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  • Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Tanto o suco natural quanto a fruta inteira vêm do mesmo alimento e fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes, mas você sabia que o organismo reage de maneiras diferentes a cada um? A principal diferença está na quantidade de fibras e na forma como o açúcar natural da fruta chega ao sistema digestivo, fatores que influenciam diretamente o trabalho do fígado.

    A fruta precisa ser mastigada, tem mais fibras e faz o açúcar natural chegar ao organismo de maneira mais lenta, facilitando o trabalho do metabolismo. Já o suco, mesmo sendo natural, perde boa parte das fibras durante o preparo e concentra uma quantidade maior de açúcar em poucos goles, deixando a absorção muito mais rápida.

    Se você tem o hábito de trocar as frutas frescas por copos de suco no dia a dia, entenda a seguir como a escolha pode afetar o metabolismo e por que o simples ato de mastigar pode ajudar na saúde do fígado.

    Se é natural, por que o suco pode ser um problema?

    Quando você come uma fruta inteira, o açúcar natural presente nela, chamado frutose, fica envolvido por uma estrutura rica em fibras. Para aproveitar todos os nutrientes, o organismo precisa mastigar o alimento e fazer a digestão aos poucos, permitindo que a absorção do açúcar aconteça de forma gradual.

    Já no preparo do suco, a situação muda um pouco:

    • As fibras são reduzidas ou eliminadas durante o preparo, principalmente quando o suco é coado. Sem a proteção natural, a frutose fica livre para ser absorvida muito mais rapidamente;
    • O açúcar chega ao intestino em pouco tempo e entra na circulação de forma acelerada, demandando uma resposta mais intensa do organismo para controlar a glicemia;
    • A quantidade de fruta também costuma ser maior, pois um único copo de suco pode levar três ou quatro frutas, consumidas em poucos goles.

    Depois de ser absorvido pelo organismo, o açúcar natural da fruta chega ao fígado, onde a frutose é transformada em energia ou armazenada para ser usada mais tarde. Quando uma grande quantidade chega de uma só vez e isso acontece com frequência, o fígado precisa fazer um esforço maior para processar todo o açúcar.

    O que acontece com o fígado quando há excesso de frutose?

    Diferente da glicose, que pode ser usada como energia por praticamente todas as células do corpo, a frutose depende especialmente do fígado para ser aproveitada pelo organismo.

    Quando uma grande quantidade de frutose chega de uma só vez, situação que pode acontecer com o consumo frequente de grandes copos de suco, o fígado precisa trabalhar mais para dar conta de todo o açúcar. A parte que não é utilizada imediatamente como energia pode ser transformada em gordura.

    Com o passar do tempo, o consumo excessivo de frutose, associado a uma alimentação desequilibrada e ao sedentarismo, favorece o acúmulo de gordura nas células do fígado, quadro conhecido como gordura no fígado.

    Além disso, o excesso de gordura pode dificultar a ação da insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue, aumentando o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

    Importante: na maioria das vezes, o quadro de gordura no fígado não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberta apenas durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal ou exames de sangue que avaliam a saúde do fígado.

    Todo suco de fruta afeta o fígado?

    O impacto no fígado depende diretamente do tipo de fruta, da forma de preparo e da quantidade consumida. Vale ficar atento a alguns pontos:

    • O tipo de fruta faz diferença: frutas com menor teor de frutose, como limão, acerola, maracujá, caju e kiwi, costumam causar um impacto menor sobre o metabolismo quando comparadas a frutas mais doces, como uva, laranja e tangerina;
    • Os sucos industrializados merecem mais atenção: néctares, refrescos e muitos sucos de caixinha costumam conter açúcar adicionado ou xarope de glicose e frutose. O consumo frequente dessas bebidas está associado a um maior risco de gordura no fígado e de outras alterações metabólicas;
    • A forma de preparo também influencia: o suco preparado no liquidificador e consumido com o bagaço preserva parte das fibras da fruta. Já os sucos coados ou preparados em centrífugas perdem grande parte delas, fazendo com que o açúcar natural seja absorvido mais rapidamente;
    • Os sucos com vegetais podem ser uma boa opção: combinar frutas com ingredientes como couve, espinafre, pepino, hortelã ou gengibre aumenta o teor de fibras e de compostos antioxidantes, tornando a bebida mais equilibrada. Ainda assim, a fruta inteira continua sendo a melhor escolha para o dia a dia.

    Também é importante apontar que um copo de suco natural consumido de maneira ocasional dificilmente causa problemas para uma pessoa saudável. O problema é quando o consumo é muito frequente, em grandes quantidades, especialmente quando o suco substitui a água ou a fruta inteira nas refeições.

    Como incluir frutas na alimentação de forma saudável para o fígado?

    Para aproveitar todos os benefícios das frutas sem sobrecarregar o fígado, você pode adotar pequenas mudanças na forma de consumir os alimentos, como:

    • Prefira consumir a fruta inteira e, quando possível, com a casca ou o bagaço;
    • Acrescente fontes de fibras, como aveia, chia, linhaça ou psyllium, e combine a fruta com iogurte natural ou castanhas;
    • Dê preferência às frutas vermelhas e cítricas, como morango, amora, mirtilo, limão, acerola e maracujá;
    • Se preparar suco, não coe e use apenas uma porção de fruta, completando a bebida com água e vegetais, como couve ou hortelã;
    • Evite adicionar açúcar, mel ou xaropes às frutas e aos sucos.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, pelo menos, 400 gramas de frutas e vegetais por dia. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta incluir diariamente três porções de frutas e três porções de vegetais na alimentação para garantir uma boa ingestão de fibras, vitaminas e outros nutrientes importantes para o organismo.

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. O açúcar das frutas (frutose) é igual ao açúcar de mesa?

    Não. A frutose da fruta, quando consumida inteira, vem acompanhada de água, vitamins e fibras. O açúcar de mesa é sacarose pura, refinada e sem nenhum valor nutricional.

    2. Qual o melhor horário para comer frutas e proteger o fígado?

    Nos lanches intermediários ou como sobremesa após refeições que já contenham fibras e proteínas, o que ajuda a frear a absorção do açúcar.

    3. O suco de caixinha é pior que o suco natural?

    Sim, a maioria dos sucos de caixinha contém xarope de milho ou açúcar adicionado, sendo uma bomba de frutose artificial diretamente para o fígado.

    4. O bagaço da laranja ajuda a diminuir a frutose?

    Ele não diminui a quantidade de frutose, mas as fibras do bagaço tornam a absorção desse açúcar muito mais lenta, poupando o fígado.

    5. Bater a fruta no liquidificador preserva as fibras?

    Parte delas permanece, mas a textura muda e o consumo costuma ser mais rápido, favorecendo uma maior ingestão de açúcar.

    6. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    7. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Tosse que não melhora: quando pode ser problema no coração

    Tosse que não melhora: quando pode ser problema no coração

    Você sabia que a tosse é um mecanismo de defesa do organismo? Sempre que algo ameaça irritar ou bloquear as vias respiratórias, o organismo reage para proteger os pulmões e manter o ar limpo. É assim que secreções como muco, partículas de poeira, fumaça, mofo, alérgenos e até micro-organismos acabam sendo eliminados.

    Ela pode surgir em quadros simples de gripe ou resfriado, crises de rinite e alergia, bronquite, asma e até refluxo gastroesofágico. Na maior parte das vezes, não representa perigo e desaparece sozinha em poucos dias.

    O alerta surge quando o sintoma não passa. Uma tosse persistente, que continua por semanas ou até meses, precisa ser investigada para descartar condições de saúde mais sérias. Embora as causas respiratórias sejam as mais comuns, em alguns casos, ela pode estar relacionada ao funcionamento do coração, especialmente quando acompanhada de outros sintomas.

    Quando a tosse persistente pode ser cardíaca?

    Apesar de normalmente associada a doenças respiratórias, a tosse também pode ser consequência de problemas cardíacos. O cardiologista e cardio-oncologista Giovanni Henrique Pinto, do Hospital Albert Einstein, explica que o sintoma pode surgir em diferentes condições cardiovasculares, como:

    Insuficiência cardíaca

    Em quadros de insuficiência cardíaca, o coração perde a capacidade de bombear o sangue adequadamente, o que causa acúmulo de líquido nos pulmões. Isso provoca uma tosse persistente, que normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita.

    Em alguns casos, a manifestação é conhecida como “asma cardíaca”, justamente pela semelhança com as crises de falta de ar típicas da asma respiratória. É a causa mais frequente quando se fala em tosse de origem cardíaca.

    Valvopatias

    Doenças que afetam as válvulas do coração, como a estenose mitral, dificultam a passagem do sangue dentro do coração e podem causar tosse persistente, acompanhada de escarro rosado, em situações mais graves. É um quadro mais raro, mas que não deve ser descartado.

    Arritmias

    As alterações do ritmo cardíaco, principalmente as taquicardias, podem favorecer episódios de tosse persistente. Isso acontece porque o coração, batendo de forma acelerada ou irregular, sobrecarrega a circulação e acaba afetando também o funcionamento dos pulmões.

    Pressão alta descompensada

    Quando a pressão arterial está mal controlada, o coração precisa trabalhar mais, aumentando a pressão nos pulmões. Isso pode resultar em tosse contínua, muitas vezes acompanhada de falta de ar.

    Uso de remédios

    Além das doenças, alguns remédios usados no tratamento de condições cardiovasculares podem provocar tosse persistente como efeito colateral. É o caso dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), como captopril, enalapril e lisinopril.

    Eles podem causar tosse seca em até 20% dos pacientes. Quando isso acontece, o médico geralmente substitui o remédio por um antagonista dos receptores de angiotensina II (BRA), como losartana ou valsartana, que raramente causam o mesmo sintoma.

    Como diferenciar tosse cardíaca da respiratória?

    Identificar a origem da tosse pode ser desafiador, mas existem sinais que ajudam na diferenciação:

    • Respiratória: normalmente surge após sintomas de infecção, como febre, dor de garganta e coriza. Pode vir acompanhada de chiado no peito e catarro amarelado ou esverdeado, como em casos de pneumonia. Costuma melhorar com antibióticos ou broncodilatadores, quando indicados;
    • Cardíaca: piora ao deitar, pode acordar o paciente durante a madrugada, vem associada a falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e palpitações. O escarro pode ser espumoso ou rosado.

    Enquanto a tosse respiratória está mais ligada a infecções e inflamações, a de origem cardíaca reflete a sobrecarga do coração e dos pulmões.

    Quando a tosse deve preocupar?

    A tosse que ultrapassa oito semanas já é considerada crônica e precisa ser investigada. No entanto, segundo Giovanni Pinto, não é necessário esperar tanto tempo: se a tosse dura mais de duas semanas ou aparece acompanhada de falta de ar, dor no peito, perda de peso, febre prolongada, chiado intenso, sangue no escarro ou histórico de doenças cardíacas, é muito importante procurar atendimento médico.

    Diagnóstico da tosse persistente relacionada ao coração

    O primeiro passo do diagnóstico é a consulta clínica detalhada, em que o médico avalia o histórico do paciente e faz o exame físico. A partir daí, outros exames podem ser solicitados, de acordo com Giovanni Henrique Pinto. São eles:

    • Eletrocardiograma;
    • Raio-X de tórax;
    • Exames laboratoriais (BNP/NT-proBNP);
    • Ecocardiograma;
    • Testes de esforço ou Holter;
    • Espirometria (avaliação pulmonar).

    Existe tratamento para a tosse de origem cardíaca?

    Quando a tosse persistente tem origem cardíaca, o foco do tratamento deve ser a condição que está sobrecarregando o coração e os pulmões.

    Segundo o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, o tratamento pode envolver o uso de diuréticos para reduzir o acúmulo de líquidos, medicamentos específicos para insuficiência cardíaca, controle do ritmo em casos de arritmia e ajustes na pressão arterial. Em situações mais complexas, pode ser necessário tratar diretamente problemas nas válvulas cardíacas.

    À medida que o coração volta a funcionar de forma mais eficiente e a pressão nos pulmões diminui, a tosse tende a regredir de forma natural.

    Confira: Tuberculose: sintomas que vão além da tosse persistente

    Perguntas frequentes sobre tosse persistente

    1. A tosse persistente cardíaca é sempre seca ou pode ter catarro?

    Inicialmente, a tosse causada por problemas no coração costuma ser seca e persistente. Isso acontece porque o acúmulo de líquido nos pulmões (uma consequência da ineficiência do coração em bombear sangue) irrita as vias aéreas, mas ainda não é suficiente para gerar muco.

    No entanto, em casos mais graves, quando a congestão pulmonar aumenta, a tosse pode se tornar produtiva, isto é, com catarro.

    2. Existe algum horário do dia em que a tosse cardíaca piora?

    Sim, a tosse de origem cardíaca normalmente piora à noite ou quando a pessoa se deita. A posição deitada, também chamada de decúbito, facilita o retorno de fluidos dos membros inferiores para a circulação, aumentando a congestão nos pulmões e, consequentemente, a tosse.

    3. Quando devo procurar um médico se minha tosse persistir?

    A tosse comum costuma ser inofensiva, mas ela não deve ser ignorada quando se torna persistente. Procure atendimento médico se:

    • O sintoma durar mais de duas semanas;
    • Estiver acompanhado de falta de ar, dor no peito ou palpitações;
    • Houver perda de peso sem explicação;
    • Aparecer sangue no escarro;
    • Tiver histórico de problemas cardíacos.

    4. A tosse de origem cardíaca pode piorar com o exercício?

    Sim, porque o exercício físico aumenta a demanda de bombeamento do coração. Em uma pessoa com insuficiência cardíaca, por exemplo, o esforço sobrecarrega o coração, eleva a pressão nas veias pulmonares e, consequentemente, promove acúmulo de líquido nos pulmões. Isso intensifica a tosse e a sensação de falta de ar.

    Veja também: A gripe passou, mas a tosse continua: o que pode estar acontecendo?

  • Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar

    Altas habilidades e superdotação: o que é, sinais mais comuns e como identificar

    Normalmente confundidas com inteligência acima da média ou facilidade para tirar boas notas na escola, as altas habilidades e a superdotação são características do neurodesenvolvimento que fazem com que uma pessoa apresente um desempenho ou potencial muito acima da média em uma ou mais áreas do conhecimento.

    Ela não significa apenas ter um QI elevado, mas que ela pode aprender com muita facilidade, apresentar criatividade incomum, raciocínio rápido ou talento excepcional em determinados campos, mas nem sempre terá um bom desempenho em todas as disciplinas da escola.

    A Política Nacional de Educação Especial e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecem que pessoas com altas habilidades têm necessidades educacionais específicas e podem precisar de estímulos diferentes para desenvolver o próprio potencial.

    Sem o apoio adequado, muitas acabam enfrentando dificuldades emocionais, sociais e até baixo rendimento escolar, mesmo tendo um grande capacidade intelectual.

    Afinal, o que é altas habilidades e superdotação?

    As altas habilidades ou superdotação (AH/SD) é um termo utilizado para definir pessoas que possuem um desempenho visivelmente superior ou um grande potencial em uma ou mais áreas do conhecimento humano, quando comparadas à média da população da mesma idade e ambiente.

    No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) reconhece que as altas habilidades podem se manifestar em diferentes áreas, como a capacidade intelectual geral, o desempenho acadêmico, a criatividade, a liderança, as artes e a capacidade psicomotora.

    A superdotação não significa ser um gênio

    Ao contrário do senso comum, ter altas habilidades ou superdotação não significa saber tudo ou ser bom em absolutamente todas as áreas. Também não quer dizer que a criança será um gênio ou terá um desempenho extraordinário em todas as situações.

    Na verdade, a genialidade é algo muito raro e depende de uma combinação de talento, oportunidades, estudo e muitos anos de dedicação.

    A superdotação significa que a criança tem um potencial acima da média para aprender, raciocinar ou resolver problemas em uma ou mais áreas. Mesmo assim, ela continua sendo uma criança como qualquer outra: pode ter dúvidas, dificuldades, inseguranças, errar, sentir frustração e precisar de apoio ao longo do desenvolvimento.

    Em quais áreas as altas habilidades podem aparecer?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 3% a 5% da população possui altas habilidades, que podem se manifestar em áreas como:

    • Capacidade intelectual geral: facilidade para aprender, raciocínio rápido, excelente memória e facilidade para compreender ideias mais complexas;
    • Habilidade acadêmica: desempenho acima da média em uma ou mais disciplinas, como matemática, ciências, história, literatura ou idiomas;
    • Criatividade: facilidade para criar soluções diferentes, imaginar novas ideias e pensar de forma original;
    • Liderança: capacidade de organizar grupos, influenciar pessoas, resolver conflitos e assumir responsabilidades desde cedo;
    • Artes: talento acima da média para música, dança, teatro, desenho, pintura ou outras formas de expressão artística;
    • Capacidade psicomotora: grande coordenação motora, equilíbrio, agilidade e facilidade para atividades físicas e esportivas.

    “A criança pode ter um desenvolvimento acima do esperado na área artística, e isso não quer dizer que ela vai extremamente bem na área acadêmica escolar. Muitas das muitas dessas crianças aprendem mais rápido, fazem perguntas complexas e demonstram grande curiosidade”, complementa a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Quais são os sinais mais comuns?

    Cada criança apresenta características próprias, mas alguns comportamentos costumam chamar a atenção de pais e professores:

    • Curiosidade intensa e perguntas sobre assuntos complexos;
    • Vocabulário mais desenvolvido do que o esperado para a idade;
    • Facilidade para aprender de forma rápida e, muitas vezes, sozinha;
    • Grande capacidade de concentração em temas de interesse;
    • Criatividade acima da média;
    • Sensibilidade emocional e forte senso de justiça;
    • Memória muito desenvolvida.

    Crianças superdotadas também podem enfrentar dificuldades

    Segundo Bárbara, apesar do grande potencial para aprender, crianças com altas habilidades também podem enfrentar desafios importantes no dia a dia. O desenvolvimento intelectual costuma acontecer em um ritmo muito acelerado, mas o desenvolvimento emocional, social e até motor nem sempre acompanha a mesma velocidade.

    Na prática, uma criança pode compreender assuntos muito avançados para a idade e, ao mesmo tempo, reagir emocionalmente como qualquer outra criança da mesma faixa etária.

    Também vale destacar os casos de dupla excepcionalidade, em que as altas habilidades aparecem junto com outras condições, como transtorno do espectro autista (TEA), TDAH, dislexia ou outros transtornos do neurodesenvolvimento. Como uma condição pode dificultar a identificação da outra, a avaliação tende a ser mais complexa.

    Como é feita a identificação da superdotação?

    A avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar e leva em consideração diferentes informações sobre a criança, incluindo:

    • Entrevistas com os pais ou responsáveis para conhecer o histórico do desenvolvimento;
    • Avaliação psicológica e neuropsicológica, com testes que analisam inteligência, memória, atenção e outras funções cognitivas;
    • Observação do comportamento e do desempenho no ambiente escolar.

    O objetivo não é apenas identificar um QI elevado, mas entender o perfil da criança, reconhecendo os pontos fortes, as dificuldades e as necessidades de desenvolvimento.

    A criança precisa de tratamento?

    As altas habilidades não são uma doença, logo, não precisam de um tratamento médico. No cotidiano, o mais importante é oferecer estímulos adequados para que a criança continue aprendendo e se desenvolvendo sem perder o interesse pelos estudos. Entre as estratégias mais utilizadas estão:

    • Enriquecimento curricular, com atividades mais desafiadoras;
    • Atendimento em programas voltados para altas habilidades;
    • Em alguns casos, a aceleração escolar, quando indicada pela equipe responsável.

    O acompanhamento psicológico também pode ser recomendado para ajudar a criança a lidar com ansiedade, perfeccionismo, frustrações, dificuldades de relacionamento ou outros desafios emocionais que possam surgir ao longo do desenvolvimento.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

    Perguntas frequentes

    1. Qual o QI de uma pessoa superdotada?

    Tradicionalmente, escalas de testes de QI consideram superdotação uma pontuação a partir de 130. No entanto, a avaliação moderna vai muito além desse número.

    2. A superdotação é hereditária?

    A genética desempenha um papel importante na superdotação. É extremamente comum que pais de crianças superdotadas também apresentem características de altas habilidades, mesmo que nunca tenham sido diagnosticados.

    3. O que acontece se o superdotado não for identificado?

    Ele pode sofrer com tédio crônico, ansiedade, isolamento social, crises de identidade e mascarar sua capacidade para tentar se encaixar no grupo, desperdiçando seu potencial.

    4. O que é aceleração escolar e quando ela é indicada?

    É o adiantamento do aluno para uma série avançada. É indicada quando a maturidade intelectual e emocional da criança mostra que ela já domina o conteúdo da série atual e se beneficiará do novo desafio.

    5. O que é hiperfoco?

    É a capacidade de se concentrar intensamente e por longas horas em um assunto de interesse específico, ignorando distrações externas.

    6. O que os pais devem fazer ao suspeitarem de superdotação?

    Devem buscar a orientação da coordenação pedagógica da escola e o apoio de um psicólogo ou neuropsicólogo especializado na área para realizar uma avaliação formal.

    Veja também: Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

  • 8 sinais de que o trabalho está fazendo mal para a sua saúde

    8 sinais de que o trabalho está fazendo mal para a sua saúde

    Independentemente do tipo de trabalho, é normal vivenciar algum nível de cobrança, pressão e estresse no dia a dia, já que todos precisam lidar com responsabilidades, prazos, metas e desafios profissionais. Só que o desgaste não deve ser permanente nem continuar mesmo após os momentos de descanso, como depois do fim de semana, do feriado ou das férias.

    Quando o estresse do trabalho se torna crônico e ultrapassa os limites do ambiente profissional, invadindo os momentos de lazer, o convívio familiar e até o sono, ele deixa de ser uma resposta natural às demandas e passa a representar um importante sinal de alerta para a saúde física e mental.

    “Nem sempre o problema é falta de resiliência no trabalho. Às vezes, o ambiente realmente está adoecendo a pessoa”, complementa o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome de Burnout é uma condição relacionada ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado de forma adequada.

    Além do Burnout, ambientes profissionais marcados por excesso de cobranças, metas inalcançáveis, conflitos constantes, assédio moral, jornadas prolongadas e falta de reconhecimento também aumentam o risco de desenvolver ansiedade, depressão e outras doenças relacionadas ao estresse.

    Como saber se o ambiente de trabalho está me deixando doente?

    1. Ansiedade extrema aos domingos

    Se a simples chegada do domingo à noite ou a perspectiva de que a segunda-feira está se aproximando causa aperto no peito, taquicardia ou uma angústia profunda, é importante ficar atento.

    O quadro, conhecido popularmente como Sunday Scaries, pode indicar que o cérebro passou a associar o ambiente de trabalho a uma ameaça, e não a um local saudável de produtividade.

    2. Exaustão que o descanso não cura

    Se mesmo após um fim de semana de descanso ou um período de férias, você continuar acordando sem energia e com a sensação de que a bateria está sempre no fim, o ambiente de trabalho pode estar consumindo as suas reservas físicas e emocionais.

    3. Dores físicas sem uma causa aparente

    Quando a sobrecarga emocional se mantém por muito tempo, podem surgir sintomas físicos mesmo sem uma doença que explique os sinais, como:

    • Dores de cabeça ou crises frequentes de enxaqueca;
    • Tensão muscular nos ombros, no pescoço e nas costas;
    • Gastrite, refluxo, dor de estômago ou alterações no intestino;
    • Resfriados e infecções frequentes devido à queda da imunidade.

    Os sintomas acontecem porque o organismo permanece em estado de alerta por longos períodos, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina de forma contínua.

    Aos poucos, o desequilíbrio sobrecarrega diversos sistemas do corpo, favorecendo inflamações, aumentando a tensão muscular, prejudicando a digestão e enfraquecendo o sistema imunológico.

    4. Mudanças no sono e no apetite

    A dificuldade para dormir, acordar várias vezes durante a madrugada ou passar a noite pensando em problemas do trabalho podem indicar que o estresse está ultrapassando a jornada de trabalho e interferindo no funcionamento normal do organismo.

    Com o tempo, a falta de um sono reparador aumenta o cansaço, reduz a concentração, prejudica a memória e dificulta o controle das emoções.

    5. Dificuldade para se concentrar e vontade de adiar tudo

    Se tarefas simples passaram a exigir muito esforço, você demora para responder mensagens, esquece compromissos ou sente dificuldade para manter o foco, pode ser consequência do esgotamento mental e não apenas falta de organização.

    6. Irritabilidade constante

    Quando o estresse do trabalho já está afetando o controle das emoções e os relacionamentos, você costuma perder a paciência com facilidade, responder de forma mais ríspida, se irritar por motivos pequenos ou levar a tensão do escritório para dentro de casa.

    Os familiares, amigos e até colegas de trabalho podem perceber mudanças no seu comportamento antes mesmo de você notar que está emocionalmente sobrecarregado.

    7. Falta de interesse pelo trabalho

    Quando tudo passa a parecer sem importância e você deixa de se importar com os resultados ou perde o entusiasmo por atividades que antes gostava de fazer, pode estar surgindo um dos principais sinais da síndrome de Burnout: o distanciamento emocional.

    8. Vontade de se isolar

    A necessidade de evitar o contato com as pessoas também pode indicar que o ambiente de trabalho está causando sofrimento emocional. Você passa a evitar conversas com os colegas, deixa de participar de almoços e confraternizações, mantém a câmera desligada em reuniões sem necessidade ou reduz ao máximo qualquer interação com a equipe.

    Em muitos casos, o isolamento acontece porque o cérebro tenta se proteger de um ambiente que passou a ser associado ao estresse e ao desgaste constante.

    Como saber se é síndrome de Burnout?

    A síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico no trabalho. Diferentemente de um período de cansaço comum, os sintomas persistem por semanas ou meses e continuam mesmo depois do descanso, afetando o desempenho profissional, a saúde e a vida pessoal.

    O diagnóstico deve ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, que avaliará o histórico do paciente, os sintomas e o impacto deles na rotina. Como o Burnout pode apresentar sinais semelhantes aos da ansiedade e da depressão, a avaliação profissional é necessária para identificar a causa do problema e indicar o tratamento mais adequado.

    Quando procurar ajuda psicológica?

    Vale a pena buscar acompanhamento psicológico quando você perceber:

    • Tristeza, ansiedade, medo ou irritabilidade intensos e frequentes;
    • Queda no rendimento no trabalho ou nos estudos;
    • Dificuldade para se concentrar e realizar tarefas simples;
    • Isolamento de amigos e familiares;
    • Conflitos frequentes nos relacionamentos;
    • Insônia, cansaço constante ou fadiga que não melhora com o descanso;
    • Dores de cabeça, dores no estômago ou mudanças no apetite sem causa médica;
    • Dificuldade para lidar com perdas, mudanças ou momentos difíceis da vida;
    • Aumento do consumo de álcool, automedicação, compras compulsivas ou outros comportamentos de risco;
    • Perda de interesse por atividades que antes davam prazer;
    • Vontade de se conhecer melhor, fortalecer a autoestima e aprender a estabelecer limites.

    A terapia também pode ser indicada para quem deseja desenvolver o autoconhecimento, fortalecer a autoestima, aprender a impor limites, melhorar os relacionamentos e encontrar formas mais saudáveis de lidar com as emoções.

    Veja também: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. Como a postura no trabalho afeta a saúde a longo prazo?

    Ficar várias horas sentado ou em pé, sem uma postura adequada, pode causar dores nas costas, no pescoço e nos ombros, além de aumentar o risco de lesões por esforço repetitivo (LER/DORT), problemas na coluna, má circulação e varizes.

    2. O que é a síndrome do “presenteísmo”?

    É quando o funcionário continua indo ao trabalho, mas não consegue render como antes porque está com problemas de saúde física ou mental, muitas vezes provocados pelo próprio ambiente de trabalho.

    3. Como o trabalho em turnos ou noturno afeta o relógio biológico?

    Trabalhar à noite ou em turnos altera o relógio biológico do corpo e prejudica a produção de melatonina, o hormônio do sono. Com o tempo, isso pode causar insônia, cansaço constante e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

    4. O plano de saúde corporativo cobre tratamentos de saúde mental?

    Sim, os planos de saúde devem cobrir consultas com psiquiatras e sessões de psicoterapia quando previstas no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, algumas empresas também oferecem programas de apoio psicológico e telemedicina.

    5. O estresse no trabalho pode causar queda de cabelo?

    Sim, o estresse prolongado pode provocar o eflúvio telógeno, uma condição que aumenta a queda de cabelo. Em algumas pessoas, também pode favorecer o surgimento da alopecia areata.

    6. O que é a “síndrome do impostor” desenvolvida no trabalho?

    É a sensação constante de não ser bom o suficiente, mesmo tendo bons resultados. A pessoa acredita que as próprias conquistas aconteceram por sorte e vive com medo de ser considerada uma fraude, situação que pode ser agravada em ambientes muito competitivos ou com pouca valorização profissional.

    Leia mais: Burnout pode causar infarto? Veja como o desgaste emocional afeta o coração

  • Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

    Muitas mulheres já passaram pela situação de estarem tranquilas e, de repente, perceber um sangramento que não estava na programação menstrual. O susto é grande, a preocupação bate na hora, e a dúvida aparece: será que isso é normal?

    O corpo feminino tem suas particularidades, e nem todo sangramento fora do ciclo é motivo para preocupação. Mas é importante entender quando se trata de algo fisiológico, ou seja, normal, e quando pode ser um sinal de que é necessário fazer uma investigação médica.

    O que é considerado um sangramento anormal?

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, alguns episódios podem ser absolutamente normais.

    “Há mulheres que, no período da ovulação, apresentam pequenas alterações hormonais que fazem o endométrio descamar um pouco. Isso causa um sangramento discreto no meio do ciclo, chamado de sangramento do meio. Ele pode ser normal”, explica.

    Outra situação bem comum são os sangramentos relacionados ao uso de anticoncepcionais. “Anticoncepcionais que suspendem a menstruação podem causar esses sangramentos irregulares que chamamos de escape”, diz a ginecologista.

    Mas fora essas situações, todo sangramento fora do esperado merece atenção.

    Quando o sangramento precisa de investigação?

    De acordo com a ginecologista, qualquer sangramento recorrente fora da menstruação deve ser avaliado. Um exemplo importante é o sangramento durante a relação sexual.

    “Ele pode indicar lesões na vagina, na vulva ou no colo do útero, inclusive câncer de colo de útero”, alerta a especialista. Às vezes, a causa desse sangramento irregular também pode ser alterações no sistema de coagulação.

    Climatério e perimenopausa: fase de mudanças

    Na fase de transição para a menopausa, chamada perimenopausa, a irregularidade menstrual é a marca registrada.

    “A mulher pode sangrar a cada 15 dias, depois ficar meses sem menstruar e depois voltar a sangrar. Essa irregularidade entre os 45 e 55 anos é típica da transição para a menopausa”, explica Andreia.

    Quando os sangramentos fogem do padrão, exames podem ajudar a identificar se a menopausa está chegando.

    “O exame que usamos é o FSH (hormônio folículo-estimulante). Quando ele começa a se elevar, indica que a mulher está entrando na menopausa. Se isso ocorre em idade precoce, como aos 35 anos, não é normal, e precisamos investigar outras causas, como falência ovariana precoce”, conta ela.

    Leia também: Amenorreia: quando a menstruação não vem

    Perguntas frequentes sobre sangramento fora da menstruação

    1. É normal sangrar no meio do ciclo?

    Sim, pode acontecer durante a ovulação, por alterações hormonais naturais. É o chamado “sangramento do meio”. Esse sangramento, porém, é em pequena quantidade e não se assemelha à menstruação.

    2. O anticoncepcional pode causar sangramento fora do período?

    Sim. Os anticoncepcionais hormonais podem provocar escapes de vez em quando. Se for frequente, é importante conversar com o ginecologista.

    3. Sangramento após a relação sexual sempre é grave?

    Não sempre, mas pode ser sinal de lesões ou doenças no colo do útero e precisa ser investigado.

    4. Na perimenopausa é comum ter sangramentos irregulares?

    Sim. Entre os 45 e 55 anos, o ciclo menstrual tende a ficar irregular, com intervalos mais curtos ou longos.

    5. O sangramento fora do ciclo pode ser câncer?

    Em alguns casos, sim, especialmente quando ocorre após a relação sexual. É por isso que toda ocorrência deve ser avaliada.

    6. O que devo fazer ao notar sangramento fora do período menstrual?

    Consultar um ginecologista. Apenas o médico pode identificar se é algo normal ou se precisa de tratamento.

    Leia também: Cirurgia de endometriose: veja quando ela é indicada

  • Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    Atraso na fala: o excesso de telas pode estar por trás do problema?

    O primeiro sorriso, os balbucios e, depois, as primeiras palavras e frases fazem parte de uma sequência natural do desenvolvimento infantil. Apesar de cada criança ter o próprio ritmo, existem alguns marcos esperados durante os primeiros anos de vida.

    Por volta dos 6 meses, o bebê começa a balbuciar sons. Entre os 10 e 12 meses, ele costuma falar as primeiras palavras com significado. Já entre os 18 meses e os 2 anos, o vocabulário cresce rapidamente, permitindo que a criança forme pequenas frases e se comunique cada vez melhor.

    Só que, nos últimos anos, com o aumento do tempo de exposição às telas na infância, não é comum que crianças cheguem aos 2 ou 3 anos com dificuldade para falar ou para se comunicar verbalmente.

    O atraso na fala pode ter diferentes causas, como alterações na audição e transtornos do neurodesenvolvimento, mas o uso excessivo de celulares, tablets e televisão também pode comprometer o desenvolvimento da linguagem, principalmente quando substitui as brincadeiras, as conversas e as interações com outras pessoas.

    Por que o cérebro do bebê precisa de pessoas (e não de telas) para falar?

    O desenvolvimento da fala não é um processo de repetição de palavras, mas um desenvolvimento biológico e social que depende muito do vínculo afetivo.

    O cérebro do bebê foi preparado para desenvolver a linguagem por meio da interação humana, observando o rosto de quem conversa, acompanhando o movimento da boca durante a fala, percebendo diferentes tons de voz, expressões faciais, sorrisos, gestos e respostas às próprias tentativas de comunicação.

    Sempre que um adulto conversa com um bebê, mesmo que ele ainda responda apenas com balbucios ou sons, existe uma troca constante de comunicação: a mãe fala, o bebê reage, a mãe interpreta aquela resposta e continua a conversa.

    Cada momento fortalece milhares de conexões entre os neurônios responsáveis pela linguagem, pela atenção e pela comunicação. Aos poucos, a criança aprende que sons possuem significado e descobre como utilizá-los para expressar desejos, emoções e necessidades.

    Já o celular, a televisão ou o tablet funcionam de maneira completamente diferente. Mesmo com imagens coloridas, músicas e personagens chamativos, o conteúdo não responde aos sons produzidos pela criança, não adapta a conversa ao momento vivido nem cria um vínculo afetivo.

    A comunicação acontece apenas em uma direção, fazendo com que o bebê participe muito pouco do processo, o que explica porque nenhum conteúdo digital consegue substituir as interações presenciais durante os primeiros anos de vida.

    O impacto dos vídeos educativos no atraso da linguagem

    Diversos pais recorrem a vídeos musicais, desenhos animados e conteúdos classificados como educativos acreditando que estão estimulando o desenvolvimento infantil.

    No entanto, estudos apontam que conteúdos digitais não oferecem os mesmos benefícios de uma conversa, de uma brincadeira ou de uma leitura compartilhada. Quando o uso acontece por tempo prolongado, o aprendizado da linguagem pode ser prejudicado.

    Nos primeiros anos de vida, o cérebro ainda está em pleno desenvolvimento e não consegue processar tantos estímulos ao mesmo tempo. Como a maioria dos vídeos infantis tem cenas que mudam rapidamente, cores muito chamativas, músicas o tempo todo e vários efeitos visuais, a atenção da criança fica presa ao movimento e às imagens, enquanto a linguagem acaba ficando em segundo plano.

    Na prática, a criança passa bastante tempo olhando para a tela, mas aprende pouco sobre como se comunicar. Ela pode decorar personagens, reconhecer músicas ou até repetir uma palavra ou outra, mas não vivencia o que realmente ajuda o cérebro a aprender a falar: olhar nos olhos de outra pessoa, imitar sons, ouvir perguntas, receber respostas, brincar, conversar e interagir com a família no dia a dia.

    Como a distração digital diminui o vocabulário familiar?

    O prejuízo das telas no atraso da fala não ocorre apenas quando o bebê usa o aparelho, mas também quando os pais estão distraídos pelo próprio celular. O fenômeno, conhecido como tecnociência, acontece quando a tecnologia interrompe ou reduz as interações entre os familiares, diminuindo o tempo de conversas, brincadeiras e momentos de atenção compartilhada.

    Quando pais passam boa parte do dia olhando para o celular, respondendo mensagens ou navegando nas redes sociais, eles acabam conversando menos com a criança sem perceber. Aos poucos, diminuem momentos importantes para o desenvolvimento da linguagem, como contar o que estão fazendo, nomear objetos da casa, cantar músicas, ler histórias ou responder aos balbucios do bebê.

    Pode até parecer pouco, mas são justamente as conversas do dia a dia que ensinam a criança a entender o significado das palavras e, mais tarde, a usá-las para se comunicar. Quanto maior for o contato com adultos falando, fazendo perguntas, esperando respostas e incentivando a interação, maiores são as oportunidades de o cérebro desenvolver as habilidades relacionadas à fala e à linguagem.

    Como saber se o atraso na fala é culpa do celular?

    Nem todo atraso na fala acontece por causa das telas, já que diferentes problemas de saúde também podem comprometer o desenvolvimento da linguagem.

    Ainda assim, quando a criança permanece várias horas por dia diante de dispositivos eletrônicos, alguns comportamentos merecem atenção e indicam a necessidade de uma avaliação médica, como:

    • Pouco contato visual: a criança raramente olha nos olhos dos pais durante as brincadeiras ou quando é chamada pelo nome;
    • Ausência de gestos comunicativos: depois do primeiro ano de vida, não aponta para o que deseja, não bate palmas, não faz o gesto de “tchau” e demonstra pouca intenção de se comunicar;
    • Baixo interesse pelas pessoas: prefere permanecer diante da tela e demonstra pouco interesse por brincadeiras com familiares ou outras crianças;
    • Crises intensas ao desligar o aparelho: quando o celular ou a televisão são retirados, a criança não procura outra atividade nem tenta chamar a atenção dos pais, apresentando choro intenso, irritação ou dificuldade para se acalmar.

    A presença de um ou mais sinais não confirma qualquer diagnóstico, mas indica que o desenvolvimento precisa de uma avaliação realizada por um profissional de saúde.

    O que fazer ao notar o atraso na fala?

    Ao notar que a criança está demorando para falar ou apresenta dificuldades para se comunicar, uma das primeiras medidas consiste em reduzir o tempo de exposição às telas.

    Para menores de 2 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria recomendam evitar celulares, tablets e televisão, com exceção de videochamadas realizadas com familiares.

    Como o cérebro infantil apresenta grande capacidade de adaptação, a substituição das telas por interações humanas pode favorecer o desenvolvimento da linguagem.

    No dia a dia, também vale adotar algumas medidas simples, como:

    • Converse durante a rotina: fale com a criança durante o banho, as refeições, os passeios e as brincadeiras. Nomeie objetos, descreva o que está fazendo e faça perguntas simples;
    • Leia histórias todos os dias: mostre as figuras, diga o nome dos personagens, aponte objetos e incentive a criança a participar da leitura;
    • Cante músicas e cantigas infantis: repita palavras, faça gestos e incentive a criança a acompanhar a melodia e os movimentos;
    • Brinque sem usar telas: ofereça livros, massinhas, blocos de montar, desenhos, brinquedos de encaixe e atividades ao ar livre;
    • Responda às tentativas de comunicação: sempre que a criança apontar, balbuciar ou tentar falar uma palavra, responda e continue a conversa;
    • Guarde o celular durante os momentos em família: aproveite as refeições, as brincadeiras e o horário de dormir para dar atenção total à criança e conversar mais com ela.

    Se a criança continuar apresentando atraso na fala, pouca comunicação ou dificuldade para interagir, vale buscar uma avaliação médica. Dependendo da situação, poderá ser indicado o acompanhamento com um fonoaudiólogo, neuropediatra ou outro especialista para investigar a causa e iniciar o tratamento o mais cedo possível.

    Leia também: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. Com quantos meses o bebê deve falar as primeiras palavras?

    O espero é que por volta dos 12 meses, o bebê comece a falar as primeiras palavras com significado, como “mama”, “papa” ou “água”.

    2. O uso de telas pode fazer o bebê apresentar sinais semelhantes ao autismo?

    Sim. O isolamento provocado pelas telas pode fazer com que o bebê manifeste comportamentos parecidos com o autismo, como não olhar nos olhos e não responder ao chamado.

    3. Como diferenciar o atraso por telas de um transtorno real?

    Ao fazer um detox digital rigoroso por algumas semanas, a criança com atraso por telas volta a interagir e melhora a comunicação. Se os sintomas persistirem, a causa pode ser neurobiológica.

    4. Quanto tempo leva para ver melhora após tirar as telas?

    A plasticidade cerebral infantil é alta. Em média, após duas a três semanas de corte total das telas e estímulo correto, os pais já notam melhora no contato visual e nos balbucios.

    5. Quando é a hora de procurar um fonoaudiólogo?

    Se o bebê completar 1 ano e meio (18 meses) sem falar nenhuma palavra, sem apontar ou sem fazer contato visual, mesmo após retirar as telas, é fundamental buscar a avaliação de um especialista.

    6. As telas podem causar gagueira em crianças pequenas?

    Não causam a gagueira diretamente, mas o hiperestímulo e a ansiedade gerados pelo ritmo acelerado dos vídeos podem sobrecarregar o cérebro da criança, fazendo com que ela trave ou repita sílabas ao tentar organizar o pensamento para falar.

    7. Se a criança já fala bem, o uso de telas está liberado?

    Não. Mesmo que a fala pareça desenvolvida, o excesso de telas continua agindo no sistema de recompensa do cérebro, podendo gerar sintomas de distúrbio de atenção, impulsividade, agressividade e dificuldade de sociabilização na escola.

    Confira: Comer em frente a telas faz mal? Conheça os riscos e como diminuir o hábito

  • Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Os absorventes internos, também chamados de tampões ou OB, são produtos de higiene menstrual colocados dentro da vagina para absorver o fluxo menstrual antes que ele saia do corpo. Quando usados corretamente, costumam ser seguros, confortáveis e práticos, mas demandam alguns cuidados básicos para evitar problemas de saúde.

    Quando o absorvente é deixado por muito tempo ou colocado sem a higiene adequada, o ambiente vaginal pode se tornar mais favorável à proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções e irritações.

    Em situações mais raras, o uso inadequado também pode favorecer o desenvolvimento da síndrome do choque tóxico (SCT), uma infecção grave causada por toxinas produzidas por determinadas bactérias.

    Afinal, o absorvente interno faz mal?

    O absorvente interno não faz mal para a saúde e é uma opção prática para quem deseja ir à praia, entrar na piscina, praticar esportes ou realizar outras atividades durante a menstruação sem se preocupar com vazamentos.

    Eles são feitos de algodão, rayon (seda artificial) ou uma mistura de ambos, materiais que são purificados e não causam danos ao tecido vaginal. Além disso, o absorvente interno absorve o sangue menstrual dentro do canal vaginal, sem impedir a saída do fluxo ou fazer com que ele fique preso no organismo.

    O que pode fazer mal, na verdade, é o uso incorreto do absorvente. Como o canal vaginal é um ambiente naturalmente úmido, quente e cheio de bactérias saudáveis, qualquer descuido pode desequilibrar a flora natural e favorecer a proliferação de microrganismos nocivos, aumentando o risco de irritações, infecções e, em casos raros, da síndrome do choque tóxico (SCT).

    Riscos do uso incorreto do absorvente interno

    Os principais riscos do uso incorreto do absorvente interno estão relacionados ao tempo excessivo de uso e à falta de higiene durante a colocação e a retirada, sendo eles:

    1. Vaginose bacteriana

    A vagina possui uma microbiota composta principalmente por bactérias do gênero Lactobacillus, que ajudam a manter o pH ácido e protegem a região contra a proliferação de microrganismos nocivos.

    Quando o absorvente interno permanece por muitas horas, principalmente por mais de oito horas, ou é utilizado em dias de fluxo muito leve, o sangue retido e a menor circulação de ar podem favorecer um desequilíbrio dessa flora natural. Como consequência, bactérias como a Gardnerella vaginalis podem se multiplicar, aumentando o risco de vaginose bacteriana.

    Os principais sintomas são corrimento fino, esbranquiçado ou acinzentado, acompanhado de odor forte, semelhante ao de peixe.

    2. Candidíase

    A Candida albicans naturalmente já faz parte da flora vaginal e do trato gastrointestinal de grande parte das mulheres. O fungo reside lá em pequenas quantidades e de forma inofensiva, mas quando há excesso de calor, umidade e alterações na flora vaginal, ele pode se multiplicar além do normal.

    O uso prolongado do absorvente interno, principalmente em dias quentes ou durante atividades físicas, pode contribuir para um ambiente mais favorável ao crescimento do fungo. Os sintomas costumam incluir coceira intensa, vermelhidão na região íntima e corrimento branco e espesso, semelhante ao leite coalhado.

    3. Irritação, ressecamento e pequenas lesões

    Usar um absorvente interno com capacidade de absorção maior do que a necessária para o fluxo menstrual pode deixar a vagina mais ressecada, já que o produto absorve também parte da lubrificação natural da mucosa.

    Quando o absorvente é retirado ainda seco, o atrito pode provocar irritação e pequenas lesões na parede vaginal, causando dor, desconforto e aumentando a vulnerabilidade da região a infecções.

    4. Síndrome do choque tóxico

    A síndrome do choque tóxico (SCT) é uma complicação rara, mas grave, associada principalmente ao uso prolongado do absorvente interno. O risco aumenta quando o produto permanece por mais de oito horas ou quando são utilizados modelos de alta absorção sem necessidade.

    O quadro acontece quando determinadas bactérias, como o Staphylococcus aureus, produzem toxinas que entram na corrente sanguínea e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa em todo o organismo.

    Os sintomas incluem febre alta de início súbito, queda da pressão arterial, tontura, vômitos, diarreia, manchas avermelhadas na pele e confusão mental, precisando de atendimento médico imediato.

    Como usar o absorvente interno no dia a dia?

    Para usar o absorvente interno com liberdade e segurança, basta adotar alguns cuidados simples no dia a dia:

    • Higiene rigorosa: sempre lave as mãos com água e sabão antes e depois de colocar ou retirar o absorvente interno. O hábito recebe o risco de levar bactérias para o canal vaginal e ajuda a prevenir infecções;
    • Respeite o tempo de troca: o ideal é trocar o absorvente interno a cada 4 a 6 horas, de acordo com a intensidade do fluxo menstrual. Em nenhuma situação ele deve permanecer no corpo por mais de 8 horas, pois o uso prolongado aumenta o risco de infecções e da síndrome do choque tóxico;
    • Escolha o tamanho correto: use um absorvente com capacidade de absorção compatível com o fluxo do dia. Nos dias de fluxo leve, prefira os modelos mini ou médio, já que absorventes muito grandes podem retirar parte da lubrificação natural da vagina, causando ressecamento, desconforto e pequenas lesões durante a retirada;
    • Alterne o uso à noite: se houver possibilidade de dormir por mais de 8 horas seguidas, o mais indicado é utilizar um absorvente externo ou uma calcinha absorvente. Dessa forma, você evita ultrapassar o tempo máximo recomendado para o uso do absorvente interno e reduz o risco de complicações.

    Quem não deve usar ou deve evitar?

    Apesar de muito seguro, o uso do absorvente interno deve ser evitado ou feito com orientação médica nas seguintes situações:

    • Mulheres no pós-parto imediato, pois o útero e o colo do útero ainda estão em cicatrização e o risco de infecções é maior;
    • Mulheres que passaram por cirurgias ginecológicas recentes, como cauterização, biópsia do colo do útero ou cirurgia vaginal, até a liberação médica;
    • Mulheres com infecção vaginal em andamento, como candidíase ou vaginose bacteriana, já que o absorvente pode aumentar o desconforto e dificultar a recuperação;
    • Pessoas com alergia aos componentes do absorvente interno, como algodão, rayon ou fragrâncias presentes em algumas versões;
    • Mulheres com dor durante a penetração, causada por condições como vaginismo ou vulvodínia, pois a colocação e a retirada podem ser dolorosas;
    • Mulheres com prolapso uterino avançado, quando a alteração anatômica dificulta o posicionamento correto do absorvente interno.

    Quando ir ao médico?

    Se você apresentar os seguintes sintomas, é importante procurar atendimento médico:

    • Corrimento com odor forte, mudança na cor ou aumento da quantidade, principalmente se vier acompanhado de coceira ou ardor;
    • Coceira intensa, vermelhidão, inchaço ou irritação na região íntima que não melhora em poucos dias;
    • Dor intensa na vagina, na pelve ou durante a retirada do absorvente interno;
    • Dificuldade para retirar o absorvente ou suspeita de que ele tenha ficado retido na vagina;
    • Sangramento diferente do menstrual ou persistente após a retirada do absorvente;
    • Sintomas que continuam ou pioram mesmo após interromper o uso do absorvente interno.

    Se você apresentar febre alta, tontura, queda da pressão, vômitos ou manchas avermelhadas na pele, retire o absorvente e vá ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O absorvente interno pode se perder dentro do corpo?

    Não, a vagina é um canal fechado que termina no colo do útero, cuja abertura é minúscula (passa apenas o sangue e espermatozoides). O absorvente não tem para onde ir ou “subir” para o restante do corpo.

    2. Posso urinar ou evacuar usando o absorvente interno?

    Sim. A uretra (por onde sai a urina), o canal vaginal (onde fica o absorvente) e o ânus são três aberturas completamente diferentes. Você não precisa tirar o produto para ir ao banheiro, apenas afaste a cordinha para o lado para não a sujar.

    3. Posso nadar na piscina ou no mar com ele?

    Sim. O absorvente interno barra a saída do sangue e impede que a água externa entre no canal vaginal em grande quantidade. O ideal é colocar um novo antes de entrar na água e trocá-lo assim que sair do banho de mar ou piscina, pois a cordinha externa fica úmida.

    4. O que acontece se a cordinha arrebentar?

    É extremamente raro a cordinha arrebentar, pois ela é costurada por dentro de todo o miolo do algodão. Caso aconteça, lave bem as mãos, fique de cócoras e faça uma leve força como se fosse evacuar; use o dedo indicador e o polegar em pinça para tentar puxar a base do absorvente. Se não conseguir, vá ao ginecologista.

    5. O absorvente interno pode causar cólica?

    Não. O absorvente fica posicionado no canal vaginal, enquanto a cólica menstrual é causada por contrações do útero. No entanto, se ele for do tamanho errado ou estiver mal posicionado, pode causar um desconforto que se confunde com cólica.

    6. Quantos absorventes internos posso usar por dia?

    Considerando trocas a cada 4 a 6 horas, o normal é utilizar entre 4 a 6 absorventes por dia.

    7. O absorvente interno causa câncer?

    Não. Os materiais utilizados hoje passam por rigorosos testes de segurança e purificação da ANVISA e órgãos internacionais, não contendo substâncias em níveis capazes de causar câncer.

    8. O que fazer se eu esquecer o absorvente interno lá dentro?

    Se perceber o esquecimento, normalmente pelo odor forte que surge após alguns dias, retire-o imediatamente. Lave a região e fique atenta a sinais como febre ou corrimento. Se notar qualquer sintoma estranho ou não conseguir retirá-lo sozinha, consulte um médico imediatamente.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico 

    Sentir o coração acelerar, bater mais forte ou até parecer que está “tremendo” dentro do peito é algo que quase todo mundo já viveu em algum momento. Uma corrida para pegar o ônibus, uma notícia inesperada, um café forte ou até mesmo uma noite mal dormida podem acelerar os batimentos e causar aquela sensação estranha no peito: as palpitações.

    Na maioria dos casos, as palpitações são benignas e passageiras, ligadas a situações de ansiedade ou estresse. Mas se vierem acompanhadas de falta de ar ou dor no peito, podem indicar arritmias e exigem avaliação médica.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, para esclarecer as principais dúvidas sobre o sintoma e quando procurar atendimento médico.

    Afinal, o que são palpitações no coração?

    As palpitações não são uma doença em si, mas um sintoma percebido pela pessoa. Normalmente elas surgem em situações cotidianas, como após atividade física, em momentos de estresse ou até após o consumo de bebidas com cafeína. Nesses casos, o coração apenas responde a um estímulo externo e volta ao normal em seguida.

    As palpitações podem se manifestar de várias maneiras:

    • Coração batendo mais rápido;
    • Coração batendo mais forte;
    • Sensação de vibração na região do peito ou até mesmo no pescoço.

    Segundo a cardiologista Juliana Soares, muitas vezes a sensação é benigna, ou seja, não indica um problema de saúde. “Porém, se a sensação de palpitação vier acompanhada de outros sintomas como falta de ar, tontura, desmaio, dor no peito ou suor frio, ela pode ser decorrente de uma arritmia, sendo necessária avaliação médica imediata”, afirma a especialista.

    O que pode causar palpitação no coração?

    A principal causa das palpitações é a taquicardia sinusal, um aumento normal da frequência cardíaca que ocorre em resposta a estímulos cotidianos. Entre os principais desencadeadores, Juliana aponta:

    • Atividade física;
    • Estresse e ansiedade;
    • Cafeína em excesso;
    • Febre e desidratação.

    Normalmente, os fatores não representam risco, mas podem causar desconforto significativo no dia a dia. Contudo, quando vêm acompanhados de sintomas como falta de ar, dor no peito ou desmaios, é necessário procurar atendimento médico imediato, pois podem indicar quadros mais sérios, como:

    • Arritmias cardíacas: como taquicardia supraventricular, fibrilação atrial ou taquicardia ventricular;
    • Alterações nos minerais do sangue: como potássio e magnésio em níveis anormais;
    • Doenças cardíacas: insuficiência cardíaca, cardiopatias estruturais ou doença arterial coronariana;
    • Outros fatores clínicos: anemia, distúrbios da tireoide ou uso de determinados medicamentos.

    Quando as palpitações são sinais de alerta?

    De acordo com Juliana, os sintomas que exigem atenção imediata são:

    • Falta de ar;
    • Dor, pressão ou desconforto no peito;
    • Suor frio;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Desmaio efetivo;
    • Náusea;
    • Batimentos muito rápidos (acima de 120 batimentos por minuto [bpm] em repouso) ou muito baixos (abaixo de 45 bpm).

    Se o coração disparado vier acompanhado de algum desses sintomas, é importante procurar atendimento médico imediatamente.

    Confira: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Como é feito o diagnóstico das palpitações no coração?

    Quando uma pessoa procura o médico relatando episódios de palpitações, a investigação costuma incluir diferentes exames para entender o que está acontecendo. Os mais solicitados são:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração em repouso;
    • Holter de 24 horas: monitora o ritmo cardíaco durante um dia inteiro, captando alterações que ocorrem ao longo das atividades normais;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e o funcionamento do coração;
    • Teste ergométrico (teste de esforço): analisa o comportamento cardíaco durante atividade física.

    Além disso, os exames de sangue são muito importantes para verificar se há um desequilíbrio de minerais como potássio e magnésio, checar distúrbios hormonais ou identificar condições como anemia, que também podem estar relacionadas às palpitações.

    Como prevenir ou reduzir as palpitações no dia a dia

    Nem sempre é possível evitar as palpitações, contudo, adotar hábitos de vida mais saudáveis ajuda a reduzir os episódios e melhora a saúde do coração como um todo. Veja o que fazer:

    • Evite refeições muito pesadas, principalmente à noite;
    • Beba bastante água para manter-se hidratado;
    • Reduza ou evite o consumo de álcool e cafeína;
    • Durma bem, buscando manter horários regulares;
    • Pratique exercícios físicos regularmente, respeitando seus limites e sob orientação médica;
    • Encontre formas de controlar o estresse, como meditação, respiração profunda, yoga ou caminhadas.

    Leia também: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Ansiedade, estresse e palpitações: qual a relação?

    Primeiro, é importante entender que o coração é sensível ao estado emocional. Em momentos de estresse, ansiedade ou até mesmo após um susto, o corpo libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aceleram os batimentos cardíacos. Isso explica por que tantas pessoas sentem palpitações em dias de nervosismo ou pressão emocional.

    Por outro lado, a própria palpitação pode gerar ansiedade, criando um ciclo vicioso: quanto mais a pessoa se preocupa, mais palpitações sente. Nesse sentido, buscar apoio psicológico, adotar técnicas de relaxamento e praticar atividades que proporcionem prazer e bem-estar são igualmente importantes para manter a qualidade de vida.

    Leia mais: Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra

    Perguntas frequentes sobre palpitações no coração

    1. Quem tem palpitações no coração pode praticar exercícios físicos?

    Sim! A atividade física pode trazer diversos benefícios para o coração e pode ser praticada por pessoas com palpitações — desde que devidamente avaliadas por um médico. A escolha do tipo e da intensidade do treino deve respeitar a condição individual de cada pessoa. Alguns exercícios que costumam ser bem tolerados incluem:

    • Caminhadas leves ou moderadas;
    • Yoga e alongamentos;
    • Musculação em intensidade controlada.

    Durante a prática, é fundamental estar atento a sinais como dor no peito, tontura ou falta de ar. Caso eles surjam, a atividade deve ser interrompida imediatamente e o médico deve ser consultado.

    2. Palpitação é o mesmo que arritmia?

    Não. Palpitação é apenas a sensação do batimento cardíaco alterado, percebida pela própria pessoa. A arritmia, por sua vez, é um diagnóstico médico: significa que há uma alteração real no ritmo do coração.

    Nem toda palpitação corresponde a uma arritmia. Muitas vezes, o coração está batendo normalmente, mas o indivíduo o percebe de forma mais intensa. Apenas exames, como o eletrocardiograma e o Holter de 24h, podem confirmar a presença de arritmia.

    3. Ansiedade pode causar palpitações no coração?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais comuns de palpitações benignas. Em momentos de nervosismo, o corpo libera adrenalina, que acelera os batimentos cardíacos. Isso pode gerar a sensação de coração disparado, mesmo sem uma arritmia real. Técnicas de respiração, meditação e terapia podem ajudar a aliviar os episódios.

    4. Palpitações podem acontecer durante o sono?

    Sim, e isso é relativamente comum. Elas podem ocorrer por ansiedade, apneia do sono, refluxo gastroesofágico, consumo de estimulantes antes de dormir ou até alterações hormonais. Se forem frequentes, atrapalharem o descanso ou vierem acompanhadas de sintomas como falta de ar noturna e despertares súbitos, é fundamental investigar com um médico.

    5. Palpitações são mais comuns em alguma faixa etária?

    As palpitações podem aparecer em qualquer idade. Em jovens, costumam estar ligadas a ansiedade, desidratação ou consumo de bebidas estimulantes, como energéticos. Já em adultos de meia-idade e idosos, a chance de que estejam relacionadas a arritmias e doenças cardíacas é maior.

    Por isso, em pessoas acima dos 40 anos, principalmente com histórico familiar ou fatores de risco cardiovascular, é recomendada avaliação médica mesmo em palpitações aparentemente benignas.

    6. Palpitações no coração podem estar ligadas ao uso de medicamentos?

    Sim. Alguns medicamentos, como broncodilatadores (usados em crises de asma), antidepressivos e alguns remédios para tireoide, podem provocar palpitações como efeito colateral. Se o sintoma surge após iniciar um novo medicamento, é importante relatar ao médico, que poderá ajustar a dose ou substituir o tratamento.

    7. Quem tem palpitações precisa tomar remédio?

    Nem sempre. Muitas vezes, a palpitação não exige tratamento medicamentoso, apenas mudanças de hábitos. O uso de remédios é indicado apenas quando há diagnóstico de arritmia ou outra doença cardíaca. Nesses casos, o médico pode prescrever antiarrítmicos, betabloqueadores ou outros medicamentos específicos.

    8. Existe exame caseiro para identificar palpitações perigosas?

    Não existe um exame caseiro confiável. Algumas pessoas usam relógios inteligentes e pulseiras fitness para monitorar os batimentos, mas os dispositivos não substituem exames médicos. Eles podem ajudar a registrar a frequência cardíaca e mostrar irregularidades, mas apenas o cardiologista poderá interpretar corretamente e indicar o tratamento adequado.

    9. Quando devo marcar consulta com cardiologista por causa de palpitações?

    Sempre que as palpitações forem frequentes, atrapalharem a qualidade de vida ou vierem acompanhadas de sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio. Mesmo sem sintomas associados, se o episódio se repete com frequência ou causa ansiedade, vale marcar uma consulta para investigar e ter tranquilidade sobre a saúde do coração.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

  • Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade? 

    Síndrome do Impostor: eu sou uma fraude ou é apenas ansiedade? 

    Você já recebeu um elogio no trabalho, foi aprovado em uma seleção ou conquistou uma promoção e, mesmo assim, teve a sensação de que não merecia nada daquilo? Em vez de comemorar, algumas pessoas podem acreditar que o sucesso aconteceu por sorte e vivem com medo de que alguém descubra que elas são uma fraude.

    O comportamento, conhecido como síndrome do impostor, pode afetar profissionais, estudantes e até pessoas com anos de experiência na carreira. Como sentimentos parecidos também podem aparecer em quadros de ansiedade ou depressão, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a síndrome não é classificada como uma doença ou um diagnóstico psiquiátrico formal.

    “Ela é um padrão de pensamento, um comportamento muito comum pelo qual as pessoas passam. São pessoas que são boas, mas que têm medo de falhar, apesar de serem muito melhores do que imaginam. Quando esse medo começa a paralisar, atrapalhar o trabalho e gerar sofrimento intenso, pode ser que ele esteja representando um transtorno de ansiedade”, explica o especialista.

    Afinal, o que é a síndrome do impostor?

    A síndrome da impostora é uma desordem psicológica que afeta especialmente mulheres, marcada por uma dificuldade constante de reconhecer o próprio valor e acreditar nas próprias conquistas.

    Mesmo profissionais qualificados costumam sentir que não merecem o sucesso e vivem com medo de que, em algum momento, as pessoas descubram que ela não é tão inteligente, competente ou preparada quanto aparenta.

    No dia a dia, receber elogios, conquistar uma promoção, terminar uma faculdade ou alcançar um objetivo importante não é suficiente para fazer desaparecer o sentimento de que tudo aconteceu por sorte ou por acaso, e não pelo próprio esforço.

    “A pessoa tem capacidade, estudo e resultados, mas sente que chegou até ali por sorte, enganando os outros ou apenas por causa da ajuda de alguém. O problema é que isso pode acabar gerando ansiedade, autocobrança e, muitas vezes, um medo constante de falhar e do que os outros vão pensar. E isso não faz nada bem para a saúde mental”, destaca Luiz.

    A síndrome não não é considerada uma doença mental ou um transtorno psiquiátrico. Ela não consta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) nem na Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde, mas é estudada como um padrão comportamental que pode desencadear ou agravar quadros como ansiedade e depressão.

    É síndrome do impostor ou apenas ansiedade?

    A síndrome do impostor e a ansiedade costumam aparecer juntas, mas não significam a mesma coisa. A ansiedade faz a pessoa viver preocupada com o futuro, imaginando que alguma coisa pode dar errado e provocando sintomas como coração acelerado, tensão muscular, dificuldade para relaxar e sensação constante de preocupação.

    Por outro lado, a síndrome do impostor faz a pessoa duvidar da própria capacidade. Mesmo quando tudo está dando certo, ela acredita que não merece o reconhecimento recebido e tem medo de que os outros descubram uma suposta falta de competência.

    Em muitos casos, quando a pessoa acredita que não é boa o suficiente, a preocupação em errar ou decepcionar os outros aumenta, o que favorece o surgimento de crises de ansiedade.

    Sinais de que você está enfrentando a síndrome do impostor

    A síndrome do impostor costuma aparecer por meio de pensamentos e comportamentos que diminuem a autoconfiança, como:

    1. Perfeccionismo exagerado

    A pessoa cria metas muito difíceis de alcançar e acredita que qualquer pequeno erro significa um grande fracasso. Mesmo quando entrega um bom trabalho e recebe elogios, continua com a sensação de que poderia ter feito mais ou feito melhor. Em vez de comemorar os resultados, o foco fica apenas nos detalhes que poderiam ser diferentes.

    2. Acreditar que tudo aconteceu por sorte

    Depois de conquistar uma promoção, receber um elogio ou concluir um projeto importante, a pessoa costuma acreditar que tudo aconteceu por sorte, coincidência ou porque outras pessoas ajudaram mais do que ela. O próprio esforço, a dedicação e o conhecimento quase nunca são reconhecidos, como se o sucesso nunca fosse realmente merecido.

    3. Medo constante de ser “descoberto”

    Existe um receio permanente de que colegas, professores, chefes ou familiares percebam uma suposta falta de capacidade. Para tentar evitar a situação, é comum trabalhar ou estudar muito mais do que o necessário, revisar tarefas várias vezes e viver com a sensação de que precisam provar o tempo todo que não são uma fraude.

    4. Comparação com os outros

    Quem enfrenta a síndrome do impostor costuma olhar apenas para as qualidades e conquistas das outras pessoas, enquanto enxerga somente os próprios defeitos e dificuldades. Consequentemente, surge a impressão de estar sempre atrás dos demais, mesmo quando existem bons resultados, elogios e reconhecimento pelo trabalho realizado.

    Como lidar com o sentimento de ser uma fraude?

    Lidar com a síndrome do impostor não acontece de um dia para o outro, mas pequenas mudanças de hábito ajudam a diminuir a autocrítica e a desenvolver mais confiança nas próprias capacidades, como:

    • Anote as suas conquistas: faça uma lista com projetos concluídos, metas alcançadas, elogios recebidos e desafios que você conseguiu superar. Sempre que a dúvida aparecer, releia para se lembrar que os resultados foram conquistados com esforço e dedicação;
    • Aprenda a aceitar elogios: quando alguém reconhecer o seu trabalho, procure apenas agradecer. Evite responder que foi sorte ou diminuir a importância do que você fez;
    • Converse sobre o que está sentindo: compartilhar a insegurança com amigos, familiares ou colegas de confiança ajuda a perceber que muitas pessoas também passam pela mesma situação;
    • Aceite que errar faz parte do aprendizado: ninguém sabe tudo o tempo todo. Cometer erros ou ter dúvidas não significa falta de capacidade, mas faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento;

    Com o tempo e a prática, as atitudes ajudam a reduzir as cobranças internas e permitem que você reconheça as próprias conquistas de uma forma mais realista.

    Quando procurar ajuda de um psicólogo?

    Vale procurar ajuda psicológica quando o medo de falhar ou de não ser bom o suficiente provoca sofrimento, aumenta a ansiedade, prejudica o sono, afeta a autoestima ou interfere no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

    É normal sentir insegurança ao começar um novo emprego ou enfrentar um desafio diferente, mas o sentimento não pode fazer parte da rotina e impedir a pessoa de aproveitar oportunidades ou reconhecer as próprias conquistas.

    A psicoterapia, principalmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ajuda a identificar os pensamentos negativos que alimentam a síndrome do impostor e ensina formas mais equilibradas de enxergar as próprias capacidades, permitindo que a pessoa desenvolva mais confiança e segurança ao longo do tempo.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome do impostor tem cura?

    Como não é uma doença, não existe uma cura. Com psicoterapia e mudanças na forma de pensar, é possível reduzir a autocrítica e superar o sentimento ao longo do tempo.

    2. Como diferenciar a síndrome do impostor de uma incompetência real?

    Quem tem a síndrome do impostor costuma apresentar bons resultados, receber elogios e cumprir suas responsabilidades, mas ainda assim acredita que não é capaz. A sensação de incompetência não corresponde à realidade.

    3. Homens também têm a síndrome do impostor?

    Sim, homens e mulheres podem desenvolver a síndrome do impostor. A diferença é que muitos homens costumam falar menos sobre o assunto e demoram mais para buscar ajuda.

    4. A síndrome do impostor pode causar depressão?

    Sim. A autocobrança excessiva, o medo constante de falhar e o esgotamento mental gerados pelo fenômeno podem, com o tempo, desencadear episódios de depressão e transtornos de ansiedade mais graves.

    5. Como as redes sociais influenciam esse problema?

    As redes sociais pioram o sentimento de impostor porque estimulam a comparação constante. O usuário tende a comparar a sua rotina real, cheia de falhas e cansaço, com os recortes perfeitos e de sucesso absoluto postados pelos outros.

    6. O que é autossabotagem e como ela se relaciona com a síndrome?

    A autossabotagem acontece quando a própria pessoa adota comportamentos que prejudicam os seus resultados, como procrastinar, evitar desafios ou desistir de oportunidades por acreditar que não será capaz.

    7. O que fazer na hora em que o pensamento de “sou uma fraude” surgir?

    Pare por alguns minutos e pergunte a si mesmo quais são as provas reais de que esse pensamento é verdadeiro. Na maioria das vezes, a resposta estará baseada no medo e na insegurança, e não nos fatos ou nas suas conquistas.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os riscos de usar sapato alto no escritório todos os dias

    Os sapatos de salto alto são considerados itens elegantes e necessários para o dia a dia de trabalho no escritório, mas, apesar de ajudarem a transmitir uma imagem mais formal, podem afetar a saúde de diferentes maneiras quando usados por muitas horas seguidas.

    A sobrecarga sobre os pés, a alteração da postura natural e o esforço extra exigido de músculos e articulações aumentam o risco de dores nos pés, tornozelos, joelhos, quadris e coluna.

    Com o passar das horas, o peso do corpo fica concentrado principalmente na parte da frente dos pés, obrigando tendões, ligamentos e músculos a trabalharem além do habitual para manter o equilíbrio.

    Além do desconforto que costuma aparecer no fim do expediente, o uso frequente de calçados inadequados pode favorecer o surgimento ou o agravamento de problemas ortopédicos, principalmente quando não há pausas ou alternância com modelos mais confortáveis.

    O que acontece com o corpo ao calçar o salto alto?

    Ao calçar um salto alto, o corpo passa por uma mudança imediata no alinhamento natural, já que o calcanhar elevado projeta o peso do tronco para a frente. O centro de gravidade se desloca, obrigando os joelhos e a coluna lombar a compensarem o desequilíbrio por meio de uma inclinação que aumenta a sobrecarga sobre as articulações.

    A musculatura das panturrilhas permanece contraída durante todo o período de uso, e a dificuldade de relaxamento da região reduz a eficiência do retorno do sangue ao coração. Ao mesmo tempo, a pressão sobre a parte da frente dos pés aumenta de forma significativa, concentrando o impacto da caminhada sobre os ossos metatarsais e os dedos.

    Quando você fica com o salto alto por muitas horas e com frequência, a forma de caminhar muda, os tendões ficam mais rígidos e aumenta o risco de problemas nos pés.

    Principais problemas causados pelo uso de sapatos desconfortáveis no trabalho

    A compressão constante e a distribuição desigual do peso favorecem o surgimento de lesões que, quando não recebem atenção, podem evoluir de incômodos ocasionais para problemas crônicos.

    1. Joanetes e calosidades

    A pressão contínua exercida pelas laterais e pelos bicos estreitos dos sapatos favorece o desvio do osso do dedão do pé, formando o joanete. O atrito repetitivo também estimula o espessamento da pele, levando ao aparecimento de calos.

    2. Dores na coluna lombar e nos joelhos

    A mudança na postura faz com que a musculatura das costas e as articulações dos joelhos trabalhem com uma sobrecarga constante para manter o equilíbrio. Ao longo do tempo, a situação aumenta o risco de inflamações, dores persistentes e desgaste das cartilagens.

    3. Encurtamento do tendão de Aquiles

    O hábito de manter o calcanhar elevado durante muitas horas favorece a adaptação dos músculos da panturrilha e do tendão de Aquiles a um comprimento menor. Depois, caminhar descalço ou usar calçados baixos pode provocar dor e dificuldade para movimentar os pés.

    4. Fascite plantar

    A falta de suporte adequado para o arco dos pés aumenta a sobrecarga sobre a fáscia plantar, tecido que reveste a sola do pé. A inflamação costuma provocar uma dor intensa, principalmente nos primeiros passos do dia.

    5. Problemas na circulação sanguínea

    Os sapatos rígidos ou muito apertados dificultam a movimentação natural dos pés e reduzem a ação da panturrilha, que funciona como uma bomba para impulsionar o sangue de volta ao coração. A circulação fica menos eficiente, favorecendo o inchaço, a sensação de peso nas pernas, o cansaço e o desenvolvimento de varizes.

    Como escolher o sapato ideal para o ambiente de trabalho?

    Como muitas pessoas passam várias horas em pé ou caminhando ao longo do dia, o modelo escolhido deve proporcionar estabilidade, conforto e boa distribuição do peso corporal. Veja algumas dicas para escolher o sapato ideal para você:

    • Prefira modelos com bom suporte para os pés: um calçado que sustenta corretamente o arco plantar ajuda a distribuir melhor o peso do corpo e reduz a sobrecarga sobre pés, tornozelos, joelhos e coluna;
    • Escolha um salto de altura moderada: quando o ambiente de trabalho exige um visual mais formal, vale optar por saltos baixos ou médios, geralmente entre 2 e 3 centímetros, que oferecem mais estabilidade e exigem menos esforço das articulações;
    • Evite bicos muito estreitos: sapatos que comprimem os dedos aumentam o risco de joanetes, calos, unhas encravadas e outras deformidades ao longo do tempo. O ideal é que os dedos consigam se movimentar livremente dentro do calçado;
    • Dê preferência a materiais flexíveis e respiráveis: couro macio, tecidos tecnológicos e outros materiais que permitem a ventilação ajudam a reduzir o atrito, o excesso de suor e o desconforto durante o expediente;
    • Observe a sola do calçado: solas com amortecimento e boa aderência absorvem parte do impacto da caminhada, oferecem mais estabilidade e diminuem o risco de escorregões;
    • Alterne os calçados ao longo da semana: usar sempre o mesmo sapato faz com que a pressão recaia repetidamente sobre as mesmas regiões dos pés. Variar os modelos ajuda a reduzir a sobrecarga e aumenta a durabilidade dos calçados.

    Por fim, quando você estiver provando um sapato na loja, considere o conforto dele desde o primeiro uso. Um calçado não deve machucar com a expectativa de que ficará mais confortável após alguns usos. Se o desconforto já aparece durante a prova, é muito provável que ele permaneça ao longo da rotina de trabalho.

    Dicas para aliviar os pés após um dia cansativo

    Se você chegou do trabalho com os pés doloridos, inchados e cansados, alguns cuidados simples podem aliviar o desconforto e ajudar na recuperação da musculatura e das articulações, como:

    • Fazer um escalda-pés com água morna por cerca de 15 minutos para aliviar o inchaço e relaxar a musculatura;
    • Descansar com as pernas elevadas por aproximadamente 20 minutos para facilitar a circulação sanguínea e reduzir a sensação de peso;
    • Massagear a sola dos pés com movimentos circulares, usando um creme hidratante ou óleo corporal para diminuir a tensão muscular;
    • Rolar uma bola de tênis ou uma garrafa de água congelada sob a sola dos pés para aliviar a dor e alongar a fáscia plantar;
    • Alongar as panturrilhas diariamente para relaxar os músculos e reduzir a tensão provocada pelo uso prolongado do calçado.

    Se as dores, o inchaço ou a dificuldade para caminhar se tornarem frequentes, mesmo após o descanso, vale procurar um ortopedista ou um especialista em pé e tornozelo para identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a altura de salto considerada saudável para o dia a dia?

    A altura recomendada pelos ortopedistas para o uso diário é de até três centímetros. A elevação mínima oferece um suporte confortável para o arco do pé e não sobrecarrega os joelhos.

    2. Por que sinto dor na sola do pé ao usar sapatilhas muito rasteiras?

    As sapatilhas totalmente planas oferecem pouco amortecimento e sustentação para o arco dos pés, aumentando o risco de fascite plantar.

    3. O que causa a sensação de pernas pesadas no final do expediente?

    Ficar muito tempo em pé ou sentado dificulta o retorno do sangue ao coração, favorecendo inchaço e cansaço nas pernas.

    4. O uso de salto grosso é melhor do que o de salto agulha?

    Sim. O salto grosso distribui melhor o peso do corpo, oferece mais estabilidade e reduz o risco de quedas.

    5. O que é o encurtamento do tendão de Aquiles?

    O encurtamento é a perda de elasticidade do tendão da panturrilha provocada pela permanência prolongada do calcanhar em posição elevada. A condição faz com que a pessoa sinta dores ao andar descalça.

    6. O uso de sapatos apertados pode encravar as unhas?

    Sim. A pressão sobre os dedos favorece o crescimento da unha contra a pele, provocando dor e inflamação.

    7. Passar o dia sentada diminui os danos do salto alto?

    A posição sentada reduz o peso direto sobre os pés, mas mantém os músculos da panturrilha encurtados e prejudica a circulação.

    Confira: 5 sinais de que sua dor nas costas não é normal e pode ser hérnia de disco