Você já deve saber que toda a mulher já nasce com uma quantidade limitada de óvulos. Ao contrário dos homens, que produzem espermatozoides ao longo de quase toda a vida, a reserva ovariana diminui progressivamente a cada ciclo menstrual, desde a puberdade até a menopausa.
A partir dos 35 anos de idade, a redução tende a ser ainda mais acelerada, tanto em quantidade quanto em qualidade. Na prática, isso pode se refletir em uma menor chance de engravidar naturalmente a cada ciclo, além de um aumento no tempo necessário para que a gestação aconteça.
Mas afinal, como é feita a avaliação da reserva ovariana? A seguir, esclarecemos tudo que você precisa saber para entender como o corpo funciona nesse período da vida e quais são os exames fundamentais para medir seu estoque de óvulos.
O que é a reserva ovariana?
A reserva ovariana é o termo usado para descrever a quantidade total de óvulos que uma mulher possui nos ovários em um determinado momento.
Diferente de outros tecidos do corpo que se regeneram, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a mulher já nasce com uma quantidade determinada de óvulos que serão liberados até o último, o que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos.
A cada ciclo menstrual, o corpo recruta um grupo de óvulos, mas apenas um costuma amadurecer e ser liberado, enquanto os outros acabam se degenerando e sendo reabsorvidos pelo organismo. O processo é ininterrupto e acontece mesmo durante o uso de anticoncepcionais, na gravidez ou em ciclos sem ovulação.
Vale entender que nem todos os óvulos disponíveis serão utilizados em ovulações. A maior parte deles se perde ao longo do tempo em um processo natural do organismo. Por isso, a reserva ovariana não depende apenas da idade, mas a idade ainda é o principal fator que influencia a redução.
Com o passar dos anos, também ocorre uma queda na qualidade dos óvulos, o que pode impactar diretamente a fertilidade e as chances de uma gestação saudável.
Por que a fertilidade diminui após os 35 anos?
A queda da fertilidade após os 35 anos acontece por uma combinação de fatores que afetam tanto a quantidade e a qualidade dos óvulos quanto o funcionamento do sistema reprodutor:
- Esgotamento do estoque (quantidade): a mulher não produz novos óvulos. Aos 35 anos, a reserva já está mais reduzida e o ritmo de perda acelera, diminuindo as chances de ovulação eficaz a cada ciclo;
- Envelhecimento celular (qualidade): os óvulos envelhecem com o tempo, o que dificulta a divisão celular adequada. Isso aumenta o risco de aneuploidias e pode comprometer o desenvolvimento do embrião ou elevar o risco de abortamento;
- Alterações no ciclo hormonal: com a reserva mais baixa, o organismo aumenta a produção de FSH para estimular os ovários, o que pode causar ciclos mais curtos ou ovulações irregulares;
- Maior exposição a doenças ginecológicas: condições como endometriose, miomas uterinos e histórico de infecções tornam-se mais frequentes com a idade e podem dificultar a gestação;
- Receptividade uterina: o útero envelhece mais lentamente, mas pequenas alterações no endométrio ou na circulação podem dificultar a implantação do embrião.
Como saber se a reserva ovariana está baixa?
Para saber se a reserva ovariana está baixa, é necessário fazer uma avaliação médica com exames específicos, como:
1. Hormônio anti-mülleriano (AMH)
O hormônio anti-mülleriano é um exame de sangue que estima a quantidade de folículos presentes nos ovários, funcionando como um indicador indireto do número de óvulos disponíveis.
Os valores mais baixos normalmente sugerem uma reserva reduzida, enquanto valores altos podem indicar uma boa quantidade de óvulos ou, em alguns casos, condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos.
Diferente de outros hormônios, ele pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, pois os níveis não oscilam significativamente ao longo do mês.
2. FSH (Hormônio Folículo Estimulante)
O FSH é avaliado por meio de um exame de sangue realizado obrigatoriamente no início do ciclo menstrual, frequentemente entre o 2º e o 5º dia da menstruação. O hormônio é produzido pelo cérebro para estimular os ovários a amadurecerem um óvulo.
Quando os níveis de FSH estão elevados, é um sinal de que o organismo está fazendo um esforço extra para tentar fazer os ovários funcionarem, o que sugere uma baixa reserva ou dificuldade de resposta ovariana.
3. Contagem de folículos antrais (CFA)
A contagem de folículos antrais é realizada por meio de um ultrassom transvaginal, em que o médico observa e conta os pequenos folículos presentes nos ovários naquele momento. O número ajuda a estimar a reserva ovariana de forma mais direta e também a entender como os ovários responderiam a um possível tratamento de fertilidade.
4. Estradiol
O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e está relacionado ao desenvolvimento dos folículos, sendo dosado por exame de sangue no início do ciclo menstrual. Quando os níveis estão alterados, podem interferir na interpretação do FSH e oferecer informações adicionais sobre o funcionamento ovariano.
É possível engravidar naturalmente após os 35 anos?
É possível engravidar naturalmente após os 35 anos, mas como a fertilidade tende a diminuir com a idade, o processo pode ser mais demorado e difícil. De acordo com Andreia, as chances de concepção variam significativamente de acordo com a idade:
- Aos 25 anos: a mulher está no auge da fertilidade, com uma chance de engravidar de 20% a 25% a cada ciclo menstrual;
- Aos 35 anos: a fertilidade sofre uma queda acentuada, reduzindo as chances para cerca de 10% a 15% por mês;
- A partir dos 40 anos: o esgotamento da reserva ovariana torna a gravidez natural mais difícil, com chances inferiores a 10% em cada tentativa.
Além disso, com o avanço da idade, Andreia explica que algumas comorbidades se tornam mais frequentes, como o diabetes, a hipertensão e as doenças da tireoide. As condições podem interferir tanto na fertilidade quanto na evolução da gestação, especialmente quando não estão bem controladas.
Quando procurar um especialista?
É recomendado realizar uma avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana nas seguintes situações:
- Após 12 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com menos de 35 anos;
- Após 6 meses de tentativas, para mulheres com 35 anos ou mais.
Em algumas situações, a investigação deve ser antecipada, independentemente do tempo de tentativa, como nos casos de ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação, que podem indicar alterações na ovulação.
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Perguntas frequentes
1. A reserva ovariana pode aumentar com tratamento?
Não, a mulher nasce com um estoque fixo e limitado de óvulos. Os tratamentos podem ajudar a aproveitar melhor os óvulos restantes, mas não conseguem criar novos óvulos ou aumentar o estoque original.
2. O uso de anticoncepcional preserva a reserva ovariana?
Não. O anticoncepcional impede a ovulação, mas o processo de perda natural (atresia folicular) continua acontecendo todos os meses, independentemente do uso de hormônios.
3. Quem tem reserva baixa pode ter filhos?
Sim, a reserva baixa indica que a quantidade é menor, mas não significa infertilidade. Se a qualidade do óvulo for boa, a gravidez pode ocorrer naturalmente ou com auxílio médico.
4. O estilo de vida interfere na reserva ovariana?
O estilo de vida não muda a quantidade, mas afeta drasticamente a qualidade. Por isso, cigarro, má alimentação e obesidade aceleram a perda e danificam os óvulos restantes.
5. Existe algum sintoma físico de que meus óvulos estão acabando?
Na maioria das vezes não há sintomas. Algumas mulheres notam apenas que o ciclo menstrual ficou mais curto (exemplo: de 28 para 24 dias).
6. Posso congelar óvulos com reserva baixa?
Sim, mas pode ser necessário realizar mais de um ciclo de estimulação ovariana para coletar uma quantidade segura de óvulos.
7. O que fazer se o exame der reserva baixa aos 35 anos?
O primeiro passo é consultar um especialista em reprodução humana para discutir se o plano é engravidar agora (tentativa natural ou assistida) ou preservar a fertilidade via congelamento.
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