TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

Mulher com sinais de sofrimento emocional durante a TPM e o TDPM, ilustrando sintomas intensos como ansiedade e irritabilidade

Você já deve conhecer aquela sensação de inchaço, irritabilidade ou uma leve melancolia que surge alguns dias antes da menstruação. Para a maioria das mulheres, os sintomas são causados pela TPM (tensão pré-menstrual), que acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.

No entanto, quando as alterações de humor se tornam muito intensas, a ponto de comprometer o dia a dia, afetando o trabalho, os estudos e as relações pessoais, pode se tratar de um quadro de TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual).

Diferente da TPM, que costuma causar desconfortos leves a moderados, o TDPM pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações intensas de humor e até pensamentos muito negativos, que aparecem de forma cíclica, antes da menstruação, e melhoram após o início do fluxo.

Mas como é possível diferenciar um quadro do outro na prática? Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza, que explica que a principal diferença está na intensidade dos sintomas e no impacto na rotina.

Qual a diferença entre TPM e TDPM?

Enquanto a TPM é um desconforto comum do ciclo menstrual, o TDPM está no extremo oposto, sendo considerado uma condição clínica mais severa, segundo Andreia.

TPM clássica (tensão pré-menstrual)

A TPM é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem na segunda metade do ciclo menstrual (fase lútea), devido às variações hormonais, com a queda dos níveis de estrogênio e o aumento da progesterona. Entre as mulheres em idade fértil, estima-se que cerca de 75% a 80% apresentam algum grau de TPM.

Os sintomas da TPM podem variar de mulher para mulher e serem mais ou menos intensos, mas normalmente envolvem mudanças no corpo e no humor nos dias antes da menstruação:

Sintomas físicos de TPM

  • inchaço e retenção de líquidos
  • dor abdominal ou cólica
  • dor de cabeça ou enxaqueca
  • sensibilidade ou dor nas mamas
  • cansaço e sensação de peso no corpo
  • acne ou oleosidade da pele
  • alterações no apetite (mais fome ou vontade de doce)

Sintomas emocionais e comportamentais de TPM

  • irritação e impaciência
  • ansiedade
  • tristeza ou vontade de chorar
  • mudanças de humor
  • dificuldade de concentração
  • alteração no sono (insônia ou mais sono que o normal)

Os sintomas da TPM costumam aparecer alguns dias antes da menstruação, normalmente entre 5 e 10 dias, e podem ficar mais intensos conforme o ciclo se aproxima do início do fluxo.

TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual)

O TDPM é uma forma muito mais grave e incapacitante de TPM, afetando entre 3% e 8% das mulheres. Diferente da TPM comum, o TDPM é classificado como um transtorno depressivo, pois a reação do cérebro às mudanças hormonais é muito mais intensa, afetando diretamente os níveis de serotonina (o neurotransmissor do bem-estar).

Na prática, isso significa que os sintomas emocionais são mais intensos, frequentes e difíceis de controlar:

  • Irritabilidade extrema;
  • Crises de choro;
  • Ansiedade intensa;
  • Tristeza profunda;
  • Sensação de perda de controle;
  • Dificuldade de concentração;
  • Pensamentos muito negativos.

Assim como na TPM, os sintomas aparecem na fase lútea do ciclo e melhoram após o início da menstruação. A diferença é a intensidade e o grau de sofrimento envolvido, segundo Andreia, que podem prejudicar o trabalho, os estudos e os relacionamentos.

Como diferenciar na prática?

A forma mais simples de diferenciar TPM de TDPM é observar a intensidade dos sintomas e o quanto eles afetam a rotina:

Sinais de TPM (forma mais comum)

  • Os sintomas são leves a moderados;
  • Dá para seguir com a rotina, mesmo com algum desconforto;
  • Há irritação, inchaço, cansaço ou vontade de doce, mas de forma controlável;
  • O humor oscila, mas sem sensação de perda de controle;
  • Melhora rápida quando a menstruação começa.

Sinais de TDPM (forma mais grave)

  • Os sintomas são intensos e difíceis de controlar;
  • Há impacto real no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
  • Irritação extrema, crises de choro ou ansiedade forte;
  • Tristeza profunda ou sensação de “não ser você mesma”;
  • Pensamentos muito negativos;
  • Padrão que se repete todo mês, sempre antes da menstruação.

Se houver dúvida ou se os sintomas forem intensos, o ideal é procurar um médico. Com o diagnóstico certo, é possível para tratar e melhorar bastante a qualidade de vida.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da TPM e do TDPM é feito especialmente com base na avaliação dos sintomas e no padrão ao longo do ciclo menstrual. Não existe um exame específico que confirme o quadro, por isso o médico observa quais sintomas estão presentes, quando eles aparecem e se melhoram após o início do fluxo.

Também é importante entender a intensidade dos sintomas e o quanto eles atrapalham o seu dia a dia, como o trabalho, os estudos e as relações. Por isso, muitas vezes o especialista orienta anotar como você se sente ao longo de alguns meses, para ver se existe um padrão que se repete.

Andreia também destaca a importância da avaliação com um psiquiatra, que pode investigar outras causas que causam sintomas parecidos, como ansiedade, depressão ou alterações hormonais. De maneira geral, isso ajuda a evitar confusões e garante um diagnóstico mais preciso.

Quando procurar ajuda médica?

Vale buscar ajuda quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar o seu dia a dia:

  • Sintomas que impedem você de trabalhar, estudar ou manter a rotina;
  • Irritação, ansiedade ou tristeza muito intensas;
  • Crises de choro frequentes;
  • Sensação de perda de controle sobre as emoções;
  • Conflitos nos relacionamentos por causa do humor;
  • Sintomas que se repetem todo mês e parecem estar piorando;
  • Dores fortes, enxaqueca ou muito inchaço.

Também é importante procurar um médico se houver pensamentos muito negativos ou sofrimento emocional intenso, mesmo que apenas nesse período do ciclo.

Existe tratamento para TPM e TDPM?

O tratamento da TPM e do TDPM varia de acordo com a intensidade dos sintomas e pode ir desde mudanças simples na rotina até um acompanhamento médico mais específico.

Em muitos casos de TPM, Andreia explica que ajustes no dia a dia já ajudam bastante, como manter uma alimentação mais equilibrada, praticar atividade física regularmente, cuidar da qualidade do sono e adotar estratégias para reduzir o estresse.

Além disso, alguns nutrientes, quando indicados por um profissional, também podem contribuir para o alívio dos sintomas, como magnésio, vitamina B6, cálcio e ômega-3.

Quando os sintomas são mais intensos ou há suspeita de TDPM, o tratamento pode incluir o uso de anticoncepcionais para regular as variações hormonais, além de antidepressivos, especialmente quando há sintomas emocionais mais fortes. A psicoterapia também é necessária, ajudando no controle da ansiedade, da irritação e das oscilações de humor.

Como cada mulher reage de forma única às mudanças hormonais, o tratamento deve ser individualizado.

Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

Perguntas frequentes

1. O que causa essas condições?

A causa exata ainda é estudada, mas acredita-se que seja uma sensibilidade excessiva do cérebro às flutuações hormonais normais (estrogênio e progesterona), afetando neurotransmissores como a serotonina.

2. Quais os sintomas específicos que sugerem TDPM?

Sentimentos de desesperança, pensamentos autodepreciativos, crises de pânico, raiva persistente, conflitos interpessoais frequentes e sensação de estar “fora de controle”.

3. Existe idade específica para o surgimento?

Pode ocorrer em qualquer fase da vida reprodutiva, mas muitas vezes os sintomas se tornam mais graves à medida que a pessoa se aproxima dos 30 ou 40 anos.

4. A TPM é psicológica?

Mito. Embora envolva sintomas psicológicos, a base é biológica e hormonal. É uma resposta fisiológica real às mudanças no organismo.

5. O TDPM desaparece após a menopausa?

Sim. Como os sintomas estão ligados ao ciclo ovulatório, a tendência é que desapareçam com a cessação definitiva das menstruações.

6. O estresse piora a TPM?

Verdade. O estresse crônico pode aumentar a percepção da dor e a intensidade das alterações de humor, exacerbando o quadro pré-menstrual.

6. O consumo de álcool interfere nos sintomas?

Sim. O álcool pode aumentar a instabilidade emocional e piorar a qualidade do sono, além de contribuir para a inflamação sistêmica, tornando as cólicas e o inchaço mais intensos.

Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão