Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    O que é bom para TPM? Veja as recomendações para aliviar os sintomas

    A tensão pré-menstrual, também conhecida como TPM, consiste em um conjunto de sintomas que aparecem nos dias antes da menstruação. Ela acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual, principalmente dos níveis de estrogênio e progesterona.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a TPM ocorre de forma cíclica, normalmente na segunda fase do ciclo (fase lútea), desaparecendo logo após o início do fluxo menstrual. No período, é comum perceber mudanças no corpo e no humor, mas que podem variar bastante de uma mulher para outra.

    A gravidade da TPM não depende só do tipo de sintoma, mas do quanto ele atrapalha o dia a dia. Enquanto para algumas as mudanças são leves e fáceis de lidar, para outras os sintomas são mais fortes, causam muito desconforto e podem até impedir as tarefas rotineiras, sendo necessário acompanhamento médico e ajustes no estilo de vida.

    Afinal, quais os sintomas de TPM?

    Os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) podem variar bastante de uma mulher para outra e costumam envolver tanto o corpo quanto o emocional. Entre os sintomas físicos, podemos destacar:

    • Dores e desconfortos, como cólica e dor de cabeça ou enxaqueca;
    • Inchaço, por retenção de líquidos e distensão abdominal;
    • Aumento da sensibilidade nas mamas;
    • Alterações no apetite, com mais fome ao longo do dia e vontade de comer doce;
    • Mudanças leves na memória, atenção e concentração.

    Já os sintomas emocionais podem aparecer de forma leve, mas em alguns casos são mais intensos:

    • Irritação, mudanças de humor e maior impulsividade;
    • Sensibilidade emocional, com choro fácil;
    • Tristeza mais profunda ou ansiedade.

    Em quadros mais graves, como o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), os sintomas emocionais podem ser mais intensos e exigir acompanhamento médico.

    Como aliviar os sintomas de TPM?

    Para aliviar os sintomas da TPM, é necessário focar na redução da inflamação do organismo e na regulação dos neurotransmissores, que são afetados pelas variações hormonais. O tratamento pode variar desde ajustes simples no dia a dia até o uso de medicamentos, dependendo da intensidade dos sintomas.

    1. Mudanças no estilo de vida

    Pequenas adaptações na rotina podem ajudar bastante a reduzir os sintomas físicos e emocionais da TPM, como:

    • Alimentação equilibrada: evite o consumo excessivo de açúcar, sal, cafeína e álcool, que podem piorar o inchaço, a irritação e a ansiedade. Dê preferência a alimentos in natura, como frutas, verduras, legumes e grãos integrais;
    • Beber bastante água: o consumo frequente de água ao longo do dia também faz diferença no controle da retenção de líquidos, ajuda o organismo a eliminar o excesso de sódio e pode reduzir a sensação de inchaço;
    • Exercícios físicos: a prática regular de atividade física, principalmente aeróbica (como caminhada, corrida ou bicicleta), ajuda a liberar endorfina e dopamina, que melhoram o humor, reduzem a dor e diminuem a sensação de estresse;
    • Higiene do sono: ter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar e criar um ambiente confortável para o sono ajuda o corpo a lidar melhor com as mudanças hormonais e reduz o cansaço e a irritabilidade;
    • Controle do estresse: técnicas como meditação, respiração profunda, yoga ou momentos de pausa no dia ajudam a equilibrar o emocional e diminuir a intensidade das oscilações de humor;
    • Exposição ao sol: pegar um pouco de sol diariamente, de forma segura, ajuda na produção de vitamina D, que está relacionada ao humor e ao bem-estar.

    2. Vitaminas e suplementos

    Quando usados com orientação profissional, alguns nutrientes podem contribuir para aliviar os sintomas físicos da TPM, segundo Andreia. Os mais comuns incluem:

    • Vitamina B6: ajuda no controle da ansiedade, da irritação e das alterações de humor, além de contribuir para o bom funcionamento do sistema nervoso;
    • Magnésio: auxilia na redução das cólicas, da sensibilidade nas mamas e da tensão muscular, além de ajudar no relaxamento e na qualidade do sono;
    • Ômega-3 (óleo de peixe): tem ação anti-inflamatória, podendo ajudar a reduzir dores, inchaço e até melhorar o humor, já que também atua na função cerebral;
    • Cálcio: pode auxiliar na diminuição da retenção de líquidos e na melhora dos sintomas emocionais, como irritação e alterações de humor, sendo um nutriente importante para o equilíbrio do organismo na fase.

    É importante ressaltar que, embora muitos suplementos e vitaminas sejam de origem natural, o seu uso deve ser sempre orientado por um profissional da saúde.

    3. Tratamentos médicos

    Quando os sintomas são mais intensos e afetam a qualidade de vida da mulher, pode ser necessário acompanhamento médico:

    • Bloqueio da menstruação: o uso de anticoncepcionais (hormônios) pode ser indicado para estabilizar as variações hormonais e eliminar o ciclo que desencadeia a TPM;
    • Antidepressivos: em casos onde predominam sintomas psíquicos graves, o uso de Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (como a fluoxetina) pode ser prescrito, às vezes apenas durante a fase lútea;
    • Psicoterapia: importante para mulheres que enfrentam quadros emocionais severos, ajudando no controle da irritabilidade e da depressão cíclica.

    Nos casos de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), Andreia orienta que é necessário ter a avaliação de um psiquiatra. O quadro pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações importantes de humor e até pensamentos negativos mais sérios, que podem ser confundidos com outros transtornos psiquiátricos.

    Quando a TPM deixa de ser normal?

    A TPM passa a ser um sinal de alerta quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar de verdade a rotina, o que inclui situações como:

    • Mudanças de humor muito intensas, como irritação fora do comum ou crises de choro;
    • Tristeza profunda, ansiedade forte ou sensação de descontrole;
    • Conflitos frequentes em relacionamentos por causa do humor;
    • Dificuldade para trabalhar, estudar ou manter a rotina normal;
    • Sintomas físicos fortes, como dor incapacitante, enxaqueca ou muito inchaço;
    • Sensação de que você “não é você mesma” nesse período.

    Quando os sintomas emocionais são muito intensos e repetem todo mês, pode ser um quadro de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

    Nesses casos, podem aparecer sinais como depressão mais profunda antes da menstruação, ansiedade intensa, irritabilidade extrema e pensamentos muito negativos. Se você apresentar qualquer um dos sinais, procure orientação médica.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. O que é a TPM e por que ela acontece?

    A tensão pré-menstrual é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem devido às variações hormonais do ciclo menstrual, especialmente a queda de estrogênio e progesterona na segunda fase do ciclo.

    2. Quanto tempo antes da menstruação a TPM começa?

    Normalmente, os sintomas aparecem na fase lútea, cerca de 10 a 14 dias antes da menstruação, e tendem a desaparecer logo no primeiro ou segundo dia do fluxo.

    3. Por que sinto tanta fome e vontade de comer doces na TPM?

    Isso ocorre devido à hiperfagia. O corpo busca repor energia e carboidratos rapidamente para lidar com o gasto energético da fase lútea, além de buscar o bem-estar imediato que o açúcar proporciona.

    4. Existe algum chá que ajude a aliviar a TPM?

    Alguns chais com propriedades relaxantes ou anti-inflamatórias, como camomila, gengibre e folhas de amora, podem auxiliar no conforto, mas não substituem o tratamento médico.

    5. A TPM piora com a idade?

    Muitas mulheres relatam que os sintomas se tornam mais evidentes após os 30 ou 40 anos, fase em que as oscilações hormonais da pré-menopausa podem começar a surgir.

    6. É possível ter TPM mesmo sem menstruar (quem usa DIU ou toma pílula contínua)?

    Depende. Se o método apenas reduz o fluxo mas permite a oscilação hormonal do ciclo, a mulher pode sentir sintomas. No entanto, se o método bloqueia totalmente o ciclo, a tendência é que os sintomas de TPM desapareçam.

    7. Existe algum exame de sangue que diagnostica a TPM?

    Não existe um exame específico. O diagnóstico é clínico, baseado no histórico da paciente e na confirmação de que os sintomas aparecem e desaparecem de forma cíclica, acompanhando as fases do ciclo menstrual.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Você já deve saber que toda a mulher já nasce com uma quantidade limitada de óvulos. Ao contrário dos homens, que produzem espermatozoides ao longo de quase toda a vida, a reserva ovariana diminui progressivamente a cada ciclo menstrual, desde a puberdade até a menopausa.

    A partir dos 35 anos de idade, a redução tende a ser ainda mais acelerada, tanto em quantidade quanto em qualidade. Na prática, isso pode se refletir em uma menor chance de engravidar naturalmente a cada ciclo, além de um aumento no tempo necessário para que a gestação aconteça.

    Mas afinal, como é feita a avaliação da reserva ovariana? A seguir, esclarecemos tudo que você precisa saber para entender como o corpo funciona nesse período da vida e quais são os exames fundamentais para medir seu estoque de óvulos.

    O que é a reserva ovariana?

    A reserva ovariana é o termo usado para descrever a quantidade total de óvulos que uma mulher possui nos ovários em um determinado momento.

    Diferente de outros tecidos do corpo que se regeneram, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a mulher já nasce com uma quantidade determinada de óvulos que serão liberados até o último, o que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos.

    A cada ciclo menstrual, o corpo recruta um grupo de óvulos, mas apenas um costuma amadurecer e ser liberado, enquanto os outros acabam se degenerando e sendo reabsorvidos pelo organismo. O processo é ininterrupto e acontece mesmo durante o uso de anticoncepcionais, na gravidez ou em ciclos sem ovulação.

    Vale entender que nem todos os óvulos disponíveis serão utilizados em ovulações. A maior parte deles se perde ao longo do tempo em um processo natural do organismo. Por isso, a reserva ovariana não depende apenas da idade, mas a idade ainda é o principal fator que influencia a redução.

    Com o passar dos anos, também ocorre uma queda na qualidade dos óvulos, o que pode impactar diretamente a fertilidade e as chances de uma gestação saudável.

    Por que a fertilidade diminui após os 35 anos?

    A queda da fertilidade após os 35 anos acontece por uma combinação de fatores que afetam tanto a quantidade e a qualidade dos óvulos quanto o funcionamento do sistema reprodutor:

    • Esgotamento do estoque (quantidade): a mulher não produz novos óvulos. Aos 35 anos, a reserva já está mais reduzida e o ritmo de perda acelera, diminuindo as chances de ovulação eficaz a cada ciclo;
    • Envelhecimento celular (qualidade): os óvulos envelhecem com o tempo, o que dificulta a divisão celular adequada. Isso aumenta o risco de aneuploidias e pode comprometer o desenvolvimento do embrião ou elevar o risco de abortamento;
    • Alterações no ciclo hormonal: com a reserva mais baixa, o organismo aumenta a produção de FSH para estimular os ovários, o que pode causar ciclos mais curtos ou ovulações irregulares;
    • Maior exposição a doenças ginecológicas: condições como endometriose, miomas uterinos e histórico de infecções tornam-se mais frequentes com a idade e podem dificultar a gestação;
    • Receptividade uterina: o útero envelhece mais lentamente, mas pequenas alterações no endométrio ou na circulação podem dificultar a implantação do embrião.

    Como saber se a reserva ovariana está baixa?

    Para saber se a reserva ovariana está baixa, é necessário fazer uma avaliação médica com exames específicos, como:

    1. Hormônio anti-mülleriano (AMH)

    O hormônio anti-mülleriano é um exame de sangue que estima a quantidade de folículos presentes nos ovários, funcionando como um indicador indireto do número de óvulos disponíveis.

    Os valores mais baixos normalmente sugerem uma reserva reduzida, enquanto valores altos podem indicar uma boa quantidade de óvulos ou, em alguns casos, condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Diferente de outros hormônios, ele pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, pois os níveis não oscilam significativamente ao longo do mês.

    2. FSH (Hormônio Folículo Estimulante)

    O FSH é avaliado por meio de um exame de sangue realizado obrigatoriamente no início do ciclo menstrual, frequentemente entre o 2º e o 5º dia da menstruação. O hormônio é produzido pelo cérebro para estimular os ovários a amadurecerem um óvulo.

    Quando os níveis de FSH estão elevados, é um sinal de que o organismo está fazendo um esforço extra para tentar fazer os ovários funcionarem, o que sugere uma baixa reserva ou dificuldade de resposta ovariana.

    3. Contagem de folículos antrais (CFA)

    A contagem de folículos antrais é realizada por meio de um ultrassom transvaginal, em que o médico observa e conta os pequenos folículos presentes nos ovários naquele momento. O número ajuda a estimar a reserva ovariana de forma mais direta e também a entender como os ovários responderiam a um possível tratamento de fertilidade.

    4. Estradiol

    O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e está relacionado ao desenvolvimento dos folículos, sendo dosado por exame de sangue no início do ciclo menstrual. Quando os níveis estão alterados, podem interferir na interpretação do FSH e oferecer informações adicionais sobre o funcionamento ovariano.

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos?

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos, mas como a fertilidade tende a diminuir com a idade, o processo pode ser mais demorado e difícil. De acordo com Andreia, as chances de concepção variam significativamente de acordo com a idade:

    • Aos 25 anos: a mulher está no auge da fertilidade, com uma chance de engravidar de 20% a 25% a cada ciclo menstrual;
    • Aos 35 anos: a fertilidade sofre uma queda acentuada, reduzindo as chances para cerca de 10% a 15% por mês;
    • A partir dos 40 anos: o esgotamento da reserva ovariana torna a gravidez natural mais difícil, com chances inferiores a 10% em cada tentativa.

    Além disso, com o avanço da idade, Andreia explica que algumas comorbidades se tornam mais frequentes, como o diabetes, a hipertensão e as doenças da tireoide. As condições podem interferir tanto na fertilidade quanto na evolução da gestação, especialmente quando não estão bem controladas.

    Quando procurar um especialista?

    É recomendado realizar uma avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana nas seguintes situações:

    • Após 12 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com menos de 35 anos;
    • Após 6 meses de tentativas, para mulheres com 35 anos ou mais.

    Em algumas situações, a investigação deve ser antecipada, independentemente do tempo de tentativa, como nos casos de ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação, que podem indicar alterações na ovulação.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. A reserva ovariana pode aumentar com tratamento?

    Não, a mulher nasce com um estoque fixo e limitado de óvulos. Os tratamentos podem ajudar a aproveitar melhor os óvulos restantes, mas não conseguem criar novos óvulos ou aumentar o estoque original.

    2. O uso de anticoncepcional preserva a reserva ovariana?

    Não. O anticoncepcional impede a ovulação, mas o processo de perda natural (atresia folicular) continua acontecendo todos os meses, independentemente do uso de hormônios.

    3. Quem tem reserva baixa pode ter filhos?

    Sim, a reserva baixa indica que a quantidade é menor, mas não significa infertilidade. Se a qualidade do óvulo for boa, a gravidez pode ocorrer naturalmente ou com auxílio médico.

    4. O estilo de vida interfere na reserva ovariana?

    O estilo de vida não muda a quantidade, mas afeta drasticamente a qualidade. Por isso, cigarro, má alimentação e obesidade aceleram a perda e danificam os óvulos restantes.

    5. Existe algum sintoma físico de que meus óvulos estão acabando?

    Na maioria das vezes não há sintomas. Algumas mulheres notam apenas que o ciclo menstrual ficou mais curto (exemplo: de 28 para 24 dias).

    6. Posso congelar óvulos com reserva baixa?

    Sim, mas pode ser necessário realizar mais de um ciclo de estimulação ovariana para coletar uma quantidade segura de óvulos.

    7. O que fazer se o exame der reserva baixa aos 35 anos?

    O primeiro passo é consultar um especialista em reprodução humana para discutir se o plano é engravidar agora (tentativa natural ou assistida) ou preservar a fertilidade via congelamento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    A gravidez em idade mais avançada, normalmente considerada a partir dos 35 anos, apresenta um risco maior de comorbidades para a mãe, como pressão alta e diabetes gestacional, condições que podem elevar a indicação de uma cesárea. Mas será que a idade, por si só, define a via de parto?

    Apesar da incidência de intervenções cirúrgicas ser maior em mulheres nessa faixa etária, na prática, a escolha entre o parto normal e a cesárea precisa considerar fatores como a saúde da gestante, o histórico de gestações, como a gravidez está evoluindo e as condições do bebê.

    A idade obriga a realização de cesárea?

    A resposta é não, a idade sozinha não obriga a realização de uma cesárea. O que acontece é que, após os 35 anos, acontece uma maior incidência de condições que podem levar à indicação cirúrgica, como pressão alta e diabetes, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    No entanto, uma mulher com 35 anos ou mais pode ter um parto normal de forma segura, desde que a gestação esteja evoluindo sem complicações graves. A decisão pela via de parto é baseada em fatores clínicos, e não apenas na data de nascimento da gestante.

    Por que a cesárea é mais comum após os 35 anos?

    A cesárea é mais comum após os 35 anos porque há uma maior incidência de fatores de risco e complicações clínicas, como:

    • Diabetes gestacional: o aumento do açúcar no sangue, identificado pela primeira vez durante a gravidez, pode levar ao crescimento excessivo do bebê (macrossomia), dificultando a passagem pelo canal de parto;
    • Hipertensão arterial e pré-eclâmpsia: são condições que podem exigir a antecipação do parto ou limitar a realização do parto normal devido ao risco materno, como AVC ou convulsões;
    • Doenças crônicas (tireoidianas, cardíacas, autoimunes): são mais frequentes com o avanço da idade e, dependendo do caso, podem contraindicar o esforço do parto vaginal;
    • Insuficiência placentária: ocorre quando a placenta não consegue fornecer oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente para o bebê. Durante o trabalho de parto, com as contrações, essa troca pode se tornar ainda mais limitada, dificultando a tolerância do bebê ao processo;
    • Oligoidrâmnio (pouco líquido amniótico): a redução do líquido diminui a proteção ao redor do bebê e pode favorecer a compressão do cordão umbilical durante as contrações, interferindo na oxigenação fetal e aumentando o risco de alterações nos batimentos cardíacos.

    Uma mulher com 35 anos ou mais que está na sua primeira gestação (primípara) tem, em geral, uma maior probabilidade de cesárea do que uma mulher da mesma faixa etária que já teve partos normais.

    O primeiro parto é, por si só, um fator de risco para cesárea, pois o colo do útero e os tecidos pélvicos estão passando pelo processo de dilatação e parto pela primeira vez, o que pode levar a um trabalho de parto mais longo ou dificuldades na progressão.

    Quando o parto normal é indicado?

    O parto normal é indicado quando a gestação está evoluindo de forma saudável, como nas seguintes situações:

    • A gestante está em boas condições de saúde, sem doenças que contraindiquem o trabalho de parto ou aumentem o risco durante o esforço;
    • A gravidez evolui sem complicações importantes, com um pré-natal dentro do esperado e sem intercorrências relevantes;
    • O bebê está bem e com crescimento adequado, com batimentos cardíacos normais e sem sinais de sofrimento fetal;
    • O bebê está na posição adequada, preferencialmente de cabeça para baixo (posição cefálica), o que facilita a passagem pelo canal de parto;
    • A placenta está bem posicionada, sem obstruir o colo do útero;
    • O trabalho de parto evolui de forma adequada, com contrações eficazes, progressão da dilatação e descida do bebê.

    É importante lembrar que a escolha pelo parto normal não depende de um único fator, mas de uma combinação de condições. Mesmo quando tudo começa bem, deve-se manter o acompanhamento durante o trabalho de parto para observar como tudo está evoluindo e garantir a segurança da mãe e do bebê em cada momento.

    Quando a decisão sobre a via de parto deve ser tomada?

    A decisão sobre a via de parto não precisa ser tomada logo no início da gestação. Na verdade, ela é um processo construído ao longo do pré-natal, durante as conversas com o médico.

    Nas primeiras consultas, a gestante pode compartilhar os seus desejos, expectativas e até possíveis receios, mas é mais para o final da gravidez, por volta da 34ª a 36ª semana, que já é possível avaliar com mais precisão a posição do bebê, a saúde da placenta e as condições clínicas da gestante, o que ajuda a definir o caminho mais seguro.

    Caso a escolha seja por uma cesárea programada, a legislação brasileira permite que o agendamento seja feito a partir da 39ª semana, um momento em que o bebê já está mais maduro e preparado para o nascimento.

    Ainda assim, é importante lembrar que o plano pode mudar durante o trabalho de parto, caso surja qualquer sinal de risco, já que a prioridade sempre será a segurança da mãe e do bebê.

    Como se preparar para o parto após os 35 anos?

    Primeiro de tudo, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência, de acordo com Andreia. O período permite avaliar a saúde de maneira mais completa e adotar hábitos de vida saudáveis, que contribuem para uma gestação saudável.

    Para quem já está grávida ou planejando os próximos passos, a preparação para o parto envolve alguns cuidados, como:

    • Mantenha o pré-natal em dia: as consultas e exames regulares são importantes para acompanhar de perto a saúde da placenta e o desenvolvimento do bebê;
    • Cuide do assoalho pélvico: a fisioterapia pélvica ajuda a preparar a musculatura para o parto, além de evitar desconfortos como a perda de urina;
    • Alimente-se com equilíbrio: priorizar alimentos naturais e controlar o açúcar ajuda a evitar a pressão alta e o diabetes gestacional;
    • Pratique atividades leves: caminhadas, hidroginástica ou pilates para gestantes melhoram a resistência física e ajudam no controle do peso;
    • Priorize o descanso: o corpo pede mais energia nessa fase, então respeite os limites e tente manter uma rotina de sono tranquila.

    Além dos cuidados físicos, é importante cuidar também do preparo emocional para o parto, porque ele faz toda a diferença na experiência como um todo. Ter acesso a uma informação de qualidade, participar de cursos para gestantes e manter uma conversa aberta com o médico ajudam a diminuir a ansiedade e a trazer mais segurança e tranquilidade para o momento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Toda grávida com mais de 35 anos é considerada “gestante de alto risco”?

    Nem sempre. Apesar da idade exigir um monitoramento mais atento, se a mulher for saudável e não tiver doenças crônicas ou complicações na gravidez, ela pode ser acompanhada como uma gestação de risco habitual.

    2. É verdade que a bacia “fica rígida” com a idade?

    Isso é um mito. As articulações da bacia se tornam mais flexíveis durante a gravidez devido à ação de hormônios como a relaxina, independentemente da idade.

    3. Posso ter parto normal se a minha gravidez foi por FIV?

    Sim, a técnica usada para engravidar não impede o parto normal. A decisão dependerá apenas da saúde da mãe e do bebê durante a gestação.

    4. A recuperação da cesárea é mais lenta após os 35?

    O tempo de cicatrização pode ser ligeiramente maior, mas o que mais influencia a recuperação é a saúde geral da mulher e se ela teve complicações como diabetes ou anemia.

    5. Posso ter parto humanizado após os 35 anos?

    Com certeza. O parto humanizado é focado no respeito às escolhas da mulher e na segurança, e pode ser realizado tanto no parto normal quanto na cesárea necessária.

    6. O risco de pré-eclâmpsia aumenta no final da gravidez?

    Sim, o risco aumenta levemente com a idade, por isso aferir a pressão arterial em todas as consultas e ficar atenta a inchaços súbitos é fundamental.

    7. O que é mais seguro: cesárea agendada ou esperar o parto normal?

    Não há uma resposta única. A opção mais segura é aquela discutida com seu médico, baseada nos exames mais recentes e no bem-estar do seu bebê naquele momento.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    A busca por estabilidade profissional, financeira ou pessoal está entre os motivos pelos quais algumas mulheres optam por adiar a maternidade. No entanto, o corpo feminino passa por mudanças naturais com o avanço da idade, especialmente em relação à fertilidade.

    Após os 35 anos, o organismo apresenta uma redução mais expressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, além de uma maior predisposição ao surgimento de comorbidades que podem impactar a gestação.

    Isso não significa que a gravidez seja impossível, mas destaca a importância de informação, acompanhamento médico e de medidas que ajudem nesse processo. Vamos entender mais a seguir.

    O que muda na fertilidade após os 35 anos?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que serão liberados ao longo da vida reprodutiva até a chegada da menopausa.

    A reserva ovariana sofre um impacto significativo por volta dos 35 anos, em que ocorre uma queda não apenas na quantidade, mas também na qualidade das células. Com o envelhecimento dos gametas, as chances de erros na divisão celular aumentam, o que eleva o risco de alterações genéticas, como as cromossomopatias.

    A especialista ainda ressalta que a idade é um ponto de transição metabólica. É quando o organismo começa a apresentar uma maior prevalência de comorbidades, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, com um acompanhamento pré-concepcional adequado, é possível identificar riscos precocemente e preparar o corpo para uma gestação saudável.

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35?

    1. Cuide do planejamento antes de tentar

    Na consulta pré-concepcional, o médico avalia o estado geral da saúde, solicita exames, verifica o status vacinal e orienta a suplementação, como o uso de ácido fólico.

    Também é o momento de ajustar medicações e controlar doenças pré-existentes, como problemas de tireoide ou resistência à insulina. Segundo Andreia, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência.

    2. Conheça o seu ciclo e o período fértil

    Com o avanço da idade, as chances de engravidar por ciclo diminuem de forma natural. Por volta dos 25 anos, a probabilidade de gravidez a cada ciclo menstrual está entre 20% e 25%, enquanto aos 35 anos a taxa pode cair para cerca de 10% a 15%.

    Assim, vale entender o funcionamento do ciclo menstrual e identificar o período fértil, pois ter relações sexuais próximas ao momento da ovulação aumenta as chances de concepção.

    Para ajudar no processo, podem ser usados aplicativos de monitoramento do ciclo, que ajudam a prever os dias férteis, além de testes de ovulação disponíveis em farmácias, que identificam alterações hormonais relacionadas à ovulação.

    3. Envolva o parceiro no processo

    Segundo Andreia, a qualidade do espermatozoide muda ao longo do tempo, sendo responsável por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. É necessário que o parceiro também participe ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como:

    • Redução ou eliminação do cigarro;
    • Moderação no consumo de álcool;
    • Adoção de uma alimentação equilibrada;
    • Controle do peso corporal, já que a obesidade pode prejudicar a qualidade dos espermatozoides.

    Em alguns casos, o médico pode indicar a realização de um espermograma, exame que avalia a quantidade, a motilidade e a morfologia dos gametas masculinos.

    4. Melhore o estilo de vida e cuide da saúde dos óvulos

    Não é possível aumentar a quantidade de óvulos ao longo da vida, mas é viável melhorar o ambiente hormonal e metabólico em que eles se desenvolvem, a partir de medidas como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, antioxidantes e gorduras boas, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando o próprio corpo, já que o movimento ajuda no equilíbrio hormonal, na circulação e na saúde metabólica;
    • Controlar o peso corporal, evitando tanto o excesso quanto a baixa de peso, pois ambos podem interferir no funcionamento dos hormônios e na ovulação;
    • Reduzir o estresse no dia a dia, com estratégias como momentos de descanso, sono de qualidade e atividades que promovam bem-estar.

    Após os 30 anos, algumas alterações, como a resistência à insulina e disfunções da tireoide, se tornam mais frequentes e podem impactar a fertilidade, sendo necessário manter o acompanhamento médico e o controle das condições.

    5. Considere o congelamento de óvulos

    Para mulheres com 35 anos ou mais que ainda não pretendem engravidar, o congelamento de óvulos é uma medida de planejamento reprodutiva que permite preservar os óvulos no momento atual, mantendo a qualidade das células para uma tentativa futura.

    O processo envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e o congelamento em laboratório, sempre com acompanhamento médico especializado. Dessa forma, quando a mulher decidir engravidar, poderá utilizar óvulos mais jovens, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

    Vale lembrar que, quanto mais cedo o congelamento é realizado (idealmente antes dos 35 anos), maiores são as chances de sucesso no futuro. Ele não é uma garantia de 100% de gravidez futura, mas aumenta consideravelmente as chances em comparação à tentativa natural em idade avançada, segundo Andreia.

    Quando procurar um especialista em reprodução humana?

    Para mulheres com mais de 35 anos, a recomendação médica é procurar um especialista em reprodução humana:

    • Após 6 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com 35 anos ou mais;
    • Após 12 meses de tentativas, para mulheres com menos de 35 anos.

    Em qualquer idade, a presença de fatores como ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou histórico de dificuldade para engravidar pode justificar uma investigação antecipada.

    O especialista poderá solicitar exames, avaliar o casal de forma completa e indicar o melhor caminho, que pode ir desde ajustes simples até tratamentos mais específicos. Quanto mais cedo a investigação começa, maiores tendem a ser as chances de sucesso.

    Veja também: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Engravidar após os 35 é considerado sempre uma gravidez de alto risco?

    Não, muitas mulheres têm gestações de baixo risco nessa idade. O risco depende da presença de doenças prévias (como hipertensão) ou de condições que surgem durante o pré-natal.

    2. O uso prolongado de anticoncepcional pode dificultar a gravidez mais tarde?

    Não. Ao parar o método, a fertilidade que a mulher terá é a que ela já teria naturalmente para a sua idade atual.

    3. Quais são os principais riscos da gravidez tardia para o bebê?

    O principal risco é o aumento de cromossomopatias (alterações genéticas), como a Síndrome de Down. Isso ocorre porque os óvulos envelhecem e podem apresentar erros na divisão celular.

    4. E quais são os riscos para a saúde da mãe?

    Há uma maior incidência de comorbidades metabólicas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), além de uma maior taxa de partos cesárea.

    5. Como o estilo de vida do homem influencia o processo?

    O espermatozoide é sensível a hábitos como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e dietas inflamatórias. Melhorar o estilo de vida pode elevar significativamente a viabilidade do sêmen.

    6. Por que devo tomar ácido fólico antes de engravidar?

    O ácido fólico deve ser iniciado pelo menos 3 meses antes da concepção para prevenir malformações no tubo neural do bebê (cérebro e medula).

    7. O pré-natal de uma mulher de 35 anos é diferente?

    O protocolo é o mesmo, mas o médico terá uma vigilância maior para detectar precocemente sinais de diabetes ou pressão alta, realizando exames de rastreio genético com mais atenção.

    8. Como saber se ainda sou fértil aos 35 ou 40 anos?

    O médico pode solicitar exames como a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a ultrassonografia para contagem de folículos antrais para avaliar a reserva ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    Enxaqueca: qual o melhor método anticoncepcional para evitar dor de cabeça? 

    A escolha de um método contraceptivo nem sempre é simples, e pode ficar ainda mais delicada no caso de pessoas que convivem com enxaqueca. Com as flutuações hormonais, as crises podem se tornar mais frequentes ou intensas, especialmente quando há uso de métodos que contêm estrogênio.

    Além do desconforto, em alguns casos, como na enxaqueca com aura, o uso de determinados anticoncepcionais pode aumentar o risco de complicações, como o acidente vascular cerebral (AVC).

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou alguns critérios para ajudar a escolher o método contraceptivo mais adequado para cada mulher, de acordo com a sua saúde. A seguir, vamos entender melhor como isso funciona.

    Afinal, quem tem enxaqueca pode tomar anticoncepcional?

    Pessoas que convivem com enxaqueca podem usar anticoncepcional, mas nem todos os métodos são indicados. A escolha depende principalmente de dois fatores: a presença de aura e o tipo de hormônio presente no contraceptivo.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, existem critérios que classificam cada método de acordo com a condição de saúde da mulher. A escala vai de 1 a 4 e serve como o principal guia para o médico:

    • Categoria 1: totalmente indicado, podendo inclusive trazer benefícios;
    • Categoria 2: aceitável e seguro para o uso;
    • Categoria 3: não é totalmente contraindicado, mas exige cautela extrema e deve ser usado apenas se não houver outra opção;
    • Categoria 4: contraindicado (risco à saúde).

    Qual a relação entre o estrogênio e a enxaqueca?

    O estrogênio atua diretamente na sensibilidade do sistema nervoso e no funcionamento dos vasos cerebrais, sendo o principal gatilho hormonal para a enxaqueca, segundo Andreia. Quando passa pelo processo de metabolização no fígado, ele pode influenciar substâncias relacionadas à dor, como a serotonina, além de alterar a forma como os vasos se contraem e se dilatam.

    Como resultado, tanto o excesso circulante quanto a queda brusca dos níveis do hormônio no organismo podem desencadear crises, especialmente em mulheres mais sensíveis a essas variações.

    Além da dor, o uso do estrogênio também está associado a um aumento do risco de trombose, já que pode interferir na coagulação do sangue, o que se torna especialmente perigoso para quem tem enxaqueca com aura, devido à maior predisposição ao AVC.

    Por isso, métodos combinados que utilizam estrogênio são frequentemente substituídos por opções sem hormônios ou apenas com progesterona.

    Quais os métodos anticoncepcionais indicados para quem tem enxaqueca?

    De maneira geral, a prioridade é evitar o estrogênio, principalmente nos casos com aura, e optar por alternativas mais seguras, como aponta Andreia:

    1. DIU de cobre

    Por não possuir nenhum tipo de hormônio, é considerado o método mais seguro (categoria 1) para qualquer tipo de enxaqueca. Ele não interfere no ciclo hormonal, então não atua como gatilho para crises, embora possa aumentar o fluxo menstrual em algumas mulheres.

    2. DIU hormonal (Mirena e Kyleena)

    O DIU hormonal libera uma dose baixa de progesterona diretamente no útero, com uma absorção sistêmica mínima. Normalmente é classificado como categoria 2, sendo seguro inclusive para quem precisa evitar picos hormonais.

    3. Implante subdérmico

    O método libera apenas progesterona de forma contínua e constante, evitando as oscilações que costumam disparar a dor de cabeça. Por não conter estrogênio, é uma opção segura para reduzir o risco vascular associado às crises de enxaqueca.

    4. Pílulas de progesterona isolada (minipílula)

    Diferente das pílulas combinadas, as minipílulas não contém estrogênio. Elas são indicadas para mulheres que preferem o método oral, mas precisam de uma composição que não agrave as crises de dor ou aumente o risco de eventos mais graves, como o AVC.

    5. Métodos de barreira

    O uso de preservativos (masculinos ou femininos) também é uma alternativa livre de riscos para a enxaqueca, podendo ser utilizado isoladamente ou como complemento a outros métodos para garantir proteção extra contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    Quais métodos devem ser evitados?

    Os métodos que devem ser evitados por quem tem enxaqueca são aqueles conhecidos como contraceptivos hormonais combinados, sendo eles:

    • Pílulas anticoncepcionais combinadas (estrogênio e progesterona);
    • Injetáveis mensais;
    • Anel vaginal;
    • Adesivo contraceptivo.

    Para mulheres com enxaqueca com aura, os métodos são frequentemente classificados como categoria 4 (contraindicados) pelos critérios médicos, pois o risco de um evento isquêmico supera qualquer benefício contraceptivo.

    Quando procurar um médico para trocar o método?

    A decisão de trocar o método contraceptivo deve sempre ser feito com um ginecologista, mas alguns sinais indicam que o método atual não está sendo adequado para o seu perfil, como:

    • Aumento na frequência ou na intensidade das crises após iniciar o método, com dores mais constantes, mais fortes ou mais difíceis de controlar com os remédios de costume;
    • Surgimento de aura, como pontos brilhantes na visão, visão embaçada, formigamento no corpo ou dificuldade para falar, mesmo que você nunca tenha tido esses sintomas antes;
    • Mudança no padrão da dor, como crises diferentes do habitual, com duração, localização ou características novas;
    • Presença de sinais de alerta vascular, como dor nas pernas, inchaço em apenas um lado do corpo ou falta de ar súbita, que podem indicar alterações na circulação;
    • Percepção de que as crises aparecem ou pioram durante a pausa da pílula, sugerindo relação com a queda hormonal.

    Mesmo que o método escolhido seja, em teoria, seguro (como os de progesterona isolada), Andreia esclarece que cada organismo reage de uma forma. Por isso, a avaliação deve sempre ser individualizada.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. O que é a “aura” na enxaqueca?

    São sintomas neurológicos que precedem a dor, como pontos brilhantes na visão, formigamento nas mãos ou dificuldade para falar.

    2. O que fazer se a enxaqueca piorar após começar o anticoncepcional?

    Você deve procurar seu ginecologista para reavaliar o método. Nunca suspenda o uso sem orientação médica para evitar uma gravidez indesejada.

    3. Posso usar pílula combinada se minha enxaqueca for sem aura?

    Médicos costumam evitar, mas para mulheres com menos de 35 anos e sem outros fatores de risco, pode ser aceitável sob supervisão rigorosa.

    4. O que é enxaqueca catamenial?

    É a enxaqueca que ocorre especificamente no período que antecede ou acontece durante a menstruação, causada pela queda nos níveis de estrogênio no sangue.

    5. Posso trocar de anticoncepcional várias vezes até acertar?

    Sim, mas cada troca exige um período de adaptação (em média, 3 meses). Trocas muito frequentes podem desregular o organismo e dificultar a identificação do que realmente está causando as dores.

    6. O excesso de peso interfere na escolha do anticoncepcional?

    Sim, pois o sobrepeso pode aumentar o risco vascular e influenciar o metabolismo hormonal. Nesses casos, médicos costumam preferir métodos com baixa dosagem hormonal, como o DIU ou o implante, para evitar sobrecarregar o sistema circulatório.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento 

    Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento 

    Uma dor persistente no baixo ventre, que piora após passar muito tempo em pé ou logo após o contato íntimo, é um dos principais sintomas da síndrome de congestão pélvica. A condição, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, acontece devido ao surgimento de varizes nas veias próximas ao útero e aos ovários.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que a condição acontece, quais são os principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Confira!

    O que é a síndrome da congestão pélvica?

    A síndrome da congestão pélvica é uma condição causada pela dilatação das veias na região da pelve, especialmente ao redor do útero e dos ovários. As veias ficam dilatadas e passam a acumular sangue, o que dificulta a circulação adequada na região pélvica, um quadro semelhante ao das varizes nas pernas, segundo Andreia.

    Como consequência, ocorre uma sensação de peso, pressão ou dor na parte inferior do abdômen, que pode se tornar crônica em alguns casos. A dor costuma piorar ao longo do dia, após longos períodos em pé ou durante e após a relação sexual.

    Além da dor, algumas mulheres podem apresentar cólicas mais intensas, piora dos sintomas no período pré-menstrual e alterações no funcionamento do intestino ou da bexiga. Em certos casos, também podem surgir varizes visíveis na região da vulva ou da vagina, que funcionam como um sinal de que as veias internas estão comprometidas.

    O que causa a condição?

    A síndrome da congestão pélvica acontece quando há uma dificuldade no retorno do sangue pelas veias da região pélvica. Como consequência, as veias se dilatam, acumulam sangue e formam um quadro semelhante aos das varizes.

    Segundo Andreia, alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento da condição, como:

    • Gravidez: o aumento do volume do útero comprime as veias da pelve e dificulta a circulação, além de haver um aumento do volume sanguíneo no corpo;
    • Uso de estrogênio: o hormônio tem efeito vasodilatador, o que pode contribuir para a dilatação das veias ao longo do tempo;
    • Alterações anatômicas: algumas mulheres já têm uma predisposição a uma maior fragilidade ou dilatação das veias;
    • Presença de miomas ou outras massas pélvicas: podem comprimir as veias e dificultar o retorno venoso.

    Como diferenciar a congestão pélvica e a endometriose?

    A congestão pélvica e a endometriose são condições diferentes, mas que podem causar sintomas bastante parecidos, como dor pélvica crônica, desconforto abdominal, piora no período menstrual e dor durante a relação sexual.

    Para diferenciar, é preciso observar atentamente o tipo da dor e os momentos em que ela se manifesta, já que as causas são completamente diferentes:

    • Na endometriose: a dor é normalmente uma cólica aguda e intensa, tendo ligação muito forte com o ciclo menstrual, tornando-se quase insuportável nos dias que antecedem ou durante a menstruação. Na relação sexual, ela costuma ocorrer durante a penetração (dor profunda), causada pelo toque em regiões inflamadas ou com focos da doença;
    • Na congestão pélvica: a dor é descrita como um peso ou pressão. Ela tende a piorar ao longo do dia (devido à gravidade) e após a pessoa passar muito tempo em pé, mas costuma aliviar ao deitar ou elevar as pernas. A dor é mais comum depois da relação sexual, podendo durar horas ou até o dia seguinte.

    Como os sintomas são parecidos, muitas mulheres levam anos para descobrir qual das duas condições possuem e, em alguns casos, é possível ter as duas simultaneamente. Por isso, é necessário a avaliação de um ginecologista.

    Sintomas da síndrome da congestão pélvica

    De acordo com Andreia, em muitos casos a síndrome pode não causar nenhum sintoma e acaba sendo descoberta apenas em exames. No entanto, quando os sinais aparecem, eles costumam incluir:

    • Dor pélvica crônica, que pode piorar ao longo do dia;
    • Sensação de peso no baixo ventre, com pressão constante (semelhante à sensação de varizes nas pernas);
    • Dor após o contato íntimo, que pode surgir ou se intensificar e durar horas;
    • Surgimento de varizes (veias dilatadas) na região da vulva, nádegas ou na parte superior das coxas;
    • Aumento do fluxo sanguíneo ou períodos menstruais mais dolorosos do que o habitual;
    • Sensação de necessidade frequente de urinar, causada pela pressão das veias dilatadas sobre a bexiga.

    Os sintomas podem se intensificar durante a gravidez ou no período pré-menstrual, devido às flutuações hormonais que dilatam ainda mais os vasos sanguíneos.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da síndrome da congestão pélvica é feito a partir de uma avaliação detalhada, em que o médico analisa o histórico da paciente e as características da dor. Em seguida, o principal exame solicitado é o ultrassom transvaginal com Doppler, que permite avaliar o fluxo de sangue nas veias da pelve e identificar possíveis dilatações.

    Em alguns casos, Andreia esclarece que outros exames podem ser indicados para complementar a investigação:

    • Angiotomografia;
    • Angiorressonância;
    • Flebografia pélvica (mais invasiva e indicada em situações específicas).

    Nem todo ultrassom comum consegue identificar a condição, então o uso do Doppler e a experiência do profissional fazem diferença para um diagnóstico mais preciso.

    Como os sintomas podem se confundir com os de endometriose, síndrome do intestino irritável e doença inflamatória pélvica, é importante descartar outras causas antes de confirmar o diagnóstico.

    Tratamento da síndrome da congestão pélvica

    O tratamento da síndrome da congestão pélvica é individualizado, dependendo da intensidade dos sintomas e das causas identificadas. Segundo a Andreia, as abordagens podem incluir:

    • Acompanhamento clínico para casos leves, onde o desconforto é esporádico e não interfere significativamente na rotina;
    • O uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que ajudam a aliviar a dor durante as crises. Além disso, podem ser prescritos medicamentos hormonais para reduzir a dilatação das veias;
    • Em alguns casos, o médico pode recomendar o ajuste, redução ou suspensão do uso de estrogênio, já que o hormônio favorece a dilatação dos vasos.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, podem ser indicados procedimentos específicos, como a embolização das veias pélvicas. É um procedimento minimamente invasivo, realizado com um cateter, que bloqueia as veias dilatadas para melhorar a circulação e reduzir os sintomas.

    Em situações mais raras e complexas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para ligar ou remover as veias afetadas, ou até mesmo a retirada do útero (histerectomia) em casos extremos onde outros tratamentos não surtiram efeito.

    Congestão pélvica tem cura?

    A síndrome da congestão pélvica não tem cura definitiva e, na maioria das vezes, o foco é o controle dos sintomas, já que o sistema vascular já foi afetado. Mesmo assim, Andreia aponta que é possível ter uma melhora significativa da qualidade de vida com o acompanhamento adequado.

    Quando a dor pélvica deve ser investigada com mais atenção?

    A dor pélvica deve ser investigada com mais atenção nas seguintes situações:

    • A dor é persistente ou crônica;
    • A dor interfere nas atividades do dia a dia e compromete a qualidade de vida;
    • Há associação com sintomas urinários ou intestinais, como dor ao urinar, alteração no hábito intestinal ou desconforto abdominal;
    • Existe dor durante ou após a relação sexual;
    • Há presença de sangramento genital fora do período menstrual ou com características diferentes do habitual;
    • São observadas varizes na região íntima, como na vulva ou na vagina.

    Muitas vezes, a mulher acredita que sentir dor na região pélvica é normal ou parte do ciclo menstrual. No entanto, a investigação precoce ajuda a diferenciar a síndrome da congestão pélvica de outros problemas sérios, como a endometriose, miomas ou até problemas inflamatórios intestinais.

    Confira: Parou o anticoncepcional? Veja 8 mudanças que podem acontecer no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome da congestão pélvica pode causar infertilidade?

    Não diretamente. Ela não impede a concepção, mas a dor intensa pode dificultar a frequência das relações sexuais.

    2. Por que a dor piora ao ficar em pé?

    Porque a gravidade dificulta o retorno do sangue pelas veias dilatadas, aumentando a pressão e o represamento na região pélvica.

    3. Como diferenciar a congestão pélvica de uma cólica menstrual comum?

    A dor da congestão pélvica é um “peso” constante que melhora ao deitar, enquanto a cólica menstrual é aguda e ligada estritamente aos dias do período.

    4. Qual médico devo procurar?

    O ginecologista é o primeiro contato, mas o diagnóstico e tratamento definitivo muitas vezes envolvem o cirurgião vascular.

    5. A síndrome pode voltar após o tratamento?

    A taxa de sucesso da embolização é alta, mas como em qualquer problema vascular, novas veias podem se dilatar com o tempo em pessoas com forte predisposição.

    6. Alimentos específicos ajudam a melhorar a circulação pélvica?

    Alimentos anti-inflamatórios (como cúrcuma e ômega-3) e ricos em fibras (para evitar a prisão de ventre, que aumenta a pressão abdominal) podem auxiliar indiretamente no conforto pélvico.

    7. Quem tem a síndrome pode fazer musculação?

    Pode, mas com cautela. Exercícios que exigem muita força abdominal ou “manobra de valsalva” (prender a respiração para fazer força) podem aumentar a pressão nas veias pélvicas. O ideal é o acompanhamento profissional.

    8. Qual a idade mais comum para o surgimento do problema?

    Acomete principalmente mulheres entre os 20 e 45 anos, especialmente aquelas que já tiveram mais de uma gestação. É rara após a menopausa.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

  • Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Durante a gravidez, o corpo da mulher convive com tantas mudanças que é natural se perguntar se ela fica mais vulnerável a infecções ou se qualquer sintoma, como uma febre, já é motivo de preocupação.

    Na prática, o que acontece é uma redução da resposta imune celular e um aumento da resposta humoral. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é uma adaptação fisiológica do organismo para manter a gestação e evitar rejeição ou aborto.

    Mas, ao mesmo tempo, as mudanças também podem modificar a forma como o corpo reage a vírus, bactérias e processos inflamatórios. Conversamos com a especialista para entender o que é esperado, o que merece atenção e quando procurar ajuda médica. Confira!

    Quando a febre na gravidez é preocupante?

    A febre na gravidez é sempre um sinal de alerta e deve ser investigada, mesmo quando aparece sem nenhum outro sintoma associado, segundo Andreia. Ela normalmente indica a presença de uma infecção no organismo, e o ideal é identificar a causa o quanto antes para iniciar o tratamento adequado.

    O aumento da temperatura corporal pode impactar tanto a mãe quanto o bebê, elevando a frequência cardíaca de ambos e aumentando o gasto metabólico. Dependendo do agente causador, algumas infecções podem atravessar a barreira placentária e atingir o feto.

    Gestantes ficam mais vulneráveis a infecções?

    A resposta é não necessariamente. O que acontece, na prática, é uma mudança no funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com Andreia, o organismo feminino na gravidez passa por uma modulação imunológica complexa e necessária para garantir a sobrevivência do feto. Como o bebê possui material genético diferente do materno, o corpo realiza um ajuste inteligente para não o identificar como um agente invasor.

    Contudo, a mudança altera a forma como o sistema imunológico responde a determinados patógenos. As gestantes não ficam necessariamente mais vulneráveis a infecções, mas passam a ter um sistema de defesa que funciona de maneira diferente, o que pode aumentar a suscetibilidade a infecções virais, como gripes e resfriados, e a complicações respiratórias, já que a resposta celular se torna menos intensa.

    Além disso, algumas infecções podem se manifestar de forma atípica durante a gestação, com sintomas mais leves ou diferentes do habitual, o que pode atrasar a identificação do problema. Por isso, qualquer sinal of infecção, mesmo que pareça simples, deve ser avaliado com atenção.

    Quais as infecções mais comuns na gravidez?

    As infecções mais comuns na gravidez incluem:

    • Infecção urinária: é a mais frequente na gestação e pode acontecer sem sintomas, por isso é rastreada no pré-natal. Quando não tratada, pode evoluir para infecção renal e aumentar o risco de complicações, como parto prematuro;
    • Infecções respiratórias: incluem gripe, resfriados e covid-19, e podem se manifestar de forma diferente na gestante e, em alguns casos, evoluir com mais gravidade, exigindo acompanhamento mais próximo;
    • Infecções gastrointestinais: normalmente estão relacionadas ao consumo de alimentos contaminados. Podem causar diarreia, vômitos e desidratação, o que exige atenção, principalmente pela perda de líquidos;
    • Infecções de pele: como furúnculos ou celulites costumam ter evolução semelhante à de pessoas não gestantes, mas ainda assim precisam ser avaliadas para evitar complicações.

    Existem infecções que podem ser transmitidas ao feto (transmissão vertical) e por isso são rastreadas rigorosamente no pré-natal:

    • Toxoplasmose, normalmente contraída por água ou alimentos contaminados;
    • Citomegalovírus (CMV), é um vírus comum da família da herpes que pode ser transmitido pelo contato com fluidos corporais;
    • Sífilis e outras ISTs, que devem ser detectadas precocemente para evitar malformações ou complicações no nascimento;
    • Listeriose, uma infecção bacteriana ligada ao consumo de alimentos crus ou mal lavados, que pode ser perigosa para a placenta.

    Riscos da febre e de infecções na gravidez

    A febres leve e passageira normalmente não é perigosa, mas dependendo da intensidade e da causa, ela também pode impactar o bebê, principalmente no início da gravidez, que é um período mais sensível para o desenvolvimento.

    Quando a temperatura da mãe aumenta, o organismo entra em um estado de maior esforço, com aceleração do metabolismo. Andreia aponta que isso pode levar ao aumento da frequência cardíaca tanto da gestante quanto do bebê, como uma resposta natural do corpo ao processo infeccioso.

    Além disso, alguns tipos de infecção conseguem atravessar a placenta, que funciona como uma espécie de barreira de proteção, aumentando o risco de malformações congênitas ou até de aborto espontâneo.

    Em estágios mais avançados, o processo inflamatório pode estimular a liberação de substâncias que provocam contrações uterinas precoces, resultando em parto prematuro ou restrição de crescimento fetal, quando o bebê não recebe os nutrientes necessários para se desenvolver plenamente.

    Algumas infecções bacterianas e virais persistentes, inclusive, podem comprometer a oxigenação do bebê, o que requer um acompanhamento médico mais rigoroso.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    A gestante deve procurar o pronto-socorro o quanto antes sempre que apresentar febre, mesmo que seja o único sintoma. Também é importante ficar atento aos seguintes sinais, que podem indicar uma infecção:

    • Temperatura igual ou maior que 38 °C;
    • Febre que persiste por mais de 24 horas;
    • Dor ao urinar ou suspeita de infecção urinária;
    • Falta de ar, tosse intensa ou dor no peito;
    • Vômitos persistentes ou dificuldade para se alimentar;
    • Dor abdominal ou contrações;
    • Mal-estar importante ou sensação de fraqueza.

    Na gestação, o ideal é não esperar os sintomas piorarem e também não aguardar a consulta pré-natal. A avaliação precoce ajuda a identificar a causa e iniciar o tratamento mais seguro para a mãe e o bebê.

    Como tratar a febre na gravidez?

    O tratamento da febre costuma envolver o uso de medicamentos para controlar a temperatura, como paracetamol e dipirona, que são considerados seguros durante a gravidez. No entanto, Andreia ressalta que eles não tratam a causa da febre, apenas aliviam o sintoma.

    Para o tratamento das infecções, é necessário identificar o agente causador, pois cada condição requer uma abordagem específica. Entre as mais comuns, Andreia explica:

    • Infecção urinária pode exigir antibióticos específicos, definidos após exames como a urocultura;
    • Infecções bacterianas têm tratamento direcionado conforme o agente;
    • Infecções virais, na maioria das vezes, são tratadas com suporte, como hidratação e repouso;
    • Em casos de influenza, pode ser indicado antiviral como o oseltamivir.

    Hoje, exames como o PCR (reação em cadeia da polimerase) permitem identificar com precisão o agente infeccioso, especialmente vírus, o que facilita um diagnóstico mais assertivo.

    Vale lembrar que a gestante não deve tomar medicamentos por conta própria. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais seguro e adequado.

    Como prevenir infecções durante a gravidez?

    A prevenção das infecções na gravidez está muito ligada aos hábitos do dia a dia, como:

    • Manter boa higiene das mãos ao longo do dia;
    • Ter uma alimentação equilibrada e bem higienizada;
    • Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e ovos;
    • Beber bastante água para manter o organismo hidratado;
    • Dormir bem, com sono de qualidade;
    • Praticar atividade física de forma regular e orientada;
    • Manter as vacinas recomendadas em dia;
    • Evitar contato com pessoas doentes sempre que possível.

    Também é importante manter o pré-natal em dia, já que muitos exames ajudam a identificar infecções silenciosas antes mesmo de causarem sintomas.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Qual temperatura é considerada febre na gravidez?

    A partir de 37,8°C já é considerado estado febril. Acima de 38°C, a gestante deve monitorar de perto e entrar em contato com o médico.

    2. Posso tomar paracetamol para baixar a febre?

    Sim, o paracetamol é geralmente o analgésico e antitérmico mais seguro na gestação. No entanto, a dose deve ser sempre orientada pelo obstetra.

    3. O que causa calafrios na gravidez sem febre?

    As mudanças hormonais ou ansiedade podem causar calafrios. Porém, se houver mal-estar, pode ser o início de uma infecção que ainda não manifestou febre.

    4. Como saber se o corrimento é infecção ou normal da gravidez?

    O corrimento normal é fluido e sem cheiro. Se houver cor (amarelado, esverdeado), coceira ou odor forte, pode ser candidíase ou vaginose.

    5. O que é a infecção pelo Estreptococo B?

    É uma bactéria que pode habitar o trato genital da mulher. Ela não costuma causar sintomas na mãe, mas pode infectar o bebê durante o parto normal.

    6. Banho frio ajuda a baixar a febre na gestante?

    O ideal é o banho morno. O banho muito frio pode causar choque térmico e tremores, o que aumenta ainda mais a temperatura interna do corpo.

    7. Quando a febre é considerada uma emergência?

    Se a temperatura não baixar com remédios, se houver falta de ar, dor abdominal forte, sangramento, diminuição dos movimentos do bebê ou confusão mental.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    A cartela da pílula anticoncepcional é organizada para que a mulher tome um comprimido por dia, sempre no mesmo horário, mantendo uma quantidade constante de hormônios no organismo para evitar a ovulação. Mas e se o alarme não tocar, a rotina mudar ou o esquecimento simplesmente acontecer?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender o que fazer em cada situação e quando o esquecimento realmente representa um risco.

    Esquecer o anticoncepcional por um dia aumenta o risco de gravidez?

    Na maioria das vezes, o esquecimento de um único comprimido não é suficiente para aumentar significativamente o risco de gravidez, como explica Andreia.

    A pílula funciona mantendo níveis hormonais constantes no organismo para bloquear a ovulação. Quando há o esquecimento de um único comprimido, os níveis diminuem, mas normalmente não há tempo suficiente para que ocorra todo o processo de desenvolvimento folicular e ovulação.

    No entanto, isso também depende da formulação da pílula, já que existem diferentes combinações e doses hormonais.

    O risco pode ser um pouco maior em algumas situações, como no início da cartela (logo após a pausa), em pílulas com doses hormonais mais baixas ou quando há outros fatores associados, como vômitos, diarreia ou interação com medicamentos.

    O que fazer se esquecer tomar pílula anticoncepcional?

    A conduta varia principalmente conforme o tempo de atraso e a quantidade de comprimidos esquecidos, mas Andreia dá algumas orientações gerais:

    • Atraso de até 12 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue a cartela normalmente, mantendo os próximos comprimidos no horário habitual. Nessa situação, a eficácia do método costuma ser mantida;
    • Esquecimento de dois ou mais comprimidos seguidos: o risco de falha aumenta, então é indicado usar um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 7 dias, até que os níveis hormonais voltem a ser adequados para garantir a proteção contraceptiva.

    O esquecimento em diferentes fases da cartela não costuma mudar drasticamente a conduta. Ainda assim, Andreia explica que o início da cartela merece mais atenção, especialmente após o intervalo sem hormônios, pois pode haver um risco um pouco maior em alguns casos.

    Importante: não é recomendado tomar comprimidos em excesso para compensar o esquecimento. Administrar duas pílulas ao mesmo tempo não aumenta a eficácia e pode elevar o risco de efeitos colaterais. O mais importante é retomar o uso correto da cartela a partir daquele momento.

    O que fazer no caso de pílula de uso contínuo (minipílula)?

    Diferente das pílulas combinadas, a minipílula (feita apenas de progesterona) precisa de maior atenção com o horário, pois ela não interrompe a ovulação em todas as mulheres e depende muito mais da regularidade do uso:

    • Atraso de até 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar e continue o uso normalmente, mantendo os próximos no horário habitual. Nessa situação, a proteção contraceptiva costuma ser mantida;
    • Atraso maior que 3 horas: tome o comprimido assim que lembrar, continue a cartela normalmente e utilize um método de barreira, como o preservativo, por pelo menos 48 horas.

    Se você esqueceu de tomar a minipílula e teve relações sexuais desprotegidas nas últimas 72 horas, o risco de gravidez existe. Nesse caso, é recomendável entrar em contato com o ginecologista para avaliar a necessidade de contracepção de emergência (pílula do dia seguinte).

    Importante: vale ter atenção ao prazo de tolerância da marca da minipílula, pois o tempo de atraso permitido varia entre eles. As minipílulas tradicionais (como noretisterona), a tolerância é de apenas 3 horas. Já as minipílulas de desogestrel têm uma janela maior, de até 12 horas.

    Quando recorrer à pílula do dia seguinte?

    A contracepção de emergência, como a pílula do dia seguinte, não deve ser usada regularmente. Segundo Andreia, é um método com eficácia inferior à da pílula regular e maior incidência de efeitos colaterais, sendo mais indicado em situações de risco elevado, como relação sexual desprotegida sem uso de método contraceptivo.

    Após o uso, é necessário manter a tomada da pílula regular até o fim da cartela, mas utilizando preservativo em todas as relações até o ciclo seguinte, já que a carga hormonal da emergência pode alterar a ovulação. É normal sentir náuseas, dor de cabeça, sensibilidade nos seios e, principalmente, variações no ciclo menstrual.

    A menstruação pode atrasar alguns dias ou ocorrer um pequeno sangramento fora de hora. Se ela atrasar mais de uma semana, o ideal é fazer um teste de gravidez.

    Dicas para não esquecer de tomar o anticoncepcional

    Para evitar esquecimentos no dia a dia, algumas dicas podem ajudar:

    • Associe o uso a um hábito diário, como escovar os dentes ou fazer uma refeição;
    • Escolha um horário fixo que faça sentido na sua rotina;
    • Programe um alarme diário no celular;
    • Use aplicativos de lembrete para acompanhar a cartela;
    • Deixe a pílula em um lugar visível no dia a dia;
    • Leve um comprimido extra na bolsa para imprevistos;
    • Siga os dias indicados na cartela para não se perder na sequência.

    Se o esquecimento da pílula se tornar frequente, pode ser o momento de conversar com um ginecologista sobre a transição para métodos de longa duração, como DIU, por exemplo. Eles não dependem do uso diário, o que reduz significativamente o risco de falhas relacionadas à rotina.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. Tomei a pílula com 3 horas de atraso, corta o efeito?

    Para pílulas combinadas, não. Para minipílulas tradicionais, esse é o limite máximo de tolerância; por isso, use proteção extra por 48 horas.

    2. Vomitei logo após tomar a pílula, preciso tomar outra?

    Se o vômito ocorreu em até 4 horas após a ingestão, o corpo pode não ter absorvido o hormônio. Tome uma pílula extra de uma cartela reserva.

    3. Diarreia corta o efeito do anticoncepcional?

    A diarreia intensa (líquida e frequente) em menos de 4 horas após a tomada pode prejudicar a absorção. Se acontecer, considere como um esquecimento.

    4. Esqueci de tomar a pílula e tive um sangramento, é normal?

    Sim, a queda súbita de hormônios no organismo pode causar um “sangramento de escape”. Continue tomando a cartela normalmente.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula?

    O álcool em si não corta o efeito, mas se ele causar vômitos ou fizer você esquecer de tomar o comprimido, a proteção fica comprometida.

    6. Como saber se a pílula que eu tomo é minipílula ou combinada?

    A pílula combinada possui dois hormônios (estrogênio e progestagênio), enquanto a minipílula possui apenas um. Verifique a composição na bula.

    7. Posso engravidar mesmo tomando a pílula do dia seguinte após o esquecimento?

    Sim, pois a pílula do dia seguinte reduz as chances, mas não é 100% eficaz, especialmente se a ovulação já tiver ocorrido no momento do esquecimento.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • Bartolinite: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Bartolinite: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Você já ouviu falar em bartolinite? O nome até pode parecer estranho, mas é uma condição relativamente comum, especialmente em mulheres jovens e na fase reprodutiva. Ela acontece quando as glândulas de Bartholin, que são pequenas estruturas localizadas na entrada da vagina, responsáveis pela lubrificação, ficam obstruídas ou infectadas.

    Apesar de normalmente começar como um inchaço indolor na região íntima, a condição pode evoluir rapidamente, causando dor ao andar, sentar ou durante o contato íntimo. Por isso, vale ficar atenta aos principais sintomas e quando ir ao médico.

    O que é bartolinite?

    A bartolinite é a inflamação ou infecção das glândulas de Bartholin, que estão localizadas na vulva (uma de cada lado da abertura da vagina) e são responsáveis por produzir o fluido que ajuda na lubrificação vaginal.

    Ela surge quando o canal da glândula fica entupido e impede a saída do líquido. Com isso, a secreção se acumula, formando um cisto que pode infeccionar e evoluir para um abscesso doloroso.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, as glândulas de Bartholin são pequenas, com cerca de 1 a 1,5 cm de diâmetro, mas possuem um ducto longo e estreito. Por conta dessa característica, o canal pode entupir com facilidade.

    Qual a diferença entre cisto de Bartholin e bartolinite?

    A diferença está principalmente na presença de infecção e nos sintomas. O cisto de Bartholin acontece quando o líquido fica preso dentro da glândula, o que forma um caroço que não dói ou causa apenas um leve incômodo. Muitas mulheres percebem durante a higiene ou ao tocar a região, notando um lado da vulva mais inchado que o outro.

    Já a bartolinite ocorre quando o cisto infecciona por causa de bactérias. Nesse caso, surgem dor mais intensa, inchaço maior e dificuldade para atividades do dia a dia, como sentar, caminhar ou ter relação sexual.

    Causas da bartolinite

    O bloqueio das glândulas de Bartholin pode ter diferentes origens, desde traumas físicos até infecções bacterianas:

    • Acúmulo de bactérias da pele ou da região intestinal (como a E. coli) que entram no duto da glândula;
    • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente a clamídia e a gonorreia;
    • Traumas na região íntima, como pancadas, lesões ou atrito excessivo, que podem fechar a abertura do canal;
    • Marcas e cicatrizes de cirurgias prévias ou de partos, que podem estreitar ou bloquear o duto;
    • Espessamento do líquido, que ocorre quando o fluido produzido pela glândula fica mais denso, dificultando a saída natural;
    • Higiene inadequada, que facilita a migração de bactérias da região anal para a entrada da vagina.

    Bartolinite é transmissível?

    A bartolinite não é transmissível, mas algumas bactérias que causam a condição são sexualmente transmissíveis, como a Chlamydia trachomati, responsável pela clamídia.

    Quais os sintomas de bartolinite?

    Os sintomas da bartolinite costumam aparecer quando há infecção da glândula, principalmente na fase de abscesso. Os principais incluem:

    • Dor intensa na região da vulva, normalmente de um lado só;
    • Inchaço na entrada da vagina, com formação de um caroço;
    • Vermelhidão e aumento da sensibilidade local;
    • Dificuldade para sentar, caminhar ou cruzar as pernas;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Sensação de pressão ou pulsação no local;
    • Presença de pus, que pode drenar espontaneamente em alguns casos;
    • Febre e mal-estar, principalmente quando a infecção está mais avançada.

    No caso de um cisto de Bartholin, quando não há uma infecção, os sintomas costumam ser mais leves e podem até passar despercebidos no início:

    • Presença de um caroço indolor na entrada da vagina;
    • Sensação de leve desconforto ao caminhar, sentar ou durante a relação sexual;
    • Assimetria na vulva, com um lado mais inchado que o outro;
    • Sensação de peso ou de volume na região íntima.

    Em muitos casos, o cisto pode diminuir ou desaparecer sozinho, sem necessidade de tratamento, de acordo com Andreia.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da bartolinite é feito por um médico ginecologista, com base na avaliação médica e no exame físico da região íntima.

    Durante a consulta, o especialista observa a vulva e identifica o inchaço típico na entrada da vagina, frequentemente de um lado só. A presença de dor intensa, vermelhidão e aumento de volume já são sinais da infecção da glândula de Bartholin.

    Além do exame físico, o médico pode avaliar a presença de secreção ou pus na região, verificar sinais de abscesso (coleção de pus) e investigar o histórico de dor, tempo de evolução e episódios anteriores. Em alguns casos, também podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Coleta de secreção para identificar a bactéria envolvida, especialmente quando há suspeita de infecção sexualmente transmissível;
    • Exames para ISTs, como clamídia e gonorreia;
    • Em mulheres acima dos 40 anos, pode ser indicada biópsia para descartar outras condições mais raras.

    Tratamento de bartolinite

    O tratamento da bartolinite depende da presença de infecção e da gravidade do quadro. Segundo Andreia, nos casos em que há a formação de um abscesso, é indicada uma drenagem cirúrgica, um procedimento rápido que consiste em uma pequena abertura para permitir a saída do pus.

    Após a drenagem, é indicado o uso de antibióticos para tratar a infecção, considerando inclusive que a clamídia, uma infecção sexualmente transmissível, pode ser a causa da obstrução do ducto.

    Já quando existe apenas o cisto de Bartholin sem infecção, a condição pode surgir e desaparecer espontaneamente, muitas vezes sem precisar de um tratamento invasivo. Nesses quadros, o uso de anti-inflamatórios pode ser suficiente para auxiliar na desobstrução natural do canal e na drenagem da secreção acumulada.

    A ginecologista ainda destaca que medidas caseiras, como o uso de compressas quentes ou frias, não costumam resolver o problema e podem até agravar o desconforto.

    Autocuidados em casos de bartolinite

    Durante o tratamento, os autocuidados podem ajudar a aliviar o desconforto da bartolinite e desobstruir o duto da glândula de forma natural, mas eles funcionam melhor em cistos pequenos e não infectados:

    • Lave a região suavemente com sabonete neutro e limpe-se sempre de frente para trás;
    • Utilize calcinhas de algodão e evite calças muito apertadas (como jeans ou leggings) para reduzir o atrito e o calor;
    • Evite relações sexuais enquanto houver inchaço ou dor para não agravar a inflamação;
    • Dormir sem calcinha, que ajuda a manter a região ventilada e reduz a umidade local;
    • Jamais tente apertar, furar ou drenar o cisto por conta própria, pois isso pode causar uma infecção grave.

    Vale apontar que as medidas não substituem a avaliação médica, principalmente quando há dor intensa ou sinais de infecção.

    O que fazer em casos recorrentes de bartolinite?

    Mesmo depois do tratamento de uma infecção ou a drenagem de um cisto, o duto da glândula de Bartholin pode sofrer uma nova obstrução no mesmo local ou na glândula do outro lado.

    Quando os episódios de inflamação se tornam repetitivos, Andreia explica que o médico pode indicar a cirurgia para retirar a glândula afetada, depois que a infecção estiver controlada. A remoção não costuma causar problemas importantes na lubrificação vaginal, porque o corpo tem outras glândulas que também ajudam na função.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar atendimento médico sempre que surgirem sinais de inflamação ou infecção na região íntima, como:

    • Dor intensa na vulva;
    • Inchaço ou caroço na entrada da vagina;
    • Vermelhidão e aumento da sensibilidade;
    • Dificuldade para sentar, caminhar ou ter relação sexual;
    • Presença de pus ou secreção;
    • Febre ou mal-estar.

    Mesmo que a dor seja leve, vale buscar avaliação se o caroço persistir ou aumentar de tamanho. Quanto antes for feito o diagnóstico, mais simples costuma ser o tratamento.

    Veja também: Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Bartolinite é uma doença sexualmente transmissível (IST)?

    Não necessariamente, mas ISTs como clamídia e gonorreia são causas frequentes da inflamação. Bactérias comuns da pele e do intestino também podem causar o problema.

    2. Qual médico devo procurar?

    O ginecologista é o especialista indicado para diagnosticar e tratar qualquer alteração na região vulvar.

    3. Como é feita a drenagem médica?

    O médico faz um pequeno corte sob anestesia local para retirar o pus. O alívio da dor costuma ser imediato após o procedimento.

    4. Como prevenir que a bartolinite apareça?

    Use preservativos para evitar ISTs, mantenha a higiene íntima adequada (limpando-se de frente para trás) e evite roupas excessivamente apertadas por longos períodos.

    5. Quanto tempo leva para curar a bartolinite?

    Após uma drenagem médica, o alívio da dor é imediato, mas a cicatrização completa e o fim do ciclo de antibióticos levam cerca de 7 a 10 dias.

    6. Como é o pós-operatório da retirada da glândula?

    É uma cirurgia que requer repouso de 7 a 15 dias. Pode haver inchaço e hematomas locais, sendo recomendado evitar exercícios físicos e relações sexuais por cerca de 4 semanas.

    7. A bartolinite pode causar câncer?

    Não, a bartolinite é uma inflamação benigna. No entanto, em mulheres com mais de 40 anos, os médicos costumam ser mais cautelosos e podem solicitar uma biópsia do cisto para descartar doenças mais raras.

    8. O que acontece se não tratar um abscesso?

    A infecção pode se espalhar para os tecidos vizinhos (celulite infecciosa) ou, em casos muito graves e raros, cair na corrente sanguínea, causando uma infecção generalizada.

    Leia mais: Ardor ao urinar pode ser gonorreia? Descubra os sintomas da doença

  • Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    Fases do climatério: o que é, sintomas e o que acontece com o corpo

    O climatério é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva, em que acontece uma queda gradual na produção de hormônios pelos ovários. Apesar de normalmente confundido com a menopausa, o climatério não é um momento específico, mas um processo contínuo que pode durar vários anos.

    Ele inclui todas as mudanças físicas e emocionais que aparecem antes e depois da última menstruação, funcionando como uma fase de adaptação do corpo para uma nova etapa da vida. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, ele costuma ter início a partir dos 40 anos de idade.

    Afinal, o que é o climatério?

    O climatério é o nome dado a todo o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a não reprodutiva. Ao contrário da menopausa, que é um evento pontual (a data da última menstruação), o climatério é um processo gradual e prolongado que pode durar dos 40 aos 65 anos, aproximadamente.

    Ele acontece por causa da diminuição natural da reserva ovariana, um processo fisiológico e contínuo que ocorre em todas as mulheres ao longo da vida, resultando em menor quantidade e qualidade dos óvulos.

    Com menos folículos ovarianos ativos, a ovulação passa a ser irregular e a produção de hormônios como progesterona e estrogênio diminui, o que impacta diversos sistemas do corpo, desde o controle da temperatura interna até a saúde dos ossos e do coração.

    Quais são as fases do climatério?

    O climatério costuma ser dividido em três fases principais, sendo elas:

    1. Perimenopausa (ou pré-menopausa)

    A perimenopausa é a fase que acontece antes da menopausa e marca o início das mudanças hormonais no corpo da mulher. Durante o período, a mulher ainda menstrua, mas de forma irregular, com ciclos que podem variar bastante em duração e intensidade. É comum que a menstruação atrase, adiante ou até fique ausente por alguns meses.

    Normalmente, a perimenopausa se inicia por volta dos 40 aos 45 anos, mas pode começar antes em algumas mulheres, segundo Andreia. Ela pode durar de 4 a 8 anos, terminando oficialmente quando a mulher atinge a menopausa, que acontece quando ela completa 12 meses seguidos sem menstruar.

    Ao longo da fase, é comum que os sintomas fiquem mais intensos conforme a última menstruação se aproxima.

    Quais os sintomas da perimenopausa?

    Como os hormônios estão instáveis, os sintomas podem surgir e desaparecer espontaneamente:

    • Irregularidade menstrual;
    • Ondas de calor (fogachos);
    • Dificuldade para adormecer ou episódios de suor noturno;
    • Irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem motivo aparente;
    • Alteração no desejo sexual e possível secura vaginal.

    É possível engravidar na perimenopausa?

    De acordo com Andreia, apesar da chance ser menor, é possível engravidar na perimenopausa. A fertilidade feminina diminui drasticamente na fase devido à menor reserva de óvulos, mas a ovulação ainda pode ocorrer de forma esporádica e imprevisível.

    Por isso, o recomendado é manter o uso de métodos contraceptivos até que a menopausa seja confirmada.

    2. Menopausa

    A menopausa é o marco que indica o fim definitivo da fase reprodutiva da mulher. Diferente do climatério, que é um processo longo, Andreia explica que a menopausa é um evento específico: ela consiste na última menstruação após 12 meses consecutivos sem fluxo.

    Se ocorrer qualquer sangramento vaginal nesse intervalo de um ano, a contagem deve ser reiniciada.

    Em média, a menopausa acontece entre os 45 e 55 anos. Quando ocorre antes dos 40 anos, é classificada como menopausa precoce, normalmente precisando de uma investigação médica mais detalhada para identificar as causas.

    Quais os sintomas da menopausa?

    Na menopausa, os ovários interrompem a produção de estrogênio e progesterona, causando sintomas como:

    • Ondas de calor (fogachos), que surgem de forma repentina e podem vir acompanhadas de vermelhidão;
    • Suor noturno, que pode atrapalhar o sono;
    • Dificuldade para dormir ou sono mais leve e fragmentado;
    • Alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
    • Ressecamento vaginal, causando desconforto ou dor nas relações;
    • Diminuição da libido;
    • Cansaço frequente e falta de energia;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Nem todas as mulheres apresentam os sintomas, e algumas passam pela fase com pouco desconforto. Mas, quando eles começam a atrapalhar o dia a dia ou o bem-estar, vale procurar um médico para receber orientação e encontrar formas de aliviar os incômodos.

    É importante lembrar que a redução do estrogênio aumenta o risco de perda de massa óssea (osteoporose) e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, conforme aponta a cardiologista Juliana Soares.

    Por isso, mesmo com o fim da menstruação ainda é necessário manter uma rotina periódica de exames de rotina, como mamografia, densitometria óssea e check-ups cardiovasculares.

    3. Pós-menopausa

    A pós-menopausa é a última fase do climatério e compreende todo o período da vida da mulher após a confirmação da menopausa. Ela se inicia oficialmente quando se completa 1 ano inteiro desde a última menstruação e se estende até o final da vida.

    Nessa etapa, os ovários já não liberam óvulos, e os níveis de hormônios, como o estrogênio e a progesterona, permanecem baixos permanentemente. Alguns sintomas da fase anterior podem continuar, como ondas de calor e ressecamento vaginal, mas, para muitas mulheres, eles tendem a diminuir com o tempo.

    Cuidados na pós-menopausa

    A partir da pós-menopausa, com a ausência permanente do estrogênio, o corpo fica mais vulnerável a algumas condições de saúde, como a perda de massa óssea, que pode levar ao desenvolvimento de osteoporose e aumentar o risco de fraturas, além do maior risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC.

    Também podem ocorrer alterações no metabolismo, que favorecem o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal.

    No dia a dia, a mulher deve adotar alguns cuidados para garantir a qualidade de vida, como:

    • Garantir a ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação ou suplementação;
    • Manter níveis adequados de vitamina D para ajudar na absorção do cálcio;
    • Realizar a densitometria óssea para acompanhar a saúde dos ossos;
    • Controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos com exames regulares;
    • Monitorar a pressão arterial com frequência;
    • Praticar musculação ou exercícios de resistência para preservar a massa muscular e fortalecer os ossos;
    • Incluir exercícios aeróbicos, como caminhada, natação ou bicicleta, para cuidar do coração e do peso;
    • Usar hidratantes e lubrificantes íntimos para reduzir o ressecamento vaginal, conforme orientação médica;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, grãos integrais e gorduras boas;
    • Reduzir o consumo de açúcar e de sódio para evitar problemas metabólicos;
    • Manter a mente ativa com leitura, aprendizado e convívio social;
    • Buscar apoio psicológico quando houver sintomas persistentes de ansiedade ou tristeza.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do climatério e da menopausa é feito com base na avaliação clínica, a partir da idade, do padrão do ciclo menstrual e da presença de sintomas. Quando a mulher já ficou 12 meses seguidos sem menstruar, a menopausa é confirmada, sem necessidade de exames na maioria dos casos.

    Em algumas situações, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais, como:

    • FSH (hormônio folículo-estimulante): que costuma estar elevado na menopausa, pois o organismo tenta estimular os ovários, que já não respondem como antes;
    • Estradiol (estrogênio): geralmente apresenta níveis baixos, indicando a redução da atividade dos ovários.

    Os exames não são necessários em todos os casos, mas podem ser solicitados pelo médico quando há dúvidas no diagnóstico.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura o climatério?

    O climatério dura, em média, de 7 a 10 anos ou mais, começando normalmente por volta dos 40 a 45 anos e se estendendo até a pós-menopausa.

    2. Por que sinto tantas ondas de calor (fogachos)?

    Isso ocorre devido à queda do estrogênio, que afeta o centro termorregulador no cérebro, fazendo com que o corpo sinta calor excessivo mesmo em ambientes frios.

    3. O climatério causa ganho de peso?

    As alterações hormonais tornam o metabolismo mais lento e favorecem o acúmulo de gordura na região abdominal, o que exige ajustes na dieta e exercícios.

    4. O que é menopausa precoce?

    É quando a última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade, podendo ser causada por genética, doenças autoimunes ou tratamentos como quimioterapia.

    5. É normal ter sangramento após a menopausa?

    Não! Qualquer sangramento vaginal após um ano sem menstruar deve ser investigado imediatamente por um ginecologista para descartar alterações no endométrio.

    6. É normal sentir palpitações cardíacas no climatério?

    Sim, as oscilações hormonais podem afetar o sistema nervoso autônomo, causando episódios de batimentos acelerados (taquicardia), que muitas vezes acompanham as ondas de calor. No entanto, é importante descartar causas cardíacas com um médico.

    7. O que é a “barriga da menopausa”?

    É o acúmulo de gordura visceral (abdominal) causado pela queda do estrogênio, que muda o padrão de distribuição de gordura do corpo feminino (que antes se concentrava mais em quadris e coxas).

    8. Quanto tempo depois da menopausa os sintomas desaparecem?

    Na maioria das mulheres, os sintomas mais intensos (como fogachos) melhoram significativamente entre 2 a 5 anos após a última menstruação, embora o corpo continue em adaptação permanente na pós-menopausa.