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  • Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    Triagem para diabetes gestacional: o que é, quando é feito e por que é necessário

    O diabetes gestacional é o aumento do nível de açúcar (glicose) no sangue diagnosticado pela primeira vez durante a gravidez. O quadro acontece porque os hormônios produzidos durante a gestação podem diminuir a ação da insulina, hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia.

    No Brasil e em outros países, o diabetes gestacional é comum e pode afetar cerca de 14% a 18% das gestações. A frequência pode variar de acordo com os critérios usados para o diagnóstico e com as características de cada população.

    Como a alteração nem sempre provoca sintomas, a triagem para o diabetes gestacional faz parte do acompanhamento pré-natal e ajuda a identificar o problema mesmo quando a gestante não apresenta sintomas.

    O que é a triagem para diabetes gestacional?

    A triagem para o diabetes gestacional consiste em exames de sangue feitos durante o pré-natal para verificar se a quantidade de açúcar, chamada glicose, no sangue da gestante está acima do recomendado.

    Durante a gravidez, o organismo passa por várias mudanças hormonais para ajudar no desenvolvimento do bebê. Segundo Andreia, a placenta produz hormônios que aumentam naturalmente a resistência do organismo materno à insulina, principalmente o hormônio lactogênio placentário, fazendo com que a glicose tenha mais dificuldade para entrar nas células e fique em maior quantidade no sangue.

    Para compensar a mudança, o pâncreas aumenta a produção de insulina, mas, em algumas gestantes, a quantidade produzida não é suficiente para manter a glicose dentro dos níveis adequados. Quando isso acontece, o açúcar começa a se acumular no sangue e pode levar ao desenvolvimento do quadro.

    Por que a triagem precisa ser feita?

    A triagem para diabetes gestacional precisa ser feita porque, na maioria das vezes, a alteração da glicose não causa sintomas. A gestante pode estar se sentindo bem e, ainda assim, apresentar os níveis de açúcar no sangue acima do recomendado.

    Quando a glicose da mãe fica muito alta, parte do açúcar atravessa a placenta e chega ao bebê. Para lidar com a quantidade maior, o organismo dele produz mais insulina, o que pode favorecer o ganho excessivo de peso.

    Quando o bebê cresce mais do que o esperado, pode ocorrer a macrossomia fetal, uma condição que aumenta o risco de dificuldades durante o parto vaginal.

    A falta de controle da glicose também pode aumentar o risco de algumas complicações, como:

    • Pressão alta durante a gravidez: o diabetes gestacional aumenta o risco de pressão alta e pré-eclâmpsia, uma complicação que pode afetar órgãos, como os rins e o fígado, e precisa de acompanhamento durante o pré-natal;
    • Parto prematuro: o bebê pode nascer antes das 37 semanas de forma espontânea ou o parto pode precisar ser antecipado pelo médico diante de complicações, como a pré-eclâmpsia ou alterações na saúde da mãe ou do bebê;
    • Hipoglicemia no recém-nascido: quando há muita glicose no sangue da mãe, o bebê produz mais insulina para controlar o açúcar que recebe pela placenta. Após o nascimento, a oferta de glicose diminui rapidamente, mas a insulina pode continuar alta, fazendo o açúcar no sangue do bebê cair;
    • Problemas para o bebê: o excesso de glicose pode fazer o bebê crescer e ganhar peso acima do esperado, aumentando o risco de dificuldades durante o parto. Também pode favorecer problemas respiratórios e outras complicações após o nascimento.

    Quais exames são feitos na triagem?

    A investigação do diabetes gestacional é feita principalmente por exames de sangue que já fazem parte da rotina do pré-natal, como:

    • Glicemia de jejum: costuma ser um dos primeiros exames solicitados. A coleta é realizada após um período de jejum, geralmente de 8 a 12 horas, e mede a quantidade de glicose presente no sangue naquele momento;
    • Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) ou curva glicêmica: permite observar como o organismo reage após receber uma quantidade concentrada de glicose. Primeiro, é feita uma coleta de sangue em jejum. Depois, a gestante bebe uma solução contendo 75 gramas de glicose. Novas amostras de sangue são coletadas após 1 hora e 2 horas.

    Durante o TOTG, a orientação é permanecer em repouso no laboratório e evitar fazer esforço físico, caminhar pelo local ou sair durante o período das coletas, já que a atividade física pode interferir na forma como o organismo utiliza a glicose e, consequentemente, no resultado do exame.

    Como a bebida é bastante doce, algumas mulheres podem sentir enjoo ou náusea. Caso a gestante vomite durante o procedimento, Andreia explica que o resultado pode perder a validade e o exame poderá precisar ser realizado novamente em outra data.

    Quando é feita a triagem?

    A investigação do diabetes gestacional acontece em diferentes momentos da gravidez, já que as alterações da glicose podem aparecer conforme a gestação avança.

    A primeira avaliação costuma acontecer ainda no primeiro trimestre, junto com os exames iniciais do pré-natal. Um dos exames solicitados é a glicemia de jejum, que ajuda a identificar mulheres que já começaram a gravidez com alterações da glicose ou que desenvolveram o problema logo no início da gestação.

    Já entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, costuma ser realizado o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG).

    Segundo Andreia, o período merece atenção porque a produção do hormônio lactogênio placentário está elevada e a resistência à insulina aumenta. Por isso, alterações que não apareceram nos primeiros meses podem se manifestar durante a segunda metade da gravidez.

    Valores de referência do exame

    Na gravidez, os limites de glicose usados para diagnosticar o diabetes gestacional são diferentes dos adotados fora da gestação. Conforme explica Andreia, não há uma faixa de pré-diabetes durante a gravidez. Quando os valores atingem os critérios definidos para o diabetes gestacional, a condição já pode ser diagnosticada.

    Os valores de referência utilizados são:

    Glicemia de jejum

    • Abaixo de 92 mg/dL: resultado dentro do esperado.
    • Igual ou superior a 92 mg/dL: valor compatível com diabetes gestacional.

    Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG 75 g)

    • Em jejum: até 91 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 92 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 1 hora: até 179 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 180 mg/dL são considerados alterados;
    • Após 2 horas: até 152 mg/dL é considerado dentro do esperado; valores iguais ou superiores a 153 mg/dL são considerados alterados.

    Andreia destaca que apenas um dos três valores alterados no TOTG já pode ser suficiente para o diagnóstico de diabetes gestacional.

    O que fazer se o resultado der alterado?

    Quando o diabetes gestacional é diagnosticado, a gestante recebe orientações para manter os níveis de glicose dentro das metas recomendadas até o nascimento do bebê, como:

    • Alimentação: pode ser orientada pelo nutricionista ou pela equipe responsável pelo pré-natal, priorizando refeições equilibradas e fontes de carboidratos que favoreçam um aumento mais gradual da glicose no sangue;
    • Escolha dos alimentos: grãos integrais, vegetais e legumes podem fazer parte da alimentação, de acordo com as necessidades de cada gestante;
    • Atividade física: caminhadas e hidroginástica são algumas possibilidades, desde que não exista contraindicação e que a prática seja liberada pelo médico responsável pelo pré-natal;
    • Monitoramento da glicemia capilar: pode ser necessário acompanhar a glicose em casa com o teste de ponta de dedo, normalmente algumas vezes ao dia, como em jejum e após as principais refeições, conforme orientação médica.

    Segundo Andreia, quando as mudanças na alimentação e na rotina de exercícios não são suficientes e mais de 25% a 30% das medições semanais continuam acima das metas estabelecidas, pode ser necessário iniciar um tratamento com medicamentos, como a insulina ou determinados antidiabéticos considerados adequados durante a gravidez.

    A escolha do tratamento deve ser individualizada e feita pelo médico responsável pelo acompanhamento da gestante.

    Quando ir ao médico?

    As consultas de pré-natal devem continuar regularmente durante toda a gravidez, mas algumas situações merecem uma avaliação médica mais rápida, principalmente quando a gestante já recebeu o diagnóstico de diabetes gestacional:

    • Valores frequentemente alterados no monitoramento: se você estiver fazendo o teste de ponta de dedo em casa e perceber que a glicose ultrapassa com frequência os limites indicados pela equipe médica, como valores acima de 95 mg/dL em jejum ou 140 mg/dL uma hora após a refeição;
    • Sintomas de hipoglicemia: se você estiver usando insulina ou outro medicamento e apresentar tontura, tremores, suor frio, palpitações ou visão embaçada;
    • Sinais de glicose muito elevada: sede intensa, boca seca, cansaço fora do habitual ou aumento importante da vontade de urinar;
    • Mudanças na movimentação do bebê: caso você perceba uma redução importante nos chutes ou nos movimentos do bebê, procure orientação médica.

    A realização dos exames, o acompanhamento dos níveis de glicose quando houver indicação e as consultas regulares com a equipe de saúde ajudam a manter os cuidados com a saúde da mãe e do bebê durante toda a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quem não tem sintomas precisa fazer a triagem?

    Sim. O diabetes gestacional é uma condição silenciosa na imensa maioria das mulheres, sendo detectado quase exclusivamente por exames de rotina.

    2. Água pode ser consumida durante o jejum ou ao longo do exame TOTG?

    Pequenos goles de água pura são permitidos durante o jejum e no intervalo das coletas do teste, sem exageros.

    3. Mulheres sem histórico de diabetes na família podem ter a doença?

    Sim. Embora o histórico familiar seja um fator de risco, qualquer gestante pode desenvolver a condição devido às alterações hormonais da gravidez.

    4. Quem já tinha diabetes antes de engravidar precisa fazer a triagem?

    Não. Pacientes com diagnóstico prévio de diabetes tipo 1 ou tipo 2 não fazem a triagem, mas sim o acompanhamento especializado desde o início da gestação.

    5. O diabetes gestacional exige obrigatoriamente a realização de parto cesárea?

    Não. Se a glicemia estiver bem controlada e o bebê estiver com crescimento normal, o parto vaginal é perfeitamente seguro e indicado.

    6. A atividade física é segura para todas as gestantes com diabetes gestacional?

    Apenas para aquelas sem contraindicações obstétricas (como risco de parto prematuro ou sangramentos). A liberação do médico é indispensável.

    7. O diabetes gestacional desaparece imediatamente após o parto?

    Na maioria das vezes a glicemia normaliza após a saída da placenta, mas a confirmação só é feita por novo exame cerca de 6 semanas pós-parto.

    8. Ter tido diabetes gestacional aumenta o risco de ter na próxima gravidez?

    Sim, mulheres que desenvolveram a condição em uma gestação anterior têm uma probabilidade significativamente maior de apresentá-la novamente.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    Ecocardiograma fetal: quando o exame do coração do bebê é indicado?

    O ecocardiograma fetal é um exame de imagem feito durante a gestação para avaliar o coração do bebê com mais detalhes. Ele funciona de forma parecida com um ultrassom e permite observar a estrutura e o funcionamento do coração ainda dentro do útero.

    Durante o exame, o especialista consegue analisar as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos e o fluxo de sangue, além de procurar alterações na formação e no funcionamento do coração. Mas afinal, quando ele é necessário?

    Conversamos com a ginecologista Andreia Sapienza para entender para que serve o ecocardiograma fetal, quando o exame é indicado e o que os resultados podem revelar sobre a saúde do coração do bebê.

    Quando o ecocardiograma fetal é indicado?

    O ecocardiograma fetal costuma ser solicitado quando existem fatores de risco para alterações no coração do bebê, como:

    • Diabetes gestacional: a condição pode provocar alterações no coração do bebê, como o espessamento do septo interventricular, estrutura que separa os dois ventrículos. O ecocardiograma ajuda a avaliar se o diabetes está interferindo no funcionamento cardíaco;
    • Histórico familiar de cardiopatias congênitas: quando existem casos de problemas cardíacos congênitos na família, o exame pode ser indicado para avaliar com mais detalhes a formação do coração do bebê;
    • Alterações no ultrassom morfológico: achados como alterações na estrutura do coração, aumento da translucência nucal ou suspeita de arritmias podem levar à indicação do ecocardiograma fetal;
    • Infecções maternas ou uso de determinados medicamentos: algumas infecções e medicamentos usados durante a gravidez podem aumentar o risco de alterações no bebê. O exame ajuda a avaliar a formação e o funcionamento do coração.

    No entanto, de acordo com Andreia, o ideal é que o exame seja realizado por todas as gestantes, mesmo quando não há nenhuma condição ou suspeita durante o pré-natal.

    Qual é a diferença para o ultrassom obstétrico?

    Os dois exames possuem objetivos diferentes. O ultrassom obstétrico acompanha o crescimento e o desenvolvimento do bebê de forma geral. Durante o procedimento, o médico observa os diferentes órgãos, inclusive o coração, além de outras características da gestação.

    Já o ecocardiograma fetal é voltado especificamente para o coração do bebê, e permite analisar com mais detalhes as câmaras cardíacas, as válvulas, o ritmo dos batimentos, o funcionamento do coração e a espessura das paredes.

    O exame também pode identificar alterações na comunicação entre as estruturas cardíacas, sendo realizado por um profissional especializado em ecocardiografia fetal.

    Com quantas semanas de gravidez deve ser feito?

    Segundo Andreia, o ecocardiograma fetal pode ser realizado por volta das 26 semanas de gestação, quando o coração do bebê já está mais desenvolvido e pode ser avaliado com detalhes.

    Dependendo dos achados do exame ou dos fatores de risco presentes, como no caso do diabetes gestacional, o médico pode recomendar a repetição do ecocardiograma por volta de 34 semanas para continuar acompanhando a função cardíaca do bebê.

    Como é feito o ecocardiograma fetal?

    O ecocardiograma fetal é feito de forma parecida com um ultrassom obstétrico. A gestante fica deitada enquanto o profissional aplica um gel sobre a barriga e desliza um aparelho chamado transdutor sobre a pele.

    O aparelho utiliza ondas de ultrassom para formar imagens detalhadas do coração do bebê. Durante o exame, o especialista observa as câmaras cardíacas, as válvulas, os batimentos e o fluxo do sangue, além de avaliar se o coração está se formando e funcionando adequadamente.

    O exame precisa de algum preparo ou oferece riscos?

    O ecocardiograma fetal é um exame não invasivo e feito de maneira semelhante a um ultrassom, então não é necessário fazer jejum ou outro preparo específico antes do procedimento.

    O exame também não usa radiação, não costuma causar dor e pode ter duração variável, dependendo da posição do bebê e da facilidade para visualizar as estruturas do coração.

    O que fazer se o resultado mostrar alguma alteração?

    Se o ecocardiograma fetal identificar uma alteração, os próximos passos dependem do tipo e da gravidade do quadro. Em muitos casos, Andreia explica que é necessário apenas acompanhar o coração do bebê durante a gestação e repetir o exame quando o médico indicar.

    Quando a condição precisa de cuidados específicos, descobrir a alteração ainda na gravidez ajuda a planejar o acompanhamento após o nascimento. A equipe médica pode definir, por exemplo, o melhor local para o parto e se o bebê precisará ser acompanhado por um cardiologista pediátrico.

    Nos casos mais graves, o bebê pode precisar de tratamento após o nascimento. Em situações mais raras, também podem ser realizados procedimentos ainda durante a gestação. A decisão depende da alteração encontrada e da avaliação da equipe médica.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. O ecocardiograma fetal substitui o ultrassom morfológico?

    Não. O morfológico avalia o desenvolvimento geral do bebê (ossos, órgãos e líquido amniótico), enquanto o ecocardiograma foca exclusivamente na estrutura e no funcionamento detalhado do coração.

    2. É necessário ter pedido médico para fazer o exame?

    Sim. Como qualquer exame complementar de pré-natal, ele deve ser solicitado pelo obstetra que acompanha a gestação.

    3. O exame dói ou causa desconforto para a mãe ou para o bebê?

    Não. O procedimento é inteiramente indolor, externo e rápido, funcionando exatamente como um ultrassom abdominal comum.

    4. A posição do bebê pode atrapalhar a realização do exame?

    Sim. Se o bebê estiver em uma posição desfavorável ou se movimentando muito, o médico pode pedir para a gestante caminhar um pouco antes de finalizar a avaliação.

    5. Grávidas de gêmeos precisam fazer o ecocardiograma fetal?

    Sim. A gestação gemelar, principalmente quando os bebês compartilham a mesma placenta, é uma indicação clássica para monitorar o fluxo sanguíneo e a saúde cardíaca de ambos.

    6. A ingestão de café ou doces antes do exame ajuda a movimentar o bebê?

    Não é recomendado consumir estimulantes sem orientação, pois o excesso de movimentação pode, na verdade, dificultar a captação das imagens do coração.

    7. O acompanhante pode entrar na sala durante o procedimento?

    Sim. A gestante pode estar acompanhada normalmente, assim como ocorre nos demais exames de ultrassom do pré-natal.

    8. Se for detectada uma alteração, o parto precisa ser cesárea?

    Não obrigatoriamente. A via de parto depende do tipo de cardiopatia e da estabilidade do bebê, devendo ser decidida em conjunto entre o obstetra e o cardiologista fetal.

    9. É possível tratar alguma alteração cardíaca ainda dentro da barriga?

    Sim. Algumas arritmias fetais podem ser tratadas com medicações administradas à mãe, que chegam ao bebê através da placenta.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Desfralde diurno: saiba a idade ideal para a criança controlar o xixi e quando procurar ajuda 

    Desfralde diurno: saiba a idade ideal para a criança controlar o xixi e quando procurar ajuda 

    O desfralde é um dos momentos mais esperados da infância, mas também um dos que mais gera dúvidas entre mães, pais e cuidadores. Afinal, é possível reconhecer o momento certo do desfralde — especialmente do diurno?

    Para esclarecer essas questões, ouvimos a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, que explica como funciona o controle do xixi, quais sinais mostram que a criança está pronta e os riscos de antecipar algo que deveria acontecer naturalmente.

    Desfralde diurno: qual a idade média para controlar o xixi?

    O esfíncter é um conjunto de músculos na saída da bexiga que funciona como uma “válvula”, controlando a liberação da urina. Aprender a perceber e coordenar o esfíncter é essencial para o controle do xixi.

    Mas o processo não é uma ciência exata. “Não existe uma idade definida para a criança começar a controlar o xixi. Cada criança tem um tempo de compreensão do seu corpo e das suas necessidades fisiológicas”, explica Veridiana.

    Em média, o desfralde diurno ocorre por volta dos 3 anos. Mas é normal que se estabeleça até os 4 anos. Antes disso, escapes e fraldas úmidas fazem parte do esperado. O desfralde é contínuo e envolve aprendizado.

    Controle diurno e controle noturno não são iguais

    O desfralde acontece em duas etapas: diurno e noturno.

    Durante o dia, a criança aprende a reconhecer a bexiga cheia, compreender o desejo de urinar e ter autonomia para ir ao banheiro. “De que adianta uma criança desfraldada que não consegue tirar a própria roupa ou chegar ao banheiro sozinha?!”, ressalta Veridiana.

    Já o controle noturno é mais complexo: envolve fatores genéticos, capacidade de despertar e até a produção de hormônios que regulam a urina durante o sono. É natural que o noturno demore mais.

    Sinais de que a criança já tem controle do esfíncter

    O maior erro é apressar o processo. “O desfralde é da criança, no ritmo dela. Não é do adulto e no desejo do adulto”, afirma Veridiana.

    Sinais de prontidão incluem:

    • Fralda seca por períodos mais longos;
    • A criança avisa que fez xixi;
    • Diz quando está fazendo;
    • Mostra vontade de ir ao banheiro.

    O risco de forçar o desfralde diurno antes da hora

    Apressar o processo pode trazer problemas. “Crianças forçadas ao desfralde podem não desenvolver a compreensão de bexiga cheia ou só ir ao banheiro quando o adulto manda”, explica a médica.

    Isso pode gerar hábitos prejudiciais, como segurar o xixi por muito tempo, escapes entre intervalos e até maior risco de infecções urinárias.

    O uso de treinamentos forçados (intervalos de 15, 20 minutos etc.) pode até manter a criança seca, mas sem o real entendimento da bexiga cheia, criando padrões pouco saudáveis.

    Quanto tempo leva para o desfralde completo?

    Não há prazo exato. Cada criança tem seu ritmo, e comparações só aumentam a ansiedade. “O desfralde é contínuo e deve ser saudável, natural e consciente, levando o tempo que for preciso”, reforça Veridiana.

    É comum que algumas já controlem a urina, mas ainda precisem da fralda para evacuar. O fundamental é respeitar o tempo da criança.

    Veja também: Criança que não consegue segurar o xixi: quando é normal e quando é problema

    Como os pais podem ajudar no desfralde diurno sem pressionar

    O papel da família é facilitar e apoiar. Algumas atitudes ajudam:

    • Não comparar com irmãos ou colegas;
    • Marcar consulta com especialista antes do processo;
    • Facilitar acesso ao penico ou vaso adaptado;
    • Permitir que a criança acompanhe os pais no banheiro;
    • Ensinar a dar descarga e lavar as mãos de forma lúdica.

    Evite palavras de repulsa, como ‘que nojo desse cocô fedido’. Seja leve e natural”, aconselha a médica.

    Quando procurar ajuda médica?

    Alguns sinais indicam que é hora de investigar:

    • Perdas de urina sem percepção;
    • Intervalos muito longos sem urinar ou esforço excessivo;
    • Infecções urinárias frequentes;
    • Constipação persistente;
    • Falta de ganho de peso adequado;
    • Posturas de contenção (cruzar pernas, sentar sobre calcanhar, apertar a região genital).

    Nessas situações, a avaliação médica é fundamental para evitar complicações futuras.

    Perguntas e respostas sobre desfralde diurno

    1. Com que idade a criança costuma controlar o xixi?

    Em média, aos 3 anos. Mas pode se estender até os 4 anos sem problema.

    2. O controle diurno é igual ao noturno?

    Não. O diurno depende de maturidade neurológica. O noturno envolve também fatores genéticos e hormonais.

    3. Quais sinais mostram que a criança está pronta?

    Fralda seca por mais tempo, avisar quando faz xixi e demonstrar vontade de usar penico ou banheiro.

    4. Quais os riscos de forçar o processo?

    Segurar demais o xixi, ter escapes e desenvolver disfunções urinárias.

    5. Quanto tempo dura o desfralde completo?

    Não existe prazo fixo. É contínuo e varia para cada criança.

    6. Como os pais podem ajudar?

    Facilitando o acesso ao penico, ensinando a higiene e evitando críticas e comparações.

    7. Quando procurar um médico?

    Se houver infecções urinárias, constipação, esforço para evacuar, perdas sem percepção ou posturas de contenção.

    Leia mais: Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica

  • Como identificar se o bebê precisa de óculos?

    Como identificar se o bebê precisa de óculos?

    Os problemas de visão podem estar presentes desde o nascimento, já que algumas alterações no desenvolvimento ocular se formam ainda durante a gravidez. É por isso que os primeiros cuidados com a saúde ocular acontecem logo nos primeiros dias de vida, com exames como o Teste do Olhinho.

    Mas, com o passar dos meses, outras dificuldades para enxergar podem começar a ficar mais perceptíveis. Como a criança ainda não consegue dizer que está vendo tudo embaçado ou que não enxerga bem de longe, os pais precisam ficar atentos aos pequenos sinais do dia a dia. Vamos entender mais, a seguir.

    Quais sinais indicam que o bebê precisa de óculos?

    Conforme o bebê cresce, ele começa a prestar mais atenção nos rostos, acompanhar objetos com os olhos e tentar alcançar brinquedos que estão por perto.

    Quando existe algum problema de visão, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, alguns comportamentos diferentes podem aparecer, como:

    1. Aproximar muito os objetos do rosto

    O bebê pode aproximar brinquedos, livros ou outros objetos do rosto para conseguir enxergar melhor os detalhes. Quando o comportamento acontece com frequência, pode indicar dificuldade para enxergar com nitidez, principalmente a determinadas distâncias.

    2. Esfregar os olhos com frequência

    É normal que o bebê esfregue os olhos quando está cansado ou com sono. Porém, quando isso acontece várias vezes ao longo do dia, pode ser um sinal de cansaço visual, irritação nos olhos ou esforço maior para conseguir enxergar.

    3. Inclinar a cabeça para enxergar

    Algumas crianças inclinam a cabeça para um dos lados ou viram o rosto sempre na mesma direção quando querem observar alguma coisa. O comportamento pode ser uma tentativa de encontrar uma posição em que consigam enxergar melhor e pode estar relacionado a alterações no alinhamento dos olhos ou na visão.

    4. Apresentar desvio nos olhos

    Nos primeiros meses de vida, pequenos desalinhamentos podem acontecer enquanto a visão ainda está amadurecendo. Quando um dos olhos permanece desviado para dentro ou para fora com frequência, contudo, o comportamento pode indicar estrabismo ou outra alteração no alinhamento ocular.

    5. Apresentar sensibilidade à luz e lacrimejamento

    Quando o bebê demonstra muito incômodo com a claridade, fecha os olhos em ambientes iluminados ou apresenta lacrimejamento frequente, os sinais podem estar relacionados a alterações na superfície dos olhos, na córnea ou a outras condições oculares.

    6. Ter dificuldade para alcançar objetos

    À medida que cresce, o bebê começa a usar a visão para calcular a distância dos brinquedos e coordenar os movimentos das mãos. Quando apresenta dificuldade frequente para alcançar objetos ou calcular onde eles estão, pode existir alguma alteração na visão ou na percepção de profundidade.

    7. Apertar os olhos ou franzir a testa

    Apertar os olhos ou franzir a testa com frequência pode ser uma tentativa de enxergar melhor. Se o comportamento acontece repetidamente, principalmente quando a criança tenta observar alguma coisa mais distante, vale procurar uma avaliação.

    Importante: se os pais perceberem uma mancha ou um reflexo branco na pupila do bebê, inclusive em fotografias, é importante procurar atendimento oftalmológico rapidamente. O sinal é chamado de leucocoria e pode estar relacionado a diferentes alterações oculares que precisam ser investigadas.

    Como é feito o teste de visão em bebês?

    Como o bebê ainda não sabe falar ou responder aos tradicionais testes com letras, existem exames que não dependem das respostas e permitem avaliar a saúde dos olhos e identificar alterações visuais desde muito cedo, como:

    Teste do olhinho

    O teste do olhinho, também chamado de teste do reflexo vermelho, é realizado nos primeiros dias de vida e ajuda a identificar alterações importantes nos olhos. Durante o exame, o profissional utiliza um aparelho chamado oftalmoscópio para direcionar uma luz aos olhos do bebê e observar o reflexo produzido.

    Quando o reflexo tem alterações, o bebê pode precisar de uma avaliação mais detalhada com um oftalmologista. O exame ajuda na identificação precoce de problemas que podem comprometer a visão, como a catarata congênita e outras condições oculares.

    Exame com dilatação da pupila

    Na consulta com o oftalmopediatra, podem ser usados colírios para dilatar as pupilas e permitir uma avaliação mais detalhada dos olhos. A dilatação também ajuda o médico a medir o grau com maior precisão, já que as crianças possuem uma grande capacidade de acomodação, ou seja, conseguem fazer um esforço natural para focar nas imagens.

    Para descobrir se existe miopia, hipermetropia ou astigmatismo, o profissional pode utilizar diferentes exames:

    • Retinoscopia: o médico direciona uma luz para os olhos da criança e utiliza diferentes lentes para observar como o reflexo luminoso se comporta. Ele consegue identificar se existe algum grau que precisa ser corrigido;
    • Aparelhos de medição: também existem equipamentos capazes de avaliar o grau e o alinhamento dos olhos sem que a criança precise responder perguntas. Alguns aparelhos são portáteis e utilizam luzes ou sons para chamar a atenção do bebê durante o exame.

    Com qual idade o bebê pode ir ao oftalmologista?

    A avaliação da saúde dos olhos começa logo nos primeiros dias de vida, com o Teste do Olhinho. Além da triagem inicial, o acompanhamento oftalmológico ao longo da infância é importante para identificar alterações que podem aparecer conforme a visão se desenvolve.

    A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia recomendam avaliações oftalmológicas periódicas desde os primeiros meses de vida, mesmo quando não existem sintomas aparentes, seguindo a orientação do pediatra e do oftalmologista.

    Como escolher os óculos ideais para o bebê?

    Os bebês se movimentam bastante, brincam, engatinham e provavelmente vão tentar tirar os óculos algumas vezes, então a armação precisa ser leve, resistente e adequada para o tamanho do rosto. Veja algumas dicas para escolher o melhor modelo:

    • Prefira uma armação leve e flexível: as armações feitas com materiais leves e flexíveis costumam ser mais confortáveis para os bebês, já que acompanham melhor os movimentos e diminuem o risco de machucar o rosto durante uma queda ou brincadeira;
    • Veja se os óculos encaixam bem no nariz: como o nariz do bebê ainda está em desenvolvimento, é importante que a armação fique bem encaixada, sem apertar e sem escorregar o tempo todo;
    • Use uma tira para manter os óculos no lugar: alguns modelos possuem uma faixa ajustável que fica atrás da cabeça e ajuda a impedir que os óculos caiam ou saiam do lugar. A tira pode ser bastante útil para os bebês menores, principalmente no começo da adaptação;
    • Escolha lentes leves e resistentes: quedas, batidas e brincadeiras fazem parte da rotina de qualquer bebê, por isso as lentes precisam ser leves e resistentes a impactos. O material deve ser escolhido de acordo com o grau e com as necessidades da criança, seguindo a orientação do profissional responsável.

    No começo, é normal que o bebê tente tocar ou retirar os óculos algumas vezes enquanto se acostuma com o acessório. Com uma armação confortável, o grau correto e um pouco de paciência da família, a adaptação tende a ficar mais fácil ao longo do tempo.

    Confira: Conjuntivite: o que é, sintomas, tipos e tratamentos

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê começa a enxergar nitidamente?

    A visão do bebê melhora gradativamente. Nos primeiros meses ele enxerga vultos e contrastes, mas a capacidade de focar em objetos e rostos com mais clareza e nitidez se desenvolve por volta dos 3 a 4 meses de vida.

    2. Como saber se o estrabismo no bebê é preocupante?

    O estrabismo passa a ser preocupante se for constante, se afetar apenas um dos olhos o tempo todo ou se persistir após os 4 meses de vida. Nesses casos, o bebê deve ser avaliado por um oftalmopediatra.

    3. Quanto tempo dura o efeito do colírio de dilatação no bebê?

    O efeito da pupila dilatada costuma durar entre 12 e 24 horas. Durante esse período, é recomendado proteger os olhos do bebê da luz solar direta.

    4. Como limpar os óculos do bebê com segurança?

    Lave as lentes com água corrente e sabão neutro, secando com um pano macio de microfibra. Evite álcool, produtos de limpeza domésticos ou esfregar na roupa, pois podem danificar os tratamentos da lente.

    5. De quanto em quanto tempo é preciso trocar os óculos do bebê?

    Geralmente a cada 6 meses ou 1 ano, dependendo do crescimento da criança e da evolução do grau. A troca deve ser feita sempre após a reavaliação do oftalmopediatra.

    6. O bebê precisa usar os óculos o dia todo?

    Depende da orientação médica. Em casos de graus elevados ou risco de olho preguiçoso, o uso deve ser contínuo durante todo o tempo em que o bebê estiver acordado.

    Veja também: Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê?

  • Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Ao longo da gestação, você já deve ter ouvido alguma dica de um familiar, de uma amiga ou até de um desconhecido. Dizem que o formato da barriga revela o sexo do bebê, que grávida deve comer por dois ou até que a relação sexual pode machucar o bebê.

    Apesar de várias das orientações fazerem parte da cultura popular há gerações, nem todas têm comprovação científica e algumas podem até gerar preocupações desnecessárias.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto e explicou o que realmente é mito e o que é verdade durante a gestação. Confira!

    Afinal, o que é mito ou verdade sobre a gravidez?

    1. Ficar de pernas para cima depois do sexo melhora as chances?

    É um mito! Manter as pernas levantadas ou elevar o quadril depois da relação sexual não aumenta as chances de engravidar. A ideia de que a gravidade ajudaria os espermatozoides a chegar até o útero não corresponde ao funcionamento do sistema reprodutor feminino, de acordo com Andreia.

    Após a ejaculação, os espermatozoides começam a se deslocar pelo trato reprodutivo feminino e os mais móveis podem alcançar o colo do útero rapidamente. O muco cervical presente durante o período fértil também facilita a passagem dos espermatozoides.

    Por isso, levantar as pernas, colocar um travesseiro embaixo do quadril ou permanecer deitada por muito tempo não é necessário. Também é normal perceber a saída de parte do sêmen pela vagina depois da relação, e isso não significa que todos os espermatozoides foram eliminados.

    Para quem está tentando engravidar, a frequência das relações sexuais durante o período fértil é muito mais importante do que a posição adotada depois do sexo.

    2. Comer inhame aumenta a fertilidade ou induz a ovulação?

    Mito. O inhame é frequentemente associado ao aumento da fertilidade devido à presença da diosgenina, uma substância vegetal que pode ser utilizada pela indústria farmacêutica como matéria-prima em processos laboratoriais para a produção de hormônios esteroides.

    No entanto, o organismo humano não transforma a diosgenina presente no inhame em progesterona ou outros hormônios reprodutivos simplesmente após o consumo do alimento. Logo, não existem evidências de que comer inhame provoque a ovulação ou aumente diretamente as chances de gravidez.

    O inhame pode fazer parte de uma alimentação saudável por oferecer carboidratos, fibras, vitaminas e minerais. A alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e reprodutiva, mas nenhum alimento isolado é capaz de induzir a ovulação ou tratar problemas de fertilidade.

    3. A alimentação do homem interfere na qualidade do esperma?

    Verdade. A saúde do homem também influencia as chances de uma gravidez, já que a alimentação e outros hábitos podem afetar a qualidade dos espermatozoides, segundo Andreia.

    Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e boas fontes de proteínas, pode contribuir para a saúde reprodutiva masculina. Por outro lado, o cigarro, o excesso de álcool, a obesidade, o uso de drogas e de anabolizantes podem prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    Além dos hábitos de vida, os fatores genéticos, hormonais e anatômicos, algumas doenças e determinados medicamentos também podem interferir na fertilidade. Por isso, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar, a ginecologista aponta que tanto a mulher quanto o homem devem ser avaliados.

    4. Ter relação no dia exato da ovulação garante um menino?

    Mito. Não existe um método natural comprovado capaz de determinar o sexo do bebê a partir do dia em que a relação sexual acontece.

    A crença surgiu a partir da teoria de que os espermatozoides que carregam o cromossomo Y seriam mais rápidos e menos resistentes, enquanto os que carregam o cromossomo X seriam mais lentos e sobreviveriam por mais tempo. As evidências científicas não confirmam que a diferença possa ser utilizada para escolher o sexo do bebê.

    5. A barriga pontuda indica menino e a barriga redonda indica menina?

    Mito. O formato da barriga da gestante não permite descobrir o sexo do bebê.

    A aparência da barriga pode variar de acordo com a estrutura corporal da mulher, a musculatura abdominal, o número de gestações anteriores, a posição do bebê, o tamanho do útero e outros fatores relacionados à gravidez.

    Segundo Andreia, o sexo fetal pode ser identificado por exames, como a sexagem fetal por meio do sangue materno, realizada a partir de determinado período da gestação, e a ultrassonografia, quando a posição e o desenvolvimento do bebê permitem a visualização da genitália.

    6. O coração do bebê começa a bater nas primeiras semanas?

    Verdade. O desenvolvimento do coração acontece logo no início da gestação. Nas primeiras semanas, já é possível identificar a atividade cardíaca do embrião por meio de exames específicos, de acordo com a idade gestacional.

    7. Muita azia na gravidez significa que o bebê vai nascer cabeludo?

    Não é possível afirmar isso. A azia é muito comum durante a gravidez e acontece principalmente devido às alterações hormonais e físicas do período.

    A progesterona contribui para o relaxamento do esfíncter localizado entre o esôfago e o estômago, facilitando o retorno do conteúdo gástrico e o aparecimento da queimação. Conforme o bebê cresce, o aumento do útero também pode pressionar o estômago, favorecendo ainda mais o refluxo.

    Curiosamente, um pequeno estudo realizado nos Estados Unidos e publicado em 2006 encontrou uma associação entre a intensidade da azia durante a gravidez e a quantidade de cabelo do bebê ao nascer. No entanto, ainda faltam estudos maiores e evidências científicas mais robustas para confirmar a relação.

    8. A grávida precisa comer por dois?

    É um mito! A gestante não precisa dobrar a quantidade de comida porque está esperando um bebê. O organismo passa a apresentar necessidades nutricionais específicas durante a gravidez, mas isso não significa comer duas vezes mais.

    As necessidades de energia mudam ao longo da gestação e dependem de fatores como o peso antes da gravidez, o estado nutricional, o nível de atividade física e o trimestre gestacional. O ganho de peso acima do recomendado pode aumentar o risco de problemas como o diabetes gestacional, a hipertensão e outras complicações maternas e fetais.

    9. A relação sexual na gravidez pode machucar o bebê ou provocar parto prematuro?

    Na maioria das vezes, não. Em uma gestação sem complicações e sem contraindicação médica, manter relações sexuais costuma ser seguro e não machuca o bebê.

    O bebê permanece protegido dentro do útero pelo líquido amniótico, pelas membranas e pela musculatura uterina, enquanto o colo do útero separa a vagina da cavidade onde o bebê está se desenvolvendo. O pênis não entra em contato com o bebê durante a penetração.

    Também não há evidências de que a atividade sexual aumente o risco de parto prematuro em uma gestação saudável.

    Por outro lado, o obstetra pode recomendar a suspensão temporária das relações sexuais em algumas situações, como determinados casos de placenta prévia, sangramento vaginal sem causa conhecida, ruptura das membranas ou risco aumentado de parto prematuro.

    10. A mudança da fase da lua aumenta as chances de entrar em trabalho de parto?

    Mito! A associação entre as fases da lua e o nascimento dos bebês é uma crença popular antiga, principalmente em relação à lua cheia.

    A ideia costuma partir da comparação com a influência gravitacional da Lua sobre as marés. No entanto, não há evidências consistentes de que a mudança da fase lunar provoque o rompimento da bolsa ou desencadeie o trabalho de parto.

    O início do trabalho de parto envolve uma combinação complexa de alterações hormonais, inflamatórias e mecânicas no organismo da mãe e do bebê.

    11. Os desejos não atendidos deixam marcas ou manchas no bebê?

    Mito. A vontade de comer determinado alimento durante a gravidez não tem relação com o surgimento de manchas ou marcas de nascença no bebê.

    As marcas de nascença podem ter diferentes origens, incluindo alterações nos vasos sanguíneos ou na pigmentação da pele durante o desenvolvimento fetal. O fato de a gestante ter vontade de comer morango, chocolate ou qualquer outro alimento e não satisfazer o desejo não modifica a pele do bebê.

    Os desejos alimentares durante a gravidez, por outro lado, são reais e podem estar relacionados a diferentes fatores, incluindo mudanças hormonais, alterações no paladar e no olfato e aspectos culturais e emocionais.

    Uma atenção maior é necessária quando a gestante sente vontade persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, barro, giz ou papel. O comportamento é conhecido como pica e pode estar associado, entre outros fatores, a deficiências nutricionais, incluindo a deficiência de ferro.

    Na presença do comportamento, a gestante deve conversar com o obstetra para que seja feita uma avaliação adequada.

    12. O chá de canela na gravidez é abortivo?

    Não existem evidências científicas robustas de que o chá de canela provoque aborto em humanos quando a canela é consumida nas quantidades normalmente utilizadas na alimentação.

    No entanto, os médicos e obstetras costumam recomendar cautela com o consumo do chá durante a gravidez, principalmente em preparações concentradas, já que não há dados suficientes sobre a segurança do uso em grandes quantidades e os possíveis efeitos sobre a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Tomar café na gravidez faz mal ao bebê?

    Em excesso, sim. A cafeína ultrapassa a placenta e o feto não tem enzimas para metabolizá-la. Altas doses estão associadas a baixo peso ao nascer e risco de aborto. O limite seguro recomendado pela OMS é de até 200 mg de cafeína por dia (cerca de 2 xícaras de café coado).

    2. A grávida pode dormir de barriga para cima?

    Não é recomendado no 3º trimestre. A partir da 28ª semana, o peso do útero sobre a veia cava inferior pode reduzir a circulação sanguínea para a mãe e para o bebê. O ideal é dormir virada para o lado esquerdo, posição que otimiza o fluxo de sangue e nutrientes para a placenta.

    3. Azia na gravidez pode ser tratada com bicarbonato de sódio?

    Jamais. O bicarbonato é rico em sódio, o que favorece o aumento da pressão arterial e o inchaço. Para aliviar a azia, prefira fracionar as refeições, evitar deitar logo após comer e utilizar apenas antiácidos prescritos pelo obstetra.

    4. Comer pimenta ou comidas apimentadas faz mal para o bebê?

    Não faz mal ao feto, mas pode incomodar a mãe. Os temperos picantes não afetam o desenvolvimento do bebê, mas podem piorar quadros de azia, refluxo e hemorroidas, que já são bastante comuns na gestação.

    5. Pintar as unhas ou usar acetona prejudica a gestação?

    Não. O uso ocasional de esmaltes e removedores de unha é seguro. A única recomendação é aplicar o produto em locais bem ventilados para evitar a inalação prolongada do cheiro forte de solventes, que pode causar enjoos.

    6. Grávida pode tomar vacina contra a gripe e febre amarela?

    A vacina da gripe é obrigatória, e a de febre amarela depende da região. A vacina da gripe (vírus inativado) é segura e indicada em qualquer trimestre. Já as vacinas de vírus vivo atenuado (como a da febre amarela) só são aplicadas sob alto risco de exposição epidemiológica.

    7. É verdade que o leite materno pode ser “fraco” nos primeiros dias?

    Mito. O primeiro leite produzido é o colostro, uma substância amarelada e transparente, rica em anticorpos e nutrientes altamente concentrados. Embora venha em pequenas gotas, é a quantidade exata necessária para o tamanho do estômago do recém-nascido.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Criança colocou feijão ou bolinha no nariz? Veja o que fazer na hora

    Criança colocou feijão ou bolinha no nariz? Veja o que fazer na hora

    É uma cena bastante comum na infância: durante uma brincadeira, a criança coloca um feijão, uma bolinha, uma peça de brinquedo ou outro item pequeno dentro do nariz.

    Na maioria das vezes, o problema pode ser resolvido sem deixar sequelas. No entanto, tentar retirar o objeto de maneira inadequada pode empurrá-lo ainda mais para dentro da cavidade nasal, provocar sangramento ou dificultar a remoção.

    Por isso, saber como agir nos primeiros minutos é fundamental. Baterias tipo botão e ímãs merecem atenção especial, pois podem provocar lesões graves e exigem atendimento médico imediato.

    Por que isso acontece com tanta frequência?

    Crianças pequenas, principalmente entre 2 e 5 anos, exploram o ambiente de diferentes maneiras. Além de levarem objetos às mãos e à boca, elas também podem colocá-los no nariz e nos ouvidos por curiosidade.

    Entre os objetos encontrados com mais frequência estão:

    • Feijões;
    • Grãos de milho;
    • Ervilhas;
    • Miçangas;
    • Bolinhas de brinquedo;
    • Pedaços de papel;
    • Espuma;
    • Pedrinhas;
    • Pequenas peças de brinquedos.

    As baterias tipo botão e os ímãs representam situações de maior gravidade e precisam ser retirados com urgência.

    Como perceber que há um objeto no nariz?

    Em alguns casos, a própria criança conta o que aconteceu. Quando isso não ocorre, alguns sinais podem levantar a suspeita, como:

    • Obstrução de apenas uma narina;
    • Dificuldade para respirar por um lado do nariz;
    • Dor ou desconforto nasal;
    • Espirros;
    • Sangramento discreto.

    Quando o objeto permanece no nariz por vários dias, também podem surgir:

    • Secreção com mau cheiro em apenas uma narina;
    • Secreção amarelada ou esverdeada;
    • Mau odor persistente;
    • Sangramentos recorrentes.

    A presença de secreção com odor desagradável em apenas um lado do nariz é um sinal clássico de corpo estranho nasal esquecido.

    O que fazer imediatamente?

    A primeira medida é manter a calma e tranquilizar a criança. Se ela estiver respirando normalmente e o objeto estiver apenas no nariz, geralmente não há obstrução imediata das vias respiratórias.

    Em seguida:

    • Oriente a criança a não mexer no nariz;
    • Não permita que ela tente empurrar o objeto com o dedo;
    • Observe qual narina está obstruída;
    • Procure atendimento médico para que a retirada seja feita com segurança.

    Se a criança apresentar tosse súbita, engasgo ou dificuldade para respirar, existe a possibilidade de o objeto ter se deslocado para a via respiratória. Nesse caso, é necessário procurar atendimento de emergência.

    O que não fazer?

    Algumas atitudes podem piorar a situação.

    Não tente:

    • Introduzir pinças, grampos, cotonetes ou outros instrumentos na narina;
    • “Pescar” o objeto sem visualização e treinamento adequados;
    • Empurrar o objeto com os dedos;
    • Fazer várias tentativas seguidas de retirada;
    • Irrigar o nariz com água ou soro;
    • Pedir que a criança aspire o ar com força pelo nariz.

    Objetos orgânicos, como feijões, ervilhas e milho, podem absorver líquido, aumentar de tamanho e ficar ainda mais presos. Além disso, tentativas repetidas podem provocar sangramento, inchaço e deslocar o corpo estranho para regiões mais profundas.

    É possível retirar o objeto em casa?

    Não é recomendado introduzir instrumentos na narina nem tentar puxar o objeto com pinças, mesmo quando ele parece estar próximo da entrada.

    Uma opção de primeiros socorros descrita para alguns casos é a técnica conhecida como “beijo da mãe”, que utiliza uma pressão de ar suave para tentar expulsar o objeto.

    Ela pode ser considerada quando:

    • A criança está respirando normalmente;
    • O objeto está em apenas uma narina;
    • Não há suspeita de bateria ou ímã;
    • O objeto não é pontiagudo;
    • Não existe sangramento importante.

    Caso a manobra não funcione na primeira tentativa ou a criança não colabore, não se deve insistir. O ideal é procurar atendimento médico.

    Como funciona a técnica do “beijo da mãe”?

    A técnica é realizada da seguinte maneira:

    • O adulto explica à criança que dará um “beijo grande”;
    • Fecha com o dedo a narina que está livre;
    • Coloca a boca sobre a boca da criança, formando uma vedação;
    • Sopra de maneira curta e firme, observando se o objeto sai pela narina obstruída.

    A força deve ser semelhante à utilizada para encher um pequeno balão, sem sopros repetidos ou excessivos.

    A técnica não deve ser realizada quando houver suspeita de bateria tipo botão, ímã, objeto pontiagudo, sangramento importante, dificuldade para respirar ou possibilidade de o item ter sido aspirado.

    Quando procurar um pronto-socorro imediatamente?

    Algumas situações exigem atendimento urgente.

    Procure um serviço de emergência se houver:

    • Dificuldade para respirar;
    • Engasgo ou tosse intensa após a colocação do objeto;
    • Suspeita de que o objeto foi aspirado;
    • Sangramento importante;
    • Dor intensa;
    • Objeto pontiagudo;
    • Suspeita de bateria tipo botão;
    • Suspeita de um ou mais ímãs;
    • Falha na primeira tentativa de pressão positiva;
    • Impossibilidade de identificar qual objeto foi colocado.

    Baterias e ímãs podem lesionar rapidamente os tecidos do nariz e não devem aguardar uma consulta eletiva.

    Por que as baterias tipo botão são tão perigosas?

    As baterias tipo botão representam uma emergência médica. Quando ficam presas na cavidade nasal, podem gerar uma corrente elétrica e provocar queimaduras graves nos tecidos em poucas horas.

    Entre as possíveis complicações estão:

    • Necrose da mucosa;
    • Perfuração do septo nasal;
    • Infecções;
    • Lesões permanentes.

    Por isso, a retirada deve ser feita o mais rápido possível por uma equipe de saúde. Baterias e ímãs precisam de remoção imediata devido ao risco de queimadura, necrose por pressão e perfuração da mucosa ou do septo nasal.

    E os ímãs?

    Os ímãs também exigem atenção especial.

    Quando há um ímã em cada narina ou um ímã associado a outro objeto metálico, eles podem se atrair e comprimir o septo nasal entre eles.

    Essa pressão pode provocar:

    • Lesão da mucosa;
    • Interrupção do fluxo de sangue no tecido;
    • Necrose;
    • Perfuração do septo nasal.

    Assim como as baterias, os ímãs precisam ser retirados com urgência.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    Inicialmente, o médico examina a cavidade nasal com iluminação adequada e instrumentos específicos.

    Dependendo do tipo, do formato e da posição do objeto, podem ser utilizados:

    • Técnicas de pressão positiva;
    • Pinças apropriadas;
    • Pequenos ganchos;
    • Cateteres com balão;
    • Equipamentos de aspiração.

    Na maioria das vezes, a retirada é rápida. Entretanto, a primeira tentativa costuma ser a que oferece maior chance de sucesso. Por isso, o profissional avalia cuidadosamente qual técnica é mais adequada antes de iniciar o procedimento.

    Em crianças muito pequenas, agitadas ou pouco colaborativas, pode ser necessária contenção adequada ou sedação para garantir a segurança durante a retirada.

    São necessários exames?

    Na maioria dos casos, não. Quando o objeto pode ser visualizado diretamente, o diagnóstico costuma ser feito apenas pelo exame físico.

    Radiografias ou outros exames podem ser solicitados quando:

    • Existe dúvida sobre o tipo de objeto;
    • Há suspeita de bateria;
    • O objeto não é visualizado diretamente;
    • Existe suspeita de aspiração;
    • A história não está clara.

    Quando há dificuldade para visualizar o interior do nariz, o otorrinolaringologista também pode realizar uma nasofibroscopia.

    Quais complicações podem ocorrer?

    Se o objeto permanecer no nariz por muito tempo ou se houver tentativas inadequadas de retirada, podem surgir:

    • Infecção;
    • Inflamação da mucosa;
    • Sangramentos repetidos;
    • Secreção com mau cheiro;
    • Feridas dentro do nariz;
    • Perfuração do septo nasal, principalmente nos casos de baterias e ímãs;
    • Aspiração para as vias respiratórias, embora isso seja incomum.

    O risco depende do tipo de objeto, do tempo que ele permanece no local e das tentativas realizadas antes do atendimento.

    Como prevenir esse tipo de acidente?

    A prevenção é a melhor estratégia.

    Alguns cuidados são:

    • Manter objetos pequenos fora do alcance de crianças menores;
    • Supervisionar as brincadeiras;
    • Respeitar a indicação de idade dos brinquedos;
    • Evitar brinquedos com peças pequenas na faixa etária de maior risco;
    • Manter baterias tipo botão e ímãs em compartimentos bem fechados;
    • Descartar baterias usadas em local seguro;
    • Ensinar a criança a não colocar objetos no nariz, na boca ou nos ouvidos.

    Também é importante verificar periodicamente brinquedos, controles remotos, chaves de carro e outros aparelhos que utilizam baterias pequenas.

    Confira: Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Perguntas frequentes sobre objetos no nariz

    1. Meu filho colocou um feijão no nariz. O que devo fazer?

    Mantenha a calma, impeça que a criança mexa no nariz e não introduza pinças ou cotonetes. Como o feijão pode absorver líquidos e aumentar de tamanho, não lave a narina. Procure atendimento caso ele não seja expelido por uma única tentativa segura de pressão positiva.

    2. Posso usar uma pinça?

    Não é recomendado. A pinça pode empurrar o objeto mais profundamente, provocar sangramento ou dificultar a retirada posterior.

    3. O que é a técnica do “beijo da mãe”?

    É uma manobra de pressão positiva na qual o adulto fecha a narina livre e sopra pela boca da criança para tentar expulsar o objeto pela narina obstruída. Ela deve ser utilizada apenas em situações apropriadas e nunca em casos de baterias, ímãs, objetos pontiagudos ou dificuldade respiratória.

    4. Como saber se ainda existe um objeto no nariz?

    Obstrução de apenas uma narina, secreção persistente com mau cheiro, sangramentos repetidos e dificuldade para respirar por um dos lados podem indicar que ainda existe um corpo estranho no local.

    5. Quando devo levar a criança imediatamente ao hospital?

    Quando houver dificuldade para respirar, tosse ou engasgo súbitos, sangramento importante, dor intensa, suspeita de aspiração ou presença de bateria, ímã ou objeto pontiagudo.

    6. Como os médicos retiram o objeto?

    A retirada pode ser feita com técnicas de pressão positiva ou instrumentos específicos, como pinças delicadas, ganchos, cateteres com balão e equipamentos de aspiração. Em alguns casos, pode ser necessária sedação.

    7. Qual é o objeto mais perigoso quando fica preso no nariz?

    As baterias tipo botão estão entre os objetos mais perigosos, pois podem causar queimaduras graves nos tecidos do nariz em poucas horas. Os ímãs também podem provocar lesões importantes, especialmente quando comprimem o septo nasal. Ambos exigem atendimento médico imediato.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

  • Terapia ABA: o que é e como funciona o tratamento padrão-ouro para o autismo?

    Terapia ABA: o que é e como funciona o tratamento padrão-ouro para o autismo?

    A Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, é um método baseado em evidências científicas que ajuda a criança a aprender novas habilidades e a reduzir comportamentos que dificultam o desenvolvimento.

    Apesar de ser mais conhecida pela importância no acompanhamento do transtorno do espectro autista (TEA), a abordagem também pode ser utilizada em outras situações que envolvem dificuldades de aprendizagem, comunicação ou comportamento. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é a terapia ABA e para que serve?

    ABA é a sigla para Applied Behavior Analysis, expressão em inglês que significa Análise do Comportamento Aplicada.

    Ela consiste em uma área da ciência que estuda como as pessoas aprendem novos comportamentos. A partir disso, os profissionais ensinam habilidades importantes e ajudam a reduzir comportamentos que podem atrapalhar o desenvolvimento da criança.

    Atualmente, a terapia ABA é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por diversas entidades médicas internacionais como o tratamento com maior nível de evidência científica para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, diversos estudos mostram que a intervenção ajuda a criança a desenvolver a comunicação, melhorar a interação com outras pessoas, conquistar mais independência nas atividades do dia a dia e reduzir comportamentos que dificultam a aprendizagem e a convivência.

    Para quem a terapia ABA é indicada?

    A ABA é indicada principalmente para pessoas com autismo, independentemente do grau de suporte. As crianças pequenas costumam apresentar uma resposta muito positiva porque o cérebro ainda está em uma fase de grande desenvolvimento, mas adolescentes e adultos também podem se beneficiar do tratamento.

    Dependendo da necessidade de cada pessoa, a terapia pode ajudar no desenvolvimento da fala, na interação social, na autonomia, na adaptação à escola, no controle das emoções e na redução de comportamentos que colocam a criança em risco ou dificultam a aprendizagem.

    Como funciona o tratamento com a metodologia ABA na prática?

    Na terapia ABA, cada paciente recebe um plano totalmente individualizado, criado de acordo com a idade, as habilidades que já desenvolveu e as dificuldades que ainda precisam ser trabalhadas.

    Antes de iniciar o acompanhamento, a equipe médica faz uma avaliação completa para entender quais objetivos serão mais importantes naquele momento do desenvolvimento.

    Segundo Bárbara, o tratamento costuma acontecer em algumas etapas.

    1. Avaliação inicial

    No começo, uma avaliação detalhada é necessária para identificar o que a criança já consegue fazer e quais habilidades ainda precisam ser estimuladas.

    Durante a fase, o profissional também observa quais comportamentos podem dificultar o aprendizado, como a dificuldade para permanecer sentado durante uma atividade, a sensibilidade exagerada a sons ou a irritação diante de pequenas mudanças na rotina.

    2. Plano de intervenção (PI)

    Depois da avaliação, a equipe elabora um Plano de Intervenção, conhecido como PI. Nesse documento ficam definidos objetivos bem específicos para os próximos meses, sempre de uma forma que permita acompanhar a evolução da criança.

    As metas podem ser simples, como responder quando alguém chama pelo nome, olhar para quem está falando ou aprender a fazer um gesto de despedida ao chegar ou sair da terapia.

    3. Reforço positivo

    O reforço positivo é um princípio que consiste em adicionar um estímulo desejável ou recompensador logo após a emissão de um comportamento

    Na prática, sempre que a criança consegue realizar uma atividade ou faz um esforço para aprender uma nova habilidade, ela recebe uma recompensa que seja importante para ela, como um elogio, uma brincadeira, um brinquedo favorito ou qualquer outra atividade que desperte interesse.

    Aos poucos, o cérebro aprende que repetir aquele comportamento traz uma experiência agradável, aumentando as chances de que ele aconteça novamente.

    4. Aprender um passo de cada vez

    Na terapia ABA, as habilidades são ensinadas aos poucos, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. Quando o objetivo é desenvolver uma tarefa mais complexa, como pedir água, por exemplo, o aprendizado é dividido em pequenas etapas para facilitar a compreensão e evitar frustrações.

    Primeiro a criança aprende a olhar para a pessoa, depois faz um som, em seguida aprende a falar a palavra e, aos poucos, consegue fazer o pedido de forma espontânea. Cada conquista se transforma na base para aprender a seguinte, tornando o desenvolvimento mais natural e consistente.

    Papel da equipe multidisciplinar na terapia ABA

    Para que a criança tenha um bom desenvolvimento, vários profissionais precisam trabalhar juntos, conversar entre si e seguir os mesmos objetivos durante todo o tratamento. Cada um deles desempenha um papel diferente:

    • Analista do comportamento: organiza todo o tratamento, define os objetivos, acompanha os resultados e orienta os profissionais que realizam as sessões;
    • Fonoaudiólogo: trabalha o desenvolvimento da fala, da linguagem, da comunicação e também ensina formas alternativas de comunicação quando necessário;
    • Terapeuta ocupacional: ajuda a criança a desenvolver a coordenação motora, a autonomia nas atividades do dia a dia e a lidar melhor com os estímulos do ambiente, como sons, texturas, cheiros e luzes;
    • Outros profissionais: dependendo das necessidades da criança, também podem participar fisioterapeutas, psicomotricistas, musicoterapeutas e profissionais de equoterapia, ampliando os estímulos durante o tratamento.

    De acordo com Bárbara, não adianta cada profissional trabalhar de forma separada, porque a criança aprende melhor quando recebe os mesmos estímulos em todos os ambientes e durante todas as terapias.

    Quantas horas de terapia ABA o bebê precisa por semana?

    Segundo Bárbara, a resposta depende das necessidades de cada criança. Como o cérebro infantil aprende rápido nos primeiros anos de vida, a repetição dos estímulos ajuda a fortalecer novas conexões e favorece o desenvolvimento.

    A recomendação geral costuma variar entre 10 e 40 horas por semana. A quantidade de horas é definida depois da avaliação e leva em consideração as dificuldades apresentadas, os objetivos do tratamento e a intensidade dos atrasos no desenvolvimento.

    Como identificar se a terapia ABA do seu filho é de qualidade?

    Com o aumento na busca por tratamentos para o TEA nos últimos anos, o mercado de saúde passou por um processo de precarização. No Brasil, a profissão de analista do comportamento ainda não é devidamente regulamentada, o que exige dos pais um olhar muito atento e crítico para garantir que o serviço contratado seja ético e eficiente.

    Segundo Bárbara, uma das principais falhas atuais é a colocação de estudantes ou profissionais sem experiência na função de aplicadores diretos da terapia, sem que haja uma retaguarda adequada.

    Antes de escolher onde o filho será atendido, vale a pena observar alguns pontos que ajudam a identificar se o tratamento realmente tem qualidade:

    • A equipe conta com um profissional qualificado: o tratamento deve ser acompanhado por um analista do comportamento com formação e experiência na área, responsável por planejar o atendimento e acompanhar a evolução da criança;
    • Existe supervisão frequente: quando as sessões são feitas por aplicadores ou terapeutas, o trabalho precisa ser acompanhado de perto pelo supervisor, que analisa os resultados e faz os ajustes necessários no plano de tratamento;
    • A família participa do processo: uma boa terapia também orienta os pais. A equipe deve explicar o que foi trabalhado durante a semana, ensinar como estimular a criança em casa e ouvir as dúvidas e observações da família;
    • O atendimento é acolhedor e respeita a criança: a terapia nunca deve utilizar punições, causar medo ou gerar sofrimento. Um bom tratamento respeita o ritmo da criança, utiliza estratégias positivas de aprendizagem e acolhe tanto o paciente quanto a família durante todo o processo.

    A equipe também deve explicar quais habilidades estão sendo trabalhadas, mostrar aos pais como continuar os estímulos em casa e ouvir como a criança se comporta no dia a dia.

    Quando os responsáveis participam ativamente do tratamento e dão continuidade às atividades fora da clínica, a criança tem mais oportunidades de praticar o que aprendeu e generalizar as habilidades para diferentes situações da rotina.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Por que a ABA é considerada o “padrão-ouro” para o autismo?

    Porque é a abordagem terapêutica com o maior volume de evidências científicas comprovadas no mundo, mostrando resultados reais na evolução de crianças dentro do espectro.

    2. A terapia ABA serve apenas para quem tem autismo?

    Não. Apesar de famosa no tratamento do TEA, a ABA pode ser aplicada no manejo de TDAH, transtornos de aprendizagem, no ambiente escolar e até em treinamentos de grandes empresas.

    3. A partir de qual idade a criança pode começar a terapia ABA?

    Não há idade mínima. Se o bebê apresentar sinais de risco ou atrasos no desenvolvimento (mesmo antes de 1 ano), a intervenção baseada em ABA já pode e deve ser iniciada.

    4. Por que a terapia ABA precisa de tantas horas por semana?

    Porque o cérebro de uma criança autista precisa de mais repetição e intensidade para consolidar aprendizados e criar novas conexões neurais em comparação com crianças neurotípicas.

    5. Quanto tempo dura o tratamento com a terapia ABA?

    Não há prazo fixo. O tratamento dura o tempo necessário para que a criança minimize seus prejuízos e ganhe autonomia nas atividades diárias, podendo durar meses ou anos.

    6. Qual a diferença entre a ABA e a terapia com psicólogo comum?

    A psicologia tradicional costuma focar na fala e na elaboração interna de sentimentos no consultório. A ABA foca na observação direta do comportamento e na modificação de ações práticas do dia a dia, medindo o progresso por meio de dados e gráficos.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

  • Contato visual na amamentação: o bebê que não olha nos olhos pode ser autista?

    Contato visual na amamentação: o bebê que não olha nos olhos pode ser autista?

    Nos primeiros meses de vida, além de fornecer todos os nutrientes necessários para o crescimento do bebê, a amamentação também é um dos principais momentos de interação entre a mãe e o recém-nascido. Durante as mamadas, acontecem as trocas de olhares, as expressões faciais e diversos estímulos que ajudam no desenvolvimento da comunicação, do vínculo afetivo e das habilidades sociais.

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, desde o nascimento, os bebês demonstram uma preferência natural por observar rostos humanos. Como a visão ainda está em desenvolvimento nas primeiras semanas de vida, eles enxergam melhor o que está entre 20 e 30 centímetros de distância, exatamente a distância entre o rosto da mãe e o bebê durante a amamentação.

    Por isso, é comum que eles observem o rosto da mãe e, aos poucos, aprendam a reconhecer expressões e emoções.

    Só que, nos primeiros dois meses, o sistema visual continua amadurecendo. Em alguns momentos, o bebê pode desviar o olhar para uma luz, uma sombra ou simplesmente fechar os olhos porque está relaxado ou satisfeito após mamar. A falta de contato visual, por si só, não significa que exista algum problema, mas vale ficar atento a alguns sinais de alerta.

    O bebê não olhar nos olhos durante a amamentação é normal?

    Sim, principalmente nos primeiros meses de vida. O contato visual não acontece de forma constante desde o nascimento, porque a visão e o cérebro do bebê ainda estão em desenvolvimento.

    Nas primeiras semanas, é normal que ele alterne entre olhar para o rosto da mãe, fechar os olhos durante a mamada ou desviar a atenção para outros estímulos do ambiente.

    Um episódio isolado em que o bebê não faz contato visual normalmente não indica nenhum problema e não deve ser motivo de preocupação. Se ele estava com sono, fome, cólica ou muito cansado, é natural que olhe menos para o rosto dos pais ou dos cuidadores naquele momento.

    Quando a falta de contato visual do bebê acende o alerta?

    O principal sinal de alerta aparece quando a ausência de contato visual é frequente e acontece em diferentes situações do dia a dia. Durante a amamentação, a troca de fraldas, o banho ou as brincadeiras, o bebê parece não responder quando a mãe ou o cuidador tenta chamar sua atenção com sorrisos, conversas ou expressões faciais.

    Em casos assim, o olhar pode permanecer fixo em uma luz, na janela, em um objeto ou simplesmente parecer distante, sem buscar interação com as pessoas ao redor.

    Quando o comportamento continua após os primeiros meses de vida, principalmente a partir dos 2 ou 3 meses, o pediatra pode recomendar uma avaliação mais detalhada do desenvolvimento para entender se existe alguma dificuldade na comunicação e na interação social.

    Um sinal isolado fecha diagnóstico de autismo?

    A ausência de contato visual, sozinha, não confirma o quadro de transtorno do espectro autista (TEA). O diagnóstico depende da avaliação de vários sinais do desenvolvimento e considera tanto dificuldades na comunicação e na interação social quanto comportamentos repetitivos e interesses restritos.

    Segundo Bárbara, o diagnóstico de autismo só pode ser feito a partir de um ano de idade, sendo mais comum entre um ano e três meses e um ano e seis meses.

    Também é importante lembrar que muitas crianças com autismo fazem contato visual normalmente. O diagnóstico nunca é baseado em apenas um comportamento, mas na avaliação completa do desenvolvimento da criança ao longo do tempo.

    A falta de contato visual durante a amamentação deve ser vista apenas como um possível sinal de alerta, principalmente quando aparece junto de outros atrasos no desenvolvimento.

    O que pode ser se não for autismo?

    Quando o bebê apresenta pouca troca de olhares, o autismo é apenas uma das possibilidades que o médico pode investigar. Existem outras condições que também podem provocar o comportamento, como:

    1. Problemas de visão

    Alterações como estrabismo, catarata congênita, miopia, hipermetropia ou astigmatismo podem dificultar que o bebê enxergue com clareza o rosto da mãe durante a amamentação e em outros momentos de interação. A troca de olhares pode ficar reduzida, mesmo sem haver qualquer alteração no desenvolvimento da comunicação.

    2. Alterações na audição

    Os bebês costumam direcionar o olhar para a voz da mãe ou de outras pessoas que conversam com eles. Quando existe alguma dificuldade auditiva, a resposta aos estímulos sonoros pode diminuir, reduzindo também o contato visual durante a amamentação, as brincadeiras e os cuidados do dia a dia.

    3. Atrasos no desenvolvimento da comunicação

    Algumas crianças podem apresentar atrasos no desenvolvimento da linguagem e da comunicação social sem que isso signifique, necessariamente, um diagnóstico de TEA. Cada bebê tem o próprio ritmo de desenvolvimento, e a avaliação médica é necessária para identificar a causa das dificuldades e indicar o acompanhamento mais adequado.

    4. Condições neurológicas ou complicações no nascimento

    A prematuridade, o sofrimento fetal e algumas condições neurológicas ou síndromes genéticas podem atrasar diferentes marcos do desenvolvimento infantil, incluindo o contato visual, a interação com outras pessoas e o desenvolvimento da comunicação.

    O acompanhamento com o pediatra e outros especialistas ajuda a monitorar a evolução da criança e iniciar intervenções precoces quando necessário.

    O que os pais devem fazer ao notar esse comportamento?

    O mais importante é observar o bebê com calma e evitar comparações com outras crianças, já que cada uma tem o próprio ritmo de desenvolvimento.

    Ao mesmo tempo, os pais não devem ignorar uma preocupação persistente. Quem convive diariamente com o bebê costuma perceber mudanças e comportamentos diferentes antes mesmo das consultas de rotina, segundo Bárbara.

    Se surgir a suspeita de que algo não está evoluindo como esperado, algumas atitudes podem ajudar:

    • Observe outros comportamentos: perceba se o bebê responde à voz dos pais, sorri de volta, acompanha pessoas com o olhar e reage aos estímulos do ambiente;
    • Anote ou filme as interações: pequenos vídeos da amamentação, das brincadeiras ou de outros momentos do dia ajudam o pediatra a avaliar o comportamento com mais detalhes;
    • Procure avaliação médica: converse primeiro com o pediatra. Se houver necessidade, o profissional poderá encaminhar a criança para um neuropediatra, oftalmologista, otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo.

    Caso seja identificada alguma alteração no desenvolvimento, a intervenção precoce pode começar mesmo antes de um diagnóstico definitivo.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê deve começar a olhar nos olhos?

    O esperado é que o bebê comece a fixar o olhar no rosto dos pais entre a 4ª e a 6ª semana de vida. Aos 2 ou 3 meses, o contato visual já deve ser firme e frequente.

    2. O que fazer se o bebê não atende pelo nome?

    O primeiro passo é fazer um exame de audição (como o teste do bera) para descartar surdez. Se a audição estiver normal e o comportamento persistir, procure um neuropediatra.

    3. O que são diagnósticos diferenciais do autismo?

    São outras condições que causam sintomas parecidos e precisam ser investigadas, como problemas de visão, deficiência auditiva, TDAH ou transtornos de ansiedade infantil.

    4. O autismo é herdado dos pais?

    A base genética é imensa (mais de 80%), mas não depende de um único gene. É uma combinação de múltiplos genes e fatores ambientais. Em alguns casos, os pais descobrem que são autistas após o diagnóstico do filho.

    5. O que é a hipersensibilidade sensorial na infância?

    É quando o cérebro da criança processa estímulos do ambiente de forma exagerada. Ela pode chorar desesperadamente com barulhos comuns (liquidificador, secador), rejeitar certas texturas de roupas ou ter forte seletividade alimentar devido à textura da comida.

    6. Como diferenciar a birra normal de uma crise do autismo?

    A birra comum tem um objetivo claro (chamar atenção ou conseguir algo) e cessa quando a vontade da criança é atendida ou ela se cansa. A crise no autismo (meltdown) é uma sobrecarga neurológica: a criança perde o controle total de si, não consegue parar sozinha e não é motivada por um ganho material.

    7. Criança muito agitada com 2 anos já pode ter diagnóstico de TDAH?

    Não. Os médicos não fecham o diagnóstico de TDAH antes dos 4 anos porque a região cerebral responsável pelo controle do comportamento (o córtex pré-frontal) ainda é muito imatura. Antes dessa idade, a agitação costuma ser tratada apenas com mudanças de estímulo e rotina.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

  • O sono do bebê e o neurodesenvolvimento: quando a insônia precoce é um sinal de alerta?

    O sono do bebê e o neurodesenvolvimento: quando a insônia precoce é um sinal de alerta?

    As noites mal dormidas fazem parte da rotina de praticamente todas as famílias que acabam de receber um bebê. Afinal, acordar várias vezes para mamar, trocar a fralda ou procurar conforto é completamente esperado nos primeiros meses de vida.

    Mas e quando o bebê parece nunca conseguir dormir bem, acorda de hora em hora, permanece irritado o tempo todo e nem o colo consegue acalmá-lo? Apesar de cada criança ter o próprio ritmo, um padrão persistente de sono muito irregular pode ser um sinal de que algo merece uma investigação mais cuidadosa.

    Qual a relação entre o sono do bebê e o desenvolvimento do cérebro?

    O ato de dormir é uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento do cérebro do bebê. Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, ao longo dos primeiros meses de vida o cérebro vive um período intenso de maturação e de plasticidade cerebral, que é a capacidade de formar novas conexões entre os neurônios.

    Enquanto a criança dorme, o organismo consolida os aprendizados do dia, organiza as memórias e libera hormônios importantes para o crescimento físico e neurológico.

    Um sono de boa qualidade funciona como uma verdadeira manutenção do sistema nervoso central. Durante o sono profundo, o cérebro elimina conexões neurais que não são mais necessárias e fortalece os circuitos estimulados ao longo dos períodos em que o bebê ficou acordado.

    Como explica a especialista, dormir não representa um estado passivo, mas um reflexo ativo da forma como o cérebro está se organizando. Quando uma criança apresenta dificuldades persistentes para dormir desde os primeiros meses de vida, pode existir alguma alteração no funcionamento dos mecanismos responsáveis pela regulação cerebral e pelo processamento dos estímulos sensoriais.

    Despertares normais ou insônia precoce: como diferenciar?

    Como o estômago do bebê ainda é pequeno e os ciclos de sono são naturalmente mais curtos do que os de um adulto, acordar durante a madrugada para mamar ou receber conforto é completamente esperado.

    Mas, segundo Bárbara Macedo, existe uma diferença importante entre os despertares normais e um quadro de insônia precoce. Para facilitar a identificação, as principais características podem ser observadas da seguinte forma:

    Despertares normais

    O bebê acorda a cada duas ou três horas, mama, recebe conforto dos pais e, depois de estar alimentado e com a fralda limpa, consegue relaxar e voltar a dormir com relativa facilidade. Durante o dia, demonstra atenção, disposição e responde aos estímulos de acordo com os marcos esperados para a idade.

    Insônia precoce

    O padrão de desregulação do sono é intenso e contínuo. Segundo Bárbara, o sinal de alerta aparece quando um bebê de um, dois ou três meses mantém uma rotina na qual o sono não se estabiliza nem melhora com o passar das semanas.

    A criança acorda praticamente de hora em hora e, quando consegue dormir, permanece apenas em ciclos muito curtos, de cerca de 15 minutos, ficando constantemente irritada e cansada.

    Bárbara explica que o principal sinal de alerta é quando o bebê não consegue manter um sono regular e a falta de descanso começa a afetar o comportamento, deixando a criança constantemente irritada, estressada e cansada.

    Quando o sono volátil e a irritação acendem o alerta para o autismo?

    Nem toda dificuldade para dormir nos primeiros meses de vida está relacionada ao transtorno do espectro autista (TEA), mas estudos apontam que as alterações do sono estão entre as comorbidades mais frequentes em crianças neurodivergentes.

    Segundo Bárbara, a combinação entre distúrbios de sono muito precoces e irritabilidade persistente merece atenção durante a avaliação neuropediátrica. Veja alguns sinais de alerta:

    • Dificuldade persistente para dormir, mesmo após os primeiros meses de vida;
    • Sono muito fragmentado, com despertares praticamente de hora em hora;
    • Ciclos de sono muito curtos, com duração de cerca de 15 minutos;
    • Irritabilidade intensa e dificuldade para se acalmar, mesmo após mamar, receber colo ou carinho;
    • Preferência por permanecer sozinho no berço, demonstrando desconforto com o contato físico ou com o colo;
    • Necessidade de seguir uma rotina extremamente rígida para conseguir dormir, como ser balançado sempre da mesma forma, durante o mesmo tempo e ouvindo a mesma música;
    • Grande dificuldade para lidar com mudanças na rotina do sono, reagindo com muito choro ou irritação quando algum detalhe é alterado.

    Vale apontar que a presença de um ou mais sinais não confirma um diagnóstico de autismo. O mais importante é observar o conjunto do desenvolvimento da criança e procurar orientação médica quando o comportamento persiste ou começa a interferir no bem-estar do bebê e da família.

    O que fazer se bebê apresentar os sinais?

    O desenvolvimento de cada criança acontece em um ritmo próprio, por isso é normal que alguns marcos apareçam um pouco antes ou um pouco depois.

    No entanto, quando as dificuldades para dormir continuam por um longo período, vêm acompanhadas de irritabilidade constante ou começam a prejudicar o bem-estar do bebê e a rotina da família, é importante procurar orientação médica.

    Se o bebê apresenta um padrão persistente de sono irregular e irritabilidade, algumas atitudes podem ajudar durante a investigação:

    • Crie um diário do sono: anote os horários em que o bebê dorme, quanto tempo cada sono dura, quantas vezes acorda durante a noite e quanto tempo leva para voltar a dormir. As anotações ajudam o médico a entender melhor o padrão de sono da criança;
    • Grave vídeos do comportamento: registrar os momentos de irritação, a dificuldade para adormecer ou a reação ao colo pode fornecer informações importantes durante a consulta, já que o bebê pode agir de forma diferente no consultório;
    • Procure profissionais qualificados: converse com o pediatra e, se houver necessidade, procure também um neuropediatra para uma avaliação mais detalhada.

    A família não precisa aguardar um diagnóstico definitivo para iniciar os cuidados e, quando existem atrasos no desenvolvimento ou dificuldades que interferem na evolução da criança, o encaminhamento para terapias de intervenção precoce (como a fonoaudiologia e a terapia ocupacional) pode começar o quanto antes.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o sono do bebê começa a ficar mais regular?

    Normalmente, a partir dos 3 ou 4 meses o bebê começa a produzir mais melatonina (o hormônio do sono) e a diferenciar melhor o dia da noite, tornando o sono mais previsível.

    2. Bebê que dorme mal pode ter o desenvolvimento afetado?

    Sim, se for um problema crônico e severo. A privação constante de sono prejudica a regulação emocional, a atenção, o aprendizado e pode sobrecarregar o sistema nervoso do bebê.

    3. Por que alguns bebês rejeitam o colo quando estão com sono?

    Algumas crianças apresentam hipersensibilidade tátil, ou seja, sentem o toque e o movimento de forma muito intensa ou incômoda. Para esses bebês, o contato físico gera estresse em vez de relaxamento, fazendo com que prefiram o berço estático.

    4. O uso de telas, como TV e celular, afeta o sono do bebê?

    Sim! A luz azul emitida pelas telas bloqueia a produção de melatonina, o hormônio responsável por sinalizar ao cérebro que é hora de dormir, deixando o bebê hiperestimulado e dificultando o sono profundo.

    5. O sono agitado com movimentos bruscos é normal?

    Os movimentos esporádicos são comuns. Mas, se o bebê apresenta movimentos muito repetitivos, rítmicos e contínuos de balanço para adormecer, isso pode ser um mecanismo de autorregulação sensorial que merece atenção.

    6. Devo deixar o bebê chorar até dormir?

    Em bebês com sinais de risco ou desregulação neurológica, métodos que ignoram o choro podem aumentar o estresse e a desorganização sensorial, sendo preferível sempre priorizar técnicas de autorregulação guiada pelos pais.

    6. Ruídos corporais (como se espremer ou gemer) durante o sono são normais?

    Sim, principalmente nos primeiros 3 meses. O sistema digestivo do bebê ainda é muito imaturo, e é comum que ele gema, faça força ou se estique bastante enquanto dorme devido aos gases. Se ele não acordar chorando de dor, não há necessidade de intervir.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

  • 9 sinais de que uma criança pode ser superdotada 

    9 sinais de que uma criança pode ser superdotada 

    A superdotação na infância, também conhecida como altas habilidades ou superdotação, é uma característica de neurodesenvolvimento em que a criança apresenta um desempenho acima da média em uma ou mais áreas.

    De acordo com a neuropediatra Bárbara Macedo, algumas crianças se destacam na área acadêmica, artística, área criativa ou até na capacidade de resolver problemas.

    A superdotação também não se manifesta da mesma maneira em todos os casos, mas existem alguns sinais que os pais podem identificar no dia a dia. Vamos entender mais, a seguir.

    Quais os sinais de superdotação na infância?

    1. Aprender a ler muito cedo

    Um dos sinais mais conhecidos das altas habilidades é aprender a ler antes da idade esperada, muitas vezes de forma espontânea ou com pouca orientação. A criança costuma demonstrar grande interesse por livros, letras e histórias, reconhecendo palavras e compreendendo textos mais cedo do que os colegas da mesma faixa etária.

    2. Ter um vocabulário avançado para a idade

    Muitas crianças superdotadas utilizam palavras mais sofisticadas e constroem frases mais elaboradas do que o esperado para a idade. Além de se expressarem com facilidade, elas conseguem compreender conversas complexas, explicar ideias com bastante clareza e adaptar a linguagem de acordo com a situação.

    Também é comum apresentarem facilidade para aprender novas palavras, fazer perguntas detalhadas e manter diálogos longos sobre diferentes assuntos, demonstrando uma capacidade de comunicação que costuma chamar a atenção de familiares e professores.

    3. Fazer perguntas profundas e complexas

    Em vez de perguntar apenas “o que é isso?”, a criança costuma querer entender o motivo das coisas acontecerem. Questões sobre o universo, a origem da vida, a natureza, o tempo ou outros assuntos abstratos podem surgir muito cedo, demonstrando uma curiosidade mais incomum.

    4. Demonstrar curiosidade intensa

    A vontade de aprender parece não ter fim e a criança faz perguntas o tempo todo, observa detalhes que passam despercebidos por outras pessoas e busca novas informações sobre diferentes assuntos. Quando encontra um tema interessante, costuma querer saber tudo sobre ele.

    5. Ter interesses intensos por determinados temas

    Também é comum desenvolver uma verdadeira paixão por um assunto específico, como dinossauros, astronomia, matemática, música, tecnologia ou animais. A criança pode acumular uma quantidade impressionante de informações, memorizar detalhes com facilidade e falar sobre o tema com bastante profundidade.

    Muitas vezes, ela busca conhecimento por conta própria, faz pesquisas, lê livros, assiste a vídeos e demonstra um nível de envolvimento que vai muito além da curiosidade comum para a idade.

    6. Aprender novos conteúdos com muita facilidade

    Depois de poucas explicações, a criança compreende conceitos, identifica padrões e consegue aplicar o conhecimento em situações diferentes, muitas vezes precisando de menos repetições do que outras crianças.

    Além de aprender rapidamente, ela costuma fazer associações entre conteúdos distintos, resolver exercícios com facilidade e demonstrar autonomia para adquirir novos conhecimentos, principalmente quando o assunto desperta seu interesse.

    7. Apresentar uma memória acima da média

    Muitas crianças com altas habilidades conseguem lembrar de fatos, datas, histórias, conversas e detalhes com facilidade, mesmo muito tempo depois. A boa memória costuma contribuir para o aprendizado rápido e para a capacidade de relacionar diferentes informações.

    8. Resolver problemas de maneira criativa

    Em vez de seguir apenas as soluções mais óbvias, a criança costuma encontrar caminhos diferentes para resolver desafios. Ela pensa de forma criativa, faz conexões inesperadas entre ideias e consegue encontrar soluções originais para problemas do dia a dia.

    Além disso, muitas vezes propõe respostas que surpreendem os adultos pela lógica, pela inovação ou pela capacidade de enxergar possibilidades que passam despercebidas pela maioria das pessoas.

    9. Demonstrar interesse por assuntos mais comuns em idades maiores

    Enquanto muitas crianças da mesma faixa etária ainda estão descobrindo temas básicos, aquelas com altas habilidades podem demonstrar fascínio por áreas como ciência, astronomia, tecnologia, história ou filosofia.

    Não é raro que passem horas pesquisando, lendo livros, assistindo a documentários ou conversando sobre esses temas com um nível de profundidade que costuma surpreender familiares e professores.

    É importante destacar que nenhum dos sinais confirma, sozinho, o diagnóstico de superdotação. Algumas crianças podem apresentar uma ou várias dessas características sem necessariamente terem altas habilidades.

    Segundo Bárbara, todos os comportamentos devem ser avaliados dentro do contexto do desenvolvimento infantil por profissionais especializados.

    Como é feito o diagnóstico de superdotação?

    O diagnóstico da superdotação é feito por profissionais especializados, como psicólogos ou neuropsicólogos, que analisam diferentes aspectos do desenvolvimento da criança.

    Durante o processo, são feitas entrevistas com os pais para conhecer o histórico da criança, além da aplicação de testes que avaliam a inteligência, a memória, a atenção, o raciocínio e outras habilidades cognitivas. Também são considerados o desempenho escolar, os relatos dos professores, os interesses da criança, o nível de criatividade, a facilidade para aprender e a forma como ela resolve problemas.

    Ao mesmo tempo, os profissionais também observam aspectos emocionais e comportamentais, já que muitas crianças com altas habilidades podem apresentar grande sensibilidade, perfeccionismo ou um desenvolvimento desigual entre a parte intelectual e a emocional.

    “Cada criança se desenvolve de forma diferente e o acompanhamento adequado ajuda a entender melhor esses perfis”, finaliza Bárbara.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. Toda pessoa superdotada tem QI acima de 130?

    Não necessariamente. Embora o QI igual ou superior a 130 (percentil 98) seja o critério psicométrico clássico, o diagnóstico moderno também considera a criatividade, o talento artístico e o envolvimento com tarefas.

    2. É possível ser superdotado em apenas uma área?

    Sim. Uma pessoa pode ser brilhante em matemática e lógica, mas ter um desempenho absolutamente mediano em escrita, esportes ou interações sociais.

    3. O que é “assincronia” na superdotação?

    É o descompasso entre o desenvolvimento intelectual, o emocional e o motor. Uma criança pode ter o raciocínio de um adulto de 30 anos, mas a maturidade emocional e a coordenação motora de sua idade real.

    4. Superdotação é genética?

    Existe uma forte base hereditária e predisposição genética, mas o ambiente (estímulos, acolhimento e oportunidades) determina se o potencial vai se desenvolver ou ser sufocado.

    5. O que é dupla excepcionalidade?

    É quando a superdotação coexiste com outro transtorno ou neurodivergência, como o transtorno do espectro autista (TEA), TDAH, dislexia ou ansiedade.

    6. Como é feito o diagnóstico em adultos?

    O processo é similar ao de crianças: envolve testes neuropsicológicos, avaliação de QI, entrevistas sobre o histórico de vida, padrões de pensamento e análise de hiperfocos.

    7. Qual a diferença entre superdotado e gênio?

    O superdotado tem o potencial neurobiológico elevado. O gênio é aquele que pegou esse potencial e gerou uma obra, descoberta ou impacto real e transformador para a humanidade.

    Leia mais: Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar