Categoria: Família

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  • Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

    Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

    Com uma facilidade fora do comum para aprender, decorar ou criar, a expectativa para uma criança superdotada costuma ser de um excelente desempenho em todas as áreas da vida. Só que, na realidade, ter altas habilidades não a torna livre de dificuldades, inseguranças ou desafios emocionais e sociais.

    No dia a dia, a facilidade para compreender conteúdos complexos pode coexistir com a dificuldade de lidar com frustrações, de se relacionar com colegas da mesma idade ou de encontrar estímulos compatíveis com seu potencial. Em alguns casos, a sensação de ser diferente pode gerar isolamento, ansiedade e até desinteresse pela escola.

    A superdotação também não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, de modo que reconhecer e compreender as características das altas habilidades é necessário para oferecer o suporte necessário ao desenvolvimento saudável da criança.

    O que é superdotação na infância?

    A superdotação na infância, também chamada de altas habilidades ou superdotação, é um conjunto de características que faz com que a criança apresente uma potencial acima da média em uma ou mais áreas, como a criatividade, a liderança, as artes, a capacidade acadêmica ou as habilidades psicomotoras.

    De maneira geral, ser superdotado não significa apenas ter notas altas ou apresentar um QI elevado, mas demonstrar uma forma diferenciada de aprender, entender informações e interagir com o mundo.

    Diversas crianças com altas habilidades têm uma grande facilidade para adquirir novos conhecimentos, resolver problemas complexos e fazer conexões entre ideias que nem sempre são percebidas por outras pessoas da mesma idade.

    Vale destacar que a superdotação não é um transtorno ou doença, mas uma característica do neurodesenvolvimento. O cérebro funciona e processa as informações de uma forma diferente, mais rápida e intensa, o que torna necessário ter um ambiente estimulante, acolhedor e focado nas necessidades específicas de aprendizado da criança.

    Sinais de superdotação em crianças

    As manifestações da superdotação podem variar bastante, mas podem incluir:

    • Aprender com rapidez e precisar de poucas repetições para compreender novos conteúdos;
    • Demonstrar curiosidade intensa e fazer perguntas frequentes sobre diversos assuntos;
    • Apresentar vocabulário avançado para a idade;
    • Ter excelente memória para fatos, informações e experiências;
    • Mostrar interesse por temas considerados complexos para a faixa etária;
    • Resolver problemas com facilidade e encontrar soluções criativas;
    • Gostar de desafios intelectuais e atividades que precisam de raciocínio;
    • Aprender a ler, escrever ou contar mais cedo do que o esperado;
    • Demonstrar grande capacidade de observação e atenção aos detalhes;
    • Apresentar criatividade acima da média em brincadeiras, histórias e desenhos.

    Muitas crianças superdotadas também possuem um senso de justiça muito desenvolvido, demonstram empatia, são bastante sensíveis a críticas e podem ficar frustradas quando não conseguem atingir as próprias expectativas.

    Crianças superdotadas também podem ter dificuldades?

    Apesar das habilidades acima da média, uma criança com superdotação também pode enfrentar desafios emocionais, sociais e escolares que podem passar despercebidos por familiares e educadores.

    “Algumas podem ter problemas de socialização, sentir-se deslocadas e não se identificar com os colegas da mesma idade. Nessas situações, vemos crianças superdotadas escondendo o próprio conhecimento, fingindo que não sabem ou fingindo que sabem o mesmo que os amigos para poderem se sentir parte do grupo”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O cérebro de uma criança superdotada processa tudo de forma acelerada, mas o desenvolvimento emocional não acompanha a velocidade da inteligência. Isso causa um descompasso, chamado na psicologia de dissincronia, que se reflete em dificuldades bem específicas.

    Principais dificuldades enfrentadas por crianças superdotadas

    1. No ambiente escolar

    Como as crianças superdotadas costumam aprender muito rápido, podem acabar ficando entediadas no ambiente escolar quando o conteúdo é repetido várias vezes ou quando as atividades não oferecem desafios suficientes.

    Com o passar do tempo, o desinteresse pode fazer com que a criança pare de prestar atenção às aulas, deixe de realizar tarefas e perca a motivação para aprender. Em alguns casos, isso pode até levar a um desempenho escolar abaixo do esperado, mesmo quando ela tem um grande potencial.

    Muitas crianças superdotadas também aprendem com tanta facilidade durante os primeiros anos de estudo que não desenvolvem hábitos de organização e técnicas de estudo. Quando encontram conteúdos mais difíceis no futuro, elas podem sentir frustração e dificuldade para lidar com outros desafios.

    2. No aspecto emocional

    Uma característica comum da superdotação é o chamado desenvolvimento desigual, em que a capacidade intelectual pode estar muito avançada, mas a maturidade emocional continua compatível com a idade da criança. Por isso, é comum ela apresentar:

    • Ansiedade e preocupações excessivas, especialmente diante de assuntos complexos que consegue compreender, mas ainda não possui maturidade emocional para processar completamente;
    • Sensibilidade emocional intensa, reagindo de forma mais profunda a situações de tristeza, injustiça, críticas ou conflitos;
    • Grande empatia, o que pode fazer com que se preocupe excessivamente com o sofrimento de outras pessoas e até absorva emoções do ambiente ao seu redor;
    • Perfeccionismo, com uma forte necessidade de acertar e alcançar resultados considerados ideais, o que pode gerar medo de errar e frustração diante de pequenas falhas;
    • Autocobrança elevada, especialmente quando está acostumada a receber elogios pelo desempenho e inteligência;
    • Frustração com facilidade, principalmente quando encontra desafios que precisam de mais tempo, esforço ou persistência para serem resolvidos;
    • Sensação de inadequação, por perceber que pensa, sente ou se interessa por assuntos diferentes dos colegas da mesma idade;
    • Oscilações emocionais mais intensas, com reações que podem parecer exageradas para quem não compreende as características da superdotação.

    Assim como as habilidades intelectuais, as emoções também precisam de atenção e acolhimento para que a criança consiga se desenvolver de forma equilibrada e lidar melhor com os desafios do cotidiano.

    3. Nas relações sociais

    A socialização também pode ser um problema para algumas crianças superdotadas, pois normalmente os seus interesses são diferentes dos interesses mais comuns entre os colegas da mesma idade.

    Enquanto outras crianças podem querer conversar sobre brincadeiras, jogos ou desenhos, a criança superdotada pode estar interessada em assuntos mais específicos e complexos, o que pode dificultar a criação de vínculos e gerar a sensação de não se encaixar completamente nos grupos.

    Dupla excepcionalidade

    A dupla excepcionalidade acontece quando a criança apresenta superdotação e, ao mesmo tempo, algum transtorno, deficiência ou condição do neurodesenvolvimento, de acordo com Bárbara.

    Basicamente, ela possui habilidades acima da média em uma ou mais áreas, mas também enfrenta dificuldades que podem afetar a aprendizagem, o comportamento ou a socialização.

    As combinações mais comuns incluem:

    • Superdotação + Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Superdotação + Transtorno do Espectro Autista (TEA);
    • Superdotação + Dislexia (ou outros transtornos de aprendizagem).

    A identificação da dupla excepcionalidade costuma ser difícil porque uma característica pode mascarar a outra. Em alguns casos, as altas habilidades compensam as dificuldades, fazendo com que o transtorno passe despercebido. Em outros, as dificuldades recebem toda a atenção, enquanto o potencial da criança não é reconhecido.

    “Por isso, olhar apenas para o alto desempenho não é suficiente. Essa criança precisa de um acompanhamento em todas as áreas do desenvolvimento”, complementa Bárbara.

    Como identificar os sinais de que a criança precisa de apoio?

    Os pais e professores devem acender o alerta quando a criança passa a demonstrar uma mudança brusca de comportamento ou reações desproporcionais à rotina. Os sinais mais evidentes incluem:

    • Isolamento social e recusa em brincar com crianças da mesma idade;
    • Apatia, tédio constante ou desinteresse crônico pelas aulas;
    • Queda inexplicável no desempenho escolar e notas vermelhas;
    • Recusa em ir à escola ou em fazer as tarefas de casa;
    • Crises de choro, raiva ou paralisia diante de pequenos erros (perfeccionismo extremo);
    • Ansiedade severa e preocupação obsessiva com temas complexos;
    • Sintomas físicos sem causa médica, como dores de cabeça ou de estômago frequentes antes das aulas;
    • Crises de irritabilidade causadas por excesso de estímulos, como barulhos, luzes ou texturas de roupas;
    • Camuflagem do próprio conhecimento para tentar se encaixar no grupo de amigos.

    Quando a inteligência da criança passa a gerar mais angústia do que prazer, é o momento de buscar a orientação de psicólogos ou psicopedagogos.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a superdotação?

    A superdotação é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Para que ela se manifeste, o cérebro com predisposição precisa encontrar um ambiente estimulante e acolhedor.

    2. Superdotação é o mesmo que QI alto?

    O QI alto mede a capacidade lógico-matemática e linguística, sendo um dos critérios usados. Porém, a superdotação vai além disso e engloba criatividade, liderança, talentos artísticos e psicomotricidade.

    3. Como é feito o diagnóstico de superdotação?

    O diagnóstico é clínico e multiprofissional, realizado por psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos através de testes de QI, avaliação comportamental, análise do histórico escolar e entrevistas com a família.

    4. Superdotação é considerada uma deficiência?

    Não, ela é classificada como uma característica do neurodesenvolvimento. Juridicamente, ela faz parte do público-alvo da Educação Especial, garantindo o direito a atendimento pedagógico especializado.

    5. O que fazer quando o aluno superdotado fica entediado na aula?

    A escola deve oferecer enriquecimento curricular, como atividades mais complexas sobre o mesmo tema, ou avaliar a aceleração de série, conforme previsto em lei e orientado por profissionais.

    6. Existe medicação para a superdotação?

    Não, pois a superdotação não é uma doença. Os remédios só são indicados se a criança apresentar comorbidades que precisam de tratamento medicamentoso, como depressão, ansiedade severa ou TDAH associado.

    7. Qual é a diferença entre uma criança precoce e uma superdotada?

    A criança precoce aprende algo antes do tempo esperado (como ler aos 3 anos), mas pode se estabilizar e igualar-se aos colegas na adolescência. Já o superdotado mantém o ritmo de desenvolvimento acelerado e o potencial superior ao longo de toda a vida.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

  • Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    O hematoma subcoriônico, também conhecido como descolamento ovular, é uma condição que ocorre quando há um acúmulo de sangue entre a parede do útero e a membrana que envolve o saco gestacional. Ele afeta até 25% das mulheres que apresentam sangramento no início da gravidez e costuma ser identificado durante a ultrassonografia.

    Na maioria dos casos, o hematoma é pequeno, não causa complicações graves e tende a ser reabsorvido naturalmente pelo organismo ao longo das semanas. No entanto, o risco de complicações pode ser maior quando o hematoma é volumoso, ocupando mais de 40% a 50% da área ao redor do saco gestacional.

    Nesses casos, é necessário um acompanhamento mais próximo pelo obstetra para monitorar a evolução da gestação. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é hematoma subcoriônico (descolamento ovular)?

    O hematoma subcoriônico é o acúmulo de sangue em um espaço específico do útero durante o início da gravidez. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a alteração está relacionada ao processo de formação da placenta.

    Durante a gestação, a placenta se fixa ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, que durante a fase passa por modificações e recebe o nome de decídua. Em alguns casos, podem ocorrer pequenos descolamentos nessa região.

    Quando isso acontece, alguns vasos sanguíneos podem se romper, provocando um sangramento entre a placenta em formação e a parede do útero. O sangue fica acumulado no espaço, formando o hematoma subcoriônico, que pode variar em tamanho e evoluir de formas diferentes ao longo da gestação.

    Importante: o hematoma subcoriônico é diferente do descolamento prematuro de placenta (DPP). O hematoma acontece no começo da gravidez, normalmente antes da 16ª semana, e o organismo costuma absorvê-lo sozinho. Já o DPP acontece no final da gestação e é uma emergência médica grave.

    Quais os principais sintomas?

    O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do hematoma subcoriônico, segundo Andreia, mas a aparência e o fluxo do sangramento dependem de onde o hematoma está localizado e se o sangue está conseguindo sair do útero:

    • Sangramento escuro: normalmente indica um sangue antigo que estava represado e que o organismo começou a eliminar aos poucos. É muito comum quando o hematoma está se desfazendo;
    • Sangramento vermelho vivo: costuma indicar um sangramento ativo e recente e pode variar de pequenas manchas a um fluxo semelhante ao de uma menstruação.

    Em alguns casos, a mulher também pode apresentar uma dor abdominal persistente ou uma sensação de pressão na região do pé da barriga, parecida com uma cólica menstrual. Ela acontece porque a presença do sangue acumulado pode irritar a musculatura do útero, fazendo com que ele sofra pequenas contrações.

    Vale destacar que o hematoma subcoriônico nem sempre causa sintomas, especialmente quando é pequeno ou está localizado em uma região sem comunicação com o colo do útero. Nesses casos, a gestante pode não apresentar sangramento nem dor, e a alteração é descoberta apenas durante a ultrassonografia de rotina do primeiro trimestre.

    O que causa o hematoma subcoriônico?

    Nem sempre é possível identificar a causa específica, mas algumas condições podem favorecer o aparecimento do hematoma subcoriônico:

    • Presença de cicatrizes no útero, decorrentes de procedimentos como curetagens ou cirurgias uterinas;
    • Miomas, pólipos ou outras alterações anatômicas da cavidade uterina;
    • Histórico de infecções que afetaram o revestimento interno do útero;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Gravidez obtida por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    Mesmo na presença dos fatores, a maioria dos hematomas evolui de forma favorável e tende a diminuir ou desaparecer com o avanço da gestação e o acompanhamento adequado pelo obstetra.

    O hematoma subcoriônico pode causar aborto?

    O hematoma subcoriônico pode aumentar o risco de aborto, mas isso não significa que a perda gestacional vá acontecer. Na maioria dos casos, a gravidez evolui normalmente, especialmente quando o hematoma é pequeno e não apresenta crescimento ao longo do acompanhamento.

    De acordo com Andreia, o risco está relacionado principalmente ao tamanho e à evolução do hematoma. Quanto maior ele for, maior será a área da placenta que fica separada da parede do útero pelo acúmulo de sangue. Como a superfície de contato é reduzida, isso pode prejudicar as trocas de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê.

    Para completar, quando o hematoma continua aumentando de tamanho ao longo das semanas, é um sinal de que o vaso sanguíneo rompido não está conseguindo estancar o sangramento. Consequentemente, o risco de complicações e de perda gestacional se torna maior, demandando um acompanhamento mais rigoroso pelo obstetra.

    Como é feito o tratamento do hematoma subcoriônico?

    O tratamento do hematoma subcoriônico é baseado principalmente no acompanhamento da gestação e no repouso relativo, já que não existe um medicamento ou procedimento capaz de eliminar o hematoma imediatamente. Na maioria dos casos, o próprio organismo reabsorve o sangue acumulado ao longo das semanas, segundo Andreia.

    No período, o recomendado é evitar esforços físicos intensos, carregar peso, praticar exercícios e ter relações sexuais, especialmente se houver sangramento. As medidas ajudam a reduzir a irritação na região e favorecer a cicatrização do vaso sanguíneo que causou o hematoma.

    Em alguns casos, Andreia explica que o médico pode indicar o uso de progesterona para relaxar a musculatura do útero e pode contribuir para reduzir contrações. As evidências sobre o seu efeito no hematoma são limitadas, mas a progesterona é considerada segura durante a gestação.

    Como acompanhar a evolução do hematoma?

    O acompanhamento da evolução do hematoma subcoriônico é feito via ultrassonografia, segundo Andreia. O intervalo entre os exames depende de cada caso, mas costuma ser de pelo menos uma vez por semana. Se for um hematoma grande e com suspeita de evolução, o intervalo pode ser menor.

    Quando ir ao hospital imediatamente?

    A gestante com diagnóstico de hematoma subcoriônico deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:

    • Aumento do sangramento vaginal, especialmente se ele passar de um pequeno escape ou corrimento amarronzado para um sangramento intenso ou vermelho vivo;
    • Dor abdominal forte, cólicas intensas no baixo ventre ou dor lombar persistente;
    • Eliminação de coágulos ou fragmentos de tecido pela vagina;
    • Febre ou calafrios, que podem indicar a presença de uma infecção.

    Em caso de dúvidas ou se notar qualquer mudança repentina nos sintomas, a recomendação é sempre buscar avaliação médica de urgência para realizar um novo ultrassom.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O hematoma subcoriônico pode sumir sozinho?

    Sim. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido pelo próprio organismo da mulher ou eliminado aos poucos na forma de sangramento escuro conforme a gravidez avança.

    2. Com quantas semanas o hematoma costuma desaparecer?

    Geralmente, ele desaparece ou diminui drasticamente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, período em que a placentação se completa.

    3. Quem tem hematoma subcoriônico pode trabalhar?

    Depende do tipo de trabalho. O médico normalmente libera o trabalho administrativo ou leve, mas exige o afastamento de funções que demandam esforço físico, longos períodos de pé ou carregamento de peso.

    4. Pode fazer caminhada com descolamento ovular?

    Não é recomendado. Durante o tratamento do hematoma, atividades físicas, incluindo caminhadas como exercício, devem ser suspensas para evitar a mobilização do útero.

    5. É normal o sangramento aumentar depois de começar o repouso?

    Se o sangue for escuro (tipo borra de café), costuma ser normal, pois indica a eliminação do sangue velho que estava represado. Se foi vermelho vivo e em grande quantidade, é preciso ir ao hospital.

    6. O descolamento ovular pode voltar depois de sumir?

    É raro, mas pode acontecer. Se um novo vaso sanguíneo se romper na região de fixação da placenta antes de o processo de placentação estar totalmente concluído, um novo hematoma pode se formar.

    7. O que acontece se o hematoma subcoriônico não sumir até a 20ª semana?

    Se ele persistir mas permanecer estável e sem sangramento ativo, a gestação geralmente continua evoluindo bem. No entanto, o médico manterá um monitoramento atento, pois a área pode se tornar um ponto de maior fragilidade na placenta.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Os primeiros anos de vida são um período de intenso desenvolvimento cerebral, em que a criança aprende a falar, caminhar, se comunicar, interagir com outras pessoas, desenvolver habilidades motoras e adquirir conhecimentos importantes para a vida. Porém, quando há alguma interrupção ou alteração nesse processo natural, podem surgir os chamados transtornos do neurodesenvolvimento.

    As condições, como o TDAH e transtorno do espectro ausista (TEA), costumam se manifestar ainda na primeira infância e podem impactar aspectos importantes do dia a dia da criança, como a fala, a aprendizagem, a atenção e o comportamento, de acordo com a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Mas, apesar dos desafios que podem trazer, os transtornos do neurodesenvolvimento não estão relacionados à falta de inteligência. Na verdade, conviver com a condição significa apenas que o cérebro processa o mundo de uma forma diferente, e não que a criança seja incapaz de aprender e se desenvolver.

    O que são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso e o desenvolvimento do cérebro. Eles costumam se manifestar muito cedo, normalmente antes de a criança entrar na escola, e podem afetar uma ou várias áreas do desenvolvimento infantil, como:

    • Linguagem e comunicação;
    • Aprendizagem;
    • Atenção e concentração;
    • Habilidades motoras;
    • Interação social;
    • Controle emocional;
    • Comportamento.

    A intensidade dos sintomas varia bastante: enquanto algumas crianças apresentem dificuldades leves e conseguem realizar as atividades com poucas adaptações, outras podem precisar de acompanhamento especializado e suporte contínuo.

    O que NÃO são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Como existem diversas dúvidas ao redor dos transtornos de neurodesenvolvimento, vale destacar dois pontos principais:

    • Eles não indicam falta de inteligência: muitas pessoas que convivem com os transtornos têm inteligência na média ou até acima da média. A dificuldade está em como o cérebro processa e expressa o conhecimento;
    • Não é culpa dos pais: os transtornos não são causados por falta de limites, excesso de telas ou traumas familiares. São condições biológicas que envolvem diferenças no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro, influenciadas principalmente por fatores genéticos e neurológicos.

    O mais importante é buscar orientação especializada, acolher as necessidades da criança e oferecer o suporte adequado para favorecer o seu desenvolvimento.

    Tipos de transtorno de neurodesenvolvimento

    1. Transtorno do espectro autista (TEA)

    O TEA é caracterizado por diferenças na comunicação social e pela presença de comportamentos, interesses ou atividades repetitivas e restritas. Os principais sinais podem incluir:

    • Dificuldade para interagir socialmente;
    • Pouco contato visual;
    • Atraso na fala ou diferenças na comunicação;
    • Interesse intenso por temas específicos;
    • Necessidade de rotina;
    • Sensibilidade aumentada a sons, luzes, texturas ou cheiros.

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra, motivo pelo qual o autismo é considerado um espectro. Algumas precisam de bastante suporte para as atividades diárias, enquanto outras são mais independentes.

    2. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

    O TDAH é um transtorno que afeta principalmente a atenção, o controle dos impulsos e a capacidade de organização. Ele pode se manifestar mais pela falta de atenção, mais pela agitação, ou por uma combinação das duas coisas. Alguns dos principais sinais incluem:

    • Dificuldade para manter o foco;
    • Esquecimentos frequentes;
    • Agitação excessiva;
    • Impulsividade;
    • Dificuldade para seguir instruções;
    • Problemas de organização.

    Os sinais costumam aparecer na infância, mas podem persistir durante a adolescência e a vida adulta.

    3. Transtornos específicos da aprendizagem

    Os transtornos específicos de aprendizagem são condições que afetam a capacidade de processar informações específicas, tornando o aprendizado escolar muito desafiador, mesmo que a criança seja inteligente. Os mais conhecidos são:

    • Dislexia: transtorno da aprendizagem que afeta principalmente a leitura. A criança pode ter dificuldade para reconhecer palavras de forma rápida e fluente, compreender textos, identificar sons das letras e realizar atividades de leitura e escrita compatíveis com a idade;
    • Discalculia: transtorno que interfere na compreensão dos números e dos conceitos matemáticos. Pode causar dificuldades para realizar cálculos simples, entender quantidades, memorizar operações básicas, interpretar problemas matemáticos e lidar com noções de tempo e medidas;
    • Disgrafia: alteração que afeta a habilidade de escrita, de modo que a criança pode apresentar letra pouco legível, dificuldade para organizar palavras e frases no papel, lentidão para escrever e problemas para coordenar os movimentos necessários durante a escrita.

    Como os transtornos muitas vezes podem ser confundidos com falta de interesse, o diagnóstico pode acontecer anos mais tarde.

    4. Transtornos da comunicação

    Os transtornos de comunicação afetam a fala e a linguagem, de maneira que a criança pode entender perfeitamente o que dizem a ela, mas ter dificuldades sérias para se expressar verbalmente, estruturar frases ou pronunciar os sons corretamente. Quanto mais cedo as alterações forem identificadas, maiores são as chances de intervenção eficaz.

    5. Transtornos do desenvolvimento da coordenação motora

    Nos transtornos do desenvolvimento motor, a criança apresenta dificuldades para realizar movimentos e executar tarefas motoras esperadas para a sua idade. O principal exemplo é o transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), também conhecido como dispraxia, condição que pode afetar atividades do dia a dia, como escrever, correr, se vestir ou praticar esportes.

    O grupo também inclui os transtornos de tiques, caracterizados por movimentos ou vocalizações involuntárias e repetitivas, como ocorre na Síndrome de Tourette.

    6. Transtorno do desenvolvimento intelectual

    O transtorno do desenvolvimento intelectual envolve limitações nas funções intelectuais, como raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas e planejamento, além de dificuldades no comportamento adaptativo, que inclui habilidades necessárias para o dia a dia, como comunicação, autocuidado, interação social e realização de atividades práticas.

    A condição pode variar de leve a profunda, dependendo do grau de comprometimento e da necessidade de suporte da pessoa.

    Quais os sinais de alerta mais comuns?

    Cada transtorno possui características próprias, mas os pais podem ficar atentos a alguns sinais que podem indicar que a criança precisa de uma avaliação especializada, como:

    • Atraso para falar;
    • Pouco interesse em interações sociais;
    • Dificuldade para manter contato visual;
    • Problemas persistentes de atenção;
    • Agitação excessiva;
    • Dificuldade de aprendizagem;
    • Comportamentos repetitivos;
    • Sensibilidade exagerada a estímulos;
    • Atrasos tempos;
    • Dificuldade para seguir instruções compatíveis com a idade.

    A presença de um ou mais sinais não significa necessariamente que exista um transtorno, mas merece investigação quando persiste ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico dos transtornos do neurodesenvolvimento é clínico e deve ser realizado por profissionais especializados, como neuropediatras, pediatras do desenvolvimento, psiquiatras infantis, psicólogos e fonoaudiólogos, dependendo do caso. A avaliação costuma envolver diferentes etapas:

    • Entrevista com a família: os profissionais investigam o histórico da criança desde a gestação, incluindo o desenvolvimento motor, da linguagem, social e escolar. As informações fornecidas pelos pais ou cuidadores são necessárias para entender quando os sintomas surgiram e como eles afetam a rotina;
    • Observação do comportamento: durante as consultas, o especialista observa como a criança interage, se comunica, brinca e responde aos estímulos do ambiente. A etapa ajuda a identificar características específicas de cada transtorno;
    • Avaliações específicas: dependendo da suspeita clínica, podem ser aplicados testes e escalas padronizadas para analisar aspectos como atenção, linguagem, cognição, habilidades sociais e aprendizagem. Em muitos casos, a avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar;
    • Investigação de outras condições: o médico também pode solicitar exames quando necessário para descartar problemas que possam causar sintomas semelhantes, como alterações auditivas, visuais, neurológicas ou metabólicas.

    É importante destacar que não existe um exame de sangue, de imagem ou um teste único capaz de diagnosticar a maioria dos transtornos do neurodesenvolvimento.

    Como é feito o tratamento dos transtornos de neurodesenvolvimento?

    O tratamento dos transtornos do neurodesenvolvimento varia de acordo com o diagnóstico, a idade da criança e as dificuldades apresentadas.

    Não existe uma abordagem única para todos os casos, uma vez que o acompanhamento costuma ser individualizado e adaptado às necessidades de cada criança. Contudo, alguns pilares podem envolver:

    • Terapias de estimulação: incluem o acompanhamento com psicólogo, para trabalhar questões emocionais e comportamentais; fonoaudiólogo, para auxiliar no desenvolvimento da fala e da linguagem. E terapeuta ocupacional, para estimular habilidades motoras, sensoriais e a autonomia nas atividades do dia a dia;
    • Medicamentos: podem ser indicados em alguns casos para controlar sintomas específicos que prejudicam a rotina e o desenvolvimento da criança, como desatenção intensa, impulsividade, hiperatividade, ansiedade ou alterações do sono;
    • Apoio escolar: envolve adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades da criança, como tempo adicional para realizar atividades e provas, estratégias de ensino individualizadas e, quando necessário, o acompanhamento de um profissional de apoio;
    • Orientação informal: ajuda os pais e cuidadores a compreender melhor o transtorno e a desenvolver estratégias para organizar a rotina, estimular o desenvolvimento da criança e lidar com os desafios do dia a dia de forma acolhedora e eficaz.

    Também vale apontar que o tratamento não foca em uma cura, uma vez que as fazem parte da forma como o cérebro da pessoa é estruturado, mas em estimular o cérebro desenvolver habilidades e oferecer ferramentas para que a criança tenha o máximo de autonomia, qualidade de vida e bem-estar.

    O acompanhamento envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo e fisioterapeuta, dependendo das necessidades da criança.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. Com qual idade os primeiros sinais começam a aparecer?

    Os sinais costumam surgir logo na primeira infância, frequentemente antes dos 3 anos de idade. Pais e cuidadores podem notar atrasos na fala, falta de contato visual, agitação extrema ou dificuldade para interagir com outras crianças.

    2. O que causa os transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são causados por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais que interferem no desenvolvimento do cérebro ainda na gestação ou nos primeiros anos de vid

    3. Toda criança com TDAH precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. O uso de medicamentos depende da gravidade dos sintomas e do quanto eles atrapalham o aprendizado e as relações sociais da criança.

    4. É possível ter mais de um transtorno do neurodesenvolvimento ao mesmo tempo?

    Sim, isso é muito comum e é chamado de comorbidade. Uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, também pode apresentar TDAH ou um transtorno de aprendizagem, como a dislexia.

    5. Como a escola pode ajudar uma criança com os transtornos?

    A escola deve oferecer acessibilidade pedagógica, o que inclui adaptar o formato das provas, dar tempo extra para atividades, fragmentar comandos longos, sentar a criança perto do professor e, quando necessário, disponibilizar um mediador escolar.

    6. Adultos também podem ser diagnosticados com esses transtornos?

    Sim, muitas pessoas passam a infância sem diagnóstico e só descobrem o TDAH ou o autismo na vida adulta, normalmente ao buscarem ajuda para problemas de ansiedade, organização, foco ou dificuldades no trabalho e nos relacionamentos.

    7. O que os pais devem fazer ao suspeitarem de algum sinal?

    O primeiro passo é conversar com o pediatra que acompanha a criança e relatar as observações. Se o médico achar necessário, ele encaminhará a família para um especialista (como neuropediatra ou psicólogo infantil) para uma avaliação detalhada.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Janela imunológica: o que é e como prevenir alergia alimentar em bebês

    Janela imunológica: o que é e como prevenir alergia alimentar em bebês

    Durante os primeiros anos de vida, o organismo do bebê passa por mudanças diárias. Tudo é novo: os cheiros, os sons, o toque e, claro, os alimentos. É justamente a partir dos seis meses de vida, quando está indicada iniciar a introdução alimentar, que existe uma janela de oportunidade para prevenir alergias futuras no bebê. É o que se chama hoje de janela imunológica. 

    O que é a janela imunológica 

    A janela imunológica em bebês é um período em que o sistema imunológico do bebê está aprendendo a reconhecer o que é amigo e o que é ameaça. Esse momento é considerado o melhor para apresentar ao bebê uma grande variedade de alimentos, inclusive os mais alergênicos. 

    A ideia pode parecer estranha à primeira vista, afinal, por muito tempo acreditou-se que atrasar a oferta desses alimentos poderia prevenir alergias no futuro. Mas não. Hoje, sabe se que essa exposição, de forma segura e gradual, é o que pode diminuir as chances da criança se tornar alérgica a esses alimentos.  

    Quando iniciar a introdução de alimentos alergênicos para o bebê 

    No Brasil, a recomendação dos pediatras é começar a introdução alimentar aos 6 meses, quando o bebê costuma estar pronto para experimentar comidas além do leite materno ou fórmula infantil.  

    A partir de seis meses de vida, portanto, também já podem ser ofertados alimentos alergênicos ao bebê. A ideia é que ele possa ter contato com esses alimentos até onze meses de vida, período da janela imunológica em que há maior tolerância e evita uma alergia no futuro.  

    “Diversos estudos, como o LEAP (Learning Early About Peanut Allergy) suportam que a introdução precoce das diferentes proteínas alimentares pode reduzir drasticamente o risco de alergia”, explica o alergista e imunologista Alex Lacerda, membro da diretoria do Departamento Científico de Anafilaxia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). 

    Alimentos alergênicos 

    O alergista explica que, embora alguns alimentos sejam mais frequentemente associados com alergia alimentar, qualquer alimento é capaz de provocar alergia. explica o especialista. 

    Os alimentos considerados mais alergênicos, porém, são: 

    • Leite de vaca; 
    • Ovo; 
    • Trigo; 
    • Soja;  
    • Peixe; 
    • Camarão; 
    • Castanhas e nozes; 
    • Amendoim 
    • Frutos do mar. 

    “É importante frisar que não há qualquer orientação de restringir a introdução de um alimento se não há sintomas suspeitos de alergia no contato prévio”, diz Lacerda. 

    E se a família já tem histórico de alergias? 

    Se pais, irmãos ou outros parentes próximos têm alergias alimentares, respiratórias, dermatológicas ou outras doenças alérgicas, não necessariamente a recomendação geral de introdução alimentar irá mudar.  

    “Cada indivíduo é único e não se deve atrasar a introdução de alimentos alergênicos, mesmo em famílias com histórico. Atrasar pode, na verdade, aumentar o risco de desenvolver alergias”, explica o especialista.  

    O ideal, portanto, é compartilhar essa informação com o pediatra ou alergista e seguir as orientações que o médico indicar.   

    Sinais de alerta para observar 

    Além disso, é importante observar como o bebê reage depois de provar um alimento novo. Fique de olho nos seguintes sinais: 

    • Alterações na pele; 
    • Vômitos; 
    • Diarreia; 
    • Irritabilidade; 
    • Manchas na pele; 
    • Dificuldade para respirar (neste caso, é preciso correr para o pronto-socorro). 

    Esses podem ser alguns dos sinais de alergia alimentar em bebês e eles devem ser comunicados ao médico. 

    Como manter a tolerância alimentar  

    Outro ponto importante é a constância do alimento na dieta. Uma vez que o bebê tolera bem, os pais precisam continuar oferecendo o alimento com certa regularidade.  

    “Não há um período ou frequência específica, mas é importante entender que a tolerância só se mantém com exposição regular. Ou seja, não basta introduzir uma vez e parar”, explica o alergista e imunologista.  

    Se você tem dúvidas sobre como fazer isso com seu filho, o pediatra e o alergista são os melhores médicos para te ajudar. Como cada criança é única, o especialista pode ajudar a encontrar o melhor caminho para uma introdução alimentar segura e saudável. 

    Confira: Bronquiolite: quando a criança precisa internar e como é o tratamento

    Perguntas frequentes sobre a janela imunológica 

    1. O que é a janela imunológica?  

    A janela imunológica é o período da introdução alimentar até os 11 meses de vida em que o sistema imunológico do bebê aprende a tolerar novos alimentos.

    2. Quando devo oferecer alimentos alergênicos ao bebê? 

    Os alimentos alergênicos devem ser oferecidos ao bebê durante a introdução alimentar. 

    3. Posso reintroduzir o mesmo alimento depois de uma reação? 

    Só se pode reintroduzir o mesmo alimento depois de uma reação alérgica com orientação médica e, em alguns casos, depois de fazer testes específicos.  

    4. A exposição precoce previne alergias? 

    Sim, a exposição precoce a alimentos alergênicos previne alergias, especialmente quando feita com constância e segurança. 

    Veja também: Criança não consegue segurar o xixi: quando é um problema?

  • Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    Sofrimento fetal: o que é e como os médicos identificam os sinais no parto

    O sofrimento fetal é uma condição em que o bebê não recebe a quantidade de oxigênio ideal dentro do útero, o que é conhecido como hipóxia. Quando isso acontece, o organismo dele tenta direcionar o oxigênio que resta para os órgãos mais importantes, como o cérebro e o coração.

    Apesar de não ser considerado uma doença em si, o sofrimento fetal é uma situação de atenção e precisa de monitoramento cuidadoso da equipe médica para identificar rapidamente qualquer alteração no bem-estar do bebê.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o sofrimento fetal pode acontecer em diferentes momentos da gestação e também durante o trabalho de parto, sendo classificado de acordo com o momento em que surgem os sinais de redução da oxigenação do bebê.

    Afinal, o que é o sofrimento fetal?

    O sofrimento fetal acontece quando o bebê não recebe a quantidade de oxigênio necessária através da placenta, ou quando existe alguma dificuldade para manter uma boa circulação de sangue entre a mãe, a placenta e o bebê.

    Como o oxigênio é necessário para o funcionamento de todos os órgãos, qualquer redução importante na troca pode levar o organismo fetal a entrar em estado de adaptação e alerta. Segundo Andreia, o sofrimento fetal pode se manifestar de duas maneiras diferentes:

    Sofrimento fetal crônico (anteparto)

    O sofrimento fetal crônico acontece de forma gradual, ainda durante a gestação. Ele normalmente está relacionado a problemas na placenta, como entupimentos ou infartos placentários, que fazem com que o bebê receba menos oxigênio e nutrientes ao longo de dias ou semanas.

    Com o tempo, a redução na oxigenação pode comprometer o desenvolvimento do bebê, causando um crescimento abaixo do esperado e diminuição do volume do líquido amniótico.

    Sofrimento fetal agudo (intraparto)

    O sofrimento fetal agudo acontece de forma rápida, na maioria das vezes durante o trabalho de parto. O próprio parto funciona como um momento de estresse natural para o bebê, porque, a cada contração, o útero comprime temporariamente os vasos sanguíneos e reduz a passagem de sangue e oxigênio.

    Um bebê saudável costuma ter uma boa reserva de oxigênio para tolerar as alterações sem dificuldade, mas quando a reserva já está reduzida ou quando as contrações são muito intensas, frequentes ou prolongadas, o bebê pode apresentar sinais de sofrimento fetal agudo e precisar de avaliação imediata da equipe médica.

    O que acontece no corpo do bebê durante o sofrimento fetal?

    Quando o oxigênio começa a diminuir, o organismo do bebê entra em um mecanismo de defesa para tentar se proteger. O corpo passa a economizar energia e direciona o fluxo de sangue disponível para os órgãos mais importantes, chamados de órgãos nobres, como o cérebro, o coração e as glândulas suprarrenais.

    De maneira geral, o processo é uma tentativa natural de preservar as funções vitais enquanto o bebê enfrenta a redução da oxigenação. Por isso, o monitoramento fetal durante a gestação e o parto é tão importante: os médicos precisam identificar rapidamente os primeiros sinais de que o bebê pode não estar tolerando bem a falta de oxigênio.

    Se a hipóxia se prolongar por muito tempo ou se tornar muito intensa, o cérebro pode começar a sofrer danos pela falta de oxigenação adequada, aumentando o risco de complicações e sequelas neurológicas após o nascimento.

    Como o médico descobre o sofrimento fetal durante o parto?

    Durante o parto, a equipe médica acompanha o bebê o tempo todo para avaliar se ele está recebendo oxigênio adequadamente. As duas principais formas de identificar um possível sofrimento fetal são:

    Alterações nos batimentos cardíacos do bebê (cardiotocografia)

    A cardiotocografia é o exame mais utilizado para acompanhar o bem-estar fetal durante o trabalho de parto. Nele, dois sensores são posicionados na barriga da gestante: um monitora as contrações uterinas e o outro registra os batimentos cardíacos do bebê.

    No exame, Andreia explica que a equipe observa alguns sinais importantes:

    • Frequência cardíaca fetal, pois é esperado que os batimentos do bebê em média, entre 110 e 160 batimentos por minuto;
    • Variabilidade dos batimentos, uma vez que o coração do bebê não deve bater de forma completamente uniforme. Pequenas oscilações são um sinal de boa oxigenação e de funcionamento adequado do sistema nervoso fetal;
    • Aumentos temporários da frequência cardíaca, normalmente associados aos movimentos do bebê, que costumam indicar boa vitalidade fetal;
    • Desacelerações cardíacas, que podem ser benignas, mas determinados padrões (especialmente quando acontecem repetidamente após as contrações) podem sugerir que o bebê está tendo dificuldade para tolerar o trabalho de parto.

    Presença de mecônio no líquido amniótico

    O mecônio é a primeira evacuação do bebê, uma substância mais grossa e esverdeada que normalmente seria eliminada apenas depois do nascimento.

    Em algumas situações de estresse ou falta de oxigênio, Andreia explica que o bebê pode evacuar ainda dentro do útero. Quando a bolsa rompe e o líquido amniótico fica verde ou escuro, a equipe médica aumenta a atenção, principalmente se também existirem alterações nos batimentos cardíacos do bebê.

    Como o líquido amniótico é deglutido pelo feto e também pode ser aspirado, existe o risco de o bebê aspirar o mecônio para os pulmões antes ou durante o nascimento. Segundo Andreia, quando o mecônio se mistura ao líquido amniótico e é aspirado, ele pode irritar os pulmões e os brônquios do bebê, causando uma condição chamada pneumonite meconial.

    A médica destaca ainda que a presença de mecônio, principalmente quando ele é mais espesso e em grande quantidade, é considerada um sinal importante de sofrimento fetal.

    Por que o estetoscópio antigo (Pinard) não é mais usado?

    O estetoscópio de Pinard era usado antigamente para escutar os batimentos cardíacos do bebê durante a gestação e o trabalho de parto. Ele é um instrumento de madeira ou metal, parecido com uma pequena trombeta, que era apoiado na barriga da gestante para que o profissional de saúde pudesse ouvir o coração fetal diretamente.

    Hoje, como o estetoscópio de Pinard não gera um registro gravado para análise e não permite acompanhar, em tempo real, como o coração do bebê reage durante o pico das contrações, ele foi substituído pelo sonar Doppler e pela cardiotocografia contínua durante o parto.

    O que causa o sofrimento do bebê na hora do parto?

    O sofrimento fetal agudo na hora do parto acontece quando o equilíbrio na troca de oxigênio entre a mãe e o bebê é quebrado. Durante o nascimento, cada contração do útero diminui temporariamente o fluxo de sangue que vai para a placenta.

    Se o trabalho de parto estiver correndo muito bem e o bebê tiver boas reservas, ele passa por isso sem nenhum problema. Mas algumas situações específicas podem esgotar as reservas de oxigênio rapidamente, como:

    1. Contrações muito intensas ou frequentes

    Quando o útero contrai de forma excessiva ou com intervalos muito curtos, uma condição chamada de taquissistolia, a placenta não consegue se reoxigenar adequadamente entre uma contração e outra.

    Assim, o bebê pode receber menos oxigênio, o que pode acontecer espontaneamente ou após o uso excessivo de ocitocina, medicamento utilizado para induzir ou acelerar o parto.

    2. Trabalho de parto muito prolongado

    Quando o trabalho de parto dura muitas horas, especialmente na fase ativa e com contrações fortes e frequentes, o bebê pode começar a gastar toda a sua reserva de energia e oxigênio.

    Com o passar do tempo, isso pode dificultar a adaptação ao estresse natural do nascimento e aumentar o risco de sinais de sofrimento fetal, principalmente se já existir algum outro fator associado.

    3. Problemas com o cordão umbilical

    Algumas situações podem comprometer temporariamente a passagem de sangue e oxigênio pelo cordão umbilical, como:

    • Circular de cordão apertada no pescoço;
    • Nós verdadeiros no cordão umbilical;
    • Compressão do cordão durante as contrações;
    • Compressão do cordão durante a descida do bebê pelo canal de parto.

    Dependendo da intensidade e da duração da compressão, os batimentos cardíacos do bebê podem apresentar alterações.

    4. Problemas agudos na placenta

    O descolamento prematuro da placenta (DPP) é uma emergência obstétrica grave em que a placenta se desprende parcial ou totalmente do útero antes do nascimento do bebê. Como é a placenta que leva oxigênio e nutrientes ao feto, a separação pode interromper rapidamente o fornecimento de oxigênio e colocar em risco tanto a mãe quanto o bebê.

    5. Problemas de saúde maternos

    Alterações importantes na saúde da mãe, como quedas bruscas da pressão arterial ou crises hipertensivas durante o parto, também podem reduzir o fluxo de sangue oxigenado que chega até a placenta e ao bebê.

    Bebês que já entram no parto em risco

    O tratamento do parto natural costuma ser contraindicado quando há histórico de sofrimento crônico, decorrente de diabetes descontrolado, pressão alta na gravidez, restrição de crescimento fetal ou insuficiência placentária, situações nas quais os bebês já começam o trabalho de parto sem nenhuma reserva de oxigênio.

    O que o médico faz quando o bebê está sofrendo?

    Quando o exame mostra que o bebê está em sofrimento, o primeiro passo é adotar medidas de reanimação fetal, feitas ainda na sala de parto para tentar normalizar o oxigênio:

    • Mudar a grávida de lado: virar a mãe de lado (de preferência para o esquerdo) alivia a pressão do útero sobre as grandes veias, melhorando o fluxo de sangue para o bebê;
    • Dar oxigênio para a mãe: a grávida recebe oxigênio por uma máscara para aumentar a quantidade que chega ao bebê;
    • Ajustar a medicação: se o parto estiver sendo induzido com ocitocina, o soro é desligado imediatamente para diminuir a intensidade e a frequência das contrações;
    • Hidratação na veia: dar soro para a mãe ajuda a estabilizar a pressão dela e melhora a circulação na placenta.

    Se o coração do bebê se recuperar com as medidas, o trabalho de parto pode continuar com monitoramento contínuo. Se o traçado do coração não melhorar em poucos minutos, a equipe médica interrompe o processo e pode indicar uma cesárea de emergência.

    O sofrimento fetal deixa sequelas no bebê?

    Na maioria dos casos, o sofrimento fetal sendo identificado precocemente, os bebês que apresentam sinais transitórios de sofrimento fetal nascem saudáveis e sem consequências a longo prazo.

    Os casos mais preocupantes costumam estar relacionados a situações em que a hipóxia é intensa e prolongada sem correção adequada, algo que hoje é muito menos frequente devido ao acompanhamento contínuo da equipe médica.

    Nesses casos raros, a ausência de oxigênio pode causar a morte de neurônios, levando a complicações como:

    • Atraso no desenvolvimento motor e cognitivo;
    • Paralisia cerebral;
    • Problemas de audição ou visão;
    • Dificuldades de aprendizagem no futuro.

    Existem formas de prevenir o sofrimento fetal?

    A melhor maneira de prevenir o sofrimento fetal é através de um acompanhamento pré-natal de qualidade. Durante as consultas, o obstetra consegue identificar e tratar fatores que poderiam prejudicar a chegada de oxigênio até o bebê na hora do parto.

    As medidas envolvem especialmente manter o controle das condições de saúde da mãe, como diabetes e hipertensão, acompanhar o crescimento do bebê e manter um estilo de vida mais saudável, com uma alimentação equilibrada, boa hidratação, sono adequado e evitando o cigarro, o álcool e outras substâncias que possam comprometer a oxigenação fetal.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. O que é o Perfil Biofísico Fetal (PBF) e quando ele é indicado?

    É um exame de ultrassom detalhado, associado à cardiotocografia, que avalia cinco parâmetros do bebê: os batimentos cardíacos, os movimentos corporais, os movimentos respiratórios, o tônus muscular e o volume do líquido amniótico. Ele é indicado no terceiro trimestre para gestantes de alto risco para avaliar se há sinais de sofrimento fetal crônico.

    2. Qual a diferença entre o sofrimento fetal e a asfixia perinatal?

    O sofrimento fetal é o termo usado antes ou durante o parto para indicar que o bebê está em risco de falta de oxigênio. Já a asfixia perinatal é o diagnóstico dado após o nascimento, quando se confirma que o bebê realmente sofreu uma falta grave de oxigênio e apresenta critérios como sangue do cordão umbilical muito ácido (pH baixo) e baixa nota no teste de Apgar.

    3. O cordão umbilical em volta do pescoço (circular de cordão) sempre causa sofrimento fetal?

    Não. Cerca de um em cada três bebês nasce com o cordão em volta do pescoço e a maioria absoluta nasce de parto normal sem sofrer nada. O cordão é elástico e gelatinoso. Ele só causa sofrimento fetal se estiver muito apertado ou se der um “nó verdadeiro”, o que é raro.

    4. A infecção urinária na grávida pode evoluir para sofrimento fetal?

    Sim, as infecções urinárias não tratadas podem causar contrações uterinas precoces (trabalho de parto prematuro) ou infecção dentro do útero (corioamnionite). A infecção gera febre na mãe e no bebê, aumentando o consumo de oxigênio do feto e podendo levá-lo ao sofrimento.

    5. Como a mãe pode perceber sinais de sofrimento fetal ainda em casa?

    O principal sinal de alerta em casa é a redução drástica ou ausência de movimentos do bebê. Se o bebê costuma mexer bastante e, de repente, passar horas sem se mover (mesmo após a mãe se alimentar e deitar de lado), é fundamental ir à maternidade imediatamente para fazer uma avaliação.

    6. Quantas vezes o bebê deve mexer por dia para ser considerado saudável?

    Não existe um número exato universal, pois cada bebê tem seu ritmo. No entanto, a regra geral dos obstetras é que o bebê deve se mexer pelo menos 4 a 6 vezes em um período de 1 a 2 horas, logo após as principais refeições da mãe.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Criança não consegue segurar o xixi: quando é um problema?

    Criança não consegue segurar o xixi: quando é um problema?

    Um dos maiores marcos da infância é o desfralde, mas também é uma fase repleta de dúvidas para mães, pais e cuidadores. Afinal, até que idade é normal uma criança que não consegue segurar o xixi e em que momento isso passa a indicar um problema de saúde?

    Segundo a urologista pediátrica Veridiana Andrioli, é preciso diferenciar o que faz parte do amadurecimento natural da criança e o que pode exigir uma investigação médica. A seguir, explicamos como funciona esse processo, quais sinais indicam que tudo está dentro do esperado e em quais casos procurar um especialista.

    O desfralde como processo de desenvolvimento

    O controle do xixi não acontece de um dia para o outro. Assim como andar, que começa com apoio até chegar à corrida livre, o desfralde diurno é um processo gradual. “A criança precisa passar por alguns momentos de percepção como: ‘fiz xixi’, ‘estou fazendo xixi’ até chegar ao ‘quero fazer xixi’… e isso não acontece de uma só vez”, destaca Veridiana.

    Ela explica que cerca de 80% a 85% das crianças sem alterações neurológicas atingem o desfralde de forma espontânea e natural (durante o dia) até os 4 anos de idade. Isso significa que o não controle pleno do xixi diurno é normal até essa idade: a criança pode não conseguir controlar todas as vezes e ainda assim estar no caminho certo.

    O importante é observar se há progresso. “A criança pode ter perdas, não conseguir controlar o xixi todas as vezes, e está tudo bem!”.

    Sinais de que está tudo bem

    • Intervalos cada vez maiores em que a fralda permanece seca;
    • A criança avisa quando fez xixi;
    • Avisa quando precisa ir ao banheiro;
    • Demonstra interesse em usar o vaso ou penico.

    Esses sinais mostram que o amadurecimento neurológico e comportamental está em curso e que o processo de continência e controle diurno está caminhando bem.

    Criança que não consegue segurar o xixi: quando passa a ser problema?

    Segundo a especialista, há um marco importante quando o assunto é uma criança que não consegue segurar o xixi: “Se a partir do 4º ano completo ainda não existir continência (capacidade de segurar a urina), com certeza precisamos investigar”, enfatiza.

    Ela explica que é comum as crianças postergarem a ida ao banheiro por não quererem interromper a brincadeira, usando estratégias como cruzar as pernas ou segurar o genitor para o controle do xixi. Esses hábitos são ruins e podem piorar com o tempo, então são sinais de alerta.

    Sinais de alerta

    • Criança com mais de 5 anos que ainda não controla o xixi durante o dia;
    • Perdas frequentes de urina mesmo em momentos de calma;
    • Evitar beber líquidos para não precisar ir ao banheiro;
    • Acidentes noturnos persistentes após a idade em que já seria esperado o controle.

    A recomendação é clara: se os pais perceberem que algo não está indo bem e que a criança não está tendo evolução para segurar o xixi, o ideal é procurar um especialista antes que ocorram complicações.

    Possíveis causas urológicas e neurológicas

    Nem sempre a dificuldade de segurar o xixi está ligada apenas a fatores comportamentais. Em muitos casos, há causas médicas envolvidas que precisam ser investigadas com atenção.

    As chamadas disfunções de eliminação, conhecidas pela sigla BBD (bowel and bladder dysfunction — “disfunções de eliminação intestinal e vesical”), englobam situações como intestino preso, retenção voluntária da urina, perdas durante episódios de riso e até alterações no relaxamento do assoalho pélvico, que comprometem o esvaziamento adequado da bexiga.

    Outro fator são as malformações do trato urinário ou neurológico. Essas alterações podem dificultar que a criança perceba a bexiga cheia, atrapalhar o esvaziamento completo ou até desviar o caminho de drenagem da urina, como ocorre em algumas meninas que apresentam drenagem do ureter para fora da bexiga.

    Muitas vezes há alterações detectadas na gestação ou logo após o nascimento. Nesses casos, a avaliação especializada é obrigatória, especialmente se já houve infecção urinária. “Toda criança que teve alterações dos órgãos suspeitadas durante a gravidez ou se já tiveram uma infecção urinária, não importa se menino ou menina, deve ser avaliada por especialistas”, alerta Veridiana.

    O que os pais devem observar

    • Criança que segura o xixi até o limite, cruzando as pernas ou fazendo força para evitar a ida ao banheiro;
    • Alterações na rotina intestinal (constipação ou cocô ressecado);
    • Mudança de comportamento repentina em casa ou na escola.

    É importante também conversar com a escola: a criança tem liberdade de ir ao banheiro? Consegue tirar a própria roupa? Esses fatores interferem diretamente no controle urinário.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Como é a avaliação médica

    Ao contrário do que muitos imaginam, o primeiro passo não é pedir exames. “Começamos sempre com uma consulta adequada e exame físico, revendo todos os aspectos do comportamento, explicando a forma correta de sentar para fazer xixi e cocô, adequando o espaço e o acesso da criança à privada e observando os hábitos de xixi, cocô e ingesta de líquidos por meio de diários miccionais”, explica a urologista.

    Ela enfatiza que, somente quando não há sucesso nessas medidas iniciais, é que se parte para a investigação de causas anatômicas com exames complementares.

    Existe tratamento para incontinência urinária infantil?

    Sim, o tratamento da incontinência urinária infantil envolve uma combinação de estratégias. A primeira delas é chamada uroterapia, que inclui orientações para hábitos corretos relacionados a xixi, cocô, ingestão de água, intervalos adequados para urinar e postura de relaxamento ao usar o vaso.

    Além disso, podem ser recomendadas fisioterapias direcionadas para a reeducação do assoalho pélvico. Em alguns casos, medicamentos também entram no protocolo. “Sempre lembrando que há a necessidade de avaliação de profissional especializado antes da introdução de medicamentos”, ressalta Veridiana.

    Por fim, é bom lembrar que nenhum tratamento terá sucesso sem o apoio dos pais ou cuidadores. Criar uma rotina de idas ao banheiro, garantir acesso fácil à privada ou penico, oferecer água regularmente e observar sinais do corpo são atitudes simples que fazem diferença.

    O incentivo positivo também é essencial para uma criança que não consegue segurar o xixi: comemorar os avanços, evitar broncas em caso de escapes e transformar o processo em uma experiência de aprendizado e confiança para a criança.

    Confira: Xixi na cama: saiba as causas, os impactos e as soluções segundo a urologia pediátrica

    Perguntas e respostas

    1. Até que idade é normal a criança não conseguir segurar o xixi?

    Até os 4 anos, a maioria das crianças atinge o desfralde diurno de forma espontânea. Escapes ocasionais fazem parte do processo de amadurecimento.

    2. Quando a perda de xixi passa a ser considerada problema?

    Se a criança chega aos 5 anos sem controle urinário durante o dia ou apresenta perdas frequentes mesmo em situações de calma, é hora de procurar avaliação médica.

    3. Quais sinais indicam que pode haver algo errado?

    Evitar beber líquidos para não ir ao banheiro, acidentes noturnos persistentes após a idade esperada, prender o xixi até o limite ou mudanças bruscas de comportamento em casa ou na escola. Infecções urinárias, calcinha ou cueca sempre molhadas, ter que sair correndo para fazer xixi, dizer que não percebe que perdeu xixi.

    4. Quais causas médicas podem estar por trás da dificuldade de segurar o xixi?

    Podem estar envolvidas disfunções de eliminação (como intestino preso e alterações do assoalho pélvico), malformações do trato urinário ou neurológico, além de problemas já detectados na gestação ou após o nascimento.

    5. Como é feita a avaliação médica?

    O médico observa os hábitos miccionais, intestinais e de ingestão de líquidos, orienta sobre a postura correta ao usar o vaso e registra os padrões em diários miccionais.

    6. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento geralmente começa com a uroterapia, que ajusta hábitos de xixi, cocô, hidratação e postura. Pode incluir fisioterapia do assoalho pélvico e, em alguns casos, medicamentos – sempre com orientação especializada.

    7. O que os pais podem fazer para ajudar?

    Criar uma rotina de idas ao banheiro, facilitar o acesso da criança ao vaso ou penico, oferecer água regularmente e comemorar os avanços. O apoio da família é essencial para o sucesso do tratamento.

    Leia também: Descubra como deve ser feita a higiene íntima dos meninos

  • Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    A fisioterapia pélvica na gravidez é uma especialidade que ajuda a fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar órgãos como o útero, a bexiga e o intestino.

    Durante o período, as mudanças hormonais intensas e o aumento natural do peso do bebê acabam sobrecarregando a região, o que pode favorecer desconfortos como escapes de urina, sensação de peso e dores na bacia.

    A fisioterapia pélvica também atua diretamente na preparação para o parto, trabalhando a consciência corporal e a flexibilidade muscular importantes para o momento do nascimento.

    O melhor é que a prática pode ser iniciada em qualquer fase da gestação e oferece benefícios tanto para as mulheres que desejam o parto normal quanto para aquelas que têm indicação de cesárea.

    Para que serve a fisioterapia pélvica na gravidez?

    A fisioterapia pélvica na gravidez serve principalmente para fortalecer e dar flexibilidade aos músculos do assoalho pélvico, ajudando o corpo da mulher a se adaptar de forma saudável às transformações da gestação e a se preparar para o parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Entre alguns dos principais benefícios da prática, é possível destacar:

    1. Prevenção e o tratamento da perda involuntária de urina

    O aumento do peso do útero e as alterações hormonais podem enfraquecer os músculos responsáveis por controlar a uretra. Com a fisioterapia pélvica, a gestante aprende a ativar a musculatura nos momentos de maior pressão, como ao tossir, espirrar ou pegar peso, ajudando a evitar os desconfortáveis escapes de urina que são tão comuns na gravidez.

    2. Alívio das dores nas costas e na bacia

    Conforme a barriga cresce, o corpo passa por várias mudanças de postura e equilíbrio, o que pode causar dores na lombar, na bacia e até na região do cóccix. Os exercícios ajudam a melhorar a postura, estabilizar as articulações e aumentar a mobilidade da pelve, trazendo mais conforto no dia a dia e um alívio natural das dores.

    3. Preparação do corpo para o parto normal

    Para as mulheres que desejam o parto vaginal, a fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver a consciência corporal e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, facilitando a passagem do bebê pelo canal de parto. Ele também ajuda a gestante a entender melhor como fazer força no momento do nascimento.

    4. Redução do risco de lesões musculares profundas

    Ao trabalhar a elasticidade e a coordenação dos músculos mais profundos da região pélvica, a fisioterapia ajuda a proteger o períneo durante o parto, o que diminui risco de lacerações mais graves, segundo Andreia. A prática também favorece uma recuperação pós-parto mais confortável para a gestante.

    5. Prevenção do prolapso dos órgãos pélvicos

    A sobrecarga constante da gravidez sobre o assoalho pélvico pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, aumentando o risco de prolapsos, situação em que órgãos como a bexiga ou o útero perdem sustentação. O fortalecimento preventivo ajuda a proteger a região e a reduzir as chances da gestante apresentar a complicação no futuro.

    6. Melhora do conforto no contato íntimo

    Durante a gravidez, algumas mulheres podem sentir dor ou desconforto nas relações sexuais por causa da tensão muscular na região íntima. Segundo Andreia, a fisioterapia pélvica ensina técnicas de relaxamento que ajudam a aliviar o sintoma. Já nos casos de sensação de flacidez, o fortalecimento muscular pode contribuir para melhorar a sensibilidade e o conforto local.

    Como é feita a fisioterapia pélvica para gestantes?

    A princípio, para fazer a fisioterapia pélvica na gravidez, é importante uma avaliação detalhada da musculatura e da postura da mulher.

    Durante as sessões, o fisioterapeuta utiliza uma combinação de técnicas e ferramentas que ajudam a desenvolver a força, a coordenação e, principalmente, a propriocepção — que, como explica Andreia, é a capacidade de perceber e ter consciência da localização e do movimento dos músculos pélvicos sem precisar olhar para eles.

    As principais técnicas e etapas incluem:

    1. Exercícios de consciência corporal

    O primeiro passo da fisioterapia pélvica é ajudar a gestante a conhecer melhor o próprio corpo e entender como controlar a musculatura da região pélvica.

    Muitas mulheres, por exemplo, acabam fazendo o movimento contrário ao esperado quando tentam simular a força do parto, contraindo a musculatura em vez de relaxar. Durante as sessões, ela aprende a identificar, ativar e movimentar os músculos corretos de forma mais consciente.

    2. Fortalecimento dos músculos da região pélvica

    O trabalho da fisioterapia é focado nos diferentes grupos musculares que sustentam a região íntima e os órgãos pélvicos, como aponta Andreia:

    • Diafragma pélvico (mais interno): onde se trabalha o músculo elevador do ânus, um músculo grande e único com vários feixes, para garantir que ele seja forte o suficiente para sustentar o peso crescente do útero e do bebê;
    • Diafragma urogenital (mais superficial): localizado na região do períneo, que tem um formato de losango angulado, englobando a uretra, a entrada da vagina e o ânus. Os exercícios aqui treinam os músculos menores responsáveis por garantir a continência urinária e fecal.

    Os exercícios são feitos de forma gradual e personalizada, respeitando as necessidades de cada gestante.

    3. Treino para contrair e também relaxar

    Ao contrário do que você pode imaginar, a fisioterapia pélvica não trabalha apenas o fortalecimento muscular. A gestante também aprende a relaxar a região no momento certo, o que é necessário para o bom funcionamento do corpo.

    O relaxamento também pode facilitar a urina, a evacuação e a passagem do bebê durante o parto vaginal.

    4. Exercícios de mobilidade e alívio das dores

    Com o crescimento da barriga, a postura e o equilíbrio do corpo mudam bastante, aumentando as chances de dores na lombar e na bacia. Por isso, a fisioterapia includes exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos que ajudam a melhorar os movimentos das articulações da região, trazendo um alívio natural das dores e mais conforto para a gestante.

    5. Uso de recursos complementares, quando necessário

    Em algumas situações específicas, e sempre com avaliação profissional, o fisioterapeuta pode utilizar recursos complementares, como estímulos elétricos leves feitos com aparelhos delicados. Os estímulos ajudam a paciente a perceber melhor a musculatura que precisa ser trabalhada, facilitando os exercícios e o controle da região pélvica.

    Quando começar as sessões?

    As sessões de fisioterapia pélvica podem ser iniciadas em qualquer momento da gestação, inclusive no início ou antes dela. Contudo, Andreia explica que a procura costuma se intensificar a partir da segunda metade da gravidez, quando o volume abdominal aumenta e os desconfortos físicos ficam mais evidentes.

    Portanto, se você não começou no início, a segunda metade da gestação é o momento ideal para procurar ajuda e garantir o papel analgésico e preparatório da fisioterapia.

    Quando a fisioterapia pélvica não é indicada?

    A fisioterapia pélvica é uma prática segura e recomendada para a maioria das gestantes. Inclusive, grávidas que apresentam comorbidades comuns como diabetes gestacional, hipertensão ou restrição de crescimento fetal (RCF) podem fazer as sessões normalmente, desde que as condições estejam devidamente controladas e acompanhadas pelo médico.

    Contudo, Andreia explica que existem contraindicações obstétricas específicas em que a fisioterapia pélvica não é indicada, frequentemente associadas à necessidade de repouso ou ao risco de infecções e sangramentos. São elas:

    • Incompetência istmocervical: casos avançados com risco de parto prematuro, onde a gestante precisa de repouso e deve evitar qualquer esforço físico;
    • Bolsa rota (amniorrexe prematura): quando a bolsa estoura antes do tempo, pois há um alto risco de infecção no útero, inviabilizando o uso de exercícios e de eletrodos intravagnais;
    • Placenta prévia: quando a placenta está posicionada na parte baixa do útero, cobrindo o colo. Qualquer estímulo ou movimento na região pode provocar sangramentos graves;
    • Descolamento prematuro de placenta: uma condição de emergência com risco de hemorragia que exige repouso absoluto e cuidados médicos imediatos.

    Antes de iniciar qualquer sessão de fisioterapia pélvica, lembre-se que a gestante precisa da liberação do médico obstetra, para garantir que a gravidez não apresenta nenhum dos fatores de risco.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A fisioterapia pélvica dói?

    Não, pois os exercícios e técnicas são aplicados respeitando o limite de conforto da gestante. É comum sentir o cansaço muscular natural do exercício, mas nunca dor. Caso sinta desconforto, o fisioterapeuta adapta a conduta imediatamente.

    2. Quem vai fazer cesárea também pode fazer fisioterapia pélvica?

    Com certeza. A sobrecarga do peso do bebê, do útero e da placenta sobre o assoalho pélvico é exatamente a mesma, independentemente do tipo de parto. A fisioterapia ajuda a evitar escapes de urina durante a gestação e previne dores e flacidez no pós-parto.

    3. Quantas vezes por semana devo fazer as sessões?

    Normalmente, o recomendado é fazer 1 a 2 vezes por semana no consultório, com duração média de 50 minutos. Além disso, o fisioterapeuta costuma passar uma rotina de exercícios simples de poucos minutos para a gestante realizar em casa diariamente.

    4. Posso fazer os exercícios de fortalecimento sozinha em casa?

    Apenas os exercícios que já foram ensinados e liberados pelo seu fisioterapeuta. Fazer contrações de forma errada ou sem coordenação pode tensionar a musculatura em excesso, gerando o efeito oposto, como dor na relação íntima ou dificuldade para urinar.

    5. A fisioterapia pélvica induz ou antecipa o parto?

    Não. Os exercícios convencionais de fortalecimento e conscientização não têm capacidade de provocar o parto prematuro. Pelo contrário, as técnicas são planejadas para proteger o corpo da mãe ao longo de todas as semanas gestacionais.

    6. Quando devo parar de fazer as sessões na gravidez?

    Se a gestação seguir saudável e sem intercorrências, as sessões podem ser realizadas até a semana do parto. Na reta final, o foco do profissional muda quase totalmente para exercícios de mobilidade, respiração e posições de alívio para o dia do nascimento.

    7. Quem tem a placenta baixa pode fazer fisioterapia pélvica?

    Depende do tipo. Se for uma placenta prévia (que cobre totalmente o colo do útero), a fisioterapia pélvica é estritamente contraindicada pelo risco de hemorragias graves. Se for apenas uma placenta de inserção baixa que não obstrui o colo, o obstetra avaliará se libera ou não os exercícios de forma bem leve.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    Guia da gestante: 6 respostas médicas para as suas maiores dúvidas

    O início da gravidez pode trazer uma série de sentimentos diferentes, de felicidade até insegurança, mas também uma lista infinita de perguntas.

    Se você é mamãe de primeira viagem, é completamente normal se pegar pensando se aquela posição na hora de dormir pode prejudicar o bebê, por que o intestino de repente ficou tão lento ou se aquela tontura na academia é um sinal de alerta para algum problema.

    Para esclarecer alguns dos mitos e verdades comuns do período, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos tudo que você precisa saber, a seguir.

    1. Grávida pode dormir de barriga para cima ou para baixo?

    No início da gestação, você pode dormir na posição que achar mais confortável, inclusive de barriga para cima. No entanto, Andreia explica que a partir da 14ª ou 15ª semana de gravidez, o útero já cresceu o suficiente para se tornar pesado e migrar da pélvis para o abdômen. A partir do período, deitar de costas não é recomendado.

    Ao deitar de barriga para cima, o peso do útero comprime diretamente a veia cava, que é a principal veia responsável por trazer o sangue do resto do corpo de volta para o coração. Como as veias são muito maleáveis, elas se fecham facilmente sob pressão.

    Quando a veia cava é comprimida, o retorno do sangue diminui drasticamente, causando uma queda súbita na pressão arterial da mãe, chamada de hipotensão supina. Isso pode provocar tontura, mal-estar e até sensação de desmaio, mesmo que você esteja deitada.

    No caso das mulheres que gostam de dormir de barriga para baixo, ela não costuma ser um perigo direto para o bebê, mas pode ser incômoda com o avanço da gravidez, pois o peso do próprio corpo da mãe acaba pressionando o abdômen.

    Qual é a melhor posição para dormir na gravidez?

    As melhores posições para dormir na gravidez incluem:

    • Dormir de lado, de preferência sobre o lado esquerdo: costuma ser a posição mais confortável e recomendada na gravidez, porque ajuda na circulação sanguínea e melhora o fluxo de oxigênio e nutrientes que chegam até a placenta e o bebê;
    • Usar travesseiros como apoio: colocar um travesseiro entre os joelhos e outro para apoiar os braços pode fazer muita diferença no conforto durante a noite. Além de ajudar a alinhar a coluna, o apoio também reduz a pressão nas articulações e alivia as dores nas costas;
    • Apostar em uma posição na diagonal: para as mulheres que sentem falta de dormir de barriga para baixo, a ideia é ficar meio de lado e meio inclinada para frente, usando um travesseiro grande ou uma almofada de amamentação para apoiar o corpo. Assim, é possível ter uma sensação parecida com a de dormir de bruços, mas sem colocar peso sobre a barriga.

    Se ao deitar de costas você sentir tontura, o corpo começará a avisar de forma instintiva que a posição não está favorável. Caso isso aconteça, vire-se imediatamente para o lado esquerdo para restabelecer o fluxo sanguíneo e normalizar a pressão.

    2. Por que o intestino fica mais preso na gestação?

    A constipação, também conhecida como prisão de ventre, é uma das condições mais frequentes da gravidez e acontece especialmente por uma combinação de fatores hormonais e mecânicos.

    Segundo Andreia, o aumento da progesterona, hormônio importante para a gestação, relaxa a musculatura do útero, mas também deixa os movimentos do intestino mais lentos. Com isso, a digestão demora mais e o trânsito intestinal fica mais devagar.

    Conforme o bebê cresce, o útero também passa a ocupar mais espaço na barriga e acaba pressionando parte do intestino, dificultando ainda mais a passagem das fezes. Toda a lentidão do sistema digestivo também pode provocar outros sintomas bastante comuns na gravidez, como gases, sensação de barriga estufada, azia e refluxo.

    Como melhorar o trânsito intestinal?

    Andreia orienta algumas dicas para melhorar o funcionamento do intestino na gravidez:

    • Aumentar o consumo de fibras e manter uma excelente hidratação;
    • Fazer uma dieta fracionada (comer porções menores mais vezes ao dia) para diminuir o desconforto gástrico;
    • Consumir frutas cítricas ou seus sucos, que podem auxiliar no processo digestivo;
    • Praticar atividades físicas regulares, que estimulam o peristaltismo (movimento do intestino);
    • Manter uma rotina de horários para educar o organismo a esvaziar o intestino de forma habitual.

    Atenção ao reflexo gastrocólico

    O reflexo gastrocólico é um mecanismo fisiológico em que o estômago se comunica com o intestino. Assim que a comida entra no organismo, o corpo recebe o sinal de que o intestino deve se esvaziar para abrir espaço para o novo bolo alimentar.

    De acordo com a ginecologista, não é raro que algumas gestantes ignorem a vontade de evacuar por estarem fora de casa ou por desconforto em usar banheiros públicos. Porém, com o tempo, o hábito pode fazer com que o organismo perca parte da sensibilidade ao reflexo natural, piorando ainda mais a constipação.

    Por isso, a recomendação da médica é simples: quando sentir vontade, vá ao banheiro. O ideal é não prender o intestino e nem reduzir a ingestão de água para evitar urinar fora de casa.

    3. Inchaço na gravidez é normal? Quando se preocupar?

    O inchaço na gravidez é um sintoma comum e afeta principalmente nos pés e nas pernas, sendo ainda mais intenso no final do dia ou em épocas de muito calor. Ele acontece porque o volume de fluidos e sangue no corpo da grávida aumenta consideravelmente, e o peso do útero dificulta o retorno do sangue das pernas de volta para o coração.

    Contudo, Andreia explica que é preciso ficar alerta aos sinais de alerta que indicam um quadro patológico, como doenças renais ou pré-eclâmpsia:

    • Começou de forma muito súbita (de uma hora para a outra) ou ficou extremamente intenso;
    • Subiu para outras partes do corpo e começou a afetar o rosto (especialmente as pálpebras) e as mãos;
    • Vem acompanhado de outros sintomas, como dor de cabeça forte, visão embaçada, pontos brilhantes na vista ou dor na boca do estômago.

    Nesses casos, procure imediatamente atendimento médico.

    Como aliviar o inchaço nas pernas na gravidez?

    Segundo a ginecologista, existem algumas medidas simples que ajudam a melhorar o fluxo de líquidos e trazem bastante alívio, como:

    • Beba bastante água: uma boa hidratação ajuda os rins a funcionarem melhor e favorece a eliminação do excesso de líquido acumulado no corpo;
    • Eleve as pernas: sempre que possível, descanse com os pés apoiados em almofadas ou mais elevados para melhorar a circulação;
    • Faça drenagem linfática: a técnica pode ajudar no inchaço, desde que seja adaptada para gestantes e liberada pelo obstetra;
    • Use meias de compressão corretamente: o ideal é colocar as meias ainda deitada, antes de levantar da cama, para ajudar a evitar o inchaço ao longo do dia.

    4. Gestante pode fazer musculação e pegar peso?

    Desde que a atividade seja avaliada, autorizada pelo obstetra e adaptada para a gestação, a musculação é considerada segura e pode trazer vários benefícios durante a gravidez.

    Como explica Andreia, o fortalecimento dos músculos abdominais, conhecido como fortalecimento do core, ajuda diretamente a aliviar as dores nas costas. Conforme a barriga cresce, a curvatura natural da coluna lombar aumenta, o que pode gerar mais sobrecarga e desconforto na região. Com a musculatura fortalecida, o corpo ganha mais sustentação e estabilidade.

    As mulheres que já tinham a musculatura mais forte antes da gravidez costumam sofrer menos com dores lombares. Já aquelas que não tinham o preparo também podem se beneficiar bastante do acompanhamento adequado, especialmente quando a musculação é associada à fisioterapia pélvica e global.

    Cuidados importantes durante o treino na gravidez

    Para que a musculação seja segura para você e para o bebê, existem dois limites importantes que precisam ser respeitados.

    Primeiro, o exercício pode ser moderadamente cansativo, mas se você notar que está suando excessivamente, com o coração muito acelerado e a respiração ofegante demais, pare o exercício. Os sinais indicam que a musculatura está competindo pelo oxigênio do corpo com a placenta, o que não pode acontecer.

    Segundo, sabe quando você vai fazer muita força para levantar um peso e, sem perceber, prende o ar e bloqueia a respiração? Isso se chama manobra de Valsalva, o que causa uma queda brusca de pressão, tontura e escurecimento da vista. Nas grávidas, o risco de desmaio é ainda maior.

    Na musculação para gestantes, o ideal é sempre manter a respiração contínua. A regra é soltar o ar pela boca no momento em que você faz força e puxar o ar pelo nariz quando relaxa o músculo. Nunca prenda a respiração.

    5. É seguro viajar de avião durante a gravidez?

    Se a sua gestação estiver correndo bem, sem riscos ou complicações, a viagem de avião é segura para a mãe e para o bebê. No entanto, existem alguns cuidados práticos que você precisa conhecer antes de comprar as passagens.

    Segundo Andreia, é recomendado evitar viagens muito tardias, como após a 33ª ou 34ª semana, pela maior probabilidade da gestante entrar em trabalho de parto e não ter assistência médica adequada a bordo, especialmente em voos longos.

    Além disso, a gravidez aumenta consideravelmente o risco de trombose, devido a alterações hormonais que engrossam o sangue e à microcompressão das veias pélvicas pelo útero.

    Por isso, em voos longos, para evitar que o sangue fique parado nas pernas, o ideal é levantar a cada 1 ou 2 horas e caminhar um pouco pelo corredor do avião, para ativar os músculos das panturrilhas e estimular a circulação sanguínea.

    Fazer pequenos movimentos com os pés e os tornozelos enquanto estiver sentada também pode ajudar a reduzir o inchaço e diminuir o risco de trombose durante a viagem.

    Se você tiver outros fatores de risco ou comorbidades (como pressão alta ou histórico familiar de trombose), o obstetra pode indicar o uso preventivo de medicação anticoagulante injetável em baixas doses. Normalmente, ela é utilizada alguns dias antes da viagem, durante o trajeto e logo após o retorno.

    Importante: mulheres com gestação de alto risco, histórico de parto prematuro recente ou hipertensão gestacional grave devem passar por uma avaliação criteriosa, pois podem ter contraindicação médica absoluta para voar.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    6. Por que a gravidez dá tanto sono e altera as noites de descanso?

    O sono durante a gravidez costuma mudar por uma combinação de fatores, segundo Andreia:

    • Aumento da progesterona: o hormônio causa uma sonolência excessiva e exaustão, muito comum no primeiro trimestre. O sintoma costuma melhorar no segundo trimestre e pode reaparecer no terceiro, especialmente no fim do dia;
    • Fatores mecânicos: no final da gravidez, o tamanho da barriga dificulta encontrar uma posição confortável. O peso do útero sobre a bexiga também aumenta a frequência urinária, fragmentando o sono devido às idas ao banheiro durante a noite;
    • Roncos e apneia do sono: o ganho de peso e o grande volume abdominal podem favorecer o surgimento de roncos e da apneia do sono. A própria progesterona também relaxa a musculatura da garganta, facilitando com que a base da língua caia ligeiramente para trás e obstrua a passagem do ar
    • Fatores emocionais: a ansiedade natural pela chegada do parto e do bebê também contribui para um sono mais leve, o que aumenta os despertares ao longo da noite e dificulta um descanso realmente reparador.

    Para melhorar a qualidade do descanso, a orientação é investir em uma boa higiene do sono, manter horários mais regulares para dormir e usar travesseiros como apoio entre as pernas e os braços, ajudando o corpo a ficar mais confortável durante a noite.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Grávida pode tomar café?

    Sim, mas com moderação. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Febrasgo é limitar o consumo de cafeína a, no máximo, 200 mg por dia, o que equivale a cerca de duas xícaras pequenas (de 50 a 100 ml) de café coado.

    2. É normal ter corrimento na gravidez?

    Depende da cor e do cheiro. Um corrimento esbranquiçado ou transparente, fluido e sem odor é completamente normal e decorrente do aumento de hormônios e do fluxo sanguíneo na região pélvica.

    Se o corrimento for amarelado, esverdeado, acinzentado, tiver consistência de nata ou vier acompanhado de mau cheiro, coceira e ardência, pode indicar uma infecção (como candidíase ou vaginose bacterial) e deve ser tratado pelo obstetra.

    3. Grávida pode comer sushi e peixe cru?

    O ideal é evitar, pois o consumo de peixes e frutos do mar crus ou malcozidos aumenta o risco de infecções alimentares graves causadas por bactérias (como a Listeria) e parasitas.

    4. É seguro ter relações sexuais na gravidez?

    Sim, na grande maioria das gestações. Se a gravidez estiver correndo bem, sem complicações, o sexo é seguro e não machuca o bebê, que está protegido pelo líquido amniótico e pelo tampão mucoso do colo do útero.

    5. Grávida pode fazer tratamento estético (como botox ou peeling)?

    A maioria dos tratamentos deve ser suspensa. A aplicação de toxina botulínica (botox) e preenchimentos não é recomendada por falta de estudos de segurança em gestantes.

    6. É normal sentir cólica no início da gravidez?

    Sim, as cólicas leves são comuns. No primeiro trimestre, o útero está começando a se expandir e a se acomodar na pelve, e a vascularização da região aumenta, o que pode causar uma sensação parecida com a cólica menstrual leve ou fisgadas nas laterais do abdômen.

    7. Como evitar as manchas no rosto (melasma) na gravidez?

    O melasma gestacional surge devido à combinação dos hormônios da gravidez, que estimulam a produção de melanina, com a exposição solar. A melhor forma de prevenir é o uso diário e religioso de protetor solar com cor e FPS alto (mínimo 50), reaplicando ao longo do dia, além do uso de chapéus e óculos de sol.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Sofrendo com enjoos na gravidez? Saiba como aliviar o mal-estar e quais remédios são permitidos

    Mais comum entre a quarta e oitava semana de gestação, o enjoo na gravidez é um sintoma que afeta cerca de 70% das mulheres. Normalmente, é um dos primeiros sinais da gestação e acontece devido às intensas alterações hormonais do início do período, especialmente ao aumento do hormônio beta-hCG.

    Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser controlados com mudanças na alimentação e hidratação adequada. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender como aliviar o enjoo no dia a dia, os remédios permitidos na gravidez e quando o sintoma é preocupante. Confira!

    Por que grávida sente tanto enjoo?

    Os enjoos na gravidez acontecem, principalmente, por causa das mudanças hormonais intensas do início da gestação. Segundo Andreia, o principal responsável pelos sintomas é o aumento do hormônio beta-hCG, a gonadotrofina coriônica humana, produzida pela placenta.

    No começo da gravidez, os níveis do hormônio aumentam rapidamente, atingem um pico e depois tendem a se estabilizar. É justamente durante a fase de elevação mais intensa que as náuseas costumam piorar, especialmente no primeiro trimestre.

    Além do beta-hCG, outros hormônios produzidos pela placenta, como estrogênio, progesterona e cortisol, também contribuem para os enjoos. A progesterona, em especial, desacelera o funcionamento do sistema digestivo, deixando o esvaziamento do estômago e do intestino mais lento, o que aumenta a sensação de náusea.

    Segundo a ginecologista, o olfato mais sensível na gestação também pode agravar o desconforto, fazendo com que cheiros fortes de alimentos, perfumes ou bebidas provoquem mais enjoo.

    Fatores de risco para náuseas mais intensas

    Entre os fatores de risco de náuseas e vômitos mais intensos na gravidez. Andreia aponta:

    • Gravidez gemelar, já que existe uma placenta maior e maior produção hormonal, o que aumenta os níveis de beta-hCG e pode intensificar os enjoos;
    • Histórico de muito enjoo em uma gestação anterior, porque mulheres que já tiveram náuseas intensas em outra gravidez têm mais chance de apresentar o mesmo quadro novamente;
    • Histórico familiar de náuseas intensas na gravidez, já que pode existir uma predisposição genética para desenvolver sintomas mais fortes durante a gestação.

    A médica também explica que existe uma condição mais rara chamada mola hidatiforme, uma alteração na formação da placenta que provoca níveis muito altos de beta-hCG. Nesses casos, os enjoos costumam ser muito fortes e persistentes. É uma gestação anômala e inviável, que normalmente evolui para aborto espontâneo.

    Como aliviar o enjoo na gravidez naturalmente?

    1. Fazer pequenas refeições ao longo do dia

    As gestantes costumam sentir mais náuseas quando passam muitas horas sem comer. Como o estômago fica mais lento durante a gravidez, os grandes volumes de comida podem aumentar ainda mais o desconforto. Por isso, Andreia recomenda que a alimentação seja feita em pequenas quantidades ao longo do dia, com refeições mais leves e frequentes.

    As frutas, os pães, os iogurtes, as torradas e outros alimentos leves podem ajudar a manter o estômago funcionando melhor e reduzir a sensação de mal-estar.

    2. Evitar longos períodos de jejum

    Andreia explica que ficar mais de duas horas e meia sem comer tende a aumentar o desconforto, principalmente no começo da manhã ou no fim do dia. As pequenas pausas para lanches leves ajudam a evitar que o estômago fique vazio por muito tempo, o que pode diminuir os episódios de enjoo e vômito.

    3. Apostar em carboidratos simples pela manhã

    Os alimentos simples, como as bolachas de água e sal, as torradas e os crackers, costumam ser uma opção interessante pela manhã. Durante a gravidez, muitas mulheres apresentam excesso de salivação ao acordar, e os carboidratos simples ajudam a absorver o excesso de saliva, aumentando o alívio e reduzindo a sensação de náusea.

    A ginecologista também orienta que algumas gestantes podem se sentir melhor ao comer algo leve antes mesmo de levantar da cama.

    4. Consumir frutas e temperos cítricos

    Os alimentos cítricos, como o limão, a laranja e o abacaxi, além de temperos como o vinagre, podem ajudar a aliviar a sensação de estômago lento. As substâncias ácidas estimulam a digestão e podem trazer uma sensação de alívio para algumas mulheres.

    As águas saborizadas com limão e os alimentos frescos e cítricos também costumam ser mais bem tolerados nos períodos de maior enjoo.

    5. Usar gengibre no dia a dia

    O gengibre possui propriedades naturais com efeito antiemético, que ajudam a controlar as náuseas e os vômitos. Ele pode ser consumido de diferentes formas, como em chá, em balas, em cápsulas orientadas por profissionais de saúde ou infusionado na água.

    5. Beber água aos poucos ao longo do dia

    A ingestão de líquidos deve acontecer de forma gradual ao longo do dia, em pequenos goles. Os grandes volumes de água de uma só vez podem causar distensão no estômago e aumentar o desconforto.

    Em alguns casos, o consumo de água gelada, saborizada naturalmente ou algumas frutas ricas em água também podem ajudar na hidratação quando a gestante apresenta dificuldade para beber líquidos.

    6. Evitar cheiros fortes

    Como o aumento dos hormônios deixam o olfato muito mais sensível, principalmente no primeiro trimestre, vale evitar cheiros fortes de comida, perfumes intensos, produtos de limpeza e até bebidas muito quentes, o que pode ajudar no controle do enjoo.

    Remédios permitidos para enjoo na gestação

    Os enjoos da gestação nem sempre precisam de medicação, mas quando os vômitos começam a dificultar a alimentação e a hidratação da gestante, alguns remédios considerados seguros podem ser indicados pelo médico, como:

    • Vitamina B6, bastante utilizada para ajudar no controle das náuseas leves e moderadas;
    • Metoclopramida (Plasil), que ajuda no esvaziamento do estômago e no controle dos vômitos, embora precise ser usada com cautela por causa dos possíveis efeitos adversos;
    • Ondansetrona (Vonau), indicada principalmente em casos de náuseas e vômitos mais intensos;
    • Dimenidrinato (Dramin), bastante conhecido para enjoo e que pode ajudar algumas gestantes;
    • Meclizina (Meclin), que também pode ser utilizada para aliviar as náuseas.

    A médica explica que os remédios costumam ser reservados para situações em que os sintomas estão impedindo uma alimentação adequada ou aumentando o risco de desidratação.

    Vale ressaltar que a automedicação na gravidez não é recomendada e apenas um profissional da saúde pode orientar o medicamento mais seguro para cada caso.

    Quando o enjoo na gravidez é preocupante?

    Quando as náuseas e os vômitos se tornam tão intensos que impedem a gestante de se alimentar e se hidratar, o quadro deixa de ser considerado comum e passa a ser chamado de hiperêmese gravídica.

    Nesse caso, Andreia esclarece que a mulher vomita frequentemente e não consegue reter praticamente nada do que ingere, inclusive líquidos. Os principais sinais de alerta são:

    • Dificuldade para comer ou beber qualquer coisa;
    • Vômitos frequentes ao longo do dia;
    • Perda de peso;
    • Sinais de desidratação (como boca seca e urina muito escura);
    • Fraqueza intensa;
    • Tontura e mal-estar constante.

    Ao notar os sintomas, é necessário passar por uma avaliação médica imediatamente. Normalmente, o tratamento requer a internação hospitalar para a gestante receber hidratação, eletrólitos e remédios antieméticos diretamente na veia.

    Como os vômitos prolongados esgotam os estoques de nutrientes, o médico também pode indicar a reposição de vitaminas (principalmente B1, B6 e B12) para prevenir complicações neurológicas.

    A alimentação por via oral é reintroduzida aos poucos conforme a melhora da gestante e, em casos raros onde a rejeição aos alimentos persiste, pode ser necessária a nutrição parenteral (pela veia).

    Quando a internação é necessária?

    A internação é indicada quando há risco de desidratação, perda de peso significativa ou incapacidade de manter a alimentação por conta própria, segundo Andreia.

    Se a hiperêmese gravídica não for tratada, a falta de nutrientes pode afetar o desenvolvimento do feto, aumentando o risco de baixo peso ao nascer. No entanto, complicações graves são raras, pois a maioria das mulheres busca ajuda médica logo nos primeiros sinais, permitindo o controle rápido do quadro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. É normal ter enjoo logo na primeira semana de gravidez?

    Não é comum. Os enjoos costumam começar por volta da 4ª ou 6ª semana de gestação, quando os níveis do hormônio HCG ficam mais altos. Sintomas na primeira semana normalmente estão associados à TPM ou ansiedade.

    2. O enjoo na gravidez costuma passar em qual mês?

    Na maioria das mulheres, o enjoo melhora muito ou desaparece completamente entre o fim do terceiro mês e o início do quarto mês (por volta da 12ª a 14ª semana).

    3. Tomar água com limão ajuda a aliviar o enjoo?

    Sim. Alimentos ácidos e cítricos estimulam a salivação e reduzem a sensação de náusea. Beber água gelada com algumas gotas de limão ou chupar um picolé de limão ajuda a aliviar o mal-estar rapidamente.

    4. Grávida pode tomar chá de gengibre?

    Sim, o gengibre é uma excelente opção natural contra enjoos. No entanto, o consumo deve ser moderado, sempre conversando com o médico antes.

    5. Sentir muito enjoo indica o sexo do bebê?

    Não, isso é apenas um mito popular. A intensidade do enjoo está ligada à sensibilidade do corpo da mulher às oscilações hormonais (como o HCG), e não ao fato de ser menino ou menina.

    6. Como escovar os dentes sem sentir enjoo na gravidez?

    Troque a pasta de dentes por uma de sabor mais suave, use uma escova de cabeça pequena e evite escovar a língua logo após acordar, pois isso costuma ativar o reflexo do vômito.

    6. Existe alguma posição para deitar que melhore o enjoo?

    Deitar-se sobre o lado esquerdo do corpo ajuda a melhorar a digestão e reduz o refluxo, o que pode aliviar a náusea. Além disso, evite deitar-se logo após comer; o ideal é esperar pelo menos 30 minutos a 1 hora, mantendo a cabeça mais elevada com a ajuda de travesseiros.

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