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  • Ferritina baixa: por que ela pode causar tanto cansaço? 

    Ferritina baixa: por que ela pode causar tanto cansaço? 

    Sentir cansaço o tempo todo, falta de disposição para tarefas simples e dificuldade para manter o mesmo ritmo de antes pode ter diversas causas. Entre elas, uma das mais comuns é a deficiência de ferro, que muitas vezes começa de forma discreta e só é descoberta em exames de sangue.

    Nesses casos, um dos primeiros sinais costuma ser a redução da ferritina, proteína responsável por armazenar ferro no organismo. Mesmo antes do surgimento da anemia, a queda das reservas de ferro pode afetar a produção de energia e provocar sintomas que impactam a qualidade de vida.

    O que é a ferritina

    A ferritina funciona como um verdadeiro estoque de ferro do organismo. Ela ajuda a indicar quanto ferro o corpo ainda possui armazenado para ser utilizado quando necessário. Por isso, a ferritina é um dos exames mais importantes para identificar deficiência de ferro em estágios iniciais.

    Mesmo antes de alterações na hemoglobina ou do diagnóstico de anemia, a ferritina pode já estar reduzida.

    Por que a ferritina baixa causa cansaço

    O ferro é essencial para a produção da hemoglobina, proteína presente nas hemácias responsável pelo transporte de oxigênio para os tecidos.

    Quando há pouco ferro disponível:

    • Os tecidos recebem menos oxigênio;
    • A produção de energia fica prejudicada;
    • Os músculos cansam mais rapidamente;
    • O organismo precisa fazer mais esforço para realizar atividades simples.

    Isso explica por que a fadiga costuma ser um dos primeiros e mais frequentes sintomas da deficiência de ferro.

    Principais sintomas da ferritina baixa

    Os sintomas podem variar de acordo com o grau da deficiência.

    Os mais comuns são:

    • Cansaço intenso;
    • Fraqueza;
    • Falta de disposição;
    • Queda de cabelo;
    • Tontura;
    • Falta de ar aos esforços.

    Algumas pessoas também relatam dificuldade de concentração e sensação de esgotamento mesmo após períodos adequados de descanso.

    Ferritina baixa é igual a anemia?

    Não. Embora estejam relacionadas, ferritina baixa e anemia não são a mesma coisa.

    A ferritina costuma cair antes que a anemia apareça.

    Isso significa que uma pessoa pode:

    • Ter deficiência de ferro;
    • Apresentar sintomas;
    • Ter ferritina reduzida;
    • Manter hemoglobina dentro da normalidade.

    Por isso, é possível sentir cansaço importante mesmo sem diagnóstico de anemia.

    Principais causas de ferritina baixa

    A deficiência de ferro pode acontecer por diferentes motivos.

    1. Perda de sangue

    É uma das causas mais frequentes.

    Pode ocorrer por:

    • Menstruação intensa;
    • Sangramentos gastrointestinais;
    • Hemorroidas;
    • Úlceras;
    • Outras condições que provoquem perda crônica de sangue.

    2. Alimentação pobre em ferro

    Dietas muito restritivas ou com baixo consumo de alimentos ricos em ferro podem favorecer a deficiência ao longo do tempo.

    3. Má absorção intestinal

    Algumas doenças dificultam a absorção adequada do ferro.

    Entre elas estão:

    • Doença celíaca;
    • Gastrite atrófica;
    • Cirurgias bariátricas.

    4. Aumento da necessidade de ferro

    Algumas fases da vida exigem maior consumo desse mineral.

    Isso acontece em situações como:

    • Gravidez;
    • Crescimento acelerado na infância e adolescência;
    • Atividade física intensa.

    O que os médicos costumam investigar

    Quando a ferritina está baixa, o objetivo não é apenas repor o ferro, mas também descobrir por que a deficiência aconteceu.

    A investigação pode incluir:

    • Hemograma;
    • Ferro sérico;
    • Avaliação do ciclo menstrual;
    • Exames gastrointestinais;
    • Pesquisa de sangramentos ocultos.

    A causa identificada orienta o tratamento mais adequado.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da intensidade da deficiência e da causa do problema.

    1. Reposição de ferro

    Pode ser realizada por:

    • Ferro via oral;
    • Ferro intravenoso (venoso), em situações específicas.

    2. Ajustes na alimentação

    Alimentos ricos em ferro são:

    • Carnes vermelhas;
    • Feijão;
    • Lentilha;
    • Vegetais verde-escuros.

    A orientação nutricional pode ajudar a melhorar a ingestão do mineral.

    3. Tratamento da causa de base

    Corrigir a causa da deficiência é fundamental para evitar que a ferritina volte a cair após o tratamento.

    Quanto tempo demora para melhorar?

    A melhora dos sintomas costuma acontecer gradualmente.

    Em muitas pessoas, o cansaço começa a diminuir após algumas semanas de tratamento. No entanto, a reposição geralmente continua por mais tempo para reconstruir completamente os estoques de ferro do organismo.

    Ferritina muito baixa pode causar complicações?

    Sim. Quando a deficiência progride sem tratamento, podem ocorrer:

    • Anemia ferropriva;
    • Redução da capacidade física;
    • Queda do desempenho profissional ou escolar;
    • Piora da qualidade de vida.

    Por isso, valores muito baixos merecem investigação e acompanhamento médico.

    Quando procurar um médico

    Procure avaliação médica se houver:

    • Cansaço persistente;
    • Falta de disposição sem explicação;
    • Queda de cabelo importante;
    • Palidez;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Exames mostrando ferritina baixa.

    Quanto mais cedo a deficiência for identificada, mais simples tende a ser o tratamento.

    Confira: Anemia e doenças cardíacas: por que requer cuidado redobrado?

    Perguntas frequentes sobre ferritina baixa

    1. Ferritina baixa sempre significa anemia?

    Não. A ferritina pode estar baixa antes que a anemia se desenvolva.

    2. Ferritina baixa pode causar muito cansaço?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais comuns da deficiência de ferro.

    3. Queda de cabelo pode estar relacionada à ferritina baixa?

    Sim. A deficiência de ferro é uma das possíveis causas de queda capilar.

    4. A alimentação influencia os níveis de ferritina?

    Sim. Uma ingestão inadequada de ferro pode contribuir para a redução dos estoques do organismo.

    5. Menstruação intensa pode baixar a ferritina?

    Sim. A perda frequente de sangue é uma das principais causas de deficiência de ferro em mulheres.

    6. Quanto tempo demora para a ferritina voltar ao normal?

    Isso depende da intensidade da deficiência e da resposta ao tratamento, mas geralmente leva alguns meses.

    7. Quando a ferritina baixa precisa de investigação mais profunda?

    Quando os valores estão muito baixos, os sintomas são importantes ou não existe uma causa evidente para a deficiência.

    Leia mais: 10 sinais de anemia para você ficar atento

  • Energia para treinar: veja ideias de refeições rápidas para quem treina cedo 

    Energia para treinar: veja ideias de refeições rápidas para quem treina cedo 

    Treinar logo cedo exige energia disponível, mas muitas vezes o tempo e o apetite reduzido pela manhã dificultam a escolha da refeição adequada, então o ideal é escolher refeições rápidas. Comer algo antes da atividade física pode ajudar na performance e na recuperação, mas não é algo indispensável, já que muitos treinam em jejum.

    “Quem treina logo cedo não precisa obrigatoriamente comer antes”, enfatiza a nutricionista Serena Del Favero. Segundo ela, tudo depende do objetivo, do tipo de treino e da individualidade.

    Café da manhã pré-treino: o que priorizar?

    A especialista explica que, no café da manhã pré-treino, os carboidratos devem ser a base, já que fornecem combustível imediato (energia) para os músculos, garantindo disposição e intensidade no treino.

    Além disso, as proteínas entram como suporte para reduzir a degradação muscular e fornecer aminoácidos que serão usados no processo de recuperação e síntese proteica após o exercício.

    E as gorduras? Segundo a especialista, elas devem aparecer em pequenas quantidades. “Elas ajudam na saciedade, mas em excesso podem atrasar a digestão”.

    Exemplos de refeições rápidas para quem treina cedo

    Quando o treino acontece cedo, a praticidade é muito importante, por isso refeições rápidas são ideais. A especialista sugere opções leves e equilibradas, que fornecem carboidratos de boa qualidade e proteínas de fácil digestão:

    • Banana com aveia e mel;
    • Iogurte natural com fruta picada;
    • Pão integral com queijo branco ou ovo;
    • Vitamina de fruta com leite ou bebida vegetal;
    • Shake de whey protein com banana;
    • Tapioca recheada com ovo ou frango desfiado;
    • Iogurte com granola.

    Essas combinações ajudam a manter energia sem causar desconforto, sendo ajustáveis conforme o tempo disponível antes do treino.

    Treinar cedo em jejum ou alimentado?

    Quem treina pela manhã pode optar por treinar em jejum caso não consiga fazer uma refeição logo cedo. “A escolha entre treinar alimentado ou em jejum depende do objetivo, da intensidade do treino e da tolerância individual”, diz a nutricionista.

    Treinar em jejum pode ser viável em treinos leves a moderados ou para pessoas bem adaptadas, já que o corpo utiliza estoques de glicogênio e gordura como energia.

    “Porém, em treinos intensos de força ou sessões longas, o jejum pode comprometer a performance e aumentar a degradação muscular”.

    Pessoas que preferem treinar em jejum devem dar uma atenção maior à última refeição do dia anterior, já que esse acaba sendo o seu pré-treino. Nesses casos, é importante fazer refeições completas, com boas fontes de proteínas, carboidratos e gorduras boas.

    Pré-treinos líquidos podem ser a solução

    Se você não gosta de treinar em jejum, mas também não se sente confortável em comer algo, os pré-treinos líquidos são uma ótima alternativa, já que são de fácil digestão.

    “Smoothies, shakes proteicos com fruta ou iogurte batido são boas alternativas, garantindo energia e aminoácidos de forma prática”.

    Apenas evite nesse momento ingerir gorduras e fibras, mesmo que seja apenas uma refeição líquida. Segundo a especialista, ambos podem retardar o esvaziamento gástrico e causar desconforto durante o exercício.

    Leia também: Abdominais para perder barriga? Saiba o que realmente funciona

    Treino sem queda de energia

    Manter a energia no treino não depende apenas do tipo de alimento. Em treinos curtos, apenas a alimentação pré-treino com boas fontes de carboidratos pode ser suficiente.

    “Em sessões mais longas ou intensas, porém, pode ser necessário incluir reposição durante o exercício para garantir energia contínua e evitar queda de desempenho”, fala a especialista.

    Corredores de longas distâncias, por exemplo, costumam usar géis de carboidrato durante os treinos para manter a energia alta. Mas isso só é realmente necessário em treinos muito longos, o que não costuma ser a recomendação geral para a maioria das pessoas.

    Como resume a nutricionista, o segredo está no equilíbrio: escolher alimentos leves, ricos em carboidratos e proteínas, evitando exageros que atrapalhem a digestão. Assim, mesmo com pouco tempo pela manhã, é possível garantir energia, preservar a massa muscular e manter a qualidade do treino.

    Veja também: Treino na gravidez: por que é importante monitorar a frequência cardíaca?

    Perguntas frequentes

    1. Preciso sempre comer antes de treinar cedo?

    Não. Quem tolera bem o jejum pode treinar sem comer, especialmente em treinos leves. Mas, para treinos de força e intensidade, um pré-treino, mesmo que leve, é recomendado. Aposte nas refeições rápidas.

    2. Como equilibrar os macronutrientes no café da manhã pré-treino?

    A base deve ser carboidratos, acompanhados de proteína magra. A gordura é dispensável nesse momento.

    3. Quais refeições rápidas funcionam melhor no pré-treino?

    Banana com aveia, iogurte com fruta, pão integral com ovo ou queijo, shake de proteína, tapioca com frango ou ovo.

    4. O que fazer se não tenho apetite de manhã?

    Pré-treinos líquidos, como shakes ou smoothies, são boas opções. O jantar do dia anterior também precisa ser reforçado, principalmente para quem treina em jejum.

    5. É melhor escolher comida sólida ou líquida?

    Depende da tolerância e do tempo disponível. As sólidas saciam mais, mas demoram a digerir; líquidas são práticas e rápidas. Ambas podem cumprir o papel, desde que os macronutrientes estejam em equilíbrio.

    6. Como evitar desconfortos gastrointestinais?

    Optando por refeições leves e evitando alimentos ricos em gordura e fibras antes do treino.

    Leia também: 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta)

  • 9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    As cascas das frutas não servem apenas como uma proteção natural e, no dia a dia, você pode aproveitá-las para aumentar o consumo de nutrientes e reduzir o desperdício na cozinha. Para ter uma ideia, as cascas concentram uma quantidade significativa de fibras, vitaminas e antioxidantes essenciais para o bom funcionamento do organismo.

    Mas será que toda fruta pode ser consumida assim? Para garantir o consumo seguro, é preciso saber quais variedades são realmente recomendadas para o consumo e como higienizá-las corretamente para eliminar as impurezas superficiais. Confira!

    Por que você deveria parar de descascar as frutas comestíveis?

    As cascas das frutas possuem uma grande concentração de nutrientes importantes para o organismo. Quando você descasca frutas como a maçã, a pera e a ameixa, por exemplo, acaba perdendo parte das fibras, vitaminas e compostos bioativos que ajudam o corpo a funcionar melhor e fortalecem a imunidade.

    As fibras presentes na casca, como a pectina e a celulose, ajudam a aumentar a saciedade, controlar os níveis de açúcar no sangue e manter o intestino funcionando bem. Sem a casca, o açúcar da fruta é absorvido mais rapidamente pelo organismo, o que pode aumentar o índice glicêmico da refeição.

    A parte externa das frutas também é rica em antioxidantes, como os polifenóis, as antocianinas e vitaminas como a C e a A. Eles ajudam a proteger as células contra os danos causados pelos radicais livres, contribuindo para a prevenção do envelhecimento precoce e de doenças crônicas.

    Além dos benefícios para a saúde, aproveitar as frutas com casca também ajuda a reduzir o desperdício de alimentos e deixa a alimentação mais sustentável no dia a dia. Afinal, muita coisa que normalmente vai para o lixo ainda pode ser aproveitada de forma simples e saborosa.

    Quais frutas podem ser comidas com casca?

    1. Maracujá

    A casca do maracujá é muito rica em fibras, principalmente a pectina, um tipo de fibra que ajuda a aumentar a saciedade e contribui para o controle dos níveis de açúcar no sangue.

    Apesar da poupa ser a parte mais consumida da fruta, a casca, depois de higienizada e cozida, pode virar farinha, geleia, doce caseiro e até ingrediente para sucos e vitaminas.

    2. Melancia

    A casca da melancia contém fibras, água e compostos antioxidantes que ajudam na hidratação e no funcionamento do organismo. Ela pode ser usada em sucos, conservas, refogados e doces, ficando com uma textura parecida com a do chuchu em algumas receitas.

    Como a melancia já possui uma grande quantidade de água, aproveitar essa parte da fruta também ajuda a criar preparações leves e refrescantes.

    3. Banana

    A casca da banana é uma ótima fonte de fibras, potássio, magnésio e antioxidantes. Apesar de muita gente não ter o costume de consumir, ela pode ser usada em diversas receitas doces e salgadas. Quando cozida ou batida em preparações, a textura fica mais macia e o sabor mais suave.

    A casca funciona muito bem em bolos, panquecas, vitaminas, brigadeiros fit e até em versões de carne vegetal desfiada. Além dos nutrientes, ela ajuda a aumentar a saciedade e contribui para o bom funcionamento do intestino.

    4. Abacaxi

    A casca do abacaxi é muito aromática e concentra boas quantidades de vitamina C e compostos antioxidantes. Em vez de ser descartada, ela pode ser aproveitada para preparar chás, águas saborizadas, sucos e até fermentados naturais.

    O chá da casca do abacaxi, por exemplo, é bastante popular por ser refrescante e ter um sabor naturalmente adocicado. Para completar, o reaproveitamento da casca ajuda a extrair ainda mais sabor da fruta sem aumentar os custos da alimentação.

    5. Laranja

    Com fibras, antioxidantes e óleos essenciais naturais que dão aroma e sabor para diferentes receitas, a casca da laranja pode ser usada em raspas para bolos, caldas, doces, chás e até em preparações salgadas. A parte branca da casca, que é comum evitar por ser mais amarga, também contém compostos importantes para a saúde.

    Além de ajudar na digestão, os antioxidantes presentes na casca auxiliam na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres.

    6. Mamão

    Como o mamão já é conhecido pelo auxílio ao funcionamento intestinal, consumir a fruta de forma integral pode aumentar ainda mais a quantidade de fibras ingeridas na alimentação.

    A casca pode ser aproveitada principalmente em vitaminas e preparações batidas, já que possui uma textura macia e fácil de incorporar nas receitas. Ela costuma ficar bem suave quando combinada com outras frutas, especialmente banana e laranja.

    7. Pera

    A pera é uma fruta que praticamente já vem pronta para ser consumida com casca, porque a camada externa é fina e concentra uma boa quantidade de fibras e antioxidantes importantes para a saúde. Quando a fruta é descascada, parte dos nutrientes acaba sendo perdida, principalmente aqueles relacionados à saciedade e ao bom funcionamento intestinal.

    A casca também ajuda a diminuir a velocidade de absorção do açúcar natural da fruta, tornando a digestão mais equilibrada. Como o sabor da pera é suave, a presença da casca quase não interfere na experiência de consumo.

    8. Kiwi

    Apesar da aparência diferente e da textura mais áspera, a casca do kiwi pode ser consumida normalmente e possui uma boa concentração de fibras e vitamina C. Uma dica é esfregar a superfície da fruta antes de comer para deixar os pelos mais discretos e melhorar a textura na boca.

    Quando consumido inteiro, o kiwi oferece um aproveitamento nutricional ainda maior, principalmente para quem deseja aumentar a ingestão de fibras sem precisar recorrer a suplementos. O contraste entre a casca e a polpa deixa o sabor mais intenso e levemente ácido.

    9. Pêssego

    A casca do pêssego concentra compostos antioxidantes importantes, além de fibras que ajudam a prolongar a sensação de saciedade depois das refeições.

    Como a pele do pêssego já possui uma textura macia e fina, você pode consumir a fruta inteira naturalmente. Os pigmentos presentes na casca ajudam na proteção celular e fazem parte dos compostos responsáveis pela coloração característica da fruta.

    Como higienizar corretamente as frutas para comer com casca?

    A água corrente sozinha não consegue eliminar completamente bactérias, vírus e parasitas que podem ficar na superfície dos alimentos, então é importante fazer a sanitização com uma solução clorada adequada. Veja o passo a passo:

    • Passo 1: Lave as frutas uma por uma em água corrente para remover resíduos de terra, poeira e outras impurezas. Em frutas com casca mais resistente, como melão, laranja e abacaxi, vale usar uma escova de cerdas macias reservada apenas para a higienização dos alimentos;
    • Passo 2: Em uma bacia limpa, misture 1 colher de sopa de água sanitária para cada 1 litro de água. A água sanitária deve conter apenas hipoclorito de sódio entre 2% e 2,5% na composição, sem perfume ou outros aditivos;
    • Passo 3: Coloque as frutas na solução e deixe tudo completamente submerso por cerca de 10 a 15 minutos. O tempo é importante para que o cloro consiga agir de forma adequada contra os microrganismos presentes na superfície dos alimentos;
    • Passo 4: Depois do molho, enxágue bem as frutas em água corrente potável para remover qualquer resíduo da solução sanitizante;
    • Passo 5: Deixe as frutas secarem naturalmente ou utilize papel-toalha ou um pano limpo e seco. Guardar frutas úmidas na geladeira pode acelerar o apodrecimento e diminuir a durabilidade dos alimentos.

    Importante: o vinagre não substitui a sanitização correta e pode até ajudar a soltar sujeiras e pequenos resíduos, mas não possui ação suficiente para eliminar bactérias, vírus e parasitas de forma eficaz. Por isso, o uso da solução clorada continua sendo a forma mais segura de higienizar frutas, verduras e legumes antes do consumo.

    Leia mais: Vai começar dieta? Veja quais são as mais saudáveis

    Perguntas frequentes

    1. A casca do kiwi realmente pode ser comida? Ela tem pelos!

    Sim, é perfeitamente comestível. Os pelinhos podem causar uma textura estranha no início, mas a casca do kiwi é riquíssima em fibras e vitamina E. Se o aspecto incomodar, você pode esfregar a fruta debaixo da água com uma escovinha para remover o excesso de pelos antes de comer.

    2. Lavar a fruta remove 100% dos agrotóxicos?

    Não. A lavagem correta com água e a fricção removem parte dos resíduos que ficam na superfície (externos), mas alguns defensivos agrícolas são sistêmicos, ou seja, são absorvidos pela planta e vão para o interior da polpa.

    3. Qual é a principal vantagem das fibras da casca?

    Geladas melhoram o trânsito intestinal, aumentam a sensação de saciedade (ajudando no controle do peso) e fazem com que o açúcar da fruta (frutose) seja absorvido de forma mais lenta pelo sangue, evitando picos de insulina.

    4. Podemos comer a casca de frutas cítricas, como laranja e limão?

    Comer a casca pura é difícil pelo sabor amargo e textura dura, mas as raspas (zest) da superfície da casca do limão e da laranja são riquíssimas em óleos essenciais aromáticos e ótimas para temperar pratos, bolos e doces. Apenas evite raspar a parte branca, que é a que amarga.

    5. É verdade que a casca da manga pode ser comida?

    Sim, mas com cautela. A casca da manga é comestível e rica em antioxidantes, porém ela contém uma substância chamada urushiol, que é a mesma encontrada na hera venenosa. Em algumas pessoas mais sensíveis, mastigar a casca da manga pode causar dermatite ou pequenas reações alérgicas ao redor da boca.

    6. Crianças pequenas podem comer frutas com casca?

    A partir do momento em que a criança já mastiga bem (geralmente por volta de 1 ano ou mais, dependendo do desenvolvimento), ela pode comer. Para bebês na introdução alimentar, o ideal é oferecer sem casca ou muito bem picada/raspada para evitar o risco de engasgo, já que a casca pode grudar no céu da boca.

    7. Por que algumas pessoas sentem gases ou estufamento ao comer frutas com casca?

    Isso acontece por causa do alto teor de fibras insolúveis presentes na casca. Se o corpo não está acostumado a uma dieta rica em fibras, ou se você bebe pouca água, o sistema digestivo pode trabalhar mais devagar, gerando fermentação, gases e desconforto abdominal. O ideal é aumentar o consumo de água junto com as frutas.

    Leia mais: 9 benefícios do abacaxi para a saúde (e como incluir na rotina)

  • Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    O orforglipron é um medicamento de via oral que pertence à classe dos análogos de GLP-1 e recentemente foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.

    Ao contrário de treatments populares como o Ozempic e o Wegovy (semaglutida), que exigem aplicações de injeções subcutâneas semanais, o novo remédio é um comprimido de uso diário.

    No Brasil, o remédio ainda não foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado.

    “Apesar de se tratar de um mecanismo de ação já conhecido, ele chamou a atenção por ser mais uma opção no tratamento dessas doenças e principalmente por ser um agonista sintético não peptídico. Isso é inovador”, aponta o endocrinologista André Colapietro.

    O que é o orforglipron?

    O orforglipron, comercializado nos Estados Unidos com o nome comercial Foundayo, é um medicamento de uso oral, em formato de comprimido diário, desenvolvido para o tratamento da obesidade, do sobrepeso com comorbidades e do diabetes tipo 2. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, a mesma de compostos injetáveis como a semaglutida e a tirzepatida.

    Segundo André, um dos principais diferenciais do orforglipron é o fato de ser administrado por via oral, sem necessidade de jejum prolongado ou cuidados muito específicos com horários e alimentação. Porém, as recomendações definitivas dependem ainda da aprovação regulatória final e da bula oficial.

    “Muitas pessoas têm resistência ao uso de injeções, medo de agulhas ou dificuldade prática de armazenamento e aplicação. Um comprimido diário pode tornar o tratamento mais confortável e aceitável para parte dos pacientes”, aponta André.

    Como o orforglipron funciona no corpo?

    O medicamento atua imitando a ação do hormônio natural GLP-1, que é liberado pelo intestino após as refeições. No corpo, ele desempenha funções importantes para a perda de peso e controle glicêmico, como:

    • Sinalização de saciedade: atua nos receptores do cérebro para reduzir o apetite e aumentar a sensação de que o corpo já está alimentado;
    • Retardo no esvaziamento gástrico: faz com que a comida permaneça mais tempo no estômago, prolongando a saciedade ao longo do dia;
    • Regulação da glicose: estimula a liberação de insulina pelo pâncreas apenas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos, além de diminuir a produção de glicose pelo fígado.

    Diferente das versões injetáveis, André esclarece que o orforglipron é uma molécula não peptídica. Na prática, isso significa que ele foi estruturado quimicamente para resistir aos ácidos e enzimas do sistema digestivo, permitindo que seja totalmente absorvido pelo estômago de forma direta.

    Qual a diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1, como Ozempic?

    A principal diferença entre o orforglipron e outros análogos de GLP-1 está na estrutura química e na forma de uso.

    Enquanto a semaglutida, por exemplo, é composto por proteínas que seriam destruídas pelo estômago se fossem engolidas, precisando de uma aplicação por injeção semanal e armazenamento em geladeira, o orforglipron é uma molécula menor e mais estável, que resiste aos ácidos digestivos e pode ser consumida diariamente como um comprimido guardado em temperatura ambiente.

    O remédio também contorna as limitações da semaglutida oral já existente no mercado, pois dispensa a necessidade de jejum rígido e restrição de água, podendo ser tomado a qualquer hora do dia com ou sem alimentos.

    Por fim, estudos clínicos de fase 3, publicados no periódico The Lancet, compararam diretamente o desempenho do orforglipron com a semaglutida oral no tratamento do diabetes tipo 2 e perda de peso.

    O orforglipron, nas doses mais altas, apresentou resultados melhores, reduzindo a hemoglobina glicada (exame que reflete a média da glicose no sangue) em cerca de 1,9 a 2,2 pontos percentuais e promovendo uma perda de peso média de até 9,2% em um ano.

    Já a semaglutida oral, nas doses avaliadas no mesmo estudo, reduziu a hemoglobina glicada em cerca de 1,4 ponto percentual e o peso corporal em aproximadamente 5,3%.

    Ambos causam os mesmos efeitos gastrointestinais, mas como o orforglipron é uma molécula mais potente no estômago, a taxa de pessoas que interromperam o tratamento por efeitos colaterais foi ligeiramente maior quando comparada às que usavam semaglutida oral.

    Quanto o Orforglipron promete emagrecer?

    Os resultados dos estudos indicam que o potencial de emagrecimento do orforglipron depende da dose utilizada e do tempo de tratamento.

    Segundo um estudo publicado em 2024 na revista científica Obesity Science & Practice, o orforglipron promoveu uma perda de peso média entre 5,5% e 8,8% do peso corporal após cerca de 26 semanas de tratamento, dependendo da dose utilizada. Os melhores resultados foram observados com as doses de 24 mg e 36 mg por dia.

    Dados mais recentes de um estudo de fase 3, publicado em 2025 no The New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram resultados ainda mais expressivos. Após 72 semanas de tratamento, os participantes que utilizaram 36 mg de orforglipron perderam, em média, 11,2% do peso corporal, enquanto o grupo placebo perdeu 2,1%.

    Além disso, no grupo que recebeu a dose de 36 mg, 54,6% dos participantes perderam pelo menos 10% do peso corporal, 36% perderam ao menos 15% e 18,4% alcançaram uma redução igual ou superior a 20% do peso inicial.

    Na prática, isso significa que uma pessoa com 100 kg poderia perder, em média, cerca de 11 kg ao longo de aproximadamente um ano e meio de tratamento. Em alguns casos, a perda pode ser ainda maior, especialmente quando o medicamento é associado a mudanças na alimentação e à prática regular de atividade física.

    Quais são os efeitos colaterais do medicamento?

    Os efeitos colaterais do orforglipron são muito semelhantes aos observados em outros medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 (como o Ozempic e o Mounjaro):

    • Náuseas e enjoos;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Constipação (prisão de ventre);
    • Sensação de estufamento, gases ou cólicas leves;
    • Diminuição acentuada do apetite.

    Os sintomas costumam se manifestar com maior intensidade no início do tratamento ou logo após o aumento das doses, tendendo a diminuir ou desaparecer à medida que o corpo se adapta à medicação.

    Como acontece com qualquer medicamento dessa classe, quadros mais graves, como inflamação no pâncreas (pancreatite) ou problemas na vesícula biliar, são considerados raros, mas precisam de acompanhamento e monitoramento médico rigoroso durante o tratamento.

    “Cada organismo responde de maneira diferente, e o acompanhamento médico é importante para avaliar a tolerabilidade e segurança”, complementa André.

    Cuidados quanto ao medicamento

    Apesar dos resultados promissores, o orforglipron não funciona como uma solução isolada para a obesidade. Segundo André, ele depende de avaliação individualizada, mudanças de hábitos, acompanhamento médico e manejo de expectativas realistas.

    “Além disso, resultados divulgados em estudos costumam representar médias populacionais, acompanhamento rigoroso e progressão até a dose máxima e não garantem que todos terão a mesma resposta, pode existir variação individual nos resultados, além das outras variáveis envolvidas no processo do tratamento”, destaca o especialista.

    Também é importante considerar os possíveis efeitos colaterais, as contraindicações, os custos do tratamento e a necessidade de acompanhamento médico a longo prazo.

    Quando o Orforglipron chega ao mercado?

    No Brasil, o medicamento ainda não está disponível para compra e não tem uma data exata de lançamento definida. Para chegar às farmácias brasileiras, a farmacêutica Eli Lilly precisa submeter os dados completos de eficácia e segurança à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e obter o registro sanitário.

    Após a aprovação da Anvisa, o medicamento ainda precisará passar pela definição de preço pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), um processo que costuma levar alguns meses até que o produto chegue efetivamente às prateleiras.

    Perguntas frequentes

    1. O orforglipron já foi aprovado?

    Sim. Nos Estados Unidos, o medicamento recebeu aprovação da agência regulatória FDA (Food and Drug Administration) e foi batizado com o nome comercial Foundayo.

    2. Precisa tomar o orforglipron em jejum?

    Não. Esse é um dos seus grandes diferenciais em relação aos outros comprimidos da mesma classe. O orforglipron pode ser tomado a qualquer hora do dia, com ou sem alimentos, e com qualquer quantidade de água.

    3. O orforglipron serve para tratar diabetes?

    Sim. No tratamento do diabetes tipo 2, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma inteligente (apenas quando o açúcar no sangue está alto) e reduz a produção de glicose pelo fígado.

    4. O remédio é seguro para o estômago?

    A maioria dos efeitos colaterais é considerada de leve a moderada, mas por ser um comprimido digerido diretamente no estômago, ele causou um pouco mais de desconforto gástrico nos testes do que as versões injetáveis, levando alguns pacientes a abandonarem o tratamento.

    5. Ele causa hipoglicemia (queda drástica de açúcar no sangue)?

    O risco de hipoglicemia é muito baixo quando o orforglipron é usado sozinho, porque ele só estimula a produção de insulina se os níveis de açúcar no sangue estiverem elevados. O risco aumenta apenas se ele for combinado com remédios antigos para diabetes, como a insulina sintética.

    6. O orforglipron vai precisar de receita médica?

    Sim. Assim como todos os análogos de GLP-1, se aprovado pela Anvisa, sua venda provavelmente só será permitida mediante receita médica.

  • Aprenda a montar um prato saudável em todas as refeições

    Aprenda a montar um prato saudável em todas as refeições

    Quando o assunto é boa alimentação, é comum ter dúvidas de como montar um prato saudável. Afinal, ele precisa garantir energia, saciedade e todos os nutrientes que o corpo precisa ao longo do dia. E isso vale para todas as refeições — do café da manhã ao jantar, passando pelos lanches e até as bebidas que acompanham a comida.

    Na verdade, isso é mais simples do que parece: o segredo está em organizar bem os grupos alimentares, variar os ingredientes e dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados. Para esclarecer como aplicar isso na prática do dia a dia, conversamos com a nutróloga Flávia Pfeilsticker. Confira!

    O que significa ter um prato saudável?

    Um prato saudável e equilibrado é aquele que fornece ao corpo os nutrientes necessários na medida certa. Não existe alimento sozinho capaz de suprir tudo o que precisamos, logo, a base está na combinação.

    Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a base da alimentação deve ser formada por alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, grãos, tubérculos, ovos, carnes, peixes e leite. Os alimentos devem ser combinados de maneira que ofereçam todos os nutrientes que o corpo precisa:

    • Carboidratos complexos: arroz integral, batata, mandioca, inhame, milho, pães e massas integrais;
    • Proteínas: feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, ovos, carnes magras, frango, peixe;
    • Verduras e legumes: fonte de vitaminas, minerais e fibras;
    • Frutas: ricas em fibras, vitaminas e antioxidantes;
    • Gorduras boas: azeite de oliva, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas) e sementes (linhaça, chia, gergelim).

    “O equilíbrio vem não só da quantidade, mas também da qualidade dos alimentos escolhidos: carboidratos preferencialmente integrais, proteínas magras, gorduras boas e uma boa dose de vegetais coloridos”, complementa a nutróloga Flávia Pfeilsticker.

    É possível montar um prato saudável sem gastar muito?

    De acordo com Flávia, é totalmente possível montar um prato saudável com alimentos acessíveis e baratos. “Arroz, feijão, ovos, hortaliças da estação, frutas simples como banana e laranja, e azeite em pequenas quantidades já formam a base de uma alimentação nutritiva. A chave está em variar os alimentos ao longo da semana e evitar ultraprocessados”, explica a especialista.

    Na prática, isso significa apostar nos alimentos do dia a dia, comuns na mesa dos brasileiros, que são nutritivos e geralmente mais baratos. Comprar em feiras, sacolões e escolher produtos da safra ajuda a gastar menos e ainda garante variedade no prato.

    Confira: Qual a diferença entre nutricionista e nutrólogo?

    Como montar um prato saudável nas refeições?

    Café da manhã

    O café da manhã é considerado por muitos a refeição mais importante do dia, porque repõe a energia depois de horas de jejum. Quem costuma pular a refeição pode sentir queda de energia, dificuldade de concentração e fome exagerada ao longo do dia.

    Ele não precisa ser grande ou cheio de produtos industrializados, mas deve incluir carboidratos, proteínas e gorduras boas, presentes em alimentos como:

    • Pães integrais, aveia, tapioca, cuscuz;
    • Ovos mexidos, queijo branco, iogurte natural;
    • Banana, mamão, abacaxi, morango;
    • Castanhas, sementes ou um fio de azeite no pão.

    Almoço

    O almoço costuma ser a refeição mais completa do dia, fornece energia para a segunda metade do dia e, muitas vezes, concentra a maior variedade de alimentos. Para organizar o prato de forma prática e saudável, existe uma técnica bem simples, conhecida como “prato saudável”.

    A ideia é dividir visualmente o prato em quatro partes, garantindo equilíbrio entre nutrientes:

    • ½ do prato com vegetais: verduras e legumes crus ou cozidos, como alface, tomate, cenoura, abobrinha e brócolis;
    • ¼ do prato com proteínas: frango, peixe, carne magra, ovos ou leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico;
    • ¼ do prato com carboidratos de qualidade: arroz integral, batata, mandioca, macarrão integral, quinoa.

    De acordo com Flávia, as gorduras devem estar presentes em pequenas quantidades, mas diariamente, por meio de fontes saudáveis. A divisão é simples, mas traduz o equilíbrio entre carboidratos, proteínas e gorduras.

    Outra dica interessante é apostar em temperos naturais! “Alho, cebola, ervas frescas, cúrcuma, gengibre e especiarias não só dão sabor como também oferecem compostos antioxidantes e anti-inflamatórios, reduzindo a necessidade de excesso de sal e melhorando a qualidade da refeição”, complementa a nutróloga.

    Jantar equilibrado

    O jantar deve ser mais leve que o almoço, mas sem deixar de ser nutritivo. Ele pode seguir a mesma lógica do almoço, só que com porções menores e ingredientes mais fáceis de digerir, como:

    • Verduras e legumes: saladas variadas, sopas, refogados;
    • Carboidratos leves: arroz integral, batata-doce, inhame, cuscuz, quinoa;
    • Proteínas magras: frango desfiado, peixe, ovos, tofu.

    É importante evitar frituras, carnes gordurosas e refeições muito pesadas à noite, porque dificultam a digestão e atrapalham o sono.

    Lanches equilibrados

    Com a rotina corrida, é comum recorrer a salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes durante os lanches, mas é possível ter opções práticas e e um prato mais saudável para incluir entre as refeições, como:

    • Frutas com oleaginosas, como banana e castanhas, maçã e amendoim torrado;
    • Iogurte natural com aveia, granola ou mel;
    • Sanduíche natural: pão integral com queijo branco e tomate;
    • Pipoca caseira: feita na panela, com pouco óleo e sal.

    Uma dica é ter sempre algumas opções à mão. Carregar uma fruta ou um mix de castanhas na bolsa evita recorrer a alimentos ultraprocessados.

    Quais bebidas posso tomar durante a refeição?

    Água deve ser sempre a primeira escolha, seguida de sucos naturais sem açúcar e chás não adoçados, como camomila ou hortelã. Durante as principais refeições, o ideal é consumir pequenas quantidades de líquidos, já que o excesso pode atrapalhar a digestão e até aumentar a ingestão calórica.

    Vale também ficar atento ao que evitar: refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos industrializados e outras opções ricas em açúcar.

    Leia também: Alimentação saudável: o que é, benefícios e como ter

    Erros mais comuns ao montar um prato saudável

    Alguns deslizes no dia a dia podem comprometer a qualidade da refeição, como:

    • Exagerar em um grupo alimentar, normalmente carboidratos;
    • Deixar de lado os vegetais;
    • Usar proteínas em excesso;
    • Consumir muito pouco;
    • Uso excessivo de frituras e temperos industrializados.

    De acordo com a nutróloga Flávia Pfeilsticker, um erro frequente é acreditar que saudável é sinônimo de restrição — quando, na verdade, equilíbrio significa diversidade e moderação.

    “Manter uma alimentação equilibrada é essencial para a prevenção de doenças e para o bom funcionamento do organismo. Uma dieta adequada ajuda a controlar peso, glicemia, colesterol, pressão arterial e até processos inflamatórios. Além disso, fornece energia de forma estável ao longo do dia, melhora o sistema imunológico e reduz o risco de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares”, finaliza a especialista.

    Leia também: 10 alimentos ricos em fibras para regular o seu intestino

    Perguntas frequentes sobre prato saudável

    Preciso comer salada em todas as refeições?

    Não é obrigatório em todas, mas é altamente recomendado. Verduras e legumes fornecem fibras, vitaminas e minerais essenciais que ajudam na digestão e na prevenção de doenças. Mesmo no café da manhã e nos lanches, é possível incluir vegetais em omeletes, sucos verdes ou até sanduíches naturais.

    Qual é a importância do arroz com feijão?

    O arroz com feijão é uma das combinações mais completas da alimentação brasileira. Enquanto o arroz fornece carboidratos e alguns aminoácidos, o feijão complementa com proteínas, fibras e ferro. Juntos, formam uma refeição que sustenta, é acessível e tem alto valor nutricional, sendo reconhecida como base saudável pelo próprio Guia Alimentar para a População Brasileira.

    Preciso cortar carboidratos para ter uma alimentação saudável?

    Não. Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo e não devem ser cortados sem necessidade. O que importa é escolher versões de melhor qualidade, como arroz integral, batata-doce, mandioca ou aveia, e equilibrar a quantidade no prato. Cortar carboidratos por completo pode levar à falta de energia e até a desequilíbrios nutricionais.

    Frutas entram no prato equilibrado ou só como sobremesa?

    As frutas podem ser consumidas como parte da refeição (em saladas, acompanhando pratos salgados ou até em preparações culinárias) ou como sobremesa natural, substituindo doces industrializados.

    O importante é que elas estejam presentes diariamente, já que fornecem fibras, vitaminas e antioxidantes que ajudam a fortalecer o sistema imunológico, proteger as células contra o envelhecimento precoce e melhorar o funcionamento do intestino.

    Preciso comer sempre no mesmo horário?

    Não é obrigatório ter horários fixos para comer, mas ter regularidade ajuda o corpo a manter um ritmo saudável. Pular refeições pode levar a exageros mais tarde.

    O ideal é respeitar a fome e evitar grandes intervalos sem comer, priorizando três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e lanches leves se necessário.

    É melhor cozinhar em casa ou comprar pronto?

    Sempre que possível, cozinhar em casa é a melhor escolha. Além de mais econômico, permite controlar ingredientes e reduzir o uso de sal, açúcar, óleos e temperos industrializados. Refeições caseiras também mantêm a tradição cultural e fortalecem os laços entre a família.

    Quais temperos são mais saudáveis para usar no dia a dia?

    Prefira temperos naturais, como alho, cebola, ervas frescas (coentro, salsinha, manjericão), pimentas, açafrão e gengibre. Eles realçam o sabor e trazem benefícios à saúde. Já temperos prontos, como caldos em cubo ou molhos industrializados, são ricos em sódio e aditivos e devem ser evitados.

    Existe uma quantidade ideal de frutas por dia?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia. Isso pode ser alcançado, por exemplo, com duas a quatro porções de frutas e o restante de vegetais distribuídos ao longo das refeições.

    Isso ajuda a garantir uma boa ingestão de fibras, vitaminas e minerais essenciais, que atuam na prevenção de doenças crônicas, fortalecem a imunidade e contribuem para o bom funcionamento do intestino.

    Leia mais: 10 alimentos para aumentar a imunidade (e como incluir na dieta)

  • Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Nos últimos anos, a busca pelo parto domiciliar cresceu como uma alternativa ao ambiente hospitalar, por ser um lugar em que algumas mulheres se sentem mais confortáveis e acolhidas. Ele é feito de maneira semelhante ao parto no hospital, em que a gestante é acompanhada por uma equipe de profissionais especializados, como obstetras, enfermeiros obstetras e parteiras.

    No entanto, como o nascimento acontece fora de uma estrutura hospitalar, existem riscos que devem ser considerados e avaliados com cuidado.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a obstetrícia é uma especialidade com uma dinâmica imprevisível: um trabalho de parto pode transcorrer normalmente por horas e, em poucos minutos, se transformar em uma emergência que precisa de atendimento imediato e recursos disponíveis apenas em um hospital.

    Por isso, a decisão pelo local do nascimento precisa se basear em alguns critérios rigorosos de segurança e na compreensão real dos riscos envolvidos. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o parto domiciliar é seguro?

    O parto domiciliar planejado é considerado seguro exclusivamente para gestações de baixo risco, desde que com acompanhamento de uma equipe qualificada e um plano de transferência rápida para o hospital, caso necessário. No entanto, há divergência entre os órgãos oficiais.

    No Brasil, a prática não é recomendada pelo Ministério da Saúde, que considera o ambiente hospitalar o local mais seguro para o parto, devido à disponibilidade imediata de equipes multiprofissionais, banco de sangue, anestesia, medicamentos de uso restrito e estrutura para atender emergências maternas e neonatais.

    Através da Nota Técnica nº 2/2021, a principal preocupação em relação ao parto domiciliar é a dificuldade de acesso imediato aos recursos necessários caso ocorra uma complicação inesperada durante o trabalho de parto ou logo após o nascimento.

    Situações de emergência durante o parto domiciliar

    Segundo Andreia, uma situação que está perfeitamente bem pode se transformar em uma emergência grave em questão de minutos. Mesmo em gestações saudáveis, complicações severas podem surgir de forma súbita e sem qualquer aviso prévio durante o pré-natal, como:

    • Hemorragia pós-parto: se o útero não contrair adequadamente após a saída da placenta, a mulher pode perder grande quantidade de sangue em poucos minutos. A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morte materna no mundo;
    • Sofrimento fetal por falta de oxigênio: pode ocorrer, por exemplo, devido à compressão do cordão umbilical. Sem atendimento imediato, há risco de morte ou de sequelas neurológicas permanentes;
    • Distocia de ombro: acontece quando a cabeça do bebê nasce, mas os ombros ficam presos na pelve materna. É uma emergência que exige manobras rápidas para evitar lesões e asfixia;
    • Prolapso de cordão umbilical: ocorre quando o cordão sai antes do bebê e pode ser comprimido durante o parto, interrompendo o fornecimento de oxigênio;
    • Necessidade de reanimação neonatal: alguns recém-nascidos precisam de ajuda para iniciar a respiração após o nascimento, com suporte especializado e equipamentos adequados;
    • Parada de progressão do trabalho de parto: ocorre quando o parto deixa de evoluir normalmente, podendo haver necessidade de cesariana de urgência;
    • Aspiração de mecônio: acontece quando o bebê elimina mecônio no líquido amniótico e aspira esse material para os pulmões, o que pode causar problemas respiratórios importantes.

    Andreia complementa que, mesmo quando há um médico presente no domicílio, ele pode ficar limitado pela falta de infraestrutura.

    É possível utilizar um aparelho de cardiotocografia portátil para monitorar os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, mas a grande questão é o que fazer caso seja identificado um sofrimento fetal agudo. No ambiente doméstico, os recursos para uma intervenção imediata são limitados.

    O fator “tempo de transporte”

    Um plano de parto domiciliar precisa prever a transferência para um hospital caso alguma coisa dê errado. Na obstetrícia, o tempo é um fator decisivo: o período gasto para colocar a gestante ou o recém-nascido no carro, enfrentar o trânsito e dar entrada no pronto-socorro fazem a diferença para evitar complicações graves e garantir a segurança da mãe e do bebê.

    E quando o parto em casa é planejado?

    Para aumentar a segurança, o parto domiciliar costuma ser indicado apenas em situações muito específicas, considerando critérios como:

    • Gestação de baixo risco;
    • Com apenas um bebê, posicionado de cabeça para baixo;
    • Sem problemas de saúde maternos ou fetais;
    • Gravidez a termo, entre 37 e 42 semanas;
    • Acesso rápido a um hospital.

    De acordo com Andreia, são muitos os critérios que precisam ser atendidos, e poucas gestações se encaixam perfeitamente em todos eles. Além disso, mesmo em gestações de baixo risco, complicações podem surgir de forma repentina, sem tempo suficiente para uma transferência segura ao hospital.

    Doulas podem estar presentes no parto hospitalar?

    No Brasil, a presença da doula em hospitais públicos e privados é garantida por lei em grande parte do país. Inclusive, a Lei Federal nº 14.737/2023 assegura que toda mulher tem o direito de ser acompanhada por uma pessoa de sua livre escolha durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

    No entanto, Andreia ressalta que a doula não substitui a equipe técnica. Ela não possui formação em enfermagem obstétrica ou medicina, e sua função é oferecer apoio emocional, acolhimento e conforto à gestante durante o trabalho de parto.

    A doula pode auxiliar com técnicas de relaxamento, massagens, exercícios de respiração e medidas para aliviar o desconforto das contrações. Apesar de importante para a experiência da mulher, ela não realiza procedimentos médicos, não monitora a saúde da mãe e do bebê e não está habilitada a identificar ou tratar complicações obstétricas

    Associação Brasileira de Enfermeiras Obstetras defende o parto domiciliar

    Em contrapartida ao Ministério da Saúde, a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) defende que o parto domiciliar planejado pode ser uma opção segura para algumas gestantes.

    Segundo um boletim científico divulgado pela entidade em 2023, existem estudos que apontam o parto em casa como uma alternativa possível para mulheres com gestações de baixo risco.

    De acordo com a associação, quando o parto é cuidadosamente planejado e acompanhado por profissionais capacitados, ele pode estar associado a uma menor realização de intervenções médicas e apresentar resultados maternos e neonatais semelhantes aos observados em alguns serviços hospitalares.

    Porém, a avaliação deve ser feita caso a caso, levando em consideração as características de cada gestação e a disponibilidade de uma rede de apoio e atendimento de emergência.

    Quem NÃO deve fazer o parto domiciliar em hipótese alguma?

    O parto domiciliar é absolutamente contraindicado para gestantes de alto risco ou que apresentem qualquer complicação que possa exigir intervenção médica imediata, como:

    • Pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional;
    • Diabetes gestacional ou diabetes pré-existente;
    • Doenças crônicas maternas, como problemas cardíacos, renais, neurológicos ou distúrbios de coagulação;
    • Bebê prematuro (antes de 37 semanas);
    • Bebê em posição pélvica (sentado) ou transversa;
    • Gestação múltipla (gêmeos ou mais);
    • Restrição de crescimento fetal;
    • Placenta prévia;
    • Alterações no líquido amniótico, como oligoidrâmnio ou polidrâmnio;
    • Residência distante de um hospital com centro cirúrgico e UTI neonatal;
    • Ausência de uma equipe técnica qualificada para acompanhar o parto e reconhecer emergências rapidamente.

    Andreia ainda complementa que mulheres com cesárea anterior que desejam tentar um parto vaginal jamais deveriam considerar o parto domiciliar, devido ao risco de ruptura uterina.

    O que é necessário para um parto em casa planejado?

    Para realizar um parto domiciliar, é necessário que haja uma equipe capacitada em parto domiciliar, com treinamento específico para monitoramento de sinais de complicações. A equipe precisa levar equipamentos portáteis, como um cardiotocógrafo, além de materiais para sutura, soros, acessos venosos e medicamentos de emergência.

    Por fim, é fundamental que exista um plano para uma possível transferência ao hospital, com a maternidade de referência já definida e o trajeto previamente planejado.

    Como algumas emergências obstétricas podem evoluir em poucos minutos, chegar ao hospital o mais rápido possível pode fazer toda a diferença para a segurança da mãe e do bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como o nervosismo pode afetar o parto em casa?

    O medo, a ansiedade e o estresse podem aumentar a liberação de adrenalina no organismo, o que pode deixar as contrações mais intensas e frequentes, reduzindo a oxigenação do bebê e aumentando o risco de sofrimento fetal.

    2. Qual é a distância ideal até um hospital?

    O ideal é que a casa fique a, no máximo, 15 a 20 minutos de uma maternidade de referência.

    3. Médicos podem fazer partos em casa?

    Sim, não existe proibição para que médicos acompanhem partos domiciliares. Porém, mesmo com uma equipe experiente, o ambiente doméstico não conta com recursos como centro cirúrgico, banco de sangue e UTI.

    4. Qual é a diferença entre doula e enfermeira obstétrica?

    A doula oferece apoio físico e emocional, com massagens, técnicas de respiração e acolhimento. Já a enfermeira obstétrica é uma profissional de saúde habilitada para acompanhar o trabalho de parto, monitorar mãe e bebê e realizar partos de baixo risco.

    5. É possível ter um parto humanizado no hospital?

    Sim, o parto humanizado não depende do local, mas do respeito às escolhas da mulher, da liberdade de movimento e do uso apenas das intervenções realmente necessárias.

    6. Como o bebê é monitorado durante o parto em casa?

    A equipe acompanha os batimentos cardíacos do bebê com aparelhos portáteis, como o sonar Doppler ou o cardiotocógrafo, realizando avaliações periódicas durante o trabalho de parto.

    7. Como é feito o alívio da dor no parto domiciliar?

    No parto em casa não é possível utilizar anestesia peridural. Por isso, o alívio da dor é feito com medidas como banho morno, massagens, exercícios com bola de pilates, técnicas de respiração e compressas quentes.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?

  • O que acontece na orelha quando você usa cotonete? Saiba como o hábito pode ser prejudicial

    O que acontece na orelha quando você usa cotonete? Saiba como o hábito pode ser prejudicial

    Seja no ritual pós-banho ou para aliviar aquela coceira incômoda, o uso das hastes flexíveis de algodão, conhecido como cotonete, ainda faz parte da rotina de muitos brasileiros. Só que, ao contrário do que parece, ele não limpa de verdade o canal auditivo e ainda pode te causar uma série de problemas.

    O ouvido já possui um sistema natural de proteção e autolimpeza que funciona sem a necessidade de objetos introduzidos no canal auditivo. Inclusive, a cera produzida pela região, chamada cerúmen, funciona como uma barreira natural de proteção, ajudando a impedir a entrada de poeira, microrganismos e outras impurezas.

    Quando o cotonete é introduzido no canal auditivo, parte da cera pode ser empurrada para regiões mais profundas, favorecendo obstruções, irritações e até mesmo lesões. Vamos entender mais, a seguir.

    Por que nós produzimos cera de ouvido? (ela não é sujeira!)

    O cerume, ou cera de ouvido, é uma secreção natural produzida pelo próprio corpo, formada pela mistura de secreções das glândulas sebáceas, queratina e células descamadas da pele. Ela funciona como uma espécie de mecanismo de defesa do organismo, atuando a partir de três ações:

    • Barreira protetora: devido à sua textura pegajosa, ela atua como uma fita adesiva natural, retendo poeira, sujeira, pelos e pequenas partículas que poderiam chegar até o tímpano;
    • Ação bactericida e antifúngica: a cera possui propriedades químicas e um pH levemente ácido que ajudam a combater a proliferação de microrganismos. Sem ele, o ouvido fica mais exposto a infecções causadas por fungos e bactérias;
    • Lubrificação: a cera evita que a pele sensível do canal auditivo fique ressecada, descame ou apresente fissuras, ajudando a prevenir a coceira persistente na região.

    Portanto, ao tentar remover toda a cera do ouvido, você deixa a região mais desprotegida e exposta a riscos desnecessários.

    O mecanismo de autolimpeza do corpo

    O ouvido já possui um sistema natural de autolimpeza que funciona de forma contínua, sem necessidade de cotonetes ou de qualquer outro objeto introduzido no canal auditivo.

    A pele que reveste a parte interna do ouvido cresce lentamente em direção à saída da orelha, promovendo um movimento natural que empurra gradualmente o excesso de cerume para a região externa. O processo ainda é impulsionado pelos movimentos naturais da mandíbula, como ao falar, mastigar ou bocejar.

    Durante o percurso, o cerume atua como uma espécie de barreira de proteção, carregando junto poeira, células mortas, microrganismos e pequenas partículas que ficam acumuladas na região, permitindo que tudo seja eliminado naturalmente pelo próprio organismo.

    Basicamente, isso significa que, na maior parte das vezes, o ouvido consegue manter sozinho o equilíbrio entre a produção e a eliminação da cera, sem precisar de limpezas internas frequentes.

    Qual o perigo de usar cotonete para limpar o ouvido?

    Em vez de limpar o excesso de cerume no ouvido, o cotonete empurra a cera para o fundo do canal auditivo, interrompendo o processo natural de limpeza do corpo. Como a haste é mais larga do que o espaço disponível, ela funciona compactuando a cera contra o tímpano, podendo causar:

    • Formação de tampão de cera: ao compactar a substância no fundo do ouvido, ela acumula e endurece. Isso bloqueia a passagem do som, causando perda temporária de audição, sensação de ouvido abafado, zumbido e tontura;
    • Infecções (otites): o uso do cotonete remove a camada de cera protetora e pode causar microfissuras na pele sensível do canal auditivo. Sem proteção e com pequenas feridas, o ouvido fica exposto à entrada de água, bactérias e fungos, causando otites dolorosas;
    • Perfuração do tímpano: a membrana do tímpano é extremamente fina e delicada, de modo que um movimento brusco, um esbarrão ou uma introdução mais profunda da haste pode rasgar a membrana, causando dor intensa, sangramento e a necessidade de tratamento médico ou cirúrgico para corrigir a lesão.

    Afinal, como limpar os ouvidos do jeito certo?

    Para limpar os ouvidos do jeito certo, a recomendação é simples: limpe apenas até onde o seu dedo indicador alcança, e o canal interno não deve ser mexido.

    Com o ouvido úmido após o banho, envolva a ponta do dedo indicador em uma toalha macia (ou gaze) e limpe apenas o pavilhão auricular (a parte externa da orelha) e a entrada do canal auditivo. Isso é o suficiente para remover a cera que o próprio corpo já expeliu.

    Durante o banho, a água morna do chuveiro que entra naturalmente na orelha ajuda a amolecer o excesso de cera na borda externa, facilitando a remoção com a toalha depois. Não use jatos de água forte direcionados para dentro do ouvido.

    Além do cotonete, nunca use grampos, tampas de caneta, chaves ou as unhas para coçar ou limpar o ouvido, pois o risco de ferimento e infecção é muito alto.

    Quando é hora de procurar um médico?

    É importante procurar avaliação médica, especialmente com um otorrinolaringologista, quando surgirem sintomas como:

    • Sensação persistente de ouvido entupido;
    • Diminuição da audição;
    • Dor ou desconforto no ouvido;
    • Zumbidos;
    • Coceira intensa e frequente;
    • Tontura;
    • Saída de secreção, pus ou sangue;
    • Sensação de pressão dentro do ouvido.

    Ah, e se você sentir que seu ouvido está entupido, com o som abafado ou com acúmulo excessivo de cera, não tente resolver em casa. Nesses casos, o correto é procurar um médico para avaliar a causa do problema e realizar a limpeza de forma segura, quando necessário.

    Leia mais: Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

    Perguntas frequentes

    1. Posso usar cotonete se for só na bordinha do ouvido?

    Sim, o uso na parte externa (pavilhão auricular) é seguro. O erro está em introduzir a haste no canal auditivo. No entanto, uma toalha macia após o banho faz esse mesmo papel de forma mais segura.

    2. O que acontece se eu perfurar o tímpano com o cotonete?

    Você sentirá uma dor aguda imediata, seguida de sangramento ou saída de secreção e diminuição da audição. Na maioria dos casos, o tímpano se regenera sozinho em algumas semanas, mas é obrigatório passar por avaliação médica para evitar infecções crônicas.

    3. Sinto muita coceira no ouvido. Se não posso usar cotonete, faço o quê?

    A coceira normalmente é sinal de ressecamento (muitas vezes causado pelo próprio uso do cotonete que tirou a proteção) ou de fungos. Para aliviar, você pode usar uma compressa morna pelo lado de fora. Se persistir, consulte um médico, ele pode receitar gotas específicas.

    4. Água oxigenada ajuda a derreter a cera em casa?

    Não use por conta própria. A água oxigenada pode borbulhar e expandir a cera, piorando o entupimento, além de correr o risco de irritar a pele sensível do canal auditivo ou causar dor si houver alguma lesão oculta.

    5. Cotonetes ecológicos (de papel ou bambu) são mais seguros?

    Eles são melhores para o meio ambiente, mas o risco para a sua saúde auditiva é exatamente o mesmo. O problema não é o material da haste, mas sim o ato mecânico de empurrar a cera e o risco de ferir o canal.

    6. O que é a lavagem de ouvido feita pelo médico?

    É um procedimento simples onde o profissional injeta água morna ou soro fisiológico com uma seringa apropriada no canal auditivo para remover o excesso de cera compactada. Também pode ser feita a remoção por aspiração ou com pinças especiais.

    7. Afinal, para que serve o cotonete se não posso usar no ouvido?

    As hastes flexíveis foram criadas para funções de precisão: corrigir ou remover maquiagem, aplicar medicamentos em feridas pequenas na pele, limpar dobrinhas de bebês (como o umbigo), higienizar eletrônicos e fazer artesanato.

    Confira: Otite externa: como identificar e aliviar a dor no ouvido

  • Criança não consegue segurar o xixi: quando é um problema?

    Criança não consegue segurar o xixi: quando é um problema?

    Um dos maiores marcos da infância é o desfralde, mas também é uma fase repleta de dúvidas para mães, pais e cuidadores. Afinal, até que idade é normal uma criança que não consegue segurar o xixi e em que momento isso passa a indicar um problema de saúde?

    Segundo a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, é preciso diferenciar o que faz parte do amadurecimento natural da criança e o que pode exigir uma investigação médica. A seguir, explicamos como funciona esse processo, quais sinais indicam que tudo está dentro do esperado e em quais casos procurar um especialista.

    O desfralde como processo de desenvolvimento

    O controle do xixi não acontece de um dia para o outro. Assim como andar, que começa com apoio até chegar à corrida livre, o desfralde diurno é um processo gradual. “A criança precisa passar por alguns momentos de percepção como: ‘fiz xixi’, ‘estou fazendo xixi’ até chegar ao ‘quero fazer xixi’… e isso não acontece de uma só vez”, destaca Veridiana.

    Ela explica que cerca de 80% a 85% das crianças sem alterações neurológicas atingem o desfralde de forma espontânea e natural (durante o dia) até os 4 anos de idade. Isso significa que o não controle pleno do xixi diurno é normal até essa idade: a criança pode não conseguir controlar todas as vezes e ainda assim estar no caminho certo.

    O importante é observar se há progresso. “A criança pode ter perdas, não conseguir controlar o xixi todas as vezes, e está tudo bem!”.

    Sinais de que está tudo bem

    • Intervalos cada vez maiores em que a fralda permanece seca;
    • A criança avisa quando fez xixi;
    • Avisa quando precisa ir ao banheiro;
    • Demonstra interesse em usar o vaso ou penico.

    Esses sinais mostram que o amadurecimento neurológico e comportamental está em curso e que o processo de continência e controle diurno está caminhando bem.

    Criança que não consegue segurar o xixi: quando passa a ser problema?

    Segundo a especialista, há um marco importante quando o assunto é uma criança que não consegue segurar o xixi: “Se a partir do 4º ano completo ainda não existir continência (capacidade de segurar a urina), com certeza precisamos investigar”, enfatiza.

    Ela explica que é comum as crianças postergarem a ida ao banheiro por não quererem interromper a brincadeira, usando estratégias como cruzar as pernas ou segurar o genitor para o controle do xixi. Esses hábitos são ruins e podem piorar com o tempo, então são sinais de alerta.

    Sinais de alerta

    • Criança com mais de 5 anos que ainda não controla o xixi durante o dia;
    • Perdas frequentes de urina mesmo em momentos de calma;
    • Evitar beber líquidos para não precisar ir ao banheiro;
    • Acidentes noturnos persistentes após a idade em que já seria esperado o controle.

    A recomendação é clara: se os pais perceberem que algo não está indo bem e que a criança não está tendo evolução para segurar o xixi, o ideal é procurar um especialista antes que ocorram complicações.

    Possíveis causas urológicas e neurológicas

    Nem sempre a dificuldade de segurar o xixi está ligada apenas a fatores comportamentais. Em muitos casos, há causas médicas envolvidas que precisam ser investigadas com atenção.

    As chamadas disfunções de eliminação, conhecidas pela sigla BBD (bowel and bladder dysfunction — “disfunções de eliminação intestinal e vesical”), englobam situações como intestino preso, retenção voluntária da urina, perdas durante episódios de riso e até alterações no relaxamento do assoalho pélvico, que comprometem o esvaziamento adequado da bexiga.

    Outro fator são as malformações do trato urinário ou neurológico. Essas alterações podem dificultar que a criança perceba a bexiga cheia, atrapalhar o esvaziamento completo ou até desviar o caminho de drenagem da urina, como ocorre em algumas meninas que apresentam drenagem do ureter para fora da bexiga.

    Muitas vezes há alterações detectadas na gestação ou logo após o nascimento. Nesses casos, a avaliação especializada é obrigatória, especialmente se já houve infecção urinária. “Toda criança que teve alterações dos órgãos suspeitadas durante a gravidez ou se já tiveram uma infecção urinária, não importa se menino ou menina, deve ser avaliada por especialistas”, alerta Veridiana.

    O que os pais devem observar

    • Criança que segura o xixi até o limite, cruzando as pernas ou fazendo força para evitar a ida ao banheiro;
    • Alterações na rotina intestinal (constipação ou cocô ressecado);
    • Mudança de comportamento repentina em casa ou na escola.

    É importante também conversar com a escola: a criança tem liberdade de ir ao banheiro? Consegue tirar a própria roupa? Esses fatores interferem diretamente no controle urinário.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Como é a avaliação médica

    Ao contrário do que muitos imaginam, o primeiro passo não é pedir exames. “Começamos sempre com uma consulta adequada e exame físico, revendo todos os aspectos do comportamento, explicando a forma correta de sentar para fazer xixi e cocô, adequando o espaço e o acesso da criança à privada e observando os hábitos de xixi, cocô e ingesta de líquidos por meio de diários miccionais”, explica a urologista.

    Ela enfatiza que, somente quando não há sucesso nessas medidas iniciais, é que se parte para a investigação de causas anatômicas com exames complementares.

    Existe tratamento para incontinência urinária infantil?

    Sim, o tratamento da incontinência urinária infantil envolve uma combinação de estratégias. A primeira delas é chamada uroterapia, que inclui orientações para hábitos corretos relacionados a xixi, cocô, ingestão de água, intervalos adequados para urinar e postura de relaxamento ao usar o vaso.

    Além disso, podem ser recomendadas fisioterapias direcionadas para a reeducação do assoalho pélvico. Em alguns casos, medicamentos também entram no protocolo. “Sempre lembrando que há a necessidade de avaliação de profissional especializado antes da introdução de medicamentos”, ressalta Veridiana.

    Por fim, é bom lembrar que nenhum tratamento terá sucesso sem o apoio dos pais ou cuidadores. Criar uma rotina de idas ao banheiro, garantir acesso fácil à privada ou penico, oferecer água regularmente e observar sinais do corpo são atitudes simples que fazem diferença.

    O incentivo positivo também é essencial para uma criança que não consegue segurar o xixi: comemorar os avanços, evitar broncas em caso de escapes e transformar o processo em uma experiência de aprendizado e confiança para a criança.

    Confira: Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica

    Perguntas e respostas

    1. Até que idade é normal a criança não conseguir segurar o xixi?

    Até os 4 anos, a maioria das crianças atinge o desfralde diurno de forma espontânea. Escapes ocasionais fazem parte do processo de amadurecimento.

    2. Quando a perda de xixi passa a ser considerada problema?

    Se a criança chega aos 5 anos sem controle urinário durante o dia ou apresenta perdas frequentes mesmo em situações de calma, é hora de procurar avaliação médica.

    3. Quais sinais indicam que pode haver algo errado?

    Evitar beber líquidos para não ir ao banheiro, acidentes noturnos persistentes após a idade esperada, prender o xixi até o limite ou mudanças bruscas de comportamento em casa ou na escola. Infecções urinárias, calcinha ou cueca sempre molhadas, ter que sair correndo para fazer xixi, dizer que não percebe que perdeu xixi.

    4. Quais causas médicas podem estar por trás da dificuldade de segurar o xixi?

    Podem estar envolvidas disfunções de eliminação (como intestino preso e alterações do assoalho pélvico), malformações do trato urinário ou neurológico, além de problemas já detectados na gestação ou após o nascimento.

    5. Como é feita a avaliação médica?

    O médico observa os hábitos miccionais, intestinais e de ingestão de líquidos, orienta sobre a postura correta ao usar o vaso e registra os padrões em diários miccionais.

    6. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento geralmente começa com a uroterapia, que ajusta hábitos de xixi, cocô, hidratação e postura. Pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico e, em alguns casos, medicamentos – sempre com orientação especializada.

    7. O que os pais podem fazer para ajudar?

    Criar uma rotina de idas ao banheiro, facilitar o acesso da criança ao vaso ou penico, oferecer água regularmente e comemorar os avanços. O apoio da família é essencial para o sucesso do tratamento.

    Leia também: Descubra como deve ser feita a higiene íntima dos meninos

  • Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Fezes escuras ou pretas podem indicar algo grave? Veja as principais causas e o que fazer

    Já olhou para o vaso sanitário e tomou um susto ao notar as fezes muito escuras ou completamente pretas? Na maioria das vezes, a alteração na cor do cocô está apenas relacionada a algo que você comeu recentemente ou ao uso de certos medicamentos e suplementos, como o ferro.

    Mas, se ela surgir de forma persistente, vier acompanhada de dor abdominal, tontura, fraqueza ou apresentar um aspecto brilhante e pegajoso, pode indicar um sangramento no sistema digestivo, principalmente no estômago ou no intestino.

    A seguir, vamos esclarecer quais são as principais causas da mudança de cor, quando ela pode ser sinal de algo mais grave e o que você deve fazer para investigar e resolver o problema.

    O que podem significar as fezes escuras ou pretas?

    As fezes escuras ou pretas podem indicar desde uma simples reação do organismo a determinados alimentos até sinais de alerta para condições médicas que precisam de tratamento. Veja as causas mais comuns:

    1. Consumo de alimentos escuros

    Os alimentos com pigmentação intensa ou corantes escuros não são totalmente absorvidos pelo intestino e acabam alterando a cor das fezes, sendo os principais:

    • Mirtilo (blueberry);
    • Beterraba;
    • Açaí;
    • Alcaçuz preto;
    • Feijão preto;
    • Biscoitos de chocolate muito escuros.

    Se você consumiu algum deles nas últimas 24 a 48 horas, é a causa mais provável das fezes escuras.

    2. Uso de suplementos de ferro

    O uso de suplementos de sulfato ferroso, muito comuns no tratamento da anemia e durante a gravidez, pode deixar as fezes pretas e com consistência ligeiramente mais endurecida. Isso acontece porque o organismo não absorve todo o ferro ingerido, e a parcela que sobra é eliminada e oxidada no intestino, escurecendo as fezes.

    3. Uso de certos medicamentos

    Além do ferro, alguns medicamentos de venda livre ou prescritos podem alterar a cor do cocô, como aqueles que contêm subsalicilato de bismuto, usados para azia e má digestão. Eles reagem com o enxofre presente no trato digestivo, formando uma substância preta.

    O uso frequente de anti-inflamatórios também precisa de atenção, porque eles podem irritar a parede do estômago e causar pequenos sangramentos.

    4. Sangramento no trato gastrointestinal superior

    Quando acontece um sangramento em partes mais altas do sistema digestivo, como o esôfago, o estômago ou o duodeno (a primeira parte do intestino delgado), o sangue passa pelo processo de digestão antes de ser eliminado nas fezes.

    Ao longo do caminho, ele sofre alterações por causa do ácido do estômago e da ação das bactérias intestinais, ficando mais escuro.

    Por isso, as fezes podem ganhar um aspecto preto, brilhante, mais pastoso e com um cheiro muito forte e desagradável. A condição é chamada de melena e costuma ser um sinal de alerta para sangramentos digestivos que precisam de avaliação médica.

    5. Úlcera gástrica ou gastrite severa

    A presença de feridas na parede do estômago ou uma inflamação muito grave, como gastrite, pode corroer pequenos vasos sanguíneos. O sangue liberado pelas feridas segue o fluxo da digestão e resulta em fezes escuras. É uma das principais origens da melena e precisa de avaliação médica para evitar complicações.

    6. Varizes esofágicas ou lesões no esôfago

    Pessoas com problemas crônicos no fígado, como cirrose, podem desenvolver veias dilatadas no esôfago, conhecidas como varizes esofágicas. Se as veias se rompem, causam um sangramento que pode ser volumoso.

    Outra causa na região é a Síndrome de Mallory-Weiss, que são pequenos cortes no esôfago causados por esforços intensos de vômito ou tosse prolongada. Em ambos os casos, o sangue desce para o estômago e sai nas fezes em tons escuros.

    Quando as fezes pretas podem indicar algo grave?

    Para diferenciar uma alteração simples de algo mais sério, você deve prestar atenção à textura, ao cheiro e, principalmente, à presença de outros sintomas pelo corpo, como:

    • Odor extremamente forte e desagradável;
    • Cólicas fortes, sensação de queimação no estômago ou dor que piora após comer;
    • Fezes pretas, moles, brilhantes e com aspecto parecido com borra de café;
    • Vômitos escuros ou com presença de sangue vivo;
    • Sinais de perda de sangue, como tontura, fraqueza intensa, palidez, cansaço excessivo e batimentos acelerados;
    • Perda de peso sem explicação aparente.

    Se notar qualquer um dos sintomas, procure o pronto-socorro imediatamente. O sangramento digestivo pode evoluir rapidamente e causar complicações sérias se não for tratado a tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico das fezes escuras começa com a avaliação clínica, já que nem toda alteração na cor das fezes indica sangramento. O médico analisa o histórico do paciente, a aparência das fezes, os sintomas associados, além do uso de medicamentos, suplementos de ferro e a presença de doenças digestivas.

    Se houver suspeita de que a cor escura é provocada por sangue, o diagnóstico precisará ser confirmado por meio de exames laboratoriais e de imagem, como:

    • Exame de sangue oculto nas fezes: utiliza reagentes químicos para detectar a presença de partículas mínimas de sangue que não são visíveis a olho nu;
    • Endoscopia digestiva alta (EDA): um tubo fino e flexível com uma câmera na ponta é introduzido pela boca para avaliar detalhadamente o esôfago, o estômago e o início do intestino delgado. É o exame principal e mais importante quando há forte suspeita de sangramento digestivo superior;
    • Colonoscopia: se a endoscopia alta não mostrar nenhuma alteração, o médico pode solicitar a colonoscopia para examinar o intestino grosso e a parte final do intestino delgado;
    • Hemograma: é solicitado para avaliar se a perda de sangue causou anemia. Níveis baixos de hemoglobina e hemácias (glóbulos vermelhos) ajudam o médico a entender a gravidade e a velocidade do sangramento no corpo.

    Em alguns casos específicos, como na suspeita de uma tomografia do abdômen ou uma cintilografia, que ajudam a mapear o fluxo sanguíneo na região digestiva e identificar vazamentos ou malformações nos vasos.

    O que fazer e como tratar as fezes escuras?

    O tratamento das fezes escuras depende do que está causando a alteração. Se você percebeu que as fezes ficaram escuras após consumir alimentos como açaí, beterraba ou mirtilo, a recomendação é suspender os alimentos por alguns dias e observar se a cor volta ao normal.

    Quando a alteração acontece por causa de suplementos de ferro ou medicamentos com bismuto, o ideal é conversar com o médico para avaliar se existe necessidade de ajustar a dose ou trocar o remédio, mas nunca interrompa o tratamento por conta própria.

    Por outro lado, se as fezes pretas forem causadas por um sangramento no estômago ou no intestino, o tratamento deve ser feito por um médico com urgência. No hospital, podem ser prescritos remédios para diminuir a acidez do estômago e cicatrizar feridas, como úlceras e gastrites.

    Em casos de sangramento ativo, o médico pode fazer uma endoscopia para fechar o vaso sanguíneo que está vazando e, se a perda de sangue tiver sido grande, o paciente pode precisar receber soro ou transfusão de sangue para se recuperar.

    Quando ir ao médico?

    Você deve procurar atendimento médico imediatamente se notar as fezes pretas e elas vierem acompanhadas de qualquer um dos seguintes sintomas:

    • Dor forte na barriga ou no estômago;
    • Fezes pastosas;
    • Cheiro muito forte, azedo e muito pior do que o normal;
    • Tontura, fraqueza extrema ou sensação de desmaio;
    • Vômito com sangue ou com pedaços escuros;
    • Palidez excessiva na pele e nos olhos;
    • Perda de peso sem motivo aparente.

    Mesmo que você não tenha os sintomas mais graves, se as fezes continuarem escuras por mais de 3 ou 4 dias e você não tiver comido alimentos escuros ou tomado ferro, o ideal é agendar uma consulta com um especialista para investigar a causa.

    Confira: Hemorragia digestiva baixa: sangue nas fezes nunca deve ser ignorado

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter fezes pretas na gravidez?

    Sim, na maioria das vezes é normal porque muitas gestantes precisam tomar suplementação de ferro para prevenir a anemia. O ferro não absorvido pelo corpo escurece as fezes. No entanto, se houver dor forte ou tontura, o obstetra deve ser consultado.

    2. O açaí deixa as fezes escuras?

    Sim, o açaí tem uma pigmentação roxa muito intensa. Quando consumido em moderada ou grande quantidade, o corpo não absorve todo esse pigmento, o que pode deixar as fezes escuras ou arroxeadas no dia seguinte.

    3. Quanto tempo o ferro deixa as fezes pretas?

    As fezes costumam continuar escuras durante todo o período em que você estiver tomando o suplemento de ferro. A cor deve voltar ao normal entre 2 a 5 dias após a interrupção do uso do medicamento.

    4. Tomar vinho ou cerveja preta escurece as fezes?

    Sim, o consumo excessivo de vinho tinto ou de cervejas muito escuras (como a Malzbier ou Stout) pode alterar temporariamente a cor das fezes devido aos corantes naturais e à quantidade de polifenóis presentes nas bebidas.

    5. O que significa fezes pretas e diarreia ao mesmo tempo?

    Pode indicar uma infecção intestinal grave ou que um sangramento no estômago acelerou o funcionamento do intestino. Se a diarreia preta persistir ou vier acompanhada de febre e cólicas fortes, procure um médico.

    6. Hemorroidas podem causar fezes pretas?

    Não. As hemorroidas ficam localizadas no final do intestino, na região do ânus. Como o sangue liberado por elas não passa pelo processo de digestão, ele sai vivo, com uma cor vermelha bem viva e brilhante (normalmente no papel higiênico ou gotejando no vaso), e não misturado e escurecido nas fezes.

    7. Fezes escuras podem ser sinal de câncer?

    Em casos raros e quando o sintoma persiste, sim. Tumores no estômago ou no início do intestino podem causar pequenos sangramentos contínuos. A grande diferença é que, nesses casos, as fezes escuras costumam vir acompanhadas de perda de peso rápida sem motivo, fraqueza constante (anemia) e falta de apetite.

    Leia mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição 

    Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição 

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a alergia a medicamentos afeta cerca de 10% da população mundial. No Brasil, os dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que entre 14 e 16 milhões de brasileiros convivem com a condição.

    Apesar de não ser menos frequente do que as alergias alimentares ou respiratórias, ela pode surgir de forma inesperada e, em alguns casos, evoluir para quadros graves. Qualquer medicamento, seja um simples paracetamol, um antibiótico ou um remédio natural, pode desencadear uma reação alérgica em pessoas sensíveis.

    O que é a alergia a medicamentos?

    A alergia a medicamentos, também conhecida como hipersensibilidade medicamentosa, é uma reação do sistema imunológico a determinadas substâncias presentes em remédios. O organismo identifica o medicamento como uma ameaça e reage de forma exagerada, desencadeando sintomas que podem variar de leves a graves.

    Diferente dos efeitos colaterais, que são reações previsíveis descritas na bula, a alergia medicamentosa envolve uma resposta imunológica e nem sempre acontece na primeira vez em que a pessoa usa o remédio.

    Na verdade, em muitos casos, a reação pode acontecer mesmo após o uso da medicação por um longo período, sem que a pessoa tenha apresentado sintomas anteriormente. Por isso, qualquer medicamento deve ser usado apenas com orientação médica.

    Principais sintomas de alergia a medicamentos

    Os sintomas de alergia a um remédio costumam surgir de duas formas: imediatas, que surgem poucos minutos ou até duas horas após tomar o medicamento, ou tardias, que aparecem dias ou semanas depois do início do tratamento.

    Os sinais mais frequentes envolvem reações na pele, como:

    • Urticária, com placas vermelhas que coçam muito e podem aparecer em diferentes partes do corpo;
    • Coceira generalizada, mesmo sem manchas visíveis;
    • Vermelhidão na pele, que pode se espalhar pelo corpo;
    • Inchaço leve nas pálpebras, nos lábios ou nas orelhas;
    • Febre baixa sem outra causa aparente, como uma infecção.

    Apesar de menos comuns, os sintomas respiratórios são sinais de que a reação está deixando de ser apenas na pele e se tornando sistêmica, afetando o corpo todo. Eles acontecem porque as substâncias inflamatórias liberadas pelo sistema imunológico causam o estreitamento das vias aéreas e o inchaço dos tecidos respiratórios. São eles:

    • Falta de ar ou dificuldade para respirar, com sensação de esforço para puxar o ar;
    • Chiado no peito durante a respiração;
    • Tosse seca e persistente após o uso do medicamento;
    • Rouquidão ou mudança repentina na voz;
    • Sensação de garganta fechando;
    • Coriza intensa, espirros e congestão nasal repentinos.

    Por fim, existem reações alérgicas graves que demoram dias para aparecer, como a Síndrome de Stevens-Johnson. Além da febre, a pele começa a descascar, surgem bolhas dolorosas e feridas na boca, nos olhos e nas partes íntimas. Se notar os sintomas, suspenda o remédio e vá para um hospital imediatamente.

    Medicamentos que mais causam alergia

    Qualquer remédio pode desencadear uma reação alérgica, mas existem algumas classes de medicamentos que estão mais frequentemente associadas ao quadro, como:

    • Antibióticos: a amoxicilina, a ampicilina e os medicamentos à base de sulfa são alguns dos principais exemplos e podem provocar manchas na pele, urticária e reações graves;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): remédios usados para dores e febre, como dipirona, aspirina, ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, podem causar urticária, inchaço e crises respiratórias;
    • Medicamentos anticonvulsivantes: remédios utilizados para epilepsia e dores neurológicas, como carbamazepina, fenitoína e fenobarbital, podem causar reações alérgicas na pele que surgem semanas após o início do tratamento;
    • Contrastes iodados: as substâncias usadas em exames de imagem, como tomografia computadorizada, podem desencadear reações alérgicas imediatas, principalmente em pessoas com histórico de anunciou;
    • Quimioterápicos e anticorpos monoclonais: medicamentos utilizados no tratamento do câncer e de doenças autoimunes também podem provocar reações alérgicas importantes e, por isso, muitas vezes precisam ser administrados com acompanhamento hospitalar.

    Como os analgésicos e anti-inflamatórios são vendidos livremente nas farmácias, muitas pessoas usam os remédios sem perceber que sintomas como coceira, manchas na pele ou uma tosse repentina podem ser sinais de uma reação alérgica.

    Ao suspeitar de alergia, o uso do medicamento deve ser interrompido imediatamente e a orientação médica deve ser procurada.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da alergia a medicamentos é feito principalmente por meio da avaliação clínica e do histórico do paciente. Durante a consulta, o especialista avalia quais remédios foram usados, quando os sintomas apareceram, quanto tempo duraram e como o corpo reagiu após o uso da medicação.

    O histórico de outras alergias e doenças também pode ajudar na investigação, já que algumas pessoas têm maior predisposição a desenvolver reações alérgicas.

    Além da avaliação clínica, alguns exames podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico, como:

    • Teste de provocação oral (TPO): em que o recebe pequenas doses do medicamento suspeito de forma gradual para avaliar se o organismo apresenta alguma reação alérgica. Ele deve ser feito apenas em ambiente hospitalar;
    • Prick test (teste de puntura): em que uma gota do medicamento é colocada na pele e o médico faz uma pequena picada no local. Se houver instrução, pode surgir uma pequena bolha ou vermelhidão em cerca de 15 a 20 minutos;
    • Teste de contato (patch test): indicado principalmente para reações que aparecem dias depois do uso do remédio. Nesse exame, adesivos com a substância são colocados nas costas do paciente por 48 a 72 horas para avaliar possíveis reações na pele.

    Em alguns casos específicos, como na suspeita de alergia a antibióticos como a penicilina, o médico pode solicitar um exame de sangue chamado IgE específica, que identifica anticorpos produzidos pelo organismo contra aquele medicamento.

    O que fazer em caso de suspeita?

    Ao suspeitar de uma alergia a medicamentos, a primeira medida é interromper o uso do remédio e procurar orientação médica. Mesmo sintomas leves, como coceira e manchas na pele, devem ser avaliados, já que as reações podem evoluir rapidamente em algumas pessoas.

    Em casos de sinais mais graves, o atendimento de urgência deve ser procurado imediatamente. Os sintomas de alerta incluem:

    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Inchaço nos lábios, na língua ou na garganta;
    • Sensação de desmaio;
    • Chiado no peito;
    • Queda de pressão;
    • Manchas pelo corpo associadas a mal-estar intenso.

    Se possível, leve a embalagem ou o nome do medicamento utilizado para facilitar a identificação da substância responsável pela reação.

    Como é feito o tratamento de alergia a medicamentos?

    Em casos de acesso a medicamentos, o primeiro passo é interromper o uso da substância suspeita e procurar atendimento médico. Depois da avaliação, o profissional pode indicar medicamentos para controlar os sintomas alérgicos, como anti-histamínicos e corticoides.

    O tratamento varia de acordo com a intensidade da reação e pode ser feito com remédios por via oral, pomadas na pele ou medicações injetáveis.

    Nos casos mais graves, como a anafilaxia, o tratamento deve ser imediato e pode incluir a aplicação de adrenalina e outros medicamentos para controlar a reação alérgica e estabilizar o paciente.

    Confira: Remédios que podem ser perigosos quando combinados

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem alergia à Dipirona pode tomar Paracetamol?

    Normalmente sim, pois o paracetamol pertence a uma classe química diferente da dipirona, sendo uma das alternativas mais seguras. No entanto, uma pequena parcela de pessoas pode ter sensibilidade a ambos. O ideal é conversar com o médico para testar a medicação de forma segura.

    2. Quem tem alergia ao Ibuprofeno pode tomar Nimesulida?

    Não é recomendado. O ibuprofeno e a nimesulida são anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Quem tem alergia a um medicamento dessa classe tem um risco muito alto de sofrer uma “reação cruzada” com os outros remédios do mesmo grupo.

    3. É possível desenvolver alergia a um remédio que sempre tomei?

    Sim. A instrução pode acontecer após o sistema imunológico já ter tido contato com ele e criado anticorpos. Por isso, você pode tomar um medicamento a vida inteira e, de repente, desenvolver alergia a ele.

    4. Quanto tempo dura uma crise de alergia a medicamentos?

    Se o uso do remédio for interrompido imediatamente, os sintomas leves (como coceira e manchas na pele) costumam sumir entre 2 a 7 dias com o uso de antialérgicos. Reações graves que descamam a pele podem demorar semanas para cicatrizar.

    5. Tomar antialérgico antes de tomar o remédio previne a alergia?

    Não. O antialérgico (anti-histamínico) pode mascarar sintomas leves na pele, mas não impede uma reação alérgica grave ou um choque anafilático. Nunca use essa estratégia para tomar um remédio ao qual você sabe que é alérgico.

    6. Qual a diferença entre alergia e efeito colateral?

    A alergia é uma reação imprevisível do sistema de defesa do corpo, como manchas na pele e falta de ar. O efeito colateral é uma reação prevista e ligada ao próprio efeito do remédio, como sentir tontura após um calmante ou queimação no estômago após um anti-inflamatório.

    7. Como aliviar a coceira da alergia a medicamentos em casa?

    Após suspender o remédio suspeito, banhos frios ou mornos (sem esfregar a pele) e compressas frias ajudam a acalmar a região. O uso de hidratantes sem perfume também alivia. Consulte um médico para que ele receite o antialérgico ideal.

    Veja também: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio