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  • Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Se você já teve algum sintoma depois de comer algum alimento e já considerou riscá-lo do cardápio para sempre sem antes ouvir o que um médico tem a dizer, saiba que essa não é a melhor saída. A melhor coisa a se fazer é procurar um médico para fazer o diagnóstico de alergia alimentar e, se for realmente o caso, seguir um tratamento para evitar os sintomas.

    “Nem toda dor de barriga ou coceira tem relação com alergia alimentar”, explica a médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Por isso, não é prudente sair eliminando leite, ovo ou trigo ou outros alimentos por conta própria.

    Lista de sintomas de alergia alimentar

    É bom saber qual são os principais sintomas de alergia alimentar, e quais deles são leves, moderados ou graves.

    Sintomas leves de alergia alimentar

    • Coceira na pele ou na boca
    • Manchas vermelhas e coceira em alguma parte do corpo
    • Mal-estar leve na barriga

    Sintomas moderados de alergia alimentar

    • Vômito
    • Diarreia
    • Manchas vermelhas e coceira em todo o corpo

    Sintomas graves de alergia alimentar

    • Dificuldade para respirar
    • Inchaço no rosto ou garganta
    • Queda de pressão
    • Desmaio

    Quando procurar ajuda médica

    Se ao comer algum alimento você nota sintomas como os já descritos, é importante procurar um médico alergista. O diagnóstico da alergia alimentar depende de uma boa conversa com o especialista, da análise dos sintomas, do uso de diário alimentar e, se necessário, de exames específicos.

    Exames para diagnóstico de alergia alimentar

    Os exames mais comuns para diagnosticar alergia alimentar são o teste cutâneo, conhecido por prick test, a dosagem do anticorpo IgE específica no sangue e, em situações mais controladas, o chamado teste de provocação oral, feito em ambiente médico, com todo o cuidado que o caso pede.

    Tratamento: exclusão ou reintrodução segurança

    Quando o diagnóstico de alergia alimentar é confirmado e se trata de uma alergia IgE-mediada, tipo que costuma causar reações mais rápidas e intensas, o tratamento para a alergia alimentar é direto: excluir completamente o alimento e qualquer traço dele. Isso significa atenção até aos mínimos detalhes, como panelas sujas, colheres com restos de alimento e até migalhas.

    “Alguns pacientes precisam evitar contaminação cruzada de alimentos e ter sempre à disposição adrenalina autoinjetável”, orienta Brianna.

    A adrenalina autoinjetável é um tipo de medicamento usado em emergências para tratamento de alergia alimentar. Ela é prescrita por um médico e vem em um dispositivo que lembra uma caneta. Basta um clique para aplicar a dose certa de adrenalina, geralmente na coxa.

    É um recurso simples, mas que pode fazer toda a diferença em casos de reações graves, como a anafilaxia, quando a pessoa apresenta inchaço, falta de ar, queda de pressão e risco real à vida.

    Pessoas com risco de reações alérgicas graves devem ter esse tipo de medicação sempre por perto. Saber quando e como usá-la é parte essencial do plano de segurança, e o médico é o especialista que orienta como e quando fazer a aplicação.

    Mas nem todo caso exige medidas tão rígidas. Em quadros mais leves ou em alergias não IgE-mediadas, que são aquelas que demoram mais para causar sintomas e geralmente afetam o sistema digestivo, pode ser possível fazer um tratamento de alergia alimentar e voltar a comer o alimento aos poucos, com acompanhamento de um médico.

    Existem também estudos que investigam formas de dessensibilização: o organismo vai sendo exposto a quantidades muito pequenas do alimento, por via oral ou por adesivos na pele, com a intenção de reduzir a resposta alérgica. Essas técnicas ainda estão em fase de pesquisa, mas os resultados são bem animadores.

    Alergia alimentar tem cura?

    A cura depende do tipo de alergia. Algumas, como as causadas por leite de vaca, ovo, trigo e soja, costumam desaparecer com o tempo, especialmente nas crianças. Já outras, como a alergia a castanhas, amendoim e frutos do mar, tendem a acompanhar a pessoa pela vida toda.

    “O acompanhamento regular permite identificar o momento certo para reintroduzir o alimento ou iniciar o tratamento”, afirma Brianna. Por isso, manter o seguimento com o alergista é tão importante, mesmo que os sintomas pareçam estar controlados.

    Impactos emocionais e apoio psicológico

    Viver com alergia alimentar não se resume cuidar do prato. O medo de uma reação, a insegurança em festas ou a sensação de ser “diferente” podem gerar ansiedade, principalmente em crianças. O impacto emocional da alergia pode afetar a qualidade de vida da criança, do adulto e da família envolvida.

    O apoio psicológico ajuda os alérgicos a lidarem com esses sentimentos. E a informação é uma grande amiga. “Empoderar a criança com informação, envolver a escola e ter um plano de segurança claro faz toda a diferença”, recomenda a especialista.

    Como ter mais segurança no dia a dia

    Coisas simples são capazes de fazer muita diferença na rotina de quem vive com alergia alimentar. Pulseiras de identificação, cartões que explicam qual é a alergia e os alimentos proibidos são formas práticas para o dia a dia. Ne caso de crianças, lancheiras seguras também trazem tranquilidade. Conversar com a escola, com os cuidadores e com familiares sobre os cuidados necessários é bem importante.

    “A educação é a chave para promover autonomia, tranquilidade e segurança ao paciente alérgico”, conclui Brianna.

    Os casos de anafilaxia alimentar estão entre os principais motivos de atendimento de emergência em crianças. Por isso, quanto mais conscientização, prevenção e preparo, maiores as chances de evitar sustos. Com atenção, apoio e cuidado, é possível ter uma vida ativa, social e, claro, saborosa, mesmo com alergia alimentar.

    Veja mais: Janela imunológica: o que é e como prevenir alergia alimentar em bebês

    Perguntas Frequentes sobre Alergia Alimentar

    1. Quais são os sintomas de alergia alimentar?

    Os sintomas variam de leves (coceira, manchas vermelhas na pele) a graves (falta de ar, inchaço, anafilaxia). Eles geralmente surgem pouco tempo depois de comer o alimento.

    2. Quanto tempo demora para aparecer os sintomas?

    Os sintomas podem surgir em poucos minutos ou até algumas horas, dependendo do tipo de alergia.

    3. Qual a diferença entre alergia e intolerância alimentar?

    A alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações muito graves. Já a intolerância está ligada à digestão e costuma provocar sintomas mais leves e gastrointestinais.

    4. Como usar a adrenalina autoinjetável?

    Deve ser aplicada na coxa, conforme orientação médica, ao primeiro sinal de uma reação alérgica grave. A pessoa deve ser levada imediatamente ao hospital, mesmo após a aplicação.

    5. A alergia alimentar pode aparecer na idade adulta?

    Sim. Embora muitas alergias comecem na infância, é possível desenvolver alergia alimentar na vida adulta.

    Se você desconfia de uma alergia alimentar, agende uma consulta com um alergista especializado e compartilhe este guia com quem precisa saber mais sobre os sintomas, diagnóstico e tratamento.

    Leia mais: Alergia alimentar: dicas para comer fora com segurança

  • Dieta mediterrânea para pressão alta: entenda como funciona 

    Dieta mediterrânea para pressão alta: entenda como funciona 

    Você sabia que um estilo de alimentação que vem lá da região do Mar Mediterrâneo pode ajudar a controlar a pressão alta? Esse padrão alimentar que tem como base frutas, legumes, grãos integrais, azeite e peixes ajuda a manter a pressão arterial sob controle e protege o coração.

    Mesmo que o Brasil esteja longe do Mediterrâneo, é possível adaptar essa dieta ao jeitinho brasileiro, com ingredientes simples, fáceis de encontrar e bem saborosos.

    O que é a dieta mediterrânea?

    A dieta mediterrânea surgiu na Grécia, Itália e outros países banhados pelo Mar Mediterrâneo. Ela valoriza comidas frescas, preparadas com azeite, ervas e ingredientes naturais, com pouca carne vermelha e ultraprocessados. O modelo ideal é:

    • Muita fruta e verdura
    • Grãos integrais e leguminosas, como feijão, lentilha, grão‑de‑bico
    • Oleaginosas, como nozes e amêndoas
    • Azeite de oliva como principal fonte de gordura
    • Peixes e aves como fonte de proteína
    • Laticínios leves e pouca carne vermelha

    Por que a dieta mediterrânea ajuda a baixar a pressão

    O efeito positivo da dieta mediterrânea na pressão alta vem dos nutrientes dos alimentos, como explica a cardiologista Juliana Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

    “Elementos como ácidos graxos ômega 3 (encontrados em peixes gordurosos como salmão e o atum), polifenóis, nitratos e agentes antioxidantes (presentes no azeite, nas frutas em especial as vermelhas e uvas, nos vegetais, nas oleaginosas como as nozes), atuam diretamente na dilatação dos vasos sanguíneos e na redução das reações inflamatórias e comprovadamente auxiliam no controle da pressão alta”.

    Além disso, a dieta também pode promover perda de peso, o que ajuda ainda mais no controle da pressão arterial, explica a médica.

    Benefícios da dieta mediterrânea para quem tem pressão alta

    Além de ajudar no controle da pressão alta, a dieta mediterrânea é muito saudável e traz os principais nutrientes para uma vida longa e com bastante saúde.

    Como adaptar a dieta mediterrânea para a realidade brasileira

    Não precisa fazer um prato grego. Dá para adaptar a dieta mediterrânea para o Brasil, usando o nosso arroz com feijão. O segredo está em fazer trocas espertas e no uso de temperos naturais.

    Substituições inteligentes de ingredientes

    • Arroz integral e feijão no lugar do arroz branco ou farinha refinada
    • Azeite de oliva no lugar de óleos comuns ou manteiga
    • Legumes e verduras à vontade, como abobrinha, tomate, brócolis e couve
    • Frutas da estação, como banana, mamão, laranja
    • Peixes como atum, sardinha e salmão, ou frango com moderação
    • Oleaginosas como lanche, e aí entram castanhas, nozes e amêndoas com moderação
    • Temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão, e menos sal

    Para seguir as receitas mediterrâneas aqui no Brasil sem gastar muito, a ideia é preservar os principais nutrientes, que são as gorduras boas, as fibras e os minerais, mas buscá-los em ingredientes fáceis de encontrar por aqui.

    Dicas para começar a seguir a dieta mediterrânea

    • Troque o arroz branco por integral em algumas refeições;
    • Inclua uma porção extra de verduras e legumes no almoço e jantar;
    • Use azeite para temperar saladas ou para refogar;
    • Aproveite frutas como sobremesa ou lanche;
    • Substitua frituras por grelhados ou assados;
    • Prefira peixe a carnes vermelhas.

    São pequenas mudanças, é uma forma de como fazer a dieta mediterrânea e que já traz benefícios para a pressão arterial e o coração.

    “Ao contrário de grande parte das dietas, a dieta mediterrânea apresenta uma grande variedade de alimentos, com muitas possibilidades, especialmente quando temos grande variedade de verduras e legumes disponíveis. Além disso, os pratos feitos com alimentos deste tipo de dieta são muito saborosos”, diz Juliana.

    Cardápio da dieta mediterrânea brasileira

    Veja um exemplo de um dia da dieta mediterrânea e inspire-se.

    Café da manhã: frutas frescas, iogurte natural, aveia, pão integral com azeite ou pasta de abacate, café sem açúcar ou chá de ervas.

    Lanche da manhã ou tarde: castanhas, nozes, amêndoas, frutas da estação (como banana, mamão, laranja), ou um pedaço pequeno de queijo branco.

    Almoço: arroz integral, feijão, legumes cozidos ou refogados (como abobrinha, couve e cenoura), salada de folhas com azeite, frango grelhado ou peixe assado.

    Jantar: sopa de legumes, omelete com espinafre, pão integral com pastas naturais (como homus ou patê de atum com azeite), salada com tomate e azeite.

    Alimentos permitidos e proibidos na dieta mediterrânea

    Permitidos:

    • Frutas, legumes, verduras, grãos integrais, leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas), azeite de oliva, peixes, aves, laticínios com pouca gordura e temperos naturais.

    Proibidos (consuma só de vez em quando):

    • Carne vermelha, embutidos, frituras, produtos ultraprocessados (aqui entram salgadinhos, refrigerantes, bolachas recheadas, macarrão instantâneo), muito sal, manteiga, margarina, doces industrializados.

    Leia mais: Pressão alta: como controlar com a alimentação

    Receitas mediterrâneas adaptadas para o Brasil

    Com um pouco de criatividade, dá para adaptar as receitas ao estilo bem brasileiro, só que com mais saúde.

    Arroz integral com legumes e sardinha no azeite

    Refogue cebola, alho e tomate no azeite de oliva. Acrescente arroz integral cozido, abobrinha em cubos e cenoura ralada. Finalize com sardinha desfiada por cima e salsinha fresca.

    Salada de grão-de-bico com legumes e limão

    Misture grão-de-bico cozido, pepino picado em cubos, tomate picado, cebola roxa e hortelã. Tempere com azeite de oliva, limão e uma pitada de sal. Coma fria como entrada ou acompanhamento.

    Estilo de vida e pressão alta

    Quem tem pressão alta precisa acompanhar a condição com um médico cardiologista e usar remédios, se essa for a indicação do especialista. Porém, no dia a dia, dá para ajudar o corpo a funcionar melhor com um bom estilo de vida, pois isso colabora bastante para o controle da pressão arterial.

    A atividade física, por exemplo, é uma grande amiga do coração e da pressão arterial. De quebra, ajuda também a diminuir o estresse do cotidiano. Por sua vez, uma boa alimentação, como a dieta mediterrânea ou a dieta DASH são importantes para manter a saúde em dia e a pressão mais bem controlada.

    O mais importante é não encarar a dieta mediterrânea como algo restritivo, punitivo ou impositivo, mas sim como uma mudança boa de hábitos. Descobrir o uso de temperos naturais, novas formas de preparo e até como apresentar o prato faz até aquela pessoa que costuma torcer o nariz para legumes se esbaldar com vegetais.

    “Entender que a alimentação é parte fundamental do cuidado à saúde, pilar para longevidade e qualidade de vida e muitas vezes capaz de solucionar ou ao menos minimizar muitas questões de saúde é fundamental. Além disso, é algo que somente cada pessoa pode fazer por si”, aconselha a cardiologista.

    Perguntas frequentes sobre dieta mediterrânea e pressão alta

    1. A dieta mediterrânea realmente baixa a pressão arterial?

    Sim, quando feita consumindo pouco sal, a dieta mediterrânea pode ajudar a reduzir a pressão arterial, especialmente quando combinada com outros hábitos saudáveis como exercícios e sono de qualidade.

    2. Posso seguir a dieta mediterrânea sendo vegetariano?

    Sim. A dieta mediterrânea é rica em alimentos vegetais como frutas, legumes, grãos integrais, castanhas e azeite de oliva, e pode ser facilmente adaptada para quem não consome carne, frango ou peixe.

    3. Qual a quantidade ideal de azeite por dia?

    A recomendação geral é de 2 a 3 colheres de sopa (cerca de 30 a 45 ml) de azeite de oliva extravirgem por dia, usadas para temperar saladas ou preparar alimentos.

    4. A dieta mediterrânea é cara no Brasil?

    Depende do que você consome. De forma geral, ela pode ter um valor acessível, sim. Se você priorizar alimentos locais, como arroz integral, feijão, frutas da estação, legumes variados e peixes como sardinha, dá para montar refeições saudáveis e que não pesam no bolso.

    Leia mais: Dieta DASH: como fazer a dieta que ajuda baixar sua pressão

  • Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    Mounjaro, diarreia, álcool: o que pode afetar o efeito da pílula anticoncepcional? 

    A pílula anticoncepcional atua no organismo feminino por meio da combinação de hormônios sintéticos, como o estrogênio e a progesterona, que impedem que o ovário libere um óvulo para ser fecundado. Só que, no dia a dia, o medicamento depende de uma rotina rigorosa de horários e o funcionamento do sistema digestivo e do fígado para funcionar corretamente.

    A seguir, com orientação da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, esclarecemos como o medicamento age no corpo e mostramos os principais fatores que podem reduzir a eficácia, desde esquecimentos e episódios de vômito ou diarreia até interações com alguns medicamentos.

    Como a pílula anticoncepcional atua no organismo?

    A pílula anticoncepcional, normalmente composta por estrogênio e progesterona sintéticos, é absorvida pelo trato gastrointestinal, entra na corrente sanguínea e passa pelo fígado, onde sofre o chamado metabolismo de primeira passagem. Depois, os hormônios seguem para a circulação e atuam em diferentes órgãos do sistema reprodutor feminino para evitar a gravidez.

    Primeiro, os hormônios presentes no medicamento agem no cérebro, mais especificamente no hipotálamo e na hipófise, reduzindo a liberação dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). Sem os estímulos, os ovários não amadurecem os folículos nem liberam um óvulo, impedindo que a ovulação aconteça.

    Ao mesmo tempo, a progesterona sintética torna o muco do colo do útero mais espesso e viscoso, formando uma barreira que dificulta a passagem dos espermatozoides em direção às trompas, onde normalmente ocorreria a fecundação.

    Por fim, a pílula provoca alterações no endométrio, camada que reveste o interior do útero, deixando-o menos preparado para receber um óvulo fecundado. Não é o principal mecanismo de ação do medicamento, mas também contribui para aumentar a eficácia do método.

    O que pode alterar o efeito da pílula anticoncepcional?

    1. Esquecer de tomar os comprimidos

    Quando a mulher atrasa ou esquece apenas um comprimido, a concentração dos hormônios no organismo diminui, mas, na maioria dos casos, ainda permanece dentro de uma faixa capaz de manter a proteção contra a ovulação, graças à margem de segurança do método.

    No entanto, Andreia destaca que o risco aumenta quando o esquecimento ultrapassa 48 horas ou envolve dois ou mais comprimidos consecutivos. Os níveis hormonais caem de forma mais significativa, reduzindo a eficácia do anticoncepcional e aumentando a chance de ocorrer a ovulação e, consequentemente, uma gravidez.

    Vale destacar que, apesar do corpo tolerar pequenas variações de horário, como duas horas para mais ou para menos, ultrapassar constantemente o limite começa a desgastar a estabilidade dos picos hormonais na corrente sanguínea. Com o tempo, a falta de regularidade reduz a eficácia do método.

    2. Problemas gastrointestinais (absorção)

    A pílula anticoncepcional precisa passar pelo sistema digestivo para que os hormônios sejam absorvidos corretamente e consigam fazer efeito no organismo. Quando acontece um episódio de vômito pouco tempo depois de tomar o comprimido, existe a possibilidade do medicamento ser eliminado antes mesmo de ser absorvido, fazendo com que aquela dose perca o efeito.

    A diarreia intensa também pode atrapalhar o processo, porque faz o intestino funcionar mais rápido do que o normal, aumentando o tempo que o organismo tem para absorver os hormônios da pílula.

    Como consequência, a eficácia do anticoncepcional pode diminuir e aumentar o risco de gravidez, principalmente se os episódios forem intensos ou persistirem por mais de um dia. Andreia destaca que é importante seguir as orientações da bula e utilizar um método contraceptivo de apoio, como a camisinha, até que a proteção seja restabelecida.

    3. Interações medicamentosas (metabolismo hepático e intestinal)

    Como o fígado e o intestino são os responsáveis por processar a pílula anticoncepcional, o uso de alguns medicamentos pode interferir na forma como o organismo absorve ou elimina os hormônios.

    Alguns antibióticos, por exemplo, podem causar diarreia ou alterar o funcionamento do intestino, dificultando a absorção da pílula. Já determinados anticonvulsivantes aceleram a metabolização dos hormônios no fígado, fazendo com que o anticoncepcional seja eliminado mais rapidamente pelo organismo e tenha a sua eficácia reduzida.

    O mesmo cuidado vale para alguns medicamentos usados no tratamento do HIV e para certos fitoterápicos, como a erva-de-são-joão, que também podem diminuir o efeito da pílula.

    Sempre que houver dúvida sobre a interação entre um medicamento e o anticoncepcional, a orientação é conversar com o médico ou farmacêutico e, se necessário, utilizar outro método contraceptivo, como a camisinha, durante o período indicado.

    4. Uso de canetas emagrecedoras, como Mounjaro ou Ozempic

    As canetas utilizadas para o tratamento da obesidade e do diabetes também podem exigir atenção de quem usa anticoncepcional oral. Segundo Andreia, os medicamentos retardam o esvaziamento do estômago para aumentar a sensação de saciedade, o que pode alterar a velocidade com que a pílula chega ao intestino e é absorvida pelo organismo.

    Em alguns casos, isso pode reduzir a quantidade de hormônios absorvida e comprometer a eficácia do método.

    A perda de peso causada pelas canetas também pode favorecer o retorno da fertilidade, principalmente em mulheres que tinham alterações hormonais relacionadas ao excesso de peso, como acontece em alguns casos de síndrome dos ovários policísticos (SOP).

    Quando a fertilidade aumenta e a eficácia da pílula é reduzida por falhas no uso ou por alterações na absorção, o risco de uma gravidez não planejada pode ser maior. Por isso, quem faz uso de canetas emagrecedoras deve conversar com o ginecologista para avaliar se o anticoncepcional oral continua sendo a melhor opção ou se outro método contraceptivo pode ser mais indicado.

    5. Consumo de álcool

    O consumo de bebidas alcoólicas, quando acontece com frequência, age como um agente tóxico que agride e lesa o epitélio interno do intestino. A parede intestinal danificada perde a capacidade de absorver os medicamentos corretamente, reduzindo silenciosamente a proteção da pílula anticoncepcional.

    6. Condições de saúde

    A saúde do fígado também influencia o funcionamento da pílula anticoncepcional, já que é no órgão que os hormônios do medicamento são metabolizados. Quando o fígado não está funcionando adequadamente, o processo pode ser alterado e comprometer a eficácia do método.

    Por exemplo, doenças como a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), hepatites e cirrose podem prejudicar a capacidade do fígado de processar os hormônios da pílula. Dependendo da gravidade do problema, isso pode modificar a quantidade de hormônio que circula no sangue e interferir na proteção contra a gravidez.

    Qual o melhor momento para tomar a pílula anticoncepcional?

    Em geral, Andreia recomenda tomar a pílula à noite, porque, se surgir algum efeito colateral leve, como enjoo, ele tende a passar despercebido durante o som. Isso costuma facilitar a adaptação ao anticoncepcional, principalmente nos primeiros meses de uso.

    Mesmo assim, não existe um horário obrigatório: se a mulher acredita que vai se lembrar com mais facilidade de tomar a pílula durante o dia, não há problema. O mais importante é criar uma rotina e tomar o comprimido sempre no mesmo horário.

    Leia mais: Esqueci de tomar a pílula, e agora? Ginecologista explica o que fazer em cada situação

    Perguntas frequentes

    1. Esqueci de tomar a pílula por um dia. O que devo fazer?

    Tome o comprimido esquecido assim que lembrar, mesmo que seja quase na hora da próxima dose, e siga tomando o restante no horário habitual. Não tome duas pílulas juntas para compensar.

    2. Posso tomar duas pílulas juntas se esquecer de tomar no dia anterior?

    Não é recomendado. Tomar uma dose dupla gera um excesso de hormônios desnecessário e não aumenta a eficácia da pílula que já foi esquecida por muito tempo.

    3. Chás ou remédios naturais podem cortar o efeito da pílula?

    Sim. O uso de fitoterápicos, especialmente a Erva-de-São-João, altera as enzimas do fígado e reduz comprovadamente a eficácia do anticoncepcional oral.

    4. Por que métodos não orais (como DIU ou implante) sofrem menos interferências?

    Porque eles liberam os hormônios diretamente na corrente sanguínea (ou agem localmente). Como não passam pelo estômago, intestino e fígado primeiro, não sofrem com vômitos, diarreias ou remédios que afetam a digestão.

    5. Qual a diferença da pílula não combinada (minipílula)?

    A pílula não combinada contém apenas um hormônio isolado, a progesterona. Ela também é de uso diário, sendo muito indicada para mulheres que têm contraindicação ao estrogênio.

    6. Quanto tempo leva para a pílula voltar a proteger após um esquecimento longo?

    Após passar de 48 horas de esquecimento, o eixo hormonal leva cerca de 7 dias tomando a pílula corretamente para ficar bloqueado de novo e garantir a proteção segura.

    7. A pílula protege nos dias de pausa da cartela?

    Sim, desde que você tenha tomado todos os comprimidos da cartela anterior corretamente e não atrase o início da próxima cartela. O bloqueio da ovulação se mantém na pausa.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

  • Crise tireotóxica: o que é a complicação grave do hipertireoidismo que pode matar? 

    Crise tireotóxica: o que é a complicação grave do hipertireoidismo que pode matar? 

    O hipertireoidismo é uma condição causada pela produção excessiva dos hormônios da tireoide, responsáveis por regular funções importantes do organismo.

    Quando a doença não é diagnosticada ou tratada adequadamente, o excesso hormonal pode sobrecarregar diversos órgãos e, em situações mais graves, desencadear uma complicação rara e potencialmente fatal: a crise tireotóxica, também conhecida como tempestade tireoidiana.

    Como os sintomas evoluem rapidamente e podem colocar a vida do paciente em risco em poucas horas, a crise tireotóxica precisa de atendimento imediato no hospital.

    Sem tratamento, o quadro pode provocar alterações graves no funcionamento do coração, do cérebro e de outros órgãos, aumentando o risco de insuficiência cardíaca, choque circulatório, falência de múltiplos órgãos e morte.

    O que é a crise tireotóxica?

    A crise tireotóxica, ou tempestade tireoidiana, acontece quando há uma liberação intensa ou uma ação exagerada dos hormônios da tireoide no organismo, fazendo com que praticamente todos os sistemas do corpo funcionem em um ritmo muito acima do normal.

    O coração passa a bater muito rápido, a temperatura corporal sobe, o metabolismo acelera de forma intensa e o cérebro também pode ser afetado, provocando alterações importantes no estado de consciência.

    De acordo com o médico endocrinologista André Colapietro, a crise tireotóxica pode apresentar uma taxa de letalidade de até 40% quando o tratamento de urgência não é iniciado a tempo. O coração, o cérebro, os rins e outros órgãos não conseguem suportar os efeitos do excesso de hormônios da tireoide, o que pode evoluir para falência de múltiplos órgãos e colocar a vida do paciente em risco.

    Quais são as causas e os gatilhos da tempestade tireoidiana?

    A crise normalmente surge quando um paciente com hipertireoidismo (diagnosticado ou não) é exposto a um fator estressor severo que descompensa o organismo, como:

    • Infecções graves, como pneumonia e infecção urinária;
    • Cirurgias e procedimentos de grande porte;
    • Traumas e acidentes;
    • Infarto do miocárdio;
    • Acidente vascular cerebral (AVC);
    • Uso inadequado ou interrupção dos medicamentos para tratar o hipertireoidismo;
    • Exposição excessiva ao iodo, presente em alguns exames com contraste e em determinados medicamentos;
    • Situações de grande estresse físico, que podem desencadear a crise em pessoas com hipertireoidismo não controlado.

    Quais são os sintomas de alerta da crise tireotóxica?

    Os sintomas da crise tireotóxica costumam surgir de forma súbita e evoluir rapidamente, indicando que o organismo entrou em um estado de sobrecarga extrema causado pelo excesso de hormônios da tireoide. Diante de qualquer um dos sinais abaixo, procure atendimento médico de emergência imediatamente:

    • Febre muito alta: a temperatura corporal sobe rapidamente e pode ultrapassar os 40 °C, acompanhada de suor intenso, sensação de calor excessivo e risco de desidratação;
    • Taquicardia intensa e arritmias: o coração passa a bater muito rápido, muitas vezes acima de 140 batimentos por minuto. Também podem surgir palpitações, dor no peito, falta de ar e alterações do ritmo cardíaco que aumentam o risco de insuficiência cardíaca;
    • Agitação intensa e alterações neurológicas: ansiedade extrema, tremores intensos, irritabilidade, confusão mental, dificuldade para reconhecer pessoas ou lugares, delírios, sonolência e, nos casos mais graves, convulsões e coma;
    • Sintomas gastrointestinais importantes: náuseas, vômitos repetidos, diarreia intensa e dor abdominal são frequentes.

    Em alguns pacientes, também pode surgir icterícia (pele e olhos amarelados), indicando comprometimento do funcionamento do fígado.

    Como é feito o tratamento de urgência no hospital?

    A crise tireotóxica é uma emergência médica e o tratamento deve começar imediatamente, assim que houver suspeita do diagnóstico, sem esperar o resultado dos exames.

    Como o quadro pode evoluir rapidamente, o paciente geralmente precisa ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebe monitoramento contínuo e suporte para manter o funcionamento dos órgãos vitais.

    O bloqueio da produção dos hormônios da tireoide

    O primeiro passo é reduzir a produção de novos hormônios da tireoide, a partir de medicamentos antitireoidianos, como o propiltiouracil (PTU) ou o metimazol. O PTU costuma ser o preferido nos casos mais graves porque, além de diminuir a produção hormonal, também recebe a transformação do hormônio T4 em T3, que é a forma mais ativa no organismo.

    Controle dos efeitos sobre o coração

    Como o excesso de hormônios faz o coração trabalhar em ritmo acelerado, são utilizados betabloqueadores, como o propranolol, que ajudam a controlar a taquicardia, reduzem as palpitações e diminuem a sobrecarga cardíaca, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares.

    Uso de corticosteroides

    Os corticosteroides, como a hidrocortisona, ajudam a reduzir os níveis dos hormônios tireoidianos circulantes e contribuem para estabilizar o organismo durante a fase mais crítica da doença.

    Suporte intensivo ao organismo

    Além dos medicamentos, o paciente recebe tratamento de suporte para estabilizar as funções vitais. Dependendo da gravidade do quadro, podem ser necessários oxigênio, suporte ventilatório, monitorização cardíaca contínua, hidratação venosa, controle da glicemia, tratamento da infecção ou de outro fator desencadeante e outras medidas específicas para manter o funcionamento adequado dos órgãos.

    Cirurgia em casos selecionados

    Quando o paciente não apresenta melhora com o tratamento medicamentoso ou a crise permanece grave, a retirada cirúrgica da tireoide (tireoidectomia) pode ser considerada. Segundo estudos, a abordagem pode reduzir a morbidade e a mortalidade em pacientes cuidadosamente selecionados.

    Como prevenir as complicações graves do hipertireoidismo?

    Para prevenir a crise tireotóxica e outras complicações do hipertireoidismo, são necessários alguns cuidados no dia a dia.

    Primeiro, o paciente jamais deve interromper o uso dos medicamentos antitireoidianos ou alterar as doses por conta própria, mesmo que sinta uma melhora total dos sintomas. A interrupção abrupta da medicação é um dos gatilhos para o surgimento de uma tempestade tireoidiana.

    As visitas periódicas ao endocrinologista são necessárias para monitorar as taxas de TSH, T4 livre e o anticorpo TRAb no sangue. Os exames laboratoriais permitem que o médico ajuste a dosagem dos remédios conforme a necessidade do momento, trazendo que a glândula permaneça na meta segura de funcionamento.

    Também é importante informar à equipe médica que você tem hipertireoidismo antes de fazer cirurgias ou exames com contraste iodado, como algumas tomografias. Os profissionais podem adotar medidas para reduzir o risco de complicações durante o procedimento.

    Por fim, o consumo de compostos como o Lugol, xaropes para a tosse que contenham iodo ou fórmulas milagrosas de emagrecimento sem supervisão endocrinológica pode causar uma liberação intensa de hormônios, desencadeando quadros graves em quem já possui uma glândula hiperativa. Nunca se automedique!

    Confira: Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria

    Perguntas frequentes

    1. Por que o coração sofre tanto na complicação?

    O excesso massivo de hormônios estimula o músculo cardíaco continuamente, provocando arritmias severas, hipertensão e a falência do órgão por exaustão.

    2. Quem tem hipertireoidismo pode fazer cirurgias comuns?

    Apenas se a doença estiver controlada. Passar por um procedimento cirúrgico com os hormônios alterados eleva drasticamente o risco de desenvolver a crise na mesa de operação.

    3. O que são os betabloqueadores no tratamento?

    Os betabloqueadores são medicamentos aplicados na veia do paciente para frear os batimentos do coração, reduzir a pressão arterial e diminuir os tremores intensos.

    4. Quanto tempo dura o tratamento na UTI?

    O período de internação varia conforme a resposta do organismo, mas a estabilização inicial dos sinais vitais costuma demandar entre 24 e 72 horas de cuidados intensivos.

    5. A crise tireotóxica provoca danos permanentes no fígado?

    O metabolismo acelerado e a falta de oxigenação nos tecidos podem causar uma inflamação aguda no fígado, resultando em icterícia, mas as funções hepáticas costumam retornar ao normal após o controle dos hormônios.

    6. Como o iodo na veia ajuda a conter a tempestade hormonal?

    Em doses muito elevadas no hospital, o iodo causa um efeito rebote que paralisa temporariamente a tireoide, impedindo a glândula de liberar os hormônios estocados para o restante do corpo.

    7. Qual exame de sangue confirma a crise tireotóxica no pronto-socorro?

    Como a crise tireotóxica é uma emergência com alta taxa de mortalidade, o diagnóstico é primariamente clínico, baseado em sintomas como febre alta, taquicardia severa e alteração mental.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco 

    Por que a pressão aumenta só na consulta médica? Entenda mais sobre síndrome do jaleco branco 

    Medir a pressão durante uma consulta de rotina e encontrar valores altos pode assustar muita gente, especialmente quando a pessoa não sente nada e costuma ter medidas normais em outros momentos. Nesses casos, é comum ouvir: “minha pressão só sobe quando vou ao médico”.

    Embora pareça apenas nervosismo, isso realmente pode acontecer. Existe uma condição chamada hipertensão do jaleco branco, na qual a pressão arterial fica elevada durante a consulta médica, mas permanece normal quando medida em casa ou em outros ambientes não relacionados a serviços de saúde.

    Esse fenômeno é bastante comum e pode levar tanto ao diagnóstico incorreto de hipertensão quanto ao uso desnecessário de medicamentos se não for corretamente identificado.

    O que é a pressão de jaleco branco?

    A hipertensão do jaleco branco ocorre quando a pressão arterial aumenta apenas durante o atendimento em consultórios, ambulatórios ou hospitais.

    Fora desses ambientes, a pressão costuma permanecer dentro da faixa considerada normal.

    O nome faz referência ao jaleco utilizado pelos profissionais de saúde, que pode funcionar como um estímulo capaz de desencadear essa resposta.

    Por que isso acontece?

    A principal explicação envolve a ativação do sistema nervoso simpático, responsável pela resposta do organismo ao estresse.

    Para algumas pessoas, a consulta médica desperta sentimentos como:

    • Ansiedade;
    • Preocupação;
    • Nervosismo;
    • Medo de receber um diagnóstico.

    Essas emoções estimulam a liberação de hormônios como adrenalina e noradrenalina, caracterizados por estarem presentes em situações de “luta ou fuga”, que podem provocar:

    • Aumento da frequência cardíaca;
    • Contração dos vasos sanguíneos;
    • Elevação temporária da pressão arterial.

    A pressão pode subir muito?

    Sim. Em algumas pessoas, a diferença entre a pressão medida em casa e a registrada no consultório pode ser bastante significativa.

    Por exemplo, alguém que apresenta pressão normal durante o dia pode atingir valores elevados apenas durante a consulta.

    Por isso, uma única medida isolada nem sempre é suficiente para confirmar o diagnóstico de hipertensão.

    Quem apresenta maior risco?

    A hipertensão do jaleco branco pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é mais frequente em:

    • Idosos;
    • Mulheres;
    • Pessoas com ansiedade;
    • Gestantes;
    • Indivíduos que já tiveram experiências médicas traumáticas.

    Também é mais comum em quem realiza poucas consultas médicas.

    Isso é diferente da pressão alta verdadeira?

    Sim. Na hipertensão arterial verdadeira, a pressão permanece elevada tanto no consultório quanto fora dele.

    Já na hipertensão do jaleco branco:

    • A pressão sobe durante a consulta;
    • Fora do ambiente médico, costuma permanecer normal.

    Essa diferença é importante porque o tratamento pode ser completamente diferente.

    Existe o problema oposto?

    Sim. Algumas pessoas apresentam pressão normal no consultório, mas elevada em casa ou durante as atividades do dia a dia.

    Esse quadro é chamado de hipertensão mascarada. Ela também merece atenção porque pode passar despercebida durante consultas de rotina.

    Como os médicos confirmam o diagnóstico?

    Quando existe suspeita de hipertensão do jaleco branco, costuma ser necessário medir a pressão fora do consultório.

    Os principais métodos são:

    Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA)

    O paciente mede a pressão em casa durante vários dias e em horários diferentes, seguindo uma técnica padronizada. Esse método permite avaliar como a pressão se comporta no ambiente habitual da pessoa.

    Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA)

    Nesse exame, a pessoa utiliza um aparelho portátil que mede automaticamente a pressão durante 24 horas, inclusive durante o período noturno.

    O MAPA é considerado um dos métodos mais completos para avaliar o comportamento da pressão arterial ao longo do dia e da noite e diferenciar hipertensão verdadeira de hipertensão do jaleco branco.

    A hipertensão do jaleco branco precisa de tratamento?

    Nem sempre. Quando a pressão está realmente normal fora do consultório, geralmente não há indicação imediata de medicamentos apenas por causa das medidas elevadas durante a consulta.

    No entanto, esses pacientes devem manter acompanhamento regular, pois estudos mostram que apresentam maior risco de desenvolver hipertensão verdadeira ao longo dos anos.

    Além disso, é importante controlar outros fatores de risco cardiovascular, como colesterol elevado, diabetes, tabagismo e excesso de peso.

    Como medir a pressão corretamente?

    Alguns cuidados aumentam a precisão da medida:

    • Permanecer sentado e em repouso por pelo menos cinco minutos;
    • Não conversar durante a aferição;
    • Evitar café, cigarro e exercícios físicos nos 30 minutos anteriores;
    • Apoiar o braço na altura do coração;
    • Utilizar um manguito de tamanho adequado;
    • Evitar medir com as pernas cruzadas;
    • Evitar medir com a bexiga cheia.

    Frequentemente, repetir a medida após alguns minutos de repouso reduz valores inicialmente elevados.

    O estresse da consulta pode ser reduzido?

    Sim. Algumas estratégias ajudam:

    • Chegar ao consultório com antecedência;
    • Permanecer alguns minutos em repouso antes da aferição;
    • Evitar conversar durante a medida;
    • Realizar mais de uma aferição durante a consulta.

    Essas medidas reduzem a influência do nervosismo sobre o resultado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure um médico se:

    • A pressão estiver elevada em consultas repetidas;
    • Houver diferença importante entre as medidas de casa e do consultório;
    • Surgirem sintomas como dor no peito, falta de ar ou dor de cabeça intensa associados à pressão elevada;
    • Existirem outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

    Somente uma avaliação adequada pode determinar se existe hipertensão verdadeira ou hipertensão do jaleco branco.

    Veja mais: Como evitar uma crise de pressão alta e o que fazer se ela acontecer

    Perguntas frequentes sobre pressão de jaleco branco

    1. O que é pressão de jaleco branco?

    É a elevação da pressão arterial apenas durante consultas médicas, enquanto as medidas fora desse ambiente permanecem normais.

    2. Isso acontece por ansiedade?

    Na maioria dos casos, sim. A ativação do sistema nervoso simpático leva à liberação de adrenalina e ao aumento temporário da pressão.

    3. Quem tem hipertensão do jaleco branco precisa tomar remédio?

    Nem sempre. A decisão depende das medidas realizadas fora do consultório e da avaliação global do risco cardiovascular.

    4. Como saber se minha pressão é realmente alta?

    Por meio de medidas repetidas e, quando necessário, exames como a MRPA ou o MAPA.

    5. O que é hipertensão mascarada?

    É a situação oposta: a pressão é normal no consultório, mas elevada em casa ou durante as atividades diárias.

    6. A hipertensão do jaleco branco é totalmente inofensiva?

    Não. Embora o risco seja menor do que na hipertensão sustentada, essas pessoas apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial no futuro e devem manter acompanhamento médico.

    7. Como posso reduzir a chance de a pressão subir durante a consulta?

    Chegar com antecedência, descansar por alguns minutos antes da aferição e seguir a técnica correta de medida ajudam a obter resultados mais confiáveis.

    Veja também: Pressão alta faz mal para os rins: veja como proteger a saúde renal

  • Criança engoliu bateria de botão: por que isso é uma emergência? 

    Criança engoliu bateria de botão: por que isso é uma emergência? 

    Baterias de botão, também chamadas de pilhas tipo moeda, estão presentes em muitos objetos do dia a dia, como controles remotos, brinquedos, balanças, relógios, chaves de carro, aparelhos auditivos, velas eletrônicas e cartões musicais. Justamente por serem pequenas e brilhantes, podem chamar a atenção de crianças pequenas.

    Apesar do tamanho, esse é um dos acidentes domésticos mais perigosos na infância. Diferentemente de uma moeda, que muitas vezes atravessa o trato digestivo sem causar lesões, uma bateria de botão pode provocar queimaduras profundas no esôfago em poucas horas.

    Por isso, qualquer suspeita de ingestão deve ser tratada como emergência médica.

    Por que uma bateria é muito mais perigosa do que uma moeda?

    Muitas pessoas acreditam que a bateria representa risco apenas porque contém produtos químicos. Na realidade, esse não é o principal problema.

    Quando a bateria fica presa no esôfago, ela continua gerando uma corrente elétrica.

    Essa corrente reage com os líquidos do organismo e produz substâncias altamente alcalinas ao redor da bateria, causando uma queimadura química intensa na parede do esôfago. Essas lesões podem começar em menos de duas horas.

    Quais complicações podem ocorrer?

    Se a bateria permanecer presa no esôfago, pode causar:

    • Queimaduras profundas;
    • Perfuração do esôfago;
    • Sangramento importante;
    • Formação de fístulas entre o esôfago e a traqueia;
    • Lesão de grandes vasos sanguíneos;
    • Infecções graves.

    Em situações extremas, essas complicações podem colocar a vida da criança em risco.

    O maior perigo é que a criança pode parecer bem no início

    Um dos aspectos mais preocupantes é que muitas crianças apresentam poucos sintomas logo após engolir a bateria. Mesmo assim, as queimaduras podem estar acontecendo silenciosamente.

    Por isso, não se deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento.

    Quais sintomas podem aparecer?

    Dependendo da localização da bateria, a criança pode apresentar:

    • Dor ao engolir;
    • Salivação excessiva;
    • Recusa para comer;
    • Vômitos;
    • Tosse;
    • Dor no peito;
    • Irritabilidade;
    • Engasgos.

    Nos casos mais graves, podem surgir:

    • Sangramento pela boca;
    • Dificuldade para respirar;
    • Febre;
    • Sonolência.

    O que fazer imediatamente?

    Se houver suspeita de que a criança engoliu uma bateria tipo botão, algumas medidas são importantes.

    1. Procure imediatamente um pronto-socorro

    Não espere os sintomas aparecerem. A rapidez faz diferença na prevenção de lesões graves.

    2. Não provoque o vômito

    O vômito não remove a bateria e pode aumentar o risco de aspiração.

    3. Não tente retirar a bateria com os dedos

    Isso pode empurrar o objeto ainda mais profundamente.

    4. Leve a embalagem da bateria, se possível

    Saber o tamanho e o tipo da bateria pode ajudar a equipe médica.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    A prioridade é localizar rapidamente a bateria.

    Inicialmente são avaliados:

    • Respiração;
    • Estado geral;
    • Capacidade para engolir saliva;
    • Presença de dor ou sinais de obstrução.

    A radiografia é o primeiro exame

    São realizadas radiografias do pescoço, tórax e abdome.

    Esse exame permite identificar:

    • A localização da bateria;
    • Se ela está no esôfago ou já chegou ao estômago;
    • Seu tamanho.

    A radiografia também permite diferenciar uma bateria de uma moeda.

    A bateria costuma apresentar um aspecto característico chamado de “duplo halo” ou “duplo contorno”, enquanto a moeda apresenta uma borda única.

    Quando é necessário retirar imediatamente?

    Se a bateria estiver localizada no esôfago, a retirada deve ser realizada o mais rapidamente possível, geralmente por meio de uma endoscopia sob anestesia.

    Quanto menor o tempo de permanência da bateria no esôfago, menor o risco de complicações graves.

    E se ela já estiver no estômago?

    Quando a bateria já passou para o estômago, a conduta depende de fatores como:

    • Idade da criança;
    • Tamanho da bateria;
    • Presença de sintomas;
    • Tempo desde a ingestão.

    Em muitos casos, ela atravessa o intestino espontaneamente, mas algumas situações ainda exigem retirada endoscópica ou acompanhamento com novas radiografias.

    A decisão deve ser individualizada pela equipe médica.

    Mesmo após a retirada, ainda pode haver complicações?

    Sim. As queimaduras podem continuar evoluindo por dias após a remoção da bateria.

    Por isso, algumas crianças necessitam:

    • Observação hospitalar;
    • Exames de controle;
    • Acompanhamento com especialistas.

    Como prevenir esse acidente?

    A prevenção é fundamental. Algumas medidas importantes são:

    • Manter baterias novas e usadas fora do alcance das crianças;
    • Conferir se os compartimentos de pilhas dos brinquedos estão bem fechados;
    • Descartar baterias usadas de forma segura;
    • Evitar deixar pilhas soltas sobre mesas, gavetas ou bolsas;
    • Escolher brinquedos com compartimentos que exijam parafusos para abrir.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Sempre. Qualquer suspeita de ingestão de uma bateria tipo botão deve ser considerada uma emergência médica, mesmo que a criança:

    • Esteja brincando normalmente;
    • Não apresente dor;
    • Não tenha vomitado;
    • Esteja respirando bem.

    O tratamento precoce é a melhor forma de evitar complicações graves.

    Confira também: Criança teve convulsão por febre: o que fazer na hora da crise?

    Perguntas frequentes sobre ingestão de bateria tipo botão

    1. Por que a bateria é mais perigosa do que uma moeda?

    Porque pode gerar uma corrente elétrica que provoca queimaduras químicas profundas no esôfago em poucas horas.

    2. Meu filho parece bem. Ainda preciso levá-lo ao hospital?

    Sim. Lesões graves podem ocorrer mesmo antes do aparecimento de sintomas.

    3. Devo provocar o vômito?

    Não. Isso não remove a bateria e pode aumentar o risco de complicações.

    4. Como os médicos confirmam que é uma bateria?

    Por meio de radiografias, que mostram características diferentes das observadas nas moedas.

    5. A bateria sempre precisa ser retirada?

    Se estiver no esôfago, sim, e com urgência. Se já estiver no estômago, a necessidade de remoção depende da idade da criança, do tamanho da bateria, dos sintomas e da avaliação médica.

    6. Dar mel resolve o problema?

    Não. Em algumas situações específicas, o mel pode reduzir temporariamente a extensão da lesão enquanto a criança é levada ao hospital, mas não substitui o tratamento e nunca deve atrasar o atendimento.

    7. Quanto tempo leva para ocorrer uma lesão grave?

    Queimaduras importantes podem começar em cerca de duas horas, razão pela qual toda suspeita de ingestão de bateria tipo botão deve ser tratada como emergência médica.

    Veja também: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Gravidez e coração: o que muda e quais são os riscos

    Durante a gravidez, o corpo da mulher entra em um modo de trabalho intenso. O coração bate mais rápido, os vasos se adaptam, o volume de sangue aumenta, tudo para garantir que o bebê receba oxigênio e nutrientes. Essa maratona, porém, não acontece sem esforço: o coração precisa acompanhar o ritmo, e qualquer desequilíbrio pode gerar riscos.

    É por isso que é importante cuidar da saúde cardiovascular na gravidez. Venha entender o que muda durante a gestação e quais são os cuidados que você deve tomar quando estiver grávida.

    O que muda no coração durante a gestação

    A partir do segundo trimestre, o volume de sangue no corpo da gestante pode aumentar de 30% até 50%. Isso força o coração a bombear mais e mais rápido, por isso a saúde do coração na gravidez precisa estar em dia.

    A cardiologista Juliana Aparecida Soares, que integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que, durante a gestação, o coração da mulher passa a trabalhar até 50% mais do que o normal. Isso acontece porque ele precisa bombear mais sangue a cada batida e também bate mais rápido.

    “Para acomodar esse aumento, a resistência dos vasos sanguíneos periféricos diminui, o que permite que a pressão arterial se mantenha relativamente estável, mesmo com mais sangue circulando pelo corpo”, descreve ela.

    Quando a pressão alta se torna um risco

    Em algumas mulheres, esse esforço todo pode sair do controle. A pressão sobe demais, surgem dores de cabeça, inchaços e outros sinais de alerta. A pressão alta gestacional e a pré-eclâmpsia são complicações sérias.

    “O tratamento envolve monitoramento rigoroso, medicação anti-hipertensiva segura e, em algumas situações, hospitalização para proteger a mamãe e o bebê”, diz Juliana.

    O que é pré-eclâmpsia e por que ela pode aumentar a pressão na gravidez

    A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada de proteína na urina.

    De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), estima-se que a pré-eclâmpsia atinja 1,5% das gestantes no Brasil.

    Entendendo a síndrome HELLP

    A síndrome de HELLP é uma condição grave que pode surgir na gravidez, caracterizada por alterações no fígado e no sangue, e geralmente está ligada à pressão alta. Ela oferece riscos à mãe e ao bebê. Pode aparecer junto com a pré-eclâmpsia.

    De forma simples, ela acontece quando o corpo da gestante começa a destruir suas células do sangue, o fígado passa a funcionar mal e as plaquetas, que ajudam a estancar sangramentos, ficam muito baixas. Isso tudo deixa a gestante mais vulnerável a sangramentos, dores fortes e outros riscos sérios, exigindo cuidados médicos urgentes.

    Outro risco grave é o descolamento da placenta antes da hora, o que pode comprometer a oxigenação e a nutrição do bebê.

    Em alguns casos, o único jeito de proteger a saúde da gestante e do bebê é antecipar o parto. E quando a pré-eclâmpsia evolui para eclâmpsia, a gestante pode ter convulsões, o que representa uma emergência médica. Por isso, o acompanhamento do pré-natal e o controle da pressão são tão importantes.

    5 fatores de risco para doenças cardíacas na gravidez

    Algumas coisas aumentam o risco de problemas no coração durante e depois da gravidez:

    • Primeira gravidez após os 35 anos
    • Sobrepeso ou obesidade
    • Histórico familiar de hipertensão
    • Diabetes gestacional
    • Valvopatias, que são doenças nas válvulas do coração

    Mulheres que já têm doenças cardíacas antes de engravidar, como problemas nas válvulas, devem conversar com o cardiologista antes mesmo de engravidar. O risco de arritmia, insuficiência cardíaca e trombose é maior, e o acompanhamento precisa ser conjunto entre obstetra e cardiologista.

    Riscos que vão além da gravidez

    Os riscos cardíacos da gestação podem perdurar mesmo depois do bebê ter nascido. Quem teve pressão alta na gestação, por exemplo, precisa ficar atenta mesmo que a pressão volte ao normal após o parto. Mulheres que tiveram essa condição na gravidez têm mais chance de desenvolver pressão alta crônica, infarto e AVC no futuro.

    “O período entre o final da atenção obstétrica e o início de sintomas de hipertensão crônica representa uma janela crítica de oportunidade para intervenções preventivas, e isso é frequentemente negligenciado”, alerta a médica.

    Ao longo da gestação, a pressão arterial pode diminuir nos dois primeiros trimestres e voltar a subir no terceiro.

    A recomendação atual é de que essas mulheres façam acompanhamento anual com cardiologista, meçam pressão, colesterol, glicemia e recebam orientações sobre alimentação, atividade física e controle do peso.

    Como prevenir complicações cardiovasculares na gravidez

    Para manter o coração saudável durante e após a gravidez, vale seguir essas dicas:

    • Tenha uma alimentação equilibrada;
    • Mantenha o peso adequado;
    • Faça exercícios físicos regulares, com orientação médica;
    • Controle a pressão arterial;
    • Não fume ou beba bebida alcoólica;
    • Não ignore sintomas como dores de cabeça, visão turva, falta de ar ou inchaço excessivo.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Por que a atenção continua após o parto

    Muita gente acha que os cuidados terminam com o nascimento do bebê, mas não é bem assim. Estudos mostram que o número de filhos, por exemplo, pode influenciar o risco de problemas cardíacos. Ter muitos filhos (cinco ou mais) ou nenhum pode aumentar as chances de infarto e AVC.

    A infertilidade também entra na conta, pois pode estar ligada a condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que aumentam o risco de doenças cardíacas.

    Amamentar protege o coração

    Amamentar não é só bom para o bebê. O aleitamento materno prolongado ajuda a proteger o coração da mãe. Ele está associado a menor risco de hipertensão e diabetes tipo 2 no futuro.

    Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular na gravidez


    1. É normal a pressão cair nos primeiros meses da gestação?

    Sim. Nos dois primeiros trimestres, a pressão tende a baixar um pouco, mas volta a normalizar no final da gravidez. Se ficar alta, porém, é preciso fazer acompanhamento médico específico para pressão alta.

    2. Ter hipertensão na gravidez significa que terei pressão alta para sempre?

    Nem sempre, mas a hipertensão gestacional aumenta bastante o risco. Por isso, o acompanhamento deve continuar mesmo após o parto.

    3. Toda mulher com pressão alta na gravidez desenvolve pré-eclâmpsia?

    Não, mas é um risco real. Por isso, o pré-natal é tão importante para monitorar e intervir quando necessário.

    4. É perigoso engravidar com problema no coração?

    Depende do tipo e do controle da doença. É essencial conversar com o médico antes de engravidar.

    5. Posso continuar a praticar exercícios na gravidez?

    Sim, mas sempre com liberação médica. Atividades leves e regulares ajudam a manter o coração saudável.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

  • Sintomas atípicos da tireoide: como o idoso pode manifestar o hipertireoidismo?

    Sintomas atípicos da tireoide: como o idoso pode manifestar o hipertireoidismo?

    Agitação motora, insônia crônica, ansiedade e tremores visíveis nas mãos são alguns dos sintomas mais comuns do hipertireoidismo, um distúrbio causado pelo excesso de produção dos hormônios tireoidianos na corrente sanguínea. Na terceira idade, no entanto, a doença pode se manifestar de maneira completamente diferente.

    Em vez de apresentarem o nervosismo intenso e a hiperatividade observados em pessoas mais jovens, alguns idosos com hipertireoidismo podem desenvolver um quadro de cansaço intenso, apatia e desânimo, sinais que tendem a ser confundidos com o envelhecimento natural ou com outras doenças comuns nessa fase da vida.

    Como os sintomas costumam ser mais discretos, o diagnóstico frequentemente demora mais para ser feito, o que aumenta o risco de complicações, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, osteoporose e fraturas, além de comprometer a qualidade de vida e a autonomia do idoso.

    Afinal, o que é o hipertireoidismo apático e por que os sintomas são diferentes?

    O hipertireoidismo apático é uma forma menos comum de hipertireoidismo que costuma afetar pessoas idosas. Ao invés de apresentar sintomas como ansiedade, tremores, insônia e agitação, na terceira idade o quadro pode provocar justamente o contrário.

    Ele acontece porque o organismo envelhece e passa a responder de forma diferente aos hormônios da tireoide. Com o avanço da idade, o sistema nervoso e outros órgãos ficam menos sensíveis aos estímulos hormonais.

    Ao invés de deixar o corpo acelerado, o excesso de hormônios pode provocar um quadro de apatia, sonolência, perda de peso e diminuição da capacidade física, de acordo com o endocrinologista André Colapietro.

    Quais são os sintomas de hipertireoidismo no idoso?

    Enquanto os pacientes mais jovens costumam apresentar agitação, ansiedade e tremores, os idosos podem apresentar:

    1. Perda de peso sem motivo aparente

    Mesmo mantendo uma alimentação semelhante à de antes, o idoso pode emagrecer de forma rápida e sem explicação, já que o excesso de hormônios acelera o metabolismo e aumenta o gasto de energia do organismo.

    2. Cansaço intenso e fraqueza muscular

    A falta de força costuma atingir principalmente as pernas, dificultando atividades simples, como levantar da cadeira, subir escadas, caminhar pequenas distâncias ou carregar objetos.

    3. Desânimo e apatia

    O idoso pode perder a disposição para as atividades do dia a dia, ficar mais quieto, desmotivado e sem interesse por tarefas que antes faziam parte da rotina.

    4. Alterações de memória e confusão mental

    Esquecimentos frequentes, dificuldade para se concentrar e episódios de confusão podem surgir devido ao excesso de hormônios da tireoide, sendo facilmente confundidos com demência.

    5. Palpitações e alterações no ritmo cardíaco

    O coração pode bater mais rápido ou de forma irregular. Em muitos idosos, a fibrilação atrial é um dos primeiros sinais do hipertireoidismo e aumenta o risco de complicações cardiovasculares.

    6. Falta de apetite

    Ao contrário do que costuma acontecer em pessoas mais jovens, some idosos passam a comer menos, o que contribui ainda mais para a perda de peso.

    7. Alterações no funcionamento do intestino

    O hipertireoidismo também pode provocar mudanças no hábito intestinal. Em vez do aumento das evacuações, alguns idosos podem apresentar prisão de ventre ou outros desconfortos digestivos.

    Riscos de confundir o hipertireoidismo com depressão ou demência

    O desânimo constante, a falta de disposição, o isolamento social, a perda de interesse pelas atividades do dia a dia e até mesmo as alterações de memória causadas pelo hipertireoidismo podem levar familiares e profissionais de saúde a suspeitarem primeiro de depressão ou de algum tipo de demência, quando, na verdade, a origem do problema está no funcionamento da tireoide.

    O excesso de hormônios tireoidianos também pode afetar o funcionamento do cérebro e favorecer episódios de confusão mental, dificuldade de concentração e esquecimentos frequentes, sintomas que podem ser confundidos com doenças como o Alzheimer.

    Quando o hipertireoidismo não é identificado e tratado precocemente, o organismo continua sofrendo os efeitos do excesso de hormônios da tireoide, o que aumenta o risco de complicações graves, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, perda de massa óssea e fraturas.

    Ao mesmo tempo, o idoso pode acabar recebendo tratamentos para depressão ou demência, que não resolvem a verdadeira causa dos sintomas e ainda atrasam o início da terapia adequada.

    Como é feito o diagnóstico em pacientes idosos?

    Como os sintomas do hipertireoidismo nos idosos costumam ser discretos, o diagnóstico depende principalmente da avaliação médica e da realização de exames de sangue para verificar se a tireoide está produzindo hormônios em excesso, como:

    • TSH: normalmente apresenta valores muito baixos, indicando que a tireoide está funcionando acima do normal;
    • T4 livre e T3: costumam estar elevados, confirmando o excesso de hormônios tireoidianos no organismo;
    • Ultrassonografia da tireoide: ajuda a identificar alterações na glândula, como nódulos ou aumento do seu tamanho;
    • Cintilografia da tireoide: pode ser solicitada para descobrir a causa do hipertireoidismo e avaliar se existem nódulos que produzem hormônios de forma excessiva.

    Com o diagnóstico confirmado, o endocrinologista define o tratamento mais adequado para cada paciente, que pode incluir medicamentos, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo da causa da doença, da idade e das condições gerais de saúde do idoso.

    Confira: Hipotireoidismo: o que acontece quando a tireoide funciona menos do que deveria

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os sintomas mais comuns do hipertireoidismo?

    Os sinais frequentes incluem batimentos cardíacos acelerados, perda de peso rápida, tremores nas mãos, insônia, nervosismo, ansiedade, calor excessivo, suor abundante e fraqueza muscular.

    2. O hipertireoidismo sempre provoca perda de peso?

    Quase sempre. O excesso de hormônios eleva drasticamente o gasto de energia do corpo, fazendo com que o indivíduo emagreça rapidamente, mesmo mantendo o apetite aumentado e comendo mais.

    3. O que é a Doença de Graves?

    A doença de Graves é uma condition autoimune e constitui a causa mais comum de hipertireoidismo, acontecendo quando o sistema imunológico produz anticorpos que estimulam a tireoide a trabalhar sem parar.

    4. O que são os olhos saltados no hipertireoidismo?

    A condição se chama exoftalmia ou oftalmopatia de Graves, ocorrendo devido a uma inflamação nos tecidos atrás dos olhos provocada pelos mesmos anticorpos que agridem a glândula tireoide.

    5. O hipertireoidismo tem cura?

    Sim. Ao contrário do hipotireoidismo, o hipertireoidismo possui tratamentos definitivos que podem curar a disfunção, como o uso de iodo radioativo ou a realização da cirurgia de retirada da glândula.

    6. Como é o tratamento inicial do hipertireoidismo?

    O controle inicial é feito por meio de medicamentos orais antitireoidianos, como o metimazol (Tapazol) ou o propiltiouracil, que atuam bloqueando a produção exagerada de hormônios pela glândula.

    7. Um nódulo na tireoide pode causar hipertireoidismo?

    Sim, existem nódulos benignos chamados de nódulos tóxicos que passam a produzir hormônios tireoidianos de forma totalmente independente e exagerada, uma condição conhecida na medicina como Doença de Plummer.

    8. Qual a diferença entre hipertireoidismo e tireoidite?

    O hipertireoidismo é o aumento na fabricação de hormônios pela glândula, enquanto a tireoidite é uma inflamação que rompe o tecido tireoidiano, derramando na circulação os hormônios que já estavam estocados.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Por que algumas pessoas espirram ao olhar para o sol? Entenda esse reflexo curioso 

    Por que algumas pessoas espirram ao olhar para o sol? Entenda esse reflexo curioso 

    Sair de um ambiente escuro, olhar para o céu claro e sentir uma vontade imediata de espirrar é uma experiência comum para muitas pessoas. O fenômeno pode parecer estranho, mas tem nome e explicação científica.

    Ele é conhecido como reflexo fótico do espirro. Apesar do nome curioso, trata-se de uma condição benigna e relativamente frequente.

    Ainda não existe uma explicação definitiva para todos os casos, mas sabe-se que o reflexo tem relação com a resposta do sistema nervoso à luz intensa e pode ter forte influência genética.

    O que é o reflexo fótico do espirro?

    O reflexo fótico do espirro é a ocorrência de um ou mais espirros desencadeados pela exposição súbita a uma luz intensa.

    Normalmente são poucos espirros, sem grande impacto na qualidade de vida.

    Os episódios costumam acontecer quando a pessoa:

    • Sai de um ambiente escuro para o sol;
    • Olha para um céu muito claro;
    • É exposta ao flash de uma câmera;
    • Entra em um ambiente com iluminação muito intensa.

    O espirro não acontece porque o sol irrita o nariz

    Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a luz não entra no nariz nem provoca irritação direta da mucosa nasal.

    O fenômeno acontece porque existe uma interação entre nervos responsáveis pela visão e nervos envolvidos no reflexo do espirro.

    Qual é a explicação mais aceita?

    A hipótese mais aceita envolve uma espécie de comunicação cruzada entre dois nervos importantes: o nervo óptico e o nervo trigêmeo.

    O nervo óptico

    É responsável por transmitir ao cérebro os estímulos luminosos captados pelos olhos. Quando uma luz intensa atinge a retina, esse nervo envia uma grande quantidade de informações ao cérebro.

    O nervo trigêmeo

    O nervo trigêmeo é responsável pela sensibilidade da face e também participa do reflexo do espirro. Acredita-se que, em algumas pessoas, o estímulo intenso recebido pelo nervo óptico possa ativar parcialmente o nervo trigêmeo, fazendo o cérebro interpretar esse sinal como uma irritação nasal.

    O resultado é o espirro.

    É uma condição hereditária?

    Sim. Diversos estudos sugerem que o reflexo fótico do espirro possui forte componente genético.

    O padrão de herança parece ser autossômico dominante, o que significa que basta um dos pais apresentar essa característica para aumentar a chance de ela ocorrer nos filhos.

    Por isso, é comum que várias pessoas da mesma família relatem espirrar ao olhar para o sol.

    Quantas pessoas apresentam esse reflexo?

    As estimativas variam entre os estudos, mas acredita-se que aproximadamente 1 em cada 4 pessoas possa apresentar algum grau de reflexo fótico do espirro.

    A intensidade varia bastante.

    Algumas pessoas espirram apenas uma vez, enquanto outras apresentam vários espirros consecutivos.

    Existe algum risco para a saúde?

    Na grande maioria dos casos, não. O reflexo fótico é considerado uma variação normal do funcionamento do sistema nervoso.

    Entretanto, ele pode representar um pequeno risco em situações que exigem atenção constante.

    Por exemplo:

    • Durante a condução de veículos ao sair de um túnel;
    • Ao pilotar aeronaves;
    • Durante atividades em que um espirro inesperado possa comprometer a segurança.

    Nessas situações, conhecer essa característica pode ajudar na prevenção de acidentes.

    O reflexo pode ocorrer com outras fontes de luz?

    Sim. Além da luz solar, algumas pessoas espirram ao serem expostas a:

    • Flash fotográfico;
    • Refletores muito fortes;
    • Luzes cirúrgicas;
    • Ambientes extremamente iluminados após permanecerem no escuro.

    Quanto maior o contraste entre a escuridão e a luz intensa, maior tende a ser a chance de o reflexo ocorrer.

    Isso é uma alergia ao sol?

    Não. O reflexo fótico do espirro não tem relação com alergias.

    Também não significa que exista sensibilidade excessiva à luz ou qualquer doença ocular. É apenas uma resposta neurológica involuntária.

    Existe tratamento?

    Como não se trata de uma doença, normalmente não há necessidade de tratamento.

    Algumas medidas podem reduzir a ocorrência dos espirros:

    1. Usar óculos escuros

    Eles reduzem a intensidade da luz que chega aos olhos.

    2. Adaptar os olhos gradualmente

    Ao sair de um ambiente escuro, evitar olhar imediatamente para o sol pode diminuir o estímulo.

    3. Evitar olhar diretamente para fontes de luz intensa

    Além de reduzir o reflexo, essa medida protege a saúde ocular.

    Quando é necessário procurar um médico?

    O reflexo fótico isolado não costuma exigir avaliação médica. Entretanto, procure um especialista se houver:

    • Espirros persistentes sem exposição à luz;
    • Dor ocular;
    • Alterações da visão;
    • Sensibilidade exagerada à luz acompanhada de outros sintomas;
    • Espirros associados a secreção nasal persistente ou sinais de alergia.

    Nesses casos, outras condições podem estar presentes.

    Veja também: Queimadura de sol: como saber quando é grave e como melhorar os sintomas?

    Perguntas frequentes sobre espirrar ao olhar para o sol

    1. Por que algumas pessoas espirram ao olhar para o sol?

    Porque apresentam o reflexo fótico do espirro, uma resposta involuntária desencadeada pela luz intensa.

    2. Isso é uma doença?

    Não. É uma característica benigna do sistema nervoso.

    3. O problema é no nariz?

    Não. O fenômeno começa com o estímulo da luz nos olhos.

    4. É hereditário?

    Sim. Existe forte influência genética.

    5. O flash de uma câmera também pode provocar espirros?

    Sim, em algumas pessoas.

    6. Preciso de tratamento?

    Na maioria dos casos, não.

    7. É perigoso olhar diretamente para o sol?

    Sim. Independentemente do reflexo do espirro, olhar diretamente para o sol pode causar lesões permanentes na retina. O ideal é evitar essa prática e utilizar proteção ocular adequada quando necessário.

    Veja também: É rinite alérgica ou resfriado? Veja as diferenças e como identificar

  • Partir ou esmagar comprimidos: quando isso pode alterar o efeito do remédio? 

    Partir ou esmagar comprimidos: quando isso pode alterar o efeito do remédio? 

    Cortar comprimidos ao meio, triturá-los ou misturá-los em alimentos é uma prática comum, especialmente quando o medicamento é grande, difícil de engolir ou quando há necessidade de ajustar a dose. Em muitos casos, essa adaptação parece simples e inofensiva.

    No entanto, nem todo comprimido foi feito para ser partido, esmagado ou mastigado. Dependendo da formulação, modificar o medicamento pode alterar completamente a forma como ele é absorvido pelo organismo, reduzindo a eficácia ou aumentando o risco de efeitos colaterais e intoxicação.

    Por isso, antes de mudar a forma de tomar qualquer remédio, é importante saber se ele foi desenvolvido para isso.

    Nem todo comprimido é igual

    À primeira vista, muitos comprimidos parecem semelhantes.

    No entanto, eles podem ser fabricados com tecnologias diferentes para controlar:

    • O local onde serão absorvidos;
    • A velocidade de liberação do medicamento;
    • O tempo de duração do efeito;
    • A proteção contra o ácido do estômago.

    Essas características fazem parte do tratamento e não servem apenas para facilitar a fabricação.

    Alguns comprimidos foram feitos para liberar o medicamento lentamente

    Muitos medicamentos utilizam sistemas de liberação prolongada, liberação modificada ou liberação controlada.

    Nesses casos, o comprimido foi projetado para liberar pequenas quantidades do medicamento ao longo de várias horas.

    Isso permite:

    • Efeito mais prolongado;
    • Menor número de doses por dia;
    • Concentração mais estável do medicamento no sangue.

    O que acontece se um comprimido de liberação prolongada for triturado?

    Quando esse tipo de comprimido é quebrado ou triturado, o mecanismo de liberação controlada é destruído.

    Como consequência:

    • Toda a dose pode ser liberada de uma só vez;
    • O medicamento pode atingir concentrações muito altas no sangue;
    • O efeito pode durar muito menos do que o esperado.

    Esse fenômeno é conhecido como dose dumping e pode aumentar o risco de intoxicação.

    Alguns comprimidos possuem revestimento protetor

    Outros medicamentos recebem um revestimento entérico. Esse revestimento impede que o comprimido seja dissolvido no estômago.

    O objetivo pode ser:

    • Proteger o medicamento do ácido gástrico;
    • Proteger o estômago da ação irritante do medicamento;
    • Fazer o medicamento agir apenas no intestino.

    Quando esse revestimento é destruído, o tratamento pode perder eficácia ou aumentar o risco de irritação gastrointestinal.

    Por que isso pode reduzir o efeito do medicamento?

    Nem sempre o problema é apenas a absorção rápida. Alguns medicamentos são destruídos pelo ácido do estômago. Se o comprimido for triturado, o princípio ativo pode ser degradado antes de ser absorvido, reduzindo seu efeito terapêutico.

    Quais medicamentos costumam exigir mais cuidado?

    Embora cada medicamento deva ser avaliado individualmente, alguns grupos frequentemente não devem ser triturados ou partidos sem orientação profissional.

    Entre eles:

    • Comprimidos de liberação prolongada;
    • Comprimidos de liberação controlada;
    • Comprimidos de liberação modificada;
    • Comprimidos com revestimento entérico;
    • Algumas medicações hormonais;
    • Alguns medicamentos oncológicos.

    Sempre é importante consultar a bula ou um profissional de saúde antes de modificar a forma de administração.

    E quando o comprimido possui um sulco?

    O sulco, aquela linha no meio do comprimido, costuma indicar que ele foi desenvolvido para ser partido com maior precisão. Entretanto, isso não significa automaticamente que todo comprimido sulcado possa ser dividido.

    Alguns fabricantes utilizam o sulco apenas para facilitar a deglutição, e não para permitir ajuste da dose.

    Por isso, a confirmação deve ser feita na bula ou com orientação do farmacêutico ou do médico.

    Posso abrir cápsulas?

    Nem sempre. Algumas cápsulas contêm:

    • Microgrânulos de liberação prolongada;
    • Revestimentos especiais;
    • Substâncias sensíveis ao ambiente.

    Abrir a cápsula pode alterar completamente o funcionamento do medicamento.

    Outras cápsulas, porém, podem ser abertas em situações específicas, conforme orientação profissional.

    O que fazer quando a pessoa não consegue engolir comprimidos?

    Existem alternativas seguras. Dependendo do medicamento, pode ser possível utilizar:

    • Formulações líquidas;
    • Gotas;
    • Suspensões orais;
    • Comprimidos dispersíveis;
    • Comprimidos orodispersíveis;
    • Outras apresentações equivalentes.

    Nunca substitua ou modifique o medicamento por conta própria.

    Quais medicamentos são mais perigosos quando triturados?

    Alguns medicamentos apresentam maior risco de toxicidade quando toda a dose é liberada rapidamente. Além disso, determinados comprimidos não devem ser triturados porque podem expor quem os manipula a substâncias potencialmente perigosas, como alguns medicamentos utilizados em quimioterapia ou tratamentos hormonais específicos.

    Por isso, medicamentos de uso contínuo ou de alta potência merecem atenção especial.

    O farmacêutico pode orientar?

    Sim. O farmacêutico é um dos profissionais mais indicados para informar:

    • Se o comprimido pode ser partido;
    • Se pode ser triturado;
    • Se existe outra apresentação disponível;
    • Qual é a forma correta de administração.

    Quando conversar com o médico?

    Procure orientação se:

    • Houver dificuldade para engolir comprimidos;
    • O medicamento parecer muito grande;
    • Existir necessidade de ajustar a dose;
    • Houver dúvidas sobre partir ou triturar o comprimido.

    Na maioria das vezes, existem alternativas mais seguras.

    Confira: Remédios que podem ser perigosos quando combinados

    Perguntas frequentes sobre cortar ou esmagar comprimidos

    1. Todo comprimido pode ser partido?

    Não. Alguns medicamentos perdem o efeito ou podem causar intoxicação quando são partidos.

    2. Posso triturar qualquer comprimido?

    Não. Isso depende da formulação do medicamento.

    3. O que significa liberação prolongada?

    É uma tecnologia que libera o medicamento lentamente ao longo de várias horas.

    4. O que é revestimento entérico?

    É uma camada que protege o medicamento ou o estômago, permitindo que o comprimido seja dissolvido apenas no intestino.

    5. Se o comprimido tem um sulco, posso parti-lo?

    Nem sempre. O sulco pode facilitar a divisão, mas é importante confirmar essa informação na bula ou com um profissional de saúde.

    6. O que fazer se eu não consigo engolir comprimidos?

    Converse com seu médico ou farmacêutico. Muitas vezes existem apresentações líquidas ou outras formulações adequadas.

    7. Quem pode orientar se um medicamento pode ser triturado?

    O médico e, principalmente, o farmacêutico podem informar a forma correta de administração e indicar alternativas quando necessário.

    Veja mais: Alergia a medicamentos: sintomas, como é feito o diagnóstico e quando suspeitar da condição