Categoria: Doenças

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  • Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    A pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial, é uma complicação grave da gravidez que costuma surgir após a 20ª semana de gestação. No Brasil, a estimativa é que ela afete entre 5% e 10% das gestantes, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e de partos prematuros no país.

    Mas será que é possível prever o risco logo nas primeiras semanas? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como a pré-eclâmpsia pode ser identificada precocemente, quais são os fatores de risco, os sinais de alerta e o que fazer para reduzir as complicações para a mãe e o bebê.

    Afinal, o que é a pré-eclâmpsia e por que ela acontece?

    A pré-eclâmpsia, conhecida como doença hipertensiva específica da gestação, é uma complicação da gravidez em que ocorre o aumento da pressão arterial após a 20ª semana de gestação. Em muitos casos, ela também causa alterações nos rins, levando à perda de proteína na urina, além de poder comprometer órgãos importantes, como fígado, cérebro e placenta.

    A condição está relacionada a uma formação inadequada dos vasos sanguíneos da placenta no início da gestação. Com isso, a placenta passa a funcionar de maneira insuficiente e libera substâncias inflamatórias na circulação materna, provocando alterações nos vasos sanguíneos e aumentando a pressão arterial.

    Quais os fatores de risco para a pré-eclâmpsia?

    Ainda não existe uma causa única totalmente definida, mas alguns fatores aumentam o risco de pré-eclâmpsia e podem ser identificados logo na primeira consulta de pré-natal. Andreia e o Ministério da Saúde destacam algumas delas:

    • Primeira gestação, já que mulheres grávidas pela primeira vez têm maior risco naturalmente;
    • Mudança de parceiro, devido à adaptação imunológica do organismo ao novo material genético do bebê;
    • Gravidez de gêmeos ou múltiplos, porque há uma maior sobrecarga da placenta e da circulação materna;
    • Hipertensão antes da gravidez;
    • Diabetes, incluindo diabetes tipo 1, tipo 2 ou diabetes gestacional;
    • Obesidade ou IMC elevado antes da gestação;
    • Doenças autoimunes, como lúpus;
    • Trombofilias, como a Síndrome Antifosfolípide (SAF);
    • Doença renal prévia;
    • Histórico familiar de pré-eclâmpsia, principalmente em mãe ou irmã;
    • Gravidez antes dos 18 anos ou após os 35 a 40 anos.

    Segundo a ginecologista, a presença de alguns desses fatores já pode classificar a gestante como de maior risco para o desenvolvimento da pré-eclâmpsia, exigindo um acompanhamento mais próximo durante o pré-natal.

    Como identificar o risco logo no início da gravidez?

    Logo na primeira consulta de pré-natal, o obstetra avalia características que aumentam as chances de pré-eclâmpsia, como primeira gestação, idade acima de 35 anos e obesidade. Mesmo sem alterações nos exames, as pacientes já precisam de acompanhamento mais cuidadoso.

    A partir do rastreamento inicial, algumas avaliações são necessárias, como:

    • Doppler das artérias uterinas: realizado geralmente entre a 11ª e a 14ª semana, o exame avalia o fluxo sanguíneo nas artérias do útero. Alterações podem indicar dificuldades na formação da placenta e maior risco de pré-eclâmpsia;
    • Marcadores bioquímicos: alguns exames de sangue podem avaliar proteínas produzidas pela placenta, como o PlGF. A presença de alterações nos níveis podem sugerir maior risco para a doença;
    • Monitoramento da pressão arterial: a aferição da pressão em todas as consultas é importante para identificar aumentos precoces e iniciar a investigação rapidamente;
    • Cálculo de risco combinado: em alguns serviços, os médicos utilizam algoritmos que cruzam informações clínicas, como idade, peso e histórico da gestante, com exames como o Doppler das artérias uterinas e marcadores bioquímicos do sangue materno.

    Vale destacar que nenhum exame isolado consegue prever com certeza se a gestante terá pré-eclâmpsia. O objetivo do rastreamento é identificar pacientes com maior risco para permitir um acompanhamento mais próximo e iniciar medidas preventivas precocemente.

    Sinais de alerta para a pré-eclâmpsia

    A pré-eclâmpsia pode se desenvolver de forma silenciosa no início, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente após a 20ª semana de gestação. Segundo Andréia, devem acender o alerta de níveis de pressão arterial acima de 14 por 9, mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    Já valores iguais ou superiores a 16 por 11 são considerados uma emergência hipertensiva e precisam de avaliação médica imediata, devido ao alto risco de complicações graves para a mãe e o bebê.

    Além da pressão elevada, alguns sintomas podem indicar iminência de eclâmpsia, um quadro mais grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pelo surgimento de convulsões. Os mais comuns incluem:

    • Dor de cabeça forte e persistente, que não melhora facilmente;
    • Alterações visuais, como visão embaçada, pontos brilhantes, “luzinhas” na visão (fosfenas) ou áreas escuras no campo visual (escotomas);
    • Dor abdominal, principalmente na parte superior direita do abdômen, região próxima ao fígado;
    • Náuseas e vômitos intensos após a metade da gestação;
    • Falta de ar ou sensação de dificuldade para respirar;
    • Inchaço importante e repentino, especialmente no rosto e nas mãos;
    • Redução da quantidade de urina.

    Quando a interrupção da gravidez é necessária?

    A decisão de interromper a gravidez depende da gravidade da pré-eclâmpsia e das condições da mãe e do bebê. Andreia explica que assim que a pré-eclâmpsia é diagnosticada, a equipe médica inicia o controle da pressão arterial e passa a monitorar de perto a vitalidade fetal.

    • Se a mãe e o bebê estiverem estáveis, a gestação pode seguir com acompanhamento até próximo das 40 semanas;
    • Quando existem critérios de gravidade, a recomendação costuma ser a interrupção por volta de 37 semanas;
    • Já em situações mais graves, como iminência de eclâmpsia, alterações laboratoriais importantes ou sofrimento fetal, a interrupção da gestação pode ser necessária mesmo antes do tempo previsto, para proteger a vida da mãe e do bebê.

    É possível prevenir a pré-eclâmpsia?

    Nem sempre é possível prevenir completamente a pré-eclâmpsia, mas identificar o risco logo no começo da gravidez ajuda bastante a reduzir as chances de complicações graves. Quanto mais cedo a gestante inicia o pré-natal, maiores são as possibilidades de acompanhamento e intervenção precoce. Veja algumas medidas:

    • Em pacientes consideradas de alto risco, o obstetra pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose;
    • Suplementação de cálcio, especialmente em mulheres que possuem uma dieta pobre no nutriente;
    • Controle de fatores que aumentam o risco da doença, como hipertensão, diabetes e obesidade;
    • Adoção de hábitos mais saudáveis de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas leves.

    Segundo Andreia, o AAS costuma ser suspenso por volta das 36 semanas de gestação, perto do parto, porque o medicamento interfere na função das plaquetas. A medida ajuda a diminuir o risco de sangramentos excessivos durante o nascimento do bebê.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O que é a síndrome HELLP?

    É uma variante muito grave da pré-eclâmpsia que causa a destruição das células vermelhas do sangue, aumento de enzimas do fígado e queda das plaquetas. Exige interrupção rápida da gravidez.

    2. A pré-eclâmpsia pode afetar o bebê?

    Sim. Como a placenta não funciona bem, o bebê pode receber menos oxigênio e nutrientes, levando à restrição de crescimento e, em casos graves, à necessidade de parto prematuro.

    3. Posso ter parto normal com pré-eclâmpsia?

    Sim, desde que a mãe e o bebê estejam estáveis. Se houver sinais de gravidade ou sofrimento fetal, a cesariana pode ser indicada como via mais rápida.

    4. O que é o exame de proteinúria?

    É um exame de urina (geralmente de 24 horas ou amostra isolada) que mede a perda de proteínas. Na pré-eclâmpsia, os rins “vazam” proteínas, o que ajuda a confirmar o diagnóstico.

    5. A pré-eclâmpsia pode causar descolamento de placenta?

    Infelizmente, sim. A pressão muito alta e as alterações nos vasos sanguíneos aumentam significativamente o risco de descolamento prematuro da placenta, o que é uma emergência para a mãe e para o bebê.

    6. A alimentação pode influenciar no tratamento?

    Sim. Uma dieta com controle de sal (sódio) e rica em nutrientes ajuda a não sobrecarregar o sistema circulatório. No entanto, a dieta sozinha não substitui o uso de medicações preventivas quando indicadas.

    7. Quanto tempo depois do parto a pressão volta ao normal?

    Na maioria das vezes, a pressão normaliza em até 12 semanas após o parto. Se a pressão continuar alta após esse período, a mulher pode ser diagnosticada com hipertensão crônica.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Sarna humana pega fácil? Entenda o que é e como acontece a transmissão 

    Sarna humana pega fácil? Entenda o que é e como acontece a transmissão 

    A coceira intensa que piora durante a noite é um dos sinais mais característicos da escabiose, popularmente conhecida como sarna. Apesar do nome causar desconforto ou preconceito em algumas pessoas, trata-se de uma condição relativamente comum e que pode afetar indivíduos de qualquer idade ou condição social.

    A doença é causada por um ácaro microscópico que se instala na pele e provoca uma reação inflamatória importante. Como é altamente contagiosa, reconhecer os sintomas rapidamente e iniciar o tratamento adequado ajuda a evitar a transmissão para familiares e pessoas próximas.

    O que é a escabiose

    A escabiose, popularmente conhecida como sarna, é uma infecção de pele causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei. Esse parasita penetra na pele e provoca uma reação inflamatória intensa, levando a coceira intensa, principalmente à noite.

    É uma condição comum, contagiosa e tratável, mas que pode se espalhar facilmente se não for reconhecida e tratada adequadamente.

    Para entender melhor, esse ácaro escava túneis na camada superficial da pele, onde deposita seus ovos. É isso que desencadeia uma resposta inflamatória que causa coceira e lesões características.

    Como ocorre a transmissão

    A escabiose é altamente contagiosa. A transmissão ocorre principalmente por:

    • Contato direto e prolongado com a pele de uma pessoa infectada;
    • Compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama.

    Ambientes com contato próximo facilitam a disseminação.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem levar alguns dias ou semanas para aparecer.

    Os mais comuns são:

    • Coceira intensa, especialmente à noite;
    • Pequenas lesões avermelhadas;
    • Linhas finas na pele (túneis do ácaro);
    • Feridas causadas por coçar.

    Onde aparecem as lesões

    As áreas mais comuns são:

    • Entre os dedos das mãos;
    • Punhos;
    • Axilas;
    • Região da cintura;
    • Genitais.

    Em crianças, pode afetar também o couro cabeludo e o rosto.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Qualquer pessoa pode ter escabiose, mas é mais comum em:

    • Ambientes com contato próximo (famílias, creches);
    • Locais com maior aglomeração;
    • Pessoas com higiene precária (embora não seja a única causa).

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na aparência das lesões.

    Em alguns casos, pode-se identificar o ácaro com exame específico.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento é eficaz e deve ser feito corretamente.

    1. Medicamentos tópicos

    Há cremes ou loções específicas que são aplicadas em todo o corpo.

    2. Medicamentos orais

    Os medicamentos orais são indicados em casos específicos ou mais extensos.

    3. Tratamento dos contatos

    Todos os contatos próximos devem ser tratados ao mesmo tempo.

    4. Cuidados com roupas

    • Lavar roupas, toalhas e roupas de cama;
    • Evitar reinfecção.

    A coceira pode continuar após o tratamento?

    Sim. A coceira pode persistir por alguns dias ou semanas, mesmo após a eliminação do ácaro, devido à reação da pele.

    Escabiose é grave?

    Na maioria dos casos, não. Mas pode causar desconforto importante e complicações, como infecções secundárias na pele.

    Confira: Pitiríase rósea: entenda as manchas rosadas que aparecem no corpo

    Perguntas frequentes sobre escabiose

    1. Escabiose é contagiosa?

    Sim. Muito contagiosa.

    2. Coça mais à noite?

    Sim. Esse é um sinal típico.

    3. Precisa tratar toda a família?

    Sim, toda a família deve ser tratada também.

    4. Tem cura?

    Sim. O tratamento é eficaz.

    5. Pode voltar?

    Sim, se houver nova exposição.

    6. Higiene resolve?

    Não sozinha. É necessário tratamento específico.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver coceira persistente ou suspeita da condição.

    Veja também: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

  • Pressão alta faz mal para os rins: veja como proteger a saúde renal

    Pressão alta faz mal para os rins: veja como proteger a saúde renal

    A pressão alta é conhecida como um fator de risco para doenças cardíacas, mas o que muita gente não sabe é que ela também pode afetar os rins, órgãos essenciais para filtrar o sangue e manter o corpo funcionando bem. Quando a pressão alta não é controlada, a saúde dos rins sofre.

    E o mais alarmante é que, quando os danos aparecem, muitas vezes já é tarde demais, como os casos de insuficiência renal. Entender essa relação é o primeiro passo para prevenir complicações graves.

    Neste artigo, você vai entender como a hipertensão afeta os rins, quais são os sinais de alerta, e que mudanças você pode fazer na sua vida para proteger a saúde dos rins.

    O que é pressão alta e por que ela prejudica os rins?

    A pressão alta, ou hipertensão arterial, acontece quando a pressão do sangue nas artérias está constantemente alta, acima de 130×85 em pelo menos duas medições. Ela pode atingir pessoas de todas as idades, mas é mais comum entre idosos, pessoas com diabetes, obesidade, doenças cardíacas e histórico familiar de doenças renais.

    A grande armadilha é que, muitas vezes, os sintomas da pressão alta não são percebidos e ela vai causando danos silenciosamente. Além de coração e cérebro, os rins também são afetados e podem perder parte de sua função com o tempo.

    Como a pressão alta afeta os rins?

    Os rins filtram o sangue, mandam toxinas embora e mantêm o equilíbrio de líquidos dentro do organismo. Quando a pressão está sempre alta, os vasos sanguíneos que irrigam os rins sofrem. Isso reduz o fluxo de sangue e dificulta o trabalho dos rins.

    “Da mesma forma, a doença renal crônica pode desencadear um aumento dos níveis da pressão, o que também eleva o risco de doenças cardiovasculares e morte”, diz Edilza Câmara Nóbrega, médica cardiologista pelo InCor-HCFMUSP.

    4 doenças renais relacionadas à hipertensão

    As doenças renais mais comuns causadas ou agravadas pela pressão alta são as abaixo.

    1. Nefroesclerose hipertensiva

    É quando os vasos sanguíneos dentro dos rins vão sendo danificados pela pressão alta. Com o tempo, isso causa cicatrizes e os rins vão perdendo a capacidade de funcionar. É uma das principais causas de falência dos rins em quem tem pressão alta.

    2. Glomeruloesclerose

    Os glomérulos são como filtros minúsculos dentro dos rins. Essa doença endurece e danifica esses filtros. A pressão alta pode piorar esse problema, dificultando ainda mais o trabalho dos rins.

    3. Lesão renal aguda

    É quando os rins param de funcionar de repente. Pode acontecer por várias razões, e a pressão alta descontrolada é uma delas. Nesse caso, o corpo não consegue eliminar bem as toxinas, o que pode ser perigoso e precisa de atenção médica urgente.

    4. Doença renal policística

    É uma condição hereditária, ou seja, passa de pais para filhos, em que se formam vários cistos (bolsas cheias de líquido) nos rins. Esses cistos crescem com o tempo e a pressão alta pode fazer a doença evoluir mais rápido.

    Sinais de que os rins podem estar sendo afetados pela pressão alta

    A maioria dos problemas renais evolui sem sintomas no começo. Mas, com o tempo, alguns sinais podem indicar que os rins estão comprometidos. Veja alguns deles.

    Inchaço

    Quando os rins não conseguem eliminar o excesso de líquido do corpo, ele pode se acumular nas pernas, tornozelos e pés, causando inchaço. Esse costuma ser um dos primeiros sinais de problema renal.

    Mudanças na urina

    Preste atenção se você começar a urinar muito mais ou muito menos que o normal, se a urina estiver escura, com sangue ou se formar muita espuma. Essas alterações podem indicar que algo não vai bem com os rins.

    Cansaço sem motivo aparente

    Se você anda se sentindo muito cansado, mesmo dormindo bem e sem estar doente, pode ser que os rins não estejam filtrando o sangue como deveriam.

    Náuseas e vômitos

    Quando os rins não funcionam direito, o corpo acumula substâncias que deveriam ser eliminadas. Isso pode causar enjoo e até vômitos frequentes.

    Falta de apetite

    Se você tem sentido menos vontade de comer sem uma causa clara, isso também pode estar ligado a um problema nos rins. Vale investigar com um médico.

    Coceira no corpo

    O acúmulo de resíduos no sangue pode causar coceira constante na pele, principalmente quando os rins começam a falhar.

    Falta de ar

    O acúmulo de líquido no corpo, por causa do mau funcionamento dos rins, pode chegar aos pulmões e dificultar a respiração.

    Confira: Falta de ar: quando pode ser problema do coração 

    Dor nas costas

    Dor nas costas na região lombar também pode estar relacionadas a problemas renais.

    Como proteger seus rins da pressão alta?

    “Para controlar a pressão alta e evitar danos renais é fundamental adotar uma abordagem abrangente que inclua tanto medidas medicamentosas quanto mudanças no estilo de vida”, comenta Edilza. Veja o que fazer.

    Remédios

    Remédios para pressão alta devem ser usados quando o médico prescrever. “Mesmo que a pressão esteja sob controle, não pare os remédios por conta própria”, alerta a cardiologista.

    7 mudanças no estilo de vida para proteger seus rins

    • Boa alimentação: frutas, legumes, grãos integrais e menos sal. A dieta DASH é ótima para isso.
    • Exercício físico regular: 30 minutos de caminhada ou outra atividade aeróbica quase todos os dias.
    • Controlar o peso: manter o peso adequado ajuda a reduzir a pressão arterial.
    • Evitar cigarro e bebida alcoólica: eles prejudicam o sistema cardiovascular e renal.
    • Gerenciar o estresse e dormir bem: um bom sono e técnicas de relaxamento ajudam a controlar a pressão.
    • Acompanhamento médico: faça exames de sangue e urina regularmente e meça a pressão com frequência.
    • Medir a pressão arterial em casa: usar aparelhos em casa pode ajudar a acompanhar o tratamento da hipertensão e evitar problemas nos rins.Saiba mais: Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Perguntas frequentes sobre pressão alta e saúde dos rins

    1. Toda pessoa com pressão alta terá problemas nos rins?

    Não necessariamente. Mas quando a pressão alta não é tratada, ela pode, sim, afetar os rins com o tempo.

    2. Quem tem problema nos rins pode ter pressão alta?

    Sim. Há uma relação de mão dupla entre doença renal e pressão alta, ou seja, um problema nos rins pode causar pressão alta.

    3. Como saber se meus rins estão sendo afetados?

    Com exames de creatinina, taxa de filtração glomerular e exame de urina, pedidos por um médico.

    4. Só o remédio resolve a pressão alta?

    Os remédios são importantes, mas os hábitos saudáveis fazem toda a diferença no controle da pressão alta.

    5. A alimentação faz diferença na saúde dos rins?

    Sim. Comer bem, com pouco sal e alimentos naturais, ajuda a controlar a pressão alta e a saúde dos rins.

    6. Quais exames devo fazer para acompanhar minha saúde renal?

    Os principais exames são a dosagem de creatinina no sangue, a taxa de filtração glomerular (TFG) e o exame de urina tipo 1. Eles ajudam a identificar alterações na função dos rins, mesmo antes dos sintomas aparecerem.

    7. É possível reverter o problema nos rins causado pela pressão alta?

    Em muitos casos, os danos renais não são reversíveis. Por isso, o mais importante é identificar cedo e controlar a pressão para evitar que o problema avance.

    8. A dor nos rins é um sinal comum de hipertensão?

    Nem sempre. A maioria dos problemas renais causados por pressão alta não provoca dor no início. A dor costuma aparecer apenas em casos mais avançados, quando os rins já estão com problema, ou quando há outra condição associada, como infecção ou pedra nos rins.

    9. Crianças e jovens também precisam se preocupar com pressão alta?

    Sim. Embora mais comum em adultos, a pressão alta também pode afetar crianças e adolescentes, principalmente em casos de obesidade, sedentarismo ou histórico familiar. Por isso, o acompanhamento médico desde cedo é importante.

    10. Tomar muita água ajuda a proteger os rins?

    Manter-se hidratado é importante para a saúde dos rins, mas só a água não previne os danos causados pela pressão alta. O controle da pressão e hábitos saudáveis são essenciais para proteger os rins. Consulte seu médico.

    Leia também: Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

  • Retinoblastoma: reflexo branco no olho da criança pode ser sinal de câncer raro 

    Retinoblastoma: reflexo branco no olho da criança pode ser sinal de câncer raro 

    Perceber um reflexo branco no olho da criança em uma foto pode parecer apenas um detalhe da iluminação. Mas, em alguns casos, esse sinal pode indicar um problema grave e que precisa de avaliação médica rápida: o retinoblastoma, um tipo raro de câncer ocular infantil.

    Embora seja incomum, o retinoblastoma é o tumor ocular mais frequente na infância. O bom é que, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são altas e, em muitos casos, é possível preservar a visão da criança. Hoje você vai entender quais são os sinais de alerta para fazer a diferença na vida do seu filho.

    O que é o retinoblastoma

    O retinoblastoma é um tipo raro de câncer que se desenvolve na retina, a parte do olho responsável pela visão. Ele ocorre principalmente em crianças pequenas, geralmente antes dos 5 anos de idade.

    Quando diagnosticado precocemente, tem altas taxas de cura, o que torna fundamental reconhecer os sinais de alerta.

    O retinoblastoma é um tumor maligno que se origina nas células da retina.

    Ele pode afetar:

    • Um olho (unilateral);
    • Ambos os olhos (bilateral).

    A forma bilateral costuma estar associada a alterações genéticas hereditárias.

    Principais sinais e sintomas

    Os sinais podem ser percebidos pelos pais ou cuidadores.

    Os mais comuns são:

    • Leucocoria (reflexo branco na pupila, especialmente em fotos);
    • Estrabismo (olhos desalinhados);
    • Diminuição da visão;
    • Vermelhidão ocular;
    • Dor ocular (em casos mais avançados).

    A leucocoria é o sinal mais característico.

    Por que o retinoblastoma acontece

    O retinoblastoma está relacionado a mutações no gene RB1, que controla o crescimento das células. Ele pode ocorrer de duas formas.

    1. Forma hereditária

    • Associada a mutação genética;
    • Pode afetar ambos os olhos;
    • Maior risco de outros tumores.

    2. Forma não hereditária

    • Geralmente afeta apenas um olho;
    • Não está associada à herança familiar.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    O principal fator de risco é ter histórico familiar de retinoblastoma. Na maioria dos casos, porém, não há história familiar conhecida.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é feito por avaliação especializada. Os principais métodos são:

    • Exame oftalmológico detalhado;
    • Exames de imagem (ultrassom, ressonância);
    • Avaliação genética, quando indicado.

    O diagnóstico precoce é fundamental.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende do tamanho, localização e extensão do tumor. As principais opções são:

    1. Quimioterapia

    • Para reduzir o tumor;
    • Pode ser sistêmica ou local.

    2. Terapias locais

    • Laser;
    • Crioterapia;
    • Radioterapia em casos específicos.

    3. Cirurgia

    • Remoção do olho (enucleação) em casos avançados.

    Retinoblastoma tem cura?

    Sim. Quando diagnosticado precocemente, as taxas de cura são altas. Além disso, é possível preservar a visão em muitos casos.

    Importância do diagnóstico precoce

    O reconhecimento precoce dos sinais é essencial para:

    • Aumentar as chances de cura;
    • Preservar a visão;
    • Evitar complicações.

    Confira: Está em tratamento contra o câncer? Saiba como lidar com os efeitos colaterais

    Perguntas frequentes sobre retinoblastoma

    1. Retinoblastoma é comum?

    Não. É um câncer raro.

    2. Pode afetar os dois olhos?

    Sim, especialmente na forma hereditária.

    3. O reflexo branco no olho é normal?

    Não. Deve sempre ser investigado.

    4. Tem cura?

    Sim, principalmente quando diagnosticado cedo.

    5. Pode ser hereditário?

    Sim, em alguns casos.

    6. Toda criança deve ser examinada?

    Sim. Avaliações oftalmológicas são importantes.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao notar reflexo branco no olho ou alterações visuais.

    Veja mais: Oncofertilidade: como funciona a preservação da fertilidade antes de tratamento de câncer?

  • Queda de cabelo ou alopecia? Veja quando investigar

    Queda de cabelo ou alopecia? Veja quando investigar

    Se você notou mais fios caindo no travesseiro ou no banho, saiba que a queda de cabelo pode ser algo natural, mas também um sinal de alerta. É esperado que uma pessoa perca cerca de 100 a 150 fios diariamente, como parte do ciclo natural de renovação dos cabelos.

    Quando essa perda se intensifica ou aparecem áreas visivelmente ralas, porém, é importante ficar atento. Descubra neste guia o que é considerado normal, o que pode indicar alopecia e quando procurar um médico dermatologista ou tricologista.

    O que é alopecia

    “Alopecia é o termo médico para a perda de cabelo, seja pela ausência dos fios, como na alopecia areata, seja pelo afinamento progressivo, que leva à ausência de cobertura, como na alopecia androgenética”, explica a tricologista e especialista em saúde capilar Flávia Grazielle de Sousa Carneiro.

    Ela destaca, porém, que nem toda queda de cabelo pode ser considerada alopecia. Pequenas quedas diárias são normais e esperadas. O termo alopecia só se aplica quando há falhas ou redução visível dos fios que ultrapassam o padrão habitual.

    Tipos mais comuns de alopecia

    Há vários tipos de alopecia e um médico dermatologista ou tricologista está apto a identificar e ajudar a tratar esse problema que gera baixa autoestima em muitas pessoas, especialmente nas mulheres.

    Alopecia androgenética

    É a chamada calvície hereditária, em que se herda os genes do pai ou da mãe. Com influência genética e hormonal, a alopecia androgenética costuma evoluir lentamente, com afinamento dos fios ao longo dos anos, até que o fio para efetivamente de nascer. É comum tanto em homens quanto em mulheres, quando se chama de calvície feminina.

    Alopecia areata

    De origem autoimune, acontece quando o próprio sistema de defesa do corpo erra e ataca os folículos do couro cabeludo. A alopecia areata pode causar falhas redondas no couro cabeludo ou até mesmo calvície total. “É uma doença de amplo espectro, que vai desde falhas isoladas até a perda total dos pelos do corpo”, explica Flávia.

    Alopecia cicatricial

    Esse tipo causa a destruição definitiva dos folículos capilares, que leva à perda permanente dos fios. A forma mais conhecida é a alopecia frontal fibrosante, que atinge principalmente a linha da testa.

    Quais são as principais causas da queda de cabelo

    A queda dos fios pode ter diversas origens. De acordo com a tricologista, estresse, deficiências nutricionais, alterações hormonais, doenças autoimunes, uso de certos medicamentos e a própria predisposição genética estão entre os desencadeantes mais comuns.

    Em muitos casos, mais de uma coisa acontece ao mesmo tempo. Por exemplo, uma pessoa que geneticamente tem maior chance de ter o problema pode ver a queda de cabelo aumentar ainda mais depois de um período de estresse, anemia ou outra condição de saúde. É o caso do eflúvio telógeno.

    Esse nome difícil nada mais é do que uma queda difusa e temporária do cabelo, que geralmente acontece depois de um período muito estressante, doenças infecciosas, pós-parto ou cirurgias.

    Quando a queda de cabelo merece atenção

    A queda começa a preocupar quando é persistente, intensa e ultrapassa o padrão considerado normal. “É normal perder de 100 a 150 fios por dia, mas a queda preocupa quando há afinamento dos fios, falhas visíveis ou aumento da perda diária por mais de três meses”, alerta a tricologista.

    A queda de cabelo pode ser um sinal de alerta para problemas maiores no organismo. “Quando há queda intensa ou persistente, deve haver uma investigação complementar, especialmente se vier acompanhada de sinais e sintomas sistêmicos (aqueles que afetam o corpo todo e não apenas uma parte específica, como a febre, por exemplo)”, explica Flávia.

    Isso significa que, em alguns casos, o médico pode pedir exames para investigar doenças como alterações na tireoide, lúpus ou anemia, que têm entre seus sintomas a perda de cabelo.

    Como é feito o diagnóstico da alopecia?

    O diagnóstico da queda de cabelo feminina ou masculina é feito por um dermatologista ou tricologista por meio da avaliação do couro cabeludo e do relato e informações da pessoa. Em muitos casos, faz-se a tricoscopia, uma inspeção detalhada dos fios com uma lente de aumento.

    “A tricoscopia nos permite enxergar detalhes não vistos a olho nu”, afirma a dermatologista. Ela ajuda a identificar o tipo de alopecia e a direcionar o tratamento.

    Dependendo do caso, o médico pode pedir exames de sangue, testes de alergia capilar ou até mesmo biópsia do couro cabeludo para confirmar o tipo de alopecia.

    Veja também: Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria

    Perguntas frequentes sobre queda de cabelo e alopecia

    1. É normal perder cabelo todos os dias?

    Sim. Perder de 100 a 150 fios por dia é considerado normal. Mais que isso, porém, é preciso investigar com um médico.

    2. Toda queda de cabelo é sinal de alopecia?

    Não. Só é considerada alopecia quando há perda além do normal, com falhas visíveis ou afinamento dos fios.

    3. O estresse pode causar queda de cabelo?

    Sim. O estresse é uma das principais causas do eflúvio telógeno, um tipo comum de queda de cabelo temporária.

    4. É possível reverter a calvície?

    Em alguns casos, sim. Outros, como a alopecia androgenética, podem ser controlados, mas não revertidos por completo.

    5. Toda pessoa com alopecia precisa de transplante capilar?

    Não. O transplante só é indicado em situações específicas, com a causa estabilizada e área doadora adequada.

    Leia mais: Como tratar a alopecia e prevenir a queda de cabelo

  • Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele 

    Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele 

    Pessoas que conseguem dobrar excessivamente os dedos, deslocam articulações com facilidade ou apresentam pele muito elástica podem ter sinais de uma condição genética chamada síndrome de Ehlers-Danlos. Embora alguns sintomas pareçam apenas flexibilidade acima da média, a síndrome pode afetar diferentes partes do corpo e impactar consideravelmente a rotina.

    A condição envolve alterações no colágeno, proteína fundamental para dar sustentação e resistência aos tecidos. Dependendo do tipo da síndrome, os sintomas podem variar desde dor e instabilidade articular até formas mais graves, com comprometimento de vasos sanguíneos e órgãos internos.

    O que é a síndrome de Ehlers-Danlos

    A síndrome de Ehlers-Danlos (SED) é um grupo de doenças genéticas que afetam o tecido conjuntivo, especialmente o colágeno, proteína essencial para a estrutura da pele, articulações e vasos sanguíneos. É uma condição hereditária em que há alteração na produção ou na estrutura do colágeno. Isso leva a tecidos mais frágeis e elásticos do que o normal.

    Essa condição pode causar hipermobilidade das articulações, pele mais elástica e maior fragilidade dos tecidos. A gravidade varia bastante conforme o tipo da síndrome.

    Existem diferentes tipos de síndrome de Ehlers-Danlos, com manifestações variadas.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar conforme o tipo, mas os mais comuns são:

    • Hipermobilidade articular (articulações muito flexíveis);
    • Dor nas articulações;
    • Luxações frequentes;
    • Pele elástica e macia;
    • Pele que se machuca facilmente;
    • Cicatrização alterada.

    Tipos mais comuns

    A síndrome de Ehlers-Danlos possui diferentes formas.

    1. Tipo hipermóvel

    • Mais comum;
    • Predomínio de hipermobilidade e dor articular.

    2. Tipo clássico

    • Pele mais elástica e frágil;
    • Cicatrização anormal.

    3. Tipo vascular

    • Forma mais grave;
    • Fragilidade de vasos sanguíneos e órgãos internos.

    Por que a síndrome acontece

    A SED é causada por mutações genéticas que afetam o colágeno. Essas alterações são hereditárias e podem ser transmitidas de geração em geração.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A síndrome é genética, portanto:

    • Pode ocorrer em pessoas com histórico familiar;
    • Pode surgir mesmo sem antecedentes conhecidos, em alguns casos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado:

    • Nos sinais e sintomas;
    • Na avaliação da hipermobilidade;
    • Em alguns casos, em testes genéticos.

    A avaliação por especialista é importante para confirmar o diagnóstico e diferenciar de outras condições.

    Possíveis complicações

    Dependendo do tipo, podem ocorrer:

    • Dor crônica;
    • Instabilidade articular;
    • Lesões frequentes;
    • Problemas vasculares, especialmente no tipo vascular.

    Como é feito o tratamento

    Não há cura para a síndrome, mas é possível controlar os sintomas e reduzir complicações.

    1. Fisioterapia

    • Fortalecimento muscular;
    • Estabilização das articulações.

    2. Controle da dor

    • Analgésicos;
    • Acompanhamento especializado.

    3. Cuidados gerais

    • Evitar movimentos excessivos;
    • Prevenir lesões;
    • Manter acompanhamento médico regular.

    Síndrome de Ehlers-Danlos tem cura?

    Não. É uma condição genética crônica, mas pode ser manejada com acompanhamento adequado e medidas para melhorar a qualidade de vida.

    Confira: Hérnia inguinal: o que você precisa saber

    Perguntas frequentes sobre síndrome de Ehlers-Danlos

    1. É uma doença rara?

    Sim, embora alguns tipos sejam mais frequentes que outros.

    2. Pode causar dor?

    Sim. Dor articular e muscular são sintomas comuns.

    3. Ehlers-Danlos tem cura?

    Não, mas os sintomas podem ser controlados.

    4. Pode afetar a pele?

    Sim. A pele pode ser mais elástica, fina e frágil.

    5. A Síndrome de Ehlers-Danlos é hereditária?

    Sim. A síndrome tem origem genética.

    6. Hipermobilidade sempre significa síndrome de Ehlers-Danlos?

    Não. Algumas pessoas têm hipermobilidade sem apresentar a doença.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver hipermobilidade associada a dor, lesões frequentes ou outros sintomas persistentes.

    Veja mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

  • Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    A resistência à insulina é uma condição metabólica na qual as células do corpo, em especial músculos, gordura e fígado, não respondem adequadamente ao hormônio insulina, dificultando a entrada da glicose no sangue para dentro das células. Consequentemente, o pâncreas produz mais insulina para compensar, provocando altos níveis do hormônio no sangue.

    A condição é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, mas você sabia que ela também desempenha um papel importante na saúde ginecológica e reprodutiva da mulher?

    Além do controle da glicose no sangue, o desequilíbrio metabólico pode interferir diretamente no funcionamento dos ovários, alterando a produção de hormônios e favorecendo o surgimento de condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    Os impactos podem variar desde irregularidades no ciclo menstrual e aparecimento de acne até dificuldades significativas para engravidar. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a resistência à insulina afeta os ovários?

    A resistência à insulina altera o equilíbrio hormonal do corpo feminino, segundo a ginecologista Andreia Sapienza. Quando o organismo produz insulina em excesso para tentar controlar a glicose no sangue, o aumento da insulina passa a estimular os ovários a produzirem mais andrógenos, que são os chamados hormônios masculinos.

    O desequilíbrio hormonal interfere diretamente no funcionamento dos ovários e no ciclo reprodutivo da mulher, o que pode desencadear:

    • Prejuízo da ovulação;
    • Desregulação do ciclo menstrual;
    • Ciclos mais longos ou ausência de menstruação;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto e no corpo;
    • Dificuldade na maturação adequada dos óvulos.

    Como consequência, o processo desencadeia um ciclo: a resistência à insulina aumenta a produção de andrógenos, enquanto os andrógenos favorecem ainda mais a resistência insulínica, perpetuando as alterações hormonais e metabólicas ao longo do tempo.

    Além disso, a obesidade também tem um papel importante nesse quadro, já que o excesso de gordura corporal favorece a inflamação e piora a resposta das células à insulina. Em alguns casos, mulheres com obesidade podem apresentar sintomas muito semelhantes aos da SOP, mesmo sem preencher todos os critérios diagnósticos da síndrome.

    Relação da resistência à insulina na SOP

    Quando os níveis de insulina permanecem altos no organismo, os ovários passam a responder produzindo uma quantidade excessiva de andrógenos, como a testosterona. O desequilíbrio interfere diretamente no funcionamento normal dos ovários e na ovulação.

    Com o aumento dos andrógenos, os folículos ovarianos deixam de amadurecer adequadamente. Em vez de um óvulo ser desenvolvido e liberado todos os meses, como acontece em um ciclo menstrual normal, os folículos interrompem o crescimento antes da hora e acabam se acumulando nos ovários.

    No ultrassom, o acúmulo aparece como pequenos cistos distribuídos ao redor dos ovários, formando o aspecto típico da Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Sinais de alerta da resistência à insulina

    A resistência à insulina pode permanecer silenciosa por muitos anos, mas alguns sinais podem servir de alerta para investigar alterações metabólicas e hormonais, como:

    • Acantose nigricante, que são manchas escuras em regiões de dobra, como pescoço, axilas e virilha;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Aumento da gordura abdominal;
    • Cansaço frequente;
    • Fome excessiva;
    • Vontade frequente de comer doces;
    • Irregularidade menstrual;
    • Ciclos menstruais muito longos;
    • Ausência de menstruação por meses;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto, tórax ou abdômen;
    • Dificuldade para engravidar.

    Segundo Andreia, os sintomas costumam aparecer de forma gradual e podem afetar tanto a saúde metabólica quanto a saúde ginecológica da mulher.

    A resistência à insulina causa infertilidade?

    A resistência à insulina é uma das principais causas de infertilidade feminina de origem endócrina, pois o excesso do hormônio interfere no amadurecimento dos óvulos e impede a ovulação. No entanto, o quadro costuma ser reversível com o tratamento adequado.

    A mudança na composição corporal, com perda de gordura e aumento da massa muscular, aliada à prática regular de exercícios e ao controle alimentar, melhora a sensibilidade à insulina e favorece a retomada dos ciclos ovulatórios. Em alguns casos, medicamentos como a metformina podem ser indicados pelo médico para auxiliar nesse processo.

    Riscos da resistência insulínica na gravidez

    A resistência à insulina durante a gestação aumenta o risco de complicações maternas e fetais, principalmente quando o quadro já existia antes da gravidez ou não está bem controlado. Os principais riscos incluem:

    • Diabetes gestacional;
    • Pré-eclâmpsia;
    • Pressão alta na gestação;
    • Maior risco de parto prematuro;
    • Crescimento excessivo do bebê (macrossomia fetal);
    • Maior chance de cesárea;
    • Alterações no controle da glicose do recém-nascido após o parto.

    Além disso, mulheres com obesidade e resistência insulínica costumam apresentar maior inflamação metabólica, o que também pode prejudicar a fertilidade e aumentar os riscos obstétricos ao longo da gravidez.

    Diagnóstico da resistência à insulina

    O diagnóstico da resistência à insulina é feito por meio da avaliação clínica e de exames laboratoriais. O médico observa os sintomas, o histórico da paciente e sinais físicos associados às alterações metabólicas, como ganho de peso abdominal, irregularidade menstrual e acantose nigricante.

    Além da avaliação clínica, Andreia explica que alguns exames ajudam a identificar alterações no metabolismo da glicose e da insulina, incluindo:

    • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, que avaliam os níveis de açúcar no sangue;
    • Curva glicêmica, exame que mostra como o organismo responde à glicose ao longo do tempo;
    • Índices HOMA-IR e HOMA-Beta, utilizados para analisar a relação entre glicose e insulina e estimar o grau de resistência insulínica e o funcionamento do pâncreas;
    • Perfil lipídico, com avaliação do colesterol e dos triglicerídeos, já que alterações metabólicas costumam estar associadas à resistência à insulina.

    Como é feito o tratamento da resistência à insulina?

    O tratamento da resistência à insulina é baseado, principalmente, na mudança do estilo de vida. Segundo Andreia, melhorar a composição corporal, com menos gordura e mais massa muscular, é uma das medidas mais importantes para recuperar a sensibilidade à insulina e melhorar o funcionamento do metabolismo. O tratamento envolve medidas como:

    • Perda de peso, especialmente com redução da gordura abdominal e melhora da composição corporal;
    • Alimentação equilibrada, com menor consumo de açúcares, ultraprocessados e alimentos de alto índice glicêmico;
    • Prática regular de atividade física, principalmente exercícios que ajudam a preservar ou aumentar a massa muscular;
    • Melhora da qualidade do sono, já que dormir mal aumenta hormônios relacionados ao estresse e piora o controle da glicose;
    • Controle do estresse e do cortisol, que podem favorecer o aumento da glicemia e agravar a resistência à insulina.

    Em alguns casos, Andreia explica que alguns medicamentos podem ser usados como complemento, como a metformina, a espironolactona e alguns anticoncepcionais específicos. Contudo, eles não substituem a melhora da composição corporal e das mudanças no estilo de vida.

    Por fim, o uso dos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, pode ajudar na perda de peso. No entanto, se a paciente não associar o tratamento à prática de exercícios físicos, existe o risco de perda de massa muscular.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter resistência à insulina mesmo sendo magra?

    Sim, pois embora a obesidade seja o principal fator de risco, pacientes magras podem desenvolver a condição devido ao sedentarismo, má alimentação (excesso de alimentos de alto índice glicêmico) ou genética. A falta de massa muscular é um fator decisivo nesses casos.

    2. Por que o músculo é tão importante para o controle da insulina?

    Os músculos são os maiores consumidores de glicose do corpo. Eles possuem receptores (como o GLUT4) que facilitam a entrada do açúcar nas células. Quanto mais massa muscular você tem, mais eficiente é o seu metabolismo e menos insulina seu pâncreas precisa produzir.

    3. O que é o índice glicêmico e como ele afeta a dieta?

    É a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue. Alimentos de alto índice glicêmico (como pão branco e doces) causam picos rápidos de glicose, forçando o pâncreas a liberar muita insulina de uma vez. O ideal é consumir fibras e integrais para que essa absorção seja lenta e gradual.

    4. Qual a diferença entre pré-diabetes e resistência à insulina?

    A resistência à insulina é o mecanismo inicial. O pré-diabetes ocorre quando essa resistência já causou um descontrole leve no metabolismo, indicando que o pâncreas já perdeu cerca de 30% de sua capacidade produtiva.

    5. A resistência à insulina tem cura?

    Ela pode ser controlada e revertida através da mudança de composição corporal. Ao reduzir o percentual de gordura e aumentar a massa muscular, o metabolismo recupera sua sensibilidade à insulina, os ciclos menstruais se regulam e os riscos de doenças futuras diminuem drasticamente.

    6. O que são ciclos anovulatórios?

    São ciclos menstruais em que a mulher sangra, mas não houve a liberação de um óvulo. Na resistência insulínica, isso é comum porque os hormônios masculinos em excesso impedem que o folículo se rompa. É por isso que muitas mulheres acham que estão saudáveis por “menstruar”, mas na verdade não estão ovulando.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Pólipos intestinais: quando essas lesões podem virar câncer? 

    Pólipos intestinais: quando essas lesões podem virar câncer? 

    Os pólipos intestinais costumam ser descobertos de forma silenciosa, muitas vezes durante exames de rotina como a colonoscopia. Embora a maioria seja benigna, alguns tipos podem evoluir lentamente para câncer colorretal ao longo dos anos, motivo pelo qual o diagnóstico precoce é tão importante.

    Por não causarem sintomas em muitos casos, essas formações acabam passando despercebidas até serem identificadas em exames preventivos. Quando detectados e removidos precocemente, os pólipos podem evitar o desenvolvimento de tumores malignos no intestino.

    O que são os pólipos intestinais

    Os pólipos intestinais são pequenas formações que surgem na parede interna do intestino, especialmente no intestino grosso (cólon e reto).

    Na maioria das vezes, são benignos, mas alguns tipos podem evoluir para câncer ao longo do tempo, o que torna o diagnóstico e o acompanhamento fundamentais.

    Muitas pessoas têm pólipos sem apresentar sintomas, e o achado costuma ocorrer em exames de rotina.

    Os pólipos podem variar em:

    • Tamanho;
    • Número;
    • Formato;
    • Potencial de malignidade.

    Nem todos os pólipos são perigosos, mas alguns podem se transformar em câncer com o tempo.

    Tipos de pólipos intestinais

    Existem diferentes tipos. Conheça os principais.

    1. Pólipos hiperplásicos

    • Geralmente benignos;
    • Baixo risco de malignidade.

    2. Adenomas (pólipos adenomatosos)

    • Podem evoluir para câncer;
    • Exigem acompanhamento.

    3. Pólipos serrilhados

    • Alguns têm potencial de malignidade;
    • Necessitam avaliação específica.

    Principais sintomas

    Na maioria dos casos, os pólipos não causam sintomas. Quando presentes, podem incluir:

    • Sangue nas fezes;
    • Alteração do hábito intestinal;
    • Dor abdominal, em alguns casos;
    • Anemia causada por sangramento crônico.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns fatores aumentam o risco:

    • Idade acima de 50 anos;
    • Histórico familiar de pólipos ou câncer colorretal;
    • Dieta rica em gordura e pobre em fibras;
    • Sedentarismo;
    • Obesidade;
    • Tabagismo.

    Como é feito o diagnóstico

    O principal exame é a colonoscopia, que permite:

    • Visualizar o intestino;
    • Identificar pólipos;
    • Remover pólipos durante o exame.

    Outros exames podem complementar a avaliação em situações específicas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento geralmente consiste na remoção dos pólipos.

    1. Polipectomia

    • Remoção durante a colonoscopia;
    • Procedimento comum e eficaz.

    2. Acompanhamento

    • Repetição de exames conforme o tipo de pólipo;
    • Intervalo definido pelo médico.

    3. Cirurgia

    A cirurgia é indicada em casos específicos, quando necessário.

    Pólipos intestinais podem virar câncer?

    Sim, especialmente os pólipos adenomatosos. Por isso, a detecção e a remoção precoce são fundamentais para prevenir o câncer colorretal.

    Como prevenir

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Alimentação rica em fibras;
    • Prática regular de atividade física;
    • Evitar tabagismo e álcool em excesso;
    • Realizar exames de rastreamento conforme orientação médica.

    Veja mais: 10 atitudes que ajudam a prevenir o câncer de intestino

    Perguntas frequentes sobre pólipos intestinais

    1. Pólipos intestinais são câncer?

    Não, mas alguns podem evoluir para câncer.

    2. Sempre causam sintomas?

    Não. A maioria é assintomática.

    3. Como são descobertos?

    Os pólipos intestinais são geralmente descobertos no exame de colonoscopia.

    4. Precisa remover todos?

    Na maioria dos casos, sim.

    5. Podem voltar?

    Sim. Por isso o acompanhamento é importante.

    6. Quem deve fazer colonoscopia?

    Principalmente pessoas acima de 50 anos ou com fatores de risco.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao notar sangue nas fezes ou alterações intestinais persistentes.

    Veja mais: Câncer colorretal: entenda mais sobre o terceiro tipo de tumor mais frequente no Brasil

  • Pitiríase rósea: entenda as manchas rosadas que aparecem no corpo 

    Pitiríase rósea: entenda as manchas rosadas que aparecem no corpo 

    Manchas rosadas espalhadas pelo tronco podem intrigar à primeira vista, principalmente quando surgem repentinamente e aumentam ao longo dos dias. Em muitos casos, porém, essas lesões estão relacionadas à pitiríase rósea, uma condição dermatológica benigna e relativamente comum.

    Apesar do aspecto chamativo da erupção, a doença costuma desaparecer sozinha após algumas semanas. Ainda assim, sintomas como coceira e a semelhança com outras doenças de pele fazem com que muitas pessoas procurem atendimento médico em busca de diagnóstico e orientação adequada.

    O que é a pitiríase rósea

    A pitiríase rósea é uma doença de pele benigna e autolimitada, caracterizada pelo aparecimento de manchas rosadas, principalmente no tronco.

    Ela é mais comum em adolescentes e adultos jovens e, apesar de causar preocupação estética, geralmente não é grave e desaparece espontaneamente ao longo de semanas. Em alguns casos, pode provocar coceira leve a moderada.

    A pitiríase rósea é uma erupção cutânea que provavelmente está associada a infecções virais, embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida.

    Como começa a doença

    A doença geralmente começa com uma lesão única chamada placa heráldica.

    Placa heráldica

    • Mancha maior, ovalada e rosada;
    • Pode surgir no tronco;
    • Aparece dias antes das demais lesões.

    Após alguns dias, surgem múltiplas manchas menores distribuídas pelo corpo.

    Principais sintomas

    Os sintomas são principalmente cutâneos. Os mais frequentes são:

    • Manchas rosadas ou avermelhadas;
    • Lesões com leve descamação;
    • Distribuição no tronco, costas e abdômen;
    • Coceira leve ou moderada.

    As lesões podem seguir um padrão no dorso que lembra uma árvore de Natal.

    Pitiríase rósea é contagiosa?

    Não. A doença não é considerada contagiosa, mesmo que exista suspeita de associação com infecções virais.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A pitiríase rósea é mais comum em:

    • Adolescentes;
    • Adultos jovens;
    • Pessoas entre 10 e 35 anos.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado no aspecto característico das lesões. Na maioria dos casos, não são necessários exames complementares.

    Quando o quadro é atípico, o médico pode investigar outras doenças de pele semelhantes.

    Como é feito o tratamento

    Na maior parte dos casos, não é necessário tratamento específico.

    1. Controle dos sintomas

    • Antialérgicos para coceira;
    • Cremes hidratantes ou calmantes.

    2. Casos mais sintomáticos

    • Uso de corticoides tópicos;
    • Orientação médica individualizada.

    Quanto tempo dura

    A pitiríase rósea costuma desaparecer espontaneamente:

    • Em 4 a 8 semanas na maioria dos casos;
    • Em algumas pessoas, pode durar um pouco mais.

    Pode deixar manchas?

    Em alguns casos, pode ocorrer alteração temporária da cor da pele após a melhora das lesões, especialmente em pessoas com pele mais escura. Essas manchas geralmente desaparecem gradualmente com o tempo.

    Leia também: Sarampo: conheça os sinais e veja o que fazer em caso de contato

    Perguntas frequentes sobre pitiríase rósea

    1. Pitiríase rósea é grave?

    Não. É uma condição benigna.

    2. Precisa de tratamento?

    Nem sempre. Geralmente melhora sozinha.

    3. Coça?

    Pode causar coceira leve a moderada.

    4. A pitiríase rósea é contagiosa?

    Não, mesmo que esteja ligada a causas virais.

    5. Quanto tempo dura?

    Geralmente entre 4 e 8 semanas.

    6. Pode voltar?

    É raro, mas pode acontecer.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver dúvida no diagnóstico, piora das lesões ou sintomas intensos.

    Confira: Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê

  • Alergia ao frio realmente existe? Saiba como descobrir se você tem (e quando ir ao médico)

    Alergia ao frio realmente existe? Saiba como descobrir se você tem (e quando ir ao médico)

    A sensação de coceira, o surgimento de manchas vermelhas ou o inchaço logo após o contato com a água gelada, o vento ou o ar-condicionado podem surgir devido a uma resposta exagerada da pele a temperaturas baixas, o que você pode conhecer como alergia ao frio.

    A condição, cujo termo correto é urticária ao frio, acontece quando o organismo libera substâncias inflamatórias, como a histamina, provocando sintomas que podem variar de leves a potencialmente graves.

    Segundo a alergista e imunologista Brianna Nicoletti, ela faz parte do grupo das urticárias crônicas induzíveis, que são formas de urticária que aparecem de maneira reprodutível quando a pessoa é exposta a um estímulo específico.

    A seguir, vamos entender quais são os sintomas mais comuns, como o diagnóstico é feito e quais cuidados ajudam a evitar crises e complicações.

    O que é a alergia ao frio?

    A alergia ao frio é o termo popular para a urticária ao frio, uma condição em que a pele reage de forma exagerada à exposição a baixas temperaturas. O contato com água gelada, vento frio, ar-condicionado, objetos frios e até alimentos ou bebidas geladas pode desencadear sintomas poucos minutos depois da exposição.

    Apesar do nome popular, a condição não funciona exatamente como uma alergia alimentar clássica, em que existe uma sensibilização IgE-mediada contra uma proteína do alimento.

    De acordo com Brianna, o estímulo físico pode levar à ativação de células da pele chamadas mastócitos, com liberação de mediadores inflamatórios, principalmente histamina. O resultado é o surgimento de placas de urticária, coceira e, em alguns casos, inchaço.

    Quais os sintomas da alergia ao frio?

    Os principais sintomas da urticária ao frio são cutâneos e normalmente aparecem poucos minutos após o contato com baixas temperaturas, como:

    • Coceira intensa na pele;
    • Vermelhidão nas áreas expostas ao frio;
    • Placas elevadas semelhantes à urticária;
    • Inchaço nos lábios, mãos ou rosto;
    • Sensação de ardência ou calor na pele;
    • Descamação ou irritação após a crise.

    Em algumas situações, principalmente após mergulhos em água fria ou exposição intensa ao frio, podem surgir sintomas mais graves, como:

    • Falta de ar;
    • Tontura;
    • Queda da pressão arterial;
    • Mal-estar;
    • Dor abdominal;
    • Batimentos acelerados;
    • Sensação de desmaio.

    A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica potencialmente grave e que precisa de atendimento imediato. Na urticária ao frio, Brianna esclarece que ela é descrita principalmente em situações como nado em água fria, banho frio, exposição intensa ao frio ou ingestão de alimentos/bebidas muito gelados em pacientes suscetíveis.

    “Nem toda vermelhidão ou pele ressecada no frio é urticária ao frio. No inverno, é comum a pele ficar seca, irritada ou descamativa. A urticária ao frio, por outro lado, costuma ter padrão de ‘vergões’ ou placas elevadas, que surgem de forma relativamente rápida após a exposição ao frio e desaparecem sem deixar marca fixa”, complementa Brianna.

    Por que a alergia ao frio acontece?

    Na urticária ao frio, quando uma região do corpo entra em contato com o estímulo, acontece a ativação de células de defesa chamadas mastócitos, presentes na pele e nas mucosas. Segundo Brianna, as células liberam substâncias inflamatórias, como a histamina, os leucotrienos e outros mediadores inflamatórios.

    “A histamina faz pequenos vasos da pele dilatarem e ficarem mais permeáveis. Em linguagem simples, é como se o vaso ‘abrisse pequenas portas’, permitindo a saída de líquido para o tecido. Isso forma a elevação típica da urticária, chamada urtica ou vergão. Ao mesmo tempo, a histamina estimula terminações nervosas, causando coceira intensa, ardor ou sensação de queimação”, explica a alergista.

    As lesões costumam aparecer poucos minutos após a exposição ao frio e tendem a melhorar quando a pele aquece novamente. No entanto, a intensidade da reação varia de acordo com a sensibilidade de cada pessoa, o tempo de exposição, a temperatura e a área do corpo que entrou em contato com o frio.

    Como saber se tenho alergia ao frio?

    O diagnóstico da urticária ao frio é feito pela avaliação da história clínica, em que o alergista investiga como os sintomas aparecem, quais situações desencadeiam as reações e qual é a intensidade do quadro.

    De acordo com Brianna, um dos testes mais conhecidos para auxiliar no diagnóstico é o teste de provocação ao frio, chamado popularmente de teste do cubo de gelo. Nele, um estímulo frio controlado é aplicado no antebraço por alguns minutos. Depois do reaquecimento da pele, o médico observa se surge uma lesão elevada e com coceira no local.

    Em centros especializados, também podem ser utilizados dispositivos padronizados, como o TempTest, que ajudam a identificar o limiar de temperatura capaz de provocar a reação.

    Os exames laboratoriais costumam ser solicitados apenas quando existem sinais de doenças associadas, sintomas persistentes, quadros incomuns ou suspeita de causas secundárias.

    Importante: os testes devem ser feitos com acompanhamento médico. Não é recomendado tentar realizar testes caseiros, principalmente em pessoas que já apresentaram sintomas mais intensos, como falta de ar ou queda de pressão.

    Quem tem maior risco de desenvolver a reação?

    A urticária ao frio pode ocorrer em diferentes faixas etárias, mas é mais frequentemente descrita em adolescentes e adultos jovens. A condição pode surgir tanto em pessoas sem histórico alérgico importante quanto em indivíduos que já apresentam outras formas de urticária ou doenças alérgicas.

    Na maior parte dos casos, a alergista explica que ela é considerada adquirida e idiopática, em que não existe uma única causa claramente identificada. Em uma minoria dos pacientes, a condição pode estar associada a:

    • Infecções;
    • Doenças autoimunes;
    • Alterações hematológicas;
    • Presença de crioproteínas, como as crioglobulinas.

    “Por isso, quando a história foge do padrão, quando há sintomas sistêmicos importantes, início muito atípico, sinais constitucionais ou achados laboratoriais suspeitos, o médico pode ampliar a investigação”, complementa.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento da urticária ao frio depende da gravidade dos sintomas, da frequência das crises e do risco individual de cada pessoa. Segundo Brianna, ele envolve especialmente evitar os gatilhos mais perigosos e utilizar medicamentos que ajudem a controlar a resposta inflamatória da pele.

    Os remédios mais usados são os anti-histamínicos, conhecidos popularmente como antialérgicos. Os médicos costumam dar preferência para as versões mais modernas, porque elas causam menos sono e menos efeitos colaterais. Quando os sintomas continuam frequentes, o alergista pode ajustar a dose do medicamento de forma segura.

    Em pacientes com sintomas persistentes, o médico pode ajustar as doses dentro das estratégias recomendadas pelas diretrizes, sempre levando em consideração a idade, as comorbidades e a segurança do tratamento.

    Nos casos mais difíceis de controlar, principalmente quando a urticária interfere muito na rotina ou existe risco de reações graves, o médico pode indicar outros tratamentos. Um deles é o omalizumabe, um medicamento usado em alguns tipos de urticária crônica e que também pode ajudar pacientes com urticária ao frio mais intensa.

    “O acompanhamento também é importante porque a doença pode ter evolução variável. Alguns pacientes melhoram com o tempo; outros mantêm sintomas por anos. O objetivo não é apenas ‘apagar coceira’, mas reduzir risco, devolver qualidade de vida e orientar a pessoa sobre o que é seguro ou não em sua rotina”, esclarece a especialista.

    Quais medidas ajudam a prevenir crises no dia a dia?

    As medidas de prevenção devem ser adaptadas à sensibilidade de cada pessoa e ao grau de gravidade da condição. Brianna orienta as principais:

    • Evitar mudanças bruscas de temperatura, sempre que possível;
    • Usar roupas adequadas em ambientes frios, como casacos, luvas, cachecois e proteção para as extremidades do corpo;
    • Evitar banhos muito frios, mergulhos em água fria ou entrada súbita em piscina ou mar sem orientação médica;
    • Testar a temperatura da água antes do banho ou da piscina, dando preferência para temperaturas mornas;
    • Ter cuidado com bebidas muito geladas, sorvetes e alimentos congelados caso existam sintomas na boca ou na garganta;
    • Avisar os profissionais de saúde antes de procedimentos que envolvam exposição ao frio, como compressas frias, ambientes muito refrigerados ou uso de soluções geladas;
    • Não nadar sozinho em caso de diagnóstico ou suspeita de urticária ao frio.

    Em pessoas com histórico de reações mais graves, o alergista pode orientar o uso preventivo de remédios e discutir a necessidade de ter adrenalina autoinjetável para situações de emergência.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar avaliação médica quando os sintomas aparecem de forma repetida após a exposição ao frio, principalmente se houver:

    • Falta de ar;
    • Rouquidão;
    • Sensação de garganta fechando;
    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Palidez;
    • Queda de pressão;
    • Urticária espalhada pelo corpo;
    • Inchaço importante no rosto, na língua ou na garganta.

    Confira: Mofo em casa: por que ele piora as alergias respiratórias?

    Perguntas frequentes

    1. Alergia ao frio tem cura?

    Não existe uma cura definitiva na maioria dos casos, mas os sintomas podem ser controlados com medicamentos e prevenção. Em muitos pacientes, a condição desaparece espontaneamente após alguns anos.

    2. Quem tem alergia ao frio pode tomar banho gelado?

    Não é recomendável. O contato súbito com a água fria pode desencadear placas de urticária por todo o corpo e, em casos graves, levar ao choque anafilático.

    3. A alergia ao frio é contagiosa?

    Não. É uma reação do sistema imunológico do próprio indivíduo e não é transmitida pelo contato ou pelo ar.

    4. Posso desenvolver essa alergia depois de adulto?

    Sim. Embora possa surgir na infância, é comum que a urticária ao frio apareça em jovens adultos, muitas vezes sem uma causa aparente.

    5. Beber água gelada é perigoso para quem tem essa condição?

    Sim. Pode causar inchaço (angioedema) nos lábios, língua e, mais gravemente, na glote, dificultando a respiração.

    6. Exercício físico no frio piora a alergia?

    Pode piorar. A combinação de suor (que esfria a pele ao evaporar) e o ar frio ambiente aumenta o risco de crises.

    7. Qual a temperatura que dispara a alergia?

    Varia para cada pessoa. Alguns reagem abaixo de 4°C, enquanto outros mais sensíveis apresentam sintomas em temperaturas amenas, como 15°C ou 20°C.

    8. Como me proteger no inverno?

    Use roupas em camadas, proteja extremidades com luvas e cachecóis, e evite mudanças bruscas de temperatura (choque térmico).

    9. Quem tem alergia ao frio pode comer sorvete?

    Deve-se ter muito cuidado. O contato do gelado com a garganta pode causar edema de glote. Se houver histórico de inchaço na boca, o consumo deve ser evitado.

    Confira: Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer