Autor: Dra. Andreia Sapienza

  • Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê? 

    Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê? 

    O parto prematuro, também conhecido como nascimento pré-termo, é aquele que acontece antes das 37 semanas completas de gestação. Apesar do período considerado ideal para o nascimento seja entre a 37ª e a 42ª semana, o bebê pode nascer antes de os órgãos e sistemas estarem totalmente amadurecidos.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, com os avanços da medicina e das UTIs neonatais, muitos bebês conseguem sobreviver mesmo quando nascem muito cedo. Em alguns casos, a viabilidade fetal (ou seja, a chance de o bebê sobreviver fora do útero) já pode existir a partir das 24 semanas, dependendo da estrutura do hospital.

    Ainda assim, quanto mais precoce for o nascimento, maiores costumam ser os desafios para o desenvolvimento e a saúde do bebê. A seguir, vamos entender quais fatores podem aumentar o risco de parto prematuro e os principais sinais de alerta.

    Como o parto prematuro é classificado?

    O parto prematuro é classificado de acordo com a idade gestacional do bebê no momento do nascimento:

    • Prematuro extremo: é o bebê que nasce antes das 28 semanas de gestação. Nesses casos, os órgãos ainda estão muito imaturos, principalmente os pulmões, o cérebro e o sistema digestivo. Por isso, normalmente há necessidade de internação prolongada em UTI neonatal e de suporte intensivo, como ajuda para respirar e alimentação pela veia;
    • Prematuro precoce: acontece quando o nascimento ocorre entre 28 e 34 semanas de gestação. Embora o bebê já tenha um desenvolvimento mais avançado do que o prematuro extremo, ainda pode apresentar dificuldades respiratórias, maior risco de infecções e necessidade de acompanhamento intensivo nos primeiros dias ou semanas de vida;
    • Prematuro tardio: é o nascimento entre 34 semanas e 36 semanas e 6 dias de gestação. Nessa fase, muitos órgãos já estão mais maduros, e o bebê costuma ter menos complicações. Mesmo assim, ainda podem existir dificuldades para mamar, controlar a temperatura corporal, manter o peso e respirar adequadamente, o que pode exigir observação e cuidados médicos após o parto.

    Quanto mais cedo o bebê nasce, maiores são as chances de precisar de cuidados intensivos, já que órgãos como pulmões, cérebro e intestino ainda estão em desenvolvimento. Já os prematuros tardios costumam apresentar menos complicações e, muitas vezes, precisam de menos tempo de internação.

    O que pode causar o parto prematuro?

    O parto prematuro pode ser desencadeado por diferentes mecanismos. Em alguns casos, o corpo inicia o trabalho de parto sozinho (espontâneo), enquanto em outros, a equipe médica precisa intervir para garantir a segurança da mãe e do bebê.

    1. Infecções e processos inflamatórios

    As infecções são algumas das causas mais comuns do parto prematuro e, normalmente, ocorrem de maneira silenciosa. Qualquer infecção no corpo da gestante pode liberar substâncias inflamatórias na corrente sanguínea que estimulam as contrações uterinas, como:

    • Infecção urinária: muitas gestantes apresentam a chamada bacteriúria assintomática, que é a presença de bactérias na urina sem sintomas típicos, como dor ou ardor ao urinar. Quando não tratada, a condição pode aumentar o risco de parto prematuro;
    • Saúde bucal: a periodontite, que é uma infecção na gengiva, também está associada ao aumento do risco de nascimento prematuro;
    • Outros quadros infecciosos: gripes intensas, pneumonias e infecções vaginais, como a vaginose bacteriana, também exigem atenção durante a gestação, pois podem favorecer processos inflamatórios relacionados ao parto prematuro.

    Qualquer febre, mal-estar ou sinal de infecção durante a gestação deve ser avaliado rapidamente pelo médico, pois mesmo infecções aparentemente simples podem desencadear processos inflamatórios capazes de estimular as contrações uterinas e aumentar o risco de parto prematuro.

    2. Distensão uterina excessiva

    A distensão uterina excessiva é o alongamento ou expansão exagerada das paredes do útero, ultrapassando sua capacidade normal de acomodação durante a gestação, segundo Andreia.

    O quadro é comum em gestações múltiplas, como gravidez de gêmeos, trigêmeos ou mais bebês, já que o útero precisa se distender muito mais cedo do que em uma gestação única. O polidrâmnio, condição caracterizada pelo excesso de líquido amniótico, também provoca uma distensão maior do útero e pode favorecer o trabalho de parto prematuro.

    3. Insuficiência cervical

    A insuficiência cervical, também chamada de incompetência cervical, é uma condição em que o colo do útero não consegue sustentar o peso da gestação adequadamente. Em algumas mulheres, o colo é mais curto ou possui menos colágeno, perdendo a capacidade de permanecer fechado à medida que o bebê ganha peso.

    Diferente do trabalho de parto comum, na insuficiência cervical o colo do útero pode começar a encurtar e se abrir sem que a gestante sinta contrações fortes ou dor intensa. Muitas vezes, os sinais são discretos ou inexistentes, o que aumenta o risco de perda gestacional tardia ou parto prematuro.

    Se identificado precocemente via ultrassom transvaginal, o médico pode recomendar a cerclagem (um ponto cirúrgico para manter o colo fechado) ou o uso de repouso e progesterona.

    4. Indicações médicas de interrupção

    Em alguns casos, Andreia explica que é preciso interromper a gestação antes do tempo por questões médicas, inclusive por cesárea, para proteger a saúde da mãe ou do bebê. Nessas situações, o parto prematuro acontece por indicação médica, quando continuar a gravidez representa mais riscos do que antecipar o nascimento.

    Algumas das principais situações incluem:

    • Pré-eclâmpsia e hipertensão: quando a pressão arterial elevada coloca a vida da mãe ou do bebê em risco, podendo causar complicações graves, como convulsões, alterações nos órgãos maternos e sofrimento fetal;
    • Sofrimento fetal: acontece quando exames de vitalidade param que o bebê não está recebendo oxigênio ou nutrientes suficientes dentro do útero, situação que pode ocorrer, por exemplo, em casos de restrição de crescimento fetal;
    • Descolamento de placenta: é uma emergência obstétrica em que a placenta se desprende parcialmente ou totalmente do útero antes do nascimento do bebê, aumentando o risco de hemorragias graves e comprometimento da oxigenação fetal.

    Quando a decisão do parto prematuro é tomada?

    A decisão de realizar um parto prematuro é tomada quando os riscos de manter a gestação se tornam maiores do que os riscos da prematuridade para o bebê.

    Andreia explica que são feitos exames de vitalidade fetal e avaliações clínicas para identificar o momento em que permanecer dentro do útero passa a representar mais riscos para o bebê do que nascer prematuramente.

    Os principais exames incluem:

    • Ultrassom obstétrico, que avalia o crescimento do bebê, os movimentos fetais e a quantidade de líquido amniótico;
    • Doppler fetal, que analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Cardiotocografia, capaz de monitorar os batimentos cardíacos do bebê e possíveis contrações uterinas;
    • Avaliação do líquido amniótico, que verifica se a quantidade de líquido está adequada para a idade gestacional;
    • Exames laboratoriais maternos, que ajudam a identificar alterações como infecções, pré-eclâmpsia e outros problemas que podem colocar a gestação em risco.

    Os exames ajudam a equipe médica a entender se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes adequadamente, se continua crescendo de forma saudável e se a mãe apresenta sinais de complicações que possam colocar a gestação em risco.

    A decisão é extremamente delicada e precisa ser tomada com muita responsabilidade, porque a prematuridade também traz riscos importantes para o recém-nascido.

    Sinais de alerta: quando suspeitar de trabalho de parto prematuro?

    Segundo Andreia, alguns sinais podem indicar risco de trabalho de parto prematuro e nunca devem ser ignorados durante a gestação, como:

    • Cólicas;
    • Contrações dolorosas e frequentes;
    • Dor lombar persistente;
    • Perda de líquido pela vagina;
    • Sangramento vaginal;
    • Sensação de pressão na pelve;
    • Sintomas infecciosos, como febre alta, calafrios, fadiga intensa e dores musculares.

    Em muitos casos, o trabalho de parto prematuro pode começar de forma discreta, com sintomas parecidos com desconfortos comuns da gravidez. Assim, qualquer alteração diferente do habitual deve ser avaliada rapidamente.

    Riscos e complicações para o bebê prematuro

    Os riscos para o bebê prematuro variam de acordo com a idade gestacional. De acordo com Andreia, quanto mais cedo acontece o nascimento, maiores são as chances de complicações, já que muitos órgãos ainda não estão completamente desenvolvidos.

    • Síndrome do desconforto respiratório, em que os pulmões ainda são imaturos, dificultando a respiração do bebê;
    • Hemorragia intracraniana, pois sangramentos no cérebro podem acontecer principalmente nos prematuros extremos;
    • Enterocolite necrosante, uma condição grave causada pela imaturidade intestinal, que pode levar à inflamação e necrose de partes do intestino;
    • Maior risco de infecções, pois como o sistema imunológico ainda é imaturo, o bebê fica mais vulnerável;
    • Retinopatia da prematuridade, que é uma alteração nos vasos sanguíneos dos olhos que pode comprometer a visão;
    • Alterações neurológicas do desenvolvimento, como dificuldades motoras, cognitivas e até paralisia cerebral.

    Além disso, muitos prematuros precisam de internação em UTI neonatal, auxílio para respirar e suporte alimentar até que consigam completar parte do desenvolvimento fora do útero.

    Como prevenir o parto prematuro?

    Nem todos os casos de parto prematuro podem ser evitados, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos durante a gravidez, como:

    • Controlar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;
    • Tratar infecções rapidamente, especialmente infecção urinária;
    • Manter hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada, prática de exercícios orientados e evitar cigarro e álcool;
    • Realizar todas as consultas e exames do pré-natal;
    • Investigar sintomas como cólicas, sangramento, perda de líquido ou dor lombar;
    • Fazer avaliação odontológica, já que infecções na gengiva também podem aumentar o risco de prematuridade;
    • Identificar precocemente casos de insuficiência cervical por meio do ultrassom do colo do útero.

    Nos casos de insuficiência cervical, pode ser indicada a cerclagem, procedimento em que o médico faz um ponto no colo do útero para ajudá-lo a permanecer fechado durante a gestação.

    Perguntas frequentes

    1. A partir de quantas semanas o bebê tem chance de sobreviver?

    Normalmente, a viabilidade fetal é considerada a partir das 24 semanas, mas isso depende muito da tecnologia e dos recursos da UTI neonatal do hospital.

    2. Posso ter infecção urinária sem sentir dor?

    Sim, é a chamada bacteriúria assintomática. Por isso, exames de urina são rotina no pré-natal mesmo sem sintomas.

    3. Como diferenciar contração de treinamento de parto prematuro?

    As de treinamento são irregulares e sem dor. As de parto prematuro têm ritmo (ex: a cada 10 min), são dolorosas e não passam com repouso.

    4. Uma gripe forte pode causar parto prematuro?

    Qualquer processo inflamatório ou infeccioso importante, inclusive gripe, pneumonia ou infecção na gengiva, pode aumentar o risco.

    5. É verdade que o bebê de 7 meses é mais forte que o de 8?

    Não, isso é um mito. Cada dia e semana a mais dentro do útero é melhor para o desenvolvimento dos órgãos do bebê.

    6. O que é a alimentação parenteral para o prematuro?

    É a nutrição feita diretamente pela veia. Como o sistema digestivo do bebê muito prematuro ainda não está pronto para processar o leite, ele recebe os nutrientes necessários de forma endovenosa até que possa começar a mamar.

    7. Por que alguns partos prematuros são feitos por cesárea?

    A cesárea é indicada quando a interrupção é decidida pelo médico para salvar a vida da mãe ou do bebê (como em casos de pré-eclâmpsia grave) ou quando o bebê prematuro não suportaria o esforço de um parto normal.

    Veja também: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    A pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial, é uma complicação grave da gravidez que costuma surgir após a 20ª semana de gestação. No Brasil, a estimativa é que ela afete entre 5% e 10% das gestantes, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e de partos prematuros no país.

    Mas será que é possível prever o risco logo nas primeiras semanas? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como a pré-eclâmpsia pode ser identificada precocemente, quais são os fatores de risco, os sinais de alerta e o que fazer para reduzir as complicações para a mãe e o bebê.

    Afinal, o que é a pré-eclâmpsia e por que ela acontece?

    A pré-eclâmpsia, conhecida como doença hipertensiva específica da gestação, é uma complicação da gravidez em que ocorre o aumento da pressão arterial após a 20ª semana de gestação. Em muitos casos, ela também causa alterações nos rins, levando à perda de proteína na urina, além de poder comprometer órgãos importantes, como fígado, cérebro e placenta.

    A condição está relacionada a uma formação inadequada dos vasos sanguíneos da placenta no início da gestação. Com isso, a placenta passa a funcionar de maneira insuficiente e libera substâncias inflamatórias na circulação materna, provocando alterações nos vasos sanguíneos e aumentando a pressão arterial.

    Quais os fatores de risco para a pré-eclâmpsia?

    Ainda não existe uma causa única totalmente definida, mas alguns fatores aumentam o risco de pré-eclâmpsia e podem ser identificados logo na primeira consulta de pré-natal. Andreia e o Ministério da Saúde destacam algumas delas:

    • Primeira gestação, já que mulheres grávidas pela primeira vez têm maior risco naturalmente;
    • Mudança de parceiro, devido à adaptação imunológica do organismo ao novo material genético do bebê;
    • Gravidez de gêmeos ou múltiplos, porque há uma maior sobrecarga da placenta e da circulação materna;
    • Hipertensão antes da gravidez;
    • Diabetes, incluindo diabetes tipo 1, tipo 2 ou diabetes gestacional;
    • Obesidade ou IMC elevado antes da gestação;
    • Doenças autoimunes, como lúpus;
    • Trombofilias, como a Síndrome Antifosfolípide (SAF);
    • Doença renal prévia;
    • Histórico familiar de pré-eclâmpsia, principalmente em mãe ou irmã;
    • Gravidez antes dos 18 anos ou após os 35 a 40 anos.

    Segundo a ginecologista, a presença de alguns desses fatores já pode classificar a gestante como de maior risco para o desenvolvimento da pré-eclâmpsia, exigindo um acompanhamento mais próximo durante o pré-natal.

    Como identificar o risco logo no início da gravidez?

    Logo na primeira consulta de pré-natal, o obstetra avalia características que aumentam as chances de pré-eclâmpsia, como primeira gestação, idade acima de 35 anos e obesidade. Mesmo sem alterações nos exames, as pacientes já precisam de acompanhamento mais cuidadoso.

    A partir do rastreamento inicial, algumas avaliações são necessárias, como:

    • Doppler das artérias uterinas: realizado geralmente entre a 11ª e a 14ª semana, o exame avalia o fluxo sanguíneo nas artérias do útero. Alterações podem indicar dificuldades na formação da placenta e maior risco de pré-eclâmpsia;
    • Marcadores bioquímicos: alguns exames de sangue podem avaliar proteínas produzidas pela placenta, como o PlGF. A presença de alterações nos níveis podem sugerir maior risco para a doença;
    • Monitoramento da pressão arterial: a aferição da pressão em todas as consultas é importante para identificar aumentos precoces e iniciar a investigação rapidamente;
    • Cálculo de risco combinado: em alguns serviços, os médicos utilizam algoritmos que cruzam informações clínicas, como idade, peso e histórico da gestante, com exames como o Doppler das artérias uterinas e marcadores bioquímicos do sangue materno.

    Vale destacar que nenhum exame isolado consegue prever com certeza se a gestante terá pré-eclâmpsia. O objetivo do rastreamento é identificar pacientes com maior risco para permitir um acompanhamento mais próximo e iniciar medidas preventivas precocemente.

    Sinais de alerta para a pré-eclâmpsia

    A pré-eclâmpsia pode se desenvolver de forma silenciosa no início, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente após a 20ª semana de gestação. Segundo Andréia, devem acender o alerta de níveis de pressão arterial acima de 14 por 9, mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    Já valores iguais ou superiores a 16 por 11 são considerados uma emergência hipertensiva e precisam de avaliação médica imediata, devido ao alto risco de complicações graves para a mãe e o bebê.

    Além da pressão elevada, alguns sintomas podem indicar iminência de eclâmpsia, um quadro mais grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pelo surgimento de convulsões. Os mais comuns incluem:

    • Dor de cabeça forte e persistente, que não melhora facilmente;
    • Alterações visuais, como visão embaçada, pontos brilhantes, “luzinhas” na visão (fosfenas) ou áreas escuras no campo visual (escotomas);
    • Dor abdominal, principalmente na parte superior direita do abdômen, região próxima ao fígado;
    • Náuseas e vômitos intensos após a metade da gestação;
    • Falta de ar ou sensação de dificuldade para respirar;
    • Inchaço importante e repentino, especialmente no rosto e nas mãos;
    • Redução da quantidade de urina.

    Quando a interrupção da gravidez é necessária?

    A decisão de interromper a gravidez depende da gravidade da pré-eclâmpsia e das condições da mãe e do bebê. Andreia explica que assim que a pré-eclâmpsia é diagnosticada, a equipe médica inicia o controle da pressão arterial e passa a monitorar de perto a vitalidade fetal.

    • Se a mãe e o bebê estiverem estáveis, a gestação pode seguir com acompanhamento até próximo das 40 semanas;
    • Quando existem critérios de gravidade, a recomendação costuma ser a interrupção por volta de 37 semanas;
    • Já em situações mais graves, como iminência de eclâmpsia, alterações laboratoriais importantes ou sofrimento fetal, a interrupção da gestação pode ser necessária mesmo antes do tempo previsto, para proteger a vida da mãe e do bebê.

    É possível prevenir a pré-eclâmpsia?

    Nem sempre é possível prevenir completamente a pré-eclâmpsia, mas identificar o risco logo no começo da gravidez ajuda bastante a reduzir as chances de complicações graves. Quanto mais cedo a gestante inicia o pré-natal, maiores são as possibilidades de acompanhamento e intervenção precoce. Veja algumas medidas:

    • Em pacientes consideradas de alto risco, o obstetra pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose;
    • Suplementação de cálcio, especialmente em mulheres que possuem uma dieta pobre no nutriente;
    • Controle de fatores que aumentam o risco da doença, como hipertensão, diabetes e obesidade;
    • Adoção de hábitos mais saudáveis de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas leves.

    Segundo Andreia, o AAS costuma ser suspenso por volta das 36 semanas de gestação, perto do parto, porque o medicamento interfere na função das plaquetas. A medida ajuda a diminuir o risco de sangramentos excessivos durante o nascimento do bebê.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O que é a síndrome HELLP?

    É uma variante muito grave da pré-eclâmpsia que causa a destruição das células vermelhas do sangue, aumento de enzimas do fígado e queda das plaquetas. Exige interrupção rápida da gravidez.

    2. A pré-eclâmpsia pode afetar o bebê?

    Sim. Como a placenta não funciona bem, o bebê pode receber menos oxigênio e nutrientes, levando à restrição de crescimento e, em casos graves, à necessidade de parto prematuro.

    3. Posso ter parto normal com pré-eclâmpsia?

    Sim, desde que a mãe e o bebê estejam estáveis. Se houver sinais de gravidade ou sofrimento fetal, a cesariana pode ser indicada como via mais rápida.

    4. O que é o exame de proteinúria?

    É um exame de urina (geralmente de 24 horas ou amostra isolada) que mede a perda de proteínas. Na pré-eclâmpsia, os rins “vazam” proteínas, o que ajuda a confirmar o diagnóstico.

    5. A pré-eclâmpsia pode causar descolamento de placenta?

    Infelizmente, sim. A pressão muito alta e as alterações nos vasos sanguíneos aumentam significativamente o risco de descolamento prematuro da placenta, o que é uma emergência para a mãe e para o bebê.

    6. A alimentação pode influenciar no tratamento?

    Sim. Uma dieta com controle de sal (sódio) e rica em nutrientes ajuda a não sobrecarregar o sistema circulatório. No entanto, a dieta sozinha não substitui o uso de medicações preventivas quando indicadas.

    7. Quanto tempo depois do parto a pressão volta ao normal?

    Na maioria das vezes, a pressão normaliza em até 12 semanas após o parto. Se a pressão continuar alta após esse período, a mulher pode ser diagnosticada com hipertensão crônica.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Sabia que a chance de gravidez natural é de cerca de 20% a 25% por ciclo menstrual? Mesmo entre casais saudáveis e sem alterações conhecidas, engravidar pode levar alguns meses, uma vez que a gestação depende de uma combinação de fatores hormonais, qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, frequência das relações sexuais e até da idade.

    No entanto, se quando a gravidez não acontece após um determinado período de tentativas, pode ser importante investigar possíveis causas de infertilidade, tanto femininas quanto masculinas, para identificar dificuldades precocemente e aumentar as chances de tratamento e sucesso reprodutivo. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando investigar a infertilidade?

    A investigação da infertilidade costuma levar em consideração, principalmente, a idade da paciente e o tempo de tentativas para engravidar.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, para mulheres com menos de 35 anos, a recomendação é aguardar até 12 meses de relações sexuais frequentes, sem uso de métodos contraceptivos, antes de iniciar uma investigação. Mesmo em pessoas férteis e sem alterações aparentes, a chance de gravidez natural por ciclo menstrual gira em torno de 20% a 25%.

    A partir dos 35 anos, o ideal é procurar avaliação médica após 6 meses de tentativas sem sucesso, porque a fertilidade tende a diminuir progressivamente com a idade.

    Já após os 40 anos, muitos especialistas recomendam que a investigação seja iniciada imediatamente, devido à queda mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos. Andreia explica que alguns profissionais ainda podem considerar um período curto de espera, de até 6 meses, dependendo de cada caso, mas a avaliação não deve ser adiada por muito tempo.

    Exames para investigar a dificuldade de engravidar

    Durante a investigação, o médico ginecologista ou especialista em reprodução humana pede uma série de exames para avaliar tanto a saúde da mulher quanto a do homem, dependendo do histórico clínico de cada casal. Alguns deles incluem:

    1. Exames de sangue e hormonais

    Os exames hormonais são necessários para avaliar o funcionamento do eixo neuroendócrino, a ovulação e a reserva ovariana. Os principais hormônios analisados incluem:

    • FSH e o estradiol, que ajudam a entender a função dos ovários e a qualidade da ovulação;
    • LH, que auxilia na identificação do pico hormonal que antecede a liberação do óvulo;
    • TSH e a prolactina, já que alterações da tireoide ou níveis elevados de prolactina podem dificultar ou impedir a ovulação;
    • Hormônio antimulleriano (AMH), considerado atualmente um dos exames mais importantes para estimar a reserva ovariana, ou seja, o estoque de óvulos da mulher.

    Em muitos casos, a dosagem hormonal precisa ser realizada em dias específicos do ciclo menstrual para que os resultados sejam interpretados corretamente. O FSH, o LH e o estradiol, por exemplo, costumam ser avaliados no início do ciclo, normalmente entre o segundo e o quinto dia da menstruação, enquanto outros hormônios podem ser coletados em diferentes momentos.

    2. Ultrassom transvaginal

    O ultrassom transvaginal permite observar detalhadamente a anatomia do útero e dos ovários, sendo um dos exames mais importantes na investigação da infertilidade feminina. Por meio dele, o médico consegue avaliar possíveis alterações que podem dificultar a gravidez, como:

    • Momas;
    • Pólipos endometriais;
    • Malformações uterinas;
    • Cistos ovarianos;
    • Sinais compatíveis com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    O ultrassom também ajuda a avaliar a espessura do endométrio, camada interna do útero onde ocorre a implantação do embrião, e pode ser utilizado para acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos folículos durante o ciclo menstrual, permitindo identificar se a ovulação está acontecendo adequadamente.

    3. Histerossalpingografia

    A histerossalpingografia é um exame realizado com contraste e raio-X para avaliar se as tubas uterinas estão desobstruídas. Durante o procedimento, o contraste é introduzido pelo colo do útero e percorre as tubas.

    Quando o líquido não consegue passar adequadamente, isso pode indicar uma obstrução tubária, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide e, em alguns casos, indicando a necessidade de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    4. Espermograma

    A investigação da infertilidade não deve avaliar apenas a mulher, já que os fatores masculinos representam cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção. O espermograma é um exame capaz de analisar a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides, ajudando a identificar possíveis alterações que possam interferir na fertilidade masculina e direcionando o tratamento mais adequado.

    5. Monitoramento da temperatura e testes de ovulação

    Após a ovulação, a temperatura corporal costuma aumentar discretamente, enquanto os testes de LH ajudam a identificar o pico hormonal que antecede a liberação do óvulo. Isso permite confirmar se o ciclo é ovulatório e se o período das relações sexuais está adequado para aumentar as chances de gravidez.

    Como é feito o tratamento para infertilidade?

    O tratamento para a infertilidade depende da causa identificada durante a investigação, da idade do casal, do tempo de tentativas e das condições de saúde envolvidas. De forma geral, os tratamentos são divididos em baixa e alta complexidade.

    Baixa complexidade

    Os tratamentos de baixa complexidade são aqueles em que a fecundação (o encontro do óvulo com o espermatozoide) acontece dentro do corpo da mulher. Como explica Andreia, as técnicas incluem:

    • Coito programado: com o auxílio de ultrassonografias e testes de farmácia (LH urinário), o médico identifica exatamente quando a mulher vai ovular. O casal é orientado a ter relações sexuais na janela fértil de 4 dias, aumentando as chances de sucesso;
    • Indução da ovulação: indicada para mulheres que não ovulam regularmente (como na SOP). São usados medicamentos (comprimidos como o clomifeno ou injeções) para estimular o crescimento dos folículos ovarianos, garantindo que o óvulo seja liberado;
    • Inseminação artificial (intrauterina): o médico seleciona os melhores espermatozoides do parceiro em laboratório e os introduz diretamente dentro do útero através de um cateter fino, no momento da ovulação. É ideal para casos de fator masculino leve ou quando o muco do colo do útero dificulta a passagem dos espermatozoides.

    Os tratamentos de baixa complexidade normalmente são menos agressivos, mais acessíveis e apresentam menor custo quando comparados às técnicas de alta complexidade.

    Alta complexidade

    Os tratamentos de alta complexidade em fertilidade são indicados quando existem dificuldades mais importantes para a gravidez natural ou quando os tratamentos de baixa complexidade não apresentaram resultado. Nestas técnicas, a fecundação é realizada em laboratório, fora do corpo da mulher.

    O principal tratamento de alta complexidade é a fertilização in vitro (FIV), em que a mulher utiliza medicamentos hormonais para estimular os ovários a produzirem múltiplos óvulos. Depois, os óvulos são coletados por punção ovariana e fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Após a formação dos embriões, um ou mais são transferidos para o útero.

    Em alguns casos, pode ser necessária a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), uma técnica realizada durante a FIV em que um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. Ela costuma ser indicada principalmente em situações de infertilidade masculina grave ou quando houve falha de fertilização prévia.

    Os tratamentos de alta complexidade normalmente são recomendados em casos de obstrução das tubas uterinas, endometriose avançada, baixa reserva ovariana, idade materna mais avançada, alterações importantes no espermograma ou infertilidade sem causa definida após múltiplas tentativas.

    Quando a doação de gametas é indicada?

    Quando a reserva ovariana está esgotada, como em casos de menopausa precoce, ou os óvulos/espermatozoides não têm qualidade genética para gerar um embrião saudável, o casal pode recorrer à ovodoação (óvulos doados) ou à doação de sêmen.

    As técnicas permitem que a mulher vivencie a gestação, utilizando material genético de doadores anônimos.

    Quais as taxas de sucesso do tratamento?

    As taxas de sucesso dos tratamentos para infertilidade variam de acordo com diversos fatores, principalmente a técnica utilizada, a idade da paciente, a reserva ovariana, a causa da infertilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Normalmente, os índices costumam ficar entre 15% e 25% por tentativa, especialmente nos tratamentos de baixa complexidade, como a indução da ovulação e a inseminação intrauterina.

    Já em clínicas especializadas e em casos considerados mais favoráveis, especialmente em mulheres mais jovens e sem alterações importantes, as taxas podem chegar a 40% por ciclo em técnicas como a fertilização in vitro (FIV).

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo é normal demorar para engravidar?

    Para casais com menos de 35 anos e sem problemas de saúde conhecidos, é considerado normal aguardar até 12 meses de tentativas frequentes.

    2. É verdade que a ansiedade atrapalha a gravidez?

    Sim. O estresse e o fator emocional afetam os estímulos neurológicos que regulam a pulsação dos hormônios, o que pode interferir na ovulação e na receptividade do útero.

    3. Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade?

    A infertilidade é a dificuldade em levar uma gestação até o fim (incluindo abortos de repetição), enquanto a esterilidade é a incapacidade total de engravidar naturalmente.

    4. Para que serve o exame de hormônio antimulleriano?

    Ele serve para medir a reserva ovariana da mulher, ou seja, a quantidade de folículos (ovos) que ela ainda possui disponíveis.

    5. Ter ciclos menstruais irregulares é sinal de infertilidade?

    Ciclos irregulares costumam indicar distúrbios hormonais ou falta de ovulação constante, o que dificulta a gravidez, mas pode ser tratado com indução medicamentosa.

    6. Quem já teve um filho pode ser infértil?

    Sim, isso se chama infertilidade secundária. Pode ocorrer devido a novas condições de saúde, idade avançada ou mudanças no parceiro.

    7. Abortos de repetição são considerados infertilidade?

    Sim. Quando a mulher engravida, mas não consegue manter a gestação até o nascimento de um bebê saudável, isso é classificado como um tipo de infertilidade.

    8. É possível engravidar com as trompas obstruídas?

    Se a obstrução for bilateral (nas duas trompas), a gravidez natural é impossível. Nesses casos, a indicação costuma ser a fertilização in vitro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Fluxo menstrual intenso: por que acontece e como tratar

    Fluxo menstrual intenso: por que acontece e como tratar

    Você já ouviu falar em menorragia? Essa condição, também chamada de fluxo menstrual intenso, acontece quando a quantidade de sangue eliminada durante a menstruação é maior do que o considerado normal.

    Apesar de muitas vezes ser considerada comum, o fluxo intenso pode afetar diretamente a qualidade de vida, causar anemia e até sinalizar doenças mais sérias, como distúrbios hormonais ou alterações uterinas.

    Mas afinal, como é possível identificar se a menstruação é mais intensa que o normal? Quem convive com a condição costuma sentir impacto direto na qualidade de vida, e alguns sinais podem indicar que é hora de procurar um ginecologista. Entenda mais, a seguir!

    O que é ter um ciclo menstrual regular?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, um ciclo regular dura entre 25 e 35 dias, sendo contado do primeiro dia de uma menstruação até o primeiro dia seguinte. O sangramento deve ter duração de 3 a 7 dias. O padrão mais comum é o ciclo de 28 dias, mas variações dentro desta faixa ainda são consideradas normais.

    No ciclo, há duas fases principais:

    • Fase folicular: dura em média 15 dias e corresponde ao desenvolvimento do óvulo;
    • Fase lútea: ocorre após a ovulação, quando o corpo se prepara para uma possível gestação.

    O fluxo menstrual normal apresenta maior intensidade entre o segundo e o terceiro dia, diminuindo gradualmente até acabar. Muitas mulheres confundem irregularidade com ciclos que simplesmente acontecem duas vezes no mesmo mês, mas que ainda estão dentro da faixa considerada normal.

    O que é menorragia?

    O fluxo menstrual intenso acontece quando a perda de sangue é maior do que o esperado, seja pela quantidade ou pela duração. Nessa situação, o sangramento:

    • Dura mais de 7 dias consecutivos;
    • Exige a troca de absorvente a cada 1 ou 2 horas;
    • Gera coágulos grandes e volumosos;
    • Há episódios de vazamento noturno, mesmo com absorventes adequados;
    • Interfere nas atividades diárias, como trabalhar, estudar ou praticar exercícios.

    Normalmente, pessoas que convivem com a menorragia precisam lidar com a necessidade de trocar absorventes a cada hora, roupas manchadas, noites mal dormidas e até dificuldade para manter compromissos sociais e profissionais.

    De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CCD), mulheres com fluxo intenso perdem em média 80 ml de sangue por ciclo, o dobro do volume considerado normal. Em alguns casos, isso pode levar a quadros de anemia — provocando fadiga, tontura e falta de concentração.

    Veja também: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Sintomas da menorragia

    Nem sempre é fácil identificar quando o fluxo menstrual está mais intenso que o normal. Por isso, é importante observar alguns sinais, como:

    • Sangramento que dura mais de uma semana;
    • Troca frequente de absorventes (a cada 1 hora);
    • Uso de dupla proteção (absorvente interno e externo juntos);
    • Presença de coágulos grandes;
    • Dores abdominais fortes durante a menstruação.

    Quando procurar ajuda médica?

    Se você apresenta mais de dois desses sintomas com frequência, é fundamental procurar um ginecologista. O fluxo intenso pode ser apenas uma característica do seu corpo, mas também pode estar ligado a problemas de saúde que exigem acompanhamento.

    O que pode causar fluxo menstrual intenso?

    O ciclo menstrual faz parte da vida da maioria das mulheres em idade fértil, mas quando o sangramento é muito intenso, ele pode indicar a presença de algumas condições. Entre as mais comuns, de acordo com pesquisas e orientações da ginecologista Andreia Sapienza, destacamos:

    • Alterações anatômicas: miomas, pólipos e adenomiose;
    • Alterações hormonais: disfunções da tireoide, alterações da prolactina, síndrome dos ovários policísticos;
    • Distúrbios de coagulação;
    • Uso de medicamentos: como anticoagulantes;
    • Fatores ligados ao estilo de vida: como estresse intenso, mudanças de peso ou prática excessiva de exercícios.

    Como é feita a investigação do fluxo menstrual intenso?

    Para descobrir a causa do fluxo menstrual intenso, o médico avalia os sintomas do paciente e pode pedir alguns exames, como:

    • Ultrassonografia transvaginal: avalia o útero e os ovários, identificando miomas, pólipos, cistos e sinais de adenomiose;
    • Exames de sangue: o hemograma detecta anemia, enquanto dosagens hormonais ajudam a verificar a função da tireoide, da prolactina e da ovulação;
    • Exames de coagulação: investigam possíveis distúrbios no sangue que favoreçam sangramentos aumentados;
    • Biópsia do endométrio: indicada em casos específicos, principalmente para mulheres acima dos 40 anos ou com histórico familiar de câncer ginecológico.

    Leia mais: Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Tratamentos para fluxo menstrual intenso

    O tratamento do fluxo menstrual intenso varia de acordo com a causa da condição, e pode incluir:

    • Terapia hormonal: com anticoncepcionais orais, DIU hormonal, implantes ou injeções de progesterona, que reduzem ou até suspendem a menstruação;
    • Medicamentos específicos: como o ácido tranexâmico, usados em episódios agudos de sangramento;
    • Anti-inflamatórios não hormonais: que ajudam a controlar cólicas e reduzem discretamente o fluxo;
    • Cirurgias: quando há miomas, pólipos ou outras alterações estruturais que não respondem ao tratamento clínico. Em casos graves, pode ser indicada a histerectomia (retirada do útero).

    Em casos de anemia, também é fundamental indicar um tratamento com suplementação. No entanto, conforme reforça Andrea, não adianta apenas tratar a anemia sem controlar o sangramento: é preciso “fechar a torneira” para que o corpo consiga se recuperar.

    Riscos do fluxo menstrual intenso

    O maior problema do fluxo intenso é a anemia, já que o corpo perde ferro e hemoglobina de forma mais rápida do que consegue repor. Nesse cenário, a pessoa sente cansaço constante, falta de disposição, palpitações, queda de cabelo, unhas frágeis e falta de ar. Em casos graves, a anemia pode causar complicações cardíacas.

    Por isso, o hemograma é geralmente um dos primeiros exames solicitados quando há suspeita de fluxo aumentado. Se o resultado confirmar anemia, é muito provável que a menstruação abundante esteja diretamente ligada ao quadro.

    Veja também: TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    Perguntas frequentes sobre fluxo menstrual intenso

    1. Como saber se meu fluxo é realmente intenso?

    Se você precisa trocar o absorvente a cada 1 ou 2 horas, usa dupla proteção (absorvente interno e externo juntos), fica mais de 7 dias menstruada ou apresenta sinais de anemia, como cansaço extremo, tontura ou falta de ar, é bem provável que esteja com fluxo menstrual intenso. Nesses casos, é fundamental procurar um médico.

    2. Como diminuir o fluxo menstrual rápido?

    Alguns remédios, como anti-inflamatórios, podem reduzir o sangramento. Porém, só devem ser usados com indicação médica, pois cada caso tem uma origem diferente e a automedicação pode mascarar sintomas importantes ou até piorar o problema.

    3. Chá para diminuir o fluxo menstrual funciona?

    Não existem evidências científicas de que o consumo de chá realmente controle o fluxo intenso. Eles podem até ajudar no alívio de cólicas leves, mas não substituem tratamento médico.

    4. Ibuprofeno diminui o fluxo menstrual?

    Sim. O ibuprofeno, além de aliviar a dor, pode reduzir o volume do sangramento em até 30%, segundo estudos. Mas deve ser usado apenas com orientação médica, principalmente para quem tem problemas gástricos.

    5. Existe diferença entre cólica menstrual forte e fluxo menstrual intenso?

    Sim, são coisas diferentes, mas que podem aparecer juntas. A cólica menstrual (ou dismenorreia) é a dor causada pela contração do útero para eliminar o endométrio, podendo variar de leve a incapacitante.

    Já o fluxo menstrual intenso (menorragia) se refere especificamente à quantidade de sangue eliminada. Uma mulher pode ter cólicas fortes sem apresentar fluxo intenso, e também pode ter fluxo abundante sem sentir muita dor.

    Leia também: Por que algumas mulheres sentem mudanças cognitivas ao longo do ciclo menstrual?

  • Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    A colestase gravídica, também chamada de colestase intra-hepática da gravidez, é uma condição que pode surgir principalmente no terceiro trimestre da gestação e afeta o funcionamento do fígado.

    Ela acontece quando a bile não consegue ser liberada adequadamente para o intestino, causando o acúmulo de ácidos biliares na corrente sanguínea. Como consequência, a gestante pode apresentar sintomas bastante desconfortáveis, principalmente a coceira intensa na pele.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre a colestase gravídica, entender quais são os sinais de alerta e como é feito o tratamento da condição.

    O que é colestase gestacional?

    A colestase gestacional é uma alteração no funcionamento do fígado em que a bile, um líquido amarelo-esverdeado produzido pelo órgão que participa do processo de digestão de gorduras, não consegue chegar adequadamente ao intestino.

    Com isso, os ácidos biliares acabam se acumulando na corrente sanguínea e em outros tecidos do corpo, causando uma coceira intensa especialmente nas mãos e nos pés. A condição costuma ser mais comum no terceiro trimestre da gestação, período em que os níveis hormonais estão mais elevados.

    O que causa a colestase gestacional?

    A colestase gravídica acontece principalmente por causa das alterações hormonais da gravidez, segundo Andreia. A bile depende do equilíbrio entre colesterol, hormônios e alguns minerais para ser produzida e eliminada corretamente.

    A ginecologista explica que, quando ocorre um desequilíbrio nos componentes, a bile pode se acumular nos ductos hepáticos, que são os canais responsáveis por transportar a substância até a vesícula biliar e, depois, para o intestino.

    Com os ductos mais obstruídos ou funcionando de forma inadequada, os sais biliares acabam retornando para a corrente sanguínea, causando o aumento dos ácidos biliares no organismo. É justamente o acúmulo que provoca sintomas como a coceira intensa característica da doença.

    Além das alterações hormonais naturais da gestação, algumas mulheres também possuem uma predisposição individual para desenvolver a colestase gravídica. Ela pode estar relacionada a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade às mudanças hormonais da gravidez. Por isso, pequenas alterações hormonais já podem favorecer o acúmulo da bile no organismo.

    Sintomas da colestase gestacional

    O principal sintoma da colestase gravídica é a coceira intensa na pele, que começa nas palmas das mãos e nas solas dos pés, mas também pode se espalhar para outras partes do corpo. Segundo Andreia, quando ocorre o acúmulo dos sais biliares no sangue, as substâncias também se depositam logo abaixo da pele, provocando o sintoma.

    Diferente de alergias e outras doenças de pele, a colestase gravídica não provoca manchas, bolinhas ou feridas aparentes, mas a pele pode ficar machucada apenas pelo ato de coçar. Além disso, outros sintomas que podem surgir incluem:

    • Urina escura;
    • Fezes claras ou esbranquiçadas;
    • Cansaço excessivo;
    • Náuseas;
    • Perda do apetite;
    • Desconforto abdominal.

    Quando o quadro evolui e os níveis de bilirrubina ficam muito elevados, Andreia aponta que pode surgir a icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos. O primeiro sinal frequentemente aparece na esclera, a parte branca dos olhos.

    Como a colestase gravídica pode aumentar o risco de complicações para o bebê, qualquer coceira intensa e persistente durante a gravidez deve ser avaliada pelo obstetra.

    Toda coceira na gravidez é colestase?

    Nem toda coceira durante a gravidez significa colestase gestacional. Na verdade, a suspeita costuma surgir quando a coceira é intensa, generalizada, predominante nas mãos e nos pés, aparece na segunda metade da gestação e não apresenta lesões aparentes na pele.

    Quando a gestante possui manchas, bolinhas, vermelhidão ou outras lesões típicas de alergias e doenças dermatológicas, a investigação geralmente é direcionada primeiro para causas relacionadas à pele. Já na colestase gestacional, a coceira costuma acontecer sem alterações visíveis, além de normalmente piorar durante a noite.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da colestase gravídica é feito principalmente por meio da avaliação dos sintomas da gestante e de exames de sangue que analisam o funcionamento do fígado, como:

    • Dosagem de bilirrubinas e ácidos biliares: avalia os níveis dos sais biliares no sangue, que costumam aumentar quando a bile não consegue ser eliminada corretamente;
    • Enzimas hepáticas: incluem exames como TGO, TGP, fosfatase alcalina e gama-GT, que ajudam a verificar se existe inflamação ou sobrecarga no fígado;
    • Ultrassom de fígado e vesícula biliar: é utilizado para descartar outras possíveis causas para a alteração do fluxo da bile, como pedras na vesícula, cálculos biliares ou outras doenças hepáticas.

    Como a coceira intensa pode ter diferentes causas durante a gravidez, os exames ajudam a confirmar o quadro e identificar alterações relacionadas ao acúmulo da bile no organismo.

    Tratamento de colestase gestacional

    O tratamento da colestase gestacional é feito para aliviar os sintomas da gestante, controlar os níveis de ácidos biliares no sangue e reduzir os riscos para o bebê. Na maioria dos casos, Andreia explica que o médico indica o uso de ácido ursodesoxicólico, que ajuda a melhorar o fluxo da bile, diminuir o acúmulo dos sais biliares no organismo e aliviar a coceira intensa.

    Além do tratamento medicamentoso, a gestante precisa de um acompanhamento mais próximo durante a gravidez. Os exames de sangue são realizados com frequência para monitorar o funcionamento do fígado e os níveis de ácidos biliares, enquanto ultrassons e exames de avaliação fetal ajudam a acompanhar a saúde do bebê.

    Em geral, a colestase gestacional desaparece após o nascimento do bebê, quando os hormônios da gravidez diminuem e o funcionamento do fígado volta ao normal.

    Quando é necessário adiantar o parto?

    A necessidade de adiantar o parto na colestase gestacional depende da gravidade do quadro e da resposta ao tratamento. Segundo Andreia, a interrupção da gestação pode ser indicada quando existem sinais de sofrimento fetal ou quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos, mesmo com o uso da medicação adequada.

    Já nos casos em que a doença está bem controlada, com acompanhamento adequado da mãe e do bebê, o parto geralmente é programado entre 37 e 38 semanas de gestação, período considerado seguro para reduzir os riscos de complicações fetais relacionadas à colestase.

    Riscos para o bebê

    O principal risco para o bebê é que o excesso de ácidos biliares presente no sangue materno também pode passar para a circulação fetal. Em níveis muito altos, o acúmulo pode provocar sofrimento fetal e, em casos mais graves e raros, até óbito fetal.

    Apesar das complicações não serem frequentes, elas podem acontecer quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos e sem controle adequado. Por isso, a colestase gestacional requer um acompanhamento rigoroso e tratamento rápido.

    É possível prevenir a colestase gestacional?

    Não existe uma forma totalmente garantida de prevenir a colestase gestacional, principalmente porque a condição está muito relacionada às alterações hormonais da gravidez e à predisposição genética de cada mulher.

    Mesmo assim, o acompanhamento pré-natal adequado é necessário para identificar os sintomas precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes. Também deve-se manter hábitos saudáveis, ter uma alimentação equilibrada e seguir corretamente as orientações médicas, o que pode ajudar no cuidado da saúde do fígado durante a gestação.

    Mulheres que já tiveram colestase em uma gravidez anterior precisam de atenção redobrada, já que existe um maior risco de o quadro se repetir em outras gestações. Nesses casos, o acompanhamento médico costuma ser ainda mais próximo desde o início da gravidez.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Em qual período da gestação ela é mais comum?

    Normalmente no terceiro trimestre (da metade para o fim da gravidez). É raro que a colestase apareça logo no início da gestação.

    2. Existe alguma região do corpo onde a coceira começa?

    Sim, o quadro clássico começa na palma das mãos e na planta dos pés, podendo depois se espalhar para o corpo todo.

    3. Usar apenas antialérgico (anti-histamínico) resolve o problema?

    Não. O antialérgico pode ajudar a aliviar levemente o sintoma da coceira, mas não trata a causa. O tratamento essencial é o ácido ursodesoxicólico.

    4. O que significa dizer que a colestase é uma doença “autolimitada”?

    Significa que ela tem um fim determinado. Como é desencadeada pelos hormônios da gestação, assim que a gravidez termina e os níveis hormonais retornam ao normal, a doença se resolve sozinha.

    5. Qual a relação entre a bile e a digestão de gorduras?

    A bile é produzida no fígado, armazenada na vesícula e jogada no intestino. Sua função principal é atuar como um “detergente”, ajudando o organismo a quebrar e absorver as gorduras dos alimentos.

    6. O que acontece se a medicação não conseguir controlar os níveis de sais biliares?

    Se os ácidos biliares continuarem aumentando muito ou se não houver resposta adequada ao tratamento medicamentoso, a recomendação é a interrupção da gestação para evitar o risco de sofrimento fetal.

    7. O tratamento da colestase pode exigir cirurgia?

    A colestase gravídica em si é tratada com remédios. Porém, se o ultrassom mostrar que o acúmulo de bile é causado por um cálculo (pedra) obstruindo o canal, o tratamento pode passar a ser cirúrgico.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    A resistência à insulina é uma condição metabólica na qual as células do corpo, em especial músculos, gordura e fígado, não respondem adequadamente ao hormônio insulina, dificultando a entrada da glicose no sangue para dentro das células. Consequentemente, o pâncreas produz mais insulina para compensar, provocando altos níveis do hormônio no sangue.

    A condição é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, mas você sabia que ela também desempenha um papel importante na saúde ginecológica e reprodutiva da mulher?

    Além do controle da glicose no sangue, o desequilíbrio metabólico pode interferir diretamente no funcionamento dos ovários, alterando a produção de hormônios e favorecendo o surgimento de condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    Os impactos podem variar desde irregularidades no ciclo menstrual e aparecimento de acne até dificuldades significativas para engravidar. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a resistência à insulina afeta os ovários?

    A resistência à insulina altera o equilíbrio hormonal do corpo feminino, segundo a ginecologista Andreia Sapienza. Quando o organismo produz insulina em excesso para tentar controlar a glicose no sangue, o aumento da insulina passa a estimular os ovários a produzirem mais andrógenos, que são os chamados hormônios masculinos.

    O desequilíbrio hormonal interfere diretamente no funcionamento dos ovários e no ciclo reprodutivo da mulher, o que pode desencadear:

    • Prejuízo da ovulação;
    • Desregulação do ciclo menstrual;
    • Ciclos mais longos ou ausência de menstruação;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto e no corpo;
    • Dificuldade na maturação adequada dos óvulos.

    Como consequência, o processo desencadeia um ciclo: a resistência à insulina aumenta a produção de andrógenos, enquanto os andrógenos favorecem ainda mais a resistência insulínica, perpetuando as alterações hormonais e metabólicas ao longo do tempo.

    Além disso, a obesidade também tem um papel importante nesse quadro, já que o excesso de gordura corporal favorece a inflamação e piora a resposta das células à insulina. Em alguns casos, mulheres com obesidade podem apresentar sintomas muito semelhantes aos da SOP, mesmo sem preencher todos os critérios diagnósticos da síndrome.

    Relação da resistência à insulina na SOP

    Quando os níveis de insulina permanecem altos no organismo, os ovários passam a responder produzindo uma quantidade excessiva de andrógenos, como a testosterona. O desequilíbrio interfere diretamente no funcionamento normal dos ovários e na ovulação.

    Com o aumento dos andrógenos, os folículos ovarianos deixam de amadurecer adequadamente. Em vez de um óvulo ser desenvolvido e liberado todos os meses, como acontece em um ciclo menstrual normal, os folículos interrompem o crescimento antes da hora e acabam se acumulando nos ovários.

    No ultrassom, o acúmulo aparece como pequenos cistos distribuídos ao redor dos ovários, formando o aspecto típico da Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Sinais de alerta da resistência à insulina

    A resistência à insulina pode permanecer silenciosa por muitos anos, mas alguns sinais podem servir de alerta para investigar alterações metabólicas e hormonais, como:

    • Acantose nigricante, que são manchas escuras em regiões de dobra, como pescoço, axilas e virilha;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Aumento da gordura abdominal;
    • Cansaço frequente;
    • Fome excessiva;
    • Vontade frequente de comer doces;
    • Irregularidade menstrual;
    • Ciclos menstruais muito longos;
    • Ausência de menstruação por meses;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto, tórax ou abdômen;
    • Dificuldade para engravidar.

    Segundo Andreia, os sintomas costumam aparecer de forma gradual e podem afetar tanto a saúde metabólica quanto a saúde ginecológica da mulher.

    A resistência à insulina causa infertilidade?

    A resistência à insulina é uma das principais causas de infertilidade feminina de origem endócrina, pois o excesso do hormônio interfere no amadurecimento dos óvulos e impede a ovulação. No entanto, o quadro costuma ser reversível com o tratamento adequado.

    A mudança na composição corporal, com perda de gordura e aumento da massa muscular, aliada à prática regular de exercícios e ao controle alimentar, melhora a sensibilidade à insulina e favorece a retomada dos ciclos ovulatórios. Em alguns casos, medicamentos como a metformina podem ser indicados pelo médico para auxiliar nesse processo.

    Riscos da resistência insulínica na gravidez

    A resistência à insulina durante a gestação aumenta o risco de complicações maternas e fetais, principalmente quando o quadro já existia antes da gravidez ou não está bem controlado. Os principais riscos incluem:

    • Diabetes gestacional;
    • Pré-eclâmpsia;
    • Pressão alta na gestação;
    • Maior risco de parto prematuro;
    • Crescimento excessivo do bebê (macrossomia fetal);
    • Maior chance de cesárea;
    • Alterações no controle da glicose do recém-nascido após o parto.

    Além disso, mulheres com obesidade e resistência insulínica costumam apresentar maior inflamação metabólica, o que também pode prejudicar a fertilidade e aumentar os riscos obstétricos ao longo da gravidez.

    Diagnóstico da resistência à insulina

    O diagnóstico da resistência à insulina é feito por meio da avaliação clínica e de exames laboratoriais. O médico observa os sintomas, o histórico da paciente e sinais físicos associados às alterações metabólicas, como ganho de peso abdominal, irregularidade menstrual e acantose nigricante.

    Além da avaliação clínica, Andreia explica que alguns exames ajudam a identificar alterações no metabolismo da glicose e da insulina, incluindo:

    • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, que avaliam os níveis de açúcar no sangue;
    • Curva glicêmica, exame que mostra como o organismo responde à glicose ao longo do tempo;
    • Índices HOMA-IR e HOMA-Beta, utilizados para analisar a relação entre glicose e insulina e estimar o grau de resistência insulínica e o funcionamento do pâncreas;
    • Perfil lipídico, com avaliação do colesterol e dos triglicerídeos, já que alterações metabólicas costumam estar associadas à resistência à insulina.

    Como é feito o tratamento da resistência à insulina?

    O tratamento da resistência à insulina é baseado, principalmente, na mudança do estilo de vida. Segundo Andreia, melhorar a composição corporal, com menos gordura e mais massa muscular, é uma das medidas mais importantes para recuperar a sensibilidade à insulina e melhorar o funcionamento do metabolismo. O tratamento envolve medidas como:

    • Perda de peso, especialmente com redução da gordura abdominal e melhora da composição corporal;
    • Alimentação equilibrada, com menor consumo de açúcares, ultraprocessados e alimentos de alto índice glicêmico;
    • Prática regular de atividade física, principalmente exercícios que ajudam a preservar ou aumentar a massa muscular;
    • Melhora da qualidade do sono, já que dormir mal aumenta hormônios relacionados ao estresse e piora o controle da glicose;
    • Controle do estresse e do cortisol, que podem favorecer o aumento da glicemia e agravar a resistência à insulina.

    Em alguns casos, Andreia explica que alguns medicamentos podem ser usados como complemento, como a metformina, a espironolactona e alguns anticoncepcionais específicos. Contudo, eles não substituem a melhora da composição corporal e das mudanças no estilo de vida.

    Por fim, o uso dos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, pode ajudar na perda de peso. No entanto, se a paciente não associar o tratamento à prática de exercícios físicos, existe o risco de perda de massa muscular.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter resistência à insulina mesmo sendo magra?

    Sim, pois embora a obesidade seja o principal fator de risco, pacientes magras podem desenvolver a condição devido ao sedentarismo, má alimentação (excesso de alimentos de alto índice glicêmico) ou genética. A falta de massa muscular é um fator decisivo nesses casos.

    2. Por que o músculo é tão importante para o controle da insulina?

    Os músculos são os maiores consumidores de glicose do corpo. Eles possuem receptores (como o GLUT4) que facilitam a entrada do açúcar nas células. Quanto mais massa muscular você tem, mais eficiente é o seu metabolismo e menos insulina seu pâncreas precisa produzir.

    3. O que é o índice glicêmico e como ele afeta a dieta?

    É a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue. Alimentos de alto índice glicêmico (como pão branco e doces) causam picos rápidos de glicose, forçando o pâncreas a liberar muita insulina de uma vez. O ideal é consumir fibras e integrais para que essa absorção seja lenta e gradual.

    4. Qual a diferença entre pré-diabetes e resistência à insulina?

    A resistência à insulina é o mecanismo inicial. O pré-diabetes ocorre quando essa resistência já causou um descontrole leve no metabolismo, indicando que o pâncreas já perdeu cerca de 30% de sua capacidade produtiva.

    5. A resistência à insulina tem cura?

    Ela pode ser controlada e revertida através da mudança de composição corporal. Ao reduzir o percentual de gordura e aumentar a massa muscular, o metabolismo recupera sua sensibilidade à insulina, os ciclos menstruais se regulam e os riscos de doenças futuras diminuem drasticamente.

    6. O que são ciclos anovulatórios?

    São ciclos menstruais em que a mulher sangra, mas não houve a liberação de um óvulo. Na resistência insulínica, isso é comum porque os hormônios masculinos em excesso impedem que o folículo se rompa. É por isso que muitas mulheres acham que estão saudáveis por “menstruar”, mas na verdade não estão ovulando.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

    Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

    A endometriose é uma doença que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e, muitas vezes, impacta diretamente a qualidade de vida. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1 a cada 10 mulheres sofre com a doença, que provoca dor intensa, cólicas que não passam com analgésicos comuns e até mesmo dificuldade para engravidar.

    Embora o tratamento clínico seja a primeira escolha, em alguns casos a cirurgia se torna necessária para aliviar sintomas e preservar a fertilidade.

    O que é a endometriose e quais são os sintomas

    A ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a endometriose acontece quando o tecido que normalmente reveste o útero, chamado endométrio, aparece em locais fora dele. Esses focos de tecido continuam respondendo aos hormônios do ciclo menstrual, o que pode gerar inflamação e dor.

    Segundo a médica, os sintomas mais comuns são cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, desconforto para urinar ou evacuar e, em alguns casos, dificuldade para engravidar. “Algumas mulheres não sentem dor, mas podem enfrentar infertilidade”, destaca Andreia.

    Quando a cirurgia de endometriose é indicada

    Em um primeiro momento, o tratamento de endometriose pode ser feito com medicamentos que bloqueiam a menstruação e estabilizam os níveis hormonais, além do uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Mas, quando os sintomas não são controlados ou há infertilidade, o tratamento cirúrgico para endometriose é considerado.

    “A cirurgia consiste em buscar os focos de endometriose, que muitas vezes causam fibrose. Às vezes, a gente nem enxerga os focos, porque estão escondidos dentro dessas fibroses. Então, precisamos abrir essas fibroses, retirar todos os focos e limpar o local”.

    Os focos podem atingir diferentes órgãos. “Às vezes, a endometriose está no ovário, formando endometriomas (cistos com conteúdo sanguinolento), às vezes em ligamentos atrás do útero, às vezes no intestino ou na bexiga. Quando acomete o intestino, pode ser necessário operar em conjunto com o cirurgião coloproctologista para retirar o pedaço afetado”.

    Como a cirurgia de endometriose é feita

    A videolaparoscopia, método menos invasivo, é a mais utilizada. “A maioria das cirurgias de endometriose é feita por videolaparoscopia. Ela é muito mais vantajosa porque a câmera amplia o campo de visão do cirurgião, permitindo ver focos escondidos em lugares difíceis de acessar”, detalha a médica.

    “Com os instrumentos da laparoscopia, conseguimos chegar atrás do útero, perto dos ligamentos – locais comuns de lesão – com muito mais precisão do que na cirurgia aberta. Por isso, para endometriose, a cirurgia é sempre laparoscópica”.

    Em alguns casos, após a cirurgia, a menstruação pode ser bloqueada temporariamente com medicamentos que simulam uma menopausa induzida, geralmente por seis meses, para reduzir o risco de recorrência da doença.

    Recuperação e cuidados após a cirurgia de endometriose

    O pós-operatório é um momento de dúvidas para muitas pacientes, mas tende a ser bem mais simples do que em procedimentos abertos. “A recuperação da laparoscopia é sempre mais tranquila do que a da cirurgia aberta, porque não há necessidade de cicatrizar todas as camadas da parede abdominal”.

    O tempo de internação é curto. “Em geral, a alta acontece entre 24 e 48 horas. A paciente precisa manter repouso relativo por até 14 dias, não dirigir, não pegar peso, não fazer exercício físico. Depois disso, é liberada gradualmente para as atividades diárias. Normalmente, entre 7 e 14 dias já está retomando as tarefas mais simples”, conta a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Endometriose e infertilidade: por que a cirurgia pode ajudar

    Além do controle da dor, uma das razões para operar é a preservação da fertilidade. A médica explica que a endometriose pode comprometer diferentes partes do sistema reprodutor da mulher.

    “A infertilidade pode acontecer porque o foco de endometriose na tuba uterina obstrui a passagem do espermatozoide ou do óvulo, porque o ovário altera a ovulação ou porque o útero distorce o endométrio e atrapalha a implantação. Também pode ser pelo processo inflamatório crônico que altera a qualidade do ambiente reprodutivo”, detalha a especialista.

    Por isso, a cirurgia é, em muitos casos, importante para mulheres que desejam engravidar e não conseguem. A médica lembra, porém, que a busca pelas causas da infertilidade devem ir além da endometriose.

    “A investigação de infertilidade deve sempre incluir o casal, porque podem existir fatores masculinos também”.

    Veja também: Síndrome da congestão pélvica: o que é, sintomas e como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes sobre cirurgia de endometriose

    1. Quando a cirurgia de endometriose é indicada?

    A cirurgia é indicada quando os sintomas são intensos, não melhoram com medicamentos ou quando há comprometimento da fertilidade. Também pode ser recomendada em casos de endometriose profunda, que atinge órgãos como intestino e bexiga.

    2. Qual a diferença entre cirurgia aberta e videolaparoscopia para endometriose?

    A cirurgia aberta é mais invasiva, com cortes maiores e recuperação mais lenta. Já a videolaparoscopia é feita com pequenas incisões e câmera, e isso permite que o médico consiga visualizar melhor o local de cirurgia, uma recuperação mais rápida e um risco menor de complicações.

    3. Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de endometriose?

    Depende da técnica utilizada e da gravidade dos focos de endometriose retirados. Em geral, na videolaparoscopia a recuperação inicial leva de 2 a 4 semanas.

    4. A cirurgia de endometriose cura a doença definitivamente?

    Não. A cirurgia ajuda a remover os focos da endometriose e aliviar os sintomas, mas a doença pode voltar. Por isso, em muitos casos é necessário tratamento complementar com acompanhamento médico.

    5. É possível engravidar após a cirurgia de endometriose?

    Sim. Muitas mulheres conseguem engravidar após a cirurgia, especialmente quando era a endometriose que estava dificultando a fertilidade. No entanto, cada caso deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista.

    6. Quais cuidados devo ter após a cirurgia de endometriose?

    É importante seguir as orientações médicas, evitar esforços físicos nas primeiras semanas e fazer as consultas médicas de acompanhamento. Em alguns casos, pode ser indicado tratamento hormonal para reduzir as chances de retorno da doença.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

  • TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    TPM ou TDPM? Entenda as principais diferenças nos sintomas

    Você já deve conhecer aquela sensação de inchaço, irritabilidade ou uma leve melancolia que surge alguns dias antes da menstruação. Para a maioria das mulheres, os sintomas são causados pela TPM (tensão pré-menstrual), que acontece por causa das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.

    No entanto, quando as alterações de humor se tornam muito intensas, a ponto de comprometer o dia a dia, afetando o trabalho, os estudos e as relações pessoais, pode se tratar de um quadro de TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual).

    Diferente da TPM, que costuma causar desconfortos leves a moderados, o TDPM pode envolver sintomas emocionais mais graves, como tristeza profunda, alterações intensas de humor e até pensamentos muito negativos, que aparecem de forma cíclica, antes da menstruação, e melhoram após o início do fluxo.

    Mas como é possível diferenciar um quadro do outro na prática? Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza, que explica que a principal diferença está na intensidade dos sintomas e no impacto na rotina.

    Qual a diferença entre TPM e TDPM?

    Enquanto a TPM é um desconforto comum do ciclo menstrual, o TDPM está no extremo oposto, sendo considerado uma condição clínica mais severa, segundo Andreia.

    TPM clássica (tensão pré-menstrual)

    A TPM é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem na segunda metade do ciclo menstrual (fase lútea), devido às variações hormonais, com a queda dos níveis de estrogênio e o aumento da progesterona. Entre as mulheres em idade fértil, estima-se que cerca de 75% a 80% apresentam algum grau de TPM.

    Os sintomas da TPM podem variar de mulher para mulher e serem mais ou menos intensos, mas normalmente envolvem mudanças no corpo e no humor nos dias antes da menstruação:

    Sintomas físicos de TPM

    • inchaço e retenção de líquidos
    • dor abdominal ou cólica
    • dor de cabeça ou enxaqueca
    • sensibilidade ou dor nas mamas
    • cansaço e sensação de peso no corpo
    • acne ou oleosidade da pele
    • alterações no apetite (mais fome ou vontade de doce)

    Sintomas emocionais e comportamentais de TPM

    • irritação e impaciência
    • ansiedade
    • tristeza ou vontade de chorar
    • mudanças de humor
    • dificuldade de concentração
    • alteração no sono (insônia ou mais sono que o normal)

    Os sintomas da TPM costumam aparecer alguns dias antes da menstruação, normalmente entre 5 e 10 dias, e podem ficar mais intensos conforme o ciclo se aproxima do início do fluxo.

    TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual)

    O TDPM é uma forma muito mais grave e incapacitante de TPM, afetando entre 3% e 8% das mulheres. Diferente da TPM comum, o TDPM é classificado como um transtorno depressivo, pois a reação do cérebro às mudanças hormonais é muito mais intensa, afetando diretamente os níveis de serotonina (o neurotransmissor do bem-estar).

    Na prática, isso significa que os sintomas emocionais são mais intensos, frequentes e difíceis de controlar:

    • Irritabilidade extrema;
    • Crises de choro;
    • Ansiedade intensa;
    • Tristeza profunda;
    • Sensação de perda de controle;
    • Dificuldade de concentração;
    • Pensamentos muito negativos.

    Assim como na TPM, os sintomas aparecem na fase lútea do ciclo e melhoram após o início da menstruação. A diferença é a intensidade e o grau de sofrimento envolvido, segundo Andreia, que podem prejudicar o trabalho, os estudos e os relacionamentos.

    Como diferenciar na prática?

    A forma mais simples de diferenciar TPM de TDPM é observar a intensidade dos sintomas e o quanto eles afetam a rotina:

    Sinais de TPM (forma mais comum)

    • Os sintomas são leves a moderados;
    • Dá para seguir com a rotina, mesmo com algum desconforto;
    • Há irritação, inchaço, cansaço ou vontade de doce, mas de forma controlável;
    • O humor oscila, mas sem sensação de perda de controle;
    • Melhora rápida quando a menstruação começa.

    Sinais de TDPM (forma mais grave)

    • Os sintomas são intensos e difíceis de controlar;
    • Há impacto real no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos;
    • Irritação extrema, crises de choro ou ansiedade forte;
    • Tristeza profunda ou sensação de “não ser você mesma”;
    • Pensamentos muito negativos;
    • Padrão que se repete todo mês, sempre antes da menstruação.

    Se houver dúvida ou se os sintomas forem intensos, o ideal é procurar um médico. Com o diagnóstico certo, é possível para tratar e melhorar bastante a qualidade de vida.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da TPM e do TDPM é feito especialmente com base na avaliação dos sintomas e no padrão ao longo do ciclo menstrual. Não existe um exame específico que confirme o quadro, por isso o médico observa quais sintomas estão presentes, quando eles aparecem e se melhoram após o início do fluxo.

    Também é importante entender a intensidade dos sintomas e o quanto eles atrapalham o seu dia a dia, como o trabalho, os estudos e as relações. Por isso, muitas vezes o especialista orienta anotar como você se sente ao longo de alguns meses, para ver se existe um padrão que se repete.

    Andreia também destaca a importância da avaliação com um psiquiatra, que pode investigar outras causas que causam sintomas parecidos, como ansiedade, depressão ou alterações hormonais. De maneira geral, isso ajuda a evitar confusões e garante um diagnóstico mais preciso.

    Quando procurar ajuda médica?

    Vale buscar ajuda quando os sintomas deixam de ser só um incômodo e começam a atrapalhar o seu dia a dia:

    • Sintomas que impedem você de trabalhar, estudar ou manter a rotina;
    • Irritação, ansiedade ou tristeza muito intensas;
    • Crises de choro frequentes;
    • Sensação de perda de controle sobre as emoções;
    • Conflitos nos relacionamentos por causa do humor;
    • Sintomas que se repetem todo mês e parecem estar piorando;
    • Dores fortes, enxaqueca ou muito inchaço.

    Também é importante procurar um médico se houver pensamentos muito negativos ou sofrimento emocional intenso, mesmo que apenas nesse período do ciclo.

    Existe tratamento para TPM e TDPM?

    O tratamento da TPM e do TDPM varia de acordo com a intensidade dos sintomas e pode ir desde mudanças simples na rotina até um acompanhamento médico mais específico.

    Em muitos casos de TPM, Andreia explica que ajustes no dia a dia já ajudam bastante, como manter uma alimentação mais equilibrada, praticar atividade física regularmente, cuidar da qualidade do sono e adotar estratégias para reduzir o estresse.

    Além disso, alguns nutrientes, quando indicados por um profissional, também podem contribuir para o alívio dos sintomas, como magnésio, vitamina B6, cálcio e ômega-3.

    Quando os sintomas são mais intensos ou há suspeita de TDPM, o tratamento pode incluir o uso de anticoncepcionais para regular as variações hormonais, além de antidepressivos, especialmente quando há sintomas emocionais mais fortes. A psicoterapia também é necessária, ajudando no controle da ansiedade, da irritação e das oscilações de humor.

    Como cada mulher reage de forma única às mudanças hormonais, o tratamento deve ser individualizado.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O que causa essas condições?

    A causa exata ainda é estudada, mas acredita-se que seja uma sensibilidade excessiva do cérebro às flutuações hormonais normais (estrogênio e progesterona), afetando neurotransmissores como a serotonina.

    2. Quais os sintomas específicos que sugerem TDPM?

    Sentimentos de desesperança, pensamentos autodepreciativos, crises de pânico, raiva persistente, conflitos interpessoais frequentes e sensação de estar “fora de controle”.

    3. Existe idade específica para o surgimento?

    Pode ocorrer em qualquer fase da vida reprodutiva, mas muitas vezes os sintomas se tornam mais graves à medida que a pessoa se aproxima dos 30 ou 40 anos.

    4. A TPM é psicológica?

    Mito. Embora envolva sintomas psicológicos, a base é biológica e hormonal. É uma resposta fisiológica real às mudanças no organismo.

    5. O TDPM desaparece após a menopausa?

    Sim. Como os sintomas estão ligados ao ciclo ovulatório, a tendência é que desapareçam com a cessação definitiva das menstruações.

    6. O estresse piora a TPM?

    Verdade. O estresse crônico pode aumentar a percepção da dor e a intensidade das alterações de humor, exacerbando o quadro pré-menstrual.

    6. O consumo de álcool interfere nos sintomas?

    Sim. O álcool pode aumentar a instabilidade emocional e piorar a qualidade do sono, além de contribuir para a inflamação sistêmica, tornando as cólicas e o inchaço mais intensos.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Por que algumas mulheres sentem mudanças cognitivas ao longo do ciclo menstrual? 

    Por que algumas mulheres sentem mudanças cognitivas ao longo do ciclo menstrual? 

    Você já sentiu que, em alguns dias do mês, a mente parece mais lenta, os esquecimentos se tornam frequentes ou manter o foco no trabalho acaba sendo um esforço dobrado? As mudanças cognitivas podem acontecer ao longo do ciclo menstrual, especialmente durante a fase pré-menstrual (TPM), por causa das oscilações dos hormônios sexuais.

    Para se ter uma ideia, o funcionamento do cérebro é influenciado diretamente pela interação entre o estrogênio e a progesterona. Enquanto a primeira metade do ciclo costuma ser marcada por maior clareza mental e mais energia, a segunda metade apresenta um aumento da progesterona, que pode interferir de forma sutil na velocidade das conexões neuronais e na retenção de líquidos.

    Como resultado, é comum perceber lapsos de memória, dificuldade de concentração e uma sensação de raciocínio mais lento, o que é conhecido como névoa mental (brain fog). Apesar de incomodar, as mudanças costumam ser leves, temporárias e fazem parte das respostas naturais do organismo às variações hormonais.

    É normal sentir mudanças na memória e concentração durante o ciclo?

    As oscilações na memória, na atenção e na capacidade de aprendizado são normais e acontecem em função das variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, elas são mais comuns na segunda fase do ciclo menstrual (fase lútea), que compreende os dias que antecedem a menstruação. Durante o período, o corpo passa por uma queda nos níveis de estrogênio e um aumento significativo da progesterona, uma combinação que pode influenciar a química cerebral.

    Na prática, as mudanças podem se manifestar como:

    • Lapsos de memória, como esquecer compromissos, prazos ou pequenas tarefas do dia a dia;
    • Dificuldade de concentração, especialmente em atividades que exigem foco prolongado;
    • Queda na atenção, com maior facilidade para se distrair com estímulos externos, como barulhos ou notificações.

    Vale destacar que, na maioria das vezes, o brain fog é discreto e temporário. O cérebro continua funcionando plenamente, mas a velocidade de processamento ou a facilidade de acesso a certas memórias pode oscilar.

    Como os hormônios afetam o cérebro feminino?

    O cérebro e o sistema reprodutivo estão conectados por uma via de mão dupla.

    Além de preparar o útero para uma gestação, os hormônios também funcionam como mensageiros que atravessam a barreira hematoencefálica e influenciam a forma como os neurônios se comunicam. Os dois principais são o estrogênio e a progesterona, e cada um possui um papel diferente nas funções cognitivas.

    O estrogênio é predominante na primeira fase do ciclo, atuando como um estimulante natural para o cérebro. Ele favorece a liberação de neurotransmissores como a serotonina, associada ao bem-estar, e a dopamina, ligada à motivação e à recompensa. Na prática, ele contribui para uma melhora da clareza mental, da fluidez verbal e da capacidade de aprendizado.

    A progesterona, por outro lado, aumenta após a ovulação e predomina na segunda fase do ciclo. Ela tem um efeito mais sedativo, pois interage com receptores de GABA, um neurotransmissor que ajuda a reduzir a ansiedade e a acalmar o sistema nervoso.

    Mas, em algumas mulheres, o efeito pode ser percebido como maior lentidão mental, cansaço e dificuldade de concentração.

    A retenção de líquidos no sistema nervoso

    Segundo Andreia, a progesterona pode aumentar a retenção de líquidos no corpo todo, inclusive no cérebro. Isso pode causar um leve inchaço, bem sutil, mas suficiente para deixar as conexões entre os neurônios um pouco mais lentas. É isso que pode dar a sensação de cabeça pesada ou provocar pequenos esquecimentos durante a TPM.

    As mudanças são temporárias e fazem parte do funcionamento normal do ciclo. O cérebro se adapta às variações todos os meses, mas fatores como estresse, cansaço e falta de sono podem deixar os efeitos ainda mais perceptíveis.

    Como melhorar o foco e a memória ao longo do mês

    No dia a dia, pequenos ajustes no estilo de vida e na organização pessoal podem ajudar o cérebro a funcionar de forma mais estável, como:

    • Adapte a organização pessoal com uso de agenda, lembretes e alarmes para reduzir esquecimentos;
    • Priorize tarefas mais complexas na primeira fase do ciclo, quando a clareza mental costuma ser maior;
    • Aumente a ingestão de água e reduza o consumo de sal para ajudar a diminuir o inchaço;
    • Inclua alimentos leves e diuréticos, como melancia e abacaxi, para reduzir a retenção de líquidos;
    • Mantenha uma rotina de sono regular, com ambiente fresco e menos uso de telas à noite;
    • Pratique atividade física regularmente para melhorar a circulação e a concentração;
    • Mantenha uma alimentação equilibrada com fontes de ômega-3, magnésio e carboidratos integrais;
    • Faça pausas ao longo do dia e adote estratégias simples para reduzir o estresse;

    Quando a falta de concentração não é culpa do ciclo menstrual?

    Se a névoa mental ou os esquecimentos ocorrem durante todo o mês, sem um padrão claro de melhora após a menstruação, é provável que a causa seja outra. Segundo Andreia, existem diversos fatores que impactam a cognição de forma mais agressiva do que o ciclo menstrual, como:

    • Estresse crônico e burnout: o estresse constante aumenta o cortisol por longos períodos, o que prejudica a memória e o aprendizado. O cérebro entra em um estado de alerta contínuo, dificultando o foco em tarefas mais detalhadas;
    • Ansiedade e depressão: os transtornos de humor alteram a química do cérebro e costumam causar falta de concentração e sensação de “mente vazia”. Na depressão, o raciocínio pode ficar mais lento, independentemente da fase do ciclo;
    • Privação de sono: uma noite mal dormida já reduz a atenção e o tempo de resposta no dia seguinte. Quando a insônia é frequente, é muito comum apresentar dificuldade de foco;
    • Deficiências nutricionais e anemia: a falta de ferro, vitamina B12 ou vitamina D pode causar cansaço intenso e dificuldade de raciocínio. Em mulheres com fluxo menstrual intenso, a anemia é uma causa comum e deve ser investigada

    Se os sintomas aparecem apenas na fase lútea, antes da menstruação, e desaparecem completamente na fase folicular, após o início do fluxo, a causa é provavelmente hormonal.

    No entanto, se a dificuldade de foco é constante e não apresenta melhora ao longo do ciclo, o ideal é procurar avaliação médica para investigar possíveis causas metabólicas, psicológicas ou neurológicas.

    Perguntas frequentes

    1. Por que me sinto mais inteligente ou produtiva logo após a menstruação?

    Nesta fase (folicular), os níveis de estrogênio estão subindo. O estrogênio estimula a liberação de dopamina e serotonina, melhorando o humor, a motivação e a agilidade mental.

    2. O uso de anticoncepcional melhora a concentração?

    Como os anticoncepcionais inibem a ovulação e mantêm os níveis hormonais estáveis ao longo do mês, muitas mulheres sentem que os sintomas cognitivos cíclicos diminuem ou desaparecem.

    3. Existe algum exame para medir essas alterações cognitivas?

    Não há um exame de imagem ou sangue específico para “medir o foco”. O diagnóstico é clínico, baseado no acompanhamento dos sintomas em relação ao calendário menstrual.

    4. Café ajuda a melhorar o foco na fase pré-menstrual?

    Pode ajudar temporariamente, mas o excesso de cafeína nesta fase pode aumentar a ansiedade e a irritabilidade, o que acaba prejudicando ainda mais a concentração a longo prazo.

    5. Chás naturais ajudam na concentração?

    Chás como o de alecrim ou ginkgo biloba podem auxiliar no foco, enquanto o chá de camomila ou melissa pode ajudar a reduzir a ansiedade da fase lútea que atrapalha a produtividade.

    6. Quando os lapsos de memória são preocupantes?

    Quando eles não seguem um padrão cíclico, são muito graves (como esquecer o caminho de casa) ou vêm acompanhados de confusão mental persistente. Nesses casos, deve-se procurar um neurologista.

    7. A suplementação de magnésio ajuda na cognição durante a TPM?

    O magnésio auxilia no relaxamento muscular e do sistema nervoso, podendo reduzir a irritabilidade e a ansiedade que frequentemente impedem o foco na semana anterior à menstruação. Contudo, o uso deve ser indicado por um especialista.

  • Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Exercício físico em excesso afeta o ciclo menstrual? Ginecologista explica as mudanças no organismo

    Não é novidade que a prática de atividade física é um dos pilares mais importantes para a melhoria da qualidade de vida e para o bom funcionamento do corpo. No entanto, quando o esforço se torna extremo, o organismo pode começar a emitir sinais de alerta. Nas mulheres, um dos primeiros a aparecer é a alteração no ciclo menstrual.

    O exercício físico em excesso, comum em atletas de alto rendimento ou em quem aumenta a intensidade dos treinos de forma abrupta, pode levar desde atrasos na menstruação até a interrupção completa do ciclo, condição conhecida como amenorreia da atleta.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender por que essa mudança acontece, quais são os principais sinais de alerta e quando é importante procurar avaliação médica.

    Como o exercício físico em excesso afeta a menstruação?

    O ciclo menstrual é regulado por um sistema de comunicação delicado entre o cérebro e os ovários, conhecido como eixo hipotálamo-hipófise-gonadal. Segundo Andreia, quando você pratica exercícios de intensidade muito elevada, o sistema pode ter interferências que interrompem o ritmo natural da produção hormonal.

    O processo funciona como uma forma de proteção do próprio corpo: quando há um estresse físico muito intenso ou um gasto de energia muito alto, o organismo entende que não é o melhor momento para uma possível gravidez.

    Para economizar energia e manter as funções mais importantes, como o coração batendo e a respiração, o cérebro reduz temporariamente a atividade do sistema reprodutivo. Como consequência, a ovulação pode não acontecer de forma regular, o ciclo menstrual pode ficar mais espaçado ou até mesmo interrompido, e a menstruação pode diminuir ou desaparecer por um período.

    O impacto no fluxo menstrual

    De acordo com Andreia, a alteração não acontece necessariamente de um dia para o outro e, normalmente, o corpo apresenta os sinais progressivamente:

    • Os intervalos entre as menstruações começam a ficar maiores (oligomenorreia);
    • O sangramento torna-se mais escasso a cada mês;
    • A suspensão completa da menstruação por três meses ou mais.

    A principal causa da interrupção é a redução na liberação do hormônio GnRH pelo hipotálamo, o que impede a sequência de eventos que levaria à ovulação. Sem ovulação, não há produção adequada de progesterona, e o endométrio não se descama e, como resultado, não acontece a menstruação.

    Além do estresse físico, a baixa disponibilidade de energia, que ocorre quando as calorias ingeridas não são suficientes para suprir o gasto do treino e as necessidades básicas do corpo, também favorece o desequilíbrio hormonal.

    Sinais de que o treino está sobrecarregando o corpo

    Os principais sinais de que o seu treino ultrapassou o limite saudável incluem:

    • Dificuldade para dormir ou acordar várias vezes durante a noite;
    • Cansaço constante, que não melhora nem com descanso;
    • Queda no rendimento e nas atividades do dia a dia;
    • Perda de peso rápida e sem intenção;
    • Mudanças na composição corporal;
    • Dores frequentes ou inflamações, como tendinite;
    • Lesões recorrentes ou fraturas por estresse;
    • Irritabilidade, ansiedade ou desânimo;
    • Sensação de estresse constante no corpo.

    A ausência de menstruação costuma ser um sinal mais avançado de sobrecarga, que o corpo já vinha indicando por meio de outros sintomas físicos e mentais. Por isso, é importante reconhecer os alertas desde o início, para evitar lesões mais graves e possíveis desequilíbrios metabólicos ao longo do tempo.

    Como diferenciar o treino saudável do nocivo?

    O treino saudável traz disposição e melhora a saúde ao longo do tempo, enquanto o treino nocivo é aquele que causa sofrimento físico constante. Se você parou de menstruar e apresenta dois ou mais dos sinais citados, não significa que você precisa abandonar os exercícios, mas sim que é o momento de ajustar a carga, o descanso e a alimentação com auxílio de um profissional.

    Quem corre mais risco de parar de menstruar?

    O quadro é mais comum em pessoas específicas, onde a exigência física é levada ao limite ou onde ocorre uma mudança muito brusca no estilo de vida. Assim, os grupos que devem ter atenção redobrada são:

    • Atletas de modalidades de endurance: mulheres que praticam esportes de longa duração e alta resistência, como maratonistas, ciclistas, triatletas e nadadoras de competição, têm um gasto de energia muito elevado. Nesses casos, o corpo pode atingir um percentual de gordura muito baixo;
    • Iniciantes que saem do sedentarismo de forma abrupta: pessoas sedentárias que começam a treinar todos os dias com alta intensidade, sem adaptação, podem sobrecarregar o organismo. Se a mudança vier junto com dieta restritiva e perda de peso rápida, o corpo pode entender como um momento de alerta e reduzir a ovulação para economizar energia;
    • Praticantes com baixa disponibilidade de energia: o risco aumenta quando a quantidade de calorias ingeridas não acompanha o gasto com o treino. Quando isso acontece, o corpo entra em déficit energético e, para manter funções essenciais, o cérebro reduz os estímulos do ciclo menstrual.

    Vale ressaltar que não existe uma regra fixa e, segundo Andreia, muitas esportistas profissionais mantêm ciclos perfeitamente regulares. A ausência da menstruação é um sinal de que o equilíbrio entre treino, alimentação e descanso foi rompido e precisa ser ajustado.

    É possível reverter a ausência de menstruação?

    Na grande maioria dos casos, a ausência de menstruação causada pelo excesso de exercício é um quadro reversível. Para isso, são importantes algumas mudanças:

    • Ajustar a carga de treinos, reduzindo a intensidade ou o volume;
    • Diminuir a frequência das sessões ou a duração dos treinos mais intensos;
    • Ajudar a reduzir os níveis de estresse do corpo com treinos mais equilibrados;
    • Aumentar a ingestão calórica para acompanhar o gasto energético;
    • Garantir energia suficiente para o treino e para as funções básicas do organismo;
    • Incluir gorduras boas na alimentação, como azeite, abacate e castanhas;
    • Respeitar os dias de descanso;
    • Priorizar um sono de qualidade, entre 7 e 9 horas por noite;
    • Adotar atividades de relaxamento para ajudar no equilíbrio do corpo.

    O tempo de recuperação varia para cada mulher: algumas retomam o ciclo poucas semanas após ajustarem à rotina, enquanto, em outros casos, pode levar alguns meses para que o eixo hormonal se estabilize completamente.

    Se, mesmo após reduzir a intensidade dos exercícios e melhorar a alimentação, a menstruação não retornar em até três meses, procure orientação de um ginecologista ou um endocrinologista.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é considerado “excesso”?

    Não há um tempo fixo, pois varia conforme o condicionamento de cada mulher. O excesso é caracterizado quando o corpo não consegue se recuperar entre as sessões, gerando fadiga crônica e alterações hormonais.

    2. Posso treinar pesado durante a menstruação?

    Sim, desde que você se sinta bem. Algumas mulheres sentem queda no rendimento, enquanto outras não sentem diferença. O importante é ouvir o seu corpo.

    3. O excesso de exercício causa infertilidade?

    A ausência de menstruação indica que não há ovulação, o que impede a gravidez naquele momento. No entanto, o quadro costuma ser reversível quando o treino e a dieta são ajustados.

    4. Tomar muito whey protein ou creatina afeta o ciclo?

    Não há evidências de que suplementos como whey ou creatina alterem o ciclo menstrual. O problema geralmente está no déficit de calorias totais ou no estresse do treino, não no suplemento.

    5. Como saber se parei de menstruar por causa do treino ou por gravidez?

    O primeiro passo é realizar um teste de gravidez (Beta-HCG). Se der negativo e você treina intensamente, a causa provável é o esforço físico ou estresse.

    6. Quais alimentos ajudam a regular o ciclo de quem treina?

    Alimentos ricos em gorduras boas (azeite, castanhas, abacate), carboidratos complexos (aveia, batata-doce) e ferro ajudam a fornecer a energia necessária para o sistema hormonal.

    7. Existe algum tipo de exercício que ajuda a regular a menstruação?

    Exercícios de intensidade moderada, como yoga, pilates, caminhadas e natação recreativa, ajudam a reduzir o estresse e podem auxiliar na regulação do ciclo, desde que não haja déficit calórico.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados