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  • Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    Recebeu diagnóstico de embolia pulmonar? Entenda o que acontece após a internação

    A embolia pulmonar, também conhecida como tromboembolismo pulmonar (TEP), ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia uma ou mais artérias dos pulmões. A gravidade pode variar desde quadros leves até situações que colocam a vida em risco.

    Na maioria dos casos, o trombo se forma nas veias profundas das pernas ou da pelve, condição conhecida como trombose venosa profunda (TVP), e posteriormente se desloca pela corrente sanguínea até os pulmões.

    O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para reduzir a obstrução da circulação pulmonar e diminuir o risco de complicações.

    O que acontece durante uma embolia pulmonar

    Quando um coágulo chega aos pulmões, ele bloqueia parte do fluxo sanguíneo para determinadas regiões pulmonares.

    Como consequência, ocorre um desequilíbrio entre ventilação e circulação, prejudicando as trocas gasosas e a oxigenação do sangue.

    Dependendo do tamanho do trombo e da extensão da obstrução, podem surgir sintomas como:

    • Falta de ar;
    • Dor no peito;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Tosse;
    • Palpitações;
    • Sobrecarga do coração.

    Nos casos mais graves, pode ocorrer instabilidade circulatória, choque e risco de morte.

    O tratamento começa ainda no hospital

    Após a confirmação ou forte suspeita diagnóstica, o tratamento geralmente é iniciado imediatamente.

    Os principais objetivos são:

    • Impedir o crescimento do coágulo;
    • Evitar a formação de novos trombos;
    • Reduzir o risco de complicações;
    • Permitir que o organismo dissolva gradualmente a obstrução.

    A estratégia terapêutica depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    Anticoagulantes: a base do tratamento

    Os anticoagulantes são o principal tratamento da embolia pulmonar.

    Embora sejam popularmente chamados de “afinadores do sangue”, eles não dissolvem diretamente o coágulo já formado.

    Sua função é:

    • Impedir o crescimento do trombo;
    • Reduzir a formação de novos coágulos;
    • Diminuir o risco de recorrência.

    Dessa forma, o próprio organismo consegue remover gradualmente o trombo ao longo do tempo.

    Quais anticoagulantes podem ser utilizados?

    A escolha do medicamento deve ser individualizada, sempre indicada pelo médico.

    Entre as opções mais utilizadas estão:

    • Heparinas;
    • Rivaroxabana;
    • Apixabana;
    • Edoxabana;
    • Dabigatrana;
    • Varfarina em situações específicas.

    A decisão leva em consideração fatores como:

    • Idade;
    • Função renal;
    • Presença de câncer;
    • Risco de sangramento;
    • Outras doenças associadas.

    Quanto tempo dura o tratamento?

    A duração da anticoagulação depende da causa da embolia pulmonar e do risco de recorrência.

    Casos associados a fatores temporários

    Quando a embolia está relacionada a fatores transitórios, como:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Traumas.

    O tratamento costuma durar cerca de três meses, podendo variar conforme a avaliação médica.

    Casos sem causa identificada

    Quando não é encontrada uma causa evidente, o tratamento pode ser prolongado e reavaliado periodicamente.

    Casos de alto risco de recorrência

    Alguns pacientes podem necessitar anticoagulação por tempo indeterminado, especialmente aqueles com:

    • Trombofilias;
    • Episódios recorrentes de trombose;
    • Alguns tipos de câncer;
    • Fatores permanentes de risco.

    Quando a internação é necessária?

    Muitos pacientes permanecem internados nos primeiros dias para monitorização e estabilização clínica.

    A internação costuma ser indicada quando existe:

    • Falta de ar importante;
    • Baixa oxigenação;
    • Pressão arterial baixa;
    • Frequência cardíaca muito elevada;
    • Sinais de sobrecarga cardíaca;
    • Maior risco de complicações.

    Em casos selecionados e de menor gravidade, o tratamento pode ser realizado em regime ambulatorial.

    Casos graves podem exigir tratamentos mais agressivos

    Pacientes classificados como de alto risco podem precisar de intervenções adicionais.

    Trombólise

    Consiste no uso de medicamentos capazes de dissolver o coágulo de forma mais rápida.

    É um tratamento reservado para situações graves, devido ao maior risco de sangramento.

    Trombectomia por cateter

    Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos podem ser utilizados para remover ou fragmentar o trombo.

    Essa abordagem costuma ser reservada para pacientes selecionados.

    Oxigênio pode ser necessário?

    Sim. Pacientes com queda da oxigenação podem precisar de suporte respiratório, como:

    • Cateter nasal;
    • Máscara de oxigênio;
    • Ventilação não invasiva;
    • Suporte respiratório avançado nos casos mais graves.

    A necessidade depende da extensão da embolia e da repercussão clínica.

    Como os médicos investigam a causa?

    Após a estabilização do quadro, é importante identificar o fator que favoreceu a formação do coágulo.

    A investigação pode incluir:

    • Cirurgias recentes;
    • Internações prolongadas;
    • Imobilização;
    • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal;
    • Gravidez e puerpério;
    • Câncer;
    • Trombofilias;
    • Histórico familiar de trombose.

    Essa etapa ajuda a definir a duração do tratamento e a prevenir novos episódios.

    Como é a recuperação?

    A recuperação varia de acordo com a gravidade da embolia pulmonar.

    Muitos pacientes apresentam melhora significativa nas primeiras semanas, mas alguns sintomas podem persistir temporariamente, como:

    • Cansaço;
    • Falta de ar aos esforços;
    • Menor capacidade física;
    • Sensação de recuperação lenta.

    A maioria das pessoas consegue retomar suas atividades habituais gradualmente.

    Existe risco de uma nova embolia?

    Sim. O risco é maior nos primeiros meses após o episódio inicial e depende da causa que levou à formação do trombo.

    Por isso, é fundamental:

    • Utilizar corretamente os anticoagulantes;
    • Comparecer às consultas de acompanhamento;
    • Controlar fatores de risco;
    • Seguir as orientações médicas.

    O que fazer após a alta hospitalar?

    Após a alta, os cuidados costumam ser os abaixo.

    1. Uso correto dos anticoagulantes

    A medicação deve ser tomada exatamente como prescrita.

    2. Comparecer às consultas de acompanhamento

    O acompanhamento permite avaliar a evolução e ajustar o tratamento quando necessário.

    3. Retomar atividades gradualmente

    O retorno ao trabalho e aos exercícios deve ocorrer de forma progressiva.

    4. Controlar fatores de risco

    Parar de fumar, manter peso adequado e tratar doenças associadas ajuda a reduzir novas tromboses.

    5. Reconhecer sinais de alerta

    Conhecer os sintomas de recorrência pode acelerar a busca por atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se ocorrer:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Desmaio;
    • Queda importante da oxigenação;
    • Inchaço ou dor em uma das pernas.

    Esses sintomas podem indicar recorrência da trombose ou outras complicações.

    Confira: Trombose na gravidez afeta o bebê? Conheça os sintomas, os cuidados e como evitar

    Perguntas frequentes sobre embolia pulmonar

    1. O principal tratamento da embolia pulmonar é a anticoagulação?

    Sim. Os anticoagulantes são a base do tratamento na maioria dos casos.

    2. Os anticoagulantes dissolvem o coágulo?

    Não diretamente. Eles impedem a formação de novos trombos enquanto o organismo remove gradualmente o coágulo existente.

    3. Toda embolia pulmonar precisa de internação?

    Não necessariamente. Alguns pacientes de baixo risco podem ser tratados em casa, mas muitos necessitam monitorização inicial.

    4. Quanto tempo dura o tratamento?

    O período varia conforme a causa e o risco de recorrência, podendo durar meses ou ser prolongado por tempo indeterminado.

    5. Existe risco de uma nova embolia pulmonar?

    Sim. Por isso é fundamental seguir corretamente o tratamento e o acompanhamento médico.

    6. Pode ser necessário usar oxigênio?

    Sim. Pacientes com baixa oxigenação podem necessitar suporte respiratório temporário.

    7. É possível voltar a ter uma vida normal após uma embolia pulmonar?

    Na maioria dos casos, sim. Com tratamento adequado e acompanhamento médico, muitos pacientes retomam suas atividades habituais.

    Veja mais: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Nódulo na tireoide é sempre câncer? Entenda

    Comum especialmente em mulheres e em pessoas acima dos 40 anos, o nódulo na tireoide é uma pequena massa ou caroço que se desenvolve dentro da glândula tireoide, localizada na base do pescoço. Normalmente, ele é identificado durante exames de rotina, como um ultrassom, ou ao apalpar a região durante o banho ou ao se olhar no espelho.

    É comum sentir medo ou ansiedade pela possibilidade do caroço indicar um quadro de câncer, mas, na maioria dos casos, o nódulo na tireoide é benigno e não representa qualquer risco para a saúde. Ele costuma surgir por alterações naturais da glândula, cistos cheios de líquido ou pequenos crescimentos do tecido tireoidiano que não possuem características malignas.

    Ainda assim, qualquer alteração precisa ser avaliada por um médico, para identificar quais lesões apresentam baixo risco e quais precisam de acompanhamento mais próximo ou de exames complementares. Hoje, o ultrassom é a principal ferramenta utilizada para analisar o tamanho, a forma e outras características que ajudam a estimar a probabilidade de malignidade.

    Nódulo na tireoide é sempre câncer?

    Segundo o endocrinologista André Colapietro, a grande maioria dos nódulos não é câncer. Cerca de 90% a 95% dos nódulos na tireoide são benignos e costumam ser apenas cistos cheios de líquido, crescimentos localizados do próprio tecido da glândula (adenomas) ou alterações associadas a processos inflamatórios, como a tireoidite de Hashimoto.

    Apenas uma pequena parcela, aproximadamente 5% a 10% dos casos, corresponde a um tumor maligno, isto é, ao câncer de tireoide.

    Principais causas de nódulos na tireoide

    Geralmente, o aparecimento de um nódulo na tireoide acontece por um crescimento desordenado de células da própria glândula, mas que não tem nenhuma relação com o câncer. As principais causas benignas incluem:

    • Cistos na tireoide: são nódulos totalmente preenchidos por líquido. Eles quase sempre são benignos, mas podem crescer e causar algum desconforto local se ficarem muito grandes;
    • Bócio nodular ou multinodular: acontece quando a tireoide aumenta de tamanho e desenvolve um ou vários nódulos em sua estrutura. Isso pode ocorrer por predisposição genética ou, de forma mais rara hoje em dia, por falta de iodo na alimentação;
    • Adenoma tireoidiano: é um tumor benigno e consiste em um acúmulo de tecido tireoidiano normal que cresce em formato de caroço. Na maioria das vezes não causa problemas, mas alguns adenomas podem produzir hormônios da tireoide em excesso, levando ao hipertireoidismo;
    • Tireoidite de Hashimoto: é uma doença autoimune onde as defesas do corpo atacam a tireoide, gerando uma inflamação crônica. A inflamação pode deixar a glândula irregular e favorecer o aparecimento de nódulos.

    Como saber se o nódulo está crescendo?

    A forma mais segura de saber se o nódulo está crescendo é fazendo o ultrassom da tireoide periodicamente, conforme a orientação do endocrinologista.

    Como a maioria dos nódulos é interna e muito pequena, as variações de milímetros no tamanho só conseguem ser detectadas e comparadas de verdade através das imagens do exame de um ano para o outro.

    Em casos onde o crescimento é mais expressivo, você pode começar a notar sinais físicos na rotina, como perceber um caroço mais visível ao olhar no espelho, sentir uma assimetria ou um caroço endurecido ao apalpar o pescoço, ou notar que colares e golas de camisa começaram a apertar sem que você tenha engordado.

    Por fim, o crescimento do nódulo pode causar sintomas de compressão na região do pescoço. Se ele aumentar a ponto de pressionar as estruturas vizinhas, você pode começar a sentir dificuldade ou desconforto para engolir alimentos sólidos, uma sensação constante de pigarro ou aperto na garganta, e até mesmo rouquidão persistente sem uma causa gripal aparente.

    Sinais de alerta para procurar o médico com urgência

    Você deve procurar um endocrinologista ou um cirurgião de cabeça e pescoço se notar:

    • Dificuldade para engolir alimentos ou líquidos;
    • Sensação de que a comida fica presa na garganta;
    • Falta de ar ou sensação de sufocamento, principalmente ao deitar;
    • Rouquidão ou mudança na voz por mais de duas semanas;
    • Crescimento rápido do nódulo em poucas semanas ou meses;
    • Nódulo muito duro e que não se movimenta ao engolir;
    • Presença de ínguas persistentes nas laterais do pescoço.

    A presença dos sintomas não significa um diagnóstico de câncer, mas são sinais de alerta de que a região está sendo comprimida ou de que o nódulo precisa ser investigado pelo médico.

    Como saber se o nódulo na tireoide é maligno?

    Não é possível determinar se um nódulo na tireoide é maligno apenas pela palpação ou pela presença de sintomas. A confirmação depende de uma avaliação médica que combina exames de imagem e, quando necessário, a análise das células do nódulo.

    O primeiro exame utilizado é o ultrassom da tireoide, que permite avaliar características associadas a um maior risco de câncer, como a presença de microcalcificações, bordas irregulares, formato mais alto do que largo e áreas muito sólidas e escuras no exame.

    O médico também pode solicitar a realização de exames de sangue para avaliar o funcionamento da glândula, como TSH, T3 e T4. Embora não diagnostiquem o câncer diretamente, ajudam o médico a entender o comportamento do nódulo e a planejar os próximos passos.

    Segundo André, quando o nódulo apresenta características suspeitas ou atinge determinado tamanho, o médico pode solicitar uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF). Durante o procedimento, uma agulha fina é utilizada para coletar células do nódulo, que são enviadas para análise em laboratório.

    Atualmente, a punção é considerada o principal exame para diferenciar nódulos benignos de malignos.

    Como é feito o tratamento de nódulo na tireoide?

    O tratamento do nódulo na tireoide depende de alguns fatores, como tamanho, características observadas nos exames, presença de sintomas e do resultado da investigação.

    Quando o nódulo é benigno, pequeno e não causa desconforto, a medida mais comum é apenas o acompanhamento periódico com consultas médicas e exames de ultrassom para monitorar possíveis alterações de tamanho ou de aparência ao longo do tempo.

    Nos casos em que o nódulo cresce, provoca sintomas ou apresenta suspeita de malignidade, outras abordagens podem ser necessárias, como:

    • Acompanhamento regular com ultrassom e exames clínicos;
    • Punção aspirativa para avaliação das células do nódulo;
    • Cirurgia para retirada parcial ou total da tireoide;
    • Tratamento com iodo radioativo em situações específicas;
    • Procedimentos minimamente invasivos para alguns nódulos benignos selecionados.

    A cirurgia costuma ser indicada quando existe confirmação ou forte suspeita de câncer, quando o nódulo é muito grande ou quando causa sintomas como dificuldade para engolir, sensação de pressão no pescoço ou alterações respiratórias.

    Segundo André, os casos de câncer têm alta chance de cura, especialmente quando diagnosticados precocemente, o que torna importante manter exames de rotina.

    Leia mais: Tireoide: a pequena glândula que comanda o corpo inteiro

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem nódulo na tireoide engorda?

    O nódulo em si não altera o peso. Porém, se o nódulo for causado por hipotireoidismo (tireoide lenta), a pessoa pode ter uma leve tendência a ganhar peso devido ao metabolismo mais lento.

    2. Qual é o tamanho de um nódulo na tireoide que preocupa?

    Os nódulos maiores que 1 cm costumam receber mais atenção e podem precisar de punção. No entanto, mais importante que o tamanho são as características visíveis no ultrassom, como formato e bordas.

    3. Cisto na tireoide é a mesma coisa que nódulo?

    O cisto é um tipo de nódulo, mas preenchido por líquido. A boa notícia é que cistos puros são praticamente 100% benignos.

    4. É normal ter vários nódulos na tireoide?

    Sim, isso é chamado de bócio multinodular. É uma condição muito comum, especialmente com o avanço da idade e em mulheres, e a maioria absoluta desses nódulos é benigna.

    5. Quem tem nódulo na tireoide pode fazer academia?

    Sim, a atividade física está liberada. Ter um nódulo não limita os movimentos ou o esforço físico, a menos que haja alguma recomendação médica específica pós-cirúrgica.

    6. Nódulo na tireoide altera a voz?

    A rouquidão ou mudança na voz só acontecem se o nódulo for muito grande ou se for um tumor maligno que esteja afetando os nervos que controlam as cordas vocais.

    7. Grávida pode ter nódulo na tireoide?

    Sim, devido às intensas alterações hormonais da gestação, novos nódulos podem surgir ou os já existentes podem crescer. Eles devem ser avaliados pelo obstetra e endocrinologista, mas a investigação (como o ultrassom) é segura na gravidez.

    Leia também: Cura ou remissão do câncer? Entenda a diferença entre os termos

  • Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    Diabetes gestacional: por que ele aparece na gravidez? 

    O diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, é uma condição relativamente comum durante a gravidez. No Brasil, a estimativa é que entre 14% e 18% das gestantes desenvolvem o problema ao longo da gestação.

    Ele acontece devido a uma reação natural do próprio organismo à gravidez, afetando inclusive mulheres que nunca tiveram problemas com a glicemia antes.

    A principal causa do diabetes gestacional está relacionada aos hormônios produzidos pela placenta. Para garantir o desenvolvimento saudável do bebê, a placenta libera substâncias que acabam bloqueando a ação da insulina no corpo da mãe.

    Na maioria das vezes, o pâncreas da gestante consegue compensar a mudança, mas, quando isso não acontece, o açúcar se acumula no sangue. “Na maioria das vezes, a mulher não sente nada. Por isso, o diagnóstico é feito por exames de rotina no pré-natal. Se não for controlado, pode trazer riscos para o bebê”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Por que o diabetes gestacional aparece na gravidez?

    O diabetes gestacional é causado principalmente pelas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. A placenta, órgão responsável por nutrir e proteger o bebê, também produz uma grande quantidade de hormônios essenciais para a manutenção da gravidez, como o lactogênio placentário, a progesterona e o cortisol.

    Os hormônios podem reduzir a ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada da glicose nas células para ser utilizada como fonte de energia. A condição é conhecida como resistência à insulina.

    Na prática, o organismo da gestante pelas seguintes mudanças:

    • Os hormônios da placenta dificultam a ação da insulina;
    • Para compensar essa resistência, o pâncreas aumenta a produção de insulina;
    • Em algumas mulheres, porém, o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente para atender à demanda maior da gestação.

    Quando isso acontece, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, levando ao desenvolvimento do diabetes gestacional.

    Principais fatores de risco do diabetes gestacional

    Qualquer mulher pode desenvolver o diabetes gestacional, mas algumas gestantes têm uma propensão maior a enfrentar essa sobrecarga no pâncreas, como aquelas que:

    • Estão acima do peso ou têm obesidade antes da gravidez;
    • Têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
    • Já tiveram diabetes gestacional em uma gestação anterior;
    • Apresentaram pré-diabetes antes de engravidar;
    • Têm síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Engravidaram após os 35 anos;
    • Já tiveram um bebê com peso elevado ao nascer (acima de 4 kg);
    • Apresentam hipertensão arterial ou outras alterações metabólicas.

    Vale destacar que a ausência dos fatores de risco não garante que a gestante não desenvolverá a condição. Por isso, o acompanhamento pré-natal e a realização dos exames de rotina são recomendados para todas.

    Quando o diabetes gestacional costuma surgir?

    Na maioria dos casos, o diabetes gestacional costuma surgir a partir da 24ª semana de gravidez, que corresponde ao final do quinto mês e início do sexto mês de gestação.

    Nessa fase, a placenta já atingiu um tamanho significativo e passa a produzir quantidades cada vez maiores dos hormônios responsáveis pela manutenção da gravidez.

    Até a metade da gestação, o pâncreas normalmente consegue compensar as mudanças sem grandes dificuldades, mas com o aumento da resistência à insulina no segundo trimestre, o organismo precisa produzir muito mais insulina para manter os níveis de glicose sob controle.

    Por isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) orienta a realização do rastreamento do diabetes gestacional entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez. O principal exame utilizado é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG), que avalia como o organismo da gestante reage após a ingestão de uma solução açucarada.

    Quando diagnosticado e tratado adequadamente, o diabetes gestacional pode ser controlado com mudanças na alimentação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, uso de medicamentos.

    Como saber se a causa é a gravidez ou pré-diabetes?

    Quando a gestante apresenta níveis elevados de glicose logo nos primeiros meses da gravidez, a causa normalmente não é a gravidez. Como a placenta ainda é muito pequena e produz poucos hormônios, o resultado indica que a mulher provavelmente já tinha pré-diabetes (ou diabetes tipo 2) antes de engravidar e não sabia.

    Por outro lado, quando os exames iniciais estão normais e a glicemia se altera apenas a partir da segunda metade da gravidez, especialmente após a 24ª semana, o quadro costuma estar mais relacionado ao diabetes gestacional provocado pelas mudanças hormonais da placenta.

    O que acontece depois do parto?

    Após o parto, a maioria das mulheres com diabetes gestacional volta a apresentar níveis normais de glicose. É recomendado repetir os exames entre 6 e 12 semanas após o nascimento do bebê.

    Se a glicemia permanecer alterada, isso pode indicar que a mulher já tinha pré-diabetes ou diabetes antes da gestação, ou que desenvolveu um risco maior para as condições.

    “Na maioria dos casos, o diabetes cede depois do parto, mas é um sinal de alerta para o futuro, já que as mulheres que tiveram diabetes gestacional têm risco aumentado de desenvolver diabetes ao longo da vida”, finaliza André.

    Leia mais: Segundo trimestre de gravidez: quando começa, sintomas e exames

    Perguntas frequentes

    1. Qual o valor normal da glicose na gravidez?

    No exame de jejum feito no início da gestação, o valor considerado normal é abaixo de 92 mg/dL. Valores entre 92 mg/dL e 125 mg/dL já indicam diabetes gestacional.

    2. Como é feito o exame de curva glicêmica?

    Chamado de TOTG, a gestante colhe o sangue em jejum, toma um líquido extremamente doce (75g de glicose) e colhe o sangue novamente após 1 hora e 2 horas. Ele avalia a capacidade do corpo de processar o açúcar.

    3. O diabetes gestacional dá algum sintoma?

    Na grande maioria das vezes, ele é assintomático. É por isso que os exames de sangue são obrigatórios, já que a grávida costuma se sentir perfeitamente bem.

    4. Quais os riscos para o bebê se o diabetes não for controlado?

    O principal risco é a macrossomia (bebê nascer muito grande, acima de 4 kg), o que pode antecipar o parto, causar quedas de açúcar no bebê logo após o nascimento e desconforto respiratório.

    5. Posso praticar exercícios físicos tendo a condição?

    Se não houver nenhuma contraindicação médica, caminhadas leves e hidroginástica são excelentes, pois ajudam os músculos a gastar o açúcar do sangue de forma natural.

    6. Quem tem diabetes gestacional precisa fazer cesárea?

    Não obrigatoriamente. O tipo de parto depende das condições de saúde da mãe e do tamanho do bebê.

    7. Posso tomar remédios em comprimido para o diabetes na gravidez?

    Normalmente, o tratamento de escolha quando a dieta não funciona é a insulina. Alguns comprimidos, como a metformina, podem ser usados em casos muito específicos, mas sempre sob orientação médica.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    Pessoa ficou confusa de repente: o que pode estar acontecendo?

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Teste de ovulação de farmácia: saiba como usar corretamente e quando fazer

    Se você está tentando engravidar, já deve ter ouvido falar sobre os testes de ovulação vendidos nas farmácias. Ele funciona de forma muito parecida com o teste de gravidez, mas, em vez de detectar a gestação, ajuda a prever quais são os dias mais férteis do mês.

    Ao identificar o chamado pico do hormônio LH, que ocorre pouco antes da liberação do óvulo pelo ovário, o teste indica que você está entrando no período de maior fertilidade. Assim, fica mais fácil planejar as relações sexuais nos dias em que as chances de gravidez são mais altas.

    Mas, para que ele realmente funcione, é preciso saber o dia certo de começar a testar e como interpretar as linhas do resultado. Para te ajudar, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, que explica como o exame funciona e quando utilizá-lo. Confira!

    O que é e para que serve o teste de ovulação?

    O teste de ovulação de farmácia serve para identificar os dias mais férteis do ciclo menstrual, mostrando quando as chances de engravidar estão mais altas. Segundo Andreia, ele funciona detectando o aumento repentino do hormônio luteinizante (LH) na urina, o que é conhecido como pico de LH.

    Durante o ciclo menstrual, o organismo desenvolve um folículo, uma pequena estrutura no ovário que abriga e amadurece o óvulo. Quando ele está pronto para ser liberado, a glândula hipófise, localizada no cérebro, aumenta significativamente a produção do hormônio luteinizante, que é lançado na corrente sanguínea.

    O aumento repentino funciona como um gatilho para a ovulação, fazendo com que o folículo se rompa e libere o óvulo para as trompas de Falópio, onde poderá ser fecundado por um espermatozoide.

    Como a liberação do óvulo costuma acontecer entre 24 e 36 horas após o pico de LH, o teste funciona como um aviso antecipado de que a ovulação está prestes a ocorrer. Se você está planejando uma gravidez, a informação te permite concentrar as relações sexuais nos dias em que a probabilidade de fecundação é maior.

    Para quem ele é indicado?

    O teste de ovulação de farmácia pode ser útil para diferentes mulheres, como:

    • Mulheres que desejam engravidar mais rapidamente, pois o teste ajuda a identificar os dias de maior fertilidade e evita as tentativas às cegas ao longo do mês;
    • Mulheres com ciclos menstruais irregulares, já que a falta de regularidade dificulta prever a ovulação apenas pelo calendário;
    • Mulheres que estão começando a tentar engravidar e ainda não conhecem bem o funcionamento do próprio ciclo menstrual;
    • Mulheres que desejam monitorar a fertilidade de forma mais natural, sem depender apenas de aplicativos ou cálculos baseados na data da última menstruação;
    • Mulheres que querem conhecer melhor o próprio corpo, observando a relação entre a ovulação, os sintomas do período fértil e as mudanças do ciclo menstrual.

    Vale destacar que, apesar de útil, o teste não substitui o acompanhamento médico. Em casos de dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares ou suspeita de alterações hormonais, procure a orientação de um ginecologista.

    Quando começar a fazer o teste de ovulação?

    Como o teste identifica o aumento do hormônio LH antes da ovulação, o ideal é começar a usá-lo alguns dias antes do período em que a ovulação costuma acontecer, pois há menos risco de perder o pico hormonal e ter um resultado mais preciso.

    Para fazer o cálculo, considere o primeiro dia da menstruação como o Dia 1 do ciclo. A partir daí, a recomendação geral para mulheres com um ciclo regular de 28 dias é iniciar os testes no 11º dia do ciclo. Como a duração dos ciclos menstruais varia de mulher para mulher, a data ideal para começar o teste também pode mudar:

    • Ciclo curto (25 dias): comece a testar no 8º dia do ciclo;
    • Ciclo médio (30 dias): comece a testar no 13º dia do ciclo;
    • Ciclo longo (32 dias): comece a testar no 15º dia do ciclo.

    A partir da data calculada, faça um teste por dia, de preferência sempre no mesmo horário. Continue o acompanhamento até que a linha do teste fique tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o que indica um resultado positivo e sinaliza que a ovulação está próxima.

    E se o meu ciclo for irregular?

    Se os ciclos variam bastante de um mês para outro, o cálculo pode ser um pouco mais difícil. Segundo Andreia, a irregularidade menstrual normalmente está associada a alterações hormonais ou metabólicas que interferem no processo normal da ovulação.

    Na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), por exemplo, é comum a ocorrência de ciclos em que a ovulação não acontece. A mulher pode passar vários meses sem menstruar e, durante o período, apenas alguns ciclos podem ser realmente ovulatórios.

    Por causa da variação, o teste de ovulação pode permanecer negativo por semanas ou até meses e, de repente, apresentar um resultado positivo quando ocorre um ciclo com ovulação.

    Por isso, a ginecologista ressalta que mulheres com anovulação crônica, seja por SOP ou por outras alterações hormonais, devem encarar o teste como uma ferramenta complementar para obter informações sobre o ciclo menstrual, e não como um método definitivo para identificar a fertilidade.

    Como usar o teste de ovulação corretamente?

    Diferente do teste de gravidez tradicional, o teste de ovulação precisa de alguns cuidados específicos com a diluição dos hormônios:

    Passo 1: escolha um horário para realizar o teste

    Verifique as orientações da embalagem, pois alguns testes não recomendam o uso da primeira urina da manhã. Em geral, o hormônio LH costuma ser detectado com mais facilidade na urina entre 10h e 20h. O mais importante é realizar o teste sempre no mesmo horário todos os dias.

    Passo 2: reduza a ingestão de líquidos antes do exame

    Cerca de duas horas antes de fazer o teste, evite beber grandes quantidades de água, café, chás ou outras bebidas. O excesso de líquidos pode diluir a urina e dificultar a identificação do pico de LH.

    Passo 3: fique algumas horas sem urinar

    Procure permanecer pelo menos quatro horas sem ir ao banheiro antes da coleta, pois ajuda a concentrar o hormônio na urina, tornando o resultado mais confiável.

    Passo 4: faça a coleta corretamente

    Urine em um recipiente limpo e seco. Em seguida, retire a fita do envelope e mergulhe a ponta absorvente na amostra pelo tempo indicado na bula, geralmente entre 5 e 10 segundos. Tome cuidado para não ultrapassar a linha máxima indicada pela marcação “MAX”.

    Passo 5: aguarde o tempo de leitura

    Coloque a fita sobre uma superfície plana e horizontal e aguarde o tempo recomendado pelo fabricante, normalmente entre 5 e 10 minutes, antes de verificar o resultado. Durante o período, evite movimentar a fita.

    Passo 6: interprete o resultado

    Se a linha de teste ficar tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle, o resultado é positivo e indica que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 36 horas. Se a linha de teste estiver mais clara ou não aparecer, o resultado é considerado negativo.

    Como ler os resultados do teste de ovulação?

    O teste de ovulação leva cerca de 3 a 5 minutos para processar a urina e mostrar o resultado, que pode ser interpretado da seguinte forma:

    • Resultado negativo: a linha de teste (T) está mais clara do que a linha de controle (C) ou não aparece, o que significa que o pico de LH ainda não foi detectado. A recomendação é continuar realizando os testes nos próximos dias;
    • Resultado positivo: a linha de teste (T) está tão escura quanto ou mais escura que a linha de controle (C). Isso indica que o pico de LH foi identificado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas. Após obter um resultado positivo, não é necessário continuar os testes naquele ciclo.

    Importante: nunca leia o resultado do teste após passarem 10 ou 15 minutos da realização. Depois que a fita seca totalmente, uma linha falsa pode aparecer por conta da evaporação da urina, invalidando o diagnóstico.

    O teste deu positivo: quando ter relação para engravidar?

    Quando o teste de ovulação dá positivo, significa que o pico do hormônio LH foi detectado e que a ovulação deve acontecer nas próximas 24 a 48 horas.

    Para aumentar as chances de engravidar, Andreia explica que o ideal é ter relações sexuais no mesmo dia em que o resultado positivo aparecer e também nos dois dias seguintes. Os espermatozoides já estarão presentes nas trompas quando o óvulo foi liberado, aumentando as chances de fecundação.

    Vale lembrar que os espermatozoides podem sobreviver por até cinco dias no trato reprodutivo feminino, enquanto o óvulo permanece viável por cerca de 12 a 24 horas após a ovulação. Por isso, o ideal é que eles já estejam presentes quando a ovulação acontecer, em vez de esperar que ela ocorra para só então tentar a gravidez.

    Quando procurar ajuda médica?

    Segundo Andreia, se a gravidez não acontecer após cerca de um ano de tentativas regulares, ou após seis meses para mulheres com mais de 35 anos, o ideal é procurar avaliação com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

    O profissional poderá investigar possíveis causas de infertilidade e orientar os exames mais adequados para cada caso.

    Leia mais: Endometrioma: o que é, sintomas, qual o tratamento e se pode engravidar

    Perguntas frequentes

    1. O teste de ovulação serve como teste de gravidez?

    Não, eles detectam hormônios completamente diferentes. O teste de ovulação detecta o LH (hormônio luteinizante), que prepara o corpo para liberar o óvulo. O teste de gravidez detecta o hCG, que só é produzido pela placenta após a implantação do embrião no útero. Um teste não substitui o outro.

    2. Posso usar a primeira urina da manhã para fazer o teste?

    Depende da marca, mas normalmente não é o ideal. O hormônio LH costuma ser produzido pelo corpo no início da manhã e leva algumas horas para aparecer na urina, então a maioria dos fabricantes recomenda fazer o teste entre as 10h e às 20h.

    3. O teste deu positivo e eu tive relações, por que não engravidei de primeira?

    O teste de ovulação apenas ajuda a acertar o momento em que o óvulo está disponível, aumentando as chances. No entanto, a gravidez depende de muitos outros fatores, como a qualidade do espermatozoide, a saúde das trompas, a receptividade do útero e até mesmo a própria genética do embrião formado.

    4. O teste de ovulação pode ser usado como método contraceptivo para evitar gravidez?

    Não! O teste só avisa que a ovulação vai acontecer quando o pico de LH já está ocorrendo.

    5. Quanto tempo vive o óvulo depois que ele é liberado?

    O óvulo tem uma vida útil curtíssima: ele sobrevive apenas entre 12 e 24 horas após ser liberado pelo ovário.

    6. Posso reutilizar a mesma tira de teste no dia seguinte?

    Não. Todas as fitas e tiras de teste de ovulação (assim como os digitais) são de uso único.

    7. Amamentar altera o resultado do teste de ovulação?

    Sim, pois a amamentação exclusiva produz o hormônio prolactina, que bloqueia os hormônios da reprodução. Isso impede o pico de LH e faz com que os testes deem negativo até que os ciclos menstruais retornem ao normal.

    Confira: Tentando engravidar? Saiba como o álcool pode interferir na fertilidade

  • Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Olhos secos, insônia e cansaço? 7 sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    Celulares, computadores, tablets e televisões já fazem parte da rotina de forma tão natural que, muitas vezes, é difícil lembrar como era a vida antes deles. As telas facilitam o trabalho, os estudos e a comunicação, mas, para que o uso seja saudável e não afete a saúde física e mental, ele não pode acontecer de maneira excessiva.

    Para se ter uma ideia, cada rolagem de feed, curtida ou notificação visualizada aciona o sistema de recompensa, liberando doses rápidas de dopamina, o neurotransmissor associado ao prazer e à satisfação imediata.

    Só que, no dia a dia, o cérebro se acostuma rapidamente com o fluxo constante de estímulos, precisando de cada vez mais tempo online para sentir o mesmo bem-estar, o que é semelhante com o que acontece em outros tipos de dependência.

    A exposição frequente à luz azul dos aparelhos também bloqueia a produção de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de dormir, mantendo a mente em um estado constante de alerta e estresse. Consequentemente, você pode ter mais dificuldade para pegar no sono, acordar constantemente ao longo da noite e acordar com a sensação de que não descansou.

    Mas afinal, como saber quando o uso de telas deixou de ser apenas um hábito e passou a representar um problema para a saúde? Para adultos, o ideal para lazer é não ultrapassar 2 a 3 horas diárias, mas o corpo costuma dar alguns sinais de que você está passando mais tempo conectado do que deveria.

    Sinais de que o tempo de tela já passou dos limites

    1. Olhos secos, vermelhos ou visão embaçada

    Quando passamos muito tempo olhando para um ponto luminoso fixo, o cérebro reduz automaticamente a frequência das piscadas. O normal é piscar cerca de 15 a 20 vezes por minuto, mas diante das telas o número pode cair para menos da metade.

    Como resultado, acontece uma evaporação mais rápida da lágrima, provocando ressecamento, sensação de areia nos olhos, vermelhidão e fadiga ocular, condição conhecida como astenopia digital. O esforço prolongado para focar objetos próximos também pode fazer com que a visão fique temporariamente embaçada ao olhar para longe.

    2. Dores frequentes na coluna, pescoço e ombros

    Ao usar o celular ou o notebook, é comum inclinar a cabeça para a frente e para baixo, alterando o alinhamento natural do corpo.

    A cada centímetro de inclinação da cabeça para a frente, a carga exercida sobre a coluna cervical aumenta significativamente. Com o passar do tempo, a sobrecarga pode provocar tensão muscular, contraturas nos ombros e acelerar o desgaste das articulações da coluna.

    3. Dificuldade para pegar no sono ou insônia

    A luz azul emitida por celulares, tablets, computadores e televisores é interpretada pelo cérebro de forma semelhante à luz natural do dia. Por causa disso, a produção de melatonina, hormônio responsável por preparar o organismo para dormir, fica reduzida ou atrasada.

    O resultado é uma sensação prolongada de alerta, que dificulta o adormecer e prejudica o ritmo natural do sono.

    4. Ansiedade ou pressa excessiva para checar notificações

    A sensação de ansiedade é um dos principais sinais comportamentais da relação excessiva com os estímulos digitais.

    Devido a liberação de dopamina, quando o uso de telas é excessivo, o cérebro passa a buscar as recompensas com mais frequência, o que pode gerar ansiedade, vontade constante de verificar o celular e até mesmo a chamada síndrome da vibração fantasma, quando a pessoa acredita que o aparelho vibrou sem que nenhuma notificação tenha sido recebida.

    5. Dores de cabeça persistentes ao longo do dia

    As dores de cabeça causadas pelo excesso de telas costumam estar relacionadas à tensão acumulada no corpo, e se manifestam na testa, atrás dos olhos ou na nuca.

    O brilho intenso e o contraste da tela exigem mais esforço dos olhos, enquanto a má postura sobrecarrega os músculos do pescoço e dos ombros. O excesso de estímulos também mantém o cérebro em estado de alerta por mais tempo.

    6. Irritabilidade e falta de paciência com atividades offline

    A internet oferece estímulos rápidos o tempo todo, como vídeos curtos, notificações, mensagens e novidades constantes. Elas fazem com que o cérebro se acostume a receber informação de forma imediata e, com o passar do tempo, atividades mais lentas podem parecer menos interessantes.

    Por isso, é comum sentir mais impaciência durante conversas longas, dificuldade para se concentrar na leitura de um livro ou irritação ao realizar tarefas do dia a dia que precisam de mais atenção e tempo.

    7. Sensação de cansaço crônico, mesmo após acordar

    Passar muito tempo em frente às telas, principalmente durante a noite, pode prejudicar a qualidade do sono e manter o cérebro em um estado de ativação acima do ideal, mesmo após o momento de deitar.

    O descanso acaba não sendo tão reparador quanto deveria, o que faz com que a pessoa acorde cansada, com menos energia, dificuldade para se concentrar e uma sensação constante de cansaço.

    Sinais de que as crianças passaram do limite com as telas

    Diferentemente dos adultos, as crianças nem sempre conseguem verbalizar que estão cansadas ou sentindo algum mal-estar físico causado pelo excesso de dispositivos eletrônicos.

    “Às vezes, as crianças apresentam comportamentos que mostram para a gente que o uso de telas já passou do limite. Mas muitos pais ainda normalizam esse tipo de situação”, aponta a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Entre alguns dos principais sinais de que a criança já passou tempo demais usando as telas, é possível destacar:

    • Irritabilidade extrema ou crises de choro ao desligar o aparelho: é comum que a criança demonstre uma frustração desproporcional, raiva ou agressividade quando o tempo de tela termina, funcionando quase como uma reação de abstinência;
    • Perda de interesse por brincadeiras físicas e interações sociais: a criança deixa de querer brincar, correr, desenhar ou interagir com familiares e amigos, preferindo ficar isolada com o dispositivo;
    • Agitação motora e dificuldade de concentração: o excesso de estímulos rápidos presentes em vídeos e jogos pode deixar o sistema nervoso hiperestimulado, o que pode se refletir em dificuldades para se concentrar nas atividades escolares e em uma agitação fora do habitual;
    • Alterações no sono e pesadelos frequentes: as telas em excesso podem causar dificuldade para adormecer, despertares durante a noite e sono agitado. Em crianças menores, o excesso de telas antes de dormir também está associado a terrores noturnos e pesadelos;
    • Atraso no desenvolvimento da fala ou da socialização: especialmente em bebês e crianças pequenas, o tempo excessivo diante das telas pode substituir momentos importantes de conversa, interação e troca de olhares com os pais, prejudicando o desenvolvimento da linguagem e das habilidades socioemocionais;
    • Alimentação distraída ou falta de percepção da saciedade: comer enquanto assistir a vídeos ou utiliza dispositivos faz com que a criança preste menos atenção aos sabores, às texturas e aos sinais de saciedade enviados pelo próprio corpo.

    Para crianças menores de 2 anos, a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de zero tempo de tela. O uso deve ser evitado ao máximo, com exceção de videochamadas curtas com familiares que moram longe.

    A partir dessa idade, o tempo de exposição precisa ser controlado. Entre 2 e 5 anos, o ideal é limitar o uso a, no máximo, 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto. Já entre 6 e 10 anos, a recomendação é que o tempo de tela não ultrapasse 2 horas diárias.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o tempo de tela considerado ideal para um adulto?

    A maioria dos especialistas sugere que o tempo de tela voltado para o lazer (redes sociais, séries, jogos) não ultrapasse 2 horas por dia. Se você trabalha na frente do computador, é importante fazer pausas frequentes.

    2. Usar o celular no escuro faz mal à saúde?

    Sim, pois no escuro, a pupila se dilata para captar mais luz, o que aumenta a exposição direta dos olhos à luminosidade da tela. Isso acelera o cansaço visual, causa dores de cabeça e confunde ainda mais o relógio biológico, prejudicando o sono.

    3. Os óculos com filtro de luz azul realmente funcionam?

    Eles ajudam a reduzir o desconforto visual e a fadiga causados pelo brilho das telas, além de diminuir o impacto da luz azul na produção de melatonina à noite. No entanto, eles não anulam os efeitos da má postura ou do tempo excessivo de uso.

    4. O uso excessivo de telas pode causar depressão e ansiedade?

    O uso prolongado, especialmente de redes sociais, está associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão devido ao isolamento social real, à comparação constante com a vida alheia e à dependência química da dopamina gerada pelas notificações.

    5. Como saber se sou viciado em celular?

    Os principais sinais de dependência incluem a incapacidade de reduzir o uso mesmo sabendo dos prejuízos, crises de ansiedade quando o aparelho está sem bateria ou sinal, e o hábito de negligenciar obrigações ou relações sociais para ficar online.

    6. Por que o uso de telas antes de dormir causa insônia?

    Porque as telas emitem luz azul, um comprimento de onda que o cérebro interpreta como a luz do sol, o que bloqueia a liberação de melatonina, o hormônio que avisa ao organismo que é hora de desacelerar e dormir.

    7. Deixar o celular no modo noturno (luz amarelada) resolve o problema?

    O modo noturno reduz a emissão de luz azul, o que é melhor para os olhos e para o sono, mas o conteúdo consumido (mensagens, vídeos estimulantes) continua mantendo o cérebro em estado de alerta.

    8. O que é um detox digital e como fazer?

    É um período voluntário de afastamento ou redução drástica do uso de dispositivos. Pode ser feito reservando finais de semana sem redes sociais, estabelecendo um horário limite para desligar o celular à noite ou passando um dia inteiro offline.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    As disautonomias são um grupo de condições caracterizadas por alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar diversas funções involuntárias do organismo.

    Esse sistema regula atividades essenciais para a sobrevivência, como a frequência cardíaca, a pressão arterial, a digestão, a temperatura corporal e a produção de suor. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo de regulação, podem surgir sintomas variados, muitas vezes difíceis de explicar e que afetam significativamente a qualidade de vida.

    Embora sejam menos conhecidas do que outras doenças neurológicas ou cardiovasculares, as disautonomias podem causar grande impacto no dia a dia e, em alguns casos, levar anos até serem corretamente diagnosticadas.

    O que é o sistema nervoso autônomo?

    O sistema nervoso autônomo funciona de forma automática, sem que a pessoa precise controlar conscientemente suas ações.

    Ele é responsável por ajustar continuamente funções importantes do organismo, como:

    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Respiração;
    • Digestão;
    • Temperatura corporal;
    • Produção de suor;
    • Funcionamento da bexiga.

    Por exemplo, quando uma pessoa se levanta da cama, o organismo precisa ajustar rapidamente a circulação sanguínea para garantir que o cérebro continue recebendo sangue adequadamente. Nas disautonomias, esse mecanismo pode não funcionar como deveria.

    O que são as disautonomias?

    O termo disautonomia engloba diversas doenças e síndromes que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo.

    Dependendo do tipo e da gravidade, a alteração pode comprometer apenas uma função específica ou afetar vários sistemas do organismo simultaneamente.

    É por isso que pacientes com disautonomia podem apresentar sintomas muito diferentes entre si.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Tontura ao levantar;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Fadiga intensa;
    • Palpitações;
    • Intolerância ao exercício;
    • Visão escurecida ao ficar em pé;
    • Sensação de “cabeça leve”;
    • Dificuldade de concentração.

    Muitos pacientes relatam piora dos sintomas após permanecerem em pé por períodos prolongados.

    Por que ocorre tontura ao levantar?

    Uma das manifestações mais comuns das disautonomias é a chamada intolerância ortostática.

    Normalmente, quando a pessoa passa da posição deitada para a posição em pé, os vasos sanguíneos se contraem e a frequência cardíaca aumenta discretamente para manter o fluxo sanguíneo cerebral.

    Nas disautonomias, esse ajuste pode falhar.

    Como consequência, podem surgir:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Fraqueza súbita;
    • Sensação de desmaio;
    • Mal-estar importante.

    Em alguns casos, a pessoa pode realmente perder a consciência.

    A fadiga pode ser intensa?

    Sim. A fadiga é um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes em muitas formas de disautonomia.

    Os pacientes frequentemente descrevem:

    • Cansaço desproporcional ao esforço realizado;
    • Sensação de energia reduzida ao longo do dia;
    • Piora após atividades físicas;
    • Dificuldade para retomar atividades habituais.

    Em alguns casos, a fadiga se torna mais limitante do que a própria tontura.

    Quais outros sintomas podem ocorrer?

    Como o sistema nervoso autônomo participa do funcionamento de diversos órgãos, os sintomas podem atingir vários sistemas do organismo.

    Sistema digestivo

    Podem ocorrer:

    • Náuseas;
    • Sensação de estômago cheio rapidamente;
    • Constipação;
    • Diarreia;
    • Distensão abdominal.

    Controle da temperatura corporal

    Alguns pacientes apresentam:

    • Sensação excessiva de calor;
    • Intolerância ao calor;
    • Diminuição da transpiração;
    • Sudorese excessiva.

    Sistema urinário

    Podem surgir:

    • Urgência urinária;
    • Aumento da frequência urinária;
    • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.

    O que é a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS)?

    Uma das formas mais conhecidas de disautonomia é a Síndrome da Taquicardia Postural Ortostática (POTS).

    Nessa condição, ao assumir a posição em pé ocorre um aumento exagerado da frequência cardíaca, acompanhado de sintomas como:

    • Tontura;
    • Palpitações;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Sensação de desmaio.

    O POTS é mais comum em mulheres jovens, mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Nos últimos anos, ganhou maior visibilidade devido ao aumento de casos observados após algumas infecções virais.

    Quando as disautonomias podem surgir?

    As causas são variadas e nem sempre podem ser identificadas. Entre as situações associadas estão as abaixo.

    1. Após infecções

    Alguns pacientes desenvolvem sintomas após doenças infecciosas.

    Isso foi observado após:

    • Mononucleose;
    • Influenza;
    • Covid-19;
    • Outras infecções virais.

    2. Doenças autoimunes

    Algumas doenças autoimunes podem afetar estruturas relacionadas ao sistema nervoso autônomo.

    3. Diabetes

    O diabetes de longa duração pode provocar lesão dos nervos autonômicos, condição conhecida como neuropatia autonômica diabética.

    4. Síndromes de hipermobilidade

    Condições como a síndrome de hipermobilidade articular e algumas formas da síndrome de Ehlers-Danlos podem estar associadas a disautonomias, especialmente ao POTS.

    5. Sem causa identificada

    Em muitos pacientes, não é possível determinar uma causa específica.

    As disautonomias podem ser confundidas com ansiedade?

    Sim. Muitos sintomas das disautonomias se sobrepõem aos de transtornos ansiosos, incluindo:

    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Sensação de mal-estar;
    • Tremores;
    • Sensação de desmaio.

    Por isso, alguns pacientes recebem inicialmente diagnóstico de ansiedade antes que a alteração autonômica seja identificada.

    Entretanto, as duas condições podem coexistir ou ocorrer de forma independente.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    A avaliação costuma incluir:

    • Medição da pressão arterial;
    • Avaliação da frequência cardíaca;
    • Investigação dos sintomas relacionados à postura;
    • Exclusão de outras doenças que podem causar sintomas semelhantes.

    Em alguns casos, exames específicos são necessários.

    Teste de inclinação (Tilt Test)

    O Tilt Test é um dos exames mais utilizados para investigar disautonomias.

    Durante o exame, a pessoa é colocada em diferentes posições enquanto a pressão arterial e a frequência cardíaca são monitoradas continuamente.

    O objetivo é avaliar como o organismo responde às mudanças de postura.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento varia conforme o tipo de disautonomia e a intensidade dos sintomas.

    Medidas não medicamentosas

    Frequentemente incluem:

    • Aumento da ingestão de líquidos;
    • Maior consumo de sal em casos selecionados, somente quando indicado pelo médico;
    • Uso de meias de compressão;
    • Exercícios físicos supervisionados;
    • Mudanças graduais de posição.

    Medicamentos

    Alguns pacientes podem necessitar de medicamentos para ajudar a controlar sintomas relacionados à pressão arterial, frequência cardíaca ou intolerância ortostática.

    O tratamento deve sempre ser individualizado.

    Quando procurar avaliação médica?

    Procure avaliação médica se houver:

    • Tonturas frequentes ao levantar;
    • Episódios de desmaio;
    • Palpitações recorrentes;
    • Fadiga incapacitante;
    • Intolerância ao exercício;
    • Sintomas persistentes sem explicação aparente.

    Quanto mais cedo a condição for identificada, maiores as chances de controle dos sintomas.

    Leia mais: Flexível demais? Entenda a hipermobilidade articular

    Perguntas frequentes sobre disautonomias

    1. O que é uma disautonomia?

    É um grupo de condições que afetam o funcionamento do sistema nervoso autônomo, responsável por controlar funções involuntárias do organismo.

    2. Disautonomia causa tontura?

    Sim. A tontura ao levantar é um dos sintomas mais comuns.

    3. Pode causar fadiga intensa?

    Sim. Em muitos pacientes, a fadiga é um dos sintomas mais limitantes.

    4. O que é POTS?

    É uma forma de disautonomia caracterizada pelo aumento exagerado da frequência cardíaca ao assumir a posição em pé.

    5. Pode surgir após infecções?

    Sim. Casos podem surgir após infecções virais como influenza, mononucleose e covid-19.

    6. Disautonomia é a mesma coisa que ansiedade?

    Não. Embora alguns sintomas sejam semelhantes, tratam-se de condições diferentes.

    7. Quando devo procurar um médico?

    Quando houver tonturas frequentes, desmaios, palpitações, fadiga persistente ou dificuldade para permanecer em pé sem mal-estar.

    Veja também: Síndrome de Ehlers-Danlos: entenda a doença que afeta articulações e pele

  • 9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    9 sinais de que você está prestes a ter uma crise de ansiedade 

    Se você é uma pessoa que convive com ansiedade, já deve saber que o corpo costuma dar pequenos sinais de alerta antes de uma crise acontecer. O coração pode acelerar, a respiração ficar mais curta, os músculos se tensionarem ou surgir uma sensação repentina de inquietação.

    Só que, na correria do dia a dia, é comum ignorar os primeiros sintomas ou confundir com um cansaço passageiro. Mas quando você entende o que está acontecendo com o corpo, fica muito mais fácil aplicar técnicas simples de relaxamento e impedir que a ansiedade evolua para um momento de desespero.

    A seguir, listamos alguns dos principais sinais físicos e psicológicos e o que você pode fazer para desacelerar a mente antes que a crise se instale.

    Principais sinais de uma crise de ansiedade iminente

    1. Sensação de distanciamento do mundo ao redor (desrealização)

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, a desrealização é uma sensação de estranhamento em relação ao ambiente onde você está e pode ser um dos principais sinais de crise de ansiedade, antes mesmo do coração acelerado e do mal-estar.

    Durante um pico de ansiedade, o cérebro pode entrar em um modo de defesa que faz com que o ambiente ao seu redor pareça artificial, estranho ou completamente surreal. Você olha para lugares familiares, como a sua própria casa ou o seu local de trabalho, e eles parecem distantes, bidimensionais (como um cenário de filme) ou de alguma forma errados.

    É muito comum sentir distorções visuais ou auditivas, como se o espaço estivesse maior ou menor do que realmente é, ou como se as pessoas estivessem falando muito longe.

    2. Estranhamento de si mesmo (despersonalização)

    A despersonalização afeta como você percebe a si mesmo, segundo Luiz. É uma das sensações mais desconfortáveis da crise de ansiedade, pois gera uma quebra temporária na percepção da própria identidade.

    De maneira geral, você sente como se estivesse flutuando no teto ou assistindo à sua própria vida em terceira pessoa, como se o seu corpo pertencesse a outra pessoa. É um sinal que pode assustar, mas é uma resposta biológica que diminui gradativamente conforme os níveis de adrenalina e ansiedade voltam ao normal.

    3. Palpitações ou coração acelerado

    A aceleração dos batimentos cardíacos, conhecido como taquicardia, acontece devido à liberação repentina de adrenalina na corrente sanguínea. O hormônio estimula o músculo cardíaco a bombear sangue mais rapidamente para os músculos, preparando o corpo para uma reação de fuga ou defesa, mesmo que não exista um perigo real.

    4. Sensação de falta de ar

    A ansiedade altera o padrão respiratório, tornando a respiração rápida e superficial. Como consequência, o processo diminui os níveis de gás carbônico no sangue e você pode ter a sensação de sufocamento ou de que o ar não chega totalmente aos pulmões, embora as vias aéreas estejam livres.

    5. Tremores nas mãos ou no corpo

    Os tremores começam de forma involuntária, sendo mais comuns nas mãos, nas pernas ou nas pálpebras. Eles são o resultado do excesso de tensão acumulada nos músculos e da descarga de hormônios do estresse na corrente sanguínea, que deixam o corpo em um estado de alta sensibilidade.

    6. Suor frio ou os calafrios

    Você pode começar a suar intensamente nas palmas das mãos, nos pés ou na testa, mesmo em um ambiente frio. Em contrapartida, também é comum sentir arrepios e calafrios pelo corpo, porque o sistema nervoso desregula temporariamente o controle da temperatura corporal devido ao estresse extremo.

    7. Aperto ou a dor no peito

    A tensão muscular provocada pela ansiedade faz com que os músculos da região do tórax se contraiam com força, o que causa uma sensação de aperto, peso ou pontadas no peito. É um dos sinais que mais pode assustar, pois o desconforto pode ser facilmente confundido com um problema cardíaco.

    8. Tontura ou sensação de desmaio

    Você pode sentir a cabeça leve, uma sensação de instabilidade ao andar ou a impressão de que tudo ao redor está rodando. O sintoma acontece por dois motivos: a respiração errada, que altera o oxigênio no cérebro, e o desvio do fluxo de sangue para os músculos principais do corpo.

    9. Náusea ou o desconforto no estômago

    O sistema digestivo é extremamente sensível às emoções. Quando a crise de ansiedade está para começar, o cérebro envia sinais que desaceleram a digestão, o que pode causar uma sensação de nó no estômago, enjoos, queimação, estufamento e até episódios repentinos de diarreia.

    O que fazer ao notar os sinais de crise?

    Quando você perceber que a crise de ansiedade está se aproximando, o recomendado é tentar interromper a escalada dos sintomas o mais cedo possível. Para isso, vale tentar algumas medidas:

    Controle a sua respiração (técnica dos 4 segundos)

    A respiração curta é o que mais alimenta os sintomas físicos da ansiedade. Para reverter isso, use a técnica da respiração diafragmática:

    • Puxe o ar pelo nariz lentamente contando até 4, enchendo a barriga e não o peito;
    • Segure o ar nos pulmões por 2 segundos;
    • Solte o ar pela boca devagar, como se estivesse soprando uma vela, contando até 4;
    • Você pode repetir o ciclo pelo menos cinco vezes até o coração começar a desacelerar.

    Use a técnica 5-4-3-2-1 para ancorar a mente

    Os pensamentos catastróficos costumam levar a mente para preocupações sobre o futuro e para os piores cenários possíveis. Para interromper esse ciclo, observe o ambiente ao seu redor e identifique mentalmente:

    • 5 coisas que você consegue ver no ambiente;
    • 4 coisas que você consegue tocar ou sentir o tato (o chão sob os pés, a textura da calça);
    • 3 sons que você consegue ouvir ao fundo;
    • 2 cheiros que você consegue sentir no momento;
    • 1 gosto que você consegue sentir na boca.

    O exercício ajuda a direcionar a atenção para o presente, reduzindo a intensidade da ansiedade e a sensação de estar sendo dominado pelos pensamentos.

    Relaxe os músculos conscientemente

    Como a ansiedade costuma deixar o corpo inteiro em estado de tensão, faça uma rápida checagem corporal. Relaxe os ombros, que muitas vezes ficam elevados e rígidos, afaste os dentes para aliviar a tensão na mandíbula e abra as mãos caso estejam fechadas.

    De maneira geral, permitir que o corpo fique mais relaxado envia ao cérebro a mensagem de que não há um perigo imediato.

    Jogue água fria no rosto

    Se sentir que a ansiedade está aumentando rapidamente, experimente jogar água fria no rosto ou segurar uma pedra de gelo nas mãos. O contato com o frio pode estimular respostas do organismo que ajudam a reduzir a ativação do sistema nervoso, favorecendo uma sensação de calma e ajudando a diminuir sintomas como o coração acelerado.

    Quando procurar ajuda médica?

    É muito importante saber diferenciar uma ansiedade comum do dia a dia de um quadro que precisa de suporte profissional. Por isso, fique atento aos seguintes sinais de alerta:

    • As crises de ansiedade começam a acontecer com frequência ou sem um motivo aparente;
    • O medo de ter uma nova crise passa a controlar a sua rotina e impede você de sair de casa ou trabalhar;
    • Os sintomas físicos, como falta de ar e dor no peito, são tão intensos que geram idas constantes ao pronto-socorro;
    • As estratégias que você usa para se acalmar já não funcionam mais;
    • A ansiedade prejudica o sono, causando insônia persistente ou pesadelos frequentes;
    • O rendimento no trabalho, nos estudos ou a sua relação com a família e amigos começa a piorar;
    • Você passa a evitar ativamente lugares, conversas ou pessoas por medo de passar mal;
    • O sentimento de tristeza, esgotamento ou desesperança permanece mesmo após a crise passar.

    O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que você entenda os próprios gatilhos e desenvolva estratégias para lidar melhor com as emoções.

    Leia mais: ‘Acordava com a sensação de que não conseguia respirar’: o relato de quem convive com ansiedade

    Perguntas frequentes

    1. Uma crise de ansiedade pode matar?

    Não, a crise de ansiedade não causa a morte e nem danifica os órgãos do corpo. Ela é uma resposta temporária de estresse que passa após alguns minutos.

    2. Quanto tempo dura uma crise de ansiedade?

    Em média, o pico de uma crise dura entre 10 e 20 minutos. Depois desse período, o corpo começa a reabsorver os hormônios do estresse e os sintomas diminuem gradativamente.

    3. Qual é a diferença entre crise de ansiedade e ataque de pânico?

    A crise de ansiedade geralmente tem um gatilho identificável (como um problema no trabalho) e os sintomas vão crescendo aos poucos. O ataque de pânico acontece de forma repentina, sem motivo aparente, com uma sensação avassaladora de morte iminente.

    4. Como diferenciar a dor no peito da ansiedade de um infarto?

    Na ansiedade, a dor costuma ser em pontadas, piora ao respirar fundo e vem acompanhada de respiração rápida. No infarto, a dor é um aperto forte que irradia para o braço esquerdo, mandíbula ou costas, e não melhora com técnicas de relaxamento. Na dúvida, busque sempre o pronto-socorro.

    5. É normal sentir vontade de chorar durante a crise?

    Sim, é perfeitamente normal. O choro é uma forma natural do organismo liberar a tensão acumulada e aliviar a sobrecarga emocional.

    6. Chás naturais ajudam a prevenir as crises?

    Chás como camomila, passiflora, cidreira e valeriana têm propriedades relaxantes leves que ajudam a acalmar o dia a dia. No entanto, eles funcionam como um suporte para a rotina e não substituem o tratamento médico nas crises intensas.

    7. Posso ter uma crise de ansiedade dormindo?

    Sim, existem as chamadas crises de ansiedade noturnas. A pessoa acorda de repente já com o coração acelerado, suor frio e falta de ar. Elas acontecem porque o cérebro continua processando o estresse do dia a dia mesmo durante o sono.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo

  • Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    Mudanças que podem acontecer no corpo após a menopausa (e como evitar ou reverter)

    A menopausa é o marco natural do fim do período reprodutivo da mulher, acontecendo normalmente entre os 45 e 55 anos de idade, mas ela também faz parte de um processo de transição que se estende ao longo de vários anos.

    Após a última menstruação, o corpo entra em uma nova fase chamada pós-menopausa, marcada principalmente pela queda significativa nos níveis de estrogênio, um hormônio que influencia diversas funções do organismo.

    Durante os anos anteriores, conhecidos como perimenopausa, os níveis hormonais costumam oscilar bastante, provocando sintomas como ondas de calor, alterações de humor e irregularidade menstrual. Quando a menopausa é confirmada após 12 meses seguidos sem menstruar, as oscilações tendem a diminuir, mas o organismo ainda precisa de tempo para se adaptar ao novo equilíbrio hormonal.

    As alterações hormonais impactam diretamente diferentes partes do corpo, incluindo os ossos, os músculos, o coração, a pele, o cérebro e o metabolismo. Algumas mudanças acontecem de forma gradual e quase imperceptível, enquanto outras são mais evidentes no dia a dia.

    A seguir, com o apoio da ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, listamos as principais mudanças que ocorrem no corpo após a menopausa e o que você pode fazer, na prática, para evitar ou reverter cada uma delas.

    Quais mudanças podem acontecer no corpo após a menopausa?

    1. Ondas de calor e suor noturno (fogachos)

    As ondas de calor e os suores noturnos são os sintomas mais frequentes da pós-menopausa e afetam cerca de 80% das mulheres no período.

    Elas costumam se manifestar como uma sensação súbita e intensa de calor que começa no peito, sobe para o pescoço e rosto, e muitas vezes vem acompanhada de vermelhidão na pele, batimentos cardíacos acelerados e suor excessivo.

    Segundo Andreia, por causa da redução dos níveis hormonais, acontece uma desregulação do sistema responsável pelo controle da temperatura corporal, localizado no sistema nervoso central.

    Como resultado, o organismo passa a interpretar pequenas variações de temperatura como se o corpo estivesse superaquecido, desencadeando mecanismos para dissipar o calor, como a dilatação dos vasos sanguíneos e o aumento da produção de suor.

    Como evitar ou aliviar os fogachos?

    Nem sempre é possível evitar completamente os fogachos, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises, como:

    • Evitar o consumo de pimenta, cafeína e bebidas alcoólicas para não estimular a dilatação dos vasos sanguíneos;
    • Vestir-se em camadas com roupas de tecidos leves e naturais para facilitar a adaptação às mudanças de temperatura;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Manter o quarto bem ventilado e com lençois frescos para reduzir o impacto do suor durante a noite;
    • Controlar o estresse por meio de técnicas de relaxamento, meditação ou exercícios de respiração.

    Nos casos em que os sintomas são mais intensos e interferem na qualidade de vida, o médico pode indicar a terapia de reposição hormonal para reequilibrar os níveis de estrogênio no cérebro. Contudo, ele deve ser avaliado individualmente pelo ginecologista, levando em conta o histórico de saúde e as necessidades de cada mulher.

    2. Ganho de peso e aumento da gordura na barriga

    Durante a vida reprodutiva, os hormônios femininos determinam uma distribuição de gordura mais periférica, fazendo com que a mulher acumule mais gordura no tecido subcutâneo, que fica logo abaixo da pele (principalmente nos quadris, coxas e nádegas).

    Já os homens têm uma tendência natural a acumular gordura na região visceral, que fica entre os órgãos internos, resultando no aumento do abdômen.

    Com a chegada da pós-menopausa, Andreia explica que a queda acentuada nos níveis de estrogênio altera o metabolismo e a composição corporal da mulher. O organismo passa a redistribuir a gordura de forma semelhante ao padrão masculino, concentrando o acúmulo na região da cintura.

    O problema é que a gordura visceral é metabolicamente ativa e inflamatória, favorecendo a formação de placas de gordura que podem obstruir os vasos sanguíneos, além de elevar as chances de desenvolvimento de resistência à insulina, diabetes e colesterol alto.

    Como evitar o acúmulo de gordura abdominal?

    Iniciar a terapia de reposição hormonal quando indicada pelo médico pode ajudar a conter a redistribuição de gordura para o abdômen, mas outras medidas também são importantes, como:

    • Praticar treinos de força regularmente para acelerar o metabolismo basal e aumentar o gasto calórico diário do corpo;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar para evitar picos de insulina que favorecem o estoque de gordura na barriga;
    • Adotar uma dieta baseada no estilo Mediterrâneo com foco em grãos integrais, vegetais, leguminosas e gorduras boas como o azeite;
    • Ajustar a ingestão calórica diária às necessidades atuais do organismo para compensar a desaceleração natural do metabolismo com a idade;
    • Priorizar o consumo de proteínas magras em todas as refeições para aumentar a saciedade e preservar a massa magra durante o processo de emagrecimento.

    3. Perda de massa muscular (sarcopenia)

    A perda de massa muscular é um processo natural do envelhecimento conhecido como sarcopenia. A partir dos 30 anos, o corpo humano passa a perder cerca de 1% de massa muscular ao ano de forma gradual.

    De acordo com Andreia, isso significa que, ao chegar aos 40 ou 50 anos, a mulher já pode ter perdido uma parcela significativa da musculatura sem perceber.

    Como o estrogênio tem um papel importante na manutenção da massa muscular e na recuperação dos tecidos, a queda nos níveis que acontece na menopausa pode favorecer a diminuição da força, da massa magra e do desempenho físico.

    Campanha lembrar que os músculos ajudam o corpo a gastar energia ao longo do dia, mesmo quando estamos em repouso. Eles também utilizam parte da glicose que circula no sangue para produzir energia. Manter uma boa quantidade de massa muscular é necessário para o controle dos níveis de açúcar no sangue e ajuda a reduzir o risco de problemas como a resistência à insulina e o diabetes tipo 2.

    Como reverter a perda de músculos após a menopausa?

    É possível recuperar parte da musculatura e preservar a força com algumas mudanças na rotina, como:

    • Praticar exercícios de força como musculação, pilates ou calistenia de forma regular para dar o estímulo mecânico necessário para a construção e recuperação dos músculos;
    • Consumir uma quantidade adequada de proteínas de alto valor biológico nas refeições diárias para fornecer a matéria-prima essencial para a síntese de novas fibras musculares;
    • Manter a constância nos treinos de resistência para garantir um metabolismo basal mais acelerado e um gasto calórico diário protetor;
    • Buscar a orientação conjunta de um profissional de educação física e de um nutricionista para alinhar a intensidade dos treinos ao aporte de nutrientes e calorias necessários.

    Mesmo depois da menopausa, o organismo continua capaz de ganhar força e massa muscular quando recebe os estímulos adequados.

    4. Enfraquecimento dos ossos (osteopenia e osteoporose)

    O estrogênio é um dos principais hormônios responsáveis por manter o equilíbrio da remodelação óssea, ajudando a reduzir a reabsorção do osso e a preservar a sua densidade. Com a queda acentuada dos níveis hormonais após a menopausa, a perda óssea se torna mais rápida, especialmente nos primeiros anos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose, segundo Andreia.

    A osteopenia é considerada uma fase inicial de perda óssea. Já a osteoporose ocorre quando a redução da densidade óssea é mais intensa, aumentando significativamente o risco de fraturas, principalmente na coluna, no quadril e nos punhos.

    Além da menopausa, fatores como sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência de vitamina D, baixa ingestão de cálcio e histórico familiar também podem contribuir para o enfraquecimento dos ossos.

    Como proteger os ossos e evitar fraturas?

    Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde óssea ao longo dos anos, é possível destacar:

    • Realizar o exame de densitometria óssea periodicamente a partir da menopausa para monitorar a densidade dos ossos e flagrar o desgaste logo no início;
    • Praticar exercícios de força e de impacto controlado como musculação ou caminhadas para gerar estímulo mecânico que induz as células a produzirem mais massa óssea;
    • Garantir uma ingestão diária adequada de alimentos ricos em cálcio como iogurte, queijos magros, gergelim e vegetais de folhas escuras;
    • Manter os níveis de vitamina D adequados no sangue por meio da exposição solar segura ou de suplementação orientada pelo médico para garantir a absorção correta do cálcio no intestino;
    • Avaliar com o ginecologista o uso da terapia de reposição hormonal como forma de interromper o desgaste ósseo acelerado provocado pela falta de estrogênio;
    • Adotar medidas de segurança em casa como evitar tapetes soltos e melhorar a iluminação dos ambientes para prevenir quedas e fraturas de alto risco.

    5. Ressecamento vaginal e dor na relação

    A queda acentuada do estrogênio após a menopausa afeta diretamente a saúde íntima da mulher e pode levar ao desenvolvimento da síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

    Os tecidos da vulva, da vagina, da uretra e da bexiga dependem da ação do hormônio para manter a hidratação, a elasticidade e o funcionamento adequados. Com a redução dos níveis de estrogênio, o revestimento vaginal se torna mais fino, menos elástico e menos lubrificado.

    Como resultado, a mulher pode apresentar ressecamento vaginal, coceira, ardência, irritação e desconforto na região íntima. Durante as relações sexuais, a diminuição da lubrificação natural pode causar dor, sensação de atrito e até pequenas lesões na mucosa vaginal.

    A redução da proteção natural dos tecidos também pode favorecer sintomas como urgência para urinar, aumento da frequência urinária, infecções urinárias recorrentes e, em alguns casos, incontinência urinária.

    Como reverter o ressecamento e o desconforto íntimo?

    Nos casos mais leves, o uso regular de hidratantes vaginais pode ajudar a restaurar a hidratação dos tecidos e aliviar o ressecamento. Já os lubrificantes íntimos podem reduzir o atrito e o desconforto durante as relações sexuais.

    Quando os sintomas são mais intensos ou persistentes, o ginecologista pode indicar o uso de estrogênio vaginal em creme, comprimidos ou óvulos. Como o tratamento age diretamente na região afetada, ele ajuda a recuperar a espessura, a elasticidade e a lubrificação natural da mucosa vaginal.

    No dia a dia, algumas medidas simples podem contribuir para o conforto íntimo, como:

    • Usar lubrificantes à base de água ou de silicone no momento da relação sexual para reduzir o atrito e evitar dores ou lesões na mucosa;
    • Manter a frequência de atividades sexuais ou estímulos locais para favorecer a circulação sanguínea na região pélvica e ajudar a preservar a elasticidade dos tecidos;
    • Higienizar a região íntima apenas com água ou sabonetes suaves de pH neutro para não agredir ou ressecar ainda mais a mucosa fragilizada;
    • Praticar exercícios de fisioterapia pélvica para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e melhorar a sustentação dos órgãos urinários e genitais.

    6. Insônia e alterações no sono

    A dificuldade para pegar no sono, os despertares frequentes no meio da noite e a sensação de não ter descansado o suficiente estão diretamente ligados às mudanças hormonais da pós-menopausa. A queda do estrogênio interfere na regulação de neurotransmissores como a serotonina e a melatonina, que são importantes para o controle do ciclo do sono.

    O ciclo de noites mal dormidas eleva os níveis de cortisol, que pode desencadear uma série de alterações no organismo, como:

    • Aumento do apetite, especialmente por alimentos ricos em açúcar e gordura;
    • Maior tendência ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura abdominal;
    • Mais dificuldade para controlar os níveis de glicose no sangue;
    • Alterações nos níveis de colesterol;
    • Cansaço físico e mental durante o dia;
    • Irritabilidade e mudanças de humor;
    • Dificuldade de concentração e lapsos de memória.

    Com o passar do tempo, a privação de sono pode afetar o bem-estar físico e emocional, tornando ainda mais importante identificar e tratar a causa do problema

    Como combater a insônia na pós-menopausa?

    Para restabelecer a qualidade do descanso e quebrar o ciclo do estresse, são indicadas algumas medidas práticas, como:

    • Manter horários consistentes para deitar e acordar todos os dias para ajudar o relógio biológico a se reorganizar;
    • Evitar o uso de telas de celulares, tablets ou televisão na cama antes de dormir para não bloquear a produção natural de melatonina pela luz azul;
    • Reduzir o consumo de alimentos pesados, cafeína e bebidas alcoólicas no período da noite para evitar digestões difíceis e picos de calor residual;
    • Criar um ambiente escuro, silencioso e com temperatura amena no quarto para favorecer o relaxamento profundo e evitar despertares por calor;
    • Praticar técnicas de relaxamento ou meditação antes de deitar para diminuir os níveis de estresse e desacelerar os pensamentos antes de dormir.

    7. Aumento do risco de doenças cardiovasculares

    Durante a vida reprodutiva, o estrogênio contribui para manter os vasos sanguíneos mais flexíveis e participa do equilíbrio da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Após a menopausa, é comum ocorrer um aumento do colesterol LDL (o chamado colesterol ruim), além de uma maior tendência ao acúmulo de gordura na região abdominal.

    As mudanças podem favorecer o desenvolvimento de problemas cardiovasculares, como hipertensão, infarto e AVC, especialmente quando estão associadas a outros fatores de risco, como sedentarismo, tabagismo, obesidade, diabetes ou histórico familiar de doenças cardíacas.

    Como proteger a saúde cardiovascular?

    Muitas das mudanças que aumentam o risco cardiovascular podem ser controladas com acompanhamento médico regular e hábitos saudáveis, como:

    • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular;
    • Manter um peso adequado, especialmente evitando o acúmulo excessivo de gordura abdominal;
    • Priorizar uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
    • Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, frituras e produtos ricos em açúcar;
    • Não fumar;
    • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
    • Dormir bem e cuidar da qualidade do sono;
    • Controlar o estresse sempre que possível;
    • Monitorar regularmente a pressão arterial, a glicemia e os níveis de colesterol;
    • Realizar consultas médicas e exames de rotina periodicamente.

    Quando a reposição hormonal é indicada para reverter os sintomas?

    A terapia de reposição hormonal pode ser indicada quando os sintomas da menopausa afetam significativamente a qualidade de vida da mulher.

    Além do alívio dos sintomas, o médico também pode recomendar o tratamento como uma estratégia preventiva para reduzir a perda óssea acelerada, ajudando a prevenir a osteoporose, e para auxiliar no controle do perfil metabólico e dos níveis de colesterol.

    No entanto, a reposição hormonal não é indicada para todas e, antes de iniciar o tratamento, é necessário realizar uma avaliação individualizada, considerando fatores como a idade, o tempo desde a menopausa, o histórico médico pessoal e familiar e os possíveis fatores de risco cardiovasculares.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. É normal engordar na pós-menopausa mesmo comendo a mesma coisa de antes?

    Sim. Com o envelhecimento e a queda do estrogênio, o metabolismo desacelera naturalmente. Além disso, o corpo perde massa muscular (que gasta mais energia). Por isso, manter a mesma dieta que você tinha aos 30 anos fará o peso subir aos 50.

    2. Quanto tempo duram os fogachos e as ondas de calor?

    O tempo é muito individual. Na maioria das mulheres, as ondas de calor duram entre 2 e 5 anos, mas algumas mulheres podem continuar sentindo os sinais por 10 anos ou mais se não houver intervenção médica.

    3. A reposição hormonal engorda?

    Não. A terapia de reposição hormonal clássica ajuda a frear a redistribuição de gordura para a barriga e melhora o metabolismo. O ganho de peso está associado ao envelhecimento natural e à perda de massa muscular, e não ao uso dos hormônios.

    4. Dá para recuperar a massa muscular perdida após os 50 anos?

    Sim, pois o músculo mantém a capacidade de responder a estímulos em qualquer idade.Mulheres que começam a fazer musculação ou pilates na pós-menopausa conseguem ganhar força e ter uma composição corporal melhor do que tinham na juventude.

    5. Qual a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante?

    O hidratante vaginal deve ser usado regularmente (2 a 3 vezes por semana) para tratar o ressecamento contínuo, pois ele recupera a umidade natural da mucosa. Já o lubrificante é de uso imediato, servindo apenas para reduzir o atrito e a dor no momento da relação sexual.

    6. Por que o estresse piora tanto os sintomas da menopausa?

    O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina no organismo, que desregulam ainda mais o termostato cerebral (piorando os fogachos), prejudicam a qualidade do sono e estimulam o corpo a estocar gordura na região da barriga.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Síndrome mielodisplásica: quando o sangue não é produzido corretamente

    Alterações no sangue nem sempre são percebidas de imediato. Muitas vezes, sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos surgem de forma gradual e podem ser atribuídos a outras causas comuns do dia a dia.

    Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados a doenças que afetam diretamente a produção das células sanguíneas. A síndrome mielodisplásica é uma delas, pois faz parte de um grupo de condições que interfere no funcionamento da medula óssea e exige avaliação médica cuidadosa.

    O que é a síndrome mielodisplásica

    A síndrome mielodisplásica (SMD) é um grupo de doenças que afetam a medula óssea, estrutura responsável pela produção das células do sangue. Nessa condição, a medula passa a funcionar de forma inadequada, produzindo células sanguíneas anormais e em quantidade insuficiente.

    Como resultado, pode ocorrer redução dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, quadro que se manifesta como anemia, neutropenia e/ou trombocitopenia. Além da diminuição, as células produzidas também podem apresentar alterações na forma e no funcionamento.

    Isso acontece porque as células da medula óssea sofrem alterações, levando à produção ineficaz, com presença de células defeituosas e menor número de células saudáveis circulando no sangue. A evolução da síndrome mielodisplásica pode variar bastante: algumas formas são leves e estáveis, enquanto outras podem progredir para quadros mais graves.

    Principais sintomas

    Os sintomas dependem do tipo de célula afetada.

    Os mais comuns são:

    • Anemia: redução de glóbulos vermelhos, levando a sintomas como cansaço, fraqueza e palidez;
    • Baixa imunidade: redução ou disfunção de glóbulos brancos, favorecendo infecções frequentes;
    • Plaquetas baixas: aumento do risco de sangramentos e manchas roxas na pele.

    Em alguns casos, a doença pode ser assintomática no início.

    Por que a síndrome mielodisplásica acontece

    A causa pode ser desconhecida (idiopática) ou relacionada a fatores específicos.

    Os principais são:

    • Envelhecimento (mais comum em idosos);
    • Exposição prévia à quimioterapia ou radioterapia;
    • Exposição a substâncias químicas (como benzeno);
    • Alterações genéticas nas células da medula.

    Quem tem maior risco de desenvolver

    A síndrome mielodisplásica é mais comum em:

    • Pessoas acima de 60 anos;
    • Pacientes com histórico de tratamento oncológico;
    • Pessoas expostas a substâncias tóxicas;
    • Indivíduos com alterações genéticas específicas.

    Como é feito o diagnóstico

    O diagnóstico envolve exames laboratoriais e avaliação da medula óssea.

    Os principais são:

    • Hemograma completo;
    • Exame da medula óssea (mielograma ou biópsia);
    • Testes genéticos.

    O hemograma pode levantar a suspeita inicial ao identificar alterações nas células sanguíneas, mas o diagnóstico definitivo é feito com a análise da medula óssea.

    Possíveis complicações

    A síndrome mielodisplásica pode evoluir com:

    • Anemia grave;
    • Infecções recorrentes;
    • Sangramentos importantes;
    • Evolução para leucemia mieloide aguda em alguns casos.

    Como é feito o tratamento

    O tratamento depende da gravidade da doença e do perfil do paciente.

    As principais opções são as abaixo.

    1. Suporte clínico

    • Transfusões de sangue;
    • Uso de medicamentos para estimular a produção de células sanguíneas.

    2. Terapias específicas

    • Medicamentos que atuam na medula óssea;
    • Medicamentos imunobiológicos.

    3. Transplante de medula óssea

    • Pode ser curativo em alguns casos;
    • Indicado em pacientes selecionados.

    A síndrome mielodisplásica tem cura?

    Depende. O transplante de medula óssea pode ser curativo, mas nem todos os pacientes são candidatos.

    Em muitos casos, o objetivo do tratamento é controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.

    Confira:

    10 sinais de anemia para você ficar atento

    Perguntas frequentes sobre síndrome mielodisplásica

    1. Síndrome mielodisplásica é câncer?

    É considerada uma doença hematológica que pode evoluir para câncer (leucemia).

    2. Sempre causa sintomas?

    Não. Pode ser assintomática no início.

    3. Tem cura?

    Pode ter, principalmente com transplante em casos selecionados.

    4. Pode virar leucemia?

    Sim, em alguns casos.

    5. Precisa de transfusão?

    Alguns pacientes podem necessitar, dependendo da evolução.

    6. É comum?

    É mais comum em pessoas idosas.

    7. Quando procurar um médico?

    Ao apresentar sintomas como cansaço persistente, infecções frequentes ou sangramentos.

    Veja também:

    saiba mais sobre a leucemia