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  • Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    Tipos de útero: eles influenciam na gestação e na via de parto?

    O útero da maioria das mulheres apresenta o formato de uma pêra invertida e fica inclinado para a frente, apoiado sobre a bexiga, mas é comum encontrar variações tanto na anatomia quanto na posição do órgão.

    Enquanto algumas mulheres nascem com alterações no formato do útero devido a mudanças ocorridas durante o desenvolvimento fetal, outras apresentam apenas uma variação de posicionamento, como o útero retrovertido. Normalmente, as características não manifestam sintomas e são descobertas em exames de rotina ou quando a mulher decide engravidar.

    Mas afinal, o formato anatômico do útero influencia a gestação e a via de parto? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas e explicar o impacto de cada variação.

    Qual é o formato anatômico habitual do útero?

    Na maior parte das mulheres, Andreia explica que o útero tem um formato que lembra uma perna invertida e achatada. A anatomia considerada padrão é chamada de antiversofletido (AVF), o que significa que o órgão fica inclinado para a frente (antiverso) e apresenta uma leve curvatura no corpo uterino (fletido), ficando anatomicamente deitado sobre a bexiga.

    O posicionamento e formato facilitam a acomodação do órgão na pelve e a expansão natural durante uma eventual gravidez. Quando o útero se desenvolve dessa forma, com uma cavidade única, ampla e livre de divisões internas, o bebê tem o espaço ideal para crescer e se movimentar de maneira adequada até o momento do nascimento.

    Principais tipos de malformações uterinas

    As malformações no formato do útero são condições que surgem ainda durante o desenvolvimento do bebê. O órgão se forma a partir de duas estruturas chamadas ductos mullerianos, que inicialmente se desenvolvem separadamente.

    Com o crescimento do feto, as estruturas se unem para formar um único órgão oco. Quando ocorre alguma alteração nesse processo de fusão ou na reabsorção das paredes internas, podem surgir diferentes variações anatômicas, como:

    • Útero septado: externamente, o útero apresenta formato normal, mas a cavidade uterina é dividida por uma parede de tecido chamada septo. A divisão pode ser parcial ou se estender até o colo do útero;
    • Útero bicorno: acontece quando a fusão dos ductos mullerianos não se completa na parte superior do órgão. Como resultado, o útero apresenta uma divisão no topo, adquirindo um formato semelhante ao de um coração, com duas porções superiores bem definidas;
    • Útero didelfo: surge quando há falha completa na fusão dos ductos mullerianos. A mulher desenvolve dois úteros separados, cada um com sua própria cavidade. Em alguns casos, também podem estar presentes dois colos uterinos e uma vagina dividida por um septo;
    • Útero unicórnio: acontece quando apenas um dos ductos mullerianos se desenvolve adequadamente durante a formação fetal. O útero fica menor do que o habitual e geralmente está associado à presença de apenas uma trompa de falópio funcional.

    Segundo Andreia, a gravidade da malformação depende do momento em que o desenvolvimento do feto foi interrompido. Quanto mais precoce ocorre o erro, maior é o espessamento entre as duas metades, já que a reabsorção do tecido não foi feita.

    Útero retrovertido atrapalha a gravidez?

    O útero retrovertido é uma variação anatômica in que o útero fica inclinado para trás, em direção ao reto, em vez de se posicionar para a frente, sobre a bexiga, como ocorre na maioria das mulheres. Como não é uma malformação ou uma doença, ele não interfere na fertilidade e não aumenta os riscos durante a gravidez.

    O útero é um órgão móvel, capaz de mudar de posição ao longo da vida. Após o parto, por exemplo, durante o processo de involução uterina, quando o órgão retorna gradualmente ao tamanho habitual, ele pode passar a ficar voltado para trás. Quando o útero é móvel e não causa dor, a condição é considerada totalmente benigna.

    Contudo, se o útero retrovertido estiver fixo e provocar dor durante o exame ginecológico, a alteração pode estar associada a doenças como endometriose ou aderências decorrentes de infecções pélvicas, o que precisa ser avaliado por um médico.

    Como as variações influenciam a gestação?

    O impacto de uma malformação uterina na gravidez depende principalmente do espaço disponível para o crescimento do bebê dentro do útero. Em algumas situações, o útero pode ter mais dificuldade para se expandir conforme a gestação avança, especialmente no caso do útero unicórnio, que possui cerca de metade do tamanho habitual.

    Como consequência, Andreia destaca que algumas complicações podem ocorrer com maior frequência, entre elas:

    • Aborto espontâneo: a limitação de espaço pode dificultar a evolução da gestação, principalmente nos primeiros meses;
    • Perdas gestacionais: o risco existe nos úteros septado, bicorno, unicórnio e didelfo, embora no útero didelfo ele costuma ser menor;
    • Parto prematuro: uma cavidade uterina menor pode atingir o limite de expansão antes do tempo, favorecendo o início precoce do trabalho de parto.

    Apesar dos riscos, é importante destacar que muitas mulheres com malformações uterinas conseguem ter uma gravidez saudável e dar à luz bebês sem complicações. No entanto, as gestações são consideradas de alto risco e precisam de um acompanhamento mais próximo, com consultas mais frequentes, uso de medicamentos e exames adicionais.

    Como é feito o diagnóstico de malformação do útero?

    O diagnóstico das malformações do útero é simples, feito com exames de imagem específicos para avaliar o formato interno e externo do órgão:

    • Ultrassom transvaginal: principal exame para avaliar o formato do útero e identificar a maioria das alterações anatômicas;
    • Histerossalpingografia: exame com contraste e raio-X que permite visualizar a cavidade uterina e as trompas;
    • Ressonância magnética da pelve: fornece imagens detalhadas do útero e ajuda a esclarecer casos mais complexos;
    • Histerossonografia: ultrassom realizado com a infusão de soro fisiológico no útero, facilitando a identificação de septos e outras alterações da cavidade;
    • Histeroscopia: procedimento que utiliza uma microcâmera introduzida pelo colo do útero para visualizar diretamente a cavidade uterina.

    Quando a cirurgia é indicada?

    A necessidade de cirurgia depende do tipo de alteração e do histórico da paciente. Segundo Andreia, o procedimento pode ser indicado quando a cavidade uterina é muito reduzida e existe desejo de engravidar no futuro, ou quando a mulher apresenta abortos de repetição relacionados à malformação.

    Os principais tipos de correção são:

    • Útero septado: é realizada por histeroscopia, com a retirada do septo que divide a cavidade uterina;
    • Útero bicorno: a correção é mais complexa e nem sempre necessária, sendo avaliada caso a caso;
    • Útero didelfo: raramente precisa de cirurgia, já que muitas mulheres não apresentam complicações importantes;
    • Útero unicórnio: normalmente não pode ser corrigido cirurgicamente, pois parte do órgão não se desenvolveu durante a formação fetal.

    Após alguns procedimentos, pode ser necessário aguardar um período de recuperação antes de tentar engravidar, conforme orientação médica.

    O tipo de útero influencia a via de parto?

    A resposta é sim. Algumas malformações uterinas aumentam a chance de o bebê permanecer em posições diferentes da ideal para o parto vaginal, como a apresentação pélvica, em que ele fica sentado. Isso acontece porque o formato da cavidade pode limitar os movimentos do feto durante a gestação.

    O parto vaginal não é necessariamente contraindicado, mas Andreia destaca que as situações aumentam a probabilidade de uma cesariana. A definição da via de parto deve ser feita individualmente, levando em conta a posição do bebê, a evolução da gestação e as condições de saúde da mãe e do feto.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem útero septado pode engravidar naturalmente?

    Sim, a mulher com útero septado pode engravidar naturalmente, pois a ovulação e as trompas geralmente funcionam de forma normal. O principal desafio é o risco de aborto caso o embrião se implante no septo.

    2. Qual a diferença entre útero bicorno e septado?

    No útero septado, o órgão é normal por fora e dividido por uma parede de tecido por dentro. No útero bicorno, a parede externa do topo do útero é dividida, dando a ele o formato de um coração.

    3. O útero retrovertido causa dor na relação?

    Pode causar. Se o útero retrovertido for fixo devido a condições como a endometriose, algumas posições sexuais que causam maior impacto no fundo da vagina podem causar desconforto ou dor.

    4. Quem tem malformação uterina sente algum sintoma?

    A maioria das mulheres não apresenta nenhum sintoma e passa a vida sem saber da condição, descobrindo-a apenas em exames de rotina ou ao tentar engravidar.

    5. O formato do útero pode causar cólicas fortes?

    As malformações em si não costumam causar cólicas, mas se a alteração vier acompanhada de um septo vaginal que dificulte a saída do sangue, ou se a retroversão for causada por endometriose, a mulher terá cólicas fortes.

    6. O útero retrovertido é considerado uma doença?

    Não, o útero retrovertido é apenas uma variação anatômica da posição do órgão, presente em cerca de 15% a 20% das mulheres, e não traz riscos à saúde.

    7. O útero pode mudar de formato ao longo da vida?

    Não. As malformações uterinas (septado, bicorno, didelfo e unicórnio) são congênitas, então a mulher nasce com elas e o formato permanece o mesmo.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Reserva ovariana após os 35 anos de idade: o que muda e como avaliar?

    Você já deve saber que toda a mulher já nasce com uma quantidade limitada de óvulos. Ao contrário dos homens, que produzem espermatozoides ao longo de quase toda a vida, a reserva ovariana diminui progressivamente a cada ciclo menstrual, desde a puberdade até a menopausa.

    A partir dos 35 anos de idade, a redução tende a ser ainda mais acelerada, tanto em quantidade quanto em qualidade. Na prática, isso pode se refletir em uma menor chance de engravidar naturalmente a cada ciclo, além de um aumento no tempo necessário para que a gestação aconteça.

    Mas afinal, como é feita a avaliação da reserva ovariana? A seguir, esclarecemos tudo que você precisa saber para entender como o corpo funciona nesse período da vida e quais são os exames fundamentais para medir seu estoque de óvulos.

    O que é a reserva ovariana?

    A reserva ovariana é o termo usado para descrever a quantidade total de óvulos que uma mulher possui nos ovários em um determinado momento.

    Diferente de outros tecidos do corpo que se regeneram, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que a mulher já nasce com uma quantidade determinada de óvulos que serão liberados até o último, o que normalmente ocorre entre os 45 e 55 anos.

    A cada ciclo menstrual, o corpo recruta um grupo de óvulos, mas apenas um costuma amadurecer e ser liberado, enquanto os outros acabam se degenerando e sendo reabsorvidos pelo organismo. O processo é ininterrupto e acontece mesmo durante o uso de anticoncepcionais, na gravidez ou em ciclos sem ovulação.

    Vale entender que nem todos os óvulos disponíveis serão utilizados em ovulações. A maior parte deles se perde ao longo do tempo em um processo natural do organismo. Por isso, a reserva ovariana não depende apenas da idade, mas a idade ainda é o principal fator que influencia a redução.

    Com o passar dos anos, também ocorre uma queda na qualidade dos óvulos, o que pode impactar diretamente a fertilidade e as chances de uma gestação saudável.

    Por que a fertilidade diminui após os 35 anos?

    A queda da fertilidade após os 35 anos acontece por uma combinação de fatores que afetam tanto a quantidade e a qualidade dos óvulos quanto o funcionamento do sistema reprodutor:

    • Esgotamento do estoque (quantidade): a mulher não produz novos óvulos. Aos 35 anos, a reserva já está mais reduzida e o ritmo de perda acelera, diminuindo as chances de ovulação eficaz a cada ciclo;
    • Envelhecimento celular (qualidade): os óvulos envelhecem com o tempo, o que dificulta a divisão celular adequada. Isso aumenta o risco de aneuploidias e pode comprometer o desenvolvimento do embrião ou elevar o risco de abortamento;
    • Alterações no ciclo hormonal: com a reserva mais baixa, o organismo aumenta a produção de FSH para estimular os ovários, o que pode causar ciclos mais curtos ou ovulações irregulares;
    • Maior exposição a doenças ginecológicas: condições como endometriose, miomas uterinos e histórico de infecções tornam-se mais frequentes com a idade e podem dificultar a gestação;
    • Receptividade uterina: o útero envelhece mais lentamente, mas pequenas alterações no endométrio ou na circulação podem dificultar a implantação do embrião.

    Como saber se a reserva ovariana está baixa?

    Para saber se a reserva ovariana está baixa, é necessário fazer uma avaliação médica com exames específicos, como:

    1. Hormônio anti-mülleriano (AMH)

    O hormônio anti-mülleriano é um exame de sangue que estima a quantidade de folículos presentes nos ovários, funcionando como um indicador indireto do número de óvulos disponíveis.

    Os valores mais baixos normalmente sugerem uma reserva reduzida, enquanto valores altos podem indicar uma boa quantidade de óvulos ou, em alguns casos, condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos.

    Diferente de outros hormônios, ele pode ser realizado em qualquer fase do ciclo menstrual, pois os níveis não oscilam significativamente ao longo do mês.

    2. FSH (Hormônio Folículo Estimulante)

    O FSH é avaliado por meio de um exame de sangue realizado obrigatoriamente no início do ciclo menstrual, frequentemente entre o 2º e o 5º dia da menstruação. O hormônio é produzido pelo cérebro para estimular os ovários a amadurecerem um óvulo.

    Quando os níveis de FSH estão elevados, é um sinal de que o organismo está fazendo um esforço extra para tentar fazer os ovários funcionarem, o que sugere uma baixa reserva ou dificuldade de resposta ovariana.

    3. Contagem de folículos antrais (CFA)

    A contagem de folículos antrais é realizada por meio de um ultrassom transvaginal, em que o médico observa e conta os pequenos folículos presentes nos ovários naquele momento. O número ajuda a estimar a reserva ovariana de forma mais direta e também a entender como os ovários responderiam a um possível tratamento de fertilidade.

    4. Estradiol

    O estradiol é um hormônio produzido pelos ovários e está relacionado ao desenvolvimento dos folículos, sendo dosado por exame de sangue no início do ciclo menstrual. Quando os níveis estão alterados, podem interferir na interpretação do FSH e oferecer informações adicionais sobre o funcionamento ovariano.

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos?

    É possível engravidar naturalmente após os 35 anos, mas como a fertilidade tende a diminuir com a idade, o processo pode ser mais demorado e difícil. De acordo com Andreia, as chances de concepção variam significativamente de acordo com a idade:

    • Aos 25 anos: a mulher está no auge da fertilidade, com uma chance de engravidar de 20% a 25% a cada ciclo menstrual;
    • Aos 35 anos: a fertilidade sofre uma queda acentuada, reduzindo as chances para cerca de 10% a 15% por mês;
    • A partir dos 40 anos: o esgotamento da reserva ovariana torna a gravidez natural mais difícil, com chances inferiores a 10% em cada tentativa.

    Além disso, com o avanço da idade, Andreia explica que algumas comorbidades se tornam mais frequentes, como o diabetes, a hipertensão e as doenças da tireoide. As condições podem interferir tanto na fertilidade quanto na evolução da gestação, especialmente quando não estão bem controladas.

    Quando procurar um especialista?

    É recomendado realizar uma avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana nas seguintes situações:

    • Após 12 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com menos de 35 anos;
    • Após 6 meses de tentativas, para mulheres com 35 anos ou mais.

    Em algumas situações, a investigação deve ser antecipada, independentemente do tempo de tentativa, como nos casos de ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação, que podem indicar alterações na ovulação.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. A reserva ovariana pode aumentar com tratamento?

    Não, a mulher nasce com um estoque fixo e limitado de óvulos. Os tratamentos podem ajudar a aproveitar melhor os óvulos restantes, mas não conseguem criar novos óvulos ou aumentar o estoque original.

    2. O uso de anticoncepcional preserva a reserva ovariana?

    Não. O anticoncepcional impede a ovulação, mas o processo de perda natural (atresia folicular) continua acontecendo todos os meses, independentemente do uso de hormônios.

    3. Quem tem reserva baixa pode ter filhos?

    Sim, a reserva baixa indica que a quantidade é menor, mas não significa infertilidade. Se a qualidade do óvulo for boa, a gravidez pode ocorrer naturalmente ou com auxílio médico.

    4. O estilo de vida interfere na reserva ovariana?

    O estilo de vida não muda a quantidade, mas afeta drasticamente a qualidade. Por isso, cigarro, má alimentação e obesidade aceleram a perda e danificam os óvulos restantes.

    5. Existe algum sintoma físico de que meus óvulos estão acabando?

    Na maioria das vezes não há sintomas. Algumas mulheres notam apenas que o ciclo menstrual ficou mais curto (exemplo: de 28 para 24 dias).

    6. Posso congelar óvulos com reserva baixa?

    Sim, mas pode ser necessário realizar mais de um ciclo de estimulação ovariana para coletar uma quantidade segura de óvulos.

    7. O que fazer se o exame der reserva baixa aos 35 anos?

    O primeiro passo é consultar um especialista em reprodução humana para discutir se o plano é engravidar agora (tentativa natural ou assistida) ou preservar a fertilidade via congelamento.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35 anos de idade? 

    A busca por estabilidade profissional, financeira ou pessoal está entre os motivos pelos quais algumas mulheres optam por adiar a maternidade. No entanto, o corpo feminino passa por mudanças naturais com o avanço da idade, especialmente em relação à fertilidade.

    Após os 35 anos, o organismo apresenta uma redução mais expressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, além de uma maior predisposição ao surgimento de comorbidades que podem impactar a gestação.

    Isso não significa que a gravidez seja impossível, mas destaca a importância de informação, acompanhamento médico e de medidas que ajudem nesse processo. Vamos entender mais a seguir.

    O que muda na fertilidade após os 35 anos?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, toda mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, que serão liberados ao longo da vida reprodutiva até a chegada da menopausa.

    A reserva ovariana sofre um impacto significativo por volta dos 35 anos, em que ocorre uma queda não apenas na quantidade, mas também na qualidade das células. Com o envelhecimento dos gametas, as chances de erros na divisão celular aumentam, o que eleva o risco de alterações genéticas, como as cromossomopatias.

    A especialista ainda ressalta que a idade é um ponto de transição metabólica. É quando o organismo começa a apresentar uma maior prevalência de comorbidades, como hipertensão, diabetes e distúrbios da tireoide.

    Mesmo assim, Andreia aponta que, com um acompanhamento pré-concepcional adequado, é possível identificar riscos precocemente e preparar o corpo para uma gestação saudável.

    Como aumentar as chances de engravidar após os 35?

    1. Cuide do planejamento antes de tentar

    Na consulta pré-concepcional, o médico avalia o estado geral da saúde, solicita exames, verifica o status vacinal e orienta a suplementação, como o uso de ácido fólico.

    Também é o momento de ajustar medicações e controlar doenças pré-existentes, como problemas de tireoide ou resistência à insulina. Segundo Andreia, o ideal é que a gravidez seja planejada com 6 meses a um ano de antecedência.

    2. Conheça o seu ciclo e o período fértil

    Com o avanço da idade, as chances de engravidar por ciclo diminuem de forma natural. Por volta dos 25 anos, a probabilidade de gravidez a cada ciclo menstrual está entre 20% e 25%, enquanto aos 35 anos a taxa pode cair para cerca de 10% a 15%.

    Assim, vale entender o funcionamento do ciclo menstrual e identificar o período fértil, pois ter relações sexuais próximas ao momento da ovulação aumenta as chances de concepção.

    Para ajudar no processo, podem ser usados aplicativos de monitoramento do ciclo, que ajudam a prever os dias férteis, além de testes de ovulação disponíveis em farmácias, que identificam alterações hormonais relacionadas à ovulação.

    3. Envolva o parceiro no processo

    Segundo Andreia, a qualidade do espermatozoide muda ao longo do tempo, sendo responsável por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. É necessário que o parceiro também participe ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como:

    • Redução ou eliminação do cigarro;
    • Moderação no consumo de álcool;
    • Adoção de uma alimentação equilibrada;
    • Controle do peso corporal, já que a obesidade pode prejudicar a qualidade dos espermatozoides.

    Em alguns casos, o médico pode indicar a realização de um espermograma, exame que avalia a quantidade, a motilidade e a morfologia dos gametas masculinos.

    4. Melhore o estilo de vida e cuide da saúde dos óvulos

    Não é possível aumentar a quantidade de óvulos ao longo da vida, mas é viável melhorar o ambiente hormonal e metabólico em que eles se desenvolvem, a partir de medidas como:

    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas, antioxidantes e gorduras boas, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva e oleaginosas;
    • Praticar atividade física de forma regular, respeitando o próprio corpo, já que o movimento ajuda no equilíbrio hormonal, na circulação e na saúde metabólica;
    • Controlar o peso corporal, evitando tanto o excesso quanto a baixa de peso, pois ambos podem interferir no funcionamento dos hormônios e na ovulação;
    • Reduzir o estresse no dia a dia, com estratégias como momentos de descanso, sono de qualidade e atividades que promovam bem-estar.

    Após os 30 anos, algumas alterações, como a resistência à insulina e disfunções da tireoide, se tornam mais frequentes e podem impactar a fertilidade, sendo necessário manter o acompanhamento médico e o controle das condições.

    5. Considere o congelamento de óvulos

    Para mulheres com 35 anos ou mais que ainda não pretendem engravidar, o congelamento de óvulos é uma medida de planejamento reprodutiva que permite preservar os óvulos no momento atual, mantendo a qualidade das células para uma tentativa futura.

    O processo envolve a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e o congelamento em laboratório, sempre com acompanhamento médico especializado. Dessa forma, quando a mulher decidir engravidar, poderá utilizar óvulos mais jovens, o que tende a aumentar as chances de sucesso.

    Vale lembrar que, quanto mais cedo o congelamento é realizado (idealmente antes dos 35 anos), maiores são as chances de sucesso no futuro. Ele não é uma garantia de 100% de gravidez futura, mas aumenta consideravelmente as chances em comparação à tentativa natural em idade avançada, segundo Andreia.

    Quando procurar um especialista em reprodução humana?

    Para mulheres com mais de 35 anos, a recomendação médica é procurar um especialista em reprodução humana:

    • Após 6 meses de tentativas sem sucesso, para mulheres com 35 anos ou mais;
    • Após 12 meses de tentativas, para mulheres com menos de 35 anos.

    Em qualquer idade, a presença de fatores como ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou histórico de dificuldade para engravidar pode justificar uma investigação antecipada.

    O especialista poderá solicitar exames, avaliar o casal de forma completa e indicar o melhor caminho, que pode ir desde ajustes simples até tratamentos mais específicos. Quanto mais cedo a investigação começa, maiores tendem a ser as chances de sucesso.

    Veja também: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Engravidar após os 35 é considerado sempre uma gravidez de alto risco?

    Não, muitas mulheres têm gestações de baixo risco nessa idade. O risco depende da presença de doenças prévias (como hipertensão) ou de condições que surgem durante o pré-natal.

    2. O uso prolongado de anticoncepcional pode dificultar a gravidez mais tarde?

    Não. Ao parar o método, a fertilidade que a mulher terá é a que ela já teria naturalmente para a sua idade atual.

    3. Quais são os principais riscos da gravidez tardia para o bebê?

    O principal risco é o aumento de cromossomopatias (alterações genéticas), como a Síndrome de Down. Isso ocorre porque os óvulos envelhecem e podem apresentar erros na divisão celular.

    4. E quais são os riscos para a saúde da mãe?

    Há uma maior incidência de comorbidades metabólicas, como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), além de uma maior taxa de partos cesárea.

    5. Como o estilo de vida do homem influencia o processo?

    O espermatozoide é sensível a hábitos como tabagismo, consumo de álcool, obesidade e dietas inflamatórias. Melhorar o estilo de vida pode elevar significativamente a viabilidade do sêmen.

    6. Por que devo tomar ácido fólico antes de engravidar?

    O ácido fólico deve ser iniciado pelo menos 3 meses antes da concepção para prevenir malformações no tubo neural do bebê (cérebro e medula).

    7. O pré-natal de uma mulher de 35 anos é diferente?

    O protocolo é o mesmo, mas o médico terá uma vigilância maior para detectar precocemente sinais de diabetes ou pressão alta, realizando exames de rastreio genético com mais atenção.

    8. Como saber se ainda sou fértil aos 35 ou 40 anos?

    O médico pode solicitar exames como a dosagem do Hormônio Antimulleriano (AMH) e a ultrassonografia para contagem de folículos antrais para avaliar a reserva ovariana.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Oncofertilidade: como funciona a preservação da fertilidade antes de tratamento de câncer? 

    Oncofertilidade: como funciona a preservação da fertilidade antes de tratamento de câncer? 

    O tratamento de câncer, seja para tumores sólidos ou para doenças onco-hematológicas, é feito com terapias que atuam eliminando as células doentes, como a quimioterapia, a radioterapia e, em alguns casos, a cirurgia. Mas, apesar de necessárias no controle da doença, elas podem afetar também células saudáveis, incluindo as reprodutivas.

    No caso das mulheres, isso pode significar uma redução da reserva de óvulos ou até a perda da função ovariana, dependendo do tipo de tratamento e da idade. Já para os homens, os tratamentos podem comprometer a produção de espermatozoides, levando à diminuição da fertilidade ou até à infertilidade temporária ou permanente.

    Em razão disso, antes de começar qualquer tratamento oncológico, são consideradas alternativas que permitem preservar a fertilidade, dependendo do tipo de câncer, a urgência para começar o tratamento, as condições de saúde da paciente e o desejo de ter filhos no futuro.

    O que é oncofertilidade?

    A oncofertilidade é uma área da medicina que combina a oncologia à medicina reprodutiva para preservar a capacidade de ter filhos em pacientes diagnosticados com câncer.

    Como os tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias podem causar infertilidade temporária ou permanente, a especialidade atua no planejamento de estratégias de preservação antes do início das intervenções oncológicas.

    A decisão envolve uma equipe multidisciplinar, normalmente com oncologista e especialista em reprodução humana, para garantir segurança e alinhamento com o plano de tratamento.

    Como o tratamento de câncer pode afetar a fertilidade?

    Uma boa parte dos tratamentos oncológicos é tóxica para os tecidos e pode levar a uma infertilidade temporária ou definitiva, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Eles funcionam, em sua maioria, atacando células que se multiplicam rapidamente, que é uma característica principal dos tumores. No entanto, o mecanismo também afeta outras células saudáveis do corpo com comportamento semelhante, como as células germinativas responsáveis pela produção de óvulos e espermatozoides.

    • Quimioterapia: o uso de medicamentos citotóxicos pode reduzir drasticamente a reserva ovariana nas mulheres ou interromper a produção de esperma nos homens, podendo levar à infertilidade temporária ou permanente (menopausa precoce ou azoospermia);
    • Radioterapia: quando aplicada na região pélvica ou próxima às gônadas, a radiação pode danificar de forma irreversível os tecidos dos ovários ou testículos;
    • Cirurgias: procedimentos para retirada de tumores no sistema reprodutor ou em órgãos próximos podem exigir a remoção total ou parcial de órgãos essenciais para a concepção.

    Como não é possível prever se a infertilidade será definitiva, já que isso depende do tipo de tratamento e da resposta da paciente, Andreia orienta que é sempre válido considerar a preservação da fertilidade antes do início da terapia.

    Quais os principais métodos de preservação da fertilidade?

    Os métodos de preservação da fertilidade variam de acordo com a idade, o tipo de câncer e o tempo disponível antes do início do tratamento, mas alguns são mais comuns:

    1. Congelamento de óvulos

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é uma técnica de reprodução assistida em que os óvulos são coletados dos ovários e congelados para uso futuro.

    A terapia é feita a partir da estimulação ovariana, feita por meio de hormônios, para que o corpo produz um número maior de óvulos em um único ciclo. Durante a fase, a paciente é acompanhada com exames de sangue e ultrassonografias para monitorar o desenvolvimento dos folículos.

    Quando os óvulos atingem o estágio adequado, é realizada a coleta por um procedimento simples, guiado por ultrassom e feito com sedação. Após a coleta, os óvulos maduros são congelados em laboratório por uma técnica chamada vitrificação, que permite a preservação das células sem formação de cristais de gelo.

    Os óvulos podem ser utilizados no futuro, quando a paciente deseja engravidar, por meio da fertilização in vitro. Segundo Andréia, ele é indicado especialmente para mulheres que não têm parceiro ou não desejam formar embriões naquele momento.

    2. Congelamento de embriões

    O congelamento de embriões, também chamado de criopreservação, é uma técnica da fertilização in vitro (FIV) em que os embriões formados em laboratório são preservados para uso futuro.

    Após a coleta dos óvulos e a fertilização com o sêmen do parceiro ou de um doador, os embriões são cultivados por alguns dias e, em seguida, congelados em condições controladas, normalmente em nitrogênio líquido a -196 °C. A técnica mais utilizada é a vitrificação, a mesma utilizada no congelamento de óculos.

    Os embriões podem ficar armazenados por tempo indeterminado e, quando a pessoa decide engravidar, podem ser descongelados e transferidos para o útero.

    3. Congelamento de tecido ovariano

    O congelamento de tecido ovariano consiste na retirada de pequenos fragmentos do ovário por meio de uma cirurgia. O tecido é congelado e pode ser reimplantado no corpo da paciente após o término do tratamento oncológico.

    A ideia é que o ovário volte a funcionar, permitindo a produção de hormônios e, em alguns casos, a ovulação natural.

    O método pode ser uma alternativa quando não há tempo para realizar a estimulação ovariana ou em situações específicas, sempre com avaliação criteriosa do tipo de câncer. Segundo Andreia, em casos de tumor de ovário, não se recomenda a retirada e o reimplante do tecido, já que há risco de presença de células cancerígenas.

    4. Supressão ovariana com medicamentos

    A supressão ovariana é feita com o uso de medicamentos que bloqueiam os sinais cerebrais que estimulam os ovários durante o tratamento, especialmente durante a quimioterapia. Com isso, os ovários ficam menos ativos e, teoricamente, mais protegidos contra os efeitos tóxicos do tratamento oncológico.

    Os remédios são aplicados por injeções, que podem ser mensais ou trimestrais, e costumam ser iniciados antes do começo da quimioterapia e mantidos durante o tratamento. No período, a mulher pode apresentar sintomas semelhantes aos da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor e ausência de menstruação.

    Após o término do tratamento contra o câncer, em muitos casos, os ovários podem voltar a funcionar aos poucos. No entanto, é importante entender que a terapia não substitui os métodos de congelamento e nem sempre garante a preservação da fertilidade.

    Por isso, costuma ser utilizada como uma forma complementar de cuidado, e não como única alternativa.

    Quando considerar a preservação da fertilidade?

    A preservação da fertilidade deve ser considerada imediatamente após o diagnóstico de câncer, assim que houver a indicação de tratamentos que possam comprometer a reserva de óvulos ou a produção de espermatozoides.

    Contudo, Andreia explica que a possibilidade de preservar a fertilidade depende de alguns fatores, como o tipo de câncer, a urgência para começar o tratamento, a idade, as condições de saúde da paciente e o desejo de ter filhos no futuro.

    Por exemplo, se a mulher já decidiu que não quer engravidar, a ginecologista aponta que não faz sentido indicar o procedimento.

    Em alguns casos, o tratamento precisa começar rápido e não há tempo para fazer a preservação, especialmente se a paciente estiver mais debilitada ou se o câncer exigir tratamento imediato. Nesses casos, pode não ser indicado esperar.

    Em todos os casos, a decisão deve ser tomada em conjunto com o ginecologista, especialista em reprodução, oncologista e cirurgião. Segundo Andréia, tudo deve ser feito o mais rápido possível para não atrasar o início do tratamento.

    Quando iniciar o processo de preservação?

    O processo de preservação da fertilidade deve começar o quanto antes, logo após a confirmação do diagnóstico de câncer. Os tratamentos oncológicos podem começar a agir nas células reprodutoras (óvulos e espermatozoides) logo no início.

    Se o paciente espera o tratamento começar para depois pensar na preservação, o estoque ou a qualidade das células já pode ter sido prejudicado.

    O ideal é que, na mesma semana em que você recebeu o diagnóstico e o plano de tratamento do oncologista, você já agende uma consulta com um especialista em reprodução humana. Eles vão trabalhar juntos para encaixar a coleta de gametas no intervalo de tempo que você tem antes de iniciar o combate ao tumor.

    Quanto tempo dura o processo?

    O tempo do processo de preservação da fertilidade pode variar de acordo com a técnica escolhida, mas eles costumam ser curtos. O congelamento de óvulos ou embriões, por exemplo, costuma levar entre 10 dias e duas semanas. O período inclui a estimulação dos ovários com hormônios, o acompanhamento com exames e a coleta dos óvulos.

    Já o congelamento de tecido ovariano pode ser ainda mais rápido, pois envolve apenas um procedimento cirúrgico para retirada del tecido, sem necessidade de estimulação hormonal.

    Quando a preservação da fertilidade é contraindicada?

    A preservação da fertilidade pode ser contraindicada em algumas situações, como:

    • O tratamento precisa começar imediatamente: em casos mais agressivos ou avançados, em que não é possível adiar o início da terapia nem por alguns dias, a prioridade é tratar o câncer;
    • A paciente está clinicamente debilitada: quando o estado de saúde não permite a realização de procedimentos, como a estimulação ovariana ou uma cirurgia, a preservação pode não ser segura;
    • O tumor é hormônio-dependente: alguns tipos de câncer, como certos tumores de mama, ovário ou endométrio, podem crescer com estímulo hormonal. Nesses casos, o uso de hormônios para estimular os ovários pode ser contraindicado;
    • Há risco de reintrodução de células cancerígenas: no caso do congelamento de tecido ovariano, por exemplo, não é indicado quando existe risco de o tecido conter células do câncer, como em tumores de ovário;
    • Não há desejo reprodutivo: se a paciente não deseja ter filhos no futuro, não há indicação para realizar o procedimento.

    É possível fazer a preservação da fertilidade em crianças?

    Na criança, não é possível realizar a preservação da fertilidade da mesma forma. Segundo Andreia, o processo envolve, no mínimo, o congelamento de óvulos, e a criança ainda não está na fase de ovulação.

    Para que isso fosse possível, seria necessário induzir uma puberdade precoce, o que não é adequado e pode trazer prejuízos para o crescimento e para a saúde óssea.

    Por isso, o que se faz é o acompanhamento ao longo da adolescência. Caso surja algum distúrbio hormonal, existem tratamentos para correção, mas a preservação, nessa fase, não é possível.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Para os homens, como funciona a preservação da fertilidade?

    A melhor opção é a criopreservação de sêmen. O homem realiza a coleta através da masturbação e a amostra fica congelada por tempo indeterminado.

    2. Quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

    Não existe um prazo de validade. Os óvulos e o sêmen permanecem preservados em nitrogênio líquido e mantêm a qualidade por muitos anos.

    3. A preservação da fertilidade pode fazer o câncer voltar?

    Não há evidências científicas de que a coleta de gametas aumente o risco de recidiva da doença.

    4. Quem já começou a quimioterapia ainda pode congelar óvulos ou sêmen?

    O ideal é fazer antes. Após o início, a qualidade das células pode estar comprometida, mas cada caso deve ser avaliado individualmente pelo especialista.

    5. É possível engravidar naturalmente após o câncer?

    Sim, algumas pessoas recuperam a função reprodutiva após o término das terapias. Porém, como não há garantias, o congelamento funciona como um seguro.

    6. Homens trans ou mulheres trans com câncer também podem preservar?

    Com certeza. O direito à parentalidade futura é para todos, e os procedimentos de coleta seguem protocolos semelhantes, respeitando a identidade de cada pessoa.

    7. O procedimento de coleta de óvulos dói?

    A coleta é realizada sob sedação leve, de modo que a paciente não sente dor durante o processo. Após o procedimento, pode haver um leve desconforto abdominal, semelhante a uma cólica menstrual, que costuma passar em pouco tempo.

    8. É possível preservar a fertilidade em casos de leucemia?

    Sim, pacientes com cânceres hematológicos podem realizar a preservação. No entanto, o médico precisa avaliar o estado geral de saúde e os níveis de plaquetas para garantir que a coleta ocorra com total segurança.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Janela fértil: o que é e como calcular para quem quer engravidar? 

    Ao longo do ciclo menstrual, ocorre uma série de mudanças hormonais que preparam o corpo para uma possível gravidez. os hormônios atuam de forma coordenada para estimular o amadurecimento do óvulo e preparar o útero para a implantação.

    Durante esse processo, existe um período específico em que a fertilidade aumenta significativamente: a janela fértil.

    A ovulação marca o ponto central do intervalo, momento em que o ovário libera o óvulo, que permanece viável por cerca de 24 horas. Como os espermatozoides podem sobreviver no organismo por até cinco dias, o período em que a gravidez pode ocorrer é ampliado.

    Se você está planejando ter um bebê, ou mesmo deseja conhecer melhor o próprio corpo e evitar uma gravidez não planejada, entender como a janela fértil funciona pode te ajudar a tomar decisões mais conscientes ao longo do ciclo.

    O que é janela fértil?

    A janela fértil é o período do ciclo menstrual em que as chances de engravidar são maiores. Ela acontece ao redor da ovulação, que é o momento em que o ovário libera um óvulo pronto para ser fecundado.

    Mesmo que o óvulo sobreviva por apenas cerca de 24 horas, os espermatozoides podem permanecer vivos no organismo por até cinco dias, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Por isso, a janela fértil não se limita a um único dia, mas a um intervalo que inclui alguns dias antes da ovulação e, em alguns casos, o dia seguinte.

    Na prática, isso significa que relações sexuais que acontecem alguns dias antes da ovulação ainda podem resultar em gravidez, já que os espermatozoides podem permanecer no trato reprodutivo aguardando a liberação do óvulo.

    Como calcular a janela fértil?

    O cálculo da janela fértil gira em torno do dia da ovulação. Como o óvulo sobrevive por cerca de 24 horas e os espermatozoides podem permanecer vivos por até 5 dias, o período fértil não se limita a um único dia, mas inclui alguns dias antes e o próprio dia da ovulação.

    Para calcular, o primeiro passo é entender a duração do ciclo menstrual, que corresponde ao intervalo entre o primeiro dia de uma menstruação e o dia anterior da próxima. A partir dessa duração, é possível estimar o momento da ovulação, que normalmente acontece cerca de 14 dias antes da próxima menstruação. Por exemplo:

    • Ciclo de 28 dias, a ovulação tende a ocorrer por volta do 14º dia;
    • Ciclo de 30 dias, por volta do 16º;
    • Ciclo de 31 dias, por volta do 17º dia.

    A partir disso, a janela fértil é calculada voltando cerca de 5 dias a partir da data da ovulação e incluindo o próprio dia em que ela ocorre. Assim, em um ciclo de 31 dias, por exemplo, a janela fértil costuma ficar entre o 12º e o 17º dia do ciclo. Andreia lembra que a contagem sempre começa no primeiro dia da menstruação, que é considerado o dia 1.

    A ginecologista aponta que, como o ciclo pode variar de um mês para o outro, a orientação mais comum é manter relações sexuais a cada 2 ou 3 dias, o que aumenta as chances de que haja espermatozoides viáveis durante a ovulação, sem gerar ansiedade com cálculos exatos.

    Sinais do corpo durante a janela fértil

    Durante a janela fértil, o corpo costuma apresentar alguns sinais naturais que indicam que a ovulação está próxima ou acontecendo, como:

    • Aumento do muco cervical, que fica mais transparente, elástico e escorregadio, semelhante à clara de ovo;
    • Aumento da libido;
    • Leve dor ou desconforto na parte inferior do abdômen (dor do meio);
    • Aumento discreto da temperatura corporal basal após a ovulação;
    • Resultado positivo nos testes hormonais de LH;
    • Possível sensibilidade nas mamas.

    Quantos dias dura a janela fértil?

    A janela fértil costuma durar entre 5 e 6 dias ao longo do ciclo menstrual, pois os espermatozoides podem sobreviver por até 5 dias dentro do organismo e o óvulo vive cerca de 24 horas após a ovulação

    Por isso, a janela fértil inclui:

    • Os 3 a 5 dias antes da ovulação;
    • O dia da ovulação;
    • E, em alguns casos, até 1 dia depois

    Na prática, mesmo que a ovulação aconteça em um único dia, o período fértil é mais longo por causa da sobrevivência dos espermatozoides.

    Como aumentar as chances de engravidar na janela fértil?

    Para aumentar as chances de engravidar durante a janela fértil, é importante alinhar o momento das relações com o período em que o corpo está mais propício à fecundação, além de adotar alguns cuidados simples no dia a dia, como:

    • Ter relações de 2 a 3 dias antes da ovulação, e não apenas no dia exato;
    • Manter uma frequência regular, preferencialmente em dias alternados (dia sim, dia não);
    • Observar o muco cervical, que fica transparente, elástico e semelhante à clara de ovo;
    • Utilizar testes de ovulação para identificar o aumento do hormônio LH;
    • Evitar lubrificantes comuns que podem prejudicar a mobilidade dos espermatozoides;
    • Manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como ácido fólico e zinco;
    • Reduzir o estresse, já que ele pode interferir no equilíbrio hormonal.

    No geral, para quem está tentando engravidar, Andreia recomenda manter relações regulares por alguns meses antes de iniciar uma investigação. A chance de gravidez por ciclo, mesmo em condições ideais, gira em torno de 25%, então é normal que leve algum tempo para acontecer.

    Quem toma anticoncepcional tem uma janela fértil?

    Pessoas que tomam anticoncepcional hormonal corretamente não tem janela fértil, pois os métodos como a pílula, o adesivo, o anel vaginal e a injeção inibem a ovulação. Sem a liberação do óvulo, não existe o período fértil como ocorre em um ciclo natural.

    Além disso, os métodos também deixam o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides, e alteram o revestimento do útero, reduzindo as chances de implantação.

    No entanto, vale apontar que se o anticoncepcional não for usado corretamente, seja por esquecer comprimidos, tomar fora do horário ou interromper o uso, pode acontecer a ovulação. Nesses casos, existe risco de gravidez, mas não se trata de uma “janela fértil” previsível como em ciclos naturais.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Como calcular a janela fértil em um ciclo de 28 dias?

    Em um ciclo regular de 28 dias, a ovulação geralmente ocorre no 14º dia. A janela fértil compreende os 3 dias antes e os 3 dias depois dessa data.

    2. É possível engravidar fora da janela fértil?

    Biologicamente, não. A gravidez só ocorre se houver um óvulo disponível. No entanto, como a ovulação pode atrasar ou adiantar, é difícil ter 100% de certeza de quando a janela termina.

    3. O teste de ovulação de farmácia é confiável?

    Sim, ele é bastante preciso ao detectar o aumento do hormônio LH, que acontece cerca de 24 a 36 horas antes da ovulação.

    4. Quantas vezes devo ter relação na janela fértil para engravidar?

    O recomendado é manter relações em dias alternados (dia sim, dia não). Isso garante um bom estoque de espermatozoides sem diminuir a qualidade do sêmen.

    5. O que acontece com o corpo se o óvulo não for fecundado?

    O óvulo se desintegra, os níveis de hormônios caem e o revestimento do útero é descartado, resultando na menstruação.

    6. A amamentação impede a janela fértil?

    Nem sempre. Embora a amamentação exclusiva possa inibir a ovulação em algumas mulheres, ela não é um método contraceptivo garantido. A janela fértil pode retornar a qualquer momento.

    7. O que é a temperatura basal e como ela indica a janela fértil?

    A temperatura basal é a temperatura do corpo logo ao acordar. Após a ovulação, ela sobe cerca de 0,3°C a 0,5°C devido à progesterona. Ela não avisa quando a janela começa, mas confirma que a ovulação já ocorreu.

    8. É possível ovular duas vezes no mesmo mês?

    Sim, mas isso acontece em um intervalo de 24 horas (o que pode gerar gêmeos bivitelares). O corpo não inicia um novo processo de ovulação dias depois, pois os hormônios da segunda fase do ciclo impedem uma nova liberação de óvulos.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    Fertilização in vitro (FIV): o que é, como funciona e quanto custa

    A fertilização in vitro, também chamada de FIV, é uma das principais técnicas de reprodução assistida e consiste na fecundação do óvulo pelo espermatozoide em laboratório, seguida da transferência do embrião para o útero.

    Ela pode ser indicada em diferentes situações, como infertilidade masculina, alterações hormonais e até idade materna mais avançada.

    Para entender como a técnica funciona, as taxas de sucesso e quanto custa no Brasil, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    O que é fertilização in vitro (FIV)?

    A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida em que a fecundação (ou seja, a união do espermatozoide com o óvulo) acontece em laboratório, de forma controlada.

    Segundo a ginecologista Andreia, o objetivo é formar embriões que depois são transferidos para o útero, o que pode aumentar as chances de gravidez quando existem questões que dificultam a gestação natural.

    A médica explica que a indicação da fertilização in vitro normalmente ocorre depois da investigação das causas da infertilidade, já que alguns problemas podem ser tratados e permitir a gravidez de forma natural.

    Quando o tratamento inicial não resolve a situação, costumam ser testadas técnicas mais simples, como a indução da ovulação ou a inseminação artificial. Se os métodos não funcionarem, a FIV passa a ser considerada uma alternativa mais avançada.

    Como a fertilização in vitro é feita?

    A fertilização in vitro (FIV) acontece em etapas bem organizadas, como um passo a passo. O processo envolve desde a preparação do corpo até a formação do embrião e a confirmação da gravidez. Entenda como funciona:

    1. Estimulação ovariana

    O tratamento de FIV começa com a estimulação dos ovários, segundo Andreia. A paciente utiliza hormônios, normalmente injetáveis e, às vezes, combinados com medicamentos orais, para estimular a produção de vários óvulos no mesmo ciclo — diferente do ciclo natural, em que normalmente apenas um óvulo é liberado.

    A fase costuma durar entre 8 e 14 dias, em que o crescimento dos folículos é acompanhado por ultrassonografias e exames hormonais. Quando atingem o tamanho ideal, aplica-se uma medicação para finalizar o amadurecimento dos óvulos e programar a coleta.

    2. Coleta dos óvulos

    Cerca de 34 a 36 horas após a medicação final, acontece a coleta dos óvulos, também chamada de punção folicular. O procedimento é feito por via vaginal, com uma agulha guiada por ultrassom.

    A paciente fica sedada para que seja mais confortável, não há cortes na pele e o processo costuma durar entre 15 e 20 minutos. Depois da coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório para avaliação.

    3. Coleta dos espermatozoides

    No mesmo dia, ocorre a coleta do sêmen do parceiro ou o uso de amostra de banco de sêmen, quando necessário. Na maioria das vezes, a coleta é feita por masturbação.

    Em situações específicas, pode ser necessária a retirada direta dos espermatozoides dos testículos ou do epidídimo. No laboratório, o material é preparado para selecionar os espermatozoides com melhor qualidade.

    4. Fertilização em laboratório

    Com óvulos e espermatozoides prontos, acontece a fecundação, que pode ser feita de duas formas, segundo Andreia:

    • FIV convencional: óvulos e espermatozoides ficam juntos em uma placa, permitindo a fecundação espontânea;
    • ICSI: um espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, técnica usada principalmente quando há fator masculino importante ou uso de óvulos congelados.

    Depois disso, os especialistas acompanham quais óvulos foram fecundados e começaram a se desenvolver como embriões.

    5. Desenvolvimento dos embriões

    Os embriões ficam em incubadoras especiais, com temperatura e condições controladas. O desenvolvimento é monitorado todos os dias.

    Geralmente, os embriões são acompanhados até o estágio de blastocisto, entre o 5º e o 7º dia após a fecundação. Em alguns casos, podem ser feitos testes genéticos antes da transferência. Os embriões mais adequados são então escolhidos.

    6. Transferência embrionária e teste de gravidez

    Na transferência embrionária, um ou mais embriões são colocados no útero com um cateter fino. O procedimento é rápido, normalmente não precisa de anestesia e segue critérios médicos relacionados à idade, qualidade embrionária e histórico do casal.

    Se existirem embriões viáveis excedentes, eles podem ser congelados para uso futuro. Depois da transferência, Andreia explica que o recomendado é esperar cerca de 10 a 14 dias para fazer o exame de sangue beta-hCG, que confirma se houve implantação e início da gravidez.

    Os cuidados antes, durante e depois da FIV

    Antes do início do tratamento, costuma ser feita uma avaliação médica completa, com exames hormonais, investigação de infecções, análise da saúde reprodutiva e revisão do histórico clínico. Eles são importantes para entender se existem fatores que possam interferir na fertilidade ou no sucesso do procedimento.

    Segundo Andreia, são realizados os seguintes exames antes da FIV:

    • Exames hormonais para avaliar a função reprodutiva;
    • Investigação de infecções que possam interferir na fertilidade ou na gestação;
    • Ultrassom transvaginal para análise do útero e dos ovários;
    • Histerossalpingografia para avaliação das tubas uterinas;
    • Espermograma para análise da qualidade do sêmen no parceiro;
    • Avaliação clínica geral, incluindo histórico de saúde e doenças pré-existentes.

    Também é importante manter o peso adequado, suspender o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Normalmente, pode ser necessária a suplementação de ácido fólico.

    Após a transferência embrionária, a continuidade do acompanhamento médico continua sendo necessário para favorecer a implantação do embrião e o início adequado da gestação. O profissional pode recomendar evitar esforço físico nos primeiros dias, ficar em repouso e realizar o exame de beta-hCG no período indicado para confirmação da gravidez.

    Já após a transferência do embrião para o útero, a recomendação habitual envolve repouso relativo nas primeiras horas ou dias, sem necessidade de imobilização prolongada. A rotina leve costuma ser liberada conforme orientação médica.

    Se o teste de gravidez apresentar resultado positivo e a evolução inicial ocorrer de forma satisfatória, a gestação passa a ser acompanhada no pré-natal habitual.

    Qual é a taxa de sucesso da fertilização in vitro?

    A taxa de sucesso da fertilização in vitro (FIV) pode variar bastante, de acordo com a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, além do histórico clínico de cada pessoa.

    De acordo com Andreia, em mulheres com menos de 35 anos, as taxas de sucesso costumam variar entre 40% e 50% por ciclo, com redução progressiva após os 40 anos.

    Também é importante considerar que as chances podem aumentar após mais de uma tentativa. Em alguns casos, a taxa acumulada de sucesso após três ciclos pode ultrapassar 60%, especialmente em pacientes mais jovens.

    Todo o processo costuma durar entre um mês e um mês e meio por tentativa, e, em alguns casos, são necessários vários ciclos até que a gestação seja alcançada.

    Diferenças entre a fertilização in vitro e a inseminação artificial

    A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação artificial são técnicas de reprodução assistida usadas quando há dificuldade para engravidar, mas elas funcionam de formas diferentes e têm indicações específicas. A principal diferença está no local onde ocorre a fecundação e na complexidade do procedimento.

    • Na inseminação artificial: o sêmen é preparado em laboratório e introduzido diretamente no útero para facilitar o encontro com o óvulo. Aqui, a fecundação ocorre naturalmente dentro do corpo da mulher, tornando o processo mais simples e menos invasivo;
    • Já na FIV: os óvulos são coletados e fertilizados em ambiente laboratorial, e somente após a formação do embrião é que ocorre a transferência para o útero. Por ser mais complexa, a FIV é geralmente indicada quando outros métodos falham ou em casos de infertilidade mais severos.

    A escolha entre os métodos depende da causa da infertilidade, da idade da paciente e da avaliação médica individual.

    Quando a fertilização in vitro pode ser indicada?

    A fertilização in vitro costuma ser indicada quando há fatores ligados à fertilidade feminina, masculina ou ao casal que tornam a gravidez natural mais difícil, além de outras situações específicas que podem interferir na concepção.

    Entre os fatores femininos que podem indicar a FIV, é possível destacar:

    • Alterações nas tubas uterinas, como obstrução, ausência ou sequelas de infecções pélvicas e hidrossalpinge;
    • Endometriose severa;
    • Baixa reserva ovariana ou idade materna mais avançada;
    • Distúrbios ovulatórios de difícil controle;
    • Falência ovariana prematura;
    • Histórico de abortos de repetição;
    • Necessidade de testes genéticos nos embriões.

    Já entre os fatores masculinos, estão:

    • Baixa concentração de espermatozoides;
    • Alterações importantes na motilidade ou na morfologia dos espermatozoides;
    • Azoospermia, com necessidade de retirada dos espermatozoides diretamente dos testículos;
    • Situações após vasectomia, quando existe desejo de paternidade;
    • Necessidade de técnicas complementares, como a ICSI, para melhorar a fecundação.

    A fertilização in vitro também pode ser recomendada para:

    • Casais formados por mulheres, com possibilidade de gestação compartilhada e uso de sêmen de doador;
    • Casais masculinos, com uso de óvulos doados e útero de substituição, conforme as normas médicas vigentes.

    Em todos os casos, a indicação deve ser feita após avaliação especializada, considerando a história clínica, os exames e os objetivos reprodutivos de cada pessoa ou casal.

    Existem riscos (ou efeitos colaterais) da FIV?

    A estimulação hormonal utilizada na fertilização in vitro pode causar algumas reações relacionadas ao aumento dos níveis hormonais e aos próprios procedimentos envolvidos, como aponta Andreia:

    • Distensão abdominal;
    • Cólicas;
    • Retenção de líquidos;
    • Sensibilidade mamária;
    • Alterações de humor;
    • Síndrome da hiperestimulação ovariana, condição rara, mas potencialmente grave, que exige acompanhamento médico próximo;
    • Pequenos sangramentos ou desconfortos após a punção ovariana, procedimento considerado seguro, mas que pode apresentar riscos pontuais.

    Quanto custa a fertilização in vitro no Brasil?

    Um ciclo completo de fertilização in vitro (FIV) no Brasil costuma ter custo médio entre R$ 20 mil e R$ 45 mil.

    O valor pode variar conforme o preço dos medicamentos, que geralmente representam parte significativa do tratamento, além do uso de técnicas adicionais, como ICSI, testes embrionários ou outros procedimentos laboratoriais, e também da clínica escolhida.

    Em situações mais complexas, que exigem recursos extras ou múltiplas etapas, o custo total pode ultrapassar R$ 80 mil.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade limite para fazer a FIV?

    No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a idade máxima de 50 anos para a mulher. Acima disso, o tratamento só é permitido com autorização médica específica e avaliação de riscos de saúde.

    2. Bebês de FIV são saudáveis como os de gestação natural?

    Sim, não há evidências científicas de que a técnica aumente o risco de malformações. Eles se desenvolvem exatamente da mesma forma.

    3. O tratamento de FIV dói?

    A etapa mais sensível é a punção folicular (coleta de óvulos), mas ela é realizada sob sedação leve, então a paciente dorme e não sente dor. As injeções hormonais diárias são subcutâneas, com agulhas bem finas, semelhantes às de insulina.

    4. Posso escolher o sexo do bebê na FIV?

    No Brasil, a seleção de sexo por motivos sociais é proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela só é permitida em casos raros para evitar a transmissão de doenças genéticas ligadas ao sexo (como a hemofilia).

    5. Posso trabalhar normalmente durante o processo?

    Na maioria dos dias, sim. O afastamento costuma ser necessário apenas no dia da punção folicular e, às vezes, um pequeno repouso no dia da transferência embrionária.

    6. Posso usar óvulos de uma doadora (Ovodoação)?

    Sim. No Brasil, a doação deve ser anônima (exceto em casos de parentesco de até 4º grau) e não pode ter caráter comercial. É a principal alternativa para mulheres com menopausa precoce ou baixa reserva ovariana.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    O consumo de álcool, mesmo em situações sociais, pode atrapalhar os planos de quem está planejando ter filhos. Isso acontece porque o álcool interfere no equilíbrio hormonal, pode afetar a ovulação e dificultar a regularidade do ciclo menstrual — que são fatores importantes para a fertilidade feminina.

    E as bebidas alcóolicas não afetam apenas as mulheres, sabia? O consumo também pode impactar a fertilidade dos homens, interferindo na produção e na qualidade dos espermatozoides.

    Mas será que existe uma quantidade segura de álcool quando a ideia é engravidar? Para tirar essa dúvida, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Como o álcool afeta a fertilidade?

    O consumo de álcool pode interferir na fertilidade tanto de mulheres quanto de homens, especialmente quando acontece de forma frequente ou em grandes quantidades.

    Na fertilidade feminina

    Nas mulheres, o álcool pode afetar diretamente o equilíbrio hormonal, necessário para a ovulação e para a regularidade do ciclo menstrual. O consumo frequente pode aumentar o número de ciclos sem ovulação, reduzindo as chances de gravidez.

    Além disso, o álcool pode prejudicar a qualidade do endométrio, tecido responsável por receber o embrião. Quando esse tecido não está saudável, a implantação se torna mais difícil, mesmo quando a ovulação ocorre normalmente.

    Na fertilidade masculina

    Nos homens, o álcool interfere na produção de testosterona e pode reduzir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Isso inclui diminuição da concentração, da motilidade e alterações na forma dos espermatozoides, fatores importantes para a fecundação.

    O consumo excessivo também pode afetar a função sexual, levando a dificuldades de ereção e redução da libido, o que pode dificultar ainda mais a concepção.

    Período pré-concepcional e gestação

    Durante a metabolização no fígado, o álcool libera toxinas e radicais livres, substâncias que, segundo Andreia, causam danos às células e comprometem o funcionamento normal do organismo.

    Elas interferem no desenvolvimento adequado dos tecidos, prejudicam processos celulares importantes e aceleram o envelhecimento celular, o que pode impactar diretamente a saúde reprodutiva e outras funções do corpo.

    No período pré-concepcional, o consumo de álcool pode desregular hormônios, aumentar a chance de ciclos sem ovulação e comprometer a qualidade do endométrio, que é o tecido responsável por receber o embrião. Isso reduz as chances de a gravidez acontecer de forma natural.

    Já durante a gestação, os riscos são ainda maiores, uma vez que tudo que a gestante consome também chega ao bebê. Mesmo pequenas doses de álcool podem afetar o desenvolvimento fetal, especialmente do sistema nervoso central.

    Por isso, a orientação durante a gravidez é evitar completamente o consumo de álcool, priorizando a saúde da mãe e do bebê desde o início.

    Quais os riscos do consumo de álcool na gravidez?

    Durante a gravidez, o álcool é capaz de atravessar a placenta, fazendo com que o feto seja exposto às mesmas substâncias ingeridas pela mãe, inclusive toxinas que podem prejudicar o desenvolvimento.

    Um dos principais riscos é a síndrome alcoólica fetal, condição associada ao consumo frequente e elevado de álcool. Ela pode causar problemas como:

    • Alterações no desenvolvimento do sistema nervoso central;
    • Atraso no crescimento físico do bebê;
    • Dificuldades de aprendizagem ao longo da infância;
    • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor;
    • Alterações comportamentais e cognitivas.

    Além disso, o consumo de álcool durante a gestação também está associado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras complicações que podem afetar a saúde do bebê a curto e longo prazo.

    Existe quantidade segura de álcool?

    Não existe uma quantidade segura de álcool, especialmente durante a gravidez. As evidências científicas mostram que qualquer quantidade pode oferecer riscos, já que o álcool atravessa a placenta e chega diretamente ao bebê, podendo afetar o desenvolvimento, principalmente do sistema nervoso.

    De acordo com Andreia, no período de planejamento da gravidez, o efeito do álcool é considerado dose-dependente, ou seja, quanto maior a quantidade e a frequência do consumo, maior o risco para a fertilidade.

    Mesmo assim, não há um limite totalmente seguro estabelecido, de modo que a recomendação mais prudente para quem deseja engravidar é reduzir ao máximo ou suspender o consumo de álcool.

    E depois da gravidez?

    Durante a amamentação, o álcool ingerido pela mãe passa para o leite materno e pode ser consumido pelo bebê, já que o organismo do recém-nascido ainda não consegue metabolizar a substância de forma adequada.

    O consumo frequente ou em grandes quantidades pode interferir no sono, no comportamento e no desenvolvimento do bebê, além de reduzir a produção de leite em algumas mulheres, de acordo com estudos. Por isso, a orientação geral é evitar o consumo de álcool durante a amamentação.

    Quando suspender o álcool ao planejar uma gestação?

    Se você planeja engravidar, a recomendação é suspender o consumo de álcool pelo menos três meses antes de engravidar, segundo Andreia.

    O período é importante porque permite que o organismo se recupere dos efeitos do álcool, ajudando a regular os hormônios, melhorar a qualidade dos óvulos e favorecer um ambiente uterino mais saudável para a implantação do embrião.

    Na maioria dos casos, os impactos do álcool sobre a fertilidade tendem a ser reversíveis após a interrupção do consumo, principalmente quando não há uso frequente ou em grandes quantidades. Ainda assim, a ginecologista aponta que podem existir sequelas irreversíveis em uma parcela pequena das pacientes.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    Como o álcool interfere no ciclo menstrual?

    O álcool pode elevar os níveis de estrogênio e testosterona, o que desregula os picos de LH e FSH, importantes para a ovulação, podendo causar ciclos anovulatórios (sem óvulo).

    Parei de beber hoje, quanto tempo leva para o corpo “limpar”?

    Para os homens, o ciclo de produção de novos espermatozoides leva cerca de 72 a 90 dias. Para as mulheres, o impacto hormonal pode começar a ser revertido no ciclo seguinte à abstinência.

    Qual o efeito do álcool no leite materno?

    O álcool passa livremente do sangue para o leite materno, mantendo concentrações semelhantes em ambos. Ele pode alterar o odor e o sabor do leite, levando à rejeição pelo bebê, além de reduzir a produção de leite ao inibir o reflexo de ejeção (ocitocina).

    No pequeno, pode causar sonolência excessiva, irritabilidade e até atrasos no desenvolvimento motor.

    Quanto tempo o álcool leva para sair do leite materno?

    O tempo de eliminação depende do peso da mãe e da quantidade ingerida. Em média, o organismo leva de 2 a 3 horas para eliminar uma dose padrão (uma taça de vinho ou uma lata de cerveja).

    O nível de álcool no leite cai conforme o nível no sangue diminui; portanto, “bombear e descartar” o leite não acelera a saída do álcool do organismo.

    Beber durante a amamentação pode afetar o ganho de peso do bebê?

    Sim, o consumo regular de álcool pela lactante pode reduzir a ingestão de leite pelo bebê em até 20% em cada mamada, o que pode comprometer o ganho de peso e o crescimento saudável.

    O álcool ajuda o bebê a dormir melhor?

    Não. Embora o álcool tenha efeito sedativo inicial, ele fragmenta o sono do bebê. O lactente acorda mais vezes, tem um sono de menor qualidade e pode apresentar sonolência excessiva de forma perigosa (letargia).

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • 7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    7 fatores que podem afetar a fertilidade da mulher (e quando investigar)

    Desde a saúde hormonal até o estilo de vida do casal, a gravidez é um processo que depende de uma série de fatores para acontecer de forma natural e segura — incluindo idade, equilíbrio hormonal, qualidade dos óvulos e espermatozoides e hábitos do dia a dia, como alimentação, sono e consumo de álcool.

    Quando algo não vai bem em algum desses pontos, as chances de engravidar podem diminuir, o que torna importante entender quais fatores podem atrapalhar a fertilidade. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para esclarecer as principais dúvidas. Confira!

    O que pode prejudicar a fertilidade da mulher?

    1. Idade

    Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui progressivamente as chances de engravidar e aumenta o risco de complicações durante a gestação, como abortamentos e dificuldades no desenvolvimento fetal, segundo Andreia.

    2. Infecções sexualmente transmissíveis

    As infecções sexualmente transmissíveis podem causar inflamações e lesões nas tubas uterinas ou no útero, dificultando o encontro do óvulo com o espermatozoide e reduzindo as chances de gravidez.

    3. Hábitos de vida prejudiciais

    O consumo frequente de bebidas alcoólicas, o tabagismo, a privação de sono, o estresse intenso e outros hábitos prejudiciais aumentam a produção de radicais livres no organismo. Isso favorece inflamações e o desgaste das células.

    Com o tempo, esse processo pode comprometer a qualidade dos óvulos, alterar o equilíbrio hormonal e reduzir as chances de engravidar, afetando diretamente a fertilidade feminina.

    4. Doenças crônicas

    A presença de condições como pressão alta e diabetes nem sempre dificultam o engravidar, mas podem interferir no andamento da gestação.

    Elas aumentam o risco de abortos, perdas fetais e outras complicações durante a gravidez, o que acaba impactando a fertilidade de forma mais ampla e a chance de levar a gestação até o final de maneira saudável.

    5. Doenças autoimunes

    As doenças autoimunes são condições em que o sistema imunológico, responsável por defender o corpo contra vírus, bactérias e outros agentes externos, passa a atacar por engano células e tecidos saudáveis do próprio organismo.

    Elas podem interferir na fertilidade feminina, principalmente por aumentar o risco de abortamento. Em alguns casos, também podem reduzir o potencial de engravidar.

    6. Peso corporal em excesso

    O excesso de peso pode interferir diretamente na fertilidade feminina, especialmente quando está associado à síndrome dos ovários policísticos.

    O aumento da gordura corporal favorece alterações hormonais, como maior resistência à insulina e elevação de hormônios androgênicos, o que pode desregular o ciclo menstrual e dificultar ou até impedir a ovulação.

    Com isso, as chances de engravidar diminuem e aumentam os riscos de ciclos menstruais irregulares e dificuldade para engravidar, o que faz do controle do peso um ponto importante para quem deseja planejar uma gestação.

    7. Baixo peso extremo

    O baixo peso extremo também pode prejudicar a fertilidade feminina, pois a falta de gordura corporal compromete a produção adequada de hormônios essenciais para o ciclo menstrual e a ovulação.

    Quando o organismo não dispõe de energia suficiente, ele pode “desligar” funções consideradas não prioritárias, como a reprodução, levando à ausência ou irregularidade da menstruação.

    Anticoncepcionais prejudicam a fertilidade?

    De acordo com Andreia, o uso de anticoncepcionais não prejudica a fertilidade. Após parar o método, a mulher volta ao nível de fertilidade esperado para a idade e para o momento hormonal em que se encontra.

    A principal exceção pode ocorrer com o anticoncepcional injetável trimestral, que, por ser um método de depósito, pode levar mais tempo para ser totalmente metabolizado pelo organismo.

    Nesses casos, o retorno da ovulação e da fertilidade pode demorar alguns meses, mas de forma temporária, sem impacto permanente na capacidade de engravidar.

    Quando é importante investigar a fertilidade?

    A investigação da fertilidade é indicada quando a gravidez não acontece após um período de tentativas regulares. Para mulheres com menos de 35 anos, Andreia recomenda procurar avaliação após um ano tentando engravidar sem sucesso. Já para mulheres com 35 anos ou mais, esse período diminui para seis meses.

    A investigação também pode ser indicada antes do prazo em casos de ciclos menstruais irregulares, histórico de doenças ginecológicas, infecções, abortos repetidos ou quando o casal apresenta fatores de risco conhecidos.

    Como é feita a investigação da fertilidade?

    A investigação da fertilidade é feita de forma gradual e sempre considerando o casal. Cerca de 40% dos casos envolvem fatores femininos e masculinos ao mesmo tempo, segundo Andreia, por isso a avaliação de ambos é importante.

    No homem, a investigação costuma ser mais simples e começa, na maioria das vezes, com o espermograma, exame que analisa a quantidade, a mobilidade e a qualidade dos espermatozoides.

    Na mulher, a avaliação acontece passo a passo, observando o canal cervical, a cavidade uterina, as tubas e a ovulação. Entre os exames mais utilizados, estão:

    • Dosagem do hormônio anti-mülleriano, para avaliar a reserva folicular;
    • Ultrassonografia, para acompanhar a ovulação e o funcionamento dos ovários;
    • Histerossalpingografia, para analisar a forma da cavidade uterina e a permeabilidade das tubas.

    Como parte da avaliação envolve procedimentos mais invasivos, o processo não começa de imediato. Primeiro, é orientado um período de tentativas de gravidez e, apenas quando a infertilidade é confirmada, a investigação completa é iniciada.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. O ciclo menstrual irregular pode dificultar engravidar?

    Sim, os ciclos irregulares costumam indicar alterações hormonais ou falhas na ovulação, o que reduz as chances de concepção natural.

    2. Infecções ginecológicas podem afetar a fertilidade?

    Sim, algumas infecções, especialmente infecções sexualmente transmissíveis, podem causar inflamações e cicatrizes nas tubas uterinas ou no útero, dificultando a gravidez.

    3. É possível melhorar a fertilidade com mudanças no estilo de vida?

    Sim, a alimentação equilibrada, o sono adequado, o controle do peso, a redução do álcool e do estresse contribuem para melhorar a saúde reprodutiva e aumentar as chances de gravidez.

    4. É possível engravidar mesmo com ovulação irregular?

    Sim, é possível, mas as chances costumam ser menores. Com acompanhamento médico e ajuste do tratamento, muitas mulheres conseguem regular a ovulação e engravidar.

    5. Quanto tempo leva para engravidar após parar o anticoncepcional?

    Na maioria dos casos, a ovulação retorna nos primeiros meses após a suspensão, permitindo tentativa de gravidez logo em seguida.

    6. Quando procurar ajuda especializada?

    É indicado procurar um especialista quando a gravidez não ocorre dentro do período esperado de tentativas ou quando há histórico de ciclos irregulares, doenças ginecológicas ou abortos repetidos.

    7. O uso de medicamentos contínuos pode afetar a fertilidade?

    Alguns medicamentos podem interferir no ciclo menstrual ou na ovulação, por isso é importante informar o médico sobre o uso contínuo de qualquer medicação.

    8. É possível engravidar após os 40 anos?

    Sim, é possível, mas as chances são menores e os riscos aumentam, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    Congelamento de óvulos: o que é, como funciona e quando é indicado

    No Brasil e no mundo, cada vez mais mulheres estão escolhendo esperar mais alguns anos para viver a maternidade.

    Para se ter uma ideia, dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos (Seade) mostram que a quantidade de gestações em mulheres com mais de 40 anos aumentou 64% entre 2010 e 2022.

    Como parte do planejamento familiar, que ajuda a mulher a decidir com mais calma quando deseja engravidar, é comum considerar alternativas para preservar a fertilidade ao longo do tempo, e uma delas é o congelamento de óvulos.

    Ela permite guardar óvulos em uma fase de maior qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura. Para entender como o procedimento funciona, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza. Confira!

    Afinal, o que é o congelamento de óvulos?

    O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é um procedimento médico que permite preservar a fertilidade feminina para o futuro. A técnica consiste em coletar e congelar óvulos em uma fase em que ainda apresentam boa qualidade, para que possam ser utilizados no futuro.

    A opção é usada tanto por mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais quanto por aquelas que precisam passar por tratamentos médicos que podem afetar a fertilidade.

    Segundo Andreia, a decisão pode partir da própria mulher ou surgir após orientação médica, a depender do contexto clínico e dos objetivos reprodutivos.

    Com o passar do tempo, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem de forma natural. A mulher já nasce com um número limitado de óvulos e, ao longo dos anos, a reserva vai sendo reduzida, especialmente após os 35 anos, o que pode dificultar uma gravidez futura.

    Com o congelamento, é possível preservar óvulos em uma fase mais favorável da vida reprodutiva, reduzindo os impactos do envelhecimento natural sobre a fertilidade

    Como funciona o congelamento de óvulos?

    O processo do congelamento de óvulos é dividido em etapas bem definidas, como:

    1. Estimulação ovariana

    Durante cerca de 10 a 14 dias, a mulher utiliza medicamentos hormonais, normalmente injetáveis, para estimular os ovários a produzirem mais óvulos no mesmo ciclo. Nesse período, são realizados exames de sangue e ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos hormônios.

    Segundo Andreia, é um tratamento de alto custo e que exige acompanhamento rigoroso por equipe especializada.

    2. Acompanhamento médico

    Ao longo da estimulação, o médico avalia a resposta do organismo, garantindo que os óvulos estejam se desenvolvendo adequadamente e que o procedimento ocorra com segurança. Isso é feito por meio de exames de ultrassom e testes hormonais, o que permite avaliar o crescimento dos folículos e ajustar as doses dos medicamentos quando necessário.

    3. Coleta dos óvulos

    Quando os óvulos atingem o tamanho e a maturidade ideais, a coleta é realizada por meio de um procedimento invasivo, com aspiração guiada por ultrassonografia, como explica Andreia.

    Caso a resposta ovariana seja muito baixa, o procedimento pode ser cancelado, pois a coleta de poucos óvulos não justifica os riscos envolvidos. Em geral, a mulher recebe alta no mesmo dia.

    4. Avaliação em laboratório

    Após a coleta, os óvulos são encaminhados ao laboratório, onde passam por uma análise criteriosa. Os especialistas avaliam quais óvulos estão maduros e em condições adequadas para serem congelados, assegurando maior qualidade no armazenamento.

    5. Congelamento dos óvulos

    Os óvulos selecionados são congelados por meio de uma técnica chamada vitrificação. O método utiliza temperaturas extremamente baixas e um congelamento rápido, o que ajuda a preservar a estrutura e a qualidade das células.

    6. Armazenamento

    Depois de congelados, os óvulos são armazenados em tanques de nitrogênio líquido, em condições controladas e seguras. Eles podem permanecer preservados por muitos anos, até que a mulher decida utilizá-los para tentar engravidar.

    Quantos óvulos costumam ser coletados no procedimento?

    A quantidade de óvulos coletados no procedimento pode variar bastante de uma mulher para outra. Em média, costumam ser coletados entre 8 e 15 óvulos por ciclo, mas esse número depende de fatores como idade, reserva ovariana, resposta aos hormônios e condições de saúde.

    Em mulheres mais jovens, geralmente a resposta à estimulação é melhor, o que pode resultar em um número maior de óvulos. Já em idades mais avançadas, a quantidade pode ser menor, e em alguns casos pode ser indicado realizar mais de um ciclo de estimulação para aumentar as chances de sucesso no futuro.

    Quando o congelamento de óvulos é indicado?

    O congelamento de óvulos é indicado em diferentes situações, principalmente quando há o desejo de preservar a fertilidade para o futuro. Entre as principais, Andreia destaca:

    • Desejo de adiar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou financeiras, sem abrir mão da possibilidade de engravidar no futuro;
    • Ausência de um parceiro no momento, apesar do desejo de ter filhos em outra fase da vida;
    • Necessidade de iniciar tratamentos médicos, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias ginecológicas, que podem comprometer a função ovariana;
    • Diminuição da reserva ovariana identificada em exames, mesmo em mulheres mais jovens;
    • Histórico familiar de menopausa precoce, o que pode indicar risco aumentado de perda antecipada da fertilidade;
    • Doenças ginecológicas, como endometriose, que podem afetar a qualidade ou a quantidade dos óvulos ao longo do tempo.

    Efeitos colaterais do congelamento de óvulos

    Podem surgir alguns efeitos colaterais, principalmente durante a fase de estimulação dos ovários. Nesse período, a mulher pode sentir dor de cabeça, inchaço na barriga e nos membros, além de uma sensação de peso ou desconforto no baixo ventre.

    Após a coleta dos óvulos, esse inchaço costuma diminuir aos poucos e, na maioria dos casos, desaparece entre cinco e 14 dias, especialmente após a chegada do próximo ciclo menstrual.

    Existe limite de idade para congelar os óvulos?

    Não existe um limite de idade fixo para realizar o congelamento de óvulos, segundo Andreia, mas é fundamental considerar que a resposta ovariana diminui progressivamente com o passar dos anos. A mulher nasce com um número limitado de óvulos, que já começa a reduzir ainda durante a vida intrauterina.

    Portanto, quanto mais jovem a mulher, melhor costuma ser a qualidade dos óvulos. De modo geral, o recomendado é realizar o congelamento até os 35 anos de idade.

    Após essa idade, o procedimento ainda pode ser realizado, mas a quantidade e a qualidade dos óvulos tendem a diminuir com o tempo, o que pode reduzir as chances de sucesso. Por isso, a avaliação médica individual é fundamental para orientar sobre o melhor momento e as reais possibilidades de cada mulher.

    Quais as taxas de sucesso do congelamento de óvulos?

    Diversos fatores podem influenciar nas taxas de sucesso, segundo Andreia. Quando há um parceiro fixo, é possível realizar a fertilização e optar pelo congelamento do embrião.

    Na ausência de parceiro, os óvulos são criopreservados e a fertilização ocorre apenas no futuro. Durante os processos de congelamento e descongelamento, parte dos óvulos pode não sobreviver, embora as técnicas atuais apresentem índices elevados de preservação.

    Vale destacar que o congelamento de óvulos não garante uma gravidez futura. O caminho até a gestação envolve várias etapas, cada uma com suas próprias taxas de sucesso, incluindo a coleta dos óvulos, a fertilização, a implantação do embrião no útero e a evolução da gravidez.

    Mesmo após um teste positivo, ainda existe risco de aborto espontâneo, que ocorre em cerca de 25% das gestações, inclusive em mulheres sem fatores de risco conhecidos.

    Riscos do congelamento de óvulos

    Os riscos do congelamento de óvulos são considerados baixos, principalmente quando o procedimento é realizado por uma equipe especializada. Ainda assim, como qualquer tratamento médico, podem existir alguns pontos de atenção:

    • Inchaço abdominal, dor de cabeça e sensação de peso no baixo ventre durante a estimulação dos ovários;
    • Desconforto após a coleta dos óvulos;
    • Pequeno risco de sangramento ou infecção após a punção;
    • Em casos raros, síndrome de hiperestimulação ovariana, condição potencialmente grave, caracterizada por aumento exagerado dos ovários.

    Por isso, é importante que o procedimento seja realizado em uma clínica especializada, com equipe médica experiente e acompanhamento adequado em todas as etapas, garantindo mais segurança para a paciente

    Existem contraindicações?

    Não existem contraindicações absolutas para o congelamento de óvulos, mas algumas situações exigem uma avaliação médica mais cuidadosa antes do procedimento, como:

    • Gravidez em curso;
    • Condições de saúde que estejam descompensadas;
    • Presença de cistos ovarianos de grande volumes;
    • Casos de reserva ovariana muito baixa.

    Além disso, mulheres que precisam iniciar com urgência um tratamento oncológico podem não ter tempo suficiente para realizar a estimulação hormonal necessária para a coleta dos óvulos. Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada, considerando o estado de saúde, o momento de vida e a orientação de uma equipe médica especializada.

    Quanto custa o congelamento de óvulos?

    O custo do congelamento de óvulos no Brasil varia bastante, podendo ficar entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, além da taxa anual de manutenção, que costuma girar em torno de R$ 1,5 mil. O valor final depende da clínica escolhida e dos medicamentos hormonais necessários para o procedimento.

    De acordo com Andreia, o processo inclui despesas com hormônios, exames, acompanhamento médico, procedimento de coleta e taxa de manutenção mensal dos óvulos congelados, que ficam armazenados em clínicas especializadas.

    Todos os fatores devem ser discutidos de forma detalhada antes da decisão, permitindo uma escolha consciente e alinhada às expectativas reais.

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    Perguntas frequentes

    1. Como é feita a seleção do óvulo para uma tentativa de engravidar?

    Quando a mulher decide utilizar os óvulos congelados, eles são descongelados em laboratório e avaliados pelos embriologistas. Apenas os óvulos que sobrevivem bem ao descongelamento e apresentam boa aparência celular são utilizados.

    Em seguida, ocorre a fertilização em laboratório, normalmente por técnica de fertilização in vitro, e os embriões formados passam por nova avaliação antes da transferência para o útero.

    2. Congelar os óvulos muito jovem aumenta o risco de menopausa precoce?

    Não, o congelamento de óvulos não acelera a menopausa nem reduz de forma significativa a reserva ovariana. Os óvulos coletados seriam naturalmente perdidos ao longo do tempo, pois a mulher perde óvulos todos os meses, mesmo sem ovular. O procedimento apenas aproveita óvulos que já seriam descartados pelo organismo.

    3. Por quantos anos os óvulos podem ficar congelados?

    Com a técnica de vitrificação, os óvulos podem permanecer congelados por muitos anos, sem que exista um prazo máximo estabelecido pela ciência. O armazenamento em nitrogênio líquido mantém as células preservadas, conservando suas características e qualidade mesmo após décadas.

    4. O procedimento exige afastamento do trabalho?

    Na maioria dos casos, não. Durante a estimulação, a rotina pode ser mantida normalmente. No dia da coleta, costuma ser indicado repouso, mas muitas mulheres retomam atividades leves no dia seguinte.

    5. É possível congelar óvulos mais de uma vez?

    Sim, algumas mulheres realizam mais de um ciclo de congelamento para aumentar o número de óvulos armazenados, especialmente quando a resposta ovariana é menor.

    6. O que acontece se a mulher decidir não usar os óvulos congelados?

    A mulher pode optar por continuar armazenando, descartar os óvulos ou, em alguns casos, doá-los para pesquisa ou para outras pessoas, conforme permitido pela legislação e pelas normas éticas.

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