Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    O hematoma subcoriônico, também conhecido como descolamento ovular, é uma condição que ocorre quando há um acúmulo de sangue entre a parede do útero e a membrana que envolve o saco gestacional. Ele afeta até 25% das mulheres que apresentam sangramento no início da gravidez e costuma ser identificado durante a ultrassonografia.

    Na maioria dos casos, o hematoma é pequeno, não causa complicações graves e tende a ser reabsorvido naturalmente pelo organismo ao longo das semanas. No entanto, o risco de complicações pode ser maior quando o hematoma é volumoso, ocupando mais de 40% a 50% da área ao redor do saco gestacional.

    Nesses casos, é necessário um acompanhamento mais próximo pelo obstetra para monitorar a evolução da gestação. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é hematoma subcoriônico (descolamento ovular)?

    O hematoma subcoriônico é o acúmulo de sangue em um espaço específico do útero durante o início da gravidez. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a alteração está relacionada ao processo de formação da placenta.

    Durante a gestação, a placenta se fixa ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, que durante a fase passa por modificações e recebe o nome de decídua. Em alguns casos, podem ocorrer pequenos descolamentos nessa região.

    Quando isso acontece, alguns vasos sanguíneos podem se romper, provocando um sangramento entre a placenta em formação e a parede do útero. O sangue fica acumulado no espaço, formando o hematoma subcoriônico, que pode variar em tamanho e evoluir de formas diferentes ao longo da gestação.

    Importante: o hematoma subcoriônico é diferente do descolamento prematuro de placenta (DPP). O hematoma acontece no começo da gravidez, normalmente antes da 16ª semana, e o organismo costuma absorvê-lo sozinho. Já o DPP acontece no final da gestação e é uma emergência médica grave.

    Quais os principais sintomas?

    O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do hematoma subcoriônico, segundo Andreia, mas a aparência e o fluxo do sangramento dependem de onde o hematoma está localizado e se o sangue está conseguindo sair do útero:

    • Sangramento escuro: normalmente indica um sangue antigo que estava represado e que o organismo começou a eliminar aos poucos. É muito comum quando o hematoma está se desfazendo;
    • Sangramento vermelho vivo: costuma indicar um sangramento ativo e recente e pode variar de pequenas manchas a um fluxo semelhante ao de uma menstruação.

    Em alguns casos, a mulher também pode apresentar uma dor abdominal persistente ou uma sensação de pressão na região do pé da barriga, parecida com uma cólica menstrual. Ela acontece porque a presença do sangue acumulado pode irritar a musculatura do útero, fazendo com que ele sofra pequenas contrações.

    Vale destacar que o hematoma subcoriônico nem sempre causa sintomas, especialmente quando é pequeno ou está localizado em uma região sem comunicação com o colo do útero. Nesses casos, a gestante pode não apresentar sangramento nem dor, e a alteração é descoberta apenas durante a ultrassonografia de rotina do primeiro trimestre.

    O que causa o hematoma subcoriônico?

    Nem sempre é possível identificar a causa específica, mas algumas condições podem favorecer o aparecimento do hematoma subcoriônico:

    • Presença de cicatrizes no útero, decorrentes de procedimentos como curetagens ou cirurgias uterinas;
    • Miomas, pólipos ou outras alterações anatômicas da cavidade uterina;
    • Histórico de infecções que afetaram o revestimento interno do útero;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Gravidez obtida por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    Mesmo na presença dos fatores, a maioria dos hematomas evolui de forma favorável e tende a diminuir ou desaparecer com o avanço da gestação e o acompanhamento adequado pelo obstetra.

    O hematoma subcoriônico pode causar aborto?

    O hematoma subcoriônico pode aumentar o risco de aborto, mas isso não significa que a perda gestacional vá acontecer. Na maioria dos casos, a gravidez evolui normalmente, especialmente quando o hematoma é pequeno e não apresenta crescimento ao longo do acompanhamento.

    De acordo com Andreia, o risco está relacionado principalmente ao tamanho e à evolução do hematoma. Quanto maior ele for, maior será a área da placenta que fica separada da parede do útero pelo acúmulo de sangue. Como a superfície de contato é reduzida, isso pode prejudicar as trocas de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê.

    Para completar, quando o hematoma continua aumentando de tamanho ao longo das semanas, é um sinal de que o vaso sanguíneo rompido não está conseguindo estancar o sangramento. Consequentemente, o risco de complicações e de perda gestacional se torna maior, demandando um acompanhamento mais rigoroso pelo obstetra.

    Como é feito o tratamento do hematoma subcoriônico?

    O tratamento do hematoma subcoriônico é baseado principalmente no acompanhamento da gestação e no repouso relativo, já que não existe um medicamento ou procedimento capaz de eliminar o hematoma imediatamente. Na maioria dos casos, o próprio organismo reabsorve o sangue acumulado ao longo das semanas, segundo Andreia.

    No período, o recomendado é evitar esforços físicos intensos, carregar peso, praticar exercícios e ter relações sexuais, especialmente se houver sangramento. As medidas ajudam a reduzir a irritação na região e favorecer a cicatrização do vaso sanguíneo que causou o hematoma.

    Em alguns casos, Andreia explica que o médico pode indicar o uso de progesterona para relaxar a musculatura do útero e pode contribuir para reduzir contrações. As evidências sobre o seu efeito no hematoma são limitadas, mas a progesterona é considerada segura durante a gestação.

    Como acompanhar a evolução do hematoma?

    O acompanhamento da evolução do hematoma subcoriônico é feito via ultrassonografia, segundo Andreia. O intervalo entre os exames depende de cada caso, mas costuma ser de pelo menos uma vez por semana. Se for um hematoma grande e com suspeita de evolução, o intervalo pode ser menor.

    Quando ir ao hospital imediatamente?

    A gestante com diagnóstico de hematoma subcoriônico deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:

    • Aumento do sangramento vaginal, especialmente se ele passar de um pequeno escape ou corrimento amarronzado para um sangramento intenso ou vermelho vivo;
    • Dor abdominal forte, cólicas intensas no baixo ventre ou dor lombar persistente;
    • Eliminação de coágulos ou fragmentos de tecido pela vagina;
    • Febre ou calafrios, que podem indicar a presença de uma infecção.

    Em caso de dúvidas ou se notar qualquer mudança repentina nos sintomas, a recomendação é sempre buscar avaliação médica de urgência para realizar um novo ultrassom.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O hematoma subcoriônico pode sumir sozinho?

    Sim. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido pelo próprio organismo da mulher ou eliminado aos poucos na forma de sangramento escuro conforme a gravidez avança.

    2. Com quantas semanas o hematoma costuma desaparecer?

    Geralmente, ele desaparece ou diminui drasticamente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, período em que a placentação se completa.

    3. Quem tem hematoma subcoriônico pode trabalhar?

    Depende do tipo de trabalho. O médico normalmente libera o trabalho administrativo ou leve, mas exige o afastamento de funções que demandam esforço físico, longos períodos de pé ou carregamento de peso.

    4. Pode fazer caminhada com descolamento ovular?

    Não é recomendado. Durante o tratamento do hematoma, atividades físicas, incluindo caminhadas como exercício, devem ser suspensas para evitar a mobilização do útero.

    5. É normal o sangramento aumentar depois de começar o repouso?

    Se o sangue for escuro (tipo borra de café), costuma ser normal, pois indica a eliminação do sangue velho que estava represado. Se foi vermelho vivo e em grande quantidade, é preciso ir ao hospital.

    6. O descolamento ovular pode voltar depois de sumir?

    É raro, mas pode acontecer. Se um novo vaso sanguíneo se romper na região de fixação da placenta antes de o processo de placentação estar totalmente concluído, um novo hematoma pode se formar.

    7. O que acontece se o hematoma subcoriônico não sumir até a 20ª semana?

    Se ele persistir mas permanecer estável e sem sangramento ativo, a gestação geralmente continua evoluindo bem. No entanto, o médico manterá um monitoramento atento, pois a área pode se tornar um ponto de maior fragilidade na placenta.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    Em maio de 2026, um comitê internacional de pesquisadores, médicos e pacientes anunciou oficialmente a mudança no nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP) para síndrome ovariana metabólica poliendócrina (cuja sigla internacional passou a incluir o termo metabólico), após um consenso global publicado na revista científica The Lancet.

    A decisão não foi apenas uma questão de nomenclatura e, de acordo com especialistas, o objetivo foi atualizar o nome para refletir melhor os conhecimentos científicos atuais sobre a condição e melhorar a compreensão da população, dos profissionais de saúde e até dos formuladores de políticas públicas.

    A síndrome, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil, é um distúrbio hormonal complexo que afeta diversos sistemas do organismo. Apesar de normalmente associada aos ovários e a dificuldade para engravidar, sabe-se que a condição vai além da saúde reprodutiva e está relacionada a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que podem impactar a saúde da mulher ao longo de toda a vida.

    O problema com o nome antigo

    O principal motivo para a mudança é que o termo ovários policísticos pode levar a uma interpretação errada da síndrome.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, nem toda mulher com a síndrome dos ovários policísticos apresenta ovários policísticos nos exames. Da mesma forma, ter ovários policísticos não significa necessariamente que a mulher tenha a síndrome.

    Para os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o nome antigo transmitia a ideia de que o problema estava restrito aos ovários, quando, na realidade, consiste em uma doença muito mais complexa.

    Como surgiu o novo nome?

    A mudança foi resultado de um dos maiores processos de consulta já realizados para renomear uma doença. O projeto envolveu mais de 14 mil participantes, incluindo pacientes, médicos, pesquisadores e organizações de saúde de diferentes regiões do mundo. Durante o processo, foram avaliados diversos critérios, como:

    • Precisão científica;
    • Facilidade de compreensão;
    • Redução do estigma associado à doença;
    • Adequação cultural em diferentes países;
    • Facilidade de implementação nos sistemas de saúde.

    Após várias rodadas de discussões, pesquisas e votações, o termo escolhido foi Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

    O que significa o novo nome?

    Cada palavra do novo nome foi escolhida para representar aspectos importantes da condição:

    • Poliendócrina: se refere ao fato de que a síndrome envolve diferentes sistemas hormonais do organismo. Não existe apenas uma alteração hormonal isolada. A condição afeta a produção e o funcionamento de hormônios relacionados aos ovários, à insulina, aos andrógenos e ao sistema neuroendócrino.
    • Metabólica: destaca a forte relação da síndrome com alterações metabólicas, especialmente a resistência à insulina, considerada um dos principais mecanismos envolvidos na doença. Além disso, mulheres com a condição apresentam maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
    • Ovariana: mantém a referência aos ovários, já que eles continuam tendo um papel importante na síndrome. A diferença é que o termo não menciona os cistos, considerados uma característica secundária e não representativa da condição como um todo.

    Como a síndrome afeta o corpo e a menstruação?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina provoca um desequilíbrio metabólico que afeta diretamente os ovários, desencadeando um efeito cascata no organismo. As mulheres costumam apresentar um padrão menstrual conhecido como oligomenorrágico, que pode causar:

    • Poucas menstruações no ano: em vez de menstruar de 11 a 13 vezes por ano (o ciclo habitual), a mulher passa a ter longos atrasos. É comum ficar dois, três, seis meses e, em casos mais graves, até um ano inteiro sem menstruar;
    • Fluxo muito intenso (menorragia): quando a menstruação finalmente desce após esses meses de atraso, ela costuma vir em grande volume, quase como uma hemorragia.

    Durante os meses de atraso, o estímulo hormonal contínuo faz com que o endométrio cresça e engrosse muito mais do que o normal. Quando o corpo finalmente descama o tecido, o sangramento é volumoso e prolongado.

    Além das alterações menstruais, Andreia explica que um dos critérios de diagnóstico da SOMP é o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos.

    • Aumento de pelos no rosto, no queixo, no peito, no abdômen e nas costas;
    • Acne persistente, especialmente na fase adulta;
    • Pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície masculina;
    • Irregularidade menstrual devido às alterações na ovulação.

    Vale lembrar que nem todas as mulheres com a síndrome têm os mesmos sintomas. Algumas têm níveis elevados de andrógenos detectados apenas em exames de sangue, enquanto outras apresentam sinais visíveis no corpo.

    Entendendo a fisiologia dos microcistos

    A micropolicistose ovariana, caracterizada pela presença de vários microcistos de até 8 mm na periferia do ovário, é um dos três critérios utilizados para o diagnóstico da SOMP.

    Em um ciclo menstrual saudável, Andreia explica que os ovários contêm vários pequenos folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Ao longo do ciclo, um deles se torna dominante, cresce mais do que os demais e atinge cerca de 1,5 a 2 centímetros antes de romper e liberar o óvulo durante a ovulação.

    Ao redor de cada folículo existem duas camadas principais de células:

    • Teca, localizada mais externamente e responsável pela produção dos hormônios androgênicos;
    • Granulosa, localizada mais internamente contém uma enzima chamada aromatase, que converte os hormônios em estrogênio.

    Na síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ocorre um espessamento das células da teca, o que desencadeia uma produção excessiva de androgênios. A granulosa não consegue transformar toda a quantidade de hormônios masculinos em estrogênio, o que leva ao aumento dos níveis de androgênios no organismo, fenômeno conhecido como hiperandrogenismo.

    O espessamento também interfere no desenvolvimento normal dos folículos. Em vez de um deles continuar crescendo até a ovulação, vários folículos interrompem seu desenvolvimento precocemente e permanecem com aproximadamente 8 milímetros de diâmetro.

    No ultrassom, eles aparecem alinhados na periferia do ovário, forming o aspecto característico dos chamados microcistos.

    Importante: nem todas as mulheres com a síndrome apresentam microcistos visíveis no ultrassom. Em algumas pacientes, Andreia explica que a camada da teca se torna mais espessa e o ovário aumenta de tamanho, mas sem formar os pequenos folículos característicos.

    Sintomas associados e resistência à insulina

    Além dos critérios utilizados para o diagnóstico, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina costuma estar associada a outras alterações metabólicas, em especial a resistência à insulina. As manifestações mais comuns do desequilíbrio incluem:

    • Obesidade: o excesso de tecido adiposo favorece a resistência à insulina e aumenta a produção dos fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF), que estimulam o espessamento da camada da teca nos ovários e contribuem para a piora do quadro hormonal;
    • Acantose nigricante: caracterizada pelo surgimento de manchas escuras e espessas em regiões de dobras da pele, como o pescoço, as axilas e as virilhas. A alteração é considerada um dos principais sinais clínicos de resistência à insulina;
    • Pré-diabetes e diabetes tipo 2: como a resistência à insulina é frequente na síndrome, mulheres com SOMP têm um risco maior de desenvolver alterações na glicose, incluindo pré-diabetes e diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    O que muda para quem já tem o diagnóstico?

    Na prática, o diagnóstico, os exames e os tratamentos continuam os mesmos. A mudança está relacionada principalmente à forma como a condição será chamada nos próximos anos.

    A expectativa é que a mudança ajude a aumentar a conscientização sobre a síndrome, facilite o reconhecimento dos sintomas e contribua para que mais mulheres recebam o diagnóstico e o acompanhamento adequados mais cedo.

    A transição deve ocorrer gradualmente em hospitais, consultórios, universidades, pesquisas científicas e sistemas de classificação de doenças ao redor do mundo. Os especialistas estimam um período de adaptação de cerca de três anos para que a nova nomenclatura seja amplamente adotada.

    A SOMP tem tratamento?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina é uma condição crônica, mas que pode ser controlada por meio de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com o uso de remédios prescritos pelo médico.

    De acordo com a ginecologista Andreia Sapienza, em muitas pacientes, a perda de peso é suficiente para restabelecer a regularidade menstrual e melhorar os níveis hormonais, sem a necessidade de outros tratamentos. No entanto, caso a paciente volte a ganhar peso, os sintomas e as alterações hormonais tendem a reaparecer.

    Para o controle das alterações metabólicas, a médica explica que medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic), podem ser uma opção em alguns casos.

    Eles ajudam a melhorar a resistência à insulina, auxiliam no controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 e favorecem a perda de peso, contribuindo para o equilíbrio hormonal.

    Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para tratar sintomas como acne e excesso de pelos. Para as mulheres que desejam engravidar, também existem tratamentos específicos para estimular a ovulação.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar um ginecologista quando surgirem sinais que possam indicar a síndrome ovariana metabólica poliendócrina, especialmente se eles persistirem por vários meses, como:

    • Menstruação muito irregular ou ausência de menstruação por mais de três meses;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Acne persistente ou de difícil controle;
    • Aumento de pelos no rosto, no tórax ou no abdômen;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Manchas escuras no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
    • Alterações nos exames de glicose, pré-diabetes ou diabetes.

    A avaliação médica é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para identificar possíveis complicações metabólicas, como resistência à insulina, diabetes tipo 2, colesterol elevado e hipertensão.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter a síndrome e não ter cistos no ovário?

    Sim, e esse é um dos principais motivos da mudança de nome. Para o diagnóstico, são avaliados três critérios: irregularidade menstrual, hormônios masculinos altos e microcistos. Você só precisa preencher dois deles. Portanto, muitas mulheres têm a síndrome, mas apresentam o ultrassom normal.

    2. Qual é a diferença entre ovário policístico e a síndrome?

    Ter ovários policísticos significa apenas que o ultrassom mostrou pequenos cistos na periferia do órgão, o que pode ser uma característica anatômica passageira. A síndrome é uma doença que envolve o corpo todo, combinando esses cistos (ou não) com atrasos menstruais e excesso de hormônios masculinos.

    3. A síndrome aumenta o risco de câncer de endométrio?

    Sim, se não for tratada. Como a mulher passa meses sem menstruar, o endométrio (camada interna do útero) fica se acumulando e engrossando sem descamar. O estímulo contínuo do estrogênio, sem a contraposição da progesterona, aumenta o risco de hiperplasia e, a longo prazo, de câncer de endométrio.

    4. Qual o melhor tipo de exercício físico para quem tem a condição?

    A combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, corrida ou bike) com treinos de força (musculação) é a ideal. O músculo é o principal consumidor de glicose do corpo. Quanto mais massa magra você desenvolve, mais o corpo queima açúcar, reduzindo diretamente a resistência à insulina.

    5. A doença altera o humor ou causa depressão?

    Sim, o desequilíbrio hormonal, especialmente o excesso de androgênios e a falta de progesterona, afeta os neurotransmissores no cérebro. Além disso, lidar com sintomas que mexem com a autoestima, como ganho de peso, acne e queda de cabelo, aumenta as taxas de ansiedade e depressão nas pacientes.

    6. Por que é difícil diagnosticar a doença na adolescência?

    Porque durante a puberdade o corpo está passando por transformações hormonais naturais. É comum que adolescentes tenham espinhas e ciclos menstruais irregulares temporariamente sem que isso seja uma doença.

    7. A síndrome tem cura?

    Por ter uma forte base genética, ela é considerada uma condição crônica, ou seja, não tem uma cura definitiva.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    O sofrimento fetal é uma condição em que o bebê não recebe a quantidade de oxigênio ideal dentro do útero, o que é conhecido como hipóxia. Quando isso acontece, o organismo dele tenta direcionar o oxigênio que resta para os órgãos mais importantes, como o cérebro e o coração.

    Apesar de não ser considerado uma doença em si, o sofrimento fetal é uma situação de atenção e precisa de monitoramento cuidadoso da equipe médica para identificar rapidamente qualquer alteração no bem-estar do bebê.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o sofrimento fetal pode acontecer em diferentes momentos da gestação e também durante o trabalho de parto, sendo classificado de acordo com o momento em que surgem os sinais de redução da oxigenação do bebê.

    Afinal, o que é o sofrimento fetal?

    O sofrimento fetal acontece quando o bebê não recebe a quantidade de oxigênio necessária através da placenta, ou quando existe alguma dificuldade para manter uma boa circulação de sangue entre a mãe, a placenta e o bebê.

    Como o oxigênio é necessário para o funcionamento de todos os órgãos, qualquer redução importante na troca pode levar o organismo fetal a entrar em estado de adaptação e alerta. Segundo Andreia, o sofrimento fetal pode se manifestar de duas maneiras diferentes:

    Sofrimento fetal crônico (anteparto)

    O sofrimento fetal crônico acontece de forma gradual, ainda durante a gestação. Ele normalmente está relacionado a problemas na placenta, como entupimentos ou infartos placentários, que fazem com que o bebê receba menos oxigênio e nutrientes ao longo de dias ou semanas.

    Com o tempo, a redução na oxigenação pode comprometer o desenvolvimento do bebê, causando um crescimento abaixo do esperado e diminuição do volume do líquido amniótico.

    Sofrimento fetal agudo (intraparto)

    O sofrimento fetal agudo acontece de forma rápida, na maioria das vezes durante o trabalho de parto. O próprio parto funciona como um momento de estresse natural para o bebê, porque, a cada contração, o útero comprime temporariamente os vasos sanguíneos e reduz a passagem de sangue e oxigênio.

    Um bebê saudável costuma ter uma boa reserva de oxigênio para tolerar as alterações sem dificuldade, mas quando a reserva já está reduzida ou quando as contrações são muito intensas, frequentes ou prolongadas, o bebê pode apresentar sinais de sofrimento fetal agudo e precisar de avaliação imediata da equipe médica.

    O que acontece no corpo do bebê durante o sofrimento fetal?

    Quando o oxigênio começa a diminuir, o organismo do bebê entra em um mecanismo de defesa para tentar se proteger. O corpo passa a economizar energia e direciona o fluxo de sangue disponível para os órgãos mais importantes, chamados de órgãos nobres, como o cérebro, o coração e as glândulas suprarrenais.

    De maneira geral, o processo é uma tentativa natural de preservar as funções vitais enquanto o bebê enfrenta a redução da oxigenação. Por isso, o monitoramento fetal durante a gestação e o parto é tão importante: os médicos precisam identificar rapidamente os primeiros sinais de que o bebê pode não estar tolerando bem a falta de oxigênio.

    Se a hipóxia se prolongar por muito tempo ou se tornar muito intensa, o cérebro pode começar a sofrer danos pela falta de oxigenação adequada, aumentando o risco de complicações e sequelas neurológicas após o nascimento.

    Como o médico descobre o sofrimento fetal durante o parto?

    Durante o parto, a equipe médica acompanha o bebê o tempo todo para avaliar se ele está recebendo oxigênio adequadamente. As duas principais formas de identificar um possível sofrimento fetal são:

    Alterações nos batimentos cardíacos do bebê (cardiotocografia)

    A cardiotocografia é o exame mais utilizado para acompanhar o bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Nele, dois sensores são posicionados na barriga da gestante: um monitora as contrações uterinas e o outro registra os batimentos cardíacos do bebê.

    No exame, Andreia explica que a equipe observa alguns sinais importantes:

    • Frequência cardíaca fetal, pois é esperado que os batimentos do bebê em média, entre 110 e 160 batimentos por minuto;
    • Variabilidade dos batimentos, uma vez que o coração do bebê não deve bater de forma completamente uniforme. Pequenas oscilações são um sinal de boa oxigenação e de funcionamento adequado do sistema nervoso fetal;
    • Aumentos temporários da frequência cardíaca, normalmente associados aos movimentos do bebê, que costumam indicar boa vitalidade fetal;
    • Desacelerações cardíacas, que podem ser benignas, mas determinados padrões (especialmente quando acontecem repetidamente após as contrações) podem sugerir que o bebê está tendo dificuldade para tolerar o trabalho de parto.

    Presença de mecônio no líquido amniótico

    O mecônio é a primeira evacuação do bebê, uma substância mais grossa e esverdeada que normalmente seria eliminada apenas depois do nascimento.

    Em algumas situações de estresse ou falta de oxigênio, Andreia explica que o bebê pode evacuar ainda dentro do útero. Quando a bolsa rompe e o líquido amniótico fica verde ou escuro, a equipe médica aumenta a atenção, principalmente se também existirem alterações nos batimentos cardíacos do bebê.

    Como o líquido amniótico é deglutido pelo feto e também pode ser aspirado, existe o risco de o bebê aspirar o mecônio para os pulmões antes ou durante o nascimento. Segundo Andreia, quando o mecônio se mistura ao líquido amniótico e é aspirado, ele pode irritar os pulmões e os brônquios do bebê, causando uma condição chamada pneumonite meconial.

    A médica destaca ainda que a presença de mecônio, principalmente quando ele é mais espesso e em grande quantidade, é considerada um sinal importante de sofrimento fetal.

    Por que o estetoscópio antigo (Pinard) não é mais usado?

    O estetoscópio de Pinard era usado antigamente para escutar os batimentos cardíacos do bebê durante a gestação e o trabalho de parto. Ele é um instrumento de madeira ou metal, parecido com uma pequena trombeta, que era apoiado na barriga da gestante para que o profissional de saúde pudesse ouvir o coração fetal diretamente.

    Hoje, como o estetoscópio de Pinard não gera um registro gravado para análise e não permite acompanhar, em tempo real, como o coração do bebê reage durante o pico das contrações, ele foi substituído pelo sonar Doppler e pela cardiotocografia contínua durante o parto.

    O que causa o sofrimento do bebê na hora do parto?

    O sofrimento fetal agudo na hora do parto acontece quando o equilíbrio na troca de oxigênio entre a mãe e o bebê é quebrado. Durante o nascimento, cada contração do útero diminui temporariamente o fluxo de sangue que vai para a placenta.

    Se o trabalho de parto estiver correndo muito bem e o bebê tiver boas reservas, ele passa por isso sem nenhum problema. Mas algumas situações específicas podem esgotar as reservas de oxigênio rapidamente, como:

    1. Contrações muito intensas ou frequentes

    Quando o útero contrai de forma excessiva ou com intervalos muito curtos, uma condição chamada de taquissistolia, a placenta não consegue se reoxigenar adequadamente entre uma contração e outra.

    Assim, o bebê pode receber menos oxigênio, o que pode acontecer espontaneamente ou após o uso excessivo de ocitocina, medicamento utilizado para induzir ou acelerar o parto.

    2. Trabalho de parto muito prolongado

    Quando o trabalho de parto dura muitas horas, especialmente na fase ativa e com contrações fortes e frequentes, o bebê pode começar a gastar toda a sua reserva de energia e oxigênio.

    Com o passar do tempo, isso pode dificultar a adaptação ao estresse natural do nascimento e aumentar o risco de sinais de sofrimento fetal, principalmente se já existir algum outro fator associado.

    3. Problemas com o cordão umbilical

    Algumas situações podem comprometer temporariamente a passagem de sangue e oxigênio pelo cordão umbilical, como:

    • Circular de cordão apertada no pescoço;
    • Nós verdadeiros no cordão umbilical;
    • Compressão do cordão durante as contrações;
    • Compressão do cordão durante a descida do bebê pelo canal de parto.

    Dependendo da intensidade e da duração da compressão, os batimentos cardíacos do bebê podem apresentar alterações.

    4. Problemas agudos na placenta

    O descolamento prematuro da placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave em que a placenta se desprende parcial ou totalmente do útero antes do nascimento do bebê. Como é a placenta que leva oxigênio e nutrientes ao feto, a separação pode interromper rapidamente o fornecimento de oxigênio e colocar em risco tanto a mãe quanto o bebê.

    5. Problemas de saúde maternos

    Alterações importantes na saúde da mãe, como quedas bruscas da pressão arterial ou crises hipertensivas durante o parto, também podem reduzir o fluxo de sangue oxigenado que chega até a placenta e ao bebê.

    Bebês que já entram no parto em risco

    O tratamento do parto natural costuma ser contraindicado quando há histórico de sofrimento crônico, decorrente de diabetes descontrolado, pressão alta na gravidez, restrição de crescimento fetal ou insuficiência placentária, situações nas quais os bebês já começam o trabalho de parto sem nenhuma reserva de oxigênio.

    O que o médico faz quando o bebê está sofrendo?

    Quando o exame mostra que o bebê está em sofrimento, o primeiro passo é adotar medidas de reanimação fetal, feitas ainda na sala de parto para tentar normalizar o oxigênio:

    • Mudar a grávida de lado: virar a mãe de lado (de preferência para o esquerdo) alivia a pressão do útero sobre as grandes veias, melhorando o fluxo de sangue para o bebê;
    • Dar oxigênio para a mãe: a grávida recebe oxigênio por uma máscara para aumentar a quantidade que chega ao bebê;
    • Ajustar a medicação: se o parto estiver sendo induzido com ocitocina, o soro é desligado imediatamente para diminuir a intensidade e a frequência das contrações;
    • Hidratação na veia: dar soro para a mãe ajuda a estabilizar a pressão dela e melhora a circulação na placenta.

    Se o coração do bebê se recuperar com as medidas, o trabalho de parto pode continuar com monitoramento contínuo. Se o traçado do coração não melhorar em poucos minutos, a equipe médica interrompe o processo e pode indicar uma cesárea de emergência.

    O sofrimento fetal deixa sequelas no bebê?

    Na maioria dos casos, o sofrimento fetal sendo identificado precocemente, os bebês que apresentam sinais transitórios de sofrimento fetal nascem saudáveis e sem consequências a longo prazo.

    Os casos mais preocupantes costumam estar relacionados a situações em que a hipóxia é intensa e prolongada sem correção adequada, algo que hoje é muito menos frequente devido ao acompanhamento contínuo da equipe médica.

    Nesses casos raros, a ausência de oxigênio pode causar a morte de neurônios, levando a complicações como:

    • Atraso no desenvolvimento motor e cognitivo;
    • Paralisia cerebral;
    • Problemas de audição ou visão;
    • Dificuldades de aprendizagem no futuro.

    Existem formas de prevenir o sofrimento fetal?

    A melhor maneira de prevenir o sofrimento fetal é através de um acompanhamento pré-natal de qualidade. Durante as consultas, o obstetra consegue identificar e tratar fatores que poderiam prejudicar a chegada de oxigênio até o bebê na hora do parto.

    As medidas envolvem especialmente manter o controle das condições de saúde da mãe, como diabetes e hipertensão, acompanhar o crescimento do bebê e manter um estilo de vida mais saudável, com uma alimentação equilibrada, boa hidratação, sono adequado e evitando o cigarro, o álcool e outras substâncias que possam comprometer a oxigenação fetal.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. O que é o Perfil Biofísico Fetal (PBF) e quando ele é indicado?

    É um exame de ultrassom detalhado, associado à cardiotocografia, que avalia cinco parâmetros do bebê: os batimentos cardíacos, os movimentos corporais, os movimentos respiratórios, o tônus muscular e o volume do líquido amniótico. Ele é indicado no terceiro trimestre para gestantes de alto risco para avaliar se há sinais de sofrimento fetal crônico.

    2. Qual a diferença entre o sofrimento fetal e a asfixia perinatal?

    O sofrimento fetal é o termo usado antes ou durante o parto para indicar que o bebê está em risco de falta de oxigênio. Já a asfixia perinatal é o diagnóstico dado após o nascimento, quando se confirma que o bebê realmente sofreu uma falta grave de oxigênio e apresenta critérios como sangue do cordão umbilical muito ácido (pH baixo) e baixa nota no teste de Apgar.

    3. O cordão umbilical em volta do pescoço (circular de cordão) sempre causa sofrimento fetal?

    Não. Cerca de um em cada três bebês nasce com o cordão em volta do pescoço e a maioria absoluta nasce de parto normal sem sofrer nada. O cordão é elástico e gelatinoso. Ele só causa sofrimento fetal se estiver muito apertado ou se der um “nó verdadeiro”, o que é raro.

    4. A infecção urinária na grávida pode evoluir para sofrimento fetal?

    Sim, as infecções urinárias não tratadas podem causar contrações uterinas precoces (trabalho de parto prematuro) ou infecção dentro do útero (corioamnionite). A infecção gera febre na mãe e no bebê, aumentando o consumo de oxigênio do feto e podendo levá-lo ao sofrimento.

    5. Como a mãe pode perceber sinais de sofrimento fetal ainda em casa?

    O principal sinal de alerta em casa é a redução drástica ou ausência de movimentos do bebê. Se o bebê costuma mexer bastante e, de repente, passar horas sem se mover (mesmo após a mãe se alimentar e deitar de lado), é fundamental ir à maternidade imediatamente para fazer uma avaliação.

    6. Quantas vezes o bebê deve mexer por dia para ser considerado saudável?

    Não existe um número exato universal, pois cada bebê tem seu ritmo. No entanto, a regra geral dos obstetras é que o bebê deve se mexer pelo menos 4 a 6 vezes em um período de 1 a 2 horas, logo após as principais refeições da mãe.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Nos últimos anos, a busca pelo parto domiciliar cresceu como uma alternativa ao ambiente hospitalar, por ser um lugar em que algumas mulheres se sentem mais confortáveis e acolhidas. Ele é feito de maneira semelhante ao parto no hospital, em que a gestante é acompanhada por uma equipe de profissionais especializados, como obstetras, enfermeiros obstetras e parteiras.

    No entanto, como o nascimento acontece fora de uma estrutura hospitalar, existem riscos que devem ser considerados e avaliados com cuidado.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a obstetrícia é uma especialidade com uma dinâmica imprevisível: um trabalho de parto pode transcorrer normalmente por horas e, em poucos minutos, se transformar em uma emergência que precisa de atendimento imediato e recursos disponíveis apenas em um hospital.

    Por isso, a decisão pelo local do nascimento precisa se basear em alguns critérios rigorosos de segurança e na compreensão real dos riscos envolvidos. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o parto domiciliar é seguro?

    O parto domiciliar planejado é considerado seguro exclusivamente para gestações de baixo risco, desde que com acompanhamento de uma equipe qualificada e um plano de transferência rápida para o hospital, caso necessário. No entanto, há divergência entre os órgãos oficiais.

    No Brasil, a prática não é recomendada pelo Ministério da Saúde, que considera o ambiente hospitalar o local mais seguro para o parto, devido à disponibilidade imediata de equipes multiprofissionais, banco de sangue, anestesia, medicamentos de uso restrito e estrutura para atender emergências maternas e neonatais.

    Através da Nota Técnica nº 2/2021, a principal preocupação em relação ao parto domiciliar é a dificuldade de acesso imediato aos recursos necessários caso ocorra uma complicação inesperada durante o trabalho de parto ou logo após o nascimento.

    Situações de emergência durante o parto domiciliar

    Segundo Andreia, uma situação que está perfeitamente bem pode se transformar em uma emergência grave em questão de minutos. Mesmo em gestações saudáveis, complicações severas podem surgir de forma súbita e sem qualquer aviso prévio durante o pré-natal, como:

    • Hemorragia pós-parto: se o útero não contrair adequadamente após a saída da placenta, a mulher pode perder grande quantidade de sangue em poucos minutos. A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morte materna no mundo;
    • Sofrimento fetal por falta de oxigênio: pode ocorrer, por exemplo, devido à compressão do cordão umbilical. Sem atendimento imediato, há risco de morte ou de sequelas neurológicas permanentes;
    • Distocia de ombro: acontece quando a cabeça do bebê nasce, mas os ombros ficam presos na pelve materna. É uma emergência que exige manobras rápidas para evitar lesões e asfixia;
    • Prolapso de cordão umbilical: ocorre quando o cordão sai antes do bebê e pode ser comprimido durante o parto, interrompendo o fornecimento de oxigênio;
    • Necessidade de reanimação neonatal: alguns recém-nascidos precisam de ajuda para iniciar a respiração após o nascimento, com suporte especializado e equipamentos adequados;
    • Parada de progressão do trabalho de parto: ocorre quando o parto deixa de evoluir normalmente, podendo haver necessidade de cesariana de urgência;
    • Aspiração de mecônio: acontece quando o bebê elimina mecônio no líquido amniótico e aspira esse material para os pulmões, o que pode causar problemas respiratórios importantes.

    Andreia complementa que, mesmo quando há um médico presente no domicílio, ele pode ficar limitado pela falta de infraestrutura.

    É possível utilizar um aparelho de cardiotocografia portátil para monitorar os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, mas a grande questão é o que fazer caso seja identificado um sofrimento fetal agudo. No ambiente doméstico, os recursos para uma intervenção imediata são limitados.

    O fator “tempo de transporte”

    Um plano de parto domiciliar precisa prever a transferência para um hospital caso alguma coisa dê errado. Na obstetrícia, o tempo é um fator decisivo: o período gasto para colocar a gestante ou o recém-nascido no carro, enfrentar o trânsito e dar entrada no pronto-socorro fazem a diferença para evitar complicações graves e garantir a segurança da mãe e do bebê.

    E quando o parto em casa é planejado?

    Para aumentar a segurança, o parto domiciliar costuma ser indicado apenas em situações muito específicas, considerando critérios como:

    • Gestação de baixo risco;
    • Com apenas um bebê, posicionado de cabeça para baixo;
    • Sem problemas de saúde maternos ou fetais;
    • Gravidez a termo, entre 37 e 42 semanas;
    • Acesso rápido a um hospital.

    De acordo com Andreia, são muitos os critérios que precisam ser atendidos, e poucas gestações se encaixam perfeitamente em todos eles. Além disso, mesmo em gestações de baixo risco, complicações podem surgir de forma repentina, sem tempo suficiente para uma transferência segura ao hospital.

    Doulas podem estar presentes no parto hospitalar?

    No Brasil, a presença da doula em hospitais públicos e privados é garantida por lei em grande parte do país. Inclusive, a Lei Federal nº 14.737/2023 assegura que toda mulher tem o direito de ser acompanhada por uma pessoa de sua livre escolha durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

    No entanto, Andreia ressalta que a doula não substitui a equipe técnica. Ela não possui formação em enfermagem obstétrica ou medicina, e sua função é oferecer apoio emocional, acolhimento e conforto à gestante durante o trabalho de parto.

    A doula pode auxiliar com técnicas de relaxamento, massagens, exercícios de respiração e medidas para aliviar o desconforto das contrações. Apesar de importante para a experiência da mulher, ela não realiza procedimentos médicos, não monitora a saúde da mãe e do bebê e não está habilitada a identificar ou tratar complicações obstétricas

    Associação Brasileira de Enfermeiras Obstetras defende o parto domiciliar

    Em contrapartida ao Ministério da Saúde, a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) defende que o parto domiciliar planejado pode ser uma opção segura para algumas gestantes.

    Segundo um boletim científico divulgado pela entidade em 2023, existem estudos que apontam o parto em casa como uma alternativa possível para mulheres com gestações de baixo risco.

    De acordo com a associação, quando o parto é cuidadosamente planejado e acompanhado por profissionais capacitados, ele pode estar associado a uma menor realização de intervenções médicas e apresentar resultados maternos e neonatais semelhantes aos observados em alguns serviços hospitalares.

    Porém, a avaliação deve ser feita caso a caso, levando em consideração as características de cada gestação e a disponibilidade de uma rede de apoio e atendimento de emergência.

    Quem NÃO deve fazer o parto domiciliar em hipótese alguma?

    O parto domiciliar é absolutamente contraindicado para gestantes de alto risco ou que apresentem qualquer complicação que possa exigir intervenção médica imediata, como:

    • Pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional;
    • Diabetes gestacional ou diabetes pré-existente;
    • Doenças crônicas maternas, como problemas cardíacos, renais, neurológicos ou distúrbios de coagulação;
    • Bebê prematuro (antes de 37 semanas);
    • Bebê em posição pélvica (sentado) ou transversa;
    • Gestação múltipla (gêmeos ou mais);
    • Restrição de crescimento fetal;
    • Placenta prévia;
    • Alterações no líquido amniótico, como oligoidrâmnio ou polidrâmnio;
    • Residência distante de um hospital com centro cirúrgico e UTI neonatal;
    • Ausência de uma equipe técnica qualificada para acompanhar o parto e reconhecer emergências rapidamente.

    Andreia ainda complementa que mulheres com cesárea anterior que desejam tentar um parto vaginal jamais deveriam considerar o parto domiciliar, devido ao risco de ruptura uterina.

    O que é necessário para um parto em casa planejado?

    Para realizar um parto domiciliar, é necessário que haja uma equipe capacitada em parto domiciliar, com treinamento específico para monitoramento de sinais de complicações. A equipe precisa levar equipamentos portáteis, como um cardiotocógrafo, além de materiais para sutura, soros, acessos venosos e medicamentos de emergência.

    Por fim, é fundamental que exista um plano para uma possível transferência ao hospital, com a maternidade de referência já definida e o trajeto previamente planejado.

    Como algumas emergências obstétricas podem evoluir em poucos minutos, chegar ao hospital o mais rápido possível pode fazer toda a diferença para a segurança da mãe e do bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como o nervosismo pode afetar o parto em casa?

    O medo, a ansiedade e o estresse podem aumentar a liberação de adrenalina no organismo, o que pode deixar as contrações mais intensas e frequentes, reduzindo a oxigenação do bebê e aumentando o risco de sofrimento fetal.

    2. Qual é a distância ideal até um hospital?

    O ideal é que a casa fique a, no máximo, 15 a 20 minutos de uma maternidade de referência.

    3. Médicos podem fazer partos em casa?

    Sim, não existe proibição para que médicos acompanhem partos domiciliares. Porém, mesmo com uma equipe experiente, o ambiente doméstico não conta com recursos como centro cirúrgico, banco de sangue e UTI.

    4. Qual é a diferença entre doula e enfermeira obstétrica?

    A doula oferece apoio físico e emocional, com massagens, técnicas de respiração e acolhimento. Já a enfermeira obstétrica é uma profissional de saúde habilitada para acompanhar o trabalho de parto, monitorar mãe e bebê e realizar partos de baixo risco.

    5. É possível ter um parto humanizado no hospital?

    Sim, o parto humanizado não depende do local, mas do respeito às escolhas da mulher, da liberdade de movimento e do uso apenas das intervenções realmente necessárias.

    6. Como o bebê é monitorado durante o parto em casa?

    A equipe acompanha os batimentos cardíacos do bebê com aparelhos portáteis, como o sonar Doppler ou o cardiotocógrafo, realizando avaliações periódicas durante o trabalho de parto.

    7. Como é feito o alívio da dor no parto domiciliar?

    No parto em casa não é possível utilizar anestesia peridural. Por isso, o alívio da dor é feito com medidas como banho morno, massagens, exercícios com bola de pilates, técnicas de respiração e compressas quentes.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?

  • Disruptores endócrinos: o que são, onde encontrá-los e como evitar a exposição

    Disruptores endócrinos: o que são, onde encontrá-los e como evitar a exposição

    Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.

    Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.

    Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.

    Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.

    Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?

    Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.

    Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.

    Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.

    Onde os disruptores endócrinos são encontrados?

    Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.

    Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:

    • Itens de higiene pessoal;
    • Roupas e tecidos;
    • Componentes eletrônicos;
    • Embalagens e recipientes de comida;
    • Maquiagens e produtos de beleza;
    • Brinquedos para crianças;
    • Recipientes térmicos de bebê;
    • Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
    • Revestimentos de pisos e sofás;
    • Materiais de construção civil.

    Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:

    • Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
    • Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
    • Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
    • Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
    • Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.

    Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.

    Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos

    De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
    • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Câncer de mama;
    • Alterações metabólicas e puberais;
    • Câncer de testículo e de próstata;
    • Endometriose;
    • Alterações neurológicas e na tireoide;
    • Dificuldade no aleitamento materno;
    • Obesidade;
    • Mal de Parkinson.

    Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.

    O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.

    A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.

    É possível evitar os disruptores endócrinos?

    Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:

    • Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
    • Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
    • Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
    • Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
    • Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
    • Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.

    Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.

    Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.

    Perguntas frequentes

    1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?

    Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.

    2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?

    Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.

    3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?

    Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.

    4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?

    Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.

    5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?

    Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.

    6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?

    Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.

    7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?

    Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.

    Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.

    Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.

    Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.

    Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.

    Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?

    Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.

    Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.

    Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.

    Onde os disruptores endócrinos são encontrados?

    Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.

    Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:

    • Itens de higiene pessoal;
    • Roupas e tecidos;
    • Componentes eletrônicos;
    • Embalagens e recipientes de comida;
    • Maquiagens e produtos de beleza;
    • Brinquedos para crianças;
    • Recipientes térmicos de bebê;
    • Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
    • Revestimentos de pisos e sofás;
    • Materiais de construção civil.

    Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:

    • Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
    • Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
    • Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
    • Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
    • Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.

    Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.

    Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos

    De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
    • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Câncer de mama;
    • Alterações metabólicas e puberais;
    • Câncer de testículo e de próstata;
    • Endometriose;
    • Alterações neurológicas e na tireoide;
    • Dificuldade no aleitamento materno;
    • Obesidade;
    • Mal de Parkinson.

    Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.

    O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.

    A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.

    É possível evitar os disruptores endócrinos?

    Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:

    • Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
    • Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
    • Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
    • Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
    • Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
    • Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.

    Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.

    Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?

    Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.

    2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?

    Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.

    3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?

    Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.

    4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?

    Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.

    5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?

    Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.

    6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?

    Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.

    7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?

    Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    A fisioterapia pélvica na gravidez é uma especialidade que ajuda a fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar órgãos como o útero, a bexiga e o intestino.

    Durante o período, as mudanças hormonais intensas e o aumento natural do peso do bebê acabam sobrecarregando a região, o que pode favorecer desconfortos como escapes de urina, sensação de peso e dores na bacia.

    A fisioterapia pélvica também atua diretamente na preparação para o parto, trabalhando a consciência corporal e a flexibilidade muscular importantes para o momento do nascimento.

    O melhor é que a prática pode ser iniciada em qualquer fase da gestação e oferece benefícios tanto para as mulheres que desejam o parto normal quanto para aquelas que têm indicação de cesárea.

    Para que serve a fisioterapia pélvica na gravidez?

    A fisioterapia pélvica na gravidez serve principalmente para fortalecer e dar flexibilidade aos músculos do assoalho pélvico, ajudando o corpo da mulher a se adaptar de forma saudável às transformações da gestação e a se preparar para o parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Entre alguns dos principais benefícios da prática, é possível destacar:

    1. Prevenção e o tratamento da perda involuntária de urina

    O aumento do peso do útero e as alterações hormonais podem enfraquecer os músculos responsáveis por controlar a uretra. Com a fisioterapia pélvica, a gestante aprende a ativar a musculatura nos momentos de maior pressão, como ao tossir, espirrar ou pegar peso, ajudando a evitar os desconfortáveis escapes de urina que são tão comuns na gravidez.

    2. Alívio das dores nas costas e na bacia

    Conforme a barriga cresce, o corpo passa por várias mudanças de postura e equilíbrio, o que pode causar dores na lombar, na bacia e até na região do cóccix. Os exercícios ajudam a melhorar a postura, estabilizar as articulações e aumentar a mobilidade da pelve, trazendo mais conforto no dia a dia e um alívio natural das dores.

    3. Preparação do corpo para o parto normal

    Para as mulheres que desejam o parto vaginal, a fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver a consciência corporal e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, facilitando a passagem do bebê pelo canal de parto. Ele também ajuda a gestante a entender melhor como fazer força no momento do nascimento.

    4. Redução do risco de lesões musculares profundas

    Ao trabalhar a elasticidade e a coordenação dos músculos mais profundos da região pélvica, a fisioterapia ajuda a proteger o períneo durante o parto, o que diminui risco de lacerações mais graves, segundo Andreia. A prática também favorece uma recuperação pós-parto mais confortável para a gestante.

    5. Prevenção do prolapso dos órgãos pélvicos

    A sobrecarga constante da gravidez sobre o assoalho pélvico pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, aumentando o risco de prolapsos, situação em que órgãos como a bexiga ou o útero perdem sustentação. O fortalecimento preventivo ajuda a proteger a região e a reduzir as chances da gestante apresentar a complicação no futuro.

    6. Melhora do conforto no contato íntimo

    Durante a gravidez, algumas mulheres podem sentir dor ou desconforto nas relações sexuais por causa da tensão muscular na região íntima. Segundo Andreia, a fisioterapia pélvica ensina técnicas de relaxamento que ajudam a aliviar o sintoma. Já nos casos de sensação de flacidez, o fortalecimento muscular pode contribuir para melhorar a sensibilidade e o conforto local.

    Como é feita a fisioterapia pélvica para gestantes?

    A princípio, para fazer a fisioterapia pélvica na gravidez, é importante uma avaliação detalhada da musculatura e da postura da mulher.

    Durante as sessões, o fisioterapeuta utiliza uma combinação de técnicas e ferramentas que ajudam a desenvolver a força, a coordenação e, principalmente, a propriocepção — que, como explica Andreia, é a capacidade de perceber e ter consciência da localização e do movimento dos músculos pélvicos sem precisar olhar para eles.

    As principais técnicas e etapas incluem:

    1. Exercícios de consciência corporal

    O primeiro passo da fisioterapia pélvica é ajudar a gestante a conhecer melhor o próprio corpo e entender como controlar a musculatura da região pélvica.

    Muitas mulheres, por exemplo, acabam fazendo o movimento contrário ao esperado quando tentam simular a força do parto, contraindo a musculatura em vez de relaxar. Durante as sessões, ela aprende a identificar, ativar e movimentar os músculos corretos de forma mais consciente.

    2. Fortalecimento dos músculos da região pélvica

    O trabalho da fisioterapia é focado nos diferentes grupos musculares que sustentam a região íntima e os órgãos pélvicos, como aponta Andreia:

    • Diafragma pélvico (mais interno): onde se trabalha o músculo elevador do ânus, um músculo grande e único com vários feixes, para garantir que ele seja forte o suficiente para sustentar o peso crescente do útero e do bebê;
    • Diafragma urogenital (mais superficial): localizado na região do períneo, que tem um formato de losango angulado, englobando a uretra, a entrada da vagina e o ânus. Os exercícios aqui treinam os músculos menores responsáveis por garantir a continência urinária e fecal.

    Os exercícios são feitos de forma gradual e personalizada, respeitando as necessidades de cada gestante.

    3. Treino para contrair e também relaxar

    Ao contrário do que você pode imaginar, a fisioterapia pélvica não trabalha apenas o fortalecimento muscular. A gestante também aprende a relaxar a região no momento certo, o que é necessário para o bom funcionamento do corpo.

    O relaxamento também pode facilitar a urina, a evacuação e a passagem do bebê durante o parto vaginal.

    4. Exercícios de mobilidade e alívio das dores

    Com o crescimento da barriga, a postura e o equilíbrio do corpo mudam bastante, aumentando as chances de dores na lombar e na bacia. Por isso, a fisioterapia includes exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos que ajudam a melhorar os movimentos das articulações da região, trazendo um alívio natural das dores e mais conforto para a gestante.

    5. Uso de recursos complementares, quando necessário

    Em algumas situações específicas, e sempre com avaliação profissional, o fisioterapeuta pode utilizar recursos complementares, como estímulos elétricos leves feitos com aparelhos delicados. Os estímulos ajudam a paciente a perceber melhor a musculatura que precisa ser trabalhada, facilitando os exercícios e o controle da região pélvica.

    Quando começar as sessões?

    As sessões de fisioterapia pélvica podem ser iniciadas em qualquer momento da gestação, inclusive no início ou antes dela. Contudo, Andreia explica que a procura costuma se intensificar a partir da segunda metade da gravidez, quando o volume abdominal aumenta e os desconfortos físicos ficam mais evidentes.

    Portanto, se você não começou no início, a segunda metade da gestação é o momento ideal para procurar ajuda e garantir o papel analgésico e preparatório da fisioterapia.

    Quando a fisioterapia pélvica não é indicada?

    A fisioterapia pélvica é uma prática segura e recomendada para a maioria das gestantes. Inclusive, grávidas que apresentam comorbidades comuns como diabetes gestacional, hipertensão ou restrição de crescimento fetal (RCF) podem fazer as sessões normalmente, desde que as condições estejam devidamente controladas e acompanhadas pelo médico.

    Contudo, Andreia explica que existem contraindicações obstétricas específicas em que a fisioterapia pélvica não é indicada, frequentemente associadas à necessidade de repouso ou ao risco de infecções e sangramentos. São elas:

    • Incompetência istmocervical: casos avançados com risco de parto prematuro, onde a gestante precisa de repouso e deve evitar qualquer esforço físico;
    • Bolsa rota (amniorrexe prematura): quando a bolsa estoura antes do tempo, pois há um alto risco de infecção no útero, inviabilizando o uso de exercícios e de eletrodos intravagnais;
    • Placenta prévia: quando a placenta está posicionada na parte baixa do útero, cobrindo o colo. Qualquer estímulo ou movimento na região pode provocar sangramentos graves;
    • Descolamento prematuro de placenta: uma condição de emergência com risco de hemorragia que exige repouso absoluto e cuidados médicos imediatos.

    Antes de iniciar qualquer sessão de fisioterapia pélvica, lembre-se que a gestante precisa da liberação do médico obstetra, para garantir que a gravidez não apresenta nenhum dos fatores de risco.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A fisioterapia pélvica dói?

    Não, pois os exercícios e técnicas são aplicados respeitando o limite de conforto da gestante. É comum sentir o cansaço muscular natural do exercício, mas nunca dor. Caso sinta desconforto, o fisioterapeuta adapta a conduta imediatamente.

    2. Quem vai fazer cesárea também pode fazer fisioterapia pélvica?

    Com certeza. A sobrecarga do peso do bebê, do útero e da placenta sobre o assoalho pélvico é exatamente a mesma, independentemente do tipo de parto. A fisioterapia ajuda a evitar escapes de urina durante a gestação e previne dores e flacidez no pós-parto.

    3. Quantas vezes por semana devo fazer as sessões?

    Normalmente, o recomendado é fazer 1 a 2 vezes por semana no consultório, com duração média de 50 minutos. Além disso, o fisioterapeuta costuma passar uma rotina de exercícios simples de poucos minutos para a gestante realizar em casa diariamente.

    4. Posso fazer os exercícios de fortalecimento sozinha em casa?

    Apenas os exercícios que já foram ensinados e liberados pelo seu fisioterapeuta. Fazer contrações de forma errada ou sem coordenação pode tensionar a musculatura em excesso, gerando o efeito oposto, como dor na relação íntima ou dificuldade para urinar.

    5. A fisioterapia pélvica induz ou antecipa o parto?

    Não. Os exercícios convencionais de fortalecimento e conscientização não têm capacidade de provocar o parto prematuro. Pelo contrário, as técnicas são planejadas para proteger o corpo da mãe ao longo de todas as semanas gestacionais.

    6. Quando devo parar de fazer as sessões na gravidez?

    Se a gestação seguir saudável e sem intercorrências, as sessões podem ser realizadas até a semana do parto. Na reta final, o foco do profissional muda quase totalmente para exercícios de mobilidade, respiração e posições de alívio para o dia do nascimento.

    7. Quem tem a placenta baixa pode fazer fisioterapia pélvica?

    Depende do tipo. Se for uma placenta prévia (que cobre totalmente o colo do útero), a fisioterapia pélvica é estritamente contraindicada pelo risco de hemorragias graves. Se for apenas uma placenta de inserção baixa que não obstrui o colo, o obstetra avaliará se libera ou não os exercícios de forma bem leve.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    O início da gravidez pode trazer uma série de sentimentos diferentes, de felicidade até insegurança, mas também uma lista infinita de perguntas.

    Se você é mamãe de primeira viagem, é completamente normal se pegar pensando se aquela posição na hora de dormir pode prejudicar o bebê, por que o intestino de repente ficou tão lento ou se aquela tontura na academia é um sinal de alerta para algum problema.

    Para esclarecer alguns dos mitos e verdades comuns do período, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos tudo que você precisa saber, a seguir.

    1. Grávida pode dormir de barriga para cima ou para baixo?

    No início da gestação, você pode dormir na posição que achar mais confortável, inclusive de barriga para cima. No entanto, Andreia explica que a partir da 14ª ou 15ª semana de gravidez, o útero já cresceu o suficiente para se tornar pesado e migrar da pélvis para o abdômen. A partir do período, deitar de costas não é recomendado.

    Ao deitar de barriga para cima, o peso do útero comprime diretamente a veia cava, que é a principal veia responsável por trazer o sangue do resto do corpo de volta para o coração. Como as veias são muito maleáveis, elas se fecham facilmente sob pressão.

    Quando a veia cava é comprimida, o retorno do sangue diminui drasticamente, causando uma queda súbita na pressão arterial da mãe, chamada de hipotensão supina. Isso pode provocar tontura, mal-estar e até sensação de desmaio, mesmo que você esteja deitada.

    No caso das mulheres que gostam de dormir de barriga para baixo, ela não costuma ser um perigo direto para o bebê, mas pode ser incômoda com o avanço da gravidez, pois o peso do próprio corpo da mãe acaba pressionando o abdômen.

    Qual é a melhor posição para dormir na gravidez?

    As melhores posições para dormir na gravidez incluem:

    • Dormir de lado, de preferência sobre o lado esquerdo: costuma ser a posição mais confortável e recomendada na gravidez, porque ajuda na circulação sanguínea e melhora o fluxo de oxigênio e nutrientes que chegam até a placenta e o bebê;
    • Usar travesseiros como apoio: colocar um travesseiro entre os joelhos e outro para apoiar os braços pode fazer muita diferença no conforto durante a noite. Além de ajudar a alinhar a coluna, o apoio também reduz a pressão nas articulações e alivia as dores nas costas;
    • Apostar em uma posição na diagonal: para as mulheres que sentem falta de dormir de barriga para baixo, a ideia é ficar meio de lado e meio inclinada para frente, usando um travesseiro grande ou uma almofada de amamentação para apoiar o corpo. Assim, é possível ter uma sensação parecida com a de dormir de bruços, mas sem colocar peso sobre a barriga.

    Se ao deitar de costas você sentir tontura, o corpo começará a avisar de forma instintiva que a posição não está favorável. Caso isso aconteça, vire-se imediatamente para o lado esquerdo para restabelecer o fluxo sanguíneo e normalizar a pressão.

    2. Por que o intestino fica mais preso na gestação?

    A constipação, também conhecida como prisão de ventre, é uma das condições mais frequentes da gravidez e acontece especialmente por uma combinação de fatores hormonais e mecânicos.

    Segundo Andreia, o aumento da progesterona, hormônio importante para a gestação, relaxa a musculatura do útero, mas também deixa os movimentos do intestino mais lentos. Com isso, a digestão demora mais e o trânsito intestinal fica mais devagar.

    Conforme o bebê cresce, o útero também passa a ocupar mais espaço na barriga e acaba pressionando parte do intestino, dificultando ainda mais a passagem das fezes. Toda a lentidão do sistema digestivo também pode provocar outros sintomas bastante comuns na gravidez, como gases, sensação de barriga estufada, azia e refluxo.

    Como melhorar o trânsito intestinal?

    Andreia orienta algumas dicas para melhorar o funcionamento do intestino na gravidez:

    • Aumentar o consumo de fibras e manter uma excelente hidratação;
    • Fazer uma dieta fracionada (comer porções menores mais vezes ao dia) para diminuir o desconforto gástrico;
    • Consumir frutas cítricas ou seus sucos, que podem auxiliar no processo digestivo;
    • Praticar atividades físicas regulares, que estimulam o peristaltismo (movimento do intestino);
    • Manter uma rotina de horários para educar o organismo a esvaziar o intestino de forma habitual.

    Atenção ao reflexo gastrocólico

    O reflexo gastrocólico é um mecanismo fisiológico em que o estômago se comunica com o intestino. Assim que a comida entra no organismo, o corpo recebe o sinal de que o intestino deve se esvaziar para abrir espaço para o novo bolo alimentar.

    De acordo com a ginecologista, não é raro que algumas gestantes ignorem a vontade de evacuar por estarem fora de casa ou por desconforto em usar banheiros públicos. Porém, com o tempo, o hábito pode fazer com que o organismo perca parte da sensibilidade ao reflexo natural, piorando ainda mais a constipação.

    Por isso, a recomendação da médica é simples: quando sentir vontade, vá ao banheiro. O ideal é não prender o intestino e nem reduzir a ingestão de água para evitar urinar fora de casa.

    3. Inchaço na gravidez é normal? Quando se preocupar?

    O inchaço na gravidez é um sintoma comum e afeta principalmente nos pés e nas pernas, sendo ainda mais intenso no final do dia ou em épocas de muito calor. Ele acontece porque o volume de fluidos e sangue no corpo da grávida aumenta consideravelmente, e o peso do útero dificulta o retorno do sangue das pernas de volta para o coração.

    Contudo, Andreia explica que é preciso ficar alerta aos sinais de alerta que indicam um quadro patológico, como doenças renais ou pré-eclâmpsia:

    • Começou de forma muito súbita (de uma hora para a outra) ou ficou extremamente intenso;
    • Subiu para outras partes do corpo e começou a afetar o rosto (especialmente as pálpebras) e as mãos;
    • Vem acompanhado de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, pontos brilhantes na vista ou dor na boca do estômago.

    Nesses casos, procure imediatamente atendimento médico.

    Como aliviar o inchaço nas pernas na gravidez?

    Segundo a ginecologista, existem algumas medidas simples que ajudam a melhorar o fluxo de líquidos e trazem bastante alívio, como:

    • Beba bastante água: uma boa hidratação ajuda os rins a funcionarem melhor e favorece a eliminação do excesso de líquido acumulado no corpo;
    • Eleve as pernas: sempre que possível, descanse com os pés apoiados em almofadas ou mais elevados para melhorar a circulação;
    • Faça drenagem linfática: a técnica pode ajudar no inchaço, desde que seja adaptada para gestantes e liberada pelo obstetra;
    • Use meias de compressão corretamente: o ideal é colocar as meias ainda deitada, antes de levantar da cama, para ajudar a evitar o inchaço ao longo do dia.

    4. Gestante pode fazer musculação e pegar peso?

    Desde que a atividade seja avaliada, autorizada pelo obstetra e adaptada para a gestação, a musculação é considerada segura e pode trazer vários benefícios durante a gravidez.

    Como explica Andreia, o fortalecimento dos músculos abdominais, conhecido como fortalecimento do core, ajuda diretamente a aliviar as dores nas costas. Conforme a barriga cresce, a curvatura natural da coluna lombar aumenta, o que pode gerar mais sobrecarga e desconforto na região. Com a musculatura fortalecida, o corpo ganha mais sustentação e estabilidade.

    As mulheres que já tinham a musculatura mais forte antes da gravidez costumam sofrer menos com dores lombares. Já aquelas que não tinham o preparo também podem se beneficiar bastante do acompanhamento adequado, especialmente quando a musculação é associada à fisioterapia pélvica e global.

    Cuidados importantes durante o treino na gravidez

    Para que a musculação seja segura para você e para o bebê, existem dois limites importantes que precisam ser respeitados.

    Primeiro, o exercício pode ser moderadamente cansativo, mas se você notar que está suando excessivamente, com o coração muito acelerado e a respiração ofegante demais, pare o exercício. Os sinais indicam que a musculatura está competindo pelo oxigênio do corpo com a placenta, o que não pode acontecer.

    Segundo, sabe quando você vai fazer muita força para levantar um peso e, sem perceber, prende o ar e bloqueia a respiração? Isso se chama manobra de Valsalva, o que causa uma queda brusca de pressão, tontura e escurecimento da vista. Nas grávidas, o risco de desmaio é ainda maior.

    Na musculação para gestantes, o ideal é sempre manter a respiração contínua. A regra é soltar o ar pela boca no momento em que você faz força e puxar o ar pelo nariz quando relaxa o músculo. Nunca prenda a respiração.

    5. É seguro viajar de avião durante a gravidez?

    Se a sua gestação estiver correndo bem, sem riscos ou complicações, a viagem de avião é segura para a mãe e para o bebê. No entanto, existem alguns cuidados práticos que você precisa conhecer antes de comprar as passagens.

    Segundo Andreia, é recomendado evitar viagens muito tardias, como após a 33ª ou 34ª semana, pela maior probabilidade da gestante entrar em trabalho de parto e não ter assistência médica adequada a bordo, especialmente em voos longos.

    Além disso, a gravidez aumenta consideravelmente o risco de trombose, devido a alterações hormonais que engrossam o sangue e à microcompressão das veias pélvicas pelo útero.

    Por isso, em voos longos, para evitar que o sangue fique parado nas pernas, o ideal é levantar a cada 1 ou 2 horas e caminhar um pouco pelo corredor do avião, para ativar os músculos das panturrilhas e estimular a circulação sanguínea.

    Fazer pequenos movimentos com os pés e os tornozelos enquanto estiver sentada também pode ajudar a reduzir o inchaço e diminuir o risco de trombose durante a viagem.

    Se você tiver outros fatores de risco ou comorbidades (como pressão alta ou histórico familiar de trombose), o obstetra pode indicar o uso preventivo de medicação anticoagulante injetável em baixas doses. Normalmente, ela é utilizada alguns dias antes da viagem, durante o trajeto e logo após o retorno.

    Importante: mulheres com gestação de alto risco, histórico de parto prematuro recente ou hipertensão gestacional grave devem passar por uma avaliação criteriosa, pois podem ter contraindicação médica absoluta para voar.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    6. Por que a gravidez dá tanto sono e altera as noites de descanso?

    O sono durante a gravidez costuma mudar por uma combinação de fatores, segundo Andreia:

    • Aumento da progesterona: o hormônio causa uma sonolência excessiva e exaustão, muito comum no primeiro trimestre. O sintoma costuma melhorar no segundo trimestre e pode reaparecer no terceiro, especialmente no fim do dia;
    • Fatores mecânicos: no final da gravidez, o tamanho da barriga dificulta encontrar uma posição confortável. O peso do útero sobre a bexiga também aumenta a frequência urinária, fragmentando o sono devido às idas ao banheiro durante a noite;
    • Roncos e apneia do sono: o ganho de peso e o grande volume abdominal podem favorecer o surgimento de roncos e da apneia do sono. A própria progesterona também relaxa a musculatura da garganta, facilitando com que a base da língua caia ligeiramente para trás e obstrua a passagem do ar
    • Fatores emocionais: a ansiedade natural pela chegada do parto e do bebê também contribui para um sono mais leve, o que aumenta os despertares ao longo da noite e dificulta um descanso realmente reparador.

    Para melhorar a qualidade do descanso, a orientação é investir em uma boa higiene do sono, manter horários mais regulares para dormir e usar travesseiros como apoio entre as pernas e os braços, ajudando o corpo a ficar mais confortável durante a noite.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Grávida pode tomar café?

    Sim, mas com moderação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Febrasgo é limitar o consumo de cafeína a, no máximo, 200 mg por dia, o que equivale a cerca de duas xícaras pequenas (de 50 a 100 ml) de café coado.

    2. É normal ter corrimento na gravidez?

    Depende da cor e do cheiro. Um corrimento esbranquiçado ou transparente, fluido e sem odor é completamente normal e decorrente do aumento de hormônios e do fluxo sanguíneo na região pélvica.

    Se o corrimento for amarelado, esverdeado, acinzentado, tiver consistência de nata ou vier acompanhado de mau cheiro, coceira e ardência, pode indicar uma infecção (como candidíase ou vaginose bacterial) e deve ser tratado pelo obstetra.

    3. Grávida pode comer sushi e peixe cru?

    O ideal é evitar, pois o consumo de peixes e frutos do mar crus ou malcozidos aumenta o risco de infecções alimentares graves causadas por bactérias (como a Listeria) e parasitas.

    4. É seguro ter relações sexuais na gravidez?

    Sim, na grande maioria das gestações. Se a gravidez estiver correndo bem, sem complicações, o sexo é seguro e não machuca o bebê, que está protegido pelo líquido amniótico e pelo tampão mucoso do colo do útero.

    5. Grávida pode fazer tratamento estético (como botox ou peeling)?

    A maioria dos tratamentos deve ser suspensa. A aplicação de toxina botulínica (botox) e preenchimentos não é recomendada por falta de estudos de segurança em gestantes.

    6. É normal sentir cólica no início da gravidez?

    Sim, as cólicas leves são comuns. No primeiro trimestre, o útero está começando a se expandir e a se acomodar na pelve, e a vascularização da região aumenta, o que pode causar uma sensação parecida com a cólica menstrual leve ou fisgadas nas laterais do abdômen.

    7. Como evitar as manchas no rosto (melasma) na gravidez?

    O melasma gestacional surge devido à combinação dos hormônios da gravidez, que estimulam a produção de melanina, com a exposição solar. A melhor forma de prevenir é o uso diário e religioso de protetor solar com cor e FPS alto (mínimo 50), reaplicando ao longo do dia, além do uso de chapéus e óculos de sol.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Mais comum entre a quarta e oitava semana de gestação, o enjoo na gravidez é um sintoma que afeta cerca de 70% das mulheres. Normalmente, é um dos primeiros sinais da gestação e acontece devido às intensas alterações hormonais do início do período, especialmente ao aumento do hormônio beta-hCG.

    Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser controlados com mudanças na alimentação e hidratação adequada. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como aliviar o enjoo no dia a dia, os remédios permitidos na gravidez e quando o sintoma é preocupante. Confira!

    Por que grávida sente tanto enjoo?

    Os enjoos na gravidez acontecem, principalmente, por causa das mudanças hormonais intensas do início da gestação. Segundo Andreia, o principal responsável pelos sintomas é o aumento do hormônio beta-hCG, a gonadotrofina coriônica humana, produzida pela placenta.

    No começo da gravidez, os níveis do hormônio aumentam rapidamente, atingem um pico e depois tendem a se estabilizar. É justamente durante a fase de elevação mais intensa que as náuseas costumam piorar, especialmente no primeiro trimestre.

    Além do beta-hCG, outros hormônios produzidos pela placenta, como estrogênio, progesterona e cortisol, também contribuem para os enjoos. A progesterona, em especial, desacelera o funcionamento do sistema digestivo, deixando o esvaziamento do estômago e do intestino mais lento, o que aumenta a sensação de náusea.

    Segundo a ginecologista, o olfato mais sensível na gestação também pode agravar o desconforto, fazendo com que cheiros fortes de alimentos, perfumes ou bebidas provoquem mais enjoo.

    Fatores de risco para náuseas mais intensas

    Entre os fatores de risco de náuseas e vômitos mais intensos na gravidez. Andreia aponta:

    • Gravidez gemelar, já que existe uma placenta maior e maior produção hormonal, o que aumenta os níveis de beta-hCG e pode intensificar os enjoos;
    • Histórico de muito enjoo em uma gestação anterior, porque mulheres que já tiveram náuseas intensas em outra gravidez têm mais chance de apresentar o mesmo quadro novamente;
    • Histórico familiar de náuseas intensas na gravidez, já que pode existir uma predisposição genética para desenvolver sintomas mais fortes durante a gestação.

    A médica também explica que existe uma condição mais rara chamada mola hidatiforme, uma alteração na formação da placenta que provoca níveis muito altos de beta-hCG. Nesses casos, os enjoos costumam ser muito fortes e persistentes. É uma gestação anômala e inviável, que normalmente evolui para aborto espontâneo.

    Como aliviar o enjoo na gravidez naturalmente?

    1. Fazer pequenas refeições ao longo do dia

    As gestantes costumam sentir mais náuseas quando passam muitas horas sem comer. Como o estômago fica mais lento durante a gravidez, os grandes volumes de comida podem aumentar ainda mais o desconforto. Por isso, Andreia recomenda que a alimentação seja feita em pequenas quantidades ao longo do dia, com refeições mais leves e frequentes.

    As frutas, os pães, os iogurtes, as torradas e outros alimentos leves podem ajudar a manter o estômago funcionando melhor e reduzir a sensação de mal-estar.

    2. Evitar longos períodos de jejum

    Andreia explica que ficar mais de duas horas e meia sem comer tende a aumentar o desconforto, principalmente no começo da manhã ou no fim do dia. As pequenas pausas para lanches leves ajudam a evitar que o estômago fique vazio por muito tempo, o que pode diminuir os episódios de enjoo e vômito.

    3. Apostar em carboidratos simples pela manhã

    Os alimentos simples, como as bolachas de água e sal, as torradas e os crackers, costumam ser uma opção interessante pela manhã. Durante a gravidez, muitas mulheres apresentam excesso de salivação ao acordar, e os carboidratos simples ajudam a absorver o excesso de saliva, aumentando o alívio e reduzindo a sensação de náusea.

    A ginecologista também orienta que algumas gestantes podem se sentir melhor ao comer algo leve antes mesmo de levantar da cama.

    4. Consumir frutas e temperos cítricos

    Os alimentos cítricos, como o limão, a laranja e o abacaxi, além de temperos como o vinagre, podem ajudar a aliviar a sensação de estômago lento. As substâncias ácidas estimulam a digestão e podem trazer uma sensação de alívio para algumas mulheres.

    As águas saborizadas com limão e os alimentos frescos e cítricos também costumam ser mais bem tolerados nos períodos de maior enjoo.

    5. Usar gengibre no dia a dia

    O gengibre possui propriedades naturais com efeito antiemético, que ajudam a controlar as náuseas e os vômitos. Ele pode ser consumido de diferentes formas, como em chá, em balas, em cápsulas orientadas por profissionais de saúde ou infusionado na água.

    5. Beber água aos poucos ao longo do dia

    A ingestão de líquidos deve acontecer de forma gradual ao longo do dia, em pequenos goles. Os grandes volumes de água de uma só vez podem causar distensão no estômago e aumentar o desconforto.

    Em alguns casos, o consumo de água gelada, saborizada naturalmente ou algumas frutas ricas em água também podem ajudar na hidratação quando a gestante apresenta dificuldade para beber líquidos.

    6. Evitar cheiros fortes

    Como o aumento dos hormônios deixam o olfato muito mais sensível, principalmente no primeiro trimestre, vale evitar cheiros fortes de comida, perfumes intensos, produtos de limpeza e até bebidas muito quentes, o que pode ajudar no controle do enjoo.

    Remédios permitidos para enjoo na gestação

    Os enjoos da gestação nem sempre precisam de medicação, mas quando os vômitos começam a dificultar a alimentação e a hidratação da gestante, alguns remédios considerados seguros podem ser indicados pelo médico, como:

    • Vitamina B6, bastante utilizada para ajudar no controle das náuseas leves e moderadas;
    • Metoclopramida (Plasil), que ajuda no esvaziamento do estômago e no controle dos vômitos, embora precise ser usada com cautela por causa dos possíveis efeitos adversos;
    • Ondansetrona (Vonau), indicada principalmente em casos de náuseas e vômitos mais intensos;
    • Dimenidrinato (Dramin), bastante conhecido para enjoo e que pode ajudar algumas gestantes;
    • Meclizina (Meclin), que também pode ser utilizada para aliviar as náuseas.

    A médica explica que os remédios costumam ser reservados para situações em que os sintomas estão impedindo uma alimentação adequada ou aumentando o risco de desidratação.

    Vale ressaltar que a automedicação na gravidez não é recomendada e apenas um profissional da saúde pode orientar o medicamento mais seguro para cada caso.

    Quando o enjoo na gravidez é preocupante?

    Quando as náuseas e os vômitos se tornam tão intensos que impedem a gestante de se alimentar e se hidratar, o quadro deixa de ser considerado comum e passa a ser chamado de hiperêmese gravídica.

    Nesse caso, Andreia esclarece que a mulher vomita frequentemente e não consegue reter praticamente nada do que ingere, inclusive líquidos. Os principais sinais de alerta são:

    • Dificuldade para comer ou beber qualquer coisa;
    • Vômitos frequentes ao longo do dia;
    • Perda de peso;
    • Sinais de desidratação (como boca seca e urina muito escura);
    • Fraqueza intensa;
    • Tontura e mal-estar constante.

    Ao notar os sintomas, é necessário passar por uma avaliação médica imediatamente. Normalmente, o tratamento requer a internação hospitalar para a gestante receber hidratação, eletrólitos e remédios antieméticos diretamente na veia.

    Como os vômitos prolongados esgotam os estoques de nutrientes, o médico também pode indicar a reposição de vitaminas (principalmente B1, B6 e B12) para prevenir complicações neurológicas.

    A alimentação por via oral é reintroduzida aos poucos conforme a melhora da gestante e, em casos raros onde a rejeição aos alimentos persiste, pode ser necessária a nutrição parenteral (pela veia).

    Quando a internação é necessária?

    A internação é indicada quando há risco de desidratação, perda de peso significativa ou incapacidade de manter a alimentação por conta própria, segundo Andreia.

    Se a hiperêmese gravídica não for tratada, a falta de nutrientes pode afetar o desenvolvimento do feto, aumentando o risco de baixo peso ao nascer. No entanto, complicações graves são raras, pois a maioria das mulheres busca ajuda médica logo nos primeiros sinais, permitindo o controle rápido do quadro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter enjoo logo na primeira semana de gravidez?

    Não é comum. Os enjoos costumam começar por volta da 4ª ou 6ª semana de gestação, quando os níveis do hormônio HCG ficam mais altos. Sintomas na primeira semana normalmente estão associados à TPM ou ansiedade.

    2. O enjoo na gravidez costuma passar em qual mês?

    Na maioria das mulheres, o enjoo melhora muito ou desaparece completamente entre o fim do terceiro mês e o início do quarto mês (por volta da 12ª a 14ª semana).

    3. Tomar água com limão ajuda a aliviar o enjoo?

    Sim. Alimentos ácidos e cítricos estimulam a salivação e reduzem a sensação de náusea. Beber água gelada com algumas gotas de limão ou chupar um picolé de limão ajuda a aliviar o mal-estar rapidamente.

    4. Grávida pode tomar chá de gengibre?

    Sim, o gengibre é uma excelente opção natural contra enjoos. No entanto, o consumo deve ser moderado, sempre conversando com o médico antes.

    5. Sentir muito enjoo indica o sexo do bebê?

    Não, isso é apenas um mito popular. A intensidade do enjoo está ligada à sensibilidade do corpo da mulher às oscilações hormonais (como o HCG), e não ao fato de ser menino ou menina.

    6. Como escovar os dentes sem sentir enjoo na gravidez?

    Troque a pasta de dentes por uma de sabor mais suave, use uma escova de cabeça pequena e evite escovar a língua logo após acordar, pois isso costuma ativar o reflexo do vômito.

    6. Existe alguma posição para deitar que melhore o enjoo?

    Deitar-se sobre o lado esquerdo do corpo ajuda a melhorar a digestão e reduz o refluxo, o que pode aliviar a náusea. Além disso, evite deitar-se logo após comer; o ideal é esperar pelo menos 30 minutos a 1 hora, mantendo a cabeça mais elevada com a ajuda de travesseiros.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados