Os antibióticos são medicamentos usados para combater infecções causadas por bactérias, atuando ao eliminar os microrganismos ou ao impedir que eles se multipliquem. Por isso, ao sentir os primeiros sintomas de mal-estar, febre e dor no corpo, não é incomum recorrer ao uso dos remédios por conta própria, na tentativa de acelerar a recuperação.
Mas, ao contrário do que o senso comum sugere, o antibiótico não cura a gripe, nem o resfriado comum. A seguir, entenda por que o uso não é indicado, quais são os riscos envolvidos e em quais situações o antibiótico realmente pode ser necessário.
Por que o antibiótico não funciona contra o vírus da gripe?
Segundo a cardiologista Juliana Soares, o antibiótico não funciona contra a gripe porque a doença é causada por um vírus (o Influenza), enquanto os antibióticos são feitos para atacar apenas bactérias. Os dois microrganismos possuem estruturas e formas de reprodução completamente diferentes:
- Bactérias: são organismos vivos complexos que possuem parede celular e metabolismo próprio. O antibiótico atua destruindo essa parede ou impedindo que a bactéria se multiplique;
- Vírus: são estruturas muito mais simples que precisam invadir as células do corpo humano para sobreviver e se replicar. Como os vírus não possuem as estruturas que os antibióticos atacam, o medicamento se torna totalmente inútil contra eles.
Em alguns casos, o antibiótico pode até ser necessário durante uma gripe, mas apenas quando surgem complicações bacterianas associadas, como uma pneumonia ou uma sinusite, sempre com indicação médica.
Riscos de tomar antibiótico por conta própria
Como os antibióticos alteram o funcionamento do organismo, o uso sem orientação médica pode causar:
1. Resistência bacteriana
A resistência bacteriana é a capacidade de microrganismos (bactérias, vírus, fungos e parasitas) de sobreviver aos efeitos de medicamentos, segundo Juliana. Quando você usa um antibiótico sem necessidade ou de forma incompleta, as bactérias que já vivem naturalmente no seu corpo não são totalmente eliminadas.
As mais sensíveis morrem, mas as mais resistentes sobrevivem e continuam se multiplicando, tornando-se cada vez mais difíceis de combater. No futuro, se você tiver uma infecção bacteriana real, os antibióticos comuns podem não fazer mais efeito.
2. Efeitos colaterais
Quando usados sem necessidade, os antibióticos expõem o organismo a riscos desnecessários e aumentam a chance de efeitos colaterais, que podem variar de leves a mais intensos, como:
- Diarreia;
- Náuseas;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Desconforto gastrointestinal.
Normalmente, os sintomas acontecem porque o antibiótico também altera o equilíbrio da microbiota intestinal, afetando o funcionamento do sistema digestivo e causando desconforto ao longo do tratamento.
3. Destruição da flora intestinal
Os antibióticos não eliminam apenas as bactérias causadoras da infecção, mas também afetam as bactérias boas que vivem no intestino e são importantes na digestão, na produção de vitaminas e na defesa do organismo. O desequilíbrio pode levar a diarreia, infecções fúngicas, como candidíase, e queda da imunidade.
4. Mascaramento de sintomas importantes
O uso indevido de antibióticos pode aliviar temporariamente alguns sintomas ou alterar a evolução do quadro, dificultando a identificação da causa real do problema. Isso pode atrasar o diagnóstico de doenças mais sérias e comprometer o início do tratamento adequado.
5. Interações com outros medicamentos
Os antibióticos podem interferir na ação de outros remédios, como anticoncepcionais, anticoagulantes e medicamentos de uso contínuo. Sem orientação médica, as interações podem passar despercebidas e aumentar o risco de efeitos colaterais.
Quando o antibiótico deve ser usado?
O antibiótico deve ser utilizado apenas quando há confirmação ou suspeita médica de infecção bacteriana. O tipo de medicamento, a dose e o tempo de tratamento devem ser definidos exclusivamente por um profissional de saúde.
O que realmente tomar para curar a gripe?
Como a gripe é uma infecção viral, não existe um remédio que elimine o vírus instantaneamente. O tratamento consiste em ajudar o corpo a combatê-lo e em aliviar o mal-estar. As opções mais indicadas são:
- Analgésicos e antitérmicos ajudam a baixar a febre e diminuir as dores de cabeça e no corpo enquanto o sistema imune combate o vírus;
- Anti-inflamatórios auxiliam na redução da dor de garganta e no mal-estar geral mas devem ser utilizados sob orientação médica;
- Lavagem nasal com soro fisiológico é fundamental para limpar as vias aéreas e facilitar a respiração ao remover o excesso de muco;
- Antivirais específicos podem ser indicados por um médico para grupos de risco com o objetivo de reduzir a duração da doença e evitar complicações;
- Hidratação constante por meio da ingestão de água e sucos naturais mantém as mucosas úmidas e ajuda na eliminação de secreções;
- Repouso permite que o corpo direcione toda a sua energia para o sistema imunológico acelerando o processo de recuperação natural.
“O antibiótico só deve ser usado quando há infecção bacteriana comprovada ou quando o médico suspeita fortemente que existe essa infecção. Para a gripe, o melhor tratamento é repouso, hidratação e controle dos sintomas”, explica Juliana.
Como prevenir a gripe?
Para prevenir a gripe e evitar a propagação do vírus, as medidas mais recomendadas envolvem uma combinação de cuidados diários, como:
- Vacinação anual: a imunização contra a gripe é a forma mais eficaz de prevenção, sendo atualizado todos os anos para proteger contra as cepas mais circulantes do vírus Influenza;
- Higiene das mãos: lavar as mãos com água e sabão com frequência ou usar álcool em gel ajuda a evitar a transmissão do vírus, principalmente após contato com superfícies ou pessoas doentes;
- Evitar contato próximo com pessoas gripadas: o vírus é transmitido por gotículas respiratórias. Por isso, manter distância de quem está com sintomas reduz o risco de contágio;
- Etiqueta respiratória: cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou com um lenço descartável, evita espalhar o vírus no ambiente;
- Ambientes ventilados: manter os espaços bem ventilados diminui a concentração de vírus no ar, reduzindo a chance de transmissão;
- Evitar levar as mãos ao rosto: o contato das mãos com olhos, nariz e boca facilita a entrada do vírus no organismo;
- Cuidar da imunidade: ter uma alimentação equilibrada, manter uma boa hidratação, dormir bem e praticar atividade física regularmente ajudam o corpo a se defender melhor contra infecções.
Quando ir ao médico?
A maioria dos casos de gripe é tratado com repouso e cuidados em casa, mas é importante ficar atento a sinais de que a infecção pode estar evoluindo para algo mais grave, como uma pneumonia:
- Dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar mesmo em repouso;
- Febre persistente que não baixa com o uso de antitérmicos ou que dura mais de três dias;
- Dor ou pressão persistente no peito ou no abdômen;
- Tosse que piora com o passar dos dias ou que apresenta catarro com sangue ou coloração muito escura;
- Tontura súbita confusão mental;
- Fraqueza extrema que dificulta atividades simples como levantar da cama ou tomar banho;
- Piora dos sintomas após uma melhora aparente;
- Vômitos persistentes que impedem a ingestão de líquidos.
Os sinais de alerta podem variar de acordo com a idade e a condição de saúde da pessoa. No caso de crianças pequenas, idosos, gestantes ou indivíduos com doenças crônicas, a avaliação médica deve ser buscada de forma mais precoce para evitar complicações graves.
Veja também: Antibióticos: por que não devem ser usados sem prescrição médica?
Perguntas frequentes
1. Por que às vezes o médico receita antibiótico quando estou gripado?
Isso acontece apenas quando o médico identifica uma complicação bacteriana secundária, como uma sinusite ou pneumonia, que surgiu porque a imunidade baixou durante a gripe.
2. Pode tomar o antibiótico que sobrou de um tratamento anterior?
Nunca. Cada infecção exige uma dosagem e um tempo específico. Usar sobras pode ser insuficiente para tratar o problema e gerar resistência bacteriana.
3. Qual a diferença entre gripe e infecção bacteriana?
A gripe geralmente causa febre súbita, dor no corpo e coriza. Já infecções bacterianas costumam apresentar sintomas localizados que pioram com o tempo, como pus na garganta ou dor intensa nos pulmões.
4. Quem está gripado pode tomar vacina da gripe?
Se houver febre, o ideal é esperar a recuperação total. Em casos de sintomas leves, como apenas coriza, a vacinação geralmente pode ser feita, mas consulte um profissional no local.
5. Por quanto tempo devo tomar remédio para gripe?
Analgésicos e antitérmicos devem ser tomados apenas enquanto houver dor ou febre. Já os antivirais devem seguir rigorosamente o período indicado pelo médico (geralmente 5 dias).
6. Onde devo descartar antibióticos vencidos?
Eles nunca devem ser jogados no lixo comum ou no vaso sanitário. Procure farmácias ou postos de saúde que possuam pontos de coleta para descarte de medicamentos.
Leia mais: Trivalente ou quadrivalente: saiba qual vacina da gripe escolher e por quê
