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  • É rinite alérgica ou resfriado? Veja as diferenças e como identificar 

    É rinite alérgica ou resfriado? Veja as diferenças e como identificar 

    Tanto a rinite alérgica quanto o resfriado comum afetam o sistema respiratório e apresentam sintomas parecidos — como nariz escorrendo, espirros e congestão nasal. Apesar disso, é importante entender que cada condição tem causas diferentes e, por isso, exige cuidados específicos.

    Para esclarecer as diferenças de rinite alérgica ou resfriado, os sintomas e entender quando é preciso procurar ajuda médica, consultamos a médica alergista e imunologista Brianna Nicoletti. Confira, a seguir!

    O que é rinite alérgica?

    A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa do nariz causada por uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias consideradas inofensivas, como poeira, pólen, mofo, pelos de animais ou ácaros.

    Como ela não é causada por vírus nem por bactéria, a rinite não é contagiosa. É uma condição crônica que pode aparecer em certas épocas do ano (como na primavera, quando há muito pólen no ar) ou ser contínua, acontecendo ao longo de todo o ano.

    De acordo com Brianna Nicoletti, os principais sintomas da rinite alérgica são:

    • Espirros em sequência;
    • Coceira no nariz, olhos e garganta;
    • Coriza clara e aquosa;
    • Obstrução nasal (nariz entupido);
    • Olhos avermelhados;
    • Lacrimejamento;
    • Prurido (coceira intensa nos olhos).

    Os sintomas costumam piorar em ambientes fechados, empoeirados, com ar-condicionado ou em épocas do ano com maior concentração de pólen, quando a exposição ao alérgeno é maior. É por isso que a rinite alérgica pode aparecer de forma recorrente, mas tende a aliviar quando são tomados cuidados com o ambiente.

    Como é feito o tratamento de rinite alérgica?

    A maneira mais simples de tratar a rinite alérgica é evitar o contato com alérgenos, sendo importante manter a casa sempre limpa e ventilada, trocar roupas de cama com frequência, retirar poeira de móveis e evitar o acúmulo de objetos que favoreçam ácaros e mofo, bichos de pelúcia ou livros expostos.

    A lavagem nasal com soro fisiológico também é fundamental para limpar as vias respiratórias, diminuindo a obstrução e removendo partículas que irritam a mucosa. Mas, quando os sintomas são mais intensos, o médico pode indicar o uso de remédios, como antialérgicos (anti-histamínicos) e corticoides nasais, que controlam a inflamação e reduzem os espirros, a coriza e a coceira.

    Já em casos persistentes ou de difícil controle, pode ser indicada a imunoterapia. É um tratamento em que a pessoa recebe pequenas doses da substância que causa a alergia, de forma controlada e progressiva. Com o tempo, o corpo aprende a reagir melhor ao agente, diminuindo a intensidade e a frequência das crises.

    O que é um resfriado comum?

    O resfriado é uma infecção viral leve das vias respiratórias superiores, causada principalmente por vírus como o rinovírus. É bastante comum e pode afetar pessoas de todas as idades, especialmente em períodos de mudança de clima ou em ambientes fechados, onde o contágio é facilitado. Por ser uma condição autolimitada, ela geralmente melhora sozinha em 7 a 10 dias.

    Entre os principais sintomas, é possível apontar:

    • Nariz entupido com secreção que pode mudar de cor;
    • Dor de garganta leve a moderada;
    • Espirros ocasionais;
    • Tosse persistente;
    • Mal-estar e cansaço;
    • Febre baixa em alguns casos.

    A transmissão ocorre por gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato com superfícies contaminadas. Por isso, hábitos simples como lavar bem as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar contato próximo com pessoas infectadas são fundamentais para reduzir o risco de infecção.

    Como é feito o tratamento de resfriado comum?

    O tratamento do resfriado é feito para aliviar os sintomas e, na maioria dos casos, o próprio organismo se recupera em cerca de uma semana. O recomendado é beber bastante água, manter uma alimentação leve e nutritiva e descansar o suficiente para fortalecer o sistema imunológico.

    A lavagem do nariz com soro fisiológico também traz alívio aos sintomas, desobstruindo as vias respiratórias. Quando há febre ou dor, podem ser usados analgésicos e antitérmicos indicados pelo médico.

    Importante: antibióticos não devem ser utilizados em casos de resfriado, porque essa é uma infecção causada por vírus, e eles atuam apenas contra bactérias. Ou seja, eles não têm efeito sobre o agente responsável pelo resfriado. O uso inadequado de antibióticos, sem orientação médica, pode trazer consequências sérias à saúde.

    Rinite alérgica ou resfriado: quais as diferenças?

    Características Rinite alérgica Resfriado comum
    Causa Reação do sistema imunológico a alérgenos (poeira, pólen, pelos de animais, mofo) Infecção viral das vias respiratórias superiores
    Início dos sintomas Súbito, logo após contato com o alérgeno Gradual, alguns dias após exposição ao vírus
    Fatores desencadeantes Poeira, ácaros, pólen, mofo, pelos de animais Contato com pessoas infectadas, ambientes fechados
    Febre É raro acontecer Pode ocorrer febre baixa
    Contágio Não é contagiosa Altamente contagioso
    Secreção nasal Clara, aquosa e persistente Espessa, podendo ficar amarelada ou esverdeada

    Como é feito o diagnóstico da rinite alérgica ou resfriado?

    O diagnóstico costuma ser feito a partir da história clínica associada ao exame físico, explica Brianna.

    Na rinite alérgica, os sintomas mais característicos são coceira no nariz, espirros em sequência, coriza clara e, muitas vezes, sinais de conjuntivite alérgica, como olhos vermelhos e lacrimejantes. Já no resfriado comum, o quadro geralmente vem acompanhado de dor de garganta, mal-estar e, em alguns casos, febre baixa.

    Quanto aos exames, o resfriado pode mostrar alterações laboratoriais, como provas inflamatórias elevadas e mudanças no hemograma, especialmente no número de glóbulos brancos.

    No caso da rinite alérgica, o diagnóstico pode ser confirmado por um alergista, por meio de testes cutâneos (prick test) ou pela dosagem de IgE específica no sangue, que ajudam a identificar a sensibilidade do organismo aos principais alérgenos.

    Riscos do atraso no diagnóstico

    O principal risco de confundir as duas condições é que pode levar a erros no tratamento. Enquanto o resfriado é uma infecção viral autolimitada, que melhora sozinha em alguns dias, a rinite alérgica exige acompanhamento contínuo, incluindo o uso de medicamentos, higiene nasal e cuidados para evitar a exposição aos alérgenos.

    “Se o paciente acha que tem ‘resfriados de repetição’, mas na verdade tem rinite, pode abusar de descongestionantes nasais ou antibióticos desnecessários, trazendo risco de efeito colateral e resistência bacteriana”, explica Brianna.

    Além disso, quando o diagnóstico demora a ser feito, a rinite não tratada pode gerar complicações, como sinusite de repetição, otite, agravamento da asma e distúrbios do sono. Eles afetam diretamente a qualidade de vida e o desempenho no trabalho ou na escola. Alguns grupos são ainda mais vulneráveis a esses riscos, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

    Quando procurar um alergista?

    É recomendável buscar avaliação com um alergista quando os sintomas persistem por mais de 2 a 4 semanas, atrapalham o sono, os estudos ou o trabalho, ou ainda quando as crises são muito frequentes e recorrentes. Também é importante procurar o especialista se houver suspeita de asma associada.

    De acordo com a alergista Brianna Nicoletti, ele é o profissional indicado para confirmar o diagnóstico, orientar medidas de controle ambiental, prescrever a medicação adequada e, quando necessário, indicar a imunoterapia — conhecida como vacina para alergia.

    É o único tratamento capaz de atuar diretamente na causa da doença, ajudando a reduzir a sensibilidade do organismo aos alérgenos ao longo do tempo.

    Veja também: Rinite alérgica: aromatizadores e velas perfumadas pioram os sintomas?

    Perguntas frequentes sobre rinite alérgica ou resfriado

    1. Quais são os sintomas mais comuns da rinite alérgica?

    Os sintomas típicos são espirros frequentes, coceira no nariz, olhos ou garganta, coriza clara e nariz entupido. Muitas vezes também aparece conjuntivite alérgica, com olhos vermelhos, lacrimejando e com prurido. Os sinais tendem a se repetir sempre que há contato com o alérgeno e melhoram quando a exposição é evitada.

    2. Quais são os principais sintomas do resfriado?

    O resfriado geralmente começa com dor de garganta leve, seguida de nariz entupido, secreção nasal mais espessa (que pode ficar amarelada ou esverdeada), espirros ocasionais e tosse. Em alguns casos, pode haver febre baixa, mal-estar e dor no corpo. Apesar do desconforto, os sintomas costumam desaparecer em até 10 dias.

    3. A rinite alérgica causa febre?

    Não, a rinite alérgica não costuma provocar febre, pois não é uma infecção. Se a pessoa apresenta febre junto com os sintomas nasais, é mais provável que esteja com um resfriado, gripe ou outra infecção respiratória.

    4. O que pode piorar os sintomas da rinite alérgica?

    Ambientes fechados, empoeirados, com ar-condicionado, presença de mofo ou épocas do ano com alta concentração de pólen costumam intensificar os sintomas. O contato direto com animais ou perfumes fortes também pode desencadear crises em algumas pessoas.

    5. O que pode piorar os sintomas do resfriado?

    O resfriado tende a ser mais incômodo quando o sistema imunológico está enfraquecido, seja por falta de descanso, estresse, má alimentação ou baixa hidratação. Ficar em locais fechados e com aglomeração também favorece a transmissão e o agravamento dos sintomas.

    6. Como prevenir um resfriado?

    Como o resfriado é causado por vírus transmitidos pelo ar e por superfícies contaminadas, a melhor forma de prevenção é adotar hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência, evitar levar as mãos ao rosto e não compartilhar copos, talheres ou objetos pessoais.

    Além disso, é fundamental manter o sistema imunológico forte, a partir de um estilo de vida saudável: alimentação rica em frutas, verduras e legumes, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse.

    7. O uso de descongestionantes nasais é seguro?

    O uso deve ser feito com cautela e sempre por tempo limitado. Os descongestionantes nasais podem aliviar a obstrução, mas quando usados em excesso causam efeito rebote, isto é, o nariz volta a entupir com mais intensidade. O uso prolongado também pode trazer riscos para a pressão arterial e o coração. No caso da rinite, o tratamento deve ser feito com medicamentos específicos, orientados pelo médico.

    8. Existe cura para a rinite alérgica?

    A rinite alérgica não tem cura definitiva, uma vez que é uma condição crônica, mas pode ser controlada. Com medidas de prevenção, uso de medicamentos adequados e, em casos selecionados, imunoterapia (vacina para alergia), é possível reduzir significativamente a frequência e a intensidade das crises.

    9. Qual a diferença entre gripe e resfriado?

    O resfriado é uma infecção viral mais leve e autolimitada, que geralmente causa coriza, espirros, nariz entupido, dor de garganta leve e mal-estar moderado, melhorando sozinho em poucos dias.

    Já a gripe é uma doença causada pelo vírus influenza e costuma ser mais intensa, provocando febre alta, dores no corpo, cansaço extremo, tosse seca e dor de cabeça forte.

    Ela também pode levar a complicações mais sérias, como pneumonia, principalmente em crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas — e exige um tratamento médico cuidadoso.

    Leia também: 5 causas de alergia dentro de casa e o que fazer para evitar

  • Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

    Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

    Com uma facilidade fora do comum para aprender, decorar ou criar, a expectativa para uma criança superdotada costuma ser de um excelente desempenho em todas as áreas da vida. Só que, na realidade, ter altas habilidades não a torna livre de dificuldades, inseguranças ou desafios emocionais e sociais.

    No dia a dia, a facilidade para compreender conteúdos complexos pode coexistir com a dificuldade de lidar com frustrações, de se relacionar com colegas da mesma idade ou de encontrar estímulos compatíveis com seu potencial. Em alguns casos, a sensação de ser diferente pode gerar isolamento, ansiedade e até desinteresse pela escola.

    A superdotação também não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas, de modo que reconhecer e compreender as características das altas habilidades é necessário para oferecer o suporte necessário ao desenvolvimento saudável da criança.

    O que é superdotação na infância?

    A superdotação na infância, também chamada de altas habilidades ou superdotação, é um conjunto de características que faz com que a criança apresente uma potencial acima da média em uma ou mais áreas, como a criatividade, a liderança, as artes, a capacidade acadêmica ou as habilidades psicomotoras.

    De maneira geral, ser superdotado não significa apenas ter notas altas ou apresentar um QI elevado, mas demonstrar uma forma diferenciada de aprender, entender informações e interagir com o mundo.

    Diversas crianças com altas habilidades têm uma grande facilidade para adquirir novos conhecimentos, resolver problemas complexos e fazer conexões entre ideias que nem sempre são percebidas por outras pessoas da mesma idade.

    Vale destacar que a superdotação não é um transtorno ou doença, mas uma característica do neurodesenvolvimento. O cérebro funciona e processa as informações de uma forma diferente, mais rápida e intensa, o que torna necessário ter um ambiente estimulante, acolhedor e focado nas necessidades específicas de aprendizado da criança.

    Sinais de superdotação em crianças

    As manifestações da superdotação podem variar bastante, mas podem incluir:

    • Aprender com rapidez e precisar de poucas repetições para compreender novos conteúdos;
    • Demonstrar curiosidade intensa e fazer perguntas frequentes sobre diversos assuntos;
    • Apresentar vocabulário avançado para a idade;
    • Ter excelente memória para fatos, informações e experiências;
    • Mostrar interesse por temas considerados complexos para a faixa etária;
    • Resolver problemas com facilidade e encontrar soluções criativas;
    • Gostar de desafios intelectuais e atividades que precisam de raciocínio;
    • Aprender a ler, escrever ou contar mais cedo do que o esperado;
    • Demonstrar grande capacidade de observação e atenção aos detalhes;
    • Apresentar criatividade acima da média em brincadeiras, histórias e desenhos.

    Muitas crianças superdotadas também possuem um senso de justiça muito desenvolvido, demonstram empatia, são bastante sensíveis a críticas e podem ficar frustradas quando não conseguem atingir as próprias expectativas.

    Crianças superdotadas também podem ter dificuldades?

    Apesar das habilidades acima da média, uma criança com superdotação também pode enfrentar desafios emocionais, sociais e escolares que podem passar despercebidos por familiares e educadores.

    “Algumas podem ter problemas de socialização, sentir-se deslocadas e não se identificar com os colegas da mesma idade. Nessas situações, vemos crianças superdotadas escondendo o próprio conhecimento, fingindo que não sabem ou fingindo que sabem o mesmo que os amigos para poderem se sentir parte do grupo”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O cérebro de uma criança superdotada processa tudo de forma acelerada, mas o desenvolvimento emocional não acompanha a velocidade da inteligência. Isso causa um descompasso, chamado na psicologia de dissincronia, que se reflete em dificuldades bem específicas.

    Principais dificuldades enfrentadas por crianças superdotadas

    1. No ambiente escolar

    Como as crianças superdotadas costumam aprender muito rápido, podem acabar ficando entediadas no ambiente escolar quando o conteúdo é repetido várias vezes ou quando as atividades não oferecem desafios suficientes.

    Com o passar do tempo, o desinteresse pode fazer com que a criança pare de prestar atenção às aulas, deixe de realizar tarefas e perca a motivação para aprender. Em alguns casos, isso pode até levar a um desempenho escolar abaixo do esperado, mesmo quando ela tem um grande potencial.

    Muitas crianças superdotadas também aprendem com tanta facilidade durante os primeiros anos de estudo que não desenvolvem hábitos de organização e técnicas de estudo. Quando encontram conteúdos mais difíceis no futuro, elas podem sentir frustração e dificuldade para lidar com outros desafios.

    2. No aspecto emocional

    Uma característica comum da superdotação é o chamado desenvolvimento desigual, em que a capacidade intelectual pode estar muito avançada, mas a maturidade emocional continua compatível com a idade da criança. Por isso, é comum ela apresentar:

    • Ansiedade e preocupações excessivas, especialmente diante de assuntos complexos que consegue compreender, mas ainda não possui maturidade emocional para processar completamente;
    • Sensibilidade emocional intensa, reagindo de forma mais profunda a situações de tristeza, injustiça, críticas ou conflitos;
    • Grande empatia, o que pode fazer com que se preocupe excessivamente com o sofrimento de outras pessoas e até absorva emoções do ambiente ao seu redor;
    • Perfeccionismo, com uma forte necessidade de acertar e alcançar resultados considerados ideais, o que pode gerar medo de errar e frustração diante de pequenas falhas;
    • Autocobrança elevada, especialmente quando está acostumada a receber elogios pelo desempenho e inteligência;
    • Frustração com facilidade, principalmente quando encontra desafios que precisam de mais tempo, esforço ou persistência para serem resolvidos;
    • Sensação de inadequação, por perceber que pensa, sente ou se interessa por assuntos diferentes dos colegas da mesma idade;
    • Oscilações emocionais mais intensas, com reações que podem parecer exageradas para quem não compreende as características da superdotação.

    Assim como as habilidades intelectuais, as emoções também precisam de atenção e acolhimento para que a criança consiga se desenvolver de forma equilibrada e lidar melhor com os desafios do cotidiano.

    3. Nas relações sociais

    A socialização também pode ser um problema para algumas crianças superdotadas, pois normalmente os seus interesses são diferentes dos interesses mais comuns entre os colegas da mesma idade.

    Enquanto outras crianças podem querer conversar sobre brincadeiras, jogos ou desenhos, a criança superdotada pode estar interessada em assuntos mais específicos e complexos, o que pode dificultar a criação de vínculos e gerar a sensação de não se encaixar completamente nos grupos.

    Dupla excepcionalidade

    A dupla excepcionalidade acontece quando a criança apresenta superdotação e, ao mesmo tempo, algum transtorno, deficiência ou condição do neurodesenvolvimento, de acordo com Bárbara.

    Basicamente, ela possui habilidades acima da média em uma ou mais áreas, mas também enfrenta dificuldades que podem afetar a aprendizagem, o comportamento ou a socialização.

    As combinações mais comuns incluem:

    • Superdotação + Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH);
    • Superdotação + Transtorno do Espectro Autista (TEA);
    • Superdotação + Dislexia (ou outros transtornos de aprendizagem).

    A identificação da dupla excepcionalidade costuma ser difícil porque uma característica pode mascarar a outra. Em alguns casos, as altas habilidades compensam as dificuldades, fazendo com que o transtorno passe despercebido. Em outros, as dificuldades recebem toda a atenção, enquanto o potencial da criança não é reconhecido.

    “Por isso, olhar apenas para o alto desempenho não é suficiente. Essa criança precisa de um acompanhamento em todas as áreas do desenvolvimento”, complementa Bárbara.

    Como identificar os sinais de que a criança precisa de apoio?

    Os pais e professores devem acender o alerta quando a criança passa a demonstrar uma mudança brusca de comportamento ou reações desproporcionais à rotina. Os sinais mais evidentes incluem:

    • Isolamento social e recusa em brincar com crianças da mesma idade;
    • Apatia, tédio constante ou desinteresse crônico pelas aulas;
    • Queda inexplicável no desempenho escolar e notas vermelhas;
    • Recusa em ir à escola ou em fazer as tarefas de casa;
    • Crises de choro, raiva ou paralisia diante de pequenos erros (perfeccionismo extremo);
    • Ansiedade severa e preocupação obsessiva com temas complexos;
    • Sintomas físicos sem causa médica, como dores de cabeça ou de estômago frequentes antes das aulas;
    • Crises de irritabilidade causadas por excesso de estímulos, como barulhos, luzes ou texturas de roupas;
    • Camuflagem do próprio conhecimento para tentar se encaixar no grupo de amigos.

    Quando a inteligência da criança passa a gerar mais angústia do que prazer, é o momento de buscar a orientação de psicólogos ou psicopedagogos.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a superdotação?

    A superdotação é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Para que ela se manifeste, o cérebro com predisposição precisa encontrar um ambiente estimulante e acolhedor.

    2. Superdotação é o mesmo que QI alto?

    O QI alto mede a capacidade lógico-matemática e linguística, sendo um dos critérios usados. Porém, a superdotação vai além disso e engloba criatividade, liderança, talentos artísticos e psicomotricidade.

    3. Como é feito o diagnóstico de superdotação?

    O diagnóstico é clínico e multiprofissional, realizado por psicólogos, neuropsicólogos e psicopedagogos através de testes de QI, avaliação comportamental, análise do histórico escolar e entrevistas com a família.

    4. Superdotação é considerada uma deficiência?

    Não, ela é classificada como uma característica do neurodesenvolvimento. Juridicamente, ela faz parte do público-alvo da Educação Especial, garantindo o direito a atendimento pedagógico especializado.

    5. O que fazer quando o aluno superdotado fica entediado na aula?

    A escola deve oferecer enriquecimento curricular, como atividades mais complexas sobre o mesmo tema, ou avaliar a aceleração de série, conforme previsto em lei e orientado por profissionais.

    6. Existe medicação para a superdotação?

    Não, pois a superdotação não é uma doença. Os remédios só são indicados se a criança apresentar comorbidades que precisam de tratamento medicamentoso, como depressão, ansiedade severa ou TDAH associado.

    7. Qual é a diferença entre uma criança precoce e uma superdotada?

    A criança precoce aprende algo antes do tempo esperado (como ler aos 3 anos), mas pode se estabilizar e igualar-se aos colegas na adolescência. Já o superdotado mantém o ritmo de desenvolvimento acelerado e o potencial superior ao longo de toda a vida.

    Confira: Autismo: quais os níveis de suporte e como é feito o diagnóstico?

  • Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    Perfuração do útero pelo DIU pode acontecer? Entenda complicação rara

    O DIU, ou dispositivo intrauterino, é um pequeno dispositivo em formato de T que é posicionado na cavidade uterina, atuando de maneira contínua para impedir a fecundação. Apesar de ser considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros para prevenir a gravidez, ele não é totalmente isento de complicações.

    A perfuração uterina é uma ocorrência bastante rara, mas que pode ocorrer devido a fatores anatômicos individuais, infecções ativas ou alterações na própria espessura do órgão, comuns durante a amamentação e a menopausa.

    Normalmente, a complicação acontece no momento da inserção pelo médico, embora o dispositivo também possa migrar de forma tardia decorrente de contrações do próprio organismo.

    O DIU realmente pode perfurar o útero?

    O DIU realmente pode perfurar o útero, mas é uma complicação extremamente rara, ocorrendo em cerca de 1 a 2 casos a cada mil inserções. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a perfuração costuma acontecer durante o próprio procedimento de colocação do dispositivo, principalmente quando existem características anatômicas que tornam a inserção mais difícil.

    Durante a inserção, quando o colo do útero é muito estreito ou quando o útero apresenta um formato ou posicionamento que dificulta o procedimento, o aplicador pode exercer uma pressão excessiva sobre a parede uterina. Nesses casos, a direção da perfuração pode acompanhar a inclinação natural do útero, que tende a estar voltado para a frente ou para trás.

    Em situações ainda mais raras, a perfuração pode acontecer por migração tardia do DIU. Isso ocorre quando o dispositivo fica muito próximo da parede do útero e, ao longo do tempo, pequenas contrações naturais acabam promovendo um deslocamento gradual, fazendo com que ele penetre na musculatura uterina.

    Em quais situações a perfuração do útero pode acontecer?

    Os principais fatores de risco que aumentam as chances de uma perfuração uterina incluem:

    • Útero com aderências: condições como endometriose, doença inflamatória pélvica ou cicatrizes de cirurgias podem deixar o útero mais rígido e dificultar a inserção do DIU;
    • Menopausa e climatério: a redução dos hormônios pode tornar o útero menor e menos elástico, aumentando a delicadeza do procedimento;
    • Amamentação: durante a lactação, alterações hormonais podem deixar a parede do útero mais fina, elevando o risco de complicações na inserção;
    • Pós-parto recente: logo após o parto, o útero ainda está em recuperação e mais sensível, o que pode aumentar o risco de perfuração ou expulsão do DIU;
    • Infecções uterinas ativas: processos infecciosos podem deixar os tecidos mais frágeis e suscetíveis a lesões durante o procedimento.

    Como saber se o DIU perfurou o útero?

    O principal sinal de alerta para uma possível perfuração uterina é o desaparecimento do fio de controle do DIU. Quando ocorre a perfuração, o dispositivo pode atravessar a parede do útero e migrar para a cavidade pélvica ou abdominal, fazendo com que o fio deixe de ser visualizado pelo médico durante o exame ginecológico, segundo Andreia.

    Nem sempre a ausência do fio significa que houve uma perfuração, mas ela é um dos sinais que merecem investigação. Para realizar o diagnóstico, o ginecologista pode solicitar alguns exames:

    • Ultrassonografia pélvica ou transvaginal para verificar se o DIU continua dentro do útero;
    • Raio-X da pelve ou do abdômen caso o dispositivo não seja visualizado na ultrassonografia.

    Como o DIU possui uma estrutura radiopaca (visível ao raio-X), o exame consegue localizá-lo na cavidade abdominal, diferenciando a perfuração de uma simples expulsão inadvertida durante a menstruação.

    Quais são os sintomas de uma perfuração uterina?

    A perfuração uterina pode não causar sintomas imediatamente, e muitas mulheres não percebem que ela aconteceu. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

    • Cólica pélvica intensa e persistente, que não melhora com analgésicos comuns;
    • Sangramentos intensos, hemorrágicos ou escapes primitivos que ocorrem logo após o procedimento;
    • Dores profundas e desconforto na região pélvica durante ou após o contato íntimo.

    Em casos raros onde a perfuração causa uma infecção, podem surgir sintomas como febre, calafrios, mal-estar geral e corrimento vaginal com odor forte.

    O que acontece se o DIU perfurar o útero?

    O tratamento depende da extensão da perfuração e da localização do dispositivo. Andreia explica que o DIU que está deslocado ou fora do útero precisa ser removido. Quando se encontra na cavidade abdominal, ele deixa de exercer a sua função contraceptiva e passa a atuar como um corpo estranho, podendo provocar inflamações, aderências e, em alguns casos, infecções.

    Na maioria das situações, a retirada é feita por laparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen. Após a retirada do dispositivo, a maioria das mulheres se recupera completamente sem consequências para a fertilidade ou para a saúde reprodutiva.

    Se a paciente desejar continuar usando o método, um novo DIU pode ser inserido posteriormente, muitas vezes com o auxílio da histeroscopia, que permite a visualização direta da cavidade uterina para garantir o posicionamento adequado do dispositivo.

    Perfuração do útero por DIU deixa sequelas ou causa infertilidade?

    Na maioria dos casos, a perfuração uterina cicatriza espontaneamente. Como o útero é formado por uma musculatura espessa e resistente, a ginecologista explica que o próprio órgão tende a se contrair e fechar a pequena lesão, sem a necessidade de pontos.

    As complicações são incomuns, mas podem ocorrer se a perfuração atingir um vaso sanguíneo importante ou algum órgão próximo, o que exige avaliação e tratamento adequados. Quando tratada corretamente, a perfuração uterina normalmente não deixa sequelas e não costuma comprometer a fertilidade da mulher.

    Confira: DIU hormonal: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

    Perguntas frequentes

    1. O que acontece com o DIU depois que ele perfura o útero?

    Uma vez que ele atravessa a parede muscular, ele “cai” na cavidade pélvica ou abdominal. Ele pode ficar solto perto do útero, se alojar perto da bexiga ou do intestino, ou o próprio organismo pode criar uma capa de tecido inflamatório ao redor dele para tentar isolar o corpo estranho.

    2. O DIU perfurado perde o efeito anticoncepcional?

    Sim, perde totalmente. Para funcionar, o DIU (seja de cobre ou hormonal) precisa estar obrigatoriamente dentro da cavidade uterina, liberando íons ou hormônios no local correto para impedir a chegada dos espermatozoides. Na cavidade abdominal, ele não oferece nenhuma proteção contra a gravidez.

    3. Quanto tempo depois de uma perfuração posso colocar outro DIU?

    Geralmente, os médicos recomendam aguardar de 1 a 3 meses para que o útero esteja completamente cicatrizado e desinflamado.

    4. O que é um DIU “normoposicionado”?

    É o termo técnico que aparece no laudo do seu ultrassom para dizer que o DIU está no lugar perfeito. Significa que ele está centralizado dentro da cavidade do útero, com as hastes em formato de “T” voltadas para o fundo do órgão, garantindo 100% de sua eficácia.

    5. Posso fazer atividades físicas ou ter relações se suspeitar que o DIU deslocou?

    O ideal é repousar até consultar o médico. Se você estiver sentindo cólicas fortes, sangramento ou não achar o fio, suspenda atividades físicas intensas e relações sexuais.

    6. Usar DIU de cobre ou DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) muda o risco de perfurar?

    Não, o tipo de DIU não altera o risco de perfuração. O risco está diretamente ligado ao formato do aplicador, à força mecânica utilizada e à anatomia do útero da paciente no momento da inserção.

    7. Há risco de o DIU perfurado se movimentar pelo corpo e chegar ao coração ou pulmão?

    Não, isso é um mito anatômico. O DIU não entra na corrente sanguínea. Uma vez que ele perfura o útero, ele fica restrito à cavidade peritoneal, que é o espaço dentro do abdômen que abriga os órgãos digestivos e pélvicos.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

  • A infecção passou, mas o cansaço continua? Entenda por que a recuperação pode ser lenta 

    A infecção passou, mas o cansaço continua? Entenda por que a recuperação pode ser lenta 

    Muitas pessoas acreditam que a recuperação de uma infecção termina assim que a febre desaparece ou quando o tratamento chega ao fim. No entanto, nem sempre o organismo volta imediatamente ao normal depois de uma doença infecciosa.

    É relativamente comum que, mesmo após a melhora dos sintomas mais intensos, a pessoa continue sentindo cansaço, fraqueza, falta de disposição e dificuldade para retomar a rotina. Em muitos casos, essa recuperação lenta faz parte do processo natural de cura do organismo, especialmente após doenças mais intensas.

    O que acontece com o corpo durante uma infecção?

    Quando acontece uma infecção, o organismo mobiliza uma grande quantidade de energia para combater o agente causador da doença.

    O sistema imunológico aumenta sua atividade e produz diversas substâncias inflamatórias que ajudam a eliminar vírus, bactérias ou outros microrganismos.

    Esse processo é essencial para a recuperação, mas também gera um desgaste físico importante.

    Por que o cansaço pode continuar mesmo após a melhora?

    Mesmo depois que a infecção é controlada, o corpo ainda precisa concluir diversas etapas de recuperação.

    Entre elas estão:

    • Reparar tecidos lesionados;
    • Repor reservas de energia;
    • Recuperar massa muscular perdida;
    • Normalizar processos inflamatórios;
    • Restabelecer o equilíbrio metabólico.

    Por isso, a sensação de fraqueza pode persistir por dias ou semanas após a doença.

    Quais infecções costumam causar recuperação mais lenta?

    Algumas doenças são particularmente conhecidas por provocar fadiga prolongada.

    Entre elas estão:

    • Dengue;
    • Mononucleose;
    • Pneumonia;
    • Covid-19;
    • Influenza (gripe);
    • Infecções graves que exigiram internação.

    De forma geral, quanto mais intensa foi a infecção, maior tende a ser o tempo necessário para a recuperação completa.

    A perda de massa muscular também contribui

    Durante períodos de doença, especialmente quando a pessoa permanece acamada ou reduz muito suas atividades, é comum ocorrer:

    • Menor movimentação;
    • Redução da atividade física;
    • Diminuição da ingestão alimentar;
    • Perda de massa muscular.

    Mesmo poucos dias de repouso podem resultar em perda de força, principalmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    A inflamação pode persistir por algum tempo

    Após determinadas infecções, o organismo pode permanecer em um estado inflamatório leve durante semanas.

    Isso pode contribuir para sintomas como:

    • Cansaço persistente;
    • Sonolência;
    • Falta de energia;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de lentidão física e mental.

    Na maioria dos casos, esses sintomas diminuem gradualmente.

    Por que idosos costumam demorar mais para se recuperar?

    O envelhecimento reduz a capacidade de recuperação do organismo.

    Além disso, idosos frequentemente apresentam:

    • Menor reserva muscular;
    • Doenças crônicas associadas;
    • Recuperação mais lenta após períodos de imobilização;
    • Maior risco de desnutrição durante a doença.

    Por esse motivo, uma infecção que parece simples pode causar grande impacto funcional nessa faixa etária.

    Alimentação inadequada pode atrasar a recuperação?

    Sim. Após uma infecção, o organismo precisa de nutrientes para reconstruir tecidos e recuperar energia.

    Os principais incluem:

    • Proteínas;
    • Vitaminas;
    • Minerais;
    • Líquidos.

    Quando a alimentação permanece insuficiente após a doença, a sensação de fraqueza pode durar mais tempo.

    Quais sintomas são comuns durante a recuperação?

    Durante a fase de convalescença, é comum apresentar:

    • Cansaço fácil;
    • Falta de disposição;
    • Fraqueza muscular;
    • Sono excessivo;
    • Menor tolerância aos exercícios;
    • Dificuldade de concentração;
    • Sensação de recuperação lenta.

    Na maioria das pessoas, esses sintomas melhoram progressivamente.

    Quando a recuperação lenta merece investigação?

    Embora seja esperado que algumas pessoas demorem mais para recuperar totalmente a energia, alguns sinais merecem atenção.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Piora progressiva dos sintomas;
    • Febre persistente ou recorrente;
    • Falta de ar importante;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Tosse persistente;
    • Fraqueza intensa que não melhora;
    • Dificuldade para realizar atividades básicas do dia a dia.

    O que os médicos costumam investigar?

    Dependendo do quadro clínico, o médico pode avaliar:

    • Anemia;
    • Alterações da tireoide;
    • Deficiências nutricionais;
    • Persistência da infecção;
    • Complicações cardíacas;
    • Complicações pulmonares;
    • Outras doenças que possam explicar os sintomas.

    Em alguns casos, exames laboratoriais e de imagem podem ser necessários.

    Como acelerar a recuperação?

    Algumas medidas ajudam o organismo a recuperar forças de forma mais eficiente.

    1. Respeitar o tempo de recuperação

    Forçar atividades intensas antes da hora pode prolongar o processo de recuperação.

    2. Manter uma alimentação adequada

    Especialmente rica em proteínas, frutas, verduras e outros nutrientes importantes.

    3. Hidratar-se adequadamente

    A hidratação continua sendo fundamental mesmo após o desaparecimento dos sintomas mais intensos.

    4. Retomar atividades gradualmente

    O retorno aos exercícios e às atividades físicas deve ser progressivo.

    5. Dormir bem

    O sono é uma das ferramentas mais importantes para a recuperação física e imunológica.

    Confira: 7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

    Perguntas frequentes sobre recuperação após infecções

    1. É normal sentir cansaço depois de uma infecção?

    Sim. Muitas pessoas permanecem cansadas por dias ou semanas após a melhora da doença.

    2. Dengue pode causar fraqueza prolongada?

    Sim. A dengue é uma das infecções mais associadas à fadiga persistente.

    3. Quanto tempo dura a recuperação?

    Depende da gravidade da infecção, da idade e das condições de saúde da pessoa.

    4. É possível perder massa muscular durante uma doença?

    Sim. Especialmente após internações ou períodos prolongados de repouso.

    5. É normal ficar sem disposição para fazer exercícios?

    Sim. A recuperação da capacidade física costuma acontecer de forma gradual.

    6. Quando a recuperação lenta deixa de ser normal?

    Quando existe piora progressiva, sintomas persistentes importantes ou sinais de alerta associados.

    7. O que ajuda a recuperar mais rápido?

    Boa alimentação, hidratação adequada, sono de qualidade e retorno gradual às atividades são as principais medidas.

    Veja mais: A gripe passou, mas a tosse continua: o que pode estar acontecendo?

  • Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    Hematoma subcoriônico é grave? Veja os sintomas e quanto tempo demora para sumir 

    O hematoma subcoriônico, também conhecido como descolamento ovular, é uma condição que ocorre quando há um acúmulo de sangue entre a parede do útero e a membrana que envolve o saco gestacional. Ele afeta até 25% das mulheres que apresentam sangramento no início da gravidez e costuma ser identificado durante a ultrassonografia.

    Na maioria dos casos, o hematoma é pequeno, não causa complicações graves e tende a ser reabsorvido naturalmente pelo organismo ao longo das semanas. No entanto, o risco de complicações pode ser maior quando o hematoma é volumoso, ocupando mais de 40% a 50% da área ao redor do saco gestacional.

    Nesses casos, é necessário um acompanhamento mais próximo pelo obstetra para monitorar a evolução da gestação. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é hematoma subcoriônico (descolamento ovular)?

    O hematoma subcoriônico é o acúmulo de sangue em um espaço específico do útero durante o início da gravidez. De acordo com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, a alteração está relacionada ao processo de formação da placenta.

    Durante a gestação, a placenta se fixa ao revestimento interno do útero, chamado endométrio, que durante a fase passa por modificações e recebe o nome de decídua. Em alguns casos, podem ocorrer pequenos descolamentos nessa região.

    Quando isso acontece, alguns vasos sanguíneos podem se romper, provocando um sangramento entre a placenta em formação e a parede do útero. O sangue fica acumulado no espaço, formando o hematoma subcoriônico, que pode variar em tamanho e evoluir de formas diferentes ao longo da gestação.

    Importante: o hematoma subcoriônico é diferente do descolamento prematuro de placenta (DPP). O hematoma acontece no começo da gravidez, normalmente antes da 16ª semana, e o organismo costuma absorvê-lo sozinho. Já o DPP acontece no final da gestação e é uma emergência médica grave.

    Quais os principais sintomas?

    O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do hematoma subcoriônico, segundo Andreia, mas a aparência e o fluxo do sangramento dependem de onde o hematoma está localizado e se o sangue está conseguindo sair do útero:

    • Sangramento escuro: normalmente indica um sangue antigo que estava represado e que o organismo começou a eliminar aos poucos. É muito comum quando o hematoma está se desfazendo;
    • Sangramento vermelho vivo: costuma indicar um sangramento ativo e recente e pode variar de pequenas manchas a um fluxo semelhante ao de uma menstruação.

    Em alguns casos, a mulher também pode apresentar uma dor abdominal persistente ou uma sensação de pressão na região do pé da barriga, parecida com uma cólica menstrual. Ela acontece porque a presença do sangue acumulado pode irritar a musculatura do útero, fazendo com que ele sofra pequenas contrações.

    Vale destacar que o hematoma subcoriônico nem sempre causa sintomas, especialmente quando é pequeno ou está localizado em uma região sem comunicação com o colo do útero. Nesses casos, a gestante pode não apresentar sangramento nem dor, e a alteração é descoberta apenas durante a ultrassonografia de rotina do primeiro trimestre.

    O que causa o hematoma subcoriônico?

    Nem sempre é possível identificar a causa específica, mas algumas condições podem favorecer o aparecimento do hematoma subcoriônico:

    • Presença de cicatrizes no útero, decorrentes de procedimentos como curetagens ou cirurgias uterinas;
    • Miomas, pólipos ou outras alterações anatômicas da cavidade uterina;
    • Histórico de infecções que afetaram o revestimento interno do útero;
    • Idade materna acima de 35 anos;
    • Gravidez obtida por técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (FIV).

    Mesmo na presença dos fatores, a maioria dos hematomas evolui de forma favorável e tende a diminuir ou desaparecer com o avanço da gestação e o acompanhamento adequado pelo obstetra.

    O hematoma subcoriônico pode causar aborto?

    O hematoma subcoriônico pode aumentar o risco de aborto, mas isso não significa que a perda gestacional vá acontecer. Na maioria dos casos, a gravidez evolui normalmente, especialmente quando o hematoma é pequeno e não apresenta crescimento ao longo do acompanhamento.

    De acordo com Andreia, o risco está relacionado principalmente ao tamanho e à evolução do hematoma. Quanto maior ele for, maior será a área da placenta que fica separada da parede do útero pelo acúmulo de sangue. Como a superfície de contato é reduzida, isso pode prejudicar as trocas de oxigênio e nutrientes entre a mãe e o bebê.

    Para completar, quando o hematoma continua aumentando de tamanho ao longo das semanas, é um sinal de que o vaso sanguíneo rompido não está conseguindo estancar o sangramento. Consequentemente, o risco de complicações e de perda gestacional se torna maior, demandando um acompanhamento mais rigoroso pelo obstetra.

    Como é feito o tratamento do hematoma subcoriônico?

    O tratamento do hematoma subcoriônico é baseado principalmente no acompanhamento da gestação e no repouso relativo, já que não existe um medicamento ou procedimento capaz de eliminar o hematoma imediatamente. Na maioria dos casos, o próprio organismo reabsorve o sangue acumulado ao longo das semanas, segundo Andreia.

    No período, o recomendado é evitar esforços físicos intensos, carregar peso, praticar exercícios e ter relações sexuais, especialmente se houver sangramento. As medidas ajudam a reduzir a irritação na região e favorecer a cicatrização do vaso sanguíneo que causou o hematoma.

    Em alguns casos, Andreia explica que o médico pode indicar o uso de progesterona para relaxar a musculatura do útero e pode contribuir para reduzir contrações. As evidências sobre o seu efeito no hematoma são limitadas, mas a progesterona é considerada segura durante a gestação.

    Como acompanhar a evolução do hematoma?

    O acompanhamento da evolução do hematoma subcoriônico é feito via ultrassonografia, segundo Andreia. O intervalo entre os exames depende de cada caso, mas costuma ser de pelo menos uma vez por semana. Se for um hematoma grande e com suspeita de evolução, o intervalo pode ser menor.

    Quando ir ao hospital imediatamente?

    A gestante com diagnóstico de hematoma subcoriônico deve procurar atendimento médico imediatamente se apresentar algum dos seguintes sinais de alerta:

    • Aumento do sangramento vaginal, especialmente se ele passar de um pequeno escape ou corrimento amarronzado para um sangramento intenso ou vermelho vivo;
    • Dor abdominal forte, cólicas intensas no baixo ventre ou dor lombar persistente;
    • Eliminação de coágulos ou fragmentos de tecido pela vagina;
    • Febre ou calafrios, que podem indicar a presença de uma infecção.

    Em caso de dúvidas ou se notar qualquer mudança repentina nos sintomas, a recomendação é sempre buscar avaliação médica de urgência para realizar um novo ultrassom.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. O hematoma subcoriônico pode sumir sozinho?

    Sim. Na maioria dos casos, o hematoma é reabsorvido pelo próprio organismo da mulher ou eliminado aos poucos na forma de sangramento escuro conforme a gravidez avança.

    2. Com quantas semanas o hematoma costuma desaparecer?

    Geralmente, ele desaparece ou diminui drasticamente entre a 12ª e a 16ª semana de gestação, período em que a placentação se completa.

    3. Quem tem hematoma subcoriônico pode trabalhar?

    Depende do tipo de trabalho. O médico normalmente libera o trabalho administrativo ou leve, mas exige o afastamento de funções que demandam esforço físico, longos períodos de pé ou carregamento de peso.

    4. Pode fazer caminhada com descolamento ovular?

    Não é recomendado. Durante o tratamento do hematoma, atividades físicas, incluindo caminhadas como exercício, devem ser suspensas para evitar a mobilização do útero.

    5. É normal o sangramento aumentar depois de começar o repouso?

    Se o sangue for escuro (tipo borra de café), costuma ser normal, pois indica a eliminação do sangue velho que estava represado. Se foi vermelho vivo e em grande quantidade, é preciso ir ao hospital.

    6. O descolamento ovular pode voltar depois de sumir?

    É raro, mas pode acontecer. Se um novo vaso sanguíneo se romper na região de fixação da placenta antes de o processo de placentação estar totalmente concluído, um novo hematoma pode se formar.

    7. O que acontece se o hematoma subcoriônico não sumir até a 20ª semana?

    Se ele persistir mas permanecer estável e sem sangramento ativo, a gestação geralmente continua evoluindo bem. No entanto, o médico manterá um monitoramento atento, pois a área pode se tornar um ponto de maior fragilidade na placenta.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

  • Genética, hormônios ou estresse: o que faz uma pessoa ser mais ansiosa que outra?

    Genética, hormônios ou estresse: o que faz uma pessoa ser mais ansiosa que outra?

    Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem lidar bem com situações estressantes, enquanto outras ficam preocupadas, tensas ou apreensivas com mais facilidade? A ansiedade acontece por uma série de fatores genéticos, psicológicos e ambientais, que influenciam a maneira como cada pessoa percebe e reage aos acontecimentos do cotidiano.

    O medo e a preocupação são reações naturais do corpo humano, só que a intensidade com que cada pessoa vivencia as emoções pode variar significativamente.

    Isso não significa que uma pessoa seja mais forte ou mais fraca do que a outra. Na verdade, a diferença está relacionada à forma como o cérebro processa as emoções, às características individuais e às vivências acumuladas ao longo dos anos.

    O que determina a ansiedade?

    A ansiedade não costuma ter uma causa única e, normalmente, surge a partir de uma combinação de diferentes fatores, como:

    Fatores genéticos e biológicos

    A predisposição hereditária é um fator determinante para o desenvolvimento de ansiedade, e estudos apontam que pessoas que têm familiares próximos com transtornos de ansiedade ou depressão apresentam um risco maior de desenvolver o problema.

    Além da influência genética, a presença de oscilações nos níveis de hormônios no sangue têm impacto direto nas regiões cerebrais que controlam o humor e o medo.

    Segundo o psiquiatra Luiz Dieckmann, isso pode ser observado principalmente nas mulheres durante a fase reprodutiva, momentos como o ciclo menstrual, a gestação, o pós-parto e a transição para a menopausa provocam oscilações hormonais importantes, que podem atuar como gatilho para sintomas de ansiedade and depressão.

    Fatores médicos

    Em alguns casos, problemas de saúde e alterações no funcionamento do organismo podem contribuir para o surgimento ou agravamento dos sintomas. Segundo Luiz, distúrbios do sono, doenças crônicas, dores persistentes e até o uso de determinados remédios podem afetar o equilíbrio físico e mental, tornando a pessoa mais vulnerável à ansiedade.

    Fatores ambientais

    A ansiedade é fortemente moldada pela interação entre o meio em que vivemos e as vivências passadas. De acordo com pesquisas, os fatores ambientais e o histórico de vida não são apenas gatilhos, mas agentes estruturais que determinam como o cérebro processa o estresse e a ameaça.

    Mesmo pessoas com boa saúde física e sem predisposição genética podem desenvolver ansiedade quando expostas a níveis elevados de estresse por longos períodos. O cérebro aprende a permanecer em estado de alerta constante, mesmo quando não existe um perigo real e imediato.

    Além dos traumas, crescer em um ambiente familiar marcado por excesso de críticas, cobranças constantes, ou mesmo experiências difíceis na vida adulta podem sobrecarregar os mecanismos naturais de adaptação do organismo.

    Com o tempo, a exposição contínua ao estresse aumenta o risco de desenvolver sintomas de ansiedade ou agravar quadros que já existiam.

    Como saber se a ansiedade é normal ou excessiva?

    A diferença entre a ansiedade normal e a ansiedade excessiva está principalmente na intensidade dos sintomas, no tempo que eles duram e no impacto que causam na vida da pessoa.

    Quando a ansiedade é normal

    A ansiedade saudável funciona como um mecanismo de proteção do corpo e ajuda a manter a atenção, a preparar o organismo para desafios e a reagir diante de situações importantes.

    Normalmente, ela aparece em resposta a um motivo específico, como uma entrevista de emprego, uma prova, uma apresentação ou uma mudança importante na vida. Além disso, tende a ser passageira, diminuindo ou desaparecendo quando a situação é resolvida.

    Quando a ansiedade se torna excessiva

    A ansiedade passa a ser considerada um problema quando o estado de alerta permanece ativado por longos períodos ou surge de forma intensa mesmo sem uma ameaça real. Entre alguns dos principais sinais, é possível destacar:

    • Preocupação excessiva ou sensação constante de que algo ruim vai acontecer, mesmo sem um motivo claro;
    • Ansiedade que persiste por semanas ou meses e não desaparece quando a situação estressante termina;
    • Sintomas físicos frequentes, como coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, tensão muscular, tonturas ou desconfortos digestivos;
    • Evitação de lugares, situações ou eventos sociais por medo de sentir ansiedade ou ter uma crise;
    • Dificuldade para realizar atividades do dia a dia devido ao excesso de preocupação;
    • Prejuízo no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos ou em outras áreas importantes da vida;
    • Alterações no sono, como dificuldade para dormir, despertares frequentes ou sensação de cansaço ao acordar.

    Quando a ansiedade interfere no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos, no sono ou em outras áreas importantes da vida, é um indicativo de que ela ultrapassou o limite considerado saudável e merece atenção profissional.

    O que fazer para controlar a ansiedade no dia a dia?

    Para controlar a ansiedade, é preciso adotar medidas que acalmem o sistema nervoso de forma imediata e na construção de hábitos que reduzam o estresse a longo prazo, como:

    • Respiração quadrada: inspire pelo nariz durante 4 segundos, segure o ar por 4 segundos, expire lentamente pela boca durante 4 segundos e permaneça sem ar por mais 4 segundos. Repita o ciclo de 3 a 5 vezes;
    • Técnica do aterramento (5-4-3-2-1): observe 5 coisas que você consegue ver, 4 que pode tocar, 3 sons que consegue ouvir, 2 cheiros que percebe e 1 sabor que sente naquele momento;
    • Prática de exercícios físicos: atividades como caminhada, corrida, dança ou musculação ajudam a reduzir os níveis de estresse e estimulam a liberação de substâncias associadas ao bem-estar;
    • Redução de estimulantes: procure moderar o consumo de cafeína, energéticos, nicotina e bebidas muito açucaradas, pois eles podem aumentar a sensação de agitação e ansiedade;
    • Higiene do sono: evite o uso de celular, tablet e televisão pelo menos uma hora antes de dormir e procure manter o quarto escuro, silencioso e confortável;
    • Escrita terapêutica: anote as suas preocupações e tente separá-las entre aquilo que você pode resolver e aquilo que está fora do seu controle, pois isso ajuda a organizar os pensamentos e reduzir a sobrecarga mental;
    • Pausas ao longo do dia: reserve alguns minutos para se alongar, beber água, respirar profundamente ou simplesmente descansar a mente. Pequenas pausas podem ajudar a diminuir a tensão acumulada na rotina.

    As medidas ajudam a controlar os sintomas leves e moderados do dia a dia, mas se a ansiedade persistir ou se tornar paralisante, o tratamento com psicoterapia e o acompanhamento médico são importantes para tratar as causas da condição.

    Confira: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem ansiedade já nasce com ela?

    Não necessariamente. A pessoa nasce com uma predisposição genética (um sistema nervoso mais sensível), mas o desenvolvimento do transtorno de ansiedade depende de como essa genética interage com o ambiente, traumas na infância, estilo de vida e nível de estresse acumulado ao longo da vida.

    2. Qual é a diferença entre ansiedade e ataque de pânico?

    A ansiedade é um estado de preocupação ou tensão que vai crescendo gradualmente e pode durar dias ou semanas. Já o ataque de pânico é uma onda repentina e avassaladora de medo intenso que atinge o pico em poucos minutos, acompanhada de sintomas físicos severos, como a sensação de que vai morrer ou perder o controle.

    3. Como a ansiedade afeta o estômago e o intestino?

    O sistema digestivo é considerado o “segundo cérebro” e está diretamente conectado ao sistema nervoso. Quando estamos ansiosos, o corpo libera cortisol e adrenalina, substâncias que alteram a motilidade intestinal, reduzem o fluxo sanguíneo no estômago e podem causar queimação, refluxo, gases, dor de estômago ou crises de diarreia.

    4. Por que a ansiedade costuma piorar à noite?

    À noite, os estímulos externos diminuem: o barulho do dia cessa, o trabalho acaba e as distrações somem. Sem outras coisas para focar, a mente vazia ganha espaço para remoer preocupações e antecipar problemas do dia seguinte, o que eleva a ansiedade e gera insônia.

    5. Quando é necessário tomar remédio para ansiedade?

    O uso de remédios para ansiedade, como ansiolíticos ou antidepressivos, é indicado quando a ansiedade se torna paralisante, ou seja, quando o paciente já não consegue trabalhar, estudar, dormir ou se socializar, mesmo tentando mudar seus hábitos.

    6. O que é a ansiedade social e como ela se manifesta?

    A ansiedade social é o medo intenso e persistente de ser julgado, avaliado negativamente, humilhado ou rejeitado em situações sociais. Quem convive com isso sente um nervosismo extremo ao falar em público, comer perto de outras pessoas, ir a festas ou até mesmo iniciar conversas com desconhecidos.

    7. Crianças e adolescentes também podem ter transtornos de ansiedade?

    Sim, mas a ansiedade em crianças e adolescentes costuma se manifestar de forma diferente dos adultos. Em jovens, ela aparece frequentemente através de dores de estômago ou de cabeça constantes, recusa em ir à escola, irritabilidade excessiva, choro fácil, medo exagerado de ficar longe dos pais (ansiedade de separação) e distúrbios do sono.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda

  • Infecções que sempre voltam: quando é hora de investigar? 

    Infecções que sempre voltam: quando é hora de investigar? 

    Ter uma infecção ocasional faz parte da vida. Gripes, infecções urinárias, sinusites e otites podem acontecer em diferentes momentos e, na maioria das vezes, são episódios isolados que se resolvem com o tratamento adequado.

    Mas o que acontece quando a infecção volta várias vezes e sempre no mesmo local? Nem sempre isso é sinal de um problema grave, mas a repetição pode indicar a presença de fatores que favorecem a proliferação de microrganismos naquela região.

    Em muitos casos, alterações anatômicas, doenças crônicas ou problemas funcionais ajudam a explicar por que determinadas infecções insistem em retornar. Venha entender mais!

    O que é considerado uma infecção recorrente?

    Não existe uma definição única para todas as doenças, mas geralmente o termo é utilizado quando:

    • A infecção ocorre várias vezes ao longo do ano;
    • Existe necessidade frequente de antibióticos;
    • Os sintomas retornam pouco tempo após o tratamento;
    • O mesmo local é repetidamente acometido.

    A necessidade de investigação depende da idade da pessoa, da frequência dos episódios e do tipo de infecção.

    Por que algumas pessoas têm infecções repetidas?

    A recorrência pode acontecer por diferentes motivos.

    Os principais são:

    • Alterações anatômicas;
    • Problemas de drenagem de secreções;
    • Doenças crônicas;
    • Persistência do agente infeccioso;
    • Alterações do sistema imunológico.

    Identificar a causa é importante para evitar novos episódios e reduzir a necessidade de tratamentos repetidos.

    Otites de repetição: o que pode estar por trás?

    As otites recorrentes são relativamente comuns, especialmente na infância.

    Entre os fatores mais frequentemente associados estão:

    • Aumento das adenoides;
    • Alterações anatômicas da tuba auditiva;
    • Rinites e alergias respiratórias;
    • Exposição frequente a infecções virais;
    • Tabagismo passivo.

    Em crianças, a investigação costuma avaliar tanto fatores anatômicos quanto ambientais.

    Infecções respiratórias de repetição

    Sinusites, faringites, bronquites e pneumonias estão entre as causas mais frequentes de procura por atendimento médico.

    Na maioria dos casos, episódios recorrentes dessas doenças não significam necessariamente um problema de imunidade. Porém, quando as infecções são graves, muito frequentes ou exigem internações repetidas, a investigação se torna necessária.

    Os fatores associados são:

    • Rinite alérgica;
    • Uso inadequado ou repetido de antibióticos;
    • Alterações anatômicas das vias respiratórias;
    • Doenças pulmonares crônicas, como enfisema e bronquiectasias;
    • Exposição frequente a ambientes com grande circulação de vírus.

    Infecções de pele recorrentes

    As principais infecções cutâneas de repetição são:

    • Impetigo;
    • Celulite;
    • Abscessos;
    • Micoses;
    • Herpes simples;
    • Herpes-zóster.

    Os fatores mais associados são:

    • Diabetes;
    • Dermatites e doenças que alteram a barreira da pele;
    • Colonização bacteriana persistente;
    • Linfedema;
    • Obesidade.

    Abscessos que surgem repetidamente no mesmo local costumam estar relacionados a alterações locais da pele ou dos tecidos próximos.

    Já quadros de celulite ou abscessos em diferentes regiões do corpo podem motivar uma investigação mais ampla da imunidade.

    Infecções urinárias de repetição

    As infecções urinárias recorrentes são muito comuns, especialmente entre as mulheres.

    Na maioria das vezes, não estão relacionadas a imunidade baixa.

    Os principais fatores associados incluem:

    • Alterações anatômicas do trato urinário;
    • Sexo feminino;
    • Bexiga neurogênica;
    • Uso de sonda vesical;
    • Dificuldades para esvaziar completamente a bexiga.

    Dependendo do histórico, exames complementares podem ser necessários para investigar alterações estruturais.

    Quando pensar em problemas de imunidade?

    A maior parte das pessoas com infecções recorrentes não apresenta uma imunodeficiência grave.

    A investigação imunológica, no entanto, costuma ser considerada quando existem:

    • Infecções muito frequentes;
    • Infecções graves;
    • Necessidade repetida de hospitalização;
    • Infecções por microrganismos incomuns;
    • Dificuldade de resposta aos tratamentos habituais.

    Nessas situações, o médico pode solicitar exames específicos para avaliar o funcionamento do sistema imunológico.

    Quais exames costumam ser solicitados?

    A investigação varia conforme a região afetada e o histórico do paciente.

    Os exames mais utilizados são:

    • Hemograma;
    • Exames de sangue para avaliação imunológica;
    • Cultura de secreções ou urina;
    • Ultrassonografia;
    • Tomografia;
    • Dosagem de imunoglobulinas;
    • Testes para imunodeficiências congênitas ou adquiridas.

    O objetivo é identificar fatores predisponentes que possam ser corrigidos ou tratados.

    O tratamento não é apenas usar antibióticos

    Embora os antibióticos sejam importantes para tratar a infecção ativa, eles nem sempre resolvem a causa do problema.

    Muitas vezes é necessário:

    • Corrigir alterações anatômicas;
    • Tratar alergias;
    • Controlar doenças crônicas;
    • Melhorar hábitos de saúde;
    • Adotar medidas preventivas específicas.

    Por isso, a investigação adequada é fundamental para evitar novos episódios.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure atendimento médico se houver:

    • Infecções frequentes ao longo do ano;
    • Necessidade repetida de antibióticos;
    • Internações por infecção;
    • Sintomas persistentes entre os episódios;
    • Infecções cada vez mais graves.

    A avaliação ajuda a identificar se existe alguma condição de base favorecendo a recorrência.

    Veja mais: Doenças do inverno: quais mais lotam os hospitais e como se proteger

    Perguntas frequentes sobre infecções recorrentes

    1. Ter infecções de repetição significa imunidade baixa?

    Não necessariamente. Muitas vezes existem alterações anatômicas ou fatores locais envolvidos.

    2. Otites recorrentes precisam de investigação?

    Sim. Principalmente quando os episódios são frequentes ou afetam a audição.

    3. Infecção urinária de repetição é comum?

    Sim. É especialmente frequente em mulheres.

    4. Diabetes pode favorecer infecções?

    Sim. O diabetes mal controlado aumenta o risco de diversos tipos de infecção.

    5. Toda pessoa com infecções recorrentes precisa fazer exames imunológicos?

    Não. A necessidade depende da frequência, gravidade e características das infecções.

    6. Antibióticos resolvem definitivamente o problema?

    Nem sempre. É importante identificar e tratar a causa da recorrência.

    7. Quando devo procurar um especialista?

    Quando as infecções são frequentes, graves, exigem internações ou continuam voltando apesar dos tratamentos adequados.

    Veja também: Otite média: por que crianças têm tanta dor de ouvido?

  • Aprenda alongamentos simples para aliviar dores musculares

    Aprenda alongamentos simples para aliviar dores musculares

    Incorporar exercícios de alongamento na rotina é uma das formas mais eficazes de aliviar dores musculares e prevenir lesões. Embora muitas vezes negligenciados diante da correria do dia a dia, os alongamentos podem ser feitos em poucos minutos e proporcionam benefícios que vão desde a melhora da postura até o relaxamento físico e mental.

    “O ideal é incorporar os alongamentos em diferentes momentos estratégicos do dia para obter diversos benefícios”, garante o ortopedista Caio Gonçalves, que explica nesta reportagem como tornar o hábito mais seguro e eficiente.

    Em que momento apostar nos alongamentos para dores musculares?

    O ortopedista ressalta que não existe apenas um horário correto para se alongar. A prática pode ser incorporada em diferentes momentos do dia, cada um trazendo benefícios específicos.

    • Ao acordar: desperta o corpo, ativa a circulação e reduz a rigidez após o sono
    • No trabalho (a cada 1–2 horas): pausas curtas com alongamento no trabalho aliviam a tensão acumulada de quem fica muito tempo sentado ou em pé
    • Após atividades físicas: favorece o relaxamento, auxilia na recuperação e ajuda a prevenir dor tardia
    • Antes de dormir: alongamentos leves reduzem o estresse e contribuem para um sono mais tranquilo

    “Praticar alongamentos nesses momentos permite cuidar da saúde postural, reduzir desconfortos e aumentar o bem-estar ao longo do dia”, fala o especialista.

    Confira: Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores

    Exercícios de alongamento simples que podem ser feitos no trabalho ou ao acordar

    Para quem busca alongamentos para dores musculares simples no ambiente de trabalho ou mesmo na hora de despertar, o especialista indica exercícios discretos, que não exigem equipamentos e podem ser feitos em qualquer lugar:

    • Cervical (pescoço): incline suavemente a cabeça para os lados, para a frente e para trás, alongando a região do pescoço
    • Ombros/trapézio: leve um braço estendido à frente do corpo e, com a outra mão, puxe suavemente em direção ao peito; repita com o outro braço
    • Rotação torácica sentada: sentado, cruze os braços à frente do peito e rode o tronco para a direita e depois para a esquerda, sentindo o alongamento nas costas
    • Punhos/antebraços: estique um braço à frente, com a palma virada para cima e, com a outra mão, puxe delicadamente os dedos para baixo e para cima, alternando os lados
    • Isquiotibiais sentado: sentado, estenda uma das pernas à frente e tente tocar a ponta do pé (sem forçar), mantendo a coluna ereta. Repita na outra perna

    Cada alongamento deve ser mantido entre 20 e 30 segundos, sentindo apenas um leve desconforto, nunca dor. O ideal é repetir de duas a três vezes, sempre de forma lenta, sem balanços ou impulsos, e retornando à posição inicial com cuidado. “São exemplos que podem ser feitos em poucos minutos e ajudam a diminuir desconfortos, aumentar a disposição e prevenir dores”, garante o profissional.

    Esses alongamentos para dores musculares são ótimos para o ambiente de trabalho, mas não são os mesmos alongamentos que devem ser feitos nos treinos diários (como na academia ou na corrida, por exemplo). Vamos entender!

    Alongamento antes e depois do treino: o que fazer?

    Antes do treino, a recomendação é dar preferência aos alongamentos dinâmicos, aqueles que envolvem movimento, como elevação de joelhos ou rotações de tronco. Eles ajudam a preparar músculos e articulações para o esforço, além de reduzir o risco de lesões.

    Já os alongamentos estáticos, em que se mantém a posição por alguns segundos, são mais indicados após o exercício. Eles relaxam a musculatura, reduzem a tensão acumulada durante a atividade e contribuem para prevenir dores musculares tardias.

    Exemplos de alongamentos dinâmicos (pré-treino)

    1. Elevação de joelhos
      Como fazer: Eleve alternadamente os joelhos até a altura do quadril, simulando uma marcha no lugar. Movimente os braços de forma natural
      Duração: 30 segundos
    2. Kickbacks (calcanhar nos glúteos)
      Como fazer: Flexione um joelho e leve o calcanhar em direção ao glúteo, alternando as pernas rapidamente
      Duração: 30 segundos
    3. Rotação de tronco
      Como fazer: Com os pés afastados na largura dos ombros, flexione levemente os joelhos e gire o tronco de um lado para o outro, mantendo os quadris parados
      Duração: 20 repetições (10 para cada lado)
    4. Elevação lateral de braços circulares
      Como fazer: Estenda os braços lateralmente e faça pequenos círculos, primeiro para frente e depois para trás
      Duração: 15 segundos para cada direção
    5. Agachamento com elevação de braços
      Como fazer: Agache e, ao levantar, eleve os braços acima da cabeça. Repita o movimento de forma contínua e controlada
      Duração: 10 a 15 repetições
    6. Estocada com rotação do tronco
      Como fazer: Dê um passo à frente em uma estocada e, com as mãos juntas à frente do peito, gire o tronco para o lado da perna da frente. Volte e troque de lado
      Duração: 10 repetições para cada lado
    7. Abdução dinâmica de quadril
      Como fazer: Em pé, levante lateralmente uma perna de cada vez, mantendo o movimento fluido
      Duração: 10 repetições por perna

    Exemplos de alongamentos estáticos (pós-treino)

    1. Alongamento do pescoço lateral
      Como fazer: Sentado ou em pé, mantenha as costas eretas. Com uma das mãos, segure a lateral da cabeça e incline suavemente o pescoço para o lado, aproximando a orelha do ombro (sem elevar o ombro)
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    2. Alongamento de trapézio e ombros
      Como fazer: Cruze um braço sobre o corpo na altura do peito e, com a outra mão, puxe delicadamente o braço estendido, mantendo o ombro relaxado
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    3. Alongamento de peitoral na parede
      Como fazer: Em pé, coloque a mão e o antebraço em uma parede, com o cotovelo flexionado a 90°. Gire o tronco levemente para o lado oposto até sentir alongar o peito e o ombro
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    4. Alongamento de flexores de quadril
      Como fazer: Em posição de avanço/afundo, com uma perna à frente e a outra estendida para trás, empurre suavemente o quadril para frente até sentir alongar a parte da frente do quadril da perna de trás
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    5. Alongamento de posterior da coxa
      Como fazer: Sentado com uma perna esticada e outra flexionada, incline-se lentamente sobre a perna esticada, mantendo as costas retas, até sentir alongar a parte de trás da coxa
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    6. Alongamento de panturrilha na parede
      Como fazer: Apoie as mãos na parede, coloque uma perna à frente flexionada e a outra atrás esticada com o calcanhar no chão. Incline o corpo para frente, mantendo o calcanhar da perna de trás no chão e a perna reta, até sentir alongar a panturrilha
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado
    7. Alongamento de glúteos deitado
      Como fazer: Deite-se de costas, cruze um tornozelo sobre o joelho oposto. Segure a coxa da perna apoiada no chão e puxe suavemente em direção ao peito até sentir alongar o glúteo
      Mantenha por: 20 a 30 segundos de cada lado

    Para evitar problemas, mesmo em alongamentos simples, a orientação é alongar devagar, manter a postura correta e interromper o exercício se a dor ultrapassar o desconforto leve. Em caso de dúvidas, vale buscar orientação de um fisioterapeuta ou profissional de educação física.

    Veja também: Quando a dor nas costas pode ser preocupante? Entenda os sinais de alerta

    Cuidados na hora de alongar para evitar lesões

    Quando feitos sem atenção à postura ou ultrapassando os limites do corpo, os alongamentos para dores musculares podem trazer mais problemas do que benefícios. Entre os riscos estão distensões musculares, sobrecarga articular e lesões em tendões.

    Segundo o especialista, os erros mais comuns incluem realizar movimentos bruscos, insistir apesar da dor intensa ou alongar sem alinhamento adequado da coluna.

    “Sempre realize os alongamentos lentamente, preste atenção à postura e pare imediatamente se sentir dor intensa — alongamento deve ser confortável!”, enfatiza o médico.

    É seguro alongar com dor?

    A resposta depende da intensidade da dor. “Em uma dor leve e relacionada à tensão muscular, por exemplo, alongamentos suaves e controlados podem ser benéficos, proporcionando alívio imediato”, diz o ortopedista.

    No entanto, quando há dor intensa, sinais de inflamação (como inchaço, vermelhidão e calor local) ou grande limitação dos movimentos, o ideal é evitar alongar até uma avaliação médica.

    “Jamais force o movimento caso sinta dor aguda. O ideal é sempre escutar o corpo e respeitar seus limites para que o alongamento seja seguro e eficaz.”

    Veja também: 5 atividades físicas para quem tem problemas na coluna

    Perguntas frequentes sobre alongamento para dores musculares

    1. Qual é o melhor momento do dia para se alongar?

    O alongamento pode ser feito em diferentes momentos, cada um trazendo benefícios: ao acordar, para ativar o corpo; no trabalho, para aliviar tensões; após os exercícios, para acelerar a recuperação; e antes de dormir, para relaxar.

    2. Quais alongamentos posso fazer no trabalho ou ao acordar?

    Exercícios simples como inclinar a cabeça para alongar o pescoço, cruzar o braço à frente do peito para os ombros, torcer o tronco sentado, alongar punhos e tocar a ponta do pé sentado já trazem bons resultados.

    3. Qual a diferença entre alongar antes e depois do treino?

    Antes do treino, os alongamentos dinâmicos (com movimento) são os mais indicados, pois preparam músculos e articulações. Depois do treino, prefira alongamentos estáticos (mantidos por alguns segundos), que ajudam a relaxar e prevenir dores.

    4. Existe risco de lesão ao se alongar?

    Sim. Movimentos bruscos, postura inadequada ou insistir mesmo sentindo dor podem causar distensões e sobrecarga articular. O correto é alongar de forma lenta, respeitando os limites do corpo.

    5. É seguro alongar quando já estou com dor?

    Depende. Se for dor leve por tensão muscular, alongamentos suaves podem ajudar. Mas em caso de dor intensa, inflamação ou limitação de movimentos, o ideal é evitar alongar e procurar um médico antes de retomar a prática.

    Leia também: Como evitar dores ao usar computador e celular: um guia prático de ajustes na rotina

  • Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico 

    Os primeiros anos de vida são um período de intenso desenvolvimento cerebral, em que a criança aprende a falar, caminhar, se comunicar, interagir com outras pessoas, desenvolver habilidades motoras e adquirir conhecimentos importantes para a vida. Porém, quando há alguma interrupção ou alteração nesse processo natural, podem surgir os chamados transtornos do neurodesenvolvimento.

    As condições, como o TDAH e transtorno do espectro ausista (TEA), costumam se manifestar ainda na primeira infância e podem impactar aspectos importantes do dia a dia da criança, como a fala, a aprendizagem, a atenção e o comportamento, de acordo com a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Mas, apesar dos desafios que podem trazer, os transtornos do neurodesenvolvimento não estão relacionados à falta de inteligência. Na verdade, conviver com a condição significa apenas que o cérebro processa o mundo de uma forma diferente, e não que a criança seja incapaz de aprender e se desenvolver.

    O que são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso e o desenvolvimento do cérebro. Eles costumam se manifestar muito cedo, normalmente antes de a criança entrar na escola, e podem afetar uma ou várias áreas do desenvolvimento infantil, como:

    • Linguagem e comunicação;
    • Aprendizagem;
    • Atenção e concentração;
    • Habilidades motoras;
    • Interação social;
    • Controle emocional;
    • Comportamento.

    A intensidade dos sintomas varia bastante: enquanto algumas crianças apresentem dificuldades leves e conseguem realizar as atividades com poucas adaptações, outras podem precisar de acompanhamento especializado e suporte contínuo.

    O que NÃO são transtornos do neurodesenvolvimento?

    Como existem diversas dúvidas ao redor dos transtornos de neurodesenvolvimento, vale destacar dois pontos principais:

    • Eles não indicam falta de inteligência: muitas pessoas que convivem com os transtornos têm inteligência na média ou até acima da média. A dificuldade está em como o cérebro processa e expressa o conhecimento;
    • Não é culpa dos pais: os transtornos não são causados por falta de limites, excesso de telas ou traumas familiares. São condições biológicas que envolvem diferenças no desenvolvimento e no funcionamento do cérebro, influenciadas principalmente por fatores genéticos e neurológicos.

    O mais importante é buscar orientação especializada, acolher as necessidades da criança e oferecer o suporte adequado para favorecer o seu desenvolvimento.

    Tipos de transtorno de neurodesenvolvimento

    1. Transtorno do espectro autista (TEA)

    O TEA é caracterizado por diferenças na comunicação social e pela presença de comportamentos, interesses ou atividades repetitivas e restritas. Os principais sinais podem incluir:

    • Dificuldade para interagir socialmente;
    • Pouco contato visual;
    • Atraso na fala ou diferenças na comunicação;
    • Interesse intenso por temas específicos;
    • Necessidade de rotina;
    • Sensibilidade aumentada a sons, luzes, texturas ou cheiros.

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra, motivo pelo qual o autismo é considerado um espectro. Algumas precisam de bastante suporte para as atividades diárias, enquanto outras são mais independentes.

    2. Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

    O TDAH é um transtorno que afeta principalmente a atenção, o controle dos impulsos e a capacidade de organização. Ele pode se manifestar mais pela falta de atenção, mais pela agitação, ou por uma combinação das duas coisas. Alguns dos principais sinais incluem:

    • Dificuldade para manter o foco;
    • Esquecimentos frequentes;
    • Agitação excessiva;
    • Impulsividade;
    • Dificuldade para seguir instruções;
    • Problemas de organização.

    Os sinais costumam aparecer na infância, mas podem persistir durante a adolescência e a vida adulta.

    3. Transtornos específicos da aprendizagem

    Os transtornos específicos de aprendizagem são condições que afetam a capacidade de processar informações específicas, tornando o aprendizado escolar muito desafiador, mesmo que a criança seja inteligente. Os mais conhecidos são:

    • Dislexia: transtorno da aprendizagem que afeta principalmente a leitura. A criança pode ter dificuldade para reconhecer palavras de forma rápida e fluente, compreender textos, identificar sons das letras e realizar atividades de leitura e escrita compatíveis com a idade;
    • Discalculia: transtorno que interfere na compreensão dos números e dos conceitos matemáticos. Pode causar dificuldades para realizar cálculos simples, entender quantidades, memorizar operações básicas, interpretar problemas matemáticos e lidar com noções de tempo e medidas;
    • Disgrafia: alteração que afeta a habilidade de escrita, de modo que a criança pode apresentar letra pouco legível, dificuldade para organizar palavras e frases no papel, lentidão para escrever e problemas para coordenar os movimentos necessários durante a escrita.

    Como os transtornos muitas vezes podem ser confundidos com falta de interesse, o diagnóstico pode acontecer anos mais tarde.

    4. Transtornos da comunicação

    Os transtornos de comunicação afetam a fala e a linguagem, de maneira que a criança pode entender perfeitamente o que dizem a ela, mas ter dificuldades sérias para se expressar verbalmente, estruturar frases ou pronunciar os sons corretamente. Quanto mais cedo as alterações forem identificadas, maiores são as chances de intervenção eficaz.

    5. Transtornos do desenvolvimento da coordenação motora

    Nos transtornos do desenvolvimento motor, a criança apresenta dificuldades para realizar movimentos e executar tarefas motoras esperadas para a sua idade. O principal exemplo é o transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), também conhecido como dispraxia, condição que pode afetar atividades do dia a dia, como escrever, correr, se vestir ou praticar esportes.

    O grupo também inclui os transtornos de tiques, caracterizados por movimentos ou vocalizações involuntárias e repetitivas, como ocorre na Síndrome de Tourette.

    6. Transtorno do desenvolvimento intelectual

    O transtorno do desenvolvimento intelectual envolve limitações nas funções intelectuais, como raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas e planejamento, além de dificuldades no comportamento adaptativo, que inclui habilidades necessárias para o dia a dia, como comunicação, autocuidado, interação social e realização de atividades práticas.

    A condição pode variar de leve a profunda, dependendo do grau de comprometimento e da necessidade de suporte da pessoa.

    Quais os sinais de alerta mais comuns?

    Cada transtorno possui características próprias, mas os pais podem ficar atentos a alguns sinais que podem indicar que a criança precisa de uma avaliação especializada, como:

    • Atraso para falar;
    • Pouco interesse em interações sociais;
    • Dificuldade para manter contato visual;
    • Problemas persistentes de atenção;
    • Agitação excessiva;
    • Dificuldade de aprendizagem;
    • Comportamentos repetitivos;
    • Sensibilidade exagerada a estímulos;
    • Atrasos tempos;
    • Dificuldade para seguir instruções compatíveis com a idade.

    A presença de um ou mais sinais não significa necessariamente que exista um transtorno, mas merece investigação quando persiste ao longo do tempo.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico dos transtornos do neurodesenvolvimento é clínico e deve ser realizado por profissionais especializados, como neuropediatras, pediatras do desenvolvimento, psiquiatras infantis, psicólogos e fonoaudiólogos, dependendo do caso. A avaliação costuma envolver diferentes etapas:

    • Entrevista com a família: os profissionais investigam o histórico da criança desde a gestação, incluindo o desenvolvimento motor, da linguagem, social e escolar. As informações fornecidas pelos pais ou cuidadores são necessárias para entender quando os sintomas surgiram e como eles afetam a rotina;
    • Observação do comportamento: durante as consultas, o especialista observa como a criança interage, se comunica, brinca e responde aos estímulos do ambiente. A etapa ajuda a identificar características específicas de cada transtorno;
    • Avaliações específicas: dependendo da suspeita clínica, podem ser aplicados testes e escalas padronizadas para analisar aspectos como atenção, linguagem, cognição, habilidades sociais e aprendizagem. Em muitos casos, a avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar;
    • Investigação de outras condições: o médico também pode solicitar exames quando necessário para descartar problemas que possam causar sintomas semelhantes, como alterações auditivas, visuais, neurológicas ou metabólicas.

    É importante destacar que não existe um exame de sangue, de imagem ou um teste único capaz de diagnosticar a maioria dos transtornos do neurodesenvolvimento.

    Como é feito o tratamento dos transtornos de neurodesenvolvimento?

    O tratamento dos transtornos do neurodesenvolvimento varia de acordo com o diagnóstico, a idade da criança e as dificuldades apresentadas.

    Não existe uma abordagem única para todos os casos, uma vez que o acompanhamento costuma ser individualizado e adaptado às necessidades de cada criança. Contudo, alguns pilares podem envolver:

    • Terapias de estimulação: incluem o acompanhamento com psicólogo, para trabalhar questões emocionais e comportamentais; fonoaudiólogo, para auxiliar no desenvolvimento da fala e da linguagem. E terapeuta ocupacional, para estimular habilidades motoras, sensoriais e a autonomia nas atividades do dia a dia;
    • Medicamentos: podem ser indicados em alguns casos para controlar sintomas específicos que prejudicam a rotina e o desenvolvimento da criança, como desatenção intensa, impulsividade, hiperatividade, ansiedade ou alterações do sono;
    • Apoio escolar: envolve adaptações pedagógicas de acordo com as necessidades da criança, como tempo adicional para realizar atividades e provas, estratégias de ensino individualizadas e, quando necessário, o acompanhamento de um profissional de apoio;
    • Orientação informal: ajuda os pais e cuidadores a compreender melhor o transtorno e a desenvolver estratégias para organizar a rotina, estimular o desenvolvimento da criança e lidar com os desafios do dia a dia de forma acolhedora e eficaz.

    Também vale apontar que o tratamento não foca em uma cura, uma vez que as fazem parte da forma como o cérebro da pessoa é estruturado, mas em estimular o cérebro desenvolver habilidades e oferecer ferramentas para que a criança tenha o máximo de autonomia, qualidade de vida e bem-estar.

    O acompanhamento envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir neuropediatra, pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo e fisioterapeuta, dependendo das necessidades da criança.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. Com qual idade os primeiros sinais começam a aparecer?

    Os sinais costumam surgir logo na primeira infância, frequentemente antes dos 3 anos de idade. Pais e cuidadores podem notar atrasos na fala, falta de contato visual, agitação extrema ou dificuldade para interagir com outras crianças.

    2. O que causa os transtornos do neurodesenvolvimento?

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são causados por uma combinação de fatores genéticos, biológicos e ambientais que interferem no desenvolvimento do cérebro ainda na gestação ou nos primeiros anos de vid

    3. Toda criança com TDAH precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. O uso de medicamentos depende da gravidade dos sintomas e do quanto eles atrapalham o aprendizado e as relações sociais da criança.

    4. É possível ter mais de um transtorno do neurodesenvolvimento ao mesmo tempo?

    Sim, isso é muito comum e é chamado de comorbidade. Uma criança diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, também pode apresentar TDAH ou um transtorno de aprendizagem, como a dislexia.

    5. Como a escola pode ajudar uma criança com os transtornos?

    A escola deve oferecer acessibilidade pedagógica, o que inclui adaptar o formato das provas, dar tempo extra para atividades, fragmentar comandos longos, sentar a criança perto do professor e, quando necessário, disponibilizar um mediador escolar.

    6. Adultos também podem ser diagnosticados com esses transtornos?

    Sim, muitas pessoas passam a infância sem diagnóstico e só descobrem o TDAH ou o autismo na vida adulta, normalmente ao buscarem ajuda para problemas de ansiedade, organização, foco ou dificuldades no trabalho e nos relacionamentos.

    7. O que os pais devem fazer ao suspeitarem de algum sinal?

    O primeiro passo é conversar com o pediatra que acompanha a criança e relatar as observações. Se o médico achar necessário, ele encaminhará a família para um especialista (como neuropediatra ou psicólogo infantil) para uma avaliação detalhada.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • 7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    7 sinais de que é hora de trocar o seu método anticoncepcional

    Na hora de escolher o anticoncepcional, o ginecologista precisa considerar uma série de fatores para garantir que a opção escolhida seja a mais adequada para cada mulher. O ideal é encontrar um método que seja seguro, confortável e compatível com a rotina da paciente, reduzindo as chances de efeitos colaterais e aumentando a satisfação com o uso.

    Só que, no dia a dia, nem sempre a adaptação acontece da forma esperada e é comum conviver com efeitos colaterais que persistem mesmo depois do período inicial de adaptação, afetando a qualidade de vida e o bem-estar.

    Além disso, como os hábitos de vida e a saúde também podem mudar com o tempo, um anticoncepcional que funcionava bem deixou de ser a melhor opção. Nesses casos, é importante conversar com o ginecologista para reavaliar a escolha e verificar se vale a pena fazer algum ajuste ou trocar de método.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza para entender quais sinais podem indicar que o anticoncepcional atual não está mais sendo a melhor alternativa para você. Confira!

    Sinais de que o método anticoncepcional não está adequado

    1. Náuseas e dores de cabeça constantes

    Se você sente enjoos ou dores de cabeça com frequência desde que começou a usar um anticoncepcional, pode ser um sinal de que o método não está se adaptando bem ao seu organismo. Os efeitos colaterais são relativamente comuns, mas eles não devem fazer parte da rotina.

    Segundo Andreia, em alguns casos, ajustes simples podem ajudar, como tomar o comprimido à noite, antes de dormir, para diminuir a percepção dos efeitos colaterais. No entanto, quando os sintomas persistem, a recomendação frequentemente é trocar o método anticoncepcional.

    2. Queda da libido

    Uma diminuição significativa do desejo sexual pode ocorrer com o uso de alguns métodos hormonais, como pílulas, injeções, implantes, anel vaginal e adesivos, devido às alterações nos níveis hormonais. Se isso estiver afetando o seu bem-estar ou os seus relacionamentos, vale a pena conversar com o ginecologista para avaliar outras opções.

    3. Sangramentos de escape frequentes

    Pequenos sangramentos fora do período menstrual podem acontecer com alguns métodos anticoncepcionais, principalmente aqueles que reduzem ou suspendem a menstruação. Normalmente, eles não representam nenhum problema de saúde, só que podem ser bastante incômodos quando persistem por muitos dias ou acontecem repetidamente.

    4. Dor ou desconforto durante a relação sexual

    Algumas mulheres podem perceber menos lubrificação vaginal após o início de determinados anticoncepcionais hormonais, o que pode tornar a relação sexual desconfortável ou até dolorosa. Caso isso aconteça com frequência, pode ser necessário avaliar outras opções.

    5. Esquecimentos frequentes da pílula

    Segundo Andreia, o melhor anticoncepcional é aquele que se encaixa na sua rotina. Se você costuma esquecer de tomar a pílula, por exemplo, a proteção contra a gravidez pode diminuir significativamente.

    Nesses casos, pode ser interessante conversar com o médico sobre métodos de longa duração, como o DIU ou o implante, que exigem menos cuidados diários.

    6. Mudanças intensas no humor

    Os hormônios presentes nos anticoncepcionais podem influenciar o humor de maneiras diferentes em cada pessoa. Andreia explica que, em geral, o bloco do eixo endócrino promovido pela pílula melhora a oscilação de humor, como nos casos de TPM.

    Contudo, algumas mulheres podem notar uma maior irritabilidade, tristeza, ansiedade ou sensação de apatia no dia a dia. Nesses casos, o médico pode orientar a troca se as mudanças estiverem afetando a qualidade de vida.

    7. Surgimento de novos problemas de saúde

    A saúde muda ao longo da vida, e um anticoncepcional que era adequado há alguns anos pode deixar de ser a melhor opção com o passar do tempo.

    O surgimento de condições como pressão alta, enxaqueca, diabetes ou obesidade, assim como o início do tabagismo, pode aumentar os riscos associados a determinados métodos contraceptivos, especialmente os hormonais.

    Por isso, é importante informar o ginecologista sobre qualquer mudança no seu estado de saúde durante as consultas de rotina.

    Qual o período de adaptação do organismo ao anticoncepcional?

    Os médicos costumam orientar que, sempre que possível, a mulher aguarde cerca de três meses antes de trocar o método anticoncepcional, de acordo com Andreia. É o período normal de adaptação do organismo, durante o qual muitos efeitos colaterais tendem a diminuir ou desaparecer.

    No entanto, não é necessário esperar pela consulta de rotina se aparecerem situações que precisem uma reavaliação mais rápida, como:

    • Efeitos colaterais intensos ou difíceis de tolerar;
    • Início de um medicamento de uso contínuo que possa interagir com o anticoncepcional e reduzir a sua eficácia;
    • Mudanças importantes no estado de saúde, como pressão alta, enxaqueca ou diabetes;
    • Dúvidas sobre a eficácia do método ou dificuldades para usá-lo corretamente.

    Dependendo da situação, pode ser necessário ajustar a dosagem hormonal, mudar a forma de uso ou até trocar o anticoncepcional por outro mais adequado ao perfil e às necessidades da paciente.

    Como escolher o método anticoncepcional ideal?

    A escolha do anticoncepcional deve levar em conta o histórico de saúde, o estilo de vida e as preferências de cada mulher. Segundo Andreia, costuma ser uma das primeiras conversas durante a consulta ginecológica, mesmo quando o objetivo é apenas um acompanhamento de rotina.

    O processo começa com uma avaliação completa da paciente, considerando fatores de risco, doenças já existentes, hábitos, rotina e vida sexual. Todas as informações ajudam a identificar quais métodos podem ser mais adequados e seguros para cada caso.

    Se não houver contraindicações, a paciente recebe orientações sobre as opções disponíveis, incluindo as vantagens, as desvantagens, a forma de uso e os possíveis efeitos colaterais. Como a maioria das mulheres não apresenta restrições importantes, a decisão final costuma ser compartilhada, levando em conta as necessidades, os planos reprodutivos e as preferências individuais.

    Em alguns casos, características da rotina também podem influenciar a recomendação. Por exemplo, mulheres que costumam esquecer a pílula podem se beneficiar de métodos de longa duração, como o DIU ou o implante.

    De acordo com Andreia, o método anticoncepcional deve ser reavaliado regularmente nas internacionais ginecológicas. Para auxiliar na escolha, os médicos utilizam os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos, elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    As diretrizes relacionam as condições de saúde da paciente às evidências científicas disponíveis para indicar quais métodos são mais seguros em cada situação.

    Leia mais: DIU de cobre: o que é, como funciona e efeitos colaterais

    Perguntas frequentes

    1. A escolha do anticoncepcional é baseada apenas na minha preferência?

    Não totalmente. Primeiro, o médico avalia quais métodos são seguros para você. Se não houver contraindicações, a escolha passa a ser feita de acordo com o seu estilo de vida, suas preferências e a facilidade de uso de cada método.

    2. Quais são os principais efeitos colaterais das pílulas anticoncepcionais orais?

    Como as pílulas orais precisam ser metabolizadas pelo fígado, os efeitos adversos mais comuns associados a elas incluem náuseas, dores de cabeça (cefaleia) e um aumento no risco de desenvolvimento de trombose.

    3. Sinto muitas náuseas ao tomar a pílula. Existe algo que eu possa fazer antes de mudar de método?

    Sim. Uma dica simples é mudar o horário da tomada para o período da noite, logo antes de dormir. Assim, você passa pelo pico de absorção do medicamento enquanto dorme, reduzindo a sensibilidade do organismo aos efeitos gastrointestinais. Se ainda assim persistir, a troca do método é recomendada.

    4. É verdade que o anticoncepcional diminui a libido?

    Sim, isso é muito comum em quase todos os métodos hormonais sistêmicos, como pílulas, injetáveis, anel vaginal, adesivos e implantes. Como os métodos agem inibindo a ovulação, eles acabam reduzindo os níveis de hormônios circulantes que estimulam o desejo sexual.

    5. Existe algum sintoma colateral que seja um sinal de alerta grave de saúde?

    Sintomas isolados provocados pelo anticoncepcional, como escapes ou dor de cabeça leve, não costumam ser graves. No entanto, sangramentos excessivamente intensos e dores agudas/fortes são sinais de alerta imediatos.

    6. O uso prolongado de anticoncepcional pode me deixar estéril?

    Não, a pílula ou outros métodos não prejudicam a fertilidade de base. Ao interromper o uso, o corpo volta a ter exatamente a fertilidade que você teria naturalmente para a sua idade e condição de saúde.

    7. Com que frequência devo avaliar se o meu método contraceptivo ainda é seguro?

    A avaliação deve ser feita em toda consulta ginecológica de rotina, que idealmente deve acontecer uma vez por ano.

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