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  • Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    O útero da maioria das mulheres apresenta o formato de uma pêra invertida e fica inclinado para a frente, apoiado sobre a bexiga, mas é comum encontrar variações tanto na anatomia quanto na posição do órgão.

    Enquanto algumas mulheres nascem com alterações no formato do útero devido a mudanças ocorridas durante o desenvolvimento fetal, outras apresentam apenas uma variação de posicionamento, como o útero retrovertido. Normalmente, as características não manifestam sintomas e são descobertas em exames de rotina ou quando a mulher decide engravidar.

    Mas afinal, o formato anatômico do útero influencia a gestação e a via de parto? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas e explicar o impacto de cada variação.

    Qual é o formato anatômico habitual do útero?

    Na maior parte das mulheres, Andreia explica que o útero tem um formato que lembra uma perna invertida e achatada. A anatomia considerada padrão é chamada de antiversofletido (AVF), o que significa que o órgão fica inclinado para a frente (antiverso) e apresenta uma leve curvatura no corpo uterino (fletido), ficando anatomicamente deitado sobre a bexiga.

    O posicionamento e formato facilitam a acomodação do órgão na pelve e a expansão natural durante uma eventual gravidez. Quando o útero se desenvolve dessa forma, com uma cavidade única, ampla e livre de divisões internas, o bebê tem o espaço ideal para crescer e se movimentar de maneira adequada até o momento do nascimento.

    Principais tipos de malformações uterinas

    As malformações no formato do útero são condições que surgem ainda durante o desenvolvimento do bebê. O órgão se forma a partir de duas estruturas chamadas ductos mullerianos, que inicialmente se desenvolvem separadamente.

    Com o crescimento do feto, as estruturas se unem para formar um único órgão oco. Quando ocorre alguma alteração nesse processo de fusão ou na reabsorção das paredes internas, podem surgir diferentes variações anatômicas, como:

    • Útero septado: externamente, o útero apresenta formato normal, mas a cavidade uterina é dividida por uma parede de tecido chamada septo. A divisão pode ser parcial ou se estender até o colo do útero;
    • Útero bicorno: acontece quando a fusão dos ductos mullerianos não se completa na parte superior do órgão. Como resultado, o útero apresenta uma divisão no topo, adquirindo um formato semelhante ao de um coração, com duas porções superiores bem definidas;
    • Útero didelfo: surge quando há falha completa na fusão dos ductos mullerianos. A mulher desenvolve dois úteros separados, cada um com sua própria cavidade. Em alguns casos, também podem estar presentes dois colos uterinos e uma vagina dividida por um septo;
    • Útero unicórnio: acontece quando apenas um dos ductos mullerianos se desenvolve adequadamente durante a formação fetal. O útero fica menor do que o habitual e geralmente está associado à presença de apenas uma trompa de falópio funcional.

    Segundo Andreia, a gravidade da malformação depende do momento em que o desenvolvimento do feto foi interrompido. Quanto mais precoce ocorre o erro, maior é o espessamento entre as duas metades, já que a reabsorção do tecido não foi feita.

    Útero retrovertido atrapalha a gravidez?

    O útero retrovertido é uma variação anatômica in que o útero fica inclinado para trás, em direção ao reto, em vez de se posicionar para a frente, sobre a bexiga, como ocorre na maioria das mulheres. Como não é uma malformação ou uma doença, ele não interfere na fertilidade e não aumenta os riscos durante a gravidez.

    O útero é um órgão móvel, capaz de mudar de posição ao longo da vida. Após o parto, por exemplo, durante o processo de involução uterina, quando o órgão retorna gradualmente ao tamanho habitual, ele pode passar a ficar voltado para trás. Quando o útero é móvel e não causa dor, a condição é considerada totalmente benigna.

    Contudo, se o útero retrovertido estiver fixo e provocar dor durante o exame ginecológico, a alteração pode estar associada a doenças como endometriose ou aderências decorrentes de infecções pélvicas, o que precisa ser avaliado por um médico.

    Como as variações influenciam a gestação?

    O impacto de uma malformação uterina na gravidez depende principalmente do espaço disponível para o crescimento do bebê dentro do útero. Em algumas situações, o útero pode ter mais dificuldade para se expandir conforme a gestação avança, especialmente no caso do útero unicórnio, que possui cerca de metade do tamanho habitual.

    Como consequência, Andreia destaca que algumas complicações podem ocorrer com maior frequência, entre elas:

    • Aborto espontâneo: a limitação de espaço pode dificultar a evolução da gestação, principalmente nos primeiros meses;
    • Perdas gestacionais: o risco existe nos úteros septado, bicorno, unicórnio e didelfo, embora no útero didelfo ele costuma ser menor;
    • Parto prematuro: uma cavidade uterina menor pode atingir o limite de expansão antes do tempo, favorecendo o início precoce do trabalho de parto.

    Apesar dos riscos, é importante destacar que muitas mulheres com malformações uterinas conseguem ter uma gravidez saudável e dar à luz bebês sem complicações. No entanto, as gestações são consideradas de alto risco e precisam de um acompanhamento mais próximo, com consultas mais frequentes, uso de medicamentos e exames adicionais.

    Como é feito o diagnóstico de malformação do útero?

    O diagnóstico das malformações do útero é simples, feito com exames de imagem específicos para avaliar o formato interno e externo do órgão:

    • Ultrassom transvaginal: principal exame para avaliar o formato do útero e identificar a maioria das alterações anatômicas;
    • Histerossalpingografia: exame com contraste e raio-X que permite visualizar a cavidade uterina e as trompas;
    • Ressonância magnética da pelve: fornece imagens detalhadas do útero e ajuda a esclarecer casos mais complexos;
    • Histerossonografia: ultrassom realizado com a infusão de soro fisiológico no útero, facilitando a identificação de septos e outras alterações da cavidade;
    • Histeroscopia: procedimento que utiliza uma microcâmera introduzida pelo colo do útero para visualizar diretamente a cavidade uterina.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A necessidade de cirurgia depende do tipo de alteração e do histórico da paciente. Segundo Andreia, o procedimento pode ser indicado quando a cavidade uterina é muito reduzida e existe desejo de engravidar no futuro, ou quando a mulher apresenta abortos de repetição relacionados à malformação.

    Os principais tipos de correção são:

    • Útero septado: é realizada por histeroscopia, com a retirada do septo que divide a cavidade uterina;
    • Útero bicorno: a correção é mais complexa e nem sempre necessária, sendo avaliada caso a caso;
    • Útero didelfo: raramente precisa de cirurgia, já que muitas mulheres não apresentam complicações importantes;
    • Útero unicórnio: normalmente não pode ser corrigido cirurgicamente, pois parte do órgão não se desenvolveu durante a formação fetal.

    Após alguns procedimentos, pode ser necessário aguardar um período de recuperação antes de tentar engravidar, conforme orientação médica.

    O tipo de útero influencia a via de parto?

    A resposta é sim. Algumas malformações uterinas aumentam a chance de o bebê permanecer em posições diferentes da ideal para o parto vaginal, como a apresentação pélvica, em que ele fica sentado. Isso acontece porque o formato da cavidade pode limitar os movimentos do feto durante a gestação.

    O parto vaginal não é necessariamente contraindicado, mas Andreia destaca que as situações aumentam a probabilidade de uma cesariana. A definição da via de parto deve ser feita individualmente, levando em conta a posição do bebê, a evolução da gestação e as condições de saúde da mãe e do feto.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem útero septado pode engravidar naturalmente?

    Sim, a mulher com útero septado pode engravidar naturalmente, pois a ovulação e as trompas geralmente funcionam de forma normal. O principal desafio é o risco de aborto caso o embrião se implante no septo.

    2. Qual a diferença entre útero bicorno e septado?

    No útero septado, o órgão é normal por fora e dividido por uma parede de tecido por dentro. No útero bicorno, a parede externa do topo do útero é dividida, dando a ele o formato de um coração.

    3. O útero retrovertido causa dor na relação?

    Pode causar. Se o útero retrovertido for fixo devido a condições como a endometriose, algumas posições sexuais que causam maior impacto no fundo da vagina podem causar desconforto ou dor.

    4. Quem tem malformação uterina sente algum sintoma?

    A maioria das mulheres não apresenta nenhum sintoma e passa a vida sem saber da condição, descobrindo-a apenas em exames de rotina ou ao tentar engravidar.

    5. O formato do útero pode causar cólicas fortes?

    As malformações em si não costumam causar cólicas, mas se a alteração vier acompanhada de um septo vaginal que dificulte a saída do sangue, ou se a retroversão for causada por endometriose, a mulher terá cólicas fortes.

    6. O útero retrovertido é considerado uma doença?

    Não, o útero retrovertido é apenas uma variação anatômica da posição do órgão, presente em cerca de 15% a 20% das mulheres, e não traz riscos à saúde.

    7. O útero pode mudar de formato ao longo da vida?

    Não. As malformações uterinas (septado, bicorno, didelfo e unicórnio) são congênitas, então a mulher nasce com elas e o formato permanece o mesmo.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    A ideia de engravidar novamente durante uma gestação pode parecer impossível, mas existe uma condição extremamente rara chamada superfetação, na qual uma nova gravidez ocorre quando já existe um embrião em desenvolvimento no útero.

    O organismo feminino é biologicamente programado para interromper a ovulação e criar barreiras que dificultam uma nova fecundação assim que a gravidez se inicia. No entanto, em casos de superfetação, alterações hormonais e fisiológicas muito incomuns permitem a liberação e a fertilização de um segundo óvulo dias ou semanas após a primeira concepção.

    Quando a superfetação acontece, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que os dois bebês possuem idades gestacionais diferentes, pois foram concebidos em momentos distintos. A diferença costuma ser de alguns dias ou poucas semanas, o que faz com que um dos fetos apresente um estágio de desenvolvimento mais avançado do que o outro.

    É uma situação extremamente rara, os casos documentados em humanos são raríssimos e, na grande maioria das vezes, estão associados a tratamentos de reprodução assistida.

    É mesmo possível engravidar já estando grávida?

    É possível engravidar já estando grávida, mas é uma situação considerada excepcional na medicina, uma vez que o organismo feminino passa por uma série de mudanças hormonais após a fecundação justamente para impedir que uma nova ovulação aconteça.

    Em uma gravidez normal, depois que o óvulo é fecundado e o embrião começa a se desenvolver, os níveis hormonais aumentam rapidamente e bloqueiam a liberação de novos óvulos pelos ovários.

    O colo do útero também forma uma barreira de muco que dificulta a passagem dos espermatozoides, enquanto o revestimento uterino também sofre alterações para sustentar a gestação já existente. Como resultado, o corpo cria diferentes mecanismos de proteção que tornam uma segunda fecundação extremamente improvável.

    A superfetação ocorreria apenas se, mesmo durante a gravidez, um novo óvulo fosse liberado pelos ovários, fosse fecundado por um espermatozoide e conseguisse se implantar no útero, algo que precisaria acontecer apesar de todas as barreiras biológicas normalmente presentes.

    Qual a diferença entre superfetação e gravidez gemelar?

    A principal diferença entre a superfetação e a gravidez gemelar está no momento da concepção. Segundo Andreia, na gestação gemelar, os dois bebês são concebidos durante o mesmo ciclo reprodutivo e, portanto, possuem a mesma idade gestacional. Os gêmeos podem ser:

    Monocoriônicos (idênticos), quando um único óvulo fecundado se divide em dois embriões durante as primeiras fases do desenvolvimento;

    Ou dicoriônicos (fraternos ou não idênticos), quando dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides distintos no mesmo ciclo menstrual.

    Apesar de poderem apresentar diferenças de peso e crescimento ao longo da gestação, ambos têm a mesma idade gestacional.

    Já na superfetação, os fetos são gerados em momentos diferentes porque uma nova ovulação, fecundação e implantação acontecem enquanto uma gravidez já está em andamento. Por causa da diferença nas datas de concepção, um dos bebês costuma estar mais avançado no desenvolvimento do que o outro.

    Em alguns casos raríssimos, a superfetação pode estar associada à superfecundação heteropaternal, situação em que os bebês possuem pais diferentes porque as concepções ocorreram em momentos distintos e envolveram parceiros diferentes. Contudo, é um fenômeno excepcional e pouco frequente na prática médica.

    Principais causas da superfetação

    Em uma gestação normal, os hormônios impedem a liberação de novos óvulos, o colo do útero se fecha com um tampão mucoso para impedir a entrada de espermatozoides e as paredes do útero mudam para não permitir a fixação de outro embrião.

    Para que a superfetação aconteça, os três mecanismos de defesa precisam falhar simultaneamente, o que pode acontecer por fatores como:

    1. Tratamentos de reprodução assistida

    Durante tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), a mulher recebe uma carga hormonal intensa para estimular os ovários a produzirem vários óvulos.

    Se um embrião for transferido para o útero com sucesso, mas a mulher tiver ovulado naturalmente logo em seguida e mantido relações sexuais, pode ocorrer a fertilização desse segundo óvulo, ocorrendo a superfetação.

    2. Uso de indutores de ovulação

    Em casos raríssimos, os medicamentos usados para estimular a ovulação, comuns no tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP) e da infertilidade, podem favorecer a liberação de óvulos em momentos diferentes do ciclo reprodutivo.

    Em situações excepcionais, isso pode ocorrer após uma concepção inicial, antes que os hormônios da gravidez estabeleçam completamente os mecanismos que bloqueiam novas ovulações.

    3. Flutuações hormonais atípicas

    Em casos de superfetação espontânea, sem interferência de tratamentos médicos, o motivo normalmente é uma falha hormonal temporária.

    Nos primeiros dias ou semanas de gravidez, os níveis de progesterona e hCG podem não subir rápido o suficiente para avisar o cérebro de que a ovulação deve ser interrompida, permitindo que um segundo óvulo seja liberado.

    4. Abertura tardia do tampão mucoso

    Logo no início da gravidez, o colo do útero produz um muco espesso que atua como uma barreira física intransponível para os espermatozoides.

    Se houver um atraso na formação completa do tampão, e a mulher mantiver relações sexuais desprotegidas nas primeiras semanas de gestação, os espermatozoides ainda conseguirão alcançar as trompas e fertilizar um novo óvulo disponível.

    Como identificar?

    O diagnóstico de superfetação pode ser bastante difícil, porque não existe um exame específico capaz de confirmar a condição imediatamente.

    Durante os exames de ultrassom, os médicos podem perceber diferenças no tamanho e na maturidade dos fetos, mas, como a probabilidade estatística de se tratar de uma restrição de crescimento fetal ou de alterações nos vasos da placenta é muito maior, a superfetação raramente é a primeira hipótese, segundo Andreia.

    A investigação costuma envolver um acompanhamento detalhado da gestação ao longo das semanas. O especialista avalia se a diferença de desenvolvimento entre os bebês permanece constante e se é compatível com datas distintas de concepção. Também é necessário descartar outras condições mais comuns que podem causar discrepâncias de crescimento entre os fetos.

    Como a superfetação é extremamente rara, o diagnóstico costuma ser feito a partir da combinação de fatores, como os resultados dos ultrassons, o histórico da gestação e a exclusão de causas mais comuns para a diferença de desenvolvimento entre os bebês.

    Quais são os riscos para os bebês?

    De acordo com Andreia, a superfetação é considerada uma gestação de alto risco e pode apresentar complicações como:

    • Maior chance de parto prematuro;
    • Distensão excessiva do útero;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Atonia uterina após o parto, condição em que o útero tem dificuldade para se contrair adequadamente.

    No entanto, a maior questão é a diferença de idade gestacional entre os bebês. Como um deles foi concebido depois do outro, existe uma diferença real de desenvolvimento.

    Se houver necessidade de antecipar o parto por questões médicas, o bebê mais velho pode já estar em uma fase mais segura de desenvolvimento, enquanto o mais novo ainda pode ser considerado muito prematuro.

    Como é feito o acompanhamento médico?

    O pré-natal deve ser realizado como uma gestação de alto risco, com consultas frequentes e ultrassonografias para acompanhar o crescimento e o bem-estar dos dois fetos.

    Segundo Andreia, o principal objetivo do acompanhamento é monitorar a saúde da mãe e dos bebês e definir o momento mais seguro para o parto. Sempre que possível, a equipe médica busca prolongar a gestação para permitir que o bebê mais jovem alcance uma idade gestacional mais adequada, reduzindo os riscos associados à prematuridade.

    Perguntas frequentes

    1. Os bebês de superfetação são considerados gêmeos?

    Sim, eles nascem no mesmo parto e compartilham o útero, por isso são considerados gêmeos fraternos (não idênticos). A diferença é que um deles foi gerado semanas depois do outro.

    2. Qual pode ser a diferença de idade entre os bebês?

    Normalmente, a diferença varia entre 2 e 4 semanas. É quase impossível uma diferença maior que essa, pois o espaço uterino e as alterações hormonais da primeira gravidez bloqueiam novas concepções após esse período.

    3. Quais são os sintomas da superfetação?

    A mulher não sente nenhum sintoma físico diferente de uma gestação comum. Enjoos, cansaço e atraso menstrual são os mesmos de uma gravidez de um único bebê.

    4. Os bebês podem ser de pais diferentes?

    Na superfetação natural, sim. Se a mulher mantiver relações sexuais com parceiros diferentes com algumas semanas de intervalo (dentro da janela em que a superfetação ainda é possível), os bebês podem ter pais biológicos diferentes.

    5. Qual é o maior risco para os bebês?

    O maior risco é a prematuridade do segundo bebê. Como o bebê mais velho dita o momento do parto, quando ele estiver pronto para nascer, o mais novo será forçado a nascer semanas antes do seu tempo ideal de desenvolvimento.

    6. Os bebês podem nascer no mesmo dia?

    Sim, o útero entra em trabalho de parto ou a cesárea é marcada com base na maturidade do primeiro bebê (o mais velho), o que faz com que ambos nasçam no mesmo dia.

    7. O uso de anticoncepcional previne a superfetação?

    O anticoncepcional previne a gravidez inicial. Se a mulher já descobriu que está grávida, ela não deve tomar anticoncepcionais.

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    O hematoma subcoriônico, também conhecido como descolamento ovular, é uma condição que ocorre quando há um acúmulo de sangue entre a parede do útero e a membrana que envolve o saco gestacional. Ele afeta até 25% das mulheres que apresentam sangramento no início da gravidez e costuma ser identificado durante a ultrassonografia.

    Na maioria dos casos, o hematoma é pequeno, não causa complicações graves e tende a ser reabsorvido naturalmente pelo organismo ao longo das semanas. No entanto, o risco de complicações pode ser maior quando o hematoma é volumoso, ocupando mais de 40% a 50% da área ao redor do saco gestacional.

    Nesses casos, é necessário um acompanhamento mais próximo pelo obstetra para monitorar a evolução da gestação. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é hematoma subcoriônico (descolamento ovular)?

    O hematoma subcoriônico é o acúmulo de sangue em um espaço específico do útero durante o início da gravidez. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a alteração está relacionada ao processo de formação da placenta.

    Durante a gestação, a placenta se fixa ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, que durante a fase passa por modificações e recebe o nome de decídua. Em alguns casos, podem ocorrer pequenos descolamentos nessa região.

    Quando isso acontece, alguns vasos sanguíneos podem se romper, provocando um sangramento entre a placenta em formação e a parede do útero. O sangue fica acumulado no espaço, formando o hematoma subcoriônico, que pode variar em tamanho e evoluir de formas diferentes ao longo da gestação.

    Importante: o hematoma subcoriônico é diferente do descolamento prematuro de placenta (DPP). O hematoma acontece no começo da gravidez, normalmente antes da 16ª semana, e o organismo costuma absorvê-lo sozinho. Já o DPP acontece no final da gestação e é uma emergência médica grave.

    Quais os principais sintomas?

    O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do hematoma subcoriônico, segundo Andreia, mas a aparência e o fluxo do sangramento dependem de onde o hematoma está localizado e se o sangue está conseguindo sair do útero:

    • Sangramento escuro: normalmente indica um sangue antigo que estava represado e que o organismo começou a eliminar aos poucos. É muito comum quando o hematoma está se desfazendo;
    • Sangramento vermelho vivo: costuma indicar um sangramento ativo e recente e pode variar de pequenas manchas a um fluxo semelhante ao de uma menstruação.

    Em alguns casos, a mulher também pode apresentar uma dor abdominal persistente ou uma sensação de pressão na região do pé da barriga, parecida com uma cólica menstrual. Ela acontece porque a presença do sangue acumulado pode irritar a musculatura do útero, fazendo com que ele sofra pequenas contrações.

    Vale destacar que o hematoma subcoriônico nem sempre causa sintomas, especialmente quando é pequeno ou está localizado em uma região sem comunicação com o colo do útero. Nesses casos, a gestante pode não apresentar sangramento nem dor, e a alteração é descoberta apenas durante a ultrassonografia de rotina do primeiro trimestre.

    O que causa o hematoma subcoriônico?

    Nem sempre é possível identificar a causa específica, mas algumas condições podem favorecer o aparecimento do hematoma subcoriônico:

    • Presença de cicatrizes no útero, decorrentes de procedimentos como curetagens ou cirurgias uterinas;
    • Miomas, pólipos ou outras alterações anatômicas da cavidade uterina;
    • Histórico de infecções que afetaram o revestimento interno do útero;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Gravidez obtida por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    Mesmo na presença dos fatores, a maioria dos hematomas evolui de forma favorável e tende a diminuir ou desaparecer com o avanço da gestação e o acompanhamento adequado pelo obstetra.

    O hematoma subcoriônico pode causar aborto?

    O hematoma subcoriônico pode aumentar o risco de aborto, mas isso não significa que a perda gestacional vá acontecer. Na maioria dos casos, a gravidez evolui normalmente, especialmente quando o hematoma é pequeno e não apresenta crescimento ao longo do acompanhamento.

    De acordo com Andreia, o risco está relacionado principalmente ao tamanho e à evolução do hematoma. Quanto maior ele for, maior será a área da placenta que fica separada da parede do útero pelo acúmulo de sangue. Como a superfície de contato é reduzida, isso pode prejudicar as trocas de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê.

    Para completar, quando o hematoma continua aumentando de tamanho ao longo das semanas, é um sinal de que o vaso sanguíneo rompido não está conseguindo estancar o sangramento. Consequentemente, o risco de complicações e de perda gestacional se torna maior, demandando um acompanhamento mais rigoroso pelo obstetra.

    Como é feito o tratamento do hematoma subcoriônico?

    O tratamento do hematoma subcoriônico é baseado principalmente no acompanhamento da gestação e no repouso relativo, já que não existe um medicamento ou procedimento capaz de eliminar o hematoma imediatamente. Na maioria dos casos, o próprio organismo reabsorve o sangue acumulado ao longo das semanas, segundo Andreia.

    No período, o recomendado é evitar esforços físicos intensos, carregar peso, praticar exercícios e ter relações sexuais, especialmente se houver sangramento. As medidas ajudam a reduzir a irritação na região e favorecer a cicatrização do vaso sanguíneo que causou o hematoma.

    Em alguns casos, Andreia explica que o médico pode indicar o uso de progesterona para relaxar a musculatura do útero e pode contribuir para reduzir contrações. As evidências sobre o seu efeito no hematoma são limitadas, mas a progesterona é considerada segura durante a gestação.

    Como acompanhar a evolução do hematoma?

    O acompanhamento da evolução do hematoma subcoriônico é feito via ultrassonografia, segundo Andreia. O intervalo entre os exames depende de cada caso, mas costuma ser de pelo menos uma vez por semana. Se for um hematoma grande e com suspeita de evolução, o intervalo pode ser menor.

    Quando ir ao hospital imediatamente?

    A gestante com diagnóstico de hematoma subcoriônico deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:

    • Aumento do sangramento vaginal, especialmente se ele passar de um pequeno escape ou corrimento amarronzado para um sangramento intenso ou vermelho vivo;
    • Dor abdominal forte, cólicas intensas no baixo ventre ou dor lombar persistente;
    • Eliminação de coágulos ou fragmentos de tecido pela vagina;
    • Febre ou calafrios, que podem indicar a presença de uma infecção.

    Em caso de dúvidas ou se notar qualquer mudança repentina nos sintomas, a recomendação é sempre buscar avaliação médica de urgência para realizar um novo ultrassom.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O hematoma subcoriônico pode sumir sozinho?

    Sim. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido pelo próprio organismo da mulher ou eliminado aos poucos na forma de sangramento escuro conforme a gravidez avança.

    2. Com quantas semanas o hematoma costuma desaparecer?

    Geralmente, ele desaparece ou diminui drasticamente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, período em que a placentação se completa.

    3. Quem tem hematoma subcoriônico pode trabalhar?

    Depende do tipo de trabalho. O médico normalmente libera o trabalho administrativo ou leve, mas exige o afastamento de funções que demandam esforço físico, longos períodos de pé ou carregamento de peso.

    4. Pode fazer caminhada com descolamento ovular?

    Não é recomendado. Durante o tratamento do hematoma, atividades físicas, incluindo caminhadas como exercício, devem ser suspensas para evitar a mobilização do útero.

    5. É normal o sangramento aumentar depois de começar o repouso?

    Se o sangue for escuro (tipo borra de café), costuma ser normal, pois indica a eliminação do sangue velho que estava represado. Se foi vermelho vivo e em grande quantidade, é preciso ir ao hospital.

    6. O descolamento ovular pode voltar depois de sumir?

    É raro, mas pode acontecer. Se um novo vaso sanguíneo se romper na região de fixação da placenta antes de o processo de placentação estar totalmente concluído, um novo hematoma pode se formar.

    7. O que acontece se o hematoma subcoriônico não sumir até a 20ª semana?

    Se ele persistir mas permanecer estável e sem sangramento ativo, a gestação geralmente continua evoluindo bem. No entanto, o médico manterá um monitoramento atento, pois a área pode se tornar um ponto de maior fragilidade na placenta.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    O sofrimento fetal é uma condição em que o bebê não recebe a quantidade de oxigênio ideal dentro do útero, o que é conhecido como hipóxia. Quando isso acontece, o organismo dele tenta direcionar o oxigênio que resta para os órgãos mais importantes, como o cérebro e o coração.

    Apesar de não ser considerado uma doença em si, o sofrimento fetal é uma situação de atenção e precisa de monitoramento cuidadoso da equipe médica para identificar rapidamente qualquer alteração no bem-estar do bebê.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o sofrimento fetal pode acontecer em diferentes momentos da gestação e também durante o trabalho de parto, sendo classificado de acordo com o momento em que surgem os sinais de redução da oxigenação do bebê.

    Afinal, o que é o sofrimento fetal?

    O sofrimento fetal acontece quando o bebê não recebe a quantidade de oxigênio necessária através da placenta, ou quando existe alguma dificuldade para manter uma boa circulação de sangue entre a mãe, a placenta e o bebê.

    Como o oxigênio é necessário para o funcionamento de todos os órgãos, qualquer redução importante na troca pode levar o organismo fetal a entrar em estado de adaptação e alerta. Segundo Andreia, o sofrimento fetal pode se manifestar de duas maneiras diferentes:

    Sofrimento fetal crônico (anteparto)

    O sofrimento fetal crônico acontece de forma gradual, ainda durante a gestação. Ele normalmente está relacionado a problemas na placenta, como entupimentos ou infartos placentários, que fazem com que o bebê receba menos oxigênio e nutrientes ao longo de dias ou semanas.

    Com o tempo, a redução na oxigenação pode comprometer o desenvolvimento do bebê, causando um crescimento abaixo do esperado e diminuição do volume do líquido amniótico.

    Sofrimento fetal agudo (intraparto)

    O sofrimento fetal agudo acontece de forma rápida, na maioria das vezes durante o trabalho de parto. O próprio parto funciona como um momento de estresse natural para o bebê, porque, a cada contração, o útero comprime temporariamente os vasos sanguíneos e reduz a passagem de sangue e oxigênio.

    Um bebê saudável costuma ter uma boa reserva de oxigênio para tolerar as alterações sem dificuldade, mas quando a reserva já está reduzida ou quando as contrações são muito intensas, frequentes ou prolongadas, o bebê pode apresentar sinais de sofrimento fetal agudo e precisar de avaliação imediata da equipe médica.

    O que acontece no corpo do bebê durante o sofrimento fetal?

    Quando o oxigênio começa a diminuir, o organismo do bebê entra em um mecanismo de defesa para tentar se proteger. O corpo passa a economizar energia e direciona o fluxo de sangue disponível para os órgãos mais importantes, chamados de órgãos nobres, como o cérebro, o coração e as glândulas suprarrenais.

    De maneira geral, o processo é uma tentativa natural de preservar as funções vitais enquanto o bebê enfrenta a redução da oxigenação. Por isso, o monitoramento fetal durante a gestação e o parto é tão importante: os médicos precisam identificar rapidamente os primeiros sinais de que o bebê pode não estar tolerando bem a falta de oxigênio.

    Se a hipóxia se prolongar por muito tempo ou se tornar muito intensa, o cérebro pode começar a sofrer danos pela falta de oxigenação adequada, aumentando o risco de complicações e sequelas neurológicas após o nascimento.

    Como o médico descobre o sofrimento fetal durante o parto?

    Durante o parto, a equipe médica acompanha o bebê o tempo todo para avaliar se ele está recebendo oxigênio adequadamente. As duas principais formas de identificar um possível sofrimento fetal são:

    Alterações nos batimentos cardíacos do bebê (cardiotocografia)

    A cardiotocografia é o exame mais utilizado para acompanhar o bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Nele, dois sensores são posicionados na barriga da gestante: um monitora as contrações uterinas e o outro registra os batimentos cardíacos do bebê.

    No exame, Andreia explica que a equipe observa alguns sinais importantes:

    • Frequência cardíaca fetal, pois é esperado que os batimentos do bebê em média, entre 110 e 160 batimentos por minuto;
    • Variabilidade dos batimentos, uma vez que o coração do bebê não deve bater de forma completamente uniforme. Pequenas oscilações são um sinal de boa oxigenação e de funcionamento adequado do sistema nervoso fetal;
    • Aumentos temporários da frequência cardíaca, normalmente associados aos movimentos do bebê, que costumam indicar boa vitalidade fetal;
    • Desacelerações cardíacas, que podem ser benignas, mas determinados padrões (especialmente quando acontecem repetidamente após as contrações) podem sugerir que o bebê está tendo dificuldade para tolerar o trabalho de parto.

    Presença de mecônio no líquido amniótico

    O mecônio é a primeira evacuação do bebê, uma substância mais grossa e esverdeada que normalmente seria eliminada apenas depois do nascimento.

    Em algumas situações de estresse ou falta de oxigênio, Andreia explica que o bebê pode evacuar ainda dentro do útero. Quando a bolsa rompe e o líquido amniótico fica verde ou escuro, a equipe médica aumenta a atenção, principalmente se também existirem alterações nos batimentos cardíacos do bebê.

    Como o líquido amniótico é deglutido pelo feto e também pode ser aspirado, existe o risco de o bebê aspirar o mecônio para os pulmões antes ou durante o nascimento. Segundo Andreia, quando o mecônio se mistura ao líquido amniótico e é aspirado, ele pode irritar os pulmões e os brônquios do bebê, causando uma condição chamada pneumonite meconial.

    A médica destaca ainda que a presença de mecônio, principalmente quando ele é mais espesso e em grande quantidade, é considerada um sinal importante de sofrimento fetal.

    Por que o estetoscópio antigo (Pinard) não é mais usado?

    O estetoscópio de Pinard era usado antigamente para escutar os batimentos cardíacos do bebê durante a gestação e o trabalho de parto. Ele é um instrumento de madeira ou metal, parecido com uma pequena trombeta, que era apoiado na barriga da gestante para que o profissional de saúde pudesse ouvir o coração fetal diretamente.

    Hoje, como o estetoscópio de Pinard não gera um registro gravado para análise e não permite acompanhar, em tempo real, como o coração do bebê reage durante o pico das contrações, ele foi substituído pelo sonar Doppler e pela cardiotocografia contínua durante o parto.

    O que causa o sofrimento do bebê na hora do parto?

    O sofrimento fetal agudo na hora do parto acontece quando o equilíbrio na troca de oxigênio entre a mãe e o bebê é quebrado. Durante o nascimento, cada contração do útero diminui temporariamente o fluxo de sangue que vai para a placenta.

    Se o trabalho de parto estiver correndo muito bem e o bebê tiver boas reservas, ele passa por isso sem nenhum problema. Mas algumas situações específicas podem esgotar as reservas de oxigênio rapidamente, como:

    1. Contrações muito intensas ou frequentes

    Quando o útero contrai de forma excessiva ou com intervalos muito curtos, uma condição chamada de taquissistolia, a placenta não consegue se reoxigenar adequadamente entre uma contração e outra.

    Assim, o bebê pode receber menos oxigênio, o que pode acontecer espontaneamente ou após o uso excessivo de ocitocina, medicamento utilizado para induzir ou acelerar o parto.

    2. Trabalho de parto muito prolongado

    Quando o trabalho de parto dura muitas horas, especialmente na fase ativa e com contrações fortes e frequentes, o bebê pode começar a gastar toda a sua reserva de energia e oxigênio.

    Com o passar do tempo, isso pode dificultar a adaptação ao estresse natural do nascimento e aumentar o risco de sinais de sofrimento fetal, principalmente se já existir algum outro fator associado.

    3. Problemas com o cordão umbilical

    Algumas situações podem comprometer temporariamente a passagem de sangue e oxigênio pelo cordão umbilical, como:

    • Circular de cordão apertada no pescoço;
    • Nós verdadeiros no cordão umbilical;
    • Compressão do cordão durante as contrações;
    • Compressão do cordão durante a descida do bebê pelo canal de parto.

    Dependendo da intensidade e da duração da compressão, os batimentos cardíacos do bebê podem apresentar alterações.

    4. Problemas agudos na placenta

    O descolamento prematuro da placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave em que a placenta se desprende parcial ou totalmente do útero antes do nascimento do bebê. Como é a placenta que leva oxigênio e nutrientes ao feto, a separação pode interromper rapidamente o fornecimento de oxigênio e colocar em risco tanto a mãe quanto o bebê.

    5. Problemas de saúde maternos

    Alterações importantes na saúde da mãe, como quedas bruscas da pressão arterial ou crises hipertensivas durante o parto, também podem reduzir o fluxo de sangue oxigenado que chega até a placenta e ao bebê.

    Bebês que já entram no parto em risco

    O tratamento do parto natural costuma ser contraindicado quando há histórico de sofrimento crônico, decorrente de diabetes descontrolado, pressão alta na gravidez, restrição de crescimento fetal ou insuficiência placentária, situações nas quais os bebês já começam o trabalho de parto sem nenhuma reserva de oxigênio.

    O que o médico faz quando o bebê está sofrendo?

    Quando o exame mostra que o bebê está em sofrimento, o primeiro passo é adotar medidas de reanimação fetal, feitas ainda na sala de parto para tentar normalizar o oxigênio:

    • Mudar a grávida de lado: virar a mãe de lado (de preferência para o esquerdo) alivia a pressão do útero sobre as grandes veias, melhorando o fluxo de sangue para o bebê;
    • Dar oxigênio para a mãe: a grávida recebe oxigênio por uma máscara para aumentar a quantidade que chega ao bebê;
    • Ajustar a medicação: se o parto estiver sendo induzido com ocitocina, o soro é desligado imediatamente para diminuir a intensidade e a frequência das contrações;
    • Hidratação na veia: dar soro para a mãe ajuda a estabilizar a pressão dela e melhora a circulação na placenta.

    Se o coração do bebê se recuperar com as medidas, o trabalho de parto pode continuar com monitoramento contínuo. Se o traçado do coração não melhorar em poucos minutos, a equipe médica interrompe o processo e pode indicar uma cesárea de emergência.

    O sofrimento fetal deixa sequelas no bebê?

    Na maioria dos casos, o sofrimento fetal sendo identificado precocemente, os bebês que apresentam sinais transitórios de sofrimento fetal nascem saudáveis e sem consequências a longo prazo.

    Os casos mais preocupantes costumam estar relacionados a situações em que a hipóxia é intensa e prolongada sem correção adequada, algo que hoje é muito menos frequente devido ao acompanhamento contínuo da equipe médica.

    Nesses casos raros, a ausência de oxigênio pode causar a morte de neurônios, levando a complicações como:

    • Atraso no desenvolvimento motor e cognitivo;
    • Paralisia cerebral;
    • Problemas de audição ou visão;
    • Dificuldades de aprendizagem no futuro.

    Existem formas de prevenir o sofrimento fetal?

    A melhor maneira de prevenir o sofrimento fetal é através de um acompanhamento pré-natal de qualidade. Durante as consultas, o obstetra consegue identificar e tratar fatores que poderiam prejudicar a chegada de oxigênio até o bebê na hora do parto.

    As medidas envolvem especialmente manter o controle das condições de saúde da mãe, como diabetes e hipertensão, acompanhar o crescimento do bebê e manter um estilo de vida mais saudável, com uma alimentação equilibrada, boa hidratação, sono adequado e evitando o cigarro, o álcool e outras substâncias que possam comprometer a oxigenação fetal.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. O que é o Perfil Biofísico Fetal (PBF) e quando ele é indicado?

    É um exame de ultrassom detalhado, associado à cardiotocografia, que avalia cinco parâmetros do bebê: os batimentos cardíacos, os movimentos corporais, os movimentos respiratórios, o tônus muscular e o volume do líquido amniótico. Ele é indicado no terceiro trimestre para gestantes de alto risco para avaliar se há sinais de sofrimento fetal crônico.

    2. Qual a diferença entre o sofrimento fetal e a asfixia perinatal?

    O sofrimento fetal é o termo usado antes ou durante o parto para indicar que o bebê está em risco de falta de oxigênio. Já a asfixia perinatal é o diagnóstico dado após o nascimento, quando se confirma que o bebê realmente sofreu uma falta grave de oxigênio e apresenta critérios como sangue do cordão umbilical muito ácido (pH baixo) e baixa nota no teste de Apgar.

    3. O cordão umbilical em volta do pescoço (circular de cordão) sempre causa sofrimento fetal?

    Não. Cerca de um em cada três bebês nasce com o cordão em volta do pescoço e a maioria absoluta nasce de parto normal sem sofrer nada. O cordão é elástico e gelatinoso. Ele só causa sofrimento fetal se estiver muito apertado ou se der um “nó verdadeiro”, o que é raro.

    4. A infecção urinária na grávida pode evoluir para sofrimento fetal?

    Sim, as infecções urinárias não tratadas podem causar contrações uterinas precoces (trabalho de parto prematuro) ou infecção dentro do útero (corioamnionite). A infecção gera febre na mãe e no bebê, aumentando o consumo de oxigênio do feto e podendo levá-lo ao sofrimento.

    5. Como a mãe pode perceber sinais de sofrimento fetal ainda em casa?

    O principal sinal de alerta em casa é a redução drástica ou ausência de movimentos do bebê. Se o bebê costuma mexer bastante e, de repente, passar horas sem se mover (mesmo após a mãe se alimentar e deitar de lado), é fundamental ir à maternidade imediatamente para fazer uma avaliação.

    6. Quantas vezes o bebê deve mexer por dia para ser considerado saudável?

    Não existe um número exato universal, pois cada bebê tem seu ritmo. No entanto, a regra geral dos obstetras é que o bebê deve se mexer pelo menos 4 a 6 vezes em um período de 1 a 2 horas, logo após as principais refeições da mãe.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Parto em casa é seguro? Obstetra explica os riscos e os cuidados necessários

    Nos últimos anos, a busca pelo parto domiciliar cresceu como uma alternativa ao ambiente hospitalar, por ser um lugar em que algumas mulheres se sentem mais confortáveis e acolhidas. Ele é feito de maneira semelhante ao parto no hospital, em que a gestante é acompanhada por uma equipe de profissionais especializados, como obstetras, enfermeiros obstetras e parteiras.

    No entanto, como o nascimento acontece fora de uma estrutura hospitalar, existem riscos que devem ser considerados e avaliados com cuidado.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a obstetrícia é uma especialidade com uma dinâmica imprevisível: um trabalho de parto pode transcorrer normalmente por horas e, em poucos minutos, se transformar em uma emergência que precisa de atendimento imediato e recursos disponíveis apenas em um hospital.

    Por isso, a decisão pelo local do nascimento precisa se basear em alguns critérios rigorosos de segurança e na compreensão real dos riscos envolvidos. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o parto domiciliar é seguro?

    O parto domiciliar planejado é considerado seguro exclusivamente para gestações de baixo risco, desde que com acompanhamento de uma equipe qualificada e um plano de transferência rápida para o hospital, caso necessário. No entanto, há divergência entre os órgãos oficiais.

    No Brasil, a prática não é recomendada pelo Ministério da Saúde, que considera o ambiente hospitalar o local mais seguro para o parto, devido à disponibilidade imediata de equipes multiprofissionais, banco de sangue, anestesia, medicamentos de uso restrito e estrutura para atender emergências maternas e neonatais.

    Através da Nota Técnica nº 2/2021, a principal preocupação em relação ao parto domiciliar é a dificuldade de acesso imediato aos recursos necessários caso ocorra uma complicação inesperada durante o trabalho de parto ou logo após o nascimento.

    Situações de emergência durante o parto domiciliar

    Segundo Andreia, uma situação que está perfeitamente bem pode se transformar em uma emergência grave em questão de minutos. Mesmo em gestações saudáveis, complicações severas podem surgir de forma súbita e sem qualquer aviso prévio durante o pré-natal, como:

    • Hemorragia pós-parto: se o útero não contrair adequadamente após a saída da placenta, a mulher pode perder grande quantidade de sangue em poucos minutos. A hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morte materna no mundo;
    • Sofrimento fetal por falta de oxigênio: pode ocorrer, por exemplo, devido à compressão do cordão umbilical. Sem atendimento imediato, há risco de morte ou de sequelas neurológicas permanentes;
    • Distocia de ombro: acontece quando a cabeça do bebê nasce, mas os ombros ficam presos na pelve materna. É uma emergência que exige manobras rápidas para evitar lesões e asfixia;
    • Prolapso de cordão umbilical: ocorre quando o cordão sai antes do bebê e pode ser comprimido durante o parto, interrompendo o fornecimento de oxigênio;
    • Necessidade de reanimação neonatal: alguns recém-nascidos precisam de ajuda para iniciar a respiração após o nascimento, com suporte especializado e equipamentos adequados;
    • Parada de progressão do trabalho de parto: ocorre quando o parto deixa de evoluir normalmente, podendo haver necessidade de cesariana de urgência;
    • Aspiração de mecônio: acontece quando o bebê elimina mecônio no líquido amniótico e aspira esse material para os pulmões, o que pode causar problemas respiratórios importantes.

    Andreia complementa que, mesmo quando há um médico presente no domicílio, ele pode ficar limitado pela falta de infraestrutura.

    É possível utilizar um aparelho de cardiotocografia portátil para monitorar os batimentos cardíacos do bebê e as contrações uterinas, mas a grande questão é o que fazer caso seja identificado um sofrimento fetal agudo. No ambiente doméstico, os recursos para uma intervenção imediata são limitados.

    O fator “tempo de transporte”

    Um plano de parto domiciliar precisa prever a transferência para um hospital caso alguma coisa dê errado. Na obstetrícia, o tempo é um fator decisivo: o período gasto para colocar a gestante ou o recém-nascido no carro, enfrentar o trânsito e dar entrada no pronto-socorro fazem a diferença para evitar complicações graves e garantir a segurança da mãe e do bebê.

    E quando o parto em casa é planejado?

    Para aumentar a segurança, o parto domiciliar costuma ser indicado apenas em situações muito específicas, considerando critérios como:

    • Gestação de baixo risco;
    • Com apenas um bebê, posicionado de cabeça para baixo;
    • Sem problemas de saúde maternos ou fetais;
    • Gravidez a termo, entre 37 e 42 semanas;
    • Acesso rápido a um hospital.

    De acordo com Andreia, são muitos os critérios que precisam ser atendidos, e poucas gestações se encaixam perfeitamente em todos eles. Além disso, mesmo em gestações de baixo risco, complicações podem surgir de forma repentina, sem tempo suficiente para uma transferência segura ao hospital.

    Doulas podem estar presentes no parto hospitalar?

    No Brasil, a presença da doula em hospitais públicos e privados é garantida por lei em grande parte do país. Inclusive, a Lei Federal nº 14.737/2023 assegura que toda mulher tem o direito de ser acompanhada por uma pessoa de sua livre escolha durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

    No entanto, Andreia ressalta que a doula não substitui a equipe técnica. Ela não possui formação em enfermagem obstétrica ou medicina, e sua função é oferecer apoio emocional, acolhimento e conforto à gestante durante o trabalho de parto.

    A doula pode auxiliar com técnicas de relaxamento, massagens, exercícios de respiração e medidas para aliviar o desconforto das contrações. Apesar de importante para a experiência da mulher, ela não realiza procedimentos médicos, não monitora a saúde da mãe e do bebê e não está habilitada a identificar ou tratar complicações obstétricas

    Associação Brasileira de Enfermeiras Obstetras defende o parto domiciliar

    Em contrapartida ao Ministério da Saúde, a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (ABENFO) defende que o parto domiciliar planejado pode ser uma opção segura para algumas gestantes.

    Segundo um boletim científico divulgado pela entidade em 2023, existem estudos que apontam o parto em casa como uma alternativa possível para mulheres com gestações de baixo risco.

    De acordo com a associação, quando o parto é cuidadosamente planejado e acompanhado por profissionais capacitados, ele pode estar associado a uma menor realização de intervenções médicas e apresentar resultados maternos e neonatais semelhantes aos observados em alguns serviços hospitalares.

    Porém, a avaliação deve ser feita caso a caso, levando em consideração as características de cada gestação e a disponibilidade de uma rede de apoio e atendimento de emergência.

    Quem NÃO deve fazer o parto domiciliar em hipótese alguma?

    O parto domiciliar é absolutamente contraindicado para gestantes de alto risco ou que apresentem qualquer complicação que possa exigir intervenção médica imediata, como:

    • Pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional;
    • Diabetes gestacional ou diabetes pré-existente;
    • Doenças crônicas maternas, como problemas cardíacos, renais, neurológicos ou distúrbios de coagulação;
    • Bebê prematuro (antes de 37 semanas);
    • Bebê em posição pélvica (sentado) ou transversa;
    • Gestação múltipla (gêmeos ou mais);
    • Restrição de crescimento fetal;
    • Placenta prévia;
    • Alterações no líquido amniótico, como oligoidrâmnio ou polidrâmnio;
    • Residência distante de um hospital com centro cirúrgico e UTI neonatal;
    • Ausência de uma equipe técnica qualificada para acompanhar o parto e reconhecer emergências rapidamente.

    Andreia ainda complementa que mulheres com cesárea anterior que desejam tentar um parto vaginal jamais deveriam considerar o parto domiciliar, devido ao risco de ruptura uterina.

    O que é necessário para um parto em casa planejado?

    Para realizar um parto domiciliar, é necessário que haja uma equipe capacitada em parto domiciliar, com treinamento específico para monitoramento de sinais de complicações. A equipe precisa levar equipamentos portáteis, como um cardiotocógrafo, além de materiais para sutura, soros, acessos venosos e medicamentos de emergência.

    Por fim, é fundamental que exista um plano para uma possível transferência ao hospital, com a maternidade de referência já definida e o trajeto previamente planejado.

    Como algumas emergências obstétricas podem evoluir em poucos minutos, chegar ao hospital o mais rápido possível pode fazer toda a diferença para a segurança da mãe e do bebê.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como o nervosismo pode afetar o parto em casa?

    O medo, a ansiedade e o estresse podem aumentar a liberação de adrenalina no organismo, o que pode deixar as contrações mais intensas e frequentes, reduzindo a oxigenação do bebê e aumentando o risco de sofrimento fetal.

    2. Qual é a distância ideal até um hospital?

    O ideal é que a casa fique a, no máximo, 15 a 20 minutos de uma maternidade de referência.

    3. Médicos podem fazer partos em casa?

    Sim, não existe proibição para que médicos acompanhem partos domiciliares. Porém, mesmo com uma equipe experiente, o ambiente doméstico não conta com recursos como centro cirúrgico, banco de sangue e UTI.

    4. Qual é a diferença entre doula e enfermeira obstétrica?

    A doula oferece apoio físico e emocional, com massagens, técnicas de respiração e acolhimento. Já a enfermeira obstétrica é uma profissional de saúde habilitada para acompanhar o trabalho de parto, monitorar mãe e bebê e realizar partos de baixo risco.

    5. É possível ter um parto humanizado no hospital?

    Sim, o parto humanizado não depende do local, mas do respeito às escolhas da mulher, da liberdade de movimento e do uso apenas das intervenções realmente necessárias.

    6. Como o bebê é monitorado durante o parto em casa?

    A equipe acompanha os batimentos cardíacos do bebê com aparelhos portáteis, como o sonar Doppler ou o cardiotocógrafo, realizando avaliações periódicas durante o trabalho de parto.

    7. Como é feito o alívio da dor no parto domiciliar?

    No parto em casa não é possível utilizar anestesia peridural. Por isso, o alívio da dor é feito com medidas como banho morno, massagens, exercícios com bola de pilates, técnicas de respiração e compressas quentes.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?

  • Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    A fisioterapia pélvica na gravidez é uma especialidade que ajuda a fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar órgãos como o útero, a bexiga e o intestino.

    Durante o período, as mudanças hormonais intensas e o aumento natural do peso do bebê acabam sobrecarregando a região, o que pode favorecer desconfortos como escapes de urina, sensação de peso e dores na bacia.

    A fisioterapia pélvica também atua diretamente na preparação para o parto, trabalhando a consciência corporal e a flexibilidade muscular importantes para o momento do nascimento.

    O melhor é que a prática pode ser iniciada em qualquer fase da gestação e oferece benefícios tanto para as mulheres que desejam o parto normal quanto para aquelas que têm indicação de cesárea.

    Para que serve a fisioterapia pélvica na gravidez?

    A fisioterapia pélvica na gravidez serve principalmente para fortalecer e dar flexibilidade aos músculos do assoalho pélvico, ajudando o corpo da mulher a se adaptar de forma saudável às transformações da gestação e a se preparar para o parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Entre alguns dos principais benefícios da prática, é possível destacar:

    1. Prevenção e o tratamento da perda involuntária de urina

    O aumento do peso do útero e as alterações hormonais podem enfraquecer os músculos responsáveis por controlar a uretra. Com a fisioterapia pélvica, a gestante aprende a ativar a musculatura nos momentos de maior pressão, como ao tossir, espirrar ou pegar peso, ajudando a evitar os desconfortáveis escapes de urina que são tão comuns na gravidez.

    2. Alívio das dores nas costas e na bacia

    Conforme a barriga cresce, o corpo passa por várias mudanças de postura e equilíbrio, o que pode causar dores na lombar, na bacia e até na região do cóccix. Os exercícios ajudam a melhorar a postura, estabilizar as articulações e aumentar a mobilidade da pelve, trazendo mais conforto no dia a dia e um alívio natural das dores.

    3. Preparação do corpo para o parto normal

    Para as mulheres que desejam o parto vaginal, a fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver a consciência corporal e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, facilitando a passagem do bebê pelo canal de parto. Ele também ajuda a gestante a entender melhor como fazer força no momento do nascimento.

    4. Redução do risco de lesões musculares profundas

    Ao trabalhar a elasticidade e a coordenação dos músculos mais profundos da região pélvica, a fisioterapia ajuda a proteger o períneo durante o parto, o que diminui risco de lacerações mais graves, segundo Andreia. A prática também favorece uma recuperação pós-parto mais confortável para a gestante.

    5. Prevenção do prolapso dos órgãos pélvicos

    A sobrecarga constante da gravidez sobre o assoalho pélvico pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, aumentando o risco de prolapsos, situação em que órgãos como a bexiga ou o útero perdem sustentação. O fortalecimento preventivo ajuda a proteger a região e a reduzir as chances da gestante apresentar a complicação no futuro.

    6. Melhora do conforto no contato íntimo

    Durante a gravidez, algumas mulheres podem sentir dor ou desconforto nas relações sexuais por causa da tensão muscular na região íntima. Segundo Andreia, a fisioterapia pélvica ensina técnicas de relaxamento que ajudam a aliviar o sintoma. Já nos casos de sensação de flacidez, o fortalecimento muscular pode contribuir para melhorar a sensibilidade e o conforto local.

    Como é feita a fisioterapia pélvica para gestantes?

    A princípio, para fazer a fisioterapia pélvica na gravidez, é importante uma avaliação detalhada da musculatura e da postura da mulher.

    Durante as sessões, o fisioterapeuta utiliza uma combinação de técnicas e ferramentas que ajudam a desenvolver a força, a coordenação e, principalmente, a propriocepção — que, como explica Andreia, é a capacidade de perceber e ter consciência da localização e do movimento dos músculos pélvicos sem precisar olhar para eles.

    As principais técnicas e etapas incluem:

    1. Exercícios de consciência corporal

    O primeiro passo da fisioterapia pélvica é ajudar a gestante a conhecer melhor o próprio corpo e entender como controlar a musculatura da região pélvica.

    Muitas mulheres, por exemplo, acabam fazendo o movimento contrário ao esperado quando tentam simular a força do parto, contraindo a musculatura em vez de relaxar. Durante as sessões, ela aprende a identificar, ativar e movimentar os músculos corretos de forma mais consciente.

    2. Fortalecimento dos músculos da região pélvica

    O trabalho da fisioterapia é focado nos diferentes grupos musculares que sustentam a região íntima e os órgãos pélvicos, como aponta Andreia:

    • Diafragma pélvico (mais interno): onde se trabalha o músculo elevador do ânus, um músculo grande e único com vários feixes, para garantir que ele seja forte o suficiente para sustentar o peso crescente do útero e do bebê;
    • Diafragma urogenital (mais superficial): localizado na região do períneo, que tem um formato de losango angulado, englobando a uretra, a entrada da vagina e o ânus. Os exercícios aqui treinam os músculos menores responsáveis por garantir a continência urinária e fecal.

    Os exercícios são feitos de forma gradual e personalizada, respeitando as necessidades de cada gestante.

    3. Treino para contrair e também relaxar

    Ao contrário do que você pode imaginar, a fisioterapia pélvica não trabalha apenas o fortalecimento muscular. A gestante também aprende a relaxar a região no momento certo, o que é necessário para o bom funcionamento do corpo.

    O relaxamento também pode facilitar a urina, a evacuação e a passagem do bebê durante o parto vaginal.

    4. Exercícios de mobilidade e alívio das dores

    Com o crescimento da barriga, a postura e o equilíbrio do corpo mudam bastante, aumentando as chances de dores na lombar e na bacia. Por isso, a fisioterapia includes exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos que ajudam a melhorar os movimentos das articulações da região, trazendo um alívio natural das dores e mais conforto para a gestante.

    5. Uso de recursos complementares, quando necessário

    Em algumas situações específicas, e sempre com avaliação profissional, o fisioterapeuta pode utilizar recursos complementares, como estímulos elétricos leves feitos com aparelhos delicados. Os estímulos ajudam a paciente a perceber melhor a musculatura que precisa ser trabalhada, facilitando os exercícios e o controle da região pélvica.

    Quando começar as sessões?

    As sessões de fisioterapia pélvica podem ser iniciadas em qualquer momento da gestação, inclusive no início ou antes dela. Contudo, Andreia explica que a procura costuma se intensificar a partir da segunda metade da gravidez, quando o volume abdominal aumenta e os desconfortos físicos ficam mais evidentes.

    Portanto, se você não começou no início, a segunda metade da gestação é o momento ideal para procurar ajuda e garantir o papel analgésico e preparatório da fisioterapia.

    Quando a fisioterapia pélvica não é indicada?

    A fisioterapia pélvica é uma prática segura e recomendada para a maioria das gestantes. Inclusive, grávidas que apresentam comorbidades comuns como diabetes gestacional, hipertensão ou restrição de crescimento fetal (RCF) podem fazer as sessões normalmente, desde que as condições estejam devidamente controladas e acompanhadas pelo médico.

    Contudo, Andreia explica que existem contraindicações obstétricas específicas em que a fisioterapia pélvica não é indicada, frequentemente associadas à necessidade de repouso ou ao risco de infecções e sangramentos. São elas:

    • Incompetência istmocervical: casos avançados com risco de parto prematuro, onde a gestante precisa de repouso e deve evitar qualquer esforço físico;
    • Bolsa rota (amniorrexe prematura): quando a bolsa estoura antes do tempo, pois há um alto risco de infecção no útero, inviabilizando o uso de exercícios e de eletrodos intravagnais;
    • Placenta prévia: quando a placenta está posicionada na parte baixa do útero, cobrindo o colo. Qualquer estímulo ou movimento na região pode provocar sangramentos graves;
    • Descolamento prematuro de placenta: uma condição de emergência com risco de hemorragia que exige repouso absoluto e cuidados médicos imediatos.

    Antes de iniciar qualquer sessão de fisioterapia pélvica, lembre-se que a gestante precisa da liberação do médico obstetra, para garantir que a gravidez não apresenta nenhum dos fatores de risco.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A fisioterapia pélvica dói?

    Não, pois os exercícios e técnicas são aplicados respeitando o limite de conforto da gestante. É comum sentir o cansaço muscular natural do exercício, mas nunca dor. Caso sinta desconforto, o fisioterapeuta adapta a conduta imediatamente.

    2. Quem vai fazer cesárea também pode fazer fisioterapia pélvica?

    Com certeza. A sobrecarga do peso do bebê, do útero e da placenta sobre o assoalho pélvico é exatamente a mesma, independentemente do tipo de parto. A fisioterapia ajuda a evitar escapes de urina durante a gestação e previne dores e flacidez no pós-parto.

    3. Quantas vezes por semana devo fazer as sessões?

    Normalmente, o recomendado é fazer 1 a 2 vezes por semana no consultório, com duração média de 50 minutos. Além disso, o fisioterapeuta costuma passar uma rotina de exercícios simples de poucos minutos para a gestante realizar em casa diariamente.

    4. Posso fazer os exercícios de fortalecimento sozinha em casa?

    Apenas os exercícios que já foram ensinados e liberados pelo seu fisioterapeuta. Fazer contrações de forma errada ou sem coordenação pode tensionar a musculatura em excesso, gerando o efeito oposto, como dor na relação íntima ou dificuldade para urinar.

    5. A fisioterapia pélvica induz ou antecipa o parto?

    Não. Os exercícios convencionais de fortalecimento e conscientização não têm capacidade de provocar o parto prematuro. Pelo contrário, as técnicas são planejadas para proteger o corpo da mãe ao longo de todas as semanas gestacionais.

    6. Quando devo parar de fazer as sessões na gravidez?

    Se a gestação seguir saudável e sem intercorrências, as sessões podem ser realizadas até a semana do parto. Na reta final, o foco do profissional muda quase totalmente para exercícios de mobilidade, respiração e posições de alívio para o dia do nascimento.

    7. Quem tem a placenta baixa pode fazer fisioterapia pélvica?

    Depende do tipo. Se for uma placenta prévia (que cobre totalmente o colo do útero), a fisioterapia pélvica é estritamente contraindicada pelo risco de hemorragias graves. Se for apenas uma placenta de inserção baixa que não obstrui o colo, o obstetra avaliará se libera ou não os exercícios de forma bem leve.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    O início da gravidez pode trazer uma série de sentimentos diferentes, de felicidade até insegurança, mas também uma lista infinita de perguntas.

    Se você é mamãe de primeira viagem, é completamente normal se pegar pensando se aquela posição na hora de dormir pode prejudicar o bebê, por que o intestino de repente ficou tão lento ou se aquela tontura na academia é um sinal de alerta para algum problema.

    Para esclarecer alguns dos mitos e verdades comuns do período, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos tudo que você precisa saber, a seguir.

    1. Grávida pode dormir de barriga para cima ou para baixo?

    No início da gestação, você pode dormir na posição que achar mais confortável, inclusive de barriga para cima. No entanto, Andreia explica que a partir da 14ª ou 15ª semana de gravidez, o útero já cresceu o suficiente para se tornar pesado e migrar da pélvis para o abdômen. A partir do período, deitar de costas não é recomendado.

    Ao deitar de barriga para cima, o peso do útero comprime diretamente a veia cava, que é a principal veia responsável por trazer o sangue do resto do corpo de volta para o coração. Como as veias são muito maleáveis, elas se fecham facilmente sob pressão.

    Quando a veia cava é comprimida, o retorno do sangue diminui drasticamente, causando uma queda súbita na pressão arterial da mãe, chamada de hipotensão supina. Isso pode provocar tontura, mal-estar e até sensação de desmaio, mesmo que você esteja deitada.

    No caso das mulheres que gostam de dormir de barriga para baixo, ela não costuma ser um perigo direto para o bebê, mas pode ser incômoda com o avanço da gravidez, pois o peso do próprio corpo da mãe acaba pressionando o abdômen.

    Qual é a melhor posição para dormir na gravidez?

    As melhores posições para dormir na gravidez incluem:

    • Dormir de lado, de preferência sobre o lado esquerdo: costuma ser a posição mais confortável e recomendada na gravidez, porque ajuda na circulação sanguínea e melhora o fluxo de oxigênio e nutrientes que chegam até a placenta e o bebê;
    • Usar travesseiros como apoio: colocar um travesseiro entre os joelhos e outro para apoiar os braços pode fazer muita diferença no conforto durante a noite. Além de ajudar a alinhar a coluna, o apoio também reduz a pressão nas articulações e alivia as dores nas costas;
    • Apostar em uma posição na diagonal: para as mulheres que sentem falta de dormir de barriga para baixo, a ideia é ficar meio de lado e meio inclinada para frente, usando um travesseiro grande ou uma almofada de amamentação para apoiar o corpo. Assim, é possível ter uma sensação parecida com a de dormir de bruços, mas sem colocar peso sobre a barriga.

    Se ao deitar de costas você sentir tontura, o corpo começará a avisar de forma instintiva que a posição não está favorável. Caso isso aconteça, vire-se imediatamente para o lado esquerdo para restabelecer o fluxo sanguíneo e normalizar a pressão.

    2. Por que o intestino fica mais preso na gestação?

    A constipação, também conhecida como prisão de ventre, é uma das condições mais frequentes da gravidez e acontece especialmente por uma combinação de fatores hormonais e mecânicos.

    Segundo Andreia, o aumento da progesterona, hormônio importante para a gestação, relaxa a musculatura do útero, mas também deixa os movimentos do intestino mais lentos. Com isso, a digestão demora mais e o trânsito intestinal fica mais devagar.

    Conforme o bebê cresce, o útero também passa a ocupar mais espaço na barriga e acaba pressionando parte do intestino, dificultando ainda mais a passagem das fezes. Toda a lentidão do sistema digestivo também pode provocar outros sintomas bastante comuns na gravidez, como gases, sensação de barriga estufada, azia e refluxo.

    Como melhorar o trânsito intestinal?

    Andreia orienta algumas dicas para melhorar o funcionamento do intestino na gravidez:

    • Aumentar o consumo de fibras e manter uma excelente hidratação;
    • Fazer uma dieta fracionada (comer porções menores mais vezes ao dia) para diminuir o desconforto gástrico;
    • Consumir frutas cítricas ou seus sucos, que podem auxiliar no processo digestivo;
    • Praticar atividades físicas regulares, que estimulam o peristaltismo (movimento do intestino);
    • Manter uma rotina de horários para educar o organismo a esvaziar o intestino de forma habitual.

    Atenção ao reflexo gastrocólico

    O reflexo gastrocólico é um mecanismo fisiológico em que o estômago se comunica com o intestino. Assim que a comida entra no organismo, o corpo recebe o sinal de que o intestino deve se esvaziar para abrir espaço para o novo bolo alimentar.

    De acordo com a ginecologista, não é raro que algumas gestantes ignorem a vontade de evacuar por estarem fora de casa ou por desconforto em usar banheiros públicos. Porém, com o tempo, o hábito pode fazer com que o organismo perca parte da sensibilidade ao reflexo natural, piorando ainda mais a constipação.

    Por isso, a recomendação da médica é simples: quando sentir vontade, vá ao banheiro. O ideal é não prender o intestino e nem reduzir a ingestão de água para evitar urinar fora de casa.

    3. Inchaço na gravidez é normal? Quando se preocupar?

    O inchaço na gravidez é um sintoma comum e afeta principalmente nos pés e nas pernas, sendo ainda mais intenso no final do dia ou em épocas de muito calor. Ele acontece porque o volume de fluidos e sangue no corpo da grávida aumenta consideravelmente, e o peso do útero dificulta o retorno do sangue das pernas de volta para o coração.

    Contudo, Andreia explica que é preciso ficar alerta aos sinais de alerta que indicam um quadro patológico, como doenças renais ou pré-eclâmpsia:

    • Começou de forma muito súbita (de uma hora para a outra) ou ficou extremamente intenso;
    • Subiu para outras partes do corpo e começou a afetar o rosto (especialmente as pálpebras) e as mãos;
    • Vem acompanhado de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, pontos brilhantes na vista ou dor na boca do estômago.

    Nesses casos, procure imediatamente atendimento médico.

    Como aliviar o inchaço nas pernas na gravidez?

    Segundo a ginecologista, existem algumas medidas simples que ajudam a melhorar o fluxo de líquidos e trazem bastante alívio, como:

    • Beba bastante água: uma boa hidratação ajuda os rins a funcionarem melhor e favorece a eliminação do excesso de líquido acumulado no corpo;
    • Eleve as pernas: sempre que possível, descanse com os pés apoiados em almofadas ou mais elevados para melhorar a circulação;
    • Faça drenagem linfática: a técnica pode ajudar no inchaço, desde que seja adaptada para gestantes e liberada pelo obstetra;
    • Use meias de compressão corretamente: o ideal é colocar as meias ainda deitada, antes de levantar da cama, para ajudar a evitar o inchaço ao longo do dia.

    4. Gestante pode fazer musculação e pegar peso?

    Desde que a atividade seja avaliada, autorizada pelo obstetra e adaptada para a gestação, a musculação é considerada segura e pode trazer vários benefícios durante a gravidez.

    Como explica Andreia, o fortalecimento dos músculos abdominais, conhecido como fortalecimento do core, ajuda diretamente a aliviar as dores nas costas. Conforme a barriga cresce, a curvatura natural da coluna lombar aumenta, o que pode gerar mais sobrecarga e desconforto na região. Com a musculatura fortalecida, o corpo ganha mais sustentação e estabilidade.

    As mulheres que já tinham a musculatura mais forte antes da gravidez costumam sofrer menos com dores lombares. Já aquelas que não tinham o preparo também podem se beneficiar bastante do acompanhamento adequado, especialmente quando a musculação é associada à fisioterapia pélvica e global.

    Cuidados importantes durante o treino na gravidez

    Para que a musculação seja segura para você e para o bebê, existem dois limites importantes que precisam ser respeitados.

    Primeiro, o exercício pode ser moderadamente cansativo, mas se você notar que está suando excessivamente, com o coração muito acelerado e a respiração ofegante demais, pare o exercício. Os sinais indicam que a musculatura está competindo pelo oxigênio do corpo com a placenta, o que não pode acontecer.

    Segundo, sabe quando você vai fazer muita força para levantar um peso e, sem perceber, prende o ar e bloqueia a respiração? Isso se chama manobra de Valsalva, o que causa uma queda brusca de pressão, tontura e escurecimento da vista. Nas grávidas, o risco de desmaio é ainda maior.

    Na musculação para gestantes, o ideal é sempre manter a respiração contínua. A regra é soltar o ar pela boca no momento em que você faz força e puxar o ar pelo nariz quando relaxa o músculo. Nunca prenda a respiração.

    5. É seguro viajar de avião durante a gravidez?

    Se a sua gestação estiver correndo bem, sem riscos ou complicações, a viagem de avião é segura para a mãe e para o bebê. No entanto, existem alguns cuidados práticos que você precisa conhecer antes de comprar as passagens.

    Segundo Andreia, é recomendado evitar viagens muito tardias, como após a 33ª ou 34ª semana, pela maior probabilidade da gestante entrar em trabalho de parto e não ter assistência médica adequada a bordo, especialmente em voos longos.

    Além disso, a gravidez aumenta consideravelmente o risco de trombose, devido a alterações hormonais que engrossam o sangue e à microcompressão das veias pélvicas pelo útero.

    Por isso, em voos longos, para evitar que o sangue fique parado nas pernas, o ideal é levantar a cada 1 ou 2 horas e caminhar um pouco pelo corredor do avião, para ativar os músculos das panturrilhas e estimular a circulação sanguínea.

    Fazer pequenos movimentos com os pés e os tornozelos enquanto estiver sentada também pode ajudar a reduzir o inchaço e diminuir o risco de trombose durante a viagem.

    Se você tiver outros fatores de risco ou comorbidades (como pressão alta ou histórico familiar de trombose), o obstetra pode indicar o uso preventivo de medicação anticoagulante injetável em baixas doses. Normalmente, ela é utilizada alguns dias antes da viagem, durante o trajeto e logo após o retorno.

    Importante: mulheres com gestação de alto risco, histórico de parto prematuro recente ou hipertensão gestacional grave devem passar por uma avaliação criteriosa, pois podem ter contraindicação médica absoluta para voar.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    6. Por que a gravidez dá tanto sono e altera as noites de descanso?

    O sono durante a gravidez costuma mudar por uma combinação de fatores, segundo Andreia:

    • Aumento da progesterona: o hormônio causa uma sonolência excessiva e exaustão, muito comum no primeiro trimestre. O sintoma costuma melhorar no segundo trimestre e pode reaparecer no terceiro, especialmente no fim do dia;
    • Fatores mecânicos: no final da gravidez, o tamanho da barriga dificulta encontrar uma posição confortável. O peso do útero sobre a bexiga também aumenta a frequência urinária, fragmentando o sono devido às idas ao banheiro durante a noite;
    • Roncos e apneia do sono: o ganho de peso e o grande volume abdominal podem favorecer o surgimento de roncos e da apneia do sono. A própria progesterona também relaxa a musculatura da garganta, facilitando com que a base da língua caia ligeiramente para trás e obstrua a passagem do ar
    • Fatores emocionais: a ansiedade natural pela chegada do parto e do bebê também contribui para um sono mais leve, o que aumenta os despertares ao longo da noite e dificulta um descanso realmente reparador.

    Para melhorar a qualidade do descanso, a orientação é investir em uma boa higiene do sono, manter horários mais regulares para dormir e usar travesseiros como apoio entre as pernas e os braços, ajudando o corpo a ficar mais confortável durante a noite.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Grávida pode tomar café?

    Sim, mas com moderação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Febrasgo é limitar o consumo de cafeína a, no máximo, 200 mg por dia, o que equivale a cerca de duas xícaras pequenas (de 50 a 100 ml) de café coado.

    2. É normal ter corrimento na gravidez?

    Depende da cor e do cheiro. Um corrimento esbranquiçado ou transparente, fluido e sem odor é completamente normal e decorrente do aumento de hormônios e do fluxo sanguíneo na região pélvica.

    Se o corrimento for amarelado, esverdeado, acinzentado, tiver consistência de nata ou vier acompanhado de mau cheiro, coceira e ardência, pode indicar uma infecção (como candidíase ou vaginose bacterial) e deve ser tratado pelo obstetra.

    3. Grávida pode comer sushi e peixe cru?

    O ideal é evitar, pois o consumo de peixes e frutos do mar crus ou malcozidos aumenta o risco de infecções alimentares graves causadas por bactérias (como a Listeria) e parasitas.

    4. É seguro ter relações sexuais na gravidez?

    Sim, na grande maioria das gestações. Se a gravidez estiver correndo bem, sem complicações, o sexo é seguro e não machuca o bebê, que está protegido pelo líquido amniótico e pelo tampão mucoso do colo do útero.

    5. Grávida pode fazer tratamento estético (como botox ou peeling)?

    A maioria dos tratamentos deve ser suspensa. A aplicação de toxina botulínica (botox) e preenchimentos não é recomendada por falta de estudos de segurança em gestantes.

    6. É normal sentir cólica no início da gravidez?

    Sim, as cólicas leves são comuns. No primeiro trimestre, o útero está começando a se expandir e a se acomodar na pelve, e a vascularização da região aumenta, o que pode causar uma sensação parecida com a cólica menstrual leve ou fisgadas nas laterais do abdômen.

    7. Como evitar as manchas no rosto (melasma) na gravidez?

    O melasma gestacional surge devido à combinação dos hormônios da gravidez, que estimulam a produção de melanina, com a exposição solar. A melhor forma de prevenir é o uso diário e religioso de protetor solar com cor e FPS alto (mínimo 50), reaplicando ao longo do dia, além do uso de chapéus e óculos de sol.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Mais comum entre a quarta e oitava semana de gestação, o enjoo na gravidez é um sintoma que afeta cerca de 70% das mulheres. Normalmente, é um dos primeiros sinais da gestação e acontece devido às intensas alterações hormonais do início do período, especialmente ao aumento do hormônio beta-hCG.

    Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser controlados com mudanças na alimentação e hidratação adequada. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como aliviar o enjoo no dia a dia, os remédios permitidos na gravidez e quando o sintoma é preocupante. Confira!

    Por que grávida sente tanto enjoo?

    Os enjoos na gravidez acontecem, principalmente, por causa das mudanças hormonais intensas do início da gestação. Segundo Andreia, o principal responsável pelos sintomas é o aumento do hormônio beta-hCG, a gonadotrofina coriônica humana, produzida pela placenta.

    No começo da gravidez, os níveis do hormônio aumentam rapidamente, atingem um pico e depois tendem a se estabilizar. É justamente durante a fase de elevação mais intensa que as náuseas costumam piorar, especialmente no primeiro trimestre.

    Além do beta-hCG, outros hormônios produzidos pela placenta, como estrogênio, progesterona e cortisol, também contribuem para os enjoos. A progesterona, em especial, desacelera o funcionamento do sistema digestivo, deixando o esvaziamento do estômago e do intestino mais lento, o que aumenta a sensação de náusea.

    Segundo a ginecologista, o olfato mais sensível na gestação também pode agravar o desconforto, fazendo com que cheiros fortes de alimentos, perfumes ou bebidas provoquem mais enjoo.

    Fatores de risco para náuseas mais intensas

    Entre os fatores de risco de náuseas e vômitos mais intensos na gravidez. Andreia aponta:

    • Gravidez gemelar, já que existe uma placenta maior e maior produção hormonal, o que aumenta os níveis de beta-hCG e pode intensificar os enjoos;
    • Histórico de muito enjoo em uma gestação anterior, porque mulheres que já tiveram náuseas intensas em outra gravidez têm mais chance de apresentar o mesmo quadro novamente;
    • Histórico familiar de náuseas intensas na gravidez, já que pode existir uma predisposição genética para desenvolver sintomas mais fortes durante a gestação.

    A médica também explica que existe uma condição mais rara chamada mola hidatiforme, uma alteração na formação da placenta que provoca níveis muito altos de beta-hCG. Nesses casos, os enjoos costumam ser muito fortes e persistentes. É uma gestação anômala e inviável, que normalmente evolui para aborto espontâneo.

    Como aliviar o enjoo na gravidez naturalmente?

    1. Fazer pequenas refeições ao longo do dia

    As gestantes costumam sentir mais náuseas quando passam muitas horas sem comer. Como o estômago fica mais lento durante a gravidez, os grandes volumes de comida podem aumentar ainda mais o desconforto. Por isso, Andreia recomenda que a alimentação seja feita em pequenas quantidades ao longo do dia, com refeições mais leves e frequentes.

    As frutas, os pães, os iogurtes, as torradas e outros alimentos leves podem ajudar a manter o estômago funcionando melhor e reduzir a sensação de mal-estar.

    2. Evitar longos períodos de jejum

    Andreia explica que ficar mais de duas horas e meia sem comer tende a aumentar o desconforto, principalmente no começo da manhã ou no fim do dia. As pequenas pausas para lanches leves ajudam a evitar que o estômago fique vazio por muito tempo, o que pode diminuir os episódios de enjoo e vômito.

    3. Apostar em carboidratos simples pela manhã

    Os alimentos simples, como as bolachas de água e sal, as torradas e os crackers, costumam ser uma opção interessante pela manhã. Durante a gravidez, muitas mulheres apresentam excesso de salivação ao acordar, e os carboidratos simples ajudam a absorver o excesso de saliva, aumentando o alívio e reduzindo a sensação de náusea.

    A ginecologista também orienta que algumas gestantes podem se sentir melhor ao comer algo leve antes mesmo de levantar da cama.

    4. Consumir frutas e temperos cítricos

    Os alimentos cítricos, como o limão, a laranja e o abacaxi, além de temperos como o vinagre, podem ajudar a aliviar a sensação de estômago lento. As substâncias ácidas estimulam a digestão e podem trazer uma sensação de alívio para algumas mulheres.

    As águas saborizadas com limão e os alimentos frescos e cítricos também costumam ser mais bem tolerados nos períodos de maior enjoo.

    5. Usar gengibre no dia a dia

    O gengibre possui propriedades naturais com efeito antiemético, que ajudam a controlar as náuseas e os vômitos. Ele pode ser consumido de diferentes formas, como em chá, em balas, em cápsulas orientadas por profissionais de saúde ou infusionado na água.

    5. Beber água aos poucos ao longo do dia

    A ingestão de líquidos deve acontecer de forma gradual ao longo do dia, em pequenos goles. Os grandes volumes de água de uma só vez podem causar distensão no estômago e aumentar o desconforto.

    Em alguns casos, o consumo de água gelada, saborizada naturalmente ou algumas frutas ricas em água também podem ajudar na hidratação quando a gestante apresenta dificuldade para beber líquidos.

    6. Evitar cheiros fortes

    Como o aumento dos hormônios deixam o olfato muito mais sensível, principalmente no primeiro trimestre, vale evitar cheiros fortes de comida, perfumes intensos, produtos de limpeza e até bebidas muito quentes, o que pode ajudar no controle do enjoo.

    Remédios permitidos para enjoo na gestação

    Os enjoos da gestação nem sempre precisam de medicação, mas quando os vômitos começam a dificultar a alimentação e a hidratação da gestante, alguns remédios considerados seguros podem ser indicados pelo médico, como:

    • Vitamina B6, bastante utilizada para ajudar no controle das náuseas leves e moderadas;
    • Metoclopramida (Plasil), que ajuda no esvaziamento do estômago e no controle dos vômitos, embora precise ser usada com cautela por causa dos possíveis efeitos adversos;
    • Ondansetrona (Vonau), indicada principalmente em casos de náuseas e vômitos mais intensos;
    • Dimenidrinato (Dramin), bastante conhecido para enjoo e que pode ajudar algumas gestantes;
    • Meclizina (Meclin), que também pode ser utilizada para aliviar as náuseas.

    A médica explica que os remédios costumam ser reservados para situações em que os sintomas estão impedindo uma alimentação adequada ou aumentando o risco de desidratação.

    Vale ressaltar que a automedicação na gravidez não é recomendada e apenas um profissional da saúde pode orientar o medicamento mais seguro para cada caso.

    Quando o enjoo na gravidez é preocupante?

    Quando as náuseas e os vômitos se tornam tão intensos que impedem a gestante de se alimentar e se hidratar, o quadro deixa de ser considerado comum e passa a ser chamado de hiperêmese gravídica.

    Nesse caso, Andreia esclarece que a mulher vomita frequentemente e não consegue reter praticamente nada do que ingere, inclusive líquidos. Os principais sinais de alerta são:

    • Dificuldade para comer ou beber qualquer coisa;
    • Vômitos frequentes ao longo do dia;
    • Perda de peso;
    • Sinais de desidratação (como boca seca e urina muito escura);
    • Fraqueza intensa;
    • Tontura e mal-estar constante.

    Ao notar os sintomas, é necessário passar por uma avaliação médica imediatamente. Normalmente, o tratamento requer a internação hospitalar para a gestante receber hidratação, eletrólitos e remédios antieméticos diretamente na veia.

    Como os vômitos prolongados esgotam os estoques de nutrientes, o médico também pode indicar a reposição de vitaminas (principalmente B1, B6 e B12) para prevenir complicações neurológicas.

    A alimentação por via oral é reintroduzida aos poucos conforme a melhora da gestante e, em casos raros onde a rejeição aos alimentos persiste, pode ser necessária a nutrição parenteral (pela veia).

    Quando a internação é necessária?

    A internação é indicada quando há risco de desidratação, perda de peso significativa ou incapacidade de manter a alimentação por conta própria, segundo Andreia.

    Se a hiperêmese gravídica não for tratada, a falta de nutrientes pode afetar o desenvolvimento do feto, aumentando o risco de baixo peso ao nascer. No entanto, complicações graves são raras, pois a maioria das mulheres busca ajuda médica logo nos primeiros sinais, permitindo o controle rápido do quadro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter enjoo logo na primeira semana de gravidez?

    Não é comum. Os enjoos costumam começar por volta da 4ª ou 6ª semana de gestação, quando os níveis do hormônio HCG ficam mais altos. Sintomas na primeira semana normalmente estão associados à TPM ou ansiedade.

    2. O enjoo na gravidez costuma passar em qual mês?

    Na maioria das mulheres, o enjoo melhora muito ou desaparece completamente entre o fim do terceiro mês e o início do quarto mês (por volta da 12ª a 14ª semana).

    3. Tomar água com limão ajuda a aliviar o enjoo?

    Sim. Alimentos ácidos e cítricos estimulam a salivação e reduzem a sensação de náusea. Beber água gelada com algumas gotas de limão ou chupar um picolé de limão ajuda a aliviar o mal-estar rapidamente.

    4. Grávida pode tomar chá de gengibre?

    Sim, o gengibre é uma excelente opção natural contra enjoos. No entanto, o consumo deve ser moderado, sempre conversando com o médico antes.

    5. Sentir muito enjoo indica o sexo do bebê?

    Não, isso é apenas um mito popular. A intensidade do enjoo está ligada à sensibilidade do corpo da mulher às oscilações hormonais (como o HCG), e não ao fato de ser menino ou menina.

    6. Como escovar os dentes sem sentir enjoo na gravidez?

    Troque a pasta de dentes por uma de sabor mais suave, use uma escova de cabeça pequena e evite escovar a língua logo após acordar, pois isso costuma ativar o reflexo do vômito.

    6. Existe alguma posição para deitar que melhore o enjoo?

    Deitar-se sobre o lado esquerdo do corpo ajuda a melhorar a digestão e reduz o refluxo, o que pode aliviar a náusea. Além disso, evite deitar-se logo após comer; o ideal é esperar pelo menos 30 minutos a 1 hora, mantendo a cabeça mais elevada com a ajuda de travesseiros.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    Pré-eclâmpsia: como identificar o risco já no início da gravidez?

    A pré-eclâmpsia, caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial, é uma complicação grave da gravidez que costuma surgir após a 20ª semana de gestação. No Brasil, a estimativa é que ela afete entre 5% e 10% das gestantes, sendo uma das principais causas de mortalidade materna e de partos prematuros no país.

    Mas será que é possível prever o risco logo nas primeiras semanas? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como a pré-eclâmpsia pode ser identificada precocemente, quais são os fatores de risco, os sinais de alerta e o que fazer para reduzir as complicações para a mãe e o bebê.

    Afinal, o que é a pré-eclâmpsia e por que ela acontece?

    A pré-eclâmpsia, conhecida como doença hipertensiva específica da gestação, é uma complicação da gravidez em que ocorre o aumento da pressão arterial após a 20ª semana de gestação. Em muitos casos, ela também causa alterações nos rins, levando à perda de proteína na urina, além de poder comprometer órgãos importantes, como fígado, cérebro e placenta.

    A condição está relacionada a uma formação inadequada dos vasos sanguíneos da placenta no início da gestação. Com isso, a placenta passa a funcionar de maneira insuficiente e libera substâncias inflamatórias na circulação materna, provocando alterações nos vasos sanguíneos e aumentando a pressão arterial.

    Quais os fatores de risco para a pré-eclâmpsia?

    Ainda não existe uma causa única totalmente definida, mas alguns fatores aumentam o risco de pré-eclâmpsia e podem ser identificados logo na primeira consulta de pré-natal. Andreia e o Ministério da Saúde destacam algumas delas:

    • Primeira gestação, já que mulheres grávidas pela primeira vez têm maior risco naturalmente;
    • Mudança de parceiro, devido à adaptação imunológica do organismo ao novo material genético do bebê;
    • Gravidez de gêmeos ou múltiplos, porque há uma maior sobrecarga da placenta e da circulação materna;
    • Hipertensão antes da gravidez;
    • Diabetes, incluindo diabetes tipo 1, tipo 2 ou diabetes gestacional;
    • Obesidade ou IMC elevado antes da gestação;
    • Doenças autoimunes, como lúpus;
    • Trombofilias, como a Síndrome Antifosfolípide (SAF);
    • Doença renal prévia;
    • Histórico familiar de pré-eclâmpsia, principalmente em mãe ou irmã;
    • Gravidez antes dos 18 anos ou após os 35 a 40 anos.

    Segundo a ginecologista, a presença de alguns desses fatores já pode classificar a gestante como de maior risco para o desenvolvimento da pré-eclâmpsia, exigindo um acompanhamento mais próximo durante o pré-natal.

    Como identificar o risco logo no início da gravidez?

    Logo na primeira consulta de pré-natal, o obstetra avalia características que aumentam as chances de pré-eclâmpsia, como primeira gestação, idade acima de 35 anos e obesidade. Mesmo sem alterações nos exames, as pacientes já precisam de acompanhamento mais cuidadoso.

    A partir do rastreamento inicial, algumas avaliações são necessárias, como:

    • Doppler das artérias uterinas: realizado geralmente entre a 11ª e a 14ª semana, o exame avalia o fluxo sanguíneo nas artérias do útero. Alterações podem indicar dificuldades na formação da placenta e maior risco de pré-eclâmpsia;
    • Marcadores bioquímicos: alguns exames de sangue podem avaliar proteínas produzidas pela placenta, como o PlGF. A presença de alterações nos níveis podem sugerir maior risco para a doença;
    • Monitoramento da pressão arterial: a aferição da pressão em todas as consultas é importante para identificar aumentos precoces e iniciar a investigação rapidamente;
    • Cálculo de risco combinado: em alguns serviços, os médicos utilizam algoritmos que cruzam informações clínicas, como idade, peso e histórico da gestante, com exames como o Doppler das artérias uterinas e marcadores bioquímicos do sangue materno.

    Vale destacar que nenhum exame isolado consegue prever com certeza se a gestante terá pré-eclâmpsia. O objetivo do rastreamento é identificar pacientes com maior risco para permitir um acompanhamento mais próximo e iniciar medidas preventivas precocemente.

    Sinais de alerta para a pré-eclâmpsia

    A pré-eclâmpsia pode se desenvolver de forma silenciosa no início, mas alguns sinais merecem atenção, principalmente após a 20ª semana de gestação. Segundo Andréia, devem acender o alerta de níveis de pressão arterial acima de 14 por 9, mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    Já valores iguais ou superiores a 16 por 11 são considerados uma emergência hipertensiva e precisam de avaliação médica imediata, devido ao alto risco de complicações graves para a mãe e o bebê.

    Além da pressão elevada, alguns sintomas podem indicar iminência de eclâmpsia, um quadro mais grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pelo surgimento de convulsões. Os mais comuns incluem:

    • Dor de cabeça forte e persistente, que não melhora facilmente;
    • Alterações visuais, como visão embaçada, pontos brilhantes, “luzinhas” na visão (fosfenas) ou áreas escuras no campo visual (escotomas);
    • Dor abdominal, principalmente na parte superior direita do abdômen, região próxima ao fígado;
    • Náuseas e vômitos intensos após a metade da gestação;
    • Falta de ar ou sensação de dificuldade para respirar;
    • Inchaço importante e repentino, especialmente no rosto e nas mãos;
    • Redução da quantidade de urina.

    Quando a interrupção da gravidez é necessária?

    A decisão de interromper a gravidez depende da gravidade da pré-eclâmpsia e das condições da mãe e do bebê. Andreia explica que assim que a pré-eclâmpsia é diagnosticada, a equipe médica inicia o controle da pressão arterial e passa a monitorar de perto a vitalidade fetal.

    • Se a mãe e o bebê estiverem estáveis, a gestação pode seguir com acompanhamento até próximo das 40 semanas;
    • Quando existem critérios de gravidade, a recomendação costuma ser a interrupção por volta de 37 semanas;
    • Já em situações mais graves, como iminência de eclâmpsia, alterações laboratoriais importantes ou sofrimento fetal, a interrupção da gestação pode ser necessária mesmo antes do tempo previsto, para proteger a vida da mãe e do bebê.

    É possível prevenir a pré-eclâmpsia?

    Nem sempre é possível prevenir completamente a pré-eclâmpsia, mas identificar o risco logo no começo da gravidez ajuda bastante a reduzir as chances de complicações graves. Quanto mais cedo a gestante inicia o pré-natal, maiores são as possibilidades de acompanhamento e intervenção precoce. Veja algumas medidas:

    • Em pacientes consideradas de alto risco, o obstetra pode indicar o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose;
    • Suplementação de cálcio, especialmente em mulheres que possuem uma dieta pobre no nutriente;
    • Controle de fatores que aumentam o risco da doença, como hipertensão, diabetes e obesidade;
    • Adoção de hábitos mais saudáveis de vida, como uma alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas leves.

    Segundo Andreia, o AAS costuma ser suspenso por volta das 36 semanas de gestação, perto do parto, porque o medicamento interfere na função das plaquetas. A medida ajuda a diminuir o risco de sangramentos excessivos durante o nascimento do bebê.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O que é a síndrome HELLP?

    É uma variante muito grave da pré-eclâmpsia que causa a destruição das células vermelhas do sangue, aumento de enzimas do fígado e queda das plaquetas. Exige interrupção rápida da gravidez.

    2. A pré-eclâmpsia pode afetar o bebê?

    Sim. Como a placenta não funciona bem, o bebê pode receber menos oxigênio e nutrientes, levando à restrição de crescimento e, em casos graves, à necessidade de parto prematuro.

    3. Posso ter parto normal com pré-eclâmpsia?

    Sim, desde que a mãe e o bebê estejam estáveis. Se houver sinais de gravidade ou sofrimento fetal, a cesariana pode ser indicada como via mais rápida.

    4. O que é o exame de proteinúria?

    É um exame de urina (geralmente de 24 horas ou amostra isolada) que mede a perda de proteínas. Na pré-eclâmpsia, os rins “vazam” proteínas, o que ajuda a confirmar o diagnóstico.

    5. A pré-eclâmpsia pode causar descolamento de placenta?

    Infelizmente, sim. A pressão muito alta e as alterações nos vasos sanguíneos aumentam significativamente o risco de descolamento prematuro da placenta, o que é uma emergência para a mãe e para o bebê.

    6. A alimentação pode influenciar no tratamento?

    Sim. Uma dieta com controle de sal (sódio) e rica em nutrientes ajuda a não sobrecarregar o sistema circulatório. No entanto, a dieta sozinha não substitui o uso de medicações preventivas quando indicadas.

    7. Quanto tempo depois do parto a pressão volta ao normal?

    Na maioria das vezes, a pressão normaliza em até 12 semanas após o parto. Se a pressão continuar alta após esse período, a mulher pode ser diagnosticada com hipertensão crônica.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários