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  • Tipos de muco cervical: saiba o que cada aspecto da secreção vaginal significa

    Tipos de muco cervical: saiba o que cada aspecto da secreção vaginal significa

    Ao longo do ciclo menstrual, é normal que a secreção vaginal mude de aparência, textura e quantidade. As alterações acontecem por causa das oscilações hormonais e ajudam a preparar o organismo para uma possível gravidez, mas podem causar dúvidas quando você não conhece o que é esperado em cada fase do ciclo.

    O muco cervical, produzido pelo colo do útero, apresenta variações naturais, podendo ser mais espesso e esbranquiçado ou transparente, elástico e escorregadio — característica que normalmente indica o período fértil. Além de contribuir para a proteção da região íntima, ele facilita ou dificulta a passagem dos espermatozoides para o útero, dependendo da fase do ciclo.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar quais são os principais tipos de secreção vaginal, o que cada um representa e quais mudanças são consideradas normais ao longo do mês.

    O que é o muco cervical?

    O muco cervical é uma secreção natural e saudável produzida pelas glândulas localizadas no colo do útero. A substância fica dentro do canal cervical, que liga a vagina ao útero, e muda de aspecto ao longo do ciclo menstrual de acordo com as variações hormonais.

    De acordo com Andreia, para entender a função da secreção, imagine o útero como uma pêra de cabeça para baixo. A parte mais larga corresponde ao corpo do útero, enquanto a parte mais estreita é o colo do útero, que faz a ligação entre o útero e a vagina. No interior do colo existe um pequeno canal por onde passam tanto o sangue da menstruação quanto os espermatozoides.

    Fora do período da menstruação, o canal permanece preenchido pelo muco cervical, que apresenta duas funções importantes para o organismo feminino.

    A primeira é proteger o útero contra bactérias, vírus e outros microrganismos presentes naturalmente na vagina, funcionando como uma barreira física e imunológica. A segunda é favorecer a gravidez durante o período fértil, já que, nessa fase, o muco muda de consistência para facilitar a passagem e aumentar a sobrevivência dos espermatozoides.

    Como o muco cervical muda ao longo do ciclo menstrual?

    O aspecto, a quantidade e a textura do muco cervical mudam naturalmente ao longo do mês. As alterações acontecem porque os hormônios femininos, principalmente o estrogênio e a progesterona, variam durante o ciclo menstrual.

    Muco na fase folicular (após a menstruação)

    Depois que a menstruação termina, o organismo entra na chamada fase folicular, em que os níveis de estrogênio começam a aumentar aos poucos e estimulam a produção do muco cervical.

    Nos primeiros dias ele costuma ser mais discreto, espesso ou até quase imperceptível, mas, conforme a ovulação se aproxima, vai ficando mais úmido, transparente e elástico.

    Muco tipo “clara de ovo” durante a ovulação

    Quando o período fértil chega, o estrogênio atinge seu pico e provoca a mudança mais conhecida do muco cervical. Ele fica abundante, transparente, escorregadio e muito elástico, lembrando a consistência da clara de ovo crua. Se a mulher colocar um pouco da secreção entre os dedos, ela consegue formar um fio que se estica sem romper facilmente.

    Segundo Andreia, é o principal sinal de que a ovulação está próxima ou acabou de acontecer. O muco cria um ambiente favorável para proteger os espermatozoides e ajudá-los a chegar até o óvulo.

    Muco na fase lútea (após a ovulação)

    Depois da ovulação, o organismo passa a produzir mais progesterona, hormônio que faz o muco mudar completamente de aspecto. Ele se torna mais espesso, pegajoso, opaco e pode adquirir uma coloração branca ou levemente amarelada.

    A função do muco deixa de ser facilitar a passagem dos espermatozoides e passa a formar uma barreira de proteção no colo do útero, já que a ovulação terminou e não há mais necessidade de favorecer uma fecundação.

    Como diferenciar o muco cervical do corrimento?

    Segundo Andreia, a diferença entre o muco cervical e o corrimento nem sempre pode ser feita apenas pela aparência da secreção, sendo necessária uma avaliação ginecológica.

    Durante o exame com o espéculo, o médico consegue identificar se a secreção está sendo produzida pelas paredes da vagina ou se está saindo diretamente do colo do útero.

    Quando a alteração tem origem no colo uterino, ela recebe o nome de cervicite, uma inflamação normalmente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como:

    • Clamídia: costuma evoluir de forma silenciosa, sem dor ou sintomas evidentes, e pode permanecer sem diagnóstico por muito tempo. Se não for tratada, a bactéria pode atingir as trompas e aumentar o risco de infertilidade;
    • Gonorreia: provoca sintomas mais intensos, sendo comum surgir uma secreção amarelada ou esverdeada, semelhante a pus, além de dor na parte inferior do abdômen, sangramentos fora do período menstrual e aumento da dor durante a menstruação.

    Sempre que a secreção apresentar mudanças importantes de cor, cheiro ou consistência, vier acompanhada de dor, coceira, ardor, sangramento fora do período menstrual ou dor durante as relações sexuais, é importante procurar um ginecologista.

    O que pode alterar o aspecto do muco cervical?

    Para que o muco apresente as mudanças normais do ciclo menstrual, é necessário que os níveis de estrogênio e progesterona variem naturalmente ao longo do mês. Sempre que a oscilação hormonal deixa de acontecer, o aspecto do muco também muda, o que pode ocorrer em três situações:

    Uso de anticoncepcionais hormonais

    As pílulas, injeções, implantes e os anéis vaginais impedem a ovulação e mantém os hormônios em níveis mais estáveis. Como consequência, o muco permanece espesso durante todo o ciclo, dificultando a passagem dos espermatozoides e contribuindo para o efeito contraceptivo.

    Amamentação

    Durante o período de amamentação, o organismo produz grandes quantidades de prolactina, hormônio responsável pela produção do leite. A substância reduz a atividade dos ovários e interfere na produção de estrogênio, fazendo com que o muco permaneça com aspecto não fértil.

    Menopausa

    Na menopausa, a produção de estrogênio diminui de forma significativa, de modo que o muco cervical perde elasticidade, fica mais escasso e muitas mulheres também percebem uma redução da lubrificação vaginal.

    Como observar o muco cervical no dia a dia?

    Segundo Andreia, não é preciso decorar todas as classificações usadas por aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual. Na prática, basta identificar dois tipos principais de muco:

    • O muco fértil é transparente, escorregadio, elástico e tem uma aparência semelhante à clara de ovo. O aspecto indica que a mulher está no período fértil ou muito próxima da ovulação;
    • Já o muco não fértil costuma ser mais espesso, pastoso, esbranquiçado ou levemente amarelado e se rompe facilmente quando é esticado entre os dedos.

    Para observar as mudanças, basta prestar atenção à secreção que aparece no papel higiênico após urinar, na calcinha ou na entrada da vagina, sempre com as mãos limpas.

    O acompanhamento ajuda a conhecer melhor o próprio ciclo menstrual, mas não substitui a avaliação do ginecologista caso a secreção apresente mau cheiro, provoque dor, coceira ou outros sintomas incomuns.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

    Perguntas frequentes

    1. O muco cervical pode ser considerado menstruação atrasada?

    Não, o muco cervical é apenas uma secreção hormonal. O atraso menstrual é a ausência de descamação do endométrio, o que pode indicar gravidez, estresse ou desequilíbrio hormonal, mas uma coisa não substitui a outra.

    2. Qual a diferença entre muco cervical e lubrificação íntima?

    O muco cervical é produzido de forma contínua pelo colo do útero sob controle dos hormônios do ciclo. Já a lubrificação íntima é uma reação física momentânea à excitação sexual, produzida por glândulas na entrada da vagina (glândulas de Bartholin).

    3. Quanto tempo dura o muco clara de ovo no período fértil?

    Normalmente, ele dura de 2 a 5 dias. O último dia em que você nota esse muco com aspecto mais elástico e escorregadio costuma ser o dia mais próximo da ovulação.

    4. O muco cervical pode ficar preso no útero?

    Não, o muco é produzido para ser expelido continuamente. Ele desce naturalmente pelo canal vaginal devido à gravidade e aos movimentos naturais do corpo no dia a dia.

    5. É normal ter muco cervical mesmo após a laqueadura?

    Sim, a laqueadura apenas obstrui as tubas uterinas para evitar o encontro do óvulo com o espermatozoide. Os ovários continuam funcionando normalmente e produzindo os hormônios que controlam as fases e o aspecto do muco.

    6. O muco cervical tem cheiro forte?

    Não, o muco cervical saudável, independentemente da fase do ciclo, tem um odor neutro ou levemente ácido, típico da região íntima. A presença de cheiros fortes, azedos ou semelhantes a peixe indicam infecções vaginais, como a vaginose bacteriana.

    7. Por que sinto uma sensação de “vagina molhada” mesmo sem ver muco?

    A sensação de umidade ocorre devido ao aumento de água e fluxo sanguíneo na região pélvica durante o período fértil. O muco pode estar tão líquido e aquoso nessa fase que escorre rapidamente, sem deixar resíduos visíveis ou consistentes na calcinha.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Pode tomar antibiótico com leite, café ou suco? Veja erros que podem comprometer o tratamento

    Pode tomar antibiótico com leite, café ou suco? Veja erros que podem comprometer o tratamento

    Receber uma prescrição de antibiótico costuma gerar muitas dúvidas. Uma das mais comuns é se o medicamento pode ser tomado com leite, café, suco ou outras bebidas. A resposta depende do antibiótico utilizado.

    Muitos podem ser administrados sem grandes restrições, mas alguns medicamentos têm sua absorção reduzida por determinados alimentos e bebidas, o que pode comprometer a eficácia do tratamento. É por isso que saber como tomar o antibiótico corretamente é tão importante quanto utilizá-lo pelo tempo prescrito.

    A água continua sendo a melhor opção

    De maneira geral, a forma mais segura de tomar um antibiótico é com um copo cheio de água.

    A água:

    • Não interfere na absorção da maioria dos medicamentos;
    • Facilita a passagem do comprimido pelo esôfago;
    • Reduz o risco de irritação da mucosa;
    • Ajuda o comprimido a chegar rapidamente ao estômago.

    Sempre que a bula ou o médico não orientarem de forma diferente, essa costuma ser a melhor escolha.

    Pode tomar antibiótico com leite?

    Depende do antibiótico. Alguns medicamentos, principalmente do grupo das tetraciclinas, como a doxiciclina e a tetraciclina, e algumas fluoroquinolonas, como a ciprofloxacina e a levofloxacina, podem se ligar ao cálcio presente no leite e em outros derivados.

    Quando isso acontece:

    • Parte do medicamento deixa de ser absorvida;
    • A quantidade que chega à corrente sanguínea diminui;
    • O tratamento pode perder eficácia.

    Por esse motivo, esses antibióticos devem ser administrados com um intervalo em relação ao consumo de leite e derivados, conforme orientação da bula ou do profissional de saúde.

    Por outro lado, muitos outros antibióticos, como amoxicilina, amoxicilina com clavulanato, cefalexina e diversos outros, não sofrem interferência clinicamente relevante do leite.

    E com suco?

    Na maioria das vezes, não há problema em tomar antibióticos com sucos comuns. No entanto, algumas bebidas merecem atenção.

    O suco de grapefruit, também chamado de toranja, pode alterar o metabolismo de diversos medicamentos ao interferir em enzimas presentes no fígado e no intestino.

    Embora essa interação seja mais conhecida com outras classes de medicamentos, ela também pode ocorrer com alguns antibióticos específicos.

    Como regra prática, em caso de dúvida, prefira sempre utilizar água.

    Café interfere?

    O café não costuma reduzir a absorção da maioria dos antibióticos. Entretanto, alguns antibióticos da classe das quinolonas podem diminuir a eliminação da cafeína pelo organismo.

    Nesses casos, a pessoa pode apresentar:

    • Agitação;
    • Tremores;
    • Palpitações;
    • Insônia.

    Quem utiliza esses antibióticos pode precisar reduzir temporariamente o consumo de café, energéticos e outras bebidas que contenham cafeína.

    Pode tomar antibiótico com refrigerante?

    Não é a melhor opção. Mesmo que a maioria dos refrigerantes não altere diretamente a absorção do medicamento, eles podem:

    • Irritar o estômago em algumas pessoas;
    • Favorecer desconforto gastrointestinal;
    • Não oferecer nenhuma vantagem em relação à água.

    Por isso, recomenda-se evitá-los no momento da administração do antibiótico.

    E bebidas alcoólicas?

    Essa é uma das dúvidas mais frequentes. A relação entre antibióticos e álcool depende do medicamento utilizado.

    Alguns antibióticos apresentam interação importante

    Medicamentos como metronidazol e tinidazol podem provocar uma reação semelhante ao efeito do dissulfiram quando associados ao consumo de álcool.

    Podem surgir sintomas como:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Rubor no rosto;
    • Dor de cabeça;
    • Queda da pressão arterial;
    • Palpitações.

    Nesses casos, o álcool deve ser evitado durante todo o tratamento e também por um período após o término, conforme orientação da bula.

    E os demais antibióticos?

    Para a maioria dos antibióticos, pequenas quantidades de álcool não causam uma interação direta importante. Ainda assim, o consumo de bebidas alcoólicas pode:

    • Aumentar efeitos colaterais, como náuseas e tontura;
    • Favorecer a desidratação;
    • Prejudicar o descanso necessário durante uma infecção;
    • Reduzir a adesão ao tratamento.

    Por isso, durante um processo infeccioso, costuma ser recomendado evitar bebidas alcoólicas.

    É melhor tomar antes ou depois das refeições?

    Isso varia conforme o medicamento. Alguns antibióticos apresentam melhor absorção quando administrados em jejum. Outros podem ser tomados junto com alimentos para reduzir a irritação no estômago.

    Por isso, a recomendação da bula e do médico deve ser seguida para cada antibiótico específico.

    Posso partir ou triturar o comprimido?

    Nem sempre. Alguns comprimidos têm:

    • Revestimento especial;
    • Liberação prolongada;
    • Formulações que não devem ser trituradas.

    Caso exista dificuldade para engolir o medicamento, converse com o médico ou o farmacêutico sobre apresentações líquidas ou outras alternativas.

    O que acontece se eu esquecer uma dose?

    A orientação depende do intervalo entre as doses e do tempo decorrido.

    Em geral:

    • Tome a dose esquecida assim que lembrar;
    • Se estiver muito próximo do horário da próxima dose, siga apenas o esquema habitual;
    • Não tome duas doses ao mesmo tempo para compensar a dose esquecida.

    Em caso de dúvida, siga as orientações da bula ou entre em contato com o profissional de saúde.

    Por que é importante completar o tratamento?

    Mesmo que os sintomas desapareçam antes do previsto, o tratamento deve ser realizado pelo tempo indicado pelo médico. Interromper o uso do antibiótico antes da hora pode:

    • Favorecer a persistência da infecção;
    • Aumentar o risco de recorrência;
    • Contribuir para o desenvolvimento da resistência bacteriana.

    Quando conversar com o médico ou farmacêutico?

    Procure orientação se você:

    • Usa vários medicamentos ao mesmo tempo;
    • Tem dificuldade para engolir comprimidos;
    • Não sabe se pode tomar o antibiótico com alimentos;
    • Apresenta vômitos logo após a administração;
    • Desenvolve efeitos colaterais importantes durante o tratamento.

    Leia também: Alergia à penicilina: quais antibióticos podem substituir?

    Perguntas frequentes sobre como tomar antibióticos

    1. Qual é a melhor bebida para tomar um antibiótico?

    Na maioria dos casos, a água é a melhor opção.

    2. Posso tomar antibiótico com leite?

    Depende. Alguns antibióticos, como as tetraciclinas e algumas fluoroquinolonas, têm sua absorção reduzida pelo cálcio presente no leite.

    3. Posso tomar com suco?

    Na maioria dos casos, sim. No entanto, é preferível utilizar água, e o suco de grapefruit deve ser evitado com alguns medicamentos devido ao risco de interação.

    4. Café interfere no antibiótico?

    Em geral, não. Porém, algumas quinolonas podem aumentar os efeitos da cafeína no organismo.

    5. Posso consumir bebidas alcoólicas durante o tratamento?

    O ideal é evitar. Alguns antibióticos, como metronidazol e tinidazol, apresentam interação importante com o álcool.

    6. Posso interromper o antibiótico quando me sentir melhor?

    Não. O tratamento deve ser concluído conforme a prescrição médica, mesmo que os sintomas desapareçam antes.

    7. Quem pode esclarecer dúvidas sobre a forma correta de tomar o antibiótico?

    O médico e o farmacêutico são os profissionais mais indicados para orientar sobre horários, alimentação, possíveis interações e a maneira correta de utilizar cada medicamento.

    Veja também: Antibiótico cura gripe? Cardiologista aponta os riscos do uso sem necessidade

  • Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Como controlar pressão alta com mudanças no estilo de vida

    Você provavelmente já ouviu que comer bem ajuda a controlar a pressão alta. Mas o que talvez nem todo mundo saiba é que o estilo de vida pode fazer uma grande diferença no controle da pressão. E mais: em alguns casos, essas mudanças já são uma maneira de como baixar a pressão naturalmente sem precisar de remédio.

    Segundo o Ministério da Saúde, 27,9% dos brasileiros convivem com pressão alta, também conhecida como hipertensão arterial. E o problema é que, na maioria das vezes, ela não dá nenhum sinal que te faça desconfiar de que algo está errado. É aquela velha história da doença silenciosa que pode passar anos sem sintomas e, de repente, causar algo mais sério como um infarto ou um AVC.

    Mas não dá para se render, pois hoje já sabemos que tem como prevenir e controlar a pressão alta. O bom é que não precisa de nada muito difícil de fazer, só um pouco de disposição e mudanças no dia a dia.

    Por que o estilo de vida afeta a pressão arterial

    O estilo de vida está ligado à pressão alta. Dormir mal, comer alimentos industrializados em vez de frutas, verduras e carnes magras, se estressar, além de não fazer nenhuma atividade física, são atitudes péssimas para a pressão arterial. Isso acontece porque esses hábitos ruins fazem o corpo trabalhar de forma desregulada, o que sobrecarrega o organismo.

    Com o tempo, isso eleva a pressão arterial e pode causar problemas sérios. É por isso que mudar hábitos é uma das formas mais eficazes para cuidar da saúde e controlar a pressão.

    Exercícios físicos para controlar a pressão alta

    O exercício para pressão alta deve ser considerado, com a orientação médica. O sedentarismo é um grande inimigo da saúde, e ficar parado o dia inteiro, só no sofá ou na frente do computador, não ajuda em nada quem tem pressão alta. Fazer atividade física diariamente de maneira leve ou moderada, como caminhada, dança ou até uma musculação leve, já é uma mão na roda no controle da pressão. De quebra, ainda melhora o humor, o sono e a disposição.

    Essas atividades aumentam a circulação, ajudam o coração a trabalhar melhor e reduzem os níveis de estresse, tudo o que a pressão alta não gosta.

    A importância do sono para a pressão arterial

    Quem dorme mal também tem mais chance de ter pressão alta. E, ao contrário do que muita gente pensa, de que tirar no cochilo depois de dormir mal à noite já é o suficiente, o corpo não funciona bem assim. Ter um sono ruim, insuficiente ou dormir de forma irregular pode aumentar a pressão arterial. O ideal é dormir de sete a oito horas por noite e com qualidade.

    Para ter um sono reparador, é importante criar um ambiente tranquilo, sem muita luz ou barulho, e manter uma rotina de horários para dormir e acordar.

    Como o estresse aumenta a pressão arterial

    Não adianta muito dormir bem, mas já acordar nervoso, correndo contra o relógio ou preocupado com tudo. Nesses casos, o estresse também pode empurrar a pressão lá para o alto.

    Cuidar do estilo de vida, portanto, é uma das melhores coisas a fazer para prevenir e controlar a pressão arterial. Parar um pouco durante o dia, aprender a respirar com calma, tirar um tempinho para fazer algo que gosta, como ouvir uma música, ler um bom livro ou cozinhar, por exemplo, pode ajudar a aliviar a mente e diminuir o estresse para evitar a pressão alta. Em outras palavras, controlar o estresse é uma das formas de como baixar a pressão naturalmente.

    “Essas medidas complementam a dieta e potencializam seus efeitos benéficos, promovendo melhor qualidade de vida”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo, do Instituto do Coração da USP (InCor).

    Mudanças no estilo de vida podem substituir remédios?

    De acordo com o cardiologista, em muitos casos de hipertensão leve, só as mudanças no estilo de vida já são suficientes para normalizar a pressão.

    “Em estágios mais avançados, essas mudanças ainda são fundamentais para reduzir riscos e melhorar o efeito da terapia farmacológica”, destaca o cardiologista.

    Ou seja: mesmo quem já precisa de remédio pode se beneficiar muito de uma rotina mais saudável. E, com o tempo, pode até reduzir a dose, mas sempre com orientação médica.

    Leia mais: Dieta mediterrânea para pressão alta: como funciona

    Plano prático para mudanças graduais no estilo de vida

    Não adianta decidir mudar de vida e sair fazendo tudo de uma vez. A chance de dar errado é grande, afinal, nem todas as pessoas lidam bem com mudanças bruscas. O caminho, então, está na constância e no planejamento.

    Como organizar a alimentação

    Comece organizando o seu tempo, pois é a partir dele que todas as outras mudanças vão acontecer. É mais fácil comer bem quando se tem um tempo reservado para fazer compras saudáveis no mercado e preparar as refeições em casa já com pouco sal, mesmo que isso envolva cozinhar em maior quantidade e congelar marmitas para o resto da semana. Se um nutricionista puder ajudar, melhor ainda.

    “Valorizar os alimentos naturais, redescobrir temperos caseiros e adaptar o paladar gradualmente também facilita a adesão a um padrão alimentar mais saudável e sustentável para o controle da hipertensão”, completa o médico.

    Rotina de sono para quem tem pressão alta

    Depois de organizar a alimentação, é hora de organizar o sono. Procure dormir e acordar sempre no mesmo horário, e evite ficar no celular ou na TV pelo menos 1 hora antes de dormir. A luz emitida por esses aparelhos atrapalha a produção do hormônio do sono, a melatonina, e não te deixa repousar bem.

    Atividades físicas simples para começar

    Por fim, com o sono organizado, procure fazer atividade física. Se não tiver acesso a uma academia, por exemplo, faça caminhadas na rua, suba e desça escadas, jogue bola com seu filho, ande de bicicleta. O importante é não ficar parado.

    Dicas para manter as mudanças a longo prazo

    Não precisa virar atleta nem fazer dieta radical. Comece aos poucos, com passos possíveis, e o corpo vai agradecendo com mais saúde e disposição. E, sem dúvida, meça sua pressão com regularidade e siga todo e qualquer tratamento recomendado pelo médico. Mudanças no estilo de vida podem, sim, ajudar a controlar a pressão arterial.

    Confira: Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco

    Perguntas frequentes sobre estilo de vida e pressão alta

    Posso parar o remédio se controlar a pressão com exercícios?

    Não. Mesmo que a pressão melhore, nunca suspenda o uso de remédios por conta própria. Essa decisão deve ser tomada pelo médico, que vai avaliar sua evolução a segurança.

    Qual o melhor horário para fazer exercícios tendo pressão alta?

    Manhã ou final da tarde são os horários mais recomendados, especialmente para evitar o calor excessivo. Antes de iniciar qualquer atividade física, porém, converse com seu médico para receber orientação adequada.

    Quantas horas de sono são necessárias para controlar a pressão?

    O ideal é dormir entre 7 e 8 horas por noite. Dormir pouco, especialmente menos de 6 horas por dia, pode aumentar o risco de desenvolver ou agravar a pressão alta.

    O estresse influencia na pressão arterial?

    Sim. O estresse constante pode aumentar a pressão arterial, pois libera hormônios que contraem os vasos sanguíneos e aceleram os batimentos do coração. Técnicas de relaxamento, respiração, exercícios e lazer são importantes para diminuir o estresse. Na dúvida, consulte um cardiologista.

    Leia também: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Paladar infantil: por que comer vendo vídeos pode causar obesidade?

    Como uma forma de facilitar a alimentação das crianças, é comum o hábito de colocar desenhos, vídeos no celular, tablet ou televisão durante o almoço e o jantar.

    Só que, apesar da praticidade no dia a dia, a prática pode prejudicar o desenvolvimento da relação com os alimentos, alterar o funcionamento natural da fome e da saciedade e aumentar o risco de excesso de peso ao longo da infância.

    Durante os primeiros anos de vida, o cérebro da criança aprende a reconhecer sabores, texturas, cheiros e sinais enviados pelo organismo durante as refeições.

    Quando toda a atenção fica concentrada em vídeos, parte do aprendizado não acontece da maneira que deveria e a criança pode perder o interesse pelos alimentos, comer em quantidade maior do que precisa e criar hábitos alimentares que tendem a permanecer durante a adolescência e a vida adulta.

    Como o uso de telas durante as refeições afeta as crianças?

    Durante as refeições do dia, como almoço e jantar, a criança desenvolve habilidades importantes, como mastigar corretamente, perceber diferentes sabores e identificar quando a fome diminui.

    Se o celular, tablet ou televisão ocupam a maior parte da atenção, parte do processo de aprendizado acontece de forma automática, sem que o cérebro registre plenamente a experiência de comer.

    A distração provocada pelos vídeos reduz a percepção dos sinais naturais enviados pelo organismo, fazendo com que a criança continue aceitando colheradas mesmo depois de já ter ingerido a quantidade suficiente. Além disso, o contato frequente com telas durante as refeições dificulta a criação de uma relação saudável com os alimentos e aumenta a dependência de estímulos externos para comer.

    Também vale destacar o desenvolvimento da autonomia alimentar, uma vez que, para comer bem, a criança precisa aprender a pegar os alimentos, explorar diferentes consistências, recusar quando já está satisfeita e experimentar novos sabores. O uso constante de celulares, tablets e videogames interfere no processo e pode dificultar a construção de hábitos alimentares mais equilibrados.

    Por que comer vendo vídeos aumenta o risco de obesidade infantil?

    Quando uma criança come assistindo a vídeos no celular, tablet ou televisão, o cérebro fica tão sobrecarregado com os estímulos visuais e sonoros da tela que não consegue processar adequadamente o ato de se alimentar.

    Como a distração bloqueia a percepção dos sinais de saciedade que o estômago envia ao cérebro, pode ocorrer:

    • A criança demora mais para perceber que já está satisfeita, o que facilita o consumo de uma quantidade maior de comida do que o corpo realmente precisa;
    • A alimentação acontece de forma automática, sem atenção ao sabor, ao cheiro, à textura e à quantidade dos alimentos ingeridos;
    • O desenvolvimento do paladar fica prejudicado, já que a criança deixa de explorar os alimentos de forma natural e pode apresentar maior resistência para experimentar novos sabores;
    • O hábito de depender da tela para comer se fortalece, tornando cada vez mais difícil fazer refeições sem celular, tablet ou televisão;
    • As refeições costumam ser mais rápidas e menos conscientes, reduzindo o tempo necessário para o cérebro reconhecer os sinais de saciedade;
    • O consumo de alimentos ultraprocessados pode aumentar, já que crianças acostumadas a comer distraídas tendem a aceitar com mais facilidade produtos ricos em açúcar, gordura e sódio.

    “Se eu coloco uma tela, dou um prato de comida e, além de tudo, dou a comida na boca da criança, ela não faz a menor ideia do que está comendo. Ela simplesmente está abrindo a boca e mastigando porque está interessada na tela”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O que fazer se a criança não quer sentar à mesa sem o celular?

    No começo, pode ser difícil tirar a tela da rotina de uma criança que já se acostumou a comer assistindo a vídeos. Como o cérebro passa a esperar aquele estímulo durante as refeições, é comum a criança ter reações como irritação, choro e frustração quando o celular ou a TV são desligados.

    O ideal é que a mudança aconteça de maneira gradual, respeitando o tempo de adaptação da criança e mantendo uma rotina previsível. Veja algumas dicas:

    1. Mantenha a comida na mesa

    O maior erro dos pais no desespero para fazer o filho comer é pegar o prato e sair correndo atrás da criança pela casa dando comida na boca. Segundo Bárbara, o prato e o garfo devem permanecer na mesa.

    Se a criança levantar durante o almoço ou o jantar, não há necessidade de correr atrás. Ela pode caminhar um pouco e voltar para continuar a refeição. O importante é manter a regra de que a comida permanece na mesa.

    2. Avise antes de desligar a tela

    Antes da refeição, avise a criança para que o cérebro dela se prepare para o fim do estímulo. Frases simples, como “Daqui a 10 minutos vamos almoçar” ou “Quando o desenho terminar, chegou a hora de comer”, ajudam a preparar a criança para a mudança e tornam a transição mais tranquila.

    3. Comece por apenas uma refeição

    Na correria da vida moderna, tentar mudar tudo de uma vez pode ser exaustivo para os pais. Escolha uma refeição principal por dia (como o almoço de sábado ou o jantar, por exemplo) para desligar o celular e a TV. Quando o hábito já estiver tranquilo, você pode expandir a regra para as outras refeições.

    4. Incentive a participação da criança

    Sem a distração dos vídeos, os alimentos devem ocupar o centro da atenção. Vale incentivar a criança a observar as cores, sentir os aromas, experimentar diferentes texturas e participar da refeição.

    Também pode ser interessante convidá-la para pequenas tarefas, como escolher o copo, levar os talheres para a mesa ou ajudar a montar o próprio prato, de acordo com a idade.

    5. Dê o exemplo durante as refeições

    As crianças aprendem principalmente observando os adultos, então para ela entender que a mesa é um lugar de convivência, todos os celulares da casa devem ser guardados em outro cômodo durante o almoço ou o jantar.

    O que esperar dos primeiros dias?

    A criança pode reclamar, comer menos nas primeiras refeições e testar os limites dos adultos, que precisam ter paciência no início da transição. Estando saudável, ela não deixa de comer a ponto de sofrer desnutrição por recusar algumas refeições.

    Com o tempo, o organismo se adapta à nova rotina, e a tendência é que ela volte a comer de forma mais tranquila, prestando atenção ao sabor dos alimentos e reconhecendo melhor os sinais naturais de fome e saciedade.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes

    1. O que é considerado “tela” hoje em dia?

    Tudo o que emite luz azul e gera estímulo visual ou sonoro: celulares, tablets, computadores, televisões, videogames e até as tecnologias usadas para tarefas escolares.

    2. Videochamadas com a família contam como tempo de tela?

    Não. As videochamadas com avós, tios ou pais não entram na contagem prejudicial, pois são consideradas interações sociais e afetivas com a figura humana.

    3. Qual o limite de tela recomendado para bebês de até 2 anos?

    O limite recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é zero. Nessa fase, o cérebro dobra de tamanho e precisa de estímulos do mundo real.

    4. Quanto tempo de tela uma criança de 3 a 5 anos pode usar?

    O recomendado é no máximo 1 hora por dia, somando todos os aparelhos (TV, tablet e celular), preferencialmente com conteúdos educativos e supervisão.

    5. Como as telas provocam atraso na fala dos bebês?

    A fala se desenvolve pela imitação de rostos, vozes e olhares humanos. Como as telas trazem estímulos prontos e rápidos, a criança deixa de interagir e de praticar a comunicação real.

    6. Quais são os piores horários para a criança usar telas?

    Durante as refeições, pois prejudica o paladar e a saciedade, e até duas horas antes de dormir, já que a luz azul reduz a melatonina e destrói a qualidade do sono.

    7. Quais os riscos das redes sociais para as meninas adolescentes?

    A exposição precoce provoca a comparação constante com padrões de beleza irreais, causando ansiedade, baixa autoestima e riscos elevados de distúrbios de imagem.

    Leia mais: Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar?

  • Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Cooling break: a pausa para hidratação é mesmo necessária na Copa do Mundo? 

    Na Copa do Mundo de 2026, realizada na América do Norte, a Fifa instituiu pausas obrigatórias de três minutos para hidratação em todos os jogos. A medida foi adotada para proteger a saúde dos atletas diante do calor extremo e do estresse térmico registrados nas cidades-sede, mas será que ela é realmente necessária para preservar a saúde dos jogadores?

    A decisão, que inclui pausas mesmo em estádios com teto retrátil e controle climático interno, dividiu opiniões entre jogadores, técnicos, torcedores e comentaristas esportivos. Para alguns, a interrupção quebra o ritmo dinâmico do futebol e é usada apenas para a inserção de propagandas e comerciais pelas emissoras detentoras de direitos.

    Já os especialistas em saúde apoiam a medida como necessária para evitar problemas como desidratação, queda no rendimento físico e cognitivo, exaustão pelo calor e, nos casos mais graves, insolação, uma condição médica grave que pode colocar a vida dos atletas em risco.

    Afinal, o que acontece com o corpo do jogador sob calor extremo?

    Quando o jogador se expõe ao calor extremo e ao esforço físico intenso, a temperatura interna do corpo sobe rapidamente, podendo passar dos 39°C. Para tentar resfriar o organismo, o cérebro desvia o fluxo de sangue dos músculos e dos órgãos internos em direção à pele, estimulando a produção de suor.

    Com menos sangue e oxigênio chegando aos músculos, o rendimento físico despenca e a exaustão surge muito mais rápido. Ao mesmo tempo, o suor excessivo faz o atleta perder litros de água e eletrólitos essenciais, principalmente sódio e potássio.

    Quando a reposição de líquidos não acontece da forma adequada, o organismo pode perder a capacidade de controlar a própria temperatura, aumentando os riscos de desidratação, câimbras, tontura, queda da pressão arterial, confusão mental e redução dos reflexos, fatores que comprometem tanto o desempenho esportivo quanto a segurança do atleta em campo.

    Riscos da desidratação no futebol

    Durante uma partida intensa de 90 minutos sob calor extremo, um jogador de futebol pode perder entre 2 e 4 litros de água através do suor. Quando a perda não é compensada a tempo, o corpo entra em estado de desidratação, podendo causar problemas como:

    1. Queda no rendimento físico e aparecimento de cãibras

    À medida que o corpo perde água pelo suor, diminui o volume de sangue em circulação, de modo que o coração precisa trabalhar mais para levar oxigênio e nutrientes até os músculos. O atleta começa a sentir o cansaço mais cedo, perde força e velocidade nas arrancadas e encontra mais dificuldade para manter o mesmo ritmo durante toda a partida.

    Além disso, a perda de eletrólitos, principalmente sódio e potássio, favorece o surgimento de cãibras musculares, que podem limitar os movimentos e prejudicar o desempenho em campo.

    2. Diminuição da concentração e dos reflexos

    Mesmo uma perda moderada de líquidos pode reduzir a concentração, prejudicar a tomada de decisões e aumentar o tempo de reação. Na prática, o jogador pode errar mais passes, demorar para responder às jogadas e apresentar pior coordenação motora.

    Com os reflexos comprometidos e o cansaço acumulado, o risco de lesões e de acidentes durante a partida também aumenta.

    3. Exaustão pelo calor

    Se o esforço físico continua e a reposição de líquidos não acontece, o organismo começa a ter dificuldade para controlar a própria temperatura. A exaustão pelo calor costuma causar sintomas como:

    • Tontura e sensação de vertigem;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Náuseas ou vômitos;
    • Fraqueza extrema;
    • Sensação de desmaio;
    • Suor intenso e pele fria ou úmida.

    Se não houver uma intervenção rápida, o quadro pode evoluir para uma situação ainda mais grave.

    4. Insolação

    A insolação, também conhecida como intermação ou choque térmico por esforço, é a complicação mais grave provocada pelo calor excessivo e acontece quando o corpo perde a capacidade de se resfriar sozinho, fazendo com que a temperatura interna aumente rapidamente e possa ultrapassar os 40°C.

    Nessa situação, o cérebro e outros órgãos importantes começam a deixar de funcionar corretamente, e o atleta pode apresentar confusão mental, dificuldade para falar, desorientação, convulsões e até perder a consciência.

    Sem atendimento médico imediato para reduzir a temperatura do corpo e repor os líquidos perdidos, o calor continua causando danos ao organismo, podendo levar à falência de órgãos e, nos casos mais graves, colocar a vida em risco.

    O que os jogadores devem beber durante a pausa?

    Como o suor elimina grandes quantidades de sais minerais, os jogadores costumam consumir bebidas isotônicas, que ajudam a recuperar rapidamente o sódio e o potássio perdidos, além de fornecerem carboidratos que repõem a energia dos músculos de forma imediata.

    Já a água é uma forma complementar para ajudar na reidratação e no resfriamento do corpo, mas é a combinação com os eletrólitos dos isotônicos que previne as cãibras, evita a queda de pressão e garante que o organismo continue funcionando em alto rendimento até o fim da partida.

    Como funciona a regra da pausa para hidratação da FIFA?

    Em torneios anteriores, a interrupção para hidratação só era autorizada quando o índice de calor e umidade (WBGT) ultrapassava 32°C. Na Copa do Mundo de 2026, as pausas passaram a ser obrigatórias em todas as partidas, independentemente da temperatura, do horário do jogo ou da existência de teto retrátil e controle climático no estádio.

    Cada pausa dura três minutos e acontece duas vezes por jogo: por volta dos 22 minutos do primeiro tempo e dos 67 minutos da partida, aproximadamente na metade de cada etapa.

    Durante o período, os jogadores permanecem na beira do gramado para se hidratar com água e isotônicos, enquanto as comissões técnicas podem transmitir orientações rápidas antes da retomada da partida.

    A pausa melhora o jogo?

    Do ponto de vista físico, a pausa para hidratação ajuda os jogadores a manterem o desempenho durante a partida, mesmo que alguns torcedores sintam que ela interrompe o ritmo do jogo.

    Quando o atleta começa a desidratar, o cansaço aumenta rapidamente e o rendimento cai. Ao oferecer três minutos para repor água, eletrólitos e energia, a pausa oferece dois benefícios importantes:

    • Mantém a intensidade da partida: jogadores bem hidratados conseguem correr, acelerar e manter a força física por mais tempo, evitando que o jogo fique lento nos minutos finais por causa da exaustão;
    • Melhora a qualidade técnica: a hidratação ajuda o cérebro a funcionar melhor, preservando a concentração, os reflexos e a capacidade de tomar decisões rápidas, o que contribui para passes mais precisos, menos erros e um futebol mais dinâmico.

    Ao mesmo tempo, a interrupção também acaba funcionando como uma pausa tática. Os treinadores aproveitam para orientar a equipe, corrigir o posicionamento e fazer adjustments na estratégia antes de a bola voltar a rolar.

    Confira: Beber água demais é perigoso para a saúde?

    Perguntas frequentes

    1. A pausa para hidratação na Copa de 2026 acontece em todos os jogos?

    Sim, a Fifa determinou que a parada é obrigatória em todas as partidas da competição, independentemente do clima ou do local.

    2. O tempo da pausa é descontado do jogo?

    Não. O cronômetro continua rodando e o árbitro adiciona os três minutos integralmente ao tempo de acréscimo de cada etapa.

    3. Por que apenas o intervalo de 15 minutos não é suficiente?

    Porque em condições de esforço extremo o corpo precisa de reidratação a cada 15 ou 20 minutos para evitar que a temperatura interna suba a níveis perigosos.

    4. Beber apenas água pura resolve o problema durante o jogo?

    Não totalmente. A água reidrata, mas não repõe os sais minerais que o jogador perdeu em grandes quantidades através do suor.

    5. Qual é o principal sinal de que um jogador está gravemente desidratado?

    A ausência repentina de suor mesmo sob esforço intenso, acompanhada de confusão mental, tontura extrema ou desmaio.

    6. O que é a hiponatremia no esporte?

    É a diluição excessiva de sódio no sangue, que acontece quando o atleta bebe água pura em excesso sem repor os sais minerais perdidos.

    7. Quantos quilos um jogador pode perder em uma partida sob calor extremo?

    Um atleta de elite pode perder entre 2 e 4 quilos de peso corporal em um único jogo, correspondendo quase totalmente à perda de água.

    Veja mais: Pode trocar água comum por água com gás?

  • Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    Excesso de sal: por que é perigoso para o coração e os rins

    O sal é um ingrediente presente em quase todas as refeições. No entanto, quando em excesso, ele pode ser muito prejudicial à saúde. Consumir muito sal está ligado um risco maior de pressão alta, sobrecarga dos rins e aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Venha entender a fundo por que o excesso de sal pode fazer tão mal a sua saúde e aprenda a deixar a comida saborosa mesmo usando o sal em menor quantidade.

    O que é considerado excesso de sal no Brasil?

    O sal, quimicamente conhecido como cloreto de sódio (NaCl), é muito importante para funções corporais, como o equilíbrio de fluidos e a transmissão de impulsos nervosos.

    “Porém, quando ingerido em quantidade excessiva, pode trazer riscos à saúde”, alerta Giovanni Henrique Pinto, médico especialista em cardiologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    É considerado excesso de sal quando se consome mais do que 5g por dia (cerca de 2g de sódio), ou o equivalente a mais do que uma colher de chá rasa.

    O problema é que, no Brasil, o consumo médio chega a quase o dobro disso, muito por conta dos alimentos industrializados, como pães, molhos e embutidos, que escondem quantidades altas de sódio.

    Como o excesso de sal prejudica coração e rins?

    Quando consumimos muito sal, nosso corpo retém mais água para diluí-lo e manter uma concentração adequada no sangue. Isso aumenta o volume de sangue nos vasos e obriga o coração a trabalhar mais, aumentando a pressão nas paredes das artérias, a chamada pressão arterial, e isso pode provocar pressão alta.

    “Nem todo mundo é igualmente sensível ao sódio. Há uma condição chamada ‘sensibilidade ao sal’, que varia geneticamente e é mais comum em algumas populações, como idosos ou pessoas com histórico familiar de hipertensão”, explica o médico.

    Os rins também sofrem com esse excesso de sal. Como são eles que filtram o sódio do sangue, esse esforço constante para eliminar o excesso pode causar danos e prejudicar a saúde dos rins ao longo do tempo.

    4 principais riscos do consumo excessivo de sal

    De acordo com o dr. Giovanni, os principais problemas associados ao excesso de sal incluem:

    • Pressão alta: o sal (sódio) em excesso aumenta a pressão sanguínea.
    • Problemas nos rins: os rins têm dificuldade para eliminar tanto sódio, o que pode levar a danos crônicos.
    • Inchaço: o corpo retém água para equilibrar o sódio, causando inchaço.
    • Risco cardiovascular: maior probabilidade de infarto e AVC.

    6 alimentos ricos em sal que você não imagina

    Boa parte do sal que consumimos não vem do saleiro. Ele está escondido em alimentos industrializados e ultraprocessados, como:

    • Embutidos, como presunto, salame e salsicha;
    • Queijos amarelos;
    • Pães, bolachas e biscoitos;
    • Temperos prontos e molhos industrializados;
    • Salgadinhos;
    • Fast-food.

    “Nesses alimentos temos muito ingredientes ocultos, como aditivos e conservantes, que podem conter altos níveis de sódio”, destaca o médico.

    Como reduzir o sal sem perder o sabor: 4 dicas práticas

    Reduzir o sal não significa comer comida sem graça. Há várias maneiras de temperar de forma saborosa e ter uma alimentação saudável com baixo consumo de sódio:

    • Use ervas frescas ou secas como alecrim, orégano, salsinha, manjericão;
    • Adicione alho e cebola para dar mais sabor;
    • Substitua o sal por limão ou vinagre em saladas e carnes;
    • Experimente pimentas frescas ou em pó, que dão gosto e estimulam o apetite.

    “É importante estar consciente dos alimentos que você consome, ler os rótulos nutricionais, cozinhar mais em casa e usar alternativas saudáveis para temperar os alimentos. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na sua saúde a longo prazo”, diz o médico.

    Por que é tão difícil comer menos sal?

    Além do costume, o dia a dia corrido favorece o consumo de comidas prontas e industrializadas. Segundo o médico, o maior desafio é mudar o paladar e os hábitos. “As pessoas se acostumam ao sabor salgado dos alimentos e podem achar difícil adaptar-se a uma dieta com menos sal”, conta.

    Outro problema é a dificuldade de encontrar opções saudáveis e com bom preço, principalmente em grandes cidades, onde comer fora de casa se tornou rotina. Restaurantes por quilo, lanchonetes e fast-foods costumam exagerar no sal para realçar o sabor dos alimentos.

    A falta de informação também é outra questão. O cardiologista adverte que nem todos sabem como ler rótulos nutricionais ou identificar alimentos com muito sódio, assim como nem todo rótulo deixa claro o que realmente contém no produto.

    Políticas públicas e educação para reduzir o sal

    Campanhas de conscientização, leis de rotulagem e iniciativas do governo têm ajudado os consumidores a fazer escolhas melhores em relação ao sal. No Brasil, os rótulos de alimentos precisam destacar o alto teor de sódio, o que já é um grande avanço.

    “Em nosso país, a normatização da rotulagem nutricional clara e obrigatória ajuda os consumidores a identificarem alimentos com alto teor de sódio e a fazerem escolhas mais saudáveis”, comenta o especialista.

    Por fim, Giovanni acredita que se deve incentivar a indústria alimentícia a reformular os produtos para reduzir a quantidade de sal, açúcar e gordura, o que tornaria os alimentos industrializados mais saudáveis.

    Confira: Dieta mediterrânea para pressão alta: entenda como funciona

    Perguntas frequentes sobre excesso de sal

    1. Quanto sal posso consumir por dia?

    A Organização Mundial da Saúde recomenda:

    • Adultos: máximo 5g de sal por dia (1 colher de chá)
    • Crianças: até 2g de sal por dia
    • Realidade brasileira: consumo médio de 9g/dia (80% acima do recomendado)

    2. Todo tipo de sal faz mal?

    O problema está no excesso, não no tipo. Sal rosa, marinho ou light têm sódio e devem ser usados com moderação.

    3. Como saber se um alimento tem muito sal?

    Leia os rótulos. Se tiver mais de 400 mg de sódio por porção, já é considerado alto.

    4. O que fazer para mudar o paladar?

    Reduza o sal aos poucos e use mais temperos naturais. Com o tempo, seu paladar se adapta.

    5. Comer menos sal melhora a pressão?

    Sim. Reduzir o sódio pode ajudar a controlar a pressão e diminuir o risco de problemas no coração e nos rins.

    Veja mais: Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco

  • Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Parou de sentir o bebê mexer? Veja o passo a passo do que fazer antes de ir ao médico

    Durante a gravidez, os movimentos do bebê são um dos principais sinais de que ele está ativo e se desenvolvendo normalmente dentro do útero. Mas, à medida que a gestação se aproxima do fim, é comum que a frequência e a intensidade dos chutes, alongamentos e cambalhotas mudem.

    Com o crescimento do bebê, o espaço dentro do útero fica cada vez menor, fazendo com que ele tenha menos liberdade para realizar movimentos amplos.

    A mudança é esperada e parte do desenvolvimento normal da gravidez, mas o bebê ainda deve se movimentar diariamente, com esticadas, empurrões, pequenos deslocamentos do corpo e movimentos mais lentos. Apesar de ficar mais apertado dentro do útero, ele continua alternando períodos de sono e de atividade.

    O mais importante é que a gestante conheça o padrão habitual de movimentação do seu bebê e procure atendimento médico caso perceba uma diminuição importante ou a ausência de movimentos, especialmente no terceiro trimestre.

    É normal o bebê mexer menos no final da gravidez?

    Não é normal o bebê parar de mexer ou ter uma redução drástica nos movimentos no final da gestação. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o bebê se movimenta continuamente durante toda a gravidez. O que realmente muda na reta final é o espaço disponível dentro do útero e como a gestante percebe os movimentos.

    Como o bebê está muito grande, ele não consegue mais dar aquelas cambalhotas amplas do início. Em vez disso, os movimentos se tornam mais localizados e bem evidentes: você passa a sentir nitidamente partes do corpo dele se esticando, como um cotovelo ou um pé pressionando a barriga.

    Além disso, Andreia aponta que o feto tem um ciclo de sono e vigília muito bem definido, dormindo por cerca de 40 minutos e ficando acordado nos 40 minutos seguintes. Por isso, se ele estiver quietinho, pode ser apenas o momento do soninho dele.

    Por que parece que ele só mexe à noite?

    Durante o dia, a rotina de trabalho, os afazeres e outras atividades podem desviar a atenção da mulher, dificultando a percepção dos movimentos fetais. À noite, ao deitar e relaxar, a gestante fica mais atenta ao próprio corpo, o que torna os movimentos mais fáceis de perceber.

    Junto a isso, alguns movimentos realizados pela própria gestante durante o dia, como caminhar, mudar de posição ou realizar atividades domésticas, podem embalar o bebê e favorecer períodos de sono. Quando a mãe para e fica em repouso, o bebê pode acordar e voltar a se movimentar, aumentando a sensação de que ele só mexe durante a noite.

    Como saber se o bebê está mexendo menos ou se parou de se mover?

    Para ajudar as gestantes a acompanharem a vitalidade fetal de forma mais objetiva, existe um método simples chamado mobilograma, que consiste na contagem e registro dos movimentos fetais para garantir que a oxigenação e a vitalidade estão adequadas. A recomendação de Andreia é seguir o seguinte passo a passo:

    • Escolha um momento calmo: vá para um ambiente tranquilo, de preferência deite-se do lado esquerdo e concentre toda a atenção na barriga. Isso reduz as distrações do dia a dia e facilita a percepção dos movimentos;
    • Alimente-se antes: faça um pequeno lanche ou tome um copo de suco. O aumento da glicose na corrente sanguínea costuma estimular a movimentação do bebê, caso ele esteja dormindo;
    • Observe por até 2 horas: conte todos os movimentos do bebê, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos.

    O esperado é que o bebê realize pelo menos 10 movimentos em um período de até 2 horas, como chutes, esticadas, giros ou pequenos espasmos. Não é necessário que os movimentos sejam fortes: qualquer movimentação percebida pela gestante pode ser contabilizada.

    O que fazer imediatamente se você não sente o bebê mexer

    Se você contar menos de 10 movimentos durante o período, ou se o bebê não esboçar nenhuma reação mesmo após você ter se alimentado e estimulado a barriga, é um sinal claro de que ele está se movendo menos do que deveria. A orientação médica é procurar o pronto-socorro obstétrico imediatamente.

    No hospital, Andreia explica que a equipe médica poderá avaliar a vitalidade fetal por meio de exames como:

    • Cardiotocografia: monitora os batimentos cardíacos do bebê e a presença de contrações uterinas, ajudando a identificar sinais de sofrimento fetal;
    • Ultrassom com perfil biofísico fetal: avalia a movimentação do bebê, o tônus muscular, os movimentos respiratórios e a quantidade de líquido amniótico, atribuindo uma pontuação à vitalidade fetal;
    • Ultrassom com Doppler: analisa o fluxo sanguíneo entre a placenta e o bebê, incluindo as artérias umbilicais, a artéria cerebral média e o ducto venoso, permitindo identificar alterações na oxigenação e na circulação fetal.

    “Eu sempre digo: não tem problema ter 10 alarmes falsos. Vá ao pronto-socorro quantas vezes forem necessárias”, complementa a ginecologista.

    Quando é necessário interromper a gestação?

    A decisão de antecipar o parto por meio de uma indução ou de uma cesariana de emergência é tomada quando os médicos avaliam que permanecer no útero representa um risco maior para o bebê do que os possíveis impactos do nascimento prematuro.

    Segundo Andreia, embora o útero seja o ambiente ideal para o desenvolvimento do bebê, quando os exames mostram sinais de comprometimento da vitalidade fetal, a equipe médica pode optar pela antecipação do parto para preservar a vida da mãe e da criança. Os principais critérios incluem:

    • Sofrimento fetal, identificado na cardiotocografia ou no perfil biofísico fetal;
    • Alterações graves no Doppler, que mostram comprometimento da circulação e da oxigenação do bebê;
    • Oligoâmnio grave, quando há redução importante da quantidade de líquido amniótico;
    • Complicações maternas graves, como descolamento da placenta, pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia.

    A ginecologista explica que todo o processo segue protocolos rigorosos. Os resultados da cardiotocografia, do perfil biofísico fetal e do Doppler são interpretados de acordo com critérios bem estabelecidos, permitindo que a equipe médica defina com segurança se a gestante pode receber alta, permanecer em observação ou se a interrupção da gestação é a conduta mais indicada.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    No final da gestação, alguns sintomas precisam de avaliação médica imediata, pois podem indicar uma emergência obstétrica:

    • Sangramento vaginal intenso, semelhante a uma menstruação;
    • Perda de líquido amniótico, mesmo que em pequena quantidade;
    • Diminuição ou ausência dos movimentos do bebê;
    • Contrações regulares, com pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora;
    • Dor abdominal intensa, com a barriga endurecida e sem relaxar;
    • Febre;
    • Dor de cabeça forte e persistente;
    • Dor na parte alta da barriga, próxima à boca do estômago;
    • Alterações na visão, como flashes de luz ou manchas escuras;
    • Pressão alta, convulsões ou falta de ar.

    Segundo Andreia, os quatro principais sinais que podem indicar a necessidade de antecipar o parto são a perda de líquido amniótico, o sangramento vaginal, a redução dos movimentos fetais e as contrações regulares. Já os demais sintomas podem estar relacionados a complicações graves, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, e também exigem atendimento imediato.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. O bebê se mexe menos quando a bolsa vai estourar?

    Não, o rompimento da bolsa (ruptura das membranas) não reduz a movimentação do bebê. Se ele parar de se mexer após a bolsa estourar, procure a maternidade imediatamente, pois é um sinal de alerta e não uma reação normal.

    2. O que o bebê sente quando a mãe come doce?

    Ele recebe uma carga rápida de energia. A placenta facilita a passagem da glicose da mãe para a corrente sanguínea do bebê, o que costuma despertá-lo e aumentar sua movimentação.

    3. Com quantas semanas o bebê começa a mexer de forma bem evidente?

    Os primeiros movimentos costumam ser percebidos entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. A partir da 24ª semana, eles tendem a ficar mais evidentes e fáceis de identificar.

    4. O que acontece se o líquido amniótico estiver muito baixo?

    Quando o volume de líquido amniótico está muito reduzido (oligoâmnio), o bebê perde parte da proteção oferecida pelo útero. Dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro, pode ser necessário antecipar o parto.

    5. O bebê pode mexer menos por estar encaixado?

    O bebê pode mudar a forma como se movimenta quando está encaixado, com menos chutes na parte inferior da barriga e mais empurrões na parte de cima. No entanto, a quantidade total de movimentos não deve diminuir de forma importante.

    6. O que fazer se eu tiver contrações ritmadas que não passam?

    Se você apresentar pelo menos duas contrações a cada 10 minutos durante uma hora seguida, procure a maternidade, pois pode ser um sinal de trabalho de parto.

    7. Sentir o bebê tremer na barriga é normal?

    Sim. Pequenos tremores ou vibrações rápidas costumam ser apenas espasmos musculares normais do desenvolvimento do bebê, reflexos de sobressalto ou a eliminação de urina.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período

  • Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar? 

    Distúrbio de atenção por telas ou TDAH: como é possível diferenciar? 

    Em idades cada vez menores, as crianças e os adolescentes são expostos a uma grande quantidade de estímulos visuais e sonoros promovidos pelos celulares, tablets e televisões, as vezes durante várias horas por dia.

    Com o aumento da distração e da perda de interesse por atividades que precisam de mais concentração, os pais e os professores podem se perguntar se o comportamento indica um quadro de TDAH. Afinal, como diferenciar um transtorno do neurodesenvolvimento de um problema provocado pelo uso excessivo de telas?

    O transtorno de déficit de atenção é uma condição que afeta o funcionamento do cérebro e interfere na capacidade de manter o foco, controlar os impulsos e regular o nível de atividade. Ela costuma surgir ainda na infância, mas nem toda dificuldade de concentração ou comportamento agitado significa que a criança tenha o transtorno.

    No dia a dia, o consumo em excesso de vídeos curtos, cortes rápidos e jogos hiperestimulantes pode fazer com que o cérebro se acostume a receber estímulos intensos o tempo todo, funcionando de maneira acelerada, provocando sintomas que podem ser confundidos aos do TDAH, mas são resultado de um hábito digital inadequado.

    O que é o distúrbio de atenção causado por telas?

    O distúrbio de atenção causado pelas telas é uma condição comportamental que acontece quando o cérebro passa longos períodos exposto a estímulos intensos, rápidos e constantes, como vídeos curtos, jogos eletrônicos e conteúdos com mudanças frequentes de imagens e sons.

    Com o passar do tempo, a neuropediatra Bárbara Macedo explica que o cérebro se acostuma com o nível de estímulo e começa a preferir atividades que oferecem dopamina instantânea e sem esforço, como o deslizar de dedos em redes sociais de vídeos curtos, por exemplo. Fica muito mais difícil manter o foco em atividades que precisam de concentração prolongada, como estudar, ler, escrever ou até mesmo brincar de forma mais tranquila.

    O resultado é uma criança desatenta, inquieta, impaciente e que tende a perder rapidamente o interesse por tarefas consideradas menos estimulantes. Apesar da semelhança com os sintomas do TDAH, a origem do problema está relacionada principalmente aos hábitos digitais e ao excesso de exposição às telas.

    Segundo um levantamento do Datafolha com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, 78% das crianças de 0 a 3 anos são expostas diariamente às telas, contrariando as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientam evitar completamente o uso de telas por crianças menores de 2 anos, com exceção das videochamadas com familiares.

    Principais diferenças entre distúrbio por telas e TDAH

    Apesar da desatenção, a impaciência e a agitação estarem presentes nas duas situações, a origem e as características de cada uma são completamente diferentes. O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, ou TDAH, é um transtorno do neurodesenvolvimento com base genética e biológica.

    Em outras palavras, a criança nasce com a condição, que está relacionada a alterações no funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pela regulação da atividade. Os sintomas costumam acompanhar a pessoa em diferentes fases da vida e aparecem em vários ambientes, como a casa, a escola e os momentos de lazer, independentemente da presença das telas.

    Já o distúrbio de atenção causado pelo uso excessivo das telas é uma alteração comportamental adquirida ao longo do tempo, diretamente relacionada aos hábitos e ao ambiente.

    A condição surge após a exposição frequente a vídeos curtos, jogos eletrônicos e outros conteúdos altamente estimulantes, segundo Bárbara, que fazem o cérebro se acostumar a buscar recompensas rápidas e constantes.

    Por que crianças com TDAH são mais atraídas pelos celulares?

    O cérebro de uma criança com TDAH apresenta alterações no funcionamento de áreas responsáveis pela atenção, pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela motivação, que influenciam a ação da dopamina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer, recompensa e motivação.

    Por isso, a criança costuma ter mais dificuldade para manter o interesse em atividades que demandam esforço e cuja recompensa demora para chegar. Isso torna os celulares, videogames e as redes sociais extremamente atraentes, porque oferecem recompensas quase imediatas, com curtidas, fases dos jogos, mudanças rápidas de imagens, sons e vídeos curtos.

    Como explica Bárbara, quando o TDAH não está sendo tratado adequadamente, seja por meio de acompanhamento profissional, terapias ou, em alguns casos, medicamentos, o cérebro tende a procurar formas mais fáceis de obter a estimulação de que precisa.

    Como os dispositivos digitais fornecem recompensas imediatas, a criança pode desenvolver uma preferência cada vez maior pelas telas e perder o interesse por outras atividades do dia a dia, como ler e escrever, por exemplo.

    Sinais de alerta: como saber se a tela está prejudicando seu filho?

    Quando a tecnologia começa a afetar negativamente o neurodesenvolvimento e a saúde mental dos mais jovens, Bárbara aponta que eles podem apresentar:

    • Irritabilidade intensa ao desligar as telas: a criança apresenta crises de choro, explosões de raiva ou comportamentos agressivos quando o celular, o tablet ou a televisão são desligados;
    • Tentativas frequentes de negociar mais tempo: a criança ou o adolescente insiste em conseguir mais alguns minutos de tela, faz promessas como “amanhã eu não uso” ou “depois eu compenso” e demonstra dificuldade para aceitar os limites estabelecidos;
    • Uso escondido dos aparelhos: levar o celular ou o tablet escondido para a escola, usar os dispositivos durante a madrugada ou desrespeitar as regras da família para continuar conectado também pode indicar um problema;
    • Perda de interesse por outras atividades: brincadeiras, esportes, leitura, desenhos e momentos com a família passam a parecer sem graça quando comparados às telas. A criança perde o interesse por atividades que antes faziam parte da rotina;
    • Isolamento social: o adolescente prefere passar o tempo livre nas redes sociais ou em jogos online em vez de conversar, brincar ou conviver pessoalmente com amigos e familiares;
    • Alterações no sono: dormir cada vez mais tarde, demorar para pegar no sono ou acordar cansado pode ser consequência do uso das telas, principalmente quando os aparelhos são utilizados pouco antes de dormir;
    • Alimentação sempre acompanhada por telas: a criança só aceita comer assistindo a vídeos ou desenhos e deixa de prestar atenção na própria refeição. Com o tempo, ela pode comer mais do que precisa, sem perceber os sinais de fome e saciedade.

    Nas crianças pequenas, o excesso de telas pode reduzir as interações com os adultos. A falta de contato visual, a dificuldade para imitar gestos e sons e a demora para falar as primeiras palavras merecem atenção, já que o desenvolvimento da linguagem depende da convivência e da comunicação com outras pessoas.

    Como fazer o detox digital antes de buscar um diagnóstico?

    O detox digital, que consiste em desconectar temporariamente de celulares, videogames e computadores, ajuda a diminuir o excesso de estímulos e permite avaliar com mais clareza o funcionamento do cérebro e a verdadeira origem dos sintomas. Segundo Bárbara, a transição deve ser feita de maneira gradual e estruturada:

    1. Crie uma rotina previsível

    Se você desligar a tela de uma hora para outra, a criança pode ficar irritada e ter crises de choro. O ideal é combinar os horários com antecedência e avisar quando o tempo estiver acabando, para ajudá-la a se preparar para a mudança.

    2. Troque a tela por outras atividades

    Além de tirar o celular ou o tablet, a criança precisa encontrar outras formas de brincar e se divertir. Você pode investir em atividades que estimulam o corpo e os sentidos, como:

    • Pintura com tintas ou lápis de cor;
    • Massinha de modelar;
    • Blocos de montar;
    • Brincadeiras ao ar livre, como correr, andar de bicicleta ou brincar na grama.

    Com o passar dos dias, muitas crianças voltam a se interessar por brincadeiras que haviam sido deixadas de lado por causa do excesso de tempo em frente às telas.

    3. Leve opções para os passeios

    Os restaurantes, consultas e salas de espera costumam ser momentos em que o celular vira a solução mais fácil para entreter a criança. Para evitar isso, leve uma bolsa com livros de histórias, cadernos para desenhar, revistas de atividades, lápis de cor e cartelas de adesivos.

    4. Evite telas nas refeições e antes de dormir

    Segundo Bárbara, as refeições devem acontecer sem celulares, tablets ou televisão ligados. Comer prestando atenção na comida ajuda a criança a reconhecer os sinais de fome e saciedade e favorece a convivência com a família.

    Também é importante desligar os aparelhos entre uma e duas horas antes de dormir. A luz emitida pelas telas reduz a produção de melatonina, hormônio que prepara o organismo para o sono, dificultando o descanso.

    5. Dê o exemplo

    As crianças aprendem principalmente pelo exemplo. Quando pais e cuidadores passam boa parte do tempo no celular, fica mais difícil mostrar que existem outras formas de brincar, se divertir e passar o tempo.

    O recomendado é reservar momentos em que toda a família deixa os aparelhos de lado para conversar, brincar ou fazer as refeições juntos, o que ajuda a hábitos mais saudáveis e fortalece os vínculos entre todos.

    Quando ir ao pediatra?

    Se a criança apresentar os seguintes sintomas, vale agendar uma consulta com o pediatra:

    • Alterações no desenvolvimento ou no comportamento: dificuldade importante para se concentrar, agitação acima do esperado para a idade, atraso para começar a falar, andar ou interagir com outras crianças;
    • Sinais relacionados ao uso das telas: irritabilidade intensa quando os aparelhos são desligados, isolamento social ou crises frequentes de choro;
    • Sintomas físicos persistentes: tosse leve por mais de uma semana, coceira na pele, falta de apetite por vários dias ou dores recorrentes, como dor de cabeça ou dor na barriga;
    • Mudanças no sono ou no intestino: dificuldade para dormir, pesadelos frequentes, prisão de ventre ou diarreia leve que persiste por mais de três dias.

    Na consulta, o pediatra avaliará o histórico da criança, o tempo de duração dos sintomas e o impacto que eles estão causando na rotina. Também poderá investigar se as dificuldades estão relacionadas ao excesso de telas, a algum transtorno do neurodesenvolvimento ou a outro problema de saúde.

    Leia mais: Desenvolvimento infantil: como a percepção dos pais ajuda no diagnóstico precoce?

    Perguntas frequentes

    1. Como o excesso de telas prejudica o sono infantil?

    A luz azul emitida pelos aparelhos inibe a produção de melatonina (o hormônio do sono). Como resultado, a criança demora mais para dormir e tem um sono mais agitado e superficial.

    2. O uso de telas pode atrasar a fala do bebê?

    Sim, a fala é desenvolvida pela imitação e pela troca de afetos humana. A tela é um estímulo passivo onde o bebê apenas assiste, o que prejudica a aquisição da linguagem e do vocabulário.

    3. Por que as crianças têm crises de raiva quando os pais desligam o celular?

    Porque as telas atuais são hiperestimulantes (cortes rápidos e luzes). Ao desligá-las abruptamente, o cérebro sofre uma queda brusca de dopamina, gerando frustração e incapacidade de autorregulação.

    4. O videogame online substitui a socialização real dos adolescentes?

    Não. Nos jogos online atuais, os jovens jogam isolados em seus quartos, e isso não substitui a troca de olhares, o afeto e o aprendizado social que acontecem em interações presenciais.

    5. O que é considerado “tela” para as crianças?

    Qualquer dispositivo que emita luz azul e ofereça estímulos visuais ou sonoros, como smartphones, tablets, televisões, notebooks, videogames e até aparelhos usados para tarefas escolares digitais.

    6. Qual é o tempo de tela recomendado para bebês de até 2 anos?

    O recomendado é zero telas. A única exceção aberta pelos órgãos de saúde são as videochamadas de curta duração para falar com parentes distantes, pois envolvem interação social.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Por que a ferida começa a coçar quando está cicatrizando?

    Por que a ferida começa a coçar quando está cicatrizando?

    É muito comum que um corte, arranhão, queimadura ou cicatriz cirúrgica comece a coçar alguns dias após a lesão. Essa coceira, embora incômoda, geralmente faz parte do processo normal de cicatrização da pele e indica que o organismo está trabalhando para reparar o tecido lesionado.

    Quando a coceira é intensa ou vem acompanhada de outros sintomas, também pode ser sinal de uma complicação, como infecção ou reação ao curativo. Por isso, é importante saber diferenciar essas situações.

    Como ocorre a cicatrização?

    A cicatrização acontece em várias etapas. Após uma lesão, o organismo inicia um processo coordenado que inclui:

    • Controle do sangramento;
    • Resposta inflamatória;
    • Formação de novo tecido;
    • Remodelação da cicatriz.

    Durante todas essas fases, diferentes células e substâncias químicas atuam para reconstruir a pele.

    Por que a ferida começa a coçar?

    A coceira pode ocorrer por vários motivos.

    Durante a cicatrização, há intensa atividade das células responsáveis pela regeneração da pele, além da formação de novos vasos sanguíneos e da regeneração de terminações nervosas.

    Ao mesmo tempo, diversas substâncias produzidas pelo organismo estimulam os receptores responsáveis pela sensação de coceira.

    O resultado é aquela vontade de coçar que muitas vezes aparece justamente quando a ferida começa a melhorar.

    A histamina tem um papel importante

    Uma das substâncias envolvidas nesse processo é a histamina. Ela participa da resposta inflamatória normal da cicatrização e ajuda na chegada de células de defesa ao local da lesão.

    Ao estimular as terminações nervosas da pele, a histamina também pode provocar a sensação de coceira. Isso ajuda a explicar por que esse incômodo costuma aparecer alguns dias após o ferimento.

    Os nervos também estão se regenerando

    Durante a cicatrização, pequenas fibras nervosas lesionadas começam a se reconstruir. Esse processo pode provocar sensações como:

    • Coceira;
    • Formigamento;
    • Pequenas fisgadas;
    • Sensação de “repuxar”.

    Esses sintomas costumam diminuir à medida que a cicatriz amadurece.

    A pele nova é mais sensível

    A pele recém-formada ainda é fina, delicada e possui uma barreira de proteção incompleta.

    Além disso, ela costuma apresentar menor quantidade de oleosidade natural. Como consequência, a região pode ficar:

    • Mais seca;
    • Mais sensível;
    • Mais propensa à coceira.

    Coçar pode atrapalhar a cicatrização?

    Sim. Apesar de a vontade de coçar poder ser intensa, esfregar ou arranhar a ferida não é o ideal, pois isso pode:

    • Romper o tecido em formação;
    • Aumentar o risco de sangramento;
    • Favorecer infecções;
    • Retardar a cicatrização;
    • Deixar cicatrizes mais evidentes.

    Em crianças, esse cuidado merece atenção especial, pois elas podem manipular a ferida com mais frequência.

    Toda coceira é normal?

    Não. Embora uma coceira leve possa fazer parte da cicatrização, alguns sinais sugerem que pode existir outro problema. A avaliação médica é recomendada quando a coceira vem acompanhada de:

    • Vermelhidão intensa e crescente;
    • Dor importante;
    • Saída de pus;
    • Mau cheiro;
    • Febre;
    • Aumento do inchaço.

    Esses sintomas podem indicar uma infecção.

    A reação ao curativo também pode causar coceira

    Algumas pessoas podem desenvolver dermatite de contato causada por produtos utilizados durante os cuidados com a ferida, como:

    • Curativos adesivos;
    • Esparadrapos;
    • Pomadas;
    • Antissépticos.

    Nesses casos, a coceira costuma ser acompanhada de:

    • Vermelhidão ao redor da ferida;
    • Pequenas bolhas;
    • Descamação;
    • Irritação da pele.

    O tratamento depende da identificação da substância responsável pela reação.

    Cicatrizes podem continuar coçando por meses?

    Sim. Mesmo após o fechamento completo da pele, algumas cicatrizes podem permanecer sensíveis por vários meses.

    Isso é mais comum em:

    • Cicatrizes cirúrgicas;
    • Queimaduras;
    • Feridas profundas.

    Isso acontece porque, durante a fase de remodelação, a reorganização do colágeno e das fibras nervosas ainda está em andamento.

    Existe alguma forma de aliviar a coceira?

    Sim. Algumas medidas podem ajudar a reduzir o incômodo. Veja abaixo.

    1. Manter a pele hidratada

    Após a cicatrização completa e conforme orientação médica, o uso de hidratantes pode ajudar a reduzir o ressecamento da pele.

    2. Evitar coçar

    Mesmo que a vontade seja grande, é importante evitar arranhar a região. Se necessário, pode ser mais confortável pressionar suavemente o local em vez de coçá-lo.

    3. Proteger a cicatriz do sol

    A exposição solar pode aumentar a inflamação e favorecer alterações na cicatriz.

    4. Seguir corretamente os cuidados com o curativo

    Trocar os curativos conforme orientação ajuda a reduzir o risco de irritações e infecções.

    Quando procurar um médico?

    Procure avaliação médica se:

    • A coceira for muito intensa;
    • A ferida voltar a abrir;
    • Surgirem secreção ou pus;
    • A dor aumentar progressivamente;
    • Houver febre;
    • A pele ao redor ficar muito vermelha ou quente.

    Esses sinais podem indicar complicações que exigem tratamento.

    Confira: Sua ferida não fecha? Entenda o que pode estar por trás da cicatrização lenta

    Perguntas frequentes sobre coceira na cicatrização

    1. É normal uma ferida coçar enquanto cicatriza?

    Sim. Na maioria das vezes, a coceira faz parte do processo normal de cicatrização.

    2. Por que isso acontece?

    Principalmente pela ação da histamina, pela regeneração das terminações nervosas e pela formação da nova pele.

    3. Posso coçar a ferida?

    Não é recomendado. Coçar pode atrasar a cicatrização, provocar sangramento e aumentar o risco de infecção.

    4. Quanto tempo a coceira costuma durar?

    Ela geralmente é mais intensa durante as primeiras semanas, mas algumas cicatrizes podem permanecer sensíveis por meses.

    5. Quando a coceira pode indicar infecção?

    Quando vem acompanhada de sinais como vermelhidão intensa, dor crescente, pus, mau cheiro ou febre.

    6. Curativos podem causar coceira?

    Sim. Algumas pessoas apresentam alergia ou irritação aos adesivos, pomadas ou antissépticos utilizados no tratamento.

    7. Como aliviar a coceira?

    Evitar manipular a ferida, manter a pele hidratada após a cicatrização completa, seguir corretamente os cuidados com o curativo e procurar orientação médica se os sintomas forem intensos ou persistentes podem ajudar.

    Veja também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

  • Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Coletor menstrual: como usar, benefícios e cuidados com a higiene

    Uma das alternativas mais sustentáveis ao uso do absorvente descartável, o coletor menstrual é um copinho flexível de silicone medicinal, introduzido no canal vaginal para coletar o fluxo menstrual em vez de absorvê-lo.

    Para você ter uma ideia, ele pode durar anos e, se usado corretamente, é bastante confortável para usar durante as atividades do dia a dia, inclusive para dormir, praticar exercícios físicos, nadar ou trabalhar.

    No entanto, para garantir todos os benefícios do método e evitar riscos à saúde, é importante saber como escolher o tamanho certo e manter os cuidados ideais de higiene. Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para explicar os principais detalhes do coletor. Confira!

    Como funciona o coletor menstrual?

    Ao contrário do absorvente, que absorve o sangue da menstruação, o coletor menstrual funciona coletando o fluxo dentro da vagina, mantendo o sangue armazenado em seu interior até o momento da retirada.

    Antes de ser inserido, o coletor é dobrado para ficar menor e facilitar a colocação e, depois de introduzido no canal vaginal, ele se abre naturalmente e se ajusta às paredes da vagina, formando uma vedação suave que ajuda a evitar vazamentos.

    À medida que a menstruação acontece, o sangue fica acumulado dentro do coletor, sem entrar em contato com o ambiente externo. Dependendo da intensidade do fluxo menstrual, ele pode permanecer por até 8 horas antes de precisar ser esvaziado, oferecendo mais praticidade para a rotina e diminuindo a necessidade de trocas frequentes ao longo do dia.

    Benefícios do coletor menstrual

    Por ser feito de um material inerte e seguro, ele oferece benefícios diretos para a saúde da mulher, para o orçamento mensal e para a rotina, como:

    • Mais saúde para a região íntima: diferente dos absorventes descartáveis, o coletor não altera o pH vaginal e não absorve a umidade natural da vagina, apenas o sangue. Isso reduz drasticamente o risco de infecções, como a candidíase, e evita alergias e assaduras na vulva;
    • Livre de odores desagradáveis: o mau cheiro característico do período menstrual só acontece quando o sangue entra em contato com o oxigênio e com os componentes químicos dos absorventes comuns. Como o coletor fica bem vedado dentro da vagina, o sangue não oxida, eliminando qualquer odor;
    • Maior capacidade de armazenamento: o coletor consegue reter mais fluxo do que os absorventes tradicionais, o que diminui a necessidade de trocas constantes ao longo do dia, oferecendo mais praticidade para quem tem fluxo intenso;
    • Conforto e liberdade de movimento: quando inserido corretamente, o coletor se adapta perfeitamente às paredes vaginais e não causa nenhum incômodo. Com ele, é possível praticar atividades físicas, correr, dançar e até nadar com total segurança e sem medo de vazamentos.

    Também vale destacar que, embora o investimento inicial seja maior do que o de um pacote de absorventes, o coletor menstrual é reutilizável e pode durar de 5 a 10 anos se bem cuidado.

    A longo prazo, você acaba gastando muito menos com produtos menstruais, já que um único coletor pode substituir centenas de absorventes descartáveis durante toda a sua vida útil.

    Como escolher o tamanho ideal do coletor menstrual?

    Segundo Andreia, o tamanho do coletor deve ser escolhido de acordo com as características do colo do útero, já que a região pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Durante a consulta ginecológica, o médico avalia a anatomia e orienta qual é o tamanho mais adequado para cada caso. Se necessário, também é possível demonstrar e treinar a colocação e a retirada do coletor no próprio consultório, ajudando a paciente a ganhar mais segurança antes de começar a utilizá-lo.

    A ginecologista explica que o posicionamento correto é importante para evitar vazamentos. O coletor precisa ficar logo abaixo do colo do útero para que todo o fluxo menstrual seja direcionado para o seu interior.

    Quando ele é colocado na posição errada e não envolve corretamente a região, o sangue pode escorrer pelas laterais, fazendo com que o coletor não cumpra sua principal função, que é coletar a menstruação.

    Passo a passo para colocar e tirar o coletor com segurança

    Com um pouco de prática e seguindo alguns cuidados básicos de higiene, a colocação e a retirada se tornam simples e confortáveis. O primeiro passo é lavar as mãos com água e sabonete, para evitar a entrada de microrganismos na vagina e reduzir o risco de infecções.

    Como colocar o coletor menstrual

    1º passo: encontre uma posição confortável

    Você pode ficar agachada, sentada no vaso sanitário com os joelhos afastados ou em pé, apoiando uma das pernas na borda do vaso ou do box. O ideal é escolher a posição em que se sentir mais relaxada.

    2º passo: dobre o coletor

    Como o silicone é flexível, o coletor precisa ser dobrado para facilitar a inserção. As dobras mais utilizadas são:

    • Dobra em C (ou U): dobre o coletor ao meio, unindo as duas bordas para formar o formato da letra C;
    • Dobra punch down: empurre uma das bordas para dentro, em direção à base do coletor, formando uma ponta mais fina, o que costuma facilitar a colocação, principalmente para quem está começando.

    3º passo: introduza o coletor

    Segure o coletor dobrado com uma das mãos e, com a outra, afaste delicadamente os lábios vaginais. Em seguida, introduza o coletor na vagina, direcionando-o para trás, em direção ao cóccix, e não para cima.

    4º passo: verifique se ele abriu corretamente

    O coletor não precisa ficar tão profundo quanto um absorvente interno. Depois de inserido, ele costuma se abrir sozinho e formar uma vedação suave nas paredes da vagina.

    Para conferir se está bem posicionado, gire delicadamente a base do coletor ou passe um dedo ao redor dela. Se o coletor estiver completamente aberto, sem dobras, a vedação estará formada e o risco de vazamentos será menor.

    Como retirar o coletor menstrual

    Para retirar, a principal dica é nunca puxar apenas pelo pino. Ele serve apenas como um guia para você localizar a base do coletor. Puxá-lo sem desfazer o vácuo pode causar um efeito de sucção desconfortável no colo do útero.

    • Lave as mãos e adote uma posição confortável (ficar agachada ajuda o coletor a descer um pouco no canal);
    • Faça uma leve força com a musculatura da vagina (como se estivesse evacuando) para empurrar o coletor para baixo;
    • Introduza o polegar e o indicador na vagina até alcançar a base do coletor. Aperte a base do copinho com firmeza. Isso fará o ar entrar, desfazendo o vácuo imediatamente;
    • Mantendo a base pressionada, puxe o coletor suavemente para fora, mantendo-o na vertical para que o sangue não derrame;
    • Despeje o conteúdo no vaso sanitário, lave o coletor na pia com água corrente e sabão neutro e ele estará pronto para ser inserido novamente.

    Segundo Andreia, a paciente precisa conhecer muito bem o próprio corpo para conseguir inserir o coletor corretamente, verificar se ele ficou bem posicionado, retirá-lo no momento adequado e realizar a higienização antes de colocá-lo novamente.

    As etapas se tornam fáceis com a prática, mas algumas pessoas podem ter mais dificuldade durante o período de adaptação.

    Cuidados de higiene com o coletor menstrual

    Como o sangue é um líquido muito nutritivo, ele funciona como um meio de cultura natural onde bactérias podem se proliferar se o coletor ficar sujo ou for mal higienizado, segundo Andreia. Para evitar riscos, você deve adotar alguns cuidados no di a adia:

    1. Lave sempre as mãos

    Antes de colocar ou retirar o coletor, lave bem as mãos com água e sabonete para evitar a transferência de microrganismos para a região íntima.

    2. Higienize o coletor a cada troca

    Sempre que esvaziar o coletor durante a menstruação, lave-o com água corrente e sabonete neutro ou outro produto recomendado pelo fabricante. Antes de recolocá-lo, enxágue bem para remover qualquer resíduo de sabonete.

    3. Limpe os furinhos de vedação

    O coletor possui pequenos furos próximos à borda que ajudam a formar a vedação. Durante a lavagem, encha o coletor com água, tampe a abertura com a palma da mão e aperte levemente a base para que a água passe pelos furos e remova possíveis resíduos.

    4. Esterilize antes do primeiro uso e após cada ciclo

    Antes de usar o coletor pela primeira vez e ao final de cada menstruação, faça a esterilização para eliminar microrganismos e garantir um uso mais seguro.

    5. Ferva o coletor corretamente

    Coloque o coletor em uma panela com água suficiente para cobri-lo completamente e deixe ferver por cerca de 3 a 5 minutos, seguindo as orientações do fabricante. Evite deixá-lo fervendo por mais tempo do que o recomendado para não comprometer o material.

    6. Use o micro-ondas apenas se o fabricante permitir

    Alguns coletores podem ser esterilizados em recipientes próprios para micro-ondas. Nesses casos, basta colocá-lo em um recipiente adequado com água e seguir as instruções do fabricante quanto ao tempo de aquecimento.

    7. Guarde o coletor em local adequado

    Depois de esterilizado e completamente seco, guarde-o no saquinho de tecido que normalmente acompanha o produto ou em outro recipiente que permita a circulação de ar. Evite armazená-lo em potes plásticos totalmente fechados.

    8. Não utilize produtos químicos agressivos

    Álcool, água sanitária, desinfetantes, detergentes e sabonetes perfumados não devem ser usados na limpeza do coletor, pois podem danificar o silicone e causar irritações na região íntima.

    De quanto em quanto tempo é preciso esvaziar o coletor?

    O tempo de uso do coletor menstrual varia de acordo com a intensidade do fluxo, que é diferente para cada pessoa e também pode mudar ao longo da própria menstruação. Em geral, o fluxo costuma ser mais leve no início, aumenta no segundo ou terceiro dia e depois volta a diminuir.

    Por isso, a frequência para esvaziar o coletor deve ser adaptada à quantidade de sangue coletada, já que, quando ele atinge a capacidade máxima, pode acabar vazando.

    Segundo Andreia, assim como acontece com o absorvente interno, o coletor não deve permanecer por muitas horas seguidas sem ser esvaziado. O recomendado é não ultrapassar 8 horas de uso contínuo e, sempre que possível, fazer a troca antes desse período, de preferência a cada 6 horas, especialmente nos dias de fluxo mais intenso.

    Existem contraindicações ao uso?

    Não existe uma contraindicação absoluta para o uso do coletor menstrual, já que a adaptação varia de pessoa para pessoa.

    Mas, em algumas situações, a ginecologista explica que o médico pode orientar a suspensão do uso, principalmente quando há suspeita de infecção, histórico recente de infecções vaginais recorrentes ou irritação causada pelo contato com o material. A recomendação é individualizada e depende da avaliação clínica de cada paciente.

    Quem tem DIU pode usar o coletor menstrual?

    Pessoas que usam DIU, seja ele de cobre ou hormonal (Mirena/Kyleena), podem utilizar o coletor menstrual sem problemas. O uso do coletor não interfere na eficácia do anticoncepcional e não causa o deslocamento do dispositivo, desde que retirado da forma correta.

    Mulheres virgens podem usar o coletor menstrual?

    De acordo com Andreia, mulheres virgens podem usar o coletor menstrual, mas o processo pode ser um pouco mais desafiador e existe o risco de romper o hímen. Do ponto de vista anatômico e médico, não há nenhuma contraindicação à saúde, sendo uma escolha totalmente baseada no desejo e no conforto da mulher.

    Se a mulher ainda não teve relações sexuais e deseja usar o coletor, é preciso levar em consideração alguns pontos importantes, como:

    • O coletor pode esticar ou romper o hímen durante a colocação ou a retirada, já que essa membrana é fina e pode variar de elasticidade entre as pessoas;
    • O ideal é escolher a coletor de tamanho menor, que costuma ser mais confortável para quem nunca utilizou produtos de inserção vaginal;
    • Nas primeiras tentativas, um lubrificante à base de água pode facilitar a colocação e reduzir o desconforto.

    Como nessa fase pode ser mais difícil avaliar a altura do colo do útero sozinha, uma ótima recomendação é conversar com o ginecologista antes de comprar. O médico poderá examinar a elasticidade do hímen e indicar o modelo mais adequado para a anatomia da paciente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O coletor menstrual pode vazar?

    Não, se for escolhido o tamanho correto e inserido adequadamente, ele se molda às paredes vaginais, criando um vácuo que impede vazamentos.

    2. Como saber se o coletor abriu completamente?

    Passe o dedo indicador ao redor da base do coletor; se não sentir dobras ou partes amassadas, é sinal de que ele abriu e formou o vácuo.

    3. É possível urinar com o coletor?

    Sim. O coletor fica posicionado na vagina, um canal diferente da uretra, por onde sai a urina.

    4. Como higienizar o coletor em banheiros públicos?

    Leve uma garrafinha de água com você. Esvazie o coletor no vaso, enxágue-o com a água da garrafinha sobre o vaso e reinsira-o.

    5. O coletor pode causar infecções?

    Não, se for higienizado corretamente. O material (silicone medicinal) é hipoalergênico e não altera a flora vaginal.

    6. O que fazer se o coletor ficar “preso”?

    Não entre em pânico. Relaxe, respire fundo e faça força abdominal (como se fosse evacuar) para empurrá-lo para baixo até conseguir alcançar a base e quebrar o vácuo.

    7. Posso usar o coletor no pós-parto?

    Não, o ideal é esperar o período de resguardo (geralmente 40 a 60 dias) e a liberação do médico para retomar o uso.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão