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  • Afinal, o hantavírus pode causar uma pandemia?

    Afinal, o hantavírus pode causar uma pandemia?

    O hantavírus é o agente causador da hantavirose, uma doença infecciosa grave transmitida principalmente pelo contato com a urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados.

    A contaminação costuma acontecer pela inalação de partículas contaminadas que ficam suspensas no ar, principalmente em locais fechados, pouco ventilados e com sinais da presença de roedores silvestres.

    No caso da variante Andesvírus, ou cepa Andes, a transmissão pode acontecer pelo contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada, principalmente durante a fase inicial dos sintomas. De acordo com a infectologista Maira Barbosa, é a única variante com capacidade demonstrada de transmissão de pessoa para pessoa.

    Mas então, será que o hantavírus pode causar uma nova pandemia global? Apesar da possibilidade de transmissão entre pessoas em alguns casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades de saúde consideram que o risco de uma pandemia é baixo, uma vez que o contágio entre humanos é raro e acontece de forma limitada.

    Qual é a diferença da cepa Andes para as outras variantes?

    A principal diferença da cepa Andes em relação às outras variantes do hantavírus é a capacidade de transmissão entre seres humanos.

    Identificada principalmente na América do Sul, com maior incidência na Argentina e no Chile, ela possui características biológicas específicas que permitem que o vírus seja eliminado em secreções respiratórias e fluidos corporais de uma pessoa infectada, possibilitando a transmissão para outra pessoa.

    No entanto, a transmissão interpessoal não ocorre com facilidade e, diferente de vírus altamente contagiosos como o da gripe ou da Covid-19, Maira explica que a cepa andina precisa de um contato muito próximo e prolongado entre os indivíduos para que o contágio aconteça.

    Afinal, o hantavírus pode causar uma nova pandemia?

    O risco de o hantavírus causar uma nova pandemia global é considerado muito baixo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de ser um vírus com alta taxa de letalidade, que pode chegar a 50%, Maira explica que algumas características do vírus dificultam a transmissão em massa.

    1. A transmissão depende de roedores selvagens

    Na maioria dos casos, a hantavirose é uma doença transmitida de animais para humanos. O contágio acontece pela inalação de partículas de poeira contaminadas com saliva, urina ou fezes de roedores silvestres infectados, o que costuma ocorrer principalmente em áreas rurais, florestas, plantações, celeiros, galpões fechados ou locais com pouca ventilação.

    Diferentemente de vírus respiratórios, o hantavírus não circula facilmente entre pessoas em ambientes do dia a dia, como ruas, ônibus, escolas ou aviões. Por causa disso, os casos normalmente ficam restritos às regiões onde vivem os roedores transmissores.

    2. A transmissão entre humanos é muito difícil

    Para que um vírus cause uma pandemia, ele precisa de uma transmissão sustentada entre pessoas. Por exemplo, uma pessoa infecta várias, que infectam outras, criando uma reação em cadeia.

    No caso do hantavírus, esse tipo de transmissão praticamente não acontece, já que a maior parte das variantes conhecidas não possui capacidade de passar de uma pessoa para outra de forma eficiente. A única exceção identificada até o momento é a cepa Andes, que já demonstrou capacidade de transmissão interpessoal em alguns surtos específicos.

    Mesmo assim, Maira esclarece que o contágio precisa de um contato prolongado e muito próximo, como ocorre entre familiares que vivem na mesma casa ou pessoas que permanecem por longos períodos em contato direto com o paciente durante a fase inicial da doença.

    3. O hantavírus não costuma sofrer muitas mutações

    Ao contrário de vírus como os da gripe e da Covid-19, as sequências genéticas do hantavírus encontradas atualmente são muito semelhantes às identificadas há anos na natureza.

    Logo, como apresenta menos mutações importantes, ele têm menor capacidade de se adaptar para se espalhar facilmente entre pessoas, o que reduz bastante o risco de uma pandemia.

    4. O vírus não sobrevive muito tempo no ambiente

    O hantavírus é sensível ao calor, à luz solar direta e a desinfetantes comuns, como o álcool 70% e a água sanitária. Assim, ele não consegue permanecer ativo por longos períodos em superfícies ou suspenso no ar em ambientes abertos e bem ventilados, o que limita drasticamente o raio de infecção.

    Como acontece a transmissão do hantavírus entre humanos?

    A transmissão do hantavírus entre seres humanos ocorre através da variante Andes, que desenvolveu uma capacidade biológica de passar diretamente de uma pessoa infectada para outra. As principais vias de transmissão documentadas incluem o contato direto com secreções respiratórias, como gotículas expelidas ao tossir ou falar, saliva e outros fluidos corporais.

    Os casos de transmissão entre humanos ficam restritos a ambientes muito específicos, como entre familiares que dividem a mesma cama ou cuidam diretamente do doente, e profissionais de saúde que prestam assistência médica sem o uso correto de máscaras de alta proteção e luvas.

    Vale destacar que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus não apenas durante a fase aguda da doença, quando os sintomas respiratórios são graves, mas também nos últimos dias do período de incubação. De maneira geral, o paciente pode passar o vírus adiante pouco antes de começar a manifestar os primeiros sinais claros de hantavirose, como a febre alta e as dores musculares.

    Tempo de incubação do hantavírus

    O tempo de incubação do hantavírus, que corresponde ao período entre o contato com o vírus e o surgimento dos primeiros sintomas, costuma variar de 2 a 4 semanas, cerca de 14 e 30 dias.

    Como os sintomas iniciais, como febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, cansaço intenso e mal-estar, demoram a surgir e se parecem muito com os de uma gripe forte ou outras infecções virais comuns, é comum que a doença passe despercebida nos primeiros dias ou seja confundida com problemas respiratórios menos graves.

    Por isso, ao buscar atendimento médico com sintomas suspeitos, é fundamental relatar qualquer exposição a áreas rurais, matas ou locais fechados com presença de roedores ocorrida nos últimos dois meses.

    Principais sintomas e como é feito o diagnóstico

    Os primeiros sintomas da hantavirose costumam aparecer de forma repentina, sendo eles:

    • Mal-estar geral e fadiga;
    • Febre baixa;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares pelo corpo.

    Conforme a doença evolui, principalmente nos casos mais graves, o hantavírus pode comprometer os pulmões e causar sintomas respiratórios importantes, como falta de ar, sensação de aperto no peito e respiração acelerada.

    O diagnóstico da hantavirose é baseado na avaliação dos sintomas e do histórico de exposição do paciente a áreas de risco, sendo confirmado por meio de exames de laboratório. O método mais utilizado é o exame de sangue por sorologia, que detecta a presença de anticorpos específicos (IgM e IgG) produzidos pelo organismo para combater o vírus.

    Em fases muito iniciais da doença, ou em casos de óbito suspeito, também pode ser realizada a técnica de RT-PCR para identificar o material genético do próprio hantavírus no sangue ou em tecidos do corpo.

    Como é o tratamento da hantavirose?

    Não existe um remédio antiviral específico capaz de eliminar o hantavírus do organismo ou vacina disponível. O tratamento da hantavirose é baseado em medidas de suporte, focado em aliviar os sintomas enquanto o próprio corpo combate a infecção, como:

    • Uso de oxigênio suplementar para ajudar na respiração e melhorar a oxigenação do organismo;
    • Uso de medicamentos para estabilizar o paciente e aliviar os sintomas, quando necessário;
    • Monitoramento contínuo do coração, dos pulmões e da oxigenação para acompanhar a evolução do quadro;
    • Controle da pressão arterial e da circulação sanguínea para evitar complicações;
    • Ventilação mecânica com aparelhos respiratórios quando a pessoa apresenta dificuldade intensa para respirar;
    • Reposição de líquidos e sais minerais para manter o funcionamento adequado do organismo.

    Devido à gravidade da doença e ao risco de uma evolução rápida para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), o tratamento costuma ser feito em ambiente hospitalar, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

    Qual o tempo de quarentena do hantavírus e por que é tão longo?

    O tempo de quarentena recomendado para o hantavírus, especificamente para a cepa Andes, é de 42 dias. O período é considerado longo porque o vírus possui um tempo de incubação extenso. Segundo Maira, ele corresponde ao intervalo entre o momento em que a pessoa é infectada e o surgimento dos primeiros sintomas da doença.

    No caso da variante andina, o intervalo costuma variar de uma a seis semanas, existindo a possibilidade de se estender por até oito semanas. “Portanto, esse período de 42 dias determina um intervalo seguro para manter os casos suspeitos monitorados”, finaliza a infectologista.

    Leia mais: Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores

    Perguntas frequentes

    1. O hantavírus é tão contagioso quanto o vírus da Covid-19 ou da gripe?

    Não. A cepa Andes do hantavírus não tem a mesma alta capacidade de transmissão em massa que o vírus da Covid-19 ou da gripe. Ela exige uma proximidade física muito maior e por um tempo estendido para conseguir infectar outra pessoa.

    2. O que é considerado um “contato próximo e prolongado”?

    Refere-se a situações de convivência muito íntima ou restrita. Um exemplo prático seria o convívio de pessoas confinadas juntas em um ambiente restrito, como um navio, durante muitos dias.

    3. Uma pessoa infectada, mas que ainda não tem sintomas, pode transmitir o vírus?

    Possivelmente sim. A estimativa é que a transmissão possa acontecer no final do período de incubação, que coincide com o início dos sintomas inespecíficos iniciais (chamados de pródromos).

    4. Descobrir a doença rápido aumenta as chances de cura?

    Sim. O reconhecimento ágil do diagnóstico e o início imediato das medidas de suporte intensivo na UTI são fundamentais para alcançar resultados clínicos favoráveis e aumentar as chances de recuperação do paciente

    5. Qual é a melhor forma de prevenir a transmissão da cepa Andes?

    De acordo com as diretrizes de saúde, a medida mais eficaz para conter o avanço da cepa Andes é o reconhecimento rápido dos casos suspeitos e o cumprimento rigoroso das orientações de isolamento e quarentena estabelecidas pela OMS.

    6. Que características o hantavírus precisaria ter para causar uma pandemia?

    Para causar uma pandemia, um vírus precisa se transmitir facilmente entre pessoas, inclusive por indivíduos sem sintomas, além de ter alta capacidade de adaptação e mutação. Atualmente, o hantavírus não apresenta essas características de transmissão em massa.

    7. O que mais preocupa os médicos infectologistas em relação à desinformação sobre a hantavirose?

    A maior preocupação em relação às fake news envolve as falsas comparações entre o hantavírus e a Covid-19, além da divulgação de medicamentos sem eficácia comprovada que prometem curar a doença. Hoje, não existe um antiviral específico aprovado contra o hantavírus.

    Leia mais: Hantavírus: como a cepa Andes é transmitida entre humanos

  • Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos? 

    Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos? 

    A cepa Andes, também chamada de Andesvírus, é uma variante do hantavírus endêmica na América do Sul, em especial no sul da Argentina e Chile. Ela é transmitida principalmente pelo contato com secreções de roedores silvestres infectados, sendo conhecida por causar a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), uma doença viral potencialmente fatal.

    Diferente da maioria dos hantavírus no mundo, a cepa andina é considerada, até o momento, a única variante do vírus com capacidade comprovada de ser transmitida diretamente de pessoa para pessoa, de acordo com a infectologista Maira Barbosa.

    Apesar de a taxa de mortalidade da SPH ser alta (podendo chegar a 50%), a cepa Andes não possui o mesmo potencial de contágio em massa que o vírus da covid-19 ou da gripe. Para que a transmissão ocorra entre humanos, é necessário um contato muito próximo e prolongado, especialmente em ambientes fechados e pouco ventilados.

    O que é o hantavírus e qual é a cepa que transmite entre humanos?

    O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos sobretudo por roedores silvestres infectados e a infecção humana acontece, na maioria dos casos, pela inalação de partículas presentes na urina, nas fezes ou na saliva de roedores silvestres, que podem ficar suspensas no ar em ambientes fechados ou com acúmulo de sujeira.

    Nas Américas, a principal manifestação é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), uma condition grave que afeta os pulmões e pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória.

    A cepa Andes é a única variante conhecida capaz de ser transmitida de pessoa para pessoa. Mesmo assim, o contágio humano é considerado raro e costuma acontecer apenas em situações de contato muito próximo e prolongado com uma pessoa infectada, especialmente em ambientes fechados e pouco ventilados.

    Diferentemente de vírus respiratórios altamente transmissíveis, como influenza ou Covid-19, Maira explica que o Andesvírus não apresenta potencial elevado de disseminação em massa.

    Como acontece a transmissão do hantavírus entre pessoas?

    A transmissão da cepa Andes entre humanos acontece principalmente por meio do contato com a saliva e secreções respiratórias de uma pessoa infectada, de acordo com Maira. Quando ela tosse, espirra ou fala, libera partículas virais no ambiente que podem ser aspiradas por quem está por perto.

    No entanto, o vírus não se espalha de forma tão simples e, para que o contágio aconteça, é necessário dois fatores específicos:

    • Necessidade de contato próximo: o contágio não ocorre apenas por passar pela mesma calçada ou cruzar com alguém na rua. É preciso estar muito perto fisicamente da pessoa infectada;
    • Tempo de exposição prolongado: a transmissão exige uma convivência longa e contínua, por isso que o risco é real para membros da mesma família que cuidam do doente ou para pessoas confinadas juntas no mesmo local por muitos dias, como em um navio.

    Para se ter uma ideia, os ambientes fechados, pouco ventilados e sem exposição direta à luz solar são os principais facilitadores da transmissão da cepa andina.

    Sem a circulação adequada de ar e a ação dos raios solares, que ajudam a inativar o vírus, partículas de saliva e secreções respiratórias podem permanecer ativas no ambiente por mais tempo, aumentando o risco de transmissão entre pessoas.

    Quem está incubando o vírus e sem sintomas pode transmitir a doença?

    A transmissão do hantavírus pode acontecer mesmo antes de a doença se manifestar de forma grave, segundo Maira. O maior risco de contágio ocorre no final do período de incubação do hantavírus, justamente quando a pessoa começa a entrar na fase dos pródromos — que são aqueles primeiros sintomas iniciais, leves e bastante genéricos.

    No estágio, a pessoa pode apresentar sinais como:

    • Mal-estar geral e fadiga;
    • Febre baixa;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares pelo corpo.

    Como os sintomas iniciais se parecem muito com os de uma gripe comum ou de um resfriado, a pessoa infectada normalmente não suspeita que está com hantavirose.

    No entanto, o vírus já pode estar presente nas secreções respiratórias e na saliva, o que significa que a transmissão entre pessoas pode ocorrer em situações de contato próximo, íntimo e prolongado, principalmente em ambientes pouco ventilados.

    Diagnóstico da hantavirose

    O diagnóstico da hantavirose é feito a partir da avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial.

    Os médicos analisam os sintomas apresentados pelo paciente, como febre, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares e sinais respiratórios, além do histórico de exposição a áreas de risco, contato com roedores silvestres ou convivência próxima com pessoas infectadas, no caso da cepa Andes.

    Segundo Maira, a confirmação do diagnóstico é realizada por exames laboratoriais complementares, principalmente a sorologia, que identifica anticorpos específicos produzidos pelo organismo contra o hantavírus. Em alguns casos, outros testes também podem ser utilizados para ajudar na confirmação da infecção.

    O que fazer se achar que fui exposto?

    Se você esteve em regiões com histórico da cepa Andes (como o sul da Argentina e do Chile) ou teve contato próximo com alguém que recebeu o diagnóstico da doença, a primeira recomendação é procurar um hospital ou unidade de saúde mais próxima assim que surgirem os primeiros sinais de mal-estar, febre ou dor de cabeça.

    Ao falar com o médico ou com a equipe de triagem, informe imediatamente o seu histórico de exposição (viagem recente ou contato com caso confirmado). A informação epidemiológica é necessária para que o hospital adote os protocolos corretos e evite que você seja tratado apenas para uma gripe comum.

    Até que a suspeita seja descartada por exames médicos, a recomendação é agir como um potencial transmissor da cepa Andes. Por isso, permaneça em isolamento domiciliar, evite receber visitas e utilize máscara de proteção facial, preferencialmente do tipo PFF2/N95, caso precise ter contato com outras pessoas da casa.

    Como o período de incubação do vírus pode ser longo, cumprir o isolamento rigorosamente é a medida mais eficaz para proteger as pessoas ao seu redor e interromper a cadeia de transmissão do hantavírus.

    Existe tratamento para a hantavirose?

    Não existe tratamento antiviral específico contra as diferentes cepas de hantavírus e, segundo Maira, o tratamento é baseado em medidas de suporte clínico, normalmente realizadas em ambiente de terapia intensiva, com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar.

    As medidas são importantes para que o próprio corpo do paciente consiga reagir e lutar contra o vírus, e podem incluir:

    • Uso de oxigênio para ajudar na respiração;
    • Ventilação mecânica nos casos mais graves;
    • Monitoramento constante do coração e dos pulmões;
    • Controle da pressão arterial e da circulação;
    • Reposição de líquidos e sais minerais do organismo;
    • Uso de medicamentos para estabilizar o paciente, quando necessário;
    • Internação em UTI nos quadros graves.

    “A Síndrome Pulmonar por Hantavírus, relacionada às cepas do vírus presentes nas Américas, incluindo a andina, é uma situação clínica extremamente grave, com necessidade de suporte intensivo e ventilação mecânica, com taxa de mortalidade em torno de 40%”, explica Maira.

    Como prevenir a transmissão da cepa Andes?

    A melhor forma de prevenir a transmissão da cepa Andes do hantavírus é evitar o contato do vírus com as vias respiratórias e a saliva, reduzindo o risco de transmissão entre pessoas.

    Diferentemente das medidas tradicionais de prevenção contra o hantavírus, que costumam focar no controle de roedores e na limpeza segura de ambientes contaminados, os cuidados relacionados à cepa Andes também envolvem medidas voltadas para evitar a transmissão interpessoal.

    Respeitar o isolamento e as orientações de quarentena

    A medida mais importante para reduzir a transmissão é identificar rapidamente os casos suspeitos e seguir as orientações de isolamento recomendadas pelas autoridades de saúde. Pessoas que tiveram contato próximo e prolongado com pacientes infectados devem permanecer em monitoramento pelo período indicado, mesmo sem sintomas.

    Evitar ambientes fechados e pouco ventilados

    Como o vírus pode estar presente nas secreções respiratórias e permanecer ativo no ambiente por algum tempo, locais fechados e sem circulação de ar favorecem a transmissão.

    • Manter os ambientes bem ventilados;
    • Abrir portas e janelas sempre que possível;
    • Permitir a entrada de luz solar, que ajuda a reduzir a permanência do vírus no ambiente.

    Utilizar equipamentos de proteção individual (EPI)

    Profissionais de saúde e pessoas que precisam cuidar de pacientes suspeitos ou confirmados devem utilizar equipamentos de proteção adequados, como:

    • Máscaras de alta proteção respiratória, como PFF2/N95;
    • Luvas descartáveis;
    • Proteção ocular em situações de contato próximo com secreções respiratórias.

    Não compartilhar objetos de uso pessoal

    Os copos, os talheres, as garrafas, as toalhas e as roupas de cama devem ser de uso exclusivamente individual durante o período de isolamento ou monitoramento. A medida ajuda a reduzir o risco de contato com a saliva e as secreções respiratórias da pessoa infectada, diminuindo as chances de transmissão do vírus entre os moradores da casa.

    Higienizar as mãos e as superfícies com frequência

    A higiene adequada ajuda a diminuir o risco de transmissão, com medidas como lavar as mãos frequentemente com água e sabão, utilizar álcool em gel 70% quando não houver água disponível e manter a limpeza regular de superfícies de contato frequente com produtos desinfetantes apropriados.

    Veja também: H1N1: 8 coisas que você precisa saber para se prevenir e tratar a gripe

    Perguntas frequentes

    1. Qualquer rato pode transmitir o hantavírus?

    Não, a transmissão ocorre através de espécies específicas de roedores silvestres. Os ratos urbanos comuns, como a ratazana de esgoto ou o camundongo doméstico, normalmente transmitem outras doenças (como a leptospirose), mas não são os vetores principais do hantavírus.

    2. Qual é o período de incubação do hantavírus?

    O tempo que o vírus leva para manifestar os primeiros sintomas varia bastante, frequentemente indo de 1 a 5 semanas (média de 9 a 30 dias) após a exposição, embora existam casos raros documentados que chegaram a até 42 dias.

    3. Existe uma vacina contra o hantavírus?

    Até o momento, não existe uma vacina aprovada universalmente ou amplamente disponível para prevenir a hantavirose nas Américas.

    4. Existe um remédio específico para curar o vírus?

    Não existe nenhum medicamento antiviral específico que elimine o hantavírus do organismo. O tratamento médico é totalmente baseado em medidas de suporte clínico, ajudando o corpo a se manter estável enquanto combate a infecção.

    5. Quanto tempo o hantavírus sobrevive fora do corpo do rato ou no ambiente?

    Em locais fechados, superfícies não ventiladas e que não recebem luz solar direta, o vírus pode permanecer ativo e com capacidade de infectar por um período de 2 a 4 dias. A exposição ao sol e ao vento destrói o vírus rapidamente.

    6. O diagnóstico rápido realmente muda as chances de sobrevivência?

    Sim. Apesar de ser uma doença grave, identificar os sintomas logo no início e começar rapidamente o tratamento de suporte no hospital aumenta bastante as chances de recuperação e melhora os resultados do paciente.

    7. Animais de estimação, como cães e gatos, pegam ou transmitem a doença?

    Cães e gatos podem ocasionalmente entrar em contato com o vírus ao caçar roedores silvestres, mas eles não desenvolvem a doença e não transmitem o hantavírus para os seres humanos.

    Leia mais: Hantavirose: a virose rara e grave transmitida por roedores

  • Exame mostrou glicemia alta? Veja quais são os próximos passos 

    Exame mostrou glicemia alta? Veja quais são os próximos passos 

    Receber um exame mostrando glicemia alta costuma assustar, principalmente porque muita gente associa imediatamente o resultado ao diagnóstico de diabetes. Embora o diabetes seja uma das principais causas, um exame alterado isoladamente nem sempre confirma a doença, e é justamente por isso que a investigação médica costuma envolver outros testes e avaliação clínica completa.

    Muitas pessoas também descobrem a glicemia elevada sem sentir absolutamente nada. Em outros casos, sintomas como sede excessiva, cansaço e vontade frequente de urinar começam a aparecer.

    É importante entender o que pode causar o aumento da glicose e quais são os próximos passos para reduzir a ansiedade e iniciar o acompanhamento adequado.

    O que é a glicemia

    A glicemia é a quantidade de glicose (açúcar) circulando no sangue. A glicose é uma importante fonte de energia para o organismo, mas níveis muito elevados podem causar danos ao longo do tempo.

    Quando a glicemia é considerada alta

    Os valores dependem do tipo de exame realizado.

    Os principais exames são:

    • Glicemia em jejum;
    • Hemoglobina glicada (HbA1c);
    • Teste oral de tolerância à glicose.

    Valores persistentemente elevados merecem investigação.

    Glicemia alta sempre significa diabetes?

    Não necessariamente. A glicemia pode subir temporariamente em situações como:

    • Estresse físico;
    • Infecções;
    • Uso de corticoides;
    • Internações hospitalares.

    Por isso, muitas vezes é necessário repetir exames antes de confirmar o diagnóstico.

    Quais sintomas podem estar associados

    Algumas pessoas não apresentam sintomas. Quando presentes, os mais comuns são:

    • Muita sede;
    • Urinar com frequência;
    • Cansaço;
    • Visão embaçada;
    • Perda de peso.

    Em casos mais importantes, podem surgir sintomas mais intensos relacionados à descompensação da glicose.

    Quais exames costumam ser solicitados

    Quando a glicemia vem elevada, o médico pode pedir exames complementares.

    1. Hemoglobina glicada (HbA1c)

    Avalia a média da glicose nos últimos meses.

    2. Repetição da glicemia em jejum

    Ajuda a confirmar o resultado.

    3. Teste oral de tolerância à glicose

    Avalia como o corpo responde ao açúcar.

    4. Exames adicionais

    Também podem ser solicitados:

    • Função renal;
    • Colesterol e triglicerídeos;
    • Avaliação do fígado;
    • Exame de urina.

    O que mais os médicos investigam

    Além de confirmar diabetes, os médicos avaliam:

    • Presença de complicações;
    • Pressão arterial;
    • Risco cardiovascular;
    • Histórico familiar;
    • Peso e hábitos de vida.

    O que é pré-diabetes

    O pré-diabetes é uma fase intermediária em que a glicose está acima do normal, mas ainda não atinge critérios para diabetes.

    Nessa fase, mudanças no estilo de vida podem evitar a progressão da doença.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade e da causa.

    1. Mudanças no estilo de vida

    São fundamentais em praticamente todos os casos:

    • Alimentação equilibrada;
    • Redução de açúcar e ultraprocessados;
    • Atividade física regular;
    • Controle do peso.

    2. Medicamentos

    Algumas pessoas precisam de medicações para controle da glicose.

    3. Insulina

    Pode ser necessária em alguns casos, especialmente:

    • Diabetes tipo 1;
    • Glicemias muito elevadas;
    • Situações específicas.

    Glicemia alta pode causar complicações?

    Sim. Quando mantida elevada por muito tempo, a glicemia alta pode afetar:

    • Rins;
    • Olhos;
    • Nervos;
    • Coração e vasos sanguíneos.

    Por isso, o acompanhamento médico é importante mesmo quando os sintomas são leves ou inexistentes.

    Quando procurar atendimento urgente

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Sonolência excessiva;
    • Confusão mental;
    • Vômitos;
    • Falta de ar;
    • Glicemias extremamente elevadas.

    Veja mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

    Perguntas frequentes sobre glicemia alta

    1. Uma glicemia alta já confirma diabetes?

    Nem sempre. Pode ser necessário repetir exames.

    2. O que é hemoglobina glicada?

    É um exame que avalia a média da glicose nos últimos meses.

    3. Pré-diabetes tem tratamento?

    Sim, principalmente com mudanças no estilo de vida.

    4. Diabetes sempre precisa de insulina?

    Não, há diversos tratamentos para diabetes, e a insulina é apenas um deles.

    5. Glicemia alta pode não causar sintomas?

    Sim, a depender do valor, a glicemia alta pode ser silenciosa.

    6. Estresse pode aumentar a glicose?

    Sim, o estresse é capaz de elevar a glicemia.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver glicemia elevada ou sintomas sugestivos de diabetes.

    Veja também: Sintomas de diabetes: conheça os principais sinais de cada tipo (e como identificar)

  • Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Exames de rotina para homens: como cuidar da saúde urológica?

    Infecções de urina, pedras nos rins, infertilidade e até mesmo câncer são apenas alguns dos problemas de saúde que podem surgir ao longo da vida do homem. E, apesar da resistência em procurar atendimento médico no dia a dia, manter exames de rotina ajuda a identificar alterações antes que se tornem graves e afetem a qualidade de vida.

    O acompanhamento preventivo envolve consultas periódicas com o urologista e exames que avaliam o funcionamento dos rins, bexiga, próstata e hormônios — identificando precocemente possíveis alterações. Além disso, cuidar da saúde urológica traz benefícios que vão muito além da prevenção de doenças, influenciando também na energia, vida sexual e bem-estar geral.

    Afinal, quando o homem deve começar a ir ao urologista?

    A saúde urológica deve ser acompanhada ao longo de toda a vida, e não apenas na maturidade.

    Nos primeiros meses de vida, se houver suspeita médica, o pediatra pode encaminhar o bebê para avaliação com o urologista. Nessa fase, podem ser identificadas condições como fimose, hidrocele e criptorquidia (quando os testículos não descem para o escroto).

    Durante a puberdade, o corpo passa por intensas mudanças hormonais — momento ideal para orientar o adolescente sobre sexualidade, prevenção de ISTs e infertilidade. Também podem surgir infecções urinárias e alterações hormonais.

    Já na vida adulta, especialmente a partir dos 40 anos, os cuidados precisam ser mais frequentes. Nessa fase, aumentam os riscos de doenças como câncer de próstata, e o foco passa a ser a prevenção e o diagnóstico precoce de disfunções urinárias e sexuais.

    De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):

    • Homens sem histórico familiar de câncer de próstata devem iniciar os exames anuais aos 50 anos;
    • Homens com histórico familiar da doença devem começar aos 45 anos.

    Quais são os exames urológicos que o homem deve fazer?

    Segundo o urologista Willy Baccaglini, a saúde urológica é ampla e pode envolver aspectos da vida sexual, urinária e geral do homem. Alguns exames, porém, são mais comuns a partir dos 40 anos:

    Ultrassonografia de próstata

    A ultrassonografia prostática utiliza ondas sonoras para visualizar a glândula prostática e estruturas próximas, como a bexiga e as vesículas seminais. O exame avalia o tamanho e volume da próstata e ajuda a diagnosticar condições como hiperplasia benigna (aumento da próstata) e prostatite (inflamação).

    PSA total

    O PSA total (Antígeno Prostático Específico) é um exame de sangue que mede a quantidade dessa proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem indicar inflamação, infecção ou câncer de próstata, mas nem sempre significam algo grave.

    Willy explica que a frequência do exame deve ser definida pelo urologista conforme o perfil e o histórico de cada paciente, não sendo obrigatoriamente anual.

    Exame de urina simples

    O exame de urina avalia o trato urinário e detecta sinais de infecção, sangue, proteínas ou cristais. Nos homens, ajuda a identificar infecção urinária, cálculos renais, prostatite e até doenças renais crônicas.

    “Não há recomendação formal de exames de rotina para bexiga e rins em todos os homens, mas testes de acompanhamento podem identificar doenças precocemente”, observa Willy.

    Creatinina e ureia

    Esses exames avaliam a função renal, medindo a eficiência dos rins na filtragem do sangue. Alterações podem indicar insuficiência renal, desidratação ou sobrecarga por uso excessivo de medicamentos ou proteínas. São importantes especialmente para quem usa remédios contínuos ou tem histórico de doenças renais.

    Testosterona total e livre

    A testosterona é o principal hormônio masculino, regulando funções como libido, massa muscular, força e humor. A redução dos níveis pode causar fadiga, queda de desejo sexual e disfunção erétil. O exame ajuda a identificar a andropausa e outros distúrbios hormonais precocemente.

    Exames complementares

    O urologista pode solicitar outros exames, como hemograma completo, glicemia, colesterol e função hepática, além de exames de imagem (ultrassom ou ressonância) quando há suspeita de inflamação, tumores ou alterações mais graves.

    Quando o exame de toque retal é necessário?

    O toque retal é um procedimento rápido e indolor que permite avaliar o tamanho e a consistência da próstata. É essencial para detectar alterações como aumento benigno ou câncer.

    “O exame de toque ainda é necessário, principalmente em programas de detecção precoce do câncer de próstata”, explica Willy. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) orienta que a decisão sobre o exame seja compartilhada entre médico e paciente.

    Homens negros ou com histórico familiar devem iniciar o acompanhamento urológico aos 45 anos, conforme recomendação da SBU.

    Com que frequência os exames urológicos devem ser feitos?

    A recomendação geral é realizar os exames anualmente a partir dos 40 anos, mas a frequência pode variar conforme histórico familiar e fatores de risco. Na ausência de alterações, o intervalo entre as consultas pode ser maior, segundo orientação do especialista.

    Sinais de alerta para procurar atendimento médico

    Mesmo com exames regulares, é importante observar sinais que exigem avaliação imediata:

    • Sangue na urina ou no esperma;
    • Dor ou ardência ao urinar;
    • Jato urinário fraco ou interrompido;
    • Vontade frequente de urinar à noite;
    • Dores na lombar ou na pelve;
    • Disfunção erétil persistente.

    Outros cuidados para manter a saúde urológica em dia

    • Beba bastante água: hidratar-se ajuda a eliminar toxinas, melhora a função dos rins e reduz o risco de infecções urinárias e cálculos renais;
    • Alimente-se bem: prefira frutas, verduras e grãos integrais; evite excesso de sal, álcool e alimentos processados;
    • Pratique atividade física: melhora a circulação, ajuda no controle de peso e protege a saúde cardiovascular e renal;
    • Não segure a urina: isso favorece o crescimento de bactérias e sobrecarrega a bexiga;
    • Tenha uma vida sexual segura: use preservativos e previna ISTs;
    • Durma bem e reduza o estresse: o equilíbrio emocional e o descanso são fundamentais para a saúde hormonal.

    “A saúde deve ser acompanhada de forma proativa, buscando cultivar saúde e não apenas tratar doenças. Alimentação, atividade física, sono e saúde mental são os quatro pilares principais”, reforça Willy.

    Confira: Infecção urinária: sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre exames de rotina para homens

    1. Por que homens não vão ao médico?

    O medo de descobrir doenças, o constrangimento e a falta de informação fazem com que muitos homens evitem consultas. Segundo a SBU, 46% dos homens só procuram atendimento quando têm sintomas — o que aumenta o risco de diagnósticos tardios, como o câncer de próstata.

    2. O câncer de próstata tem sintomas visíveis?

    Nos estágios iniciais, não. Quando os sintomas aparecem, o tumor já pode estar avançado. Os principais sinais são dificuldade para urinar, jato fraco, sangue na urina ou no sêmen e dor na pelve.

    3. O uso frequente de medicamentos para ereção é perigoso?

    Sim, se feito sem orientação médica. O uso excessivo pode mascarar doenças cardíacas e causar dependência psicológica. Em pessoas com problemas cardiovasculares, pode provocar queda de pressão e arritmias.

    4. Como é feita a biópsia da próstata e quando ela é indicada?

    A biópsia é indicada quando exames como PSA ou toque retal apontam alterações. O procedimento é feito com agulha fina guiada por ultrassom transretal, sob anestesia local. Fragmentos da próstata são analisados em laboratório para verificar a presença de células cancerígenas.

    5. O que significa PSA alto e o que fazer?

    Um PSA elevado não indica automaticamente câncer. Pode ser causado por inflamações, infecções ou aumento benigno. O médico avaliará o histórico, poderá repetir o exame ou solicitar outros testes, como ultrassom ou ressonância.

    6. Existe algum preparo antes do exame de urina?

    Sim. O ideal é coletar a primeira urina da manhã (ou após 2 horas sem urinar), higienizar a região íntima e descartar o primeiro jato. Evite relações sexuais 24 a 48 horas antes e também exercícios físicos intensos.

    Leia também: Sintomas de próstata aumentada que não devem ser ignorados e quando procurar um urologista

  • Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    A procrastinação é o hábito de adiar uma tarefa, mesmo sabendo que isso pode trazer consequências negativas depois. Mas, ao contrário do que você pode imaginar, o comportamento não está ligado a preguiça ou falta de organização, mas sim a uma dificuldade de lidar com as próprias emoções.

    Quando uma atividade causa desconforto, tédio, medo ou insegurança, o cérebro tenta buscar um alívio imediato, trocando aquela tarefa por algo mais prazeroso no curto prazo. Só que quando a procrastinação se torna frequente e começa a afetar a vida pessoal e profissional, ela deixa de ser apenas uma distração do dia a dia.

    Com o tempo, o hábito pode afetar a produtividade, os estudos, o trabalho e até a saúde mental, principalmente quando as tarefas acumuladas começam a gerar mais estresse e sobrecarga emocional.

    Qual é a relação entre procrastinação e ansiedade?

    A relação entre a procrastinação e a ansiedade não tem a ver com falta de vontade, mas com uma forma pouco saudável de lidar com o desconforto emocional. Em outras palavras, o cérebro adia a tarefa para tentar escapar da sensação ruim que ela provoca.

    Quando uma pessoa ansiosa precisa fazer alguma obrigação, a tarefa está acompanhada de pensamentos como insegurança, preocupação, tédio e até cobrança. A dinâmica costuma acontecer de três formas principais:

    • O ciclo da fuga emocional: quando o prazo se aproxima, surgem sentimentos como medo de errar, estresse ou insegurança. Para aliviar isso rapidamente, o cérebro procura distrações, como redes sociais, vídeos ou até arrumar a casa. Só que o alívio dura pouco e, depois, a culpa aumenta e a ansiedade volta ainda mais forte.
    • O perfeccionismo: muito comum em pessoas ansiosas, o perfeccionismo faz com que a pessoa ache que tudo precisa sair perfeito. Sem perceber, ela pensa que se não conseguir fazer direito, é melhor nem começar agora. Basicamente, o medo de falhar acaba atrapalhando a realização da tarefa.
    • A paralisia por excesso de pensamentos: quando a tarefa parece grande ou complicada, a mente tenta prever todos os problemas e possibilidades ao mesmo tempo, o que gera uma sobrecarga mental tão grande que a pessoa fica cansada antes mesmo de começar.

    Vale destacar que a procrastinação associada ao quadro de ansiedade quase nunca vem acompanhada de descanso de verdade. Mesmo adiando a tarefa, a pessoa continua pensando nela o tempo todo, sofrendo por antecipação e se sentindo pressionada mentalmente.

    Como a depressão afeta a produtividade e gera a procrastinação?

    Enquanto na ansiedade a procrastinação costuma acontecer por medo e excesso de preocupação, em quadros de depressão, o adiamento das tarefas está mais ligado ao esgotamento físico, mental e emocional.

    A doença afeta a química do cérebro e prejudica diretamente a energia, a motivação e a capacidade de concentração, de acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Além do cansaço constante, também é comum perder a sensação de prazer e recompensa ao concluir atividades, o que diminui ainda mais a vontade de agir. A dificuldade de foco e organização também faz com que a pessoa não consiga saber por onde começar.

    Como consequência, até tarefas simples do dia a dia podem parecer pesadas e difíceis demais de realizar. Aos poucos, a pessoa começa a adiar compromissos, perde produtividade e sente culpa por não conseguir acompanhar a própria rotina.

    O ciclo pode aumentar ainda mais o desânimo, a sensação de incapacidade e o isolamento, agravando os sintomas da depressão.

    Como saber se o meu caso é ansiedade, depressão ou apenas um hábito?

    Para entender se a procrastinação está ligada à ansiedade, à depressão ou apenas a um mau hábito, vale observar o motivo do adiamento e como isso afeta o emocional no dia a dia.

    Na procrastinação comum, a pessoa adia a tarefa para fazer algo mais prazeroso no momento, como assistir a uma série ou mexer no celular. Pode existir uma culpa passageira, mas, no geral, ela consegue entregar o que precisa quando o prazo aperta, sem grandes problemas na autoestima ou na rotina.

    Quando o hábito está associado a um quadro de ansiedade, ele vem acompanhado de medo e preocupação excessiva. A pessoa até quer fazer a tarefa, mas trava por medo de errar, de ser julgada ou de não conseguir fazer tudo perfeitamente. Mesmo adiando, ela continua pensando no compromisso o tempo todo, muitas vezes com sintomas como insônia, batimentos acelerados e sensação de angústia.

    Já na depressão, a procrastinação costuma estar relacionada ao esgotamento físico e emocional. A pessoa sente um cansaço constante, falta de energia e dificuldade até para começar tarefas simples. Também é comum perder o interesse pelas atividades e sentir que nada faz sentido, o que aumenta ainda mais o desânimo e a sensação de incapacidade.

    Dicas práticas para vencer a procrastinação e acalmar a mente

    Para romper o ciclo da procrastinação e acalmar o fluxo de pensamentos que causa a paralisia, é preciso adotar medidas que reduzam a sobrecarga do cérebro e facilitem o primeiro passo, como:

    • Regra dos 5 minutos: combine com você mesmo que vai fazer a tarefa por apenas cinco minutos, pois o mais difícil costuma ser começar. Depois disso, fica mais fácil continuar;
    • Divida em pequenas etapas: em vez de pensar em uma tarefa enorme, quebre tudo em partes menores e mais simples. Por exemplo, foque em “organizar uma gaveta” em vez de “arrumar a casa inteira”;
    • Técnica Pomodoro: faça a atividade em períodos curtos, com pausas no meio. Um exemplo é trabalhar por 25 minutos e descansar por 5. Saber que terá uma pausa ajuda a diminuir a ansiedade;
    • Tire as distrações do ambiente: deixe o celular longe, feche abas desnecessárias e tente criar um espaço com menos estímulos para conseguir se concentrar melhor.

    No fim, também é importante ter mais gentileza com você mesmo. Se culpar o tempo todo só aumenta a ansiedade e a vontade de adiar as tarefas. Tente entender as suas dificuldades sem se cobrar de forma excessiva.

    Quando a procrastinação se torna um sinal de alerta para a saúde mental?

    A procrastinação passa a ser um sinal de alerta para a saúde mental quando deixa de acontecer de forma pontual e começa a prejudicar diferentes áreas da vida. Por isso, fique de olho em:

    • Dificuldade frequente para cumprir tarefas no trabalho, nos estudos ou na rotina;
    • Sensação constante de ansiedade, culpa ou angústia por adiar compromissos;
    • Cansaço mental intenso e dificuldade de concentração;
    • Perda de motivação até para atividades simples do dia a dia;
    • Medo excessivo de errar ou de ser julgado;
    • Sensação de incapacidade ou baixa autoestima;
    • Impacto no sono, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

    “Quando a procrastinação é constante e começa a afetar, por exemplo, o trabalho e o estudo, vale muito a pena investigar e ver o que está por trás dela, porque tem como tratar”, finaliza o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Por que nós procrastinamos mesmo sabendo que será ruim?

    Porque o nosso cérebro prioriza o alívio imediato. Diante de uma tarefa que gera estresse, tédio ou insegurança, o sistema límbico (focado no presente) vence o córtex pré-frontal (focado no futuro), fazendo a gente fugir do desconforto na hora.

    2. Existe procrastinação saudável ou positiva?

    Existe a chamada “procrastinação ativa”, que é quando você adia uma tarefa, mas usa esse tempo de forma produtiva para resolver outra urgência ou para amadurecer uma ideia. Ela só se torna um problema quando vira um hábito crônico que gera prejuízos.

    3. O que é a astenia na depressão e como ela afeta a produtividade?

    A astenia é a fadiga crônica provocada pela depressão, que não passa mesmo após uma noite de sono. Ela drena as forças do indivíduo, fazendo com que tarefas simples do cotidiano pareçam obstáculos intransponíveis.

    4. Qual profissional devo procurar para tratar a procrastinação crônica?

    O ideal é iniciar com um psicólogo. Se houver suspeita de que a causa seja um transtorno subjacente, como depressão, ansiedade ou TDAH, a consulta com um psiquiatra é fundamental para avaliação médica e possível tratamento medicamentoso.

    5. Existe relação entre a procrastinação e o relógio biológico?

    Sim. Pessoas que têm mais pico de energia à noite tendem a procrastinar mais durante o dia se forem forçadas a produzir logo cedo. Tentar lutar contra o próprio ritmo biológico aumenta o tédio e a resistência contra a tarefa.

    6. Por que temos a tendência de procrastinar mais as tarefas burocráticas?

    Porque atividades como declarar imposto de renda, pagar contas ou organizar papéis exigem esforço cognitivo, mas não oferecem nenhuma gratificação ou prazer imediato. O cérebro as classifica como “tédio puro” e tenta fugir delas a todo custo.

    7. Como a procrastinação afeta os relacionamentos amorosos e familiares?

    Quando alguém adia constantemente compromissos, tarefas domésticas ou conversas importantes, isso sobrecarrega o parceiro ou os familiares. O comportamento é frequentemente mal interpretado como egoísmo, desleixo ou falta de consideração, gerando crises e quebra de confiança.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • Umidificador, desumidificador ou purificador de ar: qual você realmente precisa?

    Umidificador, desumidificador ou purificador de ar: qual você realmente precisa?

    Acordar com o nariz entupido, sentir a garganta seca durante a noite ou notar manchas de mofo no guarda-roupa são alguns dos sinais de que a qualidade do ar dentro de casa pode não estar adequada.

    Para pessoas que convivem com rinite, asma ou outras alergias respiratórias, a exposição contínua à poeira, ácaros, mofo e poluentes domésticos pode intensificar ainda mais os sintomas e comprometer o bem-estar ao longo do dia.

    Mas então, como melhorar a qualidade do ar dentro de casa? Entre os umidificadores, desumidificadores e purificadores, é comum ter dúvida sobre qual aparelho realmente vale a pena e em quais situações cada um pode ajudar. A seguir, vamos esclarecer tudo que você precisa saber sobre os aparelhos.

    O que faz cada dispositivo para controle da qualidade do ar?

    Os dispositivos trabalham com elementos diferentes no ambiente: água, umidade excessiva ou partículas sólidas.

    1. Umidificador de ar

    O umidificador é um aparelho desenvolvido para aumentar a umidade do ar em ambientes fechados. Ele libera pequenas partículas de água no ambiente, ajudando a reduzir o ressecamento causado pelo clima seco, pelo uso constante de ar-condicionado ou pelas baixas temperaturas do inverno.

    Quando o ar fica muito seco, é comum surgirem sintomas como nariz entupido, garganta irritada, tosse seca, pele ressecada e desconforto respiratório. Eles tendem a ser ainda mais intensos em crianças, idosos e pessoas com rinite, sinusite, asma ou alergias respiratórias.

    O umidificador pode ajudar a deixar o ambiente mais confortável e aliviar parte dos sintomas relacionados ao ressecamento das vias aéreas. Ainda assim, eles devem ser usados com cuidado, pois o excesso de umidade pode favorecer a proliferação de mofo, fungos e ácaros, principalmente em locais pouco ventilados.

    Quando o umidificador de ar é indicado?

    O umidificador de ar é indicado principalmente para locais onde a umidade relativa do ar está abaixo de 40% a 50%, o que é comum em cidades de clima seco, durante o inverno ou em ambientes com uso prolongado de ar-condicionado (que retira a umidade do ambiente).

    2. Desumidificador de ar

    Ao contrário do umidificador de ar, o desumidificador de ar é um aparelho usado para reduzir o excesso de umidade no ambiente, e funciona retirando parte da água do ar e armazenando o líquido em um reservatório ou direcionando-o para drenagem. O objetivo é deixar o ambiente mais seco, confortável e menos propício à proliferação de mofo, fungos e ácaros.

    Ele também deve ser usado com cuidado, pois um ambiente excessivamente seco também pode causar desconfortos respiratórios, irritação na pele e ressecamento das mucosas. Por isso, o ideal é manter a umidade do ar em níveis moderados e adequados para a saúde.

    Quando o desumidificador de ar é indicado?

    O desumidificador de ar costuma ser indicado para locais abafados, pouco ventilados ou com sinais frequentes de umidade, como paredes mofadas, cheiro forte de casa fechada, roupas úmidas e condensação nas janelas. Em regiões muito úmidas, ele também pode ajudar a preservar móveis, roupas, livros e objetos que sofrem com o excesso de umidade.

    3. Purificador de ar

    O purificador de ar é desenvolvido para melhorar a qualidade do ar em ambientes fechados por meio da filtragem de partículas suspensas. Ele ajuda a remover impurezas como poeira, pólen, fumaça, pelos de animais, ácaros e parte dos poluentes presentes no ambiente.

    O funcionamento pode variar de acordo com o modelo, mas muitos aparelhos utilizam filtros especiais, como os filtros HEPA, que ajudam a reter partículas muito pequenas presentes no ar. Além disso, alguns purificadores possuem tecnologias adicionais que auxiliam na redução de odores e de determinados microrganismos no ambiente.

    O aparelho pode ser útil para pessoas com rinite, asma, alergias respiratórias ou maior sensibilidade à poluição. Ele também costuma ser usado em casas com animais de estimação, fumantes ou ambientes localizados em regiões com grande circulação de veículos e poeira.

    Importante: o purificador não substitui cuidados básicos, como manter a limpeza da casa, ventilar os ambientes e controlar a umidade.

    Quando o purificador de ar é indicado?

    O purificador de ar é indicado para melhorar a qualidade do ar do ambiente, ajudando a remover partículas invisíveis que ficam suspensas no ar e podem desencadear crises alérgicas. Diferente dos outros aparelhos, ele não altera a umidade do ambiente, mas ajuda a deixar o ar mais limpo e com menos impurezas.

    É possível usar mais de um aparelho ao mesmo tempo?

    É possível e, em alguns casos, recomendável usar mais de um aparelho ao mesmo tempo. No dia a dia, você pode usar as seguintes combinações:

    • Purificador e umidificador: ideal para quem vive em cidades poluídas e de clima seco. Enquanto o purificador remove a poeira e os alérgenos, o umidificador garante que suas mucosas não fiquem irritadas pelo ar seco. É a combinação perfeita para o quarto durante a noite;
    • Purificador e desumidificador: ideal para quem mora em regiões litorâneas ou casas com pouca incidência de sol. O desumidificador impede que o mofo cresça nas paredes e roupas, enquanto o purificador elimina os esporos de fungos que já possam estar flutuando no ar.

    Uma exceção é o uso do umidificador e do desumidificador ao mesmo tempo, já que os dois aparelhos possuem funções opostas: enquanto um aumenta a umidade do ar, o outro tenta reduzi-la.

    Importante: se usar o umidificador e o purificador juntos, fique atento para não elevar demais a umidade (acima de 60%), o que poderia favorecer o surgimento de ácaros.

    Dicas de manutenção e limpeza dos aparelhos

    A falta de higienização pode fazer com que os dispositivos espalhem impurezas pelo ambiente em vez de ajudar na respiração. Por isso, veja algumas dicas de como mantê-los limpos:

    • Limpe os reservatórios regularmente: no caso dos umidificadores e desumidificadores, a água acumulada deve ser trocada e o reservatório higienizado com frequência para evitar mofo e proliferação de bactérias;
    • Siga as orientações do fabricante: cada aparelho possui recomendações específicas de limpeza, troca de filtros e manutenção. Ler o manual ajuda a evitar danos e melhora o desempenho do equipamento;
    • Troque os filtros no prazo indicado: purificadores de ar dependem dos filtros para funcionar corretamente. Quando os filtros estão saturados, a eficiência do aparelho diminui;
    • Evite deixar água parada por muitos dias: água acumulada por muito tempo pode favorecer o surgimento de fungos e microrganismos;
    • Faça limpeza externa com frequência: a poeira acumulada na parte externa dos aparelhos também pode prejudicar o funcionamento e contaminar o ambiente;
    • Posicione o aparelho em locais adequados: evite instalar os dispositivos muito próximos de paredes, cortinas ou móveis, para permitir melhor circulação do ar;
    • Observe sinais de mau funcionamento: cheiro forte, excesso de ruído, vazamentos ou baixa eficiência podem indicar necessidade de manutenção técnica.

    Nunca use produtos de limpeza com perfumes fortes para higienizar os reservatórios ou as grades dos aparelhos. Os resíduos de fragrância podem ser lançados no ar assim que você ligar o equipamento, engatilhando uma crise de espirros ou falta de ar imediatamente. Use sempre vinagre branco ou detergente neutro sem cheiro.

    Confira: Rinite alérgica ou resfriado: conheça as diferenças entre eles e como identificar

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a umidade ideal para quem tem rinite?

    A umidade ideal deve ficar entre 40% e 60%. Abaixo disso, as mucosas ressecam; acima, favorece o surgimento de ácaros e mofo.

    2. Posso dormir com o umidificador ligado a noite toda?

    Sim, desde que a umidade do quarto não ultrapasse os 60%. O ideal é usar aparelhos com desligamento automático ou temporizador.

    3. O umidificador pode causar mofo na parede?

    Sim, se usado em excesso ou em ambientes já úmidos. Nunca direcione a névoa diretamente para paredes ou móveis de madeira.

    4. Qual a diferença entre filtro comum e filtro HEPA?

    Filtros comuns barram apenas sujeiras grandes. O HEPA retém 99,9% de partículas minúsculas, como pólen e fezes de ácaro.

    5. Bebês podem usar purificador de ar no quarto?

    Sim, é recomendado para manter o ambiente livre de alérgenos e proteger o sistema respiratório em desenvolvimento.

    6. O desumidificador ajuda a secar roupas dentro de casa?

    Sim, ele acelera a secagem das roupas em dias de chuva ao retirar a umidade do ar ao redor do varal interno.

    7. Onde posicionar o purificador de ar?

    No centro do cômodo ou em locais onde o fluxo de ar não seja obstruído por móveis ou cortinas.

    8. Posso usar essências ou óleos essenciais no umidificador?

    Apenas se o aparelho for específico para aromaterapia. Em modelos comuns, o óleo pode derreter o plástico e danificar o motor.

    9. De quanto em quanto tempo devo trocar o filtro do purificador?

    Em média, a cada 6 a 12 meses, dependendo da qualidade do ar da sua região e do modelo do aparelho.

    10. Qual aparelho é melhor para quem tem asma?

    O purificador de ar com filtro HEPA é o mais indicado, pois remove os gatilhos (poeira e pólens) que causam as crises.

    Veja também: Ar-condicionado faz mal para quem tem rinite ou asma? Saiba como evitar as crises

  • Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra 

    Batimentos acelerados estão relacionados a uma arritmia cardíaca? Descubra 

    Sentir o coração disparar de repente é uma experiência que assusta qualquer pessoa. Muitas vezes, essa aceleração é apenas uma resposta natural do corpo — pode acontecer durante a prática de exercícios, em situações de estresse ou logo após um susto.

    Mas nem sempre é algo passageiro. Em alguns casos, os batimentos rápidos e fora do ritmo podem indicar uma arritmia cardíaca, um distúrbio no sistema elétrico que comanda o funcionamento do coração. Reconhecer essa diferença é muito importante para saber quando é hora de procurar ajuda médica.

    O que causa batimentos acelerados?

    É normal que nosso coração acelere em resposta a vários fatores, como durante um exercício físico, uma emoção forte ou um susto. “Isso é chamado de taquicardia sinusal, um ritmo cardíaco normal, apenas mais rápido”, explica o cardiologista Pablo Cartaxo.

    Uma arritmia cardíaca, por outro lado, é uma alteração nesse ritmo considerado normal. Na arritmia, o coração pode bater rápido demais (taquiarritmia), mas também devagar demais (bradiarritmia) ou de forma totalmente irregular.

    “A arritmia é como uma falha no ‘circuito elétrico’ que comanda o coração, podendo ocorrer até mesmo em repouso”, diz o médico.

    Ou seja, os batimentos acelerados podem ter relação ou não com arritmias. Algumas causas são normais e fisiológicas, outras estão ligadas a doenças e a outros problemas:

    • Acelerações normais (sinusais): esforço físico, ansiedade, estresse, excesso de cafeína, febre e desidratação;
    • Causas não cardíacas: alterações da tireoide, apneia do sono, desequilíbrio de eletrólitos no sangue;
    • Causas cardíacas: cicatrizes de infarto, dilatação das câmaras do coração ou doenças congênitas que afetam o sistema elétrico.

    Além disso, ansiedade e estresse também podem causar aceleração sem ser, de fato, uma arritmia cardíaca. “Eles ativam o sistema de ‘luta ou fuga’ do corpo, liberando adrenalina, e um dos efeitos diretos é o aumento da frequência cardíaca”, diz o médico.

    Essa é uma sensação desconfortável, mas que não costuma representar perigo. No entanto, em pessoas com predisposição, picos de estresse podem servir de gatilho para arritmias verdadeiras.

    Sinais de alerta de arritmia cardíaca

    As palpitações já merecem investigação, mas há sintomas que exigem ainda mais atenção, já que podem estar relacionados a uma arritmia cardíaca:

    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Desmaio (síncope);
    • Falta de ar intensa;
    • Dor ou desconforto no peito.

    Esses sinais indicam que a arritmia cardíaca pode estar comprometendo a circulação sanguínea do corpo, o que requer atendimento médico imediato.

    Exames de diagnóstico e tratamento para arritmias

    O diagnóstico começa no consultório, com avaliação clínica detalhada. Mas, como muitas arritmias são intermitentes, exames complementares são indispensáveis:

    • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração no momento do exame;
    • Holter 24 horas: monitora continuamente os batimentos ao longo de um dia inteiro;
    • Ecocardiograma: avalia a estrutura e a função do coração;
    • Teste ergométrico (teste de esforço): analisa como o coração reage durante atividade física.

    O médico destaca que nem toda arritmia cardíaca precisa de tratamento. Há arritmias benignas que não exigem intervenção, mas o tratamento é fundamental quando há risco de complicações.

    “A intervenção é indicada quando a arritmia causa sintomas, afeta a qualidade de vida ou, mais importante, quando representa risco de complicações graves, como AVC, interferência na função cardíaca ou morte súbita.”

    Nesses casos, o tratamento das arritmias depende do tipo e da gravidade. Em alguns pacientes, o controle pode ser feito apenas com medicamentos antiarrítmicos.

    Quando há maior risco, podem ser indicados procedimentos como a ablação por cateter, que elimina os focos elétricos anormais, ou o implante de dispositivos, como o marca-passo.

    Veja mais: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova

    Fatores de risco para arritmias e como prevenir

    Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver arritmias:

    • Idade avançada;
    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Obesidade;
    • Consumo excessivo de álcool ou cafeína;
    • Tabagismo;
    • Apneia do sono;
    • Presença de doença cardíaca prévia, como a coronariana.

    A prevenção de arritmias envolve cuidados com o estilo de vida e controle de doenças associadas.

    “Isso inclui dieta balanceada, atividade física regular, gerenciamento do estresse, sono de qualidade, moderação no álcool e na cafeína e, fundamentalmente, o tratamento adequado de condições como pressão alta e diabetes”, reforça o especialista.

    O check-up cardiológico regular é a melhor forma de identificar e tratar problemas precocemente.

    Leia mais: Falta de ar: quando pode ser problema do coração

    Perguntas Frequentes sobre arritmia e batimentos acelerados

    1. Batimentos acelerados sempre indicam arritmia cardíaca?

    Não. Eles podem ser apenas resposta a esforço físico, ansiedade, febre ou consumo de cafeína.

    2. Como diferenciar taquicardia normal de arritmia cardíaca?

    Na taquicardia sinusal (“normal”) o coração bate mais rápido, mas o ritmo continua organizado e previsível, comum em situações como esforço físico e estresse. Já nas arritmias, o ritmo se torna irregular ou anormal, podendo acelerar, desacelerar ou apresentar batidas fora de ordem, mesmo em repouso.

    3. A ansiedade pode causar palpitações perigosas?

    Geralmente não, mas pode funcionar como gatilho para arritmias em pessoas predispostas.

    4. Quais exames ajudam a diagnosticar arritmia?

    Eletrocardiograma, Holter de 24h, ecocardiograma e teste ergométrico são os principais.

    5. Toda arritmia precisa de tratamento?

    Não. Algumas são benignas. O tratamento é necessário quando causam sintomas, afetam a vida ou oferecem risco de complicações.

    6. Quais fatores aumentam o risco de arritmia?

    Idade avançada, pressão alta, diabetes, obesidade, álcool, cafeína, tabagismo, apneia do sono e doenças cardíacas.

    7. Como prevenir arritmias?

    Com estilo de vida saudável, controle de doenças como hipertensão e diabetes, sono de qualidade, menos estresse e check-ups regulares.

    Confira: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

  • Como ter uma alimentação saudável? Veja os benefícios 

    Como ter uma alimentação saudável? Veja os benefícios 

    Do café da manhã corrido até o jantar em família, tudo o que você coloca no prato tem impacto direto na saúde, energia e bem-estar. Afinal, a alimentação é um dos principais pilares da qualidade de vida e, quando feita de forma adequada, pode prevenir doenças, aumentar a disposição e até melhorar o humor. Mas, na prática, o que significa ter uma alimentação saudável?

    Conversamos com a nutróloga Flávia Pfeilsticker para entender melhor os benefícios de uma rotina alimentar equilibrada, aprender na prática como adotar uma alimentação saudável e identificar os sinais de que algo pode não estar indo bem. Confira!

    O que é uma alimentação saudável?

    Uma alimentação saudável é aquela que garante todos os nutrientes necessários para o corpo funcionar bem, sem excessos ou deficiências. Isso significa oferecer energia, vitaminas, minerais, fibras e proteínas na medida certa — priorizando alimentos naturais ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais, feijões, carnes, ovos e leite.

    Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, uma alimentação saudável e equilibrada deve:

    • Atender às necessidades do corpo: cada pessoa tem exigências nutricionais diferentes, seja uma criança em fase de crescimento, uma gestante, um idoso ou um atleta;
    • Respeitar a cultura alimentar: valorizar a comida típica da região, receitas de família e modos de preparo que fazem parte da identidade cultural;
    • Ser acessível: a comida saudável precisa ser possível de manter no dia a dia, usando ingredientes disponíveis no mercado ou feira local;
    • Basear-se em práticas sustentáveis: dar preferência a alimentos locais, da estação e produzidos de forma que causem menos impacto ambiental.

    No geral, uma rotina alimentar saudável é comer de um jeito que nutre o corpo, mas também traz prazer, preserva tradições e cabe na rotina de cada pessoa.

    Quais os benefícios da alimentação saudável?

    1. Prevenção de doenças crônicas

    O Brasil vive uma transição nutricional significativa: se por um lado a desnutrição infantil diminuiu, por outro o sobrepeso e a obesidade avançaram em todas as idades. Hoje, segundo a Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um em cada dois adultos e uma em cada três crianças já estão acima do peso.

    Adotar uma dieta equilibrada é fundamental para reverter a tendência, ajudar a manter o peso sob controle e reduzir o risco de doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e até alguns tipos de câncer.

    2. Mais energia e disposição

    Alimentos frescos, ricos em fibras e nutrientes, ajudam a regular o metabolismo e manter a energia estável ao longo do dia. Em contrapartida, produtos ultraprocessados costumam provocar picos de glicose seguidos de quedas bruscas, o que deixa a pessoa cansada e sem disposição.

    3. Melhora da saúde mental

    Estudos mostram que dietas ricas em vegetais, frutas e grãos estão ligadas a menores índices de depressão e ansiedade. Além disso, o simples ato de compartilhar refeições em família ou em grupo fortalece vínculos sociais e aumenta a sensação de bem-estar.

    4. Melhor sono

    Alimentos ricos em magnésio, como sementes, oleaginosas, espinafre e abacate, ajudam a relaxar os músculos e reduzir a ansiedade — favorecendo o descanso. Já refeições muito pesadas, com excesso de gordura saturada e ultraprocessados no jantar, dificultam a digestão e podem provocar insônia ou sono agitado.

    5. Fortalecimento da imunidade

    Um dos principais benefícios da alimentação saudável é a melhora do sistema imunológico. Nutrientes como vitamina C, vitamina D, ferro, zinco e probióticos são fundamentais para que o corpo esteja preparado para enfrentar vírus e bactérias. Uma dieta rica em frutas cítricas, vegetais variados, leguminosas e alimentos fermentados ajuda a reduzir o risco de gripes recorrentes, infecções e inflamações.

    6. Mais concentração e memória

    Alimentos ricos em ômega-3, como peixes de água fria (salmão, sardinha, atum), ajudam a proteger as células cerebrais e favorecem a memória. Castanhas, nozes e vegetais de folhas verdes fornecem antioxidantes e vitaminas que melhoram a circulação sanguínea e a oxigenação do cérebro — melhorando o foco e a concentração.

    7. Melhora da digestão

    Uma dieta rica em fibras, presente em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e sementes, ajuda a regular o trânsito intestinal e evitar problemas como constipação e inchaço abdominal. Além disso, beber água regularmente potencializa o efeito das fibras.

    Por outro lado, o excesso de ultraprocessados, fast food e bebidas açucaradas tende a desequilibrar a flora intestinal, prejudicando não só a digestão, mas também a absorção de nutrientes.

    Como classificar os alimentos?

    Para facilitar, o Guia Alimentar para a População Brasileira divide os alimentos em quatro grupos principais, sendo eles:

    • Alimentos in natura ou minimamente processados: frutas, verduras, legumes, grãos, ovos, leite, carnes, arroz, feijão. Eles devem ser a base da alimentação;
    • Ingredientes culinários processados: óleos, manteiga, sal, açúcar. Podem ser usados em pequenas quantidades para temperar ou cozinhar;
    • Alimentos processados: pães, queijos, conservas podem fazer parte da dieta, mas com moderação;
    • Alimentos ultraprocessados: refrigerantes, biscoitos recheados, embutidos, salgadinhos devem ser evitados, pois contêm excesso de sal, açúcar, gorduras ruins e aditivos.

    Como ter uma alimentação saudável no dia a dia

    Adotar uma alimentação mais saudável não significa começar com mudanças radicais, e sim dar passos consistentes no dia a dia, afirma a nutróloga Flávia Pfeilsticker.

    “Muitas pessoas acreditam que é preciso cortar totalmente açúcar e frituras para se alimentar bem. Na prática, não se trata de proibição absoluta, mas de moderação: a restrição gera compulsão. O consumo eventual de doces ou frituras não compromete a saúde, desde que a base da alimentação seja equilibrada”, explica a especialista.

    Pequenas mudanças no dia a dia já são suficientes para transformar o seu relacionamento com a comida, como:

    1. Monte pratos coloridos

    O primeiro passo é olhar para o prato e avaliar se há variedade, pois quanto mais colorida for a refeição, maior será a diversidade de nutrientes ingeridos.

    Cada tonalidade indica a presença de vitaminas e minerais específicos: o laranja da cenoura e da abóbora, por exemplo, contêm betacaroteno, importante para os olhos e a pele. Já o verde-escuro das folhas, como couve e espinafre, é rico em ferro, cálcio e fibras, que auxiliam na formação dos ossos, na prevenção da anemia e no bom funcionamento do intestino.

    “Incluir mais frutas, verduras e legumes, reduzir ultraprocessados e preferir alimentos frescos já é um grande começo. Planejar as compras e organizar a rotina de refeições também ajuda a evitar escolhas por impulso”, aponta Flávia Pfeilsticker.

    2. Priorize alimentos in natura ou minimamente processados

    A base de uma alimentação saudável deve ser composta por alimentos de verdade: frutas, verduras, legumes, cereais integrais, arroz, feijão, carnes frescas, peixes, ovos e leite.

    Eles fornecem vitaminas, minerais, fibras e proteínas que o corpo aproveita melhor. Ao contrário dos ultraprocessados, não têm excesso de aditivos, corantes ou conservantes. Quanto mais natural for o alimento, mais saudável e nutritivo ele será no prato.

    3. Reduza o consumo de ultraprocessados

    Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo e cereais açucarados são ricos em açúcar, sódio, gorduras ruins e aditivos artificiais. Além de pouco nutritivos, são formulados para serem consumidos em excesso.

    O consumo frequente está diretamente ligado ao aumento de obesidade, hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas. Isso não significa nunca mais consumir os alimentos, mas entender que eles não devem estar presentes no dia a dia.

    4. Beba água

    A água é fundamental para o transporte de nutrientes, regulação da temperatura do corpo, bom funcionamento do intestino e até da pele. Muitas vezes, a sensação de cansaço ou dor de cabeça tem relação com a falta de hidratação.

    O ideal é beber água ao longo do dia, sem esperar a sede aparecer. Substituir a água por refrigerantes ou sucos artificiais não traz o mesmo benefício, já que essas bebidas carregam açúcar e aditivos que aumentam as calorias da dieta e podem favorecer o ganho de peso.

    5. Planeje as refeições

    A correria do dia a dia faz com que muitas pessoas recorram a lanches rápidos, fast food e pedidos de aplicativo. Uma forma prática de evitar isso é planejar a semana: organizar a lista de compras, cozinhar em casa quando possível e até preparar marmitas para levar ao trabalho ou à faculdade. Ter sempre alimentos frescos e prontos ajuda a tomar decisões mais saudáveis.

    6. Coma com atenção e prazer

    Fazer as refeições com calma, sentado à mesa e, de preferência, acompanhado, melhora a digestão e favorece a sensação de saciedade. O chamado “comer consciente” evita exageros, já que você percebe melhor os sinais de fome e satisfação.

    Além disso, compartilhar refeições com familiares ou amigos fortalece vínculos sociais e torna a alimentação um momento de prazer e convivência.

    7. Evite dietas restritivas

    De acordo com Flávia, um dos principais riscos para quem está começando são os modismos alimentares e as dietas extremamente restritivas.

    Uma dieta restritiva é aquela que corta de forma intensa ou até elimina totalmente determinados grupos de alimentos ou nutrientes da alimentação diária. Normalmente, ela reduz drasticamente calorias, carboidratos, gorduras ou até proteínas.

    Apesar de oferecerem resultados rápidos, essas estratégias não são sustentáveis e podem gerar deficiências nutricionais importantes — além de queda de energia, fraqueza, perda de massa muscular e até problemas hormonais. Em muitos casos, também pode levar ao “efeito sanfona”, em que a pessoa emagrece rápido, mas recupera o peso logo depois por não conseguir manter as restrições.

    Alimentação saudável de crianças e adolescentes

    Para crianças, a alimentação saudável é essencial para crescer bem, fortalecer a imunidade e ajudar no desenvolvimento do cérebro. Nessa fase, o corpo está em formação e cada nutriente é importante para garantir energia, saúde e boa concentração.

    Vale lembrar que nenhum alimento isolado é capaz de oferecer tudo o que o organismo precisa — por isso, a variedade é fundamental.

    • Nos primeiros dois anos de vida, a orientação é que o bebê seja mantido em amamentação exclusiva até os seis meses de vida, seguido da introdução alimentar com frutas, legumes, cereais e proteínas de forma natural, sem açúcar ou ultraprocessados;
    • Na infância, a base da alimentação deve ser feita de alimentos frescos e preparados em casa. Comer em família também ajuda, já que as crianças aprendem pelo exemplo. Quando os pais valorizam frutas, verduras e refeições caseiras, os filhos tendem a seguir o mesmo caminho.

    O consumo frequente de ultraprocessados na infância, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e fast food, está diretamente associado ao aumento dos índices de obesidade infantil e ao desenvolvimento precoce de doenças crônicas já na adolescência, como hipertensão e diabetes tipo 2.

    Por isso, investir numa rotina alimentar desde cedo é fundamental para garantir o crescimento adequado da criança, bom desempenho escolar e proteção contra problemas de saúde no futuro.

    Como saber se a alimentação atual está prejudicando a saúde?

    Segundo a nutróloga Flávia Pfeilsticker, alguns sinais simples já mostram quando a alimentação não vai bem. Cansaço frequente, dificuldade de concentração, ganho de peso sem explicação, prisão de ventre ou diarreia são indícios de que os hábitos alimentares precisam de ajustes.

    Além dos sintomas do dia a dia, exames laboratoriais com alterações, como colesterol, glicemia e triglicérides, podem indicar que a alimentação está favorecendo o desenvolvimento de doenças crônicas.

    “Embora seja possível começar sozinho, o acompanhamento médico e nutricional é muito útil, especialmente para quem já tem doenças como diabetes, hipertensão ou obesidade”, finaliza Flávia.

    Leia também: 7 alimentos que carregam sódio escondido (e você nem desconfia)

    Perguntas frequentes

    1. Preciso cortar totalmente doces e frituras para ser saudável?

    A resposta é não. A alimentação saudável é sobre equilíbrio, não sobre restrição. Doces e frituras podem estar presentes em momentos específicos, desde que não façam parte da rotina diária. O problema surge quando esses alimentos ocupam mais espaço que frutas, verduras, legumes e proteínas.

    2. Como montar um prato saudável no dia a dia?

    Uma forma prática de montar um prato saudável é pensar em equilíbrio: metade com vegetais, um quarto com carboidratos como arroz integral, batata ou mandioca e o outro quarto com proteínas, que podem ser carne, frango, peixe, ovos ou leguminosas como feijão e lentilha.

    3. Qual a diferença entre processados e ultraprocessados?

    Os processados são alimentos que passam por alterações para ganhar maior durabilidade, mas ainda preservam boa parte de suas características originais, como queijos, conservas e pães. Eles podem fazer parte da alimentação, desde que consumidos com moderação.

    Já os ultraprocessados passam por diversas etapas industriais, são feitos com ingredientes artificiais e geralmente contêm aditivos químicos, excesso de sal, açúcar e gorduras ruins. Entre eles, podemos citar os refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e embutidos como salsicha e presunto. Eles devem ser evitados no dia a dia.

    4. Comer à noite engorda?

    Na verdade, o que importa é a qualidade e a quantidade dos alimentos ingeridos ao longo do dia, não apenas o horário. Comer à noite só será um problema se houver exagero ou escolhas muito calóricas e pesadas, que atrapalham a digestão e o sono.

    5. Preciso comer de três em três horas?

    Não existe uma regra universal. Algumas pessoas se adaptam bem a refeições mais frequentes e menores, enquanto outras preferem intervalos maiores. O importante é não passar longos períodos em jejum para evitar exageros depois e, principalmente, respeitar os sinais de fome e saciedade.

    Confira: O custo de comer bem: a dieta DASH cabe no bolso?

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    Sentir dor no peito costuma gerar medo imediato de infarto, e não é à toa. Esse é um dos sintomas que costuma motivar investigação imediata no pronto-socorro, porque pode estar relacionado a condições potencialmente graves, como infarto, embolia pulmonar e doenças da aorta.

    Mas a verdade é que nem toda dor no peito vem do coração. Problemas musculares, refluxo, ansiedade e até crises de pânico também podem provocar desconforto na região.

    Por isso, quando alguém chega ao pronto-socorro com esse sintoma, a equipe médica segue uma sequência rápida de avaliação para identificar, o mais cedo possível, se existe risco imediato à vida.

    Por que a dor no peito precisa de avaliação rápida

    Nem toda dor no peito é causada pelo coração. Ela também pode estar relacionada a:

    • Problemas musculares;
    • Ansiedade;
    • Refluxo gastroesofágico;
    • Doenças pulmonares.

    Mesmo assim, como algumas causas podem ser graves, o principal objetivo da avaliação é excluir ou confirmar rapidamente situações de emergência.

    Primeira etapa: avaliação inicial

    Ao chegar ao pronto-socorro, a equipe realiza uma triagem inicial. Nessa fase são avaliados:

    • Pressão arterial;
    • Frequência cardíaca;
    • Oxigenação do sangue;
    • Temperatura;
    • Intensidade da dor.

    Pacientes com sinais de gravidade ou alterações importantes dos sinais vitais recebem atendimento prioritário.

    Perguntas importantes feitas pelo médico

    A conversa inicial ajuda muito no diagnóstico. O médico costuma perguntar:

    • Como é a dor;
    • Quando ela começou;
    • Se irradia para braço, costas ou mandíbula;
    • Se há falta de ar, tontura, náuseas, vômitos ou suor frio;
    • Histórico de doenças cardíacas;
    • Uso de medicamentos.

    Essas informações ajudam a estimar o risco e direcionar os exames necessários.

    Exame físico

    O exame físico busca sinais que possam indicar gravidade. O médico pode avaliar:

    • Batimentos cardíacos;
    • Pulmões;
    • Presença de suor frio;
    • Inchaços;
    • Alterações da circulação.

    Eletrocardiograma: um dos exames mais importantes

    O eletrocardiograma (ECG) costuma ser realizado rapidamente, principalmente quando existe suspeita de infarto. Esse exame avalia:

    • Ritmo do coração;
    • Alterações sugestivas de infarto;
    • Arritmias.

    Idealmente, ele é feito nos primeiros minutos após a chegada ao pronto-socorro.

    Exames de sangue

    Os exames laboratoriais ajudam a identificar lesão do músculo cardíaco e outros diagnósticos diferenciais. Os principais são:

    • Troponina (marcador de dano cardíaco);
    • Hemograma;
    • Função renal;
    • Outros exames conforme o caso.

    A troponina pode precisar ser repetida após algumas horas. Quando existe aumento importante entre as medidas, a suspeita de infarto se torna mais provável.

    Outros exames que podem ser necessários

    Dependendo da suspeita clínica, outros exames podem ser solicitados.

    1. Radiografia de tórax

    Ajuda a avaliar:

    • Pulmões;
    • Infecções;
    • Alterações cardíacas.

    2. Tomografia

    Pode ser indicada em casos de:

    • Embolia pulmonar;
    • Problemas na aorta.

    3. Ecocardiograma

    Avalia a estrutura e a função do coração.

    4. Cateterismo cardíaco

    É realizado em casos de suspeita de infarto ou angina. O exame é tanto diagnóstico quanto terapêutico, permitindo:

    • Avaliar a circulação do coração;
    • Identificar obstruções nas artérias cardíacas;
    • Realizar tratamento, quando necessário.

    Nem toda dor no peito é infarto

    Apesar da preocupação, muitas dores no peito têm causas menos graves. Entre elas:

    • Dor muscular;
    • Ansiedade;
    • Gastrite ou refluxo;
    • Inflamações.

    Mesmo assim, a avaliação médica continua sendo importante para afastar situações perigosas.

    Quando a internação pode ser necessária

    A internação pode ocorrer quando há:

    • Suspeita de infarto;
    • Alterações nos exames de sangue ou imagem;
    • Dor persistente;
    • Necessidade de monitorização.

    Sinais de alerta que exigem atendimento urgente

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Dor intensa no peito;
    • Falta de ar;
    • Suor frio;
    • Desmaio;
    • Dor irradiando para braço ou mandíbula.

    Confira: Refluxo gastroesofágico: conheça as causas, sintomas e como tratar

    Perguntas frequentes sobre dor no peito no pronto-socorro

    1. Toda dor no peito é infarto?

    Não. Existem várias causas possíveis, incluindo problemas musculares, ansiedade e refluxo.

    2. O eletrocardiograma detecta infarto?

    Sim. O exame ajuda a identificar alterações típicas de infarto em muitos casos.

    3. O exame de sangue é importante?

    Sim. A troponina é um dos principais marcadores para identificar lesão cardíaca.

    4. Ansiedade pode causar dor no peito?

    Sim. Crises de ansiedade e pânico podem provocar dor ou aperto no peito.

    5. Quanto tempo demora a avaliação?

    Depende da gravidade do caso e dos exames necessários.

    6. Quem precisa internar?

    Pacientes com suspeita de doenças graves ou alterações importantes nos exames.

    7. Quando procurar emergência?

    Sempre que houver dor no peito intensa ou sintomas associados, como falta de ar e desmaio.

    Veja também: Pericardite: a inflamação no coração que pode simular infarto

  • Jejum prolongado: quando ficar sem comer começa a fazer mal 

    Jejum prolongado: quando ficar sem comer começa a fazer mal 

    Passar muitas horas sem se alimentar pode provocar diferentes reações no organismo, que variam de sintomas leves, como fome e irritação, até situações mais preocupantes, como tontura, queda de pressão e desmaios.

    Embora o corpo tenha mecanismos para lidar com períodos sem comida, existe um limite para isso, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

    Nos últimos anos, práticas de jejum ganharam popularidade, principalmente associadas ao emagrecimento. Ainda assim, jejuns prolongados sem orientação adequada podem trazer riscos importantes para a saúde. Entender os sinais que o corpo dá ajuda a reconhecer quando o organismo está começando a sofrer com a falta de energia.

    O que acontece no corpo quando ficamos sem comer

    O organismo precisa de energia constantemente para manter funções vitais, como respiração, funcionamento do cérebro e atividade do coração. Após algumas horas sem alimentação, o corpo começa a usar:

    • Glicose armazenada no fígado;
    • Reservas de gordura;
    • Outros mecanismos de produção de energia.

    Esses processos ajudam a manter o funcionamento do cérebro e dos órgãos mesmo durante períodos sem alimentação.

    Primeiros sintomas do jejum prolongado

    Os sintomas iniciais costumam surgir conforme o organismo reduz a disponibilidade de energia. Os mais comuns são:

    • Fome intensa;
    • Fraqueza;
    • Dor de cabeça;
    • Irritabilidade;
    • Tremores;
    • Dificuldade de concentração.

    Em algumas pessoas, os sintomas aparecem rapidamente, principalmente quando há predisposição à queda de glicose.

    Hipoglicemia: uma das principais preocupações

    Em algumas pessoas, o jejum pode causar queda do açúcar no sangue, chamada de hipoglicemia. Isso pode provocar:

    • Suor frio;
    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Visão turva;
    • Sensação de desmaio.

    O risco é maior em pessoas com diabetes ou em quem usa medicamentos que reduzem a glicemia.

    O que acontece após muitas horas sem comer

    Conforme o jejum se prolonga, o corpo passa a utilizar mais gordura como fonte de energia. Nesse período, podem surgir:

    • Cansaço importante;
    • Mau hálito;
    • Náuseas;
    • Queda do rendimento físico e mental.

    Em jejuns muito prolongados, pode ocorrer também perda de massa muscular.

    Quem pode passar mais mal em jejum

    Alguns grupos têm maior risco de complicações relacionadas ao jejum prolongado:

    • Crianças;
    • Idosos;
    • Pessoas com diabetes;
    • Gestantes;
    • Pessoas com baixo peso;
    • Pacientes com doenças crônicas.

    Nesses casos, períodos longos sem alimentação podem causar descompensações mais rapidamente.

    Jejum pode causar desmaio?

    Sim. A combinação de hipoglicemia, desidratação e queda de pressão pode levar à sensação de desmaio ou até perda de consciência.

    Jejum prolongado pode ser perigoso?

    Dependendo da duração e da condição de saúde da pessoa, sim. Os riscos são:

    • Desidratação;
    • Alterações de pressão arterial;
    • Distúrbios metabólicos e de eletrólitos;
    • Piora de doenças já existentes.

    Por isso, jejuns prolongados não devem ser feitos sem orientação adequada, principalmente por pessoas com problemas de saúde.

    Como evitar passar mal

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Não ficar muitas horas sem se alimentar;
    • Manter hidratação adequada;
    • Fazer refeições equilibradas;
    • Evitar jejuns prolongados sem orientação médica.

    Quando procurar atendimento médico

    Procure avaliação médica se houver:

    • Desmaio;
    • Confusão mental;
    • Tremores intensos;
    • Dificuldade para acordar;
    • Sintomas persistentes.

    Esses sinais podem indicar complicações importantes relacionadas ao jejum ou à desidratação.

    Veja mais: Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise

    Perguntas frequentes sobre jejum prolongado

    1. Ficar muitas horas sem comer faz mal?

    Pode fazer, principalmente em pessoas mais sensíveis ou com doenças crônicas.

    2. Jejum pode causar hipoglicemia?

    Sim. A queda do açúcar no sangue é uma das principais complicações.

    3. É normal sentir tontura em jejum?

    Sim. Tontura pode ocorrer por hipoglicemia, desidratação ou queda de pressão.

    4. Jejum pode causar desmaio?

    Sim, especialmente quando o organismo não consegue manter energia e hidratação adequadas.

    5. Quem deve evitar jejuns prolongados?

    Crianças, idosos, gestantes, pessoas com diabetes e pacientes com doenças crônicas.

    6. Beber água evita passar mal?

    A hidratação ajuda, mas não substitui completamente a alimentação.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando houver desmaios, confusão mental, tremores intensos ou sintomas persistentes.

    Confira: 6 gatilhos para enxaqueca (e como prevenir novas crises)