtornos do neurodesenvolvimento não estão relacionados à falta de inteligência. Na verdade, conviver com a condição significa apenas que o cérebro processa o mundo de uma forma diferente, e não que a criança seja incapaz de aprender e se desenvolver.

    O que são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso e o desenvolvimento do cérebro. Eles costumam se manifestar muito cedo, normalmente antes de a criança entrar na escola, e podem afetar uma ou várias áreas do desenvolvimento infantil, como:

    • Linguagem e comunicação;
    • Aprendizagem;
    • Atenção e concentração;
    • Habilidades motoras;
    • Interação social;
    • Controle emocional;
    • Comportamento.

    A intensidade dos sintomas varia bastante: enquanto algumas crianças apresentem dificuldades leves e conseguem realizar as atividades com poucas adaptações, outras podem precisar de acompanhamento especializado e suporte contínuo.

    O que NÃO são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Como existem diversas dúvidas ao redor dos transtornos de neurodesenvolvimento, vale destacar dois pontos principais:

    • Eles não indicam falta de inteligência: muitas pessoas que convivem com os transtornos têm inteligência na média ou até acima da média. A dificuldade está em como o cérebro processa e expressa o conhecimento;
    • Não é culpa dos pais: os transtornos não são causados por falta de limites, excesso de telas ou traumas familiares. São condições biológicas que envolvem diferenças no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro, influenciadas principalmente por fatores genéticos e neurológicos.

    O mais importante é buscar orientação especializada, acolher as necessidades da criança e oferecer o suporte adequado para favorecer o seu desenvolvimento.

    Tipos de transtorno de neurodesenvolvimento

    1. Transtorno do espectro autista (TEA)

    O TEA é caracterizado por diferenças na comunicação social e pela presença de comportamentos, interesses ou atividades repetitivas e restritas. Os principais sinais podem incluir:

    • Dificuldade para interagir socialmente;
    • Pouco contato visual;
    • Atraso na fala ou diferenças na comunicação;
    • Interesse intenso por temas específicos;
    • Necessidade de rotina;
    • Sensibilidade aumentada a sons, luzes, texturas ou cheiros.

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra, motivo pelo qual o autismo é considerado um espectro. Algumas precisam de bastante suporte para as atividades diárias, enquanto outras são mais independentes.

    2. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

    O TDAH é um transtorno que afeta principalmente a atenção, o controle dos impulsos e a capacidade de organização. Ele pode se manifestar mais pela falta de atenção, mais pela agitação, ou por uma combinação das duas coisas. Alguns dos principais sinais incluem:

    • Dificuldade para manter o foco;
    • Esquecimentos frequentes;
    • Agitação excessiva;
    • Impulsividade;
    • Dificuldade para seguir instruções;
    • Problemas de organização.

    Os sinais costumam aparecer na infância, mas podem persistir durante a adolescência e a vida adulta.

    3. Transtornos específicos da aprendizagem

    Os transtornos específicos de aprendizagem são condições que afetam a capacidade de processar informações específicas, tornando o aprendizado escolar muito desafiador, mesmo que a criança seja inteligente. Os mais conhecidos são:

    • Dislexia: transtorno da aprendizagem que afeta principalmente a leitura. A criança pode ter dificuldade para reconhecer palavras de forma rápida e fluente, compreender textos, identificar sons das letras e realizar atividades de leitura e escrita compatíveis com a idade;
    • Discalculia: transtorno que interfere na compreensão dos números e dos conceitos matemáticos. Pode causar dificuldades para realizar cálculos simples, entender quantidades, memorizar operações básicas, interpretar problemas matemáticos e lidar com noções de tempo e medidas;
    • Disgrafia: alteração que afeta a habilidade de escrita, de modo que a criança pode apresentar letra pouco legível, dificuldade para organizar palavras e frases no papel, lentidão para escrever e problemas para coordenar os movimentos necessários durante a escrita.

    Como os transtornos muitas vezes podem ser confundidos com falta de interesse, o diagnóstico pode acontecer anos mais tarde.

    4. Transtornos da comunicação

    Os transtornos de comunicação afetam a fala e a linguagem, de maneira que a criança pode entender perfeitamente o que dizem a ela, mas ter dificuldades sérias para se expressar verbalmente, estruturar frases ou pronunciar os sons corretamente. Quanto mais cedo as alterações forem identificadas, maiores são as chances de intervenção eficaz.

    5. Transtornos do desenvolvimento da coordenação motora

    Nos transtornos do desenvolvimento motor, a criança apresenta dificuldades para realizar movimentos e executar tarefas motoras esperadas para a sua idade. O principal exemplo é o transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), também conhecido como dispraxia, condição que pode afetar atividades do dia a dia, como escrever, correr, se vestir ou praticar esportes.

    O grupo também inclui os transtornos de tiques, caracterizados por movimentos ou vocalizações involuntárias e repetitivas, como ocorre na Síndrome de Tourette.

    6. Transtorno do desenvolvimento intelectual

    O transtorno do desenvolvimento intelectual envolve limitações nas funções intelectuais, como raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas e planejamento, além de dificuldades no comportamento adaptativo, que inclui habilidades necessárias para o dia a dia, como comunicação, autocuidado, interação social e realização de atividades práticas.

    A condição pode variar de leve a profunda, dependendo do grau de comprometimento e da necessidade de suporte da pessoa.

    Quais os sinais de alerta mais comuns?

    Cada transtorno possui características próprias, mas os pais podem ficar atentos a alguns sinais que podem indicar que a criança precisa de uma avaliação especializada, como:

    • Atraso para falar;
    • Pouco interesse em interações sociais;
    • Dificuldade para manter contato visual;
    • Problemas persistentes de atenção;
    • Agitação excessiva;
    • Dificuldade de aprendizagem;
    • Comportamentos repetitivos;
    • Sensibilidade exagerada a estímulos;
    • Atrasos tempos;
    • Dificuldade para seguir instruções compatíveis com a idade.

    A presença de um ou mais sinais não significa necessariamente que exista um transtorno, mas merece investigação quando persiste ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico dos transtornos do neurodesenvolvimento é clínico e deve ser realizado por profissionais especializados, como neuropediatras, pediatras do desenvolvimento, psiquiatras infantis, psicólogos e fonoaudiólogos, dependendo do caso. A avaliação costuma envolver diferentes etapas:

    • Entrevista com a família: os profissionais investigam o histórico da criança desde a gestação, incluindo o desenvolvimento motor, da linguagem, social e escolar. As informações fornecidas pelos pais ou cuidadores são necessárias para entender quando os sintomas surgiram e como eles afetam a rotina;
    • Observação do comportamento: durante as consultas, o especialista observa como a criança interage, se comunica, brinca e responde aos estímulos do ambiente. A etapa ajuda a identificar características específicas de cada transtorno;
    • Avaliações específicas: dependendo da suspeita clínica, podem ser aplicados testes e escalas padronizadas para analisar aspectos como atenção, linguagem, cognição, habilidades sociais e aprendizagem. Em muitos casos, a avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar;
    • Investigação de outras condições: o médico também pode solicitar exames quando necessário para descartar problemas que possam causar sintomas semelhantes, como alterações auditivas, visuais, neurológicas ou metabólicas.

    É importante destacar que não existe um exame de sangue, de imagem ou um teste único capaz de diagnosticar a maioria dos transtornos do neurodesenvolvimento.

    Como é feito o tratamento dos transtornos de neurodesenvolvimento?

    O tratamento dos transtornos do neurodesenvolvimento varia de acordo com o diagnóstico, a idade da criança e as dificuldades apresentadas.

    Não existe uma abordagem única para todos os casos, uma vez que o acompanhamento costuma ser individualizado e adaptado às necessidades de cada criança. Contudo, alguns pilares podem envolver:

    • Terapias de estimulação: incluem o acompanhamento com psicólogo, para trabalhar questões emocionais e comportamentais; fonoaudiólogo, para auxiliar no desenvolvimento da fala e da linguagem. E terapeuta ocupacional, para estimular habilidades motoras, sensoriais e a autonomia nas atividades do dia a dia;
    • Medicamentos: podem ser indicados em alguns casos para controlar sintomas específicos que prejudicam a rotina e o desenvolvimento da criança, como desatenção intensa, impulsividade, hiperatividade, ansiedade ou alterações do sono;
    • Apoio escolar: envolve adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades da criança, como tempo adicional para realizar atividades e provas, estratégias de ensino individualizadas e, quando necessário, o acompanhamento de um profissional de apoio;
    • Orientação informal: ajuda os pais e cuidadores a compreender melhor o transtorno e a desenvolver estratégias para organizar a rotina, estimular o desenvolvimento da criança e lidar com os desafios do dia a dia de forma acolhedora e eficaz.

    Também vale apontar que o tratamento não foca em uma cura, uma vez que as fazem parte da forma como o cérebro da pessoa é estruturado, mas em estimular o cérebro desenvolver habilidades e oferecer ferramentas para que a criança tenha o máximo de autonomia, qualidade de vida e bem-estar.

    O acompanhamento envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo e fisioterapeuta, dependendo das necessidades da criança.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. Com qual idade os primeiros sinais começam a aparecer?

    Os sinais costumam surgir logo na primeira infância, frequentemente antes dos 3 anos de idade. Pais e cuidadores podem notar atrasos na fala, falta de contato visual, agitação extrema ou dificuldade para interagir com outras crianças.

    2. O que causa os transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são causados por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais que interferem no desenvolvimento do cérebro ainda na gestação ou nos primeiros anos de vid

    3. Toda criança com TDAH precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. O uso de medicamentos depende da gravidade dos sintomas e do quanto eles atrapalham o aprendizado e as relações sociais da criança.

    4. É possível ter mais de um transtorno do neurodesenvolvimento ao mesmo tempo?

    Sim, isso é muito comum e é chamado de comorbidade. Uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, também pode apresentar TDAH ou um transtorno de aprendizagem, como a dislexia.

    5. Como a escola pode ajudar uma criança com os transtornos?

    A escola deve oferecer acessibilidade pedagógica, o que inclui adaptar o formato das provas, dar tempo extra para atividades, fragmentar comandos longos, sentar a criança perto do professor e, quando necessário, disponibilizar um mediador escolar.

    6. Adultos também podem ser diagnosticados com esses transtornos?

    Sim, muitas pessoas passam a infância sem diagnóstico e só descobrem o TDAH ou o autismo na vida adulta, normalmente ao buscarem ajuda para problemas de ansiedade, organização, foco ou dificuldades no trabalho e nos relacionamentos.

    7. O que os pais devem fazer ao suspeitarem de algum sinal?

    O primeiro passo é conversar com o pediatra que acompanha a criança e relatar as observações. Se o médico achar necessário, ele encaminhará a família para um especialista (como neuropediatra ou psicólogo infantil) para uma avaliação detalhada.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Com a chegada do inverno, hospitais e pronto-atendimentos costumam registrar um aumento expressivo na procura por atendimento médico. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que mais sofrem com os efeitos dessa época do ano.

    Embora o frio não seja responsável diretamente pelas infecções, ele favorece situações que aumentam a transmissão de vírus e bactérias. Ambientes fechados, menor circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas criam condições ideais para a disseminação de doenças respiratórias. Algumas condições cardiovasculares e metabólicas também se tornam mais frequentes durante os meses mais frios.

    Por que as doenças aumentam no inverno?

    O aumento dos casos ocorre por uma combinação de fatores. Os principais são:

    • Permanência prolongada em ambientes fechados;
    • Menor ventilação dos ambientes;
    • Maior contato próximo entre as pessoas;
    • Ar mais seco;
    • Irritação das vias respiratórias;
    • Maior circulação de vírus sazonais.

    Essas condições facilitam a transmissão de infecções e podem agravar doenças já existentes.

    Gripe (influenza)

    A gripe é uma das principais causas de consultas médicas durante o inverno.

    Os sintomas costumam surgir de forma repentina e envolvem:

    • Febre alta;
    • Dor no corpo;
    • Dor de cabeça;
    • Tosse;
    • Calafrios;
    • Cansaço intenso.

    Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas apresentam maior risco de complicações.

    Como prevenir

    • Vacinação anual;
    • Higienização frequente das mãos;
    • Ambientes ventilados;
    • Evitar contato próximo com pessoas doentes.

    Como é tratada

    A maioria dos casos melhora com:

    • Repouso;
    • Hidratação;
    • Controle dos sintomas.

    Em grupos de risco ou casos específicos, o médico pode indicar antivirais.

    Resfriado comum

    O resfriado costuma ser mais leve que a gripe, mas continua sendo um dos principais motivos de procura por atendimento.

    Os sintomas são:

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Congestão nasal;
    • Dor de garganta;
    • Tosse leve.

    Como prevenir

    • Lavar as mãos regularmente;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter ambientes ventilados.

    Como é tratado

    O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas e geralmente pode ser feito em casa.

    Bronquiolite

    A bronquiolite é uma das principais causas de atendimento pediátrico durante o inverno. Ela atinge principalmente bebês e crianças menores de 2 anos, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal responsável.

    Os sintomas são:

    • Tosse;
    • Chiado no peito;
    • Respiração acelerada;
    • Dificuldade para respirar;
    • Dificuldade para mamar ou se alimentar.

    Como prevenir a bronquiolite

    • Higienizar as mãos com frequência;
    • Evitar contato de bebês com pessoas gripadas;
    • Manter ambientes ventilados;
    • Utilizar estratégias preventivas específicas para bebês elegíveis, conforme orientação médica.

    Como a bronquiolite é tratada

    O tratamento é baseado em suporte clínico e pode incluir:

    • Hidratação;
    • Lavagem nasal;
    • Oxigênio em casos mais graves;
    • Internação quando necessário.

    Pneumonia

    A pneumonia é uma das doenças mais importantes do inverno e pode levar à hospitalização, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Tosse;
    • Catarro;
    • Falta de ar;
    • Dor ao respirar;
    • Fraqueza intensa.

    Como prevenir a pneumonia

    • Vacina da gripe;
    • Vacina contra pneumococo quando indicada;
    • Controle adequado de doenças crônicas;
    • Não fumar.

    Como a pneumonia é tratada

    Dependendo da causa e da gravidade, podem ser necessários:

    • Antibióticos;
    • Suporte respiratório;
    • Internação hospitalar.

    Crises de asma

    O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias e desencadear crises em pessoas predispostas.

    Os sintomas são:

    • Chiado no peito;
    • Tosse;
    • Falta de ar;
    • Sensação de aperto no peito.

    Como prevenir uma crise de asma

    • Manter o tratamento regular;
    • Evitar fumaça e poluentes;
    • Seguir corretamente as orientações médicas.

    Como a asma é tratada

    O tratamento pode envolver:

    • Broncodilatadores;
    • Corticoides;
    • Oxigênio em situações mais graves.

    Sinusite

    Infecções respiratórias e alergias podem favorecer o aparecimento de sinusite durante o inverno.

    Os sintomas incluem:

    • Congestão nasal;
    • Dor facial;
    • Dor de cabeça;
    • Secreção nasal;
    • Sensação de pressão no rosto.

    Como prevenir a sinusite

    • Manter boa hidratação;
    • Fazer lavagem nasal com soro fisiológico;
    • Controlar alergias respiratórias.

    Otites

    As infecções de ouvido são frequentes em crianças durante períodos de aumento das infecções respiratórias.

    Os principais sintomas incluem:

    • Dor de ouvido;
    • Febre;
    • Irritabilidade;
    • Sensação de ouvido tampado;
    • Alteração da audição.

    Doenças cardiovasculares também aumentam no inverno

    Muitas pessoas associam o inverno apenas às infecções respiratórias, mas doenças cardiovasculares também se tornam mais frequentes.

    Estudos mostram aumento de eventos como:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Crises de pressão alta;
    • Descompensação de insuficiência cardíaca.

    As baixas temperaturas podem provocar contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e maior sobrecarga para o coração.

    Como reduzir o risco de adoecer no inverno

    Algumas medidas simples ajudam a diminuir significativamente o risco de doenças.

    1. Mantenha a vacinação em dia

    A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção contra formas graves de gripe e outras infecções.

    2. Higienize as mãos frequentemente

    Essa medida reduz a transmissão de vírus respiratórios.

    3. Ventile os ambientes

    Mesmo nos dias frios, é importante renovar o ar dos ambientes.

    4. Hidrate-se adequadamente

    No inverno muitas pessoas sentem menos sede, mas o organismo continua precisando de água.

    5. Controle doenças crônicas

    Asma, DPOC, diabetes, pressão alta e doenças cardíacas devem permanecer bem acompanhadas durante toda a estação.

    Quando procurar atendimento médico

    Procure avaliação médica se houver:

    • Falta de ar;
    • Febre persistente;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Sonolência excessiva;
    • Piora importante do estado geral;
    • Dificuldade para se alimentar ou beber líquidos.

    Confira: H1N1: 8 coisas que você precisa saber para se prevenir e tratar a gripe

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/h1n1-o-que-voce-precisa-saber

    Perguntas frequentes sobre doenças do inverno

    1. O frio causa gripe?

    Não. A gripe é causada por vírus, mas o inverno favorece a transmissão porque as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados.

    2. Qual doença mais leva ao pronto-atendimento no inverno?

    As infecções respiratórias, especialmente gripe, resfriados, bronquiolite e pneumonia.

    3. A vacina da gripe realmente funciona?

    Sim. Ela reduz significativamente o risco de formas graves, internações e complicações.

    4. Crianças adoecem mais no inverno?

    Sim. Crianças pequenas têm maior exposição a vírus respiratórios e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

    5. A pneumonia é mais comum nessa época?

    Sim. O inverno está associado ao aumento dos casos de pneumonia, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

    6. O inverno aumenta o risco de infarto?

    Pode aumentar. As baixas temperaturas favorecem a contração dos vasos sanguíneos e podem elevar a pressão arterial.

    7. Como prevenir doenças respiratórias no inverno?

    Vacinação, higiene das mãos, ambientes ventilados, hidratação adequada e controle das doenças crônicas são as principais medidas.

    Veja também: Trivalente ou quadrivalente: saiba qual vacina da gripe escolher e por quê

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/vacina-da-gripe-trivalente-quadrivalente
  • Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Nos últimos anos, o PMMA (polimetilmetacrilato) voltou a ganhar destaque após diversos casos de complicações graves relacionados a procedimentos estéticos. Embora o produto tenha aplicações médicas específicas e regulamentadas, o uso inadequado ou em grandes volumes tem sido associado a inflamações, deformidades, infecções e até situações potencialmente fatais.

    O tema costuma gerar dúvidas porque muitas pessoas confundem o PMMA com preenchedores mais modernos, como o ácido hialurônico. Existe, no entanto, uma diferença fundamental entre eles: enquanto alguns preenchedores são absorvidos pelo organismo ao longo do tempo, o PMMA é considerado um material permanente. Isso faz com que eventuais complicações possam ser mais difíceis de tratar e, em alguns casos, apareçam muitos anos após a aplicação.

    O que é o PMMA

    O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético composto por microesferas que permanecem no organismo após a aplicação.

    Quando injetado, ele estimula uma reação do corpo que leva à formação de tecido ao redor das microesferas, produzindo um efeito de preenchimento duradouro.

    Ao contrário de substâncias absorvíveis, o PMMA não é degradado naturalmente pelo organismo. Por isso, os efeitos tendem a ser permanentes, o material permanece no local aplicado e complicações podem surgir mesmo anos após o procedimento.

    Para que o PMMA foi desenvolvido

    O PMMA possui indicações médicas específicas e regulamentadas.

    Historicamente, foi utilizado em situações como:

    • Correção de defeitos teciduais selecionados;
    • Reconstruções em casos específicos;
    • Algumas indicações reparadoras.

    O uso de PMMA deve seguir critérios rigorosos e ser realizado por profissionais habilitados e treinados para esse tipo de procedimento.

    Por que o PMMA é diferente de outros preenchedores?

    A principal diferença está na permanência do produto no organismo.

    PMMA

    • Material permanente;
    • Não é absorvido pelo corpo;
    • Complicações podem ser difíceis de corrigir.

    Ácido hialurônico

    • Material absorvível;
    • É degradado gradualmente pelo organismo;
    • Possui opções de reversão em muitos casos.

    Essa diferença faz com que a abordagem diante de uma complicação seja bastante distinta.

    Quais são os principais riscos do PMMA?

    As complicações podem acontecer logo após a aplicação ou surgir muitos anos depois.

    Os problemas mais conhecidos são:

    • Inflamações crônicas;
    • Formação de nódulos;
    • Endurecimento dos tecidos;
    • Assimetrias;
    • Dor persistente;
    • Alterações estéticas permanentes.

    A gravidade varia conforme a quantidade aplicada, a região tratada e a resposta individual de cada organismo.

    O organismo pode rejeitar o PMMA?

    Não ocorre uma rejeição clássica como a observada em transplantes. O organismo, porém, pode desencadear reações inflamatórias importantes contra o material.

    Em alguns pacientes surgem estruturas chamadas granulomas, que são áreas de inflamação formadas ao redor do PMMA.

    Essas reações podem aparecer meses após a aplicação, anos depois do procedimento ou até mesmo décadas mais tarde. É por isso que uma pessoa pode permanecer sem sintomas por muito tempo e desenvolver complicações posteriormente.

    Complicações graves podem acontecer?

    Sim. Embora sejam menos frequentes, algumas complicações podem ter consequências importantes para a saúde.

    1. Necrose dos tecidos

    A necrose ocorre quando o fluxo sanguíneo de uma região é comprometido.

    Isso pode causar:

    • Morte dos tecidos;
    • Feridas graves;
    • Cicatrizes permanentes;
    • Deformidades.

    2. Infecções

    As infecções associadas ao PMMA podem ser particularmente difíceis de tratar porque o material permanece no organismo.

    Em alguns casos, são necessários:

    • Antibióticos prolongados;
    • Procedimentos cirúrgicos;
    • Múltiplas intervenções.

    3. Embolia

    Uma das complicações mais temidas acontece quando o produto atinge um vaso sanguíneo.

    Nessa situação pode ocorrer:

    • Obstrução da circulação;
    • Lesão dos tecidos;
    • Complicações sistêmicas graves.

    Dependendo da região afetada, a situação pode representar risco à vida.

    Por que algumas complicações aparecem anos depois?

    Diferentemente de substâncias absorvíveis, o PMMA permanece indefinidamente no organismo.

    Isso significa que processos inflamatórios podem surgir muito tempo após a aplicação.

    Alguns fatores que podem desencadear complicações tardias incluem:

    • Alterações imunológicas;
    • Infecções;
    • Traumas locais;
    • Respostas inflamatórias do organismo.

    Por esse motivo, pessoas que fizeram o procedimento devem informar esse histórico durante consultas médicas futuras.

    É possível remover o PMMA?

    A remoção completa costuma ser um dos maiores desafios. Dependendo da quantidade e da localização do produto:

    • Nem todo o material pode ser retirado;
    • Podem ser necessárias cirurgias complexas;
    • Múltiplos procedimentos podem ser necessários.

    Em alguns casos, a retirada total simplesmente não é possível sem causar danos significativos aos tecidos. Essa é uma das principais diferenças em relação aos preenchedores absorvíveis.

    PMMA e grandes volumes: por que o risco aumenta?

    O risco de complicações tende a crescer conforme aumenta a quantidade aplicada.

    Quando grandes volumes são utilizados, especialmente para aumento corporal, podem ocorrer:

    • Inflamações mais extensas;
    • Maior risco de infecção;
    • Deformidades;
    • Dificuldade ainda maior de remoção.

    Além disso, o tratamento de eventuais complicações costuma ser mais complexo.

    Quais sintomas após a aplicação merecem atenção?

    Procure avaliação médica se surgirem:

    • Dor intensa;
    • Vermelhidão progressiva;
    • Endurecimento da região;
    • Saída de secreção;
    • Febre;
    • Alterações na cor da pele;
    • Surgimento de nódulos;
    • Mudanças estéticas inesperadas.

    Esses sintomas podem surgir logo após a aplicação ou muitos anos depois.

    O que os médicos avaliam em pessoas que receberam PMMA?

    A investigação depende da região tratada e dos sintomas apresentados.

    Ela pode incluir:

    • Exame físico detalhado;
    • Ultrassonografia;
    • Ressonância magnética;
    • Tomografia em casos específicos;
    • Avaliação por cirurgia plástica;
    • Avaliação por especialistas em reconstrução.

    O objetivo é determinar a extensão do material e identificar possíveis complicações.

    PMMA é proibido?

    Não. O PMMA possui regulamentação para indicações específicas. O problema está principalmente no uso inadequado, em aplicações fora das recomendações ou em grandes volumes para fins estéticos.

    Por isso, é fundamental que qualquer procedimento seja realizado apenas por profissionais habilitados e dentro das indicações aprovadas.

    Leia também: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes sobre PMMA

    1. O PMMA é absorvido pelo organismo?

    Não. Ele é considerado um material permanente.

    2. Toda pessoa que usa PMMA terá complicações?

    Não. Muitas pessoas nunca desenvolvem problemas, mas o risco existe e pode surgir anos depois.

    3. O PMMA é igual ao ácido hialurônico?

    Não. O ácido hialurônico é absorvido pelo organismo, enquanto o PMMA fica no corpo de forma permanente.

    4. É possível remover totalmente o PMMA?

    Nem sempre. A remoção completa pode ser muito difícil ou até impossível em alguns casos.

    5. As complicações podem aparecer anos depois?

    Sim. Existem relatos de complicações surgindo muitos anos após a aplicação.

    6. O PMMA pode causar infecção?

    Sim. Infecções podem ocorrer e, em alguns casos, são difíceis de tratar devido à presença permanente do material.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver dor, inflamação, deformidades, endurecimento ou qualquer alteração na região onde o produto foi aplicado.

    Leia mais: Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

  • Diagnóstico tardio: por que tantas pessoas só descobrem a neurodivergência na vida adulta?

    Diagnóstico tardio: por que tantas pessoas só descobrem a neurodivergência na vida adulta?

    Você sabe o que significa o termo neurodivergente? O termo é usado para descrever pessoas que apresentam um funcionamento cerebral, de desenvolvimento ou neurológico diferente do considerado o padrão mais comum na sociedade, chamado de neurotípico.

    É o caso de pessoas que convivem com transtorno do espectro autista (TEA), o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), a dislexia e as altas habilidades, por exemplo. As condições acompanham a pessoa desde o nascimento, mas nem sempre elas são diagnosticadas na infância.

    Um número cada vez maior de pessoas vem descobrindo que é neurodivergente apenas na vida adulta. Para se ter uma ideia, um estudo publicado na revista científica JAMA Network revealed que, entre 2011 e 2022, o diagnóstico do TEA em adultos de 26 a 34 anos aumentou 450% nos Estados Unidos.

    Mas por que tantas pessoas passam a infância e a juventude inteiras sem receber a resposta? “Umas das frases que mais ouço dentro do consultório, dos pais e que pode estar atrasando o diagnóstico do seu filho: ‘Ele é pequeno ainda. A pediatra disse que é fase. O primo dele também foi assim’. Eu ouço isso toda semana e, algumas vezes, as frases custam meses preciosos de intervenção”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Por que o diagnóstico de neurodivergências costuma atrasar?

    O atraso no diagnóstico de neurodivergências pode acontecer por diversos fatores, que vão desde a falta de informação até a capacidade de camuflar os sintomas para se adequar ao ambiente.

    1. Os sinais podem ser sutis ou diferentes do esperado

    Nem todas as pessoas que convivem com transtornos de neurodesenvolvimento apresentam características consideradas clássicas. Alguns manifestam os sintomas de forma mais discreta, o que dificulta a identificação da neurodivergência por familiares, professores e até profissionais de saúde.

    Em alguns casos, os sintomas da neurodivergência frequentemente são mascarados ou confundidos com transtornos de humor. É muito comum que adultos passem anos tratando apenas a ansiedade, a depressão ou o burnout, sem que a causa raiz (a neurodivergência) seja investigada.

    2. O fenômeno do masking

    O masking, também conhecido como camuflagem social, é uma estratégia consciente ou inconsciente usada especialmente por mulheres para esconder características de condição e se adaptar às expectativas das outras pessoas. O comportamento é mais observado no autismo, mas também pode ocorrer em indivíduos com TDAH e outras neurodivergências.

    Na prática, o masking pode envolver imitar expressões faciais, ensaiar conversas mentalmente, forçar contato visual, controlar movimentos repetitivos, copiar comportamentos de outras pessoas ou esconder dificuldades para parecer mais alinhado ao que é considerado socialmente esperado.

    Com o passar dos anos, o mascaramento pode se tornar tão automático que a própria pessoa tem dificuldade para reconhecer quais comportamentos são naturais e quais foram aprendidos para se encaixar socialmente.

    3. Falta de informação e conscientização

    Há algumas décadas, condições como o TDAH e o autismo eram entendidas como transtornos que afetavam apenas crianças. Os critérios diagnósticos também eram mais restritos e o conhecimento sobre o tema era muito menor do que é atualmente.

    Por isso, muitas pessoas que cresceram nas décadas de 1980, 1990 e no início dos anos 2000 simplesmente não foram avaliadas ou sequer cogitadas para uma investigação. Em muitos casos, as dificuldades eram atribuídas à personalidade, timidez, falta de atenção ou até mesmo falta de interesse.

    4. O diagnóstico depende de uma avaliação clínica detalhada

    Diferentemente de muitas outras condições de saúde, a maioria das neurodivergências não pode ser confirmada por exames laboratoriais, testes genéticos ou exames de imagem.

    A identificação é feita por meio de uma avaliação clínica detalhada, que considera a história de vida da pessoa, o desenvolvimento desde a infância, os comportamentos, dificuldades, habilidades e sintomas ao longo do tempo.

    Para chegar a um diagnóstico, o profissional analisa a história de vida da pessoa, o seu desenvolvimento desde a infância, seus comportamentos, dificuldades e a forma como ela lida com diferentes situações do dia a dia. Em alguns casos, familiares também podem ser ouvidos para ajudar a entender melhor como aqueles sinais apareceram ao longo dos anos.

    Como cada pessoa é única e os sintomas podem variar bastante, a avaliação precisa ser cuidadosa e individualizada.

    Principais sinais de neurodivergência que passam despercebidos

    Os principais sinais de neurodivergência que podem passar despercebidos na infância e adolescência incluem:

    • Cansaço extremo após interações sociais, com necessidade de ficar sozinho para recuperar as energias;
    • Sensação frequente de não se encaixar, como se as outras pessoas entendessem regras sociais que você desconhece;
    • Dificuldade com conversas superficiais e preferência por assuntos mais profundos ou de interesse específico;
    • Travar diante de tarefas simples por não saber por onde começar;
    • Conseguir passar horas focado em algo que desperta interesse, mas ter dificuldade para se concentrar em atividades consideradas monótonas;
    • Adiar tarefas importantes repetidamente, mesmo sabendo que isso pode trazer problemas ou gerar culpa;
    • Incômodo intenso com sons, luzes, cheiros, texturas ou outros estímulos que passam despercebidos para a maioria das pessoas;
    • Aversão persistente a determinadas texturas, cheiros ou combinações de alimentos, mesmo na vida adulta;
    • Tendência a interpretar falas de forma literal, com dificuldade para perceber ironias, sarcasmo ou sentidos implícitos;
    • Falar longamente sobre temas de interesse sem perceber que a outra pessoa pode estar perdendo o interesse na conversa.

    “Existe uma diferença entre a variação normal do desenvolvimento e um atraso que precisa de atenção. É importante que você aprenda a identificar os marcos do desenvolvimento e entender quando não alcançá-los é um sinal de que está na hora de buscar uma avaliação”, destaca Bárbara.

    Como é feito o diagnóstico em adultos?

    O diagnóstico de neurodivergências na vida adulta começa com uma avaliação clínica detalhada realizada por um profissional, como neurologista, psiquiatra ou neuropsicólogo.

    Durante a consulta, o profissional costuma fazer perguntas sobre a infância, o desempenho escolar, os relacionamentos, a rotina de trabalho, as dificuldades do dia a dia e os sintomas que motivaram a busca por ajuda. Como muitas neurodivergências surgem ainda nos primeiros anos de vida, entender o histórico de desenvolvimento é uma etapa importante da avaliação.

    Em alguns casos, quando possível, informações de pais, irmãos, parceiros ou amigos próximos podem complementar a avaliação. Eles ajudam a identificar características que podem ter passado despercebidas ou sido interpretadas de outra forma ao longo dos anos.

    Aplicação de testes e questionários

    Dependendo do caso, podem ser utilizados questionários padronizados e instrumentos específicos para avaliar atenção, memória, funções executivas, habilidades sociais, linguagem e outros aspectos cognitivos e comportamentais.

    No caso do TDAH, por exemplo, é comum a utilização da escala ASRS-v1.1 (Adult ADHD Self-Report Scale), um questionário desenvolvido para rastrear sintomas em adultos. Já na avaliação do autismo, podem ser utilizados instrumentos mais aprofundados, como o ADOS-2 e o ADI-R, além de questionários de rastreio, como o RAADS-R e o AQ (Autism Spectrum Quotient).

    Vale destacar que os testes não confirmam o diagnóstico de forma isolada, mas servem como ferramentas de apoio dentro de uma avaliação clínica mais ampla e detalhada.

    Descobri a neurodivergência tarde, e agora?

    Depois de uma investigação longa, receber o diagnóstico de um transtorno do neurodesenvolvimento pode despertar uma série de sentimentos, desde o alívio por finalmente encontrar respostas para dificuldades que acompanham a pessoa desde a infância, até a tristeza e a frustração ao imaginar como a vida poderia ter sido diferente si a descoberta tivesse acontecido antes.

    É comum pensar nas experiências do passado e perceber que muitos desafios enfrentados na escola, no trabalho ou nos relacionamentos estavam relacionados a características da neurodivergência e não a falhas pessoais. Inclusive, o processo de olhar para trás pode ser importante para diminuir o peso da culpa e da autocobrança.

    Nesse momento de adaptação, vale considerar algumas coisas:

    • Entenda que nunca é tarde para se conhecer melhor e buscar estratégias que melhorem a sua qualidade de vida;
    • Procure informações em fontes confiáveis para compreender melhor a sua condição, seus desafios e suas potencialidades;
    • Considere o acompanhamento de profissionais especializados, como psicólogos, psiquiatras, neurologistas ou terapeutas ocupacionais;
    • Reavalie cobranças e expectativas que talvez não respeitem as suas características e necessidades individuais;
    • Reconheça e valorize os seus pontos fortes, como criatividade, capacidade de concentração em temas de interesse, atenção aos detalhes e facilidade para identificar padrões;
    • Tenha paciência consigo mesmo durante o processo de adaptação e autoconhecimento;
    • Lembre-se de que o diagnóstico não define quem você é, mas pode ajudar a entender melhor a sua trajetória e como o seu cérebro funciona.

    Com o tempo, fica mais fácil desenvolver um olhar mais gentil sobre si mesmo, com menos culpa, menos cobranças e mais compreensão sobre quem você é.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

    Perguntas frequentes

    1. É possível desenvolver TDAH ou autismo depois de adulto?

    Não, as neurodivergências nascem com a pessoa. O que acontece na vida adulta é a descoberta da condição, normalmente porque as cobranças da maturidade superam a capacidade da pessoa de camuflar os sintomas.

    2. Como saber se sou neurodivergente ou se é apenas ansiedade?

    A ansiedade costuma surgir em fases específicas da vida. A neurodivergência é crônica, esteve presente desde a infância e molda a forma como você percebe o mundo o tempo todo. Um profissional precisa fazer essa distinção.

    3. O diagnóstico tardio dá direito a algum benefício por lei?

    Pessoas diagnosticadas com TEA (Autismo) são consideradas por lei como pessoas com deficiência (PCD) e têm direitos garantidos, como atendimento prioritário e vagas reservadas.

    4. O que é o burnout autista?

    É um estado de exaustão física e mental severa que acontece quando o adulto passa anos camuflando os traços e forçando o próprio cérebro além do limite para parecer neurotípico.

    5. O que é hipersensibilidade sensorial em adultos?

    É quando o cérebro não consegue filtrar estímulos do ambiente corretamente. Na prática, o adulto sente dores físicas ou irritação extrema com luzes fortes, barulhos de conversas paralelas, cheiros específicos ou texturas de roupas e alimentos que outras pessoas nem notam.

    5. Qual a diferença de diagnóstico entre homens e mulheres?

    Em mulheres, o diagnóstico costuma ser muito mais tardio porque elas tendem a internalizar o sofrimento e são historicamente mais cobradas a serem sociáveis, o que as torna especialistas em camuflar os sinais

    6. O que são altas habilidades na vida adulta?

    É uma neurodivergência caracterizada por uma capacidade cognitiva significativamente acima da média em uma ou mais áreas, como lógica, artes ou criatividade.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    Em maio de 2026, um comitê internacional de pesquisadores, médicos e pacientes anunciou oficialmente a mudança no nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP) para síndrome ovariana metabólica poliendócrina (cuja sigla internacional passou a incluir o termo metabólico), após um consenso global publicado na revista científica The Lancet.

    A decisão não foi apenas uma questão de nomenclatura e, de acordo com especialistas, o objetivo foi atualizar o nome para refletir melhor os conhecimentos científicos atuais sobre a condição e melhorar a compreensão da população, dos profissionais de saúde e até dos formuladores de políticas públicas.

    A síndrome, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil, é um distúrbio hormonal complexo que afeta diversos sistemas do organismo. Apesar de normalmente associada aos ovários e a dificuldade para engravidar, sabe-se que a condição vai além da saúde reprodutiva e está relacionada a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que podem impactar a saúde da mulher ao longo de toda a vida.

    O problema com o nome antigo

    O principal motivo para a mudança é que o termo ovários policísticos pode levar a uma interpretação errada da síndrome.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, nem toda mulher com a síndrome dos ovários policísticos apresenta ovários policísticos nos exames. Da mesma forma, ter ovários policísticos não significa necessariamente que a mulher tenha a síndrome.

    Para os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o nome antigo transmitia a ideia de que o problema estava restrito aos ovários, quando, na realidade, consiste em uma doença muito mais complexa.

    Como surgiu o novo nome?

    A mudança foi resultado de um dos maiores processos de consulta já realizados para renomear uma doença. O projeto envolveu mais de 14 mil participantes, incluindo pacientes, médicos, pesquisadores e organizações de saúde de diferentes regiões do mundo. Durante o processo, foram avaliados diversos critérios, como:

    • Precisão científica;
    • Facilidade de compreensão;
    • Redução do estigma associado à doença;
    • Adequação cultural em diferentes países;
    • Facilidade de implementação nos sistemas de saúde.

    Após várias rodadas de discussões, pesquisas e votações, o termo escolhido foi Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

    O que significa o novo nome?

    Cada palavra do novo nome foi escolhida para representar aspectos importantes da condição:

    • Poliendócrina: se refere ao fato de que a síndrome envolve diferentes sistemas hormonais do organismo. Não existe apenas uma alteração hormonal isolada. A condição afeta a produção e o funcionamento de hormônios relacionados aos ovários, à insulina, aos andrógenos e ao sistema neuroendócrino.
    • Metabólica: destaca a forte relação da síndrome com alterações metabólicas, especialmente a resistência à insulina, considerada um dos principais mecanismos envolvidos na doença. Além disso, mulheres com a condição apresentam maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
    • Ovariana: mantém a referência aos ovários, já que eles continuam tendo um papel importante na síndrome. A diferença é que o termo não menciona os cistos, considerados uma característica secundária e não representativa da condição como um todo.

    Como a síndrome afeta o corpo e a menstruação?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina provoca um desequilíbrio metabólico que afeta diretamente os ovários, desencadeando um efeito cascata no organismo. As mulheres costumam apresentar um padrão menstrual conhecido como oligomenorrágico, que pode causar:

    • Poucas menstruações no ano: em vez de menstruar de 11 a 13 vezes por ano (o ciclo habitual), a mulher passa a ter longos atrasos. É comum ficar dois, três, seis meses e, em casos mais graves, até um ano inteiro sem menstruar;
    • Fluxo muito intenso (menorragia): quando a menstruação finalmente desce após esses meses de atraso, ela costuma vir em grande volume, quase como uma hemorragia.

    Durante os meses de atraso, o estímulo hormonal contínuo faz com que o endométrio cresça e engrosse muito mais do que o normal. Quando o corpo finalmente descama o tecido, o sangramento é volumoso e prolongado.

    Além das alterações menstruais, Andreia explica que um dos critérios de diagnóstico da SOMP é o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos.

    • Aumento de pelos no rosto, no queixo, no peito, no abdômen e nas costas;
    • Acne persistente, especialmente na fase adulta;
    • Pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície masculina;
    • Irregularidade menstrual devido às alterações na ovulação.

    Vale lembrar que nem todas as mulheres com a síndrome têm os mesmos sintomas. Algumas têm níveis elevados de andrógenos detectados apenas em exames de sangue, enquanto outras apresentam sinais visíveis no corpo.

    Entendendo a fisiologia dos microcistos

    A micropolicistose ovariana, caracterizada pela presença de vários microcistos de até 8 mm na periferia do ovário, é um dos três critérios utilizados para o diagnóstico da SOMP.

    Em um ciclo menstrual saudável, Andreia explica que os ovários contêm vários pequenos folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Ao longo do ciclo, um deles se torna dominante, cresce mais do que os demais e atinge cerca de 1,5 a 2 centímetros antes de romper e liberar o óvulo durante a ovulação.

    Ao redor de cada folículo existem duas camadas principais de células:

    • Teca, localizada mais externamente e responsável pela produção dos hormônios androgênicos;
    • Granulosa, localizada mais internamente contém uma enzima chamada aromatase, que converte os hormônios em estrogênio.

    Na síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ocorre um espessamento das células da teca, o que desencadeia uma produção excessiva de androgênios. A granulosa não consegue transformar toda a quantidade de hormônios masculinos em estrogênio, o que leva ao aumento dos níveis de androgênios no organismo, fenômeno conhecido como hiperandrogenismo.

    O espessamento também interfere no desenvolvimento normal dos folículos. Em vez de um deles continuar crescendo até a ovulação, vários folículos interrompem seu desenvolvimento precocemente e permanecem com aproximadamente 8 milímetros de diâmetro.

    No ultrassom, eles aparecem alinhados na periferia do ovário, forming o aspecto característico dos chamados microcistos.

    Importante: nem todas as mulheres com a síndrome apresentam microcistos visíveis no ultrassom. Em algumas pacientes, Andreia explica que a camada da teca se torna mais espessa e o ovário aumenta de tamanho, mas sem formar os pequenos folículos característicos.

    Sintomas associados e resistência à insulina

    Além dos critérios utilizados para o diagnóstico, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina costuma estar associada a outras alterações metabólicas, em especial a resistência à insulina. As manifestações mais comuns do desequilíbrio incluem:

    • Obesidade: o excesso de tecido adiposo favorece a resistência à insulina e aumenta a produção dos fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF), que estimulam o espessamento da camada da teca nos ovários e contribuem para a piora do quadro hormonal;
    • Acantose nigricante: caracterizada pelo surgimento de manchas escuras e espessas em regiões de dobras da pele, como o pescoço, as axilas e as virilhas. A alteração é considerada um dos principais sinais clínicos de resistência à insulina;
    • Pré-diabetes e diabetes tipo 2: como a resistência à insulina é frequente na síndrome, mulheres com SOMP têm um risco maior de desenvolver alterações na glicose, incluindo pré-diabetes e diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    O que muda para quem já tem o diagnóstico?

    Na prática, o diagnóstico, os exames e os tratamentos continuam os mesmos. A mudança está relacionada principalmente à forma como a condição será chamada nos próximos anos.

    A expectativa é que a mudança ajude a aumentar a conscientização sobre a síndrome, facilite o reconhecimento dos sintomas e contribua para que mais mulheres recebam o diagnóstico e o acompanhamento adequados mais cedo.

    A transição deve ocorrer gradualmente em hospitais, consultórios, universidades, pesquisas científicas e sistemas de classificação de doenças ao redor do mundo. Os especialistas estimam um período de adaptação de cerca de três anos para que a nova nomenclatura seja amplamente adotada.

    A SOMP tem tratamento?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina é uma condição crônica, mas que pode ser controlada por meio de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com o uso de remédios prescritos pelo médico.

    De acordo com a ginecologista Andreia Sapienza, em muitas pacientes, a perda de peso é suficiente para restabelecer a regularidade menstrual e melhorar os níveis hormonais, sem a necessidade de outros tratamentos. No entanto, caso a paciente volte a ganhar peso, os sintomas e as alterações hormonais tendem a reaparecer.

    Para o controle das alterações metabólicas, a médica explica que medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic), podem ser uma opção em alguns casos.

    Eles ajudam a melhorar a resistência à insulina, auxiliam no controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 e favorecem a perda de peso, contribuindo para o equilíbrio hormonal.

    Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para tratar sintomas como acne e excesso de pelos. Para as mulheres que desejam engravidar, também existem tratamentos específicos para estimular a ovulação.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar um ginecologista quando surgirem sinais que possam indicar a síndrome ovariana metabólica poliendócrina, especialmente se eles persistirem por vários meses, como:

    • Menstruação muito irregular ou ausência de menstruação por mais de três meses;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Acne persistente ou de difícil controle;
    • Aumento de pelos no rosto, no tórax ou no abdômen;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Manchas escuras no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
    • Alterações nos exames de glicose, pré-diabetes ou diabetes.

    A avaliação médica é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para identificar possíveis complicações metabólicas, como resistência à insulina, diabetes tipo 2, colesterol elevado e hipertensão.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter a síndrome e não ter cistos no ovário?

    Sim, e esse é um dos principais motivos da mudança de nome. Para o diagnóstico, são avaliados três critérios: irregularidade menstrual, hormônios masculinos altos e microcistos. Você só precisa preencher dois deles. Portanto, muitas mulheres têm a síndrome, mas apresentam o ultrassom normal.

    2. Qual é a diferença entre ovário policístico e a síndrome?

    Ter ovários policísticos significa apenas que o ultrassom mostrou pequenos cistos na periferia do órgão, o que pode ser uma característica anatômica passageira. A síndrome é uma doença que envolve o corpo todo, combinando esses cistos (ou não) com atrasos menstruais e excesso de hormônios masculinos.

    3. A síndrome aumenta o risco de câncer de endométrio?

    Sim, se não for tratada. Como a mulher passa meses sem menstruar, o endométrio (camada interna do útero) fica se acumulando e engrossando sem descamar. O estímulo contínuo do estrogênio, sem a contraposição da progesterona, aumenta o risco de hiperplasia e, a longo prazo, de câncer de endométrio.

    4. Qual o melhor tipo de exercício físico para quem tem a condição?

    A combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, corrida ou bike) com treinos de força (musculação) é a ideal. O músculo é o principal consumidor de glicose do corpo. Quanto mais massa magra você desenvolve, mais o corpo queima açúcar, reduzindo diretamente a resistência à insulina.

    5. A doença altera o humor ou causa depressão?

    Sim, o desequilíbrio hormonal, especialmente o excesso de androgênios e a falta de progesterona, afeta os neurotransmissores no cérebro. Além disso, lidar com sintomas que mexem com a autoestima, como ganho de peso, acne e queda de cabelo, aumenta as taxas de ansiedade e depressão nas pacientes.

    6. Por que é difícil diagnosticar a doença na adolescência?

    Porque durante a puberdade o corpo está passando por transformações hormonais naturais. É comum que adolescentes tenham espinhas e ciclos menstruais irregulares temporariamente sem que isso seja uma doença.

    7. A síndrome tem cura?

    Por ter uma forte base genética, ela é considerada uma condição crônica, ou seja, não tem uma cura definitiva.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Até onde a ansiedade é normal? Os sinais de alerta que você precisa conhecer

    Até onde a ansiedade é normal? Os sinais de alerta que você precisa conhecer

    Sentir um frio na barriga antes de uma entrevista de emprego, o coração acelerar antes de uma apresentação importante ou até mesmo perder o sono na véspera de uma viagem são algumas das situações em que a ansiedade aparece de forma natural.

    Ela faz parte da resposta do organismo a desafios ou possíveis ameaças, ajudando o corpo a se preparar para agir. Mas então, onde termina o frio na barriga saudável e começa um sinal de alerta?

    A ansiedade é uma emoção natural e esperada em determinados momentos da vida, mas ela pode ser considerada um transtorno quando se torna intensa, frequente e desproporcional à situação.

    Existe ansiedade normal?

    A ansiedade normal existe, sendo uma reação natural do organismo diante de situações que despertam expectativa, preocupação ou exigem atenção, como uma prova, uma viagem, o início de um relacionamento e a espera por uma notícia importante, por exemplo.

    “Sem a ansiedade, a gente não tem a motivação e energia para fazer as coisas que a gente precisa fazer”, aponta o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Nesses casos, o cérebro ativa o sistema nervoso e estimula a liberação de hormônios, como a adrenalina e o cortisol. Eles causam o aumento dos batimentos cardíacos, a aceleração da respiração e promovem um maior estado de atenção. Na maioria dos casos, é uma reação temporária e que diminui naturalmente com o tempo.

    Por isso, sentir um frio na barriga, ficar mais inquieto ou até ter dificuldade para dormir antes de um evento importante não significa, necessariamente, que exista um transtorno de ansiedade. O principal sinal de alerta é quando a ansiedade aparece com frequência, de forma intensa e desproporcional ao que está acontecendo.

    Qual a diferença entre ansiedade normal e patológica?

    A principal diferença entre a ansiedade normal e patológica está na intensidade, na frequência e no impacto que ela causa na rotina.

    A ansiedade normal aparece em situações específicas no dia a dia, como uma prova, uma entrevista de emprego ou uma decisão importante. Ela costuma ser temporária, proporcional ao acontecimento e desaparece quando a situação é resolvida, e não impede a pessoa de realizar as atividades rotineiras.

    Por outro lado, a ansiedade patológica é mais intensa, frequente e difícil de controlar. A pessoa sente uma preocupação, um medo ou uma tensão excessivos, que persistem por meses e são desproporcionais à situação.

    Segundo Luiz, os sintomas passam a interferir na rotina, prejudicando o trabalho, o sono, os relacionamentos e a qualidade de vida, o que torna necessária a atenção médica.

    Principais sintomas do transtorno de ansiedade

    Os sintomas do transtorno de ansiedade normalmente envolvem sinais emocionais e físicas que persistem por bastante tempo, como:

    • Preocupação excessiva e difícil de controlar;
    • Sensação constante de nervosismo ou tensão;
    • Medo intenso de que algo ruim aconteça;
    • Inquietação ou dificuldade para relaxar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração;
    • Cansaço frequente;
    • Alterações no sono, como insônia ou sono agitado;
    • Coração acelerado ou palpitações;
    • Falta de ar ou sensação de aperto no peito;
    • Suor excessivo;
    • Tremores;
    • Tensão muscular;
    • Desconfortos gastrointestinais, como náuseas, dor abdominal ou diarreia.

    Vale ressaltar que um transtorno de ansiedade não exige que a pessoa apresente todos os sintomas ao mesmo tempo. Na verdade, a intensidade e a combinação dos sinais podem variar de uma pessoa para outra, assim como a frequência com que eles aparecem.

    O que causa o excesso de ansiedade?

    O excesso de ansiedade e o desenvolvimento de um transtorno acontecem por uma série de fatores genéticos, psicológicos e ambientais que sobrecarregam o sistema de alerta do cérebro. São eles:

    • Predisposição genética: ter familiares com transtornos de ansiedade ou depressão pode aumentar o risco de desenvolver a condição, indicando que fatores hereditários também influenciam a forma como o organismo reage ao estresse;
    • Desequilíbrios químicos no cérebro: alterações na regulação de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e GABA, podem afetar o controle do humor, do relaxamento e das respostas ao medo;
    • Traumas e experiências estressantes na infância: situações como perda de familiares, bullying ou crescimento em ambientes instáveis podem aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento da ansiedade ao longo da vida;
    • Estresse crônico: a exposição prolongada a situações de pressão, como excesso de trabalho, dificuldades financeiras, desemprego ou conflitos nos relacionamentos, pode manter o organismo em estado constante de alerta;
    • Uso excessivo de telas e redes sociais: o contato contínuo com informações, notificações e comparações sociais pode contribuir para sentimentos de preocupação, cobrança e sobrecarga mental;
    • Condições médicas e dores crônicas: problemas de saúde, como distúrbios da tireoide, arritmias cardíacas e dores persistentes, podem desencadear ou agravar sintomas de ansiedade;
    • Fatores de personalidade: características como perfeccionismo, necessidade excessiva de controle, dificuldade para lidar com incertezas e sensibilidade a críticas podem favorecer o surgimento de quadros ansiosos;
    • Uso de substâncias: o consumo excessivo de álcool, nicotina, drogas ilícitas, cafeína e bebidas energéticas pode aumentar a ansiedade ou intensificar sintomas já existentes.

    Quando é a hora de procurar ajuda profissional?

    Procure atendimento médico se apresentar os seguintes sinais de alerta:

    • Preocupação constante e difícil de controlar;
    • Sensação frequente de medo ou tensão excessiva;
    • Crises de ansiedade recorrentes;
    • Insônia ou outras alterações importantes no sono;
    • Dificuldade de concentração;
    • Irritabilidade frequente;
    • Palpitações ou coração acelerado sem motivo aparente;
    • Falta de ar, tremores ou suor excessivo;
    • Tensão muscular persistente;
    • Cansaço constante;
    • Evitar situações, lugares ou atividades por causa da ansiedade;
    • Queda no desempenho no trabalho ou nos estudos;
    • Prejuízos nos relacionamentos pessoais;
    • Sofrimento emocional que afeta a qualidade de vida.

    Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar que eles afetem a qualidade de vida.

    O acompanhamento com um psicólogo e, quando necessário, com um psiquiatra pode ajudar a encontrar o tratamento mais adequado para cada pessoa.

    Como controlar a ansiedade no dia a dia?

    Nem sempre é possível evitar as situações estressantes do dia a dia, mas alguns hábitos podem ajudar a reduzir os níveis de ansiedade e melhorar o bem-estar emocional, como:

    • Manter uma rotina regular de conceito de sono e procurar dormir entre 7 e 9 horas por noite;
    • Praticar atividades físicas regularmente, como caminhada, corrida, musculação ou dança;
    • Reservar momentos para lazer, descanso e atividades prazerosas;
    • Reduzir o consumo excessivo de cafeína, energéticos e álcool;
    • Ter uma alimentação equilibrada e horários regulares para as refeições;
    • Fazer pausas durante o trabalho ou os estudos para evitar sobrecarga mental;
    • Limitar o tempo de uso das redes sociais e da exposição constante a notícias;
    • Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou mindfulness;
    • Conversar com amigos, familiares ou pessoas de confiança sobre preocupações e sentimentos.

    É importante lembrar que a ansiedade faz parte da vida e não pode ser eliminada completamente. O objetivo não é deixar de sentir ansiedade, mas aprender a lidar com ela de forma mais saudável, para que não atrapalhe a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. O que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)?

    O TAG é um transtorno psiquiátrico caracterizado por uma preocupação excessiva, persistente e difícil de controlar que dura a maior parte dos dias por pelo menos seis meses. A pessoa com TAG se preocupa intensamente com diversas áreas da vida ao mesmo tempo (saúde, dinheiro, família, trabalho), mesmo sem motivos reais para isso.

    2. Qual é a diferença entre ansiedade e estresse?

    O estresse é uma reação a um gatilho presente e identificável, como excesso de trabalho ou uma briga, por exemplo. Quando o problema é resolvido, o estresse tende a sumir. Já a ansiedade é focada no futuro, na expectativa de uma ameaça que pode nem acontecer. Ela persiste mesmo quando o agente estressor já desapareceu.

    3. Tomar café piora a ansiedade?

    Para quem já tem propensão ou sofre de um transtorno de ansiedade, sim. A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que imita os sintomas físicos da ansiedade, como aceleração dos batimentos cardíacos e agitação.

    3. Os remédios para ansiedade causam dependência?

    Os medicamentos modernos mais utilizados no tratamento de longo prazo, como os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina, não causam dependência.

    Os remédios que oferecem risco de dependência se usados incorretamente são os tarja preta (benzodiazepínicos), que servem para alívio imediato e devem ser tomados estritamente pelo tempo curto receitado pelo médico.

    5. Fitoterápicos e chás funcionam para ansiedade?

    Chás de plantas como passiflora (maracujá), camomila, valeriana e melissa têm propriedades calmantes leves que ajudam a relaxar o corpo e a desacelerar em momentos de nervosismo leve ou antes de dormir. No entanto, eles não substituem o tratamento médico ou psicoterápico em casos de transtornos.

    6. O que fazer se eu esquecer de tomar o remédio da ansiedade no horário?

    A orientação geral é tomar a dose esquecida assim que lembrar. Porém, se estiver muito perto do horário da próxima dose, o ideal é pular a dose esquecida e seguir o cronograma normal. Nunca tome duas doses juntas para compensar o esquecimento.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Acorda suando durante a noite? Veja quando isso merece investigação 

    Acorda suando durante a noite? Veja quando isso merece investigação 

    Acordar durante a madrugada com a roupa molhada ou perceber que o lençol ficou encharcado de suor pode ser uma experiência desconfortável e, muitas vezes, intrigante. Mesmo que episódios isolados nem sempre indiquem um problema de saúde, a sudorese noturna frequente pode levantar dúvidas sobre o que está acontecendo no organismo. 

    Em muitos casos, a explicação é simples, como um quarto muito quente ou o uso de muitos cobertores em uma temperatura ainda amena. Porém, quando o sintoma se torna recorrente, intenso ou aparece acompanhado de outros sinais, como perda de peso, febre ou cansaço excessivo, é importante procurar avaliação médica para investigar possíveis causas.  

    A boa notícia é que, na maioria das vezes, existe uma explicação identificável e tratável para o problema. 

    H2 – O que é considerado sudorese noturna? 

    Nem todo suor durante o sono é considerado anormal. A preocupação costuma surgir quando: 

    • O suor é excessivo;  
    • Ocorre de forma frequente;  
    • Molha roupas ou lençóis;  
    • Acontece mesmo em ambientes frescos;  
    • Não existe uma explicação evidente, como excesso de cobertores.  

    Em geral, a sudorese noturna é considerada relevante quando interfere na qualidade do sono ou passa a ocorrer repetidamente. 

    H2 – Por que suamos durante a noite? 

    A transpiração é um mecanismo natural do organismo para controlar a temperatura corporal. Durante o sono, o corpo continua regulando a temperatura e pode produzir suor em situações como: 

    • Ambiente muito quente;  
    • Uso excessivo de roupas ou cobertores;  
    • Sonhos intensos ou pesadelos;  
    • Consumo de álcool próximo ao horário de dormir;  
    • Exercício físico intenso no período noturno.  

    Nesses casos, o sintoma costuma ser ocasional e não está relacionado a doenças. 

    H2 – Causas mais simples e comuns 

    Diversas situações benignas podem provocar suor noturno. Entre elas estão: 

    • Quarto excessivamente quente;  
    • Roupas inadequadas para dormir;  
    • Estresse emocional;  
    • Ansiedade;  
    • Pesadelos;  
    • Exercício físico próximo ao horário de dormir.  

    Quando a causa é ambiental ou comportamental, o sintoma geralmente melhora após ajustes na rotina. 

    H2 – Infecções podem causar sudorese noturna? 

    Sim. Algumas infecções provocam alterações inflamatórias no organismo que aumentam a transpiração, especialmente durante a noite. 

    Entre as principais causas infecciosas estão: 

    • Tuberculose;  
    • Endocardite (infecção das válvulas do coração);  
    • HIV;  
    • Algumas infecções crônicas.  

    Nesses casos, o suor noturno costuma vir acompanhado de outros sintomas, como: 

    • Febre;  
    • Cansaço;  
    • Perda de peso;  
    • Mal-estar persistente.  

    H2 – Alterações hormonais também podem provocar suor noturno 

    Mudanças hormonais estão entre as causas mais frequentes da sudorese noturna. 

    H3 – Menopausa 

    Uma das causas mais comuns em mulheres. Os sintomas podem ser: 

    • Ondas de calor;  
    • Suor intenso;  
    • Alterações do sono;  
    • Irritabilidade.  

    Os episódios costumam ocorrer principalmente durante a noite e podem prejudicar significativamente a qualidade do descanso. 

    H3 – Hipertireoidismo 

    O excesso de hormônios da tireoide acelera o metabolismo e pode provocar: 

    • Sensação de calor excessivo;  
    • Transpiração aumentada;  
    • Palpitações;  
    • Perda de peso;  
    • Tremores.  

    H2 – Ansiedade e estresse podem causar sudorese noturna? 

    Sim. O estresse e a ansiedade aumentam a ativação do sistema nervoso, que pode estimular a produção de suor mesmo durante o sono. 

    Além da transpiração, podem surgir sintomas como: 

    • Palpitações;  
    • Sono agitado;  
    • Despertares frequentes;  
    • Sensação de alerta constante.  

    Em algumas pessoas, a sudorese noturna é uma das manifestações físicas mais evidentes da ansiedade. 

    H2 – Quando a sudorese noturna merece mais atenção? 

    Embora muitas causas sejam benignas, alguns sinais associados justificam investigação médica. Procure avaliação se houver: 

    • Perda de peso sem explicação;  
    • Febre persistente;  
    • Cansaço excessivo;  
    • Tosse prolongada;  
    • Aumento de gânglios (“ínguas”);  
    • Falta de apetite;  
    • Sintomas persistentes por semanas.  

    Esses sinais podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada. 

    H2 – Câncer pode causar sudorese noturna? 

    Sim, mas essa é uma causa menos comum. Alguns tipos de câncer, especialmente doenças hematológicas, como linfomas e leucemias, podem provocar uma combinação de sintomas conhecida como “sintomas B”, que inclui sudorese noturna intensa, febre e perda de peso involuntária.  

    Por isso, quando esses sinais aparecem juntos, é importante procurar avaliação médica. 

    H2 – Medicamentos podem causar suor noturno? 

    Sim. Alguns medicamentos podem aumentar a transpiração como efeito colateral. 

    Entre eles estão: 

    • Antidepressivos;  
    • Antitérmicos;  
    • Terapias hormonais;  
    • Alguns medicamentos para diabetes.  

    Por isso, o médico sempre avalia os remédios em uso durante a investigação. 

    H2 – Como os médicos investigam a sudorese noturna? 

    A investigação depende dos sintomas associados e do histórico da pessoa. 

    Ela pode ser: 

    • Entrevista clínica detalhada;  
    • Exame físico;  
    • Exames de sangue;  
    • Avaliação hormonal;  
    • Exames para infecções;  
    • Exames de imagem, quando necessário.  

    Na maioria dos casos, a causa pode ser identificada a partir da combinação entre os sintomas e os exames complementares. 

    H2 – Existe tratamento? 

    Sim. O tratamento depende da causa identificada. 

    Pode incluir: 

    • Controle da ansiedade;  
    • Tratamento de infecções;  
    • Manejo da menopausa;  
    • Ajuste de medicamentos;  
    • Tratamento de alterações hormonais.  

    Quando a causa é corrigida, a sudorese costuma melhorar significativamente. 

    H2 – Quando procurar um médico? 

    É recomendável procurar avaliação médica quando: 

    • O suor noturno é frequente;  
    • Há necessidade de trocar roupas ou lençóis regularmente;  
    • O sintoma persiste por várias semanas;  
    • Existem outros sintomas associados, como febre, perda de peso ou cansaço intenso.  

    Quanto mais cedo a causa for identificada, mais rápido pode ser iniciado o tratamento adequado. 

    Veja também: Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado 

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/transplante-de-medula-ossea-2

    H2 – Perguntas frequentes sobre sudorese noturna 

    H3 – 1. Suar durante a noite é sempre sinal de doença? 

    Não. Ambientes quentes, excesso de cobertores e estresse podem causar suor noturno sem indicar um problema de saúde. 

    H3 – 2. Ansiedade pode causar sudorese noturna? 

    Sim. A ansiedade pode aumentar a atividade do sistema nervoso e favorecer episódios de transpiração durante o sono. 

    H3 – 3. Menopausa causa suor noturno? 

    Sim. As ondas de calor associadas à menopausa são uma das causas mais comuns de sudorese noturna em mulheres. 

    H3 – 4. Quando o suor noturno merece investigação? 

    Quando é frequente, intenso, persistente ou acompanhado de sintomas como febre, perda de peso ou cansaço excessivo. 

    H3 – 5. Tuberculose pode causar sudorese noturna? 

    Sim. A tuberculose é uma das infecções clássicas associadas a suor noturno importante. 

    H3 – 6. Câncer pode provocar esse sintoma? 

    Pode, especialmente alguns tipos de câncer hematológico, como linfomas e leucemias. 

    H3 – 7. Qual médico devo procurar? 

    O clínico geral costuma ser o melhor ponto de partida para investigar a causa da sudorese noturna. 

    Leia mais: Saiba mais sobre a leucemia 

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/leucemia
  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação