Categoria: Família

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  • Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê? 

    Parto prematuro: quais fatores podem antecipar o nascimento do bebê? 

    O parto prematuro, também conhecido como nascimento pré-termo, é aquele que acontece antes das 37 semanas completas de gestação. Apesar do período considerado ideal para o nascimento seja entre a 37ª e a 42ª semana, o bebê pode nascer antes de os órgãos e sistemas estarem totalmente amadurecidos.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, com os avanços da medicina e das UTIs neonatais, muitos bebês conseguem sobreviver mesmo quando nascem muito cedo. Em alguns casos, a viabilidade fetal (ou seja, a chance de o bebê sobreviver fora do útero) já pode existir a partir das 24 semanas, dependendo da estrutura do hospital.

    Ainda assim, quanto mais precoce for o nascimento, maiores costumam ser os desafios para o desenvolvimento e a saúde do bebê. A seguir, vamos entender quais fatores podem aumentar o risco de parto prematuro e os principais sinais de alerta.

    Como o parto prematuro é classificado?

    O parto prematuro é classificado de acordo com a idade gestacional do bebê no momento do nascimento:

    • Prematuro extremo: é o bebê que nasce antes das 28 semanas de gestação. Nesses casos, os órgãos ainda estão muito imaturos, principalmente os pulmões, o cérebro e o sistema digestivo. Por isso, normalmente há necessidade de internação prolongada em UTI neonatal e de suporte intensivo, como ajuda para respirar e alimentação pela veia;
    • Prematuro precoce: acontece quando o nascimento ocorre entre 28 e 34 semanas de gestação. Embora o bebê já tenha um desenvolvimento mais avançado do que o prematuro extremo, ainda pode apresentar dificuldades respiratórias, maior risco de infecções e necessidade de acompanhamento intensivo nos primeiros dias ou semanas de vida;
    • Prematuro tardio: é o nascimento entre 34 semanas e 36 semanas e 6 dias de gestação. Nessa fase, muitos órgãos já estão mais maduros, e o bebê costuma ter menos complicações. Mesmo assim, ainda podem existir dificuldades para mamar, controlar a temperatura corporal, manter o peso e respirar adequadamente, o que pode exigir observação e cuidados médicos após o parto.

    Quanto mais cedo o bebê nasce, maiores são as chances de precisar de cuidados intensivos, já que órgãos como pulmões, cérebro e intestino ainda estão em desenvolvimento. Já os prematuros tardios costumam apresentar menos complicações e, muitas vezes, precisam de menos tempo de internação.

    O que pode causar o parto prematuro?

    O parto prematuro pode ser desencadeado por diferentes mecanismos. Em alguns casos, o corpo inicia o trabalho de parto sozinho (espontâneo), enquanto em outros, a equipe médica precisa intervir para garantir a segurança da mãe e do bebê.

    1. Infecções e processos inflamatórios

    As infecções são algumas das causas mais comuns do parto prematuro e, normalmente, ocorrem de maneira silenciosa. Qualquer infecção no corpo da gestante pode liberar substâncias inflamatórias na corrente sanguínea que estimulam as contrações uterinas, como:

    • Infecção urinária: muitas gestantes apresentam a chamada bacteriúria assintomática, que é a presença de bactérias na urina sem sintomas típicos, como dor ou ardor ao urinar. Quando não tratada, a condição pode aumentar o risco de parto prematuro;
    • Saúde bucal: a periodontite, que é uma infecção na gengiva, também está associada ao aumento do risco de nascimento prematuro;
    • Outros quadros infecciosos: gripes intensas, pneumonias e infecções vaginais, como a vaginose bacteriana, também exigem atenção durante a gestação, pois podem favorecer processos inflamatórios relacionados ao parto prematuro.

    Qualquer febre, mal-estar ou sinal de infecção durante a gestação deve ser avaliado rapidamente pelo médico, pois mesmo infecções aparentemente simples podem desencadear processos inflamatórios capazes de estimular as contrações uterinas e aumentar o risco de parto prematuro.

    2. Distensão uterina excessiva

    A distensão uterina excessiva é o alongamento ou expansão exagerada das paredes do útero, ultrapassando sua capacidade normal de acomodação durante a gestação, segundo Andreia.

    O quadro é comum em gestações múltiplas, como gravidez de gêmeos, trigêmeos ou mais bebês, já que o útero precisa se distender muito mais cedo do que em uma gestação única. O polidrâmnio, condição caracterizada pelo excesso de líquido amniótico, também provoca uma distensão maior do útero e pode favorecer o trabalho de parto prematuro.

    3. Insuficiência cervical

    A insuficiência cervical, também chamada de incompetência cervical, é uma condição em que o colo do útero não consegue sustentar o peso da gestação adequadamente. Em algumas mulheres, o colo é mais curto ou possui menos colágeno, perdendo a capacidade de permanecer fechado à medida que o bebê ganha peso.

    Diferente do trabalho de parto comum, na insuficiência cervical o colo do útero pode começar a encurtar e se abrir sem que a gestante sinta contrações fortes ou dor intensa. Muitas vezes, os sinais são discretos ou inexistentes, o que aumenta o risco de perda gestacional tardia ou parto prematuro.

    Se identificado precocemente via ultrassom transvaginal, o médico pode recomendar a cerclagem (um ponto cirúrgico para manter o colo fechado) ou o uso de repouso e progesterona.

    4. Indicações médicas de interrupção

    Em alguns casos, Andreia explica que é preciso interromper a gestação antes do tempo por questões médicas, inclusive por cesárea, para proteger a saúde da mãe ou do bebê. Nessas situações, o parto prematuro acontece por indicação médica, quando continuar a gravidez representa mais riscos do que antecipar o nascimento.

    Algumas das principais situações incluem:

    • Pré-eclâmpsia e hipertensão: quando a pressão arterial elevada coloca a vida da mãe ou do bebê em risco, podendo causar complicações graves, como convulsões, alterações nos órgãos maternos e sofrimento fetal;
    • Sofrimento fetal: acontece quando exames de vitalidade param que o bebê não está recebendo oxigênio ou nutrientes suficientes dentro do útero, situação que pode ocorrer, por exemplo, em casos de restrição de crescimento fetal;
    • Descolamento de placenta: é uma emergência obstétrica em que a placenta se desprende parcialmente ou totalmente do útero antes do nascimento do bebê, aumentando o risco de hemorragias graves e comprometimento da oxigenação fetal.

    Quando a decisão do parto prematuro é tomada?

    A decisão de realizar um parto prematuro é tomada quando os riscos de manter a gestação se tornam maiores do que os riscos da prematuridade para o bebê.

    Andreia explica que são feitos exames de vitalidade fetal e avaliações clínicas para identificar o momento em que permanecer dentro do útero passa a representar mais riscos para o bebê do que nascer prematuramente.

    Os principais exames incluem:

    • Ultrassom obstétrico, que avalia o crescimento do bebê, os movimentos fetais e a quantidade de líquido amniótico;
    • Doppler fetal, que analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Cardiotocografia, capaz de monitorar os batimentos cardíacos do bebê e possíveis contrações uterinas;
    • Avaliação do líquido amniótico, que verifica se a quantidade de líquido está adequada para a idade gestacional;
    • Exames laboratoriais maternos, que ajudam a identificar alterações como infecções, pré-eclâmpsia e outros problemas que podem colocar a gestação em risco.

    Os exames ajudam a equipe médica a entender se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes adequadamente, se continua crescendo de forma saudável e se a mãe apresenta sinais de complicações que possam colocar a gestação em risco.

    A decisão é extremamente delicada e precisa ser tomada com muita responsabilidade, porque a prematuridade também traz riscos importantes para o recém-nascido.

    Sinais de alerta: quando suspeitar de trabalho de parto prematuro?

    Segundo Andreia, alguns sinais podem indicar risco de trabalho de parto prematuro e nunca devem ser ignorados durante a gestação, como:

    • Cólicas;
    • Contrações dolorosas e frequentes;
    • Dor lombar persistente;
    • Perda de líquido pela vagina;
    • Sangramento vaginal;
    • Sensação de pressão na pelve;
    • Sintomas infecciosos, como febre alta, calafrios, fadiga intensa e dores musculares.

    Em muitos casos, o trabalho de parto prematuro pode começar de forma discreta, com sintomas parecidos com desconfortos comuns da gravidez. Assim, qualquer alteração diferente do habitual deve ser avaliada rapidamente.

    Riscos e complicações para o bebê prematuro

    Os riscos para o bebê prematuro variam de acordo com a idade gestacional. De acordo com Andreia, quanto mais cedo acontece o nascimento, maiores são as chances de complicações, já que muitos órgãos ainda não estão completamente desenvolvidos.

    • Síndrome do desconforto respiratório, em que os pulmões ainda são imaturos, dificultando a respiração do bebê;
    • Hemorragia intracraniana, pois sangramentos no cérebro podem acontecer principalmente nos prematuros extremos;
    • Enterocolite necrosante, uma condição grave causada pela imaturidade intestinal, que pode levar à inflamação e necrose de partes do intestino;
    • Maior risco de infecções, pois como o sistema imunológico ainda é imaturo, o bebê fica mais vulnerável;
    • Retinopatia da prematuridade, que é uma alteração nos vasos sanguíneos dos olhos que pode comprometer a visão;
    • Alterações neurológicas do desenvolvimento, como dificuldades motoras, cognitivas e até paralisia cerebral.

    Além disso, muitos prematuros precisam de internação em UTI neonatal, auxílio para respirar e suporte alimentar até que consigam completar parte do desenvolvimento fora do útero.

    Como prevenir o parto prematuro?

    Nem todos os casos de parto prematuro podem ser evitados, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos durante a gravidez, como:

    • Controlar doenças crônicas, como hipertensão e diabetes;
    • Tratar infecções rapidamente, especialmente infecção urinária;
    • Manter hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada, prática de exercícios orientados e evitar cigarro e álcool;
    • Realizar todas as consultas e exames do pré-natal;
    • Investigar sintomas como cólicas, sangramento, perda de líquido ou dor lombar;
    • Fazer avaliação odontológica, já que infecções na gengiva também podem aumentar o risco de prematuridade;
    • Identificar precocemente casos de insuficiência cervical por meio do ultrassom do colo do útero.

    Nos casos de insuficiência cervical, pode ser indicada a cerclagem, procedimento em que o médico faz um ponto no colo do útero para ajudá-lo a permanecer fechado durante a gestação.

    Perguntas frequentes

    1. A partir de quantas semanas o bebê tem chance de sobreviver?

    Normalmente, a viabilidade fetal é considerada a partir das 24 semanas, mas isso depende muito da tecnologia e dos recursos da UTI neonatal do hospital.

    2. Posso ter infecção urinária sem sentir dor?

    Sim, é a chamada bacteriúria assintomática. Por isso, exames de urina são rotina no pré-natal mesmo sem sintomas.

    3. Como diferenciar contração de treinamento de parto prematuro?

    As de treinamento são irregulares e sem dor. As de parto prematuro têm ritmo (ex: a cada 10 min), são dolorosas e não passam com repouso.

    4. Uma gripe forte pode causar parto prematuro?

    Qualquer processo inflamatório ou infeccioso importante, inclusive gripe, pneumonia ou infecção na gengiva, pode aumentar o risco.

    5. É verdade que o bebê de 7 meses é mais forte que o de 8?

    Não, isso é um mito. Cada dia e semana a mais dentro do útero é melhor para o desenvolvimento dos órgãos do bebê.

    6. O que é a alimentação parenteral para o prematuro?

    É a nutrição feita diretamente pela veia. Como o sistema digestivo do bebê muito prematuro ainda não está pronto para processar o leite, ele recebe os nutrientes necessários de forma endovenosa até que possa começar a mamar.

    7. Por que alguns partos prematuros são feitos por cesárea?

    A cesárea é indicada quando a interrupção é decidida pelo médico para salvar a vida da mãe ou do bebê (como em casos de pré-eclâmpsia grave) ou quando o bebê prematuro não suportaria o esforço de um parto normal.

    Veja também: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

  • Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Tentando engravidar há meses? Saiba quando você deve investigar a infertilidade

    Sabia que a chance de gravidez natural é de cerca de 20% a 25% por ciclo menstrual? Mesmo entre casais saudáveis e sem alterações conhecidas, engravidar pode levar alguns meses, uma vez que a gestação depende de uma combinação de fatores hormonais, qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, frequência das relações sexuais e até da idade.

    No entanto, se quando a gravidez não acontece após um determinado período de tentativas, pode ser importante investigar possíveis causas de infertilidade, tanto femininas quanto masculinas, para identificar dificuldades precocemente e aumentar as chances de tratamento e sucesso reprodutivo. Vamos entender mais, a seguir.

    Quando investigar a infertilidade?

    A investigação da infertilidade costuma levar em consideração, principalmente, a idade da paciente e o tempo de tentativas para engravidar.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, para mulheres com menos de 35 anos, a recomendação é aguardar até 12 meses de relações sexuais frequentes, sem uso de métodos contraceptivos, antes de iniciar uma investigação. Mesmo em pessoas férteis e sem alterações aparentes, a chance de gravidez natural por ciclo menstrual gira em torno de 20% a 25%.

    A partir dos 35 anos, o ideal é procurar avaliação médica após 6 meses de tentativas sem sucesso, porque a fertilidade tende a diminuir progressivamente com a idade.

    Já após os 40 anos, muitos especialistas recomendam que a investigação seja iniciada imediatamente, devido à queda mais acelerada da reserva ovariana e da qualidade dos óvulos. Andreia explica que alguns profissionais ainda podem considerar um período curto de espera, de até 6 meses, dependendo de cada caso, mas a avaliação não deve ser adiada por muito tempo.

    Exames para investigar a dificuldade de engravidar

    Durante a investigação, o médico ginecologista ou especialista em reprodução humana pede uma série de exames para avaliar tanto a saúde da mulher quanto a do homem, dependendo do histórico clínico de cada casal. Alguns deles incluem:

    1. Exames de sangue e hormonais

    Os exames hormonais são necessários para avaliar o funcionamento do eixo neuroendócrino, a ovulação e a reserva ovariana. Os principais hormônios analisados incluem:

    • FSH e o estradiol, que ajudam a entender a função dos ovários e a qualidade da ovulação;
    • LH, que auxilia na identificação do pico hormonal que antecede a liberação do óvulo;
    • TSH e a prolactina, já que alterações da tireoide ou níveis elevados de prolactina podem dificultar ou impedir a ovulação;
    • Hormônio antimulleriano (AMH), considerado atualmente um dos exames mais importantes para estimar a reserva ovariana, ou seja, o estoque de óvulos da mulher.

    Em muitos casos, a dosagem hormonal precisa ser realizada em dias específicos do ciclo menstrual para que os resultados sejam interpretados corretamente. O FSH, o LH e o estradiol, por exemplo, costumam ser avaliados no início do ciclo, normalmente entre o segundo e o quinto dia da menstruação, enquanto outros hormônios podem ser coletados em diferentes momentos.

    2. Ultrassom transvaginal

    O ultrassom transvaginal permite observar detalhadamente a anatomia do útero e dos ovários, sendo um dos exames mais importantes na investigação da infertilidade feminina. Por meio dele, o médico consegue avaliar possíveis alterações que podem dificultar a gravidez, como:

    • Momas;
    • Pólipos endometriais;
    • Malformações uterinas;
    • Cistos ovarianos;
    • Sinais compatíveis com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

    O ultrassom também ajuda a avaliar a espessura do endométrio, camada interna do útero onde ocorre a implantação do embrião, e pode ser utilizado para acompanhar o crescimento e o amadurecimento dos folículos durante o ciclo menstrual, permitindo identificar se a ovulação está acontecendo adequadamente.

    3. Histerossalpingografia

    A histerossalpingografia é um exame realizado com contraste e raio-X para avaliar se as tubas uterinas estão desobstruídas. Durante o procedimento, o contraste é introduzido pelo colo do útero e percorre as tubas.

    Quando o líquido não consegue passar adequadamente, isso pode indicar uma obstrução tubária, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozoide e, em alguns casos, indicando a necessidade de tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    4. Espermograma

    A investigação da infertilidade não deve avaliar apenas a mulher, já que os fatores masculinos representam cerca de 50% dos casos de dificuldade de concepção. O espermograma é um exame capaz de analisar a quantidade, a motilidade e a morfologia dos espermatozoides, ajudando a identificar possíveis alterações que possam interferir na fertilidade masculina e direcionando o tratamento mais adequado.

    5. Monitoramento da temperatura e testes de ovulação

    Após a ovulação, a temperatura corporal costuma aumentar discretamente, enquanto os testes de LH ajudam a identificar o pico hormonal que antecede a liberação do óvulo. Isso permite confirmar se o ciclo é ovulatório e se o período das relações sexuais está adequado para aumentar as chances de gravidez.

    Como é feito o tratamento para infertilidade?

    O tratamento para a infertilidade depende da causa identificada durante a investigação, da idade do casal, do tempo de tentativas e das condições de saúde envolvidas. De forma geral, os tratamentos são divididos em baixa e alta complexidade.

    Baixa complexidade

    Os tratamentos de baixa complexidade são aqueles em que a fecundação (o encontro do óvulo com o espermatozoide) acontece dentro do corpo da mulher. Como explica Andreia, as técnicas incluem:

    • Coito programado: com o auxílio de ultrassonografias e testes de farmácia (LH urinário), o médico identifica exatamente quando a mulher vai ovular. O casal é orientado a ter relações sexuais na janela fértil de 4 dias, aumentando as chances de sucesso;
    • Indução da ovulação: indicada para mulheres que não ovulam regularmente (como na SOP). São usados medicamentos (comprimidos como o clomifeno ou injeções) para estimular o crescimento dos folículos ovarianos, garantindo que o óvulo seja liberado;
    • Inseminação artificial (intrauterina): o médico seleciona os melhores espermatozoides do parceiro em laboratório e os introduz diretamente dentro do útero através de um cateter fino, no momento da ovulação. É ideal para casos de fator masculino leve ou quando o muco do colo do útero dificulta a passagem dos espermatozoides.

    Os tratamentos de baixa complexidade normalmente são menos agressivos, mais acessíveis e apresentam menor custo quando comparados às técnicas de alta complexidade.

    Alta complexidade

    Os tratamentos de alta complexidade em fertilidade são indicados quando existem dificuldades mais importantes para a gravidez natural ou quando os tratamentos de baixa complexidade não apresentaram resultado. Nestas técnicas, a fecundação é realizada em laboratório, fora do corpo da mulher.

    O principal tratamento de alta complexidade é a fertilização in vitro (FIV), em que a mulher utiliza medicamentos hormonais para estimular os ovários a produzirem múltiplos óvulos. Depois, os óvulos são coletados por punção ovariana e fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Após a formação dos embriões, um ou mais são transferidos para o útero.

    Em alguns casos, pode ser necessária a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), uma técnica realizada durante a FIV em que um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. Ela costuma ser indicada principalmente em situações de infertilidade masculina grave ou quando houve falha de fertilização prévia.

    Os tratamentos de alta complexidade normalmente são recomendados em casos de obstrução das tubas uterinas, endometriose avançada, baixa reserva ovariana, idade materna mais avançada, alterações importantes no espermograma ou infertilidade sem causa definida após múltiplas tentativas.

    Quando a doação de gametas é indicada?

    Quando a reserva ovariana está esgotada, como em casos de menopausa precoce, ou os óvulos/espermatozoides não têm qualidade genética para gerar um embrião saudável, o casal pode recorrer à ovodoação (óvulos doados) ou à doação de sêmen.

    As técnicas permitem que a mulher vivencie a gestação, utilizando material genético de doadores anônimos.

    Quais as taxas de sucesso do tratamento?

    As taxas de sucesso dos tratamentos para infertilidade variam de acordo com diversos fatores, principalmente a técnica utilizada, a idade da paciente, a reserva ovariana, a causa da infertilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Normalmente, os índices costumam ficar entre 15% e 25% por tentativa, especialmente nos tratamentos de baixa complexidade, como a indução da ovulação e a inseminação intrauterina.

    Já em clínicas especializadas e em casos considerados mais favoráveis, especialmente em mulheres mais jovens e sem alterações importantes, as taxas podem chegar a 40% por ciclo em técnicas como a fertilização in vitro (FIV).

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo é normal demorar para engravidar?

    Para casais com menos de 35 anos e sem problemas de saúde conhecidos, é considerado normal aguardar até 12 meses de tentativas frequentes.

    2. É verdade que a ansiedade atrapalha a gravidez?

    Sim. O estresse e o fator emocional afetam os estímulos neurológicos que regulam a pulsação dos hormônios, o que pode interferir na ovulação e na receptividade do útero.

    3. Qual a diferença entre infertilidade e esterilidade?

    A infertilidade é a dificuldade em levar uma gestação até o fim (incluindo abortos de repetição), enquanto a esterilidade é a incapacidade total de engravidar naturalmente.

    4. Para que serve o exame de hormônio antimulleriano?

    Ele serve para medir a reserva ovariana da mulher, ou seja, a quantidade de folículos (ovos) que ela ainda possui disponíveis.

    5. Ter ciclos menstruais irregulares é sinal de infertilidade?

    Ciclos irregulares costumam indicar distúrbios hormonais ou falta de ovulação constante, o que dificulta a gravidez, mas pode ser tratado com indução medicamentosa.

    6. Quem já teve um filho pode ser infértil?

    Sim, isso se chama infertilidade secundária. Pode ocorrer devido a novas condições de saúde, idade avançada ou mudanças no parceiro.

    7. Abortos de repetição são considerados infertilidade?

    Sim. Quando a mulher engravida, mas não consegue manter a gestação até o nascimento de um bebê saudável, isso é classificado como um tipo de infertilidade.

    8. É possível engravidar com as trompas obstruídas?

    Se a obstrução for bilateral (nas duas trompas), a gravidez natural é impossível. Nesses casos, a indicação costuma ser a fertilização in vitro.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Criança teve convulsão por febre: o que fazer na hora da crise? 

    Criança teve convulsão por febre: o que fazer na hora da crise? 

    Ver uma criança convulsionando é uma das experiências mais assustadoras para pais e cuidadores. Quando a crise acontece junto com febre, o medo costuma ser ainda maior, principalmente pela preocupação de que a criança tenha sofrido algum dano neurológico ou desenvolva epilepsia no futuro.

    Apesar do susto, a convulsão febril costuma ter evolução benigna na maioria dos casos. Ainda assim, saber como agir durante a crise, reconhecer sinais de gravidade e entender quando procurar atendimento médico faz toda a diferença para garantir a segurança da criança.

    O que é a convulsão febril

    A convulsão febril é uma crise convulsiva que acontece associada à febre em crianças, geralmente entre 6 meses e 5 anos de idade. Apesar de assustar muito os pais e cuidadores, a maioria das convulsões febris é benigna e não causa sequelas neurológicas.

    A convulsão febril acontece quando a elevação da temperatura corporal desencadeia uma crise convulsiva em crianças predispostas. Ela geralmente acontece:

    • Durante quadros virais comuns;
    • Nas primeiras horas da febre;
    • Em crianças pequenas.

    Importante: a convulsão febril não significa necessariamente epilepsia.

    Como a crise costuma acontecer

    A crise pode surgir de forma súbita. Os sinais mais comuns são:

    • Perda de consciência;
    • Rigidez do corpo;
    • Movimentos involuntários dos braços e pernas;
    • Olhar parado ou revirado;
    • Sonolência após a crise.

    Na maioria dos casos, a crise dura poucos minutos.

    O que fazer durante a convulsão

    As medidas corretas ajudam a proteger a criança.

    1. Manter a calma

    Apesar do susto, a maioria das crises termina espontaneamente.

    2. Colocar a criança de lado

    Essa posição ajuda a evitar engasgos.

    3. Afastar objetos perigosos

    Para evitar machucados durante os movimentos.

    4. Observar o tempo da crise

    Tentar anotar quanto tempo durou.

    O que NÃO fazer

    Evite:

    • Colocar objetos na boca da criança. Muitos filmes e programas mostram isso de maneira incorreta;
    • Tentar segurar os movimentos;
    • Dar líquidos ou medicamentos durante a crise.

    Essas medidas podem causar acidentes.

    Quando procurar atendimento imediatamente

    Toda primeira convulsão febril deve ser avaliada por um médico. Procure atendimento urgente se:

    • A crise durar mais de 5 minutos;
    • A criança não acordar adequadamente depois;
    • Houver dificuldade para respirar;
    • A convulsão ocorrer sem febre conhecida;
    • A criança tiver menos de 6 meses.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, baseado:

    • Na presença de febre;
    • Na idade típica;
    • Nas características da crise.

    O médico também avalia a causa da febre.

    Convulsão febril pode voltar?

    Sim. Algumas crianças podem apresentar novas crises em episódios futuros de febre. O risco é maior em:

    • Crianças mais novas;
    • Histórico familiar;
    • Primeira crise antes de 1 ano.

    Convulsão febril causa sequelas?

    Na maioria dos casos, não. As convulsões febris simples:

    • Não causam dano cerebral;
    • Não prejudicam o desenvolvimento;
    • Geralmente têm evolução benigna.

    Existe risco de epilepsia?

    O risco é baixo na maioria das crianças. A maior parte das crianças com convulsão febril nunca desenvolverá epilepsia.

    Como prevenir novas crises

    Nem sempre é possível evitar. O mais importante é:

    • Tratar a febre e o desconforto;
    • Observar sinais de gravidade;
    • Manter acompanhamento pediátrico.

    Confira: Roséola: entenda doença que causa febre e manchas no corpo do bebê

    Perguntas frequentes sobre convulsão febril

    1. Convulsão febril é comum?

    Sim. É relativamente frequente na infância.

    2. Sempre significa epilepsia?

    Não.

    3. Pode voltar?

    Sim. Algumas crianças apresentam recorrência.

    4. Precisa de remédio contínuo?

    Na maioria das vezes, não.

    5. Pode causar dano cerebral?

    As formas simples geralmente não causam sequelas.

    6. Quanto tempo costuma durar?

    Geralmente poucos minutos.

    7. Quando procurar emergência?

    Quando a crise é prolongada ou há sinais de gravidade.

    Veja também: Febre não é inimiga: saiba quando tratar e quando observar

  • Bronquiolite: quando a criança precisa internar e como é o tratamento 

    Bronquiolite: quando a criança precisa internar e como é o tratamento 

    A bronquiolite é uma das principais causas de internação em bebês e crianças pequenas, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios. Embora muitos casos sejam leves e tratados em casa, algumas crianças podem apresentar dificuldade importante para respirar e precisar de suporte hospitalar, incluindo oxigênio e monitoramento contínuo.

    A doença costuma gerar muita preocupação nos pais, principalmente quando o bebê apresenta chiado no peito, respiração acelerada ou dificuldade para se alimentar.

    Entenda como funciona o tratamento da bronquiolite durante a internação, como reconhecer sinais de gravidade e saiba o que esperar da evolução do quadro.

    O que é a bronquiolite

    A bronquiolite é uma doença respiratória que acomete principalmente crianças menores de 2 anos e é uma das causas mais frequentes de internação pediátrica durante períodos de circulação viral. A infecção provoca inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões.

    Ela é causada principalmente por vírus, especialmente o vírus sincicial respiratório (VSR), embora outros vírus, como rinovírus e parainfluenza, também possam causar o quadro.

    Na maioria das vezes, a doença é leve e melhora sozinha, mas algumas crianças podem evoluir com desconforto respiratório importante e necessidade de internação hospitalar.

    A inflamação leva a:

    • Acúmulo de secreção;
    • Inchaço das vias respiratórias;
    • Dificuldade para a passagem do ar.

    Isso explica sintomas como chiado e falta de ar.

    Como a doença costuma começar

    O quadro geralmente começa como uma gripe comum. Os sintomas iniciais são:

    • Coriza;
    • Congestão nasal;
    • Tosse;
    • Febre baixa em alguns casos.

    Após alguns dias, podem surgir sinais de acometimento pulmonar.

    Sinais de piora da bronquiolite

    Com a evolução da doença, podem aparecer:

    • Chiado no peito;
    • Respiração rápida;
    • Esforço para respirar;
    • Afundamento das costelas;
    • Dificuldade para mamar ou se alimentar;
    • Cansaço.

    Esses sinais podem indicar necessidade de avaliação hospitalar.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico da bronquiolite é clínico. Ele é baseado em:

    • Idade típica (menores de 2 anos);
    • Sintomas iniciais de infecção respiratória;
    • Evolução com desconforto respiratório;
    • Alterações típicas na ausculta pulmonar.

    Na maioria dos casos, exames complementares não são necessários.

    A bronquiolite costuma ser grave?

    Na maioria das crianças, não. O curso costuma ser benigno e autolimitado, com melhora progressiva ao longo dos dias.

    Alguns pacientes, no entanto, podem desenvolver quadros moderados ou graves, especialmente bebês muito pequenos, prematuros ou crianças com doenças respiratórias e cardíacas.

    Como é feito o tratamento em casos leves

    Os casos leves geralmente são tratados em casa. As principais medidas são:

    • Lavagem nasal com soro fisiológico;
    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e desconforto;
    • Observação dos sinais respiratórios.

    O acompanhamento pelos pais é fundamental para perceber possíveis sinais de piora.

    Quando a criança precisa internar

    A internação pode ser necessária quando a criança apresenta:

    • Falta de ar importante;
    • Baixa oxigenação;
    • Dificuldade para se alimentar;
    • Desidratação;
    • Cansaço respiratório.

    Nesses casos, é necessário suporte hospitalar.

    Como é feito o tratamento hospitalar

    O tratamento da bronquiolite internada é baseado principalmente em suporte clínico.

    1. Oxigenoterapia

    O suporte de oxigênio pode variar conforme a gravidade:

    • Cateter nasal em casos mais leves;
    • Máscaras ou dispositivos de alto fluxo;
    • Em casos graves, necessidade de intubação e ventilação mecânica.

    2. Hidratação

    Algumas crianças precisam de:

    • Hidratação venosa;
    • Soro pela veia quando não conseguem se alimentar adequadamente.

    3. Medicações

    O tratamento medicamentoso varia conforme o caso.

    Podem ser utilizados:

    • Broncodilatadores;
    • Corticoides em situações específicas;
    • Medicamentos sintomáticos.

    Antibióticos são usados?

    Não rotineiramente. A bronquiolite é causada por vírus, portanto antibióticos não fazem parte do tratamento habitual. Eles só são utilizados quando existe suspeita de infecção bacteriana associada.

    Quanto tempo dura a internação?

    O tempo varia conforme a gravidade.

    Em muitos casos:

    • A melhora ocorre em poucos dias;
    • O chiado e a tosse podem persistir por mais tempo.

    Mesmo após a alta, é comum que a criança permaneça tossindo por algumas semanas.

    Como prevenir bronquiolite

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Higiene frequente das mãos;
    • Evitar contato com pessoas gripadas;
    • Aleitamento materno;
    • Evitar exposição ao cigarro;
    • Vacinação e imunização quando indicadas.

    Veja também: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Perguntas frequentes sobre bronquiolite

    1. Toda bronquiolite precisa de internação?

    Não. A maioria dos casos é leve.

    2. Bronquiolite é causada por bactéria?

    Não. Geralmente é causada por vírus.

    3. Antibiótico melhora bronquiolite?

    Não, exceto se houver infecção bacteriana associada.

    4. O oxigênio é sempre necessário?

    Não. Apenas em casos com baixa oxigenação.

    5. Bronquiolite pode ser grave?

    Sim, especialmente em bebês pequenos.

    6. Quanto tempo demora para melhorar?

    Geralmente alguns dias, embora a tosse possa durar mais.

    7. Quando procurar atendimento urgente?

    Quando houver dificuldade para respirar, arroxeamento ou dificuldade para mamar.

    Veja mais: Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar

  • Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    Colestase gestacional: o que é, sintomas, se é perigoso e tratamento

    A colestase gravídica, também chamada de colestase intra-hepática da gravidez, é uma condição que pode surgir principalmente no terceiro trimestre da gestação e afeta o funcionamento do fígado.

    Ela acontece quando a bile não consegue ser liberada adequadamente para o intestino, causando o acúmulo de ácidos biliares na corrente sanguínea. Como consequência, a gestante pode apresentar sintomas bastante desconfortáveis, principalmente a coceira intensa na pele.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas sobre a colestase gravídica, entender quais são os sinais de alerta e como é feito o tratamento da condição.

    O que é colestase gestacional?

    A colestase gestacional é uma alteração no funcionamento do fígado em que a bile, um líquido amarelo-esverdeado produzido pelo órgão que participa do processo de digestão de gorduras, não consegue chegar adequadamente ao intestino.

    Com isso, os ácidos biliares acabam se acumulando na corrente sanguínea e em outros tecidos do corpo, causando uma coceira intensa especialmente nas mãos e nos pés. A condição costuma ser mais comum no terceiro trimestre da gestação, período em que os níveis hormonais estão mais elevados.

    O que causa a colestase gestacional?

    A colestase gravídica acontece principalmente por causa das alterações hormonais da gravidez, segundo Andreia. A bile depende do equilíbrio entre colesterol, hormônios e alguns minerais para ser produzida e eliminada corretamente.

    A ginecologista explica que, quando ocorre um desequilíbrio nos componentes, a bile pode se acumular nos ductos hepáticos, que são os canais responsáveis por transportar a substância até a vesícula biliar e, depois, para o intestino.

    Com os ductos mais obstruídos ou funcionando de forma inadequada, os sais biliares acabam retornando para a corrente sanguínea, causando o aumento dos ácidos biliares no organismo. É justamente o acúmulo que provoca sintomas como a coceira intensa característica da doença.

    Além das alterações hormonais naturais da gestação, algumas mulheres também possuem uma predisposição individual para desenvolver a colestase gravídica. Ela pode estar relacionada a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade às mudanças hormonais da gravidez. Por isso, pequenas alterações hormonais já podem favorecer o acúmulo da bile no organismo.

    Sintomas da colestase gestacional

    O principal sintoma da colestase gravídica é a coceira intensa na pele, que começa nas palmas das mãos e nas solas dos pés, mas também pode se espalhar para outras partes do corpo. Segundo Andreia, quando ocorre o acúmulo dos sais biliares no sangue, as substâncias também se depositam logo abaixo da pele, provocando o sintoma.

    Diferente de alergias e outras doenças de pele, a colestase gravídica não provoca manchas, bolinhas ou feridas aparentes, mas a pele pode ficar machucada apenas pelo ato de coçar. Além disso, outros sintomas que podem surgir incluem:

    • Urina escura;
    • Fezes claras ou esbranquiçadas;
    • Cansaço excessivo;
    • Náuseas;
    • Perda do apetite;
    • Desconforto abdominal.

    Quando o quadro evolui e os níveis de bilirrubina ficam muito elevados, Andreia aponta que pode surgir a icterícia, que é o amarelamento da pele e dos olhos. O primeiro sinal frequentemente aparece na esclera, a parte branca dos olhos.

    Como a colestase gravídica pode aumentar o risco de complicações para o bebê, qualquer coceira intensa e persistente durante a gravidez deve ser avaliada pelo obstetra.

    Toda coceira na gravidez é colestase?

    Nem toda coceira durante a gravidez significa colestase gestacional. Na verdade, a suspeita costuma surgir quando a coceira é intensa, generalizada, predominante nas mãos e nos pés, aparece na segunda metade da gestação e não apresenta lesões aparentes na pele.

    Quando a gestante possui manchas, bolinhas, vermelhidão ou outras lesões típicas de alergias e doenças dermatológicas, a investigação geralmente é direcionada primeiro para causas relacionadas à pele. Já na colestase gestacional, a coceira costuma acontecer sem alterações visíveis, além de normalmente piorar durante a noite.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da colestase gravídica é feito principalmente por meio da avaliação dos sintomas da gestante e de exames de sangue que analisam o funcionamento do fígado, como:

    • Dosagem de bilirrubinas e ácidos biliares: avalia os níveis dos sais biliares no sangue, que costumam aumentar quando a bile não consegue ser eliminada corretamente;
    • Enzimas hepáticas: incluem exames como TGO, TGP, fosfatase alcalina e gama-GT, que ajudam a verificar se existe inflamação ou sobrecarga no fígado;
    • Ultrassom de fígado e vesícula biliar: é utilizado para descartar outras possíveis causas para a alteração do fluxo da bile, como pedras na vesícula, cálculos biliares ou outras doenças hepáticas.

    Como a coceira intensa pode ter diferentes causas durante a gravidez, os exames ajudam a confirmar o quadro e identificar alterações relacionadas ao acúmulo da bile no organismo.

    Tratamento de colestase gestacional

    O tratamento da colestase gestacional é feito para aliviar os sintomas da gestante, controlar os níveis de ácidos biliares no sangue e reduzir os riscos para o bebê. Na maioria dos casos, Andreia explica que o médico indica o uso de ácido ursodesoxicólico, que ajuda a melhorar o fluxo da bile, diminuir o acúmulo dos sais biliares no organismo e aliviar a coceira intensa.

    Além do tratamento medicamentoso, a gestante precisa de um acompanhamento mais próximo durante a gravidez. Os exames de sangue são realizados com frequência para monitorar o funcionamento do fígado e os níveis de ácidos biliares, enquanto ultrassons e exames de avaliação fetal ajudam a acompanhar a saúde do bebê.

    Em geral, a colestase gestacional desaparece após o nascimento do bebê, quando os hormônios da gravidez diminuem e o funcionamento do fígado volta ao normal.

    Quando é necessário adiantar o parto?

    A necessidade de adiantar o parto na colestase gestacional depende da gravidade do quadro e da resposta ao tratamento. Segundo Andreia, a interrupção da gestação pode ser indicada quando existem sinais de sofrimento fetal ou quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos, mesmo com o uso da medicação adequada.

    Já nos casos em que a doença está bem controlada, com acompanhamento adequado da mãe e do bebê, o parto geralmente é programado entre 37 e 38 semanas de gestação, período considerado seguro para reduzir os riscos de complicações fetais relacionadas à colestase.

    Riscos para o bebê

    O principal risco para o bebê é que o excesso de ácidos biliares presente no sangue materno também pode passar para a circulação fetal. Em níveis muito altos, o acúmulo pode provocar sofrimento fetal e, em casos mais graves e raros, até óbito fetal.

    Apesar das complicações não serem frequentes, elas podem acontecer quando os níveis de ácidos biliares permanecem muito altos e sem controle adequado. Por isso, a colestase gestacional requer um acompanhamento rigoroso e tratamento rápido.

    É possível prevenir a colestase gestacional?

    Não existe uma forma totalmente garantida de prevenir a colestase gestacional, principalmente porque a condição está muito relacionada às alterações hormonais da gravidez e à predisposição genética de cada mulher.

    Mesmo assim, o acompanhamento pré-natal adequado é necessário para identificar os sintomas precocemente e iniciar o tratamento o quanto antes. Também deve-se manter hábitos saudáveis, ter uma alimentação equilibrada e seguir corretamente as orientações médicas, o que pode ajudar no cuidado da saúde do fígado durante a gestação.

    Mulheres que já tiveram colestase em uma gravidez anterior precisam de atenção redobrada, já que existe um maior risco de o quadro se repetir em outras gestações. Nesses casos, o acompanhamento médico costuma ser ainda mais próximo desde o início da gravidez.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Em qual período da gestação ela é mais comum?

    Normalmente no terceiro trimestre (da metade para o fim da gravidez). É raro que a colestase apareça logo no início da gestação.

    2. Existe alguma região do corpo onde a coceira começa?

    Sim, o quadro clássico começa na palma das mãos e na planta dos pés, podendo depois se espalhar para o corpo todo.

    3. Usar apenas antialérgico (anti-histamínico) resolve o problema?

    Não. O antialérgico pode ajudar a aliviar levemente o sintoma da coceira, mas não trata a causa. O tratamento essencial é o ácido ursodesoxicólico.

    4. O que significa dizer que a colestase é uma doença “autolimitada”?

    Significa que ela tem um fim determinado. Como é desencadeada pelos hormônios da gestação, assim que a gravidez termina e os níveis hormonais retornam ao normal, a doença se resolve sozinha.

    5. Qual a relação entre a bile e a digestão de gorduras?

    A bile é produzida no fígado, armazenada na vesícula e jogada no intestino. Sua função principal é atuar como um “detergente”, ajudando o organismo a quebrar e absorver as gorduras dos alimentos.

    6. O que acontece se a medicação não conseguir controlar os níveis de sais biliares?

    Se os ácidos biliares continuarem aumentando muito ou se não houver resposta adequada ao tratamento medicamentoso, a recomendação é a interrupção da gestação para evitar o risco de sofrimento fetal.

    7. O tratamento da colestase pode exigir cirurgia?

    A colestase gravídica em si é tratada com remédios. Porém, se o ultrassom mostrar que o acúmulo de bile é causado por um cálculo (pedra) obstruindo o canal, o tratamento pode passar a ser cirúrgico.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Criança com vômito e diarreia: quando a desidratação vira perigo? 

    Criança com vômito e diarreia: quando a desidratação vira perigo? 

    Quadros de vômitos e diarreia estão entre os motivos mais comuns de atendimento pediátrico, principalmente em períodos de maior circulação de vírus gastrointestinais. Embora muitas vezes pareçam situações simples, crianças pequenas podem desidratar rapidamente, principalmente quando o problema impede que elas ingiram líquidos adequadamente.

    Bebês e crianças têm menor reserva de água no organismo e, por isso, a perda de líquidos pode provocar piora preocupante em poucas horas. Em casos mais graves, a desidratação pode exigir internação e hidratação na veia para evitar complicações.

    O que é a desidratação

    A desidratação acontece quando o corpo perde mais líquidos do que consegue repor. Na infância, isso pode ocorrer rapidamente durante episódios de vômitos, diarreia ou febre.

    A redução da ingestão de líquidos também pode causar desidratação. Vale sempre lembrar que crianças pequenas têm maior risco porque possuem menor reserva de água no corpo.

    Principais sinais de desidratação

    Os sintomas variam conforme a gravidade.

    Os mais comuns são:

    • Boca seca;
    • Redução da urina;
    • Choro sem lágrimas;
    • Sonolência ou irritabilidade;
    • Olhos mais fundos;
    • Fraqueza.

    Em casos graves, a criança pode ficar muito prostrada.

    Por que a hidratação é tão importante

    A água é essencial para o funcionamento do organismo. Quando a criança perde muito líquido:

    • O sangue circula com mais dificuldade;
    • Os órgãos recebem menos oxigênio;
    • Pode haver alteração da pressão arterial;
    • O funcionamento dos rins pode ser comprometido.

    É por isso que a hidratação é considerada a parte mais importante do tratamento.

    Como os médicos avaliam a gravidade

    A avaliação é clínica e leva em consideração:

    • Estado geral da criança;
    • Frequência cardíaca;
    • Quantidade de urina;
    • Grau de sede;
    • Sinais físicos de desidratação.

    Esses fatores ajudam a definir qual tipo de tratamento será necessário.

    Como é feito o tratamento nos casos leves

    Nos casos leves, o tratamento geralmente pode ser realizado em casa.

    1. Soro de reidratação oral

    É a principal medida. O soro ajuda a repor:

    • Água;
    • Sódio;
    • Potássio;
    • Outros eletrólitos perdidos.

    2. Oferta frequente de líquidos

    A criança deve receber líquidos em pequenas quantidades várias vezes ao dia.

    3. Manutenção da alimentação

    Sempre que possível, a alimentação deve ser mantida.

    Quando a criança precisa internar

    A internação pode ser necessária quando há:

    • Desidratação moderada ou grave;
    • Vômitos persistentes;
    • Incapacidade de ingerir líquidos;
    • Sonolência importante;
    • Sinais de choque ou má circulação.

    Como é feito o tratamento hospitalar

    Nos casos moderados ou graves, o tratamento é mais intensivo.

    1. Hidratação venosa

    O soro é administrado diretamente na veia para corrigir rapidamente:

    • Perda de água;
    • Alterações dos sais minerais;
    • Problemas circulatórios.

    2. Monitorização

    A equipe médica acompanha:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Quantidade de urina;
    • Evolução clínica.

    3. Tratamento da causa

    Dependendo do quadro, podem ser usados:

    • Medicamentos para vômitos;
    • Tratamento específico para infecções, quando necessário.

    Antibióticos são sempre necessários?

    Não. A maioria dos casos de vômitos e diarreia em crianças é causada por vírus.

    Os antibióticos só são usados quando existe suspeita de infecção bacteriana.

    Como prevenir a desidratação

    Algumas medidas ajudam:

    • Oferecer líquidos logo no início dos sintomas;
    • Utilizar soro de reidratação oral;
    • Manter alimentação adequada;
    • Procurar atendimento diante de sinais de piora.

    Confira: Diarreia por E. coli: quando é leve e quando pode ser grave

    Perguntas frequentes sobre desidratação infantil

    1. Toda criança com diarreia fica desidratada?

    Não, mas o risco existe, especialmente em bebês.

    2. Água sozinha resolve?

    Nem sempre. O soro de reidratação oral costuma ser mais adequado.

    3. Quando é necessário soro na veia?

    Nos casos moderados ou graves.

    4. A desidratação pode ser grave?

    Sim. Pode causar complicações importantes.

    5. Pode continuar alimentando a criança?

    Sim, na maioria dos casos.

    6. Antibiótico ajuda sempre?

    Não. Muitas vezes a causa é viral.

    7. Quando procurar atendimento urgente?

    Quando houver sonolência, pouca urina, vômitos persistentes ou dificuldade para beber líquidos.

    Veja também: 6 frutas constipantes que prendem o intestino para aliviar a diarreia

  • Otite média: por que crianças têm tanta dor de ouvido? 

    Otite média: por que crianças têm tanta dor de ouvido? 

    Dor de ouvido em crianças costuma preocupar bastante os pais, especialmente quando aparece de repente, acompanhada de febre, irritabilidade ou noites mal dormidas. Entre as causas mais comuns desse desconforto está a otite média, uma inflamação que afeta a região localizada atrás do tímpano e que frequentemente surge após gripes e resfriados.

    Embora seja mais frequente na infância, a condição também pode ocorrer em adultos. Na maioria das vezes, evolui bem com acompanhamento adequado, mas alguns casos precisam de atenção para evitar complicações e desconforto prolongado.

    O que é a otite média

    A otite média é uma infecção ou inflamação da parte média do ouvido, localizada atrás do tímpano. Ela ocorre quando há acúmulo de secreção e inflamação no ouvido médio.

    A condição é muito comum em crianças, mas também pode ocorrer em adultos. Geralmente surge após infecções respiratórias, como gripes e resfriados.

    A dor de ouvido é o principal sintoma, podendo vir acompanhada de febre e outros sinais.

    Como essa região se comunica com o nariz por meio da tuba auditiva, ela pode ficar obstruída durante infecções respiratórias. Quando isso acontece, favorece a proliferação de vírus ou bactérias.

    Principais causas

    A otite média está frequentemente associada a:

    • Infecções virais (resfriados e gripes);
    • Infecções bacterianas;
    • Disfunção da tuba auditiva;
    • Alergias respiratórias.

    Crianças têm maior predisposição devido à anatomia da tuba auditiva.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Alguns fatores aumentam o risco:

    • Crianças pequenas;
    • Frequência em creches;
    • Exposição à fumaça de cigarro;
    • Uso de mamadeira em posição deitada;
    • Histórico de infecções respiratórias frequentes.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar com a idade. Entre os mais comuns estão:

    • Dor de ouvido;
    • Febre;
    • Irritabilidade (especialmente em crianças);
    • Diminuição da audição;
    • Sensação de ouvido “entupido”.

    Em alguns casos, pode haver saída de secreção pelo ouvido.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico é clínico, feito por exame do ouvido com otoscópio. O médico avalia sinais de inflamação e presença de secreção atrás do tímpano.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da idade, sintomas e gravidade.

    1. Controle da dor

    O controle da dor é feito com analgésicos e antitérmicos.

    2. Observação

    Em alguns casos, especialmente leves, pode-se observar evolução.

    3. Antibióticos

    Indicados em casos específicos, principalmente em crianças menores ou quadros mais intensos.

    Possíveis complicações

    Na maioria dos casos, a otite média evolui bem. No entanto, complicações podem ocorrer:

    • Infecções recorrentes;
    • Acúmulo de líquido persistente;
    • Alterações na audição;
    • Raramente, complicações mais graves.

    Como prevenir

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Vacinação em dia;
    • Evitar exposição ao cigarro;
    • Higiene adequada das mãos;
    • Aleitamento materno;
    • Evitar deitar ao alimentar com mamadeira.

    Leia mais: Chiado ou zumbido no ouvido: por que você ouve sons que ninguém mais ouve

    Perguntas frequentes sobre otite média

    1. Otite média é comum em crianças?

    Sim. A otite média é muito frequente na infância.

    2. Sempre precisa de antibiótico?

    Não. Depende do caso, e isso será avaliado pelo médico.

    3. Pode causar febre?

    Sim, a otite média pode causar febre.

    4. Pode afetar a audição?

    Sim, temporariamente.

    5. É contagiosa?

    A infecção respiratória associada pode ser.

    6. Pode voltar?

    Sim, especialmente em crianças.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver dor intensa, febre ou suspeita de infecção.

    Leia também: Otite externa: como identificar e aliviar a dor no ouvido

  • Oxiúros: entenda por que esses vermes causam tanta coceira anal 

    Oxiúros: entenda por que esses vermes causam tanta coceira anal 

    Coceira intensa na região anal, principalmente à noite, é um sintoma que costuma deixar muitos pais preocupados. Embora diferentes condições possam causar esse desconforto, uma das causas mais comuns na infância é a infecção por oxiúros, pequenos vermes intestinais bastante frequentes em ambientes coletivos.

    Apesar de causar incômodo e se espalhar com facilidade, a enterobíase, nome da infecção provocada pelos oxiúros, costuma ser simples de tratar quando identificada corretamente. Além do uso de medicamentos, medidas de higiene são fundamentais para evitar reinfecção e transmissão para outras pessoas da casa.

    O que são os oxiúros

    Os oxiúros, também conhecidos como Enterobius vermicularis, são pequenos vermes brancos que vivem no intestino humano e que causam uma infecção chamada enterobíase. Essa é uma das parasitoses mais comuns no mundo, especialmente em crianças.

    O sintoma mais característico é a coceira intensa na região anal, principalmente à noite. Isso acontece porque, durante a noite, as fêmeas migram para a região anal para depositar seus ovos, o que causa irritação e coceira. Essa característica facilita a transmissão da infecção.

    Como ocorre a transmissão

    A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de ovos do parasita.

    As formas mais comuns são:

    • Mãos contaminadas levadas à boca;
    • Contato com superfícies contaminadas (roupas, brinquedos, roupas de cama);
    • Autoinfecção ao coçar a região anal e levar a mão à boca.

    A transmissão é fácil, especialmente em ambientes coletivos.

    Principais sintomas

    Os sintomas podem variar, mas o mais típico é:

    • Coceira anal intensa, principalmente à noite;
    • Irritação na região anal;
    • Sono agitado;
    • Em alguns casos, dor abdominal leve.

    Muitas pessoas podem ser assintomáticas.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    Os oxiúros são mais comuns em:

    • Crianças;
    • Pessoas que convivem em ambientes coletivos (escolas, creches);
    • Famílias com casos de infecção;
    • Ambientes com higiene inadequada.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico pode ser feito por:

    • Identificação dos vermes na região anal;
    • Teste da fita adesiva (coleta de ovos na região anal).

    Exames de fezes nem sempre detectam a infecção.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento é simples e eficaz. As principais medidas são:

    • Uso de antiparasitários;
    • Tratamento de todos os contatos próximos;
    • Repetição da dose após alguns dias.

    Importância da higiene

    Além do medicamento, medidas de higiene são fundamentais:

    • Lavar bem as mãos;
    • Manter unhas curtas;
    • Trocar roupas íntimas diariamente;
    • Lavar roupas de cama com frequência.

    Essas medidas evitam reinfecção.

    Oxiúros são perigosos?

    Na maioria dos casos, não. É uma condição benigna, mas pode causar desconforto significativo e se espalhar facilmente.

    Leia também: Enteroviroses: o que são e por que infectam tantas crianças

    Perguntas frequentes sobre oxiúros

    1. Oxiúros causam coceira?

    Sim. É o principal sintoma.

    2. É comum em crianças?

    Sim. É mais frequente nessa faixa etária.

    3. Precisa tratar toda a família?

    Geralmente sim, para evitar reinfecção.

    4. Exame de fezes detecta?

    Nem sempre.

    5. Tem cura?

    Sim. O tratamento é eficaz.

    6. Pode voltar?

    Sim, se não houver cuidados de higiene.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver coceira persistente ou suspeita de infecção.

    Veja mais: Verminoses ainda são comuns no Brasil: veja como prevenir

  • Morte súbita em bebês: como reduzir o risco durante o sono 

    Morte súbita em bebês: como reduzir o risco durante o sono 

    A chegada de um bebê costuma vir acompanhada de muitas dúvidas e preocupações, especialmente nos primeiros meses de vida. Entre os medos mais comuns dos pais está a chamada morte súbita em bebês, um evento raro, mas que desperta grande atenção justamente por acontecer de forma inesperada, geralmente durante o sono.

    Nos últimos anos, campanhas de conscientização ajudaram a reduzir significativamente os casos ao reforçar medidas simples de prevenção, principalmente relacionadas à forma como o bebê dorme.

    Entender os fatores de risco e os cuidados recomendados pode ajudar você a criar um ambiente de sono mais seguro para recém-nascidos e lactentes.

    O que é a morte súbita em bebês

    A morte súbita em bebês, também chamada de síndrome da morte súbita do lactente (SMSL), é a morte inesperada de um bebê aparentemente saudável, geralmente durante o sono e sem causa identificada após investigação.

    Mesmo após investigação completa, incluindo autópsia e análise do ambiente, não se encontra uma causa específica.

    Embora seja um evento raro, é uma das principais causas de morte em bebês com menos de 1 ano, especialmente nos primeiros meses de vida.

    A boa notícia é que algumas medidas simples podem reduzir significativamente o risco.

    Por que acontece

    A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Acredita-se que a síndrome da morte súbita do lactente esteja relacionada a uma combinação de fatores:

    • Imaturidade do sistema respiratório e neurológico;
    • Dificuldade em responder a situações como falta de oxigênio;
    • Fatores ambientais, especialmente relacionados ao sono.

    Principais fatores de risco

    Alguns fatores aumentam o risco:

    • Dormir de barriga para baixo ou de lado;
    • Uso de colchões muito macios;
    • Presença de travesseiros, cobertores ou objetos no berço;
    • Exposição à fumaça de cigarro;
    • Prematuridade;
    • Baixo peso ao nascer.

    Quando o risco é maior

    O risco é maior:

    • Entre 1 e 4 meses de idade;
    • Durante o primeiro ano de vida;
    • Principalmente durante o sono.

    Como reduzir o risco

    Existem medidas comprovadas que ajudam a prevenir.

    1. Posição para dormir

    Sempre colocar o bebê para dormir de barriga para cima.

    2. Ambiente seguro

    • Usar colchão firme;
    • Evitar objetos soltos no berço;
    • Não usar travesseiros ou cobertores soltos.

    3. Compartilhamento de quarto (não de cama)

    O bebê pode dormir no mesmo quarto dos pais, mas em berço próprio.

    4. Evitar fumaça

    Não expor o bebê ao cigarro.

    5. Amamentação

    O aleitamento materno está associado à redução do risco de morte súbita.

    6. Uso de chupeta (em alguns casos)

    Pode ajudar, especialmente durante o sono.

    O que NÃO fazer

    • Não coloque o bebê para dormir de bruços;
    • Não use colchões macios;
    • Não compartilhe a cama com o bebê;
    • Não cubra excessivamente o bebê.

    Morte súbita pode ser prevista?

    Não. A morte súbita do bebê ocorre de forma inesperada e não há exames que prevejam o evento. Por isso, a prevenção é baseada na redução dos fatores de risco.

    Confira: APLV: o que é, sintomas e quando desconfiar da condição em um bebê

    Perguntas frequentes sobre morte súbita em bebês

    1. É comum?

    Não é comum, mas é uma das principais causas de morte em bebês.

    2. Dormir de barriga para cima é seguro?

    Sim. É a posição mais segura.

    3. Pode acontecer durante o dia?

    Sim, mas é mais comum durante o sono noturno.

    4. Chupeta ajuda?

    Pode ajudar a reduzir o risco.

    5. Dormir com os pais é seguro?

    No mesmo quarto, sim. Na mesma cama, não é recomendado.

    6. Tem causa definida?

    Não. É multifatorial.

    7. Quando se preocupar?

    O foco deve ser na prevenção e em manter um ambiente de sono seguro.

    Leia mais: Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

  • Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Bronquiolite em bebês: sintomas e quando procurar o médico

    Se o bebê começa com aquele nariz escorrendo e tosse que parece resfriado, muitos pais ficam atentos, mas torcendo para que passe em poucos dias. Em alguns casos, porém, os sintomas pioram e se transformam em algo mais sério: a bronquiolite, uma infecção respiratória comum nos primeiros anos de vida.

    O problema é que, por começar parecido com uma gripe, a bronquiolite pode ser confundida e atrasar o diagnóstico. Conversamos com a pneumologista pediátrica Juliana Sencini, que explicou como identificar os sinais, quando é hora de procurar ajuda médica e quais são as novidades em prevenção.

    O que é bronquiolite

    A bronquiolite é uma infecção das vias aéreas inferiores, que atinge principalmente crianças menores de 2 anos.

    “O grande causador da bronquiolite é o vírus sincicial respiratório (VSR)”, explica a pneumologista pediátrica. Outros vírus, como rinovírus, influenza, adenovírus e metapneumovírus, também podem estar envolvidos, mas o VSR é o principal.

    Ela reforça que, em crianças maiores de dois anos, não se usa mais o termo bronquiolite. “Depois dessa idade, quando há repetição dos sintomas, pensamos em outros diagnósticos, como lactente sibilante ou asma”, completa.

    Sintomas da bronquiolite em bebês e crianças

    No início, a bronquiolite engana, pois parece apenas um resfriado, com febre baixa, nariz entupido e tosse. Mas, segundo a pneumopediatra, essa tosse vai ficando cada vez mais intensa e começa a gerar dificuldade respiratória.

    Os sinais mais típicos costumam aparecer no segundo ou terceiro dia da doença: chiado, secreção nos pulmões e sinais de esforço para respirar. É justamente aí que os pais devem ficar atentos para procurar ajuda médica o quanto antes.

    Diferença entre resfriado e bronquiolite

    Nem todo nariz escorrendo é bronquiolite. O resfriado comum é leve, se resolve espontaneamente e a criança continua se alimentando bem. Já a bronquiolite evolui com piora da tosse, chiado no peito e cansaço para respirar.

    Em alguns hospitais, é possível confirmar a presença do vírus sincicial respiratório com exames rápidos, mas o diagnóstico principal é clínico, feito pela avaliação médica.

    Quando a bronquiolite é grave?

    De acordo com Juliana Sencini, quando a criança consegue mamar, manter a hidratação e não apresenta queda de oxigênio, o tratamento pode ser feito em casa, com lavagem nasal, inalação com soro e bastante líquido.

    Mas há sinais de gravidade que exigem internação:

    • Dificuldade para mamar ou se alimentar;
    • Cansaço excessivo para respirar;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Esforço respiratório intenso.

    No hospital, o suporte pode incluir oxigênio, cateter de alto fluxo e, em casos mais graves, até intubação. “O uso de cateter de alto fluxo nos últimos anos ajudou muito a reduzir a necessidade de intubação”, explica a médica.

    Existe tratamento específico?

    A resposta é não. “Não existe medicação que modifique a evolução da bronquiolite. O tratamento é de suporte”, afirma a especialista.

    Isso significa ajudar a criança a respirar melhor, manter a hidratação e observar a evolução. Antibióticos só entram em cena se houver complicações, como pneumonia bacteriana.

    Como prevenir a bronquiolite

    Por muito tempo, só havia uma opção de prevenção contra o vírus sincicial respiratório, o principal vírus causador da bronquiolite: o palivizumabe, um remédio (anticorpo monoclonal) aplicado em bebês prematuros extremos ou de alto risco. De 2024 para cá, no entanto, surgiram novidades importantes:

    • Vacinação da mãe: a gestante recebe uma vacina contra bronquiolite entre 30 e 36 semanas. “A vacina aumenta os anticorpos que passam via placenta para o bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida”, explica a médica;
    • Nirsevimabe: anticorpo monoclonal de longa duração que protege bebês saudáveis por até seis meses. Ele deve ser aplicado antes da época de circulação do vírus sincicial respiratório, que em São Paulo, por exemplo, vai de abril a julho.

    Essas estratégias vêm mudando o cenário da bronquiolite e oferecem proteção já nos primeiros meses de vida, fase em que a doença costuma ser mais grave.

    Bronquiolite aumenta o risco de asma no futuro?

    Sim. “Algumas crianças que apresentam bronquiolite podem evoluir para quadros recorrentes de sibilância, o que acende o alerta para asma”, explica a médica. No entanto, ela reforça que não se pode considerar cada episódio de chiado como nova bronquiolite, principalmente após os dois anos.

    Perguntas frequentes sobre bronquiolite

    1. Bronquiolite é a mesma coisa que bronquite?

    Não. A bronquiolite é típica de bebês e crianças pequenas (até 2 anos), geralmente causada por vírus, especialmente o vírus sincicial respiratório.

    2. Todo bebê com tosse tem bronquiolite?

    Não. Tosse pode ser sinal de resfriado, alergia ou outras infecções. A bronquiolite geralmente inclui chiado e esforço para respirar.

    3. Como saber se preciso levar meu filho ao hospital?

    Se houver dificuldade para mamar, respiração acelerada, cansaço extremo ou queda na saturação, é hora de procurar atendimento imediato.

    4. Existe algum remédio que cura bronquiolite?

    Não. O tratamento é apenas de suporte, com hidratação, lavagem nasal e, em casos graves, internação hospitalar.

    5. Criança que já teve bronquiolite vai ter de novo?

    Pode ter outros episódios de chiado, mas após os dois anos, o diagnóstico passa a ser outro, como lactente sibilante ou asma.

    6. É possível prevenir bronquiolite?

    Sim. Hoje existe uma vacina para as grávidas e o uso de nirsevimabe, além de medidas simples como higienizar as mãos e evitar contato com pessoas com sintomas de gripe.

    7. Bronquiolite sempre exige internação?

    Não. Casos leves podem ser tratados em casa, com observação e cuidados básicos. Apenas os quadros mais graves precisam de internação.

    Leia também: Vacina do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na gravidez: como funciona e quando tomar