Se você já teve algum sintoma depois de comer algum alimento e já considerou riscá-lo do cardápio para sempre sem antes ouvir o que um médico tem a dizer, saiba que essa não é a melhor saída. A melhor coisa a se fazer é procurar um médico para fazer o diagnóstico de alergia alimentar e, se for realmente o caso, seguir um tratamento para evitar os sintomas.
“Nem toda dor de barriga ou coceira tem relação com alergia alimentar”, explica a médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Por isso, não é prudente sair eliminando leite, ovo ou trigo ou outros alimentos por conta própria.
Lista de sintomas de alergia alimentar
É bom saber qual são os principais sintomas de alergia alimentar, e quais deles são leves, moderados ou graves.
Sintomas leves de alergia alimentar
- Coceira na pele ou na boca
- Manchas vermelhas e coceira em alguma parte do corpo
- Mal-estar leve na barriga
Sintomas moderados de alergia alimentar
- Vômito
- Diarreia
- Manchas vermelhas e coceira em todo o corpo
Sintomas graves de alergia alimentar
- Dificuldade para respirar
- Inchaço no rosto ou garganta
- Queda de pressão
- Desmaio
Quando procurar ajuda médica
Se ao comer algum alimento você nota sintomas como os já descritos, é importante procurar um médico alergista. O diagnóstico da alergia alimentar depende de uma boa conversa com o especialista, da análise dos sintomas, do uso de diário alimentar e, se necessário, de exames específicos.
Exames para diagnóstico de alergia alimentar
Os exames mais comuns para diagnosticar alergia alimentar são o teste cutâneo, conhecido por prick test, a dosagem do anticorpo IgE específica no sangue e, em situações mais controladas, o chamado teste de provocação oral, feito em ambiente médico, com todo o cuidado que o caso pede.
Tratamento: exclusão ou reintrodução segurança
Quando o diagnóstico de alergia alimentar é confirmado e se trata de uma alergia IgE-mediada, tipo que costuma causar reações mais rápidas e intensas, o tratamento para a alergia alimentar é direto: excluir completamente o alimento e qualquer traço dele. Isso significa atenção até aos mínimos detalhes, como panelas sujas, colheres com restos de alimento e até migalhas.
“Alguns pacientes precisam evitar contaminação cruzada de alimentos e ter sempre à disposição adrenalina autoinjetável”, orienta Brianna.
A adrenalina autoinjetável é um tipo de medicamento usado em emergências para tratamento de alergia alimentar. Ela é prescrita por um médico e vem em um dispositivo que lembra uma caneta. Basta um clique para aplicar a dose certa de adrenalina, geralmente na coxa.
É um recurso simples, mas que pode fazer toda a diferença em casos de reações graves, como a anafilaxia, quando a pessoa apresenta inchaço, falta de ar, queda de pressão e risco real à vida.
Pessoas com risco de reações alérgicas graves devem ter esse tipo de medicação sempre por perto. Saber quando e como usá-la é parte essencial do plano de segurança, e o médico é o especialista que orienta como e quando fazer a aplicação.
Mas nem todo caso exige medidas tão rígidas. Em quadros mais leves ou em alergias não IgE-mediadas, que são aquelas que demoram mais para causar sintomas e geralmente afetam o sistema digestivo, pode ser possível fazer um tratamento de alergia alimentar e voltar a comer o alimento aos poucos, com acompanhamento de um médico.
Existem também estudos que investigam formas de dessensibilização: o organismo vai sendo exposto a quantidades muito pequenas do alimento, por via oral ou por adesivos na pele, com a intenção de reduzir a resposta alérgica. Essas técnicas ainda estão em fase de pesquisa, mas os resultados são bem animadores.
Alergia alimentar tem cura?
A cura depende do tipo de alergia. Algumas, como as causadas por leite de vaca, ovo, trigo e soja, costumam desaparecer com o tempo, especialmente nas crianças. Já outras, como a alergia a castanhas, amendoim e frutos do mar, tendem a acompanhar a pessoa pela vida toda.
“O acompanhamento regular permite identificar o momento certo para reintroduzir o alimento ou iniciar o tratamento”, afirma Brianna. Por isso, manter o seguimento com o alergista é tão importante, mesmo que os sintomas pareçam estar controlados.
Impactos emocionais e apoio psicológico
Viver com alergia alimentar não se resume cuidar do prato. O medo de uma reação, a insegurança em festas ou a sensação de ser “diferente” podem gerar ansiedade, principalmente em crianças. O impacto emocional da alergia pode afetar a qualidade de vida da criança, do adulto e da família envolvida.
O apoio psicológico ajuda os alérgicos a lidarem com esses sentimentos. E a informação é uma grande amiga. “Empoderar a criança com informação, envolver a escola e ter um plano de segurança claro faz toda a diferença”, recomenda a especialista.
Como ter mais segurança no dia a dia
Coisas simples são capazes de fazer muita diferença na rotina de quem vive com alergia alimentar. Pulseiras de identificação, cartões que explicam qual é a alergia e os alimentos proibidos são formas práticas para o dia a dia. Ne caso de crianças, lancheiras seguras também trazem tranquilidade. Conversar com a escola, com os cuidadores e com familiares sobre os cuidados necessários é bem importante.
“A educação é a chave para promover autonomia, tranquilidade e segurança ao paciente alérgico”, conclui Brianna.
Os casos de anafilaxia alimentar estão entre os principais motivos de atendimento de emergência em crianças. Por isso, quanto mais conscientização, prevenção e preparo, maiores as chances de evitar sustos. Com atenção, apoio e cuidado, é possível ter uma vida ativa, social e, claro, saborosa, mesmo com alergia alimentar.
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Perguntas Frequentes sobre Alergia Alimentar
1. Quais são os sintomas de alergia alimentar?
Os sintomas variam de leves (coceira, manchas vermelhas na pele) a graves (falta de ar, inchaço, anafilaxia). Eles geralmente surgem pouco tempo depois de comer o alimento.
2. Quanto tempo demora para aparecer os sintomas?
Os sintomas podem surgir em poucos minutos ou até algumas horas, dependendo do tipo de alergia.
3. Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?
A alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações muito graves. Já a intolerância está ligada à digestão e costuma provocar sintomas mais leves e gastrointestinais.
4. Como usar a adrenalina autoinjetável?
Deve ser aplicada na coxa, conforme orientação médica, ao primeiro sinal de uma reação alérgica grave. A pessoa deve ser levada imediatamente ao hospital, mesmo após a aplicação.
5. A alergia alimentar pode aparecer na idade adulta?
Sim. Embora muitas alergias comecem na infância, é possível desenvolver alergia alimentar na vida adulta.
Se você desconfia de uma alergia alimentar, agende uma consulta com um alergista especializado e compartilhe este guia com quem precisa saber mais sobre os sintomas, diagnóstico e tratamento.
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