Blog

  • Como amenizar os efeitos da baixa umidade do ar (e quando você deve ir ao médico)

    Como amenizar os efeitos da baixa umidade do ar (e quando você deve ir ao médico)

    Você sabe o que significa uma baixa umidade do ar? Comum durante os períodos de estiagem ou no inverno, ela acontece quando há pouca quantidade de vapor d’água na atmosfera em relação à capacidade máxima que o ar consegue reter naquela temperatura, deixando o clima mais seco.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, a umidade relativa do ar considerada ideal para a saúde humana deve ficar entre 40% e 70%. Os níveis abaixo de 30%, considerados estado de atenção, podem favorecer o ressecamento das mucosas, aumentar o desconforto respiratório e agravar doenças alérgicas e pulmonares.

    A seguir, vamos entender como a baixa umidade do ar pode afetar a saúde e quais cuidados você pode adotar para reduzir os impactos do clima seco no dia a dia.

    O que a baixa umidade do ar faz com o corpo?

    A baixa umidade do ar faz com que o organismo perca água com mais facilidade, favorecendo o ressecamento das mucosas, da pele e das vias respiratórias. Com o ar mais seco, o corpo também encontra mais dificuldade para manter a hidratação natural e a proteção das regiões que entram em contato direto com o ambiente, como o nariz, os olhos e a garganta.

    Como consequência, pode surgir:

    • Dores de cabeça: podem ser causadas pela desidratação ou pela irritação dos seios da face, favorecida pelo ressecamento das vias respiratórias;
    • Cansaço e irritabilidade: o organismo precisa gastar mais energia para manter a hidratação e regular a temperatura corporal;
    • Ressecamento das mucosas: o nariz, a boca e a garganta perdem parte da camada protetora de muco, facilitando a entrada de microrganismos;
    • Irritações locais: tosse seca, garganta irritada, rouquidão e desconforto nasal são sintomas frequentes;
    • Sangramento nasal: o ressecamento pode deixar os vasos sanguíneos do nariz mais frágeis, aumentando o risco de sangramentos;
    • Crises alérgicas: a baixa umidade pode agravar quadros de asma, bronquite e rinite, deixando as vias respiratórias mais sensíveis e inflamadas;
    • Desidratação da pele: a pele pode perder o brilho, ficar mais esbranquiçada, áspera e apresentar descamação ou rachaduras;
    • Fissuras labiais: os lábios tendem a ressecar com facilidade, podendo apresentar cortes e pequenas feridas;
    • Piora de dermatites: condições como dermatite atópica e psoríase podem apresentar crises mais intensas durante os períodos secos;
    • Olho seco: a evaporação mais rápida da lágrima pode causar ardência, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e coceira;
    • Sensibilidade nos olhos: pode haver maior desconforto à luz e aumento da irritação ocular, favorecendo quadros alérgicos.

    Como o ar seco retira a umidade natural das mucosas do nariz e da garganta, que servem como a primeira barreira de defesa contra vírus e bactérias, o organismo também fica mais vulnerável a infecções respiratórias, como gripes e resfriados.

    Como aliviar os efeitos do tempo seco?

    1. Hidratação e cuidados pessoais

    Durante os períodos de baixa umidade, o organismo perde água com mais facilidade, o que torna importante:

    • Beber bastante água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede. Sucos naturais e água de coco também ajudam na hidratação e na reposição de sais minerais;
    • Lavar o nariz com soro fisiológico, o que ajuda a manter as mucosas hidratadas e auxilia na remoção de impurezas que irritam as vias respiratórias;
    • Hidratar os olhos com colírios lubrificantes ou lágrimas artificiais, que podem aliviar o desconforto do ressecamento ocular, preferencialmente com orientação médica;
    • Usar hidratantes corporais, como cremes e loções hidratantes, que ajudam a preservar a barreira de proteção natural da pele e evitam rachaduras e descamações;
    • Evitar banhos muito quentes, que removem a oleosidade natural da pele, agravando o ressecamento causado pelo ar seco.

    2. Cuidados com o ambiente

    Além dos cuidados com o corpo, também é importante melhorar a qualidade do ar dentro de casa, com medidas como:

    • Umidifique o ambiente para ajudar a aumentar a umidade do ar e reduzir o ressecamento das vias respiratórias. Caso não tenha um umidificador em casa, recipientes com água ou toalhas úmidas espalhados pela casa também podem ajudar;
    • Mantenha os ambientes ventilados e limpos, já que o clima seco favorece o acúmulo de poeira, ácaros e outras partículas irritantes. Durante a limpeza, prefira panos úmidos para evitar que a poeira fique suspensa no ar;
    • Tenha plantas em casa, pois algumas espécies ajudam a melhorar a qualidade e a umidade do ambiente por meio da liberação natural de vapor d’água pelas folhas.

    3. Hábitos e exercícios físicos

    Algumas mudanças simples na rotina também ajudam a minimizar os efeitos da baixa umidade e a proteger o organismo durante os períodos mais secos do ano, como:

    • Evite exercícios ao ar livre entre 10h e 16h, quando a umidade do ar costuma estar mais baixa e a radiação solar mais intensa;
    • Use roupas de tecidos naturais, como algodão, que permitem maior ventilação da pele e ajudam no conforto térmico;
    • Evite excesso de ar-condicionado, pois o aparelho reduz ainda mais a umidade do ambiente. Quando possível, utilize com moderação e mantenha recipientes com água no local para ajudar a reduzir o ressecamento.

    Cuidados especiais para grupos de risco

    Durante períodos de baixa umidade, alguns grupos de risco (como crianças e idosos) precisam de atenção redobrada, pois tendem a sentir os efeitos do ar seco de forma mais intensa e podem apresentar maior risco de complicações respiratórias e desidratação. Veja algumas orientações:

    • Crianças pequenas devem receber líquidos com frequência ao longo do dia, mesmo quando não pedem água, já que podem desidratar mais facilmente;
    • Idosos precisam manter uma rotina regular de hidratação, pois a sensação de sede costuma diminuir com o envelhecimento;
    • Pessoas com asma, bronquite, rinite e sinusite devem seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico e evitar exposição à poeira, fumaça e mudanças bruscas de temperatura;
    • Pessoas com dermatite atópica, psoríase ou pele muito sensível podem precisar intensificar o uso de hidratantes corporais para reduzir o ressecamento e a irritação da pele;
    • Quem pratica exercícios físicos deve preferir horários mais frescos do dia, como o início da manhã ou o fim da tarde, além de reforçar a hidratação antes, durante e após a atividade física;
    • Bebês, idosos acamados e pessoas com doenças crônicas devem ser observados com mais atenção para sinais de desidratação, cansaço excessivo ou dificuldade respiratória.

    Independentemente do grupo, a cor da urina é o melhor indicador de hidratação. Se ela estiver escura e com cheiro forte, é sinal de que o corpo precisa de muito mais água. O ideal é que ela esteja sempre clara.

    Quando a baixa umidade se torna uma urgência médica?

    Procure atendimento médico imediato se apresentar os seguintes sintomas:

    • Dificuldade intensa para respirar, com falta de ar mesmo em repouso ou esforço excessivo para respirar;
    • Chiado ou “apito” no peito, indicando possível inflamação ou obstrução das vias aéreas;
    • Febre persistente, que pode indicar evolução para uma infecção respiratória, como sinusite ou pneumonia;
    • Sangramentos nasais intensos ou frequentes, principalmente quando não param após alguns minutos de compressão;
    • Sinais de desidratação, como boca muito seca, ausência de lágrimas e urina escura ou em pequena quantidade;
    • Tontura, desorientação, confusão mental ou sonolência excessiva, especialmente em idosos;
    • Tosse com catarro amarelado, esverdeado ou com presença de sangue;
    • Letargia em crianças, com sonolência excessiva, irritabilidade ou recusa para ingerir líquidos.

    Como bebês e idosos podem desidratar ou apresentar complicações respiratórias muito mais rápido do que adultos saudáveis, na dúvida, o ideal é procurar avaliação médica, principalmente se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de dificuldade para respirar, febre ou sinais de desidratação.

    Perguntas frequentes

    1. Qual a umidade do ar ideal para o ser humano?

    Segundo a OMS, o índice ideal deve estar entre 40% e 70%. Abaixo de 30% o corpo já começa a sentir os efeitos negativos.

    2. É perigoso dormir com o umidificador ligado a noite toda?

    Não, desde que o aparelho esteja limpo e o ambiente tenha alguma circulação de ar. O ideal é não direcionar o vapor diretamente para o rosto e manter a umidade em torno de 50% para evitar o mofo.

    3. Como saber se o ar da minha casa está seco sem ter aparelhos?

    Fique atento aos sinais do corpo: nariz entupido ao acordar, garganta irritada, pele coçando e olhos vermelhos são indicadores claros de ar seco.

    4. Pode colocar vinagre ou essências no umidificador de ar?

    Não é recomendado, a menos que o fabricante do aparelho autorize. Algumas substâncias podem irritar as vias respiratórias ou danificar o filtro do equipamento.

    5. O que é melhor: soro fisiológico ou água da torneira para lavar o nariz?

    Sempre o soro fisiológico a 0,9%. A água da torneira não é estéril e pode conter microrganismos ou cloro, o que irrita ainda mais a mucosa.

    6. Bebês podem usar umidificador de ar?

    Sim, é muito recomendado. No entanto, o aparelho deve ficar a pelo menos 2 metros de distância do berço para evitar que o ambiente fique úmido demais e gere fungos.

    7. Usar ventilador no tempo seco é ruim?

    O ventilador não altera a umidade, mas pode espalhar poeira e ressecar ainda mais as vias aéreas se o vento for direcionado diretamente para o rosto. O ideal é usá-lo com um recipiente de água à frente.

  • Uso inadequado da água sanitária pode ser fatal: conheça os principais riscos 

    Uso inadequado da água sanitária pode ser fatal: conheça os principais riscos 

    Um dos produtos mais usados no dia a dia para limpar e clarear superfícies, roupas e desinfetar alimentos, a água sanitária é uma solução de hipoclorito de sódio com ação desinfetante, bactericida e fungicida. Por ter uma composição química forte, ela ajuda a eliminar bactérias, fungos e vírus no ambiente doméstico.

    Mas, apesar de ser muito útil dentro de casa, a água sanitária deve ser usada com cuidado, porque o contato direto, a inalação em excesso ou a mistura com outros produtos podem causar irritação, intoxicação e até acidentes graves. Vamos entender mais, a seguir.

    Quais são os riscos do uso incorreto da água sanitária?

    O uso incorreto da água sanitária oferece riscos que vão desde reações imediatas leves até lesões crônicas ou fatais, como:

    1. Intoxicação respiratória

    A inalação dos vapores da água sanitária, principalmente em ambientes fechados e pouco ventilados, pode irritar as vias respiratórias e provocar sintomas imediatos, como:

    • Irritação no nariz, garganta e pulmões;
    • Tosse persistente e sensação de sufocamento;
    • Ardência nos olhos e dificuldade para respirar;
    • Piora de crises de asma, rinite ou bronquite;
    • Edema pulmonar em casos mais graves, dificultando a passagem do oxigênio para o organismo.

    O risco costuma ser maior em crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e animais domésticos, que são mais sensíveis aos efeitos químicos do produto.

    2. Queimaduras e irritações na pele

    O contato direto com a água sanitária pura pode remover a barreira natural de proteção da pele, causando sintomas como:

    • Vermelhidão e sensação de ardência;
    • Coceira, ressecamento e descamação;
    • Dermatite de contato;
    • Queimaduras químicas, que podem atingir camadas mais profundas da pele em exposições prolongadas.

    Quanto maior o tempo de exposição, maior o risco de lesões.

    3. Lesões oculares graves

    O respingo acidental de água sanitária nos olhos é considerado uma emergência médica, pois, por ser uma substância alcalina, ela pode penetrar rapidamente nos tecidos oculares e causar danos importantes em poucos minutos, especialmente quando o contato é intenso ou quando não há lavagem imediata da região.

    Os sintomas costumam surgir logo após a exposição e podem variar de leves a graves, dependendo da quantidade do produto e do tempo de contato com os olhos. Os principais incluem:

    • Ardência intensa e vermelhidão;
    • Lacrimejamento excessivo;
    • Sensibilidade à luz;
    • Conjuntivite química.

    Nos casos mais graves, a água sanitária pode provocar lesões na córnea, úlceras oculares e até perda parcial da visão. Por isso, ao ocorrer contato com os olhos, é recomendado lavar imediatamente a região com bastante água corrente por vários minutos e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

    4. Ingestão acidental

    A ingestão acidental de água sanitária é mais comum em acidentes domésticos envolvendo crianças, principalmente quando o produto é armazenado em garrafas de bebidas ou recipientes sem identificação. A ingestão pode causar:

    • Queimaduras na boca, garganta, esôfago e estômago;
    • Dor abdominal intensa;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dificuldade para engolir;
    • Risco de perfuração gastrointestinal em situações graves.

    Nesses casos, é importante procurar atendimento médico imediatamente e evitar provocar vômito sem orientação profissional, pois a substância pode queimar o esôfago novamente na saída.

    Misturar água sanitária com outros produtos é perigoso?

    O ato de misturar a água sanitária com outros produtos é um dos riscos mais perigosos e pode até ser fatal, porque o hipoclorito de sódio reage facilmente com diferentes substâncias, liberando gases tóxicos e corrosivos.

    Quando combinada com substâncias ácidas, como vinagre ou desincrustantes para vasos sanitários, ocorre a liberação imediata do gás cloro, uma substância altamente irritante que, ao ser inalada, pode causar sufocamento, dor no peito e danos graves aos tecidos dos pulmões.

    A mistura com produtos que contêm amônia também pode gerar vapores tóxicos que provocam irritação intensa nos olhos, na garganta e nas vias respiratórias, além de náuseas e dificuldade para respirar.

    Até mesmo a combinação com álcool em gel ou líquido deve ser evitada, pois pode resultar na formação de clorofórmio, uma substância que afeta o sistema nervoso central e pode causar tontura, sonolência, dor de cabeça e até perda de consciência.

    Sintomas de intoxicação por água sanitária

    Os sintomas de intoxicação por água sanitária podem variar conforme a forma de exposição, a quantidade do produto e o tempo de contato, sendo os mais comuns:

    • Ardência no nariz, garganta, olhos ou pele;
    • Tosse persistente;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Sensação de sufocamento;
    • Dor no peito;
    • Náuseas e vômitos;
    • Dor abdominal;
    • Tontura e dor de cabeça;
    • Lacrimejamento e vermelhidão nos olhos;
    • Sensação de queimação na boca ou garganta;
    • Rouquidão e irritação nas vias respiratórias.

    Quando houver suspeita de intoxicação, é importante interromper imediatamente o contato com o produto, ir para um local ventilado e procurar atendimento médico, especialmente em casos de dificuldade para respirar, ingestão do produto ou contato com os olhos.

    Como usar água sanitária com segurança?

    Para evitar problemas com o uso da água sanitária, é importante seguir as orientações do fabricante. Como o produto possui substâncias químicas irritantes, alguns cuidados simples ajudam a evitar intoxicações, queimaduras e acidentes domésticos, como:

    • Sempre dilua o produto antes do uso, seguindo as orientações da embalagem;
    • Evite usar a água sanitária pura, exceto quando houver indicação específica no rótulo;
    • Mantenha janelas e portas abertas durante a limpeza;
    • Evite usar o produto em ambientes fechados e sem ventilação;
    • Use luvas de borracha para proteger a pele;
    • Utilize proteção ocular ao manipular grandes quantidades do produto;
    • Evite o contato direto da água sanitária com a pele e os olhos;
    • Deixe a solução agir por cerca de 10 minutos para garantir a desinfecção adequada;
    • Armazene o produto na embalagem original;
    • Mantenha a água sanitária longe da luz solar e do calor excessivo;
    • Guarde o produto fora do alcance de crianças e animais domésticos;
    • Misture a água sanitária apenas com água potável;
    • Nunca misture água sanitária com vinagre, álcool, amônia ou outros produtos químicos;
    • Evite utilizar receitas caseiras de limpeza com combinações químicas desconhecidas.

    Também é importante evitar reutilizar embalagens de bebidas para armazenar água sanitária, pois isso aumenta o risco de ingestão acidental, principalmente por crianças.

    O que fazer em caso de acidente?

    Em caso de contato acidental com água sanitária, é importante interromper imediatamente a exposição ao produto. Dependendo do tipo de exposição, as medidas imediatas são:

    Contato com a pele

    Lave a região imediatamente com água corrente em abundância por, pelo menos, 15 minutos. Não utilize sabão ou pomadas no primeiro momento, pois podem reagir com o produto. Se a roupa estiver encharcada com a substância, remova-a cuidadosamente para interromper o contato com o corpo.

    Contato com os olhos

    Lave-os imediatamente com água morna ou fria corrente de forma suave. Mantenha as pálpebras abertas e deixe a água fluir do canto interno (perto do nariz) para o externo, garantindo que o produto saia do olho e não atinja o outro. Não esfregue e não utilize colírios sem orientação médica.

    Inalação de vapores

    Se você sentir tontura, tosse ou falta de ar, saia imediatamente do local e vá para uma área aberta e ventilada. O ideal é respirar ar fresco e permanecer em repouso. Se os sintomas persistirem, procure assistência médica, pois pode haver inflamação das vias aéreas.

    Ingestão acidental

    Nunca provoque o vômito, pois a água sanitária é corrosiva e queimará o esôfago e a garganta novamente ao subir. Também não beba grandes quantidades de água ou leite sem orientação, para evitar vômitos. Procure um pronto-socorro imediatamente levando a embalagem do produto.

    Quando procurar um médico imediatamente?

    É importante procurar atendimento médico imediatamente sempre que houver sintomas intensos após contato com a água sanitária, como:

    • Falta de ar ou sensação de sufocamento;
    • Tosse intensa e persistente;
    • Dor no peito;
    • Chiado ao respirar;
    • Queimaduras na pele ou nos olhos;
    • Vermelhidão intensa ou alteração da visão;
    • Dor forte nos olhos;
    • Ingestão acidental da água sanitária;
    • Náuseas e vômitos persistentes;
    • Dor abdominal intensa;
    • Tontura, confusão mental ou desmaio;
    • Sonolência excessiva;
    • Irritação intensa que não melhora após lavar a região.

    Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, como asma e bronquite, devem receber atenção ainda mais rápido, pois possuem maior risco de complicações.

    Confira: Como fazer lavagem nasal em casa? Veja o passo a passo

    Perguntas frequentes

    1. Pode misturar água sanitária com detergente?

    Não é recomendado. Embora alguns detergentes sejam neutros, muitos possuem substâncias que podem reagir com o hipoclorito, reduzindo a eficácia do produto ou liberando odores irritantes.

    2. Devo usar água sanitária pura ou diluída?

    Quase sempre diluída. O produto puro é muito corrosivo e pode danificar superfícies e tecidos, além de aumentar o risco de intoxicação.

    3. Qual a diluição correta para desinfetar o chão?

    Normalmente, recomenda-se 1 copo (200ml) de água sanitária para 5 litros de água comum.

    4. Posso usar água sanitária para limpar feridas na pele?

    Nunca. Ela é extremamente irritante para tecidos vivos e pode causar queimaduras químicas e retardar a cicatrização. Use apenas antissépticos próprios para pele.

    5. A água sanitária perde a validade?

    Sim. O hipoclorito de sódio é instável e perde sua força ao longo do tempo, especialmente se exposto à luz e ao calor.

    6. Por que o frasco da água sanitária é sempre opaco?

    Porque a luz solar decompõe o hipoclorito de sódio, transformando-o em água salgada comum e perdendo o efeito bactericida.

    7. Como saber se a água sanitária é de boa qualidade?

    Verifique se a embalagem possui registro na ANVISA e se o rótulo indica a concentração de cloro ativo (geralmente entre 2% a 2,5%).

    Veja também: Paracetamol é perigoso? Entenda os usos do remédio

  • Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer 

    Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer 

    Você provavelmente já ouviu falar em HPV, mas talvez não saiba que esse vírus comum e silencioso está por trás de muitos casos de câncer. O HPV, por exemplo provoca câncer de colo de útero e, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres.

    A boa notícia é que existe uma forma eficaz e segura de se proteger: a vacina contra o HPV. Apesar disso, dúvidas, mitos e desinformação ainda impedem que essa proteção chegue a todos.

    Neste texto, com a ajuda da ginecologista Fernanda Caruso Fortunato Freire, você vai entender o que é o HPV, como se transmite, por que está ligado ao câncer e como a vacina contra HPV pode fazer toda a diferença.

    O que é HPV e por que ele preocupa

    O papilomavírus humano (HPV) é um vírus sexualmente transmissível muito comum que atinge a pele e as mucosas. Mesmo com preservativo, existe o risco de transmissão, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas.

    “Estima-se que cerca de 600 milhões de pessoas no mundo estejam infectadas, e que 80% da população sexualmente ativa entre em contato com o HPV em algum momento da vida”, explica Fernanda.

    E o problema vai além das verrugas genitais causadas por ele. Alguns subtipos do vírus, especialmente os tipos 16 e 18, são responsáveis por mais de 70% dos casos de câncer do colo do útero no Brasil.

    Tudo começa com lesões que, se não forem acompanhadas e tratadas precocemente por um médico, podem evoluir para câncer.

    Sintomas do HPV

    Na maioria dos casos, o HPV não provoca sintomas visíveis, mas quando aparecem, costumam ser os abaixo.

    Em mulheres

    • Verrugas genitais na vulva, vagina, colo do útero ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou desconforto na região íntima;
    • Lesões internas no colo do útero, que só são detectadas por exames como o Papanicolau.

    Em homens

    • Verrugas no pênis, escroto, virilha ou ao redor do ânus;
    • Coceira ou irritação na área afetada;
    • Lesões internas na uretra ou ânus, geralmente assintomáticas.

    Tanto em homens quanto em mulheres, o vírus pode estar presente mesmo sem sinais visíveis, por isso o acompanhamento médico e a vacina contra HPV são essenciais.

    Como funciona a vacina contra HPV

    A vacina contra HPV é feita com partículas semelhantes ao vírus, mas sem DNA, ou seja, ela não provoca infecção. “Essas partículas induzem o corpo a produzir anticorpos, que previnem a infecção pelo HPV e, consequentemente, o câncer”, explica Fernanda.

    No SUS, está disponível a vacina quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Já na rede privada, há também a versão nonavalente, com proteção contra mais subtipos (31, 33, 45, 52 e 58).

    A vacina contra HPV é indicada para pessoas entre 9 e 45 anos, sendo mais eficaz se aplicada entre 9 e 14 anos, antes do início da vida sexual.

    Qual a diferença entre a vacina do HPV do SUS e da rede particular?

    A principal diferença está na quantidade de tipos do vírus HPV que cada vacina protege.

    Vacina contra HPV no SUS

    A vacina oferecida é a quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18). Os tipos 16 e 18 estão ligados à maioria dos casos de câncer de colo do útero, e os tipos 6 e 11 causam verrugas genitais.

    A vacina contra HPV no SUS é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e é aplicada em duas doses, com um intervalo de seis meses entre elas.

    Vacina contra HPV na rede privada

    Na rede privada, a vacina contra HPV é a nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus. Além dos quatro cobertos pela vacina do SUS, ela também protege contra os tipos 31, 33, 45, 52 e 58. Isso oferece uma cobertura maior contra o câncer.

    O esquema de aplicação muda conforme a idade:

    • De 9 a 14 anos: duas doses
    • A partir dos 15 anos: três doses

    Tanto a vacina do SUS quanto a da rede privada são seguras e muito eficazes. A escolha depende da faixa etária, da orientação médica e da disponibilidade. O mais importante é se vacinar, pois essa é uma forma comprovada de prevenir o câncer de colo do útero, verrugas genitais e outros problemas causados pelo HPV.

    Vacina contra HPV para meninos

    Apesar da alta incidência de câncer de colo de útero causada pelo HPV, a vacina não é só para meninas. “Meninos devem ser vacinados sim!”, reforça a médica. A vacina contra HPV protege contra câncer de pênis, ânus, orofaringe e também contra verrugas genitais.

    Além da proteção individual, a vacina contra HPV em meninos ajuda a reduzir a circulação do vírus na população geral.

    Quantas doses de vacina contra HPV são necessárias?

    O esquema vacinal varia conforme a idade e a saúde da pessoa. Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos geralmente tomam duas doses. Acima dessa faixa ou em casos especiais, podem ser indicadas três doses.

    Vacina contra HPV não substitui o Papanicolau

    Mesmo quem está vacinado deve fazer o exame preventivo. “A vacina não cobre todos os tipos de HPV, então é importante manter o rastreamento regular”, alerta Fernanda.

    Já tive HPV, e agora?

    Se você já teve lesões por HPV, ainda pode se vacinar. “A vacina ajuda a reduzir o risco de recidivas e a prevenir outros tipos do vírus”, diz a ginecologista.

    Vacina contra HPV é segura?

    A vacina contra HPV é muito segura. Os efeitos colaterais mais comuns são leves, como dor no braço. Ela não causa infecção, não contém vírus vivo e não interfere na fertilidade.

    Fernanda ainda esclarece um mito comum: “Vacinar crianças não estimula a vida sexual precoce. Pelo contrário, é uma proteção antecipada para quando essa fase chegar”.

    Por que a cobertura da vacina contra HPV ainda é baixa?

    Apesar da oferta gratuita da vacina contra HPV no SUS, muitas pessoas não se vacinam. Para a médica, isso acontece por causa de fake news, mitos e desinformação.

    “Precisamos de mais educação em saúde e educação digital, para que as pessoas saibam avaliar o que leem nas redes sociais”, afirma.

    Vacinar é um ato de proteção individual e coletiva, e quanto mais cedo, melhor.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes sobre vacina contra HPV

    1. A vacina contra HPV é segura?

    Sim. Ela é muito segura e tem poucos efeitos colaterais, como dor leve no braço. Não contém vírus vivo e não afeta a fertilidade.

    2. Qual a idade ideal para tomar a vacina contra o HPV?

    O ideal é entre 9 e 14 anos, antes da primeira relação sexual. Mas adultos até 45 anos também podem se vacinar.

    3. Homens também devem se vacinar?

    Com certeza. A vacina protege meninos contra cânceres de pênis, ânus e garganta, além de verrugas genitais.

    4. Quem já teve HPV pode se vacinar?

    Sim. Mesmo após o contato com o vírus, a vacina pode ajudar a evitar outros subtipos e reduzir o risco de recidivas.

    5. Onde posso tomar a vacina contra HPV de graça?

    Ela está disponível gratuitamente no SUS para as idades indicadas. Basta procurar um posto de saúde da sua cidade.

    6. Como fazer prevenção do câncer de colo de útero?

    A melhor forma de prevenção do câncer de colo do útero é visitar o médico com regularidade para fazer exames de rotina, além de tomar a vacina contra o HPV. Esses cuidados ajudam a detectar alterações ainda no início e a evitar infecções pelo vírus que causa a maioria dos casos da doença.

    Veja mais: Vacinas contra o câncer: o que está sendo testado (e o que esperar)

  • Azia frequente: o que pode ser e como melhorar 

    Azia frequente: o que pode ser e como melhorar 

    Sensação de queimação no peito, gosto amargo na boca e regurgitação são alguns dos principais sinais que indicam um quadro de azia, que acontece quando o conteúdo ácido do estômago retorna para o esôfago — tubo que leva os alimentos da boca até o estômago.

    Normalmente, ela surge de forma esporádica em situações simples, como exagerar em comidas gordurosas ou comer rápido demais. Porém, quando a azia se torna constante, ela pode indicar alterações no sistema digestivo que precisam de avaliação de um especialista.

    Pensando nisso, conversamos com a gastroenterologista Lívia Guimarães para esclarecer as principais causas de azia constante, quando procurar atendimento médico e como tratar.

    Afinal, o que é azia?

    De forma simples, a azia é definida como a sensação de queimação no peito causada pelo contato do ácido gástrico com o esôfago. Isso ocorre porque o esôfago não foi projetado para lidar com a acidez natural do estômago. Quando, por algum motivo, o conteúdo gástrico reflui (ou seja, sobe em direção ao esôfago), provoca irritação e desconforto.

    É importante apontar que a azia não é uma doença, mas sim um sintoma. Por isso, quando acontece com muita frequência, não deve ser ignorada: ela pode estar revelando alterações mais sérias do sistema digestivo.

    Sintomas de azia

    O sintoma principal é a sensação de queimação no peito e no abdômen superior. Mas a azia pode vir acompanhada de outros sinais, como:

    • Sabor amargo ou ácido na boca;
    • Regurgitação de alimentos ou líquidos;
    • Desconforto ao se deitar logo após comer;
    • Dificuldade para engolir em alguns casos;
    • Sensação de estômago pesado.

    É comum que os sintomas piorem à noite, quando a pessoa se deita, ou após refeições muito fartas, apimentadas, gordurosas ou acompanhadas de bebidas alcoólicas.

    Azia constante: o que pode ser?

    Quando a azia ocorre mais de duas vezes por semana ou vem acompanhada de outros sintomas, como regurgitação, dor ao engolir ou perda de peso, pode indicar problemas como:

    • Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): causa mais comum de azia crônica; ocorre quando a válvula entre o estômago e o esôfago não fecha direito e o ácido sobe repetidamente;
    • Gastrite: inflamação da mucosa do estômago que pode causar dor, desconforto e sensação de queimação;
    • Hérnia de hiato: parte do estômago “escapa” para o tórax através do diafragma, favorecendo o refluxo ao dificultar o fechamento completo da válvula.

    Existe relação entre alimentação e episódios de azia?

    Sim! Episódios ocasionais de azia podem ser causados por excesso de comida, refeições gordurosas, deitar logo após comer ou consumo de bebidas alcoólicas, café, refrigerantes ou chocolate.

    Isso acontece porque alguns desses alimentos aumentam a produção de ácido gástrico, enquanto outros relaxam o esfíncter esofágico inferior, permitindo que o conteúdo ácido escape para o esôfago. Cada organismo reage de forma diferente; observe seus gatilhos e evite-os quando possível.

    Azia constante pode ser câncer?

    Na maioria das vezes, não. A azia constante costuma estar associada a condições como refluxo, gastrite ou má digestão. Em casos raros, a azia persistente pode ser sinal de câncer de esôfago ou estômago, especialmente quando o refluxo crônico leva a alterações celulares, como a esofagite de Barrett.

    Sinais de alerta que exigem investigação imediata:

    • Azia constante acompanhada de dificuldade para engolir;
    • Perda de peso inexplicada;
    • Vômitos frequentes ou com sangue;
    • Fezes muito escuras (sinal de sangramento digestivo).

    Como é feito o diagnóstico de azia constante?

    O diagnóstico é clínico, com avaliação médica sobre início, gatilhos e sinais associados. Entre os exames mais comuns estão:

    • Endoscopia digestiva alta;
    • pHmetria esofágica;
    • Manometria esofágica;
    • Exames laboratoriais.

    Com base no histórico e nos exames, o médico determina a causa da azia e indica o tratamento adequado.

    Leia também: 9 hábitos alimentares que ajudam a prevenir doenças no dia a dia

    Como tratar a azia?

    O tratamento depende da causa e envolve mudanças de hábitos e, quando necessário, uso de medicamentos sob prescrição. Hábitos que ajudam, segundo Lívia Guimarães:

    • Fracionar as refeições ao longo do dia, evitando grandes volumes;
    • Não se deitar logo após comer;
    • Reduzir o consumo de alimentos irritantes;
    • Manter um peso saudável;
    • Parar de fumar.

    Antiácidos aliviam o sintoma, mas não tratam a causa. Em azia constante, o uso frequente pode mascarar doenças mais graves (como úlceras) e atrasar o diagnóstico. O excesso também pode trazer efeitos colaterais (alterações da microbiota, pior absorção de nutrientes). Procure acompanhamento médico para investigação e tratamento adequados.

    Quando procurar atendimento médico?

    Nem toda azia é motivo de preocupação, mas, se se torna frequente, atrapalha o dia a dia ou vem com sinais de alerta, procure um especialista. De acordo com Lívia, sinais de alerta incluem:

    • Dificuldade para engolir;
    • Vômitos com sangue;
    • Anemia;
    • Perda de peso não explicada.

    Nesses casos, o mais indicado é marcar consulta com um gastroenterologista.

    Confira: 6 sintomas que você não imagina que podem ser refluxo

    Perguntas frequentes

    1. Azia e refluxo são a mesma coisa?

    Não exatamente. A azia é um sintoma (queimação no peito ou na garganta). Refluxo é a condição em que o ácido do estômago sobe para o esôfago. Quem tem refluxo costuma ter azia, mas ter azia ocasional não significa necessariamente ter DRGE.

    2. Comer rápido pode causar azia?

    Sim. Ao comer rápido, engole-se mais ar e mastiga-se menos, dificultando a digestão. Refeições grandes e apressadas aumentam a pressão no estômago, facilitando o refluxo do ácido para o esôfago.

    3. Existe relação entre estresse e azia constante?

    Sim. Estresse e ansiedade aumentam a produção de ácido e pioram hábitos (comer rápido, pular refeições, abusar de café e álcool), favorecendo a azia.

    4. Azia constante tem cura?

    Em muitos casos, sim. Ajustes de rotina podem resolver quando a causa são hábitos. Se houver refluxo, gastrite ou outra condição, o tratamento específico indicado pelo médico controla a causa.

    5. Grávidas podem ter azia constante?

    É comum na gestação, principalmente no terceiro trimestre, por pressão do útero sobre o estômago e relaxamento da válvula entre estômago e esôfago. Geralmente é benigna, mas deve ser acompanhada pelo obstetra.

    6. A azia pode piorar à noite?

    Sim. Deitar-se logo após o jantar facilita a subida do ácido. Espere ao menos duas horas para deitar e mantenha a cabeceira da cama levemente elevada.

    Leia mais: Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar

  • Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Exercícios físicos ajudam a proteger o cérebro? Saiba quais os melhores para praticar no dia a dia

    Você sabia que não é só o corpo que funciona melhor quando você faz exercícios? Além de fortalecer os músculos e proteger o coração, a atividade física regular contribui para manter o cérebro jovem, ágil e saudável.

    Ao se movimentar, a neurologista Paula Dieckmann explica que há um aumento da circulação sanguínea e da liberação de substâncias químicas que ajudam a proteger os neurônios.

    O processo não apenas melhora o humor e o foco no dia a dia, mas também contribui para reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo da vida, além de demência e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

    Além disso, Paula complementa que a prática regular de exercícios ajuda a controlar condições que também impactam diretamente a saúde cerebral, como pressão alta, diabetes, obesidade e colesterol elevado.

    Quando os problemas não são bem controlados, o risco de alterações na circulação do cérebro e de perda cognitiva pode aumentar ao longo dos anos.

    Como a atividade física protege o cérebro?

    Quando você pratica uma atividade física, como caminhada ou natação, o cérebro recebe um aumento imediato no fluxo sanguíneo, o que melhora a oxigenação e a entrega de nutrientes aos neurônios.

    O movimento também estimula a liberação de substâncias importantes para a saúde cerebral, especialmente o BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), uma proteína que ajuda a proteger as células do cérebro e favorece a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Além disso, o exercício ajuda a reduzir inflamações e o chamado estresse oxidativo, fatores ligados ao envelhecimento precoce das células cerebrais. Com o passar do tempo, a prática regular contribui para preservar regiões importantes do cérebro, como o hipocampo, responsável pela memória e pela aprendizagem.

    Por fim, ao equilibrar neurotransmissores como dopamina e serotonina, a atividade física estabiliza o humor e a resposta ao estresse, criando uma proteção natural contra o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas.

    Principais benefícios para a saúde mental

    A prática regular de exercícios físicos provoca mudanças no organismo que impactam diretamente o equilíbrio emocional e o funcionamento do cérebro, trazendo benefícios como:

    • Regulação do humor: a atividade física estimula a produção de endorfina e serotonina, substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, prazer e relaxamento. Por isso, os exercícios podem ajudar no controle do desânimo e dos sintomas de depressão;
    • Redução da ansiedade e do estresse: o movimento ajuda o organismo a controlar melhor o cortisol, conhecido como hormônio do estresse. Com isso, há redução da tensão muscular, da agitação mental e da sensação de ansiedade;
    • Melhora da memória e da aprendizagem: a prática regular estimula a neuroplasticidade e fortalece áreas importantes do cérebro, como o hipocampo, ligado à memória. Isso favorece o aprendizado e ajuda a prevenir o esquecimento precoce;
    • Mais foco e concentração: os exercícios aumentam os níveis de neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, melhorando a atenção, o raciocínio e a clareza mental no dia a dia;
    • Melhora da qualidade do sono: a atividade física ajuda a regular o relógio biológico e contribui para um sono mais profundo e reparador, o que é necessário para a saúde mental e o funcionamento adequado do cérebro;
    • Fortalecimento da autoestima: a melhora da disposição física, do condicionamento e da percepção do próprio corpo pode aumentar a autoconfiança e a sensação de bem-estar.

    Exercícios ajudam a prevenir o Alzheimer e a demência?

    A prática regular de exercícios físicos é uma das medidas mais importantes para prevenir o Alzheimer e outras demências, por melhorar a saúde vascular e o fluxo de oxigênio para o cérebro. Isso evita microlesões nas células nervosas e ajuda a controlar o diabetes e a hipertensão, condições que aceleram a degeneração cognitiva.

    No nível cerebral, o exercício ajuda o organismo a eliminar substâncias tóxicas que podem se acumular no cérebro, como a beta-amiloide, associada ao Alzheimer. Ao mesmo tempo, o movimento ajuda a preservar o hipocampo, região importante para a memória, e estimula a criação de novas conexões entre os neurônios.

    Com o passar dos anos, as adaptações ajudam a manter a memória, a capacidade de raciocínio e a autonomia nas atividades do dia a dia. As pessoas fisicamente ativas tendem a apresentar menor risco de perda cognitiva precoce e podem envelhecer com mais qualidade de vida e independência.

    Quais os melhores tipos de exercícios para a mente?

    Os melhores exercícios para a saúde da mente são aqueles que combinam estímulo cardiovascular, fortalecimento muscular e desafios de coordenação, atenção ou memória, como:

    1. Exercícios aeróbicos

    Os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida, natação e ciclismo, aumentam a circulação sanguínea e a oxigenação do cérebro, além de estimular a produção de BDNF, proteína que ajuda na formação de novos neurônios e conexões entre as células cerebrais. A prática regular também pode melhorar a memória, a concentração e a disposição mental.

    2. Treino de força

    Segundo estudos, o fortalecimento muscular em atividades como musculação e pilates está associado à melhora das funções executivas, como a capacidade de tomar decisões, planejar tarefas e manter o raciocínio lógico.

    3. Atividades de coordenação e agilidade

    Os exercícios que exigem coordenação motora, ritmo e respostas rápidas, como dança, tênis, lutas e esportes coletivos, estimulam diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo.

    Como o cérebro precisa aprender movimentos, memorizar sequências e reagir rapidamente aos estímulos, essas atividades ajudam a fortalecer a neuroplasticidade e a velocidade de processamento das informações.

    4. Exercícios de equilíbrio e flexibilidade

    Os exercícios de equilíbrio e flexibilidade, como yoga e tai chi, ajudam a reduzir os níveis de estresse e cortisol no organismo, promovendo relaxamento e maior consciência corporal.

    Além disso, eles favorecem o foco, a respiração e a atenção ao momento presente, fatores importantes para a saúde emocional e para o funcionamento das áreas cerebrais ligadas às emoções e ao controle da ansiedade.

    Qual a frequência ideal de treino?

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem praticar:

    • Entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica moderada por semana, como caminhada acelerada, bicicleta leve ou dança;
    • Ou realizar entre 75 e 150 minutos de exercícios mais intensos, como corrida ou treinos de alta intensidade.

    A OMS também recomenda incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, trabalhando grandes grupos musculares, como pernas, braços, costas e abdômen.

    No caso dos idosos, além das atividades aeróbicas e de força, o recomendado é praticar exercícios de equilíbrio e coordenação pelo menos três vezes por semana, ajudando a prevenir quedas e preservar a autonomia.

    “São essas pequenas coisas feitas de forma consistente que podem fazer uma grande diferença para o cérebro ao longo da vida”, finaliza Paula.

    Leia também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

    Perguntas frequentes sobre atividade física e saúde mental

    1. Exercício físico realmente ajuda o cérebro?

    Sim. A atividade física melhora a circulação sanguínea cerebral, aumenta a oxigenação e estimula substâncias que ajudam a proteger os neurônios e fortalecer as conexões cerebrais.

    2. Exercícios ajudam a prevenir Alzheimer?

    Sim. Estudos mostram que pessoas fisicamente ativas tendem a ter menor risco de declínio cognitivo, Alzheimer e outras demências.

    3. Qual o melhor exercício para a saúde mental?

    Os melhores resultados costumam acontecer com a combinação de exercícios aeróbicos, fortalecimento muscular e atividades que estimulam coordenação e equilíbrio.

    4. Caminhada já traz benefícios para o cérebro?

    Sim. Caminhadas regulares já ajudam a melhorar o humor, reduzir o estresse e estimular funções importantes da memória e da concentração.

    5. Exercício pode ajudar na ansiedade?

    Sim. A atividade física ajuda a regular o cortisol, hormônio ligado ao estresse, além de estimular substâncias relacionadas à sensação de bem-estar.

    6. Atividade física melhora o sono?

    Sim. Exercícios ajudam a regular o relógio biológico e favorecem um sono mais profundo e reparador.

    7. Quantas vezes por semana é ideal se exercitar?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, além de exercícios de fortalecimento muscular duas vezes por semana.

    8. Musculação também faz bem para o cérebro?

    Sim. O treino de força está associado à melhora do raciocínio, planejamento e outras funções cognitivas.

    9. Exercício ajuda na memória?

    Sim. A prática regular estimula áreas cerebrais importantes para memória e aprendizagem, como o hipocampo.

    10. Pessoas idosas também se beneficiam?

    Sim. A atividade física ajuda idosos a preservar memória, equilíbrio, autonomia e qualidade de vida.

    Confira: Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência

  • Disruptores endócrinos: o que são, onde encontrá-los e como evitar a exposição

    Disruptores endócrinos: o que são, onde encontrá-los e como evitar a exposição

    Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.

    Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.

    Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.

    Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.

    Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?

    Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.

    Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.

    Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.

    Onde os disruptores endócrinos são encontrados?

    Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.

    Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:

    • Itens de higiene pessoal;
    • Roupas e tecidos;
    • Componentes eletrônicos;
    • Embalagens e recipientes de comida;
    • Maquiagens e produtos de beleza;
    • Brinquedos para crianças;
    • Recipientes térmicos de bebê;
    • Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
    • Revestimentos de pisos e sofás;
    • Materiais de construção civil.

    Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:

    • Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
    • Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
    • Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
    • Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
    • Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.

    Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.

    Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos

    De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
    • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Câncer de mama;
    • Alterações metabólicas e puberais;
    • Câncer de testículo e de próstata;
    • Endometriose;
    • Alterações neurológicas e na tireoide;
    • Dificuldade no aleitamento materno;
    • Obesidade;
    • Mal de Parkinson.

    Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.

    O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.

    A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.

    É possível evitar os disruptores endócrinos?

    Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:

    • Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
    • Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
    • Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
    • Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
    • Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
    • Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.

    Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.

    Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.

    Perguntas frequentes

    1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?

    Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.

    2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?

    Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.

    3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?

    Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.

    4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?

    Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.

    5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?

    Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.

    6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?

    Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.

    7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?

    Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.

    Você já ouviu falar em disruptores endócrinos? Também conhecidos como desreguladores endócrinos, são substâncias químicas, orgânicas e inorgânicas capazes de interferir no funcionamento dos hormônios do corpo.

    Sendo considerados um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), eles podem ser encontrados mesmo em produtos comuns usados no dia a dia, como embalagens plásticas, cosméticos e até alguns alimentos ultraprocessados.

    Os disruptores endócrinos podem agir imitando, bloqueando ou alterando a ação natural dos hormônios no organismo. Com isso, eles acabam confundindo o sistema endócrino, responsável por regular funções importantes como metabolismo, crescimento, fertilidade, sono, puberdade e funcionamento da tireoide.

    Mesmo níveis baixos de exposição podem causar impactos no organismo, especialmente quando o contato acontece de forma contínua ao longo da vida. De acordo com estudos, acredita-se que o maior impacto dos disruptores aconteça na gestação, a infância e a adolescência, períodos em que o organismo passa por mudanças hormonais mais intensas.

    Como os disruptores endócrinos atuam no organismo?

    Os disruptores endócrinos atuam interferindo no sistema hormonal de três maneiras principais. Primeiro, eles são capazes de imitar hormônios naturais, como acontece com o bisfenol A (BPA), enganando o organismo e desencadeando respostas hormonais inadequadas.

    Segundo, eles podem atuar como bloqueadores hormonais, ocupando o receptor hormonal sem ativá-lo, o que impede que o hormônio real do organismo consiga transmitir sua mensagem, causando uma deficiência funcional.

    Por fim, os disruptores endócrinos podem interferir na produção, no transporte, no metabolismo ou na eliminação dos hormônios naturais, alterando as concentrações no sangue e desregulando o funcionamento do sistema endócrino.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o resultado é um desequilíbrio que o corpo interpreta como um aumento ou uma diminuição hormonal, podendo até simular uma doença endócrina real. Como as substâncias apresentam efeito cumulativo, a especialista explica que é difícil estabelecer uma dose segura de exposição.

    Onde os disruptores endócrinos são encontrados?

    Diariamente, o organismo absorve disruptores endócrinos por meio da ingestão de água e alimentos, além da exposição ambiental ao solo e ar contaminados.

    Mas, como eles também estão presentes em alguns processos industriais, a absorção também acontece pelo contato com produtos de uso cotidiano, como:

    • Itens de higiene pessoal;
    • Roupas e tecidos;
    • Componentes eletrônicos;
    • Embalagens e recipientes de comida;
    • Maquiagens e produtos de beleza;
    • Brinquedos para crianças;
    • Recipientes térmicos de bebê;
    • Garrafas descartáveis e reutilizáveis;
    • Revestimentos de pisos e sofás;
    • Materiais de construção civil.

    Segundo Andreia, as substâncias capazes de afetar o sistema endócrino mais comuns incluem:

    • Bisfenol (BPAs): amplamente encontrados em plásticos policarbonatos e revestimentos de latas, são conhecidos por mimetizar o estrogênio no organismo;
    • Ftalatos: utilizados para dar flexibilidade aos plásticos e fixar fragrâncias em cosméticos, podem interferir diretamente no sistema reprodutor;
    • Parabenos: conservantes muito utilizados em produtos de higiene e beleza para evitar o crescimento de fungos e bactérias, possuindo potencial de desregulação hormonal;
    • Pesticidas: substâncias químicas usadas na agricultura que, além de contaminarem alimentos, apresentam alta persistência ambiental e toxicidade ao sistema endócrino;
    • Fitoesteróis: compostos naturais encontrados em plantas que possuem estrutura molecular semelhante ao colesterol e a hormônios humanos, podendo ligar-se aos receptores e interferir nas funções hormonais naturais.

    Nem toda exposição causa problemas imediatos. Segundo Andreia, a maior preocupação está na exposição crônica e cumulativa. Como os plásticos e outras substâncias químicas estão presentes em muitos produtos usados diariamente, o organismo acaba sendo exposto de forma contínua ao longo da vida.

    Complicações causadas pela exposição aos disruptores endócrinos

    De acordo com a OMS, a exposição prolongada aos disruptores endócrinos pode estar associada a um maior risco de desenvolvimento de diferentes problemas de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2;
    • Hipotireoidismo;
    • Alterações na qualidade do esperma e infertilidade;
    • Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Câncer de mama;
    • Alterações metabólicas e puberais;
    • Câncer de testículo e de próstata;
    • Endometriose;
    • Alterações neurológicas e na tireoide;
    • Dificuldade no aleitamento materno;
    • Obesidade;
    • Mal de Parkinson.

    Nas crianças, especialmente nas meninas, Andreia explica que a exposição precoce a substâncias com ação semelhante aos hormônios sexuais, como o estrogênio, pode favorecer o desenvolvimento da puberdade precoce.

    O organismo recebe sinais hormonais antes do momento esperado, causando mudanças físicas como o crescimento das mamas, o surgimento de pelos e a aceleração do crescimento.

    A puberdade precoce também pode trazer consequências emocionais e metabólicas importantes, já que o corpo amadurece em um ritmo diferente do desenvolvimento psicológico e neurológico da criança.

    É possível evitar os disruptores endócrinos?

    Não é possível evitar completamente os disruptores endócrinos, uma vez que a estrutura social e industrial é baseada em materiais que os contém, mas é totalmente possível e recomendável reduzir a exposição a partir de algumas medidas:

    • Troque recipientes e garrafas de plástico por opções de vidro, cerâmica ou aço inoxidável, que não liberam químicos nos alimentos;
    • Nunca aqueça alimentos no micro-ondas em potes de plástico e evite lavar esses utensílios com água muito quente ou detergentes abrasivos, pois o desgaste acelera a liberação de BPA e ftalatos;
    • Priorize o consumo de alimentos frescos e menos processados. No caso dos enlatados, prefira marcas que especifiquem embalagens livres de BPA;
    • Opte por produtos de higiene pessoal e beleza que sejam livres de parabenos e fragrâncias sintéticas;
    • Lave bem frutas e vegetais para reduzir resíduos de pesticidas. Se possível, escolha orgânicos, especialmente para alimentos que crescem rente ao solo;
    • Evite manusear desnecessariamente recibos de cartão e extratos bancários de papel térmico, que possuem altas concentrações de bisfenol que é absorvido pela pele.

    Andreia ressalta que, no caso dos alimentos orgânicos, a atenção com a higienização deve ser redobrada. Por exemplo, frutas que crescem rente ao solo, como o morango, ficam mais expostas a parasitas devido à ausência de defensivos agrícolas.

    Para uma higienização segura em casa, o recomendado é o hipoclorito de sódio, encontrado em produtos específicos para alimentos ou na água sanitária comum, desde que devidamente diluída conforme as instruções da embalagem.

    Leia também: Câncer de mama: o que é, sintomas, causa e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Homens também são afetados pelos disruptores endócrinos?

    Sim. Estudos associam a exposição a esses químicos à redução da qualidade do esperma, queda nos níveis de testosterona e aumento do risco de câncer de próstata e testículo.

    2. Posso aquecer comida no micro-ondas em recipientes de plástico?

    Não é recomendável. O calor acelera a liberação de compostos como BPA e ftalatos do plástico para o alimento. O ideal é usar recipientes de vidro ou cerâmica.

    3. O que devo observar nos rótulos de produtos de limpeza e higiene?

    Procure por termos como “BPA-free” (livre de BPA), “paraben-free” e evite produtos com fragrâncias sintéticas genéricas, que geralmente contêm ftalatos.

    4. Existe relação entre disruptores endócrinos e o ganho de peso?

    Sim, alguns são classificados como “obesogênicos”. Eles podem alterar o metabolismo, aumentar o número de células de gordura e interferir nos sinais de fome e saciedade, facilitando o desenvolvimento da obesidade e da diabetes tipo 2.

    5. Por que o papel térmico (de recibos) é citado como um risco?

    Muitos papéis de comprovantes de cartão e extratos bancários usam BPA em sua superfície para a impressão térmica. O contato da pele com o papel permite a absorção direta do químico, especialmente se as mãos estiverem úmidas ou com uso recente de álcool em gel.

    6. Como o descarte incorreto de remédios afeta esse ciclo?

    Descartar anticoncepcionais e outros hormônios no vaso sanitário contamina os lençóis freáticos. As estações de tratamento de esgoto muitas vezes não conseguem filtrar as moléculas, que acabam retornando à nossa mesa através da água ou de peixes contaminados.

    7. O uso de panelas antiaderentes oferece riscos?

    Panelas antigas ou riscadas que utilizam PFOA (ácido perfluorooctanóico) podem liberar substâncias químicas durante o cozimento. O ideal é utilizar panelas de cerâmica, ferro, aço inox ou garantir que o revestimento antiaderente seja livre de PFOA.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Visão embaçada do nada? Veja quando isso pode ser emergência

    Visão embaçada do nada? Veja quando isso pode ser emergência

    Acordar enxergando tudo turvo, perceber uma “mancha” repentina na visão ou sentir dificuldade súbita para focar costuma assustar qualquer pessoa. Isso porque alterações visuais abruptas podem surgir de forma inesperada e dificultar tarefas simples do dia a dia, como ler, dirigir ou até reconhecer rostos.

    Embora algumas causas sejam temporárias e benignas, outras podem indicar problemas graves envolvendo os olhos, o cérebro ou a circulação sanguínea. Por isso, quando a visão embaçada aparece de repente — especialmente acompanhada de dor, fraqueza ou alterações neurológicas — a avaliação médica rápida é muito importante.

    O que é visão embaçada repentina

    A visão embaçada ocorre quando a capacidade de enxergar com nitidez diminui.

    Ela pode afetar:

    • Um olho apenas;
    • Ambos os olhos;
    • Parte do campo visual.

    A alteração pode durar minutos, horas ou persistir.

    Principais causas de visão embaçada súbita

    Existem diversas possíveis causas. As mais comuns são:

    • Alterações da pressão dos olhos;
    • Problemas na retina;
    • Enxaqueca;
    • Alterações neurológicas;
    • Problemas circulatórios;
    • Alterações da glicemia.

    Problemas nos olhos que podem causar visão embaçada

    Algumas doenças dos olhos exigem avaliação rápida.

    1. Descolamento de retina

    Pode causar:

    • Visão embaçada;
    • Flashes de luz;
    • Sensação de “cortina” na visão.

    É uma emergência oftalmológica.

    2. Glaucoma agudo

    Pode provocar:

    • Dor intensa no olho;
    • Vermelhidão;
    • Náuseas;
    • Visão turva súbita.

    3. Inflamações oculares

    Algumas infecções ou inflamações também alteram a visão.

    Alterações neurológicas que podem afetar a visão

    O cérebro participa diretamente da visão. Problemas neurológicos podem causar:

    • Perda parcial da visão;
    • Visão embaçada;
    • Dificuldade para falar;
    • Fraqueza.

    Entre as possibilidades estão AVC e enxaqueca com aura.

    Alterações da glicemia podem embaçar a visão?

    Sim. Tanto glicemia muito alta quanto muito baixa podem provocar alterações visuais temporárias.

    Quando a visão embaçada pode ser emergência

    Alguns sinais necessitam de atendimento imediato. Procure emergência se houver:

    • Perda súbita importante da visão;
    • Dor ocular intensa;
    • Fraqueza em um lado do corpo;
    • Dificuldade para falar;
    • Flashes de luz ou manchas escuras;
    • Trauma ocular.

    Como os médicos investigam

    A avaliação depende dos sintomas associados. Pode envolver:

    • Exame oftalmológico;
    • Medida da pressão ocular;
    • Avaliação neurológica;
    • Exames de sangue;
    • Tomografia ou ressonância em alguns casos.

    O tratamento depende da causa

    O tratamento varia bastante. Pode envolver:

    • Colírios;
    • Controle da glicose;
    • Tratamentos oftalmológicos específicos;
    • Tratamento neurológico urgente.

    Nem toda visão embaçada é grave

    Em alguns casos, a alteração pode estar relacionada a:

    • Cansaço visual;
    • Ressecamento ocular;
    • Uso inadequado de óculos;
    • Enxaqueca.

    Mesmo assim, alterações súbitas devem ser avaliadas.

    Confira: Como identificar problemas de visão no dia a dia? Veja os principais sinais

    Perguntas frequentes sobre visão embaçada repentina

    1. Visão embaçada repentina é sempre grave?

    Não, mas precisa de avaliação.

    2. AVC pode causar alteração visual?

    Sim, o acidente vascular cerebral é capaz de provocar alterações na visão.

    3. Glaucoma pode causar visão turva súbita?

    Sim, especialmente na forma aguda.

    4. Glicemia alta pode afetar a visão?

    Sim, pode acontecer.

    5. Quando procurar emergência?

    Quando a alteração é súbita ou acompanhada de outros sintomas.

    6. Dor no olho é sinal de alerta?

    Sim, é sempre necessário investigar com um médico.

    7. Pode melhorar sozinha?

    Algumas causas são temporárias, mas é importante investigar.

    Veja também: Olhos vermelhos: o que pode ser e quando ir ao médico

  • Pés inchados: veja outras causas além da cardíaca

    Pés inchados: veja outras causas além da cardíaca

    Chegar ao fim de um dia de trabalho e perceber os tornozelos ou pés inchados é uma situação comum. Muitas vezes, basta colocar os pés para cima que o inchaço melhora. Mas nem sempre esse edema é inofensivo. Em alguns casos, ele pode estar associado a doenças graves, incluindo problemas cardíacos.

    Para entender como diferenciar uma situação simples de um sinal de alerta, conversamos com o cardiologista Pablo Cartaxo.

    Quais as causas mais comuns de pés inchados?

    Pés inchados no fim do dia podem ter diferentes origens, e nem todas estão ligadas ao coração. “As causas mais frequentes incluem insuficiência venosa (varizes), linfedema, gravidez, efeito de alguns medicamentos, ou mesmo problemas nos rins, fígado e, claro, no coração”, explica Cartaxo.

    • Insuficiência venosa: as varizes dificultam o retorno do sangue das pernas, provocando acúmulo de líquido;
    • Gravidez: alterações hormonais e mecânicas favorecem o edema nos pés;
    • Linfedema: falha no sistema linfático, que drena líquidos do corpo;
    • Medicamentos: alguns remédios, como anti-hipertensivos, podem causar retenção de líquido;
    • Doenças renais e hepáticas: interferem no equilíbrio de líquidos;
    • Problemas cardíacos: principalmente a insuficiência cardíaca, quando o coração perde força para bombear o sangue.

    Ou seja, nem sempre apresentar um inchaço nas pernas ou pés significa problema cardíaco — e, para diferenciar, alguns sintomas podem ajudar no diagnóstico médico.

    Como saber se o inchaço é do coração?

    Quando a causa dos pés inchados é cardíaca, geralmente está ligada à insuficiência cardíaca. O coração enfraquecido não consegue bombear o sangue de forma eficiente, gerando retenção de líquidos que se acumulam primeiro nos pés e tornozelos.

    O inchaço cardíaco costuma ser simétrico (atinge as duas pernas), frio e indolor. “Uma característica marcante é o sinal do cacifo: ao pressionar o dedo firmemente sobre a área inchada, a marca permanece afundada na pele por um tempo”, explica o cardiologista.

    Já o inchaço venoso pode aparecer em apenas uma perna, associado a varizes e sensação de peso. De qualquer forma, a investigação médica é essencial sempre que o inchaço for persistente.

    Veja mais: Ecocardiograma: saiba mais sobre o exame que mostra detalhes do coração

    Outros sintomas acompanham o inchaço de causa cardíaca

    O edema por conta do coração raramente aparece sozinho. Ele costuma vir com sinais importantes, como:

    • Falta de ar ao realizar esforços (ou até em repouso nos casos graves);
    • Cansaço desproporcional às atividades;
    • Necessidade de dormir com vários travesseiros para evitar falta de ar;
    • Despertar à noite com crises súbitas de falta de ar (dispneia paroxística noturna).

    Quem tem insuficiência cardíaca sempre terá inchaço?

    Nem sempre. Em muitos pacientes, o problema se manifesta primeiro nos pulmões, com falta de ar. “Portanto, a ausência de edema não descarta o diagnóstico”, ressalta Cartaxo.

    Leia também: Dor no peito: aprenda a diferenciar quando é um problema do coração

    Quais exames ajudam a identificar o inchaço por causas cardíacas?

    A primeira etapa é sempre a avaliação clínica. Depois, alguns exames são fundamentais:

    • Ecocardiograma: mostra a estrutura e a função de bombeamento do coração;
    • Exames de sangue (BNP e NT-pro-BNP): identificam sobrecarga cardíaca;
    • Raio-X de tórax: pode indicar líquido nos pulmões;
    • Eletrocardiograma: avalia a atividade elétrica do coração.

    “Procure um pronto-socorro se o inchaço surgir de forma súbita e rápida, se vier acompanhado de falta de ar intensa, dor no peito ou sinais de infecção, como calor e vermelhidão no local”, recomenda o médico.

    É possível controlar o inchaço?

    Sim. Mudanças na rotina ajudam a reduzir o inchaço de causa cardiovascular, mas o tratamento envolve mais do que apenas aliviar o sintoma. Ele inclui medicamentos, ajustes de rotina e acompanhamento contínuo.

    Algumas medidas importantes são:

    • Controlar o consumo de sal;
    • Reduzir alimentos ultraprocessados;
    • Praticar atividade física supervisionada;
    • Usar meias de compressão quando indicado;
    • Seguir rigorosamente a medicação prescrita.

    “A reabilitação cardíaca, com exercícios supervisionados, e o uso de novas medicações revolucionaram o cuidado, melhorando os sintomas, a função do coração e a longevidade”, afirma Cartaxo.

    Veja mais: Sente pernas pesadas no fim do dia? Confira dicas para aliviar

    Perguntas frequentes sobre pés inchados

    1. Pés inchados sempre indicam problemas no coração?

    Não. Eles podem ser causados por varizes, gravidez, medicamentos ou problemas renais e hepáticos.

    2. Como diferenciar pés inchados por causa do coração de má circulação?

    O inchaço cardíaco é simétrico, frio, indolor e apresenta sinal do cacifo. Já o venoso pode ser unilateral e associado a varizes.

    3. O inchaço cardíaco vem acompanhado de outros sintomas?

    Sim. Geralmente há falta de ar, cansaço e dificuldade para dormir sem travesseiros extras.

    4. Quais exames confirmam a origem do inchaço?

    O ecocardiograma e exames de sangue (BNP e NT-pro-BNP) são os principais.

    5. Mudanças de hábitos ajudam a controlar o inchaço?

    Sim. Reduzir o sal, praticar exercícios e seguir o tratamento médico são medidas essenciais.

    6. Quando devo procurar o pronto-socorro?

    Se o inchaço for súbito, acompanhado de dor no peito, falta de ar intensa ou sinais de infecção.

    Leia também: 5 coisas para fazer hoje e proteger o coração contra o infarto

  • O que significa ficar “em observação” no hospital? É grave? 

    O que significa ficar “em observação” no hospital? É grave? 

    Receber a informação de que será necessário ficar “em observação” no hospital costuma gerar ansiedade em muitos pacientes e familiares. Em vários casos, a primeira impressão é de que o quadro é necessariamente grave ou que existe um grande risco imediato.

    Na prática, porém, a observação hospitalar é bastante comum e muitas vezes funciona apenas como uma etapa de segurança. O objetivo é permitir que a equipe médica acompanhe a evolução dos sintomas, avalie a resposta aos medicamentos e aguarde exames importantes antes de decidir pela alta ou por uma eventual internação.

    O que significa ficar em observação

    Ficar em observação significa que a equipe médica decidiu acompanhar o paciente por um período maior dentro do hospital.

    Isso pode acontecer porque:

    • Ainda existem dúvidas sobre o diagnóstico;
    • Os sintomas precisam ser monitorados;
    • É necessário observar a evolução clínica;
    • O paciente recebeu medicações que precisam de acompanhamento.

    Observação não é o mesmo que internação

    Embora a pessoa permaneça no hospital, observação e internação não são exatamente a mesma coisa.

    Observação

    • Permanência temporária;
    • Avaliação contínua;
    • Possibilidade de alta em poucas horas.

    Internação

    • Necessidade de tratamento hospitalar mais prolongado;
    • Monitoramento contínuo por mais tempo.

    Em quais situações isso costuma acontecer

    A observação é comum em diversos quadros.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Crises de ansiedade;
    • Desidratação;
    • Dor abdominal;
    • Reações a medicamentos.

    O que os médicos observam durante esse período

    A equipe acompanha:

    • Pressão arterial;
    • Frequência cardíaca;
    • Oxigenação;
    • Evolução dos sintomas;
    • Resposta aos medicamentos.

    Também podem ser repetidos exames laboratoriais ou de imagem.

    Por que alguns exames precisam ser repetidos

    Algumas alterações não aparecem imediatamente. Por exemplo:

    • Exames cardíacos podem precisar de nova coleta após algumas horas;
    • Sintomas podem evoluir com o tempo;
    • O efeito de medicações pode precisar ser avaliado.

    Quanto tempo a observação costuma durar

    O tempo varia conforme o caso. Pode durar:

    • Algumas horas;
    • Parte do dia;
    • Em alguns casos, até 24 horas ou mais.

    Ficar em observação significa que o caso é grave?

    Não necessariamente. Muitas pessoas ficam em observação apenas por segurança e acabam recebendo alta após melhora clínica ou resultados tranquilizadores.

    No entanto, em alguns casos, a observação ajuda a identificar doenças mais importantes precocemente.

    O que pode acontecer depois da observação

    Após esse período, existem algumas possibilidades:

    1. Alta hospitalar

    Quando os sintomas melhoram e os exames estão tranquilos.

    2. Continuação do monitoramento

    Quando ainda há necessidade de avaliação adicional.

    3. Internação

    Quando os exames ou a evolução indicam necessidade de tratamento hospitalar.

    Quando a observação costuma ser mais importante

    Ela é especialmente útil quando:

    • Os sintomas podem mudar rapidamente;
    • Existe risco de agravamento;
    • O diagnóstico ainda não está totalmente claro.

    Confira: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

    Perguntas frequentes sobre observação no hospital

    1. Observação é igual a internação?

    Não, a observação é um período em que há possibilidade de alta em poucas horas.

    2. Ficar em observação significa algo grave?

    Nem sempre. É um período em que os médicos têm para avaliar todos os parâmetros e decidir se a pessoa está liberada para voltar para casa ou não.

    3. Quanto tempo dura?

    Depende do caso, a equipe médica decide após as avaliações.

    4. Pode receber alta depois?

    Sim, isso é muito comum.

    5. Por que repetem exames?

    Para acompanhar evolução e confirmar diagnósticos.

    6. A pessoa fica monitorada o tempo todo?

    Em muitos casos, sim.

    7. Quando a internação é necessária?

    Quando há necessidade de tratamento ou monitoramento prolongado.

    Veja também: Picada de abelha: o que fazer na hora e quando correr para o hospital

  • Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    Fisioterapia pélvica na gravidez: quando é indicada e como funciona? 

    A fisioterapia pélvica na gravidez é uma especialidade que ajuda a fortalecer e melhorar a coordenação dos músculos do assoalho pélvico, estrutura responsável por sustentar órgãos como o útero, a bexiga e o intestino.

    Durante o período, as mudanças hormonais intensas e o aumento natural do peso do bebê acabam sobrecarregando a região, o que pode favorecer desconfortos como escapes de urina, sensação de peso e dores na bacia.

    A fisioterapia pélvica também atua diretamente na preparação para o parto, trabalhando a consciência corporal e a flexibilidade muscular importantes para o momento do nascimento.

    O melhor é que a prática pode ser iniciada em qualquer fase da gestação e oferece benefícios tanto para as mulheres que desejam o parto normal quanto para aquelas que têm indicação de cesárea.

    Para que serve a fisioterapia pélvica na gravidez?

    A fisioterapia pélvica na gravidez serve principalmente para fortalecer e dar flexibilidade aos músculos do assoalho pélvico, ajudando o corpo da mulher a se adaptar de forma saudável às transformações da gestação e a se preparar para o parto, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Entre alguns dos principais benefícios da prática, é possível destacar:

    1. Prevenção e o tratamento da perda involuntária de urina

    O aumento do peso do útero e as alterações hormonais podem enfraquecer os músculos responsáveis por controlar a uretra. Com a fisioterapia pélvica, a gestante aprende a ativar a musculatura nos momentos de maior pressão, como ao tossir, espirrar ou pegar peso, ajudando a evitar os desconfortáveis escapes de urina que são tão comuns na gravidez.

    2. Alívio das dores nas costas e na bacia

    Conforme a barriga cresce, o corpo passa por várias mudanças de postura e equilíbrio, o que pode causar dores na lombar, na bacia e até na região do cóccix. Os exercícios ajudam a melhorar a postura, estabilizar as articulações e aumentar a mobilidade da pelve, trazendo mais conforto no dia a dia e um alívio natural das dores.

    3. Preparação do corpo para o parto normal

    Para as mulheres que desejam o parto vaginal, a fisioterapia pélvica ajuda a desenvolver a consciência corporal e o relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, facilitando a passagem do bebê pelo canal de parto. Ele também ajuda a gestante a entender melhor como fazer força no momento do nascimento.

    4. Redução do risco de lesões musculares profundas

    Ao trabalhar a elasticidade e a coordenação dos músculos mais profundos da região pélvica, a fisioterapia ajuda a proteger o períneo durante o parto, o que diminui risco de lacerações mais graves, segundo Andreia. A prática também favorece uma recuperação pós-parto mais confortável para a gestante.

    5. Prevenção do prolapso dos órgãos pélvicos

    A sobrecarga constante da gravidez sobre o assoalho pélvico pode enfraquecer a musculatura ao longo do tempo, aumentando o risco de prolapsos, situação em que órgãos como a bexiga ou o útero perdem sustentação. O fortalecimento preventivo ajuda a proteger a região e a reduzir as chances da gestante apresentar a complicação no futuro.

    6. Melhora do conforto no contato íntimo

    Durante a gravidez, algumas mulheres podem sentir dor ou desconforto nas relações sexuais por causa da tensão muscular na região íntima. Segundo Andreia, a fisioterapia pélvica ensina técnicas de relaxamento que ajudam a aliviar o sintoma. Já nos casos de sensação de flacidez, o fortalecimento muscular pode contribuir para melhorar a sensibilidade e o conforto local.

    Como é feita a fisioterapia pélvica para gestantes?

    A princípio, para fazer a fisioterapia pélvica na gravidez, é importante uma avaliação detalhada da musculatura e da postura da mulher.

    Durante as sessões, o fisioterapeuta utiliza uma combinação de técnicas e ferramentas que ajudam a desenvolver a força, a coordenação e, principalmente, a propriocepção — que, como explica Andreia, é a capacidade de perceber e ter consciência da localização e do movimento dos músculos pélvicos sem precisar olhar para eles.

    As principais técnicas e etapas incluem:

    1. Exercícios de consciência corporal

    O primeiro passo da fisioterapia pélvica é ajudar a gestante a conhecer melhor o próprio corpo e entender como controlar a musculatura da região pélvica.

    Muitas mulheres, por exemplo, acabam fazendo o movimento contrário ao esperado quando tentam simular a força do parto, contraindo a musculatura em vez de relaxar. Durante as sessões, ela aprende a identificar, ativar e movimentar os músculos corretos de forma mais consciente.

    2. Fortalecimento dos músculos da região pélvica

    O trabalho da fisioterapia é focado nos diferentes grupos musculares que sustentam a região íntima e os órgãos pélvicos, como aponta Andreia:

    • Diafragma pélvico (mais interno): onde se trabalha o músculo elevador do ânus, um músculo grande e único com vários feixes, para garantir que ele seja forte o suficiente para sustentar o peso crescente do útero e do bebê;
    • Diafragma urogenital (mais superficial): localizado na região do períneo, que tem um formato de losango angulado, englobando a uretra, a entrada da vagina e o ânus. Os exercícios aqui treinam os músculos menores responsáveis por garantir a continência urinária e fecal.

    Os exercícios são feitos de forma gradual e personalizada, respeitando as necessidades de cada gestante.

    3. Treino para contrair e também relaxar

    Ao contrário do que você pode imaginar, a fisioterapia pélvica não trabalha apenas o fortalecimento muscular. A gestante também aprende a relaxar a região no momento certo, o que é necessário para o bom funcionamento do corpo.

    O relaxamento também pode facilitar a urina, a evacuação e a passagem do bebê durante o parto vaginal.

    4. Exercícios de mobilidade e alívio das dores

    Com o crescimento da barriga, a postura e o equilíbrio do corpo mudam bastante, aumentando as chances de dores na lombar e na bacia. Por isso, a fisioterapia includes exercícios de mobilidade pélvica e alongamentos que ajudam a melhorar os movimentos das articulações da região, trazendo um alívio natural das dores e mais conforto para a gestante.

    5. Uso de recursos complementares, quando necessário

    Em algumas situações específicas, e sempre com avaliação profissional, o fisioterapeuta pode utilizar recursos complementares, como estímulos elétricos leves feitos com aparelhos delicados. Os estímulos ajudam a paciente a perceber melhor a musculatura que precisa ser trabalhada, facilitando os exercícios e o controle da região pélvica.

    Quando começar as sessões?

    As sessões de fisioterapia pélvica podem ser iniciadas em qualquer momento da gestação, inclusive no início ou antes dela. Contudo, Andreia explica que a procura costuma se intensificar a partir da segunda metade da gravidez, quando o volume abdominal aumenta e os desconfortos físicos ficam mais evidentes.

    Portanto, se você não começou no início, a segunda metade da gestação é o momento ideal para procurar ajuda e garantir o papel analgésico e preparatório da fisioterapia.

    Quando a fisioterapia pélvica não é indicada?

    A fisioterapia pélvica é uma prática segura e recomendada para a maioria das gestantes. Inclusive, grávidas que apresentam comorbidades comuns como diabetes gestacional, hipertensão ou restrição de crescimento fetal (RCF) podem fazer as sessões normalmente, desde que as condições estejam devidamente controladas e acompanhadas pelo médico.

    Contudo, Andreia explica que existem contraindicações obstétricas específicas em que a fisioterapia pélvica não é indicada, frequentemente associadas à necessidade de repouso ou ao risco de infecções e sangramentos. São elas:

    • Incompetência istmocervical: casos avançados com risco de parto prematuro, onde a gestante precisa de repouso e deve evitar qualquer esforço físico;
    • Bolsa rota (amniorrexe prematura): quando a bolsa estoura antes do tempo, pois há um alto risco de infecção no útero, inviabilizando o uso de exercícios e de eletrodos intravagnais;
    • Placenta prévia: quando a placenta está posicionada na parte baixa do útero, cobrindo o colo. Qualquer estímulo ou movimento na região pode provocar sangramentos graves;
    • Descolamento prematuro de placenta: uma condição de emergência com risco de hemorragia que exige repouso absoluto e cuidados médicos imediatos.

    Antes de iniciar qualquer sessão de fisioterapia pélvica, lembre-se que a gestante precisa da liberação do médico obstetra, para garantir que a gravidez não apresenta nenhum dos fatores de risco.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. A fisioterapia pélvica dói?

    Não, pois os exercícios e técnicas são aplicados respeitando o limite de conforto da gestante. É comum sentir o cansaço muscular natural do exercício, mas nunca dor. Caso sinta desconforto, o fisioterapeuta adapta a conduta imediatamente.

    2. Quem vai fazer cesárea também pode fazer fisioterapia pélvica?

    Com certeza. A sobrecarga do peso do bebê, do útero e da placenta sobre o assoalho pélvico é exatamente a mesma, independentemente do tipo de parto. A fisioterapia ajuda a evitar escapes de urina durante a gestação e previne dores e flacidez no pós-parto.

    3. Quantas vezes por semana devo fazer as sessões?

    Normalmente, o recomendado é fazer 1 a 2 vezes por semana no consultório, com duração média de 50 minutos. Além disso, o fisioterapeuta costuma passar uma rotina de exercícios simples de poucos minutos para a gestante realizar em casa diariamente.

    4. Posso fazer os exercícios de fortalecimento sozinha em casa?

    Apenas os exercícios que já foram ensinados e liberados pelo seu fisioterapeuta. Fazer contrações de forma errada ou sem coordenação pode tensionar a musculatura em excesso, gerando o efeito oposto, como dor na relação íntima ou dificuldade para urinar.

    5. A fisioterapia pélvica induz ou antecipa o parto?

    Não. Os exercícios convencionais de fortalecimento e conscientização não têm capacidade de provocar o parto prematuro. Pelo contrário, as técnicas são planejadas para proteger o corpo da mãe ao longo de todas as semanas gestacionais.

    6. Quando devo parar de fazer as sessões na gravidez?

    Se a gestação seguir saudável e sem intercorrências, as sessões podem ser realizadas até a semana do parto. Na reta final, o foco do profissional muda quase totalmente para exercícios de mobilidade, respiração e posições de alívio para o dia do nascimento.

    7. Quem tem a placenta baixa pode fazer fisioterapia pélvica?

    Depende do tipo. Se for uma placenta prévia (que cobre totalmente o colo do útero), a fisioterapia pélvica é estritamente contraindicada pelo risco de hemorragias graves. Se for apenas uma placenta de inserção baixa que não obstrui o colo, o obstetra avaliará se libera ou não os exercícios de forma bem leve.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação