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  • Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Sabia que a chance de gravidez natural é de cerca de 20% a 25% por ciclo menstrual? Mesmo entre casais saudáveis e sem alterações conhecidas, engravidar pode levar alguns meses, uma vez que a gestação depende de uma combinação de fatores hormonais, qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, frequência das relações sexuais e até da idade.

    No entanto, se quando a gravidez não acontece após um determinado período de tentativas, pode ser importante investigar possíveis causas de infertilidade, tanto femininas quanto masculinas, para identificar dificuldades precocemente e aumentar as chances de tratamento e sucesso reprodutivo. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando investigar a infertilidade?

    A investigação da infertilidade costuma levar em consideração, principalmente, a idade da paciente e o tempo de tentativas para engravidar.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, para mulheres com menos de 35 anos, a recomendação é aguardar até 12 meses de relações sexuais frequentes, sem uso de métodos contraceptivos, antes de iniciar uma investigação. Mesmo em pessoas férteis e sem alterações aparentes, a chance de gravidez natural por ciclo menstrual gira em torno de 20% a 25%.

    A partir dos 35 anos, o ideal é procurar avaliação médica após 6 meses de tentativas sem sucesso, porque a fertilidade tende a diminuir progressivamente com a idade.

    Já após os 40 anos, muitos especialistas recomendam que a investigação seja iniciada imediatamente, devido à queda mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos. Andreia explica que alguns profissionais ainda podem considerar um período curto de espera, de até 6 meses, dependendo de cada caso, mas a avaliação não deve ser adiada por muito tempo.

    Exames para investigar a dificuldade de engravidar

    Durante a investigação, o médico ginecologista ou especialista em reprodução humana pede uma série de exames para avaliar tanto a saúde da mulher quanto a do homem, dependendo do histórico clínico de cada casal. Alguns deles incluem:

    1. Exames de sangue e hormonais

    Os exames hormonais são necessários para avaliar o funcionamento do eixo neuroendócrino, a ovulação e a reserva ovariana. Os principais hormônios analisados incluem:

    • FSH e o estradiol, que ajudam a entender a função dos ovários e a qualidade da ovulação;
    • LH, que auxilia na identificação do pico hormonal que antecede a liberação do óvulo;
    • TSH e a prolactina, já que alterações da tireoide ou níveis elevados de prolactina podem dificultar ou impedir a ovulação;
    • Hormônio antimulleriano (AMH), considerado atualmente um dos exames mais importantes para estimar a reserva ovariana, ou seja, o estoque de óvulos da mulher.

    Em muitos casos, a dosagem hormonal precisa ser realizada em dias específicos do ciclo menstrual para que os resultados sejam interpretados corretamente. O FSH, o LH e o estradiol, por exemplo, costumam ser avaliados no início do ciclo, normalmente entre o segundo e o quinto dia da menstruação, enquanto outros hormônios podem ser coletados em diferentes momentos.

    2. Ultrassom transvaginal

    O ultrassom transvaginal permite observar detalhadamente a anatomia do útero e dos ovários, sendo um dos exames mais importantes na investigação da infertilidade feminina. Por meio dele, o médico consegue avaliar possíveis alterações que podem dificultar a gravidez, como:

    • Momas;
    • Pólipos endometriais;
    • Malformações uterinas;
    • Cistos ovarianos;
    • Sinais compatíveis com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    O ultrassom também ajuda a avaliar a espessura do endométrio, camada interna do útero onde ocorre a implantação do embrião, e pode ser utilizado para acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos folículos durante o ciclo menstrual, permitindo identificar se a ovulação está acontecendo adequadamente.

    3. Histerossalpingografia

    A histerossalpingografia é um exame realizado com contraste e raio-X para avaliar se as tubas uterinas estão desobstruídas. Durante o procedimento, o contraste é introduzido pelo colo do útero e percorre as tubas.

    Quando o líquido não consegue passar adequadamente, isso pode indicar uma obstrução tubária, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide e, em alguns casos, indicando a necessidade de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    4. Espermograma

    A investigação da infertilidade não deve avaliar apenas a mulher, já que os fatores masculinos representam cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção. O espermograma é um exame capaz de analisar a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides, ajudando a identificar possíveis alterações que possam interferir na fertilidade masculina e direcionando o tratamento mais adequado.

    5. Monitoramento da temperatura e testes de ovulação

    Após a ovulação, a temperatura corporal costuma aumentar discretamente, enquanto os testes de LH ajudam a identificar o pico hormonal que antecede a liberação do óvulo. Isso permite confirmar se o ciclo é ovulatório e se o período das relações sexuais está adequado para aumentar as chances de gravidez.

    Como é feito o tratamento para infertilidade?

    O tratamento para a infertilidade depende da causa identificada durante a investigação, da idade do casal, do tempo de tentativas e das condições de saúde envolvidas. De forma geral, os tratamentos são divididos em baixa e alta complexidade.

    Baixa complexidade

    Os tratamentos de baixa complexidade são aqueles em que a fecundação (o encontro do óvulo com o espermatozoide) acontece dentro do corpo da mulher. Como explica Andreia, as técnicas incluem:

    • Coito programado: com o auxílio de ultrassonografias e testes de farmácia (LH urinário), o médico identifica exatamente quando a mulher vai ovular. O casal é orientado a ter relações sexuais na janela fértil de 4 dias, aumentando as chances de sucesso;
    • Indução da ovulação: indicada para mulheres que não ovulam regularmente (como na SOP). São usados medicamentos (comprimidos como o clomifeno ou injeções) para estimular o crescimento dos folículos ovarianos, garantindo que o óvulo seja liberado;
    • Inseminação artificial (intrauterina): o médico seleciona os melhores espermatozoides do parceiro em laboratório e os introduz diretamente dentro do útero através de um cateter fino, no momento da ovulação. É ideal para casos de fator masculino leve ou quando o muco do colo do útero dificulta a passagem dos espermatozoides.

    Os tratamentos de baixa complexidade normalmente são menos agressivos, mais acessíveis e apresentam menor custo quando comparados às técnicas de alta complexidade.

    Alta complexidade

    Os tratamentos de alta complexidade em fertilidade são indicados quando existem dificuldades mais importantes para a gravidez natural ou quando os tratamentos de baixa complexidade não apresentaram resultado. Nestas técnicas, a fecundação é realizada em laboratório, fora do corpo da mulher.

    O principal tratamento de alta complexidade é a fertilização in vitro (FIV), em que a mulher utiliza medicamentos hormonais para estimular os ovários a produzirem múltiplos óvulos. Depois, os óvulos são coletados por punção ovariana e fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Após a formação dos embriões, um ou mais são transferidos para o útero.

    Em alguns casos, pode ser necessária a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), uma técnica realizada durante a FIV em que um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. Ela costuma ser indicada principalmente em situações de infertilidade masculina grave ou quando houve falha de fertilização prévia.

    Os tratamentos de alta complexidade normalmente são recomendados em casos de obstrução das tubas uterinas, endometriose avançada, baixa reserva ovariana, idade materna mais avançada, alterações importantes no espermograma ou infertilidade sem causa definida após múltiplas tentativas.

    Quando a doação de gametas é indicada?

    Quando a reserva ovariana está esgotada, como em casos de menopausa precoce, ou os óvulos/espermatozoides não têm qualidade genética para gerar um embrião saudável, o casal pode recorrer à ovodoação (óvulos doados) ou à doação de sêmen.

    As técnicas permitem que a mulher vivencie a gestação, utilizando material genético de doadores anônimos.

    Quais as taxas de sucesso do tratamento?

    As taxas de sucesso dos tratamentos para infertilidade variam de acordo com diversos fatores, principalmente a técnica utilizada, a idade da paciente, a reserva ovariana, a causa da infertilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Normalmente, os índices costumam ficar entre 15% e 25% por tentativa, especialmente nos tratamentos de baixa complexidade, como a indução da ovulação e a inseminação intrauterina.

    Já em clínicas especializadas e em casos considerados mais favoráveis, especialmente em mulheres mais jovens e sem alterações importantes, as taxas podem chegar a 40% por ciclo em técnicas como a fertilização in vitro (FIV).

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo é normal demorar para engravidar?

    Para casais com menos de 35 anos e sem problemas de saúde conhecidos, é considerado normal aguardar até 12 meses de tentativas frequentes.

    2. É verdade que a ansiedade atrapalha a gravidez?

    Sim. O estresse e o fator emocional afetam os estímulos neurológicos que regulam a pulsação dos hormônios, o que pode interferir na ovulação e na receptividade do útero.

    3. Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade?

    A infertilidade é a dificuldade em levar uma gestação até o fim (incluindo abortos de repetição), enquanto a esterilidade é a incapacidade total de engravidar naturalmente.

    4. Para que serve o exame de hormônio antimulleriano?

    Ele serve para medir a reserva ovariana da mulher, ou seja, a quantidade de folículos (ovos) que ela ainda possui disponíveis.

    5. Ter ciclos menstruais irregulares é sinal de infertilidade?

    Ciclos irregulares costumam indicar distúrbios hormonais ou falta de ovulação constante, o que dificulta a gravidez, mas pode ser tratado com indução medicamentosa.

    6. Quem já teve um filho pode ser infértil?

    Sim, isso se chama infertilidade secundária. Pode ocorrer devido a novas condições de saúde, idade avançada ou mudanças no parceiro.

    7. Abortos de repetição são considerados infertilidade?

    Sim. Quando a mulher engravida, mas não consegue manter a gestação até o nascimento de um bebê saudável, isso é classificado como um tipo de infertilidade.

    8. É possível engravidar com as trompas obstruídas?

    Se a obstrução for bilateral (nas duas trompas), a gravidez natural é impossível. Nesses casos, a indicação costuma ser a fertilização in vitro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    A colestase gravídica, também chamada de colestase intra-hepática da gravidez, é uma condição que pode surgir principalmente no terceiro trimestre da gestação e afeta o funcionamento do fígado.

    Ela acontece quando a bile não consegue ser liberada adequadamente para o intestino, causando o acúmulo de ácidos biliares na corrente sanguínea. Como consequência, a gestante pode apresentar sintomas bastante desconfortáveis, principalmente a coceira intensa na pele.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre a colestase gravídica, entender quais são os sinais de alerta e como é feito o tratamento da condição.

    O que é colestase gestacional?

    A colestase gestacional é uma alteração no funcionamento do fígado em que a bile, um líquido amarelo-esverdeado produzido pelo órgão que participa do processo de digestão de gorduras, não consegue chegar adequadamente ao intestino.

    Com isso, os ácidos biliares acabam se acumulando na corrente sanguínea e em outros tecidos do corpo, causando uma coceira intensa especialmente nas mãos e nos pés. A condição costuma ser mais comum no terceiro trimestre da gestação, período em que os níveis hormonais estão mais elevados.

    O que causa a colestase gestacional?

    A colestase gravídica acontece principalmente por causa das alterações hormonais da gravidez, segundo Andreia. A bile depende do equilíbrio entre colesterol, hormônios e alguns minerais para ser produzida e eliminada corretamente.

    A ginecologista explica que, quando ocorre um desequilíbrio nos componentes, a bile pode se acumular nos ductos hepáticos, que são os canais responsáveis por transportar a substância até a vesícula biliar e, depois, para o intestino.

    Com os ductos mais obstruídos ou funcionando de forma inadequada, os sais biliares acabam retornando para a corrente sanguínea, causando o aumento dos ácidos biliares no organismo. É justamente o acúmulo que provoca sintomas como a coceira intensa característica da doença.

    Além das alterações hormonais naturais da gestação, algumas mulheres também possuem uma predisposição individual para desenvolver a colestase gravídica. Ela pode estar relacionada a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade às mudanças hormonais da gravidez. Por isso, pequenas alterações hormonais já podem favorecer o acúmulo da bile no organismo.

    Sintomas da colestase gestacional

    O principal sintoma da colestase gravídica é a coceira intensa na pele, que começa nas palmas das mãos e nas solas dos pés, mas também pode se espalhar para outras partes do corpo. Segundo Andreia, quando ocorre o acúmulo dos sais biliares no sangue, as substâncias também se depositam logo abaixo da pele, provocando o sintoma.

    Diferente de alergias e outras doenças de pele, a colestase gravídica não provoca manchas, bolinhas ou feridas aparentes, mas a pele pode ficar machucada apenas pelo ato de coçar. Além disso, outros sintomas que podem surgir incluem:

    • Urina escura;
    • Fezes claras ou esbranquiçadas;
    • Cansaço excessivo;
    • Náuseas;
    • Perda do apetite;
    • Desconforto abdominal.

    Quando o quadro evolui e os níveis de bilirrubina ficam muito elevados, Andreia aponta que pode surgir a icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos. O primeiro sinal frequentemente aparece na esclera, a parte branca dos olhos.

    Como a colestase gravídica pode aumentar o risco de complicações para o bebê, qualquer coceira intensa e persistente durante a gravidez deve ser avaliada pelo obstetra.

    Toda coceira na gravidez é colestase?

    Nem toda coceira durante a gravidez significa colestase gestacional. Na verdade, a suspeita costuma surgir quando a coceira é intensa, generalizada, predominante nas mãos e nos pés, aparece na segunda metade da gestação e não apresenta lesões aparentes na pele.

    Quando a gestante possui manchas, bolinhas, vermelhidão ou outras lesões típicas de alergias e doenças dermatológicas, a investigação geralmente é direcionada primeiro para causas relacionadas à pele. Já na colestase gestacional, a coceira costuma acontecer sem alterações visíveis, além de normalmente piorar durante a noite.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da colestase gravídica é feito principalmente por meio da avaliação dos sintomas da gestante e de exames de sangue que analisam o funcionamento do fígado, como:

    • Dosagem de bilirrubinas e ácidos biliares: avalia os níveis dos sais biliares no sangue, que costumam aumentar quando a bile não consegue ser eliminada corretamente;
    • Enzimas hepáticas: incluem exames como TGO, TGP, fosfatase alcalina e gama-GT, que ajudam a verificar se existe inflamação ou sobrecarga no fígado;
    • Ultrassom de fígado e vesícula biliar: é utilizado para descartar outras possíveis causas para a alteração do fluxo da bile, como pedras na vesícula, cálculos biliares ou outras doenças hepáticas.

    Como a coceira intensa pode ter diferentes causas durante a gravidez, os exames ajudam a confirmar o quadro e identificar alterações relacionadas ao acúmulo da bile no organismo.

    Tratamento de colestase gestacional

    O tratamento da colestase gestacional é feito para aliviar os sintomas da gestante, controlar os níveis de ácidos biliares no sangue e reduzir os riscos para o bebê. Na maioria dos casos, Andreia explica que o médico indica o uso de ácido ursodesoxicólico, que ajuda a melhorar o fluxo da bile, diminuir o acúmulo dos sais biliares no organismo e aliviar a coceira intensa.

    Além do tratamento medicamentoso, a gestante precisa de um acompanhamento mais próximo durante a gravidez. Os exames de sangue são realizados com frequência para monitorar o funcionamento do fígado e os níveis de ácidos biliares, enquanto ultrassons e exames de avaliação fetal ajudam a acompanhar a saúde do bebê.

    Em geral, a colestase gestacional desaparece após o nascimento do bebê, quando os hormônios da gravidez diminuem e o funcionamento do fígado volta ao normal.

    Quando é necessário adiantar o parto?

    A necessidade de adiantar o parto na colestase gestacional depende da gravidade do quadro e da resposta ao tratamento. Segundo Andreia, a interrupção da gestação pode ser indicada quando existem sinais de sofrimento fetal ou quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos, mesmo com o uso da medicação adequada.

    Já nos casos em que a doença está bem controlada, com acompanhamento adequado da mãe e do bebê, o parto geralmente é programado entre 37 e 38 semanas de gestação, período considerado seguro para reduzir os riscos de complicações fetais relacionadas à colestase.

    Riscos para o bebê

    O principal risco para o bebê é que o excesso de ácidos biliares presente no sangue materno também pode passar para a circulação fetal. Em níveis muito altos, o acúmulo pode provocar sofrimento fetal e, em casos mais graves e raros, até óbito fetal.

    Apesar das complicações não serem frequentes, elas podem acontecer quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos e sem controle adequado. Por isso, a colestase gestacional requer um acompanhamento rigoroso e tratamento rápido.

    É possível prevenir a colestase gestacional?

    Não existe uma forma totalmente garantida de prevenir a colestase gestacional, principalmente porque a condição está muito relacionada às alterações hormonais da gravidez e à predisposição genética de cada mulher.

    Mesmo assim, o acompanhamento pré-natal adequado é necessário para identificar os sintomas precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes. Também deve-se manter hábitos saudáveis, ter uma alimentação equilibrada e seguir corretamente as orientações médicas, o que pode ajudar no cuidado da saúde do fígado durante a gestação.

    Mulheres que já tiveram colestase em uma gravidez anterior precisam de atenção redobrada, já que existe um maior risco de o quadro se repetir em outras gestações. Nesses casos, o acompanhamento médico costuma ser ainda mais próximo desde o início da gravidez.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Em qual período da gestação ela é mais comum?

    Normalmente no terceiro trimestre (da metade para o fim da gravidez). É raro que a colestase apareça logo no início da gestação.

    2. Existe alguma região do corpo onde a coceira começa?

    Sim, o quadro clássico começa na palma das mãos e na planta dos pés, podendo depois se espalhar para o corpo todo.

    3. Usar apenas antialérgico (anti-histamínico) resolve o problema?

    Não. O antialérgico pode ajudar a aliviar levemente o sintoma da coceira, mas não trata a causa. O tratamento essencial é o ácido ursodesoxicólico.

    4. O que significa dizer que a colestase é uma doença “autolimitada”?

    Significa que ela tem um fim determinado. Como é desencadeada pelos hormônios da gestação, assim que a gravidez termina e os níveis hormonais retornam ao normal, a doença se resolve sozinha.

    5. Qual a relação entre a bile e a digestão de gorduras?

    A bile é produzida no fígado, armazenada na vesícula e jogada no intestino. Sua função principal é atuar como um “detergente”, ajudando o organismo a quebrar e absorver as gorduras dos alimentos.

    6. O que acontece se a medicação não conseguir controlar os níveis de sais biliares?

    Se os ácidos biliares continuarem aumentando muito ou se não houver resposta adequada ao tratamento medicamentoso, a recomendação é a interrupção da gestação para evitar o risco de sofrimento fetal.

    7. O tratamento da colestase pode exigir cirurgia?

    A colestase gravídica em si é tratada com remédios. Porém, se o ultrassom mostrar que o acúmulo de bile é causado por um cálculo (pedra) obstruindo o canal, o tratamento pode passar a ser cirúrgico.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Você já deve saber que toda a mulher já nasce com uma quantidade limitada de óvulos. Ao contrário dos homens, que produzem espermatozoides ao longo de quase toda a vida, a reserva ovariana diminui progressivamente a cada ciclo menstrual, desde a puberdade até a menopausa.

    A partir dos 35 anos de idade, a redução tende a ser ainda mais acelerada, tanto em quantidade quanto em qualidade. Na prática, isso pode se refletir em uma menor chance de engravidar naturalmente a cada ciclo, além de um aumento no tempo necessário para que a gestação aconteça.

    Mas afinal, como é feita a avaliação da reserva ovariana? A seguir, esclarecemos tudo que você precisa saber para entender como o corpo funciona nesse período da vida e quais são os exames fundamentais para medir seu estoque de óvulos.

    O que é a reserva ovariana?

    A reserva ovariana é o termo usado para descrever a quantidade total de óvulos que uma mulher possui nos ovários em um determinado momento.

    Diferente de outros tecidos do corpo que se regeneram, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a mulher já nasce com uma quantidade determinada de óvulos que serão liberados até o último, o que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos.

    A cada ciclo menstrual, o corpo recruta um grupo de óvulos, mas apenas um costuma amadurecer e ser liberado, enquanto os outros acabam se degenerando e sendo reabsorvidos pelo organismo. O processo é ininterrupto e acontece mesmo durante o uso de anticoncepcionais, na gravidez ou em ciclos sem ovulação.

    Vale entender que nem todos os óvulos disponíveis serão utilizados em ovulações. A maior parte deles se perde ao longo do tempo em um processo natural do organismo. Por isso, a reserva ovariana não depende apenas da idade, mas a idade ainda é o principal fator que influencia a redução.

    Com o passar dos anos, também ocorre uma queda na qualidade dos óvulos, o que pode impactar diretamente a fertilidade e as chances de uma gestação saudável.

    Por que a fertilidade diminui após os 35 anos?

    A queda da fertilidade após os 35 anos acontece por uma combinação de fatores que afetam tanto a quantidade e a qualidade dos óvulos quanto o funcionamento do sistema reprodutor:

    • Esgotamento do estoque (quantidade): a mulher não produz novos óvulos. Aos 35 anos, a reserva já está mais reduzida e o ritmo de perda acelera, diminuindo as chances de ovulação eficaz a cada ciclo;
    • Envelhecimento celular (qualidade): os óvulos envelhecem com o tempo, o que dificulta a divisão celular adequada. Isso aumenta o risco de aneuploidias e pode comprometer o desenvolvimento do embrião ou elevar o risco de abortamento;
    • Alterações no ciclo hormonal: com a reserva mais baixa, o organismo aumenta a produção de FSH para estimular os ovários, o que pode causar ciclos mais curtos ou ovulações irregulares;
    • Maior exposição a doenças ginecológicas: condições como endometriose, miomas uterinos e histórico de infecções tornam-se mais frequentes com a idade e podem dificultar a gestação;
    • Receptividade uterina: o útero envelhece mais lentamente, mas pequenas alterações no endométrio ou na circulação podem dificultar a implantação do embrião.

    Como saber se a reserva ovariana está baixa?

    Para saber se a reserva ovariana está baixa, é necessário fazer uma avaliação médica com exames específicos, como:

    1. Hormônio anti-mülleriano (AMH)

    O hormônio anti-mülleriano é um exame de sangue que estima a quantidade de folículos presentes nos ovários, funcionando como um indicador indireto do número de óvulos disponíveis.

    Os valores mais baixos normalmente sugerem uma reserva reduzida, enquanto valores altos podem indicar uma boa quantidade de óvulos ou, em alguns casos, condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Diferente de outros hormônios, ele pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, pois os níveis não oscilam significativamente ao longo do mês.

    2. FSH (Hormônio Folículo Estimulante)

    O FSH é avaliado por meio de um exame de sangue realizado obrigatoriamente no início do ciclo menstrual, frequentemente entre o 2º e o 5º dia da menstruação. O hormônio é produzido pelo cérebro para estimular os ovários a amadurecerem um óvulo.

    Quando os níveis de FSH estão elevados, é um sinal de que o organismo está fazendo um esforço extra para tentar fazer os ovários funcionarem, o que sugere uma baixa reserva ou dificuldade de resposta ovariana.

    3. Contagem de folículos antrais (CFA)

    A contagem de folículos antrais é realizada por meio de um ultrassom transvaginal, em que o médico observa e conta os pequenos folículos presentes nos ovários naquele momento. O número ajuda a estimar a reserva ovariana de forma mais direta e também a entender como os ovários responderiam a um possível tratamento de fertilidade.

    4. Estradiol

    O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e está relacionado ao desenvolvimento dos folículos, sendo dosado por exame de sangue no início do ciclo menstrual. Quando os níveis estão alterados, podem interferir na interpretação do FSH e oferecer informações adicionais sobre o funcionamento ovariano.

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos?

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos, mas como a fertilidade tende a diminuir com a idade, o processo pode ser mais demorado e difícil. De acordo com Andreia, as chances de concepção variam significativamente de acordo com a idade:

    • Aos 25 anos: a mulher está no auge da fertilidade, com uma chance de engravidar de 20% a 25% a cada ciclo menstrual;
    • Aos 35 anos: a fertilidade sofre uma queda acentuada, reduzindo as chances para cerca de 10% a 15% por mês;
    • A partir dos 40 anos: o esgotamento da reserva ovariana torna a gravidez natural mais difícil, com chances inferiores a 10% em cada tentativa.

    Além disso, com o avanço da idade, Andreia explica que algumas comorbidades se tornam mais frequentes, como o diabetes, a hipertensão e as doenças da tireoide. As condições podem interferir tanto na fertilidade quanto na evolução da gestação, especialmente quando não estão bem controladas.

    Quando procurar um especialista?

    É recomendado realizar uma avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana nas seguintes situações:

    • Após 12 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com menos de 35 anos;
    • Após 6 meses de tentativas, para mulheres com 35 anos ou mais.

    Em algumas situações, a investigação deve ser antecipada, independentemente do tempo de tentativa, como nos casos de ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação, que podem indicar alterações na ovulação.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. A reserva ovariana pode aumentar com tratamento?

    Não, a mulher nasce com um estoque fixo e limitado de óvulos. Os tratamentos podem ajudar a aproveitar melhor os óvulos restantes, mas não conseguem criar novos óvulos ou aumentar o estoque original.

    2. O uso de anticoncepcional preserva a reserva ovariana?

    Não. O anticoncepcional impede a ovulação, mas o processo de perda natural (atresia folicular) continua acontecendo todos os meses, independentemente do uso de hormônios.

    3. Quem tem reserva baixa pode ter filhos?

    Sim, a reserva baixa indica que a quantidade é menor, mas não significa infertilidade. Se a qualidade do óvulo for boa, a gravidez pode ocorrer naturalmente ou com auxílio médico.

    4. O estilo de vida interfere na reserva ovariana?

    O estilo de vida não muda a quantidade, mas afeta drasticamente a qualidade. Por isso, cigarro, má alimentação e obesidade aceleram a perda e danificam os óvulos restantes.

    5. Existe algum sintoma físico de que meus óvulos estão acabando?

    Na maioria das vezes não há sintomas. Algumas mulheres notam apenas que o ciclo menstrual ficou mais curto (exemplo: de 28 para 24 dias).

    6. Posso congelar óvulos com reserva baixa?

    Sim, mas pode ser necessário realizar mais de um ciclo de estimulação ovariana para coletar uma quantidade segura de óvulos.

    7. O que fazer se o exame der reserva baixa aos 35 anos?

    O primeiro passo é consultar um especialista em reprodução humana para discutir se o plano é engravidar agora (tentativa natural ou assistida) ou preservar a fertilidade via congelamento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    Parto cesárea é obrigatório após os 35 anos de idade? Veja quando ele realmente é indicado

    A gravidez em idade mais avançada, normalmente considerada a partir dos 35 anos, apresenta um risco maior de comorbidades para a mãe, como pressão alta e diabetes gestacional, condições que podem elevar a indicação de uma cesárea. Mas será que a idade, por si só, define a via de parto?

    Apesar da incidência de intervenções cirúrgicas ser maior em mulheres nessa faixa etária, na prática, a escolha entre o parto normal e a cesárea precisa considerar fatores como a saúde da gestante, o histórico de gestações, como a gravidez está evoluindo e as condições do bebê.

    A idade obriga a realização de cesárea?

    A resposta é não, a idade sozinha não obriga a realização de uma cesárea. O que acontece é que, após os 35 anos, acontece uma maior incidência de condições que podem levar à indicação cirúrgica, como pressão alta e diabetes, segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    No entanto, uma mulher com 35 anos ou mais pode ter um parto normal de forma segura, desde que a gestação esteja evoluindo sem complicações graves. A decisão pela via de parto é baseada em fatores clínicos, e não apenas na data de nascimento da gestante.

    Por que a cesárea é mais comum após os 35 anos?

    A cesárea é mais comum após os 35 anos porque há uma maior incidência de fatores de risco e complicações clínicas, como:

    • Diabetes gestacional: o aumento do açúcar no sangue, identificado pela primeira vez durante a gravidez, pode levar ao crescimento excessivo do bebê (macrossomia), dificultando a passagem pelo canal de parto;
    • Hipertensão arterial e pré-eclâmpsia: são condições que podem exigir a antecipação do parto ou limitar a realização do parto normal devido ao risco materno, como AVC ou convulsões;
    • Doenças crônicas (tireoidianas, cardíacas, autoimunes): são mais frequentes com o avanço da idade e, dependendo do caso, podem contraindicar o esforço do parto vaginal;
    • Insuficiência placentária: ocorre quando a placenta não consegue fornecer oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente para o bebê. Durante o trabalho de parto, com as contrações, essa troca pode se tornar ainda mais limitada, dificultando a tolerância do bebê ao processo;
    • Oligoidrâmnio (pouco líquido amniótico): a redução do líquido diminui a proteção ao redor do bebê e pode favorecer a compressão do cordão umbilical durante as contrações, interferindo na oxigenação fetal e aumentando o risco de alterações nos batimentos cardíacos.

    Uma mulher com 35 anos ou mais que está na sua primeira gestação (primípara) tem, em geral, uma maior probabilidade de cesárea do que uma mulher da mesma faixa etária que já teve partos normais.

    O primeiro parto é, por si só, um fator de risco para cesárea, pois o colo do útero e os tecidos pélvicos estão passando pelo processo de dilatação e parto pela primeira vez, o que pode levar a um trabalho de parto mais longo ou dificuldades na progressão.

    Quando o parto normal é indicado?

    O parto normal é indicado quando a gestação está evoluindo de forma saudável, como nas seguintes situações:

    • A gestante está em boas condições de saúde, sem doenças que contraindiquem o trabalho de parto ou aumentem o risco durante o esforço;
    • A gravidez evolui sem complicações importantes, com um pré-natal dentro do esperado e sem intercorrências relevantes;
    • O bebê está bem e com crescimento adequado, com batimentos cardíacos normais e sem sinais de sofrimento fetal;
    • O bebê está na posição adequada, preferencialmente de cabeça para baixo (posição cefálica), o que facilita a passagem pelo canal de parto;
    • A placenta está bem posicionada, sem obstruir o colo do útero;
    • O trabalho de parto evolui de forma adequada, com contrações eficazes, progressão da dilatação e descida do bebê.

    É importante lembrar que a escolha pelo parto normal não depende de um único fator, mas de uma combinação de condições. Mesmo quando tudo começa bem, deve-se manter o acompanhamento durante o trabalho de parto para observar como tudo está evoluindo e garantir a segurança da mãe e do bebê em cada momento.

    Quando a decisão sobre a via de parto deve ser tomada?

    A decisão sobre a via de parto não precisa ser tomada logo no início da gestação. Na verdade, ela é um processo construído ao longo do pré-natal, durante as conversas com o médico.

    Nas primeiras consultas, a gestante pode compartilhar os seus desejos, expectativas e até possíveis receios, mas é mais para o final da gravidez, por volta da 34ª a 36ª semana, que já é possível avaliar com mais precisão a posição do bebê, a saúde da placenta e as condições clínicas da gestante, o que ajuda a definir o caminho mais seguro.

    Caso a escolha seja por uma cesárea programada, a legislação brasileira permite que o agendamento seja feito a partir da 39ª semana, um momento em que o bebê já está mais maduro e preparado para o nascimento.

    Ainda assim, é importante lembrar que o plano pode mudar durante o trabalho de parto, caso surja qualquer sinal de risco, já que a prioridade sempre será a segurança da mãe e do bebê.

    Como se preparar para o parto após os 35 anos?

    Primeiro de tudo, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência, de acordo com Andreia. O período permite avaliar a saúde de maneira mais completa e adotar hábitos de vida saudáveis, que contribuem para uma gestação saudável.

    Para quem já está grávida ou planejando os próximos passos, a preparação para o parto envolve alguns cuidados, como:

    • Mantenha o pré-natal em dia: as consultas e exames regulares são importantes para acompanhar de perto a saúde da placenta e o desenvolvimento do bebê;
    • Cuide do assoalho pélvico: a fisioterapia pélvica ajuda a preparar a musculatura para o parto, além de evitar desconfortos como a perda de urina;
    • Alimente-se com equilíbrio: priorizar alimentos naturais e controlar o açúcar ajuda a evitar a pressão alta e o diabetes gestacional;
    • Pratique atividades leves: caminhadas, hidroginástica ou pilates para gestantes melhoram a resistência física e ajudam no controle do peso;
    • Priorize o descanso: o corpo pede mais energia nessa fase, então respeite os limites e tente manter uma rotina de sono tranquila.

    Além dos cuidados físicos, é importante cuidar também do preparo emocional para o parto, porque ele faz toda a diferença na experiência como um todo. Ter acesso a uma informação de qualidade, participar de cursos para gestantes e manter uma conversa aberta com o médico ajudam a diminuir a ansiedade e a trazer mais segurança e tranquilidade para o momento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Toda grávida com mais de 35 anos é considerada “gestante de alto risco”?

    Nem sempre. Apesar da idade exigir um monitoramento mais atento, se a mulher for saudável e não tiver doenças crônicas ou complicações na gravidez, ela pode ser acompanhada como uma gestação de risco habitual.

    2. É verdade que a bacia “fica rígida” com a idade?

    Isso é um mito. As articulações da bacia se tornam mais flexíveis durante a gravidez devido à ação de hormônios como a relaxina, independentemente da idade.

    3. Posso ter parto normal se a minha gravidez foi por FIV?

    Sim, a técnica usada para engravidar não impede o parto normal. A decisão dependerá apenas da saúde da mãe e do bebê durante a gestação.

    4. A recuperação da cesárea é mais lenta após os 35?

    O tempo de cicatrização pode ser ligeiramente maior, mas o que mais influencia a recuperação é a saúde geral da mulher e se ela teve complicações como diabetes ou anemia.

    5. Posso ter parto humanizado após os 35 anos?

    Com certeza. O parto humanizado é focado no respeito às escolhas da mulher e na segurança, e pode ser realizado tanto no parto normal quanto na cesárea necessária.

    6. O risco de pré-eclâmpsia aumenta no final da gravidez?

    Sim, o risco aumenta levemente com a idade, por isso aferir a pressão arterial em todas as consultas e ficar atenta a inchaços súbitos é fundamental.

    7. O que é mais seguro: cesárea agendada ou esperar o parto normal?

    Não há uma resposta única. A opção mais segura é aquela discutida com seu médico, baseada nos exames mais recentes e no bem-estar do seu bebê naquele momento.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    A busca por estabilidade profissional, financeira ou pessoal está entre os motivos pelos quais algumas mulheres optam por adiar a maternidade. No entanto, o corpo feminino passa por mudanças naturais com o avanço da idade, especialmente em relação à fertilidade.

    Após os 35 anos, o organismo apresenta uma redução mais expressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, além de uma maior predisposição ao surgimento de comorbidades que podem impactar a gestação.

    Isso não significa que a gravidez seja impossível, mas destaca a importância de informação, acompanhamento médico e de medidas que ajudem nesse processo. Vamos entender mais a seguir.

    O que muda na fertilidade após os 35 anos?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que serão liberados ao longo da vida reprodutiva até a chegada da menopausa.

    A reserva ovariana sofre um impacto significativo por volta dos 35 anos, em que ocorre uma queda não apenas na quantidade, mas também na qualidade das células. Com o envelhecimento dos gametas, as chances de erros na divisão celular aumentam, o que eleva o risco de alterações genéticas, como as cromossomopatias.

    A especialista ainda ressalta que a idade é um ponto de transição metabólica. É quando o organismo começa a apresentar uma maior prevalência de comorbidades, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, com um acompanhamento pré-concepcional adequado, é possível identificar riscos precocemente e preparar o corpo para uma gestação saudável.

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35?

    1. Cuide do planejamento antes de tentar

    Na consulta pré-concepcional, o médico avalia o estado geral da saúde, solicita exames, verifica o status vacinal e orienta a suplementação, como o uso de ácido fólico.

    Também é o momento de ajustar medicações e controlar doenças pré-existentes, como problemas de tireoide ou resistência à insulina. Segundo Andreia, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência.

    2. Conheça o seu ciclo e o período fértil

    Com o avanço da idade, as chances de engravidar por ciclo diminuem de forma natural. Por volta dos 25 anos, a probabilidade de gravidez a cada ciclo menstrual está entre 20% e 25%, enquanto aos 35 anos a taxa pode cair para cerca de 10% a 15%.

    Assim, vale entender o funcionamento do ciclo menstrual e identificar o período fértil, pois ter relações sexuais próximas ao momento da ovulação aumenta as chances de concepção.

    Para ajudar no processo, podem ser usados aplicativos de monitoramento do ciclo, que ajudam a prever os dias férteis, além de testes de ovulação disponíveis em farmácias, que identificam alterações hormonais relacionadas à ovulação.

    3. Envolva o parceiro no processo

    Segundo Andreia, a qualidade do espermatozoide muda ao longo do tempo, sendo responsável por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. É necessário que o parceiro também participe ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como:

    • Redução ou eliminação do cigarro;
    • Moderação no consumo de álcool;
    • Adoção de uma alimentação equilibrada;
    • Controle do peso corporal, já que a obesidade pode prejudicar a qualidade dos espermatozoides.

    Em alguns casos, o médico pode indicar a realização de um espermograma, exame que avalia a quantidade, a motilidade e a morfologia dos gametas masculinos.

    4. Melhore o estilo de vida e cuide da saúde dos óvulos

    Não é possível aumentar a quantidade de óvulos ao longo da vida, mas é viável melhorar o ambiente hormonal e metabólico em que eles se desenvolvem, a partir de medidas como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, antioxidantes e gorduras boas, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando o próprio corpo, já que o movimento ajuda no equilíbrio hormonal, na circulação e na saúde metabólica;
    • Controlar o peso corporal, evitando tanto o excesso quanto a baixa de peso, pois ambos podem interferir no funcionamento dos hormônios e na ovulação;
    • Reduzir o estresse no dia a dia, com estratégias como momentos de descanso, sono de qualidade e atividades que promovam bem-estar.

    Após os 30 anos, algumas alterações, como a resistência à insulina e disfunções da tireoide, se tornam mais frequentes e podem impactar a fertilidade, sendo necessário manter o acompanhamento médico e o controle das condições.

    5. Considere o congelamento de óvulos

    Para mulheres com 35 anos ou mais que ainda não pretendem engravidar, o congelamento de óvulos é uma medida de planejamento reprodutiva que permite preservar os óvulos no momento atual, mantendo a qualidade das células para uma tentativa futura.

    O processo envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e o congelamento em laboratório, sempre com acompanhamento médico especializado. Dessa forma, quando a mulher decidir engravidar, poderá utilizar óvulos mais jovens, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

    Vale lembrar que, quanto mais cedo o congelamento é realizado (idealmente antes dos 35 anos), maiores são as chances de sucesso no futuro. Ele não é uma garantia de 100% de gravidez futura, mas aumenta consideravelmente as chances em comparação à tentativa natural em idade avançada, segundo Andreia.

    Quando procurar um especialista em reprodução humana?

    Para mulheres com mais de 35 anos, a recomendação médica é procurar um especialista em reprodução humana:

    • Após 6 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com 35 anos ou mais;
    • Após 12 meses de tentativas, para mulheres com menos de 35 anos.

    Em qualquer idade, a presença de fatores como ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou histórico de dificuldade para engravidar pode justificar uma investigação antecipada.

    O especialista poderá solicitar exames, avaliar o casal de forma completa e indicar o melhor caminho, que pode ir desde ajustes simples até tratamentos mais específicos. Quanto mais cedo a investigação começa, maiores tendem a ser as chances de sucesso.

    Veja também: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Engravidar após os 35 é considerado sempre uma gravidez de alto risco?

    Não, muitas mulheres têm gestações de baixo risco nessa idade. O risco depende da presença de doenças prévias (como hipertensão) ou de condições que surgem durante o pré-natal.

    2. O uso prolongado de anticoncepcional pode dificultar a gravidez mais tarde?

    Não. Ao parar o método, a fertilidade que a mulher terá é a que ela já teria naturalmente para a sua idade atual.

    3. Quais são os principais riscos da gravidez tardia para o bebê?

    O principal risco é o aumento de cromossomopatias (alterações genéticas), como a Síndrome de Down. Isso ocorre porque os óvulos envelhecem e podem apresentar erros na divisão celular.

    4. E quais são os riscos para a saúde da mãe?

    Há uma maior incidência de comorbidades metabólicas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), além de uma maior taxa de partos cesárea.

    5. Como o estilo de vida do homem influencia o processo?

    O espermatozoide é sensível a hábitos como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e dietas inflamatórias. Melhorar o estilo de vida pode elevar significativamente a viabilidade do sêmen.

    6. Por que devo tomar ácido fólico antes de engravidar?

    O ácido fólico deve ser iniciado pelo menos 3 meses antes da concepção para prevenir malformações no tubo neural do bebê (cérebro e medula).

    7. O pré-natal de uma mulher de 35 anos é diferente?

    O protocolo é o mesmo, mas o médico terá uma vigilância maior para detectar precocemente sinais de diabetes ou pressão alta, realizando exames de rastreio genético com mais atenção.

    8. Como saber se ainda sou fértil aos 35 ou 40 anos?

    O médico pode solicitar exames como a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a ultrassonografia para contagem de folículos antrais para avaliar a reserva ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Durante a gravidez, o corpo da mulher convive com tantas mudanças que é natural se perguntar se ela fica mais vulnerável a infecções ou se qualquer sintoma, como uma febre, já é motivo de preocupação.

    Na prática, o que acontece é uma redução da resposta imune celular e um aumento da resposta humoral. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é uma adaptação fisiológica do organismo para manter a gestação e evitar rejeição ou aborto.

    Mas, ao mesmo tempo, as mudanças também podem modificar a forma como o corpo reage a vírus, bactérias e processos inflamatórios. Conversamos com a especialista para entender o que é esperado, o que merece atenção e quando procurar ajuda médica. Confira!

    Quando a febre na gravidez é preocupante?

    A febre na gravidez é sempre um sinal de alerta e deve ser investigada, mesmo quando aparece sem nenhum outro sintoma associado, segundo Andreia. Ela normalmente indica a presença de uma infecção no organismo, e o ideal é identificar a causa o quanto antes para iniciar o tratamento adequado.

    O aumento da temperatura corporal pode impactar tanto a mãe quanto o bebê, elevando a frequência cardíaca de ambos e aumentando o gasto metabólico. Dependendo do agente causador, algumas infecções podem atravessar a barreira placentária e atingir o feto.

    Gestantes ficam mais vulneráveis a infecções?

    A resposta é não necessariamente. O que acontece, na prática, é uma mudança no funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com Andreia, o organismo feminino na gravidez passa por uma modulação imunológica complexa e necessária para garantir a sobrevivência do feto. Como o bebê possui material genético diferente do materno, o corpo realiza um ajuste inteligente para não o identificar como um agente invasor.

    Contudo, a mudança altera a forma como o sistema imunológico responde a determinados patógenos. As gestantes não ficam necessariamente mais vulneráveis a infecções, mas passam a ter um sistema de defesa que funciona de maneira diferente, o que pode aumentar a suscetibilidade a infecções virais, como gripes e resfriados, e a complicações respiratórias, já que a resposta celular se torna menos intensa.

    Além disso, algumas infecções podem se manifestar de forma atípica durante a gestação, com sintomas mais leves ou diferentes do habitual, o que pode atrasar a identificação do problema. Por isso, qualquer sinal of infecção, mesmo que pareça simples, deve ser avaliado com atenção.

    Quais as infecções mais comuns na gravidez?

    As infecções mais comuns na gravidez incluem:

    • Infecção urinária: é a mais frequente na gestação e pode acontecer sem sintomas, por isso é rastreada no pré-natal. Quando não tratada, pode evoluir para infecção renal e aumentar o risco de complicações, como parto prematuro;
    • Infecções respiratórias: incluem gripe, resfriados e covid-19, e podem se manifestar de forma diferente na gestante e, em alguns casos, evoluir com mais gravidade, exigindo acompanhamento mais próximo;
    • Infecções gastrointestinais: normalmente estão relacionadas ao consumo de alimentos contaminados. Podem causar diarreia, vômitos e desidratação, o que exige atenção, principalmente pela perda de líquidos;
    • Infecções de pele: como furúnculos ou celulites costumam ter evolução semelhante à de pessoas não gestantes, mas ainda assim precisam ser avaliadas para evitar complicações.

    Existem infecções que podem ser transmitidas ao feto (transmissão vertical) e por isso são rastreadas rigorosamente no pré-natal:

    • Toxoplasmose, normalmente contraída por água ou alimentos contaminados;
    • Citomegalovírus (CMV), é um vírus comum da família da herpes que pode ser transmitido pelo contato com fluidos corporais;
    • Sífilis e outras ISTs, que devem ser detectadas precocemente para evitar malformações ou complicações no nascimento;
    • Listeriose, uma infecção bacteriana ligada ao consumo de alimentos crus ou mal lavados, que pode ser perigosa para a placenta.

    Riscos da febre e de infecções na gravidez

    A febres leve e passageira normalmente não é perigosa, mas dependendo da intensidade e da causa, ela também pode impactar o bebê, principalmente no início da gravidez, que é um período mais sensível para o desenvolvimento.

    Quando a temperatura da mãe aumenta, o organismo entra em um estado de maior esforço, com aceleração do metabolismo. Andreia aponta que isso pode levar ao aumento da frequência cardíaca tanto da gestante quanto do bebê, como uma resposta natural do corpo ao processo infeccioso.

    Além disso, alguns tipos de infecção conseguem atravessar a placenta, que funciona como uma espécie de barreira de proteção, aumentando o risco de malformações congênitas ou até de aborto espontâneo.

    Em estágios mais avançados, o processo inflamatório pode estimular a liberação de substâncias que provocam contrações uterinas precoces, resultando em parto prematuro ou restrição de crescimento fetal, quando o bebê não recebe os nutrientes necessários para se desenvolver plenamente.

    Algumas infecções bacterianas e virais persistentes, inclusive, podem comprometer a oxigenação do bebê, o que requer um acompanhamento médico mais rigoroso.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    A gestante deve procurar o pronto-socorro o quanto antes sempre que apresentar febre, mesmo que seja o único sintoma. Também é importante ficar atento aos seguintes sinais, que podem indicar uma infecção:

    • Temperatura igual ou maior que 38 °C;
    • Febre que persiste por mais de 24 horas;
    • Dor ao urinar ou suspeita de infecção urinária;
    • Falta de ar, tosse intensa ou dor no peito;
    • Vômitos persistentes ou dificuldade para se alimentar;
    • Dor abdominal ou contrações;
    • Mal-estar importante ou sensação de fraqueza.

    Na gestação, o ideal é não esperar os sintomas piorarem e também não aguardar a consulta pré-natal. A avaliação precoce ajuda a identificar a causa e iniciar o tratamento mais seguro para a mãe e o bebê.

    Como tratar a febre na gravidez?

    O tratamento da febre costuma envolver o uso de medicamentos para controlar a temperatura, como paracetamol e dipirona, que são considerados seguros durante a gravidez. No entanto, Andreia ressalta que eles não tratam a causa da febre, apenas aliviam o sintoma.

    Para o tratamento das infecções, é necessário identificar o agente causador, pois cada condição requer uma abordagem específica. Entre as mais comuns, Andreia explica:

    • Infecção urinária pode exigir antibióticos específicos, definidos após exames como a urocultura;
    • Infecções bacterianas têm tratamento direcionado conforme o agente;
    • Infecções virais, na maioria das vezes, são tratadas com suporte, como hidratação e repouso;
    • Em casos de influenza, pode ser indicado antiviral como o oseltamivir.

    Hoje, exames como o PCR (reação em cadeia da polimerase) permitem identificar com precisão o agente infeccioso, especialmente vírus, o que facilita um diagnóstico mais assertivo.

    Vale lembrar que a gestante não deve tomar medicamentos por conta própria. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais seguro e adequado.

    Como prevenir infecções durante a gravidez?

    A prevenção das infecções na gravidez está muito ligada aos hábitos do dia a dia, como:

    • Manter boa higiene das mãos ao longo do dia;
    • Ter uma alimentação equilibrada e bem higienizada;
    • Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e ovos;
    • Beber bastante água para manter o organismo hidratado;
    • Dormir bem, com sono de qualidade;
    • Praticar atividade física de forma regular e orientada;
    • Manter as vacinas recomendadas em dia;
    • Evitar contato com pessoas doentes sempre que possível.

    Também é importante manter o pré-natal em dia, já que muitos exames ajudam a identificar infecções silenciosas antes mesmo de causarem sintomas.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Qual temperatura é considerada febre na gravidez?

    A partir de 37,8°C já é considerado estado febril. Acima de 38°C, a gestante deve monitorar de perto e entrar em contato com o médico.

    2. Posso tomar paracetamol para baixar a febre?

    Sim, o paracetamol é geralmente o analgésico e antitérmico mais seguro na gestação. No entanto, a dose deve ser sempre orientada pelo obstetra.

    3. O que causa calafrios na gravidez sem febre?

    As mudanças hormonais ou ansiedade podem causar calafrios. Porém, se houver mal-estar, pode ser o início de uma infecção que ainda não manifestou febre.

    4. Como saber se o corrimento é infecção ou normal da gravidez?

    O corrimento normal é fluido e sem cheiro. Se houver cor (amarelado, esverdeado), coceira ou odor forte, pode ser candidíase ou vaginose.

    5. O que é a infecção pelo Estreptococo B?

    É uma bactéria que pode habitar o trato genital da mulher. Ela não costuma causar sintomas na mãe, mas pode infectar o bebê durante o parto normal.

    6. Banho frio ajuda a baixar a febre na gestante?

    O ideal é o banho morno. O banho muito frio pode causar choque térmico e tremores, o que aumenta ainda mais a temperatura interna do corpo.

    7. Quando a febre é considerada uma emergência?

    Se a temperatura não baixar com remédios, se houver falta de ar, dor abdominal forte, sangramento, diminuição dos movimentos do bebê ou confusão mental.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Treino na gravidez: por que é importante monitorar a frequência cardíaca? 

    Treino na gravidez: por que é importante monitorar a frequência cardíaca? 

    O aumento do volume sanguíneo, a dilatação dos vasos periféricos e o aumento da quantidade de sangue bombeado por minuto são algumas das principais alterações que acontecem durante a gravidez, o que faz com que o sistema cardiovascular da mulher trabalhe de forma mais intensa ao longo de toda a gestação.

    Por isso, quando a gestante tem uma rotina regular de treinos, é importante uma atenção especialmente na frequência cardíaca. “Uma frequência cardíaca elevada por tempo prolongado pode comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário — ou seja, o sangue que chega até o bebê”, explica o cardiologista Giovanni Henrique Pinto.

    Além disso, em casos de gestantes com condições de risco, como cardiopatias ou hipertensão, o especialista esclarece que o exercício sem monitoramento pode desencadear eventos mais graves. Vamos entender mais, a seguir.

    Como a gravidez muda a frequência cardíaca?

    Desde o primeiro trimestre, Giovanni explica que a frequência cardíaca de repouso tende a aumentar de forma progressiva, podendo ficar entre 10 e 20 batimentos por minuto acima do habitual. O coração precisa bombear mais sangue de forma contínua, tanto para o organismo materno quanto para a placenta e o bebê.

    Por consequência, a gestante passa a atingir frequências mais altas com esforços menores do que antes da gravidez. “Em outras palavras, um exercício que antes parecia leve pode se tornar moderado ou até intenso durante a gestação — mesmo que a sensação subjetiva de esforço ainda não seja tão grande”, complementa o cardiologista.

    Por isso, é necessário ajustar os parâmetros de intensidade ao longo da gravidez, em vez de simplesmente manter a mesma rotina de antes de engravidar.

    Qual a frequência cardíaca ideal para gestantes durante o treino?

    Não existe uma única frequência cardíaca ideal que sirva para todas as gestantes durante o treino, uma vez que a resposta do coração varia de acordo com a idade, o nível de condicionamento físico, o estágio da gestação e até a presença de alguma condição clínica.

    Segundo Giovanni, a orientação mais atual envolve observar como a gestante se sente durante o exercício. As ferramentas como a percepção de esforço (Escala de Borg) e o “teste da fala” (conseguir conversar enquanto se exercita) ajudam a entender se a intensidade está adequada.

    A frequência cardíaca continua sendo um parâmetro útil, especialmente quando associada à avaliação médica prévia e ao acompanhamento profissional.

    “Gestantes sem complicações e com boa aptidão cardiovascular podem tolerar esforços moderados a intensos, enquanto outras precisam de restrições mais rígidas”, aponta o cardiologista.

    Smartwatches são confiáveis para monitorar a frequência cardíaca?

    Os dispositivos vestíveis, como smartwatches e monitores de frequência cardíaca, podem ajudar a gestante a ter mais consciência sobre a intensidade do exercício. Mas, apesar de práticos e acessíveis, eles não devem substituir a avaliação médica.

    “Esses dispositivos mostram o que está acontecendo, mas não conseguem avaliar se aquela frequência é segura para uma gestante específica. Por exemplo, uma frequência de 160 bpm pode ser adequada para uma gestante com bom condicionamento e acompanhamento adequado, mas pode não ser segura para outra com algum risco cardiovascular”, detalha Giovanni.

    Portanto, o cardiologista orienta que a gestante tenha uma avaliação cardiológica antes de iniciar ou manter um programa de exercícios. Os dispositivos podem ser usados como auxílio, não como única referência de segurança.

    Como ajustar a intensidade do exercício conforme o trimestre da gestação?

    A intensidade do exercício na gestação precisa ser ajustado conforme as mudanças do corpo e como a gestante se sente em cada fase:

    • Primeiro trimestre: as principais preocupações são o risco de aumento excessivo da temperatura corporal e os enjoos e a fadiga frequentes. Giovanni aponta que exercícios moderados costumam ser bem tolerados, mas é importante evitar ambientes muito quentes e manter uma boa hidratação;
    • Segundo trimestre: muitas mulheres se sentem com mais energia, e esse costuma ser o período mais confortável para se exercitar. Ainda assim, é importante evitar exercícios deitada de costas por muito tempo, pois o útero pode comprimir um vaso importante e prejudicar a circulação;
    • Terceiro trimestre: o crescimento da barriga muda o equilíbrio do corpo e aumenta o risco de quedas. Também pode surgir mais falta de ar, já que o útero pressiona o diafragma. Por isso, atividades de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica e yoga para gestantes, costumam ser as mais indicadas.

    “Em todas as fases, a avaliação médica prévia e o acompanhamento de um profissional de educação física são fundamentais”, complementa Giovanni.

    Como se exercitar com segurança na gravidez?

    A primeira orientação para gestantes que planejam manter uma rotina de treinos é procurar a orientação de um médico. Como cada mulher apresenta um nível de condicionamento e história clínica diferente, a avaliação individual consegue definir o que é seguro em cada caso.

    Mas, de maneira geral, Giovanni aponta alguns cuidados:

    • Prefira exercícios de intensidade moderada, como caminhada, natação, hidroginástica, bicicleta estacionária e pilates gestacional;
    • Evite atividades com risco de impacto abdominal, quedas ou contato físico;
    • Não se exercite em ambientes muito quentes ou úmidos, e mantenha-se bem hidratada;
    • Respeite os sinais do próprio corpo: dor, sangramento, falta de ar excessiva, tontura ou contrações são sinais para interromper imediatamente o exercício e buscar avaliação médica;
    • Evite longas permanências deitada de costas (decúbito dorsal) a partir do segundo trimestre;
    • Exercitar-se com regularidade é mais benéfico do que sessões esporádicas e intensas.

    “A gestação não é um período de inatividade — ao contrário, exercícios regulares e adequados trazem benefícios comprovados para a mãe e para o bebê. O segredo está na individualização e no acompanhamento profissional”, finaliza o cardiologista.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É perigoso o coração bater rápido demais durante o treino gestacional?

    Sim, se ultrapassar os limites de segurança por muito tempo. Batimentos excessivos podem reduzir temporariamente o fluxo de oxigênio para o bebê e causar hipertermia (aumento da temperatura corporal) na mãe.

    2. Posso fazer exercícios de alta intensidade se eu já era atleta?

    Sim, mas sob supervisão rigorosa. Atletas podem manter intensidades maiores, porém o monitoramento da frequência cardíaca e da temperatura deve ser constante para evitar o estresse fetal.

    3. O que é o “teste da fala” no exercício para gestantes?

    É uma forma prática de medir a intensidade: se a gestante consegue conversar enquanto se exercita, a frequência cardíaca está em uma zona segura. Se ficar ofegante demais para falar, deve reduzir o ritmo.

    4. Como o monitoramento cardíaco ajuda a evitar a pré-eclâmpsia?

    O monitoramento ajuda a controlar o esforço cardiovascular, evitando picos de pressão arterial e garantindo que o exercício atue de forma benéfica na saúde dos vasos sanguíneos.

    5. O que fazer se a frequência cardíaca subir muito rápido no início do treino?

    Pare ou reduza a intensidade imediatamente. Isso pode ser sinal de desidratação, cansaço acumulado ou necessidade de um aquecimento mais longo e gradual.

    6. Quando os batimentos indicam que devo procurar um médico?

    Se após interromper o exercício a frequência cardíaca demorar muito a baixar ou se você sentir arritmia (batimentos irregulares), dor no peito ou tontura extrema.

    7. É seguro treinar em dias muito quentes?

    Não é recomendado, pois o calor ambiente somado ao esforço físico eleva a frequência cardíaca e a temperatura interna, o que é arriscado para o desenvolvimento do bebê.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Gravidez falsa existe? Entenda a gravidez psicológica

    Gravidez falsa existe? Entenda a gravidez psicológica

    Nem sempre os sinais do corpo correspondem exatamente ao que está acontecendo biologicamente. Em algumas situações, emoções intensas podem desencadear respostas físicas surpreendentes e até mesmo muito semelhantes às de uma gravidez.

    A chamada gravidez psicológica é um exemplo disso. Embora não exista gestação, o corpo pode apresentar sintomas reais, como aumento abdominal e ausência de menstruação, o que pode gerar dúvidas, angústia e impacto emocional significativo.

    A gravidez psicológica, também chamada de pseudociese, é uma condição em que a mulher acredita estar grávida e pode apresentar diversos sinais físicos típicos de gestação, mesmo sem haver um bebê.

    Embora pareça incomum, trata-se de uma condição real, que envolve a interação entre fatores emocionais e hormonais.

    Os sintomas podem ser tão convincentes que, em alguns casos, apenas exames confirmam a ausência de gravidez.

    O que é a gravidez psicológica

    A gravidez psicológica é uma condição em que o corpo manifesta sinais semelhantes aos de uma gestação verdadeira, sem que haja fecundação.

    Essas alterações podem ocorrer devido a mecanismos complexos entre o cérebro e o sistema hormonal, influenciados por fatores emocionais.

    Não se trata de imaginação ou fingimento, pois os sintomas são reais e podem ser intensos.

    Principais sintomas

    Os sintomas da gravidez psicológica podem ser muito semelhantes aos de uma gestação real.

    Entre os mais comuns estão:

    • Aumento do abdômen;
    • Ausência de menstruação;
    • Sensibilidade nas mamas;
    • Náuseas;
    • Sensação de movimentos na barriga;
    • Ganho de peso.

    Esses sinais podem reforçar a convicção da pessoa de que está grávida.

    Por que a gravidez psicológica acontece

    A causa envolve fatores emocionais e hormonais.

    Entre os principais fatores associados estão:

    • Desejo intenso de engravidar;
    • Medo de gravidez;
    • Histórico de infertilidade;
    • Perdas gestacionais anteriores;
    • Questões emocionais ou psicológicas.

    Esses fatores podem influenciar o funcionamento hormonal, levando a alterações físicas.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A gravidez psicológica pode ocorrer em diferentes contextos, mas é mais comum em:

    • Mulheres com forte desejo de engravidar;
    • Pessoas que enfrentam dificuldades para ter filhos;
    • Mulheres com histórico de perdas;
    • Situações de estresse emocional intenso.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é feito por meio de exames que confirmam a ausência de gestação.

    Os principais são:

    • Teste de gravidez;
    • Ultrassonografia.

    Esses exames são fundamentais para esclarecer o diagnóstico e orientar o cuidado.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento envolve abordagem multidisciplinar.

    As principais estratégias são:

    • Acompanhamento psicológico, para trabalhar os fatores emocionais;
    • Apoio médico;
    • Em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico.

    O acolhimento é essencial, já que a experiência pode ser emocionalmente intensa.

    Gravidez psicológica é grave?

    Não é uma doença grave do ponto de vista físico, mas pode ter impacto emocional importante.

    Por isso, o tratamento adequado é fundamental para o bem-estar da pessoa.

    Confira:

    Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    Perguntas frequentes sobre gravidez psicológica

    1. Gravidez psicológica é real?

    Sim. Os sintomas são reais, embora não exista gestação.

    2. O corpo pode apresentar sinais de gravidez?

    Sim. Pode haver alterações físicas semelhantes às de uma gestação.

    3. Como saber se é gravidez de verdade?

    Por meio de exames como teste de gravidez e ultrassonografia.

    4. Tem tratamento?

    Sim. O tratamento envolve apoio psicológico e médico.

    5. É comum?

    Não é muito comum, mas pode ocorrer.

    6. Pode acontecer mais de uma vez?

    Sim, especialmente se os fatores emocionais persistirem.

    7. Quando procurar ajuda?

    Quando houver suspeita de gravidez sem confirmação ou sofrimento emocional associado.

    Veja mais:

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Em casos de emergências médicas, como condições que colocam a vida do paciente em risco, costuma ser necessária uma cirurgia imediata para evitar complicações graves, independentemente da fase da vida da pessoa. Mas o que acontece quando essas situações ocorrem durante a gravidez?

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, quando se trata de uma emergência, a decisão sempre envolve avaliar os riscos e os benefícios, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Quando não há como esperar, a equipe médica avalia o momento da gestação, o tipo de cirurgia e as condições clínicas da gestante para reduzir ao máximo os riscos. Sempre que possível, o procedimento é planejado, mas, em situações urgentes, ele pode ser feito em qualquer fase da gravidez.

    É seguro realizar uma cirurgia durante a gravidez?

    A cirurgia pode ser realizada durante a gravidez quando há indicação, especialmente em situações de urgência ou emergência. Nesses casos, não operar pode trazer mais riscos do que o próprio procedimento.

    Em casos de emergência, a prioridade é a saúde da mãe, porque o bem-estar materno está diretamente ligado à segurança do bebê. Quando a gestante está estável, as chances da gestação evoluir bem são maiores.

    Quando a cirurgia na gravidez pode ser necessária?

    A cirurgia durante a gravidez costuma ser indicada em situações que não podem esperar, como aponta Andreia:

    • Trauma com sangramento interno (abdômen agudo hemorrágico): são situações graves, com risco de vida, que exigem intervenção rápida para controlar o sangramento;
    • Apendicite aguda: é a inflamação do apêndice que pode evoluir com complicações se não for tratada rapidamente;
    • Colecistite aguda: consiste em uma inflamação da vesícula biliar causada por cálculos. A presença de cálculos isoladamente não indica cirurgia, mas a inflamação sim;
    • Obstrução intestinal: é o bloqueio no intestino que impede a passagem do conteúdo intestinal;
    • Torções (como torção de ovário ou intestinal): comprometem a circulação local e podem levar à perda do órgão se não tratadas;
    • Problemas vasculares: são alterações que afetam o fluxo sanguíneo e podem causar isquemia;
    • Hérnia encarcerada: quando parte do intestino fica presa e não retorna para a posição normal, com risco de comprometimento da circulação e morte do tecido.

    A cirurgia também pode ser necessária em casos de infecções graves ou quando há comprometimento de algum órgão. Nesses cenários, agir rapidamente evita complicações maiores.

    Como o tempo de gestação influencia a cirurgia?

    A equipe médica avalia com cuidado o estágio da gestação e adapta o procedimento para cada fase, sempre pensando na segurança da mãe e do bebê.

    1. Primeiro trimestre

    A realização de cirurgias é evitada no primeiro trimestre da gravidez, pois o bebê ainda está formando os órgãos, então há mais cautela com os medicamentos e com o estresse da cirurgia, que podem interferir no desenvolvimento.

    Ainda assim, quando há urgência, o procedimento é realizado com monitoramento rigoroso por ultrassom, segundo Andreia.

    2. Segundo trimestre

    O segundo trimestre costuma ser a fase mais segura para realizar cirurgias, quando há possibilidade de planejamento. O bebê já passou pela fase inicial de formação, e Andreia explica que o risco de aborto ou de parto prematuro é menor em comparação com os outros períodos.

    3. Terceiro trimestre

    No terceiro trimestre, o principal cuidado é com o risco de parto prematuro. O útero também está maior, o que pode dificultar alguns tipos de cirurgia, principalmente na região abdominal. Por isso, o procedimento exige ainda mais planejamento e experiência da equipe.

    Tipos de anestesia usados com gestantes

    Sempre que possível, Andreia esclarece que a preferência é pela anestesia regional, pois ela reduz a exposição do bebê aos medicamentos.

    Ainda assim, a anestesia geral pode ser necessária em casos de emergências complexas, o que exige um monitoramento rigoroso para garantir que a oxigenação e a circulação da mãe estejam perfeitas, já que isso influencia diretamente o aporte de oxigênio para o bebê.

    Como o bebê é monitorado durante o procedimento?

    O monitoramento do bebé durante uma cirurgia de emergência depende da idade gestacional, pois a forma como o feto responde ao estímulo e a sua viabilidade mudam ao longo da gravidez.

    De acordo com Andreia, antes das 24 semanas, o acompanhamento é feito via ultrassom antes e depois do procedimento. Depois disso, ​​ já é possível realizar a cardiotocografia, que avalia os batimentos cardíacos e o bem-estar fetal.

    A partir de aproximadamente 24 semanas, o bebê já tem alguma chance de sobreviver fora do útero com suporte de UTI neonatal. Em casos de sofrimento fetal, pode ser necessário antecipar o parto.

    Segundo a ginecologista, durante toda a cirurgia, é fundamental garantir uma boa oxigenação e uma boa circulação materna, pois isso influencia diretamente o fornecimento de oxigênio e nutrientes para o bebê.

    Cuidados para reduzir riscos no pós-operatório

    Para garantir que a gestação continue com segurança após a cirurgia, são necessários alguns cuidados, como:

    • Estabilidade da mãe: manter uma boa oxigenação e circulação é o mais importante, porque o bebê depende disso;
    • Controle de contrações: em alguns casos, podem ser usados medicamentos para evitar contrações e reduzir o risco de parto prematuro;
    • Maturação pulmonar do bebê: se houver risco de parto antecipado, a mãe pode receber medicação para ajudar no desenvolvimento dos pulmões do bebê;
    • Prevenção de trombose: como a cirurgia e a gravidez aumentam o risco, são adotadas medidas para evitar a formação de coágulos.

    No geral, tudo é pensado para proteger a mãe e o bebê ao mesmo tempo, com uma equipe preparada e um acompanhamento próximo em todas as etapas.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A anestesia geral pode prejudicar a formação do bebê?

    No primeiro trimestre, há maior cautela, mas as anestesias modernas são seguras. Sempre que possível, prefere-se a anestesia regional para reduzir a exposição fetal.

    2. O bebê sente dor durante a cirurgia da mãe?

    Não. Os medicamentos anestésicos que a mãe recebe também garantem que o bebê não sinta desconforto durante o procedimento.

    3. Pode-se fazer cirurgia por vídeo (laparoscopia) em gestantes?

    Sim, a laparoscopia é frequentemente preferida por ser menos invasiva, permitindo uma recuperação mais rápida e menos manipulação do útero.

    4. Uma cirurgia pode causar aborto ou parto prematuro?

    Existe um risco aumentado, especialmente se houver infecção ou inflamação grave no abdômen, mas a equipe utiliza medicamentos para inibir contrações e proteger a gestação.

    5. Grávidas podem operar hérnias?

    Apenas se a hérnia estiver “encarcerada” (presa), o que pode interromper a circulação do intestino. Caso contrário, a recomendação é aguardar o nascimento.

    6. Posso amamentar logo após uma cirurgia de emergência?

    Se o bebê nascer nesse período, a amamentação depende da estabilidade da mãe e dos medicamentos usados, mas geralmente é estimulada assim que a mãe desperta.

    7. Grávidas podem usar dreno após a cirurgia?

    Sim, grávidas podem usar dreno após uma cirurgia, caso o procedimento seja estritamente necessário. Isso não prejudica o bebê e ajuda na recuperação mais rápida da gestante.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    Gravidez na adolescência: principais riscos para mãe e bebê, cuidados e como prevenir

    O Brasil está entre os países com maiores taxas de gravidez na adolescência no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 44 bebês nascem por hora de mães adolescentes (de 10 a 19 anos), totalizando mais de 400 mil casos por ano.

    As taxas são mais elevadas nas regiões Norte e Nordeste, frequentemente associadas à vulnerabilidade social, à baixa escolaridade e à falta de acesso à educação sexual. Em muitos casos, a falta de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre como utilizar métodos contraceptivos corretamente coloca jovens meninas em situações de risco que poderiam ser evitadas.

    A realidade não afeta apenas a saúde das mães e bebês, com maiores riscos de complicações como parto prematuro, anemia e baixo peso ao nascer, mas também compromete a educação, a vida social e as oportunidades futuras das adolescentes.

    O que aumenta o risco de gravidez na adolescência?

    Diversos fatores contribuem para a gravidez e o parto na adolescência, segundo a Organização Mundial da Saúde:

    • Casamento infantil, que reduz a autonomia da adolescente sobre o próprio corpo;
    • Baixas perspectivas de educação e emprego, fazendo com que a maternidade seja vista como alternativa;
    • Dificuldade de acesso e falta de informações sobre métodos contraceptivos;
    • Falta de autonomia ou recursos financeiros para obter métodos contraceptivos;
    • Estigma ou vergonha ao buscar métodos de prevenção;
    • Leis e políticas restritivas que dificultam o acesso de adolescentes a contraceptivos;
    • Abuso sexual infantil;
    • Violência sexual fora de relações afetivas;
    • Violência física ou sexual por parceiro íntimo;
    • Desigualdade de gênero, que aumenta a vulnerabilidade das meninas.

    Segundo a OMS, milhões de meninas em todo o mundo engravidam antes dos 18 anos, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade social, falta de acesso à informação e ausência de apoio adequado. Os fatores não atuam de forma isolada, mas costumam acontecer juntos, o que aumenta o risco de uma gravidez não planejada.

    Impactos da gestação no desenvolvimento da adolescente

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a adolescência é uma fase de desenvolvimento, tanto físico quanto psicológico.

    A adolescente já convive com diversas transformações hormonais, instabilidade emocional e formação de personalidade, e uma gravidez pode trazer impactos importantes para a saúde, rotina e para os planos de vida.

    Além das questões físicas, a adolescente ainda está em processo de construção da identidade, dos planos e da autonomia da própria vida, e a maternidade pode antecipar responsabilidades para as quais ela, muitas vezes, ainda não se sente preparada.

    A gravidez também também pode implicar o abandono de projetos, o afastamento do grupo social e a sensação de isolamento. Sentimentos de ansiedade, culpa e depressão pós-parto são mais frequentes entre mães jovens, especialmente quando há falta de suporte familiar ou do parceiro, que, em muitos casos, também é adolescente.

    Para se ter uma ideia, dados do IBGE apontam que mães adolescentes têm menor probabilidade de concluir o ensino médio e maior chance de permanecer em situação de pobreza na vida adulta — um ciclo que, sem intervenção, tende a se repetir nas gerações seguintes.

    Riscos e complicações na gravidez na adolescência

    O corpo de uma adolescente está menos preparado para suportar uma gestação, o que aumenta a incidência de complicações, como:

    • Parto prematuro (quando o bebê nasce antes do tempo);
    • Pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez);
    • Anemia;
    • Infecções;
    • Deficiências nutricionais;
    • Maior necessidade de intervenções médicas;
    • Dificuldades no trabalho de parto.

    Já para o bebê, os riscos estão ligados, principalmente, ao fato do corpo da mãe ainda está em desenvolvimento, como:

    • Nascimento prematuro (antes das 37 semanas);
    • Baixo peso ao nascer;
    • Maior necessidade de internação neonatal;
    • Dificuldades respiratórias ao nascer;
    • Maior risco de infecções;
    • Atrasos no desenvolvimento (em alguns casos).

    A mortalidade materna é proporcionalmente mais alta nessa faixa etária do que entre mulheres adultas, e os bebês nascidos de mães adolescentes apresentam maior risco de baixo peso ao nascer e de mortalidade infantil.

    Riscos emocionais e sociais

    A gravidez na adolescência também pode trazer impactos significativos no campo emocional e social, como ansiedade, medo, insegurança e sensação de sobrecarga. A maternidade exige disponibilidade emocional, estabilidade e capacidade de cuidado que ainda estão em formação nessa fase da vida.

    Quando a jovem não conta com uma rede de apoio e um ambiente de acolhimento, os riscos para a saúde mental e para o convívio social aumentam consideravelmente, como:

    • Ansiedade e insegurança: causadas pelas incertezas sobre o futuro e as novas responsabilidades;
    • Sobrecarga emocional: sensação de esgotamento ao tentar conciliar a própria juventude com os cuidados do bebê;
    • Depressão pós-parto: maior incidência em mães adolescentes devido ao estresse e isolamento;
    • Transtornos de humor: agravados pela pressão social e mudanças hormonais;
    • Evasão escolar: muitas adolescentes se afastam dos estudos por vergonha, pressão institucional ou pela dificuldade prática de conciliar a rotina escolar com a maternidade;
    • Isolamento social: o círculo de amizades tende a diminuir, enfraquecendo o senso de pertencimento e as referências típicas da idade;
    • Restrição ao ambiente doméstico: a jovem pode acabar confinada aos cuidados da casa e do filho, o que aprofunda sua vulnerabilidade.

    O acolhimento familiar e escolar é o fator principal para reduzir os riscos, assegurando que a adolescente continue tendo perspectivas de futuro e suporte emocional no dia a dia.

    Como é feito o pré-natal na adolescência?

    O pré-natal na adolescência segue os mesmos cuidados de qualquer gestação, mas precisa de uma atenção mais próxima e acolhedora. O acompanhamento deve começar o quanto antes, idealmente no primeiro trimestre, e inclui, no mínimo, seis consultas ao longo da gestação, sendo a primeira antes da 12ª semana

    Durante as consultas, são realizados exames laboratoriais, ultrassonografias, monitoramento do ganho de peso, controle da pressão arterial e avaliação do desenvolvimento fetal. Por conta da maior suscetibilidade a complicações como anemia, pré-eclâmpsia e parto prematuro, o cuidado costuma ser ainda mais rigoroso do que em gestações de mulheres adultas.

    O pré-natal também inclui a atualização da carteira de vacinação, a orientação sobre alimentação adequada e a suplementação de vitaminas, como ácido fólico e ferro, que são importantes para a saúde da mãe e do bebê.

    Cuidados além do pré-natal

    Para além do cuidado com a saúde, Andreia explica que também é importante cuidar do lado emocional e da realidade em que a adolescente vive.

    A jovem precisa se sentir acolhida e segura para falar sobre medos, dúvidas e dificuldades, e um espaço de escuta contribui para fortalecer a confiança no acompanhamento e ajudar na tomada de decisões mais conscientes ao longo da gestação.

    Muitas vezes, é nesse momento que surgem questões delicadas, como conflitos familiares, inseguranças em relação à maternidade ou até situações de vulnerabilidade que precisam de atenção.

    O acompanhamento multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, nutricionista e, quando necessário, educador social, também permite identificar vulnerabilidades que vão além da saúde física, como situações de violência doméstica, ausência de suporte familiar ou dificuldade de acesso à documentação e benefícios sociais.

    Muitas vezes, pequenas intervenções, como orientação sobre direitos, encaminhamento para serviços públicos ou apoio emocional, já fazem uma grande diferença no dia a dia da jovem. Quando há acolhimento, orientação e suporte, as chances de uma gestação mais tranquila e segura aumentam, tanto para a mãe quanto para o bebê.

    Como prevenir a gravidez na adolescência?

    As principais formas de prevenção da gravidez na adolescência envolvem medidas sobre educação sexual, métodos contraceptivos e apoio familiar e social.

    Atualmente, a camisinha (feminina e masculina) é um dos métodos contraceptivos mais acessíveis e pode ser retirada gratuitamente em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de prevenir uma gestação, ela é o único método que protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, HPV, gonorreia e herpes genital.

    Além da camisinha, existem outros métodos contraceptivos que podem ser utilizados para aumentar a proteção, como:

    Métodos contraceptivos de longa duração (LARC)

    Os métodos de longa duração são os mais recomendados para adolescentes pela Organização Mundial da Saúde (OMS). São eles:

    • DIU (cobre ou hormonal): oferece proteção por 5 a 10 anos e pode ser revertido a qualquer momento;
    • Implante subdérmico: consiste em um pequeno bastão inserido sob a pele do braço que libera hormônios gradualmente por 3 anos.

    Andreia aponta que métodos que não dependem do uso diário costumam ser mais seguros na prática, porque não precisam ser lembrados todos os dias.

    Métodos de curta duração

    Os métodos de curta duração são aqueles que dependem do uso frequente ou da lembrança da jovem, como tomar um comprimido todos os dias ou trocar o método em intervalos curtos.

    Por isso, podem ter uma eficácia menor na prática, especialmente quando há esquecimentos ou uso incorreto. Entre os mais comuns, é possível destacar:

    • Pílula anticoncepcional: comprimido tomado todos os dias, no mesmo horário, para evitar falhas;
    • Adesivo contraceptivo: colado na pele e trocado uma vez por semana, liberando hormônios de forma contínua;
    • Anel vaginal: colocado dentro da vagina e trocado mensalmente, permanecendo por três semanas seguidas;
    • Injeção hormonal: aplicada mensalmente ou a cada três meses, dependendo do tipo, com ação prolongada sem necessidade de uso diário

    Apesar de funcionarem bem quando usados corretamente, os métodos precisam de atenção e regularidade. Por isso, é importante escolher aquele que melhor se encaixa na rotina, sempre com orientação de um profissional de saúde.

    Educação sexual como medida de prevenção

    A educação sexual é uma das principais medidas para prevenir casos de gravidez na adolescência, além de ajudar crianças e adolescentes a conhecerem o próprio corpo, entenderem limites e desenvolverem a noção de consentimento.

    Mais do que apenas oferecer informação, Andreia explica que é fundamental criar espaços de diálogo, nos quais adolescentes se sintam à vontade para tirar dúvidas e conversar abertamente sobre o tema, sem medo ou julgamento.

    Nas escolas, o mais comum é a educação reprodutiva, que aborda como ocorre a gravidez, o uso de métodos contraceptivos e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Ela também orienta quanto às seguintes questões:

    • Uso de preservativo (masculino ou feminino), que previne tanto a gravidez quanto às infecções sexualmente transmissíveis;
    • Uso combinado de preservativo com outro método contraceptivo, aumentando a proteção;
    • Vacinação contra o HPV;
    • Acompanhamento ginecológico após o início da vida sexual.

    Apesar de muito importantes para a saúde pública, o diálogo sobre educação sexual é igualmente necessário para falar sobre relações saudáveis, respeito, limites e autocuidado.

    Com acesso a informações claras e acolhimento, os adolescentes conseguem fazer escolhas mais conscientes e seguras, desenvolvendo mais autonomia sobre o próprio corpo e a própria vida.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado gravidez na adolescência?

    É a gestação em meninas de 10 a 19 anos, classificada pela OMS como um problema de saúde pública devido aos riscos ampliados para a saúde materna e infantil.

    2. Quais os primeiros sinais de gravidez na adolescência?

    Os sinais são os mesmos de uma gestação adulta: atraso menstrual, mamas sensíveis, náuseas matinais, cansaço excessivo e variações de humor. Em adolescentes, o atraso pode ser confundido com a irregularidade hormonal comum da idade.

    3. É possível engravidar na primeira relação sexual?

    Sim, se a adolescente estiver em seu período fértil e houver penetração sem proteção, a gravidez pode ocorrer independentemente de ser a primeira vez.

    4. O que é período fértil?

    É a fase do ciclo menstrual, cerca de 14 dias após a menstruação, em que a ovulação acontece e a concepção é mais provável.

    5. O teste de farmácia é confiável para adolescentes?

    Sim, os testes de farmácia modernos têm alta precisão (cerca de 99%) se feitos após pelo menos um dia de atraso menstrual.

    6. Menor de idade pode ir ao ginecologista sozinha?

    Sim. De acordo com o Código de Ética Médica no Brasil, adolescentes têm direito ao sigilo e à privacidade, podendo ser atendidas sozinhas se demonstrarem maturidade para entender sua situação de saúde.

    7. Tomar pílula do dia seguinte evita gravidez sempre?

    Não. A pílula do dia seguinte é um método de emergência e sua eficácia diminui com o passar das horas. Ela não deve substituir os métodos contraceptivos regulares.

    8. É normal a menstruação atrasar na adolescência sem ser gravidez?

    Sim. Nos primeiros anos após a menarca (primeira menstruação), o ciclo pode ser irregular devido à imaturidade do eixo hormonal. No entanto, se houve relação sexual, o teste é indispensável.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames