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  • Remédio para pressão e coração acelerado: como funciona o atenolol

    Remédio para pressão e coração acelerado: como funciona o atenolol

    O atenolol é um medicamento muito conhecido no tratamento de problemas cardiovasculares, especialmente pressão alta e alterações relacionadas ao ritmo e à frequência do coração. Apesar de ser usado há décadas, ainda há desconhecimento sobre a sua forma de ação. O que muita gente sabe é que é um “remédio para o coração”, mas não entende exatamente como ele funciona ou por que foi prescrito.

    Isso é importante porque o atenolol não age apenas reduzindo a pressão arterial. Ele interfere também na resposta do organismo à adrenalina, o que diminui a frequência cardíaca e a força de contração do coração.

    Pode ser útil, portanto, em várias situações. Porém, também exige alguns cuidados, principalmente em pessoas com certas doenças respiratórias, frequência cardíaca baixa ou uso de outros medicamentos. Entenda mais.

    O que é o atenolol?

    O atenolol é um medicamento da classe dos betabloqueadores. Isso significa que ele bloqueia parcialmente a ação da adrenalina e de outras substâncias semelhantes no coração e nos vasos sanguíneos.

    Na prática, ele ajuda a:

    • Diminuir a frequência cardíaca;
    • Reduzir a pressão arterial;
    • Reduzir o esforço do coração;
    • Diminuir o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco.

    Esses efeitos explicam por que ele é tão usado em cardiologia e em situações relacionadas ao controle cardiovascular.

    Para que serve o atenolol?

    O atenolol pode ser indicado em diferentes condições cardiovasculares. As indicações mais frequentes são:

    • Pressão alta;
    • Angina, que é a dor no peito relacionada ao coração;
    • Controle da frequência cardíaca;
    • Algumas arritmias;
    • Situações após infarto.

    Além das indicações cardíacas, em alguns casos o medicamento também pode ser usado para ajudar no controle de tremores ou sintomas físicos de ansiedade, como palpitações e taquicardia, sempre conforme avaliação médica.

    Como o atenolol age no corpo?

    O coração responde à adrenalina aumentando a frequência e a força das batidas. O atenolol bloqueia parte dessa resposta.

    Com isso, ele ajuda a desacelerar o coração. Isso pode ser útil quando a pressão está alta, quando o coração está trabalhando demais ou quando há excesso de estímulo adrenérgico.

    Os principais efeitos do atenolol são:

    • Redução dos batimentos cardíacos para um valor adequado;
    • Diminuição da pressão arterial;
    • Menor esforço cardíaco;
    • Redução de palpitações em alguns casos.

    Atenolol é um remédio para pressão alta?

    Sim. O atenolol pode ser usado no tratamento da hipertensão arterial. No entanto, hoje existem várias classes de medicamentos para pressão alta, e a escolha depende das características de cada paciente.

    As diretrizes médicas atuais costumam individualizar o tratamento, considerando idade, outras doenças, frequência cardíaca e risco cardiovascular. Isso significa que o atenolol pode ser uma ótima opção em alguns casos, mas não necessariamente a primeira escolha para todos.

    Atenolol ajuda em palpitações e coração acelerado?

    Pode ajudar, sim. Como reduz a resposta do coração à adrenalina, ele frequentemente diminui palpitações e episódios de taquicardia em algumas pessoas.

    Isso é especialmente percebido em situações como:

    • Ansiedade com sintomas físicos intensos;
    • Taquicardia;
    • Algumas arritmias;
    • Sensação de coração acelerado.

    Mas é importante lembrar que palpitação não é um diagnóstico. Antes de usar qualquer medicamento para controlar esse sintoma, é importante entender a causa dele.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Como o atenolol diminui um pouco o ritmo do coração, alguns efeitos colaterais podem ser consequência disso.

    Veja os mais comuns:

    • Cansaço;
    • Tontura;
    • Sensação de fraqueza;
    • Mãos e pés frios;
    • Frequência cardíaca baixa;
    • Sonolência em algumas pessoas.

    Esses sintomas podem ser mais perceptíveis no início do tratamento ou quando a dose está elevada.

    O atenolol pode baixar demais a frequência cardíaca?

    Sim. Como ele reduz os batimentos do coração, algumas pessoas podem apresentar bradicardia, que é quando a frequência cardíaca fica muito baixa.

    Dependendo do caso, isso pode causar:

    • Tontura;
    • Fraqueza;
    • Sensação de desmaio;
    • Cansaço excessivo.

    Por isso, a dose deve ser individualizada e acompanhada pelo médico.

    Quem precisa ter mais cuidado com atenolol?

    Algumas pessoas exigem atenção especial durante o uso do medicamento, como:

    • Pessoas com asma ou broncoespasmo;
    • Pacientes com frequência cardíaca muito baixa;
    • Pessoas com pressão muito baixa;
    • Quem tem diabetes;
    • Pacientes com insuficiência cardíaca descompensada.

    Isso acontece porque os betabloqueadores podem mascarar alguns sintomas, como taquicardia associada à hipoglicemia, que é a baixa taxa de açúcar no sangue, além de interferirem em mecanismos cardiovasculares e respiratórios.

    Pode parar atenolol de uma vez?

    Em geral, não é recomendado interromper o atenolol abruptamente sem orientação médica. A retirada repentina pode causar efeito rebote em algumas pessoas, com aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

    Por isso, quando o medicamento precisa ser suspenso, normalmente o médico orienta uma redução gradual da dose.

    Atenolol causa sono ou cansaço?

    Pode causar, principalmente no início do tratamento. Algumas pessoas relatam sensação de fadiga, indisposição ou menor tolerância ao exercício.

    Isso acontece porque o medicamento reduz a resposta cardiovascular ao esforço. Em muitos casos, o organismo se adapta ao longo do tempo, mas, se os sintomas forem intensos, o médico deve ser avisado.

    Confira: Fibrilação atrial: a arritmia silenciosa que pode causar AVC

    Perguntas frequentes sobre atenolol

    1. Atenolol serve para pressão alta?

    Sim. Ele pode ser usado no tratamento da hipertensão arterial.

    2. Atenolol diminui os batimentos cardíacos?

    Sim. Esse é um dos principais efeitos do medicamento.

    3. Atenolol ajuda em palpitações?

    Pode ajudar em alguns casos, dependendo da causa.

    4. Pode parar de tomar atenolol sozinho?

    Não é recomendado interromper abruptamente sem orientação médica.

    5. Atenolol pode causar cansaço?

    Sim. Fadiga e indisposição podem ocorrer.

    6. Quem tem asma pode usar atenolol?

    Precisa de avaliação médica cuidadosa antes de usar o medicamento.

    7. Atenolol é ansiolítico?

    Não, mas o medicamento pode ajudar em sintomas físicos relacionados à adrenalina, como taquicardia e tremor.

    Leia também: Holter 24h: como o exame ajuda a flagrar arritmias ocultas

  • Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Gravidez e saúde venosa: por que os hormônios e o peso da barriga afetam a circulação?

    Náuseas, cansaço e aumento da frequência urinária não são os únicos incômodos que podem aparecer durante a gravidez. Com o crescimento do bebê, a mãe também pode apresentar alguns desconfortos nas pernas, como sensação de peso, inchaço no final do dia e o surgimento ou a piora de vasinhos e varizes.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, médico assistente da USP de Ribeirão Preto e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, as varizes são mais comuns nas mulheres por causa de fatores hormonais e das próprias mudanças que acontecem no corpo feminino.

    Na gravidez, as alterações ficam ainda mais intensas, o que pode favorecer o aparecimento ou a piora das varizes. Além da ação dos hormônios, o aumento do útero pode dificultar o retorno do sangue das pernas para o coração, ampliando a pressão sobre as veias dos membros inferiores.

    Por que a gravidez afeta a circulação sanguínea das pernas?

    A circulação venosa é responsável por levar o sangue das pernas de volta ao coração. O caminho já demanda um esforço maior do organismo, pois o sangue precisa subir contra a força da gravidade.

    Segundo Marcelo, a musculatura da panturrilha funciona como uma espécie de bomba, ajudando a empurrar o sangue para cima, ao mesmo tempo em que pequenas válvulas dentro das veias contribuem para impedir que o sangue volte em direção aos pés.

    Na gravidez, algumas mudanças no corpo podem dificultar o funcionamento da circulação. A ação dos hormônios e o crescimento do útero favorecem um retorno mais lento do sangue, aumentando a pressão nas veias das pernas. Como resultado, podem aparecer inchaços, sensação de peso, vasinhos e varizes.

    A influência dos hormônios femininos nas veias

    Segundo Marcelo Dalio, as mudanças hormonais podem deixar as paredes das veias mais relaxadas e favorecer a dilatação dos vasos.

    Na gravidez, os níveis hormonais mudam bastante para preparar o organismo para o desenvolvimento do bebê. Ao mesmo tempo, as veias podem ficar mais dilatadas e as válvulas responsáveis por ajudar no retorno do sangue podem ter mais dificuldade para funcionar corretamente.

    Por isso, algumas mulheres percebem o aparecimento de novos vasinhos e varizes durante a gestação, enquanto aquelas que já apresentavam o problema podem notar uma piora.

    O crescimento da barriga também interfere na circulação

    Além dos hormônios, o útero aumenta bastante de tamanho conforme o bebê cresce. Marcelo explica que o crescimento pode comprimir grandes veias localizadas no abdômen e dificultar a passagem do sangue que vem das pernas em direção ao coração.

    Com o retorno do sangue mais difícil, a pressão dentro das veias das pernas aumenta e parte do sangue pode ficar acumulada na região. O inchaço, o peso nas pernas e as varizes podem ficar mais evidentes principalmente conforme a gestação avança.

    Principais sintomas de problemas venosos na gravidez

    Nas gestantes, o quadro da doença venosa costuma se manifestar por meio dos seguintes sinais:

    • Surgimento ou piora das varizes: podem aparecer novos vasinhos avermelhados ou arroxeados na pele, enquanto as varizes que já existiam podem ficar maiores, mais tortuosas, dilatadas e aparentes durante a gravidez;
    • Inchaço nas pernas: o acúmulo de líquido pode deixar os pés, os tornozelos e as pernas mais inchados, principalmente no final do dia ou depois de passar muito tempo em pé ou sentada;
    • Sensação de peso e cansaço: as pernas podem ficar pesadas e cansadas ao longo do dia, com um desconforto que costuma aumentar após várias horas na mesma posição e melhorar com o descanso e a movimentação;
    • Dor nas pernas: algumas gestantes podem sentir dor, ardência, queimação ou outro tipo de desconforto nas pernas, principalmente quando também apresentam inchaço e varizes;
    • Cãibras e pernas inquietas: também podem surgir cãibras e uma sensação incômoda nas pernas, acompanhada de vontade de movimentá-las constantemente para tentar aliviar o desconforto.

    O cirurgião vascular enfatiza que os sintomas costumam se intensificar nos dias mais quentes e no final da tarde ou da noite, apresentando melhora significativa quando a mulher coloca as pernas para cima.

    Múltiplas gestações aumentam o risco de varizes?

    A frequência e a gravidade das varizes podem aumentar de acordo com o número de gestações que a mulher teve ao longo da vida.

    A cada gravidez, o organismo passa novamente por mudanças hormonais e pelo aumento da pressão sobre as veias causado pelo crescimento do útero. Segundo Marcelo, uma mulher na primeira gestação pode apresentar poucos vasinhos ou varizes, enquanto quem passou por três ou quatro gestações pode ter uma quantidade maior de veias dilatadas.

    Como aliviar as varizes e o inchaço na gravidez?

    No cotidiano da gestante, algumas medidas simples ajudam a melhorar a circulação e diminuir a retenção de líquidos:

    1. Use meias de compressão durante o dia

    As meias de compressão ajudam o sangue a voltar das pernas para o coração e podem aliviar o inchaço, a sensação de peso e o cansaço. Segundo Marcelo, a compressão costuma ser maior na região do tornozelo e vai diminuindo ao longo da perna.

    O ideal é colocar a meia pela manhã, antes que as pernas comecem a inchar, e retirá-la antes de dormir. O tipo de compressão deve ser indicado pelo médico.

    2. Mantenha o corpo em movimento

    A prática de atividades físicas ajuda a movimentar a musculatura das pernas, principalmente a panturrilha, que tem um papel importante no retorno do sangue ao coração. Caminhadas e outros exercícios liberados durante a gestação podem ajudar a melhorar a circulação e diminuir os desconfortos nas pernas.

    3. Evite ficar muito tempo na mesma posição

    Passar várias horas em pé ou sentada pode dificultar o retorno do sangue e aumentar o inchaço. Ao longo do dia, tente mudar de posição, movimentar os pés e fazer pequenas pausas para caminhar, principalmente durante o trabalho.

    4. Eleve as pernas nos momentos de descanso

    Colocar as pernas para cima durante alguns momentos do dia pode ajudar a diminuir o acúmulo de líquido nos pés e nos tornozelos. A medida também pode aliviar a sensação de peso e o cansaço, principalmente no final do dia.

    5. Evite usar salto alto por muitas horas

    O salto alto limita o movimento dos pés e pode diminuir a participação da panturrilha durante a caminhada. Durante a gestação, vale evitar o uso por períodos prolongados e dar preferência a calçados confortáveis, firmes e que permitam movimentar os pés com facilidade.

    As varizes da gravidez desaparecem depois do parto?

    Na maioria das varizes, as varizes que surgem na gravidez desaparecem ou diminuem significativamente após o parto. Conforme o útero volta ao tamanho normal e os níveis hormonais se estabilizam, a pressão sobre as veias é aliviada. Normalmente, a regressão natural ocorre dentro de três a seis meses.

    Mas quando a mulher já tinha varizes ou predisposição genética, algumas veias dilatadas podem permanecer. Como as varizes são uma doença crônica, o cirurgião vascular pode avaliar o quadro após a gestação e indicar o tratamento mais adequado, se necessário.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O que é a veia cava e como ela afeta as pernas na gravidez?

    A veia cava é a principal veia que traz o sangue das pernas de volta ao coração. Quando o útero cresce, ele a comprime no abdômen, dificultando o retorno do sangue e fazendo as pernas incharem.

    2. Se minha mãe teve varizes na gravidez, eu também terei?

    As chances são altas. A genética é a principal causa das varizes, e a tendência pode ser herdada tanto do lado materno quanto do lado paterno.

    3. Qual o melhor horário para a gestante colocar a meia elástica?

    A meia deve ser vestida logo cedo, ao acordar, ainda na cama. Se for colocada mais tarde, quando a perna já estiver inchada, será muito difícil de vestir e perderá eficiência.

    4. Usar cremes para varizes resolve o inchaço da gravidez?

    Os cremes e géis ajudam a aliviar a sensação de peso e o cansaço no final do dia, mas não tratam a veia doente, não somem com as varizes nem impedem a evolução do problema.

    5. É seguro fazer tratamentos de varizes (como cirurgia ou laser) durante a gravidez?

    Durante a gestação, o foco é o tratamento clínico preventivo (meias e elevação de pernas). Procedimentos invasivos, cirurgias ou aplicações só devem ser avaliados e realizados após o parto.

    6. Qualquer gestante pode comprar e usar meia de compressão sem receita?

    As meias de suave compressão (15 a 20 mmHg) podem ser adquiridas sem receita. Já meias com compressão mais forte necessitam de avaliação médica para evitar riscos à circulação.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Pirâmide alimentar: o que é, para que serve e como funciona 

    Pirâmide alimentar: o que é, para que serve e como funciona 

    A pirâmide alimentar é um guia visual que ajuda a entender, de forma simples, quais alimentos devem aparecer com mais frequência na rotina e quais devem ser consumidos com mais moderação. Só que, ao longo dos anos, o modelo passou por mudanças para acompanhar os novos conhecimentos sobre alimentação e saúde.

    “A pirâmide alimentar é uma representação gráfica que tenta facilitar o entendimento do que a gente deve priorizar na alimentação e o que deve consumir menos”, explica Priscila Ligeiro Esper, médica nefrologista e nutróloga.

    Mas isso não significa que seja preciso montar todas as refeições seguindo a pirâmide à risca ou ficar contando cada porção consumida ao longo do dia. Na verdade, as recomendações também dão bastante importância à qualidade dos alimentos, ao grau de processamento e aos hábitos alimentares como um todo.

    O que é a pirâmide alimentar?

    A pirâmide alimentar é uma representação gráfica criada para orientar a população sobre como manter uma alimentação equilibrada, saudável e variada no dia a dia. Ela funciona como um guia que organiza os alimentos em diferentes níveis, de acordo com a quantidade e a frequência recomendadas para o consumo.

    Na estrutura tradicional, cada grupo ocupa uma posição de acordo com a quantidade recomendada para o consumo diário. Os alimentos da base devem aparecer em maior quantidade na alimentação, enquanto aqueles que ficam no topo devem ser consumidos com mais moderação.

    O primeiro modelo formal foi criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 1992. No Brasil, a Pirâmide Alimentar Brasileira foi adaptada em 1999 pela pesquisadora e nutricionista Sonia Philippi, ajustando a versão norte-americana aos hábitos e à cultura nacional, destacando um grupo exclusivo para as leguminosas, como o feijão.

    Para que serve a pirâmide alimentar?

    A principal função da pirâmide alimentar é ajudar no planejamento de uma alimentação equilibrada, a partir de:

    • Orientar sobre as proporções e porções: ajuda a visualizar quanto de cada grupo alimentar pode fazer parte da alimentação ao longo do dia;
    • Promover o equilíbrio nutricional: contribui para que o organismo receba diferentes nutrientes importantes, como carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais;
    • Facilitar a reeducação alimentar: por ser um modelo simples e visual, ajuda a entender os diferentes grupos de alimentos e a fazer escolhas e substituições no dia a dia;
    • Ajudar na prevenção de doenças crônicas: uma alimentação equilibrada contribui para a manutenção da saúde e pode ajudar a reduzir o risco de problemas como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

    Apesar das recomendações, a pirâmide alimentar não deve ser vista como uma regra rígida. Segundo Priscila, mais importante do que se preocupar apenas com a quantidade de nutrientes é observar a qualidade dos alimentos e respeitar os sinais de fome e saciedade do próprio corpo.

    Como funciona a Pirâmide Alimentar Brasileira?

    A Pirâmide Alimentar Brasileira foi criada a partir do modelo dos Estados Unidos, mas adaptada aos alimentos e aos hábitos dos brasileiros. Uma das principais mudanças foi criar um grupo específico para as leguminosas, como o feijão, que faz parte da alimentação de grande parte da população.

    A versão brasileira é dividida em 4 níveis, que reúnem 8 grupos alimentares. Além da alimentação, o modelo também apresenta algumas recomendações relacionadas aos hábitos de vida, como:

    • Praticar pelo menos 30 minutos de atividade física por dia;
    • Fazer 6 refeições ao longo do dia: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia;
    • Beber de 6 a 8 copos de água por dia para manter uma boa hidratação.

    Quais são os 8 grupos alimentares e as porções diárias?

    1. Cereais, tubérculos e raízes (base / 1º nível)

    Os cereais, tubérculos e raízes são importantes fontes de carboidratos e fornecem energia para o organismo. O grupo inclui alimentos como pães, massas, arroz, aipim, batata e batata-doce. Sempre que possível, a orientação é dar preferência às versões integrais, que apresentam maior quantidade de fibras.

    Recomendação: 5 a 9 porções por dia.

    2. Hortaliças (2º nível)

    O grupo é formado por verduras e legumes, como alface, tomate, abóbora, couve e abobrinha. Esses alimentos fornecem fibras, vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.

    Recomendação: 4 a 5 porções por dia, de preferência frescas.

    3. Frutas (2º nível)

    As frutas são fontes de vitaminas, minerais, fibras e compostos antioxidantes. Alguns exemplos incluem banana, laranja, mamão e tangerina. O ideal é consumir as frutas ao natural e, quando possível, com a casca, evitando a adição de açúcar.

    Recomendação: 3 a 5 porções por dia.

    4. Leite e derivados (3º nível)

    O grupo inclui leite, iogurte e queijos, que fornecem proteínas e são importantes fontes de cálcio. A recomendação tradicional da pirâmide é priorizar opções com menor teor de gordura, como leite desnatado e queijos brancos.

    Recomendação: 3 porções por dia.

    5. Carnes e ovos (3º nível)

    São importantes fontes de proteínas, ferro e vitamina B12. O grupo inclui carnes bovinas e suínas, aves, peixes, ovos e miúdos. A orientação é variar as fontes de proteína e dar preferência às carnes mais magras e aos peixes.

    Recomendação: 1 a 2 porções por dia.

    6. Leguminosas (3º nível)

    As leguminosas são fontes de proteínas vegetais, fibras, vitaminas e minerais. Fazem parte do grupo os diferentes tipos de feijão, além da lentilha, do grão-de-bico, da ervilha e da soja.

    Recomendação: 1 porção por dia.

    7. Óleos e gorduras (Topo / 4º Nível)

    O grupo inclui alimentos como azeite de oliva, óleos vegetais, manteiga e margarina. Como as gorduras fornecem uma grande quantidade de energia, a recomendação é consumi-las com moderação.

    Recomendação: 1 a 2 porções por dia.

    8. Açúcares e doces (Topo / 4º Nível)

    O grupo inclui açúcar, chocolates, sorvetes, doces e outros alimentos ricos em açúcar. Como geralmente fornecem muitas calorias e poucos nutrientes importantes, devem ser consumidos com moderação.

    Recomendação: no máximo 2 porções por dia.

    Pirâmide Alimentar Infantil: como adaptar para cada idade?

    A Pirâmide Alimentar Infantil adapta as quantidades de cada grupo alimentar às necessidades das crianças e dos adolescentes, considerando as diferentes fases de crescimento e desenvolvimento:

    Grupo alimentar 6 a 11 meses 1 a 3 anos Pré-escolar e escolar Adolescentes
    Cereais, tubérculos e raízes 3 porções 5 porções 5 porções 5 a 9 porções
    Verduras e legumes 3 porções 3 porções 3 porções 4 a 5 porções
    Frutas 3 porções 4 porções 3 porções 4 a 5 porções
    Leite e derivados Leite materno* 3 porções 3 porções 3 porções
    Carnes e ovos 2 porções 2 porções 2 porções 1 a 2 porções
    Feijões / leguminosas 1 porção 1 porção 1 porção 1 porção
    Óleos e gorduras 2 porções 2 porções 1 porção 1 a 2 porções
    Açúcares e doces 0 1 porção 1 porção 1 a 2 porções

    Vale destacar que, para bebês de 6 a 11 meses, quando não for possível oferecer leite materno, a fórmula infantil deve ser utilizada de acordo com a orientação do pediatra.

    Atualizações e novas propostas da pirâmide alimentar

    Com o avanço dos estudos nutricionais, surgiram novas propostas de atualização para os guias alimentares.

    Guia Alimentar para a População Brasileira

    O Guia Alimentar para a População Brasileira é um documento do Ministério da Saúde criado para ajudar as pessoas a fazer escolhas mais saudáveis na alimentação.

    Segundo a Priscila, ele é reconhecido internacionalmente por propor uma forma diferente de olhar para a alimentação, sem focar apenas na quantidade de nutrientes. A principal orientação é dar preferência aos alimentos naturais ou pouco processados, como arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, ovos e leite, e evitar o consumo frequente de ultraprocessados.

    Além da escolha dos alimentos, o guia também fala sobre como comemos, incentivando o preparo das próprias refeições, a alimentação com calma e, sempre que possível, as refeições feitas na companhia de outras pessoas.

    Proposta de reestruturação brasileira

    A nutricionista Sonia Philippi, responsável pela adaptação da pirâmide alimentar ao contexto brasileiro, propôs recentemente uma reformulação do modelo. Uma das principais mudanças é colocar o grupo das frutas, legumes e verduras na base da pirâmide, dando maior destaque aos alimentos na rotina.

    Além disso, a nova proposta busca valorizar a biodiversidade e os hábitos alimentares das diferentes regiões do Brasil, a partir de mudanças como:

    • Incentivo às PANCs: estimula a inclusão de Plantas Alimentícias Não Convencionais, como taioba, ora-pro-nóbis e beldroega, na alimentação;
    • Uso de temperos naturais: incentiva o uso de ervas frescas e especiarias como alternativa ao excesso de sal e aos temperos industrializados.

    A nova pirâmide alimentar americana

    Nos Estados Unidos, um novo modelo de pirâmide alimentar apresentou mudanças importantes em relação à estrutura tradicional. A representação é invertida e reorganiza a posição dos diferentes grupos de alimentos.

    A divisão é apresentada da seguinte maneira:

    • Nível 1 (maior destaque): proteínas de origem animal e vegetal, laticínios e algumas fontes de gorduras;
    • Nível 2: frutas e vegetais;
    • Nível 3 (menor destaque): cereais integrais e outros alimentos fontes de carboidratos.

    O modelo também recomenda limitar o consumo de açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados. Por outro lado, o maior destaque dado a carnes, laticínios integrais e outras fontes de gordura provocou discussões entre especialistas e entidades de saúde.

    Leia mais: Como organizar a geladeira corretamente e conservar os alimentos por mais tempo

    Perguntas frequentes

    1. Quantas porções do grupo dos cereais devo consumir por dia?

    A recomendação para adultos é de 5 a 9 porções diárias, dando preferência às opções integrais.

    2. Quantas porções de frutas e hortaliças são recomendadas diariamente?

    Recomenda-se consumir de 4 a 5 porções de hortaliças e de 3 a 5 porções de frutas por dia.

    3. Por que a nova pirâmide americana sofre críticas de entidades de saúde?

    Porque o incentivo ao aumento de carnes vermelhas e laticínios integrais pode elevar o consumo de gorduras saturadas, aumentando os riscos de doenças cardíacas.

    4. A pirâmide alimentar substitui uma consulta com nutricionista?

    Não, ela é um guia genérico para a população; o acompanhamento nutricional individualizado considera as necessidades e metas específicas de cada pessoa

    5. Quais são as melhores opções de carnes para o consumo diário?

    A recomendação é dar preferência a cortes bovinos magros, frango sem pele e peixes, evitando carnes gordurosas.

    6. Por que os laticínios desnatados são recomendados para adultos?

    Porque mantêm o aporte de proteínas e cálcio do leite, mas possuem menor teor de gordura saturada, ajudando na saúde do coração.

    7. O que são as PANCs mencionadas nas novas propostas de atualização?

    São as Plantas Alimentícias Não Convencionais (como ora-pro-nóbis e taioba), que possuem alto valor nutritivo e são incentivadas no consumo regional.

    Confira: Como a alimentação influencia o sistema imunológico (e fortalece as defesas do corpo)

  • Como cuidar da saúde mental pode ajudar na vida profissional (e quando procurar um médico)

    Como cuidar da saúde mental pode ajudar na vida profissional (e quando procurar um médico)

    O ambiente de trabalho vive em um ritmo acelerado, com prazos curtos, muitas responsabilidades e mudanças o tempo todo. No meio de tanta pressão, não é raro tentar seguir em frente mesmo estando emocionalmente esgotado, por medo de que um diagnóstico ou um tratamento psiquiátrico possa prejudicar a carreira.

    A preocupação faz com que muitas pessoas não procurem ajuda, mesmo quando os sintomas já prejudicam o desempenho no trabalho, a concentração e a qualidade de vida. Mas, na prática, iniciar o tratamento pode aliviar os sintomas, melhorar o bem-estar, favorecer a produtividade e evitar que o quadro piore.

    O tratamento psiquiátrico prejudica o rendimento no trabalho?

    Uma das maiores dúvidas de quem pensa em procurar ajuda é acreditar que o tratamento vai deixar o raciocínio mais lento ou reduzir o desempenho no trabalho. Na verdade, o que costuma prejudicar a produtividade é continuar convivendo com um problema de saúde mental sem acompanhamento.

    Quando você passa o dia inteiro tentando esconder o sofrimento emocional ou fazendo um esforço enorme para dar conta de tarefas simples, acaba gastando quase toda a energia apenas para conseguir manter a rotina. Com o passar do tempo, o cansaço aumenta, o foco diminui, os esquecimentos ficam mais frequentes e o trabalho começa a render cada vez menos.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, os transtornos psiquiátricos são doenças como qualquer outra e podem causar prejuízos reais para a saúde e para a vida profissional. A ansiedade intensa e a depressão sem acompanhamento costumam comprometer funções importantes do cérebro, como a memória, a concentração, a criatividade e a capacidade de tomar decisões.

    Os remédios psiquiátricos deixam a pessoa dopada?

    A resposta é não. Os medicamentos psiquiátricos usados para tratar a depressão, a ansiedade e outros transtornos mentais ajudam o cérebro a voltar a funcionar de forma mais equilibrada, reduzindo os sintomas da doença para que a pessoa consiga retomar a rotina com mais disposição, concentração e qualidade de vida.

    Durante os primeiros dias de uso, podem aparecer alguns efeitos colaterais, como um pouco de sonolência, boca seca ou desconforto no estômago, mas eles diminuem conforme o organismo se adapta ao medicamento.

    De acordo com Luiz, ajustar a dose ou trocar o remédio faz parte da rotina do acompanhamento médico até encontrar a opção mais adequada para cada pessoa. Durante as consultas, o psiquiatra conversa sobre os possíveis efeitos colaterais, avalia como o organismo está respondendo ao tratamento e faz os ajustes necessários para que o processo seja seguro e confortável.

    Quando o tratamento é bem acompanhado, a tendência é que a pessoa se sinta mais disposta, consiga pensar com mais clareza e recupere a capacidade de trabalhar, estudar e realizar as atividades do dia a dia, sem perder a própria personalidade ou a capacidade intelectual.

    Quais sinais de que a saúde mental está afetando sua carreira?

    No dia a dia de trabalho, os principais sinais de que a saúde mental está prejudicando a carreira incluem:

    • Perda de foco e esquecimentos frequentes: dificuldade para acompanhar reuniões, esquecer prazos simples ou precisar ler o mesmo texto várias vezes para conseguir entender o conteúdo;
    • Indecisão e dificuldade para agir: sentir dificuldade para tomar decisões simples ou ficar paralisado diante de tarefas do dia a dia;
    • Queda da criatividade e do planejamento: dificuldade para criar soluções, organizar projetos ou pensar em estratégias para o futuro;
    • Irritabilidade e conflitos no trabalho: perder a paciência com facilidade, responder de forma ríspida para colegas ou clientes e preferir se afastar das pessoas;
    • Procrastinação por cansaço mental: deixar atividades importantes para depois porque falta energia para começar, mesmo sabendo que elas precisam ser feitas.

    Em várias situações, o cérebro começa a dar pequenos sinais que acabam sendo confundidos com falta de atenção, preguiça ou desorganização. Quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina de trabalho, vale a pena procurar ajuda.

    Como o acompanhamento psiquiátrico ajuda a recuperar o desempenho?

    Quando um quadro como depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou TDAH é tratado de maneira adequada, o cérebro volta a funcionar de forma mais equilibrada, o que melhora a concentração, a memória, a organização, a capacidade de tomar decisões e o controle das emoções.

    O tratamento pode incluir o uso de remédios, quando existe indicação, além de orientações sobre o sono, a alimentação, a prática de atividade física e outros hábitos que também influenciam a saúde mental.

    Em alguns casos, o psiquiatra ainda recomenda o acompanhamento com um psicólogo, que pode ajudar que pode ajudar a pessoa a entender os próprios pensamentos e comportamentos, aprender a lidar melhor com o estresse e a ansiedade e desenvolver medidas para conviver com os desafios do cotidiano de forma mais saudável.

    Com a melhora dos sintomas, a pessoa costuma perceber que consegue manter o foco por mais tempo, sente menos cansaço mental, comete menos erros, rende mais durante o expediente e deixa de depender do esforço constante para dar conta das próprias atividades.

    Quando é o momento de procurar ajuda de um médico?

    O melhor momento para marcar uma consulta é quando os sintomas começam a atrapalhar a rotina, o sono, os relacionamentos ou o trabalho. Não vale a pena esperar uma crise intensa ou um esgotamento completo para procurar ajuda.

    Quanto mais cedo começa o acompanhamento, maiores costumam ser as chances de recuperação e menor tende a ser o impacto da doença na vida pessoal e profissional.

    Perguntas frequentes

    1. Tomar medicação psiquiátrica exige afastamento do trabalho?

    Na maioria das situações, não. O tratamento é planejado para que a pessoa continue a rotina normalmente. O afastamento costuma acontecer apenas durante crises graves, quando o repouso é necessário.

    2. Devo avisar meu chefe ou o RH que estou fazendo tratamento psiquiátrico?

    Não. Contar ou não é uma decisão pessoal. As informações sobre a sua saúde são confidenciais.

    3. Os remédios psiquiátricos causam dependência química?

    Na maior parte das situações, não. Os antidepressivos e estabilizadores do humor não causam dependência. Alguns ansiolíticos e sedativos precisam de mais cuidado e só devem ser usados conforme a orientação médica.

    4. Quanto tempo leva para a medicação começar a fazer efeito?

    Em geral, os primeiros resultados aparecem entre duas e quatro semanas. Nos primeiros dias, o organismo passa por um período de adaptação.

    5. Posso tomar café ou energéticos durante o tratamento psiquiátrico?

    O uso deve ser moderado. O excesso de cafeína e estimulantes pode aumentar os batimentos cardíacos e a ansiedade, além de prejudicar o sono, atrapalhando a ação dos medicamentos.

    6. Posso dirigir ou operar máquinas no início do tratamento?

    Depende da reação do organismo. Se houver sonolência ou redução da atenção nos primeiros dias, o ideal é evitar dirigir ou operar máquinas até a adaptação ao medicamento.

    7. O que acontece se eu esquecer de tomar o remédio em um dia de trabalho?

    Não tome uma dose dupla para compensar. Siga a orientação do seu médico ou da bula e retome o horário habitual.

    8. Como organizar os horários das doses na rotina corrida de trabalho?

    Vale a pena usar alarmes no celular, organizadores de comprimidos ou associar a medicação a um hábito diário, como escovar os dentes ou tomar o café da manhã.

  • Kiwi: 6 benefícios e por que essa fruta merece um lugar na sua alimentação

    Kiwi: 6 benefícios e por que essa fruta merece um lugar na sua alimentação

    Pequeno no tamanho, mas gigante em nutrientes, o kiwi é uma das frutas mais completas do ponto de vista nutricional. Muitas pessoas o conhecem apenas pelo sabor levemente ácido e refrescante, mas ele também traz uma combinação de vitaminas, minerais, fibras e compostos antioxidantes que fazem dele um importante aliado da saúde.

    Entre os principais benefícios estão o auxílio ao funcionamento do intestino, a alta concentração de vitamina C, a contribuição para o sistema imunológico e a presença de compostos bioativos capazes de combater o estresse oxidativo.

    Nas últimas décadas, diversos estudos vêm mostrando que consumir kiwi regularmente pode trazer vantagens que vão muito além da nutrição básica. Entenda mais os benefícios dele.

    1. O kiwi é uma das frutas mais ricas em vitamina C

    Quando se fala em vitamina C, muita gente pensa imediatamente na laranja. O kiwi, no entanto, costuma fornecer uma quantidade ainda maior desse nutriente.

    Dependendo da variedade e do tamanho da fruta, apenas um kiwi já é capaz de suprir praticamente toda — ou até ultrapassar — a necessidade diária de vitamina C de um adulto saudável.

    A recomendação diária de vitamina C para adultos é de 75 mg para mulheres e 90 mg para homens. Um kiwi verde médio costuma fornecer entre 60 e 90 mg da vitamina, enquanto algumas variedades de kiwi amarelo podem ultrapassar 150 mg por fruta, superando facilmente a ingestão diária recomendada.

    A vitamina C exerce diversas funções importantes no organismo. Veja algumas:

    • Participa da produção de colágeno, proteína essencial para a pele, cartilagens, vasos sanguíneos e ossos;
    • Fortalece o funcionamento do sistema imunológico;
    • Ajuda na cicatrização;
    • Atua como antioxidante, protegendo as células contra os danos provocados pelos radicais livres;
    • Melhora a absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal.

    Por ser uma vitamina hidrossolúvel, o organismo não consegue armazená-la em grandes quantidades. Por isso, o ideal é consumi-la diariamente por meio da alimentação. O kiwi é uma das maneiras mais simples de atingir essa recomendação.

    2. Kiwi é rico em nutrientes

    Embora a vitamina C seja seu nutriente mais conhecido, ela está longe de ser o único. O kiwi oferece uma combinação interessante de vitaminas, minerais e compostos bioativos que contribuem para o bom funcionamento do organismo.

    Entre os principais nutrientes presentes na fruta estão:

    • Vitamina E;
    • Vitamina K;
    • Folato (vitamina B9);
    • Potássio;
    • Cobre;
    • Magnésio;
    • Fibras alimentares.

    No kiwi também estão presentes carotenoides, polifenóis e outros antioxidantes naturais que ajudam a combater o estresse oxidativo, um processo relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

    Outro diferencial da fruta é a alta densidade nutricional. Isso significa que ela oferece muitos nutrientes importantes com relativamente poucas calorias, o que a torna uma ótima opção para quem busca uma alimentação equilibrada.

    3. O kiwi ajuda o intestino a funcionar melhor

    Entre todos os benefícios estudados, um dos mais bem documentados é o efeito positivo sobre o funcionamento intestinal.

    Diversos ensaios clínicos mostram que consumir kiwi regularmente aumenta a frequência das evacuações, melhora a consistência das fezes e reduz sintomas como sensação de evacuação incompleta, esforço para evacuar e desconforto abdominal em pessoas com prisão de ventre.

    Inclusive, revisões científicas recentes apontam que o kiwi pode ser uma estratégia nutricional interessante para pessoas com constipação leve a moderada antes mesmo da necessidade de utilizar medicamentos laxativos.

    4. O kiwi melhora o trânsito intestinal

    Esse efeito ocorre graças à combinação de diferentes mecanismos. O primeiro deles é a elevada quantidade de fibras, pois o kiwi contém tanto fibras solúveis quanto insolúveis.

    As fibras insolúveis aumentam o volume das fezes e estimulam os movimentos naturais do intestino. Já as fibras solúveis absorvem água e formam uma espécie de gel, deixando as fezes mais macias e facilitando a eliminação delas.

    Outro fator importante é que o kiwi ajuda a aumentar a quantidade de água presente no conteúdo intestinal. Isso ajuda a ter um trânsito intestinal mais eficiente sem provocar o efeito irritativo observado em alguns laxantes.

    Outro diferencial do kiwi é a presença da actinidina, uma enzima natural que ajuda a quebrar proteínas durante a digestão, o que facilita o processamento de alimentos como carnes, ovos, leite e algumas leguminosas.

    Isso pode favorecer uma digestão mais confortável após refeições ricas em proteínas, reduzindo a sensação de estômago pesado em algumas pessoas.

    5. O kiwi pode beneficiar a microbiota intestinal

    Nos últimos anos, os pesquisadores também passaram a investigar como o kiwi influencia as trilhões de bactérias que vivem naturalmente no intestino.

    As evidências disponíveis sugerem que as fibras e os compostos bioativos da fruta favorecem o crescimento de bactérias consideradas boas, funcionando como uma espécie de prebiótico natural.

    6. O kiwi ajuda na imunidade

    De forma indireta, o kiwi ajuda no fortalecimento da imunidade. A vitamina C, que também está presente na fruta, participa do funcionamento normal de diversas células do sistema imunológico e também atua protegendo essas células contra os danos causados pelos radicais livres.

    Além disso, ela participa da formação da barreira de proteção da pele e das mucosas, que representam uma das primeiras linhas de defesa do organismo contra microrganismos.

    Isso não significa, porém, que comer kiwi impeça alguém de desenvolver gripes, resfriados ou outras infecções. O fortalecimento da imunidade também depende de diversos fatores, como alimentação equilibrada, sono adequado, prática de atividade física e vacinação em dia.

    Quantos kiwis podem ser consumidos por dia?

    Não existe uma quantidade oficial recomendada. Para a maioria das pessoas, consumir um ou dois kiwis por dia já é suficiente para aproveitar seus principais benefícios nutricionais dentro de uma alimentação equilibrada.

    Como qualquer alimento, o kiwi deve fazer parte de uma dieta variada, rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e fontes de proteínas de boa qualidade.

    Quem deve tomar cuidado ao consumir kiwi?

    Apesar de ser considerado um alimento bastante seguro, algumas pessoas podem apresentar alergia ao kiwi.

    Os sintomas costumam surgir poucos minutos após o consumo e podem incluir:

    • Coceira na boca ou na garganta;
    • Inchaço dos lábios, língua ou rosto;
    • Urticária;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Dificuldade para respirar, nos casos mais graves.

    Pessoas com alergia ao látex apresentam maior risco de desenvolver reação ao kiwi devido ao fenômeno conhecido como reação cruzada. O mesmo pode acontecer com indivíduos alérgicos a frutas como banana, abacate, castanha e mamão.

    Além disso, quem possui doença renal crônica avançada e precisa restringir o consumo de potássio deve conversar com o médico ou nutricionista antes de aumentar significativamente a ingestão da fruta.

    Confira: 9 frutas com casca comestível que você não deve jogar fora

    Perguntas frequentes sobre kiwi

    1. O kiwi tem mais vitamina C do que a laranja?

    Sim. De forma geral, o kiwi apresenta uma concentração maior de vitamina C do que a laranja quando comparadas quantidades equivalentes das frutas. Um único kiwi médio pode fornecer praticamente toda a recomendação diária de vitamina C para um adulto saudável, enquanto algumas variedades, como o kiwi amarelo, podem ultrapassar essa necessidade.

    2. Comer kiwi todos os dias faz bem?

    Sim. Para a maioria das pessoas saudáveis, consumir um ou dois kiwis por dia pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O consumo regular ajuda a aumentar a ingestão de fibras, vitamina C, antioxidantes e outros nutrientes importantes para o organismo.

    3. O kiwi ajuda quem tem intestino preso?

    Sim. Esse é um dos benefícios mais bem documentados pela ciência. O consumo regular de kiwi aumenta a frequência das evacuações, melhora a consistência das fezes e reduz sintomas de prisão de ventre.

    4. O kiwi ajuda na imunidade?

    Indiretamente, sim. O kiwi é uma excelente fonte de vitamina C, nutriente essencial para o funcionamento adequado do sistema imunológico. Entretanto, ele não impede sozinho o surgimento de infecções.

    5. O kiwi engorda?

    O kiwi é uma fruta pouco calórica e rica em fibras, características que favorecem a saciedade. Como qualquer alimento, pode contribuir para o excesso de calorias apenas quando consumido em grandes quantidades, mas, isoladamente, não é considerado uma fruta que favoreça o ganho de peso.

    6. É melhor comer o kiwi com ou sem casca?

    As duas formas são seguras, desde que a fruta seja bem higienizada. A casca concentra fibras e antioxidantes, o que aumenta o valor nutricional do alimento. Muitas pessoas, porém, preferem descascá-la devido à textura. A escolha depende do gosto pessoal.

    7. Pessoas com diabetes podem comer kiwi?

    Sim. Em geral, pessoas com diabetes podem consumir kiwi como parte de uma alimentação equilibrada. A fruta tem baixo índice glicêmico e contém fibras, que ajudam a retardar a absorção dos açúcares. Ainda assim, a quantidade ideal deve ser orientada pelo médico ou nutricionista, de acordo com as necessidades individuais.

    8. Crianças podem comer kiwi?

    Sim. O kiwi pode ser oferecido após a introdução alimentar, respeitando a consistência adequada para cada idade. Além de fornecer vitamina C e fibras, ajuda a diversificar o consumo de frutas. Caso exista histórico de alergias alimentares, é recomendado conversar com o pediatra antes da introdução.

    9. Qual a diferença entre o kiwi verde e o kiwi amarelo?

    Os dois são muito nutritivos e oferecem benefícios semelhantes. O kiwi amarelo costuma ser mais doce e apresenta concentrações ainda maiores de vitamina C. Já o kiwi verde fornece um pouco mais de fibras e contém maior quantidade da enzima actinidina, que auxilia na digestão de proteínas.

    10. Quem tem alergia ao látex pode comer kiwi?

    Nem sempre. Pessoas com alergia ao látex apresentam maior risco de desenvolver reação alérgica ao kiwi devido à chamada reação cruzada. Nesses casos, o ideal é procurar orientação médica antes de consumir a fruta regularmente.

    Veja também: Como usar kiwi e psyllium para soltar o intestino de forma natural

  • Escleroterapia (aplicação para varizes): como funciona o procedimento para secar vasinhos?

    Escleroterapia (aplicação para varizes): como funciona o procedimento para secar vasinhos?

    A escleroterapia, também conhecida como aplicação para varizes ou secagem de vasinhos, é um dos tratamentos mais procurados para remover aquelas pequenas ramificações avermelhadas ou arroxeadas que aparecem nas pernas. Os vasinhos costumam causar incômodo principalmente pela aparência, mas também podem indicar uma predisposição para problemas na circulação venosa.

    Apesar de ser conhecida como uma técnica simples, a escleroterapia pode ser feita de diferentes maneiras e nem todo tipo de variz pode ser tratado apenas com a aplicação. A seguir, entenda como o procedimento funciona, quantas sessões podem ser necessárias e se os vasinhos podem voltar depois do tratamento.

    O que é a escleroterapia e como ela funciona?

    A escleroterapia é um tratamento usado para eliminar os vasinhos que ficam aparentes nas pernas. Segundo o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, o procedimento é indicado principalmente para os vasos pequenos e superficiais, chamados de teleangiectasias, que podem ter uma aparência avermelhada, arroxeada ou azulada.

    Durante a aplicação, o médico usa uma agulha bem fina para colocar uma substância diretamente dentro do vaso que será tratado. O produto provoca uma reação controlada na parede interna do vasinho, fazendo com que ele se feche e deixe de receber sangue.

    Depois disso, o próprio organismo começa a absorver aquele vaso aos poucos. O resultado não costuma aparecer imediatamente após a aplicação: o vasinho vai ficando menos visível ao longo do tempo até desaparecer ou diminuir bastante.

    Marcelo explica que a escleroterapia é bastante utilizada para melhorar a aparência dos vasinhos, mas também é importante avaliar a circulação antes de iniciar o tratamento, principalmente quando a pessoa apresenta varizes maiores, dor, inchaço, sensação de peso nas pernas ou outras alterações.

    Escleroterapia serve para qualquer tipo de variz?

    A escleroterapia convencional não é indicada da mesma maneira para todos os tipos de veias dilatadas, pois a aplicação líquida é usada principalmente para os vasinhos pequenos que aparecem logo abaixo da pele. Quando existem varizes maiores, grossas ou saltadas, o tratamento pode precisar de outras técnicas.

    Marcelo esclarece ainda que os vasinhos podem funcionar como um sinal de que existe uma predisposição para problemas na circulação venosa. Isso não significa que um vasinho pequeno necessariamente vai crescer e virar uma variz grande, mas a pessoa pode desenvolver outras veias dilatadas ao longo da vida.

    Quando existem varizes maiores ou sintomas como dor, inchaço e peso nas pernas, pode ser necessário investigar como estão as outras veias, inclusive as que não conseguimos enxergar.

    Tipos de aplicação: qual é a diferença entre os tratamentos?

    Existem diferentes maneiras de fazer a aplicação, e a escolha depende do tamanho das veias, da localização dos vasos, das condições da pele e das necessidades de cada paciente.

    1. Escleroterapia convencional (líquida)

    A escleroterapia líquida é a forma mais tradicional de aplicação e costuma ser usada principalmente para os vasinhos pequenos e superficiais.

    Durante o procedimento, uma substância líquida é aplicada diretamente no vasinho por meio de uma agulha bastante fina. O produto provoca uma reação na parede interna do vaso, fazendo com que ele se feche e seja absorvido gradualmente pelo organismo.

    A aplicação geralmente pode ser realizada no próprio consultório e não precisa de cortes. Dependendo da quantidade de vasinhos, podem ser necessárias várias sessões para alcançar o resultado esperado.

    2. Escleroterapia com espuma

    Na escleroterapia com espuma, uma substância esclerosante é preparada em forma de espuma antes de ser aplicada dentro da veia. A técnica permite tratar determinados vasos sem a necessidade de fazer cortes.

    Segundo Marcelo, a espuma pode ser uma alternativa principalmente em alguns casos de veias maiores ou de doença venosa mais avançada, mas a indicação precisa ser individualizada.

    Uma das possíveis consequências do tratamento é o aparecimento de manchas ou áreas mais escuras na pele depois da aplicação. A pigmentação pode melhorar com o tempo, mas a possibilidade precisa ser considerada principalmente quando o objetivo do tratamento é estético.

    3. Escleroterapia a laser

    No caso do laser, existem técnicas diferentes, escolhidas de acordo com o tipo e o tamanho do vaso.

    Nos vasinhos mais superficiais, por exemplo, determinados tipos de laser podem ser aplicados sobre a pele. A energia é absorvida pelo sangue dentro do vaso, provocando o seu fechamento gradual.

    Já em algumas veias maiores, o laser pode ser utilizado por dentro do vaso, por meio de técnicas chamadas de endovenosas. Nesse caso, uma fibra é introduzida na veia e libera energia para fechá-la.

    De acordo com Marcelo, as tecnologias atuais permitem tratar diferentes problemas venosos com procedimentos menos invasivos em vários casos, mas a indicação depende da avaliação da circulação de cada paciente.

    O procedimento dói ou precisa de repouso?

    Não existe um número certo de sessões para todo mundo. Quem tem poucos vasinhos pode precisar de poucas aplicações, enquanto quem apresenta uma quantidade maior pode precisar de mais sessões para chegar ao resultado esperado.

    A quantidade também varia de acordo com o tamanho dos vasos, o tipo de tratamento escolhido, a resposta do organismo e a presença de outras veias que também precisam ser tratadas.

    Os vasinhos podem voltar depois da aplicação?

    Os vasinhos tratados tendem a fechar e ser absorvidos pelo próprio organismo, mas isso não significa que novos vasinhos não possam aparecer em outras partes das pernas com o passar do tempo.

    A genética, as alterações hormonais, o excesso de peso, o sedentarismo e outros fatores podem aumentar a tendência ao surgimento de novos vasos. Mesmo depois de fazer a escleroterapia, é importante manter alguns cuidados no dia a dia, como praticar atividades físicas, evitar ficar muito tempo parado na mesma posição e manter um peso saudável.

    Qual profissional pode fazer a aplicação para varizes?

    Segundo Marcelo, o cirurgião vascular é o médico responsável por avaliar a circulação das pernas, identificar quais veias estão com problemas e indicar o tratamento mais adequado.

    A avaliação é importante porque nem sempre os vasinhos que aparecem na pele mostram tudo o que está acontecendo com a circulação. Em alguns casos, também podem existir alterações em veias maiores que não conseguimos enxergar.

    Dependendo do caso, o médico pode solicitar um ultrassom Doppler, exame que ajuda a observar como o sangue está circulando e como estão funcionando as veias das pernas.

    Com as informações, o cirurgião vascular consegue decidir qual é a melhor opção de tratamento, como a aplicação líquida, a espuma ou o laser, além de identificar se alguma veia maior precisa ser tratada antes dos vasinhos.

    Leia mais: O que o cardiologista observa no seu exame de sangue

    Perguntas frequentes

    1. Vasinhos finos podem se transformar em varizes grossas?

    Não, um vasinho nunca vira uma variz grande. No entanto, o surgimento de vasinhos é um sinal de alerta de que a pessoa tem predisposição para problemas circulatórios.

    2. Posso voltar a treinar pesado no dia seguinte à aplicação de varizes?

    Não. Embora a recuperação seja rápida, a recomendação é um período de repouso e moderação de atividades intensas que pode variar de uma semana até um mês, dependendo do caso.

    3. A aplicação de varizes dói?

    O desconforto é muito bem tolerado e as técnicas modernas tornam o procedimento tranquilo para o paciente

    4. Escleroterapia faz o vasinho sumir para sempre?

    Aquele vasinho específico que foi tratado fecha e é absorvido pelo corpo, mas o procedimento não impede que novos vasos surjam com o tempo devido à genética.

    5. Escleroterapia a laser substitui a cirurgia?

    Em muitos casos sim, pois o laser permite queimar e fechar veias doentes com mínimos furos ou sem cortes, acelerando a recuperação.

    6. Grávidas podem fazer aplicação para secar vasinhos?

    Durante a gestação, as alterações hormonais e o peso do bebê alteram a circulação, sendo recomendado aguardar a avaliação do cirurgião vascular após o período gestacional.

    7. A aplicação de espuma serve para fechar a veia safena?

    Sim, a técnica com espuma ou o uso do laser podem ser indicados para tratar veias maiores e a safena, servindo como alternativa para fechar o vaso sem a necessidade de cortes cirúrgicos.

    Leia mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

  • Da pele escurecida às úlceras: conheça as complicações da doença venosa

    Da pele escurecida às úlceras: conheça as complicações da doença venosa

    Você já sentiu as pernas pesadas ou inchadas depois de um dia longo, principalmente após passar muitas horas em pé ou sentada? Apesar de ser um incômodo comum, quando a sensação aparece com frequência, pode ser um sinal de que a circulação das pernas não está funcionando tão bem quanto deveria.

    A doença venosa é qualquer condição que afeta o sistema de veias, responsável por transportar o sangue de volta ao coração, e aparece quando o sangue tem dificuldade para fazer o caminho de volta das pernas até o coração.

    Ele pode ficar acumulado nos membros inferiores, aumentando a pressão dentro das veias e provocando alterações que vão desde sensação de peso e inchaço até mudanças na pele e feridas de difícil cicatrização. Com o passar do tempo, quando a circulação não melhora e a pressão dentro das veias continua elevada, o problema pode progredir.

    Como surgem as manchas e feridas na perna?

    Uma das principais causas do aparecimento de manchas e feridas nas pernas é a má circulação venosa. Para levar o sangue dos pés de volta ao coração, vencendo a força da gravidade, o corpo conta com a musculatura da panturrilha e com pequenas válvulas dentro das veias, responsáveis por impedir que o sangue volte para baixo.

    Quando as válvulas não funcionam corretamente, seja por fatores genéticos, alterações no colágeno, ação dos hormônios femininos ou gestação, o sangue pode ter dificuldade para retornar ao coração. O mesmo pode acontecer quando a panturrilha não é movimentada o suficiente, como no caso de pessoas sedentárias ou que passam muito tempo em pé ou sentadas na mesma posição.

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, médico assistente da USP de Ribeirão Preto e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Vascular, a dificuldade no retorno do sangue provoca uma espécie de congestionamento nas pernas.

    O aumento constante da pressão dentro das veias e o acúmulo de líquido podem prejudicar os tecidos e provocar mudanças na pele. Aos poucos, podem surgir manchas escuras, endurecimento da pele e até feridas.

    Principais complicações da doença venosa

    Quando o acúmulo de sangue e o inchaço continuam por muito tempo, a doença venosa pode avançar e causar complicações, como:

    1. Escurecimento e alteração da pele (dermatite ocre)

    Uma das alterações que podem surgir com a má circulação venosa são as manchas marrons nas pernas. Segundo Marcelo, o acúmulo de sangue e o aumento da pressão nas veias podem fazer com que a pele fique cada vez mais escura. As manchas costumam aparecer principalmente perto do tornozelo, especialmente na parte interna da perna.

    2. Endurecimento da pele (lipodermatoesclerose)

    Sem o tratamento adequado, o acúmulo de sangue pode manter um processo inflamatório na região. Com o passar do tempo, além de ficar marrom, a pele perde parte da elasticidade e se torna mais firme, rígida e endurecida ao toque.

    3. Feridas que não cicatrizam (úlcera venosa)

    Quando a pele já está fragilizada, escurecida e endurecida, podem surgir feridas chamadas de úlceras venosas ou úlceras varicosas.

    Segundo Marcelo, a ferida normalmente aparece justamente no local onde a pele está escura e endurecida, principalmente na parte interna do tornozelo. Como a circulação da região está comprometida, a lesão pode demorar para cicatrizar e precisa de cuidados contínuos e tratamento especializado.

    4. Infecções na pele (celulite e erisipela)

    Uma ferida que não cicatriza pode ser porta de entrada para as bactérias, já que a pele funciona como uma barreira de proteção. Quando existe uma lesão, os microrganismos encontram um caminho para entrar nos tecidos e podem provocar infecções como a erisipela e a celulite infecciosa.

    A erisipela costuma atingir as camadas mais superficiais da pele e pode causar vermelhidão intensa, inchaço, dor, calor no local e febre. Já a celulite infecciosa atinge camadas mais profundas da pele e também pode provocar dor, vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura na região afetada.

    O tratamento é feito com antibióticos e deve ser iniciado o quanto antes para controlar a infecção e evitar que ela se espalhe pelo organismo.

    5. Sangramento das varizes (varicorragia)

    De acordo com Marcelo, quando as veias ficam muito dilatadas e salientes, principalmente perto do tornozelo, as paredes podem se tornar mais frágeis.

    Um pequeno esbarrão ou uma batida na perna, até mesmo durante o banho, pode machucar a pele sobre a veia e provocar um sangramento intenso. Em alguns casos, a variz pode se romper mesmo sem um trauma aparente. A quantidade de sangue costuma assustar, mas é importante manter a calma e comprimir o local com um pano ou uma gaze limpa.

    Também é recomendado deitar e manter a perna elevada, enquanto a pressão sobre o local é mantida até o sangramento parar. Se o sangue continuar saindo mesmo após a compressão, ou se o sangramento for muito intenso, é necessário procurar atendimento médico.

    Sintomas de alerta: quando procurar o médico imediatamente?

    Os sintomas mais comuns da má circulação já precisam ser avaliados por um cirurgião vascular. De acordo com o especialista, o inchaço, a dor, a sensação de peso nas pernas no final do dia, as cãibras e a sensação de pernas inquietas podem indicar que existe algum problema na circulação.

    Alguns sinais, porém, podem representar uma complicação e precisam de atendimento médico imediato:

    • Sangramento ativo em uma variz: se a variz se romper, coloque o dedo, uma gaze ou um pano limpo sobre o local e faça uma compressão firme. Se possível, eleve a perna e procure imediatamente um serviço de urgência;
    • Sinais de infecção: procure atendimento caso apareçam vermelhidão intensa, calor na perna, febre, mal-estar, fraqueza ou ínguas na virilha;
    • Feridas abertas: qualquer fissura ou ferida que não cicatriza, principalmente perto do tornozelo, precisa ser avaliada por um médico.

    Para fazer o diagnóstico, o cirurgião vascular examina as pernas e pode solicitar um ultrassom Doppler, que permite avaliar o fluxo do sangue nas veias superficiais e profundas, incluindo a veia safena.

    Com os resultados, o médico consegue indicar o tratamento mais adequado, que pode incluir o uso de meias de compressão, medicamentos, aplicações com espuma, laser, radiofrequência ou cirurgia convencional.

    Como prevenir as complicações da doença venosa

    A genética é um dos principais fatores de risco para o aparecimento das varizes, em conjunto com a ação dos hormônios femininos e a gravidez. Mesmo assim, alguns hábitos no dia a dia podem ajudar a melhorar a circulação, como:

    • Pratique atividades físicas regularmente: os exercícios, como a caminhada, a corrida e a bicicleta, estimulam a circulação. A musculação também é benéfica porque fortalece os músculos das pernas e da panturrilha;
    • Evite o sedentarismo e controle o peso: o excesso de peso aumenta a sobrecarga nas pernas, reduz a mobilidade e dificulta o retorno do sangue para o coração. Por isso, manter o corpo ativo e um peso saudável ajuda a evitar o agravamento da doença venosa;
    • Evite passar muito tempo na mesma posição: as pessoas que trabalham por muitas horas em pé ou sentadas podem ter mais dificuldade para fazer o sangue retornar ao coração. Por isso, é importante movimentar os pés e as pernas, contrair as panturrilhas e fazer pequenas caminhadas ao longo do dia;
    • Eleve as pernas no final do dia: colocar as pernas para cima ao chegar em casa pode ajudar a aliviar a sensação de peso e cansaço, além de reduzir o inchaço acumulado durante o dia;
    • Use as meias de compressão quando houver indicação: as meias de compressão fazem uma pressão gradual nas pernas, apertando mais perto do tornozelo e menos nas partes superiores. A compressão ajuda o sangue a retornar ao coração, alivia os sintomas e pode evitar que a doença venosa avance. O tipo e o nível de compressão precisam ser indicados por um profissional.

    Como a doença venosa é crônica e pode voltar ou piorar com o tempo, o acompanhamento regular com o cirurgião vascular é fundamental para proteger a saúde das pernas e evitar que as varizes evoluam para complicações dolorosas.

    Leia mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

    Perguntas frequentes

    1. Por que as varizes são mais comuns em mulheres?

    Devido aos hormônios femininos, que enfraquecem a parede das veias. O risco aumenta durante a gravidez por causa do pico hormonal e da pressão do útero sobre as veias.

    2. Quais são os principais sintomas da doença venosa?

    Dor, inchaço, sensação de peso nas pernas no final do dia, cãibras e sensação de pernas inquietas.

    3. Usar meia de compressão à noite é recomendado?

    Não. As meias de compressão devem ser vestidas logo cedo, ao acordar, e usadas durante o dia. À noite, elas devem ser retiradas.

    4. O calor piora a doença venosa?

    O calor não causa varizes, mas faz as veias dilatarem (vasodilatação), o que exacerba os sintomas e deixa a perna mais inchada e cansada.

    5. Cruzar as pernas causa varizes?

    Não há estudos que comprovem que cruzar as pernas cause varizes. O ato pode apenas estimular pequenos vasinhos no local de atrito por trauma direto.

    6. Qual é a diferença da celulite infecciosa para a celulite estética?

    A celulite associada às varizes é uma infecção bacteriana grave na pele que causa vermelhidão, febre e dor, necessitando de antibióticos. Não tem relação com os furinhos estéticos na pele.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Criança colocou feijão ou bolinha no nariz? Veja o que fazer na hora

    Criança colocou feijão ou bolinha no nariz? Veja o que fazer na hora

    É uma cena bastante comum na infância: durante uma brincadeira, a criança coloca um feijão, uma bolinha, uma peça de brinquedo ou outro item pequeno dentro do nariz.

    Na maioria das vezes, o problema pode ser resolvido sem deixar sequelas. No entanto, tentar retirar o objeto de maneira inadequada pode empurrá-lo ainda mais para dentro da cavidade nasal, provocar sangramento ou dificultar a remoção.

    Por isso, saber como agir nos primeiros minutos é fundamental. Baterias tipo botão e ímãs merecem atenção especial, pois podem provocar lesões graves e exigem atendimento médico imediato.

    Por que isso acontece com tanta frequência?

    Crianças pequenas, principalmente entre 2 e 5 anos, exploram o ambiente de diferentes maneiras. Além de levarem objetos às mãos e à boca, elas também podem colocá-los no nariz e nos ouvidos por curiosidade.

    Entre os objetos encontrados com mais frequência estão:

    • Feijões;
    • Grãos de milho;
    • Ervilhas;
    • Miçangas;
    • Bolinhas de brinquedo;
    • Pedaços de papel;
    • Espuma;
    • Pedrinhas;
    • Pequenas peças de brinquedos.

    As baterias tipo botão e os ímãs representam situações de maior gravidade e precisam ser retirados com urgência.

    Como perceber que há um objeto no nariz?

    Em alguns casos, a própria criança conta o que aconteceu. Quando isso não ocorre, alguns sinais podem levantar a suspeita, como:

    • Obstrução de apenas uma narina;
    • Dificuldade para respirar por um lado do nariz;
    • Dor ou desconforto nasal;
    • Espirros;
    • Sangramento discreto.

    Quando o objeto permanece no nariz por vários dias, também podem surgir:

    • Secreção com mau cheiro em apenas uma narina;
    • Secreção amarelada ou esverdeada;
    • Mau odor persistente;
    • Sangramentos recorrentes.

    A presença de secreção com odor desagradável em apenas um lado do nariz é um sinal clássico de corpo estranho nasal esquecido.

    O que fazer imediatamente?

    A primeira medida é manter a calma e tranquilizar a criança. Se ela estiver respirando normalmente e o objeto estiver apenas no nariz, geralmente não há obstrução imediata das vias respiratórias.

    Em seguida:

    • Oriente a criança a não mexer no nariz;
    • Não permita que ela tente empurrar o objeto com o dedo;
    • Observe qual narina está obstruída;
    • Procure atendimento médico para que a retirada seja feita com segurança.

    Se a criança apresentar tosse súbita, engasgo ou dificuldade para respirar, existe a possibilidade de o objeto ter se deslocado para a via respiratória. Nesse caso, é necessário procurar atendimento de emergência.

    O que não fazer?

    Algumas atitudes podem piorar a situação.

    Não tente:

    • Introduzir pinças, grampos, cotonetes ou outros instrumentos na narina;
    • “Pescar” o objeto sem visualização e treinamento adequados;
    • Empurrar o objeto com os dedos;
    • Fazer várias tentativas seguidas de retirada;
    • Irrigar o nariz com água ou soro;
    • Pedir que a criança aspire o ar com força pelo nariz.

    Objetos orgânicos, como feijões, ervilhas e milho, podem absorver líquido, aumentar de tamanho e ficar ainda mais presos. Além disso, tentativas repetidas podem provocar sangramento, inchaço e deslocar o corpo estranho para regiões mais profundas.

    É possível retirar o objeto em casa?

    Não é recomendado introduzir instrumentos na narina nem tentar puxar o objeto com pinças, mesmo quando ele parece estar próximo da entrada.

    Uma opção de primeiros socorros descrita para alguns casos é a técnica conhecida como “beijo da mãe”, que utiliza uma pressão de ar suave para tentar expulsar o objeto.

    Ela pode ser considerada quando:

    • A criança está respirando normalmente;
    • O objeto está em apenas uma narina;
    • Não há suspeita de bateria ou ímã;
    • O objeto não é pontiagudo;
    • Não existe sangramento importante.

    Caso a manobra não funcione na primeira tentativa ou a criança não colabore, não se deve insistir. O ideal é procurar atendimento médico.

    Como funciona a técnica do “beijo da mãe”?

    A técnica é realizada da seguinte maneira:

    • O adulto explica à criança que dará um “beijo grande”;
    • Fecha com o dedo a narina que está livre;
    • Coloca a boca sobre a boca da criança, formando uma vedação;
    • Sopra de maneira curta e firme, observando se o objeto sai pela narina obstruída.

    A força deve ser semelhante à utilizada para encher um pequeno balão, sem sopros repetidos ou excessivos.

    A técnica não deve ser realizada quando houver suspeita de bateria tipo botão, ímã, objeto pontiagudo, sangramento importante, dificuldade para respirar ou possibilidade de o item ter sido aspirado.

    Quando procurar um pronto-socorro imediatamente?

    Algumas situações exigem atendimento urgente.

    Procure um serviço de emergência se houver:

    • Dificuldade para respirar;
    • Engasgo ou tosse intensa após a colocação do objeto;
    • Suspeita de que o objeto foi aspirado;
    • Sangramento importante;
    • Dor intensa;
    • Objeto pontiagudo;
    • Suspeita de bateria tipo botão;
    • Suspeita de um ou mais ímãs;
    • Falha na primeira tentativa de pressão positiva;
    • Impossibilidade de identificar qual objeto foi colocado.

    Baterias e ímãs podem lesionar rapidamente os tecidos do nariz e não devem aguardar uma consulta eletiva.

    Por que as baterias tipo botão são tão perigosas?

    As baterias tipo botão representam uma emergência médica. Quando ficam presas na cavidade nasal, podem gerar uma corrente elétrica e provocar queimaduras graves nos tecidos em poucas horas.

    Entre as possíveis complicações estão:

    • Necrose da mucosa;
    • Perfuração do septo nasal;
    • Infecções;
    • Lesões permanentes.

    Por isso, a retirada deve ser feita o mais rápido possível por uma equipe de saúde. Baterias e ímãs precisam de remoção imediata devido ao risco de queimadura, necrose por pressão e perfuração da mucosa ou do septo nasal.

    E os ímãs?

    Os ímãs também exigem atenção especial.

    Quando há um ímã em cada narina ou um ímã associado a outro objeto metálico, eles podem se atrair e comprimir o septo nasal entre eles.

    Essa pressão pode provocar:

    • Lesão da mucosa;
    • Interrupção do fluxo de sangue no tecido;
    • Necrose;
    • Perfuração do septo nasal.

    Assim como as baterias, os ímãs precisam ser retirados com urgência.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    Inicialmente, o médico examina a cavidade nasal com iluminação adequada e instrumentos específicos.

    Dependendo do tipo, do formato e da posição do objeto, podem ser utilizados:

    • Técnicas de pressão positiva;
    • Pinças apropriadas;
    • Pequenos ganchos;
    • Cateteres com balão;
    • Equipamentos de aspiração.

    Na maioria das vezes, a retirada é rápida. Entretanto, a primeira tentativa costuma ser a que oferece maior chance de sucesso. Por isso, o profissional avalia cuidadosamente qual técnica é mais adequada antes de iniciar o procedimento.

    Em crianças muito pequenas, agitadas ou pouco colaborativas, pode ser necessária contenção adequada ou sedação para garantir a segurança durante a retirada.

    São necessários exames?

    Na maioria dos casos, não. Quando o objeto pode ser visualizado diretamente, o diagnóstico costuma ser feito apenas pelo exame físico.

    Radiografias ou outros exames podem ser solicitados quando:

    • Existe dúvida sobre o tipo de objeto;
    • Há suspeita de bateria;
    • O objeto não é visualizado diretamente;
    • Existe suspeita de aspiração;
    • A história não está clara.

    Quando há dificuldade para visualizar o interior do nariz, o otorrinolaringologista também pode realizar uma nasofibroscopia.

    Quais complicações podem ocorrer?

    Se o objeto permanecer no nariz por muito tempo ou se houver tentativas inadequadas de retirada, podem surgir:

    • Infecção;
    • Inflamação da mucosa;
    • Sangramentos repetidos;
    • Secreção com mau cheiro;
    • Feridas dentro do nariz;
    • Perfuração do septo nasal, principalmente nos casos de baterias e ímãs;
    • Aspiração para as vias respiratórias, embora isso seja incomum.

    O risco depende do tipo de objeto, do tempo que ele permanece no local e das tentativas realizadas antes do atendimento.

    Como prevenir esse tipo de acidente?

    A prevenção é a melhor estratégia.

    Alguns cuidados são:

    • Manter objetos pequenos fora do alcance de crianças menores;
    • Supervisionar as brincadeiras;
    • Respeitar a indicação de idade dos brinquedos;
    • Evitar brinquedos com peças pequenas na faixa etária de maior risco;
    • Manter baterias tipo botão e ímãs em compartimentos bem fechados;
    • Descartar baterias usadas em local seguro;
    • Ensinar a criança a não colocar objetos no nariz, na boca ou nos ouvidos.

    Também é importante verificar periodicamente brinquedos, controles remotos, chaves de carro e outros aparelhos que utilizam baterias pequenas.

    Confira: Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Perguntas frequentes sobre objetos no nariz

    1. Meu filho colocou um feijão no nariz. O que devo fazer?

    Mantenha a calma, impeça que a criança mexa no nariz e não introduza pinças ou cotonetes. Como o feijão pode absorver líquidos e aumentar de tamanho, não lave a narina. Procure atendimento caso ele não seja expelido por uma única tentativa segura de pressão positiva.

    2. Posso usar uma pinça?

    Não é recomendado. A pinça pode empurrar o objeto mais profundamente, provocar sangramento ou dificultar a retirada posterior.

    3. O que é a técnica do “beijo da mãe”?

    É uma manobra de pressão positiva na qual o adulto fecha a narina livre e sopra pela boca da criança para tentar expulsar o objeto pela narina obstruída. Ela deve ser utilizada apenas em situações apropriadas e nunca em casos de baterias, ímãs, objetos pontiagudos ou dificuldade respiratória.

    4. Como saber se ainda existe um objeto no nariz?

    Obstrução de apenas uma narina, secreção persistente com mau cheiro, sangramentos repetidos e dificuldade para respirar por um dos lados podem indicar que ainda existe um corpo estranho no local.

    5. Quando devo levar a criança imediatamente ao hospital?

    Quando houver dificuldade para respirar, tosse ou engasgo súbitos, sangramento importante, dor intensa, suspeita de aspiração ou presença de bateria, ímã ou objeto pontiagudo.

    6. Como os médicos retiram o objeto?

    A retirada pode ser feita com técnicas de pressão positiva ou instrumentos específicos, como pinças delicadas, ganchos, cateteres com balão e equipamentos de aspiração. Em alguns casos, pode ser necessária sedação.

    7. Qual é o objeto mais perigoso quando fica preso no nariz?

    As baterias tipo botão estão entre os objetos mais perigosos, pois podem causar queimaduras graves nos tecidos do nariz em poucas horas. Os ímãs também podem provocar lesões importantes, especialmente quando comprimem o septo nasal. Ambos exigem atendimento médico imediato.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

  • Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

    O infarto ainda é visto, no imaginário popular, como um problema masculino. Mas a realidade é bem diferente e preocupante. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres no mundo. E o mais grave é que o infarto nelas pode se manifestar de forma diferente, com sinais discretos que passam despercebidos e atrasam o socorro.

    “O infarto em mulheres apresenta peculiaridades significativas que o diferenciam do infarto em homens, desde os sintomas até os impactos e desfechos”, explica a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Albert Einstein. Entender essas diferenças é muito importante para agir rápido e salvar vidas.

    Por que o infarto em mulheres é diferente?

    Enquanto nos homens o sintoma mais típico é a dor intensa no peito irradiando para o braço esquerdo, nas mulheres os sinais podem ser mais discretos, e podem ser facilmente confundidos com ansiedade, indigestão ou cansaço.

    “Uma das distinções mais marcantes entre o infarto em mulheres e homens reside na apresentação dos sintomas”, explica a cardiologista. Isso ajuda a entender por que tantas mulheres demoram a buscar atendimento.

    Os 7 sintomas silenciosos do infarto feminino

    Mesmo que não haja dor forte no peito, as mulheres precisam ficar atentas a outros sinais. Conheça os mais comuns:

    • Fadiga persistente;
    • Desconforto na região do tórax;
    • Falta de ar;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura.

    “Esses sintomas menos proeminentes e muitas vezes pouco valorizados podem levar a um atraso significativo no diagnóstico e tratamento”, reforça a médica.

    Fatores de risco específicos para mulheres

    Alguns riscos são compartilhados com os homens, como pressão alta, colesterol alto, obesidade e tabagismo, mas outros afetam mais as mulheres ou têm impacto diferente nelas.

    • Diabetes: essa doença aumenta o risco cardiovascular de forma mais intensa nas mulheres.
    • Estresse e depressão: mais comuns nas mulheres, essas condições estão ligadas a um risco maior de infarto.
    • Doenças autoimunes: o lúpus e a artrite reumatoide, por exemplo, são mais comuns em mulheres e podem aumentar o risco de infarto.
    • Complicações na gravidez: pré-eclâmpsia, eclâmpsia, diabetes gestacional e parto prematuro são fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares em mulheres.
    • Menopausa: a queda nos níveis de estrogênio aumenta o risco cardiovascular.

    Diferença no infarto em mulheres e homens

    Nos homens, o infarto costuma ocorrer pelo rompimento de uma placa de gordura em uma grande artéria do coração, levando à formação de um coágulo.

    “Já nas mulheres, é mais comum haver problemas nos pequenos vasos sanguíneos do coração ou mesmo um infarto causado por uma condição chamada dissecção espontânea da artéria coronária, um ‘rasgo’ na parede da artéria que, embora rara, é mais frequente em mulheres jovens e de meia-idade”, explica a cardiologista.

    Por que o prognóstico pode ser pior nas mulheres?

    A médica explica que quatro fatores principais contribuem para a gravidade do infarto nas mulheres:

    • Atraso no diagnóstico: devido aos sintomas atípicos, o diagnóstico pode demorar a acontecer.
    • Maior número de comorbidades: mulheres tendem a ser mais velhas e ter mais doenças associadas no momento do infarto, e isso pode complicar o tratamento e a recuperação.
    • Baixa adesão à reabilitação cardíaca: menos mulheres são encaminhadas e participam desses programas de reabilitação cardíaca, que são essenciais para a recuperação.
    • Padrão de vida pós-infarto: as mulheres podem enfrentar mais desafios em retomar suas atividades diárias ou profissionais por conta de sequelas físicas e emocionais do infarto.

    Prevenção: o que você pode fazer

    As mulheres precisam conhecer seus fatores de risco e manter um estilo de vida saudável. Isso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento médico. E, sobretudo, não ignorar sinais incomuns que possam indicar problemas no coração.

    “Aumentar a conscientização sobre os sintomas atípicos, a importância do diagnóstico precoce e a necessidade de uma abordagem personalizada no tratamento e prevenção é fundamental para mudar essa realidade”, conclui a cardiologista Juliana Soares.

    Confira: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

    Perguntas frequentes sobre infarto em mulheres

    1. Quais são os sintomas mais comuns de infarto em mulheres?

    Fadiga, falta de ar, desconforto no peito, náuseas, tontura são os principais sinais.

    2. É verdade que mulheres têm menos dor no peito durante o infarto?

    Sim. Muitas não apresentam a dor clássica, o que dificulta o reconhecimento imediato.

    3. Mulheres jovens podem ter infarto?

    Sim, especialmente em casos de dissecção espontânea da artéria coronária (o “rasgo” na artéria) ou fatores de risco como estresse, depressão, diabetes e doenças autoimunes.

    4. O que devo fazer se sentir sintomas suspeitos?

    Procure atendimento médico imediato ou acione o SAMU pelo número 192.

    5. Menopausa aumenta o risco de infarto?

    Sim. A queda no estrogênio após a menopausa está associada a maior risco de problemas no coração.

    6. Quais fatores de risco são exclusivos das mulheres?

    Complicações na gravidez e impacto hormonal da menopausa.

    7. Como prevenir o infarto feminino?

    Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, fazer check-ups regulares e conhecer os sinais de alerta.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Terapia ABA: o que é e como funciona o tratamento padrão-ouro para o autismo?

    Terapia ABA: o que é e como funciona o tratamento padrão-ouro para o autismo?

    A Análise do Comportamento Aplicada, conhecida pela sigla ABA, é um método baseado em evidências científicas que ajuda a criança a aprender novas habilidades e a reduzir comportamentos que dificultam o desenvolvimento.

    Apesar de ser mais conhecida pela importância no acompanhamento do transtorno do espectro autista (TEA), a abordagem também pode ser utilizada em outras situações que envolvem dificuldades de aprendizagem, comunicação ou comportamento. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é a terapia ABA e para que serve?

    ABA é a sigla para Applied Behavior Analysis, expressão em inglês que significa Análise do Comportamento Aplicada.

    Ela consiste em uma área da ciência que estuda como as pessoas aprendem novos comportamentos. A partir disso, os profissionais ensinam habilidades importantes e ajudam a reduzir comportamentos que podem atrapalhar o desenvolvimento da criança.

    Atualmente, a terapia ABA é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por diversas entidades médicas internacionais como o tratamento com maior nível de evidência científica para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA).

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, diversos estudos mostram que a intervenção ajuda a criança a desenvolver a comunicação, melhorar a interação com outras pessoas, conquistar mais independência nas atividades do dia a dia e reduzir comportamentos que dificultam a aprendizagem e a convivência.

    Para quem a terapia ABA é indicada?

    A ABA é indicada principalmente para pessoas com autismo, independentemente do grau de suporte. As crianças pequenas costumam apresentar uma resposta muito positiva porque o cérebro ainda está em uma fase de grande desenvolvimento, mas adolescentes e adultos também podem se beneficiar do tratamento.

    Dependendo da necessidade de cada pessoa, a terapia pode ajudar no desenvolvimento da fala, na interação social, na autonomia, na adaptação à escola, no controle das emoções e na redução de comportamentos que colocam a criança em risco ou dificultam a aprendizagem.

    Como funciona o tratamento com a metodologia ABA na prática?

    Na terapia ABA, cada paciente recebe um plano totalmente individualizado, criado de acordo com a idade, as habilidades que já desenvolveu e as dificuldades que ainda precisam ser trabalhadas.

    Antes de iniciar o acompanhamento, a equipe médica faz uma avaliação completa para entender quais objetivos serão mais importantes naquele momento do desenvolvimento.

    Segundo Bárbara, o tratamento costuma acontecer em algumas etapas.

    1. Avaliação inicial

    No começo, uma avaliação detalhada é necessária para identificar o que a criança já consegue fazer e quais habilidades ainda precisam ser estimuladas.

    Durante a fase, o profissional também observa quais comportamentos podem dificultar o aprendizado, como a dificuldade para permanecer sentado durante uma atividade, a sensibilidade exagerada a sons ou a irritação diante de pequenas mudanças na rotina.

    2. Plano de intervenção (PI)

    Depois da avaliação, a equipe elabora um Plano de Intervenção, conhecido como PI. Nesse documento ficam definidos objetivos bem específicos para os próximos meses, sempre de uma forma que permita acompanhar a evolução da criança.

    As metas podem ser simples, como responder quando alguém chama pelo nome, olhar para quem está falando ou aprender a fazer um gesto de despedida ao chegar ou sair da terapia.

    3. Reforço positivo

    O reforço positivo é um princípio que consiste em adicionar um estímulo desejável ou recompensador logo após a emissão de um comportamento

    Na prática, sempre que a criança consegue realizar uma atividade ou faz um esforço para aprender uma nova habilidade, ela recebe uma recompensa que seja importante para ela, como um elogio, uma brincadeira, um brinquedo favorito ou qualquer outra atividade que desperte interesse.

    Aos poucos, o cérebro aprende que repetir aquele comportamento traz uma experiência agradável, aumentando as chances de que ele aconteça novamente.

    4. Aprender um passo de cada vez

    Na terapia ABA, as habilidades são ensinadas aos poucos, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada criança. Quando o objetivo é desenvolver uma tarefa mais complexa, como pedir água, por exemplo, o aprendizado é dividido em pequenas etapas para facilitar a compreensão e evitar frustrações.

    Primeiro a criança aprende a olhar para a pessoa, depois faz um som, em seguida aprende a falar a palavra e, aos poucos, consegue fazer o pedido de forma espontânea. Cada conquista se transforma na base para aprender a seguinte, tornando o desenvolvimento mais natural e consistente.

    Papel da equipe multidisciplinar na terapia ABA

    Para que a criança tenha um bom desenvolvimento, vários profissionais precisam trabalhar juntos, conversar entre si e seguir os mesmos objetivos durante todo o tratamento. Cada um deles desempenha um papel diferente:

    • Analista do comportamento: organiza todo o tratamento, define os objetivos, acompanha os resultados e orienta os profissionais que realizam as sessões;
    • Fonoaudiólogo: trabalha o desenvolvimento da fala, da linguagem, da comunicação e também ensina formas alternativas de comunicação quando necessário;
    • Terapeuta ocupacional: ajuda a criança a desenvolver a coordenação motora, a autonomia nas atividades do dia a dia e a lidar melhor com os estímulos do ambiente, como sons, texturas, cheiros e luzes;
    • Outros profissionais: dependendo das necessidades da criança, também podem participar fisioterapeutas, psicomotricistas, musicoterapeutas e profissionais de equoterapia, ampliando os estímulos durante o tratamento.

    De acordo com Bárbara, não adianta cada profissional trabalhar de forma separada, porque a criança aprende melhor quando recebe os mesmos estímulos em todos os ambientes e durante todas as terapias.

    Quantas horas de terapia ABA o bebê precisa por semana?

    Segundo Bárbara, a resposta depende das necessidades de cada criança. Como o cérebro infantil aprende rápido nos primeiros anos de vida, a repetição dos estímulos ajuda a fortalecer novas conexões e favorece o desenvolvimento.

    A recomendação geral costuma variar entre 10 e 40 horas por semana. A quantidade de horas é definida depois da avaliação e leva em consideração as dificuldades apresentadas, os objetivos do tratamento e a intensidade dos atrasos no desenvolvimento.

    Como identificar se a terapia ABA do seu filho é de qualidade?

    Com o aumento na busca por tratamentos para o TEA nos últimos anos, o mercado de saúde passou por um processo de precarização. No Brasil, a profissão de analista do comportamento ainda não é devidamente regulamentada, o que exige dos pais um olhar muito atento e crítico para garantir que o serviço contratado seja ético e eficiente.

    Segundo Bárbara, uma das principais falhas atuais é a colocação de estudantes ou profissionais sem experiência na função de aplicadores diretos da terapia, sem que haja uma retaguarda adequada.

    Antes de escolher onde o filho será atendido, vale a pena observar alguns pontos que ajudam a identificar se o tratamento realmente tem qualidade:

    • A equipe conta com um profissional qualificado: o tratamento deve ser acompanhado por um analista do comportamento com formação e experiência na área, responsável por planejar o atendimento e acompanhar a evolução da criança;
    • Existe supervisão frequente: quando as sessões são feitas por aplicadores ou terapeutas, o trabalho precisa ser acompanhado de perto pelo supervisor, que analisa os resultados e faz os ajustes necessários no plano de tratamento;
    • A família participa do processo: uma boa terapia também orienta os pais. A equipe deve explicar o que foi trabalhado durante a semana, ensinar como estimular a criança em casa e ouvir as dúvidas e observações da família;
    • O atendimento é acolhedor e respeita a criança: a terapia nunca deve utilizar punições, causar medo ou gerar sofrimento. Um bom tratamento respeita o ritmo da criança, utiliza estratégias positivas de aprendizagem e acolhe tanto o paciente quanto a família durante todo o processo.

    A equipe também deve explicar quais habilidades estão sendo trabalhadas, mostrar aos pais como continuar os estímulos em casa e ouvir como a criança se comporta no dia a dia.

    Quando os responsáveis participam ativamente do tratamento e dão continuidade às atividades fora da clínica, a criança tem mais oportunidades de praticar o que aprendeu e generalizar as habilidades para diferentes situações da rotina.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Por que a ABA é considerada o “padrão-ouro” para o autismo?

    Porque é a abordagem terapêutica com o maior volume de evidências científicas comprovadas no mundo, mostrando resultados reais na evolução de crianças dentro do espectro.

    2. A terapia ABA serve apenas para quem tem autismo?

    Não. Apesar de famosa no tratamento do TEA, a ABA pode ser aplicada no manejo de TDAH, transtornos de aprendizagem, no ambiente escolar e até em treinamentos de grandes empresas.

    3. A partir de qual idade a criança pode começar a terapia ABA?

    Não há idade mínima. Se o bebê apresentar sinais de risco ou atrasos no desenvolvimento (mesmo antes de 1 ano), a intervenção baseada em ABA já pode e deve ser iniciada.

    4. Por que a terapia ABA precisa de tantas horas por semana?

    Porque o cérebro de uma criança autista precisa de mais repetição e intensidade para consolidar aprendizados e criar novas conexões neurais em comparação com crianças neurotípicas.

    5. Quanto tempo dura o tratamento com a terapia ABA?

    Não há prazo fixo. O tratamento dura o tempo necessário para que a criança minimize seus prejuízos e ganhe autonomia nas atividades diárias, podendo durar meses ou anos.

    6. Qual a diferença entre a ABA e a terapia com psicólogo comum?

    A psicologia tradicional costuma focar na fala e na elaboração interna de sentimentos no consultório. A ABA foca na observação direta do comportamento e na modificação de ações práticas do dia a dia, medindo o progresso por meio de dados e gráficos.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?