Quando pensamos em doenças capazes de afetar rapidamente o cérebro, é natural imaginar vírus, bactérias, alterações genéticas ou mesmo doenças degenerativas mais conhecidas, como o Alzheimer. Mas existe um grupo extremamente raro de condições em que o problema começa de uma maneira muito diferente: uma proteína do próprio organismo muda de formato e passa a induzir outras proteínas a fazerem o mesmo.
É o que acontece na doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e grave provocada pelos chamados príons. À medida que essas proteínas anormais se acumulam, células do cérebro são danificadas e podem surgir perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para caminhar, problemas de coordenação e movimentos involuntários.
Uma das características que mais chama atenção nessa doença é a velocidade: enquanto algumas doenças neurodegenerativas avançam durante anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma deterioração neurológica importante em questão de meses.
O nome também pode despertar outra associação: a chamada “doença da vaca louca”. Embora exista uma relação histórica entre uma forma específica de doença priônica humana e a encefalopatia espongiforme bovina, essa não é a origem da grande maioria dos casos de Creutzfeldt-Jakob. Na maior parte das vezes, a doença surge espontaneamente, sem que se consiga identificar uma exposição responsável.
Rara, pois ocorre aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas ao ano, a doença de Creutzfeldt-Jakob ainda não tem cura. Nas últimas décadas, porém, a medicina avançou bastante na capacidade de reconhecê-la ainda em vida.
Exames de ressonância magnética e técnicas capazes de detectar a atividade associada aos príons ajudam hoje os médicos a diferenciar a doença de outras causas de deterioração neurológica rápida, inclusive algumas que podem ser tratadas.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?
A doença de Creutzfeldt-Jakob pertence a um grupo de condições chamadas doenças priônicas ou encefalopatias espongiformes transmissíveis. Isso significa que são doenças neurodegenerativas caracterizadas pelo acúmulo no sistema nervoso de formas anormais da proteína priônica, que existe normalmente no organismo.
O problema começa quando essa proteína muda sua conformação, ou seja, passa a apresentar uma estrutura tridimensional anormal. A proteína alterada consegue induzir outras proteínas priônicas normais a também assumirem uma conformação inadequada.
Cria-se, então, uma espécie de reação em cadeia.
Progressivamente, essas proteínas se acumulam no cérebro e estão associadas à perda de neurônios e a alterações microscópicas que dão ao tecido cerebral uma aparência semelhante a uma esponja, daí o termo “encefalopatia espongiforme”.
É justamente essa capacidade de uma proteína anormal favorecer a transformação de outras proteínas que torna os príons tão diferentes dos agentes infecciosos tradicionais.
Afinal, o que é um príon?
Normalmente, quando pensamos em uma doença transmissível, imaginamos algum organismo ou agente que carregue material genético, como vírus ou bactérias.
O príon foge completamente dessa lógica.
Ele é essencialmente uma proteína com conformação anormal. Diferentemente de vírus e bactérias, os príons não possuem DNA ou RNA. Ainda assim, determinadas formas anormais da proteína priônica conseguem atuar como um molde, fazendo proteínas normais assumirem a configuração inadequada.
Com o tempo, esse processo leva ao acúmulo das proteínas alteradas e à morte de células nervosas.
Outra particularidade é que os príons apresentam grande resistência a alguns métodos convencionais de descontaminação. Essa característica ajuda a explicar por que serviços de saúde adotam protocolos específicos para instrumentos que possam ter entrado em contato com tecidos de alto risco de pacientes com suspeita de doença priônica.
Isso não significa, entretanto, que a doença de Creutzfeldt-Jakobseja facilmente transmitida de uma pessoa para outra. Na realidade, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e está relacionada a circunstâncias muito específicas, como contato direto durante cirurgias, por exemplo.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma demência?
A doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma demência que progride rapidamente, mas é bastante diferente das causas mais comuns de demência.
Na doença de Alzheimer, por exemplo, o comprometimento cognitivo geralmente progride ao longo de anos. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, alterações importantes podem surgir e avançar em semanas ou meses.
A pessoa pode começar apresentando mudanças relativamente inespecíficas, como dificuldade de memória, confusão, alterações de comportamento ou problemas de equilíbrio. Em pouco tempo, outros sintomas neurológicos podem aparecer.
É justamente essa velocidade de progressão que costuma chamar a atenção dos neurologistas.
Entretanto, uma demência rapidamente progressiva não significa automaticamente doença de Creutzfeldt-Jakob. Doenças autoimunes, encefalites, alterações metabólicas, infecções, alguns tipos de câncer e outras condições neurológicas podem produzir quadros semelhantes, e algumas delas são tratáveis.
Por isso, diante de uma deterioração neurológica rápida, a investigação médica precisa ser ampla antes que se chegue ao diagnóstico de uma doença priônica.
Quais são os sintomas da doença de Creutzfeldt-Jakob?
Os sintomas podem variar conforme a forma da doença e as regiões cerebrais mais afetadas.
Na doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica, uma apresentação típica envolve declínio cognitivo rapidamente progressivo associado ao desenvolvimento de outros sinais neurológicos.
Entre as manifestações possíveis estão:
- Perda progressiva da memória;
- Confusão mental;
- Mudanças de comportamento ou personalidade;
- Dificuldade para caminhar;
- Perda de equilíbrio e coordenação;
- Alterações visuais;
- Rigidez muscular;
- Movimentos involuntários rápidos, conhecidos como mioclonias;
- Dificuldade para falar;
- Comprometimento progressivo da capacidade de realizar atividades cotidianas.
Nos estágios avançados, o comprometimento neurológico pode se tornar muito intenso. Algumas pessoas evoluem para um estado chamado mutismo acinético, no qual perdem a capacidade de falar e realizar movimentos voluntários, apesar de poderem permanecer aparentemente despertos.
Uma das características mais marcantes da doença é justamente a rapidez dessa evolução.
Os primeiros sintomas sempre são problemas de memória?
Não. Embora o declínio cognitivo seja uma característica importante da doença de Creutzfeldt-Jakob, os primeiros sintomas podem ser bastante variados.
Algumas pessoas inicialmente apresentam alterações de equilíbrio ou coordenação. Outras podem desenvolver mudanças comportamentais, alterações do sono, tontura, problemas visuais ou dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples.
Isso pode tornar o diagnóstico particularmente difícil no começo.
Além disso, diversas doenças neurológicas e psiquiátricas são muito mais frequentes e podem provocar manifestações semelhantes. Por esse motivo, os sintomas iniciais isoladamente não permitem diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob.
A velocidade com que novas alterações aparecem e se acumulam costuma fornecer uma pista importante para a investigação.
Existem diferentes tipos de doença de Creutzfeldt-Jakob?
Sim. E essa diferenciação é fundamental para entender a doença. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser dividida principalmente em formas esporádica, genética e adquirida. Entre as formas adquiridas estão a doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica e a variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.
Doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica
É, de longe, a forma mais frequente. Aproximadamente 85% a 90% dos casos surgem de maneira esporádica, ou seja, sem uma mutação hereditária conhecida e sem exposição identificável a um príon externo.
Nesses pacientes, acredita-se que uma proteína priônica normal adquira espontaneamente uma conformação anormal, iniciando o processo da doença.
Por que isso acontece em uma determinada pessoa ainda não é completamente compreendido.
Doença de Creutzfeldt-Jakob genética
Uma parcela menor dos casos está relacionada a alterações no gene PRNP, responsável pela produção da proteína priônica. Nessas situações, a alteração genética aumenta a predisposição para que a proteína adquira uma conformação anormal.
A existência de uma forma genética não significa que toda pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob tenha familiares com a doença. A forma esporádica continua sendo, com ampla diferença, a mais comum.
Quando existe suspeita de uma doença priônica hereditária, aconselhamento genético e testes específicos podem fazer parte da investigação.
Doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica
“Iatrogênica” significa que a transmissão ocorreu como consequência de uma intervenção médica.
Historicamente, casos extremamente raros foram relacionados a determinados enxertos de dura-máter provenientes de cadáveres, transplantes de córnea, instrumentos neurocirúrgicos contaminados e hormônio do crescimento produzido a partir de hipófises humanas de cadáveres.
Muitas dessas práticas foram abandonadas há décadas e protocolos modernos de segurança reduziram drasticamente esse risco.
A possibilidade continua sendo relevante para a vigilância em saúde justamente porque os príons podem permanecer resistentes a métodos convencionais de esterilização.
E a doença da “vaca louca”? É a mesma coisa?
Não exatamente. Essa é provavelmente uma das maiores confusões envolvendo a doença de Creutzfeldt-Jakob.
A chamada doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), uma doença priônica que acomete bovinos.
Durante a epidemia de BSE ocorrida principalmente no Reino Unido nas décadas de 1980 e 1990, descobriu-se que pessoas expostas a produtos bovinos contaminados poderiam desenvolver uma doença priônica denominada variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ).
A variante, portanto, é diferente da forma esporádica clássica. Ela surgiu em pessoas geralmente mais jovens e apresenta características clínicas e neuropatológicas próprias.
A Organização Mundial da Saúde considera o consumo de produtos contendo tecidos bovinos de risco contaminados pelo agente da BSE a principal via associada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.
Isso não significa que comer carne bovina normalmente provoque doença de Creutzfeldt-Jakob.
Os sistemas modernos de vigilância sanitária, controle da alimentação dos animais e retirada de tecidos considerados de risco da cadeia alimentar foram desenvolvidos justamente para reduzir essa possibilidade.
E, sobretudo, é importante reforçar: a imensa maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob não tem relação com carne bovina ou com a doença da vaca louca.
A doença de Creutzfeldt-Jakob passa de uma pessoa para outra?
Nas situações cotidianas, não. A doença de Creutzfeldt-Jakob não é transmitida por abraço, beijo, tosse, espirro, compartilhamento de objetos, convivência familiar ou cuidado rotineiro de uma pessoa doente.
Também não existe evidência de transmissão da forma esporádica por contato social comum.
Os raríssimos casos adquiridos descritos ao longo da história envolveram exposição direta a determinados tecidos humanos contaminados ou procedimentos médicos muito específicos.
Por isso, familiares e cuidadores não precisam se isolar da pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob.
A preocupação com transmissão é principalmente uma questão de biossegurança em situações médicas específicas, particularmente quando determinados tecidos do sistema nervoso estão envolvidos.
A doença é comum?
Não. A doença de Creutzfeldt-Jakob é considerada extremamente rara. A incidência da forma esporádica fica aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas por ano, embora os números variem ligeiramente entre sistemas de vigilância e populações.
Ela ocorre principalmente em adultos mais velhos, com pico de incidência nas décadas mais avançadas da vida.
A variante associada à BSE é ainda mais rara e apresenta epidemiologia diferente.
Portanto, apesar de a doença de Creutzfeldt-Jakob ser uma doença grave e chamar bastante atenção devido à sua evolução rápida, ela representa uma causa muito incomum de sintomas como esquecimento, desequilíbrio ou alterações de comportamento.
Na enorme maioria das pessoas que apresentam esses sintomas, a explicação será outra, e muitas das possíveis causas têm tratamento.
Como é feito o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob?
Diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser desafiador, especialmente nas fases iniciais.
Isso acontece porque os primeiros sintomas podem se parecer com os de diversas outras doenças neurológicas. Alterações de memória, comportamento, equilíbrio e coordenação, por exemplo, não são exclusivas das doenças priônicas.
Por isso, diante de uma suspeita de demência rapidamente progressiva, uma das prioridades é investigar outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, principalmente aquelas que possuem tratamento.
A avaliação pode envolver exames de sangue, ressonância magnética do cérebro, eletroencefalograma (EEG), punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano e testes específicos para doenças priônicas.
O diagnóstico, portanto, não costuma depender de um único exame. Os médicos analisam o conjunto formado pela história clínica, velocidade de progressão dos sintomas, exame neurológico e resultados dos testes complementares.
É preciso fazer uma biópsia do cérebro para diagnosticar?
Na maioria das pessoas com suspeita de doença de Creutzfeldt-Jakob, não é necessário realizar uma biópsia cerebral apenas para estabelecer o diagnóstico clínico.
A evolução das técnicas de ressonância e, principalmente, o desenvolvimento do RT-QuIC permitiram aumentar consideravelmente a precisão diagnóstica em vida sem recorrer a um procedimento invasivo no cérebro.
A análise neuropatológica do tecido cerebral continua sendo a referência para a confirmação definitiva da doença, podendo ser realizada em circunstâncias específicas ou após a morte, por meio de autópsia.
A decisão depende do contexto clínico e deve ser discutida por equipes especializadas.
Por que é tão importante descartar outras doenças?
Porque algumas condições que provocam demência rapidamente progressiva são tratáveis.
Uma pessoa que apresenta deterioração cognitiva ao longo de semanas ou meses pode ter, além de uma doença priônica, condições como encefalites autoimunes ou infecciosas, distúrbios metabólicos, intoxicações, deficiências nutricionais e algumas doenças neoplásicas.
Algumas delas podem melhorar significativamente quando identificadas e tratadas rapidamente.
Por isso, mesmo quando a apresentação parece compatível com doença de Creutzfeldt-Jakob, a investigação não deve simplesmente parar nessa hipótese.
O objetivo dos médicos é tanto procurar evidências de uma doença priônica quanto excluir diagnósticos alternativos potencialmente reversíveis.
Existe tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob?
Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob.
Também não existe medicamento aprovado capaz de eliminar os príons do cérebro ou impedir definitivamente que continuem induzindo outras proteínas a adquirir uma conformação anormal.
Por isso, o tratamento é essencialmente de suporte e tem como objetivo proporcionar conforto e qualidade de vida ao paciente.
Dependendo dos sintomas, podem ser utilizados medicamentos para controlar:
- Dor;
- Ansiedade e agitação;
- Movimentos involuntários;
- Rigidez;
- Alterações do sono;
- Outros sintomas que causem desconforto.
À medida que a doença progride, podem surgir dificuldades para caminhar, falar, engolir e realizar atividades básicas.
Nesse momento, cuidados de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e cuidados paliativos podem assumir um papel cada vez mais importante.
O acompanhamento da família também é fundamental, já que a velocidade de progressão da doença costuma tornar todo o processo particularmente difícil.
Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob progride tão rapidamente?
Essa é uma das características que mais diferenciam a doença de Creutzfeldt-Jakob de outras doenças neurodegenerativas.
Uma vez iniciado o processo de conversão das proteínas priônicas, as proteínas anormais favorecem a alteração de outras proteínas, permitindo que o processo se amplifique progressivamente.
Ao mesmo tempo, acontece uma perda neuronal intensa em diferentes áreas do cérebro. Como resultado, funções cognitivas e neurológicas podem deteriorar-se em um intervalo relativamente curto.
Enquanto doenças como Alzheimer e Parkinson geralmente evoluem durante muitos anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica costuma apresentar uma progressão muito mais rápida.
Existem, porém, diferenças entre pacientes e entre os diversos subtipos de doenças priônicas.
Qual é o prognóstico da doença?
Infelizmente, a doença de Creutzfeldt-Jakob é fatal. Na forma esporádica, a evolução costuma acontecer ao longo de meses, embora a duração varie de pessoa para pessoa e alguns pacientes apresentem evolução mais prolongada.
Com o avanço da doença, a pessoa perde progressivamente sua autonomia. Dificuldades para caminhar e falar tornam-se mais intensas, a capacidade cognitiva se deteriora e podem aparecer problemas para engolir.
Nos estágios avançados, muitos pacientes permanecem acamados e completamente dependentes de cuidados. Complicações relacionadas à imobilidade e à dificuldade de deglutição, como infecções respiratórias por aspiração, podem ocorrer durante a evolução.
Essa rapidez torna particularmente importante que familiares e equipe médica conversem precocemente sobre objetivos de cuidado, conforto e preferências do paciente sempre que isso for possível.
É possível prevenir a doença de Creutzfeldt-Jakob?
Para a forma esporádica, que corresponde à grande maioria dos casos, não existe atualmente uma estratégia conhecida de prevenção.
Isso acontece justamente porque a doença surge espontaneamente, sem um comportamento ou exposição identificável que possa ser evitado.
Não há evidências de que alimentação, exercício físico, suplementos ou qualquer outro hábito de vida consiga impedir especificamente o aparecimento da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.
Já as formas adquiridas são outra história. Protocolos de segurança desenvolvidos nas últimas décadas reduziram o risco de transmissão por procedimentos médicos. Serviços de saúde também seguem medidas especiais para manipulação e descontaminação de instrumentos potencialmente expostos a tecidos de maior infectividade.
Uma pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob precisa ficar isolada?
Não. A convivência cotidiana com uma pessoa que tem doença de Creutzfeldt-Jakob não representa a forma de transmissão observada nas doenças priônicas humanas.
Abraçar, tocar, conversar, compartilhar o mesmo ambiente ou prestar cuidados cotidianos não transmite a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica. Portanto, não existe motivo para afastar familiares ou restringir o contato afetivo com o paciente.
As precauções especiais dizem respeito principalmente a situações médicas envolvendo determinados tecidos com potencial de infectividade, especialmente tecidos do sistema nervoso, e são responsabilidade dos serviços de saúde.
Essa diferenciação é importante para evitar estigma e medo desnecessários em torno de uma doença que já é emocionalmente difícil para pacientes e familiares.
Quando uma demência rapidamente progressiva deve ser investigada?
Esquecimentos ocasionais são extremamente comuns e, isoladamente, não devem levar alguém a suspeitar de doença de Creutzfeldt-Jakob.
O que chama atenção na doença de Creutzfeldt-Jakob é a progressão rápida e contínua de múltiplas alterações neurológicas.
Uma avaliação médica torna-se particularmente importante quando uma pessoa apresenta, ao longo de semanas ou poucos meses, piora evidente da memória ou do raciocínio acompanhada de alterações como dificuldade para caminhar, perda de coordenação, movimentos involuntários, problemas visuais, mudanças marcantes de comportamento ou perda rápida de autonomia.
Mesmo nessas circunstâncias, a doença de Creutzfeldt-Jakob continua sendo apenas uma entre várias possibilidades.
Como existem causas tratáveis de deterioração neurológica rápida, procurar avaliação médica precocemente é fundamental.
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Perguntas frequentes sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob
1. A doença de Creutzfeldt-Jakob é contagiosa?
Não da maneira como entendemos normalmente uma doença contagiosa. A doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica não é transmitida por contato cotidiano, tosse, espirro, abraço ou convivência com o paciente. Casos adquiridos ocorreram em circunstâncias médicas muito específicas.
2. A doença de Creutzfeldt-Jakob é a mesma coisa que doença da vaca louca?
Não. A doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), que afeta bovinos. A exposição ao agente da BSE foi relacionada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, que é diferente da forma esporádica clássica e extremamente rara.
3. A doença pode ser hereditária?
Algumas doenças priônicas estão associadas a variantes patogênicas no gene PRNP e podem ocorrer em famílias. Entretanto, a grande maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob é esporádica e não decorre de uma mutação hereditária conhecida.
4. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser confundida com Alzheimer?
Nas fases iniciais, algumas manifestações cognitivas podem levantar diferentes hipóteses diagnósticas. Entretanto, a doença de Creutzfeldt-Jakob geralmente progride muito mais rapidamente. Enquanto o Alzheimer costuma evoluir ao longo de anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar deterioração neurológica importante em meses.
5. Existe exame de sangue para diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob?
A investigação atualmente depende principalmente da avaliação clínica, ressonância magnética e análise de biomarcadores, especialmente no líquido cefalorraquidiano. Exames de sangue também podem ser solicitados para procurar outras causas dos sintomas, mas não existe um exame sanguíneo de rotina que, sozinho, confirme a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.
6. Existe cura para a doença de Creutzfeldt-Jakob?
Atualmente, não. O tratamento busca controlar sintomas, proporcionar conforto e oferecer suporte ao paciente e à família.
7. É possível pegar doença de Creutzfeldt-Jakob convivendo com uma pessoa doente?
Não há evidência de transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica por contato social cotidiano. Familiares podem abraçar, tocar e conviver normalmente com a pessoa.
8. Todo caso de demência que evolui rapidamente pode ser doença de Creutzfeldt-Jakob?
Não. Existem diversas causas de demência rapidamente progressiva, inclusive doenças autoimunes, infecciosas, metabólicas e tóxicas. Algumas são tratáveis, razão pela qual uma investigação médica abrangente é tão importante.
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