Tag: saúde ginecológica

  • Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    A ginecologia regenerativa, também conhecida como ginecologia íntima funcional, é uma área da medicina que usa tecnologias e procedimentos minimamente invasivos para estimular a recuperação, a renovação e o funcionamento saudável dos tecidos da região íntima feminina.

    Por meio de tecnologias modernas, os tratamentos ajudam a recuperar a elasticidade, a hidratação e a lubrificação natural da região íntima, contribuindo para mais conforto no dia a dia, bem-estar e qualidade de vida.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, os tratamentos podem ajudar mulheres que convivem com sintomas como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e até alguns casos de incontinência urinária leve.

    Vale destacar que a área não tem como foco principal a estética, mas a recuperação de funções que podem ser prejudicadas pelo envelhecimento, pelas mudanças hormonais da menopausa, pela gestação, pelo parto e por outros fatores que afetam a saúde íntima ao longo da vida.

    Como funciona a ginecologia regenerativa?

    A ginecologia regenerativa funciona estimulando a capacidade natural do próprio corpo de recuperar e renovar os tecidos da região íntima. Com o envelhecimento ou a queda na produção de hormônio, como o estrogênio, as paredes da vagina e da vulva passam por um processo de atrofia, em que ficam mais finas, perdem colágeno, elastina e capacidade de lubrificação.

    Para reverter o quadro, Andreia esclarece que os tratamentos utilizam o princípio de lesão e reparação. Através de tecnologias físicas ou materiais específicos, o médico realiza estímulos ou microlesões controladas na mucosa vaginal ou na pele da região íntima. O organismo entende que aquela área precisa ser reparada e ativa uma série de mecanismos naturais de regeneração.

    Como resposta, ocorre um aumento da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação, elasticidade e firmeza dos tecidos. Também há melhora da circulação sanguínea local e da hidratação da mucosa, o que contribui para restaurar parte das características perdidas ao longo do tempo.

    Quando a ginecologia regenerativa é indicada?

    A ginecologia regenerativa é indicada principalmente para mulheres que convivem com:

    • Ressecamento vaginal intenso, com redução da lubrificação natural, coceira, irritação e desconforto no dia a dia;
    • Dor ou desconforto durante as relações sexuais devido à perda de elasticidade e ao afinamento das paredes vaginais;
    • Síndrome geniturinária da menopausa, que reúne sintomas vaginais e urinários relacionados à queda do estrogênio;
    • Incontinência urinária leve, com pequenos escapes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforços;
    • Infecções urinárias de repetição;
    • Candidíase recorrente;
    • Desconfortos no pós-parto, especialmente em mulheres que estão amamentando;
    • Ressecamento vaginal associado ao uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Flacidez e perda de volume dos grandes lábios, que podem causar atrito, ferimentos e dor;
    • Incômodo íntimo durante a prática de atividades físicas, como ciclismo e equitação.

    Vale destacar que, embora o tratamento também melhore a aparência externa da região íntima, a indicação médica sempre prioriza a melhora dos sintomas e a qualidade de vida da paciente.

    Quais são os tratamentos mais comuns?

    Segundo Andreia, os tratamentos mais comuns realizados no consultório são:

    1. Laser vaginal

    O laser vaginal é uma das tecnologias mais utilizadas na ginecologia regenerativa e promove um aquecimento controlado dos tecidos, estimulando a renovação celular, a produção de colágeno e a melhora da lubrificação natural da vagina.

    2. Radiofrequência

    A radiofrequência utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas mais profundas dos tecidos sem causar danos à superfície. A técnica é indicada para melhorar a flacidez, aumentar a elasticidade vaginal e auxiliar no tratamento da incontinência urinária leve.

    3. HIFU (Ultrassom Microfocado)

    O ultrassom microfocado de alta intensidade, conhecido como HIFU, atua nas camadas mais profundas dos tecidos íntimos. O tratamento é especialmente indicado para fortalecer as estruturas que sustentam a uretra e a bexiga, contribuindo para o controle de perdas urinárias.

    4. Fios de PDO

    Os fios de PDO (polidioxanona) são materiais biodegradáveis utilizados para promover a sustentação dos tecidos. Na ginecologia regenerativa, podem ser aplicados para melhorar a flacidez da vulva e reforçar estruturas relacionadas ao suporte da uretra.

    5. Preenchimento com ácido hialurônico

    O preenchimento com ácido hialurônico é indicado para recuperar o volume dos grandes lábios genitais. Além da melhora estética, o procedimento ajuda a proteger a região íntima contra atritos, desconfortos e pequenas lesões.

    6. Estrogenização vaginal local

    A estrogenização vaginal local costuma ser uma das primeiras opções de tratamento para mulheres que apresentam sintomas relacionados à queda do estrogênio. O hormônio é aplicado diretamente na vagina, por meio de cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, promovendo hidratação, elasticidade e recuperação da mucosa local.

    Quando os procedimentos são contraindicados?

    Apesar de serem procedimentos considerados seguros e minimamente invasivos, realizados geralmente em consultório, existem algumas contraindicações que variam de acordo com a técnica escolhida.

    Mulheres com doenças autoimunes ou doenças do colágeno, como o lúpus, precisam de uma avaliação cuidadosa, pois há risco de o organismo rejeitar o produto ou desencadear uma crise da doença. Isso vale especialmente quando o tratamento envolve materiais injetáveis, como fios de PDO, ácido hialurônico ou bioestimuladores.

    A presença de próteses metálicas na região pélvica ou o uso de DIU de cobre ou prata também podem limitar a utilização de algumas tecnologias que funcionam por meio de energia física, como determinados tipos de radiofrequência.

    Além disso, os procedimentos não devem ser realizados quando a paciente apresenta uma infecção genital ativa, como candidíase, vaginose bacteriana ou herpes, já que o tratamento pode agravar o quadro ou prejudicar a recuperação da região.

    Durante a gravidez, por questão de segurança, as tecnologias físicas e os procedimentos injetáveis também não são recomendados.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre ginecologia regenerativa e estética íntima?

    A ginecologia regenerativa foca na função, como melhorar o ressecamento, a dor e a perda urinária. A estética íntima foca apenas na aparência. Na regenerativa, a melhora estética é apenas uma consequência positiva.

    2. Quantas sessões são necessárias?

    Normalmente, o protocolo inicial varia de 2 a 4 sessões, realizadas com intervalos de 30 a 45 dias entre elas. O número exato depende da tecnologia escolhida e da gravidade dos sintomas.

    3. Quanto tempo dura o resultado?

    Os resultados costumam durar de 12 a 18 meses. Como o envelhecimento do corpo continua, é recomendado fazer uma sessão de manutenção uma vez por ano.

    4. Mulheres jovens também podem fazer?

    Sim, é indicada para jovens que sofrem com dores na relação devido ao uso prolongado de anticoncepcionais, mulheres no pós-parto (amamentação) ou atletas que sofrem com atrito e dor na vulva.

    5. Quanto tempo depois do parto posso fazer?

    Em geral, o recomendado é aguardar cerca de 60 dias após o parto para que o corpo se recupere fisicamente. O tratamento é seguro e não interfere na amamentação.

    6. Quanto tempo preciso ficar sem ter relações sexuais?

    O recomendado é aguardar de 3 a 7 dias sem relações sexuais após o procedimento, dependendo da tecnologia utilizada (especialmente no caso de lasers ablativos), para permitir a cicatrização do tecido.

    7. O laser vaginal pode causar queimaduras?

    Se for realizado por um médico ginecologista devidamente capacitado, o risco é mínimo. Os aparelhos são regulados com parâmetros de energia específicos e seguros para a mucosa vaginal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    O DIU, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno dispositivo em formato de T que é posicionado na cavidade uterina, atuando de maneira contínua para impedir a fecundação. Apesar de ser considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros para prevenir a gravidez, ele não é totalmente isento de complicações.

    A perfuração uterina é uma ocorrência bastante rara, mas que pode ocorrer devido a fatores anatômicos individuais, infecções ativas ou alterações na própria espessura do órgão, comuns durante a amamentação e a menopausa.

    Normalmente, a complicação acontece no momento da inserção pelo médico, embora o dispositivo também possa migrar de forma tardia decorrente de contrações do próprio organismo.

    O DIU realmente pode perfurar o útero?

    O DIU realmente pode perfurar o útero, mas é uma complicação extremamente rara, ocorrendo em cerca de 1 a 2 casos a cada mil inserções. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a perfuração costuma acontecer durante o próprio procedimento de colocação do dispositivo, principalmente quando existem características anatômicas que tornam a inserção mais difícil.

    Durante a inserção, quando o colo do útero é muito estreito ou quando o útero apresenta um formato ou posicionamento que dificulta o procedimento, o aplicador pode exercer uma pressão excessiva sobre a parede uterina. Nesses casos, a direção da perfuração pode acompanhar a inclinação natural do útero, que tende a estar voltado para a frente ou para trás.

    Em situações ainda mais raras, a perfuração pode acontecer por migração tardia do DIU. Isso ocorre quando o dispositivo fica muito próximo da parede do útero e, ao longo do tempo, pequenas contrações naturais acabam promovendo um deslocamento gradual, fazendo com que ele penetre na musculatura uterina.

    Em quais situações a perfuração do útero pode acontecer?

    Os principais fatores de risco que aumentam as chances de uma perfuração uterina incluem:

    • Útero com aderências: condições como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cicatrizes de cirurgias podem deixar o útero mais rígido e dificultar a inserção do DIU;
    • Menopausa e climatério: a redução dos hormônios pode tornar o útero menor e menos elástico, aumentando a delicadeza do procedimento;
    • Amamentação: durante a lactação, alterações hormonais podem deixar a parede do útero mais fina, elevando o risco de complicações na inserção;
    • Pós-parto recente: logo após o parto, o útero ainda está em recuperação e mais sensível, o que pode aumentar o risco de perfuração ou expulsão do DIU;
    • Infecções uterinas ativas: processos infecciosos podem deixar os tecidos mais frágeis e suscetíveis a lesões durante o procedimento.

    Como saber se o DIU perfurou o útero?

    O principal sinal de alerta para uma possível perfuração uterina é o desaparecimento do fio de controle do DIU. Quando ocorre a perfuração, o dispositivo pode atravessar a parede do útero e migrar para a cavidade pélvica ou abdominal, fazendo com que o fio deixe de ser visualizado pelo médico durante o exame ginecológico, segundo Andreia.

    Nem sempre a ausência do fio significa que houve uma perfuração, mas ela é um dos sinais que merecem investigação. Para realizar o diagnóstico, o ginecologista pode solicitar alguns exames:

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal para verificar se o DIU continua dentro do útero;
    • Raio-X da pelve ou do abdômen caso o dispositivo não seja visualizado na ultrassonografia.

    Como o DIU possui uma estrutura radiopaca (visível ao raio-X), o exame consegue localizá-lo na cavidade abdominal, diferenciando a perfuração de uma simples expulsão inadvertida durante a menstruação.

    Quais são os sintomas de uma perfuração uterina?

    A perfuração uterina pode não causar sintomas imediatamente, e muitas mulheres não percebem que ela aconteceu. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

    • Cólica pélvica intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns;
    • Sangramentos intensos, hemorrágicos ou escapes primitivos que ocorrem logo após o procedimento;
    • Dores profundas e desconforto na região pélvica durante ou após o contato íntimo.

    Em casos raros onde a perfuração causa uma infecção, podem surgir sintomas como febre, calafrios, mal-estar geral e corrimento vaginal com odor forte.

    O que acontece se o DIU perfurar o útero?

    O tratamento depende da extensão da perfuração e da localização do dispositivo. Andreia explica que o DIU que está deslocado ou fora do útero precisa ser removido. Quando se encontra na cavidade abdominal, ele deixa de exercer a sua função contraceptiva e passa a atuar como um corpo estranho, podendo provocar inflamações, aderências e, em alguns casos, infecções.

    Na maioria das situações, a retirada é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen. Após a retirada do dispositivo, a maioria das mulheres se recupera completamente sem consequências para a fertilidade ou para a saúde reprodutiva.

    Se a paciente desejar continuar usando o método, um novo DIU pode ser inserido posteriormente, muitas vezes com o auxílio da histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade uterina para garantir o posicionamento adequado do dispositivo.

    Perfuração do útero por DIU deixa sequelas ou causa infertilidade?

    Na maioria dos casos, a perfuração uterina cicatriza espontaneamente. Como o útero é formado por uma musculatura espessa e resistente, a ginecologista explica que o próprio órgão tende a se contrair e fechar a pequena lesão, sem a necessidade de pontos.

    As complicações são incomuns, mas podem ocorrer se a perfuração atingir um vaso sanguíneo importante ou algum órgão próximo, o que exige avaliação e tratamento adequados. Quando tratada corretamente, a perfuração uterina normalmente não deixa sequelas e não costuma comprometer a fertilidade da mulher.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o DIU depois que ele perfura o útero?

    Uma vez que ele atravessa a parede muscular, ele “cai” na cavidade pélvica ou abdominal. Ele pode ficar solto perto do útero, se alojar perto da bexiga ou do intestino, ou o próprio organismo pode criar uma capa de tecido inflamatório ao redor dele para tentar isolar o corpo estranho.

    2. O DIU perfurado perde o efeito anticoncepcional?

    Sim, perde totalmente. Para funcionar, o DIU (seja de cobre ou hormonal) precisa estar obrigatoriamente dentro da cavidade uterina, liberando íons ou hormônios no local correto para impedir a chegada dos espermatozoides. Na cavidade abdominal, ele não oferece nenhuma proteção contra a gravidez.

    3. Quanto tempo depois de uma perfuração posso colocar outro DIU?

    Geralmente, os médicos recomendam aguardar de 1 a 3 meses para que o útero esteja completamente cicatrizado e desinflamado.

    4. O que é um DIU “normoposicionado”?

    É o termo técnico que aparece no laudo do seu ultrassom para dizer que o DIU está no lugar perfeito. Significa que ele está centralizado dentro da cavidade do útero, com as hastes em formato de “T” voltadas para o fundo do órgão, garantindo 100% de sua eficácia.

    5. Posso fazer atividades físicas ou ter relações se suspeitar que o DIU deslocou?

    O ideal é repousar até consultar o médico. Se você estiver sentindo cólicas fortes, sangramento ou não achar o fio, suspenda atividades físicas intensas e relações sexuais.

    6. Usar DIU de cobre ou DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) muda o risco de perfurar?

    Não, o tipo de DIU não altera o risco de perfuração. O risco está diretamente ligado ao formato do aplicador, à força mecânica utilizada e à anatomia do útero da paciente no momento da inserção.

    7. Há risco de o DIU perfurado se movimentar pelo corpo e chegar ao coração ou pulmão?

    Não, isso é um mito anatômico. O DIU não entra na corrente sanguínea. Uma vez que ele perfura o útero, ele fica restrito à cavidade peritoneal, que é o espaço dentro do abdômen que abriga os órgãos digestivos e pélvicos.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    Resistência à insulina pode afetar a saúde ginecológica? Especialista explica

    A resistência à insulina é uma condição metabólica na qual as células do corpo, em especial músculos, gordura e fígado, não respondem adequadamente ao hormônio insulina, dificultando a entrada da glicose no sangue para dentro das células. Consequentemente, o pâncreas produz mais insulina para compensar, provocando altos níveis do hormônio no sangue.

    A condição é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, mas você sabia que ela também desempenha um papel importante na saúde ginecológica e reprodutiva da mulher?

    Além do controle da glicose no sangue, o desequilíbrio metabólico pode interferir diretamente no funcionamento dos ovários, alterando a produção de hormônios e favorecendo o surgimento de condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    Os impactos podem variar desde irregularidades no ciclo menstrual e aparecimento de acne até dificuldades significativas para engravidar. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a resistência à insulina afeta os ovários?

    A resistência à insulina altera o equilíbrio hormonal do corpo feminino, segundo a ginecologista Andreia Sapienza. Quando o organismo produz insulina em excesso para tentar controlar a glicose no sangue, o aumento da insulina passa a estimular os ovários a produzirem mais andrógenos, que são os chamados hormônios masculinos.

    O desequilíbrio hormonal interfere diretamente no funcionamento dos ovários e no ciclo reprodutivo da mulher, o que pode desencadear:

    • Prejuízo da ovulação;
    • Desregulação do ciclo menstrual;
    • Ciclos mais longos ou ausência de menstruação;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto e no corpo;
    • Dificuldade na maturação adequada dos óvulos.

    Como consequência, o processo desencadeia um ciclo: a resistência à insulina aumenta a produção de andrógenos, enquanto os andrógenos favorecem ainda mais a resistência insulínica, perpetuando as alterações hormonais e metabólicas ao longo do tempo.

    Além disso, a obesidade também tem um papel importante nesse quadro, já que o excesso de gordura corporal favorece a inflamação e piora a resposta das células à insulina. Em alguns casos, mulheres com obesidade podem apresentar sintomas muito semelhantes aos da SOP, mesmo sem preencher todos os critérios diagnósticos da síndrome.

    Relação da resistência à insulina na SOP

    Quando os níveis de insulina permanecem altos no organismo, os ovários passam a responder produzindo uma quantidade excessiva de andrógenos, como a testosterona. O desequilíbrio interfere diretamente no funcionamento normal dos ovários e na ovulação.

    Com o aumento dos andrógenos, os folículos ovarianos deixam de amadurecer adequadamente. Em vez de um óvulo ser desenvolvido e liberado todos os meses, como acontece em um ciclo menstrual normal, os folículos interrompem o crescimento antes da hora e acabam se acumulando nos ovários.

    No ultrassom, o acúmulo aparece como pequenos cistos distribuídos ao redor dos ovários, formando o aspecto típico da Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Sinais de alerta da resistência à insulina

    A resistência à insulina pode permanecer silenciosa por muitos anos, mas alguns sinais podem servir de alerta para investigar alterações metabólicas e hormonais, como:

    • Acantose nigricante, que são manchas escuras em regiões de dobra, como pescoço, axilas e virilha;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Aumento da gordura abdominal;
    • Cansaço frequente;
    • Fome excessiva;
    • Vontade frequente de comer doces;
    • Irregularidade menstrual;
    • Ciclos menstruais muito longos;
    • Ausência de menstruação por meses;
    • Acne e aumento da oleosidade da pele;
    • Excesso de pelos no rosto, tórax ou abdômen;
    • Dificuldade para engravidar.

    Segundo Andreia, os sintomas costumam aparecer de forma gradual e podem afetar tanto a saúde metabólica quanto a saúde ginecológica da mulher.

    A resistência à insulina causa infertilidade?

    A resistência à insulina é uma das principais causas de infertilidade feminina de origem endócrina, pois o excesso do hormônio interfere no amadurecimento dos óvulos e impede a ovulação. No entanto, o quadro costuma ser reversível com o tratamento adequado.

    A mudança na composição corporal, com perda de gordura e aumento da massa muscular, aliada à prática regular de exercícios e ao controle alimentar, melhora a sensibilidade à insulina e favorece a retomada dos ciclos ovulatórios. Em alguns casos, medicamentos como a metformina podem ser indicados pelo médico para auxiliar nesse processo.

    Riscos da resistência insulínica na gravidez

    A resistência à insulina durante a gestação aumenta o risco de complicações maternas e fetais, principalmente quando o quadro já existia antes da gravidez ou não está bem controlado. Os principais riscos incluem:

    • Diabetes gestacional;
    • Pré-eclâmpsia;
    • Pressão alta na gestação;
    • Maior risco de parto prematuro;
    • Crescimento excessivo do bebê (macrossomia fetal);
    • Maior chance de cesárea;
    • Alterações no controle da glicose do recém-nascido após o parto.

    Além disso, mulheres com obesidade e resistência insulínica costumam apresentar maior inflamação metabólica, o que também pode prejudicar a fertilidade e aumentar os riscos obstétricos ao longo da gravidez.

    Diagnóstico da resistência à insulina

    O diagnóstico da resistência à insulina é feito por meio da avaliação clínica e de exames laboratoriais. O médico observa os sintomas, o histórico da paciente e sinais físicos associados às alterações metabólicas, como ganho de peso abdominal, irregularidade menstrual e acantose nigricante.

    Além da avaliação clínica, Andreia explica que alguns exames ajudam a identificar alterações no metabolismo da glicose e da insulina, incluindo:

    • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, que avaliam os níveis de açúcar no sangue;
    • Curva glicêmica, exame que mostra como o organismo responde à glicose ao longo do tempo;
    • Índices HOMA-IR e HOMA-Beta, utilizados para analisar a relação entre glicose e insulina e estimar o grau de resistência insulínica e o funcionamento do pâncreas;
    • Perfil lipídico, com avaliação do colesterol e dos triglicerídeos, já que alterações metabólicas costumam estar associadas à resistência à insulina.

    Como é feito o tratamento da resistência à insulina?

    O tratamento da resistência à insulina é baseado, principalmente, na mudança do estilo de vida. Segundo Andreia, melhorar a composição corporal, com menos gordura e mais massa muscular, é uma das medidas mais importantes para recuperar a sensibilidade à insulina e melhorar o funcionamento do metabolismo. O tratamento envolve medidas como:

    • Perda de peso, especialmente com redução da gordura abdominal e melhora da composição corporal;
    • Alimentação equilibrada, com menor consumo de açúcares, ultraprocessados e alimentos de alto índice glicêmico;
    • Prática regular de atividade física, principalmente exercícios que ajudam a preservar ou aumentar a massa muscular;
    • Melhora da qualidade do sono, já que dormir mal aumenta hormônios relacionados ao estresse e piora o controle da glicose;
    • Controle do estresse e do cortisol, que podem favorecer o aumento da glicemia e agravar a resistência à insulina.

    Em alguns casos, Andreia explica que alguns medicamentos podem ser usados como complemento, como a metformina, a espironolactona e alguns anticoncepcionais específicos. Contudo, eles não substituem a melhora da composição corporal e das mudanças no estilo de vida.

    Por fim, o uso dos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, pode ajudar na perda de peso. No entanto, se a paciente não associar o tratamento à prática de exercícios físicos, existe o risco de perda de massa muscular.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter resistência à insulina mesmo sendo magra?

    Sim, pois embora a obesidade seja o principal fator de risco, pacientes magras podem desenvolver a condição devido ao sedentarismo, má alimentação (excesso de alimentos de alto índice glicêmico) ou genética. A falta de massa muscular é um fator decisivo nesses casos.

    2. Por que o músculo é tão importante para o controle da insulina?

    Os músculos são os maiores consumidores de glicose do corpo. Eles possuem receptores (como o GLUT4) que facilitam a entrada do açúcar nas células. Quanto mais massa muscular você tem, mais eficiente é o seu metabolismo e menos insulina seu pâncreas precisa produzir.

    3. O que é o índice glicêmico e como ele afeta a dieta?

    É a velocidade com que o açúcar de um alimento chega ao sangue. Alimentos de alto índice glicêmico (como pão branco e doces) causam picos rápidos de glicose, forçando o pâncreas a liberar muita insulina de uma vez. O ideal é consumir fibras e integrais para que essa absorção seja lenta e gradual.

    4. Qual a diferença entre pré-diabetes e resistência à insulina?

    A resistência à insulina é o mecanismo inicial. O pré-diabetes ocorre quando essa resistência já causou um descontrole leve no metabolismo, indicando que o pâncreas já perdeu cerca de 30% de sua capacidade produtiva.

    5. A resistência à insulina tem cura?

    Ela pode ser controlada e revertida através da mudança de composição corporal. Ao reduzir o percentual de gordura e aumentar a massa muscular, o metabolismo recupera sua sensibilidade à insulina, os ciclos menstruais se regulam e os riscos de doenças futuras diminuem drasticamente.

    6. O que são ciclos anovulatórios?

    São ciclos menstruais em que a mulher sangra, mas não houve a liberação de um óvulo. Na resistência insulínica, isso é comum porque os hormônios masculinos em excesso impedem que o folículo se rompa. É por isso que muitas mulheres acham que estão saudáveis por “menstruar”, mas na verdade não estão ovulando.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Bartolinite: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Bartolinite: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Você já ouviu falar em bartolinite? O nome até pode parecer estranho, mas é uma condição relativamente comum, especialmente em mulheres jovens e na fase reprodutiva. Ela acontece quando as glândulas de Bartholin, que são pequenas estruturas localizadas na entrada da vagina, responsáveis pela lubrificação, ficam obstruídas ou infectadas.

    Apesar de normalmente começar como um inchaço indolor na região íntima, a condição pode evoluir rapidamente, causando dor ao andar, sentar ou durante o contato íntimo. Por isso, vale ficar atenta aos principais sintomas e quando ir ao médico.

    O que é bartolinite?

    A bartolinite é a inflamação ou infecção das glândulas de Bartholin, que estão localizadas na vulva (uma de cada lado da abertura da vagina) e são responsáveis por produzir o fluido que ajuda na lubrificação vaginal.

    Ela surge quando o canal da glândula fica entupido e impede a saída do líquido. Com isso, a secreção se acumula, formando um cisto que pode infeccionar e evoluir para um abscesso doloroso.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, as glândulas de Bartholin são pequenas, com cerca de 1 a 1,5 cm de diâmetro, mas possuem um ducto longo e estreito. Por conta dessa característica, o canal pode entupir com facilidade.

    Qual a diferença entre cisto de Bartholin e bartolinite?

    A diferença está principalmente na presença de infecção e nos sintomas. O cisto de Bartholin acontece quando o líquido fica preso dentro da glândula, o que forma um caroço que não dói ou causa apenas um leve incômodo. Muitas mulheres percebem durante a higiene ou ao tocar a região, notando um lado da vulva mais inchado que o outro.

    Já a bartolinite ocorre quando o cisto infecciona por causa de bactérias. Nesse caso, surgem dor mais intensa, inchaço maior e dificuldade para atividades do dia a dia, como sentar, caminhar ou ter relação sexual.

    Causas da bartolinite

    O bloqueio das glândulas de Bartholin pode ter diferentes origens, desde traumas físicos até infecções bacterianas:

    • Acúmulo de bactérias da pele ou da região intestinal (como a E. coli) que entram no duto da glândula;
    • Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), principalmente a clamídia e a gonorreia;
    • Traumas na região íntima, como pancadas, lesões ou atrito excessivo, que podem fechar a abertura do canal;
    • Marcas e cicatrizes de cirurgias prévias ou de partos, que podem estreitar ou bloquear o duto;
    • Espessamento do líquido, que ocorre quando o fluido produzido pela glândula fica mais denso, dificultando a saída natural;
    • Higiene inadequada, que facilita a migração de bactérias da região anal para a entrada da vagina.

    Bartolinite é transmissível?

    A bartolinite não é transmissível, mas algumas bactérias que causam a condição são sexualmente transmissíveis, como a Chlamydia trachomati, responsável pela clamídia.

    Quais os sintomas de bartolinite?

    Os sintomas da bartolinite costumam aparecer quando há infecção da glândula, principalmente na fase de abscesso. Os principais incluem:

    • Dor intensa na região da vulva, normalmente de um lado só;
    • Inchaço na entrada da vagina, com formação de um caroço;
    • Vermelhidão e aumento da sensibilidade local;
    • Dificuldade para sentar, caminhar ou cruzar as pernas;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Sensação de pressão ou pulsação no local;
    • Presença de pus, que pode drenar espontaneamente em alguns casos;
    • Febre e mal-estar, principalmente quando a infecção está mais avançada.

    No caso de um cisto de Bartholin, quando não há uma infecção, os sintomas costumam ser mais leves e podem até passar despercebidos no início:

    • Presença de um caroço indolor na entrada da vagina;
    • Sensação de leve desconforto ao caminhar, sentar ou durante a relação sexual;
    • Assimetria na vulva, com um lado mais inchado que o outro;
    • Sensação de peso ou de volume na região íntima.

    Em muitos casos, o cisto pode diminuir ou desaparecer sozinho, sem necessidade de tratamento, de acordo com Andreia.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da bartolinite é feito por um médico ginecologista, com base na avaliação médica e no exame físico da região íntima.

    Durante a consulta, o especialista observa a vulva e identifica o inchaço típico na entrada da vagina, frequentemente de um lado só. A presença de dor intensa, vermelhidão e aumento de volume já são sinais da infecção da glândula de Bartholin.

    Além do exame físico, o médico pode avaliar a presença de secreção ou pus na região, verificar sinais de abscesso (coleção de pus) e investigar o histórico de dor, tempo de evolução e episódios anteriores. Em alguns casos, também podem ser solicitados exames complementares, como:

    • Coleta de secreção para identificar a bactéria envolvida, especialmente quando há suspeita de infecção sexualmente transmissível;
    • Exames para ISTs, como clamídia e gonorreia;
    • Em mulheres acima dos 40 anos, pode ser indicada biópsia para descartar outras condições mais raras.

    Tratamento de bartolinite

    O tratamento da bartolinite depende da presença de infecção e da gravidade do quadro. Segundo Andreia, nos casos em que há a formação de um abscesso, é indicada uma drenagem cirúrgica, um procedimento rápido que consiste em uma pequena abertura para permitir a saída do pus.

    Após a drenagem, é indicado o uso de antibióticos para tratar a infecção, considerando inclusive que a clamídia, uma infecção sexualmente transmissível, pode ser a causa da obstrução do ducto.

    Já quando existe apenas o cisto de Bartholin sem infecção, a condição pode surgir e desaparecer espontaneamente, muitas vezes sem precisar de um tratamento invasivo. Nesses quadros, o uso de anti-inflamatórios pode ser suficiente para auxiliar na desobstrução natural do canal e na drenagem da secreção acumulada.

    A ginecologista ainda destaca que medidas caseiras, como o uso de compressas quentes ou frias, não costumam resolver o problema e podem até agravar o desconforto.

    Autocuidados em casos de bartolinite

    Durante o tratamento, os autocuidados podem ajudar a aliviar o desconforto da bartolinite e desobstruir o duto da glândula de forma natural, mas eles funcionam melhor em cistos pequenos e não infectados:

    • Lave a região suavemente com sabonete neutro e limpe-se sempre de frente para trás;
    • Utilize calcinhas de algodão e evite calças muito apertadas (como jeans ou leggings) para reduzir o atrito e o calor;
    • Evite relações sexuais enquanto houver inchaço ou dor para não agravar a inflamação;
    • Dormir sem calcinha, que ajuda a manter a região ventilada e reduz a umidade local;
    • Jamais tente apertar, furar ou drenar o cisto por conta própria, pois isso pode causar uma infecção grave.

    Vale apontar que as medidas não substituem a avaliação médica, principalmente quando há dor intensa ou sinais de infecção.

    O que fazer em casos recorrentes de bartolinite?

    Mesmo depois do tratamento de uma infecção ou a drenagem de um cisto, o duto da glândula de Bartholin pode sofrer uma nova obstrução no mesmo local ou na glândula do outro lado.

    Quando os episódios de inflamação se tornam repetitivos, Andreia explica que o médico pode indicar a cirurgia para retirar a glândula afetada, depois que a infecção estiver controlada. A remoção não costuma causar problemas importantes na lubrificação vaginal, porque o corpo tem outras glândulas que também ajudam na função.

    Quando ir ao médico?

    É importante procurar atendimento médico sempre que surgirem sinais de inflamação ou infecção na região íntima, como:

    • Dor intensa na vulva;
    • Inchaço ou caroço na entrada da vagina;
    • Vermelhidão e aumento da sensibilidade;
    • Dificuldade para sentar, caminhar ou ter relação sexual;
    • Presença de pus ou secreção;
    • Febre ou mal-estar.

    Mesmo que a dor seja leve, vale buscar avaliação se o caroço persistir ou aumentar de tamanho. Quanto antes for feito o diagnóstico, mais simples costuma ser o tratamento.

    Veja também: Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Bartolinite é uma doença sexualmente transmissível (IST)?

    Não necessariamente, mas ISTs como clamídia e gonorreia são causas frequentes da inflamação. Bactérias comuns da pele e do intestino também podem causar o problema.

    2. Qual médico devo procurar?

    O ginecologista é o especialista indicado para diagnosticar e tratar qualquer alteração na região vulvar.

    3. Como é feita a drenagem médica?

    O médico faz um pequeno corte sob anestesia local para retirar o pus. O alívio da dor costuma ser imediato após o procedimento.

    4. Como prevenir que a bartolinite apareça?

    Use preservativos para evitar ISTs, mantenha a higiene íntima adequada (limpando-se de frente para trás) e evite roupas excessivamente apertadas por longos períodos.

    5. Quanto tempo leva para curar a bartolinite?

    Após uma drenagem médica, o alívio da dor é imediato, mas a cicatrização completa e o fim do ciclo de antibióticos levam cerca de 7 a 10 dias.

    6. Como é o pós-operatório da retirada da glândula?

    É uma cirurgia que requer repouso de 7 a 15 dias. Pode haver inchaço e hematomas locais, sendo recomendado evitar exercícios físicos e relações sexuais por cerca de 4 semanas.

    7. A bartolinite pode causar câncer?

    Não, a bartolinite é uma inflamação benigna. No entanto, em mulheres com mais de 40 anos, os médicos costumam ser mais cautelosos e podem solicitar uma biópsia do cisto para descartar doenças mais raras.

    8. O que acontece se não tratar um abscesso?

    A infecção pode se espalhar para os tecidos vizinhos (celulite infecciosa) ou, em casos muito graves e raros, cair na corrente sanguínea, causando uma infecção generalizada.

    Leia mais: Ardor ao urinar pode ser gonorreia? Descubra os sintomas da doença

  • Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    A coceira vaginal é um dos sintomas mais comuns do dia a dia e pode surgir em qualquer fase da vida da mulher, desde a infância até a pós-menopausa. Normalmente, ela é temporária e está associada a causas como o uso de produtos inadequados para a higiene íntima ou o contato com tecidos sintéticos.

    No entanto, quando persiste ou vem acompanhada de outros sintomas, como corrimento, ardência ou odor diferente do habitual, ela pode indicar uma condição que precisa de atenção médica.

    Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza sobre o que pode causar a coceira vaginal, quando é necessário procurar um médico e quais medidas ajudam a prevenir o desconforto.

    O que pode causar a coceira vaginal?

    As causas da coceira vaginal são variadas e vão desde infecções até reações a produtos de uso cotidiano. Entre elas, é possível destacar:

    1. Reações alérgicas ou irritativas

    O contato com determinados produtos pode irritar a pele sensível da vulva e provocar coceira, vermelhidão e ardência, mesmo sem a presença de infecção. Os principais agentes irritantes incluem:

    • Cremes e géis íntimos;
    • Desodorantes e sprays íntimos;
    • Absorventes perfumados ou com componentes sintéticos;
    • Sabonetes com fragrância ou pH inadequado;
    • Papel higiênico perfumado;
    • Tecidos sintéticos ou materiais que retêm calor e umidade na região;
    • Látex de preservativos, em mulheres com sensibilidade ao material.

    Vale destacar que, nesses casos, a coceira não indica infecção e, portanto, não responde ao uso de antifúngicos ou antibióticos. O alívio costuma vir com a simples identificação e retirada do produto irritante, aliada a uma higiene adequada.

    2. Doenças dermatológicas

    As doenças dermatológicas são condições que afetam a pele, os cabelos, as unhas e as mucosas do corpo. Em alguns casos, elas podem afetar a região vulvar e causar coceira pessoal, e precisam de diagnóstico médico para ter o tratamento adequado. Andreia aponta as mais comuns:

    • Líquen escleroatrófico: é uma doença inflamatória crônica da pele, mais frequente em mulheres no climatério e após a menopausa, mas que pode aparecer em qualquer fase da vida. Além da coceira, também pode causar ressecamento e esbranquiçamento da pele da vulva;
    • Psoríase na vulva: é uma doença da pele de origem imunológica que pode surgir na região genital, causando placas avermelhadas, irritação e coceira. É frequentemente confundida com infecções fúngicas, o que atrasa o diagnóstico correto;
    • Dermatite de contato: é uma reação inflamatória provocada pelo contato direto da pele com alguma substância irritante ou alérgena. Na região vulvar, pode causar coceira intensa, vermelhidão, inchaço e ardência.

    Como as doenças dermatológicas da região vulvar têm tratamentos bastante específicos, a avaliação médica é necessária para identificar a condição correta e indicar a abordagem mais adequada.

    3. Infecções por fungos

    Os fungos estão entre as causas mais comuns de coceira vaginal, uma vez que se proliferam com facilidade em ambientes quentes e úmidos e podem afetar tanto a mucosa interna da vagina quanto a pele externa da vulva.

    De acordo com Andreia, as principais infecções fúngicas relacionadas ao sintoma são:

    • Candidíase vaginal: é provocada pelo fungo Candida albicans, que já existe naturalmente no organismo, mas pode se multiplicar em excesso quando a flora vaginal entra em desequilíbrio. Além da coceira, costuma causar ardência e corrimento branco e grumoso, parecido com leite coalhado;
    • Tinea cruris (micose da virilha): é uma infecção fúngica que atinge a pele da virilha e da vulva externa, diferente da candidíase, que afeta a mucosa interna. Ela provoca coceira, vermelhidão e descamação da pele, sendo mais comum em climas quentes e úmidos. O uso de roupas justas e tecidos sintéticos favorecem o surgimento da condição.

    Apesar de ambas serem causadas por fungos, candidíase e micose da virilha são condições diferentes, de modo que o tratamento não é o mesmo. Em todos os casos, procure um médico antes de iniciar qualquer tratamento.

    4. Herpes genital

    O herpes genital é uma infecção causada pelo vírus herpes simples (HSV), normalmente pelo tipo HSV-2, embora o tipo HSV-1 também possa provocar a doença. A transmissão ocorre principalmente por meio do contato íntimo durante relações sexuais com uma pessoa infectada.

    De acordo com Andreia, o herpes genital pode causar coceira na região vaginal, principalmente no início da infecção, antes mesmo de qualquer lesão aparecer. Depois, costumam surgir pequenas bolhas agrupadas que podem romper e causar feridas dolorosas.

    Os sintomas costumam ser mais intensos no primeiro episódio e podem voltar ao longo da vida, especialmente em momentos de estresse ou queda de imunidade.

    5. Alterações da flora vaginal, como a vaginose citolítica

    A vaginose citolítica é uma alteração da flora vaginal causada pelo crescimento excessivo das bactérias chamadas Lactobacillus, também conhecidas como Lactobacillus de Döderlein.

    De acordo com Andreia, as bactérias fazem parte da flora vaginal normal e ajudam a proteger a região íntima contra infecções, mas quando ocorre uma proliferação exagerada, o excesso de acidez pode irritar a mucosa vaginal. Como consequência, aparecem sintomas semelhantes à candidíase, como a coceira vaginal intensa, ardência na região íntima e corrimento.

    A ginecologista explica que o tratamento também pode envolver creme vaginal, mas com uma substância totalmente diferente da utilizada no tratamento da candidíase. Por isso, como existem doenças com sintomas muito parecidos, o exame médico é importante para identificar corretamente a causa.

    6. Alterações hormonais

    As variações nos níveis de hormônios, principalmente do estrogênio, influenciam diretamente a saúde da mucosa vaginal e o equilíbrio da flora da região íntima.

    O estrogênio ajuda a manter a vagina hidratada, com boa elasticidade e com uma flora vaginal equilibrada. Quando ocorre uma queda ou mudança na quantidade desse hormônio, a mucosa vaginal pode ficar mais seca, fina e sensível, o que favorece a coceira na região íntima.

    Uma das situações mais comuns em que isso acontece é durante o climatério e a menopausa, fases em que há redução natural do estrogênio, além da gravidez e do período pré-menstrual.

    Parasitas podem causar coceira na vulva?

    Na maioria das vezes, parasitas como o oxiúro não costumam causar coceira vaginal.

    O oxiúro é um pequeno verme branco, parecido com uma linha fina, que vive no intestino. Durante a noite, as fêmeas saem pelo ânus para depositar ovos na região perianal — e é esse movimento do verme, junto com a presença dos ovos, que provoca coceira intensa na região anal, e não vaginal.

    Segundo Andreia, eventualmente pode acontecer alguma colonização próxima à região vaginal e provocar coceira, mas a coceira anal costuma ser tão intensa que normalmente não deixa dúvidas de que a causa principal está na região anal, e não na vaginal.

    Quando procurar um médico?

    A coceira vaginal ocasional, sem outros sintomas associados, muitas vezes se resolve sozinha com alguns ajustes simples, como trocar o sabonete íntimo ou evitar roupas muito justas. No entanto, vale procurar um ginecologista quando a coceira:

    • For intensa ou persistir por mais de alguns dias;
    • Vier acompanhada de corrimento com cor, cheiro ou consistência diferente do habitual;
    • Causar ardência, inchaço ou vermelhidão na região;
    • Aparecer junto com feridas, bolhas ou lesões visíveis na vulva;
    • Piorar após as relações sexuais;
    • Se repetir com frequência, mesmo após tratamentos anteriores.

    Além disso, mulheres grávidas devem buscar avaliação médica assim que notarem qualquer sintoma, sem esperar para ver se melhora. Algumas infecções, quando não tratadas durante a gestação, podem trazer riscos para a mãe e para o bebê.

    O mesmo vale para quem tem diabetes ou alguma condição que comprometa a imunidade. Nesses casos, infecções como a candidíase tendem a ser mais recorrentes e podem precisar de um tratamento mais prolongado.

    O que é bom para coceira vaginal?

    Antes de qualquer coisa, vale destacar que o tratamento da coceira vaginal depende da causa. Não existe uma única medida que consegue resolver todos os casos, já que diferentes condições podem provocar o sintoma. O tratamento pode envolver o:

    • Uso de medicamentos antifúngicos quando a coceira é causada por candidíase. O tratamento pode ser feito com comprimidos por via oral ou com cremes vaginais prescritos pelo médico;
    • Uso de antibióticos específicos nos casos de vaginose bacteriana ou outras alterações da flora vaginal, que também precisam de avaliação médica para diagnóstico correto;
    • Suspender produtos que possam causar irritação, como sabonetes perfumados, desodorantes íntimos, cremes, duchas vaginais e absorventes que provoquem alergia ou sensibilidade na pele da vulva;
    • Uso de medicamentos tópicos anti-inflamatórios ou dermatológicos, quando a coceira está relacionada a doenças de pele, como líquen escleroatrófico ou psoríase;
    • Tratamento de alterações hormonais, principalmente durante o climatério ou menopausa, que pode incluir hidratantes vaginais ou terapias hormonais indicadas pelo ginecologista;
    • Uso de medicamentos antiparasitários, caso a coceira esteja relacionada a infecções por parasitas, como o oxiúrus.

    Por isso, diante de uma coceira vaginal persistente, intensa ou acompanhada de outros sintomas, como corrimento, odor forte, dor ou irritação, o mais indicado é procurar avaliação médica.

    Como aliviar a coceira vaginal em casa?

    A coceira vaginal pode ser bastante desconfortável, mas algumas medidas podem ajudar a aliviar o incômodo em casa enquanto a causa não é identificada, como:

    • Manter a região íntima limpa e bem seca após o banho;
    • Usar roupas íntimas de algodão, que permitem melhor ventilação da região;
    • Evitar roupas muito apertadas ou tecidos sintéticos;
    • Evitar sabonetes perfumados, desodorantes íntimos e duchas vaginais;
    • Trocar roupas de banho molhadas o mais rápido possível;
    • Evitar coçar a região para não provocar irritação ou pequenas lesões na pele;
    • Manter uma alimentação equilibrada, com menor consumo de açúcar e carboidratos em excesso.

    Os cuidados podem ajudar especialmente quando a coceira é causada por reações alérgicas ou irritativas, em que o agente causador já é suficiente para resolver o problema. Mas, quando a origem é uma infecção ou uma condição dermatológica, elas não substituem a avaliação médica.

    Como prevenir a coceira vaginal?

    Nem sempre é possível evitar a coceira vaginal, já que algumas causas, como alterações hormonais, independem dos hábitos do dia a dia. Mas, em alguns casos, pequenas mudanças podem ajudar a reduzir as chances da coceira aparecer, como:

    • Lavar a região íntima com água e sabonete neutro, sem usar esponjas;
    • Evitar duchas vaginais e produtos perfumados na região íntima;
    • Usar roupas íntimas de algodão, folgadas e trocadas diariamente;
    • Evitar ficar muito tempo com roupas de banho molhadas;
    • Evitar leggings e calças muito justas, especialmente em dias quentes;
    • Optar por absorventes, papel higiênico e produtos íntimos sem fragrância;
    • Usar camisinha nas relações sexuais;
    • Reduzir o consumo de açúcar e carboidratos refinados na alimentação.

    Por fim, lembre-se de manter as consultas ginecológicas em dia, pois várias condições que causam coceira vaginal podem estar presentes sem sintomas evidentes por um longo período, e só são identificadas durante um exame de rotina.

    A recomendação geral é realizar ao menos uma consulta por ano, mas mulheres com histórico de infecções recorrentes ou outras condições ginecológicas podem precisar de acompanhamento mais frequente, conforme orientação médica.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se a coceira é por fungo ou bactéria?

    Normalmente, a candidíase (fungo) causa coceira intensa e um corrimento branco espesso, semelhante a coalhada. A vaginose (bactéria) costuma causar um odor forte e corrimento acinzentado, com coceira menos intensa. Só um exame clínico confirma com precisão.

    2. O que pode ser a coceira apenas na parte externa (vulva)?

    Pode ser uma dermatite de contato. O uso de calças muito justas, sabonetes novos, amaciantes de roupa agressivos ou absorventes externos pode irritar a pele sensível da vulva.

    3. Por que sinto coceira logo após a menstruação?

    O sangue menstrual altera o pH vaginal (deixa-o menos ácido). Isso pode desequilibrar a flora e causar um leve crescimento de fungos ou bactérias logo após o ciclo.

    4. Existe algum remédio caseiro que ajuda?

    O banho de assento com bicarbonato de sódio (1 colher de sopa para 1 litro de água morna) ajuda a aliviar a coceira da candidíase ao alcalinizar levemente a região, mas ele alivia o sintoma, não cura a infecção sozinho.

    5. A depilação total pode causar coceira?

    Sim, pois os pelos formam uma barreira de proteção. Além disso, o atrito da lâmina ou da cera causa microlesões que, ao cicatrizar ou ao nascer o pelo, geram coceira e irritação.

    6. Quando a coceira vaginal é considerada grave?

    Quando ela vem acompanhada de feridas, bolhas, inchaço excessivo, dor ao urinar ou febre. Nesses casos, a busca por um ginecologista deve ser imediata.

    7. Coceira na gravidez é normal?

    É comum devido às alterações hormonais que mudam o pH vaginal, mas deve ser sempre relatada ao obstetra para evitar que uma infecção suba para o colo do útero.

    Leia mais: Sabonete íntimo é necessário? Conheça os cuidados e quando usar

  • Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    Cisto no ovário: sintomas, o que causa, como tratar e qual o melhor remédio

    O cisto no ovário é uma alteração relativamente comum no sistema reprodutor feminino, afetando cerca de uma em cada três mulheres em algum momento da vida. Eles ocorrem principalmente em mulheres em idade reprodutiva (15 a 35 anos) e pré-menopausa.

    A maioria dos casos é benigno e desaparece espontaneamente sem necessidade de tratamento, mas dependendo do tipo, do tamanho ou das características da lesão, pode ser necessário acompanhamento médico para descartar possíveis complicações.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer o que causa o cisto no ovário, como é feito o diagnóstico e em que casos ele pode ser maligno. Confira!

    O que é cisto no ovário?

    O cisto no ovário é uma estrutura semelhante a uma pequena bolsa cheia de líquido que se forma dentro ou na superfície do ovário. Na maioria dos casos, é uma alteração benigna que surge como parte do funcionamento normal do ciclo menstrual, e pode aparecer na fase reprodutiva da mulher.

    Durante a ovulação, acontece a formação de um folículo que pode assumir o aspecto de um pequeno cisto. A estrutura costuma desaparecer naturalmente após algumas semanas, sem causar qualquer problema ou sintoma.

    Mas, em situações menos comuns, podem surgir cistos considerados complexos, que apresentam estruturas internas, septações ou componentes sólidos. Nesses casos, existe a necessidade de investigação mais detalhada, pois alguns cistos complexos podem estar associados a tumores ovarianos, incluindo formas malignas.

    Tipos de cistos ovarianos

    Os cistos ovarianos podem ser classificados de acordo com a origem e as características observadas no ultrassom. Andreia aponta os seguintes:

    1. Cisto folicular (fisiológico)

    O cisto folicular é um dos tipos mais comuns de cisto no ovário e está diretamente ligado ao funcionamento normal do ciclo menstrual. Durante cada ciclo, um folículo se desenvolve no ovário para liberar um óvulo no momento da ovulação.

    Quando o folículo cresce, mas não se rompe no momento esperado, o líquido permanece em seu interior e forma um pequeno cisto.

    Frequentemente, o cisto folicular não provoca sintomas e desaparece espontaneamente no ciclo menstrual seguinte.

    2. Cisto de corpo lúteo

    O cisto do corpo lúteo aparece após a ovulação. O folículo que liberou o óvulo sofre modificações e passa a produzir progesterona para sustentar uma possível gestação, segundo Andreia.

    Em alguns casos, o corpo lúteo pode se fechar e acumular líquido ou até pequenas quantidades de sangue em seu interior, formando um cisto temporário, que desaparece espontaneamente após algum tempo.

    3. Cisto hemorrágico

    O cisto hemorrágico ocorre quando há sangramento dentro de um cisto funcional, como um cisto folicular ou de corpo lúteo. O sangue acumulado altera o aspecto do cisto no ultrassom e pode provocar dor abdominal ou pélvica.

    Apesar de causar desconforto em alguns casos, ele costuma se resolver naturalmente ao longo de algumas semanas, à medida que o organismo reabsorve o sangue presente no interior da estrutura.

    4. Endometrioma

    O endometrioma é um tipo de cisto associado à endometriose, uma doença em que o tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora do local habitual.

    Quando o tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto que acumula sangue antigo, frequentemente chamado de “cisto de chocolate” devido ao aspecto escuro do conteúdo. Apesar de benigno, o endometrioma pode causar dor pélvica, cólicas intensas e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.

    5. Cistos benignos não fisiológicos

    Existem também cistos que não fazem parte do ciclo hormonal normal, mas que ainda são considerados benignos. Eles podem surgir por diferentes motivos e, muitas vezes, apresentam crescimento mais lento.

    Dependendo do tamanho, das características observadas no ultrassom e da presença de sintomas, o médico pode indicar apenas acompanhamento periódico ou, em alguns casos, a retirada cirúrgica da lesão.

    7. Tumores borderline

    Os tumores borderline são lesões ovarianas que apresentam baixo potencial de malignidade. Elas não são consideradas câncer invasivo, mas possuem características celulares que exigem maior atenção e acompanhamento médico.

    Os tumores podem crescer e causar alterações no organismo, como aumento do volume abdominal ou presença de líquido na cavidade abdominal. O tratamento normalmente envolve avaliação especializada e, em muitos casos, cirurgia.

    8. Tumores ovarianos malignos

    Os tumores malignos do ovário são menos frequentes quando comparados aos cistos benignos, mas precisam de uma investigação cuidadosa e tratamento adequado.

    Elas podem apresentar componentes sólidos, estruturas internas complexas ou alterações específicas nos exames de imagem. Quando há suspeita de malignidade, o médico pode solicitar exames complementares e indicar cirurgia para confirmação diagnóstica e tratamento, de acordo com Andreia.

    Quais os sintomas de cisto no ovário?

    O cisto no ovário normalmente não provoca sintomas e costuma ser identificado em exames de rotina. Quando os sinais aparecem, eles tendem a estar relacionados ao aumento do tamanho do cisto ou a complicações. Os principais incluem:

    • Dor pélvica ou abdominal;
    • Sensação de pressão ou peso na região inferior do abdômen;
    • Distensão abdominal;
    • Dor durante a relação sexual;
    • Alterações no ciclo menstrual;
    • Dor súbita e intensa quando ocorre ruptura do cisto;
    • Dor aguda associada à torção do ovário;
    • Náuseas ou mal-estar em casos de complicação.

    Segundo Andreia, os sintomas podem aparecer especialmente quando o cisto se rompe, quando cresce muito e provoca efeito de massa (distende o abdômen pela presença de um volume grande) ou, eventualmente, quando ocorre a torção do ovário.

    O que causa o cisto no ovário?

    A causa mais comum do cisto no ovário está relacionada ao próprio processo de ovulação. Durante o ciclo menstrual, os ovários formam folículos que contêm os óvulos. Em algumas situações, o folículo pode não romper ou pode se fechar após a ovulação, acumulando líquido e formando um cisto.

    Além do processo natural de ovulação, o cisto no ovário também pode surgir associado a algumas condições de saúde ou alterações no organismo, como:

    • Alterações hormonais: podem interferir no funcionamento normal do ciclo menstrual e favorecer a formação de cistos ovarianos, principalmente quando há irregularidade na ovulação;
    • Endometriose: ocorre quando tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Quando esse tecido se desenvolve dentro do ovário, pode formar um cisto chamado endometrioma;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): é uma condição hormonal caracterizada pela presença de múltiplos pequenos cistos nos ovários, associada a alterações hormonais que podem afetar a ovulação.
    • Inflamações pélvicas: podem atingir os ovários e favorecer o surgimento de cistos ou outras alterações nas estruturas reprodutivas;
    • Tumores ovarianos benignos ou malignos, em situações mais raras.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico do cisto no ovário é feito principalmente por meio do ultrassom pélvico ou transvaginal, de acordo com Andreia. O exame permite visualizar os ovários e identificar a presença de estruturas císticas.

    Além de detectar o cisto, o ultrassom ajuda a avaliar:

    • Tamanho;
    • Formato;
    • Conteúdo interno;
    • Espessura da parede;
    • Presença de estruturas sólidas.

    As características ajudam o médico a diferenciar cistos benignos de lesões que necessitam de investigação adicional. Em alguns casos, podem ser solicitados exames complementares, como exames laboratoriais ou ressonância magnética.

    Na suspeita de cistos malignos, a ginecologista explica que é necessário uma uma biópsia com exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico. A partir da avaliação microscópica do material, é possível determinar se a lesão é benigna, borderline ou maligna, além de orientar o tratamento mais adequado para cada caso.

    Tratamento de cisto no ovário

    O tratamento depende do tipo de cisto, do tamanho, dos sintomas apresentados e da idade da paciente. Segundo Andreia, muitos cistos desaparecem espontaneamente e apenas necessitam de acompanhamento com exames periódicos.

    Quando o cisto apresenta características benignas e não causa sintomas, o médico pode optar apenas pela observação.

    Em situações específicas, pode ser necessário tratamento medicamentoso ou cirurgia para retirada do cisto, principalmente quando há crescimento progressivo, dor intensa ou suspeita de malignidade.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A cirurgia pode ser indicada quando existem sinais que sugerem risco ou quando o cisto provoca sintomas importantes:

    • Cistos grandes, principalmente quando ultrapassam cerca de 5 a 10 cm;
    • Dor pélvica persistente ou intensa associada ao cisto;
    • Ruptura do cisto com sangramento importante;
    • Torção do ovário, situação de urgência que causa dor intensa;
    • Características suspeitas no ultrassom, como partes sólidas, septações espessas ou projeções internas;
    • Suspeita de tumor ovariano, quando há risco de malignidade.

    A cirurgia também pode ser considerada quando o cisto interfere na fertilidade ou quando está relacionado a doenças como a endometriose.

    Frequentemente, o procedimento é feito por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva realizada com pequenas incisões no abdômen. Em casos mais complexos ou quando existe suspeita de câncer, pode ser necessário um procedimento cirúrgico mais amplo.

    Remédio para desmanchar o cisto no ovário

    Não existe um medicamento que literalmente “desmanche” o cisto ovariano já formado. O próprio organismo tende a reabsorver o cisto naturalmente ao longo de alguns ciclos menstruais.

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode ser indicado em algumas situações, para impedir a ovulação e reduzir a formação de novos cistos funcionais. Mas, em todo caso, a indicação do remédio depende sempre da avaliação médica.

    Cisto no ovário impede a gravidez?

    Os cistos no ovário não costumam impedir a gravidez, uma vez que vários são fisiológicos e fazem parte do funcionamento normal do ciclo menstrual.

    Algumas condições associadas aos cistos podem afetar a fertilidade, como a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos. Mas ainda assim, muitas mulheres com as condições conseguem engravidar com acompanhamento médico adequado e tratamento quando necessário.

    É possível evitar o cisto no ovário?

    Nem sempre é possível evitar a formação de cistos no ovário, pois muitos deles surgem naturalmente durante o ciclo menstrual, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco ou facilitar a identificação precoce:

    • Realizar consultas ginecológicas regulares;
    • Fazer exames de rotina, como o ultrassom pélvico ou transvaginal quando indicado;
    • Utilizar métodos contraceptivos hormonais quando recomendados pelo médico, pois eles podem impedir a ovulação e diminuir a formação de cistos funcionais;
    • Tratar condições hormonais ou ginecológicas que possam favorecer o surgimento de cistos.

    O acompanhamento médico é importante para avaliar cada caso individualmente e indicar a melhor abordagem quando necessário.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. Cisto no ovário é perigoso?

    Não na maioria das vezes. A maior parte é funcional e desaparece sozinha. O perigo surge se o cisto for muito grande, houver suspeita de malignidade ou se ele causar a torção do ovário

    2. Qual o tamanho de um cisto no ovário que precisa de cirurgia?

    Geralmente, cistos maiores que 5 a 10 centímetros, ou aqueles que apresentam características sólidas e crescem rapidamente, têm indicação cirúrgica.

    3. Quem tem cisto no ovário pode ter relação sexual?

    Sim, mas se o cisto for grande, a relação pode causar desconforto ou dor (dispareunia). Em casos de cistos volumosos, há um risco pequeno de ruptura durante o ato.

    4. O que acontece se o cisto no ovário romper?

    A ruptura causa uma dor súbita e aguda no baixo ventre. Em alguns casos, o corpo reabsorve o líquido, mas em outros, pode haver sangramento interno, exigindo observação médica imediata.

    5. Quem tem cisto no ovário pode tomar anticoncepcional?

    Sim, o anticoncepcional é frequentemente usado para evitar que novos cistos se formem, embora ele não trate o cisto que já está presente. Mas a prescrição deve ser feita apenas por um médico.

    6. O cisto no ovário pode virar câncer com o tempo?

    Um cisto benigno dificilmente se transforma em câncer. O que acontece é que um tumor pode ser confundido com um cisto simples no início, por isso o acompanhamento com exames de imagem é vital.

    7. Quem tem cisto no ovário pode fazer exercícios físicos?

    Na maioria dos casos, sim. No entanto, se o cisto for volumoso (acima de 5 cm), médicos recomendam evitar atividades de alto impacto ou saltos, devido ao risco de torção ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    Quando suspeitar de uma IST? Saiba identificar os principais sinais de alerta 

    No Brasil, cerca de 12 milhões de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são registrados todos os anos — e os jovens e adolescentes representam quase 50% de todos os quadros. As ISTs são causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que podem ser transmitidas, principalmente, por meio da relação sexual sem preservativo.

    Diversas infecções podem permanecer silenciosas por longos períodos, sem causar sintomas perceptíveis, o que inclusive faz com que muitas pessoas não percebam que estão infectadas. Isso facilita a transmissão para outras pessoas e aumenta o risco de complicações mais sérias.

    Mas afinal, como reconhecer os sinais de alerta das ISTs? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender os tipos mais comuns de IST, os principais sintomas e quando procurar atendimento médico. Dá uma olhada!

    Quando desconfiar de uma infecção sexualmente transmissível?

    Nem sempre as infecções sexualmente transmissíveis provocam sintomas logo no início, o que torna comum a condição ser descoberta em exames de rotina ou quando surgem complicações. No entanto, o corpo pode dar sinais quando algo não está bem.

    A recomendação é ficar atento a qualquer mudança na região genital, anal ou bucal, especialmente após uma relação sexual sem preservativo, já que alterações como corrimento diferente do habitual, feridas, coceira, dor ou desconforto merecem avaliação.

    Quais os sinais de alerta para IST?

    Os sintomas de ISTs podem variar entre homens e mulheres, mas existem alguns sinais clássicos para ficar de olho, como:

    • Corrimento genital (uretral ou vaginal): diferente da secreção natural, o corrimento relacionado a IST costuma apresentar cor amarelada, esverdeada ou acinzentada, odor mais forte e pode vir acompanhado de coceira, ardência ou desconforto;
    • Feridas, bolhas ou úlceras: o aparecimento de feridas, com ou sem dor, representa um sinal importante de alerta, podendo surgir no pênis, na vulva, na vagina, no ânus e também na boca ou na garganta;
    • Verrugas genitais: pequenas elevações na pele que podem surgir isoladas ou agrupadas, normalmente indolores, embora possam causar coceira ou incômodo;
    • Dor ou ardor ao urinar: a sensação de queimação, ardência ou desconforto ao urinar é um sintoma frequente em infecções que atingem a uretra e deve ser investigado;
    • Dor durante a relação sexual ou no baixo ventre: nas mulheres, a dor profunda durante a relação íntima ou um desconforto persistente na região inferior do abdome pode indicar infecção que atingiu estruturas internas, como útero e trompas, quadro conhecido como doença inflamatória pélvica (DIP).

    Tipos mais comuns de IST (e os sintomas específicos)

    As ISTs consistem em um conjunto muito amplo de condições. De acordo com Andreia, elas vão desde infecções identificadas por exames de sangue, como HIV, hepatite B, hepatite C e sífilis, até aquelas diagnosticadas a partir da coleta de material dos órgãos genitais, como secreções, raspados de úlceras ou bolhas.

    Elas podem ser causadas por bactérias, vírus ou outros microrganismos, e cada uma age de maneira diferente no organismo. Veja algumas das mais comuns a seguir:

    Sífilis

    A sífilis é uma infecção causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. Ela costuma começar com uma ferida única e indolor na região íntima, na boca ou no ânus, que desaparece sozinha após alguns dias ou semanas.

    Mesmo quando a ferida some, a bactéria continua no corpo e pode evoluir para fases mais graves, causando manchas na pele, febre, queda de cabelo e, em estágios avançados, danos ao coração e ao sistema nervoso.

    A infecção tem cura, e o tratamento é feito com o uso de remédios antibióticos, geralmente à base de penicilina (benzetacil), administrada em uma ou três doses, dependendo do estágio da doença, de acordo com Andreia.

    Gonorreia

    A gonorreia é uma infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, que costuma atingir principalmente a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta, sendo transmitida normalmente por meio da relação sexual sem preservativo.

    Ela pode provocar corrimento amarelado ou esverdeado, dor ou ardor ao urinar e, em alguns casos, desconforto durante a relação sexual. Nas mulheres, é comum a ausência de sintomas nas fases iniciais, o que pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de complicações.

    O tratamento da gonorreia é feito com antibióticos, sendo o esquema mais comum a combinação de uma dose única injetável, normalmente ceftriaxona, associada a uma medicação por via oral, como a azitromicina.

    Clamídia

    A clamídia é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e está entre as ISTs mais comuns, principalmente entre jovens e adultos com vida sexual ativa.

    Assim como ocorre na gonorreia, a transmissão costuma acontecer durante a relação sexual sem preservativo, e a infecção pode atingir a uretra, o colo do útero, o reto e a garganta.

    Ela pode provocar corrimento, ardor ao urinar, dor pélvica ou desconforto durante a relação sexual, mas é bastante comum não haver sintomas, especialmente nas mulheres, o que pode atrasar o diagnóstico. Quando não tratada, a infecção pode causar inflamações no útero e nas trompas, aumentando o risco de infertilidade e dor pélvica crônica.

    O tratamento da clamídia também é realizado com o uso de antibióticos, sendo a azitromicina, em dose única, ou a doxiciclina, administrada por cerca de sete dias, as opções mais frequentemente prescritas pelo médico.

    HPV (Papilomavírus Humano)

    O HPV é um vírus transmitido principalmente pelo contato sexual, inclusive pelo contato íntimo pele a pele, mesmo quando não há penetração. Existem muitos tipos diferentes do vírus: alguns causam verrugas genitais, enquanto outros estão associados ao risco de câncer, principalmente no colo do útero, mas também no ânus, pênis e garganta.

    Em muitos casos, a infecção não provoca sintomas visíveis e pode ser eliminada naturalmente pelo organismo ao longo do tempo. Quando surgem lesões, elas costumam aparecer como verrugas na região genital ou anal.

    Vale apontar que não existe um medicamento capaz de eliminar totalmente o vírus, mas há tratamentos eficazes para as lesões, além da vacina, que é uma importante forma de prevenção.

    Herpes genital

    O herpes genital é causado pelo vírus herpes simples, geralmente o tipo 2, e é transmitido principalmente pelo contato sexual sem preservativo. A infecção costuma provocar pequenas bolhas doloridas na região íntima, que se rompem, formam feridas e depois cicatrizam.

    Após o primeiro contato com o vírus, ele permanece no organismo e pode causar novas crises ao longo da vida, principalmente em períodos de estresse, cansaço, doença ou queda da imunidade.

    Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento com medicamentos antivirais ajuda a controlar os sintomas, reduzir a duração das crises e diminuir o risco de transmissão.

    HIV

    O HIV é o vírus da imunodeficiência humana e ataca diretamente o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra infecções. A transmissão acontece principalmente por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.

    Nos primeiros dias ou semanas depois da infecção, a pessoa pode ter sintomas semelhantes aos de uma gripe, como febre, mal-estar, dor no corpo e ínguas, mas muitas pessoas não apresentam sinais.

    Sem tratamento, o vírus pode evoluir para a AIDS, fase mais avançada da infecção. Atualmente, o tratamento com medicamentos antirretrovirais permite que a pessoa tenha qualidade de vida, controle a infecção e, quando a carga viral está indetectável, não transmita o vírus por via sexual.

    Hepatite B e hepatite C

    As hepatites B e C são infecções virais que afetam principalmente o fígado e podem ser transmitidas por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê. Muitas vezes não causam sintomas no início, o que pode dificultar a identificação precoce.

    Quando sinais aparecem, podem incluir cansaço excessivo, náusea, dor abdominal, urina escura e pele ou olhos amarelados, quadro conhecido como icterícia.

    A hepatite B pode ser prevenida por meio de vacina, que está disponível gratuitamente no calendário nacional de vacinação para todas as idades. A hepatite C, por outro lado, não possui uma vacina, mas tem tratamentos antivirais que conseguem eliminar o vírus do organismo na maioria dos casos.

    Quanto tempo após a relação os sintomas aparecem?

    O intervalo entre o contato com o agente infeccioso e o surgimento dos primeiros sintomas é chamado de período de incubação, e cada infecção tem um tempo diferente para começar a apresentar sinais no corpo.

    Em algumas ISTs, como a gonorreia, os sintomas podem surgir poucos dias após a relação sexual, geralmente entre dois e dez dias. Já em outras, como a clamídia, os sinais podem aparecer após uma ou duas semanas — embora seja comum a pessoa não sentir nada no início.

    A sífilis, por exemplo, pode provocar a primeira ferida entre dez e noventa dias após o contato. No caso do HIV, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe entre duas e quatro semanas depois da exposição, mas muitas não percebem nenhuma alteração por um período prolongado.

    Existe ainda a chamada janela imunológica, que corresponde ao período em que a infecção já ocorreu, mas os exames laboratoriais ainda podem não detectar o vírus ou a bactéria. Por isso, Andreia aponta que é recomendado repetir os exames cerca de seis meses após uma exposição de risco.

    Como é feito o diagnóstico das ISTs?

    O diagnóstico das infecções sexualmente transmissíveis costuma ser simples e rápido, já que o SUS disponibiliza testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultados que podem sair em cerca de 30 minutos, o que facilita o início do tratamento quando necessário.

    Nos casos em que há sintomas como corrimento, feridas ou verrugas, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada e, se for preciso, pede exames complementares, como a coleta de secreção, exames de sangue ou, em algumas situações específicas, a realização de biópsia.

    De acordo com Andreia, atualmente, são utilizados testes biomoleculares, como o PCR, que permitem identificar o material genético dos microrganismos e confirmar o diagnóstico com maior precisão.

    O que fazer ao suspeitar de uma infecção?

    Antes de qualquer coisa, diante de uma suspeita, é fundamental manter a calma e buscar orientação médica. A maioria das infecções sexualmente transmissíveis tem tratamento, e quanto mais cedo for feita a avaliação, maiores são as chances de resolver a infecção sem complicações.

    Veja algumas orientações:

    • Não use medicamentos por conta própria, pois pomadas, antibióticos ou qualquer outro remédio podem até aliviar os sintomas por um tempo, mas não resolvem o problema e podem dificultar o diagnóstico correto;
    • Evite relações sexuais até ter um diagnóstico. Dar uma pausa no contato íntimo ajuda a proteger você e outras pessoas até que a situação esteja esclarecida;
    • Procure atendimento em um serviço de saúde, como uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que oferecem atendimento gratuito, sigiloso e orientação adequada;
    • Converse com parceiros recentes para informar sobre, pois mesmo sem sintomas a pessoa pode precisar de avaliação e tratamento.

    Andreia ainda lembra que, no caso do HIV, existe a profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste no uso de medicamentos após uma situação de risco e deve ser iniciada, preferencialmente, até 72 horas após a exposição.

    Também existe a profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior risco de contato com o vírus e disponível no SUS. É uma medicação oral diária e, mais recentemente, de formulações injetáveis de longa duração, que ainda estão em processo de ampliação de acesso.

    Como prevenir uma IST?

    A principal forma de prevenção das ISTs continua sendo o uso de métodos de barreira, como a camisinha masculina ou feminina, durante todas as relações sexuais. Caso surjam sintomas ou ocorra uma relação sem proteção, o ideal é procurar atendimento médico o quanto antes.

    Em muitas situações, Andreia aponta que exames são indicados apenas pela exposição ao risco, mesmo quando não há sintomas aparentes.

    Leia mais: HPV: o que é, riscos e como a vacina pode proteger sua saúde

    Perguntas frequentes

    1. O preservativo protege 100% contra todas as ISTs?

    Não. Apesar de ser o método mais eficaz, o preservativo não protege totalmente contra infecções que podem ser transmitidas pelo contato com a pele ou mucosas não cobertas, como o HPV, a herpes genital e a sífilis.

    2. Posso pegar uma IST no banheiro público ou na piscina?

    É extremamente improvável. Os agentes causadores das ISTs geralmente não sobrevivem fora do corpo humano ou no ambiente (como água clorada). A transmissão ocorre quase exclusivamente pelo contato sexual (oral, vaginal ou anal).

    3. Se eu tratar uma IST uma vez, fico imune a ela?

    Não, as infecções bacterianas como sífilis e gonorreia não geram imunidade. Você pode ser infectado e precisar de tratamento novamente quantas vezes for exposto à bactéria.

    4. O que acontece se eu não tratar uma IST?

    As consequências podem ser graves, incluindo infertilidade (DIP), complicações na gravidez, danos ao sistema nervoso, doenças cardiovasculares e maior facilidade em contrair outras infecções, como o HIV.

    5. O que é corrimento “normal” e quando ele indica uma IST?

    O corrimento normal é transparente ou esbranquiçado e sem cheiro. Se ele mudar de cor (verde, amarelo, cinza), ficar espesso como leite coalhado ou tiver odor forte (semelhante a peixe podre), é sinal de infecção e deve ser avaliado.

    6. Existe vacina contra quais ISTs?

    Atualmente, as vacinas disponíveis e altamente eficazes são contra o HPV (previne verrugas e câncer) e a hepatite B. Para as demais, como HIV, sífilis e herpes, a prevenção depende do uso de barreiras (preservativos).

    Leia mais: HIV: o que é, como se pega e como é o tratamento hoje

  • Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    Primeira consulta ginecológica: quando deve acontecer e como é feita

    O desenvolvimento das mamas, a chegada da menstruação e as alterações hormonais são algumas das principais mudanças que ocorrem na puberdade — e, com elas, a importância da orientação, da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde feminina.

    É comum ter dúvidas sobre o funcionamento do corpo, o ciclo menstrual, a higiene íntima, que podem ser orientadas na primeira consulta ginecológica. Diferente do que a maioria das jovens imagina, não se trata apenas de exames ou do início da vida sexual, mas de um cuidado que te ajuda a conhecer o próprio corpo.

    Mas afinal, quando a primeira consulta deve acontecer? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andréia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre o momento e como ele é conduzido.

    Quando deve acontecer a primeira consulta ginecológica?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer, de preferência, no início da puberdade, quando surgem as primeiras mudanças no corpo, como o desenvolvimento das mamas ou a chegada da menstruação.

    Além disso, com o início da menstruação, a adolescente já passa a ter uma vida reprodutiva, o que torna ainda mais necessário o acompanhamento ginecológico com foco em orientação e prevenção.

    Mesmo na ausência de problemas, a consulta ajuda a esclarecer informações, promover o autoconhecimento e identificar precocemente qualquer alteração.

    E quando ela deve ocorrer antes?

    A primeira consulta ginecológica deve acontecer antes da puberdade sempre que surgirem sinais que não são esperados para a idade, como corrimento vaginal persistente, inflamações na região vulvar ou sangramentos genitais em crianças pequenas, que devem ser investigados por um médico.

    Ainda, em casos de suspeita de puberdade precoce, a consulta ginecológica pode ser necessária para investigar as causas, acompanhar o desenvolvimento e orientar a família.

    Nesses casos, o atendimento não tem relação com vida reprodutiva ou sexualidade, mas com o cuidado da saúde e do desenvolvimento infantil.

    Como é conduzida a primeira consulta ginecológica?

    Segundo Andreia, a primeira consulta ginecológica é, antes de tudo, um momento de acolhimento, orientação e escuta. O foco principal é orientar, prevenir e esclarecer dúvidas, sempre respeitando a idade, o desenvolvimento e a realidade de cada jovem.

    Logo no início da consulta, o ginecologista costuma abordar temas importantes, como:

    • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
    • Cuidados com a saúde íntima e com a função sexual;
    • Métodos contraceptivos, quando indicado;
    • Espaço aberto para tirar dúvidas e receber orientações.

    Além das conversas iniciais, a consulta também inclui a avaliação de alguns fatores, como:

    1. Função menstrual

    Uma das etapas da consulta é a avaliação do ciclo menstrual, em que o médico investiga a idade da primeira menstruação, a regularidade do ciclo, o intervalo entre as menstruações, a duração e a quantidade do fluxo — além da presença de cólicas e de sinais de tensão pré-menstrual.

    Isso ajuda a identificar se o ciclo está dentro do esperado ou se existe alguma alteração que precise ser investigada.

    2. Antecedentes obstétricos

    Em pacientes que já engravidaram, Andreia aponta que também são avaliados os antecedentes obstétricos, como o número de gestações, a forma como ocorreram as gestações anteriores, o histórico de parto e a amamentação.

    Em adolescentes ou em pacientes sem histórico gestacional, essa etapa não faz parte da consulta.

    3. Antecedentes sexuais

    Quando faz sentido para a idade e para a realidade da paciente, o médico também conversa sobre a vida sexual, abordando questões como:

    • Idade da primeira relação;
    • Uso de preservativo;
    • Utilização de métodos contraceptivos;
    • Presença de dor ou sangramento durante as relações;
    • Possíveis alterações do desejo sexual.

    Caso a paciente informe que é virgem, essa parte da consulta não é realizada, e o atendimento segue focado em outros cuidados com a saúde.

    4. Anamnese geral

    Além das questões ginecológicas, a primeira consulta também inclui uma conversa mais ampla sobre a saúde como um todo. O médico costuma perguntar sobre doenças que a paciente já teve, cirurgias, uso de medicamentos, alergias, hábitos do dia a dia e histórico de doenças na família.

    Tudo isso ajuda a entender melhor o contexto de saúde de cada pessoa e permite orientar os cuidados de forma mais individual.

    Como é feito o exame ginecológico?

    O exame ginecológico é feito de forma simples, respeitando a idade, o histórico e o conforto da paciente. Andreia explica que, em adolescentes que nunca tiveram relação sexual, não é realizado exame ginecológico interno.

    Nesses casos, o médico avalia apenas a parte externa da região íntima e observa o desenvolvimento da puberdade, o que ajuda a entender em que fase a adolescente se encontra, se a menstruação deve surgir em breve e o que é esperado para naquele momento do crescimento.

    Quando a adolescente já iniciou a vida sexual ou está próxima disso, a consulta também inclui orientações sobre métodos contraceptivos e prevenção, sempre de acordo com a idade e a necessidade de cada paciente.

    Exame físico em quem nunca teve relação sexual

    Em pacientes que nunca tiveram relação sexual, é realizado o exame físico geral e o exame ginecológico dos órgãos genitais externos.

    Segundo Andreia, são avaliados o surgimento e desenvolvimento de pelos na área genital, o desenvolvimento mamário e a presença de lesões na vulva. Também é observada a integridade do hímen, para identificar possíveis alterações.

    Por exemplo, um hímen imperfurado pode causar dificuldade no escoamento da menstruação. Já um hímen microperfurado pode não provocar alterações menstruais, mas pode causar dificuldade na vida sexual.

    Também é examinada a região perianal, observando a presença de lesões, verrugas ou manchas.

    Exame físico em quem já teve relação sexual

    Pacientes que já tiveram relação sexual passam pela avaliação dos órgãos genitais externos e internos. A avaliação interna é feita por meio do exame especular, conhecido popularmente como “bico de pato”, que permite visualizar o colo do útero, o aspecto das paredes vaginais e a presença de corrimento.

    Além disso, pode ser realizado o toque vaginal, que permite avaliar o útero e os ovários, observando tamanho, superfície e a presença de possíveis tumorações.

    Exames preventivos e HPV

    Os exames preventivos, em geral, não são realizados na primeira consulta ginecológica, salvo em situações específicas, segundo Andréia.

    Atualmente, o rastreamento do câncer do colo do útero é feito, preferencialmente, por meio de testes biomoleculares para o HPV, seguindo as orientações do Ministério da Saúde.

    O teste para HPV é considerado mais preciso, pois consegue identificar com maior sensibilidade o risco de lesões que podem evoluir para câncer. Ele também ajuda a evitar biópsias desnecessárias e reduz a chance de deixar passar alterações importantes.

    Assim, o exame de Papanicolau passa a ter um papel complementar, sendo indicado principalmente quando o resultado para HPV é positivo.

    Por fim, vale lembrar que esses exames são indicados apenas para pacientes que já iniciaram a vida sexual.

    Orientações sobre higiene íntima na primeira consulta ginecológica

    A consulta ginecológica também inclui orientações sobre higiene íntima, sexualidade e autocuidado, sempre de forma individualizada.

    De maneira geral, não existem regras rígidas, mas algumas recomendações costumam ser feitas, como aponta Andreia:

    • Preferência por sabonetes neutros para a higiene íntima;
    • Uso de roupas e tecidos que não abafem nem aumentem o calor na região;
    • Utilização de protetor diário de calcinha apenas se houver conforto e ausência de sintomas, já que ele não é proibido quando não causa irritações.

    O mesmo vale para o uso de biquíni úmido. Enquanto algumas pessoas conseguem ficar com a peça molhada por mais tempo sem problemas, outras podem apresentar irritações em poucas horas.

    Por isso, as orientações devem sempre considerar como o próprio corpo reage e a experiência individual de cada paciente.

    Afinal, o que você deve perguntar na primeira consulta?

    Para te ajudar na primeira consulta e diminuir o receio, vale a pena anotar algumas dúvidas em um caderno ou no celular antes da consulta. Ter essas perguntas em mãos ajuda a aproveitar melhor o atendimento e a não esquecer assuntos importantes.

    Algumas sugestões de perguntas incluem:

    • O que é considerado normal no meu ciclo menstrual;
    • Quando devo me preocupar com atrasos, dores ou alterações no fluxo;
    • Como deve ser feita a higiene íntima no dia a dia;
    • O que é corrimento normal e quando ele deixa de ser esperado;
    • Quando é indicado usar métodos contraceptivos e quais são as opções;
    • Como se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis;
    • Quando será necessário realizar exames ginecológicos;
    • Quais sinais indicam que devo procurar o ginecologista novamente.

    Lembre-se que a consulta é um espaço de conversa e acolhimento, então não existem perguntas bobas ou inadequadas. Quanto mais aberta for a troca, maior será a segurança para cuidar da própria saúde.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É preciso estar depilada para a consulta?

    Não. O ginecologista é um profissional de saúde, não de estética. Os pelos são naturais e não atrapalham o exame ou a avaliação da saúde íntima.

    2. Pode ir ao médico se estiver menstruada?

    Depende. Se for apenas uma conversa, não há problema, mas se houver necessidade de exame físico ou coleta de preventivo, a menstruação pode interferir nos resultados. O ideal é marcar para uma semana após o término do ciclo.

    3. Precisa levar algum acompanhante?

    Se você for menor de idade, deve ir acompanhada por um responsável legal. No entanto, você tem o direito de ter um momento a sós com o médico para conversar com mais privacidade.

    4. A primeira consulta com o ginecologista dói?

    Não. Na maioria das vezes, a primeira consulta é apenas uma conversa. Se houver exame físico, ele é feito com delicadeza. O desconforto costuma ser mais causado pelo nervosismo do que pelo procedimento em si.

    5. Minha menstruação é muito irregular, isso é grave?

    Nos primeiros dois ou três anos após a primeira menstruação, é comum que o ciclo seja irregular enquanto o corpo ajusta os hormônios. O médico avaliará se está dentro do esperado.

    6. Com que frequência é importante voltar ao ginecologista?

    Geralmente, uma vez por ano para exames de rotina. Se houver alguma queixa específica (dor, coceira ou irregularidade), você deve retornar antes.

    7. O que é o exame Papanicolau?

    É uma raspagem suave de células do colo do útero para detectar precocemente o câncer ou lesões. Ele só é indicado para quem já iniciou a vida sexual.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

    Você já ouviu falar em dispareunia? O termo é usado para descrever a dor que surge durante a relação sexual, podendo aparecer no início da penetração ou mais profundamente, dependendo da causa.

    É um problema relativamente comum, mas que precisa ser avaliado por um profissional da saúde, uma vez que pode estar relacionado a diferentes alterações do organismo, desde alterações hormonais e infecções até condições ginecológicas mais complexas.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender as principais causas, como é feito o diagnóstico e quando procurar um médico.

    Quais os tipos de dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode se manifestar de formas diferentes, variando conforme a região afetada e a causa do problema. Segundo Andreia, os tipos de dispareunia mais comuns são:

    Dispareunia de superfície

    A dispareunia de superfície é um tipo de dor na relação sexual que ocorre no início da penetração ou logo ao toque na entrada da vagina. A mulher costuma relatar ardor, queimação, incômodo, sensação de ferimento ou dor localizada na região mais externa da vagina durante a penetração.

    Dispareunia de profundidade

    A dispareunia de profundidade é a dor que surge durante a penetração profunda, normalmente sentida no fundo da vagina, e não no início da relação sexual.

    Muitas mulheres descrevem a dor como uma cólica, pressão ou desconforto interno, que pode piorar em determinadas posições.

    Ela acontece devido à movimentação dos órgãos pélvicos durante a penetração profunda. Quando existe alguma alteração nesses órgãos, uma movimentação que normalmente seria indolor passa a causar dor.

    A dispareunia de profundidade sempre deve ser investigada, especialmente quando é intensa, frequente ou acontece em qualquer posição.

    O que pode ser a dor na relação sexual?

    A dor na relação sexual pode acontecer por diferentes questões, dependendo do tipo.

    Segundo Andreia, as causas de dispareunia de superfície estão relacionadas a fatores que afetam a mucosa da vagina. A dor pode surgir desde a entrada da vagina ou durante a penetração inicial, devido a:

    • Fissuras na entrada da vagina;
    • Lesões traumáticas locais;
    • Verrugas ou outras lesões que causem atrito ou machucado;
    • Inflamação da mucosa vaginal por infecções vaginais;
    • Redução dos níveis de estrogênio, como ocorre na pós-menopausa;
    • Atrofia genital, com perda da elasticidade e do turgor da mucosa vaginal.

    Nesses casos, o exame físico costuma ser suficiente para identificar ao menos uma causa sindrômica da dor, o que orienta a investigação e o tratamento.

    Por outro lado, a dispareunia de profundidade está relacionada a alterações nos órgãos internos da pelve, como colo do útero, útero e ovários. As causas mais frequentes incluem:

    • Infecções ou inflamações pélvicas, como a doença inflamatória pélvica;
    • Tumorações;
    • Endometriose;
    • Miomatose uterina;
    • Cisto de ovário;
    • Abscesso de ovário.

    Existem ainda as causas funcionais de dor na relação sexual, como o vaginismo, caracterizado por uma hipercontratura muscular que provoca dor intensa durante a penetração. Também há pacientes com hipersensibilidade na região.

    Segundo Andreia, essas alterações podem estar relacionadas a aspectos traumáticos ou psíquicos, que precisam ser consideradas.

    Quando procurar um médico?

    O médico deve ser procurado sempre que a dor durante a relação sexual for frequente, persistente ou causar desconforto significativo. A dor no sexo não deve ser considerada normal, mesmo quando ocorre apenas em algumas posições ou em momentos específicos.

    A avaliação médica é especialmente importante quando a dor surge de forma repentina, piora com o tempo, acontece em qualquer posição, vem acompanhada de sangramento, corrimento, ardor intenso, cólicas persistentes ou alterações no ciclo menstrual.

    Ela também merece atenção quando a dor interfere no desejo sexual, provoca medo da relação ou impacta a qualidade de vida e o bem-estar emocional.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da dispareunia é feito por meio de avaliação clínica e conversa sobre os sintomas. O médico procura entender quando a dor surge, se aparece no início ou na penetração profunda, além da intensidade, frequência, posições que pioram ou aliviam o desconforto e a presença de outros sintomas associados.

    Em seguida, é realizado o exame ginecológico, que permite avaliar a região da vulva, da vagina e do colo do útero, identificando sinais de inflamação, infecção, lesões, ressecamento ou alterações da mucosa. No caso da dispareunia de superfície, muitas vezes o exame físico já ajuda a identificar a causa.

    Quando há suspeita de dispareunia de profundidade ou de alterações nos órgãos internos, o diagnóstico pode incluir exames complementares, como ultrassom pélvico transvaginal ou ressonância magnética da pelve.

    Em algumas situações, também pode ser necessário investigar fatores funcionais ou emocionais, como alterações musculares, hipersensibilidade ou impacto psicológico, garantindo uma avaliação completa e um diagnóstico mais preciso.

    Tratamento da dor na relação sexual

    O tratamento da dor na relação sexual depende diretamente da causa do problema, que é identificada durante a avaliação médica. Entre algumas abordagens, é possível destacar:

    • Uso de medicamentos ou cremes vaginais específicos para tratar infecções vaginais e reduzir inflamações;
    • Tratamentos voltados ao ressecamento ou à atrofia vaginal, como o uso de estrogênio local para melhorar a elasticidade da mucosa;
    • Cremes cicatrizantes e regeneradores indicados para fissuras, irritações ou lesões traumáticas;
    • Medicamentos hormonais ou tratamento cirúrgico em casos de endometriose, miomas uterinos ou cistos ovarianos;
    • Fisioterapia do assoalho pélvico para tratar alterações musculares, como o vaginismo e a dor associada à contração involuntária;
    • Acompanhamento psicológico quando a dor está relacionada a fatores emocionais, traumáticos ou ao impacto na vida sexual.

    Com o tratamento adequado, é possível reduzir a dor, melhorar a função sexual e preservar a qualidade de vida.

    A importância de procurar ajuda médica

    Antes de tudo, vale ressaltar que a dor durante a relação sexual não é normal e não deve fazer parte da vida íntima. Diversas mulheres sentem desconforto ou vergonha de falar sobre o assunto e, em alguns casos, a dor é normalizada, ignorada ou suportada em silêncio por medo, culpa ou falta de informação.

    No entanto, a dor costuma ser um sinal de que algo não está bem no organismo, seja por alterações físicas, hormonais, inflamatórias ou emocionais. Quando não investigada, além de persistir, pode impactar o desejo, a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional.

    Por isso, não hesite em procurar um médico para entender o que está acontecendo. O sexo deve ser uma experiência de prazer, conexão e bem-estar, nunca de dor ou sofrimento.

    Confira: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é vaginismo e como ele causa dor?

    O vaginismo é uma contração involuntária dos músculos da vagina, que dificulta ou impede a penetração, causando dor intensa. Ele pode estar relacionado a fatores físicos, emocionais ou traumáticos e costuma exigir abordagem multidisciplinar.

    2. Aspectos emocionais podem causar dor na relação sexual?

    Sim. Ansiedade, medo, experiências traumáticas, histórico de abuso ou conflitos emocionais podem aumentar a tensão muscular e a sensibilidade, contribuindo para a dor durante a relação sexual.

    3. Quando a dor na relação sexual se torna um sinal de alerta?

    A dor se torna um sinal de alerta quando é intensa, frequente, piora com o tempo, ocorre em qualquer posição ou vem acompanhada de sangramento, corrimento anormal, febre ou alterações menstruais.

    4. Lubrificantes ajudam a aliviar a dor?

    Podem ajudar, especialmente quando a causa está relacionada ao ressecamento vaginal. No entanto, o uso de lubrificantes não substitui a investigação da causa da dor e não resolve problemas mais complexos.

    5. Qual remédio tomar quando sente dor na relação?

    Não existe um único remédio indicado para todos os casos de dor na relação sexual, e o tratamento depende da causa. Em algumas situações, podem ser usados cremes vaginais, antibióticos, antifúngicos, hormônios locais ou medicamentos para controle da dor, mas apenas com a orientação de um médico. Não se automedique!

    6. Quem tem endometriose pode ter relação sexual?

    Sim, pode. No entanto, muitas mulheres com endometriose sentem dor durante a relação sexual, especialmente na penetração profunda. O tratamento adequado da doença ajuda a reduzir a dor e a melhorar a qualidade da vida sexual, permitindo relações mais confortáveis.

    Leia mais: 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

  • Corrimento com cheiro forte? Pode ser vaginose bacteriana 

    Corrimento com cheiro forte? Pode ser vaginose bacteriana 

    O corrimento vaginal com odor forte é uma das queixas mais frequentes nos consultórios ginecológicos. Embora muitas mulheres associem imediatamente esse sintoma a infecção sexualmente transmissível, na maioria dos casos, trata-se de vaginose bacteriana, uma condição comum causada por um desequilíbrio da flora vaginal.

    Mesmo sendo um problema simples de tratar, a vaginose pode causar desconforto, afetar a vida sexual e, quando não tratada, trazer complicações importantes, especialmente durante a gravidez. Por isso, entender o que é, como surge e como se prevenir é essencial para manter a saúde íntima em dia.

    O que é a vaginose bacteriana?

    A vaginose bacteriana ocorre quando há um desequilíbrio na flora vaginal.

    Em condições normais, a vagina é protegida por Lactobacillus, bactérias que:

    • Mantêm o pH vaginal ácido;
    • Produzem substâncias que impedem o crescimento de micro-organismos nocivos.

    Quando esses lactobacilos diminuem, bactérias como Gardnerella vaginalis e outras anaeróbias passam a se multiplicar. O resultado é um corrimento alterado com odor característico.

    É importante dizer que a vaginose não é uma IST, embora a atividade sexual possa favorecer o desequilíbrio do pH vaginal.

    Causas e fatores de risco

    A vaginose acontece quando o pH vaginal aumenta e os lactobacilos diminuem.

    Os principais fatores de risco são:

    • Duchas vaginais;
    • Fumo;
    • Uso recente de antibióticos;
    • Uso de produtos de higiene íntima sem orientação;
    • Alterações hormonais;
    • Contato com sêmen (que aumenta o pH).

    Essas situações tornam a flora vaginal mais vulnerável ao crescimento das bactérias que causam a vaginose.

    Sintomas

    O sintoma mais característico é o corrimento com odor forte, descrito como “cheiro de peixe”.

    Outros sinais são:

    • Corrimento branco, acinzentado ou amarelado;
    • Odor mais intenso após a relação sexual;
    • Aumento da secreção vaginal.

    A vaginose não costuma causar coceira, ardor ou dor, o que ajuda a diferenciá-la de candidíase e tricomoníase.

    Cerca de 50% das mulheres são assintomáticas, o que reforça a importância da avaliação ginecológica.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, que são:

    • Corrimento branco-acinzentado e homogêneo;
    • pH vaginal > 4,5;
    • Odor de peixe ao misturar o corrimento com substâncias alcalinas (teste das aminas);
    • Presença de “células-guia” ao microscópio.

    Quando necessário, o ginecologista pode solicitar o teste de Nugent, exame laboratorial que analisa a flora vaginal pela coloração de Gram.

    Possíveis complicações

    Quando não tratada, a vaginose pode aumentar o risco de outras infecções, incluindo:

    • HIV e HPV;
    • Clamídia e gonorreia;
    • Doença inflamatória pélvica;
    • Infertilidade tubária.

    Complicações na gravidez

    Em gestantes, a vaginose pode estar associada a:

    • Parto prematuro;
    • Ruptura precoce da bolsa;
    • Infecção uterina após o parto;
    • Baixo peso ao nascer.

    Tratamento

    O objetivo é restaurar o equilíbrio da flora vaginal.

    Medicamentos

    Os antibióticos mais usados são:

    • Metronidazol (oral ou gel vaginal);
    • Clindamicina (oral ou creme vaginal).

    Durante o tratamento:

    • Evite álcool (especialmente com Metronidazol, pelo risco de reação adversa);
    • Evite relações sexuais desprotegidas;
    • Siga a orientação médica até o fim.

    Efeitos colaterais comuns

    • Náuseas;
    • Gosto metálico;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura.

    O tratamento é seguro na gestação, desde que prescrito pelo ginecologista.

    E quando a vaginose volta?

    A recorrência é comum: até 80% das mulheres podem ter novos episódios em um ano.

    Nesses casos, pode ser necessário:

    • Tratamento prolongado com gel vaginal;
    • Restauração gradual da flora vaginal;
    • Acompanhamento mais regular com o ginecologista.

    Veja também: Candidíase vaginal: o que é, causas, sintomas e como tratar

    Como prevenir a vaginose bacteriana

    Alguns hábitos reduzem o risco de novos episódios:

    • Evite duchas vaginais;
    • Não use produtos íntimos perfumados;
    • Use camisinha;
    • Evite fumar;
    • Prefira roupas íntimas de algodão;
    • Faça higiene íntima suave, sem exageros;
    • Visite o ginecologista regularmente.

    Perguntas frequentes sobre vaginose bacteriana

    1. Vaginose é a mesma coisa que candidíase?

    Não. A vaginose tem odor forte e pH elevado; a candidíase causa coceira, vermelhidão e corrimento esbranquiçado.

    2. Vaginose pega do parceiro?

    Não é considerada uma IST, mas a atividade sexual pode modificar o pH vaginal.

    3. Homens precisam tratar?

    Não. O parceiro não precisa de tratamento, pois não há transmissão direta.

    4. Posso ter vaginose mesmo sem ter vida sexual ativa?

    Sim. Duchas vaginais, antibióticos e alterações hormonais também podem causar desequilíbrio.

    5. Probióticos ajudam?

    Podem ser úteis em alguns casos, mas devem ser usados sob orientação do ginecologista.

    6. A vaginose interfere na fertilidade?

    Pode interferir, pois aumenta o risco de doença inflamatória pélvica.

    7. Posso prevenir apenas com higiene?

    Higiene excessiva pode piorar. O ideal é limpar sem agredir a flora natural.

    Veja mais: Odor vaginal: quando é normal, sinais de alerta e cuidados