Rinite: como ter pets em casa sem sofrer com crises de alergia? 

Homem segurando um gato no colo dentro de casa, representando a convivência entre pets e pessoas com rinite alérgica.

Espirros frequentes, nariz entupido, coceira e olhos irritados são alguns dos sintomas mais comuns de quem convive com alergias respiratórias. No caso de pessoas que têm pets em casa, os sintomas podem se tornar ainda mais intensos pelo contato frequente com proteínas presentes na saliva, na pele e nos pelos dos animais.

Mas, com ajustes simples na rotina de limpeza, cuidados específicos com a higiene do pet e adaptações no ambiente, é perfeitamente possível manter o bem-estar e a saúde em dia sem abrir mão da companhia do gatinho ou cachorro. Vamos entender mais, a seguir.

Como a alergia aos pets acontece?

Ao contrário do que algumas pessoas imaginam, a alergia não acontece apenas por causa dos pelos dos animais. Na maioria dos casos, a reação é desencadeada pelas proteínas encontradas na saliva, na urina e nas glândulas sebáceas (óleo da pele) dos animais. Nos gatos, a proteína principal é a Fel d 1, enquanto nos cães são as proteínas Can f 1 e Can f 2.

Quando o animal se lambe, por exemplo, a saliva fica espalhada nos pelos e no ambiente, facilitando o contato com as substâncias que desencadeiam a alergia.

Ao entrar em contato com as partículas, o sistema imunológico de uma pessoa sensível as identifica erroneamente como uma ameaça invasora, como se fossem um vírus ou bactéria. Como resultado, o corpo libera a histamina, uma substância responsável por causar a inflamação nas vias aéreas, o que provoca:

  • Coriza e espirros;
  • Lacrimejamento e vermelhidão nos olhos;
  • Coceira na garganta ou na pele;
  • Congestão nasal;
  • Em alguns casos, crises de asma.

Como essas partículas são muito leves, elas podem permanecer em sofás, cortinas e tapetes por meses, mesmo que o animal não esteja mais no ambiente.

Como reduzir os alérgenos no ambiente?

Para reduzir a presença de alérgenos em casa, o recomendado é adotar algumas medidas de limpeza para evitar que as partículas em suspensão voltem a circular no ar:

1. Use os aspiradores com filtro HEPA

Diferentemente dos modelos comuns, os aspiradores com filtro HEPA (High Efficiency Particulate Air) conseguem reter até 99,9% das micropartículas, incluindo a caspa dos pets e os ácaros. Os aspiradores tradicionais, em muitos casos, acabam liberando os alérgenos menores novamente no ar por meio da exaustão.

2. Substitua a vassoura pelo pano úmido

O uso das vassouras de cerdas secas levanta a poeira e os alérgenos, mantendo as partículas suspensas no ar por várias horas. O ideal é utilizar um mop ou um pano úmido com os produtos de limpeza neutros, que ajudam a prender a sujeira e permitem a remoção sem espalhar as partículas pelo ambiente.

3. Utilize os purificadores de ar

Os purificadores de ar equipados com os filtros de alta eficiência podem ajudar na filtragem das partículas que permanecem circulando no ambiente. Os aparelhos são especialmente úteis nos locais onde o pet passa mais tempo, como a sala de estar e os corredores.

4. Higienize as cortinas e os estofados com frequência

Os tecidos costumam acumular uma grande quantidade de proteínas alérgenas presentes no ambiente.

  • Cortinas: prefira os modelos de persianas ou os materiais mais fáceis de limpar. Caso utilize as cortinas de tecido, faça a lavagem pelo menos uma vez por mês;
  • Sofás: utilize as capas protetoras que possam ser lavadas semanalmente na máquina com água quente, acima de 60 °C. A alta temperatura ajuda na desnaturação das proteínas presentes na saliva dos animais.

Além das cortinas e dos sofás, a atenção também deve incluir os tapetes, as almofadas, as mantas e as roupas de cama, já que os tecidos mais grossos tendem a reter uma quantidade maior de pelos, poeira e partículas alergênicas. Se possível, prefira materiais impermeáveis ou de fácil higienização e evite o excesso de itens de tecido espalhados pela casa.

5. Mantenha os ambientes ventilados

Ao longo do dia, deixar as janelas abertas para permitir a circulação de ar é importante para renovar o oxigênio e diminuir a concentração de alérgenos dentro de casa. Procure criar correntes de ar pelo menos durante alguns períodos do dia.

6. Faça uma adaptação na mobília e decoração

Para conviver bem com pets e minimizar as crises alérgicas, a organização da casa deve priorizar superfícies que não acumulem resíduos e que sejam fáceis de higienizar:

  • Prefira os pisos lisos, como os de cerâmica, porcelanato, madeira ou vinílico, já que os tapetes e os carpetes acumulam muitos pelos e partículas alergênicas;
  • Escolha os móveis com superfícies lisas e poucos detalhes, pois eles acumulam menos poeira e caspa animal;
  • Use as capas laváveis ou os revestimentos sintéticos nos sofás e nas poltronas para facilitar a limpeza dos pelos;
  • Evite os tecidos pesados, como as cortinas grossas, as mantas e as almofadas, porque eles acumulam mais alérgenos;
  • Mantenha os pets fora do quarto e utilize as capas antialérgicas nos colchões e travesseiros para reduzir os alérgenos durante o sono.

Cuidados que você deve ter com o pet

Além da limpeza da casa, alguns cuidados com o próprio animal também ajudam a reduzir a quantidade de alérgenos espalhados pelo ambiente e diminuem o risco de crises respiratórias:

  • Faça a escovação do pet todos os dias para remover os pelos soltos e a caspa animal. O ideal é que a escovação seja feita por uma pessoa não alérgica e, de preferência, em um ambiente aberto;
  • Mantenha os banhos regulares para diminuir o acúmulo de saliva, pele morta e sujeira na pelagem do animal. A frequência pode variar entre semanal ou quinzenal, dependendo da orientação do veterinário;
  • Utilize os shampoos hidratantes e converse com o veterinário sobre suplementos, como o Ômega 3, já que uma pele saudável costuma descamar menos;
  • Passe os lenços umedecidos próprios para pets nos pelos e nas patas após os passeios para ajudar na remoção da poeira, do pólen e de outras partículas alergênicas;
  • Mantenha a porta do quarto fechada para evitar a circulação dos pets no dormitório e reduzir o contato com os pelos durante o sono;
  • Lave com frequência as capas dos sofás, as cortinas, as mantinhas e as caminhas do pet, de preferência com água quente, para ajudar na redução das proteínas alergênicas.

Existem raças de pets hipoalergênicas?

A resposta é não, não existe nenhum cão ou gato 100% livre de alérgenos, já que todos os animais produzem as proteínas causadoras da alergia na saliva, na urina e na pele. No entanto, existem raças consideradas mais toleráveis para pessoas sensíveis porque possuem características que reduzem a dispersão das substâncias no ambiente.

No caso dos cães, as raças que não passam por trocas sazonais de pelagem ou que possuem pelos que crescem continuamente, como o Poodle, Shih Tzu, Maltês e o Cão d’Água Português, são as mais indicadas, pois soltam menos pelos e, consequentemente, espalham menos caspa pela casa.

Já entre os gatos, raças como o Siberiano são famosas por produzirem naturalmente níveis mais baixos da proteína Fel d 1, enquanto o Sphynx (gato pelado) facilita a higiene direta da pele, embora ainda produza a proteína na saliva.

Quando procurar um médico alergologista?

É importante procurar um médico alergologista nas seguintes situações:

  • Se você apresenta espirros, coriza ou tosse diariamente, mesmo mantendo o ambiente limpo e o pet bem cuidado;
  • Se a congestão nasal ou a coceira atrapalham o seu descanso, gerando cansaço e irritabilidade durante o dia;
  • O contato constante com alérgenos pode evoluir para quadros respiratórios mais graves, como a asma alérgica;
  • Se você precisa tomar antialérgicos por conta própria com frequência para conseguir conviver com o animal.

O especialista poderá realizar testes cutâneos ou de sangue para confirmar se o pet é realmente o único gatilho da alergia ou se existem outros fatores, como ácaros e mofo.

Veja mais: Tempo seco pode piorar as alergias? Saiba o que fazer para se proteger

Perguntas frequentes

1. É possível deixar de ser alérgico a um pet com o tempo?

Em alguns casos, ocorre a “dessensibilização natural”, onde o corpo se acostuma com aquele animal específico. No entanto, o mais comum é que a alergia persista ou piore sem o tratamento adequado.

2. O pelo curto causa menos alergia que o pelo longo?

Não necessariamente. A alergia é causada por proteínas na pele e saliva. Um animal de pelo curto pode ter uma descamação de pele tão intensa quanto um de pelo longo.

3. Gatos causam mais alergia do que cachorros?

Sim. A proteína dos gatos (Fel d 1) é menor, mais leve e mais “pegajosa” que a dos cães, permanecendo no ar por muito mais tempo e grudando com facilidade em tecidos.

4. Existe algum produto que eu possa passar no pet para reduzir a alergia?

Sim, existem loções antialérgicas de uso veterinário que, quando aplicadas no pelo do animal, ajudam a neutralizar as proteínas e remover a caspa solta.

5. Posso usar vassoura de borracha para limpar os pelos?

A vassoura de borracha é melhor que a comum porque gera estática e “puxa” o pelo sem levantá-lo tanto, mas o pano úmido ainda é a opção mais segura.

6. Crianças que crescem com pets têm menos chance de ter alergia?

Estudos indicam que a exposição precoce (nos primeiros anos de vida) a animais pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e reduzir as chances de desenvolver alergias no futuro.

7. Posso ter um pet se eu tiver asma?

Sim, desde que a asma esteja controlada e você siga rigorosamente os protocolos de higiene ambiental e manejo do animal recomendados pelo médico.

8. Qual é o primeiro passo ao descobrir a alergia?

Consultar um alergologista para confirmar se o pet é o único gatilho e iniciar um plano de controle ambiental antes de tomar qualquer decisão drástica.

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