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  • Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores 

    Exercícios para melhorar a postura no home-office: guia prático para evitar dores 

    Trabalhar de casa virou realidade para milhões de pessoas, mas trouxe também um problema crescente: dores e desconfortos causados pela má postura no home-office. Longas horas diante do computador, muitas vezes em cadeiras inadequadas ou sem pausas regulares, podem gerar sobrecarga na coluna, nos ombros e até nos punhos.

    Para evitar que esses incômodos se transformem em lesões, a fisioterapeuta Valéria Amador recomenda a prática regular de exercícios simples que podem ser feitos em casa e que ajudam a melhorar a postura no home-office. “Isso é fundamental para prevenir problemas crônicos, como dores lombares, cervicais e até tendinites”.

    Veja como melhorar a saúde do seu corpo, evitar dores no home-office e conhecer as práticas recomendadas pela especialista.

    Postura no home-office: o impacto no corpo dos trabalhadores

    Trabalhar em casa trouxe praticidade, mas também “armadilhas” para o corpo. Sem a estrutura adequada, é comum improvisar com cadeiras de jantar, mesas baixas ou até trabalhar do sofá, o que aumenta a chance de dores por conta da posição inadequada da postura no home-office.

    Um estudo realizado com mais de 40 mil trabalhadores confirma isso: o home-office aumentou o risco de dores musculoesqueléticas em várias regiões do corpo, incluindo maior chance de dor na lombar, na parte superior das costas e em pescoço, ombros e braços.

    O motivo é simples: sem ajustes adequados na altura da cadeira, da tela e do teclado, o corpo compensa com posturas erradas que, mantidas por horas, levam ao desconforto. Para Valéria, os erros posturais mais comuns cometidos por quem trabalha em home-office, e que podem causar essas dores localizadas, incluem:

    • Olhar para baixo: a cabeça fica inclinada, forçando a cervical. O monitor deve estar na altura dos olhos;
    • Ombros curvados: ficam projetados para a frente, causando a postura ‘corcunda’;
    • Falta de apoio para a lombar: trabalhar em cadeiras inadequadas ou no sofá sem apoio na parte inferior das costas sobrecarrega a coluna;
    • Pés sem apoio no chão: quando os pés não ficam completamente apoiados, a postura da bacia é prejudicada, afetando toda a coluna;

    O primeiro passo é adequar a postura no home-office. Invista em uma cadeira e em uma escrivaninha adequadas, suportes que elevam o computador para a altura dos olhos, além de usar mouse e teclado. Tudo isso ajuda a melhorar a postura e diminuir o risco de dores.

    Além disso, é importante investir também em alongamentos simples, como os indicados a seguir, que ajudam a evitar dores no home-office!

    Alongamentos para home-office: saiba quais fazer

    Um dos recursos mais simples e eficazes para evitar dores é fazer alongamentos para home-office que sejam acessíveis. Feitos de forma leve e frequente, eles ajudam a aliviar tensões, aumentar a circulação sanguínea e reduzir a rigidez muscular.

    Veja alguns exemplos indicados pela profissional que podem ser feitos sem sair do local de trabalho:

    • Rotação da cabeça: incline a cabeça para a direita, segurando por 20 segundos. Depois, repita para a esquerda. Faça o mesmo para frente e para trás;
    • Rotação de ombros: sentado ou em pé, gire os ombros para trás e para baixo em movimentos circulares. Repita 10 vezes e depois faça 10 vezes para a frente;
    • Elevação de calcanhares: em pé, com as costas retas, suba e desça os calcanhares lentamente, como se estivesse na ponta dos pés. Isso fortalece a panturrilha e melhora a circulação;
    • Postura gato-vaca: fique de quatro, inspire, abaixando a barriga e levantando a cabeça (posição da vaca). Expire, curvando as costas para cima e levando o queixo ao peito (posição do gato). Repita 5 a 10 vezes.

    “Esses exercícios são extremamente importantes. Um alongamento de 1 a 2 minutos no meio do expediente pode fazer uma grande diferença, pois ajuda a aliviar a tensão muscular acumulada, a melhorar a circulação do sangue e a reduzir a rigidez no pescoço, ombros e costas”, enfatiza Valéria.

    Leia também: 8 dicas para prevenir a dor nas costas no dia a dia

    Exercícios de fortalecimento para sustentar a postura

    Além dos alongamentos, é importante fortalecer os músculos responsáveis pela sustentação para melhorar a postura no home-office. Essa “musculatura estabilizadora” inclui abdômen, lombar, glúteos e ombros. Quando bem trabalhados, esses músculos funcionam como uma armadura natural, reduzindo o impacto das longas horas sentado.

    Entre os exercícios mais recomendados estão:

    • Prancha abdominal: de bruços, apoie-se nos antebraços e nas pontas dos pés. Mantenha o corpo reto como uma tábua, sem curvar o quadril. Segure por 30 segundos, ou o máximo que conseguir;
    • Ponte: deitado de costas, com os joelhos dobrados e os pés no chão, levante o quadril em direção ao teto, contraindo o bumbum e o abdômen. Mantenha a posição por 15 segundos e desça lentamente. Repita 10 vezes.

    Esses exercícios podem ser feitos junto com os alongamentos ou em horários separados e ajudam a equilibrar o corpo. Afinal, quando os músculos estão fortes, a pessoa não precisa “forçar” para se manter ereta, porque o corpo naturalmente sustenta a postura correta com mais facilidade.

    Pausas ativas e ergonomia: aliados contra as dores

    Não basta apenas se alongar e fortalecer: é preciso reorganizar a rotina de trabalho. A fisioterapeuta recomenda as chamadas pausas ativas, que consistem em interromper o trabalho por alguns minutos para movimentar o corpo.

    “A recomendação geral é fazer uma pausa de 5 a 10 minutos a cada 1 hora de trabalho sentado. Mas, mais importante do que a duração da pausa, é a consistência. O ideal é que você se levante, caminhe, vá beber água e faça um alongamento rápido para ‘quebrar’ o ciclo de ficar muito tempo na mesma posição”, recomenda.

    Com essas pequenas mudanças na rotina, exercícios simples de alongamento e fortalecimento e ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho, é possível melhorar a postura e prevenir dores.

    Perguntas frequentes

    1. Quais exercícios ajudam a melhorar a postura no home-office?

    Alongamentos de pescoço, tronco e ombros, além de exercícios de fortalecimento como prancha e ponte, são ótimas pedidas.

    2. Quantas vezes devo me alongar durante o expediente?

    O ideal é fazer pausas de 5 minutos a cada hora, com pequenos alongamentos e movimentos, como uma caminhada.

    3. Trabalhar em ambientes improvisados, como sofá ou cama, faz mal?

    Sim. Essas posturas forçam a coluna e aumentam o risco de dores crônicas.

    4. Como ajustar a ergonomia do meu espaço de trabalho?

    Mantenha a tela na altura dos olhos, apoie os pés no chão ou suporte, use cadeira ajustada e mantenha cotovelos próximos ao corpo.

    5. Só alongamento resolve?

    Não. É preciso fortalecer a musculatura estabilizadora (abdômen, lombar, glúteos e ombros) para manter a postura correta.

    Confira: Ciática: o que é e como aliviar a dor no nervo ciático

  • Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Barriga pontuda revela o sexo do bebê? Veja os mitos e as verdades mais comuns da gravidez

    Ao longo da gestação, você já deve ter ouvido alguma dica de um familiar, de uma amiga ou até de um desconhecido. Dizem que o formato da barriga revela o sexo do bebê, que grávida deve comer por dois ou até que a relação sexual pode machucar o bebê.

    Apesar de várias das orientações fazerem parte da cultura popular há gerações, nem todas têm comprovação científica e algumas podem até gerar preocupações desnecessárias.

    Conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que esclareceu as principais dúvidas sobre o assunto e explicou o que realmente é mito e o que é verdade durante a gestação. Confira!

    Afinal, o que é mito ou verdade sobre a gravidez?

    1. Ficar de pernas para cima depois do sexo melhora as chances?

    É um mito! Manter as pernas levantadas ou elevar o quadril depois da relação sexual não aumenta as chances de engravidar. A ideia de que a gravidade ajudaria os espermatozoides a chegar até o útero não corresponde ao funcionamento do sistema reprodutor feminino, de acordo com Andreia.

    Após a ejaculação, os espermatozoides começam a se deslocar pelo trato reprodutivo feminino e os mais móveis podem alcançar o colo do útero rapidamente. O muco cervical presente durante o período fértil também facilita a passagem dos espermatozoides.

    Por isso, levantar as pernas, colocar um travesseiro embaixo do quadril ou permanecer deitada por muito tempo não é necessário. Também é normal perceber a saída de parte do sêmen pela vagina depois da relação, e isso não significa que todos os espermatozoides foram eliminados.

    Para quem está tentando engravidar, a frequência das relações sexuais durante o período fértil é muito mais importante do que a posição adotada depois do sexo.

    2. Comer inhame aumenta a fertilidade ou induz a ovulação?

    Mito. O inhame é frequentemente associado ao aumento da fertilidade devido à presença da diosgenina, uma substância vegetal que pode ser utilizada pela indústria farmacêutica como matéria-prima em processos laboratoriais para a produção de hormônios esteroides.

    No entanto, o organismo humano não transforma a diosgenina presente no inhame em progesterona ou outros hormônios reprodutivos simplesmente após o consumo do alimento. Logo, não existem evidências de que comer inhame provoque a ovulação ou aumente diretamente as chances de gravidez.

    O inhame pode fazer parte de uma alimentação saudável por oferecer carboidratos, fibras, vitaminas e minerais. A alimentação equilibrada contribui para a saúde geral e reprodutiva, mas nenhum alimento isolado é capaz de induzir a ovulação ou tratar problemas de fertilidade.

    3. A alimentação do homem interfere na qualidade do esperma?

    Verdade. A saúde do homem também influencia as chances de uma gravidez, já que a alimentação e outros hábitos podem afetar a qualidade dos espermatozoides, segundo Andreia.

    Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e boas fontes de proteínas, pode contribuir para a saúde reprodutiva masculina. Por outro lado, o cigarro, o excesso de álcool, a obesidade, o uso de drogas e de anabolizantes podem prejudicar a produção e a qualidade dos espermatozoides.

    Além dos hábitos de vida, os fatores genéticos, hormonais e anatômicos, algumas doenças e determinados medicamentos também podem interferir na fertilidade. Por isso, quando o casal apresenta dificuldade para engravidar, a ginecologista aponta que tanto a mulher quanto o homem devem ser avaliados.

    4. Ter relação no dia exato da ovulação garante um menino?

    Mito. Não existe um método natural comprovado capaz de determinar o sexo do bebê a partir do dia em que a relação sexual acontece.

    A crença surgiu a partir da teoria de que os espermatozoides que carregam o cromossomo Y seriam mais rápidos e menos resistentes, enquanto os que carregam o cromossomo X seriam mais lentos e sobreviveriam por mais tempo. As evidências científicas não confirmam que a diferença possa ser utilizada para escolher o sexo do bebê.

    5. A barriga pontuda indica menino e a barriga redonda indica menina?

    Mito. O formato da barriga da gestante não permite descobrir o sexo do bebê.

    A aparência da barriga pode variar de acordo com a estrutura corporal da mulher, a musculatura abdominal, o número de gestações anteriores, a posição do bebê, o tamanho do útero e outros fatores relacionados à gravidez.

    Segundo Andreia, o sexo fetal pode ser identificado por exames, como a sexagem fetal por meio do sangue materno, realizada a partir de determinado período da gestação, e a ultrassonografia, quando a posição e o desenvolvimento do bebê permitem a visualização da genitália.

    6. O coração do bebê começa a bater nas primeiras semanas?

    Verdade. O desenvolvimento do coração acontece logo no início da gestação. Nas primeiras semanas, já é possível identificar a atividade cardíaca do embrião por meio de exames específicos, de acordo com a idade gestacional.

    7. Muita azia na gravidez significa que o bebê vai nascer cabeludo?

    Não é possível afirmar isso. A azia é muito comum durante a gravidez e acontece principalmente devido às alterações hormonais e físicas do período.

    A progesterona contribui para o relaxamento do esfíncter localizado entre o esôfago e o estômago, facilitando o retorno do conteúdo gástrico e o aparecimento da queimação. Conforme o bebê cresce, o aumento do útero também pode pressionar o estômago, favorecendo ainda mais o refluxo.

    Curiosamente, um pequeno estudo realizado nos Estados Unidos e publicado em 2006 encontrou uma associação entre a intensidade da azia durante a gravidez e a quantidade de cabelo do bebê ao nascer. No entanto, ainda faltam estudos maiores e evidências científicas mais robustas para confirmar a relação.

    8. A grávida precisa comer por dois?

    É um mito! A gestante não precisa dobrar a quantidade de comida porque está esperando um bebê. O organismo passa a apresentar necessidades nutricionais específicas durante a gravidez, mas isso não significa comer duas vezes mais.

    As necessidades de energia mudam ao longo da gestação e dependem de fatores como o peso antes da gravidez, o estado nutricional, o nível de atividade física e o trimestre gestacional. O ganho de peso acima do recomendado pode aumentar o risco de problemas como o diabetes gestacional, a hipertensão e outras complicações maternas e fetais.

    9. A relação sexual na gravidez pode machucar o bebê ou provocar parto prematuro?

    Na maioria das vezes, não. Em uma gestação sem complicações e sem contraindicação médica, manter relações sexuais costuma ser seguro e não machuca o bebê.

    O bebê permanece protegido dentro do útero pelo líquido amniótico, pelas membranas e pela musculatura uterina, enquanto o colo do útero separa a vagina da cavidade onde o bebê está se desenvolvendo. O pênis não entra em contato com o bebê durante a penetração.

    Também não há evidências de que a atividade sexual aumente o risco de parto prematuro em uma gestação saudável.

    Por outro lado, o obstetra pode recomendar a suspensão temporária das relações sexuais em algumas situações, como determinados casos de placenta prévia, sangramento vaginal sem causa conhecida, ruptura das membranas ou risco aumentado de parto prematuro.

    10. A mudança da fase da lua aumenta as chances de entrar em trabalho de parto?

    Mito! A associação entre as fases da lua e o nascimento dos bebês é uma crença popular antiga, principalmente em relação à lua cheia.

    A ideia costuma partir da comparação com a influência gravitacional da Lua sobre as marés. No entanto, não há evidências consistentes de que a mudança da fase lunar provoque o rompimento da bolsa ou desencadeie o trabalho de parto.

    O início do trabalho de parto envolve uma combinação complexa de alterações hormonais, inflamatórias e mecânicas no organismo da mãe e do bebê.

    11. Os desejos não atendidos deixam marcas ou manchas no bebê?

    Mito. A vontade de comer determinado alimento durante a gravidez não tem relação com o surgimento de manchas ou marcas de nascença no bebê.

    As marcas de nascença podem ter diferentes origens, incluindo alterações nos vasos sanguíneos ou na pigmentação da pele durante o desenvolvimento fetal. O fato de a gestante ter vontade de comer morango, chocolate ou qualquer outro alimento e não satisfazer o desejo não modifica a pele do bebê.

    Os desejos alimentares durante a gravidez, por outro lado, são reais e podem estar relacionados a diferentes fatores, incluindo mudanças hormonais, alterações no paladar e no olfato e aspectos culturais e emocionais.

    Uma atenção maior é necessária quando a gestante sente vontade persistente de ingerir substâncias que não são alimentos, como terra, barro, giz ou papel. O comportamento é conhecido como pica e pode estar associado, entre outros fatores, a deficiências nutricionais, incluindo a deficiência de ferro.

    Na presença do comportamento, a gestante deve conversar com o obstetra para que seja feita uma avaliação adequada.

    12. O chá de canela na gravidez é abortivo?

    Não existem evidências científicas robustas de que o chá de canela provoque aborto em humanos quando a canela é consumida nas quantidades normalmente utilizadas na alimentação.

    No entanto, os médicos e obstetras costumam recomendar cautela com o consumo do chá durante a gravidez, principalmente em preparações concentradas, já que não há dados suficientes sobre a segurança do uso em grandes quantidades e os possíveis efeitos sobre a gestação.

    Leia mais: Primeiro trimestre de gravidez: sintomas, exames e cuidados

    Perguntas frequentes

    1. Tomar café na gravidez faz mal ao bebê?

    Em excesso, sim. A cafeína ultrapassa a placenta e o feto não tem enzimas para metabolizá-la. Altas doses estão associadas a baixo peso ao nascer e risco de aborto. O limite seguro recomendado pela OMS é de até 200 mg de cafeína por dia (cerca de 2 xícaras de café coado).

    2. A grávida pode dormir de barriga para cima?

    Não é recomendado no 3º trimestre. A partir da 28ª semana, o peso do útero sobre a veia cava inferior pode reduzir a circulação sanguínea para a mãe e para o bebê. O ideal é dormir virada para o lado esquerdo, posição que otimiza o fluxo de sangue e nutrientes para a placenta.

    3. Azia na gravidez pode ser tratada com bicarbonato de sódio?

    Jamais. O bicarbonato é rico em sódio, o que favorece o aumento da pressão arterial e o inchaço. Para aliviar a azia, prefira fracionar as refeições, evitar deitar logo após comer e utilizar apenas antiácidos prescritos pelo obstetra.

    4. Comer pimenta ou comidas apimentadas faz mal para o bebê?

    Não faz mal ao feto, mas pode incomodar a mãe. Os temperos picantes não afetam o desenvolvimento do bebê, mas podem piorar quadros de azia, refluxo e hemorroidas, que já são bastante comuns na gestação.

    5. Pintar as unhas ou usar acetona prejudica a gestação?

    Não. O uso ocasional de esmaltes e removedores de unha é seguro. A única recomendação é aplicar o produto em locais bem ventilados para evitar a inalação prolongada do cheiro forte de solventes, que pode causar enjoos.

    6. Grávida pode tomar vacina contra a gripe e febre amarela?

    A vacina da gripe é obrigatória, e a de febre amarela depende da região. A vacina da gripe (vírus inativado) é segura e indicada em qualquer trimestre. Já as vacinas de vírus vivo atenuado (como a da febre amarela) só são aplicadas sob alto risco de exposição epidemiológica.

    7. É verdade que o leite materno pode ser “fraco” nos primeiros dias?

    Mito. O primeiro leite produzido é o colostro, uma substância amarelada e transparente, rica em anticorpos e nutrientes altamente concentrados. Embora venha em pequenas gotas, é a quantidade exata necessária para o tamanho do estômago do recém-nascido.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

  • Por que o clínico geral pede exame de urina mesmo sem sintomas?

    Por que o clínico geral pede exame de urina mesmo sem sintomas?

    Durante um check-up ou mesmo em consultas por motivos que não têm relação com o trato urinário, é comum que o médico solicite um exame de urina. Para muitos pacientes, isso causa estranhamento, principalmente quando não há sintomas como dor ao urinar, aumento da frequência urinária ou alterações na cor da urina.

    Apesar dessa impressão, o exame de urina continua sendo uma das ferramentas mais úteis da prática clínica. Isso porque diversas doenças dos rins, do trato urinário e até de outros órgãos podem evoluir silenciosamente durante meses ou anos. Em muitos casos, alterações precoces já podem ser identificadas nesse exame simples, permitindo investigação e tratamento antes do surgimento de complicações.

    O que é o exame de urina tipo 1 (EAS)?

    O exame de urina tipo 1, também chamado de EAS (Elementos Anormais e Sedimentoscopia) ou urina rotina, avalia características físicas, químicas e microscópicas da urina.

    Entre os parâmetros analisados estão:

    • Cor;
    • Aspecto;
    • Densidade;
    • pH;
    • Presença de proteínas;
    • Glicose;
    • Corpos cetônicos;
    • Sangue;
    • Bilirrubina;
    • Leucócitos;
    • Nitrito;
    • Células;
    • Cristais;
    • Cilindros;
    • Bactérias.

    Cada um desses achados fornece pistas importantes sobre o funcionamento dos rins e do trato urinário.

    O exame de urina serve apenas para diagnosticar infecção urinária?

    Não. Embora seja muito conhecido por auxiliar no diagnóstico da infecção urinária, o exame possui aplicações muito mais amplas.

    Ele pode ajudar na identificação de:

    • Doença renal;
    • Diabetes mellitus;
    • Doenças hepáticas;
    • Cálculos urinários;
    • Sangramento urinário;
    • Alterações metabólicas;
    • Algumas doenças autoimunes.

    Por isso, ele é frequentemente solicitado mesmo na ausência de sintomas urinários.

    Como o exame pode identificar doenças dos rins?

    Os rins funcionam como filtros do organismo. Quando existe alguma lesão renal, certas substâncias podem passar para a urina em quantidades anormais.

    Os principais achados são os abaixo.

    Proteínas na urina (proteinúria)

    Normalmente, a urina contém pouca ou nenhuma proteína.

    Quando proteínas aparecem em maior quantidade, isso pode indicar:

    • Doença renal diabética;
    • Glomerulopatias;
    • Hipertensão com lesão renal;
    • Outras doenças renais.

    Em alguns casos, pequenas quantidades de proteína são transitórias e não indicam doença.

    Sangue na urina (hematúria)

    Nem sempre o sangue é visível a olho nu. O exame pode identificar hematúria microscópica, que pode estar relacionada a:

    • Cálculos urinários;
    • Infecções;
    • Doenças glomerulares;
    • Traumas;
    • Tumores do trato urinário.

    A presença de sangue na urina exige investigação conforme a idade, os fatores de risco e os demais achados clínicos.

    Cilindros urinários

    Os cilindros são estruturas formadas dentro dos túbulos renais. Dependendo do tipo encontrado, podem sugerir:

    • Inflamação renal;
    • Lesão tubular;
    • Doença glomerular.

    Nem todos os cilindros indicam doença, mas alguns são bastante específicos de alterações renais.

    O exame pode mostrar diabetes?

    Sim. Em pessoas com glicemia muito elevada, pode ocorrer:

    • Glicose na urina (glicosúria);
    • Corpos cetônicos (cetonúria).

    Embora o diagnóstico do diabetes seja feito principalmente por exames de sangue, esses achados podem levantar a suspeita da doença ou indicar descontrole importante da glicemia.

    É possível descobrir uma infecção urinária sem sintomas?

    Em algumas situações, bactérias e leucócitos podem ser encontrados na urina de pessoas sem qualquer sintoma. Esse quadro é chamado de bacteriúria assintomática.

    Na maioria das pessoas, não é necessário tratar essa condição com antibióticos.

    As principais exceções são:

    • Gestantes;
    • Pessoas que serão submetidas a procedimentos urológicos invasivos.

    Por isso, um exame alterado nem sempre significa necessidade de tratamento.

    O exame pode indicar pedra nos rins?

    Pode levantar essa suspeita. Alguns achados incluem:

    • Sangue na urina;
    • Cristais específicos;
    • Alterações do pH urinário.

    Entretanto, o diagnóstico definitivo dos cálculos costuma depender de exames de imagem, como a ultrassonografia ou a tomografia.

    Por que o exame é solicitado antes de cirurgias?

    Durante a avaliação pré-operatória, o exame de urina pode ajudar a identificar alterações que merecem investigação antes do procedimento.

    Dependendo da cirurgia e das condições do paciente, podem ser detectados:

    • Doença renal não diagnosticada;
    • Alterações metabólicas;
    • Infecções urinárias sintomáticas.

    No entanto, exames pré-operatórios devem ser solicitados de forma individualizada e conforme o risco do paciente e do procedimento.

    Gestantes fazem exame de urina várias vezes. Por quê?

    Durante a gestação, o exame é importante para identificar:

    • Infecção urinária;
    • Bacteriúria assintomática;
    • Proteinúria;
    • Alterações relacionadas à pré-eclâmpsia.

    Essas condições podem aumentar o risco de complicações maternas e fetais, motivo pelo qual o exame faz parte do acompanhamento pré-natal.

    Um exame alterado sempre significa doença?

    Não. Diversos fatores podem interferir no resultado. Entre eles:

    • Exercício físico intenso;
    • Febre;
    • Menstruação;
    • Desidratação;
    • Contaminação da amostra.

    Por isso, o resultado sempre deve ser interpretado em conjunto com a história clínica, o exame físico e, quando necessário, outros exames.

    Como coletar corretamente a urina?

    Uma coleta adequada reduz o risco de resultados falsamente alterados. As recomendações são:

    • Higienizar a região genital antes da coleta;
    • Utilizar recipiente estéril;
    • Desprezar o primeiro jato de urina;
    • Coletar o jato médio;
    • Encaminhar a amostra rapidamente ao laboratório.

    Seguir essas orientações diminui a chance de contaminação por bactérias e células da pele.

    Quando o médico pode solicitar outros exames?

    Dependendo do resultado, podem ser necessários exames complementares, como:

    • Urocultura;
    • Relação albumina/creatinina urinária;
    • Urina de 24 horas;
    • Exames de sangue para avaliação da função renal;
    • Ultrassonografia dos rins e vias urinárias.

    A necessidade desses exames depende do contexto clínico.

    Quando procurar um médico?

    Mesmo que o exame tenha sido solicitado de rotina, procure avaliação se surgirem:

    • Sangue visível na urina;
    • Dor ao urinar;
    • Dor lombar intensa;
    • Febre;
    • Inchaço nas pernas;
    • Redução importante do volume urinário;
    • Espuma persistente na urina.

    Esses sintomas podem indicar doenças que necessitam de investigação rápida.

    Veja também: Como o excesso de sal afeta o coração, os rins e a pressão arterial

    Perguntas frequentes sobre o exame de urina

    1. O exame de urina serve apenas para detectar infecção?

    Não. Ele também pode identificar alterações relacionadas aos rins, diabetes, cálculos urinários, doenças hepáticas e outras condições.

    2. Posso ter doença renal sem sentir sintomas?

    Sim. Muitas doenças renais evoluem silenciosamente, e alterações no exame de urina podem ser um dos primeiros sinais.

    3. Encontrar sangue na urina significa câncer?

    Não. O sangue na urina pode ter diversas causas, como cálculos, infecções, doenças renais e, em alguns casos, tumores. A investigação depende da idade, dos fatores de risco e dos demais achados.

    4. Toda bactéria na urina precisa de antibiótico?

    Não. A bacteriúria assintomática geralmente não deve ser tratada, exceto em situações específicas, como gestação e alguns procedimentos urológicos.

    5. Posso fazer o exame menstruada?

    O ideal é evitar a coleta durante a menstruação, pois o sangue pode interferir na interpretação do resultado. Se não for possível adiar, informe essa condição ao laboratório e ao médico.

    6. A urina espumosa sempre indica doença renal?

    Não. Espuma transitória pode ocorrer por jato urinário forte ou urina concentrada. Porém, espuma persistente, especialmente associada à presença de proteínas na urina, merece investigação.

    7. Por que o clínico geral pede exame de urina mesmo sem sintomas?

    Porque muitas doenças renais e metabólicas podem não causar sintomas nas fases iniciais. O exame de urina é simples, acessível e pode detectar alterações precoces que permitem diagnóstico e tratamento antes do surgimento de complicações.

    Veja também: Pedra nos rins (cálculo renal): quando os sintomas preocupam e como se prevenir

  • Fibromialgia: o que é, como identificar e como tratar  

    Fibromialgia: o que é, como identificar e como tratar  

    Dor em diferentes partes do corpo por semanas ou meses, cansaço persistente mesmo após uma boa noite de sono e dificuldade de concentração são sintomas que podem comprometer profundamente a rotina. Ainda assim, muitas pessoas convivem com essas queixas durante anos antes de receber um diagnóstico, principalmente porque os exames costumam estar normais.

    Hoje se sabe que a fibromialgia é uma síndrome de dor crônica reconhecida, relacionada a alterações na forma como o sistema nervoso processa a dor, e não a uma inflamação ou lesão dos músculos ou das articulações. Embora ainda não exista cura definitiva, o diagnóstico precoce e uma abordagem multidisciplinar permitem controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

    O que é fibromialgia?

    A fibromialgia é uma síndrome caracterizada principalmente por:

    • Dor musculoesquelética difusa;
    • Fadiga persistente;
    • Sono não reparador;
    • Alterações cognitivas;
    • Sensibilidade aumentada à dor.

    O problema não está nos músculos ou nas articulações, mas na forma como o cérebro e a medula espinhal processam os estímulos dolorosos.

    Esse fenômeno é conhecido como sensibilização central, em que estímulos normalmente pouco dolorosos passam a ser percebidos com intensidade exagerada.

    Qual é a incidência da fibromialgia?

    A fibromialgia é relativamente comum.

    Estudos estimam que ela afete aproximadamente 2% a 3% da população mundial, sendo uma das principais causas de dor musculoesquelética generalizada. A incidência aumenta com a idade e é significativamente mais frequente em mulheres, especialmente entre os 20 e 55 anos.

    Apesar disso, homens, idosos, adolescentes e crianças também podem desenvolver a doença.

    O que causa a fibromialgia?

    Não existe uma causa única. Acredita-se que a doença resulte da interação entre fatores:

    • Genéticos;
    • Neurobiológicos;
    • Ambientais;
    • Psicológicos.

    Diversos fatores podem desencadear ou agravar os sintomas, como:

    • Estresse físico ou emocional intenso;
    • Traumas;
    • Infecções;
    • Distúrbios do sono;
    • Predisposição familiar.

    Pessoas com familiares de primeiro grau acometidos apresentam maior risco de desenvolver a síndrome.

    Quais são os principais sintomas?

    Dor generalizada

    É o principal sintoma. A dor costuma:

    • Estar presente nos dois lados do corpo;
    • Acometer regiões acima e abaixo da cintura;
    • Persistir por pelo menos três meses;
    • Ser descrita como profunda, em queimação, peso ou pontadas.

    Muitos pacientes dizem que parece que o corpo inteiro está machucado.

    Fadiga intensa

    Mesmo após dormir várias horas, é comum acordar cansado. A sensação de exaustão pode limitar atividades simples do dia a dia.

    Alterações do sono

    Muitas pessoas apresentam:

    • Sono leve;
    • Despertares frequentes;
    • Sensação de sono não reparador;
    • Insônia.

    A piora do sono costuma intensificar a dor.

    Fibrofog (“névoa mental”)

    A alteração cognitiva, conhecida como fibrofog, pode causar:

    • Dificuldade de concentração;
    • Esquecimentos;
    • Lentidão para raciocinar;
    • Dificuldade para encontrar palavras.

    Embora não cause demência, pode impactar significativamente o desempenho profissional e acadêmico.

    Outros sintomas

    Além da dor, podem ocorrer:

    • Rigidez matinal;
    • Cefaleia;
    • Síndrome do intestino irritável;
    • Sensibilidade ao frio;
    • Ansiedade;
    • Depressão;
    • Dormências e formigamentos;
    • Dor na articulação temporomandibular;
    • Palpitações;
    • Sensação de inchaço sem edema visível.

    Esses sintomas variam bastante entre os pacientes.

    A fibromialgia causa inflamação?

    Não. Ao contrário de doenças como artrite reumatoide ou lúpus, a fibromialgia não provoca inflamação nas articulações nem destruição dos tecidos.

    Por isso:

    • Exames laboratoriais costumam ser normais;
    • Radiografias geralmente não mostram alterações relacionadas à doença.

    Os exames são solicitados principalmente para excluir outras causas de dor difusa.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico. O médico considera:

    • Dor generalizada por pelo menos três meses;
    • Distribuição da dor em diferentes regiões do corpo;
    • Intensidade dos sintomas;
    • Presença de fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos.

    Os critérios atuais do American College of Rheumatology (ACR) não exigem mais a pesquisa dos antigos “pontos dolorosos” (tender points), valorizando uma avaliação global dos sintomas.

    Quais doenças podem ser confundidas com fibromialgia?

    Entre os principais diagnósticos diferenciais estão:

    • Hipotireoidismo;
    • Artrite reumatoide;
    • Lúpus eritematoso sistêmico;
    • Polimialgia reumática;
    • Miopatias;
    • Deficiência de vitamina D;
    • Síndrome da fadiga crônica;
    • Apneia obstrutiva do sono.

    Em algumas pessoas, essas doenças podem coexistir com a fibromialgia.

    Como é o tratamento?

    O tratamento é individualizado e combina medidas não medicamentosas e medicamentos quando necessário.

    Educação do paciente

    Entender que a fibromialgia é uma condição real e crônica ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a adesão ao tratamento.

    Também é importante estabelecer expectativas realistas: o objetivo é controlar os sintomas e melhorar a funcionalidade, e não necessariamente eliminar toda a dor.

    Exercícios físicos

    A prática regular de atividade física é considerada uma das intervenções mais eficazes. Os melhores resultados costumam ocorrer com:

    • Caminhadas;
    • Hidroginástica;
    • Natação;
    • Bicicleta;
    • Exercícios de fortalecimento muscular;
    • Alongamentos.

    O exercício deve ser iniciado de forma gradual.

    Sono adequado

    Melhorar a qualidade do sono faz parte do tratamento.

    Podem ser recomendadas medidas de higiene do sono, como:

    • Dormir e acordar em horários regulares;
    • Evitar telas antes de dormir;
    • Reduzir a cafeína no período noturno.

    Terapia cognitivo-comportamental (TCC)

    A terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ajudar no manejo da dor, do estresse, da ansiedade e da adaptação às limitações impostas pela doença.

    Ela integra as principais estratégias não farmacológicas recomendadas.

    Medicamentos

    Os medicamentos podem ser úteis em pacientes com sintomas moderados ou intensos.

    Entre os mais utilizados estão:

    • Duloxetina;
    • Milnaciprano;
    • Pregabalina;
    • Amitriptilina.

    Esses medicamentos ajudam a modular a dor e podem melhorar o sono e a fadiga em alguns pacientes.

    Anti-inflamatórios e opioides funcionam?

    Na maioria dos casos, não.

    Como a fibromialgia não é uma doença inflamatória, os anti-inflamatórios apresentam benefício limitado.

    Os opioides também não são recomendados rotineiramente, devido à baixa eficácia e ao risco de dependência e efeitos adversos.

    A fibromialgia tem cura?

    Atualmente, não existe cura definitiva. Entretanto, muitos pacientes conseguem excelente controle dos sintomas com:

    • Exercícios físicos regulares;
    • Tratamento do sono;
    • Controle da ansiedade e da depressão;
    • Estratégias de enfrentamento da dor;
    • Medicamentos quando indicados.

    Os sintomas costumam oscilar, alternando períodos de melhora e de piora.

    Quando procurar um médico?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Dor difusa por mais de três meses;
    • Cansaço persistente sem explicação;
    • Sono não reparador;
    • Dificuldade de concentração associada à dor;
    • Limitação das atividades diárias.

    Também é importante investigar quando houver perda de peso, febre, fraqueza muscular progressiva ou alterações nos exames físicos, pois esses sinais sugerem outras doenças.

    Confira: Magnésio é tudo igual? Diferenças que você precisa saber antes de começar a tomar

    Perguntas frequentes sobre fibromialgia

    1. O que é fibromialgia?

    É uma síndrome de dor crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos relacionados a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central.

    2. A fibromialgia é uma doença inflamatória?

    Não. Ela não provoca inflamação das articulações nem destruição dos músculos.

    3. Os exames costumam estar alterados?

    Na maioria dos casos, não. Os exames laboratoriais e de imagem geralmente são normais e servem para excluir outras doenças.

    4. Quem tem maior risco de desenvolver fibromialgia?

    A doença é mais frequente em mulheres entre 20 e 55 anos, mas pode acometer pessoas de qualquer sexo e idade.

    5. Exercício físico realmente ajuda?

    Sim. A atividade física regular é considerada um dos pilares do tratamento e está associada à redução da dor e à melhora da qualidade de vida.

    6. Anti-inflamatórios são eficazes?

    Em geral, não. Como a fibromialgia não é causada por inflamação, esses medicamentos têm benefício limitado e não são recomendados como tratamento de rotina.

    7. A fibromialgia tem cura?

    Ainda não existe cura definitiva, mas uma abordagem multidisciplinar com exercícios, educação, tratamento dos distúrbios do sono, terapia cognitivo-comportamental e medicamentos quando indicados permite controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida.

    Confira: Cansaço, dor e nevoeiro mental: como reconhecer a fibromialgia

  • Pirâmide alimentar vegetariana e vegana: como substituir as proteínas de origem animal?

    Pirâmide alimentar vegetariana e vegana: como substituir as proteínas de origem animal?

    Uma alimentação com maior presença de alimentos vegetais, ou plant-based, pode trazer uma série de benefícios para a saúde. Para quem segue uma dieta vegetariana ou vegana, a pirâmide alimentar pode funcionar como um guia visual para ajudar a entender como incluir vegetais, frutas, cereais, leguminosas, sementes e outros alimentos na rotina.

    Mas retirar a carne ou outros alimentos de origem animal do cardápio não significa apenas eliminá-los das refeições. Na verdade, as substituições precisam garantir boas fontes de proteínas, ferro, cálcio, vitamina B12 e outros nutrientes importantes para o funcionamento do organismo.

    Também vale lembrar que nem todo alimento vegetariano ou vegano é saudável. Os hambúrgueres vegetais, embutidos, biscoitos e outros produtos ultraprocessados podem não ter ingredientes de origem animal, mas ainda conter grandes quantidades de sódio, açúcar, gorduras e aditivos.

    A ideia é variar os alimentos e priorizar opções naturais no dia a dia. Vamos entender mais como montar uma alimentação equilibrada, a seguir.

    O que é e como funciona a pirâmide alimentar vegana e vegetariana?

    A pirâmide alimentar vegana e vegetariana é um guia visual que ajuda a organizar os diferentes grupos de alimentos ao longo do dia, levando em consideração as necessidades de quem não consome carne ou, no caso dos veganos, nenhum alimento de origem animal.

    A principal diferença em relação à pirâmide alimentar tradicional está nas fontes de alguns nutrientes, já que alimentos como carnes, leite, queijos e ovos são substituídos total ou parcialmente por opções vegetais, como feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, tofu, sementes e castanhas.

    Assim como acontece na pirâmide tradicional, os alimentos são distribuídos em níveis de acordo com a participação que devem ter na alimentação. Na base aparecem os grupos que devem estar mais presentes no dia a dia, enquanto os alimentos que precisam ser consumidos em quantidades menores ficam mais próximos do topo.

    Como a pirâmide é organizada?

    A organização funciona da seguinte forma:

    • Base da pirâmide: reúne alimentos que devem aparecer com frequência na alimentação, como cereais, tubérculos, verduras, legumes e frutas, que fornecem carboidratos, fibras, vitaminas, minerais e diferentes compostos importantes para a saúde;
    • Meio da pirâmide: concentra importantes fontes de proteínas e minerais, como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, soja e seus derivados, além de sementes e oleaginosas, como castanhas e nozes;
    • Topo da pirâmide: inclui alimentos que costumam ser consumidos em menores quantidades, como óleos e outras fontes concentradas de gordura, além de chamar a atenção para nutrientes que merecem cuidados específicos em uma alimentação vegetariana ou vegana, principalmente a vitamina B12.

    A ideia não é simplesmente retirar os alimentos de origem animal, mas mostrar como substituí-los de maneira adequada, mantendo uma alimentação variada e capaz de fornecer os nutrientes necessários para o organismo.

    Segundo a Priscila Ligeiro Esper, médica nefrologista e nutróloga, o Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que os alimentos in natura e minimamente processados sejam a base da alimentação.

    Os alimentos in natura vêm diretamente da natureza, enquanto os minimamente processados passam por processos simples, como limpeza, secagem ou embalagem, sem a adição de ingredientes, como acontece com o feijão seco vendido nos mercados.

    Quais são os grupos da pirâmide vegana e as porções diárias?

    A divisão dos grupos e o número de porções podem variar conforme o guia utilizado, a idade, o nível de atividade física e as necessidades nutricionais de cada pessoa.

    Mas, de maneira geral, os principais grupos encontrados nesses modelos são:

    1. Cereais e tubérculos

    Arroz, aveia, quinoa, milho, batata, batata-doce, mandioca e pães fazem parte desse grupo e fornecem principalmente carboidratos, que são uma importante fonte de energia para o organismo, além de fibras, vitaminas e minerais, especialmente quando são consumidos na forma integral.

    Alguns modelos de pirâmide vegetariana recomendam cerca de 6 a 11 porções por dia, mas a quantidade deve ser adaptada às necessidades de cada pessoa.

    2. Hortaliças e vegetais

    Alface, couve, brócolis, espinafre, tomate, cenoura, abóbora, chuchu e outros vegetais fornecem fibras, vitaminas, minerais e diferentes compostos importantes para a saúde.

    A recomendação pode ficar em torno de 3 a 5 porções por dia, procurando variar os tipos e as cores dos vegetais consumidos.

    3. Frutas

    As frutas ajudam a fornecer fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, por isso, também devem aparecer diariamente na alimentação. Dependendo do modelo utilizado, a recomendação costuma ficar em torno de 2 a 4 porções por dia, dando preferência às frutas inteiras e variando as opções ao longo da semana.

    4. Leguminosas e outras fontes de proteínas vegetais

    Segundo Priscila, é possível variar bastante as fontes vegetais consumidas no dia a dia, incluindo alimentos como grão-de-bico, lentilha, feijão-branco, feijão-preto, feijão-carioca, ervilha e castanhas. Além das proteínas, os alimentos fornecem nutrientes importantes, como ferro, zinco, fibras e vitaminas do complexo B.

    Alguns modelos recomendam aproximadamente 2 a 4 porções por dia, mas a quantidade necessária depende das características e das necessidades de cada pessoa.

    5. Oleaginosas e sementes

    Castanhas, amêndoas, nozes, chia, linhaça, sementes de abóbora e gergelim fornecem gorduras insaturadas, proteínas, fibras e minerais, como magnésio e zinco.

    Como são alimentos bastante concentrados em energia, normalmente aparecem em quantidades menores na pirâmide, com recomendações que podem ficar em torno de 1 a 2 porções por dia.

    6. Óleos e outras fontes de gordura

    O azeite e os óleos vegetais também podem fazer parte de uma alimentação vegetariana ou vegana equilibrada, mas devem ser consumidos em quantidades adequadas, já que são fontes concentradas de energia.

    Grupo Porções diárias
    Cereais e tubérculos 6 a 11 porções por dia
    Hortaliças e vegetais 3 a 5 porções por dia
    Frutas 2 a 4 porções por dia
    Leguminosas e outras fontes de proteínas vegetais 2 a 4 porções por dia
    Oleaginosas e sementes 1 a 2 porções por dia

    Como substituir as proteínas de origem animal de forma saudável?

    As proteínas são formadas por aminoácidos, e todos os aminoácidos essenciais de que o organismo precisa também podem ser obtidos por meio de uma alimentação vegetal variada e equilibrada. Para fazer boas substituições no dia a dia:

    • Combine cereais e leguminosas: o tradicional arroz com feijão é um ótimo exemplo, pois os aminoácidos presentes nos dois alimentos se complementam. Outras combinações, como arroz com lentilha ou pão com homus, também são boas opções;
    • Inclua soja e seus derivados: alimentos como tofu, tempeh e edamame são boas fontes de proteína vegetal e podem ser usados em diferentes receitas;
    • Varie os cereais e as sementes: quinoa, amaranto, chia, gergelim e outras opções ajudam a aumentar a variedade de proteínas e outros nutrientes presentes na alimentação;
    • Não dependa apenas dos substitutos industrializados: hambúrgueres, nuggets e outros produtos vegetais ultraprocessados podem fazer parte da alimentação ocasionalmente, mas não precisam ser a principal substituição da carne, já que alguns apresentam grandes quantidades de sódio, gorduras e aditivos.

    O mais importante é variar as fontes de proteína vegetal ao longo do dia. Você não precisa combinar todos os aminoácidos em uma única refeição, pois uma alimentação diversificada consegue fornecer os nutrientes necessários ao longo do dia.

    A dieta vegetal é nutricionalmente completa para todas as fases da vida?

    Uma alimentação vegetariana ou vegana pode fornecer os nutrientes necessários para o organismo quando é bem planejada, mas alguns nutrientes merecem uma atenção maior justamente porque podem ser mais difíceis de obter ou absorver quando os alimentos de origem animal são retirados:

    • Vitamina B12: precisa de atenção especial, principalmente entre os veganos, e geralmente é necessário utilizar alimentos fortificados e/ou suplementação adequada;
    • Ferro: está presente no feijão, na lentilha, no grão-de-bico, na soja e em outros vegetais. Consumir uma fonte de vitamina C na mesma refeição, como laranja, acerola, limão ou outros alimentos ricos na vitamina, ajuda na absorção do ferro de origem vegetal;
    • Cálcio: pode ser encontrado em alguns vegetais, tofu preparado com cálcio, gergelim e bebidas vegetais fortificadas, entre outras fontes;
    • Ômega-3: chia, linhaça e nozes são algumas fontes vegetais de ácido alfa-linolênico (ALA). Em algumas situações, também pode ser considerada a suplementação de DHA e EPA produzidos a partir de microalgas;
    • Vitamina D: merece atenção tanto entre vegetarianos e veganos quanto na população em geral, e a necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente.

    Lembre-se de que as necessidades também mudam conforme a fase da vida. Crianças, adolescentes, gestantes, idosos e atletas, por exemplo, podem precisar de um planejamento alimentar mais cuidadoso para garantir quantidades adequadas de energia e nutrientes.

    Por que trocar a carne apenas por derivados animais (leite e ovos) pode não ser o ideal?

    Quem deixa de comer carne, mas continua consumindo ovos e laticínios, pode acabar aumentando muito o consumo desses alimentos, principalmente de queijos.

    Eles podem fazer parte da alimentação vegetariana, mas o ideal é não usá-los como única substituição da carne, pois isso pode diminuir o espaço de alimentos ricos em fibras e outros nutrientes, como feijão, lentilha, grão-de-bico, verduras, castanhas e sementes.

    Além disso, alguns queijos e laticínios são ricos em gordura saturada e sódio. A melhor opção é variar as fontes de proteína e aumentar a presença de alimentos vegetais no prato.

    Exemplo de cardápio equilibrado usando a pirâmide vegana

    Um cardápio vegano pode ser bastante variado e incluir alimentos comuns do dia a dia. Para te ajudar, destacamos alguns exemplos:

    Café da manhã

    Para o café da manhã, você pode preparar um mingau de aveia preparado com bebida vegetal de amêndoas ou soja fortificada com cálcio, banana picada, 1 colher de sopa de chia e uma pitada de canela. Como acompanhamento, uma dica é tomar 1 xícara de café ou chá, de preferência sem açúcar.

    Lanche da manhã

    No lanche da manhã, uma opção simples é comer 1 fatia de mamão com 1 colher de sopa de sementes de abóbora tostadas e 2 castanhas-do-pará.

    Almoço

    Para o almoço, uma sugestão é preparar 1 concha grande de estrogonofe de cogumelos com grão-de-bico, feito com creme de castanha-de-caju. Para acompanhar, você pode incluir de 3 a 4 colheres de sopa de arroz integral e uma salada de rúcula, alface e tomate temperada com azeite e limão.

    A vitamina C presente no limão também ajuda na absorção do ferro presente no grão-de-bico. Para completar a refeição, uma opção é acrescentar couve refogada com alho.

    Lanche da tarde

    No lanche da tarde, uma opção é comer pão integral com homus, uma pasta preparada com grão-de-bico e tahine, acompanhado de fatias de pepino ou tomate. Para beber, você pode preparar um suco verde com maçã, couve, limão e gengibre.

    Jantar

    Para o jantar, uma sugestão é preparar uma salada morna de quinoa com cubos de tofu grelhado, brócolis no vapor, cenoura ralada, nozes picadas e gergelim. Para temperar, você pode usar azeite, limão e uma pequena quantidade de sal.

    Ceia (opcional)

    Caso sinta fome antes de dormir, uma opção para a ceia é tomar um chá de camomila ou erva-doce acompanhado de 1 quadradinho de chocolate com pelo menos 70% de cacau.

    Leia mais: Vai começar uma dieta? Veja quais são as mais saudáveis

    Perguntas frequentes

    1. O que é uma dieta baseada em vegetais (plant-based)?

    É um padrão alimentar focado em alimentos de origem vegetal inteiros ou minimamente processados, reduzindo ou eliminando produtos de origem animal.

    2. Qual a diferença entre vegetarianismo e veganismo?

    O vegetariano exclui carnes da dieta, mas pode consumir ovos e laticínios. O vegano exclui qualquer produto de origem animal na alimentação e no estilo de vida (vestuário, cosméticos, etc.).

    3. É possível ganhar massa muscular com uma dieta vegana?

    Sim. Desde que a ingestão calórica e de proteínas vegetais (feijões, lentilhas, soja, sementes) seja suficiente e combinada com treinos de força.

    4. O que substitui o ovo nas receitas?

    Para dar liga em receitas, você pode usar gel de linhaça ou chia (1 colher de semente para 3 de água), purê de banana, maçã ou comercialmente o “ovo vegetal”.

    5. Como evitar os gases ao aumentar o consumo de feijões?

    Deixe os grãos de molho em água por 12 a 24 horas antes de cozinhar (descarte a água do molho) e aumente o consumo de fibras gradualmente, bebendo bastante água.

    6. Como começar a transição para o vegetarianismo?

    Comece aos poucos, como na campanha “Segunda Sem Carne” coordenada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), reduza os ultraprocessados e vá experimentando novas receitas à base de feijões, cogumelos e legumes.

    Leia mais: ‘Dietas da moda’ x alimentação equilibrada: o que realmente funciona a longo prazo

  • Eletrocardiograma: entenda para que serve e quem deve fazer o exame 

    Eletrocardiograma: entenda para que serve e quem deve fazer o exame 

    Em consultórios, pronto-socorro e em exames de rotina, o eletrocardiograma está entre os testes mais pedidos pelos médicos. Simples de fazer, muito rápido e indolor, ele registra a atividade elétrica do coração e ajuda a identificar alterações discretas no ritmo cardíaco ou até mesmo sinais de infarto.

    Apesar de parecer um exame complexo pela quantidade de fios ligados ao peito, a verdade é que o procedimento é bem tranquilo e pode trazer respostas importantes em poucos minutos.

    O que é o eletrocardiograma?

    O eletrocardiograma é um exame que registra a atividade elétrica do coração. Cada batida cardíaca gera sinais elétricos que podem ser captados na pele por eletrodos, que são pequenas placas adesivas conectadas a fios.

    O resultado aparece como linhas em um papel ou tela, que mostram ao médico como está o ritmo e a condução elétrica do coração.

    Como o exame é feito?

    O exame é simples e bem rápido:

    • A pessoa deita em uma maca;
    • O técnico do laboratório ou hospital coloca eletrodos no peito, braços e pernas;
    • O aparelho capta os sinais elétricos por alguns minutos.

    Em menos de 10 minutos, o exame está concluído. Aí é só retirar os eletrodos e aguardar o resultado.

    Vale dizer que o exame é indolor, não invasivo e não envolve nenhum tipo de radiação. A parte mais “difícil” é retirar os adesivos que seguraram os eletrodos na pele, ou seja, o exame não causa nenhum sofrimento.

    Veja mais: Como o estresse afeta o coração e o que fazer para proteger a saúde cardiovascular

    O que o eletrocardiograma mostra?

    Afinal, por que ele é um dos exames mais solicitados por médicos cardiologistas? A resposta é simples. Ele consegue mostrar informações importantes do coração, como:

    • Frequência cardíaca: mostra se o coração bate rápido, devagar ou no ritmo certo;
    • Arritmias: sinaliza batidas fora do compasso;
    • Isquemia ou infarto: indica quando há sinais de falta de oxigênio no músculo do coração;
    • Aumento de câmaras cardíacas: consegue indicar quando o coração está dilatado;
    • Distúrbios da condução elétrica: identifica batimentos rápidos ou muito lentos.

    É importante dizer, porém, que nem sempre um eletrocardiograma isolado é suficiente para um diagnóstico. Muitas vezes ele é combinado com outros exames, como o ecocardiograma ou o teste ergométrico. Tudo isso fica a critério do médico e de acordo com cada caso.

    Veja também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Para quem o exame é indicado?

    O médico pode pedir o eletrocardiograma em várias situações, como:

    • Check-up de rotina, especialmente em adultos e idosos;
    • Antes de cirurgias, para avaliar o risco cardíaco;
    • Sintomas suspeitos, como dor no peito, palpitações, falta de ar ou desmaios;
    • Acompanhamento de quem já tem doença no coração.

    Outro ponto importante é que, quando necessário, qualquer pessoa pode fazer o exame, pois não há contraindicações. Até gestantes podem realizar sem problemas.

    Entenda: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    Perguntas frequentes sobre eletrocardiograma

    1. O eletrocardiograma é igual ao ecocardiograma?

    Não. O eletrocardiograma analisa a atividade elétrica do coração, enquanto o ecocardiograma mostra imagens do órgão em movimento por ultrassom.

    2. Precisa de preparo especial?

    Não é necessário jejum nem suspensão de medicamentos, a não ser que o médico oriente. É bom evitar cremes na pele, pois podem atrapalhar os eletrodos.

    3. O resultado sai na hora?

    Sim. O traçado do coração aparece imediatamente, mas a interpretação final é feita pelo médico, e isso pode demorar algum tempo.

    4. Crianças podem fazer o exame?

    Podem, sim. O exame é muito seguro para qualquer idade.

    5. O exame detecta todas as doenças do coração?

    Não. Ele é muito útil, mas não substitui outros exames de imagem ou exames de sangue. Muitas vezes, o eletrocardiograma funciona como a primeira etapa da investigação de algum problema cardíaco.

    6. O eletrocardiograma serve para ver pressão alta?

    Não, ele não mede a pressão alta. Porém, pode ajudar o médico a identificar problemas no coração causados pela pressão alta de longa data.

    7. Qual a diferença entre eletrocardiograma de repouso e teste ergométrico?

    O eletrocardiograma tradicional é feito em repouso. Já o teste ergométrico avalia a mesma coisa no coração, porém durante o esforço físico.

    Leia mais: Teste ergométrico: o exame da esteira que coloca o coração à prova

  • Fazer exercícios à noite realmente sabota o sono?

    Fazer exercícios à noite realmente sabota o sono?

    Durante muito tempo, quem tinha dificuldade para dormir costumava receber uma recomendação aparentemente simples: evitar fazer exercícios à noite. A justificativa parecia fazer sentido, afinal, a atividade física aumenta a frequência cardíaca, eleva a temperatura corporal e deixa o organismo mais ativado, justamente o contrário do que se espera nas horas que antecedem o sono.

    Mas será que qualquer treino realizado depois que o sol se põe realmente atrapalha o descanso?

    As evidências acumuladas nos últimos anos mostram que a resposta é mais complexa. Para muitas pessoas, fazer exercícios no período noturno não piora o sono e pode até estar associado a alguns benefícios. Por outro lado, treinos muito intensos realizados perto demais da hora de dormir parecem ter maior potencial de interferir no descanso, especialmente em algumas pessoas.

    Por isso, colocar na mesma categoria uma caminhada tranquila depois do jantar, uma sessão de musculação às 19h e um treino intervalado de alta intensidade que termina às 23h30 pode levar a conclusões equivocadas.

    Quando o assunto é exercício noturno, não importa apenas se a atividade aconteceu à noite, mas também o que foi feito, com qual intensidade, a que horas o treino terminou e quanto tempo depois a pessoa tentou dormir.

    De onde surgiu a recomendação de não fazer exercícios à noite?

    A preocupação com o exercício próximo ao horário de dormir tem, de fato, uma base fisiológica.

    Durante uma atividade física, especialmente quando ela é intensa, o organismo passa por uma série de alterações. A frequência cardíaca aumenta, a respiração acelera, a temperatura corporal pode subir e acontece uma maior ativação do sistema nervoso simpático, que está relacionado ao estado de alerta e à resposta do organismo ao esforço.

    Para dormir, por outro lado, o corpo precisa fazer uma transição para um estado de menor ativação. A frequência cardíaca precisa diminuir, mecanismos relacionados ao repouso ganham espaço e a temperatura corporal central segue seu ritmo natural de queda ao longo da noite.

    A partir dessa aparente oposição, surgiu a ideia de que se exercitar à noite poderia manter o organismo excessivamente “ligado” e dificultar o início do sono.

    Essa preocupação não é completamente infundada. O problema está em transformar uma possibilidade fisiológica em uma regra para todos.

    Ao longo dos anos, estudos passaram a investigar diretamente o que acontece com o sono de pessoas que se exercitam no período noturno. E os resultados mostraram que o horário do exercício, isoladamente, não conta toda a história.

    Afinal, fazer exercícios à noite prejudica o sono?

    Para a maioria das pessoas saudáveis, a resposta parece ser: não necessariamente.

    Um estudo publicado na revista Sports Medicine analisou estudos sobre exercício realizado à noite e sono em adultos saudáveis. De maneira geral, os pesquisadores não encontraram evidências de que o exercício noturno, por si só, prejudicasse o sono.

    Em alguns aspectos, o exercício realizado à noite chegou a aparecer associado a resultados favoráveis. A principal ressalva surgiu nos treinos vigorosos terminados muito perto da hora de dormir, especialmente dentro da última hora antes de se deitar.

    Essa conclusão ajudou a enfraquecer a antiga ideia de que existe um horário universal a partir do qual ninguém deveria mais se exercitar.

    Mais recentemente, um estudo publicado em 2025 na Nature Communications acrescentou uma nova camada a essa discussão. A pesquisa analisou dados de quase 15 mil pessoas e aproximadamente 4 milhões de noites, cerca de um ano, relacionando o horário e a intensidade do exercício a diferentes indicadores do sono e da recuperação noturna.

    Os resultados indicaram uma relação de dose e proximidade: quanto mais tarde e mais extenuante era o exercício, maior era a associação com alterações como início do sono mais tardio, menor duração do descanso, pior qualidade do sono, frequência cardíaca noturna mais elevada e menor variabilidade da frequência cardíaca.

    Nesse estudo, exercícios que terminavam pelo menos quatro horas antes do início do sono não foram associados a mudanças no sono, independentemente da carga do treino.

    Quando suas conclusões são analisadas junto às revisões de estudos experimentais anteriores, a mensagem mais equilibrada é que exercícios à noite não precisam ser evitados por todas as pessoas, mas treinos mais intensos e muito próximos da hora de dormir merecem maior atenção.

    Musculação, corrida e exercícios leves têm o mesmo efeito?

    Não necessariamente. No entanto, ainda não é possível estabelecer regras rígidas para cada modalidade. Em geral, o impacto de um treino sobre o organismo não depende só do tipo de atividade, mas da combinação entre intensidade, duração e esforço individual.

    Uma sessão de musculação pode ser moderada para uma pessoa e extremamente exigente para outra. Da mesma forma, correr pode significar um trote confortável de 30 minutos ou um treino intenso de tiros que leva a frequência cardíaca a valores muito elevados.

    Atividades leves ou moderadas tendem a produzir menor ativação do organismo e, para muitas pessoas, podem ser realizadas à noite sem prejuízo perceptível ao sono. Caminhadas e outras atividades de menor intensidade podem, inclusive, fazer parte de uma rotina agradável de desaceleração.

    Já exercícios muito intensos podem exigir mais tempo para que frequência cardíaca, temperatura corporal e outros marcadores fisiológicos retornem a níveis compatíveis com o repouso.

    Por isso, talvez seja mais útil se questionar sobre quanto esse treino exige do organismo e quão perto do sono ele termina do que simplesmente classificar a atividade como musculação, corrida ou bicicleta.

    Quanto tempo antes de dormir é prudente encerrar um treino intenso?

    Não existe um intervalo universal que funcione para todas as pessoas. Na prática, uma pessoa que termina a musculação às 20h e dorme bem às 23h talvez não tenha motivo para mudar sua rotina apenas porque o treino acontece à noite.

    Já alguém que faz um treino muito intenso às 22h30, tenta dormir às 23h e percebe que permanece desperto, acelerado ou com o coração ainda batendo mais rapidamente pode se beneficiar de aumentar esse intervalo.

    Para treinos intensos, quanto maior a possibilidade de criar algum espaço entre o fim do exercício e a hora de dormir, melhor tende a ser a oportunidade de o organismo desacelerar. Mas esse intervalo deve ser interpretado de acordo com o contexto e com a resposta individual, e não como uma regra matemática.

    Por que um treino intenso perto da hora de dormir pode atrapalhar?

    Existem alguns mecanismos que ajudam a explicar essa possibilidade.

    A frequência cardíaca pode continuar elevada

    Depois de um exercício intenso, o organismo não retorna imediatamente ao estado de repouso. Dependendo da intensidade e da duração da atividade, a frequência cardíaca pode permanecer elevada durante algum tempo.

    A temperatura corporal também muda

    O exercício pode elevar a temperatura corporal central, enquanto o início do sono normalmente acontece em um período de redução dessa temperatura. Por isso, a termorregulação é considerada um dos possíveis mecanismos envolvidos na relação entre atividade física e sono.

    O efeito, no entanto, não é simples o suficiente para concluir que qualquer aumento da temperatura provocado pelo exercício noturno necessariamente prejudicará o descanso.

    Mais uma vez, o resultado parece depender da intensidade, do horário e da resposta de cada pessoa.

    O sistema nervoso precisa desacelerar

    Treinos intensos também podem aumentar temporariamente o estado de alerta. Além da ativação física, existe o componente mental: competição e a própria sensação de esforço podem dificultar uma transição imediata entre o treino e o sono.

    Isso ajuda a explicar por que terminar uma atividade extenuante e ir diretamente para a cama pode ser muito diferente de terminar o mesmo treino algumas horas antes.

    Algumas pessoas são mais sensíveis ao exercício noturno?

    Provavelmente sim. A resposta ao exercício varia bastante entre indivíduos. Há pessoas que conseguem fazer uma sessão relativamente intensa à noite, tomar banho e dormir normalmente pouco tempo depois. Outras percebem claramente que ficam mais alertas e demoram mais para adormecer.

    O horário habitual de sono é uma das variáveis importantes. Um mesmo horário de treino pode representar uma situação muito diferente para alguém que costuma dormir às 22h e para outra pessoa que habitualmente adormece à 1h.

    Quem já apresenta dificuldade persistente para adormecer pode precisar observar com mais atenção se determinados horários ou tipos de treino agravam o problema.

    Só posso treinar à noite: é melhor treinar ou não fazer exercício?

    Para a maioria das pessoas, abandonar a atividade física simplesmente porque o único horário disponível é à noite provavelmente não é a melhor solução.

    A prática regular de exercícios está associada a inúmeros benefícios para a saúde e também pode contribuir para uma melhor qualidade do sono. Além disso, uma rotina que só funciona no papel, mas não cabe na vida real, dificilmente será mantida por muito tempo.

    Se o período noturno é o único momento possível para se exercitar e a pessoa dorme bem, não há motivo para assumir que o treino está necessariamente fazendo mal.

    Caso existam dificuldades para dormir, antes de abandonar completamente a atividade física pode ser mais interessante fazer ajustes. Entre as possibilidades estão reduzir a intensidade dos treinos realizados muito tarde, terminar a atividade um pouco mais cedo quando possível ou reservar os exercícios mais extenuantes para dias e horários em que exista maior intervalo antes do sono.

    A regularidade também importa. Para muitas pessoas, um horário de treino possível e sustentável pode ser mais útil do que um suposto horário perfeito impossível de encaixar na rotina.

    Como saber se o exercício noturno está prejudicando o seu sono?

    A resposta individual pode ser observada ao longo do tempo. Se você treina à noite, vale prestar atenção em perguntas como:

    • Demoro mais para adormecer nos dias em que treino tarde?
    • Sinto que continuo muito em alerta quando vou para a cama?
    • Minha frequência cardíaca parece permanecer alta por muito tempo após o exercício?
    • Acordo mais vezes durante a noite depois de determinados tipos de treino?
    • Durmo menos porque o exercício acaba atrasando meu horário de deitar?
    • Percebo diferença entre treinos leves, moderados e muito intensos?
    • Quando termino o exercício mais cedo, meu sono melhora?

    O ideal é observar padrões, e não tirar conclusões a partir de uma única noite.

    Confira: Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Perguntas frequentes sobre exercícios à noite e sono

    1. Fazer exercício à noite tira o sono?

    Não necessariamente. Para muitas pessoas, fazer exercícios à noite não prejudica o sono. O impacto parece depender principalmente da intensidade do treino, da proximidade entre o fim da atividade e o horário de dormir e da resposta individual. Treinos muito intensos realizados pouco antes de se deitar podem ser mais problemáticos para algumas pessoas.

    2. Até que horas posso fazer exercícios sem prejudicar o sono?

    Não existe um horário universal. Treinar às 21h pode ser muito próximo da hora de dormir para quem se deita às 22h, mas representar um intervalo confortável para quem dorme mais tarde. Por isso, é mais útil considerar quanto tempo existe entre o fim do exercício e o início do sono.

    3. Quanto tempo antes de dormir devo terminar um treino intenso?

    Não há um intervalo único que funcione para todo mundo. Algumas evidências indicam maior possibilidade de interferência quando exercícios vigorosos terminam muito perto da hora de dormir. Um grande estudo observacional publicado em 2025 encontrou resultados mais favoráveis quando o exercício terminava pelo menos quatro horas antes do sono, mas isso não deve ser interpretado como uma regra obrigatória para todas as pessoas.

    4. Fazer musculação à noite prejudica o sono?

    Não necessariamente. A intensidade e o horário em que o treino termina podem ser mais importantes do que o fato de a atividade ser musculação. Uma sessão realizada às 19h, seguida de algumas horas antes de dormir, é uma situação bastante diferente de um treino extenuante encerrado poucos minutos antes de se deitar.

    5. Exercícios leves podem ser feitos antes de dormir?

    Para muitas pessoas, atividades leves realizadas à noite não prejudicam o sono. Caminhadas tranquilas, alongamentos e outras atividades de baixa intensidade tendem a provocar menor ativação fisiológica do que exercícios vigorosos. Ainda assim, a resposta individual deve ser observada.

    6. É melhor deixar de treinar se o único horário disponível for à noite?

    Na maioria dos casos, não. Se o período noturno é o único horário possível e a pessoa dorme bem, não há motivo para abandonar a atividade física apenas porque ela acontece à noite. Caso o treino pareça interferir no sono, pode ser mais útil ajustar a intensidade, o horário ou o intervalo antes de dormir.

    7. Como saber se o treino noturno está prejudicando meu sono?

    Observe se existe um padrão consistente. Dificuldade maior para adormecer, sensação de permanecer excessivamente alerta, sono mais curto ou mais fragmentado e piora do descanso especialmente após treinos tardios e intensos podem indicar que a rotina precisa de ajustes. Uma única noite ruim, porém, não é suficiente para estabelecer essa relação.

    8. Fazer exercício à noite aumenta a frequência cardíaca durante o sono?

    Exercícios intensos realizados perto do horário de dormir podem manter a frequência cardíaca elevada por mais tempo. Estudos observacionais encontraram associação entre treinos tardios e extenuantes e maior frequência cardíaca durante a noite. Isso não significa, porém, que qualquer exercício noturno provoque esse efeito em todas as pessoas.

    9. Qual é o melhor horário para fazer exercícios?

    Não existe um horário perfeito para todo mundo. O melhor horário tende a ser aquele que permite manter uma rotina regular de atividade física sem prejudicar o sono e outros aspectos da vida. Para algumas pessoas, isso significa treinar pela manhã; para outras, no fim da tarde ou à noite.

    Veja também: Privação de sono e produtividade: por que dormir menos faz você render pior

  • Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Artérias endurecidas: por que a condição aumenta o risco de infarto e AVC

    Quando se fala em doenças das artérias, a maioria das pessoas pensa logo em colesterol alto ou em vasos entupidos. No entanto, existe outra alteração que começa muito antes dos primeiros sintomas e também aumenta o risco de problemas cardiovasculares: a rigidez arterial.

    Ao longo da vida, as artérias perdem parte da elasticidade que permite acomodar o fluxo de sangue bombeado pelo coração. Embora esse processo faça parte do envelhecimento natural, ele pode ser acelerado por fatores como pressão alta não controlada, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

    Hoje, a rigidez arterial é reconhecida como um importante marcador de envelhecimento vascular e está associada a maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal crônica.

    O que é rigidez arterial?

    As artérias, especialmente a aorta, têm grande quantidade de fibras elásticas.

    Essa elasticidade permite que elas:

    • Se expandam quando o coração ejeta sangue;
    • Armazenem parte dessa energia;
    • Liberem o sangue de maneira contínua entre um batimento e outro.

    Esse mecanismo funciona como um verdadeiro amortecedor da circulação.

    Quando as artérias ficam rígidas, elas perdem essa capacidade de absorver a pressão gerada a cada batimento cardíaco. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais e a circulação sofre um aumento das oscilações de pressão.

    Rigidez arterial é a mesma coisa que aterosclerose?

    Não. Embora frequentemente coexistam, são processos diferentes.

    Aterosclerose

    É o acúmulo de gordura, colesterol e células inflamatórias na parede das artérias, formando placas que podem reduzir ou obstruir o fluxo sanguíneo.

    Rigidez arterial

    Refere-se principalmente à perda da elasticidade da parede arterial.

    Ela ocorre devido a alterações como:

    • Fragmentação das fibras de elastina;
    • Aumento do colágeno;
    • Calcificação da parede arterial;
    • Inflamação crônica;
    • Alterações das células musculares lisas dos vasos.

    Uma pessoa pode apresentar rigidez arterial mesmo sem obstruções importantes nas artérias.

    Quando a rigidez arterial começa?

    Ao contrário do que muitos imaginam, ela não começa apenas na velhice. O envelhecimento das artérias é um processo gradual que pode iniciar ainda na vida adulta jovem.

    Em pessoas saudáveis, esse processo costuma ser lento. Entretanto, diversos fatores podem acelerá-lo significativamente:

    • Pressão alta;
    • Diabetes mellitus;
    • Obesidade;
    • Tabagismo;
    • Colesterol elevado;
    • Doença renal crônica;
    • Sedentarismo;
    • Alimentação rica em ultraprocessados e sal.

    Quanto maior o tempo de exposição a esses fatores, maior tende a ser a perda da elasticidade arterial.

    Por que as artérias ficam mais rígidas?

    A parede das artérias sofre mudanças estruturais ao longo dos anos. Entre as principais alterações estão:

    • Diminuição da elastina, proteína responsável pela elasticidade;
    • Aumento do colágeno, que torna a parede mais rígida;
    • Calcificação vascular;
    • Inflamação de baixo grau;
    • Estresse oxidativo;
    • Disfunção do endotélio, camada interna dos vasos.

    Essas alterações reduzem a capacidade das artérias de se expandirem durante cada batimento cardíaco.

    Quais são as consequências da rigidez arterial?

    As consequências vão muito além da pressão alta.

    Hipertensão arterial

    Artérias rígidas aumentam a pressão sistólica, o primeiro número da pressão arterial, favorecendo o desenvolvimento de hipertensão, principalmente em pessoas mais velhas. Em muitos casos, a rigidez arterial antecede o aparecimento da hipertensão.

    Sobrecarga do coração

    Quando a aorta perde sua elasticidade, o coração precisa exercer mais força para bombear o sangue.

    Isso pode favorecer:

    • Espessamento do músculo cardíaco, chamado de hipertrofia ventricular esquerda;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Maior consumo de oxigênio pelo coração.

    Maior risco de infarto e AVC

    A rigidez arterial aumenta a carga sobre o sistema cardiovascular e está associada a maior incidência de:

    • Infarto do miocárdio;
    • AVC;
    • Mortalidade cardiovascular.

    Mesmo após o ajuste para outros fatores de risco, ela permanece como um preditor independente de eventos cardiovasculares.

    Lesão dos rins

    Os rins possuem uma rede de pequenos vasos muito sensíveis às oscilações de pressão.

    Com artérias rígidas, há maior transmissão dessa pressão para a microcirculação renal, o que favorece:

    • Doença renal crônica;
    • Proteinúria;
    • Redução progressiva da função dos rins.

    Alterações cerebrais

    O cérebro também sofre com o excesso de pulsação transmitido pelas grandes artérias.

    Esse fenômeno está relacionado a maior risco de:

    • Pequenos infartos cerebrais;
    • Declínio cognitivo;
    • Demência vascular;
    • AVC.

    Existem sintomas?

    Na maioria das vezes, não. A rigidez arterial evolui silenciosamente durante muitos anos.

    Os sintomas geralmente aparecem apenas quando surgem complicações, como:

    • Hipertensão;
    • Infarto;
    • AVC;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doença renal.

    É justamente por isso que a prevenção é tão importante.

    Como os médicos avaliam a rigidez arterial?

    Na prática clínica, a forma mais estudada de avaliação é a velocidade da onda de pulso, conhecida pela sigla em inglês PWV, de Pulse Wave Velocity. Quanto mais rígida a artéria, mais rapidamente a onda de pressão se propaga pelos vasos.

    A velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral é considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva da rigidez arterial e possui valor prognóstico para eventos cardiovasculares.

    Esse exame não faz parte dos check-ups de rotina para toda a população, sendo utilizado principalmente em situações específicas.

    É possível reduzir a rigidez arterial?

    Embora parte do envelhecimento vascular seja inevitável, diversas medidas ajudam a retardar sua progressão e, em alguns casos, melhorar parcialmente a elasticidade dos vasos.

    Controlar a pressão arterial

    A hipertensão é um dos principais fatores que aceleram o endurecimento das artérias. Manter a pressão controlada reduz a sobrecarga sobre a parede vascular e pode favorecer o remodelamento arterial ao longo do tempo.

    Praticar atividade física

    Exercícios aeróbicos regulares:

    • Melhoram a função do endotélio;
    • Reduzem a pressão arterial;
    • Ajudam a preservar a elasticidade vascular.

    Os benefícios aparecem mesmo em pessoas de meia-idade.

    Alimentação saudável

    Uma dieta rica em:

    • Frutas;
    • Verduras;
    • Legumes;
    • Grãos integrais;
    • Oleaginosas;
    • Peixes.

    E pobre em sal, açúcares e alimentos ultraprocessados contribui para um envelhecimento vascular mais saudável.

    Não fumar

    O tabagismo acelera a perda da elasticidade arterial por diversos mecanismos, incluindo inflamação e estresse oxidativo.

    Parar de fumar reduz esse impacto ao longo do tempo.

    Controlar diabetes e colesterol

    Glicemia alta persistente e colesterol elevado favorecem alterações estruturais na parede das artérias. O tratamento adequado reduz a velocidade de progressão dessas alterações.

    Manter um peso saudável

    A obesidade está associada a maior inflamação sistêmica e aumento da rigidez arterial. A perda de peso, especialmente quando acompanhada de atividade física, melhora diversos parâmetros cardiovasculares.

    Existe um medicamento específico para rigidez arterial?

    Atualmente, não existe um medicamento aprovado cujo único objetivo seja reduzir diretamente a rigidez arterial.

    Entretanto, diversos tratamentos utilizados para hipertensão, diabetes e dislipidemia podem contribuir indiretamente para retardar sua progressão ao controlar os fatores que aceleram o envelhecimento vascular.

    Quando conversar com o médico sobre esse assunto?

    Vale discutir o risco de rigidez arterial principalmente se você apresenta:

    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Doença renal crônica;
    • Colesterol elevado;
    • Histórico familiar de doença cardiovascular precoce;
    • Tabagismo;
    • Obesidade.

    Nessas situações, controlar os fatores de risco é mais importante do que realizar exames específicos para medir a rigidez arterial.

    Confira: Exame de cálcio coronariano é útil para prevenir infarto? Saiba para que serve e quem deve fazer

    Perguntas frequentes sobre rigidez arterial

    1. O que é rigidez arterial?

    É a perda da elasticidade das artérias, especialmente da aorta, reduzindo sua capacidade de amortecer a pressão gerada pelos batimentos cardíacos.

    2. A rigidez arterial faz parte do envelhecimento?

    Sim. Ela aumenta naturalmente com a idade, mas pode ser acelerada por hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e outros fatores de risco cardiovasculares.

    3. Quais doenças ela pode causar?

    Está associada a maior risco de hipertensão, infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e declínio cognitivo.

    4. Ela causa sintomas?

    Geralmente não. É uma alteração silenciosa que costuma ser identificada apenas por exames específicos ou pelas complicações que pode provocar.

    5. Como é medida?

    O método mais utilizado é a velocidade da onda de pulso, ou PWV, especialmente a velocidade carotídeo-femoral, considerada o padrão-ouro para avaliação não invasiva.

    6. É possível prevenir?

    Sim. Controlar a pressão arterial, praticar atividade física regularmente, manter alimentação saudável, não fumar, controlar o diabetes e o colesterol e manter um peso adequado ajudam a retardar o envelhecimento vascular.

    7. Existe tratamento específico?

    Ainda não há um medicamento específico para reverter a rigidez arterial. O tratamento consiste principalmente em controlar os fatores de risco cardiovasculares e adotar um estilo de vida saudável, reduzindo a progressão do processo e o risco de complicações.

    Veja também: Infarto em mulheres: sintomas que você precisa ficar atenta

  • Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Higiene menstrual: conheça os principais cuidados durante o ciclo

    Controlar o fluxo menstrual faz parte da rotina da maioria das mulheres em idade fértil, sendo um período em que a atenção ao corpo deve ser redobrada, para prevenir infecções, odores desagradáveis e desconfortos.

    De acordo com a ginecologista e obstetra Andrea Sapienza, manter hábitos de higiene adequados é simples, mas exige atenção para evitar erros comuns, como permanecer muitas horas com o mesmo absorvente ou realizar duchas vaginais internas.

    A seguir, esclarecemos as principais dúvidas sobre higiene menstrual e listamos cuidados práticos que podem ajudar a manter a saúde íntima em dia — desde a troca correta dos absorventes até a escolha de roupas adequadas. Confira!

    Por que a higiene no ciclo menstrual é tão importante?

    A menstruação é um processo natural do organismo que ocorre quando o revestimento do útero, chamado endométrio, se desprende e é expelido pela vagina, na forma de sangue, secreções naturais e restos de tecido. Isso acontece quando não há uma gravidez no período de um ciclo menstrual, que dura em média 28 dias.

    Como o ambiente é úmido, somado ao contato prolongado do sangue com a pele e a mucosa vaginal, isso cria condições favoráveis para a proliferação de bactérias e fungos. Por isso, quando a higiene íntima não é feita corretamente, aumentam os riscos de:

    • Infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana;
    • Irritações na pele da vulva devido ao contato prolongado com o sangue;
    • Mau odor e sensação de desconforto;
    • Alergias causadas por produtos inadequados.

    Leia também: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Como deve ser feita a higiene menstrual?

    De acordo com Andrea Sapienza, as recomendações para a higiene íntima durante a menstruação são semelhantes às do dia a dia, mas com alguns cuidados a mais.

    Limpeza externa, nunca interna

    A higiene deve ser realizada apenas na parte externa da vulva, usando movimentos delicados e sem esfregar com força. As duchas vaginais internas não são recomendadas, pois podem remover a flora protetora da vagina e causar desequilíbrios no pH.

    A flora vaginal saudável é formada principalmente por lactobacilos, que atuam como uma barreira natural contra fungos e bactérias. Quando o equilíbrio é alterado, aumentam as chances de infecções como candidíase e vaginose bacteriana.

    Por isso, água corrente e sabonete suave já são suficientes para manter a saúde íntima em dia.

    Uso de sabonetes suaves

    A higiene pode ser feita com sabonete comum suave, de preferência neutro e sem perfume. O uso de sabonetes íntimos específicos não é obrigatório: eles podem ser uma opção para quem prefere ou apresenta alguma sensibilidade, mas não devem ser vistos como regra.

    O que deve ser evitado são produtos com fragrâncias intensas, corantes ou ação antibacteriana forte, que podem irritar a pele, ressecar ou alterar o equilíbrio natural da flora vaginal.

    Em algumas situações, os lenços umedecidos íntimos podem ser usados para evitar resíduo de papel higiênico. O ideal é optar pelos específicos para região íntima, mas os lenços de bebê também servem, desde que sejam suaves, sem perfume forte e que não irritem a pele.

    Frequência de higiene

    Durante o ciclo menstrual, a recomendação é que a higiene da região íntima externa seja feita ao menos duas vezes ao dia, de preferência uma pela manhã e outra antes de dormir.

    Nos dias em que o fluxo estiver mais intenso, ou após a prática de atividades físicas, você pode aumentar a frequência, mas evitando exageros — afinal, o excesso de lavagens também pode prejudicar a proteção natural da pele.

    Evite roupas apertadas ou sintéticas

    Quando a região íntima fica abafada, seja pelo uso de calças muito justas ou de tecidos sintéticos, cria-se um ambiente úmido e quente que favorece a proliferação de fungos e bactérias. Por isso, sempre que possível, é melhor optar por calcinhas de algodão, que permitem maior ventilação e absorvem melhor a umidade natural.

    Troque absorventes com frequência

    As trocas de absorventes devem ser realizadas num prazo de seis a oito horas aproximadamente, a depender do fluxo menstrual. A ginecologista Andrea Sapienza aponta alguns cuidados, dependendo do tipo de absorvente usado:

    • Absorventes externos: trocar conforme o fluxo, mas não deixar acumular sangue por muitas horas. Prefira absorventes com cobertura de algodão;
    • Absorventes internos: podem ser usados, mas não por mais de 8 horas seguidas. A troca é fundamental para evitar proliferação de bactérias;
    • Coletores menstruais: devem ser retirados, lavados e recolocados a cada 6 a 8 horas, no máximo. É importante escolher o tamanho adequado;
    • Calcinhas absorventes: podem ser utilizadas sozinhas ou combinadas com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas, respeitando as necessidades individuais.

    É recomendado o uso de spray/perfume íntimo?

    O uso de sprays, perfumes íntimos ou qualquer produto com fragrâncias e corantes não é recomendado, já que a região é sensível e pode reagir com irritações ou alergias. A higiene íntima deve ser sempre simples, com o mínimo possível de substâncias químicas.

    Confira: Exame preventivo ginecológico: o que é e quando fazer

    Perguntas frequentes

    1. A falta de higienização correta pode causar problemas?

    Sim. O risco de desequilíbrio da flora vaginal aumenta, favorecendo infecções como candidíase, além de irritações, mau odor e até infecções urinárias.

    2. A vaginose bacteriana pode ser causada por hábitos inadequados de higiene íntima?

    Sim. A higiene inadequada, o uso de duchas vaginais ou de produtos perfumados podem favorecer a condição, que costuma causar corrimento acinzentado e odor desagradável.

    3. Infecção urinária pode ser causada pela falta de higiene durante a menstruação?

    Sim. O canal da uretra pode ser contaminado por bactérias quando a higiene não é feita corretamente. Isso favorece infecções urinárias, que causam dor ao urinar, vontade frequente de ir ao banheiro e até febre.

    4. Ficar muitas horas com o mesmo absorvente pode trazer riscos?

    Sim. O acúmulo de sangue e umidade favorece a proliferação de microorganismos, resultando em infecções, mau odor e irritações na pele. O ideal é trocar absorventes externos a cada 6 a 8 horas.

    5. Posso usar calcinha absorvente em vez de absorventes descartáveis?

    Sim. Elas são seguras e confortáveis, podendo ser usadas sozinhas ou em conjunto com outros métodos. Devem ser trocadas a cada 8 a 12 horas e lavadas corretamente após o uso.

    6. Quais sinais indicam que preciso procurar o ginecologista durante a menstruação?

    Sinais de alerta incluem coceira intensa, ardência, corrimento com cheiro forte, dor ao urinar, fluxo muito maior do que o habitual ou sangramento fora do período menstrual.

    7. Qual o melhor sabonete íntimo?

    O melhor sabonete é o comum suave, neutro e sem perfume. Os íntimos específicos podem ser usados, mas não são obrigatórios. O mais importante é evitar fragrâncias fortes e produtos agressivos. Em caso de dúvidas, converse com o ginecologista.

    Leia mais: Causas comuns de sangramento fora do período menstrual

  • Anti-inflamatório não serve para qualquer coisa: entenda os riscos para rins, coração e estômago

    Anti-inflamatório não serve para qualquer coisa: entenda os riscos para rins, coração e estômago

    Dor nas costas, dor de garganta, dor de cabeça ou dor muscular. Para muitas pessoas, a primeira reação diante de qualquer um desses sintomas é tomar um anti-inflamatório.

    Medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco, naproxeno, cetoprofeno, nimesulida e meloxicam são amplamente utilizados e podem ser comprados com facilidade em muitos locais. Isso faz com que sejam frequentemente considerados inofensivos.

    No entanto, apesar de serem excelentes medicamentos quando bem indicados, os anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos pela sigla AINEs, estão entre as principais causas de efeitos adversos relacionados a medicamentos, especialmente em idosos e pessoas com doenças crônicas.

    Além disso, existe um equívoco muito comum: nem toda dor precisa de um anti-inflamatório. Mesmo que esses medicamentos também tenham ação analgésica, eles não devem ser tratados como simples remédios para qualquer tipo de dor.

    Anti-inflamatório e analgésico são a mesma coisa?

    Não exatamente. Embora muitos anti-inflamatórios também aliviem a dor, analgésicos simples e anti-inflamatórios pertencem a categorias diferentes e atuam de maneiras distintas no organismo.

    Analgésicos simples

    O principal objetivo dos analgésicos simples é aliviar a dor.

    Entre os exemplos estão:

    • Paracetamol;
    • Dipirona.

    Esses medicamentos podem reduzir a dor e a febre, mas possuem pouca ou nenhuma ação anti-inflamatória significativa.

    Anti-inflamatórios

    Além de aliviarem a dor, os anti-inflamatórios atuam reduzindo o processo inflamatório.

    Os mais utilizados são:

    • Ibuprofeno;
    • Naproxeno;
    • Diclofenaco;
    • Cetoprofeno;
    • Meloxicam;
    • Celecoxibe;
    • Nimesulida.

    Eles costumam ser mais úteis quando a dor está associada a uma inflamação evidente.

    Quando o anti-inflamatório realmente faz diferença?

    Os anti-inflamatórios são utilizados principalmente em condições ortopédicas ou reumatológicas nas quais existe um processo inflamatório.

    Entre os exemplos estão:

    • Entorses;
    • Tendinites;
    • Crises de gota;
    • Artrites inflamatórias;
    • Dor após alguns procedimentos odontológicos;
    • Inflamações musculoesqueléticas.

    Nessas situações, o medicamento não atua apenas sobre a percepção da dor. Ele também ajuda a reduzir a inflamação envolvida na origem do problema.

    Isso não significa, porém, que toda dor nessas regiões precise obrigatoriamente de um anti-inflamatório. A indicação deve considerar a causa do sintoma e as condições de saúde de cada pessoa.

    Como os anti-inflamatórios funcionam?

    Os anti-inflamatórios bloqueiam enzimas chamadas ciclooxigenases, conhecidas como COX-1 e COX-2.

    Essas enzimas participam da produção das prostaglandinas, substâncias envolvidas em processos inflamatórios e infecciosos. Elas podem participar de manifestações como:

    • Dor;
    • Febre;
    • Inchaço no local da inflamação.

    Essa resposta faz parte da reação do organismo diante de uma agressão. No entanto, as prostaglandinas não atuam apenas na inflamação. Elas também exercem funções importantes na proteção de diferentes órgãos.

    É justamente por bloquear essas substâncias que os anti-inflamatórios podem causar efeitos adversos no estômago, nos rins e no sistema cardiovascular.

    Por que os anti-inflamatórios podem causar lesões no estômago?

    Uma das funções das prostaglandinas é proteger a mucosa que reveste o estômago.

    Elas ajudam a:

    • Produzir muco protetor;
    • Estimular a produção de bicarbonato;
    • Manter o fluxo sanguíneo da mucosa gástrica.

    Quando a quantidade dessas substâncias diminui, a parede do estômago fica mais exposta à ação do ácido gástrico.

    A repetição dessas agressões pode levar à inflamação da mucosa, como ocorre na gastrite, e evoluir para o desenvolvimento de úlceras. Em alguns casos, essas lesões podem provocar sangramentos ou outras complicações mais graves.

    Quais são os sintomas de lesão no estômago?

    As lesões provocadas pelos anti-inflamatórios podem, inicialmente, não causar sintomas. Quando aparecem manifestações, elas podem envolver:

    • Dor na região conhecida como “boca do estômago”;
    • Sensação de queimação;
    • Enjoo;
    • Sensação de indigestão.

    Nos casos mais graves, quando existem úlceras ou sangramentos, podem ocorrer:

    • Vômitos com sangue;
    • Fezes muito escuras, chamadas de melena;
    • Anemia causada pela perda de sangue;
    • Perfuração da úlcera.

    Essas situações exigem atendimento médico imediato.

    Por que os anti-inflamatórios podem prejudicar os rins?

    Os rins dependem das prostaglandinas para manter um fluxo sanguíneo adequado, principalmente quando o organismo já enfrenta alguma situação que dificulta a circulação de sangue até esses órgãos.

    Isso pode acontecer, por exemplo, em casos de:

    • Desidratação;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Doença renal crônica;
    • Idade avançada.

    Ao bloquear a produção das prostaglandinas, os anti-inflamatórios podem reduzir a chegada de sangue aos rins. Como consequência, pode ocorrer uma lesão renal aguda, principalmente em pessoas mais vulneráveis.

    Por isso, mesmo um medicamento utilizado por pouco tempo pode representar risco em determinadas situações, como durante um quadro de desidratação.

    Os anti-inflamatórios também podem afetar o coração?

    Sim. Alguns anti-inflamatórios podem aumentar discretamente o risco de problemas cardiovasculares, como:

    • Infarto;
    • Acidente vascular cerebral, o AVC;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Elevação da pressão arterial.

    Esse risco tende a ser maior em pessoas que:

    • Já possuem doença cardiovascular;
    • Utilizam doses elevadas;
    • Fazem uso prolongado do medicamento.

    Por esse motivo, quando há indicação, o tratamento deve ser realizado com a menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário.

    Quais outros efeitos colaterais podem ocorrer?

    Além das lesões no estômago, nos rins e dos riscos cardiovasculares, os anti-inflamatórios podem provocar:

    • Retenção de líquidos;
    • Inchaço nas pernas;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Reações alérgicas;
    • Crises de asma em pessoas predispostas;
    • Alterações da função hepática, mais raramente.

    O risco de efeitos adversos varia conforme o medicamento utilizado, a dose, o tempo de tratamento e as condições de saúde da pessoa.

    Tomar o anti-inflamatório com alimento evita problemas?

    Apenas parcialmente. Tomar o medicamento após as refeições pode ajudar a reduzir sintomas como azia, queimação e desconforto gástrico. Entretanto, isso não impede a formação de úlceras nem elimina o risco de sangramento.

    Isso acontece porque a lesão não é causada apenas pelo contato direto do comprimido com o estômago. O principal mecanismo envolve a redução das prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica.

    Portanto, tomar o medicamento com comida pode melhorar o desconforto, mas não torna o uso livre de riscos.

    O protetor gástrico resolve todos os riscos?

    Não. Medicamentos conhecidos como inibidores da bomba de prótons, como omeprazol e pantoprazol, podem reduzir o risco de úlceras e sangramentos em pacientes selecionados.

    Entretanto, eles:

    • Não protegem os rins;
    • Não eliminam o risco cardiovascular;
    • Não impedem todos os efeitos adversos dos anti-inflamatórios.

    Além disso, nem toda pessoa que utiliza um AINE precisa obrigatoriamente tomar um protetor gástrico. A indicação depende do risco individual, do tipo de medicamento, da dose utilizada, do tempo de tratamento e do histórico de saúde do paciente.

    Quem deve evitar anti-inflamatórios?

    O uso deve ser evitado ou realizado com muita cautela por pessoas que apresentam:

    • Doença renal crônica;
    • Úlcera gástrica ativa;
    • Histórico de sangramento digestivo;
    • Insuficiência cardíaca;
    • Hipertensão arterial descontrolada;
    • Cirrose avançada;
    • Gravidez, especialmente no terceiro trimestre, salvo orientação médica.

    Nessas situações, outras opções para o controle da dor podem ser consideradas mais seguras. A escolha, no entanto, deve ser feita por um profissional de saúde, levando em conta a causa da dor e as demais condições do paciente.

    Misturar dois anti-inflamatórios aumenta o efeito?

    Não é recomendado. Associar dois medicamentos da mesma classe, como ibuprofeno e diclofenaco, geralmente não oferece um benefício significativo para o controle da dor.

    Por outro lado, essa combinação pode aumentar o risco de:

    • Lesões no estômago;
    • Sangramento digestivo;
    • Problemas renais;
    • Retenção de líquidos;
    • Alterações cardiovasculares.

    Também é importante verificar a composição de medicamentos combinados, pois algumas pessoas podem utilizar dois anti-inflamatórios sem perceber que ambos pertencem à mesma classe.

    Como utilizar anti-inflamatórios com mais segurança?

    Algumas recomendações ajudam a reduzir os riscos:

    • Utilize apenas quando houver indicação;
    • Não ultrapasse a dose prescrita ou indicada;
    • Evite tratamentos prolongados sem orientação médica;
    • Mantenha uma boa hidratação;
    • Informe ao profissional se possui doença renal, cardíaca ou gástrica;
    • Evite associar dois anti-inflamatórios ao mesmo tempo;
    • Não utilize medicamentos indicados para familiares ou amigos.

    O princípio mais importante é utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário.

    Também é fundamental informar ao profissional quais outros medicamentos estão sendo utilizados, já que algumas combinações podem aumentar o risco de efeitos adversos.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação imediatamente se, durante o uso de um anti-inflamatório, ocorrer:

    • Dor abdominal intensa;
    • Vômitos com sangue;
    • Fezes pretas ou muito escuras;
    • Diminuição importante da quantidade de urina;
    • Inchaço intenso;
    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Reação alérgica com inchaço ou dificuldade para respirar.

    Esses sintomas podem indicar complicações graves relacionadas ao medicamento e não devem ser ignorados.

    Confira: Insuficiência renal aguda: quando os rins param de funcionar de repente

    Perguntas frequentes sobre anti-inflamatórios

    1. Anti-inflamatório e analgésico são iguais?

    Não exatamente. Analgésicos simples atuam principalmente no alívio da dor, enquanto os anti-inflamatórios reduzem a dor e também o processo inflamatório.

    2. Toda dor precisa de anti-inflamatório?

    Não. Muitas dores, como alguns tipos de dor de cabeça ou quadros de febre, podem ser tratadas adequadamente com analgésicos simples, dependendo da causa.

    3. Anti-inflamatórios fazem mal aos rins?

    Podem prejudicar os rins, principalmente em idosos, pessoas desidratadas e pacientes com doença renal, insuficiência cardíaca ou que utilizam determinados medicamentos para controlar a pressão.

    4. Anti-inflamatórios podem causar gastrite?

    Sim. Além da gastrite, esses medicamentos podem provocar úlceras e sangramentos digestivos, especialmente quando utilizados por períodos prolongados ou por pessoas com maior risco.

    5. Tomar junto com alimento protege o estômago?

    Pode reduzir o desconforto gastrointestinal, mas não elimina o risco de lesões na mucosa, úlceras ou sangramentos.

    6. O protetor gástrico impede todos os efeitos colaterais?

    Não. O protetor gástrico pode reduzir o risco de algumas complicações no estômago, mas não protege os rins nem elimina os riscos cardiovasculares dos anti-inflamatórios.

    7. Posso tomar dois anti-inflamatórios ao mesmo tempo?

    Não é recomendado. A associação aumenta o risco de efeitos adversos e, para a maioria dos pacientes, não oferece um benefício significativo adicional.

    8. Qual é a maneira mais segura de usar um anti-inflamatório?

    A forma mais segura é utilizar o medicamento apenas quando realmente indicado, na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.

    Também é importante respeitar a orientação de um profissional de saúde e considerar doenças preexistentes e outros medicamentos em uso.

    Veja também: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)