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  • Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Ansiedade, excesso de cafeína e falta de sono podem causar tremores temporários, mas alguns casos podem estar relacionados a doenças neurológicas ou alterações hormonais.

    Perceber as mãos tremendo costuma gerar preocupação imediata, principalmente pelo receio de doenças neurológicas como a doença de Parkinson.

    No entanto, a realidade é que muitos tremores são benignos e podem ocorrer em pessoas saudáveis. Situações como estresse, ansiedade, noites mal dormidas, febre ou consumo excessivo de cafeína estão entre as causas mais frequentes.

    Por outro lado, quando o tremor se torna persistente, progressivo ou começa a interferir nas atividades do dia a dia, pode ser necessário investigar condições neurológicas, hormonais ou até efeitos colaterais de medicamentos.

    O que é o tremor?

    O tremor é um movimento involuntário, rítmico e repetitivo de uma parte do corpo.

    Embora possa acometer diversas regiões, as mãos são o local mais frequentemente afetado.

    A intensidade varia bastante. Em alguns casos, o tremor é tão discreto que passa despercebido. Em outros, pode dificultar atividades simples, como:

    • Escrever;
    • Segurar um copo;
    • Usar talheres;
    • Digitar;
    • Abotoar roupas.

    A avaliação médica leva em consideração não apenas a intensidade, mas também o momento em que o tremor aparece e sua evolução ao longo do tempo.

    Tremor fisiológico: o tipo mais comum

    Todas as pessoas apresentam um pequeno tremor fisiológico natural.

    Normalmente ele é tão discreto que não é percebido.

    No entanto, algumas situações podem torná-lo mais evidente:

    • Estresse;
    • Ansiedade;
    • Privação de sono;
    • Excesso de cafeína;
    • Exercício físico intenso;
    • Febre;
    • Hipoglicemia.

    Nesses casos, o tremor costuma ser temporário e melhora quando o fator desencadeante é corrigido.

    Tremor essencial: uma das causas mais frequentes

    O tremor essencial é uma das doenças mais comuns associadas ao tremor persistente.

    Suas principais características incluem:

    • Tremor predominante nas mãos;
    • Piora durante movimentos voluntários;
    • Dificuldade para escrever ou segurar objetos;
    • Evolução lenta ao longo dos anos;
    • Frequente histórico familiar.

    Embora não seja uma doença degenerativa grave, o tremor essencial pode impactar significativamente a qualidade de vida.

    Em alguns pacientes, o tremor também pode afetar:

    • Cabeça;
    • Voz;
    • Mandíbula.

    Problemas hormonais podem causar tremor?

    Sim. Algumas alterações hormonais podem provocar ou intensificar os tremores.

    Hipertireoidismo

    Quando a glândula tireoide produz hormônios em excesso, podem surgir sintomas como:

    • Tremor fino nas mãos;
    • Perda de peso;
    • Palpitações;
    • Ansiedade;
    • Sudorese excessiva;
    • Intolerância ao calor.

    Nesses casos, tratar a doença de base costuma melhorar o tremor.

    Medicamentos podem causar tremor?

    Sim. Diversos medicamentos podem provocar tremores como efeito colateral.

    Entre os principais estão:

    • Broncodilatadores usados na asma;
    • Alguns antidepressivos;
    • Estimulantes;
    • Certos medicamentos neurológicos;
    • Epinefrina;
    • Medicamentos contendo cafeína.

    Por isso, uma das etapas da investigação é revisar todos os medicamentos utilizados pelo paciente.

    Quando pensar em doença de Parkinson?

    A doença de Parkinson possui características diferentes das observadas no tremor essencial.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Tremor em repouso;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Rigidez muscular;
    • Alteração da marcha;
    • Diminuição do balanço dos braços ao caminhar.

    Outra característica importante é que o tremor costuma começar de forma assimétrica, afetando inicialmente apenas uma das mãos ou uma das pernas. Com o passar do tempo, o quadro pode se tornar bilateral.

    É importante lembrar que nem todo tremor significa Parkinson. Na verdade, a maioria dos tremores tem outras causas.

    Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais frequentes de tremor em pessoas jovens e adultos saudáveis.

    Durante períodos de estresse, o organismo libera substâncias como adrenalina e noradrenalina, que podem provocar:

    • Tremor nas mãos;
    • Sensação de inquietação;
    • Palpitações;
    • Sudorese;
    • Tensão muscular.

    Nesses casos, o tremor costuma piorar em situações emocionalmente desafiadoras.

    Quando o tremor deixa de ser algo benigno?

    O tremor merece investigação médica quando:

    • Surge sem explicação aparente;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere nas atividades diárias;
    • Surge após os 50 anos sem histórico prévio;
    • É acompanhado de outros sintomas neurológicos;
    • Afeta significativamente a qualidade de vida.

    A avaliação precoce ajuda a identificar causas tratáveis e a reduzir o impacto funcional do problema.

    Quais sintomas associados merecem atenção?

    Alguns sinais podem indicar que o tremor faz parte de uma condição mais complexa.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Fraqueza muscular;
    • Alterações de equilíbrio;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Rigidez muscular;
    • Alterações da fala;
    • Quedas frequentes;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Alterações cognitivas.

    Como os médicos investigam o tremor?

    A investigação geralmente começa com uma avaliação clínica detalhada.

    O médico costuma analisar:

    • Quando o tremor começou;
    • Em quais situações ele aparece;
    • Histórico familiar;
    • Uso de medicamentos;
    • Presença de outras doenças.

    Além disso, podem ser realizados:

    • Exame neurológico;
    • Exames laboratoriais;
    • Avaliação da função da tireoide;
    • Exames de imagem quando indicados.

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    As opções podem incluir:

    Controle de fatores desencadeantes

    • Redução da cafeína;
    • Melhora da qualidade do sono;
    • Controle da ansiedade.

    Ajuste de medicamentos

    Quando o tremor está relacionado a remédios, pode ser necessário revisar o tratamento.

    Tratamento de doenças hormonais

    Como nos casos de hipertireoidismo.

    Medicamentos específicos

    Alguns pacientes com tremor essencial podem se beneficiar de medicamentos que ajudam a reduzir os sintomas.

    Tratamento neurológico especializado

    Quando existe uma doença neurológica associada.

    Quando procurar atendimento médico?

    É recomendável procurar avaliação médica quando:

    • O tremor persiste por semanas ou meses;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere em atividades do cotidiano;
    • Surge associado a outros sintomas neurológicos;
    • Aparece sem causa aparente.

    Embora muitos casos sejam benignos, uma avaliação adequada ajuda a identificar precocemente condições que necessitam de tratamento.

    Confira: Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Perguntas frequentes sobre tremor nas mãos

    1. Tremor nas mãos sempre indica uma doença?

    Não. Muitas vezes está relacionado a fatores temporários, como ansiedade, estresse ou excesso de cafeína.

    2. Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. O aumento da adrenalina pode provocar tremores, especialmente em situações de estresse.

    3. Café pode piorar o tremor?

    Sim. A cafeína pode intensificar tremores em pessoas predispostas.

    4. Tremor essencial é perigoso?

    Geralmente não. No entanto, pode causar limitações funcionais importantes em alguns pacientes.

    5. Todo tremor é doença de Parkinson?

    Não. A maioria dos tremores tem causas diferentes da doença de Parkinson.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Quando o tremor é persistente, progressivo ou interfere nas atividades do dia a dia.

    7. Medicamentos podem causar tremores?

    Sim. Diversos medicamentos podem desencadear ou agravar o problema.

    Veja também: 6 sinais de alerta da doença de Parkinson

  • Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Se você já passou semanas em dieta, perdeu alguns quilos e depois viu o peso voltar rapidamente, já deve saber o quão frustrante o processo de emagrecimento pode ser. Mas, por trás da dificuldade de perder peso, não existe apenas falta de disciplina ou força de vontade.

    O peso corporal é regulado por um sistema complexo que envolve hormônios, genética, metabolismo e hábitos de vida. “O corpo tem mecanismos hormonais que tentam manter o peso. Quando você emagrece, o organismo entende isso como uma ameaça e resiste. Ele aumenta a fome e diminui o gasto de energia”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Nos primeiros meses, a perda de peso costuma acontecer com mais facilidade, mas, com o passar do tempo, o organismo se adapta à redução de calorias e passa a economizar energia. Como resultado, o emagrecimento desacelera e a sensação de fome pode se tornar cada vez mais intensa.

    Por que emagrecer parece tão difícil?

    O principal motivo pelo qual o emagrecimento pode ser tão difícil é que o corpo possui mecanismos naturais que tentam manter o peso estável. Durante milhares de anos, os seres humanos viveram períodos de escassez de alimentos, então armazenar gordura funcionava como uma reserva de energia importante para a sobrevivência.

    Quando você reduz o consumo de calorias para perder peso, o organismo pode entender como uma redução na disponibilidade de energia. Como resposta, ocorrem adaptações hormonais e metabólicas que dificultam o emagrecimento, como:

    • Aumento da fome, devido à alteração dos hormônios que controlam o apetite;
    • Maior vontade de consumir alimentos mais calóricos;
    • Redução do gasto energético, fazendo com que o organismo passe a consumir menos calorias para realizar as mesmas atividades.

    Por isso, a perda de peso costuma estagnar depois de algumas semanas, o que é conhecido como efeito platô, e a sensação de fome aumenta. “Manter o peso perdido às vezes é mais desafiador do que emagrecer. O emagrecimento não é apenas comer menos e gastar mais. Ele é um processo que envolve o corpo inteiro”, complementa André.

    O papel dos hormônios na perda de peso

    Os hormônios funcionam como mensageiros químicos que ajudam a controlar a fome, a saciedade, o gasto de energia e o armazenamento de gordura.

    Durante o processo de emagrecimento, os níveis hormonais podem mudar para tentar fazer você recuperar o peso perdido, já que o organismo entende a redução de peso como uma possível ameaça às suas reservas de energia.

    De acordo com André, os principais hormônios envolvidos no processo incluem:

    • Grelina, o hormônio da fome: é produzida principalmente no estômago e sinaliza ao cérebro quando está na hora de comer. Quando o estômago fica vazio, os níveis de grelina aumentam, estimulando a fome. Durante o emagrecimento, a produção do hormônio pode crescer, aumentando o apetite;
    • Leptina, o hormônio da saciedade: é produzida pelas células de gordura e informa ao cérebro que o corpo possui energia suficiente armazenada. Quando a pessoa perde peso, os níveis de leptina diminuem, reduzindo a sensação de saciedade e favorecendo o aumento da fome.

    Além deles, níveis elevados de cortisol por longos períodos estão associados ao aumento da fome, especialmente da vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura. O excesso do hormônio do estresse também pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Como emagrecer de forma realista e sustentável?

    Para emagrecer de forma sustentável, o ideal é construir hábitos de vida que possam ser mantidos ao longo do tempo, e não apenas por algumas semanas. As principais recomendações envolvem:

    • Evite dietas muito restritivas: cortar grupos alimentares inteiros ou passar longos períodos com fome pode fazer o organismo ativar os mecanismos de defesa mais rapidamente, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia;
    • Pratique atividade física regularmente: exercícios, especialmente a combinação de musculação e atividades aeróbicas, ajudam a aumentar o gasto calórico e a preservar a massa muscular, fator importante para manter o metabolismo mais ativo durante o emagrecimento;
    • Durma bem: a privação de sono altera hormônios relacionados ao controle do apetite. A produção de grelina, o hormônio da fome, aumenta, enquanto a de leptina, responsável pela saciedade, diminui, favorecendo o aumento da fome ao longo do dia;
    • Beba água e consuma fibras: frutas, verduras, legumes e grãos integrais são ricos em fibras, que ajudam a prolongar a sensação de saciedade. A ingestão adequada de água também contribui para o bom funcionamento do organismo e auxilia no controle da fome.

    André também ressalta que o emagrecimento precisa ser baseado em uma alimentação adequada ao gasto energético de cada pessoa. O ideal é estimar quantas calorias o organismo gasta diariamente, levando em consideração fatores como idade, peso, altura e nível de atividade física, e reduzir uma quantidade moderada de calorias.

    O déficit calórico controlado permite que a perda de peso aconteça de forma gradual e mais sustentável, reduzindo as chances de o organismo ativar mecanismos intensos de defesa, como o aumento excessivo da fome e a desaceleração do metabolismo.

    Quando o uso de medicamentos é indicado para emagrecer?

    Em alguns casos específicos, como situações de obesidade ou excesso de peso associado a problemas de saúde, o médico pode indicar o uso de remédios como parte do tratamento para emagrecer. Eles atuam diretamente no sistema nervoso ou no trato gastrointestinal, ajudando a aumentar a saciedade, controlar a compulsão alimentar ou reduzir a absorção de gorduras.

    No entanto, o uso de medicamentos deve ser sempre um complemento à mudança de estilo de vida e ter acompanhamento médico regular. Nunca se automedique!

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. Por que é mais difícil manter o peso do que emagrecer?

    Porque após perder peso, o metabolismo continua lento e os hormônios da fome permanecem alterados por meses. Se você voltar aos hábitos antigos, o corpo recuperará a gordura perdida rapidamente para se proteger.

    2. Por que o metabolismo fica lento durante a perda de peso?

    Porque o corpo reduz o ritmo das suas funções para gastar menos energia e proteger as reservas de gordura, entendendo a dieta como um período de escassez de alimentos.

    3. Como acelerar o metabolismo de forma natural?

    A forma mais eficaz é praticar exercícios de força, como a musculação, para ganhar massa magra. Os músculos gastam mais energia do que a gordura, mesmo quando o corpo está em repouso.

    4. O que é déficit calórico?

    O déficit calórico é consumir menos calorias do que o seu corpo gasta ao longo do dia. É a regra básica e necessária para que o organismo use a gordura estocada como fonte de energia.

    5. Por que o estresse atrapalha o emagrecimento?

    O estresse crônico aumenta a produção de cortisol, hormônio que estimula o apetite por alimentos mais calóricos (doces e gorduras) e facilita o estoque de gordura na região da barriga.

    6. Qual o papel das fibras no processo de emagrecimento?

    As fibras não são digeridas pelo corpo, então elas formam uma espécie de gel no estômago que torna a digestão mais lenta. Isso prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

    7. Pular refeições ajuda a emagrecer mais rápido?

    Não é uma boa estratégia para a maioria das pessoas. Pular refeições pode gerar uma fome exagerada na refeição seguinte, levando a exageros, além de deixar o organismo em alerta para economizar energia.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    O parto vaginal nem sempre acontece exatamente como o planejado e, em alguns casos, mesmo depois de horas de trabalho de parto, o bebê pode encontrar dificuldades para nascer ou apresentar sinais de que precisa nascer mais rapidamente.

    Quando há indicação médica, podem ser usados instrumentos que auxiliam a saída do bebê pelo canal vaginal, como o fórceps e o vácuo extrator.

    Eles são utilizados em situações muito específicas na fase final do parto, como quando a mãe está muito cansada para continuar fazendo força ou para acelerar o nascimento em caso de sofrimento fetal.

    Apesar da fama de assustar muitas futuras mães, o fórceps e o vácuo extrator fazem parte da assistência obstétrica e podem ser necessários em determinadas situações. Quando usados por profissionais capacitados e nos casos específicos, eles podem evitar cesárias de emergência altamente complexas e, acima de tudo, proteger a vida da mãe e do recém-nascido.

    O que é o parto instrumentalizado?

    O parto instrumentalizado é um parto vaginal em que o médico obstetra utiliza um instrumento específico para auxiliar na saída do bebê, como o fórceps e o vácuo extrator, por exemplo. Eles ajudam quando o parto não evolui como esperado ou quando existe a necessidade de acelerar o nascimento por razões médicas.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o procedimento só é considerado na fase final do trabalho de parto, conhecida como período expulsivo, quando o colo do útero já atingiu a dilatação completa (10 cm) e a cabeça do bebê já está bem posicionada no canal de parto.

    Durante o trabalho de parto, os ossos do crânio do bebê têm a capacidade de se acomodar e se moldar para facilitar a passagem pela bacia materna, cujas estruturas ósseas são naturalmente estreitas em relação ao tamanho da cabeça fetal.

    Os instrumentos podem ser necessários quando a descida do bebê deixa de progredir adequadamente nos momentos finais do nascimento e é necessário um auxílio para concluir o parto.

    Por isso, a especialista reforça que a instrumentalização não deve ser encarada como uma medida agressiva, mas como um recurso seguro utilizado em situações específicas.

    O que é e como funcionam o fórceps e o vácuo extrator?

    O fórceps e o vácuo extrator servem para guiar e tracionar a cabeça do bebê enquanto a mãe faz força, mas funcionam de maneira diferente.

    Fórceps

    O fórceps é um instrumento cirúrgico metálico composto por duas peças curvas e alongadas, que se assemelham a duas grandes colheres. Ele foi desenhado especificamente para se ajustar perfeitamente e com segurança às laterais da cabeça do bebê, respeitando a anatomia do crânio fetal.

    Durante o parto, o médico obstetra posiciona cuidadosamente cada uma das peças nas laterais da cabecinha do bebê. Segundo Andreia, ele não aperta e não esmaga a cabeça do bebê, mas faz apenas a preensão (ou seja, segura com firmeza) e funciona como uma extensão das mãos do médico para guiar o bebê para fora.

    À medida que a mãe faz as contrações, o obstetra aplica uma força suave e contínua de tração para ajudar o bebê a deslizar pelo canal de parto. Além de ajudar a puxar no final, o fórceps também serve para ajudar a girar a cabeça do bebê para a posição correta de nascimento, caso ele tenha parado de rodar sozinho.

    Vácuo extrator

    O vácuo extrator, também conhecido como ventosa obstétrica, é um instrumento composto por uma pequena cúpula (que pode ser de silicone, plástico rígido ou metal) conectada a uma bomba de vácuo mecânica ou eletrônica.

    Diferente do fórceps, que envolve as laterais da cabeça do bebê, o vácuo-extrator funciona por sucção. O médico obstetra introduz a cúpula no canal de parto e a fixa suavemente no topo da cabecinha do bebê. Em seguida, a bomba cria uma pressão negativa (um vácuo) que mantém a ventosa presa à pele.

    Durante as contrações e o esforço da mãe, o médico puxa delicadamente o cabo do aparelho para ajudar o bebê a deslizar para fora. Como a fixação depende puramente do vácuo, o principal risco associado ao instrumento é a formação de um pequeno inchaço ou hematoma na pele da cabeça do bebê, que costuma desaparecer espontaneamente nos primeiros dias após o nascimento.

    Segundo Andreia, o vácuo extrator é de uso exclusivo para o final do parto, quando o bebê está quase nascendo e a mãe, mesmo fazendo força, não consegue finalizar.

    Principais indicações: quando eles são necessários?

    Segundo Andreia, a decisão de utilizar o fórceps ou o vácuo extrator é baseada em critérios técnicos bem definidos. Durante o período expulsivo, a equipe acompanha o tempo de evolução do parto, levando em consideração fatores como se é a primeira gestação da paciente, o uso ou não de analgesia e a progressão da descida do bebê.

    Entre algumas das indicações, Andreia aponta:

    • Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.
    • Correção da rotação fetal: para nascer, a cabeça do bebê precisa realizar movimentos de rotação dentro da pelve materna. Quando a rotação não acontece espontaneamente, o fórceps pode ser utilizado para auxiliar o posicionamento adequado;
    • Alívio materno-fetal: quando o período expulsivo se prolonga excessivamente, a mãe pode ficar exausta e o bebê pode começar a apresentar sinais de sofrimento fetal. A instrumentalização ajuda a concluir o parto antes que o desgaste se torne um problema;
    • Abreviação do período expulsivo: algumas condições de saúde materna, como cardiopatias, tornam desaconselhável a realização de esforços prolongados. O uso do fórceps pode acelerar o nascimento e reduzir os riscos associados ao esforço físico intenso;

    Em situações raras, o fórceps também pode ser utilizado quando o bebê está em apresentação pélvica (sentado) e a cabeça encontra dificuldade para sair após o nascimento do restante do corpo. Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.

    O instrumento ajuda a realizar a retirada de forma mais rápida e segura, mas Andreia destaca que a indicação é pouco frequente atualmente, já que os partos pélvicos vaginais são menos comuns.

    Quais as condições necessárias para usar os instrumentos com segurança?

    Para que o fórceps ou o vácuo extrator sejam usados com segurança, o médico obstetra precisa avaliar uma série de critérios antes de tomar a decisão, como:

    • Dilatação completa do colo do útero: a gestante precisa estar com 10 centímetros de dilatação. Os instrumentos não podem ser usados antes que o colo esteja totalmente aberto;
    • Cabeça do bebê em posição baixa: a cabeça do bebê já deve ter descido pelo canal de parto e estar em uma posição favorável para o nascimento. Se ela ainda estiver muito alta, o procedimento não deve ser realizado;
    • Bolsa rompida: a bolsa amniótica já precisa ter se rompido para que o instrumento possa ser posicionado corretamente;
    • Passagem adequada pela bacia: o obstetra deve ter certeza de que a cabeça do bebê consegue passar pela bacia materna. O fórceps e o vácuo extrator servem apenas para auxiliar os momentos finais do nascimento, e não para vencer obstáculos que impedem a passagem do bebê;
    • Bexiga vazia: a bexiga da mãe normalmente é esvaziada antes do procedimento para reduzir o risco de lesões e facilitar o nascimento;
    • O instrumento deve ser utilizado por um profissional capacitado e com experiência na técnica. A escolha entre fórceps e vácuo extrator também leva em consideração o treinamento e a familiaridade do obstetra com cada método.

    O fórceps pode machucar o bebê ou a mãe?

    Quando feito por um profissional capacitado e com a indicação correta, o fórceps não machuca a mãe e o bebê, sendo importante para proteger a vida de ambos. Segundo Andreia, deixar o bebê parado no canal vaginal por muito tempo pode causar sofrimento fetal e, na mãe, pode provocar isquemia tecidual e lacerações graves de difícil correção.

    O medo em relação ao fórceps tem origem em histórias antigas, de uma época em que as cesarianas ainda não eram procedimentos seguros. Antes, quando o bebê ficava preso durante o parto, os instrumentos utilizados eram muito diferentes dos atuais e podiam ser empregados de forma agressiva para tentar viabilizar o nascimento, inclusive reduzindo o diâmetro da cabeça fetal.

    Atualmente, Andreia explica que os fórceps modernos não fazem pressão. O aparelho apenas abraça e segura a cabecinha do bebê para guiá-la para fora, sem apertar ou esmagar. No entanto, como qualquer procedimento médico, existem riscos caso os critérios de segurança não sejam seguidos ou se o profissional não tiver o treinamento adequado

    Ainda dá tempo de fazer cesárea se o parto parar no final?

    Mesmo quando a cabeça do bebê já está muito baixa no canal de parto, a cesárea ainda pode ser realizada. Se o fórceps ou o vácuo extrator não puderem ser utilizados por falta dos critérios de segurança necessários, a equipe médica pode optar pela via de parto para finalizar o nascimento.

    A cirurgia costuma ser mais trabalhosa, porque a cabeça do bebê já está encaixada profundamente na bacia materna e precisa ser retirada de uma posição mais difícil do que aquela encontrada em uma cesárea realizada antes do trabalho de parto avançar. Ainda assim, Andreia esclarece que é um procedimento viável e que faz parte da rotina obstétrica quando necessário.

    Por outro lado, quando a mãe e o bebê atendem a todos os critérios para a instrumentalização e a cabeça já está bem baixa no canal de parto, o fórceps normalmente é a alternativa mais rápida para concluir o nascimento, já que permite ajudar o bebê a percorrer os últimos centímetros do trajeto sem a necessidade de uma cirurgia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O uso de fórceps é considerado uma violência obstétrica?

    Não, o fórceps é um procedimento médico legítimo, seguro e que salva vidas. A violência obstétrica se caracteriza pelo uso de intervenções sem consentimento, sem indicação médica real ou de forma agressiva. Quando utilizado seguindo os critérios técnicos e com o respeito devido à gestante, o fórceps é uma ferramenta de assistência.

    2. O bebê sente dor quando o fórceps é utilizado?

    O fórceps moderno não aperta a cabeça do bebê, ele apenas a envolve para guiar o nascimento. O bebê pode sentir a pressão normal do canal de parto potencializada pelo instrumento, mas o procedimento em si não causa dor crônica ou traumas físicos quando bem executado.

    3. Quais marcas o fórceps pode deixar no bebê e quanto tempo duram?

    É comum que o fórceps deixe marcas avermelhadas ou pequenos edemas (inchaços) nas laterais do rosto ou atrás das orelhas do bebê, onde as colheres do instrumento se apoiaram. As marcas são superficiais e costumam desaparecer completamente entre 24 horas e poucos dias após o nascimento.

    4. O vácuo extrator é mais seguro do que o fórceps?

    Não necessariamente, pois ambos são seguros se usados corretamente. O vácuo extrator atua por sucção no topo da cabeça e tem menos chance de causar lacerações na mãe, mas pode causar hematomas no couro cabeludo do bebê (lesão de escalpo).

    O fórceps é mais versátil, pois também permite girar o bebê, o que a ventosa não faz tão bem. A escolha depende da necessidade do parto e da experiência do médico.

    5. O fórceps pode causar sequelas neurológicas ou atraso no desenvolvimento do bebê?

    Não, isso é um mito. O fórceps não causa paralisia cerebral ou atrasos cognitivos. O que pode causar sequelas é o fato de o bebê ficar sem oxigênio por passar tempo demais preso no canal de parto. O fórceps entra justamente para evitar que o sofrimento fetal aconteça e cause danos ao cérebro.

    6. Quantas vezes o médico pode tentar puxar o bebê com o fórceps ou vácuo?

    Existem limites de segurança rígidos. No caso do vácuo extrator, se a ventosa descolar da cabeça do bebê por duas ou três vezes, o procedimento deve ser interrompido. No fórceps, se após duas ou três trações vigorosas combinadas com a contração da mãe o bebê não descer, o médico interrompe a tentativa e encaminha a paciente para a cesárea.

    7. O fórceps pode ser usado se o bebê estiver prematuro?

    O uso do fórceps em bebês prematuros não é recomendado como rotina. Devido à fragilidade do crânio e ao risco aumentado de hemorragias, o fórceps costuma ser contraindicado em casos de prematuridade extrema. A cesariana costuma ser a via mais segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    A embolia pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões. A gravidade pode variar desde quadros leves até situações que colocam a vida em risco.

    Na maioria dos casos, o trombo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, condição conhecida como trombose venosa profunda (TVP), e posteriormente se desloca pela corrente sanguínea até os pulmões.

    O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para reduzir a obstrução da circulação pulmonar e diminuir o risco de complicações.

    O que acontece durante uma embolia pulmonar

    Quando um coágulo chega aos pulmões, ele bloqueia parte do fluxo sanguíneo para determinadas regiões pulmonares.

    Como consequência, ocorre um desequilíbrio entre ventilação e circulação, prejudicando as trocas gasosas e a oxigenação do sangue.

    Dependendo do tamanho do trombo e da extensão da obstrução, podem surgir sintomas como:

    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Tosse;
    • Palpitações;
    • Sobrecarga do coração.

    Nos casos mais graves, pode ocorrer instabilidade circulatória, choque e risco de morte.

    O tratamento começa ainda no hospital

    Após a confirmação ou forte suspeita diagnóstica, o tratamento geralmente é iniciado imediatamente.

    Os principais objetivos são:

    • Impedir o crescimento do coágulo;
    • Evitar a formação de novos trombos;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Permitir que o organismo dissolva gradualmente a obstrução.

    A estratégia terapêutica depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    Anticoagulantes: a base do tratamento

    Os anticoagulantes são o principal tratamento da embolia pulmonar.

    Embora sejam popularmente chamados de “afinadores do sangue”, eles não dissolvem diretamente o coágulo já formado.

    Sua função é:

    • Impedir o crescimento do trombo;
    • Reduzir a formação de novos coágulos;
    • Diminuir o risco de recorrência.

    Dessa forma, o próprio organismo consegue remover gradualmente o trombo ao longo do tempo.

    Quais anticoagulantes podem ser utilizados?

    A escolha do medicamento deve ser individualizada, sempre indicada pelo médico.

    Entre as opções mais utilizadas estão:

    • Heparinas;
    • Rivaroxabana;
    • Apixabana;
    • Edoxabana;
    • Dabigatrana;
    • Varfarina em situações específicas.

    A decisão leva em consideração fatores como:

    • Idade;
    • Função renal;
    • Presença de câncer;
    • Risco de sangramento;
    • Outras doenças associadas.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    A duração da anticoagulação depende da causa da embolia pulmonar e do risco de recorrência.

    Casos associados a fatores temporários

    Quando a embolia está relacionada a fatores transitórios, como:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Traumas.

    O tratamento costuma durar cerca de três meses, podendo variar conforme a avaliação médica.

    Casos sem causa identificada

    Quando não é encontrada uma causa evidente, o tratamento pode ser prolongado e reavaliado periodicamente.

    Casos de alto risco de recorrência

    Alguns pacientes podem necessitar anticoagulação por tempo indeterminado, especialmente aqueles com:

    • Trombofilias;
    • Episódios recorrentes de trombose;
    • Alguns tipos de câncer;
    • Fatores permanentes de risco.

    Quando a internação é necessária?

    Muitos pacientes permanecem internados nos primeiros dias para monitorização e estabilização clínica.

    A internação costuma ser indicada quando existe:

    • Falta de ar importante;
    • Baixa oxigenação;
    • Pressão arterial baixa;
    • Frequência cardíaca muito elevada;
    • Sinais de sobrecarga cardíaca;
    • Maior risco de complicações.

    Em casos selecionados e de menor gravidade, o tratamento pode ser realizado em regime ambulatorial.

    Casos graves podem exigir tratamentos mais agressivos

    Pacientes classificados como de alto risco podem precisar de intervenções adicionais.

    Trombólise

    Consiste no uso de medicamentos capazes de dissolver o coágulo de forma mais rápida.

    É um tratamento reservado para situações graves, devido ao maior risco de sangramento.

    Trombectomia por cateter

    Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos podem ser utilizados para remover ou fragmentar o trombo.

    Essa abordagem costuma ser reservada para pacientes selecionados.

    Oxigênio pode ser necessário?

    Sim. Pacientes com queda da oxigenação podem precisar de suporte respiratório, como:

    • Cateter nasal;
    • Máscara de oxigênio;
    • Ventilação não invasiva;
    • Suporte respiratório avançado nos casos mais graves.

    A necessidade depende da extensão da embolia e da repercussão clínica.

    Como os médicos investigam a causa?

    Após a estabilização do quadro, é importante identificar o fator que favoreceu a formação do coágulo.

    A investigação pode incluir:

    • Cirurgias recentes;
    • Internações prolongadas;
    • Imobilização;
    • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal;
    • Gravidez e puerpério;
    • Câncer;
    • Trombofilias;
    • Histórico familiar de trombose.

    Essa etapa ajuda a definir a duração do tratamento e a prevenir novos episódios.

    Como é a recuperação?

    A recuperação varia de acordo com a gravidade da embolia pulmonar.

    Muitos pacientes apresentam melhora significativa nas primeiras semanas, mas alguns sintomas podem persistir temporariamente, como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Menor capacidade física;
    • Sensação de recuperação lenta.

    A maioria das pessoas consegue retomar suas atividades habituais gradualmente.

    Existe risco de uma nova embolia?

    Sim. O risco é maior nos primeiros meses após o episódio inicial e depende da causa que levou à formação do trombo.

    Por isso, é fundamental:

    • Utilizar corretamente os anticoagulantes;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento;
    • Controlar fatores de risco;
    • Seguir as orientações médicas.

    O que fazer após a alta hospitalar?

    Após a alta, os cuidados costumam ser os abaixo.

    1. Uso correto dos anticoagulantes

    A medicação deve ser tomada exatamente como prescrita.

    2. Comparecer às consultas de acompanhamento

    O acompanhamento permite avaliar a evolução e ajustar o tratamento quando necessário.

    3. Retomar atividades gradualmente

    O retorno ao trabalho e aos exercícios deve ocorrer de forma progressiva.

    4. Controlar fatores de risco

    Parar de fumar, manter peso adequado e tratar doenças associadas ajuda a reduzir novas tromboses.

    5. Reconhecer sinais de alerta

    Conhecer os sintomas de recorrência pode acelerar a busca por atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se ocorrer:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Desmaio;
    • Queda importante da oxigenação;
    • Inchaço ou dor em uma das pernas.

    Esses sintomas podem indicar recorrência da trombose ou outras complicações.

    Confira: Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Perguntas frequentes sobre embolia pulmonar

    1. O principal tratamento da embolia pulmonar é a anticoagulação?

    Sim. Os anticoagulantes são a base do tratamento na maioria dos casos.

    2. Os anticoagulantes dissolvem o coágulo?

    Não diretamente. Eles impedem a formação de novos trombos enquanto o organismo remove gradualmente o coágulo existente.

    3. Toda embolia pulmonar precisa de internação?

    Não necessariamente. Alguns pacientes de baixo risco podem ser tratados em casa, mas muitos necessitam monitorização inicial.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O período varia conforme a causa e o risco de recorrência, podendo durar meses ou ser prolongado por tempo indeterminado.

    5. Existe risco de uma nova embolia pulmonar?

    Sim. Por isso é fundamental seguir corretamente o tratamento e o acompanhamento médico.

    6. Pode ser necessário usar oxigênio?

    Sim. Pacientes com baixa oxigenação podem necessitar suporte respiratório temporário.

    7. É possível voltar a ter uma vida normal após uma embolia pulmonar?

    Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado e acompanhamento médico, muitos pacientes retomam suas atividades habituais.

    Veja mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Comum especialmente em mulheres e em pessoas acima dos 40 anos, o nódulo na tireoide é uma pequena massa ou caroço que se desenvolve dentro da glândula tireoide, localizada na base do pescoço. Normalmente, ele é identificado durante exames de rotina, como um ultrassom, ou ao apalpar a região durante o banho ou ao se olhar no espelho.

    É comum sentir medo ou ansiedade pela possibilidade do caroço indicar um quadro de câncer, mas, na maioria dos casos, o nódulo na tireoide é benigno e não representa qualquer risco para a saúde. Ele costuma surgir por alterações naturais da glândula, cistos cheios de líquido ou pequenos crescimentos do tecido tireoidiano que não possuem características malignas.

    Ainda assim, qualquer alteração precisa ser avaliada por um médico, para identificar quais lesões apresentam baixo risco e quais precisam de acompanhamento mais próximo ou de exames complementares. Hoje, o ultrassom é a principal ferramenta utilizada para analisar o tamanho, a forma e outras características que ajudam a estimar a probabilidade de malignidade.

    Nódulo na tireoide é sempre câncer?

    Segundo o endocrinologista André Colapietro, a grande maioria dos nódulos não é câncer. Cerca de 90% a 95% dos nódulos na tireoide são benignos e costumam ser apenas cistos cheios de líquido, crescimentos localizados do próprio tecido da glândula (adenomas) ou alterações associadas a processos inflamatórios, como a tireoidite de Hashimoto.

    Apenas uma pequena parcela, aproximadamente 5% a 10% dos casos, corresponde a um tumor maligno, isto é, ao câncer de tireoide.

    Principais causas de nódulos na tireoide

    Geralmente, o aparecimento de um nódulo na tireoide acontece por um crescimento desordenado de células da própria glândula, mas que não tem nenhuma relação com o câncer. As principais causas benignas incluem:

    • Cistos na tireoide: são nódulos totalmente preenchidos por líquido. Eles quase sempre são benignos, mas podem crescer e causar algum desconforto local se ficarem muito grandes;
    • Bócio nodular ou multinodular: acontece quando a tireoide aumenta de tamanho e desenvolve um ou vários nódulos em sua estrutura. Isso pode ocorrer por predisposição genética ou, de forma mais rara hoje em dia, por falta de iodo na alimentação;
    • Adenoma tireoidiano: é um tumor benigno e consiste em um acúmulo de tecido tireoidiano normal que cresce em formato de caroço. Na maioria das vezes não causa problemas, mas alguns adenomas podem produzir hormônios da tireoide em excesso, levando ao hipertireoidismo;
    • Tireoidite de Hashimoto: é uma doença autoimune onde as defesas do corpo atacam a tireoide, gerando uma inflamação crônica. A inflamação pode deixar a glândula irregular e favorecer o aparecimento de nódulos.

    Como saber se o nódulo está crescendo?

    A forma mais segura de saber se o nódulo está crescendo é fazendo o ultrassom da tireoide periodicamente, conforme a orientação do endocrinologista.

    Como a maioria dos nódulos é interna e muito pequena, as variações de milímetros no tamanho só conseguem ser detectadas e comparadas de verdade através das imagens do exame de um ano para o outro.

    Em casos onde o crescimento é mais expressivo, você pode começar a notar sinais físicos na rotina, como perceber um caroço mais visível ao olhar no espelho, sentir uma assimetria ou um caroço endurecido ao apalpar o pescoço, ou notar que colares e golas de camisa começaram a apertar sem que você tenha engordado.

    Por fim, o crescimento do nódulo pode causar sintomas de compressão na região do pescoço. Se ele aumentar a ponto de pressionar as estruturas vizinhas, você pode começar a sentir dificuldade ou desconforto para engolir alimentos sólidos, uma sensação constante de pigarro ou aperto na garganta, e até mesmo rouquidão persistente sem uma causa gripal aparente.

    Sinais de alerta para procurar o médico com urgência

    Você deve procurar um endocrinologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço se notar:

    • Dificuldade para engolir alimentos ou líquidos;
    • Sensação de que a comida fica presa na garganta;
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento, principalmente ao deitar;
    • Rouquidão ou mudança na voz por mais de duas semanas;
    • Crescimento rápido do nódulo em poucas semanas ou meses;
    • Nódulo muito duro e que não se movimenta ao engolir;
    • Presença de ínguas persistentes nas laterais do pescoço.

    A presença dos sintomas não significa um diagnóstico de câncer, mas são sinais de alerta de que a região está sendo comprimida ou de que o nódulo precisa ser investigado pelo médico.

    Como saber se o nódulo na tireoide é maligno?

    Não é possível determinar se um nódulo na tireoide é maligno apenas pela palpação ou pela presença de sintomas. A confirmação depende de uma avaliação médica que combina exames de imagem e, quando necessário, a análise das células do nódulo.

    O primeiro exame utilizado é o ultrassom da tireoide, que permite avaliar características associadas a um maior risco de câncer, como a presença de microcalcificações, bordas irregulares, formato mais alto do que largo e áreas muito sólidas e escuras no exame.

    O médico também pode solicitar a realização de exames de sangue para avaliar o funcionamento da glândula, como TSH, T3 e T4. Embora não diagnostiquem o câncer diretamente, ajudam o médico a entender o comportamento do nódulo e a planejar os próximos passos.

    Segundo André, quando o nódulo apresenta características suspeitas ou atinge determinado tamanho, o médico pode solicitar uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Durante o procedimento, uma agulha fina é utilizada para coletar células do nódulo, que são enviadas para análise em laboratório.

    Atualmente, a punção é considerada o principal exame para diferenciar nódulos benignos de malignos.

    Como é feito o tratamento de nódulo na tireoide?

    O tratamento do nódulo na tireoide depende de alguns fatores, como tamanho, características observadas nos exames, presença de sintomas e do resultado da investigação.

    Quando o nódulo é benigno, pequeno e não causa desconforto, a medida mais comum é apenas o acompanhamento periódico com consultas médicas e exames de ultrassom para monitorar possíveis alterações de tamanho ou de aparência ao longo do tempo.

    Nos casos em que o nódulo cresce, provoca sintomas ou apresenta suspeita de malignidade, outras abordagens podem ser necessárias, como:

    • Acompanhamento regular com ultrassom e exames clínicos;
    • Punção aspirativa para avaliação das células do nódulo;
    • Cirurgia para retirada parcial ou total da tireoide;
    • Tratamento com iodo radioativo em situações específicas;
    • Procedimentos minimamente invasivos para alguns nódulos benignos selecionados.

    A cirurgia costuma ser indicada quando existe confirmação ou forte suspeita de câncer, quando o nódulo é muito grande ou quando causa sintomas como dificuldade para engolir, sensação de pressão no pescoço ou alterações respiratórias.

    Segundo André, os casos de câncer têm alta chance de cura, especialmente quando diagnosticados precocemente, o que torna importante manter exames de rotina.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem nódulo na tireoide engorda?

    O nódulo em si não altera o peso. Porém, se o nódulo for causado por hipotireoidismo (tireoide lenta), a pessoa pode ter uma leve tendência a ganhar peso devido ao metabolismo mais lento.

    2. Qual é o tamanho de um nódulo na tireoide que preocupa?

    Os nódulos maiores que 1 cm costumam receber mais atenção e podem precisar de punção. No entanto, mais importante que o tamanho são as características visíveis no ultrassom, como formato e bordas.

    3. Cisto na tireoide é a mesma coisa que nódulo?

    O cisto é um tipo de nódulo, mas preenchido por líquido. A boa notícia é que cistos puros são praticamente 100% benignos.

    4. É normal ter vários nódulos na tireoide?

    Sim, isso é chamado de bócio multinodular. É uma condição muito comum, especialmente com o avanço da idade e em mulheres, e a maioria absoluta desses nódulos é benigna.

    5. Quem tem nódulo na tireoide pode fazer academia?

    Sim, a atividade física está liberada. Ter um nódulo não limita os movimentos ou o esforço físico, a menos que haja alguma recomendação médica específica pós-cirúrgica.

    6. Nódulo na tireoide altera a voz?

    A rouquidão ou mudança na voz só acontecem se o nódulo for muito grande ou se for um tumor maligno que esteja afetando os nervos que controlam as cordas vocais.

    7. Grávida pode ter nódulo na tireoide?

    Sim, devido às intensas alterações hormonais da gestação, novos nódulos podem surgir ou os já existentes podem crescer. Eles devem ser avaliados pelo obstetra e endocrinologista, mas a investigação (como o ultrassom) é segura na gravidez.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, é uma condição relativamente comum durante a gravidez. No Brasil, a estimativa é que entre 14% e 18% das gestantes desenvolvem o problema ao longo da gestação.

    Ele acontece devido a uma reação natural do próprio organismo à gravidez, afetando inclusive mulheres que nunca tiveram problemas com a glicemia antes.

    A principal causa do diabetes gestacional está relacionada aos hormônios produzidos pela placenta. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a placenta libera substâncias que acabam bloqueando a ação da insulina no corpo da mãe.

    Na maioria das vezes, o pâncreas da gestante consegue compensar a mudança, mas, quando isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue. “Na maioria das vezes, a mulher não sente nada. Por isso, o diagnóstico é feito por exames de rotina no pré-natal. Se não for controlado, pode trazer riscos para o bebê”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Por que o diabetes gestacional aparece na gravidez?

    O diabetes gestacional é causado principalmente pelas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. A placenta, órgão responsável por nutrir e proteger o bebê, também produz uma grande quantidade de hormônios essenciais para a manutenção da gravidez, como o lactogênio placentário, a progesterona e o cortisol.

    Os hormônios podem reduzir a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia. A condição é conhecida como resistência à insulina.

    Na prática, o organismo da gestante pelas seguintes mudanças:

    • Os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina;
    • Para compensar essa resistência, o pâncreas aumenta a produção de insulina;
    • Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para atender à demanda maior da gestação.

    Quando isso acontece, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento do diabetes gestacional.

    Principais fatores de risco do diabetes gestacional

    Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas algumas gestantes têm uma propensão maior a enfrentar essa sobrecarga no pâncreas, como aquelas que:

    • Estão acima do peso ou têm obesidade antes da gravidez;
    • Têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
    • Já tiveram diabetes gestacional em uma gestação anterior;
    • Apresentaram pré-diabetes antes de engravidar;
    • Têm síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Engravidaram após os 35 anos;
    • Já tiveram um bebê com peso elevado ao nascer (acima de 4 kg);
    • Apresentam hipertensão arterial ou outras alterações metabólicas.

    Vale destacar que a ausência dos fatores de risco não garante que a gestante não desenvolverá a condição. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames de rotina são recomendados para todas.

    Quando o diabetes gestacional costuma surgir?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional costuma surgir a partir da 24ª semana de gravidez, que corresponde ao final do quinto mês e início do sexto mês de gestação.

    Nessa fase, a placenta já atingiu um tamanho significativo e passa a produzir quantidades cada vez maiores dos hormônios responsáveis pela manutenção da gravidez.

    Até a metade da gestação, o pâncreas normalmente consegue compensar as mudanças sem grandes dificuldades, mas com o aumento da resistência à insulina no segundo trimestre, o organismo precisa produzir muito mais insulina para manter os níveis de glicose sob controle.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) orienta a realização do rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. O principal exame utilizado é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), que avalia como o organismo da gestante reage após a ingestão de uma solução açucarada.

    Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, uso de medicamentos.

    Como saber se a causa é a gravidez ou pré-diabetes?

    Quando a gestante apresenta níveis elevados de glicose logo nos primeiros meses da gravidez, a causa normalmente não é a gravidez. Como a placenta ainda é muito pequena e produz poucos hormônios, o resultado indica que a mulher provavelmente já tinha pré-diabetes (ou diabetes tipo 2) antes de engravidar e não sabia.

    Por outro lado, quando os exames iniciais estão normais e a glicemia se altera apenas a partir da segunda metade da gravidez, especialmente após a 24ª semana, o quadro costuma estar mais relacionado ao diabetes gestacional provocado pelas mudanças hormonais da placenta.

    O que acontece depois do parto?

    Após o parto, a maioria das mulheres com diabetes gestacional volta a apresentar níveis normais de glicose. É recomendado repetir os exames entre 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.

    Se a glicemia permanecer alterada, isso pode indicar que a mulher já tinha pré-diabetes ou diabetes antes da gestação, ou que desenvolveu um risco maior para as condições.

    “Na maioria dos casos, o diabetes cede depois do parto, mas é um sinal de alerta para o futuro, já que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm risco aumentado de desenvolver diabetes ao longo da vida”, finaliza André.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. Qual o valor normal da glicose na gravidez?

    No exame de jejum feito no início da gestação, o valor considerado normal é abaixo de 92 mg/dL. Valores entre 92 mg/dL e 125 mg/dL já indicam diabetes gestacional.

    2. Como é feito o exame de curva glicêmica?

    Chamado de TOTG, a gestante colhe o sangue em jejum, toma um líquido extremamente doce (75g de glicose) e colhe o sangue novamente após 1 hora e 2 horas. Ele avalia a capacidade do corpo de processar o açúcar.

    3. O diabetes gestacional dá algum sintoma?

    Na grande maioria das vezes, ele é assintomático. É por isso que os exames de sangue são obrigatórios, já que a grávida costuma se sentir perfeitamente bem.

    4. Quais os riscos para o bebê se o diabetes não for controlado?

    O principal risco é a macrossomia (bebê nascer muito grande, acima de 4 kg), o que pode antecipar o parto, causar quedas de açúcar no bebê logo após o nascimento e desconforto respiratório.

    5. Posso praticar exercícios físicos tendo a condição?

    Se não houver nenhuma contraindicação médica, caminhadas leves e hidroginástica são excelentes, pois ajudam os músculos a gastar o açúcar do sangue de forma natural.

    6. Quem tem diabetes gestacional precisa fazer cesárea?

    Não obrigatoriamente. O tipo de parto depende das condições de saúde da mãe e do tamanho do bebê.

    7. Posso tomar remédios em comprimido para o diabetes na gravidez?

    Normalmente, o tratamento de escolha quando a dieta não funciona é a insulina. Alguns comprimidos, como a metformina, podem ser usados em casos muito específicos, mas sempre sob orientação médica.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Celulares, computadores, tablets e televisões já fazem parte da rotina de forma tão natural que, muitas vezes, é difícil lembrar como era a vida antes deles. As telas facilitam o trabalho, os estudos e a comunicação, mas, para que o uso seja saudável e não afete a saúde física e mental, ele não pode acontecer de maneira excessiva.

    Para se ter uma ideia, cada rolagem de feed, curtida ou notificação visualizada aciona o sistema de recompensa, liberando doses rápidas de dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à satisfação imediata.

    Só que, no dia a dia, o cérebro se acostuma rapidamente com o fluxo constante de estímulos, precisando de cada vez mais tempo online para sentir o mesmo bem-estar, o que é semelhante com o que acontece em outros tipos de dependência.

    A exposição frequente à luz azul dos aparelhos também bloqueia a produção de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de dormir, mantendo a mente em um estado constante de alerta e estresse. Consequentemente, você pode ter mais dificuldade para pegar no sono, acordar constantemente ao longo da noite e acordar com a sensação de que não descansou.

    Mas afinal, como saber quando o uso de telas deixou de ser apenas um hábito e passou a representar um problema para a saúde? Para adultos, o ideal para lazer é não ultrapassar 2 a 3 horas diárias, mas o corpo costuma dar alguns sinais de que você está passando mais tempo conectado do que deveria.

    Sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    1. Olhos secos, vermelhos ou visão embaçada

    Quando passamos muito tempo olhando para um ponto luminoso fixo, o cérebro reduz automaticamente a frequência das piscadas. O normal é piscar cerca de 15 a 20 vezes por minuto, mas diante das telas o número pode cair para menos da metade.

    Como resultado, acontece uma evaporação mais rápida da lágrima, provocando ressecamento, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e fadiga ocular, condição conhecida como astenopia digital. O esforço prolongado para focar objetos próximos também pode fazer com que a visão fique temporariamente embaçada ao olhar para longe.

    2. Dores frequentes na coluna, pescoço e ombros

    Ao usar o celular ou o notebook, é comum inclinar a cabeça para a frente e para baixo, alterando o alinhamento natural do corpo.

    A cada centímetro de inclinação da cabeça para a frente, a carga exercida sobre a coluna cervical aumenta significativamente. Com o passar do tempo, a sobrecarga pode provocar tensão muscular, contraturas nos ombros e acelerar o desgaste das articulações da coluna.

    3. Dificuldade para pegar no sono ou insônia

    A luz azul emitida por celulares, tablets, computadores e televisores é interpretada pelo cérebro de forma semelhante à luz natural do dia. Por causa disso, a produção de melatonina, hormônio responsável por preparar o organismo para dormir, fica reduzida ou atrasada.

    O resultado é uma sensação prolongada de alerta, que dificulta o adormecer e prejudica o ritmo natural do sono.

    4. Ansiedade ou pressa excessiva para checar notificações

    A sensação de ansiedade é um dos principais sinais comportamentais da relação excessiva com os estímulos digitais.

    Devido a liberação de dopamina, quando o uso de telas é excessivo, o cérebro passa a buscar as recompensas com mais frequência, o que pode gerar ansiedade, vontade constante de verificar o celular e até mesmo a chamada síndrome da vibração fantasma, quando a pessoa acredita que o aparelho vibrou sem que nenhuma notificação tenha sido recebida.

    5. Dores de cabeça persistentes ao longo do dia

    As dores de cabeça causadas pelo excesso de telas costumam estar relacionadas à tensão acumulada no corpo, e se manifestam na testa, atrás dos olhos ou na nuca.

    O brilho intenso e o contraste da tela exigem mais esforço dos olhos, enquanto a má postura sobrecarrega os músculos do pescoço e dos ombros. O excesso de estímulos também mantém o cérebro em estado de alerta por mais tempo.

    6. Irritabilidade e falta de paciência com atividades offline

    A internet oferece estímulos rápidos o tempo todo, como vídeos curtos, notificações, mensagens e novidades constantes. Elas fazem com que o cérebro se acostume a receber informação de forma imediata e, com o passar do tempo, atividades mais lentas podem parecer menos interessantes.

    Por isso, é comum sentir mais impaciência durante conversas longas, dificuldade para se concentrar na leitura de um livro ou irritação ao realizar tarefas do dia a dia que precisam de mais atenção e tempo.

    7. Sensação de cansaço crônico, mesmo após acordar

    Passar muito tempo em frente às telas, principalmente durante a noite, pode prejudicar a qualidade do sono e manter o cérebro em um estado de ativação acima do ideal, mesmo após o momento de deitar.

    O descanso acaba não sendo tão reparador quanto deveria, o que faz com que a pessoa acorde cansada, com menos energia, dificuldade para se concentrar e uma sensação constante de cansaço.

    Sinais de que as crianças passaram do limite com as telas

    Diferentemente dos adultos, as crianças nem sempre conseguem verbalizar que estão cansadas ou sentindo algum mal-estar físico causado pelo excesso de dispositivos eletrônicos.

    “Às vezes, as crianças apresentam comportamentos que mostram para a gente que o uso de telas já passou do limite. Mas muitos pais ainda normalizam esse tipo de situação”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Entre alguns dos principais sinais de que a criança já passou tempo demais usando as telas, é possível destacar:

    • Irritabilidade extrema ou crises de choro ao desligar o aparelho: é comum que a criança demonstre uma frustração desproporcional, raiva ou agressividade quando o tempo de tela termina, funcionando quase como uma reação de abstinência;
    • Perda de interesse por brincadeiras físicas e interações sociais: a criança deixa de querer brincar, correr, desenhar ou interagir com familiares e amigos, preferindo ficar isolada com o dispositivo;
    • Agitação motora e dificuldade de concentração: o excesso de estímulos rápidos presentes em vídeos e jogos pode deixar o sistema nervoso hiperestimulado, o que pode se refletir em dificuldades para se concentrar nas atividades escolares e em uma agitação fora do habitual;
    • Alterações no sono e pesadelos frequentes: as telas em excesso podem causar dificuldade para adormecer, despertares durante a noite e sono agitado. Em crianças menores, o excesso de telas antes de dormir também está associado a terrores noturnos e pesadelos;
    • Atraso no desenvolvimento da fala ou da socialização: especialmente em bebês e crianças pequenas, o tempo excessivo diante das telas pode substituir momentos importantes de conversa, interação e troca de olhares com os pais, prejudicando o desenvolvimento da linguagem e das habilidades socioemocionais;
    • Alimentação distraída ou falta de percepção da saciedade: comer enquanto assistir a vídeos ou utiliza dispositivos faz com que a criança preste menos atenção aos sabores, às texturas e aos sinais de saciedade enviados pelo próprio corpo.

    Para crianças menores de 2 anos, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de zero tempo de tela. O uso deve ser evitado ao máximo, com exceção de videochamadas curtas com familiares que moram longe.

    A partir dessa idade, o tempo de exposição precisa ser controlado. Entre 2 e 5 anos, o ideal é limitar o uso a, no máximo, 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto. Já entre 6 e 10 anos, a recomendação é que o tempo de tela não ultrapasse 2 horas diárias.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o tempo de tela considerado ideal para um adulto?

    A maioria dos especialistas sugere que o tempo de tela voltado para o lazer (redes sociais, séries, jogos) não ultrapasse 2 horas por dia. Se você trabalha na frente do computador, é importante fazer pausas frequentes.

    2. Usar o celular no escuro faz mal à saúde?

    Sim, pois no escuro, a pupila se dilata para captar mais luz, o que aumenta a exposição direta dos olhos à luminosidade da tela. Isso acelera o cansaço visual, causa dores de cabeça e confunde ainda mais o relógio biológico, prejudicando o sono.

    3. Os óculos com filtro de luz azul realmente funcionam?

    Eles ajudam a reduzir o desconforto visual e a fadiga causados pelo brilho das telas, além de diminuir o impacto da luz azul na produção de melatonina à noite. No entanto, eles não anulam os efeitos da má postura ou do tempo excessivo de uso.

    4. O uso excessivo de telas pode causar depressão e ansiedade?

    O uso prolongado, especialmente de redes sociais, está associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão devido ao isolamento social real, à comparação constante com a vida alheia e à dependência química da dopamina gerada pelas notificações.

    5. Como saber se sou viciado em celular?

    Os principais sinais de dependência incluem a incapacidade de reduzir o uso mesmo sabendo dos prejuízos, crises de ansiedade quando o aparelho está sem bateria ou sinal, e o hábito de negligenciar obrigações ou relações sociais para ficar online.

    6. Por que o uso de telas antes de dormir causa insônia?

    Porque as telas emitem luz azul, um comprimento de onda que o cérebro interpreta como a luz do sol, o que bloqueia a liberação de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de desacelerar e dormir.

    7. Deixar o celular no modo noturno (luz amarelada) resolve o problema?

    O modo noturno reduz a emissão de luz azul, o que é melhor para os olhos e para o sono, mas o conteúdo consumido (mensagens, vídeos estimulantes) continua mantendo o cérebro em estado de alerta.

    8. O que é um detox digital e como fazer?

    É um período voluntário de afastamento ou redução drástica do uso de dispositivos. Pode ser feito reservando finais de semana sem redes sociais, estabelecendo um horário limite para desligar o celular à noite ou passando um dia inteiro offline.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

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    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

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