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  • TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    Você já deve conhecer aquela sensação de inchaço, irritabilidade ou uma leve melancolia que surge alguns dias antes da menstruação. Para a maioria das mulheres, os sintomas são causados pela TPM (tensão pré-menstrual), que acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.

    No entanto, quando as alterações de humor se tornam muito intensas, a ponto de comprometer o dia a dia, afetando o trabalho, os estudos e as relações pessoais, pode se tratar de um quadro de TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual).

    Diferente da TPM, que costuma causar desconfortos leves a moderados, o TDPM pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações intensas de humor e até pensamentos muito negativos, que aparecem de forma cíclica, antes da menstruação, e melhoram após o início do fluxo.

    Mas como é possível diferenciar um quadro do outro na prática? Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza, que explica que a principal diferença está na intensidade dos sintomas e no impacto na rotina.

    Qual a diferença entre TPM e TDPM?

    Enquanto a TPM é um desconforto comum do ciclo menstrual, o TDPM está no extremo oposto, sendo considerado uma condição clínica mais severa, segundo Andreia.

    TPM clássica (tensão pré-menstrual)

    A TPM é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem na segunda metade do ciclo menstrual (fase lútea), devido às variações hormonais, com a queda dos níveis de estrogênio e o aumento da progesterona. Entre as mulheres em idade fértil, estima-se que cerca de 75% a 80% apresentam algum grau de TPM.

    Os sintomas da TPM podem variar de mulher para mulher e serem mais ou menos intensos, mas normalmente envolvem mudanças no corpo e no humor nos dias antes da menstruação:

    Sintomas físicos de TPM

    • inchaço e retenção de líquidos
    • dor abdominal ou cólica
    • dor de cabeça ou enxaqueca
    • sensibilidade ou dor nas mamas
    • cansaço e sensação de peso no corpo
    • acne ou oleosidade da pele
    • alterações no apetite (mais fome ou vontade de doce)

    Sintomas emocionais e comportamentais de TPM

    • irritação e impaciência
    • ansiedade
    • tristeza ou vontade de chorar
    • mudanças de humor
    • dificuldade de concentração
    • alteração no sono (insônia ou mais sono que o normal)

    Os sintomas da TPM costumam aparecer alguns dias antes da menstruação, normalmente entre 5 e 10 dias, e podem ficar mais intensos conforme o ciclo se aproxima do início do fluxo.

    TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual)

    O TDPM é uma forma muito mais grave e incapacitante de TPM, afetando entre 3% e 8% das mulheres. Diferente da TPM comum, o TDPM é classificado como um transtorno depressivo, pois a reação do cérebro às mudanças hormonais é muito mais intensa, afetando diretamente os níveis de serotonina (o neurotransmissor do bem-estar).

    Na prática, isso significa que os sintomas emocionais são mais intensos, frequentes e difíceis de controlar:

    • Irritabilidade extrema;
    • Crises de choro;
    • Ansiedade intensa;
    • Tristeza profunda;
    • Sensação de perda de controle;
    • Dificuldade de concentração;
    • Pensamentos muito negativos.

    Assim como na TPM, os sintomas aparecem na fase lútea do ciclo e melhoram após o início da menstruação. A diferença é a intensidade e o grau de sofrimento envolvido, segundo Andreia, que podem prejudicar o trabalho, os estudos e os relacionamentos.

    Como diferenciar na prática?

    A forma mais simples de diferenciar TPM de TDPM é observar a intensidade dos sintomas e o quanto eles afetam a rotina:

    Sinais de TPM (forma mais comum)

    • Os sintomas são leves a moderados;
    • Dá para seguir com a rotina, mesmo com algum desconforto;
    • Há irritação, inchaço, cansaço ou vontade de doce, mas de forma controlável;
    • O humor oscila, mas sem sensação de perda de controle;
    • Melhora rápida quando a menstruação começa.

    Sinais de TDPM (forma mais grave)

    • Os sintomas são intensos e difíceis de controlar;
    • Há impacto real no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
    • Irritação extrema, crises de choro ou ansiedade forte;
    • Tristeza profunda ou sensação de “não ser você mesma”;
    • Pensamentos muito negativos;
    • Padrão que se repete todo mês, sempre antes da menstruação.

    Se houver dúvida ou se os sintomas forem intensos, o ideal é procurar um médico. Com o diagnóstico certo, é possível para tratar e melhorar bastante a qualidade de vida.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da TPM e do TDPM é feito especialmente com base na avaliação dos sintomas e no padrão ao longo do ciclo menstrual. Não existe um exame específico que confirme o quadro, por isso o médico observa quais sintomas estão presentes, quando eles aparecem e se melhoram após o início do fluxo.

    Também é importante entender a intensidade dos sintomas e o quanto eles atrapalham o seu dia a dia, como o trabalho, os estudos e as relações. Por isso, muitas vezes o especialista orienta anotar como você se sente ao longo de alguns meses, para ver se existe um padrão que se repete.

    Andreia também destaca a importância da avaliação com um psiquiatra, que pode investigar outras causas que causam sintomas parecidos, como ansiedade, depressão ou alterações hormonais. De maneira geral, isso ajuda a evitar confusões e garante um diagnóstico mais preciso.

    Quando procurar ajuda médica?

    Vale buscar ajuda quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar o seu dia a dia:

    • Sintomas que impedem você de trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Irritação, ansiedade ou tristeza muito intensas;
    • Crises de choro frequentes;
    • Sensação de perda de controle sobre as emoções;
    • Conflitos nos relacionamentos por causa do humor;
    • Sintomas que se repetem todo mês e parecem estar piorando;
    • Dores fortes, enxaqueca ou muito inchaço.

    Também é importante procurar um médico se houver pensamentos muito negativos ou sofrimento emocional intenso, mesmo que apenas nesse período do ciclo.

    Existe tratamento para TPM e TDPM?

    O tratamento da TPM e do TDPM varia de acordo com a intensidade dos sintomas e pode ir desde mudanças simples na rotina até um acompanhamento médico mais específico.

    Em muitos casos de TPM, Andreia explica que ajustes no dia a dia já ajudam bastante, como manter uma alimentação mais equilibrada, praticar atividade física regularmente, cuidar da qualidade do sono e adotar estratégias para reduzir o estresse.

    Além disso, alguns nutrientes, quando indicados por um profissional, também podem contribuir para o alívio dos sintomas, como magnésio, vitamina B6, cálcio e ômega-3.

    Quando os sintomas são mais intensos ou há suspeita de TDPM, o tratamento pode incluir o uso de anticoncepcionais para regular as variações hormonais, além de antidepressivos, especialmente quando há sintomas emocionais mais fortes. A psicoterapia também é necessária, ajudando no controle da ansiedade, da irritação e das oscilações de humor.

    Como cada mulher reage de forma única às mudanças hormonais, o tratamento deve ser individualizado.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O que causa essas condições?

    A causa exata ainda é estudada, mas acredita-se que seja uma sensibilidade excessiva do cérebro às flutuações hormonais normais (estrogênio e progesterona), afetando neurotransmissores como a serotonina.

    2. Quais os sintomas específicos que sugerem TDPM?

    Sentimentos de desesperança, pensamentos autodepreciativos, crises de pânico, raiva persistente, conflitos interpessoais frequentes e sensação de estar “fora de controle”.

    3. Existe idade específica para o surgimento?

    Pode ocorrer em qualquer fase da vida reprodutiva, mas muitas vezes os sintomas se tornam mais graves à medida que a pessoa se aproxima dos 30 ou 40 anos.

    4. A TPM é psicológica?

    Mito. Embora envolva sintomas psicológicos, a base é biológica e hormonal. É uma resposta fisiológica real às mudanças no organismo.

    5. O TDPM desaparece após a menopausa?

    Sim. Como os sintomas estão ligados ao ciclo ovulatório, a tendência é que desapareçam com a cessação definitiva das menstruações.

    6. O estresse piora a TPM?

    Verdade. O estresse crônico pode aumentar a percepção da dor e a intensidade das alterações de humor, exacerbando o quadro pré-menstrual.

    6. O consumo de álcool interfere nos sintomas?

    Sim. O álcool pode aumentar a instabilidade emocional e piorar a qualidade do sono, além de contribuir para a inflamação sistêmica, tornando as cólicas e o inchaço mais intensos.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Não é novidade que a prática de atividade física é um dos pilares mais importantes para a melhoria da qualidade de vida e para o bom funcionamento do corpo. No entanto, quando o esforço se torna extremo, o organismo pode começar a emitir sinais de alerta. Nas mulheres, um dos primeiros a aparecer é a alteração no ciclo menstrual.

    O exercício físico em excesso, comum em atletas de alto rendimento ou em quem aumenta a intensidade dos treinos de forma abrupta, pode levar desde atrasos na menstruação até a interrupção completa do ciclo, condição conhecida como amenorreia da atleta.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que essa mudança acontece, quais são os principais sinais de alerta e quando é importante procurar avaliação médica.

    Como o exercício físico em excesso afeta a menstruação?

    O ciclo menstrual é regulado por um sistema de comunicação delicado entre o cérebro e os ovários, conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Segundo Andreia, quando você pratica exercícios de intensidade muito elevada, o sistema pode ter interferências que interrompem o ritmo natural da produção hormonal.

    O processo funciona como uma forma de proteção do próprio corpo: quando há um estresse físico muito intenso ou um gasto de energia muito alto, o organismo entende que não é o melhor momento para uma possível gravidez.

    Para economizar energia e manter as funções mais importantes, como o coração batendo e a respiração, o cérebro reduz temporariamente a atividade do sistema reprodutivo. Como consequência, a ovulação pode não acontecer de forma regular, o ciclo menstrual pode ficar mais espaçado ou até mesmo interrompido, e a menstruação pode diminuir ou desaparecer por um período.

    O impacto no fluxo menstrual

    De acordo com Andreia, a alteração não acontece necessariamente de um dia para o outro e, normalmente, o corpo apresenta os sinais progressivamente:

    • Os intervalos entre as menstruações começam a ficar maiores (oligomenorreia);
    • O sangramento torna-se mais escasso a cada mês;
    • A suspensão completa da menstruação por três meses ou mais.

    A principal causa da interrupção é a redução na liberação do hormônio GnRH pelo hipotálamo, o que impede a sequência de eventos que levaria à ovulação. Sem ovulação, não há produção adequada de progesterona, e o endométrio não se descama e, como resultado, não acontece a menstruação.

    Além do estresse físico, a baixa disponibilidade de energia, que ocorre quando as calorias ingeridas não são suficientes para suprir o gasto do treino e as necessidades básicas do corpo, também favorece o desequilíbrio hormonal.

    Sinais de que o treino está sobrecarregando o corpo

    Os principais sinais de que o seu treino ultrapassou o limite saudável incluem:

    • Dificuldade para dormir ou acordar várias vezes durante a noite;
    • Cansaço constante, que não melhora nem com descanso;
    • Queda no rendimento e nas atividades do dia a dia;
    • Perda de peso rápida e sem intenção;
    • Mudanças na composição corporal;
    • Dores frequentes ou inflamações, como tendinite;
    • Lesões recorrentes ou fraturas por estresse;
    • Irritabilidade, ansiedade ou desânimo;
    • Sensação de estresse constante no corpo.

    A ausência de menstruação costuma ser um sinal mais avançado de sobrecarga, que o corpo já vinha indicando por meio de outros sintomas físicos e mentais. Por isso, é importante reconhecer os alertas desde o início, para evitar lesões mais graves e possíveis desequilíbrios metabólicos ao longo do tempo.

    Como diferenciar o treino saudável do nocivo?

    O treino saudável traz disposição e melhora a saúde ao longo do tempo, enquanto o treino nocivo é aquele que causa sofrimento físico constante. Se você parou de menstruar e apresenta dois ou mais dos sinais citados, não significa que você precisa abandonar os exercícios, mas sim que é o momento de ajustar a carga, o descanso e a alimentação com auxílio de um profissional.

    Quem corre mais risco de parar de menstruar?

    O quadro é mais comum em pessoas específicas, onde a exigência física é levada ao limite ou onde ocorre uma mudança muito brusca no estilo de vida. Assim, os grupos que devem ter atenção redobrada são:

    • Atletas de modalidades de endurance: mulheres que praticam esportes de longa duração e alta resistência, como maratonistas, ciclistas, triatletas e nadadoras de competição, têm um gasto de energia muito elevado. Nesses casos, o corpo pode atingir um percentual de gordura muito baixo;
    • Iniciantes que saem do sedentarismo de forma abrupta: pessoas sedentárias que começam a treinar todos os dias com alta intensidade, sem adaptação, podem sobrecarregar o organismo. Se a mudança vier junto com dieta restritiva e perda de peso rápida, o corpo pode entender como um momento de alerta e reduzir a ovulação para economizar energia;
    • Praticantes com baixa disponibilidade de energia: o risco aumenta quando a quantidade de calorias ingeridas não acompanha o gasto com o treino. Quando isso acontece, o corpo entra em déficit energético e, para manter funções essenciais, o cérebro reduz os estímulos do ciclo menstrual.

    Vale ressaltar que não existe uma regra fixa e, segundo Andreia, muitas esportistas profissionais mantêm ciclos perfeitamente regulares. A ausência da menstruação é um sinal de que o equilíbrio entre treino, alimentação e descanso foi rompido e precisa ser ajustado.

    É possível reverter a ausência de menstruação?

    Na grande maioria dos casos, a ausência de menstruação causada pelo excesso de exercício é um quadro reversível. Para isso, são importantes algumas mudanças:

    • Ajustar a carga de treinos, reduzindo a intensidade ou o volume;
    • Diminuir a frequência das sessões ou a duração dos treinos mais intensos;
    • Ajudar a reduzir os níveis de estresse do corpo com treinos mais equilibrados;
    • Aumentar a ingestão calórica para acompanhar o gasto energético;
    • Garantir energia suficiente para o treino e para as funções básicas do organismo;
    • Incluir gorduras boas na alimentação, como azeite, abacate e castanhas;
    • Respeitar os dias de descanso;
    • Priorizar um sono de qualidade, entre 7 e 9 horas por noite;
    • Adotar atividades de relaxamento para ajudar no equilíbrio do corpo.

    O tempo de recuperação varia para cada mulher: algumas retomam o ciclo poucas semanas após ajustarem à rotina, enquanto, em outros casos, pode levar alguns meses para que o eixo hormonal se estabilize completamente.

    Se, mesmo após reduzir a intensidade dos exercícios e melhorar a alimentação, a menstruação não retornar em até três meses, procure orientação de um ginecologista ou um endocrinologista.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é considerado “excesso”?

    Não há um tempo fixo, pois varia conforme o condicionamento de cada mulher. O excesso é caracterizado quando o corpo não consegue se recuperar entre as sessões, gerando fadiga crônica e alterações hormonais.

    2. Posso treinar pesado durante a menstruação?

    Sim, desde que você se sinta bem. Algumas mulheres sentem queda no rendimento, enquanto outras não sentem diferença. O importante é ouvir o seu corpo.

    3. O excesso de exercício causa infertilidade?

    A ausência de menstruação indica que não há ovulação, o que impede a gravidez naquele momento. No entanto, o quadro costuma ser reversível quando o treino e a dieta são ajustados.

    4. Tomar muito whey protein ou creatina afeta o ciclo?

    Não há evidências de que suplementos como whey ou creatina alterem o ciclo menstrual. O problema geralmente está no déficit de calorias totais ou no estresse do treino, não no suplemento.

    5. Como saber se parei de menstruar por causa do treino ou por gravidez?

    O primeiro passo é realizar um teste de gravidez (Beta-HCG). Se der negativo e você treina intensamente, a causa provável é o esforço físico ou estresse.

    6. Quais alimentos ajudam a regular o ciclo de quem treina?

    Alimentos ricos em gorduras boas (azeite, castanhas, abacate), carboidratos complexos (aveia, batata-doce) e ferro ajudam a fornecer a energia necessária para o sistema hormonal.

    7. Existe algum tipo de exercício que ajuda a regular a menstruação?

    Exercícios de intensidade moderada, como yoga, pilates, caminhadas e natação recreativa, ajudam a reduzir o estresse e podem auxiliar na regulação do ciclo, desde que não haja déficit calórico.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    A tensão pré-menstrual, também conhecida como TPM, consiste em um conjunto de sintomas que aparecem nos dias antes da menstruação. Ela acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, principalmente dos níveis de estrogênio e progesterona.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a TPM ocorre de forma cíclica, normalmente na segunda fase do ciclo (fase lútea), desaparecendo logo após o início do fluxo menstrual. No período, é comum perceber mudanças no corpo e no humor, mas que podem variar bastante de uma mulher para outra.

    A gravidade da TPM não depende só do tipo de sintoma, mas do quanto ele atrapalha o dia a dia. Enquanto para algumas as mudanças são leves e fáceis de lidar, para outras os sintomas são mais fortes, causam muito desconforto e podem até impedir as tarefas rotineiras, sendo necessário acompanhamento médico e ajustes no estilo de vida.

    Afinal, quais os sintomas de TPM?

    Os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) podem variar bastante de uma mulher para outra e costumam envolver tanto o corpo quanto o emocional. Entre os sintomas físicos, podemos destacar:

    • Dores e desconfortos, como cólica e dor de cabeça ou enxaqueca;
    • Inchaço, por retenção de líquidos e distensão abdominal;
    • Aumento da sensibilidade nas mamas;
    • Alterações no apetite, com mais fome ao longo do dia e vontade de comer doce;
    • Mudanças leves na memória, atenção e concentração.

    Já os sintomas emocionais podem aparecer de forma leve, mas em alguns casos são mais intensos:

    • Irritação, mudanças de humor e maior impulsividade;
    • Sensibilidade emocional, com choro fácil;
    • Tristeza mais profunda ou ansiedade.

    Em quadros mais graves, como o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), os sintomas emocionais podem ser mais intensos e exigir acompanhamento médico.

    Como aliviar os sintomas de TPM?

    Para aliviar os sintomas da TPM, é necessário focar na redução da inflamação do organismo e na regulação dos neurotransmissores, que são afetados pelas variações hormonais. O tratamento pode variar desde ajustes simples no dia a dia até o uso de medicamentos, dependendo da intensidade dos sintomas.

    1. Mudanças no estilo de vida

    Pequenas adaptações na rotina podem ajudar bastante a reduzir os sintomas físicos e emocionais da TPM, como:

    • Alimentação equilibrada: evite o consumo excessivo de açúcar, sal, cafeína e álcool, que podem piorar o inchaço, a irritação e a ansiedade. Dê preferência a alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
    • Beber bastante água: o consumo frequente de água ao longo do dia também faz diferença no controle da retenção de líquidos, ajuda o organismo a eliminar o excesso de sódio e pode reduzir a sensação de inchaço;
    • Exercícios físicos: a prática regular de atividade física, principalmente aeróbica (como caminhada, corrida ou bicicleta), ajuda a liberar endorfina e dopamina, que melhoram o humor, reduzem a dor e diminuem a sensação de estresse;
    • Higiene do sono: ter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar e criar um ambiente confortável para o sono ajuda o corpo a lidar melhor com as mudanças hormonais e reduz o cansaço e a irritabilidade;
    • Controle do estresse: técnicas como meditação, respiração profunda, yoga ou momentos de pausa no dia ajudam a equilibrar o emocional e diminuir a intensidade das oscilações de humor;
    • Exposição ao sol: pegar um pouco de sol diariamente, de forma segura, ajuda na produção de vitamina D, que está relacionada ao humor e ao bem-estar.

    2. Vitaminas e suplementos

    Quando usados com orientação profissional, alguns nutrientes podem contribuir para aliviar os sintomas físicos da TPM, segundo Andreia. Os mais comuns incluem:

    • Vitamina B6: ajuda no controle da ansiedade, da irritação e das alterações de humor, além de contribuir para o bom funcionamento do sistema nervoso;
    • Magnésio: auxilia na redução das cólicas, da sensibilidade nas mamas e da tensão muscular, além de ajudar no relaxamento e na qualidade do sono;
    • Ômega-3 (óleo de peixe): tem ação anti-inflamatória, podendo ajudar a reduzir dores, inchaço e até melhorar o humor, já que também atua na função cerebral;
    • Cálcio: pode auxiliar na diminuição da retenção de líquidos e na melhora dos sintomas emocionais, como irritação e alterações de humor, sendo um nutriente importante para o equilíbrio do organismo na fase.

    É importante ressaltar que, embora muitos suplementos e vitaminas sejam de origem natural, o seu uso deve ser sempre orientado por um profissional da saúde.

    3. Tratamentos médicos

    Quando os sintomas são mais intensos e afetam a qualidade de vida da mulher, pode ser necessário acompanhamento médico:

    • Bloqueio da menstruação: o uso de anticoncepcionais (hormônios) pode ser indicado para estabilizar as variações hormonais e eliminar o ciclo que desencadeia a TPM;
    • Antidepressivos: em casos onde predominam sintomas psíquicos graves, o uso de Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (como a fluoxetina) pode ser prescrito, às vezes apenas durante a fase lútea;
    • Psicoterapia: importante para mulheres que enfrentam quadros emocionais severos, ajudando no controle da irritabilidade e da depressão cíclica.

    Nos casos de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), Andreia orienta que é necessário ter a avaliação de um psiquiatra. O quadro pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações importantes de humor e até pensamentos negativos mais sérios, que podem ser confundidos com outros transtornos psiquiátricos.

    Quando a TPM deixa de ser normal?

    A TPM passa a ser um sinal de alerta quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar de verdade a rotina, o que inclui situações como:

    • Mudanças de humor muito intensas, como irritação fora do comum ou crises de choro;
    • Tristeza profunda, ansiedade forte ou sensação de descontrole;
    • Conflitos frequentes em relacionamentos por causa do humor;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina normal;
    • Sintomas físicos fortes, como dor incapacitante, enxaqueca ou muito inchaço;
    • Sensação de que você “não é você mesma” nesse período.

    Quando os sintomas emocionais são muito intensos e repetem todo mês, pode ser um quadro de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

    Nesses casos, podem aparecer sinais como depressão mais profunda antes da menstruação, ansiedade intensa, irritabilidade extrema e pensamentos muito negativos. Se você apresentar qualquer um dos sinais, procure orientação médica.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. O que é a TPM e por que ela acontece?

    A tensão pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem devido às variações hormonais do ciclo menstrual, especialmente a queda de estrogênio e progesterona na segunda fase do ciclo.

    2. Quanto tempo antes da menstruação a TPM começa?

    Normalmente, os sintomas aparecem na fase lútea, cerca de 10 a 14 dias antes da menstruação, e tendem a desaparecer logo no primeiro ou segundo dia do fluxo.

    3. Por que sinto tanta fome e vontade de comer doces na TPM?

    Isso ocorre devido à hiperfagia. O corpo busca repor energia e carboidratos rapidamente para lidar com o gasto energético da fase lútea, além de buscar o bem-estar imediato que o açúcar proporciona.

    4. Existe algum chá que ajude a aliviar a TPM?

    Alguns chais com propriedades relaxantes ou anti-inflamatórias, como camomila, gengibre e folhas de amora, podem auxiliar no conforto, mas não substituem o tratamento médico.

    5. A TPM piora com a idade?

    Muitas mulheres relatam que os sintomas se tornam mais evidentes após os 30 ou 40 anos, fase em que as oscilações hormonais da pré-menopausa podem começar a surgir.

    6. É possível ter TPM mesmo sem menstruar (quem usa DIU ou toma pílula contínua)?

    Depende. Se o método apenas reduz o fluxo mas permite a oscilação hormonal do ciclo, a mulher pode sentir sintomas. No entanto, se o método bloqueia totalmente o ciclo, a tendência é que os sintomas de TPM desapareçam.

    7. Existe algum exame de sangue que diagnostica a TPM?

    Não existe um exame específico. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico da paciente e na confirmação de que os sintomas aparecem e desaparecem de forma cíclica, acompanhando as fases do ciclo menstrual.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Durante um processo de emagrecimento, o organismo precisa se adaptar a um estado de menor ingestão calórica e diminuição da massa corporal, o que pode causar algumas alterações no ciclo menstrual.

    O corpo feminino é muito sensível a mudanças de peso, podendo interferir diretamente na produção e no equilíbrio dos hormônios que regulam a menstruação. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o emagrecimento interfere no ciclo menstrual?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em casos de obesidade, pode acontecer a desregulação do ciclo menstrual porque o excesso de gordura corporal aumenta a produção de hormônios, especialmente os androgênios.

    O desequilíbrio hormonal pode levar a ciclos irregulares, mais espaçados e, em alguns casos, até à ausência de ovulação, algo bastante comum em quadros como a síndrome dos ovários policísticos.

    Quando há uma redução de peso, seja pela diminuição da ingestão calórica ou pela perda de gordura corporal, a produção excessiva de hormônios tende a diminuir. Aos poucos, o organismo volta a funcionar de maneira mais equilibrada, o que favorece a regularização do ciclo menstrual e da ovulação ao longo do tempo.

    E quando o emagrecimento é excessivo?

    Em caso de emagrecimento rápido e intenso, o organismo pode entrar em um estado de economia de energia, no qual passa a priorizar funções essenciais para a sobrevivência, como a respiração, a circulação e o funcionamento dos órgãos vitais.

    Nesses casos, o corpo entende que não é um momento favorável para uma possível gestação. Como consequência, pode haver redução na produção de hormônios reprodutivos, diminuição ou ausência de ovulação e alterações no ciclo menstrual, como:

    • Atraso na menstruação;
    • Ciclos irregulares;
    • Fluxo menstrual mais fraco;
    • Ausência de menstruação (amenorreia).

    Apesar de ser uma resposta natural do corpo, isso também mostra que ele está sobrecarregado e com pouca energia disponível, o que precisa de um acompanhamento adequado.

    Segundo Andreia, o ideal é manter um peso equilibrado, com uma quantidade adequada de gordura corporal para garantir uma produção hormonal adequada.

    O uso de análogos de GLP-1 causa mudanças no ciclo menstrual?

    Segundo Andreia, no caso de pessoas que estão em tratamento com análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, as alterações no ciclo menstrual estão muito mais relacionadas ao peso do que diretamente ao medicamento.

    Eles atuam imitando a ação de um hormônio natural do intestino, o GLP-1, que participa do controle da fome e da saciedade. De acordo com estudos, os remédios podem promover um emagrecimento rápido e significativo, com perdas que podem ultrapassar 15% a 20% do peso corporal.

    Como a perda acelerada pode incluir não apenas gordura, mas também massa muscular, é necessário manter o acompanhamento médico, a prática de atividade física e uma alimentação adequada ao longo do tratamento.

    Alterações na absorção de anticoncepcionais orais

    Com o uso dos análogos de GLP-1, Andreia aponta que pode ocorrer interferência na absorção de diversos remédios, em especial nos contraceptivos hormonais, tanto os combinados (estrogênio + progesterona) quanto os que têm apenas progesterona.

    Isso pode acontecer por três mecanismos principais:

    • Esvaziamento gástrico mais lento, que pode alterar a absorção dos medicamentos;
    • Efeitos adversos, como náuseas, vômitos e diarreia, que também podem prejudicar a absorção;
    • Perda de peso, que pode melhorar a ovulação em mulheres que tinham infertilidade associada à obesidade.

    Por conta disso, Andreia explica que têm sido observados casos de gestações não planejadas em mulheres que utilizam essas medicações, fenômeno que ficou popularmente conhecido como “bebês de Ozempic”.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e as fabricantes orientam que, ao iniciar o uso ou aumentar a dose dos medicamentos, seja utilizado um método contraceptivo adicional, como o preservativo, ou que se opte por um método que não seja via oral, como:

    • Injetáveis mensais;
    • Adesivo transdérmico;
    • Anel vaginal;
    • Implante subcutâneo, como o Implanon;
    • DIU.

    Todos os métodos utilizam vias de administração diferentes da via oral e, por isso, não são afetados da mesma forma pelos remédios.

    Quando as mudanças na menstruação são preocupantes? Todas as alterações na menstruação devem ser investigadas, segundo Andreia, especialmente mudanças no fluxo, no intervalo entre os ciclos ou na duração da menstruação.

    Nem sempre a causa está relacionada ao peso ou ao uso de medicamentos. As alterações podem ocorrer devido a condições como distúrbios da tireoide ou alterações nos níveis de prolactina, por exemplo.

    O ideal é sempre realizar uma avaliação com exames de sangue e uma investigação clínica adequada. Caso nenhuma outra causa seja identificada e a pessoa esteja em uso dessas medicações, a ginecologista explica que aí sim possível considerar uma relação com o tratamento.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O Ozempic altera diretamente os hormônios femininos?

    Não diretamente. As mudanças ocorrem principalmente devido à perda de gordura corporal (que produz estrogênio) e à melhora da resistência à insulina, o que acaba recalculando o eixo hormonal da mulher.

    2. Perder peso ajuda a regularizar a menstruação em quem tem SOP?

    Sim, a perda de peso reduz a gordura abdominal e a resistência à insulina, fatores que costumam diminuir a ovulação em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos.

    3. É normal sentir mais cólicas durante o tratamento para emagrecer?

    Pode acontecer devido às mudanças inflamatórias no corpo e à rápida mobilização hormonal. Se a dor for intensa ou incapacitante, é necessário procurar o médico.

    4. Quanto tempo o ciclo leva para normalizar após a perda de peso?

    Normalmente, o corpo leva de 3 a 6 meses para se adaptar ao novo peso e estabilizar a produção hormonal.

    5. Posso usar Ozempic ou Wegovy tentando engravidar?

    Não. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, devido à falta de estudos de segurança no feto.

    6. O que é a amenorreia hipotalâmica no emagrecimento?

    É a interrupção da menstruação porque o cérebro detecta um déficit calórico extremo, “desligando” o sistema reprodutor para poupar energia para funções vitais.

    7. Como diferenciar um atraso por emagrecimento de uma gravidez?

    Não há como diferenciar apenas pelos sintomas, pois o atraso menstrual é comum a ambos. O ideal é realizar um teste de gravidez de farmácia ou de sangue (Beta-hCG) ao notar qualquer atraso superior a uma semana.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Nem toda mulher se sente confortável menstruando todos os meses. Seja por condições de saúde ou por sintomas intensos, como cólicas e fluxo pesado, o ciclo pode interferir na rotina e na qualidade de vida — levando muitas pessoas a considerarem a suspensão da menstruação sob orientação médica.

    Mas, do ponto de vista biológico, tem algum problema em interromper o ciclo? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza para entender se a decisão é segura, em quais casos a suspensão é indicada e quais medidas podem tornar o período menstrual mais tranquilo

    Qual o papel do ciclo menstrual?

    O ciclo menstrual faz parte do funcionamento natural do corpo feminino durante a fase reprodutiva. Basicamente, a cada mês, o organismo se prepara para uma possível gravidez, com alterações hormonais que estimulam a ovulação e o espessamento do endométrio, camada interna do útero.

    Quando a gravidez não acontece, ocorre a descamação desse tecido, o que provoca a menstruação.

    Além da função reprodutiva, o ciclo também influencia vários aspectos da saúde, como humor, energia, pele, sono e até desempenho físico. Por isso, qualquer decisão sobre parar ou não de menstruar deve ser feita com acompanhamento médico, considerando também o bem-estar da mulher.

    Suspender a menstruação é seguro?

    Na maioria dos casos, a suspensão da menstruação com métodos hormonais é considerada segura quando há acompanhamento médico. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, parar de menstruar não costuma provocar desequilíbrio hormonal nem alterações prejudiciais ao organismo.

    Ou seja, se a mulher deseja interromper a menstruação, seja por escolha pessoal ou por alguma condição de saúde, isso normalmente não causa problemas para a fertilidade.

    Os contraceptivos usados para parar a descida de sangue não mudam a fertilidade de base. O que pode acontecer é a pessoa já ter infertilidade e não saber, simplesmente porque nunca tentou engravidar.

    De qualquer forma, vale sempre avaliar o histórico de saúde, fatores de risco cardiovascular, presença de doenças hormonais ou ginecológicas e o método escolhido. Cada organismo reage de um jeito, por isso a orientação profissional ajuda a garantir mais segurança e tranquilidade.

    Quando parar de menstruar pode ser indicado?

    A suspensão da menstruação pode ser indicada tanto por motivos médicos quanto pessoais. Entre as condições, Andreia aponta:

    • Endometriose, que costuma causar dor intensa e pode piorar com os ciclos menstruais;
    • Miomas uterinos, que podem aumentar o fluxo e provocar sangramentos prolongados;
    • Anemia causada por menstruação muito intensa ou frequente;
    • Cólicas menstruais fortes, que atrapalham rotina, trabalho ou estudos;
    • TPM muito intensa ou transtorno disfórico pré-menstrual, com sintomas físicos e emocionais marcantes;
    • Fluxo menstrual muito abundante ou irregular.

    Ela também pode ser considerada quando a menstruação afeta a qualidade de vida, a rotina profissional, a prática esportiva ou o conforto pessoal.

    Em todos os casos, é fundamental conversar com o ginecologista para entender o que faz sentido para o seu corpo e para a sua rotina.

    Como é feita a interrupção da menstruação?

    A interrupção da menstruação normalmente é feita com métodos hormonais, que atuam reduzindo o espessamento do endométrio ou bloqueando a ovulação, como aponta Andreia:

    • Pílula anticoncepcional contínua combinada (estrogênio + progesterona): usada sem pausa para evitar o sangramento mensal;
    • Pílula só de progesterona: que também pode reduzir ou suspender a menstruação, embora às vezes cause escapes;
    • Implante hormonal (como Implanon): que bloqueia a menstruação em muitas mulheres, mas pode provocar sangramentos irregulares após alguns meses;
    • DIU hormonal: considerado um dos métodos mais eficazes, principalmente o Mirena, que possui maior dose hormonal e costuma inibir melhor o endométrio;
    • DIU hormonal com menor dose (como Kyleena): que pode reduzir o fluxo, mas nem sempre bloqueia totalmente.

    Vale lembrar que o DIU de cobre não suspende a menstruação e pode até aumentar o fluxo. Ele não contém hormônios e age principalmente dificultando a fecundação, por isso não costuma bloquear o ciclo menstrual.

    Também existem outras formas de interromper a menstruação, mas normalmente são usadas apenas em situações específicas e por tempo limitado. Um exemplo são os análogos de GnRH, medicamentos que induzem uma espécie de menopausa temporária ao bloquear totalmente o eixo hormonal.

    Segundo Andreia, eles costumam ser usados antes de cirurgias ginecológicas, como em casos de miomas grandes com anemia importante. O objetivo é reduzir o sangramento, melhorar a anemia e até diminuir o volume dos miomas, facilitando o procedimento cirúrgico. Normalmente, o uso dura de três a seis meses.

    Diferença entre parar a menstruação e ter sangramentos de escape

    Nem todo sangramento durante o uso de contraceptivos significa menstruação. O sangramento de escape pode acontecer quando o endométrio fica muito fino por ação hormonal e pequenos vasos acabam sangrando.

    O sangramento costuma ser mais leve, irregular e sem os sintomas típicos do ciclo menstrual. Pode acontecer principalmente nos primeiros meses de uso ou com métodos que liberam apenas progesterona.

    É possível parar a menstruação que já desceu?

    Não é possível parar a menstruação imediatamente depois que ela já começou, pois é um processo natural de descamação do útero.

    No entanto, é possível reduzir o fluxo ou a duração com acompanhamento médico, usando medicamentos hormonais ou anti-inflamatórios, ou métodos contínuos como anticoncepcional para regular ciclos futuros.

    As opções devem sempre ser avaliadas por um médico, já que a escolha do tratamento depende do histórico de saúde, da causa do sangramento e do objetivo da paciente. Por isso, jamais se automedique!

    Existe idade ideal para parar de menstruar?

    Não existe uma idade única válida para todas, mas em adolescentes, Andreia aponta que é preciso ter cautela maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, principalmente em relação à massa óssea.

    Mesmo assim, quando há indicação médica ou necessidade contraceptiva, o acompanhamento especializado permite avaliar riscos e benefícios.

    Na vida adulta, a decisão tende a ser mais simples, desde que não haja contraindicações clínicas. Em qualquer fase, a avaliação individual continua sendo o fator mais importante.

    Mudanças no estilo de vida podem ajudar no ciclo menstrual

    O funcionamento do ciclo menstrual não depende apenas dos hormônios, de modo que os hábitos no dia a dia podem influenciar nos sintomas e na regularidade da menstruação. Pequenos ajustes na rotina já podem ajudar, como:

    • Prática regular de atividade física: ajuda na regulação hormonal, melhora cólicas, sintomas de TPM e disposição geral;
    • Alimentação equilibrada e menos inflamatória: priorizar alimentos naturais, reduzir ultraprocessados, açúcar e gorduras em excesso;
    • Sono de qualidade: dormir bem favorece equilíbrio hormonal e estabilidade emocional;
    • Controle do estresse: técnicas de respiração, terapia, meditação ou momentos de lazer podem reduzir sintomas físicos e emocionais do ciclo;
    • Hidratação adequada: contribui para funcionamento metabólico, redução de inchaço e bem-estar geral.

    Vale ressaltar que as mudanças de estilo de vida não substituem o tratamento médico quando há doenças ginecológicas, mas funcionam como um suporte. Em muitos casos, melhorar hábitos já traz alívio significativo e ajuda a tornar o ciclo mais tranquilo.

    Perguntas frequentes

    1. O sangue não fica “preso” ou “acumulado” no corpo?

    Não, quando você usa um método para interromper o ciclo, o hormônio impede que a parede do útero (endométrio) engrosse. Se essa camada não cresce, não há o que descamar. Portanto, não há sangue acumulado.

    2. Parar de menstruar afeta a fertilidade no futuro?

    Não. Assim que você interrompe o uso do método hormonal, o corpo retoma o eixo natural de ovulação. A fertilidade não é prejudicada pelo tempo em que você ficou sem menstruar.

    3. Posso parar a menstruação por conta própria?

    Não é recomendado. É preciso uma avaliação médica para saber qual hormônio é compatível com seu histórico de saúde (pressão alta, tabagismo, risco de trombose, etc.).

    4. Quanto tempo demora para o corpo se adaptar e parar totalmente?

    Em média, de 3 a 6 meses. Durante esse período, o útero está se ajustando à nova carga hormonal.

    5. Posso usar o coletor menstrual ou absorvente interno enquanto me adapto?

    Sim. Durante a fase de adaptação, onde podem ocorrer os escapes, você pode usar qualquer método de higiene menstrual (absorventes, coletores, calcinhas absorventes). O uso de hormônios não interfere no uso desses produtos.

    6. Como fica a TPM quando paramos de menstruar?

    Na maioria dos casos, a TPM melhora significativamente ou desaparece, pois os sintomas são causados pelas flutuações hormonais do ciclo natural. Com o método contínuo, os níveis hormonais ficam estáveis, evitando os altos e baixos emocionais e físicos

  • Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    A menopausa é uma fase biológica que representa a última menstruação, confirmada após doze meses consecutivos sem sangramento menstrual. Ela indica o encerramento da fase reprodutiva e costuma ocorrer, na maioria dos casos, entre os 45 e 55 anos.

    Mas você conhece a fase que antecede a última menstruação? Antes da menopausa propriamente dita, o corpo passa por um período de transição chamado perimenopausa. A fase, que pode começar anos antes do fim definitivo dos ciclos menstruais, é caracterizada por oscilações hormonais importantes. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é a perimenopausa?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o climatério é o período de transição da vida reprodutiva para a menopausa e se divide em três fases: perimenopausa, menopausa propriamente dita e pós-menopausa.

    A perimenopausa corresponde a todo o intervalo que antecede a cessação definitiva da menstruação e é marcada, principalmente, por alterações hormonais e irregularidade dos ciclos menstruais.

    A fase funciona como um período de preparação do organismo para o fim da vida reprodutiva e também tem um papel importante no diagnóstico da menopausa.

    Quando, após a perimenopausa, ocorre a ausência completa da menstruação por doze meses consecutivos, é confirmado, de forma retrospectiva, que o último sangramento marcou a menopausa.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Os sintomas da perimenopausa estão associados às oscilações hormonais que ocorrem na fase. O sinal mais comum é a irregularidade menstrual, com ciclos que podem ficar mais curtos ou mais longos, além de variações no fluxo e na duração da menstruação.

    A mulher também pode apresentar os seguintes sintomas:

    • Ondas de calor e suores noturnos;
    • Distúrbios do sono, como dificuldade para dormir ou sono não reparador;
    • Alterações de humor, incluindo irritabilidade, ansiedade e variações emocionais;
    • Cansaço e redução da energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
    • Sensibilidade ou dor nas mamas;
    • Dores de cabeça;
    • Inchaço e desconforto articular;
    • Diminuição da libido;
    • Ressecamento vaginal;
    • Alterações na pele e nos cabelos.

    A intensidade e a combinação dos sintomas variam de mulher para mulher. Para algumas, eles se manifestam de forma mais leve, enquanto para outras podem ser mais intensos, o que mostra a importância de uma avaliação individual durante a fase.

    Quanto tempo dura a perimenopausa?

    De acordo com Andreia, a duração da perimenopausa pode variar bastante. Em algumas mulheres, a fase dura apenas alguns meses, enquanto em outras pode se estender por vários anos.

    Em média, a perimenopausa dura de quatro a oito anos, estendendo-se até a confirmação da menopausa, que ocorre após doze meses consecutivos sem menstruação. Nesse período, é comum que os sintomas se tornem mais intensos nos anos que antecedem a última menstruação.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    É possível engravidar durante a perimenopausa, mas a chance é bem menor, segundo Andreia. Isso acontece porque o número de óvulos disponíveis já é reduzido, mas ainda podem ocorrer ciclos menstruais com ovulação. Eles se tornam menos frequentes e mais irregulares, porém não desaparecem completamente.

    Por isso, o uso de métodos contraceptivos continua sendo importante nessa fase. Andreia explica que algumas mulheres engravidam perto da menopausa justamente por acreditarem que não há mais risco e acabam relaxando nos cuidados.

    Como a perimenopausa afeta a saúde?

    As oscilações do estrogênio durante a perimenopausa afetam o ciclo menstrual, o humor, o sono e a regulação da temperatura corporal, favorecendo sintomas como irregularidade menstrual, ondas de calor, irritabilidade e cansaço.

    Além disso, a queda gradual do estrogênio pode impactar a saúde dos ossos, aumentando o risco de perda óssea, e influenciar o metabolismo, facilitando o ganho de peso e alterações no colesterol. Algumas mulheres também notam mudanças na saúde cardiovascular, na pele, nos cabelos e na lubrificação vaginal.

    O acompanhamento médico ajuda a identificar essas mudanças logo no começo, orientar os cuidados certos e indicar tratamentos quando necessário, ajudando no controle dos sintomas e a manter a qualidade de vida durante a perimenopausa.

    Cuidados durante a perimenopausa

    Os cuidados na perimenopausa ajudam a aliviar os sintomas e a manter a saúde durante essa fase de transição, sendo os principais:

    • Acompanhamento médico regular, para avaliar os sintomas e orientar o tratamento;
    • Alimentação equilibrada, com nutrientes importantes para o corpo e para os hormônios;
    • Prática de atividade física, que ajuda no controle do peso, no humor, na saúde dos ossos e na redução das ondas de calor;
    • Atenção ao sono, buscando manter uma rotina que favoreça um descanso de qualidade;
    • Controle do estresse, com atividades que promovam bem-estar e relaxamento;
    • Uso de métodos contraceptivos, enquanto ainda houver chance de ovulação.

    A reposição hormonal pode ser considerada para aliviar sintomas como ondas de calor e fogachos, além de contribuir para a proteção da saúde óssea.

    Contudo, a indicação depende de uma avaliação médica cuidadosa, na qual a ginecologista analisa o histórico clínico e os possíveis riscos antes de definir o tratamento mais adequado.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Perguntas frequentes

    Qual a diferença entre perimenopausa e menopausa?

    A perimenopausa ocorre antes da menopausa e é marcada por ciclos menstruais irregulares. Já a menopausa é a última menstruação, confirmada após doze meses seguidos sem menstruar. A perimenopausa ajuda a identificar que a menopausa está se aproximando.

    Com que idade a perimenopausa costuma começar?

    A perimenopausa normalmente começa entre os 40 e 50 anos, mas pode surgir um pouco antes ou depois, dependendo de fatores genéticos, estilo de vida e condições de saúde.

    A menstruação para completamente na perimenopausa?

    Não. Durante a perimenopausa, a menstruação ainda acontece, mas de forma irregular. A parada definitiva só ocorre na menopausa.

    Exames são necessários para diagnosticar a perimenopausa?

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na idade. Os exames podem ser solicitados em situações específicas, mas não são obrigatórios.

    A perimenopausa pode causar ganho de peso?

    Sim, as mudanças hormonais afetam o metabolismo, facilitando o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal. Além disso, a perda de massa muscular e a redução do gasto energético contribuem para esse ganho.

    Toda mulher precisa fazer reposição hormonal na menopausa?

    Não, a reposição hormonal não é indicada para todas. A decisão depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    Confira: Obesidade: quais são as alternativas hoje para tratar essa doença

  • TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    TDPM: entenda o transtorno disfórico pré-menstrual e como identificar os sintomas

    Você já ouviu falar em transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)? Considerada uma forma mais grave da tensão pré-menstrual (TPM), ela é marcada por sintomas que podem interferir de forma significativa na rotina, nos relacionamentos pessoais, na vida social e no desempenho profissional.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que diferencia o TDPM da TPM comum, quais são os principais sinais de alerta, como o diagnóstico é feito e quais são as opções de tratamento disponíveis para aliviar os sintomas.

    O que é transtorno disfórico pré-menstrual?

    O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição caracterizada por sintomas emocionais e psicológicos intensos que estão diretamente relacionados ao ciclo menstrual. Ele surge na fase final do ciclo, após a ovulação, período conhecido como fase lútea, e desaparece com o início da menstruação ou nos primeiros dias do sangramento.

    No TDPM, as alterações de humor são mais marcantes e podem incluir irritabilidade extrema, tristeza profunda, ansiedade, sensação de perda de controle emocional, dificuldade de concentração e impacto importante na vida social, profissional e nos relacionamentos.

    Qual a diferença entre a TDPM e TPM?

    A principal diferença entre a TPM comum e o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual está na gravidade, na frequência e no impacto dos sintomas na vida da mulher, segundo Andreia.

    Na TPM, os sintomas físicos costumam ser mais predominantes, embora os emocionais também possam estar presentes. Já no transtorno disfórico, os sintomas emocionais e psicológicos são mais intensos do que os físicos e podem ser incapacitantes.

    Andreia aponta que ele é reconhecido como um diagnóstico psiquiátrico e faz parte do manual que classifica os transtornos mentais. Nesses casos, os sintomas vão além de um simples desconforto e causam sofrimento importante.

    Fatores de risco para a TDPM

    Os principais fatores de risco associados ao transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) incluem:

    • Maior sensibilidade hormonal: mulheres com TDPM tendem a reagir de forma mais intensa às oscilações hormonais naturais do ciclo menstrual;
    • Predisposição genética: histórico familiar de TDPM pode elevar o risco;
    • Histórico de transtornos de humor: depressão, ansiedade ou outros transtornos emocionais, pessoais ou familiares, aumentam a vulnerabilidade;
    • Alterações na serotonina: níveis reduzidos desse neurotransmissor, ligado ao humor e à sensação de bem-estar, estão associados ao surgimento dos sintomas;
    • Tabagismo: embora as evidências não sejam conclusivas, fumar pode contribuir para o risco;
    • Disforia de gênero: mulheres com disforia de gênero apresentam risco aumentado para o desenvolvimento do transtorno.

    Quais os sintomas do TDPM?

    Os sintomas do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) são, em geral, mais emocionais e psicológicos do que físicos e costumam surgir na fase que antecede a menstruação, desaparecendo com o início do sangramento. Os principais incluem:

    • Irritabilidade intensa ou explosões de raiva;
    • Tristeza profunda, sensação de vazio ou desesperança;
    • Ansiedade acentuada ou tensão constante;
    • Mudanças bruscas de humor;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Dificuldade de concentração;
    • Cansaço intenso ou falta de energia;
    • Alterações do sono, como insônia ou sono excessivo;
    • Diminuição do interesse por atividades do dia a dia;
    • Sensação de sobrecarga emocional.

    Também podem ocorrer sintomas físicos, como inchaço, sensibilidade nas mamas, dores de cabeça e alterações do apetite, mas eles costumam ser secundários em relação aos sintomas emocionais.

    Como é feito o diagnóstico de TDPM?

    O diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é clínico, ou seja, feito a partir da conversa detalhada com a paciente, sem necessidade de exames laboratoriais. O principal critério é a relação dos sintomas com o ciclo menstrual.

    Para confirmar o diagnóstico, é observado se os sintomas surgem de forma repetida na fase que antecede a menstruação e melhoram ou desaparecem com o início do sangramento. Também é avaliada a intensidade dos sintomas e o impacto na rotina, nos relacionamentos e na vida profissional.

    Tratamento de transtorno disfórico pré-menstrual

    O tratamento do transtorno disfórico pré-menstrual depende da intensidade dos sintomas e do impacto na vida da mulher. Em muitos casos, Andreia aponta que ele envolve o uso de antidepressivos e outras medicações que ajudam a controlar os sintomas emocionais, como irritabilidade intensa, ansiedade e tristeza profunda.

    Além dos medicamentos, é importante adotar algumas mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma alimentação equilibrada;
    • Ter uma rotina de sono adequada e regular;
    • Praticar atividade física de forma regular;
    • Reduzir o estresse no dia a dia;
    • Observar o próprio ciclo menstrual para identificar períodos de maior sensibilidade;
    • Evitar situações ou hábitos que piorem os sintomas nesse período.

    Segundo Andreia, existem casos extremos em que mulheres apresentam ideação suicida associada ao período pré-menstrual, o que exige intervenção imediata e, em situações específicas, até internação.

    Quando procurar ajuda médica?

    É importante procurar ajuda de um médico quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina e a qualidade de vida. Assim, fique atenta especialmente se você perceber:

    • Irritabilidade muito intensa ou crises de raiva;
    • Tristeza profunda ou sensação constante de desânimo;
    • Ansiedade forte ou sensação de tensão o tempo todo;
    • Mudanças de humor que afetam os relacionamentos;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Sensação de perda de controle emocional;
    • Pensamentos de autolesão ou suicídio.

    O acompanhamento ajuda a identificar o problema, orientar o tratamento correto e oferecer suporte para atravessar o período com mais bem-estar.

    Perguntas frequentes

    Quais remédios podem ser usados no tratamento?

    Em muitos casos, são utilizados antidepressivos e outras medicações voltadas para o controle dos sintomas emocionais, sempre com acompanhamento médico.

    O TDPM pode surgir em qualquer idade?

    O TDPM costuma aparecer durante a vida reprodutiva, após o início dos ciclos menstruais. Ele pode se manifestar ainda na juventude ou surgir mais tarde, dependendo da sensibilidade individual às oscilações hormonais.

    O uso de anticoncepcional ajuda no TDPM?

    Em alguns casos, o anticoncepcional pode ajudar ao reduzir as oscilações hormonais do ciclo. No entanto, a resposta varia de mulher para mulher, e a indicação deve ser avaliada individualmente.

    Psicoterapia ajuda no tratamento do TDPM?

    Ajuda, sim. A psicoterapia pode auxiliar no controle emocional, na identificação de gatilhos e no desenvolvimento de estratégias para lidar melhor com os sintomas.

    O TDPM tem cura?

    O TDPM não tem uma cura definitiva, mas tem tratamento. Com acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e melhorar muito a qualidade de vida.

    A TPM é considerada uma doença?

    Não, a TPM não é uma doença, mas um conjunto de sintomas ligados às mudanças hormonais do ciclo menstrual. Ela só se torna um problema quando os sintomas passam a causar sofrimento importante.

    Quando a TPM merece atenção médica?

    Quando os sintomas são muito intensos, persistentes ou começam a atrapalhar a rotina, o trabalho ou os relacionamentos, é importante procurar avaliação médica.

  • Teste de ovulação: saiba como identificar o período fértil com mais precisão 

    Teste de ovulação: saiba como identificar o período fértil com mais precisão 

    Para mulheres que desejam engravidar, reconhecer o período fértil pode ser decisivo. Embora existam sinais físicos que indicam a ovulação, como a mudança do muco cervical e a dor no baixo ventre, muitas mulheres buscam métodos mais objetivos. É aí que entram os testes de ovulação, vendidos em farmácias e cada vez mais populares.

    Mas até que ponto esses testes são confiáveis? Eles garantem que a ovulação realmente aconteceu? Para esclarecer essas dúvidas, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os testes de ovulação, quando usá-los e quais são suas limitações.

    Como os testes de ovulação funcionam

    O funcionamento desses testes está diretamente ligado ao hormônio luteinizante (LH). Esse hormônio é responsável por desencadear a ovulação, promovendo o rompimento do folículo que libera o óvulo.

    “O LH faz um pico bem no momento da ovulação. Ele faz o folículo estourar e empurrar o óvulo para dentro da tuba. Então, quando o LH aumenta subitamente no sangue, é o momento em que é muito provável de ocorrer a ovulação”, explica Andreia.

    É importante reforçar: o teste não mede a ovulação em si, mas a subida do LH. “O LH é um bom preditor, aquele que prevê um evento, mas ele não é certeza do evento. Por exemplo, na síndrome dos ovários policísticos, o LH pode estar muito alto, mas a ovulação não vai ocorrer porque o folículo não consegue se romper”.

    Ou seja, os testes de ovulação ajudam a identificar o período fértil, mas não confirmam com 100% de precisão que houve liberação do óvulo.

    O que significa o resultado positivo no teste

    Quando o teste detecta a elevação do LH, indica que a ovulação deve ocorrer em até 24 a 36 horas. É por isso que os especialistas recomendam que as relações sexuais nesse período aumentem as chances de gravidez.

    Segundo Andreia, a janela fértil é relativamente curta: “O ideal é considerar 48 horas antes e 48 horas depois da ovulação. Isso porque o espermatozoide permanece viável por até dois dias dentro do trato reprodutivo, e o óvulo também se mantém viável por até dois dias depois de liberado”.

    Assim, relações sexuais nesse intervalo — dois dias antes até dois dias depois do pico de LH — oferecem maior probabilidade de concepção.

    Como usar os testes de ovulação corretamente

    Os testes de farmácia são semelhantes aos de gravidez: utilizam a urina como amostra. O ideal é usá-los em dias próximos ao meio do ciclo, de acordo com o padrão de cada mulher, e manter consistência no horário.

    “Não é proibido fazer em outro momento, mas é importante manter regularidade, mais ou menos no mesmo horário todos os dias. Pela manhã costuma ser melhor, porque a urina está mais concentrada e tende a capturar o hormônio de forma mais evidente”, recomenda Andreia.

    Dicas para melhor uso:

    • Escolher um período fixo do dia (preferencialmente manhã);
    • Evitar excesso de líquidos antes do teste para não diluir a urina;
    • Fazer o acompanhamento por alguns dias seguidos para perceber a curva de aumento do LH.

    Ou seja, os testes de ovulação funcionam como uma ferramenta prática para identificar o período fértil, mas exigem disciplina no uso para que sejam realmente eficazes.

    Alternativas aos testes de farmácia

    Embora práticos, os testes de ovulação não são a única forma de monitorar a ovulação. Outras estratégias incluem:

    • Acompanhamento do ciclo em aplicativos: ajuda a estimar o período fértil com base na duração do ciclo, embora não substitua sinais clínicos;
    • Temperatura basal: pequenas elevações (entre 0,5 e 2 graus) indicam que o pico de LH ocorreu recentemente. “É uma forma relativamente fácil: a paciente anota diariamente, e quando há esse aumento, é provável que tenha tido o pico do LH”, diz Andreia;
    • Ultrassonografia transvaginal seriada: mostra o crescimento do folículo e confirma a ovulação quando ele desaparece e dá lugar ao corpo lúteo. “Esse é o método mais preciso, porque consigo acompanhar a transformação do folículo em imagem”, afirma a médica;
    • Exames de sangue para LH: fornecem valores exatos do hormônio, mas são usados em contextos clínicos específicos.

    Enquanto aplicativos e temperatura basal podem ser usados em casa, métodos como a ultrassonografia transvaginal e exames de sangue oferecem maior exatidão, mas geralmente são aplicados em contextos clínicos. A escolha depende do objetivo da mulher.

    Em quais situações o monitoramento é mais indicado

    Para mulheres sem dificuldades reprodutivas, ter relações sexuais frequentes já é suficiente e o monitoramento não é necessário. “Se você tiver relações de duas a três vezes por semana, muito provavelmente vai cair na janela de ovulação. Não é obrigatório acompanhar o LH”, explica Andreia.

    No entanto, o monitoramento detalhado pode ser útil em casos de:

    • Tentativas de engravidar sem sucesso após meses de relações regulares;
    • Ciclos irregulares, em que é difícil prever o período fértil;
    • Preparação para técnicas de reprodução assistida, como coito programado, inseminação artificial e fertilização in vitro.

    O monitoramento da ovulação não é indispensável para todas as mulheres, mas pode fazer diferença em situações específicas.

    Reprodução assistida: papel do acompanhamento da ovulação

    Nos tratamentos de fertilidade, identificar o momento exato da ovulação é muito importante. Isso pode ser feito com ultrassonografias diárias durante o período fértil.

    “Você reconhece pelo ultrassom qual é o folículo dominante, aquele que vai romper. Em um dia você vê o folículo, no outro não vê mais — aparece o corpo lúteo. Isso mostra que houve ovulação”, detalha a ginecologista.

    Esse acompanhamento é utilizado em diferentes protocolos de reprodução assistida:

    • Coito programado: relações sexuais orientadas para dias específicos de acordo com o período de ovulação;
    • Inseminação intrauterina: o sêmen é coletado e introduzido diretamente no útero;
    • Fertilização in vitro (FIV): os óvulos são coletados após estimulação ovariana e fecundados em laboratório, sendo depois transferidos ao útero.

    Limitações e cuidados com os testes de ovulação

    Apesar de úteis, os testes de ovulação não devem ser interpretados isoladamente. Doenças como a síndrome dos ovários policísticos podem alterar os níveis de LH e gerar resultados falsamente positivos. Além disso, nem sempre o aumento do LH significa que a ovulação aconteceu.

    O teste sinaliza a possibilidade, mas a confirmação exige outros métodos, como ultrassonografia.

    Ou seja, os testes de ovulação são aliados importantes para mulheres que desejam engravidar, mas não substituem completamente a avaliação clínica. Para quem enfrenta dificuldades reprodutivas ou se prepara para tratamentos de fertilidade, o acompanhamento detalhado pode ser decisivo.

    Veja mais: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Perguntas e respostas sobre testes de ovulação

    1. O que os testes de ovulação realmente medem?

    Eles detectam o aumento do hormônio luteinizante (LH) na urina, que antecede a ovulação. O teste indica que o corpo está se preparando para liberar o óvulo, mas não garante com 100% de certeza que a ovulação aconteceu.

    2. Quando é o melhor momento para usar os testes de ovulação?

    O ideal é fazer próximo ao meio do ciclo menstrual, de acordo com a duração do ciclo de cada mulher. A recomendação é usar sempre no mesmo horário, preferencialmente pela manhã, quando a urina está mais concentrada.

    3. O que significa um resultado positivo?

    Um teste positivo indica que a ovulação deve ocorrer nas próximas 24 a 36 horas. Esse é o período em que relações sexuais oferecem maiores chances de gravidez, já que o óvulo e os espermatozoides permanecem viáveis por até 48 horas.

    4. Os testes de ovulação são indicados para todas as mulheres?

    Não. Para mulheres sem dificuldades reprodutivas, manter relações sexuais frequentes (2 a 3 vezes por semana) já é suficiente para coincidir com a janela fértil. O monitoramento é mais útil em casos de ciclos irregulares, dificuldades para engravidar ou preparo para reprodução assistida.

    5. Quais são as alternativas aos testes de farmácia?

    Entre os métodos caseiros estão a observação do muco cervical e a medição da temperatura basal. Já exames de sangue para LH e ultrassonografia transvaginal são recursos clínicos que oferecem maior precisão e costumam ser usados em tratamentos de fertilidade.

    6. Quais são as limitações dos testes de ovulação?

    Eles podem dar falsos positivos em casos de condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP), já que os níveis de LH podem se manter elevados sem que ocorra ovulação. Por isso, devem ser interpretados em conjunto com outros sinais e, em casos de dúvida, com apoio médico.

    Leia também: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil 

    Sinais de ovulação: descubra como o corpo mostra que você está no período fértil 

    A ovulação é um dos momentos-chave do ciclo menstrual e também um dos mais aguardados por mulheres que desejam engravidar ou evitar uma gestação. Saber reconhecer os sinais de que ela está acontecendo ajuda não apenas no planejamento reprodutivo, mas também no autoconhecimento sobre a saúde.

    Mas como identificar a ovulação? Quais sinais o corpo dá? E é verdade que algumas mulheres conseguem até sentir de que lado ovularam? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que detalhou como funciona o ciclo, quais mudanças ocorrem no corpo e de que forma esses sintomas de ovulação podem ser percebidos.

    O que é a ovulação e como funciona o ciclo menstrual

    O ciclo menstrual é dividido em fases que podem ser descritas tanto do ponto de vista dos ovários quanto do endométrio (a camada interna do útero). A ovulação marca o meio desse ciclo, quando um óvulo é liberado do ovário e segue em direção às tubas uterinas, onde pode ser fecundado.

    Óvulo

    Quando se fala em fase folicular, a análise está voltada para o ovário. Nesse momento, os folículos ovarianos estão em desenvolvimento: são várias pequenas estruturas, semelhantes a cistos, cada uma contendo um óvulo.

    “Entre eles, um se torna dominante, enquanto os demais sofrem atrofia. Esse folículo dominante rompe e libera o óvulo para dentro da tuba uterina”, explica.

    Depois da liberação, inicia-se a chamada fase lútea, porque o folículo que rompeu se transforma no corpo lúteo, responsável por produzir progesterona. Esse hormônio prepara o endométrio para sustentar uma possível gravidez.

    Endométrio

    Do ponto de vista do endométrio, as fases são chamadas de proliferativa e secretória. Enquanto o folículo se desenvolve até o rompimento, o endométrio cresce para preparar o tecido e deixá-lo pronto para receber o embrião.

    “Após a liberação do óvulo, esse tecido começa a secretar glicogênio, que serve como fonte de alimento e energia para o embrião. Por esse motivo, essa etapa é denominada fase secretória”, explica Andreia.

    Em resumo, a ovulação é o ponto central do ciclo menstrual. Nos ovários, um folículo amadurece, rompe e libera o óvulo, enquanto no endométrio o tecido cresce e depois passa a produzir nutrientes para sustentar uma possível gestação.

    Assim, cada fase tem um papel complementar, garantindo que o corpo feminino esteja preparado tanto para a fecundação quanto para a implantação do embrião.

    Quando ocorre a ovulação: cada ciclo é único

    Embora se fale muito no ciclo “padrão” de 28 dias, na prática há grande variação entre as mulheres. Em ciclos regulares de 28 dias, a ovulação geralmente acontece por volta do 14º dia. Porém, em ciclos mais longos, como os de 35 dias, ela pode ocorrer apenas na terceira semana.

    A médica destaca que a fase lútea (após a ovulação) tende a ser fixa, durando cerca de 14 dias. O que varia é a fase folicular, ou seja, o período anterior à ovulação, que pode ter de 10 até 20 dias e ainda ser normal.

    “Os últimos 15 dias são mais fixos, marcados pela ovulação”, afirma.

    Por isso, calcular a ovulação apenas pelo calendário pode ser impreciso. Observar os sinais do corpo é uma estratégia complementar importante.

    Principais sinais da ovulação no corpo da mulher

    Nem todas as mulheres conseguem perceber claramente quando estão ovulando. Algumas são mais sensíveis às mudanças hormonais, enquanto outras passam por esse momento sem notar alterações. Entre os sinais da ovulação mais comuns estão:

    • Dor ou pontada no baixo ventre: conhecida como dor do meio, acontece quando o folículo se rompe e libera líquido na cavidade pélvica. Esse líquido pode causar uma irritação leve, gerando dor pontual, diferente da cólica, e até indicar de qual lado ocorreu a ovulação;
    • Pequeno sangramento no meio do ciclo: chamado de sangramento do meio, é resultado das oscilações hormonais naturais do período ovulatório;
    • Mudança no muco cervical: a secreção vaginal fica mais elástica, transparente e parecida com clara de ovo, facilitando a chegada dos espermatozoides ao óvulo;
    • Alterações de humor ou irritabilidade: geralmente menos intensas do que na TPM, mas podem aparecer em mulheres mais sensíveis às variações hormonais;
    • Aumento da libido: algumas mulheres relatam maior desejo sexual durante a fase ovulatória, influenciado pelas mudanças hormonais.

    De forma geral, os sinais da ovulação são reflexos das transformações hormonais que acontecem no corpo feminino para favorecer a fecundação. Embora variem de intensidade entre as mulheres, essas alterações funcionam como indicativos de que o organismo está no período fértil.

    Reconhecê-los pode ajudar tanto quem deseja engravidar quanto quem busca compreender melhor o próprio ciclo menstrual.

    Nem todas as mulheres sentem os sintomas da ovulação

    É importante lembrar que a ausência de sintomas não significa ausência de ovulação.

    “Algumas mulheres não sentem nada e isso não quer dizer que não ovularam. Apenas significa que são menos sensíveis a esses sinais”, reforça Andreia.

    Essa variação individual explica por que algumas mulheres conseguem identificar até de qual lado ovularam, enquanto outras só percebem a ovulação por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

    Exames que ajudam a identificar a ovulação

    Para mulheres que desejam engravidar ou monitorar melhor a saúde reprodutiva, alguns exames podem confirmar a ovulação:

    • Hormônio antimülleriano (AMH): exame de sangue que mede a reserva ovariana, ou seja, quantos óvulos a mulher ainda tem disponíveis ao longo da vida fértil. Não mostra diretamente se a ovulação está acontecendo, mas valores muito baixos indicam menor chance de ovular nos próximos meses;
    • Ultrassonografia transvaginal seriada: feita em consultas de acompanhamento, permite observar o crescimento dos folículos no ovário e identificar com precisão o momento em que ocorre a ovulação;
    • Temperatura basal: consiste em medir diariamente a temperatura do corpo ao acordar. Um pequeno aumento pode indicar que a ovulação já aconteceu.

    Esses exames são úteis principalmente para quem enfrenta dificuldades para engravidar ou precisa de acompanhamento médico mais próximo.

    Leia mais: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Quando os sinais confundem: ovulação ou TPM?

    Muitas mulheres sentem dificuldade em diferenciar os sintomas da ovulação dos da tensão pré-menstrual (TPM). Isso acontece porque ambos envolvem mudanças hormonais e podem gerar sinais parecidos, como alterações de humor, dor abdominal e sensibilidade nos seios.

    Ainda assim, existem diferenças importantes que ajudam a identificar em qual fase do ciclo a mulher está.

    • Ovulação: ocorre no meio do ciclo e pode causar dor leve no baixo ventre (a chamada dor do meio), aumento da libido, maior sensibilidade nos seios, alterações de humor e presença de muco cervical transparente e elástico;
    • TPM: surge na segunda metade do ciclo, após a ovulação, devido à queda da progesterona. Os sintomas incluem inchaço, retenção de líquidos, cólicas mais intensas, fadiga, irritabilidade e maior sensibilidade emocional;
    • Diferença prática: a dor do meio e o muco cervical característico são sinais específicos da ovulação, enquanto cólicas fortes, inchaço e oscilações emocionais marcantes estão mais relacionados à TPM.

    Saber reconhecer esses sinais da ovulação permite compreender melhor o próprio corpo, identificar o período fértil com mais clareza e lidar de forma mais consciente com os sintomas típicos de cada fase.

    Ovulação, fertilidade e saúde reprodutiva

    Conhecer os sinais da ovulação é fundamental para mulheres que desejam engravidar, mas também traz benefícios para aquelas que apenas querem entender melhor o próprio corpo. Observar os sinais pode indicar se o ciclo está funcionando normalmente e ajudar a identificar possíveis irregularidades que merecem avaliação médica.

    Andreia destaca que sinais como dor leve, sangramento discreto e mudanças no muco fazem parte do processo fisiológico. Mas reforça: se houver dor intensa, sangramento fora do esperado ou ciclos muito irregulares, o ideal é procurar acompanhamento.

    Confira: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas e respostas sobre ovulação

    1. O que é a ovulação?

    A ovulação é o momento do ciclo menstrual em que um óvulo maduro é liberado do ovário em direção à tuba uterina. É o período em que a mulher está mais fértil e pode engravidar se houver relação sexual.

    2. Quando a ovulação acontece?

    Em ciclos regulares de 28 dias, ela costuma ocorrer por volta do 14º dia. Mas cada mulher tem um ritmo próprio: em ciclos mais longos, como os de 35 dias, a ovulação pode acontecer apenas na terceira semana.

    3. Quais são os principais sinais de ovulação?

    Entre os mais comuns estão: dor leve no baixo ventre (dor do meio), pequeno sangramento no meio do ciclo, muco cervical mais elástico e transparente, aumento da libido e alterações de humor leves.

    4. Toda mulher sente sintomas de ovulação?

    Não. Algumas mulheres percebem claramente as mudanças no corpo, enquanto outras não sentem nada. A ausência de sintomas não significa ausência de ovulação.

    5. Como diferenciar sintomas de ovulação da TPM?

    A ovulação acontece no meio do ciclo e tem sinais específicos, como dor do meio e muco cervical característico. Já a TPM surge na segunda metade do ciclo, após a ovulação, e está ligada à queda da progesterona, trazendo sintomas como inchaço, cólicas mais fortes e maior irritabilidade.

    6. Que exames podem confirmar a ovulação?

    Os principais são a ultrassonografia transvaginal seriada, que mostra o crescimento e rompimento do folículo, e exames de sangue que medem hormônios. A temperatura basal e o hormônio antimülleriano (AMH) também ajudam, mas têm funções específicas e limitações.

    7. Quando é importante monitorar a ovulação de perto?

    Em casos de dificuldade para engravidar após meses de tentativas, ciclos irregulares ou preparação para técnicas de reprodução assistida, como coito programado, inseminação artificial ou fertilização in vitro.

    Leia também: Fluxo menstrual intenso: o que é, sintomas e como tratar

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual