Blog

  • Workaholism: o vício em trabalho é um transtorno?  

    Workaholism: o vício em trabalho é um transtorno?  

    Você já foi chamado de workaholic? O apelido pode até parecer um elogio, já que trabalhar muitas horas costuma ser associado ao comprometimento, à dedicação e ao sucesso profissional. No entanto, existe uma diferença (enorme!) entre gostar do próprio trabalho e sentir uma necessidade incontrolável de trabalhar e produzir o tempo todo.

    O vício em trabalho, frequentemente chamado pelo termo em inglês workaholism, é caracterizado por uma compulsão para trabalhar que faz a pessoa colocar a carreira acima do descanso, da família, dos amigos e até da própria saúde.

    Aos poucos, a dificuldade para se desligar das responsabilidades profissionais pode provocar ansiedade, esgotamento físico e mental, problemas nos relacionamentos e aumentar o risco de desenvolver a síndrome de Burnout e outros transtornos psicológicos.

    O que é o vício em trabalho (workaholism)?

    O vício em trabalho é uma necessidade compulsiva e difícil de controlar de trabalhar o tempo todo. Como o trabalho ocupa o primeiro lugar e deixa pouco espaço para o descanso e os momentos de lazer, ele acaba comprometendo a saúde física e mental, prejudicando os relacionamentos e reduzindo a qualidade de vida.

    O nome surgiu da união das palavras work (trabalho) e alcoholism (alcoolismo), justamente para mostrar que o excesso de trabalho pode funcionar de maneira parecida com uma dependência.

    A pessoa sente uma necessidade constante de produzir, cumprir tarefas e permanecer ocupada, além de experimentar culpa, ansiedade ou sensação de inutilidade sempre que tenta descansar.

    O vício em trabalho é considerado um transtorno mental?

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o vício em trabalho não é classificado como um transtorno mental oficial no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Mesmo assim, ele é reconhecido como um problema como um comportamento prejudicial para a saúde.

    Em muitos casos, a dedicação exagerada ao trabalho também pode estar relacionada a outros problemas de saúde mental ou funcionar como uma forma de evitar sentimentos difíceis e conflitos pessoais, como depressão, transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

    Como saber se sou viciado em trabalho?

    Uma boa forma de identificar o vício em trabalho é observar se alguns comportamentos fazem parte da rotina, como:

    • Dificuldade para relaxar: sentir culpa ou ansiedade intensa sempre que não está trabalhando, inclusive durante fins de semana, feriados ou férias;
    • Pensamentos constantes sobre o trabalho: continuar pensando ou falando sobre tarefas profissionais durante momentos de lazer ou encontros com a família;
    • Isolamento social: reduzir o contato com amigos, familiares e atividades de lazer para dedicar mais tempo ao trabalho;
    • Negligência com a própria saúde: pular refeições, dormir poucas horas ou deixar de cuidar da alimentação para conseguir realizar mais tarefas;
    • Uso do trabalho como forma de fugir dos problemas: manter uma rotina cheia de compromissos para evitar lidar com frustrações, dificuldades emocionais ou sentimentos de tristeza.

    Quando três ou mais comportamentos aparecem com frequência e começam a afetar a qualidade de vida, vale a pena procurar ajuda profissional para avaliar a situação.

    Consequências para a saúde física e mental

    No dia a dia, a mente e o corpo não podem viver em constante estado de alerta, e precisam de períodos de descanso para funcionar corretamente. Quando a rotina de trabalho ocupa praticamente todo o tempo e a energia, diversos problemas podem surgir:

    Saúde mental

    • Síndrome de Burnout: esgotamento profissional caracterizado por cansaço físico e mental intenso, perda de motivação e sensação de baixa capacidade para realizar as tarefas;
    • Crises de ansiedade e pânico: resultado da pressão constante e da necessidade de manter um alto nível de produtividade;
    • Depressão: favorecida pelo isolamento social, pela redução dos momentos de lazer e pela perda de interesse por atividades que antes davam prazer.

    Saúde física

    • Insônia crônica: dificuldade para iniciar o sono ou permanecer dormindo, já que a mente continua focada nas obrigações profissionais;
    • Problemas cardíacos: níveis elevados de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, aumentam o risco de hipertensão, arritmias e infarto;
    • Baixa imunidade: maior frequência de gripes, resfriados e outras infecções por causa do desgaste contínuo do organismo;
    • Dores crônicas: dor de cabeça tensional, dores nas costas, no pescoço e nos ombros aparecem com frequência devido à tensão muscular e ao excesso de horas de trabalho.

    Como tratar o vício no trabalho?

    Para lidar com o workaholism, o primeiro passo é reconhecer que a dedicação excessiva deixou de ser saudável e passou a causar prejuízos na vida pessoal, nos relacionamentos e na saúde. A recuperação envolve mudanças na rotina, na forma de lidar com a produtividade e, muitas vezes, o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

    A psicoterapia, principalmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), costuma ser uma das abordagens mais indicadas para o tratamento. Durante as sessões, a pessoa aprende a identificar os pensamentos e comportamentos que alimentam a necessidade constante de trabalhar, desenvolve formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade e diminui a sensação de culpa ao descansar.

    Também é importante estabelecer limites claros entre a vida profissional e a vida pessoal, a partir de medidas como:

    • Defina um horário para começar e terminar o expediente e procure respeitá-lo todos os dias;
    • Desligue o computador e o celular corporativo ao fim do trabalho sempre que possível;
    • Evite responder e-mails, mensagens ou ligações profissionais fora do horário de expediente;
    • Faça pausas ao longo do dia para descansar, levantar da cadeira e se alimentar com calma;
    • Reserve momentos da semana para atividades de lazer, exercícios físicos e encontros com amigos ou familiares;
    • Tire férias e folgas sem permanecer conectado às demandas do trabalho;
    • Aprenda a dizer “não” quando a carga de trabalho ultrapassar os seus limites;
    • Evite assumir mais tarefas do que consegue realizar de forma saudável.

    Em casos onde o vício está associado à depressão crônica ou crises graves de ansiedade, o médico psiquiatra pode avaliar a necessidade do uso temporário de medicamentos para equilibrar os sintomas.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o vício em trabalho?

    O vício em trabalho pode surgir por vários motivos, como perfeccionismo, necessidade de aprovação, medo de perder o emprego, pressão por resultados e o hábito de usar o trabalho para fugir de problemas emocionais.

    2. O vício em trabalho dá direito a afastamento pelo INSS?

    O vício em trabalho, por si só, não garante afastamento pelo INSS. Porém, doenças relacionadas à sobrecarga, como síndrome de Burnout, depressão ou transtornos de ansiedade, podem justificar o afastamento após avaliação médica.

    3. Qual é a diferença entre workaholism e work engagement?

    A pessoa engajada gosta do trabalho, mas consegue descansar e aproveitar o tempo livre. Já quem tem vício no trabalho sente necessidade de trabalhar o tempo todo e costuma sentir culpa ou ansiedade quando para.

    4. Quem trabalha em home office tem mais chance de desenvolver o vício?

    Sim. Como não existe uma separação física entre o trabalho e a vida pessoal, fica mais fácil prolongar o expediente e continuar conectado fora do horário.

    5. Quem é mais propenso a se tornar viciado em trabalho?

    Pessoas perfeccionistas, muito competitivas, controladoras ou que dependem do sucesso profissional para se sentirem valorizadas têm maior risco.

    6. Como ajudar alguém que é viciado em trabalho?

    Converse sem julgamentos, explique como o excesso de trabalho tem afetado a saúde e os relacionamentos e incentive a procura por ajuda profissional.

    7. Como estabelecer limites saudáveis trabalhando em home office?

    Defina um horário rígido de início e término das tarefas, tenha um espaço físico exclusivo para trabalhar (evite trabalhar na cama) e guarde ou cubra o computador logo após o encerramento do expediente.

    Leia mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Crise de ansiedade: o que fazer e como controlar os sintomas

    Você está em casa, tudo parece normal. De repente, o coração dispara, a respiração fica curta, a mente corre sem parar e parece que algo muito ruim vai acontecer. Essa sensação intensa e repentina pode ser uma crise de ansiedade.

    Se você já passou por isso ou convive com alguém que sofre com isso, saiba que não está sozinho e, mais importante, que é possível lidar com essa situação.

    Hoje você vai entender o que é uma crise de ansiedade, quais são os sintomas mais comuns, o que fazer na hora da crise e como cuidar da sua saúde mental no dia a dia com hábitos que ajudam a reduzir a ansiedade.

    O que é uma crise de ansiedade

    Uma crise de ansiedade é um episódio súbito e intenso de muito medo ou desconforto, geralmente sem causa aparente, que provoca sintomas físicos como falta de ar, coração acelerado, tontura, suor em excesso e sensação de perda de controle.

    O psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a crise começa no cérebro, quando a amígdala, estrutura pequena em formato de amêndoa que vigia perigos, aperta o botão de alarme sem existir ameaça real.

    “Pensamentos catastróficos como ‘vou desmaiar’ ou ‘vou enlouquecer’ criam um circuito fechado entre cérebro racional e emocional, mantendo o disparo. Quanto mais a pessoa tenta ‘não pensar’, maior o foco no medo, reforçando o ciclo”, detalha.

    A crise de ansiedade costuma durar alguns minutos e pode parecer, para quem sente, uma emergência médica, embora não ofereça risco real à vida.

    “Assim que esse alarme cerebral dispara, o corpo despeja adrenalina, hormônio que deixa coração e respiração mais rápidos, mãos úmidas, visão embaçada, nó na garganta, dor de barriga, náusea e tremor”, conta o médico.

    “Esse combo faz sentido se precisássemos correr de um predador, só que hoje o ‘leão’ pode ser um e-mail inesperado ou uma notificação de mensagem fora de horário. A descarga dura minutos e se dissipa, mas a lembrança do susto alimenta o medo de uma nova crise”, conta.

    Sintomas de uma crise de ansiedade

    Nem todo mundo sente uma crise de ansiedade da mesma forma. Mas os sintomas mais comuns são:

    • Coração acelerado ou palpitações;
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento;
    • Tremores, formigamento ou mãos suadas;
    • Dor ou aperto no peito;
    • Sensação de desmaio ou tontura;
    • Medo intenso de perder o controle ou “ficar louco”;
    • Vontade de fugir do local;
    • Sensação de que algo muito ruim vai acontecer.

    O que fazer durante uma crise de ansiedade

    Técnicas de respiração

    Respirar devagar e profundamente é uma das melhores maneiras de interromper uma crise de ansiedade. Uma dica é inspirar pelo nariz contando até 4, segurar o ar por 4 segundos e expirar lentamente pela boca contando até 6. Repetir isso por alguns minutos ajuda a desacelerar os batimentos do coração e diminuir a sensação de sufocamento.

    Primeiros socorros emocionais

    • Focar em objetos ao redor (prestar atenção em cores, formas e texturas);
    • Lembrar-se de que é só uma crise e que vai passar;
    • Repetir mentalmente frases de tranquilidade (“estou em segurança” ou “isso é só ansiedade”);
    • Se possível, sair do ambiente que provocou o estresse e buscar um lugar mais calmo;
    • Pedir apoio a alguém de confiança.

    7 técnicas práticas para domar uma crise de ansiedade

    1. Respiração diafragmática 4-2-6: respirar durante 4 segundos, segurar a respiração por 2 segundos e soltar o ar durante 6 segundos. Essa respiração que expande o abdômen ajuda a baixar a frequência cardíaca.
    2. Checagem dos cinco sentidos: nomear algo que você vê, ouve, toca, cheira e prova, trazendo a mente para o presente.
    3. Relaxamento muscular progressivo: contrair por cinco segundos e soltar grupos musculares da testa aos pés.
    4. Auto-fala racional: lembrar que o pico de adrenalina dura em média dez minutos e não causa danos permanentes.
    5. Movimento leve: caminhar devagar ou alongar ombros e pescoço ativa o sistema parassimpático, o “freio” fisiológico.
    6. Temperatura fria: lavar rosto ou mãos em água fria reduz atividade do nervo vago e acalma.
    7. Diário de gatilhos: anotar horário, local e pensamentos para mapear padrões e planejar enfrentamento.

    7 maneiras de diminuir a ansiedade e evitar crises

    1. Exercícios físicos regulares

    Movimentar o corpo libera endorfinas, substâncias que melhoram o humor e reduzem a tensão. Pode ser caminhada, dança, natação, corrida etc. O importante é achar algo que você goste.

    2. Técnicas de mindfulness e meditação

    Meditação guiada, respiração consciente e atenção plena (mindfulness) ajudam a manter o foco no momento presente e a controlar os pensamentos acelerados da ansiedade.

    3. Alimentação saudável

    Alimentar-se com vegetais, frutas, grãos e proteínas leves ajuda no funcionamento do cérebro e na regulação das emoções.

    4. Sono de qualidade

    Dormir mal piora a ansiedade. Criar uma rotina de sono e evitar telas antes de dormir ajuda o corpo a descansar.

    5. Menos café

    Bebidas com cafeína estimulam o sistema nervoso e podem aumentar a ansiedade. Observe sua reação e, se necessário, reduza o consumo.

    6. Psicoterapia (TCC e ACT)

    A TCC ensina a identificar pensamentos distorcidos e substituí-los por interpretações mais realistas. Já a ACT trabalha aceitação dos sintomas e foco em ações alinhadas aos valores pessoais.

    7. Apoio de amigos e família

    Conversar com pessoas de confiança pode trazer acolhimento e ajudar a lidar com as emoções difíceis.

    Quando procurar tratamento médico

    Se as crises de ansiedade são frequentes, intensas ou atrapalham sua vida, procure ajuda médica. Psicólogos e psiquiatras podem orientar o tratamento, que pode incluir terapia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação.

    Confira: Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Perguntas frequentes sobre crise de ansiedade

    1. A crise de ansiedade pode levar à morte?

    Não. Apesar dos sintomas intensos, a crise de ansiedade não é fatal. Mas ela precisa de cuidado para não se tornar frequente e incapacitante.

    2. Existe remédio para crise de ansiedade?

    Sim. Em alguns casos, o médico pode indicar remédios de uso pontual ou contínuo. Mas nem todo mundo precisa de remédio.

    3. Crianças podem ter crise de ansiedade?

    Sim. Crianças e adolescentes também podem sofrer com ansiedade, embora os sintomas possam se manifestar de forma diferente.

    4. A crise de ansiedade tem cura?

    A crise de ansiedade pode ser controlada e, em muitos casos, não se manifestar mais. A melhor coisa a se fazer é buscar ajuda e manter bons hábitos de vida.

    5. O que fazer se alguém próximo estiver em crise?

    Fique ao lado da pessoa, converse com calma, incentive a respiração lenta e leve-a para um ambiente tranquilo. Evite minimizar o que ela está sentindo.

    Veja também: Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade?

  • Quantos passos por dia são realmente necessários se você já faz musculação?

    Quantos passos por dia são realmente necessários se você já faz musculação?

    Você vai à academia quatro ou cinco vezes por semana, faz um bom treino de musculação e mantém uma rotina consistente. Mas, fora daquele período, trabalha oito horas sentado, se desloca de carro, usa elevador e termina o dia com apenas poucos passos. Nesse cenário, a hora passada na academia puxando ferro compensa todo o restante do tempo com pouco movimento?

    A resposta não cabe em um simples sim ou não. A musculação é uma das melhores formas de cuidar da saúde, preservar massa muscular, aumentar força e melhorar a capacidade funcional. Mas fazer exercício e permanecer fisicamente ativo ao longo do dia não são exatamente a mesma coisa.

    Uma pessoa pode treinar regularmente e, ainda assim, acumular muitas horas de comportamento sedentário. É justamente aí que entram os passos diários: não como uma competição para chegar obrigatoriamente aos 10 mil, mas como uma forma simples de observar quanto nos movimentamos fora do treino.

    Afinal, quem faz musculação precisa se preocupar com o número de passos?

    Não existe, até o momento, uma recomendação científica que determine um número específico de passos para quem pratica musculação. As principais diretrizes de atividade física são formuladas principalmente em minutos de atividade e intensidade, e não em uma meta universal de passos.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos façam de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. A entidade também recomenda reduzir o tempo sedentário e lembra que toda atividade física conta.

    Isso ajuda a entender uma questão importante: musculação e passos não são concorrentes. Um não necessariamente substitui o outro porque representam formas diferentes de movimento e podem oferecer benefícios complementares.

    A musculação fornece um estímulo específico para força, massa muscular e função física. Caminhar e se movimentar ao longo do dia aumentam o gasto energético e o volume total de atividade física, além de reduzir o tempo em que o corpo permanece praticamente parado. O ideal, portanto, não é pensar ou musculação ou passos, mas observar a rotina como um todo.

    Uma pessoa que faz musculação pode ser sedentária?

    Existe uma diferença de conceitos que costuma gerar confusão.

    No uso cotidiano, chamamos de sedentária a pessoa que não pratica exercícios. Cientificamente, porém, inatividade física e comportamento sedentário não são exatamente a mesma coisa.

    Uma pessoa é considerada insuficientemente ativa quando não alcança os níveis recomendados de atividade física. Já comportamento sedentário corresponde ao tempo acordado passado em atividades de baixo gasto energético, como ficar sentado ou reclinado diante do computador, no carro ou no sofá.

    Por isso, uma pessoa pode cumprir sua rotina de exercícios e, ao mesmo tempo, acumular muitas horas de comportamento sedentário.

    Imagine alguém que treina musculação das 7h às 8h e depois passa grande parte das 15 horas seguintes sentado ou deitado. Essa pessoa não é necessariamente fisicamente inativa, porque fez exercício. Mas ainda pode apresentar um volume elevado de comportamento sedentário.

    A distinção é importante porque a OMS aponta que maiores quantidades de comportamento sedentário estão associadas, em adultos, a maior risco de mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares, além de maior incidência de doenças cardiovasculares, câncer e diabetes tipo 2.

    Uma hora de academia compensa passar o dia inteiro sentado?

    A atividade física regular certamente reduz riscos e é muito melhor do que não se exercitar. Mas isso não significa que passar o restante do dia quase completamente parado seja irrelevante.

    Um grande estudo publicado no JAMA Network Open, que acompanhou mais de 481 mil pessoas por cerca de 13 anos, encontrou associação entre permanecer predominantemente sentado no trabalho e maior risco de morte.

    Em comparação com pessoas que não passavam a maior parte do trabalho sentadas, aquelas que ficavam predominantemente sentadas apresentaram risco 16% maior de morte por todas as causas e 34% maior de morte cardiovascular. Por se tratar de um estudo observacional, ele mostra associação, e não prova isoladamente uma relação direta de causa e efeito.

    O próprio estudo encontrou um dado interessante: aumentar a atividade física diária esteve associado à atenuação desse risco. Entre as pessoas que permaneciam predominantemente sentadas no trabalho e faziam pouca ou nenhuma atividade física no tempo livre, acrescentar cerca de 15 a 30 minutos diários de atividade esteve associado a um risco semelhante ao observado em pessoas menos sedentárias no trabalho.

    A mensagem, portanto, não é que a musculação não adianta se você trabalha sentado. Ela adianta, e muito. O ponto é que uma rotina saudável pode incluir tanto o exercício estruturado quanto mais oportunidades de movimento no restante do dia.

    E quantos passos por dia são necessários?

    Essa é provavelmente a pergunta mais difícil de responder com um único número. Isso porque não existe uma quantidade de passos que funcione como uma fronteira absoluta entre saudável e não saudável para quem faz musculação.

    Ainda assim, estudos observacionais permitem identificar faixas de passos associadas a melhores desfechos de saúde.

    Um estudo científico publicado em 2025 no periódico The Lancet Public Health analisou a relação entre passos diários e diferentes desfechos de saúde. Os resultados reforçaram algo que pesquisas anteriores já sugeriam: os benefícios começam muito antes dos 10 mil passos por dia.

    Na análise, cerca de 7 mil passos por dia foram associados a uma redução de 47% no risco de morte por todas as causas em comparação com uma referência de aproximadamente 2 mil passos diários.

    A mesma quantidade também esteve associada a menor risco de outros desfechos, incluindo doença cardiovascular. Como os estudos analisados são predominantemente observacionais, esses números devem ser interpretados como associações populacionais, e não como garantia individual de proteção.

    Isso não significa que 7 mil seja um novo número mágico. Significa que, para muitas pessoas, essa pode ser uma meta prática associada a benefícios importantes, e que não é necessário considerar um dia com 8 mil ou 9 mil passos como um fracasso simplesmente porque o relógio não marcou os 10 mil.

    Então os famosos 10 mil passos não são necessários?

    Não necessariamente. A meta de 10 mil passos se popularizou muito antes de existirem as evidências atuais sobre qual quantidade estaria associada a melhores desfechos de saúde. Hoje, os estudos indicam que há benefícios importantes em níveis inferiores.

    Isso não quer dizer que caminhar 10 mil passos seja perda de tempo. Para uma pessoa saudável, que gosta de caminhar e consegue encaixar esse volume naturalmente na rotina, atingir essa marca pode ser excelente. O problema está em transformar o número em uma regra rígida para todas as pessoas.

    Alguém que passa de 2 mil para 5 mil passos diários provavelmente fez uma mudança muito relevante em seu nível de atividade. Da mesma forma, quem consegue manter cerca de 7 mil passos já está em uma faixa associada, nos estudos populacionais, a benefícios expressivos para diferentes aspectos da saúde.

    Por isso, a pergunta mais útil talvez não seja “estou chegando aos 10 mil passos?”, mas sim “estou me movimentando mais do que antes e evitando passar praticamente o dia inteiro parado?”.

    Musculação e caminhada oferecem os mesmos benefícios?

    Não, e é justamente por isso que elas podem se complementar.

    O treinamento de força é especialmente importante para aumentar ou preservar massa muscular, força e capacidade funcional. Também tem papel relevante na saúde metabólica e na manutenção da autonomia ao longo do envelhecimento.

    Já caminhar aumenta o volume de movimento diário e pode contribuir para a aptidão cardiorrespiratória, especialmente dependendo da velocidade e da duração. Uma caminhada em ritmo acelerado, que aumenta a frequência respiratória e cardíaca, representa um estímulo diferente de andar lentamente pela casa ou pelo escritório.

    Por isso, não há necessidade de escolher um vencedor. Para a saúde geral, a combinação tende a ser mais completa.

    Os passos dados dentro da academia também contam?

    Sim. Passo é passo. Se você caminha até a academia, circula entre aparelhos, faz aquecimento na esteira ou passa alguns minutos caminhando após o treino, esses passos entram naturalmente na contagem diária do relógio ou do celular.

    O que merece atenção é que número de passos e intensidade do exercício são medidas diferentes.

    Duas pessoas podem terminar o dia com 7 mil passos, mas ter rotinas muito distintas. Uma pode ter caminhado lentamente durante atividades cotidianas; outra pode ter feito uma caminhada rápida e acumulado parte desses passos em intensidade moderada.

    Da mesma forma, um treino intenso de musculação pode trazer grandes benefícios e gerar relativamente poucos passos. Portanto, o contador de passos é uma ferramenta útil para observar movimento cotidiano, mas não consegue medir sozinho toda a qualidade da atividade física realizada.

    Quem faz musculação precisa fazer caminhada também?

    Não existe uma regra dizendo que toda pessoa que faz musculação precisa obrigatoriamente reservar mais 30 ou 60 minutos do dia para caminhar.

    Se alguém já se desloca a pé, sobe escadas, realiza tarefas domésticas, circula bastante no trabalho e acumula um bom volume de movimento cotidiano, talvez não seja necessário criar uma “sessão de passos” apenas para atingir um número no relógio.

    Por outro lado, para quem treina musculação e passa praticamente todo o restante do dia sentado, incluir mais movimento pode ser uma boa estratégia.

    Isso pode acontecer de várias formas:

    • Caminhar alguns minutos ao longo do expediente;
    • Fazer pequenos deslocamentos a pé;
    • Usar escadas quando possível;
    • Levantar-se regularmente durante o trabalho;
    • Fazer uma caminhada curta após uma refeição;
    • Estacionar um pouco mais longe;
    • Caminhar enquanto fala ao telefone.

    A vantagem é que o movimento não precisa necessariamente acontecer de uma só vez.

    É melhor dar todos os passos de uma vez ou distribuí-los pelo dia?

    Para o total de atividade física, acumular passos de qualquer maneira é positivo. Mas, para quem passa muitas horas sentado, distribuí-los ao longo do dia tem uma vantagem adicional: cria oportunidades de interromper períodos prolongados de comportamento sedentário.

    Isso não significa que seja necessário levantar a cada poucos minutos ou viver em função do relógio. A ideia é evitar a situação em que a pessoa faz um treino pela manhã e depois permanece praticamente imóvel durante todo o restante do dia.

    Quem busca hipertrofia pode caminhar bastante?

    Para a maioria das pessoas que treina apenas para melhorar a saúde, sem querer participar de competições ou esportes de alto rendimento, caminhar não deve ser visto como inimigo do ganho de músculos.

    Existe uma discussão na ciência do exercício sobre o chamado efeito de interferência, que ocorreria quando volumes elevados de treinamento aeróbico prejudicam algumas adaptações do treinamento de força. Mas isso não significa que uma caminhada cotidiana vá impedir o ganho de massa muscular.

    É importante diferenciar uma rotina normal de caminhada de volumes muito altos de treinamento de endurance. Dar mais passos durante o dia não é a mesma coisa que correr longas distâncias diariamente ou fazer sessões intensas e prolongadas de exercício aeróbico.

    Para quem busca hipertrofia, fatores como qualidade do treino de força, ingestão adequada de energia e proteínas, sono e recuperação continuam sendo fundamentais.

    Um volume muito elevado de atividade pode se tornar um problema se aumentar excessivamente o gasto energético, dificultar a recuperação ou provocar fadiga que prejudique o treino. Mas, para a maioria das pessoas, caminhar e se movimentar durante o dia pode coexistir perfeitamente com o objetivo de ganhar massa muscular.

    Confira: Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração?

    Perguntas frequentes sobre quantidade de passos e musculação

    1. Quem faz musculação precisa dar 10 mil passos por dia?

    Não. Não existe uma recomendação científica que determine 10 mil passos especificamente para quem faz musculação. Para a população geral, estudos mostram benefícios importantes em quantidades inferiores, e cerca de 7 mil passos aparecem como uma referência prática em evidências recentes.

    2. Fazer musculação compensa ficar sentado o dia inteiro?

    A musculação traz benefícios importantes, mas passar muitas horas em comportamento sedentário continua sendo relevante para a saúde. O ideal é combinar exercício regular com mais movimento ao longo do dia.

    3. Uma pessoa que treina pode ser sedentária?

    Ela pode cumprir as recomendações de exercício e, ao mesmo tempo, acumular muitas horas de comportamento sedentário. Cientificamente, inatividade física e comportamento sedentário são conceitos diferentes.

    4. Sete mil passos são suficientes?

    Não existe um número universal que garanta saúde, mas estudos recentes associam cerca de 7 mil passos por dia a benefícios importantes em comparação com níveis muito baixos de atividade.

    5. Caminhar pode atrapalhar a hipertrofia?

    Para a maioria das pessoas, uma quantidade habitual de caminhada não deve prejudicar o ganho de massa muscular.

    6. É melhor fazer uma caminhada longa ou se movimentar várias vezes ao dia?

    As duas estratégias podem contribuir para aumentar a atividade física. Para quem passa muitas horas sentado, distribuir parte do movimento ao longo do dia também ajuda a interromper períodos prolongados de comportamento sedentário.

    7. Se eu dou apenas 3 mil passos por dia, preciso ir direto para 10 mil?

    Não. Aumentar gradualmente a partir da própria média costuma ser uma estratégia mais realista. Sair de um nível muito baixo de movimento já pode representar uma mudança importante, e toda atividade física conta.

    Leia também: Quem tem problemas cardíacos pode fazer musculação? Cardiologista responde

  • Contato visual na amamentação: o bebê que não olha nos olhos pode ser autista?

    Contato visual na amamentação: o bebê que não olha nos olhos pode ser autista?

    Nos primeiros meses de vida, além de fornecer todos os nutrientes necessários para o crescimento do bebê, a amamentação também é um dos principais momentos de interação entre a mãe e o recém-nascido. Durante as mamadas, acontecem as trocas de olhares, as expressões faciais e diversos estímulos que ajudam no desenvolvimento da comunicação, do vínculo afetivo e das habilidades sociais.

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, desde o nascimento, os bebês demonstram uma preferência natural por observar rostos humanos. Como a visão ainda está em desenvolvimento nas primeiras semanas de vida, eles enxergam melhor o que está entre 20 e 30 centímetros de distância, exatamente a distância entre o rosto da mãe e o bebê durante a amamentação.

    Por isso, é comum que eles observem o rosto da mãe e, aos poucos, aprendam a reconhecer expressões e emoções.

    Só que, nos primeiros dois meses, o sistema visual continua amadurecendo. Em alguns momentos, o bebê pode desviar o olhar para uma luz, uma sombra ou simplesmente fechar os olhos porque está relaxado ou satisfeito após mamar. A falta de contato visual, por si só, não significa que exista algum problema, mas vale ficar atento a alguns sinais de alerta.

    O bebê não olhar nos olhos durante a amamentação é normal?

    Sim, principalmente nos primeiros meses de vida. O contato visual não acontece de forma constante desde o nascimento, porque a visão e o cérebro do bebê ainda estão em desenvolvimento.

    Nas primeiras semanas, é normal que ele alterne entre olhar para o rosto da mãe, fechar os olhos durante a mamada ou desviar a atenção para outros estímulos do ambiente.

    Um episódio isolado em que o bebê não faz contato visual normalmente não indica nenhum problema e não deve ser motivo de preocupação. Se ele estava com sono, fome, cólica ou muito cansado, é natural que olhe menos para o rosto dos pais ou dos cuidadores naquele momento.

    Quando a falta de contato visual do bebê acende o alerta?

    O principal sinal de alerta aparece quando a ausência de contato visual é frequente e acontece em diferentes situações do dia a dia. Durante a amamentação, a troca de fraldas, o banho ou as brincadeiras, o bebê parece não responder quando a mãe ou o cuidador tenta chamar sua atenção com sorrisos, conversas ou expressões faciais.

    Em casos assim, o olhar pode permanecer fixo em uma luz, na janela, em um objeto ou simplesmente parecer distante, sem buscar interação com as pessoas ao redor.

    Quando o comportamento continua após os primeiros meses de vida, principalmente a partir dos 2 ou 3 meses, o pediatra pode recomendar uma avaliação mais detalhada do desenvolvimento para entender se existe alguma dificuldade na comunicação e na interação social.

    Um sinal isolado fecha diagnóstico de autismo?

    A ausência de contato visual, sozinha, não confirma o quadro de transtorno do espectro autista (TEA). O diagnóstico depende da avaliação de vários sinais do desenvolvimento e considera tanto dificuldades na comunicação e na interação social quanto comportamentos repetitivos e interesses restritos.

    Segundo Bárbara, o diagnóstico de autismo só pode ser feito a partir de um ano de idade, sendo mais comum entre um ano e três meses e um ano e seis meses.

    Também é importante lembrar que muitas crianças com autismo fazem contato visual normalmente. O diagnóstico nunca é baseado em apenas um comportamento, mas na avaliação completa do desenvolvimento da criança ao longo do tempo.

    A falta de contato visual durante a amamentação deve ser vista apenas como um possível sinal de alerta, principalmente quando aparece junto de outros atrasos no desenvolvimento.

    O que pode ser se não for autismo?

    Quando o bebê apresenta pouca troca de olhares, o autismo é apenas uma das possibilidades que o médico pode investigar. Existem outras condições que também podem provocar o comportamento, como:

    1. Problemas de visão

    Alterações como estrabismo, catarata congênita, miopia, hipermetropia ou astigmatismo podem dificultar que o bebê enxergue com clareza o rosto da mãe durante a amamentação e em outros momentos de interação. A troca de olhares pode ficar reduzida, mesmo sem haver qualquer alteração no desenvolvimento da comunicação.

    2. Alterações na audição

    Os bebês costumam direcionar o olhar para a voz da mãe ou de outras pessoas que conversam com eles. Quando existe alguma dificuldade auditiva, a resposta aos estímulos sonoros pode diminuir, reduzindo também o contato visual durante a amamentação, as brincadeiras e os cuidados do dia a dia.

    3. Atrasos no desenvolvimento da comunicação

    Algumas crianças podem apresentar atrasos no desenvolvimento da linguagem e da comunicação social sem que isso signifique, necessariamente, um diagnóstico de TEA. Cada bebê tem o próprio ritmo de desenvolvimento, e a avaliação médica é necessária para identificar a causa das dificuldades e indicar o acompanhamento mais adequado.

    4. Condições neurológicas ou complicações no nascimento

    A prematuridade, o sofrimento fetal e algumas condições neurológicas ou síndromes genéticas podem atrasar diferentes marcos do desenvolvimento infantil, incluindo o contato visual, a interação com outras pessoas e o desenvolvimento da comunicação.

    O acompanhamento com o pediatra e outros especialistas ajuda a monitorar a evolução da criança e iniciar intervenções precoces quando necessário.

    O que os pais devem fazer ao notar esse comportamento?

    O mais importante é observar o bebê com calma e evitar comparações com outras crianças, já que cada uma tem o próprio ritmo de desenvolvimento.

    Ao mesmo tempo, os pais não devem ignorar uma preocupação persistente. Quem convive diariamente com o bebê costuma perceber mudanças e comportamentos diferentes antes mesmo das consultas de rotina, segundo Bárbara.

    Se surgir a suspeita de que algo não está evoluindo como esperado, algumas atitudes podem ajudar:

    • Observe outros comportamentos: perceba se o bebê responde à voz dos pais, sorri de volta, acompanha pessoas com o olhar e reage aos estímulos do ambiente;
    • Anote ou filme as interações: pequenos vídeos da amamentação, das brincadeiras ou de outros momentos do dia ajudam o pediatra a avaliar o comportamento com mais detalhes;
    • Procure avaliação médica: converse primeiro com o pediatra. Se houver necessidade, o profissional poderá encaminhar a criança para um neuropediatra, oftalmologista, otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo.

    Caso seja identificada alguma alteração no desenvolvimento, a intervenção precoce pode começar mesmo antes de um diagnóstico definitivo.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê deve começar a olhar nos olhos?

    O esperado é que o bebê comece a fixar o olhar no rosto dos pais entre a 4ª e a 6ª semana de vida. Aos 2 ou 3 meses, o contato visual já deve ser firme e frequente.

    2. O que fazer se o bebê não atende pelo nome?

    O primeiro passo é fazer um exame de audição (como o teste do bera) para descartar surdez. Se a audição estiver normal e o comportamento persistir, procure um neuropediatra.

    3. O que são diagnósticos diferenciais do autismo?

    São outras condições que causam sintomas parecidos e precisam ser investigadas, como problemas de visão, deficiência auditiva, TDAH ou transtornos de ansiedade infantil.

    4. O autismo é herdado dos pais?

    A base genética é imensa (mais de 80%), mas não depende de um único gene. É uma combinação de múltiplos genes e fatores ambientais. Em alguns casos, os pais descobrem que são autistas após o diagnóstico do filho.

    5. O que é a hipersensibilidade sensorial na infância?

    É quando o cérebro da criança processa estímulos do ambiente de forma exagerada. Ela pode chorar desesperadamente com barulhos comuns (liquidificador, secador), rejeitar certas texturas de roupas ou ter forte seletividade alimentar devido à textura da comida.

    6. Como diferenciar a birra normal de uma crise do autismo?

    A birra comum tem um objetivo claro (chamar atenção ou conseguir algo) e cessa quando a vontade da criança é atendida ou ela se cansa. A crise no autismo (meltdown) é uma sobrecarga neurológica: a criança perde o controle total de si, não consegue parar sozinha e não é motivada por um ganho material.

    7. Criança muito agitada com 2 anos já pode ter diagnóstico de TDAH?

    Não. Os médicos não fecham o diagnóstico de TDAH antes dos 4 anos porque a região cerebral responsável pelo controle do comportamento (o córtex pré-frontal) ainda é muito imatura. Antes dessa idade, a agitação costuma ser tratada apenas com mudanças de estímulo e rotina.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

  • Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

    O colesterol é muito importante para o corpo, mas em excesso pode ser perigoso. Quando está bem equilibrado, ajuda o organismo a funcionar direito, mas o colesterol alto aumenta o risco de doenças bem graves, como infarto e AVC.

    Neste texto, você vai entender o que é colesterol, os tipos e os principais fatores que contribuem para que ele fique alto, além de aprender o que fazer para resolver esse problema.

    O que é colesterol e por que ele é importante?

    O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo próprio organismo e também obtido pela alimentação. Apesar da fama ruim, ele é fundamental: está presente nas membranas das células, participa da produção de hormônios e é necessário para a saúde do corpo. No entanto, é preciso evitar a todo custo o colesterol alto.

    Tipos de colesterol: LDL, HDL e VLDL explicado

    Colesterol LDL: por que é considerado ruim?

    Quando está em excesso, o LDL se acumula nas artérias e pode formar placas que dificultam a passagem do sangue. Quando essas placas bloqueiam a passagem total do sangue é que acontecem infartos e AVC.

    Colesterol HDL: o protetor do coração

    Nem todo colesterol é ruim. O colesterol HDL tem o papel de “limpar” o excesso de colesterol nas artérias e ajudar a proteger o coração.

    VLDL

    O colesterol VLDL transporta triglicerídeos, outra gordura que faz mal ao coração. Quando há VLDL em excesso, sobram triglicérides circulando, o que predispõe ao acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco cardiovascular.

    Valores de referência para colesterol

    Exame Desejável para população geral Desejável para alto risco cardiovascular Desejável para risco muito alto
    Colesterol Total Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL Menor que 190 mg/dL
    LDL (colesterol “ruim”) Menor que 100 mg/dL Menor que 70 mg/dL Menor que 50 mg/dL
    HDL (colesterol “bom”) ≥ 40 mg/dL (homens) / ≥ 50 mg/dL (mulheres) Igual Igual
    Triglicerídeos Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL Menor que 150 mg/dL
    Não-HDL Menor que 130 mg/dL Menor que 100 mg/dL Menor que 80 mg/dL

    O que causa o colesterol alto?

    As causas do colesterol alto são várias. O problema pode acontecer tanto por maus hábitos de saúde ou por fatores genéticos. Entenda.

    Fatores genéticos

    Algumas pessoas nascem com maior tendência ao colesterol alto, mesmo estando dentro do peso ideal e fazendo uma alimentação saudável. Essa condição é uma herança genética chamada de hipercolesterolemia familiar e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros.

    Dieta rica em gordura saturada e trans

    Alimentos como fast-food, frituras, carnes gordurosas e produtos industrializados são grandes problemas, pois uma alimentação ruim pode aumentar o LDL em até 25%. E os riscos do colesterol alto são muitos, por isso é importante manter uma boa alimentação.

    Sedentarismo

    A falta de atividade física reduz o HDL, que é o colesterol bom, e dificulta o controle do colesterol ruim. Apenas 150 minutos de exercício de intensidade moderada por semana já fazem diferença.

    Tabagismo e álcool em excesso

    Fumar danifica as artérias e reduz o colesterol bom. O excesso de bebida alcoólica também aumenta os triglicérides, que é péssimo para o coração.

    Envelhecimento e hormônios

    Com o passar dos anos, o corpo tende a produzir mais colesterol. Após a menopausa, muitas mulheres apresentam aumento do LDL.

    Veja também: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Doenças associadas

    Diabetes tipo 2, hipotireoidismo e doenças renais ou hepáticas alteram o metabolismo e aumentam a chance de ter colesterol alto.

    Estresse

    O estresse crônico aumenta o cortisol, um hormônio que interfere no metabolismo das gorduras e pode aumentar os níveis de colesterol.

    Uso de remédios

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, alguns remédios, como corticóides, anticoncepcionais, diuréticos e betabloqueadores, podem contribuir para alterações do colesterol. “É fundamental informar ao médico todos os medicamentos em uso ao investigar causas de colesterol alto”, alerta.

    Como prevenir o colesterol alto?

    O controle do colesterol começa com hábitos saudáveis. Veja os três pilares de prevenção do colesterol alto:

    • Alimentação balanceada: frutas, verduras, grãos integrais, azeite de oliva e peixes são ótimos para ajudar a manter o colesterol sob controle. Evite frituras, embutidos e alimentos industrializados.
    • Exercício físico: caminhar, pedalar, nadar ou dançar ajuda a melhorar os níveis de HDL e controlar o LDL. Lembre-se de ser constante na atividade física.
    • Acompanhamento médico: em alguns casos, pode ser necessário o uso de remédios (como as estatinas), sempre com orientação profissional. Se for o caso do colesterol por herança genética, outros remédios ainda mais específicos também podem ser usados.

    Manter o colesterol em ordem é um passo muito importante para uma vida longa e saudável. O colesterol e o estilo de vida estão muito relacionados.

    Confira: O que fazer para aumentar (ou melhorar) o colesterol bom?

    Perguntas frequentes sobre colesterol alto

    1. Colesterol alto tem sintomas?

    Na maioria dos casos, não. O colesterol alto é silencioso. Só exames de sangue podem identificar o problema.

    2. Colesterol alto sempre precisa de remédio?

    Nem sempre. Mudanças na alimentação e no estilo de vida muitas vezes são suficientes, mas em alguns casos o médico pode indicar medicamentos.

    3. Qual o nível ideal de colesterol?

    Depende do histórico de saúde da pessoa. Em geral, o LDL deve ficar abaixo de 100 mg/dL. Mas para pessoas com risco cardíaco mais alto, esse número pode ser bem menor. O médico saberá dizer o melhor para cada caso.

    4. Crianças e adolescentes também podem ter colesterol alto?

    Sim. Por isso, é importante criar bons hábitos desde cedo e, quando necessário, fazer exames de rotina.

    5. O que comer para baixar o colesterol?

    Alimentos ricos em fibras (aveia, frutas, leguminosas), ômega-3 (peixes, linhaça) e gorduras boas (abacate, azeite) ajudam no controle do colesterol.

    Leia mais: Sou magro e meu colesterol está alto: como isso é possível?

  • O sono do bebê e o neurodesenvolvimento: quando a insônia precoce é um sinal de alerta?

    O sono do bebê e o neurodesenvolvimento: quando a insônia precoce é um sinal de alerta?

    As noites mal dormidas fazem parte da rotina de praticamente todas as famílias que acabam de receber um bebê. Afinal, acordar várias vezes para mamar, trocar a fralda ou procurar conforto é completamente esperado nos primeiros meses de vida.

    Mas e quando o bebê parece nunca conseguir dormir bem, acorda de hora em hora, permanece irritado o tempo todo e nem o colo consegue acalmá-lo? Apesar de cada criança ter o próprio ritmo, um padrão persistente de sono muito irregular pode ser um sinal de que algo merece uma investigação mais cuidadosa.

    Qual a relação entre o sono do bebê e o desenvolvimento do cérebro?

    O ato de dormir é uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento do cérebro do bebê. Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, ao longo dos primeiros meses de vida o cérebro vive um período intenso de maturação e de plasticidade cerebral, que é a capacidade de formar novas conexões entre os neurônios.

    Enquanto a criança dorme, o organismo consolida os aprendizados do dia, organiza as memórias e libera hormônios importantes para o crescimento físico e neurológico.

    Um sono de boa qualidade funciona como uma verdadeira manutenção do sistema nervoso central. Durante o sono profundo, o cérebro elimina conexões neurais que não são mais necessárias e fortalece os circuitos estimulados ao longo dos períodos em que o bebê ficou acordado.

    Como explica a especialista, dormir não representa um estado passivo, mas um reflexo ativo da forma como o cérebro está se organizando. Quando uma criança apresenta dificuldades persistentes para dormir desde os primeiros meses de vida, pode existir alguma alteração no funcionamento dos mecanismos responsáveis pela regulação cerebral e pelo processamento dos estímulos sensoriais.

    Despertares normais ou insônia precoce: como diferenciar?

    Como o estômago do bebê ainda é pequeno e os ciclos de sono são naturalmente mais curtos do que os de um adulto, acordar durante a madrugada para mamar ou receber conforto é completamente esperado.

    Mas, segundo Bárbara Macedo, existe uma diferença importante entre os despertares normais e um quadro de insônia precoce. Para facilitar a identificação, as principais características podem ser observadas da seguinte forma:

    Despertares normais

    O bebê acorda a cada duas ou três horas, mama, recebe conforto dos pais e, depois de estar alimentado e com a fralda limpa, consegue relaxar e voltar a dormir com relativa facilidade. Durante o dia, demonstra atenção, disposição e responde aos estímulos de acordo com os marcos esperados para a idade.

    Insônia precoce

    O padrão de desregulação do sono é intenso e contínuo. Segundo Bárbara, o sinal de alerta aparece quando um bebê de um, dois ou três meses mantém uma rotina na qual o sono não se estabiliza nem melhora com o passar das semanas.

    A criança acorda praticamente de hora em hora e, quando consegue dormir, permanece apenas em ciclos muito curtos, de cerca de 15 minutos, ficando constantemente irritada e cansada.

    Bárbara explica que o principal sinal de alerta é quando o bebê não consegue manter um sono regular e a falta de descanso começa a afetar o comportamento, deixando a criança constantemente irritada, estressada e cansada.

    Quando o sono volátil e a irritação acendem o alerta para o autismo?

    Nem toda dificuldade para dormir nos primeiros meses de vida está relacionada ao transtorno do espectro autista (TEA), mas estudos apontam que as alterações do sono estão entre as comorbidades mais frequentes em crianças neurodivergentes.

    Segundo Bárbara, a combinação entre distúrbios de sono muito precoces e irritabilidade persistente merece atenção durante a avaliação neuropediátrica. Veja alguns sinais de alerta:

    • Dificuldade persistente para dormir, mesmo após os primeiros meses de vida;
    • Sono muito fragmentado, com despertares praticamente de hora em hora;
    • Ciclos de sono muito curtos, com duração de cerca de 15 minutos;
    • Irritabilidade intensa e dificuldade para se acalmar, mesmo após mamar, receber colo ou carinho;
    • Preferência por permanecer sozinho no berço, demonstrando desconforto com o contato físico ou com o colo;
    • Necessidade de seguir uma rotina extremamente rígida para conseguir dormir, como ser balançado sempre da mesma forma, durante o mesmo tempo e ouvindo a mesma música;
    • Grande dificuldade para lidar com mudanças na rotina do sono, reagindo com muito choro ou irritação quando algum detalhe é alterado.

    Vale apontar que a presença de um ou mais sinais não confirma um diagnóstico de autismo. O mais importante é observar o conjunto do desenvolvimento da criança e procurar orientação médica quando o comportamento persiste ou começa a interferir no bem-estar do bebê e da família.

    O que fazer se bebê apresentar os sinais?

    O desenvolvimento de cada criança acontece em um ritmo próprio, por isso é normal que alguns marcos apareçam um pouco antes ou um pouco depois.

    No entanto, quando as dificuldades para dormir continuam por um longo período, vêm acompanhadas de irritabilidade constante ou começam a prejudicar o bem-estar do bebê e a rotina da família, é importante procurar orientação médica.

    Se o bebê apresenta um padrão persistente de sono irregular e irritabilidade, algumas atitudes podem ajudar durante a investigação:

    • Crie um diário do sono: anote os horários em que o bebê dorme, quanto tempo cada sono dura, quantas vezes acorda durante a noite e quanto tempo leva para voltar a dormir. As anotações ajudam o médico a entender melhor o padrão de sono da criança;
    • Grave vídeos do comportamento: registrar os momentos de irritação, a dificuldade para adormecer ou a reação ao colo pode fornecer informações importantes durante a consulta, já que o bebê pode agir de forma diferente no consultório;
    • Procure profissionais qualificados: converse com o pediatra e, se houver necessidade, procure também um neuropediatra para uma avaliação mais detalhada.

    A família não precisa aguardar um diagnóstico definitivo para iniciar os cuidados e, quando existem atrasos no desenvolvimento ou dificuldades que interferem na evolução da criança, o encaminhamento para terapias de intervenção precoce (como a fonoaudiologia e a terapia ocupacional) pode começar o quanto antes.

    Veja também: Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o sono do bebê começa a ficar mais regular?

    Normalmente, a partir dos 3 ou 4 meses o bebê começa a produzir mais melatonina (o hormônio do sono) e a diferenciar melhor o dia da noite, tornando o sono mais previsível.

    2. Bebê que dorme mal pode ter o desenvolvimento afetado?

    Sim, se for um problema crônico e severo. A privação constante de sono prejudica a regulação emocional, a atenção, o aprendizado e pode sobrecarregar o sistema nervoso do bebê.

    3. Por que alguns bebês rejeitam o colo quando estão com sono?

    Algumas crianças apresentam hipersensibilidade tátil, ou seja, sentem o toque e o movimento de forma muito intensa ou incômoda. Para esses bebês, o contato físico gera estresse em vez de relaxamento, fazendo com que prefiram o berço estático.

    4. O uso de telas, como TV e celular, afeta o sono do bebê?

    Sim! A luz azul emitida pelas telas bloqueia a produção de melatonina, o hormônio responsável por sinalizar ao cérebro que é hora de dormir, deixando o bebê hiperestimulado e dificultando o sono profundo.

    5. O sono agitado com movimentos bruscos é normal?

    Os movimentos esporádicos são comuns. Mas, se o bebê apresenta movimentos muito repetitivos, rítmicos e contínuos de balanço para adormecer, isso pode ser um mecanismo de autorregulação sensorial que merece atenção.

    6. Devo deixar o bebê chorar até dormir?

    Em bebês com sinais de risco ou desregulação neurológica, métodos que ignoram o choro podem aumentar o estresse e a desorganização sensorial, sendo preferível sempre priorizar técnicas de autorregulação guiada pelos pais.

    6. Ruídos corporais (como se espremer ou gemer) durante o sono são normais?

    Sim, principalmente nos primeiros 3 meses. O sistema digestivo do bebê ainda é muito imaturo, e é comum que ele gema, faça força ou se estique bastante enquanto dorme devido aos gases. Se ele não acordar chorando de dor, não há necessidade de intervir.

    Leia mais: É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

  • Você trabalha na cama? Saiba como isso pode prejudicar a sua saúde

    Você trabalha na cama? Saiba como isso pode prejudicar a sua saúde

    No conforto de casa, trabalhar na cama parece ser uma das maiores vantagens do home office, ainda mais nos dias frios. Afinal, quem não gostaria de responder e-mails ou participar de reuniões sem sair do colchão? Mas, apesar da praticidade, o hábito pode trazer uma série de problemas para o corpo e para a mente, desde dores nas costas até dificuldades para dormir.

    Por que trabalhar na cama faz mal para a saúde?

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, o cérebro aprende por associação: como a cama é um ambiente destinado ao descanso e aos momentos de intimidade, trabalhar, participar de reuniões ou resolver problemas naquele espaço faz com que a mente deixe de relacioná-lo apenas ao relaxamento, dificultando o processo de desligar e descansar.

    Além disso, como o colchão não oferece o apoio necessário para a coluna, o pescoço e os braços, o corpo acaba ficando em posições desconfortáveis durante horas.

    Com o passar do tempo, podem aparecer dores, cansaço e até dificuldade para dormir, já que o cérebro continua em estado de alerta mesmo na hora de descansar.

    Quais os riscos de trabalhar na cama?

    Além de prejudicar o rendimento no trabalho, o hábito de passar muitas horas sentado na cama pode causar problemas como:

    1. Dor nas costas e má postura

    É muito difícil manter a coluna alinhada enquanto se trabalha na cama e, na maioria das vezes, a pessoa fica com a coluna curvada, a lombar sem apoio, os ombros projetados para a frente e o pescoço inclinado para olhar a tela do notebook.

    Como o colchão é macio e não oferece a sustentação adequada, o corpo precisa fazer mais esforço para permanecer na mesma posição durante várias horas.

    Gradualmente, a sobrecarga pode provocar dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de aumentar o risco de tensão muscular, dores de cabeça frequentes e outros problemas na coluna.

    2. Insônia e sono de pior qualidade

    Quando a cama passa a fazer parte da rotina de trabalho, o cérebro deixa de associar aquele ambiente apenas ao descanso e começa a relacioná-lo com reuniões, prazos, cobranças e preocupações. Fica mais difícil relaxar no fim do dia, pegar no sono rapidamente ou dormir de forma profunda.

    Não é incomum acordar durante a madrugada ou levantam pela manhã com a sensação de que não descansaram o suficiente.

    3. Lesões por esforço repetitivo

    Na cama, os punhos, os braços e os ombros dificilmente permanecem na posição correta para usar o notebook por várias horas. Sem uma mesa e uma cadeira adequadas, as articulações ficam sobrecarregadas e os músculos trabalham de forma constante para compensar a falta de apoio.

    Com o uso repetitivo nessa postura, aumenta o risco de desenvolver problemas como tendinite, dores nos punhos, inflamações nos ombros e síndrome do túnel do carpo.

    4. Menos foco e produtividade

    A cama foi feita para o descanso, por isso o cérebro entende que aquele ambiente é um lugar para relaxar. Quando você tenta trabalhar ali, precisa fazer muito mais esforço para manter a concentração e a atenção nas tarefas.

    Ao longo do dia, o cansaço mental aparece mais cedo, a produtividade diminui e aumenta a sensação de que o trabalho demora muito mais para render.

    5. Alergias e irritações na pele

    O contato com ácaros, poeira, suor e resíduos acumulados aumenta quando você passa muitas horas na cama. Em pessoas mais sensíveis, a exposição pode piorar crises de rinite e asma, além de favorecer o aparecimento de coceira, irritações e inflamações na pele, principalmente quando a roupa de cama não é trocada com frequência.

    O que fazer se não tiver outro lugar para trabalhar?

    Se você mora em um espaço pequeno ou divide a casa com outras pessoas e a cama é a única opção de escritório temporário, é fundamental adotar medidas de redução de danos para proteger o corpo, como:

    • Coloque almofadas firmes atrás das costas para dar mais apoio à coluna e evitar que o corpo fique curvado durante o trabalho;
    • Apoie o notebook em uma bandeja, mesa portátil ou suporte, evitando deixá-lo diretamente no colo, já que isso faz o pescoço permanecer inclinado por muito tempo;
    • Tente manter a tela o mais próximo possível da altura dos olhos, reduzindo a tensão na região do pescoço e dos ombros;
    • Mantenha os braços apoiados sempre que possível, para diminuir a sobrecarga nos punhos e nos ombros durante a digitação;
    • Evite permanecer na mesma posição por muito tempo, mudando a postura ao longo do dia para aliviar a pressão sobre a coluna;
    • Levante pelo menos uma vez a cada 50 ou 60 minutos para caminhar pela casa, beber água e fazer alongamentos para o pescoço, as costas, os ombros e os punhos.

    Assim que você terminar o expediente, lembre-se de guardar o notebook e os materiais de trabalho, deixando a cama livre novamente para o descanso e ajudando o cérebro a separar o momento de trabalhar do momento de dormir.

    Como acostumar o cérebro a não trabalhar na cama?

    No cotidiano, o ideal é ajudar o cérebro a separar os momentos de trabalho dos momentos de descanso, a partir de atitudes como:

    • Escolha um local fixo para trabalhar, mesmo que seja a mesa da cozinha ou um canto da sala;
    • Evite abrir o notebook na cama, reservando o colchão apenas para dormir e descansar;
    • Crie uma rotina para começar e terminar o expediente, como trocar de roupa, organizar o espaço e guardar os materiais de trabalho ao final do dia;
    • Desligue as notificações e o celular corporativo quando o horário de trabalho acabar, sempre que possível;
    • Evite usar o computador na cama antes de dormir, dando preferência a atividades relaxantes, como ler um livro, ouvir uma música tranquila ou tomar um banho morno;
    • Mantenha horários regulares para dormir e acordar, pois uma rotina consistente ajuda o cérebro a reconhecer quando é hora de descansar e quando é hora de trabalhar.

    Com pequenas mudanças feitas todos os dias, o cérebro volta a associar a cama ao sono e ao relaxamento, o que melhora tanto a qualidade do descanso quanto a concentração durante o expediente.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. Trabalhar na cama pode causar hérnia de disco?

    Sim, a falta de apoio adequado para a coluna lombar e cervical aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais. Com o tempo e a repetição, o desgaste pode favorecer o surgimento de uma hérnia de disco.

    2. Usar suporte de notebook para cama resolve o problema?

    Ajuda, mas não resolve totalmente. O suporte melhora a altura da tela (evitando dor no pescoço) e serve de apoio para os braços, mas não corrige a falta de suporte adequado que o colchão macio gera para a sua coluna lombar.

    3. Trabalhar deitado de bruços faz mal?

    Sim, muito. A posição força o pescoço a ficar virado para o lado por horas e hiperestende a coluna lombar, o que costuma causar dores agudas no pescoço (torcicolo) e na parte inferior das costas.

    4. Quantas horas posso trabalhar na cama sem prejudicar a saúde?

    O ideal é não passar de 1 hora por dia nessa situação. Se precisar usar a cama, faça pausas de 5 minutos a cada meia hora para levantar, caminhar e alongar o corpo.

    5. O que é melhor: trabalhar na cama ou no sofá?

    O sofá é ligeiramente melhor, desde que você consiga apoiar os pés no chão e usar almofadas nas costas. No entanto, nenhum dos dois substitui o conjunto de mesa e cadeira ergonômica.

    6. Quando as dores nas costas causadas pela cama se tornam preocupantes?

    Quando a dor dura mais de uma semana, não melhora com repouso, é acompanhada de formigamento ou dormência nos braços e pernas, ou quando impede você de realizar movimentos simples do dia a dia.

    7. Como saber se a dor nas costas é causada por trabalhar na cama?

    Se a dor melhora significativamente nos dias de folga ou em períodos em que você evita o notebook no quarto, ou se o incômodo surge logo após as primeiras horas de trabalho na cama, a culpa é muito provavelmente da postura adotada no colchão.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

  • Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

    Quem tem pressão alta ou quer evitar ter no futuro, precisa saber que o que vai no prato pode ajudar a cuidar do coração. Uma das estratégias mais recomendadas por especialistas no mundo todo é a dieta DASH, uma sigla em inglês que significa Dietary Approaches to Stop Hypertension, ou, em português, “Abordagem Alimentar para Reduzir a Hipertensão”.

    Apesar do nome complicado, a ideia por trás dela é bem simples: comer comida de verdade, reduzir o sal e montar pratos coloridos, nutritivos e equilibrados. Apesar de ter sido criada nos Estados Unidos, dá para adaptar a dieta DASH ao arroz com feijão bem brasileiro de todo dia.

    O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada nos EUA como uma dieta para pressão alta, ou seja, o intuito era de ajudar a controlar a pressão arterial. Mas, de tão eficaz, ela acabou virando referência também para prevenção de doenças do coração, controle do colesterol e melhora da saúde no geral.

    Segundo o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor), a dieta DASH é baseada no alto consumo de frutas, legumes, verduras, leite e derivados desnatados, cereais integrais e oleaginosas, como castanha-do-pará, nozes e amêndoas, e tem baixo teor de sódio, gordura saturada e colesterol.

    “Além disso, é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e controlar a pressão arterial”, explica o especialista.

    Alimentos permitidos na dieta DASH

    A ideia principal da dieta DASH é dar atenção a alimentos naturais e nutritivos e fugir daqueles ultraprocessados, que são salgadinhos, refrigerantes, macarrão instantâneo, embutidos, como salsicha, presunto, entre outros. Mesmo sem eles, dá para ter uma dieta muito variada e saborosa. A ideia, no entanto, é ter alimentos fontes de potássio, magnésio, cálcio e fibras.

    Veja alguns dos alimentos da dieta DASH que são bem-vindos no prato.

    • Frutas: banana, maçã, mamão, melancia, laranja, melão, uva, pêssego, abacaxi, uva passa, morango, tangerina
    • Verduras e legumes: brócolis, couve, espinafre, vagem, cenoura, abobrinha, tomate, batata, batata doce
    • Leite e derivados desnatados: leite desnatado, iogurte natural sem açúcar, queijo branco
    • Grãos integrais: arroz integral, aveia, pães integrais
    • Oleaginosas: castanha-do-pará, nozes, amêndoas, avelã, amendoim, sementes de girassol
    • Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico
    • Carnes: cortes magros de carne, frango e peixe.

    E o sal? O vilão da pressão alta deve ser usado com moderação. O melhor a se fazer é não usar mais de uma colher de chá rasa por dia. A dica é caprichar nos temperos naturais como alho, cebola, limão, ervas frescas e secas, pimenta-do-reino e cúrcuma.

    Tabela nutricional da dieta DASH

    Veja abaixo os principais nutrientes envolvidos no controle da pressão alta presentes nos alimentos da dieta DASH.

    Alimento Sódio (mg/100g) Potássio (mg/100g) Cálcio (mg/100g) Magnésio (mg/100g) Fibras (g/100g)
    Banana prata < 0,1 mg 358 8 26 2
    Laranja pera < 0,1 mg 163 22 9 0,8
    Mamão papaia 2 126 26 22 1
    Melancia < 0,1 mg 104 8 10 0.1
    Brócolis cozido 2 119 51 15 3,4
    Espinafre refogado 47 149 112 123 2,5
    Abobrinha italiana cozida 1 126 17 17 1,6
    Tomate cru 1 222 7 11 1,2
    Batata inglesa cozida 2 161 4 5 1,3
    Feijão carioca cozido 2 255 27 42 8,5
    Grão-de-bico cru 5 1116 114 146 12,4
    Arroz integral cozido 1 75 5 59 2,7
    Aveia em flocos 5 336 48 119 9,1
    Leite de vaca desnatado UHT 51 140 134 10 0
    Iogurte natural desnatado 60 182 157 12 0
    Castanha-do-pará 1 651 146 365 7,9
    Noz 5 533 105 153 7,2
    Amêndoa torrada salgada 279 640 237 222 11,6

    Dá para fazer a dieta DASH no Brasil?

    Sem dúvida. Apesar de ter sido criada fora, ela pode e deve ser ajustada à cultura alimentar brasileira. “No Brasil, ela pode ser adaptada com alimentos como feijão, arroz integral, banana, abobrinha, couve e leite desnatado”, explica o cardiologista.

    Ou seja: você não precisa abrir mão do arroz com feijão do dia a dia. Dá para seguir a dieta DASH trocando o arroz branco pelo integral, usando feijão com pouco sal e preparando os legumes no vapor ou refogados com azeite e temperos caseiros. E, claro, incluir as frutas na rotina.

    O bom desta dieta é que não é preciso mudar tudo de uma vez. Aos poucos, dá para fazer trocas inteligentes, como um refrigerante por um suco natural, salgadinhos por castanhas, bolacha recheada por uma fruta, arroz branco por integral. Assim o corpo e o paladar vão se acostumando e a dieta passa a ser algo natural.

    A dieta DASH funciona ainda melhor quando combinada com outros bons hábitos, como atividade física, sono de qualidade e controle do estresse, mas é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente.

    A pressão alta pode ser silenciosa, mas os efeitos no corpo são sérios. Cuidar da alimentação é um dos jeitos mais inteligentes para manter a saúde em ordem sem recorrer a fórmulas mirabolantes ou dietas da moda, que costumam não trazer bons resultados. E, claro, é sempre importante consultar um médico regularmente para fazer o acompanhamento da pressão arterial.

    Contraindicações da dieta DASH

    Mesmo sendo uma dieta para pressão alta, assim como qualquer outra dieta é importante apenas começar a fazer quando o médico ou nutricionista indicar. Apesar de ser muito segura e nutritiva, por ter foco em minerais como o potássio, por exemplo, a dieta DASH pode ser contraindicada para quem tem doença renal crônica, já que os rins não conseguem filtrar adequadamente o potássio.

    Ela também pode ser contraindicada para quem tem insuficiência cardíaca grave, pois a quantidade de potássio pode descompensar a doença. Algumas pessoas que usam determinados remédios poupadores de potássio, indicados para controlar a pressão alta, podem ter de adaptar a dieta DASH no dia a dia para ficarem com excesso de potássio no organismo, o que pode ser perigoso.

    De toda forma, o médico e o nutricionista saberão indicar a dieta DASH para cada caso, e sinalizar quando ela não deve ser feita.

    Leia mais: Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco

    Perguntas frequentes sobre a dieta DASH

    1. O que é a dieta DASH e para que ela serve?

    A dieta DASH foi criada para ajudar no controle da pressão alta, mas também traz benefícios para o coração, o colesterol e a saúde em geral. Ela prioriza alimentos naturais e muito nutritivos, tem pouco sal, gordura saturada e colesterol.

    2. A dieta DASH é boa para colesterol também?

    Sim. Ela também ajuda a reduzir gordura saturada e colesterol ruim (LDL).

    3. A dieta DASH ajuda mesmo a controlar a pressão alta?

    Sim. A dieta DASH é rica em potássio, cálcio e magnésio, minerais que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e baixar a pressão arterial. Estudos mostram que ela é uma das estratégias alimentares mais eficazes para prevenir e tratar a hipertensão.

    4. Dá para seguir a dieta DASH com alimentos brasileiros?

    Com certeza. A dieta pode ser adaptada de forma simples ao nosso dia a dia, com arroz integral, feijão, banana, couve, abobrinha e leite desnatado, por exemplo. O truque está em fazer escolhas simples e saudáveis, sem precisar mudar tudo de uma vez.

    5. A dieta DASH substitui o uso de remédios para pressão alta?

    Não. A dieta DASH é uma boa forma de como baixar a pressão naturalmente, mas complementa o tratamento e não necessariamente substitui os medicamentos prescritos pelo médico. A dieta pode ajudar a diminuir a dose ou até evitar que a pressão arterial progrida, mas é muito importante fazer o acompanhamento médico com regularidade.

    Confira: Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

  • Cremes e remédios para varizes realmente funcionam para sumir com as veias?

    Cremes e remédios para varizes realmente funcionam para sumir com as veias?

    Se você convive com vasinhos ou varizes, provavelmente já encontrou algum creme que promete melhorar a circulação, diminuir o inchaço e até fazer as veias sumirem. Nas farmácias e na internet, também existem diversos medicamentos vendidos para aliviar o peso, a dor e o cansaço nas pernas.

    Mas até onde os produtos realmente conseguem agir? Apesar dos cremes e dos remédios ajudarem a aliviar alguns sintomas, eles não conseguem fazer uma veia que já está dilatada voltar ao normal ou desaparecer.

    As varizes estão relacionadas a mudanças no funcionamento das próprias veias, um problema que não pode ser corrigido apenas com um produto aplicado na pele ou com um comprimido.

    Como ele acontece dentro dos vasos sanguíneos, o tratamento para eliminar as varizes pode exigir procedimentos que atuem diretamente nas veias afetadas, fechando ou retirando os vasos que não estão funcionando corretamente.

    Como surgem os vasinhos e as varizes?

    Os vasinhos e as varizes aparecem quando as veias das pernas começam a ter dificuldade para levar o sangue de volta ao coração. Para fazer o sangue subir, o corpo conta com a ajuda dos músculos das pernas, principalmente os da panturrilha, e de pequenas válvulas dentro das veias, que ajudam a impedir que ele volte para baixo.

    Quando as válvulas não funcionam bem, parte do sangue pode ficar acumulada nas pernas, aumentando a pressão dentro das veias. Com o tempo, os vasos podem ficar dilatados e mais aparentes, dando origem às varizes.

    Já os vasinhos, também chamados de telangiectasias, são vasos bem pequenos e superficiais, que costumam ter uma aparência avermelhada ou arroxeada. Apesar de também aparecerem nas pernas, eles são diferentes das varizes maiores e não necessariamente vão crescer e se transformar em uma variz.

    O histórico familiar é o principal fator de risco para o desenvolvimento das condições, mas elas também podem surgir devido à gravidez, às alterações hormonais, ao excesso de peso, ao envelhecimento e ao hábito de ficar muito tempo sentado ou em pé.

    Cremes para varizes somem com as veias?

    De acordo com o cirurgião vascular Marcelo Bellini Dalio, os cremes para varizes não conseguem fazer as veias dilatadas desaparecerem. Eles agem apenas na superfície da pele ou proporcionam alívio temporário para sintomas como peso nas pernas, cansaço, queimação e coceira, principalmente no final do dia.

    O especialista aponta que alguns cremes também proporcionam uma sensação de refrescamento e conforto, mas não diminuem o tamanho das varizes, não impedem o aparecimento de novas veias e não tratam a causa do problema. Por isso, os produtos que prometem “secar” ou eliminar varizes não substituem os tratamentos indicados pelo cirurgião vascular.

    E os remédios para varizes, funcionam?

    A resposta é sim, mas é importante entender o que os medicamentos conseguem fazer e quais são os seus limites. Segundo Marcelo, os remédios usados no tratamento da doença venosa podem ajudar a aliviar sintomas bastante comuns, como dor, inchaço, sensação de peso e cansaço nas pernas, cãibras e desconforto no final do dia.

    Dependendo do caso, eles podem ser usados junto com outras medidas, como a prática de exercícios, as meias de compressão e mudanças nos hábitos do dia a dia.

    Por outro lado, tomar um remédio não faz uma variz desaparecer e também não consegue fazer uma veia que já está dilatada voltar ao tamanho normal. O cirurgião vascular explica que os medicamentos ajudam principalmente no controle dos sintomas, mas não corrigem o problema que fez a veia se tornar uma variz.

    Quais são os tratamentos que realmente eliminam as varizes?

    Quando existe a necessidade de remover uma veia doente, podem ser indicados outros tratamentos específicos, dependendo do tipo e do tamanho das varizes, dos sintomas e das características de cada pessoa.

    1. Escleroterapia

    A escleroterapia, também conhecida como “aplicação para varizes” ou “secagem”, costuma ser utilizada principalmente para tratar os vasinhos menores. Marcelo explica que uma substância é aplicada dentro do vaso para fazer com que ele se feche e seja absorvido gradualmente pelo organismo.

    2. Laser e radiofrequência

    O laser e a radiofrequência podem ser usados para tratar veias maiores e, em alguns casos, a veia safena. Segundo Marcelo, as técnicas utilizam calor para fechar a veia por dentro e podem ser realizadas por meio de pequenas punções, permitindo uma recuperação mais rápida do que algumas técnicas cirúrgicas tradicionais.

    3. Cirurgia de varizes

    A cirurgia convencional continua sendo uma opção para determinados casos, principalmente quando existem veias maiores e bastante dilatadas. Retirar ou fechar uma veia doente não costuma prejudicar a circulação, pois o sangue passa a seguir por outras veias saudáveis.

    Uso de meia de compressão

    A meia de compressão faz uma pressão suave e controlada nas pernas, que costuma ser maior nos tornozelos e vai diminuindo conforme sobe. Isso ajuda o sangue a circular de volta para o coração e pode aliviar sintomas como inchaço, sensação de peso, cansaço e dor nas pernas.

    Além de melhorar o desconforto, a meia pode fazer parte do tratamento da doença venosa e ajudar a controlar os sintomas ao longo do dia. Porém, existem diferentes tipos e níveis de compressão, por isso é importante escolher o modelo adequado para cada pessoa, principalmente quando há algum problema na circulação arterial.

    O que fazer para prevenir o aparecimento de novas varizes?

    A genética tem bastante influência no aparecimento das varizes, então nem sempre é possível evitar completamente o problema. Mesmo assim, Marcelo explica que alguns hábitos simples ajudam a melhorar a circulação das pernas e podem diminuir os fatores que favorecem o surgimento de novas varizes, como:

    • Praticar exercícios regularmente: caminhar, correr, pedalar e fazer musculação ajudam a fortalecer os músculos das pernas, principalmente a panturrilha, que participa do retorno do sangue para o coração;
    • Evitar ficar muito tempo na mesma posição: se você trabalha sentado ou em pé, tente mudar de posição e movimentar as pernas ao longo do dia;
    • Fazer pequenas pausas: levantar e caminhar por alguns minutos durante o expediente ajuda a movimentar as pernas e melhorar a circulação;
    • Manter um peso saudável: o excesso de peso pode aumentar a pressão sobre as veias das pernas e favorecer o aparecimento das varizes;
    • Manter uma rotina ativa: além dos exercícios, pequenas atitudes, como caminhar mais no dia a dia e evitar longos períodos parado, também ajudam a circulação.

    Quando procurar o cirurgião vascular?

    Segundo Marcelo, alguns sinais podem indicar que a circulação das pernas precisa ser avaliada, como:

    • Dor frequente;
    • Sensação de peso;
    • Inchaço nos tornozelos;
    • Aparecimento de varizes ou muitos vasinhos.

    O cirurgião vascular pode avaliar as veias e, quando necessário, pedir exames como o ultrassom Doppler para entender como o sangue está circulando.

    A avaliação também se torna especialmente importante quando aparecem alterações como escurecimento ou endurecimento da pele, feridas que demoram para cicatrizar ou um aumento importante do inchaço, pois os sinais podem estar relacionados a fases mais avançadas da doença venosa.

    Leia mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre varizes e vasinhos (telangiectasias)?

    Vasinhos são finos, avermelhados ou arroxeados e ficam na camada mais superficial da pele. Varizes são veias maiores, salientes, mais profundas e podem causar sintomas físicos.

    2. O que causa o aparecimento de varizes?

    A principal causa é a pré-disposição genética. No entanto, fatores como envelhecimento, gravidez, uso de anticoncepcionais, obesidade e sedentarismo aceleram o processo.

    3. Quais são os principais sintomas das varizes?

    Sensação de peso, dor, cansaço nas pernas, inchaço nos tornozelos, queimação, coceira e cãibras noturnas.

    4. Quanto tempo dura a recuperação do tratamento?

    Em procedimentos modernos (laser, espuma, escleroterapia), o retorno às atividades normais costuma ser imediato ou em poucos dias. Na cirurgia tradicional, pode levar de 1 a 2 semanas.

    5. Massagens ou drenagem linfática eliminam varizes?

    Não, elas ajudam a reduzir o inchaço e a retenção de líquidos nas pernas, trazendo alívio temporário, mas não somem com as veias dilatadas.

    6. Varizes podem voltar no mesmo lugar depois de operadas?

    A veia que foi retirada ou eliminada não volta. O que acontece é que veias saudáveis ao redor podem se dilatar com o tempo devido à natureza crônica da doença.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

  • Gengiva sangrando: quando é normal e quando procurar um dentista?

    Gengiva sangrando: quando é normal e quando procurar um dentista?

    Uma gengiva saudável é firme, rosada e perfeitamente adaptada ao redor dos dentes, funcionando como um escudo protetor contra bactérias. Se você notar um sangramento durante a escovação ou uso do fio dental, mesmo que pequeno, vale investigar se há uma inflamação na região, que enfraquece a barreira natural de proteção contra as bactérias.

    Se não for tratada, a inflamação na gengiva pode evoluir para doenças periodontais mais graves, comprometendo os tecidos que sustentam os dentes e, nos casos mais avançados, até provocando a perda deles.

    Mas então, como é feito o tratamento? Explicamos, a seguir, os principais cuidados com a higiene bucal em casa e quando você deve procurar ajuda de um dentista.

    Gengiva sangrando ao escovar os dentes é normal?

    Por menor que seja, o sangramento na gengiva ao escovar os dentes ou usar o fio dental não é normal. Uma gengiva saudável é firme, tem coloração rosada e não deve sangrar durante a higiene bucal.

    Na maioria dos casos, o sangramento é um dos primeiros sinais de que há uma inflamação ativa na região, geralmente causada pelo acúmulo de placa bacteriana — uma película invisível e pegajosa, formada por bactérias e restos de alimentos, que se deposita constantemente sobre os dentes.

    Quando a placa não é removida adequadamente com a escovação e o uso do fio dental, ela provoca uma inflamação na gengiva, conhecida como gengivite. Os vasos sanguíneos da região ficam mais sensíveis e frágeis, podendo se romper facilmente durante a escovação ou a passagem do fio dental.

    Principais causas da gengiva sangrando

    As causas do sangramento da gengiva podem variar desde hábitos simples de higiene até alterações no próprio organismo:

    1. Gengivite (inflamação da gengiva)

    A gengivite é a causa mais comum para o sangramento e acontece quando a placa bacteriana não é removida e acaba endurecendo, transformando-se em tártaro. O acúmulo de bactérias irrita a gengiva, provocando vermelhidão, inchaço e sangramento durante a escovação ou o uso do fio dental.

    2. Escovação muito forte ou escova inadequada

    Ao invés de fazer uma limpeza mais eficiente, o excesso de pressão da escovação pode machucar a gengiva e desgastar o esmalte dos dentes. O uso de escovas com cerdas médias ou duras também aumenta o risco de pequenos traumas na região, favorecendo o sangramento, a sensibilidade e até a retração gengival ao longo do tempo.

    3. Uso incorreto (ou falta) do fio dental

    O fio dental é indispensável para remover a placa bacteriana que fica entre os dentes, onde a escova não consegue alcançar. Quando ele é utilizado de forma brusca, pode machucar a gengiva e provocar um pequeno sangramento.

    Vale lembrar que a falta do uso do fio dental costuma ser um problema ainda maior. Sem a limpeza diária, as bactérias se acumulam entre os dentes, provocam inflamação na gengiva e fazem com que ela sangre facilmente quando o fio volta a ser utilizado.

    4. Alterações hormonais

    As oscilações hormonais que acontecem durante a gravidez, a puberdade, o ciclo menstrual e a menopausa podem deixar a gengiva mais sensível à ação das bactérias presentes na boca.

    Como consequência, a região tende a ficar mais inchada, avermelhada e propensa ao sangramento, mesmo quando a higiene bucal é adequada. Na gravidez, o quadro é conhecido como gengivite gravídica e precisa de atenção especial para evitar complicações.

    5. Deficiência de vitaminas

    A falta de vitamina C compromete a produção de colágeno e dificulta a cicatrização dos tecidos, deixando a gengiva mais frágil. Já a deficiência de vitamina K interfere no processo de coagulação do sangue, aumentando a tendência a pequenos sangramentos.

    Apesar das situações serem menos comuns do que a gengivite, elas também devem ser investigadas quando o sintoma persiste.

    O que fazer para tratar a gengiva sangrando?

    Na maioria das vezes, o sangramento pode ser resolvido em casa com os cuidados adequados de higiene, como:

    • Use o fio dental todos os dias: passe o fio pelo menos uma vez ao dia, de preferência antes da escovação noturna;
    • Utilize a técnica correta: deslize o fio com movimentos suaves de vai e vem, abraçando a lateral de cada dente e alcançando levemente a linha da gengiva;
    • Escove os dentes da forma adequada: mantenha a escova em um ângulo de 45° e faça movimentos suaves, circulares ou de varredura, sem aplicar força excessiva;
    • Escove todas as superfícies dos dentes: limpe a parte externa, interna e a superfície de mastigação;
    • Prefira escovas de cerdas macias ou ultramacias: elas removem a placa bacteriana sem machucar a gengiva;
    • Troque a escova regularmente: substitua a escova a cada três meses ou antes, se as cerdas estiverem deformadas;
    • Beba bastante água: a hidratação estimula a produção de saliva, que ajuda a controlar as bactérias da boca;
    • Tenha uma alimentação equilibrada: consuma alimentos ricos em vitamina C, como laranja, limão, kiwi e morango, para fortalecer a saúde da gengiva.

    É comum que a gengiva sangre um pouco mais nos primeiros dias em que você começar a usar o fio dental corretamente, mas não pare o uso. À medida que a placa bacteriana acumulada for removida, a inflamação vai diminuir e o sangramento deve desaparecer em até uma semana.

    Tratamentos caseiros para gengivite funcionam?

    No dia a dia, alguns tratamentos caseiros, como bochechos com água morna e sal ou chá de camomila, podem ajudar a aliviar a inflamação, reduzir o desconforto e diminuir o sangramento da gengiva. No entanto, eles não substituem a escovação adequada, o uso diário do fio dental e a limpeza profissional realizada pelo dentista.

    Por outro lado, algumas receitas populares devem ser evitadas, pois podem prejudicar a saúde bucal. É o caso do bicarbonato de sódio, carvão ativado, limão, vinagre e água oxigenada, que podem desgastar o esmalte dos dentes, irritar a gengiva e até causar queimaduras na mucosa.

    É importante lembrar que os cuidados apenas aliviam os sintomas. Se houver acúmulo de tártaro ou uma inflamação mais intensa, somente o dentista poderá remover a causa do problema e indicar o tratamento adequado.

    Quando ir ao dentista?

    Qualquer sangramento frequente precisa ser avaliado por dentista, especialmente quando dura mais de alguns dias ou acontece com frequência durante a escovação ou o uso do fio dental.

    Também é importante procurar atendimento se o sangramento vier acompanhado de outros sintomas, como:

    • Gengiva inchada, avermelhada ou dolorida;
    • Mau hálito persistente;
    • Retração da gengiva;
    • Presença de pus entre os dentes e a gengiva;
    • Sensação de dentes amolecidos;
    • Dor ao mastigar;
    • Sangramento espontâneo, sem escovação ou fio dental.

    O dentista poderá identificar a causa do problema, avaliar se existe doença periodontal e indicar o tratamento mais adequado. Quanto mais cedo a inflamação for tratada, menores são as chances de ocorrer perda óssea, retração da gengiva e até perda dos dentes no futuro.

    Leia também: Fio dental deve ser usado antes ou depois da escovação?

    Perguntas frequentes

    1. O sangramento na gengiva pode desaparecer sozinho?

    Até pode diminuir temporariamente, mas isso não significa que o problema foi resolvido. Se a causa for a gengivite, a inflamação continuará evoluindo sem o tratamento adequado.

    2. Qual é a melhor escova para quem tem gengiva sensível?

    As escovas de cerdas macias ou ultramacias são as mais indicadas, pois removem a placa bacteriana sem agredir os tecidos da gengiva.

    3. A gengivite pode causar perda dos dentes?

    Se não for tratada, ela pode evoluir para periodontite, uma doença que compromete o osso e os tecidos de sustentação dos dentes, aumentando o risco de perda dentária.

    4. Enxaguante bucal substitui o fio dental?

    Não. O enxaguante ajuda a complementar a higiene, mas não remove a placa bacteriana acumulada entre os dentes.

    5. Em quanto tempo a gengivite melhora?

    Nos casos leves, a melhora costuma acontecer em uma ou duas semanas após a adoção de uma boa higiene bucal e, quando necessário, da limpeza realizada pelo dentista.

    6. É normal a gengiva sangrar durante a limpeza no dentista?

    Pode acontecer, principalmente quando a gengiva já está inflamada. Após o tratamento e a melhora da higiene bucal, o sangramento tende a desaparecer.

    7. Como prevenir o sangramento na gengiva?

    A melhor forma é manter uma boa higiene bucal, escovando os dentes pelo menos três vezes ao dia, usando fio dental diariamente, realizando consultas periódicas ao dentista e evitando o cigarro.

    Confira: Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?