Categoria: Doenças

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  • Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade fértil, mas ainda é cercada de dúvidas e diagnóstico difícil. Estima-se que milhões de brasileiras convivam com a condição, muitas vezes sem saber, já que os sintomas podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns.

    A seguir, você vai entender o que é a endometriose, quais são os principais sintomas, como ela afeta a fertilidade e quais os tratamentos disponíveis com a explicação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é endometriose?

    A especialista explica que a camada interna do útero se chama endométrio, e é ela que descama na menstruação.

    “A endometriose é a presença desse tecido em um lugar que não é o habitual. Qualquer lugar pode ter endometriose. Existem locais mais comuns e outros mais raros, mas já temos relatos até de endometriose pulmonar, ou seja, um pedacinho de endométrio no pulmão”, explica a médica.

    “Então, se está fora do útero, é endometriose. Está fora do lugar, já chamamos de endometriose”.

    A questão é que esse tecido fora do útero continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual.

    “Ou seja, toda vez que o endométrio no útero descama na menstruação, esse foco de endometriose que está em outro lugar também sangra, porque o hormônio chega lá e estimula esse sangramento. O problema é que ele sangra em um local onde não há extravasamento, não há um canal de liberação. Então, esse lugar forma uma inflamação e uma fibrose crônica, porque não tem para onde escoar”.

    E é daí que vêm os sintomas, que variam conforme a localização dos focos, sendo dor e infertilidade os mais comuns.

    “É uma doença que, na grande maioria das vezes, cursa com dor: cólica menstrual, dor na relação sexual, dor que pode não ter relação com o ciclo menstrual, às vezes dor para urinar, tudo depende da localização do foco. Algumas mulheres não têm dor, mas podem ter infertilidade”.

    Leia também: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Causas da endometriose

    Ainda não existe uma única explicação definitiva para a doença. Um dos fatores conhecidos é a chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual volta pelas trompas para a cavidade pélvica.

    Segundo a médica, quase todas as mulheres vão ter esse fenômeno. “Algumas não desenvolvem endometriose, outras sim. Existe uma teoria de que quem tem endometriose apresenta um sistema imunológico que não consegue limpar esses focos adequadamente”, conta.

    Principais sintomas da endometriose

    A endometriose é uma condição inflamatória que, na maioria das vezes, causa dor.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Cólica menstrual intensa e progressiva;
    • Dor pélvica fora do período menstrual;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Dor ao urinar ou evacuar, dependendo da localização dos focos;
    • Infertilidade em alguns casos.

    “Mesmo uma mulher sem dor, mas que está investigando infertilidade porque tenta engravidar e não consegue, precisa investigar endometriose”, ressalta a especialista.

    Um ponto importante destacado pela médica é que não há relação direta entre intensidade da dor e a gravidade da doença. Mulheres com poucos focos podem ter dor intensa, enquanto outras com lesões extensas podem sentir pouco desconforto.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da endometriose pode ser desafiador, já que exames comuns muitas vezes não mostram a doença.

    O ultrassom transvaginal simples não identifica bem os focos, que podem ser pequenos e discretos. Por isso, os médicos pedem exames mais específicos, como:

    • Ultrassom transvaginal com preparo intestinal: semelhante ao preparo de colonoscopia, pois isso melhora a visualização dos focos;
    • Ressonância magnética com preparo intestinal: permite mapear lesões profundas de endometriose.

    Esses exames ajudam a definir a extensão e localização da doença, o que é essencial para planejar o tratamento.

    Endometriose e infertilidade

    Muitas mulheres descobrem a doença durante a investigação da infertilidade. Os focos podem comprometer a fertilidade de diferentes formas:

    • Obstruindo as trompas;
    • Alterando a ovulação nos ovários;
    • Distorcendo o endométrio e dificultando a implantação;
    • Criando um ambiente inflamatório desfavorável para o desenvolvimento de uma gestação.

    “A infertilidade pode ter origem tubária, ovariana, uterina ou até cervical. Muitas vezes, encontramos mais de um fator ao investigar. E é fundamental lembrar: a investigação deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”, ressalta a ginecologista.

    Tratamentos para endometriose

    O tratamento depende do grau da doença, dos sintomas e do desejo de engravidar.

    Tratamento clínico

    A endometriose é uma doença que depende dos hormônios para acontecer. Por isso, o tratamento clínico busca bloquear a menstruação e reduzir a ação hormonal sobre os focos. As opções de tratamento são:

    • Anticoncepcional hormonal contínuo;
    • DIU hormonal com progesterona;
    • Implantes hormonais;
    • Pílulas específicas para endometriose;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.

    “Quando bloqueio a menstruação, evito também que os focos de menstruação retrógrada continuem acontecendo. Isso ajuda a estacionar a progressão da endometriose”, explica a médica.

    Tratamento cirúrgico

    Quando os sintomas persistem ou em casos de infertilidade, pode ser indicada a cirurgia.

    A videolaparoscopia é a técnica mais utilizada. “Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, diz a ginecologista.

    Dependendo da localização, pode ser necessário atuar também no intestino ou na bexiga, em conjunto com outros especialistas.

    Se desconfia de endometriose, procure um médico

    A endometriose é uma doença crônica que pode afetar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. O diagnóstico precoce ajuda a controlar os sintomas e cuidar da fertilidade. Por isso, quem tem sintomas que indiquem endometriose deve procurar o médico.

    Com tratamento adequado, seja clínico ou cirúrgico, é possível ter alívio da dor, melhora na fertilidade e mais qualidade de vida.

    Veja mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes sobre endometriose

    1. Toda cólica menstrual forte é sinal de endometriose?

    Não. A cólica pode ser comum, mas se for intensa, progressiva ou incapacitante, deve ser investigada por um médico.

    2. A endometriose tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas o tratamento ajuda a controlar a doença e os sintomas.

    3. A doença sempre causa infertilidade?

    Não. Nem todas as mulheres com endometriose vão ter dificuldade para engravidar, mas a condição aumenta o risco.

    4. O que piora a endometriose?

    A estimulação hormonal pela menstruação é o principal fator de piora para a doença.

    5. Anticoncepcional ajuda a tratar?

    Sim. O uso contínuo pode bloquear a menstruação e controlar os focos.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Dor testicular súbita: quando pode ser torção testicular e por que cada minuto importa

    Dor testicular súbita: quando pode ser torção testicular e por que cada minuto importa

    Poucas dores surgem de forma tão intensa e inesperada quanto a provocada pela torção testicular. Um adolescente ou adulto jovem pode estar praticando esportes, dormindo ou simplesmente caminhando quando, de repente, sente uma dor muito forte em um dos testículos.

    Nessa situação, algumas pessoas acreditam que o desconforto vai melhorar sozinho ou sentem vergonha de procurar atendimento. Esse atraso, porém, pode ter consequências graves.

    A torção testicular é uma das principais emergências urológicas. Quando o tratamento demora, o fluxo de sangue para o testículo pode permanecer interrompido por tempo suficiente para causar lesões irreversíveis e levar à perda do órgão.

    Por isso, toda dor testicular súbita deve ser considerada uma emergência até que outra causa seja identificada.

    O que é a torção testicular?

    A torção testicular acontece quando o cordão espermático gira sobre si mesmo.

    Esse cordão contém estruturas fundamentais para o funcionamento do testículo, como:

    • Artérias;
    • Veias;
    • Vasos linfáticos;
    • Nervos;
    • Canal deferente.

    Quando ocorre a torção, os vasos sanguíneos são comprimidos.

    Como consequência:

    • O sangue deixa de chegar adequadamente ao testículo;
    • A oferta de oxigênio diminui rapidamente;
    • O tecido começa a sofrer lesões pela falta de irrigação, chamada isquemia.

    Se a circulação não for restabelecida rapidamente, pode ocorrer necrose do testículo.

    Quem tem maior risco?

    A torção testicular pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em:

    • Adolescentes entre 12 e 18 anos;
    • Crianças;
    • Adultos jovens.

    Ela também pode ocorrer em recém-nascidos, embora seja menos comum.

    Grande parte das pessoas apresenta uma alteração anatômica chamada deformidade em badalo de sino, conhecida em inglês como bell-clapper deformity.

    Nessa condição, o testículo possui maior liberdade para se movimentar e girar dentro da bolsa escrotal. Essa alteração geralmente está presente nos dois lados.

    O que provoca a torção testicular?

    Em muitos casos, a torção ocorre sem um motivo aparente. Ela pode acontecer:

    • Durante o sono;
    • Após pequenos movimentos;
    • Durante uma atividade física;
    • Depois de um trauma leve;
    • Em dias frios, devido à contração dos músculos da bolsa escrotal.

    Portanto, nem sempre existe um trauma importante antes do início da dor.

    Quais são os sintomas?

    O sintoma mais característico é a dor intensa e de início súbito.

    Dor intensa e repentina

    A dor costuma:

    • Surgir de forma abrupta;
    • Atingir apenas um dos lados;
    • Ser muito intensa desde o início.

    Frequentemente, ela é acompanhada por:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Sudorese;
    • Dificuldade para caminhar devido à dor.

    O quadro pode começar durante o sono e acordar o paciente durante a madrugada.

    O testículo pode mudar de posição?

    Sim. Durante o exame físico, o médico pode observar:

    • Testículo mais elevado;
    • Posição mais horizontal do testículo;
    • Inchaço da bolsa escrotal;
    • Vermelhidão da pele do escroto.

    Outro achado possível é a ausência do reflexo cremastérico. Normalmente, quando a parte interna da coxa é estimulada, o músculo cremáster se contrai e eleva o testículo do mesmo lado. Na torção, esse reflexo pode estar ausente.

    Embora esse sinal seja útil, a presença ou ausência dele isoladamente não confirma nem exclui o diagnóstico.

    Por que essa situação é tão urgente?

    O tempo é um dos fatores mais importantes na torção testicular.

    Quanto maior o período sem circulação sanguínea adequada, maior é o risco de lesão irreversível e perda do testículo.

    De forma geral:

    • Até 6 horas: as chances de salvar o testículo são muito altas, frequentemente superiores a 90%;
    • Entre 6 e 12 horas: as chances começam a diminuir significativamente;
    • Após 12 horas: o risco de lesão permanente aumenta bastante;
    • Após 24 horas: em muitos casos, o testículo já não é viável.

    Esses períodos são aproximados e podem variar conforme o grau da torção e as características de cada paciente. Ainda assim, eles reforçam que não se deve esperar para ver se a dor melhora.

    Existem outras causas de dor testicular?

    Sim. A dor testicular aguda pode ocorrer por diversos motivos, entre eles:

    • Epididimite;
    • Orquite;
    • Torção do apêndice testicular;
    • Hérnia inguinal encarcerada;
    • Trauma;
    • Cólica renal com dor irradiada.

    Diante de uma dor súbita e intensa, portanto, a prioridade é excluir a torção testicular. Isso é necessário porque, entre essas condições, a torção é aquela em que o atraso no tratamento pode levar rapidamente à perda do órgão.

    Como os médicos fazem o diagnóstico?

    O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico. As características da dor, a forma como ela começou, os sintomas associados e a posição do testículo fornecem informações importantes.

    Quando existe suspeita de torção, a avaliação urológica deve ocorrer imediatamente.

    Ultrassonografia com Doppler

    O exame mais utilizado é a ultrassonografia com Doppler, que avalia o fluxo de sangue para o testículo.

    Na torção, geralmente é possível observar:

    • Redução importante do fluxo sanguíneo;
    • Ausência de fluxo nos casos mais graves.

    Entretanto, quando a suspeita clínica é muito alta, a cirurgia não deve ser adiada apenas para aguardar exames.

    O atraso pode comprometer a viabilidade do testículo.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da torção testicular é cirúrgico. Durante a cirurgia, o urologista:

    • Desfaz a torção;
    • Avalia se o testículo ainda está viável;
    • Fixa o testículo na bolsa escrotal para reduzir o risco de uma nova torção.

    Como a alteração anatômica costuma estar presente nos dois lados, o testículo oposto também é fixado preventivamente durante a mesma cirurgia. Esse procedimento recebe o nome de orquidopexia.

    É possível destorcer o testículo sem cirurgia?

    Em algumas situações, o médico pode tentar realizar uma manobra manual para desfazer temporariamente a torção. No entanto, mesmo quando a dor melhora, a cirurgia continua sendo necessária.

    Isso ocorre porque a manobra pode não corrigir totalmente a rotação, e o testículo permanece sujeito a uma nova torção. Portanto, a melhora após uma tentativa manual de reversão da torção não elimina a necessidade de tratamento cirúrgico.

    E se o testículo não puder ser salvo?

    Quando existe necrose causada pela falta prolongada de circulação, pode ser necessária a retirada do testículo. Esse procedimento é chamado de orquiectomia.

    Apesar de essa possibilidade causar preocupação, um único testículo saudável costuma ser suficiente para:

    • Produzir testosterona;
    • Manter a fertilidade na maioria dos homens.

    Entretanto, quanto mais cedo o tratamento for realizado, maior será a chance de evitar essa situação.

    A perda de um testículo afeta a fertilidade?

    Na maioria dos casos, um testículo saudável consegue manter a produção de espermatozoides e de testosterona.

    Por isso, muitos pacientes que perdem um dos testículos continuam apresentando:

    • Desenvolvimento sexual normal;
    • Produção hormonal adequada;
    • Fertilidade preservada.

    No entanto, a avaliação pode ser individualizada, especialmente quando existe algum problema no testículo contralateral.

    A torção testicular pode voltar?

    Se o testículo não for fixado cirurgicamente, existe risco de uma nova torção. Após a orquidopexia, esse risco se torna muito baixo. Por isso, mesmo os casos em que ocorre melhora espontânea da dor precisam ser avaliados.

    A dor pode desaparecer sozinha?

    Pode. Em alguns pacientes, o testículo gira e depois retorna espontaneamente à posição normal. Esse quadro é conhecido como torção intermitente.

    A dor costuma surgir de forma súbita e desaparecer algum tempo depois.

    Apesar da melhora, o problema não deve ser ignorado. A torção pode voltar e, em um episódio futuro, não se desfazer espontaneamente. Pessoas que já apresentaram episódios repetidos de dor testicular súbita devem procurar avaliação urológica.

    É possível prevenir a torção testicular?

    Como a principal causa é uma alteração anatômica congênita, não existe uma forma de prevenir o primeiro episódio. O mais importante é reconhecer rapidamente os sintomas e procurar atendimento imediato.

    Pacientes que já tiveram episódios de dor súbita com melhora espontânea também devem ser avaliados, pois podem estar apresentando torções intermitentes.

    Quando a condição é identificada, a fixação cirúrgica pode evitar um episódio completo posteriormente.

    Vergonha pode atrasar o atendimento

    A dor testicular pode causar constrangimento, especialmente em adolescentes. Alguns jovens evitam contar aos pais ou responsáveis, tentam suportar a dor ou esperam várias horas antes de procurar ajuda.

    Esse atraso pode reduzir significativamente as chances de preservar o testículo.

    Por isso, adolescentes devem ser orientados a comunicar imediatamente qualquer dor intensa ou mudança repentina na bolsa escrotal.

    Pais e responsáveis também devem levar a queixa a sério e buscar atendimento sem esperar.

    Quando procurar um pronto-socorro?

    Toda dor testicular súbita deve motivar uma avaliação médica imediata. Procure um serviço de emergência se ocorrer:

    • Dor intensa em um dos testículos;
    • Inchaço rápido da bolsa escrotal;
    • Náuseas ou vômitos associados à dor;
    • Testículo elevado ou em posição diferente do habitual;
    • Dor que acorda a pessoa durante a madrugada;
    • Dor após pequeno trauma que parece desproporcional;
    • Episódios de dor súbita que melhoram espontaneamente.

    Nessas situações, não espere para observar se haverá melhora.

    Confira: O que acontece com o corpo quando você não cuida da higiene do pênis?

    Perguntas frequentes sobre torção testicular

    1. O que é torção testicular?

    É a rotação do cordão espermático, que reduz ou interrompe o fluxo sanguíneo para o testículo e caracteriza uma emergência cirúrgica.

    2. Quem tem maior risco?

    A condição é mais frequente em adolescentes e adultos jovens, embora possa ocorrer em qualquer idade, inclusive em crianças e recém-nascidos.

    3. Quanto tempo existe para salvar o testículo?

    Idealmente, o tratamento deve ocorrer nas primeiras seis horas após o início da dor, período em que as chances de preservar o testículo são maiores.

    4. O ultrassom sempre é necessário?

    A ultrassonografia com Doppler é muito útil para avaliar o fluxo sanguíneo. Entretanto, quando a suspeita clínica é alta, a cirurgia não deve ser atrasada apenas para realizar exames.

    5. A dor pode melhorar sozinha?

    Sim. Isso pode ocorrer em casos de torção intermitente, quando o testículo retorna espontaneamente à posição normal. Mesmo assim, o risco permanece e a pessoa deve ser avaliada.

    6. Um trauma leve pode causar torção?

    Pode. No entanto, muitas torções ocorrem espontaneamente, sem qualquer trauma significativo.

    7. A torção pode acontecer durante o sono?

    Sim. Muitos episódios começam durante o sono e fazem o paciente acordar com uma dor intensa e repentina.

    8. O que acontece se o tratamento demorar?

    O atraso pode levar à necrose do testículo e tornar necessária a retirada cirúrgica. Também pode haver impacto na fertilidade e na função hormonal, especialmente se existir algum problema no testículo contralateral. Por isso, a dor testicular súbita deve ser tratada como uma emergência médica.

    Veja também: Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

  • Alergia ao látex: sintomas e relação com banana, kiwi e abacate

    Alergia ao látex: sintomas e relação com banana, kiwi e abacate

    O látex natural está presente em diversos produtos do dia a dia, como luvas, balões, elásticos, preservativos, chupetas e alguns dispositivos médicos. Para a maioria das pessoas, o contato com esses materiais não causa nenhum problema. Entretanto, em indivíduos sensibilizados, o látex pode desencadear desde uma irritação na pele até uma reação alérgica grave, conhecida como anafilaxia.

    Além disso, algumas pessoas com alergia ao látex também apresentam reações após consumir determinadas frutas, como banana, kiwi e abacate. Esse fenômeno recebe o nome de síndrome látex-fruta e ocorre devido à chamada reatividade cruzada.

    O que é o látex?

    O látex natural é uma substância obtida da seiva da árvore Hevea brasiliensis, conhecida como seringueira. Ele é utilizado na fabricação de inúmeros produtos por ser resistente, elástico e durável.

    Entre os objetos que podem conter látex estão:

    • Luvas de procedimento;
    • Balões de festa;
    • Elásticos;
    • Chupetas e bicos de mamadeira;
    • Preservativos;
    • Alguns cateteres e materiais hospitalares;
    • Faixas elásticas;
    • Alguns equipamentos esportivos.

    Nem todos os produtos chamados de “borracha” contêm látex natural. Atualmente, muitos fabricantes também oferecem versões livres dessa substância.

    O que é a alergia ao látex?

    A alergia ao látex é uma reação do sistema imunológico contra proteínas presentes no látex natural. Quando uma pessoa sensibilizada entra novamente em contato com essas proteínas, o organismo libera substâncias como a histamina, desencadeando uma reação alérgica.

    Essa exposição pode ocorrer:

    • Pelo contato direto com a pele;
    • Pelo contato com as mucosas;
    • Pela inalação de partículas de látex presentes no ambiente, especialmente em locais onde há grande utilização de luvas com pó.

    Quem tem maior risco de desenvolver essa alergia?

    Embora qualquer pessoa possa desenvolver alergia ao látex, alguns grupos apresentam maior risco.

    Entre eles estão:

    • Profissionais da saúde;
    • Dentistas;
    • Enfermeiros;
    • Pessoas submetidas a múltiplas cirurgias desde a infância, especialmente pacientes com espinha bífida;
    • Trabalhadores da indústria da borracha;
    • Pessoas com histórico de outras alergias.

    Quanto maior e mais frequente for a exposição ao látex, maior tende a ser o risco de sensibilização.

    Quais são os sintomas?

    Os sintomas variam de acordo com a intensidade da reação.

    Reações leves

    São as mais comuns e podem incluir:

    • Coceira;
    • Vermelhidão;
    • Urticária;
    • Inchaço localizado;
    • Irritação na pele após o uso de luvas.

    Reações moderadas

    Quando a exposição é maior, podem surgir:

    • Espirros;
    • Coriza;
    • Coceira nos olhos;
    • Lacrimejamento;
    • Tosse;
    • Chiado no peito.

    Reações graves

    Em algumas pessoas, pode ocorrer anafilaxia, caracterizada por sintomas como:

    • Falta de ar;
    • Inchaço da língua ou da garganta;
    • Queda da pressão arterial;
    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Urticária disseminada.

    A anafilaxia é uma emergência médica e precisa de tratamento imediato.

    A alergia ao látex é igual à dermatite causada por luvas?

    Não. É importante diferenciar três situações que podem provocar sintomas após o uso de luvas.

    Dermatite irritativa

    É a situação mais comum e não se trata de uma alergia.

    O problema ocorre porque o uso frequente de luvas, sabonetes e álcool pode ressecar e irritar a pele.

    Dermatite alérgica de contato

    É causada por substâncias químicas utilizadas na fabricação das luvas, e não necessariamente pelo látex em si. Os sintomas costumam aparecer horas ou até dias depois do contato.

    Alergia imediata ao látex

    É a verdadeira reação alérgica às proteínas do látex natural. Nesse caso, os sintomas geralmente surgem em poucos minutos e podem evoluir rapidamente.

    O que é a síndrome látex-fruta?

    Algumas proteínas presentes no látex têm estrutura muito semelhante à de proteínas encontradas em determinados alimentos. Por causa dessa semelhança, o sistema imunológico pode confundir essas proteínas e reagir tanto ao látex quanto a algumas frutas.

    Esse fenômeno recebe o nome de reatividade cruzada. Quando envolve o látex e determinados alimentos, é conhecido como síndrome látex-fruta.

    Quais frutas podem apresentar reatividade cruzada?

    As associações mais conhecidas são:

    • Banana;
    • Kiwi;
    • Abacate;
    • Castanha;
    • Mamão.

    Outros alimentos também podem estar envolvidos, embora com menor frequência, como:

    • Figo;
    • Manga;
    • Maracujá;
    • Tomate;
    • Batata;
    • Pêssego.

    É importante destacar que nem toda pessoa com alergia ao látex terá alergia a esses alimentos. Da mesma forma, nem toda pessoa alérgica a uma dessas frutas apresenta alergia ao látex.

    Por isso, não é necessário retirar todos esses alimentos da dieta apenas por causa do diagnóstico de alergia ao látex. A exclusão deve ser considerada quando houver sintomas e após avaliação médica.

    Quais sintomas as frutas podem causar?

    Quando existe reatividade cruzada, os sintomas podem ser:

    • Coceira na boca;
    • Inchaço dos lábios;
    • Sensação de formigamento na língua;
    • Urticária;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas.

    Em casos raros, também pode ocorrer anafilaxia.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico começa com uma história clínica detalhada. Durante a consulta, o médico pode investigar:

    • Quais produtos desencadeiam os sintomas;
    • Quanto tempo se passa entre o contato e o início da reação;
    • Histórico de cirurgias;
    • Profissão e frequência de exposição ao látex;
    • Presença de reações após o consumo de determinadas frutas.

    Dependendo do caso, podem ser solicitados:

    • Testes cutâneos;
    • Exames de sangue para pesquisa de IgE específica contra o látex;
    • Avaliação com um médico alergista.

    Os resultados dos testes devem sempre ser interpretados em conjunto com a história dos sintomas.

    Existe tratamento?

    O principal tratamento consiste em evitar a exposição ao látex. Além disso, outras medidas podem ser indicadas de acordo com o tipo e a gravidade da reação.

    Produtos livres de látex

    Sempre que possível, devem ser utilizados materiais alternativos, como:

    • Luvas de nitrila;
    • Luvas de vinil;
    • Dispositivos médicos sem látex.

    Medicamentos

    Nas reações leves, podem ser utilizados:

    • Anti-histamínicos;
    • Corticoides, quando indicados.

    Esses medicamentos podem aliviar os sintomas, mas não impedem que novas reações ocorram após outra exposição.

    Adrenalina

    Pacientes com histórico de anafilaxia podem necessitar de um autoinjetor de adrenalina, quando disponível e indicado pelo médico. A adrenalina é a medicação de primeira escolha para o tratamento das reações alérgicas graves.

    É importante avisar sobre a alergia antes de uma cirurgia?

    Sim. Toda pessoa com diagnóstico de alergia ao látex deve informar médicos, dentistas e hospitais antes de qualquer consulta ou procedimento.

    Atualmente, muitos centros cirúrgicos possuem protocolos específicos para pacientes alérgicos ao látex, com a utilização de materiais livres dessa substância.

    Essa medida reduz significativamente o risco de reações durante cirurgias, exames e outros procedimentos médicos ou odontológicos.

    Como prevenir novas reações?

    Algumas orientações importantes são:

    • Ler a composição dos produtos;
    • Informar a alergia em consultas médicas e odontológicas;
    • Utilizar pulseira ou cartão de identificação em casos graves;
    • Evitar produtos que contenham látex natural;
    • Dar preferência a alternativas identificadas como livres de látex;
    • Procurar avaliação médica se surgirem sintomas após o consumo de frutas associadas à síndrome látex-fruta.

    Pessoas com histórico de reação grave também devem conversar com o alergista sobre a elaboração de um plano de emergência.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Procure um serviço de emergência se ocorrer:

    • Falta de ar;
    • Inchaço da língua ou da garganta;
    • Rouquidão súbita;
    • Queda da pressão arterial;
    • Tontura intensa;
    • Desmaio;
    • Urticária disseminada após contato com látex ou ingestão de um alimento relacionado.

    Esses sintomas podem indicar anafilaxia, uma reação que pode evoluir rapidamente e exige atendimento médico imediato.

    Confira: Janela imunológica: o que é e como prevenir alergia alimentar em bebês

    Perguntas frequentes sobre alergia ao látex

    1. O que é alergia ao látex?

    É uma reação do sistema imunológico contra proteínas presentes no látex natural. Ela pode provocar desde coceira e urticária até uma reação grave, como a anafilaxia.

    2. Quem tem maior risco?

    Profissionais da saúde, trabalhadores frequentemente expostos ao látex, pessoas submetidas a múltiplas cirurgias e pacientes com espinha bífida estão entre os grupos de maior risco.

    3. O que é a síndrome látex-fruta?

    É a ocorrência de reações a determinadas frutas devido à semelhança entre algumas proteínas desses alimentos e as proteínas presentes no látex.

    4. Quais frutas estão mais relacionadas?

    Banana, kiwi, abacate, castanha e mamão estão entre as associações mais conhecidas.

    5. Toda pessoa alérgica ao látex deve evitar essas frutas?

    Não. Apenas as pessoas que apresentarem sintomas após consumir determinado alimento devem considerar sua exclusão, preferencialmente após avaliação médica.

    6. Existe cura para a alergia ao látex?

    Atualmente, não existe cura. O tratamento consiste principalmente em evitar o contato com o látex e tratar adequadamente as reações quando elas ocorrem.

    7. Quando a alergia ao látex é considerada uma emergência?

    Quando surgem sinais de anafilaxia, como falta de ar, inchaço da língua ou da garganta, queda da pressão arterial, tontura intensa ou desmaio. Nessas situações, o atendimento médico imediato é indispensável.

    Veja também: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

  • Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Diabetes: por que controlar é tão importante para a saúde do coração 

    Você provavelmente já ouviu falar de diabetes, mas talvez não saiba exatamente o que é ou por que os médicos batem tanto na tecla da importância de controlar a glicemia. O fato é que a doença pode afetar toda a saúde, inclusive o coração.

    Apesar de muita gente associar o diabetes apenas ao açúcar alto no sangue, ele é bem mais complexo. A condição mexe com todo o metabolismo, pode afetar órgãos importantes e, quando não controlada, abrir caminho para problemas sérios.

    O que é diabetes

    Quando comemos alimentos que contêm carboidratos, como pães, massas, arroz, frutas e doces, eles são digeridos e transformados em glicose, um tipo de açúcar que serve de combustível para as células do corpo.

    Em condições normais, a glicose passa do intestino para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas), entra nas células para ser usada como energia.

    Quando a pessoa tem diabetes, esse processo é prejudicado. Ou o corpo não produz insulina suficiente, ou a insulina não consegue fazer o seu papel direito. Como resultado, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue. Esse excesso, com o tempo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

    Tipos de diabetes

    Existem diferentes tipos de diabetes, mas todos exigem cuidado e acompanhamento médico.

    • Diabetes tipo 1: de origem autoimune, costuma aparecer na infância ou adolescência, embora também possa surgir em adultos.
    • Diabetes tipo 2: mais comum em adultos, mas está cada vez mais frequente em jovens por conta de hábitos ruins de vida;
    • Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e exige atenção redobrada.

    Por que controlar o diabetes é tão importante para o coração

    O diabetes não tratado, segundo a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, é um grande problema.

    “Ele aumenta consideravelmente o risco do desenvolvimento de outras condições de saúde, em especial as doenças cardiovasculares. A doença cardiovascular ainda é a principal causa de morte nos pacientes diabéticos”, conta a especialista.

    Quando o açúcar no sangue fica alto por muito tempo, ele favorece o acúmulo de gordura e placas nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, que pode levar a infarto e AVC.

    “Além disso, o diabetes não tratado pode levar a alterações nos nervos e vasos sanguíneos com diminuição de sensibilidade, um processo chamado neuropatia, e que pode inclusive dificultar a percepção de infarto, pois o paciente com diabetes pode ter um infarto sem dor”, detalha a médica.

    Quem tem diabetes tipo 1 precisa ainda ficar mais atento. Além do endocrinologista, Juliana Soares recomenda acompanhamento com:

    • Nefrologista: para a saúde dos rins;
    • Oftalmologista: para prevenir retinopatia diabética que pode provocar perda de visão;
    • Cardiologista: para avaliar e proteger o coração;
    • Nutricionista: para ajustar a alimentação.

    A médica explica que portadores de diabetes tipo 1 têm mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares, principalmente quando os controles dos níveis de glicose são inadequados.

    “Isso leva ao aumento do processo de formação das placas nas artérias e a lesão nos vasos sanguíneos e nervos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em adultos com diabetes tipo 1”, alerta.

    E o pré-diabetes?

    Se o diabetes é o sinal vermelho, o pré-diabetes é o sinal amarelo. Os níveis de açúcar já estão acima do normal, mas ainda não chegaram ao ponto de ser diabetes.

    A boa notícia, segundo Juliana Soares, é que mudanças no estilo de vida como melhora da alimentação, prática de atividade física e perda de peso são altamente eficazes.

    “Em algumas situações o uso de remédios, em especial a metformina, é muito benéfico e ajuda a conter a evolução para o diabetes”.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Hoje há novos remédios que podem tratar diabetes, sendo que o mais falado atualmente é a semaglutida (Ozempic). Esse remédio pertence ao grupo dos agonistas do GLP-1, um hormônio que, como explica Juliana Soares, estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o apetite e retarda o esvaziamento do estômago, evitando picos de glicose no sangue.

    Esses remédios também ajudam a reduzir risco de infarto e AVC, melhorando colesterol, pressão arterial e até a saúde dos vasos sanguíneos.

    Novos remédios: os agonistas do GLP-1

    Nos últimos anos, uma classe de remédios ganhou destaque no tratamento do diabetes tipo 2: os agonistas do GLP-1, como a semaglutida (Ozempic). O GLP-1 é um hormônio que o próprio corpo produz e que ajuda a regular a glicose no sangue de forma inteligente.

    A cardiologista explica que, quando os níveis de açúcar estão altos, os remédios agonistas do GLP-1 estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas e, ao mesmo tempo, inibem a liberação de um hormônio chamado glucagon, que atua na liberação de glicose pelo fígado. Ou seja, eles não só ajudam a colocar a glicose para dentro das células, mas também evitam que o fígado jogue mais açúcar na corrente sanguínea.

    Esse tipo de remédio também age no cérebro. Eles diminuem o apetite, aumentam a sensação de saciedade e ainda reduzem a velocidade com que o estômago esvazia após as refeições. Esse conjunto de ações faz com que a glicose seja absorvida mais devagar e evita picos de açúcar no sangue.

    “Os agonistas do GLP-1 podem reduzir o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC e até mesmo morte por causas cardiovasculares”, conta a médica. “A ação no controle dos níveis de açúcar e no peso são, por si, fatores protetores e que reduzem o risco cardiovascular através da melhora metabólica”.

    Como viver bem com diabetes tipo 2

    O diagnóstico de diabetes não precisa ser sinônimo de uma qualidade de vida ruim. “A vida do portador de diabetes pode ser saudável desde que um estilo de vida adequado e os cuidados necessários sejam seguidos. O foco no autocuidado, no tratamento adequado e na prevenção das complicações é fundamental”, reforça Juliana Soares.

    O tratamento conta com:

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular;
    • Controle do colesterol e da pressão;
    • Monitoramento da glicemia;
    • Uso correto dos remédios;
    • Exames regulares.

    Leia também: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre diabetes

    1. O diabetes pode ser curado?

    Não, mas pode ser controlado com tratamento e mudanças no estilo de vida.

    2. O que é hipoglicemia?

    É quando o açúcar no sangue fica muito baixo. Isso pode causar tontura, suor frio, desmaio e, se a queda de açúcar for muito intensa e não for revertida a tempo, pode levar até à morte.

    3. Como prevenir o diabetes tipo 2?

    Mantendo um peso saudável, fazendo exercícios e comendo de forma equilibrada.

    5. O que é pré-diabetes?

    É quando a glicose está acima do normal, mas ainda não ao ponto de ser caracterizada diabetes.

    6. Diabetes afeta só o açúcar no sangue?

    Não, pode atingir coração, rins, olhos e nervos, por isso é importante tratar a doença.

    7. O que é resistência à insulina?

    É quando o corpo não consegue usar a insulina de forma eficiente, e isso faz com que o açúcar no sangue fique mais alto.

    8. Quem tem diabetes pode comer doce?

    Sim, mas com moderação e dentro de um plano alimentar equilibrado.

    Veja também: É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

  • Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Náuseas, cansaço e aumento da frequência urinária não são os únicos incômodos que podem aparecer durante a gravidez. Com o crescimento do bebê, a mãe também pode apresentar alguns desconfortos nas pernas, como sensação de peso, inchaço no final do dia e o surgimento ou a piora de vasinhos e varizes.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, médico assistente da USP de Ribeirão Preto e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, as varizes são mais comuns nas mulheres por causa de fatores hormonais e das próprias mudanças que acontecem no corpo feminino.

    Na gravidez, as alterações ficam ainda mais intensas, o que pode favorecer o aparecimento ou a piora das varizes. Além da ação dos hormônios, o aumento do útero pode dificultar o retorno do sangue das pernas para o coração, ampliando a pressão sobre as veias dos membros inferiores.

    Por que a gravidez afeta a circulação sanguínea das pernas?

    A circulação venosa é responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração. O caminho já demanda um esforço maior do organismo, pois o sangue precisa subir contra a força da gravidade.

    Segundo Marcelo, a musculatura da panturrilha funciona como uma espécie de bomba, ajudando a empurrar o sangue para cima, ao mesmo tempo em que pequenas válvulas dentro das veias contribuem para impedir que o sangue volte em direção aos pés.

    Na gravidez, algumas mudanças no corpo podem dificultar o funcionamento da circulação. A ação dos hormônios e o crescimento do útero favorecem um retorno mais lento do sangue, aumentando a pressão nas veias das pernas. Como resultado, podem aparecer inchaços, sensação de peso, vasinhos e varizes.

    A influência dos hormônios femininos nas veias

    Segundo Marcelo Dalio, as mudanças hormonais podem deixar as paredes das veias mais relaxadas e favorecer a dilatação dos vasos.

    Na gravidez, os níveis hormonais mudam bastante para preparar o organismo para o desenvolvimento do bebê. Ao mesmo tempo, as veias podem ficar mais dilatadas e as válvulas responsáveis por ajudar no retorno do sangue podem ter mais dificuldade para funcionar corretamente.

    Por isso, algumas mulheres percebem o aparecimento de novos vasinhos e varizes durante a gestação, enquanto aquelas que já apresentavam o problema podem notar uma piora.

    O crescimento da barriga também interfere na circulação

    Além dos hormônios, o útero aumenta bastante de tamanho conforme o bebê cresce. Marcelo explica que o crescimento pode comprimir grandes veias localizadas no abdômen e dificultar a passagem do sangue que vem das pernas em direção ao coração.

    Com o retorno do sangue mais difícil, a pressão dentro das veias das pernas aumenta e parte do sangue pode ficar acumulada na região. O inchaço, o peso nas pernas e as varizes podem ficar mais evidentes principalmente conforme a gestação avança.

    Principais sintomas de problemas venosos na gravidez

    Nas gestantes, o quadro da doença venosa costuma se manifestar por meio dos seguintes sinais:

    • Surgimento ou piora das varizes: podem aparecer novos vasinhos avermelhados ou arroxeados na pele, enquanto as varizes que já existiam podem ficar maiores, mais tortuosas, dilatadas e aparentes durante a gravidez;
    • Inchaço nas pernas: o acúmulo de líquido pode deixar os pés, os tornozelos e as pernas mais inchados, principalmente no final do dia ou depois de passar muito tempo em pé ou sentada;
    • Sensação de peso e cansaço: as pernas podem ficar pesadas e cansadas ao longo do dia, com um desconforto que costuma aumentar após várias horas na mesma posição e melhorar com o descanso e a movimentação;
    • Dor nas pernas: algumas gestantes podem sentir dor, ardência, queimação ou outro tipo de desconforto nas pernas, principalmente quando também apresentam inchaço e varizes;
    • Cãibras e pernas inquietas: também podem surgir cãibras e uma sensação incômoda nas pernas, acompanhada de vontade de movimentá-las constantemente para tentar aliviar o desconforto.

    O cirurgião vascular enfatiza que os sintomas costumam se intensificar nos dias mais quentes e no final da tarde ou da noite, apresentando melhora significativa quando a mulher coloca as pernas para cima.

    Múltiplas gestações aumentam o risco de varizes?

    A frequência e a gravidade das varizes podem aumentar de acordo com o número de gestações que a mulher teve ao longo da vida.

    A cada gravidez, o organismo passa novamente por mudanças hormonais e pelo aumento da pressão sobre as veias causado pelo crescimento do útero. Segundo Marcelo, uma mulher na primeira gestação pode apresentar poucos vasinhos ou varizes, enquanto quem passou por três ou quatro gestações pode ter uma quantidade maior de veias dilatadas.

    Como aliviar as varizes e o inchaço na gravidez?

    No cotidiano da gestante, algumas medidas simples ajudam a melhorar a circulação e diminuir a retenção de líquidos:

    1. Use meias de compressão durante o dia

    As meias de compressão ajudam o sangue a voltar das pernas para o coração e podem aliviar o inchaço, a sensação de peso e o cansaço. Segundo Marcelo, a compressão costuma ser maior na região do tornozelo e vai diminuindo ao longo da perna.

    O ideal é colocar a meia pela manhã, antes que as pernas comecem a inchar, e retirá-la antes de dormir. O tipo de compressão deve ser indicado pelo médico.

    2. Mantenha o corpo em movimento

    A prática de atividades físicas ajuda a movimentar a musculatura das pernas, principalmente a panturrilha, que tem um papel importante no retorno do sangue ao coração. Caminhadas e outros exercícios liberados durante a gestação podem ajudar a melhorar a circulação e diminuir os desconfortos nas pernas.

    3. Evite ficar muito tempo na mesma posição

    Passar várias horas em pé ou sentada pode dificultar o retorno do sangue e aumentar o inchaço. Ao longo do dia, tente mudar de posição, movimentar os pés e fazer pequenas pausas para caminhar, principalmente durante o trabalho.

    4. Eleve as pernas nos momentos de descanso

    Colocar as pernas para cima durante alguns momentos do dia pode ajudar a diminuir o acúmulo de líquido nos pés e nos tornozelos. A medida também pode aliviar a sensação de peso e o cansaço, principalmente no final do dia.

    5. Evite usar salto alto por muitas horas

    O salto alto limita o movimento dos pés e pode diminuir a participação da panturrilha durante a caminhada. Durante a gestação, vale evitar o uso por períodos prolongados e dar preferência a calçados confortáveis, firmes e que permitam movimentar os pés com facilidade.

    As varizes da gravidez desaparecem depois do parto?

    Na maioria das varizes, as varizes que surgem na gravidez desaparecem ou diminuem significativamente após o parto. Conforme o útero volta ao tamanho normal e os níveis hormonais se estabilizam, a pressão sobre as veias é aliviada. Normalmente, a regressão natural ocorre dentro de três a seis meses.

    Mas quando a mulher já tinha varizes ou predisposição genética, algumas veias dilatadas podem permanecer. Como as varizes são uma doença crônica, o cirurgião vascular pode avaliar o quadro após a gestação e indicar o tratamento mais adequado, se necessário.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O que é a veia cava e como ela afeta as pernas na gravidez?

    A veia cava é a principal veia que traz o sangue das pernas de volta ao coração. Quando o útero cresce, ele a comprime no abdômen, dificultando o retorno do sangue e fazendo as pernas incharem.

    2. Se minha mãe teve varizes na gravidez, eu também terei?

    As chances são altas. A genética é a principal causa das varizes, e a tendência pode ser herdada tanto do lado materno quanto do lado paterno.

    3. Qual o melhor horário para a gestante colocar a meia elástica?

    A meia deve ser vestida logo cedo, ao acordar, ainda na cama. Se for colocada mais tarde, quando a perna já estiver inchada, será muito difícil de vestir e perderá eficiência.

    4. Usar cremes para varizes resolve o inchaço da gravidez?

    Os cremes e géis ajudam a aliviar a sensação de peso e o cansaço no final do dia, mas não tratam a veia doente, não somem com as varizes nem impedem a evolução do problema.

    5. É seguro fazer tratamentos de varizes (como cirurgia ou laser) durante a gravidez?

    Durante a gestação, o foco é o tratamento clínico preventivo (meias e elevação de pernas). Procedimentos invasivos, cirurgias ou aplicações só devem ser avaliados e realizados após o parto.

    6. Qualquer gestante pode comprar e usar meia de compressão sem receita?

    As meias de suave compressão (15 a 20 mmHg) podem ser adquiridas sem receita. Já meias com compressão mais forte necessitam de avaliação médica para evitar riscos à circulação.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Escleroterapia (aplicação para varizes): como funciona o procedimento para secar vasinhos?

    Escleroterapia (aplicação para varizes): como funciona o procedimento para secar vasinhos?

    A escleroterapia, também conhecida como aplicação para varizes ou secagem de vasinhos, é um dos tratamentos mais procurados para remover aquelas pequenas ramificações avermelhadas ou arroxeadas que aparecem nas pernas. Os vasinhos costumam causar incômodo principalmente pela aparência, mas também podem indicar uma predisposição para problemas na circulação venosa.

    Apesar de ser conhecida como uma técnica simples, a escleroterapia pode ser feita de diferentes maneiras e nem todo tipo de variz pode ser tratado apenas com a aplicação. A seguir, entenda como o procedimento funciona, quantas sessões podem ser necessárias e se os vasinhos podem voltar depois do tratamento.

    O que é a escleroterapia e como ela funciona?

    A escleroterapia é um tratamento usado para eliminar os vasinhos que ficam aparentes nas pernas. Segundo o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, o procedimento é indicado principalmente para os vasos pequenos e superficiais, chamados de teleangiectasias, que podem ter uma aparência avermelhada, arroxeada ou azulada.

    Durante a aplicação, o médico usa uma agulha bem fina para colocar uma substância diretamente dentro do vaso que será tratado. O produto provoca uma reação controlada na parede interna do vasinho, fazendo com que ele se feche e deixe de receber sangue.

    Depois disso, o próprio organismo começa a absorver aquele vaso aos poucos. O resultado não costuma aparecer imediatamente após a aplicação: o vasinho vai ficando menos visível ao longo do tempo até desaparecer ou diminuir bastante.

    Marcelo explica que a escleroterapia é bastante utilizada para melhorar a aparência dos vasinhos, mas também é importante avaliar a circulação antes de iniciar o tratamento, principalmente quando a pessoa apresenta varizes maiores, dor, inchaço, sensação de peso nas pernas ou outras alterações.

    Escleroterapia serve para qualquer tipo de variz?

    A escleroterapia convencional não é indicada da mesma maneira para todos os tipos de veias dilatadas, pois a aplicação líquida é usada principalmente para os vasinhos pequenos que aparecem logo abaixo da pele. Quando existem varizes maiores, grossas ou saltadas, o tratamento pode precisar de outras técnicas.

    Marcelo esclarece ainda que os vasinhos podem funcionar como um sinal de que existe uma predisposição para problemas na circulação venosa. Isso não significa que um vasinho pequeno necessariamente vai crescer e virar uma variz grande, mas a pessoa pode desenvolver outras veias dilatadas ao longo da vida.

    Quando existem varizes maiores ou sintomas como dor, inchaço e peso nas pernas, pode ser necessário investigar como estão as outras veias, inclusive as que não conseguimos enxergar.

    Tipos de aplicação: qual é a diferença entre os tratamentos?

    Existem diferentes maneiras de fazer a aplicação, e a escolha depende do tamanho das veias, da localização dos vasos, das condições da pele e das necessidades de cada paciente.

    1. Escleroterapia convencional (líquida)

    A escleroterapia líquida é a forma mais tradicional de aplicação e costuma ser usada principalmente para os vasinhos pequenos e superficiais.

    Durante o procedimento, uma substância líquida é aplicada diretamente no vasinho por meio de uma agulha bastante fina. O produto provoca uma reação na parede interna do vaso, fazendo com que ele se feche e seja absorvido gradualmente pelo organismo.

    A aplicação geralmente pode ser realizada no próprio consultório e não precisa de cortes. Dependendo da quantidade de vasinhos, podem ser necessárias várias sessões para alcançar o resultado esperado.

    2. Escleroterapia com espuma

    Na escleroterapia com espuma, uma substância esclerosante é preparada em forma de espuma antes de ser aplicada dentro da veia. A técnica permite tratar determinados vasos sem a necessidade de fazer cortes.

    Segundo Marcelo, a espuma pode ser uma alternativa principalmente em alguns casos de veias maiores ou de doença venosa mais avançada, mas a indicação precisa ser individualizada.

    Uma das possíveis consequências do tratamento é o aparecimento de manchas ou áreas mais escuras na pele depois da aplicação. A pigmentação pode melhorar com o tempo, mas a possibilidade precisa ser considerada principalmente quando o objetivo do tratamento é estético.

    3. Escleroterapia a laser

    No caso do laser, existem técnicas diferentes, escolhidas de acordo com o tipo e o tamanho do vaso.

    Nos vasinhos mais superficiais, por exemplo, determinados tipos de laser podem ser aplicados sobre a pele. A energia é absorvida pelo sangue dentro do vaso, provocando o seu fechamento gradual.

    Já em algumas veias maiores, o laser pode ser utilizado por dentro do vaso, por meio de técnicas chamadas de endovenosas. Nesse caso, uma fibra é introduzida na veia e libera energia para fechá-la.

    De acordo com Marcelo, as tecnologias atuais permitem tratar diferentes problemas venosos com procedimentos menos invasivos em vários casos, mas a indicação depende da avaliação da circulação de cada paciente.

    O procedimento dói ou precisa de repouso?

    Não existe um número certo de sessões para todo mundo. Quem tem poucos vasinhos pode precisar de poucas aplicações, enquanto quem apresenta uma quantidade maior pode precisar de mais sessões para chegar ao resultado esperado.

    A quantidade também varia de acordo com o tamanho dos vasos, o tipo de tratamento escolhido, a resposta do organismo e a presença de outras veias que também precisam ser tratadas.

    Os vasinhos podem voltar depois da aplicação?

    Os vasinhos tratados tendem a fechar e ser absorvidos pelo próprio organismo, mas isso não significa que novos vasinhos não possam aparecer em outras partes das pernas com o passar do tempo.

    A genética, as alterações hormonais, o excesso de peso, o sedentarismo e outros fatores podem aumentar a tendência ao surgimento de novos vasos. Mesmo depois de fazer a escleroterapia, é importante manter alguns cuidados no dia a dia, como praticar atividades físicas, evitar ficar muito tempo parado na mesma posição e manter um peso saudável.

    Qual profissional pode fazer a aplicação para varizes?

    Segundo Marcelo, o cirurgião vascular é o médico responsável por avaliar a circulação das pernas, identificar quais veias estão com problemas e indicar o tratamento mais adequado.

    A avaliação é importante porque nem sempre os vasinhos que aparecem na pele mostram tudo o que está acontecendo com a circulação. Em alguns casos, também podem existir alterações em veias maiores que não conseguimos enxergar.

    Dependendo do caso, o médico pode solicitar um ultrassom Doppler, exame que ajuda a observar como o sangue está circulando e como estão funcionando as veias das pernas.

    Com as informações, o cirurgião vascular consegue decidir qual é a melhor opção de tratamento, como a aplicação líquida, a espuma ou o laser, além de identificar se alguma veia maior precisa ser tratada antes dos vasinhos.

    Leia mais: O que o cardiologista observa no seu exame de sangue

    Perguntas frequentes

    1. Vasinhos finos podem se transformar em varizes grossas?

    Não, um vasinho nunca vira uma variz grande. No entanto, o surgimento de vasinhos é um sinal de alerta de que a pessoa tem predisposição para problemas circulatórios.

    2. Posso voltar a treinar pesado no dia seguinte à aplicação de varizes?

    Não. Embora a recuperação seja rápida, a recomendação é um período de repouso e moderação de atividades intensas que pode variar de uma semana até um mês, dependendo do caso.

    3. A aplicação de varizes dói?

    O desconforto é muito bem tolerado e as técnicas modernas tornam o procedimento tranquilo para o paciente

    4. Escleroterapia faz o vasinho sumir para sempre?

    Aquele vasinho específico que foi tratado fecha e é absorvido pelo corpo, mas o procedimento não impede que novos vasos surjam com o tempo devido à genética.

    5. Escleroterapia a laser substitui a cirurgia?

    Em muitos casos sim, pois o laser permite queimar e fechar veias doentes com mínimos furos ou sem cortes, acelerando a recuperação.

    6. Grávidas podem fazer aplicação para secar vasinhos?

    Durante a gestação, as alterações hormonais e o peso do bebê alteram a circulação, sendo recomendado aguardar a avaliação do cirurgião vascular após o período gestacional.

    7. A aplicação de espuma serve para fechar a veia safena?

    Sim, a técnica com espuma ou o uso do laser podem ser indicados para tratar veias maiores e a safena, servindo como alternativa para fechar o vaso sem a necessidade de cortes cirúrgicos.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Da pele escurecida às úlceras: conheça as complicações da doença venosa

    Da pele escurecida às úlceras: conheça as complicações da doença venosa

    Você já sentiu as pernas pesadas ou inchadas depois de um dia longo, principalmente após passar muitas horas em pé ou sentada? Apesar de ser um incômodo comum, quando a sensação aparece com frequência, pode ser um sinal de que a circulação das pernas não está funcionando tão bem quanto deveria.

    A doença venosa é qualquer condição que afeta o sistema de veias, responsável por transportar o sangue de volta ao coração, e aparece quando o sangue tem dificuldade para fazer o caminho de volta das pernas até o coração.

    Ele pode ficar acumulado nos membros inferiores, aumentando a pressão dentro das veias e provocando alterações que vão desde sensação de peso e inchaço até mudanças na pele e feridas de difícil cicatrização. Com o passar do tempo, quando a circulação não melhora e a pressão dentro das veias continua elevada, o problema pode progredir.

    Como surgem as manchas e feridas na perna?

    Uma das principais causas do aparecimento de manchas e feridas nas pernas é a má circulação venosa. Para levar o sangue dos pés de volta ao coração, vencendo a força da gravidade, o corpo conta com a musculatura da panturrilha e com pequenas válvulas dentro das veias, responsáveis por impedir que o sangue volte para baixo.

    Quando as válvulas não funcionam corretamente, seja por fatores genéticos, alterações no colágeno, ação dos hormônios femininos ou gestação, o sangue pode ter dificuldade para retornar ao coração. O mesmo pode acontecer quando a panturrilha não é movimentada o suficiente, como no caso de pessoas sedentárias ou que passam muito tempo em pé ou sentadas na mesma posição.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, médico assistente da USP de Ribeirão Preto e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, a dificuldade no retorno do sangue provoca uma espécie de congestionamento nas pernas.

    O aumento constante da pressão dentro das veias e o acúmulo de líquido podem prejudicar os tecidos e provocar mudanças na pele. Aos poucos, podem surgir manchas escuras, endurecimento da pele e até feridas.

    Principais complicações da doença venosa

    Quando o acúmulo de sangue e o inchaço continuam por muito tempo, a doença venosa pode avançar e causar complicações, como:

    1. Escurecimento e alteração da pele (dermatite ocre)

    Uma das alterações que podem surgir com a má circulação venosa são as manchas marrons nas pernas. Segundo Marcelo, o acúmulo de sangue e o aumento da pressão nas veias podem fazer com que a pele fique cada vez mais escura. As manchas costumam aparecer principalmente perto do tornozelo, especialmente na parte interna da perna.

    2. Endurecimento da pele (lipodermatoesclerose)

    Sem o tratamento adequado, o acúmulo de sangue pode manter um processo inflamatório na região. Com o passar do tempo, além de ficar marrom, a pele perde parte da elasticidade e se torna mais firme, rígida e endurecida ao toque.

    3. Feridas que não cicatrizam (úlcera venosa)

    Quando a pele já está fragilizada, escurecida e endurecida, podem surgir feridas chamadas de úlceras venosas ou úlceras varicosas.

    Segundo Marcelo, a ferida normalmente aparece justamente no local onde a pele está escura e endurecida, principalmente na parte interna do tornozelo. Como a circulação da região está comprometida, a lesão pode demorar para cicatrizar e precisa de cuidados contínuos e tratamento especializado.

    4. Infecções na pele (celulite e erisipela)

    Uma ferida que não cicatriza pode ser porta de entrada para as bactérias, já que a pele funciona como uma barreira de proteção. Quando existe uma lesão, os microrganismos encontram um caminho para entrar nos tecidos e podem provocar infecções como a erisipela e a celulite infecciosa.

    A erisipela costuma atingir as camadas mais superficiais da pele e pode causar vermelhidão intensa, inchaço, dor, calor no local e febre. Já a celulite infecciosa atinge camadas mais profundas da pele e também pode provocar dor, vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura na região afetada.

    O tratamento é feito com antibióticos e deve ser iniciado o quanto antes para controlar a infecção e evitar que ela se espalhe pelo organismo.

    5. Sangramento das varizes (varicorragia)

    De acordo com Marcelo, quando as veias ficam muito dilatadas e salientes, principalmente perto do tornozelo, as paredes podem se tornar mais frágeis.

    Um pequeno esbarrão ou uma batida na perna, até mesmo durante o banho, pode machucar a pele sobre a veia e provocar um sangramento intenso. Em alguns casos, a variz pode se romper mesmo sem um trauma aparente. A quantidade de sangue costuma assustar, mas é importante manter a calma e comprimir o local com um pano ou uma gaze limpa.

    Também é recomendado deitar e manter a perna elevada, enquanto a pressão sobre o local é mantida até o sangramento parar. Se o sangue continuar saindo mesmo após a compressão, ou se o sangramento for muito intenso, é necessário procurar atendimento médico.

    Sintomas de alerta: quando procurar o médico imediatamente?

    Os sintomas mais comuns da má circulação já precisam ser avaliados por um cirurgião vascular. De acordo com o especialista, o inchaço, a dor, a sensação de peso nas pernas no final do dia, as cãibras e a sensação de pernas inquietas podem indicar que existe algum problema na circulação.

    Alguns sinais, porém, podem representar uma complicação e precisam de atendimento médico imediato:

    • Sangramento ativo em uma variz: se a variz se romper, coloque o dedo, uma gaze ou um pano limpo sobre o local e faça uma compressão firme. Se possível, eleve a perna e procure imediatamente um serviço de urgência;
    • Sinais de infecção: procure atendimento caso apareçam vermelhidão intensa, calor na perna, febre, mal-estar, fraqueza ou ínguas na virilha;
    • Feridas abertas: qualquer fissura ou ferida que não cicatriza, principalmente perto do tornozelo, precisa ser avaliada por um médico.

    Para fazer o diagnóstico, o cirurgião vascular examina as pernas e pode solicitar um ultrassom Doppler, que permite avaliar o fluxo do sangue nas veias superficiais e profundas, incluindo a veia safena.

    Com os resultados, o médico consegue indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir o uso de meias de compressão, medicamentos, aplicações com espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia convencional.

    Como prevenir as complicações da doença venosa

    A genética é um dos principais fatores de risco para o aparecimento das varizes, em conjunto com a ação dos hormônios femininos e a gravidez. Mesmo assim, alguns hábitos no dia a dia podem ajudar a melhorar a circulação, como:

    • Pratique atividades físicas regularmente: os exercícios, como a caminhada, a corrida e a bicicleta, estimulam a circulação. A musculação também é benéfica porque fortalece os músculos das pernas e da panturrilha;
    • Evite o sedentarismo e controle o peso: o excesso de peso aumenta a sobrecarga nas pernas, reduz a mobilidade e dificulta o retorno do sangue para o coração. Por isso, manter o corpo ativo e um peso saudável ajuda a evitar o agravamento da doença venosa;
    • Evite passar muito tempo na mesma posição: as pessoas que trabalham por muitas horas em pé ou sentadas podem ter mais dificuldade para fazer o sangue retornar ao coração. Por isso, é importante movimentar os pés e as pernas, contrair as panturrilhas e fazer pequenas caminhadas ao longo do dia;
    • Eleve as pernas no final do dia: colocar as pernas para cima ao chegar em casa pode ajudar a aliviar a sensação de peso e cansaço, além de reduzir o inchaço acumulado durante o dia;
    • Use as meias de compressão quando houver indicação: as meias de compressão fazem uma pressão gradual nas pernas, apertando mais perto do tornozelo e menos nas partes superiores. A compressão ajuda o sangue a retornar ao coração, alivia os sintomas e pode evitar que a doença venosa avance. O tipo e o nível de compressão precisam ser indicados por um profissional.

    Como a doença venosa é crônica e pode voltar ou piorar com o tempo, o acompanhamento regular com o cirurgião vascular é fundamental para proteger a saúde das pernas e evitar que as varizes evoluam para complicações dolorosas.

    Leia mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

    Perguntas frequentes

    1. Por que as varizes são mais comuns em mulheres?

    Devido aos hormônios femininos, que enfraquecem a parede das veias. O risco aumenta durante a gravidez por causa do pico hormonal e da pressão do útero sobre as veias.

    2. Quais são os principais sintomas da doença venosa?

    Dor, inchaço, sensação de peso nas pernas no final do dia, cãibras e sensação de pernas inquietas.

    3. Usar meia de compressão à noite é recomendado?

    Não. As meias de compressão devem ser vestidas logo cedo, ao acordar, e usadas durante o dia. À noite, elas devem ser retiradas.

    4. O calor piora a doença venosa?

    O calor não causa varizes, mas faz as veias dilatarem (vasodilatação), o que exacerba os sintomas e deixa a perna mais inchada e cansada.

    5. Cruzar as pernas causa varizes?

    Não há estudos que comprovem que cruzar as pernas cause varizes. O ato pode apenas estimular pequenos vasinhos no local de atrito por trauma direto.

    6. Qual é a diferença da celulite infecciosa para a celulite estética?

    A celulite associada às varizes é uma infecção bacteriana grave na pele que causa vermelhidão, febre e dor, necessitando de antibióticos. Não tem relação com os furinhos estéticos na pele.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    O colesterol é muito importante para o corpo, mas em excesso pode ser perigoso. Quando está bem equilibrado, ajuda o organismo a funcionar direito, mas o colesterol alto aumenta o risco de doenças bem graves, como infarto e AVC.

    Neste texto, você vai entender o que é colesterol, os tipos e os principais fatores que contribuem para que ele fique alto, além de aprender o que fazer para resolver esse problema.

    O que é colesterol e por que ele é importante?

    O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo próprio organismo e também obtido pela alimentação. Apesar da fama ruim, ele é fundamental: está presente nas membranas das células, participa da produção de hormônios e é necessário para a saúde do corpo. No entanto, é preciso evitar a todo custo o colesterol alto.

    Tipos de colesterol: LDL, HDL e VLDL explicado

    Colesterol LDL: por que é considerado ruim?

    Quando está em excesso, o LDL se acumula nas artérias e pode formar placas que dificultam a passagem do sangue. Quando essas placas bloqueiam a passagem total do sangue é que acontecem infartos e AVC.

    Colesterol HDL: o protetor do coração

    Nem todo colesterol é ruim. O colesterol HDL tem o papel de “limpar” o excesso de colesterol nas artérias e ajudar a proteger o coração.

    VLDL

    O colesterol VLDL transporta triglicerídeos, outra gordura que faz mal ao coração. Quando há VLDL em excesso, sobram triglicérides circulando, o que predispõe ao acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

    Valores de referência para colesterol

    Exame Desejável para população geral Desejável para alto risco cardiovascular Desejável para risco muito alto
    Colesterol Total Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL
    LDL (colesterol “ruim”) Menor que 100 mg/dL Menor que 70 mg/dL Menor que 50 mg/dL
    HDL (colesterol “bom”) ≥ 40 mg/dL (homens) / ≥ 50 mg/dL (mulheres) Igual Igual
    Triglicerídeos Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL
    Não-HDL Menor que 130 mg/dL Menor que 100 mg/dL Menor que 80 mg/dL

    O que causa o colesterol alto?

    As causas do colesterol alto são várias. O problema pode acontecer tanto por maus hábitos de saúde ou por fatores genéticos. Entenda.

    Fatores genéticos

    Algumas pessoas nascem com maior tendência ao colesterol alto, mesmo estando dentro do peso ideal e fazendo uma alimentação saudável. Essa condição é uma herança genética chamada de hipercolesterolemia familiar e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros.

    Dieta rica em gordura saturada e trans

    Alimentos como fast-food, frituras, carnes gordurosas e produtos industrializados são grandes problemas, pois uma alimentação ruim pode aumentar o LDL em até 25%. E os riscos do colesterol alto são muitos, por isso é importante manter uma boa alimentação.

    Sedentarismo

    A falta de atividade física reduz o HDL, que é o colesterol bom, e dificulta o controle do colesterol ruim. Apenas 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana já fazem diferença.

    Tabagismo e álcool em excesso

    Fumar danifica as artérias e reduz o colesterol bom. O excesso de bebida alcoólica também aumenta os triglicérides, que é péssimo para o coração.

    Envelhecimento e hormônios

    Com o passar dos anos, o corpo tende a produzir mais colesterol. Após a menopausa, muitas mulheres apresentam aumento do LDL.

    Veja também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Doenças associadas

    Diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais ou hepáticas alteram o metabolismo e aumentam a chance de ter colesterol alto.

    Estresse

    O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que interfere no metabolismo das gorduras e pode aumentar os níveis de colesterol.

    Uso de remédios

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, alguns remédios, como corticóides, anticoncepcionais, diuréticos e betabloqueadores, podem contribuir para alterações do colesterol. “É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso ao investigar causas de colesterol alto”, alerta.

    Como prevenir o colesterol alto?

    O controle do colesterol começa com hábitos saudáveis. Veja os três pilares de prevenção do colesterol alto:

    • Alimentação balanceada: frutas, verduras, grãos integrais, azeite de oliva e peixes são ótimos para ajudar a manter o colesterol sob controle. Evite frituras, embutidos e alimentos industrializados.
    • Exercício físico: caminhar, pedalar, nadar ou dançar ajuda a melhorar os níveis de HDL e controlar o LDL. Lembre-se de ser constante na atividade física.
    • Acompanhamento médico: em alguns casos, pode ser necessário o uso de remédios (como as estatinas), sempre com orientação profissional. Se for o caso do colesterol por herança genética, outros remédios ainda mais específicos também podem ser usados.

    Manter o colesterol em ordem é um passo muito importante para uma vida longa e saudável. O colesterol e o estilo de vida estão muito relacionados.

    Confira: O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Perguntas frequentes sobre colesterol alto

    1. Colesterol alto tem sintomas?

    Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é silencioso. Só exames de sangue podem identificar o problema.

    2. Colesterol alto sempre precisa de remédio?

    Nem sempre. Mudanças na alimentação e no estilo de vida muitas vezes são suficientes, mas em alguns casos o médico pode indicar medicamentos.

    3. Qual o nível ideal de colesterol?

    Depende do histórico de saúde da pessoa. Em geral, o LDL deve ficar abaixo de 100 mg/dL. Mas para pessoas com risco cardíaco mais alto, esse número pode ser bem menor. O médico saberá dizer o melhor para cada caso.

    4. Crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto?

    Sim. Por isso, é importante criar bons hábitos desde cedo e, quando necessário, fazer exames de rotina.

    5. O que comer para baixar o colesterol?

    Alimentos ricos em fibras (aveia, frutas, leguminosas), ômega-3 (peixes, linhaça) e gorduras boas (abacate, azeite) ajudam no controle do colesterol.

    Leia mais: Sou magro e meu colesterol está alto: como isso é possível?

  • Cremes e remédios para varizes realmente funcionam para sumir com as veias?

    Cremes e remédios para varizes realmente funcionam para sumir com as veias?

    Se você convive com vasinhos ou varizes, provavelmente já encontrou algum creme que promete melhorar a circulação, diminuir o inchaço e até fazer as veias sumirem. Nas farmácias e na internet, também existem diversos medicamentos vendidos para aliviar o peso, a dor e o cansaço nas pernas.

    Mas até onde os produtos realmente conseguem agir? Apesar dos cremes e dos remédios ajudarem a aliviar alguns sintomas, eles não conseguem fazer uma veia que já está dilatada voltar ao normal ou desaparecer.

    As varizes estão relacionadas a mudanças no funcionamento das próprias veias, um problema que não pode ser corrigido apenas com um produto aplicado na pele ou com um comprimido.

    Como ele acontece dentro dos vasos sanguíneos, o tratamento para eliminar as varizes pode exigir procedimentos que atuem diretamente nas veias afetadas, fechando ou retirando os vasos que não estão funcionando corretamente.

    Como surgem os vasinhos e as varizes?

    Os vasinhos e as varizes aparecem quando as veias das pernas começam a ter dificuldade para levar o sangue de volta ao coração. Para fazer o sangue subir, o corpo conta com a ajuda dos músculos das pernas, principalmente os da panturrilha, e de pequenas válvulas dentro das veias, que ajudam a impedir que ele volte para baixo.

    Quando as válvulas não funcionam bem, parte do sangue pode ficar acumulada nas pernas, aumentando a pressão dentro das veias. Com o tempo, os vasos podem ficar dilatados e mais aparentes, dando origem às varizes.

    Já os vasinhos, também chamados de telangiectasias, são vasos bem pequenos e superficiais, que costumam ter uma aparência avermelhada ou arroxeada. Apesar de também aparecerem nas pernas, eles são diferentes das varizes maiores e não necessariamente vão crescer e se transformar em uma variz.

    O histórico familiar é o principal fator de risco para o desenvolvimento das condições, mas elas também podem surgir devido à gravidez, às alterações hormonais, ao excesso de peso, ao envelhecimento e ao hábito de ficar muito tempo sentado ou em pé.

    Cremes para varizes somem com as veias?

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, os cremes para varizes não conseguem fazer as veias dilatadas desaparecerem. Eles agem apenas na superfície da pele ou proporcionam alívio temporário para sintomas como peso nas pernas, cansaço, queimação e coceira, principalmente no final do dia.

    O especialista aponta que alguns cremes também proporcionam uma sensação de refrescamento e conforto, mas não diminuem o tamanho das varizes, não impedem o aparecimento de novas veias e não tratam a causa do problema. Por isso, os produtos que prometem “secar” ou eliminar varizes não substituem os tratamentos indicados pelo cirurgião vascular.

    E os remédios para varizes, funcionam?

    A resposta é sim, mas é importante entender o que os medicamentos conseguem fazer e quais são os seus limites. Segundo Marcelo, os remédios usados no tratamento da doença venosa podem ajudar a aliviar sintomas bastante comuns, como dor, inchaço, sensação de peso e cansaço nas pernas, cãibras e desconforto no final do dia.

    Dependendo do caso, eles podem ser usados junto com outras medidas, como a prática de exercícios, as meias de compressão e mudanças nos hábitos do dia a dia.

    Por outro lado, tomar um remédio não faz uma variz desaparecer e também não consegue fazer uma veia que já está dilatada voltar ao tamanho normal. O cirurgião vascular explica que os medicamentos ajudam principalmente no controle dos sintomas, mas não corrigem o problema que fez a veia se tornar uma variz.

    Quais são os tratamentos que realmente eliminam as varizes?

    Quando existe a necessidade de remover uma veia doente, podem ser indicados outros tratamentos específicos, dependendo do tipo e do tamanho das varizes, dos sintomas e das características de cada pessoa.

    1. Escleroterapia

    A escleroterapia, também conhecida como “aplicação para varizes” ou “secagem”, costuma ser utilizada principalmente para tratar os vasinhos menores. Marcelo explica que uma substância é aplicada dentro do vaso para fazer com que ele se feche e seja absorvido gradualmente pelo organismo.

    2. Laser e radiofrequência

    O laser e a radiofrequência podem ser usados para tratar veias maiores e, em alguns casos, a veia safena. Segundo Marcelo, as técnicas utilizam calor para fechar a veia por dentro e podem ser realizadas por meio de pequenas punções, permitindo uma recuperação mais rápida do que algumas técnicas cirúrgicas tradicionais.

    3. Cirurgia de varizes

    A cirurgia convencional continua sendo uma opção para determinados casos, principalmente quando existem veias maiores e bastante dilatadas. Retirar ou fechar uma veia doente não costuma prejudicar a circulação, pois o sangue passa a seguir por outras veias saudáveis.

    Uso de meia de compressão

    A meia de compressão faz uma pressão suave e controlada nas pernas, que costuma ser maior nos tornozelos e vai diminuindo conforme sobe. Isso ajuda o sangue a circular de volta para o coração e pode aliviar sintomas como inchaço, sensação de peso, cansaço e dor nas pernas.

    Além de melhorar o desconforto, a meia pode fazer parte do tratamento da doença venosa e ajudar a controlar os sintomas ao longo do dia. Porém, existem diferentes tipos e níveis de compressão, por isso é importante escolher o modelo adequado para cada pessoa, principalmente quando há algum problema na circulação arterial.

    O que fazer para prevenir o aparecimento de novas varizes?

    A genética tem bastante influência no aparecimento das varizes, então nem sempre é possível evitar completamente o problema. Mesmo assim, Marcelo explica que alguns hábitos simples ajudam a melhorar a circulação das pernas e podem diminuir os fatores que favorecem o surgimento de novas varizes, como:

    • Praticar exercícios regularmente: caminhar, correr, pedalar e fazer musculação ajudam a fortalecer os músculos das pernas, principalmente a panturrilha, que participa do retorno do sangue para o coração;
    • Evitar ficar muito tempo na mesma posição: se você trabalha sentado ou em pé, tente mudar de posição e movimentar as pernas ao longo do dia;
    • Fazer pequenas pausas: levantar e caminhar por alguns minutos durante o expediente ajuda a movimentar as pernas e melhorar a circulação;
    • Manter um peso saudável: o excesso de peso pode aumentar a pressão sobre as veias das pernas e favorecer o aparecimento das varizes;
    • Manter uma rotina ativa: além dos exercícios, pequenas atitudes, como caminhar mais no dia a dia e evitar longos períodos parado, também ajudam a circulação.

    Quando procurar o cirurgião vascular?

    Segundo Marcelo, alguns sinais podem indicar que a circulação das pernas precisa ser avaliada, como:

    • Dor frequente;
    • Sensação de peso;
    • Inchaço nos tornozelos;
    • Aparecimento de varizes ou muitos vasinhos.

    O cirurgião vascular pode avaliar as veias e, quando necessário, pedir exames como o ultrassom Doppler para entender como o sangue está circulando.

    A avaliação também se torna especialmente importante quando aparecem alterações como escurecimento ou endurecimento da pele, feridas que demoram para cicatrizar ou um aumento importante do inchaço, pois os sinais podem estar relacionados a fases mais avançadas da doença venosa.

    Leia mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre varizes e vasinhos (telangiectasias)?

    Vasinhos são finos, avermelhados ou arroxeados e ficam na camada mais superficial da pele. Varizes são veias maiores, salientes, mais profundas e podem causar sintomas físicos.

    2. O que causa o aparecimento de varizes?

    A principal causa é a pré-disposição genética. No entanto, fatores como envelhecimento, gravidez, uso de anticoncepcionais, obesidade e sedentarismo aceleram o processo.

    3. Quais são os principais sintomas das varizes?

    Sensação de peso, dor, cansaço nas pernas, inchaço nos tornozelos, queimação, coceira e cãibras noturnas.

    4. Quanto tempo dura a recuperação do tratamento?

    Em procedimentos modernos (laser, espuma, escleroterapia), o retorno às atividades normais costuma ser imediato ou em poucos dias. Na cirurgia tradicional, pode levar de 1 a 2 semanas.

    5. Massagens ou drenagem linfática eliminam varizes?

    Não, elas ajudam a reduzir o inchaço e a retenção de líquidos nas pernas, trazendo alívio temporário, mas não somem com as veias dilatadas.

    6. Varizes podem voltar no mesmo lugar depois de operadas?

    A veia que foi retirada ou eliminada não volta. O que acontece é que veias saudáveis ao redor podem se dilatar com o tempo devido à natureza crônica da doença.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    A mulher que descobre um mioma uterino em algum exame de rotina e não sabe bem o que é pode imaginar algo assustador. Mas calma: eles são tumores benignos que podem ser tratados de várias formas, e nem sempre a cirurgia é necessária.

    Para entender melhor o assunto, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os tratamentos clínicos e quais as opções para quem quer evitar o centro cirúrgico.

    O que são miomas e quais sintomas causam?

    Os miomas são tumorações benignas, nódulos bem enrijecidos que são compostos de células musculares da camada muscular do útero, explica a ginecologista. “Ninguém sabe muito bem por que eles se formam, mas existe uma tendência genética, e a prevalência é maior em mulheres negras”.

    Eles podem crescer em ritmos diferentes, e isso depende da presença de receptores hormonais no mioma. “Quando têm menos receptores, costumam ficar menores”, explica a médica.

    Principais sintomas de miomas

    • Sangramento uterino anormal: fluxo menstrual mais intenso, cólicas fortes e menstruação prolongada.
    • Compressão pélvica: quando o útero cresce e pressiona órgãos vizinhos, como bexiga e intestino. Isso pode causar dor e desconforto.

    “Em casos raros, os miomas degeneram ou crescem a ponto de causar necrose. A necrose é caracterizada por muita dor, sendo uma urgência ginecológica que precisa ser resolvida rápido. Mas isso é bem menos comum”, diz a médica.

    Quando é preciso tratar?

    Apesar de serem benignos, os miomas precisam de acompanhamento médico. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do caso.

    A cirurgia é indicada quando:

    • O sangramento é tão intenso que não melhora com tratamentos clínicos;
    • O útero está muito aumentado e comprimindo outros órgãos;
    • A dor é constante e limitante.

    Antes disso, porém, há várias formas de controle sem precisar encarar o bisturi.

    Tratamentos clínicos para miomas

    Quando a escolha é pelo tratamento não cirúrgico, o objetivo principal costuma ser controlar o sangramento.

    “A grande maioria vai ter como sintoma o aumento do sangramento genital. Então, temos algumas opções. Podemos bloquear o sangramento com contraceptivos hormonais, e há várias opções de pílulas”, explica a médica.

    • Pílula só de progesterona;
    • Pílula combinada de estrogênio e progesterona;
    • Implantes hormonais.

    O DIU hormonal nem sempre funciona bem. “O DIU é menos indicado, porque muitas vezes o mioma altera a cavidade interna do útero, e o dispositivo pode não ficar bem colocado”, comenta a especialista.

    Outro ponto é tratar a anemia causada pelo excesso de sangramento. Mas isso só resolve se o fluxo for controlado. “É preciso ‘fechar a torneirinha’. Nunca vamos conseguir manter a hemoglobina e o ferro bons se a mulher não parar de sangrar”.

    Além disso, quando há dor associada, entram em cena analgésicos e estratégias de controle. Se o quadro avança, a cirurgia passa a ser discutida.

    Embolização: uma alternativa menos invasiva

    Existe também a chamada embolização dos miomas, um procedimento realizado por um radiologista intervencionista.

    “O médico entra por um vaso da perna (artéria femoral) e vai até a artéria uterina e faz a embolização, ou seja, fecha o vaso que nutre o mioma”, explica a ginecologista.

    Sem sangue, o mioma tende a reduzir ou até desaparecer. É uma boa opção para quem não quer cirurgia, mas há ressalvas:

    • Nem todos os miomas respondem bem;
    • Existe risco de necrose uterina, o que pode levar à necessidade de retirar o útero, ou seja, não é uma opção boa para quem quer engravidar.

    E a fertilidade de quem tem mioma, como fica?

    Miomas podem ou não atrapalhar uma gravidez, e isso depende do tamanho e da localização deles. “Se distorcem internamente o endométrio, atrapalham a implantação do embrião. Alguns ficam perto das tubas uterinas e podem obstruir a passagem do espermatozoide”, explica a médica.

    Há três tipos de miomas, sendo que cada um pode causar um impacto:

    • Submucosos: mais problemáticos, aumentam o sangramento e podem dificultar a gravidez. Eles ficam na parte interna do útero;
    • Intramurais: o impacto varia conforme o tamanho. Miomas muito grandes podem causar problemas. Eles se localizam na parede muscular do útero;
    • Subserosos: crescem para fora do útero, costumam dar menos sintomas e raramente prejudicam a fertilidade.

    O tratamento para mioma uterino vai muito além da cirurgia. Há opções de medicamentos, implantes hormonais, embolização e até estratégias combinadas para controlar sangramento e dor. O mais importante é conversar com um ginecologista e avaliar qual é a melhor alternativa para cada caso.

    Confira: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Perguntas Frequentes sobre mioma uterino e tratamentos

    1. Mioma sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos podem ser controlados com tratamento clínico, como anticoncepcionais hormonais ou embolização.

    2. O DIU pode ser usado em quem tem mioma?

    Depende. Se o mioma alterar muito a cavidade uterina, o DIU pode não se fixar corretamente.

    3. Miomas podem virar câncer?

    Não. São tumores benignos. Em raríssimos casos, podem sofrer degeneração, mas não se transformam em câncer.

    4. A embolização substitui a cirurgia?

    Para algumas mulheres, sim. Mas há risco de complicações e não é indicada para quem deseja engravidar.

    5. O mioma sempre causa sintomas?

    Não. Alguns passam despercebidos e só são descobertos em exames de rotina.

    6. Quem tem mioma pode engravidar?

    Pode, apenas em alguns casos os miomas podem dificultar a gestação, dependendo do tamanho e da localização.

    7. O mioma pode voltar depois do tratamento clínico?

    Sim. Enquanto o útero for preservado, novos miomas podem aparecer.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão