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  • Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Quando o assunto é menstruação, cada mulher tem uma história para contar. Algumas têm ciclos certinhos como um relógio, enquanto outras enfrentam atrasos misteriosos ou sangramentos que chegam sem aviso. E aí vem a dúvida: o que é normal e o que é menstruação irregular e merece ser compartilhado com um médico?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou de forma clara como funciona um ciclo menstrual saudável, o que caracteriza irregularidade e em quais situações é necessário procurar o médico.

    O que é um ciclo menstrual regular

    Antes de falar em irregularidade, é importante entender o que é considerado normal.

    “Do ponto de vista médico, o ciclo menstrual clássico é de 28 dias, marcado pela ovulação no meio do ciclo. Temos a fase folicular, nas primeiras duas semanas, quando ocorre o desenvolvimento do óvulo, seguida da ovulação, que é o rompimento do folículo no ovário com a saída do óvulo para a tuba uterina”, conta a médica.

    “Depois, há a fase lútea, em que o corpo lúteo se forma e o endométrio se prepara para receber o óvulo fecundado”, período que, se não houver óvulo fecundado, culmina na menstruação.

    Segundo a ginecologista, um ciclo normal dura de 25 a 35 dias, contando sempre do primeiro dia da menstruação até o primeiro dia da próxima. “O sangramento considerado regular deve ter entre 3 e 7 dias”.

    O fluxo também entra nessa conta. Para avaliá-lo, os médicos observam a intensidade do sangramento: número de absorventes usados, presença de coágulos, vazamentos ou necessidade de combinar absorvente interno com externo para conter o fluxo. “Isso nos dá uma ideia do volume”, conta.

    Quando o ciclo é considerado irregular?

    É considerado irregular quando o ciclo dura menos de 25 ou mais de 35 dias. Se a menstruação vem a cada 15 dias ou só aparece de três em três meses, por exemplo, é sinal de que algo não está bem.

    “Quando a mulher menstrua a cada 15 dias, geralmente é porque não ovula adequadamente. Já quando menstrua apenas a cada 3 meses, pensamos em síndrome dos ovários policísticos”, explica a ginecologista.

    A irregularidade também pode se manifestar com intervalos muito variáveis, como um ciclo de 21 dias seguido de outro de 47, por exemplo.

    “Uma menstruação irregular, com intervalos ora curtos, ora longos, pode estar ligada a alterações hormonais, disfunções da hipófise, da tireoide, ou a fases fisiológicas como a perimenopausa”, explica a especialista.

    O papel da ovulação no ciclo

    A ovulação acontece, em média, no meio do ciclo menstrual. Mas o corpo pode ter variações. “Se a ovulação atrasar para o 18º dia, o ciclo pode ter 32 dias e ainda ser normal”, explica Andreia.

    O que deve chamar atenção é a falta de padrão. “Hoje os aplicativos de monitoramento ajudam muito a observar essas variações”, lembra a especialista.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Estilo de vida e menstruação irregular

    O corpo responde ao ritmo de vida, e a menstruação não fica de fora. Estresse, noites mal dormidas, má alimentação, peso muito baixo ou muito alto, excesso ou falta de exercícios físicos podem bagunçar o ciclo.

    “Atletas com baixo percentual de gordura podem ter amenorreia, ou seja, ausência de menstruação. Já mulheres com obesidade podem ter maior risco de síndrome dos ovários policísticos”, explica a médica.

    Até a dieta pode influenciar. “A soja, por exemplo, contém fitoestrógenos, substâncias semelhantes ao estrogênio, que podem alterar o ciclo”, completa.

    Quando é sinal de alerta?

    Nem toda irregularidade é preocupante, mas há momentos em que é preciso investigar. “A irregularidade é o primeiro sintoma comum na menopausa, mais até que os fogachos”, diz a Dra. Andreia.

    Além disso, disfunções hormonais da hipófise e da tireoide, por exemplo, podem se manifestar primeiro com alterações menstruais. Por isso, a recomendação é que quem tem ciclos fora do padrão e que se repetem com frequência devem ser avaliados por um ginecologista.

    Confira: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Perguntas frequentes sobre menstruação irregular

    1. É normal a menstruação atrasar alguns dias?

    Sim. Pequenas variações de até alguns dias ainda podem ser consideradas normais.

    2. Menstruação irregular sempre significa problema muito sério?

    Não, nem sempre. O ciclo pode variar por estresse, sono ruim ou até mudanças na alimentação. Se essas forem as causas, quando essas questões são ajustadas o ciclo tende a se regularizar.

    3. Aplicativos de ciclo menstrual são confiáveis?

    Eles ajudam a acompanhar o padrão, como duração do ciclo, volume do fluxo menstrual, entre outros parâmetros, mas não substituem a avaliação médica.

    4. Menstruação irregular é sempre sinal de ovário policístico?

    Não. Essa é uma das causas possíveis, mas existem outras, como alterações da tireoide ou da hipófise.

    5. Quem está na perimenopausa sempre terá irregularidade menstrual?

    A maioria sim, mas a intensidade varia muito de mulher para mulher.

    7. Menstruação irregular pode afetar a fertilidade?

    Sim, especialmente se for causada por falta de ovulação.

    8. Quando procurar o ginecologista?

    Sempre que os ciclos forem muito variáveis (muito curtos ou longos) ou vierem acompanhados de sintomas importantes, como sangramento excessivo ou dor intensa.

    Leia mais: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

  • Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Muitas mulheres já passaram pela situação de estarem tranquilas e, de repente, perceber um sangramento que não estava na programação menstrual. O susto é grande, a preocupação bate na hora, e a dúvida aparece: será que isso é normal?

    O corpo feminino tem suas particularidades, e nem todo sangramento fora do ciclo é motivo para preocupação. Mas é importante entender quando se trata de algo fisiológico, ou seja, normal, e quando pode ser um sinal de que é necessário fazer uma investigação médica.

    O que é considerado um sangramento anormal?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, alguns episódios podem ser absolutamente normais.

    “Há mulheres que, no período da ovulação, apresentam pequenas alterações hormonais que fazem o endométrio descamar um pouco. Isso causa um sangramento discreto no meio do ciclo, chamado de sangramento do meio. Ele pode ser normal”, explica.

    Outra situação bem comum são os sangramentos relacionados ao uso de anticoncepcionais. “Anticoncepcionais que suspendem a menstruação podem causar esses sangramentos irregulares que chamamos de escape”, diz a ginecologista.

    Mas fora essas situações, todo sangramento fora do esperado merece atenção.

    Quando o sangramento precisa de investigação?

    De acordo com a ginecologista, qualquer sangramento recorrente fora da menstruação deve ser avaliado. Um exemplo importante é o sangramento durante a relação sexual.

    “Ele pode indicar lesões na vagina, na vulva ou no colo do útero, inclusive câncer de colo de útero”, alerta a especialista. Às vezes, a causa desse sangramento irregular também pode ser alterações no sistema de coagulação.

    Climatério e perimenopausa: fase de mudanças

    Na fase de transição para a menopausa, chamada perimenopausa, a irregularidade menstrual é a marca registrada.

    “A mulher pode sangrar a cada 15 dias, depois ficar meses sem menstruar e depois voltar a sangrar. Essa irregularidade entre os 45 e 55 anos é típica da transição para a menopausa”, explica Andreia.

    Quando os sangramentos fogem do padrão, exames podem ajudar a identificar se a menopausa está chegando.

    “O exame que usamos é o FSH (hormônio folículo-estimulante). Quando ele começa a se elevar, indica que a mulher está entrando na menopausa. Se isso ocorre em idade precoce, como aos 35 anos, não é normal, e precisamos investigar outras causas, como falência ovariana precoce”, conta ela.

    Leia também: Amenorreia: quando a menstruação não vem

    Perguntas frequentes sobre sangramento fora da menstruação

    1. É normal sangrar no meio do ciclo?

    Sim, pode acontecer durante a ovulação, por alterações hormonais naturais. É o chamado “sangramento do meio”. Esse sangramento, porém, é em pequena quantidade e não se assemelha à menstruação.

    2. O anticoncepcional pode causar sangramento fora do período?

    Sim. Os anticoncepcionais hormonais podem provocar escapes de vez em quando. Se for frequente, é importante conversar com o ginecologista.

    3. Sangramento após a relação sexual sempre é grave?

    Não sempre, mas pode ser sinal de lesões ou doenças no colo do útero e precisa ser investigado.

    4. Na perimenopausa é comum ter sangramentos irregulares?

    Sim. Entre os 45 e 55 anos, o ciclo menstrual tende a ficar irregular, com intervalos mais curtos ou longos.

    5. O sangramento fora do ciclo pode ser câncer?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando ocorre após a relação sexual. É por isso que toda ocorrência deve ser avaliada.

    6. O que devo fazer ao notar sangramento fora do período menstrual?

    Consultar um ginecologista. Apenas o médico pode identificar se é algo normal ou se precisa de tratamento.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Os absorventes internos, também chamados de tampões ou OB, são produtos de higiene menstrual colocados dentro da vagina para absorver o fluxo menstrual antes que ele saia do corpo. Quando usados corretamente, costumam ser seguros, confortáveis e práticos, mas demandam alguns cuidados básicos para evitar problemas de saúde.

    Quando o absorvente é deixado por muito tempo ou colocado sem a higiene adequada, o ambiente vaginal pode se tornar mais favorável à proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções e irritações.

    Em situações mais raras, o uso inadequado também pode favorecer o desenvolvimento da síndrome do choque tóxico (SCT), uma infecção grave causada por toxinas produzidas por determinadas bactérias.

    Afinal, o absorvente interno faz mal?

    O absorvente interno não faz mal para a saúde e é uma opção prática para quem deseja ir à praia, entrar na piscina, praticar esportes ou realizar outras atividades durante a menstruação sem se preocupar com vazamentos.

    Eles são feitos de algodão, rayon (seda artificial) ou uma mistura de ambos, materiais que são purificados e não causam danos ao tecido vaginal. Além disso, o absorvente interno absorve o sangue menstrual dentro do canal vaginal, sem impedir a saída do fluxo ou fazer com que ele fique preso no organismo.

    O que pode fazer mal, na verdade, é o uso incorreto do absorvente. Como o canal vaginal é um ambiente naturalmente úmido, quente e cheio de bactérias saudáveis, qualquer descuido pode desequilibrar a flora natural e favorecer a proliferação de microrganismos nocivos, aumentando o risco de irritações, infecções e, em casos raros, da síndrome do choque tóxico (SCT).

    Riscos do uso incorreto do absorvente interno

    Os principais riscos do uso incorreto do absorvente interno estão relacionados ao tempo excessivo de uso e à falta de higiene durante a colocação e a retirada, sendo eles:

    1. Vaginose bacteriana

    A vagina possui uma microbiota composta principalmente por bactérias do gênero Lactobacillus, que ajudam a manter o pH ácido e protegem a região contra a proliferação de microrganismos nocivos.

    Quando o absorvente interno permanece por muitas horas, principalmente por mais de oito horas, ou é utilizado em dias de fluxo muito leve, o sangue retido e a menor circulação de ar podem favorecer um desequilíbrio dessa flora natural. Como consequência, bactérias como a Gardnerella vaginalis podem se multiplicar, aumentando o risco de vaginose bacteriana.

    Os principais sintomas são corrimento fino, esbranquiçado ou acinzentado, acompanhado de odor forte, semelhante ao de peixe.

    2. Candidíase

    A Candida albicans naturalmente já faz parte da flora vaginal e do trato gastrointestinal de grande parte das mulheres. O fungo reside lá em pequenas quantidades e de forma inofensiva, mas quando há excesso de calor, umidade e alterações na flora vaginal, ele pode se multiplicar além do normal.

    O uso prolongado do absorvente interno, principalmente em dias quentes ou durante atividades físicas, pode contribuir para um ambiente mais favorável ao crescimento do fungo. Os sintomas costumam incluir coceira intensa, vermelhidão na região íntima e corrimento branco e espesso, semelhante ao leite coalhado.

    3. Irritação, ressecamento e pequenas lesões

    Usar um absorvente interno com capacidade de absorção maior do que a necessária para o fluxo menstrual pode deixar a vagina mais ressecada, já que o produto absorve também parte da lubrificação natural da mucosa.

    Quando o absorvente é retirado ainda seco, o atrito pode provocar irritação e pequenas lesões na parede vaginal, causando dor, desconforto e aumentando a vulnerabilidade da região a infecções.

    4. Síndrome do choque tóxico

    A síndrome do choque tóxico (SCT) é uma complicação rara, mas grave, associada principalmente ao uso prolongado do absorvente interno. O risco aumenta quando o produto permanece por mais de oito horas ou quando são utilizados modelos de alta absorção sem necessidade.

    O quadro acontece quando determinadas bactérias, como o Staphylococcus aureus, produzem toxinas que entram na corrente sanguínea e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa em todo o organismo.

    Os sintomas incluem febre alta de início súbito, queda da pressão arterial, tontura, vômitos, diarreia, manchas avermelhadas na pele e confusão mental, precisando de atendimento médico imediato.

    Como usar o absorvente interno no dia a dia?

    Para usar o absorvente interno com liberdade e segurança, basta adotar alguns cuidados simples no dia a dia:

    • Higiene rigorosa: sempre lave as mãos com água e sabão antes e depois de colocar ou retirar o absorvente interno. O hábito recebe o risco de levar bactérias para o canal vaginal e ajuda a prevenir infecções;
    • Respeite o tempo de troca: o ideal é trocar o absorvente interno a cada 4 a 6 horas, de acordo com a intensidade do fluxo menstrual. Em nenhuma situação ele deve permanecer no corpo por mais de 8 horas, pois o uso prolongado aumenta o risco de infecções e da síndrome do choque tóxico;
    • Escolha o tamanho correto: use um absorvente com capacidade de absorção compatível com o fluxo do dia. Nos dias de fluxo leve, prefira os modelos mini ou médio, já que absorventes muito grandes podem retirar parte da lubrificação natural da vagina, causando ressecamento, desconforto e pequenas lesões durante a retirada;
    • Alterne o uso à noite: se houver possibilidade de dormir por mais de 8 horas seguidas, o mais indicado é utilizar um absorvente externo ou uma calcinha absorvente. Dessa forma, você evita ultrapassar o tempo máximo recomendado para o uso do absorvente interno e reduz o risco de complicações.

    Quem não deve usar ou deve evitar?

    Apesar de muito seguro, o uso do absorvente interno deve ser evitado ou feito com orientação médica nas seguintes situações:

    • Mulheres no pós-parto imediato, pois o útero e o colo do útero ainda estão em cicatrização e o risco de infecções é maior;
    • Mulheres que passaram por cirurgias ginecológicas recentes, como cauterização, biópsia do colo do útero ou cirurgia vaginal, até a liberação médica;
    • Mulheres com infecção vaginal em andamento, como candidíase ou vaginose bacteriana, já que o absorvente pode aumentar o desconforto e dificultar a recuperação;
    • Pessoas com alergia aos componentes do absorvente interno, como algodão, rayon ou fragrâncias presentes em algumas versões;
    • Mulheres com dor durante a penetração, causada por condições como vaginismo ou vulvodínia, pois a colocação e a retirada podem ser dolorosas;
    • Mulheres com prolapso uterino avançado, quando a alteração anatômica dificulta o posicionamento correto do absorvente interno.

    Quando ir ao médico?

    Se você apresentar os seguintes sintomas, é importante procurar atendimento médico:

    • Corrimento com odor forte, mudança na cor ou aumento da quantidade, principalmente se vier acompanhado de coceira ou ardor;
    • Coceira intensa, vermelhidão, inchaço ou irritação na região íntima que não melhora em poucos dias;
    • Dor intensa na vagina, na pelve ou durante a retirada do absorvente interno;
    • Dificuldade para retirar o absorvente ou suspeita de que ele tenha ficado retido na vagina;
    • Sangramento diferente do menstrual ou persistente após a retirada do absorvente;
    • Sintomas que continuam ou pioram mesmo após interromper o uso do absorvente interno.

    Se você apresentar febre alta, tontura, queda da pressão, vômitos ou manchas avermelhadas na pele, retire o absorvente e vá ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O absorvente interno pode se perder dentro do corpo?

    Não, a vagina é um canal fechado que termina no colo do útero, cuja abertura é minúscula (passa apenas o sangue e espermatozoides). O absorvente não tem para onde ir ou “subir” para o restante do corpo.

    2. Posso urinar ou evacuar usando o absorvente interno?

    Sim. A uretra (por onde sai a urina), o canal vaginal (onde fica o absorvente) e o ânus são três aberturas completamente diferentes. Você não precisa tirar o produto para ir ao banheiro, apenas afaste a cordinha para o lado para não a sujar.

    3. Posso nadar na piscina ou no mar com ele?

    Sim. O absorvente interno barra a saída do sangue e impede que a água externa entre no canal vaginal em grande quantidade. O ideal é colocar um novo antes de entrar na água e trocá-lo assim que sair do banho de mar ou piscina, pois a cordinha externa fica úmida.

    4. O que acontece se a cordinha arrebentar?

    É extremamente raro a cordinha arrebentar, pois ela é costurada por dentro de todo o miolo do algodão. Caso aconteça, lave bem as mãos, fique de cócoras e faça uma leve força como se fosse evacuar; use o dedo indicador e o polegar em pinça para tentar puxar a base do absorvente. Se não conseguir, vá ao ginecologista.

    5. O absorvente interno pode causar cólica?

    Não. O absorvente fica posicionado no canal vaginal, enquanto a cólica menstrual é causada por contrações do útero. No entanto, se ele for do tamanho errado ou estiver mal posicionado, pode causar um desconforto que se confunde com cólica.

    6. Quantos absorventes internos posso usar por dia?

    Considerando trocas a cada 4 a 6 horas, o normal é utilizar entre 4 a 6 absorventes por dia.

    7. O absorvente interno causa câncer?

    Não. Os materiais utilizados hoje passam por rigorosos testes de segurança e purificação da ANVISA e órgãos internacionais, não contendo substâncias em níveis capazes de causar câncer.

    8. O que fazer se eu esquecer o absorvente interno lá dentro?

    Se perceber o esquecimento, normalmente pelo odor forte que surge após alguns dias, retire-o imediatamente. Lave a região e fique atenta a sinais como febre ou corrimento. Se notar qualquer sintoma estranho ou não conseguir retirá-lo sozinha, consulte um médico imediatamente.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Uma das alternativas mais sustentáveis ao uso do absorvente descartável, o coletor menstrual é um copinho flexível de silicone medicinal, introduzido no canal vaginal para coletar o fluxo menstrual em vez de absorvê-lo.

    Para você ter uma ideia, ele pode durar anos e, se usado corretamente, é bastante confortável para usar durante as atividades do dia a dia, inclusive para dormir, praticar exercícios físicos, nadar ou trabalhar.

    No entanto, para garantir todos os benefícios do método e evitar riscos à saúde, é importante saber como escolher o tamanho certo e manter os cuidados ideais de higiene. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar os principais detalhes do coletor. Confira!

    Como funciona o coletor menstrual?

    Ao contrário do absorvente, que absorve o sangue da menstruação, o coletor menstrual funciona coletando o fluxo dentro da vagina, mantendo o sangue armazenado em seu interior até o momento da retirada.

    Antes de ser inserido, o coletor é dobrado para ficar menor e facilitar a colocação e, depois de introduzido no canal vaginal, ele se abre naturalmente e se ajusta às paredes da vagina, formando uma vedação suave que ajuda a evitar vazamentos.

    À medida que a menstruação acontece, o sangue fica acumulado dentro do coletor, sem entrar em contato com o ambiente externo. Dependendo da intensidade do fluxo menstrual, ele pode permanecer por até 8 horas antes de precisar ser esvaziado, oferecendo mais praticidade para a rotina e diminuindo a necessidade de trocas frequentes ao longo do dia.

    Benefícios do coletor menstrual

    Por ser feito de um material inerte e seguro, ele oferece benefícios diretos para a saúde da mulher, para o orçamento mensal e para a rotina, como:

    • Mais saúde para a região íntima: diferente dos absorventes descartáveis, o coletor não altera o pH vaginal e não absorve a umidade natural da vagina, apenas o sangue. Isso reduz drasticamente o risco de infecções, como a candidíase, e evita alergias e assaduras na vulva;
    • Livre de odores desagradáveis: o mau cheiro característico do período menstrual só acontece quando o sangue entra em contato com o oxigênio e com os componentes químicos dos absorventes comuns. Como o coletor fica bem vedado dentro da vagina, o sangue não oxida, eliminando qualquer odor;
    • Maior capacidade de armazenamento: o coletor consegue reter mais fluxo do que os absorventes tradicionais, o que diminui a necessidade de trocas constantes ao longo do dia, oferecendo mais praticidade para quem tem fluxo intenso;
    • Conforto e liberdade de movimento: quando inserido corretamente, o coletor se adapta perfeitamente às paredes vaginais e não causa nenhum incômodo. Com ele, é possível praticar atividades físicas, correr, dançar e até nadar com total segurança e sem medo de vazamentos.

    Também vale destacar que, embora o investimento inicial seja maior do que o de um pacote de absorventes, o coletor menstrual é reutilizável e pode durar de 5 a 10 anos se bem cuidado.

    A longo prazo, você acaba gastando muito menos com produtos menstruais, já que um único coletor pode substituir centenas de absorventes descartáveis durante toda a sua vida útil.

    Como escolher o tamanho ideal do coletor menstrual?

    Segundo Andreia, o tamanho do coletor deve ser escolhido de acordo com as características do colo do útero, já que a região pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Durante a consulta ginecológica, o médico avalia a anatomia e orienta qual é o tamanho mais adequado para cada caso. Se necessário, também é possível demonstrar e treinar a colocação e a retirada do coletor no próprio consultório, ajudando a paciente a ganhar mais segurança antes de começar a utilizá-lo.

    A ginecologista explica que o posicionamento correto é importante para evitar vazamentos. O coletor precisa ficar logo abaixo do colo do útero para que todo o fluxo menstrual seja direcionado para o seu interior.

    Quando ele é colocado na posição errada e não envolve corretamente a região, o sangue pode escorrer pelas laterais, fazendo com que o coletor não cumpra sua principal função, que é coletar a menstruação.

    Passo a passo para colocar e tirar o coletor com segurança

    Com um pouco de prática e seguindo alguns cuidados básicos de higiene, a colocação e a retirada se tornam simples e confortáveis. O primeiro passo é lavar as mãos com água e sabonete, para evitar a entrada de microrganismos na vagina e reduzir o risco de infecções.

    Como colocar o coletor menstrual

    1º passo: encontre uma posição confortável

    Você pode ficar agachada, sentada no vaso sanitário com os joelhos afastados ou em pé, apoiando uma das pernas na borda do vaso ou do box. O ideal é escolher a posição em que se sentir mais relaxada.

    2º passo: dobre o coletor

    Como o silicone é flexível, o coletor precisa ser dobrado para facilitar a inserção. As dobras mais utilizadas são:

    • Dobra em C (ou U): dobre o coletor ao meio, unindo as duas bordas para formar o formato da letra C;
    • Dobra punch down: empurre uma das bordas para dentro, em direção à base do coletor, formando uma ponta mais fina, o que costuma facilitar a colocação, principalmente para quem está começando.

    3º passo: introduza o coletor

    Segure o coletor dobrado com uma das mãos e, com a outra, afaste delicadamente os lábios vaginais. Em seguida, introduza o coletor na vagina, direcionando-o para trás, em direção ao cóccix, e não para cima.

    4º passo: verifique se ele abriu corretamente

    O coletor não precisa ficar tão profundo quanto um absorvente interno. Depois de inserido, ele costuma se abrir sozinho e formar uma vedação suave nas paredes da vagina.

    Para conferir se está bem posicionado, gire delicadamente a base do coletor ou passe um dedo ao redor dela. Se o coletor estiver completamente aberto, sem dobras, a vedação estará formada e o risco de vazamentos será menor.

    Como retirar o coletor menstrual

    Para retirar, a principal dica é nunca puxar apenas pelo pino. Ele serve apenas como um guia para você localizar a base do coletor. Puxá-lo sem desfazer o vácuo pode causar um efeito de sucção desconfortável no colo do útero.

    • Lave as mãos e adote uma posição confortável (ficar agachada ajuda o coletor a descer um pouco no canal);
    • Faça uma leve força com a musculatura da vagina (como se estivesse evacuando) para empurrar o coletor para baixo;
    • Introduza o polegar e o indicador na vagina até alcançar a base do coletor. Aperte a base do copinho com firmeza. Isso fará o ar entrar, desfazendo o vácuo imediatamente;
    • Mantendo a base pressionada, puxe o coletor suavemente para fora, mantendo-o na vertical para que o sangue não derrame;
    • Despeje o conteúdo no vaso sanitário, lave o coletor na pia com água corrente e sabão neutro e ele estará pronto para ser inserido novamente.

    Segundo Andreia, a paciente precisa conhecer muito bem o próprio corpo para conseguir inserir o coletor corretamente, verificar se ele ficou bem posicionado, retirá-lo no momento adequado e realizar a higienização antes de colocá-lo novamente.

    As etapas se tornam fáceis com a prática, mas algumas pessoas podem ter mais dificuldade durante o período de adaptação.

    Cuidados de higiene com o coletor menstrual

    Como o sangue é um líquido muito nutritivo, ele funciona como um meio de cultura natural onde bactérias podem se proliferar se o coletor ficar sujo ou for mal higienizado, segundo Andreia. Para evitar riscos, você deve adotar alguns cuidados no di a adia:

    1. Lave sempre as mãos

    Antes de colocar ou retirar o coletor, lave bem as mãos com água e sabonete para evitar a transferência de microrganismos para a região íntima.

    2. Higienize o coletor a cada troca

    Sempre que esvaziar o coletor durante a menstruação, lave-o com água corrente e sabonete neutro ou outro produto recomendado pelo fabricante. Antes de recolocá-lo, enxágue bem para remover qualquer resíduo de sabonete.

    3. Limpe os furinhos de vedação

    O coletor possui pequenos furos próximos à borda que ajudam a formar a vedação. Durante a lavagem, encha o coletor com água, tampe a abertura com a palma da mão e aperte levemente a base para que a água passe pelos furos e remova possíveis resíduos.

    4. Esterilize antes do primeiro uso e após cada ciclo

    Antes de usar o coletor pela primeira vez e ao final de cada menstruação, faça a esterilização para eliminar microrganismos e garantir um uso mais seguro.

    5. Ferva o coletor corretamente

    Coloque o coletor em uma panela com água suficiente para cobri-lo completamente e deixe ferver por cerca de 3 a 5 minutos, seguindo as orientações do fabricante. Evite deixá-lo fervendo por mais tempo do que o recomendado para não comprometer o material.

    6. Use o micro-ondas apenas se o fabricante permitir

    Alguns coletores podem ser esterilizados em recipientes próprios para micro-ondas. Nesses casos, basta colocá-lo em um recipiente adequado com água e seguir as instruções do fabricante quanto ao tempo de aquecimento.

    7. Guarde o coletor em local adequado

    Depois de esterilizado e completamente seco, guarde-o no saquinho de tecido que normalmente acompanha o produto ou em outro recipiente que permita a circulação de ar. Evite armazená-lo em potes plásticos totalmente fechados.

    8. Não utilize produtos químicos agressivos

    Álcool, água sanitária, desinfetantes, detergentes e sabonetes perfumados não devem ser usados na limpeza do coletor, pois podem danificar o silicone e causar irritações na região íntima.

    De quanto em quanto tempo é preciso esvaziar o coletor?

    O tempo de uso do coletor menstrual varia de acordo com a intensidade do fluxo, que é diferente para cada pessoa e também pode mudar ao longo da própria menstruação. Em geral, o fluxo costuma ser mais leve no início, aumenta no segundo ou terceiro dia e depois volta a diminuir.

    Por isso, a frequência para esvaziar o coletor deve ser adaptada à quantidade de sangue coletada, já que, quando ele atinge a capacidade máxima, pode acabar vazando.

    Segundo Andreia, assim como acontece com o absorvente interno, o coletor não deve permanecer por muitas horas seguidas sem ser esvaziado. O recomendado é não ultrapassar 8 horas de uso contínuo e, sempre que possível, fazer a troca antes desse período, de preferência a cada 6 horas, especialmente nos dias de fluxo mais intenso.

    Existem contraindicações ao uso?

    Não existe uma contraindicação absoluta para o uso do coletor menstrual, já que a adaptação varia de pessoa para pessoa.

    Mas, em algumas situações, a ginecologista explica que o médico pode orientar a suspensão do uso, principalmente quando há suspeita de infecção, histórico recente de infecções vaginais recorrentes ou irritação causada pelo contato com o material. A recomendação é individualizada e depende da avaliação clínica de cada paciente.

    Quem tem DIU pode usar o coletor menstrual?

    Pessoas que usam DIU, seja ele de cobre ou hormonal (Mirena/Kyleena), podem utilizar o coletor menstrual sem problemas. O uso do coletor não interfere na eficácia do anticoncepcional e não causa o deslocamento do dispositivo, desde que retirado da forma correta.

    Mulheres virgens podem usar o coletor menstrual?

    De acordo com Andreia, mulheres virgens podem usar o coletor menstrual, mas o processo pode ser um pouco mais desafiador e existe o risco de romper o hímen. Do ponto de vista anatômico e médico, não há nenhuma contraindicação à saúde, sendo uma escolha totalmente baseada no desejo e no conforto da mulher.

    Se a mulher ainda não teve relações sexuais e deseja usar o coletor, é preciso levar em consideração alguns pontos importantes, como:

    • O coletor pode esticar ou romper o hímen durante a colocação ou a retirada, já que essa membrana é fina e pode variar de elasticidade entre as pessoas;
    • O ideal é escolher a coletor de tamanho menor, que costuma ser mais confortável para quem nunca utilizou produtos de inserção vaginal;
    • Nas primeiras tentativas, um lubrificante à base de água pode facilitar a colocação e reduzir o desconforto.

    Como nessa fase pode ser mais difícil avaliar a altura do colo do útero sozinha, uma ótima recomendação é conversar com o ginecologista antes de comprar. O médico poderá examinar a elasticidade do hímen e indicar o modelo mais adequado para a anatomia da paciente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O coletor menstrual pode vazar?

    Não, se for escolhido o tamanho correto e inserido adequadamente, ele se molda às paredes vaginais, criando um vácuo que impede vazamentos.

    2. Como saber se o coletor abriu completamente?

    Passe o dedo indicador ao redor da base do coletor; se não sentir dobras ou partes amassadas, é sinal de que ele abriu e formou o vácuo.

    3. É possível urinar com o coletor?

    Sim. O coletor fica posicionado na vagina, um canal diferente da uretra, por onde sai a urina.

    4. Como higienizar o coletor em banheiros públicos?

    Leve uma garrafinha de água com você. Esvazie o coletor no vaso, enxágue-o com a água da garrafinha sobre o vaso e reinsira-o.

    5. O coletor pode causar infecções?

    Não, se for higienizado corretamente. O material (silicone medicinal) é hipoalergênico e não altera a flora vaginal.

    6. O que fazer se o coletor ficar “preso”?

    Não entre em pânico. Relaxe, respire fundo e faça força abdominal (como se fosse evacuar) para empurrá-lo para baixo até conseguir alcançar a base e quebrar o vácuo.

    7. Posso usar o coletor no pós-parto?

    Não, o ideal é esperar o período de resguardo (geralmente 40 a 60 dias) e a liberação do médico para retomar o uso.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    Você já deve conhecer aquela sensação de inchaço, irritabilidade ou uma leve melancolia que surge alguns dias antes da menstruação. Para a maioria das mulheres, os sintomas são causados pela TPM (tensão pré-menstrual), que acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.

    No entanto, quando as alterações de humor se tornam muito intensas, a ponto de comprometer o dia a dia, afetando o trabalho, os estudos e as relações pessoais, pode se tratar de um quadro de TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual).

    Diferente da TPM, que costuma causar desconfortos leves a moderados, o TDPM pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações intensas de humor e até pensamentos muito negativos, que aparecem de forma cíclica, antes da menstruação, e melhoram após o início do fluxo.

    Mas como é possível diferenciar um quadro do outro na prática? Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza, que explica que a principal diferença está na intensidade dos sintomas e no impacto na rotina.

    Qual a diferença entre TPM e TDPM?

    Enquanto a TPM é um desconforto comum do ciclo menstrual, o TDPM está no extremo oposto, sendo considerado uma condição clínica mais severa, segundo Andreia.

    TPM clássica (tensão pré-menstrual)

    A TPM é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem na segunda metade do ciclo menstrual (fase lútea), devido às variações hormonais, com a queda dos níveis de estrogênio e o aumento da progesterona. Entre as mulheres em idade fértil, estima-se que cerca de 75% a 80% apresentam algum grau de TPM.

    Os sintomas da TPM podem variar de mulher para mulher e serem mais ou menos intensos, mas normalmente envolvem mudanças no corpo e no humor nos dias antes da menstruação:

    Sintomas físicos de TPM

    • inchaço e retenção de líquidos
    • dor abdominal ou cólica
    • dor de cabeça ou enxaqueca
    • sensibilidade ou dor nas mamas
    • cansaço e sensação de peso no corpo
    • acne ou oleosidade da pele
    • alterações no apetite (mais fome ou vontade de doce)

    Sintomas emocionais e comportamentais de TPM

    • irritação e impaciência
    • ansiedade
    • tristeza ou vontade de chorar
    • mudanças de humor
    • dificuldade de concentração
    • alteração no sono (insônia ou mais sono que o normal)

    Os sintomas da TPM costumam aparecer alguns dias antes da menstruação, normalmente entre 5 e 10 dias, e podem ficar mais intensos conforme o ciclo se aproxima do início do fluxo.

    TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual)

    O TDPM é uma forma muito mais grave e incapacitante de TPM, afetando entre 3% e 8% das mulheres. Diferente da TPM comum, o TDPM é classificado como um transtorno depressivo, pois a reação do cérebro às mudanças hormonais é muito mais intensa, afetando diretamente os níveis de serotonina (o neurotransmissor do bem-estar).

    Na prática, isso significa que os sintomas emocionais são mais intensos, frequentes e difíceis de controlar:

    • Irritabilidade extrema;
    • Crises de choro;
    • Ansiedade intensa;
    • Tristeza profunda;
    • Sensação de perda de controle;
    • Dificuldade de concentração;
    • Pensamentos muito negativos.

    Assim como na TPM, os sintomas aparecem na fase lútea do ciclo e melhoram após o início da menstruação. A diferença é a intensidade e o grau de sofrimento envolvido, segundo Andreia, que podem prejudicar o trabalho, os estudos e os relacionamentos.

    Como diferenciar na prática?

    A forma mais simples de diferenciar TPM de TDPM é observar a intensidade dos sintomas e o quanto eles afetam a rotina:

    Sinais de TPM (forma mais comum)

    • Os sintomas são leves a moderados;
    • Dá para seguir com a rotina, mesmo com algum desconforto;
    • Há irritação, inchaço, cansaço ou vontade de doce, mas de forma controlável;
    • O humor oscila, mas sem sensação de perda de controle;
    • Melhora rápida quando a menstruação começa.

    Sinais de TDPM (forma mais grave)

    • Os sintomas são intensos e difíceis de controlar;
    • Há impacto real no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
    • Irritação extrema, crises de choro ou ansiedade forte;
    • Tristeza profunda ou sensação de “não ser você mesma”;
    • Pensamentos muito negativos;
    • Padrão que se repete todo mês, sempre antes da menstruação.

    Se houver dúvida ou se os sintomas forem intensos, o ideal é procurar um médico. Com o diagnóstico certo, é possível para tratar e melhorar bastante a qualidade de vida.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da TPM e do TDPM é feito especialmente com base na avaliação dos sintomas e no padrão ao longo do ciclo menstrual. Não existe um exame específico que confirme o quadro, por isso o médico observa quais sintomas estão presentes, quando eles aparecem e se melhoram após o início do fluxo.

    Também é importante entender a intensidade dos sintomas e o quanto eles atrapalham o seu dia a dia, como o trabalho, os estudos e as relações. Por isso, muitas vezes o especialista orienta anotar como você se sente ao longo de alguns meses, para ver se existe um padrão que se repete.

    Andreia também destaca a importância da avaliação com um psiquiatra, que pode investigar outras causas que causam sintomas parecidos, como ansiedade, depressão ou alterações hormonais. De maneira geral, isso ajuda a evitar confusões e garante um diagnóstico mais preciso.

    Quando procurar ajuda médica?

    Vale buscar ajuda quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar o seu dia a dia:

    • Sintomas que impedem você de trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Irritação, ansiedade ou tristeza muito intensas;
    • Crises de choro frequentes;
    • Sensação de perda de controle sobre as emoções;
    • Conflitos nos relacionamentos por causa do humor;
    • Sintomas que se repetem todo mês e parecem estar piorando;
    • Dores fortes, enxaqueca ou muito inchaço.

    Também é importante procurar um médico se houver pensamentos muito negativos ou sofrimento emocional intenso, mesmo que apenas nesse período do ciclo.

    Existe tratamento para TPM e TDPM?

    O tratamento da TPM e do TDPM varia de acordo com a intensidade dos sintomas e pode ir desde mudanças simples na rotina até um acompanhamento médico mais específico.

    Em muitos casos de TPM, Andreia explica que ajustes no dia a dia já ajudam bastante, como manter uma alimentação mais equilibrada, praticar atividade física regularmente, cuidar da qualidade do sono e adotar estratégias para reduzir o estresse.

    Além disso, alguns nutrientes, quando indicados por um profissional, também podem contribuir para o alívio dos sintomas, como magnésio, vitamina B6, cálcio e ômega-3.

    Quando os sintomas são mais intensos ou há suspeita de TDPM, o tratamento pode incluir o uso de anticoncepcionais para regular as variações hormonais, além de antidepressivos, especialmente quando há sintomas emocionais mais fortes. A psicoterapia também é necessária, ajudando no controle da ansiedade, da irritação e das oscilações de humor.

    Como cada mulher reage de forma única às mudanças hormonais, o tratamento deve ser individualizado.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O que causa essas condições?

    A causa exata ainda é estudada, mas acredita-se que seja uma sensibilidade excessiva do cérebro às flutuações hormonais normais (estrogênio e progesterona), afetando neurotransmissores como a serotonina.

    2. Quais os sintomas específicos que sugerem TDPM?

    Sentimentos de desesperança, pensamentos autodepreciativos, crises de pânico, raiva persistente, conflitos interpessoais frequentes e sensação de estar “fora de controle”.

    3. Existe idade específica para o surgimento?

    Pode ocorrer em qualquer fase da vida reprodutiva, mas muitas vezes os sintomas se tornam mais graves à medida que a pessoa se aproxima dos 30 ou 40 anos.

    4. A TPM é psicológica?

    Mito. Embora envolva sintomas psicológicos, a base é biológica e hormonal. É uma resposta fisiológica real às mudanças no organismo.

    5. O TDPM desaparece após a menopausa?

    Sim. Como os sintomas estão ligados ao ciclo ovulatório, a tendência é que desapareçam com a cessação definitiva das menstruações.

    6. O estresse piora a TPM?

    Verdade. O estresse crônico pode aumentar a percepção da dor e a intensidade das alterações de humor, exacerbando o quadro pré-menstrual.

    6. O consumo de álcool interfere nos sintomas?

    Sim. O álcool pode aumentar a instabilidade emocional e piorar a qualidade do sono, além de contribuir para a inflamação sistêmica, tornando as cólicas e o inchaço mais intensos.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Não é novidade que a prática de atividade física é um dos pilares mais importantes para a melhoria da qualidade de vida e para o bom funcionamento do corpo. No entanto, quando o esforço se torna extremo, o organismo pode começar a emitir sinais de alerta. Nas mulheres, um dos primeiros a aparecer é a alteração no ciclo menstrual.

    O exercício físico em excesso, comum em atletas de alto rendimento ou em quem aumenta a intensidade dos treinos de forma abrupta, pode levar desde atrasos na menstruação até a interrupção completa do ciclo, condição conhecida como amenorreia da atleta.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que essa mudança acontece, quais são os principais sinais de alerta e quando é importante procurar avaliação médica.

    Como o exercício físico em excesso afeta a menstruação?

    O ciclo menstrual é regulado por um sistema de comunicação delicado entre o cérebro e os ovários, conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Segundo Andreia, quando você pratica exercícios de intensidade muito elevada, o sistema pode ter interferências que interrompem o ritmo natural da produção hormonal.

    O processo funciona como uma forma de proteção do próprio corpo: quando há um estresse físico muito intenso ou um gasto de energia muito alto, o organismo entende que não é o melhor momento para uma possível gravidez.

    Para economizar energia e manter as funções mais importantes, como o coração batendo e a respiração, o cérebro reduz temporariamente a atividade do sistema reprodutivo. Como consequência, a ovulação pode não acontecer de forma regular, o ciclo menstrual pode ficar mais espaçado ou até mesmo interrompido, e a menstruação pode diminuir ou desaparecer por um período.

    O impacto no fluxo menstrual

    De acordo com Andreia, a alteração não acontece necessariamente de um dia para o outro e, normalmente, o corpo apresenta os sinais progressivamente:

    • Os intervalos entre as menstruações começam a ficar maiores (oligomenorreia);
    • O sangramento torna-se mais escasso a cada mês;
    • A suspensão completa da menstruação por três meses ou mais.

    A principal causa da interrupção é a redução na liberação do hormônio GnRH pelo hipotálamo, o que impede a sequência de eventos que levaria à ovulação. Sem ovulação, não há produção adequada de progesterona, e o endométrio não se descama e, como resultado, não acontece a menstruação.

    Além do estresse físico, a baixa disponibilidade de energia, que ocorre quando as calorias ingeridas não são suficientes para suprir o gasto do treino e as necessidades básicas do corpo, também favorece o desequilíbrio hormonal.

    Sinais de que o treino está sobrecarregando o corpo

    Os principais sinais de que o seu treino ultrapassou o limite saudável incluem:

    • Dificuldade para dormir ou acordar várias vezes durante a noite;
    • Cansaço constante, que não melhora nem com descanso;
    • Queda no rendimento e nas atividades do dia a dia;
    • Perda de peso rápida e sem intenção;
    • Mudanças na composição corporal;
    • Dores frequentes ou inflamações, como tendinite;
    • Lesões recorrentes ou fraturas por estresse;
    • Irritabilidade, ansiedade ou desânimo;
    • Sensação de estresse constante no corpo.

    A ausência de menstruação costuma ser um sinal mais avançado de sobrecarga, que o corpo já vinha indicando por meio de outros sintomas físicos e mentais. Por isso, é importante reconhecer os alertas desde o início, para evitar lesões mais graves e possíveis desequilíbrios metabólicos ao longo do tempo.

    Como diferenciar o treino saudável do nocivo?

    O treino saudável traz disposição e melhora a saúde ao longo do tempo, enquanto o treino nocivo é aquele que causa sofrimento físico constante. Se você parou de menstruar e apresenta dois ou mais dos sinais citados, não significa que você precisa abandonar os exercícios, mas sim que é o momento de ajustar a carga, o descanso e a alimentação com auxílio de um profissional.

    Quem corre mais risco de parar de menstruar?

    O quadro é mais comum em pessoas específicas, onde a exigência física é levada ao limite ou onde ocorre uma mudança muito brusca no estilo de vida. Assim, os grupos que devem ter atenção redobrada são:

    • Atletas de modalidades de endurance: mulheres que praticam esportes de longa duração e alta resistência, como maratonistas, ciclistas, triatletas e nadadoras de competição, têm um gasto de energia muito elevado. Nesses casos, o corpo pode atingir um percentual de gordura muito baixo;
    • Iniciantes que saem do sedentarismo de forma abrupta: pessoas sedentárias que começam a treinar todos os dias com alta intensidade, sem adaptação, podem sobrecarregar o organismo. Se a mudança vier junto com dieta restritiva e perda de peso rápida, o corpo pode entender como um momento de alerta e reduzir a ovulação para economizar energia;
    • Praticantes com baixa disponibilidade de energia: o risco aumenta quando a quantidade de calorias ingeridas não acompanha o gasto com o treino. Quando isso acontece, o corpo entra em déficit energético e, para manter funções essenciais, o cérebro reduz os estímulos do ciclo menstrual.

    Vale ressaltar que não existe uma regra fixa e, segundo Andreia, muitas esportistas profissionais mantêm ciclos perfeitamente regulares. A ausência da menstruação é um sinal de que o equilíbrio entre treino, alimentação e descanso foi rompido e precisa ser ajustado.

    É possível reverter a ausência de menstruação?

    Na grande maioria dos casos, a ausência de menstruação causada pelo excesso de exercício é um quadro reversível. Para isso, são importantes algumas mudanças:

    • Ajustar a carga de treinos, reduzindo a intensidade ou o volume;
    • Diminuir a frequência das sessões ou a duração dos treinos mais intensos;
    • Ajudar a reduzir os níveis de estresse do corpo com treinos mais equilibrados;
    • Aumentar a ingestão calórica para acompanhar o gasto energético;
    • Garantir energia suficiente para o treino e para as funções básicas do organismo;
    • Incluir gorduras boas na alimentação, como azeite, abacate e castanhas;
    • Respeitar os dias de descanso;
    • Priorizar um sono de qualidade, entre 7 e 9 horas por noite;
    • Adotar atividades de relaxamento para ajudar no equilíbrio do corpo.

    O tempo de recuperação varia para cada mulher: algumas retomam o ciclo poucas semanas após ajustarem à rotina, enquanto, em outros casos, pode levar alguns meses para que o eixo hormonal se estabilize completamente.

    Se, mesmo após reduzir a intensidade dos exercícios e melhorar a alimentação, a menstruação não retornar em até três meses, procure orientação de um ginecologista ou um endocrinologista.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é considerado “excesso”?

    Não há um tempo fixo, pois varia conforme o condicionamento de cada mulher. O excesso é caracterizado quando o corpo não consegue se recuperar entre as sessões, gerando fadiga crônica e alterações hormonais.

    2. Posso treinar pesado durante a menstruação?

    Sim, desde que você se sinta bem. Algumas mulheres sentem queda no rendimento, enquanto outras não sentem diferença. O importante é ouvir o seu corpo.

    3. O excesso de exercício causa infertilidade?

    A ausência de menstruação indica que não há ovulação, o que impede a gravidez naquele momento. No entanto, o quadro costuma ser reversível quando o treino e a dieta são ajustados.

    4. Tomar muito whey protein ou creatina afeta o ciclo?

    Não há evidências de que suplementos como whey ou creatina alterem o ciclo menstrual. O problema geralmente está no déficit de calorias totais ou no estresse do treino, não no suplemento.

    5. Como saber se parei de menstruar por causa do treino ou por gravidez?

    O primeiro passo é realizar um teste de gravidez (Beta-HCG). Se der negativo e você treina intensamente, a causa provável é o esforço físico ou estresse.

    6. Quais alimentos ajudam a regular o ciclo de quem treina?

    Alimentos ricos em gorduras boas (azeite, castanhas, abacate), carboidratos complexos (aveia, batata-doce) e ferro ajudam a fornecer a energia necessária para o sistema hormonal.

    7. Existe algum tipo de exercício que ajuda a regular a menstruação?

    Exercícios de intensidade moderada, como yoga, pilates, caminhadas e natação recreativa, ajudam a reduzir o estresse e podem auxiliar na regulação do ciclo, desde que não haja déficit calórico.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

  • O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    A tensão pré-menstrual, também conhecida como TPM, consiste em um conjunto de sintomas que aparecem nos dias antes da menstruação. Ela acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, principalmente dos níveis de estrogênio e progesterona.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a TPM ocorre de forma cíclica, normalmente na segunda fase do ciclo (fase lútea), desaparecendo logo após o início do fluxo menstrual. No período, é comum perceber mudanças no corpo e no humor, mas que podem variar bastante de uma mulher para outra.

    A gravidade da TPM não depende só do tipo de sintoma, mas do quanto ele atrapalha o dia a dia. Enquanto para algumas as mudanças são leves e fáceis de lidar, para outras os sintomas são mais fortes, causam muito desconforto e podem até impedir as tarefas rotineiras, sendo necessário acompanhamento médico e ajustes no estilo de vida.

    Afinal, quais os sintomas de TPM?

    Os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) podem variar bastante de uma mulher para outra e costumam envolver tanto o corpo quanto o emocional. Entre os sintomas físicos, podemos destacar:

    • Dores e desconfortos, como cólica e dor de cabeça ou enxaqueca;
    • Inchaço, por retenção de líquidos e distensão abdominal;
    • Aumento da sensibilidade nas mamas;
    • Alterações no apetite, com mais fome ao longo do dia e vontade de comer doce;
    • Mudanças leves na memória, atenção e concentração.

    Já os sintomas emocionais podem aparecer de forma leve, mas em alguns casos são mais intensos:

    • Irritação, mudanças de humor e maior impulsividade;
    • Sensibilidade emocional, com choro fácil;
    • Tristeza mais profunda ou ansiedade.

    Em quadros mais graves, como o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), os sintomas emocionais podem ser mais intensos e exigir acompanhamento médico.

    Como aliviar os sintomas de TPM?

    Para aliviar os sintomas da TPM, é necessário focar na redução da inflamação do organismo e na regulação dos neurotransmissores, que são afetados pelas variações hormonais. O tratamento pode variar desde ajustes simples no dia a dia até o uso de medicamentos, dependendo da intensidade dos sintomas.

    1. Mudanças no estilo de vida

    Pequenas adaptações na rotina podem ajudar bastante a reduzir os sintomas físicos e emocionais da TPM, como:

    • Alimentação equilibrada: evite o consumo excessivo de açúcar, sal, cafeína e álcool, que podem piorar o inchaço, a irritação e a ansiedade. Dê preferência a alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
    • Beber bastante água: o consumo frequente de água ao longo do dia também faz diferença no controle da retenção de líquidos, ajuda o organismo a eliminar o excesso de sódio e pode reduzir a sensação de inchaço;
    • Exercícios físicos: a prática regular de atividade física, principalmente aeróbica (como caminhada, corrida ou bicicleta), ajuda a liberar endorfina e dopamina, que melhoram o humor, reduzem a dor e diminuem a sensação de estresse;
    • Higiene do sono: ter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar e criar um ambiente confortável para o sono ajuda o corpo a lidar melhor com as mudanças hormonais e reduz o cansaço e a irritabilidade;
    • Controle do estresse: técnicas como meditação, respiração profunda, yoga ou momentos de pausa no dia ajudam a equilibrar o emocional e diminuir a intensidade das oscilações de humor;
    • Exposição ao sol: pegar um pouco de sol diariamente, de forma segura, ajuda na produção de vitamina D, que está relacionada ao humor e ao bem-estar.

    2. Vitaminas e suplementos

    Quando usados com orientação profissional, alguns nutrientes podem contribuir para aliviar os sintomas físicos da TPM, segundo Andreia. Os mais comuns incluem:

    • Vitamina B6: ajuda no controle da ansiedade, da irritação e das alterações de humor, além de contribuir para o bom funcionamento do sistema nervoso;
    • Magnésio: auxilia na redução das cólicas, da sensibilidade nas mamas e da tensão muscular, além de ajudar no relaxamento e na qualidade do sono;
    • Ômega-3 (óleo de peixe): tem ação anti-inflamatória, podendo ajudar a reduzir dores, inchaço e até melhorar o humor, já que também atua na função cerebral;
    • Cálcio: pode auxiliar na diminuição da retenção de líquidos e na melhora dos sintomas emocionais, como irritação e alterações de humor, sendo um nutriente importante para o equilíbrio do organismo na fase.

    É importante ressaltar que, embora muitos suplementos e vitaminas sejam de origem natural, o seu uso deve ser sempre orientado por um profissional da saúde.

    3. Tratamentos médicos

    Quando os sintomas são mais intensos e afetam a qualidade de vida da mulher, pode ser necessário acompanhamento médico:

    • Bloqueio da menstruação: o uso de anticoncepcionais (hormônios) pode ser indicado para estabilizar as variações hormonais e eliminar o ciclo que desencadeia a TPM;
    • Antidepressivos: em casos onde predominam sintomas psíquicos graves, o uso de Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (como a fluoxetina) pode ser prescrito, às vezes apenas durante a fase lútea;
    • Psicoterapia: importante para mulheres que enfrentam quadros emocionais severos, ajudando no controle da irritabilidade e da depressão cíclica.

    Nos casos de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), Andreia orienta que é necessário ter a avaliação de um psiquiatra. O quadro pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações importantes de humor e até pensamentos negativos mais sérios, que podem ser confundidos com outros transtornos psiquiátricos.

    Quando a TPM deixa de ser normal?

    A TPM passa a ser um sinal de alerta quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar de verdade a rotina, o que inclui situações como:

    • Mudanças de humor muito intensas, como irritação fora do comum ou crises de choro;
    • Tristeza profunda, ansiedade forte ou sensação de descontrole;
    • Conflitos frequentes em relacionamentos por causa do humor;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina normal;
    • Sintomas físicos fortes, como dor incapacitante, enxaqueca ou muito inchaço;
    • Sensação de que você “não é você mesma” nesse período.

    Quando os sintomas emocionais são muito intensos e repetem todo mês, pode ser um quadro de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

    Nesses casos, podem aparecer sinais como depressão mais profunda antes da menstruação, ansiedade intensa, irritabilidade extrema e pensamentos muito negativos. Se você apresentar qualquer um dos sinais, procure orientação médica.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. O que é a TPM e por que ela acontece?

    A tensão pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem devido às variações hormonais do ciclo menstrual, especialmente a queda de estrogênio e progesterona na segunda fase do ciclo.

    2. Quanto tempo antes da menstruação a TPM começa?

    Normalmente, os sintomas aparecem na fase lútea, cerca de 10 a 14 dias antes da menstruação, e tendem a desaparecer logo no primeiro ou segundo dia do fluxo.

    3. Por que sinto tanta fome e vontade de comer doces na TPM?

    Isso ocorre devido à hiperfagia. O corpo busca repor energia e carboidratos rapidamente para lidar com o gasto energético da fase lútea, além de buscar o bem-estar imediato que o açúcar proporciona.

    4. Existe algum chá que ajude a aliviar a TPM?

    Alguns chais com propriedades relaxantes ou anti-inflamatórias, como camomila, gengibre e folhas de amora, podem auxiliar no conforto, mas não substituem o tratamento médico.

    5. A TPM piora com a idade?

    Muitas mulheres relatam que os sintomas se tornam mais evidentes após os 30 ou 40 anos, fase em que as oscilações hormonais da pré-menopausa podem começar a surgir.

    6. É possível ter TPM mesmo sem menstruar (quem usa DIU ou toma pílula contínua)?

    Depende. Se o método apenas reduz o fluxo mas permite a oscilação hormonal do ciclo, a mulher pode sentir sintomas. No entanto, se o método bloqueia totalmente o ciclo, a tendência é que os sintomas de TPM desapareçam.

    7. Existe algum exame de sangue que diagnostica a TPM?

    Não existe um exame específico. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico da paciente e na confirmação de que os sintomas aparecem e desaparecem de forma cíclica, acompanhando as fases do ciclo menstrual.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Emagrecimento pode afetar o ciclo menstrual? Saiba quando é preocupante

    Durante um processo de emagrecimento, o organismo precisa se adaptar a um estado de menor ingestão calórica e diminuição da massa corporal, o que pode causar algumas alterações no ciclo menstrual.

    O corpo feminino é muito sensível a mudanças de peso, podendo interferir diretamente na produção e no equilíbrio dos hormônios que regulam a menstruação. Vamos entender mais, a seguir.

    Como o emagrecimento interfere no ciclo menstrual?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, em casos de obesidade, pode acontecer a desregulação do ciclo menstrual porque o excesso de gordura corporal aumenta a produção de hormônios, especialmente os androgênios.

    O desequilíbrio hormonal pode levar a ciclos irregulares, mais espaçados e, em alguns casos, até à ausência de ovulação, algo bastante comum em quadros como a síndrome dos ovários policísticos.

    Quando há uma redução de peso, seja pela diminuição da ingestão calórica ou pela perda de gordura corporal, a produção excessiva de hormônios tende a diminuir. Aos poucos, o organismo volta a funcionar de maneira mais equilibrada, o que favorece a regularização do ciclo menstrual e da ovulação ao longo do tempo.

    E quando o emagrecimento é excessivo?

    Em caso de emagrecimento rápido e intenso, o organismo pode entrar em um estado de economia de energia, no qual passa a priorizar funções essenciais para a sobrevivência, como a respiração, a circulação e o funcionamento dos órgãos vitais.

    Nesses casos, o corpo entende que não é um momento favorável para uma possível gestação. Como consequência, pode haver redução na produção de hormônios reprodutivos, diminuição ou ausência de ovulação e alterações no ciclo menstrual, como:

    • Atraso na menstruação;
    • Ciclos irregulares;
    • Fluxo menstrual mais fraco;
    • Ausência de menstruação (amenorreia).

    Apesar de ser uma resposta natural do corpo, isso também mostra que ele está sobrecarregado e com pouca energia disponível, o que precisa de um acompanhamento adequado.

    Segundo Andreia, o ideal é manter um peso equilibrado, com uma quantidade adequada de gordura corporal para garantir uma produção hormonal adequada.

    O uso de análogos de GLP-1 causa mudanças no ciclo menstrual?

    Segundo Andreia, no caso de pessoas que estão em tratamento com análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, as alterações no ciclo menstrual estão muito mais relacionadas ao peso do que diretamente ao medicamento.

    Eles atuam imitando a ação de um hormônio natural do intestino, o GLP-1, que participa do controle da fome e da saciedade. De acordo com estudos, os remédios podem promover um emagrecimento rápido e significativo, com perdas que podem ultrapassar 15% a 20% do peso corporal.

    Como a perda acelerada pode incluir não apenas gordura, mas também massa muscular, é necessário manter o acompanhamento médico, a prática de atividade física e uma alimentação adequada ao longo do tratamento.

    Alterações na absorção de anticoncepcionais orais

    Com o uso dos análogos de GLP-1, Andreia aponta que pode ocorrer interferência na absorção de diversos remédios, em especial nos contraceptivos hormonais, tanto os combinados (estrogênio + progesterona) quanto os que têm apenas progesterona.

    Isso pode acontecer por três mecanismos principais:

    • Esvaziamento gástrico mais lento, que pode alterar a absorção dos medicamentos;
    • Efeitos adversos, como náuseas, vômitos e diarreia, que também podem prejudicar a absorção;
    • Perda de peso, que pode melhorar a ovulação em mulheres que tinham infertilidade associada à obesidade.

    Por conta disso, Andreia explica que têm sido observados casos de gestações não planejadas em mulheres que utilizam essas medicações, fenômeno que ficou popularmente conhecido como “bebês de Ozempic”.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e as fabricantes orientam que, ao iniciar o uso ou aumentar a dose dos medicamentos, seja utilizado um método contraceptivo adicional, como o preservativo, ou que se opte por um método que não seja via oral, como:

    • Injetáveis mensais;
    • Adesivo transdérmico;
    • Anel vaginal;
    • Implante subcutâneo, como o Implanon;
    • DIU.

    Todos os métodos utilizam vias de administração diferentes da via oral e, por isso, não são afetados da mesma forma pelos remédios.

    Quando as mudanças na menstruação são preocupantes? Todas as alterações na menstruação devem ser investigadas, segundo Andreia, especialmente mudanças no fluxo, no intervalo entre os ciclos ou na duração da menstruação.

    Nem sempre a causa está relacionada ao peso ou ao uso de medicamentos. As alterações podem ocorrer devido a condições como distúrbios da tireoide ou alterações nos níveis de prolactina, por exemplo.

    O ideal é sempre realizar uma avaliação com exames de sangue e uma investigação clínica adequada. Caso nenhuma outra causa seja identificada e a pessoa esteja em uso dessas medicações, a ginecologista explica que aí sim possível considerar uma relação com o tratamento.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O Ozempic altera diretamente os hormônios femininos?

    Não diretamente. As mudanças ocorrem principalmente devido à perda de gordura corporal (que produz estrogênio) e à melhora da resistência à insulina, o que acaba recalculando o eixo hormonal da mulher.

    2. Perder peso ajuda a regularizar a menstruação em quem tem SOP?

    Sim, a perda de peso reduz a gordura abdominal e a resistência à insulina, fatores que costumam diminuir a ovulação em mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos.

    3. É normal sentir mais cólicas durante o tratamento para emagrecer?

    Pode acontecer devido às mudanças inflamatórias no corpo e à rápida mobilização hormonal. Se a dor for intensa ou incapacitante, é necessário procurar o médico.

    4. Quanto tempo o ciclo leva para normalizar após a perda de peso?

    Normalmente, o corpo leva de 3 a 6 meses para se adaptar ao novo peso e estabilizar a produção hormonal.

    5. Posso usar Ozempic ou Wegovy tentando engravidar?

    Não. A recomendação é interromper o uso pelo menos dois meses antes de tentar engravidar, devido à falta de estudos de segurança no feto.

    6. O que é a amenorreia hipotalâmica no emagrecimento?

    É a interrupção da menstruação porque o cérebro detecta um déficit calórico extremo, “desligando” o sistema reprodutor para poupar energia para funções vitais.

    7. Como diferenciar um atraso por emagrecimento de uma gravidez?

    Não há como diferenciar apenas pelos sintomas, pois o atraso menstrual é comum a ambos. O ideal é realizar um teste de gravidez de farmácia ou de sangue (Beta-hCG) ao notar qualquer atraso superior a uma semana.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão 

    Nem toda mulher se sente confortável menstruando todos os meses. Seja por condições de saúde ou por sintomas intensos, como cólicas e fluxo pesado, o ciclo pode interferir na rotina e na qualidade de vida — levando muitas pessoas a considerarem a suspensão da menstruação sob orientação médica.

    Mas, do ponto de vista biológico, tem algum problema em interromper o ciclo? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza para entender se a decisão é segura, em quais casos a suspensão é indicada e quais medidas podem tornar o período menstrual mais tranquilo

    Qual o papel do ciclo menstrual?

    O ciclo menstrual faz parte do funcionamento natural do corpo feminino durante a fase reprodutiva. Basicamente, a cada mês, o organismo se prepara para uma possível gravidez, com alterações hormonais que estimulam a ovulação e o espessamento do endométrio, camada interna do útero.

    Quando a gravidez não acontece, ocorre a descamação desse tecido, o que provoca a menstruação.

    Além da função reprodutiva, o ciclo também influencia vários aspectos da saúde, como humor, energia, pele, sono e até desempenho físico. Por isso, qualquer decisão sobre parar ou não de menstruar deve ser feita com acompanhamento médico, considerando também o bem-estar da mulher.

    Suspender a menstruação é seguro?

    Na maioria dos casos, a suspensão da menstruação com métodos hormonais é considerada segura quando há acompanhamento médico. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, parar de menstruar não costuma provocar desequilíbrio hormonal nem alterações prejudiciais ao organismo.

    Ou seja, se a mulher deseja interromper a menstruação, seja por escolha pessoal ou por alguma condição de saúde, isso normalmente não causa problemas para a fertilidade.

    Os contraceptivos usados para parar a descida de sangue não mudam a fertilidade de base. O que pode acontecer é a pessoa já ter infertilidade e não saber, simplesmente porque nunca tentou engravidar.

    De qualquer forma, vale sempre avaliar o histórico de saúde, fatores de risco cardiovascular, presença de doenças hormonais ou ginecológicas e o método escolhido. Cada organismo reage de um jeito, por isso a orientação profissional ajuda a garantir mais segurança e tranquilidade.

    Quando parar de menstruar pode ser indicado?

    A suspensão da menstruação pode ser indicada tanto por motivos médicos quanto pessoais. Entre as condições, Andreia aponta:

    • Endometriose, que costuma causar dor intensa e pode piorar com os ciclos menstruais;
    • Miomas uterinos, que podem aumentar o fluxo e provocar sangramentos prolongados;
    • Anemia causada por menstruação muito intensa ou frequente;
    • Cólicas menstruais fortes, que atrapalham rotina, trabalho ou estudos;
    • TPM muito intensa ou transtorno disfórico pré-menstrual, com sintomas físicos e emocionais marcantes;
    • Fluxo menstrual muito abundante ou irregular.

    Ela também pode ser considerada quando a menstruação afeta a qualidade de vida, a rotina profissional, a prática esportiva ou o conforto pessoal.

    Em todos os casos, é fundamental conversar com o ginecologista para entender o que faz sentido para o seu corpo e para a sua rotina.

    Como é feita a interrupção da menstruação?

    A interrupção da menstruação normalmente é feita com métodos hormonais, que atuam reduzindo o espessamento do endométrio ou bloqueando a ovulação, como aponta Andreia:

    • Pílula anticoncepcional contínua combinada (estrogênio + progesterona): usada sem pausa para evitar o sangramento mensal;
    • Pílula só de progesterona: que também pode reduzir ou suspender a menstruação, embora às vezes cause escapes;
    • Implante hormonal (como Implanon): que bloqueia a menstruação em muitas mulheres, mas pode provocar sangramentos irregulares após alguns meses;
    • DIU hormonal: considerado um dos métodos mais eficazes, principalmente o Mirena, que possui maior dose hormonal e costuma inibir melhor o endométrio;
    • DIU hormonal com menor dose (como Kyleena): que pode reduzir o fluxo, mas nem sempre bloqueia totalmente.

    Vale lembrar que o DIU de cobre não suspende a menstruação e pode até aumentar o fluxo. Ele não contém hormônios e age principalmente dificultando a fecundação, por isso não costuma bloquear o ciclo menstrual.

    Também existem outras formas de interromper a menstruação, mas normalmente são usadas apenas em situações específicas e por tempo limitado. Um exemplo são os análogos de GnRH, medicamentos que induzem uma espécie de menopausa temporária ao bloquear totalmente o eixo hormonal.

    Segundo Andreia, eles costumam ser usados antes de cirurgias ginecológicas, como em casos de miomas grandes com anemia importante. O objetivo é reduzir o sangramento, melhorar a anemia e até diminuir o volume dos miomas, facilitando o procedimento cirúrgico. Normalmente, o uso dura de três a seis meses.

    Diferença entre parar a menstruação e ter sangramentos de escape

    Nem todo sangramento durante o uso de contraceptivos significa menstruação. O sangramento de escape pode acontecer quando o endométrio fica muito fino por ação hormonal e pequenos vasos acabam sangrando.

    O sangramento costuma ser mais leve, irregular e sem os sintomas típicos do ciclo menstrual. Pode acontecer principalmente nos primeiros meses de uso ou com métodos que liberam apenas progesterona.

    É possível parar a menstruação que já desceu?

    Não é possível parar a menstruação imediatamente depois que ela já começou, pois é um processo natural de descamação do útero.

    No entanto, é possível reduzir o fluxo ou a duração com acompanhamento médico, usando medicamentos hormonais ou anti-inflamatórios, ou métodos contínuos como anticoncepcional para regular ciclos futuros.

    As opções devem sempre ser avaliadas por um médico, já que a escolha do tratamento depende do histórico de saúde, da causa do sangramento e do objetivo da paciente. Por isso, jamais se automedique!

    Existe idade ideal para parar de menstruar?

    Não existe uma idade única válida para todas, mas em adolescentes, Andreia aponta que é preciso ter cautela maior porque o organismo ainda está em desenvolvimento, principalmente em relação à massa óssea.

    Mesmo assim, quando há indicação médica ou necessidade contraceptiva, o acompanhamento especializado permite avaliar riscos e benefícios.

    Na vida adulta, a decisão tende a ser mais simples, desde que não haja contraindicações clínicas. Em qualquer fase, a avaliação individual continua sendo o fator mais importante.

    Mudanças no estilo de vida podem ajudar no ciclo menstrual

    O funcionamento do ciclo menstrual não depende apenas dos hormônios, de modo que os hábitos no dia a dia podem influenciar nos sintomas e na regularidade da menstruação. Pequenos ajustes na rotina já podem ajudar, como:

    • Prática regular de atividade física: ajuda na regulação hormonal, melhora cólicas, sintomas de TPM e disposição geral;
    • Alimentação equilibrada e menos inflamatória: priorizar alimentos naturais, reduzir ultraprocessados, açúcar e gorduras em excesso;
    • Sono de qualidade: dormir bem favorece equilíbrio hormonal e estabilidade emocional;
    • Controle do estresse: técnicas de respiração, terapia, meditação ou momentos de lazer podem reduzir sintomas físicos e emocionais do ciclo;
    • Hidratação adequada: contribui para funcionamento metabólico, redução de inchaço e bem-estar geral.

    Vale ressaltar que as mudanças de estilo de vida não substituem o tratamento médico quando há doenças ginecológicas, mas funcionam como um suporte. Em muitos casos, melhorar hábitos já traz alívio significativo e ajuda a tornar o ciclo mais tranquilo.

    Perguntas frequentes

    1. O sangue não fica “preso” ou “acumulado” no corpo?

    Não, quando você usa um método para interromper o ciclo, o hormônio impede que a parede do útero (endométrio) engrosse. Se essa camada não cresce, não há o que descamar. Portanto, não há sangue acumulado.

    2. Parar de menstruar afeta a fertilidade no futuro?

    Não. Assim que você interrompe o uso do método hormonal, o corpo retoma o eixo natural de ovulação. A fertilidade não é prejudicada pelo tempo em que você ficou sem menstruar.

    3. Posso parar a menstruação por conta própria?

    Não é recomendado. É preciso uma avaliação médica para saber qual hormônio é compatível com seu histórico de saúde (pressão alta, tabagismo, risco de trombose, etc.).

    4. Quanto tempo demora para o corpo se adaptar e parar totalmente?

    Em média, de 3 a 6 meses. Durante esse período, o útero está se ajustando à nova carga hormonal.

    5. Posso usar o coletor menstrual ou absorvente interno enquanto me adapto?

    Sim. Durante a fase de adaptação, onde podem ocorrer os escapes, você pode usar qualquer método de higiene menstrual (absorventes, coletores, calcinhas absorventes). O uso de hormônios não interfere no uso desses produtos.

    6. Como fica a TPM quando paramos de menstruar?

    Na maioria dos casos, a TPM melhora significativamente ou desaparece, pois os sintomas são causados pelas flutuações hormonais do ciclo natural. Com o método contínuo, os níveis hormonais ficam estáveis, evitando os altos e baixos emocionais e físicos