Nos últimos anos, o PMMA (polimetilmetacrilato) voltou a ganhar destaque após diversos casos de complicações graves relacionados a procedimentos estéticos. Embora o produto tenha aplicações médicas específicas e regulamentadas, o uso inadequado ou em grandes volumes tem sido associado a inflamações, deformidades, infecções e até situações potencialmente fatais.
O tema costuma gerar dúvidas porque muitas pessoas confundem o PMMA com preenchedores mais modernos, como o ácido hialurônico. Existe, no entanto, uma diferença fundamental entre eles: enquanto alguns preenchedores são absorvidos pelo organismo ao longo do tempo, o PMMA é considerado um material permanente. Isso faz com que eventuais complicações possam ser mais difíceis de tratar e, em alguns casos, apareçam muitos anos após a aplicação.
O que é o PMMA
O PMMA (polimetilmetacrilato) é um material sintético composto por microesferas que permanecem no organismo após a aplicação.
Quando injetado, ele estimula uma reação do corpo que leva à formação de tecido ao redor das microesferas, produzindo um efeito de preenchimento duradouro.
Ao contrário de substâncias absorvíveis, o PMMA não é degradado naturalmente pelo organismo. Por isso, os efeitos tendem a ser permanentes, o material permanece no local aplicado e complicações podem surgir mesmo anos após o procedimento.
Para que o PMMA foi desenvolvido
O PMMA possui indicações médicas específicas e regulamentadas.
Historicamente, foi utilizado em situações como:
- Correção de defeitos teciduais selecionados;
- Reconstruções em casos específicos;
- Algumas indicações reparadoras.
O uso de PMMA deve seguir critérios rigorosos e ser realizado por profissionais habilitados e treinados para esse tipo de procedimento.
Por que o PMMA é diferente de outros preenchedores?
A principal diferença está na permanência do produto no organismo.
PMMA
- Material permanente;
- Não é absorvido pelo corpo;
- Complicações podem ser difíceis de corrigir.
Ácido hialurônico
- Material absorvível;
- É degradado gradualmente pelo organismo;
- Possui opções de reversão em muitos casos.
Essa diferença faz com que a abordagem diante de uma complicação seja bastante distinta.
Quais são os principais riscos do PMMA?
As complicações podem acontecer logo após a aplicação ou surgir muitos anos depois.
Os problemas mais conhecidos são:
- Inflamações crônicas;
- Formação de nódulos;
- Endurecimento dos tecidos;
- Assimetrias;
- Dor persistente;
- Alterações estéticas permanentes.
A gravidade varia conforme a quantidade aplicada, a região tratada e a resposta individual de cada organismo.
O organismo pode rejeitar o PMMA?
Não ocorre uma rejeição clássica como a observada em transplantes. O organismo, porém, pode desencadear reações inflamatórias importantes contra o material.
Em alguns pacientes surgem estruturas chamadas granulomas, que são áreas de inflamação formadas ao redor do PMMA.
Essas reações podem aparecer meses após a aplicação, anos depois do procedimento ou até mesmo décadas mais tarde. É por isso que uma pessoa pode permanecer sem sintomas por muito tempo e desenvolver complicações posteriormente.
Complicações graves podem acontecer?
Sim. Embora sejam menos frequentes, algumas complicações podem ter consequências importantes para a saúde.
1. Necrose dos tecidos
A necrose ocorre quando o fluxo sanguíneo de uma região é comprometido.
Isso pode causar:
- Morte dos tecidos;
- Feridas graves;
- Cicatrizes permanentes;
- Deformidades.
2. Infecções
As infecções associadas ao PMMA podem ser particularmente difíceis de tratar porque o material permanece no organismo.
Em alguns casos, são necessários:
- Antibióticos prolongados;
- Procedimentos cirúrgicos;
- Múltiplas intervenções.
3. Embolia
Uma das complicações mais temidas acontece quando o produto atinge um vaso sanguíneo.
Nessa situação pode ocorrer:
- Obstrução da circulação;
- Lesão dos tecidos;
- Complicações sistêmicas graves.
Dependendo da região afetada, a situação pode representar risco à vida.
Por que algumas complicações aparecem anos depois?
Diferentemente de substâncias absorvíveis, o PMMA permanece indefinidamente no organismo.
Isso significa que processos inflamatórios podem surgir muito tempo após a aplicação.
Alguns fatores que podem desencadear complicações tardias incluem:
- Alterações imunológicas;
- Infecções;
- Traumas locais;
- Respostas inflamatórias do organismo.
Por esse motivo, pessoas que fizeram o procedimento devem informar esse histórico durante consultas médicas futuras.
É possível remover o PMMA?
A remoção completa costuma ser um dos maiores desafios. Dependendo da quantidade e da localização do produto:
- Nem todo o material pode ser retirado;
- Podem ser necessárias cirurgias complexas;
- Múltiplos procedimentos podem ser necessários.
Em alguns casos, a retirada total simplesmente não é possível sem causar danos significativos aos tecidos. Essa é uma das principais diferenças em relação aos preenchedores absorvíveis.
PMMA e grandes volumes: por que o risco aumenta?
O risco de complicações tende a crescer conforme aumenta a quantidade aplicada.
Quando grandes volumes são utilizados, especialmente para aumento corporal, podem ocorrer:
- Inflamações mais extensas;
- Maior risco de infecção;
- Deformidades;
- Dificuldade ainda maior de remoção.
Além disso, o tratamento de eventuais complicações costuma ser mais complexo.
Quais sintomas após a aplicação merecem atenção?
Procure avaliação médica se surgirem:
- Dor intensa;
- Vermelhidão progressiva;
- Endurecimento da região;
- Saída de secreção;
- Febre;
- Alterações na cor da pele;
- Surgimento de nódulos;
- Mudanças estéticas inesperadas.
Esses sintomas podem surgir logo após a aplicação ou muitos anos depois.
O que os médicos avaliam em pessoas que receberam PMMA?
A investigação depende da região tratada e dos sintomas apresentados.
Ela pode incluir:
- Exame físico detalhado;
- Ultrassonografia;
- Ressonância magnética;
- Tomografia em casos específicos;
- Avaliação por cirurgia plástica;
- Avaliação por especialistas em reconstrução.
O objetivo é determinar a extensão do material e identificar possíveis complicações.
PMMA é proibido?
Não. O PMMA possui regulamentação para indicações específicas. O problema está principalmente no uso inadequado, em aplicações fora das recomendações ou em grandes volumes para fins estéticos.
Por isso, é fundamental que qualquer procedimento seja realizado apenas por profissionais habilitados e dentro das indicações aprovadas.
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Perguntas frequentes sobre PMMA
1. O PMMA é absorvido pelo organismo?
Não. Ele é considerado um material permanente.
2. Toda pessoa que usa PMMA terá complicações?
Não. Muitas pessoas nunca desenvolvem problemas, mas o risco existe e pode surgir anos depois.
3. O PMMA é igual ao ácido hialurônico?
Não. O ácido hialurônico é absorvido pelo organismo, enquanto o PMMA fica no corpo de forma permanente.
4. É possível remover totalmente o PMMA?
Nem sempre. A remoção completa pode ser muito difícil ou até impossível em alguns casos.
5. As complicações podem aparecer anos depois?
Sim. Existem relatos de complicações surgindo muitos anos após a aplicação.
6. O PMMA pode causar infecção?
Sim. Infecções podem ocorrer e, em alguns casos, são difíceis de tratar devido à presença permanente do material.
7. Quando procurar um médico?
Sempre que houver dor, inflamação, deformidades, endurecimento ou qualquer alteração na região onde o produto foi aplicado.
