Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Você provavelmente já ouviu falar do exame preventivo ginecológico. A questão é que muita gente associa esse cuidado apenas ao papanicolau, sendo que a prevenção vai muito além disso. Esse conjunto de exames ajuda a detectar alterações ginecológicas e é uma oportunidade de cuidar da saúde da mulher de forma integral.

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que o ginecologista é reconhecido como médico generalista que cuida da saúde da mulher.

    “É claro que temos um foco na saúde feminina geniturinária, principalmente passando por três funções, a menstrual, a obstétrica e a sexual, mas na prevenção nós olhamos de forma mais abrangente e holística”, conta a especialista.

    O que é o exame preventivo ginecológico

    O exame preventivo é uma consulta voltada para avaliar diferentes aspectos da saúde feminina em cada fase da vida. Ele envolve desde a coleta do papanicolau, exame que identifica lesões causadas pelo HPV que podem evoluir para câncer de colo do útero, até exames de imagem e laboratoriais, de acordo com a idade e os fatores de risco de cada mulher.

    “O papanicolau é um exame para prevenção de uma doença, mas o preventivo é quando falamos de tudo da parte ginecológica, ou seja, vamos pensar em câncer de mama, câncer de útero, câncer de colo de útero e outros menos frequentes, como câncer de vagina e câncer de vulva”, explica a médica.

    O preventivo ginecológico também vai olhar outras doenças, como risco cardiovascular e risco de osteoporose. “Isso pensando na mulher que já tem uma certa idade de climatério”, explica a ginecologista.

    Quando começar a fazer o exame preventivo

    A recomendação é que toda mulher inicie o acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual. Os exames solicitados, no entanto, variam de acordo com a idade e histórico familiar.

    “Nas mulheres mais jovens, o principal foco de atenção é naquelas doenças com maior prevalência na idade, como câncer de colo do útero. Já entre as mulheres que estão próximas do climatério, a prevenção se volta também para outras doenças, cuja incidência começa a aumentar nesse período da vida”.

    Ou seja, cada fase da vida tem seus focos de atenção e o acompanhamento deve ser adaptado.

    “Mulheres que começam a fazer o acompanhamento cedo costumam se manter nele ao longo das fases da vida: início da vida sexual, fase reprodutiva, filhos, climatério e menopausa. Em cada etapa, a forma de olhar muda, mas o acompanhamento é contínuo”, explica Andreia.

    Principais exames do preventivo

    • Papanicolau e HPV: para rastreamento de câncer de colo de útero;
    • Colposcopia e vulvoscopia: quando há alterações ou HPV positivo, permitem analisar lesões invisíveis a olho nu;
    • Ultrassom transvaginal: avalia útero, endométrio, miomas, ovários, cistos e pólipos;
    • Exames de mama: ultrassonografia em mulheres jovens e mamografia somada ao ultrassom a partir dos 40 anos;
    • Ressonância de mamas: em casos de prótese ou necessidade de avaliação detalhada;
    • Exames de sangue: hemograma, vitaminas, colesterol e glicemia;
    • Exames complementares no climatério: densitometria óssea (a partir de 50 anos), endoscopia e colonoscopia (a partir de 45 anos).

    Para mulheres com prótese de silicone, às vezes o ultrassom ou a mamografia são complementados com a ressonância magnética. “Usamos para ver principalmente detalhes na parte posterior da prótese ou mesmo da integridade da prótese”, explica a médica.

    Diferença entre SUS e saúde privada

    Os protocolos de rastreamento podem mudar dependendo se a mulher faz acompanhamento pelo sistema público ou privado.

    No setor privado, a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos. Já no SUS, a oferta é diferente.

    “Como o SUS tem a preocupação em ser o melhor equilíbrio entre universal e integral, ele acaba oferecendo a mamografia a cada dois anos a partir dos 50 anos. Como não tem recurso para oferecer para todo mundo todo ano, essa é uma forma de garantir que esse exame seja oferecido para mais pessoas”, explica a médica.

    Como se preparar para o exame preventivo

    Não existe um grande mistério na preparação para o exame.

    “Orientamos que a mulher não tenha relação sexual 72 horas antes da coleta e não esteja menstruada, pois essas situações alteram o resultado”, diz a médica. “Isso não quer dizer que exista uma alteração real, mas pode mascarar o resultado normal e atrapalhar a investigação”.

    No climatério, pode haver atrofia genital intensa. “Se não houver contraindicação, às vezes é prudente preparar a vagina com estrogênio antes do papanicolau para evitar alterações nos resultados”, explica a especialista.

    Veja também: Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Perguntas frequentes sobre o exame preventivo ginecológico

    1. A partir de que idade devo ir ao ginecologista?

    A ginecologista recomenda que a menina tenha pelo menos uma consulta inicial quando menstrua, para receber orientações. O outro momento é quando tem ou está prestes a ter a primeira relação sexual, para receber orientações sobre contracepção e começar os exames preventivos.

    2. Preciso ir ao ginecologista todo ano?

    Sim, o ideal é passar em consulta anualmente, pois o ginecologista consegue olhar a saúde da mulher de forma integral e solicitar os exames necessários para cada fase.

    3. O exame preventivo ginecológico inclui só o papanicolau?

    Não. Ele envolve também avaliação das mamas, útero, ovários e outros exames, dependendo da idade da mulher.

    4. Mulheres que nunca tiveram relação sexual precisam fazer?

    Não precisam fazer o papanicolau, mas devem ir ao ginecologista. A consulta é necessária de qualquer forma, porque não se previne só câncer de colo uterino, mas também câncer de mama, de útero, de ovários, além de avaliar vulva e vagina, incontinência urinária e outras condições.

    5. Quem tem prótese mamária precisa de exames diferentes?

    Sim. Às vezes, a ressonância é indicada para avaliar detalhes da prótese e integridade.

    6. O SUS oferece todos os exames do preventivo?

    O SUS segue protocolos próprios, que incluem papanicolau e mamografia a cada dois anos a partir dos 50, além de outros exames conforme a necessidade.

    Veja também: Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

  • Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Muitas mulheres já passaram pela situação de estarem tranquilas e, de repente, perceber um sangramento que não estava na programação menstrual. O susto é grande, a preocupação bate na hora, e a dúvida aparece: será que isso é normal?

    O corpo feminino tem suas particularidades, e nem todo sangramento fora do ciclo é motivo para preocupação. Mas é importante entender quando se trata de algo fisiológico, ou seja, normal, e quando pode ser um sinal de que é necessário fazer uma investigação médica.

    O que é considerado um sangramento anormal?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, alguns episódios podem ser absolutamente normais.

    “Há mulheres que, no período da ovulação, apresentam pequenas alterações hormonais que fazem o endométrio descamar um pouco. Isso causa um sangramento discreto no meio do ciclo, chamado de sangramento do meio. Ele pode ser normal”, explica.

    Outra situação bem comum são os sangramentos relacionados ao uso de anticoncepcionais. “Anticoncepcionais que suspendem a menstruação podem causar esses sangramentos irregulares que chamamos de escape”, diz a ginecologista.

    Mas fora essas situações, todo sangramento fora do esperado merece atenção.

    Quando o sangramento precisa de investigação?

    De acordo com a ginecologista, qualquer sangramento recorrente fora da menstruação deve ser avaliado. Um exemplo importante é o sangramento durante a relação sexual.

    “Ele pode indicar lesões na vagina, na vulva ou no colo do útero, inclusive câncer de colo de útero”, alerta a especialista. Às vezes, a causa desse sangramento irregular também pode ser alterações no sistema de coagulação.

    Climatério e perimenopausa: fase de mudanças

    Na fase de transição para a menopausa, chamada perimenopausa, a irregularidade menstrual é a marca registrada.

    “A mulher pode sangrar a cada 15 dias, depois ficar meses sem menstruar e depois voltar a sangrar. Essa irregularidade entre os 45 e 55 anos é típica da transição para a menopausa”, explica Andreia.

    Quando os sangramentos fogem do padrão, exames podem ajudar a identificar se a menopausa está chegando.

    “O exame que usamos é o FSH (hormônio folículo-estimulante). Quando ele começa a se elevar, indica que a mulher está entrando na menopausa. Se isso ocorre em idade precoce, como aos 35 anos, não é normal, e precisamos investigar outras causas, como falência ovariana precoce”, conta ela.

    Leia também: Amenorreia: quando a menstruação não vem

    Perguntas frequentes sobre sangramento fora da menstruação

    1. É normal sangrar no meio do ciclo?

    Sim, pode acontecer durante a ovulação, por alterações hormonais naturais. É o chamado “sangramento do meio”. Esse sangramento, porém, é em pequena quantidade e não se assemelha à menstruação.

    2. O anticoncepcional pode causar sangramento fora do período?

    Sim. Os anticoncepcionais hormonais podem provocar escapes de vez em quando. Se for frequente, é importante conversar com o ginecologista.

    3. Sangramento após a relação sexual sempre é grave?

    Não sempre, mas pode ser sinal de lesões ou doenças no colo do útero e precisa ser investigado.

    4. Na perimenopausa é comum ter sangramentos irregulares?

    Sim. Entre os 45 e 55 anos, o ciclo menstrual tende a ficar irregular, com intervalos mais curtos ou longos.

    5. O sangramento fora do ciclo pode ser câncer?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando ocorre após a relação sexual. É por isso que toda ocorrência deve ser avaliada.

    6. O que devo fazer ao notar sangramento fora do período menstrual?

    Consultar um ginecologista. Apenas o médico pode identificar se é algo normal ou se precisa de tratamento.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

    Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

    Você sabia que a infertilidade pode afetar tanto homens quanto mulheres? Apesar de a dificuldade para engravidar ser frequentemente associada à saúde da mulher, os fatores masculinos estão envolvidos em cerca de metade dos casos de infertilidade do casal.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada pela ausência de gravidez após 12 meses de tentativas regulares, sem o uso de métodos contraceptivos.

    Como as causas podem estar relacionadas à mulher, ao homem ou a ambos, a investigação deve ser feita em conjunto, e não apenas direcionada a um dos parceiros.

    Afinal, a infertilidade é do homem ou da mulher?

    Quando um casal tem dificuldade para engravidar, é comum que a mulher assuma a responsabilidade pela investigação e realize uma série de exames ginecológicos. No entanto, a infertilidade é uma condição que envolve o casal e, por isso, ambos devem ser avaliados.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, as causas da infertilidade costumam ser distribuídas de forma bastante equilibrada entre homens e mulheres:

    • Fatores exclusivamente femininos: cerca de 25% dos casos;
    • Fatores exclusivamente masculinos: cerca de 25% dos casos;
    • Fatores mistos (presentes em ambos os parceiros): cerca de 40% a 50% dos casos.

    Nos casos de infertilidade mista, pequenas alterações de fertilidade em cada um dos parceiros acabam se somando e dificultam a gestação. Por isso, investigar apenas um dos lados pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

    Quando começar a investigar a infertilidade do casal?

    A decisão de procurar ajuda médica depende principalmente da idade da mulher, já que a reserva ovariana e a qualidade dos óvulos diminuem de forma mais acentuada com o passar dos anos.

    Segundo Andreia, quando a mulher tem até 35 anos, o casal pode tentar engravidar espontaneamente por até um ano. Se a gestação não acontecer no período, é recomendado iniciar a investigação da fertilidade de ambos os parceiros.

    Já quando a mulher tem mais de 35 anos, o período de tentativa espontânea é reduzido para seis meses. Como o tempo tem maior impacto sobre a fertilidade feminina nessa faixa etária, a avaliação deve começar mais cedo.

    Principais causas da infertilidade masculina

    A infertilidade masculina pode ter diversas causas, que envolvem alterações anatômicas, hormonais ou consequências de doenças:

    1. Varicocele

    A varicocele é a dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos, de forma semelhante às varizes que surgem nas pernas. O aumento da circulação de sangue na região eleva a temperatura local, comprometendo a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    A condição está entre as causas mais frequentes de infertilidade masculina e, em muitos casos, pode ser corrigida por meio de cirurgia.

    2. Alterações hormonais

    A produção de espermatozoides depende do equilíbrio entre diversos hormônios, como testosterona, prolactina, FSH e LH. Quando ocorre algum desequilíbrio, a fertilidade pode ser reduzida.

    Segundo Andreia, o uso de anabolizantes figura entre as principais causas de alterações hormonais capazes de comprometer a função reprodutiva.

    3. Criptorquidia

    A criptorquidia ocorre quando um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal durante o desenvolvimento do bebê. Como permanecem em uma região mais quente do corpo, o ambiente deixa de ser o ideal para a formação dos espermatozoides, aumentando o risco de infertilidade.

    O tratamento precoce reduz significativamente as chances do homem ter problemas no futuro.

    4. Sequelas de infecções

    A caxumba, por exemplo, é uma infecção que pode provocar uma inflamação nos testículos chamada orquite. Dependendo da intensidade do quadro, a produção de espermatozoides pode ficar comprometida de forma temporária ou permanente.

    Como o estilo de vida afeta os espermatozoides?

    Ao contrário das mulheres, que já nascem com uma quantidade limitada de óvulos, os homens produzem espermatozoides continuamente ao longo da vida. Isso faz com que a qualidade do sêmen seja bastante influenciada pelos hábitos diários e, em muitos casos, as alterações sejam reversíveis.

    Andreia explica que fatores que aumentam a produção de radicais livres prejudicam principalmente a motilidade e a qualidade dos espermatozoides, como:

    • Tabagismo: o cigarro aumenta a produção de radicais livres no organismo, prejudicando a qualidade, a motilidade e até o DNA dos espermatozoides;
    • Consumo excessivo de álcool: a ingestão frequente de bebidas alcoólicas pode alterar a produção de hormônios importantes para a fertilidade e reduzir a qualidade do sêmen;
    • Uso de drogas e anabolizantes: substâncias ilícitas e esteroides anabolizantes interferem no funcionamento dos testículos, diminuindo a produção e a qualidade dos espermatozoides;
    • Alimentação rica em ultraprocessados: uma dieta baseada em alimentos com alto teor de gordura, açúcar e produtos industrializados favorece a inflamação do organismo e aumenta o estresse oxidativo, prejudicando a fertilidade;
    • Exposição frequente ao calor: os testículos precisam permanecer cerca de 1 °C a 1,5 °C abaixo da temperatura corporal para produzir espermatozoides de forma adequada. O uso frequente de roupas muito apertadas, banhos muito quentes e a exposição constante ao calor intenso na região genital podem comprometer o processo.

    Como é feita a investigação da infertilidade no homem?

    O principal exame para avaliar a fertilidade masculina é o espermograma, que analisa tanto as características do sêmen quanto dos espermatozoides.

    Ele avalia a quantidade e a concentração de espermatozoides presentes na amostra, a motilidade (capacidade de movimentação necessária para que eles consigam alcançar o óvulo) e a morfologia, que corresponde ao formato dos espermatozoides.

    Quando os resultados do espermograma estão dentro da normalidade, normalmente não é necessário aprofundar a investigação da fertilidade masculina. Mas se o exame identificar alguma alteração, o médico pode solicitar alguns exames complementares para descobrir a causa do problema, como:

    • Perfil hormonal completo (testosterona, prolactina, FSH e LH);
    • Ultrassonografia dos testículos para identificar alterações como varicocele ou hidrocele;
    • Avaliação detalhada do histórico clínico e dos hábitos de vida do paciente.

    Quais são os tratamentos para a infertilidade masculina?

    Depois que a causa da infertilidade é identificada, Andreia explica que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico. Como os hábitos do dia a dia influenciam diretamente a produção e a qualidade dos espermatozoides, a primeira medida é corrigir os fatores que podem estar prejudicando a fertilidade, como o tabagismo, o uso de bebidas alcoólicas e o uso de anabolizantes.

    Além disso, é importante praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável e adotar uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e antioxidantes. Segundo a especialista, como os espermatozoides são produzidos continuamente, a melhora dos hábitos pode refletir na qualidade do sêmen ao longo dos meses, aumentando naturalmente as chances de gravidez.

    Quando a infertilidade está relacionada a infecções, o tratamento é feito com medicamentos específicos, como antibióticos. Já nos casos de alterações anatômicas, como a varicocele, pode ser indicada uma cirurgia para corrigir o problema e aumentar as chances de gravidez.

    Técnicas de reprodução assistida

    Se as medidas de tratamento não forem suficientes ou quando há alterações graves na produção ou na qualidade dos espermatozoides, o casal pode recorrer às técnicas de reprodução assistida, como:

    1. Inseminação artificial (baixa complexidade):

    A inseminação artificial é indicada quando o homem apresenta alterações leves na qualidade do sêmen ou quando há dificuldades para que os espermatozoides alcancem o óvulo naturalmente.

    Após uma preparação em laboratório, os espermatozoides mais saudáveis são colocados diretamente dentro do útero da mulher no período da ovulação, aumentando as chances de fecundação.

    2. Fertilização in vitro (FIV)

    A FIV é uma técnica de alta complexidade em que a fecundação acontece no laboratório. A mulher passa por uma estimulação dos ovários para produzir vários óvulos, que são coletados e colocados em contato com os espermatozoides.

    Depois que os embriões se desenvolvem, um ou mais são transferidos para o útero, onde poderão se implantar e dar início à gravidez.

    3. ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide)

    A ICSI é considerada uma variação da fertilização in vitro, indicada principalmente nos casos de infertilidade masculina mais grave.

    O embriologista seleciona um único espermatozoide saudável e o injeta diretamente dentro do óvulo, aumentando as chances de fecundação quando há poucos espermatozoides ou quando eles apresentam dificuldade para penetrar o óvulo.

    4. Doação de sêmen

    A doação de sêmen é utilizada quando o homem não produz espermatozoides viáveis ou apresenta azoospermia irreversível, situação em que não há possibilidade de recuperar células reprodutivas. É usado o sêmen de um doador selecionado por um banco especializado, seguindo critérios rigorosos de segurança e compatibilidade.

    A técnica pode ser empregada tanto na inseminação artificial quanto na fertilização in vitro, dependendo de cada caso.

    Qual médico o casal deve procurar primeiro?

    Na maioria das vezes, o ginecologista é o primeiro profissional procurado pelo casal, já que as mulheres costumam realizar consultas preventivas com mais frequência do que os homens consultam um urologista. É comum que o próprio ginecologista solicite um espermograma para o parceiro logo no início da investigação.

    Quando são identificadas alterações masculinas mais importantes, como uma varicocele significativa, ou quando existem dificuldades de fertilidade em ambos os parceiros, o casal deve ser encaminhado para um urologista e para uma clínica especializada em reprodução humana.

    Veja também: Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Perguntas frequentes

    1. Varicocele tem cura?

    Sim. A varicocele pode ser tratada por meio de uma cirurgia simples para corrigir a dilatação das veias dos testículos, melhorando frequentemente a qualidade do sêmen.

    2. Qual a temperatura ideal para os testículos?

    Os testículos precisam ficar entre 1 °C e 1,5 °C abaixo da temperatura corporal. Por isso eles ficam na bolsa escrotal, fora do abdômen. O calor excessivo na região prejudica a produção de espermatozoides.

    3. Qual exame detecta a infertilidade feminina?

    Os principais exames iniciais são as dosagens hormonais de sangue, como o hormônio antimülleriano para avaliar a reserva ovariana; e o ultrassom transvaginal e a histerossalpingografia, que avalia as tubas uterinas.

    4. O que o ginecologista avalia na mulher que não consegue engravidar?

    O médico investiga se a mulher está ovulando normalmente, se há obstruções nas trompas uterinas, alterações no útero e a qualidade/quantidade da reserva de óvulos.

    5. A idade do homem influencia na fertilidade?

    Sim, mas de forma muito menos drástica que a da mulher. Enquanto a mulher tem um limite biológico claro, o homem continua produzindo espermatozoides ao longo de toda a vida, embora possa haver queda na qualidade seminal em idades mais avançadas.

    6. Tomar anticoncepcional por muito tempo causa infertilidade?

    Não. O anticoncepcional previne a gravidez apenas durante o uso. Ao interromper o método, o ciclo menstrual e a fertilidade natural da mulher costumam retornar ao normal em poucos meses.

    7. Como calcular o período fértil?

    Em um ciclo regular de 28 dias, o período fértil ocorre na metade do ciclo. A ovulação acontece por volta do 14º dia, e o intervalo de maior fertilidade compreende os 3 dias antes e o dia seguinte a essa data.

    8. Ter relações todos os dias aumenta a chance de engravidar?

    Não necessariamente. Ter relações em dias alternados (dia sim, dia não) durante o período fértil é o ideal, pois garante que sempre haverá espermatozoides viáveis no trato feminino e dá tempo para o homem restabelecer a qualidade do sêmen.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

  • Tipos de muco cervical: saiba o que cada aspecto da secreção vaginal significa

    Tipos de muco cervical: saiba o que cada aspecto da secreção vaginal significa

    Ao longo do ciclo menstrual, é normal que a secreção vaginal mude de aparência, textura e quantidade. As alterações acontecem por causa das oscilações hormonais e ajudam a preparar o organismo para uma possível gravidez, mas podem causar dúvidas quando você não conhece o que é esperado em cada fase do ciclo.

    O muco cervical, produzido pelo colo do útero, apresenta variações naturais, podendo ser mais espesso e esbranquiçado ou transparente, elástico e escorregadio — característica que normalmente indica o período fértil. Além de contribuir para a proteção da região íntima, ele facilita ou dificulta a passagem dos espermatozoides para o útero, dependendo da fase do ciclo.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar quais são os principais tipos de secreção vaginal, o que cada um representa e quais mudanças são consideradas normais ao longo do mês.

    O que é o muco cervical?

    O muco cervical é uma secreção natural e saudável produzida pelas glândulas localizadas no colo do útero. A substância fica dentro do canal cervical, que liga a vagina ao útero, e muda de aspecto ao longo do ciclo menstrual de acordo com as variações hormonais.

    De acordo com Andreia, para entender a função da secreção, imagine o útero como uma pêra de cabeça para baixo. A parte mais larga corresponde ao corpo do útero, enquanto a parte mais estreita é o colo do útero, que faz a ligação entre o útero e a vagina. No interior do colo existe um pequeno canal por onde passam tanto o sangue da menstruação quanto os espermatozoides.

    Fora do período da menstruação, o canal permanece preenchido pelo muco cervical, que apresenta duas funções importantes para o organismo feminino.

    A primeira é proteger o útero contra bactérias, vírus e outros microrganismos presentes naturalmente na vagina, funcionando como uma barreira física e imunológica. A segunda é favorecer a gravidez durante o período fértil, já que, nessa fase, o muco muda de consistência para facilitar a passagem e aumentar a sobrevivência dos espermatozoides.

    Como o muco cervical muda ao longo do ciclo menstrual?

    O aspecto, a quantidade e a textura do muco cervical mudam naturalmente ao longo do mês. As alterações acontecem porque os hormônios femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona, variam durante o ciclo menstrual.

    Muco na fase folicular (após a menstruação)

    Depois que a menstruação termina, o organismo entra na chamada fase folicular, em que os níveis de estrogênio começam a aumentar aos poucos e estimulam a produção do muco cervical.

    Nos primeiros dias ele costuma ser mais discreto, espesso ou até quase imperceptível, mas, conforme a ovulação se aproxima, vai ficando mais úmido, transparente e elástico.

    Muco tipo “clara de ovo” durante a ovulação

    Quando o período fértil chega, o estrogênio atinge seu pico e provoca a mudança mais conhecida do muco cervical. Ele fica abundante, transparente, escorregadio e muito elástico, lembrando a consistência da clara de ovo crua. Se a mulher colocar um pouco da secreção entre os dedos, ela consegue formar um fio que se estica sem romper facilmente.

    Segundo Andreia, é o principal sinal de que a ovulação está próxima ou acabou de acontecer. O muco cria um ambiente favorável para proteger os espermatozoides e ajudá-los a chegar até o óvulo.

    Muco na fase lútea (após a ovulação)

    Depois da ovulação, o organismo passa a produzir mais progesterona, hormônio que faz o muco mudar completamente de aspecto. Ele se torna mais espesso, pegajoso, opaco e pode adquirir uma coloração branca ou levemente amarelada.

    A função do muco deixa de ser facilitar a passagem dos espermatozoides e passa a formar uma barreira de proteção no colo do útero, já que a ovulação terminou e não há mais necessidade de favorecer uma fecundação.

    Como diferenciar o muco cervical do corrimento?

    Segundo Andreia, a diferença entre o muco cervical e o corrimento nem sempre pode ser feita apenas pela aparência da secreção, sendo necessária uma avaliação ginecológica.

    Durante o exame com o espéculo, o médico consegue identificar se a secreção está sendo produzida pelas paredes da vagina ou se está saindo diretamente do colo do útero.

    Quando a alteração tem origem no colo uterino, ela recebe o nome de cervicite, uma inflamação normalmente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como:

    • Clamídia: costuma evoluir de forma silenciosa, sem dor ou sintomas evidentes, e pode permanecer sem diagnóstico por muito tempo. Se não for tratada, a bactéria pode atingir as trompas e aumentar o risco de infertilidade;
    • Gonorreia: provoca sintomas mais intensos, sendo comum surgir uma secreção amarelada ou esverdeada, semelhante a pus, além de dor na parte inferior do abdômen, sangramentos fora do período menstrual e aumento da dor durante a menstruação.

    Sempre que a secreção apresentar mudanças importantes de cor, cheiro ou consistência, vier acompanhada de dor, coceira, ardor, sangramento fora do período menstrual ou dor durante as relações sexuais, é importante procurar um ginecologista.

    O que pode alterar o aspecto do muco cervical?

    Para que o muco apresente as mudanças normais do ciclo menstrual, é necessário que os níveis de estrogênio e progesterona variem naturalmente ao longo do mês. Sempre que a oscilação hormonal deixa de acontecer, o aspecto do muco também muda, o que pode ocorrer em três situações:

    Uso de anticoncepcionais hormonais

    As pílulas, injeções, implantes e os anéis vaginais impedem a ovulação e mantém os hormônios em níveis mais estáveis. Como consequência, o muco permanece espesso durante todo o ciclo, dificultando a passagem dos espermatozoides e contribuindo para o efeito contraceptivo.

    Amamentação

    Durante o período de amamentação, o organismo produz grandes quantidades de prolactina, hormônio responsável pela produção do leite. A substância reduz a atividade dos ovários e interfere na produção de estrogênio, fazendo com que o muco permaneça com aspecto não fértil.

    Menopausa

    Na menopausa, a produção de estrogênio diminui de forma significativa, de modo que o muco cervical perde elasticidade, fica mais escasso e muitas mulheres também percebem uma redução da lubrificação vaginal.

    Como observar o muco cervical no dia a dia?

    Segundo Andreia, não é preciso decorar todas as classificações usadas por aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual. Na prática, basta identificar dois tipos principais de muco:

    • O muco fértil é transparente, escorregadio, elástico e tem uma aparência semelhante à clara de ovo. O aspecto indica que a mulher está no período fértil ou muito próxima da ovulação;
    • Já o muco não fértil costuma ser mais espesso, pastoso, esbranquiçado ou levemente amarelado e se rompe facilmente quando é esticado entre os dedos.

    Para observar as mudanças, basta prestar atenção à secreção que aparece no papel higiênico após urinar, na calcinha ou na entrada da vagina, sempre com as mãos limpas.

    O acompanhamento ajuda a conhecer melhor o próprio ciclo menstrual, mas não substitui a avaliação do ginecologista caso a secreção apresente mau cheiro, provoque dor, coceira ou outros sintomas incomuns.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Perguntas frequentes

    1. O muco cervical pode ser considerado menstruação atrasada?

    Não, o muco cervical é apenas uma secreção hormonal. O atraso menstrual é a ausência de descamação do endométrio, o que pode indicar gravidez, estresse ou desequilíbrio hormonal, mas uma coisa não substitui a outra.

    2. Qual a diferença entre muco cervical e lubrificação íntima?

    O muco cervical é produzido de forma contínua pelo colo do útero sob controle dos hormônios do ciclo. Já a lubrificação íntima é uma reação física momentânea à excitação sexual, produzida por glândulas na entrada da vagina (glândulas de Bartholin).

    3. Quanto tempo dura o muco clara de ovo no período fértil?

    Normalmente, ele dura de 2 a 5 dias. O último dia em que você nota esse muco com aspecto mais elástico e escorregadio costuma ser o dia mais próximo da ovulação.

    4. O muco cervical pode ficar preso no útero?

    Não, o muco é produzido para ser expelido continuamente. Ele desce naturalmente pelo canal vaginal devido à gravidade e aos movimentos naturais do corpo no dia a dia.

    5. É normal ter muco cervical mesmo após a laqueadura?

    Sim, a laqueadura apenas obstrui as tubas uterinas para evitar o encontro do óvulo com o espermatozoide. Os ovários continuam funcionando normalmente e produzindo os hormônios que controlam as fases e o aspecto do muco.

    6. O muco cervical tem cheiro forte?

    Não, o muco cervical saudável, independentemente da fase do ciclo, tem um odor neutro ou levemente ácido, típico da região íntima. A presença de cheiros fortes, azedos ou semelhantes a peixe indicam infecções vaginais, como a vaginose bacteriana.

    7. Por que sinto uma sensação de “vagina molhada” mesmo sem ver muco?

    A sensação de umidade ocorre devido ao aumento de água e fluxo sanguíneo na região pélvica durante o período fértil. O muco pode estar tão líquido e aquoso nessa fase que escorre rapidamente, sem deixar resíduos visíveis ou consistentes na calcinha.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Durante a gravidez, os movimentos do bebê são um dos principais sinais de que ele está ativo e se desenvolvendo normalmente dentro do útero. Mas, à medida que a gestação se aproxima do fim, é comum que a frequência e a intensidade dos chutes, alongamentos e cambalhotas mudem.

    Com o crescimento do bebê, o espaço dentro do útero fica cada vez menor, fazendo com que ele tenha menos liberdade para realizar movimentos amplos.

    A mudança é esperada e parte do desenvolvimento normal da gravidez, mas o bebê ainda deve se movimentar diariamente, com esticadas, empurrões, pequenos deslocamentos do corpo e movimentos mais lentos. Apesar de ficar mais apertado dentro do útero, ele continua alternando períodos de sono e de atividade.

    O mais importante é que a gestante conheça o padrão habitual de movimentação do seu bebê e procure atendimento médico caso perceba uma diminuição importante ou a ausência de movimentos, especialmente no terceiro trimestre.

    É normal o bebê mexer menos no final da gravidez?

    Não é normal o bebê parar de mexer ou ter uma redução drástica nos movimentos no final da gestação. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o bebê se movimenta continuamente durante toda a gravidez. O que realmente muda na reta final é o espaço disponível dentro do útero e como a gestante percebe os movimentos.

    Como o bebê está muito grande, ele não consegue mais dar aquelas cambalhotas amplas do início. Em vez disso, os movimentos se tornam mais localizados e bem evidentes: você passa a sentir nitidamente partes do corpo dele se esticando, como um cotovelo ou um pé pressionando a barriga.

    Além disso, Andreia aponta que o feto tem um ciclo de sono e vigília muito bem definido, dormindo por cerca de 40 minutos e ficando acordado nos 40 minutos seguintes. Por isso, se ele estiver quietinho, pode ser apenas o momento do soninho dele.

    Por que parece que ele só mexe à noite?

    Durante o dia, a rotina de trabalho, os afazeres e outras atividades podem desviar a atenção da mulher, dificultando a percepção dos movimentos fetais. À noite, ao deitar e relaxar, a gestante fica mais atenta ao próprio corpo, o que torna os movimentos mais fáceis de perceber.

    Junto a isso, alguns movimentos realizados pela própria gestante durante o dia, como caminhar, mudar de posição ou realizar atividades domésticas, podem embalar o bebê e favorecer períodos de sono. Quando a mãe para e fica em repouso, o bebê pode acordar e voltar a se movimentar, aumentando a sensação de que ele só mexe durante a noite.

    Como saber se o bebê está mexendo menos ou se parou de se mover?

    Para ajudar as gestantes a acompanharem a vitalidade fetal de forma mais objetiva, existe um método simples chamado mobilograma, que consiste na contagem e registro dos movimentos fetais para garantir que a oxigenação e a vitalidade estão adequadas. A recomendação de Andreia é seguir o seguinte passo a passo:

    • Escolha um momento calmo: vá para um ambiente tranquilo, de preferência deite-se do lado esquerdo e concentre toda a atenção na barriga. Isso reduz as distrações do dia a dia e facilita a percepção dos movimentos;
    • Alimente-se antes: faça um pequeno lanche ou tome um copo de suco. O aumento da glicose na corrente sanguínea costuma estimular a movimentação do bebê, caso ele esteja dormindo;
    • Observe por até 2 horas: conte todos os movimentos do bebê, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos.

    O esperado é que o bebê realize pelo menos 10 movimentos em um período de até 2 horas, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos. Não é necessário que os movimentos sejam fortes: qualquer movimentação percebida pela gestante pode ser contabilizada.

    O que fazer imediatamente se você não sente o bebê mexer

    Se você contar menos de 10 movimentos durante o período, ou se o bebê não esboçar nenhuma reação mesmo após você ter se alimentado e estimulado a barriga, é um sinal claro de que ele está se movendo menos do que deveria. A orientação médica é procurar o pronto-socorro obstétrico imediatamente.

    No hospital, Andreia explica que a equipe médica poderá avaliar a vitalidade fetal por meio de exames como:

    • Cardiotocografia: monitora os batimentos cardíacos do bebê e a presença de contrações uterinas, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Ultrassom com perfil biofísico fetal: avalia a movimentação do bebê, o tônus muscular, os movimentos respiratórios e a quantidade de líquido amniótico, atribuindo uma pontuação à vitalidade fetal;
    • Ultrassom com Doppler: analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, incluindo as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, permitindo identificar alterações na oxigenação e na circulação fetal.

    “Eu sempre digo: não tem problema ter 10 alarmes falsos. Vá ao pronto-socorro quantas vezes forem necessárias”, complementa a ginecologista.

    Quando é necessário interromper a gestação?

    A decisão de antecipar o parto por meio de uma indução ou de uma cesariana de emergência é tomada quando os médicos avaliam que permanecer no útero representa um risco maior para o bebê do que os possíveis impactos do nascimento prematuro.

    Segundo Andreia, embora o útero seja o ambiente ideal para o desenvolvimento do bebê, quando os exames mostram sinais de comprometimento da vitalidade fetal, a equipe médica pode optar pela antecipação do parto para preservar a vida da mãe e da criança. Os principais critérios incluem:

    • Sofrimento fetal, identificado na cardiotocografia ou no perfil biofísico fetal;
    • Alterações graves no Doppler, que mostram comprometimento da circulação e da oxigenação do bebê;
    • Oligoâmnio grave, quando há redução importante da quantidade de líquido amniótico;
    • Complicações maternas graves, como descolamento da placenta, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia.

    A ginecologista explica que todo o processo segue protocolos rigorosos. Os resultados da cardiotocografia, do perfil biofísico fetal e do Doppler são interpretados de acordo com critérios bem estabelecidos, permitindo que a equipe médica defina com segurança se a gestante pode receber alta, permanecer em observação ou se a interrupção da gestação é a conduta mais indicada.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    No final da gestação, alguns sintomas precisam de avaliação médica imediata, pois podem indicar uma emergência obstétrica:

    • Sangramento vaginal intenso, semelhante a uma menstruação;
    • Perda de líquido amniótico, mesmo que em pequena quantidade;
    • Diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
    • Contrações regulares, com pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora;
    • Dor abdominal intensa, com a barriga endurecida e sem relaxar;
    • Febre;
    • Dor de cabeça forte e persistente;
    • Dor na parte alta da barriga, próxima à boca do estômago;
    • Alterações na visão, como flashes de luz ou manchas escuras;
    • Pressão alta, convulsões ou falta de ar.

    Segundo Andreia, os quatro principais sinais que podem indicar a necessidade de antecipar o parto são a perda de líquido amniótico, o sangramento vaginal, a redução dos movimentos fetais e as contrações regulares. Já os demais sintomas podem estar relacionados a complicações graves, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e também exigem atendimento imediato.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O bebê se mexe menos quando a bolsa vai estourar?

    Não, o rompimento da bolsa (ruptura das membranas) não reduz a movimentação do bebê. Se ele parar de se mexer após a bolsa estourar, procure a maternidade imediatamente, pois é um sinal de alerta e não uma reação normal.

    2. O que o bebê sente quando a mãe come doce?

    Ele recebe uma carga rápida de energia. A placenta facilita a passagem da glicose da mãe para a corrente sanguínea do bebê, o que costuma despertá-lo e aumentar sua movimentação.

    3. Com quantas semanas o bebê começa a mexer de forma bem evidente?

    Os primeiros movimentos costumam ser percebidos entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. A partir da 24ª semana, eles tendem a ficar mais evidentes e fáceis de identificar.

    4. O que acontece se o líquido amniótico estiver muito baixo?

    Quando o volume de líquido amniótico está muito reduzido (oligoâmnio), o bebê perde parte da proteção oferecida pelo útero. Dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro, pode ser necessário antecipar o parto.

    5. O bebê pode mexer menos por estar encaixado?

    O bebê pode mudar a forma como se movimenta quando está encaixado, com menos chutes na parte inferior da barriga e mais empurrões na parte de cima. No entanto, a quantidade total de movimentos não deve diminuir de forma importante.

    6. O que fazer se eu tiver contrações ritmadas que não passam?

    Se você apresentar pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora seguida, procure a maternidade, pois pode ser um sinal de trabalho de parto.

    7. Sentir o bebê tremer na barriga é normal?

    Sim. Pequenos tremores ou vibrações rápidas costumam ser apenas espasmos musculares normais do desenvolvimento do bebê, reflexos de sobressalto ou a eliminação de urina.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Uma das alternativas mais sustentáveis ao uso do absorvente descartável, o coletor menstrual é um copinho flexível de silicone medicinal, introduzido no canal vaginal para coletar o fluxo menstrual em vez de absorvê-lo.

    Para você ter uma ideia, ele pode durar anos e, se usado corretamente, é bastante confortável para usar durante as atividades do dia a dia, inclusive para dormir, praticar exercícios físicos, nadar ou trabalhar.

    No entanto, para garantir todos os benefícios do método e evitar riscos à saúde, é importante saber como escolher o tamanho certo e manter os cuidados ideais de higiene. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar os principais detalhes do coletor. Confira!

    Como funciona o coletor menstrual?

    Ao contrário do absorvente, que absorve o sangue da menstruação, o coletor menstrual funciona coletando o fluxo dentro da vagina, mantendo o sangue armazenado em seu interior até o momento da retirada.

    Antes de ser inserido, o coletor é dobrado para ficar menor e facilitar a colocação e, depois de introduzido no canal vaginal, ele se abre naturalmente e se ajusta às paredes da vagina, formando uma vedação suave que ajuda a evitar vazamentos.

    À medida que a menstruação acontece, o sangue fica acumulado dentro do coletor, sem entrar em contato com o ambiente externo. Dependendo da intensidade do fluxo menstrual, ele pode permanecer por até 8 horas antes de precisar ser esvaziado, oferecendo mais praticidade para a rotina e diminuindo a necessidade de trocas frequentes ao longo do dia.

    Benefícios do coletor menstrual

    Por ser feito de um material inerte e seguro, ele oferece benefícios diretos para a saúde da mulher, para o orçamento mensal e para a rotina, como:

    • Mais saúde para a região íntima: diferente dos absorventes descartáveis, o coletor não altera o pH vaginal e não absorve a umidade natural da vagina, apenas o sangue. Isso reduz drasticamente o risco de infecções, como a candidíase, e evita alergias e assaduras na vulva;
    • Livre de odores desagradáveis: o mau cheiro característico do período menstrual só acontece quando o sangue entra em contato com o oxigênio e com os componentes químicos dos absorventes comuns. Como o coletor fica bem vedado dentro da vagina, o sangue não oxida, eliminando qualquer odor;
    • Maior capacidade de armazenamento: o coletor consegue reter mais fluxo do que os absorventes tradicionais, o que diminui a necessidade de trocas constantes ao longo do dia, oferecendo mais praticidade para quem tem fluxo intenso;
    • Conforto e liberdade de movimento: quando inserido corretamente, o coletor se adapta perfeitamente às paredes vaginais e não causa nenhum incômodo. Com ele, é possível praticar atividades físicas, correr, dançar e até nadar com total segurança e sem medo de vazamentos.

    Também vale destacar que, embora o investimento inicial seja maior do que o de um pacote de absorventes, o coletor menstrual é reutilizável e pode durar de 5 a 10 anos se bem cuidado.

    A longo prazo, você acaba gastando muito menos com produtos menstruais, já que um único coletor pode substituir centenas de absorventes descartáveis durante toda a sua vida útil.

    Como escolher o tamanho ideal do coletor menstrual?

    Segundo Andreia, o tamanho do coletor deve ser escolhido de acordo com as características do colo do útero, já que a região pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Durante a consulta ginecológica, o médico avalia a anatomia e orienta qual é o tamanho mais adequado para cada caso. Se necessário, também é possível demonstrar e treinar a colocação e a retirada do coletor no próprio consultório, ajudando a paciente a ganhar mais segurança antes de começar a utilizá-lo.

    A ginecologista explica que o posicionamento correto é importante para evitar vazamentos. O coletor precisa ficar logo abaixo do colo do útero para que todo o fluxo menstrual seja direcionado para o seu interior.

    Quando ele é colocado na posição errada e não envolve corretamente a região, o sangue pode escorrer pelas laterais, fazendo com que o coletor não cumpra sua principal função, que é coletar a menstruação.

    Passo a passo para colocar e tirar o coletor com segurança

    Com um pouco de prática e seguindo alguns cuidados básicos de higiene, a colocação e a retirada se tornam simples e confortáveis. O primeiro passo é lavar as mãos com água e sabonete, para evitar a entrada de microrganismos na vagina e reduzir o risco de infecções.

    Como colocar o coletor menstrual

    1º passo: encontre uma posição confortável

    Você pode ficar agachada, sentada no vaso sanitário com os joelhos afastados ou em pé, apoiando uma das pernas na borda do vaso ou do box. O ideal é escolher a posição em que se sentir mais relaxada.

    2º passo: dobre o coletor

    Como o silicone é flexível, o coletor precisa ser dobrado para facilitar a inserção. As dobras mais utilizadas são:

    • Dobra em C (ou U): dobre o coletor ao meio, unindo as duas bordas para formar o formato da letra C;
    • Dobra punch down: empurre uma das bordas para dentro, em direção à base do coletor, formando uma ponta mais fina, o que costuma facilitar a colocação, principalmente para quem está começando.

    3º passo: introduza o coletor

    Segure o coletor dobrado com uma das mãos e, com a outra, afaste delicadamente os lábios vaginais. Em seguida, introduza o coletor na vagina, direcionando-o para trás, em direção ao cóccix, e não para cima.

    4º passo: verifique se ele abriu corretamente

    O coletor não precisa ficar tão profundo quanto um absorvente interno. Depois de inserido, ele costuma se abrir sozinho e formar uma vedação suave nas paredes da vagina.

    Para conferir se está bem posicionado, gire delicadamente a base do coletor ou passe um dedo ao redor dela. Se o coletor estiver completamente aberto, sem dobras, a vedação estará formada e o risco de vazamentos será menor.

    Como retirar o coletor menstrual

    Para retirar, a principal dica é nunca puxar apenas pelo pino. Ele serve apenas como um guia para você localizar a base do coletor. Puxá-lo sem desfazer o vácuo pode causar um efeito de sucção desconfortável no colo do útero.

    • Lave as mãos e adote uma posição confortável (ficar agachada ajuda o coletor a descer um pouco no canal);
    • Faça uma leve força com a musculatura da vagina (como se estivesse evacuando) para empurrar o coletor para baixo;
    • Introduza o polegar e o indicador na vagina até alcançar a base do coletor. Aperte a base do copinho com firmeza. Isso fará o ar entrar, desfazendo o vácuo imediatamente;
    • Mantendo a base pressionada, puxe o coletor suavemente para fora, mantendo-o na vertical para que o sangue não derrame;
    • Despeje o conteúdo no vaso sanitário, lave o coletor na pia com água corrente e sabão neutro e ele estará pronto para ser inserido novamente.

    Segundo Andreia, a paciente precisa conhecer muito bem o próprio corpo para conseguir inserir o coletor corretamente, verificar se ele ficou bem posicionado, retirá-lo no momento adequado e realizar a higienização antes de colocá-lo novamente.

    As etapas se tornam fáceis com a prática, mas algumas pessoas podem ter mais dificuldade durante o período de adaptação.

    Cuidados de higiene com o coletor menstrual

    Como o sangue é um líquido muito nutritivo, ele funciona como um meio de cultura natural onde bactérias podem se proliferar se o coletor ficar sujo ou for mal higienizado, segundo Andreia. Para evitar riscos, você deve adotar alguns cuidados no di a adia:

    1. Lave sempre as mãos

    Antes de colocar ou retirar o coletor, lave bem as mãos com água e sabonete para evitar a transferência de microrganismos para a região íntima.

    2. Higienize o coletor a cada troca

    Sempre que esvaziar o coletor durante a menstruação, lave-o com água corrente e sabonete neutro ou outro produto recomendado pelo fabricante. Antes de recolocá-lo, enxágue bem para remover qualquer resíduo de sabonete.

    3. Limpe os furinhos de vedação

    O coletor possui pequenos furos próximos à borda que ajudam a formar a vedação. Durante a lavagem, encha o coletor com água, tampe a abertura com a palma da mão e aperte levemente a base para que a água passe pelos furos e remova possíveis resíduos.

    4. Esterilize antes do primeiro uso e após cada ciclo

    Antes de usar o coletor pela primeira vez e ao final de cada menstruação, faça a esterilização para eliminar microrganismos e garantir um uso mais seguro.

    5. Ferva o coletor corretamente

    Coloque o coletor em uma panela com água suficiente para cobri-lo completamente e deixe ferver por cerca de 3 a 5 minutos, seguindo as orientações do fabricante. Evite deixá-lo fervendo por mais tempo do que o recomendado para não comprometer o material.

    6. Use o micro-ondas apenas se o fabricante permitir

    Alguns coletores podem ser esterilizados em recipientes próprios para micro-ondas. Nesses casos, basta colocá-lo em um recipiente adequado com água e seguir as instruções do fabricante quanto ao tempo de aquecimento.

    7. Guarde o coletor em local adequado

    Depois de esterilizado e completamente seco, guarde-o no saquinho de tecido que normalmente acompanha o produto ou em outro recipiente que permita a circulação de ar. Evite armazená-lo em potes plásticos totalmente fechados.

    8. Não utilize produtos químicos agressivos

    Álcool, água sanitária, desinfetantes, detergentes e sabonetes perfumados não devem ser usados na limpeza do coletor, pois podem danificar o silicone e causar irritações na região íntima.

    De quanto em quanto tempo é preciso esvaziar o coletor?

    O tempo de uso do coletor menstrual varia de acordo com a intensidade do fluxo, que é diferente para cada pessoa e também pode mudar ao longo da própria menstruação. Em geral, o fluxo costuma ser mais leve no início, aumenta no segundo ou terceiro dia e depois volta a diminuir.

    Por isso, a frequência para esvaziar o coletor deve ser adaptada à quantidade de sangue coletada, já que, quando ele atinge a capacidade máxima, pode acabar vazando.

    Segundo Andreia, assim como acontece com o absorvente interno, o coletor não deve permanecer por muitas horas seguidas sem ser esvaziado. O recomendado é não ultrapassar 8 horas de uso contínuo e, sempre que possível, fazer a troca antes desse período, de preferência a cada 6 horas, especialmente nos dias de fluxo mais intenso.

    Existem contraindicações ao uso?

    Não existe uma contraindicação absoluta para o uso do coletor menstrual, já que a adaptação varia de pessoa para pessoa.

    Mas, em algumas situações, a ginecologista explica que o médico pode orientar a suspensão do uso, principalmente quando há suspeita de infecção, histórico recente de infecções vaginais recorrentes ou irritação causada pelo contato com o material. A recomendação é individualizada e depende da avaliação clínica de cada paciente.

    Quem tem DIU pode usar o coletor menstrual?

    Pessoas que usam DIU, seja ele de cobre ou hormonal (Mirena/Kyleena), podem utilizar o coletor menstrual sem problemas. O uso do coletor não interfere na eficácia do anticoncepcional e não causa o deslocamento do dispositivo, desde que retirado da forma correta.

    Mulheres virgens podem usar o coletor menstrual?

    De acordo com Andreia, mulheres virgens podem usar o coletor menstrual, mas o processo pode ser um pouco mais desafiador e existe o risco de romper o hímen. Do ponto de vista anatômico e médico, não há nenhuma contraindicação à saúde, sendo uma escolha totalmente baseada no desejo e no conforto da mulher.

    Se a mulher ainda não teve relações sexuais e deseja usar o coletor, é preciso levar em consideração alguns pontos importantes, como:

    • O coletor pode esticar ou romper o hímen durante a colocação ou a retirada, já que essa membrana é fina e pode variar de elasticidade entre as pessoas;
    • O ideal é escolher a coletor de tamanho menor, que costuma ser mais confortável para quem nunca utilizou produtos de inserção vaginal;
    • Nas primeiras tentativas, um lubrificante à base de água pode facilitar a colocação e reduzir o desconforto.

    Como nessa fase pode ser mais difícil avaliar a altura do colo do útero sozinha, uma ótima recomendação é conversar com o ginecologista antes de comprar. O médico poderá examinar a elasticidade do hímen e indicar o modelo mais adequado para a anatomia da paciente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O coletor menstrual pode vazar?

    Não, se for escolhido o tamanho correto e inserido adequadamente, ele se molda às paredes vaginais, criando um vácuo que impede vazamentos.

    2. Como saber se o coletor abriu completamente?

    Passe o dedo indicador ao redor da base do coletor; se não sentir dobras ou partes amassadas, é sinal de que ele abriu e formou o vácuo.

    3. É possível urinar com o coletor?

    Sim. O coletor fica posicionado na vagina, um canal diferente da uretra, por onde sai a urina.

    4. Como higienizar o coletor em banheiros públicos?

    Leve uma garrafinha de água com você. Esvazie o coletor no vaso, enxágue-o com a água da garrafinha sobre o vaso e reinsira-o.

    5. O coletor pode causar infecções?

    Não, se for higienizado corretamente. O material (silicone medicinal) é hipoalergênico e não altera a flora vaginal.

    6. O que fazer se o coletor ficar “preso”?

    Não entre em pânico. Relaxe, respire fundo e faça força abdominal (como se fosse evacuar) para empurrá-lo para baixo até conseguir alcançar a base e quebrar o vácuo.

    7. Posso usar o coletor no pós-parto?

    Não, o ideal é esperar o período de resguardo (geralmente 40 a 60 dias) e a liberação do médico para retomar o uso.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    A pílula anticoncepcional atua no organismo feminino por meio da combinação de hormônios sintéticos, como o estrogênio e a progesterona, que impedem que o ovário libere um óvulo para ser fecundado. Só que, no dia a dia, o medicamento depende de uma rotina rigorosa de horários e o funcionamento do sistema digestivo e do fígado para funcionar corretamente.

    A seguir, com orientação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, esclarecemos como o medicamento age no corpo e mostramos os principais fatores que podem reduzir a eficácia, desde esquecimentos e episódios de vômito ou diarreia até interações com alguns medicamentos.

    Como a pílula anticoncepcional atua no organismo?

    A pílula anticoncepcional, normalmente composta por estrogênio e progesterona sintéticos, é absorvida pelo trato gastrointestinal, entra na corrente sanguínea e passa pelo fígado, onde sofre o chamado metabolismo de primeira passagem. Depois, os hormônios seguem para a circulação e atuam em diferentes órgãos do sistema reprodutor feminino para evitar a gravidez.

    Primeiro, os hormônios presentes no medicamento agem no cérebro, mais especificamente no hipotálamo e na hipófise, reduzindo a liberação dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Sem os estímulos, os ovários não amadurecem os folículos nem liberam um óvulo, impedindo que a ovulação aconteça.

    Ao mesmo tempo, a progesterona sintética torna o muco do colo do útero mais espesso e viscoso, formando uma barreira que dificulta a passagem dos espermatozoides em direção às trompas, onde normalmente ocorreria a fecundação.

    Por fim, a pílula provoca alterações no endométrio, camada que reveste o interior do útero, deixando-o menos preparado para receber um óvulo fecundado. Não é o principal mecanismo de ação do medicamento, mas também contribui para aumentar a eficácia do método.

    O que pode alterar o efeito da pílula anticoncepcional?

    1. Esquecer de tomar os comprimidos

    Quando a mulher atrasa ou esquece apenas um comprimido, a concentração dos hormônios no organismo diminui, mas, na maioria dos casos, ainda permanece dentro de uma faixa capaz de manter a proteção contra a ovulação, graças à margem de segurança do método.

    No entanto, Andreia destaca que o risco aumenta quando o esquecimento ultrapassa 48 horas ou envolve dois ou mais comprimidos consecutivos. Os níveis hormonais caem de forma mais significativa, reduzindo a eficácia do anticoncepcional e aumentando a chance de ocorrer a ovulação e, consequentemente, uma gravidez.

    Vale destacar que, apesar do corpo tolerar pequenas variações de horário, como duas horas para mais ou para menos, ultrapassar constantemente o limite começa a desgastar a estabilidade dos picos hormonais na corrente sanguínea. Com o tempo, a falta de regularidade reduz a eficácia do método.

    2. Problemas gastrointestinais (absorção)

    A pílula anticoncepcional precisa passar pelo sistema digestivo para que os hormônios sejam absorvidos corretamente e consigam fazer efeito no organismo. Quando acontece um episódio de vômito pouco tempo depois de tomar o comprimido, existe a possibilidade do medicamento ser eliminado antes mesmo de ser absorvido, fazendo com que aquela dose perca o efeito.

    A diarreia intensa também pode atrapalhar o processo, porque faz o intestino funcionar mais rápido do que o normal, aumentando o tempo que o organismo tem para absorver os hormônios da pílula.

    Como consequência, a eficácia do anticoncepcional pode diminuir e aumentar o risco de gravidez, principalmente se os episódios forem intensos ou persistirem por mais de um dia. Andreia destaca que é importante seguir as orientações da bula e utilizar um método contraceptivo de apoio, como a camisinha, até que a proteção seja restabelecida.

    3. Interações medicamentosas (metabolismo hepático e intestinal)

    Como o fígado e o intestino são os responsáveis por processar a pílula anticoncepcional, o uso de alguns medicamentos pode interferir na forma como o organismo absorve ou elimina os hormônios.

    Alguns antibióticos, por exemplo, podem causar diarreia ou alterar o funcionamento do intestino, dificultando a absorção da pílula. Já determinados anticonvulsivantes aceleram a metabolização dos hormônios no fígado, fazendo com que o anticoncepcional seja eliminado mais rapidamente pelo organismo e tenha a sua eficácia reduzida.

    O mesmo cuidado vale para alguns medicamentos usados no tratamento do HIV e para certos fitoterápicos, como a erva-de-são-joão, que também podem diminuir o efeito da pílula.

    Sempre que houver dúvida sobre a interação entre um medicamento e o anticoncepcional, a orientação é conversar com o médico ou farmacêutico e, se necessário, utilizar outro método contraceptivo, como a camisinha, durante o período indicado.

    4. Uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Ozempic

    As canetas utilizadas para o tratamento da obesidade e do diabetes também podem exigir atenção de quem usa anticoncepcional oral. Segundo Andreia, os medicamentos retardam o esvaziamento do estômago para aumentar a sensação de saciedade, o que pode alterar a velocidade com que a pílula chega ao intestino e é absorvida pelo organismo.

    Em alguns casos, isso pode reduzir a quantidade de hormônios absorvida e comprometer a eficácia do método.

    A perda de peso causada pelas canetas também pode favorecer o retorno da fertilidade, principalmente em mulheres que tinham alterações hormonais relacionadas ao excesso de peso, como acontece em alguns casos de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    Quando a fertilidade aumenta e a eficácia da pílula é reduzida por falhas no uso ou por alterações na absorção, o risco de uma gravidez não planejada pode ser maior. Por isso, quem faz uso de canetas emagrecedoras deve conversar com o ginecologista para avaliar se o anticoncepcional oral continua sendo a melhor opção ou se outro método contraceptivo pode ser mais indicado.

    5. Consumo de álcool

    O consumo de bebidas alcoólicas, quando acontece com frequência, age como um agente tóxico que agride e lesa o epitélio interno do intestino. A parede intestinal danificada perde a capacidade de absorver os medicamentos corretamente, reduzindo silenciosamente a proteção da pílula anticoncepcional.

    6. Condições de saúde

    A saúde do fígado também influencia o funcionamento da pílula anticoncepcional, já que é no órgão que os hormônios do medicamento são metabolizados. Quando o fígado não está funcionando adequadamente, o processo pode ser alterado e comprometer a eficácia do método.

    Por exemplo, doenças como a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), hepatites e cirrose podem prejudicar a capacidade do fígado de processar os hormônios da pílula. Dependendo da gravidade do problema, isso pode modificar a quantidade de hormônio que circula no sangue e interferir na proteção contra a gravidez.

    Qual o melhor momento para tomar a pílula anticoncepcional?

    Em geral, Andreia recomenda tomar a pílula à noite, porque, se surgir algum efeito colateral leve, como enjoo, ele tende a passar despercebido durante o som. Isso costuma facilitar a adaptação ao anticoncepcional, principalmente nos primeiros meses de uso.

    Mesmo assim, não existe um horário obrigatório: se a mulher acredita que vai se lembrar com mais facilidade de tomar a pílula durante o dia, não há problema. O mais importante é criar uma rotina e tomar o comprimido sempre no mesmo horário.

    Leia mais: Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Perguntas frequentes

    1. Esqueci de tomar a pílula por um dia. O que devo fazer?

    Tome o comprimido esquecido assim que lembrar, mesmo que seja quase na hora da próxima dose, e siga tomando o restante no horário habitual. Não tome duas pílulas juntas para compensar.

    2. Posso tomar duas pílulas juntas se esquecer de tomar no dia anterior?

    Não é recomendado. Tomar uma dose dupla gera um excesso de hormônios desnecessário e não aumenta a eficácia da pílula que já foi esquecida por muito tempo.

    3. Chás ou remédios naturais podem cortar o efeito da pílula?

    Sim. O uso de fitoterápicos, especialmente a Erva-de-São-João, altera as enzimas do fígado e reduz comprovadamente a eficácia do anticoncepcional oral.

    4. Por que métodos não orais (como DIU ou implante) sofrem menos interferências?

    Porque eles liberam os hormônios diretamente na corrente sanguínea (ou agem localmente). Como não passam pelo estômago, intestino e fígado primeiro, não sofrem com vômitos, diarreias ou remédios que afetam a digestão.

    5. Qual a diferença da pílula não combinada (minipílula)?

    A pílula não combinada contém apenas um hormônio isolado, a progesterona. Ela também é de uso diário, sendo muito indicada para mulheres que têm contraindicação ao estrogênio.

    6. Quanto tempo leva para a pílula voltar a proteger após um esquecimento longo?

    Após passar de 48 horas de esquecimento, o eixo hormonal leva cerca de 7 dias tomando a pílula corretamente para ficar bloqueado de novo e garantir a proteção segura.

    7. A pílula protege nos dias de pausa da cartela?

    Sim, desde que você tenha tomado todos os comprimidos da cartela anterior corretamente e não atrase o início da próxima cartela. O bloqueio da ovulação se mantém na pausa.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Como fazer a higiene íntima correta após a relação sexual? 

    Como fazer a higiene íntima correta após a relação sexual? 

    A vontade de deitar, dormir ou simplesmente relaxar depois da relação sexual é totalmente normal, mas vale a pena dedicar uns minutinhos para cuidar da região íntima. No dia a dia, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de infecções, evitam desconfortos e contribuem para manter o equilíbrio natural da região genital.

    Depois da relação sexual, é comum que bactérias e outros microrganismos presentes naturalmente na pele e na região íntima fiquem mais próximos da uretra e da genitália. Na maioria das vezes, o próprio organismo consegue lidar com a situação sem dificuldades, mas é possível diminuir ainda mais o risco de infecções com uma higiene adequada.

    Por que é importante lavar a região íntima após o sexo?

    Durante a relação sexual, acontece uma troca natural de fluidos corporais, além do contato com suor e, em alguns casos, com resíduos de lubrificantes ou preservativos.

    Quando as substâncias permanecem na região íntima por muito tempo, principalmente em um ambiente quente e úmido, pode haver maior proliferação de fungos e bactérias, favorecendo irritações, mau cheiro e aumentando o risco de infecções.

    O atrito durante o sexo também pode provocar pequenas lesões na pele e nas mucosas da região genital, que costumam passar despercebidos. A higiene íntima ajuda a remover o excesso de secreções, aliviar possíveis desconfortos e preservar o equilíbrio natural da região.

    O cuidado também contribui para reduzir o risco de infecções, como candidíase e vaginose bacteriana, especialmente em pessoas que apresentam esses problemas com frequência.

    O passo a passo da higiene íntima correta

    Para manter a região íntima saudável e reduzir o risco de infecções, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza orienta que alguns cuidados simples façam parte da rotina, especialmente após as relações sexuais:

    1. Urine logo após a relação sexual

    O fluxo urinário ajuda a eliminar bactérias que podem ter se aproximado da uretra durante o contato íntimo, reduzindo o risco de infecção urinária, principalmente nas mulheres, que possuem uma uretra mais curta e costumam ser mais vulneráveis ao problema.

    2. Lave apenas a parte externa da região íntima

    A higiene deve ser feita somente na parte externa da região íntima, incluindo a vulva (grandes e pequenos lábios) e a entrada da vagina, utilizando água corrente e, se desejar, um sabonete suave.

    3. Prefira sabonetes suaves

    A água costuma ser suficiente para a limpeza, mas se você usar um sabonete, escolha um produto neutro ou específico para a região íntima, sem fragrâncias intensas. Os desodorantes íntimos, os sabonetes perfumados e outros produtos com perfume podem irritar a pele e a mucosa, causando ardência, coceira e até reações alérgicas.

    4. Evite exagerar na higiene

    A limpeza em excesso não deixa a região mais saudável. Na verdade, as lavagens repetidas ao longo do dia ou o hábito de esfregar a pele com força removem a barreira natural de proteção, ressecam a mucosa e favorecem irritações e infecções.

    Para a maioria das pessoas, uma ou duas higienizações diárias são suficientes, além da limpeza após a relação sexual quando necessário. O mais importante é manter uma higiene delicada, sem exageros.

    As duchas vaginais são recomendadas após o sexo?

    Segundo Andreia, as duchas vaginais não são recomendadas após o sexo e em nenhum outro momento. A vagina é um órgão que possui um mecanismo natural de autolimpeza e uma microbiota própria, formada principalmente pelos lactobacilos, bactérias benéficas que ajudam a manter o pH vaginal mais ácido.

    O ambiente dificulta a proliferação de fungos, bactérias e outros microrganismos capazes de causar infecções.

    Quando a água ou qualquer outra substância é introduzida no interior da vagina, a proteção natural pode ser prejudicada, causando:

    • Desequilíbrio da microbiota vaginal: a lavagem interna elimina parte dos lactobacilos, reduzindo a proteção natural da vagina e favorecendo a multiplicação de fungos e bactérias nocivas;
    • Maior risco de infecções: a alteração do pH e da microbiota aumenta as chances de desenvolver problemas como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Propagação de microrganismos: a pressão da água pode empurrar bactérias presentes na vagina para regiões mais profundas do aparelho reprodutor, como o útero e as trompas, aumentando o risco de doença inflamatória pélvica (DIP), uma infecção que pode causar complicações importantes quando não tratada.

    Recomendações para mulheres que têm infecção urinária recorrente

    Nas mulheres que sofrem com infecções urinárias frequentes, Andreia explica que a principal orientação é beber bastante água ao longo do dia, pois o aumento do fluxo urinário ajuda a eliminar bactérias antes que elas consigam se multiplicar na bexiga. Também é importante evitar segurar a urina por muito tempo, já que isso favorece a proliferação de microrganismos.

    A ginecologista também recomenda investigar se a paciente está na perimenopausa ou na menopausa. Nessa fase da vida, a queda dos níveis de estrogênio pode causar a síndrome geniturinária da menopausa, condição que aumenta o risco de infecções urinárias e pode provocar sintomas semelhantes aos da doença.

    O que fazer quando há irritação, ardência ou desconforto após a relação?

    A ardência ou o desconforto após a relação sexual nem sempre indicam uma infecção urinária e, em alguns casos, o próprio atrito durante o sexo pode deixar a entrada da vagina e a uretra levemente inflamadas, causando dor ou sensação de queimação nas horas seguintes.

    Outra possibilidade é a presença de uma vulvovaginite, como a candidíase, que também provoca coceira, irritação e ardência.

    Alguns sintomas ajudam a diferenciar as causas:

    • A ardência acontece quando a urina entra em contato com a pele: normalmente indica uma irritação ou pequenas lesões causadas pelo atrito durante a relação;
    • A dor aparece ao urinar e vem acompanhada de vontade frequente de fazer xixi: quando há necessidade de urinar várias vezes ao dia, saída de pequenas quantidades de urina e sensação de peso ou dor na bexiga, aumenta a suspeita de infecção urinária.

    Além do exame ginecológico, Andreia aponta que o médico pode solicitar exames como urina tipo 1, urocultura e, em alguns casos, ultrassom das vias urinárias. O exame físico também permite identificar infecções, como candidíase e vaginose bacteriana, além de pequenas lesões ou fissuras na região íntima.

    Quando ir ao ginecologista?

    Qualquer sintoma persistente ou que cause desconforto merece uma avaliação médica, como:

    • Ardor ou dor ao urinar;
    • Vontade frequente de urinar ou eliminação de pouca urina por vez;
    • Urina com cheiro muito forte ou diferente do habitual;
    • Coceira, vermelhidão ou ardência persistente na região íntima;
    • Corrimento com odor forte ou alteração da cor;
    • Sangramento durante ou após a relação sexual;
    • Feridas, fissuras ou pequenas lesões na região genital;
    • Dor pélvica ou dor intensa após a relação.

    O exame físico, associado aos exames laboratoriais quando necessário, permite identificar o problema corretamente e indicar o tratamento mais adequado, evitando complicações e novas recorrências.

    Leia mais: Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo depois do sexo preciso urinar?

    O ideal é urinar nos primeiros 15 a 30 minutos após a relação sexual. Quanto antes você for, menor o risco de proliferação bacteriana.

    2. Quantas vezes ao dia devo lavar a região íntima?

    O recomendado é lavar de 1 a 2 vezes ao dia. Lavar mais do que isso (4 a 6 vezes) remove a barreira de gordura protetora da pele, causando ressecamento e irritação.

    3. O que acontece se eu usar desodorante íntimo?

    O desodorante íntimo contém gases propelentes (como o CFC) para disparar o jato, que podem ser altamente irritantes, químicos e até corrosivos para a mucosa sensível da vulva.

    4. Lenços umedecidos íntimos substituem o banho?

    Não, eles devem ser usados apenas em situações de emergência, como viagens ou quando se está fora de casa.

    5. Como limpar brinquedos sexuais de forma segura?

    Lave-os imediatamente após o uso com água morna e sabonete neutro. Seque-os completamente antes de guardar para evitar o acúmulo de fungos e mofo.

    6. Lavar a vagina após o sexo evita gravidez ou ISTs?

    Não, os espermatozoides entram no útero em segundos e os vírus/bactérias se aderem à mucosa imediatamente. A lavagem externa serve apenas para higiene e conforto, não como contraceptivo ou prevenção de doenças.

    7. Qual a forma correta de se secar após urinar ou tomar banho?

    O movimento deve ser feito sempre da frente para trás, da vagina em direção ao ânus. Nunca faça o movimento inverso, para não trazer bactérias da região anal para a uretra e a vagina.

    Confira: Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

  • A depilação íntima total pode favorecer infecções? Conheça os métodos mais seguros 

    A depilação íntima total pode favorecer infecções? Conheça os métodos mais seguros 

    A depilação íntima é uma escolha estritamente pessoal e não existe uma regra sobre manter ou remover os pelos. Mas, se você costuma fazer a remoção total, é comum surgir a dúvida se o hábito pode aumentar o risco de infecções ou causar outros problemas na região íntima.

    Do ponto de vista médico, a ausência de pelos na vulva não é considerada um fator de risco direto para o surgimento de problemas de saúde. Na verdade, o que realmente aumenta o risco de irritações, pelos encravados e infecções é o método utilizado e a forma como a depilação é feita.

    Depilação íntima total aumenta o risco de infecções?

    O hábito de remover os pelos pubianos, por si só, não aumenta o risco de desenvolver doenças, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Os pelos pubianos têm uma função natural de proteção, pois ajudam a reduzir o atrito da pele com as roupas e durante as relações sexuais, funcionando como uma espécie de amortecedor que protege a vulva contra pequenos traumas do dia a dia.

    Mesmo assim, a ausência dos pelos não é considerada prejudicial para a saúde, já que muitas mulheres fazem depilação total regularmente e não apresentam mais infecções ou alterações ginecológicas do que aquelas que preferem manter os pelos.

    Na prática, o maior risco não está na retirada dos pelos, mas na forma como a depilação é feita e na sensibilidade da pele de cada pessoa.

    Riscos da depilação íntima: quando ela pode causar infecções?

    A depilação pode favorecer o surgimento de problemas quando o método usado provoca pequenas lesões na pele, já que qualquer machucado, mesmo invisível, facilita a entrada de bactérias e outros microrganismos.

    As complicações mais comuns incluem:

    • Foliculite, que acontece quando o folículo do pelo fica inflamado, normalmente porque bactérias entram na região após o corte ou a remoção do pelo, provocando pequenas bolinhas vermelhas ou com pus, principalmente quando o pelo começa a crescer novamente;
    • Hidradenite, é uma inflamação mais profunda das glândulas da pele que pode piorar quando há traumas repetidos causados pela depilação, principalmente em pessoas que já têm predisposição para a doença.

    A depilação aumenta o risco de ISTs?

    Segundo Andreia, a depilação íntima não aumenta o risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A transmissão das ISTs está relacionada principalmente às relações sexuais desprotegidas e ao contato com o vírus, a bactéria ou outro agente infeccioso, e não à presença ou à ausência dos pelos pubianos.

    A situação merece mais atenção quando a pele está machucada por causa de uma depilação recente, pois pequenas lesões deixam a barreira natural da pele mais fragilizada e podem facilitar a entrada de alguns microrganismos.

    As pessoas que convivem com herpes genital também devem redobrar os cuidados, porque o trauma provocado por uma depilação agressiva pode desencadear uma nova crise da doença.

    Quais os métodos mais seguros de depilação?

    A escolha ideal depende do tipo de pele, mas alguns métodos causam menos agressão à pele, como:

    • Aparador elétrico: é uma das opções mais seguras, pois corta o pelo bem curto sem atingir a superfície da pele, evitando microlesões. Inclusive, é o método utilizado em hospitais antes de cirurgias, durante a tricotomia;
    • Laser: quando realizado corretamente, reduz a quantidade e a espessura dos pelos ao longo das sessões, diminuindo o risco de pelos encravados, foliculites e pequenas inflamações;
    • Cera: remove o pelo pela raiz e pode causar foliculite em pessoas com pele mais sensível, mas não provoca o desgaste superficial da pele causado pela lâmina;
    • Creme depilatório: enfraquece a estrutura do pelo, que se rompe na superfície da pele sem provocar atrito ou microcortes, funcionando de forma semelhante ao aparador elétrico..

    A lâmina de barbear continua sendo o método que mais agride a pele da região íntima, pois, além de cortar os pelos, também provoca pequenas lesões na superfície da pele, favorecendo irritações e infecções.

    Qual o intervalo ideal para depilar a região íntima, sem aumentar o risco de irritações?

    Não existe um intervalo ideal que sirva para todas as pessoas. De acordo com Andreia, a frequência da depilação depende principalmente do método escolhido, da sensibilidade da pele e da velocidade de crescimento dos pelos.

    Algumas mulheres têm pelos mais grossos e de crescimento rápido, enquanto outras apresentam menos pelos e um crescimento mais lento. O mais importante é respeitar o tempo de recuperação da pele entre uma depilação e outra, evitando realizar o procedimento quando a região ainda estiver irritada, com microlesões, pelos encravados ou sinais de inflamação.

    Como cuidar da pele antes e depois da depilação?

    No dia a dia, alguns cuidados ajudam a proteger a pele da região íntima e reduzem o risco de irritações, pelos encravados e infecções:

    • Mantenha a região limpa antes da depilação e utilize apenas materiais limpos e higienizados;
    • Use lâminas novas e bem afiadas, caso opte pela gilete, pois as lâminas gastas exigem mais pressão e aumentam o risco de cortes;
    • Mantenha a pele seca após a depilação e, se houver sensibilidade, utilize um hidratante adequado para a região, conforme orientação médica;
    • Evite tomar sol logo após a depilação, já que a pele fica mais sensível e pode desenvolver manchas ou irritações;
    • Prefira roupas leves e de algodão nas primeiras horas, pois elas reduzem o atrito e permitem que a pele respire melhor;
    • Evite relações sexuais, piscina, mar e banheira nas primeiras 24 horas, principalmente quando houver irritação, para reduzir o risco de infecções e desconforto;
    • Não coce nem esprema pelos encravados ou bolinhas, pois isso aumenta a inflamação e favorece infecções. Se os sintomas persistirem, procure um ginecologista ou dermatologista.

    Quem deve evitar a depilação íntima?

    A depilação deve ser evitada quando houver qualquer alteração ativa na pele da vulva, como:

    • Crises de dermatite ou psoríase;
    • Lesões de líquen escleroso;
    • Foliculites intensas;
    • Feridas abertas;
    • Fissuras, úlceras ou bolhas, como acontece durante uma crise de herpes genital.

    Antes de voltar a se depilar, o ideal é tratar qualquer problema de pele e esperar a região cicatrizar completamente, sempre com a orientação do ginecologista ou do dermatologista. Por outro lado, deixar os pelos muito longos também pode dificultar a higiene da região íntima, já que eles favorecem o acúmulo de suor, umidade e resíduos.

    No fim das contas, o mais importante é encontrar um equilíbrio e escolher o método de depilação que seja confortável, respeite a sensibilidade da pele e permita manter a região sempre limpa e saudável.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem psoríase ou líquen pode se depilar?

    Durante as crises ativas dessas doenças na vulva, a depilação deve ser totalmente evitada para não piorar as lesões.

    2. Pode tomar sol logo após a depilação íntima?

    Não, a pele fica sensibilizada e o contato com o sol pode gerar manchas escuras difíceis de clarear e irritação severa.

    3. Usar hidratante após a depilação ajuda?

    Sim, desde que seja um product leve, calmante e sem fragrâncias fortes, específico para não irritar a região genital.

    4. Adolescentes podem fazer depilação a laser na virilha?

    Sim, mas o ideal é esperar a puberdade se estabilizar. Como o laser dói um pouco, alternativas como o creme depilatório ou o aparador elétrico costumam ser mais confortáveis no início.

    5. Qual o risco de usar receitas caseiras para depilar a área íntima?

    O risco de queimaduras químicas e alergias graves é altíssimo. A pele da vulva é extremamente sensível e absorve substâncias com facilidade, por isso só use produtos dermatologicamente testados.

    6. Como diferenciar a foliculite comum de uma infecção mais grave?

    A foliculite gera pontinhos vermelhos ou de pus na base do pelo que somem em poucos dias. Se houver nódulos grandes, muito dolorosos, quentes ou que vazam muito pus, pode ser um abscesso e exige avaliação médica.

    7. É normal a virilha coçar quando os pelos estão crescendo?

    Sim. Quando o pelo é cortado (especialmente pela lâmina), a ponta cresce mais grossa e pontiaguda, gerando atrito e coceira ao esbarrar na pele e na calcinha.

    8. O que fazer imediatamente após notar que um pelo encravou?

    Não tente espremer ou cutucar com a unha, pois isso introduz bactérias. Mantenha a região limpa, faça compressas mornas para ajudar o pelo a sair e espere que o corpo o expulse naturalmente.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

  • Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Quando o assunto é saúde íntima feminina, uma das recomendações mais conhecidas é dormir sem calcinha. A ideia é deixar a região íntima mais ventilada durante a noite, reduzindo o acúmulo de calor e umidade e ajudando a preservar o equilíbrio natural da flora vaginal. Mas afinal, será que o hábito realmente faz diferença?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quando dormir sem calcinha pode trazer benefícios para a saúde íntima e quais cuidados são realmente importantes para prevenir infecções e irritações na região.

    Dormir sem calcinha traz benefícios?

    De acordo com Andreia, não existem evidências científicas que comprovem que dormir sem calcinha melhore a saúde íntima, diminua a incidência de corrimentos ou evite infecções. A recomendação principal dos ginecologistas é o conforto: a mulher deve escolher a opção com a qual se sente melhor.

    No entanto, para quem se adapta bem ao hábito, deixar a região livre durante a noite pode trazer algumas vantagens práticas para o bem-estar da vulva, como:

    • Melhora a ventilação local: a região íntima passa o dia todo abafada por calças, shorts e tecidos sintéticos. Dormir sem calcinha ajuda a diminuir a umidade natural e o calor acumulado na região ao longo do dia;
    • Reduz o atrito na pele: ficar sem a peça íntima elimina a fricção constante de elásticos e costuras na virilha, o que ajuda a prevenir a foliculite (inflamação dos folículos pilosos) e a irritação em peles mais sensíveis;
    • Evita o acúmulo de suor: em noites mais quentes, a ausência de tecido diminui a sudorese local, mantendo a pele da região mais seca e confortável.

    Afinal, dormir com calcinha causa candidíase?

    O hábito de dormir com calcinha não está associado ao desenvolvimento da candidíase, uma infecção causada pela proliferação excessive do fungo Candida, que faz parte da microbiota natural da vagina. Segundo Andreia, a condição costuma surgir quando ocorre um desequilíbrio no ambiente vaginal, causado por:

    • Uso de antibióticos, que matam as bactérias boas que competiam com o fungo;
    • Baixa na imunidade ou estresse elevado;
    • Alterações na flora intestinal, provocadas por má alimentação, alergias ou intolerâncias alimentares;
    • Diabetes descontrolada.

    A única relação que a roupa íntima pode ter com o fungo é o abafamento, pois a Candida gosta de ambientes quentes e úmidos.

    Se você dorme com uma calcinha de tecido sintético (como lycra e microfibra) ou usa protetores diários de plástico, a região esquenta e sua mais. Isso não cria o fungo, mas pode criar um ambiente confortável para ele se multiplicar se a flora já estiver desequilibrada.

    Qual o melhor tipo de calcinha para dormir?

    O melhor tipo de calcinha para dormir é a calcinha de algodão de modelagem confortável. O algodão é uma fibra natural que permite a transpiração da pele, evitando o acúmulo de calor e umidade na região vulvar durante a noite.

    Ao escolher a peça ideal para a hora de dormir, vale a pena considerar alguns detalhes:

    • Prefira calcinhas de algodão, um tecido respirável que absorve a umidade e ajuda a manter a região íntima mais arejada;
    • Escolha modelos sem costura (corte a laser), que reduzem o atrito na pele e podem diminuir o risco de irritações e foliculite;
    • Opte por calcinhas mais folgadas para dormir, como os modelos caleçon ou boyshort, que costumam ser mais confortáveis;
    • Evite peças muito apertadas ou com elásticos que marquem a pele, pois elas podem causar desconforto durante a noite;
    • Sempre que possível, deixe o fio dental para o dia a dia e prefira modelos que ofereçam maior cobertura durante o sono.

    Para garantir mais conforto, evite dormir com calcinhas que tenham o fundo de plástico ou sejam confeccionadas com tecidos impermeáveis. Também não é recomendado usar protetores diários de calcinha durante a noite, exceto quando houver indicação específica ou durante o período menstrual.

    Quem deve evitar dormir sem calcinha?

    Não existe nenhuma contraindicação formal para dormir sem calcinha, mas Andreia destaca que se a paciente estiver menstruada ou com algum corrimento intenso, pode ser desconfortável abrir mão da proteção.

    O bem-estar no dia a dia também deve ser levado em consideração. Se dormir sem calcinha causa sensação de insegurança, frio ou desconforto, não há motivo para insistir no hábito. Afinal, uma boa noite de sono depende do conforto físico e emocional, e não da presença ou ausência da roupa íntima.

    Para os casos de candidíase de repetição, dormir sem calcinha também não apresenta benefícios comprovados. Segundo Andreia, parte dos fungos pode permanecer nas camadas mais profundas do epitélio vaginal sob a forma de hifas.

    Em alguns casos, o episódio agudo é tratado corretamente, eliminando os fungos da superfície, mas as hifas que persistem nas camadas profundas podem voltar a proliferar, dando origem a um novo episódio da infecção.

    A ginecologista explica que, para reduzir o risco de recorrência, existem novas opções terapêuticas além dos tratamentos convencionais. Uma delas é o uso do LED azul, tecnologia que, segundo a especialista, atua nas camadas profundas do tecido vaginal e pode complementar o manejo de pacientes com candidíase de repetição.

    Higiene íntima adequada para o dia a dia

    A higiene íntima deve ser estritamente externa, englobando a vulva, os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a entrada vaginal. Como a parte interna da vagina é autolimpante e mantém seu próprio equilíbrio bacteriano, você não precisa lavar o canal vaginal nem utilizar duchas, sabonetes ou qualquer outro produto em seu interior.

    Para o dia a dia, Andreia dá algumas recomendações:

    • Lave a região íntima apenas uma vez ao dia, utilizando um sabonete hidratante ou um produto específico para a higiene íntima;
    • Evite sabonetes muito adstringentes ou que ressequem a pele, como alguns sabonetes de glicerina, pois eles podem remover a proteção natural da região;
    • Não exagere na higiene íntima, já que o excesso de limpeza pode favorecer o ressecamento e alterar o equilíbrio natural da vulva;
    • Use lenços umedecidos apenas como complemento, principalmente após evacuar ou em dias de maior secreção vaginal;
    • Após utilizar o lenço umedecido, seque delicadamente a região caso ela permaneça úmida.

    Se além da dúvida sobre o uso da calcinha você estiver sentindo sintomas como coceira intensa, queimação ao urinar, vermelhidão na vulva ou corrimento com cor e cheiro incomuns, é fundamental consultar um ginecologista.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir com calcinha de renda?

    Não é o ideal. A renda é um tecido sintético que não deixa a pele respirar, retendo calor e suor. Para dormir, prefira calcinhas 100% algodão.

    2. Usar shorts de pijama sem calcinha faz mal?

    Não. Desde que o short seja de um tecido leve e respirável (como o algodão) e esteja limpo, é uma excelente alternativa para ventilar a região sem precisar ficar totalmente nua.

    3. Estou grávida, posso dormir sem calcinha?

    Sim, pode. Durante a gravidez, é comum o aumento da secreção vaginal. Se você se sentir confortável e o lençol estiver limpo, dormir sem calcinha ajuda a manter a região seca e arejada.

    4. Posso dormir com a mesma calcinha que usei o dia todo?

    Não. A calcinha usada ao longo do dia acumulou suor, descamação da pele e secreções naturais. Se optar por dormir de calcinha, vista sempre uma peça limpa antes de deitar.

    5. Como ventilar a região íntima se eu não conseguir dormir sem calcinha?

    Basta usar uma calcinha de algodão um tamanho maior que o seu (mais larguinha) ou optar por cuecas femininas estilo boxer de algodão, que não apertam a virilha.

    6. Qual o sabonete ideal para lavar a região íntima antes de dormir?

    Sabonetes neutros, hidratantes ou específicos para a região íntima. Evite sabonetes muito adstringentes, como os de glicerina em barra, pois eles ressecam demais a mucosa, removendo a proteção natural da pele e causando efeito rebote (aumento da secreção).

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão