Autor: Dr. Gabriel Bordim Collaço Simomura

  • Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Alterações no sangue nem sempre são percebidas de imediato. Muitas vezes, sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos surgem de forma gradual e podem ser atribuídos a outras causas comuns do dia a dia.

    Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados a doenças que afetam diretamente a produção das células sanguíneas. A síndrome mielodisplásica é uma delas, pois faz parte de um grupo de condições que interfere no funcionamento da medula óssea e exige avaliação médica cuidadosa.

    O que é a síndrome mielodisplásica

    A síndrome mielodisplásica (SMD) é um grupo de doenças que afetam a medula óssea, estrutura responsável pela produção das células do sangue. Nessa condição, a medula passa a funcionar de forma inadequada, produzindo células sanguíneas anormais e em quantidade insuficiente.

    Como resultado, pode ocorrer redução dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, quadro que se manifesta como anemia, neutropenia e/ou trombocitopenia. Além da diminuição, as células produzidas também podem apresentar alterações na forma e no funcionamento.

    Isso acontece porque as células da medula óssea sofrem alterações, levando à produção ineficaz, com presença de células defeituosas e menor número de células saudáveis circulando no sangue. A evolução da síndrome mielodisplásica pode variar bastante: algumas formas são leves e estáveis, enquanto outras podem progredir para quadros mais graves.

    Principais sintomas

    Os sintomas dependem do tipo de célula afetada.

    Os mais comuns são:

    • Anemia: redução de glóbulos vermelhos, levando a sintomas como cansaço, fraqueza e palidez;
    • Baixa imunidade: redução ou disfunção de glóbulos brancos, favorecendo infecções frequentes;
    • Plaquetas baixas: aumento do risco de sangramentos e manchas roxas na pele.

    Em alguns casos, a doença pode ser assintomática no início.

    Por que a síndrome mielodisplásica acontece

    A causa pode ser desconhecida (idiopática) ou relacionada a fatores específicos.

    Os principais são:

    • Envelhecimento (mais comum em idosos);
    • Exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
    • Exposição a substâncias químicas (como benzeno);
    • Alterações genéticas nas células da medula.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A síndrome mielodisplásica é mais comum em:

    • Pessoas acima de 60 anos;
    • Pacientes com histórico de tratamento oncológico;
    • Pessoas expostas a substâncias tóxicas;
    • Indivíduos com alterações genéticas específicas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve exames laboratoriais e avaliação da medula óssea.

    Os principais são:

    • Hemograma completo;
    • Exame da medula óssea (mielograma ou biópsia);
    • Testes genéticos.

    O hemograma pode levantar a suspeita inicial ao identificar alterações nas células sanguíneas, mas o diagnóstico definitivo é feito com a análise da medula óssea.

    Possíveis complicações

    A síndrome mielodisplásica pode evoluir com:

    • Anemia grave;
    • Infecções recorrentes;
    • Sangramentos importantes;
    • Evolução para leucemia mieloide aguda em alguns casos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade da doença e do perfil do paciente.

    As principais opções são as abaixo.

    1. Suporte clínico

    • Transfusões de sangue;
    • Uso de medicamentos para estimular a produção de células sanguíneas.

    2. Terapias específicas

    • Medicamentos que atuam na medula óssea;
    • Medicamentos imunobiológicos.

    3. Transplante de medula óssea

    • Pode ser curativo em alguns casos;
    • Indicado em pacientes selecionados.

    A síndrome mielodisplásica tem cura?

    Depende. O transplante de medula óssea pode ser curativo, mas nem todos os pacientes são candidatos.

    Em muitos casos, o objetivo do tratamento é controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

    Confira:

    10 sinais de anemia para você ficar atento

    Perguntas frequentes sobre síndrome mielodisplásica

    1. Síndrome mielodisplásica é câncer?

    É considerada uma doença hematológica que pode evoluir para câncer (leucemia).

    2. Sempre causa sintomas?

    Não. Pode ser assintomática no início.

    3. Tem cura?

    Pode ter, principalmente com transplante em casos selecionados.

    4. Pode virar leucemia?

    Sim, em alguns casos.

    5. Precisa de transfusão?

    Alguns pacientes podem necessitar, dependendo da evolução.

    6. É comum?

    É mais comum em pessoas idosas.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos.

    Veja também:

    saiba mais sobre a leucemia

  • Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    A dificuldade para engolir, conhecida pelos médicos como disfagia, é um sintoma relativamente comum e que pode surgir em qualquer idade, embora seja mais frequente em idosos. Em alguns casos, a pessoa sente que a comida fica presa na garganta ou no peito. Em outros, há engasgos repetidos ou dificuldade para iniciar a deglutição.

    Embora nem sempre esteja relacionada a doenças graves, a disfagia persistente não deve ser ignorada. O problema pode estar ligado a alterações do esôfago, doenças neurológicas, distúrbios musculares ou até tumores, tornando a investigação médica importante para identificar a causa.

    O que é disfagia?

    A disfagia é a dificuldade de transportar alimentos, líquidos ou até mesmo a saliva da boca até o estômago. Ela pode ocorrer em diferentes etapas da deglutição e variar bastante em intensidade.

    Algumas pessoas apresentam dificuldade apenas para engolir alimentos sólidos, enquanto outras também têm problemas com líquidos.

    Dependendo da causa, os sintomas podem surgir de forma gradual ou aparecer de maneira mais repentina.

    Principais sintomas associados

    Além da sensação de dificuldade para engolir, podem ocorrer:

    • Engasgos frequentes;
    • Tosse durante ou após as refeições;
    • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito;
    • Dor ao engolir;
    • Necessidade de beber água para ajudar a passagem da comida;
    • Sensação de que a comida volta para a boca;
    • Rouquidão após as refeições.

    Os sintomas podem variar conforme a causa e a região afetada.

    Quais são as causas mais comuns de dificuldade para engolir?

    Existem diversas condições capazes de provocar disfagia.

    Entre as principais estão:

    • Refluxo gastroesofágico;
    • Inflamações do esôfago;
    • Alterações neurológicas;
    • Distúrbios musculares;
    • Estreitamentos do esôfago;
    • Tumores da boca, garganta ou esôfago.

    A investigação médica é importante para diferenciar situações benignas de problemas que exigem tratamento específico.

    Refluxo pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. O refluxo gastroesofágico crônico pode provocar inflamação do esôfago e, em alguns casos, levar à formação de cicatrizes e estreitamentos.

    Isso pode causar sintomas como:

    • Sensação de alimento preso;
    • Azia frequente;
    • Dor ao engolir;
    • Desconforto no peito.

    Quando o estreitamento se torna importante, a dificuldade para engolir tende a piorar progressivamente.

    Problemas neurológicos podem estar envolvidos?

    Sim. A deglutição depende de uma coordenação complexa entre cérebro, nervos e músculos. Doenças neurológicas podem interferir nesse processo, como:

    • AVC;
    • Doença de Parkinson;
    • Esclerose múltipla;
    • Esclerose lateral amiotrófica (ELA);
    • Algumas doenças neuromusculares.

    Nesses casos, o risco de engasgos e aspiração de alimentos para os pulmões pode aumentar.

    Quando a dificuldade acontece apenas com alimentos sólidos

    Quando a disfagia afeta principalmente alimentos sólidos, algumas causas costumam ser mais prováveis. Entre elas estão:

    • Estreitamento do esôfago;
    • Anéis esofágicos;
    • Esofagite eosinofílica;
    • Tumores do esôfago.

    Em geral, os sintomas tendem a piorar gradualmente com o tempo.

    Quando a dificuldade ocorre com sólidos e líquidos

    Quando alimentos sólidos e líquidos causam dificuldade desde o início, os médicos costumam considerar alterações do funcionamento muscular do esôfago.

    Um exemplo clássico é a:

    Acalasia

    A acalasia é uma doença que dificulta a passagem dos alimentos para o estômago devido ao relaxamento inadequado de uma válvula localizada na parte inferior do esôfago.

    Além da disfagia, pode causar:

    • Regurgitação de alimentos;
    • Dor no peito;
    • Perda de peso.

    Quando a dificuldade para engolir preocupa mais?

    Alguns sinais associados aumentam a necessidade de investigação.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Engasgos frequentes;
    • Pneumonias de repetição;
    • Dor ao engolir;
    • Piora progressiva dos sintomas;
    • Sensação persistente de alimento impactado.

    Esses sinais podem indicar doenças mais importantes e não devem ser ignorados.

    Quais exames podem ser necessários?

    A investigação depende das características dos sintomas.

    Os exames mais utilizados incluem:

    1. Endoscopia digestiva alta

    Permite visualizar diretamente o esôfago, o estômago e parte do intestino, identificando inflamações, estreitamentos e tumores.

    2. Esofagograma contrastado

    Avalia a passagem dos alimentos pelo esôfago por meio de imagens obtidas após ingestão de contraste.

    3. Manometria esofágica

    Analisa o funcionamento dos músculos do esôfago e ajuda a diagnosticar distúrbios motores, como a acalasia.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para refluxo;
    • Mudanças alimentares;
    • Dilatação de estreitamentos do esôfago;
    • Tratamento de doenças neurológicas;
    • Cirurgias ou procedimentos específicos.

    Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores as chances de evitar complicações.

    Quais complicações a disfagia pode causar?

    Quando não tratada, a dificuldade para engolir pode levar a problemas importantes.

    Entre eles estão:

    • Desnutrição;
    • Desidratação;
    • Perda de peso significativa;
    • Aspiração de alimentos para os pulmões;
    • Pneumonia aspirativa.

    Por isso, sintomas persistentes merecem atenção médica.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se houver:

    • Incapacidade súbita de engolir;
    • Engasgo com dificuldade para respirar;
    • Sensação de alimento completamente impactado;
    • Dor intensa no peito associada à deglutição;
    • Salivação excessiva por incapacidade de engolir.

    Essas situações podem exigir avaliação urgente.

    Confira: Acalasia: o distúrbio que dificulta a passagem dos alimentos ao engolir

    Perguntas frequentes sobre dificuldade para engolir

    1. Dificuldade para engolir é normal com a idade?

    Não. Embora seja mais comum em idosos, a disfagia persistente deve ser investigada.

    2. Refluxo pode causar disfagia?

    Sim. O refluxo crônico pode provocar inflamações e estreitamentos do esôfago.

    3. Engasgos frequentes são preocupantes?

    Podem ser. Especialmente quando se tornam repetitivos ou estão associados a perda de peso e pneumonias.

    4. Toda disfagia precisa de endoscopia?

    Não necessariamente, mas a endoscopia é um dos exames mais utilizados na investigação.

    5. Perda de peso associada é um sinal de alerta?

    Sim. Esse é um dos principais sinais que justificam investigação médica mais rápida.

    6. AVC pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. Alterações neurológicas são causas importantes de disfagia.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando a dificuldade para engolir é persistente, progressiva ou acompanhada de sinais de alerta como perda de peso, engasgos frequentes ou dor.

    Veja também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca marcada pelo espessamento anormal do músculo do coração, principalmente do ventrículo esquerdo, a principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo.

    Embora muitas pessoas convivam com a condição sem sintomas importantes, outras podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios e limitações para atividades físicas. Por ter origem genética em grande parte dos casos, o diagnóstico também pode levar à investigação de familiares próximos.

    O que é a cardiomiopatia hipertrófica?

    Na cardiomiopatia hipertrófica, ocorre um crescimento excessivo das fibras musculares cardíacas. Esse espessamento não acontece por esforço físico ou treinamento esportivo, mas por alterações na estrutura do próprio músculo do coração.

    Com o tempo, o coração pode ter dificuldade para relaxar adequadamente entre os batimentos, prejudicando o enchimento das câmaras cardíacas.

    O que acontece com o coração?

    O músculo cardíaco espessado pode provocar:

    • Redução do espaço interno do ventrículo;
    • Dificuldade de enchimento do coração;
    • Aumento das pressões cardíacas;
    • Alterações do fluxo sanguíneo.

    Em alguns pacientes, o músculo hipertrofiado também pode dificultar a saída do sangue do coração. Essa situação é chamada de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

    Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

    A principal causa é genética. Na maioria dos casos, a doença ocorre por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas.

    Essas alterações podem ser transmitidas de pais para filhos. Por isso, muitas vezes há histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica ou de morte súbita em parentes próximos.

    A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos segue um padrão de herança autossômica dominante.

    Isso significa que:

    • Um dos pais pode transmitir a alteração genética;
    • Nem todos os familiares terão sintomas;
    • O grau de acometimento pode variar dentro da mesma família.

    Por esse motivo, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos. Quando os sintomas aparecem, os mais frequentes são:

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço fácil;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Desmaios.

    A intensidade dos sintomas varia bastante entre os pacientes.

    Algumas pessoas não apresentam sintomas?

    Sim. Em muitos casos, o diagnóstico acontece por acaso, durante:

    • Exames de rotina;
    • Avaliações esportivas;
    • Investigação familiar após diagnóstico em parentes;
    • Exames solicitados por sopro cardíaco ou alterações no eletrocardiograma.

    Por isso, a ausência de sintomas não exclui a doença.

    Quais são as possíveis complicações?

    Embora muitas pessoas tenham boa qualidade de vida, algumas complicações podem ocorrer.

    1. Arritmias cardíacas

    O músculo cardíaco alterado pode aumentar o risco do surgimento de ritmos cardíacos anormais.

    2. Fibrilação atrial

    A fibrilação atrial pode aumentar o risco de formação de coágulos e AVC.

    3. Insuficiência cardíaca

    Em alguns casos, o coração pode apresentar dificuldade progressiva para funcionar adequadamente.

    4. Morte súbita cardíaca

    É a complicação mais temida, embora relativamente incomum.

    O risco não é igual para todos os pacientes e depende de características específicas avaliadas pelo cardiologista.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente envolve exames cardiológicos.

    1. Ecocardiograma

    É um dos principais exames para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar se existe obstrução à saída do sangue.

    2. Eletrocardiograma

    Pode mostrar alterações sugestivas da doença e ajudar na avaliação do ritmo cardíaco.

    3. Ressonância magnética cardíaca

    Ajuda a avaliar detalhes da estrutura do coração e pode identificar áreas de fibrose no músculo cardíaco.

    4. Testes genéticos

    Podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de forma hereditária e necessidade de orientar familiares.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende dos sintomas, da presença de obstrução e do risco individual de complicações.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para controlar sintomas;
    • Tratamento de arritmias;
    • Acompanhamento cardiológico regular;
    • Orientações sobre atividade física;
    • Restrições específicas para alguns esportes competitivos;
    • Implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em pacientes selecionados.

    Em casos específicos, podem ser necessários procedimentos para reduzir a obstrução causada pelo músculo hipertrofiado.

    A pessoa pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A atividade física deve ser discutida com o cardiologista, especialmente em pessoas com sintomas, obstrução importante, arritmias ou histórico familiar de morte súbita.

    Alguns pacientes podem praticar exercícios leves ou moderados com segurança, enquanto outros precisam evitar atividades competitivas ou de alta intensidade.

    Quem deve ser investigado?

    A avaliação médica é especialmente importante para pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
    • Morte súbita em parentes jovens;
    • Desmaios inexplicados;
    • Falta de ar durante exercícios;
    • Dor no peito aos esforços;
    • Palpitações frequentes;
    • Alterações cardíacas encontradas em exames.

    Familiares de primeiro grau de pessoas diagnosticadas também devem conversar com um cardiologista sobre rastreamento.

    Confira: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre cardiomiopatia hipertrófica

    1. Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma coisa que pressão alta?

    Não. Embora a pressão alta também possa causar aumento da espessura do coração, são condições diferentes.

    2. A doença é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos tem origem genética.

    3. Toda pessoa terá sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    4. Pode causar morte súbita?

    Sim, mas o risco varia entre os pacientes e deve ser avaliado individualmente.

    5. Qual é o principal exame para diagnóstico?

    O ecocardiograma é um dos principais exames utilizados.

    6. Familiares precisam fazer exames?

    Frequentemente sim, principalmente parentes de primeiro grau.

    7. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento é individualizado e pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir complicações.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Considerado um dos opioides mais potentes utilizados na medicina, o fentanil ganhou notoriedade mundial após ser associado a um grande número de overdoses e mortes.

    Medicamento amplamente utilizado em hospitais para controle da dor intensa e sedação de pacientes, quando administrado por profissionais treinados e em doses adequadas, o fentanil é uma ferramenta importante e segura em diversas situações clínicas.

    O problema surge quando a substância é utilizada sem supervisão médica ou misturada a outras drogas. Devido à sua potência extremamente elevada, pequenas quantidades podem ser suficientes para provocar intoxicações graves, parada respiratória e morte.

    Nos últimos anos, o fentanil tornou-se um dos principais responsáveis por mortes relacionadas a opioides em diversos países, especialmente nos Estados Unidos.

    O que é o fentanil?

    O fentanil é um opioide sintético, desenvolvido para atuar no controle da dor intensa. Ele pertence à mesma classe de medicamentos da morfina, mas possui potência muito superior.

    Estima-se que o fentanil seja cerca de:

    • 50 vezes mais potente que a heroína;
    • 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

    Na prática médica, costuma ser utilizado em situações como:

    • Sedação de pacientes internados;
    • Procedimentos anestésicos;
    • Controle da dor pós-operatória;
    • Tratamento de dores intensas em pacientes selecionados.

    O medicamento pode ser administrado por diferentes vias, como:

    • Intravenosa;
    • Intramuscular;
    • Transdérmica (adesivos);
    • Outras apresentações específicas.

    Por que o fentanil é tão potente?

    O fentanil possui alta afinidade pelos receptores opioides presentes no sistema nervoso central. Isso significa que pequenas quantidades já são capazes de produzir efeitos muito intensos.

    Como consequência:

    • Doses mínimas podem causar sedação profunda;
    • Pequenos erros de dosagem podem ser perigosos;
    • O risco de overdose é elevado.

    Essa é uma das principais razões pelas quais o uso recreativo é considerado extremamente arriscado.

    Como o fentanil age no organismo?

    O medicamento se liga aos receptores opioides presentes no cérebro e em outras regiões do sistema nervoso.

    Essa ação provoca:

    • Alívio da dor;
    • Sensação de bem-estar;
    • Relaxamento;
    • Sonolência;
    • Redução da atividade respiratória.

    Embora o efeito analgésico seja desejado em contextos médicos, a diminuição da respiração é justamente a principal causa das complicações fatais associadas ao uso recreativo.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Mesmo quando utilizado corretamente, o fentanil pode causar efeitos adversos.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Sonolência intensa;
    • Tontura;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Confusão mental;
    • Sensação de euforia;
    • Prisão de ventre.

    No uso recreativo, esses efeitos tendem a ser mais intensos devido à dificuldade de controlar a dose consumida.

    O maior perigo: a respiração

    A complicação mais grave associada ao fentanil é a chamada depressão respiratória. Nessa situação, a respiração se torna:

    • Mais lenta;
    • Mais superficial;
    • Menos eficiente.

    Com isso, a quantidade de oxigênio que chega aos órgãos diminui progressivamente. Nos casos mais graves, a pessoa pode parar completamente de respirar, necessitando de ventilação mecânica e suporte intensivo.

    Grande parte das mortes associadas ao fentanil ocorre por esse mecanismo.

    O que é uma overdose por fentanil?

    A overdose acontece quando a quantidade da substância ultrapassa a capacidade do organismo de tolerá-la.

    Os sinais podem incluir:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para despertar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Pupilas muito contraídas;
    • Lábios ou extremidades arroxeadas;
    • Perda de consciência.

    A overdose por fentanil é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Misturar fentanil com outras drogas aumenta o risco?

    Sim, e aumenta de forma significativa. O perigo aumenta quando o fentanil é combinado com substâncias que também deprimem o sistema nervoso central, como:

    • Álcool;
    • Benzodiazepínicos;
    • Outros opioides;
    • Medicamentos sedativos.

    Além disso, o fentanil também pode estar presente em drogas ilícitas sem que o usuário saiba.

    Há registros de contaminação de substâncias como:

    • Cocaína;
    • Heroína;
    • Drogas sintéticas.

    Nessas situações, o risco de overdose aumenta consideravelmente.

    O fentanil pode causar dependência?

    Sim. O potencial de dependência do fentanil é elevado.

    O uso repetido pode levar ao desenvolvimento de:

    • Tolerância (necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito);
    • Dependência física;
    • Dependência psicológica.

    Quando a substância é interrompida abruptamente, podem surgir sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação, dores corporais e mal-estar intenso.

    Existe tratamento para intoxicação por fentanil?

    Sim. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

    Uma das principais medidas é o uso da naloxona.

    Naloxona para tratamento de overdose de fentanil

    A naloxona é um medicamento capaz de reverter temporariamente os efeitos dos opioides. Ela pode restaurar a respiração e salvar vidas em situações de overdose.

    Dependendo da gravidade, também podem ser necessários:

    • Oxigênio suplementar;
    • Ventilação mecânica;
    • Monitorização contínua;
    • Cuidados intensivos.

    Por que o fentanil tem causado tantas mortes?

    Diversos fatores explicam o aumento dos casos de overdose.

    Entre eles:

    • Potência extremamente elevada;
    • Pequenas quantidades podem ser fatais;
    • Mistura com outras drogas;
    • Dificuldade de identificar sua presença;
    • Uso sem conhecimento da dose real consumida.

    Em muitos casos, a pessoa acredita estar consumindo outra substância, sem saber que ela contém fentanil.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para acordar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Perda de consciência;
    • Lábios arroxeados;
    • Suspeita de overdose.

    Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.

    Veja também: Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Perguntas frequentes sobre fentanil

    1. O fentanil é um medicamento?

    Sim. É utilizado na medicina para controle da dor intensa, sedação e anestesia.

    2. Por que ele é considerado tão perigoso?

    Porque é extremamente potente e pode provocar depressão respiratória grave mesmo em pequenas quantidades.

    3. O uso recreativo pode causar overdose?

    Sim. O risco é elevado e pode ocorrer mesmo com doses aparentemente pequenas.

    4. Quais são os principais sinais de overdose?

    Sonolência intensa, perda de consciência, respiração lenta e lábios arroxeados estão entre os sinais mais comuns.

    5. Existe antídoto para o fentanil?

    Sim. A naloxona pode reverter temporariamente os efeitos dos opioides.

    6. O fentanil causa dependência?

    Sim. O potencial de dependência física e psicológica é alto.

    7. Quando procurar atendimento de emergência?

    Sempre que houver suspeita de overdose ou sinais de dificuldade respiratória.

    Veja também: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Nem sempre o aumento na balança acontece apenas porque a pessoa está comendo mais. Alterações hormonais, retenção de líquidos, medicamentos e algumas doenças também podem influenciar o peso corporal.

    Ganhar peso é uma situação comum ao longo da vida e, na maioria das vezes, está relacionado a um desequilíbrio entre a quantidade de calorias consumidas e o gasto energético do organismo.

    Porém, quando o aumento de peso acontece de forma rápida, sem mudanças aparentes na alimentação ou acompanhado de outros sintomas, vale a pena investigar outras possíveis causas. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado a alterações hormonais, efeitos colaterais de medicamentos ou até doenças que favorecem retenção de líquidos.

    Venha entender o que está por trás do ganho de peso para identificar situações que merecem avaliação médica e tratamento adequado.

    Nem todo aumento na balança representa ganho de gordura

    Uma informação importante é que o peso corporal não é formado apenas por gordura. O aumento observado na balança pode acontecer por diferentes motivos, incluindo:

    • Acúmulo de gordura corporal;
    • Retenção de líquidos;
    • Ganho de massa muscular;
    • Inchaço associado a doenças.

    Por isso, além do valor mostrado na balança, os médicos costumam avaliar a velocidade do ganho de peso, a distribuição corporal e a presença de outros sintomas.

    Quando o ganho de peso é considerado esperado?

    Existem situações em que o aumento de peso ocorre de forma previsível e gradual.

    Entre as causas mais comuns estão:

    • Excesso de calorias na alimentação;
    • Redução da atividade física;
    • Mudanças na rotina;
    • Envelhecimento.

    Nesses casos, o ganho costuma ocorrer ao longo de meses ou anos, acompanhando mudanças no estilo de vida.

    Hipotireoidismo pode causar ganho de peso?

    Sim. O hipotireoidismo é uma das causas médicas mais conhecidas de ganho de peso. Quando a glândula tireoide produz menos hormônios do que deveria, o metabolismo pode ficar mais lento, o que aumenta sintomas como:

    • Cansaço;
    • Sonolência;
    • Intolerância ao frio;
    • Pele seca;
    • Ganho de peso.

    No entanto, especialistas ressaltam que o aumento de peso causado exclusivamente pelo hipotireoidismo costuma ser relativamente modesto e não explica sozinho casos de obesidade importante.

    Alguns medicamentos podem favorecer o ganho de peso

    Sim. Diversos medicamentos podem contribuir para aumento do peso corporal por mecanismos diferentes.

    Entre eles estão:

    • Corticoides;
    • Alguns antidepressivos;
    • Certos antipsicóticos;
    • Algumas medicações para diabetes;
    • Alguns anticonvulsivantes.

    Dependendo do medicamento, o ganho de peso pode ocorrer por aumento do apetite, retenção de líquidos ou alterações metabólicas.

    Retenção de líquidos pode parecer ganho de peso

    Nem todo aumento rápido na balança representa acúmulo de gordura. Em algumas situações, o peso sobe devido à retenção de líquidos.

    Isso pode acontecer em casos de:

    • Insuficiência cardíaca;
    • Doenças renais;
    • Doenças hepáticas;
    • Alterações hormonais.

    Nessas situações, também podem surgir sintomas como:

    • Inchaço nas pernas;
    • Inchaço abdominal;
    • Sensação de peso corporal aumentado;
    • Falta de ar.

    O ganho de peso costuma ocorrer de forma relativamente rápida, em poucos dias ou semanas.

    Síndrome de Cushing: uma causa hormonal menos comum

    A síndrome de Cushing acontece quando existe excesso de cortisol circulando no organismo. Embora seja uma condição relativamente rara, pode provocar ganho de peso importante.

    Os sintomas são:

    • Aumento de gordura na região do abdome;
    • Acúmulo de gordura no rosto;
    • Fraqueza muscular;
    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Alterações na pele.

    Por ser uma condição menos frequente, costuma exigir investigação especializada.

    Alterações hormonais femininas podem influenciar o peso?

    Sim. Mudanças hormonais podem favorecer o ganho de peso ou tornar o emagrecimento mais difícil. Isso pode ocorrer em situações como:

    • Menopausa;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Distúrbios da tireoide.

    Além das alterações hormonais propriamente ditas, mudanças no sono, no metabolismo e na composição corporal também podem contribuir para o aumento de peso.

    O estresse pode contribuir para o ganho de peso?

    Sim. O estresse crônico pode influenciar diretamente hábitos e comportamentos relacionados ao peso corporal. Entre os mecanismos envolvidos estão:

    • Aumento do apetite;
    • Maior consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Alterações do sono;
    • Redução da prática de atividade física.

    Ao longo do tempo, esses fatores podem favorecer o ganho de peso e dificultar a perda de gordura.

    Quando o ganho de peso merece investigação?

    Embora oscilações leves de peso sejam comuns, alguns sinais merecem atenção.

    Procure avaliação médica se ocorrer:

    • Ganho de peso rápido e sem explicação aparente;
    • Aumento de peso associado a inchaço;
    • Suspeita de alterações hormonais;
    • Falta de ar;
    • Cansaço excessivo;
    • Mudanças importantes no apetite.

    Nessas situações, pode ser necessário investigar causas além da alimentação.

    Quais exames podem ser necessários?

    A avaliação varia conforme a história clínica de cada pessoa. Dependendo do caso, podem ser solicitados:

    • Exames da tireoide;
    • Glicemia;
    • Avaliação da função renal;
    • Avaliação da função hepática;
    • Exames hormonais.

    O objetivo é identificar condições que possam estar contribuindo para o aumento do peso corporal.

    Como saber se o peso ganho é gordura ou líquido?

    Algumas características ajudam a diferenciar.

    Ganho de gordura

    Geralmente ocorre:

    • De forma gradual;
    • Ao longo de semanas ou meses;
    • Sem inchaço importante.

    Retenção de líquidos

    Costuma provocar:

    • Ganho rápido de peso;
    • Inchaço nas pernas ou pés;
    • Marcas de meias na pele;
    • Sensação de corpo inchado.

    A avaliação médica é importante para identificar a causa.

    Confira: O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Perguntas frequentes sobre ganho de peso

    1. Todo ganho de peso acontece por excesso de comida?

    Não. Alterações hormonais, medicamentos e algumas doenças também podem contribuir.

    2. Hipotireoidismo engorda muito?

    Pode estar envolvido no ganho de peso, mas geralmente não é a única causa do aumento importante da balança.

    3. Remédios podem aumentar o peso?

    Sim. Alguns medicamentos estão associados a ganho de peso ou retenção de líquidos.

    4. Retenção de líquidos aumenta a balança?

    Sim. Em alguns casos, o aumento pode ocorrer rapidamente.

    5. Ganho de peso rápido é normal?

    Nem sempre. Quando acontece sem explicação aparente, merece investigação.

    6. Estresse pode influenciar o peso?

    Sim. O estresse pode alterar o apetite, o sono e os hábitos de vida.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando o ganho de peso é acelerado, inexplicado ou acompanhado de sintomas como inchaço, cansaço excessivo ou falta de ar.

    Veja também: 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

  • K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    Nos últimos anos, a K9 ganhou destaque em reportagens e registros de intoxicações graves em diferentes regiões do Brasil. Popularmente conhecida como “droga zumbi”, ela está associada a alterações importantes do comportamento, episódios de agitação intensa e quadros potencialmente fatais.

    Embora muitas vezes seja comparada à maconha, a K9 é uma droga muito mais imprevisível e perigosa. Isso acontece porque ela pertence ao grupo dos canabinoides sintéticos, substâncias produzidas em laboratório que podem provocar efeitos muito mais intensos do que os observados com a cannabis natural.

    O que é a K9?

    A K9 não é uma substância única. Ela faz parte de um grupo de drogas conhecidas como canabinoides sintéticos, frequentemente chamadas de “drogas K”, que incluem compostos como K2, K4 e K9.

    Essas substâncias são produzidas em laboratório e podem ser vendidas de diferentes formas:

    • Como produto químico puro;
    • Misturadas a ervas secas;
    • Aplicadas sobre materiais vegetais para simular produtos naturais.

    Um dos principais problemas é que a composição pode variar muito entre diferentes lotes, tornando imprevisíveis tanto os efeitos quanto os riscos de intoxicação.

    Por que a K9 é considerada tão perigosa?

    Ao contrário de drogas cuja composição é relativamente conhecida, a K9 pode conter substâncias extremamente potentes. Além disso:

    • A concentração dos compostos varia amplamente;
    • Diferentes substâncias podem ser misturadas;
    • Pode haver contaminação por produtos tóxicos;
    • Nem sempre o usuário sabe exatamente o que está consumindo.

    Essa imprevisibilidade aumenta significativamente o risco de intoxicações graves.

    Como a K9 age no cérebro?

    Os canabinoides sintéticos atuam sobre receptores do sistema endocanabinoide, presentes em diversas regiões do cérebro. Esses receptores também são ativados pela cannabis natural.

    A diferença é que muitas substâncias presentes na K9 possuem ação muito mais intensa do que o THC, principal composto psicoativo da maconha.

    Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações importantes da percepção;
    • Confusão mental;
    • Alterações do comportamento;
    • Episódios de agitação intensa;
    • Alterações da consciência.

    Quais são os efeitos mais comuns?

    Os sintomas variam conforme a composição da droga e a quantidade consumida.

    Entre os efeitos mais relatados estão:

    • Agitação intensa;
    • Ansiedade;
    • Confusão mental;
    • Sonolência;
    • Alteração da consciência;
    • Comportamento desorganizado;
    • Alucinações;
    • Paranoia.

    A intensidade dos sintomas pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Por que algumas pessoas parecem “desligadas” ou “zumbis”?

    Diversos relatos de intoxicação por K9 mostram usuários com comportamento extremamente alterado. Entre os sinais observados estão:

    • Lentidão extrema;
    • Dificuldade para responder a estímulos;
    • Movimentos anormais;
    • Alterações importantes do estado mental;
    • Perda de contato com o ambiente.

    Foi justamente por causa dessas manifestações que a droga passou a ser popularmente chamada de “droga zumbi”.

    Esses quadros refletem uma intoxicação significativa do sistema nervoso central.

    Quais complicações graves podem ocorrer?

    Em intoxicações mais severas, podem surgir complicações potencialmente fatais. Entre elas estão:

    • Convulsões;
    • Psicose aguda;
    • Coma;
    • Alterações importantes do comportamento;
    • Depressão respiratória;
    • Insuficiência respiratória;
    • Rabdomiólise (destruição de fibras musculares);
    • Lesão renal aguda;
    • Alterações graves da pressão arterial.

    O risco de complicações aumenta porque muitas vezes não é possível saber exatamente quais substâncias estão presentes na droga.

    A K9 pode afetar o coração?

    Sim. Os canabinoides sintéticos podem provocar alterações cardiovasculares importantes.

    Entre elas:

    • Taquicardia;
    • Bradicardia;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Queda da pressão arterial;
    • Arritmias cardíacas.

    Essas alterações podem ser especialmente perigosas em pessoas com doenças cardiovasculares prévias.

    A K9 pode causar morte?

    Sim. Existem relatos de mortes associadas ao uso de canabinoides sintéticos em diferentes países.

    As principais causas incluem:

    • Arritmias cardíacas graves;
    • Convulsões;
    • Depressão respiratória;
    • Falência de órgãos;
    • Traumas decorrentes de alterações do comportamento.

    Por isso, a K9 é considerada uma das drogas sintéticas mais perigosas atualmente.

    Como é feito o atendimento médico?

    Quando uma pessoa chega ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação por K9, a prioridade é estabilizar as funções vitais. Os médicos avaliam:

    • Nível de consciência;
    • Respiração;
    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Oxigenação.

    Como muitas vezes não é possível identificar exatamente qual substância foi utilizada, o tratamento costuma ser baseado em suporte clínico.

    Existe antídoto para a K9?

    Não. Atualmente não existe um antídoto específico para a maioria dos canabinoides sintéticos. Por isso, o tratamento é direcionado às complicações apresentadas pelo paciente.

    Dependendo da situação, podem ser necessários:

    • Medicamentos para controlar convulsões;
    • Sedação;
    • Oxigenoterapia;
    • Hidratação venosa;
    • Monitorização intensiva.

    Por que essas drogas são tão difíceis de controlar?

    Os fabricantes frequentemente modificam a estrutura química dos compostos para criar novas versões das drogas. Isso dificulta:

    • A identificação em exames laboratoriais;
    • A regulamentação pelos órgãos de saúde;
    • O monitoramento pelas autoridades.

    Além disso, novos compostos podem surgir rapidamente, tornando o controle ainda mais complexo.

    O consumo de canabinoides sintéticos está aumentando?

    Em diversos países, os canabinoides sintéticos têm sido motivo de preocupação devido ao elevado potencial de intoxicação.

    Curiosamente, estudos realizados nos Estados Unidos observaram redução do consumo dessas substâncias em alguns locais após a ampliação do acesso legal à cannabis entre 2016 e 2019.

    Ainda assim, a K9 continua associada a episódios graves de intoxicação e atendimentos de emergência.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar, após o uso de substâncias desconhecidas:

    • Confusão mental importante;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência;
    • Dificuldade para respirar;
    • Agitação intensa;
    • Dor no peito;
    • Alterações importantes do comportamento.

    Esses sinais podem indicar intoxicação grave.

    Veja também: Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Perguntas frequentes sobre a K9

    1. A K9 é a mesma coisa que maconha?

    Não. Embora atue em receptores semelhantes, seus efeitos costumam ser muito mais intensos e imprevisíveis.

    2. O que são canabinoides sintéticos?

    São substâncias produzidas em laboratório para agir nos mesmos receptores estimulados pela cannabis.

    3. Por que a K9 é chamada de “droga zumbi”?

    Porque pode provocar lentidão extrema, confusão mental e alterações importantes do comportamento.

    4. A K9 pode causar convulsões?

    Sim. Convulsões estão entre as complicações graves já descritas.

    5. Pode causar problemas cardíacos?

    Sim. Pode provocar taquicardia, alterações da pressão arterial e arritmias.

    6. Existe antídoto para a K9?

    Não. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e das complicações.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver alteração importante da consciência, convulsões, dificuldade respiratória ou qualquer sinal de intoxicação grave.

    Confira: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • A infecção passou, mas o cansaço continua? Entenda por que a recuperação pode ser lenta 

    A infecção passou, mas o cansaço continua? Entenda por que a recuperação pode ser lenta 

    Muitas pessoas acreditam que a recuperação de uma infecção termina assim que a febre desaparece ou quando o tratamento chega ao fim. No entanto, nem sempre o organismo volta imediatamente ao normal depois de uma doença infecciosa.

    É relativamente comum que, mesmo após a melhora dos sintomas mais intensos, a pessoa continue sentindo cansaço, fraqueza, falta de disposição e dificuldade para retomar a rotina. Em muitos casos, essa recuperação lenta faz parte do processo natural de cura do organismo, especialmente após doenças mais intensas.

    O que acontece com o corpo durante uma infecção?

    Quando acontece uma infecção, o organismo mobiliza uma grande quantidade de energia para combater o agente causador da doença.

    O sistema imunológico aumenta sua atividade e produz diversas substâncias inflamatórias que ajudam a eliminar vírus, bactérias ou outros microrganismos.

    Esse processo é essencial para a recuperação, mas também gera um desgaste físico importante.

    Por que o cansaço pode continuar mesmo após a melhora?

    Mesmo depois que a infecção é controlada, o corpo ainda precisa concluir diversas etapas de recuperação.

    Entre elas estão:

    • Reparar tecidos lesionados;
    • Repor reservas de energia;
    • Recuperar massa muscular perdida;
    • Normalizar processos inflamatórios;
    • Restabelecer o equilíbrio metabólico.

    Por isso, a sensação de fraqueza pode persistir por dias ou semanas após a doença.

    Quais infecções costumam causar recuperação mais lenta?

    Algumas doenças são particularmente conhecidas por provocar fadiga prolongada.

    Entre elas estão:

    • Dengue;
    • Mononucleose;
    • Pneumonia;
    • Covid-19;
    • Influenza (gripe);
    • Infecções graves que exigiram internação.

    De forma geral, quanto mais intensa foi a infecção, maior tende a ser o tempo necessário para a recuperação completa.

    A perda de massa muscular também contribui

    Durante períodos de doença, especialmente quando a pessoa permanece acamada ou reduz muito suas atividades, é comum ocorrer:

    • Menor movimentação;
    • Redução da atividade física;
    • Diminuição da ingestão alimentar;
    • Perda de massa muscular.

    Mesmo poucos dias de repouso podem resultar em perda de força, principalmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    A inflamação pode persistir por algum tempo

    Após determinadas infecções, o organismo pode permanecer em um estado inflamatório leve durante semanas.

    Isso pode contribuir para sintomas como:

    • Cansaço persistente;
    • Sonolência;
    • Falta de energia;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de lentidão física e mental.

    Na maioria dos casos, esses sintomas diminuem gradualmente.

    Por que idosos costumam demorar mais para se recuperar?

    O envelhecimento reduz a capacidade de recuperação do organismo.

    Além disso, idosos frequentemente apresentam:

    • Menor reserva muscular;
    • Doenças crônicas associadas;
    • Recuperação mais lenta após períodos de imobilização;
    • Maior risco de desnutrição durante a doença.

    Por esse motivo, uma infecção que parece simples pode causar grande impacto funcional nessa faixa etária.

    Alimentação inadequada pode atrasar a recuperação?

    Sim. Após uma infecção, o organismo precisa de nutrientes para reconstruir tecidos e recuperar energia.

    Os principais incluem:

    • Proteínas;
    • Vitaminas;
    • Minerais;
    • Líquidos.

    Quando a alimentação permanece insuficiente após a doença, a sensação de fraqueza pode durar mais tempo.

    Quais sintomas são comuns durante a recuperação?

    Durante a fase de convalescença, é comum apresentar:

    • Cansaço fácil;
    • Falta de disposição;
    • Fraqueza muscular;
    • Sono excessivo;
    • Menor tolerância aos exercícios;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de recuperação lenta.

    Na maioria das pessoas, esses sintomas melhoram progressivamente.

    Quando a recuperação lenta merece investigação?

    Embora seja esperado que algumas pessoas demorem mais para recuperar totalmente a energia, alguns sinais merecem atenção.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Piora progressiva dos sintomas;
    • Febre persistente ou recorrente;
    • Falta de ar importante;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Tosse persistente;
    • Fraqueza intensa que não melhora;
    • Dificuldade para realizar atividades básicas do dia a dia.

    O que os médicos costumam investigar?

    Dependendo do quadro clínico, o médico pode avaliar:

    • Anemia;
    • Alterações da tireoide;
    • Deficiências nutricionais;
    • Persistência da infecção;
    • Complicações cardíacas;
    • Complicações pulmonares;
    • Outras doenças que possam explicar os sintomas.

    Em alguns casos, exames laboratoriais e de imagem podem ser necessários.

    Como acelerar a recuperação?

    Algumas medidas ajudam o organismo a recuperar forças de forma mais eficiente.

    1. Respeitar o tempo de recuperação

    Forçar atividades intensas antes da hora pode prolongar o processo de recuperação.

    2. Manter uma alimentação adequada

    Especialmente rica em proteínas, frutas, verduras e outros nutrientes importantes.

    3. Hidratar-se adequadamente

    A hidratação continua sendo fundamental mesmo após o desaparecimento dos sintomas mais intensos.

    4. Retomar atividades gradualmente

    O retorno aos exercícios e às atividades físicas deve ser progressivo.

    5. Dormir bem

    O sono é uma das ferramentas mais importantes para a recuperação física e imunológica.

    Confira: 7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

    Perguntas frequentes sobre recuperação após infecções

    1. É normal sentir cansaço depois de uma infecção?

    Sim. Muitas pessoas permanecem cansadas por dias ou semanas após a melhora da doença.

    2. Dengue pode causar fraqueza prolongada?

    Sim. A dengue é uma das infecções mais associadas à fadiga persistente.

    3. Quanto tempo dura a recuperação?

    Depende da gravidade da infecção, da idade e das condições de saúde da pessoa.

    4. É possível perder massa muscular durante uma doença?

    Sim. Especialmente após internações ou períodos prolongados de repouso.

    5. É normal ficar sem disposição para fazer exercícios?

    Sim. A recuperação da capacidade física costuma acontecer de forma gradual.

    6. Quando a recuperação lenta deixa de ser normal?

    Quando existe piora progressiva, sintomas persistentes importantes ou sinais de alerta associados.

    7. O que ajuda a recuperar mais rápido?

    Boa alimentação, hidratação adequada, sono de qualidade e retorno gradual às atividades são as principais medidas.

    Veja mais: A gripe passou, mas a tosse continua: o que pode estar acontecendo?

  • Infecções que sempre voltam: quando é hora de investigar? 

    Infecções que sempre voltam: quando é hora de investigar? 

    Ter uma infecção ocasional faz parte da vida. Gripes, infecções urinárias, sinusites e otites podem acontecer em diferentes momentos e, na maioria das vezes, são episódios isolados que se resolvem com o tratamento adequado.

    Mas o que acontece quando a infecção volta várias vezes e sempre no mesmo local? Nem sempre isso é sinal de um problema grave, mas a repetição pode indicar a presença de fatores que favorecem a proliferação de microrganismos naquela região.

    Em muitos casos, alterações anatômicas, doenças crônicas ou problemas funcionais ajudam a explicar por que determinadas infecções insistem em retornar. Venha entender mais!

    O que é considerado uma infecção recorrente?

    Não existe uma definição única para todas as doenças, mas geralmente o termo é utilizado quando:

    • A infecção ocorre várias vezes ao longo do ano;
    • Existe necessidade frequente de antibióticos;
    • Os sintomas retornam pouco tempo após o tratamento;
    • O mesmo local é repetidamente acometido.

    A necessidade de investigação depende da idade da pessoa, da frequência dos episódios e do tipo de infecção.

    Por que algumas pessoas têm infecções repetidas?

    A recorrência pode acontecer por diferentes motivos.

    Os principais são:

    • Alterações anatômicas;
    • Problemas de drenagem de secreções;
    • Doenças crônicas;
    • Persistência do agente infeccioso;
    • Alterações do sistema imunológico.

    Identificar a causa é importante para evitar novos episódios e reduzir a necessidade de tratamentos repetidos.

    Otites de repetição: o que pode estar por trás?

    As otites recorrentes são relativamente comuns, especialmente na infância.

    Entre os fatores mais frequentemente associados estão:

    • Aumento das adenoides;
    • Alterações anatômicas da tuba auditiva;
    • Rinites e alergias respiratórias;
    • Exposição frequente a infecções virais;
    • Tabagismo passivo.

    Em crianças, a investigação costuma avaliar tanto fatores anatômicos quanto ambientais.

    Infecções respiratórias de repetição

    Sinusites, faringites, bronquites e pneumonias estão entre as causas mais frequentes de procura por atendimento médico.

    Na maioria dos casos, episódios recorrentes dessas doenças não significam necessariamente um problema de imunidade. Porém, quando as infecções são graves, muito frequentes ou exigem internações repetidas, a investigação se torna necessária.

    Os fatores associados são:

    • Rinite alérgica;
    • Uso inadequado ou repetido de antibióticos;
    • Alterações anatômicas das vias respiratórias;
    • Doenças pulmonares crônicas, como enfisema e bronquiectasias;
    • Exposição frequente a ambientes com grande circulação de vírus.

    Infecções de pele recorrentes

    As principais infecções cutâneas de repetição são:

    • Impetigo;
    • Celulite;
    • Abscessos;
    • Micoses;
    • Herpes simples;
    • Herpes-zóster.

    Os fatores mais associados são:

    • Diabetes;
    • Dermatites e doenças que alteram a barreira da pele;
    • Colonização bacteriana persistente;
    • Linfedema;
    • Obesidade.

    Abscessos que surgem repetidamente no mesmo local costumam estar relacionados a alterações locais da pele ou dos tecidos próximos.

    Já quadros de celulite ou abscessos em diferentes regiões do corpo podem motivar uma investigação mais ampla da imunidade.

    Infecções urinárias de repetição

    As infecções urinárias recorrentes são muito comuns, especialmente entre as mulheres.

    Na maioria das vezes, não estão relacionadas a imunidade baixa.

    Os principais fatores associados incluem:

    • Alterações anatômicas do trato urinário;
    • Sexo feminino;
    • Bexiga neurogênica;
    • Uso de sonda vesical;
    • Dificuldades para esvaziar completamente a bexiga.

    Dependendo do histórico, exames complementares podem ser necessários para investigar alterações estruturais.

    Quando pensar em problemas de imunidade?

    A maior parte das pessoas com infecções recorrentes não apresenta uma imunodeficiência grave.

    A investigação imunológica, no entanto, costuma ser considerada quando existem:

    • Infecções muito frequentes;
    • Infecções graves;
    • Necessidade repetida de hospitalização;
    • Infecções por microrganismos incomuns;
    • Dificuldade de resposta aos tratamentos habituais.

    Nessas situações, o médico pode solicitar exames específicos para avaliar o funcionamento do sistema imunológico.

    Quais exames costumam ser solicitados?

    A investigação varia conforme a região afetada e o histórico do paciente.

    Os exames mais utilizados são:

    • Hemograma;
    • Exames de sangue para avaliação imunológica;
    • Cultura de secreções ou urina;
    • Ultrassonografia;
    • Tomografia;
    • Dosagem de imunoglobulinas;
    • Testes para imunodeficiências congênitas ou adquiridas.

    O objetivo é identificar fatores predisponentes que possam ser corrigidos ou tratados.

    O tratamento não é apenas usar antibióticos

    Embora os antibióticos sejam importantes para tratar a infecção ativa, eles nem sempre resolvem a causa do problema.

    Muitas vezes é necessário:

    • Corrigir alterações anatômicas;
    • Tratar alergias;
    • Controlar doenças crônicas;
    • Melhorar hábitos de saúde;
    • Adotar medidas preventivas específicas.

    Por isso, a investigação adequada é fundamental para evitar novos episódios.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento médico se houver:

    • Infecções frequentes ao longo do ano;
    • Necessidade repetida de antibióticos;
    • Internações por infecção;
    • Sintomas persistentes entre os episódios;
    • Infecções cada vez mais graves.

    A avaliação ajuda a identificar se existe alguma condição de base favorecendo a recorrência.

    Veja mais: Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre infecções recorrentes

    1. Ter infecções de repetição significa imunidade baixa?

    Não necessariamente. Muitas vezes existem alterações anatômicas ou fatores locais envolvidos.

    2. Otites recorrentes precisam de investigação?

    Sim. Principalmente quando os episódios são frequentes ou afetam a audição.

    3. Infecção urinária de repetição é comum?

    Sim. É especialmente frequente em mulheres.

    4. Diabetes pode favorecer infecções?

    Sim. O diabetes mal controlado aumenta o risco de diversos tipos de infecção.

    5. Toda pessoa com infecções recorrentes precisa fazer exames imunológicos?

    Não. A necessidade depende da frequência, gravidade e características das infecções.

    6. Antibióticos resolvem definitivamente o problema?

    Nem sempre. É importante identificar e tratar a causa da recorrência.

    7. Quando devo procurar um especialista?

    Quando as infecções são frequentes, graves, exigem internações ou continuam voltando apesar dos tratamentos adequados.

    Veja também: Otite média: por que crianças têm tanta dor de ouvido?