Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição 

Mulher segurando cartelas de medicamentos variados, imagem sobre alergia a remédios e uso de medicamentos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a alergia a medicamentos afeta cerca de 10% da população mundial. No Brasil, os dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que entre 14 e 16 milhões de brasileiros convivem com a condição.

Apesar de não ser menos frequente do que as alergias alimentares ou respiratórias, ela pode surgir de forma inesperada e, em alguns casos, evoluir para quadros graves. Qualquer medicamento, seja um simples paracetamol, um antibiótico ou um remédio natural, pode desencadear uma reação alérgica em pessoas sensíveis.

O que é a alergia a medicamentos?

A alergia a medicamentos, também conhecida como hipersensibilidade medicamentosa, é uma reação do sistema imunológico a determinadas substâncias presentes em remédios. O organismo identifica o medicamento como uma ameaça e reage de forma exagerada, desencadeando sintomas que podem variar de leves a graves.

Diferente dos efeitos colaterais, que são reações previsíveis descritas na bula, a alergia medicamentosa envolve uma resposta imunológica e nem sempre acontece na primeira vez em que a pessoa usa o remédio.

Na verdade, em muitos casos, a reação pode acontecer mesmo após o uso da medicação por um longo período, sem que a pessoa tenha apresentado sintomas anteriormente. Por isso, qualquer medicamento deve ser usado apenas com orientação médica.

Principais sintomas de alergia a medicamentos

Os sintomas de alergia a um remédio costumam surgir de duas formas: imediatas, que surgem poucos minutos ou até duas horas após tomar o medicamento, ou tardias, que aparecem dias ou semanas depois do início do tratamento.

Os sinais mais frequentes envolvem reações na pele, como:

  • Urticária, com placas vermelhas que coçam muito e podem aparecer em diferentes partes do corpo;
  • Coceira generalizada, mesmo sem manchas visíveis;
  • Vermelhidão na pele, que pode se espalhar pelo corpo;
  • Inchaço leve nas pálpebras, nos lábios ou nas orelhas;
  • Febre baixa sem outra causa aparente, como uma infecção.

Apesar de menos comuns, os sintomas respiratórios são sinais de que a reação está deixando de ser apenas na pele e se tornando sistêmica, afetando o corpo todo. Eles acontecem porque as substâncias inflamatórias liberadas pelo sistema imunológico causam o estreitamento das vias aéreas e o inchaço dos tecidos respiratórios. São eles:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar, com sensação de esforço para puxar o ar;
  • Chiado no peito durante a respiração;
  • Tosse seca e persistente após o uso do medicamento;
  • Rouquidão ou mudança repentina na voz;
  • Sensação de garganta fechando;
  • Coriza intensa, espirros e congestão nasal repentinos.

Por fim, existem reações alérgicas graves que demoram dias para aparecer, como a Síndrome de Stevens-Johnson. Além da febre, a pele começa a descascar, surgem bolhas dolorosas e feridas na boca, nos olhos e nas partes íntimas. Se notar os sintomas, suspenda o remédio e vá para um hospital imediatamente.

Medicamentos que mais causam alergia

Qualquer remédio pode desencadear uma reação alérgica, mas existem algumas classes de medicamentos que estão mais frequentemente associadas ao quadro, como:

  • Antibióticos: a amoxicilina, a ampicilina e os medicamentos à base de sulfa são alguns dos principais exemplos e podem provocar manchas na pele, urticária e reações graves;
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): remédios usados para dores e febre, como dipirona, aspirina, ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, podem causar urticária, inchaço e crises respiratórias;
  • Medicamentos anticonvulsivantes: remédios utilizados para epilepsia e dores neurológicas, como carbamazepina, fenitoína e fenobarbital, podem causar reações alérgicas na pele que surgem semanas após o início do tratamento;
  • Contrastes iodados: as substâncias usadas em exames de imagem, como tomografia computadorizada, podem desencadear reações alérgicas imediatas, principalmente em pessoas com histórico de anunciou;
  • Quimioterápicos e anticorpos monoclonais: medicamentos utilizados no tratamento do câncer e de doenças autoimunes também podem provocar reações alérgicas importantes e, por isso, muitas vezes precisam ser administrados com acompanhamento hospitalar.

Como os analgésicos e anti-inflamatórios são vendidos livremente nas farmácias, muitas pessoas usam os remédios sem perceber que sintomas como coceira, manchas na pele ou uma tosse repentina podem ser sinais de uma reação alérgica.

Ao suspeitar de alergia, o uso do medicamento deve ser interrompido imediatamente e a orientação médica deve ser procurada.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da alergia a medicamentos é feito principalmente por meio da avaliação clínica e do histórico do paciente. Durante a consulta, o especialista avalia quais remédios foram usados, quando os sintomas apareceram, quanto tempo duraram e como o corpo reagiu após o uso da medicação.

O histórico de outras alergias e doenças também pode ajudar na investigação, já que algumas pessoas têm maior predisposição a desenvolver reações alérgicas.

Além da avaliação clínica, alguns exames podem ser utilizados para confirmar o diagnóstico, como:

  • Teste de provocação oral (TPO): em que o recebe pequenas doses do medicamento suspeito de forma gradual para avaliar se o organismo apresenta alguma reação alérgica. Ele deve ser feito apenas em ambiente hospitalar;
  • Prick test (teste de puntura): em que uma gota do medicamento é colocada na pele e o médico faz uma pequena picada no local. Se houver instrução, pode surgir uma pequena bolha ou vermelhidão em cerca de 15 a 20 minutos;
  • Teste de contato (patch test): indicado principalmente para reações que aparecem dias depois do uso do remédio. Nesse exame, adesivos com a substância são colocados nas costas do paciente por 48 a 72 horas para avaliar possíveis reações na pele.

Em alguns casos específicos, como na suspeita de alergia a antibióticos como a penicilina, o médico pode solicitar um exame de sangue chamado IgE específica, que identifica anticorpos produzidos pelo organismo contra aquele medicamento.

O que fazer em caso de suspeita?

Ao suspeitar de uma alergia a medicamentos, a primeira medida é interromper o uso do remédio e procurar orientação médica. Mesmo sintomas leves, como coceira e manchas na pele, devem ser avaliados, já que as reações podem evoluir rapidamente em algumas pessoas.

Em casos de sinais mais graves, o atendimento de urgência deve ser procurado imediatamente. Os sintomas de alerta incluem:

  • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • Inchaço nos lábios, na língua ou na garganta;
  • Sensação de desmaio;
  • Chiado no peito;
  • Queda de pressão;
  • Manchas pelo corpo associadas a mal-estar intenso.

Se possível, leve a embalagem ou o nome do medicamento utilizado para facilitar a identificação da substância responsável pela reação.

Como é feito o tratamento de alergia a medicamentos?

Em casos de acesso a medicamentos, o primeiro passo é interromper o uso da substância suspeita e procurar atendimento médico. Depois da avaliação, o profissional pode indicar medicamentos para controlar os sintomas alérgicos, como anti-histamínicos e corticoides.

O tratamento varia de acordo com a intensidade da reação e pode ser feito com remédios por via oral, pomadas na pele ou medicações injetáveis.

Nos casos mais graves, como a anafilaxia, o tratamento deve ser imediato e pode incluir a aplicação de adrenalina e outros medicamentos para controlar a reação alérgica e estabilizar o paciente.

Confira: Remédios que podem ser perigosos quando combinados

Perguntas frequentes

1. Quem tem alergia à Dipirona pode tomar Paracetamol?

Normalmente sim, pois o paracetamol pertence a uma classe química diferente da dipirona, sendo uma das alternativas mais seguras. No entanto, uma pequena parcela de pessoas pode ter sensibilidade a ambos. O ideal é conversar com o médico para testar a medicação de forma segura.

2. Quem tem alergia ao Ibuprofeno pode tomar Nimesulida?

Não é recomendado. O ibuprofeno e a nimesulida são anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Quem tem alergia a um medicamento dessa classe tem um risco muito alto de sofrer uma “reação cruzada” com os outros remédios do mesmo grupo.

3. É possível desenvolver alergia a um remédio que sempre tomei?

Sim. A instrução pode acontecer após o sistema imunológico já ter tido contato com ele e criado anticorpos. Por isso, você pode tomar um medicamento a vida inteira e, de repente, desenvolver alergia a ele.

4. Quanto tempo dura uma crise de alergia a medicamentos?

Se o uso do remédio for interrompido imediatamente, os sintomas leves (como coceira e manchas na pele) costumam sumir entre 2 a 7 dias com o uso de antialérgicos. Reações graves que descamam a pele podem demorar semanas para cicatrizar.

5. Tomar antialérgico antes de tomar o remédio previne a alergia?

Não. O antialérgico (anti-histamínico) pode mascarar sintomas leves na pele, mas não impede uma reação alérgica grave ou um choque anafilático. Nunca use essa estratégia para tomar um remédio ao qual você sabe que é alérgico.

6. Qual a diferença entre alergia e efeito colateral?

A alergia é uma reação imprevisível do sistema de defesa do corpo, como manchas na pele e falta de ar. O efeito colateral é uma reação prevista e ligada ao próprio efeito do remédio, como sentir tontura após um calmante ou queimação no estômago após um anti-inflamatório.

7. Como aliviar a coceira da alergia a medicamentos em casa?

Após suspender o remédio suspeito, banhos frios ou mornos (sem esfregar a pele) e compressas frias ajudam a acalmar a região. O uso de hidratantes sem perfume também alivia. Consulte um médico para que ele receite o antialérgico ideal.

Veja também: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio