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  • Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    Tratamento para mioma uterino: opções não cirúrgicas

    A mulher que descobre um mioma uterino em algum exame de rotina e não sabe bem o que é pode imaginar algo assustador. Mas calma: eles são tumores benignos que podem ser tratados de várias formas, e nem sempre a cirurgia é necessária.

    Para entender melhor o assunto, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explicou como funcionam os tratamentos clínicos e quais as opções para quem quer evitar o centro cirúrgico.

    O que são miomas e quais sintomas causam?

    Os miomas são tumorações benignas, nódulos bem enrijecidos que são compostos de células musculares da camada muscular do útero, explica a ginecologista. “Ninguém sabe muito bem por que eles se formam, mas existe uma tendência genética, e a prevalência é maior em mulheres negras”.

    Eles podem crescer em ritmos diferentes, e isso depende da presença de receptores hormonais no mioma. “Quando têm menos receptores, costumam ficar menores”, explica a médica.

    Principais sintomas de miomas

    • Sangramento uterino anormal: fluxo menstrual mais intenso, cólicas fortes e menstruação prolongada.
    • Compressão pélvica: quando o útero cresce e pressiona órgãos vizinhos, como bexiga e intestino. Isso pode causar dor e desconforto.

    “Em casos raros, os miomas degeneram ou crescem a ponto de causar necrose. A necrose é caracterizada por muita dor, sendo uma urgência ginecológica que precisa ser resolvida rápido. Mas isso é bem menos comum”, diz a médica.

    Quando é preciso tratar?

    Apesar de serem benignos, os miomas precisam de acompanhamento médico. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo do caso.

    A cirurgia é indicada quando:

    • O sangramento é tão intenso que não melhora com tratamentos clínicos;
    • O útero está muito aumentado e comprimindo outros órgãos;
    • A dor é constante e limitante.

    Antes disso, porém, há várias formas de controle sem precisar encarar o bisturi.

    Tratamentos clínicos para miomas

    Quando a escolha é pelo tratamento não cirúrgico, o objetivo principal costuma ser controlar o sangramento.

    “A grande maioria vai ter como sintoma o aumento do sangramento genital. Então, temos algumas opções. Podemos bloquear o sangramento com contraceptivos hormonais, e há várias opções de pílulas”, explica a médica.

    • Pílula só de progesterona;
    • Pílula combinada de estrogênio e progesterona;
    • Implantes hormonais.

    O DIU hormonal nem sempre funciona bem. “O DIU é menos indicado, porque muitas vezes o mioma altera a cavidade interna do útero, e o dispositivo pode não ficar bem colocado”, comenta a especialista.

    Outro ponto é tratar a anemia causada pelo excesso de sangramento. Mas isso só resolve se o fluxo for controlado. “É preciso ‘fechar a torneirinha’. Nunca vamos conseguir manter a hemoglobina e o ferro bons se a mulher não parar de sangrar”.

    Além disso, quando há dor associada, entram em cena analgésicos e estratégias de controle. Se o quadro avança, a cirurgia passa a ser discutida.

    Embolização: uma alternativa menos invasiva

    Existe também a chamada embolização dos miomas, um procedimento realizado por um radiologista intervencionista.

    “O médico entra por um vaso da perna (artéria femoral) e vai até a artéria uterina e faz a embolização, ou seja, fecha o vaso que nutre o mioma”, explica a ginecologista.

    Sem sangue, o mioma tende a reduzir ou até desaparecer. É uma boa opção para quem não quer cirurgia, mas há ressalvas:

    • Nem todos os miomas respondem bem;
    • Existe risco de necrose uterina, o que pode levar à necessidade de retirar o útero, ou seja, não é uma opção boa para quem quer engravidar.

    E a fertilidade de quem tem mioma, como fica?

    Miomas podem ou não atrapalhar uma gravidez, e isso depende do tamanho e da localização deles. “Se distorcem internamente o endométrio, atrapalham a implantação do embrião. Alguns ficam perto das tubas uterinas e podem obstruir a passagem do espermatozoide”, explica a médica.

    Há três tipos de miomas, sendo que cada um pode causar um impacto:

    • Submucosos: mais problemáticos, aumentam o sangramento e podem dificultar a gravidez. Eles ficam na parte interna do útero;
    • Intramurais: o impacto varia conforme o tamanho. Miomas muito grandes podem causar problemas. Eles se localizam na parede muscular do útero;
    • Subserosos: crescem para fora do útero, costumam dar menos sintomas e raramente prejudicam a fertilidade.

    O tratamento para mioma uterino vai muito além da cirurgia. Há opções de medicamentos, implantes hormonais, embolização e até estratégias combinadas para controlar sangramento e dor. O mais importante é conversar com um ginecologista e avaliar qual é a melhor alternativa para cada caso.

    Confira: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Perguntas Frequentes sobre mioma uterino e tratamentos

    1. Mioma sempre precisa de cirurgia?

    Não. Muitos casos podem ser controlados com tratamento clínico, como anticoncepcionais hormonais ou embolização.

    2. O DIU pode ser usado em quem tem mioma?

    Depende. Se o mioma alterar muito a cavidade uterina, o DIU pode não se fixar corretamente.

    3. Miomas podem virar câncer?

    Não. São tumores benignos. Em raríssimos casos, podem sofrer degeneração, mas não se transformam em câncer.

    4. A embolização substitui a cirurgia?

    Para algumas mulheres, sim. Mas há risco de complicações e não é indicada para quem deseja engravidar.

    5. O mioma sempre causa sintomas?

    Não. Alguns passam despercebidos e só são descobertos em exames de rotina.

    6. Quem tem mioma pode engravidar?

    Pode, apenas em alguns casos os miomas podem dificultar a gestação, dependendo do tamanho e da localização.

    7. O mioma pode voltar depois do tratamento clínico?

    Sim. Enquanto o útero for preservado, novos miomas podem aparecer.

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • 9 sinais de que uma criança pode ser superdotada 

    9 sinais de que uma criança pode ser superdotada 

    A superdotação na infância, também conhecida como altas habilidades ou superdotação, é uma característica de neurodesenvolvimento em que a criança apresenta um desempenho acima da média em uma ou mais áreas.

    De acordo com a neuropediatra Bárbara Macedo, algumas crianças se destacam na área acadêmica, artística, área criativa ou até na capacidade de resolver problemas.

    A superdotação também não se manifesta da mesma maneira em todos os casos, mas existem alguns sinais que os pais podem identificar no dia a dia. Vamos entender mais, a seguir.

    Quais os sinais de superdotação na infância?

    1. Aprender a ler muito cedo

    Um dos sinais mais conhecidos das altas habilidades é aprender a ler antes da idade esperada, muitas vezes de forma espontânea ou com pouca orientação. A criança costuma demonstrar grande interesse por livros, letras e histórias, reconhecendo palavras e compreendendo textos mais cedo do que os colegas da mesma faixa etária.

    2. Ter um vocabulário avançado para a idade

    Muitas crianças superdotadas utilizam palavras mais sofisticadas e constroem frases mais elaboradas do que o esperado para a idade. Além de se expressarem com facilidade, elas conseguem compreender conversas complexas, explicar ideias com bastante clareza e adaptar a linguagem de acordo com a situação.

    Também é comum apresentarem facilidade para aprender novas palavras, fazer perguntas detalhadas e manter diálogos longos sobre diferentes assuntos, demonstrando uma capacidade de comunicação que costuma chamar a atenção de familiares e professores.

    3. Fazer perguntas profundas e complexas

    Em vez de perguntar apenas “o que é isso?”, a criança costuma querer entender o motivo das coisas acontecerem. Questões sobre o universo, a origem da vida, a natureza, o tempo ou outros assuntos abstratos podem surgir muito cedo, demonstrando uma curiosidade mais incomum.

    4. Demonstrar curiosidade intensa

    A vontade de aprender parece não ter fim e a criança faz perguntas o tempo todo, observa detalhes que passam despercebidos por outras pessoas e busca novas informações sobre diferentes assuntos. Quando encontra um tema interessante, costuma querer saber tudo sobre ele.

    5. Ter interesses intensos por determinados temas

    Também é comum desenvolver uma verdadeira paixão por um assunto específico, como dinossauros, astronomia, matemática, música, tecnologia ou animais. A criança pode acumular uma quantidade impressionante de informações, memorizar detalhes com facilidade e falar sobre o tema com bastante profundidade.

    Muitas vezes, ela busca conhecimento por conta própria, faz pesquisas, lê livros, assiste a vídeos e demonstra um nível de envolvimento que vai muito além da curiosidade comum para a idade.

    6. Aprender novos conteúdos com muita facilidade

    Depois de poucas explicações, a criança compreende conceitos, identifica padrões e consegue aplicar o conhecimento em situações diferentes, muitas vezes precisando de menos repetições do que outras crianças.

    Além de aprender rapidamente, ela costuma fazer associações entre conteúdos distintos, resolver exercícios com facilidade e demonstrar autonomia para adquirir novos conhecimentos, principalmente quando o assunto desperta seu interesse.

    7. Apresentar uma memória acima da média

    Muitas crianças com altas habilidades conseguem lembrar de fatos, datas, histórias, conversas e detalhes com facilidade, mesmo muito tempo depois. A boa memória costuma contribuir para o aprendizado rápido e para a capacidade de relacionar diferentes informações.

    8. Resolver problemas de maneira criativa

    Em vez de seguir apenas as soluções mais óbvias, a criança costuma encontrar caminhos diferentes para resolver desafios. Ela pensa de forma criativa, faz conexões inesperadas entre ideias e consegue encontrar soluções originais para problemas do dia a dia.

    Além disso, muitas vezes propõe respostas que surpreendem os adultos pela lógica, pela inovação ou pela capacidade de enxergar possibilidades que passam despercebidas pela maioria das pessoas.

    9. Demonstrar interesse por assuntos mais comuns em idades maiores

    Enquanto muitas crianças da mesma faixa etária ainda estão descobrindo temas básicos, aquelas com altas habilidades podem demonstrar fascínio por áreas como ciência, astronomia, tecnologia, história ou filosofia.

    Não é raro que passem horas pesquisando, lendo livros, assistindo a documentários ou conversando sobre esses temas com um nível de profundidade que costuma surpreender familiares e professores.

    É importante destacar que nenhum dos sinais confirma, sozinho, o diagnóstico de superdotação. Algumas crianças podem apresentar uma ou várias dessas características sem necessariamente terem altas habilidades.

    Segundo Bárbara, todos os comportamentos devem ser avaliados dentro do contexto do desenvolvimento infantil por profissionais especializados.

    Como é feito o diagnóstico de superdotação?

    O diagnóstico da superdotação é feito por profissionais especializados, como psicólogos ou neuropsicólogos, que analisam diferentes aspectos do desenvolvimento da criança.

    Durante o processo, são feitas entrevistas com os pais para conhecer o histórico da criança, além da aplicação de testes que avaliam a inteligência, a memória, a atenção, o raciocínio e outras habilidades cognitivas. Também são considerados o desempenho escolar, os relatos dos professores, os interesses da criança, o nível de criatividade, a facilidade para aprender e a forma como ela resolve problemas.

    Ao mesmo tempo, os profissionais também observam aspectos emocionais e comportamentais, já que muitas crianças com altas habilidades podem apresentar grande sensibilidade, perfeccionismo ou um desenvolvimento desigual entre a parte intelectual e a emocional.

    “Cada criança se desenvolve de forma diferente e o acompanhamento adequado ajuda a entender melhor esses perfis”, finaliza Bárbara.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. Toda pessoa superdotada tem QI acima de 130?

    Não necessariamente. Embora o QI igual ou superior a 130 (percentil 98) seja o critério psicométrico clássico, o diagnóstico moderno também considera a criatividade, o talento artístico e o envolvimento com tarefas.

    2. É possível ser superdotado em apenas uma área?

    Sim. Uma pessoa pode ser brilhante em matemática e lógica, mas ter um desempenho absolutamente mediano em escrita, esportes ou interações sociais.

    3. O que é “assincronia” na superdotação?

    É o descompasso entre o desenvolvimento intelectual, o emocional e o motor. Uma criança pode ter o raciocínio de um adulto de 30 anos, mas a maturidade emocional e a coordenação motora de sua idade real.

    4. Superdotação é genética?

    Existe uma forte base hereditária e predisposição genética, mas o ambiente (estímulos, acolhimento e oportunidades) determina se o potencial vai se desenvolver ou ser sufocado.

    5. O que é dupla excepcionalidade?

    É quando a superdotação coexiste com outro transtorno ou neurodivergência, como o transtorno do espectro autista (TEA), TDAH, dislexia ou ansiedade.

    6. Como é feito o diagnóstico em adultos?

    O processo é similar ao de crianças: envolve testes neuropsicológicos, avaliação de QI, entrevistas sobre o histórico de vida, padrões de pensamento e análise de hiperfocos.

    7. Qual a diferença entre superdotado e gênio?

    O superdotado tem o potencial neurobiológico elevado. O gênio é aquele que pegou esse potencial e gerou uma obra, descoberta ou impacto real e transformador para a humanidade.

    Leia mais: Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar

  • Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Um banho bem quente é uma das melhores formas de relaxar depois de um dia cansativo, mas você sabia que ele pode ser o responsável por trás do ressecamento e da coceira na sua pele? Como a alta temperatura atua diretamente na remoção da camada protetora natural da pele, ela favorece a perda de água, diminui a hidratação natural e deixa a região mais sensível às agressões do ambiente.

    Com isso, a pele pode ficar áspera, repuxando, descamando e até apresentar pequenas rachaduras, especialmente em pessoas que já têm tendência ao ressecamento, dermatite ou outras doenças de pele.

    Mas então, o que fazer nos dias mais frios? Não é preciso abrir mão completamente do banho quentinho para manter a pele saudável, mas você vai precisar adotar alguns cuidados simples, como evitar temperaturas muito elevadas, reduzir o tempo embaixo do chuveiro e reforçar a hidratação da pele logo após o banho.

    O que acontece com a pele no banho muito quente?

    A barreira de proteção da pele conta com uma camada superficial chamada manto hidrolipídico, formada por uma mistura de água, suor e gorduras naturais (lipídios) produzidas pelo próprio organismo. Ela ajuda a manter a hidratação da pele e funciona como uma espécie de escudo contra bactérias, fungos, poluentes e outras substâncias irritantes.

    Quando você toma um banho com a água muito quente, parte da camada de gordura natural é removida. A pele perde água com mais facilidade, fica ressecada e se torna mais sensível aos componentes químicos do sabonete, do perfume e até ao atrito da toalha.

    Ao mesmo tempo, a alta temperatura dilata os vasos sanguíneos e pode intensificar a vermelhidão, a coceira e a sensação de desconforto, principalmente em pessoas que já têm doenças de pele, como dermatite, psoríase ou rosácea.

    Principais riscos do banho quente para a pele e cabelo

    A alta temperatura da água afeta tanto o corpo quanto o couro cabeludo, podendo causar:

    Ressecamento e descamação

    A água muito quente remove parte dos óleos naturais responsáveis por manter a hidratação da pele. Sem a proteção, a perda de água aumenta e a pele fica mais seca, áspera e com aquela sensação de repuxamento logo após o banho.

    Com o passar do tempo, as células mortas começam a se desprender de forma irregular, provocando uma descamação fina e esbranquiçada, bastante comum nas pernas, braços e cotovelos.

    Piora de dermatites e psoríase

    Pessoas com doenças de pele, como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou rosácea, costumam sentir os efeitos do banho quente de forma ainda mais intensa. A alta temperatura compromete a barreira de proteção da pele, favorece a inflamação e pode desencadear crises com vermelhidão, coceira, ardência e aumento da descamação.

    Envelhecimento precoce da pele

    Quando a pele permanece ressecada por longos períodos, ela perde parte da capacidade de manter a elasticidade e de se renovar. Embora o banho quente, por si só, não cause envelhecimento precoce, ele favorece o ressecamento crônico, deixando linhas finas e rugas mais aparentes, especialmente em regiões como rosto, pescoço e colo.

    Caspa e aumento da oleosidade do couro cabeludo

    Ao remover a oleosidade natural do couro cabeludo, o organismo pode responder produzindo ainda mais sebo para compensar a perda, o que é conhecido como efeito rebote. A raiz pode ficar oleosa poucas horas depois do banho.

    Além disso, a alteração da barreira cutânea e da microbiota do couro cabeludo favorece o agravamento da dermatite seborreica, aumentando a descamação, a coceira e a irritação. O calor excessivo também abre as cutículas dos fios, facilitando a perda de água e deixando o cabelo mais opaco, áspero e propenso à quebra.

    Qual é a temperatura ideal da água para o banho?

    Para manter a pele saudável e preservar a sua barreira de proteção, os dermatologistas recomendam que a temperatura da água fique entre 29°C e 37°C. Na prática, isso significa tomar um banho morno, o mais próximo possível da temperatura natural do corpo, que gira em torno de 36,5°C.

    Como a maioria das pessoas não mede a temperatura da água com um termômetro, existe um jeito simples de perceber quando ela está quente demais: se o banheiro fica cheio de vapor e o espelho ou o box embaçam rapidamente, é sinal de que a água provavelmente está acima do ideal para a pele.

    Além da temperatura, o recomendado é que o banho dure entre 5 e 10 minutos. Mesmo a água morna, quando utilizada por muito tempo, pode remover parte dos óleos naturais da pele e favorecer o ressecamento. Por isso, banhos mais curtos ajudam a preservar a hidratação natural e reduzem o risco de irritações, principalmente durante os dias mais frios.

    Dica: se você não consegue abrir mão da água mais quente nos dias frios, tente deixar o banho quente apenas para os últimos 2 ou 3 minutos, usando a água morna no restante do tempo para ensaboar e lavar o cabelo.

    Cuidados essenciais para proteger a pele durante e após o banho

    Além de diminuir a temperatura do chuveiro, você também pode adotar alguns hábitos simples na rotina diária para cuidar da saúde da pele, como:

    • Evite usar buchas ou esfregar a pele com força, pois o atrito pode danificar a barreira de proteção;
    • Escolha sabonetes suaves, de preferência hidratantes ou com pH fisiológico, especialmente se a pele for seca ou sensível;
    • Use sabonete apenas nas áreas que realmente precisam, como axilas, pés, virilha e região íntima, evitando o excesso no restante do corpo;
    • Seque a pele delicadamente, dando leves batidinhas com a toalha, sem esfregar;
    • Aplique um hidratante logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida;
    • Capriche na hidratação das áreas mais ressecadas, como pernas, cotovelos, joelhos, mãos e calcanhares;
    • Beba bastante água ao longo do dia para ajudar a manter a hidratação do organismo.

    Se o ressecamento, a coceira, e descamação ou as rachaduras não melhorarem mesmo com os cuidados, o ideal é procurar um dermatologista. Eles podem indicar doenças como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou outras condições que precisam de tratamento específico.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    1. Tomar banho quente causa coceira?

    Sim, a água muito quente remove parte da gordura natural que protege a pele, favorecendo o ressecamento. O calor também pode estimular a dilatação dos vasos sanguíneos e a liberação de substâncias inflamatórias, como a histamina, aumentando a sensação de coceira e vermelhidão, principalmente em pessoas com pele sensível.

    2. Por que a pele fica esbranquiçada após o banho quente?

    Isso acontece porque a água muito quente aumenta a perda de água pela pele, favorecendo o ressecamento. Com isso, ocorre uma descamação fina e superficial, que deixa a pele com um aspecto esbranquiçado, principalmente nas pernas, braços e cotovelos.

    3. O banho quente faz mal para o cabelo?

    Sim, a alta temperatura resseca o couro cabeludo, favorece a perda de água dos fios e deixa as cutículas mais abertas. O cabelo pode ficar mais opaco, áspero, com frizz e mais suscetível à quebra, além de desbotar mais rapidamente quando é tingido.

    4. Tomar banho quente abaixa a pressão?

    Pode acontecer. O calor provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir temporariamente a pressão arterial e causar tontura, sensação de fraqueza ou até desmaios, principalmente em idosos ou pessoas predispostas.

    5. Qual o melhor tipo de sabonete para usar no banho?

    O ideal é optar por sabonetes suaves, com pH fisiológico ou do tipo syndet (sem sabão tradicional). Eles limpam a pele sem remover excessivamente a camada de gordura responsável pela proteção natural.

    6. Qual é o melhor momento para passar hidratante corporal?

    Logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida. Isso ajuda a reter a água na superfície da pele e melhora a ação do hidratante.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

  • Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança 

    Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança 

    Quem convive com alergia alimentar sabe o pesadelo que é sair para comer fora. Afinal, quando não se sabe exatamente como a comida foi preparada, cada refeição fora de casa pode virar uma situação de risco. Mesmo pequenas quantidades do alimento alergênico podem desencadear reações fortes, por isso é fundamental se precaver antes de fazer um pedido no restaurante ou se servir em um buffet.

    Um dos primeiros passos é sempre avisar o estabelecimento da sua condição. Diga claramente que você tem alergia e qual alimento precisa evitar. Use frases simples e objetivas, como: “tenho alergia a ovo e não posso ter contato com nenhum prato que contenha ovo ou tenha sido preparado com utensílios que tiveram contato com ovo”. Assim, você aumenta as chances de ser compreendido e protegido.

    Também vale observar o comportamento da equipe do restaurante se você tem alergia alimentar. Se o local não parece saber lidar com esse tipo de informação ou passa insegurança sobre os ingredientes, o melhor é não arriscar, afinal, contaminação cruzada em restaurante é algo comum.

    “Se houver dúvida sobre os ingredientes, o ideal é não consumir”, afirma a alergologista e imunologista Brianna Nicoletti.

    Em locais com grande movimento, como buffets, padarias ou lanchonetes, a chance de contaminação cruzada é ainda maior, principalmente quando os alimentos são preparados ou servidos com os mesmos utensílios.

    Uma boa alternativa para quem não quer abrir mão de momentos sociais e comer fora com alergia alimentar é levar um lanche seguro de casa, e isso vale para adultos e crianças. Ter algo pronto e confiável à mão ajuda a evitar situações desconfortáveis e traz paz e segurança alimentar na hora da refeição.

    Cuidados com rótulos e ingredientes

    Quando for comprar alimentos prontos, embutidos, temperos ou produtos de panificação, leia o rótulo antes com calma. Desde 2022, por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os alimentos industrializados precisam trazer com clareza na embalagem a presença de ingredientes alergênicos como leite, ovos, soja, trigo, peixes, crustáceos, amendoim e castanhas.

    Mas aqui tem mais um ponto de atenção. Mesmo que o alimento não tenha o ingrediente alergênico na composição, ele pode ter sido feito em equipamentos que também processam esses alérgenos. Nesses casos, é comum aparecer no rótulo a frase “pode conter traços de…”.

    Essa informação é importante e deve ser levada muito a sério para quem vai comer fora com alergia alimentar, especialmente por quem já teve reações alérgicas fortes, como aquelas que provocam falta de ar e ameaçam a vida.

    “A contaminação cruzada pode provocar anafilaxia em pessoas sensíveis, mesmo com mínimas quantidades do alérgeno”, alerta Brianna. Por isso, ignorar esse aviso no rótulo pode colocar a saúde em risco.

    Leia mais: Vacina para alergia: entenda como funciona a imunoterapia

    Sinais de alerta para alergia alimentar em bebês e crianças

    Os primeiros sinais de alergia alimentar podem surgir logo nos primeiros meses de vida, durante a amamentação ou com a introdução alimentar. Coceira ao redor da boca, vômitos frequentes, diarreia de repetição, recusa alimentar e irritabilidade depois de mamar são sintomas que merecem ser comunicados ao pediatra ou ao alergista.

    “Nessa fase, os sinais podem ser sutis, por isso o acompanhamento com alergista é essencial”, orienta a médica.

    À medida que a criança cresce e passa a frequentar a escola, o cuidado precisa ser maior. Professores, cuidadores e a equipe da cantina devem estar cientes da alergia e saber como agir em caso de emergência.

    “Planos de ação com o uso de medicação emergencial devem ser entregues à equipe escolar”, reforça Brianna. Assim, todos ficam mais preparados, e os pais, mais tranquilos.

    Como manter uma vida social ativa com alergia alimentar

    Apesar dos desafios, quem tem alergia alimentar pode, sim, sair, viajar, se divertir e aproveitar bons momentos à mesa. O segredo está na informação, no planejamento e em aprender dicas de segurança alimentar.

    Explicar a condição da maneira mais clara possível, fazer escolhas conscientes e ter alternativas de alimentos seguros à mão ajuda a diminuir os riscos e a ansiedade.

    Dependendo do tipo de alergia, o médico alergista pode indicar ter uma medicação de emergência por perto. Nesses casos, a adrenalina autoinjetável, que interrompe sintomas que podem levar à morte, precisa acompanhar a pessoa por todos os lugares, especialmente em restaurantes, festas ou viagens. Consulte um alergista.

    Veja também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Perguntas frequentes sobre alergia alimentar fora de casa

    Quais ingredientes estão no prato?

    É essencial perguntar isso antes de fazer o pedido. Confirme todos os ingredientes, mesmo os aparentemente inofensivos, como molhos e temperos.

    Como o alimento é preparado?

    Peça detalhes sobre o modo de preparo e onde o prato é feito, isso ajuda a identificar possíveis alérgenos.

    Os utensílios são compartilhados com outros alimentos?

    Essa informação ajuda a avaliar se há risco de contaminação cruzada com o alérgeno que você precisa evitar.

    Há risco de contaminação cruzada?

    Se o estabelecimento não puder garantir que o alimento está livre de traços do alérgeno, é mais seguro escolher outro local ou consumir algo que você levou de casa.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

  • Síndrome de abstinência digital: como lidar com as crises de irritabilidade ao desligar as telas? 

    Síndrome de abstinência digital: como lidar com as crises de irritabilidade ao desligar as telas? 

    Você já ouviu falar na síndrome de abstinência digital? Ela envolve uma série de reações físicas, emocionais e comportamentais que podem surgir quando uma criança ou um adolescente deixa de usar, de forma repentina, dispositivos como celular, tablet, computador ou videogame.

    Ao contrário da dependência em substâncias químicas, na tecnologia o vício é comportamental. Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, os aplicativos, os jogos e as redes sociais são desenvolvidos para prender a atenção por meio de vídeos curtos, mudanças rápidas de imagem, cores vibrantes e recompensas constantes, mantendo o cérebro sempre em busca de mais estímulos.

    A cada curtida recebida, fase concluída, vídeo assistido ou conquista dentro de um jogo, o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor ligado às sensações de prazer, motivação e recompensa. Quanto mais frequentes são os estímulos, mais o cérebro se acostuma com aquela descarga de satisfação imediata e passa a esperar que ela aconteça repetidamente.

    Quando o aparelho é desligado de forma repentina, os níveis de dopamina diminuem rapidamente. Como a região do cérebro responsável pelo autocontrole, pelo planejamento e pela regulação das emoções ainda está em desenvolvimento durante a infância, a especialista explica que as crianças têm dificuldade para lidar com a frustração provocada pela interrupção daquele estímulo tão intenso.

    Sintomas de que a criança está viciada em telas

    Como o cérebro das crianças e dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, ele é mais sensível aos estímulos das telas. Alguns sinais de que o uso excessivo pode estar causando prejuízos incluem:

    1. Irritabilidade intensa quando a tela é desligada

    A reação mais comum da síndrome de abstinência digital acontece justamente quando chega a hora de guardar o celular, o tablet ou desligar a televisão. A criança pode chorar muito, gritar, ficar agressiva ou apresentar uma crise de raiva que parece desproporcional à situação.

    O comportamento não costuma ser apenas uma tentativa de conseguir mais tempo de tela. Como o cérebro estava acostumado a receber estímulos intensos e constantes, a interrupção provoca uma queda repentina da dopamina, dificultando o controle das emoções.

    2. Perda de interesse pelas brincadeiras e pelas atividades do dia a dia

    Os brinquedos, livros, desenhos para colorir, jogos de tabuleiro e até os passeios ao ar livre podem deixar de despertar interesse na criança. Sem a intensidade dos estímulos oferecidos pelas telas, elas passam a achar qualquer outra atividade sem graça, reclamam de tédio o tempo todo e demonstram dificuldade para brincar usando a imaginação.

    3. Uso escondido do celular ou de outros aparelhos

    Quando a necessidade de acessar as telas se torna muito intensa, algumas crianças começam a esconder comportamentos dos adultos. A criança pode levar o celular escondido para a escola, usar o tablet durante a madrugada ou aproveitar os momentos em que ninguém está olhando para pegar os aparelhos.

    Além de desrespeitar as regras da casa, o comportamento também pode prejudicar a relação de confiança entre a criança e a família.

    4. Ansiedade, a irritação e as dificuldades para dormir

    O uso excessivo das telas, principalmente durante a noite, interfere diretamente na qualidade do sono. A luz emitida pelos aparelhos reduz a produção da melatonina, hormônio responsável por preparar o organismo para dormir.

    Como consequência, a criança pode demorar mais para pegar no sono, acordar várias vezes durante a noite ou ter um descanso pouco reparador. Durante o dia, também podem surgir a ansiedade, a irritação, a impaciência e a dificuldade para relaxar.

    5. Isolamento social e o menor interesse pelas pessoas

    Nos encontros de família, nos passeios, nos restaurantes ou até durante o recreio da escola, a preferência passa a ser o celular em vez das conversas e das brincadeiras com outras pessoas. Com o tempo, o comportamento pode prejudicar o desenvolvimento das habilidades sociais, da comunicação e da capacidade de interpretar emoções e construir relações saudáveis.

    O que fazer ao identificar os sinais?

    De acordo com Bárbara, o ideal não é banir as telas abruptamente, mas reduzir o tempo gradativamente, oferecendo previsibilidade (avisar 10 e 5 minutos antes que o tempo vai acabar) e substituir o aparelho por atividades sensório-motoras, como pintura, esportes, blocos de montar e passeios ao ar livre.

    Aos poucos, o cérebro passa a encontrar prazer em experiências do mundo real, reduzindo a dependência dos estímulos rápidos oferecidos pelas telas e favorecendo um desenvolvimento mais saudável.

    Por que o cérebro da criança não consegue se autorregular?

    O cérebro da criança não se autorregula porque o córtex pré-frontal, área responsável pelo controle dos impulsos e pelas decisões, só termina de se desenvolver entre os 25 e 30 anos. Sem a região madura, a criança é dominada pelo sistema límbico, que rege as emoções e busca a satisfação imediata.

    As telas atuais funcionam como um estímulo muito intenso para o cérebro infantil, provocando picos de dopamina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer e recompensa. Quando o celular, o tablet ou a televisão são desligados, ocorre uma queda rápida do estímulo e a criança tem mais dificuldade para lidar com a frustração e regular as próprias emoções, o que pode desencadear crises de choro, gritos, irritação ou até agressividade.

    Na maioria das vezes, a reação não acontece por pirraça, mas porque a criança ainda não desenvolveu totalmente os mecanismos necessários para controlar o que está sentindo.

    Como lidar com a crise de irritabilidade ao desligar as telas?

    O primeiro passo é entender que, em muitos casos, a irritação é uma resposta do cérebro à interrupção de um estímulo muito intenso. Para tornar a transição mais tranquila, Bárbara recomenda uma estratégia baseada em previsibilidade, acolhimento, firmeza e substituição das telas por uma atividades do mundo real:

    1. Avise com antecedência que o tempo de tela está acabando

    O cérebro infantil costuma lidar melhor com mudanças quando elas são previsíveis. Em vez de tirar o celular ou o tablet de repente, Bárbara orienta avisar alguns minutos antes que o horário está chegando ao fim.

    2. Ofereça outra atividade logo em seguida

    Depois de desligar a tela, vale convidar a criança para fazer alguma atividade que envolva movimento, criatividade e interação. A mudança fica mais fácil quando o cérebro encontra outro estímulo prazeroso.

    Bárbara sugere brincadeiras como pintar, montar blocos, jogar bola, passear ao ar livre ou até participar de pequenas tarefas da casa, como colocar os pratos na mesa. O objetivo é incentivar o contato com experiências reais, envolvendo as mãos, o corpo e os sentidos.

    3. Mantenha os limites com calma e acolhimento

    É comum que a criança chore, reclame ou tente negociar mais alguns minutos de tela. Segundo Bárbara, o ideal é manter a regra estabelecida sem recorrer a brigas ou punições.

    Acolher o sentimento da criança, dizendo que entende a frustração, mas reforçando que o tempo terminou, ajuda no processo de aprendizagem. Quando os adultos mantêm o limite com calma e constância, a criança aprende, aos poucos, a lidar melhor com as frustrações.

    4. Evite usar as telas para acalmar ou distrair

    Segundo Bárbara, existem momentos em que o uso das telas deve ser evitado, principalmente durante as refeições e antes de dormir. Comer assistindo a vídeos dificulta a percepção da fome e da saciedade, enquanto o uso dos aparelhos à noite atrapalha a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono.

    Ao criar uma rotina com menos telas nos horários, a criança tende a dormir melhor, participar mais das refeições e desenvolver uma relação mais saudável com a tecnologia.

    Quando o uso excessivo de telas precisa de ajuda médica?

    Os pais devem procurar ajuda especializada ao notar os seguintes sinais de alerta:

    • Atraso para falar ou desenvolver a linguagem;
    • Falta de contato visual e pouca interação com outras pessoas;
    • Preferência pelas telas em vez de brincar ou conviver com outras crianças;
    • Crises intensas de choro, irritação ou agressividade ao desligar os aparelhos;
    • Dificuldade para dormir, despertares frequentes ou sono agitado;
    • Uso escondido do celular, do tablet ou de outros dispositivos;
    • Mentiras frequentes para conseguir mais tempo de tela;
    • Agitação, impulsividade e dificuldade de concentração em atividades sem telas;
    • Recusa em experimentar novos alimentos ou seletividade alimentar;
    • Ganho de peso rápido associado ao hábito de comer em frente às telas.

    O médico pode fazer uma avaliação para identificar se os comportamentos estão relacionados ao uso excessivo das telas e aos hábitos do dia a dia ou se existe algum transtorno do neurodesenvolvimento, como o TDAH ou o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que precisa uma investigação mais detalhada e um tratamento específico.

    Confira: Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

    Perguntas frequentes

    1. Abstinência digital é um vício real?

    Sim. Embora não envolva substâncias químicas, o vício em telas é uma dependência comportamental. Ele ativa os mesmos circuitos de recompensa no cérebro que outras compulsões.

    2. O que é o comportamento de barganha digital?

    É quando a criança tenta negociar o tempo todo para adiar o fim do uso da tela, usando argumentos como “só mais 5 minutinhos”, “deixa acabar esse vídeo” ou “amanhã eu não assisto se me deixar usar mais agora”.

    3. A abstinência digital pode causar sintomas físicos?

    Sim. Em casos mais severos, a falta do estímulo digital ou a tentativa de retirá-lo pode gerar dor de cabeça, agitação motora, tremores leves nas mãos, sudorese e aperto no peito causados pela ansiedade.

    4. Como a abstinência afeta o sono das crianças?

    A agitação nervosa combinada com a falta da luz azul (que bloqueia a melatonina) faz com que a criança em abstinência demore a pegar no sono, tenha pesadelos ou sofra com despertares noturnos frequentes.

    5. O que fazer se a criança começar a esconder os aparelhos?

    Isso indica um nível avançado de dependência. Os pais devem recolher os dispositivos, guardá-los em locais trancados, reavaliar o controle parental e, se necessário, buscar suporte psicológico.

    6. Como a escola pode ajudar a identificar a abstinência digital?

    Os professores costumam notar quando o aluno demonstra fadiga excessiva pela manhã, irritabilidade sem motivo aparente, isolamento no recreio (preferindo o celular) ou queda abrupta na capacidade de concentração e foco nas aulas.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

  • Caspa nas sobrancelhas e na barba: o que causa, como identificar e tratamento

    Caspa nas sobrancelhas e na barba: o que causa, como identificar e tratamento

    Apesar de mais comum no couro cabeludo, a caspa também pode aparecer na barba e nas sobrancelhas, causando descamação, coceira, vermelhidão e até um certo desconforto no dia a dia. Ela é causada especialmente pela dermatite seborreica, uma doença inflamatória crônica da pele que costuma afetar áreas ricas em glândulas sebáceas, que produzem uma maior quantidade de oleosidade.

    A condição está relacionada tanto à produção excessiva de sebo quanto à proliferação de um fungo chamado Malassezia, que habita naturalmente a pele humana. Contudo, ela não é contagiosa e pode ser tratada com o uso de medicamentos que controlam a inflamação e reduzem a proliferação do fungo. Veja alguns cuidados no dia a dia para cuidar da caspa no rosto.

    Afinal, o que causa caspa nos pelos do rosto?

    A principal causa da descamação na barba é a dermatite seborreica, uma doença inflamatória que afeta regiões do corpo com maior produção de oleosidade, como o couro cabeludo, a barba, as sobrancelhas e as laterais do nariz.

    Ela acontece quando a pele produz sebo em excesso, criando um ambiente favorável para a proliferação do fungo Malassezia, que vive naturalmente na pele de todas as pessoas.

    Em algumas delas, o aumento do fungo desencadeia uma reação inflamatória que faz com que as células da pele se renovem mais rapidamente do que o normal. O resultado são escamas brancas ou amareladas, que ficam presas entre os pelos da barba e nas sobrancelhas.

    Além da oleosidade, outros fatores também podem favorecer o aparecimento ou piorar as crises, como o estresse, o clima frio e seco, as mudanças hormonais e a predisposição genética.

    Como identificar a dermatite seborreica no rosto?

    Os sintomas da dermatite seborreica costumam aparecer aos poucos e podem alternar períodos de melhora e piora, especialmente em épocas de estresse ou clima frio. Os mais comuns incluem:

    • Pequenas escamas brancas ou amareladas (caspa) sobre a pele;
    • Vermelhidão persistente nas áreas afetadas;
    • Coceira de leve a intensa;
    • Sensação de ardor ou sensibilidade na pele;
    • Pele oleosa ou com aspecto brilhante;
    • Descamação na barba, sobrancelhas, laterais do nariz, atrás das orelhas e, em alguns casos, na testa.

    Como os sintomas podem ser parecidos com os de outras doenças de pele, como psoríase, dermatite atópica ou alergias, o diagnóstico deve ser feito por um dermatologista.

    O especialista avalia as características das lesões e, na maioria dos casos, consegue identificar a condição apenas por meio do exame clínico, sem necessidade de exames laboratoriais.

    Como eliminar a caspa nas sobrancelhas e na barba?

    A dermatite seborreica é uma condição crônica, mas os sintomas podem ser controlados com alguns cuidados no cotidiano.

    O primeiro passo é fazer a higienização da região com um shampoo anticaspa indicado pelo dermatologista, especialmente aqueles que contêm ativos como o cetoconazol. Apesar de desenvolvidos para o couro cabeludo, alguns dos produtos também podem ser utilizados na barba e nas sobrancelhas, desde que com orientação médica.

    Durante a lavagem, também é importante evitar água muito quente, pois ela resseca a pele e pode estimular um efeito rebote, fazendo com que as glândulas sebáceas produzam ainda mais oleosidade. Depois da limpeza, a região deve ser seca delicadamente com uma toalha limpa e macia, sem esfregar a pele.

    Por fim, o uso de um hidratante facial leve e adequado para peles oleosas ajuda a fortalecer a barreira de proteção da pele e diminuir a irritação. O ideal é optar por produtos não comedogênicos e livres de óleo, que hidratam sem aumentar a oleosidade da pele.

    Também é importante evitar coçar a região ou remover as escamas com as unhas, pois o hábito pode causar pequenas lesões, piorar a inflamação e favorecer novas crises.

    Erros comuns que pioram a descamação no rosto

    Os sintomas da dermatite seborreica podem piorar por causa de hábitos que irritam a pele ou favorecem o excesso de oleosidade, como:

    • Lavar o rosto com sabonetes corporais ou shampoos comuns: os produtos podem ser agressivos para a pele do rosto, removendo a sua proteção natural e favorecendo o ressecamento e a irritação;
    • Usar água muito quente: além de ressecar a pele, ela pode estimular um efeito rebote, aumentando a produção de oleosidade;
    • Coçar a região ou retirar as escamas com as unhas: o hábito pode causar pequenas lesões, piorar a inflamação e aumentar o desconforto;
    • Aplicar óleos e pomadas na barba sem higienizar a região corretamente: o acúmulo dos produtos pode favorecer a oleosidade e agravar a dermatite seborreica em pessoas predispostas;
    • Interromper o tratamento assim que os sintomas melhoram: como a dermatite seborreica é uma condição crônica, abandonar os cuidados pode facilitar o retorno da descamação e da coceira.

    Além dos hábitos, fatores como estresse, noites mal dormidas, mudanças bruscas de temperatura e clima frio também podem desencadear ou intensificar as crises em pessoas predispostas à dermatite seborreica.

    Quando é hora de procurar um dermatologista?

    Se a caspa na barba ou nas sobrancelhas não melhorar após algumas semanas de cuidados diários e do uso dos produtos recomendados, é importante procurar um dermatologista. A avaliação médica também é indicada se você perceber:

    • Descamação que não melhora ou piora com o passar das semanas;
    • Vermelhidão intensa ou inflamação que se espalha para outras áreas do rosto;
    • Coceira intensa, principalmente quando atrapalha o sono ou a rotina;
    • Feridas, sangramentos, dor ou saída de secreção na região;
    • Placas espessas ou crostas que aumentam de tamanho;
    • Queda de pelos na barba ou nas sobrancelhas associada à inflamação.

    O dermatologista poderá indicar tratamentos mais específicos, como cremes, loções ou shampoos com medicamentos antifúngicos e anti-inflamatórios, além de orientar a melhor rotina de cuidados para controlar a dermatite seborreica e reduzir a frequência das crises.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

    Perguntas frequentes

    1. Caspa no rosto pode causar queda de pelos?

    Sim, a inflamação intensa gerada pela dermatite seborreica enfraquece a raiz dos fios nas sobrancelhas e na barba, podendo provocar uma queda temporária dos pelos faciais se o problema não receber o tratamento adequado rapidamente.

    2. Vinagre de maçã funciona para caspa na barba?

    Não. O vinagre de maçã possui propriedades que ajudam a controlar os fungos temporariamente, mas o uso do produto puro na pele do rosto causa irritações graves e piora a descamação devido à acidez elevada do líquido.

    3. Caspa na sobrancelha é contagioso?

    Não, pois a descamação nos pelos faciais decorre de uma reação do próprio organismo ao excesso de oleosidade e à proliferação de fungos naturais do corpo humano.

    4. Lavar o rosto várias vezes ao dia resolve o problema?

    A higienização excessiva limpa a pele além do necessário e provoca o chamado efeito rebote, estimulando as glândulas sebáceas a fabricarem ainda mais gordura para compensar o ressecamento.

    5. Quem tem caspa no rosto pode usar maquiagem?

    Pode, desde que escolha produtos adequados para o seu tipo de pele, de preferência não comedogênicos e livres de óleo. Também é fundamental remover toda a maquiagem ao final do dia para evitar irritações e o acúmulo de resíduos.

    6. O uso de boné e máscara piora a situação?

    O uso prolongado de máscaras pode aumentar o calor, a umidade e a oleosidade da pele, favorecendo a irritação em algumas pessoas. Já o boné costuma ter pouco impacto sobre a dermatite no rosto, embora possa influenciar quando a doença também afeta o couro cabeludo.

    7. Sabonete de enxofre serve para tratar a caspa facial?

    Em alguns casos, sim. O enxofre ajuda a controlar a oleosidade e pode auxiliar no tratamento da dermatite seborreica. No entanto, o produto deve ser utilizado com orientação médica, pois o uso excessivo pode ressecar e irritar a pele.

    8. O óleo de barba causa caspa?

    O óleo de barba não causa dermatite seborreica, mas seu uso em excesso ou a aplicação diretamente sobre a pele pode aumentar a oleosidade e piorar os sintomas em pessoas predispostas. O ideal é aplicar o produto apenas nos fios e manter uma boa rotina de limpeza.

    Leia mais: Alopecia: como tratar e prevenir a queda de cabelo

  • Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

    A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas que pode causar desconfortos como ondas de calor, insônia e alterações de humor. Para aliviar esses sintomas, muitas mulheres consideram a terapia de reposição hormonal. Mas será que toda mulher pode fazer?

    Neste artigo, você vai entender o que realmente acontece no corpo durante a menopausa, os principais sintomas, os riscos e benefícios da reposição hormonal e os cuidados necessários para tomar uma decisão segura.

    O que é reposição hormonal na menopausa

    A reposição hormonal é um tratamento indicado para aliviar os sintomas da menopausa, fase marcada pela queda na produção dos hormônios femininos, principalmente o estrogênio. Essa redução pode trazer sintomas físicos e emocionais que afetam profundamente a qualidade de vida de cada mulher.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o tratamento deve sempre ser tratado caso a caso. “A reposição não é para todas as mulheres. É preciso avaliar os riscos, os benefícios e o histórico de saúde de cada paciente antes de indicar o uso dos hormônios”, explica.

    A mulher que está com sintomas pode, inclusive, começar a reposição hormonal na perimenopausa, período antes da menopausa. “O ideal é iniciar até 10 anos depois da menopausa, o que chamamos de janela de oportunidade”.

    E não há idade fixa para parar o tratamento. “Avaliamos ano a ano. Se a mulher não sente mais sintomas ou deseja parar, pode testar. Se ela ainda se beneficia, por exemplo, no controle da osteoporose, pode continuar sem data limite”, diz a médica.

    Sintomas da menopausa que podem indicar reposição hormonal

    Os sintomas da menopausa vão muito além das famosas ondas de calor, que atingem até 80% das mulheres. É comum que elas também apresentem alterações no sono, irritabilidade, fadiga, palpitações e mudanças no metabolismo.

    A ginecologista explica que as mulheres têm receptores de estrogênio no corpo todo, mas principalmente no cérebro, e é lá que estarão os maiores efeitos da queda hormonal.

    “As ondas de calor, por exemplo, acontecem porque o ‘termostato’ cerebral perde a regulação normal, e pequenas variações de temperatura, que não deveriam ser sentidas, são interpretadas como se fossem grandes mudanças, causando suor e sensação de calor intenso”, explica.

    Outro sintoma importante é a chamada síndrome geniturinária da menopausa. “Muitas mulheres relatam ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais, infecções urinárias de repetição e urgência para urinar. Esses sintomas podem ser bastante incapacitantes e, muitas vezes, são subestimados”, reforça a especialista.

    Como funciona a reposição hormonal

    A reposição hormonal pode ser feita de diferentes maneiras, e a escolha depende tanto dos sintomas quanto do perfil de saúde da mulher.

    “Se a mulher tem útero, não posso dar o hormônio estradiol sozinho, porque ele estimula o endométrio e pode levar a hiperplasia ou até câncer. Por isso, junto com o estrogênio, é necessário repor também progesterona, que protege o endométrio”, conta a médica. Já mulheres sem útero precisam apenas do estrogênio.

    A via oral é prática, mas pode causar efeitos colaterais por passar pelo fígado. Já a via transdérmica (adesivos, géis, sprays) é considerada mais segura. Para sintomas genitais e urinários, pode-se usar estradiol local (via vaginal).

    Benefícios da reposição hormonal

    • Redução das ondas de calor e suor noturno;
    • Melhora do sono e da disposição;
    • Redução da irritabilidade e melhora do humor;
    • Prevenção e tratamento da síndrome geniturinária;
    • Risco menor de osteoporose.

    Riscos da reposição hormonal

    Apesar dos benefícios, a reposição não é indicada para todas. É contraindicada em casos de:

    • Histórico de trombose;
    • Hipertensão ou diabetes descontrolados;
    • Câncer de mama ou histórico familiar de primeiro grau.

    Acompanhamento e individualização do tratamento

    Não existe uma fórmula única. O acompanhamento médico anual é essencial, com exames como a mamografia, para garantir a segurança do tratamento.

    Veja também: Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Perguntas frequentes sobre reposição hormonal na menopausa

    1. Toda mulher na menopausa precisa fazer reposição hormonal?

    Não. A indicação depende dos sintomas, do histórico de saúde e da avaliação médica individual.

    2. A reposição engorda?

    Não. O ganho de peso está mais ligado à menopausa em si, que reduz o metabolismo e altera a distribuição de gordura.

    3. Quem já teve câncer de mama pode fazer reposição?

    Geralmente, não. Nestes casos, médicos buscam alternativas não hormonais.

    4. A reposição hormonal ajuda a prevenir osteoporose?

    Sim. O estrogênio protege os ossos e reduz o risco de fraturas.

    5. Existe tempo limite para usar a reposição?

    Não há prazo fixo, mas deve ser reavaliado anualmente.

    6. A reposição pode melhorar sintomas emocionais?

    Sim. Muitas mulheres relatam melhora no sono, no humor e na disposição.

    Veja também: Perimenopausa (pré-menopausa): como saber se ela já começou?

  • É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

    É possível investigar TDAH em crianças bem pequenas?

    Mudanças rápidas de humor, agitação intensa e falta de concentração são só alguns dos sintomas que costumam surgir na primeira infância, quando o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento e ela está aprendendo, aos poucos, a controlar as próprias emoções.

    Apesar de completamente normal para a fase, alguns pais podem se perguntar se o comportamento agitado pode ser um sinal de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

    A linha entre a energia natural da infância, especialmente na fase do famoso ‘terrible two’, e os primeiros indícios de um transtorno podem parecer muito semelhantes, mas será que é possível fechar um diagnóstico quando o bebê ou a criança ainda é tão pequena?

    O diagnóstico de TDAH costuma ser mais seguro e preciso entre os 5 e 6 anos de idade, mas a investigação e o olhar atento dos pais e especialistas podem (e devem) começar bem antes.

    O diagnóstico de TDAH é possível antes dos 4 anos?

    Segundo a neuropediatra Bárbara Macedo, o diagnóstico de TDAH ainda não é possível em crianças abaixo de 4 anos de idade. A região do cérebro diretamente ligada ao TDAH é o córtex pré-frontal, responsável pelas chamadas funções executivas: o controle dos impulsos, a capacidade de focar a atenção, a organização e a regulação emocional.

    Em crianças abaixo dos 4 anos, a especialista explica que a estrutura neurológica está apenas iniciando o processo de maturação.

    “Comportamentos como agitação, impulsividade e dificuldade de atenção fazem parte do desenvolvimento normal nessa idade. Não é à toa que todos os pais já falam sobre o terrible two, que na verdade vai até os 4 anos”, explica a especialista.

    Como os comportamentos se sobrepõem bastante aos sintomas do TDAH, é clinicamente muito difícil diferenciar o que faz parte de uma fase normal do desenvolvimento infantil do que realmente representa um transtorno do neurodesenvolvimento.

    Importante: não ser possível fechar o diagnóstico não significa que os pais devam ignorar os sinais. Se a agitação for totalmente desproporcional ou se houver prejuízo no desenvolvimento, a criança já pode entrar em acompanhamento preventivo com um neuropediatra ou psicólogo infantil.

    Sintomas normais da infância vs. Sinais de alerta de TDAH

    Como o cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, a diferença entre um comportamento esperado para a idade e um sinal de alerta costuma estar em três fatores principais: a intensidade, a frequência e o impacto que esse comportamento causa no dia a dia da criança.

    O que é esperado no desenvolvimento infantil

    • Distração é seletiva: a criança perde o foco em atividades de que não gosta, mas consegue ficar concentrada por vários minutos brincando, ouvindo uma história ou assistindo a um desenho de que gosta;
    • Muita energia, mas com controle: ela corre, pula e brinca bastante, porém consegue diminuir o ritmo por alguns minutos quando a situação exige, como durante uma refeição ou no colo dos pais;
    • Birras fazem parte da idade: quando é contrariada, pode chorar, gritar ou fazer uma birra, mas costuma se acalmar após receber acolhimento ou quando a atenção é direcionada para outra atividade;
    • Comportamento semelhante ao de outras crianças: o nível de agitação, curiosidade e teimosia é compatível com o esperado para a idade e parecido com o dos colegas da escola ou do parquinho.

    Sinais de alerta para TDAH

    • Não consegue manter a atenção nem em atividades de que gosta: a criança troca de brinquedo ou de atividade o tempo todo, sem conseguir permanecer concentrada por mais do que alguns segundos ou poucos minutos, mesmo quando a brincadeira é nova e divertida;
    • Agitação muito acima do esperado para a idade: parece estar em movimento o tempo inteiro, não consegue ficar sentada nem durante as refeições, corre, sobe em móveis e se movimenta sem parar, mesmo em momentos que demandam calma;
    • Impulsividade que coloca a segurança em risco: age sem pensar nas consequências, podendo correr para a rua, pular de lugares altos ou mexer em objetos perigosos. Também pode apresentar comportamentos agressivos frequentes, como morder, empurrar ou bater sem um motivo claro;
    • Grande dificuldade para seguir a rotina: tarefas simples, como guardar os brinquedos, tomar banho, comer ou ir dormir, geram resistência intensa todos os dias, tornando qualquer mudança de atividade muito difícil e desgastante para a criança e para a família.

    “Se a criança apresenta um nível de agitação muito acima do esperado para a idade, ou uma dificuldade extrema de se concentrar dentro do esperado para a idade, não conseguindo permanecer sentada por mais do que 3 segundos, já é possível acompanhar de perto”, destaca Bárbara.

    Como funciona a investigação do TDAH na infância?

    O diagnóstico do TDAH em crianças pequenas é um processo clínico e multidisciplinar, feito por médicos, psicólogos e, quando necessário, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais da saúde.

    Como não existem exames de laboratório capazes de identificar a condição, a avaliação é baseada na observação detalhada do comportamento da criança, no histórico de desenvolvimento, nos relatos da família e da escola, além da exclusão de outras condições que podem provocar sintomas semelhantes, como ansiedade e transtornos do sono.

    Além disso, os sintomas precisam estar presentes em diferentes ambientes, como em casa e na escola, persistir por um período prolongado e causar prejuízos reais na aprendizagem, na socialização ou na rotina da criança. Só depois de uma investigação cuidadosa é que a equipe pode confirmar ou descartar o diagnóstico de TDAH.

    Por que começar o acompanhamento médico mesmo sem um diagnóstico fechado?

    Mesmo quando ainda não é possível confirmar o TDAH, o acompanhamento médico consegue monitorar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo e identificar precocemente qualquer alteração que precise de atenção.

    Quanto mais cedo os profissionais acompanham a evolução dos sintomas, mais fácil é diferenciar o que faz parte do desenvolvimento normal do que realmente indica um transtorno.

    Durante o período, a família também recebe orientações sobre estratégias para lidar com os comportamentos da criança, melhorar a rotina, estabelecer limites e estimular o desenvolvimento de habilidades importantes, como atenção, linguagem e autorregulação.

    Se os sintomas diminuírem com o amadurecimento, provavelmente faziam parte de uma fase do desenvolvimento. Caso eles persistam ou fiquem mais intensos, a criança já estará sendo acompanhada e pode iniciar o tratamento adequado.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o TDAH na infância?

    É um transtorno neurobiológico de forte base genética. Alterações na regulação de neurotransmissores (como a dopamina) e fatores ambientais na gestação também podem influenciar.

    2. Existe exame de sangue ou de imagem para detectar o TDAH?

    Não. O diagnóstico é 100% clínico, baseado na observação do comportamento da criança em diferentes ambientes e no relato de pais e professores.

    3. Qual é a diferença entre birra normal e sintoma de TDAH?

    A birra comum cede após o acolhimento ou distração. No TDAH, a impulsividade e a desregulação emocional são extremas, frequentes e muito difíceis de conter.

    4. Crianças com TDAH demoram mais para falar?

    Não necessariamente, mas atrasos na fala podem coexistir com o TDAH. A dificuldade de comunicação também pode gerar uma agitação parecida com o transtorno.

    5. Qual a diferença entre TDAH e autismo (TEA)?

    No TDAH, o foco principal é a desatenção e a hiperatividade. No autismo, o foco está em dificuldades de comunicação social, interesses restritos e comportamentos repetitivos. Uma criança pode ter ambos.

    6. O TDAH tem cura?

    Não tem cura, pois é uma condição neurobiológica que acompanha a pessoa ao longo da vida. No entanto, com o tratamento adequado, a criança aprende a controlar os sintomas e tem uma vida normal.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Não é uma novidade que a escova de dentes é um dos itens mais necessários para a higiene diária, ajudando a reduzir o risco de cáries, gengivite, mau hálito e outras doenças bucais. Só que, no dia a dia, é comum notar que precisa trocar a escova quando ela está com as cerdas completamente abertas ou até depois de uma gripe.

    Com o uso diário, as cerdas vão perdendo a firmeza, deixam de remover a placa bacteriana com a mesma eficiência e podem até machucar a gengiva se estiverem deformadas. A escova também acumula microrganismos ao longo do tempo, principalmente quando é armazenada em ambientes úmidos, como o banheiro.

    Por isso, a troca deve acontecer bem antes do desgaste das cerdas ou de qualquer sinal evidente de que ela perdeu a eficiência.

    De quanto em quanto tempo devo trocar a escova de dentes?

    A escova de dentes deve ser trocated a cada três meses de uso. Com o desgaste natural, as cerdas perdem a flexibilidade e a capacidade de limpar os dentes de forma adequada, mesmo que a escovação seja feita pelo tempo recomendado.

    No entanto, existem algumas exceções importantes. Primeiro, se houver gripe, resfriado, dor de garganta ou infecções na boca, mude de escova assim que os sintomas desaparecerem, pois os germes e vírus podem se alojar nas cerdas e aumentar o risco de uma nova infecção.

    Se as cerdas começarem a abrir, deformar ou perder a cor antes de completar 3 meses, também é necessário descartar a escova. As cerdas tortas perdem a capacidade de higienização e podem machucar a gengiva.

    Sinais de que está na hora de trocar a escova antes do tempo

    O uso diário causa desgastes que podem demandar a substituição do item antes dos 3 meses recomendados. Veja alguns sinais de alerta para ficar atento:

    • Cerdas abertas ou tortas: quando as cerdas perdem o formato original e apontam para os lados, perdem a capacidade de limpar os vãos dos dentes e passam a machucar a gengiva;
    • Cerdas moles demais: o uso contínuo faz com que o material perca a firmeza necessária para raspar a placa bacteriana de forma eficaz;
    • Mudança de cor na base: manchas escuras ou amareladas no local onde as cerdas se fixam na cabeça da escova indicam acúmulo de sujeira, restos de pasta e umidade;
    • Recuperação de infecções: gripe, resfriado, dor de garganta ou herpes deixam vírus e bactérias alojados no objeto, tornando a troca obrigatória após a cura para evitar a reinfecção;
    • Falta de elasticidade: cerdas que demoram a voltar para a posição inicial após o aperto dos dedos já perderam a vida útil.

    O que acontece se usar a mesma escova por muito tempo?

    1. Acúmulo de fungos e bactérias

    O banheiro é um ambiente úmido, o que favorece a proliferação de microrganismos. Com o passar do tempo, bactérias, fungos e até coliformes fecais dispersos no ar podem se depositar nas cerdas da escova, principalmente quando ela fica próxima ao vaso sanitário ou é armazenada sem proteção adequada.

    A cada escovação, os microrganismos podem ser levados diretamente para a boca.

    2. Ferimentos e retração na gengiva

    As cerdas tortas, gastas ou endurecidas pelo tempo perdem a flexibilidade necessária para limpar os dentes sem agredir os tecidos. O atrito excessivo pode provocar pequenos cortes, irritação, sensibilidade e sangramentos.

    Com o uso prolongado, o trauma repetitivo também pode contribuir para a retração gengival, deixando a raiz dos dentes mais exposta.

    3. Aumento do risco de cáries e tártaro

    Quando as cerdas estão deformadas, elas deixam de alcançar corretamente os espaços entre os dentes e a linha da gengiva, onde a placa bacteriana costuma se acumular. Como resultado, a limpeza fica incompleta, favorecendo o endurecimento da placa em forma de tártaro e aumentando o risco de cáries e doenças gengivais.

    4. Mau hálito persistente

    Uma escova desgastada não consegue remover completamente os restos de alimentos e as bactérias presentes nos dentes, na gengiva e na língua. Com o acúmulo, os microrganismos passam a produzir substâncias responsáveis pelo mau hálito, que pode persistir mesmo após a escovação.

    5. Risco de infecções sistêmicas

    Quando existem feridas ou inflamações na gengiva, algumas bactérias da boca podem alcançar a corrente sanguínea. Em pessoas com baixa imunidade ou com determinadas doenças, isso pode favorecer infecções e agravar problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e outros processos inflamatórios.

    Apesar do risco ser maior em grupos mais vulneráveis, manter a escova em boas condições ajuda a reduzir a exposição aos microrganismos.

    Cuidados diários para conservar escova de dentes

    A forma como a escova é cuidada após a escovação determina a durabilidade das cerdas e impede a proliferação de microrganismos. No dia a dia, alguns cuidados importantes incluem:

    • Lavar bem após o uso: ao terminar a escovação, lave a cabeça da escova em água corrente abundante. Use os dedos para abrir as cerdas e garantir a remoção completa de restos de alimentos e excessos de pasta de dentes;
    • Retirar o excesso de umidade: nunca guarde a escova encharcada e, após a escovação, dê batidas leves no canto da pia para eliminar o acúmulo de água. Evite secar o objeto em toalhas de banho ou de rosto, que costumam conter germes;
    • Guardar na posição vertical: mantenha o item em pé, dentro de um suporte ou copo aberto. O hábito faz com que a água escorra para baixo, acelerando a secagem natural das cerdas;
    • Evitar capinhas protetoras fechadas: capas plásticas criam um ambiente abafado e úmido, perfeito para o surgimento de fungos e bactérias. Use protetores apenas se forem totalmente ventilados (com furos) ou durante viagens;
    • Manter distância do vaso sanitário: a descarga espalha gotículas invisíveis cheias de bactérias pelo ar do banheiro. Guarde o suporte em um armário fechado ou a uma distância mínima de 1 metro e meio do vaso, mantendo a tampa do vaso sempre abaixada na hora da descarga;
    • Não encostar em outras escovas: se o suporte for compartilhado com a família, garanta que as cabeças dos objetos não fiquem em contato, impedindo a transmissão cruzada de germes de uma boca para outra.

    Lembre-se de que a visita ao dentista deve acontecer, de forma preventiva, a cada 6 meses. As consultas regulares servem para realizar uma limpeza profissional profunda, remover o tártaro que a escova não consegue tirar e identificar problemas logo no início.

    Perguntas frequentes

    1. Posso ferver a escova de dentes para desinfetar?

    Não é recomendado. A água fervendo deforma as cerdas de nylon e derrete o plástico, estragando o objeto e reduzindo a capacidade de limpeza.

    2. Crianças devem trocar de escova no mesmo prazo que os adultos?

    Sim, a cada 3 meses ou antes. Como as crianças costumam morder as cerdas durante o aprendizado, o desgaste pode acontecer bem mais rápido.

    3. Usar enxaguante bucal para lavar a escova ajuda a limpar?

    Ajuda a eliminar bactérias superficiais. Mergulhar a cabeça do objeto em um pouco de enxaguante por alguns minutos uma vez por semana é uma boa prática de higiene.

    4. Escova com cerdas duras limpa melhor?

    Não. Cerdas duras dão a falsa sensação de limpeza, mas desgastam o esmalte dos dentes e machucam a gengiva, provocando retração.

    5. Como saber se a escova de dentes é macia?

    A informação vem escrita de forma clara na parte frontal da embalagem do produto, indicada pelos termos “macia” ou “extramacia”.

    6. Quem usa aparelho ortodôntico precisa trocar a escova antes?

    Sim, os bráquetes e fios do aparelho causam maior atrito, desalinhando e desgastando as cerdas em menos tempo, muitas vezes exigindo a troca a cada 2 meses.

    7. Posso usar vinagre ou bicarbonato para lavar a escova?

    Não é necessário. Água corrente e uma boa secagem já são suficientes para a manutenção diária do item.

  • Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Por que cuidar do coração antes de uma cirurgia

    Independentemente do tipo de cirurgia, o coração é um dos órgãos mais exigidos do corpo. Mesmo em procedimentos que não envolvem diretamente a região cardíaca, como uma operação no joelho ou na vesícula, o estresse físico e emocional do processo cirúrgico impacta a pressão arterial, a frequência dos batimentos e a oxigenação do sangue.

    É por isso que a atenção ao coração antes, durante e depois de qualquer procedimento é importante para garantir a segurança do paciente.

    Conversamos com a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega, formada pelo InCor-HCFMUSP, para esclarecer as principais orientações sobre como o coração deve ser cuidado em cada fase do processo cirúrgico.

    O que acontece com o corpo durante uma cirurgia?

    Uma cirurgia, mesmo quando não envolve diretamente o coração, é um evento de estresse considerável para o organismo e provoca diversas alterações. “O estresse físico e emocional, a anestesia, a perda de sangue e a inflamação que ocorrem durante o procedimento sobrecarregam o sistema cardiovascular”, aponta Edilza.

    Primeiro, a anestesia (seja geral ou regional) interfere no sistema nervoso central, podendo afetar a respiração, a pressão arterial e os batimentos cardíacos. Por isso, o paciente é monitorado o tempo todo.

    Além disso, o estresse do procedimento estimula a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que deixam o organismo em ritmo acelerado. O sistema respiratório também é afetado, já que a anestesia pode reduzir a capacidade de respirar sozinho e por isso, muitas vezes, é necessário oxigênio extra por máscara ou intubação.

    Por que a avaliação cardiológica pré-operatória é tão importante?

    Antes da cirurgia, é importante fazer uma avaliação cardiológica para ver como está a saúde do coração e identificar possíveis riscos. Na consulta, o médico conversa sobre o histórico do paciente, analisa os fatores de risco e pode pedir exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e alguns testes de sangue.

    Em geral, Edilza aponta que a consulta é altamente recomendada para:

    • Pessoas que já tiveram infarto, têm insuficiência cardíaca, arritmias ou algum outro problema no coração;
    • Pacientes que têm pressão alta, diabetes, obesidade, colesterol alto ou fumam;
    • Adultos e idosos, geralmente acima de 50 ou 60 anos;
    • Quem sente dor no peito, falta de ar, palpitações ou inchaço nas pernas;
    • Aqueles que farão cirurgias de médio ou grande porte, onde pode acontecer perda de sangue ou estresse considerável.

    Se for identificado risco elevado, a cirurgia pode até ser adiada. O objetivo não é impedir o tratamento, mas sim garantir que o coração esteja estável para suportar o procedimento. Às vezes, é necessário ajustar medicações ou até realizar um procedimento cardíaco prévio.

    Cuidados com o coração durante a cirurgia

    Durante todo o procedimento cirúrgico, diversos cuidados são feitos para proteger o coração, que é monitorado. Isso é importante para detectar qualquer alteração precoce e agir rapidamente. Entre os cuidados mais importantes estão:

    • Controle da pressão arterial, para evitar picos ou quedas bruscas;
    • Monitoramento dos batimentos, para identificar arritmias;
    • Controle da dor e do estresse, para reduzir a sobrecarga cardíaca;
    • Reposição de líquidos e sangue, para equilibrar o volume circulante.

    Quais os riscos cardíacos no pós-operatório?

    O período pós-operatório é uma das fases mais críticas para o coração. Mesmo depois de uma cirurgia bem-sucedida, o corpo ainda é afetado por inflamação, dor e os efeitos da anestesia, o que pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.

    As complicações cardíacas mais comuns nesse momento incluem, segundo Edilza:

    • Infarto;
    • Arritmias;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Tromboembolismo, que são coágulos que podem atingir o coração ou o pulmão.

    Cuidados com o coração no pós-operatório

    Além do acompanhamento médico, os hábitos de vida da pessoa são muito importantes para garantir uma recuperação segura e reduzir o risco de complicações. Alguns deles incluem:

    • Seguir as orientações médicas à risca: nunca interromper medicações sem falar com o médico;
    • Controlar a pressão arterial: medir regularmente, inclusive em casa se possível;
    • Manter uma alimentação equilibrada: frutas, verduras, legumes, proteínas magras e pouco sal;
    • Evitar cigarro e álcool;
    • Praticar atividade física leve, com liberação médica;
    • Reduzir o estresse e cuidar da mente;
    • Dormir bem e manter rotina de descanso.

    Importância da saúde mental e emocional após a cirurgia

    A recuperação após um procedimento também envolve questões emocionais. O medo da cirurgia, a ansiedade e até a sensação de solidão aumentam o estresse e dificultam a estabilização do organismo.

    “Pacientes podem ajudar seus corações ao manter a calma, conversar com a família, amigos ou psicólogo, focar nos pequenos progressos, praticar atividades relaxantes como ouvir música, ler ou técnicas de respiração. O suporte emocional é tão importante quanto o cuidado físico para uma recuperação completa”, finaliza a cardiologista Edilza Câmara Nóbrega.

    Confira: Veja como cuidar do coração durante o tratamento do câncer

    Perguntas frequentes sobre como cuidar do coração para uma cirurgia

    1. A cirurgia pode causar problemas no coração saudável?

    Pode, mas o risco é menor. Em pessoas saudáveis, o coração geralmente consegue lidar com o estresse do procedimento. Mas complicações como arritmias e picos de pressão podem ocorrer.

    2. Como a pressão alta influencia na cirurgia?

    A pressão alta aumenta o risco de complicações como infarto e AVC. Se não estiver controlada, podem ocorrer picos perigosos durante a operação.

    3. Quem já teve infarto pode operar?

    Pode sim, mas com cuidados redobrados. O cardiologista precisa avaliar como está o coração após o infarto e pode solicitar exames extras antes de liberar o procedimento.

    4. Quais hábitos ajudam o coração a se recuperar melhor no pós-operatório?

    Seguir corretamente os remédios, manter a pressão controlada, ter alimentação saudável, evitar cigarro e álcool, praticar exercícios leves, dormir bem e cuidar da saúde emocional.

    5. Quando procurar o cardiologista antes da cirurgia?

    O ideal é assim que a cirurgia for marcada. Isso dá tempo para exames, ajustes de medicação ou tratamento de eventuais problemas.

    6. É seguro voltar a treinar após a cirurgia?

    Sim, desde que liberado pelo médico. O retorno deve ser gradual, começando com caminhadas leves.

    Leia também: Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra