Categoria: Doenças

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  • É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    No Brasil, cerca de trinta milhões de pessoas convivem com o pré-diabetes, uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda não são altos o suficiente para configurar um quadro de diabetes tipo 2. Como normalmente não causa sintomas, é comum identificar a alteração apenas durante os exames de rotina.

    Apesar de não ser considerada uma doença propriamente dita, o pré-diabetes funciona como um sinal de alerta de que o corpo já está encontrando dificuldades para controlar a glicose. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode evoluir para o diabetes tipo 2 e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Mas afinal, como é possível reverter o pré-diabetes? Como o problem está relacionado principalmente à resistência à insulina, existem alguns hábitos que podem ajudar o organismo a utilizar o hormônio de forma mais eficiente e, consequentemente, reduzir os níveis de glicose no sangue.

    O pré-diabetes tem cura?

    Diferente do diabetes tipo 2, o pré-diabetes tem cura e o quadro pode ser totalmente revertido, de acordo com o endocrinologista André Colapietro. Como as células do corpo estão apenas começando a apresentar resistência à insulina, o pâncreas ainda consegue produzir o hormônio em boa quantidade e, por isso, é possível recuperar o controle da glicose por meio de mudanças no estilo de vida.

    Na prática, a reversão acontece quando os exames de sangue voltam a mostrar níveis de glicose dentro da faixa considerada normal:

    • Glicemia de jejum: deixa de ficar entre 100 mg/dL e 125 mg/dL e volta a apresentar valores abaixo de 100 mg/dL;
    • Hemoglobina glicada: deixa de ficar entre 5,7% e 6,4% e volta a apresentar valores abaixo de 5,7%.

    Vale destacar que, embora a reversão seja possível, isso não significa que o risco desaparece. Se você abandonar os hábitos saudáveis, os níveis de glicose podem voltar a subir ao longo do tempo, aumentando novamente o risco de desenvolver pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

    Como reverter o pré-diabetes?

    1. Ajuste na alimentação e a contagem de carboidratos

    As mudanças na alimentação são a primeira medida para reverter o pré-diabetes e fazer os níveis de glicose no sangue voltarem aos valores considerados normais.

    O recomendado é reduzir o consumo de carboidratos simples e refinados, como arroz branco, pães, massas, doces e refrigerantes, pois eles são digeridos rapidamente e causam picos de glicose no sangue.

    Em vez disso, a alimentação deve priorizar alimentos que ajudam a controlar os níveis de glicose e aumentam a sensação de saciedade ao longo do dia, como:

    • Vegetais e legumes como brócolis, couve, espinafre, abobrinha, cenoura, chuchu e berinjela, que são ricos em fibras e nutrientes importantes para a saúde;
    • Grãos integrais como aveia, arroz integral, quinoa, chia e linhaça, que ajudam a desacelerar a absorção do açúcar pelo organismo;
    • Frutas in natura como maçã, pera, laranja, morango e kiwi, consumidas preferencialmente com casca ou bagaço sempre que possível;
    • Proteínas magras como frango, peixe, ovos, tofu e cortes magros de carne, que contribuem para a manutenção da massa muscular e ajudam a prolongar a saciedade;
    • Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, que combinam fibras, proteínas e carboidratos de absorção mais lenta;
    • Gorduras saudáveis presentes no azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, amêndoas e sementes, que fazem parte de uma alimentação equilibrada e ajudam na saúde cardiovascular;
    • Laticínios com baixo teor de gordura, como leite, iogurte natural e queijos magros, quando indicados pelo profissional de saúde.

    Como as necessidades nutricionais variam de acordo com a idade, o peso, o nível de atividade física e a presença de outras condições de saúde, sempre que possível, a alimentação deve ser planejada com o acompanhamento de um médico ou nutricionista.

    2. Prática regular de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios ajuda os músculos a utilizarem a glicose como fonte de energia, reduzindo a quantidade de açúcar circulando no sangue e melhorando a sensibilidade à insulina. Como resultado, o organismo passa a responder melhor à ação do hormônio, facilitando o controle da glicemia.

    A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, como caminhada rápida, ciclismo ou dança, ou entre 75 e 150 minutos de atividades vigorosas, como corrida e natação intensa.

    A OMS também orienta a realização de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana e destaca a importância de reduzir o tempo sedentário, evitando permanecer muitas horas seguidas sentado.

    3. Perda de peso consciente e sustentável

    O acúmulo de gordura corporal, especialmente a gordura visceral, localizada na região abdominal, libera substâncias inflamatórias que bloqueiam a ação da insulina. Para pessoas que estão acima do peso ou convivem com a obesidade, a perda de peso é necessária para melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar o controle dos níveis de glicose no sangue.

    “Mesmo a perda de 5 a 10% do peso corporal, para quem está acima do peso, já faz muita diferença. Quanto mais cedo agir, maiores as chances de evitar o diabetes”, explica André.

    4. Melhora na qualidade do sono

    Quando o corpo passa por noites de sono insuficientes ou de má qualidade (menos de 7 horas por noite), há um aumento na produção de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. O cortisol alto estimula o fígado a liberar mais glicose na corrente sanguínea e, ao mesmo tempo, aumenta a resistência à insulina nas células.

    Além disso, a privação de sono desregula os hormônios da saciedade, aumentando o apetite por alimentos calóricos e doces no dia seguinte.

    5. Uso de medicamentos quando indicado pelo médico

    O medicamento normalmente prescrito para o pré-diabetes é a metformina, que atua diminuindo a quantidade de glicose produzida pelo fígado e aumentando a sensibilidade dos músculos à insulina.

    O uso de remédios costuma ser indicado pelo endocrinologista para pacientes com maior risco de evolução para o diabetes tipo 2, como pessoas com obesidade severa, histórico de diabetes gestacional ou que não conseguiram baixar os níveis de glicose apenas com dieta e exercícios.

    Quanto tempo leva para reverter o pré-diabetes?

    O tempo necessário para reverter o pré-diabetes varia de pessoa para pessoa, pois depende de fatores como genética, idade, peso corporal e, principalmente, do comprometimento com as mudanças no estilo de vida.

    Nas primeiras semanas após a adoção de hábitos mais saudáveis, o organismo já começa a responder melhor à insulina, o que ajuda a reduzir os picos de glicose após as refeições. Em alguns casos, os níveis de glicemia de jejum também podem começar a apresentar melhora nesse período.

    No entanto, para confirmar que o pré-diabetes foi revertido, é necessário observar uma melhora consistente nos exames de laboratório, especialmente na hemoglobina glicada (HbA1c). Como o exame mostra a média dos níveis de glicose no sangue dos últimos dois a três meses, os resultados costumam aparecer de forma mais clara após cerca de 3 a 6 meses.

    O que acontece se o pré-diabetes não for tratado?

    Sem mudanças na alimentação, na prática de atividade física e em outros hábitos de vida, o pâncreas precisa trabalhar mais para produzir insulina, enquanto as células do organismo se tornam progressivamente mais resistentes à ação desse hormônio.

    Com o passar dos anos, a sobrecarga pode levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e aumentar o risco de diversas complicações de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2, quando os níveis de glicose permanecem elevados de forma persistente;
    • Doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Pressão alta e alterações do colesterol, que aumentam ainda mais o risco cardiovascular;
    • Doença hepática gordurosa (esteatose hepática), conhecida popularmente como gordura no fígado;
    • Problemas nos rins, que podem surgir devido aos danos causados pela glicose elevada;
    • Lesões nos nervos, provocando sintomas como formigamento, dormência e perda de sensibilidade, principalmente nos pés e nas mãos;
    • Alterações na visão, que podem comprometer a saúde dos olhos ao longo do tempo.

    Vale apontar que o pré-diabetes é uma condição silenciosa e não costuma causar sintomas evidentes, o que torna importante manter uma rotina periódica de exames de rotina.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame detecta o pré-diabetes e o diabetes?

    Os principais exames são a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que medem a quantidade de açúcar circulando no sangue.

    2. Qual o valor da glicemia em jejum no pré-diabetes?

    O resultado do exame de sangue fica entre 100 miligramas por decilitro e 125 miligramas por decilitro.

    3. Quem tem pré-diabetes pode comer doce?

    O consumo deve ser evitado ao máximo e reservado para ocasiões muito raras e em quantidades bem pequenas.

    4. O que é diabetes tipo 1?

    É uma doença autoimune onde o próprio corpo destrói as células do pâncreas que produzem a insulina.

    5. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Os principais sintomas são sede excessiva, aumento da vontade de urinar, perda de peso sem motivo aparente, fome frequente e visão embaçada.

    6. O que é a insulina e para que serve?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma chave. Ela permite que o açúcar do sangue entre nas células para virar energia.

    7. O diabetes é uma doença hereditária?

    Existe um forte fator genético, principalmente no diabetes tipo 2. Quem tem pais ou irmãos com a doença tem maior risco de desenvolver a condição.

    8. Quais são as principais complicações do diabetes não tratado?

    A glicose alta por muito tempo danifica os vasos sanguíneos e pode causar infarto, derrame cerebral, problemas de visão, insuficiência nos rins e problemas de cicatrização nos pés.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Considerado um dos opioides mais potentes utilizados na medicina, o fentanil ganhou notoriedade mundial após ser associado a um grande número de overdoses e mortes.

    Medicamento amplamente utilizado em hospitais para controle da dor intensa e sedação de pacientes, quando administrado por profissionais treinados e em doses adequadas, o fentanil é uma ferramenta importante e segura em diversas situações clínicas.

    O problema surge quando a substância é utilizada sem supervisão médica ou misturada a outras drogas. Devido à sua potência extremamente elevada, pequenas quantidades podem ser suficientes para provocar intoxicações graves, parada respiratória e morte.

    Nos últimos anos, o fentanil tornou-se um dos principais responsáveis por mortes relacionadas a opioides em diversos países, especialmente nos Estados Unidos.

    O que é o fentanil?

    O fentanil é um opioide sintético, desenvolvido para atuar no controle da dor intensa. Ele pertence à mesma classe de medicamentos da morfina, mas possui potência muito superior.

    Estima-se que o fentanil seja cerca de:

    • 50 vezes mais potente que a heroína;
    • 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

    Na prática médica, costuma ser utilizado em situações como:

    • Sedação de pacientes internados;
    • Procedimentos anestésicos;
    • Controle da dor pós-operatória;
    • Tratamento de dores intensas em pacientes selecionados.

    O medicamento pode ser administrado por diferentes vias, como:

    • Intravenosa;
    • Intramuscular;
    • Transdérmica (adesivos);
    • Outras apresentações específicas.

    Por que o fentanil é tão potente?

    O fentanil possui alta afinidade pelos receptores opioides presentes no sistema nervoso central. Isso significa que pequenas quantidades já são capazes de produzir efeitos muito intensos.

    Como consequência:

    • Doses mínimas podem causar sedação profunda;
    • Pequenos erros de dosagem podem ser perigosos;
    • O risco de overdose é elevado.

    Essa é uma das principais razões pelas quais o uso recreativo é considerado extremamente arriscado.

    Como o fentanil age no organismo?

    O medicamento se liga aos receptores opioides presentes no cérebro e em outras regiões do sistema nervoso.

    Essa ação provoca:

    • Alívio da dor;
    • Sensação de bem-estar;
    • Relaxamento;
    • Sonolência;
    • Redução da atividade respiratória.

    Embora o efeito analgésico seja desejado em contextos médicos, a diminuição da respiração é justamente a principal causa das complicações fatais associadas ao uso recreativo.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Mesmo quando utilizado corretamente, o fentanil pode causar efeitos adversos.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Sonolência intensa;
    • Tontura;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Confusão mental;
    • Sensação de euforia;
    • Prisão de ventre.

    No uso recreativo, esses efeitos tendem a ser mais intensos devido à dificuldade de controlar a dose consumida.

    O maior perigo: a respiração

    A complicação mais grave associada ao fentanil é a chamada depressão respiratória. Nessa situação, a respiração se torna:

    • Mais lenta;
    • Mais superficial;
    • Menos eficiente.

    Com isso, a quantidade de oxigênio que chega aos órgãos diminui progressivamente. Nos casos mais graves, a pessoa pode parar completamente de respirar, necessitando de ventilação mecânica e suporte intensivo.

    Grande parte das mortes associadas ao fentanil ocorre por esse mecanismo.

    O que é uma overdose por fentanil?

    A overdose acontece quando a quantidade da substância ultrapassa a capacidade do organismo de tolerá-la.

    Os sinais podem incluir:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para despertar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Pupilas muito contraídas;
    • Lábios ou extremidades arroxeadas;
    • Perda de consciência.

    A overdose por fentanil é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Misturar fentanil com outras drogas aumenta o risco?

    Sim, e aumenta de forma significativa. O perigo aumenta quando o fentanil é combinado com substâncias que também deprimem o sistema nervoso central, como:

    • Álcool;
    • Benzodiazepínicos;
    • Outros opioides;
    • Medicamentos sedativos.

    Além disso, o fentanil também pode estar presente em drogas ilícitas sem que o usuário saiba.

    Há registros de contaminação de substâncias como:

    • Cocaína;
    • Heroína;
    • Drogas sintéticas.

    Nessas situações, o risco de overdose aumenta consideravelmente.

    O fentanil pode causar dependência?

    Sim. O potencial de dependência do fentanil é elevado.

    O uso repetido pode levar ao desenvolvimento de:

    • Tolerância (necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito);
    • Dependência física;
    • Dependência psicológica.

    Quando a substância é interrompida abruptamente, podem surgir sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação, dores corporais e mal-estar intenso.

    Existe tratamento para intoxicação por fentanil?

    Sim. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

    Uma das principais medidas é o uso da naloxona.

    Naloxona para tratamento de overdose de fentanil

    A naloxona é um medicamento capaz de reverter temporariamente os efeitos dos opioides. Ela pode restaurar a respiração e salvar vidas em situações de overdose.

    Dependendo da gravidade, também podem ser necessários:

    • Oxigênio suplementar;
    • Ventilação mecânica;
    • Monitorização contínua;
    • Cuidados intensivos.

    Por que o fentanil tem causado tantas mortes?

    Diversos fatores explicam o aumento dos casos de overdose.

    Entre eles:

    • Potência extremamente elevada;
    • Pequenas quantidades podem ser fatais;
    • Mistura com outras drogas;
    • Dificuldade de identificar sua presença;
    • Uso sem conhecimento da dose real consumida.

    Em muitos casos, a pessoa acredita estar consumindo outra substância, sem saber que ela contém fentanil.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para acordar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Perda de consciência;
    • Lábios arroxeados;
    • Suspeita de overdose.

    Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.

    Veja também: Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Perguntas frequentes sobre fentanil

    1. O fentanil é um medicamento?

    Sim. É utilizado na medicina para controle da dor intensa, sedação e anestesia.

    2. Por que ele é considerado tão perigoso?

    Porque é extremamente potente e pode provocar depressão respiratória grave mesmo em pequenas quantidades.

    3. O uso recreativo pode causar overdose?

    Sim. O risco é elevado e pode ocorrer mesmo com doses aparentemente pequenas.

    4. Quais são os principais sinais de overdose?

    Sonolência intensa, perda de consciência, respiração lenta e lábios arroxeados estão entre os sinais mais comuns.

    5. Existe antídoto para o fentanil?

    Sim. A naloxona pode reverter temporariamente os efeitos dos opioides.

    6. O fentanil causa dependência?

    Sim. O potencial de dependência física e psicológica é alto.

    7. Quando procurar atendimento de emergência?

    Sempre que houver suspeita de overdose ou sinais de dificuldade respiratória.

    Veja também: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Com a chegada do inverno, hospitais e pronto-atendimentos costumam registrar um aumento expressivo na procura por atendimento médico. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que mais sofrem com os efeitos dessa época do ano.

    Embora o frio não seja responsável diretamente pelas infecções, ele favorece situações que aumentam a transmissão de vírus e bactérias. Ambientes fechados, menor circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas criam condições ideais para a disseminação de doenças respiratórias. Algumas condições cardiovasculares e metabólicas também se tornam mais frequentes durante os meses mais frios.

    Por que as doenças aumentam no inverno?

    O aumento dos casos ocorre por uma combinação de fatores. Os principais são:

    • Permanência prolongada em ambientes fechados;
    • Menor ventilação dos ambientes;
    • Maior contato próximo entre as pessoas;
    • Ar mais seco;
    • Irritação das vias respiratórias;
    • Maior circulação de vírus sazonais.

    Essas condições facilitam a transmissão de infecções e podem agravar doenças já existentes.

    Gripe (influenza)

    A gripe é uma das principais causas de consultas médicas durante o inverno.

    Os sintomas costumam surgir de forma repentina e envolvem:

    • Febre alta;
    • Dor no corpo;
    • Dor de cabeça;
    • Tosse;
    • Calafrios;
    • Cansaço intenso.

    Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas apresentam maior risco de complicações.

    Como prevenir

    • Vacinação anual;
    • Higienização frequente das mãos;
    • Ambientes ventilados;
    • Evitar contato próximo com pessoas doentes.

    Como é tratada

    A maioria dos casos melhora com:

    • Repouso;
    • Hidratação;
    • Controle dos sintomas.

    Em grupos de risco ou casos específicos, o médico pode indicar antivirais.

    Resfriado comum

    O resfriado costuma ser mais leve que a gripe, mas continua sendo um dos principais motivos de procura por atendimento.

    Os sintomas são:

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Congestão nasal;
    • Dor de garganta;
    • Tosse leve.

    Como prevenir

    • Lavar as mãos regularmente;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter ambientes ventilados.

    Como é tratado

    O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas e geralmente pode ser feito em casa.

    Bronquiolite

    A bronquiolite é uma das principais causas de atendimento pediátrico durante o inverno. Ela atinge principalmente bebês e crianças menores de 2 anos, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal responsável.

    Os sintomas são:

    • Tosse;
    • Chiado no peito;
    • Respiração acelerada;
    • Dificuldade para respirar;
    • Dificuldade para mamar ou se alimentar.

    Como prevenir a bronquiolite

    • Higienizar as mãos com frequência;
    • Evitar contato de bebês com pessoas gripadas;
    • Manter ambientes ventilados;
    • Utilizar estratégias preventivas específicas para bebês elegíveis, conforme orientação médica.

    Como a bronquiolite é tratada

    O tratamento é baseado em suporte clínico e pode incluir:

    • Hidratação;
    • Lavagem nasal;
    • Oxigênio em casos mais graves;
    • Internação quando necessário.

    Pneumonia

    A pneumonia é uma das doenças mais importantes do inverno e pode levar à hospitalização, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Tosse;
    • Catarro;
    • Falta de ar;
    • Dor ao respirar;
    • Fraqueza intensa.

    Como prevenir a pneumonia

    • Vacina da gripe;
    • Vacina contra pneumococo quando indicada;
    • Controle adequado de doenças crônicas;
    • Não fumar.

    Como a pneumonia é tratada

    Dependendo da causa e da gravidade, podem ser necessários:

    • Antibióticos;
    • Suporte respiratório;
    • Internação hospitalar.

    Crises de asma

    O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias e desencadear crises em pessoas predispostas.

    Os sintomas são:

    • Chiado no peito;
    • Tosse;
    • Falta de ar;
    • Sensação de aperto no peito.

    Como prevenir uma crise de asma

    • Manter o tratamento regular;
    • Evitar fumaça e poluentes;
    • Seguir corretamente as orientações médicas.

    Como a asma é tratada

    O tratamento pode envolver:

    • Broncodilatadores;
    • Corticoides;
    • Oxigênio em situações mais graves.

    Sinusite

    Infecções respiratórias e alergias podem favorecer o aparecimento de sinusite durante o inverno.

    Os sintomas incluem:

    • Congestão nasal;
    • Dor facial;
    • Dor de cabeça;
    • Secreção nasal;
    • Sensação de pressão no rosto.

    Como prevenir a sinusite

    • Manter boa hidratação;
    • Fazer lavagem nasal com soro fisiológico;
    • Controlar alergias respiratórias.

    Otites

    As infecções de ouvido são frequentes em crianças durante períodos de aumento das infecções respiratórias.

    Os principais sintomas incluem:

    • Dor de ouvido;
    • Febre;
    • Irritabilidade;
    • Sensação de ouvido tampado;
    • Alteração da audição.

    Doenças cardiovasculares também aumentam no inverno

    Muitas pessoas associam o inverno apenas às infecções respiratórias, mas doenças cardiovasculares também se tornam mais frequentes.

    Estudos mostram aumento de eventos como:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Crises de pressão alta;
    • Descompensação de insuficiência cardíaca.

    As baixas temperaturas podem provocar contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e maior sobrecarga para o coração.

    Como reduzir o risco de adoecer no inverno

    Algumas medidas simples ajudam a diminuir significativamente o risco de doenças.

    1. Mantenha a vacinação em dia

    A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção contra formas graves de gripe e outras infecções.

    2. Higienize as mãos frequentemente

    Essa medida reduz a transmissão de vírus respiratórios.

    3. Ventile os ambientes

    Mesmo nos dias frios, é importante renovar o ar dos ambientes.

    4. Hidrate-se adequadamente

    No inverno muitas pessoas sentem menos sede, mas o organismo continua precisando de água.

    5. Controle doenças crônicas

    Asma, DPOC, diabetes, pressão alta e doenças cardíacas devem permanecer bem acompanhadas durante toda a estação.

    Quando procurar atendimento médico

    Procure avaliação médica se houver:

    • Falta de ar;
    • Febre persistente;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Sonolência excessiva;
    • Piora importante do estado geral;
    • Dificuldade para se alimentar ou beber líquidos.

    Confira: H1N1: 8 coisas que você precisa saber para se prevenir e tratar a gripe

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/h1n1-o-que-voce-precisa-saber

    Perguntas frequentes sobre doenças do inverno

    1. O frio causa gripe?

    Não. A gripe é causada por vírus, mas o inverno favorece a transmissão porque as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados.

    2. Qual doença mais leva ao pronto-atendimento no inverno?

    As infecções respiratórias, especialmente gripe, resfriados, bronquiolite e pneumonia.

    3. A vacina da gripe realmente funciona?

    Sim. Ela reduz significativamente o risco de formas graves, internações e complicações.

    4. Crianças adoecem mais no inverno?

    Sim. Crianças pequenas têm maior exposição a vírus respiratórios e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

    5. A pneumonia é mais comum nessa época?

    Sim. O inverno está associado ao aumento dos casos de pneumonia, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

    6. O inverno aumenta o risco de infarto?

    Pode aumentar. As baixas temperaturas favorecem a contração dos vasos sanguíneos e podem elevar a pressão arterial.

    7. Como prevenir doenças respiratórias no inverno?

    Vacinação, higiene das mãos, ambientes ventilados, hidratação adequada e controle das doenças crônicas são as principais medidas.

    Veja também: Trivalente ou quadrivalente: saiba qual vacina da gripe escolher e por quê

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/vacina-da-gripe-trivalente-quadrivalente
  • De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    Em maio de 2026, um comitê internacional de pesquisadores, médicos e pacientes anunciou oficialmente a mudança no nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP) para síndrome ovariana metabólica poliendócrina (cuja sigla internacional passou a incluir o termo metabólico), após um consenso global publicado na revista científica The Lancet.

    A decisão não foi apenas uma questão de nomenclatura e, de acordo com especialistas, o objetivo foi atualizar o nome para refletir melhor os conhecimentos científicos atuais sobre a condição e melhorar a compreensão da população, dos profissionais de saúde e até dos formuladores de políticas públicas.

    A síndrome, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil, é um distúrbio hormonal complexo que afeta diversos sistemas do organismo. Apesar de normalmente associada aos ovários e a dificuldade para engravidar, sabe-se que a condição vai além da saúde reprodutiva e está relacionada a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que podem impactar a saúde da mulher ao longo de toda a vida.

    O problema com o nome antigo

    O principal motivo para a mudança é que o termo ovários policísticos pode levar a uma interpretação errada da síndrome.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, nem toda mulher com a síndrome dos ovários policísticos apresenta ovários policísticos nos exames. Da mesma forma, ter ovários policísticos não significa necessariamente que a mulher tenha a síndrome.

    Para os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o nome antigo transmitia a ideia de que o problema estava restrito aos ovários, quando, na realidade, consiste em uma doença muito mais complexa.

    Como surgiu o novo nome?

    A mudança foi resultado de um dos maiores processos de consulta já realizados para renomear uma doença. O projeto envolveu mais de 14 mil participantes, incluindo pacientes, médicos, pesquisadores e organizações de saúde de diferentes regiões do mundo. Durante o processo, foram avaliados diversos critérios, como:

    • Precisão científica;
    • Facilidade de compreensão;
    • Redução do estigma associado à doença;
    • Adequação cultural em diferentes países;
    • Facilidade de implementação nos sistemas de saúde.

    Após várias rodadas de discussões, pesquisas e votações, o termo escolhido foi Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

    O que significa o novo nome?

    Cada palavra do novo nome foi escolhida para representar aspectos importantes da condição:

    • Poliendócrina: se refere ao fato de que a síndrome envolve diferentes sistemas hormonais do organismo. Não existe apenas uma alteração hormonal isolada. A condição afeta a produção e o funcionamento de hormônios relacionados aos ovários, à insulina, aos andrógenos e ao sistema neuroendócrino.
    • Metabólica: destaca a forte relação da síndrome com alterações metabólicas, especialmente a resistência à insulina, considerada um dos principais mecanismos envolvidos na doença. Além disso, mulheres com a condição apresentam maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
    • Ovariana: mantém a referência aos ovários, já que eles continuam tendo um papel importante na síndrome. A diferença é que o termo não menciona os cistos, considerados uma característica secundária e não representativa da condição como um todo.

    Como a síndrome afeta o corpo e a menstruação?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina provoca um desequilíbrio metabólico que afeta diretamente os ovários, desencadeando um efeito cascata no organismo. As mulheres costumam apresentar um padrão menstrual conhecido como oligomenorrágico, que pode causar:

    • Poucas menstruações no ano: em vez de menstruar de 11 a 13 vezes por ano (o ciclo habitual), a mulher passa a ter longos atrasos. É comum ficar dois, três, seis meses e, em casos mais graves, até um ano inteiro sem menstruar;
    • Fluxo muito intenso (menorragia): quando a menstruação finalmente desce após esses meses de atraso, ela costuma vir em grande volume, quase como uma hemorragia.

    Durante os meses de atraso, o estímulo hormonal contínuo faz com que o endométrio cresça e engrosse muito mais do que o normal. Quando o corpo finalmente descama o tecido, o sangramento é volumoso e prolongado.

    Além das alterações menstruais, Andreia explica que um dos critérios de diagnóstico da SOMP é o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos.

    • Aumento de pelos no rosto, no queixo, no peito, no abdômen e nas costas;
    • Acne persistente, especialmente na fase adulta;
    • Pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície masculina;
    • Irregularidade menstrual devido às alterações na ovulação.

    Vale lembrar que nem todas as mulheres com a síndrome têm os mesmos sintomas. Algumas têm níveis elevados de andrógenos detectados apenas em exames de sangue, enquanto outras apresentam sinais visíveis no corpo.

    Entendendo a fisiologia dos microcistos

    A micropolicistose ovariana, caracterizada pela presença de vários microcistos de até 8 mm na periferia do ovário, é um dos três critérios utilizados para o diagnóstico da SOMP.

    Em um ciclo menstrual saudável, Andreia explica que os ovários contêm vários pequenos folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Ao longo do ciclo, um deles se torna dominante, cresce mais do que os demais e atinge cerca de 1,5 a 2 centímetros antes de romper e liberar o óvulo durante a ovulação.

    Ao redor de cada folículo existem duas camadas principais de células:

    • Teca, localizada mais externamente e responsável pela produção dos hormônios androgênicos;
    • Granulosa, localizada mais internamente contém uma enzima chamada aromatase, que converte os hormônios em estrogênio.

    Na síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ocorre um espessamento das células da teca, o que desencadeia uma produção excessiva de androgênios. A granulosa não consegue transformar toda a quantidade de hormônios masculinos em estrogênio, o que leva ao aumento dos níveis de androgênios no organismo, fenômeno conhecido como hiperandrogenismo.

    O espessamento também interfere no desenvolvimento normal dos folículos. Em vez de um deles continuar crescendo até a ovulação, vários folículos interrompem seu desenvolvimento precocemente e permanecem com aproximadamente 8 milímetros de diâmetro.

    No ultrassom, eles aparecem alinhados na periferia do ovário, forming o aspecto característico dos chamados microcistos.

    Importante: nem todas as mulheres com a síndrome apresentam microcistos visíveis no ultrassom. Em algumas pacientes, Andreia explica que a camada da teca se torna mais espessa e o ovário aumenta de tamanho, mas sem formar os pequenos folículos característicos.

    Sintomas associados e resistência à insulina

    Além dos critérios utilizados para o diagnóstico, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina costuma estar associada a outras alterações metabólicas, em especial a resistência à insulina. As manifestações mais comuns do desequilíbrio incluem:

    • Obesidade: o excesso de tecido adiposo favorece a resistência à insulina e aumenta a produção dos fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF), que estimulam o espessamento da camada da teca nos ovários e contribuem para a piora do quadro hormonal;
    • Acantose nigricante: caracterizada pelo surgimento de manchas escuras e espessas em regiões de dobras da pele, como o pescoço, as axilas e as virilhas. A alteração é considerada um dos principais sinais clínicos de resistência à insulina;
    • Pré-diabetes e diabetes tipo 2: como a resistência à insulina é frequente na síndrome, mulheres com SOMP têm um risco maior de desenvolver alterações na glicose, incluindo pré-diabetes e diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    O que muda para quem já tem o diagnóstico?

    Na prática, o diagnóstico, os exames e os tratamentos continuam os mesmos. A mudança está relacionada principalmente à forma como a condição será chamada nos próximos anos.

    A expectativa é que a mudança ajude a aumentar a conscientização sobre a síndrome, facilite o reconhecimento dos sintomas e contribua para que mais mulheres recebam o diagnóstico e o acompanhamento adequados mais cedo.

    A transição deve ocorrer gradualmente em hospitais, consultórios, universidades, pesquisas científicas e sistemas de classificação de doenças ao redor do mundo. Os especialistas estimam um período de adaptação de cerca de três anos para que a nova nomenclatura seja amplamente adotada.

    A SOMP tem tratamento?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina é uma condição crônica, mas que pode ser controlada por meio de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com o uso de remédios prescritos pelo médico.

    De acordo com a ginecologista Andreia Sapienza, em muitas pacientes, a perda de peso é suficiente para restabelecer a regularidade menstrual e melhorar os níveis hormonais, sem a necessidade de outros tratamentos. No entanto, caso a paciente volte a ganhar peso, os sintomas e as alterações hormonais tendem a reaparecer.

    Para o controle das alterações metabólicas, a médica explica que medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic), podem ser uma opção em alguns casos.

    Eles ajudam a melhorar a resistência à insulina, auxiliam no controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 e favorecem a perda de peso, contribuindo para o equilíbrio hormonal.

    Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para tratar sintomas como acne e excesso de pelos. Para as mulheres que desejam engravidar, também existem tratamentos específicos para estimular a ovulação.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar um ginecologista quando surgirem sinais que possam indicar a síndrome ovariana metabólica poliendócrina, especialmente se eles persistirem por vários meses, como:

    • Menstruação muito irregular ou ausência de menstruação por mais de três meses;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Acne persistente ou de difícil controle;
    • Aumento de pelos no rosto, no tórax ou no abdômen;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Manchas escuras no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
    • Alterações nos exames de glicose, pré-diabetes ou diabetes.

    A avaliação médica é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para identificar possíveis complicações metabólicas, como resistência à insulina, diabetes tipo 2, colesterol elevado e hipertensão.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter a síndrome e não ter cistos no ovário?

    Sim, e esse é um dos principais motivos da mudança de nome. Para o diagnóstico, são avaliados três critérios: irregularidade menstrual, hormônios masculinos altos e microcistos. Você só precisa preencher dois deles. Portanto, muitas mulheres têm a síndrome, mas apresentam o ultrassom normal.

    2. Qual é a diferença entre ovário policístico e a síndrome?

    Ter ovários policísticos significa apenas que o ultrassom mostrou pequenos cistos na periferia do órgão, o que pode ser uma característica anatômica passageira. A síndrome é uma doença que envolve o corpo todo, combinando esses cistos (ou não) com atrasos menstruais e excesso de hormônios masculinos.

    3. A síndrome aumenta o risco de câncer de endométrio?

    Sim, se não for tratada. Como a mulher passa meses sem menstruar, o endométrio (camada interna do útero) fica se acumulando e engrossando sem descamar. O estímulo contínuo do estrogênio, sem a contraposição da progesterona, aumenta o risco de hiperplasia e, a longo prazo, de câncer de endométrio.

    4. Qual o melhor tipo de exercício físico para quem tem a condição?

    A combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, corrida ou bike) com treinos de força (musculação) é a ideal. O músculo é o principal consumidor de glicose do corpo. Quanto mais massa magra você desenvolve, mais o corpo queima açúcar, reduzindo diretamente a resistência à insulina.

    5. A doença altera o humor ou causa depressão?

    Sim, o desequilíbrio hormonal, especialmente o excesso de androgênios e a falta de progesterona, afeta os neurotransmissores no cérebro. Além disso, lidar com sintomas que mexem com a autoestima, como ganho de peso, acne e queda de cabelo, aumenta as taxas de ansiedade e depressão nas pacientes.

    6. Por que é difícil diagnosticar a doença na adolescência?

    Porque durante a puberdade o corpo está passando por transformações hormonais naturais. É comum que adolescentes tenham espinhas e ciclos menstruais irregulares temporariamente sem que isso seja uma doença.

    7. A síndrome tem cura?

    Por ter uma forte base genética, ela é considerada uma condição crônica, ou seja, não tem uma cura definitiva.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Descobriu gordura no fígado? Saiba o que realmente deve mudar após o diagnóstico 

    Descobriu gordura no fígado? Saiba o que realmente deve mudar após o diagnóstico 

    Receber o resultado de um exame mostrando gordura no fígado costuma gerar preocupação. Afinal, muita gente associa qualquer alteração hepática a uma doença grave ou irreversível. Na prática, porém, a situação nem sempre é tão preocupante quanto parece.

    A esteatose hepática, nome médico da gordura no fígado, é uma condição bastante comum e frequentemente descoberta por acaso durante exames de rotina. Embora muitas pessoas nunca desenvolvam complicações, o diagnóstico serve como um alerta de que o metabolismo pode não estar funcionando da melhor forma e que algumas mudanças podem ser necessárias para proteger a saúde a longo prazo.

    O que é gordura no fígado

    A esteatose hepática aparece quando há acúmulo excessivo de gordura dentro das células do fígado. Em pequenas quantidades, isso pode não causar problemas imediatos.

    Em alguns casos, no entanto, esse excesso de gordura pode provocar inflamação e lesão hepática ao longo do tempo, o que leva a alterações estruturais no órgão. Nas formas mais avançadas, a doença pode evoluir para cirrose hepática.

    Por que a gordura se acumula no fígado

    Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da esteatose hepática.

    Os principais incluem:

    • Sobrepeso e obesidade;
    • Diabetes;
    • Colesterol elevado;
    • Triglicerídeos altos;
    • Sedentarismo;
    • Alimentação rica em ultraprocessados;
    • Consumo excessivo de álcool.

    Em muitos casos, mais de um desses fatores está presente ao mesmo tempo.

    Pessoa magra também pode ter gordura no fígado?

    Sim. Embora a condição seja mais frequente em pessoas com excesso de peso, indivíduos magros também podem desenvolver gordura no fígado.

    Isso pode acontecer especialmente quando existem:

    • Alterações metabólicas;
    • Diabetes;
    • Predisposição genética;
    • Alimentação inadequada.

    Por isso, o peso corporal não é o único fator que influencia o desenvolvimento da doença.

    A gordura no fígado causa sintomas?

    Na maioria das vezes, não. Muitas pessoas convivem com a esteatose hepática sem apresentar qualquer sintoma.

    Quando manifestações aparecem, elas podem ser:

    • Cansaço;
    • Desconforto abdominal;
    • Sensação de peso no lado direito do abdome.

    Como os sintomas costumam ser inespecíficos, o diagnóstico frequentemente acontece durante exames de rotina.

    O que muda após o diagnóstico

    Receber o diagnóstico de gordura no fígado geralmente significa que é hora de olhar com mais atenção para hábitos de vida e fatores metabólicos.

    O principal objetivo é evitar a progressão da doença e reduzir o risco de complicações futuras.

    Na maioria dos casos, as primeiras recomendações envolvem mudanças na alimentação, aumento da atividade física e controle de condições associadas, como diabetes e colesterol elevado.

    Quais exames costumam ser investigados

    Após identificar gordura no fígado, os médicos costumam avaliar outros aspectos da saúde metabólica.

    Entre os exames frequentemente solicitados estão:

    • Função hepática;
    • Glicemia;
    • Colesterol;
    • Triglicerídeos.

    Em algumas situações, exames mais específicos podem ser necessários.

    O objetivo é entender se a esteatose está relacionada a causas específicas, como síndrome metabólica ou consumo excessivo de álcool, além de avaliar se já existe inflamação ou lesão hepática.

    Quais os riscos da gordura no fígado

    Em muitas pessoas, a doença permanece estável durante anos.

    No entanto, alguns pacientes podem evoluir para formas mais avançadas.

    1. Inflamação do fígado (esteato-hepatite)

    Ocorre quando a gordura acumulada passa a provocar inflamação e lesão das células hepáticas.

    2. Fibrose

    Caracteriza-se pela formação de cicatrizes no fígado em consequência da inflamação crônica.

    3. Cirrose

    É a forma mais avançada da doença hepática e pode comprometer o funcionamento do órgão.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento é baseado principalmente na correção dos fatores que levaram ao acúmulo de gordura.

    1. Perda de peso

    Mesmo reduções modestas do peso corporal podem trazer benefícios importantes para o fígado.

    2. Alimentação equilibrada

    É recomendado reduzir o consumo de:

    • Açúcar;
    • Refrigerantes;
    • Ultraprocessados;
    • Gorduras em excesso;
    • Frituras.

    3. Exercício físico

    A prática regular de atividade física ajuda a reduzir a gordura hepática e melhora a resistência à insulina.

    4. Controle de doenças associadas

    Condições como diabetes, colesterol elevado e obesidade precisam ser tratadas adequadamente.

    Existe remédio específico para gordura no fígado?

    Na maioria dos casos, o tratamento se concentra principalmente em mudanças no estilo de vida. Alguns medicamentos, porém, podem ser utilizados em situações específicas, dependendo da avaliação médica.

    Em pacientes selecionados com obesidade, procedimentos cirúrgicos para perda de peso também podem ser considerados como parte da estratégia terapêutica.

    Álcool precisa ser evitado?

    Sim. A bebida alcoólica pode agravar o acúmulo de gordura e aumentar o risco de inflamação hepática. É por isso que a orientação médica costuma incluir redução importante ou suspensão do consumo de bebidas alcoólicas.

    Gordura no fígado tem cura?

    Em muitos casos, sim. Quando a causa está relacionada ao estilo de vida e fatores metabólicos, a perda de peso e o controle adequado das condições associadas podem reduzir significativamente a gordura hepática.

    Quanto mais cedo as mudanças forem implementadas, maiores costumam ser as chances de reversão.

    Quando procurar acompanhamento médico

    O acompanhamento médico é especialmente importante para pessoas que apresentam:

    • Diabetes;
    • Obesidade;
    • Alterações nos exames do fígado;
    • Histórico familiar de doença hepática.

    O monitoramento permite identificar precocemente possíveis sinais de progressão da doença.

    Veja mais: Gordura no fígado: conheça os sintomas e como tratar essa doença

    Perguntas frequentes sobre gordura no fígado

    1. Gordura no fígado é grave?

    Nem sempre. Muitas pessoas nunca desenvolvem complicações, mas alguns casos podem evoluir para inflamação e cirrose.

    2. Pessoa magra pode ter esteatose hepática?

    Sim. Alterações metabólicas e predisposição genética também podem causar a doença.

    3. Gordura no fígado tem cura?

    Em muitos casos, a condição pode regredir com perda de peso e controle metabólico adequado.

    4. Toda pessoa com gordura no fígado precisa tomar remédio?

    Não. A principal abordagem costuma ser a mudança do estilo de vida.

    5. Exercício físico ajuda a melhorar o fígado?

    Sim. A atividade física é uma das medidas mais importantes para reduzir a gordura hepática.

    6. Quem tem gordura no fígado pode consumir álcool?

    O álcool pode piorar o quadro e geralmente deve ser evitado ou reduzido conforme orientação médica.

    7. Quando a gordura no fígado precisa de investigação mais aprofundada?

    Quando existem alterações importantes nos exames, sinais de inflamação hepática ou fatores de risco associados.

    Leia também: 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

  • Vape: veja os problemas que o cigarro eletrônico pode causar no coração 

    Vape: veja os problemas que o cigarro eletrônico pode causar no coração 

    Você já deve ter ouvido falar em cigarro eletrônico, também chamado de vape. O visual moderno, os sabores variados e a ideia de serem uma alternativa “mais leve” ao cigarro comum contribuíram para a popularização dos dispositivos, principalmente entre os jovens.

    No entanto, estudos mostram que eles podem causar danos importantes à saúde, especialmente ao coração, aos pulmões e aos vasos sanguíneos. “Muitos acreditam que o vape é apenas ‘vapor de água e sabor’, mas isso é um engano perigoso. O líquido (e-liquid) contém um coquetel químico complexo”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo.

    Entenda, a seguir, como os cigarros eletrônicos funcionam, o que realmente está presente no vapor inalado e por que seu uso representa um risco sério para o coração.

    O que são cigarros eletrônicos e como funcionam?

    Os cigarros eletrônicos são dispositivos que aquecem um líquido (conhecido como e-liquid ou juice) para gerar vapor. Ele normalmente contém as seguintes substâncias, apontadas por Pablo:

    • Nicotina: presente na maioria dos dispositivos, muitas vezes em concentrações superiores às do cigarro comum;
    • Solventes (propilenoglicol e glicerina vegetal): quando aquecidos a altas temperaturas, podem formar substâncias tóxicas e inflamatórias, como o formaldeído;
    • Partículas ultrafinas: o vapor inalado contém partículas finas que penetram profundamente nos pulmões, alcançam a corrente sanguínea e provocam inflamação nos vasos. O processo, chamado disfunção endotelial, é o primeiro passo para o desenvolvimento da aterosclerose (formação de placas nas artérias);
    • Aromatizantes: muitos aditivos usados para dar sabor são seguros apenas para ingestão, não para inalação, e podem aumentar a toxicidade e a inflamação nas vias respiratórias e no sistema cardiovascular.

    Ao contrário do cigarro tradicional, o vape não produz fumaça nem cinzas, o que cria a falsa impressão de segurança. O usuário inala o vapor, que passa pelos pulmões e chega rapidamente à corrente sanguínea, levando a nicotina e outras substâncias ao cérebro e ao coração.

    O mecanismo é bastante simples: uma bateria aquece uma resistência metálica (coil), que vaporiza o líquido armazenado no reservatório. O resultado é uma névoa que imita o ato de fumar, mas com compostos químicos que continuam sendo nocivos à saúde.

    Como os cigarros eletrônicos afetam o coração?

    A nicotina e as substâncias químicas tóxicas presentes no vapor do cigarro eletrônico interferem no funcionamento dos vasos sanguíneos, na pressão arterial e no ritmo cardíaco.

    Segundo Pablo, a nicotina age diretamente sobre o sistema nervoso simpático, provocando uma descarga de adrenalina que eleva de forma aguda a pressão arterial e a frequência cardíaca. Em pessoas com hipertensão ou outras doenças cardíacas, esses episódios repetidos de estresse sobre o coração e os vasos são extremamente prejudiciais e podem desestabilizar o quadro clínico.

    “A descarga de adrenalina e a estimulação do sistema nervoso simpático causadas pela nicotina podem funcionar como um gatilho para arritmias cardíacas, especialmente em pessoas já predispostas.”, aponta o cardiologista.

    Uma revisão publicada em 2023 na Expert Review of Cardiovascular Therapy também destacou que os vapores inalados contêm substâncias tóxicas que provocam disfunção endotelial, estresse oxidativo e inflamação, processos que favorecem o acúmulo de placas de gordura, condição chamada aterosclerose, que pode, a longo prazo, resultar em infarto agudo do miocárdio.

    Cigarros eletrônicos são mais seguros do que cigarros tradicionais?

    Apesar das diferenças na maneira como funcionam, os cigarros eletrônicos e os tradicionais são igualmente perigosos para a saúde e expõem o corpo a substâncias tóxicas capazes de causar inflamação, alterar a pressão arterial e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

    O cigarro comum produz fumaça pela combustão do tabaco, liberando mais de 7 mil compostos químicos — entre eles o alcatrão, o monóxido de carbono e metais pesados, todos comprovadamente cancerígenos e lesivos ao coração.

    O cigarro eletrônico, por outro lado, aquece um líquido que contém nicotina, solventes e aromatizantes, criando um aerossol inalado diretamente para os pulmões. Apesar de eliminar os produtos da combustão, o vapor contém partículas ultrafinas e aldeídos tóxicos que entram na corrente sanguínea e afetam as células endoteliais (camada que reveste os vasos), provocando uma disfunção endotelial que pode guiar para a formação de placas de gorduras nas artérias (aterosclerose).

    “O problema dos vapes é que a entrega de nicotina pode ser muito mais alta e rápida, especialmente com os dispositivos mais novos que usam sais de nicotina, o que aumenta o potencial de dependência e o estresse sobre o sistema cardiovascular”, complementa Pablo.

    Por que o cigarro eletrônico é tão perigoso para jovens?

    O impacto do vape sobre adolescentes é especialmente preocupante por três motivos principais:

    • Dependência precoce: o cérebro jovem ainda está em desenvolvimento. A exposição a altas doses de nicotina altera áreas ligadas à atenção, memória e controle de impulsos, tornando a dependência mais intensa e duradoura;
    • Porta de entrada: estudos mostram que adolescentes que usam vape têm mais chances de migrar para o cigarro tradicional;
    • Dano cardiovascular precoce: a inflamação e o enrijecimento das artérias começam cedo e se acumulam ao longo da vida, aumentando o risco de infartos e AVCs precoces na vida adulta.

    Em muitos casos, jovens usam o vape diariamente sem perceber que estão inalando níveis altíssimos de nicotina, superiores aos de um maço de cigarros comum. Isso explica a crescente epidemia de dependência e sintomas de abstinência entre adolescentes.

    E os riscos dos cigarros eletrônicos vão além do coração. Uma revisão sistemática publicada em 2021 no periódico Nicotine & Tobacco Research mostrou que o uso de vapes entre adolescentes e jovens adultos está fortemente associado a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, impulsividade e maior risco de comportamento suicida.

    O estudo analisou mais de mil artigos e encontrou evidências consistentes de que o vape está relacionado a padrões de estresse e dependência psicológica, criando um ciclo de uso precoce e prolongado.

    E quanto aos fumantes que migram para o cigarro eletrônico?

    Não é incomum que pessoas fumantes acreditem que mudar para o vape seja um passo para abandonar o vício. O cigarro é o maior e mais documentado inimigo da saúde vascular, mas isso não torna o cigarro eletrônico mais seguro.

    “É trocar um risco conhecido por um risco novo, mas já comprovadamente perigoso. O vape não tem os produtos da combustão, mas introduz os riscos das partículas ultrafinas e dos solventes. Para o coração, o dano da nicotina e da inflamação vascular está presente e é grave em ambos os produtos”, esclarece Pablo.

    No Brasil, a Anvisa mantém proibidas desde 2009 a venda, importação e propaganda dos dispositivos, com base na ausência de comprovação científica de segurança e na presença de substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas nos líquidos utilizados.

    “O objetivo final para a sua saúde deve ser viver livre de ambos. As sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, não recomendam o vape como um método para parar de fumar”, complementa o cardiologista.

    Como parar de fumar?

    Se o objetivo é parar de fumar, seja o cigarro comum ou eletrônico, o primeiro passo é procurar ajuda médica e não tentar enfrentar isso sozinho. A dependência da nicotina é forte, e reconhecer que é preciso ajuda já demonstra bastante coragem e vontade de mudar.

    O médico pode avaliar o seu grau de dependência, indicar o tratamento mais adequado e, acima de tudo, acompanhar de perto cada fase do processo. Hoje, existem tratamentos seguros e eficazes que reduzem os sintomas da abstinência e tornam a caminhada mais leve.

    A combinação de apoio psicológico e uso de medicamentos é a mais recomendada, porque cuida do corpo e da mente ao mesmo tempo — ajudando a lidar com a vontade de fumar e com as emoções que surgem ao longo do caminho. Falar com familiares, amigos ou grupos de apoio também faz toda a diferença, especialmente nos momentos em que o desânimo ou a vontade de desistir aparecem.

    Também é importante mudar os hábitos de vida, o que inclui praticar atividade física, investir em uma alimentação equilibrada e dormir bem à noite. Aos poucos, o corpo se recupera, o fôlego melhora, o paladar volta, e a sensação de bem-estar cresce a cada dia sem cigarro ou vape.

    Leia mais: Câncer ocupacional: o que é e quais as profissões de risco?

    Perguntas frequentes sobre cigarro eletrônico

    1. O uso de vapes pode causar infarto ou AVC?

    Sim! Pesquisas recentes apontam que exposição contínua a substâncias como nicotina e acroleína pode favorecer o estreitamento e a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), elevando significativamente o risco de doenças cardíacas, infartos e AVC. Isso pode acontecer mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.

    2. O vape pode ajudar a parar de fumar?

    Não! Na verdade, estudos comprovam que o cigarro eletrônico não é eficaz para parar de fumar. Em muitos casos, os usuários acabam consumindo os dois produtos ao mesmo tempo, o chamado uso duplo, e permanecem dependentes da nicotina.

    O método mais seguro e comprovado para abandonar o cigarro continua sendo o tratamento clínico e psicológico indicado por profissionais de saúde.

    3. Existe algum tipo de cigarro eletrônico seguro?

    Até o momento, nenhum estudo comprovou que exista um cigarro eletrônico realmente seguro. Mesmo os dispositivos que afirmam não conter nicotina podem liberar substâncias irritantes e tóxicas. A única maneira de eliminar o risco é não usar nenhum tipo de produto inalável que contenha nicotina ou solventes químicos.

    4. O uso de vape pode causar dependência emocional?

    Sim, a dependência da nicotina não é apenas física — ela envolve também uma série de aspectos emocionais e comportamentais. O hábito de segurar o dispositivo, a rotina de uso e a associação com momentos de prazer ou relaxamento reforçam a ligação emocional com o produto.

    Por isso, o processo de parar exige apoio psicológico e estratégias de substituição, para que a pessoa aprenda novas formas de lidar com o estresse e a ansiedade.

    5. O que acontece no corpo logo após usar um cigarro eletrônico?

    Minutos após a inalação do vapor, a nicotina ativa o sistema nervoso simpático, liberando adrenalina e noradrenalina. Elas provocam aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e contração dos vasos sanguíneos.

    Para completar, as partículas químicas e metais presentes no vapor entram na corrente sanguínea e iniciam um processo de inflamação e estresse oxidativo, que, repetido ao longo do tempo, pode danificar o coração e os vasos.

    6. Grávidas podem usar cigarros eletrônicos?

    Não, o uso de vape durante a gestação é extremamente perigoso! A nicotina atravessa a placenta e pode prejudicar o desenvolvimento cerebral e pulmonar do bebê, além de aumentar o risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e complicações cardiovasculares no feto. O vapor também contém substâncias tóxicas que afetam diretamente a oxigenação do sangue materno.

    Veja mais: Câncer: quais os principais fatores de risco?

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    O que é considerado prisão de ventre

    A constipação intestinal não significa apenas ficar sem evacuar por vários dias.

    Ela também pode se manifestar como:

    • Fezes muito endurecidas;
    • Esforço excessivo para evacuar;
    • Sensação de evacuação incompleta;
    • Evacuações pouco frequentes.

    Cada pessoa possui um ritmo intestinal próprio. Por isso, o diagnóstico leva em conta não só a frequência das evacuações, mas também a dificuldade e o desconforto associados.

    Principais causas de prisão de ventre

    As causas mais comuns incluem:

    • Baixa ingestão de fibras;
    • Pouca ingestão de água;
    • Sedentarismo;
    • Mudanças na rotina;
    • Uso de alguns medicamentos.

    Em muitos casos, mais de um fator contribui para o problema ao mesmo tempo.

    Problemas de saúde que podem causar constipação

    Em algumas situações, a prisão de ventre pode estar relacionada a doenças que afetam o funcionamento do intestino ou do organismo como um todo.

    Algumas delas são:

    • Hipotireoidismo;
    • Diabetes;
    • Doenças neurológicas;
    • Alterações intestinais;
    • Doença de Parkinson.

    Por isso, quadros persistentes merecem investigação adequada.

    Quando a prisão de ventre preocupa

    Alguns sinais indicam que a constipação precisa de avaliação médica.

    Procure orientação se houver:

    • Muitos dias sem evacuar;
    • Dor abdominal importante;
    • Distensão abdominal;
    • Sangue nas fezes;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Vômitos.

    Esses sintomas podem indicar desde complicações da constipação até outras doenças intestinais que precisam ser investigadas.

    Possíveis consequências da constipação prolongada

    Quando a prisão de ventre persiste por semanas ou meses, algumas complicações podem surgir.

    1. Hemorroidas

    O esforço repetido para evacuar aumenta a pressão sobre as veias da região anal, favorecendo o aparecimento de hemorroidas.

    2. Fissuras anais

    As fezes endurecidas podem provocar pequenos cortes na região anal, causando dor e sangramento durante a evacuação.

    3. Impactação fecal

    Em casos mais graves, as fezes ficam muito endurecidas e acumuladas no intestino.

    Essa situação pode exigir tratamento médico e, em alguns casos, atendimento hospitalar.

    4. Distensão abdominal e dor

    O acúmulo de fezes e gases pode provocar sensação de barriga inchada, desconforto e dor abdominal.

    Prisão de ventre pode causar obstrução intestinal?

    Sim, embora isso seja incomum. Em alguns casos, especialmente quando existe impactação fecal importante ou outra doença associada, pode ocorrer obstrução intestinal.

    Os sinais incluem:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos;
    • Barriga muito inchada;
    • Incapacidade de eliminar gases ou fezes.

    A obstrução intestinal é uma emergência médica e deve ser avaliada rapidamente.

    Como os médicos investigam a prisão de ventre

    A investigação depende da idade, dos sintomas e da duração do problema.

    Os exames podem incluir:

    • Histórico clínico detalhado;
    • Exame físico;
    • Exames de sangue;
    • Colonoscopia em alguns casos;
    • Exames de imagem.

    O objetivo é identificar fatores que estejam causando ou agravando a constipação.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento varia de acordo com a causa identificada.

    1. Mudanças na alimentação

    As principais recomendações incluem:

    • Aumentar o consumo de fibras;
    • Melhorar a hidratação;
    • Manter horários regulares para as refeições.

    2. Atividade física

    A prática regular de exercícios ajuda a estimular os movimentos naturais do intestino.

    3. Medicamentos

    Laxantes podem ser utilizados em situações específicas, sempre com orientação médica.

    4. Tratamento da causa de base

    Quando existe uma doença associada, o tratamento deve ser direcionado para controlar essa condição.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos persistentes;
    • Abdome muito distendido;
    • Sangramento importante;
    • Incapacidade total de evacuar e eliminar gases.

    Esses sinais podem indicar complicações que exigem avaliação rápida.

    Confira: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

    Perguntas frequentes sobre prisão de ventre

    1. Quantos dias sem evacuar é considerado prisão de ventre?

    Não existe um número exato. O mais importante é observar mudanças no padrão habitual e sintomas associados.

    2. Prisão de ventre pode causar dor abdominal?

    Sim. O acúmulo de fezes e gases pode provocar dor e desconforto abdominal.

    3. Constipação pode causar hemorroidas?

    Sim. O esforço repetido para evacuar aumenta o risco de hemorroidas.

    4. Quando a prisão de ventre precisa ser investigada?

    Quando é persistente, recorrente ou acompanhada de sinais de alerta, como sangue nas fezes, perda de peso ou dor intensa.

    5. Beber mais água ajuda a melhorar o intestino?

    Sim. A hidratação adequada é uma das medidas mais importantes para prevenir e tratar a constipação.

    6. Posso usar laxantes por conta própria?

    O uso frequente sem orientação médica não é recomendado, pois pode mascarar problemas de saúde ou causar dependência de alguns medicamentos.

    7. Quando devo procurar uma emergência?

    Quando houver dor intensa, vômitos, abdome muito inchado ou incapacidade de evacuar e eliminar gases.

    Veja também: 6 medidas para aliviar a prisão de ventre em crianças (e quando ir ao médico)

  • Descobri pedra na vesícula e não sinto nada: preciso operar? 

    Descobri pedra na vesícula e não sinto nada: preciso operar? 

    Fazer um ultrassom por causa de uma dor nas costas, um check-up de rotina ou outro problema de saúde e descobrir que tem pedra na vesícula é uma situação bem comum. Muitas pessoas recebem esse diagnóstico sem nunca terem sentido qualquer sintoma e, naturalmente, ficam em dúvida sobre a necessidade de cirurgia.

    A boa nova é que nem toda pedra na vesícula exige tratamento imediato. Em muitos casos, é possível apenas acompanhar a situação. Por outro lado, alguns pacientes apresentam maior risco de complicações e podem se beneficiar da retirada da vesícula antes que problemas mais graves aconteçam.

    O que é pedra na vesícula

    A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado, responsável por armazenar a bile, substância que ajuda na digestão das gorduras.

    As pedras surgem quando componentes da bile se acumulam e endurecem, formando cálculos.

    Esses cálculos podem variar bastante em tamanho, quantidade e composição. A presença de pedras na vesícula recebe o nome de colelitíase.

    Por que muitas pessoas descobrem por acaso

    Grande parte das pessoas com pedra na vesícula não apresenta sintomas.

    Por isso, o diagnóstico costuma acontecer durante:

    • Ultrassons de rotina;
    • Check-ups médicos;
    • Exames realizados por outros motivos;
    • Investigações de dores abdominais sem relação com a vesícula.

    Estima-se que uma parcela significativa das pessoas com cálculos nunca desenvolverá sintomas ao longo da vida.

    Quais sintomas podem aparecer

    Quando os cálculos passam a causar problemas, o sintoma mais comum é a chamada cólica biliar. Ela costuma provocar:

    • Dor forte na parte superior direita do abdome;
    • Dor após refeições gordurosas;
    • Náuseas;
    • Vômitos.

    Em algumas pessoas, a dor pode irradiar para:

    • Costas;
    • Ombro direito;
    • Região entre as escápulas.

    As crises geralmente duram de minutos a algumas horas.

    Toda pedra na vesícula precisa operar?

    Não necessariamente. Em pessoas que não apresentam sintomas, a conduta costuma ser individualizada.

    A decisão depende de fatores como:

    • Presença ou ausência de sintomas;
    • Tamanho e características dos cálculos;
    • Idade do paciente;
    • Doenças associadas;
    • Risco de complicações futuras.

    Por isso, a descoberta de uma pedra na vesícula não significa automaticamente que a cirurgia será necessária.

    Quando a cirurgia costuma ser indicada

    A cirurgia é frequentemente recomendada quando os cálculos já causaram sintomas ou complicações.

    As principais situações incluem:

    • Crises de cólica biliar;
    • Inflamação da vesícula;
    • Pancreatite causada por cálculos;
    • Obstrução dos canais biliares;
    • Maior risco de complicações futuras.

    O procedimento para retirada da vesícula é chamado de colecistectomia.

    O que pode acontecer se não operar

    Em muitas pessoas, as pedras permanecem silenciosas durante anos.

    No entanto, algumas complicações podem ocorrer.

    1. Colecistite aguda

    É a inflamação da vesícula causada pela obstrução da saída da bile.

    Os sintomas incluem:

    • Dor intensa;
    • Febre;
    • Náuseas;
    • Vômitos.

    2. Pancreatite aguda

    Uma pedra pode migrar e bloquear estruturas próximas ao pâncreas.

    Isso pode desencadear uma inflamação potencialmente grave chamada pancreatite.

    3. Obstrução da via biliar

    Quando um cálculo bloqueia os canais biliares, podem surgir sintomas como:

    • Pele e olhos amarelados (icterícia);
    • Urina escura;
    • Fezes claras;
    • Coceira pelo corpo.

    Essas situações exigem avaliação médica rápida.

    Como é feita a cirurgia

    Atualmente, a maioria das cirurgias é realizada por videolaparoscopia.

    O procedimento utiliza pequenas incisões e costuma oferecer vantagens como:

    • Menor dor pós-operatória;
    • Recuperação mais rápida;
    • Menor tempo de internação;
    • Retorno mais precoce às atividades.

    Na maioria dos casos, a alta hospitalar ocorre em pouco tempo.

    É possível viver sem vesícula?

    Sim. Após a retirada da vesícula, a bile continua sendo produzida pelo fígado e chega diretamente ao intestino.

    A maioria das pessoas consegue manter uma alimentação normal após o período de recuperação, sem prejuízos importantes para a digestão.

    Existe tratamento sem cirurgia?

    Em alguns casos, especialmente quando não existem sintomas, o acompanhamento clínico pode ser suficiente. Existem medicamentos capazes de dissolver determinados tipos de cálculos, mas seu uso é limitado e os resultados costumam ser inferiores aos obtidos com a cirurgia.

    Por isso, a colecistectomia continua sendo o tratamento definitivo quando há indicação.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento médico imediatamente se houver:

    • Dor abdominal intensa;
    • Febre;
    • Pele ou olhos amarelados;
    • Vômitos persistentes;
    • Mal-estar importante.

    Esses sinais podem indicar complicações que exigem tratamento rápido.

    Veja mais: Doenças da vesícula biliar: quando os cálculos viram problema

    Perguntas frequentes sobre pedra na vesícula

    1. Pedra na vesícula sempre causa sintomas?

    Não. Muitas pessoas convivem com cálculos por anos sem apresentar qualquer sintoma.

    2. Toda pessoa com pedra na vesícula precisa operar?

    Não. A necessidade de cirurgia depende da presença de sintomas e do risco de complicações.

    3. Pedra na vesícula pode virar uma emergência?

    Sim. Inflamações, obstruções e pancreatite podem exigir atendimento urgente.

    4. A cirurgia da vesícula é comum?

    Sim. A colecistectomia está entre as cirurgias abdominais mais realizadas no mundo.

    5. Dá para viver normalmente sem vesícula?

    Sim. A maioria das pessoas leva vida normal após a recuperação.

    6. Pedra na vesícula pode causar pancreatite?

    Sim. Essa é uma das complicações mais conhecidas dos cálculos biliares.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Sempre que houver dor abdominal recorrente, náuseas frequentes ou suspeita de problemas relacionados à vesícula.

    Leia mais: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

  • Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição 

    Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição 

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a alergia a medicamentos afeta cerca de 10% da população mundial. No Brasil, os dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que entre 14 e 16 milhões de brasileiros convivem com a condição.

    Apesar de não ser menos frequente do que as alergias alimentares ou respiratórias, ela pode surgir de forma inesperada e, em alguns casos, evoluir para quadros graves. Qualquer medicamento, seja um simples paracetamol, um antibiótico ou um remédio natural, pode desencadear uma reação alérgica em pessoas sensíveis.

    O que é a alergia a medicamentos?

    A alergia a medicamentos, também conhecida como hipersensibilidade medicamentosa, é uma reação do sistema imunológico a determinadas substâncias presentes em remédios. O organismo identifica o medicamento como uma ameaça e reage de forma exagerada, desencadeando sintomas que podem variar de leves a graves.

    Diferente dos efeitos colaterais, que são reações previsíveis descritas na bula, a alergia medicamentosa envolve uma resposta imunológica e nem sempre acontece na primeira vez em que a pessoa usa o remédio.

    Na verdade, em muitos casos, a reação pode acontecer mesmo após o uso da medicação por um longo período, sem que a pessoa tenha apresentado sintomas anteriormente. Por isso, qualquer medicamento deve ser usado apenas com orientação médica.

    Principais sintomas de alergia a medicamentos

    Os sintomas de alergia a um remédio costumam surgir de duas formas: imediatas, que surgem poucos minutos ou até duas horas após tomar o medicamento, ou tardias, que aparecem dias ou semanas depois do início do tratamento.

    Os sinais mais frequentes envolvem reações na pele, como:

    • Urticária, com placas vermelhas que coçam muito e podem aparecer em diferentes partes do corpo;
    • Coceira generalizada, mesmo sem manchas visíveis;
    • Vermelhidão na pele, que pode se espalhar pelo corpo;
    • Inchaço leve nas pálpebras, nos lábios ou nas orelhas;
    • Febre baixa sem outra causa aparente, como uma infecção.

    Apesar de menos comuns, os sintomas respiratórios são sinais de que a reação está deixando de ser apenas na pele e se tornando sistêmica, afetando o corpo todo. Eles acontecem porque as substâncias inflamatórias liberadas pelo sistema imunológico causam o estreitamento das vias aéreas e o inchaço dos tecidos respiratórios. São eles:

    • Falta de ar ou dificuldade para respirar, com sensação de esforço para puxar o ar;
    • Chiado no peito durante a respiração;
    • Tosse seca e persistente após o uso do medicamento;
    • Rouquidão ou mudança repentina na voz;
    • Sensação de garganta fechando;
    • Coriza intensa, espirros e congestão nasal repentinos.

    Por fim, existem reações alérgicas graves que demoram dias para aparecer, como a Síndrome de Stevens-Johnson. Além da febre, a pele começa a descascar, surgem bolhas dolorosas e feridas na boca, nos olhos e nas partes íntimas. Se notar os sintomas, suspenda o remédio e vá para um hospital imediatamente.

    Medicamentos que mais causam alergia

    Qualquer remédio pode desencadear uma reação alérgica, mas existem algumas classes de medicamentos que estão mais frequentemente associadas ao quadro, como:

    • Antibióticos: a amoxicilina, a ampicilina e os medicamentos à base de sulfa são alguns dos principais exemplos e podem provocar manchas na pele, urticária e reações graves;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): remédios usados para dores e febre, como dipirona, aspirina, ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, podem causar urticária, inchaço e crises respiratórias;
    • Medicamentos anticonvulsivantes: remédios utilizados para epilepsia e dores neurológicas, como carbamazepina, fenitoína e fenobarbital, podem causar reações alérgicas na pele que surgem semanas após o início do tratamento;
    • Contrastes iodados: as substâncias usadas em exames de imagem, como tomografia computadorizada, podem desencadear reações alérgicas imediatas, principalmente em pessoas com histórico de anunciou;
    • Quimioterápicos e anticorpos monoclonais: medicamentos utilizados no tratamento do câncer e de doenças autoimunes também podem provocar reações alérgicas importantes e, por isso, muitas vezes precisam ser administrados com acompanhamento hospitalar.

    Como os analgésicos e anti-inflamatórios são vendidos livremente nas farmácias, muitas pessoas usam os remédios sem perceber que sintomas como coceira, manchas na pele ou uma tosse repentina podem ser sinais de uma reação alérgica.

    Ao suspeitar de alergia, o uso do medicamento deve ser interrompido imediatamente e a orientação médica deve ser procurada.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da alergia a medicamentos é feito principalmente por meio da avaliação clínica e do histórico do paciente. Durante a consulta, o especialista avalia quais remédios foram usados, quando os sintomas apareceram, quanto tempo duraram e como o corpo reagiu após o uso da medicação.

    O histórico de outras alergias e doenças também pode ajudar na investigação, já que algumas pessoas têm maior predisposição a desenvolver reações alérgicas.

    Além da avaliação clínica, alguns exames podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico, como:

    • Teste de provocação oral (TPO): em que o recebe pequenas doses do medicamento suspeito de forma gradual para avaliar se o organismo apresenta alguma reação alérgica. Ele deve ser feito apenas em ambiente hospitalar;
    • Prick test (teste de puntura): em que uma gota do medicamento é colocada na pele e o médico faz uma pequena picada no local. Se houver instrução, pode surgir uma pequena bolha ou vermelhidão em cerca de 15 a 20 minutos;
    • Teste de contato (patch test): indicado principalmente para reações que aparecem dias depois do uso do remédio. Nesse exame, adesivos com a substância são colocados nas costas do paciente por 48 a 72 horas para avaliar possíveis reações na pele.

    Em alguns casos específicos, como na suspeita de alergia a antibióticos como a penicilina, o médico pode solicitar um exame de sangue chamado IgE específica, que identifica anticorpos produzidos pelo organismo contra aquele medicamento.

    O que fazer em caso de suspeita?

    Ao suspeitar de uma alergia a medicamentos, a primeira medida é interromper o uso do remédio e procurar orientação médica. Mesmo sintomas leves, como coceira e manchas na pele, devem ser avaliados, já que as reações podem evoluir rapidamente em algumas pessoas.

    Em casos de sinais mais graves, o atendimento de urgência deve ser procurado imediatamente. Os sintomas de alerta incluem:

    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Inchaço nos lábios, na língua ou na garganta;
    • Sensação de desmaio;
    • Chiado no peito;
    • Queda de pressão;
    • Manchas pelo corpo associadas a mal-estar intenso.

    Se possível, leve a embalagem ou o nome do medicamento utilizado para facilitar a identificação da substância responsável pela reação.

    Como é feito o tratamento de alergia a medicamentos?

    Em casos de acesso a medicamentos, o primeiro passo é interromper o uso da substância suspeita e procurar atendimento médico. Depois da avaliação, o profissional pode indicar medicamentos para controlar os sintomas alérgicos, como anti-histamínicos e corticoides.

    O tratamento varia de acordo com a intensidade da reação e pode ser feito com remédios por via oral, pomadas na pele ou medicações injetáveis.

    Nos casos mais graves, como a anafilaxia, o tratamento deve ser imediato e pode incluir a aplicação de adrenalina e outros medicamentos para controlar a reação alérgica e estabilizar o paciente.

    Confira: Remédios que podem ser perigosos quando combinados

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem alergia à Dipirona pode tomar Paracetamol?

    Normalmente sim, pois o paracetamol pertence a uma classe química diferente da dipirona, sendo uma das alternativas mais seguras. No entanto, uma pequena parcela de pessoas pode ter sensibilidade a ambos. O ideal é conversar com o médico para testar a medicação de forma segura.

    2. Quem tem alergia ao Ibuprofeno pode tomar Nimesulida?

    Não é recomendado. O ibuprofeno e a nimesulida são anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Quem tem alergia a um medicamento dessa classe tem um risco muito alto de sofrer uma “reação cruzada” com os outros remédios do mesmo grupo.

    3. É possível desenvolver alergia a um remédio que sempre tomei?

    Sim. A instrução pode acontecer após o sistema imunológico já ter tido contato com ele e criado anticorpos. Por isso, você pode tomar um medicamento a vida inteira e, de repente, desenvolver alergia a ele.

    4. Quanto tempo dura uma crise de alergia a medicamentos?

    Se o uso do remédio for interrompido imediatamente, os sintomas leves (como coceira e manchas na pele) costumam sumir entre 2 a 7 dias com o uso de antialérgicos. Reações graves que descamam a pele podem demorar semanas para cicatrizar.

    5. Tomar antialérgico antes de tomar o remédio previne a alergia?

    Não. O antialérgico (anti-histamínico) pode mascarar sintomas leves na pele, mas não impede uma reação alérgica grave ou um choque anafilático. Nunca use essa estratégia para tomar um remédio ao qual você sabe que é alérgico.

    6. Qual a diferença entre alergia e efeito colateral?

    A alergia é uma reação imprevisível do sistema de defesa do corpo, como manchas na pele e falta de ar. O efeito colateral é uma reação prevista e ligada ao próprio efeito do remédio, como sentir tontura após um calmante ou queimação no estômago após um anti-inflamatório.

    7. Como aliviar a coceira da alergia a medicamentos em casa?

    Após suspender o remédio suspeito, banhos frios ou mornos (sem esfregar a pele) e compressas frias ajudam a acalmar a região. O uso de hidratantes sem perfume também alivia. Consulte um médico para que ele receite o antialérgico ideal.

    Veja também: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio

  • Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer 

    Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer 

    Você provavelmente já ouviu falar em HPV, mas talvez não saiba que esse vírus comum e silencioso está por trás de muitos casos de câncer. O HPV, por exemplo provoca câncer de colo de útero e, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres.

    A boa notícia é que existe uma forma eficaz e segura de se proteger: a vacina contra o HPV. Apesar disso, dúvidas, mitos e desinformação ainda impedem que essa proteção chegue a todos.

    Neste texto, com a ajuda da ginecologista Fernanda Caruso Fortunato Freire, você vai entender o que é o HPV, como se transmite, por que está ligado ao câncer e como a vacina contra HPV pode fazer toda a diferença.

    O que é HPV e por que ele preocupa

    O papilomavírus humano (HPV) é um vírus sexualmente transmissível muito comum que atinge a pele e as mucosas. Mesmo com preservativo, existe o risco de transmissão, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas.

    “Estima-se que cerca de 600 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas, e que 80% da população sexualmente ativa entre em contato com o HPV em algum momento da vida”, explica Fernanda.

    E o problema vai além das verrugas genitais causadas por ele. Alguns subtipos do vírus, especialmente os tipos 16 e 18, são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer do colo do útero no Brasil.

    Tudo começa com lesões que, se não forem acompanhadas e tratadas precocemente por um médico, podem evoluir para câncer.

    Sintomas do HPV

    Na maioria dos casos, o HPV não provoca sintomas visíveis, mas quando aparecem, costumam ser os abaixo.

    Em mulheres

    • Verrugas genitais na vulva, vagina, colo do útero ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou desconforto na região íntima;
    • Lesões internas no colo do útero, que só são detectadas por exames como o Papanicolau.

    Em homens

    • Verrugas no pênis, escroto, virilha ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou irritação na área afetada;
    • Lesões internas na uretra ou ânus, geralmente assintomáticas.

    Tanto em homens quanto em mulheres, o vírus pode estar presente mesmo sem sinais visíveis, por isso o acompanhamento médico e a vacina contra HPV são essenciais.

    Como funciona a vacina contra HPV

    A vacina contra HPV é feita com partículas semelhantes ao vírus, mas sem DNA, ou seja, ela não provoca infecção. “Essas partículas induzem o corpo a produzir anticorpos, que previnem a infecção pelo HPV e, consequentemente, o câncer”, explica Fernanda.

    No SUS, está disponível a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Já na rede privada, há também a versão nonavalente, com proteção contra mais subtipos (31, 33, 45, 52 e 58).

    A vacina contra HPV é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos, sendo mais eficaz se aplicada entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual.

    Qual a diferença entre a vacina do HPV do SUS e da rede particular?

    A principal diferença está na quantidade de tipos do vírus HPV que cada vacina protege.

    Vacina contra HPV no SUS

    A vacina oferecida é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Os tipos 16 e 18 estão ligados à maioria dos casos de câncer de colo do útero, e os tipos 6 e 11 causam verrugas genitais.

    A vacina contra HPV no SUS é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é aplicada em duas doses, com um intervalo de seis meses entre elas.

    Vacina contra HPV na rede privada

    Na rede privada, a vacina contra HPV é a nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus. Além dos quatro cobertos pela vacina do SUS, ela também protege contra os tipos 31, 33, 45, 52 e 58. Isso oferece uma cobertura maior contra o câncer.

    O esquema de aplicação muda conforme a idade:

    • De 9 a 14 anos: duas doses
    • A partir dos 15 anos: três doses

    Tanto a vacina do SUS quanto a da rede privada são seguras e muito eficazes. A escolha depende da faixa etária, da orientação médica e da disponibilidade. O mais importante é se vacinar, pois essa é uma forma comprovada de prevenir o câncer de colo do útero, verrugas genitais e outros problemas causados pelo HPV.

    Vacina contra HPV para meninos

    Apesar da alta incidência de câncer de colo de útero causada pelo HPV, a vacina não é só para meninas. “Meninos devem ser vacinados sim!”, reforça a médica. A vacina contra HPV protege contra câncer de pênis, ânus, orofaringe e também contra verrugas genitais.

    Além da proteção individual, a vacina contra HPV em meninos ajuda a reduzir a circulação do vírus na população geral.

    Quantas doses de vacina contra HPV são necessárias?

    O esquema vacinal varia conforme a idade e a saúde da pessoa. Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos geralmente tomam duas doses. Acima dessa faixa ou em casos especiais, podem ser indicadas três doses.

    Vacina contra HPV não substitui o Papanicolau

    Mesmo quem está vacinado deve fazer o exame preventivo. “A vacina não cobre todos os tipos de HPV, então é importante manter o rastreamento regular”, alerta Fernanda.

    Já tive HPV, e agora?

    Se você já teve lesões por HPV, ainda pode se vacinar. “A vacina ajuda a reduzir o risco de recidivas e a prevenir outros tipos do vírus”, diz a ginecologista.

    Vacina contra HPV é segura?

    A vacina contra HPV é muito segura. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como dor no braço. Ela não causa infecção, não contém vírus vivo e não interfere na fertilidade.

    Fernanda ainda esclarece um mito comum: “Vacinar crianças não estimula a vida sexual precoce. Pelo contrário, é uma proteção antecipada para quando essa fase chegar”.

    Por que a cobertura da vacina contra HPV ainda é baixa?

    Apesar da oferta gratuita da vacina contra HPV no SUS, muitas pessoas não se vacinam. Para a médica, isso acontece por causa de fake news, mitos e desinformação.

    “Precisamos de mais educação em saúde e educação digital, para que as pessoas saibam avaliar o que leem nas redes sociais”, afirma.

    Vacinar é um ato de proteção individual e coletiva, e quanto mais cedo, melhor.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre vacina contra HPV

    1. A vacina contra HPV é segura?

    Sim. Ela é muito segura e tem poucos efeitos colaterais, como dor leve no braço. Não contém vírus vivo e não afeta a fertilidade.

    2. Qual a idade ideal para tomar a vacina contra o HPV?

    O ideal é entre 9 e 14 anos, antes da primeira relação sexual. Mas adultos até 45 anos também podem se vacinar.

    3. Homens também devem se vacinar?

    Com certeza. A vacina protege meninos contra cânceres de pênis, ânus e garganta, além de verrugas genitais.

    4. Quem já teve HPV pode se vacinar?

    Sim. Mesmo após o contato com o vírus, a vacina pode ajudar a evitar outros subtipos e reduzir o risco de recidivas.

    5. Onde posso tomar a vacina contra HPV de graça?

    Ela está disponível gratuitamente no SUS para as idades indicadas. Basta procurar um posto de saúde da sua cidade.

    6. Como fazer prevenção do câncer de colo de útero?

    A melhor forma de prevenção do câncer de colo do útero é visitar o médico com regularidade para fazer exames de rotina, além de tomar a vacina contra o HPV. Esses cuidados ajudam a detectar alterações ainda no início e a evitar infecções pelo vírus que causa a maioria dos casos da doença.

    Veja mais: Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)