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  • Efeito sanfona: por que o peso volta depois de emagrecer? 

    Efeito sanfona: por que o peso volta depois de emagrecer? 

    Depois de dietas restritivas, períodos de emagrecimento acelerado ou mudanças que não conseguem ser mantidas por muito tempo, o corpo tende a recuperar o peso antigo e, em alguns casos, com alguns quilos a mais.

    Para você ter uma ideia, estudos sobre o efeito sanfona indicam que cerca de 80% das pessoas que emagrecem por métodos restritivos convencionais recuperam boa parte ou todo o peso perdido dentro de um a dois anos. A situação pode causar frustração e a sensação de que faltou disciplina, mas ela não é causada por força de vontade.

    Durante o emagrecimento, o organismo passa por adaptações que reduzem o gasto de energia e aumentam os sinais de fome, como uma forma de proteger as reservas energéticas. Quando os hábitos antigos voltam a fazer parte da rotina depois da dieta, o corpo encontra condições favoráveis para recuperar os quilos perdidos.

    O que é o efeito sanfona?

    O efeito sanfona, conhecido na medicina como ciclo do peso, acontece quando uma pessoa emagrece e, depois de algum tempo, volta a ganhar os quilos perdidos. Em alguns casos, o peso recuperado pode até ser maior do que o peso inicial, explica o endocrinologista André Colapietro.

    A situação costuma acontecer após dietas muito restritivas, jejuns prolongados sem orientação profissional ou estratégias de emagrecimento difíceis de manter no dia a dia. Quando a alimentação fica cheia de regras, cortes e proibições, seguir o plano por muito tempo se torna insustentável.

    A retirada de grupos alimentares inteiros e o consumo muito baixo de calorias podem aumentar a sensação de privação, fazendo com que a vontade de comer fique cada vez maior. Quando a dieta chega ao fim, é comum acontecerem exageros alimentares, justamente porque o corpo e a mente passaram semanas ou meses lidando com restrições.

    Por que o peso volta tão rápido?

    O retorno do peso acontece por uma série de fatores biológicos e comportamentais. Primeiro, durante o emagrecimento, principalmente quando a perda de peso acontece de forma rápida, o organismo pode passar por algumas adaptações para economizar energia.

    A redução do peso costuma diminuir naturalmente o gasto calórico diário, já que um corpo menor precisa de menos energia para funcionar. Depois de dietas muito restritivas, o organismo também pode entrar em um modo mais econômico, gastando menos calorias até para realizar atividades que antes precisavam de mais esforço.

    Ao mesmo tempo, os hormônios que controlam a fome e a saciedade também podem passar por alterações para estimular a recuperação das reservas de energia. A grelina, conhecida como hormônio da fome, tende a aumentar após períodos de restrição alimentar, enquanto hormônios relacionados à sensação de saciedade podem diminuir, fazendo com que a vontade de comer fique mais intensa.

    Assim, quando você interrompe a dieta e volta aos hábitos antigos, o corpo gasta muito menos do que gastava antes, o que estoca o excedente como gordura e faz o peso subir mais rápido.

    Principais riscos do efeito sanfona para a saúde

    A oscilação constante de peso faz o organismo passar por sucessivas adaptações metabólicas, o que pode aumentar o risco de problemas de saúde ao longo do tempo, como:

    • Aumento da gordura visceral: durante o emagrecimento rápido, pode haver perda de gordura e massa muscular. Quando o peso volta, parte da recuperação tende a acontecer na forma de gordura abdominal, aumentando a gordura visceral, que está associada a inflamação e a problemas metabólicos;
    • Maior risco cardiovascular: as oscilações frequentes de peso estão associadas a alterações metabólicas que podem aumentar o risco de problemas cardiovasculares. A presença de mais gordura visceral, somada a fatores como pressão alta, colesterol elevado e inflamação crônica, favorece o desenvolvimento de condições como hipertensão, infarto e AVC;
    • Resistência à insulina e diabetes tipo 2: o ganho e a perda de peso repetidamente podem contribuir para alterações no metabolismo da glicose. Com o tempo, as células podem se tornar menos sensíveis à ação da insulina, aumentando o risco de resistência à insulina e, consequentemente, do desenvolvimento do diabetes tipo 2.

    Também vale acrescentar que o ciclo pode gerar sentimentos de frustração e culpa, principalmente quando a pessoa acredita que o ganho de peso é resultado de falta de disciplina ou comprometimento.

    O estresse crônico provocado por sucessivas tentativas de emagrecimento pode aumentar os níveis de cortisol, hormônio que, em excesso, está associado ao aumento do apetite, ao acúmulo de gordura abdominal e à dificuldade de controlar o peso no longo prazo.

    Como evitar o efeito sanfona?

    Para interromper o ciclo de ganho e perda de peso, André explica que o foco não deve estar apenas em emagrecer rapidamente, mas na construção de hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo. Para isso, algumas medidas podem ajudar, como:

    • Priorizar a reeducação alimentar em vez de dietas restritivas: fazer mudanças graduais na alimentação costuma trazer resultados mais duradouros do que eliminar grupos alimentares inteiros. Pequenos ajustes são mais fáceis de manter no dia a dia e ajudam a evitar a sensação de privação;
    • Praticar exercícios de força: atividades como musculação ajudam a preservar e aumentar a massa muscular, o que é importante para manter um bom gasto energético e facilitar a manutenção do peso a longo prazo;
    • Estabelecer metas realistas: buscar uma perda de peso gradual, em vez de resultados rápidos, torna o processo mais sustentável e reduz as chances de recuperar os quilos perdidos pouco tempo depois;
    • Cuidar do sono e controlar o estresse: dormir bem e encontrar formas de lidar com o estresse ajuda a equilibrar os hormônios relacionados à fome e à saciedade, reduzindo a vontade de consumir alimentos mais calóricos e favorecendo hábitos mais saudáveis.

    Se você está tentando emagrecer, o acompanhamento com um nutricionista ou médico pode ajudar a tornar o processo mais seguro.

    Além de avaliar as necessidades individuais, o profissional consegue identificar possíveis fatores que dificultam a perda de peso, como alterações hormonais, hábitos alimentares inadequados, sedentarismo ou problemas de saúde que muitas vezes passam despercebidos.

    Veja também: Dietas milagrosas ou perigosas? Conheça os danos à saúde a longo prazo

    Perguntas frequentes

    1. Remédios para emagrecer causam o efeito sanfona?

    Podem causar caso o uso ocorra sem indicação médica e não haja uma mudança real no estilo de vida. Ao interromper o medicamento, a tendência é recuperar o peso antigo.

    2. Fazer jejum intermitente evita o efeito sanfona?

    Não necessariamente. O jejum funciona para o emagrecimento, mas, se a pessoa desenvolver episódios de compulsão alimentar nos períodos de janela aberta, o peso voltará.

    3. Quanto tempo leva para o metabolismo voltar ao normal após o efeito sanfona?

    O tempo varia para cada organismo e depende do histórico de dietas. A recuperação exige consistência em uma alimentação equilibrada e treinos de força por vários meses.

    4. O efeito sanfona deixa a pele flácida?

    Sim, o estica e puxa constante rompe as fibras de colágeno e elastina que dão sustentação à pele, o que favorecer o surgimento de flacidez e estrias.

    5. O efeito sanfona afeta a imunidade?

    Sim, a falta de nutrientes gerada por dietas radicais e o estresse da oscilação de peso enfraquecem as células de defesa, deixando o corpo mais vulnerável a infecções.

    6. Existe um peso ideal definitivo para evitar a oscilação?

    O melhor peso é aquele que a pessoa consegue manter sem passar fome e sem prejudicar a saúde mental, unindo exames laboratoriais bons a uma rotina confortável.

    7. A genética determina o efeito sanfona?

    A genética influencia a velocidade do metabolismo, mas o efeito sanfona é ditado principalmente pelo comportamento e pelo tipo de dieta escolhida para perder peso.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Dor de cabeça ao tomar sorvete: por que isso acontece?

    Dor de cabeça ao tomar sorvete: por que isso acontece?

    Quem nunca tomou um sorvete muito rápido ou deu um gole generoso em uma bebida bem gelada e, de repente, sentiu uma dor forte na testa ou atrás dos olhos? A sensação é tão intensa que faz muita gente interromper imediatamente o que está consumindo e esperar a dor passar.

    Esse fenômeno é conhecido popularmente como brain freeze (do inglês congelamento cerebral) e, na medicina, recebe o nome de cefaleia induzida por estímulo frio.

    Apesar do nome curioso, o cérebro não congela de verdade. O que acontece é uma resposta rápida dos vasos sanguíneos e dos nervos localizados na região do céu da boca, capaz de desencadear uma dor intensa, porém passageira.

    Embora o episódio possa assustar, ele costuma ser completamente benigno e desaparece espontaneamente em poucos segundos ou minutos. Venha entender mais.

    O que é o brain freeze?

    O brain freeze é uma dor de cabeça súbita desencadeada pelo contato de alimentos ou bebidas muito frias com o céu da boca ou a parte posterior da garganta.

    As características típicas incluem:

    • Dor intensa e repentina;
    • Localização na testa ou atrás dos olhos;
    • Duração curta;
    • Desaparecimento espontâneo em segundos ou poucos minutos.

    O que acontece quando algo muito gelado toca o céu da boca?

    Quando uma substância muito fria entra em contato com o palato (céu da boca), ocorre um resfriamento súbito dos tecidos e dos vasos sanguíneos da região.

    Esse estímulo provoca uma resposta rápida do sistema nervoso e da circulação local.

    É justamente essa reação que desencadeia a dor.

    Qual é a explicação mais aceita?

    A teoria mais aceita envolve alterações rápidas dos vasos sanguíneos.

    O frio intenso pode provocar:

    • Contração súbita dos vasos;
    • Dilatação rápida logo em seguida;
    • Estimulação de nervos sensíveis à dor.

    O cérebro interpreta esses sinais como uma dor de cabeça.

    Por que a dor é sentida na testa?

    Essa é uma das características mais curiosas do brain freeze.

    Embora o estímulo aconteça no céu da boca, a dor costuma ser percebida na testa ou atrás dos olhos.

    Isso acontece devido a um mecanismo conhecido como dor referida, em que o cérebro interpreta o estímulo doloroso como se viesse de outra região do corpo.

    O papel do nervo trigêmeo

    O nervo trigêmeo é responsável por transmitir sensações da face, dos olhos, dos seios da face e da cavidade oral.

    Quando os receptores do céu da boca são ativados pelo frio intenso, o cérebro pode interpretar erroneamente a origem do estímulo e projetar a dor para a região frontal da cabeça.

    Algumas pessoas são mais sensíveis?

    Sim. Nem todas as pessoas apresentam brain freeze com a mesma facilidade.

    A suscetibilidade varia conforme fatores individuais relacionados à sensibilidade dos nervos e dos vasos sanguíneos.

    Além disso, a velocidade com que o alimento gelado é ingerido também influencia bastante o aparecimento da dor.

    Quem tem enxaqueca sente mais?

    Diversos estudos sugerem que pessoas com histórico de enxaqueca apresentam maior probabilidade de desenvolver cefaleia induzida por estímulo frio.

    Isso pode ocorrer porque o sistema nervoso dessas pessoas tende a ser mais sensível a determinados estímulos.

    Entretanto, o brain freeze pode ocorrer em qualquer indivíduo, mesmo sem histórico de dor de cabeça.

    Quanto tempo dura a dor?

    Uma das principais características do brain freeze é sua curta duração.

    Na maioria dos casos:

    • A dor dura apenas alguns segundos;
    • Raramente ultrapassa alguns minutos;
    • Melhora espontaneamente sem necessidade de tratamento.

    Essa evolução rápida ajuda a diferenciá-lo de outras causas de dor de cabeça.

    Existe alguma forma de aliviar mais rápido?

    Sim. Algumas medidas podem acelerar o desaparecimento da dor.

    Encostar a língua no céu da boca

    O calor da língua ajuda a aquecer rapidamente o palato e reduzir o estímulo provocado pelo frio.

    Interromper o consumo do alimento gelado

    A retirada do estímulo geralmente leva à melhora em poucos segundos.

    Beber algo em temperatura ambiente

    Pode ajudar a normalizar mais rapidamente a temperatura da região.

    Como prevenir o brain freeze?

    A principal forma de prevenção é evitar o resfriamento brusco do céu da boca.

    Algumas estratégias incluem:

    • Consumir alimentos gelados mais lentamente;
    • Evitar engolir grandes quantidades rapidamente;
    • Permitir que a bebida permaneça alguns segundos na boca antes de engolir.

    Essas medidas costumam reduzir bastante a chance de desenvolver o sintoma.

    Quando uma dor de cabeça após algo gelado não é brain freeze?

    Embora o brain freeze seja um fenômeno benigno, nem toda dor desencadeada pelo frio corresponde a esse quadro.

    Procure avaliação médica se ocorrer:

    • Dor prolongada;
    • Dor progressivamente mais intensa;
    • Alterações visuais;
    • Fraqueza ou dormência;
    • Alteração da fala;
    • Outros sintomas neurológicos.

    Nessas situações, outras causas de dor de cabeça precisam ser investigadas.

    O brain freeze é perigoso?

    Não. Apesar da intensidade da dor, o brain freeze é considerado um fenômeno fisiológico benigno.

    Ele não provoca lesão cerebral, não “congela” o cérebro e não aumenta o risco de doenças neurológicas ou AVC.

    Confira: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes sobre brain freeze

    1. O que é brain freeze?

    É uma dor de cabeça rápida e intensa provocada pelo contato de algo muito gelado com o céu da boca.

    2. O cérebro realmente congela?

    Não. O nome é apenas uma forma popular de descrever o fenômeno.

    3. Por que a dor aparece na testa?

    Por causa de um mecanismo chamado dor referida, envolvendo principalmente o nervo trigêmeo.

    4. Quanto tempo dura?

    Geralmente apenas alguns segundos e, raramente, mais de alguns minutos.

    5. Pessoas com enxaqueca têm mais risco?

    Sim. Estudos sugerem que elas apresentam maior predisposição ao brain freeze.

    6. Como aliviar mais rápido?

    Parando de consumir o alimento gelado e aquecendo o céu da boca, por exemplo, pressionando a língua contra o palato.

    7. O brain freeze é perigoso?

    Não. É um fenômeno benigno, autolimitado e que desaparece espontaneamente.

    Veja também: Enxaqueca: sintomas, causas e quando procurar ajuda médica

  • Cãibra na perna à noite: o que pode estar por trás?

    Cãibra na perna à noite: o que pode estar por trás?

    Acordar no meio da madrugada com uma dor intensa na panturrilha é uma situação comum, principalmente entre adultos e idosos. Geralmente a cãibra é um problema benigno, mas episódios frequentes podem prejudicar o sono e, em alguns casos, indicar doenças que merecem investigação.

    E ter esses episódios à noite não é nada confortável. Muitas pessoas acordam com a sensação de que o músculo travou, acompanhada de uma dor intensa que pode durar alguns segundos ou até minutos. Mesmo após o fim da crise, é comum que a musculatura permaneça dolorida por algum tempo.

    Entender por que as cãibras acontecem e saber reconhecer quando elas deixam de ser apenas um incômodo ajuda a evitar preocupações desnecessárias e, ao mesmo tempo, a identificar situações que realmente exigem avaliação médica.

    O que é uma cãibra?

    A cãibra acontece quando um músculo se contrai involuntariamente e permanece contraído por alguns segundos ou minutos.

    Durante o episódio, a pessoa pode sentir:

    • Dor intensa e súbita;
    • Endurecimento do músculo;
    • Dificuldade para movimentar a região afetada;
    • Sensação de tensão muscular.

    Após a melhora, é comum permanecer uma dor residual ou sensibilidade local por algumas horas.

    Por que as cãibras acontecem à noite?

    A causa exata das cãibras noturnas nem sempre é identificada.

    Acredita-se que fatores relacionados ao funcionamento dos nervos e músculos possam favorecer contrações involuntárias durante o repouso.

    Além disso, algumas posições adotadas durante o sono podem deixar determinados músculos encurtados, aumentando a chance de espasmos.

    A panturrilha é a região mais afetada

    A maioria das cãibras noturnas ocorre nos músculos da panturrilha. Isso acontece porque esses músculos são muito exigidos durante o dia para sustentar o peso corporal, caminhar e manter o equilíbrio.

    Por isso, eles podem ficar mais suscetíveis à fadiga e a contrações involuntárias.

    Exercício físico pode aumentar o risco?

    Sim. Atividades físicas intensas, especialmente quando a pessoa não está adequadamente condicionada, podem favorecer o aparecimento de cãibras nas horas seguintes.

    O risco tende a ser maior quando há:

    • Treinos muito intensos;
    • Exercícios prolongados;
    • Aumento brusco da carga de treino;
    • Recuperação insuficiente entre atividades.

    Nesses casos, a cãibra pode estar relacionada à fadiga muscular.

    Desidratação pode causar cãibras?

    Pode contribuir. A perda excessiva de líquidos, especialmente após exercícios, exposição ao calor, vômitos ou diarreia, pode favorecer alterações musculares que aumentam a probabilidade de cãibras.

    Embora a desidratação não explique todos os casos, manter boa hidratação é uma medida importante de prevenção.

    Falta de potássio ou magnésio é sempre a causa?

    Não. Existe a crença popular de que toda cãibra ocorre por falta de minerais, mas isso nem sempre é verdade.

    Deficiências de potássio, magnésio e cálcio podem contribuir em alguns casos, mas a maioria das cãibras noturnas não está diretamente relacionada a essas alterações.

    É por isso que suplementar minerais sem orientação médica nem sempre resolve o problema.

    O envelhecimento aumenta a frequência?

    Sim. As cãibras noturnas tornam-se mais comuns com o avanço da idade.

    Alguns fatores podem contribuir para isso, como:

    • Redução da massa muscular;
    • Alterações dos nervos periféricos;
    • Menor flexibilidade muscular;
    • Presença de doenças crônicas;
    • Uso de determinados medicamentos.

    Por isso, o sintoma é particularmente frequente em adultos mais velhos.

    Gravidez pode favorecer cãibras?

    Sim. As cãibras são bastante frequentes durante a gravidez, especialmente no segundo e terceiro trimestres.

    Possíveis fatores envolvidos são:

    • Alterações circulatórias;
    • Mudanças hormonais;
    • Maior demanda muscular;
    • Alterações metabólicas;
    • Aumento do peso corporal.

    Na maioria das vezes, os episódios melhoram após o parto.

    Alguns medicamentos podem estar envolvidos

    Certos medicamentos podem aumentar a ocorrência de cãibras.

    Entre eles:

    • Diuréticos;
    • Algumas medicações para colesterol;
    • Alguns medicamentos para pressão arterial;
    • Medicamentos que interferem nos eletrólitos.

    Quando as cãibras surgem após o início de uma nova medicação, vale discutir o sintoma com o médico antes de suspender qualquer remédio por conta própria.

    Quando as cãibras podem indicar uma doença?

    Embora geralmente sejam benignas, algumas condições podem estar associadas ao sintoma.

    Entre elas:

    • Doença arterial periférica;
    • Neuropatias;
    • Doenças renais;
    • Hipotireoidismo;
    • Alterações metabólicas;
    • Distúrbios eletrolíticos.

    Nesses casos, é comum que existam outros sinais associados, como dor ao caminhar, dormência, fraqueza, inchaço ou alteração da sensibilidade.

    Como aliviar uma cãibra durante a crise?

    Durante a crise, algumas medidas podem ajudar. Veja abaixo!

    1. Alongar o músculo

    O alongamento suave costuma ser a medida mais eficaz.

    No caso da panturrilha, pode ajudar puxar a ponta do pé em direção ao corpo, com cuidado.

    2. Massagear a região

    A massagem pode ajudar a relaxar a musculatura e reduzir a dor.

    3. Caminhar lentamente

    Em alguns casos, apoiar o pé no chão e caminhar devagar auxilia na recuperação.

    4. Aplicar calor local

    Compressas mornas podem aliviar o desconforto residual após a crise.

    Como prevenir as cãibras noturnas?

    Algumas estratégias podem reduzir a frequência dos episódios:

    • Manter boa hidratação;
    • Alongar os músculos das pernas regularmente;
    • Evitar aumentos bruscos na intensidade dos exercícios;
    • Respeitar o tempo de recuperação muscular;
    • Tratar doenças associadas quando presentes;
    • Revisar medicamentos em casos selecionados.

    Em pessoas com episódios frequentes, a avaliação médica ajuda a definir medidas mais específicas.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure um médico se as cãibras:

    • Forem muito frequentes;
    • Interferirem no sono regularmente;
    • Estiverem associadas à fraqueza muscular;
    • Vierem acompanhadas de dormência;
    • Surgirem junto com inchaço;
    • Estiverem associadas a dor ao caminhar;
    • Começarem após o uso de uma nova medicação.

    Esses sinais podem indicar necessidade de investigação.

    Confira: Dor na panturrilha que não melhora? Saiba quais sinais são preocupantes

    Perguntas frequentes sobre cãibras noturnas

    1. Cãibras noturnas são comuns?

    Sim. Elas são especialmente frequentes em adultos e idosos.

    2. Toda cãibra é causada por falta de potássio?

    Não. Deficiências minerais podem contribuir em alguns casos, mas não explicam a maioria das cãibras noturnas.

    3. Exercício físico pode desencadear cãibras?

    Sim. Principalmente quando o treino é intenso, prolongado ou acima do condicionamento habitual.

    4. Desidratação pode contribuir?

    Sim. A perda de líquidos pode favorecer cãibras em algumas pessoas.

    5. Gravidez aumenta o risco?

    Sim. Cãibras são comuns durante a gravidez, especialmente nos últimos trimestres.

    6. Quando devo me preocupar?

    Quando as cãibras são frequentes, progressivas, prejudicam o sono ou vêm acompanhadas de outros sintomas.

    7. Qual a melhor forma de aliviar uma cãibra?

    O alongamento suave do músculo afetado costuma ser a medida mais eficaz.

    Veja mais: Como evitar cãibras musculares com a alimentação?

  • Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    Suplementação: o perigo de dar vitaminas para idosos sem prescrição médica

    A perda gradual de massa muscular e de força ao longo dos anos é uma condição natural conhecida como sarcopenia, que costuma acelerar consideravelmente após os cinquenta anos de idade. Na tentativa de combater o processo, algumas famílias tendem a recorrer ao uso de suplementos alimentares para manter a autonomia dos idosos.

    No entanto, o uso dos produtos por conta própria e sem orientação médica apresenta riscos graves que podem comprometer o funcionamento de órgãos vitais.

    Segundo Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma diferente, já que os rins e o fígado também passam pelo processo de envelhecimento e toleram menos as sobrecargas.

    Por isso, mesmo suplementos considerados seguros podem causar efeitos indesejados quando utilizados sem necessidade ou em doses inadequadas. “Quanto mais a pessoa envelhece, mais individualizada é a necessidade de você fazer uma prescrição para ela”, aponta Maysa.

    Por que a suplementação sem orientação é perigosa para o idoso?

    A suplementação sem orientação médica é perigosa para o idoso porque o organismo na terceira idade processa as substâncias de forma completamente diferente de um adulto jovem. Com o passar dos anos, os órgãos passam por um envelhecimento natural, o que altera o ritmo de absorção, filtragem e eliminação de nutrientes.

    Quando o idoso consome vitaminas ou shakes proteicos por conta própria, o corpo não consegue expelir o excesso, causando uma sobrecarga que pode provocar uma doença renal, segundo Maysa.

    Além do risco de sobrecarga, o consumo exagerado de nutrientes pode causar toxicidade, conhecida como hipervitaminose. Por exemplo, vitaminas como a A, D e K não são eliminadas facilmente pela urina e acumulam-se no organismo, provocando desde tonturas e náuseas até a calcificação perigosa de artérias.

    Por fim, há também o risco das interações medicamentosas, já que muitos idosos tomam remédios contínuos para pressão ou diabetes, e alguns minerais presentes nos suplementos podem cortar ou anular o efeito dessas medicações.

    O risco de mascarar problemas de saúde mais sérios

    A perda de força, o emagrecimento e a diminuição da massa muscular nem sempre são apenas consequência do envelhecimento e podem estar relacionados a doenças que precisam de tratamento específico, como anemias, alterações na tireoide e até problemas gastrointestinais.

    Quando o idoso começa a tomar suplementos por conta própria, sem passar por uma avaliação médica, existe o risco de aliviar temporariamente alguns sintomas e adiar o diagnóstico da verdadeira causa do problema. Ao mesmo tempo, a doença preexistente pode continuar evoluindo de maneira silenciosa.

    Vitaminas em excesso: quais os efeitos colaterais na terceira idade?

    Como os rins e o fígado dos idosos têm uma capacidade reduzida de filtrar e eliminar os excessos, o consumo exagerado e sem controle de vitaminas pode causar complicações como:

    1. Excesso de cálcio e vitamina D

    O consumo excessivo desses nutrientes pode aumentar os níveis de cálcio no sangue. Como consequência, pode favorecer a formação de pedras nos rins, causar alterações no ritmo cardíaco e aumentar o risco de calcificação dos vasos sanguíneos, especialmente quando há suplementação sem indicação médica.

    2. Excesso de vitamina A

    O uso prolongado de doses elevadas de vitamina A pode aumentar o risco de perda de massa óssea, favorecendo o desenvolvimento de osteoporose e fraturas, principalmente em idosos. Além disso, pode causar toxicidade no fígado, provocando sintomas como náuseas, tontura, dor de cabeça e queda de cabelo.

    3. Excesso de vitamina C

    Apesar de ser eliminada pela urina, o consumo frequente de doses muito altas de vitamina C pode aumentar o risco de formação de cálculos renais em pessoas predispostas e provocar desconfortos gastrointestinais, como cólicas, diarreia e azia.

    4. Excesso de vitamina B6

    O uso prolongado de altas doses de vitamina B6 pode causar neuropatia periférica, caracterizada por sintomas como formigamento, dormência e sensação de queimação nas mãos e nos pés. Em casos mais graves, também pode comprometer o equilíbrio e dificultar a caminhada.

    5. Excesso de ferro

    O ferro só deve ser suplementado quando há deficiência comprovada, pois o excesso pode se acumular em órgãos como fígado, coração e pâncreas, causando lesões ao longo do tempo e aumentando o risco de problemas como cirrose, alterações cardíacas e diabetes.

    Quando o idoso realmente precisa tomar suplementos?

    A necessidade de suplementação só deve ser confirmada após uma avaliação clínica e, quando necessário, a realização de exames laboratoriais solicitados por um médico ou nutricionista.

    Com base nos resultados, o profissional consegue identificar possíveis deficiências nutricionais, como baixos níveis de vitamina D, vitamina B12 ou ferro, e indicar o suplemento mais adequado, na dose e pelo tempo necessários para corrigir a deficiência com segurança.

    Além da deficiência comprovada, a suplementação também pode ser indicada em situações que dificultam a ingestão ou a absorção dos nutrientes, como em casos de:

    • Perda importante de apetite;
    • Dificuldades para mastigar ou engolir os alimentos;
    • Doenças que comprometem a absorção intestinal;
    • Após cirurgias no estômago ou no intestino.

    Em todas as situações, o acompanhamento profissional é importante para garantir que a suplementação realmente traga benefícios e não represente riscos para a saúde do idoso.

    Confira: Vitamina K: importante para coagulação do sangue e ossos fortes

    Perguntas frequentes

    1. Quais os sintomas de que o idoso está sofrendo com excesso de vitaminas?

    Os sinais mais comuns de hipervitaminose incluem náuseas, tonturas, cansaço inexplicável, formigamento nas mãos e pés, além de alterações nos exames de função renal.

    2. Suplementos podem cortar o efeito dos remédios de uso contínuo?

    Sim, certos minerais e vitaminas interagem com medicamentos para pressão, diabetes, coração e anticoagulantes, anulando o efeito do remédio ou potencializando seus riscos.

    3. Vitaminas para o cérebro funcionam contra a perda de memória?

    Não há comprovação científica de que polivitamínicos comerciais previnam o Alzheimer. A perda de memória deve ser investigada por um médico para tratar a causa exata.

    4. Shakes industriais podem substituir as refeições principais do idoso?

    Não, eles devem funcionar apenas como um complemento. Substituir o almoço ou jantar por shakes reduz o estímulo da mastigação e pode causar desequilíbrios nutricionais a longo prazo.

    5. Por que a falta de vitamina B12 é tão comum em idosos?

    Porque o estômago do idoso produz menos ácido e uma substância chamada fator intrínseco, essenciais para absorver a B12 dos alimentos. A carência causa anemia e formigamentos, mas a dose da reposição deve ser calculada pelo médico.

    6. Qual é o perigo de dar cápsulas de ômega-3 sem indicação para o idoso?

    O ômega-3 em altas doses tem efeito anticoagulante. Se o idoso já toma remédios para afinar o sangue (como AAS ou varfarina), o uso do suplemento sem controle aumenta o risco de sangramentos e hemorragias perigosas.

    Leia mais: Vitamina mágica para memória? O que dizem os especialistas

  • Metas absurdas no trabalho? Como o excesso de cobrança afeta a saúde mental 

    Metas absurdas no trabalho? Como o excesso de cobrança afeta a saúde mental 

    Seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal, é natural criar objetivos para guiar os próximos passos e continuar evoluindo. As metas nos ajudam a dar um rumo mais claro para as ações do dia a dia e aumentam a motivação, mas elas precisam ser realistas e compatíveis com a realidade de cada pessoa.

    Quando você estabelece metas muito difíceis ou até impossíveis de alcançar, a tendência é entrar em um ciclo de frustração e cobrança. Por mais que exista esforço e dedicação, nem sempre é possível cumprir as expectativas que estão além do que cabe na rotina, no tempo disponível ou nas circunstâncias do momento.

    Aos poucos, isso pode desencadear sentimentos constantes de insatisfação, ansiedade e esgotamento, já que a sensação de estar sempre ficando para trás ou de nunca fazer o suficiente acaba se tornando parte da rotina.

    Como a cobrança excessiva afeta a mente e o corpo?

    A sensação constante de que é preciso produzir mais, alcançar resultados exagerados ou atender a expectativas irreais mantém o organismo em um estado de alerta permanente, como se estivesse em uma situação de perigo.

    A reação ativa a liberação excessiva de hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina, que, a longo prazo, podem desencadear:

    1. Ansiedade constante e medo de falhar

    Quando as metas parecem impossíveis de alcançar, é comum viver com uma sensação constante de preocupação. O medo de não conseguir cumprir tudo o que foi planejado faz com que a pessoa pense nos piores cenários e sinta que está sempre correndo o risco de decepcionar alguém ou fracassar.

    Com o tempo, a mente fica focada nos problemas e nas possíveis falhas, dificultando o relaxamento até mesmo nos momentos de descanso. A tensão constante pode aumentar os níveis de ansiedade e prejudicar a concentração no dia a dia.

    2. Esgotamento físico e mental (Burnout)

    O esforço frequente para atingir objetivos inalcançáveis pode levar a um desgaste profundo, tanto físico quanto emocional. Na tentativa de dar conta de todas as demandas, é comum ignorar os sinais de cansaço, como:

    • Falta de energia;
    • Desânimo;
    • Dificuldade para se concentrar;
    • Sensação de esgotamento.

    Em casos mais graves, o processo pode contribuir para o desenvolvimento da síndrome de Burnout, uma condition caracterizada pelo esgotamento físico e emocional causado pelo estresse crônico, especialmente quando está relacionado ao trabalho.

    No quadro, você pode sentir um cansaço intenso que não melhora mesmo após períodos de descanso, além de perder a motivação, ter dificuldade para se concentrar e passar a enxergar as atividades do dia a dia com desânimo e falta de envolvimento.

    3. Queda na autoestima e sentimento de incompetência

    Quando os resultados nunca parecem suficientes, fica mais difícil reconhecer as próprias conquistas. Você passa a olhar apenas para aquilo que não conseguiu fazer e esquece todo o esforço, aprendizado e dedicação envolvidos no processo.

    Pouco a pouco, isso pode provocar sentimentos de incapacidade, insegurança e falta de confiança, mesmo quando existem muitas razões para se orgulhar do próprio desempenho.

    4. Distúrbios do sono e alterações no apetite

    Com o excesso de preocupações, diversas pessoas apresentam dificuldade para desligar os pensamentos na hora de dormir, o que favorece a insônia e um sono de pior qualidade.

    Em alguns casos, o estresse também pode causar alterações no apetite: algumas pessoas perdem a vontade de comer, enquanto outras sentem mais vontade de consumir alimentos calóricos e ricos em açúcar como forma de aliviar o desconforto emocional.

    5. Isolamento social e irritabilidade

    Quando alguém está muito sobrecarregado, até as pequenas dificuldades do dia a dia podem parecer maiores do que realmente são, tornando frequente a impaciência, a irritação e as mudanças de humor.

    Ao mesmo tempo, o cansaço e a sensação de estar sempre ocupado podem levar ao afastamento de amigos, familiares e momentos de lazer. Como resultado, você perde oportunidades importantes de descanso, apoio emocional e convivência social, que são necessários para o bem-estar mental.

    Como definir metas realistas para proteger a mente?

    Para que uma meta seja saudável, ela precisa levar em consideração a realidade de cada pessoa, incluindo o tempo disponível, os recursos existentes e os desafios que podem surgir ao longo do caminho. Veja algumas dicas:

    • Divida os grandes objetivos em pequenas etapas: quando uma meta parece muito distante, ela pode gerar ansiedade e fazer a motivação diminuir. Por isso, vale a pena quebrar o objetivo em passos menores e mais fáceis de cumprir. Cada etapa concluída traz uma sensação de conquista e mostra que você está avançando;
    • Estabeleça prazos flexíveis: imprevistos acontecem e nem sempre tudo sai conforme o planejado. Deixar espaço para ajustes no cronograma ajuda a reduzir a pressão e evita frustrações quando algo foge do controle;
    • Defina expectativas compatíveis com a realidade: as metas precisam levar em conta a sua rotina, o tempo disponível e os recursos que você tem no momento. Os objetivos realistas são mais fáceis de alcançar e ajudam a evitar a sobrecarga;
    • Valorize o processo, não apenas o resultado: alcançar um objetivo é importante, mas o aprendizado, o esforço e a dedicação ao longo do caminho também têm valor. Reconhecer os pequenos avanços ajuda a manter a motivação e a desenvolver uma relação mais saudável com as próprias metas.

    Se a autocobrança estiver causando sofrimento, ansiedade ou esgotamento frequente, conversar com um psicólogo pode ser uma boa alternativa.

    O acompanhamento profissional ajuda a desenvolver uma visão mais equilibrada sobre desempenho, limites e expectativas na vida, além de contribuir para uma relação mais saudável com o trabalho e com a vida pessoal.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quais são os primeiros sinais de que o trabalho está afetando a saúde mental?

    Os sinais iniciais incluem o cansaço que não passa após o descanso, as alterações no sono e a irritabilidade constante. A perda do prazer nas atividades diárias também indica um esgotamento mental.

    2. Como identificar que a ansiedade profissional virou um problema grave?

    A gravidade da ansiedade se manifesta quando os sintomas físicos começam a surgir antes mesmo de chegar ao trabalho. As palpitações, os tremores, o suor frio e o pavor de abrir o e-mail indicam que o limite saudável foi ultrapassado.

    3. Qual é a relação entre o estresse das metas e a insônia?

    A insônia acontece porque os pensamentos sobre o trabalho continuam acelerados durante a noite. O excesso de cortisol no organismo impede o relaxamento necessário para o início do sono profundo.

    4. O que fazer quando as metas da empresa são abusivas?

    O funcionário deve expor as dificuldades e apresentar dados reais sobre a viabilidade das entregas aos superiores. A busca por um diálogo claro ajuda a reajustar as expectativas de forma saudável.

    5. O que são micro-metas e qual é a sua utilidade?

    As micro-metas são pequenos passos diários ou semanais extraídos de um objective maior. A conclusão de cada etapa gera a sensação de vitória e reduz o peso psicológico do projeto principal.

    6. Como os líderes podem proteger a saúde mental das equipes?

    Os gestores devem definir metas baseadas no histórico real de produtividade do setor. O acolhimento dos feedbacks dos funcionários e o incentivo às pausas também preservam o bem-estar do grupo.

    7. É possível manter a produtividade sem abrir mão do bem-estar?

    O equilíbrio entre o rendimento e a saúde é alcançado por meio de uma rotina com limites claros. A definição de horários para o trabalho e para o descanso melhora a produtividade a longo prazo.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Idoso pode ter infecção sem febre? Entenda por que isso acontece 

    Idoso pode ter infecção sem febre? Entenda por que isso acontece 

    Alterações no sistema imunológico fazem com que muitos idosos desenvolvam infecções importantes sem apresentar febre. Nesses casos, sinais como confusão mental, fraqueza ou sonolência podem ser os primeiros indícios de que algo está errado.

    Quando pensamos em uma infecção, geralmente imaginamos sintomas como febre, calafrios e mal-estar. No entanto, nos idosos, a situação pode ser bastante diferente.

    É relativamente comum que uma pessoa idosa desenvolva uma infecção importante sem apresentar febre significativa ou, em alguns casos, sem apresentar febre alguma.

    Essa característica pode dificultar o reconhecimento precoce da doença e atrasar a procura por atendimento médico.

    Por isso, familiares e cuidadores devem estar atentos a outros sinais que podem indicar uma infecção em andamento.

    A febre é uma resposta de defesa do organismo

    A febre faz parte da resposta natural do sistema imunológico. Quando o organismo identifica vírus, bactérias ou outros microrganismos, ele libera substâncias inflamatórias capazes de elevar a temperatura corporal.

    Esse aumento da temperatura ajuda a estimular a resposta imunológica e dificulta a multiplicação de alguns agentes infecciosos.

    Em adultos jovens, esse mecanismo costuma funcionar de forma bastante eficiente.

    O que muda com o envelhecimento?

    Com o avanço da idade, ocorrem alterações naturais do sistema imunológico, processo conhecido como imunossenescência.

    Isso significa que:

    • A resposta inflamatória torna-se menos intensa;
    • O organismo pode produzir menos febre;
    • Os sinais clássicos de infecção podem ser mais discretos;
    • A resposta às infecções costuma ser menos previsível.

    Por isso, mesmo infecções potencialmente graves podem se manifestar de maneira diferente nos idosos.

    A ausência de febre não exclui uma infecção

    Esse é um dos pontos mais importantes.

    Um idoso pode desenvolver:

    • Pneumonia;
    • Infecção urinária;
    • Infecção da pele;
    • Infecção abdominal;
    • Sepse.

    Mesmo assim, a temperatura corporal pode permanecer normal ou até ficar abaixo do habitual. Por esse motivo, os médicos nunca descartam uma infecção apenas porque o paciente não apresenta febre.

    Confusão mental pode ser o primeiro sinal

    Uma das manifestações mais comuns de infecção em idosos é a alteração do estado mental, conhecida como delirium ou estado confusional agudo.

    Os familiares podem perceber:

    • Desorientação;
    • Esquecimentos repentinos;
    • Sonolência excessiva;
    • Agitação incomum;
    • Mudanças bruscas de comportamento;
    • Dificuldade para manter a atenção.

    Em muitos casos, a confusão mental aparece antes dos sintomas típicos da infecção.

    Queda repentina pode indicar uma doença aguda

    Outro sinal bastante frequente é a perda súbita da capacidade funcional.

    O idoso que normalmente caminhava sozinho, alimentava-se sem ajuda, tomava banho de forma independente e conversava normalmente pode apresentar uma piora importante em poucas horas ou dias.

    Quando essa mudança ocorre sem uma explicação evidente, é importante considerar a possibilidade de uma infecção.

    Infecção urinária pode se manifestar de forma diferente

    A infecção urinária está entre as principais causas de atendimento médico em idosos.

    Ao contrário dos adultos mais jovens, muitos idosos não apresentam:

    • Ardência ao urinar;
    • Dor na bexiga;
    • Febre.

    Em vez disso, os sintomas podem incluir:

    • Confusão mental;
    • Sonolência;
    • Fraqueza;
    • Quedas;
    • Piora da autonomia.

    Vale lembrar que a presença de bactérias na urina sem sintomas (bacteriúria assintomática) é relativamente comum em idosos e, na maioria das vezes, não necessita de tratamento. Por isso, o diagnóstico deve sempre levar em consideração o quadro clínico.

    Pneumonia também pode ocorrer sem febre

    A pneumonia é outra condição que frequentemente apresenta manifestações atípicas nessa faixa etária.

    Além da tosse e da falta de ar, o idoso pode apresentar:

    • Cansaço intenso;
    • Redução do apetite;
    • Sonolência;
    • Confusão mental;
    • Queda da capacidade para realizar atividades habituais.

    Em alguns pacientes, a febre está completamente ausente.

    Falta de apetite merece atenção

    A perda repentina do apetite pode ser um dos primeiros sinais de doença aguda.

    Quando um idoso passa a:

    • Comer muito menos;
    • Recusar líquidos;
    • Demonstrar pouco interesse pela alimentação;

    é importante investigar se existe alguma infecção ou outra condição clínica em desenvolvimento.

    Fraqueza intensa pode ser um alerta

    Muitas infecções se manifestam principalmente por:

    • Fraqueza generalizada;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Sensação de exaustão;
    • Redução da disposição.

    Esses sintomas podem ser confundidos com o próprio envelhecimento, atrasando o diagnóstico.

    Quais infecções são mais comuns nessa faixa etária?

    Embora qualquer infecção possa ocorrer, algumas são particularmente frequentes nos idosos.

    1. Pneumonia

    A pneumonia é uma das principais causas de internação e mortalidade nessa população.

    2. Infecção urinária

    A infecção urinária pode acontecer especialmente em pessoas com alterações urinárias, uso de sondas ou doenças neurológicas.

    3. Infecções da pele

    Infecções da pele, como celulite e infecções de feridas, podem acometer principalmente pessoas acamadas ou com diabetes.

    4. Sepse

    Ocorre quando a infecção desencadeia uma resposta inflamatória generalizada do organismo, podendo comprometer diversos órgãos.

    O que os médicos investigam?

    Quando um idoso apresenta alteração repentina do estado geral, os médicos costumam pesquisar rapidamente causas infecciosas.

    A investigação pode incluir:

    • Exames de sangue;
    • Exames de urina;
    • Radiografia de tórax;
    • Avaliação da oxigenação;
    • Culturas, quando indicadas.

    A escolha dos exames depende dos sintomas e da suspeita clínica.

    Como prevenir infecções em idosos?

    Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

    • Manter a vacinação atualizada;
    • Garantir boa hidratação;
    • Controlar doenças crônicas;
    • Incentivar alimentação equilibrada;
    • Praticar atividade física compatível com a capacidade funcional;
    • Manter boa higiene das mãos;
    • Procurar atendimento diante de mudanças repentinas no estado geral.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se um idoso apresentar:

    • Confusão mental súbita;
    • Sonolência excessiva;
    • Fraqueza importante;
    • Quedas sem explicação;
    • Redução importante do apetite;
    • Falta de ar;
    • Tosse persistente;
    • Piora abrupta do estado geral.

    Mesmo na ausência de febre, esses sintomas podem indicar uma infecção significativa.

    Confira: Consultas médicas para idosos: quais as mais importantes para quem vive sozinho?

    Perguntas frequentes sobre infecções em idosos

    1. Todo idoso com infecção apresenta febre?

    Não. Muitos idosos desenvolvem infecções importantes sem apresentar febre significativa.

    2. Confusão mental pode ser causada por infecção?

    Sim. É uma das manifestações mais frequentes de infecção em idosos.

    3. Pneumonia pode ocorrer sem febre?

    Sim. Em idosos, a pneumonia pode se manifestar principalmente por confusão mental, fraqueza e falta de ar.

    4. Infecção urinária sempre causa ardência ao urinar?

    Não. Em idosos, muitas vezes predominam alterações do comportamento e da disposição.

    5. Quedas podem ser um sinal de infecção?

    Sim. Algumas infecções provocam fraqueza, instabilidade e perda súbita da capacidade funcional.

    6. A ausência de febre significa que a infecção é leve?

    Não. Infecções graves podem ocorrer sem febre em idosos.

    7. Quando procurar atendimento médico?

    Sempre que houver alteração súbita do comportamento, confusão mental, fraqueza importante, falta de ar ou piora inexplicada do estado geral.

    Veja também: Pneumonia em idosos: sintomas podem ser diferentes e atrasar o diagnóstico

  • Como reconhecer os sintomas de TDAH na infância? 

    Como reconhecer os sintomas de TDAH na infância? 

    O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, mais conhecido como TDAH, é uma condição neurobiológica que normalmente começa a dar os primeiros sinais ainda na infância e afeta áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pela organização do comportamento.

    O diagnóstico nem sempre é simples nos primeiros anos de vida, já que é natural que as crianças sejam agitadas, curiosas, falem bastante, tenham muita energia e se distraiam com facilidade durante brincadeiras, atividades escolares ou situações do dia a dia.

    Mas então, como diferenciar a agitação natural das crianças de um sinal do transtorno? A seguir, explicamos as principais características do TDAH na infância e o que fazer ao notar os sintomas no dia a dia.

    Como identificar os sinais de TDAH na infância?

    O diagnóstico do TDAH é feito a partir de uma análise clínica do comportamento da criança em múltiplos ambientes, como em casa e na escola. “Existe um marcador que é fundamental no diagnóstico de TDAH, que é a discrepância da atenção de acordo com a atividade, o momento e o grau de motivação dessa criança para a atividade”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Segundo a especialista, a criança pode apresentar muita dificuldade para se concentrar em algumas atividades, esquecer compromissos e tarefas, perder objetos com frequência e até não conseguir concluir o que começou.

    Por outro lado, quando a atividade desperta grande interesse, é possível que ela fique extremamente focada por horas seguidas, demonstrando um padrão de atenção que varia bastante conforme o nível de motivação.

    Para ajudar a identificar o transtorno, os sinais costumam ser divididos em três grupos principais de comportamento no dia a dia:

    Sinais de desatenção

    • Deixar tarefas escolares ou atividades cotidianas incompletas;
    • Distrair-se facilmente com estímulos externos, como barulhos na rua ou um objeto na sala;
    • Parecer não ouvir quando alguém fala diretamente com ela;
    • Ter grande dificuldade para organizar horários, materiais escolares e brinquedos;
    • Evitar ou demonstrar forte resistência a atividades que exijam esforço mental prolongado.

    Sinais de hiperatividade

    • Agitar as mãos ou os pés e remexer-se na cadeira com frequência;
    • Ficar de pé em momentos ou situações em que se espera que permaneça sentada, como durante as refeições ou na aula;
    • Correr ou subir em móveis de maneira excessiva e inadequada;
    • Dificuldade para brincar ou se envolver em atividades de lazer de forma calma;
    • Falar demais ou demonstrar uma energia constante, agindo como se estivesse “ligada a um motor”.

    Sinais de impulsividade

    • Responder a perguntas antes mesmo que elas sejam concluídas;
    • Ter muita dificuldade para esperar a sua vez em filas ou brincadeiras de grupo;
    • Interromper conversas de adultos ou se intrometer nas atividades e jogos de outras crianças;
    • Agir sem avaliar os riscos físicos envolvidos, o que pode levar a quedas ou acidentes frequentes.

    Como os sinais mudam na escola e em casa?

    O TDAH se manifesta de formas diferentes dependendo do ambiente e das regras de cada local. Em casa, a criança pode apresentar:

    • Dificuldade para seguir a rotina e concluir tarefas simples do dia a dia, como escovar os dentes, tomar banho ou guardar os brinquedos;
    • Esquecimento frequente de orientações e perda constante de objetos de uso diário, como chinelos, casacos e brinquedos;
    • Agitação durante momentos de lazer, com dificuldade para permanecer sentada durante um filme ou uma refeição em família;
    • Baixa tolerância à frustração, com irritabilidade, impaciência e reações impulsivas quando algo não acontece como esperado.

    Já na escola, é possível notar:

    • Queda no desempenho escolar, com erros frequentes por distração, cadernos incompletos e dificuldade para copiar o conteúdo da lousa;
    • Dificuldade para seguir regras em brincadeiras e jogos em grupo, interrompendo os colegas ou agindo por impulso, o que pode gerar conflitos;
    • Comportamento inquieto em sala de aula, levantando da carteira várias vezes, mexendo em objetos o tempo todo ou parecendo distraído durante as explicações;
    • Esquecimento frequente de materiais escolares, como livros e cadernos, além de dificuldade para anotar ou entregar as tarefas no prazo correto.

    Com qual idade é possível fazer o diagnóstico?

    Não existe uma idade mínima exata, mas o diagnóstico de TDAH costuma pode ser feito a partir dos 6 anos, quando a criança já frequenta a escola e precisa lidar com atividades que exigem mais atenção, organização, controle da impulsividade e capacidade de permanecer concentrada por mais tempo.

    Nessa fase da vida, fica mais fácil perceber se os comportamentos estão além do esperado para a idade e se estão causando problemas no aprendizado, nas relações sociais ou na rotina.

    Antes dos 6 anos, alguns sinais podem chamar a atenção dos pais, como agitação excessiva, impulsividade intensa e grande dificuldade para seguir orientações simples. Só que o diagnóstico costuma exigir cautela, já que muitas das características também podem fazer parte do desenvolvimento normal da infância.

    “Outro ponto importante: esses comportamentos precisam ser frequentes e acontecer em mais do que um ambiente, principalmente na criança, em casa e na escola. E precisam interferir na rotina, eles precisam causar prejuízo”, complementa Bárbara.

    O que fazer ao suspeitar de TDAH no meu filho?

    Se você notar sinais persistentes de desatenção, impulsividade ou hiperatividade que estejam causando dificuldades na escola, em casa ou na convivência com outras pessoas, o ideal é procurar uma avaliação com um profissional especializado, como um neuropediatra, pediatra ou psiquiatra infantil.

    Quanto mais cedo o quadro for identificado, maiores são as chances de desenvolver medidas que ajudem a criança a lidar melhor com os desafios do dia a dia.

    Uma dica também é conversar com os professores e a coordenação pedagógica da escola, uma vez que eles acompanham a criança por várias horas do dia e podem relatar comportamentos que passam despercebidos em casa. O diagnóstico do TDAH depende justamente da observação dos sintomas em mais de um ambiente.

    Vale lembrar que os comportamentos da criança não são intencionais ou por pirraça, e castigar a criança apenas contribui para aumentar a ansiedade e a baixa autoestima.

    Leia mais: TDAH em adultos: 7 dicas para viver com mais foco

    Perguntas frequentes

    1. O TDAH tem cura?

    Não, o TDAH é uma condição crônica, o que significa que não tem cura. No entanto, com o tratamento adequado, a criança aprende a gerenciar os sintomas e pode ter uma vida perfeitamente saudável e produtiva.

    2. Meninas e meninos apresentam os mesmos sinais?

    Nem sempre. Em meninos, os sinais de hiperatividade e impulsividade costumam ser mais visíveis. Já em meninas, o TDAH tende a se manifestar mais pelo tipo desatento, fazendo com que pareçam quietas, distraídas ou “no mundo da lua”, o que pode atrasar o diagnóstico.

    3. O uso excessivo de telas pode causar TDAH?

    Não, as telas não causam o transtorno, que é uma condição neurobiológica de nascença. Mas o uso exagerado de celulares e tablets pode agravar os sintomas de desatenção, ansiedade e impulsividade em crianças que já possuem o diagnóstico.

    4. O que é o tipo predominantemente desatento do TDAH?

    É o subtipo do transtorno em que a falta de foco, o esquecimento, a desorganização e a facilidade de se distrair são os sintomas principais, enquanto a agitação física e a impulsividade são poucas ou inexistentes.

    5. Como criar uma rotina em casa ajuda a criança com TDAH?

    Crianças com TDAH têm dificuldade com prazos e previsibilidade. Uma rotina visual bem estruturada reduz a ansiedade, diminui os esquecimentos e ajuda a criança a entender o que se espera dela a cada momento.

    6. Qual o papel da psicoterapia no tratamento do TDAH?

    A terapia ajuda a criança a desenvolver habilidades emocionais e comportamentais. A abordagem mais recomendada é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ensina o manejo da frustração, técnicas de organização e formas de controlar a impulsividade no convívio social.

    7. O medicamento para TDAH causa dependência em crianças?

    Quando prescritos por médicos especialistas e utilizados nas doses corretas, os medicamentos estimulantes modernos são seguros e não causam dependência química.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Reserva funcional: 5 hábitos que ajudam você a viver mais e melhor

    Você já ouviu falar no termo reserva funcional? De maneira geral, é a capacidade que o corpo desenvolve para enfrentar o envelhecimento, doenças, cirurgias ou períodos de maior estresse sem perder a independência e a qualidade de vida.

    Na prática, é como se a reserva fosse uma poupança biológica de saúde: quanto maior ela for, mais preparado o organismo estará para lidar com os desafios naturais do passar dos anos. A geriatra Maysa Seabra Cendoroglo, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que ela começa a ser formada e gasta desde o momento em que nascemos.

    “Se você faz escolhas boas, positivas, vai gastar menos dessas reservas e chegar a idades mais avançadas com um potencial melhor. Se, na verdade, faz escolhas ruins, mais precocemente vai ficar sem reserva”, explica a especialista.

    Como funciona a reserva funcional?

    A reserva funcional funciona como um mecanismo de compensação e proteção do próprio organismo. Todos os órgãos e sistemas, como o coração, os pulmões, os rims, os músculos e até o cérebro, possuem uma capacidade de funcionamento muito maior do que aquela necessária para realizar as atividades básicas do dia a dia, como caminhar, tomar banho, subir escadas ou respirar em repouso.

    A reserva permite justamente que o organismo responda melhor quando enfrenta situações que demandam um esforço maior. Quanto maior ela for, maior tende a ser a capacidade de recuperação do corpo e menores são as chances de perder a autonomia após um problema de saúde.

    Ao longo da vida, o organismo passa naturalmente por mudanças que reduzem a força muscular, a capacidade cardiorrespiratória, a densidade óssea e até algumas funções cognitivas. Contudo, a velocidade pode variar de uma pessoa para outra e está diretamente relacionada aos hábitos de vida.

    Por que a reserva funcional é importante para a longevidade?

    A reserva funcional ajuda a determinar se os anos a mais de vida serão vividos com independência ou com limitações. A ideia não é apenas esticar o tempo de vida, mas garantir chegar na terceira idade com disposição para manter a própria rotina e a autonomia.

    Uma boa reserva funcional permite que o idoso continue realizando tanto as atividades básicas, como levantar da cama, tomar banho, se vestir e se alimentar sozinho, quanto tarefas mais complexas, como fazer compras, cozinhar, administrar o próprio dinheiro, dirigir ou utilizar o transporte público.

    Além de preservar a independência, a reserva funcional também ajuda o organismo a enfrentar melhor os efeitos do envelhecimento. Mesmo em quadros de diabetes ou hipertensão, por exemplo, um corpo mais preparado costuma responder melhor ao tratamento, se recuperar com mais facilidade após cirurgias ou internações e sofrer menos impacto na qualidade de vida.

    Sinais de que a sua reserva funcional pode estar baixa

    O corpo costuma dar pequenos sinais de alerta no dia a dia de que a reserva funcional está ficando baixa, como:

    • Cansaço excessivo para realizar tarefas simples, como subir escadas, carregar compras ou caminhar pequenas distâncias;
    • Recuperação mais lenta após gripes, resfriados ou outras doenças comuns;
    • Perda de força muscular, dificuldade para levantar da cadeira ou redução do equilíbrio;
    • Falta de ar durante atividades leves ou até mesmo ao conversar e caminhar;
    • Dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de raciocínio mais lento;
    • Sono que não traz sensação de descanso, com cansaço mesmo após uma noite inteira dormindo;
    • Cicatrização lenta de cortes, arranhões e hematomas, que demoram mais para desaparecer.

    Como aumentar e preservar a reserva funcional

    A genética influencia apenas cerca de 30% da longevidade, e os outros 70% estão relacionados aos hábitos de vida. As escolhas feitas todos os dias ajudam a construir (ou a reduzir) a reserva funcional ao longo dos anos.

    Para ajudar a fortalecer a reserva funcional, vale a pena adotar algumas medidas, como:

    1. Pratique atividade física regularmente

    Com o envelhecimento, a perda de massa muscular acontece de forma natural. O processo acelera sem estímulos, aumentando o risco de fragilidade e perda de autonomia.

    O que fazer: combine exercícios de força, como musculação ou pilates, com atividades aeróbicas. O treino deve respeitar a condição física e evoluir de forma gradual para fortalecer músculos, coração e pulmões.

    2. Tenha uma alimentação equilibrada

    Uma alimentação variada fornece os nutrientes necessários para manter músculos, ossos e órgãos saudáveis. Já os suplementos só devem ser utilizados quando houver indicação de um profissional de saúde.

    O que fazer: priorize frutas, verduras, legumes, grãos, leguminosas e proteínas de qualidade, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados. Também é importante consumir proteínas em quantidade adequada para preservar a massa muscular, sempre com orientação quando necessário.

    3. Mantenha o cérebro e a vida social ativos

    A reserva funcional também depende da saúde do cérebro. No cotidiano, aprender coisas novas e manter contato com outras pessoas ajuda a preservar a memória, o raciocínio e reduz o risco de isolamento.

    O que fazer: leia, faça jogos de raciocínio, aprenda uma nova habilidade, participe de grupos e cultive os relacionamentos. Conviver com pessoas de diferentes idades também traz benefícios para a saúde física e mental.

    4. Controle o estresse

    O estresse constante favorece processos inflamatórios e o chamado estresse oxidativo, que acelera o desgaste das células e pode comprometer a reserva funcional.

    O que fazer: reserve momentos para descansar e encontre estratégias que ajudem a aliviar as tensões do dia a dia, como atividades relaxantes, exercícios físicos, meditação e acompanhamento psicológico, quando necessário.

    5. Cuide da qualidade do sono

    Durante o tempo de sono, o organismo recupera os tecidos, fortalece o sistema imunológico e regula diversos processos importantes para a saúde. Com o envelhecimento, é comum que o sono fique mais leve e fragmentado, mas isso não significa que deva ser deixado de lado.

    O que fazer: mantenha horários regulares para dormir, evite o uso de telas antes de deitar e procure ajuda médica caso tenha dificuldade para dormir ou acorde cansado com frequência. Um sono de qualidade é necessário para preservar a reserva funcional e envelhecer com mais saúde.

    Leia mais: Cálcio: saiba o que esse mineral faz no seu corpo

    Perguntas frequentes

    1. Existe uma idade certa para começar a cuidar da reserva?

    Sim, o momento ideal é desde o nascimento. A reserva é formada e gasta continuamente, por isso, hábitos saudáveis desde a juventude fazem toda a diferença no futuro.

    2. É possível aumentar a reserva funcional depois dos 60 anos?

    Com certeza. O corpo responde positivamente a estímulos, como exercícios de força e boa nutrição, em qualquer fase da vida.

    3. Suplementos são necessários para aumentar a reserva?

    Não necessariamente. A maioria das pessoas consegue o que precisa na alimentação. Os suplementos devem ser prescritos apenas por médicos ou nutricionistas após avaliação individual.

    4. Onde buscar ajuda para avaliar minha reserva atual?

    O médico geriatra é o profissional mais indicado para realizar uma avaliação completa e orientar estratégias específicas para o seu caso.

    5. Terapia ajuda a melhorar a reserva funcional?

    Sim, principalmente a terapia de apoio. Ela ajuda o idoso a lidar com o estresse e as dificuldades do dia a dia, diminuindo o impacto emocional negativo no organismo.

    6. A reabilitação física funciona mesmo em idades muito avançadas?

    Funciona. Desde que o idoso queira e passe por fisioterapia adequada, o corpo demonstra uma capacidade fantástica de resiliência e recuperação, mesmo após internações graves ou cirurgias.

    Leia mais: Vitamina B6: saiba mais sobre a importância dela no cérebro e metabolismo das proteínas

  • Acorda várias vezes para fazer xixi? Entenda quando isso merece investigação 

    Acorda várias vezes para fazer xixi? Entenda quando isso merece investigação 

    Acordar uma vez durante a noite para ir ao banheiro pode fazer parte da rotina de muitas pessoas. Porém, quando isso acontece repetidamente e passa a prejudicar o sono, pode ser um sinal de que algo não vai bem.

    A necessidade de interromper o sono para urinar é chamada de noctúria. Embora seja mais frequente com o avanço da idade, ela não deve ser encarada como uma consequência inevitável do envelhecimento.

    Esse sintoma pode estar relacionado a alterações do trato urinário, doenças hormonais, problemas cardíacos, distúrbios do sono ou até mesmo aos hábitos de consumo de líquidos.

    Identificar a causa é importante porque, além de afetar a qualidade do sono e a disposição durante o dia, a noctúria pode aumentar o risco de quedas, principalmente em idosos. Leia para entender mais.

    O que é noctúria?

    A noctúria é definida como a necessidade de acordar uma ou mais vezes durante o período de sono para urinar. Após esvaziar a bexiga, a pessoa consegue voltar a dormir.

    Ela deve ser diferenciada da insônia, em que a pessoa acorda por outros motivos e aproveita para ir ao banheiro. Também é diferente da enurese noturna, quando ocorre perda involuntária de urina durante o sono.

    Quantas vezes é normal urinar durante a noite?

    Não existe um número único que sirva para todas as pessoas.

    De forma geral:

    • Algumas pessoas não levantam nenhuma vez;
    • Outras podem levantar uma vez ocasionalmente, principalmente após ingerir bastante líquido;
    • Levantar duas ou mais vezes todas as noites costuma justificar investigação, principalmente quando há prejuízo do sono ou da qualidade de vida.

    O mais importante é observar se houve mudança em relação ao padrão habitual.

    O envelhecimento pode influenciar?

    Sim. Com o envelhecimento, ocorrem mudanças naturais que favorecem a noctúria.

    Entre elas:

    • Redução da capacidade de armazenamento da bexiga;
    • Alterações hormonais relacionadas à produção de urina;
    • Sono mais superficial;
    • Maior frequência de doenças crônicas.

    Apesar disso, acordar diversas vezes todas as noites não deve ser considerado “normal da idade” sem investigação.

    Beber muito líquido à noite é uma causa comum

    Uma das explicações mais simples é o consumo elevado de líquidos nas horas que antecedem o sono.

    Isso inclui:

    • Água;
    • Refrigerantes;
    • Chás;
    • Sucos.

    Além disso, bebidas com cafeína e álcool podem aumentar a produção de urina ou irritar a bexiga, favorecendo as idas ao banheiro durante a madrugada.

    Diabetes pode causar aumento da urina?

    Sim. Quando a glicemia permanece elevada, o organismo elimina parte do excesso de glicose pela urina. Esse processo leva junto uma quantidade maior de água, aumentando o volume urinário.

    Além da noctúria, podem surgir:

    • Sede excessiva;
    • Aumento da frequência urinária durante o dia;
    • Perda de peso;
    • Cansaço.

    Em algumas pessoas, a necessidade de urinar várias vezes à noite é um dos primeiros sinais do diabetes.

    Problemas da próstata são causas frequentes nos homens

    Nos homens, principalmente após os 50 anos, a hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das causas mais comuns.

    O aumento da próstata pode dificultar o esvaziamento completo da bexiga, provocando:

    • Jato urinário fraco;
    • Demora para iniciar a micção;
    • Sensação de esvaziamento incompleto;
    • Urgência para urinar;
    • Levantar várias vezes durante a noite.

    Nem todo aumento da próstata significa câncer, mas os sintomas devem ser avaliados.

    Bexiga hiperativa também pode ser responsável

    A bexiga hiperativa ocorre quando a musculatura da bexiga se contrai de forma involuntária.

    Os sintomas incluem:

    • Vontade súbita de urinar;
    • Dificuldade para segurar a urina;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Noctúria;
    • Em alguns casos, perda involuntária de urina.

    A condição pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres.

    Doenças cardíacas podem causar noctúria

    Muitas pessoas não imaginam que problemas cardíacos podem aumentar as idas ao banheiro durante a noite.

    Pacientes com insuficiência cardíaca podem apresentar:

    • Inchaço nas pernas durante o dia;
    • Necessidade de urinar várias vezes ao deitar.

    Isso acontece porque, ao assumir a posição deitada, o líquido acumulado nas pernas retorna à circulação e é filtrado pelos rins, aumentando a produção de urina.

    Apneia do sono pode aumentar as idas ao banheiro

    A apneia obstrutiva do sono é outra causa frequentemente esquecida.

    Além da noctúria, a pessoa pode apresentar:

    • Roncos intensos;
    • Pausas respiratórias durante o sono;
    • Sono não reparador;
    • Sonolência durante o dia;
    • Dor de cabeça ao acordar.

    O tratamento da apneia costuma reduzir também a frequência das micções noturnas.

    Medicamentos podem influenciar?

    Sim. Alguns medicamentos favorecem o aumento da produção de urina.

    Os principais exemplos incluem:

    • Diuréticos;
    • Alguns medicamentos para hipertensão;
    • Inibidores do SGLT2 utilizados no tratamento do diabetes.

    Em alguns casos, apenas ajustar o horário da medicação pode reduzir a noctúria, sempre com orientação médica.

    Mulheres também podem apresentar noctúria

    Nas mulheres, além das causas já citadas, outros fatores podem contribuir para o sintoma.

    Entre eles:

    • Gravidez;
    • Menopausa;
    • Prolapso de órgãos pélvicos;
    • Infecções urinárias;
    • Incontinência urinária.

    A avaliação ginecológica pode ser necessária em alguns casos.

    Quando a noctúria merece investigação?

    Procure avaliação médica quando:

    • O sintoma ocorre diariamente;
    • Há necessidade de levantar duas ou mais vezes por noite;
    • Existe prejuízo importante do sono;
    • Surgem outros sintomas urinários;
    • Há sede excessiva, perda de peso ou inchaço nas pernas;
    • O problema começou recentemente sem explicação.

    A investigação permite identificar tanto causas simples quanto doenças que necessitam tratamento específico.

    Quais exames podem ser necessários?

    A avaliação depende da história clínica e dos sintomas associados.

    Os exames mais frequentemente solicitados costumam ser os abaixo.

    1. Exames de urina

    Podem identificar:

    • Infecção urinária;
    • Presença de glicose;
    • Sangue na urina;
    • Alterações renais.

    2. Exames de sangue

    Podem investigar:

    • Diabetes;
    • Função renal;
    • Distúrbios metabólicos.

    3. Avaliação da próstata

    Indicada principalmente para homens com sintomas urinários.

    Pode incluir exame físico, PSA e ultrassonografia, quando necessário.

    4. Estudos do sono

    São indicados quando existe suspeita de apneia obstrutiva do sono.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    Pode incluir:

    • Ajuste na ingestão de líquidos;
    • Mudança do horário de medicamentos;
    • Controle do diabetes;
    • Tratamento da hiperplasia prostática;
    • Medicamentos para bexiga hiperativa;
    • Tratamento da apneia do sono;
    • Controle de doenças cardíacas.

    Por isso, identificar corretamente a causa é fundamental.

    Quando procurar atendimento médico imediatamente?

    Embora a noctúria raramente represente uma emergência, procure atendimento rapidamente se houver:

    • Sangue na urina;
    • Incapacidade de urinar;
    • Dor intensa ao urinar;
    • Febre associada;
    • Dor lombar intensa;
    • Fraqueza importante ou confusão mental.

    Esses sintomas podem indicar condições que exigem tratamento imediato.

    Veja também: Infecção urinária: sintomas, causas e quando procurar atendimento

    Perguntas frequentes sobre levantar várias vezes para urinar

    1. Levantar uma vez à noite é normal?

    Em muitas pessoas, sim. Principalmente quando ocorre ocasionalmente e não prejudica o sono.

    2. Quando a noctúria preocupa?

    Quando ocorre frequentemente, interrompe o sono, piora a qualidade de vida ou está associada a outros sintomas.

    3. Diabetes pode causar noctúria?

    Sim. O aumento da glicose no sangue pode aumentar a produção de urina.

    4. Problemas da próstata aumentam as idas ao banheiro?

    Sim. A hiperplasia prostática benigna é uma das causas mais frequentes em homens mais velhos.

    5. Apneia do sono pode causar noctúria?

    Sim. É uma causa relativamente comum e muitas vezes subdiagnosticada.

    6. Beber água antes de dormir pode influenciar?

    Sim. Grandes volumes de líquidos, principalmente próximos ao horário de dormir, podem aumentar a necessidade de urinar durante a noite.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando a necessidade de urinar durante a noite é frequente, progressiva, interfere na qualidade do sono ou vem acompanhada de outros sintomas urinários.

    Veja mais: Bexiga hiperativa: conheça os sintomas e as opções de tratamento

  • Antidepressivo e perda de libido: como lidar com o efeito colateral?

    Antidepressivo e perda de libido: como lidar com o efeito colateral?

    Quando bem indicados, os antidepressivos são importantes para o tratamento de transtornos como depressão e ansiedade, mas como qualquer medicamento, eles não estão livres de efeitos colaterais.

    Um dos mais comuns é a perda de libido, que costuma se manifestar como dificuldade para sentir excitação, atraso ou ausência do orgasmo e, em alguns casos, dificuldade de ereção ou de lubrificação vaginal.

    Apesar do desconforto no dia a dia, você não deve interromper o uso do medicamento por conta própria. O mais indicado é conversar com o médico responsável pelo tratamento para avaliar a situação e buscar alternativas.

    Como os antidepressivos afetam a função sexual?

    A maioria dos antidepressivos aumenta os níveis de serotonina no cérebro, uma substância que ajuda a regular o humor e promove a sensação de bem-estar. Em algumas pessoas, o aumento pode diminuir a ação da dopamina e da noradrenalina, neurotransmissores importantes para o desejo, a excitação e o prazer sexual.

    Como consequência, podem surgir alterações como:

    1. Redução da libido

    Com a diminuição da atividade da dopamina, o cérebro pode apresentar mais dificuldade para despertar o interesse sexual e a sensação de prazer, o que leva à queda do desejo.

    2. Alteração da resposta física ao estímulo sexual

    O equilíbrio entre os neurotransmissores também influencia a resposta dos órgãos genitais, de modo que algumas mulheres podem apresentar redução da lubrificação vaginal, enquanto alguns homens podem ter mais dificuldade para obter ou manter a ereção.

    3. Dificuldade para atingir o orgasmo

    Os antidepressivos podem tornar mais lenta a comunicação entre os circuitos cerebrais envolvidos na resposta sexual. Por isso, a pessoa pode precisar de mais estímulo e mais tempo para atingir o orgasmo ou, em alguns casos, não conseguir alcançá-lo.

    Principais sintomas de disfunção sexual por antidepressivos

    A disfunção sexual relacionada ao uso de antidepressivos pode causar:

    • Diminuição da libido ou perda do interesse sexual;
    • Menor frequência de pensamentos e fantasias sexuais;
    • Dificuldade para sentir excitação durante o contato íntimo;
    • Redução da sensibilidade nos órgãos genitais;
    • Diminuição da lubrificação vaginal;
    • Dificuldade para obter ou manter a ereção;
    • Atraso para atingir o orgasmo;
    • Incapacidade de alcançar o orgasmo;
    • Orgasmos menos intensos ou menos prazerosos;
    • Sensação de desconexão emocional durante a atividade sexual.

    “Muitas vezes o companheiro ou a companheira podem começar a imaginar coisas que não têm nada a ver: ‘Será que ele ou ela perdeu o desejo por mim?’, ‘Será que ele não se interessa mais?’, ‘Será que está acontecendo alguma coisa de errado com o meu corpo?’. E não é nada disso”, explica o psiquiatra Luiz Dieckmann.

    Quais antidepressivos causam mais perda de libido?

    Segundo o especialista, diversos antidepressivos podem causar alterações na função sexual, como diminuição da libido e dificuldade para atingir o orgasmo, tanto em homens quanto em mulheres.

    No entanto, os efeitos não ocorrem em todos os pacientes e podem variar de acordo com o medicamento, a dose utilizada e as características individuais de cada pessoa.

    As classes de medicamentos mais frequentemente associadas aos efeitos colaterais são os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), como fluoxetina, sertralina e escitalopram, e os Antidepressivos Tricíclicos (ADT), como amitriptilina e clomipramina.

    O que fazer para melhorar a libido durante o tratamento?

    Se você está convivendo com a perda de libido durante o tratamento, o primeiro passo é perder a vergonha e contar ao médico na próxima consulta. O psiquiatra pode, dependendo do caso, trocar o medicamento, ajustar a dose ou até associar outro remédio para amenizar o efeito colateral.

    Ao mesmo tempo, também vale a pena adotar hábitos que favorecem a saúde física e emocional, como:

    • Praticar atividade física regularmente: exercícios ajudam a melhorar a circulação sanguínea, aumentam a disposição e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao prazer e ao bem-estar, o que pode favorecer a libido;
    • Manter uma boa rotina de sono: dormir entre sete e nove horas por noite contribui para o equilíbrio hormonal, reduz o cansaço e melhora a energia física e mental necessária para o interesse sexual;
    • Controlar os níveis de estresse: técnicas de relaxamento, momentos de lazer e atividades prazerosas ajudam a diminuir a produção de cortisol, hormônio que, quando está elevado por longos períodos, pode reduzir o desejo sexual;
    • Investir em uma alimentação equilibrada: uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, proteínas magras e gorduras saudáveis contribui para a saúde cardiovascular e hormonal, fatores importantes para a libido e para a resposta sexual.

    Importante: nunca interrompa o tratamento por conta própria. Além de aumentar o risco de recaída da depressão ou da ansiedade, a sensação de suspensão repentina pode causar sintomas de abstinência e outros desconfortos. Qualquer mudança deve ser feita apenas com orientação médica.

    A libido volta ao normal depois de parar o antidepressivo?

    Na maioria dos casos, a libido tende a voltar ao normal após o término do tratamento e a eliminação do medicamento do organismo. Como as alterações na função sexual geralmente estão relacionadas à ação do antidepressivo sobre os neurotransmissores cerebrais, o desejo sexual e as respostas físicas costumam melhorar gradualmente após a suspensão da medicação.

    O tempo para a recuperação varia de pessoa para pessoa, mas costuma levar de 2 a 4 semanas após a última dose.

    Veja também: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Qual médico devo procurar se tiver problemas sexuais com o remédio?

    O próprio médico psiquiatra que receitou o antidepressivo é a pessoa ideal para avaliar a situação e ajustar a medicação.

    2. Quanto tempo depois de começar o remédio a libido cai?

    Normalmente, as alterações na função sexual começam a aparecer entre as primeiras 2 a 6 semanas de uso, que é o período em que o medicamento atinge sua concentração ideal no organismo.

    3. Por que sinto menos sensibilidade nos órgãos genitais?

    O excesso de serotonina causado pelo remédio altera os receptores nervosos periféricos, o que pode anestesiar levemente a sensibilidade física da região pélvica e genital.

    4. O que é a anorgasmia causada por antidepressivos?

    É a grande dificuldade ou a incapacidade total de atingir o orgasmo, mesmo que haja disposição física e excitação adequados.

    5. O uso de lubrificante é indicado nesses casos?

    Sim. Como os antidepressivos reduzem a lubrificação natural das mulheres, o uso de lubrificantes à base de água reduz o desconforto e facilita a relação.

    6. Se eu reduzir a dose do remédio por conta própria a libido volta mais rápido?

    Não faça isso. Diminuir a dose por conta própria não garante a volta imediata da libido e coloca você em alto risco de sofrer recaídas graves do seu transtorno psicológico.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão