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  • Síndrome do pânico: saiba o que é e como tratar

    Síndrome do pânico: saiba o que é e como tratar

    Palpitações, tontura, suor frio, sensação de morte iminente. Para quem já viveu uma crise de pânico, esses sintomas não são exagero. Mas o que acontece no cérebro durante esse episódio intenso? E por que ele reage com tanta força mesmo quando não há perigo real?

    O psiquiatra Luiz Antonio Vesco Gaiotto, referência em transtornos de ansiedade e autor das diretrizes brasileiras sobre o tema, explica como o cérebro dispara alarmes falsos e quais caminhos a ciência oferece para o controle das crises.

    Diferença entre medo, ansiedade e pânico

    Antes de tudo, é importante entender a diferença entre essas três reações.

    “O medo é uma reação instintiva e saudável diante de um perigo real e imediato. A ansiedade é um estado de alerta útil para lidar com desafios. Já o ataque de pânico é uma reação súbita, intensa e desproporcional, sem ameaça real presente”, esclarece o médico.

    Quando as crises se tornam frequentes e causam medo constante de novos episódios, pode-se falar em transtorno de pânico, ou síndrome do pânico, como a condição é popularmente conhecida.

    Como o cérebro dispara alarmes falsos

    Na síndrome do pânico, o cérebro se comporta como um alarme exageradamente sensível. Estímulos inofensivos, como uma leve aceleração dos batimentos cardíacos, ambientes fechados ou uma respiração mais curta podem ser interpretados como ameaças graves.

    “É como se o cérebro ligasse o modo emergência sem necessidade, gerando reações intensas e desproporcionais”, explica Luiz Antonio.

    Fatores de risco para síndrome do pânico

    A chance de ter síndrome do pânico vem, muitas vezes, da genética.

    “Cerca de 40% da vulnerabilidade ao transtorno do pânico é de origem genética, especialmente em genes ligados à serotonina e noradrenalina. Um temperamento mais ansioso desde a infância também pode predispor ao transtorno”, explica Luiz Antonio.

    Estudos recentes mostraram que pessoas com transtorno do pânico apresentam maior sensibilidade ao gás carbônico, o que explica crises que acontecem por alterações na respiração. Elas também podem ter alterações em substâncias do cérebro que faz com que tenham mais dificuldade na regulação das emoções.

    Tratamentos para síndrome do pânico

    O tratamento do transtorno de pânico envolve várias especialidades médicas e deve ser tratado caso a caso. As formas mais comuns de tratar são:

    Psicoterapia

    Com destaque para a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a pessoa a identificar e modificar pensamentos distorcidos e padrões de comportamento.

    Remédios

    Especialmente antidepressivos como os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), IRSN (inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina) e, em alguns casos, antidepressivos tricíclicos. A classe de remédios benzodiazepínicos também pode ser usada em curto prazo com indicação e supervisão médica.

    Educação sobre o transtorno do pânico

    Muito importante para que a pessoa entenda o que está acontecendo durante uma crise de pânico. Isso reduz o medo e melhora a adesão ao tratamento.

    Dicas práticas para crises de pânico

    Além das abordagens clínicas, algumas outras mudanças de vida podem reduzir os gatilhos:

    • Evitar excesso de cafeína, bebidas alcoólicas e cigarro (nicotina);
    • Reduzir o estresse;
    • Dormir bem;
    • Fazer atividade física regularmente;
    • Reconhecer que os sintomas, embora intensos, não representam um risco real.

    Perguntas frequentes sobre síndrome do pânico

    1. O que é uma crise de pânico?

    É uma reação súbita e intensa do organismo que simula uma emergência, com sintomas físicos como taquicardia, suor, tontura e sensação de morte iminente, mesmo sem ameaça real.

    2. Crise de pânico é o mesmo que ansiedade?

    Não. A ansiedade é uma resposta a situações estressantes, enquanto a crise de pânico é uma reação extrema e desproporcional, muitas vezes sem gatilho claro.

    3. Como saber se tive um ataque de pânico?

    Se você teve sintomas físicos intensos e repentinos, acompanhados de medo intenso, e não havia um perigo real, é possível que tenha sido uma crise de pânico.

    4. O transtorno do pânico tem cura?

    Com o tratamento certo, como psicoterapia, remédios indicados pelo médico e mudança de hábitos, dá para controlar os sintomas e ter mais qualidade de vida.

    5. Quem tem transtorno do pânico precisa tomar remédio para sempre?

    Nem sempre. O uso de medicação varia conforme o caso e deve ser avaliado pelo médico. Em muitos casos, pode ser temporário.

    6. Estímulos como cafeína e redes sociais podem piorar as crises?

    Sim. Estímulos excessivos, privação de sono e hábitos como o consumo de cafeína podem agravar os sintomas e aumentar a frequência das crises.

    7. Onde buscar ajuda se eu tiver crises de pânico?

    O ideal é procurar um psiquiatra ou psicólogo com experiência em transtornos de ansiedade. Em caso de urgência, um pronto atendimento pode acolher e orientar os primeiros cuidados.

  • TDAH: o que é, como diferenciar e tratar 

    TDAH: o que é, como diferenciar e tratar 

    No mundo acelerado em que vivemos, é comum se sentir distraído, esquecer compromissos ou ter dificuldade para manter o foco. Mas quando isso passa do limite e começa a atrapalhar a vida pessoal, profissional ou emocional, pode ser sinal de algo mais sério: o TDAH, ou Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, distração e procrastinação são comportamentos comuns, especialmente em contextos com excesso de estímulos. “No TDAH, no entanto, esses sintomas são intensos, frequentes, começam na infância e causam prejuízos reais na vida da pessoa”, explica.

    O que é TDAH? Principais sintomas e características

    O TDAH é um transtorno neurobiológico que afeta funções cerebrais relacionadas à atenção, ao controle da impulsividade, ao planejamento e à regulação emocional. Estima-se que o TDAH afete entre 5% e 8% da população mundial, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

    Ele pode se manifestar de três formas:

    • Desatenção;
    • Hiperatividade;
    • Impulsividade.

    Os principais sintomas de TDAH, segundo a médica, são:

    • Desatenção: dificuldade de manter o foco, cometer erros por descuido, perder objetos, esquecer compromissos;
    • Hiperatividade: inquietação motora, sensação de “motor ligado”, falar demais;
    • Impulsividade: interromper conversas, agir sem pensar, dificuldade de esperar.

    “Esses sintomas precisam durar pelo menos seis meses, ocorrer em diferentes contextos — como escola, trabalho e casa — e causar prejuízo significativo”.

    Como diferenciar TDAH da distração normal

    Nem toda distração é sinal de TDAH. A diferença está na intensidade, na frequência e no impacto na vida da pessoa.

    “Uma pessoa com TDAH enfrenta uma dificuldade real e persistente de autorregulação, o que afeta o desempenho escolar ou profissional, a autoestima e os relacionamentos”, afirma Paula.

    O transtorno começa na infância, mesmo que o diagnóstico de TDAH só venha mais tarde — como na adolescência ou na vida adulta.

    Diagnóstico de TDAH: processo e profissionais indicados

    O diagnóstico do TDAH é clínico e deve ser feito por profissionais capacitados, como neurologistas, psiquiatras ou psicólogos.

    “Não existe um exame de sangue ou uma ressonância que confirme o TDAH. A avaliação precisa ser criteriosa, porque outras condições, como ansiedade, depressão ou problemas de sono, podem ter sintomas parecidos”, alerta a médica.

    A jornada para o diagnóstico de TDAH pode usar:

    • Entrevistas estruturadas;
    • Questionários validados (como ASRS, SNAP-IV, DIVA-5);
    • Histórico de vida;
    • Testes neuropsicológicos (quando necessários).

    “Sem uma avaliação adequada, a pessoa pode mascarar outros problemas, usar medicamentos de forma incorreta ou deixar de buscar o tratamento mais adequado”, explica.

    E mais: o diagnóstico correto pode trazer alívio. “A pessoa entende que não é preguiça, mas um funcionamento neurológico que pode ser tratado”, complementa a especialista.

    TDAH em adultos: sinais e peculiaridades

    O TDAH começa na infância, mas pode persistir na vida adulta em até 70% dos casos.

    “A hiperatividade visível da infância muitas vezes se transforma em inquietação interna ou dificuldade de relaxar. Muitos adultos só descobrem que têm o transtorno ao buscar ajuda para si ou ao acompanharem os filhos em um diagnóstico semelhante”, explica a Dra. Paula.

    Na vida adulta, o impacto pode aparecer de várias formas:

    • Dificuldade de concentração no trabalho;
    • Falta de organização;
    • Procrastinação constante;
    • Ansiedade, baixa autoestima e frustração.

    Tratamento de TDAH: abordagens e medicamentos

    O tratamento de TDAH envolve várias estratégias combinadas:

    • Psicoeducação: para entender o funcionamento do cérebro com TDAH;
    • Terapia cognitivo-comportamental: estratégias práticas para organização e regulação emocional;
    • Apoio escolar ou profissional: adaptações na rotina para facilitar o dia a dia;
    • Medicação: estimulantes (como metilfenidato e lisdexanfetamina) ou não-estimulantes (como atomoxetina) podem ser indicados pelo médico quando necessário.

    “A medicação não cura, mas reduz sintomas como desatenção e impulsividade, facilitando o uso das estratégias aprendidas”, esclarece a médica.

    Redes sociais pioram os sintomas de TDAH?

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, o uso constante de celular e redes sociais pode, sim, agravar os sintomas do TDAH. Isso porque reforça um padrão de busca por recompensas rápidas, com liberação de dopamina a cada nova curtida, notificação ou estímulo.

    “Isso não causa TDAH, mas pode agravar os sintomas e dificultar o diagnóstico. Parte do tratamento, inclusive, envolve mudanças no estilo de vida e reeducação digital”, explica a médica.

    Como buscar ajuda profissional para TDAH

    Se você desconfia que tem TDAH, o primeiro passo é procurar um profissional com experiência em transtornos do neurodesenvolvimento.

    “Em crianças, o pediatra pode fazer o encaminhamento. Evite se autodiagnosticar ou seguir receitas prontas da internet. Cada caso é único e merece avaliação cuidadosa”, recomenda a psiquiatra.

    E o recado final da médica: “Se a desatenção, a impulsividade ou a desorganização estão atrapalhando sua vida, autoestima ou relações, vale investigar. O diagnóstico pode ser o começo de uma virada. Buscar ajuda não é fraqueza — é coragem”.

    Perguntas frequentes sobre TDAH

    1. Como saber se tenho TDAH?

    Se os sintomas como distração, impulsividade ou desorganização são frequentes, intensos e atrapalham sua vida, vale procurar avaliação especializada.

    2. Qual a diferença entre TDAH e distração comum?

    A distração comum é ocasional. No TDAH, os sintomas são persistentes desde a infância e causam problemas no dia a dia.

    3. Quais são os sintomas de TDAH em adultos?

    Dificuldade de concentração, desorganização, atraso em tarefas, ansiedade, impulsividade e baixa autoestima são comuns.

    4. Como é feito o diagnóstico do TDAH?

    A partir de entrevistas, questionários e, às vezes, testes neuropsicológicos. Não existe um exame único para confirmar.

    5. O TDAH tem cura?

    Não, mas tem tratamento eficaz que ajuda a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    6. Quais são os remédios usados para TDAH?

    Os mais comuns são estimulantes como metilfenidato e lisdexanfetamina, além de não-estimulantes como atomoxetina, mas sempre indicados por um médico.

    7. Celular e redes sociais pioram o TDAH?

    Sim, o uso excessivo reforça padrões de distração e pode piorar os sintomas.

  • Microplásticos e doenças do coração: entenda os riscos

    Microplásticos e doenças do coração: entenda os riscos

    Você sabia que pode estar ingerindo plástico todos os dias, mesmo sem perceber? Os microplásticos estão em embalagens, cosméticos, alimentos e até na poeira da sua casa, e esse plástico microscópico está se acumulando nas suas artérias e pode aumentar em 4,5 vezes o risco de infarto.

    Neste artigo, explicamos como esses microplásticos afetam a saúde do coração e o que você pode fazer para se proteger.

    O que são microplásticos e como entram no corpo

    Microplásticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de diâmetro. Eles surgem da degradação de plásticos maiores ou são produzidos propositalmente em tamanho reduzido para uso em cosméticos, produtos de higiene e outros itens.

    Por serem tão pequenos, podem ser facilmente inalados ou ingeridos. Estão na água, nos alimentos, no ar e até mesmo em ambientes internos, como dentro de casa. Isso torna praticamente inevitável a exposição constante a essas partículas. Estudos estimam que ingerimos entre 74 mil e 121 mil partículas de microplástico por ano.

    O que a ciência já descobriu sobre microplásticos no corpo humano

    Estudos recentes já encontraram microplásticos no corpo, inclusive em diversas partes, como sangue, pulmões, placenta e, mais recentemente, nas artérias.

    Um artigo publicado na revista New England Journal of Medicine identificou a presença dessas partículas em placas de gordura das artérias carótidas de pacientes que foram submetidos à cirurgia.

    Esses pacientes apresentaram um risco 4,5 vezes maior de ter infarto, AVC ou morrer em três anos, comparado àqueles que não tinham microplásticos nas artérias. Ou seja, os especialistas concluíram que os microplásticos afetam a saúde do coração.

    “O nosso estilo de vida moderno, repleto de conveniências como embalagens plásticas e roupas sintéticas, está liberando uma quantidade alarmante de microplásticos no ambiente que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças do coração. É mais um fator de risco, como pressão alta, diabetes, cigarro, mostrando como o estilo de vida pode ter consequências muito mais profundas do que imaginamos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    Microplásticos e riscos cardiovasculares

    Os cientistas sugerem que, nas artérias, esses microplásticos afetam a saúde do coração e podem provocar diversos problemas. Veja abaixo.

    Inflamação crônica

    As partículas de microplástico podem causar uma inflamação crônica no corpo. Isso pode facilitar a formação de placas de gordura nas artérias e aumenta o risco de essas placas se romperem, o que pode levar a problemas como infarto ou AVC.

    Estresse oxidativo

    Quando os microplásticos se acumulam no organismo, eles podem estimular a produção de radicais livres em excesso. Essas substâncias atacam as células saudáveis e enfraquecem a parede dos vasos sanguíneos e podem contribuir para o entupimento das artérias.

    Disfunção endotelial

    O endotélio é a camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos. A presença de microplásticos pode comprometer esse revestimento, e isso dificulta a dilatação deles e pode aumentar o risco de desenvolver pressão alta e outras doenças do coração.

    “Nas artérias, onde já podem existir placas de gordura (aterosclerose), a presença dos microplásticos pode desencadear uma resposta inflamatória, crônica e silenciosa. O corpo tenta ‘combater’ as partículas de plástico, e essa batalha pode piorar as placas no organismo, aumentando o risco de infarto e AVC”, detalha a cardiologista.

    Tipos de plástico mais encontrados no organismo

    Entre os tipos de plástico mais encontrados nas artérias e em outras partes do corpo, estão:

    • Polietileno: usado em sacolas e embalagens;
    • Policloreto de vinila (PVC): presente em encanamentos e revestimentos;
    • Poliestireno: presente em copos e talheres descartáveis;
    • Polietileno tereftalato (PET): presente em garrafas de água, refrigerante, óleo, entre outros itens.

    Hoje, esses produtos de poluição plástica são ingeridos ou inalados através de água, poeira, alimentos embalados e produtos comuns de higiene.

    Como reduzir a exposição a microplásticos

    Ainda que seja impossível evitar totalmente os microplásticos, algumas atitudes podem reduzir a exposição:

    • Evitar o uso de plásticos descartáveis
    • Usar filtros de água com capacidade de reter microplásticos
    • Optar por alimentos frescos e não embalados
    • Arejar bem os ambientes internos

    “O estilo de vida moderno nos expõe a muitas fontes de microplásticos, desde as embalagens de alimentos até as roupas que vestimos. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem reduzir o risco à saúde, como por exemplo reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, utilizar recipientes de vidro e filtrar a água”, explica a médica.

    A ciência ainda está investigando os efeitos dos microplásticos no organismo, mas os primeiros resultados já apontam para riscos cardiovasculares reais. Evitar o consumo excessivo de plástico e adotar hábitos saudáveis é, por enquanto, a melhor forma de prevenção.

    Perguntas frequentes sobre microplásticos e saúde do coração

    1. Microplásticos aumentam o risco de infarto?

    Sim, estudos mostram que microplásticos podem aumentar em 4,5 vezes o risco de infarto e AVC.

    2. Como os microplásticos entram no corpo?

    Podem ser ingeridos por meio de água, alimentos, poeira ou inalados no ar. Também estão em cosméticos e produtos de uso diário.

    3. Existe como eliminar microplásticos do organismo?

    Ainda não existe um método eficaz para eliminar essas partículas. A prevenção é a melhor estratégia.

    4. Todo mundo tem microplásticos no corpo?

    A maioria das pessoas está exposta em algum grau. A presença já foi detectada em sangue, órgãos e artérias.

    5. Filtros de água comuns ajudam?

    Alguns filtros podem reter parte dos microplásticos, mas é importante verificar se são certificados para isso.

  • Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento 

    Colesterol alto tem solução! Veja como é o tratamento 

    O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças do coração, como infarto e AVC. Quando está em excesso, pode se depositar nas paredes das artérias, dificultar a passagem do sangue e aumentar o risco de entupimentos. Por isso, seguir o tratamento para colesterol corretamente é fundamental para prevenir complicações graves e proteger o coração.

    Se os níveis estiverem elevados, portanto, é preciso agir logo. O tratamento envolve mudanças no estilo de vida e, se necessário, o uso de medicamentos. A boa notícia? Com acompanhamento e disciplina, é possível reverter o quadro e prevenir complicações.

    Como tratar colesterol alto: 3 métodos comprovados

    Em primeiro lugar, é necessário saber se o colesterol está alto. Isso é feito por meio de exames de sangue simples que medem os níveis de colesterol total, LDL (também conhecido por colesterol “ruim”), HDL (colesterol “bom”) e triglicerídeos, um tipo de gordura também prejudicial ao coração.

    Se identificado o problema, é hora de saber o que fazer para tratar. Conheça os três pilares do tratamento para colesterol alto.

    1. Alimentação saudável: o combustível do coração

    A base de como baixar o colesterol começa no prato. Uma alimentação equilibrada pode reduzir o LDL entre 10% e 30%.

    “Uma alimentação cardioprotetora prioriza o consumo de fibras solúveis, que estão, por exemplo, presentes na aveia, na cevada, nas frutas cítricas e nas leguminosas e formam um gel no intestino que se liga ao colesterol, reduzindo sua absorção. O consumo diário de 5 a 10 g de fibras solúveis pode reduzir o LDL em 5% a 10%”, explica a cardiologista Juliana Aparecida Soares.

    Além das fibras, outros alimentos também são bons para o controle do colesterol:

    • Gorduras boas: azeite extravirgem, abacate, castanhas e peixes como salmão e sardinha.
    • Esteróis vegetais: substâncias presentes em vegetais, oleaginosas, sementes e alimentos funcionais e que ajudam a bloquear a absorção do colesterol no intestino. Dois gramas por dia podem reduzir o LDL em até 10%.

    Evitar alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, macarrão instantâneo, fast-food, embutidos, frituras e excesso de carnes gordurosas também é muito importante para cuidar do coração. Comer em horários certos, com porções equilibradas, ajuda o corpo a funcionar melhor.

    2. Atividade física: o exercício que vale ouro

    Mexer o corpo é tão importante quanto cuidar da alimentação. A atividade física ajuda a:

    • Aumentar colesterol bom
    • Reduzir o colesterol ruim e os triglicerídeos
    • Melhorar a circulação e o funcionamento das artérias

    A recomendação é praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividades aeróbicas, como caminhada rápida, ciclismo ou natação. Também é importante fazer exercícios com pesos de duas a três vezes por semana, como a musculação, por exemplo.

    E se você está começando agora, não se preocupe com a intensidade. É mais importante fazer sempre. “A constância supera a intensidade”, lembra a médica.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    3. Remédios para colesterol: quando são necessários?

    Nem sempre o estilo de vida é suficiente para controlar o colesterol, especialmente em casos em que o colesterol alto tem base genética ou quando a pessoa já tem histórico de doença cardiovascular. Nesses casos, os remédios entram em cena, sempre indicados por um médico. Conheça quais são os melhores tratamentos para colesterol alto.

    Principais classes de remédios:

    • Estatinas (as mais utilizadas)
    • Fibratos
    • Ezetimibe
    • Terapias mais recentes, como anticorpos monoclonais

    “As estatinas são as mais comuns. Estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas usem essa classe de medicamento para reduzir o colesterol ruim (LDL) em até 50%”, afirma Juliana.

    Estatinas para colesterol: como funcionam e efeitos colaterais

    Elas atuam no fígado, bloqueando uma enzima chamada HMG-CoA redutase, que é essencial na produção de colesterol. Também têm efeito anti-inflamatório e ajudam a estabilizar as placas de gordura nas artérias, o que reduz o risco de infarto e AVC.

    E os efeitos colaterais?

    A maioria das pessoas tolera bem as estatinas. Os efeitos colaterais mais comuns são:

    • Dores musculares leves (em até 5% dos casos);
    • Alterações nos exames de fígado (raras);
    • Pequeno aumento no açúcar do sangue.

    Alguns fatores aumentam o risco de efeitos adversos: idade avançada, uso de vários remédios, consumo de bebida alcoólica e doenças no fígado ou rins. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável.

    Vale a pena seguir o tratamento para colesterol?

    “Os benefícios são muito maiores do que os riscos”, garante Juliana. As estatinas, por exemplo, não apenas reduzem o colesterol como também prolongam a vida em pessoas que já tiveram infarto ou AVC. E mais: não se deve interromper o tratamento por conta própria sem a orientação do médico.

    Com alimentação balanceada, exercício regular e, se necessário, remédio na dose certa, é possível manter o colesterol sob controle e proteger o coração.

    Perguntas frequentes sobre tratamento para colesterol alto

    1. Todo mundo com colesterol alto precisa tomar estatina?

    Não. Em casos leves, mudanças na alimentação e atividade física podem ser suficientes. O uso de remédios é decidido pelo médico com base no risco cardiovascular.

    2. As estatinas fazem mal para o fígado?

    Elas podem alterar exames do fígado, mas efeitos graves são raros. O médico sempre monitora os resultados.

    3. Quanto tempo leva para baixar o colesterol com remédio?

    Os efeitos das estatinas geralmente começam a ser percebidos em 4 a 6 semanas. O acompanhamento médico com exames é essencial.

    4. Posso parar o remédio se o colesterol baixar?

    Não. O controle depende da continuidade do tratamento. Só o médico pode avaliar se é possível ajustar ou suspender o remédio.

    5. Qual o melhor exercício para baixar o colesterol?

    Caminhada, corrida, natação, bicicleta e dança são ótimas opções. Exercícios com peso também ajudam, principalmente quando combinados com atividades aeróbicas. Antes de começar, porém, é sempre bom consultar um médico para uma avaliação de saúde.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

  • Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Entenda como funciona a alergia alimentar e o que fazer

    Imagine descobrir que algo tão simples quanto um copo de leite, um pedaço de pão ou uma mordida em um camarão pode colocar sua vida em risco. Para milhões de pessoas no mundo, esta é uma realidade.

    A alergia alimentar é uma condição que vai muito além de uma dor de estômago. Ela pode causar reações alérgicas graves, que ameaçam a vida e exige cuidados rigorosos, vigilância constante e, muitas vezes, mudanças profundas na rotina.

    Quando a comida se torna um gatilho perigoso

    Para quem não sabe o que é alergia alimentar, ela é uma reação do sistema imunológico a uma proteína presente em um determinado alimento. Para quem vive com essa condição, até mesmo uma quantidade mínima do alimento alergênico pode desencadear sintomas leves, moderados ou até mesmo graves. A anafilaxia, por exemplo, é uma reação alérgica muito grave e que pode levar a morte se não tratada imediatamente.

    “O corpo identifica essa proteína como uma ameaça e libera substâncias inflamatórias, como a histamina”, explica Brianna Nicoletti, médica alergista e imunologista.

    Estima-se que até 8% das crianças e 3% dos adultos no mundo sofram com algum tipo de alergia alimentar, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estudos apontam para quantidade semelhante, com aumento de diagnóstico principalmente na infância.

    Mas não confunda. Há diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar. Diferentemente da alergia, ela não envolve o sistema imunológico, ou seja, trata-se de uma dificuldade em digerir ou metabolizar um componente do alimento, como ocorre com a lactose presente no leite. Os sintomas geralmente são digestivos, mais leves e não colocam a vida em risco.

    Conheça os diferentes tipos de alergia alimentar

    A alergia alimentar pode se manifestar de maneiras diferentes e, por isso, os médicos classificam em três tipos:

    Alergia alimentar IgE-mediada

    É a forma mais comum e também a que pode trazer reações mais graves. Os sintomas aparecem muito rápido, logo após comer o alimento, e podem se manifestar com manchas vermelhas na pele, inchaço nos lábios ou olhos, vômito, chiado no peito ou até uma reação mais séria, que é a anafilaxia.

    Alergia alimentar não IgE-mediada

    Nesse caso, a reação acontece de forma mais lenta, e pode levar algumas horas ou até dias para surgir. É mais comum em bebês e crianças pequenas e, muitas vezes, é mais difícil suspeitar qual é o alimento que está fazendo mal. Os sintomas costumam afetar o sistema digestivo, com sangue nas fezes, refluxo ou recusa alimentar.

    Formas mistas

    São aquelas alergias que envolvem os dois tipos anteriores e podem se manifestar como alergias de pele ou inflamação no esôfago.

    Veja também: Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança

    Os principais alimentos que mais causam alergia alimentar são:

    • Leite de vaca;
    • Ovo;
    • Amendoim;
    • Castanhas;
    • Nozes;
    • Peixes;
    • Frutos do mar;
    • Soja;
    • Trigo.

    “Estes são responsáveis por mais de 90% das reações alérgicas alimentares graves no mundo”, alerta Brianna.

    Entenda a contaminação cruzada

    Alimentos industrializados como barras de cereais, chocolates, molhos prontos e produtos de padaria podem trazer um risco extra, mesmo que não tenham o ingrediente em si.

    Isso acontece por causa da contaminação cruzada, quando pequenas partículas de um alimento alergênico entram em contato com outros produtos durante o preparo, o armazenamento ou o transporte.

    “Basta uma partícula mínima do alimento para provocar reação em pacientes sensíveis”, destaca a médica.

    A contaminação cruzada por alérgenos ocorre, por exemplo, quando um utensílio, equipamento ou superfície que foi usado para manipular leite, ovo, amendoim ou outros alimentos alergênicos entra em contato com outros alimentos sem a devida limpeza.

    Mesmo que o ingrediente alergênico não esteja listado na embalagem, traços dele podem estar presentes, e isso já representa um risco real para quem tem alergia alimentar.

    Sintomas que exigem atenção

    A alergia alimentar pode surgir em qualquer fase da vida. Embora mais comum na infância, é possível se tornar alérgico na vida adulta, mesmo sem ter tido algum episódio anterior. “Frutos do mar, castanhas e aditivos são os mais associados às alergias de início tardio”, explica a especialista.

    Os sinais mudam de acordo com o tipo de alergia. De maneira geral, os principais sintomas são:

    • Coceira;
    • Manchas vermelhas na pele (conhecidas por urticária);
    • Inchaço;
    • Dor abdominal;
    • Vômito;
    • Diarreia, dificuldade para respirar e queda da pressão arterial podem indicar uma reação alérgica, e é preciso correr para o hospital.

    “Dificuldade para respirar, rouquidão repentina e tontura sugerem anafilaxia, reação alérgica grave que é uma urgência médica”, reforça Brianna.

    Nas formas não IgE-mediadas, aquelas em que os sintomas demoram até dias para aparecer, os sinais podem ser vômitos, diarreia com sangue, prisão de ventre muito intensa, recusa para se alimentar e até problemas de crescimento, quando se trata de crianças.

    A alergista explica que o principal a se fazer é observar a frequência, a relação do tempo entre o consumo do alimento e os sintomas, e se eles aparecem depois de ingerir o mesmo alimento.

    “A avaliação com um médico alergista é essencial para diferenciar alergia, intolerância, alterações da flora intestinal (disbiose), infecções ou outras causas”, recomenda.

    Fazer um diário alimentar, registrando os alimentos ingeridos e os sintomas é uma maneira de conseguir pistas sobre o alimento que está fazendo mal. Há também testes de alergia feitos por meio de exames de sangue ou pela exposição da pele a determinados alérgenos. O diagnóstico nunca deve ser feito com base apenas em sintomas isolados.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar