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  • Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Dormir sem calcinha realmente faz bem para a saúde íntima? Ginecologista responde

    Quando o assunto é saúde íntima feminina, uma das recomendações mais conhecidas é dormir sem calcinha. A ideia é deixar a região íntima mais ventilada durante a noite, reduzindo o acúmulo de calor e umidade e ajudando a preservar o equilíbrio natural da flora vaginal. Mas afinal, será que o hábito realmente faz diferença?

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quando dormir sem calcinha pode trazer benefícios para a saúde íntima e quais cuidados são realmente importantes para prevenir infecções e irritações na região.

    Dormir sem calcinha traz benefícios?

    De acordo com Andreia, não existem evidências científicas que comprovem que dormir sem calcinha melhore a saúde íntima, diminua a incidência de corrimentos ou evite infecções. A recomendação principal dos ginecologistas é o conforto: a mulher deve escolher a opção com a qual se sente melhor.

    No entanto, para quem se adapta bem ao hábito, deixar a região livre durante a noite pode trazer algumas vantagens práticas para o bem-estar da vulva, como:

    • Melhora a ventilação local: a região íntima passa o dia todo abafada por calças, shorts e tecidos sintéticos. Dormir sem calcinha ajuda a diminuir a umidade natural e o calor acumulado na região ao longo do dia;
    • Reduz o atrito na pele: ficar sem a peça íntima elimina a fricção constante de elásticos e costuras na virilha, o que ajuda a prevenir a foliculite (inflamação dos folículos pilosos) e a irritação em peles mais sensíveis;
    • Evita o acúmulo de suor: em noites mais quentes, a ausência de tecido diminui a sudorese local, mantendo a pele da região mais seca e confortável.

    Afinal, dormir com calcinha causa candidíase?

    O hábito de dormir com calcinha não está associado ao desenvolvimento da candidíase, uma infecção causada pela proliferação excessive do fungo Candida, que faz parte da microbiota natural da vagina. Segundo Andreia, a condição costuma surgir quando ocorre um desequilíbrio no ambiente vaginal, causado por:

    • Uso de antibióticos, que matam as bactérias boas que competiam com o fungo;
    • Baixa na imunidade ou estresse elevado;
    • Alterações na flora intestinal, provocadas por má alimentação, alergias ou intolerâncias alimentares;
    • Diabetes descontrolada.

    A única relação que a roupa íntima pode ter com o fungo é o abafamento, pois a Candida gosta de ambientes quentes e úmidos.

    Se você dorme com uma calcinha de tecido sintético (como lycra e microfibra) ou usa protetores diários de plástico, a região esquenta e sua mais. Isso não cria o fungo, mas pode criar um ambiente confortável para ele se multiplicar se a flora já estiver desequilibrada.

    Qual o melhor tipo de calcinha para dormir?

    O melhor tipo de calcinha para dormir é a calcinha de algodão de modelagem confortável. O algodão é uma fibra natural que permite a transpiração da pele, evitando o acúmulo de calor e umidade na região vulvar durante a noite.

    Ao escolher a peça ideal para a hora de dormir, vale a pena considerar alguns detalhes:

    • Prefira calcinhas de algodão, um tecido respirável que absorve a umidade e ajuda a manter a região íntima mais arejada;
    • Escolha modelos sem costura (corte a laser), que reduzem o atrito na pele e podem diminuir o risco de irritações e foliculite;
    • Opte por calcinhas mais folgadas para dormir, como os modelos caleçon ou boyshort, que costumam ser mais confortáveis;
    • Evite peças muito apertadas ou com elásticos que marquem a pele, pois elas podem causar desconforto durante a noite;
    • Sempre que possível, deixe o fio dental para o dia a dia e prefira modelos que ofereçam maior cobertura durante o sono.

    Para garantir mais conforto, evite dormir com calcinhas que tenham o fundo de plástico ou sejam confeccionadas com tecidos impermeáveis. Também não é recomendado usar protetores diários de calcinha durante a noite, exceto quando houver indicação específica ou durante o período menstrual.

    Quem deve evitar dormir sem calcinha?

    Não existe nenhuma contraindicação formal para dormir sem calcinha, mas Andreia destaca que se a paciente estiver menstruada ou com algum corrimento intenso, pode ser desconfortável abrir mão da proteção.

    O bem-estar no dia a dia também deve ser levado em consideração. Se dormir sem calcinha causa sensação de insegurança, frio ou desconforto, não há motivo para insistir no hábito. Afinal, uma boa noite de sono depende do conforto físico e emocional, e não da presença ou ausência da roupa íntima.

    Para os casos de candidíase de repetição, dormir sem calcinha também não apresenta benefícios comprovados. Segundo Andreia, parte dos fungos pode permanecer nas camadas mais profundas do epitélio vaginal sob a forma de hifas.

    Em alguns casos, o episódio agudo é tratado corretamente, eliminando os fungos da superfície, mas as hifas que persistem nas camadas profundas podem voltar a proliferar, dando origem a um novo episódio da infecção.

    A ginecologista explica que, para reduzir o risco de recorrência, existem novas opções terapêuticas além dos tratamentos convencionais. Uma delas é o uso do LED azul, tecnologia que, segundo a especialista, atua nas camadas profundas do tecido vaginal e pode complementar o manejo de pacientes com candidíase de repetição.

    Higiene íntima adequada para o dia a dia

    A higiene íntima deve ser estritamente externa, englobando a vulva, os pequenos e grandes lábios, o clitóris e a entrada vaginal. Como a parte interna da vagina é autolimpante e mantém seu próprio equilíbrio bacteriano, você não precisa lavar o canal vaginal nem utilizar duchas, sabonetes ou qualquer outro produto em seu interior.

    Para o dia a dia, Andreia dá algumas recomendações:

    • Lave a região íntima apenas uma vez ao dia, utilizando um sabonete hidratante ou um produto específico para a higiene íntima;
    • Evite sabonetes muito adstringentes ou que ressequem a pele, como alguns sabonetes de glicerina, pois eles podem remover a proteção natural da região;
    • Não exagere na higiene íntima, já que o excesso de limpeza pode favorecer o ressecamento e alterar o equilíbrio natural da vulva;
    • Use lenços umedecidos apenas como complemento, principalmente após evacuar ou em dias de maior secreção vaginal;
    • Após utilizar o lenço umedecido, seque delicadamente a região caso ela permaneça úmida.

    Se além da dúvida sobre o uso da calcinha você estiver sentindo sintomas como coceira intensa, queimação ao urinar, vermelhidão na vulva ou corrimento com cor e cheiro incomuns, é fundamental consultar um ginecologista.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. Pode dormir com calcinha de renda?

    Não é o ideal. A renda é um tecido sintético que não deixa a pele respirar, retendo calor e suor. Para dormir, prefira calcinhas 100% algodão.

    2. Usar shorts de pijama sem calcinha faz mal?

    Não. Desde que o short seja de um tecido leve e respirável (como o algodão) e esteja limpo, é uma excelente alternativa para ventilar a região sem precisar ficar totalmente nua.

    3. Estou grávida, posso dormir sem calcinha?

    Sim, pode. Durante a gravidez, é comum o aumento da secreção vaginal. Se você se sentir confortável e o lençol estiver limpo, dormir sem calcinha ajuda a manter a região seca e arejada.

    4. Posso dormir com a mesma calcinha que usei o dia todo?

    Não. A calcinha usada ao longo do dia acumulou suor, descamação da pele e secreções naturais. Se optar por dormir de calcinha, vista sempre uma peça limpa antes de deitar.

    5. Como ventilar a região íntima se eu não conseguir dormir sem calcinha?

    Basta usar uma calcinha de algodão um tamanho maior que o seu (mais larguinha) ou optar por cuecas femininas estilo boxer de algodão, que não apertam a virilha.

    6. Qual o sabonete ideal para lavar a região íntima antes de dormir?

    Sabonetes neutros, hidratantes ou específicos para a região íntima. Evite sabonetes muito adstringentes, como os de glicerina em barra, pois eles ressecam demais a mucosa, removendo a proteção natural da pele e causando efeito rebote (aumento da secreção).

    Leia também: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão

  • Por que algumas pessoas sentem tremores quando ficam muito tempo sem comer? 

    Por que algumas pessoas sentem tremores quando ficam muito tempo sem comer? 

    Quem nunca passou o dia em uma correria, pulou uma refeição e, de repente, começou a sentir as mãos tremendo, uma fome intensa e até uma sensação de ansiedade? Esses sintomas costumam surgir justamente quando o corpo percebe que precisa mobilizar rapidamente suas reservas de energia para manter o funcionamento dos órgãos, especialmente do cérebro.

    Na maioria das vezes, os tremores não são causados apenas pela redução da glicose no sangue. Eles também refletem a ação de hormônios liberados pelo organismo como uma forma de compensar o jejum prolongado. Em algumas situações, porém, os sintomas podem indicar uma verdadeira hipoglicemia ou outras condições que merecem investigação médica. Entenda mais.

    O corpo precisa de energia constantemente

    O organismo usa a glicose como uma das principais fontes de energia.

    Após uma refeição, parte dessa glicose é utilizada imediatamente pelas células e outra parte é armazenada, principalmente no fígado, na forma de glicogênio.

    Quando passamos várias horas sem comer, o corpo começa a utilizar essas reservas para manter os níveis de glicose dentro da faixa adequada.

    O que acontece quando ficamos sem comer?

    Durante o jejum, o organismo ativa diversos mecanismos para evitar que a glicose caia excessivamente.

    Entre eles estão:

    • Liberação da glicose armazenada no fígado;
    • Produção de glicose pelo próprio organismo (gliconeogênese);
    • Liberação de hormônios reguladores.

    Essas respostas permitem que o cérebro continue recebendo energia mesmo após várias horas sem alimentação.

    O papel da adrenalina nos tremores

    Um dos principais responsáveis pelos tremores é a adrenalina.

    Quando o organismo percebe que precisa disponibilizar mais energia, ele aumenta a produção de hormônios como:

    • Adrenalina;
    • Noradrenalina;
    • Glucagon.

    Essas substâncias estimulam a liberação de glicose para a corrente sanguínea, mas também provocam alguns sintomas característicos, como:

    • Tremores;
    • Palpitações;
    • Suor frio;
    • Ansiedade;
    • Sensação de alerta.

    Em outras palavras, os tremores costumam ser uma consequência da resposta do organismo ao jejum, e não apenas da redução da glicemia.

    O que é hipoglicemia?

    A hipoglicemia ocorre quando a concentração de glicose no sangue fica baixa o suficiente para comprometer o funcionamento normal do organismo.

    Ela é mais frequente em:

    • Pessoas com diabetes que utilizam insulina ou alguns medicamentos para controlar a glicemia;
    • Pessoas com determinadas doenças hormonais;
    • Situações específicas de jejum prolongado ou consumo excessivo de álcool.

    É importante destacar que nem todo tremor significa uma hipoglicemia verdadeira. Muitas pessoas apresentam sintomas antes mesmo que a glicemia atinja valores considerados baixos.

    Quais sintomas podem surgir?

    Além dos tremores, podem aparecer:

    • Fraqueza;
    • Suor frio;
    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fome intensa;
    • Dor de cabeça;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração.

    Na maioria das vezes, esses sintomas melhoram após a ingestão de alimentos.

    Algumas pessoas são mais sensíveis

    Sim. Algumas pessoas apresentam sintomas mesmo quando a glicemia permanece dentro da faixa considerada normal.

    Isso acontece porque o organismo pode reagir não apenas ao valor absoluto da glicose, mas também à rapidez com que ela diminui.

    Assim, uma queda relativamente rápida pode desencadear a liberação de adrenalina e provocar tremores, suor frio e mal-estar antes que exista uma hipoglicemia propriamente dita.

    Exercício físico pode aumentar o risco?

    Sim. Após exercícios intensos, principalmente quando realizados em jejum ou sem alimentação adequada antes e depois da atividade, o consumo das reservas de glicose aumenta.

    Nessas situações, é mais comum surgirem sintomas como:

    • Tremores;
    • Fraqueza;
    • Tontura;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, planejar a alimentação antes de treinos prolongados é uma medida importante para muitas pessoas.

    Pessoas com diabetes precisam de atenção especial

    Tem maior risco de desenvolver hipoglicemia verdadeira quem usa:

    • Insulina;
    • Sulfonilureias e outros medicamentos que podem reduzir excessivamente a glicemia.

    Nesses casos, além dos tremores, podem surgir sintomas mais intensos e potencialmente graves se a glicose continuar caindo.

    Quando a situação pode se tornar grave?

    Nos casos de hipoglicemia importante, podem ocorrer:

    • Confusão mental;
    • Alteração do comportamento;
    • Visão embaçada;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência.

    Esses sinais representam uma emergência médica e exigem atendimento imediato.

    Existem outras causas para tremores?

    Sim. Nem todo tremor relacionado ao jejum é causado pela glicose ou pela adrenalina.

    Outras condições também podem contribuir, como:

    • Ansiedade;
    • Excesso de cafeína;
    • Privação de sono;
    • Hipertireoidismo;
    • Alguns medicamentos.

    Quando os episódios são frequentes ou aparecem mesmo sem jejum prolongado, vale a pena procurar avaliação médica.

    O que os médicos costumam investigar?

    Quando os sintomas se repetem com frequência, a investigação pode incluir:

    1. Glicemia

    Para identificar hipoglicemia, diabetes ou alterações da regulação da glicose.

    2. Função da tireoide

    O hipertireoidismo é uma causa relativamente comum de tremores.

    3. Uso de medicamentos

    Alguns medicamentos podem favorecer tremores ou alterações da glicemia.

    4. Hábitos alimentares

    Os médicos avaliam a frequência das refeições, o tempo de jejum e a composição da alimentação.

    Dependendo do caso, outros exames podem ser solicitados para investigar alterações hormonais ou metabólicas.

    Como evitar os tremores relacionados ao jejum?

    Algumas medidas costumam ajudar:

    • Evitar intervalos muito longos entre as refeições;
    • Manter uma alimentação equilibrada;
    • Consumir boas fontes de proteínas e fibras;
    • Manter hidratação adequada;
    • Planejar a alimentação antes de atividades físicas prolongadas;
    • Seguir corretamente o tratamento em pessoas com diabetes.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure um médico se:

    • Os episódios forem frequentes;
    • Surgirem mesmo após refeições;
    • Houver perda de consciência;
    • Ocorrerem convulsões;
    • Os sintomas forem progressivamente mais intensos;
    • Existirem doenças como diabetes ou alterações hormonais.

    Uma avaliação adequada ajuda a identificar se os sintomas fazem parte de uma resposta fisiológica ao jejum ou se existe alguma condição que necessita de tratamento.

    Confira: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes sobre tremores ao ficar sem comer

    1. Tremor ao ficar sem comer significa hipoglicemia?

    Nem sempre. Em muitos casos, os sintomas estão relacionados principalmente à liberação de adrenalina pelo organismo.

    2. Por que o corpo libera adrenalina?

    Para mobilizar as reservas de energia e manter a glicose disponível para órgãos como o cérebro.

    3. Suor frio pode ocorrer?

    Sim. É um dos sintomas mais comuns da resposta do organismo ao jejum e também pode ocorrer na hipoglicemia.

    4. Pessoas sem diabetes podem sentir esses sintomas?

    Sim. Mesmo pessoas saudáveis podem apresentar tremores e suor frio após muitas horas sem comer.

    5. Exercício físico aumenta o risco?

    Pode aumentar, especialmente quando é realizado em jejum ou sem reposição adequada de energia.

    6. Quando a hipoglicemia é grave?

    Quando provoca sintomas como confusão mental, convulsões, perda de consciência ou incapacidade de ingerir alimentos.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando os episódios são frequentes, muito intensos, ocorrem sem motivo aparente ou vêm acompanhados de sintomas neurológicos.

    Veja mais: Hipoglicemia: saiba como reconhecer os sintomas e o que fazer na hora da crise

  • Terceira idade: como a socialização ajuda a prevenir demência? 

    Terceira idade: como a socialização ajuda a prevenir demência? 

    Cuidar da alimentação, praticar atividade física e manter as consultas médicas em dia não são as únicas medidas necessárias para envelhecer com qualidade de vida.

    No dia a dia, manter uma vida social ativa, conversar com amigos e conviver com diferentes gerações são hábitos que estimulam diferentes áreas do cérebro e ajudam a preservar as funções cognitivas ao longo dos anos.

    Segundo Maysa Seabra Cendoroglo, médica geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a sociabilização e a capacidade de adaptação são fatores determinantes para a longevidade saudável. O contato frequente funciona como um exercício para a mente, ajudando a proteger o cérebro, a manter a memória ativa e a diminuir o risco de demências, como o Alzheimer.

    De acordo com a especialista, o convívio entre diferentes gerações, que reúne avós, filhos, netos e bisnetos, promove uma troca de experiências que dá mais sentido à vida e faz com que o idoso se sinta valorizado e parte da sociedade. O isolamento, por outro lado, diminui os estímulos que o cérebro precisa e acelera a perda das capacidades mentais.

    Como a convivência estimula o cérebro?

    A convivência social estimula o cérebro a partir de atividades simples que fazem parte do dia a dia, como conversar, ouvir histórias, lembrar de acontecimentos, interpretar expressões faciais, compartilhar emoções e responder a perguntas.

    Quando você conversa com alguém, o cérebro precisa realizar uma série de tarefas complexas em poucos segundos:

    • Atenção e escuta ativa: é preciso focar no que a outra pessoa está dizendo e ignorar os barulhos ao redor;
    • Processamento de linguagem: o cérebro decodifica o significado das palavras, o tom de voz e até as expressões faciais do outro;
    • Memória de curto e longo prazo: você precisa lembrar do início da conversa para fazer sentido e buscar memórias antigas para responder ou contar uma história;
    • Raciocínio e tomadas de decisão: o cérebro planeja a resposta e decide o momento certo de falar.

    “Quando você interage com outra pessoa, você tem estímulos cognitivos que exercitam o seu cérebro, que te trazem propósito, fazem com que você se sinta mais integrado na sociedade, se sinta com valores reconhecidos”, explica Maysa.

    Além disso, interagir com as pessoas libera neurotransmissores como a dopamina e a ocitocina, que reduzem os hormônios do estresse, como o cortisol. Uma vez que o estresse crônico danifica as células cerebrais, a convivência atua como um escudo protetor para a saúde da mente.

    O isolamento social pode acelerar a demência?

    O isolamento social pode acelerar o surgimento e a progressão da demência, uma vez que a falta de contato com outras pessoas priva o cérebro dos estímulos diários necessários para se manter ativo, funcionando de forma semelhante ao enfraquecimento de um músculo que deixa de ser exercitado.

    Além do desuso da mente, a solidão crônica aumenta os níveis de estresse, o que eleva a produção de cortisol. O excesso do hormônio provoca uma inflamação que machuca as células cerebrais ao longo do tempo.

    O isolamento também é o principal gatilho para a depressão na terceira idade, uma doença que diminui o tamanho do hipocampo, a área do cérebro responsável por armazenar memórias.

    Por fim, o idoso que vive isolado costuma perder o autocuidado. Ele tende a se movimentar menos, a se alimentar mal e a descuidar do tratamento de problemas como pressão alta e diabetes. Um estilo de vida sedentário prejudica a circulação de sangue no cérebro, aumentando o risco tanto do Alzheimer quanto da demência vascular.

    Outros benefícios da socialização na terceira idade

    Além de proteger o cérebro contra a demência, manter uma vida social ativa contribui para:

    • Reduzir o estresse ao diminuir os níveis de cortisol, hormônio que, em excesso, acelera o envelhecimento do organismo;
    • Melhorar a qualidade do sono, já que a convivência ajuda a reduzir a ansiedade e favorece o relaxamento;
    • Incentivar a prática de atividade física, como caminhadas, alongamentos e exercícios em grupo;
    • Fortalecer a imunidade, tornando o organismo mais preparado para combat combat infecções;
    • Ajudar a prevenir a depressão ao reduzir a solidão e aumentar o sentimento de pertencimento;
    • Estimular o autocuidado, favorecendo hábitos como uma alimentação equilibrada, o uso correto dos medicamentos e os cuidados com a saúde.

    Como ajudar o idoso a ser mais sociável no dia a dia?

    Para incentivar o idoso a socializar mais no dia a dia, é preciso respeitar as preferências, a rotina e as limitações dele, sem cobranças ou pressão. O mais importante é encontrar atividades que tragam prazer e façam sentido para aquela pessoa. Veja algumas dicas:

    • Incentive os encontros em família, com almoços, visitas e momentos de conversa entre avós, filhos, netos e bisnetos;
    • Peça para o idoso contar histórias, ensinar uma receita, um jogo ou alguma habilidade que aprendeu ao longo da vida, valorizando a experiência e o conhecimento acumulados;
    • Use a tecnologia para manter contato com familiares e amigos que moram longe por meio de chamadas de vídeo ou mensagens;
    • Procure centros de convivência para a terceira idade, que costumam oferecer oficinas, cursos, jogos, atividades culturais e oportunidades para fazer novas amizades;
    • Estimular a prática de atividade física em grupo, como caminhadas, hidroginástica, dança ou alongamento, unindo os benefícios do exercício ao convívio social;

    Segundo Maysa, a família também pode considerar o acompanhamento psicológico, quando necessário. A terapia de apoio ajuda o idoso a lidar com as perdas, as mudanças e as dificuldades do dia a dia, aumentando a autoestima e a confiança para que ele se sinta seguro e motivado a participar da vida social.

    Quando procurar ajuda?

    É hora de procurar a ajuda de um geriatra, psicólogo ou psiquiatra quando notar as seguintes mudanças de comportamento no idoso:

    • Passar a evitar o contato com amigos e familiares, recusando convites e deixando de participar de conversas e encontros;
    • Perder o interesse por atividades que antes davam prazer, como cuidar das plantas, cozinhar, ler, assistir à TV ou fazer artesanato;
    • Apresentar mudanças de humor, como tristeza frequente, desânimo, irritação ou falta de vontade de interagir com outras pessoas;
    • Esquecer informações com mais frequência, repetir as mesmas perguntas, ter dificuldade para encontrar palavras ou ficar confuso em relação ao tempo e ao lugar;
    • Descuidar da própria saúde, esquecendo de tomar os medicamentos, pulando refeições, perdendo peso sem explicação ou deixando de cuidar da higiene pessoal.

    Quanto mais cedo a avaliação médica for realizada, maiores são as chances de identificar a causa dos sintomas e iniciar o tratamento mais adequado, para que o idoso mantenha a autonomia e a qualidade de vida pelo maior tempo possível.

    Confira: Esquecimento ou algo além? Saiba reconhecer os primeiros sinais de demência

    Perguntas frequentes

    1. A partir de qual idade uma pessoa é considerada idosa?

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a terceira idade começa aos 60 anos em países em desenvolvimento (como o Brasil) e aos 65 anos em países desenvolvidos.

    2. Idosos tímidos ou introvertidos correm mais risco de ter declínio cognitivo?

    Não necessariamente, pois ser introvertido é um traço de personalidade. O risco está no isolamento social forçado ou na solidão sofrida, onde o idoso perde o contato com o mundo externo e deixa de exercitar a mente.

    3. Quais são os primeiros sinais de que o isolamento está prejudicando a mente do idoso?

    Apatia, irritabilidade ao ser contrariado, esquecimento de palavras simples durante uma conversa, repetição das mesmas histórias em curto espaço de tempo e descuido com a higiene pessoal.

    4. Cuidar de um animal de estimação reduz os impactos do isolamento social?

    Os pets são ótimos para o afeto e ajudam a dar senso de rotina e propósito, reduzindo a solidão. No entanto, eles não substituem a troca cognitiva que só acontece na interação entre humanos

    5. Qual médico a família deve procurar caso o idoso esteja muito isolado e esquecido?

    O médico ideal é o geriatra, que fará uma avaliação global da saúde física e mental do idoso. Se necessário, ele atuará em conjunto com um psicólogo ou neuropsicólogo.

    6. Morar sozinho na terceira idade aumenta o risco de demência?

    Morar sozinho aumenta o risco apenas se houver isolamento. Se o idoso tiver uma rotina ativa, sair de casa, receber visitas e mantiver contato com a comunidade, a independência de morar sozinho não prejudica a saúde mental.

    Leia também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Quimerismo: o que é e como pode afetar o teste de paternidade? 

    Quimerismo: o que é e como pode afetar o teste de paternidade? 

    Você já ouviu falar em quimerismo? Uma das condições genéticas mais raras do mundo, ele acontece quando uma mesma pessoa possui duas ou mais populações de células com DNAs diferentes no próprio organismo. Em vez de todas as células carregarem exatamente o mesmo material genético, como acontece na maioria das pessoas, o organismo passa a ser formado por grupos celulares com origens distintas.

    Na maioria dos casos, o quimerismo não causa sintomas, não altera a aparência e pode passar despercebido durante toda a vida. Ela costuma ser identificada quando a pessoa realiza exames genéticos por outros motivos, como testes de paternidade ou maternidade.

    Como uma pessoa com quimerismo pode apresentar mais de um código genético no mesmo organismo, os exames tradicionais de DNA podem gerar resultados inconsistentes ou inesperados, o que pode levantar dúvidas sobre a relação de parentesco.

    Mas afinal, por que isso acontece? Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e esclarecemos tudo que você precisa saber, a seguir.

    O que é quimerismo?

    O quimerismo é uma condição genética extremamente rara em que um único indivíduo possui duas ou mais populações de células com DNAs diferentes no próprio organismo. Para entender como isso acontece, vale lembrar como funciona a genética humana.

    De acordo com Andreia, no momento da concepção, o espermatozoide do pai, com 23 cromossomos, se une ao óvulo da mãe, também com 23 cromossomos, formando uma única célula com 46 cromossomos. A partir dela, ocorre um processo contínuo de multiplicação celular chamado mitose, responsável por gerar bilhões de células geneticamente idênticas que darão origem a todos os órgãos e tecidos do corpo.

    No caso do quimerismo, o desenvolvimento segue um caminho diferente logo nas primeiras fases da gestação. Em vez de apenas um embrião, dois embriões distintos são formados a partir da fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides diferentes, o que normalmente daria origem a gêmeos fraternos, também chamados de gêmeos bivitelinos.

    No entanto, ainda nos primeiros dias de desenvolvimento, os dois embriões se fundem e passam a formar um único indivíduo. Como consequência, a pessoa nasce e se desenvolve normalmente, mas diferentes partes do organismo podem carregar materiais genéticos distintos.

    Em alguns casos, determinadas regiões do corpo, como a pele ou o sangue, apresentam o DNA de um dos embriões, enquanto outros órgãos ou tecidos possuem o DNA do outro. Apesar da diferença genética, o organismo costuma funcionar de forma completamente normal.

    O quimerismo pode acontecer em filhos do mesmo pai e mãe?

    O quimerismo natural ocorre justamente entre irmãos gerados pelo mesmo pai e pela mesma mãe. Quando os dois embriões se fundem no útero, eles são tecnicamente irmãos que compartilhariam o mesmo espaço e tempo de gestação.

    Como ambos os embriões são filhos do mesmo casal, eles compartilham a mesma origem biológica, mas não possuem exatamente o mesmo DNA. Durante a formação dos gametas, ocorre um processo chamado meiose, no qual os cromossomos são distribuídos e recombinados de maneira única.

    Logo, mesmo irmãos biológicos apresentam combinações genéticas diferentes e podem ter características físicas bastante distintas, como cor dos olhos, tipo de cabelo, altura ou tom de pele.

    Na pessoa com quimerismo, Andreia explica que as duas combinações genéticas passam a coexistir no mesmo organismo: uma parte das células carrega a combinação de genes de um dos embriões, e outra parte carrega a combinação do outro, misturando traços diferentes na mesma pessoa.

    Apesar da particularidade, o organismo geralmente funciona de forma normal e a condição costuma passar despercebida ao longo da vida.

    Como o quimerismo afeta o teste de paternidade?

    O quimerismo pode afetar o teste de paternidade porque os exames tradicionais de DNA partem do princípio de que todas as células do corpo de uma pessoa possuem exatamente o mesmo código genético. Como o indivíduo com quimerismo carrega dois DNAs diferentes, o resultado do teste pode ser confuso ou apresentar uma inconsistência inesperada.

    Se um homem com quimerismo fizer um teste de paternidade, pode acontecer o seguinte cenário: o DNA coletado na boca dele (saliva) pode pertencer a uma linhagem celular, enquanto o DNA presente nos seus espermatozoides pertence a outra linhagem.

    Se o filho herdar o DNA das células reprodutivas, o teste feito com a saliva do pai vai apontar que eles não têm parentesco, gerando um falso negativo. O mesmo pode acontecer em testes de maternidade, caso o DNA do óvulo seja diferente do DNA da bochecha da mãe.

    De acordo com Andreia, os testes de paternidade atuais são extremamente exatos e específicos. Quando ocorre um caso de quimerismo, quem está analisando o exame nota que os padrões não batem, mas que também não se trata de uma exclusão comum de paternidade.

    Os laboratórios de genética estão preparados para identificar os sinais de alerta quando há uma incompatibilidade muito grande ou inexplicável entre os tecidos analisados.

    O que o laboratório faz em caso de dúvida?

    Sempre que um exame genético apresenta um resultado incompatível com a história clínica ou familiar do paciente, os laboratórios seguem protocolos rigorosos antes de emitir um laudo definitivo.

    Quando existe a suspeita de quimerismo, algumas medidas podem ser adotadas para esclarecer o caso, como:

    Coleta de amostras de diferentes tecidos

    Se o primeiro exame foi realizado com saliva (mucosa oral), o laboratório pode solicitar novas amostras de sangue, fios de cabelo com a raiz, células da pele ou outros tecidos. Como uma pessoa com quimerismo pode apresentar populações celulares diferentes em partes distintas do corpo, a comparação entre as amostras ajuda a identificar a condição.

    Nova coleta de material genético

    Em algumas situações, a quantidade ou a qualidade da amostra inicial pode não ser suficiente para uma análise detalhada. O laboratório solicita uma nova coleta para repetir o exame e verificar a presença de perfis genéticos distintos.

    Análise do histórico médico

    Os especialistas também investigam se o paciente já realizou transplante de medula óssea, recebeu um transplante de órgãos ou passou por procedimentos médicos que possam interferir na interpretação do exame. As informações são importantes para diferenciar o quimerismo de outras situações que podem alterar o resultado de testes genéticos.

    Qual a diferença entre quimerismo e mosaicismo?

    Tanto o quimerismo quanto o mosaicismo fazem com que uma pessoa tenha populações de células geneticamente diferentes no organismo, mas a origem da diferença é completamente distinta, segundo Andreia.

    No quimerismo

    • As células têm origens diferentes, geralmente porque dois embriões se fundiram nas primeiras fases da gestação;
    • Cada população celular possui um conjunto completo de cromossomos e genes diferente, já que deriva de embriões distintos.

    No mosaicismo

    • Todas as células se originam de um único embrião;
    • Durante o desenvolvimento fetal, ocorre uma mutação em uma das primeiras células, que passa a dar origem a uma linhagem celular diferente das demais;
    • A alteração costuma ser pontual, envolvendo um gene específico ou uma alteração cromossômica, enquanto o restante do material genético permanece igual.

    Em alguns casos, diferenciar quimerismo e mosaicismo pode ser um desafio, sendo necessários exames genéticos mais aprofundados.

    Um dos exemplos mais conhecidos de mosaicismo é a Síndrome de Down em mosaico, em que apenas uma parte das células apresenta a trissomia do cromossomo 21, enquanto as demais possuem a quantidade habitual de cromossomos.

    Ela acontece porque a alteração cromossômica ocorre durante as primeiras divisões celulares do embrião, fazendo com que algumas linhagens celulares mantenham a trissomia e outras não. Assim, a proporção de células alteradas pode variar bastante de uma pessoa para outra, influenciando também a intensidade das manifestações clínicas.

    O quimerismo pode influenciar uma gestação?

    O quimerismo pode gerar dúvidas na interpretação de testes genéticos, especialmente em exames de parentesco. Fora isso, Andreia aponta que não costuma causar problemas de saúde para os filhos nem trazer riscos diretos para a gestação.

    Confira: Pedra nos rins: descubra como é feito o tratamento

    Perguntas frequentes

    1. O quimerismo é uma doença?

    Não, o quimerismo é apenas uma condição genética. Na maioria absoluta dos casos, o organismo funciona perfeitamente bem e a pessoa é totalmente saudável.

    2. Quais são os sintomas do quimerismo?

    Normalmente nenhum. A maioria das pessoas passa a vida toda sem saber que tem a condição. Raramente, podem surgir manchas de tons diferentes na pele ou olhos de cores diferentes (heterocromia).

    3. Quem faz transplante de medula vira quimera?

    Sim, esse é o chamado quimerismo artificial. Como a medula transplantada passa a produzir o sangue, o paciente terá o DNA do doador no sangue e o seu próprio DNA no restante dos órgãos.

    4. O que é microquimerismo fetal?

    É uma troca natural de células entre a mãe e o feto pela placenta durante a gravidez. Células do filho podem permanecer vivas e circulando no corpo da mãe por décadas.

    5. O quimerismo passa de pai para filho?

    Não, o quimerismo natural é um evento aleatório que acontece na formação do embrião, não sendo uma characteristic hereditária que se transmite para as próximas gerações.

    6. O quimerismo pode afectar a saúde mental ou o cérebro?

    Não, o quimerismo é uma condição puramente física e genética que afeta a distribuição das células. Ele não causa atrasos no desenvolvimento cognitivo, problemas neurológicos ou alterações de saúde mental.

    7. Quem tem quimerismo pode doar sangue normalmente?

    Sim, desde que cumpra os requisitos básicos de qualquer doador. No entanto, se a pessoa souber que tem quimerismo e apresentar dois tipos sanguíneos diferentes no corpo, ela deve informar o hemocentro para que a tipagem correta seja registrada.

    Confira: Gorduras boas: como incluir na dieta de quem treina?

  • Isolamento no home office: como manter o bem-estar sem o convívio presencial? 

    Isolamento no home office: como manter o bem-estar sem o convívio presencial? 

    Apesar de toda a praticidade e flexibilidade, o trabalho remoto (ou home office) reduziu um aspecto importante da vida profissional: o contato humano presencial. As conversas rápidas no corredor, o café compartilhado com colegas e até as interações informais durante o expediente ajudam a criar vínculos sociais que fazem diferença para o bem-estar emocional.

    No dia a dia, se a maior parte da comunicação acontece por mensagens, e-mails ou videoconferências, é comum você ter a sensação de isolamento. Só que, com o passar do tempo, a falta de convivência pode contribuir para sentimentos de desmotivação, ansiedade e até dificuldades para separar a vida pessoal da profissional.

    O impacto do home office na saúde mental e na socialização

    O ser humano é um ser naturalmente social, e a mudança para uma rotina com menos interações presenciais pode afetar diferentes aspectos do bem-estar emocional.

    De acordo com um estudo publicado na revista científica World Psychiatry, as interações sociais não servem apenas para tornar o dia mais agradável, mas também ajudam a reduzir o estresse, fortalecem a sensação de pertencimento e funcionam como uma importante rede de apoio emocional.

    No escritório, a socialização acontece de maneira espontânea: um cumprimento no início do dia, uma conversa rápida entre tarefas ou uma pausa para o café. Já no home office, as pequenas interações tendem a desaparecer e a rotina pode se resumir a reuniões virtuais, mensagens e atividades executadas diante de uma tela.

    Com o passar do tempo, a solidão deixa de ser apenas um desconforto momentâneo e pode se tornar um fator de risco para problemas como:

    • Síndrome de Burnout;
    • Ansiedade;
    • Depressão;
    • Estresse agudo;
    • Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

    Além dos impactos na saúde mental, a falta de conexão social também pode afetar a motivação, a produtividade e a sensação de pertencimento.

    Quando o contato com os colegas acontece apenas para tratar de demandas profissionais, muitas pessoas passam a sentir que fazem parte de uma equipe apenas no papel, sem criar vínculos mais próximos com quem compartilha a rotina de trabalho.

    Como não sentir o impacto da pouca socialização no home office?

    O principal benefício do home office é que você tem controle sobre a rotina. Se o isolamento e a falta de interações estão se tornando um problema, é possível desenhar novas formas de conexão que substituam a convivência do escritório tradicional, adaptando o modelo atual de trabalho para que ele seja mais saudável. Veja algumas dicas, a seguir:

    1. Crie uma rotina de “coworking virtual” com colegas

    Se você sente falta de trabalhar ao lado de alguém, que tal simular isso digitalmente? Você pode combinar com um ou dois colegas de equipe de abrirem uma sala de vídeo (no Meet, Zoom ou Discord) durante algumas horas do dia.

    Vocês não precisam ficar conversando o tempo todo, a ideia é manter a câmera ou apenas o áudio ligados enquanto cada um faz o trabalho do dia. Ouvir o som do teclado do outro, poder tirar uma dúvida rápida ou fazer um comentário aleatório ajuda a quebrar o silêncio absoluto e simula a energia de um escritório real.

    2. Separe momentos para conversas informais

    No ambiente presencial, as melhores ideias e conexões costumam surgir na fila do café ou na copa. No home office, se você só chama as pessoas para falar de demandas, prazos e problemas, acaba perdendo uma parte importante dos relacionamentos profissionais. Para mudar isso, você pode:

    • Iniciar as reuniões formais com 5 minutos de conversa leve e informal sobre o final de semana;
    • Mandar uma mensagem para aquele colega apenas para saber como ele está, sem falar de trabalho;
    • Criar canais descontraídos nas ferramentas de comunicação da empresa para estimular a interação espontânea da equipe.

    Uma dica também é reservar momentos para sair de casa e conviver com outras pessoas ao longo da semana. Afinal, quem trabalha remotamente não precisa ficar dentro de casa todos os dias.

    Sempre que possível, vale a pena marcar um almoço com amigos, fazer uma atividade física em grupo, frequentar um coworking ou até trabalhar algumas horas em uma cafeteria.

    3. Estabeleça rituais de transição entre o trabalho e a vida pessoal

    Um hábito comum entre quem trabalha em casa é terminar o expediente e permanecer no mesmo ambiente pelo resto do dia. Como não existe o deslocamento entre o trabalho e a vida pessoal, o cérebro pode ter mais dificuldade para entender que a jornada de trabalho terminou. A longo prazo, isso favorece a sensação de cansaço e sobrecarga.

    Por isso, vale a pena criar pequenas rotinas que marquem o fim do expediente: uma caminhada pelo bairro, uma ida à academia, alguns minutos ao ar livre ou até um banho seguido da troca de roupa. Você sinaliza ao cérebro que o momento de trabalho acabou e que é hora de direcionar a atenção para o descanso, o lazer e os relacionamentos pessoais.

    Dicas para movimentar a vida social fora do horário de trabalho

    Quando você trabalha em casa, a melhor maneira de combater o isolamento é investir na vida social fora das telas e do horário de expediente. É hora de usar a flexibilidade do home office a seu favor para resgatar conexões no mundo real, a partir de atividades como:

    • Praticar exercícios físicos em grupo;
    • Fazer aulas de dança, música ou idiomas;
    • Participar de clubes de leitura ou grupos de interesse;
    • Frequentar eventos culturais, feiras e exposições;
    • Trabalhar ocasionalmente em coworkings ou cafeterias;
    • Marcar almoços e cafés com amigos durante a semana;
    • Fazer trabalho voluntário;
    • Participar de grupos de corrida, caminhada ou ciclismo;
    • Retomar hobbies que envolvam interação com outras pessoas;
    • Participar de encontros prescenciais promovidos pela empresa.

    Uma única atividade presencial por semana já pode ajudar a quebrar a rotina de isolamento e trazer uma sensação maior de conexão e pertencimento, além de contribuir para construir uma rede de apoio mais diversa.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

    Perguntas frequentes

    1. Como o isolamento afeta a produtividade?

    A longo prazo, a solidão diminui o engajamento e a motivação, o que pode gerar procrastinação, falta de foco e queda no rendimento das entregas profissionais.

    2. Como manter a saúde mental trabalhando em casa?

    Estabeleça uma rotina com horários fixos para começar e terminar o expediente, faça pausas durante o dia, pratique atividades físicas e separe tempo para a vida social fora das telas.

    3. Como ter uma vida social trabalhando em home office?

    Não dependa apenas do trabalho para socializar. Invista em hobbies presenciais, frequente a academia, participe de cursos e faça questão de encontrar amigos e familiares durante a semana.

    4. Como o RH pode ajudar na socialização da equipe remota?

    O RH pode promover encontros presenciais periódicos, criar canais de descontração nas ferramentas de comunicação (como canais de memes ou pets) e oferecer suporte de saúde mental aos colaboradores.

    5. Vale a pena adotar o modelo híbrido para melhorar a socialização?

    Para muitas pessoas, sim. O modelo híbrido equilibra o foco e o conforto do home office nos dias em casa com a troca de energia e o networking do ambiente presencial nos dias de escritório.

    6. Quais sinais indicam que o isolamento do home office está passando dos limites?

    Fique atento se você sentir desmotivação constante, irritabilidade, episódios frequentes de ansiedade, alteração no sono ou perceber que passou dias sem ver a luz do sol ou falar com ninguém pessoalmente.

    7. Ter um animal de estimação ajuda a diminuir a solidão no home office?

    Sim, os pets oferecem companhia constante, reduzem os níveis de estresse e quebram o silêncio da casa. Além disso, passear com um cachorro, por exemplo, força você a sair e interagir com vizinhos.

    Leia também: Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho

  • Sua ferida não fecha? Entenda o que pode estar por trás da cicatrização lenta 

    Sua ferida não fecha? Entenda o que pode estar por trás da cicatrização lenta 

    Um pequeno corte que parece simples, mas permanece aberto por semanas, uma ferida na perna que não melhora apesar dos curativos ou uma lesão que fecha parcialmente e volta a abrir são situações que merecem atenção. Embora a maioria dos ferimentos evolua para a cicatrização sem grandes dificuldades, quando esse processo se prolonga além do esperado é importante investigar o que pode estar impedindo a recuperação da pele.

    A cicatrização depende de uma série de mecanismos do organismo funcionando de forma adequada, incluindo boa circulação sanguínea, resposta imunológica eficiente e oferta suficiente de nutrientes. Quando algum desses fatores está comprometido, a pele pode ter dificuldade para se regenerar, e a ferida passa a ser considerada crônica. Entenda mais a seguir.

    Quando uma ferida está demorando mais do que deveria?

    O tempo normal de cicatrização varia de acordo com diversos fatores, como:

    • Tamanho da lesão;
    • Profundidade do ferimento;
    • Região do corpo afetada;
    • Idade da pessoa;
    • Presença de doenças associadas.

    De forma geral, uma ferida merece investigação quando:

    • Não apresenta melhora progressiva;
    • Permanece aberta por semanas;
    • Aumenta de tamanho;
    • Apresenta infecções recorrentes;
    • Volta a abrir após ter cicatrizado parcialmente.

    Como ocorre a cicatrização normal?

    A recuperação da pele acontece em diferentes etapas, que ocorrem de forma coordenada.

    1. Controle do sangramento

    Logo após a lesão, o organismo interrompe o sangramento por meio da formação de um coágulo.

    2. Resposta inflamatória

    Células de defesa eliminam microrganismos e removem tecidos lesionados, preparando a região para a recuperação.

    3. Formação de novo tecido

    Novas células, vasos sanguíneos e fibras de colágeno começam a reconstruir a pele.

    4. Remodelação

    Nas semanas e meses seguintes, a cicatriz amadurece e ganha resistência.

    Alterações em qualquer uma dessas etapas podem retardar a cicatrização.

    Diabetes é uma das causas mais importantes

    O diabetes mellitus está entre as principais causas de cicatrização lenta.

    Quando a glicemia permanece elevada por longos períodos, podem ocorrer:

    • Redução da circulação nos pequenos vasos;
    • Alteração da resposta imunológica;
    • Maior risco de infecções;
    • Diminuição da capacidade de reparo dos tecidos.

    Em algumas pessoas, uma ferida que demora para fechar pode ser um dos primeiros sinais de diabetes ainda não diagnosticado.

    Problemas de circulação podem impedir a cicatrização

    Para se regenerar, a pele precisa receber oxigênio e nutrientes em quantidade suficiente.

    Quando existe comprometimento da circulação sanguínea, esse processo fica prejudicado.

    As principais causas são:

    • Doença arterial periférica;
    • Insuficiência venosa crônica;
    • Outras doenças vasculares.

    Nessas situações, tratar apenas a ferida costuma não ser suficiente: é preciso corrigir também o problema circulatório.

    Feridas nas pernas merecem atenção especial

    Lesões localizadas nas pernas e nos pés frequentemente estão relacionadas a alterações da circulação.

    Insuficiência venosa

    Ocorre quando o sangue tem dificuldade para retornar das pernas ao coração.

    Além da ferida, podem surgir:

    • Inchaço;
    • Sensação de peso nas pernas;
    • Varizes;
    • Escurecimento da pele.

    Doença arterial

    Quando o fluxo de sangue para os tecidos está reduzido, a pele recebe menos oxigênio e nutrientes.

    Outros sinais podem incluir:

    • Dor ao caminhar;
    • Pés frios;
    • Pele mais pálida;
    • Diminuição dos pulsos nos pés.

    Infecções podem impedir o fechamento da ferida

    Uma infecção local pode dificultar ou até impedir a cicatrização. Os principais sinais são:

    • Vermelhidão crescente;
    • Dor intensa;
    • Saída de secreção;
    • Mau cheiro;
    • Febre.

    Nesses casos, a avaliação médica é importante para definir o tratamento adequado.

    Deficiências nutricionais também influenciam

    Produzir novo tecido exige matéria-prima. Por isso, deficiências nutricionais podem retardar significativamente a cicatrização, principalmente quando há falta de:

    • Proteínas;
    • Ferro;
    • Zinco;
    • Vitamina C.

    Em idosos, pessoas com doenças intestinais ou desnutrição, esse fator merece atenção especial.

    Algumas doenças imunológicas podem estar envolvidas

    Doenças autoimunes e inflamatórias também podem dificultar a recuperação da pele. Além disso, algumas delas provocam lesões cutâneas que se confundem com feridas comuns.

    Por esse motivo, quando uma lesão persiste sem uma causa evidente, a investigação pode incluir doenças do sistema imunológico.

    Medicamentos podem interferir na cicatrização

    Alguns medicamentos reduzem a capacidade de reparo dos tecidos.

    Entre eles estão:

    • Corticoides em uso prolongado;
    • Alguns imunossupressores;
    • Certos tratamentos oncológicos.

    O médico sempre avalia se algum medicamento pode estar contribuindo para o problema.

    Feridas que não cicatrizam podem ser câncer?

    Sim. Embora essa seja uma causa menos frequente, alguns tipos de câncer de pele podem se manifestar como uma ferida persistente.

    Alguns sinais que merecem atenção incluem:

    • Lesão que não cicatriza após várias semanas;
    • Ferida que sangra facilmente;
    • Crescimento progressivo da lesão;
    • Formação de crostas recorrentes.

    Nem toda ferida persistente é câncer, mas esse diagnóstico deve ser considerado durante a investigação.

    O que os médicos costumam investigar?

    A avaliação depende das características da lesão e do histórico de saúde da pessoa. Os principais pontos investigados são os abaixo.

    1. Controle da glicemia

    Para identificar ou descartar diabetes.

    2. Avaliação da circulação

    Especialmente em feridas localizadas nas pernas e nos pés.

    3. Presença de infecção

    Importante para definir a necessidade de antibióticos e outros tratamentos.

    4. Estado nutricional

    Para identificar possíveis deficiências que dificultem a cicatrização.

    5. Biópsia

    Pode ser indicada quando existe suspeita de doenças da pele ou câncer.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa da cicatrização lenta.

    Pode incluir:

    • Controle do diabetes;
    • Tratamento de infecções;
    • Curativos específicos;
    • Correção de problemas circulatórios;
    • Suplementação nutricional quando necessária;
    • Tratamento da doença de base.

    Em muitos casos, cuidar apenas da ferida não resolve o problema se a causa principal não for tratada.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se a ferida:

    • Não melhora após algumas semanas;
    • Aumenta de tamanho;
    • Apresenta secreção;
    • Sangra facilmente;
    • Está associada a dor importante;
    • Surge em pessoas com diabetes ou problemas circulatórios.

    Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores são as chances de uma cicatrização adequada e de evitar complicações.

    Confira: Varizes: o que é, causas, tratamento e como evitar

    Perguntas frequentes sobre feridas que demoram para cicatrizar

    1. Qual a principal causa de cicatrização lenta?

    O diabetes é uma das causas mais frequentes, mas problemas circulatórios, infecções e deficiências nutricionais também podem estar envolvidos.

    2. Problemas de circulação podem dificultar a cicatrização?

    Sim. A pele precisa receber oxigênio e nutrientes adequadamente para conseguir se regenerar.

    3. Infecções atrasam o fechamento da ferida?

    Sim. Uma infecção local pode impedir que a lesão cicatrize normalmente.

    4. Falta de vitaminas pode interferir?

    Sim. Deficiências de proteínas, vitamina C, ferro e zinco podem retardar a recuperação dos tecidos.

    5. Toda ferida que demora a cicatrizar é câncer?

    Não. A maioria não é causada por câncer, mas algumas lesões malignas podem se apresentar dessa forma e precisam ser investigadas.

    6. Quando uma ferida merece investigação?

    Quando permanece aberta por semanas, não melhora progressivamente ou apresenta sinais de infecção.

    7. Quem tem diabetes deve ter mais cuidado?

    Sim. Pessoas com diabetes têm maior risco de desenvolver feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés e nas pernas.

    Veja também: É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

  • Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    Hipotireoidismo e ganho de peso: quantos quilos é possível engordar?

    O hipotireoidismo é uma disfunção em que a glândula tireoide não produz uma quantidade suficiente dos hormônios T3 e T4, responsáveis por regular o metabolismo e o funcionamento de praticamente todos os órgãos do corpo.

    Com a redução dos hormônios, o organismo funciona de maneira mais lenta, então o ganho de peso costuma ser um dos primeiros sinais notados pelos pacientes. Mas, ao contrário do que a maioria imagina, o hipotireoidismo costuma provocar um aumento de peso discreto, e não um ganho de dezenas de quilos.

    Na maioria dos casos, o peso extra varia entre 3 e 5 kg, sendo que os ganhos maiores normalmente estão associados a fatores como alimentação inadequada, sedentarismo ou outras condições de saúde.

    Quando o paciente inicia o tratamento médico adequado com a reposição do hormônio sintético, o corpo consegue eliminar os fluidos retidos e o peso da pessoa retorna ao padrão normal.

    Como o hipotireoidismo causa o ganho de peso?

    O ganho de peso no hipotireoidismo acontece porque os hormônios produzidos pela tireoide determinam a velocidade com que as células do corpo gastam energia. Quando os níveis de T3 e T4 estão baixos, o metabolismo basal, que representa a quantidade de energia necessária para manter as funções vitais em repouso, desacelera.

    Além da queima de calorias ficar mais lenta, a falta de estímulo hormonal também reduz a lipólise, processo responsável pela quebra das moléculas de gordura para a produção de energia.

    O organismo tende a gastar menos calorias ao longo do dia, o que pode favorecer um ganho gradual de peso quando associado a outros fatores, como alimentação inadequada e menor nível de atividade física.

    Por fim, o aumento de peso também pode ser causado pelo acúmulo de substâncias chamadas glicosaminoglicanos nos tecidos. As moléculas atraem água, provocando um inchaço difuso na pele e nos músculos, conhecido como mixedema. Logo, parte do aumento de peso observado no hipotireoidismo está relacionada à retenção de líquidos, e não ao acúmulo de gordura.

    Quantos quilos é possível engordar devido ao hipotireoidismo?

    De acordo com o médico endocrinologista André Colapietro, o ganho de peso causado diretamente pelo hipotireoidismo não acontece de forma ilimitada. Na maioria dos casos, o aumento costuma flutuar apenas entre três e cinco quilos, resultado da combinação entre a retenção de líquidos e a redução do metabolismo.

    O especialista ainda destaca que a disfunção não tem a capacidade de gerar um acúmulo tão massivo de tecido adiposo, e ganhos de peso de 10 ou 15 quilos não costumam ser justificados pelo hipotireoidismo.

    Caso a pessoa perceba um aumento de peso muito acentuado, os médicos precisam investigar outros fatores associados, como a presença de hábitos alimentares inadequados, a falta de atividade física diária ou a presença de outras doenças metabólicas.

    O peso acumulado é perdido após iniciar o tratamento?

    Na maioria dos casos, sim, mas nem todo o peso desaparece automaticamente. Quando o tratamento com levotiroxina normaliza os níveis dos hormônios da tireoide, o metabolismo volta a funcionar adequadamente e o organismo elimina boa parte da retenção de líquidos causada pelo hipotireoidismo.

    Segundo André, o médico ajusta a dosagem durante o acompanhamento do paciente para identificar qual é a quantidade de medicamento que ele realmente precisa em cada fase da vida.

    No entanto, se parte do ganho aconteceu por acúmulo de gordura corporal, apenas controlar o hipotireoidismo não será suficiente para emagrecer. Também é necessário manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e adotar hábitos saudáveis.

    O que fazer para emagrecer com hipotireoidismo?

    Para pessoas com diagnóstico de hipotireoidismo, o primeiro passo para perder peso é seguir corretamente o tratamento prescrito pelo endocrinologista.

    Quando os exames emitem que os níveis hormonais estão controlados e a dose da medicação está ajustada, o emagrecimento passa a depender principalmente da adoção de hábitos saudáveis, assim como acontece com pessoas que não têm a doença. Veja algumas dicas importantes:

    1. Tome o medicamento da forma correta

    O tratamento do hipotireoidismo só funciona quando a levotiroxina é usada corretamente. Siga todas as orientações do médico e tome o medicamento diariamente, em jejum, com água, aguardando o tempo recomendado antes de comer ou ingerir outros remédios.

    Além disso, não interrompa o tratamento por conta própria, mesmo que os sintomas melhorem, e mantenha os exames e as consultas de acompanhamento em dia para que a dose seja ajustada sempre que necessário.

    2. Pratique atividade física com frequência

    A prática regular de exercícios ajuda o organismo a gastar mais calorias, preservar a massa muscular e facilitar a perda de gordura. Caminhadas, corridas, musculação e outras atividades também melhoram o condicionamento físico, aumentam a disposição e contribuem para a saúde de forma geral.

    3. Tenha uma alimentação equilibrada

    O ideal é dar preferência a frutas, verduras, legumes, proteínas magras, grãos integrais e alimentos ricos em fibras. Também vale diminuir o consumo de refrigerantes, doces, frituras e produtos ultraprocessados, visto que os alimentos industriais costumam ser ricos em calorias, açúcares, gorduras e sódio, favorecendo o ganho de peso.

    4. Tenha paciência e mantenha a constância

    Mesmo com os hormônios da tireoide normalizados, vale lembrar que a perda de peso não acontece de um dia para o outro. O emagrecimento saudável costuma ser um processo gradual e depende da combinação constante entre a alimentação saudável, a realização de atividade física e a continuidade do tratamento médico.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo o medicamento leva para regular o peso?

    O processo de eliminação do inchaço causado pela retenção de fluidos costuma começar algumas semanas após o início do tratamento, dependendo da normalização do exame de TSH.

    2. Por que sinto tanto cansaço com o hipotireoidismo?

    A diminuição na produção de energia pelas células faz com que o corpo funcione em um ritmo muito mais lento, gerando sintomas como fadiga crônica, fraqueza muscular e sonolência excessiva.

    3. O hipotireoidismo tem cura?

    Na grande maioria dos casos clínicos, o hipotireoidismo decorrente de causas autoimunes é uma condição crônica que não tem cura, precisando do uso contínuo da medicação por toda a vida.

    4. O estresse pode afetar a tireoide?

    O estresse crônico altera a produção de cortisol e pode desregular o sistema imunológico, piorando a resposta inflamatória nos pacientes que possuem a doença autoimune de Hashimoto.

    5. Qual é o melhor exercício para quem tem hipotireoidismo?

    A combinação de exercícios de força, como a musculação, com atividades aeróbicas regulares é a melhor escolha, ajudando a elevar o gasto calórico e a construir massa muscular para acelerar o metabolismo.

    6. Como diferenciar o ganho de peso da tireoide do ganho de peso comum?

    O aumento provocado pela tireoide costuma vir acompanhado de outros sintomas característicos, incluindo pele muito seca, unhas quebradiças, queda de cabelo excessiva, intestino preso e intolerância ao frio.

    7. O que é o exame de TSH?

    O TSH é um hormônio produzido pela hipófise (no cérebro) que serve para mandar a tireoide trabalhar. Quando a tireoide funciona de menos, o TSH sobe para tentar estimulá-la; quando ela funciona demais, o TSH cai.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

  • Desenvolvimento infantil: como a percepção dos pais ajuda no diagnóstico precoce? 

    Desenvolvimento infantil: como a percepção dos pais ajuda no diagnóstico precoce? 

    É verdade que o desenvolvimento infantil não acontece de forma exatamente igual para todos, mas no dia a dia, a percepção da família também merece atenção. Quem convive diariamente com a criança costuma notar pequenas mudanças de comportamento, comunicação, interação social e aprendizado que podem passar despercebidas em consultas ou avaliações pontuais.

    Quando os responsáveis sentem que algo não está acontecendo como esperado, é importante levar a preocupação a sério, mesmo que ainda não exista um diagnóstico ou um exame que confirme alguma alteração.

    A grande maioria dos transtornos de desenvolvimento, como o TDAH ou atrasos na fala, tem o diagnóstico feito de forma clínica, baseada na observação do comportamento. E ninguém observa uma criança melhor do que quem cuida dela todos os dias.

    “Pais e mães têm uma percepção do filho que vai além de qualquer check-list. Não ignore esse sentimento, busque avaliação”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O papel do instinto materno e paterno no desenvolvimento infantil

    O desenvolvimento infantil é acompanhado de perto por mães e pais que convivem diariamente com a criança. A rotina, as brincadeiras, as conversas e os momentos compartilhados fazem com que a família conheça detalhes do comportamento e das necessidades do filho que muitas vezes passam despercebidos por outras pessoas.

    Com o passar do tempo, a familiaridade permite identificar também mudanças mais sutis, como dificuldades na fala, alterações no comportamento, problemas de interação social ou desafios na aprendizagem.

    Isso não significa que toda preocupação dos pais indique a presença de um transtorno ou atraso no desenvolvimento. As crianças possuem ritmos diferentes de crescimento e aprendizagem, e muitas variações fazem parte do desenvolvimento normal. Ainda assim, quando uma preocupação persiste por semanas ou meses, ela merece ser levada em consideração.

    Além de ajudar na identificação precoce de possíveis dificuldades, o olhar atento da família também contribui para que a criança tenha um desenvolvimento saudável. Quando ela recebe estímulos adequados, interação frequente, acolhimento emocional e apoio diante dos desafios, ela tende a desenvolver melhor as habilidades cognitivas, sociais e emocionais.

    Sinais de alerta no desenvolvimento do bebê e da criança

    Cada criança tem o próprio ritmo de desenvolvimento, mas existem marcos esperados para cada idade. Quando habilidades motoras, de linguagem ou de interação social demoram muito para surgir, é importante buscar orientação profissional. Veja alguns sinais de alerta:

    Sinais de alerta nos bebês (até 1 ano)

    Nessa fase, a atenção costuma estar voltada para o contato visual, a resposta aos estímulos sonoros, a interação social e o desenvolvimento motor.

    Aos 2 meses

    • O bebê não acompanha objetos em movimento com os olhos;
    • O bebê não reage a sons altos ou vozes próximas.

    Aos 4 a 6 meses

    • O bebê não sorri em resposta ao sorriso de outras pessoas (sorriso social);
    • O bebê não tenta alcançar brinquedos ou objetos próximos;
    • O bebê apresenta dificuldade para sustentar a cabeça.

    Aos 9 meses

    • O bebê não responde quando é chamado pelo nome;
    • O bebê não balbucia sons como “ba-ba” ou “da-da”;
    • O bebê apresenta pouco ou nenhum contato visual.

    Aos 12 meses

    • O bebê não aponta para pedir ou mostrar algo;
    • O bebê não realiza gestos simples, como dar tchau ou mandar beijo;
    • O bebê não engatinha ou não consegue permanecer em pé com apoio.

    Sinais de alerta em crianças pequenas (1 a 3 anos)

    Nesta faixa etária, a linguagem, a interação social e a autonomia motora costumam se desenvolver de forma mais intensa.

    Aos 18 meses (1 ano e meio)

    • A criança não fala palavras com significado, como “mamãe” ou “água”;
    • A criança não anda sozinha;
    • A criança anda frequentemente na ponta dos pés.

    Aos 2 anos

    • A criança não imita ações ou palavras de adultos;
    • A criança não consegue seguir instruções simples, como “pegue a bola”;
    • A criança perdeu habilidades que já havia adquirido, como falar palavras ou manter contato visual.

    Aos 3 anos

    • A fala é muito difícil de compreender para pessoas fora do convívio familiar;
    • A criança demonstra pouco interesse em brincar com outras crianças;
    • A criança apresenta brincadeiras repetitivas, como alinhar ou girar objetos continuamente, sem utilizá-los de forma funcional durante a brincadeira.

    Atenção à perda de habilidades

    A perda de habilidades já adquiridas é um dos sinais que mais precisam de atenção em qualquer idade. Quando a criança deixa de falar palavras que já conhecia, perde habilidades motoras, reduz o contato visual ou deixa de realizar comportamentos que antes eram comuns, a avaliação médica deve acontecer o mais rápido possível.

    Por que não esperar para procurar uma avaliação médica?

    O medo de um diagnóstico pode fazer com que algumas famílias escolham esperar para ver se a criança consegue se desenvolver no próprio tempo, só que nos primeiros anos de vida, o cérebro apresenta uma grande capacidade de adaptação e aprendizagem, o que é conhecido como neuroplasticidade.

    A criança consegue formar novas conexões cerebrais com facilidade, o que favorece o desenvolvimento de diversas habilidades.

    Quando os pais procuram ajuda logo nos primeiros sinais de preocupação, ela pode receber o apoio necessário em uma fase em que o cérebro aprende e se desenvolve com mais facilidade. Isso aumenta as chances de avanços importantes e pode reduzir dificuldades no futuro, favorecendo a autonomia e a qualidade de vida da criança.

    “Na pior das hipóteses, você vai ter a tranquilidade de saber que está tudo bem. Ou você pode descobrir que realmente tinha razão, mas que a gente conseguiu detectar algo precocemente, e é exatamente quando faz a maior diferença”, finaliza Bárbara.

    Leia mais: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. Existe exame de sangue para detectar autismo ou atraso no desenvolvimento?

    Não, o diagnóstico de transtornos do desenvolvimento como o autismo (TEA) ou TDAH é totalmente clínico, baseado na observação do comportamento da criança por especialistas.

    2. Meu filho não olha nos olhos quando é chamado. Isso é normal?

    Não é o esperado. A falta de contato visual sustentado e a ausência de resposta ao chamado pelo nome são dois dos principais sinais de alerta no desenvolvimento social.

    3. Andar na ponta dos pés sempre é sinal de autismo?

    Não necessariamente, mas é um sinal de alerta que merece investigação se for um comportamento frequente, pois pode estar ligado a questões sensoriais ou motoras.

    4. Com quantos meses o bebê precisa começar a engatinhar?

    A maioria dos bebês engatinha entre os 7 e 10 meses. Contudo, o mais importante é que ele se desloque (mesmo arrastando) e consiga ficar em pé com apoio aos 12 meses.

    5. Qual médico especialista cuida do desenvolvimento infantil?

    O neuropediatra (ou neurologista infantil) e o psiquiatra infantil são os médicos especialistas mais indicados para diagnosticar e coordenar o tratamento de atrasos do desenvolvimento.

    6. Como registrar as minhas suspeitas para mostrar ao médico?

    Anote em um papel as atitudes que chamam sua atenção e grave vídeos curtos da criança em casa em momentos espontâneos de brincadeira, choro ou interação.

    7. O que são as “estereotipias” em crianças?

    São movimentos ou sons repetitivos feitos sem uma função aparente, como balançar as mãos, dar pulinhos frequentes ou andar em círculos, normalmente usados para autorregulação emocional.

    8. O uso de telas pode causar atraso no desenvolvimento?

    O uso excessivo de telas não causa autismo, mas prejudica a interação social e a estimulação real, gerando atrasos na fala, problemas de atenção e dificuldades de sono na primeira infância.

    9. Como o teste do pezinho ajuda no desenvolvimento infantil?

    Ele identifica precocemente doenças metabólicas e genéticas graves que, se não tratadas logo nos primeiros dias de vida, podem causar deficiência intelectual e severos atrasos de desenvolvimento.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

  • Tremor na pálpebra ou na coxa: entenda os motivos 

    Tremor na pálpebra ou na coxa: entenda os motivos 

    É uma situação bastante comum: de repente, a pálpebra começa a tremer sozinha, a panturrilha parece “pular” ou um pequeno músculo da coxa passa a contrair repetidamente, sem qualquer movimento voluntário. Embora esses episódios geralmente não provoquem dor, eles costumam gerar preocupação, especialmente após pesquisas na internet que relacionam o sintoma a doenças neurológicas graves.

    Esses movimentos são chamados de fasciculações musculares. Na grande maioria dos casos, especialmente quando acontecem em pessoas saudáveis e sem outros sintomas neurológicos, eles são benignos, transitórios e desaparecem espontaneamente.

    Venha entender por que essas contrações acontecem e reconheça os sinais que realmente merecem investigação. Tudo isso ajuda a evitar ansiedade desnecessária e a identificar situações que precisam de avaliação médica.

    O que é uma fasciculação?

    A fasciculação é uma pequena contração involuntária de um grupo de fibras musculares.

    Ela pode ser percebida como:

    • Tremor localizado;
    • Sensação de músculo pulando;
    • Pequenos movimentos visíveis sob a pele;
    • Contrações rápidas e repetitivas.

    Em geral, elas não causam dor e não são fortes o suficiente para movimentar uma articulação inteira.

    Por que a pálpebra costuma tremer?

    A pálpebra é uma das regiões mais frequentemente afetadas.

    Isso acontece porque seus músculos são pequenos, delicados e muito sensíveis aos estímulos do sistema nervoso.

    Entre os fatores mais associados ao tremor da pálpebra estão:

    • Estresse;
    • Ansiedade;
    • Privação de sono;
    • Excesso de cafeína;
    • Fadiga ocular;
    • Longos períodos em frente às telas.

    Na maioria dos casos, o sintoma desaparece espontaneamente em alguns dias ou semanas.

    Por que a coxa, a panturrilha ou o braço podem ficar tremendo?

    Os músculos maiores também podem apresentar fasciculações.

    Isso pode ocorrer após:

    • Exercícios físicos intensos;
    • Períodos de estresse;
    • Falta de descanso adequado;
    • Longas jornadas de trabalho;
    • Recuperação muscular após esforço.

    É comum que essas contrações sejam percebidas principalmente durante o repouso, quando a pessoa presta mais atenção ao próprio corpo.

    O que é a síndrome da fasciculação benigna?

    A síndrome da fasciculação benigna é uma condição caracterizada pela presença frequente de fasciculações sem que exista uma doença neurológica progressiva associada.

    Os pacientes podem apresentar:

    • Tremores musculares recorrentes;
    • Sintomas que mudam de localização;
    • Episódios que duram semanas ou meses;
    • Exame neurológico normal.

    Apesar do desconforto e da ansiedade que o quadro pode provocar, trata-se de uma condição considerada benigna.

    Estresse e ansiedade podem causar fasciculações?

    Sim. O estresse é uma das causas mais comuns.

    Durante períodos de tensão emocional, o sistema nervoso torna-se mais excitável, favorecendo:

    • Fasciculações;
    • Tremores finos;
    • Sensação de inquietação muscular.

    Curiosamente, quanto mais a pessoa observa ou se preocupa com o sintoma, maior tende a ser a percepção das contrações.

    Falta de sono aumenta o risco?

    Sim. A privação de sono pode aumentar a excitabilidade dos nervos e músculos.

    Por isso, é comum que as fasciculações apareçam ou piorem após:

    • Noites mal dormidas;
    • Plantões prolongados;
    • Mudanças na rotina;
    • Períodos de exaustão física.

    Dormir adequadamente costuma reduzir a frequência dos episódios.

    Cafeína e energéticos podem influenciar?

    Sim. O consumo excessivo de substâncias estimulantes pode favorecer o aparecimento de fasciculações.

    Isso inclui:

    • Café;
    • Energéticos;
    • Alguns pré-treinos;
    • Certos suplementos estimulantes.

    Nem todas as pessoas apresentam a mesma sensibilidade à cafeína.

    Falta de vitaminas pode causar fasciculações?

    Em alguns casos, sim.

    Alterações como:

    • Deficiência de vitamina B12;
    • Distúrbios de magnésio;
    • Alterações do cálcio;
    • Alterações do potássio;

    podem contribuir para sintomas musculares e neurológicos.

    Entretanto, essas alterações não explicam a maioria dos casos de fasciculação benigna.

    Exercícios físicos podem desencadear o problema?

    Sim. Após treinos muito intensos, algumas fibras musculares permanecem temporariamente mais propensas a se contrair involuntariamente.

    Isso pode provocar:

    • Tremores localizados;
    • Sensação de músculo “pulando”;
    • Fasciculações transitórias.

    Normalmente, o quadro melhora com descanso e recuperação muscular.

    Quando a fasciculação merece investigação?

    Embora a maioria dos casos seja benigna, alguns sinais justificam avaliação médica.

    Procure atendimento se houver:

    • Fraqueza muscular progressiva;
    • Perda de massa muscular (atrofia);
    • Dificuldade para caminhar;
    • Alterações da fala;
    • Dificuldade para engolir;
    • Fasciculações acompanhadas de outros sintomas neurológicos.

    É a associação com esses sinais, e não a fasciculação isolada, que costuma aumentar a preocupação dos médicos.

    Fasciculação isolada é sinal de doença neurológica grave?

    Na grande maioria das vezes, não. Quando a fasciculação ocorre isoladamente, sem perda de força, sem atrofia muscular e com exame neurológico normal, a causa costuma ser benigna.

    Doenças neurológicas que causam fasciculações geralmente provocam também outros sinais importantes, como fraqueza progressiva e alterações no exame físico.

    Como os médicos fazem a avaliação?

    A investigação pode incluir:

    1. Histórico clínico

    Avaliação dos sintomas, do tempo de evolução e dos possíveis fatores desencadeantes.

    2. Exame neurológico

    Importante para avaliar força muscular, reflexos, coordenação e sensibilidade.

    3. Exames laboratoriais

    Podem investigar alterações metabólicas, hormonais ou nutricionais.

    4. Eletroneuromiografia

    Pode ser indicada quando existe dúvida diagnóstica ou suspeita de outra doença neurológica.

    Existe tratamento?

    Nos casos benignos, o tratamento costuma focar na correção dos fatores desencadeantes.

    As medidas mais utilizadas incluem:

    • Melhorar a qualidade do sono;
    • Reduzir o estresse;
    • Evitar excesso de cafeína;
    • Corrigir deficiências nutricionais quando presentes;
    • Ajustar a intensidade dos exercícios.

    Em muitos pacientes, compreender que a condição é benigna já ajuda a reduzir a ansiedade e, consequentemente, a percepção das fasciculações.

    Confira: 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade

    Perguntas frequentes sobre fasciculação benigna

    1. O que é fasciculação?

    É uma pequena contração involuntária de um grupo de fibras musculares.

    2. Tremor na pálpebra costuma ser grave?

    Não. Na maioria das vezes está relacionado a estresse, fadiga, privação de sono ou excesso de cafeína.

    3. Ansiedade pode causar fasciculações?

    Sim. O estresse e a ansiedade estão entre as causas mais comuns.

    4. Café pode piorar os sintomas?

    Sim, especialmente em pessoas mais sensíveis à cafeína.

    5. Exercício físico pode desencadear fasciculações?

    Sim. Principalmente após treinos intensos ou acima do condicionamento habitual.

    6. Quando devo me preocupar?

    Quando houver fraqueza muscular, perda de massa muscular, dificuldade para caminhar ou outros sintomas neurológicos associados.

    7. Fasciculação isolada costuma indicar doença neurológica grave?

    Não. Na ausência de outros sinais neurológicos, a causa geralmente é benigna.

    Veja também: Tremor nas mãos: causas e quando pode indicar um problema de saúde

  • Como parar de pensar em trabalho durante o tempo livre? 

    Como parar de pensar em trabalho durante o tempo livre? 

    O hábito de chegar em casa (ou fechar o notebook no home office) e continuar pensando nas responsabilidades do trabalho, respondendo mensagens fora do horário, impede que a mente e o corpo descansem completamente.

    Mesmo nos momentos que deveriam ser de lazer, o estado de alerta constante, conhecido como hipervigilância, faz com que o organismo continue liberando hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina.

    A longo prazo, você pode começar a notar os sinais da falta de descanso, como insônia, dores de cabeça frequentes, irritabilidade constante e dificuldade de concentração. Inclusive, a incapacidade de se desligar das obrigações do trabalho é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da síndrome de Burnout, além de aumentar o risco de problemas como ansiedade e depressão.

    Afinal, por que é tão difícil desligar o cérebro?

    No dia a dia agitado, o sistema nervoso se acostuma aos picos de dopamina e cortisol provocados pelas responsabilidades da rotina, principalmente pelas demandas profissionais. Depois de semanas, meses ou até anos funcionando nesse ritmo, o estado de alerta passa a ser encarado pelo cérebro como algo normal.

    Quando você tenta relaxar, o cérebro entende a pausa como um erro e continua rodando em segundo plano, o que é comum em casos de tarefas inacabadas. Ela tenta antecipar os problemas do dia seguinte ou repassa em loop as conversas e decisões do dia que passou, aumentando a sensação de que o trabalho nunca termina.

    Para piorar, o hábito de checar o celular a cada poucos minutos vicia o cérebro em estímulos. Os e-mails que chegam ou mensagens visualizadas acionam pequenas descargas de dopamina, de modo que você tem uma dificuldade maior para desacelerar e focar totalmente em outras atividades que não sejam sobre trabalho.

    Sinais de que o trabalho está invadindo seu tempo livre

    Quando a rotina profissional começa a ocupar espaço demais na vida pessoal, os sinais nem sempre aparecem de forma óbvia, o que torna necessário ficar atento a situações como:

    • Pensar no trabalho durante todo o tempo livre, mesmo em momentos de lazer ou descanso;
    • Sentir culpa ao tirar folgas, descansar ou não responder mensagens imediatamente;
    • Verificar e-mails, aplicativos corporativos e mensagens de trabalho várias vezes fora do expediente;
    • Ter dificuldade para relaxar ou aproveitar momentos com amigos, familiares e parceiros;
    • Levar preocupações profissionais para a cama e demorar para pegar no sono;
    • Acordar já pensando em tarefas, reuniões e problemas do trabalho;
    • Apresentar irritabilidade, ansiedade ou sensação constante de urgência;
    • Sentir que está sempre trabalhando, mesmo quando não está oficialmente em horário de expediente;
    • Perceber queda de energia, cansaço mental frequente e dificuldade de concentração;
    • Abandonar hobbies, atividades físicas e momentos de autocuidado por causa das demandas profissionais;
    • Sentir que a vida gira exclusivamente em torno das obrigações do trabalho;
    • Ter a impressão de que nunca consegue descansar o suficiente, mesmo após finais de semana e feriados.

    Como desligar a cabeça durante os momentos de descanso?

    1. Estabeleça um ritual de encerramento do expediente

    Quando você simplesmente fecha o notebook e continua sentado na mesma cadeira, a mente não entende que o trabalho acabou.

    Uma dica é criar um ritual de encerramento do expediente para enviar um sinal ao sistema nervoso de que o período de alerta chegou ao fim: feche todas as abas do computador, organize a mesa, tome um banho morno para tirar a tensão do corpo ou troque a roupa de trabalho por uma peça mais confortável.

    2. Desative as notificações de aplicativos de trabalho

    É impossível relaxar se o celular continua vibrando a cada dez minutos com e-mails, mensagens de WhatsApp corporativo ou alertas do Slack e Teams. O som de uma notificação é o suficiente para disparar uma descarga de cortisol e trazer a mente de volta para os problemas profissionais.

    Depois do expediente, silencie todos os aplicativos de trabalho e, se possível, tenha um celular voltado exclusivamente para a vida profissional e desligue-o ao fim do dia.

    3. Crie uma lista de tarefas para o dia seguinte

    Normalmente, a mente continua ligada porque tem medo de esquecer alguma pendência importante.

    Para evitar que o cérebro fique repassando compromissos em loop durante a noite, reserve os últimos 15 minutos do expediente para listar todas as tarefas do dia seguinte. Você pode colocar no papel ou em um aplicativo, desde que todas as informações fiquem registradas em um local de fácil acesso.

    Além de reduzir a ansiedade, o hábito traz uma sensação maior de organização e controle, facilitando a desconexão após o trabalho e permitindo que você aproveite o período de descanso.

    4. Pratique uma atividade física no fim do dia

    A prática de atividades físicas, como caminhada, musculação, dança, corrida ou pilates, ajuda a reduzir os níveis de estresse acumulados ao longo da rotina e a aliviar a tensão física provocada pelas demandas do dia a dia.

    Além disso, a atividade física estimula a liberação de endorfina e serotonina, neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar, o que facilita o relaxamento após o expediente.

    5. Dedique tempo a um hobby

    Se você não tem nada para fazer no tempo livre, vale adotar um hobby prazeroso para ocupar a cabeça, como cozinhar uma receita nova, ler um livro, tocar um instrumento, pintar ou cuidar de plantas.

    Elas ajudam a direcionar a atenção para algo diferente das obrigações profissionais e criam oportunidades para o cérebro descansar das preocupações do trabalho.

    Com o tempo, o hobby passa a funcionar como um momento de prazer e desconexão, reduzindo a sensação de que a vida gira apenas em torno das responsabilidades e dos prazos.

    6. Evite telas e o “efeito tela azul” antes de dormir

    A luz azul emitida por smartphones, tablets e computadores bloqueia a produção de melatonina, o hormônio responsável por preparar o corpo para o sono. O ideal é desligar os eletrônicos pelo menos uma hora antes de ir para a cama e substituí-los por atividades mais calmas, como uma leitura leve ou ouvir uma música relaxante.

    7. Use técnicas de relaxamento e mindfulness

    Quando os pensamentos sobre o trabalho insistirem em voltar durante o seu momento de descanso, as técnicas de atenção plena (mindfulness) podem ajudar a trazer a atenção de volta para o corpo e para o presente, aumentando os batimentos cardíacos e acalmando o fluxo de pensamentos acelerados.

    Para incluí-las na rotina, é bastante simples: reserve alguns minutos do dia para prestar atenção à própria respiração, observando o ar entrando e saindo dos pulmões sem tentar controlar o ritmo. Outra opção é fazer uma pausa para perceber conscientemente as sensações do corpo, os sons ao redor ou até os movimentos durante uma caminhada.

    Quando procurar ajuda profissional?

    Em muitos casos, a dificuldade de se desligar do trabalho pode ser um sintoma de exaustão profunda ou de algum transtorno que requer tratamento adequado. Por isso, se você notar os seguintes sinais, considere procurar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra:

    • Insônia frequente, dores de estômago, dores de cabeça constantes ou tensão muscular intensa que não melhoram com o descanso;
    • Coração acelerado, falta de ar ou aperto no peito ao pensar no trabalho, no início da semana ou ao receber notificações profissionais;
    • Cansaço físico e mental persistente, mesmo após finais de semana, folgas ou férias;
    • Sensação constante de vazio, desânimo ou falta de motivação;
    • Irritabilidade excessiva, impaciência ou vontade de chorar com facilidade;
    • Dificuldade para lidar com situações simples do dia a dia sem se sentir sobrecarregado;
    • Questionamentos frequentes sobre a própria competência e capacidade profissional;
    • Sensação de que o trabalho perdeu o significado ou deixou de trazer qualquer satisfação;
    • Sentimento de esgotamento emocional intenso, comum em quadros de Burnout.

    O acompanhamento com um psicólogo pode ajudar a identificar os fatores que mantêm o estado de alerta constante e desenvolver medidas para estabelecer limites mais saudáveis entre a vida profissional e a pessoal.

    Leia mais: Sempre adia tudo? Procrastinação pode estar ligada à ansiedade e depressão

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o corpo se eu nunca me desligar do trabalho?

    O corpo permanece em estado de alerta constante, mantendo os níveis de cortisol e adrenalina altos. A longo prazo, isso enfraquece o sistema imunológico, aumenta o risco de problemas cardíacos, desregula o metabolismo e pode levar a transtornos de ansiedade e depressão.

    2. Por que sinto culpa quando não estou trabalhando?

    Isso acontece devido à cultura da hiperprodutividade, que nos faz associar o descanso à perda de tempo. O cérebro acaba interpretando o ócio como uma falha, gerando ansiedade em vez de relaxamento.

    3. Trabalhar no home office torna mais difícil se desligar?

    Sim, porque a barreira física entre o ambiente profissional e o pessoal desaparece. O cérebro associa a casa ao trabalho, tornando importante delimitar um espaço fixo para trabalhar e guardar os equipamentos após o expediente.

    4. Como falar com o chefe que preciso parar de responder fora do horário?

    Seja transparente e profissional. Explique que, para manter a qualidade das suas entregas durante o expediente, você precisa desconectar nos momentos de descanso.

    5. Quantas horas de descanso o cérebro precisa por dia?

    Além das 7 a 9 horas de sono recomendadas para adultos, o cérebro precisa de pequenos intervalos de 5 a 10 minutos a cada duas horas de trabalho, e de pelo menos algumas horas de lazer totalmente desconectadas por dia.

    6. Qual é a diferença entre cansaço físico e esgotamento mental?

    O cansaço físico é resolvido com algumas horas de sono ou repouso na cama. Já o esgotamento mental não melhora apenas dormindo, ele precisa de uma desconexão cognitiva. Ou seja, passar tempo sem processar informações complexas, cobranças ou telas, focando em atividades leves e prazerosas.

    Leia também: Dicas para equilibrar a vida pessoal e o trabalho