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  • O que é ansiedade e por que ela está aumentando

    O que é ansiedade e por que ela está aumentando

    Sentir ansiedade de vez em quando é normal, afinal, aquele frio na barriga antes de uma apresentação importante ou a preocupação com um problema do dia a dia fazem parte da vida. Mas quando esse sentimento vira uma constante, começa a atrapalhar o sono, a rotina e até a saúde, é hora de entender se tem alguma coisa errada e se pode ser algum transtorno de ansiedade.

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade afetam mais de 300 milhões de pessoas no mundo. E os números não param de crescer.

    O que é ansiedade, afinal?

    A ansiedade é uma reação natural do corpo a situações de estresse, incerteza ou perigo. Ela prepara o organismo para enfrentar ou fugir de uma ameaça, como é chamado o modo “luta ou fuga”. Isso envolve alterações no corpo, como aceleração dos batimentos do coração, respiração rápida, tensão nos músculos e aumento da atenção.

    Quando essa resposta acontece com frequência, de forma intensa e sem um motivo claro, ela deixa de ser útil e passa a ser ruim. Aí, estamos falando de um transtorno de ansiedade.

    “A ansiedade patológica é um estado de alerta que não desliga, dura ao menos duas semanas, atrapalha trabalho, estudos e relações, e costuma vir com sintomas como falta de ar, palpitações, tensão muscular”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann. “Já a ansiedade normal some quando o problema real passa”, conta.

    Tipos de transtornos de ansiedade

    Existem vários tipos de transtornos de ansiedade reconhecidos pela medicina. Cada um tem características próprias, mas todos têm em comum o medo ou a preocupação excessiva, que interferem na qualidade de vida da pessoa. Conheça os mais comuns.

    Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

    O transtorno de ansiedade generalizada é caracterizado por uma preocupação constante e desproporcional com várias situações do cotidiano, mesmo quando não existe um motivo concreto para isso. A pessoa vive em estado de alerta, esperando que algo ruim aconteça.

    Síndrome do pânico

    Esse transtorno envolve crises súbitas e intensas de medo, chamadas também de ataques de pânico. Os sintomas costumam ser falta de ar, dor no peito, sensação de desmaio e medo de morrer. Muitas vezes, quem sofre de síndrome do pânico evita lugares ou situações por medo de ter uma nova crise.

    Fobias específicas

    Fobias são medos intensos e irracionais de objetos, animais ou situações. Pode ser medo de altura, de avião, de injeção ou de lugares fechados, mas sem uma real ameaça. Quando esse medo é tão forte que impede a pessoa de levar uma vida normal, ele é considerado um transtorno de ansiedade.

    As fobias mais comuns são:

    • Altura (acrofobia);
    • Voar;
    • Dirigir;
    • Injeções;
    • Lugares fechados;
    • Cães;
    • Aranhas.

    “Elas aparecem pela combinação de herança genética e experiências ruins. Viram transtorno de ansiedade quando a pessoa evita situações essenciais, por exemplo deixar de trabalhar por medo de elevador”, detalha o psiquiatra.

    Porém, em alguns casos, a pessoa pode ter apenas uma fobia e não ser considerada ansiosa. “Existe fobia específica isolada. Quem só teme avião, mas vive bem fora desse contexto, não recebe diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada”, conta Dieckmann.

    Por que a ansiedade está aumentando no mundo

    Não é apenas impressão, a ansiedade está mesmo em alta. Análises da OMS e da Associação Americana de Psiquiatria mostram que os transtornos ansiosos aumentaram nas últimas décadas, e há vários motivos para isso.

    Fatores sociais e tecnológicos

    Hoje, a maioria das pessoas vive conectada o tempo todo, bombardeada por informações, notícias ruins e cobranças de produtividade. As redes sociais também são ruins para a saúde mental: a comparação constante com a vida alheia pode alimentar sentimentos de inadequação e estresse.

    “Conexão constante a telas, pressão por responder mensagens fora do expediente, sono curto e poucas atividades de lazer de verdade somam forças para o crescimento da ansiedade”, explica o médico.

    Impacto da pandemia

    Quando a covid-19 virou o mundo de cabeça para baixo, além do medo do vírus, milhões de pessoas enfrentaram luto, desemprego, isolamento social e incertezas. Isso foi uma combinação perfeita para desencadear ou piorar quadros de ansiedade.

    Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ligada à OMS, os atendimentos por transtornos mentais cresceram bastante durante e depois da pandemia.

    Pressões da vida moderna

    A pressão por sucesso, a sobrecarga de trabalho, a falta de tempo para lazer e descanso e o ritmo acelerado da vida moderna também são responsáveis pelo aumento da ansiedade. Em muitos casos, as pessoas não têm tempo nem para perceber que estão esgotadas.

    Sintomas físicos e psicológicos da ansiedade

    A ansiedade pode se manifestar de várias formas, e nem sempre de maneira óbvia. Veja alguns dos sintomas mais comuns:

    Sintomas físicos da ansiedade

    • Coração acelerado;
    • Falta de ar;
    • Suor em excesso;
    • Tensão nos músculos;
    • Dor no peito ou no estômago;
    • Boca seca;
    • Tontura ou sensação de desmaio;
    • Problemas para dormir.

    Sintomas emocionais e comportamentais da ansiedade

    • Medo constante de que algo ruim aconteça;
    • Irritação;
    • Pensamentos acelerados;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de que vai “perder o controle”;
    • Fuga de situações sociais ou mais difíceis.

    “Muitos sentem o pacote completo (preocupação, insônia, tensão), mas outros mostram só queixas físicas, como dor de estômago crônica sem motivo clínico detectável”, explica Dieckmann.

    Crise de ansiedade: o que é e o que fazer

    Uma crise de ansiedade pode surgir de repente, mesmo sem um motivo claro. O coração dispara, a respiração fica curta, pode faltar o ar, as mãos suam, e a sensação é de que algo muito ruim está para acontecer. Muita gente confunde esse momento com um infarto, de tão intensa que a reação do corpo pode ser.

    Essa é uma resposta exagerada do organismo a uma situação de estresse, medo ou preocupação. É como se o cérebro apertasse um alarme de emergência, mesmo quando não há um perigo real.

    “Taquicardia, dor no peito e sudorese podem, de fato, imitar infarto. Como o leigo não diferencia, a regra é procurar pronto-socorro se a dor for forte ou se houver histórico cardíaco”, aconselha o psiquiatra.

    O bom é que existem formas de controlar uma crise de ansiedade. Aprender a respirar profundamente, focar no momento presente e repetir frases de tranquilização mentalmente, como “isso vai passar” e “estou seguro”, podem ajudar durante a crise. Técnicas de respiração lenta e consciente costumam ser muito eficazes.

    Quando buscar ajuda médica

    Sentir ansiedade de vez em quando é normal. Mas se ela interfere nas suas atividades, relações ou qualidade de vida, é bem importante procurar ajuda. O tratamento para ansiedade pode envolver psicoterapia, remédios, mudanças no estilo de vida ou uma combinação dessas abordagens.

    Alguns sinais de alerta para procurar um médico são:

    • Ansiedade frequente sem motivo claro;
    • Crises intensas com sintomas físicos;
    • Dificuldade para dormir por causa da preocupação;
    • Evitar compromissos por medo ou vergonha;
    • Sentimento de que não consegue controlar o que sente;
    • Ter crises de ansiedade frequentes.

    “Se os sintomas durarem mais de duas semanas ou limitarem vida social, vale marcar consulta. Clínico geral e psicólogo podem ser a porta de entrada, mas o psiquiatra faz diagnóstico preciso e decide se há necessidade de remédio”, explica o psiquiatra.

    Confira: 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade

    Perguntas frequentes sobre ansiedade

    1. Ansiedade tem cura?

    A ansiedade pode ser controlada com tratamento certo. Em muitos casos, os sintomas desaparecem por completo com acompanhamento médico e psicoterapia.

    2. Crianças e adolescentes também podem ter transtornos de ansiedade

    Sim, a ansiedade pode aparecer em qualquer idade. Em crianças, pode aparecer como medo constante, muita timidez ou recusa de frequentar a escola.

    3. Atividade física ajuda na ansiedade?

    Sim. Os exercícios físicos liberam substâncias que melhoram o humor, como a serotonina, e ajudam a diminuir o estresse e a tensão muscular.

    4. Medicamentos são sempre necessários?

    Não. Muitas pessoas conseguem ficar bem apenas fazendo psicoterapia. Em casos mais intensos, o uso de remédios pode ser indicado por um psiquiatra.

    5. Dormir mal pode piorar a ansiedade?

    Sim. Dormir pouco ou mal aumenta a irritação e diminui a capacidade do cérebro de lidar com o estresse.

    Veja mais: Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação?

  • Como fazer a higiene íntima correta após a relação sexual? 

    Como fazer a higiene íntima correta após a relação sexual? 

    A vontade de deitar, dormir ou simplesmente relaxar depois da relação sexual é totalmente normal, mas vale a pena dedicar uns minutinhos para cuidar da região íntima. No dia a dia, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de infecções, evitam desconfortos e contribuem para manter o equilíbrio natural da região genital.

    Depois da relação sexual, é comum que bactérias e outros microrganismos presentes naturalmente na pele e na região íntima fiquem mais próximos da uretra e da genitália. Na maioria das vezes, o próprio organismo consegue lidar com a situação sem dificuldades, mas é possível diminuir ainda mais o risco de infecções com uma higiene adequada.

    Por que é importante lavar a região íntima após o sexo?

    Durante a relação sexual, acontece uma troca natural de fluidos corporais, além do contato com suor e, em alguns casos, com resíduos de lubrificantes ou preservativos.

    Quando as substâncias permanecem na região íntima por muito tempo, principalmente em um ambiente quente e úmido, pode haver maior proliferação de fungos e bactérias, favorecendo irritações, mau cheiro e aumentando o risco de infecções.

    O atrito durante o sexo também pode provocar pequenas lesões na pele e nas mucosas da região genital, que costumam passar despercebidos. A higiene íntima ajuda a remover o excesso de secreções, aliviar possíveis desconfortos e preservar o equilíbrio natural da região.

    O cuidado também contribui para reduzir o risco de infecções, como candidíase e vaginose bacteriana, especialmente em pessoas que apresentam esses problemas com frequência.

    O passo a passo da higiene íntima correta

    Para manter a região íntima saudável e reduzir o risco de infecções, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza orienta que alguns cuidados simples façam parte da rotina, especialmente após as relações sexuais:

    1. Urine logo após a relação sexual

    O fluxo urinário ajuda a eliminar bactérias que podem ter se aproximado da uretra durante o contato íntimo, reduzindo o risco de infecção urinária, principalmente nas mulheres, que possuem uma uretra mais curta e costumam ser mais vulneráveis ao problema.

    2. Lave apenas a parte externa da região íntima

    A higiene deve ser feita somente na parte externa da região íntima, incluindo a vulva (grandes e pequenos lábios) e a entrada da vagina, utilizando água corrente e, se desejar, um sabonete suave.

    3. Prefira sabonetes suaves

    A água costuma ser suficiente para a limpeza, mas se você usar um sabonete, escolha um produto neutro ou específico para a região íntima, sem fragrâncias intensas. Os desodorantes íntimos, os sabonetes perfumados e outros produtos com perfume podem irritar a pele e a mucosa, causando ardência, coceira e até reações alérgicas.

    4. Evite exagerar na higiene

    A limpeza em excesso não deixa a região mais saudável. Na verdade, as lavagens repetidas ao longo do dia ou o hábito de esfregar a pele com força removem a barreira natural de proteção, ressecam a mucosa e favorecem irritações e infecções.

    Para a maioria das pessoas, uma ou duas higienizações diárias são suficientes, além da limpeza após a relação sexual quando necessário. O mais importante é manter uma higiene delicada, sem exageros.

    As duchas vaginais são recomendadas após o sexo?

    Segundo Andreia, as duchas vaginais não são recomendadas após o sexo e em nenhum outro momento. A vagina é um órgão que possui um mecanismo natural de autolimpeza e uma microbiota própria, formada principalmente pelos lactobacilos, bactérias benéficas que ajudam a manter o pH vaginal mais ácido.

    O ambiente dificulta a proliferação de fungos, bactérias e outros microrganismos capazes de causar infecções.

    Quando a água ou qualquer outra substância é introduzida no interior da vagina, a proteção natural pode ser prejudicada, causando:

    • Desequilíbrio da microbiota vaginal: a lavagem interna elimina parte dos lactobacilos, reduzindo a proteção natural da vagina e favorecendo a multiplicação de fungos e bactérias nocivas;
    • Maior risco de infecções: a alteração do pH e da microbiota aumenta as chances de desenvolver problemas como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Propagação de microrganismos: a pressão da água pode empurrar bactérias presentes na vagina para regiões mais profundas do aparelho reprodutor, como o útero e as trompas, aumentando o risco de doença inflamatória pélvica (DIP), uma infecção que pode causar complicações importantes quando não tratada.

    Recomendações para mulheres que têm infecção urinária recorrente

    Nas mulheres que sofrem com infecções urinárias frequentes, Andreia explica que a principal orientação é beber bastante água ao longo do dia, pois o aumento do fluxo urinário ajuda a eliminar bactérias antes que elas consigam se multiplicar na bexiga. Também é importante evitar segurar a urina por muito tempo, já que isso favorece a proliferação de microrganismos.

    A ginecologista também recomenda investigar se a paciente está na perimenopausa ou na menopausa. Nessa fase da vida, a queda dos níveis de estrogênio pode causar a síndrome geniturinária da menopausa, condição que aumenta o risco de infecções urinárias e pode provocar sintomas semelhantes aos da doença.

    O que fazer quando há irritação, ardência ou desconforto após a relação?

    A ardência ou o desconforto após a relação sexual nem sempre indicam uma infecção urinária e, em alguns casos, o próprio atrito durante o sexo pode deixar a entrada da vagina e a uretra levemente inflamadas, causando dor ou sensação de queimação nas horas seguintes.

    Outra possibilidade é a presença de uma vulvovaginite, como a candidíase, que também provoca coceira, irritação e ardência.

    Alguns sintomas ajudam a diferenciar as causas:

    • A ardência acontece quando a urina entra em contato com a pele: normalmente indica uma irritação ou pequenas lesões causadas pelo atrito durante a relação;
    • A dor aparece ao urinar e vem acompanhada de vontade frequente de fazer xixi: quando há necessidade de urinar várias vezes ao dia, saída de pequenas quantidades de urina e sensação de peso ou dor na bexiga, aumenta a suspeita de infecção urinária.

    Além do exame ginecológico, Andreia aponta que o médico pode solicitar exames como urina tipo 1, urocultura e, em alguns casos, ultrassom das vias urinárias. O exame físico também permite identificar infecções, como candidíase e vaginose bacteriana, além de pequenas lesões ou fissuras na região íntima.

    Quando ir ao ginecologista?

    Qualquer sintoma persistente ou que cause desconforto merece uma avaliação médica, como:

    • Ardor ou dor ao urinar;
    • Vontade frequente de urinar ou eliminação de pouca urina por vez;
    • Urina com cheiro muito forte ou diferente do habitual;
    • Coceira, vermelhidão ou ardência persistente na região íntima;
    • Corrimento com odor forte ou alteração da cor;
    • Sangramento durante ou após a relação sexual;
    • Feridas, fissuras ou pequenas lesões na região genital;
    • Dor pélvica ou dor intensa após a relação.

    O exame físico, associado aos exames laboratoriais quando necessário, permite identificar o problema corretamente e indicar o tratamento mais adequado, evitando complicações e novas recorrências.

    Leia mais: Coceira vaginal é normal? Saiba o que causa, como aliviar e quando buscar ajuda

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo depois do sexo preciso urinar?

    O ideal é urinar nos primeiros 15 a 30 minutos após a relação sexual. Quanto antes você for, menor o risco de proliferação bacteriana.

    2. Quantas vezes ao dia devo lavar a região íntima?

    O recomendado é lavar de 1 a 2 vezes ao dia. Lavar mais do que isso (4 a 6 vezes) remove a barreira de gordura protetora da pele, causando ressecamento e irritação.

    3. O que acontece se eu usar desodorante íntimo?

    O desodorante íntimo contém gases propelentes (como o CFC) para disparar o jato, que podem ser altamente irritantes, químicos e até corrosivos para a mucosa sensível da vulva.

    4. Lenços umedecidos íntimos substituem o banho?

    Não, eles devem ser usados apenas em situações de emergência, como viagens ou quando se está fora de casa.

    5. Como limpar brinquedos sexuais de forma segura?

    Lave-os imediatamente após o uso com água morna e sabonete neutro. Seque-os completamente antes de guardar para evitar o acúmulo de fungos e mofo.

    6. Lavar a vagina após o sexo evita gravidez ou ISTs?

    Não, os espermatozoides entram no útero em segundos e os vírus/bactérias se aderem à mucosa imediatamente. A lavagem externa serve apenas para higiene e conforto, não como contraceptivo ou prevenção de doenças.

    7. Qual a forma correta de se secar após urinar ou tomar banho?

    O movimento deve ser feito sempre da frente para trás, da vagina em direção ao ânus. Nunca faça o movimento inverso, para não trazer bactérias da região anal para a uretra e a vagina.

    Confira: Dor na relação sexual: o que pode ser e quando ir ao médico

  • Criança engoliu uma moeda: o que fazer imediatamente?  

    Criança engoliu uma moeda: o que fazer imediatamente?  

    Ver uma criança colocar uma moeda na boca e, em poucos segundos, perceber que ela foi engolida é uma situação que costuma provocar desespero em pais e cuidadores. Nessas horas, é comum surgir a dúvida sobre o que fazer imediatamente e se é possível tentar retirar o objeto em casa.

    Embora a maioria dos casos evolua sem complicações, algumas moedas podem ficar presas no esôfago ou, mais raramente, obstruir as vias respiratórias. Saber reconhecer os sinais de alerta e procurar atendimento no momento certo é fundamental para evitar complicações.

    A primeira pergunta: a criança está respirando normalmente?

    Antes de qualquer outra medida, observe se a criança consegue respirar.

    Se ela estiver:

    • Respirando normalmente;
    • Chorando;
    • Falando (quando já tem idade para isso);
    • Tossindo normalmente;

    Isso indica que a moeda provavelmente foi engolida e não está obstruindo as vias respiratórias.

    Nessa situação, a criança deve ser levada para avaliação médica, mas geralmente não há necessidade de medidas de primeiros socorros para desobstrução.

    Quando é uma emergência?

    A situação torna-se uma emergência quando a moeda fica presa nas vias aéreas.

    Procure atendimento imediatamente ou acione o serviço de emergência se a criança apresentar:

    • Dificuldade importante para respirar;
    • Tosse intensa que não melhora;
    • Incapacidade de falar ou chorar;
    • Chiado intenso;
    • Coloração arroxeada dos lábios ou da pele;
    • Perda da consciência.

    Esses sinais sugerem obstrução da via aérea e exigem atendimento imediato.

    O que NÃO fazer em casa?

    Algumas atitudes podem aumentar o risco de complicações.

    Evite:

    • Colocar os dedos na garganta para tentar retirar a moeda;
    • Provocar vômito;
    • Dar alimentos para “empurrar” a moeda;
    • Fazer a criança ingerir grandes quantidades de água.

    Essas medidas não ajudam a remover a moeda e podem aumentar o risco de aspiração.

    Quais sintomas podem ocorrer quando a moeda fica no esôfago?

    Se a moeda permanecer presa no esôfago, a criança pode apresentar:

    • Dor ao engolir;
    • Dificuldade para engolir saliva;
    • Salivação excessiva;
    • Vômitos;
    • Recusa para comer;
    • Sensação de desconforto no pescoço ou no peito.

    Algumas crianças, porém, podem não apresentar sintomas importantes.

    E se a criança estiver aparentemente bem?

    Mesmo quando não há sintomas, é importante procurar atendimento médico.

    Isso porque não é possível saber apenas pelos sintomas onde a moeda está localizada.

    Além disso, alguns objetos que parecem moedas podem, na verdade, ser pilhas tipo botão, que exigem retirada imediata devido ao risco de queimaduras graves no esôfago.

    Sempre que possível, informe ao médico exatamente qual objeto foi ingerido ou leve um objeto semelhante para comparação.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    A avaliação começa com o exame clínico.

    Os médicos verificam:

    • Se a criança está respirando normalmente;
    • Se consegue engolir saliva;
    • A presença de dor ou dificuldade para engolir;
    • Sinais de obstrução.

    Em seguida, definem a necessidade de exames.

    A radiografia é o principal exame

    Na maioria dos casos, é realizada uma radiografia do pescoço, do tórax e, muitas vezes, do abdome.

    O exame permite identificar:

    • Se realmente existe uma moeda;
    • Onde ela está localizada;
    • Se há mais de um objeto ingerido.

    Além disso, a radiografia ajuda a diferenciar uma moeda de uma pilha tipo botão, que apresenta características específicas na imagem.

    O que acontece se a moeda estiver no esôfago?

    Quando a moeda permanece presa no esôfago, geralmente é indicada a retirada.

    Isso ocorre porque ela pode causar:

    • Lesão da mucosa;
    • Dificuldade para alimentação;
    • Obstrução;
    • Maior risco de complicações quanto mais tempo permanecer no local.

    Na maioria das vezes, a remoção é realizada por endoscopia, sob sedação ou anestesia, especialmente em crianças.

    E se a moeda já chegou ao estômago?

    Essa é a situação mais comum e, geralmente, a mais tranquila.

    Quando a moeda já passou para o estômago e a criança está sem sintomas:

    • Na maioria dos casos, ela será eliminada naturalmente nas fezes em alguns dias ou semanas;
    • O médico pode orientar apenas observação e acompanhamento;
    • Em algumas situações, novas radiografias são solicitadas para confirmar que o objeto está progredindo pelo intestino.

    A necessidade de retirar a moeda depende do tamanho do objeto, da idade da criança, dos sintomas e do tempo que ela permanece no trato digestivo.

    Quanto tempo leva para a moeda sair?

    Na maioria das crianças, a moeda é eliminada espontaneamente entre alguns dias e até duas semanas. Os pais não precisam, obrigatoriamente, procurar a moeda nas fezes, a menos que essa seja uma orientação específica da equipe médica.

    Quando a cirurgia é necessária?

    A cirurgia é rara. Ela costuma ser reservada para situações como:

    • Perfuração do trato digestivo;
    • Obstrução intestinal;
    • Falha da retirada por endoscopia;
    • Complicações graves.

    Felizmente, esses casos são incomuns.

    Como prevenir esse tipo de acidente?

    Algumas medidas reduzem bastante o risco:

    • Manter moedas fora do alcance das crianças;
    • Evitar deixar pequenos objetos espalhados pela casa;
    • Supervisionar crianças pequenas durante as brincadeiras;
    • Ensinar crianças maiores a não colocar objetos na boca.

    Atenção especial deve ser dada às pilhas tipo botão e aos ímãs, que apresentam risco muito maior do que as moedas e exigem avaliação médica imediata.

    Confira: Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças?

    Perguntas frequentes sobre ingestão de moedas

    1. Toda criança que engole uma moeda precisa ir ao pronto-socorro?

    Sim. Mesmo quando a criança parece bem, é importante confirmar a localização da moeda e excluir a possibilidade de ingestão de uma pilha tipo botão.

    2. A maioria das moedas precisa ser retirada?

    Não. Quando a moeda já chegou ao estômago e a criança está sem sintomas, ela costuma ser eliminada naturalmente.

    3. O que fazer logo após perceber que a criança engoliu uma moeda?

    Mantenha a calma, observe se ela está respirando normalmente e procure atendimento médico. Não tente provocar vômito nem oferecer alimentos para “empurrar” a moeda.

    4. Como os médicos descobrem onde a moeda está?

    Geralmente por meio de radiografias do pescoço, tórax e abdome.

    5. Quanto tempo leva para a moeda sair nas fezes?

    Na maioria dos casos, entre alguns dias e até duas semanas.

    6. Quando a situação é uma emergência?

    Quando a criança apresenta dificuldade para respirar, não consegue engolir saliva, tem dor intensa, vômitos persistentes ou sinais de obstrução das vias aéreas.

    7. Qual é o maior risco de confundir uma moeda com outro objeto?

    O maior risco é que o objeto seja uma pilha tipo botão, que pode causar queimaduras graves no esôfago em poucas horas e necessita de retirada urgente. Por isso, toda suspeita de ingestão de uma moeda deve ser avaliada por um profissional de saúde.

    Veja também: Uso inadequado da água sanitária pode ser fatal: conheça os principais riscos

  • 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

    Se é só entrar em casa e você já começa a espirrar, sentir o nariz entupido ou até mesmo se coçar, pode ser alergia. E o mais curioso é que o que está te fazendo mal pode nem ser visível.  

    A médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti explica que alguns dos principais causadores de alergia estão bem perto da gente, escondidos nos colchões, nos tapetes e até nos nossos bichinhos de estimação. Veja quais são eles e o que fazer para se sentir melhor. 

    Causas de alergia dentro de casa? 

    1. Ácaros da poeira doméstica 

    Esses micro-organismos se alimentam de restos de pele humana e preferem ambientes quentes e mal ventilados, como colchão, travesseiro e sofá. Eles não picam, mas suas fezes e partes do corpo soltam proteínas que causam alergia em muita gente.  

    O resultado? Alergia dentro de casa com espirros ao acordar, nariz entupido, coceira nos olhos e até crises de asma em pessoas alérgicas. 

    2. Mofo (fungos) 

    O cheiro de “coisa guardada” pode ser sinal de mofo. Ele aparece em ambientes úmidos e mal ventilados, como banheiros, armários e atrás dos móveis. 

    O mofo libera esporos no ar que, ao serem inalados, provocam crises de rinite, asma e até sinusite de repetição. Em pessoas com imunidade baixa, o risco de infecção respiratória aumenta.  

    3. Animais de estimação 

    Mesmo em casas bem limpas e cuidadas, pets como cães e gatos podem ser uma das causas de alergias. Isso acontece porque eles liberam pelos, pequenos flocos de pele morta e saliva, que contêm proteínas capazes de desencadear alergia.  

    Essas partículas finíssimas ficam suspensas no ar e se acumulam nos tecidos presentes na casa, como sofá, roupa de cama, tapete, e provocam sintomas respiratórios, irritação nos olhos e na pele de quem é sensível, mesmo sem contato direto com o animal.  

    “Para quem adora animais, a boa notícia é que a imunoterapia ajuda muito”, acrescenta Brianna, referindo-se às vacinas para alergia, tratamento que pode aumentar a tolerância do organismo aos alérgenos dos pets (veja mais sobre imunoterapia) – Criar um hyperlink para o conteúdo sobre imunoterapia. 

    4. Baratas 

    As baratas também podem provocar alergia. Partículas do corpo e das fezes desses insetos ficam no ar e desencadeiam sintomas como rinite e asma. 

    Manter a casa limpa, sem restos de comida ou lixo acumulado, e com a dedetização em dia é essencial para não ter infestações e uma maneira de como evitar alergias. 

    5. Pólen trazido de fora 

    O pólen das flores entra em casa pelas janelas, roupas ou cabelos. Circulando dentro do ambiente, ele pode causar espirros e coceira nos olhos em quem tem alergia sazonal. 

    O problema se intensifica na primavera e em dias de muito vento, quando o ar externo está cheio dessas micropartículas.

    Leia mais: Tem alergia alimentar? Veja como diagnosticar e tratar

    Como diminuir os alérgenos em casa 

    Mesmo que não seja possível eliminar 100% dos alérgenos do ambiente, alguns hábitos diminuem bastante a exposição a eles dentro de casa. Brianna recomenda uma série de medidas simples para tornar o lar mais amigável para quem é alérgico. 

    Limpeza úmida 

    Limpe a casa frequentemente com pano úmido em vez de varrer ou usar espanador a seco. Assim você evita levantar poeira e espalhar partículas pelo ar. 

    Aspirador com filtro 

    Use aspiradores de pó equipados com filtro HEPA ou com reservatório de água. Diferentemente dos aspiradores comuns, que podem devolver parte da poeira ao ar, esses aparelhos conseguem reter as partículas finas de poeira, ácaros e fungos e são mais eficientes para quem tem alergia. 

    Roupas de cama lavadas 

    Lave semanalmente as roupas de cama (fronhas, lençóis, cobertores) em água quente, em torno de 60 °C, se possível. Use sabão neutro ou produtos hipoalergênicos e evite amaciantes com cheiro forte. A água quente ajuda a eliminar os ácaros presentes nos tecidos. 

    Roupas guardadas 

    Peças de inverno que ficam muito tempo no armário acumulam pó e ácaros. Antes de usá-las, lave-as ou ao menos deixe-as arejar ao sol. Uma dica é guardar casacos e cobertores em sacos plásticos ou capas durante o tempo em que não estiverem em uso, para protegê-los do pó. 

    Capas antiácaro 

    Encape colchões e travesseiros com capas protetoras impermeáveis, conhecidas como capas antiácaro. Elas impedem que os ácaros penetrem (ou saiam) desses itens, o que facilita a limpeza e reduz a exposição. 

    Menos tapetes e pelúcias 

    Embora aconchegantes, esses objetos são campeões em acumular poeira. Fuja de tapetes felpudos, cortinas pesadas e bichos de pelúcia, principalmente no quarto de quem tem alergia. Se não for possível, ao menos lave-os regularmente.  

    Ventilação e sol 

    Deixe os ambientes da casa bem ventilados e, se possível, expostos à luz do sol diariamente. 

    Abrir janelas por algumas horas por dia ajuda a dispersar alérgenos que estão no ar e reduz a umidade excessiva do ar, enquanto a luz solar direta tem efeito antimofo natural em superfícies. 

    Controle de umidade 

    Monitore a umidade relativa do ar dentro de casa. Considera-se como ideal o nível de 50% de umidade relativa. 

    Acima de 60% é considerado muito úmido e é o que o mofo precisa para se proliferar. Nesses casos, use desumidificadores elétricos ou produtos antimofo nos cômodos para manter a umidade sob controle. 

    Purificadores de ar 

    Considere usar um purificador de ar com filtro HEPA no quarto ou na sala para remover alérgenos que ficam suspensos no ar, como pólen, ácaros e esporos de mofo.  

    Esses aparelhos podem ajudar a melhorar a qualidade do ar, mas não substituem a boa limpeza. 

    Eles não conseguem eliminar ácaros já acumulados em colchões, tapetes e cortinas, por exemplo, nem “sugar” todo o pó do ambiente. Utilize-os como complemento e mantenha a limpeza da casa em dia. 

    Produtos de limpeza adequados 

    Produtos com cheiros muito fortes, como desinfetantes perfumados, ceras, sprays e aerossóis em geral, podem irritar as vias respiratórias de quem tem alergia.  

    Prefira produtos de limpeza neutros ou versões hipoalergênicas sem fragrância. 

    Ao limpar a casa, evite sprays quando possível e mantenha os cômodos bem arejados. Abrir as janelas durante e após a faxina ajuda a dissipar qualquer odor ou resíduo químico no ar. 

    Lavagem nasal e acompanhamento médico  

    A lavagem nasal diária com soro fisiológico é simples e eficaz para aliviar os sintomas da rinite. Ela ajuda a remover os alérgenos e a limpar as vias respiratórias. 

    E lembre-se: seguir o tratamento indicado pelo seu alergista é fundamental. Um ambiente limpo, aliado ao tratamento correto, é o melhor caminho para viver com mais conforto e menos crises de alergia. 

    Perguntas frequentes sobre alergias em casa 

    1. Como saber se estou com alergia ou apenas resfriado? 

    Os sintomas podem ser parecidos, mas a alergia costuma ser persistente e não vem acompanhada de febre ou mal-estar. Se você espirra ou sente o nariz entupido sempre nos mesmos ambientes ou horários, pode ser alergia. 

    2. Tapetes e cortinas realmente pioram a alergia? 

    Sim. Esses itens acumulam poeira, ácaros e pelos com facilidade. Se não forem lavados com frequência, podem desencadear ou piorar os sintomas alérgicos. 

    3. Trocar o travesseiro ajuda mesmo? 

    Sim. Travesseiros antigos acumulam ácaros e alérgenos. O ideal é trocá-los a cada dois anos e usar capas impermeáveis para facilitar a limpeza. 

    4. Posso ter alergia ao meu pet mesmo sem contato direto? 

    Pode sim. As proteínas alergênicas dos animais ficam no ar e se espalham pela casa. Mesmo sem pegar no animal, é possível inalar essas partículas e ter a reação alérgica. 

    5. É possível eliminar totalmente os alérgenos de casa? 

    Não totalmente, mas dá para reduzir muito. Com uma boa rotina de limpeza, controle de umidade e ajustes simples no ambiente, os sintomas podem melhorar bastante. 

    Leia mais: Vacina para alergia: entenda como funciona a imunoterapia

  • Ingestão de produtos de limpeza: provocar o vômito pode piorar a situação; veja o que fazer 

    Ingestão de produtos de limpeza: provocar o vômito pode piorar a situação; veja o que fazer 

    A ingestão acidental de produtos de limpeza é uma das intoxicações domésticas mais frequentes, especialmente entre crianças pequenas, mas também pode acontecer com adultos em situações de armazenamento inadequado ou acidentes dentro de casa. Diante do susto, é comum que familiares tentem provocar o vômito na tentativa de retirar o produto do organismo.

    No entanto, essa atitude, que já foi considerada uma medida de primeiros socorros no passado, hoje não é mais recomendada. Dependendo da substância ingerida, o vômito pode aumentar as lesões no trato digestivo e favorecer outras complicações. Saber como agir nos primeiros minutos é fundamental.

    Nem todo produto de limpeza causa o mesmo tipo de lesão

    Os produtos de limpeza possuem composições muito diferentes.

    Entre os mais comuns estão:

    • Água sanitária;
    • Desinfetantes;
    • Detergentes;
    • Limpadores multiuso;
    • Soda cáustica;
    • Removedores;
    • Produtos para desentupir encanamentos.

    Cada substância apresenta um potencial diferente de toxicidade e de lesão ao organismo.

    O maior risco são os produtos corrosivos

    Alguns produtos são chamados de corrosivos, pois conseguem provocar queimaduras químicas nos tecidos.

    Entre eles estão:

    • Soda cáustica;
    • Produtos para desentupir ralos;
    • Limpadores altamente alcalinos;
    • Alguns limpadores industriais.

    Esses produtos podem causar lesões importantes logo após a ingestão.

    Por que provocar o vômito pode piorar a situação?

    Quando a pessoa vomita, o produto ingerido passa novamente pelo esôfago e pela boca. Se o produto for corrosivo, isso significa uma segunda exposição dos tecidos à substância química.

    Como consequência, podem ocorrer:

    • Queimaduras mais extensas;
    • Aumento da inflamação;
    • Maior risco de perfuração do esôfago;
    • Lesões na boca e na garganta;
    • Aspiração do conteúdo para os pulmões.

    Por isso, atualmente não é recomendado provocar o vômito em casos de ingestão de produtos de limpeza.

    O risco de aspiração é outra preocupação

    Durante o vômito, parte do conteúdo pode entrar nas vias respiratórias.

    Isso pode causar:

    • Irritação dos pulmões;
    • Pneumonite química;
    • Dificuldade para respirar;
    • Insuficiência respiratória em casos graves.

    Esse é outro motivo pelo qual provocar o vômito pode ser mais prejudicial do que benéfico.

    O que fazer imediatamente?

    As primeiras medidas dependem da situação, mas algumas orientações gerais são importantes.

    1. Retire qualquer resíduo da boca

    Se houver produto na boca, a pessoa deve cuspir o conteúdo e enxaguar delicadamente a boca com água.

    2. Não provoque o vômito

    Mesmo que a ingestão tenha ocorrido há poucos minutos.

    3. Não ofereça substâncias para “neutralizar” o produto

    Não é recomendado oferecer:

    • Vinagre;
    • Limão;
    • Bicarbonato;
    • Leite em grandes quantidades como tentativa de neutralização.

    Misturar substâncias pode desencadear reações químicas que aumentam a lesão ou dificultam a avaliação médica.

    4. Procure atendimento imediatamente

    Sempre que houver ingestão de um produto de limpeza, principalmente se ele for corrosivo ou se a quantidade ingerida for desconhecida.

    Levar a embalagem do produto ou fotografar o rótulo pode ajudar a equipe médica a identificar a substância.

    A pessoa pode beber água?

    Em alguns casos, pequenas quantidades de água podem ser orientadas para remover resíduos da boca ou diluir o produto ingerido.

    Entretanto, isso depende da substância envolvida e da condição da pessoa.

    Se houver dificuldade para engolir, vômitos repetidos, sonolência ou alteração do nível de consciência, não se deve oferecer líquidos por via oral devido ao risco de aspiração.

    Quais sintomas podem aparecer?

    Os sintomas variam conforme o produto ingerido.

    Os mais comuns são:

    • Dor na boca;
    • Queimação na garganta;
    • Dor ao engolir;
    • Dor abdominal;
    • Náuseas;
    • Vômitos.

    Nos casos mais graves podem ocorrer:

    • Salivação excessiva;
    • Dificuldade para engolir;
    • Rouquidão;
    • Falta de ar;
    • Tosse intensa;
    • Sangramento pela boca ou vômitos com sangue.

    O que os médicos fazem no pronto-atendimento?

    A primeira prioridade é avaliar a estabilidade da pessoa.

    São observados:

    • Respiração;
    • Estado de consciência;
    • Pressão arterial;
    • Presença de queimaduras na boca;
    • Dificuldade para engolir.

    Depois disso, a equipe identifica exatamente qual produto foi ingerido.

    A endoscopia pode ser necessária

    Nos casos de ingestão de substâncias corrosivas, pode ser indicada uma endoscopia digestiva alta.

    Esse exame permite avaliar:

    • A extensão das queimaduras;
    • O grau da lesão no esôfago;
    • O comprometimento do estômago.

    A necessidade do exame depende do tipo de produto, da quantidade ingerida e dos sintomas apresentados.

    O carvão ativado funciona?

    Na maioria das intoxicações por produtos de limpeza, o carvão ativado não é indicado.

    Isso ocorre porque ele não neutraliza adequadamente muitas substâncias corrosivas e pode dificultar a avaliação endoscópica, além de aumentar o risco de aspiração em alguns pacientes.

    A decisão sobre seu uso depende do tipo de intoxicação e deve ser feita por profissionais de saúde.

    Quais complicações podem ocorrer?

    Nos casos mais graves, podem surgir:

    • Queimaduras profundas do esôfago;
    • Perfuração do trato digestivo;
    • Infecções;
    • Estreitamento do esôfago durante a cicatrização (estenose esofágica);
    • Dificuldade persistente para engolir.

    Essas complicações são mais comuns após ingestão de produtos altamente corrosivos.

    Como prevenir esse tipo de acidente?

    A prevenção é a medida mais importante.

    Alguns cuidados são:

    • Manter produtos de limpeza fora do alcance das crianças;
    • Guardá-los nas embalagens originais;
    • Nunca armazená-los em garrafas de refrigerante ou recipientes de alimentos;
    • Fechar bem as embalagens após o uso;
    • Não misturar produtos de limpeza diferentes.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    A ingestão de produtos de limpeza deve sempre ser avaliada por um profissional de saúde, especialmente quando envolver crianças.

    Procure atendimento imediato se houver:

    • Ingestão de produtos corrosivos;
    • Dor intensa na boca ou garganta;
    • Dificuldade para engolir;
    • Salivação excessiva;
    • Vômitos persistentes;
    • Sangramento;
    • Tosse intensa ou falta de ar;
    • Sonolência ou alteração do nível de consciência.

    Confira: Uso inadequado da água sanitária pode ser fatal: conheça os principais riscos

    Perguntas frequentes sobre ingestão de produtos de limpeza

    1. Devo provocar o vômito?

    Não. Isso pode aumentar as queimaduras no esôfago e favorecer a aspiração para os pulmões.

    2. Posso dar leite para neutralizar o produto?

    Não como medida de neutralização. A administração de líquidos depende da substância ingerida e da condição clínica da pessoa, devendo seguir orientação médica.

    3. Toda ingestão de produto de limpeza é grave?

    Não. A gravidade depende do tipo de produto, da quantidade ingerida e dos sintomas apresentados.

    4. O carvão ativado é indicado?

    Na maioria dos casos envolvendo produtos de limpeza, especialmente os corrosivos, não.

    5. Quando é necessária uma endoscopia?

    Quando há suspeita de lesão causada por produtos corrosivos ou sintomas sugestivos de queimadura do trato digestivo.

    6. O que devo levar ao hospital?

    Sempre que possível, leve a embalagem ou uma foto do rótulo do produto ingerido. Isso ajuda a equipe médica a definir a melhor conduta.

    7. Como prevenir esse tipo de acidente?

    Armazenando produtos de limpeza em suas embalagens originais, fora do alcance das crianças e nunca em recipientes de alimentos ou bebidas.

    Leia também: Intoxicação alimentar por alimentos crus: como se proteger

  • Descongestionante nasal: por que ele pode causar efeito rebote?  

    Descongestionante nasal: por que ele pode causar efeito rebote?  

    Respirar melhor poucos minutos depois de aplicar um spray nasal faz com que muita gente considere os descongestionantes uma solução prática para o nariz entupido. O problema é que esse alívio rápido pode se transformar em um ciclo difícil de interromper quando o medicamento é usado por mais tempo do que o recomendado.

    Nesses casos, surge o chamado efeito rebote, também conhecido como rinite medicamentosa. Em vez de resolver a congestão, o uso prolongado faz com que o nariz volte a entupir repetidamente, levando a aplicações cada vez mais frequentes e favorecendo alterações na mucosa nasal.

    Como funcionam os descongestionantes nasais?

    Os descongestionantes tópicos, como os que contêm oximetazolina, nafazolina ou ximetazolina, atuam provocando a contração dos vasos sanguíneos da mucosa nasal.

    Com isso:

    • Diminui o inchaço da mucosa;
    • Reduz a produção de secreções;
    • A passagem de ar melhora rapidamente.

    É por isso que o efeito costuma ser percebido poucos minutos após a aplicação.

    O que é o efeito rebote?

    O efeito rebote ocorre quando o organismo passa a reagir ao uso repetido do descongestionante.

    Após o término do efeito do medicamento, os vasos sanguíneos voltam a se dilatar, muitas vezes de forma ainda mais intensa do que antes.

    Como consequência:

    • O nariz volta a entupir rapidamente;
    • A obstrução parece pior do que a inicial;
    • A pessoa sente necessidade de usar o spray novamente.

    Esse ciclo tende a se repetir continuamente.

    O descongestionante realmente causa dependência?

    Sim, mas é importante entender o tipo de dependência. Os descongestionantes nasais não costumam provocar dependência química, como ocorre com algumas drogas. O que acontece é uma dependência funcional.

    A pessoa sente que só consegue respirar normalmente após aplicar o medicamento, porque a mucosa permanece congestionada devido ao efeito rebote.

    Isso leva ao uso repetitivo e prolongado.

    Quanto tempo de uso já aumenta o risco?

    Embora possa variar entre as pessoas, a maioria dos especialistas recomenda que os descongestionantes nasais tópicos sejam utilizados por no máximo 3 a 5 dias consecutivos.

    Após esse período, o risco de rinite medicamentosa aumenta progressivamente.

    Quanto mais prolongado o uso, maior a dificuldade para interromper o medicamento.

    O que acontece com a mucosa do nariz?

    O uso contínuo provoca alterações importantes na mucosa nasal.

    Com o tempo, podem ocorrer:

    • Inflamação crônica;
    • Redução da função dos cílios que ajudam a eliminar impurezas;
    • Ressecamento;
    • Irritação;
    • Pequenos sangramentos.

    Em casos prolongados, podem surgir alterações estruturais da mucosa, tornando a obstrução ainda mais persistente.

    Quais são os sintomas da rinite medicamentosa?

    Os principais sintomas incluem:

    • Nariz constantemente entupido;
    • Necessidade frequente de usar o spray;
    • Alívio apenas temporário;
    • Congestão que retorna rapidamente;
    • Sensação de que o medicamento “não faz mais efeito”.

    Algumas pessoas passam a utilizar o descongestionante várias vezes ao dia e até durante a madrugada.

    Quem tem rinite alérgica corre mais risco?

    Sim. Pessoas com rinite alérgica, sinusite ou outras causas de congestão nasal podem recorrer ao descongestionante para aliviar os sintomas com mais frequência.

    Como a causa da obstrução continua presente, aumenta a chance de prolongar o uso do medicamento e desenvolver efeito rebote.

    Existem riscos além do nariz?

    Sim. Embora o medicamento seja aplicado localmente, parte dele pode ser absorvida pelo organismo.

    Em algumas pessoas, principalmente quando usado em excesso, podem ocorrer:

    • Aumento da pressão arterial;
    • Palpitações;
    • Dor de cabeça;
    • Agitação;
    • Insônia.

    Esses efeitos são mais preocupantes principalmente em pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão ou glaucoma.

    Como os médicos tratam o efeito rebote?

    O principal tratamento é interromper o uso do descongestionante. Entretanto, isso nem sempre é fácil, pois o nariz costuma ficar bastante entupido nos primeiros dias, dificultando a adesão ao tratamento.

    Dependendo do caso, o médico pode indicar os tratamentos abaixo.

    Lavagem nasal com solução salina

    Ajuda a hidratar a mucosa e remover secreções.

    Corticoides nasais

    Podem reduzir a inflamação e facilitar a recuperação da mucosa.

    Esses medicamentos são diferentes dos descongestionantes e podem ser utilizados por períodos mais longos quando prescritos.

    Tratamento da causa da congestão

    É fundamental tratar a doença de base, como:

    • Rinite alérgica;
    • Sinusite;
    • Desvio de septo;
    • Pólipos nasais.

    Caso contrário, a obstrução pode persistir.

    É preciso parar de uma vez ou reduzir aos poucos?

    Isso depende da gravidade do quadro e da orientação médica. Em alguns pacientes, é possível interromper o medicamento de forma imediata.

    Em outros, especialmente após uso prolongado, o médico pode orientar uma retirada gradual associada a outros tratamentos para reduzir o desconforto.

    Como evitar o efeito rebote?

    Algumas medidas simples ajudam a prevenir o problema:

    • Utilizar descongestionantes apenas pelo tempo recomendado;
    • Nunca prolongar o tratamento por conta própria;
    • Preferir lavagem nasal com soro fisiológico para aliviar a congestão em resfriados;
    • Procurar avaliação médica quando o nariz permanecer entupido por mais de alguns dias.

    O nariz entupido persistente geralmente tem uma causa que precisa ser tratada, e não apenas mascarada com descongestionantes.

    Quando procurar um médico?

    Procure avaliação se:

    • O nariz permanece entupido por semanas;
    • Existe necessidade diária de usar descongestionante;
    • O spray deixou de funcionar como antes;
    • Há sangramentos frequentes pelo nariz;
    • Surgem dor facial intensa, febre ou secreção persistente.

    Leia também: É rinite alérgica ou resfriado? Veja as diferenças e como identificar

    Perguntas frequentes sobre o efeito rebote dos descongestionantes

    1. O descongestionante nasal pode “viciar”?

    Sim. Ele pode causar uma dependência funcional chamada rinite medicamentosa.

    2. Em quanto tempo isso pode acontecer?

    O risco aumenta quando o medicamento é utilizado por mais de 3 a 5 dias consecutivos.

    3. O nariz pode ficar mais entupido por causa do spray?

    Sim. Esse é justamente o efeito rebote.

    4. O descongestionante pode lesionar a mucosa?

    Sim. O uso prolongado pode causar inflamação, ressecamento, sangramentos e alterações na mucosa nasal.

    5. Posso usar descongestionante sempre que estiver resfriado?

    Ele deve ser utilizado apenas por curto período e conforme orientação da bula ou do médico.

    6. O soro fisiológico causa efeito rebote?

    Não. A lavagem nasal com solução salina não provoca dependência nem rinite medicamentosa e pode ser utilizada com segurança na maioria das pessoas.

    7. Como tratar a dependência do descongestionante?

    O tratamento consiste em interromper o uso do medicamento e tratar a causa da congestão nasal, muitas vezes com lavagem nasal e corticoides em spray prescritos por um médico.

    Veja também: Nariz sangrando: o que fazer na hora e quando procurar ajuda

  • Idosos sentem menos sede? Entenda por que isso é perigoso 

    Idosos sentem menos sede? Entenda por que isso é perigoso 

    É comum que familiares insistam para que um idoso beba água e ouçam como resposta: “não estou com sede”. Embora pareça apenas um hábito, essa situação faz parte de uma mudança natural do envelhecimento e merece atenção.

    Com o passar dos anos, o organismo perde parte da capacidade de perceber a necessidade de reposição de líquidos. Como consequência, muitos idosos só sentem sede quando já existe um déficit importante de água no corpo, e isso aumenta o risco de desidratação, quedas, confusão mental e até hospitalizações.

    Por isso, especialistas recomendam que a hidratação do idoso não dependa apenas da sede. Em muitos casos, criar uma rotina para oferecer líquidos ao longo do dia é uma das medidas mais importantes para preservar a saúde e evitar complicações.

    A sede é um mecanismo de proteção do organismo

    A sede é um importante mecanismo de defesa do organismo.

    Quando o corpo perde água, receptores localizados principalmente no cérebro detectam alterações na concentração do sangue e estimulam a vontade de beber líquidos.

    Esse sistema ajuda a manter o equilíbrio hídrico, a pressão arterial, o funcionamento dos rins e a atividade adequada de praticamente todos os órgãos.

    O que muda com o envelhecimento?

    Com o avanço da idade, ocorre uma redução gradual da sensibilidade dos mecanismos responsáveis pela sede.

    Isso significa que:

    • O cérebro demora mais para perceber a falta de água;
    • A sensação de sede torna-se menos intensa;
    • O idoso pode permanecer desidratado sem perceber.

    Além disso, o organismo também passa a ter menor capacidade de conservar água durante situações como calor intenso, doenças ou uso de alguns medicamentos.

    Os rins também envelhecem

    Outra mudança importante ocorre nos rins. Embora continuem funcionando, eles passam por alterações naturais que reduzem sua capacidade de:

    • Concentrar a urina;
    • Economizar água;
    • Adaptar-se rapidamente às perdas de líquidos.

    Como consequência, pequenas perdas de água podem provocar alterações mais importantes do que em adultos jovens.

    Por que isso é perigoso?

    A água participa do funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo.

    Quando ocorre desidratação, podem surgir alterações importantes, principalmente nos idosos.

    Entre as principais complicações estão:

    • Quedas;
    • Confusão mental;
    • Infecções urinárias;
    • Lesão renal aguda;
    • Queda da pressão arterial;
    • Internações.

    Em alguns casos, uma desidratação aparentemente leve pode desencadear um quadro clínico importante.

    Quais são os primeiros sinais de desidratação?

    Os sintomas nem sempre são fáceis de identificar. Os sinais mais comuns são:

    • Boca seca;
    • Urina mais escura;
    • Diminuição da quantidade de urina;
    • Fraqueza;
    • Cansaço;
    • Tontura ao levantar.

    Nos idosos, esses sinais podem ser discretos e facilmente confundidos com o próprio envelhecimento.

    Confusão mental pode ser causada por desidratação?

    Sim. A redução da quantidade de água no organismo pode comprometer o funcionamento do cérebro.

    Isso pode provocar:

    • Sonolência;
    • Desorientação;
    • Dificuldade de concentração;
    • Agitação;
    • Delirium (estado confusional agudo).

    Em muitos idosos, a confusão mental é um dos primeiros sinais de desidratação.

    O calor aumenta o risco?

    Sim. Durante dias quentes, o organismo perde mais líquidos através da transpiração. Como muitos idosos não aumentam espontaneamente a ingestão de água, o risco de desidratação cresce durante:

    • Ondas de calor;
    • Exercícios físicos;
    • Permanência em ambientes muito quentes.

    Esse é um dos motivos pelos quais idosos são considerados um dos grupos mais vulneráveis durante períodos de calor extremo.

    Algumas doenças favorecem a desidratação

    Algumas condições aumentam ainda mais esse risco. Entre elas:

    • Diabetes;
    • Febre;
    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Doença renal;
    • Demência.

    Nessas situações, a hidratação deve receber atenção redobrada.

    Alguns medicamentos também aumentam as perdas de líquidos

    Certos medicamentos favorecem a eliminação de água pelo organismo.

    Os principais exemplos são:

    • Diuréticos;
    • Alguns medicamentos utilizados para controlar a pressão arterial;
    • Laxantes quando usados em excesso.

    Isso não significa que esses remédios devam ser interrompidos, mas reforça a importância do acompanhamento médico e da hidratação adequada.

    Como prevenir a desidratação?

    A principal estratégia é não esperar que a sede apareça. Algumas medidas ajudam bastante, veja abaixo.

    1. Oferecer líquidos regularmente

    Mesmo que o idoso diga que não está com sede.

    2. Fracionar a ingestão ao longo do dia

    Pequenas quantidades distribuídas durante o dia costumam ser mais bem aceitas.

    3. Variar as fontes de líquidos

    Além da água, também contribuem para a hidratação:

    • Leite;
    • Sopas;
    • Água de coco;
    • Frutas ricas em água, como melancia, melão, laranja e abacaxi.

    Já bebidas alcoólicas e refrigerantes açucarados não devem ser considerados boas opções para hidratação.

    4. Observar a cor da urina

    Em geral, uma urina amarelo-escura pode indicar ingestão insuficiente de líquidos, embora alguns medicamentos e vitaminas também possam alterar sua coloração.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se o idoso apresentar:

    • Confusão mental repentina;
    • Sonolência excessiva;
    • Tontura importante;
    • Redução importante da quantidade de urina;
    • Incapacidade de ingerir líquidos;
    • Vômitos persistentes;
    • Fraqueza intensa;
    • Quedas associadas à suspeita de desidratação.

    Esses sinais podem indicar um quadro que necessita de tratamento imediato.

    A hidratação pode prevenir internações?

    Sim. A desidratação é considerada uma das causas potencialmente evitáveis de atendimento hospitalar em idosos.

    Manter uma boa ingestão de líquidos pode ajudar a reduzir o risco de:

    • Infecções urinárias;
    • Lesão renal aguda;
    • Delirium;
    • Quedas;
    • Hospitalizações.

    Por isso, incentivar a hidratação faz parte dos cuidados fundamentais para um envelhecimento saudável.

    Leia também: 7 sintomas de desidratação e quanto de água você deve beber todos os dias

    Perguntas frequentes sobre sede e desidratação em idosos

    1. É normal o idoso sentir menos sede?

    Sim. A diminuição da sensação de sede faz parte do envelhecimento.

    2. Isso significa que ele precisa de menos água?

    Não. Mesmo sem sentir sede, a necessidade de hidratação continua existindo.

    3. A desidratação pode causar confusão mental?

    Sim. Ela é uma das causas mais frequentes de delirium em idosos.

    4. O calor aumenta o risco de desidratação?

    Sim. O organismo perde mais líquidos e muitos idosos não percebem a necessidade de aumentar a ingestão de água.

    5. Quais medicamentos podem favorecer a desidratação?

    Principalmente os diuréticos, embora outros medicamentos também possam contribuir dependendo da situação clínica.

    6. Como saber se um idoso está desidratado?

    Boca seca, urina escura, diminuição da quantidade de urina, fraqueza, tontura e confusão mental são alguns dos sinais mais comuns.

    7. Qual a melhor forma de prevenir?

    Oferecer líquidos regularmente ao longo do dia, sem esperar que a sede apareça, e reforçar a hidratação durante períodos de calor ou episódios de doença.

  • A depilação íntima total pode favorecer infecções? Conheça os métodos mais seguros 

    A depilação íntima total pode favorecer infecções? Conheça os métodos mais seguros 

    A depilação íntima é uma escolha estritamente pessoal e não existe uma regra sobre manter ou remover os pelos. Mas, se você costuma fazer a remoção total, é comum surgir a dúvida se o hábito pode aumentar o risco de infecções ou causar outros problemas na região íntima.

    Do ponto de vista médico, a ausência de pelos na vulva não é considerada um fator de risco direto para o surgimento de problemas de saúde. Na verdade, o que realmente aumenta o risco de irritações, pelos encravados e infecções é o método utilizado e a forma como a depilação é feita.

    Depilação íntima total aumenta o risco de infecções?

    O hábito de remover os pelos pubianos, por si só, não aumenta o risco de desenvolver doenças, de acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza.

    Os pelos pubianos têm uma função natural de proteção, pois ajudam a reduzir o atrito da pele com as roupas e durante as relações sexuais, funcionando como uma espécie de amortecedor que protege a vulva contra pequenos traumas do dia a dia.

    Mesmo assim, a ausência dos pelos não é considerada prejudicial para a saúde, já que muitas mulheres fazem depilação total regularmente e não apresentam mais infecções ou alterações ginecológicas do que aquelas que preferem manter os pelos.

    Na prática, o maior risco não está na retirada dos pelos, mas na forma como a depilação é feita e na sensibilidade da pele de cada pessoa.

    Riscos da depilação íntima: quando ela pode causar infecções?

    A depilação pode favorecer o surgimento de problemas quando o método usado provoca pequenas lesões na pele, já que qualquer machucado, mesmo invisível, facilita a entrada de bactérias e outros microrganismos.

    As complicações mais comuns incluem:

    • Foliculite, que acontece quando o folículo do pelo fica inflamado, normalmente porque bactérias entram na região após o corte ou a remoção do pelo, provocando pequenas bolinhas vermelhas ou com pus, principalmente quando o pelo começa a crescer novamente;
    • Hidradenite, é uma inflamação mais profunda das glândulas da pele que pode piorar quando há traumas repetidos causados pela depilação, principalmente em pessoas que já têm predisposição para a doença.

    A depilação aumenta o risco de ISTs?

    Segundo Andreia, a depilação íntima não aumenta o risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A transmissão das ISTs está relacionada principalmente às relações sexuais desprotegidas e ao contato com o vírus, a bactéria ou outro agente infeccioso, e não à presença ou à ausência dos pelos pubianos.

    A situação merece mais atenção quando a pele está machucada por causa de uma depilação recente, pois pequenas lesões deixam a barreira natural da pele mais fragilizada e podem facilitar a entrada de alguns microrganismos.

    As pessoas que convivem com herpes genital também devem redobrar os cuidados, porque o trauma provocado por uma depilação agressiva pode desencadear uma nova crise da doença.

    Quais os métodos mais seguros de depilação?

    A escolha ideal depende do tipo de pele, mas alguns métodos causam menos agressão à pele, como:

    • Aparador elétrico: é uma das opções mais seguras, pois corta o pelo bem curto sem atingir a superfície da pele, evitando microlesões. Inclusive, é o método utilizado em hospitais antes de cirurgias, durante a tricotomia;
    • Laser: quando realizado corretamente, reduz a quantidade e a espessura dos pelos ao longo das sessões, diminuindo o risco de pelos encravados, foliculites e pequenas inflamações;
    • Cera: remove o pelo pela raiz e pode causar foliculite em pessoas com pele mais sensível, mas não provoca o desgaste superficial da pele causado pela lâmina;
    • Creme depilatório: enfraquece a estrutura do pelo, que se rompe na superfície da pele sem provocar atrito ou microcortes, funcionando de forma semelhante ao aparador elétrico..

    A lâmina de barbear continua sendo o método que mais agride a pele da região íntima, pois, além de cortar os pelos, também provoca pequenas lesões na superfície da pele, favorecendo irritações e infecções.

    Qual o intervalo ideal para depilar a região íntima, sem aumentar o risco de irritações?

    Não existe um intervalo ideal que sirva para todas as pessoas. De acordo com Andreia, a frequência da depilação depende principalmente do método escolhido, da sensibilidade da pele e da velocidade de crescimento dos pelos.

    Algumas mulheres têm pelos mais grossos e de crescimento rápido, enquanto outras apresentam menos pelos e um crescimento mais lento. O mais importante é respeitar o tempo de recuperação da pele entre uma depilação e outra, evitando realizar o procedimento quando a região ainda estiver irritada, com microlesões, pelos encravados ou sinais de inflamação.

    Como cuidar da pele antes e depois da depilação?

    No dia a dia, alguns cuidados ajudam a proteger a pele da região íntima e reduzem o risco de irritações, pelos encravados e infecções:

    • Mantenha a região limpa antes da depilação e utilize apenas materiais limpos e higienizados;
    • Use lâminas novas e bem afiadas, caso opte pela gilete, pois as lâminas gastas exigem mais pressão e aumentam o risco de cortes;
    • Mantenha a pele seca após a depilação e, se houver sensibilidade, utilize um hidratante adequado para a região, conforme orientação médica;
    • Evite tomar sol logo após a depilação, já que a pele fica mais sensível e pode desenvolver manchas ou irritações;
    • Prefira roupas leves e de algodão nas primeiras horas, pois elas reduzem o atrito e permitem que a pele respire melhor;
    • Evite relações sexuais, piscina, mar e banheira nas primeiras 24 horas, principalmente quando houver irritação, para reduzir o risco de infecções e desconforto;
    • Não coce nem esprema pelos encravados ou bolinhas, pois isso aumenta a inflamação e favorece infecções. Se os sintomas persistirem, procure um ginecologista ou dermatologista.

    Quem deve evitar a depilação íntima?

    A depilação deve ser evitada quando houver qualquer alteração ativa na pele da vulva, como:

    • Crises de dermatite ou psoríase;
    • Lesões de líquen escleroso;
    • Foliculites intensas;
    • Feridas abertas;
    • Fissuras, úlceras ou bolhas, como acontece durante uma crise de herpes genital.

    Antes de voltar a se depilar, o ideal é tratar qualquer problema de pele e esperar a região cicatrizar completamente, sempre com a orientação do ginecologista ou do dermatologista. Por outro lado, deixar os pelos muito longos também pode dificultar a higiene da região íntima, já que eles favorecem o acúmulo de suor, umidade e resíduos.

    No fim das contas, o mais importante é encontrar um equilíbrio e escolher o método de depilação que seja confortável, respeite a sensibilidade da pele e permita manter a região sempre limpa e saudável.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem psoríase ou líquen pode se depilar?

    Durante as crises ativas dessas doenças na vulva, a depilação deve ser totalmente evitada para não piorar as lesões.

    2. Pode tomar sol logo após a depilação íntima?

    Não, a pele fica sensibilizada e o contato com o sol pode gerar manchas escuras difíceis de clarear e irritação severa.

    3. Usar hidratante após a depilação ajuda?

    Sim, desde que seja um product leve, calmante e sem fragrâncias fortes, específico para não irritar a região genital.

    4. Adolescentes podem fazer depilação a laser na virilha?

    Sim, mas o ideal é esperar a puberdade se estabilizar. Como o laser dói um pouco, alternativas como o creme depilatório ou o aparador elétrico costumam ser mais confortáveis no início.

    5. Qual o risco de usar receitas caseiras para depilar a área íntima?

    O risco de queimaduras químicas e alergias graves é altíssimo. A pele da vulva é extremamente sensível e absorve substâncias com facilidade, por isso só use produtos dermatologicamente testados.

    6. Como diferenciar a foliculite comum de uma infecção mais grave?

    A foliculite gera pontinhos vermelhos ou de pus na base do pelo que somem em poucos dias. Se houver nódulos grandes, muito dolorosos, quentes ou que vazam muito pus, pode ser um abscesso e exige avaliação médica.

    7. É normal a virilha coçar quando os pelos estão crescendo?

    Sim. Quando o pelo é cortado (especialmente pela lâmina), a ponta cresce mais grossa e pontiaguda, gerando atrito e coceira ao esbarrar na pele e na calcinha.

    8. O que fazer imediatamente após notar que um pelo encravou?

    Não tente espremer ou cutucar com a unha, pois isso introduz bactérias. Mantenha a região limpa, faça compressas mornas para ajudar o pelo a sair e espere que o corpo o expulse naturalmente.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

  • Perda de massa muscular: quando ela preocupa durante o emagrecimento ou no envelhecimento? 

    Perda de massa muscular: quando ela preocupa durante o emagrecimento ou no envelhecimento? 

    Emagrecer não significa apenas perder gordura. Entenda quando a redução da massa muscular pode comprometer a força, a mobilidade e a saúde, especialmente em idosos.

    Emagrecer costuma ser motivo de comemoração para muitas pessoas. Mas, por trás da redução do número na balança, existe um detalhe que nem sempre recebe a devida atenção: afinal, o peso perdido veio da gordura ou dos músculos?

    Embora alguma perda de massa muscular possa ocorrer durante o emagrecimento, ela deve ser a menor possível. Quando a redução dos músculos é excessiva, podem surgir consequências importantes, como diminuição da força, piora da mobilidade, maior risco de quedas e até dificuldade para manter o peso perdido no futuro.

    A preocupação também é grande entre os idosos. Com o avanço da idade, acontece uma perda natural da musculatura, conhecida como sarcopenia, que pode comprometer a independência, aumentar o risco de hospitalizações e reduzir a qualidade de vida.

    Por isso, preservar os músculos é considerado um dos pilares tanto do envelhecimento saudável quanto de um processo de emagrecimento bem conduzido.

    O que é massa muscular?

    A massa muscular corresponde ao conjunto de músculos do corpo responsáveis por:

    • Movimentação;
    • Equilíbrio;
    • Postura;
    • Força física;
    • Parte importante do metabolismo energético.

    Além de permitir a realização das atividades do dia a dia, os músculos também funcionam como uma importante reserva metabólica e participam do controle da glicose, da proteção dos ossos e da manutenção da capacidade funcional.

    Perder peso e perder músculo não são a mesma coisa

    Quando uma pessoa emagrece, o peso perdido pode vir de diferentes componentes do organismo, como:

    • Gordura corporal;
    • Líquidos;
    • Massa muscular.

    O objetivo de um emagrecimento saudável é reduzir principalmente a gordura corporal, preservando ao máximo a musculatura. Isso ajuda a manter a força, o metabolismo e a capacidade de realizar atividades físicas.

    É normal perder um pouco de músculo durante o emagrecimento?

    Sim. Mesmo em programas de emagrecimento bem conduzidos, alguma perda de massa muscular pode acontecer.

    No entanto, ela costuma ser pequena quando existe:

    • Alimentação equilibrada;
    • Consumo adequado de proteínas;
    • Exercícios de força, como musculação;
    • Perda de peso gradual.

    O problema surge quando a perda muscular passa a representar uma parcela importante do peso eliminado.

    Como perceber que a perda muscular está acontecendo?

    Nem sempre a balança consegue mostrar essa diferença. Alguns sinais são:

    • Perda de força;
    • Dificuldade para carregar objetos;
    • Piora do desempenho físico;
    • Sensação de fraqueza;
    • Redução da circunferência dos braços e das pernas;
    • Maior dificuldade para levantar da cadeira ou subir escadas.

    Em muitos casos, a pessoa percebe que emagreceu, mas também sente que está menos forte do que antes.

    O envelhecimento favorece a perda muscular

    Sim. Com o passar dos anos, ocorre uma redução gradual da massa e da força muscular, processo que tende a acelerar após os 60 anos.

    Quando essa perda compromete a capacidade funcional, ela recebe o nome de sarcopenia, uma condição reconhecida como doença e que pode aumentar significativamente o risco de quedas, fraturas e perda da independência.

    O que é sarcopenia?

    A sarcopenia é caracterizada pela perda progressiva de:

    • Massa muscular;
    • Força muscular;
    • Desempenho físico.

    Embora esteja relacionada ao envelhecimento, ela não deve ser considerada uma consequência inevitável da idade. A prática de exercícios de força, a alimentação adequada e o tratamento de doenças associadas ajudam a prevenir ou retardar sua progressão.

    Por que a perda muscular preocupa nos idosos?

    Nos idosos, a perda muscular está associada a:

    • Maior risco de quedas;
    • Fraturas;
    • Hospitalizações;
    • Dependência para atividades do dia a dia;
    • Piora da qualidade de vida.

    Além disso, pessoas com pouca massa muscular costumam apresentar recuperação mais lenta após cirurgias, infecções e outras doenças.

    Doenças também podem acelerar a perda muscular

    Algumas condições favorecem a redução da massa muscular, entre elas:

    • Câncer;
    • Insuficiência cardíaca;
    • DPOC;
    • Doença renal crônica;
    • Doenças neurológicas;
    • Infecções prolongadas.

    Nesses casos, a perda muscular pode ocorrer mesmo sem mudanças importantes na alimentação.

    Medicamentos para emagrecimento exigem atenção?

    Sim. Medicamentos modernos utilizados no tratamento da obesidade, como os agonistas do receptor de GLP-1 e os agonistas duplos de GIP/GLP-1, promovem uma perda importante de gordura corporal.

    No entanto, como acontece em praticamente qualquer processo de emagrecimento, também pode haver redução da massa magra.

    Esse risco tende a ser maior quando:

    • A ingestão de proteínas é insuficiente;
    • A pessoa não pratica exercícios de força;
    • O emagrecimento ocorre de forma muito rápida;
    • Existe sedentarismo durante o tratamento.

    Por isso, especialistas recomendam que o uso desses medicamentos seja acompanhado de orientação nutricional e de um programa de exercícios resistidos para ajudar a preservar a musculatura.

    Como os médicos avaliam a perda muscular?

    A avaliação pode envolver:

    Exame físico

    Observação da força e da massa muscular.

    Testes funcionais

    Avaliam a capacidade de caminhar, levantar-se de uma cadeira e realizar atividades do dia a dia.

    Exames de composição corporal

    Métodos como bioimpedância e densitometria corporal (DEXA) podem estimar a quantidade de massa muscular e gordura corporal.

    Como preservar a massa muscular?

    As principais estratégias são as abaixo.

    1. Consumir proteínas em quantidade adequada

    A ingestão de proteínas é fundamental para manutenção e recuperação dos músculos.

    2. Praticar exercícios de força

    Musculação e outros exercícios resistidos são as estratégias mais eficazes para preservar e estimular o ganho de massa muscular.

    3. Evitar emagrecimento muito rápido

    Perdas aceleradas de peso aumentam a chance de redução da massa muscular.

    4. Controlar doenças crônicas

    Especialmente em idosos e pessoas com doenças que favorecem a perda muscular.

    Quando a perda muscular merece investigação?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Fraqueza progressiva;
    • Quedas frequentes;
    • Perda de peso involuntária;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Dificuldade para levantar da cadeira;
    • Redução importante da força;
    • Perda muscular aparentemente desproporcional ao emagrecimento.

    Confira: Proteína para ganhar massa muscular: veja quanto você precisa por dia

    Perguntas frequentes sobre perda de massa muscular

    1. É normal perder músculo ao emagrecer?

    Sim. Alguma perda pode ocorrer, mas ela deve ser pequena e controlada.

    2. O que é sarcopenia?

    É a perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, mais comum com o envelhecimento.

    3. Idosos perdem músculos mais facilmente?

    Sim. A perda muscular faz parte do envelhecimento, mas pode ser acelerada por doenças, sedentarismo e alimentação inadequada.

    4. Dietas muito restritivas podem causar perda muscular?

    Sim. Emagrecimentos muito rápidos aumentam o risco de redução da massa muscular.

    5. Medicamentos para emagrecimento fazem perder músculos?

    Pode haver alguma perda de massa magra durante o tratamento, como ocorre em outros processos de emagrecimento. O risco é menor quando há ingestão adequada de proteínas e prática de exercícios de força.

    6. Como preservar os músculos durante o emagrecimento?

    Mantendo uma ingestão adequada de proteínas, praticando exercícios resistidos e evitando perdas de peso muito rápidas.

    7. Quando devo procurar avaliação médica?

    Quando houver fraqueza progressiva, perda muscular significativa, dificuldade para realizar atividades do dia a dia ou perda de peso involuntária.

    Veja também: Canetas emagrecedoras: saiba como evitar a perda de massa muscular

  • Sensação de estar caindo ao adormecer: isso é normal? 

    Sensação de estar caindo ao adormecer: isso é normal? 

    Você está quase dormindo quando, de repente, sente como se estivesse caindo de uma escada, tropeçando ou despencando de um lugar alto. No mesmo instante, o corpo dá um tranco involuntário e você desperta assustado, muitas vezes com o coração acelerado. Se isso já aconteceu com você, saiba que não está sozinho.

    Esse fenômeno é chamado de espasmo mioclônico do sono, também conhecido como sobressalto hipnagógico ou mioclonia do adormecimento. Embora a sensação seja intensa e até preocupante para quem nunca a experimentou, ela faz parte da fisiologia do sono e costuma ser completamente benigna.

    O que é o espasmo mioclônico do sono?

    O espasmo mioclônico do sono é uma contração muscular involuntária, rápida e súbita que ocorre durante a transição entre a vigília e o início do sono.

    Ele pode envolver:

    • As pernas;
    • Os braços;
    • O tronco;
    • Todo o corpo.

    Na maioria das pessoas, acontece apenas uma vez durante o adormecimento e dura apenas uma fração de segundo.

    Por que parece que estamos caindo?

    A sensação de queda é uma das características mais marcantes desse fenômeno.

    Muitas pessoas descrevem a impressão de:

    • Estar tropeçando;
    • Cair de uma escada;
    • Escorregar;
    • Despencar de uma altura;
    • Dar um passo em falso.

    Embora ainda não exista uma explicação definitiva, acredita-se que essa sensação ocorra porque o cérebro está passando da vigília para o sono, momento em que diferentes áreas cerebrais deixam de funcionar de forma totalmente sincronizada.

    Assim, o cérebro pode interpretar de maneira incomum os sinais enviados pelo corpo, gerando a falsa percepção de uma queda.

    O que acontece no cérebro nesse momento?

    Ao adormecer, o organismo passa por diversas mudanças importantes.

    Nesse período:

    • A frequência cardíaca diminui;
    • A respiração torna-se mais lenta;
    • Os músculos começam a relaxar;
    • A atividade elétrica do cérebro muda progressivamente.

    Durante essa transição, pode ocorrer uma descarga elétrica breve e involuntária em grupos de neurônios responsáveis pelo controle dos movimentos, provocando a contração muscular súbita característica do espasmo mioclônico.

    Sentir que está caindo ao adormecer é normal?

    Sim. O espasmo mioclônico do sono é considerado um fenômeno fisiológico normal.

    Estudos mostram que cerca de 60% a 70% das pessoas apresentam esse tipo de espasmo em algum momento da vida, embora muitas sequer se lembrem do episódio.

    Na grande maioria dos casos, ele não está associado a doenças neurológicas nem necessita de tratamento.

    Quem costuma ter mais espasmos?

    Embora possa ocorrer em qualquer pessoa, alguns fatores aumentam a probabilidade dos episódios.

    Entre eles estão:

    • Estresse;
    • Ansiedade;
    • Privação de sono;
    • Cansaço extremo;
    • Consumo excessivo de cafeína;
    • Exercícios intensos próximos ao horário de dormir.

    Quanto mais ativado estiver o sistema nervoso, maior tende a ser a ocorrência desses sobressaltos.

    A falta de sono aumenta o risco?

    Sim. Dormir menos do que o necessário é um dos fatores mais frequentemente associados ao espasmo mioclônico.

    Quando existe privação de sono, o cérebro tende a entrar nas fases iniciais do sono de forma mais rápida, o que pode favorecer pequenas alterações durante essa transição.

    Por isso, pessoas que passaram noites mal dormidas costumam perceber os episódios com maior frequência.

    O estresse pode causar a sensação de queda?

    Sim. Durante períodos de maior tensão emocional, o sistema nervoso permanece em um estado de alerta aumentado.

    Isso pode favorecer:

    • Espasmos musculares;
    • Fasciculações;
    • Sobressaltos ao adormecer;
    • Despertares durante a noite.

    Em muitas pessoas, os episódios tornam-se mais frequentes justamente em fases de estresse intenso.

    A cafeína pode piorar os episódios?

    Pode. O consumo excessivo de café, energéticos, pré-treinos, chás estimulantes e refrigerantes com cafeína pode aumentar a atividade do sistema nervoso e favorecer a ocorrência dos espasmos.

    Por esse motivo, reduzir a ingestão dessas bebidas nas horas que antecedem o sono pode ajudar algumas pessoas.

    Sonhos estão relacionados ao fenômeno?

    Às vezes. Algumas pessoas relatam que o tranco acontece acompanhado de uma imagem muito rápida, como um tropeço, um salto ou uma queda.

    Isso provavelmente ocorre porque o cérebro já começa a produzir experiências semelhantes aos sonhos mesmo antes de o sono profundo se instalar completamente.

    Isso é diferente de convulsão?

    Sim. O espasmo mioclônico do sono é completamente diferente de uma crise convulsiva.

    As principais diferenças são:

    • Ocorre apenas durante o adormecimento;
    • É muito breve;
    • A pessoa desperta rapidamente;
    • Não há perda prolongada da consciência;
    • Não ocorre confusão mental após o episódio.

    Na maioria dos casos, trata-se apenas de um fenômeno fisiológico.

    Quando os espasmos merecem investigação?

    Embora sejam normalmente benignos, algumas situações justificam avaliação médica.

    Procure orientação se:

    • Os movimentos acontecem repetidamente durante toda a noite;
    • Os espasmos provocam lesões;
    • Existem outros sintomas neurológicos;
    • Os movimentos também ocorrem durante o dia;
    • Há prejuízo importante da qualidade do sono.

    Nessas situações, o médico poderá investigar outros distúrbios do sono ou doenças neurológicas.

    Como reduzir os episódios?

    Algumas medidas simples costumam diminuir a frequência dos espasmos.

    1. Dormir regularmente

    Manter horários consistentes para dormir e acordar ajuda a estabilizar o sono.

    2. Reduzir a cafeína

    Principalmente no período da tarde e da noite.

    3. Controlar o estresse

    Técnicas de relaxamento, meditação e boa higiene do sono podem ser úteis.

    4. Evitar exercícios muito intensos perto da hora de dormir

    Dar preferência a atividades físicas em horários mais distantes do momento de deitar.

    O espasmo mioclônico pode indicar uma doença?

    Na grande maioria das vezes, não.

    Quando ocorre isoladamente, sem outros sintomas neurológicos e apenas no momento de adormecer, ele é considerado um fenômeno fisiológico normal.

    A investigação costuma ser necessária apenas quando os movimentos são persistentes, muito frequentes ou acompanhados de outros sinais que sugiram um distúrbio neurológico ou do sono.

    Veja também: Cafeína faz mal para o coração? Veja os efeitos (e quanto tomar)

    Perguntas frequentes sobre o espasmo mioclônico do sono

    1. O que é o espasmo mioclônico do sono?

    É uma contração muscular involuntária que ocorre durante a transição entre a vigília e o sono.

    2. Por que parece que estou caindo?

    Porque o cérebro está mudando do estado de vigília para o sono e pode interpretar de forma incomum alguns sinais enviados pelo corpo.

    3. Isso é normal?

    Sim. Trata-se de um fenômeno muito comum e geralmente benigno.

    4. Estresse pode causar esses espasmos?

    Sim. Estresse, ansiedade e privação de sono são alguns dos principais fatores associados.

    5. Cafeína piora o problema?

    Pode. O consumo excessivo de bebidas estimulantes pode aumentar a frequência dos episódios.

    6. Isso é uma convulsão?

    Não. O espasmo mioclônico do sono é um fenômeno fisiológico e muito diferente de uma crise convulsiva.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando os movimentos forem frequentes, ocorrerem também durante o dia, provocarem lesões ou vierem acompanhados de outros sintomas neurológicos ou distúrbios importantes do sono.

    Veja também: Privação de sono e produtividade: por que dormir menos faz você render pior