Mais comum entre a quarta e oitava semana de gestação, o enjoo na gravidez é um sintoma que afeta cerca de 70% das mulheres. Normalmente, é um dos primeiros sinais da gestação e acontece devido às intensas alterações hormonais do início do período, especialmente ao aumento do hormônio beta-hCG.
Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser controlados com mudanças na alimentação e hidratação adequada. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como aliviar o enjoo no dia a dia, os remédios permitidos na gravidez e quando o sintoma é preocupante. Confira!
Por que grávida sente tanto enjoo?
Os enjoos na gravidez acontecem, principalmente, por causa das mudanças hormonais intensas do início da gestação. Segundo Andreia, o principal responsável pelos sintomas é o aumento do hormônio beta-hCG, a gonadotrofina coriônica humana, produzida pela placenta.
No começo da gravidez, os níveis do hormônio aumentam rapidamente, atingem um pico e depois tendem a se estabilizar. É justamente durante a fase de elevação mais intensa que as náuseas costumam piorar, especialmente no primeiro trimestre.
Além do beta-hCG, outros hormônios produzidos pela placenta, como estrogênio, progesterona e cortisol, também contribuem para os enjoos. A progesterona, em especial, desacelera o funcionamento do sistema digestivo, deixando o esvaziamento do estômago e do intestino mais lento, o que aumenta a sensação de náusea.
Segundo a ginecologista, o olfato mais sensível na gestação também pode agravar o desconforto, fazendo com que cheiros fortes de alimentos, perfumes ou bebidas provoquem mais enjoo.
Fatores de risco para náuseas mais intensas
Entre os fatores de risco de náuseas e vômitos mais intensos na gravidez. Andreia aponta:
- Gravidez gemelar, já que existe uma placenta maior e maior produção hormonal, o que aumenta os níveis de beta-hCG e pode intensificar os enjoos;
- Histórico de muito enjoo em uma gestação anterior, porque mulheres que já tiveram náuseas intensas em outra gravidez têm mais chance de apresentar o mesmo quadro novamente;
- Histórico familiar de náuseas intensas na gravidez, já que pode existir uma predisposição genética para desenvolver sintomas mais fortes durante a gestação.
A médica também explica que existe uma condição mais rara chamada mola hidatiforme, uma alteração na formação da placenta que provoca níveis muito altos de beta-hCG. Nesses casos, os enjoos costumam ser muito fortes e persistentes. É uma gestação anômala e inviável, que normalmente evolui para aborto espontâneo.
Como aliviar o enjoo na gravidez naturalmente?
1. Fazer pequenas refeições ao longo do dia
As gestantes costumam sentir mais náuseas quando passam muitas horas sem comer. Como o estômago fica mais lento durante a gravidez, os grandes volumes de comida podem aumentar ainda mais o desconforto. Por isso, Andreia recomenda que a alimentação seja feita em pequenas quantidades ao longo do dia, com refeições mais leves e frequentes.
As frutas, os pães, os iogurtes, as torradas e outros alimentos leves podem ajudar a manter o estômago funcionando melhor e reduzir a sensação de mal-estar.
2. Evitar longos períodos de jejum
Andreia explica que ficar mais de duas horas e meia sem comer tende a aumentar o desconforto, principalmente no começo da manhã ou no fim do dia. As pequenas pausas para lanches leves ajudam a evitar que o estômago fique vazio por muito tempo, o que pode diminuir os episódios de enjoo e vômito.
3. Apostar em carboidratos simples pela manhã
Os alimentos simples, como as bolachas de água e sal, as torradas e os crackers, costumam ser uma opção interessante pela manhã. Durante a gravidez, muitas mulheres apresentam excesso de salivação ao acordar, e os carboidratos simples ajudam a absorver o excesso de saliva, aumentando o alívio e reduzindo a sensação de náusea.
A ginecologista também orienta que algumas gestantes podem se sentir melhor ao comer algo leve antes mesmo de levantar da cama.
4. Consumir frutas e temperos cítricos
Os alimentos cítricos, como o limão, a laranja e o abacaxi, além de temperos como o vinagre, podem ajudar a aliviar a sensação de estômago lento. As substâncias ácidas estimulam a digestão e podem trazer uma sensação de alívio para algumas mulheres.
As águas saborizadas com limão e os alimentos frescos e cítricos também costumam ser mais bem tolerados nos períodos de maior enjoo.
5. Usar gengibre no dia a dia
O gengibre possui propriedades naturais com efeito antiemético, que ajudam a controlar as náuseas e os vômitos. Ele pode ser consumido de diferentes formas, como em chá, em balas, em cápsulas orientadas por profissionais de saúde ou infusionado na água.
5. Beber água aos poucos ao longo do dia
A ingestão de líquidos deve acontecer de forma gradual ao longo do dia, em pequenos goles. Os grandes volumes de água de uma só vez podem causar distensão no estômago e aumentar o desconforto.
Em alguns casos, o consumo de água gelada, saborizada naturalmente ou algumas frutas ricas em água também podem ajudar na hidratação quando a gestante apresenta dificuldade para beber líquidos.
6. Evitar cheiros fortes
Como o aumento dos hormônios deixam o olfato muito mais sensível, principalmente no primeiro trimestre, vale evitar cheiros fortes de comida, perfumes intensos, produtos de limpeza e até bebidas muito quentes, o que pode ajudar no controle do enjoo.
Remédios permitidos para enjoo na gestação
Os enjoos da gestação nem sempre precisam de medicação, mas quando os vômitos começam a dificultar a alimentação e a hidratação da gestante, alguns remédios considerados seguros podem ser indicados pelo médico, como:
- Vitamina B6, bastante utilizada para ajudar no controle das náuseas leves e moderadas;
- Metoclopramida (Plasil), que ajuda no esvaziamento do estômago e no controle dos vômitos, embora precise ser usada com cautela por causa dos possíveis efeitos adversos;
- Ondansetrona (Vonau), indicada principalmente em casos de náuseas e vômitos mais intensos;
- Dimenidrinato (Dramin), bastante conhecido para enjoo e que pode ajudar algumas gestantes;
- Meclizina (Meclin), que também pode ser utilizada para aliviar as náuseas.
A médica explica que os remédios costumam ser reservados para situações em que os sintomas estão impedindo uma alimentação adequada ou aumentando o risco de desidratação.
Vale ressaltar que a automedicação na gravidez não é recomendada e apenas um profissional da saúde pode orientar o medicamento mais seguro para cada caso.
Quando o enjoo na gravidez é preocupante?
Quando as náuseas e os vômitos se tornam tão intensos que impedem a gestante de se alimentar e se hidratar, o quadro deixa de ser considerado comum e passa a ser chamado de hiperêmese gravídica.
Nesse caso, Andreia esclarece que a mulher vomita frequentemente e não consegue reter praticamente nada do que ingere, inclusive líquidos. Os principais sinais de alerta são:
- Dificuldade para comer ou beber qualquer coisa;
- Vômitos frequentes ao longo do dia;
- Perda de peso;
- Sinais de desidratação (como boca seca e urina muito escura);
- Fraqueza intensa;
- Tontura e mal-estar constante.
Ao notar os sintomas, é necessário passar por uma avaliação médica imediatamente. Normalmente, o tratamento requer a internação hospitalar para a gestante receber hidratação, eletrólitos e remédios antieméticos diretamente na veia.
Como os vômitos prolongados esgotam os estoques de nutrientes, o médico também pode indicar a reposição de vitaminas (principalmente B1, B6 e B12) para prevenir complicações neurológicas.
A alimentação por via oral é reintroduzida aos poucos conforme a melhora da gestante e, em casos raros onde a rejeição aos alimentos persiste, pode ser necessária a nutrição parenteral (pela veia).
Quando a internação é necessária?
A internação é indicada quando há risco de desidratação, perda de peso significativa ou incapacidade de manter a alimentação por conta própria, segundo Andreia.
Se a hiperêmese gravídica não for tratada, a falta de nutrientes pode afetar o desenvolvimento do feto, aumentando o risco de baixo peso ao nascer. No entanto, complicações graves são raras, pois a maioria das mulheres busca ajuda médica logo nos primeiros sinais, permitindo o controle rápido do quadro.
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Perguntas frequentes
1. É normal ter enjoo logo na primeira semana de gravidez?
Não é comum. Os enjoos costumam começar por volta da 4ª ou 6ª semana de gestação, quando os níveis do hormônio HCG ficam mais altos. Sintomas na primeira semana normalmente estão associados à TPM ou ansiedade.
2. O enjoo na gravidez costuma passar em qual mês?
Na maioria das mulheres, o enjoo melhora muito ou desaparece completamente entre o fim do terceiro mês e o início do quarto mês (por volta da 12ª a 14ª semana).
3. Tomar água com limão ajuda a aliviar o enjoo?
Sim. Alimentos ácidos e cítricos estimulam a salivação e reduzem a sensação de náusea. Beber água gelada com algumas gotas de limão ou chupar um picolé de limão ajuda a aliviar o mal-estar rapidamente.
4. Grávida pode tomar chá de gengibre?
Sim, o gengibre é uma excelente opção natural contra enjoos. No entanto, o consumo deve ser moderado, sempre conversando com o médico antes.
5. Sentir muito enjoo indica o sexo do bebê?
Não, isso é apenas um mito popular. A intensidade do enjoo está ligada à sensibilidade do corpo da mulher às oscilações hormonais (como o HCG), e não ao fato de ser menino ou menina.
6. Como escovar os dentes sem sentir enjoo na gravidez?
Troque a pasta de dentes por uma de sabor mais suave, use uma escova de cabeça pequena e evite escovar a língua logo após acordar, pois isso costuma ativar o reflexo do vômito.
6. Existe alguma posição para deitar que melhore o enjoo?
Deitar-se sobre o lado esquerdo do corpo ajuda a melhorar a digestão e reduz o refluxo, o que pode aliviar a náusea. Além disso, evite deitar-se logo após comer; o ideal é esperar pelo menos 30 minutos a 1 hora, mantendo a cabeça mais elevada com a ajuda de travesseiros.
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