Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    O diabetes gestacional é o aumento do nível de açúcar (glicose) no sangue diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez. O quadro acontece porque os hormônios produzidos durante a gestação podem diminuir a ação da insulina, hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia.

    No Brasil e em outros países, o diabetes gestacional é comum e pode afetar cerca de 14% a 18% das gestações. A frequência pode variar de acordo com os critérios usados para o diagnóstico e com as características de cada população.

    Como a alteração nem sempre provoca sintomas, a triagem para o diabetes gestacional faz parte do acompanhamento pré-natal e ajuda a identificar o problema mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    O que é a triagem para diabetes gestacional?

    A triagem para o diabetes gestacional consiste em exames de sangue feitos durante o pré-natal para verificar se a quantidade de açúcar, chamada glicose, no sangue da gestante está acima do recomendado.

    Durante a gravidez, o organismo passa por várias mudanças hormonais para ajudar no desenvolvimento do bebê. Segundo Andreia, a placenta produz hormônios que aumentam naturalmente a resistência do organismo materno à insulina, principalmente o hormônio lactogênio placentário, fazendo com que a glicose tenha mais dificuldade para entrar nas células e fique em maior quantidade no sangue.

    Para compensar a mudança, o pâncreas aumenta a produção de insulina, mas, em algumas gestantes, a quantidade produzida não é suficiente para manter a glicose dentro dos níveis adequados. Quando isso acontece, o açúcar começa a se acumular no sangue e pode levar ao desenvolvimento do quadro.

    Por que a triagem precisa ser feita?

    A triagem para diabetes gestacional precisa ser feita porque, na maioria das vezes, a alteração da glicose não causa sintomas. A gestante pode estar se sentindo bem e, ainda assim, apresentar os níveis de açúcar no sangue acima do recomendado.

    Quando a glicose da mãe fica muito alta, parte do açúcar atravessa a placenta e chega ao bebê. Para lidar com a quantidade maior, o organismo dele produz mais insulina, o que pode favorecer o ganho excessivo de peso.

    Quando o bebê cresce mais do que o esperado, pode ocorrer a macrossomia fetal, uma condição que aumenta o risco de dificuldades durante o parto vaginal.

    A falta de controle da glicose também pode aumentar o risco de algumas complicações, como:

    • Pressão alta durante a gravidez: o diabetes gestacional aumenta o risco de pressão alta e pré-eclâmpsia, uma complicação que pode afetar órgãos, como os rins e o fígado, e precisa de acompanhamento durante o pré-natal;
    • Parto prematuro: o bebê pode nascer antes das 37 semanas de forma espontânea ou o parto pode precisar ser antecipado pelo médico diante de complicações, como a pré-eclâmpsia ou alterações na saúde da mãe ou do bebê;
    • Hipoglicemia no recém-nascido: quando há muita glicose no sangue da mãe, o bebê produz mais insulina para controlar o açúcar que recebe pela placenta. Após o nascimento, a oferta de glicose diminui rapidamente, mas a insulina pode continuar alta, fazendo o açúcar no sangue do bebê cair;
    • Problemas para o bebê: o excesso de glicose pode fazer o bebê crescer e ganhar peso acima do esperado, aumentando o risco de dificuldades durante o parto. Também pode favorecer problemas respiratórios e outras complicações após o nascimento.

    Quais exames são feitos na triagem?

    A investigação do diabetes gestacional é feita principalmente por exames de sangue que já fazem parte da rotina do pré-natal, como:

    • Glicemia de jejum: costuma ser um dos primeiros exames solicitados. A coleta é realizada após um período de jejum, geralmente de 8 a 12 horas, e mede a quantidade de glicose presente no sangue naquele momento;
    • Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) ou curva glicêmica: permite observar como o organismo reage após receber uma quantidade concentrada de glicose. Primeiro, é feita uma coleta de sangue em jejum. Depois, a gestante bebe uma solução contendo 75 gramas de glicose. Novas amostras de sangue são coletadas após 1 hora e 2 horas.

    Durante o TOTG, a orientação é permanecer em repouso no laboratório e evitar fazer esforço físico, caminhar pelo local ou sair durante o período das coletas, já que a atividade física pode interferir na forma como o organismo utiliza a glicose e, consequentemente, no resultado do exame.

    Como a bebida é bastante doce, algumas mulheres podem sentir enjoo ou náusea. Caso a gestante vomite durante o procedimento, Andreia explica que o resultado pode perder a validade e o exame poderá precisar ser realizado novamente em outra data.

    Quando é feita a triagem?

    A investigação do diabetes gestacional acontece em diferentes momentos da gravidez, já que as alterações da glicose podem aparecer conforme a gestação avança.

    A primeira avaliação costuma acontecer ainda no primeiro trimestre, junto com os exames iniciais do pré-natal. Um dos exames solicitados é a glicemia de jejum, que ajuda a identificar mulheres que já começaram a gravidez com alterações da glicose ou que desenvolveram o problema logo no início da gestação.

    Já entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, costuma ser realizado o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG).

    Segundo Andreia, o período merece atenção porque a produção do hormônio lactogênio placentário está elevada e a resistência à insulina aumenta. Por isso, alterações que não apareceram nos primeiros meses podem se manifestar durante a segunda metade da gravidez.

    Valores de referência do exame

    Na gravidez, os limites de glicose usados para diagnosticar o diabetes gestacional são diferentes dos adotados fora da gestação. Conforme explica Andreia, não há uma faixa de pré-diabetes durante a gravidez. Quando os valores atingem os critérios definidos para o diabetes gestacional, a condição já pode ser diagnosticada.

    Os valores de referência utilizados são:

    Glicemia de jejum

    • Abaixo de 92 mg/dL: resultado dentro do esperado.
    • Igual ou superior a 92 mg/dL: valor compatível com diabetes gestacional.

    Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75 g)

    • Em jejum: até 91 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 92 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 1 hora: até 179 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 180 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 2 horas: até 152 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 153 mg/dL são considerados alterados.

    Andreia destaca que apenas um dos três valores alterados no TOTG já pode ser suficiente para o diagnóstico de diabetes gestacional.

    O que fazer se o resultado der alterado?

    Quando o diabetes gestacional é diagnosticado, a gestante recebe orientações para manter os níveis de glicose dentro das metas recomendadas até o nascimento do bebê, como:

    • Alimentação: pode ser orientada pelo nutricionista ou pela equipe responsável pelo pré-natal, priorizando refeições equilibradas e fontes de carboidratos que favoreçam um aumento mais gradual da glicose no sangue;
    • Escolha dos alimentos: grãos integrais, vegetais e legumes podem fazer parte da alimentação, de acordo com as necessidades de cada gestante;
    • Atividade física: caminhadas e hidroginástica são algumas possibilidades, desde que não exista contraindicação e que a prática seja liberada pelo médico responsável pelo pré-natal;
    • Monitoramento da glicemia capilar: pode ser necessário acompanhar a glicose em casa com o teste de ponta de dedo, normalmente algumas vezes ao dia, como em jejum e após as principais refeições, conforme orientação médica.

    Segundo Andreia, quando as mudanças na alimentação e na rotina de exercícios não são suficientes e mais de 25% a 30% das medições semanais continuam acima das metas estabelecidas, pode ser necessário iniciar um tratamento com medicamentos, como a insulina ou determinados antidiabéticos considerados adequados durante a gravidez.

    A escolha do tratamento deve ser individualizada e feita pelo médico responsável pelo acompanhamento da gestante.

    Quando ir ao médico?

    As consultas de pré-natal devem continuar regularmente durante toda a gravidez, mas algumas situações merecem uma avaliação médica mais rápida, principalmente quando a gestante já recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional:

    • Valores frequentemente alterados no monitoramento: se você estiver fazendo o teste de ponta de dedo em casa e perceber que a glicose ultrapassa com frequência os limites indicados pela equipe médica, como valores acima de 95 mg/dL em jejum ou 140 mg/dL uma hora após a refeição;
    • Sintomas de hipoglicemia: se você estiver usando insulina ou outro medicamento e apresentar tontura, tremores, suor frio, palpitações ou visão embaçada;
    • Sinais de glicose muito elevada: sede intensa, boca seca, cansaço fora do habitual ou aumento importante da vontade de urinar;
    • Mudanças na movimentação do bebê: caso você perceba uma redução importante nos chutes ou nos movimentos do bebê, procure orientação médica.

    A realização dos exames, o acompanhamento dos níveis de glicose quando houver indicação e as consultas regulares com a equipe de saúde ajudam a manter os cuidados com a saúde da mãe e do bebê durante toda a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quem não tem sintomas precisa fazer a triagem?

    Sim. O diabetes gestacional é uma condição silenciosa na imensa maioria das mulheres, sendo detectado quase exclusivamente por exames de rotina.

    2. Água pode ser consumida durante o jejum ou ao longo do exame TOTG?

    Pequenos goles de água pura são permitidos durante o jejum e no intervalo das coletas do teste, sem exageros.

    3. Mulheres sem histórico de diabetes na família podem ter a doença?

    Sim. Embora o histórico familiar seja um fator de risco, qualquer gestante pode desenvolver a condição devido às alterações hormonais da gravidez.

    4. Quem já tinha diabetes antes de engravidar precisa fazer a triagem?

    Não. Pacientes com diagnóstico prévio de diabetes tipo 1 ou tipo 2 não fazem a triagem, mas sim o acompanhamento especializado desde o início da gestação.

    5. O diabetes gestacional exige obrigatoriamente a realização de parto cesárea?

    Não. Se a glicemia estiver bem controlada e o bebê estiver com crescimento normal, o parto vaginal é perfeitamente seguro e indicado.

    6. A atividade física é segura para todas as gestantes com diabetes gestacional?

    Apenas para aquelas sem contraindicações obstétricas (como risco de parto prematuro ou sangramentos). A liberação do médico é indispensável.

    7. O diabetes gestacional desaparece imediatamente após o parto?

    Na maioria das vezes a glicemia normaliza após a saída da placenta, mas a confirmação só é feita por novo exame cerca de 6 semanas pós-parto.

    8. Ter tido diabetes gestacional aumenta o risco de ter na próxima gravidez?

    Sim, mulheres que desenvolveram a condição em uma gestação anterior têm uma probabilidade significativamente maior de apresentá-la novamente.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    O ecocardiograma fetal é um exame de imagem feito durante a gestação para avaliar o coração do bebê com mais detalhes. Ele funciona de forma parecida com um ultrassom e permite observar a estrutura e o funcionamento do coração ainda dentro do útero.

    Durante o exame, o especialista consegue analisar as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos e o fluxo de sangue, além de procurar alterações na formação e no funcionamento do coração. Mas afinal, quando ele é necessário?

    Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza para entender para que serve o ecocardiograma fetal, quando o exame é indicado e o que os resultados podem revelar sobre a saúde do coração do bebê.

    Quando o ecocardiograma fetal é indicado?

    O ecocardiograma fetal costuma ser solicitado quando existem fatores de risco para alterações no coração do bebê, como:

    • Diabetes gestacional: a condição pode provocar alterações no coração do bebê, como o espessamento do septo interventricular, estrutura que separa os dois ventrículos. O ecocardiograma ajuda a avaliar se o diabetes está interferindo no funcionamento cardíaco;
    • Histórico familiar de cardiopatias congênitas: quando existem casos de problemas cardíacos congênitos na família, o exame pode ser indicado para avaliar com mais detalhes a formação do coração do bebê;
    • Alterações no ultrassom morfológico: achados como alterações na estrutura do coração, aumento da translucência nucal ou suspeita de arritmias podem levar à indicação do ecocardiograma fetal;
    • Infecções maternas ou uso de determinados medicamentos: algumas infecções e medicamentos usados durante a gravidez podem aumentar o risco de alterações no bebê. O exame ajuda a avaliar a formação e o funcionamento do coração.

    No entanto, de acordo com Andreia, o ideal é que o exame seja realizado por todas as gestantes, mesmo quando não há nenhuma condição ou suspeita durante o pré-natal.

    Qual é a diferença para o ultrassom obstétrico?

    Os dois exames possuem objetivos diferentes. O ultrassom obstétrico acompanha o crescimento e o desenvolvimento do bebê de forma geral. Durante o procedimento, o médico observa os diferentes órgãos, inclusive o coração, além de outras características da gestação.

    Já o ecocardiograma fetal é voltado especificamente para o coração do bebê, e permite analisar com mais detalhes as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos, o funcionamento do coração e a espessura das paredes.

    O exame também pode identificar alterações na comunicação entre as estruturas cardíacas, sendo realizado por um profissional especializado em ecocardiografia fetal.

    Com quantas semanas de gravidez deve ser feito?

    Segundo Andreia, o ecocardiograma fetal pode ser realizado por volta das 26 semanas de gestação, quando o coração do bebê já está mais desenvolvido e pode ser avaliado com detalhes.

    Dependendo dos achados do exame ou dos fatores de risco presentes, como no caso do diabetes gestacional, o médico pode recomendar a repetição do ecocardiograma por volta de 34 semanas para continuar acompanhando a função cardíaca do bebê.

    Como é feito o ecocardiograma fetal?

    O ecocardiograma fetal é feito de forma parecida com um ultrassom obstétrico. A gestante fica deitada enquanto o profissional aplica um gel sobre a barriga e desliza um aparelho chamado transdutor sobre a pele.

    O aparelho utiliza ondas de ultrassom para formar imagens detalhadas do coração do bebê. Durante o exame, o especialista observa as câmaras cardíacas, as válvulas, os batimentos e o fluxo do sangue, além de avaliar se o coração está se formando e funcionando adequadamente.

    O exame precisa de algum preparo ou oferece riscos?

    O ecocardiograma fetal é um exame não invasivo e feito de maneira semelhante a um ultrassom, então não é necessário fazer jejum ou outro preparo específico antes do procedimento.

    O exame também não usa radiação, não costuma causar dor e pode ter duração variável, dependendo da posição do bebê e da facilidade para visualizar as estruturas do coração.

    O que fazer se o resultado mostrar alguma alteração?

    Se o ecocardiograma fetal identificar uma alteração, os próximos passos dependem do tipo e da gravidade do quadro. Em muitos casos, Andreia explica que é necessário apenas acompanhar o coração do bebê durante a gestação e repetir o exame quando o médico indicar.

    Quando a condição precisa de cuidados específicos, descobrir a alteração ainda na gravidez ajuda a planejar o acompanhamento após o nascimento. A equipe médica pode definir, por exemplo, o melhor local para o parto e se o bebê precisará ser acompanhado por um cardiologista pediátrico.

    Nos casos mais graves, o bebê pode precisar de tratamento após o nascimento. Em situações mais raras, também podem ser realizados procedimentos ainda durante a gestação. A decisão depende da alteração encontrada e da avaliação da equipe médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. O ecocardiograma fetal substitui o ultrassom morfológico?

    Não. O morfológico avalia o desenvolvimento geral do bebê (ossos, órgãos e líquido amniótico), enquanto o ecocardiograma foca exclusivamente na estrutura e no funcionamento detalhado do coração.

    2. É necessário ter pedido médico para fazer o exame?

    Sim. Como qualquer exame complementar de pré-natal, ele deve ser solicitado pelo obstetra que acompanha a gestação.

    3. O exame dói ou causa desconforto para a mãe ou para o bebê?

    Não. O procedimento é inteiramente indolor, externo e rápido, funcionando exatamente como um ultrassom abdominal comum.

    4. A posição do bebê pode atrapalhar a realização do exame?

    Sim. Se o bebê estiver em uma posição desfavorável ou se movimentando muito, o médico pode pedir para a gestante caminhar um pouco antes de finalizar a avaliação.

    5. Grávidas de gêmeos precisam fazer o ecocardiograma fetal?

    Sim. A gestação gemelar, principalmente quando os bebês compartilham a mesma placenta, é uma indicação clássica para monitorar o fluxo sanguíneo e a saúde cardíaca de ambos.

    6. A ingestão de café ou doces antes do exame ajuda a movimentar o bebê?

    Não é recomendado consumir estimulantes sem orientação, pois o excesso de movimentação pode, na verdade, dificultar a captação das imagens do coração.

    7. O acompanhante pode entrar na sala durante o procedimento?

    Sim. A gestante pode estar acompanhada normalmente, assim como ocorre nos demais exames de ultrassom do pré-natal.

    8. Se for detectada uma alteração, o parto precisa ser cesárea?

    Não obrigatoriamente. A via de parto depende do tipo de cardiopatia e da estabilidade do bebê, devendo ser decidida em conjunto entre o obstetra e o cardiologista fetal.

    9. É possível tratar alguma alteração cardíaca ainda dentro da barriga?

    Sim. Algumas arritmias fetais podem ser tratadas com medicações administradas à mãe, que chegam ao bebê através da placenta.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta 

    Quando o assunto é menstruação, cada mulher tem uma história para contar. Algumas têm ciclos certinhos como um relógio, enquanto outras enfrentam atrasos misteriosos ou sangramentos que chegam sem aviso. E aí vem a dúvida: o que é normal e o que é menstruação irregular e merece ser compartilhado com um médico?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou de forma clara como funciona um ciclo menstrual saudável, o que caracteriza irregularidade e em quais situações é necessário procurar o médico.

    O que é um ciclo menstrual regular

    Antes de falar em irregularidade, é importante entender o que é considerado normal.

    “Do ponto de vista médico, o ciclo menstrual clássico é de 28 dias, marcado pela ovulação no meio do ciclo. Temos a fase folicular, nas primeiras duas semanas, quando ocorre o desenvolvimento do óvulo, seguida da ovulação, que é o rompimento do folículo no ovário com a saída do óvulo para a tuba uterina”, conta a médica.

    “Depois, há a fase lútea, em que o corpo lúteo se forma e o endométrio se prepara para receber o óvulo fecundado”, período que, se não houver óvulo fecundado, culmina na menstruação.

    Segundo a ginecologista, um ciclo normal dura de 25 a 35 dias, contando sempre do primeiro dia da menstruação até o primeiro dia da próxima. “O sangramento considerado regular deve ter entre 3 e 7 dias”.

    O fluxo também entra nessa conta. Para avaliá-lo, os médicos observam a intensidade do sangramento: número de absorventes usados, presença de coágulos, vazamentos ou necessidade de combinar absorvente interno com externo para conter o fluxo. “Isso nos dá uma ideia do volume”, conta.

    Quando o ciclo é considerado irregular?

    É considerado irregular quando o ciclo dura menos de 25 ou mais de 35 dias. Se a menstruação vem a cada 15 dias ou só aparece de três em três meses, por exemplo, é sinal de que algo não está bem.

    “Quando a mulher menstrua a cada 15 dias, geralmente é porque não ovula adequadamente. Já quando menstrua apenas a cada 3 meses, pensamos em síndrome dos ovários policísticos”, explica a ginecologista.

    A irregularidade também pode se manifestar com intervalos muito variáveis, como um ciclo de 21 dias seguido de outro de 47, por exemplo.

    “Uma menstruação irregular, com intervalos ora curtos, ora longos, pode estar ligada a alterações hormonais, disfunções da hipófise, da tireoide, ou a fases fisiológicas como a perimenopausa”, explica a especialista.

    O papel da ovulação no ciclo

    A ovulação acontece, em média, no meio do ciclo menstrual. Mas o corpo pode ter variações. “Se a ovulação atrasar para o 18º dia, o ciclo pode ter 32 dias e ainda ser normal”, explica Andreia.

    O que deve chamar atenção é a falta de padrão. “Hoje os aplicativos de monitoramento ajudam muito a observar essas variações”, lembra a especialista.

    Leia também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Estilo de vida e menstruação irregular

    O corpo responde ao ritmo de vida, e a menstruação não fica de fora. Estresse, noites mal dormidas, má alimentação, peso muito baixo ou muito alto, excesso ou falta de exercícios físicos podem bagunçar o ciclo.

    “Atletas com baixo percentual de gordura podem ter amenorreia, ou seja, ausência de menstruação. Já mulheres com obesidade podem ter maior risco de síndrome dos ovários policísticos”, explica a médica.

    Até a dieta pode influenciar. “A soja, por exemplo, contém fitoestrógenos, substâncias semelhantes ao estrogênio, que podem alterar o ciclo”, completa.

    Quando é sinal de alerta?

    Nem toda irregularidade é preocupante, mas há momentos em que é preciso investigar. “A irregularidade é o primeiro sintoma comum na menopausa, mais até que os fogachos”, diz a Dra. Andreia.

    Além disso, disfunções hormonais da hipófise e da tireoide, por exemplo, podem se manifestar primeiro com alterações menstruais. Por isso, a recomendação é que quem tem ciclos fora do padrão e que se repetem com frequência devem ser avaliados por um ginecologista.

    Confira: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Perguntas frequentes sobre menstruação irregular

    1. É normal a menstruação atrasar alguns dias?

    Sim. Pequenas variações de até alguns dias ainda podem ser consideradas normais.

    2. Menstruação irregular sempre significa problema muito sério?

    Não, nem sempre. O ciclo pode variar por estresse, sono ruim ou até mudanças na alimentação. Se essas forem as causas, quando essas questões são ajustadas o ciclo tende a se regularizar.

    3. Aplicativos de ciclo menstrual são confiáveis?

    Eles ajudam a acompanhar o padrão, como duração do ciclo, volume do fluxo menstrual, entre outros parâmetros, mas não substituem a avaliação médica.

    4. Menstruação irregular é sempre sinal de ovário policístico?

    Não. Essa é uma das causas possíveis, mas existem outras, como alterações da tireoide ou da hipófise.

    5. Quem está na perimenopausa sempre terá irregularidade menstrual?

    A maioria sim, mas a intensidade varia muito de mulher para mulher.

    7. Menstruação irregular pode afetar a fertilidade?

    Sim, especialmente se for causada por falta de ovulação.

    8. Quando procurar o ginecologista?

    Sempre que os ciclos forem muito variáveis (muito curtos ou longos) ou vierem acompanhados de sintomas importantes, como sangramento excessivo ou dor intensa.

    Leia mais: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Ao longo da gestação, você já deve ter ouvido alguma dica de um familiar, de uma amiga ou até de um desconhecido. Dizem que o formato da barriga revela o sexo do bebê, que grávida deve comer por dois ou até que a relação sexual pode machucar o bebê.

    Apesar de várias das orientações fazerem parte da cultura popular há gerações, nem todas têm comprovação científica e algumas podem até gerar preocupações desnecessárias.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto e explicou o que realmente é mito e o que é verdade durante a gestação. Confira!

    Afinal, o que é mito ou verdade sobre a gravidez?

    1. Ficar de pernas para cima depois do sexo melhora as chances?

    É um mito! Manter as pernas levantadas ou elevar o quadril depois da relação sexual não aumenta as chances de engravidar. A ideia de que a gravidade ajudaria os espermatozoides a chegar até o útero não corresponde ao funcionamento do sistema reprodutor feminino, de acordo com Andreia.

    Após a ejaculação, os espermatozoides começam a se deslocar pelo trato reprodutivo feminino e os mais móveis podem alcançar o colo do útero rapidamente. O muco cervical presente durante o período fértil também facilita a passagem dos espermatozoides.

    Por isso, levantar as pernas, colocar um travesseiro embaixo do quadril ou permanecer deitada por muito tempo não é necessário. Também é normal perceber a saída de parte do sêmen pela vagina depois da relação, e isso não significa que todos os espermatozoides foram eliminados.

    Para quem está tentando engravidar, a frequência das relações sexuais durante o período fértil é muito mais importante do que a posição adotada depois do sexo.

    2. Comer inhame aumenta a fertilidade ou induz a ovulação?

    Mito. O inhame é frequentemente associado ao aumento da fertilidade devido à presença da diosgenina, uma substância vegetal que pode ser utilizada pela indústria farmacêutica como matéria-prima em processos laboratoriais para a produção de hormônios esteroides.

    No entanto, o organismo humano não transforma a diosgenina presente no inhame em progesterona ou outros hormônios reprodutivos simplesmente após o consumo do alimento. Logo, não existem evidências de que comer inhame provoque a ovulação ou aumente diretamente as chances de gravidez.

    O inhame pode fazer parte de uma alimentação saudável por oferecer carboidratos, fibras, vitaminas e minerais. A alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e reprodutiva, mas nenhum alimento isolado é capaz de induzir a ovulação ou tratar problemas de fertilidade.

    3. A alimentação do homem interfere na qualidade do esperma?

    Verdade. A saúde do homem também influencia as chances de uma gravidez, já que a alimentação e outros hábitos podem afetar a qualidade dos espermatozoides, segundo Andreia.

    Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e boas fontes de proteínas, pode contribuir para a saúde reprodutiva masculina. Por outro lado, o cigarro, o excesso de álcool, a obesidade, o uso de drogas e de anabolizantes podem prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    Além dos hábitos de vida, os fatores genéticos, hormonais e anatômicos, algumas doenças e determinados medicamentos também podem interferir na fertilidade. Por isso, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar, a ginecologista aponta que tanto a mulher quanto o homem devem ser avaliados.

    4. Ter relação no dia exato da ovulação garante um menino?

    Mito. Não existe um método natural comprovado capaz de determinar o sexo do bebê a partir do dia em que a relação sexual acontece.

    A crença surgiu a partir da teoria de que os espermatozoides que carregam o cromossomo Y seriam mais rápidos e menos resistentes, enquanto os que carregam o cromossomo X seriam mais lentos e sobreviveriam por mais tempo. As evidências científicas não confirmam que a diferença possa ser utilizada para escolher o sexo do bebê.

    5. A barriga pontuda indica menino e a barriga redonda indica menina?

    Mito. O formato da barriga da gestante não permite descobrir o sexo do bebê.

    A aparência da barriga pode variar de acordo com a estrutura corporal da mulher, a musculatura abdominal, o número de gestações anteriores, a posição do bebê, o tamanho do útero e outros fatores relacionados à gravidez.

    Segundo Andreia, o sexo fetal pode ser identificado por exames, como a sexagem fetal por meio do sangue materno, realizada a partir de determinado período da gestação, e a ultrassonografia, quando a posição e o desenvolvimento do bebê permitem a visualização da genitália.

    6. O coração do bebê começa a bater nas primeiras semanas?

    Verdade. O desenvolvimento do coração acontece logo no início da gestação. Nas primeiras semanas, já é possível identificar a atividade cardíaca do embrião por meio de exames específicos, de acordo com a idade gestacional.

    7. Muita azia na gravidez significa que o bebê vai nascer cabeludo?

    Não é possível afirmar isso. A azia é muito comum durante a gravidez e acontece principalmente devido às alterações hormonais e físicas do período.

    A progesterona contribui para o relaxamento do esfíncter localizado entre o esôfago e o estômago, facilitando o retorno do conteúdo gástrico e o aparecimento da queimação. Conforme o bebê cresce, o aumento do útero também pode pressionar o estômago, favorecendo ainda mais o refluxo.

    Curiosamente, um pequeno estudo realizado nos Estados Unidos e publicado em 2006 encontrou uma associação entre a intensidade da azia durante a gravidez e a quantidade de cabelo do bebê ao nascer. No entanto, ainda faltam estudos maiores e evidências científicas mais robustas para confirmar a relação.

    8. A grávida precisa comer por dois?

    É um mito! A gestante não precisa dobrar a quantidade de comida porque está esperando um bebê. O organismo passa a apresentar necessidades nutricionais específicas durante a gravidez, mas isso não significa comer duas vezes mais.

    As necessidades de energia mudam ao longo da gestação e dependem de fatores como o peso antes da gravidez, o estado nutricional, o nível de atividade física e o trimestre gestacional. O ganho de peso acima do recomendado pode aumentar o risco de problemas como o diabetes gestacional, a hipertensão e outras complicações maternas e fetais.

    9. A relação sexual na gravidez pode machucar o bebê ou provocar parto prematuro?

    Na maioria das vezes, não. Em uma gestação sem complicações e sem contraindicação médica, manter relações sexuais costuma ser seguro e não machuca o bebê.

    O bebê permanece protegido dentro do útero pelo líquido amniótico, pelas membranas e pela musculatura uterina, enquanto o colo do útero separa a vagina da cavidade onde o bebê está se desenvolvendo. O pênis não entra em contato com o bebê durante a penetração.

    Também não há evidências de que a atividade sexual aumente o risco de parto prematuro em uma gestação saudável.

    Por outro lado, o obstetra pode recomendar a suspensão temporária das relações sexuais em algumas situações, como determinados casos de placenta prévia, sangramento vaginal sem causa conhecida, ruptura das membranas ou risco aumentado de parto prematuro.

    10. A mudança da fase da lua aumenta as chances de entrar em trabalho de parto?

    Mito! A associação entre as fases da lua e o nascimento dos bebês é uma crença popular antiga, principalmente em relação à lua cheia.

    A ideia costuma partir da comparação com a influência gravitacional da Lua sobre as marés. No entanto, não há evidências consistentes de que a mudança da fase lunar provoque o rompimento da bolsa ou desencadeie o trabalho de parto.

    O início do trabalho de parto envolve uma combinação complexa de alterações hormonais, inflamatórias e mecânicas no organismo da mãe e do bebê.

    11. Os desejos não atendidos deixam marcas ou manchas no bebê?

    Mito. A vontade de comer determinado alimento durante a gravidez não tem relação com o surgimento de manchas ou marcas de nascença no bebê.

    As marcas de nascença podem ter diferentes origens, incluindo alterações nos vasos sanguíneos ou na pigmentação da pele durante o desenvolvimento fetal. O fato de a gestante ter vontade de comer morango, chocolate ou qualquer outro alimento e não satisfazer o desejo não modifica a pele do bebê.

    Os desejos alimentares durante a gravidez, por outro lado, são reais e podem estar relacionados a diferentes fatores, incluindo mudanças hormonais, alterações no paladar e no olfato e aspectos culturais e emocionais.

    Uma atenção maior é necessária quando a gestante sente vontade persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, barro, giz ou papel. O comportamento é conhecido como pica e pode estar associado, entre outros fatores, a deficiências nutricionais, incluindo a deficiência de ferro.

    Na presença do comportamento, a gestante deve conversar com o obstetra para que seja feita uma avaliação adequada.

    12. O chá de canela na gravidez é abortivo?

    Não existem evidências científicas robustas de que o chá de canela provoque aborto em humanos quando a canela é consumida nas quantidades normalmente utilizadas na alimentação.

    No entanto, os médicos e obstetras costumam recomendar cautela com o consumo do chá durante a gravidez, principalmente em preparações concentradas, já que não há dados suficientes sobre a segurança do uso em grandes quantidades e os possíveis efeitos sobre a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Tomar café na gravidez faz mal ao bebê?

    Em excesso, sim. A cafeína ultrapassa a placenta e o feto não tem enzimas para metabolizá-la. Altas doses estão associadas a baixo peso ao nascer e risco de aborto. O limite seguro recomendado pela OMS é de até 200 mg de cafeína por dia (cerca de 2 xícaras de café coado).

    2. A grávida pode dormir de barriga para cima?

    Não é recomendado no 3º trimestre. A partir da 28ª semana, o peso do útero sobre a veia cava inferior pode reduzir a circulação sanguínea para a mãe e para o bebê. O ideal é dormir virada para o lado esquerdo, posição que otimiza o fluxo de sangue e nutrientes para a placenta.

    3. Azia na gravidez pode ser tratada com bicarbonato de sódio?

    Jamais. O bicarbonato é rico em sódio, o que favorece o aumento da pressão arterial e o inchaço. Para aliviar a azia, prefira fracionar as refeições, evitar deitar logo após comer e utilizar apenas antiácidos prescritos pelo obstetra.

    4. Comer pimenta ou comidas apimentadas faz mal para o bebê?

    Não faz mal ao feto, mas pode incomodar a mãe. Os temperos picantes não afetam o desenvolvimento do bebê, mas podem piorar quadros de azia, refluxo e hemorroidas, que já são bastante comuns na gestação.

    5. Pintar as unhas ou usar acetona prejudica a gestação?

    Não. O uso ocasional de esmaltes e removedores de unha é seguro. A única recomendação é aplicar o produto em locais bem ventilados para evitar a inalação prolongada do cheiro forte de solventes, que pode causar enjoos.

    6. Grávida pode tomar vacina contra a gripe e febre amarela?

    A vacina da gripe é obrigatória, e a de febre amarela depende da região. A vacina da gripe (vírus inativado) é segura e indicada em qualquer trimestre. Já as vacinas de vírus vivo atenuado (como a da febre amarela) só são aplicadas sob alto risco de exposição epidemiológica.

    7. É verdade que o leite materno pode ser “fraco” nos primeiros dias?

    Mito. O primeiro leite produzido é o colostro, uma substância amarelada e transparente, rica em anticorpos e nutrientes altamente concentrados. Embora venha em pequenas gotas, é a quantidade exata necessária para o tamanho do estômago do recém-nascido.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

  • Escape de xixi: quando ele costuma aparecer e como funciona o tratamento? 

    Escape de xixi: quando ele costuma aparecer e como funciona o tratamento? 

    Normalmente associado ao envelhecimento, o escape de xixi pode acontecer em qualquer fase da vida e afetar tanto mulheres quanto homens, apesar de mais comum no público feminino.

    Ele acontece quando a pessoa perde urina de forma involuntária, seja em pequenas gotas ou em maior quantidade, por causa de alterações que comprometem o funcionamento normal da bexiga, da uretra, dos músculos do assoalho pélvico ou dos nervos que controlam a micção.

    Dependendo da causa, o problema pode aparecer apenas durante esforços, surgir junto com uma vontade intensa e repentina de urinar ou até combinar as duas situações.

    Além do desconforto físico, a incontinência urinária também pode afetar a autoestima, a vida social e a confiança, fazendo com que várias pessoas deixem de praticar atividades físicas, viajar ou até sair de casa por medo de passar por situações constrangedoras.

    O que é o escape de xixi e por que acontece?

    O escape de xixi, conhecido como incontinência urinária, é a perda involuntária de urina. Ele acontece quando as estruturas responsáveis por segurar a urina no organismo, como os músculos do assoalho pélvico, os ligamentos e o esfíncter da uretra, passam por algum tipo de enfraquecimento, alteração anatômica ou falha no funcionamento da bexiga.

    No Brasil, a incontinência urinária atinge cerca de 11% a 23% das mulheres adultas e pode chegar a 50% após os 75 anos. Mas, apesar de comum na população feminina, ela nunca deve ser considerada normal, independentemente da idade ou da rotina da mulher. Sempre que o xixi escapa de forma indesejada, existe uma causa que precisa ser investigada e, quando necessário, tratada.

    Quando o escape de xixi costuma aparecer?

    O escape de urina pode surgir em diferentes fases e situações ao longo da vida da mulher, variando de acordo com as mudanças do corpo e do estilo de vida:

    1. Na gravidez e no pós-parto

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a gestação é o principal fator de risco para o surgimento do problema. O próprio fato de engravidar, devido ao peso do útero e às alterações hormonais, já aumenta a sobrecarga sobre a musculatura pélvica.

    Caso o parto vaginal não receba a assistência adequada, o risco de lesões e flacidez pode aumentar. No entanto, quando bem assistido, o parto normal apresenta um nível de risco semelhante ao da cesariana.

    2. A partir dos 40 anos e na menopausa

    A partir dos 40 anos e durante a transição para a menopausa, o corpo feminino passa por uma queda natural nos níveis de estrogênio, acompanhada pela perda gradual de colágeno e elastina nos tecidos, incluindo os ligamentos da região pélvica.

    A redução da sustentação dos tecidos e da massa muscular local pode deixar a perda urinária mais frequente com o passar dos anos.

    3. Em pessoas jovens e praticantes de exercícios

    Nas mulheres mais jovens, o escape pode surgir devido ao sedentarismo, já que a falta de atividade física pode contribuir para o enfraquecimento da musculatura pélvica.

    Por outro lado, Andreia explica que o excesso também pode ser prejudicial, já que a prática de exercícios de alto impacto ou o hábito de carregar muito peso sem contrair e proteger adequadamente o assoalho pélvico podem aumentar a pressão sobre a bexiga e favorecer a perda involuntária de urina.

    4. Fatores de risco, como peso, prisão de ventre e estresse

    No dia a dia, alguns hábitos e condições podem influenciar o funcionamento do sistema urinário, como:

    • Excesso de peso: aumenta a pressão dentro do abdômen e, consequentemente, a sobrecarga sobre a bexiga;
    • Constipação (prisão de ventre): o esforço frequente para evacuar pode enfraquecer o assoalho pélvico ao longo do tempo;
    • Estresse: segundo a médica, a bexiga possui receptores de adrenalina, por isso as situações de estresse intenso podem estimular o órgão e favorecer as contrações involuntárias;
    • Uso de alguns medicamentos: pode interferir no funcionamento da bexiga e aumentar a vontade de urinar.

    O uso de alguns medicamentos e o consumo excessivo de cafeína também podem irritar ou estimular a bexiga, aumentando a vontade de urinar e o risco de escapes.

    Quais os tipos de incontinência urinária?

    Incontinência urinária de esforço (ao tossir, rir ou se exercitar)

    A incontinência urinária de esforço acontece quando a pessoa perde urina ao realizar movimentos que aumentam a pressão dentro do abdômen, como tossir, espirrar, dar risada, pular ou correr.

    Conforme explica Andreia, o tipo pode ocorrer por dois motivos anatômicos principais: a hipermobilidade da bexiga, quando há perda do ângulo adequado entre a bexiga e a uretra devido à flacidez vaginal, ou a insuficiência uretral, quando a uretra não consegue suportar adequadamente o aumento da pressão interna.

    Incontinência de urgência (vontade súbita e incontrolável)

    Também chamada de urge-incontinência, a condição é caracterizada por uma vontade repentina, intensa e difícil de controlar de urinar, que muitas vezes provoca o escape antes mesmo de a pessoa chegar ao banheiro.

    A ginecologista explica que o problema ocorre devido às contrações involuntárias da bexiga em momentos inadequados, mesmo quando não existe uma alteração na uretra. Uma das possíveis causas do sintoma é a infecção urinária, que pode irritar a parede da bexiga e aumentar a urgência para urinar.

    Incontinência urinária mista

    A incontinência urinária mista ocorre quando a pessoa apresenta uma combinação dos dois tipos anteriores, com escapes tanto durante os esforços físicos quanto diante de uma vontade repentina e intensa de urinar.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da incontinência urinária é clínico, feito a partir de uma conversa detalhada sobre o histórico da paciente, a rotina, a frequência dos escapes e as situações em que a perda de urina costuma acontecer.

    O médico também pode perguntar sobre a quantidade de urina perdida, a presença de vontade urgente de ir ao banheiro e os possíveis fatores de risco.

    Na maioria dos casos, o especialista solicita um exame de urina, principalmente para descartar ou confirmar uma infecção urinária. A infecção pode irritar a bexiga e causar sintomas como vontade frequente e urgente de urinar, ardência e até pequenos escapes.

    Quando fazer o exame de urodinâmica?

    Quando não existe uma infecção e os sintomas persistem, o médico pode indicar o estudo urodinâmico. Andreia Sapienza explica que o exame permite avaliar com mais detalhes o funcionamento da bexiga e da uretra, ajudando a identificar o tipo de incontinência e o mecanismo responsável pela perda de urina.

    Durante o procedimento, são utilizados pequenos sensores para medir as pressões relacionadas ao funcionamento da bexiga. O exame acompanha como o órgão se comporta enquanto enche e durante o esvaziamento, permitindo observar possíveis alterações que podem estar relacionadas aos escapes de urina.

    Quais são os tratamentos para o escape de xixi?

    O tratamento varia de acordo com a causa da perda urinária e pode incluir medidas conservadoras, medicamentos ou cirurgia:

    • Fisioterapia pélvica e exercícios: indicada principalmente para a incontinência urinária de esforço, ajuda a fortalecer os músculos do assoalho pélvico, melhorando a sustentação dos órgãos da região e reduzindo os escapes de urina;
    • Remédios para relaxar a bexiga: usados principalmente na incontinência de urgência, ajudam a controlar a atividade da bexiga, diminuindo as contrações involuntárias e a vontade súbita e intensa de urinar;
    • Procedimentos como laser, radiofrequência e fios de PDO: são técnicas que estimulam a produção de colágeno e melhoram a qualidade dos tecidos da região íntima, podendo ajudar na melhora dos sintomas. A indicação deve ser avaliada pelo médico de acordo com o tipo de incontinência e as necessidades de cada paciente.

    A cirurgia pode ser indicada nos casos de incontinência urinária de esforço mais intenso ou quando os tratamentos conservadores e a fisioterapia não apresentam o resultado esperado. Ela contribui para melhorar a sustentação da uretra e corrigir alterações anatômicas relacionadas à perda de urina.

    Como prevenir a perda involuntária de urina?

    A prevenção do escape de xixi envolve especialmente a adoção de hábitos saudáveis e o cuidado com a musculatura pélvica ao longo da vida:

    • Praticar exercícios para fortalecer os músculos do assoalho pélvico;
    • Aprender a contrair o assoalho pélvico corretamente durante as atividades físicas;
    • Manter o peso corporal adequado para reduzir a pressão sobre a bexiga;
    • Tratar a prisão de ventre e evitar fazer muita força para evacuar;
    • Manter uma alimentação equilibrada e rica em fibras para melhorar o funcionamento do intestino;
    • Evitar o consumo excessivo de café e de bebidas com cafeína;
    • Controlar o estresse, que pode aumentar a vontade de urinar;

    A consulta regular com o ginecologista também é necessária para acompanhar a saúde da mulher, identificar possíveis fatores de risco para a incontinência urinária e iniciar o tratamento adequado quando necessário.

    Leia mais: Ardor ao urinar pode ser gonorreia? Descubra os sintomas da doença

    Perguntas frequentes

    1. Fazer xixi várias vezes ao dia é sinal de incontinência?

    Pode ser. O normal é urinar entre 4 e 7 vezes por dia. Ir ao banheiro mais de 8 vezes ao dia ou acordar mais de 2 vezes à noite (noctúria) pode indicar bexiga hiperativa ou infecção urinária.

    2. Tomar pouca água ajuda a evitar que o xixi escape?

    Não, isso piora o problema. Beber pouca água deixa a urina mais concentrada e ácida, o que irrita as paredes da bexiga e pode provocar contrações involuntárias e infecções.

    3. Como os exercícios de Kegel ajudam no controle do xixi?

    Os exercícios de Kegel consistem na contração e no relaxamento consciente do assoalho pélvico. Eles fortalecem os músculos que dão suporte à bexiga e à uretra, aumentando o controle sobre a retenção da urina.

    4. Qual médico deve ser consultado em casos de perda de urina?

    O diagnóstico inicial e o tratamento podem ser conduzidos por um ginecologista ou por um urologista. A fisioterapeuta pélvica é a profissional indicada para a reabilitação muscular.

    5. Quanto tempo demora para o tratamento com fisioterapia fazer efeito?

    A resposta varia, mas a maioria das mulheres nota uma melhora significativa nos sintomas após 8 a 12 sessões semanais, desde que mantenha os exercícios diários recomendados para fazer em casa.

    6. Segurar o xixi por muito tempo causa incontinência?

    Sim, pode contribuir. O hábito frequente de adiar a ida ao banheiro estica excessivamente as paredes da bexiga, enfraquecendo a musculatura vesical e prejudicando a capacidade de contração ao longo do tempo.

    Veja também: A cor do seu xixi pode revelar muito sobre sua saúde

  • Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    Endometriose: o que é, principais sintomas e tratamentos  

    A endometriose é uma das doenças ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade fértil, mas ainda é cercada de dúvidas e diagnóstico difícil. Estima-se que milhões de brasileiras convivam com a condição, muitas vezes sem saber, já que os sintomas podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns.

    A seguir, você vai entender o que é a endometriose, quais são os principais sintomas, como ela afeta a fertilidade e quais os tratamentos disponíveis com a explicação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é endometriose?

    A especialista explica que a camada interna do útero se chama endométrio, e é ela que descama na menstruação.

    “A endometriose é a presença desse tecido em um lugar que não é o habitual. Qualquer lugar pode ter endometriose. Existem locais mais comuns e outros mais raros, mas já temos relatos até de endometriose pulmonar, ou seja, um pedacinho de endométrio no pulmão”, explica a médica.

    “Então, se está fora do útero, é endometriose. Está fora do lugar, já chamamos de endometriose”.

    A questão é que esse tecido fora do útero continua respondendo aos hormônios do ciclo menstrual.

    “Ou seja, toda vez que o endométrio no útero descama na menstruação, esse foco de endometriose que está em outro lugar também sangra, porque o hormônio chega lá e estimula esse sangramento. O problema é que ele sangra em um local onde não há extravasamento, não há um canal de liberação. Então, esse lugar forma uma inflamação e uma fibrose crônica, porque não tem para onde escoar”.

    E é daí que vêm os sintomas, que variam conforme a localização dos focos, sendo dor e infertilidade os mais comuns.

    “É uma doença que, na grande maioria das vezes, cursa com dor: cólica menstrual, dor na relação sexual, dor que pode não ter relação com o ciclo menstrual, às vezes dor para urinar, tudo depende da localização do foco. Algumas mulheres não têm dor, mas podem ter infertilidade”.

    Leia também: Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Causas da endometriose

    Ainda não existe uma única explicação definitiva para a doença. Um dos fatores conhecidos é a chamada menstruação retrógrada, quando parte do sangue menstrual volta pelas trompas para a cavidade pélvica.

    Segundo a médica, quase todas as mulheres vão ter esse fenômeno. “Algumas não desenvolvem endometriose, outras sim. Existe uma teoria de que quem tem endometriose apresenta um sistema imunológico que não consegue limpar esses focos adequadamente”, conta.

    Principais sintomas da endometriose

    A endometriose é uma condição inflamatória que, na maioria das vezes, causa dor.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Cólica menstrual intensa e progressiva;
    • Dor pélvica fora do período menstrual;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Dor ao urinar ou evacuar, dependendo da localização dos focos;
    • Infertilidade em alguns casos.

    “Mesmo uma mulher sem dor, mas que está investigando infertilidade porque tenta engravidar e não consegue, precisa investigar endometriose”, ressalta a especialista.

    Um ponto importante destacado pela médica é que não há relação direta entre intensidade da dor e a gravidade da doença. Mulheres com poucos focos podem ter dor intensa, enquanto outras com lesões extensas podem sentir pouco desconforto.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da endometriose pode ser desafiador, já que exames comuns muitas vezes não mostram a doença.

    O ultrassom transvaginal simples não identifica bem os focos, que podem ser pequenos e discretos. Por isso, os médicos pedem exames mais específicos, como:

    • Ultrassom transvaginal com preparo intestinal: semelhante ao preparo de colonoscopia, pois isso melhora a visualização dos focos;
    • Ressonância magnética com preparo intestinal: permite mapear lesões profundas de endometriose.

    Esses exames ajudam a definir a extensão e localização da doença, o que é essencial para planejar o tratamento.

    Endometriose e infertilidade

    Muitas mulheres descobrem a doença durante a investigação da infertilidade. Os focos podem comprometer a fertilidade de diferentes formas:

    • Obstruindo as trompas;
    • Alterando a ovulação nos ovários;
    • Distorcendo o endométrio e dificultando a implantação;
    • Criando um ambiente inflamatório desfavorável para o desenvolvimento de uma gestação.

    “A infertilidade pode ter origem tubária, ovariana, uterina ou até cervical. Muitas vezes, encontramos mais de um fator ao investigar. E é fundamental lembrar: a investigação deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”, ressalta a ginecologista.

    Tratamentos para endometriose

    O tratamento depende do grau da doença, dos sintomas e do desejo de engravidar.

    Tratamento clínico

    A endometriose é uma doença que depende dos hormônios para acontecer. Por isso, o tratamento clínico busca bloquear a menstruação e reduzir a ação hormonal sobre os focos. As opções de tratamento são:

    • Anticoncepcional hormonal contínuo;
    • DIU hormonal com progesterona;
    • Implantes hormonais;
    • Pílulas específicas para endometriose;
    • Analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.

    “Quando bloqueio a menstruação, evito também que os focos de menstruação retrógrada continuem acontecendo. Isso ajuda a estacionar a progressão da endometriose”, explica a médica.

    Tratamento cirúrgico

    Quando os sintomas persistem ou em casos de infertilidade, pode ser indicada a cirurgia.

    A videolaparoscopia é a técnica mais utilizada. “Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, diz a ginecologista.

    Dependendo da localização, pode ser necessário atuar também no intestino ou na bexiga, em conjunto com outros especialistas.

    Se desconfia de endometriose, procure um médico

    A endometriose é uma doença crônica que pode afetar a qualidade de vida e a fertilidade da mulher. O diagnóstico precoce ajuda a controlar os sintomas e cuidar da fertilidade. Por isso, quem tem sintomas que indiquem endometriose deve procurar o médico.

    Com tratamento adequado, seja clínico ou cirúrgico, é possível ter alívio da dor, melhora na fertilidade e mais qualidade de vida.

    Veja mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes sobre endometriose

    1. Toda cólica menstrual forte é sinal de endometriose?

    Não. A cólica pode ser comum, mas se for intensa, progressiva ou incapacitante, deve ser investigada por um médico.

    2. A endometriose tem cura?

    Não existe cura definitiva, mas o tratamento ajuda a controlar a doença e os sintomas.

    3. A doença sempre causa infertilidade?

    Não. Nem todas as mulheres com endometriose vão ter dificuldade para engravidar, mas a condição aumenta o risco.

    4. O que piora a endometriose?

    A estimulação hormonal pela menstruação é o principal fator de piora para a doença.

    5. Anticoncepcional ajuda a tratar?

    Sim. O uso contínuo pode bloquear a menstruação e controlar os focos.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Você já ficou preocupada depois de uma relação sexual desprotegida ou de perceber que o método anticoncepcional falhou? A pílula do dia seguinte costuma ser uma das primeiras alternativas para reduzir o risco de gravidez, sendo um método de contracepção desenvolvido para situações específicas.

    Ele funciona principalmente atrasando ou impedindo a ovulação, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Para que tenha a maior eficácia possível, o medicamento deve ser tomado o quanto antes após a relação sexual desprotegida, já que o efeito diminui com o passar das horas.

    Ainda assim, a pílula do dia seguinte não deve ser usada como um método anticoncepcional de rotina, porque oferece uma proteção menor do que outros métodos, como a pílula anticoncepcional, o DIU e o implante contraceptivo.

    O que é a pílula do dia seguinte?

    A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência indicado para evitar uma gestação indesejada após uma relação sexual desprotegida, falha do método habitualmente utilizado, como o rompimento da camisinha ou o esquecimento do anticoncepcional oral.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrei Sapienza, a pílula consiste em uma alta dose concentrada de progesterona sintetizada, como o levonorgestrel, administrada em uma única dose. A principal ação da pílula é impedir ou atrasar a ovulação, evitando que o óvulo seja liberado pelo ovário e possa ser fecundado pelo espermatozoide.

    A eficácia depende do momento do ciclo menstrual em que a mulher toma o medicamento. Quando a ovulação já ocorreu, a pílula com levonorgestrel pode não conseguir evitar a gravidez.

    Como a pílula funciona?

    Para impedir a gravidez, a pílula do dia seguinte com levonorgestrel atua principalmente antes da ovulação:

    • Inibição ou atraso da ovulação: se a mulher ainda não ovulou no momento da relação sexual, a pílula impede ou adia a liberação do óvulo pelo ovário, fazendo com que não haja célula reprodutiva feminina disponível para o encontro com os espermatozoides;
    • Alteração do muco cervical: a pílula espessa o muco produzido no colo do útero, criando uma barreira física espessa que dificulta a mobilidade e a ascensão dos espermatozoides em direção à cavidade uterina;
    • Redução da mobilidade das tubas uterinas: o medicamento reduz o batimento ciliar no interior das tubas de Falópio, mecanismo responsável por transportar o óvulo até a cavidade uterina, desacelerando o processo e prejudicando o encontro das células reprodutivas;
    • Modificação do endométrio: ocorre uma alteração na parede interna do útero (endométrio), tornando o ambiente desfavorável para os processos iniciais da concepção.

    Andreia destaca que a pílula não interrompe uma gravidez já estabelecida e não impede o desenvolvimento de um embrião que já tenha sido implantado no útero. Logo, não é considerada um medicamento abortivo.

    Quando e como tomar corretamente?

    A pílula com levonorgestrel deve ser tomada o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida. Quanto menor o intervalo entre a relação e o uso do medicamento, maior tende a ser a possibilidade de evitar a gravidez.

    O uso costuma ser recomendado preferencialmente nas primeiras 72 horas após a relação. O levonorgestrel ainda pode apresentar algum efeito quando utilizado mais tarde, mas a eficácia diminui com o passar do tempo.

    O comprimido pode ser ingerido com água e não precisa obrigatoriamente ser tomado junto com alimentos. Para quem costuma sentir náuseas, comer algo antes pode ajudar a diminuir o desconforto.

    Se ocorrer vômito poucas horas após a ingestão, pode ser necessário repetir a dose, pois o medicamento pode não ter sido completamente absorvido. Na situação, vale consultar a bula e buscar a orientação de um médico ou farmacêutico.

    Por que a pílula do dia seguinte não deve ser usada como método de rotina?

    A pílula do dia seguinte é uma opção segura para situações de emergência, mas não deve substituir os métodos contraceptivos usados regularmente, como o preservativo, o anticoncepcional oral, o DIU e o implante.

    1. A eficácia é menor do que a de outros métodos

    A pílula do dia seguinte apresenta maior eficácia quando é tomada o mais rápido possível após uma relação sexual desprotegida. Quanto mais tempo a mulher demora para usar o medicamento, menor tende a ser a proteção contra a gravidez.

    Um estudo publicado na revista científica The Lancet, com 1.955 mulheres, mostrou que a eficácia da contracepção de emergência varia de acordo com o intervalo entre a relação sexual e a tomada do medicamento:

    • até 12 horas: cerca de 99,5% de eficácia;
    • entre 13 e 24 horas: cerca de 95%;
    • entre 25 e 48 horas: cerca de 85%;
    • entre 49 e 72 horas: cerca de 58%.

    A eficácia também depende do momento do ciclo menstrual. A pílula com levonorgestrel atua principalmente atrasando ou impedindo a ovulação. Se a mulher estiver muito próxima de ovular ou se a ovulação já tiver ocorrido, a capacidade do medicamento de evitar a gravidez pode ser menor.

    2. Pode alterar o ciclo menstrual

    A pílula do dia seguinte contém uma dose de levonorgestrel capaz de interferir temporariamente no ciclo menstrual, de modo que a menstruação seguinte pode chegar alguns dias antes ou depois do esperado.

    Também podem ocorrer pequenos sangramentos fora do período menstrual. As alterações costumam ser passageiras e o ciclo tende a voltar ao padrão habitual.

    O uso repetido não causa infertilidade nem provoca danos permanentes ao ciclo menstrual. No entanto, recorrer frequentemente à contracepção de emergência pode tornar a data dos sangramentos menos previsível.

    3. Pode causar efeitos colaterais

    A pílula do dia seguinte costuma ser bem tolerada, mas pode provocar alguns efeitos colaterais após a ingestão, como:

    • Náusea e, em alguns casos, vômito;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Cansaço;
    • Dor ou desconforto abdominal;
    • Sensibilidade nas mamas;
    • Sangramento fora do período menstrual;
    • Alteração na data da próxima menstruação.

    Quando a necessidade de recorrer à contracepção de emergência se torna frequente, vale procurar um ginecologista para escolher uma opção mais adequada para prevenir a gravidez no dia a dia.

    Existem diferenças entre os tipos de pílula do dia seguinte?

    No Brasil, uma das opções mais conhecidas é o levonorgestrel, segundo Andreia. A dose recomendada para contracepção de emergência é de 1,5 mg, que pode ser encontrada em um único comprimido ou, dependendo da apresentação, dividida em dois comprimidos de 0,75 mg.

    Outro medicamento utilizado para a contracepção de emergência em alguns países é o acetato de ulipristal, que pode ser usado até 120 horas, ou cinco dias, após a relação sexual desprotegida. Ele não está disponível no Brasil.

    Quando fazer o teste de gravidez após tomar a pílula?

    A pílula do dia seguinte pode adiantar ou atrasar a próxima menstruação, então nem sempre a data esperada para o sangramento é suficiente para saber se o medicamento funcionou.

    Fazer um teste logo nos primeiros dias após a relação também pode apresentar um resultado negativo mesmo quando existe uma gravidez, pois o organismo ainda pode não ter produzido uma quantidade detectável do hormônio hCG.

    Uma orientação prática é realizar um teste de gravidez cerca de três semanas após a relação sexual desprotegida caso exista dúvida sobre a possibilidade de gestação. Também vale fazer o teste e procurar orientação médica quando a menstruação atrasar mais do que o habitual, principalmente se houver sintomas de gravidez.

    Perguntas frequentes

    1. Menores de idade podem comprar a pílula do dia seguinte sem receita?

    Sim. Não é necessária apresentação de receita médica e não há restrição de idade para a compra da contracepção de emergência em farmácias.

    2. A pílula do dia seguinte corta o efeito do anticoncepcional injetável ou do DIU?

    Não, ela não interfere no mecanismo do DIU nem anula a proteção das injeções contraceptivas já aplicadas.

    3. Como voltar a tomar a pílula anticoncepcional normal após usar a de emergência?

    Você deve continuar tomando a cartela de anticoncepcional de rotina normalmente nos horários habituais e usar preservativo até a chegada da próxima menstruação.

    4. Tomar pílula do dia seguinte causa infertilidade no futuro?

    Não. Não existe nenhuma evidência científica de que o uso emergencial afete a capacidade reprodutiva da mulher a longo prazo.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula do dia seguinte?

    O álcool não anula o efeito direto do hormônio. No entanto, se o consumo provocar vômito dentro de 2 horas após a ingestão, o remédio será eliminado antes de ser absorvido.

    6. A pílula do dia seguinte protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)?

    Não. A pílula atua exclusivamente na prevenção da gravidez e não oferece nenhuma proteção contra HIV, sífilis, HPV ou outras ISTs.

    7. Existe alguma contraindicação absoluta para o uso da pílula de emergência?

    Por ser um tratamento ocasional e único, não há contraindicações absolutas, mas mulheres com histórico de trombose prévia ou doenças hepáticas graves devem buscar orientação médica urgente.

    8. A pílula do dia seguinte previne a gravidez em relações sexuais que ocorrerem DEPOIS de tomá-la?

    Não. O efeito da pílula atua apenas no coito desprotegido que já aconteceu. Relações sexuais posteriores exigem novos métodos de barreira, como a camisinha.

  • Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    A mulher que descobre um mioma uterino em algum exame de rotina e não sabe bem o que é pode imaginar algo assustador. Mas calma: eles são tumores benignos que podem ser tratados de várias formas, e nem sempre a cirurgia é necessária.

    Para entender melhor o assunto, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os tratamentos clínicos e quais as opções para quem quer evitar o centro cirúrgico.

    O que são miomas e quais sintomas causam?

    Os miomas são tumorações benignas, nódulos bem enrijecidos que são compostos de células musculares da camada muscular do útero, explica a ginecologista. “Ninguém sabe muito bem por que eles se formam, mas existe uma tendência genética, e a prevalência é maior em mulheres negras”.

    Eles podem crescer em ritmos diferentes, e isso depende da presença de receptores hormonais no mioma. “Quando têm menos receptores, costumam ficar menores”, explica a médica.

    Principais sintomas de miomas

    • Sangramento uterino anormal: fluxo menstrual mais intenso, cólicas fortes e menstruação prolongada.
    • Compressão pélvica: quando o útero cresce e pressiona órgãos vizinhos, como bexiga e intestino. Isso pode causar dor e desconforto.

    “Em casos raros, os miomas degeneram ou crescem a ponto de causar necrose. A necrose é caracterizada por muita dor, sendo uma urgência ginecológica que precisa ser resolvida rápido. Mas isso é bem menos comum”, diz a médica.

    Quando é preciso tratar?

    Apesar de serem benignos, os miomas precisam de acompanhamento médico. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do caso.

    A cirurgia é indicada quando:

    • O sangramento é tão intenso que não melhora com tratamentos clínicos;
    • O útero está muito aumentado e comprimindo outros órgãos;
    • A dor é constante e limitante.

    Antes disso, porém, há várias formas de controle sem precisar encarar o bisturi.

    Tratamentos clínicos para miomas

    Quando a escolha é pelo tratamento não cirúrgico, o objetivo principal costuma ser controlar o sangramento.

    “A grande maioria vai ter como sintoma o aumento do sangramento genital. Então, temos algumas opções. Podemos bloquear o sangramento com contraceptivos hormonais, e há várias opções de pílulas”, explica a médica.

    • Pílula só de progesterona;
    • Pílula combinada de estrogênio e progesterona;
    • Implantes hormonais.

    O DIU hormonal nem sempre funciona bem. “O DIU é menos indicado, porque muitas vezes o mioma altera a cavidade interna do útero, e o dispositivo pode não ficar bem colocado”, comenta a especialista.

    Outro ponto é tratar a anemia causada pelo excesso de sangramento. Mas isso só resolve se o fluxo for controlado. “É preciso ‘fechar a torneirinha’. Nunca vamos conseguir manter a hemoglobina e o ferro bons se a mulher não parar de sangrar”.

    Além disso, quando há dor associada, entram em cena analgésicos e estratégias de controle. Se o quadro avança, a cirurgia passa a ser discutida.

    Embolização: uma alternativa menos invasiva

    Existe também a chamada embolização dos miomas, um procedimento realizado por um radiologista intervencionista.

    “O médico entra por um vaso da perna (artéria femoral) e vai até a artéria uterina e faz a embolização, ou seja, fecha o vaso que nutre o mioma”, explica a ginecologista.

    Sem sangue, o mioma tende a reduzir ou até desaparecer. É uma boa opção para quem não quer cirurgia, mas há ressalvas:

    • Nem todos os miomas respondem bem;
    • Existe risco de necrose uterina, o que pode levar à necessidade de retirar o útero, ou seja, não é uma opção boa para quem quer engravidar.

    E a fertilidade de quem tem mioma, como fica?

    Miomas podem ou não atrapalhar uma gravidez, e isso depende do tamanho e da localização deles. “Se distorcem internamente o endométrio, atrapalham a implantação do embrião. Alguns ficam perto das tubas uterinas e podem obstruir a passagem do espermatozoide”, explica a médica.

    Há três tipos de miomas, sendo que cada um pode causar um impacto:

    • Submucosos: mais problemáticos, aumentam o sangramento e podem dificultar a gravidez. Eles ficam na parte interna do útero;
    • Intramurais: o impacto varia conforme o tamanho. Miomas muito grandes podem causar problemas. Eles se localizam na parede muscular do útero;
    • Subserosos: crescem para fora do útero, costumam dar menos sintomas e raramente prejudicam a fertilidade.

    O tratamento para mioma uterino vai muito além da cirurgia. Há opções de medicamentos, implantes hormonais, embolização e até estratégias combinadas para controlar sangramento e dor. O mais importante é conversar com um ginecologista e avaliar qual é a melhor alternativa para cada caso.

    Confira: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Perguntas Frequentes sobre mioma uterino e tratamentos

    1. Mioma sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos podem ser controlados com tratamento clínico, como anticoncepcionais hormonais ou embolização.

    2. O DIU pode ser usado em quem tem mioma?

    Depende. Se o mioma alterar muito a cavidade uterina, o DIU pode não se fixar corretamente.

    3. Miomas podem virar câncer?

    Não. São tumores benignos. Em raríssimos casos, podem sofrer degeneração, mas não se transformam em câncer.

    4. A embolização substitui a cirurgia?

    Para algumas mulheres, sim. Mas há risco de complicações e não é indicada para quem deseja engravidar.

    5. O mioma sempre causa sintomas?

    Não. Alguns passam despercebidos e só são descobertos em exames de rotina.

    6. Quem tem mioma pode engravidar?

    Pode, apenas em alguns casos os miomas podem dificultar a gestação, dependendo do tamanho e da localização.

    7. O mioma pode voltar depois do tratamento clínico?

    Sim. Enquanto o útero for preservado, novos miomas podem aparecer.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas que pode causar desconfortos como ondas de calor, insônia e alterações de humor. Para aliviar esses sintomas, muitas mulheres consideram a terapia de reposição hormonal. Mas será que toda mulher pode fazer?

    Neste artigo, você vai entender o que realmente acontece no corpo durante a menopausa, os principais sintomas, os riscos e benefícios da reposição hormonal e os cuidados necessários para tomar uma decisão segura.

    O que é reposição hormonal na menopausa

    A reposição hormonal é um tratamento indicado para aliviar os sintomas da menopausa, fase marcada pela queda na produção dos hormônios femininos, principalmente o estrogênio. Essa redução pode trazer sintomas físicos e emocionais que afetam profundamente a qualidade de vida de cada mulher.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o tratamento deve sempre ser tratado caso a caso. “A reposição não é para todas as mulheres. É preciso avaliar os riscos, os benefícios e o histórico de saúde de cada paciente antes de indicar o uso dos hormônios”, explica.

    A mulher que está com sintomas pode, inclusive, começar a reposição hormonal na perimenopausa, período antes da menopausa. “O ideal é iniciar até 10 anos depois da menopausa, o que chamamos de janela de oportunidade”.

    E não há idade fixa para parar o tratamento. “Avaliamos ano a ano. Se a mulher não sente mais sintomas ou deseja parar, pode testar. Se ela ainda se beneficia, por exemplo, no controle da osteoporose, pode continuar sem data limite”, diz a médica.

    Sintomas da menopausa que podem indicar reposição hormonal

    Os sintomas da menopausa vão muito além das famosas ondas de calor, que atingem até 80% das mulheres. É comum que elas também apresentem alterações no sono, irritabilidade, fadiga, palpitações e mudanças no metabolismo.

    A ginecologista explica que as mulheres têm receptores de estrogênio no corpo todo, mas principalmente no cérebro, e é lá que estarão os maiores efeitos da queda hormonal.

    “As ondas de calor, por exemplo, acontecem porque o ‘termostato’ cerebral perde a regulação normal, e pequenas variações de temperatura, que não deveriam ser sentidas, são interpretadas como se fossem grandes mudanças, causando suor e sensação de calor intenso”, explica.

    Outro sintoma importante é a chamada síndrome geniturinária da menopausa. “Muitas mulheres relatam ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, infecções urinárias de repetição e urgência para urinar. Esses sintomas podem ser bastante incapacitantes e, muitas vezes, são subestimados”, reforça a especialista.

    Como funciona a reposição hormonal

    A reposição hormonal pode ser feita de diferentes maneiras, e a escolha depende tanto dos sintomas quanto do perfil de saúde da mulher.

    “Se a mulher tem útero, não posso dar o hormônio estradiol sozinho, porque ele estimula o endométrio e pode levar a hiperplasia ou até câncer. Por isso, junto com o estrogênio, é necessário repor também progesterona, que protege o endométrio”, conta a médica. Já mulheres sem útero precisam apenas do estrogênio.

    A via oral é prática, mas pode causar efeitos colaterais por passar pelo fígado. Já a via transdérmica (adesivos, géis, sprays) é considerada mais segura. Para sintomas genitais e urinários, pode-se usar estradiol local (via vaginal).

    Benefícios da reposição hormonal

    • Redução das ondas de calor e suor noturno;
    • Melhora do sono e da disposição;
    • Redução da irritabilidade e melhora do humor;
    • Prevenção e tratamento da síndrome geniturinária;
    • Risco menor de osteoporose.

    Riscos da reposição hormonal

    Apesar dos benefícios, a reposição não é indicada para todas. É contraindicada em casos de:

    • Histórico de trombose;
    • Hipertensão ou diabetes descontrolados;
    • Câncer de mama ou histórico familiar de primeiro grau.

    Acompanhamento e individualização do tratamento

    Não existe uma fórmula única. O acompanhamento médico anual é essencial, com exames como a mamografia, para garantir a segurança do tratamento.

    Veja também: Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Perguntas frequentes sobre reposição hormonal na menopausa

    1. Toda mulher na menopausa precisa fazer reposição hormonal?

    Não. A indicação depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    2. A reposição engorda?

    Não. O ganho de peso está mais ligado à menopausa em si, que reduz o metabolismo e altera a distribuição de gordura.

    3. Quem já teve câncer de mama pode fazer reposição?

    Geralmente, não. Nestes casos, médicos buscam alternativas não hormonais.

    4. A reposição hormonal ajuda a prevenir osteoporose?

    Sim. O estrogênio protege os ossos e reduz o risco de fraturas.

    5. Existe tempo limite para usar a reposição?

    Não há prazo fixo, mas deve ser reavaliado anualmente.

    6. A reposição pode melhorar sintomas emocionais?

    Sim. Muitas mulheres relatam melhora no sono, no humor e na disposição.

    Veja também: Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?