Como reconhecer os sintomas de TDAH na infância? 

Criança sentada na sala de aula com expressão de distração e desatenção, ilustrando os sintomas de TDAH na infância e as dificuldades de concentração no ambiente escolar.

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, mais conhecido como TDAH, é uma condição neurobiológica que normalmente começa a dar os primeiros sinais ainda na infância e afeta áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pela organização do comportamento.

O diagnóstico nem sempre é simples nos primeiros anos de vida, já que é natural que as crianças sejam agitadas, curiosas, falem bastante, tenham muita energia e se distraiam com facilidade durante brincadeiras, atividades escolares ou situações do dia a dia.

Mas então, como diferenciar a agitação natural das crianças de um sinal do transtorno? A seguir, explicamos as principais características do TDAH na infância e o que fazer ao notar os sintomas no dia a dia.

Como identificar os sinais de TDAH na infância?

O diagnóstico do TDAH é feito a partir de uma análise clínica do comportamento da criança em múltiplos ambientes, como em casa e na escola. “Existe um marcador que é fundamental no diagnóstico de TDAH, que é a discrepância da atenção de acordo com a atividade, o momento e o grau de motivação dessa criança para a atividade”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

Segundo a especialista, a criança pode apresentar muita dificuldade para se concentrar em algumas atividades, esquecer compromissos e tarefas, perder objetos com frequência e até não conseguir concluir o que começou.

Por outro lado, quando a atividade desperta grande interesse, é possível que ela fique extremamente focada por horas seguidas, demonstrando um padrão de atenção que varia bastante conforme o nível de motivação.

Para ajudar a identificar o transtorno, os sinais costumam ser divididos em três grupos principais de comportamento no dia a dia:

Sinais de desatenção

  • Deixar tarefas escolares ou atividades cotidianas incompletas;
  • Distrair-se facilmente com estímulos externos, como barulhos na rua ou um objeto na sala;
  • Parecer não ouvir quando alguém fala diretamente com ela;
  • Ter grande dificuldade para organizar horários, materiais escolares e brinquedos;
  • Evitar ou demonstrar forte resistência a atividades que exijam esforço mental prolongado.

Sinais de hiperatividade

  • Agitar as mãos ou os pés e remexer-se na cadeira com frequência;
  • Ficar de pé em momentos ou situações em que se espera que permaneça sentada, como durante as refeições ou na aula;
  • Correr ou subir em móveis de maneira excessiva e inadequada;
  • Dificuldade para brincar ou se envolver em atividades de lazer de forma calma;
  • Falar demais ou demonstrar uma energia constante, agindo como se estivesse “ligada a um motor”.

Sinais de impulsividade

  • Responder a perguntas antes mesmo que elas sejam concluídas;
  • Ter muita dificuldade para esperar a sua vez em filas ou brincadeiras de grupo;
  • Interromper conversas de adultos ou se intrometer nas atividades e jogos de outras crianças;
  • Agir sem avaliar os riscos físicos envolvidos, o que pode levar a quedas ou acidentes frequentes.

Como os sinais mudam na escola e em casa?

O TDAH se manifesta de formas diferentes dependendo do ambiente e das regras de cada local. Em casa, a criança pode apresentar:

  • Dificuldade para seguir a rotina e concluir tarefas simples do dia a dia, como escovar os dentes, tomar banho ou guardar os brinquedos;
  • Esquecimento frequente de orientações e perda constante de objetos de uso diário, como chinelos, casacos e brinquedos;
  • Agitação durante momentos de lazer, com dificuldade para permanecer sentada durante um filme ou uma refeição em família;
  • Baixa tolerância à frustração, com irritabilidade, impaciência e reações impulsivas quando algo não acontece como esperado.

Já na escola, é possível notar:

  • Queda no desempenho escolar, com erros frequentes por distração, cadernos incompletos e dificuldade para copiar o conteúdo da lousa;
  • Dificuldade para seguir regras em brincadeiras e jogos em grupo, interrompendo os colegas ou agindo por impulso, o que pode gerar conflitos;
  • Comportamento inquieto em sala de aula, levantando da carteira várias vezes, mexendo em objetos o tempo todo ou parecendo distraído durante as explicações;
  • Esquecimento frequente de materiais escolares, como livros e cadernos, além de dificuldade para anotar ou entregar as tarefas no prazo correto.

Com qual idade é possível fazer o diagnóstico?

Não existe uma idade mínima exata, mas o diagnóstico de TDAH costuma pode ser feito a partir dos 6 anos, quando a criança já frequenta a escola e precisa lidar com atividades que exigem mais atenção, organização, controle da impulsividade e capacidade de permanecer concentrada por mais tempo.

Nessa fase da vida, fica mais fácil perceber se os comportamentos estão além do esperado para a idade e se estão causando problemas no aprendizado, nas relações sociais ou na rotina.

Antes dos 6 anos, alguns sinais podem chamar a atenção dos pais, como agitação excessiva, impulsividade intensa e grande dificuldade para seguir orientações simples. Só que o diagnóstico costuma exigir cautela, já que muitas das características também podem fazer parte do desenvolvimento normal da infância.

“Outro ponto importante: esses comportamentos precisam ser frequentes e acontecer em mais do que um ambiente, principalmente na criança, em casa e na escola. E precisam interferir na rotina, eles precisam causar prejuízo”, complementa Bárbara.

O que fazer ao suspeitar de TDAH no meu filho?

Se você notar sinais persistentes de desatenção, impulsividade ou hiperatividade que estejam causando dificuldades na escola, em casa ou na convivência com outras pessoas, o ideal é procurar uma avaliação com um profissional especializado, como um neuropediatra, pediatra ou psiquiatra infantil.

Quanto mais cedo o quadro for identificado, maiores são as chances de desenvolver medidas que ajudem a criança a lidar melhor com os desafios do dia a dia.

Uma dica também é conversar com os professores e a coordenação pedagógica da escola, uma vez que eles acompanham a criança por várias horas do dia e podem relatar comportamentos que passam despercebidos em casa. O diagnóstico do TDAH depende justamente da observação dos sintomas em mais de um ambiente.

Vale lembrar que os comportamentos da criança não são intencionais ou por pirraça, e castigar a criança apenas contribui para aumentar a ansiedade e a baixa autoestima.

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Perguntas frequentes

1. O TDAH tem cura?

Não, o TDAH é uma condição crônica, o que significa que não tem cura. No entanto, com o tratamento adequado, a criança aprende a gerenciar os sintomas e pode ter uma vida perfeitamente saudável e produtiva.

2. Meninas e meninos apresentam os mesmos sinais?

Nem sempre. Em meninos, os sinais de hiperatividade e impulsividade costumam ser mais visíveis. Já em meninas, o TDAH tende a se manifestar mais pelo tipo desatento, fazendo com que pareçam quietas, distraídas ou “no mundo da lua”, o que pode atrasar o diagnóstico.

3. O uso excessivo de telas pode causar TDAH?

Não, as telas não causam o transtorno, que é uma condição neurobiológica de nascença. Mas o uso exagerado de celulares e tablets pode agravar os sintomas de desatenção, ansiedade e impulsividade em crianças que já possuem o diagnóstico.

4. O que é o tipo predominantemente desatento do TDAH?

É o subtipo do transtorno em que a falta de foco, o esquecimento, a desorganização e a facilidade de se distrair são os sintomas principais, enquanto a agitação física e a impulsividade são poucas ou inexistentes.

5. Como criar uma rotina em casa ajuda a criança com TDAH?

Crianças com TDAH têm dificuldade com prazos e previsibilidade. Uma rotina visual bem estruturada reduz a ansiedade, diminui os esquecimentos e ajuda a criança a entender o que se espera dela a cada momento.

6. Qual o papel da psicoterapia no tratamento do TDAH?

A terapia ajuda a criança a desenvolver habilidades emocionais e comportamentais. A abordagem mais recomendada é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ensina o manejo da frustração, técnicas de organização e formas de controlar a impulsividade no convívio social.

7. O medicamento para TDAH causa dependência em crianças?

Quando prescritos por médicos especialistas e utilizados nas doses corretas, os medicamentos estimulantes modernos são seguros e não causam dependência química.

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