Blog

  • Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger 

    Com a chegada do inverno, hospitais e pronto-atendimentos costumam registrar um aumento expressivo na procura por atendimento médico. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que mais sofrem com os efeitos dessa época do ano.

    Embora o frio não seja responsável diretamente pelas infecções, ele favorece situações que aumentam a transmissão de vírus e bactérias. Ambientes fechados, menor circulação de ar e maior proximidade entre as pessoas criam condições ideais para a disseminação de doenças respiratórias. Algumas condições cardiovasculares e metabólicas também se tornam mais frequentes durante os meses mais frios.

    Por que as doenças aumentam no inverno?

    O aumento dos casos ocorre por uma combinação de fatores. Os principais são:

    • Permanência prolongada em ambientes fechados;
    • Menor ventilação dos ambientes;
    • Maior contato próximo entre as pessoas;
    • Ar mais seco;
    • Irritação das vias respiratórias;
    • Maior circulação de vírus sazonais.

    Essas condições facilitam a transmissão de infecções e podem agravar doenças já existentes.

    Gripe (influenza)

    A gripe é uma das principais causas de consultas médicas durante o inverno.

    Os sintomas costumam surgir de forma repentina e envolvem:

    • Febre alta;
    • Dor no corpo;
    • Dor de cabeça;
    • Tosse;
    • Calafrios;
    • Cansaço intenso.

    Idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas apresentam maior risco de complicações.

    Como prevenir

    • Vacinação anual;
    • Higienização frequente das mãos;
    • Ambientes ventilados;
    • Evitar contato próximo com pessoas doentes.

    Como é tratada

    A maioria dos casos melhora com:

    • Repouso;
    • Hidratação;
    • Controle dos sintomas.

    Em grupos de risco ou casos específicos, o médico pode indicar antivirais.

    Resfriado comum

    O resfriado costuma ser mais leve que a gripe, mas continua sendo um dos principais motivos de procura por atendimento.

    Os sintomas são:

    • Coriza;
    • Espirros;
    • Congestão nasal;
    • Dor de garganta;
    • Tosse leve.

    Como prevenir

    • Lavar as mãos regularmente;
    • Evitar compartilhar objetos pessoais;
    • Manter ambientes ventilados.

    Como é tratado

    O tratamento é voltado para o alívio dos sintomas e geralmente pode ser feito em casa.

    Bronquiolite

    A bronquiolite é uma das principais causas de atendimento pediátrico durante o inverno. Ela atinge principalmente bebês e crianças menores de 2 anos, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal responsável.

    Os sintomas são:

    • Tosse;
    • Chiado no peito;
    • Respiração acelerada;
    • Dificuldade para respirar;
    • Dificuldade para mamar ou se alimentar.

    Como prevenir a bronquiolite

    • Higienizar as mãos com frequência;
    • Evitar contato de bebês com pessoas gripadas;
    • Manter ambientes ventilados;
    • Utilizar estratégias preventivas específicas para bebês elegíveis, conforme orientação médica.

    Como a bronquiolite é tratada

    O tratamento é baseado em suporte clínico e pode incluir:

    • Hidratação;
    • Lavagem nasal;
    • Oxigênio em casos mais graves;
    • Internação quando necessário.

    Pneumonia

    A pneumonia é uma das doenças mais importantes do inverno e pode levar à hospitalização, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Os sintomas mais comuns são:

    • Febre;
    • Tosse;
    • Catarro;
    • Falta de ar;
    • Dor ao respirar;
    • Fraqueza intensa.

    Como prevenir a pneumonia

    • Vacina da gripe;
    • Vacina contra pneumococo quando indicada;
    • Controle adequado de doenças crônicas;
    • Não fumar.

    Como a pneumonia é tratada

    Dependendo da causa e da gravidade, podem ser necessários:

    • Antibióticos;
    • Suporte respiratório;
    • Internação hospitalar.

    Crises de asma

    O ar frio e seco pode irritar as vias respiratórias e desencadear crises em pessoas predispostas.

    Os sintomas são:

    • Chiado no peito;
    • Tosse;
    • Falta de ar;
    • Sensação de aperto no peito.

    Como prevenir uma crise de asma

    • Manter o tratamento regular;
    • Evitar fumaça e poluentes;
    • Seguir corretamente as orientações médicas.

    Como a asma é tratada

    O tratamento pode envolver:

    • Broncodilatadores;
    • Corticoides;
    • Oxigênio em situações mais graves.

    Sinusite

    Infecções respiratórias e alergias podem favorecer o aparecimento de sinusite durante o inverno.

    Os sintomas incluem:

    • Congestão nasal;
    • Dor facial;
    • Dor de cabeça;
    • Secreção nasal;
    • Sensação de pressão no rosto.

    Como prevenir a sinusite

    • Manter boa hidratação;
    • Fazer lavagem nasal com soro fisiológico;
    • Controlar alergias respiratórias.

    Otites

    As infecções de ouvido são frequentes em crianças durante períodos de aumento das infecções respiratórias.

    Os principais sintomas incluem:

    • Dor de ouvido;
    • Febre;
    • Irritabilidade;
    • Sensação de ouvido tampado;
    • Alteração da audição.

    Doenças cardiovasculares também aumentam no inverno

    Muitas pessoas associam o inverno apenas às infecções respiratórias, mas doenças cardiovasculares também se tornam mais frequentes.

    Estudos mostram aumento de eventos como:

    • Infarto;
    • AVC;
    • Crises de pressão alta;
    • Descompensação de insuficiência cardíaca.

    As baixas temperaturas podem provocar contração dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e maior sobrecarga para o coração.

    Como reduzir o risco de adoecer no inverno

    Algumas medidas simples ajudam a diminuir significativamente o risco de doenças.

    1. Mantenha a vacinação em dia

    A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção contra formas graves de gripe e outras infecções.

    2. Higienize as mãos frequentemente

    Essa medida reduz a transmissão de vírus respiratórios.

    3. Ventile os ambientes

    Mesmo nos dias frios, é importante renovar o ar dos ambientes.

    4. Hidrate-se adequadamente

    No inverno muitas pessoas sentem menos sede, mas o organismo continua precisando de água.

    5. Controle doenças crônicas

    Asma, DPOC, diabetes, pressão alta e doenças cardíacas devem permanecer bem acompanhadas durante toda a estação.

    Quando procurar atendimento médico

    Procure avaliação médica se houver:

    • Falta de ar;
    • Febre persistente;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Sonolência excessiva;
    • Piora importante do estado geral;
    • Dificuldade para se alimentar ou beber líquidos.

    Confira: H1N1: 8 coisas que você precisa saber para se prevenir e tratar a gripe

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/h1n1-o-que-voce-precisa-saber

    Perguntas frequentes sobre doenças do inverno

    1. O frio causa gripe?

    Não. A gripe é causada por vírus, mas o inverno favorece a transmissão porque as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados.

    2. Qual doença mais leva ao pronto-atendimento no inverno?

    As infecções respiratórias, especialmente gripe, resfriados, bronquiolite e pneumonia.

    3. A vacina da gripe realmente funciona?

    Sim. Ela reduz significativamente o risco de formas graves, internações e complicações.

    4. Crianças adoecem mais no inverno?

    Sim. Crianças pequenas têm maior exposição a vírus respiratórios e um sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

    5. A pneumonia é mais comum nessa época?

    Sim. O inverno está associado ao aumento dos casos de pneumonia, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

    6. O inverno aumenta o risco de infarto?

    Pode aumentar. As baixas temperaturas favorecem a contração dos vasos sanguíneos e podem elevar a pressão arterial.

    7. Como prevenir doenças respiratórias no inverno?

    Vacinação, higiene das mãos, ambientes ventilados, hidratação adequada e controle das doenças crônicas são as principais medidas.

    Veja também: Trivalente ou quadrivalente: saiba qual vacina da gripe escolher e por quê

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/vacina-da-gripe-trivalente-quadrivalente
  • Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Qual o perigo do PMMA? O que você precisa saber antes de qualquer procedimento 

    Nos últimos anos, o PMMA (polimetilmetacrilato) voltou a ganhar destaque após diversos casos de complicações graves relacionados a procedimentos estéticos. Embora o produto tenha aplicações médicas específicas e regulamentadas, o uso inadequado ou em grandes volumes tem sido associado a inflamações, deformidades, infecções e até situações potencialmente fatais.

    O tema costuma gerar dúvidas porque muitas pessoas confundem o PMMA com preenchedores mais modernos, como o ácido hialurônico. Existe, no entanto, uma diferença fundamental entre eles: enquanto alguns preenchedores são absorvidos pelo organismo ao longo do tempo, o PMMA é considerado um material permanente. Isso faz com que eventuais complicações possam ser mais difíceis de tratar e, em alguns casos, apareçam muitos anos após a aplicação.

    O que é o PMMA

    O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético composto por microesferas que permanecem no organismo após a aplicação.

    Quando injetado, ele estimula uma reação do corpo que leva à formação de tecido ao redor das microesferas, produzindo um efeito de preenchimento duradouro.

    Ao contrário de substâncias absorvíveis, o PMMA não é degradado naturalmente pelo organismo. Por isso, os efeitos tendem a ser permanentes, o material permanece no local aplicado e complicações podem surgir mesmo anos após o procedimento.

    Para que o PMMA foi desenvolvido

    O PMMA possui indicações médicas específicas e regulamentadas.

    Historicamente, foi utilizado em situações como:

    • Correção de defeitos teciduais selecionados;
    • Reconstruções em casos específicos;
    • Algumas indicações reparadoras.

    O uso de PMMA deve seguir critérios rigorosos e ser realizado por profissionais habilitados e treinados para esse tipo de procedimento.

    Por que o PMMA é diferente de outros preenchedores?

    A principal diferença está na permanência do produto no organismo.

    PMMA

    • Material permanente;
    • Não é absorvido pelo corpo;
    • Complicações podem ser difíceis de corrigir.

    Ácido hialurônico

    • Material absorvível;
    • É degradado gradualmente pelo organismo;
    • Possui opções de reversão em muitos casos.

    Essa diferença faz com que a abordagem diante de uma complicação seja bastante distinta.

    Quais são os principais riscos do PMMA?

    As complicações podem acontecer logo após a aplicação ou surgir muitos anos depois.

    Os problemas mais conhecidos são:

    • Inflamações crônicas;
    • Formação de nódulos;
    • Endurecimento dos tecidos;
    • Assimetrias;
    • Dor persistente;
    • Alterações estéticas permanentes.

    A gravidade varia conforme a quantidade aplicada, a região tratada e a resposta individual de cada organismo.

    O organismo pode rejeitar o PMMA?

    Não ocorre uma rejeição clássica como a observada em transplantes. O organismo, porém, pode desencadear reações inflamatórias importantes contra o material.

    Em alguns pacientes surgem estruturas chamadas granulomas, que são áreas de inflamação formadas ao redor do PMMA.

    Essas reações podem aparecer meses após a aplicação, anos depois do procedimento ou até mesmo décadas mais tarde. É por isso que uma pessoa pode permanecer sem sintomas por muito tempo e desenvolver complicações posteriormente.

    Complicações graves podem acontecer?

    Sim. Embora sejam menos frequentes, algumas complicações podem ter consequências importantes para a saúde.

    1. Necrose dos tecidos

    A necrose ocorre quando o fluxo sanguíneo de uma região é comprometido.

    Isso pode causar:

    • Morte dos tecidos;
    • Feridas graves;
    • Cicatrizes permanentes;
    • Deformidades.

    2. Infecções

    As infecções associadas ao PMMA podem ser particularmente difíceis de tratar porque o material permanece no organismo.

    Em alguns casos, são necessários:

    • Antibióticos prolongados;
    • Procedimentos cirúrgicos;
    • Múltiplas intervenções.

    3. Embolia

    Uma das complicações mais temidas acontece quando o produto atinge um vaso sanguíneo.

    Nessa situação pode ocorrer:

    • Obstrução da circulação;
    • Lesão dos tecidos;
    • Complicações sistêmicas graves.

    Dependendo da região afetada, a situação pode representar risco à vida.

    Por que algumas complicações aparecem anos depois?

    Diferentemente de substâncias absorvíveis, o PMMA permanece indefinidamente no organismo.

    Isso significa que processos inflamatórios podem surgir muito tempo após a aplicação.

    Alguns fatores que podem desencadear complicações tardias incluem:

    • Alterações imunológicas;
    • Infecções;
    • Traumas locais;
    • Respostas inflamatórias do organismo.

    Por esse motivo, pessoas que fizeram o procedimento devem informar esse histórico durante consultas médicas futuras.

    É possível remover o PMMA?

    A remoção completa costuma ser um dos maiores desafios. Dependendo da quantidade e da localização do produto:

    • Nem todo o material pode ser retirado;
    • Podem ser necessárias cirurgias complexas;
    • Múltiplos procedimentos podem ser necessários.

    Em alguns casos, a retirada total simplesmente não é possível sem causar danos significativos aos tecidos. Essa é uma das principais diferenças em relação aos preenchedores absorvíveis.

    PMMA e grandes volumes: por que o risco aumenta?

    O risco de complicações tende a crescer conforme aumenta a quantidade aplicada.

    Quando grandes volumes são utilizados, especialmente para aumento corporal, podem ocorrer:

    • Inflamações mais extensas;
    • Maior risco de infecção;
    • Deformidades;
    • Dificuldade ainda maior de remoção.

    Além disso, o tratamento de eventuais complicações costuma ser mais complexo.

    Quais sintomas após a aplicação merecem atenção?

    Procure avaliação médica se surgirem:

    • Dor intensa;
    • Vermelhidão progressiva;
    • Endurecimento da região;
    • Saída de secreção;
    • Febre;
    • Alterações na cor da pele;
    • Surgimento de nódulos;
    • Mudanças estéticas inesperadas.

    Esses sintomas podem surgir logo após a aplicação ou muitos anos depois.

    O que os médicos avaliam em pessoas que receberam PMMA?

    A investigação depende da região tratada e dos sintomas apresentados.

    Ela pode incluir:

    • Exame físico detalhado;
    • Ultrassonografia;
    • Ressonância magnética;
    • Tomografia em casos específicos;
    • Avaliação por cirurgia plástica;
    • Avaliação por especialistas em reconstrução.

    O objetivo é determinar a extensão do material e identificar possíveis complicações.

    PMMA é proibido?

    Não. O PMMA possui regulamentação para indicações específicas. O problema está principalmente no uso inadequado, em aplicações fora das recomendações ou em grandes volumes para fins estéticos.

    Por isso, é fundamental que qualquer procedimento seja realizado apenas por profissionais habilitados e dentro das indicações aprovadas.

    Leia também: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes sobre PMMA

    1. O PMMA é absorvido pelo organismo?

    Não. Ele é considerado um material permanente.

    2. Toda pessoa que usa PMMA terá complicações?

    Não. Muitas pessoas nunca desenvolvem problemas, mas o risco existe e pode surgir anos depois.

    3. O PMMA é igual ao ácido hialurônico?

    Não. O ácido hialurônico é absorvido pelo organismo, enquanto o PMMA fica no corpo de forma permanente.

    4. É possível remover totalmente o PMMA?

    Nem sempre. A remoção completa pode ser muito difícil ou até impossível em alguns casos.

    5. As complicações podem aparecer anos depois?

    Sim. Existem relatos de complicações surgindo muitos anos após a aplicação.

    6. O PMMA pode causar infecção?

    Sim. Infecções podem ocorrer e, em alguns casos, são difíceis de tratar devido à presença permanente do material.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver dor, inflamação, deformidades, endurecimento ou qualquer alteração na região onde o produto foi aplicado.

    Leia mais: Infecções dentárias aumentam o risco de doenças cardiovasculares? Entenda a relação e os sinais de alerta

  • Diagnóstico tardio: por que tantas pessoas só descobrem a neurodivergência na vida adulta?

    Diagnóstico tardio: por que tantas pessoas só descobrem a neurodivergência na vida adulta?

    Você sabe o que significa o termo neurodivergente? O termo é usado para descrever pessoas que apresentam um funcionamento cerebral, de desenvolvimento ou neurológico diferente do considerado o padrão mais comum na sociedade, chamado de neurotípico.

    É o caso de pessoas que convivem com transtorno do espectro autista (TEA), o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), a dislexia e as altas habilidades, por exemplo. As condições acompanham a pessoa desde o nascimento, mas nem sempre elas são diagnosticadas na infância.

    Um número cada vez maior de pessoas vem descobrindo que é neurodivergente apenas na vida adulta. Para se ter uma ideia, um estudo publicado na revista científica JAMA Network revealed que, entre 2011 e 2022, o diagnóstico do TEA em adultos de 26 a 34 anos aumentou 450% nos Estados Unidos.

    Mas por que tantas pessoas passam a infância e a juventude inteiras sem receber a resposta? “Umas das frases que mais ouço dentro do consultório, dos pais e que pode estar atrasando o diagnóstico do seu filho: ‘Ele é pequeno ainda. A pediatra disse que é fase. O primo dele também foi assim’. Eu ouço isso toda semana e, algumas vezes, as frases custam meses preciosos de intervenção”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Por que o diagnóstico de neurodivergências costuma atrasar?

    O atraso no diagnóstico de neurodivergências pode acontecer por diversos fatores, que vão desde a falta de informação até a capacidade de camuflar os sintomas para se adequar ao ambiente.

    1. Os sinais podem ser sutis ou diferentes do esperado

    Nem todas as pessoas que convivem com transtornos de neurodesenvolvimento apresentam características consideradas clássicas. Alguns manifestam os sintomas de forma mais discreta, o que dificulta a identificação da neurodivergência por familiares, professores e até profissionais de saúde.

    Em alguns casos, os sintomas da neurodivergência frequentemente são mascarados ou confundidos com transtornos de humor. É muito comum que adultos passem anos tratando apenas a ansiedade, a depressão ou o burnout, sem que a causa raiz (a neurodivergência) seja investigada.

    2. O fenômeno do masking

    O masking, também conhecido como camuflagem social, é uma estratégia consciente ou inconsciente usada especialmente por mulheres para esconder características de condição e se adaptar às expectativas das outras pessoas. O comportamento é mais observado no autismo, mas também pode ocorrer em indivíduos com TDAH e outras neurodivergências.

    Na prática, o masking pode envolver imitar expressões faciais, ensaiar conversas mentalmente, forçar contato visual, controlar movimentos repetitivos, copiar comportamentos de outras pessoas ou esconder dificuldades para parecer mais alinhado ao que é considerado socialmente esperado.

    Com o passar dos anos, o mascaramento pode se tornar tão automático que a própria pessoa tem dificuldade para reconhecer quais comportamentos são naturais e quais foram aprendidos para se encaixar socialmente.

    3. Falta de informação e conscientização

    Há algumas décadas, condições como o TDAH e o autismo eram entendidas como transtornos que afetavam apenas crianças. Os critérios diagnósticos também eram mais restritos e o conhecimento sobre o tema era muito menor do que é atualmente.

    Por isso, muitas pessoas que cresceram nas décadas de 1980, 1990 e no início dos anos 2000 simplesmente não foram avaliadas ou sequer cogitadas para uma investigação. Em muitos casos, as dificuldades eram atribuídas à personalidade, timidez, falta de atenção ou até mesmo falta de interesse.

    4. O diagnóstico depende de uma avaliação clínica detalhada

    Diferentemente de muitas outras condições de saúde, a maioria das neurodivergências não pode ser confirmada por exames laboratoriais, testes genéticos ou exames de imagem.

    A identificação é feita por meio de uma avaliação clínica detalhada, que considera a história de vida da pessoa, o desenvolvimento desde a infância, os comportamentos, dificuldades, habilidades e sintomas ao longo do tempo.

    Para chegar a um diagnóstico, o profissional analisa a história de vida da pessoa, o seu desenvolvimento desde a infância, seus comportamentos, dificuldades e a forma como ela lida com diferentes situações do dia a dia. Em alguns casos, familiares também podem ser ouvidos para ajudar a entender melhor como aqueles sinais apareceram ao longo dos anos.

    Como cada pessoa é única e os sintomas podem variar bastante, a avaliação precisa ser cuidadosa e individualizada.

    Principais sinais de neurodivergência que passam despercebidos

    Os principais sinais de neurodivergência que podem passar despercebidos na infância e adolescência incluem:

    • Cansaço extremo após interações sociais, com necessidade de ficar sozinho para recuperar as energias;
    • Sensação frequente de não se encaixar, como se as outras pessoas entendessem regras sociais que você desconhece;
    • Dificuldade com conversas superficiais e preferência por assuntos mais profundos ou de interesse específico;
    • Travar diante de tarefas simples por não saber por onde começar;
    • Conseguir passar horas focado em algo que desperta interesse, mas ter dificuldade para se concentrar em atividades consideradas monótonas;
    • Adiar tarefas importantes repetidamente, mesmo sabendo que isso pode trazer problemas ou gerar culpa;
    • Incômodo intenso com sons, luzes, cheiros, texturas ou outros estímulos que passam despercebidos para a maioria das pessoas;
    • Aversão persistente a determinadas texturas, cheiros ou combinações de alimentos, mesmo na vida adulta;
    • Tendência a interpretar falas de forma literal, com dificuldade para perceber ironias, sarcasmo ou sentidos implícitos;
    • Falar longamente sobre temas de interesse sem perceber que a outra pessoa pode estar perdendo o interesse na conversa.

    “Existe uma diferença entre a variação normal do desenvolvimento e um atraso que precisa de atenção. É importante que você aprenda a identificar os marcos do desenvolvimento e entender quando não alcançá-los é um sinal de que está na hora de buscar uma avaliação”, destaca Bárbara.

    Como é feito o diagnóstico em adultos?

    O diagnóstico de neurodivergências na vida adulta começa com uma avaliação clínica detalhada realizada por um profissional, como neurologista, psiquiatra ou neuropsicólogo.

    Durante a consulta, o profissional costuma fazer perguntas sobre a infância, o desempenho escolar, os relacionamentos, a rotina de trabalho, as dificuldades do dia a dia e os sintomas que motivaram a busca por ajuda. Como muitas neurodivergências surgem ainda nos primeiros anos de vida, entender o histórico de desenvolvimento é uma etapa importante da avaliação.

    Em alguns casos, quando possível, informações de pais, irmãos, parceiros ou amigos próximos podem complementar a avaliação. Eles ajudam a identificar características que podem ter passado despercebidas ou sido interpretadas de outra forma ao longo dos anos.

    Aplicação de testes e questionários

    Dependendo do caso, podem ser utilizados questionários padronizados e instrumentos específicos para avaliar atenção, memória, funções executivas, habilidades sociais, linguagem e outros aspectos cognitivos e comportamentais.

    No caso do TDAH, por exemplo, é comum a utilização da escala ASRS-v1.1 (Adult ADHD Self-Report Scale), um questionário desenvolvido para rastrear sintomas em adultos. Já na avaliação do autismo, podem ser utilizados instrumentos mais aprofundados, como o ADOS-2 e o ADI-R, além de questionários de rastreio, como o RAADS-R e o AQ (Autism Spectrum Quotient).

    Vale destacar que os testes não confirmam o diagnóstico de forma isolada, mas servem como ferramentas de apoio dentro de uma avaliação clínica mais ampla e detalhada.

    Descobri a neurodivergência tarde, e agora?

    Depois de uma investigação longa, receber o diagnóstico de um transtorno do neurodesenvolvimento pode despertar uma série de sentimentos, desde o alívio por finalmente encontrar respostas para dificuldades que acompanham a pessoa desde a infância, até a tristeza e a frustração ao imaginar como a vida poderia ter sido diferente si a descoberta tivesse acontecido antes.

    É comum pensar nas experiências do passado e perceber que muitos desafios enfrentados na escola, no trabalho ou nos relacionamentos estavam relacionados a características da neurodivergência e não a falhas pessoais. Inclusive, o processo de olhar para trás pode ser importante para diminuir o peso da culpa e da autocobrança.

    Nesse momento de adaptação, vale considerar algumas coisas:

    • Entenda que nunca é tarde para se conhecer melhor e buscar estratégias que melhorem a sua qualidade de vida;
    • Procure informações em fontes confiáveis para compreender melhor a sua condição, seus desafios e suas potencialidades;
    • Considere o acompanhamento de profissionais especializados, como psicólogos, psiquiatras, neurologistas ou terapeutas ocupacionais;
    • Reavalie cobranças e expectativas que talvez não respeitem as suas características e necessidades individuais;
    • Reconheça e valorize os seus pontos fortes, como criatividade, capacidade de concentração em temas de interesse, atenção aos detalhes e facilidade para identificar padrões;
    • Tenha paciência consigo mesmo durante o processo de adaptação e autoconhecimento;
    • Lembre-se de que o diagnóstico não define quem você é, mas pode ajudar a entender melhor a sua trajetória e como o seu cérebro funciona.

    Com o tempo, fica mais fácil desenvolver um olhar mais gentil sobre si mesmo, com menos culpa, menos cobranças e mais compreensão sobre quem você é.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

    Perguntas frequentes

    1. É possível desenvolver TDAH ou autismo depois de adulto?

    Não, as neurodivergências nascem com a pessoa. O que acontece na vida adulta é a descoberta da condição, normalmente porque as cobranças da maturidade superam a capacidade da pessoa de camuflar os sintomas.

    2. Como saber se sou neurodivergente ou se é apenas ansiedade?

    A ansiedade costuma surgir em fases específicas da vida. A neurodivergência é crônica, esteve presente desde a infância e molda a forma como você percebe o mundo o tempo todo. Um profissional precisa fazer essa distinção.

    3. O diagnóstico tardio dá direito a algum benefício por lei?

    Pessoas diagnosticadas com TEA (Autismo) são consideradas por lei como pessoas com deficiência (PCD) e têm direitos garantidos, como atendimento prioritário e vagas reservadas.

    4. O que é o burnout autista?

    É um estado de exaustão física e mental severa que acontece quando o adulto passa anos camuflando os traços e forçando o próprio cérebro além do limite para parecer neurotípico.

    5. O que é hipersensibilidade sensorial em adultos?

    É quando o cérebro não consegue filtrar estímulos do ambiente corretamente. Na prática, o adulto sente dores físicas ou irritação extrema com luzes fortes, barulhos de conversas paralelas, cheiros específicos ou texturas de roupas e alimentos que outras pessoas nem notam.

    5. Qual a diferença de diagnóstico entre homens e mulheres?

    Em mulheres, o diagnóstico costuma ser muito mais tardio porque elas tendem a internalizar o sofrimento e são historicamente mais cobradas a serem sociáveis, o que as torna especialistas em camuflar os sinais

    6. O que são altas habilidades na vida adulta?

    É uma neurodivergência caracterizada por uma capacidade cognitiva significativamente acima da média em uma ou mais áreas, como lógica, artes ou criatividade.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    De SOP para SOMP: por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

    Em maio de 2026, um comitê internacional de pesquisadores, médicos e pacientes anunciou oficialmente a mudança no nome da síndrome dos ovários policísticos (SOP) para síndrome ovariana metabólica poliendócrina (cuja sigla internacional passou a incluir o termo metabólico), após um consenso global publicado na revista científica The Lancet.

    A decisão não foi apenas uma questão de nomenclatura e, de acordo com especialistas, o objetivo foi atualizar o nome para refletir melhor os conhecimentos científicos atuais sobre a condição e melhorar a compreensão da população, dos profissionais de saúde e até dos formuladores de políticas públicas.

    A síndrome, que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil, é um distúrbio hormonal complexo que afeta diversos sistemas do organismo. Apesar de normalmente associada aos ovários e a dificuldade para engravidar, sabe-se que a condição vai além da saúde reprodutiva e está relacionada a alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias que podem impactar a saúde da mulher ao longo de toda a vida.

    O problema com o nome antigo

    O principal motivo para a mudança é que o termo ovários policísticos pode levar a uma interpretação errada da síndrome.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, nem toda mulher com a síndrome dos ovários policísticos apresenta ovários policísticos nos exames. Da mesma forma, ter ovários policísticos não significa necessariamente que a mulher tenha a síndrome.

    Para os pesquisadores responsáveis pela pesquisa, o nome antigo transmitia a ideia de que o problema estava restrito aos ovários, quando, na realidade, consiste em uma doença muito mais complexa.

    Como surgiu o novo nome?

    A mudança foi resultado de um dos maiores processos de consulta já realizados para renomear uma doença. O projeto envolveu mais de 14 mil participantes, incluindo pacientes, médicos, pesquisadores e organizações de saúde de diferentes regiões do mundo. Durante o processo, foram avaliados diversos critérios, como:

    • Precisão científica;
    • Facilidade de compreensão;
    • Redução do estigma associado à doença;
    • Adequação cultural em diferentes países;
    • Facilidade de implementação nos sistemas de saúde.

    Após várias rodadas de discussões, pesquisas e votações, o termo escolhido foi Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.

    O que significa o novo nome?

    Cada palavra do novo nome foi escolhida para representar aspectos importantes da condição:

    • Poliendócrina: se refere ao fato de que a síndrome envolve diferentes sistemas hormonais do organismo. Não existe apenas uma alteração hormonal isolada. A condição afeta a produção e o funcionamento de hormônios relacionados aos ovários, à insulina, aos andrógenos e ao sistema neuroendócrino.
    • Metabólica: destaca a forte relação da síndrome com alterações metabólicas, especialmente a resistência à insulina, considerada um dos principais mecanismos envolvidos na doença. Além disso, mulheres com a condição apresentam maior risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.
    • Ovariana: mantém a referência aos ovários, já que eles continuam tendo um papel importante na síndrome. A diferença é que o termo não menciona os cistos, considerados uma característica secundária e não representativa da condição como um todo.

    Como a síndrome afeta o corpo e a menstruação?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina provoca um desequilíbrio metabólico que afeta diretamente os ovários, desencadeando um efeito cascata no organismo. As mulheres costumam apresentar um padrão menstrual conhecido como oligomenorrágico, que pode causar:

    • Poucas menstruações no ano: em vez de menstruar de 11 a 13 vezes por ano (o ciclo habitual), a mulher passa a ter longos atrasos. É comum ficar dois, três, seis meses e, em casos mais graves, até um ano inteiro sem menstruar;
    • Fluxo muito intenso (menorragia): quando a menstruação finalmente desce após esses meses de atraso, ela costuma vir em grande volume, quase como uma hemorragia.

    Durante os meses de atraso, o estímulo hormonal contínuo faz com que o endométrio cresça e engrosse muito mais do que o normal. Quando o corpo finalmente descama o tecido, o sangramento é volumoso e prolongado.

    Além das alterações menstruais, Andreia explica que um dos critérios de diagnóstico da SOMP é o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos.

    • Aumento de pelos no rosto, no queixo, no peito, no abdômen e nas costas;
    • Acne persistente, especialmente na fase adulta;
    • Pele mais oleosa;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície masculina;
    • Irregularidade menstrual devido às alterações na ovulação.

    Vale lembrar que nem todas as mulheres com a síndrome têm os mesmos sintomas. Algumas têm níveis elevados de andrógenos detectados apenas em exames de sangue, enquanto outras apresentam sinais visíveis no corpo.

    Entendendo a fisiologia dos microcistos

    A micropolicistose ovariana, caracterizada pela presença de vários microcistos de até 8 mm na periferia do ovário, é um dos três critérios utilizados para o diagnóstico da SOMP.

    Em um ciclo menstrual saudável, Andreia explica que os ovários contêm vários pequenos folículos em diferentes estágios de desenvolvimento. Ao longo do ciclo, um deles se torna dominante, cresce mais do que os demais e atinge cerca de 1,5 a 2 centímetros antes de romper e liberar o óvulo durante a ovulação.

    Ao redor de cada folículo existem duas camadas principais de células:

    • Teca, localizada mais externamente e responsável pela produção dos hormônios androgênicos;
    • Granulosa, localizada mais internamente contém uma enzima chamada aromatase, que converte os hormônios em estrogênio.

    Na síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ocorre um espessamento das células da teca, o que desencadeia uma produção excessiva de androgênios. A granulosa não consegue transformar toda a quantidade de hormônios masculinos em estrogênio, o que leva ao aumento dos níveis de androgênios no organismo, fenômeno conhecido como hiperandrogenismo.

    O espessamento também interfere no desenvolvimento normal dos folículos. Em vez de um deles continuar crescendo até a ovulação, vários folículos interrompem seu desenvolvimento precocemente e permanecem com aproximadamente 8 milímetros de diâmetro.

    No ultrassom, eles aparecem alinhados na periferia do ovário, forming o aspecto característico dos chamados microcistos.

    Importante: nem todas as mulheres com a síndrome apresentam microcistos visíveis no ultrassom. Em algumas pacientes, Andreia explica que a camada da teca se torna mais espessa e o ovário aumenta de tamanho, mas sem formar os pequenos folículos característicos.

    Sintomas associados e resistência à insulina

    Além dos critérios utilizados para o diagnóstico, a síndrome ovariana metabólica poliendócrina costuma estar associada a outras alterações metabólicas, em especial a resistência à insulina. As manifestações mais comuns do desequilíbrio incluem:

    • Obesidade: o excesso de tecido adiposo favorece a resistência à insulina e aumenta a produção dos fatores de crescimento semelhantes à insulina (IGF), que estimulam o espessamento da camada da teca nos ovários e contribuem para a piora do quadro hormonal;
    • Acantose nigricante: caracterizada pelo surgimento de manchas escuras e espessas em regiões de dobras da pele, como o pescoço, as axilas e as virilhas. A alteração é considerada um dos principais sinais clínicos de resistência à insulina;
    • Pré-diabetes e diabetes tipo 2: como a resistência à insulina é frequente na síndrome, mulheres com SOMP têm um risco maior de desenvolver alterações na glicose, incluindo pré-diabetes e diabetes tipo 2 ao longo da vida.

    O que muda para quem já tem o diagnóstico?

    Na prática, o diagnóstico, os exames e os tratamentos continuam os mesmos. A mudança está relacionada principalmente à forma como a condição será chamada nos próximos anos.

    A expectativa é que a mudança ajude a aumentar a conscientização sobre a síndrome, facilite o reconhecimento dos sintomas e contribua para que mais mulheres recebam o diagnóstico e o acompanhamento adequados mais cedo.

    A transição deve ocorrer gradualmente em hospitais, consultórios, universidades, pesquisas científicas e sistemas de classificação de doenças ao redor do mundo. Os especialistas estimam um período de adaptação de cerca de três anos para que a nova nomenclatura seja amplamente adotada.

    A SOMP tem tratamento?

    A síndrome ovariana metabólica poliendócrina é uma condição crônica, mas que pode ser controlada por meio de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com o uso de remédios prescritos pelo médico.

    De acordo com a ginecologista Andreia Sapienza, em muitas pacientes, a perda de peso é suficiente para restabelecer a regularidade menstrual e melhorar os níveis hormonais, sem a necessidade de outros tratamentos. No entanto, caso a paciente volte a ganhar peso, os sintomas e as alterações hormonais tendem a reaparecer.

    Para o controle das alterações metabólicas, a médica explica que medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como a tirzepatida (Mounjaro) e a semaglutida (Ozempic), podem ser uma opção em alguns casos.

    Eles ajudam a melhorar a resistência à insulina, auxiliam no controle do pré-diabetes e do diabetes tipo 2 e favorecem a perda de peso, contribuindo para o equilíbrio hormonal.

    Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos para tratar sintomas como acne e excesso de pelos. Para as mulheres que desejam engravidar, também existem tratamentos específicos para estimular a ovulação.

    Quando procurar um médico?

    É importante procurar um ginecologista quando surgirem sinais que possam indicar a síndrome ovariana metabólica poliendócrina, especialmente se eles persistirem por vários meses, como:

    • Menstruação muito irregular ou ausência de menstruação por mais de três meses;
    • Dificuldade para engravidar;
    • Acne persistente ou de difícil controle;
    • Aumento de pelos no rosto, no tórax ou no abdômen;
    • Queda de cabelo com padrão semelhante ao da calvície;
    • Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer;
    • Manchas escuras no pescoço, nas axilas ou nas virilhas;
    • Alterações nos exames de glicose, pré-diabetes ou diabetes.

    A avaliação médica é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para identificar possíveis complicações metabólicas, como resistência à insulina, diabetes tipo 2, colesterol elevado e hipertensão.

    Confira: Dor pélvica forte? Pode ser endometriose

    Perguntas frequentes

    1. É possível ter a síndrome e não ter cistos no ovário?

    Sim, e esse é um dos principais motivos da mudança de nome. Para o diagnóstico, são avaliados três critérios: irregularidade menstrual, hormônios masculinos altos e microcistos. Você só precisa preencher dois deles. Portanto, muitas mulheres têm a síndrome, mas apresentam o ultrassom normal.

    2. Qual é a diferença entre ovário policístico e a síndrome?

    Ter ovários policísticos significa apenas que o ultrassom mostrou pequenos cistos na periferia do órgão, o que pode ser uma característica anatômica passageira. A síndrome é uma doença que envolve o corpo todo, combinando esses cistos (ou não) com atrasos menstruais e excesso de hormônios masculinos.

    3. A síndrome aumenta o risco de câncer de endométrio?

    Sim, se não for tratada. Como a mulher passa meses sem menstruar, o endométrio (camada interna do útero) fica se acumulando e engrossando sem descamar. O estímulo contínuo do estrogênio, sem a contraposição da progesterona, aumenta o risco de hiperplasia e, a longo prazo, de câncer de endométrio.

    4. Qual o melhor tipo de exercício físico para quem tem a condição?

    A combinação de exercícios aeróbicos (como caminhada rápida, corrida ou bike) com treinos de força (musculação) é a ideal. O músculo é o principal consumidor de glicose do corpo. Quanto mais massa magra você desenvolve, mais o corpo queima açúcar, reduzindo diretamente a resistência à insulina.

    5. A doença altera o humor ou causa depressão?

    Sim, o desequilíbrio hormonal, especialmente o excesso de androgênios e a falta de progesterona, afeta os neurotransmissores no cérebro. Além disso, lidar com sintomas que mexem com a autoestima, como ganho de peso, acne e queda de cabelo, aumenta as taxas de ansiedade e depressão nas pacientes.

    6. Por que é difícil diagnosticar a doença na adolescência?

    Porque durante a puberdade o corpo está passando por transformações hormonais naturais. É comum que adolescentes tenham espinhas e ciclos menstruais irregulares temporariamente sem que isso seja uma doença.

    7. A síndrome tem cura?

    Por ter uma forte base genética, ela é considerada uma condição crônica, ou seja, não tem uma cura definitiva.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Até onde a ansiedade é normal? Os sinais de alerta que você precisa conhecer

    Até onde a ansiedade é normal? Os sinais de alerta que você precisa conhecer

    Sentir um frio na barriga antes de uma entrevista de emprego, o coração acelerar antes de uma apresentação importante ou até mesmo perder o sono na véspera de uma viagem são algumas das situações em que a ansiedade aparece de forma natural.

    Ela faz parte da resposta do organismo a desafios ou possíveis ameaças, ajudando o corpo a se preparar para agir. Mas então, onde termina o frio na barriga saudável e começa um sinal de alerta?

    A ansiedade é uma emoção natural e esperada em determinados momentos da vida, mas ela pode ser considerada um transtorno quando se torna intensa, frequente e desproporcional à situação.

    Existe ansiedade normal?

    A ansiedade normal existe, sendo uma reação natural do organismo diante de situações que despertam expectativa, preocupação ou exigem atenção, como uma prova, uma viagem, o início de um relacionamento e a espera por uma notícia importante, por exemplo.

    “Sem a ansiedade, a gente não tem a motivação e energia para fazer as coisas que a gente precisa fazer”, aponta o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Nesses casos, o cérebro ativa o sistema nervoso e estimula a liberação de hormônios, como a adrenalina e o cortisol. Eles causam o aumento dos batimentos cardíacos, a aceleração da respiração e promovem um maior estado de atenção. Na maioria dos casos, é uma reação temporária e que diminui naturalmente com o tempo.

    Por isso, sentir um frio na barriga, ficar mais inquieto ou até ter dificuldade para dormir antes de um evento importante não significa, necessariamente, que exista um transtorno de ansiedade. O principal sinal de alerta é quando a ansiedade aparece com frequência, de forma intensa e desproporcional ao que está acontecendo.

    Qual a diferença entre ansiedade normal e patológica?

    A principal diferença entre a ansiedade normal e patológica está na intensidade, na frequência e no impacto que ela causa na rotina.

    A ansiedade normal aparece em situações específicas no dia a dia, como uma prova, uma entrevista de emprego ou uma decisão importante. Ela costuma ser temporária, proporcional ao acontecimento e desaparece quando a situação é resolvida, e não impede a pessoa de realizar as atividades rotineiras.

    Por outro lado, a ansiedade patológica é mais intensa, frequente e difícil de controlar. A pessoa sente uma preocupação, um medo ou uma tensão excessivos, que persistem por meses e são desproporcionais à situação.

    Segundo Luiz, os sintomas passam a interferir na rotina, prejudicando o trabalho, o sono, os relacionamentos e a qualidade de vida, o que torna necessária a atenção médica.

    Principais sintomas do transtorno de ansiedade

    Os sintomas do transtorno de ansiedade normalmente envolvem sinais emocionais e físicas que persistem por bastante tempo, como:

    • Preocupação excessiva e difícil de controlar;
    • Sensação constante de nervosismo ou tensão;
    • Medo intenso de que algo ruim aconteça;
    • Inquietação ou dificuldade para relaxar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração;
    • Cansaço frequente;
    • Alterações no sono, como insônia ou sono agitado;
    • Coração acelerado ou palpitações;
    • Falta de ar ou sensação de aperto no peito;
    • Suor excessivo;
    • Tremores;
    • Tensão muscular;
    • Desconfortos gastrointestinais, como náuseas, dor abdominal ou diarreia.

    Vale ressaltar que um transtorno de ansiedade não exige que a pessoa apresente todos os sintomas ao mesmo tempo. Na verdade, a intensidade e a combinação dos sinais podem variar de uma pessoa para outra, assim como a frequência com que eles aparecem.

    O que causa o excesso de ansiedade?

    O excesso de ansiedade e o desenvolvimento de um transtorno acontecem por uma série de fatores genéticos, psicológicos e ambientais que sobrecarregam o sistema de alerta do cérebro. São eles:

    • Predisposição genética: ter familiares com transtornos de ansiedade ou depressão pode aumentar o risco de desenvolver a condição, indicando que fatores hereditários também influenciam a forma como o organismo reage ao estresse;
    • Desequilíbrios químicos no cérebro: alterações na regulação de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e GABA, podem afetar o controle do humor, do relaxamento e das respostas ao medo;
    • Traumas e experiências estressantes na infância: situações como perda de familiares, bullying ou crescimento em ambientes instáveis podem aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento da ansiedade ao longo da vida;
    • Estresse crônico: a exposição prolongada a situações de pressão, como excesso de trabalho, dificuldades financeiras, desemprego ou conflitos nos relacionamentos, pode manter o organismo em estado constante de alerta;
    • Uso excessivo de telas e redes sociais: o contato contínuo com informações, notificações e comparações sociais pode contribuir para sentimentos de preocupação, cobrança e sobrecarga mental;
    • Condições médicas e dores crônicas: problemas de saúde, como distúrbios da tireoide, arritmias cardíacas e dores persistentes, podem desencadear ou agravar sintomas de ansiedade;
    • Fatores de personalidade: características como perfeccionismo, necessidade excessiva de controle, dificuldade para lidar com incertezas e sensibilidade a críticas podem favorecer o surgimento de quadros ansiosos;
    • Uso de substâncias: o consumo excessivo de álcool, nicotina, drogas ilícitas, cafeína e bebidas energéticas pode aumentar a ansiedade ou intensificar sintomas já existentes.

    Quando é a hora de procurar ajuda profissional?

    Procure atendimento médico se apresentar os seguintes sinais de alerta:

    • Preocupação constante e difícil de controlar;
    • Sensação frequente de medo ou tensão excessiva;
    • Crises de ansiedade recorrentes;
    • Insônia ou outras alterações importantes no sono;
    • Dificuldade de concentração;
    • Irritabilidade frequente;
    • Palpitações ou coração acelerado sem motivo aparente;
    • Falta de ar, tremores ou suor excessivo;
    • Tensão muscular persistente;
    • Cansaço constante;
    • Evitar situações, lugares ou atividades por causa da ansiedade;
    • Queda no desempenho no trabalho ou nos estudos;
    • Prejuízos nos relacionamentos pessoais;
    • Sofrimento emocional que afeta a qualidade de vida.

    Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar que eles afetem a qualidade de vida.

    O acompanhamento com um psicólogo e, quando necessário, com um psiquiatra pode ajudar a encontrar o tratamento mais adequado para cada pessoa.

    Como controlar a ansiedade no dia a dia?

    Nem sempre é possível evitar as situações estressantes do dia a dia, mas alguns hábitos podem ajudar a reduzir os níveis de ansiedade e melhorar o bem-estar emocional, como:

    • Manter uma rotina regular de conceito de sono e procurar dormir entre 7 e 9 horas por noite;
    • Praticar atividades físicas regularmente, como caminhada, corrida, musculação ou dança;
    • Reservar momentos para lazer, descanso e atividades prazerosas;
    • Reduzir o consumo excessivo de cafeína, energéticos e álcool;
    • Ter uma alimentação equilibrada e horários regulares para as refeições;
    • Fazer pausas durante o trabalho ou os estudos para evitar sobrecarga mental;
    • Limitar o tempo de uso das redes sociais e da exposição constante a notícias;
    • Praticar técnicas de relaxamento, como respiração profunda, meditação ou mindfulness;
    • Conversar com amigos, familiares ou pessoas de confiança sobre preocupações e sentimentos.

    É importante lembrar que a ansiedade faz parte da vida e não pode ser eliminada completamente. O objetivo não é deixar de sentir ansiedade, mas aprender a lidar com ela de forma mais saudável, para que não atrapalhe a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. O que é o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)?

    O TAG é um transtorno psiquiátrico caracterizado por uma preocupação excessiva, persistente e difícil de controlar que dura a maior parte dos dias por pelo menos seis meses. A pessoa com TAG se preocupa intensamente com diversas áreas da vida ao mesmo tempo (saúde, dinheiro, família, trabalho), mesmo sem motivos reais para isso.

    2. Qual é a diferença entre ansiedade e estresse?

    O estresse é uma reação a um gatilho presente e identificável, como excesso de trabalho ou uma briga, por exemplo. Quando o problema é resolvido, o estresse tende a sumir. Já a ansiedade é focada no futuro, na expectativa de uma ameaça que pode nem acontecer. Ela persiste mesmo quando o agente estressor já desapareceu.

    3. Tomar café piora a ansiedade?

    Para quem já tem propensão ou sofre de um transtorno de ansiedade, sim. A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central que imita os sintomas físicos da ansiedade, como aceleração dos batimentos cardíacos e agitação.

    3. Os remédios para ansiedade causam dependência?

    Os medicamentos modernos mais utilizados no tratamento de longo prazo, como os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina, não causam dependência.

    Os remédios que oferecem risco de dependência se usados incorretamente são os tarja preta (benzodiazepínicos), que servem para alívio imediato e devem ser tomados estritamente pelo tempo curto receitado pelo médico.

    5. Fitoterápicos e chás funcionam para ansiedade?

    Chás de plantas como passiflora (maracujá), camomila, valeriana e melissa têm propriedades calmantes leves que ajudam a relaxar o corpo e a desacelerar em momentos de nervosismo leve ou antes de dormir. No entanto, eles não substituem o tratamento médico ou psicoterápico em casos de transtornos.

    6. O que fazer se eu esquecer de tomar o remédio da ansiedade no horário?

    A orientação geral é tomar a dose esquecida assim que lembrar. Porém, se estiver muito perto do horário da próxima dose, o ideal é pular a dose esquecida e seguir o cronograma normal. Nunca tome duas doses juntas para compensar o esquecimento.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Acorda suando durante a noite? Veja quando isso merece investigação 

    Acorda suando durante a noite? Veja quando isso merece investigação 

    Acordar durante a madrugada com a roupa molhada ou perceber que o lençol ficou encharcado de suor pode ser uma experiência desconfortável e, muitas vezes, intrigante. Mesmo que episódios isolados nem sempre indiquem um problema de saúde, a sudorese noturna frequente pode levantar dúvidas sobre o que está acontecendo no organismo. 

    Em muitos casos, a explicação é simples, como um quarto muito quente ou o uso de muitos cobertores em uma temperatura ainda amena. Porém, quando o sintoma se torna recorrente, intenso ou aparece acompanhado de outros sinais, como perda de peso, febre ou cansaço excessivo, é importante procurar avaliação médica para investigar possíveis causas.  

    A boa notícia é que, na maioria das vezes, existe uma explicação identificável e tratável para o problema. 

    H2 – O que é considerado sudorese noturna? 

    Nem todo suor durante o sono é considerado anormal. A preocupação costuma surgir quando: 

    • O suor é excessivo;  
    • Ocorre de forma frequente;  
    • Molha roupas ou lençóis;  
    • Acontece mesmo em ambientes frescos;  
    • Não existe uma explicação evidente, como excesso de cobertores.  

    Em geral, a sudorese noturna é considerada relevante quando interfere na qualidade do sono ou passa a ocorrer repetidamente. 

    H2 – Por que suamos durante a noite? 

    A transpiração é um mecanismo natural do organismo para controlar a temperatura corporal. Durante o sono, o corpo continua regulando a temperatura e pode produzir suor em situações como: 

    • Ambiente muito quente;  
    • Uso excessivo de roupas ou cobertores;  
    • Sonhos intensos ou pesadelos;  
    • Consumo de álcool próximo ao horário de dormir;  
    • Exercício físico intenso no período noturno.  

    Nesses casos, o sintoma costuma ser ocasional e não está relacionado a doenças. 

    H2 – Causas mais simples e comuns 

    Diversas situações benignas podem provocar suor noturno. Entre elas estão: 

    • Quarto excessivamente quente;  
    • Roupas inadequadas para dormir;  
    • Estresse emocional;  
    • Ansiedade;  
    • Pesadelos;  
    • Exercício físico próximo ao horário de dormir.  

    Quando a causa é ambiental ou comportamental, o sintoma geralmente melhora após ajustes na rotina. 

    H2 – Infecções podem causar sudorese noturna? 

    Sim. Algumas infecções provocam alterações inflamatórias no organismo que aumentam a transpiração, especialmente durante a noite. 

    Entre as principais causas infecciosas estão: 

    • Tuberculose;  
    • Endocardite (infecção das válvulas do coração);  
    • HIV;  
    • Algumas infecções crônicas.  

    Nesses casos, o suor noturno costuma vir acompanhado de outros sintomas, como: 

    • Febre;  
    • Cansaço;  
    • Perda de peso;  
    • Mal-estar persistente.  

    H2 – Alterações hormonais também podem provocar suor noturno 

    Mudanças hormonais estão entre as causas mais frequentes da sudorese noturna. 

    H3 – Menopausa 

    Uma das causas mais comuns em mulheres. Os sintomas podem ser: 

    • Ondas de calor;  
    • Suor intenso;  
    • Alterações do sono;  
    • Irritabilidade.  

    Os episódios costumam ocorrer principalmente durante a noite e podem prejudicar significativamente a qualidade do descanso. 

    H3 – Hipertireoidismo 

    O excesso de hormônios da tireoide acelera o metabolismo e pode provocar: 

    • Sensação de calor excessivo;  
    • Transpiração aumentada;  
    • Palpitações;  
    • Perda de peso;  
    • Tremores.  

    H2 – Ansiedade e estresse podem causar sudorese noturna? 

    Sim. O estresse e a ansiedade aumentam a ativação do sistema nervoso, que pode estimular a produção de suor mesmo durante o sono. 

    Além da transpiração, podem surgir sintomas como: 

    • Palpitações;  
    • Sono agitado;  
    • Despertares frequentes;  
    • Sensação de alerta constante.  

    Em algumas pessoas, a sudorese noturna é uma das manifestações físicas mais evidentes da ansiedade. 

    H2 – Quando a sudorese noturna merece mais atenção? 

    Embora muitas causas sejam benignas, alguns sinais associados justificam investigação médica. Procure avaliação se houver: 

    • Perda de peso sem explicação;  
    • Febre persistente;  
    • Cansaço excessivo;  
    • Tosse prolongada;  
    • Aumento de gânglios (“ínguas”);  
    • Falta de apetite;  
    • Sintomas persistentes por semanas.  

    Esses sinais podem indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada. 

    H2 – Câncer pode causar sudorese noturna? 

    Sim, mas essa é uma causa menos comum. Alguns tipos de câncer, especialmente doenças hematológicas, como linfomas e leucemias, podem provocar uma combinação de sintomas conhecida como “sintomas B”, que inclui sudorese noturna intensa, febre e perda de peso involuntária.  

    Por isso, quando esses sinais aparecem juntos, é importante procurar avaliação médica. 

    H2 – Medicamentos podem causar suor noturno? 

    Sim. Alguns medicamentos podem aumentar a transpiração como efeito colateral. 

    Entre eles estão: 

    • Antidepressivos;  
    • Antitérmicos;  
    • Terapias hormonais;  
    • Alguns medicamentos para diabetes.  

    Por isso, o médico sempre avalia os remédios em uso durante a investigação. 

    H2 – Como os médicos investigam a sudorese noturna? 

    A investigação depende dos sintomas associados e do histórico da pessoa. 

    Ela pode ser: 

    • Entrevista clínica detalhada;  
    • Exame físico;  
    • Exames de sangue;  
    • Avaliação hormonal;  
    • Exames para infecções;  
    • Exames de imagem, quando necessário.  

    Na maioria dos casos, a causa pode ser identificada a partir da combinação entre os sintomas e os exames complementares. 

    H2 – Existe tratamento? 

    Sim. O tratamento depende da causa identificada. 

    Pode incluir: 

    • Controle da ansiedade;  
    • Tratamento de infecções;  
    • Manejo da menopausa;  
    • Ajuste de medicamentos;  
    • Tratamento de alterações hormonais.  

    Quando a causa é corrigida, a sudorese costuma melhorar significativamente. 

    H2 – Quando procurar um médico? 

    É recomendável procurar avaliação médica quando: 

    • O suor noturno é frequente;  
    • Há necessidade de trocar roupas ou lençóis regularmente;  
    • O sintoma persiste por várias semanas;  
    • Existem outros sintomas associados, como febre, perda de peso ou cansaço intenso.  

    Quanto mais cedo a causa for identificada, mais rápido pode ser iniciado o tratamento adequado. 

    Veja também: Transplante de medula óssea: como é feito e quando é indicado 

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/transplante-de-medula-ossea-2

    H2 – Perguntas frequentes sobre sudorese noturna 

    H3 – 1. Suar durante a noite é sempre sinal de doença? 

    Não. Ambientes quentes, excesso de cobertores e estresse podem causar suor noturno sem indicar um problema de saúde. 

    H3 – 2. Ansiedade pode causar sudorese noturna? 

    Sim. A ansiedade pode aumentar a atividade do sistema nervoso e favorecer episódios de transpiração durante o sono. 

    H3 – 3. Menopausa causa suor noturno? 

    Sim. As ondas de calor associadas à menopausa são uma das causas mais comuns de sudorese noturna em mulheres. 

    H3 – 4. Quando o suor noturno merece investigação? 

    Quando é frequente, intenso, persistente ou acompanhado de sintomas como febre, perda de peso ou cansaço excessivo. 

    H3 – 5. Tuberculose pode causar sudorese noturna? 

    Sim. A tuberculose é uma das infecções clássicas associadas a suor noturno importante. 

    H3 – 6. Câncer pode provocar esse sintoma? 

    Pode, especialmente alguns tipos de câncer hematológico, como linfomas e leucemias. 

    H3 – 7. Qual médico devo procurar? 

    O clínico geral costuma ser o melhor ponto de partida para investigar a causa da sudorese noturna. 

    Leia mais: Saiba mais sobre a leucemia 

    https://proporhealth.ig.com.br/noticias/leucemia
  • Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Parto induzido: o que é e quando realmente é indicado? 

    Na reta final da gravidez, o corpo da gestante normalmente começa a se preparar sozinho para o parto. Aos poucos, o colo do útero começa a dilatar e as contrações aparecem, iniciando naturalmente o trabalho de parto.

    Só que, quando a gestação ultrapassa o tempo considerado seguro ou surgem complicações de saúde, o parto induzido pode ser a alternativa mais segura tanto para a mãe quanto para o bebê.

    O procedimento funciona estimulando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto, utilizando métodos que ajudam o colo do útero a amadurecer e favorecem o início das contrações.

    A escolha da técnica depende de diversos fatores, como a idade gestacional, as condições do bebê e a saúde da gestante, sendo recomendada apenas sob orientação e supervisão de um obstetra.

    O que é o parto induzido?

    O parto induzido é um procedimento médico que utiliza técnicas ou medicamentos para estimular as contrações do útero e a dilatação do colo uterino antes que o trabalho de parto comece naturalmente.

    Normalmente, a indução é indicada em casos de gestação prolongada, acima de 41 semanas, mas também pode ser necessária quando existem riscos para a saúde da mãe ou do bebê.

    Vale destacar que a indução ao parto não é a mesma coisa que uma cesárea. O objetivo do procedimento é justamente estimular o início do trabalho de parto para possibilitar um parto vaginal de forma mais segura.

    Com quantas semanas o parto deve ser induzido?

    A quantidade de semanas ideal para induzir o parto depende diretamente da saúde da mãe e do bebê, sendo calculada a partir da data provável do parto (DPP).

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a DPP é definida no início do pré-natal com base na data da última menstruação e confirmada pelo ultrassom precoce, realizado no primeiro trimestre, considerado o exame mais preciso para calcular a idade gestacional.

    Em uma gravidez saudável e de baixo risco, a indução do parto costuma ser indicada quando a gestação chega a 41 semanas e o trabalho de parto ainda não começou naturalmente.

    Para entender como os médicos avaliam o momento mais seguro para o nascimento, a fase final da gravidez costuma ser dividida em alguns períodos importantes:

    • 37 a 40 semanas (bebê a termo): é o período em que o bebê já está completamente desenvolvido e pronto para nascer com segurança, sem os riscos relacionados à prematuridade. O trabalho de parto pode começar naturalmente a qualquer momento nesse intervalo;
    • 40 a 41 semanas (pós-datismo): quando a gravidez ultrapassa as 40 semanas previstas, a gestação entra no período chamado de pós-datismo. Nessa fase, o acompanhamento médico costuma ser mais frequente e cuidadoso para avaliar o bem-estar do bebê e o funcionamento da placenta;
    • Antes de 37 semanas (prematuro): quando o bebê nasce antes das 37 semanas, ele é considerado prematuro e pode precisar de cuidados especiais, principalmente relacionados à respiração, alimentação e controle da temperatura corporal.

    Antigamente, Andreia explica que os médicos aguardavam até às 42 semanas de gestação para intervir. No entanto, estudos científicos mais recentes comprovaram que esperar entre a 41ª e a 42ª semana aumenta significativamente o risco de mortalidade fetal. Por questões de segurança, a recomendação atual é não ultrapassar o limite de 41 semanas.

    Quando o parto induzido é realmente necessário?

    A indução do parto é realmente necessária quando os riscos de manter o bebê dentro do útero superam os riscos de antecipar o nascimento. Nesses casos, a decisão é feita pelo médico com base em uma avaliação cuidadosa para garantir mais segurança para os dois.

    Entre as principais situações em que a indução é indicada, é possível destacar:

    • Gestação prolongada (pós-termo): quando a gravidez passa das 41 semanas, a placenta pode começar a funcionar com menos eficiência, aumentando a oferta de oxigênio e nutrientes para o bebê;
    • Bolsa rompida sem início das contrações: quando a bolsa estoura e o trabalho de parto não começa sozinho em até cerca de 24 horas, a indução pode ser indicada para diminuir o risco de infecções na mãe e no bebê;
    • Pressão alta e pré-eclâmpsia: problemas como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia podem causar complicações graves durante a gravidez. Nesses casos, antecipar o parto de forma controlada costuma ser a opção mais segura;
    • Diabetes gestacional descontrolada: quando os níveis de açúcar no sangue não conseguem ser controlados adequadamente, pode haver risco de crescimento excessivo do bebê, alterações no parto e sofrimento fetal;
    • Restrição de crescimento fetal: se os exames mostram que o bebê não está crescendo como esperado dentro do útero, o médico pode indicar a indução para que ele receba cuidados mais adequados fora da barriga;
    • Pouco líquido amniótico (oligoidrâmnio): a diminuição importante do líquido amniótico pode comprometer o bem-estar do bebê e aumentar os riscos relacionados ao cordão umbilical durante a gestação e o parto.

    Como é feita a indução?

    A indução do trabalho de parto consiste em estimular as contrações do útero de forma controlada, ajudando o corpo da gestante a entrar em trabalho de parto. Para decidir qual é o método mais adequado, o obstetra realiza um exame de toque vaginal para avaliar o estado do colo do útero, através de uma pontuação chamada Índice de Bishop.

    Segundo Andreia, o índice avalia quatro características do colo uterino:

    • Dilatação: o quanto o colo do útero está aberto;
    • Esvaecimento: o quanto o colo está afinado;
    • Posição: se o colo está mais anterior ou posterior;
    • Consistência: se o colo está firme ou macio.

    Quando a pontuação é igual ou maior que 6, o colo é considerado favorável para a indução. Já pontuações menores indicam um colo desfavorável.

    A partir da avaliação, a indução pode ser feita de duas formas principais:

    Quando o colo do útero já está favorável

    Se o corpo já começou a dar sinais de preparo para o parto, o médico pode iniciar a aplicação de ocitocina sintética diretamente na veia. A ocitocina é o mesmo hormônio produzido naturalmente pelo organismo para provocar as contrações.

    No hospital, ela é administrada pelo soro em doses pequenas, que vão sendo aumentadas aos poucos até que as contrações fiquem regulares e ajudem o trabalho de parto a evoluir.

    Quando o colo do útero ainda não está preparado

    Quando o colo do útero ainda está muito fechado, grosso e firme, normalmente é necessário fazer primeiro um preparo do colo antes de estimular as contrações, para ajudar o tecido a amolecer, afinar e começar a dilatar. O preparo pode ser feito de duas formas:

    • Métodos medicamentosos: são usados medicamentos vaginais, como comprimidos ou gel, que ajudam o colo do útero a amadurecer aos poucos. Eles costumam ser aplicados em intervalos regulares ao longo de algumas horas;
    • Métodos mecânicos: quando os medicamentos não podem ser usados, o médico pode recorrer a técnicas físicas, como o balão obstétrico. Nesse método, uma pequena sonda com um balão é colocada no colo do útero e inflada delicadamente para estimular a dilatação de forma gradual.

    Importante: alguns medicamentos usados na indução não podem ser utilizados por gestantes que já passaram por cesárea ou cirurgias no útero, porque aumentam o risco de rompimento uterino. Nesses casos, os médicos costumam optar pelos métodos mecânicos, que são considerados mais seguros.

    A indução do parto aumenta o risco de uma cesárea?

    A indução do parto não provoca uma cesárea automaticamente. Porém, como explica Andreia, como o trabalho de parto está sendo estimulado de forma artificial, existe uma chance um pouco maior de o processo não evoluir exatamente como esperado quando comparado a um parto que começou naturalmente.

    Em algumas situações, as contrações podem não ficar fortes ou regulares o suficiente, ou o colo do útero pode demorar mais para dilatar, fazendo com que o trabalho de parto avance mais lentamente. Quando isso acontece, a equipe médica avalia se a cesárea é a opção mais segura para proteger a saúde da mãe e do bebê.

    Mesmo assim, muitas induções evoluem bem e terminam em parto vaginal, segundo a ginecologista. Até em gestações de alto risco, é comum que pacientes consigam ter parto normal após o procedimento. Por isso, a indução é uma alternativa segura e bastante utilizada, e não significa que a cesárea será obrigatória.

    Quais são os riscos e desconfortos do parto induzido?

    O principal desconforto da indução é que a dor das contrações pode ser mais intensa e rápida. No parto espontâneo, o corpo aumenta as contrações de forma lenta e progressiva, dando tempo para a gestante se adaptar.

    Na indução, o processo pode evoluir muito rapidamente, causando dores fortes logo no início, o que costuma exigir o uso de analgesia mais cedo.

    Além da dor, os principais riscos médicos associados ao processo são:

    • Taquissistolia (hiperestimulação uterina): ocorre quando o útero responde ao estímulo artificial tendo contrações excessivamente frequentes e intensas;
    • Sofrimento fetal: se as contrações forem muito rápidas e fortes, o bebê não tem o tempo necessário para se recuperar entre uma contração e outra, o que pode comprometer a oxigenação dele;
    • Processo prolongado: a indução costuma demorar significativamente mais tempo do que o parto natural;
    • Falha de indução: o útero pode simplesmente não responder aos estímulos e o colo não abrir, tornando a cesárea necessária.

    Embora muitas gestantes fiquem com medo das contrações induzidas, a ocitocina aplicada na veia provoca o mesmo tipo de contração que o corpo produziria naturalmente durante o trabalho de parto.

    Além disso, no ambiente hospitalar, existem métodos de analgesia e outras medidas que ajudam a aliviar o desconforto de forma segura e acompanhada pela equipe médica.

    Por que a indução do parto pode falhar?

    De acordo com Andreia, a indução do parto pode falhar por algumas situações:

    • Insucesso no preparo do colo do útero: acontece quando o colo uterino continua muito fechado e firme mesmo após o uso de medicamentos, como o misoprostol, ou de métodos mecânicos, como o balão obstétrico. Nesses casos, o colo não amolece nem começa a dilatar adequadamente;
    • Desproporção cefalopélvica (DCP): ocorre quando a cabeça do bebê não consegue passar pelo espaço disponível na bacia da mãe. Muitas vezes, isso só é percebido durante o trabalho de parto, quando a dilatação para completamente apesar das contrações estarem fortes e regulares;
    • Sofrimento fetal: se o bebê apresentar sinais de que não está tolerando bem as contrações, como alterações importantes nos batimentos cardíacos, a equipe médica pode interromper a indução e indicar uma cesárea de emergência;
    • Distocias de parada: são situações em que o trabalho de parto deixa de evoluir, seja porque as contrações não estão mais eficientes ou porque existe alguma dificuldade na passagem do bebê pelo canal de parto.

    Mesmo assim, é importante lembrar que a falha da indução não significa que houve algum erro no procedimento. O trabalho de parto depende de vários fatores ligados ao corpo da gestante, ao bebê e à forma como o organismo responde às medicações e estímulos usados durante o processo.

    Cada corpo reage de uma maneira diferente, e nem sempre é possível prever exatamente como a evolução do parto vai acontecer. Por isso, durante toda a indução, a equipe médica acompanha de perto as contrações, a dilatação do colo do útero e os sinais de bem-estar do bebê para avaliar se o trabalho de parto está evoluindo de forma segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

    Perguntas frequentes

    1. Passar da data prevista para o parto é motivo para indução automática?

    Não no dia exato. Completar as 40 semanas significa apenas que você chegou à Data Provável do Parto. Em gestações saudáveis, o corpo médico ainda monitora e aguarda até as 41 semanas antes de indicar a indução.

    2. A vontade da paciente é levada em conta para decidir o tipo de parto?

    Sim. Hoje em dia, a autonomia da mulher é considerada um critério de indicação. Se a paciente deseja o parto vaginal e não tem nenhuma contraindicação médica, a equipe evolui para os protocolos de indução.

    3. Como o balão obstétrico funciona para abrir o colo do útero?

    O balão é um método mecânico (uma sonda) inserido pelo médico através do colo do útero. Depois de posicionado, ele é inflado com água destilada ou soro. O balão faz uma pressão física constante de dentro para fora, estimulando o colo a apagar (afinar) e a dilatar de forma natural e sem o uso de remédios.

    4. A grávida pode se alimentar durante o processo de indução do parto?

    Sim, em induções de baixo risco é permitido e recomendado consumir alimentos leves (como frutas, gelatinas, biscoitos e sucos) e se hidratar bem, pois a indução é um processo longo e o útero precisa de energia para contrair.

    Caso colo esteja muito desfavorável ou haja alto risco de cesárea, a equipe médica pode restringir a alimentação para garantir a segurança da anestesia.

    5. É possível fazer indução do parto em uma gravidez de gêmeos?

    Sim, é possível, desde que o primeiro bebê esteja virado de cabeça para baixo (apresentação cefálica) e não haja outras complicações que exijam uma cesárea direta. Os critérios e métodos de avaliação do colo do útero são os mesmos, mas o monitoramento dos batimentos cardíacos dos dois bebês durante o processo precisa ser ainda mais rigoroso.

    6. O bebê sofre durante a indução do parto?

    Não necessariamente. Durante todo o processo de indução, a equipe médica monitora os batimentos cardíacos do bebê através de um exame chamado cardiotocografia.

    O bebê só sofre se houver uma hiperestimulação do útero (contrações sem intervalo para ele respirar) ou se ele já tiver alguma fragilidade prévia, situações em que a indução é interrompida imediatamente.

    7. Existem métodos naturais para induzir o parto em casa?

    Alguns métodos estimulam a produção natural de ocitocina ou prostaglandinas pelo próprio corpo, como a prática de atividades físicas leves, estímulo nos mamilos e ter relações sexuais na reta final.

    No entanto, métodos com ervas ou óleos (como o óleo de rícino) não devem ser usados sem orientação médica, pois podem causar diarreia grave e desidratação.

    8. Quanto tempo pode demorar uma indução do parto?

    O processo é conhecido por ser demorado. Se o colo do útero estiver muito fechado (desfavorável) e precisar da etapa de preparo com balão ou misoprostol, a indução pode levar de 24 a 48 horas até que a fase ativa do trabalho de parto realmente comece. Já em colos favoráveis, o tempo costuma ser menor.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • O que você não deve dizer para alguém com depressão

    O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Para uma pessoa que convive com depressão, lidar com os sintomas no dia a dia já é um processo difícil e doloroso, e ele pode pode se tornar ainda maior dependendo das palavras que ela escuta de quem está ao redor.

    Mesmo quando existem boas intenções, amigos e familiares podem acabar dizendo frases que, em vez de consolar, invalidam a dor e aumentam o isolamento da pessoa. “Algumas frases podem até parecer motivadoras e você faz na boa intenção, mas elas acabam piorando o sofrimento de quem tá deprimido”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    A depressão é uma doença psiquiátrica grave que altera completamente a química cerebral e a forma como o indivíduo percebe o mundo. Saber o que falar (e o que silenciar) é um ato de acolhimento e faz toda a diferença na busca pela recuperação.

    Para ajudar você a exercer a empatia de forma mais segura, listamos a seguir as principais frases que você NÃO deve dizer para alguém com depressão. Dá uma olhada!

    O que você não deve dizer para alguém com depressão?

    1. “Isso é falta do que fazer”

    A frase desconsidera a depressão como a doença real e complexa que ela é. Quando o sofrimento é atribuído à falta de ocupação, à falta de fé ou a uma suposta fraqueza pessoal, a pessoa pode se sentir ainda mais culpada, envergonhada e incompreendida.

    A depressão não aparece por preguiça, falta de caráter ou deficiência espiritual, mas por alterações biológicas, psicológicas e sociais que afetam o funcionamento do cérebro e o bem-estar emocional.

    O que dizer no lugar: “Eu sei que você está passando por um momento muito difícil. Como posso te apoiar hoje?”

    2. “Você não tem motivos para estar assim, sua vida é boa”

    A depressão é uma doença que pode surgir independentemente da classe social, condição financeira, nível de sucesso profissional ou aparência de uma pessoa. Quando você diz que não existem motivos para aquele sofrimento, acaba invalidando uma dor que é legítima e real.

    “A pessoa sabe que tem uma vida boa, sabe que tem as coisas na vida, sabe que tem uma família bacana. Mas, naquele momento, ela não consegue se sentir bem. Isso não é uma questão cognitiva só de pensamento, existe uma alteração na estrutura, na química, no pensamento em geral”, esclarece Luiz.

    Além disso, a frase pode despertar sentimentos de culpa, como se a pessoa fosse ingrata por estar sofrendo apesar das circunstâncias aparentemente favoráveis na vida. Na depressão, a capacidade de sentir prazer, satisfação e esperança pode ficar comprometida, independentemente do que acontece ao redor.

    O que dizer no lugar: “A depressão não precisa de uma justificativa para existir. O que você está sentindo é real, e eu respeito a sua dor.”

    3. “Você precisa reagir e ter força de vontade”

    A frase até pode parecer um incentivo, mas é importante entender que a falta de energia, a apatia, o cansaço intenso e a dificuldade para realizar tarefas simples são sintomas da própria depressão. Para quem convive com ela, levantar da cama, tomar banho ou responder uma mensagem pode exigir um esforço enorme.

    When a pessoa ouve que precisa apenas ter força de vontade, ela pode acreditar que está falhando ou que não está se esforçando o suficiente, o que reforça sentimentos de culpa e inadequação.

    O que dizer no lugar: “Não se cobre tanto. Vamos dar um passo de cada vez. Existe alguma coisa em que eu possa ajudar hoje?”

    4. “Tem gente em situação muito pior que a sua”

    Independentemente da situação, comparar sofrimentos não ajuda ninguém a melhorar. A dor emocional não funciona como uma competição, e o fato de outras pessoas enfrentarem dificuldades não torna o sofrimento de alguém menos legítimo.

    Pelo contrário, a comparação costuma causar ainda mais culpa, fazendo com que a pessoa se sinta egoísta ou errada por estar sofrendo. A depressão continua existindo independentemente das circunstâncias de outras pessoas.

    O que dizer no lugar: “Cada pessoa enfrenta desafios diferentes. O que você está sentindo importa, e eu quero entender como posso te apoiar.”

    5. “Isso é só uma fase, logo passa”

    A depressão não é apenas um momento de tristeza ou um período ruim, mas um transtorno mental que pode exigir acompanhamento psicológico, tratamento médico e tempo para a recuperação. Quando o sofrimento é tratado como algo passageiro ou sem importância, a pessoa pode sentir que ninguém compreende o que ela realmente está vivendo.

    O que dizer no lugar: “Eu imagino que esteja sendo muito difícil passar por tudo isso. Com o tratamento adequado e o apoio certo, as coisas podem melhorar, e eu estarei aqui para ajudar no que for possível.”

    6. “Pense positivo, tudo vai dar certo”

    O pensamento positivo é importante em diversas situações da vida, mas ele não é capaz de tratar a depressão. Quando alguém insiste para que a pessoa simplesmente enxergue o lado bom das coisas, pode transmitir a ideia de que os sentimentos dela são exagerados ou inadequados.

    Em vez de acolher a dor, esse tipo de comentário acaba silenciando emoções que precisam ser reconhecidas e validadas.

    O que dizer no lugar: “Você não precisa fingir que está bem. Eu estou aqui para te ouvir e para ficar ao seu lado, mesmo nos dias mais difíceis.”

    7. “Você está assim para chamar atenção”

    Muitas pessoas passam meses ou até anos escondendo os próprios sintomas por medo do julgamento, da rejeição ou de se tornarem um peso para quem amam.

    Quando o sofrimento é tratado como exagero, drama ou tentativa de manipulação, a tendência é que a pessoa se feche ainda mais e deixe de buscar ajuda. Em situações graves, isso pode aumentar o isolamento e dificultar o acesso ao tratamento.

    O que dizer no lugar: “Eu percebi que você parece diferente ultimamente e quero que saiba que me importo com você. Se quiser conversar, eu estou aqui para ouvir sem julgamentos.”

    Como ajudar uma pessoa com depressão?

    O apoio de amigos e familiares é um dos pilares mais importantes para a recuperação da depressão, desde que seja feito com paciência e sem julgamentos:

    • Ofereça uma escuta ativa e sem julgamentos apenas se fazendo presente;
    • Ajude na busca por apoio profissional pesquisando psicólogos ou psiquiatras;
    • Ofereça-se para acompanhar a pessoa até as consultas médicas ou terapêuticas;
    • Ajude em tarefas simples do dia a dia, como lavar a louça ou ir ao supermercado;
    • Faça convites específicos para atividades leves, como uma caminhada curta;
    • Incentive a manutenção do tratamento e a tomada correta dos medicamentos nos horários certos;
    • Demonstre paciência lembrando a pessoa de que a melhora é um processo gradual;
    • Cuide da sua própria saúde mental para conseguir oferecer um apoio saudável.

    Vale destacar que a depressão grave pode evoluir para ideação suicida. É fundamental levar a sério qualquer mudança brusca de comportamento ou falas de despedida.

    Se houver risco imediato ou suspeita de que a pessoa possa machucar a si mesma, não a deixe sozinha e procure ajuda médica de emergência (como o CAPS, o SAMU 192 ou o CVV – Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188).

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se a pessoa está com depressão ou apenas triste?

    A tristeza comum é passageira e motivada por um evento específico, como um término ou perda. A depressão dura mais de duas semanas, interfere na rotina e causa uma perda generalizada de interesse e prazer pelas atividades cotidianas.

    2. O que fazer quando a pessoa com depressão se recusa a ir ao médico?

    Não force nem brigue. Explique com empatia que você está preocupado e se ofereça para ir junto apenas para uma conversa inicial, sem compromisso, com um profissional de saúde.

    3. Devo tocar no assunto da depressão ou é melhor fingir que nada está acontecendo?

    Você deve tocar no assunto com naturalidade e acolhimento. Ignorar o problema pode fazer com que a pessoa se sinta invisível, sozinha e sem espaço para desabafar.

    4. Como agir quando a pessoa com depressão chora muito perto de mim?

    Apenas permaneça ao lado dela e ofereça conforto físico ou silencioso. Não tente estancar o choro com frases motivacionais, pois chorar é uma forma importante de aliviar a pressão emocional.

    5. A depressão pode sumir sozinha com o tempo?

    Não, a depressão é um transtorno psiquiátrico que necessita de intervenção médica e terapêutica. Sem o tratamento adequado, o quadro clínico tende a se prolongar, oscilar ou se agravar significativamente.

    6. Atividades físicas realmente ajudam no tratamento da depressão?

    Sim, os exercícios estimulam a liberação natural de endorfina e serotonina, hormônios que melhoram o humor. No entanto, a atividade física deve ser um complemento ao tratamento médico, e nunca a única cura.

    7. O que fazer se a pessoa disser que o remédio não está funcionando?

    Explique que os antidepressivos demoram em média de 15 a 30 dias para começar a fazer efeito no organismo. Se esse prazo já passou e não houve melhora, oriente a pessoa a relatar o caso ao psiquiatra para que ele faça o ajuste correto da medicação.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Exame mostrou plaquetas baixas? Saiba o que isso pode significar 

    Receber o resultado de um exame de sangue mostrando plaquetas baixas pode gerar certa preocupação. Afinal, essas células são fundamentais para a coagulação e ajudam o organismo a controlar sangramentos quando ocorre algum ferimento.

    Apesar do susto inicial, nem toda redução das plaquetas significa uma doença grave. Em muitos casos, a alteração é temporária e está relacionada a infecções virais ou ao uso de determinados medicamentos.

    Por outro lado, algumas situações exigem investigação mais aprofundada para identificar problemas da medula óssea, doenças autoimunes ou outras condições que podem afetar a produção e a destruição dessas células.

    O que são as plaquetas

    As plaquetas são pequenas células presentes no sangue que desempenham papel essencial na coagulação. Quando ocorre um corte ou lesão em um vaso sanguíneo, elas ajudam a formar um tampão que reduz a perda de sangue e inicia o processo de cicatrização.

    Sem uma quantidade adequada de plaquetas, o organismo pode ter mais dificuldade para controlar sangramentos.

    O que significa ter plaquetas baixas

    A redução do número de plaquetas recebe o nome de trombocitopenia. Dependendo da intensidade da queda, podem surgir sintomas como:

    • Manchas roxas pelo corpo;
    • Sangramentos mais fáceis;
    • Hematomas após pequenos traumas;
    • Pequenos pontos vermelhos na pele.

    Em muitos casos, especialmente quando a redução é leve, a pessoa não apresenta nenhum sintoma e a alteração é descoberta apenas em exames de rotina.

    Quais são os valores considerados normais?

    De forma geral, considera-se normal uma contagem entre aproximadamente 150 mil e 450 mil plaquetas por microlitro de sangue.

    Quando os valores ficam abaixo desse intervalo, o médico avalia:

    • O grau da redução;
    • A velocidade da queda;
    • A presença de sintomas;
    • O histórico clínico do paciente.

    Nem toda trombocitopenia tem o mesmo significado clínico.

    Principais causas de plaquetas baixas

    Existem diversas situações que podem levar à redução das plaquetas.

    1. Infecções virais

    As infecções virais estão entre as causas mais comuns.

    Entre elas estão:

    • Dengue;
    • Covid-19;
    • Mononucleose;
    • Outras viroses.

    Nesses casos, a queda costuma ser temporária e tende a melhorar conforme a infecção é controlada.

    2. Uso de medicamentos

    Alguns remédios podem interferir na produção ou aumentar a destruição das plaquetas. Exemplos são:

    • Alguns antibióticos;
    • Heparina;
    • Certos anticonvulsivantes.

    Por isso, sempre é importante informar ao médico todos os medicamentos em uso.

    3. Doenças autoimunes

    Em algumas situações, o próprio sistema imunológico passa a destruir as plaquetas.

    Um exemplo clássico é a púrpura trombocitopênica imune (PTI).

    4. Problemas da medula óssea

    A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue. Doenças que afetam seu funcionamento podem reduzir a produção de plaquetas, incluindo algumas doenças hematológicas.

    5. Doenças do fígado e aumento do baço

    Algumas doenças hepáticas e alterações do baço podem provocar retenção ou destruição aumentada das plaquetas, levando à redução dos níveis circulantes.

    Plaquetas baixas sempre causam sintomas?

    Não. Os sintomas costumam surgir principalmente quando os níveis ficam muito baixos, geralmente abaixo de 20.000 a 50.000 plaquetas por microlitro, embora isso possa variar de uma pessoa para outra.

    Quando aparecem, os sinais mais comuns são:

    • Manchas roxas sem trauma evidente;
    • Sangramentos nasais;
    • Sangramento das gengivas;
    • Petéquias (pequenos pontos vermelhos na pele);
    • Menstruação excessiva.

    Quando as plaquetas baixas preocupam mais?

    O risco depende tanto do valor encontrado quanto da causa da trombocitopenia.

    Valores muito baixos aumentam a chance de:

    • Sangramentos espontâneos;
    • Hemorragias importantes;
    • Complicações hemorrágicas.

    Além disso, a presença de sintomas costuma ser tão importante quanto o número absoluto de plaquetas.

    Plaquetas baixas podem acontecer na dengue?

    Sim. A dengue é uma das causas mais conhecidas de trombocitopenia.

    Durante a fase crítica da doença, pode ocorrer uma redução significativa das plaquetas, motivo pelo qual o acompanhamento médico e os exames de sangue são tão importantes em alguns pacientes.

    No entanto, é importante lembrar que o risco de sangramento na dengue não depende apenas da contagem de plaquetas, mas também de outros fatores clínicos.

    Como os médicos investigam a causa?

    A investigação depende do contexto clínico e dos sintomas apresentados. Os exames podem envolver:

    • Repetição do hemograma;
    • Avaliação das demais células do sangue;
    • Testes para infecções;
    • Exames para doenças autoimunes;
    • Avaliação da medula óssea em situações específicas.

    O objetivo é identificar se o problema está na produção, destruição ou distribuição das plaquetas.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento varia conforme a causa da trombocitopenia.

    1. Apenas acompanhamento

    Em alguns casos leves e transitórios, pode ser necessário apenas monitorar os exames.

    2. Suspensão de medicamentos

    Quando a causa é um remédio, a interrupção ou substituição pode resolver o problema.

    3. Tratamento da doença de base

    Infecções, doenças autoimunes e outras condições devem ser tratadas adequadamente.

    4. Tratamentos específicos

    Algumas situações podem exigir medicamentos que reduzam a destruição das plaquetas ou estimulem sua produção.

    5. Transfusão de plaquetas

    Em casos graves, especialmente quando há sangramento importante, pode ser necessária a transfusão de plaquetas.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento médico imediato se houver:

    • Sangramentos importantes;
    • Sangue na urina;
    • Sangue nas fezes;
    • Dor de cabeça intensa associada a sangramentos;
    • Surgimento súbito de muitas manchas roxas;
    • Sangramento difícil de controlar.

    Esses sinais podem indicar uma situação que exige avaliação rápida.

    Confira: Por que não pode tomar AAS com dengue?

    Perguntas frequentes sobre plaquetas baixas

    1. Plaquetas baixas sempre indicam uma doença grave?

    Não. Muitas vezes a alteração é temporária e relacionada a infecções ou medicamentos.

    2. Dengue pode baixar as plaquetas?

    Sim. A dengue é uma das causas mais comuns de trombocitopenia temporária.

    3. Plaquetas baixas causam sangramentos?

    Podem causar, principalmente quando os valores estão muito reduzidos.

    4. Medicamentos podem reduzir as plaquetas?

    Sim. Alguns antibióticos, anticonvulsivantes e outros remédios podem estar envolvidos.

    5. Quando devo repetir o exame?

    Isso depende do valor encontrado, da causa suspeita e da orientação médica.

    6. Existe tratamento para plaquetas baixas?

    Sim. O tratamento depende da causa da trombocitopenia.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Sempre que houver plaquetas baixas associadas a sintomas, sangramentos ou alterações persistentes nos exames.

    Veja mais: Dengue: os sinais que indicam que a doença pode estar piorando

  • O que fazer quando a ansiedade aparece durante a noite?

    O que fazer quando a ansiedade aparece durante a noite?

    Pensamentos repetitivos, preocupação com o futuro, sensação de aperto no peito, coração acelerado e dificuldade para dormir podem ser comuns na rotina de pessoas que convivem com ansiedade, especialmente em períodos de estresse, sobrecarga emocional ou mudanças importantes na vida.

    Mas afinal, por que isso acontece? Quando o dia termina e as distrações diminuem, o cérebro tende a focar nas preocupações, nos compromissos, nos medos e até em situações que ainda nem aconteceram, ativando o sistema de alerta do corpo justamente na hora em que o corpo deveria descansar.

    Como consequência, o estado de vigilância aumenta, deixando a mente mais acelerada, o corpo mais tenso e dificultando o relaxamento necessário para pegar no sono ou manter uma boa qualidade de descanso.

    Em algumas pessoas, a ansiedade noturna também pode causar despertares frequentes, sensação de sono leve e a impressão de acordar já cansado, mesmo após várias horas na cama.

    Por que a ansiedade piora à noite?

    A ansiedade costuma piorar ou parecer mais intensa à noite devido a uma combinação de fatores psicológicos, ambientais e biológicos:

    1. Ausência de distrações

    Durante o dia, a mente costuma ficar ocupada com o trabalho, os estudos, as tarefas domésticas e as interações sociais. Já à noite, quando o ritmo desacelera e o ambiente fica mais silencioso, o cérebro perde parte das distrações.

    Com isso, os pensamentos acelerados, preocupações e emoções acumuladas ao longo do dia acabam ganhando mais espaço, deixando a ansiedade mais perceptível.

    “Quando o dia termina, o ambiente fica mais silencioso e os pensamentos tendem a aparecer com mais força. Você tirou os problemas do dia, a rotina e você começa a estar em contato com você mesmo”, complementa o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    2. Oscilações hormonais e aumento do estado de alerta

    O ciclo circadiano, conhecido como o relógio interno do corpo, ajuda a regular a produção dos hormônios ao longo do dia. Durante a noite, os níveis de cortisol, relacionado ao estresse, tendem a diminuir para que a melatonina, hormônio do sono, aumente naturalmente.

    Só que, em momentos de ansiedade ou estresse intenso, o organismo pode liberar adrenalina e cortisol em horários inadequados, provocando sintomas como coração acelerado, inquietação, tensão muscular e dificuldade para relaxar.

    3. Associação negativa com a hora de dormir

    Em pessoas que convivem com insônia ou crises de ansiedade noturnas, o momento de deitar pode se tornar um gatilho emocional. Aos poucos, o cérebro passa a associar a cama com preocupação, frustração e medo de não conseguir descansar direito.

    Por isso, em vez de relaxar naturalmente, o corpo continua em estado de alerta, deixando a mente acelerada e dificultando o sono. Com o passar do tempo, isso pode criar um ciclo cansativo: a ansiedade atrapalha o sono, e dormir mal acaba aumentando ainda mais a ansiedade.

    4. Cansaço mental e exaustão emocional

    Depois de um dia longo e cansativo, o cérebro também fica mais sobrecarregado. Com a exaustão física e mental, a capacidade de controlar as emoções e lidar com os problemas de forma mais racional diminui.

    Assim, preocupações pequenas podem parecer muito maiores durante a noite, aumentando a sensação de angústia, insecurity e a dificuldade para desligar a mente e relaxar.

    O que fazer no momento da crise?

    Quando a crise de ansiedade aparece na hora de dormir, o primeiro passo é desviar o foco dos pensamentos acelerados e tentar transmitir uma sensação de segurança para o corpo, ajudando a reduzir sintomas físicos como palpitações, tensão e falta de ar. Algumas estratégias que podem ajudar incluem:

    1. Não tente forçar o sono

    Se você percebeu que está há mais de 20 minutos na cama e a ansiedade só aumentou, pode ser melhor levantar por alguns minutos. Ficar se obrigando a dormir tende a fazer o cérebro associar a cama ao estresse e à frustração.

    Vá para outro ambiente com pouca luz e faça uma atividade tranquila, como ler um livro físico ou ouvir uma música relaxante. Depois, volte para a cama apenas quando sentir sono novamente.

    2. Controle a respiração com a técnica 4-7-8

    Durante uma crise de ansiedade, a respiração costuma ficar mais curta e acelerada, fazendo o cérebro entender que existe um perigo. Para ajudar o corpo a relaxar, tente a técnica 4-7-8:

    • Inspire lentamente pelo nariz por 4 segundos;
    • Segure o ar por 7 segundos;
    • Solte o ar devagar pela boca por 8 segundos.

    Repita o ciclo de 4 a 5 vezes, respeitando o seu ritmo.

    3. Relaxe os músculos do corpo

    A ansiedade pode deixar o corpo tenso sem que você perceba, e uma forma de aliviar é contrair e relaxar os músculos aos poucos. Comece pelos pés e vá subindo até o rosto: contraia um grupo muscular por cerca de 5 segundos e depois relaxe devagar, percebendo a sensação de alívio no corpo.

    4. Beba água devagar

    Beber um copo de água lentamente pode ajudar a desacelerar a respiração e os batimentos cardíacos. Além disso, a sensação de água fria também pode ajudar o corpo a sair do estado intenso de alerta causado pela ansiedade.

    Como prevenir a ansiedade noturna durante o dia?

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, no momento de dormir, você pode adotar algumas estratégias para ajudar o corpo e a mente a desacelerar, criando uma rotina relaxante ao final do dia.

    Primeiro, tente evitar telas e conteúdos estressantes antes de dormir, como notícias ruins, discussões nas redes sociais, filmes muito agitados ou séries de terror. O cérebro precisa entender que está chegando o momento de desacelerar, e muitos estímulos podem manter o corpo em estado de alerta. O que puder esperar até a manhã seguinte, deixe para depois.

    Também vale a pena criar uma rotina mais tranquila no fim do dia. Segundo Luiz, não é o melhor momento para atividades físicas muito intensas, jogos agitados ou tarefas que aumentem a adrenalina.

    Pequenos hábitos relaxantes ajudam o organismo a entrar no ritmo do descanso, como:

    • Respiração profunda e lenta: inspirar e expirar devagar ajuda a diminuir o ritmo cardíaco e envia um sinal de segurança para o cérebro, reduzindo a sensação de alerta e tensão no corpo;
    • Relaxamento muscular progressivo: a técnica consiste em contrair e relaxar os músculos aos poucos, começando pelos pés e subindo até o rosto. Isso ajuda o corpo a liberar a tensão acumulada ao longo do dia;
    • Meditação guiada ou mindfulness: as práticas ajudam a trazer a atenção para o momento presente, diminuindo os pensamentos acelerados e as preocupações constantes com o futuro;
    • Sons relaxantes ou música calma: músicas suaves, sons da natureza ou ruídos relaxantes podem ajudar a criar um ambiente mais acolhedor e confortável para pegar no sono;
    • Leitura leve antes de dormir: escolher um livro com uma leitura tranquila pode ajudar a desacelerar a mente, principalmente quando o hábito substitui o uso do celular na cama.

    Quando procurar ajuda médica?

    É normal sentir ansiedade à noite de vez em quando, especialmente antes de um evento importante ou após um dia muito estressante. No entanto, vale ficar atento alguns sinais de alerta que podem indicar que você precisa de ajuda de um psiquiatra ou psicólogo:

    • Crises frequentes durante a semana ou ansiedade noturna constante;
    • Cansaço extremo, irritabilidade ou dificuldade de concentração no dia seguinte;
    • Medo ou angústia ao pensar na hora de dormir;
    • Falta de melhora mesmo com técnicas de relaxamento e higiene do sono;
    • Sintomas físicos intensos, como palpitações, falta de ar, tremores ou suor frio.

    Se a falta de ar ou a dor no peito forem acompanhadas de formigamento no braço esquerdo ou náuseas, é fundamental buscar um pronto-socorro imediatamente para descartar qualquer problema cardíaco.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os sintomas físicos da ansiedade noturna?

    Os sintomas mais comuns incluem palpitações (coração acelerado), falta de ar ou respiração superficial, sensação de aperto no peito, tremores, suor frio, boca seca e uma forte agitação nas pernas.

    2. Como diferenciar ansiedade noturna de um infarto?

    A ansiedade causa dor no peito em pontadas ou aperto generalizado, que costuma melhorar com a respiração. No infarto, a dor é uma pressão esmagadora que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, vindo acompanhada de tontura e náuseas. Na dúvida, busque socorro médico.

    3. O que é o pânico noturno?

    O pânico noturno é uma crise de ansiedade aguda que acontece enquanto a pessoa está dormindo, geralmente nas primeiras horas do sono. A pessoa acorda abruptamente em estado de terror, com batimentos muito acelerados, sem que haja um gatilho consciente.

    4. Acordar assustado com o coração acelerado é ansiedade?

    Pode ser, o sintoma é comum em crises de pânico noturnas. No entanto, também pode estar associado à apneia do sono (quando a pessoa para de respirar por alguns segundos e o cérebro desperta o corpo com um pico de adrenalina).

    5. O que tomar para acalmar a ansiedade à noite?

    Chás mornos com propriedades calmantes são ótimas opções naturais, como o chá de camomila, passiflora (maracujá), cidreira ou valeriana. Evite medicamentos por conta própria, use apenas os receitados por um médico.

    6. Tomar banho ajuda a aliviar a ansiedade antes de dormir?

    Sim, um banho morno ajuda muito. A água morna promove o relaxamento muscular e, ao sair do banho, a leve queda na temperatura corporal sinaliza para o cérebro que está na hora de desacelerar e produzir melatonina.

    7. Qual é a melhor posição para dormir quando se está ansioso?

    Dormir de lado, de preferência para o lado esquerdo, melhora a circulação e a digestão, aumentando o conforto físico. Colocar um travesseiro entre os joelhos também ajuda a relaxar a lombar e aliviar a tensão corporal.

    8. Como o magnésio ajuda na ansiedade noturna?

    O magnésio atua na regulação de neurotransmissores que acalmam o sistema nervoso (como o GABA) e ajuda no relaxamento muscular. Alimentos ricos em magnésio (como castanhas e sementes) ou suplementos (sob orientação médica) auxiliam na qualidade do sono.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo