Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento 

Mulher com dor no baixo ventre, mãos sobre a pelve, ilustrando sintomas da síndrome de congestão pélvica

Uma dor persistente no baixo ventre, que piora após passar muito tempo em pé ou logo após o contato íntimo, é um dos principais sintomas da síndrome de congestão pélvica. A condição, que afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, acontece devido ao surgimento de varizes nas veias próximas ao útero e aos ovários.

Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que a condição acontece, quais são os principais sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis. Confira!

O que é a síndrome da congestão pélvica?

A síndrome da congestão pélvica é uma condição causada pela dilatação das veias na região da pelve, especialmente ao redor do útero e dos ovários. As veias ficam dilatadas e passam a acumular sangue, o que dificulta a circulação adequada na região pélvica, um quadro semelhante ao das varizes nas pernas, segundo Andreia.

Como consequência, ocorre uma sensação de peso, pressão ou dor na parte inferior do abdômen, que pode se tornar crônica em alguns casos. A dor costuma piorar ao longo do dia, após longos períodos em pé ou durante e após a relação sexual.

Além da dor, algumas mulheres podem apresentar cólicas mais intensas, piora dos sintomas no período pré-menstrual e alterações no funcionamento do intestino ou da bexiga. Em certos casos, também podem surgir varizes visíveis na região da vulva ou da vagina, que funcionam como um sinal de que as veias internas estão comprometidas.

O que causa a condição?

A síndrome da congestão pélvica acontece quando há uma dificuldade no retorno do sangue pelas veias da região pélvica. Como consequência, as veias se dilatam, acumulam sangue e formam um quadro semelhante aos das varizes.

Segundo Andreia, alguns fatores podem favorecer o desenvolvimento da condição, como:

  • Gravidez: o aumento do volume do útero comprime as veias da pelve e dificulta a circulação, além de haver um aumento do volume sanguíneo no corpo;
  • Uso de estrogênio: o hormônio tem efeito vasodilatador, o que pode contribuir para a dilatação das veias ao longo do tempo;
  • Alterações anatômicas: algumas mulheres já têm uma predisposição a uma maior fragilidade ou dilatação das veias;
  • Presença de miomas ou outras massas pélvicas: podem comprimir as veias e dificultar o retorno venoso.

Como diferenciar a congestão pélvica e a endometriose?

A congestão pélvica e a endometriose são condições diferentes, mas que podem causar sintomas bastante parecidos, como dor pélvica crônica, desconforto abdominal, piora no período menstrual e dor durante a relação sexual.

Para diferenciar, é preciso observar atentamente o tipo da dor e os momentos em que ela se manifesta, já que as causas são completamente diferentes:

  • Na endometriose: a dor é normalmente uma cólica aguda e intensa, tendo ligação muito forte com o ciclo menstrual, tornando-se quase insuportável nos dias que antecedem ou durante a menstruação. Na relação sexual, ela costuma ocorrer durante a penetração (dor profunda), causada pelo toque em regiões inflamadas ou com focos da doença;
  • Na congestão pélvica: a dor é descrita como um peso ou pressão. Ela tende a piorar ao longo do dia (devido à gravidade) e após a pessoa passar muito tempo em pé, mas costuma aliviar ao deitar ou elevar as pernas. A dor é mais comum depois da relação sexual, podendo durar horas ou até o dia seguinte.

Como os sintomas são parecidos, muitas mulheres levam anos para descobrir qual das duas condições possuem e, em alguns casos, é possível ter as duas simultaneamente. Por isso, é necessário a avaliação de um ginecologista.

Sintomas da síndrome da congestão pélvica

De acordo com Andreia, em muitos casos a síndrome pode não causar nenhum sintoma e acaba sendo descoberta apenas em exames. No entanto, quando os sinais aparecem, eles costumam incluir:

  • Dor pélvica crônica, que pode piorar ao longo do dia;
  • Sensação de peso no baixo ventre, com pressão constante (semelhante à sensação de varizes nas pernas);
  • Dor após o contato íntimo, que pode surgir ou se intensificar e durar horas;
  • Surgimento de varizes (veias dilatadas) na região da vulva, nádegas ou na parte superior das coxas;
  • Aumento do fluxo sanguíneo ou períodos menstruais mais dolorosos do que o habitual;
  • Sensação de necessidade frequente de urinar, causada pela pressão das veias dilatadas sobre a bexiga.

Os sintomas podem se intensificar durante a gravidez ou no período pré-menstrual, devido às flutuações hormonais que dilatam ainda mais os vasos sanguíneos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da síndrome da congestão pélvica é feito a partir de uma avaliação detalhada, em que o médico analisa o histórico da paciente e as características da dor. Em seguida, o principal exame solicitado é o ultrassom transvaginal com Doppler, que permite avaliar o fluxo de sangue nas veias da pelve e identificar possíveis dilatações.

Em alguns casos, Andreia esclarece que outros exames podem ser indicados para complementar a investigação:

  • Angiotomografia;
  • Angiorressonância;
  • Flebografia pélvica (mais invasiva e indicada em situações específicas).

Nem todo ultrassom comum consegue identificar a condição, então o uso do Doppler e a experiência do profissional fazem diferença para um diagnóstico mais preciso.

Como os sintomas podem se confundir com os de endometriose, síndrome do intestino irritável e doença inflamatória pélvica, é importante descartar outras causas antes de confirmar o diagnóstico.

Tratamento da síndrome da congestão pélvica

O tratamento da síndrome da congestão pélvica é individualizado, dependendo da intensidade dos sintomas e das causas identificadas. Segundo a Andreia, as abordagens podem incluir:

  • Acompanhamento clínico para casos leves, onde o desconforto é esporádico e não interfere significativamente na rotina;
  • O uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que ajudam a aliviar a dor durante as crises. Além disso, podem ser prescritos medicamentos hormonais para reduzir a dilatação das veias;
  • Em alguns casos, o médico pode recomendar o ajuste, redução ou suspensão do uso de estrogênio, já que o hormônio favorece a dilatação dos vasos.

Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, podem ser indicados procedimentos específicos, como a embolização das veias pélvicas. É um procedimento minimamente invasivo, realizado com um cateter, que bloqueia as veias dilatadas para melhorar a circulação e reduzir os sintomas.

Em situações mais raras e complexas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para ligar ou remover as veias afetadas, ou até mesmo a retirada do útero (histerectomia) em casos extremos onde outros tratamentos não surtiram efeito.

Congestão pélvica tem cura?

A síndrome da congestão pélvica não tem cura definitiva e, na maioria das vezes, o foco é o controle dos sintomas, já que o sistema vascular já foi afetado. Mesmo assim, Andreia aponta que é possível ter uma melhora significativa da qualidade de vida com o acompanhamento adequado.

Quando a dor pélvica deve ser investigada com mais atenção?

A dor pélvica deve ser investigada com mais atenção nas seguintes situações:

  • A dor é persistente ou crônica;
  • A dor interfere nas atividades do dia a dia e compromete a qualidade de vida;
  • Há associação com sintomas urinários ou intestinais, como dor ao urinar, alteração no hábito intestinal ou desconforto abdominal;
  • Existe dor durante ou após a relação sexual;
  • Há presença de sangramento genital fora do período menstrual ou com características diferentes do habitual;
  • São observadas varizes na região íntima, como na vulva ou na vagina.

Muitas vezes, a mulher acredita que sentir dor na região pélvica é normal ou parte do ciclo menstrual. No entanto, a investigação precoce ajuda a diferenciar a síndrome da congestão pélvica de outros problemas sérios, como a endometriose, miomas ou até problemas inflamatórios intestinais.

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Perguntas frequentes

1. A síndrome da congestão pélvica pode causar infertilidade?

Não diretamente. Ela não impede a concepção, mas a dor intensa pode dificultar a frequência das relações sexuais.

2. Por que a dor piora ao ficar em pé?

Porque a gravidade dificulta o retorno do sangue pelas veias dilatadas, aumentando a pressão e o represamento na região pélvica.

3. Como diferenciar a congestão pélvica de uma cólica menstrual comum?

A dor da congestão pélvica é um “peso” constante que melhora ao deitar, enquanto a cólica menstrual é aguda e ligada estritamente aos dias do período.

4. Qual médico devo procurar?

O ginecologista é o primeiro contato, mas o diagnóstico e tratamento definitivo muitas vezes envolvem o cirurgião vascular.

5. A síndrome pode voltar após o tratamento?

A taxa de sucesso da embolização é alta, mas como em qualquer problema vascular, novas veias podem se dilatar com o tempo em pessoas com forte predisposição.

6. Alimentos específicos ajudam a melhorar a circulação pélvica?

Alimentos anti-inflamatórios (como cúrcuma e ômega-3) e ricos em fibras (para evitar a prisão de ventre, que aumenta a pressão abdominal) podem auxiliar indiretamente no conforto pélvico.

7. Quem tem a síndrome pode fazer musculação?

Pode, mas com cautela. Exercícios que exigem muita força abdominal ou “manobra de valsalva” (prender a respiração para fazer força) podem aumentar a pressão nas veias pélvicas. O ideal é o acompanhamento profissional.

8. Qual a idade mais comum para o surgimento do problema?

Acomete principalmente mulheres entre os 20 e 45 anos, especialmente aquelas que já tiveram mais de uma gestação. É rara após a menopausa.

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