Categoria: Doenças

isParent

  • Esqueceu tudo de repente? Entenda a amnésia global transitória

    Esqueceu tudo de repente? Entenda a amnésia global transitória

    Imagine conversar normalmente e, de repente, não conseguir se lembrar do que aconteceu nos últimos minutos. A pessoa reconhece a própria família, sabe falar e consegue andar, mas passa a repetir perguntas como: “onde eu estou?”, “como cheguei aqui?” ou “o que aconteceu?”.

    Essa situação assustadora pode ser causada por uma condição chamada amnésia global transitória.

    Apesar de impressionar familiares e frequentemente ser confundida com um acidente vascular cerebral (AVC), a amnésia global transitória costuma ser benigna, temporária e deixar poucas ou nenhuma sequela permanente.

    Mesmo assim, todo episódio de perda súbita de memória deve ser avaliado imediatamente, pois outras doenças potencialmente graves podem provocar sintomas semelhantes.

    O que é amnésia global transitória?

    A amnésia global transitória é uma síndrome neurológica caracterizada por uma perda súbita da capacidade de formar novas memórias, acompanhada de dificuldade para recordar acontecimentos recentes.

    Durante o episódio, a pessoa:

    • Permanece acordada;
    • Reconhece a própria identidade;
    • Consegue conversar;
    • Mantém a capacidade de caminhar e realizar movimentos;
    • Não apresenta perda de consciência.

    O principal problema é que ela não consegue registrar novas informações.

    Por isso, pode repetir as mesmas perguntas diversas vezes. A pessoa ouve e compreende a resposta, mas pouco tempo depois já não se lembra dela e volta a perguntar a mesma coisa.

    A pessoa esquece quem ela é?

    Na maioria dos casos, não. Esse é um dos principais equívocos relacionados à amnésia global transitória.

    Durante o episódio, a pessoa geralmente:

    • Sabe seu nome;
    • Reconhece familiares e amigos;
    • Conhece sua profissão;
    • Mantém sua personalidade;
    • Conserva habilidades aprendidas ao longo da vida.

    O comprometimento ocorre principalmente na memória recente e na capacidade de formar novas lembranças durante o episódio.

    Alguns pacientes também apresentam dificuldade para recordar acontecimentos ocorridos pouco antes do início da crise, quadro chamado de amnésia retrógrada de curta duração.

    A perda da própria identidade, entretanto, é extremamente incomum na amnésia global transitória.

    Quais são os sintomas da amnésia global transitória?

    O quadro costuma começar de forma súbita. Os sinais mais característicos são:

    • Esquecimento repentino;
    • Repetição constante das mesmas perguntas;
    • Incapacidade de memorizar acontecimentos recentes;
    • Confusão em relação ao horário ou ao local;
    • Ansiedade provocada pelo próprio esquecimento.

    Ao mesmo tempo, algumas funções permanecem preservadas, como:

    • Linguagem;
    • Coordenação motora;
    • Consciência;
    • Capacidade de reconhecer pessoas;
    • Força muscular.

    Essa combinação de características ajuda os médicos a diferenciar a amnésia global transitória de outras condições neurológicas.

    Quanto tempo dura a amnésia global transitória?

    Na maioria das vezes, o episódio dura entre 2 e 8 horas. Por definição, os sintomas desaparecem completamente em até 24 horas.

    À medida que o quadro melhora, a pessoa recupera a capacidade de formar novas memórias e costuma voltar ao seu funcionamento habitual.

    Entretanto, geralmente permanece uma lacuna na memória referente ao período da crise e aos minutos ou horas imediatamente anteriores ao início dos sintomas.

    Ou seja, mesmo depois da recuperação, a pessoa pode nunca se lembrar exatamente do que aconteceu durante aquele período.

    O que pode desencadear uma amnésia global transitória?

    A causa exata da amnésia global transitória ainda não é totalmente conhecida. No entanto, alguns acontecimentos são frequentemente relatados antes do início dos episódios e podem atuar como desencadeantes em pessoas predispostas.

    Estresse emocional intenso

    Alguns episódios acontecem após situações de grande impacto emocional, como:

    • Receber uma notícia muito impactante;
    • Discussões importantes;
    • Luto;
    • Ansiedade intensa.

    Isso não significa que todo episódio de estresse possa provocar amnésia global transitória, mas situações emocionalmente intensas aparecem entre os desencadeantes descritos.

    Esforço físico vigoroso

    A amnésia global transitória também pode surgir após:

    • Exercícios muito intensos;
    • Levantamento de peso;
    • Corridas longas;
    • Atividades que envolvem esforço máximo.

    Manobra de Valsalva

    Esforços que aumentam temporariamente a pressão dentro do tórax, como a manobra de Valsalva também podem estar associados ao início do episódio.

    Entre eles:

    • Levantar objetos muito pesados;
    • Tossir intensamente;
    • Fazer força para evacuar.

    Contato com água muito fria ou muito quente

    Alguns pacientes relatam o início dos sintomas após situações como:

    • Entrar subitamente em água fria;
    • Tomar banhos muito quentes;
    • Mergulhar.

    Esses acontecimentos são descritos como possíveis gatilhos, mas não são considerados causas diretas da doença.

    Relação sexual

    A relação sexual também aparece entre os desencadeantes descritos em alguns estudos. Isso pode estar relacionado à combinação entre esforço físico e alterações transitórias da circulação cerebral.

    O estresse realmente pode afetar a memória?

    Sim. Situações de intenso estresse físico ou emocional desencadeiam respostas hormonais importantes no organismo, envolvendo substâncias como adrenalina e cortisol.

    Na amnésia global transitória, acredita-se que esses eventos possam estar associados a alterações transitórias no funcionamento do hipocampo, região do cérebro fundamental para a formação de novas memórias.

    Estudos realizados com ressonância magnética mostram pequenas alterações temporárias nessa região em parte dos pacientes, reforçando essa hipótese.

    No entanto, a causa exata da amnésia global transitória ainda não é completamente compreendida.

    Amnésia global transitória é um AVC?

    Na maioria das vezes, não. Entretanto, não é possível ter certeza apenas observando os sintomas em casa.

    Por isso, toda perda súbita de memória deve ser tratada inicialmente como uma situação que exige avaliação médica imediata.

    Além do AVC, outras condições podem causar manifestações semelhantes, como:

    • Crises epilépticas;
    • Hipoglicemia;
    • Traumatismo craniano;
    • Encefalites;
    • Intoxicações por medicamentos ou drogas.

    Somente a avaliação médica, associada aos exames considerados necessários, permite estabelecer o diagnóstico correto.

    Como os médicos fazem o diagnóstico?

    O diagnóstico da amnésia global transitória é principalmente clínico, ou seja, baseado nas características apresentadas durante o episódio.

    O médico também realiza um exame neurológico completo e pode solicitar exames para descartar outras possíveis causas da perda de memória.

    Ressonância magnética do cérebro

    A ressonância magnética é o exame de imagem mais útil na investigação.

    Quando realizada entre 24 e 72 horas após o início dos sintomas, pode revelar pequenas alterações no hipocampo.

    Entretanto, a ressonância também pode apresentar resultado completamente normal.

    Tomografia computadorizada

    A tomografia computadorizada é frequentemente realizada na emergência para excluir AVC hemorrágico ou outras alterações estruturais.

    Exames laboratoriais

    Podem ser solicitados exames para investigar alterações metabólicas ou outras condições, como:

    • Hipoglicemia;
    • Distúrbios eletrolíticos;
    • Infecções.

    Eletroencefalograma (EEG)

    O eletroencefalograma pode ser indicado quando existe suspeita de epilepsia como possível explicação para o episódio.

    Existe tratamento para a amnésia global transitória?

    Não existe um tratamento específico para a amnésia global transitória. Após excluir causas graves para a perda súbita de memória, o manejo pode envolver:

    • Observação clínica;
    • Controle dos sintomas;
    • Orientação e tranquilização do paciente e da família;
    • Investigação de possíveis fatores desencadeantes.

    Na maioria dos casos, a recuperação ocorre espontaneamente ao longo das horas.

    A amnésia global transitória deixa sequelas?

    Em geral, não. Após o episódio:

    • A memória volta ao funcionamento habitual;
    • As funções cognitivas permanecem preservadas;
    • Não ocorre perda permanente da inteligência.

    O que costuma permanecer é uma lacuna na memória correspondente ao período da crise.

    A pessoa pode saber, posteriormente, que passou por um episódio de amnésia porque familiares contaram o que aconteceu, mas não necessariamente conseguirá recuperar as lembranças daquele período.

    O problema pode acontecer novamente?

    Pode, mas a recorrência é relativamente incomum. Os números variam entre os estudos, mas novos episódios ocorrem em aproximadamente 5% a 15% dos pacientes ao longo da vida.

    Mesmo quando acontece uma nova crise, o prognóstico costuma permanecer favorável.

    A amnésia global transitória aumenta o risco de demência?

    As evidências atuais indicam que não. A amnésia global transitória não é considerada uma doença neurodegenerativa e não parece aumentar de maneira significativa o risco de desenvolver doença de Alzheimer ou outras demências.

    Da mesma forma, a maioria dos estudos mostra que a amnésia global transitória não aumenta de maneira importante o risco futuro de AVC.

    Isso não significa, porém, que fatores de risco cardiovasculares possam ser ignorados. Quando presentes, eles devem ser avaliados e tratados normalmente.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Sempre que houver perda súbita de memória. Mesmo que o quadro pareça compatível com amnésia global transitória, não é possível confirmar o diagnóstico em casa.

    A avaliação se torna ainda mais urgente quando o esquecimento aparece acompanhado de:

    • Fraqueza em um lado do corpo;
    • Dificuldade para falar;
    • Alterações da visão;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência;
    • Dor de cabeça muito intensa;
    • Febre;
    • Confusão persistente.

    Esses sinais podem indicar doenças graves que exigem diagnóstico e tratamento rápidos.

    Confira: Ansiedade causa esquecimento? Sinais de que a sua mente está sobrecarregada

    Perguntas frequentes sobre amnésia global transitória

    1. O que é amnésia global transitória?

    É uma perda súbita e temporária da capacidade de formar novas memórias, geralmente com duração de poucas horas e recuperação completa em até 24 horas.

    2. A pessoa esquece quem ela é?

    Na maioria dos casos, não. Ela costuma reconhecer a própria identidade, os familiares e informações pessoais importantes. O principal comprometimento ocorre na memória recente e na capacidade de formar novas lembranças durante o episódio.

    3. O estresse pode desencadear esse problema?

    Sim. Situações de intenso estresse físico ou emocional estão entre os possíveis desencadeantes mais frequentemente descritos.

    Entretanto, a causa exata da amnésia global transitória ainda não é totalmente conhecida.

    4. Amnésia global transitória é um AVC?

    Geralmente não. No entanto, os sintomas podem ser confundidos com os de outras condições neurológicas. Por isso, toda perda súbita de memória precisa ser avaliada imediatamente para excluir AVC e outras causas graves.

    5. Existe tratamento?

    Não existe tratamento específico para a amnésia global transitória. Depois que outras doenças graves são descartadas, o quadro costuma melhorar espontaneamente ao longo de poucas horas.

    6. Pode acontecer novamente?

    Sim, mas a recorrência é relativamente incomum e ocorre em uma minoria dos pacientes.

    7. A amnésia global transitória deixa sequelas?

    Na maioria das pessoas, não. A memória e as demais funções cognitivas retornam ao funcionamento habitual. O que geralmente permanece é apenas a ausência de lembranças referentes ao período em que ocorreu o episódio.

    Veja também: Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

  • Olhos amarelos: além de hepatite, o que pode ser?

    Olhos amarelos: além de hepatite, o que pode ser?

    Perceber que a parte branca dos olhos ficou amarelada costuma causar preocupação imediata. Para muitas pessoas, esse sinal é automaticamente associado à hepatite. Embora a hepatite realmente seja uma das causas de icterícia, ela está longe de ser a única.

    Os olhos amarelos podem surgir por alterações no fígado, na vesícula biliar, nos ductos biliares, no sangue e até por algumas condições hereditárias benignas. Por isso, a icterícia deve ser encarada como um sinal clínico, e não como um diagnóstico.

    Em alguns casos, representa uma condição leve e transitória. Em outros, pode indicar doenças que exigem avaliação e tratamento rápidos.

    O que é icterícia?

    A icterícia é a coloração amarelada da pele, das mucosas e, principalmente, da parte branca dos olhos, chamada esclera.

    Ela acontece quando existe aumento da bilirrubina no sangue.

    A esclera costuma ser um dos primeiros locais onde essa alteração é percebida, pois suas estruturas apresentam grande afinidade pela bilirrubina.

    Por isso, muitas vezes os olhos ficam amarelados antes mesmo de a pele mudar de cor.

    O que é a bilirrubina?

    A bilirrubina é um pigmento amarelo produzido durante a degradação natural das hemácias, os glóbulos vermelhos. Todos os dias, milhões dessas células envelhecem e são substituídas.

    Nesse processo:

    1. A hemoglobina é degradada;
    2. Forma-se a bilirrubina indireta, também chamada de não conjugada;
    3. Ela é transportada até o fígado;
    4. O fígado transforma essa bilirrubina em uma forma solúvel, chamada bilirrubina direta ou conjugada;
    5. A bile transporta a bilirrubina até o intestino, onde ela será eliminada.

    Qualquer alteração nesse caminho pode provocar acúmulo de bilirrubina no sangue e levar à icterícia.

    Quais são as principais causas de olhos amarelos?

    As causas de icterícia podem ser divididas em três grandes grupos, de acordo com o ponto em que ocorre a alteração no metabolismo da bilirrubina.

    Antes do fígado: causas pré-hepáticas

    Acontecem quando existe destruição acelerada das hemácias, processo chamado hemólise.

    Entre os exemplos estão:

    • Anemia hemolítica autoimune;
    • Anemia falciforme;
    • Talassemias;
    • Reações transfusionais;
    • Algumas infecções.

    Nessas situações, o organismo produz mais bilirrubina do que o fígado consegue processar.

    No fígado: causas hepáticas

    São doenças que comprometem a capacidade do fígado de metabolizar ou eliminar a bilirrubina.

    Entre elas:

    • Hepatites virais;
    • Hepatite alcoólica;
    • Esteatose hepática avançada;
    • Cirrose;
    • Lesão hepática causada por medicamentos;
    • Hepatite autoimune;
    • Doenças metabólicas do fígado.

    Nesses casos, o problema está diretamente relacionado ao funcionamento do próprio fígado.

    Após o fígado: causas pós-hepáticas

    Acontecem quando existe alguma obstrução à saída da bile.

    Entre as causas estão:

    • Pedras na vesícula que migram para o colédoco;
    • Tumores do pâncreas;
    • Câncer das vias biliares;
    • Estreitamentos dos ductos biliares;
    • Inflamações das vias biliares.

    Nesses casos, a bilirrubina conjugada não consegue chegar adequadamente ao intestino e acaba retornando para a corrente sanguínea.

    Síndrome de Gilbert: uma causa benigna de olhos amarelos

    Uma das causas mais frequentes de icterícia leve em adultos jovens é a síndrome de Gilbert. Trata-se de uma condição hereditária em que o fígado apresenta menor capacidade de processar a bilirrubina indireta.

    Ela pode provocar episódios de olhos discretamente amarelados durante situações como:

    • Jejum prolongado;
    • Estresse físico ou emocional;
    • Infecções;
    • Exercícios intensos;
    • Privação de sono.

    A síndrome de Gilbert não causa lesão no fígado, não evolui para cirrose e não necessita de tratamento.

    Reconhecer essa condição também pode evitar exames desnecessários e reduzir a preocupação do paciente.

    Quais sintomas podem acompanhar a icterícia?

    Os sintomas associados dependem da causa do aumento da bilirrubina.

    Podem surgir:

    • Cansaço;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Coceira intensa;
    • Urina escura, descrita muitas vezes como “cor de Coca-Cola”;
    • Fezes muito claras ou esbranquiçadas;
    • Perda de apetite;
    • Perda de peso.

    Essas manifestações ajudam o médico a direcionar a investigação e a identificar a possível origem da icterícia.

    O que significa urina escura junto com olhos amarelos?

    Quando existe aumento da bilirrubina conjugada, parte dela pode ser eliminada pelos rins, deixando a urina mais escura.

    Isso pode acontecer em situações como:

    • Hepatites;
    • Obstruções biliares;
    • Algumas doenças hepáticas.

    Já na hemólise isolada, a urina pode permanecer com cor normal, porque a bilirrubina indireta não é filtrada pelos rins.

    A combinação entre olhos amarelos e urina escura, portanto, fornece uma pista importante durante a investigação da causa.

    Fezes claras indicam algum problema?

    Podem indicar.

    Fezes muito claras ou esbranquiçadas podem sugerir que pouca ou nenhuma bile está chegando ao intestino.

    Isso pode acontecer em casos de:

    • Obstrução dos ductos biliares;
    • Pedras na via biliar;
    • Tumores pancreáticos;
    • Algumas doenças hepáticas graves.

    Quando essa alteração é persistente, merece avaliação médica.

    Icterícia sempre significa doença grave?

    Não. A gravidade depende da causa.

    Entre as condições que podem provocar icterícia sem representar uma doença grave estão:

    • Síndrome de Gilbert;
    • Icterícia fisiológica do recém-nascido, em contexto específico e sob acompanhamento.

    Já algumas causas potencialmente graves incluem:

    • Hepatite aguda;
    • Cirrose descompensada;
    • Colangite;
    • Obstrução da via biliar;
    • Câncer de pâncreas;
    • Insuficiência hepática.

    Por isso, a presença de icterícia deve ser avaliada para que sua origem seja identificada.

    Como o médico descobre a causa?

    A investigação começa pela história clínica e pelo exame físico.

    O médico avalia fatores como o início dos sintomas, presença de dor ou febre, uso de medicamentos, consumo de álcool e outras alterações associadas.

    Depois, podem ser solicitados exames complementares.

    Exames de sangue

    Entre os exames que podem fazer parte da investigação estão:

    • Bilirrubina total e frações;
    • AST, também chamada TGO;
    • ALT, também chamada TGP;
    • Fosfatase alcalina;
    • Gama-GT;
    • Hemograma;
    • Marcadores de hemólise;
    • Sorologias para hepatites.

    A combinação desses resultados ajuda a diferenciar causas relacionadas ao sangue, ao fígado e às vias biliares.

    Exames de imagem

    Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados:

    • Ultrassonografia abdominal;
    • Tomografia computadorizada;
    • Ressonância magnética das vias biliares, também chamada colangiorressonância;
    • Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, a CPRE, em casos selecionados.

    A escolha do exame depende da provável origem da icterícia.

    Existe tratamento para a icterícia?

    O tratamento depende completamente da causa.

    Por exemplo:

    • Hepatites virais podem exigir acompanhamento específico ou antivirais, dependendo do tipo;
    • Pedras na via biliar podem necessitar de retirada por endoscopia ou cirurgia;
    • Anemias hemolíticas exigem tratamento direcionado à causa da hemólise;
    • Síndrome de Gilbert geralmente não requer tratamento.

    Portanto, o objetivo não é simplesmente fazer a coloração amarelada desaparecer, mas tratar a doença ou alteração responsável pelo aumento da bilirrubina.

    Quando a icterícia é uma emergência?

    Alguns sintomas associados à icterícia exigem avaliação imediata.

    Procure atendimento de urgência se os olhos amarelos surgirem acompanhados de:

    • Febre alta;
    • Dor intensa no lado direito do abdome;
    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Sangramentos;
    • Vômitos persistentes;
    • Queda importante da pressão;
    • Dificuldade para acordar.

    Esses sinais podem indicar infecções graves das vias biliares, insuficiência hepática aguda ou outras condições potencialmente graves.

    É possível prevenir a icterícia?

    Nem todas as causas de icterícia podem ser prevenidas. No entanto, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de doenças hepáticas que podem provocar aumento da bilirrubina.

    Entre elas:

    • Manter a vacinação contra hepatite A e B quando indicada;
    • Moderar ou evitar o consumo de álcool;
    • Manter um peso saudável;
    • Evitar automedicação, especialmente com medicamentos potencialmente tóxicos para o fígado;
    • Praticar sexo seguro;
    • Não compartilhar seringas ou objetos perfurocortantes;
    • Controlar doenças metabólicas, como diabetes e obesidade.

    Essas medidas não eliminam todas as possíveis causas de olhos amarelos, mas ajudam a proteger a saúde do fígado.

    Quando procurar um médico por olhos amarelos?

    O aparecimento de uma coloração amarelada na parte branca dos olhos merece avaliação médica, principalmente quando a causa ainda não é conhecida.

    A consulta se torna ainda mais importante quando a icterícia vem acompanhada de:

    • Urina muito escura;
    • Fezes claras;
    • Dor abdominal;
    • Febre;
    • Coceira intensa;
    • Perda de peso;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Mal-estar importante.

    O objetivo é identificar a causa e avaliar se existe necessidade de tratamento específico.

    Confira: O que muda na alimentação depois da retirada da vesícula?

    Perguntas frequentes sobre olhos amarelos

    1. Olhos amarelos sempre significam hepatite?

    Não. As hepatites são apenas uma das possíveis causas. Alterações nas vias biliares, doenças do sangue, condições hereditárias e tumores também podem provocar icterícia.

    2. A síndrome de Gilbert é perigosa?

    Não. É uma condição hereditária benigna que provoca elevação leve da bilirrubina indireta, sem causar lesão hepática ou necessidade de tratamento específico.

    3. Qual é a diferença entre bilirrubina direta e indireta?

    A bilirrubina indireta ainda não foi processada pelo fígado. Já a direta foi conjugada pelo órgão e normalmente seria eliminada por meio da bile.

    Essa diferença ajuda o médico a investigar em qual etapa do metabolismo da bilirrubina pode estar o problema.

    4. Urina escura junto com olhos amarelos é preocupante?

    Essa combinação merece avaliação médica.

    Ela pode indicar aumento da bilirrubina conjugada e estar relacionada a doenças do fígado ou a obstruções das vias biliares.

    5. Fezes claras são normais?

    Fezes persistentemente muito claras ou esbranquiçadas podem indicar redução da chegada de bile ao intestino e precisam ser investigadas.

    6. Quem está com icterícia deve evitar álcool?

    Sim. Até que a causa da icterícia seja esclarecida, é recomendado evitar bebidas alcoólicas, pois elas podem agravar doenças do fígado.

    7. Quando devo procurar atendimento imediatamente?

    Se a icterícia vier acompanhada de febre alta, dor abdominal intensa, confusão mental, sonolência excessiva, sangramentos, vômitos persistentes ou outros sinais importantes de piora, procure atendimento de urgência.

    Veja também: Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença

  • Mexer no celular no banheiro: qual o risco real para o corpo (e pro aparelho)?

    Mexer no celular no banheiro: qual o risco real para o corpo (e pro aparelho)?

    Em um cotidiano agitado, para algumas pessoas, o momento de usar o vaso sanitário virou uma pausa no dia para checar redes sociais, responder mensagens, ler notícias ou assistir a vídeos curtos. Só que mesmo poucos minutos diante da tela podem facilmente se transformar em 20, 30 minutos ou até mais, prolongando o tempo sentado no vaso sanitário.

    Quando o comportamento se torna frequente, pode aumentar a pressão sobre a região anal e favorecer o surgimento ou a piora de hemorroidas, principalmente em pessoas que já apresentam predisposição.

    Além disso, o aparelho pode entrar em contato com microrganismos presentes nas mãos e no ambiente, aumentando a possibilidade de levá-los para outros locais.

    Por que mexer no celular no banheiro pode fazer mal para a saúde?

    Ao assistir a vídeos, responder mensagens ou navegar pelas redes sociais, é fácil perder a noção do tempo no banheiro e permanecer sentado por 15, 20 ou até 30 minutos. Com o tempo, o hábito pode favorecer:

    1. Hemorroidas

    O vaso sanitário não oferece o mesmo apoio que uma cadeira comum. Durante o uso, a região anal fica posicionada sobre a abertura do vaso, enquanto o peso do corpo e a ação da gravidade aumentam a pressão sobre os vasos sanguíneos da região.

    Quando a pessoa fica sentada por muito tempo, a pressão pode dificultar o retorno do sangue pelas veias ao redor do ânus. Os vasos podem ficar mais dilatados e congestionados, situação que pode favorecer o aparecimento ou a piora das hemorroidas.

    O risco tende a ser maior quando a pessoa também faz força para evacuar, apresenta prisão de ventre ou já possui predisposição para hemorroidas.

    2. Dor e desconforto

    Normalmente, ao usar o celular, a pessoa abaixa a cabeça para olhar a tela, projeta o pescoço para a frente e mantém os ombros curvados. Permanecer na posição por vários minutos pode sobrecarregar a musculatura do pescoço, dos ombros e das costas.

    Quando o comportamento se repete diariamente e por períodos prolongados, pode contribuir para dores e tensão muscular.

    Vale destacar que o problema não é exclusivo do banheiro e a postura inadequada durante o uso do celular pode causar desconforto em qualquer ambiente quando mantida durante muito tempo.

    3. Forçar a evacuação sem necessidade

    O corpo costuma avisar quando está pronto para evacuar. Quando a vontade aparece, o reto recebe as fezes e ocorre uma série de movimentos que facilitam a evacuação.

    Com o celular nas mãos, porém, é comum permanecer no vaso mesmo depois de terminar ou continuar tentando evacuar enquanto assiste a um vídeo ou navega pelas redes sociais. Você pode começar a fazer força sem perceber, mesmo quando o intestino já não tem mais fezes prontas para serem eliminadas.

    Além de aumentar a pressão sobre a região anal, fazer força repetidamente pode dificultar a evacuação e favorecer desconfortos. Por isso, quando as fezes não saem, o recomendado é evitar insistir por vários minutos e tentar novamente quando a vontade aparecer.

    4. Contato com microrganismos

    O smartphone passa pelas mãos várias vezes ao longo do dia e acompanha a pessoa em praticamente todos os lugares. Quando também entra no banheiro, pode entrar em contato com microrganismos presentes nas mãos e nas superfícies do ambiente.

    A contaminação pode ocorrer de maneira simples: você toca na descarga, na maçaneta ou em outra superfície e, logo depois, pega o telefone. Os microrganismos presentes nas mãos podem passar para a tela e para a capinha.

    Mesmo depois de lavar as mãos, basta pegar novamente o aparelho contaminado para entrar em contato com os microrganismos. Mais tarde, o celular vai para a mesa, para a cama e fica próximo ao rosto e à boca, facilitando a circulação de germes entre diferentes ambientes.

    O banheiro também pode prejudicar o aparelho?

    Além da questão da higiene, levar o smartphone para o banheiro aumenta a exposição a quedas, especialmente quando o aparelho é usado durante todo o período no banheiro ou manuseado enquanto você abaixa ou levanta a roupa.

    Alguns modelos possuem resistência à água, mas a proteção varia de acordo com o aparelho e não significa que ele seja completamente à prova de líquidos em qualquer situação.

    Para completar, nos banheiros com chuveiro, a água quente aumenta a quantidade de vapor no ambiente. Aos poucos, a exposição frequente à umidade pode ser prejudicial para alguns aparelhos, principalmente quando existem danos, aberturas ou desgaste na vedação.

    A água também pode entrar pelas conexões ou atingir componentes sensíveis dependendo do modelo e das condições do smartphone.

    Como abandonar o hábito de usar o celular no banheiro?

    Para quem já se acostumou a entrar no banheiro com o smartphone na mão, é preciso adotar algumas medidas no dia a dia para diminuir o hábito, como:

    • Deixar o celular fora do banheiro: coloque o aparelho sobre uma mesa, na cama ou em outro local antes de entrar no cômodo;
    • Evitar ficar no vaso sem necessidade: se você terminou de evacuar, levante-se. Permanecer sentado apenas para continuar assistindo a vídeos ou navegando pelas redes sociais aumenta o tempo no vaso;
    • Não fazer força para evacuar: se as fezes não saírem, evite permanecer vários minutos tentando. Levante-se e volte ao banheiro quando sentir vontade novamente;
    • Prestar atenção aos sinais do corpo: tente usar o momento da evacuação apenas para ir ao banheiro, sem outras distrações;
    • Criar uma regra para o celular: evitar levar o aparelho para o banheiro ajuda a quebrar a associação entre usar o vaso e navegar pelas redes sociais;
    • Higienizar o aparelho regularmente: caso o celular seja levado ao banheiro, mantenha a limpeza do aparelho e da capinha de acordo com as orientações do fabricante.

    Como limpar o celular corretamente?

    A forma adequada de higienização pode variar de acordo com o modelo e com as orientações do fabricante. Antes de usar qualquer produto, vale consultar as recomendações específicas para o aparelho. Mas, no geral, alguns cuidados incluem:

    • Desligar o celular antes da limpeza;
    • Retirar a capinha para higienizá-la separadamente;
    • Usar um pano macio e que não solte fiapos;
    • Não borrifar álcool, água ou qualquer outro líquido diretamente sobre o aparelho;
    • Evitar a entrada de líquidos nas conexões, nos alto-falantes e em outras aberturas;
    • Não utilizar produtos abrasivos ou produtos de limpeza doméstica sem verificar se são indicados pelo fabricante.

    Dependendo do modelo, o fabricante pode permitir o uso de álcool isopropílico ou de lenços próprios para aparelhos eletrônicos. Por isso, vale seguir as orientações da marca antes da higienização.

    Leia mais: Por que o intestino é chamado de ‘segundo cérebro’?

    Perguntas frequentes

    1. Mexer no celular no banheiro pode causar infecção urinária?

    Sim, indiretamente. Ao manusear o celular contaminado por bactérias fecais no banheiro e depois tocar na região íntima ou no papel higiênico, você pode transferir bactérias como a E. coli para a uretra, favorecendo a instalação de uma infecção urinária.

    2. Usar o celular no banheiro com a tampa do vaso fechada reduz os riscos?

    Reduz o risco de o aparelho cair na água, mas não impede a contaminação por aerossóis. As bactérias suspensas no ar do banheiro após a descarga continuam se depositando na superfície do telefone e das suas mãos.

    3. Ler livros ou revistas no vaso sanitário traz os mesmos riscos do celular?

    Em relação às hemorroidas e dores na coluna, sim, pois a permanência prolongada na posição sentada causa a mesma pressão na região pélvica. A diferença é que papéis não costumam ser reutilizados com a mesma frequência e proximidade do rosto quanto os celulares.

    4. Por que sinto formigamento nas pernas quando fico muito tempo no vaso mexendo no celular?

    A posição de sentar na privada comprime os nervos ciáticos e as artérias principais das coxas contra a borda rígida do assento. A compressão reduz temporariamente a circulação sanguínea e o fluxo nervoso para as pernas e pés, gerando a sensação de anestesia ou formigamento.

    5. Qual é a distância segura para deixar o celular longe do vaso sanitário?

    O ideal é não levá-lo para o banheiro. Porém, se precisar levar, mantenha o aparelho dentro de uma bolsa fechada ou no bolso da jaqueta, retirando-o da cabine antes de acionar a descarga ou lavar as mãos.

    6. Usar fones de ouvido sem fio no banheiro também traz riscos de infecção?

    Sim. Se você toca nos fones ou no estojo de carregamento com as mãos contaminadas pelo ambiente do banheiro e depois coloca o acessório no ouvido, pode levar bactérias para o canal auditivo, favorecendo infecções como a otite externa.

    Veja também: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

  • Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda essa doença rara causada por príons 

    Doença de Creutzfeldt-Jakob: entenda essa doença rara causada por príons 

    Quando pensamos em doenças capazes de afetar rapidamente o cérebro, é natural imaginar vírus, bactérias, alterações genéticas ou mesmo doenças degenerativas mais conhecidas, como o Alzheimer. Mas existe um grupo extremamente raro de condições em que o problema começa de uma maneira muito diferente: uma proteína do próprio organismo muda de formato e passa a induzir outras proteínas a fazerem o mesmo.

    É o que acontece na doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara e grave provocada pelos chamados príons. À medida que essas proteínas anormais se acumulam, células do cérebro são danificadas e podem surgir perda de memória, alterações de comportamento, dificuldade para caminhar, problemas de coordenação e movimentos involuntários.

    Uma das características que mais chama atenção nessa doença é a velocidade: enquanto algumas doenças neurodegenerativas avançam durante anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma deterioração neurológica importante em questão de meses.

    O nome também pode despertar outra associação: a chamada “doença da vaca louca”. Embora exista uma relação histórica entre uma forma específica de doença priônica humana e a encefalopatia espongiforme bovina, essa não é a origem da grande maioria dos casos de Creutzfeldt-Jakob. Na maior parte das vezes, a doença surge espontaneamente, sem que se consiga identificar uma exposição responsável.

    Rara, pois ocorre aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas ao ano, a doença de Creutzfeldt-Jakob ainda não tem cura. Nas últimas décadas, porém, a medicina avançou bastante na capacidade de reconhecê-la ainda em vida.

    Exames de ressonância magnética e técnicas capazes de detectar a atividade associada aos príons ajudam hoje os médicos a diferenciar a doença de outras causas de deterioração neurológica rápida, inclusive algumas que podem ser tratadas.

    O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    A doença de Creutzfeldt-Jakob pertence a um grupo de condições chamadas doenças priônicas ou encefalopatias espongiformes transmissíveis. Isso significa que são doenças neurodegenerativas caracterizadas pelo acúmulo no sistema nervoso de formas anormais da proteína priônica, que existe normalmente no organismo.

    O problema começa quando essa proteína muda sua conformação, ou seja, passa a apresentar uma estrutura tridimensional anormal. A proteína alterada consegue induzir outras proteínas priônicas normais a também assumirem uma conformação inadequada.

    Cria-se, então, uma espécie de reação em cadeia.

    Progressivamente, essas proteínas se acumulam no cérebro e estão associadas à perda de neurônios e a alterações microscópicas que dão ao tecido cerebral uma aparência semelhante a uma esponja, daí o termo “encefalopatia espongiforme”.

    É justamente essa capacidade de uma proteína anormal favorecer a transformação de outras proteínas que torna os príons tão diferentes dos agentes infecciosos tradicionais.

    Afinal, o que é um príon?

    Normalmente, quando pensamos em uma doença transmissível, imaginamos algum organismo ou agente que carregue material genético, como vírus ou bactérias.

    O príon foge completamente dessa lógica.

    Ele é essencialmente uma proteína com conformação anormal. Diferentemente de vírus e bactérias, os príons não possuem DNA ou RNA. Ainda assim, determinadas formas anormais da proteína priônica conseguem atuar como um molde, fazendo proteínas normais assumirem a configuração inadequada.

    Com o tempo, esse processo leva ao acúmulo das proteínas alteradas e à morte de células nervosas.

    Outra particularidade é que os príons apresentam grande resistência a alguns métodos convencionais de descontaminação. Essa característica ajuda a explicar por que serviços de saúde adotam protocolos específicos para instrumentos que possam ter entrado em contato com tecidos de alto risco de pacientes com suspeita de doença priônica.

    Isso não significa, entretanto, que a doença de Creutzfeldt-Jakobseja facilmente transmitida de uma pessoa para outra. Na realidade, a transmissão entre pessoas é extremamente incomum e está relacionada a circunstâncias muito específicas, como contato direto durante cirurgias, por exemplo.

    A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma demência?

    A doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma demência que progride rapidamente, mas é bastante diferente das causas mais comuns de demência.

    Na doença de Alzheimer, por exemplo, o comprometimento cognitivo geralmente progride ao longo de anos. Na doença de Creutzfeldt-Jakob, alterações importantes podem surgir e avançar em semanas ou meses.

    A pessoa pode começar apresentando mudanças relativamente inespecíficas, como dificuldade de memória, confusão, alterações de comportamento ou problemas de equilíbrio. Em pouco tempo, outros sintomas neurológicos podem aparecer.

    É justamente essa velocidade de progressão que costuma chamar a atenção dos neurologistas.

    Entretanto, uma demência rapidamente progressiva não significa automaticamente doença de Creutzfeldt-Jakob. Doenças autoimunes, encefalites, alterações metabólicas, infecções, alguns tipos de câncer e outras condições neurológicas podem produzir quadros semelhantes, e algumas delas são tratáveis.

    Por isso, diante de uma deterioração neurológica rápida, a investigação médica precisa ser ampla antes que se chegue ao diagnóstico de uma doença priônica.

    Quais são os sintomas da doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Os sintomas podem variar conforme a forma da doença e as regiões cerebrais mais afetadas.

    Na doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica, uma apresentação típica envolve declínio cognitivo rapidamente progressivo associado ao desenvolvimento de outros sinais neurológicos.

    Entre as manifestações possíveis estão:

    • Perda progressiva da memória;
    • Confusão mental;
    • Mudanças de comportamento ou personalidade;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Perda de equilíbrio e coordenação;
    • Alterações visuais;
    • Rigidez muscular;
    • Movimentos involuntários rápidos, conhecidos como mioclonias;
    • Dificuldade para falar;
    • Comprometimento progressivo da capacidade de realizar atividades cotidianas.

    Nos estágios avançados, o comprometimento neurológico pode se tornar muito intenso. Algumas pessoas evoluem para um estado chamado mutismo acinético, no qual perdem a capacidade de falar e realizar movimentos voluntários, apesar de poderem permanecer aparentemente despertos.

    Uma das características mais marcantes da doença é justamente a rapidez dessa evolução.

    Os primeiros sintomas sempre são problemas de memória?

    Não. Embora o declínio cognitivo seja uma característica importante da doença de Creutzfeldt-Jakob, os primeiros sintomas podem ser bastante variados.

    Algumas pessoas inicialmente apresentam alterações de equilíbrio ou coordenação. Outras podem desenvolver mudanças comportamentais, alterações do sono, tontura, problemas visuais ou dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples.

    Isso pode tornar o diagnóstico particularmente difícil no começo.

    Além disso, diversas doenças neurológicas e psiquiátricas são muito mais frequentes e podem provocar manifestações semelhantes. Por esse motivo, os sintomas iniciais isoladamente não permitem diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A velocidade com que novas alterações aparecem e se acumulam costuma fornecer uma pista importante para a investigação.

    Existem diferentes tipos de doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Sim. E essa diferenciação é fundamental para entender a doença. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser dividida principalmente em formas esporádica, genética e adquirida. Entre as formas adquiridas estão a doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica e a variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica

    É, de longe, a forma mais frequente. Aproximadamente 85% a 90% dos casos surgem de maneira esporádica, ou seja, sem uma mutação hereditária conhecida e sem exposição identificável a um príon externo.

    Nesses pacientes, acredita-se que uma proteína priônica normal adquira espontaneamente uma conformação anormal, iniciando o processo da doença.

    Por que isso acontece em uma determinada pessoa ainda não é completamente compreendido.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob genética

    Uma parcela menor dos casos está relacionada a alterações no gene PRNP, responsável pela produção da proteína priônica. Nessas situações, a alteração genética aumenta a predisposição para que a proteína adquira uma conformação anormal.

    A existência de uma forma genética não significa que toda pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob tenha familiares com a doença. A forma esporádica continua sendo, com ampla diferença, a mais comum.

    Quando existe suspeita de uma doença priônica hereditária, aconselhamento genético e testes específicos podem fazer parte da investigação.

    Doença de Creutzfeldt-Jakob iatrogênica

    “Iatrogênica” significa que a transmissão ocorreu como consequência de uma intervenção médica.

    Historicamente, casos extremamente raros foram relacionados a determinados enxertos de dura-máter provenientes de cadáveres, transplantes de córnea, instrumentos neurocirúrgicos contaminados e hormônio do crescimento produzido a partir de hipófises humanas de cadáveres.

    Muitas dessas práticas foram abandonadas há décadas e protocolos modernos de segurança reduziram drasticamente esse risco.

    A possibilidade continua sendo relevante para a vigilância em saúde justamente porque os príons podem permanecer resistentes a métodos convencionais de esterilização.

    E a doença da “vaca louca”? É a mesma coisa?

    Não exatamente. Essa é provavelmente uma das maiores confusões envolvendo a doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A chamada doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), uma doença priônica que acomete bovinos.

    Durante a epidemia de BSE ocorrida principalmente no Reino Unido nas décadas de 1980 e 1990, descobriu-se que pessoas expostas a produtos bovinos contaminados poderiam desenvolver uma doença priônica denominada variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ).

    A variante, portanto, é diferente da forma esporádica clássica. Ela surgiu em pessoas geralmente mais jovens e apresenta características clínicas e neuropatológicas próprias.

    A Organização Mundial da Saúde considera o consumo de produtos contendo tecidos bovinos de risco contaminados pelo agente da BSE a principal via associada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Isso não significa que comer carne bovina normalmente provoque doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Os sistemas modernos de vigilância sanitária, controle da alimentação dos animais e retirada de tecidos considerados de risco da cadeia alimentar foram desenvolvidos justamente para reduzir essa possibilidade.

    E, sobretudo, é importante reforçar: a imensa maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob não tem relação com carne bovina ou com a doença da vaca louca.

    A doença de Creutzfeldt-Jakob passa de uma pessoa para outra?

    Nas situações cotidianas, não. A doença de Creutzfeldt-Jakob não é transmitida por abraço, beijo, tosse, espirro, compartilhamento de objetos, convivência familiar ou cuidado rotineiro de uma pessoa doente.

    Também não existe evidência de transmissão da forma esporádica por contato social comum.

    Os raríssimos casos adquiridos descritos ao longo da história envolveram exposição direta a determinados tecidos humanos contaminados ou procedimentos médicos muito específicos.

    Por isso, familiares e cuidadores não precisam se isolar da pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob.

    A preocupação com transmissão é principalmente uma questão de biossegurança em situações médicas específicas, particularmente quando determinados tecidos do sistema nervoso estão envolvidos.

    A doença é comum?

    Não. A doença de Creutzfeldt-Jakob é considerada extremamente rara. A incidência da forma esporádica fica aproximadamente na ordem de um caso por milhão de pessoas por ano, embora os números variem ligeiramente entre sistemas de vigilância e populações.

    Ela ocorre principalmente em adultos mais velhos, com pico de incidência nas décadas mais avançadas da vida.

    A variante associada à BSE é ainda mais rara e apresenta epidemiologia diferente.

    Portanto, apesar de a doença de Creutzfeldt-Jakob ser uma doença grave e chamar bastante atenção devido à sua evolução rápida, ela representa uma causa muito incomum de sintomas como esquecimento, desequilíbrio ou alterações de comportamento.

    Na enorme maioria das pessoas que apresentam esses sintomas, a explicação será outra, e muitas das possíveis causas têm tratamento.

    Como é feito o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser desafiador, especialmente nas fases iniciais.

    Isso acontece porque os primeiros sintomas podem se parecer com os de diversas outras doenças neurológicas. Alterações de memória, comportamento, equilíbrio e coordenação, por exemplo, não são exclusivas das doenças priônicas.

    Por isso, diante de uma suspeita de demência rapidamente progressiva, uma das prioridades é investigar outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, principalmente aquelas que possuem tratamento.

    A avaliação pode envolver exames de sangue, ressonância magnética do cérebro, eletroencefalograma (EEG), punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano e testes específicos para doenças priônicas.

    O diagnóstico, portanto, não costuma depender de um único exame. Os médicos analisam o conjunto formado pela história clínica, velocidade de progressão dos sintomas, exame neurológico e resultados dos testes complementares.

    É preciso fazer uma biópsia do cérebro para diagnosticar?

    Na maioria das pessoas com suspeita de doença de Creutzfeldt-Jakob, não é necessário realizar uma biópsia cerebral apenas para estabelecer o diagnóstico clínico.

    A evolução das técnicas de ressonância e, principalmente, o desenvolvimento do RT-QuIC permitiram aumentar consideravelmente a precisão diagnóstica em vida sem recorrer a um procedimento invasivo no cérebro.

    A análise neuropatológica do tecido cerebral continua sendo a referência para a confirmação definitiva da doença, podendo ser realizada em circunstâncias específicas ou após a morte, por meio de autópsia.

    A decisão depende do contexto clínico e deve ser discutida por equipes especializadas.

    Por que é tão importante descartar outras doenças?

    Porque algumas condições que provocam demência rapidamente progressiva são tratáveis.

    Uma pessoa que apresenta deterioração cognitiva ao longo de semanas ou meses pode ter, além de uma doença priônica, condições como encefalites autoimunes ou infecciosas, distúrbios metabólicos, intoxicações, deficiências nutricionais e algumas doenças neoplásicas.

    Algumas delas podem melhorar significativamente quando identificadas e tratadas rapidamente.

    Por isso, mesmo quando a apresentação parece compatível com doença de Creutzfeldt-Jakob, a investigação não deve simplesmente parar nessa hipótese.

    O objetivo dos médicos é tanto procurar evidências de uma doença priônica quanto excluir diagnósticos alternativos potencialmente reversíveis.

    Existe tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Também não existe medicamento aprovado capaz de eliminar os príons do cérebro ou impedir definitivamente que continuem induzindo outras proteínas a adquirir uma conformação anormal.

    Por isso, o tratamento é essencialmente de suporte e tem como objetivo proporcionar conforto e qualidade de vida ao paciente.

    Dependendo dos sintomas, podem ser utilizados medicamentos para controlar:

    • Dor;
    • Ansiedade e agitação;
    • Movimentos involuntários;
    • Rigidez;
    • Alterações do sono;
    • Outros sintomas que causem desconforto.

    À medida que a doença progride, podem surgir dificuldades para caminhar, falar, engolir e realizar atividades básicas.

    Nesse momento, cuidados de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte nutricional e cuidados paliativos podem assumir um papel cada vez mais importante.

    O acompanhamento da família também é fundamental, já que a velocidade de progressão da doença costuma tornar todo o processo particularmente difícil.

    Por que a doença de Creutzfeldt-Jakob progride tão rapidamente?

    Essa é uma das características que mais diferenciam a doença de Creutzfeldt-Jakob de outras doenças neurodegenerativas.

    Uma vez iniciado o processo de conversão das proteínas priônicas, as proteínas anormais favorecem a alteração de outras proteínas, permitindo que o processo se amplifique progressivamente.

    Ao mesmo tempo, acontece uma perda neuronal intensa em diferentes áreas do cérebro. Como resultado, funções cognitivas e neurológicas podem deteriorar-se em um intervalo relativamente curto.

    Enquanto doenças como Alzheimer e Parkinson geralmente evoluem durante muitos anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica costuma apresentar uma progressão muito mais rápida.

    Existem, porém, diferenças entre pacientes e entre os diversos subtipos de doenças priônicas.

    Qual é o prognóstico da doença?

    Infelizmente, a doença de Creutzfeldt-Jakob é fatal. Na forma esporádica, a evolução costuma acontecer ao longo de meses, embora a duração varie de pessoa para pessoa e alguns pacientes apresentem evolução mais prolongada.

    Com o avanço da doença, a pessoa perde progressivamente sua autonomia. Dificuldades para caminhar e falar tornam-se mais intensas, a capacidade cognitiva se deteriora e podem aparecer problemas para engolir.

    Nos estágios avançados, muitos pacientes permanecem acamados e completamente dependentes de cuidados. Complicações relacionadas à imobilidade e à dificuldade de deglutição, como infecções respiratórias por aspiração, podem ocorrer durante a evolução.

    Essa rapidez torna particularmente importante que familiares e equipe médica conversem precocemente sobre objetivos de cuidado, conforto e preferências do paciente sempre que isso for possível.

    É possível prevenir a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Para a forma esporádica, que corresponde à grande maioria dos casos, não existe atualmente uma estratégia conhecida de prevenção.

    Isso acontece justamente porque a doença surge espontaneamente, sem um comportamento ou exposição identificável que possa ser evitado.

    Não há evidências de que alimentação, exercício físico, suplementos ou qualquer outro hábito de vida consiga impedir especificamente o aparecimento da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.

    Já as formas adquiridas são outra história. Protocolos de segurança desenvolvidos nas últimas décadas reduziram o risco de transmissão por procedimentos médicos. Serviços de saúde também seguem medidas especiais para manipulação e descontaminação de instrumentos potencialmente expostos a tecidos de maior infectividade.

    Uma pessoa com doença de Creutzfeldt-Jakob precisa ficar isolada?

    Não. A convivência cotidiana com uma pessoa que tem doença de Creutzfeldt-Jakob não representa a forma de transmissão observada nas doenças priônicas humanas.

    Abraçar, tocar, conversar, compartilhar o mesmo ambiente ou prestar cuidados cotidianos não transmite a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica. Portanto, não existe motivo para afastar familiares ou restringir o contato afetivo com o paciente.

    As precauções especiais dizem respeito principalmente a situações médicas envolvendo determinados tecidos com potencial de infectividade, especialmente tecidos do sistema nervoso, e são responsabilidade dos serviços de saúde.

    Essa diferenciação é importante para evitar estigma e medo desnecessários em torno de uma doença que já é emocionalmente difícil para pacientes e familiares.

    Quando uma demência rapidamente progressiva deve ser investigada?

    Esquecimentos ocasionais são extremamente comuns e, isoladamente, não devem levar alguém a suspeitar de doença de Creutzfeldt-Jakob.

    O que chama atenção na doença de Creutzfeldt-Jakob é a progressão rápida e contínua de múltiplas alterações neurológicas.

    Uma avaliação médica torna-se particularmente importante quando uma pessoa apresenta, ao longo de semanas ou poucos meses, piora evidente da memória ou do raciocínio acompanhada de alterações como dificuldade para caminhar, perda de coordenação, movimentos involuntários, problemas visuais, mudanças marcantes de comportamento ou perda rápida de autonomia.

    Mesmo nessas circunstâncias, a doença de Creutzfeldt-Jakob continua sendo apenas uma entre várias possibilidades.

    Como existem causas tratáveis de deterioração neurológica rápida, procurar avaliação médica precocemente é fundamental.

    Leia também: Delirium não é demência: entenda mais sobre esse tipo de confusão mental

    Perguntas frequentes sobre a doença de Creutzfeldt-Jakob

    1. A doença de Creutzfeldt-Jakob é contagiosa?

    Não da maneira como entendemos normalmente uma doença contagiosa. A doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica não é transmitida por contato cotidiano, tosse, espirro, abraço ou convivência com o paciente. Casos adquiridos ocorreram em circunstâncias médicas muito específicas.

    2. A doença de Creutzfeldt-Jakob é a mesma coisa que doença da vaca louca?

    Não. A doença da vaca louca é a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), que afeta bovinos. A exposição ao agente da BSE foi relacionada à variante da doença de Creutzfeldt-Jakob, que é diferente da forma esporádica clássica e extremamente rara.

    3. A doença pode ser hereditária?

    Algumas doenças priônicas estão associadas a variantes patogênicas no gene PRNP e podem ocorrer em famílias. Entretanto, a grande maioria dos casos de doença de Creutzfeldt-Jakob é esporádica e não decorre de uma mutação hereditária conhecida.

    4. A doença de Creutzfeldt-Jakob pode ser confundida com Alzheimer?

    Nas fases iniciais, algumas manifestações cognitivas podem levantar diferentes hipóteses diagnósticas. Entretanto, a doença de Creutzfeldt-Jakob geralmente progride muito mais rapidamente. Enquanto o Alzheimer costuma evoluir ao longo de anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar deterioração neurológica importante em meses.

    5. Existe exame de sangue para diagnosticar a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    A investigação atualmente depende principalmente da avaliação clínica, ressonância magnética e análise de biomarcadores, especialmente no líquido cefalorraquidiano. Exames de sangue também podem ser solicitados para procurar outras causas dos sintomas, mas não existe um exame sanguíneo de rotina que, sozinho, confirme a doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica.

    6. Existe cura para a doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Atualmente, não. O tratamento busca controlar sintomas, proporcionar conforto e oferecer suporte ao paciente e à família.

    7. É possível pegar doença de Creutzfeldt-Jakob convivendo com uma pessoa doente?

    Não há evidência de transmissão da doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica por contato social cotidiano. Familiares podem abraçar, tocar e conviver normalmente com a pessoa.

    8. Todo caso de demência que evolui rapidamente pode ser doença de Creutzfeldt-Jakob?

    Não. Existem diversas causas de demência rapidamente progressiva, inclusive doenças autoimunes, infecciosas, metabólicas e tóxicas. Algumas são tratáveis, razão pela qual uma investigação médica abrangente é tão importante.

    Confira: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar 

    Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar 

    Imagine sentir uma queimação que sobe do estômago até a garganta depois de uma refeição normal. A sensação pode parecer comum, mas a depender da frequência e de outros sinais associados, pode indicar um quadro de refluxo gastroesofágico.

    A condição, que ocorre quando o ácido gástrico retorna para o esôfago, pode causar não apenas azia, mas tosse persistente, rouquidão, pigarro e até dor no peito. Saber identificar os sintomas é importante para prevenir complicações.

    Afinal, o que é refluxo gastroesofágico e como ele acontece?

    O refluxo gastroesofágico é uma condição em que o conteúdo do estômago, especialmente o ácido gástrico, retorna para o esôfago, o tubo que liga a boca ao estômago.

    De acordo com a gastroenterologista Lívia Guimarães, isso acontece porque o esfíncter esofágico inferior — a válvula que separa as duas estruturas — não consegue se fechar de maneira eficiente, permitindo que o ácido, e às vezes até a bile, suba em direção à garganta.

    Em alguns casos, a falha pode estar ligada também à motilidade do esôfago ou a um atraso no esvaziamento do estômago.

    De forma simples, é como se a porta que deveria abrir para a passagem dos alimentos e fechar logo em seguida ficasse entreaberta. Assim, o suco gástrico, altamente ácido, retorna ao esôfago, cuja mucosa não tem defesa suficiente contra a agressão.

    O contato repetido é o que provoca a sensação de queimação e, a longo prazo, pode levar a inflamações e até complicações de saúde.

    Quais os sintomas mais comuns de refluxo?

    A queimação no peito, também conhecida como azia, é o sintoma mais comum do refluxo. Ela começa na boca do estômago e pode se irradiar até a garganta, causando desconforto intenso, especialmente após refeições maiores ou ao se deitar.

    No entanto, há outros sinais importantes que devem servir de alerta, como:

    • Regurgitação de alimento ou líquido ácido, com gosto amargo na boca;
    • Dor no peito;
    • Tosse seca persistente, especialmente à noite ou ao se deitar;
    • Rouquidão e pigarro, especialmente após refeições ou ao se deitar.

    Quais os fatores de risco do refluxo?

    De acordo com a gastroenterologista Lívia Guimarães, alguns hábitos e condições de saúde aumentam as chances de desenvolver refluxo. Entre eles estão:

    • Sobrepeso e obesidade;
    • Alimentação rica em gorduras e ultraprocessados, que dificultam a digestão;
    • Refeições muito volumosas, que sobrecarregam o sistema digestivo;
    • Tabagismo;
    • Consumo excessivo de álcool, café e refrigerantes, que estimulam o ácido estomacal;
    • Gravidez;
    • Uso de certos medicamentos, como ansiolíticos.

    Como é feito o diagnóstico de refluxo?

    O diagnóstico inicial do refluxo geralmente é feito com base na história clínica e nos sintomas relatados pelo paciente. “Geralmente, conseguimos identificar o quadro pela avaliação clínica. Em casos persistentes ou com sinais de alerta, podem ser indicados exames como endoscopia digestiva alta e pHmetria esofágica”, aponta Lívia Guimarães.

    Os exames ajudam a avaliar se há inflamações no esôfago, medir a acidez que retorna do estômago e verificar a função do esfíncter esofágico inferior.

    Tratamento de refluxo

    1. Mudanças no estilo de vida

    Grande parte dos pacientes apresenta melhora significativa com alguns ajustes na rotina. Entre as orientações médicas mais eficazes estão:

    • Comer porções menores e mais fracionadas ao longo do dia;
    • Evitar se deitar logo após as refeições;
    • Reduzir alimentos gordurosos, ultraprocessados, cafeína, álcool e refrigerantes;
    • Manter um peso saudável;
    • Elevar a cabeceira da cama em alguns centímetros;
    • Identificar possíveis intolerâncias alimentares.

    Além disso, como destaca a gastroenterologista, “exercícios respiratórios diafragmáticos podem ajudar no controle do refluxo, pois fortalecem o esfíncter esofágico inferior e reduzem os episódios, especialmente quando associados às medidas dietéticas e posturais.”

    2. Uso de remédios para refluxo

    Quando as mudanças de hábitos não são suficientes, pode ser necessário o uso de remédios que reduzem a acidez, segundo Lívia Guimarães. Alguns deles incluem:

    • Inibidores da bomba de prótons (IBPs), conhecidos como prazóis;
    • Bloqueadores do receptor H2, como a famotidina;
    • Bloqueadores ácidos competitivos de potássio, como a vonoprazana.

    Segundo o Ministério da Saúde, além de controlar a acidez, alguns medicamentos também ajudam a melhorar a motilidade do esôfago, facilitando o esvaziamento do estômago.

    Leia também: Wegovy e Ozempic: como funcionam para perda de peso

    Quando a cirurgia para refluxo é necessária?

    A cirurgia é indicada quando os remédios e as mudanças de hábitos não conseguem controlar o refluxo ou quando a pessoa depende de medicação contínua sem melhora significativa.

    Ela também pode ser indicada em casos de hérnia de hiato ou complicações mais graves, como o esôfago de Barrett, que aumenta o risco de câncer, de acordo com a gastroenterologista.

    O Ministério da Saúde aponta que a cirurgia pode ser feita por técnica convencional ou laparoscópica e, normalmente, envolve a confecção de uma válvula antirrefluxo.

    O procedimento é especialmente recomendado em pacientes com hérnia de hiato ou com esofagite grave — quando a acidez constante do suco gástrico começa a alterar as células do esôfago, aumentando o risco de tumores malignos.

    Quais complicações podem surgir se o refluxo não for tratado?

    Se o refluxo não for tratado corretamente, pode trazer consequências mais sérias ao longo do tempo. A gastroenterologista Lívia Guimarães alerta que a irritação constante causada pelo ácido pode provocar esofagite grave, inflamação que machuca a parede do esôfago.

    Em alguns casos, surgem úlceras ou até o estreitamento do esôfago, que dificulta a passagem dos alimentos e causa dor ao engolir. Quando o quadro se torna crônico, pode aparecer o chamado esôfago de Barrett, uma alteração nas células do esôfago que aumenta o risco de câncer.

    Confira: Azia frequente: o que pode ser e como melhorar

    Perguntas frequentes sobre refluxo

    1. O refluxo pode causar dor no peito parecida com a de um problema cardíaco?

    Sim, a dor torácica intensa causada pelo refluxo pode imitar a angina ou até um infarto. De acordo com estudos, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) corresponde a cerca de 30% dos casos de dor torácica não cardíaca. Por isso, toda dor no peito deve ser investigada com atenção.

    2. Existe relação entre refluxo e ansiedade ou estresse emocional?

    Sim, o refluxo pode estar ligado à ansiedade e ao estresse. Quando a pessoa está ansiosa, o corpo produz mais ácido no estômago e os sintomas do refluxo podem piorar. Além disso, o estresse aumenta a sensibilidade: a queimação ou dor acabam sendo sentidas de forma mais intensa.

    Um estudo clínico mostrou que pacientes com refluxo e ansiedade apresentaram melhora quando o tratamento juntou remédio para reduzir o ácido e um medicamento para ansiedade. Isso significa que, em alguns casos, tratar a saúde emocional ajuda também a controlar quadros de refluxo.

    3. O refluxo pode causar mau hálito ou prejudicar os dentes?

    Sim. Estudos mostram que pessoas com refluxo gastroesofágico têm mais chances de sofrer erosão dentária. Isso acontece porque o ácido do estômago, em contato frequente com a boca, desgasta o esmalte e pode levar à perda da estrutura do dente.

    4. Dormir de lado realmente ajuda a reduzir os episódios de refluxo?

    Dormir de lado, especialmente no lado esquerdo, pode ajudar a reduzir os episódios de refluxo. Isso acontece porque, nessa posição, o estômago fica abaixo do esôfago, dificultando o retorno do ácido gástrico. Já deitar do lado direito ou de barriga para cima pode facilitar a subida do conteúdo do estômago, aumentando o desconforto.

    5. Crianças e bebês também podem ter refluxo?

    O refluxo fisiológico é comum em bebês, especialmente até os 12 meses de vida, porque o esfíncter esofágico ainda está imaturo. A maioria melhora espontaneamente após o primeiro ano. Casos persistentes ou acompanhados de perda de peso exigem avaliação médica.

    6. Quem tem refluxo precisa cortar totalmente café, chocolate e álcool?

    Não necessariamente. Quem tem refluxo não precisa cortar totalmente café, chocolate e álcool, mas é importante observar como o corpo reage a esses alimentos. Em alguns casos, eles podem relaxar o esfíncter esofágico inferior e estimular a produção de ácido, favorecendo os episódios de azia e queimação.

    Uma vez que cada organismo responde de formas diferentes, a recomendação é reduzir o consumo, evitar exageros e fazer testes individuais, sempre acompanhado de orientação médica.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

  • Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença 

    Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença 

    Nos últimos anos, a doença hepática gordurosa não alcoólica, popularmente chamada de gordura no fígado, ganhou destaque nas consultas médicas. Isso porque os casos têm aumentado junto com o crescimento da obesidade, da síndrome metabólica e de seus componentes, como diabetes e hipertensão.

    Muitas vezes silenciosa, a condição costuma ser descoberta em exames de rotina. Mesmo assim, exige acompanhamento e mudanças de estilo de vida para evitar complicações graves, como cirrose e até câncer de fígado.

    O que é a gordura no fígado?

    A doença hepática gordurosa não alcoólica é um espectro de doenças do fígado caracterizadas pelo depósito de gordura dentro das células hepáticas. Dentro desse grupo estão:

    • Esteatose simples: apenas acúmulo de gordura, sem inflamação;
    • Esteato-hepatite não alcoólica: já apresenta inflamação e pode evoluir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.

    Causas da doença hepática gordurosa não alcoólica

    A gordura no fígado é considerada multifatorial, ou seja, pode surgir por diferentes razões combinadas. Está fortemente ligada à síndrome metabólica, que inclui:

    • Obesidade abdominal;
    • Diabetes tipo 2;
    • Pressão alta;
    • Colesterol alto (dislipidemia);
    • Triglicérides elevados.

    Um dos pontos centrais é a resistência à insulina, quando o corpo não consegue usar o hormônio de forma adequada, o que aumenta o depósito de gordura no fígado e pode gerar inflamação.

    Em situações menos comuns, a condição pode estar associada a uso de certos medicamentos, drogas, exposição a toxinas, nutrição parenteral prolongada, desnutrição, perda de peso rápida ou cirurgias intestinais específicas.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    Sintomas mais comuns

    Na maioria dos casos, a gordura no fígado não provoca sintomas. Quando presentes, os sinais podem incluir:

    • Fadiga;
    • Desconforto ou dor no abdome superior direito;
    • Indigestão (dispepsia).

    Em exames clínicos, é comum observar aumento da circunferência abdominal e gordura visceral. Em alguns pacientes, pode aparecer acantose nigricans (manchas escuras na pele), associada à resistência insulínica.

    Como é feito o diagnóstico?

    Por ser assintomática no início, a condição é geralmente identificada em exames de rotina. Entre os principais exames estão:

    • Exames laboratoriais: alteração de enzimas hepáticas e triglicérides;
    • Ultrassom abdominal: mais usado por ser acessível e capaz de indicar graus de esteatose;
    • Biópsia hepática: indicada em casos graves ou suspeita de esteato-hepatite, para avaliar a extensão do dano.

    Confira: 10 coisas para fazer hoje e ganhar mais anos de vida

    Tratamento

    Não existe medicamento específico para curar a gordura no fígado. O tratamento é baseado em mudanças de estilo de vida:

    • Adotar uma alimentação equilibrada;
    • Praticar atividade física regular;
    • Manter peso saudável;
    • Reduzir ou evitar bebidas alcoólicas.

    Alguns pacientes podem receber suporte com vitamina E ou medicamentos para controlar colesterol e resistência insulínica.

    Como prevenir gordura no fígado

    A prevenção está ligada a hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física;
    • Manter alimentação equilibrada;
    • Controlar obesidade abdominal, pressão alta, diabetes e triglicérides;
    • Realizar consultas médicas periódicas.

    Leia mais: Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Perguntas frequentes sobre gordura no fígado

    1. Gordura no fígado sempre dá sintomas?

    Não. A maioria dos casos é assintomática e descoberta em exames de rotina.

    2. A gordura no fígado pode virar cirrose?

    Sim. Se não tratada, pode evoluir para esteato-hepatite, fibrose e até cirrose.

    3. O consumo de álcool causa gordura no fígado?

    Não. O consumo excessivo de álcool leva à doença hepática alcoólica, que é diferente. Porém, quem já tem gordura no fígado deve evitar álcool.

    4. Como saber se a gordura no fígado é grave?

    Somente o médico pode avaliar por meio de exames laboratoriais, ultrassom ou biópsia.

    5. Perder peso ajuda no tratamento?

    Sim. A perda de peso gradual e saudável é uma das principais formas de reduzir a gordura hepática.

    6. Crianças podem ter gordura no fígado?

    Sim. Embora mais comum em adultos, também pode ocorrer em crianças com obesidade ou síndrome metabólica.

    7. Existe remédio que cura a gordura no fígado?

    Não. O tratamento é baseado em mudanças de estilo de vida, com possíveis medicamentos de suporte conforme indicação médica.

    Leia também: Alimentação saudável: o que é, benefícios e como ter

  • Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta 

    Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta 

    Se você nunca sentiu dor nas costas, pode ser apenas uma questão de tempo: 8 em cada 10 pessoas vão enfrentar ao menos um episódio significativo de dor lombar ao longo da vida, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Na maioria das vezes, o incômodo está ligado ao estilo de vida e pode ser aliviado a partir de mudanças simples de hábitos. No entanto, quando a dor surge de forma repentina, é muito intensa, não melhora com repouso ou vem acompanhada de outros sintomas, pode indicar alguma condição de saúde mais séria.

    Mas afinal, quando procurar atendimento médico? A neurocirugiã Ana Camila Gandolfi, do Hospital São Paulo, esclarece quando a dor nas costas é preocupante.

    Afinal, o que causa dor nas costas?

    A região das costas é formada por uma estrutura complexa — ossos, músculos, articulações, discos intervertebrais, nervos e ligamentos. Por isso, qualquer desequilíbrio, seja por má postura, esforço físico exagerado ou até estresse emocional, pode resultar em dor e atrapalhar a realização de atividades diárias.

    Normalmente, o desconforto costuma estar relacionado a situações do dia a dia, como:

    • Passar muitas horas sentado diante do computador;
    • Carregar peso de forma errada;
    • Acúmulo de estresse e tensão emocional;
    • Falta de atividade física;
    • Lesões leves após esforço intenso.

    Nesses casos, a dor tende a melhorar em poucos dias com medidas simples, como repouso, aplicação de calor na região, alongamentos leves e, se necessário, uso de analgésicos comuns. Quando isso não acontece e ela surge acompanhada de outros sintomas, pode ser momento de procurar atendimento médico.

    Quando a dor nas costas pode ser preocupante?

    Segundo a neurocirurgiã Ana Camila Gandolfi, observar as características da dor nas costas é muito importante para identificar se ela pode indicar algo mais grave. A especialista destaca alguns sinais que exigem atenção imediata:

    • Dificuldade motora: perda de força em mãos, pés ou pernas associadas à dor;
    • Dor que acorda à noite: diferente da dor que já impede o sono, é aquela que desperta a pessoa durante a noite;
    • Febre acompanhando a dor: pode indicar a presença de uma infecção;
    • Dificuldade respiratória: quando surge junto da dor nas costas;
    • Alterações neurológicas: como perda de sensibilidade ou quando um simples toque é interpretado pelo corpo como dor.

    Nesses casos, a recomendação é não adiar a consulta médica. Apenas uma avaliação profissional com exames específicos pode identificar a causa e indicar o tratamento adequado.

    Quais problemas estão associados à dor nas costas?

    Uma dor nas costas que persiste por mais de quatro semanas e está acompanhada de outros sintomas, pode indicar condições mais sérias, como:

    1. Doenças respiratórias

    Infecções como pneumonia e pleurisia (inflamação da membrana que envolve os pulmões) podem provocar dor na região torácica das costas. Isso acontece porque os pulmões inflamados aumentam o esforço da musculatura durante a respiração — causando desconforto e dor que pode piorar ao tossir ou inspirar fundo.

    2. Infecção renal

    Os rins ficam localizados na parte inferior das costas, e quando há uma infecção (chamada pielonefrite), é comum que a dor lombar apareça de forma persistente e intensa, muitas vezes em apenas um dos lados.

    O quadro costuma vir acompanhado de febre alta, calafrios, mal-estar, enjoo e alterações na urina, como cheiro forte, ardência ao urinar ou até presença de sangue. Se não tratada, a infecção pode se espalhar para a corrente sanguínea, causando complicações sérias.

    3. Pedra nos rins

    As pedras nos rins, ou cálculos renais, são uma das causas mais comuns de dor lombar súbita e muito forte, chamada cólica renal. A dor costuma surgir de forma inesperada, em ondas, e pode irradiar para a virilha, abdômen inferior e até órgãos genitais. Além disso, podem aparecer sintomas como náusea, vômito, suor excessivo, vontade frequente de urinar e presença de sangue na urina.

    4. Dor ciática

    O nervo ciático é o maior do corpo humano e percorre da lombar até os pés. Quando ele sofre compressão, geralmente por hérnia de disco ou desgaste da coluna, pode causar uma dor que começa na lombar e irradia para glúteos, pernas e até os pés. Além da dor em queimação ou fisgada, é comum a presença de formigamento, dormência e até perda de força muscular.

    5. Hérnia de disco

    A hérnia de disco acontece quando o disco intervertebral, que funciona como uma espécie de “amortecedor” entre as vértebras, se desloca e acaba comprimindo os nervos da coluna. Isso causa dor intensa, normalmente na região lombar ou cervical, que pode irradiar para braços ou pernas.

    Além da dor, o quadro pode causar rigidez, formigamento, dormência e perda de força muscular, dificultando até atividades simples, como se abaixar, subir escadas ou carregar objetos. Em casos mais graves, a hérnia pode limitar bastante a mobilidade e exigir tratamento especializado.

    6. Artrose

    Também chamada de osteoartrite da coluna, a artrose é o desgaste progressivo das articulações ao longo do tempo. É mais comum em pessoas acima dos 50 anos, mas pode aparecer antes em quem sobrecarrega a coluna por fatores como má postura, obesidade ou esforços repetitivos.

    O problema provoca dor crônica, rigidez ao acordar ou após longos períodos parado, estalos e limitação de movimentos.

    7. Abscesso

    Os abscessos próximos à coluna ocorrem quando há acúmulo de pus causado por uma infecção bacteriana. Além da dor persistente e localizada, podem provocar febre, calafrios e mal-estar geral.

    Dependendo da gravidade, a infecção pode comprometer nervos e estruturas importantes da coluna, exigindo tratamento com antibióticos e, em alguns casos, drenagem cirúrgica de urgência. Por isso, é fundamental uma avaliação médica.

    8. Infarto (casos raros)

    Embora mais conhecido pela dor no peito, o infarto também pode irradiar para a região das costas, especialmente entre as escápulas. Quando a dor aparece junto de falta de ar, suor frio, náusea ou pressão no peito, é preciso procurar ajuda médica imediata.

    Como diferenciar dor comum de dor preocupante?

    Nem sempre é fácil distinguir uma dor passageira de uma dor que exige mais atenção, mas alguns sinais podem ajudar a fazer essa diferenciação:

    Dores comuns Dores que merecem atenção
    Melhoram com repouso, alongamentos leves e analgésicos simples. Não aliviam com repouso ou tratamento caseiro e pioram progressivamente.
    Estão associadas ao esforço físico, má postura ou sedentarismo. Pioram à noite ou atrapalham o sono.
    Tendem a desaparecer em poucos dias ou, no máximo, em uma a duas semanas. Persistem por várias semanas ou se intensificam ao longo do tempo.
    Não estão associadas a sintomas sistêmicos. Vêm acompanhadas de febre, perda de peso inexplicável, alterações neurológicas (formigamento, dormência, perda de força) ou incontinência urinária/intestinal.

    Como é feita a investigação?

    Quando a dor nas costas levanta suspeita de algo mais sério, o médico começa a investigação com uma avaliação detalhada — ou seja, uma conversa para entender como a dor começou, a intensidade, duração, fatores que pioram ou aliviam e o histórico de saúde do paciente.

    Também são avaliados hábitos de vida, como prática de exercícios, postura no trabalho e histórico familiar de doenças.

    Em seguida, é realizado um exame físico, onde o especialista observa postura, força muscular, reflexos, sensibilidade e amplitude de movimentos. Isso ajuda a diferenciar se a dor é de origem muscular, nervosa, óssea ou até relacionada a outros órgãos.

    Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Raio-X: útil para identificar fraturas, alterações ósseas e artrose;
    • Ressonância magnética: indicada para avaliar discos intervertebrais, hérnias, nervos e tecidos moles com mais precisão;
    • Tomografia computadorizada: detalha melhor estruturas ósseas e pode ser usada em casos de trauma;
    • Exames laboratoriais: ajudam a investigar infecções, doenças renais, inflamatórias ou sistêmicas que possam estar ligadas à dor.

    Importante destacar que os exames vão depender muito da hipótese diagnóstica: pode ser um exame de imagem, um exame de sangue, uma radiografia do pulmão, do rim ou da coluna. Isso varia conforme a avaliação médica, de acordo com Ana Camila Gandolfi.

    Como prevenir dores nas costas?

    Nem sempre é possível evitar completamente o surgimento de dores nas costas, especialmente quando associadas a predisposição genética e doenças crônicas. No entanto, adotar certos hábitos no dia a dia pode reduzir bastante o risco e até aliviar crises quando elas surgem. Alguns deles incluem:

    • Manter boa postura: sentar-se com a coluna ereta, os pés apoiados no chão e os ombros relaxados; evite ficar curvado por longos períodos;
    • Fortalecer a musculatura: praticar atividades físicas regularmente, principalmente exercícios que fortaleçam abdômen, costas e glúteos;
    • Alongar com frequência: incluir alongamentos leves na rotina, especialmente após longos períodos sentado ou em pé;
    • Cuidar do peso corporal: manter alimentação equilibrada e exercícios para reduzir a sobrecarga na coluna;
    • Evitar carregar peso de forma incorreta: para levantar objetos pesados, dobre os joelhos e mantenha a carga próxima ao corpo.

    Por fim, é fundamental estar atento aos sinais que o corpo dá. Se a dor nas costas aparecer com frequência, não melhorar em alguns dias ou vier acompanhada de outros sintomas (formigamento, febre, perda de força, alterações urinárias), é hora de procurar um médico.

    Confira: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes sobre dor nas costas

    1. Dor nas costas pode ser causada por estresse?

    Sim. O estresse emocional provoca tensão muscular, especialmente na região do pescoço e da lombar. Quando ela é constante, a contração pode causar dor, rigidez e até dor de cabeça. Muitas vezes, o incômodo diminui com técnicas de relaxamento, prática de atividade física, sono adequado e acompanhamento psicológico, se necessário.

    2. Dor nas costas pode estar ligada ao coração?

    Sim, em casos raros. O infarto, por exemplo, pode irradiar dor para a região das costas, principalmente entre as escápulas. Ela geralmente vem acompanhada de pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea e mal-estar. Nesses casos, é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    3. Grávidas sentem mais dor nas costas?

    Sim, pois a gestação altera o centro de gravidade do corpo, aumenta o peso e relaxa ligamentos por conta das mudanças hormonais — o que sobrecarrega a coluna. O resultado é dor lombar frequente, especialmente no final da gravidez. Alongamentos, fisioterapia e exercícios leves podem ajudar, sempre com orientação médica.

    4. O colchão influencia na dor nas costas?

    Sim. O ideal é escolher um colchão que mantenha o alinhamento natural da coluna, nem muito mole nem excessivamente duro. O recomendado é, se possível, trocar o colchão a cada 8 a 10 anos. O travesseiro também deve ser adequado à posição em que você dorme.

    5. Exercício físico ajuda ou piora a dor nas costas?

    Durante crises de dor intensa, o esforço físico exagerado pode piorar o quadro. No entanto, a prática regular de atividade física é uma das principais formas de prevenção, pois fortalece os músculos que dão suporte à coluna e melhora a flexibilidade.

    Atividades como pilates, yoga, caminhada, natação e musculação com orientação profissional podem ser incluídas na rotina.

    6. Caminhar ajuda na dor lombar?

    Caminhadas leves e regulares estimulam a circulação sanguínea, aliviam a rigidez muscular e fortalecem a região lombar e abdominal. É uma atividade segura e acessível para a maioria das pessoas, mas deve ser feita sem sobrecarga e em ritmo confortável.

    7. Como aliviar a dor nas costas?

    O alívio depende da causa, mas em casos simples, medidas como compressa morna, alongamento leve, hidratação, pausas para se movimentar e repouso relativo já ajudam. Em situações mais persistentes, podem ser necessários remédios, fisioterapia ou até procedimentos médicos.

    8. Como diferenciar dor nas costas de dor no pulmão?

    A dor nas costas geralmente piora com movimentos ou esforço físico e pode ser muscular ou nervosa. Já a dor causada por problemas pulmonares (como pneumonia ou pleurisia) costuma estar associada a falta de ar, tosse, febre e piora ao respirar fundo. Nesses casos, é essencial procurar atendimento médico.

    Veja também: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco

  • Fibromialgia: o que é, como identificar e como tratar  

    Fibromialgia: o que é, como identificar e como tratar  

    Dor em diferentes partes do corpo por semanas ou meses, cansaço persistente mesmo após uma boa noite de sono e dificuldade de concentração são sintomas que podem comprometer profundamente a rotina. Ainda assim, muitas pessoas convivem com essas queixas durante anos antes de receber um diagnóstico, principalmente porque os exames costumam estar normais.

    Hoje se sabe que a fibromialgia é uma síndrome de dor crônica reconhecida, relacionada a alterações na forma como o sistema nervoso processa a dor, e não a uma inflamação ou lesão dos músculos ou das articulações. Embora ainda não exista cura definitiva, o diagnóstico precoce e uma abordagem multidisciplinar permitem controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

    O que é fibromialgia?

    A fibromialgia é uma síndrome caracterizada principalmente por:

    • Dor musculoesquelética difusa;
    • Fadiga persistente;
    • Sono não reparador;
    • Alterações cognitivas;
    • Sensibilidade aumentada à dor.

    O problema não está nos músculos ou nas articulações, mas na forma como o cérebro e a medula espinhal processam os estímulos dolorosos.

    Esse fenômeno é conhecido como sensibilização central, em que estímulos normalmente pouco dolorosos passam a ser percebidos com intensidade exagerada.

    Qual é a incidência da fibromialgia?

    A fibromialgia é relativamente comum.

    Estudos estimam que ela afete aproximadamente 2% a 3% da população mundial, sendo uma das principais causas de dor musculoesquelética generalizada. A incidência aumenta com a idade e é significativamente mais frequente em mulheres, especialmente entre os 20 e 55 anos.

    Apesar disso, homens, idosos, adolescentes e crianças também podem desenvolver a doença.

    O que causa a fibromialgia?

    Não existe uma causa única. Acredita-se que a doença resulte da interação entre fatores:

    • Genéticos;
    • Neurobiológicos;
    • Ambientais;
    • Psicológicos.

    Diversos fatores podem desencadear ou agravar os sintomas, como:

    • Estresse físico ou emocional intenso;
    • Traumas;
    • Infecções;
    • Distúrbios do sono;
    • Predisposição familiar.

    Pessoas com familiares de primeiro grau acometidos apresentam maior risco de desenvolver a síndrome.

    Quais são os principais sintomas?

    Dor generalizada

    É o principal sintoma. A dor costuma:

    • Estar presente nos dois lados do corpo;
    • Acometer regiões acima e abaixo da cintura;
    • Persistir por pelo menos três meses;
    • Ser descrita como profunda, em queimação, peso ou pontadas.

    Muitos pacientes dizem que parece que o corpo inteiro está machucado.

    Fadiga intensa

    Mesmo após dormir várias horas, é comum acordar cansado. A sensação de exaustão pode limitar atividades simples do dia a dia.

    Alterações do sono

    Muitas pessoas apresentam:

    • Sono leve;
    • Despertares frequentes;
    • Sensação de sono não reparador;
    • Insônia.

    A piora do sono costuma intensificar a dor.

    Fibrofog (“névoa mental”)

    A alteração cognitiva, conhecida como fibrofog, pode causar:

    • Dificuldade de concentração;
    • Esquecimentos;
    • Lentidão para raciocinar;
    • Dificuldade para encontrar palavras.

    Embora não cause demência, pode impactar significativamente o desempenho profissional e acadêmico.

    Outros sintomas

    Além da dor, podem ocorrer:

    • Rigidez matinal;
    • Cefaleia;
    • Síndrome do intestino irritável;
    • Sensibilidade ao frio;
    • Ansiedade;
    • Depressão;
    • Dormências e formigamentos;
    • Dor na articulação temporomandibular;
    • Palpitações;
    • Sensação de inchaço sem edema visível.

    Esses sintomas variam bastante entre os pacientes.

    A fibromialgia causa inflamação?

    Não. Ao contrário de doenças como artrite reumatoide ou lúpus, a fibromialgia não provoca inflamação nas articulações nem destruição dos tecidos.

    Por isso:

    • Exames laboratoriais costumam ser normais;
    • Radiografias geralmente não mostram alterações relacionadas à doença.

    Os exames são solicitados principalmente para excluir outras causas de dor difusa.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico. O médico considera:

    • Dor generalizada por pelo menos três meses;
    • Distribuição da dor em diferentes regiões do corpo;
    • Intensidade dos sintomas;
    • Presença de fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos.

    Os critérios atuais do American College of Rheumatology (ACR) não exigem mais a pesquisa dos antigos “pontos dolorosos” (tender points), valorizando uma avaliação global dos sintomas.

    Quais doenças podem ser confundidas com fibromialgia?

    Entre os principais diagnósticos diferenciais estão:

    • Hipotireoidismo;
    • Artrite reumatoide;
    • Lúpus eritematoso sistêmico;
    • Polimialgia reumática;
    • Miopatias;
    • Deficiência de vitamina D;
    • Síndrome da fadiga crônica;
    • Apneia obstrutiva do sono.

    Em algumas pessoas, essas doenças podem coexistir com a fibromialgia.

    Como é o tratamento?

    O tratamento é individualizado e combina medidas não medicamentosas e medicamentos quando necessário.

    Educação do paciente

    Entender que a fibromialgia é uma condição real e crônica ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a adesão ao tratamento.

    Também é importante estabelecer expectativas realistas: o objetivo é controlar os sintomas e melhorar a funcionalidade, e não necessariamente eliminar toda a dor.

    Exercícios físicos

    A prática regular de atividade física é considerada uma das intervenções mais eficazes. Os melhores resultados costumam ocorrer com:

    • Caminhadas;
    • Hidroginástica;
    • Natação;
    • Bicicleta;
    • Exercícios de fortalecimento muscular;
    • Alongamentos.

    O exercício deve ser iniciado de forma gradual.

    Sono adequado

    Melhorar a qualidade do sono faz parte do tratamento.

    Podem ser recomendadas medidas de higiene do sono, como:

    • Dormir e acordar em horários regulares;
    • Evitar telas antes de dormir;
    • Reduzir a cafeína no período noturno.

    Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

    A terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ajudar no manejo da dor, do estresse, da ansiedade e da adaptação às limitações impostas pela doença.

    Ela integra as principais estratégias não farmacológicas recomendadas.

    Medicamentos

    Os medicamentos podem ser úteis em pacientes com sintomas moderados ou intensos.

    Entre os mais utilizados estão:

    • Duloxetina;
    • Milnaciprano;
    • Pregabalina;
    • Amitriptilina.

    Esses medicamentos ajudam a modular a dor e podem melhorar o sono e a fadiga em alguns pacientes.

    Anti-inflamatórios e opioides funcionam?

    Na maioria dos casos, não.

    Como a fibromialgia não é uma doença inflamatória, os anti-inflamatórios apresentam benefício limitado.

    Os opioides também não são recomendados rotineiramente, devido à baixa eficácia e ao risco de dependência e efeitos adversos.

    A fibromialgia tem cura?

    Atualmente, não existe cura definitiva. Entretanto, muitos pacientes conseguem excelente controle dos sintomas com:

    • Exercícios físicos regulares;
    • Tratamento do sono;
    • Controle da ansiedade e da depressão;
    • Estratégias de enfrentamento da dor;
    • Medicamentos quando indicados.

    Os sintomas costumam oscilar, alternando períodos de melhora e de piora.

    Quando procurar um médico?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Dor difusa por mais de três meses;
    • Cansaço persistente sem explicação;
    • Sono não reparador;
    • Dificuldade de concentração associada à dor;
    • Limitação das atividades diárias.

    Também é importante investigar quando houver perda de peso, febre, fraqueza muscular progressiva ou alterações nos exames físicos, pois esses sinais sugerem outras doenças.

    Confira: Magnésio é tudo igual? Diferenças que você precisa saber antes de começar a tomar

    Perguntas frequentes sobre fibromialgia

    1. O que é fibromialgia?

    É uma síndrome de dor crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos relacionados a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central.

    2. A fibromialgia é uma doença inflamatória?

    Não. Ela não provoca inflamação das articulações nem destruição dos músculos.

    3. Os exames costumam estar alterados?

    Na maioria dos casos, não. Os exames laboratoriais e de imagem geralmente são normais e servem para excluir outras doenças.

    4. Quem tem maior risco de desenvolver fibromialgia?

    A doença é mais frequente em mulheres entre 20 e 55 anos, mas pode acometer pessoas de qualquer sexo e idade.

    5. Exercício físico realmente ajuda?

    Sim. A atividade física regular é considerada um dos pilares do tratamento e está associada à redução da dor e à melhora da qualidade de vida.

    6. Anti-inflamatórios são eficazes?

    Em geral, não. Como a fibromialgia não é causada por inflamação, esses medicamentos têm benefício limitado e não são recomendados como tratamento de rotina.

    7. A fibromialgia tem cura?

    Ainda não existe cura definitiva, mas uma abordagem multidisciplinar com exercícios, educação, tratamento dos distúrbios do sono, terapia cognitivo-comportamental e medicamentos quando indicados permite controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

    Confira: Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia

  • Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Quando se fala em doenças das artérias, a maioria das pessoas pensa logo em colesterol alto ou em vasos entupidos. No entanto, existe outra alteração que começa muito antes dos primeiros sintomas e também aumenta o risco de problemas cardiovasculares: a rigidez arterial.

    Ao longo da vida, as artérias perdem parte da elasticidade que permite acomodar o fluxo de sangue bombeado pelo coração. Embora esse processo faça parte do envelhecimento natural, ele pode ser acelerado por fatores como pressão alta não controlada, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

    Hoje, a rigidez arterial é reconhecida como um importante marcador de envelhecimento vascular e está associada a maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

    O que é rigidez arterial?

    As artérias, especialmente a aorta, têm grande quantidade de fibras elásticas.

    Essa elasticidade permite que elas:

    • Se expandam quando o coração ejeta sangue;
    • Armazenem parte dessa energia;
    • Liberem o sangue de maneira contínua entre um batimento e outro.

    Esse mecanismo funciona como um verdadeiro amortecedor da circulação.

    Quando as artérias ficam rígidas, elas perdem essa capacidade de absorver a pressão gerada a cada batimento cardíaco. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais e a circulação sofre um aumento das oscilações de pressão.

    Rigidez arterial é a mesma coisa que aterosclerose?

    Não. Embora frequentemente coexistam, são processos diferentes.

    Aterosclerose

    É o acúmulo de gordura, colesterol e células inflamatórias na parede das artérias, formando placas que podem reduzir ou obstruir o fluxo sanguíneo.

    Rigidez arterial

    Refere-se principalmente à perda da elasticidade da parede arterial.

    Ela ocorre devido a alterações como:

    • Fragmentação das fibras de elastina;
    • Aumento do colágeno;
    • Calcificação da parede arterial;
    • Inflamação crônica;
    • Alterações das células musculares lisas dos vasos.

    Uma pessoa pode apresentar rigidez arterial mesmo sem obstruções importantes nas artérias.

    Quando a rigidez arterial começa?

    Ao contrário do que muitos imaginam, ela não começa apenas na velhice. O envelhecimento das artérias é um processo gradual que pode iniciar ainda na vida adulta jovem.

    Em pessoas saudáveis, esse processo costuma ser lento. Entretanto, diversos fatores podem acelerá-lo significativamente:

    • Pressão alta;
    • Diabetes mellitus;
    • Obesidade;
    • Tabagismo;
    • Colesterol elevado;
    • Doença renal crônica;
    • Sedentarismo;
    • Alimentação rica em ultraprocessados e sal.

    Quanto maior o tempo de exposição a esses fatores, maior tende a ser a perda da elasticidade arterial.

    Por que as artérias ficam mais rígidas?

    A parede das artérias sofre mudanças estruturais ao longo dos anos. Entre as principais alterações estão:

    • Diminuição da elastina, proteína responsável pela elasticidade;
    • Aumento do colágeno, que torna a parede mais rígida;
    • Calcificação vascular;
    • Inflamação de baixo grau;
    • Estresse oxidativo;
    • Disfunção do endotélio, camada interna dos vasos.

    Essas alterações reduzem a capacidade das artérias de se expandirem durante cada batimento cardíaco.

    Quais são as consequências da rigidez arterial?

    As consequências vão muito além da pressão alta.

    Hipertensão arterial

    Artérias rígidas aumentam a pressão sistólica, o primeiro número da pressão arterial, favorecendo o desenvolvimento de hipertensão, principalmente em pessoas mais velhas. Em muitos casos, a rigidez arterial antecede o aparecimento da hipertensão.

    Sobrecarga do coração

    Quando a aorta perde sua elasticidade, o coração precisa exercer mais força para bombear o sangue.

    Isso pode favorecer:

    • Espessamento do músculo cardíaco, chamado de hipertrofia ventricular esquerda;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Maior consumo de oxigênio pelo coração.

    Maior risco de infarto e AVC

    A rigidez arterial aumenta a carga sobre o sistema cardiovascular e está associada a maior incidência de:

    • Infarto do miocárdio;
    • AVC;
    • Mortalidade cardiovascular.

    Mesmo após o ajuste para outros fatores de risco, ela permanece como um preditor independente de eventos cardiovasculares.

    Lesão dos rins

    Os rins possuem uma rede de pequenos vasos muito sensíveis às oscilações de pressão.

    Com artérias rígidas, há maior transmissão dessa pressão para a microcirculação renal, o que favorece:

    • Doença renal crônica;
    • Proteinúria;
    • Redução progressiva da função dos rins.

    Alterações cerebrais

    O cérebro também sofre com o excesso de pulsação transmitido pelas grandes artérias.

    Esse fenômeno está relacionado a maior risco de:

    • Pequenos infartos cerebrais;
    • Declínio cognitivo;
    • Demência vascular;
    • AVC.

    Existem sintomas?

    Na maioria das vezes, não. A rigidez arterial evolui silenciosamente durante muitos anos.

    Os sintomas geralmente aparecem apenas quando surgem complicações, como:

    • Hipertensão;
    • Infarto;
    • AVC;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doença renal.

    É justamente por isso que a prevenção é tão importante.

    Como os médicos avaliam a rigidez arterial?

    Na prática clínica, a forma mais estudada de avaliação é a velocidade da onda de pulso, conhecida pela sigla em inglês PWV, de Pulse Wave Velocity. Quanto mais rígida a artéria, mais rapidamente a onda de pressão se propaga pelos vasos.

    A velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral é considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva da rigidez arterial e possui valor prognóstico para eventos cardiovasculares.

    Esse exame não faz parte dos check-ups de rotina para toda a população, sendo utilizado principalmente em situações específicas.

    É possível reduzir a rigidez arterial?

    Embora parte do envelhecimento vascular seja inevitável, diversas medidas ajudam a retardar sua progressão e, em alguns casos, melhorar parcialmente a elasticidade dos vasos.

    Controlar a pressão arterial

    A hipertensão é um dos principais fatores que aceleram o endurecimento das artérias. Manter a pressão controlada reduz a sobrecarga sobre a parede vascular e pode favorecer o remodelamento arterial ao longo do tempo.

    Praticar atividade física

    Exercícios aeróbicos regulares:

    • Melhoram a função do endotélio;
    • Reduzem a pressão arterial;
    • Ajudam a preservar a elasticidade vascular.

    Os benefícios aparecem mesmo em pessoas de meia-idade.

    Alimentação saudável

    Uma dieta rica em:

    • Frutas;
    • Verduras;
    • Legumes;
    • Grãos integrais;
    • Oleaginosas;
    • Peixes.

    E pobre em sal, açúcares e alimentos ultraprocessados contribui para um envelhecimento vascular mais saudável.

    Não fumar

    O tabagismo acelera a perda da elasticidade arterial por diversos mecanismos, incluindo inflamação e estresse oxidativo.

    Parar de fumar reduz esse impacto ao longo do tempo.

    Controlar diabetes e colesterol

    Glicemia alta persistente e colesterol elevado favorecem alterações estruturais na parede das artérias. O tratamento adequado reduz a velocidade de progressão dessas alterações.

    Manter um peso saudável

    A obesidade está associada a maior inflamação sistêmica e aumento da rigidez arterial. A perda de peso, especialmente quando acompanhada de atividade física, melhora diversos parâmetros cardiovasculares.

    Existe um medicamento específico para rigidez arterial?

    Atualmente, não existe um medicamento aprovado cujo único objetivo seja reduzir diretamente a rigidez arterial.

    Entretanto, diversos tratamentos utilizados para hipertensão, diabetes e dislipidemia podem contribuir indiretamente para retardar sua progressão ao controlar os fatores que aceleram o envelhecimento vascular.

    Quando conversar com o médico sobre esse assunto?

    Vale discutir o risco de rigidez arterial principalmente se você apresenta:

    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Doença renal crônica;
    • Colesterol elevado;
    • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce;
    • Tabagismo;
    • Obesidade.

    Nessas situações, controlar os fatores de risco é mais importante do que realizar exames específicos para medir a rigidez arterial.

    Confira: Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

    Perguntas frequentes sobre rigidez arterial

    1. O que é rigidez arterial?

    É a perda da elasticidade das artérias, especialmente da aorta, reduzindo sua capacidade de amortecer a pressão gerada pelos batimentos cardíacos.

    2. A rigidez arterial faz parte do envelhecimento?

    Sim. Ela aumenta naturalmente com a idade, mas pode ser acelerada por hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e outros fatores de risco cardiovasculares.

    3. Quais doenças ela pode causar?

    Está associada a maior risco de hipertensão, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e declínio cognitivo.

    4. Ela causa sintomas?

    Geralmente não. É uma alteração silenciosa que costuma ser identificada apenas por exames específicos ou pelas complicações que pode provocar.

    5. Como é medida?

    O método mais utilizado é a velocidade da onda de pulso, ou PWV, especialmente a velocidade carotídeo-femoral, considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva.

    6. É possível prevenir?

    Sim. Controlar a pressão arterial, praticar atividade física regularmente, manter alimentação saudável, não fumar, controlar o diabetes e o colesterol e manter um peso adequado ajudam a retardar o envelhecimento vascular.

    7. Existe tratamento específico?

    Ainda não há um medicamento específico para reverter a rigidez arterial. O tratamento consiste principalmente em controlar os fatores de risco cardiovasculares e adotar um estilo de vida saudável, reduzindo a progressão do processo e o risco de complicações.

    Veja também: Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

  • Manchas que mudam na língua: entenda a língua geográfica 

    Manchas que mudam na língua: entenda a língua geográfica 

    Olhar no espelho e perceber manchas avermelhadas na língua, com bordas esbranquiçadas e formato irregular, pode causar preocupação. Muitas pessoas imaginam que se trata de uma infecção, falta de vitaminas ou até mesmo câncer.

    Na realidade, em grande parte dos casos, essas alterações correspondem à língua geográfica, também chamada de glossite migratória benigna.

    Apesar do aspecto incomum, trata-se de uma condição benigna, não contagiosa e que, na maioria das pessoas, não causa problemas importantes. O nome “geográfica” surgiu porque as manchas lembram o desenho de continentes em um mapa e mudam de formato e localização ao longo do tempo.

    O que é a língua geográfica?

    A língua geográfica é uma alteração inflamatória benigna da superfície da língua. Ela ocorre devido à perda temporária das papilas filiformes, pequenas estruturas responsáveis por dar à língua seu aspecto levemente áspero.

    Com a redução dessas papilas, surgem áreas:

    • Avermelhadas;
    • Lisas;
    • Bem delimitadas;
    • Cercadas por uma borda branca ou amarelada, discretamente elevada.

    Essas lesões podem desaparecer de uma região e surgir em outra dias ou semanas depois. Essa característica explica o uso do termo “migratória”.

    A língua geográfica é comum?

    Sim. Estima-se que a língua geográfica afete cerca de 1% a 3% da população, embora essa frequência possa variar entre os estudos. Ela pode surgir em qualquer idade, inclusive em crianças, mas costuma ser observada com maior frequência em adultos jovens.

    Homens e mulheres podem apresentar a condição, embora alguns estudos sugiram um discreto predomínio entre as mulheres.

    O que causa a língua geográfica?

    A causa exata da língua geográfica ainda não é totalmente conhecida. Atualmente, acredita-se que diferentes fatores possam contribuir para seu aparecimento, entre eles:

    • Predisposição genética;
    • Alterações do sistema imunológico;
    • Estresse emocional;
    • Fatores hormonais;
    • Irritações locais.

    A língua geográfica também apresenta associação com algumas doenças inflamatórias, especialmente a psoríase. Isso, porém, não significa que toda pessoa com língua geográfica tenha ou desenvolverá essa doença.

    Quais são os sintomas?

    Muitas pessoas não apresentam qualquer sintoma. Nesses casos, a alteração pode ser descoberta por acaso durante um exame odontológico, ao escovar os dentes ou ao observar a língua no espelho.

    Quando existem sintomas, os mais comuns são:

    • Ardência na língua;
    • Sensação de queimação;
    • Maior sensibilidade a alimentos quentes;
    • Desconforto ao consumir alimentos ácidos;
    • Irritação após alimentos muito condimentados.

    A intensidade do desconforto pode variar conforme o período de atividade da condição.

    Por que as manchas mudam de lugar?

    Essa é uma das características mais marcantes da língua geográfica. As áreas onde ocorreu a perda das papilas podem se recuperar espontaneamente, enquanto novas regiões passam a apresentar a mesma alteração.

    Por isso, as lesões podem:

    • Mudar de tamanho;
    • Mudar de formato;
    • Mudar de localização.

    Esse comportamento migratório é considerado típico da condição e explica por que o desenho da língua pode parecer diferente de um dia para o outro.

    A língua geográfica é contagiosa?

    Não. A língua geográfica:

    • Não é causada por vírus;
    • Não é causada por bactérias;
    • Não é causada por fungos.

    Por isso, não pode ser transmitida por:

    • Beijos;
    • Compartilhamento de talheres;
    • Contato direto.

    Existe relação com deficiência de vitaminas?

    Na maioria das pessoas, não. Algumas deficiências nutricionais também podem causar alterações na aparência da língua. No entanto, a língua geográfica não costuma ser provocada pela falta de vitaminas.

    Por esse motivo, quando as lesões apresentam aspecto típico, exames laboratoriais nem sempre são necessários.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é principalmente clínico. O médico ou dentista avalia características como:

    • Aparência das lesões;
    • Distribuição das manchas;
    • Mudança de localização ao longo do tempo;
    • Presença ou ausência de sintomas.

    Na grande maioria dos casos, não são necessários exames complementares.

    Quando é preciso investigar mais?

    Embora a língua geográfica seja benigna, algumas situações merecem uma avaliação mais detalhada. É importante procurar um profissional se:

    • As lesões não mudarem de lugar ao longo do tempo;
    • Houver endurecimento em alguma região da língua;
    • Existirem úlceras persistentes;
    • Ocorrer sangramento espontâneo;
    • Houver perda de peso inexplicada;
    • A dor for intensa e contínua.

    Nessas situações, outras alterações da cavidade oral precisam ser descartadas.

    Existe tratamento?

    Na maioria das pessoas, não. Quando não há sintomas, nenhum tratamento é necessário. O principal objetivo é tranquilizar o paciente e explicar que a condição é benigna.

    A língua geográfica pode desaparecer e reaparecer ao longo do tempo sem causar danos à saúde.

    O que fazer quando existe ardência?

    Nos pacientes sintomáticos, algumas medidas podem ajudar a diminuir o desconforto.

    Evitar alimentos irritantes

    Durante os períodos de ardência, pode ser útil reduzir temporariamente o consumo de:

    • Pimenta;
    • Molhos muito condimentados;
    • Frutas cítricas;
    • Bebidas muito quentes.

    A sensibilidade varia de uma pessoa para outra. Por isso, o ideal é observar quais alimentos agravam os sintomas.

    Manter uma boa higiene bucal

    Escovar os dentes regularmente e manter uma boa saúde bucal pode ajudar a reduzir irritações e desconfortos. A higiene deve ser realizada com cuidado, evitando traumatizar as áreas mais sensíveis da língua.

    Medicamentos

    Quando a ardência é intensa, o médico ou dentista pode indicar:

    • Anestésicos tópicos;
    • Anti-inflamatórios tópicos;
    • Corticoides tópicos em situações selecionadas.

    Esses tratamentos são reservados para pessoas que apresentam sintomas e devem ser utilizados com orientação profissional.

    A língua geográfica aumenta o risco de câncer?

    Não. A língua geográfica não é considerada uma lesão pré-cancerosa e não aumenta o risco de desenvolver câncer de boca.

    Entretanto, alterações persistentes na cavidade oral que não apresentam as características típicas da língua geográfica devem sempre ser avaliadas por um profissional.

    A língua geográfica tem cura?

    A condição costuma apresentar períodos de melhora e de reaparecimento das lesões.

    Em algumas pessoas, as manchas desaparecem por meses e depois retornam espontaneamente. Em outras, podem permanecer presentes durante anos, alternando períodos de maior e menor intensidade.

    Não existe um tratamento capaz de impedir definitivamente que as manchas voltem. Apesar disso, o prognóstico é excelente e a condição não costuma provocar complicações.

    Quando procurar um médico ou dentista?

    Procure avaliação se:

    • Surgirem manchas persistentes na língua;
    • Existirem lesões dolorosas que não melhoram;
    • Houver dificuldade para comer;
    • Aparecerem úlceras ou sangramentos;
    • O diagnóstico ainda não tiver sido confirmado.

    O profissional poderá diferenciar a língua geográfica de outras alterações que também podem causar manchas, vermelhidão ou desconforto na cavidade oral.

    Confira: Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Perguntas frequentes sobre língua geográfica

    1. O que é língua geográfica?

    É uma condição inflamatória benigna caracterizada por áreas avermelhadas e lisas na língua, que podem mudar de formato e localização ao longo do tempo.

    2. A língua geográfica é contagiosa?

    Não. Ela não é causada por uma infecção e não pode ser transmitida para outras pessoas por beijos, talheres ou contato direto.

    3. A língua geográfica causa dor?

    Na maioria das pessoas, não. Algumas, porém, podem apresentar ardência, sensação de queimação ou maior sensibilidade ao consumir alimentos quentes, ácidos ou condimentados.

    4. A língua geográfica pode virar câncer?

    Não. Ela não é considerada uma lesão pré-maligna e não aumenta o risco de câncer de boca.

    5. Existe relação com o estresse?

    O estresse é considerado um possível fator desencadeante ou agravante em algumas pessoas, embora não seja apontado como a única causa da condição.

    6. É preciso fazer exames?

    Na maioria dos casos, não. O diagnóstico costuma ser feito apenas pelo exame clínico. Exames adicionais podem ser solicitados quando as lesões apresentam características atípicas.

    7. Existe tratamento para língua geográfica?

    Quando não há sintomas, geralmente nenhum tratamento é necessário. Nos casos com ardência ou desconforto, evitar alimentos irritantes e utilizar medicamentos tópicos prescritos pelo profissional pode ajudar a aliviar os sintomas.

    Veja também: O que pode ser a língua branca? Saiba quando você deve procurar um médico