Categoria: Família

isParent

  • Síndrome de abstinência digital: como lidar com as crises de irritabilidade ao desligar as telas? 

    Síndrome de abstinência digital: como lidar com as crises de irritabilidade ao desligar as telas? 

    Você já ouviu falar na síndrome de abstinência digital? Ela envolve uma série de reações físicas, emocionais e comportamentais que podem surgir quando uma criança ou um adolescente deixa de usar, de forma repentina, dispositivos como celular, tablet, computador ou videogame.

    Ao contrário da dependência em substâncias químicas, na tecnologia o vício é comportamental. Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, os aplicativos, os jogos e as redes sociais são desenvolvidos para prender a atenção por meio de vídeos curtos, mudanças rápidas de imagem, cores vibrantes e recompensas constantes, mantendo o cérebro sempre em busca de mais estímulos.

    A cada curtida recebida, fase concluída, vídeo assistido ou conquista dentro de um jogo, o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor ligado às sensações de prazer, motivação e recompensa. Quanto mais frequentes são os estímulos, mais o cérebro se acostuma com aquela descarga de satisfação imediata e passa a esperar que ela aconteça repetidamente.

    Quando o aparelho é desligado de forma repentina, os níveis de dopamina diminuem rapidamente. Como a região do cérebro responsável pelo autocontrole, pelo planejamento e pela regulação das emoções ainda está em desenvolvimento durante a infância, a especialista explica que as crianças têm dificuldade para lidar com a frustração provocada pela interrupção daquele estímulo tão intenso.

    Sintomas de que a criança está viciada em telas

    Como o cérebro das crianças e dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, ele é mais sensível aos estímulos das telas. Alguns sinais de que o uso excessivo pode estar causando prejuízos incluem:

    1. Irritabilidade intensa quando a tela é desligada

    A reação mais comum da síndrome de abstinência digital acontece justamente quando chega a hora de guardar o celular, o tablet ou desligar a televisão. A criança pode chorar muito, gritar, ficar agressiva ou apresentar uma crise de raiva que parece desproporcional à situação.

    O comportamento não costuma ser apenas uma tentativa de conseguir mais tempo de tela. Como o cérebro estava acostumado a receber estímulos intensos e constantes, a interrupção provoca uma queda repentina da dopamina, dificultando o controle das emoções.

    2. Perda de interesse pelas brincadeiras e pelas atividades do dia a dia

    Os brinquedos, livros, desenhos para colorir, jogos de tabuleiro e até os passeios ao ar livre podem deixar de despertar interesse na criança. Sem a intensidade dos estímulos oferecidos pelas telas, elas passam a achar qualquer outra atividade sem graça, reclamam de tédio o tempo todo e demonstram dificuldade para brincar usando a imaginação.

    3. Uso escondido do celular ou de outros aparelhos

    Quando a necessidade de acessar as telas se torna muito intensa, algumas crianças começam a esconder comportamentos dos adultos. A criança pode levar o celular escondido para a escola, usar o tablet durante a madrugada ou aproveitar os momentos em que ninguém está olhando para pegar os aparelhos.

    Além de desrespeitar as regras da casa, o comportamento também pode prejudicar a relação de confiança entre a criança e a família.

    4. Ansiedade, a irritação e as dificuldades para dormir

    O uso excessivo das telas, principalmente durante a noite, interfere diretamente na qualidade do sono. A luz emitida pelos aparelhos reduz a produção da melatonina, hormônio responsável por preparar o organismo para dormir.

    Como consequência, a criança pode demorar mais para pegar no sono, acordar várias vezes durante a noite ou ter um descanso pouco reparador. Durante o dia, também podem surgir a ansiedade, a irritação, a impaciência e a dificuldade para relaxar.

    5. Isolamento social e o menor interesse pelas pessoas

    Nos encontros de família, nos passeios, nos restaurantes ou até durante o recreio da escola, a preferência passa a ser o celular em vez das conversas e das brincadeiras com outras pessoas. Com o tempo, o comportamento pode prejudicar o desenvolvimento das habilidades sociais, da comunicação e da capacidade de interpretar emoções e construir relações saudáveis.

    O que fazer ao identificar os sinais?

    De acordo com Bárbara, o ideal não é banir as telas abruptamente, mas reduzir o tempo gradativamente, oferecendo previsibilidade (avisar 10 e 5 minutos antes que o tempo vai acabar) e substituir o aparelho por atividades sensório-motoras, como pintura, esportes, blocos de montar e passeios ao ar livre.

    Aos poucos, o cérebro passa a encontrar prazer em experiências do mundo real, reduzindo a dependência dos estímulos rápidos oferecidos pelas telas e favorecendo um desenvolvimento mais saudável.

    Por que o cérebro da criança não consegue se autorregular?

    O cérebro da criança não se autorregula porque o córtex pré-frontal, área responsável pelo controle dos impulsos e pelas decisões, só termina de se desenvolver entre os 25 e 30 anos. Sem a região madura, a criança é dominada pelo sistema límbico, que rege as emoções e busca a satisfação imediata.

    As telas atuais funcionam como um estímulo muito intenso para o cérebro infantil, provocando picos de dopamina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer e recompensa. Quando o celular, o tablet ou a televisão são desligados, ocorre uma queda rápida do estímulo e a criança tem mais dificuldade para lidar com a frustração e regular as próprias emoções, o que pode desencadear crises de choro, gritos, irritação ou até agressividade.

    Na maioria das vezes, a reação não acontece por pirraça, mas porque a criança ainda não desenvolveu totalmente os mecanismos necessários para controlar o que está sentindo.

    Como lidar com a crise de irritabilidade ao desligar as telas?

    O primeiro passo é entender que, em muitos casos, a irritação é uma resposta do cérebro à interrupção de um estímulo muito intenso. Para tornar a transição mais tranquila, Bárbara recomenda uma estratégia baseada em previsibilidade, acolhimento, firmeza e substituição das telas por uma atividades do mundo real:

    1. Avise com antecedência que o tempo de tela está acabando

    O cérebro infantil costuma lidar melhor com mudanças quando elas são previsíveis. Em vez de tirar o celular ou o tablet de repente, Bárbara orienta avisar alguns minutos antes que o horário está chegando ao fim.

    2. Ofereça outra atividade logo em seguida

    Depois de desligar a tela, vale convidar a criança para fazer alguma atividade que envolva movimento, criatividade e interação. A mudança fica mais fácil quando o cérebro encontra outro estímulo prazeroso.

    Bárbara sugere brincadeiras como pintar, montar blocos, jogar bola, passear ao ar livre ou até participar de pequenas tarefas da casa, como colocar os pratos na mesa. O objetivo é incentivar o contato com experiências reais, envolvendo as mãos, o corpo e os sentidos.

    3. Mantenha os limites com calma e acolhimento

    É comum que a criança chore, reclame ou tente negociar mais alguns minutos de tela. Segundo Bárbara, o ideal é manter a regra estabelecida sem recorrer a brigas ou punições.

    Acolher o sentimento da criança, dizendo que entende a frustração, mas reforçando que o tempo terminou, ajuda no processo de aprendizagem. Quando os adultos mantêm o limite com calma e constância, a criança aprende, aos poucos, a lidar melhor com as frustrações.

    4. Evite usar as telas para acalmar ou distrair

    Segundo Bárbara, existem momentos em que o uso das telas deve ser evitado, principalmente durante as refeições e antes de dormir. Comer assistindo a vídeos dificulta a percepção da fome e da saciedade, enquanto o uso dos aparelhos à noite atrapalha a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono.

    Ao criar uma rotina com menos telas nos horários, a criança tende a dormir melhor, participar mais das refeições e desenvolver uma relação mais saudável com a tecnologia.

    Quando o uso excessivo de telas precisa de ajuda médica?

    Os pais devem procurar ajuda especializada ao notar os seguintes sinais de alerta:

    • Atraso para falar ou desenvolver a linguagem;
    • Falta de contato visual e pouca interação com outras pessoas;
    • Preferência pelas telas em vez de brincar ou conviver com outras crianças;
    • Crises intensas de choro, irritação ou agressividade ao desligar os aparelhos;
    • Dificuldade para dormir, despertares frequentes ou sono agitado;
    • Uso escondido do celular, do tablet ou de outros dispositivos;
    • Mentiras frequentes para conseguir mais tempo de tela;
    • Agitação, impulsividade e dificuldade de concentração em atividades sem telas;
    • Recusa em experimentar novos alimentos ou seletividade alimentar;
    • Ganho de peso rápido associado ao hábito de comer em frente às telas.

    O médico pode fazer uma avaliação para identificar se os comportamentos estão relacionados ao uso excessivo das telas e aos hábitos do dia a dia ou se existe algum transtorno do neurodesenvolvimento, como o TDAH ou o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que precisa uma investigação mais detalhada e um tratamento específico.

    Confira: Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Perguntas frequentes

    1. Abstinência digital é um vício real?

    Sim. Embora não envolva substâncias químicas, o vício em telas é uma dependência comportamental. Ele ativa os mesmos circuitos de recompensa no cérebro que outras compulsões.

    2. O que é o comportamento de barganha digital?

    É quando a criança tenta negociar o tempo todo para adiar o fim do uso da tela, usando argumentos como “só mais 5 minutinhos”, “deixa acabar esse vídeo” ou “amanhã eu não assisto se me deixar usar mais agora”.

    3. A abstinência digital pode causar sintomas físicos?

    Sim. Em casos mais severos, a falta do estímulo digital ou a tentativa de retirá-lo pode gerar dor de cabeça, agitação motora, tremores leves nas mãos, sudorese e aperto no peito causados pela ansiedade.

    4. Como a abstinência afeta o sono das crianças?

    A agitação nervosa combinada com a falta da luz azul (que bloqueia a melatonina) faz com que a criança em abstinência demore a pegar no sono, tenha pesadelos ou sofra com despertares noturnos frequentes.

    5. O que fazer se a criança começar a esconder os aparelhos?

    Isso indica um nível avançado de dependência. Os pais devem recolher os dispositivos, guardá-los em locais trancados, reavaliar o controle parental e, se necessário, buscar suporte psicológico.

    6. Como a escola pode ajudar a identificar a abstinência digital?

    Os professores costumam notar quando o aluno demonstra fadiga excessiva pela manhã, irritabilidade sem motivo aparente, isolamento no recreio (preferindo o celular) ou queda abrupta na capacidade de concentração e foco nas aulas.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

  • Asma infantil: veja sintomas e quando procurar um médico

    Asma infantil: veja sintomas e quando procurar um médico

    Quem já teve um filho que vive tossindo ou aparenta estar com falta de ar sabe a angústia que é. Será só uma gripe, alergia ou pode ser asma? A dúvida é bem comum, já que muitos sintomas de asma se confundem com problemas respiratórios frequentes na infância. A diferença é que, na asma, esses sinais se repetem e podem atrapalhar a qualidade de vida da criança.

    Para esclarecer o assunto, conversamos com a pneumologia pediátrica Juliana Sencini, que explicou como identificar os sintomas, de que forma o diagnóstico é feito e quais os caminhos para o tratamento.

    O que é a asma infantil

    A asma é uma doença inflamatória crônica que afeta as pequenas vias aéreas, dificultando a passagem do ar. Antigamente, inclusive, muitos chamavam a asma de bronquite.

    “Os principais sinais sugestivos de asma são episódios recorrentes, geralmente relacionados a resfriados, mudanças climáticas, contato com alérgenos ou desencadeados pelo exercício”, diz Juliana Sencini.

    Ela destaca que o sintoma mais comum é a tosse seca e persistente, mas também podem aparecer o chiado no peito (ou sibilos) e a falta de ar, às vezes acompanhada da sensação de aperto no peito.

    “Não é normal a criança tossir durante brincadeiras, corridas ou até quando dá risada. Isso já acende o alerta para asma”, completa.

    Diferença entre asma e outras doenças respiratórias

    Nem sempre é simples diferenciar as crises de asma de outros problemas respiratórios.

    “Um resfriado pode causar tosse e febre, mas em poucos dias a criança melhora. Já na asma, a tosse e o chiado são recorrentes e vêm acompanhados de falta de ar”, explica a médica.

    Outras condições também podem confundir: pneumonia, que tem sintomas mais agudos, e até aspiração de corpo estranho, quando a criança engole um pedaço de alimento ou brinquedo e passa a ter tosse súbita e persistente.

    Existe idade mínima para diagnóstico?

    A pneumologista pediátrica explica que não há uma idade mínima definida para diagnosticar a asma. O diagnóstico é clínico, baseado na repetição dos sintomas e na resposta ao tratamento.

    “Em crianças menores, o diagnóstico da asma é mais desafiador, pois não há exames específicos. O que se leva em consideração é a história clínica e como a criança responde ao corticoide inalatório”, diz.

    Quais exames ajudam a confirmar

    Embora não exista um único exame que dê certeza, alguns ajudam o médico a entender se é ou não asma:

    • Exames de alergia, para identificar sensibilização a alérgenos;
    • Raio-X de tórax, que descarta outras condições;
    • Prova de função pulmonar, feita em crianças a partir de 5 anos, que avalia a função respiratória;
    • Exame FeNO (fração exalada de óxido nítrico), ainda restrito a pesquisas, mas promissor para avaliar inflamação das vias aéreas.

    Tratamento da asma infantil

    O tratamento tem dois pilares principais:

    • Controle da inflamação crônica: feito com corticoides inalatórios em bombinhas;
    • Tratamento das crises: com broncodilatadores de longa duração.

    “Em crises mais graves, pode ser necessário o uso de corticoide oral. Para casos específicos, já temos os imunobiológicos, que são uma grande ajuda no controle da doença”, explica a especialista.

    Ela reforça que manter o tratamento contínuo é muito importante. “Se o pulmão permanece inflamado, pode haver perda de função respiratória na vida adulta”, aconselha a médica.

    O que pode desencadear uma crise

    Segundo a especialista, os principais gatilhos são vírus respiratórios, poeira, ácaros, pelos de animais, mudanças bruscas de temperatura, exercícios físicos e até refluxo.

    “Identificar e evitar os desencadeadores é tão importante quanto usar o remédio corretamente”, orienta.

    A asma tem cura?

    Depende. “A asma não tem cura definitiva, mas pode entrar em remissão. Algumas crianças melhoram dos sintomas ao longo da infância e adolescência, chegando a ficar anos sem manifestações da doença”, explica a médica. Em outros casos, porém, os sintomas podem retornar na vida adulta.

    Como a família e a escola podem ajudar

    O papel dos cuidadores e da escola é fundamental. “A família precisa reconhecer os sintomas precocemente e entender que o tratamento contínuo é essencial, mesmo sem crises. O uso diário do remédio deve ser visto como o remédio de uma doença crônica, como pressão alta ou diabetes, que precisa ser usado todos os dias”, reforça a pneumologista pediátrica.

    Professores e funcionários da escola também devem estar informados sobre os gatilhos e saber como agir em uma crise.

    Confira: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre asma infantil

    1. Tosse noturna sempre é sinal de asma?

    Não, mas se for recorrente e acompanhada de chiado ou falta de ar, merece avaliação médica.

    2. Criança com asma pode praticar esportes?

    Sim. O tratamento adequado permite vida ativa. Apenas é importante observar os gatilhos e ter acompanhamento médico.

    3. Toda criança que usa bombinha tem asma grave?

    Não. A bombinha é a forma mais eficaz de administrar o medicamento, inclusive em casos leves.

    4. A asma some na adolescência?

    Alguns adolescentes entram no que se chama de remissão, ou seja, não manifestam mais os sintomas, mas a doença pode retornar na vida adulta.

    5. A asma é hereditária?

    Existe, de fato, predisposição genética, mas fatores do ambiente que a criança vive também influenciam.

    6. O que fazer em uma crise?

    Usar o broncodilatador de resgate prescrito pelo médico e, se não houver melhora, procurar atendimento de urgência.

    Veja também: Pneumonia silenciosa em crianças: conheça as características da doença

  • Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar

    Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar

    Normalmente confundidas com inteligência acima da média ou facilidade para tirar boas notas na escola, as altas habilidades e a superdotação são características do neurodesenvolvimento que fazem com que uma pessoa apresente um desempenho ou potencial muito acima da média em uma ou mais áreas do conhecimento.

    Ela não significa apenas ter um QI elevado, mas que ela pode aprender com muita facilidade, apresentar criatividade incomum, raciocínio rápido ou talento excepcional em determinados campos, mas nem sempre terá um bom desempenho em todas as disciplinas da escola.

    A Política Nacional de Educação Especial e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecem que pessoas com altas habilidades têm necessidades educacionais específicas e podem precisar de estímulos diferentes para desenvolver o próprio potencial.

    Sem o apoio adequado, muitas acabam enfrentando dificuldades emocionais, sociais e até baixo rendimento escolar, mesmo tendo um grande capacidade intelectual.

    Afinal, o que é altas habilidades e superdotação?

    As altas habilidades ou superdotação (AH/SD) é um termo utilizado para definir pessoas que possuem um desempenho visivelmente superior ou um grande potencial em uma ou mais áreas do conhecimento humano, quando comparadas à média da população da mesma idade e ambiente.

    No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) reconhece que as altas habilidades podem se manifestar em diferentes áreas, como a capacidade intelectual geral, o desempenho acadêmico, a criatividade, a liderança, as artes e a capacidade psicomotora.

    A superdotação não significa ser um gênio

    Ao contrário do senso comum, ter altas habilidades ou superdotação não significa saber tudo ou ser bom em absolutamente todas as áreas. Também não quer dizer que a criança será um gênio ou terá um desempenho extraordinário em todas as situações.

    Na verdade, a genialidade é algo muito raro e depende de uma combinação de talento, oportunidades, estudo e muitos anos de dedicação.

    A superdotação significa que a criança tem um potencial acima da média para aprender, raciocinar ou resolver problemas em uma ou mais áreas. Mesmo assim, ela continua sendo uma criança como qualquer outra: pode ter dúvidas, dificuldades, inseguranças, errar, sentir frustração e precisar de apoio ao longo do desenvolvimento.

    Em quais áreas as altas habilidades podem aparecer?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 3% a 5% da população possui altas habilidades, que podem se manifestar em áreas como:

    • Capacidade intelectual geral: facilidade para aprender, raciocínio rápido, excelente memória e facilidade para compreender ideias mais complexas;
    • Habilidade acadêmica: desempenho acima da média em uma ou mais disciplinas, como matemática, ciências, história, literatura ou idiomas;
    • Criatividade: facilidade para criar soluções diferentes, imaginar novas ideias e pensar de forma original;
    • Liderança: capacidade de organizar grupos, influenciar pessoas, resolver conflitos e assumir responsabilidades desde cedo;
    • Artes: talento acima da média para música, dança, teatro, desenho, pintura ou outras formas de expressão artística;
    • Capacidade psicomotora: grande coordenação motora, equilíbrio, agilidade e facilidade para atividades físicas e esportivas.

    “A criança pode ter um desenvolvimento acima do esperado na área artística, e isso não quer dizer que ela vai extremamente bem na área acadêmica escolar. Muitas das muitas dessas crianças aprendem mais rápido, fazem perguntas complexas e demonstram grande curiosidade”, complementa a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Quais são os sinais mais comuns?

    Cada criança apresenta características próprias, mas alguns comportamentos costumam chamar a atenção de pais e professores:

    • Curiosidade intensa e perguntas sobre assuntos complexos;
    • Vocabulário mais desenvolvido do que o esperado para a idade;
    • Facilidade para aprender de forma rápida e, muitas vezes, sozinha;
    • Grande capacidade de concentração em temas de interesse;
    • Criatividade acima da média;
    • Sensibilidade emocional e forte senso de justiça;
    • Memória muito desenvolvida.

    Crianças superdotadas também podem enfrentar dificuldades

    Segundo Bárbara, apesar do grande potencial para aprender, crianças com altas habilidades também podem enfrentar desafios importantes no dia a dia. O desenvolvimento intelectual costuma acontecer em um ritmo muito acelerado, mas o desenvolvimento emocional, social e até motor nem sempre acompanha a mesma velocidade.

    Na prática, uma criança pode compreender assuntos muito avançados para a idade e, ao mesmo tempo, reagir emocionalmente como qualquer outra criança da mesma faixa etária.

    Também vale destacar os casos de dupla excepcionalidade, em que as altas habilidades aparecem junto com outras condições, como transtorno do espectro autista (TEA), TDAH, dislexia ou outros transtornos do neurodesenvolvimento. Como uma condição pode dificultar a identificação da outra, a avaliação tende a ser mais complexa.

    Como é feita a identificação da superdotação?

    A avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar e leva em consideração diferentes informações sobre a criança, incluindo:

    • Entrevistas com os pais ou responsáveis para conhecer o histórico do desenvolvimento;
    • Avaliação psicológica e neuropsicológica, com testes que analisam inteligência, memória, atenção e outras funções cognitivas;
    • Observação do comportamento e do desempenho no ambiente escolar.

    O objetivo não é apenas identificar um QI elevado, mas entender o perfil da criança, reconhecendo os pontos fortes, as dificuldades e as necessidades de desenvolvimento.

    A criança precisa de tratamento?

    As altas habilidades não são uma doença, logo, não precisam de um tratamento médico. No cotidiano, o mais importante é oferecer estímulos adequados para que a criança continue aprendendo e se desenvolvendo sem perder o interesse pelos estudos. Entre as estratégias mais utilizadas estão:

    • Enriquecimento curricular, com atividades mais desafiadoras;
    • Atendimento em programas voltados para altas habilidades;
    • Em alguns casos, a aceleração escolar, quando indicada pela equipe responsável.

    O acompanhamento psicológico também pode ser recomendado para ajudar a criança a lidar com ansiedade, perfeccionismo, frustrações, dificuldades de relacionamento ou outros desafios emocionais que possam surgir ao longo do desenvolvimento.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

    Perguntas frequentes

    1. Qual o QI de uma pessoa superdotada?

    Tradicionalmente, escalas de testes de QI consideram superdotação uma pontuação a partir de 130. No entanto, a avaliação moderna vai muito além desse número.

    2. A superdotação é hereditária?

    A genética desempenha um papel importante na superdotação. É extremamente comum que pais de crianças superdotadas também apresentem características de altas habilidades, mesmo que nunca tenham sido diagnosticados.

    3. O que acontece se o superdotado não for identificado?

    Ele pode sofrer com tédio crônico, ansiedade, isolamento social, crises de identidade e mascarar sua capacidade para tentar se encaixar no grupo, desperdiçando seu potencial.

    4. O que é aceleração escolar e quando ela é indicada?

    É o adiantamento do aluno para uma série avançada. É indicada quando a maturidade intelectual e emocional da criança mostra que ela já domina o conteúdo da série atual e se beneficiará do novo desafio.

    5. O que é hiperfoco?

    É a capacidade de se concentrar intensamente e por longas horas em um assunto de interesse específico, ignorando distrações externas.

    6. O que os pais devem fazer ao suspeitarem de superdotação?

    Devem buscar a orientação da coordenação pedagógica da escola e o apoio de um psicólogo ou neuropsicólogo especializado na área para realizar uma avaliação formal.

    Veja também: Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

  • Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    O primeiro sorriso, os balbucios e, depois, as primeiras palavras e frases fazem parte de uma sequência natural do desenvolvimento infantil. Apesar de cada criança ter o próprio ritmo, existem alguns marcos esperados durante os primeiros anos de vida.

    Por volta dos 6 meses, o bebê começa a balbuciar sons. Entre os 10 e 12 meses, ele costuma falar as primeiras palavras com significado. Já entre os 18 meses e os 2 anos, o vocabulário cresce rapidamente, permitindo que a criança forme pequenas frases e se comunique cada vez melhor.

    Só que, nos últimos anos, com o aumento do tempo de exposição às telas na infância, não é comum que crianças cheguem aos 2 ou 3 anos com dificuldade para falar ou para se comunicar verbalmente.

    O atraso na fala pode ter diferentes causas, como alterações na audição e transtornos do neurodesenvolvimento, mas o uso excessivo de celulares, tablets e televisão também pode comprometer o desenvolvimento da linguagem, principalmente quando substitui as brincadeiras, as conversas e as interações com outras pessoas.

    Por que o cérebro do bebê precisa de pessoas (e não de telas) para falar?

    O desenvolvimento da fala não é um processo de repetição de palavras, mas um desenvolvimento biológico e social que depende muito do vínculo afetivo.

    O cérebro do bebê foi preparado para desenvolver a linguagem por meio da interação humana, observando o rosto de quem conversa, acompanhando o movimento da boca durante a fala, percebendo diferentes tons de voz, expressões faciais, sorrisos, gestos e respostas às próprias tentativas de comunicação.

    Sempre que um adulto conversa com um bebê, mesmo que ele ainda responda apenas com balbucios ou sons, existe uma troca constante de comunicação: a mãe fala, o bebê reage, a mãe interpreta aquela resposta e continua a conversa.

    Cada momento fortalece milhares de conexões entre os neurônios responsáveis pela linguagem, pela atenção e pela comunicação. Aos poucos, a criança aprende que sons possuem significado e descobre como utilizá-los para expressar desejos, emoções e necessidades.

    Já o celular, a televisão ou o tablet funcionam de maneira completamente diferente. Mesmo com imagens coloridas, músicas e personagens chamativos, o conteúdo não responde aos sons produzidos pela criança, não adapta a conversa ao momento vivido nem cria um vínculo afetivo.

    A comunicação acontece apenas em uma direção, fazendo com que o bebê participe muito pouco do processo, o que explica porque nenhum conteúdo digital consegue substituir as interações presenciais durante os primeiros anos de vida.

    O impacto dos vídeos educativos no atraso da linguagem

    Diversos pais recorrem a vídeos musicais, desenhos animados e conteúdos classificados como educativos acreditando que estão estimulando o desenvolvimento infantil.

    No entanto, estudos apontam que conteúdos digitais não oferecem os mesmos benefícios de uma conversa, de uma brincadeira ou de uma leitura compartilhada. Quando o uso acontece por tempo prolongado, o aprendizado da linguagem pode ser prejudicado.

    Nos primeiros anos de vida, o cérebro ainda está em pleno desenvolvimento e não consegue processar tantos estímulos ao mesmo tempo. Como a maioria dos vídeos infantis tem cenas que mudam rapidamente, cores muito chamativas, músicas o tempo todo e vários efeitos visuais, a atenção da criança fica presa ao movimento e às imagens, enquanto a linguagem acaba ficando em segundo plano.

    Na prática, a criança passa bastante tempo olhando para a tela, mas aprende pouco sobre como se comunicar. Ela pode decorar personagens, reconhecer músicas ou até repetir uma palavra ou outra, mas não vivencia o que realmente ajuda o cérebro a aprender a falar: olhar nos olhos de outra pessoa, imitar sons, ouvir perguntas, receber respostas, brincar, conversar e interagir com a família no dia a dia.

    Como a distração digital diminui o vocabulário familiar?

    O prejuízo das telas no atraso da fala não ocorre apenas quando o bebê usa o aparelho, mas também quando os pais estão distraídos pelo próprio celular. O fenômeno, conhecido como tecnociência, acontece quando a tecnologia interrompe ou reduz as interações entre os familiares, diminuindo o tempo de conversas, brincadeiras e momentos de atenção compartilhada.

    Quando pais passam boa parte do dia olhando para o celular, respondendo mensagens ou navegando nas redes sociais, eles acabam conversando menos com a criança sem perceber. Aos poucos, diminuem momentos importantes para o desenvolvimento da linguagem, como contar o que estão fazendo, nomear objetos da casa, cantar músicas, ler histórias ou responder aos balbucios do bebê.

    Pode até parecer pouco, mas são justamente as conversas do dia a dia que ensinam a criança a entender o significado das palavras e, mais tarde, a usá-las para se comunicar. Quanto maior for o contato com adultos falando, fazendo perguntas, esperando respostas e incentivando a interação, maiores são as oportunidades de o cérebro desenvolver as habilidades relacionadas à fala e à linguagem.

    Como saber se o atraso na fala é culpa do celular?

    Nem todo atraso na fala acontece por causa das telas, já que diferentes problemas de saúde também podem comprometer o desenvolvimento da linguagem.

    Ainda assim, quando a criança permanece várias horas por dia diante de dispositivos eletrônicos, alguns comportamentos merecem atenção e indicam a necessidade de uma avaliação médica, como:

    • Pouco contato visual: a criança raramente olha nos olhos dos pais durante as brincadeiras ou quando é chamada pelo nome;
    • Ausência de gestos comunicativos: depois do primeiro ano de vida, não aponta para o que deseja, não bate palmas, não faz o gesto de “tchau” e demonstra pouca intenção de se comunicar;
    • Baixo interesse pelas pessoas: prefere permanecer diante da tela e demonstra pouco interesse por brincadeiras com familiares ou outras crianças;
    • Crises intensas ao desligar o aparelho: quando o celular ou a televisão são retirados, a criança não procura outra atividade nem tenta chamar a atenção dos pais, apresentando choro intenso, irritação ou dificuldade para se acalmar.

    A presença de um ou mais sinais não confirma qualquer diagnóstico, mas indica que o desenvolvimento precisa de uma avaliação realizada por um profissional de saúde.

    O que fazer ao notar o atraso na fala?

    Ao notar que a criança está demorando para falar ou apresenta dificuldades para se comunicar, uma das primeiras medidas consiste em reduzir o tempo de exposição às telas.

    Para menores de 2 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria recomendam evitar celulares, tablets e televisão, com exceção de videochamadas realizadas com familiares.

    Como o cérebro infantil apresenta grande capacidade de adaptação, a substituição das telas por interações humanas pode favorecer o desenvolvimento da linguagem.

    No dia a dia, também vale adotar algumas medidas simples, como:

    • Converse durante a rotina: fale com a criança durante o banho, as refeições, os passeios e as brincadeiras. Nomeie objetos, descreva o que está fazendo e faça perguntas simples;
    • Leia histórias todos os dias: mostre as figuras, diga o nome dos personagens, aponte objetos e incentive a criança a participar da leitura;
    • Cante músicas e cantigas infantis: repita palavras, faça gestos e incentive a criança a acompanhar a melodia e os movimentos;
    • Brinque sem usar telas: ofereça livros, massinhas, blocos de montar, desenhos, brinquedos de encaixe e atividades ao ar livre;
    • Responda às tentativas de comunicação: sempre que a criança apontar, balbuciar ou tentar falar uma palavra, responda e continue a conversa;
    • Guarde o celular durante os momentos em família: aproveite as refeições, as brincadeiras e o horário de dormir para dar atenção total à criança e conversar mais com ela.

    Se a criança continuar apresentando atraso na fala, pouca comunicação ou dificuldade para interagir, vale buscar uma avaliação médica. Dependendo da situação, poderá ser indicado o acompanhamento com um fonoaudiólogo, neuropediatra ou outro especialista para investigar a causa e iniciar o tratamento o mais cedo possível.

    Leia também: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê deve falar as primeiras palavras?

    O espero é que por volta dos 12 meses, o bebê comece a falar as primeiras palavras com significado, como “mama”, “papa” ou “água”.

    2. O uso de telas pode fazer o bebê apresentar sinais semelhantes ao autismo?

    Sim. O isolamento provocado pelas telas pode fazer com que o bebê manifeste comportamentos parecidos com o autismo, como não olhar nos olhos e não responder ao chamado.

    3. Como diferenciar o atraso por telas de um transtorno real?

    Ao fazer um detox digital rigoroso por algumas semanas, a criança com atraso por telas volta a interagir e melhora a comunicação. Se os sintomas persistirem, a causa pode ser neurobiológica.

    4. Quanto tempo leva para ver melhora após tirar as telas?

    A plasticidade cerebral infantil é alta. Em média, após duas a três semanas de corte total das telas e estímulo correto, os pais já notam melhora no contato visual e nos balbucios.

    5. Quando é a hora de procurar um fonoaudiólogo?

    Se o bebê completar 1 ano e meio (18 meses) sem falar nenhuma palavra, sem apontar ou sem fazer contato visual, mesmo após retirar as telas, é fundamental buscar a avaliação de um especialista.

    6. As telas podem causar gagueira em crianças pequenas?

    Não causam a gagueira diretamente, mas o hiperestímulo e a ansiedade gerados pelo ritmo acelerado dos vídeos podem sobrecarregar o cérebro da criança, fazendo com que ela trave ou repita sílabas ao tentar organizar o pensamento para falar.

    7. Se a criança já fala bem, o uso de telas está liberado?

    Não. Mesmo que a fala pareça desenvolvida, o excesso de telas continua agindo no sistema de recompensa do cérebro, podendo gerar sintomas de distúrbio de atenção, impulsividade, agressividade e dificuldade de sociabilização na escola.

    Confira: Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

  • Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

    Está tentando engravidar e não consegue? Veja as causas em que o homem é responsável pela infertilidade

    Você sabia que a infertilidade pode afetar tanto homens quanto mulheres? Apesar de a dificuldade para engravidar ser frequentemente associada à saúde da mulher, os fatores masculinos estão envolvidos em cerca de metade dos casos de infertilidade do casal.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade é caracterizada pela ausência de gravidez após 12 meses de tentativas regulares, sem o uso de métodos contraceptivos.

    Como as causas podem estar relacionadas à mulher, ao homem ou a ambos, a investigação deve ser feita em conjunto, e não apenas direcionada a um dos parceiros.

    Afinal, a infertilidade é do homem ou da mulher?

    Quando um casal tem dificuldade para engravidar, é comum que a mulher assuma a responsabilidade pela investigação e realize uma série de exames ginecológicos. No entanto, a infertilidade é uma condição que envolve o casal e, por isso, ambos devem ser avaliados.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, as causas da infertilidade costumam ser distribuídas de forma bastante equilibrada entre homens e mulheres:

    • Fatores exclusivamente femininos: cerca de 25% dos casos;
    • Fatores exclusivamente masculinos: cerca de 25% dos casos;
    • Fatores mistos (presentes em ambos os parceiros): cerca de 40% a 50% dos casos.

    Nos casos de infertilidade mista, pequenas alterações de fertilidade em cada um dos parceiros acabam se somando e dificultam a gestação. Por isso, investigar apenas um dos lados pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.

    Quando começar a investigar a infertilidade do casal?

    A decisão de procurar ajuda médica depende principalmente da idade da mulher, já que a reserva ovariana e a qualidade dos óvulos diminuem de forma mais acentuada com o passar dos anos.

    Segundo Andreia, quando a mulher tem até 35 anos, o casal pode tentar engravidar espontaneamente por até um ano. Se a gestação não acontecer no período, é recomendado iniciar a investigação da fertilidade de ambos os parceiros.

    Já quando a mulher tem mais de 35 anos, o período de tentativa espontânea é reduzido para seis meses. Como o tempo tem maior impacto sobre a fertilidade feminina nessa faixa etária, a avaliação deve começar mais cedo.

    Principais causas da infertilidade masculina

    A infertilidade masculina pode ter diversas causas, que envolvem alterações anatômicas, hormonais ou consequências de doenças:

    1. Varicocele

    A varicocele é a dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos, de forma semelhante às varizes que surgem nas pernas. O aumento da circulação de sangue na região eleva a temperatura local, comprometendo a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    A condição está entre as causas mais frequentes de infertilidade masculina e, em muitos casos, pode ser corrigida por meio de cirurgia.

    2. Alterações hormonais

    A produção de espermatozoides depende do equilíbrio entre diversos hormônios, como testosterona, prolactina, FSH e LH. Quando ocorre algum desequilíbrio, a fertilidade pode ser reduzida.

    Segundo Andreia, o uso de anabolizantes figura entre as principais causas de alterações hormonais capazes de comprometer a função reprodutiva.

    3. Criptorquidia

    A criptorquidia ocorre quando um ou ambos os testículos não descem para a bolsa escrotal durante o desenvolvimento do bebê. Como permanecem em uma região mais quente do corpo, o ambiente deixa de ser o ideal para a formação dos espermatozoides, aumentando o risco de infertilidade.

    O tratamento precoce reduz significativamente as chances do homem ter problemas no futuro.

    4. Sequelas de infecções

    A caxumba, por exemplo, é uma infecção que pode provocar uma inflamação nos testículos chamada orquite. Dependendo da intensidade do quadro, a produção de espermatozoides pode ficar comprometida de forma temporária ou permanente.

    Como o estilo de vida afeta os espermatozoides?

    Ao contrário das mulheres, que já nascem com uma quantidade limitada de óvulos, os homens produzem espermatozoides continuamente ao longo da vida. Isso faz com que a qualidade do sêmen seja bastante influenciada pelos hábitos diários e, em muitos casos, as alterações sejam reversíveis.

    Andreia explica que fatores que aumentam a produção de radicais livres prejudicam principalmente a motilidade e a qualidade dos espermatozoides, como:

    • Tabagismo: o cigarro aumenta a produção de radicais livres no organismo, prejudicando a qualidade, a motilidade e até o DNA dos espermatozoides;
    • Consumo excessivo de álcool: a ingestão frequente de bebidas alcoólicas pode alterar a produção de hormônios importantes para a fertilidade e reduzir a qualidade do sêmen;
    • Uso de drogas e anabolizantes: substâncias ilícitas e esteroides anabolizantes interferem no funcionamento dos testículos, diminuindo a produção e a qualidade dos espermatozoides;
    • Alimentação rica em ultraprocessados: uma dieta baseada em alimentos com alto teor de gordura, açúcar e produtos industrializados favorece a inflamação do organismo e aumenta o estresse oxidativo, prejudicando a fertilidade;
    • Exposição frequente ao calor: os testículos precisam permanecer cerca de 1 °C a 1,5 °C abaixo da temperatura corporal para produzir espermatozoides de forma adequada. O uso frequente de roupas muito apertadas, banhos muito quentes e a exposição constante ao calor intenso na região genital podem comprometer o processo.

    Como é feita a investigação da infertilidade no homem?

    O principal exame para avaliar a fertilidade masculina é o espermograma, que analisa tanto as características do sêmen quanto dos espermatozoides.

    Ele avalia a quantidade e a concentração de espermatozoides presentes na amostra, a motilidade (capacidade de movimentação necessária para que eles consigam alcançar o óvulo) e a morfologia, que corresponde ao formato dos espermatozoides.

    Quando os resultados do espermograma estão dentro da normalidade, normalmente não é necessário aprofundar a investigação da fertilidade masculina. Mas se o exame identificar alguma alteração, o médico pode solicitar alguns exames complementares para descobrir a causa do problema, como:

    • Perfil hormonal completo (testosterona, prolactina, FSH e LH);
    • Ultrassonografia dos testículos para identificar alterações como varicocele ou hidrocele;
    • Avaliação detalhada do histórico clínico e dos hábitos de vida do paciente.

    Quais são os tratamentos para a infertilidade masculina?

    Depois que a causa da infertilidade é identificada, Andreia explica que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico. Como os hábitos do dia a dia influenciam diretamente a produção e a qualidade dos espermatozoides, a primeira medida é corrigir os fatores que podem estar prejudicando a fertilidade, como o tabagismo, o uso de bebidas alcoólicas e o uso de anabolizantes.

    Além disso, é importante praticar atividade física regularmente, manter um peso saudável e adotar uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes e antioxidantes. Segundo a especialista, como os espermatozoides são produzidos continuamente, a melhora dos hábitos pode refletir na qualidade do sêmen ao longo dos meses, aumentando naturalmente as chances de gravidez.

    Quando a infertilidade está relacionada a infecções, o tratamento é feito com medicamentos específicos, como antibióticos. Já nos casos de alterações anatômicas, como a varicocele, pode ser indicada uma cirurgia para corrigir o problema e aumentar as chances de gravidez.

    Técnicas de reprodução assistida

    Se as medidas de tratamento não forem suficientes ou quando há alterações graves na produção ou na qualidade dos espermatozoides, o casal pode recorrer às técnicas de reprodução assistida, como:

    1. Inseminação artificial (baixa complexidade):

    A inseminação artificial é indicada quando o homem apresenta alterações leves na qualidade do sêmen ou quando há dificuldades para que os espermatozoides alcancem o óvulo naturalmente.

    Após uma preparação em laboratório, os espermatozoides mais saudáveis são colocados diretamente dentro do útero da mulher no período da ovulação, aumentando as chances de fecundação.

    2. Fertilização in vitro (FIV)

    A FIV é uma técnica de alta complexidade em que a fecundação acontece no laboratório. A mulher passa por uma estimulação dos ovários para produzir vários óvulos, que são coletados e colocados em contato com os espermatozoides.

    Depois que os embriões se desenvolvem, um ou mais são transferidos para o útero, onde poderão se implantar e dar início à gravidez.

    3. ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide)

    A ICSI é considerada uma variação da fertilização in vitro, indicada principalmente nos casos de infertilidade masculina mais grave.

    O embriologista seleciona um único espermatozoide saudável e o injeta diretamente dentro do óvulo, aumentando as chances de fecundação quando há poucos espermatozoides ou quando eles apresentam dificuldade para penetrar o óvulo.

    4. Doação de sêmen

    A doação de sêmen é utilizada quando o homem não produz espermatozoides viáveis ou apresenta azoospermia irreversível, situação em que não há possibilidade de recuperar células reprodutivas. É usado o sêmen de um doador selecionado por um banco especializado, seguindo critérios rigorosos de segurança e compatibilidade.

    A técnica pode ser empregada tanto na inseminação artificial quanto na fertilização in vitro, dependendo de cada caso.

    Qual médico o casal deve procurar primeiro?

    Na maioria das vezes, o ginecologista é o primeiro profissional procurado pelo casal, já que as mulheres costumam realizar consultas preventivas com mais frequência do que os homens consultam um urologista. É comum que o próprio ginecologista solicite um espermograma para o parceiro logo no início da investigação.

    Quando são identificadas alterações masculinas mais importantes, como uma varicocele significativa, ou quando existem dificuldades de fertilidade em ambos os parceiros, o casal deve ser encaminhado para um urologista e para uma clínica especializada em reprodução humana.

    Veja também: Criptorquidia: o que é, causas, fatores de risco e cirurgia

    Perguntas frequentes

    1. Varicocele tem cura?

    Sim. A varicocele pode ser tratada por meio de uma cirurgia simples para corrigir a dilatação das veias dos testículos, melhorando frequentemente a qualidade do sêmen.

    2. Qual a temperatura ideal para os testículos?

    Os testículos precisam ficar entre 1 °C e 1,5 °C abaixo da temperatura corporal. Por isso eles ficam na bolsa escrotal, fora do abdômen. O calor excessivo na região prejudica a produção de espermatozoides.

    3. Qual exame detecta a infertilidade feminina?

    Os principais exames iniciais são as dosagens hormonais de sangue, como o hormônio antimülleriano para avaliar a reserva ovariana; e o ultrassom transvaginal e a histerossalpingografia, que avalia as tubas uterinas.

    4. O que o ginecologista avalia na mulher que não consegue engravidar?

    O médico investiga se a mulher está ovulando normalmente, se há obstruções nas trompas uterinas, alterações no útero e a qualidade/quantidade da reserva de óvulos.

    5. A idade do homem influencia na fertilidade?

    Sim, mas de forma muito menos drástica que a da mulher. Enquanto a mulher tem um limite biológico claro, o homem continua produzindo espermatozoides ao longo de toda a vida, embora possa haver queda na qualidade seminal em idades mais avançadas.

    6. Tomar anticoncepcional por muito tempo causa infertilidade?

    Não. O anticoncepcional previne a gravidez apenas durante o uso. Ao interromper o método, o ciclo menstrual e a fertilidade natural da mulher costumam retornar ao normal em poucos meses.

    7. Como calcular o período fértil?

    Em um ciclo regular de 28 dias, o período fértil ocorre na metade do ciclo. A ovulação acontece por volta do 14º dia, e o intervalo de maior fertilidade compreende os 3 dias antes e o dia seguinte a essa data.

    8. Ter relações todos os dias aumenta a chance de engravidar?

    Não necessariamente. Ter relações em dias alternados (dia sim, dia não) durante o período fértil é o ideal, pois garante que sempre haverá espermatozoides viáveis no trato feminino e dá tempo para o homem restabelecer a qualidade do sêmen.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

  • Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Como uma forma de facilitar a alimentação das crianças, é comum o hábito de colocar desenhos, vídeos no celular, tablet ou televisão durante o almoço e o jantar.

    Só que, apesar da praticidade no dia a dia, a prática pode prejudicar o desenvolvimento da relação com os alimentos, alterar o funcionamento natural da fome e da saciedade e aumentar o risco de excesso de peso ao longo da infância.

    Durante os primeiros anos de vida, o cérebro da criança aprende a reconhecer sabores, texturas, cheiros e sinais enviados pelo organismo durante as refeições.

    Quando toda a atenção fica concentrada em vídeos, parte do aprendizado não acontece da maneira que deveria e a criança pode perder o interesse pelos alimentos, comer em quantidade maior do que precisa e criar hábitos alimentares que tendem a permanecer durante a adolescência e a vida adulta.

    Como o uso de telas durante as refeições afeta as crianças?

    Durante as refeições do dia, como almoço e jantar, a criança desenvolve habilidades importantes, como mastigar corretamente, perceber diferentes sabores e identificar quando a fome diminui.

    Se o celular, tablet ou televisão ocupam a maior parte da atenção, parte do processo de aprendizado acontece de forma automática, sem que o cérebro registre plenamente a experiência de comer.

    A distração provocada pelos vídeos reduz a percepção dos sinais naturais enviados pelo organismo, fazendo com que a criança continue aceitando colheradas mesmo depois de já ter ingerido a quantidade suficiente. Além disso, o contato frequente com telas durante as refeições dificulta a criação de uma relação saudável com os alimentos e aumenta a dependência de estímulos externos para comer.

    Também vale destacar o desenvolvimento da autonomia alimentar, uma vez que, para comer bem, a criança precisa aprender a pegar os alimentos, explorar diferentes consistências, recusar quando já está satisfeita e experimentar novos sabores. O uso constante de celulares, tablets e videogames interfere no processo e pode dificultar a construção de hábitos alimentares mais equilibrados.

    Por que comer vendo vídeos aumenta o risco de obesidade infantil?

    Quando uma criança come assistindo a vídeos no celular, tablet ou televisão, o cérebro fica tão sobrecarregado com os estímulos visuais e sonoros da tela que não consegue processar adequadamente o ato de se alimentar.

    Como a distração bloqueia a percepção dos sinais de saciedade que o estômago envia ao cérebro, pode ocorrer:

    • A criança demora mais para perceber que já está satisfeita, o que facilita o consumo de uma quantidade maior de comida do que o corpo realmente precisa;
    • A alimentação acontece de forma automática, sem atenção ao sabor, ao cheiro, à textura e à quantidade dos alimentos ingeridos;
    • O desenvolvimento do paladar fica prejudicado, já que a criança deixa de explorar os alimentos de forma natural e pode apresentar maior resistência para experimentar novos sabores;
    • O hábito de depender da tela para comer se fortalece, tornando cada vez mais difícil fazer refeições sem celular, tablet ou televisão;
    • As refeições costumam ser mais rápidas e menos conscientes, reduzindo o tempo necessário para o cérebro reconhecer os sinais de saciedade;
    • O consumo de alimentos ultraprocessados pode aumentar, já que crianças acostumadas a comer distraídas tendem a aceitar com mais facilidade produtos ricos em açúcar, gordura e sódio.

    “Se eu coloco uma tela, dou um prato de comida e, além de tudo, dou a comida na boca da criança, ela não faz a menor ideia do que está comendo. Ela simplesmente está abrindo a boca e mastigando porque está interessada na tela”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O que fazer se a criança não quer sentar à mesa sem o celular?

    No começo, pode ser difícil tirar a tela da rotina de uma criança que já se acostumou a comer assistindo a vídeos. Como o cérebro passa a esperar aquele estímulo durante as refeições, é comum a criança ter reações como irritação, choro e frustração quando o celular ou a TV são desligados.

    O ideal é que a mudança aconteça de maneira gradual, respeitando o tempo de adaptação da criança e mantendo uma rotina previsível. Veja algumas dicas:

    1. Mantenha a comida na mesa

    O maior erro dos pais no desespero para fazer o filho comer é pegar o prato e sair correndo atrás da criança pela casa dando comida na boca. Segundo Bárbara, o prato e o garfo devem permanecer na mesa.

    Se a criança levantar durante o almoço ou o jantar, não há necessidade de correr atrás. Ela pode caminhar um pouco e voltar para continuar a refeição. O importante é manter a regra de que a comida permanece na mesa.

    2. Avise antes de desligar a tela

    Antes da refeição, avise a criança para que o cérebro dela se prepare para o fim do estímulo. Frases simples, como “Daqui a 10 minutos vamos almoçar” ou “Quando o desenho terminar, chegou a hora de comer”, ajudam a preparar a criança para a mudança e tornam a transição mais tranquila.

    3. Comece por apenas uma refeição

    Na correria da vida moderna, tentar mudar tudo de uma vez pode ser exaustivo para os pais. Escolha uma refeição principal por dia (como o almoço de sábado ou o jantar, por exemplo) para desligar o celular e a TV. Quando o hábito já estiver tranquilo, você pode expandir a regra para as outras refeições.

    4. Incentive a participação da criança

    Sem a distração dos vídeos, os alimentos devem ocupar o centro da atenção. Vale incentivar a criança a observar as cores, sentir os aromas, experimentar diferentes texturas e participar da refeição.

    Também pode ser interessante convidá-la para pequenas tarefas, como escolher o copo, levar os talheres para a mesa ou ajudar a montar o próprio prato, de acordo com a idade.

    5. Dê o exemplo durante as refeições

    As crianças aprendem principalmente observando os adultos, então para ela entender que a mesa é um lugar de convivência, todos os celulares da casa devem ser guardados em outro cômodo durante o almoço ou o jantar.

    O que esperar dos primeiros dias?

    A criança pode reclamar, comer menos nas primeiras refeições e testar os limites dos adultos, que precisam ter paciência no início da transição. Estando saudável, ela não deixa de comer a ponto de sofrer desnutrição por recusar algumas refeições.

    Com o tempo, o organismo se adapta à nova rotina, e a tendência é que ela volte a comer de forma mais tranquila, prestando atenção ao sabor dos alimentos e reconhecendo melhor os sinais naturais de fome e saciedade.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado “tela” hoje em dia?

    Tudo o que emite luz azul e gera estímulo visual ou sonoro: celulares, tablets, computadores, televisões, videogames e até as tecnologias usadas para tarefas escolares.

    2. Videochamadas com a família contam como tempo de tela?

    Não. As videochamadas com avós, tios ou pais não entram na contagem prejudicial, pois são consideradas interações sociais e afetivas com a figura humana.

    3. Qual o limite de tela recomendado para bebês de até 2 anos?

    O limite recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é zero. Nessa fase, o cérebro dobra de tamanho e precisa de estímulos do mundo real.

    4. Quanto tempo de tela uma criança de 3 a 5 anos pode usar?

    O recomendado é no máximo 1 hora por dia, somando todos os aparelhos (TV, tablet e celular), preferencialmente com conteúdos educativos e supervisão.

    5. Como as telas provocam atraso na fala dos bebês?

    A fala se desenvolve pela imitação de rostos, vozes e olhares humanos. Como as telas trazem estímulos prontos e rápidos, a criança deixa de interagir e de praticar a comunicação real.

    6. Quais são os piores horários para a criança usar telas?

    Durante as refeições, pois prejudica o paladar e a saciedade, e até duas horas antes de dormir, já que a luz azul reduz a melatonina e destrói a qualidade do sono.

    7. Quais os riscos das redes sociais para as meninas adolescentes?

    A exposição precoce provoca a comparação constante com padrões de beleza irreais, causando ansiedade, baixa autoestima e riscos elevados de distúrbios de imagem.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

  • Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Durante a gravidez, os movimentos do bebê são um dos principais sinais de que ele está ativo e se desenvolvendo normalmente dentro do útero. Mas, à medida que a gestação se aproxima do fim, é comum que a frequência e a intensidade dos chutes, alongamentos e cambalhotas mudem.

    Com o crescimento do bebê, o espaço dentro do útero fica cada vez menor, fazendo com que ele tenha menos liberdade para realizar movimentos amplos.

    A mudança é esperada e parte do desenvolvimento normal da gravidez, mas o bebê ainda deve se movimentar diariamente, com esticadas, empurrões, pequenos deslocamentos do corpo e movimentos mais lentos. Apesar de ficar mais apertado dentro do útero, ele continua alternando períodos de sono e de atividade.

    O mais importante é que a gestante conheça o padrão habitual de movimentação do seu bebê e procure atendimento médico caso perceba uma diminuição importante ou a ausência de movimentos, especialmente no terceiro trimestre.

    É normal o bebê mexer menos no final da gravidez?

    Não é normal o bebê parar de mexer ou ter uma redução drástica nos movimentos no final da gestação. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o bebê se movimenta continuamente durante toda a gravidez. O que realmente muda na reta final é o espaço disponível dentro do útero e como a gestante percebe os movimentos.

    Como o bebê está muito grande, ele não consegue mais dar aquelas cambalhotas amplas do início. Em vez disso, os movimentos se tornam mais localizados e bem evidentes: você passa a sentir nitidamente partes do corpo dele se esticando, como um cotovelo ou um pé pressionando a barriga.

    Além disso, Andreia aponta que o feto tem um ciclo de sono e vigília muito bem definido, dormindo por cerca de 40 minutos e ficando acordado nos 40 minutos seguintes. Por isso, se ele estiver quietinho, pode ser apenas o momento do soninho dele.

    Por que parece que ele só mexe à noite?

    Durante o dia, a rotina de trabalho, os afazeres e outras atividades podem desviar a atenção da mulher, dificultando a percepção dos movimentos fetais. À noite, ao deitar e relaxar, a gestante fica mais atenta ao próprio corpo, o que torna os movimentos mais fáceis de perceber.

    Junto a isso, alguns movimentos realizados pela própria gestante durante o dia, como caminhar, mudar de posição ou realizar atividades domésticas, podem embalar o bebê e favorecer períodos de sono. Quando a mãe para e fica em repouso, o bebê pode acordar e voltar a se movimentar, aumentando a sensação de que ele só mexe durante a noite.

    Como saber se o bebê está mexendo menos ou se parou de se mover?

    Para ajudar as gestantes a acompanharem a vitalidade fetal de forma mais objetiva, existe um método simples chamado mobilograma, que consiste na contagem e registro dos movimentos fetais para garantir que a oxigenação e a vitalidade estão adequadas. A recomendação de Andreia é seguir o seguinte passo a passo:

    • Escolha um momento calmo: vá para um ambiente tranquilo, de preferência deite-se do lado esquerdo e concentre toda a atenção na barriga. Isso reduz as distrações do dia a dia e facilita a percepção dos movimentos;
    • Alimente-se antes: faça um pequeno lanche ou tome um copo de suco. O aumento da glicose na corrente sanguínea costuma estimular a movimentação do bebê, caso ele esteja dormindo;
    • Observe por até 2 horas: conte todos os movimentos do bebê, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos.

    O esperado é que o bebê realize pelo menos 10 movimentos em um período de até 2 horas, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos. Não é necessário que os movimentos sejam fortes: qualquer movimentação percebida pela gestante pode ser contabilizada.

    O que fazer imediatamente se você não sente o bebê mexer

    Se você contar menos de 10 movimentos durante o período, ou se o bebê não esboçar nenhuma reação mesmo após você ter se alimentado e estimulado a barriga, é um sinal claro de que ele está se movendo menos do que deveria. A orientação médica é procurar o pronto-socorro obstétrico imediatamente.

    No hospital, Andreia explica que a equipe médica poderá avaliar a vitalidade fetal por meio de exames como:

    • Cardiotocografia: monitora os batimentos cardíacos do bebê e a presença de contrações uterinas, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Ultrassom com perfil biofísico fetal: avalia a movimentação do bebê, o tônus muscular, os movimentos respiratórios e a quantidade de líquido amniótico, atribuindo uma pontuação à vitalidade fetal;
    • Ultrassom com Doppler: analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, incluindo as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, permitindo identificar alterações na oxigenação e na circulação fetal.

    “Eu sempre digo: não tem problema ter 10 alarmes falsos. Vá ao pronto-socorro quantas vezes forem necessárias”, complementa a ginecologista.

    Quando é necessário interromper a gestação?

    A decisão de antecipar o parto por meio de uma indução ou de uma cesariana de emergência é tomada quando os médicos avaliam que permanecer no útero representa um risco maior para o bebê do que os possíveis impactos do nascimento prematuro.

    Segundo Andreia, embora o útero seja o ambiente ideal para o desenvolvimento do bebê, quando os exames mostram sinais de comprometimento da vitalidade fetal, a equipe médica pode optar pela antecipação do parto para preservar a vida da mãe e da criança. Os principais critérios incluem:

    • Sofrimento fetal, identificado na cardiotocografia ou no perfil biofísico fetal;
    • Alterações graves no Doppler, que mostram comprometimento da circulação e da oxigenação do bebê;
    • Oligoâmnio grave, quando há redução importante da quantidade de líquido amniótico;
    • Complicações maternas graves, como descolamento da placenta, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia.

    A ginecologista explica que todo o processo segue protocolos rigorosos. Os resultados da cardiotocografia, do perfil biofísico fetal e do Doppler são interpretados de acordo com critérios bem estabelecidos, permitindo que a equipe médica defina com segurança se a gestante pode receber alta, permanecer em observação ou se a interrupção da gestação é a conduta mais indicada.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    No final da gestação, alguns sintomas precisam de avaliação médica imediata, pois podem indicar uma emergência obstétrica:

    • Sangramento vaginal intenso, semelhante a uma menstruação;
    • Perda de líquido amniótico, mesmo que em pequena quantidade;
    • Diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
    • Contrações regulares, com pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora;
    • Dor abdominal intensa, com a barriga endurecida e sem relaxar;
    • Febre;
    • Dor de cabeça forte e persistente;
    • Dor na parte alta da barriga, próxima à boca do estômago;
    • Alterações na visão, como flashes de luz ou manchas escuras;
    • Pressão alta, convulsões ou falta de ar.

    Segundo Andreia, os quatro principais sinais que podem indicar a necessidade de antecipar o parto são a perda de líquido amniótico, o sangramento vaginal, a redução dos movimentos fetais e as contrações regulares. Já os demais sintomas podem estar relacionados a complicações graves, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e também exigem atendimento imediato.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O bebê se mexe menos quando a bolsa vai estourar?

    Não, o rompimento da bolsa (ruptura das membranas) não reduz a movimentação do bebê. Se ele parar de se mexer após a bolsa estourar, procure a maternidade imediatamente, pois é um sinal de alerta e não uma reação normal.

    2. O que o bebê sente quando a mãe come doce?

    Ele recebe uma carga rápida de energia. A placenta facilita a passagem da glicose da mãe para a corrente sanguínea do bebê, o que costuma despertá-lo e aumentar sua movimentação.

    3. Com quantas semanas o bebê começa a mexer de forma bem evidente?

    Os primeiros movimentos costumam ser percebidos entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. A partir da 24ª semana, eles tendem a ficar mais evidentes e fáceis de identificar.

    4. O que acontece se o líquido amniótico estiver muito baixo?

    Quando o volume de líquido amniótico está muito reduzido (oligoâmnio), o bebê perde parte da proteção oferecida pelo útero. Dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro, pode ser necessário antecipar o parto.

    5. O bebê pode mexer menos por estar encaixado?

    O bebê pode mudar a forma como se movimenta quando está encaixado, com menos chutes na parte inferior da barriga e mais empurrões na parte de cima. No entanto, a quantidade total de movimentos não deve diminuir de forma importante.

    6. O que fazer se eu tiver contrações ritmadas que não passam?

    Se você apresentar pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora seguida, procure a maternidade, pois pode ser um sinal de trabalho de parto.

    7. Sentir o bebê tremer na barriga é normal?

    Sim. Pequenos tremores ou vibrações rápidas costumam ser apenas espasmos musculares normais do desenvolvimento do bebê, reflexos de sobressalto ou a eliminação de urina.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Criança engoliu bateria de botão: por que isso é uma emergência? 

    Criança engoliu bateria de botão: por que isso é uma emergência? 

    Baterias de botão, também chamadas de pilhas tipo moeda, estão presentes em muitos objetos do dia a dia, como controles remotos, brinquedos, balanças, relógios, chaves de carro, aparelhos auditivos, velas eletrônicas e cartões musicais. Justamente por serem pequenas e brilhantes, podem chamar a atenção de crianças pequenas.

    Apesar do tamanho, esse é um dos acidentes domésticos mais perigosos na infância. Diferentemente de uma moeda, que muitas vezes atravessa o trato digestivo sem causar lesões, uma bateria de botão pode provocar queimaduras profundas no esôfago em poucas horas.

    Por isso, qualquer suspeita de ingestão deve ser tratada como emergência médica.

    Por que uma bateria é muito mais perigosa do que uma moeda?

    Muitas pessoas acreditam que a bateria representa risco apenas porque contém produtos químicos. Na realidade, esse não é o principal problema.

    Quando a bateria fica presa no esôfago, ela continua gerando uma corrente elétrica.

    Essa corrente reage com os líquidos do organismo e produz substâncias altamente alcalinas ao redor da bateria, causando uma queimadura química intensa na parede do esôfago. Essas lesões podem começar em menos de duas horas.

    Quais complicações podem ocorrer?

    Se a bateria permanecer presa no esôfago, pode causar:

    • Queimaduras profundas;
    • Perfuração do esôfago;
    • Sangramento importante;
    • Formação de fístulas entre o esôfago e a traqueia;
    • Lesão de grandes vasos sanguíneos;
    • Infecções graves.

    Em situações extremas, essas complicações podem colocar a vida da criança em risco.

    O maior perigo é que a criança pode parecer bem no início

    Um dos aspectos mais preocupantes é que muitas crianças apresentam poucos sintomas logo após engolir a bateria. Mesmo assim, as queimaduras podem estar acontecendo silenciosamente.

    Por isso, não se deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento.

    Quais sintomas podem aparecer?

    Dependendo da localização da bateria, a criança pode apresentar:

    • Dor ao engolir;
    • Salivação excessiva;
    • Recusa para comer;
    • Vômitos;
    • Tosse;
    • Dor no peito;
    • Irritabilidade;
    • Engasgos.

    Nos casos mais graves, podem surgir:

    • Sangramento pela boca;
    • Dificuldade para respirar;
    • Febre;
    • Sonolência.

    O que fazer imediatamente?

    Se houver suspeita de que a criança engoliu uma bateria tipo botão, algumas medidas são importantes.

    1. Procure imediatamente um pronto-socorro

    Não espere os sintomas aparecerem. A rapidez faz diferença na prevenção de lesões graves.

    2. Não provoque o vômito

    O vômito não remove a bateria e pode aumentar o risco de aspiração.

    3. Não tente retirar a bateria com os dedos

    Isso pode empurrar o objeto ainda mais profundamente.

    4. Leve a embalagem da bateria, se possível

    Saber o tamanho e o tipo da bateria pode ajudar a equipe médica.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    A prioridade é localizar rapidamente a bateria.

    Inicialmente são avaliados:

    • Respiração;
    • Estado geral;
    • Capacidade para engolir saliva;
    • Presença de dor ou sinais de obstrução.

    A radiografia é o primeiro exame

    São realizadas radiografias do pescoço, tórax e abdome.

    Esse exame permite identificar:

    • A localização da bateria;
    • Se ela está no esôfago ou já chegou ao estômago;
    • Seu tamanho.

    A radiografia também permite diferenciar uma bateria de uma moeda.

    A bateria costuma apresentar um aspecto característico chamado de “duplo halo” ou “duplo contorno”, enquanto a moeda apresenta uma borda única.

    Quando é necessário retirar imediatamente?

    Se a bateria estiver localizada no esôfago, a retirada deve ser realizada o mais rapidamente possível, geralmente por meio de uma endoscopia sob anestesia.

    Quanto menor o tempo de permanência da bateria no esôfago, menor o risco de complicações graves.

    E se ela já estiver no estômago?

    Quando a bateria já passou para o estômago, a conduta depende de fatores como:

    • Idade da criança;
    • Tamanho da bateria;
    • Presença de sintomas;
    • Tempo desde a ingestão.

    Em muitos casos, ela atravessa o intestino espontaneamente, mas algumas situações ainda exigem retirada endoscópica ou acompanhamento com novas radiografias.

    A decisão deve ser individualizada pela equipe médica.

    Mesmo após a retirada, ainda pode haver complicações?

    Sim. As queimaduras podem continuar evoluindo por dias após a remoção da bateria.

    Por isso, algumas crianças necessitam:

    • Observação hospitalar;
    • Exames de controle;
    • Acompanhamento com especialistas.

    Como prevenir esse acidente?

    A prevenção é fundamental. Algumas medidas importantes são:

    • Manter baterias novas e usadas fora do alcance das crianças;
    • Conferir se os compartimentos de pilhas dos brinquedos estão bem fechados;
    • Descartar baterias usadas de forma segura;
    • Evitar deixar pilhas soltas sobre mesas, gavetas ou bolsas;
    • Escolher brinquedos com compartimentos que exijam parafusos para abrir.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Sempre. Qualquer suspeita de ingestão de uma bateria tipo botão deve ser considerada uma emergência médica, mesmo que a criança:

    • Esteja brincando normalmente;
    • Não apresente dor;
    • Não tenha vomitado;
    • Esteja respirando bem.

    O tratamento precoce é a melhor forma de evitar complicações graves.

    Confira também: Criança teve convulsão por febre: o que fazer na hora da crise?

    Perguntas frequentes sobre ingestão de bateria tipo botão

    1. Por que a bateria é mais perigosa do que uma moeda?

    Porque pode gerar uma corrente elétrica que provoca queimaduras químicas profundas no esôfago em poucas horas.

    2. Meu filho parece bem. Ainda preciso levá-lo ao hospital?

    Sim. Lesões graves podem ocorrer mesmo antes do aparecimento de sintomas.

    3. Devo provocar o vômito?

    Não. Isso não remove a bateria e pode aumentar o risco de complicações.

    4. Como os médicos confirmam que é uma bateria?

    Por meio de radiografias, que mostram características diferentes das observadas nas moedas.

    5. A bateria sempre precisa ser retirada?

    Se estiver no esôfago, sim, e com urgência. Se já estiver no estômago, a necessidade de remoção depende da idade da criança, do tamanho da bateria, dos sintomas e da avaliação médica.

    6. Dar mel resolve o problema?

    Não. Em algumas situações específicas, o mel pode reduzir temporariamente a extensão da lesão enquanto a criança é levada ao hospital, mas não substitui o tratamento e nunca deve atrasar o atendimento.

    7. Quanto tempo leva para ocorrer uma lesão grave?

    Queimaduras importantes podem começar em cerca de duas horas, razão pela qual toda suspeita de ingestão de bateria tipo botão deve ser tratada como emergência médica.

    Veja também: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Durante a gravidez, o corpo da mulher entra em um modo de trabalho intenso. O coração bate mais rápido, os vasos se adaptam, o volume de sangue aumenta, tudo para garantir que o bebê receba oxigênio e nutrientes. Essa maratona, porém, não acontece sem esforço: o coração precisa acompanhar o ritmo, e qualquer desequilíbrio pode gerar riscos.

    É por isso que é importante cuidar da saúde cardiovascular na gravidez. Venha entender o que muda durante a gestação e quais são os cuidados que você deve tomar quando estiver grávida.

    O que muda no coração durante a gestação

    A partir do segundo trimestre, o volume de sangue no corpo da gestante pode aumentar de 30% até 50%. Isso força o coração a bombear mais e mais rápido, por isso a saúde do coração na gravidez precisa estar em dia.

    A cardiologista Juliana Aparecida Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que, durante a gestação, o coração da mulher passa a trabalhar até 50% mais do que o normal. Isso acontece porque ele precisa bombear mais sangue a cada batida e também bate mais rápido.

    “Para acomodar esse aumento, a resistência dos vasos sanguíneos periféricos diminui, o que permite que a pressão arterial se mantenha relativamente estável, mesmo com mais sangue circulando pelo corpo”, descreve ela.

    Quando a pressão alta se torna um risco

    Em algumas mulheres, esse esforço todo pode sair do controle. A pressão sobe demais, surgem dores de cabeça, inchaços e outros sinais de alerta. A pressão alta gestacional e a pré-eclâmpsia são complicações sérias.

    “O tratamento envolve monitoramento rigoroso, medicação anti-hipertensiva segura e, em algumas situações, hospitalização para proteger a mamãe e o bebê”, diz Juliana.

    O que é pré-eclâmpsia e por que ela pode aumentar a pressão na gravidez

    A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada de proteína na urina.

    De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estima-se que a pré-eclâmpsia atinja 1,5% das gestantes no Brasil.

    Entendendo a síndrome HELLP

    A síndrome de HELLP é uma condição grave que pode surgir na gravidez, caracterizada por alterações no fígado e no sangue, e geralmente está ligada à pressão alta. Ela oferece riscos à mãe e ao bebê. Pode aparecer junto com a pré-eclâmpsia.

    De forma simples, ela acontece quando o corpo da gestante começa a destruir suas células do sangue, o fígado passa a funcionar mal e as plaquetas, que ajudam a estancar sangramentos, ficam muito baixas. Isso tudo deixa a gestante mais vulnerável a sangramentos, dores fortes e outros riscos sérios, exigindo cuidados médicos urgentes.

    Outro risco grave é o descolamento da placenta antes da hora, o que pode comprometer a oxigenação e a nutrição do bebê.

    Em alguns casos, o único jeito de proteger a saúde da gestante e do bebê é antecipar o parto. E quando a pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia, a gestante pode ter convulsões, o que representa uma emergência médica. Por isso, o acompanhamento do pré-natal e o controle da pressão são tão importantes.

    5 fatores de risco para doenças cardíacas na gravidez

    Algumas coisas aumentam o risco de problemas no coração durante e depois da gravidez:

    • Primeira gravidez após os 35 anos
    • Sobrepeso ou obesidade
    • Histórico familiar de hipertensão
    • Diabetes gestacional
    • Valvopatias, que são doenças nas válvulas do coração

    Mulheres que já têm doenças cardíacas antes de engravidar, como problemas nas válvulas, devem conversar com o cardiologista antes mesmo de engravidar. O risco de arritmia, insuficiência cardíaca e trombose é maior, e o acompanhamento precisa ser conjunto entre obstetra e cardiologista.

    Riscos que vão além da gravidez

    Os riscos cardíacos da gestação podem perdurar mesmo depois do bebê ter nascido. Quem teve pressão alta na gestação, por exemplo, precisa ficar atenta mesmo que a pressão volte ao normal após o parto. Mulheres que tiveram essa condição na gravidez têm mais chance de desenvolver pressão alta crônica, infarto e AVC no futuro.

    “O período entre o final da atenção obstétrica e o início de sintomas de hipertensão crônica representa uma janela crítica de oportunidade para intervenções preventivas, e isso é frequentemente negligenciado”, alerta a médica.

    Ao longo da gestação, a pressão arterial pode diminuir nos dois primeiros trimestres e voltar a subir no terceiro.

    A recomendação atual é de que essas mulheres façam acompanhamento anual com cardiologista, meçam pressão, colesterol, glicemia e recebam orientações sobre alimentação, atividade física e controle do peso.

    Como prevenir complicações cardiovasculares na gravidez

    Para manter o coração saudável durante e após a gravidez, vale seguir essas dicas:

    • Tenha uma alimentação equilibrada;
    • Mantenha o peso adequado;
    • Faça exercícios físicos regulares, com orientação médica;
    • Controle a pressão arterial;
    • Não fume ou beba bebida alcoólica;
    • Não ignore sintomas como dores de cabeça, visão turva, falta de ar ou inchaço excessivo.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Por que a atenção continua após o parto

    Muita gente acha que os cuidados terminam com o nascimento do bebê, mas não é bem assim. Estudos mostram que o número de filhos, por exemplo, pode influenciar o risco de problemas cardíacos. Ter muitos filhos (cinco ou mais) ou nenhum pode aumentar as chances de infarto e AVC.

    A infertilidade também entra na conta, pois pode estar ligada a condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que aumentam o risco de doenças cardíacas.

    Amamentar protege o coração

    Amamentar não é só bom para o bebê. O aleitamento materno prolongado ajuda a proteger o coração da mãe. Ele está associado a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2 no futuro.

    Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular na gravidez


    1. É normal a pressão cair nos primeiros meses da gestação?

    Sim. Nos dois primeiros trimestres, a pressão tende a baixar um pouco, mas volta a normalizar no final da gravidez. Se ficar alta, porém, é preciso fazer acompanhamento médico específico para pressão alta.

    2. Ter hipertensão na gravidez significa que terei pressão alta para sempre?

    Nem sempre, mas a hipertensão gestacional aumenta bastante o risco. Por isso, o acompanhamento deve continuar mesmo após o parto.

    3. Toda mulher com pressão alta na gravidez desenvolve pré-eclâmpsia?

    Não, mas é um risco real. Por isso, o pré-natal é tão importante para monitorar e intervir quando necessário.

    4. É perigoso engravidar com problema no coração?

    Depende do tipo e do controle da doença. É essencial conversar com o médico antes de engravidar.

    5. Posso continuar a praticar exercícios na gravidez?

    Sim, mas sempre com liberação médica. Atividades leves e regulares ajudam a manter o coração saudável.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Criança engoliu uma moeda: o que fazer imediatamente?  

    Criança engoliu uma moeda: o que fazer imediatamente?  

    Ver uma criança colocar uma moeda na boca e, em poucos segundos, perceber que ela foi engolida é uma situação que costuma provocar desespero em pais e cuidadores. Nessas horas, é comum surgir a dúvida sobre o que fazer imediatamente e se é possível tentar retirar o objeto em casa.

    Embora a maioria dos casos evolua sem complicações, algumas moedas podem ficar presas no esôfago ou, mais raramente, obstruir as vias respiratórias. Saber reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento no momento certo é fundamental para evitar complicações.

    A primeira pergunta: a criança está respirando normalmente?

    Antes de qualquer outra medida, observe se a criança consegue respirar.

    Se ela estiver:

    • Respirando normalmente;
    • Chorando;
    • Falando (quando já tem idade para isso);
    • Tossindo normalmente;

    Isso indica que a moeda provavelmente foi engolida e não está obstruindo as vias respiratórias.

    Nessa situação, a criança deve ser levada para avaliação médica, mas geralmente não há necessidade de medidas de primeiros socorros para desobstrução.

    Quando é uma emergência?

    A situação torna-se uma emergência quando a moeda fica presa nas vias aéreas.

    Procure atendimento imediatamente ou acione o serviço de emergência se a criança apresentar:

    • Dificuldade importante para respirar;
    • Tosse intensa que não melhora;
    • Incapacidade de falar ou chorar;
    • Chiado intenso;
    • Coloração arroxeada dos lábios ou da pele;
    • Perda da consciência.

    Esses sinais sugerem obstrução da via aérea e exigem atendimento imediato.

    O que NÃO fazer em casa?

    Algumas atitudes podem aumentar o risco de complicações.

    Evite:

    • Colocar os dedos na garganta para tentar retirar a moeda;
    • Provocar vômito;
    • Dar alimentos para “empurrar” a moeda;
    • Fazer a criança ingerir grandes quantidades de água.

    Essas medidas não ajudam a remover a moeda e podem aumentar o risco de aspiração.

    Quais sintomas podem ocorrer quando a moeda fica no esôfago?

    Se a moeda permanecer presa no esôfago, a criança pode apresentar:

    • Dor ao engolir;
    • Dificuldade para engolir saliva;
    • Salivação excessiva;
    • Vômitos;
    • Recusa para comer;
    • Sensação de desconforto no pescoço ou no peito.

    Algumas crianças, porém, podem não apresentar sintomas importantes.

    E se a criança estiver aparentemente bem?

    Mesmo quando não há sintomas, é importante procurar atendimento médico.

    Isso porque não é possível saber apenas pelos sintomas onde a moeda está localizada.

    Além disso, alguns objetos que parecem moedas podem, na verdade, ser pilhas tipo botão, que exigem retirada imediata devido ao risco de queimaduras graves no esôfago.

    Sempre que possível, informe ao médico exatamente qual objeto foi ingerido ou leve um objeto semelhante para comparação.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    A avaliação começa com o exame clínico.

    Os médicos verificam:

    • Se a criança está respirando normalmente;
    • Se consegue engolir saliva;
    • A presença de dor ou dificuldade para engolir;
    • Sinais de obstrução.

    Em seguida, definem a necessidade de exames.

    A radiografia é o principal exame

    Na maioria dos casos, é realizada uma radiografia do pescoço, do tórax e, muitas vezes, do abdome.

    O exame permite identificar:

    • Se realmente existe uma moeda;
    • Onde ela está localizada;
    • Se há mais de um objeto ingerido.

    Além disso, a radiografia ajuda a diferenciar uma moeda de uma pilha tipo botão, que apresenta características específicas na imagem.

    O que acontece se a moeda estiver no esôfago?

    Quando a moeda permanece presa no esôfago, geralmente é indicada a retirada.

    Isso ocorre porque ela pode causar:

    • Lesão da mucosa;
    • Dificuldade para alimentação;
    • Obstrução;
    • Maior risco de complicações quanto mais tempo permanecer no local.

    Na maioria das vezes, a remoção é realizada por endoscopia, sob sedação ou anestesia, especialmente em crianças.

    E se a moeda já chegou ao estômago?

    Essa é a situação mais comum e, geralmente, a mais tranquila.

    Quando a moeda já passou para o estômago e a criança está sem sintomas:

    • Na maioria dos casos, ela será eliminada naturalmente nas fezes em alguns dias ou semanas;
    • O médico pode orientar apenas observação e acompanhamento;
    • Em algumas situações, novas radiografias são solicitadas para confirmar que o objeto está progredindo pelo intestino.

    A necessidade de retirar a moeda depende do tamanho do objeto, da idade da criança, dos sintomas e do tempo que ela permanece no trato digestivo.

    Quanto tempo leva para a moeda sair?

    Na maioria das crianças, a moeda é eliminada espontaneamente entre alguns dias e até duas semanas. Os pais não precisam, obrigatoriamente, procurar a moeda nas fezes, a menos que essa seja uma orientação específica da equipe médica.

    Quando a cirurgia é necessária?

    A cirurgia é rara. Ela costuma ser reservada para situações como:

    • Perfuração do trato digestivo;
    • Obstrução intestinal;
    • Falha da retirada por endoscopia;
    • Complicações graves.

    Felizmente, esses casos são incomuns.

    Como prevenir esse tipo de acidente?

    Algumas medidas reduzem bastante o risco:

    • Manter moedas fora do alcance das crianças;
    • Evitar deixar pequenos objetos espalhados pela casa;
    • Supervisionar crianças pequenas durante as brincadeiras;
    • Ensinar crianças maiores a não colocar objetos na boca.

    Atenção especial deve ser dada às pilhas tipo botão e aos ímãs, que apresentam risco muito maior do que as moedas e exigem avaliação médica imediata.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes sobre ingestão de moedas

    1. Toda criança que engole uma moeda precisa ir ao pronto-socorro?

    Sim. Mesmo quando a criança parece bem, é importante confirmar a localização da moeda e excluir a possibilidade de ingestão de uma pilha tipo botão.

    2. A maioria das moedas precisa ser retirada?

    Não. Quando a moeda já chegou ao estômago e a criança está sem sintomas, ela costuma ser eliminada naturalmente.

    3. O que fazer logo após perceber que a criança engoliu uma moeda?

    Mantenha a calma, observe se ela está respirando normalmente e procure atendimento médico. Não tente provocar vômito nem oferecer alimentos para “empurrar” a moeda.

    4. Como os médicos descobrem onde a moeda está?

    Geralmente por meio de radiografias do pescoço, tórax e abdome.

    5. Quanto tempo leva para a moeda sair nas fezes?

    Na maioria dos casos, entre alguns dias e até duas semanas.

    6. Quando a situação é uma emergência?

    Quando a criança apresenta dificuldade para respirar, não consegue engolir saliva, tem dor intensa, vômitos persistentes ou sinais de obstrução das vias aéreas.

    7. Qual é o maior risco de confundir uma moeda com outro objeto?

    O maior risco é que o objeto seja uma pilha tipo botão, que pode causar queimaduras graves no esôfago em poucas horas e necessita de retirada urgente. Por isso, toda suspeita de ingestão de uma moeda deve ser avaliada por um profissional de saúde.

    Veja também: Uso inadequado da água sanitária pode ser fatal: conheça os principais riscos