Categoria: Doenças

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  • Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    O hipotireoidismo é uma disfunção em que a glândula tireoide não produz uma quantidade suficiente dos hormônios T3 e T4, responsáveis por regular o metabolismo e o funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo.

    Com a redução dos hormônios, o organismo funciona de maneira mais lenta, então o ganho de peso costuma ser um dos primeiros sinais notados pelos pacientes. Mas, ao contrário do que a maioria imagina, o hipotireoidismo costuma provocar um aumento de peso discreto, e não um ganho de dezenas de quilos.

    Na maioria dos casos, o peso extra varia entre 3 e 5 kg, sendo que os ganhos maiores normalmente estão associados a fatores como alimentação inadequada, sedentarismo ou outras condições de saúde.

    Quando o paciente inicia o tratamento médico adequado com a reposição do hormônio sintético, o corpo consegue eliminar os fluidos retidos e o peso da pessoa retorna ao padrão normal.

    Como o hipotireoidismo causa o ganho de peso?

    O ganho de peso no hipotireoidismo acontece porque os hormônios produzidos pela tireoide determinam a velocidade com que as células do corpo gastam energia. Quando os níveis de T3 e T4 estão baixos, o metabolismo basal, que representa a quantidade de energia necessária para manter as funções vitais em repouso, desacelera.

    Além da queima de calorias ficar mais lenta, a falta de estímulo hormonal também reduz a lipólise, processo responsável pela quebra das moléculas de gordura para a produção de energia.

    O organismo tende a gastar menos calorias ao longo do dia, o que pode favorecer um ganho gradual de peso quando associado a outros fatores, como alimentação inadequada e menor nível de atividade física.

    Por fim, o aumento de peso também pode ser causado pelo acúmulo de substâncias chamadas glicosaminoglicanos nos tecidos. As moléculas atraem água, provocando um inchaço difuso na pele e nos músculos, conhecido como mixedema. Logo, parte do aumento de peso observado no hipotireoidismo está relacionada à retenção de líquidos, e não ao acúmulo de gordura.

    Quantos quilos é possível engordar devido ao hipotireoidismo?

    De acordo com o médico endocrinologista André Colapietro, o ganho de peso causado diretamente pelo hipotireoidismo não acontece de forma ilimitada. Na maioria dos casos, o aumento costuma flutuar apenas entre três e cinco quilos, resultado da combinação entre a retenção de líquidos e a redução do metabolismo.

    O especialista ainda destaca que a disfunção não tem a capacidade de gerar um acúmulo tão massivo de tecido adiposo, e ganhos de peso de 10 ou 15 quilos não costumam ser justificados pelo hipotireoidismo.

    Caso a pessoa perceba um aumento de peso muito acentuado, os médicos precisam investigar outros fatores associados, como a presença de hábitos alimentares inadequados, a falta de atividade física diária ou a presença de outras doenças metabólicas.

    O peso acumulado é perdido após iniciar o tratamento?

    Na maioria dos casos, sim, mas nem todo o peso desaparece automaticamente. Quando o tratamento com levotiroxina normaliza os níveis dos hormônios da tireoide, o metabolismo volta a funcionar adequadamente e o organismo elimina boa parte da retenção de líquidos causada pelo hipotireoidismo.

    Segundo André, o médico ajusta a dosagem durante o acompanhamento do paciente para identificar qual é a quantidade de medicamento que ele realmente precisa em cada fase da vida.

    No entanto, se parte do ganho aconteceu por acúmulo de gordura corporal, apenas controlar o hipotireoidismo não será suficiente para emagrecer. Também é necessário manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e adotar hábitos saudáveis.

    O que fazer para emagrecer com hipotireoidismo?

    Para pessoas com diagnóstico de hipotireoidismo, o primeiro passo para perder peso é seguir corretamente o tratamento prescrito pelo endocrinologista.

    Quando os exames emitem que os níveis hormonais estão controlados e a dose da medicação está ajustada, o emagrecimento passa a depender principalmente da adoção de hábitos saudáveis, assim como acontece com pessoas que não têm a doença. Veja algumas dicas importantes:

    1. Tome o medicamento da forma correta

    O tratamento do hipotireoidismo só funciona quando a levotiroxina é usada corretamente. Siga todas as orientações do médico e tome o medicamento diariamente, em jejum, com água, aguardando o tempo recomendado antes de comer ou ingerir outros remédios.

    Além disso, não interrompa o tratamento por conta própria, mesmo que os sintomas melhorem, e mantenha os exames e as consultas de acompanhamento em dia para que a dose seja ajustada sempre que necessário.

    2. Pratique atividade física com frequência

    A prática regular de exercícios ajuda o organismo a gastar mais calorias, preservar a massa muscular e facilitar a perda de gordura. Caminhadas, corridas, musculação e outras atividades também melhoram o condicionamento físico, aumentam a disposição e contribuem para a saúde de forma geral.

    3. Tenha uma alimentação equilibrada

    O ideal é dar preferência a frutas, verduras, legumes, proteínas magras, grãos integrais e alimentos ricos em fibras. Também vale diminuir o consumo de refrigerantes, doces, frituras e produtos ultraprocessados, visto que os alimentos industriais costumam ser ricos em calorias, açúcares, gorduras e sódio, favorecendo o ganho de peso.

    4. Tenha paciência e mantenha a constância

    Mesmo com os hormônios da tireoide normalizados, vale lembrar que a perda de peso não acontece de um dia para o outro. O emagrecimento saudável costuma ser um processo gradual e depende da combinação constante entre a alimentação saudável, a realização de atividade física e a continuidade do tratamento médico.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo o medicamento leva para regular o peso?

    O processo de eliminação do inchaço causado pela retenção de fluidos costuma começar algumas semanas após o início do tratamento, dependendo da normalização do exame de TSH.

    2. Por que sinto tanto cansaço com o hipotireoidismo?

    A diminuição na produção de energia pelas células faz com que o corpo funcione em um ritmo muito mais lento, gerando sintomas como fadiga crônica, fraqueza muscular e sonolência excessiva.

    3. O hipotireoidismo tem cura?

    Na grande maioria dos casos clínicos, o hipotireoidismo decorrente de causas autoimunes é uma condição crônica que não tem cura, precisando do uso contínuo da medicação por toda a vida.

    4. O estresse pode afetar a tireoide?

    O estresse crônico altera a produção de cortisol e pode desregular o sistema imunológico, piorando a resposta inflamatória nos pacientes que possuem a doença autoimune de Hashimoto.

    5. Qual é o melhor exercício para quem tem hipotireoidismo?

    A combinação de exercícios de força, como a musculação, com atividades aeróbicas regulares é a melhor escolha, ajudando a elevar o gasto calórico e a construir massa muscular para acelerar o metabolismo.

    6. Como diferenciar o ganho de peso da tireoide do ganho de peso comum?

    O aumento provocado pela tireoide costuma vir acompanhado de outros sintomas característicos, incluindo pele muito seca, unhas quebradiças, queda de cabelo excessiva, intestino preso e intolerância ao frio.

    7. O que é o exame de TSH?

    O TSH é um hormônio produzido pela hipófise (no cérebro) que serve para mandar a tireoide trabalhar. Quando a tireoide funciona de menos, o TSH sobe para tentar estimulá-la; quando ela funciona demais, o TSH cai.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Rabdomiólise: quanto esforço físico é necessário para aumentar o risco?

    Rabdomiólise: quanto esforço físico é necessário para aumentar o risco?

    A rabdomiólise é uma condição caracterizada pela destruição intensa das fibras musculares, o que causa a liberação de substâncias presentes dentro das células musculares para a corrente sanguínea.

    Embora possa ocorrer por diversos motivos, uma das causas mais conhecidas é o esforço físico excessivo, especialmente quando realizado sem preparo adequado.

    Apesar de ser relativamente incomum, a rabdomiólise pode provocar complicações importantes, incluindo lesão renal aguda, alterações eletrolíticas e, em casos graves, necessidade de internação hospitalar.

    O que é a rabdomiólise?

    Quando ocorre uma lesão muscular muito intensa, as fibras musculares se rompem e liberam diversas substâncias na circulação.

    Entre elas estão:

    • Creatinoquinase (CK ou CPK);
    • Mioglobina;
    • Potássio;
    • Fósforo;
    • Outras proteínas musculares.

    Quando liberadas em grandes quantidades, essas substâncias podem sobrecarregar principalmente os rins e alterar o funcionamento de outros órgãos.

    Todo exercício intenso pode causar rabdomiólise?

    Não. A grande maioria das pessoas consegue realizar exercícios intensos sem desenvolver rabdomiólise.

    O problema costuma surgir quando existe um esforço muito acima da capacidade de adaptação do organismo.

    O risco depende muito mais da relação entre a intensidade do exercício e o condicionamento físico da pessoa do que da modalidade praticada.

    Quem tem maior risco?

    Algumas situações aumentam significativamente a chance de desenvolver rabdomiólise.

    Entre elas:

    • Sedentarismo com início súbito de treinos intensos;
    • Exercícios exaustivos sem adaptação gradual;
    • Treinos em ambientes muito quentes;
    • Desidratação;
    • Retorno aos exercícios após longos períodos de inatividade;
    • Uso de alguns medicamentos, como estatinas, especialmente quando associado a esforço intenso;
    • Doenças musculares hereditárias.

    O risco também aumenta quando o exercício é realizado apesar de febre ou outras doenças agudas.

    Quão grande deve ser o esforço?

    Não existe um número exato de horas, séries ou carga capaz de determinar quando ocorrerá rabdomiólise.

    Na prática, os casos costumam estar associados a situações como:

    • Treinos muito acima do habitual;
    • Séries repetidas até a exaustão;
    • Competições sem preparo adequado;
    • Exercícios repetitivos em volume extremo;
    • Desafios físicos muito intensos realizados por iniciantes.

    Curiosamente, muitos casos acontecem quando pessoas sedentárias tentam executar, em um único dia, treinos compatíveis com atletas ou indivíduos muito mais condicionados.

    Quais exercícios estão mais associados?

    A rabdomiólise pode ocorrer após diversas modalidades esportivas.

    Entre as mais frequentemente relacionadas estão:

    • Musculação intensa;
    • Cross training de alta intensidade;
    • Treinamentos militares;
    • Corridas de longa distância;
    • Maratonas;
    • Treinos funcionais exaustivos;
    • Exercícios com elevado número de repetições.

    O problema não está no tipo de exercício, mas na intensidade excessiva em relação ao preparo físico da pessoa.

    Dor muscular intensa após o treino é normal?

    Sim. A dor muscular tardia é uma resposta fisiológica comum após exercícios intensos ou diferentes do habitual. Entretanto, a rabdomiólise costuma provocar sintomas muito mais intensos.

    A dor geralmente:

    • É desproporcional ao treino realizado;
    • Limita significativamente os movimentos;
    • Pode ser acompanhada de grande inchaço;
    • Persiste ou piora nas primeiras horas após o exercício.

    Quais são os sinais de alerta?

    Os sintomas mais sugestivos incluem:

    • Dor muscular muito intensa;
    • Inchaço importante do músculo;
    • Fraqueza muscular significativa;
    • Dificuldade para movimentar o membro afetado;
    • Rigidez importante.

    Quanto mais intensos os sintomas, maior deve ser a suspeita.

    Urina escura é um sinal importante

    Um dos sinais clássicos da rabdomiólise é a alteração da cor da urina.

    Ela pode ficar:

    • Marrom;
    • Cor de chá;
    • Semelhante a refrigerante de cola;
    • Cor de café.

    Isso ocorre devido à eliminação da mioglobina pelos rins.

    Embora nem todos os pacientes apresentem esse sintoma, sua presença deve motivar avaliação médica imediata.

    Por que a rabdomiólise pode afetar os rins?

    A mioglobina liberada pelas fibras musculares pode ser tóxica para os rins.

    Nos casos mais graves, isso pode provocar:

    • Lesão renal aguda;
    • Redução da produção de urina;
    • Alterações dos eletrólitos;
    • Necessidade de diálise, embora isso seja incomum.

    A hidratação precoce reduz significativamente esse risco.

    Como os médicos fazem o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado na combinação da história clínica, do exame físico e dos exames laboratoriais.

    Os principais exames são os abaixo.

    1. Creatinoquinase (CK ou CPK)

    É o principal marcador da lesão muscular.

    Na rabdomiólise, seus níveis costumam estar muito elevados.

    2. Avaliação da função renal

    Inclui exames como:

    • Creatinina;
    • Ureia;
    • Eletrólitos.

    Eles ajudam a identificar complicações precocemente.

    3. Exame de urina

    Pode demonstrar presença de mioglobina e auxiliar na confirmação do diagnóstico.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da gravidade do quadro. Veja algumas alternativas.

    1. Hidratação intensa

    É a principal estratégia para proteger os rins e facilitar a eliminação da mioglobina.

    Em muitos pacientes, é realizada com soro intravenoso.

    2. Monitorização laboratorial

    Os exames são repetidos para acompanhar:

    • Níveis de CK;
    • Função renal;
    • Eletrólitos.

    3. Internação hospitalar

    Pode ser necessária em casos moderados ou graves, especialmente quando há alterações renais ou metabólicas.

    Como prevenir a rabdomiólise?

    Algumas medidas reduzem significativamente o risco:

    • Aumentar a intensidade dos treinos gradualmente;
    • Manter boa hidratação antes, durante e após os exercícios;
    • Evitar treinos extremos sem preparo adequado;
    • Respeitar os limites do condicionamento físico;
    • Interromper o exercício diante de sintomas importantes;
    • Evitar treinar intensamente quando estiver doente ou febril.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica imediatamente se ocorrer após um treino:

    • Dor muscular extremamente intensa;
    • Inchaço importante;
    • Fraqueza acentuada;
    • Urina escura;
    • Diminuição da quantidade de urina;
    • Incapacidade importante para movimentar o membro.

    Esses sinais podem indicar rabdomiólise e exigem investigação rápida.

    Confira: Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar de repente

    Perguntas frequentes sobre rabdomiólise

    1. Toda dor muscular após treino é rabdomiólise?

    Não. A maioria das dores musculares após exercício representa apenas adaptação normal ao esforço.

    2. Pessoas treinadas podem desenvolver rabdomiólise?

    Sim. Embora seja menos comum, pode ocorrer quando o esforço é muito superior ao habitual ou em condições desfavoráveis, como desidratação e calor intenso.

    3. Qual é o principal sinal de alerta?

    Dor muscular intensa associada à fraqueza importante e, principalmente, urina escura.

    4. A rabdomiólise pode afetar os rins?

    Sim. A lesão renal aguda é uma das principais complicações da doença.

    5. Qual exame confirma o diagnóstico?

    A dosagem da creatinoquinase (CK ou CPK) é um dos principais exames utilizados.

    6. É uma emergência médica?

    Pode ser. Casos com dor intensa, urina escura ou sinais de comprometimento renal exigem avaliação imediata.

    7. Como prevenir?

    Com progressão gradual dos treinos, hidratação adequada e respeito aos limites individuais de condicionamento.

    Veja também: Rabdomiólise: saiba mais sobre a doença que deixa o xixi preto

  • TDAH em adultos: por que o transtorno pode passar anos sem diagnóstico?

    TDAH em adultos: por que o transtorno pode passar anos sem diagnóstico?

    O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH, é um distúrbio de neurodesenvolvimento que acomete entre 2.5% e 3% da população adulta mundial. No Brasil, cerca de 2 milhões de adultos convivem com a condição, que por muito tempo foi considerada um transtorno da infância e da adolescência.

    Como já sabemos que o transtorno tem origem genética e está presente desde o nascimento, os sintomas acompanham a pessoa desde os primeiros anos de vida. Para pessoas que passam anos sem o diagnóstico, os sinais podem passar despercebidos ou ser interpretados como características da personalidade, falta de disciplina, distração excessiva ou até mesmo desinteresse pelas atividades do dia a dia.

    “Existe um grupo de pessoas com TDAH que passa anos sem diagnóstico ou, quando tem seu diagnóstico, ele é invalidado por todo mundo: ‘não, não existia nada de TDAH’. Isso acontece especialmente em meninas”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O que é o TDAH e por que ele pode passar despercebido?

    O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta funções importantes do cérebro relacionadas à atenção, ao planejamento, ao controle dos impulsos e à organização das tarefas do dia a dia.

    Apesar de normalmente associado a imagem de uma criança inquieta que não consegue se concentrar, o transtorno pode se manifestar de diferentes maneiras, atrasando o diagnóstico durante anos.

    O predomínio do tipo desatento

    O TDAH é dividido em três apresentações principais: predominantemente hiperativa/impulsiva, predominantemente desatenta e combinada. Quando a pessoa apresenta a forma desatenta, os sintomas normalmente não envolvem a agitação física clássica associada ao transtorno.

    As dificuldades costumam estar mais relacionadas à falta de foco, aos esquecimentos frequentes, à desorganização e aos problemas para concluir tarefas e administrar o tempo.

    No ambiente escolar, por exemplo, Bárbara explica que a criança costuma ficar no “mundo da lua”. Como ela não gera indisciplina, não atrapalha os professores e nem incomoda os colegas, a falta de atenção e o sofrimento passam completamente despercebidos.

    De acordo com pesquisas, o diagnóstico tardio acontece especialmente em meninas, porque elas frequentemente apresentam predominância de desatenção em vez de hiperatividade física. A hiperatividade nelas muitas vezes é mental (pensamentos acelerados e ansiedade), o que torna a condição invisível aos olhos de pais e educadores.

    Mecanismos de mascaramento (masking)

    O masking, também conhecido como camuflagem social, é um mecanismo de defesa e enfrentamento desenvolvido por pessoas neurodivergentes, normalmente de maneira inconsciente, para esconder ou compensar as dificuldades causadas pelo transtorno no dia a dia.

    Para evitar erros, esquecimentos ou críticas, por exemplo, é comum criar rotinas extremamente rígidas, usar listas para tudo, programar diversos alarmes no celular ou dedicar muito mais tempo do que o necessário para concluir tarefas.

    Apesar de contribuir para reduzir os impactos dos sintomas na rotina, o esforço constante pode levar ao esgotamento físico e mental, aumentando o risco de Burnout, ansiedade crônica, depressão e baixa autoestima.

    Principais sinais de TDAH em adultos

    Na vida adulta, os sintomas de TDAH se manifestam de forma muito mais interna e comportamental, como:

    • Desorganização frequente e dificuldade para manter a rotina em ordem;
    • Esquecimento de compromissos, prazos e objetos do dia a dia;
    • Tendência a adiar tarefas, principalmente as mais longas ou burocráticas;
    • Dificuldade para começar atividades, mesmo quando elas são importantes;
    • Sensação de mente acelerada e pensamentos constantes;
    • Impulsividade em decisões, compras ou durante conversas;
    • Facilidade para se distrair com estímulos externos ou com os próprios pensamentos;
    • Dificuldade para manter a atenção em tarefas que exigem concentração prolongada;
    • Episódios de hiperfoco, passando horas concentrado em algo de grande interesse;
    • Irritabilidade e baixa tolerância a frustrações do cotidiano;
    • Oscilações emocionais e sensação frequente de não estar rendendo o próprio potential;
    • Cansaço mental causado pelo esforço constante para se organizar e manter o foco.

    Consequências do TDAH não tratado ao longo da vida

    Quando o TDAH não é tratado ao longo da vida, a pessoa acumula uma série de prejuízos emocionais, sociais e profissionais, como:

    1. Ansiedade, depressão e baixa autoestima

    Ao longo dos anos, quando o rendimento escolar ou profissional fica abaixo do esperado, a pessoa é frequentemente chamada de desatenta, incapaz ou preguiçosa. O esforço exaustivo para mascarar os sintomas e tentar se adequar ao padrão neurotípico também pode evoluir para quadros graves de ansiedade generalizada, depressão crônica e burnout.

    2. Impacto na vida profissional e acadêmica

    A falta de tratamento compromete diretamente a capacidade de gerenciar prazos, focar em tarefas longas e manter a organização. Na vida adulta, as pessoas com TDAH têm maior probabilidade de mudar de emprego frequentemente, pedir demissão por impulso ou serem demitidos devido a erros por distração e atrasos crônicos.

    Também é comum encontrar pessoas extremamente inteligentes que não conseguem progredir na carreira ou que abandonaram a faculdade porque o modelo tradicional de ensino ou trabalho demanda uma atenção sustentada que o cérebro delas não consegue manter sem suporte.

    3. Problemas em relacionamentos afetivos e familiares

    Dificuldades com organização, gerenciamento do tempo, atenção e impulsividade são sintomas que podem causar situações que são frequentemente interpretadas pelos outros como falta de interesse, descuido ou irresponsabilidade.

    Seja na família ou em relacionamentos, esquecer compromissos, interromper conversas, ter dificuldade para ouvir com atenção ou não cumprir tarefas combinadas podem causar conflitos e frustrações, afetando a comunicação e a convivência.

    Como é feito o diagnóstico na vida adulta?

    Como não existem exames de sangue, de imagem ou mapeamentos cerebrais que podem diagnosticar o TDAH, é necessário uma avaliação cuidadosa de um profissional de saúde mental especializado, a partir de etapas como:

    • Investigação do histórico desde a infância: como o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, os primeiros sintomas precisam ter surgido ainda na infância, normalmente antes dos 12 anos de idade, mesmo que não tenham sido reconhecidos ou tenham sido mascarados naquele período;
    • Entrevista clínica detalhada: o médico ou psicólogo avalia o histórico do paciente e utiliza questionários específicos para entender a frequência, a intensidade e o impacto dos sintomas na rotina atual;
    • Análise dos prejuízos no dia a dia: para confirmar o diagnóstico, os sintomas precisam causar dificuldades significativas em diferentes áreas da vida, como trabalho, estudos, relacionamentos ou organização da rotina;
    • Avaliação neuropsicológica: embora não seja obrigatória em todos os casos, pode ser recomendada para analisar funções cognitivas como atenção, memória, planejamento, controle dos impulsos e outras habilidades executivas.

    O profissional também investiga outras condições que podem causar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, burnout, distúrbios do sono ou alterações hormonais.

    Opções de tratamento para o TDAH em adultos

    O tratamento ideal para o TDAH na vida adulta combina diferentes medidas para reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida, o que envolve especialmente:

    • Uso de medicamentos, que ajudam a regular os neurotransmissores no cérebro, principalmente a dopamina e a noradrenalina;
    • Terapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a pessoa a lidar com os comportamentos moldados por anos sem diagnóstico.

    Também é importante adotar pequenos ajustes no dia a dia, como a prática regular de atividade física, bons hábitos de sono e o uso de ferramentas de apoio (agendas, aplicativos de lembretes, alarmes e listas de tarefas).

    Com o tempo, as estratégias ajudam a melhorar o foco, a organização e a gestão da rotina, reduzindo os impactos do transtorno nas atividades diárias, no trabalho e nos relacionamentos.

    Leia mais: TDAH em adultos: 7 dicas para viver com mais foco

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o TDAH?

    O TDAH tem causa multifatorial, com forte base genética e neurológica. Segundo estudos, os fatores hereditários respondem por cerca de 80% dos casos, além de alterações na regulação de neurotransmissores como a dopamina.

    2. TDAH tem cura?

    Não, o TDAH é uma condição crônica do neurodesenvolvimento e não tem cura. No entanto, com o tratamento adequado, é perfeitamente possível controlar os sintomas e ter excelente qualidade de vida.

    3. Qual médico procurar para investigar o TDAH?

    O ideal é agendar uma consulta com um psiquiatra ou um neurologista, profissionais responsáveis por realizar a avaliação clínica, fechar o diagnóstico e prescrever medicamentos, se necessário.

    4. O TDAH pode surgir apenas na idade adulta?

    Não. Por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, os sintomas obrigatoriamente começam na infância, antes dos 12 anos.

    5. Todo mundo que tem TDAH precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. O uso de medicamentos depende da intensidade dos sintomas e do nível de prejuízo na vida da pessoa.

    6. Quem tem TDAH têm inteligência abaixo da média?

    Não, isso é um mito. O TDAH não afeta a capacidade intelectual do indivíduo, apenas altera apenas a habilidade do cérebro de gerenciar a atenção, o foco e a execução de tarefas cotidianas.

    7. O TDAH pode melhorar com a idade?

    Os sintomas de hiperatividade física tendem a diminuir ou se transformar em inquietude mental com o passar dos anos. No entanto, os desafios com desatenção, foco e memória de trabalho costumam persistir ao longo de toda a vida adulta.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Dormir virou quase um luxo nos dias de hoje. Entre o celular que não para de apitar, o trabalho que invade a madrugada e a cabeça que não desliga, muita gente já nem lembra como é acordar descansado. Mas o problema vai além do cansaço. A privação de sono pode desencadear problemas físicos, emocionais e até mesmo transtornos como a depressão.

    Hoje, estima-se que 72% dos brasileiros sofram com alterações no sono. Entenda mais sobre a relação entre insônia, depressão e outras doenças, e o que você pode fazer para ter boas noites de sono.

    Por que dormir bem é importante?

    O sono é um processo biológico essencial para a saúde. Enquanto você dorme, seu corpo trabalha e regula hormônios, equilibra o sistema imunológico, consolida memórias e faz até uma espécie de “faxina” no cérebro. Essa limpeza é feita pelo chamado sistema glinfático, que remove toxinas e proteínas associadas a doenças neurológicas, uma função descoberta só em 2012.

    Hoje, o sono é considerado o terceiro pilar da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da atividade física. “Reconhecer seus impactos profundos representa o primeiro passo para uma revolução nos cuidados pessoais e na saúde pública”, afirma a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    O impacto da insônia na saúde física

    O impacto do sono é brutal. Uma noite maldormida já bagunça o corpo todo. Estudos mostram que uma única noite de sono ruim pode reduzir a sensibilidade à insulina em até 25%, e isso é preocupante, pois deixa o corpo em um estado semelhante ao pré-diabetes. Não é exagero: dormir pouco aumenta a chance de ganhar peso, de obesidade e de diabetes tipo 2.

    Como se não bastasse, a falta de sono também afeta o coração. “Durante o sono, a pressão arterial tende a cair. Quando o sono é curto ou fragmentado, isso não acontece, e o risco de hipertensão e doenças cardíacas aumenta”, explica a cardiologista.

    Coração, pressão e sono andam juntos

    O sono é o momento em que o sistema cardiovascular relaxa. Quando esse descanso não acontece da melhor maneira, o corpo continua em alerta, com a pressão arterial e a frequência cardíaca elevadas, e tudo isso sobrecarrega o coração.

    Estudos também apontam que dormir mal aumenta em até 48% o risco de eventos cardíacos. O motivo é que a falta de sono interrompe processos de autorregulação do sistema nervoso e hormonal, o que deixa o corpo em um estado constante de tensão.

    Insônia e depressão: uma via de mão dupla

    A relação entre sono e saúde mental é mútua. Quem está deprimido tem mais chance de dormir mal, e quem dorme mal tem risco aumentado de desenvolver depressão.

    “A concomitância de insônia e depressão promove maior redução na qualidade de vida do que quando uma dessas condições ocorre isoladamente. Tal interação amplifica a importância do tratamento e da gestão conjunta dessas condições”, afirma Juliana.

    A explicação está no cérebro. Durante o sono, especialmente na fase REM, aquela dos sonhos, o cérebro processa emoções, regula neurotransmissores e se prepara para enfrentar um novo dia. Quando esse ciclo é interrompido, ficamos mais vulneráveis, ansiosos e emocionalmente instáveis.

    Quanto tempo devemos dormir por noite?

    A necessidade de sono muda conforme a idade. Mas, para adultos e idosos, a recomendação da National Sleep Foundation é de sete a nove horas por noite.

    Parece simples, mas a rotina moderna dificulta esse padrão. Trabalho em turnos, uso excessivo de telas, estresse crônico e até a alimentação influenciam na qualidade do sono. E não basta dormir muito, é preciso que o sono seja profundo e restaurador.

    E quando dormir mal vira hábito?

    A insônia crônica é um problema de saúde. Ela reduz a produtividade, afeta o humor, enfraquece o sistema imunológico e, com o tempo, pode aumentar o risco de doenças graves.

    “Um tratamento eficaz para distúrbios do sono pode incluir estratégias comportamentais, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação”, orienta Juliana.

    Alguns sinais para procurar ajuda são:

    • Dificuldade frequente para dormir;
    • Acordar várias vezes durante a noite;
    • Acordar cansado;
    • Ficar irritado;
    • Dificuldade de concentração.

    Sono ruim afeta a qualidade de vida

    Tanto a insônia quanto a depressão afetam o bem-estar de uma pessoa. Quem tem problema de sono relata menos satisfação com a vida, mais cansaço e menor disposição para as atividades do dia a dia.

    O tratamento de distúrbios do sono melhora o humor, a energia e o desempenho no trabalho. Não é exagero dizer que dormir bem muda a vida.

    O que a sociedade pode fazer pelo nosso sono?

    A culpa nem sempre é individual. O ritmo das cidades, a pressão por produtividade e o excesso de estímulos digitais criam um ambiente hostil ao descanso.

    “Políticas de saúde pública devem enfatizar a importância do sono e promover práticas que encorajem padrões de sono saudáveis, especialmente em uma era em que a tecnologia e o ritmo acelerado da vida moderna frequentemente o interrompem”, alerta Juliana.

    Entre as ações que ajudam estão campanhas educativas, inclusão da higiene do sono nas escolas e até programas corporativos que valorizem o bem-estar do trabalhador.

    Dicas práticas de higiene do sono para dormir melhor

    Criar uma rotina na hora de dormir ajuda bastante na qualidade do sono. Veja algumas dicas para dormir melhor:

    • Durma sempre no mesmo horário: tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico.
    • Evite telas antes de dormir: celular, tablet e TV emitem luz azul, que atrapalha a produção de melatonina, o hormônio do sono.
    • Diminua o ritmo à noite: crie um ritual relaxante antes de se deitar, como tomar um banho morno, ouvir uma música tranquila ou ler um livro leve. Encontre o que é melhor para você.
    • Deixe o quarto confortável: o quarto precisa ser escuro, silencioso e com temperatura agradável.
    • Corte a cafeína à tarde: café, chá-preto, energéticos e até chocolate podem atrapalhar o sono se consumidos no fim do dia. Prefira consumir só de manhã.
    • Não faça refeições pesadas à noite: o correto é comer algo leve e pelo menos duas horas antes de se deitar.

    Dormir bem é prioridade, não luxo

    Dormir bem é tão importante quanto comer bem ou fazer exercícios. É durante o sono que o corpo se restaura, o coração descansa e o cérebro se organiza.

    Se você vive acordando cansado, tem dificuldade para dormir ou se sente irritado e sem foco durante o dia, vale a pena rever seus hábitos de sono. Priorize o descanso e procure ajuda médica caso não consiga dormir bem.

    Perguntas frequentes sobre insônia e depressão

    1. Quantas horas de sono são ideais por noite?

    Para adultos, o ideal é dormir entre:

    • 7 a 9 horas por noite, de forma regular
    • Dormir menos que 6 horas com frequência pode afetar a saúde
    • O sono insuficiente está ligado a problemas físicos e mentais, como depressão, ansiedade e doenças cardiovasculares

    2. A insônia pode causar depressão?

    Sim. A insônia crônica é um fator de risco para depressão e pode agravar uma depressão que já existe.

    3. Dormir pouco afeta o coração?

    Sim, sono e coração estão interligados. O sono ajuda a regular a pressão arterial e o funcionamento do coração. Dormir mal aumenta o risco de pressão alta e doenças cardíacas.

  • Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A infecção ganhou notoriedade mundial durante os grandes surtos registrados na África Ocidental entre 2014 e 2016, quando milhares de pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.

    Embora apresente elevada letalidade em alguns contextos, o comportamento epidemiológico do Ebola é bastante diferente de doenças respiratórias altamente transmissíveis, como a covid-19. Isso faz com que o risco de uma pandemia global seja considerado significativamente menor pelos especialistas.

    Ainda assim, surtos localizados continuam ocorrendo e exigem vigilância constante das autoridades sanitárias.

    O que é o Ebola?

    O Ebola é uma doença infecciosa que pode causar febre hemorrágica grave e comprometimento de múltiplos órgãos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.

    Desde então, surtos esporádicos foram registrados principalmente em países da África Central e Ocidental.

    Como acontece a transmissão?

    A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Entre os principais meios de transmissão estão:

    • Sangue;
    • Saliva;
    • Vômitos;
    • Fezes;
    • Urina;
    • Secreções corporais;
    • Tecidos de pessoas ou animais infectados.

    O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados por esses fluidos.

    Ebola não é transmitido pelo ar

    Uma das características que diferenciam o Ebola de vírus com potencial pandêmico elevado é a forma de transmissão. O Ebola não apresenta transmissão aérea eficiente entre humanos, como ocorre com:

    • Covid-19;
    • Influenza;
    • Sarampo.

    Por isso, sua disseminação depende de contato próximo e direto com pessoas infectadas ou seus fluidos corporais. Essa característica limita significativamente sua capacidade de espalhamento global.

    Quais são os sintomas do Ebola?

    Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

    Os sinais iniciais geralmente são:

    • Febre alta;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Fraqueza importante;
    • Dor de garganta;
    • Mal-estar geral.

    Nos primeiros dias, o quadro pode ser confundido com outras infecções virais.

    Como a doença pode evoluir?

    Com a progressão da infecção, podem surgir:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia intensa;
    • Dor abdominal;
    • Desidratação;
    • Alterações hepáticas e renais.

    Nos casos mais graves, ocorre comprometimento de múltiplos órgãos.

    O Ebola sempre causa hemorragias?

    Não. Embora seja conhecido como uma febre hemorrágica viral, nem todos os pacientes apresentam sangramentos.

    Quando eles ocorrem, podem incluir:

    • Sangramento das gengivas;
    • Sangramento gastrointestinal;
    • Sangramento nasal;
    • Hemorragias internas.

    Essas manifestações costumam estar associadas às formas mais graves da doença.

    Qual é a taxa de mortalidade?

    A mortalidade varia conforme diversos fatores, como:

    • A espécie do vírus;
    • O acesso ao atendimento médico;
    • A rapidez do diagnóstico;
    • A disponibilidade de tratamento especializado.

    Historicamente, alguns surtos apresentaram mortalidade superior a 50%, embora esse percentual varie amplamente.

    Existe tratamento para Ebola?

    Sim. Nas últimas décadas houve avanços importantes no manejo da doença.

    O tratamento inclui:

    • Hidratação intensiva;
    • Correção de distúrbios metabólicos;
    • Controle das complicações;
    • Suporte respiratório quando necessário.

    Além disso, terapias com anticorpos monoclonais passaram a ser utilizadas em alguns cenários, reduzindo a mortalidade.

    Existe vacina contra Ebola?

    Sim, mas não para todas as cepas do vírus. Vacinas eficazes foram desenvolvidas e são utilizadas principalmente durante surtos para conter a disseminação do vírus.

    Essas estratégias ajudaram a controlar surtos recentes em diferentes países africanos.

    O Ebola pode causar uma pandemia atualmente?

    Segundo o conhecimento científico atual, o potencial pandêmico do Ebola é considerado muito menor do que o observado em vírus respiratórios.

    Isso acontece porque:

    • A transmissão exige contato direto;
    • Pessoas geralmente não transmitem antes dos sintomas;
    • Casos tendem a ser identificados e isolados mais facilmente;
    • Medidas de controle costumam ser bastante eficazes.

    Por outro lado, surtos regionais continuam sendo uma preocupação relevante para a saúde pública.

    Por que os surtos continuam ocorrendo?

    Os surtos geralmente estão relacionados ao contato inicial com animais infectados e à posterior transmissão entre pessoas.

    Entre os fatores que favorecem a disseminação estão:

    • Sistemas de saúde fragilizados;
    • Diagnóstico tardio;
    • Dificuldade de acesso ao atendimento;
    • Falhas nas medidas de controle de infecção.

    Quando suspeitar de Ebola?

    Fora das áreas onde existem surtos ativos, o Ebola é extremamente raro.

    A suspeita geralmente envolve:

    • Viagem recente para regiões afetadas;
    • Contato com casos confirmados;
    • Exposição a fluidos corporais infectados;
    • Sintomas compatíveis com a doença.

    Confira: Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos?

    Perguntas frequentes sobre Ebola

    1. O Ebola é transmitido pelo ar?

    Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.

    2. Todo paciente com Ebola apresenta sangramentos?

    Não. As hemorragias costumam ocorrer nos casos mais graves.

    3. Existe vacina contra Ebola?

    Sim. Atualmente existem vacinas eficazes utilizadas para conter surtos.

    4. O Ebola ainda existe?

    Sim. Surtos esporádicos continuam sendo registrados em algumas regiões da África.

    5. O Ebola é mais letal que a covid-19?

    Historicamente, sim. A taxa de mortalidade do Ebola costuma ser muito maior.

    6. O Ebola pode causar uma pandemia global como a covid-19?

    Atualmente, esse risco é considerado muito menor por conta da forma de transmissão do vírus.

    7. Existe tratamento para Ebola?

    Sim. O tratamento de suporte e as terapias específicas melhoraram significativamente o prognóstico da doença.

    Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Se você já passou semanas em dieta, perdeu alguns quilos e depois viu o peso voltar rapidamente, já deve saber o quão frustrante o processo de emagrecimento pode ser. Mas, por trás da dificuldade de perder peso, não existe apenas falta de disciplina ou força de vontade.

    O peso corporal é regulado por um sistema complexo que envolve hormônios, genética, metabolismo e hábitos de vida. “O corpo tem mecanismos hormonais que tentam manter o peso. Quando você emagrece, o organismo entende isso como uma ameaça e resiste. Ele aumenta a fome e diminui o gasto de energia”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Nos primeiros meses, a perda de peso costuma acontecer com mais facilidade, mas, com o passar do tempo, o organismo se adapta à redução de calorias e passa a economizar energia. Como resultado, o emagrecimento desacelera e a sensação de fome pode se tornar cada vez mais intensa.

    Por que emagrecer parece tão difícil?

    O principal motivo pelo qual o emagrecimento pode ser tão difícil é que o corpo possui mecanismos naturais que tentam manter o peso estável. Durante milhares de anos, os seres humanos viveram períodos de escassez de alimentos, então armazenar gordura funcionava como uma reserva de energia importante para a sobrevivência.

    Quando você reduz o consumo de calorias para perder peso, o organismo pode entender como uma redução na disponibilidade de energia. Como resposta, ocorrem adaptações hormonais e metabólicas que dificultam o emagrecimento, como:

    • Aumento da fome, devido à alteração dos hormônios que controlam o apetite;
    • Maior vontade de consumir alimentos mais calóricos;
    • Redução do gasto energético, fazendo com que o organismo passe a consumir menos calorias para realizar as mesmas atividades.

    Por isso, a perda de peso costuma estagnar depois de algumas semanas, o que é conhecido como efeito platô, e a sensação de fome aumenta. “Manter o peso perdido às vezes é mais desafiador do que emagrecer. O emagrecimento não é apenas comer menos e gastar mais. Ele é um processo que envolve o corpo inteiro”, complementa André.

    O papel dos hormônios na perda de peso

    Os hormônios funcionam como mensageiros químicos que ajudam a controlar a fome, a saciedade, o gasto de energia e o armazenamento de gordura.

    Durante o processo de emagrecimento, os níveis hormonais podem mudar para tentar fazer você recuperar o peso perdido, já que o organismo entende a redução de peso como uma possível ameaça às suas reservas de energia.

    De acordo com André, os principais hormônios envolvidos no processo incluem:

    • Grelina, o hormônio da fome: é produzida principalmente no estômago e sinaliza ao cérebro quando está na hora de comer. Quando o estômago fica vazio, os níveis de grelina aumentam, estimulando a fome. Durante o emagrecimento, a produção do hormônio pode crescer, aumentando o apetite;
    • Leptina, o hormônio da saciedade: é produzida pelas células de gordura e informa ao cérebro que o corpo possui energia suficiente armazenada. Quando a pessoa perde peso, os níveis de leptina diminuem, reduzindo a sensação de saciedade e favorecendo o aumento da fome.

    Além deles, níveis elevados de cortisol por longos períodos estão associados ao aumento da fome, especialmente da vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura. O excesso do hormônio do estresse também pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Como emagrecer de forma realista e sustentável?

    Para emagrecer de forma sustentável, o ideal é construir hábitos de vida que possam ser mantidos ao longo do tempo, e não apenas por algumas semanas. As principais recomendações envolvem:

    • Evite dietas muito restritivas: cortar grupos alimentares inteiros ou passar longos períodos com fome pode fazer o organismo ativar os mecanismos de defesa mais rapidamente, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia;
    • Pratique atividade física regularmente: exercícios, especialmente a combinação de musculação e atividades aeróbicas, ajudam a aumentar o gasto calórico e a preservar a massa muscular, fator importante para manter o metabolismo mais ativo durante o emagrecimento;
    • Durma bem: a privação de sono altera hormônios relacionados ao controle do apetite. A produção de grelina, o hormônio da fome, aumenta, enquanto a de leptina, responsável pela saciedade, diminui, favorecendo o aumento da fome ao longo do dia;
    • Beba água e consuma fibras: frutas, verduras, legumes e grãos integrais são ricos em fibras, que ajudam a prolongar a sensação de saciedade. A ingestão adequada de água também contribui para o bom funcionamento do organismo e auxilia no controle da fome.

    André também ressalta que o emagrecimento precisa ser baseado em uma alimentação adequada ao gasto energético de cada pessoa. O ideal é estimar quantas calorias o organismo gasta diariamente, levando em consideração fatores como idade, peso, altura e nível de atividade física, e reduzir uma quantidade moderada de calorias.

    O déficit calórico controlado permite que a perda de peso aconteça de forma gradual e mais sustentável, reduzindo as chances de o organismo ativar mecanismos intensos de defesa, como o aumento excessivo da fome e a desaceleração do metabolismo.

    Quando o uso de medicamentos é indicado para emagrecer?

    Em alguns casos específicos, como situações de obesidade ou excesso de peso associado a problemas de saúde, o médico pode indicar o uso de remédios como parte do tratamento para emagrecer. Eles atuam diretamente no sistema nervoso ou no trato gastrointestinal, ajudando a aumentar a saciedade, controlar a compulsão alimentar ou reduzir a absorção de gorduras.

    No entanto, o uso de medicamentos deve ser sempre um complemento à mudança de estilo de vida e ter acompanhamento médico regular. Nunca se automedique!

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. Por que é mais difícil manter o peso do que emagrecer?

    Porque após perder peso, o metabolismo continua lento e os hormônios da fome permanecem alterados por meses. Se você voltar aos hábitos antigos, o corpo recuperará a gordura perdida rapidamente para se proteger.

    2. Por que o metabolismo fica lento durante a perda de peso?

    Porque o corpo reduz o ritmo das suas funções para gastar menos energia e proteger as reservas de gordura, entendendo a dieta como um período de escassez de alimentos.

    3. Como acelerar o metabolismo de forma natural?

    A forma mais eficaz é praticar exercícios de força, como a musculação, para ganhar massa magra. Os músculos gastam mais energia do que a gordura, mesmo quando o corpo está em repouso.

    4. O que é déficit calórico?

    O déficit calórico é consumir menos calorias do que o seu corpo gasta ao longo do dia. É a regra básica e necessária para que o organismo use a gordura estocada como fonte de energia.

    5. Por que o estresse atrapalha o emagrecimento?

    O estresse crônico aumenta a produção de cortisol, hormônio que estimula o apetite por alimentos mais calóricos (doces e gorduras) e facilita o estoque de gordura na região da barriga.

    6. Qual o papel das fibras no processo de emagrecimento?

    As fibras não são digeridas pelo corpo, então elas formam uma espécie de gel no estômago que torna a digestão mais lenta. Isso prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

    7. Pular refeições ajuda a emagrecer mais rápido?

    Não é uma boa estratégia para a maioria das pessoas. Pular refeições pode gerar uma fome exagerada na refeição seguinte, levando a exageros, além de deixar o organismo em alerta para economizar energia.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    A embolia pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões. A gravidade pode variar desde quadros leves até situações que colocam a vida em risco.

    Na maioria dos casos, o trombo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, condição conhecida como trombose venosa profunda (TVP), e posteriormente se desloca pela corrente sanguínea até os pulmões.

    O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para reduzir a obstrução da circulação pulmonar e diminuir o risco de complicações.

    O que acontece durante uma embolia pulmonar

    Quando um coágulo chega aos pulmões, ele bloqueia parte do fluxo sanguíneo para determinadas regiões pulmonares.

    Como consequência, ocorre um desequilíbrio entre ventilação e circulação, prejudicando as trocas gasosas e a oxigenação do sangue.

    Dependendo do tamanho do trombo e da extensão da obstrução, podem surgir sintomas como:

    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Tosse;
    • Palpitações;
    • Sobrecarga do coração.

    Nos casos mais graves, pode ocorrer instabilidade circulatória, choque e risco de morte.

    O tratamento começa ainda no hospital

    Após a confirmação ou forte suspeita diagnóstica, o tratamento geralmente é iniciado imediatamente.

    Os principais objetivos são:

    • Impedir o crescimento do coágulo;
    • Evitar a formação de novos trombos;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Permitir que o organismo dissolva gradualmente a obstrução.

    A estratégia terapêutica depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    Anticoagulantes: a base do tratamento

    Os anticoagulantes são o principal tratamento da embolia pulmonar.

    Embora sejam popularmente chamados de “afinadores do sangue”, eles não dissolvem diretamente o coágulo já formado.

    Sua função é:

    • Impedir o crescimento do trombo;
    • Reduzir a formação de novos coágulos;
    • Diminuir o risco de recorrência.

    Dessa forma, o próprio organismo consegue remover gradualmente o trombo ao longo do tempo.

    Quais anticoagulantes podem ser utilizados?

    A escolha do medicamento deve ser individualizada, sempre indicada pelo médico.

    Entre as opções mais utilizadas estão:

    • Heparinas;
    • Rivaroxabana;
    • Apixabana;
    • Edoxabana;
    • Dabigatrana;
    • Varfarina em situações específicas.

    A decisão leva em consideração fatores como:

    • Idade;
    • Função renal;
    • Presença de câncer;
    • Risco de sangramento;
    • Outras doenças associadas.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    A duração da anticoagulação depende da causa da embolia pulmonar e do risco de recorrência.

    Casos associados a fatores temporários

    Quando a embolia está relacionada a fatores transitórios, como:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Traumas.

    O tratamento costuma durar cerca de três meses, podendo variar conforme a avaliação médica.

    Casos sem causa identificada

    Quando não é encontrada uma causa evidente, o tratamento pode ser prolongado e reavaliado periodicamente.

    Casos de alto risco de recorrência

    Alguns pacientes podem necessitar anticoagulação por tempo indeterminado, especialmente aqueles com:

    • Trombofilias;
    • Episódios recorrentes de trombose;
    • Alguns tipos de câncer;
    • Fatores permanentes de risco.

    Quando a internação é necessária?

    Muitos pacientes permanecem internados nos primeiros dias para monitorização e estabilização clínica.

    A internação costuma ser indicada quando existe:

    • Falta de ar importante;
    • Baixa oxigenação;
    • Pressão arterial baixa;
    • Frequência cardíaca muito elevada;
    • Sinais de sobrecarga cardíaca;
    • Maior risco de complicações.

    Em casos selecionados e de menor gravidade, o tratamento pode ser realizado em regime ambulatorial.

    Casos graves podem exigir tratamentos mais agressivos

    Pacientes classificados como de alto risco podem precisar de intervenções adicionais.

    Trombólise

    Consiste no uso de medicamentos capazes de dissolver o coágulo de forma mais rápida.

    É um tratamento reservado para situações graves, devido ao maior risco de sangramento.

    Trombectomia por cateter

    Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos podem ser utilizados para remover ou fragmentar o trombo.

    Essa abordagem costuma ser reservada para pacientes selecionados.

    Oxigênio pode ser necessário?

    Sim. Pacientes com queda da oxigenação podem precisar de suporte respiratório, como:

    • Cateter nasal;
    • Máscara de oxigênio;
    • Ventilação não invasiva;
    • Suporte respiratório avançado nos casos mais graves.

    A necessidade depende da extensão da embolia e da repercussão clínica.

    Como os médicos investigam a causa?

    Após a estabilização do quadro, é importante identificar o fator que favoreceu a formação do coágulo.

    A investigação pode incluir:

    • Cirurgias recentes;
    • Internações prolongadas;
    • Imobilização;
    • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal;
    • Gravidez e puerpério;
    • Câncer;
    • Trombofilias;
    • Histórico familiar de trombose.

    Essa etapa ajuda a definir a duração do tratamento e a prevenir novos episódios.

    Como é a recuperação?

    A recuperação varia de acordo com a gravidade da embolia pulmonar.

    Muitos pacientes apresentam melhora significativa nas primeiras semanas, mas alguns sintomas podem persistir temporariamente, como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Menor capacidade física;
    • Sensação de recuperação lenta.

    A maioria das pessoas consegue retomar suas atividades habituais gradualmente.

    Existe risco de uma nova embolia?

    Sim. O risco é maior nos primeiros meses após o episódio inicial e depende da causa que levou à formação do trombo.

    Por isso, é fundamental:

    • Utilizar corretamente os anticoagulantes;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento;
    • Controlar fatores de risco;
    • Seguir as orientações médicas.

    O que fazer após a alta hospitalar?

    Após a alta, os cuidados costumam ser os abaixo.

    1. Uso correto dos anticoagulantes

    A medicação deve ser tomada exatamente como prescrita.

    2. Comparecer às consultas de acompanhamento

    O acompanhamento permite avaliar a evolução e ajustar o tratamento quando necessário.

    3. Retomar atividades gradualmente

    O retorno ao trabalho e aos exercícios deve ocorrer de forma progressiva.

    4. Controlar fatores de risco

    Parar de fumar, manter peso adequado e tratar doenças associadas ajuda a reduzir novas tromboses.

    5. Reconhecer sinais de alerta

    Conhecer os sintomas de recorrência pode acelerar a busca por atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se ocorrer:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Desmaio;
    • Queda importante da oxigenação;
    • Inchaço ou dor em uma das pernas.

    Esses sintomas podem indicar recorrência da trombose ou outras complicações.

    Confira: Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Perguntas frequentes sobre embolia pulmonar

    1. O principal tratamento da embolia pulmonar é a anticoagulação?

    Sim. Os anticoagulantes são a base do tratamento na maioria dos casos.

    2. Os anticoagulantes dissolvem o coágulo?

    Não diretamente. Eles impedem a formação de novos trombos enquanto o organismo remove gradualmente o coágulo existente.

    3. Toda embolia pulmonar precisa de internação?

    Não necessariamente. Alguns pacientes de baixo risco podem ser tratados em casa, mas muitos necessitam monitorização inicial.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O período varia conforme a causa e o risco de recorrência, podendo durar meses ou ser prolongado por tempo indeterminado.

    5. Existe risco de uma nova embolia pulmonar?

    Sim. Por isso é fundamental seguir corretamente o tratamento e o acompanhamento médico.

    6. Pode ser necessário usar oxigênio?

    Sim. Pacientes com baixa oxigenação podem necessitar suporte respiratório temporário.

    7. É possível voltar a ter uma vida normal após uma embolia pulmonar?

    Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado e acompanhamento médico, muitos pacientes retomam suas atividades habituais.

    Veja mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Alterações no sangue nem sempre são percebidas de imediato. Muitas vezes, sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos surgem de forma gradual e podem ser atribuídos a outras causas comuns do dia a dia.

    Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados a doenças que afetam diretamente a produção das células sanguíneas. A síndrome mielodisplásica é uma delas, pois faz parte de um grupo de condições que interfere no funcionamento da medula óssea e exige avaliação médica cuidadosa.

    O que é a síndrome mielodisplásica

    A síndrome mielodisplásica (SMD) é um grupo de doenças que afetam a medula óssea, estrutura responsável pela produção das células do sangue. Nessa condição, a medula passa a funcionar de forma inadequada, produzindo células sanguíneas anormais e em quantidade insuficiente.

    Como resultado, pode ocorrer redução dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, quadro que se manifesta como anemia, neutropenia e/ou trombocitopenia. Além da diminuição, as células produzidas também podem apresentar alterações na forma e no funcionamento.

    Isso acontece porque as células da medula óssea sofrem alterações, levando à produção ineficaz, com presença de células defeituosas e menor número de células saudáveis circulando no sangue. A evolução da síndrome mielodisplásica pode variar bastante: algumas formas são leves e estáveis, enquanto outras podem progredir para quadros mais graves.

    Principais sintomas

    Os sintomas dependem do tipo de célula afetada.

    Os mais comuns são:

    • Anemia: redução de glóbulos vermelhos, levando a sintomas como cansaço, fraqueza e palidez;
    • Baixa imunidade: redução ou disfunção de glóbulos brancos, favorecendo infecções frequentes;
    • Plaquetas baixas: aumento do risco de sangramentos e manchas roxas na pele.

    Em alguns casos, a doença pode ser assintomática no início.

    Por que a síndrome mielodisplásica acontece

    A causa pode ser desconhecida (idiopática) ou relacionada a fatores específicos.

    Os principais são:

    • Envelhecimento (mais comum em idosos);
    • Exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
    • Exposição a substâncias químicas (como benzeno);
    • Alterações genéticas nas células da medula.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A síndrome mielodisplásica é mais comum em:

    • Pessoas acima de 60 anos;
    • Pacientes com histórico de tratamento oncológico;
    • Pessoas expostas a substâncias tóxicas;
    • Indivíduos com alterações genéticas específicas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve exames laboratoriais e avaliação da medula óssea.

    Os principais são:

    • Hemograma completo;
    • Exame da medula óssea (mielograma ou biópsia);
    • Testes genéticos.

    O hemograma pode levantar a suspeita inicial ao identificar alterações nas células sanguíneas, mas o diagnóstico definitivo é feito com a análise da medula óssea.

    Possíveis complicações

    A síndrome mielodisplásica pode evoluir com:

    • Anemia grave;
    • Infecções recorrentes;
    • Sangramentos importantes;
    • Evolução para leucemia mieloide aguda em alguns casos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade da doença e do perfil do paciente.

    As principais opções são as abaixo.

    1. Suporte clínico

    • Transfusões de sangue;
    • Uso de medicamentos para estimular a produção de células sanguíneas.

    2. Terapias específicas

    • Medicamentos que atuam na medula óssea;
    • Medicamentos imunobiológicos.

    3. Transplante de medula óssea

    • Pode ser curativo em alguns casos;
    • Indicado em pacientes selecionados.

    A síndrome mielodisplásica tem cura?

    Depende. O transplante de medula óssea pode ser curativo, mas nem todos os pacientes são candidatos.

    Em muitos casos, o objetivo do tratamento é controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

    Confira:

    10 sinais de anemia para você ficar atento

    Perguntas frequentes sobre síndrome mielodisplásica

    1. Síndrome mielodisplásica é câncer?

    É considerada uma doença hematológica que pode evoluir para câncer (leucemia).

    2. Sempre causa sintomas?

    Não. Pode ser assintomática no início.

    3. Tem cura?

    Pode ter, principalmente com transplante em casos selecionados.

    4. Pode virar leucemia?

    Sim, em alguns casos.

    5. Precisa de transfusão?

    Alguns pacientes podem necessitar, dependendo da evolução.

    6. É comum?

    É mais comum em pessoas idosas.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos.

    Veja também:

    saiba mais sobre a leucemia

  • Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca marcada pelo espessamento anormal do músculo do coração, principalmente do ventrículo esquerdo, a principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo.

    Embora muitas pessoas convivam com a condição sem sintomas importantes, outras podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios e limitações para atividades físicas. Por ter origem genética em grande parte dos casos, o diagnóstico também pode levar à investigação de familiares próximos.

    O que é a cardiomiopatia hipertrófica?

    Na cardiomiopatia hipertrófica, ocorre um crescimento excessivo das fibras musculares cardíacas. Esse espessamento não acontece por esforço físico ou treinamento esportivo, mas por alterações na estrutura do próprio músculo do coração.

    Com o tempo, o coração pode ter dificuldade para relaxar adequadamente entre os batimentos, prejudicando o enchimento das câmaras cardíacas.

    O que acontece com o coração?

    O músculo cardíaco espessado pode provocar:

    • Redução do espaço interno do ventrículo;
    • Dificuldade de enchimento do coração;
    • Aumento das pressões cardíacas;
    • Alterações do fluxo sanguíneo.

    Em alguns pacientes, o músculo hipertrofiado também pode dificultar a saída do sangue do coração. Essa situação é chamada de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

    Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

    A principal causa é genética. Na maioria dos casos, a doença ocorre por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas.

    Essas alterações podem ser transmitidas de pais para filhos. Por isso, muitas vezes há histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica ou de morte súbita em parentes próximos.

    A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos segue um padrão de herança autossômica dominante.

    Isso significa que:

    • Um dos pais pode transmitir a alteração genética;
    • Nem todos os familiares terão sintomas;
    • O grau de acometimento pode variar dentro da mesma família.

    Por esse motivo, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos. Quando os sintomas aparecem, os mais frequentes são:

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço fácil;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Desmaios.

    A intensidade dos sintomas varia bastante entre os pacientes.

    Algumas pessoas não apresentam sintomas?

    Sim. Em muitos casos, o diagnóstico acontece por acaso, durante:

    • Exames de rotina;
    • Avaliações esportivas;
    • Investigação familiar após diagnóstico em parentes;
    • Exames solicitados por sopro cardíaco ou alterações no eletrocardiograma.

    Por isso, a ausência de sintomas não exclui a doença.

    Quais são as possíveis complicações?

    Embora muitas pessoas tenham boa qualidade de vida, algumas complicações podem ocorrer.

    1. Arritmias cardíacas

    O músculo cardíaco alterado pode aumentar o risco do surgimento de ritmos cardíacos anormais.

    2. Fibrilação atrial

    A fibrilação atrial pode aumentar o risco de formação de coágulos e AVC.

    3. Insuficiência cardíaca

    Em alguns casos, o coração pode apresentar dificuldade progressiva para funcionar adequadamente.

    4. Morte súbita cardíaca

    É a complicação mais temida, embora relativamente incomum.

    O risco não é igual para todos os pacientes e depende de características específicas avaliadas pelo cardiologista.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente envolve exames cardiológicos.

    1. Ecocardiograma

    É um dos principais exames para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar se existe obstrução à saída do sangue.

    2. Eletrocardiograma

    Pode mostrar alterações sugestivas da doença e ajudar na avaliação do ritmo cardíaco.

    3. Ressonância magnética cardíaca

    Ajuda a avaliar detalhes da estrutura do coração e pode identificar áreas de fibrose no músculo cardíaco.

    4. Testes genéticos

    Podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de forma hereditária e necessidade de orientar familiares.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende dos sintomas, da presença de obstrução e do risco individual de complicações.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para controlar sintomas;
    • Tratamento de arritmias;
    • Acompanhamento cardiológico regular;
    • Orientações sobre atividade física;
    • Restrições específicas para alguns esportes competitivos;
    • Implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em pacientes selecionados.

    Em casos específicos, podem ser necessários procedimentos para reduzir a obstrução causada pelo músculo hipertrofiado.

    A pessoa pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A atividade física deve ser discutida com o cardiologista, especialmente em pessoas com sintomas, obstrução importante, arritmias ou histórico familiar de morte súbita.

    Alguns pacientes podem praticar exercícios leves ou moderados com segurança, enquanto outros precisam evitar atividades competitivas ou de alta intensidade.

    Quem deve ser investigado?

    A avaliação médica é especialmente importante para pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
    • Morte súbita em parentes jovens;
    • Desmaios inexplicados;
    • Falta de ar durante exercícios;
    • Dor no peito aos esforços;
    • Palpitações frequentes;
    • Alterações cardíacas encontradas em exames.

    Familiares de primeiro grau de pessoas diagnosticadas também devem conversar com um cardiologista sobre rastreamento.

    Confira: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre cardiomiopatia hipertrófica

    1. Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma coisa que pressão alta?

    Não. Embora a pressão alta também possa causar aumento da espessura do coração, são condições diferentes.

    2. A doença é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos tem origem genética.

    3. Toda pessoa terá sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    4. Pode causar morte súbita?

    Sim, mas o risco varia entre os pacientes e deve ser avaliado individualmente.

    5. Qual é o principal exame para diagnóstico?

    O ecocardiograma é um dos principais exames utilizados.

    6. Familiares precisam fazer exames?

    Frequentemente sim, principalmente parentes de primeiro grau.

    7. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento é individualizado e pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir complicações.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)