Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

Mulher grávida acariciando a barriga, representando gestação após os 35 anos e cuidados com a fertilidade

A busca por estabilidade profissional, financeira ou pessoal está entre os motivos pelos quais algumas mulheres optam por adiar a maternidade. No entanto, o corpo feminino passa por mudanças naturais com o avanço da idade, especialmente em relação à fertilidade.

Após os 35 anos, o organismo apresenta uma redução mais expressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, além de uma maior predisposição ao surgimento de comorbidades que podem impactar a gestação.

Isso não significa que a gravidez seja impossível, mas destaca a importância de informação, acompanhamento médico e de medidas que ajudem nesse processo. Vamos entender mais a seguir.

O que muda na fertilidade após os 35 anos?

Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que serão liberados ao longo da vida reprodutiva até a chegada da menopausa.

A reserva ovariana sofre um impacto significativo por volta dos 35 anos, em que ocorre uma queda não apenas na quantidade, mas também na qualidade das células. Com o envelhecimento dos gametas, as chances de erros na divisão celular aumentam, o que eleva o risco de alterações genéticas, como as cromossomopatias.

A especialista ainda ressalta que a idade é um ponto de transição metabólica. É quando o organismo começa a apresentar uma maior prevalência de comorbidades, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

Mesmo assim, Andreia aponta que, com um acompanhamento pré-concepcional adequado, é possível identificar riscos precocemente e preparar o corpo para uma gestação saudável.

Como aumentar as chances de engravidar após os 35?

1. Cuide do planejamento antes de tentar

Na consulta pré-concepcional, o médico avalia o estado geral da saúde, solicita exames, verifica o status vacinal e orienta a suplementação, como o uso de ácido fólico.

Também é o momento de ajustar medicações e controlar doenças pré-existentes, como problemas de tireoide ou resistência à insulina. Segundo Andreia, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência.

2. Conheça o seu ciclo e o período fértil

Com o avanço da idade, as chances de engravidar por ciclo diminuem de forma natural. Por volta dos 25 anos, a probabilidade de gravidez a cada ciclo menstrual está entre 20% e 25%, enquanto aos 35 anos a taxa pode cair para cerca de 10% a 15%.

Assim, vale entender o funcionamento do ciclo menstrual e identificar o período fértil, pois ter relações sexuais próximas ao momento da ovulação aumenta as chances de concepção.

Para ajudar no processo, podem ser usados aplicativos de monitoramento do ciclo, que ajudam a prever os dias férteis, além de testes de ovulação disponíveis em farmácias, que identificam alterações hormonais relacionadas à ovulação.

3. Envolva o parceiro no processo

Segundo Andreia, a qualidade do espermatozoide muda ao longo do tempo, sendo responsável por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. É necessário que o parceiro também participe ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como:

  • Redução ou eliminação do cigarro;
  • Moderação no consumo de álcool;
  • Adoção de uma alimentação equilibrada;
  • Controle do peso corporal, já que a obesidade pode prejudicar a qualidade dos espermatozoides.

Em alguns casos, o médico pode indicar a realização de um espermograma, exame que avalia a quantidade, a motilidade e a morfologia dos gametas masculinos.

4. Melhore o estilo de vida e cuide da saúde dos óvulos

Não é possível aumentar a quantidade de óvulos ao longo da vida, mas é viável melhorar o ambiente hormonal e metabólico em que eles se desenvolvem, a partir de medidas como:

  • Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, antioxidantes e gorduras boas, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas;
  • Praticar atividade física de forma regular, respeitando o próprio corpo, já que o movimento ajuda no equilíbrio hormonal, na circulação e na saúde metabólica;
  • Controlar o peso corporal, evitando tanto o excesso quanto a baixa de peso, pois ambos podem interferir no funcionamento dos hormônios e na ovulação;
  • Reduzir o estresse no dia a dia, com estratégias como momentos de descanso, sono de qualidade e atividades que promovam bem-estar.

Após os 30 anos, algumas alterações, como a resistência à insulina e disfunções da tireoide, se tornam mais frequentes e podem impactar a fertilidade, sendo necessário manter o acompanhamento médico e o controle das condições.

5. Considere o congelamento de óvulos

Para mulheres com 35 anos ou mais que ainda não pretendem engravidar, o congelamento de óvulos é uma medida de planejamento reprodutiva que permite preservar os óvulos no momento atual, mantendo a qualidade das células para uma tentativa futura.

O processo envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e o congelamento em laboratório, sempre com acompanhamento médico especializado. Dessa forma, quando a mulher decidir engravidar, poderá utilizar óvulos mais jovens, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

Vale lembrar que, quanto mais cedo o congelamento é realizado (idealmente antes dos 35 anos), maiores são as chances de sucesso no futuro. Ele não é uma garantia de 100% de gravidez futura, mas aumenta consideravelmente as chances em comparação à tentativa natural em idade avançada, segundo Andreia.

Quando procurar um especialista em reprodução humana?

Para mulheres com mais de 35 anos, a recomendação médica é procurar um especialista em reprodução humana:

  • Após 6 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com 35 anos ou mais;
  • Após 12 meses de tentativas, para mulheres com menos de 35 anos.

Em qualquer idade, a presença de fatores como ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou histórico de dificuldade para engravidar pode justificar uma investigação antecipada.

O especialista poderá solicitar exames, avaliar o casal de forma completa e indicar o melhor caminho, que pode ir desde ajustes simples até tratamentos mais específicos. Quanto mais cedo a investigação começa, maiores tendem a ser as chances de sucesso.

Veja também: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

Perguntas frequentes

1. Engravidar após os 35 é considerado sempre uma gravidez de alto risco?

Não, muitas mulheres têm gestações de baixo risco nessa idade. O risco depende da presença de doenças prévias (como hipertensão) ou de condições que surgem durante o pré-natal.

2. O uso prolongado de anticoncepcional pode dificultar a gravidez mais tarde?

Não. Ao parar o método, a fertilidade que a mulher terá é a que ela já teria naturalmente para a sua idade atual.

3. Quais são os principais riscos da gravidez tardia para o bebê?

O principal risco é o aumento de cromossomopatias (alterações genéticas), como a Síndrome de Down. Isso ocorre porque os óvulos envelhecem e podem apresentar erros na divisão celular.

4. E quais são os riscos para a saúde da mãe?

Há uma maior incidência de comorbidades metabólicas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), além de uma maior taxa de partos cesárea.

5. Como o estilo de vida do homem influencia o processo?

O espermatozoide é sensível a hábitos como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e dietas inflamatórias. Melhorar o estilo de vida pode elevar significativamente a viabilidade do sêmen.

6. Por que devo tomar ácido fólico antes de engravidar?

O ácido fólico deve ser iniciado pelo menos 3 meses antes da concepção para prevenir malformações no tubo neural do bebê (cérebro e medula).

7. O pré-natal de uma mulher de 35 anos é diferente?

O protocolo é o mesmo, mas o médico terá uma vigilância maior para detectar precocemente sinais de diabetes ou pressão alta, realizando exames de rastreio genético com mais atenção.

8. Como saber se ainda sou fértil aos 35 ou 40 anos?

O médico pode solicitar exames como a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a ultrassonografia para contagem de folículos antrais para avaliar a reserva ovariana.

Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários