Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Quimerismo: o que é e como pode afetar o teste de paternidade? 

    Quimerismo: o que é e como pode afetar o teste de paternidade? 

    Você já ouviu falar em quimerismo? Uma das condições genéticas mais raras do mundo, ele acontece quando uma mesma pessoa possui duas ou mais populações de células com DNAs diferentes no próprio organismo. Em vez de todas as células carregarem exatamente o mesmo material genético, como acontece na maioria das pessoas, o organismo passa a ser formado por grupos celulares com origens distintas.

    Na maioria dos casos, o quimerismo não causa sintomas, não altera a aparência e pode passar despercebido durante toda a vida. Ela costuma ser identificada quando a pessoa realiza exames genéticos por outros motivos, como testes de paternidade ou maternidade.

    Como uma pessoa com quimerismo pode apresentar mais de um código genético no mesmo organismo, os exames tradicionais de DNA podem gerar resultados inconsistentes ou inesperados, o que pode levantar dúvidas sobre a relação de parentesco.

    Mas afinal, por que isso acontece? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e esclarecemos tudo que você precisa saber, a seguir.

    O que é quimerismo?

    O quimerismo é uma condição genética extremamente rara em que um único indivíduo possui duas ou mais populações de células com DNAs diferentes no próprio organismo. Para entender como isso acontece, vale lembrar como funciona a genética humana.

    De acordo com Andreia, no momento da concepção, o espermatozoide do pai, com 23 cromossomos, se une ao óvulo da mãe, também com 23 cromossomos, formando uma única célula com 46 cromossomos. A partir dela, ocorre um processo contínuo de multiplicação celular chamado mitose, responsável por gerar bilhões de células geneticamente idênticas que darão origem a todos os órgãos e tecidos do corpo.

    No caso do quimerismo, o desenvolvimento segue um caminho diferente logo nas primeiras fases da gestação. Em vez de apenas um embrião, dois embriões distintos são formados a partir da fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides diferentes, o que normalmente daria origem a gêmeos fraternos, também chamados de gêmeos bivitelinos.

    No entanto, ainda nos primeiros dias de desenvolvimento, os dois embriões se fundem e passam a formar um único indivíduo. Como consequência, a pessoa nasce e se desenvolve normalmente, mas diferentes partes do organismo podem carregar materiais genéticos distintos.

    Em alguns casos, determinadas regiões do corpo, como a pele ou o sangue, apresentam o DNA de um dos embriões, enquanto outros órgãos ou tecidos possuem o DNA do outro. Apesar da diferença genética, o organismo costuma funcionar de forma completamente normal.

    O quimerismo pode acontecer em filhos do mesmo pai e mãe?

    O quimerismo natural ocorre justamente entre irmãos gerados pelo mesmo pai e pela mesma mãe. Quando os dois embriões se fundem no útero, eles são tecnicamente irmãos que compartilhariam o mesmo espaço e tempo de gestação.

    Como ambos os embriões são filhos do mesmo casal, eles compartilham a mesma origem biológica, mas não possuem exatamente o mesmo DNA. Durante a formação dos gametas, ocorre um processo chamado meiose, no qual os cromossomos são distribuídos e recombinados de maneira única.

    Logo, mesmo irmãos biológicos apresentam combinações genéticas diferentes e podem ter características físicas bastante distintas, como cor dos olhos, tipo de cabelo, altura ou tom de pele.

    Na pessoa com quimerismo, Andreia explica que as duas combinações genéticas passam a coexistir no mesmo organismo: uma parte das células carrega a combinação de genes de um dos embriões, e outra parte carrega a combinação do outro, misturando traços diferentes na mesma pessoa.

    Apesar da particularidade, o organismo geralmente funciona de forma normal e a condição costuma passar despercebida ao longo da vida.

    Como o quimerismo afeta o teste de paternidade?

    O quimerismo pode afetar o teste de paternidade porque os exames tradicionais de DNA partem do princípio de que todas as células do corpo de uma pessoa possuem exatamente o mesmo código genético. Como o indivíduo com quimerismo carrega dois DNAs diferentes, o resultado do teste pode ser confuso ou apresentar uma inconsistência inesperada.

    Se um homem com quimerismo fizer um teste de paternidade, pode acontecer o seguinte cenário: o DNA coletado na boca dele (saliva) pode pertencer a uma linhagem celular, enquanto o DNA presente nos seus espermatozoides pertence a outra linhagem.

    Se o filho herdar o DNA das células reprodutivas, o teste feito com a saliva do pai vai apontar que eles não têm parentesco, gerando um falso negativo. O mesmo pode acontecer em testes de maternidade, caso o DNA do óvulo seja diferente do DNA da bochecha da mãe.

    De acordo com Andreia, os testes de paternidade atuais são extremamente exatos e específicos. Quando ocorre um caso de quimerismo, quem está analisando o exame nota que os padrões não batem, mas que também não se trata de uma exclusão comum de paternidade.

    Os laboratórios de genética estão preparados para identificar os sinais de alerta quando há uma incompatibilidade muito grande ou inexplicável entre os tecidos analisados.

    O que o laboratório faz em caso de dúvida?

    Sempre que um exame genético apresenta um resultado incompatível com a história clínica ou familiar do paciente, os laboratórios seguem protocolos rigorosos antes de emitir um laudo definitivo.

    Quando existe a suspeita de quimerismo, algumas medidas podem ser adotadas para esclarecer o caso, como:

    Coleta de amostras de diferentes tecidos

    Se o primeiro exame foi realizado com saliva (mucosa oral), o laboratório pode solicitar novas amostras de sangue, fios de cabelo com a raiz, células da pele ou outros tecidos. Como uma pessoa com quimerismo pode apresentar populações celulares diferentes em partes distintas do corpo, a comparação entre as amostras ajuda a identificar a condição.

    Nova coleta de material genético

    Em algumas situações, a quantidade ou a qualidade da amostra inicial pode não ser suficiente para uma análise detalhada. O laboratório solicita uma nova coleta para repetir o exame e verificar a presença de perfis genéticos distintos.

    Análise do histórico médico

    Os especialistas também investigam se o paciente já realizou transplante de medula óssea, recebeu um transplante de órgãos ou passou por procedimentos médicos que possam interferir na interpretação do exame. As informações são importantes para diferenciar o quimerismo de outras situações que podem alterar o resultado de testes genéticos.

    Qual a diferença entre quimerismo e mosaicismo?

    Tanto o quimerismo quanto o mosaicismo fazem com que uma pessoa tenha populações de células geneticamente diferentes no organismo, mas a origem da diferença é completamente distinta, segundo Andreia.

    No quimerismo

    • As células têm origens diferentes, geralmente porque dois embriões se fundiram nas primeiras fases da gestação;
    • Cada população celular possui um conjunto completo de cromossomos e genes diferente, já que deriva de embriões distintos.

    No mosaicismo

    • Todas as células se originam de um único embrião;
    • Durante o desenvolvimento fetal, ocorre uma mutação em uma das primeiras células, que passa a dar origem a uma linhagem celular diferente das demais;
    • A alteração costuma ser pontual, envolvendo um gene específico ou uma alteração cromossômica, enquanto o restante do material genético permanece igual.

    Em alguns casos, diferenciar quimerismo e mosaicismo pode ser um desafio, sendo necessários exames genéticos mais aprofundados.

    Um dos exemplos mais conhecidos de mosaicismo é a Síndrome de Down em mosaico, em que apenas uma parte das células apresenta a trissomia do cromossomo 21, enquanto as demais possuem a quantidade habitual de cromossomos.

    Ela acontece porque a alteração cromossômica ocorre durante as primeiras divisões celulares do embrião, fazendo com que algumas linhagens celulares mantenham a trissomia e outras não. Assim, a proporção de células alteradas pode variar bastante de uma pessoa para outra, influenciando também a intensidade das manifestações clínicas.

    O quimerismo pode influenciar uma gestação?

    O quimerismo pode gerar dúvidas na interpretação de testes genéticos, especialmente em exames de parentesco. Fora isso, Andreia aponta que não costuma causar problemas de saúde para os filhos nem trazer riscos diretos para a gestação.

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    Perguntas frequentes

    1. O quimerismo é uma doença?

    Não, o quimerismo é apenas uma condição genética. Na maioria absoluta dos casos, o organismo funciona perfeitamente bem e a pessoa é totalmente saudável.

    2. Quais são os sintomas do quimerismo?

    Normalmente nenhum. A maioria das pessoas passa a vida toda sem saber que tem a condição. Raramente, podem surgir manchas de tons diferentes na pele ou olhos de cores diferentes (heterocromia).

    3. Quem faz transplante de medula vira quimera?

    Sim, esse é o chamado quimerismo artificial. Como a medula transplantada passa a produzir o sangue, o paciente terá o DNA do doador no sangue e o seu próprio DNA no restante dos órgãos.

    4. O que é microquimerismo fetal?

    É uma troca natural de células entre a mãe e o feto pela placenta durante a gravidez. Células do filho podem permanecer vivas e circulando no corpo da mãe por décadas.

    5. O quimerismo passa de pai para filho?

    Não, o quimerismo natural é um evento aleatório que acontece na formação do embrião, não sendo uma characteristic hereditária que se transmite para as próximas gerações.

    6. O quimerismo pode afectar a saúde mental ou o cérebro?

    Não, o quimerismo é uma condição puramente física e genética que afeta a distribuição das células. Ele não causa atrasos no desenvolvimento cognitivo, problemas neurológicos ou alterações de saúde mental.

    7. Quem tem quimerismo pode doar sangue normalmente?

    Sim, desde que cumpra os requisitos básicos de qualquer doador. No entanto, se a pessoa souber que tem quimerismo e apresentar dois tipos sanguíneos diferentes no corpo, ela deve informar o hemocentro para que a tipagem correta seja registrada.

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  • Sangramento após relação sexual é grave? Ginecologista explica as principais causas (e o que fazer)

    Sangramento após relação sexual é grave? Ginecologista explica as principais causas (e o que fazer)

    Conhecido como sangramento pós-coital ou sinusorragia, o sangramento que acontece durante ou logo após a relação sexual é um sintoma relativamente comum que pode ocorrer em algum momento da vida. Mas, apesar de normalmente estar relacionado a causas benignas, ele não é considerado normal e precisa ser investigado por um médico.

    Como o trato genital feminino possui diversas estruturas delicadas, o sangramento pode ser o primeiro sinal de infecções, alterações hormonais ou lesões mais graves que exigem diagnóstico e tratamento precoces, como o câncer do colo do útero.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que pode causar o sangramento, quando ele pode indicar algo mais sério e como deve ser feita a investigação médica correta.

    Afinal, o que é sinusorragia?

    O termo sinusorragia é usado para definir qualquer sangramento vaginal que acontece durante ou logo após a relação sexual, sem que ele tenha relação com o período menstrual normal da mulher.

    Ele pode variar desde um sangramento vermelho vivo em maior quantidade até um leve borrão rosado ou amarronzado que a mulher percebe apenas ao se limpar.

    Ele não é uma doença em si, mas um sinal de que alguma estrutura do trato genital feminino (seja a vulva, a vagina, o colo do útero ou o endométrio) sofreu um pequeno trauma, está inflamada ou apresenta alguma lesão que precisa ser avaliada por um médico.

    Principais causas de sangramento após a relação sexual

    Para entender a origem do sangramento, Andreia explica que é preciso avaliar todas as estruturas do trato genital feminino que podem estar envolvidas. Na ausência de gravidez, as principais causas investigadas incluem:

    1. Fissuras e traumas na vagina

    A entrada da vagina e a região do períneo, que é a área mais baixa, entre a vagina e o ânus, são zonas naturalmente mais frágeis. Se a mulher não estiver bem lubrificada ou apresentar algum grau de atrofia no tecido, o atrito da relação sexual pode abrir uma pequena rachadura.

    Nesses casos, o sangue costuma ser em vermelho vivo, in pequena quantidade, e costuma vir acompanhado de uma sensação de ardência ou dor local bastante incômoda.

    2. Infecções vaginais e ISTs

    As infecções vaginais, como a candidíase e a vaginose bacteriana, assim como as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo clamídia e gonorreia, podem provocar inflamação na vagina e no colo do útero.

    Como consequência, a mucosa fica mais sensível e vulnerável a pequenos traumas. Nessas situações, o atrito durante a relação sexual pode romper vasos sanguíneos superficiais e causar um sangramento.

    3. Ressecamento vaginal e alterações hormonais

    O ressecamento vaginal costuma ser o sinal mais visível de alterações hormonais, especialmente da redução dos níveis de estrogênio. Segundo Andreia, ele é mais comum durante a menopausa, no período pós-parto, durante a amamentação ou em mulheres que utilizam determinados anticoncepcionais hormonais.

    Com menos estrogênio, o tecido vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado. A condição, conhecida como atrofia genital ou atrofia vaginal, aumenta o risco de pequenas lesões e sangramentos durante a relação sexual.

    4. Alterações do endométrio e os pólipos uterinos

    O endométrio, que é o tecido que reveste a parte interna do útero, responde diretamente às variações hormonais do organismo. Em algumas situações, ele pode apresentar alterações como espessamento excessivo (chamado de hiperplasia endometrial) ou o surgimento de pólipos, que são pequenos crescimentos geralmente benignos.

    As condições podem favorecer sangramentos irregulares, que em alguns casos se tornam mais perceptíveis após a relação sexual.

    5. Lesões do colo do útero e o câncer

    As lesões causadas pelo HPV e o câncer do colo do útero estão entre as causas mais importantes que devem ser investigadas quando há sangramento após a relação sexual. As alterações podem tornar o colo do útero mais frágil e vascularizado, facilitando a ocorrência de sangramentos durante o contato físico da penetração.

    O câncer é uma causa menos frequente, mas a presença de sangramentos frequentes precisa de avaliação médica, especialmente quando está associada a outros sintomas, como corrimento anormal, dor pélvica ou sangramentos fora do período menstrual.

    Sangramento após a relação pode indicar gravidez?

    O sangramento após a relação sexual pode estar associado à gravidez, inclusive em fases tão iniciais que a mulher ainda nem sabe que está grávida. No entanto, é importante entender que o ato sexual em si não é a causa direta do problema, mas sim um gatilho mecânico que faz um sangramento gestacional se manifestar.

    Segundo Andreia, existem duas situações principais em que isso acontece:

    1. O sangramento de implantação (nidação)

    Quando o óvulo fertilizado chega ao útero, ele precisa se fixar ao endométrio, que é o tecido que reveste a parte interna da cavidade uterina. O processo, conhecido como nidação, pode provocar o rompimento de pequenos vasos sanguíneos, causando um sangramento leve, normalmente rosado ou amarronzado.

    Se a mulher tiver uma relação sexual no período, o atrito e os movimentos da penetração podem favorecer a eliminação de sangue, dando a impressão de que o sangramento foi provocado pela relação, quando, na verdade, está relacionado à implantação do embrião.

    2. Descolamento ovular

    Nas primeiras semanas da gestação, algumas mulheres podem apresentar um hematoma subcoriônico, também chamado de descolamento ovular. Nessa situação, ocorre um pequeno acúmulo de sangue entre o saco gestacional e a parede do útero, que pode ser eliminado pela vagina em diferentes momentos.

    Embora a relação sexual nem sempre seja a causa do sangramento, os movimentos da penetração podem coincidir com a saída do sangue já acumulado, tornando o episódio mais perceptível.

    É importante destacar que, durante a gravidez, o colo do útero fica mais vascularizado e sensível devido às alterações hormonais. Por isso, mesmo em uma gestação saudável, o contato durante a relação sexual pode provocar pequenos sangramentos sem que isso represente, necessariamente, um problema.

    Ainda assim, sempre que houver suspeita ou confirmação de gravidez e ocorrer sangramento após a relação sexual, é fundamental procurar orientação médica.

    Como o ginecologista descobre a causa do sangramento?

    O diagnóstico do que está causando o sangramento é feito a partir de uma avaliação médica, em que o médico avalia o histórico de saúde da paciente e faz perguntas sobre as características do sangramento, além de fatores como uso de anticoncepcionais, possibilidade de gravidez e menopausa.

    Após a avaliação inicial, o ginecologista pode solicitar exames como:

    • Exame físico e especular: com o auxílio do espéculo, o médico consegue visualizar diretamente a vagina e o colo do útero, sendo capaz de identificar na hora feridas, fissuras, infecções aparentes ou lesões visíveis;
    • Papanicolau ou teste de HPV: coletas feitas no próprio consultório para analisar as células do colo do útero em laboratório, identificando infecções pelo vírus HPV e prevenindo o câncer;
    • Colposcopia: um exame detalhado feito com uma lente de aumento e reagentes químicos especiais no colo do útero, servindo para enxergar microlesões que o olho nu não consegue captar;
    • Ultrassonografia transvaginal: o exame ajuda a identificar alterações como pólipos uterinos, miomas, espessamento do endométrio e outras condições ginecológicas.

    Em casos específicos, Andreia explica que podem ser usados exames de imagem avançados, como ressonância magnética ou tomografia da pelve.

    Quando o sangramento pós-relação é uma urgência médica?

    O sangramento é uma emergência médica quando aparece em grande quantidade, é em vermelho-vivo e não para espontaneamente. Nesses casos, pode haver uma lesão mais profunda no tecido vaginal, especialmente em mulheres com atrofia ou ressecamento vaginal acentuado.

    Apesar de incomum, algumas lacerações podem atingir vasos sanguíneos maiores, provocando um sangramento intenso e persistente. Quando isso acontece, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.

    Como prevenir e o que fazer?

    A prevenção do sangramento após a relação sexual envolve alguns cuidados simples que ajudam a manter a saúde íntima e a reduzir o risco de irritações e lesões, como:

    • Usar lubrificante à base de água ou silicone quando houver ressecamento vaginal;
    • Conversar com o ginecologista sobre tratamentos para o ressecamento vaginal, especialmente na menopausa, no pós-parto ou durante a amamentação;
    • Fazer o Papanicolau e os exames ginecológicos de rotina regularmente;
    • Realizar testes para ISTs conforme a orientação médica;
    • Manter a vacinação contra o HPV em dia;
    • Respeitar os sinais do corpo e evitar relações que causem dor ou desconforto;
    • Ajustar a intensidade da relação quando houver sensibilidade ou falta de lubrificação.

    Mesmo se o sangramento for leve e acontecer apenas uma vez, o ideal é marcar uma consulta com o ginecologista para investigar a causa e garantir que está tudo bem.

    Leia mais: Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. É normal sangrar um pouco na primeira relação sexual?

    Sim, é comum e considerado normal devido ao rompimento do hímen, uma membrana fina que bloqueia parcialmente a entrada da vagina. O sangramento costuma ser leve, de cor vermelho-vivo ou rosado, e cessa sozinho em pouco tempo.

    2. Quanto tempo depois do sangramento devo esperar para ter relação novamente?

    O ideal é suspender as relações sexuais até passar pela avaliação do ginecologista e descobrir a causa. Se o sangramento veio de uma fissura ou infecção, manter as relações vai piorar a lesão, aumentar a dor, atrasar a cicatrização e expor a região a mais infecções.

    3. Quem usa DIU de cobre ou hormonal pode ter sangramento após o sexo?

    Sim, o DIU possui fios que ficam pendentes para fora do colo do útero, cerca de 1 a 2 cm dentro da vagina. Em algumas posições, o impacto do pênis pode tracionar ou pressionar esses fios ou o próprio colo, gerando um escape.

    4. O uso excessivo de sabonetes íntimos pode causar sangramento no sexo?

    Sim, se o produto alterar a barreira de proteção. Os sabonetes íntimos usados em excesso (ou duchas vaginais internas) eliminam os lactobacilos de defesa da vagina e ressecam a mucosa.

    5. O sangramento pode ser causado por alergia ao látex da camisinha?

    Sim, pois a alergia ou hipersensibilidade ao látex provoca uma reação inflamatória local chamada dermatite de contato, que deixa a área vaginal inchada, irritada, vermelha e com coceira intensa. Se a relação prosseguir nessas condições, o atrito sobre a pele severamente inflamada rompe a barreira da mucosa e gera sangramentos.

    6. Depilação íntima completa (com cera ou lâmina) logo antes do sexo pode influenciar?

    A depilação arranca a camada superficial de proteção da pele da vulva e cria microlesões invisíveis, além de aumentar a temperatura e a circulação local. Se a relação sexual acontecer imediatamente após a depilação, o suor, o atrito e a fricção da pele do parceiro contra essa área vulnerável podem abrir pequenas feridas externas na entrada da vagina.

    Leia mais: Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

  • Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    O útero da maioria das mulheres apresenta o formato de uma pêra invertida e fica inclinado para a frente, apoiado sobre a bexiga, mas é comum encontrar variações tanto na anatomia quanto na posição do órgão.

    Enquanto algumas mulheres nascem com alterações no formato do útero devido a mudanças ocorridas durante o desenvolvimento fetal, outras apresentam apenas uma variação de posicionamento, como o útero retrovertido. Normalmente, as características não manifestam sintomas e são descobertas em exames de rotina ou quando a mulher decide engravidar.

    Mas afinal, o formato anatômico do útero influencia a gestação e a via de parto? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas e explicar o impacto de cada variação.

    Qual é o formato anatômico habitual do útero?

    Na maior parte das mulheres, Andreia explica que o útero tem um formato que lembra uma perna invertida e achatada. A anatomia considerada padrão é chamada de antiversofletido (AVF), o que significa que o órgão fica inclinado para a frente (antiverso) e apresenta uma leve curvatura no corpo uterino (fletido), ficando anatomicamente deitado sobre a bexiga.

    O posicionamento e formato facilitam a acomodação do órgão na pelve e a expansão natural durante uma eventual gravidez. Quando o útero se desenvolve dessa forma, com uma cavidade única, ampla e livre de divisões internas, o bebê tem o espaço ideal para crescer e se movimentar de maneira adequada até o momento do nascimento.

    Principais tipos de malformações uterinas

    As malformações no formato do útero são condições que surgem ainda durante o desenvolvimento do bebê. O órgão se forma a partir de duas estruturas chamadas ductos mullerianos, que inicialmente se desenvolvem separadamente.

    Com o crescimento do feto, as estruturas se unem para formar um único órgão oco. Quando ocorre alguma alteração nesse processo de fusão ou na reabsorção das paredes internas, podem surgir diferentes variações anatômicas, como:

    • Útero septado: externamente, o útero apresenta formato normal, mas a cavidade uterina é dividida por uma parede de tecido chamada septo. A divisão pode ser parcial ou se estender até o colo do útero;
    • Útero bicorno: acontece quando a fusão dos ductos mullerianos não se completa na parte superior do órgão. Como resultado, o útero apresenta uma divisão no topo, adquirindo um formato semelhante ao de um coração, com duas porções superiores bem definidas;
    • Útero didelfo: surge quando há falha completa na fusão dos ductos mullerianos. A mulher desenvolve dois úteros separados, cada um com sua própria cavidade. Em alguns casos, também podem estar presentes dois colos uterinos e uma vagina dividida por um septo;
    • Útero unicórnio: acontece quando apenas um dos ductos mullerianos se desenvolve adequadamente durante a formação fetal. O útero fica menor do que o habitual e geralmente está associado à presença de apenas uma trompa de falópio funcional.

    Segundo Andreia, a gravidade da malformação depende do momento em que o desenvolvimento do feto foi interrompido. Quanto mais precoce ocorre o erro, maior é o espessamento entre as duas metades, já que a reabsorção do tecido não foi feita.

    Útero retrovertido atrapalha a gravidez?

    O útero retrovertido é uma variação anatômica in que o útero fica inclinado para trás, em direção ao reto, em vez de se posicionar para a frente, sobre a bexiga, como ocorre na maioria das mulheres. Como não é uma malformação ou uma doença, ele não interfere na fertilidade e não aumenta os riscos durante a gravidez.

    O útero é um órgão móvel, capaz de mudar de posição ao longo da vida. Após o parto, por exemplo, durante o processo de involução uterina, quando o órgão retorna gradualmente ao tamanho habitual, ele pode passar a ficar voltado para trás. Quando o útero é móvel e não causa dor, a condição é considerada totalmente benigna.

    Contudo, se o útero retrovertido estiver fixo e provocar dor durante o exame ginecológico, a alteração pode estar associada a doenças como endometriose ou aderências decorrentes de infecções pélvicas, o que precisa ser avaliado por um médico.

    Como as variações influenciam a gestação?

    O impacto de uma malformação uterina na gravidez depende principalmente do espaço disponível para o crescimento do bebê dentro do útero. Em algumas situações, o útero pode ter mais dificuldade para se expandir conforme a gestação avança, especialmente no caso do útero unicórnio, que possui cerca de metade do tamanho habitual.

    Como consequência, Andreia destaca que algumas complicações podem ocorrer com maior frequência, entre elas:

    • Aborto espontâneo: a limitação de espaço pode dificultar a evolução da gestação, principalmente nos primeiros meses;
    • Perdas gestacionais: o risco existe nos úteros septado, bicorno, unicórnio e didelfo, embora no útero didelfo ele costuma ser menor;
    • Parto prematuro: uma cavidade uterina menor pode atingir o limite de expansão antes do tempo, favorecendo o início precoce do trabalho de parto.

    Apesar dos riscos, é importante destacar que muitas mulheres com malformações uterinas conseguem ter uma gravidez saudável e dar à luz bebês sem complicações. No entanto, as gestações são consideradas de alto risco e precisam de um acompanhamento mais próximo, com consultas mais frequentes, uso de medicamentos e exames adicionais.

    Como é feito o diagnóstico de malformação do útero?

    O diagnóstico das malformações do útero é simples, feito com exames de imagem específicos para avaliar o formato interno e externo do órgão:

    • Ultrassom transvaginal: principal exame para avaliar o formato do útero e identificar a maioria das alterações anatômicas;
    • Histerossalpingografia: exame com contraste e raio-X que permite visualizar a cavidade uterina e as trompas;
    • Ressonância magnética da pelve: fornece imagens detalhadas do útero e ajuda a esclarecer casos mais complexos;
    • Histerossonografia: ultrassom realizado com a infusão de soro fisiológico no útero, facilitando a identificação de septos e outras alterações da cavidade;
    • Histeroscopia: procedimento que utiliza uma microcâmera introduzida pelo colo do útero para visualizar diretamente a cavidade uterina.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A necessidade de cirurgia depende do tipo de alteração e do histórico da paciente. Segundo Andreia, o procedimento pode ser indicado quando a cavidade uterina é muito reduzida e existe desejo de engravidar no futuro, ou quando a mulher apresenta abortos de repetição relacionados à malformação.

    Os principais tipos de correção são:

    • Útero septado: é realizada por histeroscopia, com a retirada do septo que divide a cavidade uterina;
    • Útero bicorno: a correção é mais complexa e nem sempre necessária, sendo avaliada caso a caso;
    • Útero didelfo: raramente precisa de cirurgia, já que muitas mulheres não apresentam complicações importantes;
    • Útero unicórnio: normalmente não pode ser corrigido cirurgicamente, pois parte do órgão não se desenvolveu durante a formação fetal.

    Após alguns procedimentos, pode ser necessário aguardar um período de recuperação antes de tentar engravidar, conforme orientação médica.

    O tipo de útero influencia a via de parto?

    A resposta é sim. Algumas malformações uterinas aumentam a chance de o bebê permanecer em posições diferentes da ideal para o parto vaginal, como a apresentação pélvica, em que ele fica sentado. Isso acontece porque o formato da cavidade pode limitar os movimentos do feto durante a gestação.

    O parto vaginal não é necessariamente contraindicado, mas Andreia destaca que as situações aumentam a probabilidade de uma cesariana. A definição da via de parto deve ser feita individualmente, levando em conta a posição do bebê, a evolução da gestação e as condições de saúde da mãe e do feto.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem útero septado pode engravidar naturalmente?

    Sim, a mulher com útero septado pode engravidar naturalmente, pois a ovulação e as trompas geralmente funcionam de forma normal. O principal desafio é o risco de aborto caso o embrião se implante no septo.

    2. Qual a diferença entre útero bicorno e septado?

    No útero septado, o órgão é normal por fora e dividido por uma parede de tecido por dentro. No útero bicorno, a parede externa do topo do útero é dividida, dando a ele o formato de um coração.

    3. O útero retrovertido causa dor na relação?

    Pode causar. Se o útero retrovertido for fixo devido a condições como a endometriose, algumas posições sexuais que causam maior impacto no fundo da vagina podem causar desconforto ou dor.

    4. Quem tem malformação uterina sente algum sintoma?

    A maioria das mulheres não apresenta nenhum sintoma e passa a vida sem saber da condição, descobrindo-a apenas em exames de rotina ou ao tentar engravidar.

    5. O formato do útero pode causar cólicas fortes?

    As malformações em si não costumam causar cólicas, mas se a alteração vier acompanhada de um septo vaginal que dificulte a saída do sangue, ou se a retroversão for causada por endometriose, a mulher terá cólicas fortes.

    6. O útero retrovertido é considerado uma doença?

    Não, o útero retrovertido é apenas uma variação anatômica da posição do órgão, presente em cerca de 15% a 20% das mulheres, e não traz riscos à saúde.

    7. O útero pode mudar de formato ao longo da vida?

    Não. As malformações uterinas (septado, bicorno, didelfo e unicórnio) são congênitas, então a mulher nasce com elas e o formato permanece o mesmo.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

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    Além do fim da menstruação, a menopausa envolve uma série de mudanças físicas, emocionais e hormonais que variam bastante de uma pessoa para outra. Enquanto algumas mulheres convivem com poucos sintomas, outras apresentam ondas de calor, alterações no sono, secura vaginal, mudanças de humor e até preocupações com a saúde dos ossos.

    No meio de tantas alterações, você pode ter dúvidas sobre o que realmente acontece com o corpo no fim da fase reprodutiva. Afinal, quem menstruou cedo entra na menopausa mais cedo? Quem usa anticoncepcional ou DIU hormonal consegue perceber quando a menopausa chegou?

    Para esclarecer algumas das perguntas mais frequentes, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos respostas para cinco dúvidas muito comuns sobre essa fase da vida. Confira!

    Dúvidas comuns sobre a menopausa

    1. A idade da primeira menstruação influencia a idade da menopausa?

    A relação entre a idade da primeira menstruação e a idade da menopausa não é bem definida e, segundo Andreia, o fator que mais influencia o momento é a genética. É mais comum que uma mulher entre na menopausa em uma idade parecida com a da mãe do que com base no tempo total em que menstruou ao longo da vida.

    Na prática, a ginecologista aponta que existem vários cenários possíveis: mulheres que menstruam cedo e chegam à menopausa mais tarde, mulheres que menstruam mais tarde e entram na menopausa precocemente, e muitas outras combinações.

    A reserva folicular, que representa a quantidade de folículos presentes nos ovários, também pode influenciar a idade da menopausa, mas a tendência familiar costuma ser o fator mais importante para determinar quando ela acontecerá.

    2. O risco de osteoporose aumenta em quanto tempo após a menopausa?

    Não existe um prazo exato para o surgimento da osteoporose após a menopausa, porque isso varia bastante de uma mulher para outra. Andreia explica que tanto homens quanto mulheres atingem o pico de massa óssea por volta dos 28 aos 30 anos e, a partir dessa fase, os ossos começam a perder densidade de forma lenta e gradual.

    A diferença é que, com a chegada da menopausa e a queda dos níveis de estrogênio, a perda óssea acelera significativamente nas mulheres, enquanto nos homens o processo costuma acontecer de maneira mais linear ao longo da vida.

    A velocidade com que a osteoporose se desenvolve depende da quantidade de massa óssea acumulada na juventude. As mulheres que atingiram um pico de massa óssea mais alto tendem a demorar mais para desenvolver a doença, enquanto aquelas com uma reserva óssea menor podem apresentar osteopenia ou osteoporose mais cedo, inclusive antes da menopausa.

    Para avaliar a saúde óssea, os médicos solicitam a densitometria óssea, exame que analisa dois parâmetros principais:

    • Z-score: compara a massa óssea da pessoa com a de indivíduos da mesma faixa etária e sexo;
    • T-score: compara a massa óssea atual com o pico de massa óssea de adultos jovens saudáveis, permitindo medir a perda óssea acumulada ao longo da vida.

    Vale destacar que, atualmente, o diagnóstico e a decisão de tratamento não se baseiam apenas na densitometria.

    A ginecologista esclarece que também são consideradas calculadoras de risco que combinam os resultados do exame com outros fatores, como baixo peso corporal, uso prolongado de corticosteroides, histórico familiar de fraturas, tabagismo e ocorrência prévia de fraturas.

    Quando o risco de fratura é considerado elevado, o tratamento pode ser indicado mesmo em pacientes que apresentam apenas osteopenia na densitometria.

    Com que frequência realizar a densitometria óssea?

    Se a primeira densitometria e os fatores de risco estiverem normais, o exame deve ser repetido a cada 2 anos durante a menopausa. Como a remodelação óssea é um processo lento, intervalos menores dificilmente mostrarão diferenças consideráveis.

    Intervalos mais curtos, como seis meses, costumam ser reservados para o acompanhamento da resposta ao tratamento em casos mais graves ou específicos, especialmente em pacientes que usam medicamentos como ácido zoledrônico ou denosumabe.

    3. Quem usa anticoncepcional contínuo ou DIU hormonal pode demorar para perceber que entrou na menopausa?

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode dificultar a identificação da menopausa, uma vez que os métodos muitas vezes reduzem ou até suspendem os sangramentos menstruais.

    No entanto, eles não impedem o aumento do FSH (hormônio folículo-estimulante), que pode ser identificado por exames laboratoriais, nem evitam o surgimento dos sintomas do climatério.

    Se a mulher está na faixa etária em que a menopausa costuma acontecer, entre os 45 e 55 anos, e começa a apresentar sintomas como ondas de calor, mesmo sem menstruar por causa do método hormonal, o médico já pode suspeitar da menopausa. O mesmo ocorre com mulheres que retiraram o útero, mas mantiveram os ovários.

    Nesses casos, como a menstruação não pode ser usada como referência, é importante acompanhar regularmente os sintomas e realizar exames hormonais a partir dos 45 anos.

    3. A secura e a atrofia vaginal melhoram com o tratamento sistêmico ou apenas com o tópico?

    A reposição hormonal sistêmica costuma funcionar bem para aliviar sintomas como ondas de calor, suores noturnos e alterações do sono. Já para a secura vaginal e a atrofia dos tecidos da região íntima, a resposta costuma ser mais limitada, segundo Andreia.

    5. Existe algum risco em interromper a reposição hormonal de uma vez? É possível voltar a usar depois?

    Na maioria dos casos, a reposição hormonal pode ser interrompida sem necessidade de reduzir a dose aos poucos. A interrupção normalmente acontece porque surgiu alguma contraindicação médica ou porque a própria paciente decidiu parar o tratamento.

    Quando a suspensão ocorre por escolha da mulher, é comum que o médico acompanhe a evolução dos sintomas nos meses seguintes. Se as ondas de calor, a insônia ou outros desconfortos voltarem de forma intensa, Andreia destaca que pode ser discutida a possibilidade de retomar a terapia.

    Por outro lado, quando a interrupção acontece devido ao surgimento de fatores de risco, como trombose, determinadas doenças cardiovasculares ou alguns tipos de câncer, a reintrodução dos hormônios normalmente não é recomendada.

    Quando a reposição hormonal pode ser iniciada?

    Atualmente, os médicos consideram a chamada janela de oportunidade, que é o período em que a reposição hormonal costuma trazer mais benefícios do que riscos. O tratamento é mais indicado quando iniciado nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 65 anos.

    Depois do período, os riscos relacionados ao uso dos hormônios tendem a aumentar, enquanto os benefícios diminuem, principalmente em relação à proteção dos ossos. Por isso, a decisão de iniciar ou manter a reposição hormonal nessa fase deve ser avaliada caso a caso, sempre com acompanhamento médico.

    Perguntas frequentes

    1. O que define exatamente o momento da menopausa?

    A menopausa é um diagnóstico retrospectivo, confirmado quando a mulher passa 12 meses consecutivos sem menstruar, sem que haja outra causa aparente, como gravidez, uso de medicamentos ou doenças.

    2. Com qual idade ela costuma acontecer?

    Normalmente, a menopausa aparece entre os 45 e 55 anos, sendo a média por volta dos 50 anos.

    3. O que é menopausa precoce?

    É quando a falência ovariana ocorre antes dos 40 anos. Ela pode ser espontânea ou causada por cirurgias, quimioterapia ou doenças autoimunes.

    4. A menopausa engorda?

    A queda hormonal e o envelhecimento natural desaceleram o metabolismo, facilitando o ganho de peso e mudando a distribuição da gordura para a região abdominal.

    5. Como o sono é afetado na menopausa?

    Os suores noturnos interrompem o sono várias vezes, causando insônia e cansaço crônico no dia seguinte.

    6. Ainda é possível engravidar no climatério?

    Sim, enquanto a menopausa não for oficialmente confirmada (12 meses seguidos sem menstruar), ainda pode haver ovulações esporádicas, então os métodos contraceptivos continuam necessários.

    7. Quanto tempo duram os sintomas?

    Varia muito. Em média, os sintomas duram de 4 a 5 anos, mas algumas mulheres podem ter ondas de calor por uma década ou mais.

    8. Existe alguma relação entre menopausa e dores nas articulações?

    Sim, o estrogênio age como um anti-inflamatório natural nas articulações. Sem ele, é comum surgir rigidez e dor nos joelhos, mãos e ombros.

  • Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    A ideia de engravidar novamente durante uma gestação pode parecer impossível, mas existe uma condição extremamente rara chamada superfetação, na qual uma nova gravidez ocorre quando já existe um embrião em desenvolvimento no útero.

    O organismo feminino é biologicamente programado para interromper a ovulação e criar barreiras que dificultam uma nova fecundação assim que a gravidez se inicia. No entanto, em casos de superfetação, alterações hormonais e fisiológicas muito incomuns permitem a liberação e a fertilização de um segundo óvulo dias ou semanas após a primeira concepção.

    Quando a superfetação acontece, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que os dois bebês possuem idades gestacionais diferentes, pois foram concebidos em momentos distintos. A diferença costuma ser de alguns dias ou poucas semanas, o que faz com que um dos fetos apresente um estágio de desenvolvimento mais avançado do que o outro.

    É uma situação extremamente rara, os casos documentados em humanos são raríssimos e, na grande maioria das vezes, estão associados a tratamentos de reprodução assistida.

    É mesmo possível engravidar já estando grávida?

    É possível engravidar já estando grávida, mas é uma situação considerada excepcional na medicina, uma vez que o organismo feminino passa por uma série de mudanças hormonais após a fecundação justamente para impedir que uma nova ovulação aconteça.

    Em uma gravidez normal, depois que o óvulo é fecundado e o embrião começa a se desenvolver, os níveis hormonais aumentam rapidamente e bloqueiam a liberação de novos óvulos pelos ovários.

    O colo do útero também forma uma barreira de muco que dificulta a passagem dos espermatozoides, enquanto o revestimento uterino também sofre alterações para sustentar a gestação já existente. Como resultado, o corpo cria diferentes mecanismos de proteção que tornam uma segunda fecundação extremamente improvável.

    A superfetação ocorreria apenas se, mesmo durante a gravidez, um novo óvulo fosse liberado pelos ovários, fosse fecundado por um espermatozoide e conseguisse se implantar no útero, algo que precisaria acontecer apesar de todas as barreiras biológicas normalmente presentes.

    Qual a diferença entre superfetação e gravidez gemelar?

    A principal diferença entre a superfetação e a gravidez gemelar está no momento da concepção. Segundo Andreia, na gestação gemelar, os dois bebês são concebidos durante o mesmo ciclo reprodutivo e, portanto, possuem a mesma idade gestacional. Os gêmeos podem ser:

    Monocoriônicos (idênticos), quando um único óvulo fecundado se divide em dois embriões durante as primeiras fases do desenvolvimento;

    Ou dicoriônicos (fraternos ou não idênticos), quando dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides distintos no mesmo ciclo menstrual.

    Apesar de poderem apresentar diferenças de peso e crescimento ao longo da gestação, ambos têm a mesma idade gestacional.

    Já na superfetação, os fetos são gerados em momentos diferentes porque uma nova ovulação, fecundação e implantação acontecem enquanto uma gravidez já está em andamento. Por causa da diferença nas datas de concepção, um dos bebês costuma estar mais avançado no desenvolvimento do que o outro.

    Em alguns casos raríssimos, a superfetação pode estar associada à superfecundação heteropaternal, situação em que os bebês possuem pais diferentes porque as concepções ocorreram em momentos distintos e envolveram parceiros diferentes. Contudo, é um fenômeno excepcional e pouco frequente na prática médica.

    Principais causas da superfetação

    Em uma gestação normal, os hormônios impedem a liberação de novos óvulos, o colo do útero se fecha com um tampão mucoso para impedir a entrada de espermatozoides e as paredes do útero mudam para não permitir a fixação de outro embrião.

    Para que a superfetação aconteça, os três mecanismos de defesa precisam falhar simultaneamente, o que pode acontecer por fatores como:

    1. Tratamentos de reprodução assistida

    Durante tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), a mulher recebe uma carga hormonal intensa para estimular os ovários a produzirem vários óvulos.

    Se um embrião for transferido para o útero com sucesso, mas a mulher tiver ovulado naturalmente logo em seguida e mantido relações sexuais, pode ocorrer a fertilização desse segundo óvulo, ocorrendo a superfetação.

    2. Uso de indutores de ovulação

    Em casos raríssimos, os medicamentos usados para estimular a ovulação, comuns no tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP) e da infertilidade, podem favorecer a liberação de óvulos em momentos diferentes do ciclo reprodutivo.

    Em situações excepcionais, isso pode ocorrer após uma concepção inicial, antes que os hormônios da gravidez estabeleçam completamente os mecanismos que bloqueiam novas ovulações.

    3. Flutuações hormonais atípicas

    Em casos de superfetação espontânea, sem interferência de tratamentos médicos, o motivo normalmente é uma falha hormonal temporária.

    Nos primeiros dias ou semanas de gravidez, os níveis de progesterona e hCG podem não subir rápido o suficiente para avisar o cérebro de que a ovulação deve ser interrompida, permitindo que um segundo óvulo seja liberado.

    4. Abertura tardia do tampão mucoso

    Logo no início da gravidez, o colo do útero produz um muco espesso que atua como uma barreira física intransponível para os espermatozoides.

    Se houver um atraso na formação completa do tampão, e a mulher mantiver relações sexuais desprotegidas nas primeiras semanas de gestação, os espermatozoides ainda conseguirão alcançar as trompas e fertilizar um novo óvulo disponível.

    Como identificar?

    O diagnóstico de superfetação pode ser bastante difícil, porque não existe um exame específico capaz de confirmar a condição imediatamente.

    Durante os exames de ultrassom, os médicos podem perceber diferenças no tamanho e na maturidade dos fetos, mas, como a probabilidade estatística de se tratar de uma restrição de crescimento fetal ou de alterações nos vasos da placenta é muito maior, a superfetação raramente é a primeira hipótese, segundo Andreia.

    A investigação costuma envolver um acompanhamento detalhado da gestação ao longo das semanas. O especialista avalia se a diferença de desenvolvimento entre os bebês permanece constante e se é compatível com datas distintas de concepção. Também é necessário descartar outras condições mais comuns que podem causar discrepâncias de crescimento entre os fetos.

    Como a superfetação é extremamente rara, o diagnóstico costuma ser feito a partir da combinação de fatores, como os resultados dos ultrassons, o histórico da gestação e a exclusão de causas mais comuns para a diferença de desenvolvimento entre os bebês.

    Quais são os riscos para os bebês?

    De acordo com Andreia, a superfetação é considerada uma gestação de alto risco e pode apresentar complicações como:

    • Maior chance de parto prematuro;
    • Distensão excessiva do útero;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Atonia uterina após o parto, condição em que o útero tem dificuldade para se contrair adequadamente.

    No entanto, a maior questão é a diferença de idade gestacional entre os bebês. Como um deles foi concebido depois do outro, existe uma diferença real de desenvolvimento.

    Se houver necessidade de antecipar o parto por questões médicas, o bebê mais velho pode já estar em uma fase mais segura de desenvolvimento, enquanto o mais novo ainda pode ser considerado muito prematuro.

    Como é feito o acompanhamento médico?

    O pré-natal deve ser realizado como uma gestação de alto risco, com consultas frequentes e ultrassonografias para acompanhar o crescimento e o bem-estar dos dois fetos.

    Segundo Andreia, o principal objetivo do acompanhamento é monitorar a saúde da mãe e dos bebês e definir o momento mais seguro para o parto. Sempre que possível, a equipe médica busca prolongar a gestação para permitir que o bebê mais jovem alcance uma idade gestacional mais adequada, reduzindo os riscos associados à prematuridade.

    Perguntas frequentes

    1. Os bebês de superfetação são considerados gêmeos?

    Sim, eles nascem no mesmo parto e compartilham o útero, por isso são considerados gêmeos fraternos (não idênticos). A diferença é que um deles foi gerado semanas depois do outro.

    2. Qual pode ser a diferença de idade entre os bebês?

    Normalmente, a diferença varia entre 2 e 4 semanas. É quase impossível uma diferença maior que essa, pois o espaço uterino e as alterações hormonais da primeira gravidez bloqueiam novas concepções após esse período.

    3. Quais são os sintomas da superfetação?

    A mulher não sente nenhum sintoma físico diferente de uma gestação comum. Enjoos, cansaço e atraso menstrual são os mesmos de uma gravidez de um único bebê.

    4. Os bebês podem ser de pais diferentes?

    Na superfetação natural, sim. Se a mulher mantiver relações sexuais com parceiros diferentes com algumas semanas de intervalo (dentro da janela em que a superfetação ainda é possível), os bebês podem ter pais biológicos diferentes.

    5. Qual é o maior risco para os bebês?

    O maior risco é a prematuridade do segundo bebê. Como o bebê mais velho dita o momento do parto, quando ele estiver pronto para nascer, o mais novo será forçado a nascer semanas antes do seu tempo ideal de desenvolvimento.

    6. Os bebês podem nascer no mesmo dia?

    Sim, o útero entra em trabalho de parto ou a cesárea é marcada com base na maturidade do primeiro bebê (o mais velho), o que faz com que ambos nasçam no mesmo dia.

    7. O uso de anticoncepcional previne a superfetação?

    O anticoncepcional previne a gravidez inicial. Se a mulher já descobriu que está grávida, ela não deve tomar anticoncepcionais.

  • Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    A ginecologia regenerativa, também conhecida como ginecologia íntima funcional, é uma área da medicina que usa tecnologias e procedimentos minimamente invasivos para estimular a recuperação, a renovação e o funcionamento saudável dos tecidos da região íntima feminina.

    Por meio de tecnologias modernas, os tratamentos ajudam a recuperar a elasticidade, a hidratação e a lubrificação natural da região íntima, contribuindo para mais conforto no dia a dia, bem-estar e qualidade de vida.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, os tratamentos podem ajudar mulheres que convivem com sintomas como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e até alguns casos de incontinência urinária leve.

    Vale destacar que a área não tem como foco principal a estética, mas a recuperação de funções que podem ser prejudicadas pelo envelhecimento, pelas mudanças hormonais da menopausa, pela gestação, pelo parto e por outros fatores que afetam a saúde íntima ao longo da vida.

    Como funciona a ginecologia regenerativa?

    A ginecologia regenerativa funciona estimulando a capacidade natural do próprio corpo de recuperar e renovar os tecidos da região íntima. Com o envelhecimento ou a queda na produção de hormônio, como o estrogênio, as paredes da vagina e da vulva passam por um processo de atrofia, em que ficam mais finas, perdem colágeno, elastina e capacidade de lubrificação.

    Para reverter o quadro, Andreia esclarece que os tratamentos utilizam o princípio de lesão e reparação. Através de tecnologias físicas ou materiais específicos, o médico realiza estímulos ou microlesões controladas na mucosa vaginal ou na pele da região íntima. O organismo entende que aquela área precisa ser reparada e ativa uma série de mecanismos naturais de regeneração.

    Como resposta, ocorre um aumento da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação, elasticidade e firmeza dos tecidos. Também há melhora da circulação sanguínea local e da hidratação da mucosa, o que contribui para restaurar parte das características perdidas ao longo do tempo.

    Quando a ginecologia regenerativa é indicada?

    A ginecologia regenerativa é indicada principalmente para mulheres que convivem com:

    • Ressecamento vaginal intenso, com redução da lubrificação natural, coceira, irritação e desconforto no dia a dia;
    • Dor ou desconforto durante as relações sexuais devido à perda de elasticidade e ao afinamento das paredes vaginais;
    • Síndrome geniturinária da menopausa, que reúne sintomas vaginais e urinários relacionados à queda do estrogênio;
    • Incontinência urinária leve, com pequenos escapes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforços;
    • Infecções urinárias de repetição;
    • Candidíase recorrente;
    • Desconfortos no pós-parto, especialmente em mulheres que estão amamentando;
    • Ressecamento vaginal associado ao uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Flacidez e perda de volume dos grandes lábios, que podem causar atrito, ferimentos e dor;
    • Incômodo íntimo durante a prática de atividades físicas, como ciclismo e equitação.

    Vale destacar que, embora o tratamento também melhore a aparência externa da região íntima, a indicação médica sempre prioriza a melhora dos sintomas e a qualidade de vida da paciente.

    Quais são os tratamentos mais comuns?

    Segundo Andreia, os tratamentos mais comuns realizados no consultório são:

    1. Laser vaginal

    O laser vaginal é uma das tecnologias mais utilizadas na ginecologia regenerativa e promove um aquecimento controlado dos tecidos, estimulando a renovação celular, a produção de colágeno e a melhora da lubrificação natural da vagina.

    2. Radiofrequência

    A radiofrequência utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas mais profundas dos tecidos sem causar danos à superfície. A técnica é indicada para melhorar a flacidez, aumentar a elasticidade vaginal e auxiliar no tratamento da incontinência urinária leve.

    3. HIFU (Ultrassom Microfocado)

    O ultrassom microfocado de alta intensidade, conhecido como HIFU, atua nas camadas mais profundas dos tecidos íntimos. O tratamento é especialmente indicado para fortalecer as estruturas que sustentam a uretra e a bexiga, contribuindo para o controle de perdas urinárias.

    4. Fios de PDO

    Os fios de PDO (polidioxanona) são materiais biodegradáveis utilizados para promover a sustentação dos tecidos. Na ginecologia regenerativa, podem ser aplicados para melhorar a flacidez da vulva e reforçar estruturas relacionadas ao suporte da uretra.

    5. Preenchimento com ácido hialurônico

    O preenchimento com ácido hialurônico é indicado para recuperar o volume dos grandes lábios genitais. Além da melhora estética, o procedimento ajuda a proteger a região íntima contra atritos, desconfortos e pequenas lesões.

    6. Estrogenização vaginal local

    A estrogenização vaginal local costuma ser uma das primeiras opções de tratamento para mulheres que apresentam sintomas relacionados à queda do estrogênio. O hormônio é aplicado diretamente na vagina, por meio de cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, promovendo hidratação, elasticidade e recuperação da mucosa local.

    Quando os procedimentos são contraindicados?

    Apesar de serem procedimentos considerados seguros e minimamente invasivos, realizados geralmente em consultório, existem algumas contraindicações que variam de acordo com a técnica escolhida.

    Mulheres com doenças autoimunes ou doenças do colágeno, como o lúpus, precisam de uma avaliação cuidadosa, pois há risco de o organismo rejeitar o produto ou desencadear uma crise da doença. Isso vale especialmente quando o tratamento envolve materiais injetáveis, como fios de PDO, ácido hialurônico ou bioestimuladores.

    A presença de próteses metálicas na região pélvica ou o uso de DIU de cobre ou prata também podem limitar a utilização de algumas tecnologias que funcionam por meio de energia física, como determinados tipos de radiofrequência.

    Além disso, os procedimentos não devem ser realizados quando a paciente apresenta uma infecção genital ativa, como candidíase, vaginose bacteriana ou herpes, já que o tratamento pode agravar o quadro ou prejudicar a recuperação da região.

    Durante a gravidez, por questão de segurança, as tecnologias físicas e os procedimentos injetáveis também não são recomendados.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre ginecologia regenerativa e estética íntima?

    A ginecologia regenerativa foca na função, como melhorar o ressecamento, a dor e a perda urinária. A estética íntima foca apenas na aparência. Na regenerativa, a melhora estética é apenas uma consequência positiva.

    2. Quantas sessões são necessárias?

    Normalmente, o protocolo inicial varia de 2 a 4 sessões, realizadas com intervalos de 30 a 45 dias entre elas. O número exato depende da tecnologia escolhida e da gravidade dos sintomas.

    3. Quanto tempo dura o resultado?

    Os resultados costumam durar de 12 a 18 meses. Como o envelhecimento do corpo continua, é recomendado fazer uma sessão de manutenção uma vez por ano.

    4. Mulheres jovens também podem fazer?

    Sim, é indicada para jovens que sofrem com dores na relação devido ao uso prolongado de anticoncepcionais, mulheres no pós-parto (amamentação) ou atletas que sofrem com atrito e dor na vulva.

    5. Quanto tempo depois do parto posso fazer?

    Em geral, o recomendado é aguardar cerca de 60 dias após o parto para que o corpo se recupere fisicamente. O tratamento é seguro e não interfere na amamentação.

    6. Quanto tempo preciso ficar sem ter relações sexuais?

    O recomendado é aguardar de 3 a 7 dias sem relações sexuais após o procedimento, dependendo da tecnologia utilizada (especialmente no caso de lasers ablativos), para permitir a cicatrização do tecido.

    7. O laser vaginal pode causar queimaduras?

    Se for realizado por um médico ginecologista devidamente capacitado, o risco é mínimo. Os aparelhos são regulados com parâmetros de energia específicos e seguros para a mucosa vaginal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    O parto vaginal nem sempre acontece exatamente como o planejado e, em alguns casos, mesmo depois de horas de trabalho de parto, o bebê pode encontrar dificuldades para nascer ou apresentar sinais de que precisa nascer mais rapidamente.

    Quando há indicação médica, podem ser usados instrumentos que auxiliam a saída do bebê pelo canal vaginal, como o fórceps e o vácuo extrator.

    Eles são utilizados em situações muito específicas na fase final do parto, como quando a mãe está muito cansada para continuar fazendo força ou para acelerar o nascimento em caso de sofrimento fetal.

    Apesar da fama de assustar muitas futuras mães, o fórceps e o vácuo extrator fazem parte da assistência obstétrica e podem ser necessários em determinadas situações. Quando usados por profissionais capacitados e nos casos específicos, eles podem evitar cesárias de emergência altamente complexas e, acima de tudo, proteger a vida da mãe e do recém-nascido.

    O que é o parto instrumentalizado?

    O parto instrumentalizado é um parto vaginal em que o médico obstetra utiliza um instrumento específico para auxiliar na saída do bebê, como o fórceps e o vácuo extrator, por exemplo. Eles ajudam quando o parto não evolui como esperado ou quando existe a necessidade de acelerar o nascimento por razões médicas.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o procedimento só é considerado na fase final do trabalho de parto, conhecida como período expulsivo, quando o colo do útero já atingiu a dilatação completa (10 cm) e a cabeça do bebê já está bem posicionada no canal de parto.

    Durante o trabalho de parto, os ossos do crânio do bebê têm a capacidade de se acomodar e se moldar para facilitar a passagem pela bacia materna, cujas estruturas ósseas são naturalmente estreitas em relação ao tamanho da cabeça fetal.

    Os instrumentos podem ser necessários quando a descida do bebê deixa de progredir adequadamente nos momentos finais do nascimento e é necessário um auxílio para concluir o parto.

    Por isso, a especialista reforça que a instrumentalização não deve ser encarada como uma medida agressiva, mas como um recurso seguro utilizado em situações específicas.

    O que é e como funcionam o fórceps e o vácuo extrator?

    O fórceps e o vácuo extrator servem para guiar e tracionar a cabeça do bebê enquanto a mãe faz força, mas funcionam de maneira diferente.

    Fórceps

    O fórceps é um instrumento cirúrgico metálico composto por duas peças curvas e alongadas, que se assemelham a duas grandes colheres. Ele foi desenhado especificamente para se ajustar perfeitamente e com segurança às laterais da cabeça do bebê, respeitando a anatomia do crânio fetal.

    Durante o parto, o médico obstetra posiciona cuidadosamente cada uma das peças nas laterais da cabecinha do bebê. Segundo Andreia, ele não aperta e não esmaga a cabeça do bebê, mas faz apenas a preensão (ou seja, segura com firmeza) e funciona como uma extensão das mãos do médico para guiar o bebê para fora.

    À medida que a mãe faz as contrações, o obstetra aplica uma força suave e contínua de tração para ajudar o bebê a deslizar pelo canal de parto. Além de ajudar a puxar no final, o fórceps também serve para ajudar a girar a cabeça do bebê para a posição correta de nascimento, caso ele tenha parado de rodar sozinho.

    Vácuo extrator

    O vácuo extrator, também conhecido como ventosa obstétrica, é um instrumento composto por uma pequena cúpula (que pode ser de silicone, plástico rígido ou metal) conectada a uma bomba de vácuo mecânica ou eletrônica.

    Diferente do fórceps, que envolve as laterais da cabeça do bebê, o vácuo-extrator funciona por sucção. O médico obstetra introduz a cúpula no canal de parto e a fixa suavemente no topo da cabecinha do bebê. Em seguida, a bomba cria uma pressão negativa (um vácuo) que mantém a ventosa presa à pele.

    Durante as contrações e o esforço da mãe, o médico puxa delicadamente o cabo do aparelho para ajudar o bebê a deslizar para fora. Como a fixação depende puramente do vácuo, o principal risco associado ao instrumento é a formação de um pequeno inchaço ou hematoma na pele da cabeça do bebê, que costuma desaparecer espontaneamente nos primeiros dias após o nascimento.

    Segundo Andreia, o vácuo extrator é de uso exclusivo para o final do parto, quando o bebê está quase nascendo e a mãe, mesmo fazendo força, não consegue finalizar.

    Principais indicações: quando eles são necessários?

    Segundo Andreia, a decisão de utilizar o fórceps ou o vácuo extrator é baseada em critérios técnicos bem definidos. Durante o período expulsivo, a equipe acompanha o tempo de evolução do parto, levando em consideração fatores como se é a primeira gestação da paciente, o uso ou não de analgesia e a progressão da descida do bebê.

    Entre algumas das indicações, Andreia aponta:

    • Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.
    • Correção da rotação fetal: para nascer, a cabeça do bebê precisa realizar movimentos de rotação dentro da pelve materna. Quando a rotação não acontece espontaneamente, o fórceps pode ser utilizado para auxiliar o posicionamento adequado;
    • Alívio materno-fetal: quando o período expulsivo se prolonga excessivamente, a mãe pode ficar exausta e o bebê pode começar a apresentar sinais de sofrimento fetal. A instrumentalização ajuda a concluir o parto antes que o desgaste se torne um problema;
    • Abreviação do período expulsivo: algumas condições de saúde materna, como cardiopatias, tornam desaconselhável a realização de esforços prolongados. O uso do fórceps pode acelerar o nascimento e reduzir os riscos associados ao esforço físico intenso;

    Em situações raras, o fórceps também pode ser utilizado quando o bebê está em apresentação pélvica (sentado) e a cabeça encontra dificuldade para sair após o nascimento do restante do corpo. Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.

    O instrumento ajuda a realizar a retirada de forma mais rápida e segura, mas Andreia destaca que a indicação é pouco frequente atualmente, já que os partos pélvicos vaginais são menos comuns.

    Quais as condições necessárias para usar os instrumentos com segurança?

    Para que o fórceps ou o vácuo extrator sejam usados com segurança, o médico obstetra precisa avaliar uma série de critérios antes de tomar a decisão, como:

    • Dilatação completa do colo do útero: a gestante precisa estar com 10 centímetros de dilatação. Os instrumentos não podem ser usados antes que o colo esteja totalmente aberto;
    • Cabeça do bebê em posição baixa: a cabeça do bebê já deve ter descido pelo canal de parto e estar em uma posição favorável para o nascimento. Se ela ainda estiver muito alta, o procedimento não deve ser realizado;
    • Bolsa rompida: a bolsa amniótica já precisa ter se rompido para que o instrumento possa ser posicionado corretamente;
    • Passagem adequada pela bacia: o obstetra deve ter certeza de que a cabeça do bebê consegue passar pela bacia materna. O fórceps e o vácuo extrator servem apenas para auxiliar os momentos finais do nascimento, e não para vencer obstáculos que impedem a passagem do bebê;
    • Bexiga vazia: a bexiga da mãe normalmente é esvaziada antes do procedimento para reduzir o risco de lesões e facilitar o nascimento;
    • O instrumento deve ser utilizado por um profissional capacitado e com experiência na técnica. A escolha entre fórceps e vácuo extrator também leva em consideração o treinamento e a familiaridade do obstetra com cada método.

    O fórceps pode machucar o bebê ou a mãe?

    Quando feito por um profissional capacitado e com a indicação correta, o fórceps não machuca a mãe e o bebê, sendo importante para proteger a vida de ambos. Segundo Andreia, deixar o bebê parado no canal vaginal por muito tempo pode causar sofrimento fetal e, na mãe, pode provocar isquemia tecidual e lacerações graves de difícil correção.

    O medo em relação ao fórceps tem origem em histórias antigas, de uma época em que as cesarianas ainda não eram procedimentos seguros. Antes, quando o bebê ficava preso durante o parto, os instrumentos utilizados eram muito diferentes dos atuais e podiam ser empregados de forma agressiva para tentar viabilizar o nascimento, inclusive reduzindo o diâmetro da cabeça fetal.

    Atualmente, Andreia explica que os fórceps modernos não fazem pressão. O aparelho apenas abraça e segura a cabecinha do bebê para guiá-la para fora, sem apertar ou esmagar. No entanto, como qualquer procedimento médico, existem riscos caso os critérios de segurança não sejam seguidos ou se o profissional não tiver o treinamento adequado

    Ainda dá tempo de fazer cesárea se o parto parar no final?

    Mesmo quando a cabeça do bebê já está muito baixa no canal de parto, a cesárea ainda pode ser realizada. Se o fórceps ou o vácuo extrator não puderem ser utilizados por falta dos critérios de segurança necessários, a equipe médica pode optar pela via de parto para finalizar o nascimento.

    A cirurgia costuma ser mais trabalhosa, porque a cabeça do bebê já está encaixada profundamente na bacia materna e precisa ser retirada de uma posição mais difícil do que aquela encontrada em uma cesárea realizada antes do trabalho de parto avançar. Ainda assim, Andreia esclarece que é um procedimento viável e que faz parte da rotina obstétrica quando necessário.

    Por outro lado, quando a mãe e o bebê atendem a todos os critérios para a instrumentalização e a cabeça já está bem baixa no canal de parto, o fórceps normalmente é a alternativa mais rápida para concluir o nascimento, já que permite ajudar o bebê a percorrer os últimos centímetros do trajeto sem a necessidade de uma cirurgia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O uso de fórceps é considerado uma violência obstétrica?

    Não, o fórceps é um procedimento médico legítimo, seguro e que salva vidas. A violência obstétrica se caracteriza pelo uso de intervenções sem consentimento, sem indicação médica real ou de forma agressiva. Quando utilizado seguindo os critérios técnicos e com o respeito devido à gestante, o fórceps é uma ferramenta de assistência.

    2. O bebê sente dor quando o fórceps é utilizado?

    O fórceps moderno não aperta a cabeça do bebê, ele apenas a envolve para guiar o nascimento. O bebê pode sentir a pressão normal do canal de parto potencializada pelo instrumento, mas o procedimento em si não causa dor crônica ou traumas físicos quando bem executado.

    3. Quais marcas o fórceps pode deixar no bebê e quanto tempo duram?

    É comum que o fórceps deixe marcas avermelhadas ou pequenos edemas (inchaços) nas laterais do rosto ou atrás das orelhas do bebê, onde as colheres do instrumento se apoiaram. As marcas são superficiais e costumam desaparecer completamente entre 24 horas e poucos dias após o nascimento.

    4. O vácuo extrator é mais seguro do que o fórceps?

    Não necessariamente, pois ambos são seguros se usados corretamente. O vácuo extrator atua por sucção no topo da cabeça e tem menos chance de causar lacerações na mãe, mas pode causar hematomas no couro cabeludo do bebê (lesão de escalpo).

    O fórceps é mais versátil, pois também permite girar o bebê, o que a ventosa não faz tão bem. A escolha depende da necessidade do parto e da experiência do médico.

    5. O fórceps pode causar sequelas neurológicas ou atraso no desenvolvimento do bebê?

    Não, isso é um mito. O fórceps não causa paralisia cerebral ou atrasos cognitivos. O que pode causar sequelas é o fato de o bebê ficar sem oxigênio por passar tempo demais preso no canal de parto. O fórceps entra justamente para evitar que o sofrimento fetal aconteça e cause danos ao cérebro.

    6. Quantas vezes o médico pode tentar puxar o bebê com o fórceps ou vácuo?

    Existem limites de segurança rígidos. No caso do vácuo extrator, se a ventosa descolar da cabeça do bebê por duas ou três vezes, o procedimento deve ser interrompido. No fórceps, se após duas ou três trações vigorosas combinadas com a contração da mãe o bebê não descer, o médico interrompe a tentativa e encaminha a paciente para a cesárea.

    7. O fórceps pode ser usado se o bebê estiver prematuro?

    O uso do fórceps em bebês prematuros não é recomendado como rotina. Devido à fragilidade do crânio e ao risco aumentado de hemorragias, o fórceps costuma ser contraindicado em casos de prematuridade extrema. A cesariana costuma ser a via mais segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    O DIU, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno dispositivo em formato de T que é posicionado na cavidade uterina, atuando de maneira contínua para impedir a fecundação. Apesar de ser considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros para prevenir a gravidez, ele não é totalmente isento de complicações.

    A perfuração uterina é uma ocorrência bastante rara, mas que pode ocorrer devido a fatores anatômicos individuais, infecções ativas ou alterações na própria espessura do órgão, comuns durante a amamentação e a menopausa.

    Normalmente, a complicação acontece no momento da inserção pelo médico, embora o dispositivo também possa migrar de forma tardia decorrente de contrações do próprio organismo.

    O DIU realmente pode perfurar o útero?

    O DIU realmente pode perfurar o útero, mas é uma complicação extremamente rara, ocorrendo em cerca de 1 a 2 casos a cada mil inserções. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a perfuração costuma acontecer durante o próprio procedimento de colocação do dispositivo, principalmente quando existem características anatômicas que tornam a inserção mais difícil.

    Durante a inserção, quando o colo do útero é muito estreito ou quando o útero apresenta um formato ou posicionamento que dificulta o procedimento, o aplicador pode exercer uma pressão excessiva sobre a parede uterina. Nesses casos, a direção da perfuração pode acompanhar a inclinação natural do útero, que tende a estar voltado para a frente ou para trás.

    Em situações ainda mais raras, a perfuração pode acontecer por migração tardia do DIU. Isso ocorre quando o dispositivo fica muito próximo da parede do útero e, ao longo do tempo, pequenas contrações naturais acabam promovendo um deslocamento gradual, fazendo com que ele penetre na musculatura uterina.

    Em quais situações a perfuração do útero pode acontecer?

    Os principais fatores de risco que aumentam as chances de uma perfuração uterina incluem:

    • Útero com aderências: condições como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cicatrizes de cirurgias podem deixar o útero mais rígido e dificultar a inserção do DIU;
    • Menopausa e climatério: a redução dos hormônios pode tornar o útero menor e menos elástico, aumentando a delicadeza do procedimento;
    • Amamentação: durante a lactação, alterações hormonais podem deixar a parede do útero mais fina, elevando o risco de complicações na inserção;
    • Pós-parto recente: logo após o parto, o útero ainda está em recuperação e mais sensível, o que pode aumentar o risco de perfuração ou expulsão do DIU;
    • Infecções uterinas ativas: processos infecciosos podem deixar os tecidos mais frágeis e suscetíveis a lesões durante o procedimento.

    Como saber se o DIU perfurou o útero?

    O principal sinal de alerta para uma possível perfuração uterina é o desaparecimento do fio de controle do DIU. Quando ocorre a perfuração, o dispositivo pode atravessar a parede do útero e migrar para a cavidade pélvica ou abdominal, fazendo com que o fio deixe de ser visualizado pelo médico durante o exame ginecológico, segundo Andreia.

    Nem sempre a ausência do fio significa que houve uma perfuração, mas ela é um dos sinais que merecem investigação. Para realizar o diagnóstico, o ginecologista pode solicitar alguns exames:

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal para verificar se o DIU continua dentro do útero;
    • Raio-X da pelve ou do abdômen caso o dispositivo não seja visualizado na ultrassonografia.

    Como o DIU possui uma estrutura radiopaca (visível ao raio-X), o exame consegue localizá-lo na cavidade abdominal, diferenciando a perfuração de uma simples expulsão inadvertida durante a menstruação.

    Quais são os sintomas de uma perfuração uterina?

    A perfuração uterina pode não causar sintomas imediatamente, e muitas mulheres não percebem que ela aconteceu. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

    • Cólica pélvica intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns;
    • Sangramentos intensos, hemorrágicos ou escapes primitivos que ocorrem logo após o procedimento;
    • Dores profundas e desconforto na região pélvica durante ou após o contato íntimo.

    Em casos raros onde a perfuração causa uma infecção, podem surgir sintomas como febre, calafrios, mal-estar geral e corrimento vaginal com odor forte.

    O que acontece se o DIU perfurar o útero?

    O tratamento depende da extensão da perfuração e da localização do dispositivo. Andreia explica que o DIU que está deslocado ou fora do útero precisa ser removido. Quando se encontra na cavidade abdominal, ele deixa de exercer a sua função contraceptiva e passa a atuar como um corpo estranho, podendo provocar inflamações, aderências e, em alguns casos, infecções.

    Na maioria das situações, a retirada é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen. Após a retirada do dispositivo, a maioria das mulheres se recupera completamente sem consequências para a fertilidade ou para a saúde reprodutiva.

    Se a paciente desejar continuar usando o método, um novo DIU pode ser inserido posteriormente, muitas vezes com o auxílio da histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade uterina para garantir o posicionamento adequado do dispositivo.

    Perfuração do útero por DIU deixa sequelas ou causa infertilidade?

    Na maioria dos casos, a perfuração uterina cicatriza espontaneamente. Como o útero é formado por uma musculatura espessa e resistente, a ginecologista explica que o próprio órgão tende a se contrair e fechar a pequena lesão, sem a necessidade de pontos.

    As complicações são incomuns, mas podem ocorrer se a perfuração atingir um vaso sanguíneo importante ou algum órgão próximo, o que exige avaliação e tratamento adequados. Quando tratada corretamente, a perfuração uterina normalmente não deixa sequelas e não costuma comprometer a fertilidade da mulher.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o DIU depois que ele perfura o útero?

    Uma vez que ele atravessa a parede muscular, ele “cai” na cavidade pélvica ou abdominal. Ele pode ficar solto perto do útero, se alojar perto da bexiga ou do intestino, ou o próprio organismo pode criar uma capa de tecido inflamatório ao redor dele para tentar isolar o corpo estranho.

    2. O DIU perfurado perde o efeito anticoncepcional?

    Sim, perde totalmente. Para funcionar, o DIU (seja de cobre ou hormonal) precisa estar obrigatoriamente dentro da cavidade uterina, liberando íons ou hormônios no local correto para impedir a chegada dos espermatozoides. Na cavidade abdominal, ele não oferece nenhuma proteção contra a gravidez.

    3. Quanto tempo depois de uma perfuração posso colocar outro DIU?

    Geralmente, os médicos recomendam aguardar de 1 a 3 meses para que o útero esteja completamente cicatrizado e desinflamado.

    4. O que é um DIU “normoposicionado”?

    É o termo técnico que aparece no laudo do seu ultrassom para dizer que o DIU está no lugar perfeito. Significa que ele está centralizado dentro da cavidade do útero, com as hastes em formato de “T” voltadas para o fundo do órgão, garantindo 100% de sua eficácia.

    5. Posso fazer atividades físicas ou ter relações se suspeitar que o DIU deslocou?

    O ideal é repousar até consultar o médico. Se você estiver sentindo cólicas fortes, sangramento ou não achar o fio, suspenda atividades físicas intensas e relações sexuais.

    6. Usar DIU de cobre ou DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) muda o risco de perfurar?

    Não, o tipo de DIU não altera o risco de perfuração. O risco está diretamente ligado ao formato do aplicador, à força mecânica utilizada e à anatomia do útero da paciente no momento da inserção.

    7. Há risco de o DIU perfurado se movimentar pelo corpo e chegar ao coração ou pulmão?

    Não, isso é um mito anatômico. O DIU não entra na corrente sanguínea. Uma vez que ele perfura o útero, ele fica restrito à cavidade peritoneal, que é o espaço dentro do abdômen que abriga os órgãos digestivos e pélvicos.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais