Blog

  • Cancro mole causa ferida genital: entenda a doença

    Cancro mole causa ferida genital: entenda a doença

    O nome pode não ser tão conhecido quanto sífilis, gonorreia ou herpes genital, mas o cancro mole, também chamado de cancroide, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que merece atenção. Ele costuma se manifestar com feridas dolorosas na região genital e pode ser confundido com outras ISTs, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento.

    Apesar de ser menos frequente do que outras infecções sexualmente transmissíveis, isso não significa que deva ser ignorado. O cancro mole precisa ser tratado corretamente, tanto para aliviar os sintomas quanto para reduzir o risco de transmissão e complicações, incluindo aumento da vulnerabilidade ao HIV.

    O que é cancro mole?

    O cancro mole é uma IST causada pela bactéria Haemophilus ducreyi. Trata-se de uma infecção ulcerativa que pode provocar feridas dolorosas na região genital. A úlcera está frequentemente associada a aumento doloroso dos gânglios da virilha.

    Diferentemente da sífilis, que costuma começar com uma ferida endurecida e geralmente indolor, o cancro mole tende a causar lesões dolorosas, de fundo sujo, bordas irregulares e maior inflamação local. Justamente por isso, ele entra no grupo das ISTs ulcerativas que precisam de avaliação médica cuidadosa para diferenciar uma condição da outra.

    Como ocorre a transmissão?

    A transmissão acontece principalmente por contato sexual sem proteção, quando há contato direto com as lesões ou secreções infectadas. Como as feridas concentram a bactéria, a relação sexual vaginal, anal ou oral sem preservativo aumenta o risco de contágio.

    A prevenção segue a lógica das demais ISTs. As medidas mais importantes são:

    • Uso de preservativo em todas as relações sexuais;
    • Procura por atendimento ao notar feridas, dor ou ínguas na virilha;
    • Evitar relações sexuais enquanto houver lesões ativas;
    • Testagem e avaliação para outras ISTs associadas;
    • Comunicação ao parceiro sexual para que ele também seja orientado e tratado, se necessário.

    Quais são os sintomas do cancro mole?

    O sinal mais característico é o aparecimento de uma ou mais feridas dolorosas na região genital. Também podem surgir nódulos ou ínguas na virilha, que às vezes evoluem para inflamação importante.

    Em geral, os sintomas podem ser:

    • Pequenas lesões que evoluem rapidamente para úlceras dolorosas;
    • Feridas com bordas irregulares e base mole;
    • Dor ao toque ou durante a relação sexual;
    • Ínguas dolorosas na virilha;
    • Inflamação local intensa.

    Uma dificuldade importante é que outras ISTs também podem causar feridas genitais. Por isso, a pessoa não deve tentar adivinhar o diagnóstico só pela aparência da lesão. O exame clínico e, quando possível, a investigação complementar ajudam a direcionar o tratamento correto.

    Por que o cancro mole merece atenção?

    Além da dor e do desconforto, o cancro mole pode facilitar a transmissão e a aquisição do HIV. Isso acontece porque as úlceras rompem a barreira de proteção da pele e da mucosa, favorecendo a entrada de outros agentes infecciosos. O NIH descreve as úlceras genitais como cofator importante na transmissão do HIV.

    Sem tratamento, o quadro também pode evoluir com inflamação importante dos gânglios da virilha, cicatrizes e maior desconforto local. Ou seja, não é uma infecção que vale a pena esperar passar sozinha.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do cancro mole costuma ser clínico, ou seja, baseado na avaliação das lesões, da dor, da presença de ínguas e na exclusão de outras causas de úlcera genital.

    O diagnóstico definitivo é desafiador porque os testes laboratoriais não são amplamente disponíveis, o que torna a avaliação médica ainda mais importante.

    Na prática, o profissional de saúde costuma considerar o conjunto de fatores:

    • Presença de uma ou mais úlceras genitais dolorosas;
    • Ínguas dolorosas na virilha;
    • Ausência de evidência de sífilis em fase inicial;
    • Ausência de sinais típicos de herpes genital.

    Como é o tratamento?

    O tratamento é feito com antibióticos e costuma ter boa resposta quando iniciado corretamente. Quando bem-sucedido, o tratamento cura a infecção, melhora os sintomas e ajuda a interromper a transmissão.

    O tratamento não deve ser feito por conta própria, porque a escolha do antibiótico depende do quadro clínico e da suspeita diagnóstica. Além disso, como úlceras genitais podem ter outras causas, o uso aleatório de remédios pode mascarar sinais importantes.

    Como se prevenir?

    A prevenção do cancro mole passa pelas mesmas estratégias centrais de prevenção das ISTs. O uso consistente de preservativo reduz o risco, assim como a busca por atendimento diante de sintomas e o tratamento correto dos parceiros quando indicado.

    Também é importante lembrar que ter uma IST aumenta a chance de ter outras. Por isso, a consulta é uma oportunidade para conversar sobre testagem, vacinação quando aplicável e práticas sexuais mais seguras.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação se houver ferida dolorosa na região genital, dor importante durante o contato íntimo, secreção associada ou ínguas dolorosas na virilha. Quanto antes o quadro for avaliado, mais rápido o tratamento pode começar e menor tende a ser o risco de complicações e transmissão.

    Leia mais:

    Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer

    Perguntas frequentes sobre cancro mole

    1. Cancro mole é a mesma coisa que sífilis?

    Não. Embora ambos possam causar feridas genitais, o cancro mole costuma provocar lesões dolorosas, enquanto a ferida inicial da sífilis geralmente é indolor.

    2. Cancro mole tem cura?

    Sim. O tratamento antibiótico costuma curar a infecção.

    3. Toda ferida genital dolorosa é cancro mole?

    Não. Outras ISTs, como herpes genital, também podem causar feridas dolorosas.

    4. Preciso avisar meu parceiro?

    Sim. Parceiros sexuais devem ser avaliados e orientados.

    5. O cancro mole aumenta risco de HIV?

    Sim. Úlceras genitais facilitam transmissão e aquisição do HIV.

    6. Posso esperar a ferida sumir sozinha?

    Não é o ideal. O quadro deve ser avaliado e tratado.

    7. Preservativo ajuda a prevenir?

    Sim, ele reduz o risco de transmissão de ISTs, inclusive do cancro mole.

    Veja também:

    Ardor ao urinar pode ser gonorreia? Descubra os sintomas da doença

  • Perda de visão sem aviso: o que você precisa saber sobre glaucoma 

    Perda de visão sem aviso: o que você precisa saber sobre glaucoma 

    A visão costuma ser algo que só ganha atenção quando começa a falhar, e, no caso de algumas doenças oculares, isso pode acontecer tarde demais. O glaucoma é um exemplo clássico: uma condição silenciosa, que evolui aos poucos e pode comprometer de forma definitiva a capacidade de enxergar.

    Por não causar sintomas nas fases iniciais na maioria dos casos, o glaucoma frequentemente passa despercebido até que a perda visual já esteja instalada. Por isso, entender como a doença funciona e a importância do diagnóstico precoce é muito importante para preservar a visão ao longo da vida.

    O que é o glaucoma

    O glaucoma é um grupo de doenças que afetam o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais do olho ao cérebro.

    Na maioria das vezes, o problema está relacionado ao aumento da pressão intraocular, que danifica lentamente esse nervo.

    Com o tempo, esse dano pode comprometer a visão de forma progressiva. Essa condição, inclusive, é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, especialmente quando não diagnosticada e tratada precocemente.

    Um dos principais desafios do glaucoma é que, em muitos casos, ele não causa sintomas nas fases iniciais e evolui de forma silenciosa.

    Principais tipos de glaucoma

    Existem diferentes tipos de glaucoma.

    1. Glaucoma de ângulo aberto

    Forma mais comum. Tem evolução lenta e silenciosa e geralmente não dá sintomas nos estágios iniciais.

    2. Glaucoma de ângulo fechado

    • Menos comum;
    • Pode surgir de forma súbita;
    • Considerado uma emergência médica.

    Principais sintomas

    Os sintomas variam conforme o tipo de glaucoma.

    Glaucoma de ângulo aberto

    • Geralmente não apresenta sintomas no início;
    • Perda progressiva da visão periférica.

    Glaucoma de ângulo fechado

    • Dor intensa no olho;
    • Visão borrada;
    • Náuseas e vômitos;
    • Vermelhidão ocular.

    Por que o glaucoma acontece

    O glaucoma está relacionado ao aumento da pressão intraocular ou à maior sensibilidade do nervo óptico.

    Entre os fatores associados estão:

    • Dificuldade na drenagem do líquido dentro do olho;
    • Predisposição genética;
    • Idade avançada;
    • Uso prolongado de corticoides.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns fatores aumentam o risco:

    • Idade acima de 40 anos;
    • Histórico familiar de glaucoma;
    • Pressão ocular elevada;
    • Doenças como diabetes;
    • Uso prolongado de corticoides.

    Consequências do glaucoma não tratado

    O glaucoma pode causar danos progressivos e irreversíveis.

    As principais consequências são:

    • Perda da visão periférica (visão em “túnel”);
    • Dificuldade para enxergar à noite;
    • Comprometimento progressivo da visão central;
    • Cegueira irreversível, em estágios avançados.

    Como o dano ao nervo óptico não pode ser revertido, o tratamento tem como objetivo evitar a progressão da doença.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é feito por avaliação oftalmológica.

    Os principais exames incluem:

    • Medição da pressão intraocular;
    • Avaliação do nervo óptico;
    • Exames de campo visual;
    • Exames de imagem do olho.

    A detecção precoce é fundamental para preservar a visão.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento tem como objetivo reduzir a pressão ocular e proteger o nervo óptico.

    As principais opções são:

    • Colírios, que diminuem a pressão intraocular;
    • Procedimentos a laser;
    • Cirurgia, em casos mais avançados.

    O tratamento costuma ser contínuo.

    Como prevenir a perda de visão

    A principal forma de prevenção é o diagnóstico precoce.

    Recomenda-se:

    • Consultas regulares com oftalmologista;
    • Avaliação da pressão ocular;
    • Acompanhamento em pessoas com fatores de risco.

    Leia mais:

    Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

    Perguntas frequentes sobre glaucoma

    1. Glaucoma tem cura?

    Não. Mas pode ser controlado.

    2. Pode causar cegueira?

    Sim, especialmente se não tratado.

    3. Dói?

    Na maioria dos casos, não. Exceto no tipo agudo.

    4. A perda de visão pode ser revertida?

    Não. O dano é irreversível.

    5. Precisa usar colírio para sempre?

    Na maioria dos casos, sim.

    6. Quem deve fazer exame?

    Principalmente pessoas acima de 40 anos ou com fatores de risco.

    7. Quando procurar um médico?

    Para avaliação regular ou diante de sintomas oculares.

    Veja também:

    Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

  • Como aliviar os sintomas de hemorroidas? Conheça 10 cuidados no dia a dia

    Como aliviar os sintomas de hemorroidas? Conheça 10 cuidados no dia a dia

    Você sabia que cerca de 50% da população adulta no Brasil convive ou vai conviver com hemorroidas em algum momento da vida? A condição, que costuma ser frequente durante a gravidez, acontece com a dilatação de veias que ficam na região do ânus e do reto, semelhante ao que ocorre nas varizes.

    Quando elas ficam inchadas, inflamadas ou aumentadas, podem causar sintomas como coceira intensa, dor, inchaço e até mesmo sangramento durante as evacuações, o que afeta diretamente a qualidade de vida e a realização das tarefas do cotidiano, como se sentar para trabalhar.

    Apesar de incômodos, é possível aliviar os sintomas das hemorroidas com algumas medidas no estilo de vida, cuidados de higiene específicos e mudanças na alimentação, que ajudam no processo de recuperação. Vamos entender mais, a seguir.

    Como aliviar os sintomas de hemorroidas?

    Para aliviar o desconforto e acelerar a cicatrização das hemorroidas, o ideal é reduzir a pressão na região pélvica e manter as fezes macias.

    1. Banhos de assento para hemorroida

    Os banhos de assento contribuem para melhorar a circulação sanguínea local, reduzir o inchaço das veias e aliviar a dor causada pela inflamação. Para isso, basta sentar em uma bacia ou bidê com água morna (sem sabão ou produtos químicos) por 10 a 15 minutos, cerca de duas a três vezes ao dia.

    2. Aumentar o consumo de fibras

    As fibras presentes nos alimentos, como frutas com casca, vegetais folhosos e grãos integrais, aumentam o volume fecal e tornam as fezes mais pastosas, facilitando a passagem sem atrito. Com isso, você faz menos esforço durante a evacuação, o que ajuda a reduzir a pressão sobre as veias da região anal.

    3. Beber bastante água

    Ao aumentar o consumo de fibras, também é necessário beber bastante água ao longo do dia, pois sem hidratação, as fibras podem endurecer as fezes e piorar a constipação. A quantidade diária pode variar de acordo com alguns fatores, mas o ideal é ingerir pelo menos 35 ml por kg de peso corporal.

    4. Limpar a região anal adequadamente

    O atrito do papel higiênico seco, por mais macio que pareça, funciona como uma lixa sobre uma veia que já está inflamada e sensível. Durante uma crise, o recomendado é fazer a higiene apenas com água corrente (ducha higiênica) e secar a região dando batidinhas leves com uma toalha de algodão, sem esfregar. Se estiver fora de casa, prefira lenços umedecidos sem álcool e sem fragrância.

    5. Usar roupas íntimas de algodão

    A região anal precisa respirar para evitar o acúmulo de umidade, que pode causar maceração da pele e aumentar a coceira. Por isso, use cuecas ou calcinhas de algodão e evite roupas muito apertadas, como calças jeans rígidas, que aumentam a temperatura local e o atrito constante ao caminhar.

    6. Não segurar a vontade de evacuar

    Quando você segura a vontade de ir ao banheiro, as fezes permanecem retidas no cólon e o organismo continua extraindo água delas, deixando-as ressecadas e endurecidas. Consequentemente, a evacuação se torna mais difícil e exige maior esforço, aumentando a pressão na região anal e favorecendo a dilatação das veias da região anal.

    7. Caminhar ao longo do expediente

    Para quem passa a maior parte do dia em frente ao computador, o hábito de permanecer sentado por longos períodos exerce uma pressão gravitacional contínua sobre a região pélvica, o que acaba sobrecarregando o quadril e dificultando o retorno venoso na área anal. Como consequência, pode ocorrer a dilatação das veias locais, favorecendo o surgimento de inflamações e o desenvolvimento da doença hemorroidária.

    Então, se o seu trabalho exige que você fique sentado por muitas horas, tente levantar a cada 50 minutos para caminhar um pouco, ou utilize almofadas específicas (com furo central) para aliviar a pressão direta sobre o ânus.

    8. Utilize pomadas para hemorroidas com orientação

    As pomadas para hemorroidas contém anestésicos, anti-inflamatórios ou agentes protetores que criam uma barreira na mucosa. Elas ajudam muito no controle da dor e do ardor, mas não devem ser utilizadas por conta própria por longos períodos, pois podem causar reações alérgicas ou afinar a pele da região. O uso também não é recomendado para crianças, gestantes e mulheres no período de amamentação.

    9. Parar de fumar

    A nicotina e substâncias tóxicas do cigarro prejudicam a circulação sanguínea, fragilizam os tecidos da região anal e provocam inflamação crônica. Além disso, o fumo está associado ao aumento da constipação, o que favorece o ressecamento das fezes e exige mais esforço durante a evacuação.

    10. Praticar atividades físicas leves

    Durante uma crise de hemorroidas, não é recomendado praticar atividades físicas que aumentem a pressão na região abdominal e anal, como musculação intensa, levantamento de peso ou exercícios de alto impacto. Contudo, você pode optar por atividades leves, como caminhadas, que ajudam a estimular o funcionamento do intestino sem sobrecarregar a região afetada.

    Veja também: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os sintomas mais comuns de hemorroidas?

    Os principais sinais incluem sangue vivo nas fezes ou no papel higiênico, coceira ou irritação na região anal, dor, desconforto e a presença de um nódulo sensível perto do ânus.

    2. O uso de gelo ajuda no tratamento?

    Sim. Aplicar compressas de gelo (envoltas em um pano fino) na área externa pode ajudar a reduzir o inchaço e anestesiar a dor aguda.

    3. Hemorroida tem cura definitiva?

    Muitas vezes, mudanças no estilo de vida costumam resolver os sintomas. Em casos persistentes ou graves, procedimentos médicos como ligadura elástica, escleroterapia ou cirurgia podem ser necessários.

    4. Quando o sangramento deve ser motivo de preocupação?

    Embora o sangue vivo seja comum nas hemorroidas internas, qualquer sangramento anal deve ser avaliado por um médico para descartar outras condições mais graves, como o câncer colorretal.

    5. Qual a relação entre o uso do celular no banheiro e as hemorroidas?

    Passar muito tempo sentado no vaso sanitário, muitas vezes por distração com o celular, relaxa a musculatura pélvica e permite que o sangue se acumule nas veias anais por gravidade, o que favorece o inchaço e o surgimento de hemorroidas. O ideal é permanecer sentado apenas o tempo necessário.

    6. O consumo de pimenta e condimentos causa o problema?

    A pimenta não causa hemorroidas, mas pode irritar a mucosa do canal anal. Se você já tem hemorroidas inflamadas, alimentos picantes podem tornar a evacuação muito mais dolorosa e aumentar a sensação de queimação.

    7. Qual a diferença entre hemorroida e fissura anal?

    Enquanto a hemorroida é uma veia inchada, a fissura anal é um pequeno corte ou rachadura no revestimento do canal anal. Ambas causam dor e sangramento, mas o tratamento inicial pode variar, por isso o diagnóstico médico é essencial.

    8. Qual médico devo procurar?

    O especialista indicado para tratar hemorroidas e outras doenças do sistema digestivo final é o proctologista ou coloproctologista.

    Leia mais: Por que o intestino é chamado de ‘segundo cérebro’?

  • Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Coração de atleta: o que é e como diferenciar as alterações de uma doença cardíaca? 

    Você já ouviu falar no termo coração de atleta? Quando uma pessoa se exercita com regularidade, o coração passa por mudanças estruturais e funcionais que tornam o funcionamento mais eficiente e adaptado ao esforço.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as mudanças fazem parte de uma resposta natural do organismo. Um coração adaptado ao exercício consegue bombear mais sangue a cada batimento e, ao mesmo tempo, trabalhar com uma frequência mais baixa, reduzindo o esforço necessário para manter o corpo em funcionamento.

    O especialista esclarece que as mudanças são visíveis em exames como ecocardiograma e eletrocardiograma, mas é importante que médicos e atletas saibam reconhecê-las para não confundi-las com doenças cardíacas. Afinal, o que é uma adaptação de alta performance para um maratonista pode ser um sinal de alerta para uma pessoa sedentária.

    O que acontece com o coração de quem treina pesado?

    Quando você treina com intensidade e regularidade, o coração (que é, essencialmente, um músculo) passa por um remodelamento cardíaco fisiológico. Segundo Giovanni, as mudanças variam conforme o tipo de exercício, mas algumas adaptações são comuns em quem mantém uma rotina de treinos:

    • Câmaras do coração maiores: o ventrículo esquerdo, que bombeia o sangue para o corpo, pode aumentar de tamanho. Isso permite que mais sangue seja enviado a cada batimento, algo muito comum em esportes de resistência, como corrida, natação e ciclismo;
    • Paredes do coração mais fortes: em atividades de força, como musculação e lutas, as paredes do coração podem ficar um pouco mais espessas. Isso acontece como resposta ao esforço e ao aumento da pressão durante o exercício;
    • Mais sangue a cada batimento: o coração treinado consegue bombear uma quantidade maior de sangue em cada contração. Com isso, ele não precisa bater tantas vezes para dar conta das necessidades do corpo;
    • Melhor relaxamento do coração: entre um batimento e outro, o coração consegue relaxar e se encher de sangue com mais facilidade, o que melhora ainda mais o funcionamento.

    Em pessoas com coração de atleta, também é possível observar a redução da frequência cardíaca em repouso, ou bradicardia sinusal, com frequências entre 40 e 60 batimentos por minuto, ou até abaixo disso em atletas de elite.

    Isso é consequência direta do maior volume sistólico: o coração não precisa bater com tanta frequência para cumprir sua função, segundo Giovanni.

    “Mas existe um ponto importante: a bradicardia só é saudável quando assintomática. Se a pessoa apresenta tontura, fadiga, síncope ou intolerância ao exercício com frequências baixas, é necessária avaliação médica, pois pode haver uma bradicardia patológica associada”, complementa o cardiologista.

    Coração de atleta é considerado saudável?

    Na maioria dos casos, sim. Giovanni explica que as modificações do coração do atleta estão associadas a menor risco cardiovascular, maior longevidade e melhor qualidade de vida.

    “Atletas e pessoas fisicamente ativas têm, em média, menor incidência de hipertensão, doença coronariana, insuficiência cardíaca e morte súbita do que sedentários. Isso está diretamente relacionado às adaptações positivas que o exercício regular promove no coração e em todo o sistema cardiovascular” explica o cardiologista.

    Vale destacar que as pessoas ativas também podem desenvolver doenças cardíacas, e alguns problemas que estavam silenciosos podem aparecer justamente durante exercícios mais intensos. Por isso a importância do acompanhamento com um cardiologista, principalmente para quem treina com frequência ou em alta intensidade.

    Como diferenciar o coração de atleta de uma doença cardíaca?

    É preciso fazer uma avaliação cuidadosa para diferenciar o que é uma adaptação saudável do que pode indicar um problema, já que algumas alterações vistas nos exames de atletas podem parecer, à primeira vista, iguais às de doenças cardíacas mais sérias.

    Segundo o Giovanni, alguns pontos ajudam nessa distinção:

    • História clínica e familiar: o médico avalia se existem casos de doenças cardíacas na família. Sintomas como desmaio durante o exercício, palpitações fortes ou dor no peito são um sinal de alerta;
    • Resposta ao tempo sem treino: quando a mudança no coração é apenas uma adaptação ao exercício, ela costuma diminuir ou até desaparecer após um período sem treinar, normalmente entre 3 e 6 meses. Isso não acontece em doenças cardíacas;
    • Exames complementares: podem ser necessários exames mais detalhados, como ressonância cardíaca, teste de esforço, Holter ou outros, para confirmar o diagnóstico.

    “Isso reforça que a avaliação de atletas de alto rendimento deve ser feita por cardiologistas com experiência em medicina esportiva”, diz Giovanni.

    Existe risco em treinar demais?

    A atividade física regular contribui com vários benefícios para o coração, mas existe um limite entre o que é uma adaptação saudável e o que pode virar sobrecarga. Isso vale principalmente para quem pratica esportes de resistência por muitos anos, com treinos muito intensos.

    Segundo Giovanni, a saúde do coração não melhora sem parar conforme você aumenta o treino. Para a maioria das pessoas, a recomendação de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada já é suficiente para fortalecer o músculo cardíaco, melhorar a circulação e prevenir doenças cardiovasculares.

    Treinar muito além disso pode até melhorar o desempenho, mas não significa, necessariamente, mais saúde.

    Riscos do treinamento extremo (ultra-endurance)

    Pessoas que treinam por muitos anos com volumes e intensidades muito altos, como maratonistas e triatletas, podem apresentar algumas alterações no coração:

    • Fibrilação atrial: aumento na incidência de arritmias cardíacas devido ao estresse crônico nas câmaras superiores do coração (átrios);
    • Fibrose miocárdica: pequenas cicatrizes no tecido do coração resultantes de anos de inflamação e esforço extremo;
    • Calcificação de artérias: em alguns casos, atletas de elite podem apresentar maior acúmulo de cálcio nas coronárias do que pessoas moderadamente ativas.

    Para quem treina em alta intensidade, o acompanhamento cardiológico regular é necessário para garantir que o coração está apenas se adaptando ao esforço, e não sofrendo uma sobrecarga que possa comprometer a saúde a longo prazo.

    Como o exercício transforma o coração sedentário (em qualquer idade)?

    O coração humano é extremamente responsivo à prática de atividades físicas, independentemente da idade em que se começa. Quando você começa uma rotina regular de treinos, nas primeiras semanas, já é possível observar reduções na frequência cardíaca de repouso, melhora da capacidade aeróbica e redução da pressão arterial.

    “Com meses a anos de treinamento progressivo, é possível observar adaptações estruturais no coração, como aumento do volume das câmaras e melhora da função diastólica, semelhantes (em menor grau) às observadas em atletas”, explica Giovanni.

    Segundo estudos, o exercício físico pode reverter danos do sedentarismo no coração. Mesmo em idades mais avançadas, o treino de endurance com supervisão médica atua diretamente contra o enrijecimento cardíaco, melhorando a performance do órgão e a longevidade.

    “Portanto, nunca é tarde para começar. O coração de quem começa a se exercitar hoje não será idêntico ao de um atleta que treina há décadas — mas será significativamente mais saudável do que o de quem permanece sedentário. E isso tem impacto direto na qualidade e na expectativa de vida”, finaliza o cardiologista.

    Leia mais: Potássio ajuda a reduzir a pressão alta? Cardiologista explica

    Perguntas frequentes

    1. Por que atletas têm batimentos cardíacos baixos?

    Como o coração de atleta ejeta um volume maior de sangue a cada batida, ele não precisa bater tantas vezes para manter o corpo funcionando em repouso.

    2. Qual é a frequência cardíaca de repouso normal para um atleta?

    Normalmente entre 40 e 60 bpm, mas atletas de elite de alto rendimento podem chegar a registrar entre 30 e 40 bpm.

    3. O que é hipertrofia ventricular esquerda fisiológica?

    É o espessamento das paredes do ventrículo esquerdo como resposta natural ao treino de força ou resistência, sem causar prejuízos à saúde.

    4. Qual o melhor exame para avaliar o coração de quem treina?

    O ecocardiograma e o eletrocardiograma (ECG) são os principais, mas o teste ergométrico ajuda a ver como o coração reage ao esforço.

    5. O que é o volume sistólico e por que ele aumenta no atleta?

    É a quantidade de sangue que o coração expulsa em cada batida. No atleta, o ventrículo se dilata e se torna mais elástico, permitindo que ele se encha mais e bombeie um volume maior de sangue a cada pulsação.

    6. Existe diferença entre o coração de quem faz crossfit e quem corre?

    Sim. As práticas de força (como crossfit ou musculação) tendem a promover mais o espessamento das paredes cardíacas. Já esportes de endurance (corrida, ciclismo) promovem mais a dilatação das câmaras para lidar com o volume de sangue.

    7. Por que é importante o histórico familiar na avaliação do atleta?

    Muitas doenças que causam morte súbita em esportistas são genéticas e silenciosas. Saber se houve casos de desmaios ou mortes precoces na família é crucial para garantir a segurança de quem treina em alta intensidade.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Veja como o exercício físico ajuda na sua saúde mental 

    Veja como o exercício físico ajuda na sua saúde mental 

    Quando se fala em exercício físico, muita gente pensa primeiro em peso, condicionamento, colesterol ou glicemia. Tudo isso importa, e muito. Mas existe outro efeito igualmente relevante: a forma como o movimento impacta o cérebro, o humor, o sono e o bem-estar emocional.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a atividade física regular traz benefícios importantes também para a saúde mental e pode reduzir sintomas de depressão e ansiedade.

    Isso não significa que o exercício vá substituir a terapia ou os remédios em todos os casos. Também não quer dizer que caminhar por alguns dias seja suficiente para curar o sofrimento psíquico. O ponto é outro: exercitar o corpo ajuda a criar condições biológicas e emocionais mais favoráveis ao equilíbrio mental. E isso vale tanto para a prevenção quanto como parte de uma estratégia de cuidado mais ampla. Entenda melhor abaixo.

    Por que atividade física e saúde mental estão ligadas?

    A atividade física age diretamente no funcionamento do cérebro. Manter-se em movimento melhora a oxigenação cerebral, ajuda nas sinapses e melhora a qualidade de vida. A OMS reforça que a prática regular de exercícios pode melhorar o bem-estar geral e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.

    Além disso, o exercício ajuda a organizar a rotina, melhora o sono, aumenta a sensação de autonomia e pode funcionar como espaço de socialização e prazer. Ou seja, os benefícios não vêm apenas da parte química, mas também da experiência subjetiva de se sentir mais funcional, mais disposto e mais conectado consigo e com o ambiente.

    Como o exercício pode ajudar no humor?

    Uma das explicações mais conhecidas é que a atividade física estimula a liberação de substâncias associadas à sensação de bem-estar. Estar fisicamente ativo ajuda a melhorar o humor, o bem-estar e a qualidade de vida.

    Isso pode significar menos sensação de peso mental, maior clareza, melhora da disposição e alívio parcial de sintomas emocionais. Não é um efeito mágico, nem necessariamente imediato, mas costuma ser consistente quando a prática vira rotina.

    Exercício ajuda na ansiedade?

    Sim, pode ajudar. A atividade física regular reduz sintomas de ansiedade. Parte desse efeito parece estar ligada à regulação do estresse, à melhora do sono e ao fato de que o corpo aprende a lidar melhor com estados fisiológicos de ativação.

    O exercício pode funcionar como pausa concreta no ciclo de preocupação, ruminação e tensão. Para algumas pessoas, caminhar, pedalar, nadar ou treinar oferece um tipo de foco corporal que tira a mente, ainda que temporariamente, do excesso de pensamentos.

    E na depressão?

    Também pode ajudar. A atividade física pode reduzir sintomas depressivos, e até volumes relativamente modestos de exercícios podem ajudar na prevenção de novos casos de depressão.

    Mas vale o cuidado: dizer que exercício ajuda na depressão não é o mesmo que dizer que basta ter força de vontade. A depressão pode diminuir energia, prazer, iniciativa e motivação.

    Por isso, em muitos casos, o desafio não é saber que o exercício faria bem, mas sim conseguir começar. É aí que apoio profissional, metas pequenas e acolhimento fazem diferença.

    O exercício também melhora o sono?

    Em muitos casos, sim. Isso, inclusive, importa muito para a saúde mental, porque sono ruim e sofrimento psíquico costumam se alimentar mutuamente.

    Dormir melhor tende a melhorar humor, memória, tolerância ao estresse e capacidade de decisão. Por isso, parte do benefício emocional do exercício pode vir justamente dessa reorganização do sono e da rotina.

    Precisa ser exercício intenso?

    Não. Esse é um ponto muito importante. A ideia de que só vale se for pesado, sofrido ou altamente performático afasta muita gente. Qualquer atividade física já é melhor do que nenhuma.

    Para muita gente, benefícios importantes já aparecem com medidas simples, como:

    • Caminhadas regulares;
    • Dança;
    • Pedaladas leves;
    • Atividades em grupo;
    • Exercícios de fortalecimento e alongamento.

    Quanto exercício é recomendado?

    O Ministério da Saúde e a OMS recomendam, para adultos, de 150 a 300 minutos por semana de atividade física moderada, ou 75 a 150 minutos de atividade intensa, quando não houver contraindicação.

    Mas essa recomendação não deve ser usada como régua de culpa. Para quem está parado, deprimido, ansioso ou muito sobrecarregado, começar com pouco já é um grande avanço. O melhor exercício, muitas vezes, é o que a pessoa consegue sustentar.

    Exercício substitui tratamento psicológico ou psiquiátrico?

    Nem sempre. Em alguns casos leves, a atividade física pode ter impacto muito significativo no bem-estar. Mas em quadros moderados ou graves de ansiedade e depressão, ela costuma ser parte do cuidado e não a única estratégia.

    Quando há sofrimento importante, prejuízo funcional, desesperança persistente ou pensamentos de morte, o ideal é buscar ajuda profissional. Exercício pode entrar como aliado, mas não deve ser usado sozinho para minimizar a gravidade do quadro.

    Leia mais:

    Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes sobre exercício e saúde mental

    1. Exercício realmente ajuda no humor?

    Sim. A atividade física regular pode melhorar humor, bem-estar e qualidade de vida.

    2. Pode ajudar na ansiedade?

    Sim. A OMS afirma que ela reduz sintomas de ansiedade.

    3. Pode ajudar na depressão?

    Sim, como parte da prevenção e também do cuidado em muitos casos.

    4. Precisa ser academia?

    Não. Caminhada, dança e outras atividades também contam.

    5. Quanto tempo por semana é recomendado?

    Em geral, 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana.

    6. Exercício substitui terapia?

    Não necessariamente. Em muitos casos, ele complementa o tratamento.

    7. E se eu estiver sem energia para começar?

    Começar pequeno e com metas realistas costuma ser mais eficaz do que esperar motivação perfeita. Isso é uma inferência prática coerente com as recomendações de atividade gradual.

    Veja também:

    Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

  • Queimadura de sol: como saber quando é grave e como melhorar os sintomas? 

    Queimadura de sol: como saber quando é grave e como melhorar os sintomas? 

    Um dos problemas mais comuns do verão, a queimadura de sol é uma inflamação na pele causada pela exposição excessiva aos raios ultravioletas (UV) sem o uso de proteção, como protetor solar.

    Além dos sintomas desconfortáveis, como vermelhidão, descamação e ardência, a lesão indica um dano celular que, se não for tratado adequadamente, pode resultar em problemas a longo prazo, como envelhecimento precoce ou câncer de pele.

    Na maioria dos casos, os sintomas aparecem algumas horas depois da exposição solar e podem ser aliviados com cuidados caseiros, como compressas frias e hidratação intensa. No entanto, quando a queimadura atinge camadas mais profundas, pode provocar febre, calafrios e desidratação, precisando de atendimento médico imediatamente.

    O que é uma queimadura de sol?

    Uma queimadura de sol é uma lesão na pele causada pela exposição excessiva aos raios ultravioleta, principalmente dos raios UVA e UVB. Quando a pele fica exposta ao sol por muito tempo sem proteção, como protetor solar ou roupas, os raios UV penetram nas camadas da pele, danificam as células e desencadeiam uma resposta inflamatória do organismo.

    Como resultado, podem surgir sintomas como vermelhidão intensa, ardência, dor ao toque e sensação de calor na região afetada. Em casos mais graves, podem aparecer bolhas, febre e mal-estar, indicando uma queimadura mais grave.

    Vale destacar que a exposição solar sem proteção é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de pele ao longo da vida, já que o dano causado pelos raios UV é cumulativo. Quanto mais episódios de queimadura, especialmente na infância e na adolescência, maior tende a ser o risco no futuro.

    Como diferenciar o bronzeado da queimadura?

    A principal diferença é que o bronzeado é uma resposta de proteção da pele, enquanto a queimadura é uma lesão causada pelo sol.

    No caso do bronzeamento, quando a pele entra em contato com os raios UV, ela aumenta a produção de melanina, um pigmento natural que ajuda a protegê-la. Por isso, a cor da pele fica mais escura de forma gradual, normalmente sem dor, vermelhidão intensa e ou desconforto significativo.

    A queimadura solar, por outro lado, acontece quando a exposição ultrapassa o limite de proteção da pele, causando danos celulares e desencadeando uma reação inflamatória. Diferente do bronzeado, que aparece aos poucos, a queimadura costuma surgir algumas horas após a exposição.

    Quais os tipos de queimadura de sol?

    As queimaduras de sol podem ser classificadas de acordo com a profundidade do dano na pele, de forma parecida com outras queimaduras:

    • Queimadura de primeiro grau: é a forma mais leve e comum e afeta apenas a camada superficial da pele, causando vermelhidão, sensação de calor, sensibilidade e dor leve, sem formação de bolhas. A pessoa ainda pode ter descamação nos dias seguintes;
    • Queimadura de segundo grau: é mais intensa e atinge camadas mais profundas, causando vermelhidão mais forte, dor significativa, inchaço e formação de bolhas. A pele pode ficar úmida e o tempo de recuperação é maior;
    • Queimadura de terceiro grau: é rara em casos de exposição solar, mas pode acontecer em situações extremas. Nesse caso, ocorre um dano profundo com destruição das camadas da pele, que pode apresentar um aspecto esbranquiçado, escurecido ou endurecido.

    As queimaduras na pele podem ser intensificadas quando há o contato ou uso de produtos sensibilizantes, como perfumes, limão e algumas outras frutas.

    Sintomas de queimadura de sol

    Os sintomas costumam aparecer algumas horas após a exposição e podem incluir:

    • Vermelhidão na pele;
    • Sensação de calor ou ardência;
    • Dor ao toque;
    • Inchaço leve;
    • Descamação nos dias seguintes;
    • Sensibilidade ao toque;
    • Bolhas e febre em casos mais graves.

    Em alguns casos, também pode haver dor de cabeça, náuseas e sinais de desidratação, especialmente após uma exposição solar prolongada.

    Como diagnosticar a queimadura de sol?

    O diagnóstico da queimadura solar é feito através do exame visual da pele e da análise dos sintomas que surgem entre 2 a 6 horas após a exposição aos raios UV. Na consulta, o médico analisa a presença de vermelhidão, dor, sensação de calor, inchaço, descamação e, em casos mais intensos, a formação de bolhas.

    Também é importante entender quanto tempo a pessoa ficou exposta ao sol, se houve uso de proteção e quando os sintomas começaram, já que a queimadura costuma aparecer algumas horas após a exposição.

    Como melhorar a queimadura de sol?

    O tratamento da queimadura de sol depende da intensidade dos sintomas, mas normalmente é feito com cuidados simples para aliviar a inflamação, a dor e ajudar a pele a se recuperar, como:

    • Interromper a exposição ao sol e proteger a pele até a recuperação completa;
    • Limpar o local com água corrente;
    • Resfriar a região com banhos frios ou mornos e compressas frias;
    • Hidratar a pele com cremes suaves, de preferência com aloe vera ou pantenol;
    • Aumentar a ingestão de líquidos para evitar desidratação;
    • Evitar produtos irritantes, como perfumes, ácidos e esfoliantes;
    • Não puxar a pele que está descamando;
    • Usar roupas leves e soltas para reduzir o atrito na pele.

    Em caso de dor intensa, o médico pode prescrever o uso de cremes analgésicos e anti-inflamatórios, além de medicamentos por via oral para controle da dor e da inflamação. Quando aparecem bolhas, elas não devem ser estouradas, pois elas funcionam como uma proteção natural contra infecções.

    Nos casos mais graves, com presença de febre, calafrios, mal-estar ou áreas extensas de pele afetadas, é importante procurar atendimento médico. Se houver sinais de insolação ou desidratação severa, pode ser necessária a reposição de soro na veia.

    O que não passar na queimadura?

    Quando a pele está queimada pelo sol, ela fica mais sensível e vulnerável, então qualquer receita caseira pode ser perigosa e retardar a cicatrização da pele. Por isso, é importante evitar:

    • Pasta de dente;
    • Manteiga, óleos ou banha;
    • Álcool;
    • Clara de ovo;
    • Vinagre puro;
    • Gelo direto na pele.

    Também evite o uso de perfumes ou colônias na região por alguns dias, já que eles contêm álcool e outras substâncias que podem irritar ainda mais a pele.

    Riscos da queimadura de sol para a saúde

    No curto e no longo prazo, a queimadura de sol pode trazer diferentes riscos para a saúde:

    • Desidratação: a pele lesionada perde a capacidade de reter líquidos, o que pode causar tontura e mal-estar geral;
    • Infecções na pele: a quebra da barreira cutânea, especialmente na presença de bolhas, facilita a entrada de bactérias e pode precisar de tratamento com antibióticos;
    • Envelhecimento precoce: mesmo após a cicatrização, o dano acumulado favorece o surgimento de manchas, perda de elasticidade e rugas antes do tempo;
    • Câncer de pele: a exposição repetida aos raios UV danifica o DNA das células, aumentando o risco de carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma;
    • Insolação: em casos de exposição extrema, pode ocorrer uma alteração grave na regulação da temperatura corporal, com risco de comprometimento de órgãos vitais.

    Como evitar as queimaduras solares?

    No dia a dia, é possível evitar as queimaduras de sol com alguns cuidados:

    • Usar protetor solar diariamente, com FPS 30 (no mínimo), aplicando a cada duas horas ou após suor intenso e contato com água;
    • Utilizar barreiras físicas, como chapéus, bonés, óculos de sol e roupas com proteção UV;
    • Procurar sombra sempre que possível, especialmente em ambientes abertos como praia e piscina;
    • Aplicar o protetor solar cerca de 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol;
    • Não esquecer áreas mais sensíveis, como orelhas, nuca, pés e lábios;
    • Manter a pele hidratada e beber bastante água ao longo do dia;
    • Ter atenção redobrada com crianças, que têm a pele mais sensível.

    A recomendação é evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade, normalmente entre 10h e 16h, pois, nesse período, a radiação ultravioleta está mais forte e pode causar danos à pele em menos tempo. Isso aumenta significativamente o risco de queimaduras, mesmo em exposições curtas.

    Leia também: Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura uma queimadura de sol?

    Em casos leves (1º grau), os sintomas como dor e vermelhidão costumam melhorar em 3 a 5 dias. Já em casos graves com bolhas (2º grau), a cicatrização completa da pele pode levar de 10 a 14 dias.

    2. O que é bom para passar na pele descascando?

    Quando a pele começa a descascar, o ideal é usar hidratantes potentes e livres de fragrâncias, conforme orientado pelo médico. Evite puxar as peles soltas, pois isso pode ferir a camada saudável que ainda está se formando.

    3. Queimadura de sol pode causar febre?

    Sim. Quando a queimadura atinge uma área extensa do corpo, o organismo pode desencadear uma resposta inflamatória sistêmica, causando febre, calafrios e dor de cabeça. Isso pode ser um sinal de insolação.

    4. Quando a queimadura de sol é considerada grave?

    Ela é grave quando apresenta bolhas, quando cobre mais de 15% do corpo, ou quando o paciente apresenta sinais como confusão mental, desmaio, vômitos ou febre alta. Nestes casos, o atendimento médico deve ser imediato.

    5. Quanto tempo depois da queimadura posso me expor ao sol novamente?

    O ideal é esperar a pele se recuperar totalmente, o que leva de 7 a 14 dias. A pele nova que surge após a descamação é extremamente fina e sensível, podendo manchar ou queimar com muito mais facilidade se exposta precocemente.

    6. Queimadura de sol causa manchas permanentes?

    Pode causar. Se a inflamação for profunda ou se a pessoa se expuser ao sol enquanto a pele ainda está se recuperando, podem surgir manchas escuras (melasma solar) ou manchas brancas (leucodermia), difíceis de tratar posteriormente.

    7. Bebês e crianças podem usar os mesmos tratamentos de adultos?

    A pele da criança é muito mais fina e absorve substâncias com mais facilidade. Em bebês, evite automedicação e use apenas produtos indicados pelo pediatra. Se houver febre ou bolhas em crianças, a consulta médica é obrigatória.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

  • Exercícios na gravidez: os melhores e no que prestar atenção 

    Exercícios na gravidez: os melhores e no que prestar atenção 

    Durante muito tempo a gestante ouviu que o ideal era ficar quieta e evitar esforços. Hoje, a recomendação mudou bastante. As principais diretrizes de saúde afirmam que, para a maioria das gestantes saudáveis, a atividade física traz benefícios e apresenta poucos riscos quando bem conduzida. Isso vale tanto para quem já se exercitava antes quanto para quem quer começar com segurança.

    A questão, então, não é simplesmente “pode ou não pode”, mas sim qual exercício faz sentido, com que intensidade e em quais situações é preciso ter mais cuidado. Entender isso ajuda a tirar o tema do campo do medo e colocá-lo no campo do cuidado informado.

    Exercício na gravidez faz bem?

    Sim, para a maioria das gestantes, faz bem. A prática de atividade física durante a gestação pode ajudar a reduzir complicações e melhorar a saúde materno-infantil.

    Entre os benefícios estão menor risco de diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, excesso de ganho de peso e incontinência urinária, especialmente com exercícios para assoalho pélvico.

    O exercício não aumenta o risco de aborto, baixo peso ao nascer ou parto prematuro em gestantes sem contraindicação.

    Quanto exercício é recomendado?

    As recomendações convergem para cerca de 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, distribuídos ao longo da semana. Isso pode ser traduzido, por exemplo, em 30 minutos em cinco dias. A recomendação pode ser adaptada de acordo com o condicionamento físico, a fase da gestação e a orientação profissional.

    Também é importante lembrar que alguma atividade é melhor do que nenhuma. Para quem estava sedentária, começar de forma gradual costuma ser o caminho mais seguro e sustentável.

    Quais são os melhores exercícios na gravidez?

    Não existe uma modalidade única. O melhor exercício é aquele que combina segurança, regularidade, conforto e adesão. Ainda assim, alguns tipos costumam ser especialmente bem aceitos. Veja abaixo.

    Caminhada

    A caminhada é uma das opções mais simples e recomendadas. Tem baixo impacto, pode ser ajustada em ritmo e duração e costuma ser bem tolerada ao longo da gestação. É uma boa porta de entrada para quem quer sair do sedentarismo.

    Hidroginástica e natação

    Atividades na água costumam ser muito valorizadas porque aliviam parte da sobrecarga articular, ajudam no conforto térmico e podem ser especialmente agradáveis conforme a barriga cresce. São boas opções para mobilidade, condicionamento e bem-estar.

    Pilates e alongamento

    O pilates, quando adaptado para gestantes e conduzido com orientação adequada, pode ajudar em postura, consciência corporal e conforto. Alongamentos suaves também podem contribuir, desde que respeitem os limites da gestação e evitem exageros.

    Musculação

    Sim, musculação pode entrar. O próprio Ministério da Saúde inclui musculação entre as atividades possíveis para gestantes, desde que haja adaptação, supervisão e respeito aos limites individuais. A ideia aqui não é buscar performance ou cargas extremas, e sim manter força, funcionalidade e preparo físico.

    No que se atentar?

    Aqui entra a parte mais importante da pauta. Exercício na gravidez não é liberado de qualquer jeito. Há sinais de alerta e contextos em que a atividade deve ser interrompida ou reavaliada.

    Sangramento vaginal, dor importante, tontura, falta de ar desproporcional, contrações dolorosas, perda de líquido e redução de movimentos fetais são exemplos de situações que exigem contato com o médico.

    Além disso, a gestante precisa evitar um esforço excessivo. Gravidez não é o momento de testar limite. Hidratação, conforto térmico, progressão gradual e adaptação do treino conforme o trimestre fazem parte da segurança.

    Toda gestante pode se exercitar?

    Não. A maioria pode, mas há situações em que a atividade deve ser adaptada, restringida ou temporariamente suspensa conforme avaliação médica. É por isso que a liberação individual faz diferença, especialmente em gestações de maior risco ou com sintomas.

    Leia também:

    Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes sobre exercícios na gravidez

    1. Gestante pode fazer exercício?

    Sim, na maioria dos casos, sim.

    2. Qual é a recomendação geral?

    Cerca de 150 minutos por semana de atividade moderada.

    3. Caminhada é uma boa opção?

    Sim, costuma ser uma das atividades mais indicadas.

    4. Musculação pode?

    Pode, com adaptação e orientação.

    5. Exercício aumenta risco de aborto?

    Não, em gestantes sem contraindicação, não.

    6. Quando devo parar o exercício e avisar o médico?

    Em caso de sangramento, dor importante, falta de ar intensa, contrações dolorosas ou perda de líquido.

    7. Dá para começar a se exercitar na gravidez mesmo sendo sedentária?

    Sim, de forma gradual e orientada.

    Veja mais:

    Hidroginástica: o que é, quando é indicado e benefícios (para todas as fases da vida)

  • Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    A cartela da pílula anticoncepcional é organizada para que a mulher tome um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, mantendo uma quantidade constante de hormônios no organismo para evitar a ovulação. Mas e se o alarme não tocar, a rotina mudar ou o esquecimento simplesmente acontecer?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que fazer em cada situação e quando o esquecimento realmente representa um risco.

    Esquecer o anticoncepcional por um dia aumenta o risco de gravidez?

    Na maioria das vezes, o esquecimento de um único comprimido não é suficiente para aumentar significativamente o risco de gravidez, como explica Andreia.

    A pílula funciona mantendo níveis hormonais constantes no organismo para bloquear a ovulação. Quando há o esquecimento de um único comprimido, os níveis diminuem, mas normalmente não há tempo suficiente para que ocorra todo o processo de desenvolvimento folicular e ovulação.

    No entanto, isso também depende da formulação da pílula, já que existem diferentes combinações e doses hormonais.

    O risco pode ser um pouco maior em algumas situações, como no início da cartela (logo após a pausa), em pílulas com doses hormonais mais baixas ou quando há outros fatores associados, como vômitos, diarreia ou interação com medicamentos.

    O que fazer se esquecer tomar pílula anticoncepcional?

    A conduta varia principalmente conforme o tempo de atraso e a quantidade de comprimidos esquecidos, mas Andreia dá algumas orientações gerais:

    • Atraso de até 12 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue a cartela normalmente, mantendo os próximos comprimidos no horário habitual. Nessa situação, a eficácia do método costuma ser mantida;
    • Esquecimento de dois ou mais comprimidos seguidos: o risco de falha aumenta, então é indicado usar um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 7 dias, até que os níveis hormonais voltem a ser adequados para garantir a proteção contraceptiva.

    O esquecimento em diferentes fases da cartela não costuma mudar drasticamente a conduta. Ainda assim, Andreia explica que o início da cartela merece mais atenção, especialmente após o intervalo sem hormônios, pois pode haver um risco um pouco maior em alguns casos.

    Importante: não é recomendado tomar comprimidos em excesso para compensar o esquecimento. Administrar duas pílulas ao mesmo tempo não aumenta a eficácia e pode elevar o risco de efeitos colaterais. O mais importante é retomar o uso correto da cartela a partir daquele momento.

    O que fazer no caso de pílula de uso contínuo (minipílula)?

    Diferente das pílulas combinadas, a minipílula (feita apenas de progesterona) precisa de maior atenção com o horário, pois ela não interrompe a ovulação em todas as mulheres e depende muito mais da regularidade do uso:

    • Atraso de até 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue o uso normalmente, mantendo os próximos no horário habitual. Nessa situação, a proteção contraceptiva costuma ser mantida;
    • Atraso maior que 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar, continue a cartela normalmente e utilize um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 48 horas.

    Se você esqueceu de tomar a minipílula e teve relações sexuais desprotegidas nas últimas 72 horas, o risco de gravidez existe. Nesse caso, é recomendável entrar em contato com o ginecologista para avaliar a necessidade de contracepção de emergência (pílula do dia seguinte).

    Importante: vale ter atenção ao prazo de tolerância da marca da minipílula, pois o tempo de atraso permitido varia entre eles. As minipílulas tradicionais (como noretisterona), a tolerância é de apenas 3 horas. Já as minipílulas de desogestrel têm uma janela maior, de até 12 horas.

    Quando recorrer à pílula do dia seguinte?

    A contracepção de emergência, como a pílula do dia seguinte, não deve ser usada regularmente. Segundo Andreia, é um método com eficácia inferior à da pílula regular e maior incidência de efeitos colaterais, sendo mais indicado em situações de risco elevado, como relação sexual desprotegida sem uso de método contraceptivo.

    Após o uso, é necessário manter a tomada da pílula regular até o fim da cartela, mas utilizando preservativo em todas as relações até o ciclo seguinte, já que a carga hormonal da emergência pode alterar a ovulação. É normal sentir náuseas, dor de cabeça, sensibilidade nos seios e, principalmente, variações no ciclo menstrual.

    A menstruação pode atrasar alguns dias ou ocorrer um pequeno sangramento fora de hora. Se ela atrasar mais de uma semana, o ideal é fazer um teste de gravidez.

    Dicas para não esquecer de tomar o anticoncepcional

    Para evitar esquecimentos no dia a dia, algumas dicas podem ajudar:

    • Associe o uso a um hábito diário, como escovar os dentes ou fazer uma refeição;
    • Escolha um horário fixo que faça sentido na sua rotina;
    • Programe um alarme diário no celular;
    • Use aplicativos de lembrete para acompanhar a cartela;
    • Deixe a pílula em um lugar visível no dia a dia;
    • Leve um comprimido extra na bolsa para imprevistos;
    • Siga os dias indicados na cartela para não se perder na sequência.

    Se o esquecimento da pílula se tornar frequente, pode ser o momento de conversar com um ginecologista sobre a transição para métodos de longa duração, como DIU, por exemplo. Eles não dependem do uso diário, o que reduz significativamente o risco de falhas relacionadas à rotina.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. Tomei a pílula com 3 horas de atraso, corta o efeito?

    Para pílulas combinadas, não. Para minipílulas tradicionais, esse é o limite máximo de tolerância; por isso, use proteção extra por 48 horas.

    2. Vomitei logo após tomar a pílula, preciso tomar outra?

    Se o vômito ocorreu em até 4 horas após a ingestão, o corpo pode não ter absorvido o hormônio. Tome uma pílula extra de uma cartela reserva.

    3. Diarreia corta o efeito do anticoncepcional?

    A diarreia intensa (líquida e frequente) em menos de 4 horas após a tomada pode prejudicar a absorção. Se acontecer, considere como um esquecimento.

    4. Esqueci de tomar a pílula e tive um sangramento, é normal?

    Sim, a queda súbita de hormônios no organismo pode causar um “sangramento de escape”. Continue tomando a cartela normalmente.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula?

    O álcool em si não corta o efeito, mas se ele causar vômitos ou fizer você esquecer de tomar o comprimido, a proteção fica comprometida.

    6. Como saber se a pílula que eu tomo é minipílula ou combinada?

    A pílula combinada possui dois hormônios (estrogênio e progestagênio), enquanto a minipílula possui apenas um. Verifique a composição na bula.

    7. Posso engravidar mesmo tomando a pílula do dia seguinte após o esquecimento?

    Sim, pois a pílula do dia seguinte reduz as chances, mas não é 100% eficaz, especialmente se a ovulação já tiver ocorrido no momento do esquecimento.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • H. pylori: saiba mais sobre a bactéria comum que pode causar gastrite e úlceras 

    H. pylori: saiba mais sobre a bactéria comum que pode causar gastrite e úlceras 

    A infecção por Helicobacter pylori é uma das mais comuns no mundo, e, muitas vezes, passa despercebida por anos. Presente no estômago de milhões de pessoas, essa bactéria pode não causar sintomas em boa parte dos casos, mas também está associada a condições importantes, como gastrite, úlceras e até câncer gástrico.

    Nos últimos anos, o tema ganhou ainda mais relevância com mudanças importantes nas recomendações de tratamento, principalmente por causa da resistência crescente aos antibióticos. Entenda os sintomas e o que fazer para tratar essa condição.

    O que é a H. pylori

    A H. pylori (Helicobacter pylori) é uma bactéria que infecta o estômago e está associada a doenças como gastrite, úlceras e aumento do risco de câncer gástrico.

    Ela é bastante comum, e muitas pessoas convivem com a infecção sem apresentar sintomas. No entanto, quando há manifestação clínica, o tratamento é importante para evitar complicações.

    Nos últimos anos, houve mudanças importantes nas recomendações de tratamento, principalmente devido ao aumento da resistência bacteriana aos antibióticos.

    Para entender melhor, a Helicobacter pylori é uma bactéria adaptada ao ambiente ácido do estômago. Ela se instala na mucosa gástrica e provoca inflamação crônica, podendo levar a:

    • Gastrite;
    • Úlcera gástrica ou duodenal;
    • Alterações que aumentam o risco de câncer.

    Como ocorre a transmissão

    A infecção geralmente ocorre na infância e pode persistir por anos.

    As principais formas de transmissão são:

    • Contato com saliva contaminada;
    • Consumo de água ou alimentos contaminados;
    • Condições inadequadas de higiene;
    • Contato próximo entre pessoas.

    Principais sintomas

    Muitas pessoas são assintomáticas. Quando presentes, os sintomas costumam ser:

    • Dor ou queimação no estômago;
    • Sensação de estufamento;
    • Náuseas;
    • Azia;
    • Desconforto após as refeições.

    Em casos mais graves, pode haver úlcera.

    Quais problemas a H. pylori pode causar

    A infecção pode levar a:

    • Gastrite crônica;
    • Úlcera gástrica ou duodenal;
    • Maior risco de câncer de estômago;
    • Linfoma gástrico (raro).

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico pode ser feito por:

    • Teste respiratório;
    • Exame de fezes;
    • Endoscopia com biópsia.

    Após o tratamento, é importante confirmar a erradicação.

    Atualizações no tratamento da H. pylori

    O tratamento da H. pylori mudou nos últimos anos devido ao aumento da resistência aos antibióticos.

    1. Terapia quádrupla como primeira linha

    Atualmente, muitos consensos recomendam a terapia quádrupla como primeira escolha.

    Ela inclui:

    • Inibidor de bomba de prótons (para reduzir acidez);
    • Dois antibióticos;
    • Substâncias como bismuto, quando disponível.

    Essa estratégia aumenta a taxa de erradicação.

    2. Evitar esquemas com baixa eficácia

    Esquemas antigos, como a terapia tripla clássica, têm menor eficácia em regiões com alta resistência bacteriana.

    Por isso, seu uso vem sendo reduzido em muitos cenários.

    3. Importância da adesão ao tratamento

    O sucesso do tratamento depende de:

    • Uso correto dos medicamentos;
    • Cumprimento do tempo recomendado (geralmente 10 a 14 dias).

    Falhas no tratamento podem levar à persistência da infecção.

    4. Teste de cura após tratamento

    As diretrizes atuais reforçam a necessidade de confirmar a erradicação. Isso pode ser feito com:

    • Teste respiratório;
    • Exame de fezes.

    Esse passo é essencial para garantir o sucesso do tratamento.

    5. Tratamentos de resgate

    Quando o tratamento inicial falha:

    • Novos esquemas antibióticos podem ser utilizados;
    • A escolha depende de tratamentos prévios e resistência local.

    H. pylori sempre precisa de tratamento?

    Nem todos os casos precisam de tratamento imediato. A indicação depende de:

    • Presença de sintomas;
    • Úlceras;
    • Histórico familiar de câncer gástrico;
    • Achados em exames.

    Como prevenir a infecção

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Lavar bem as mãos;
    • Consumir água tratada;
    • Manter boas condições de higiene;
    • Evitar compartilhamento de utensílios em ambientes de risco.

    Confira:

    Gastrite nervosa: o que é, sintomas e como aliviar

    Perguntas frequentes sobre H. pylori

    1. H. pylori é comum?

    Sim. É uma das infecções mais comuns no mundo.

    2. Sempre causa sintomas?

    Não. Muitas pessoas não apresentam sintomas.

    3. Tem cura?

    Sim. O tratamento adequado pode eliminar a bactéria.

    4. Por que o tratamento mudou?

    Devido ao aumento da resistência aos antibióticos.

    5. Precisa repetir exames depois?

    Sim. É importante confirmar a erradicação.

    6. Pode voltar depois do tratamento?

    Sim, embora não seja comum.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver sintomas digestivos persistentes ou diagnóstico confirmado da infecção.

    Veja mais:

    9 sintomas mais comuns de gastrite (e quando procurar um médico)

  • Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio 

    Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio 

    O paracetamol é um dos medicamentos mais presentes na rotina das famílias. Ele costuma ser lembrado diante de febre, dor de cabeça, dor no corpo, sintomas de gripe e uma série de desconfortos comuns. Justamente por ser tão familiar, muita gente assume que ele não causa nenhum dano, e é aí que mora o problema.

    Quando usado na dose correta, o paracetamol tem um histórico consolidado de eficácia e segurança. Mas o uso indiscriminado, a repetição sem orientação e a soma de diferentes produtos que também contêm paracetamol podem aumentar o risco de intoxicação e lesão no fígado. Entenda mais a seguir!

    O que é o paracetamol?

    O paracetamol, também chamado de acetaminofeno em alguns países, é um medicamento analgésico e antitérmico. Isso significa que ele é usado principalmente para aliviar dor e reduzir febre. Ele não é, porém, um anti-inflamatório clássico como alguns outros remédios bastante conhecidos.

    Isso quer dizer que ele pode ajudar bastante em sintomas comuns do dia a dia, mas não resolve tudo. O papel do paracetamol é aliviar sintomas, não tratar diretamente a causa da febre ou da dor.

    Para que serve o paracetamol?

    Segundo bula aprovada pela Anvisa, ele é indicado para redução da febre e alívio temporário de dores leves a moderadas. Isso inclui situações como dor de cabeça, dor muscular, dor de dente, dor nas costas e dores associadas a gripes e resfriados.

    Em outras palavras, ele serve para ajudar a pessoa a se sentir melhor enquanto o organismo se recupera ou enquanto a causa do sintoma é investigada. Isso vale tanto para adultos quanto para crianças, desde que a dose seja apropriada para a faixa etária e o peso.

    Como o paracetamol age no corpo?

    O paracetamol atua principalmente no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da dor e ajudando a regular a temperatura corporal. Ele é muito usado justamente porque costuma ter boa tolerabilidade em doses corretas.

    Mas um ponto importante diferencia esse medicamento de outros de uso frequente: o risco de dano ao fígado em caso de excesso. Ou seja, o fato de ser comum não significa que possa ser tomado sem critério.

    Quando o paracetamol pode ser uma boa escolha?

    Ele pode ser útil em situações em que a pessoa está com febre, dor leve a moderada ou sintomas associados a infecções virais comuns. Muitas vezes, é escolhido quando se busca alívio sintomático sem recorrer a anti-inflamatórios.

    Ainda assim, funcionar para dor e febre não significa que ele seja o remédio ideal em toda situação. Em quadros persistentes, fortes ou acompanhados de sinais de alarme, é importante investigar a causa em vez de apenas repetir o medicamento.

    Quais cuidados são importantes?

    O principal cuidado é a dose. A Anvisa alerta que o uso indiscriminado pode levar a eventos adversos graves, inclusive hepatite medicamentosa e morte. A agência regulatória norte-americana, FDA, também reforça que tomar acetaminofeno em excesso pode causar overdose e lesão hepática severa.

    Isso pode acontecer de forma mais fácil do que muita gente imagina. Às vezes, a pessoa toma paracetamol puro e, sem perceber, usa também um antigripal, um remédio para resfriado ou outro produto combinado que já contém a mesma substância. A soma dessas doses aumenta o risco. O FDA destaca que existem centenas de produtos contendo acetaminofeno.

    Por que ele pode fazer mal ao fígado?

    Em dose terapêutica, o paracetamol costuma ser seguro. Em dose excessiva, porém, ele pode causar necrose hepática e, em casos graves, falência hepática. Essa toxicidade é dose-dependente e pode ser grave mesmo quando a pessoa inicialmente não sente nada muito alarmante.

    Esse é um ponto traiçoeiro: os sintomas de superdose podem não aparecer de imediato. Náusea, vômito, dor abdominal, confusão e icterícia podem surgir depois, e em alguns casos o quadro evolui ao longo de dias.

    Quem precisa de atenção especial?

    Pessoas com doença hepática, uso excessivo de álcool, idosos e quem usa múltiplos medicamentos devem ter cuidado redobrado. Crianças também exigem atenção estrita à dose correta, o que motivou alertas específicos da Anvisa sobre administração em bebês e crianças.

    Além disso, qualquer pessoa que já usa mais de um remédio para sintomas gripais ou dor precisa conferir a composição dos produtos para evitar duplicidade sem perceber.

    Quando procurar ajuda?

    Vale procurar orientação se a febre persiste, se a dor é forte, se há necessidade de tomar o medicamento repetidamente por vários dias ou se houver suspeita de dose maior do que a recomendada. Em caso de overdose, a busca por atendimento deve ser imediata, mesmo que ainda não existam sintomas importantes.

    Veja mais:

    Febre não é inimiga: saiba quando tratar e quando observar

    Perguntas frequentes sobre paracetamol

    1. Paracetamol serve para febre?

    Sim. Ele é indicado para redução da febre.

    2. Paracetamol serve para dor?

    Sim, para dores leves a moderadas.

    3. Pode tomar todo dia?

    Sem orientação, não é o ideal. Repetir uso contínuo exige avaliação.

    4. Ele faz mal ao fígado?

    Pode fazer, especialmente em doses excessivas.

    5. Posso misturar com outros antigripais?

    Só com atenção à composição, porque muitos já contêm paracetamol.

    6. Criança pode usar?

    Pode, mas com dose correta para idade e peso.

    7. O que fazer em caso de superdose?

    Procurar atendimento imediatamente.

    Confira:

    Dor de cabeça, febre e rigidez no pescoço: saiba mais sobre a meningite viral