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  • Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    O diabetes gestacional é o aumento do nível de açúcar (glicose) no sangue diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez. O quadro acontece porque os hormônios produzidos durante a gestação podem diminuir a ação da insulina, hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia.

    No Brasil e em outros países, o diabetes gestacional é comum e pode afetar cerca de 14% a 18% das gestações. A frequência pode variar de acordo com os critérios usados para o diagnóstico e com as características de cada população.

    Como a alteração nem sempre provoca sintomas, a triagem para o diabetes gestacional faz parte do acompanhamento pré-natal e ajuda a identificar o problema mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    O que é a triagem para diabetes gestacional?

    A triagem para o diabetes gestacional consiste em exames de sangue feitos durante o pré-natal para verificar se a quantidade de açúcar, chamada glicose, no sangue da gestante está acima do recomendado.

    Durante a gravidez, o organismo passa por várias mudanças hormonais para ajudar no desenvolvimento do bebê. Segundo Andreia, a placenta produz hormônios que aumentam naturalmente a resistência do organismo materno à insulina, principalmente o hormônio lactogênio placentário, fazendo com que a glicose tenha mais dificuldade para entrar nas células e fique em maior quantidade no sangue.

    Para compensar a mudança, o pâncreas aumenta a produção de insulina, mas, em algumas gestantes, a quantidade produzida não é suficiente para manter a glicose dentro dos níveis adequados. Quando isso acontece, o açúcar começa a se acumular no sangue e pode levar ao desenvolvimento do quadro.

    Por que a triagem precisa ser feita?

    A triagem para diabetes gestacional precisa ser feita porque, na maioria das vezes, a alteração da glicose não causa sintomas. A gestante pode estar se sentindo bem e, ainda assim, apresentar os níveis de açúcar no sangue acima do recomendado.

    Quando a glicose da mãe fica muito alta, parte do açúcar atravessa a placenta e chega ao bebê. Para lidar com a quantidade maior, o organismo dele produz mais insulina, o que pode favorecer o ganho excessivo de peso.

    Quando o bebê cresce mais do que o esperado, pode ocorrer a macrossomia fetal, uma condição que aumenta o risco de dificuldades durante o parto vaginal.

    A falta de controle da glicose também pode aumentar o risco de algumas complicações, como:

    • Pressão alta durante a gravidez: o diabetes gestacional aumenta o risco de pressão alta e pré-eclâmpsia, uma complicação que pode afetar órgãos, como os rins e o fígado, e precisa de acompanhamento durante o pré-natal;
    • Parto prematuro: o bebê pode nascer antes das 37 semanas de forma espontânea ou o parto pode precisar ser antecipado pelo médico diante de complicações, como a pré-eclâmpsia ou alterações na saúde da mãe ou do bebê;
    • Hipoglicemia no recém-nascido: quando há muita glicose no sangue da mãe, o bebê produz mais insulina para controlar o açúcar que recebe pela placenta. Após o nascimento, a oferta de glicose diminui rapidamente, mas a insulina pode continuar alta, fazendo o açúcar no sangue do bebê cair;
    • Problemas para o bebê: o excesso de glicose pode fazer o bebê crescer e ganhar peso acima do esperado, aumentando o risco de dificuldades durante o parto. Também pode favorecer problemas respiratórios e outras complicações após o nascimento.

    Quais exames são feitos na triagem?

    A investigação do diabetes gestacional é feita principalmente por exames de sangue que já fazem parte da rotina do pré-natal, como:

    • Glicemia de jejum: costuma ser um dos primeiros exames solicitados. A coleta é realizada após um período de jejum, geralmente de 8 a 12 horas, e mede a quantidade de glicose presente no sangue naquele momento;
    • Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) ou curva glicêmica: permite observar como o organismo reage após receber uma quantidade concentrada de glicose. Primeiro, é feita uma coleta de sangue em jejum. Depois, a gestante bebe uma solução contendo 75 gramas de glicose. Novas amostras de sangue são coletadas após 1 hora e 2 horas.

    Durante o TOTG, a orientação é permanecer em repouso no laboratório e evitar fazer esforço físico, caminhar pelo local ou sair durante o período das coletas, já que a atividade física pode interferir na forma como o organismo utiliza a glicose e, consequentemente, no resultado do exame.

    Como a bebida é bastante doce, algumas mulheres podem sentir enjoo ou náusea. Caso a gestante vomite durante o procedimento, Andreia explica que o resultado pode perder a validade e o exame poderá precisar ser realizado novamente em outra data.

    Quando é feita a triagem?

    A investigação do diabetes gestacional acontece em diferentes momentos da gravidez, já que as alterações da glicose podem aparecer conforme a gestação avança.

    A primeira avaliação costuma acontecer ainda no primeiro trimestre, junto com os exames iniciais do pré-natal. Um dos exames solicitados é a glicemia de jejum, que ajuda a identificar mulheres que já começaram a gravidez com alterações da glicose ou que desenvolveram o problema logo no início da gestação.

    Já entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, costuma ser realizado o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG).

    Segundo Andreia, o período merece atenção porque a produção do hormônio lactogênio placentário está elevada e a resistência à insulina aumenta. Por isso, alterações que não apareceram nos primeiros meses podem se manifestar durante a segunda metade da gravidez.

    Valores de referência do exame

    Na gravidez, os limites de glicose usados para diagnosticar o diabetes gestacional são diferentes dos adotados fora da gestação. Conforme explica Andreia, não há uma faixa de pré-diabetes durante a gravidez. Quando os valores atingem os critérios definidos para o diabetes gestacional, a condição já pode ser diagnosticada.

    Os valores de referência utilizados são:

    Glicemia de jejum

    • Abaixo de 92 mg/dL: resultado dentro do esperado.
    • Igual ou superior a 92 mg/dL: valor compatível com diabetes gestacional.

    Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75 g)

    • Em jejum: até 91 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 92 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 1 hora: até 179 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 180 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 2 horas: até 152 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 153 mg/dL são considerados alterados.

    Andreia destaca que apenas um dos três valores alterados no TOTG já pode ser suficiente para o diagnóstico de diabetes gestacional.

    O que fazer se o resultado der alterado?

    Quando o diabetes gestacional é diagnosticado, a gestante recebe orientações para manter os níveis de glicose dentro das metas recomendadas até o nascimento do bebê, como:

    • Alimentação: pode ser orientada pelo nutricionista ou pela equipe responsável pelo pré-natal, priorizando refeições equilibradas e fontes de carboidratos que favoreçam um aumento mais gradual da glicose no sangue;
    • Escolha dos alimentos: grãos integrais, vegetais e legumes podem fazer parte da alimentação, de acordo com as necessidades de cada gestante;
    • Atividade física: caminhadas e hidroginástica são algumas possibilidades, desde que não exista contraindicação e que a prática seja liberada pelo médico responsável pelo pré-natal;
    • Monitoramento da glicemia capilar: pode ser necessário acompanhar a glicose em casa com o teste de ponta de dedo, normalmente algumas vezes ao dia, como em jejum e após as principais refeições, conforme orientação médica.

    Segundo Andreia, quando as mudanças na alimentação e na rotina de exercícios não são suficientes e mais de 25% a 30% das medições semanais continuam acima das metas estabelecidas, pode ser necessário iniciar um tratamento com medicamentos, como a insulina ou determinados antidiabéticos considerados adequados durante a gravidez.

    A escolha do tratamento deve ser individualizada e feita pelo médico responsável pelo acompanhamento da gestante.

    Quando ir ao médico?

    As consultas de pré-natal devem continuar regularmente durante toda a gravidez, mas algumas situações merecem uma avaliação médica mais rápida, principalmente quando a gestante já recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional:

    • Valores frequentemente alterados no monitoramento: se você estiver fazendo o teste de ponta de dedo em casa e perceber que a glicose ultrapassa com frequência os limites indicados pela equipe médica, como valores acima de 95 mg/dL em jejum ou 140 mg/dL uma hora após a refeição;
    • Sintomas de hipoglicemia: se você estiver usando insulina ou outro medicamento e apresentar tontura, tremores, suor frio, palpitações ou visão embaçada;
    • Sinais de glicose muito elevada: sede intensa, boca seca, cansaço fora do habitual ou aumento importante da vontade de urinar;
    • Mudanças na movimentação do bebê: caso você perceba uma redução importante nos chutes ou nos movimentos do bebê, procure orientação médica.

    A realização dos exames, o acompanhamento dos níveis de glicose quando houver indicação e as consultas regulares com a equipe de saúde ajudam a manter os cuidados com a saúde da mãe e do bebê durante toda a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quem não tem sintomas precisa fazer a triagem?

    Sim. O diabetes gestacional é uma condição silenciosa na imensa maioria das mulheres, sendo detectado quase exclusivamente por exames de rotina.

    2. Água pode ser consumida durante o jejum ou ao longo do exame TOTG?

    Pequenos goles de água pura são permitidos durante o jejum e no intervalo das coletas do teste, sem exageros.

    3. Mulheres sem histórico de diabetes na família podem ter a doença?

    Sim. Embora o histórico familiar seja um fator de risco, qualquer gestante pode desenvolver a condição devido às alterações hormonais da gravidez.

    4. Quem já tinha diabetes antes de engravidar precisa fazer a triagem?

    Não. Pacientes com diagnóstico prévio de diabetes tipo 1 ou tipo 2 não fazem a triagem, mas sim o acompanhamento especializado desde o início da gestação.

    5. O diabetes gestacional exige obrigatoriamente a realização de parto cesárea?

    Não. Se a glicemia estiver bem controlada e o bebê estiver com crescimento normal, o parto vaginal é perfeitamente seguro e indicado.

    6. A atividade física é segura para todas as gestantes com diabetes gestacional?

    Apenas para aquelas sem contraindicações obstétricas (como risco de parto prematuro ou sangramentos). A liberação do médico é indispensável.

    7. O diabetes gestacional desaparece imediatamente após o parto?

    Na maioria das vezes a glicemia normaliza após a saída da placenta, mas a confirmação só é feita por novo exame cerca de 6 semanas pós-parto.

    8. Ter tido diabetes gestacional aumenta o risco de ter na próxima gravidez?

    Sim, mulheres que desenvolveram a condição em uma gestação anterior têm uma probabilidade significativamente maior de apresentá-la novamente.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    O ecocardiograma fetal é um exame de imagem feito durante a gestação para avaliar o coração do bebê com mais detalhes. Ele funciona de forma parecida com um ultrassom e permite observar a estrutura e o funcionamento do coração ainda dentro do útero.

    Durante o exame, o especialista consegue analisar as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos e o fluxo de sangue, além de procurar alterações na formação e no funcionamento do coração. Mas afinal, quando ele é necessário?

    Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza para entender para que serve o ecocardiograma fetal, quando o exame é indicado e o que os resultados podem revelar sobre a saúde do coração do bebê.

    Quando o ecocardiograma fetal é indicado?

    O ecocardiograma fetal costuma ser solicitado quando existem fatores de risco para alterações no coração do bebê, como:

    • Diabetes gestacional: a condição pode provocar alterações no coração do bebê, como o espessamento do septo interventricular, estrutura que separa os dois ventrículos. O ecocardiograma ajuda a avaliar se o diabetes está interferindo no funcionamento cardíaco;
    • Histórico familiar de cardiopatias congênitas: quando existem casos de problemas cardíacos congênitos na família, o exame pode ser indicado para avaliar com mais detalhes a formação do coração do bebê;
    • Alterações no ultrassom morfológico: achados como alterações na estrutura do coração, aumento da translucência nucal ou suspeita de arritmias podem levar à indicação do ecocardiograma fetal;
    • Infecções maternas ou uso de determinados medicamentos: algumas infecções e medicamentos usados durante a gravidez podem aumentar o risco de alterações no bebê. O exame ajuda a avaliar a formação e o funcionamento do coração.

    No entanto, de acordo com Andreia, o ideal é que o exame seja realizado por todas as gestantes, mesmo quando não há nenhuma condição ou suspeita durante o pré-natal.

    Qual é a diferença para o ultrassom obstétrico?

    Os dois exames possuem objetivos diferentes. O ultrassom obstétrico acompanha o crescimento e o desenvolvimento do bebê de forma geral. Durante o procedimento, o médico observa os diferentes órgãos, inclusive o coração, além de outras características da gestação.

    Já o ecocardiograma fetal é voltado especificamente para o coração do bebê, e permite analisar com mais detalhes as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos, o funcionamento do coração e a espessura das paredes.

    O exame também pode identificar alterações na comunicação entre as estruturas cardíacas, sendo realizado por um profissional especializado em ecocardiografia fetal.

    Com quantas semanas de gravidez deve ser feito?

    Segundo Andreia, o ecocardiograma fetal pode ser realizado por volta das 26 semanas de gestação, quando o coração do bebê já está mais desenvolvido e pode ser avaliado com detalhes.

    Dependendo dos achados do exame ou dos fatores de risco presentes, como no caso do diabetes gestacional, o médico pode recomendar a repetição do ecocardiograma por volta de 34 semanas para continuar acompanhando a função cardíaca do bebê.

    Como é feito o ecocardiograma fetal?

    O ecocardiograma fetal é feito de forma parecida com um ultrassom obstétrico. A gestante fica deitada enquanto o profissional aplica um gel sobre a barriga e desliza um aparelho chamado transdutor sobre a pele.

    O aparelho utiliza ondas de ultrassom para formar imagens detalhadas do coração do bebê. Durante o exame, o especialista observa as câmaras cardíacas, as válvulas, os batimentos e o fluxo do sangue, além de avaliar se o coração está se formando e funcionando adequadamente.

    O exame precisa de algum preparo ou oferece riscos?

    O ecocardiograma fetal é um exame não invasivo e feito de maneira semelhante a um ultrassom, então não é necessário fazer jejum ou outro preparo específico antes do procedimento.

    O exame também não usa radiação, não costuma causar dor e pode ter duração variável, dependendo da posição do bebê e da facilidade para visualizar as estruturas do coração.

    O que fazer se o resultado mostrar alguma alteração?

    Se o ecocardiograma fetal identificar uma alteração, os próximos passos dependem do tipo e da gravidade do quadro. Em muitos casos, Andreia explica que é necessário apenas acompanhar o coração do bebê durante a gestação e repetir o exame quando o médico indicar.

    Quando a condição precisa de cuidados específicos, descobrir a alteração ainda na gravidez ajuda a planejar o acompanhamento após o nascimento. A equipe médica pode definir, por exemplo, o melhor local para o parto e se o bebê precisará ser acompanhado por um cardiologista pediátrico.

    Nos casos mais graves, o bebê pode precisar de tratamento após o nascimento. Em situações mais raras, também podem ser realizados procedimentos ainda durante a gestação. A decisão depende da alteração encontrada e da avaliação da equipe médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. O ecocardiograma fetal substitui o ultrassom morfológico?

    Não. O morfológico avalia o desenvolvimento geral do bebê (ossos, órgãos e líquido amniótico), enquanto o ecocardiograma foca exclusivamente na estrutura e no funcionamento detalhado do coração.

    2. É necessário ter pedido médico para fazer o exame?

    Sim. Como qualquer exame complementar de pré-natal, ele deve ser solicitado pelo obstetra que acompanha a gestação.

    3. O exame dói ou causa desconforto para a mãe ou para o bebê?

    Não. O procedimento é inteiramente indolor, externo e rápido, funcionando exatamente como um ultrassom abdominal comum.

    4. A posição do bebê pode atrapalhar a realização do exame?

    Sim. Se o bebê estiver em uma posição desfavorável ou se movimentando muito, o médico pode pedir para a gestante caminhar um pouco antes de finalizar a avaliação.

    5. Grávidas de gêmeos precisam fazer o ecocardiograma fetal?

    Sim. A gestação gemelar, principalmente quando os bebês compartilham a mesma placenta, é uma indicação clássica para monitorar o fluxo sanguíneo e a saúde cardíaca de ambos.

    6. A ingestão de café ou doces antes do exame ajuda a movimentar o bebê?

    Não é recomendado consumir estimulantes sem orientação, pois o excesso de movimentação pode, na verdade, dificultar a captação das imagens do coração.

    7. O acompanhante pode entrar na sala durante o procedimento?

    Sim. A gestante pode estar acompanhada normalmente, assim como ocorre nos demais exames de ultrassom do pré-natal.

    8. Se for detectada uma alteração, o parto precisa ser cesárea?

    Não obrigatoriamente. A via de parto depende do tipo de cardiopatia e da estabilidade do bebê, devendo ser decidida em conjunto entre o obstetra e o cardiologista fetal.

    9. É possível tratar alguma alteração cardíaca ainda dentro da barriga?

    Sim. Algumas arritmias fetais podem ser tratadas com medicações administradas à mãe, que chegam ao bebê através da placenta.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Ao longo da gestação, você já deve ter ouvido alguma dica de um familiar, de uma amiga ou até de um desconhecido. Dizem que o formato da barriga revela o sexo do bebê, que grávida deve comer por dois ou até que a relação sexual pode machucar o bebê.

    Apesar de várias das orientações fazerem parte da cultura popular há gerações, nem todas têm comprovação científica e algumas podem até gerar preocupações desnecessárias.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto e explicou o que realmente é mito e o que é verdade durante a gestação. Confira!

    Afinal, o que é mito ou verdade sobre a gravidez?

    1. Ficar de pernas para cima depois do sexo melhora as chances?

    É um mito! Manter as pernas levantadas ou elevar o quadril depois da relação sexual não aumenta as chances de engravidar. A ideia de que a gravidade ajudaria os espermatozoides a chegar até o útero não corresponde ao funcionamento do sistema reprodutor feminino, de acordo com Andreia.

    Após a ejaculação, os espermatozoides começam a se deslocar pelo trato reprodutivo feminino e os mais móveis podem alcançar o colo do útero rapidamente. O muco cervical presente durante o período fértil também facilita a passagem dos espermatozoides.

    Por isso, levantar as pernas, colocar um travesseiro embaixo do quadril ou permanecer deitada por muito tempo não é necessário. Também é normal perceber a saída de parte do sêmen pela vagina depois da relação, e isso não significa que todos os espermatozoides foram eliminados.

    Para quem está tentando engravidar, a frequência das relações sexuais durante o período fértil é muito mais importante do que a posição adotada depois do sexo.

    2. Comer inhame aumenta a fertilidade ou induz a ovulação?

    Mito. O inhame é frequentemente associado ao aumento da fertilidade devido à presença da diosgenina, uma substância vegetal que pode ser utilizada pela indústria farmacêutica como matéria-prima em processos laboratoriais para a produção de hormônios esteroides.

    No entanto, o organismo humano não transforma a diosgenina presente no inhame em progesterona ou outros hormônios reprodutivos simplesmente após o consumo do alimento. Logo, não existem evidências de que comer inhame provoque a ovulação ou aumente diretamente as chances de gravidez.

    O inhame pode fazer parte de uma alimentação saudável por oferecer carboidratos, fibras, vitaminas e minerais. A alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e reprodutiva, mas nenhum alimento isolado é capaz de induzir a ovulação ou tratar problemas de fertilidade.

    3. A alimentação do homem interfere na qualidade do esperma?

    Verdade. A saúde do homem também influencia as chances de uma gravidez, já que a alimentação e outros hábitos podem afetar a qualidade dos espermatozoides, segundo Andreia.

    Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e boas fontes de proteínas, pode contribuir para a saúde reprodutiva masculina. Por outro lado, o cigarro, o excesso de álcool, a obesidade, o uso de drogas e de anabolizantes podem prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    Além dos hábitos de vida, os fatores genéticos, hormonais e anatômicos, algumas doenças e determinados medicamentos também podem interferir na fertilidade. Por isso, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar, a ginecologista aponta que tanto a mulher quanto o homem devem ser avaliados.

    4. Ter relação no dia exato da ovulação garante um menino?

    Mito. Não existe um método natural comprovado capaz de determinar o sexo do bebê a partir do dia em que a relação sexual acontece.

    A crença surgiu a partir da teoria de que os espermatozoides que carregam o cromossomo Y seriam mais rápidos e menos resistentes, enquanto os que carregam o cromossomo X seriam mais lentos e sobreviveriam por mais tempo. As evidências científicas não confirmam que a diferença possa ser utilizada para escolher o sexo do bebê.

    5. A barriga pontuda indica menino e a barriga redonda indica menina?

    Mito. O formato da barriga da gestante não permite descobrir o sexo do bebê.

    A aparência da barriga pode variar de acordo com a estrutura corporal da mulher, a musculatura abdominal, o número de gestações anteriores, a posição do bebê, o tamanho do útero e outros fatores relacionados à gravidez.

    Segundo Andreia, o sexo fetal pode ser identificado por exames, como a sexagem fetal por meio do sangue materno, realizada a partir de determinado período da gestação, e a ultrassonografia, quando a posição e o desenvolvimento do bebê permitem a visualização da genitália.

    6. O coração do bebê começa a bater nas primeiras semanas?

    Verdade. O desenvolvimento do coração acontece logo no início da gestação. Nas primeiras semanas, já é possível identificar a atividade cardíaca do embrião por meio de exames específicos, de acordo com a idade gestacional.

    7. Muita azia na gravidez significa que o bebê vai nascer cabeludo?

    Não é possível afirmar isso. A azia é muito comum durante a gravidez e acontece principalmente devido às alterações hormonais e físicas do período.

    A progesterona contribui para o relaxamento do esfíncter localizado entre o esôfago e o estômago, facilitando o retorno do conteúdo gástrico e o aparecimento da queimação. Conforme o bebê cresce, o aumento do útero também pode pressionar o estômago, favorecendo ainda mais o refluxo.

    Curiosamente, um pequeno estudo realizado nos Estados Unidos e publicado em 2006 encontrou uma associação entre a intensidade da azia durante a gravidez e a quantidade de cabelo do bebê ao nascer. No entanto, ainda faltam estudos maiores e evidências científicas mais robustas para confirmar a relação.

    8. A grávida precisa comer por dois?

    É um mito! A gestante não precisa dobrar a quantidade de comida porque está esperando um bebê. O organismo passa a apresentar necessidades nutricionais específicas durante a gravidez, mas isso não significa comer duas vezes mais.

    As necessidades de energia mudam ao longo da gestação e dependem de fatores como o peso antes da gravidez, o estado nutricional, o nível de atividade física e o trimestre gestacional. O ganho de peso acima do recomendado pode aumentar o risco de problemas como o diabetes gestacional, a hipertensão e outras complicações maternas e fetais.

    9. A relação sexual na gravidez pode machucar o bebê ou provocar parto prematuro?

    Na maioria das vezes, não. Em uma gestação sem complicações e sem contraindicação médica, manter relações sexuais costuma ser seguro e não machuca o bebê.

    O bebê permanece protegido dentro do útero pelo líquido amniótico, pelas membranas e pela musculatura uterina, enquanto o colo do útero separa a vagina da cavidade onde o bebê está se desenvolvendo. O pênis não entra em contato com o bebê durante a penetração.

    Também não há evidências de que a atividade sexual aumente o risco de parto prematuro em uma gestação saudável.

    Por outro lado, o obstetra pode recomendar a suspensão temporária das relações sexuais em algumas situações, como determinados casos de placenta prévia, sangramento vaginal sem causa conhecida, ruptura das membranas ou risco aumentado de parto prematuro.

    10. A mudança da fase da lua aumenta as chances de entrar em trabalho de parto?

    Mito! A associação entre as fases da lua e o nascimento dos bebês é uma crença popular antiga, principalmente em relação à lua cheia.

    A ideia costuma partir da comparação com a influência gravitacional da Lua sobre as marés. No entanto, não há evidências consistentes de que a mudança da fase lunar provoque o rompimento da bolsa ou desencadeie o trabalho de parto.

    O início do trabalho de parto envolve uma combinação complexa de alterações hormonais, inflamatórias e mecânicas no organismo da mãe e do bebê.

    11. Os desejos não atendidos deixam marcas ou manchas no bebê?

    Mito. A vontade de comer determinado alimento durante a gravidez não tem relação com o surgimento de manchas ou marcas de nascença no bebê.

    As marcas de nascença podem ter diferentes origens, incluindo alterações nos vasos sanguíneos ou na pigmentação da pele durante o desenvolvimento fetal. O fato de a gestante ter vontade de comer morango, chocolate ou qualquer outro alimento e não satisfazer o desejo não modifica a pele do bebê.

    Os desejos alimentares durante a gravidez, por outro lado, são reais e podem estar relacionados a diferentes fatores, incluindo mudanças hormonais, alterações no paladar e no olfato e aspectos culturais e emocionais.

    Uma atenção maior é necessária quando a gestante sente vontade persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, barro, giz ou papel. O comportamento é conhecido como pica e pode estar associado, entre outros fatores, a deficiências nutricionais, incluindo a deficiência de ferro.

    Na presença do comportamento, a gestante deve conversar com o obstetra para que seja feita uma avaliação adequada.

    12. O chá de canela na gravidez é abortivo?

    Não existem evidências científicas robustas de que o chá de canela provoque aborto em humanos quando a canela é consumida nas quantidades normalmente utilizadas na alimentação.

    No entanto, os médicos e obstetras costumam recomendar cautela com o consumo do chá durante a gravidez, principalmente em preparações concentradas, já que não há dados suficientes sobre a segurança do uso em grandes quantidades e os possíveis efeitos sobre a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Tomar café na gravidez faz mal ao bebê?

    Em excesso, sim. A cafeína ultrapassa a placenta e o feto não tem enzimas para metabolizá-la. Altas doses estão associadas a baixo peso ao nascer e risco de aborto. O limite seguro recomendado pela OMS é de até 200 mg de cafeína por dia (cerca de 2 xícaras de café coado).

    2. A grávida pode dormir de barriga para cima?

    Não é recomendado no 3º trimestre. A partir da 28ª semana, o peso do útero sobre a veia cava inferior pode reduzir a circulação sanguínea para a mãe e para o bebê. O ideal é dormir virada para o lado esquerdo, posição que otimiza o fluxo de sangue e nutrientes para a placenta.

    3. Azia na gravidez pode ser tratada com bicarbonato de sódio?

    Jamais. O bicarbonato é rico em sódio, o que favorece o aumento da pressão arterial e o inchaço. Para aliviar a azia, prefira fracionar as refeições, evitar deitar logo após comer e utilizar apenas antiácidos prescritos pelo obstetra.

    4. Comer pimenta ou comidas apimentadas faz mal para o bebê?

    Não faz mal ao feto, mas pode incomodar a mãe. Os temperos picantes não afetam o desenvolvimento do bebê, mas podem piorar quadros de azia, refluxo e hemorroidas, que já são bastante comuns na gestação.

    5. Pintar as unhas ou usar acetona prejudica a gestação?

    Não. O uso ocasional de esmaltes e removedores de unha é seguro. A única recomendação é aplicar o produto em locais bem ventilados para evitar a inalação prolongada do cheiro forte de solventes, que pode causar enjoos.

    6. Grávida pode tomar vacina contra a gripe e febre amarela?

    A vacina da gripe é obrigatória, e a de febre amarela depende da região. A vacina da gripe (vírus inativado) é segura e indicada em qualquer trimestre. Já as vacinas de vírus vivo atenuado (como a da febre amarela) só são aplicadas sob alto risco de exposição epidemiológica.

    7. É verdade que o leite materno pode ser “fraco” nos primeiros dias?

    Mito. O primeiro leite produzido é o colostro, uma substância amarelada e transparente, rica em anticorpos e nutrientes altamente concentrados. Embora venha em pequenas gotas, é a quantidade exata necessária para o tamanho do estômago do recém-nascido.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Pílula do dia seguinte: o que é, como funciona e por que ela não deve ser rotina

    Você já ficou preocupada depois de uma relação sexual desprotegida ou de perceber que o método anticoncepcional falhou? A pílula do dia seguinte costuma ser uma das primeiras alternativas para reduzir o risco de gravidez, sendo um método de contracepção desenvolvido para situações específicas.

    Ele funciona principalmente atrasando ou impedindo a ovulação, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Para que tenha a maior eficácia possível, o medicamento deve ser tomado o quanto antes após a relação sexual desprotegida, já que o efeito diminui com o passar das horas.

    Ainda assim, a pílula do dia seguinte não deve ser usada como um método anticoncepcional de rotina, porque oferece uma proteção menor do que outros métodos, como a pílula anticoncepcional, o DIU e o implante contraceptivo.

    O que é a pílula do dia seguinte?

    A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência indicado para evitar uma gestação indesejada após uma relação sexual desprotegida, falha do método habitualmente utilizado, como o rompimento da camisinha ou o esquecimento do anticoncepcional oral.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrei Sapienza, a pílula consiste em uma alta dose concentrada de progesterona sintetizada, como o levonorgestrel, administrada em uma única dose. A principal ação da pílula é impedir ou atrasar a ovulação, evitando que o óvulo seja liberado pelo ovário e possa ser fecundado pelo espermatozoide.

    A eficácia depende do momento do ciclo menstrual em que a mulher toma o medicamento. Quando a ovulação já ocorreu, a pílula com levonorgestrel pode não conseguir evitar a gravidez.

    Como a pílula funciona?

    Para impedir a gravidez, a pílula do dia seguinte com levonorgestrel atua principalmente antes da ovulação:

    • Inibição ou atraso da ovulação: se a mulher ainda não ovulou no momento da relação sexual, a pílula impede ou adia a liberação do óvulo pelo ovário, fazendo com que não haja célula reprodutiva feminina disponível para o encontro com os espermatozoides;
    • Alteração do muco cervical: a pílula espessa o muco produzido no colo do útero, criando uma barreira física espessa que dificulta a mobilidade e a ascensão dos espermatozoides em direção à cavidade uterina;
    • Redução da mobilidade das tubas uterinas: o medicamento reduz o batimento ciliar no interior das tubas de Falópio, mecanismo responsável por transportar o óvulo até a cavidade uterina, desacelerando o processo e prejudicando o encontro das células reprodutivas;
    • Modificação do endométrio: ocorre uma alteração na parede interna do útero (endométrio), tornando o ambiente desfavorável para os processos iniciais da concepção.

    Andreia destaca que a pílula não interrompe uma gravidez já estabelecida e não impede o desenvolvimento de um embrião que já tenha sido implantado no útero. Logo, não é considerada um medicamento abortivo.

    Quando e como tomar corretamente?

    A pílula com levonorgestrel deve ser tomada o mais rápido possível após a relação sexual desprotegida. Quanto menor o intervalo entre a relação e o uso do medicamento, maior tende a ser a possibilidade de evitar a gravidez.

    O uso costuma ser recomendado preferencialmente nas primeiras 72 horas após a relação. O levonorgestrel ainda pode apresentar algum efeito quando utilizado mais tarde, mas a eficácia diminui com o passar do tempo.

    O comprimido pode ser ingerido com água e não precisa obrigatoriamente ser tomado junto com alimentos. Para quem costuma sentir náuseas, comer algo antes pode ajudar a diminuir o desconforto.

    Se ocorrer vômito poucas horas após a ingestão, pode ser necessário repetir a dose, pois o medicamento pode não ter sido completamente absorvido. Na situação, vale consultar a bula e buscar a orientação de um médico ou farmacêutico.

    Por que a pílula do dia seguinte não deve ser usada como método de rotina?

    A pílula do dia seguinte é uma opção segura para situações de emergência, mas não deve substituir os métodos contraceptivos usados regularmente, como o preservativo, o anticoncepcional oral, o DIU e o implante.

    1. A eficácia é menor do que a de outros métodos

    A pílula do dia seguinte apresenta maior eficácia quando é tomada o mais rápido possível após uma relação sexual desprotegida. Quanto mais tempo a mulher demora para usar o medicamento, menor tende a ser a proteção contra a gravidez.

    Um estudo publicado na revista científica The Lancet, com 1.955 mulheres, mostrou que a eficácia da contracepção de emergência varia de acordo com o intervalo entre a relação sexual e a tomada do medicamento:

    • até 12 horas: cerca de 99,5% de eficácia;
    • entre 13 e 24 horas: cerca de 95%;
    • entre 25 e 48 horas: cerca de 85%;
    • entre 49 e 72 horas: cerca de 58%.

    A eficácia também depende do momento do ciclo menstrual. A pílula com levonorgestrel atua principalmente atrasando ou impedindo a ovulação. Se a mulher estiver muito próxima de ovular ou se a ovulação já tiver ocorrido, a capacidade do medicamento de evitar a gravidez pode ser menor.

    2. Pode alterar o ciclo menstrual

    A pílula do dia seguinte contém uma dose de levonorgestrel capaz de interferir temporariamente no ciclo menstrual, de modo que a menstruação seguinte pode chegar alguns dias antes ou depois do esperado.

    Também podem ocorrer pequenos sangramentos fora do período menstrual. As alterações costumam ser passageiras e o ciclo tende a voltar ao padrão habitual.

    O uso repetido não causa infertilidade nem provoca danos permanentes ao ciclo menstrual. No entanto, recorrer frequentemente à contracepção de emergência pode tornar a data dos sangramentos menos previsível.

    3. Pode causar efeitos colaterais

    A pílula do dia seguinte costuma ser bem tolerada, mas pode provocar alguns efeitos colaterais após a ingestão, como:

    • Náusea e, em alguns casos, vômito;
    • Dor de cabeça;
    • Tontura;
    • Cansaço;
    • Dor ou desconforto abdominal;
    • Sensibilidade nas mamas;
    • Sangramento fora do período menstrual;
    • Alteração na data da próxima menstruação.

    Quando a necessidade de recorrer à contracepção de emergência se torna frequente, vale procurar um ginecologista para escolher uma opção mais adequada para prevenir a gravidez no dia a dia.

    Existem diferenças entre os tipos de pílula do dia seguinte?

    No Brasil, uma das opções mais conhecidas é o levonorgestrel, segundo Andreia. A dose recomendada para contracepção de emergência é de 1,5 mg, que pode ser encontrada em um único comprimido ou, dependendo da apresentação, dividida em dois comprimidos de 0,75 mg.

    Outro medicamento utilizado para a contracepção de emergência em alguns países é o acetato de ulipristal, que pode ser usado até 120 horas, ou cinco dias, após a relação sexual desprotegida. Ele não está disponível no Brasil.

    Quando fazer o teste de gravidez após tomar a pílula?

    A pílula do dia seguinte pode adiantar ou atrasar a próxima menstruação, então nem sempre a data esperada para o sangramento é suficiente para saber se o medicamento funcionou.

    Fazer um teste logo nos primeiros dias após a relação também pode apresentar um resultado negativo mesmo quando existe uma gravidez, pois o organismo ainda pode não ter produzido uma quantidade detectável do hormônio hCG.

    Uma orientação prática é realizar um teste de gravidez cerca de três semanas após a relação sexual desprotegida caso exista dúvida sobre a possibilidade de gestação. Também vale fazer o teste e procurar orientação médica quando a menstruação atrasar mais do que o habitual, principalmente se houver sintomas de gravidez.

    Perguntas frequentes

    1. Menores de idade podem comprar a pílula do dia seguinte sem receita?

    Sim. Não é necessária apresentação de receita médica e não há restrição de idade para a compra da contracepção de emergência em farmácias.

    2. A pílula do dia seguinte corta o efeito do anticoncepcional injetável ou do DIU?

    Não, ela não interfere no mecanismo do DIU nem anula a proteção das injeções contraceptivas já aplicadas.

    3. Como voltar a tomar a pílula anticoncepcional normal após usar a de emergência?

    Você deve continuar tomando a cartela de anticoncepcional de rotina normalmente nos horários habituais e usar preservativo até a chegada da próxima menstruação.

    4. Tomar pílula do dia seguinte causa infertilidade no futuro?

    Não. Não existe nenhuma evidência científica de que o uso emergencial afete a capacidade reprodutiva da mulher a longo prazo.

    5. Bebida alcoólica corta o efeito da pílula do dia seguinte?

    O álcool não anula o efeito direto do hormônio. No entanto, se o consumo provocar vômito dentro de 2 horas após a ingestão, o remédio será eliminado antes de ser absorvido.

    6. A pílula do dia seguinte protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)?

    Não. A pílula atua exclusivamente na prevenção da gravidez e não oferece nenhuma proteção contra HIV, sífilis, HPV ou outras ISTs.

    7. Existe alguma contraindicação absoluta para o uso da pílula de emergência?

    Por ser um tratamento ocasional e único, não há contraindicações absolutas, mas mulheres com histórico de trombose prévia ou doenças hepáticas graves devem buscar orientação médica urgente.

    8. A pílula do dia seguinte previne a gravidez em relações sexuais que ocorrerem DEPOIS de tomá-la?

    Não. O efeito da pílula atua apenas no coito desprotegido que já aconteceu. Relações sexuais posteriores exigem novos métodos de barreira, como a camisinha.

  • Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Náuseas, cansaço e aumento da frequência urinária não são os únicos incômodos que podem aparecer durante a gravidez. Com o crescimento do bebê, a mãe também pode apresentar alguns desconfortos nas pernas, como sensação de peso, inchaço no final do dia e o surgimento ou a piora de vasinhos e varizes.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, médico assistente da USP de Ribeirão Preto e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, as varizes são mais comuns nas mulheres por causa de fatores hormonais e das próprias mudanças que acontecem no corpo feminino.

    Na gravidez, as alterações ficam ainda mais intensas, o que pode favorecer o aparecimento ou a piora das varizes. Além da ação dos hormônios, o aumento do útero pode dificultar o retorno do sangue das pernas para o coração, ampliando a pressão sobre as veias dos membros inferiores.

    Por que a gravidez afeta a circulação sanguínea das pernas?

    A circulação venosa é responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração. O caminho já demanda um esforço maior do organismo, pois o sangue precisa subir contra a força da gravidade.

    Segundo Marcelo, a musculatura da panturrilha funciona como uma espécie de bomba, ajudando a empurrar o sangue para cima, ao mesmo tempo em que pequenas válvulas dentro das veias contribuem para impedir que o sangue volte em direção aos pés.

    Na gravidez, algumas mudanças no corpo podem dificultar o funcionamento da circulação. A ação dos hormônios e o crescimento do útero favorecem um retorno mais lento do sangue, aumentando a pressão nas veias das pernas. Como resultado, podem aparecer inchaços, sensação de peso, vasinhos e varizes.

    A influência dos hormônios femininos nas veias

    Segundo Marcelo Dalio, as mudanças hormonais podem deixar as paredes das veias mais relaxadas e favorecer a dilatação dos vasos.

    Na gravidez, os níveis hormonais mudam bastante para preparar o organismo para o desenvolvimento do bebê. Ao mesmo tempo, as veias podem ficar mais dilatadas e as válvulas responsáveis por ajudar no retorno do sangue podem ter mais dificuldade para funcionar corretamente.

    Por isso, algumas mulheres percebem o aparecimento de novos vasinhos e varizes durante a gestação, enquanto aquelas que já apresentavam o problema podem notar uma piora.

    O crescimento da barriga também interfere na circulação

    Além dos hormônios, o útero aumenta bastante de tamanho conforme o bebê cresce. Marcelo explica que o crescimento pode comprimir grandes veias localizadas no abdômen e dificultar a passagem do sangue que vem das pernas em direção ao coração.

    Com o retorno do sangue mais difícil, a pressão dentro das veias das pernas aumenta e parte do sangue pode ficar acumulada na região. O inchaço, o peso nas pernas e as varizes podem ficar mais evidentes principalmente conforme a gestação avança.

    Principais sintomas de problemas venosos na gravidez

    Nas gestantes, o quadro da doença venosa costuma se manifestar por meio dos seguintes sinais:

    • Surgimento ou piora das varizes: podem aparecer novos vasinhos avermelhados ou arroxeados na pele, enquanto as varizes que já existiam podem ficar maiores, mais tortuosas, dilatadas e aparentes durante a gravidez;
    • Inchaço nas pernas: o acúmulo de líquido pode deixar os pés, os tornozelos e as pernas mais inchados, principalmente no final do dia ou depois de passar muito tempo em pé ou sentada;
    • Sensação de peso e cansaço: as pernas podem ficar pesadas e cansadas ao longo do dia, com um desconforto que costuma aumentar após várias horas na mesma posição e melhorar com o descanso e a movimentação;
    • Dor nas pernas: algumas gestantes podem sentir dor, ardência, queimação ou outro tipo de desconforto nas pernas, principalmente quando também apresentam inchaço e varizes;
    • Cãibras e pernas inquietas: também podem surgir cãibras e uma sensação incômoda nas pernas, acompanhada de vontade de movimentá-las constantemente para tentar aliviar o desconforto.

    O cirurgião vascular enfatiza que os sintomas costumam se intensificar nos dias mais quentes e no final da tarde ou da noite, apresentando melhora significativa quando a mulher coloca as pernas para cima.

    Múltiplas gestações aumentam o risco de varizes?

    A frequência e a gravidade das varizes podem aumentar de acordo com o número de gestações que a mulher teve ao longo da vida.

    A cada gravidez, o organismo passa novamente por mudanças hormonais e pelo aumento da pressão sobre as veias causado pelo crescimento do útero. Segundo Marcelo, uma mulher na primeira gestação pode apresentar poucos vasinhos ou varizes, enquanto quem passou por três ou quatro gestações pode ter uma quantidade maior de veias dilatadas.

    Como aliviar as varizes e o inchaço na gravidez?

    No cotidiano da gestante, algumas medidas simples ajudam a melhorar a circulação e diminuir a retenção de líquidos:

    1. Use meias de compressão durante o dia

    As meias de compressão ajudam o sangue a voltar das pernas para o coração e podem aliviar o inchaço, a sensação de peso e o cansaço. Segundo Marcelo, a compressão costuma ser maior na região do tornozelo e vai diminuindo ao longo da perna.

    O ideal é colocar a meia pela manhã, antes que as pernas comecem a inchar, e retirá-la antes de dormir. O tipo de compressão deve ser indicado pelo médico.

    2. Mantenha o corpo em movimento

    A prática de atividades físicas ajuda a movimentar a musculatura das pernas, principalmente a panturrilha, que tem um papel importante no retorno do sangue ao coração. Caminhadas e outros exercícios liberados durante a gestação podem ajudar a melhorar a circulação e diminuir os desconfortos nas pernas.

    3. Evite ficar muito tempo na mesma posição

    Passar várias horas em pé ou sentada pode dificultar o retorno do sangue e aumentar o inchaço. Ao longo do dia, tente mudar de posição, movimentar os pés e fazer pequenas pausas para caminhar, principalmente durante o trabalho.

    4. Eleve as pernas nos momentos de descanso

    Colocar as pernas para cima durante alguns momentos do dia pode ajudar a diminuir o acúmulo de líquido nos pés e nos tornozelos. A medida também pode aliviar a sensação de peso e o cansaço, principalmente no final do dia.

    5. Evite usar salto alto por muitas horas

    O salto alto limita o movimento dos pés e pode diminuir a participação da panturrilha durante a caminhada. Durante a gestação, vale evitar o uso por períodos prolongados e dar preferência a calçados confortáveis, firmes e que permitam movimentar os pés com facilidade.

    As varizes da gravidez desaparecem depois do parto?

    Na maioria das varizes, as varizes que surgem na gravidez desaparecem ou diminuem significativamente após o parto. Conforme o útero volta ao tamanho normal e os níveis hormonais se estabilizam, a pressão sobre as veias é aliviada. Normalmente, a regressão natural ocorre dentro de três a seis meses.

    Mas quando a mulher já tinha varizes ou predisposição genética, algumas veias dilatadas podem permanecer. Como as varizes são uma doença crônica, o cirurgião vascular pode avaliar o quadro após a gestação e indicar o tratamento mais adequado, se necessário.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O que é a veia cava e como ela afeta as pernas na gravidez?

    A veia cava é a principal veia que traz o sangue das pernas de volta ao coração. Quando o útero cresce, ele a comprime no abdômen, dificultando o retorno do sangue e fazendo as pernas incharem.

    2. Se minha mãe teve varizes na gravidez, eu também terei?

    As chances são altas. A genética é a principal causa das varizes, e a tendência pode ser herdada tanto do lado materno quanto do lado paterno.

    3. Qual o melhor horário para a gestante colocar a meia elástica?

    A meia deve ser vestida logo cedo, ao acordar, ainda na cama. Se for colocada mais tarde, quando a perna já estiver inchada, será muito difícil de vestir e perderá eficiência.

    4. Usar cremes para varizes resolve o inchaço da gravidez?

    Os cremes e géis ajudam a aliviar a sensação de peso e o cansaço no final do dia, mas não tratam a veia doente, não somem com as varizes nem impedem a evolução do problema.

    5. É seguro fazer tratamentos de varizes (como cirurgia ou laser) durante a gravidez?

    Durante a gestação, o foco é o tratamento clínico preventivo (meias e elevação de pernas). Procedimentos invasivos, cirurgias ou aplicações só devem ser avaliados e realizados após o parto.

    6. Qualquer gestante pode comprar e usar meia de compressão sem receita?

    As meias de suave compressão (15 a 20 mmHg) podem ser adquiridas sem receita. Já meias com compressão mais forte necessitam de avaliação médica para evitar riscos à circulação.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Durante a gravidez, os movimentos do bebê são um dos principais sinais de que ele está ativo e se desenvolvendo normalmente dentro do útero. Mas, à medida que a gestação se aproxima do fim, é comum que a frequência e a intensidade dos chutes, alongamentos e cambalhotas mudem.

    Com o crescimento do bebê, o espaço dentro do útero fica cada vez menor, fazendo com que ele tenha menos liberdade para realizar movimentos amplos.

    A mudança é esperada e parte do desenvolvimento normal da gravidez, mas o bebê ainda deve se movimentar diariamente, com esticadas, empurrões, pequenos deslocamentos do corpo e movimentos mais lentos. Apesar de ficar mais apertado dentro do útero, ele continua alternando períodos de sono e de atividade.

    O mais importante é que a gestante conheça o padrão habitual de movimentação do seu bebê e procure atendimento médico caso perceba uma diminuição importante ou a ausência de movimentos, especialmente no terceiro trimestre.

    É normal o bebê mexer menos no final da gravidez?

    Não é normal o bebê parar de mexer ou ter uma redução drástica nos movimentos no final da gestação. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o bebê se movimenta continuamente durante toda a gravidez. O que realmente muda na reta final é o espaço disponível dentro do útero e como a gestante percebe os movimentos.

    Como o bebê está muito grande, ele não consegue mais dar aquelas cambalhotas amplas do início. Em vez disso, os movimentos se tornam mais localizados e bem evidentes: você passa a sentir nitidamente partes do corpo dele se esticando, como um cotovelo ou um pé pressionando a barriga.

    Além disso, Andreia aponta que o feto tem um ciclo de sono e vigília muito bem definido, dormindo por cerca de 40 minutos e ficando acordado nos 40 minutos seguintes. Por isso, se ele estiver quietinho, pode ser apenas o momento do soninho dele.

    Por que parece que ele só mexe à noite?

    Durante o dia, a rotina de trabalho, os afazeres e outras atividades podem desviar a atenção da mulher, dificultando a percepção dos movimentos fetais. À noite, ao deitar e relaxar, a gestante fica mais atenta ao próprio corpo, o que torna os movimentos mais fáceis de perceber.

    Junto a isso, alguns movimentos realizados pela própria gestante durante o dia, como caminhar, mudar de posição ou realizar atividades domésticas, podem embalar o bebê e favorecer períodos de sono. Quando a mãe para e fica em repouso, o bebê pode acordar e voltar a se movimentar, aumentando a sensação de que ele só mexe durante a noite.

    Como saber se o bebê está mexendo menos ou se parou de se mover?

    Para ajudar as gestantes a acompanharem a vitalidade fetal de forma mais objetiva, existe um método simples chamado mobilograma, que consiste na contagem e registro dos movimentos fetais para garantir que a oxigenação e a vitalidade estão adequadas. A recomendação de Andreia é seguir o seguinte passo a passo:

    • Escolha um momento calmo: vá para um ambiente tranquilo, de preferência deite-se do lado esquerdo e concentre toda a atenção na barriga. Isso reduz as distrações do dia a dia e facilita a percepção dos movimentos;
    • Alimente-se antes: faça um pequeno lanche ou tome um copo de suco. O aumento da glicose na corrente sanguínea costuma estimular a movimentação do bebê, caso ele esteja dormindo;
    • Observe por até 2 horas: conte todos os movimentos do bebê, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos.

    O esperado é que o bebê realize pelo menos 10 movimentos em um período de até 2 horas, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos. Não é necessário que os movimentos sejam fortes: qualquer movimentação percebida pela gestante pode ser contabilizada.

    O que fazer imediatamente se você não sente o bebê mexer

    Se você contar menos de 10 movimentos durante o período, ou se o bebê não esboçar nenhuma reação mesmo após você ter se alimentado e estimulado a barriga, é um sinal claro de que ele está se movendo menos do que deveria. A orientação médica é procurar o pronto-socorro obstétrico imediatamente.

    No hospital, Andreia explica que a equipe médica poderá avaliar a vitalidade fetal por meio de exames como:

    • Cardiotocografia: monitora os batimentos cardíacos do bebê e a presença de contrações uterinas, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Ultrassom com perfil biofísico fetal: avalia a movimentação do bebê, o tônus muscular, os movimentos respiratórios e a quantidade de líquido amniótico, atribuindo uma pontuação à vitalidade fetal;
    • Ultrassom com Doppler: analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, incluindo as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, permitindo identificar alterações na oxigenação e na circulação fetal.

    “Eu sempre digo: não tem problema ter 10 alarmes falsos. Vá ao pronto-socorro quantas vezes forem necessárias”, complementa a ginecologista.

    Quando é necessário interromper a gestação?

    A decisão de antecipar o parto por meio de uma indução ou de uma cesariana de emergência é tomada quando os médicos avaliam que permanecer no útero representa um risco maior para o bebê do que os possíveis impactos do nascimento prematuro.

    Segundo Andreia, embora o útero seja o ambiente ideal para o desenvolvimento do bebê, quando os exames mostram sinais de comprometimento da vitalidade fetal, a equipe médica pode optar pela antecipação do parto para preservar a vida da mãe e da criança. Os principais critérios incluem:

    • Sofrimento fetal, identificado na cardiotocografia ou no perfil biofísico fetal;
    • Alterações graves no Doppler, que mostram comprometimento da circulação e da oxigenação do bebê;
    • Oligoâmnio grave, quando há redução importante da quantidade de líquido amniótico;
    • Complicações maternas graves, como descolamento da placenta, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia.

    A ginecologista explica que todo o processo segue protocolos rigorosos. Os resultados da cardiotocografia, do perfil biofísico fetal e do Doppler são interpretados de acordo com critérios bem estabelecidos, permitindo que a equipe médica defina com segurança se a gestante pode receber alta, permanecer em observação ou se a interrupção da gestação é a conduta mais indicada.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    No final da gestação, alguns sintomas precisam de avaliação médica imediata, pois podem indicar uma emergência obstétrica:

    • Sangramento vaginal intenso, semelhante a uma menstruação;
    • Perda de líquido amniótico, mesmo que em pequena quantidade;
    • Diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
    • Contrações regulares, com pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora;
    • Dor abdominal intensa, com a barriga endurecida e sem relaxar;
    • Febre;
    • Dor de cabeça forte e persistente;
    • Dor na parte alta da barriga, próxima à boca do estômago;
    • Alterações na visão, como flashes de luz ou manchas escuras;
    • Pressão alta, convulsões ou falta de ar.

    Segundo Andreia, os quatro principais sinais que podem indicar a necessidade de antecipar o parto são a perda de líquido amniótico, o sangramento vaginal, a redução dos movimentos fetais e as contrações regulares. Já os demais sintomas podem estar relacionados a complicações graves, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e também exigem atendimento imediato.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O bebê se mexe menos quando a bolsa vai estourar?

    Não, o rompimento da bolsa (ruptura das membranas) não reduz a movimentação do bebê. Se ele parar de se mexer após a bolsa estourar, procure a maternidade imediatamente, pois é um sinal de alerta e não uma reação normal.

    2. O que o bebê sente quando a mãe come doce?

    Ele recebe uma carga rápida de energia. A placenta facilita a passagem da glicose da mãe para a corrente sanguínea do bebê, o que costuma despertá-lo e aumentar sua movimentação.

    3. Com quantas semanas o bebê começa a mexer de forma bem evidente?

    Os primeiros movimentos costumam ser percebidos entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. A partir da 24ª semana, eles tendem a ficar mais evidentes e fáceis de identificar.

    4. O que acontece se o líquido amniótico estiver muito baixo?

    Quando o volume de líquido amniótico está muito reduzido (oligoâmnio), o bebê perde parte da proteção oferecida pelo útero. Dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro, pode ser necessário antecipar o parto.

    5. O bebê pode mexer menos por estar encaixado?

    O bebê pode mudar a forma como se movimenta quando está encaixado, com menos chutes na parte inferior da barriga e mais empurrões na parte de cima. No entanto, a quantidade total de movimentos não deve diminuir de forma importante.

    6. O que fazer se eu tiver contrações ritmadas que não passam?

    Se você apresentar pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora seguida, procure a maternidade, pois pode ser um sinal de trabalho de parto.

    7. Sentir o bebê tremer na barriga é normal?

    Sim. Pequenos tremores ou vibrações rápidas costumam ser apenas espasmos musculares normais do desenvolvimento do bebê, reflexos de sobressalto ou a eliminação de urina.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Durante a gravidez, o corpo da mulher entra em um modo de trabalho intenso. O coração bate mais rápido, os vasos se adaptam, o volume de sangue aumenta, tudo para garantir que o bebê receba oxigênio e nutrientes. Essa maratona, porém, não acontece sem esforço: o coração precisa acompanhar o ritmo, e qualquer desequilíbrio pode gerar riscos.

    É por isso que é importante cuidar da saúde cardiovascular na gravidez. Venha entender o que muda durante a gestação e quais são os cuidados que você deve tomar quando estiver grávida.

    O que muda no coração durante a gestação

    A partir do segundo trimestre, o volume de sangue no corpo da gestante pode aumentar de 30% até 50%. Isso força o coração a bombear mais e mais rápido, por isso a saúde do coração na gravidez precisa estar em dia.

    A cardiologista Juliana Aparecida Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que, durante a gestação, o coração da mulher passa a trabalhar até 50% mais do que o normal. Isso acontece porque ele precisa bombear mais sangue a cada batida e também bate mais rápido.

    “Para acomodar esse aumento, a resistência dos vasos sanguíneos periféricos diminui, o que permite que a pressão arterial se mantenha relativamente estável, mesmo com mais sangue circulando pelo corpo”, descreve ela.

    Quando a pressão alta se torna um risco

    Em algumas mulheres, esse esforço todo pode sair do controle. A pressão sobe demais, surgem dores de cabeça, inchaços e outros sinais de alerta. A pressão alta gestacional e a pré-eclâmpsia são complicações sérias.

    “O tratamento envolve monitoramento rigoroso, medicação anti-hipertensiva segura e, em algumas situações, hospitalização para proteger a mamãe e o bebê”, diz Juliana.

    O que é pré-eclâmpsia e por que ela pode aumentar a pressão na gravidez

    A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada de proteína na urina.

    De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estima-se que a pré-eclâmpsia atinja 1,5% das gestantes no Brasil.

    Entendendo a síndrome HELLP

    A síndrome de HELLP é uma condição grave que pode surgir na gravidez, caracterizada por alterações no fígado e no sangue, e geralmente está ligada à pressão alta. Ela oferece riscos à mãe e ao bebê. Pode aparecer junto com a pré-eclâmpsia.

    De forma simples, ela acontece quando o corpo da gestante começa a destruir suas células do sangue, o fígado passa a funcionar mal e as plaquetas, que ajudam a estancar sangramentos, ficam muito baixas. Isso tudo deixa a gestante mais vulnerável a sangramentos, dores fortes e outros riscos sérios, exigindo cuidados médicos urgentes.

    Outro risco grave é o descolamento da placenta antes da hora, o que pode comprometer a oxigenação e a nutrição do bebê.

    Em alguns casos, o único jeito de proteger a saúde da gestante e do bebê é antecipar o parto. E quando a pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia, a gestante pode ter convulsões, o que representa uma emergência médica. Por isso, o acompanhamento do pré-natal e o controle da pressão são tão importantes.

    5 fatores de risco para doenças cardíacas na gravidez

    Algumas coisas aumentam o risco de problemas no coração durante e depois da gravidez:

    • Primeira gravidez após os 35 anos
    • Sobrepeso ou obesidade
    • Histórico familiar de hipertensão
    • Diabetes gestacional
    • Valvopatias, que são doenças nas válvulas do coração

    Mulheres que já têm doenças cardíacas antes de engravidar, como problemas nas válvulas, devem conversar com o cardiologista antes mesmo de engravidar. O risco de arritmia, insuficiência cardíaca e trombose é maior, e o acompanhamento precisa ser conjunto entre obstetra e cardiologista.

    Riscos que vão além da gravidez

    Os riscos cardíacos da gestação podem perdurar mesmo depois do bebê ter nascido. Quem teve pressão alta na gestação, por exemplo, precisa ficar atenta mesmo que a pressão volte ao normal após o parto. Mulheres que tiveram essa condição na gravidez têm mais chance de desenvolver pressão alta crônica, infarto e AVC no futuro.

    “O período entre o final da atenção obstétrica e o início de sintomas de hipertensão crônica representa uma janela crítica de oportunidade para intervenções preventivas, e isso é frequentemente negligenciado”, alerta a médica.

    Ao longo da gestação, a pressão arterial pode diminuir nos dois primeiros trimestres e voltar a subir no terceiro.

    A recomendação atual é de que essas mulheres façam acompanhamento anual com cardiologista, meçam pressão, colesterol, glicemia e recebam orientações sobre alimentação, atividade física e controle do peso.

    Como prevenir complicações cardiovasculares na gravidez

    Para manter o coração saudável durante e após a gravidez, vale seguir essas dicas:

    • Tenha uma alimentação equilibrada;
    • Mantenha o peso adequado;
    • Faça exercícios físicos regulares, com orientação médica;
    • Controle a pressão arterial;
    • Não fume ou beba bebida alcoólica;
    • Não ignore sintomas como dores de cabeça, visão turva, falta de ar ou inchaço excessivo.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Por que a atenção continua após o parto

    Muita gente acha que os cuidados terminam com o nascimento do bebê, mas não é bem assim. Estudos mostram que o número de filhos, por exemplo, pode influenciar o risco de problemas cardíacos. Ter muitos filhos (cinco ou mais) ou nenhum pode aumentar as chances de infarto e AVC.

    A infertilidade também entra na conta, pois pode estar ligada a condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que aumentam o risco de doenças cardíacas.

    Amamentar protege o coração

    Amamentar não é só bom para o bebê. O aleitamento materno prolongado ajuda a proteger o coração da mãe. Ele está associado a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2 no futuro.

    Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular na gravidez


    1. É normal a pressão cair nos primeiros meses da gestação?

    Sim. Nos dois primeiros trimestres, a pressão tende a baixar um pouco, mas volta a normalizar no final da gravidez. Se ficar alta, porém, é preciso fazer acompanhamento médico específico para pressão alta.

    2. Ter hipertensão na gravidez significa que terei pressão alta para sempre?

    Nem sempre, mas a hipertensão gestacional aumenta bastante o risco. Por isso, o acompanhamento deve continuar mesmo após o parto.

    3. Toda mulher com pressão alta na gravidez desenvolve pré-eclâmpsia?

    Não, mas é um risco real. Por isso, o pré-natal é tão importante para monitorar e intervir quando necessário.

    4. É perigoso engravidar com problema no coração?

    Depende do tipo e do controle da doença. É essencial conversar com o médico antes de engravidar.

    5. Posso continuar a praticar exercícios na gravidez?

    Sim, mas sempre com liberação médica. Atividades leves e regulares ajudam a manter o coração saudável.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    O útero da maioria das mulheres apresenta o formato de uma pêra invertida e fica inclinado para a frente, apoiado sobre a bexiga, mas é comum encontrar variações tanto na anatomia quanto na posição do órgão.

    Enquanto algumas mulheres nascem com alterações no formato do útero devido a mudanças ocorridas durante o desenvolvimento fetal, outras apresentam apenas uma variação de posicionamento, como o útero retrovertido. Normalmente, as características não manifestam sintomas e são descobertas em exames de rotina ou quando a mulher decide engravidar.

    Mas afinal, o formato anatômico do útero influencia a gestação e a via de parto? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas e explicar o impacto de cada variação.

    Qual é o formato anatômico habitual do útero?

    Na maior parte das mulheres, Andreia explica que o útero tem um formato que lembra uma perna invertida e achatada. A anatomia considerada padrão é chamada de antiversofletido (AVF), o que significa que o órgão fica inclinado para a frente (antiverso) e apresenta uma leve curvatura no corpo uterino (fletido), ficando anatomicamente deitado sobre a bexiga.

    O posicionamento e formato facilitam a acomodação do órgão na pelve e a expansão natural durante uma eventual gravidez. Quando o útero se desenvolve dessa forma, com uma cavidade única, ampla e livre de divisões internas, o bebê tem o espaço ideal para crescer e se movimentar de maneira adequada até o momento do nascimento.

    Principais tipos de malformações uterinas

    As malformações no formato do útero são condições que surgem ainda durante o desenvolvimento do bebê. O órgão se forma a partir de duas estruturas chamadas ductos mullerianos, que inicialmente se desenvolvem separadamente.

    Com o crescimento do feto, as estruturas se unem para formar um único órgão oco. Quando ocorre alguma alteração nesse processo de fusão ou na reabsorção das paredes internas, podem surgir diferentes variações anatômicas, como:

    • Útero septado: externamente, o útero apresenta formato normal, mas a cavidade uterina é dividida por uma parede de tecido chamada septo. A divisão pode ser parcial ou se estender até o colo do útero;
    • Útero bicorno: acontece quando a fusão dos ductos mullerianos não se completa na parte superior do órgão. Como resultado, o útero apresenta uma divisão no topo, adquirindo um formato semelhante ao de um coração, com duas porções superiores bem definidas;
    • Útero didelfo: surge quando há falha completa na fusão dos ductos mullerianos. A mulher desenvolve dois úteros separados, cada um com sua própria cavidade. Em alguns casos, também podem estar presentes dois colos uterinos e uma vagina dividida por um septo;
    • Útero unicórnio: acontece quando apenas um dos ductos mullerianos se desenvolve adequadamente durante a formação fetal. O útero fica menor do que o habitual e geralmente está associado à presença de apenas uma trompa de falópio funcional.

    Segundo Andreia, a gravidade da malformação depende do momento em que o desenvolvimento do feto foi interrompido. Quanto mais precoce ocorre o erro, maior é o espessamento entre as duas metades, já que a reabsorção do tecido não foi feita.

    Útero retrovertido atrapalha a gravidez?

    O útero retrovertido é uma variação anatômica in que o útero fica inclinado para trás, em direção ao reto, em vez de se posicionar para a frente, sobre a bexiga, como ocorre na maioria das mulheres. Como não é uma malformação ou uma doença, ele não interfere na fertilidade e não aumenta os riscos durante a gravidez.

    O útero é um órgão móvel, capaz de mudar de posição ao longo da vida. Após o parto, por exemplo, durante o processo de involução uterina, quando o órgão retorna gradualmente ao tamanho habitual, ele pode passar a ficar voltado para trás. Quando o útero é móvel e não causa dor, a condição é considerada totalmente benigna.

    Contudo, se o útero retrovertido estiver fixo e provocar dor durante o exame ginecológico, a alteração pode estar associada a doenças como endometriose ou aderências decorrentes de infecções pélvicas, o que precisa ser avaliado por um médico.

    Como as variações influenciam a gestação?

    O impacto de uma malformação uterina na gravidez depende principalmente do espaço disponível para o crescimento do bebê dentro do útero. Em algumas situações, o útero pode ter mais dificuldade para se expandir conforme a gestação avança, especialmente no caso do útero unicórnio, que possui cerca de metade do tamanho habitual.

    Como consequência, Andreia destaca que algumas complicações podem ocorrer com maior frequência, entre elas:

    • Aborto espontâneo: a limitação de espaço pode dificultar a evolução da gestação, principalmente nos primeiros meses;
    • Perdas gestacionais: o risco existe nos úteros septado, bicorno, unicórnio e didelfo, embora no útero didelfo ele costuma ser menor;
    • Parto prematuro: uma cavidade uterina menor pode atingir o limite de expansão antes do tempo, favorecendo o início precoce do trabalho de parto.

    Apesar dos riscos, é importante destacar que muitas mulheres com malformações uterinas conseguem ter uma gravidez saudável e dar à luz bebês sem complicações. No entanto, as gestações são consideradas de alto risco e precisam de um acompanhamento mais próximo, com consultas mais frequentes, uso de medicamentos e exames adicionais.

    Como é feito o diagnóstico de malformação do útero?

    O diagnóstico das malformações do útero é simples, feito com exames de imagem específicos para avaliar o formato interno e externo do órgão:

    • Ultrassom transvaginal: principal exame para avaliar o formato do útero e identificar a maioria das alterações anatômicas;
    • Histerossalpingografia: exame com contraste e raio-X que permite visualizar a cavidade uterina e as trompas;
    • Ressonância magnética da pelve: fornece imagens detalhadas do útero e ajuda a esclarecer casos mais complexos;
    • Histerossonografia: ultrassom realizado com a infusão de soro fisiológico no útero, facilitando a identificação de septos e outras alterações da cavidade;
    • Histeroscopia: procedimento que utiliza uma microcâmera introduzida pelo colo do útero para visualizar diretamente a cavidade uterina.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A necessidade de cirurgia depende do tipo de alteração e do histórico da paciente. Segundo Andreia, o procedimento pode ser indicado quando a cavidade uterina é muito reduzida e existe desejo de engravidar no futuro, ou quando a mulher apresenta abortos de repetição relacionados à malformação.

    Os principais tipos de correção são:

    • Útero septado: é realizada por histeroscopia, com a retirada do septo que divide a cavidade uterina;
    • Útero bicorno: a correção é mais complexa e nem sempre necessária, sendo avaliada caso a caso;
    • Útero didelfo: raramente precisa de cirurgia, já que muitas mulheres não apresentam complicações importantes;
    • Útero unicórnio: normalmente não pode ser corrigido cirurgicamente, pois parte do órgão não se desenvolveu durante a formação fetal.

    Após alguns procedimentos, pode ser necessário aguardar um período de recuperação antes de tentar engravidar, conforme orientação médica.

    O tipo de útero influencia a via de parto?

    A resposta é sim. Algumas malformações uterinas aumentam a chance de o bebê permanecer em posições diferentes da ideal para o parto vaginal, como a apresentação pélvica, em que ele fica sentado. Isso acontece porque o formato da cavidade pode limitar os movimentos do feto durante a gestação.

    O parto vaginal não é necessariamente contraindicado, mas Andreia destaca que as situações aumentam a probabilidade de uma cesariana. A definição da via de parto deve ser feita individualmente, levando em conta a posição do bebê, a evolução da gestação e as condições de saúde da mãe e do feto.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem útero septado pode engravidar naturalmente?

    Sim, a mulher com útero septado pode engravidar naturalmente, pois a ovulação e as trompas geralmente funcionam de forma normal. O principal desafio é o risco de aborto caso o embrião se implante no septo.

    2. Qual a diferença entre útero bicorno e septado?

    No útero septado, o órgão é normal por fora e dividido por uma parede de tecido por dentro. No útero bicorno, a parede externa do topo do útero é dividida, dando a ele o formato de um coração.

    3. O útero retrovertido causa dor na relação?

    Pode causar. Se o útero retrovertido for fixo devido a condições como a endometriose, algumas posições sexuais que causam maior impacto no fundo da vagina podem causar desconforto ou dor.

    4. Quem tem malformação uterina sente algum sintoma?

    A maioria das mulheres não apresenta nenhum sintoma e passa a vida sem saber da condição, descobrindo-a apenas em exames de rotina ou ao tentar engravidar.

    5. O formato do útero pode causar cólicas fortes?

    As malformações em si não costumam causar cólicas, mas se a alteração vier acompanhada de um septo vaginal que dificulte a saída do sangue, ou se a retroversão for causada por endometriose, a mulher terá cólicas fortes.

    6. O útero retrovertido é considerado uma doença?

    Não, o útero retrovertido é apenas uma variação anatômica da posição do órgão, presente em cerca de 15% a 20% das mulheres, e não traz riscos à saúde.

    7. O útero pode mudar de formato ao longo da vida?

    Não. As malformações uterinas (septado, bicorno, didelfo e unicórnio) são congênitas, então a mulher nasce com elas e o formato permanece o mesmo.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    A ideia de engravidar novamente durante uma gestação pode parecer impossível, mas existe uma condição extremamente rara chamada superfetação, na qual uma nova gravidez ocorre quando já existe um embrião em desenvolvimento no útero.

    O organismo feminino é biologicamente programado para interromper a ovulação e criar barreiras que dificultam uma nova fecundação assim que a gravidez se inicia. No entanto, em casos de superfetação, alterações hormonais e fisiológicas muito incomuns permitem a liberação e a fertilização de um segundo óvulo dias ou semanas após a primeira concepção.

    Quando a superfetação acontece, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que os dois bebês possuem idades gestacionais diferentes, pois foram concebidos em momentos distintos. A diferença costuma ser de alguns dias ou poucas semanas, o que faz com que um dos fetos apresente um estágio de desenvolvimento mais avançado do que o outro.

    É uma situação extremamente rara, os casos documentados em humanos são raríssimos e, na grande maioria das vezes, estão associados a tratamentos de reprodução assistida.

    É mesmo possível engravidar já estando grávida?

    É possível engravidar já estando grávida, mas é uma situação considerada excepcional na medicina, uma vez que o organismo feminino passa por uma série de mudanças hormonais após a fecundação justamente para impedir que uma nova ovulação aconteça.

    Em uma gravidez normal, depois que o óvulo é fecundado e o embrião começa a se desenvolver, os níveis hormonais aumentam rapidamente e bloqueiam a liberação de novos óvulos pelos ovários.

    O colo do útero também forma uma barreira de muco que dificulta a passagem dos espermatozoides, enquanto o revestimento uterino também sofre alterações para sustentar a gestação já existente. Como resultado, o corpo cria diferentes mecanismos de proteção que tornam uma segunda fecundação extremamente improvável.

    A superfetação ocorreria apenas se, mesmo durante a gravidez, um novo óvulo fosse liberado pelos ovários, fosse fecundado por um espermatozoide e conseguisse se implantar no útero, algo que precisaria acontecer apesar de todas as barreiras biológicas normalmente presentes.

    Qual a diferença entre superfetação e gravidez gemelar?

    A principal diferença entre a superfetação e a gravidez gemelar está no momento da concepção. Segundo Andreia, na gestação gemelar, os dois bebês são concebidos durante o mesmo ciclo reprodutivo e, portanto, possuem a mesma idade gestacional. Os gêmeos podem ser:

    Monocoriônicos (idênticos), quando um único óvulo fecundado se divide em dois embriões durante as primeiras fases do desenvolvimento;

    Ou dicoriônicos (fraternos ou não idênticos), quando dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides distintos no mesmo ciclo menstrual.

    Apesar de poderem apresentar diferenças de peso e crescimento ao longo da gestação, ambos têm a mesma idade gestacional.

    Já na superfetação, os fetos são gerados em momentos diferentes porque uma nova ovulação, fecundação e implantação acontecem enquanto uma gravidez já está em andamento. Por causa da diferença nas datas de concepção, um dos bebês costuma estar mais avançado no desenvolvimento do que o outro.

    Em alguns casos raríssimos, a superfetação pode estar associada à superfecundação heteropaternal, situação em que os bebês possuem pais diferentes porque as concepções ocorreram em momentos distintos e envolveram parceiros diferentes. Contudo, é um fenômeno excepcional e pouco frequente na prática médica.

    Principais causas da superfetação

    Em uma gestação normal, os hormônios impedem a liberação de novos óvulos, o colo do útero se fecha com um tampão mucoso para impedir a entrada de espermatozoides e as paredes do útero mudam para não permitir a fixação de outro embrião.

    Para que a superfetação aconteça, os três mecanismos de defesa precisam falhar simultaneamente, o que pode acontecer por fatores como:

    1. Tratamentos de reprodução assistida

    Durante tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), a mulher recebe uma carga hormonal intensa para estimular os ovários a produzirem vários óvulos.

    Se um embrião for transferido para o útero com sucesso, mas a mulher tiver ovulado naturalmente logo em seguida e mantido relações sexuais, pode ocorrer a fertilização desse segundo óvulo, ocorrendo a superfetação.

    2. Uso de indutores de ovulação

    Em casos raríssimos, os medicamentos usados para estimular a ovulação, comuns no tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP) e da infertilidade, podem favorecer a liberação de óvulos em momentos diferentes do ciclo reprodutivo.

    Em situações excepcionais, isso pode ocorrer após uma concepção inicial, antes que os hormônios da gravidez estabeleçam completamente os mecanismos que bloqueiam novas ovulações.

    3. Flutuações hormonais atípicas

    Em casos de superfetação espontânea, sem interferência de tratamentos médicos, o motivo normalmente é uma falha hormonal temporária.

    Nos primeiros dias ou semanas de gravidez, os níveis de progesterona e hCG podem não subir rápido o suficiente para avisar o cérebro de que a ovulação deve ser interrompida, permitindo que um segundo óvulo seja liberado.

    4. Abertura tardia do tampão mucoso

    Logo no início da gravidez, o colo do útero produz um muco espesso que atua como uma barreira física intransponível para os espermatozoides.

    Se houver um atraso na formação completa do tampão, e a mulher mantiver relações sexuais desprotegidas nas primeiras semanas de gestação, os espermatozoides ainda conseguirão alcançar as trompas e fertilizar um novo óvulo disponível.

    Como identificar?

    O diagnóstico de superfetação pode ser bastante difícil, porque não existe um exame específico capaz de confirmar a condição imediatamente.

    Durante os exames de ultrassom, os médicos podem perceber diferenças no tamanho e na maturidade dos fetos, mas, como a probabilidade estatística de se tratar de uma restrição de crescimento fetal ou de alterações nos vasos da placenta é muito maior, a superfetação raramente é a primeira hipótese, segundo Andreia.

    A investigação costuma envolver um acompanhamento detalhado da gestação ao longo das semanas. O especialista avalia se a diferença de desenvolvimento entre os bebês permanece constante e se é compatível com datas distintas de concepção. Também é necessário descartar outras condições mais comuns que podem causar discrepâncias de crescimento entre os fetos.

    Como a superfetação é extremamente rara, o diagnóstico costuma ser feito a partir da combinação de fatores, como os resultados dos ultrassons, o histórico da gestação e a exclusão de causas mais comuns para a diferença de desenvolvimento entre os bebês.

    Quais são os riscos para os bebês?

    De acordo com Andreia, a superfetação é considerada uma gestação de alto risco e pode apresentar complicações como:

    • Maior chance de parto prematuro;
    • Distensão excessiva do útero;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Atonia uterina após o parto, condição em que o útero tem dificuldade para se contrair adequadamente.

    No entanto, a maior questão é a diferença de idade gestacional entre os bebês. Como um deles foi concebido depois do outro, existe uma diferença real de desenvolvimento.

    Se houver necessidade de antecipar o parto por questões médicas, o bebê mais velho pode já estar em uma fase mais segura de desenvolvimento, enquanto o mais novo ainda pode ser considerado muito prematuro.

    Como é feito o acompanhamento médico?

    O pré-natal deve ser realizado como uma gestação de alto risco, com consultas frequentes e ultrassonografias para acompanhar o crescimento e o bem-estar dos dois fetos.

    Segundo Andreia, o principal objetivo do acompanhamento é monitorar a saúde da mãe e dos bebês e definir o momento mais seguro para o parto. Sempre que possível, a equipe médica busca prolongar a gestação para permitir que o bebê mais jovem alcance uma idade gestacional mais adequada, reduzindo os riscos associados à prematuridade.

    Perguntas frequentes

    1. Os bebês de superfetação são considerados gêmeos?

    Sim, eles nascem no mesmo parto e compartilham o útero, por isso são considerados gêmeos fraternos (não idênticos). A diferença é que um deles foi gerado semanas depois do outro.

    2. Qual pode ser a diferença de idade entre os bebês?

    Normalmente, a diferença varia entre 2 e 4 semanas. É quase impossível uma diferença maior que essa, pois o espaço uterino e as alterações hormonais da primeira gravidez bloqueiam novas concepções após esse período.

    3. Quais são os sintomas da superfetação?

    A mulher não sente nenhum sintoma físico diferente de uma gestação comum. Enjoos, cansaço e atraso menstrual são os mesmos de uma gravidez de um único bebê.

    4. Os bebês podem ser de pais diferentes?

    Na superfetação natural, sim. Se a mulher mantiver relações sexuais com parceiros diferentes com algumas semanas de intervalo (dentro da janela em que a superfetação ainda é possível), os bebês podem ter pais biológicos diferentes.

    5. Qual é o maior risco para os bebês?

    O maior risco é a prematuridade do segundo bebê. Como o bebê mais velho dita o momento do parto, quando ele estiver pronto para nascer, o mais novo será forçado a nascer semanas antes do seu tempo ideal de desenvolvimento.

    6. Os bebês podem nascer no mesmo dia?

    Sim, o útero entra em trabalho de parto ou a cesárea é marcada com base na maturidade do primeiro bebê (o mais velho), o que faz com que ambos nasçam no mesmo dia.

    7. O uso de anticoncepcional previne a superfetação?

    O anticoncepcional previne a gravidez inicial. Se a mulher já descobriu que está grávida, ela não deve tomar anticoncepcionais.

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

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