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  • 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    Se você é uma pessoa que convive com ansiedade, já deve saber que o corpo costuma dar pequenos sinais de alerta antes de uma crise acontecer. O coração pode acelerar, a respiração ficar mais curta, os músculos se tensionarem ou surgir uma sensação repentina de inquietação.

    Só que, na correria do dia a dia, é comum ignorar os primeiros sintomas ou confundir com um cansaço passageiro. Mas quando você entende o que está acontecendo com o corpo, fica muito mais fácil aplicar técnicas simples de relaxamento e impedir que a ansiedade evolua para um momento de desespero.

    A seguir, listamos alguns dos principais sinais físicos e psicológicos e o que você pode fazer para desacelerar a mente antes que a crise se instale.

    Principais sinais de uma crise de ansiedade iminente

    1. Sensação de distanciamento do mundo ao redor (desrealização)

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, a desrealização é uma sensação de estranhamento em relação ao ambiente onde você está e pode ser um dos principais sinais de crise de ansiedade, antes mesmo do coração acelerado e do mal-estar.

    Durante um pico de ansiedade, o cérebro pode entrar em um modo de defesa que faz com que o ambiente ao seu redor pareça artificial, estranho ou completamente surreal. Você olha para lugares familiares, como a sua própria casa ou o seu local de trabalho, e eles parecem distantes, bidimensionais (como um cenário de filme) ou de alguma forma errados.

    É muito comum sentir distorções visuais ou auditivas, como se o espaço estivesse maior ou menor do que realmente é, ou como se as pessoas estivessem falando muito longe.

    2. Estranhamento de si mesmo (despersonalização)

    A despersonalização afeta como você percebe a si mesmo, segundo Luiz. É uma das sensações mais desconfortáveis da crise de ansiedade, pois gera uma quebra temporária na percepção da própria identidade.

    De maneira geral, você sente como se estivesse flutuando no teto ou assistindo à sua própria vida em terceira pessoa, como se o seu corpo pertencesse a outra pessoa. É um sinal que pode assustar, mas é uma resposta biológica que diminui gradativamente conforme os níveis de adrenalina e ansiedade voltam ao normal.

    3. Palpitações ou coração acelerado

    A aceleração dos batimentos cardíacos, conhecido como taquicardia, acontece devido à liberação repentina de adrenalina na corrente sanguínea. O hormônio estimula o músculo cardíaco a bombear sangue mais rapidamente para os músculos, preparando o corpo para uma reação de fuga ou defesa, mesmo que não exista um perigo real.

    4. Sensação de falta de ar

    A ansiedade altera o padrão respiratório, tornando a respiração rápida e superficial. Como consequência, o processo diminui os níveis de gás carbônico no sangue e você pode ter a sensação de sufocamento ou de que o ar não chega totalmente aos pulmões, embora as vias aéreas estejam livres.

    5. Tremores nas mãos ou no corpo

    Os tremores começam de forma involuntária, sendo mais comuns nas mãos, nas pernas ou nas pálpebras. Eles são o resultado do excesso de tensão acumulada nos músculos e da descarga de hormônios do estresse na corrente sanguínea, que deixam o corpo em um estado de alta sensibilidade.

    6. Suor frio ou os calafrios

    Você pode começar a suar intensamente nas palmas das mãos, nos pés ou na testa, mesmo em um ambiente frio. Em contrapartida, também é comum sentir arrepios e calafrios pelo corpo, porque o sistema nervoso desregula temporariamente o controle da temperatura corporal devido ao estresse extremo.

    7. Aperto ou a dor no peito

    A tensão muscular provocada pela ansiedade faz com que os músculos da região do tórax se contraiam com força, o que causa uma sensação de aperto, peso ou pontadas no peito. É um dos sinais que mais pode assustar, pois o desconforto pode ser facilmente confundido com um problema cardíaco.

    8. Tontura ou sensação de desmaio

    Você pode sentir a cabeça leve, uma sensação de instabilidade ao andar ou a impressão de que tudo ao redor está rodando. O sintoma acontece por dois motivos: a respiração errada, que altera o oxigênio no cérebro, e o desvio do fluxo de sangue para os músculos principais do corpo.

    9. Náusea ou o desconforto no estômago

    O sistema digestivo é extremamente sensível às emoções. Quando a crise de ansiedade está para começar, o cérebro envia sinais que desaceleram a digestão, o que pode causar uma sensação de nó no estômago, enjoos, queimação, estufamento e até episódios repentinos de diarreia.

    O que fazer ao notar os sinais de crise?

    Quando você perceber que a crise de ansiedade está se aproximando, o recomendado é tentar interromper a escalada dos sintomas o mais cedo possível. Para isso, vale tentar algumas medidas:

    Controle a sua respiração (técnica dos 4 segundos)

    A respiração curta é o que mais alimenta os sintomas físicos da ansiedade. Para reverter isso, use a técnica da respiração diafragmática:

    • Puxe o ar pelo nariz lentamente contando até 4, enchendo a barriga e não o peito;
    • Segure o ar nos pulmões por 2 segundos;
    • Solte o ar pela boca devagar, como se estivesse soprando uma vela, contando até 4;
    • Você pode repetir o ciclo pelo menos cinco vezes até o coração começar a desacelerar.

    Use a técnica 5-4-3-2-1 para ancorar a mente

    Os pensamentos catastróficos costumam levar a mente para preocupações sobre o futuro e para os piores cenários possíveis. Para interromper esse ciclo, observe o ambiente ao seu redor e identifique mentalmente:

    • 5 coisas que você consegue ver no ambiente;
    • 4 coisas que você consegue tocar ou sentir o tato (o chão sob os pés, a textura da calça);
    • 3 sons que você consegue ouvir ao fundo;
    • 2 cheiros que você consegue sentir no momento;
    • 1 gosto que você consegue sentir na boca.

    O exercício ajuda a direcionar a atenção para o presente, reduzindo a intensidade da ansiedade e a sensação de estar sendo dominado pelos pensamentos.

    Relaxe os músculos conscientemente

    Como a ansiedade costuma deixar o corpo inteiro em estado de tensão, faça uma rápida checagem corporal. Relaxe os ombros, que muitas vezes ficam elevados e rígidos, afaste os dentes para aliviar a tensão na mandíbula e abra as mãos caso estejam fechadas.

    De maneira geral, permitir que o corpo fique mais relaxado envia ao cérebro a mensagem de que não há um perigo imediato.

    Jogue água fria no rosto

    Se sentir que a ansiedade está aumentando rapidamente, experimente jogar água fria no rosto ou segurar uma pedra de gelo nas mãos. O contato com o frio pode estimular respostas do organismo que ajudam a reduzir a ativação do sistema nervoso, favorecendo uma sensação de calma e ajudando a diminuir sintomas como o coração acelerado.

    Quando procurar ajuda médica?

    É muito importante saber diferenciar uma ansiedade comum do dia a dia de um quadro que precisa de suporte profissional. Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • As crises de ansiedade começam a acontecer com frequência ou sem um motivo aparente;
    • O medo de ter uma nova crise passa a controlar a sua rotina e impede você de sair de casa ou trabalhar;
    • Os sintomas físicos, como falta de ar e dor no peito, são tão intensos que geram idas constantes ao pronto-socorro;
    • As estratégias que você usa para se acalmar já não funcionam mais;
    • A ansiedade prejudica o sono, causando insônia persistente ou pesadelos frequentes;
    • O rendimento no trabalho, nos estudos ou a sua relação com a família e amigos começa a piorar;
    • Você passa a evitar ativamente lugares, conversas ou pessoas por medo de passar mal;
    • O sentimento de tristeza, esgotamento ou desesperança permanece mesmo após a crise passar.

    O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que você entenda os próprios gatilhos e desenvolva estratégias para lidar melhor com as emoções.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Uma crise de ansiedade pode matar?

    Não, a crise de ansiedade não causa a morte e nem danifica os órgãos do corpo. Ela é uma resposta temporária de estresse que passa após alguns minutos.

    2. Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

    Em média, o pico de uma crise dura entre 10 e 20 minutos. Depois desse período, o corpo começa a reabsorver os hormônios do estresse e os sintomas diminuem gradativamente.

    3. Qual é a diferença entre crise de ansiedade e ataque de pânico?

    A crise de ansiedade geralmente tem um gatilho identificável (como um problema no trabalho) e os sintomas vão crescendo aos poucos. O ataque de pânico acontece de forma repentina, sem motivo aparente, com uma sensação avassaladora de morte iminente.

    4. Como diferenciar a dor no peito da ansiedade de um infarto?

    Na ansiedade, a dor costuma ser em pontadas, piora ao respirar fundo e vem acompanhada de respiração rápida. No infarto, a dor é um aperto forte que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, e não melhora com técnicas de relaxamento. Na dúvida, busque sempre o pronto-socorro.

    5. É normal sentir vontade de chorar durante a crise?

    Sim, é perfeitamente normal. O choro é uma forma natural do organismo liberar a tensão acumulada e aliviar a sobrecarga emocional.

    6. Chás naturais ajudam a prevenir as crises?

    Chás como camomila, passiflora, cidreira e valeriana têm propriedades relaxantes leves que ajudam a acalmar o dia a dia. No entanto, eles funcionam como um suporte para a rotina e não substituem o tratamento médico nas crises intensas.

    7. Posso ter uma crise de ansiedade dormindo?

    Sim, existem as chamadas crises de ansiedade noturnas. A pessoa acorda de repente já com o coração acelerado, suor frio e falta de ar. Elas acontecem porque o cérebro continua processando o estresse do dia a dia mesmo durante o sono.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Alterações no sangue nem sempre são percebidas de imediato. Muitas vezes, sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos surgem de forma gradual e podem ser atribuídos a outras causas comuns do dia a dia.

    Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados a doenças que afetam diretamente a produção das células sanguíneas. A síndrome mielodisplásica é uma delas, pois faz parte de um grupo de condições que interfere no funcionamento da medula óssea e exige avaliação médica cuidadosa.

    O que é a síndrome mielodisplásica

    A síndrome mielodisplásica (SMD) é um grupo de doenças que afetam a medula óssea, estrutura responsável pela produção das células do sangue. Nessa condição, a medula passa a funcionar de forma inadequada, produzindo células sanguíneas anormais e em quantidade insuficiente.

    Como resultado, pode ocorrer redução dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, quadro que se manifesta como anemia, neutropenia e/ou trombocitopenia. Além da diminuição, as células produzidas também podem apresentar alterações na forma e no funcionamento.

    Isso acontece porque as células da medula óssea sofrem alterações, levando à produção ineficaz, com presença de células defeituosas e menor número de células saudáveis circulando no sangue. A evolução da síndrome mielodisplásica pode variar bastante: algumas formas são leves e estáveis, enquanto outras podem progredir para quadros mais graves.

    Principais sintomas

    Os sintomas dependem do tipo de célula afetada.

    Os mais comuns são:

    • Anemia: redução de glóbulos vermelhos, levando a sintomas como cansaço, fraqueza e palidez;
    • Baixa imunidade: redução ou disfunção de glóbulos brancos, favorecendo infecções frequentes;
    • Plaquetas baixas: aumento do risco de sangramentos e manchas roxas na pele.

    Em alguns casos, a doença pode ser assintomática no início.

    Por que a síndrome mielodisplásica acontece

    A causa pode ser desconhecida (idiopática) ou relacionada a fatores específicos.

    Os principais são:

    • Envelhecimento (mais comum em idosos);
    • Exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
    • Exposição a substâncias químicas (como benzeno);
    • Alterações genéticas nas células da medula.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A síndrome mielodisplásica é mais comum em:

    • Pessoas acima de 60 anos;
    • Pacientes com histórico de tratamento oncológico;
    • Pessoas expostas a substâncias tóxicas;
    • Indivíduos com alterações genéticas específicas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve exames laboratoriais e avaliação da medula óssea.

    Os principais são:

    • Hemograma completo;
    • Exame da medula óssea (mielograma ou biópsia);
    • Testes genéticos.

    O hemograma pode levantar a suspeita inicial ao identificar alterações nas células sanguíneas, mas o diagnóstico definitivo é feito com a análise da medula óssea.

    Possíveis complicações

    A síndrome mielodisplásica pode evoluir com:

    • Anemia grave;
    • Infecções recorrentes;
    • Sangramentos importantes;
    • Evolução para leucemia mieloide aguda em alguns casos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade da doença e do perfil do paciente.

    As principais opções são as abaixo.

    1. Suporte clínico

    • Transfusões de sangue;
    • Uso de medicamentos para estimular a produção de células sanguíneas.

    2. Terapias específicas

    • Medicamentos que atuam na medula óssea;
    • Medicamentos imunobiológicos.

    3. Transplante de medula óssea

    • Pode ser curativo em alguns casos;
    • Indicado em pacientes selecionados.

    A síndrome mielodisplásica tem cura?

    Depende. O transplante de medula óssea pode ser curativo, mas nem todos os pacientes são candidatos.

    Em muitos casos, o objetivo do tratamento é controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

    Confira:

    10 sinais de anemia para você ficar atento

    Perguntas frequentes sobre síndrome mielodisplásica

    1. Síndrome mielodisplásica é câncer?

    É considerada uma doença hematológica que pode evoluir para câncer (leucemia).

    2. Sempre causa sintomas?

    Não. Pode ser assintomática no início.

    3. Tem cura?

    Pode ter, principalmente com transplante em casos selecionados.

    4. Pode virar leucemia?

    Sim, em alguns casos.

    5. Precisa de transfusão?

    Alguns pacientes podem necessitar, dependendo da evolução.

    6. É comum?

    É mais comum em pessoas idosas.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos.

    Veja também:

    saiba mais sobre a leucemia

  • Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    A dificuldade para engolir, conhecida pelos médicos como disfagia, é um sintoma relativamente comum e que pode surgir em qualquer idade, embora seja mais frequente em idosos. Em alguns casos, a pessoa sente que a comida fica presa na garganta ou no peito. Em outros, há engasgos repetidos ou dificuldade para iniciar a deglutição.

    Embora nem sempre esteja relacionada a doenças graves, a disfagia persistente não deve ser ignorada. O problema pode estar ligado a alterações do esôfago, doenças neurológicas, distúrbios musculares ou até tumores, tornando a investigação médica importante para identificar a causa.

    O que é disfagia?

    A disfagia é a dificuldade de transportar alimentos, líquidos ou até mesmo a saliva da boca até o estômago. Ela pode ocorrer em diferentes etapas da deglutição e variar bastante em intensidade.

    Algumas pessoas apresentam dificuldade apenas para engolir alimentos sólidos, enquanto outras também têm problemas com líquidos.

    Dependendo da causa, os sintomas podem surgir de forma gradual ou aparecer de maneira mais repentina.

    Principais sintomas associados

    Além da sensação de dificuldade para engolir, podem ocorrer:

    • Engasgos frequentes;
    • Tosse durante ou após as refeições;
    • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito;
    • Dor ao engolir;
    • Necessidade de beber água para ajudar a passagem da comida;
    • Sensação de que a comida volta para a boca;
    • Rouquidão após as refeições.

    Os sintomas podem variar conforme a causa e a região afetada.

    Quais são as causas mais comuns de dificuldade para engolir?

    Existem diversas condições capazes de provocar disfagia.

    Entre as principais estão:

    • Refluxo gastroesofágico;
    • Inflamações do esôfago;
    • Alterações neurológicas;
    • Distúrbios musculares;
    • Estreitamentos do esôfago;
    • Tumores da boca, garganta ou esôfago.

    A investigação médica é importante para diferenciar situações benignas de problemas que exigem tratamento específico.

    Refluxo pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. O refluxo gastroesofágico crônico pode provocar inflamação do esôfago e, em alguns casos, levar à formação de cicatrizes e estreitamentos.

    Isso pode causar sintomas como:

    • Sensação de alimento preso;
    • Azia frequente;
    • Dor ao engolir;
    • Desconforto no peito.

    Quando o estreitamento se torna importante, a dificuldade para engolir tende a piorar progressivamente.

    Problemas neurológicos podem estar envolvidos?

    Sim. A deglutição depende de uma coordenação complexa entre cérebro, nervos e músculos. Doenças neurológicas podem interferir nesse processo, como:

    • AVC;
    • Doença de Parkinson;
    • Esclerose múltipla;
    • Esclerose lateral amiotrófica (ELA);
    • Algumas doenças neuromusculares.

    Nesses casos, o risco de engasgos e aspiração de alimentos para os pulmões pode aumentar.

    Quando a dificuldade acontece apenas com alimentos sólidos

    Quando a disfagia afeta principalmente alimentos sólidos, algumas causas costumam ser mais prováveis. Entre elas estão:

    • Estreitamento do esôfago;
    • Anéis esofágicos;
    • Esofagite eosinofílica;
    • Tumores do esôfago.

    Em geral, os sintomas tendem a piorar gradualmente com o tempo.

    Quando a dificuldade ocorre com sólidos e líquidos

    Quando alimentos sólidos e líquidos causam dificuldade desde o início, os médicos costumam considerar alterações do funcionamento muscular do esôfago.

    Um exemplo clássico é a:

    Acalasia

    A acalasia é uma doença que dificulta a passagem dos alimentos para o estômago devido ao relaxamento inadequado de uma válvula localizada na parte inferior do esôfago.

    Além da disfagia, pode causar:

    • Regurgitação de alimentos;
    • Dor no peito;
    • Perda de peso.

    Quando a dificuldade para engolir preocupa mais?

    Alguns sinais associados aumentam a necessidade de investigação.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Engasgos frequentes;
    • Pneumonias de repetição;
    • Dor ao engolir;
    • Piora progressiva dos sintomas;
    • Sensação persistente de alimento impactado.

    Esses sinais podem indicar doenças mais importantes e não devem ser ignorados.

    Quais exames podem ser necessários?

    A investigação depende das características dos sintomas.

    Os exames mais utilizados incluem:

    1. Endoscopia digestiva alta

    Permite visualizar diretamente o esôfago, o estômago e parte do intestino, identificando inflamações, estreitamentos e tumores.

    2. Esofagograma contrastado

    Avalia a passagem dos alimentos pelo esôfago por meio de imagens obtidas após ingestão de contraste.

    3. Manometria esofágica

    Analisa o funcionamento dos músculos do esôfago e ajuda a diagnosticar distúrbios motores, como a acalasia.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para refluxo;
    • Mudanças alimentares;
    • Dilatação de estreitamentos do esôfago;
    • Tratamento de doenças neurológicas;
    • Cirurgias ou procedimentos específicos.

    Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores as chances de evitar complicações.

    Quais complicações a disfagia pode causar?

    Quando não tratada, a dificuldade para engolir pode levar a problemas importantes.

    Entre eles estão:

    • Desnutrição;
    • Desidratação;
    • Perda de peso significativa;
    • Aspiração de alimentos para os pulmões;
    • Pneumonia aspirativa.

    Por isso, sintomas persistentes merecem atenção médica.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se houver:

    • Incapacidade súbita de engolir;
    • Engasgo com dificuldade para respirar;
    • Sensação de alimento completamente impactado;
    • Dor intensa no peito associada à deglutição;
    • Salivação excessiva por incapacidade de engolir.

    Essas situações podem exigir avaliação urgente.

    Confira: Acalasia: o distúrbio que dificulta a passagem dos alimentos ao engolir

    Perguntas frequentes sobre dificuldade para engolir

    1. Dificuldade para engolir é normal com a idade?

    Não. Embora seja mais comum em idosos, a disfagia persistente deve ser investigada.

    2. Refluxo pode causar disfagia?

    Sim. O refluxo crônico pode provocar inflamações e estreitamentos do esôfago.

    3. Engasgos frequentes são preocupantes?

    Podem ser. Especialmente quando se tornam repetitivos ou estão associados a perda de peso e pneumonias.

    4. Toda disfagia precisa de endoscopia?

    Não necessariamente, mas a endoscopia é um dos exames mais utilizados na investigação.

    5. Perda de peso associada é um sinal de alerta?

    Sim. Esse é um dos principais sinais que justificam investigação médica mais rápida.

    6. AVC pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. Alterações neurológicas são causas importantes de disfagia.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando a dificuldade para engolir é persistente, progressiva ou acompanhada de sinais de alerta como perda de peso, engasgos frequentes ou dor.

    Veja também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca marcada pelo espessamento anormal do músculo do coração, principalmente do ventrículo esquerdo, a principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo.

    Embora muitas pessoas convivam com a condição sem sintomas importantes, outras podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios e limitações para atividades físicas. Por ter origem genética em grande parte dos casos, o diagnóstico também pode levar à investigação de familiares próximos.

    O que é a cardiomiopatia hipertrófica?

    Na cardiomiopatia hipertrófica, ocorre um crescimento excessivo das fibras musculares cardíacas. Esse espessamento não acontece por esforço físico ou treinamento esportivo, mas por alterações na estrutura do próprio músculo do coração.

    Com o tempo, o coração pode ter dificuldade para relaxar adequadamente entre os batimentos, prejudicando o enchimento das câmaras cardíacas.

    O que acontece com o coração?

    O músculo cardíaco espessado pode provocar:

    • Redução do espaço interno do ventrículo;
    • Dificuldade de enchimento do coração;
    • Aumento das pressões cardíacas;
    • Alterações do fluxo sanguíneo.

    Em alguns pacientes, o músculo hipertrofiado também pode dificultar a saída do sangue do coração. Essa situação é chamada de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

    Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

    A principal causa é genética. Na maioria dos casos, a doença ocorre por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas.

    Essas alterações podem ser transmitidas de pais para filhos. Por isso, muitas vezes há histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica ou de morte súbita em parentes próximos.

    A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos segue um padrão de herança autossômica dominante.

    Isso significa que:

    • Um dos pais pode transmitir a alteração genética;
    • Nem todos os familiares terão sintomas;
    • O grau de acometimento pode variar dentro da mesma família.

    Por esse motivo, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos. Quando os sintomas aparecem, os mais frequentes são:

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço fácil;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Desmaios.

    A intensidade dos sintomas varia bastante entre os pacientes.

    Algumas pessoas não apresentam sintomas?

    Sim. Em muitos casos, o diagnóstico acontece por acaso, durante:

    • Exames de rotina;
    • Avaliações esportivas;
    • Investigação familiar após diagnóstico em parentes;
    • Exames solicitados por sopro cardíaco ou alterações no eletrocardiograma.

    Por isso, a ausência de sintomas não exclui a doença.

    Quais são as possíveis complicações?

    Embora muitas pessoas tenham boa qualidade de vida, algumas complicações podem ocorrer.

    1. Arritmias cardíacas

    O músculo cardíaco alterado pode aumentar o risco do surgimento de ritmos cardíacos anormais.

    2. Fibrilação atrial

    A fibrilação atrial pode aumentar o risco de formação de coágulos e AVC.

    3. Insuficiência cardíaca

    Em alguns casos, o coração pode apresentar dificuldade progressiva para funcionar adequadamente.

    4. Morte súbita cardíaca

    É a complicação mais temida, embora relativamente incomum.

    O risco não é igual para todos os pacientes e depende de características específicas avaliadas pelo cardiologista.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente envolve exames cardiológicos.

    1. Ecocardiograma

    É um dos principais exames para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar se existe obstrução à saída do sangue.

    2. Eletrocardiograma

    Pode mostrar alterações sugestivas da doença e ajudar na avaliação do ritmo cardíaco.

    3. Ressonância magnética cardíaca

    Ajuda a avaliar detalhes da estrutura do coração e pode identificar áreas de fibrose no músculo cardíaco.

    4. Testes genéticos

    Podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de forma hereditária e necessidade de orientar familiares.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende dos sintomas, da presença de obstrução e do risco individual de complicações.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para controlar sintomas;
    • Tratamento de arritmias;
    • Acompanhamento cardiológico regular;
    • Orientações sobre atividade física;
    • Restrições específicas para alguns esportes competitivos;
    • Implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em pacientes selecionados.

    Em casos específicos, podem ser necessários procedimentos para reduzir a obstrução causada pelo músculo hipertrofiado.

    A pessoa pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A atividade física deve ser discutida com o cardiologista, especialmente em pessoas com sintomas, obstrução importante, arritmias ou histórico familiar de morte súbita.

    Alguns pacientes podem praticar exercícios leves ou moderados com segurança, enquanto outros precisam evitar atividades competitivas ou de alta intensidade.

    Quem deve ser investigado?

    A avaliação médica é especialmente importante para pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
    • Morte súbita em parentes jovens;
    • Desmaios inexplicados;
    • Falta de ar durante exercícios;
    • Dor no peito aos esforços;
    • Palpitações frequentes;
    • Alterações cardíacas encontradas em exames.

    Familiares de primeiro grau de pessoas diagnosticadas também devem conversar com um cardiologista sobre rastreamento.

    Confira: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre cardiomiopatia hipertrófica

    1. Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma coisa que pressão alta?

    Não. Embora a pressão alta também possa causar aumento da espessura do coração, são condições diferentes.

    2. A doença é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos tem origem genética.

    3. Toda pessoa terá sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    4. Pode causar morte súbita?

    Sim, mas o risco varia entre os pacientes e deve ser avaliado individualmente.

    5. Qual é o principal exame para diagnóstico?

    O ecocardiograma é um dos principais exames utilizados.

    6. Familiares precisam fazer exames?

    Frequentemente sim, principalmente parentes de primeiro grau.

    7. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento é individualizado e pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir complicações.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Não é segredo que a prática regular de atividades físicas contribui para a perda de peso, a melhora da saúde do coração e o ganho de massa muscular, mas você sabia que ela também pode trazer benefícios importantes para a saúde mental?

    Ao estimular a liberação de substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, como as endorfinas e a serotonina, o movimento ajuda a melhorar o humor, aumentar a disposição e promover uma melhor qualidade de vida. Além disso, os exercícios podem contribuir para um sono mais reparador, reduzir os níveis de estresse e ansiedade e favorecer a concentração e o equilíbrio emocional.

    Inclusive, para pessoas que convivem com o diagnóstico de depressão ou transtorno de ansiedade, ela pode complementar o tratamento e favorecer o controle dos sintomas no dia a dia, como a tristeza persistente, a irritabilidade, a preocupação excessive, a tensão muscular e a dificuldade para dormir.

    O que acontece no cérebro quando nos exercitamos?

    Durante a prática de atividade física, seja caminhada ou musculação, o cérebro passa por uma série de reações químicas e biológicas imediatas e de longo prazo que alteram a maneira como ele funciona.

    Primeiro, o aumento dos batimentos cardíacos durante a atividade física eleva o fluxo sanguíneo para o cérebro, melhorando a oxigenação e o fornecimento de glicose para os neurônios. Por consequência, as células nervosas passam a funcionar de forma mais eficiente, favorecendo processos como a memória, a concentração e o raciocínio.

    Ao mesmo tempo, o sistema nervoso central aumenta a síntese e a liberação de neurotransmissores que atuam na regulação do humor e das funções cognitivas:

    • Endorfina: atua nos receptores opioides do cérebro, ajudando a reduzir a percepção da dor e promovendo sensações de prazer, relaxamento e bem-estar;
    • Serotonina: participa da regulação do humor, do sono, do apetite e da estabilidade emocional;
    • Dopamina: está relacionada aos circuitos de recompensa, motivação, prazer e sensação de realização;
    • Noradrenalina: contribui para o estado de alerta, a atenção, a concentração e a capacidade de resposta diante dos desafios do dia a dia.

    Os exercícios imitam o mecanismo de ação de alguns medicamentos antidepressivos, que buscam justamente aumentar a disponibilidade das substâncias entre os neurônios.

    Além da resposta neuroquímica, a prática regular também estimula a produção de uma proteína chamada BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que favorece a formação de novas conexões entre os neurônios e ajuda a proteger as células cerebrais.

    Por isso, pessoas fisicamente ativas costumam apresentar melhor memória, concentração e capacidade de aprendizado.

    Atividade física como tratamento complementar

    Apesar de não substituir o acompanhamento médico, psicológico e o uso de medicamentos quando necessário, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a atividade física é uma das principais recomendações para complementar o tratamento de transtornos como a ansiedade e a depressão.

    • Ela potencializa os efeitos dos medicamentos ao estimular a produção natural de substâncias como serotonina e dopamina;
    • Ajuda a reduzir o risco de recaídas e o retorno dos sintomas depressivos;
    • Pode amenizar alguns efeitos colaterais dos medicamentos, como fadiga e ganho de peso;
    • Melhora a qualidade do sono e ajuda a regular o relógio biológico;
    • Aumenta a disposição e ajuda a combater o cansaço e a falta de energia;
    • Favorece a autoestima e a autoconfiança ao estimular a sensação de conquista e autonomia;
    • Contribui para uma maior sensação de controle sobre a própria vida e a rotina;
    • Promove mais bem-estar físico e emocional no dia a dia.

    Se você está em tratamento, o exercício não deve ser visto como uma obrigação de desempenho, mas sim como uma parte da receita médica para recuperar a qualidade de vida e o bem-estar no dia a dia.

    “Incentive as pessoas que estão com um quadro psiquiátrico a fazer atividade física, porque elas terão tratamentos mais eficazes, às vezes mais curtos e com menor associação de medicamentos”, recomenda Luiz.

    Qual é o melhor exercício para quem está deprimido?

    Não existe um exercício que seja considerado o melhor para todas as pessoas que estão deprimidas. O mais importante é encontrar uma atividade de que você goste, que respeite os seus limites e que consiga fazer com frequência. Algumas dicas podem ser:

    • Exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo e natação): ajudam a aumentar a oxigenação do cérebro e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como a endorfina e a serotonina. As caminhadas ao ar livre ainda oferecem o benefício do contato com a luz solar, que contribui para a regulação do sono;
    • Treinos de força (musculação, pilates e treinos funcionais): precisam de concentração nos movimentos e na execução dos exercícios, ajudando a desviar a atenção de pensamentos negativos. A evolução gradual do desempenho também pode aumentar a autoestima, a autoconfiança e a sensação de conquista.

    Se você convive com um quadro depressivo, ansiedade ou outro transtorno, o ideal é começar aos poucos. Mesmo poucos minutos de exercício todos os dias já contribui para estimular a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina.

    Como começar a se mover mesmo sem energia ou motivação?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, como caminhada rápida ou ciclismo, ou entre 75 e 150 minutos de atividades mais intensas, como corrida.

    Mas, para quem está começando, pode ser difícil atingir a meta logo de início, especialmente durante períodos de desânimo, falta de energia ou sintomas depressivos. Nesses casos, algumas dicas para começar podem ajudar:

    • Comece com metas pequenas e realistas, como 10 a 15 minutos de atividade por dia;
    • Escolha uma atividade de que você goste para aumentar as chances de manter a rotina;
    • Respeite os limites do seu corpo e evite exageros no início;
    • Aumente a duração e a intensidade dos exercícios de forma gradual;
    • Tente criar horários fixos para se exercitar ao longo da semana;
    • Convide um amigo ou familiar para se exercitar junto, se isso ajudar na motivação;
    • Valorize cada progresso, mesmo que pareça pequeno;
    • Não se cobre por perfeição; o importante é manter a regularidade;
    • Aproveite oportunidades para se movimentar no dia a dia, como caminhar mais ou usar escadas;
    • Procure orientação de um profissional de saúde ou educação física, se necessário.

    Com o tempo, à medida que o corpo se adapta e a disposição aumenta, você pode ampliar gradualmente a frequência e a duração das atividades.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é necessário para sentir o efeito antidepressivo?

    De acordo com estudos, cerca de 20 a 30 minutos de atividade moderada já são suficientes para liberar endorfina e dopamina, gerando bem-estar imediato após o treino. Para melhorias de longo prazo na estrutura cerebral, os efeitos consolidados começam a aparecer entre 4 e 8 semanas de prática regular.

    2. Como o exercício auxilia no controle da irritabilidade e dos impulsos?

    A atividade física regula os níveis de noradrenalina e dopamina, além de descarregar a tensão muscular acumulada. Isso ajuda a equilibrar o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo autocontrole e pela modulação das emoções.

    3. É melhor fazer exercício ao ar livre ou na academia para a depressão?

    Ambos funcionam, mas os exercícios ao ar livre (como caminhadas em parques) oferecem o benefício extra do contato com a natureza e com a luz solar. A exposição ao sol ajuda a regular a produção de melatonina, melhorando diretamente a qualidade do sono e o humor.

    4. O exercício ajuda na perda de interesse pelas coisas (anedonia)?

    Sim, pois a anedonia ocorre devido a uma disfunção no sistema de recompensa do cérebro. Como o exercício físico estimula a liberação de dopamina (ligada à motivação e prazer), ele ajuda gradativamente o cérebro a recuperar a capacidade de sentir satisfação em outras atividades.

    5. Atividades de baixa intensidade, como alongamento ou ioga, funcionam?

    Sim! As práticas como ioga e alongamento combinam movimento com foco na respiração e meditação, o que reduz os níveis de estresse e melhora a consciência corporal.

    6. Exercício físico reduz a necessidade de aumentar a dose do antidepressivo?

    Pode reduzir. Ao atuar como um reforço natural na regulação dos neurotransmissores, a atividade física frequente ajuda a estabilizar o quadro clínico, evitando reajustes de dosagem para cima.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    No Brasil, cerca de trinta milhões de pessoas convivem com o pré-diabetes, uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda não são altos o suficiente para configurar um quadro de diabetes tipo 2. Como normalmente não causa sintomas, é comum identificar a alteração apenas durante os exames de rotina.

    Apesar de não ser considerada uma doença propriamente dita, o pré-diabetes funciona como um sinal de alerta de que o corpo já está encontrando dificuldades para controlar a glicose. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode evoluir para o diabetes tipo 2 e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Mas afinal, como é possível reverter o pré-diabetes? Como o problem está relacionado principalmente à resistência à insulina, existem alguns hábitos que podem ajudar o organismo a utilizar o hormônio de forma mais eficiente e, consequentemente, reduzir os níveis de glicose no sangue.

    O pré-diabetes tem cura?

    Diferente do diabetes tipo 2, o pré-diabetes tem cura e o quadro pode ser totalmente revertido, de acordo com o endocrinologista André Colapietro. Como as células do corpo estão apenas começando a apresentar resistência à insulina, o pâncreas ainda consegue produzir o hormônio em boa quantidade e, por isso, é possível recuperar o controle da glicose por meio de mudanças no estilo de vida.

    Na prática, a reversão acontece quando os exames de sangue voltam a mostrar níveis de glicose dentro da faixa considerada normal:

    • Glicemia de jejum: deixa de ficar entre 100 mg/dL e 125 mg/dL e volta a apresentar valores abaixo de 100 mg/dL;
    • Hemoglobina glicada: deixa de ficar entre 5,7% e 6,4% e volta a apresentar valores abaixo de 5,7%.

    Vale destacar que, embora a reversão seja possível, isso não significa que o risco desaparece. Se você abandonar os hábitos saudáveis, os níveis de glicose podem voltar a subir ao longo do tempo, aumentando novamente o risco de desenvolver pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

    Como reverter o pré-diabetes?

    1. Ajuste na alimentação e a contagem de carboidratos

    As mudanças na alimentação são a primeira medida para reverter o pré-diabetes e fazer os níveis de glicose no sangue voltarem aos valores considerados normais.

    O recomendado é reduzir o consumo de carboidratos simples e refinados, como arroz branco, pães, massas, doces e refrigerantes, pois eles são digeridos rapidamente e causam picos de glicose no sangue.

    Em vez disso, a alimentação deve priorizar alimentos que ajudam a controlar os níveis de glicose e aumentam a sensação de saciedade ao longo do dia, como:

    • Vegetais e legumes como brócolis, couve, espinafre, abobrinha, cenoura, chuchu e berinjela, que são ricos em fibras e nutrientes importantes para a saúde;
    • Grãos integrais como aveia, arroz integral, quinoa, chia e linhaça, que ajudam a desacelerar a absorção do açúcar pelo organismo;
    • Frutas in natura como maçã, pera, laranja, morango e kiwi, consumidas preferencialmente com casca ou bagaço sempre que possível;
    • Proteínas magras como frango, peixe, ovos, tofu e cortes magros de carne, que contribuem para a manutenção da massa muscular e ajudam a prolongar a saciedade;
    • Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, que combinam fibras, proteínas e carboidratos de absorção mais lenta;
    • Gorduras saudáveis presentes no azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, amêndoas e sementes, que fazem parte de uma alimentação equilibrada e ajudam na saúde cardiovascular;
    • Laticínios com baixo teor de gordura, como leite, iogurte natural e queijos magros, quando indicados pelo profissional de saúde.

    Como as necessidades nutricionais variam de acordo com a idade, o peso, o nível de atividade física e a presença de outras condições de saúde, sempre que possível, a alimentação deve ser planejada com o acompanhamento de um médico ou nutricionista.

    2. Prática regular de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios ajuda os músculos a utilizarem a glicose como fonte de energia, reduzindo a quantidade de açúcar circulando no sangue e melhorando a sensibilidade à insulina. Como resultado, o organismo passa a responder melhor à ação do hormônio, facilitando o controle da glicemia.

    A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, como caminhada rápida, ciclismo ou dança, ou entre 75 e 150 minutos de atividades vigorosas, como corrida e natação intensa.

    A OMS também orienta a realização de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana e destaca a importância de reduzir o tempo sedentário, evitando permanecer muitas horas seguidas sentado.

    3. Perda de peso consciente e sustentável

    O acúmulo de gordura corporal, especialmente a gordura visceral, localizada na região abdominal, libera substâncias inflamatórias que bloqueiam a ação da insulina. Para pessoas que estão acima do peso ou convivem com a obesidade, a perda de peso é necessária para melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar o controle dos níveis de glicose no sangue.

    “Mesmo a perda de 5 a 10% do peso corporal, para quem está acima do peso, já faz muita diferença. Quanto mais cedo agir, maiores as chances de evitar o diabetes”, explica André.

    4. Melhora na qualidade do sono

    Quando o corpo passa por noites de sono insuficientes ou de má qualidade (menos de 7 horas por noite), há um aumento na produção de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. O cortisol alto estimula o fígado a liberar mais glicose na corrente sanguínea e, ao mesmo tempo, aumenta a resistência à insulina nas células.

    Além disso, a privação de sono desregula os hormônios da saciedade, aumentando o apetite por alimentos calóricos e doces no dia seguinte.

    5. Uso de medicamentos quando indicado pelo médico

    O medicamento normalmente prescrito para o pré-diabetes é a metformina, que atua diminuindo a quantidade de glicose produzida pelo fígado e aumentando a sensibilidade dos músculos à insulina.

    O uso de remédios costuma ser indicado pelo endocrinologista para pacientes com maior risco de evolução para o diabetes tipo 2, como pessoas com obesidade severa, histórico de diabetes gestacional ou que não conseguiram baixar os níveis de glicose apenas com dieta e exercícios.

    Quanto tempo leva para reverter o pré-diabetes?

    O tempo necessário para reverter o pré-diabetes varia de pessoa para pessoa, pois depende de fatores como genética, idade, peso corporal e, principalmente, do comprometimento com as mudanças no estilo de vida.

    Nas primeiras semanas após a adoção de hábitos mais saudáveis, o organismo já começa a responder melhor à insulina, o que ajuda a reduzir os picos de glicose após as refeições. Em alguns casos, os níveis de glicemia de jejum também podem começar a apresentar melhora nesse período.

    No entanto, para confirmar que o pré-diabetes foi revertido, é necessário observar uma melhora consistente nos exames de laboratório, especialmente na hemoglobina glicada (HbA1c). Como o exame mostra a média dos níveis de glicose no sangue dos últimos dois a três meses, os resultados costumam aparecer de forma mais clara após cerca de 3 a 6 meses.

    O que acontece se o pré-diabetes não for tratado?

    Sem mudanças na alimentação, na prática de atividade física e em outros hábitos de vida, o pâncreas precisa trabalhar mais para produzir insulina, enquanto as células do organismo se tornam progressivamente mais resistentes à ação desse hormônio.

    Com o passar dos anos, a sobrecarga pode levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e aumentar o risco de diversas complicações de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2, quando os níveis de glicose permanecem elevados de forma persistente;
    • Doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Pressão alta e alterações do colesterol, que aumentam ainda mais o risco cardiovascular;
    • Doença hepática gordurosa (esteatose hepática), conhecida popularmente como gordura no fígado;
    • Problemas nos rins, que podem surgir devido aos danos causados pela glicose elevada;
    • Lesões nos nervos, provocando sintomas como formigamento, dormência e perda de sensibilidade, principalmente nos pés e nas mãos;
    • Alterações na visão, que podem comprometer a saúde dos olhos ao longo do tempo.

    Vale apontar que o pré-diabetes é uma condição silenciosa e não costuma causar sintomas evidentes, o que torna importante manter uma rotina periódica de exames de rotina.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame detecta o pré-diabetes e o diabetes?

    Os principais exames são a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que medem a quantidade de açúcar circulando no sangue.

    2. Qual o valor da glicemia em jejum no pré-diabetes?

    O resultado do exame de sangue fica entre 100 miligramas por decilitro e 125 miligramas por decilitro.

    3. Quem tem pré-diabetes pode comer doce?

    O consumo deve ser evitado ao máximo e reservado para ocasiões muito raras e em quantidades bem pequenas.

    4. O que é diabetes tipo 1?

    É uma doença autoimune onde o próprio corpo destrói as células do pâncreas que produzem a insulina.

    5. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Os principais sintomas são sede excessiva, aumento da vontade de urinar, perda de peso sem motivo aparente, fome frequente e visão embaçada.

    6. O que é a insulina e para que serve?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma chave. Ela permite que o açúcar do sangue entre nas células para virar energia.

    7. O diabetes é uma doença hereditária?

    Existe um forte fator genético, principalmente no diabetes tipo 2. Quem tem pais ou irmãos com a doença tem maior risco de desenvolver a condição.

    8. Quais são as principais complicações do diabetes não tratado?

    A glicose alta por muito tempo danifica os vasos sanguíneos e pode causar infarto, derrame cerebral, problemas de visão, insuficiência nos rins e problemas de cicatrização nos pés.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Considerado um dos opioides mais potentes utilizados na medicina, o fentanil ganhou notoriedade mundial após ser associado a um grande número de overdoses e mortes.

    Medicamento amplamente utilizado em hospitais para controle da dor intensa e sedação de pacientes, quando administrado por profissionais treinados e em doses adequadas, o fentanil é uma ferramenta importante e segura em diversas situações clínicas.

    O problema surge quando a substância é utilizada sem supervisão médica ou misturada a outras drogas. Devido à sua potência extremamente elevada, pequenas quantidades podem ser suficientes para provocar intoxicações graves, parada respiratória e morte.

    Nos últimos anos, o fentanil tornou-se um dos principais responsáveis por mortes relacionadas a opioides em diversos países, especialmente nos Estados Unidos.

    O que é o fentanil?

    O fentanil é um opioide sintético, desenvolvido para atuar no controle da dor intensa. Ele pertence à mesma classe de medicamentos da morfina, mas possui potência muito superior.

    Estima-se que o fentanil seja cerca de:

    • 50 vezes mais potente que a heroína;
    • 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

    Na prática médica, costuma ser utilizado em situações como:

    • Sedação de pacientes internados;
    • Procedimentos anestésicos;
    • Controle da dor pós-operatória;
    • Tratamento de dores intensas em pacientes selecionados.

    O medicamento pode ser administrado por diferentes vias, como:

    • Intravenosa;
    • Intramuscular;
    • Transdérmica (adesivos);
    • Outras apresentações específicas.

    Por que o fentanil é tão potente?

    O fentanil possui alta afinidade pelos receptores opioides presentes no sistema nervoso central. Isso significa que pequenas quantidades já são capazes de produzir efeitos muito intensos.

    Como consequência:

    • Doses mínimas podem causar sedação profunda;
    • Pequenos erros de dosagem podem ser perigosos;
    • O risco de overdose é elevado.

    Essa é uma das principais razões pelas quais o uso recreativo é considerado extremamente arriscado.

    Como o fentanil age no organismo?

    O medicamento se liga aos receptores opioides presentes no cérebro e em outras regiões do sistema nervoso.

    Essa ação provoca:

    • Alívio da dor;
    • Sensação de bem-estar;
    • Relaxamento;
    • Sonolência;
    • Redução da atividade respiratória.

    Embora o efeito analgésico seja desejado em contextos médicos, a diminuição da respiração é justamente a principal causa das complicações fatais associadas ao uso recreativo.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Mesmo quando utilizado corretamente, o fentanil pode causar efeitos adversos.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Sonolência intensa;
    • Tontura;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Confusão mental;
    • Sensação de euforia;
    • Prisão de ventre.

    No uso recreativo, esses efeitos tendem a ser mais intensos devido à dificuldade de controlar a dose consumida.

    O maior perigo: a respiração

    A complicação mais grave associada ao fentanil é a chamada depressão respiratória. Nessa situação, a respiração se torna:

    • Mais lenta;
    • Mais superficial;
    • Menos eficiente.

    Com isso, a quantidade de oxigênio que chega aos órgãos diminui progressivamente. Nos casos mais graves, a pessoa pode parar completamente de respirar, necessitando de ventilação mecânica e suporte intensivo.

    Grande parte das mortes associadas ao fentanil ocorre por esse mecanismo.

    O que é uma overdose por fentanil?

    A overdose acontece quando a quantidade da substância ultrapassa a capacidade do organismo de tolerá-la.

    Os sinais podem incluir:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para despertar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Pupilas muito contraídas;
    • Lábios ou extremidades arroxeadas;
    • Perda de consciência.

    A overdose por fentanil é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Misturar fentanil com outras drogas aumenta o risco?

    Sim, e aumenta de forma significativa. O perigo aumenta quando o fentanil é combinado com substâncias que também deprimem o sistema nervoso central, como:

    • Álcool;
    • Benzodiazepínicos;
    • Outros opioides;
    • Medicamentos sedativos.

    Além disso, o fentanil também pode estar presente em drogas ilícitas sem que o usuário saiba.

    Há registros de contaminação de substâncias como:

    • Cocaína;
    • Heroína;
    • Drogas sintéticas.

    Nessas situações, o risco de overdose aumenta consideravelmente.

    O fentanil pode causar dependência?

    Sim. O potencial de dependência do fentanil é elevado.

    O uso repetido pode levar ao desenvolvimento de:

    • Tolerância (necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito);
    • Dependência física;
    • Dependência psicológica.

    Quando a substância é interrompida abruptamente, podem surgir sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação, dores corporais e mal-estar intenso.

    Existe tratamento para intoxicação por fentanil?

    Sim. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

    Uma das principais medidas é o uso da naloxona.

    Naloxona para tratamento de overdose de fentanil

    A naloxona é um medicamento capaz de reverter temporariamente os efeitos dos opioides. Ela pode restaurar a respiração e salvar vidas em situações de overdose.

    Dependendo da gravidade, também podem ser necessários:

    • Oxigênio suplementar;
    • Ventilação mecânica;
    • Monitorização contínua;
    • Cuidados intensivos.

    Por que o fentanil tem causado tantas mortes?

    Diversos fatores explicam o aumento dos casos de overdose.

    Entre eles:

    • Potência extremamente elevada;
    • Pequenas quantidades podem ser fatais;
    • Mistura com outras drogas;
    • Dificuldade de identificar sua presença;
    • Uso sem conhecimento da dose real consumida.

    Em muitos casos, a pessoa acredita estar consumindo outra substância, sem saber que ela contém fentanil.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para acordar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Perda de consciência;
    • Lábios arroxeados;
    • Suspeita de overdose.

    Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.

    Veja também: Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Perguntas frequentes sobre fentanil

    1. O fentanil é um medicamento?

    Sim. É utilizado na medicina para controle da dor intensa, sedação e anestesia.

    2. Por que ele é considerado tão perigoso?

    Porque é extremamente potente e pode provocar depressão respiratória grave mesmo em pequenas quantidades.

    3. O uso recreativo pode causar overdose?

    Sim. O risco é elevado e pode ocorrer mesmo com doses aparentemente pequenas.

    4. Quais são os principais sinais de overdose?

    Sonolência intensa, perda de consciência, respiração lenta e lábios arroxeados estão entre os sinais mais comuns.

    5. Existe antídoto para o fentanil?

    Sim. A naloxona pode reverter temporariamente os efeitos dos opioides.

    6. O fentanil causa dependência?

    Sim. O potencial de dependência física e psicológica é alto.

    7. Quando procurar atendimento de emergência?

    Sempre que houver suspeita de overdose ou sinais de dificuldade respiratória.

    Veja também: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Nem sempre o aumento na balança acontece apenas porque a pessoa está comendo mais. Alterações hormonais, retenção de líquidos, medicamentos e algumas doenças também podem influenciar o peso corporal.

    Ganhar peso é uma situação comum ao longo da vida e, na maioria das vezes, está relacionado a um desequilíbrio entre a quantidade de calorias consumidas e o gasto energético do organismo.

    Porém, quando o aumento de peso acontece de forma rápida, sem mudanças aparentes na alimentação ou acompanhado de outros sintomas, vale a pena investigar outras possíveis causas. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado a alterações hormonais, efeitos colaterais de medicamentos ou até doenças que favorecem retenção de líquidos.

    Venha entender o que está por trás do ganho de peso para identificar situações que merecem avaliação médica e tratamento adequado.

    Nem todo aumento na balança representa ganho de gordura

    Uma informação importante é que o peso corporal não é formado apenas por gordura. O aumento observado na balança pode acontecer por diferentes motivos, incluindo:

    • Acúmulo de gordura corporal;
    • Retenção de líquidos;
    • Ganho de massa muscular;
    • Inchaço associado a doenças.

    Por isso, além do valor mostrado na balança, os médicos costumam avaliar a velocidade do ganho de peso, a distribuição corporal e a presença de outros sintomas.

    Quando o ganho de peso é considerado esperado?

    Existem situações em que o aumento de peso ocorre de forma previsível e gradual.

    Entre as causas mais comuns estão:

    • Excesso de calorias na alimentação;
    • Redução da atividade física;
    • Mudanças na rotina;
    • Envelhecimento.

    Nesses casos, o ganho costuma ocorrer ao longo de meses ou anos, acompanhando mudanças no estilo de vida.

    Hipotireoidismo pode causar ganho de peso?

    Sim. O hipotireoidismo é uma das causas médicas mais conhecidas de ganho de peso. Quando a glândula tireoide produz menos hormônios do que deveria, o metabolismo pode ficar mais lento, o que aumenta sintomas como:

    • Cansaço;
    • Sonolência;
    • Intolerância ao frio;
    • Pele seca;
    • Ganho de peso.

    No entanto, especialistas ressaltam que o aumento de peso causado exclusivamente pelo hipotireoidismo costuma ser relativamente modesto e não explica sozinho casos de obesidade importante.

    Alguns medicamentos podem favorecer o ganho de peso

    Sim. Diversos medicamentos podem contribuir para aumento do peso corporal por mecanismos diferentes.

    Entre eles estão:

    • Corticoides;
    • Alguns antidepressivos;
    • Certos antipsicóticos;
    • Algumas medicações para diabetes;
    • Alguns anticonvulsivantes.

    Dependendo do medicamento, o ganho de peso pode ocorrer por aumento do apetite, retenção de líquidos ou alterações metabólicas.

    Retenção de líquidos pode parecer ganho de peso

    Nem todo aumento rápido na balança representa acúmulo de gordura. Em algumas situações, o peso sobe devido à retenção de líquidos.

    Isso pode acontecer em casos de:

    • Insuficiência cardíaca;
    • Doenças renais;
    • Doenças hepáticas;
    • Alterações hormonais.

    Nessas situações, também podem surgir sintomas como:

    • Inchaço nas pernas;
    • Inchaço abdominal;
    • Sensação de peso corporal aumentado;
    • Falta de ar.

    O ganho de peso costuma ocorrer de forma relativamente rápida, em poucos dias ou semanas.

    Síndrome de Cushing: uma causa hormonal menos comum

    A síndrome de Cushing acontece quando existe excesso de cortisol circulando no organismo. Embora seja uma condição relativamente rara, pode provocar ganho de peso importante.

    Os sintomas são:

    • Aumento de gordura na região do abdome;
    • Acúmulo de gordura no rosto;
    • Fraqueza muscular;
    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Alterações na pele.

    Por ser uma condição menos frequente, costuma exigir investigação especializada.

    Alterações hormonais femininas podem influenciar o peso?

    Sim. Mudanças hormonais podem favorecer o ganho de peso ou tornar o emagrecimento mais difícil. Isso pode ocorrer em situações como:

    • Menopausa;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Distúrbios da tireoide.

    Além das alterações hormonais propriamente ditas, mudanças no sono, no metabolismo e na composição corporal também podem contribuir para o aumento de peso.

    O estresse pode contribuir para o ganho de peso?

    Sim. O estresse crônico pode influenciar diretamente hábitos e comportamentos relacionados ao peso corporal. Entre os mecanismos envolvidos estão:

    • Aumento do apetite;
    • Maior consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Alterações do sono;
    • Redução da prática de atividade física.

    Ao longo do tempo, esses fatores podem favorecer o ganho de peso e dificultar a perda de gordura.

    Quando o ganho de peso merece investigação?

    Embora oscilações leves de peso sejam comuns, alguns sinais merecem atenção.

    Procure avaliação médica se ocorrer:

    • Ganho de peso rápido e sem explicação aparente;
    • Aumento de peso associado a inchaço;
    • Suspeita de alterações hormonais;
    • Falta de ar;
    • Cansaço excessivo;
    • Mudanças importantes no apetite.

    Nessas situações, pode ser necessário investigar causas além da alimentação.

    Quais exames podem ser necessários?

    A avaliação varia conforme a história clínica de cada pessoa. Dependendo do caso, podem ser solicitados:

    • Exames da tireoide;
    • Glicemia;
    • Avaliação da função renal;
    • Avaliação da função hepática;
    • Exames hormonais.

    O objetivo é identificar condições que possam estar contribuindo para o aumento do peso corporal.

    Como saber se o peso ganho é gordura ou líquido?

    Algumas características ajudam a diferenciar.

    Ganho de gordura

    Geralmente ocorre:

    • De forma gradual;
    • Ao longo de semanas ou meses;
    • Sem inchaço importante.

    Retenção de líquidos

    Costuma provocar:

    • Ganho rápido de peso;
    • Inchaço nas pernas ou pés;
    • Marcas de meias na pele;
    • Sensação de corpo inchado.

    A avaliação médica é importante para identificar a causa.

    Confira: O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Perguntas frequentes sobre ganho de peso

    1. Todo ganho de peso acontece por excesso de comida?

    Não. Alterações hormonais, medicamentos e algumas doenças também podem contribuir.

    2. Hipotireoidismo engorda muito?

    Pode estar envolvido no ganho de peso, mas geralmente não é a única causa do aumento importante da balança.

    3. Remédios podem aumentar o peso?

    Sim. Alguns medicamentos estão associados a ganho de peso ou retenção de líquidos.

    4. Retenção de líquidos aumenta a balança?

    Sim. Em alguns casos, o aumento pode ocorrer rapidamente.

    5. Ganho de peso rápido é normal?

    Nem sempre. Quando acontece sem explicação aparente, merece investigação.

    6. Estresse pode influenciar o peso?

    Sim. O estresse pode alterar o apetite, o sono e os hábitos de vida.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando o ganho de peso é acelerado, inexplicado ou acompanhado de sintomas como inchaço, cansaço excessivo ou falta de ar.

    Veja também: 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

  • K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    Nos últimos anos, a K9 ganhou destaque em reportagens e registros de intoxicações graves em diferentes regiões do Brasil. Popularmente conhecida como “droga zumbi”, ela está associada a alterações importantes do comportamento, episódios de agitação intensa e quadros potencialmente fatais.

    Embora muitas vezes seja comparada à maconha, a K9 é uma droga muito mais imprevisível e perigosa. Isso acontece porque ela pertence ao grupo dos canabinoides sintéticos, substâncias produzidas em laboratório que podem provocar efeitos muito mais intensos do que os observados com a cannabis natural.

    O que é a K9?

    A K9 não é uma substância única. Ela faz parte de um grupo de drogas conhecidas como canabinoides sintéticos, frequentemente chamadas de “drogas K”, que incluem compostos como K2, K4 e K9.

    Essas substâncias são produzidas em laboratório e podem ser vendidas de diferentes formas:

    • Como produto químico puro;
    • Misturadas a ervas secas;
    • Aplicadas sobre materiais vegetais para simular produtos naturais.

    Um dos principais problemas é que a composição pode variar muito entre diferentes lotes, tornando imprevisíveis tanto os efeitos quanto os riscos de intoxicação.

    Por que a K9 é considerada tão perigosa?

    Ao contrário de drogas cuja composição é relativamente conhecida, a K9 pode conter substâncias extremamente potentes. Além disso:

    • A concentração dos compostos varia amplamente;
    • Diferentes substâncias podem ser misturadas;
    • Pode haver contaminação por produtos tóxicos;
    • Nem sempre o usuário sabe exatamente o que está consumindo.

    Essa imprevisibilidade aumenta significativamente o risco de intoxicações graves.

    Como a K9 age no cérebro?

    Os canabinoides sintéticos atuam sobre receptores do sistema endocanabinoide, presentes em diversas regiões do cérebro. Esses receptores também são ativados pela cannabis natural.

    A diferença é que muitas substâncias presentes na K9 possuem ação muito mais intensa do que o THC, principal composto psicoativo da maconha.

    Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações importantes da percepção;
    • Confusão mental;
    • Alterações do comportamento;
    • Episódios de agitação intensa;
    • Alterações da consciência.

    Quais são os efeitos mais comuns?

    Os sintomas variam conforme a composição da droga e a quantidade consumida.

    Entre os efeitos mais relatados estão:

    • Agitação intensa;
    • Ansiedade;
    • Confusão mental;
    • Sonolência;
    • Alteração da consciência;
    • Comportamento desorganizado;
    • Alucinações;
    • Paranoia.

    A intensidade dos sintomas pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Por que algumas pessoas parecem “desligadas” ou “zumbis”?

    Diversos relatos de intoxicação por K9 mostram usuários com comportamento extremamente alterado. Entre os sinais observados estão:

    • Lentidão extrema;
    • Dificuldade para responder a estímulos;
    • Movimentos anormais;
    • Alterações importantes do estado mental;
    • Perda de contato com o ambiente.

    Foi justamente por causa dessas manifestações que a droga passou a ser popularmente chamada de “droga zumbi”.

    Esses quadros refletem uma intoxicação significativa do sistema nervoso central.

    Quais complicações graves podem ocorrer?

    Em intoxicações mais severas, podem surgir complicações potencialmente fatais. Entre elas estão:

    • Convulsões;
    • Psicose aguda;
    • Coma;
    • Alterações importantes do comportamento;
    • Depressão respiratória;
    • Insuficiência respiratória;
    • Rabdomiólise (destruição de fibras musculares);
    • Lesão renal aguda;
    • Alterações graves da pressão arterial.

    O risco de complicações aumenta porque muitas vezes não é possível saber exatamente quais substâncias estão presentes na droga.

    A K9 pode afetar o coração?

    Sim. Os canabinoides sintéticos podem provocar alterações cardiovasculares importantes.

    Entre elas:

    • Taquicardia;
    • Bradicardia;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Queda da pressão arterial;
    • Arritmias cardíacas.

    Essas alterações podem ser especialmente perigosas em pessoas com doenças cardiovasculares prévias.

    A K9 pode causar morte?

    Sim. Existem relatos de mortes associadas ao uso de canabinoides sintéticos em diferentes países.

    As principais causas incluem:

    • Arritmias cardíacas graves;
    • Convulsões;
    • Depressão respiratória;
    • Falência de órgãos;
    • Traumas decorrentes de alterações do comportamento.

    Por isso, a K9 é considerada uma das drogas sintéticas mais perigosas atualmente.

    Como é feito o atendimento médico?

    Quando uma pessoa chega ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação por K9, a prioridade é estabilizar as funções vitais. Os médicos avaliam:

    • Nível de consciência;
    • Respiração;
    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Oxigenação.

    Como muitas vezes não é possível identificar exatamente qual substância foi utilizada, o tratamento costuma ser baseado em suporte clínico.

    Existe antídoto para a K9?

    Não. Atualmente não existe um antídoto específico para a maioria dos canabinoides sintéticos. Por isso, o tratamento é direcionado às complicações apresentadas pelo paciente.

    Dependendo da situação, podem ser necessários:

    • Medicamentos para controlar convulsões;
    • Sedação;
    • Oxigenoterapia;
    • Hidratação venosa;
    • Monitorização intensiva.

    Por que essas drogas são tão difíceis de controlar?

    Os fabricantes frequentemente modificam a estrutura química dos compostos para criar novas versões das drogas. Isso dificulta:

    • A identificação em exames laboratoriais;
    • A regulamentação pelos órgãos de saúde;
    • O monitoramento pelas autoridades.

    Além disso, novos compostos podem surgir rapidamente, tornando o controle ainda mais complexo.

    O consumo de canabinoides sintéticos está aumentando?

    Em diversos países, os canabinoides sintéticos têm sido motivo de preocupação devido ao elevado potencial de intoxicação.

    Curiosamente, estudos realizados nos Estados Unidos observaram redução do consumo dessas substâncias em alguns locais após a ampliação do acesso legal à cannabis entre 2016 e 2019.

    Ainda assim, a K9 continua associada a episódios graves de intoxicação e atendimentos de emergência.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar, após o uso de substâncias desconhecidas:

    • Confusão mental importante;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência;
    • Dificuldade para respirar;
    • Agitação intensa;
    • Dor no peito;
    • Alterações importantes do comportamento.

    Esses sinais podem indicar intoxicação grave.

    Veja também: Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Perguntas frequentes sobre a K9

    1. A K9 é a mesma coisa que maconha?

    Não. Embora atue em receptores semelhantes, seus efeitos costumam ser muito mais intensos e imprevisíveis.

    2. O que são canabinoides sintéticos?

    São substâncias produzidas em laboratório para agir nos mesmos receptores estimulados pela cannabis.

    3. Por que a K9 é chamada de “droga zumbi”?

    Porque pode provocar lentidão extrema, confusão mental e alterações importantes do comportamento.

    4. A K9 pode causar convulsões?

    Sim. Convulsões estão entre as complicações graves já descritas.

    5. Pode causar problemas cardíacos?

    Sim. Pode provocar taquicardia, alterações da pressão arterial e arritmias.

    6. Existe antídoto para a K9?

    Não. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e das complicações.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver alteração importante da consciência, convulsões, dificuldade respiratória ou qualquer sinal de intoxicação grave.

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