Bartolinite: o que é, sintomas, causas e tratamento

Mulher em consulta ginecológica recebendo orientação médica sobre bartolinite e sintomas na região íntima

Você já ouviu falar em bartolinite? O nome até pode parecer estranho, mas é uma condição relativamente comum, especialmente em mulheres jovens e na fase reprodutiva. Ela acontece quando as glândulas de Bartholin, que são pequenas estruturas localizadas na entrada da vagina, responsáveis pela lubrificação, ficam obstruídas ou infectadas.

Apesar de normalmente começar como um inchaço indolor na região íntima, a condição pode evoluir rapidamente, causando dor ao andar, sentar ou durante o contato íntimo. Por isso, vale ficar atenta aos principais sintomas e quando ir ao médico.

O que é bartolinite?

A bartolinite é a inflamação ou infecção das glândulas de Bartholin, que estão localizadas na vulva (uma de cada lado da abertura da vagina) e são responsáveis por produzir o fluido que ajuda na lubrificação vaginal.

Ela surge quando o canal da glândula fica entupido e impede a saída do líquido. Com isso, a secreção se acumula, formando um cisto que pode infeccionar e evoluir para um abscesso doloroso.

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, as glândulas de Bartholin são pequenas, com cerca de 1 a 1,5 cm de diâmetro, mas possuem um ducto longo e estreito. Por conta dessa característica, o canal pode entupir com facilidade.

Qual a diferença entre cisto de Bartholin e bartolinite?

A diferença está principalmente na presença de infecção e nos sintomas. O cisto de Bartholin acontece quando o líquido fica preso dentro da glândula, o que forma um caroço que não dói ou causa apenas um leve incômodo. Muitas mulheres percebem durante a higiene ou ao tocar a região, notando um lado da vulva mais inchado que o outro.

Já a bartolinite ocorre quando o cisto infecciona por causa de bactérias. Nesse caso, surgem dor mais intensa, inchaço maior e dificuldade para atividades do dia a dia, como sentar, caminhar ou ter relação sexual.

Causas da bartolinite

O bloqueio das glândulas de Bartholin pode ter diferentes origens, desde traumas físicos até infecções bacterianas:

  • Acúmulo de bactérias da pele ou da região intestinal (como a E. coli) que entram no duto da glândula;
  • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente a clamídia e a gonorreia;
  • Traumas na região íntima, como pancadas, lesões ou atrito excessivo, que podem fechar a abertura do canal;
  • Marcas e cicatrizes de cirurgias prévias ou de partos, que podem estreitar ou bloquear o duto;
  • Espessamento do líquido, que ocorre quando o fluido produzido pela glândula fica mais denso, dificultando a saída natural;
  • Higiene inadequada, que facilita a migração de bactérias da região anal para a entrada da vagina.

Bartolinite é transmissível?

A bartolinite não é transmissível, mas algumas bactérias que causam a condição são sexualmente transmissíveis, como a Chlamydia trachomati, responsável pela clamídia.

Quais os sintomas de bartolinite?

Os sintomas da bartolinite costumam aparecer quando há infecção da glândula, principalmente na fase de abscesso. Os principais incluem:

  • Dor intensa na região da vulva, normalmente de um lado só;
  • Inchaço na entrada da vagina, com formação de um caroço;
  • Vermelhidão e aumento da sensibilidade local;
  • Dificuldade para sentar, caminhar ou cruzar as pernas;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Sensação de pressão ou pulsação no local;
  • Presença de pus, que pode drenar espontaneamente em alguns casos;
  • Febre e mal-estar, principalmente quando a infecção está mais avançada.

No caso de um cisto de Bartholin, quando não há uma infecção, os sintomas costumam ser mais leves e podem até passar despercebidos no início:

  • Presença de um caroço indolor na entrada da vagina;
  • Sensação de leve desconforto ao caminhar, sentar ou durante a relação sexual;
  • Assimetria na vulva, com um lado mais inchado que o outro;
  • Sensação de peso ou de volume na região íntima.

Em muitos casos, o cisto pode diminuir ou desaparecer sozinho, sem necessidade de tratamento, de acordo com Andreia.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da bartolinite é feito por um médico ginecologista, com base na avaliação médica e no exame físico da região íntima.

Durante a consulta, o especialista observa a vulva e identifica o inchaço típico na entrada da vagina, frequentemente de um lado só. A presença de dor intensa, vermelhidão e aumento de volume já são sinais da infecção da glândula de Bartholin.

Além do exame físico, o médico pode avaliar a presença de secreção ou pus na região, verificar sinais de abscesso (coleção de pus) e investigar o histórico de dor, tempo de evolução e episódios anteriores. Em alguns casos, também podem ser solicitados exames complementares, como:

  • Coleta de secreção para identificar a bactéria envolvida, especialmente quando há suspeita de infecção sexualmente transmissível;
  • Exames para ISTs, como clamídia e gonorreia;
  • Em mulheres acima dos 40 anos, pode ser indicada biópsia para descartar outras condições mais raras.

Tratamento de bartolinite

O tratamento da bartolinite depende da presença de infecção e da gravidade do quadro. Segundo Andreia, nos casos em que há a formação de um abscesso, é indicada uma drenagem cirúrgica, um procedimento rápido que consiste em uma pequena abertura para permitir a saída do pus.

Após a drenagem, é indicado o uso de antibióticos para tratar a infecção, considerando inclusive que a clamídia, uma infecção sexualmente transmissível, pode ser a causa da obstrução do ducto.

Já quando existe apenas o cisto de Bartholin sem infecção, a condição pode surgir e desaparecer espontaneamente, muitas vezes sem precisar de um tratamento invasivo. Nesses quadros, o uso de anti-inflamatórios pode ser suficiente para auxiliar na desobstrução natural do canal e na drenagem da secreção acumulada.

A ginecologista ainda destaca que medidas caseiras, como o uso de compressas quentes ou frias, não costumam resolver o problema e podem até agravar o desconforto.

Autocuidados em casos de bartolinite

Durante o tratamento, os autocuidados podem ajudar a aliviar o desconforto da bartolinite e desobstruir o duto da glândula de forma natural, mas eles funcionam melhor em cistos pequenos e não infectados:

  • Lave a região suavemente com sabonete neutro e limpe-se sempre de frente para trás;
  • Utilize calcinhas de algodão e evite calças muito apertadas (como jeans ou leggings) para reduzir o atrito e o calor;
  • Evite relações sexuais enquanto houver inchaço ou dor para não agravar a inflamação;
  • Dormir sem calcinha, que ajuda a manter a região ventilada e reduz a umidade local;
  • Jamais tente apertar, furar ou drenar o cisto por conta própria, pois isso pode causar uma infecção grave.

Vale apontar que as medidas não substituem a avaliação médica, principalmente quando há dor intensa ou sinais de infecção.

O que fazer em casos recorrentes de bartolinite?

Mesmo depois do tratamento de uma infecção ou a drenagem de um cisto, o duto da glândula de Bartholin pode sofrer uma nova obstrução no mesmo local ou na glândula do outro lado.

Quando os episódios de inflamação se tornam repetitivos, Andreia explica que o médico pode indicar a cirurgia para retirar a glândula afetada, depois que a infecção estiver controlada. A remoção não costuma causar problemas importantes na lubrificação vaginal, porque o corpo tem outras glândulas que também ajudam na função.

Quando ir ao médico?

É importante procurar atendimento médico sempre que surgirem sinais de inflamação ou infecção na região íntima, como:

  • Dor intensa na vulva;
  • Inchaço ou caroço na entrada da vagina;
  • Vermelhidão e aumento da sensibilidade;
  • Dificuldade para sentar, caminhar ou ter relação sexual;
  • Presença de pus ou secreção;
  • Febre ou mal-estar.

Mesmo que a dor seja leve, vale buscar avaliação se o caroço persistir ou aumentar de tamanho. Quanto antes for feito o diagnóstico, mais simples costuma ser o tratamento.

Veja também: Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta

Perguntas frequentes

1. Bartolinite é uma doença sexualmente transmissível (IST)?

Não necessariamente, mas ISTs como clamídia e gonorreia são causas frequentes da inflamação. Bactérias comuns da pele e do intestino também podem causar o problema.

2. Qual médico devo procurar?

O ginecologista é o especialista indicado para diagnosticar e tratar qualquer alteração na região vulvar.

3. Como é feita a drenagem médica?

O médico faz um pequeno corte sob anestesia local para retirar o pus. O alívio da dor costuma ser imediato após o procedimento.

4. Como prevenir que a bartolinite apareça?

Use preservativos para evitar ISTs, mantenha a higiene íntima adequada (limpando-se de frente para trás) e evite roupas excessivamente apertadas por longos períodos.

5. Quanto tempo leva para curar a bartolinite?

Após uma drenagem médica, o alívio da dor é imediato, mas a cicatrização completa e o fim do ciclo de antibióticos levam cerca de 7 a 10 dias.

6. Como é o pós-operatório da retirada da glândula?

É uma cirurgia que requer repouso de 7 a 15 dias. Pode haver inchaço e hematomas locais, sendo recomendado evitar exercícios físicos e relações sexuais por cerca de 4 semanas.

7. A bartolinite pode causar câncer?

Não, a bartolinite é uma inflamação benigna. No entanto, em mulheres com mais de 40 anos, os médicos costumam ser mais cautelosos e podem solicitar uma biópsia do cisto para descartar doenças mais raras.

8. O que acontece se não tratar um abscesso?

A infecção pode se espalhar para os tecidos vizinhos (celulite infecciosa) ou, em casos muito graves e raros, cair na corrente sanguínea, causando uma infecção generalizada.

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