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  • Dor na panturrilha que não melhora? Saiba quais sinais são preocupantes 

    Dor na panturrilha que não melhora? Saiba quais sinais são preocupantes 

    A dor na panturrilha é comum e, na maioria das vezes, está ligada a lesões musculares, cãibras ou esforço excessivo após atividades físicas. Quando a dor surge de forma intensa, sem uma explicação clara, ou vem acompanhada de sinais como inchaço, vermelhidão ou falta de ar, é importante considerar outras causas além de problemas musculares.

    Em algumas situações, a dor pode estar relacionada a alterações na circulação sanguínea, incluindo a trombose venosa profunda (TVP), uma condição que exige diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações.

    Lesão muscular é a causa mais comum

    A maior parte dos episódios de dor na panturrilha está relacionada a alterações musculares.

    As causas mais frequentes são:

    • Distensão muscular;
    • Contraturas;
    • Sobrecarga após atividade física;
    • Cãibras;
    • Microlesões associadas ao exercício.

    Normalmente existe uma relação temporal entre a dor e algum esforço físico recente.

    Como costuma ser a dor muscular?

    A dor muscular geralmente apresenta características bastante típicas.

    Ela costuma:

    • Surgir após exercícios ou esforço físico;
    • Piorar ao movimentar o músculo;
    • Melhorar com repouso;
    • Estar associada à sensibilidade local;
    • Apresentar melhora gradual ao longo dos dias.

    Em muitos casos, a pessoa consegue identificar exatamente quando ocorreu o esforço que desencadeou o sintoma.

    Quando a dor merece maior atenção?

    Alguns sinais sugerem que a dor pode não ser apenas muscular. Os principais sinais de alerta são:

    • Início súbito sem esforço aparente;
    • Inchaço importante da perna;
    • Vermelhidão;
    • Sensação de calor local;
    • Dor progressivamente pior;
    • Diferença de volume entre as pernas;
    • Falta de ar associada.

    Nessas situações, a avaliação médica é recomendada.

    Trombose venosa profunda: uma das principais preocupações

    Uma das causas mais importantes de dor intensa na panturrilha é a trombose venosa profunda (TVP).

    Essa condição acontece quando um coágulo se forma em uma veia profunda da perna, dificultando o retorno do sangue para o coração.

    Além da dor, podem surgir:

    • Inchaço em apenas uma perna;
    • Sensação de peso;
    • Vermelhidão;
    • Calor local;
    • Sensibilidade ao toque.

    Nem todos os pacientes apresentam todos os sintomas, o que pode dificultar o reconhecimento da doença.

    Por que a trombose é perigosa?

    O principal risco da trombose venosa profunda é que parte do coágulo se desprenda e viaje pela circulação. Quando isso acontece, o trombo pode atingir os pulmões e provocar uma embolia pulmonar.

    Essa complicação pode causar:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura;
    • Desmaio.

    Por esse motivo, suspeitas de trombose devem ser avaliadas rapidamente.

    Quem tem maior risco de trombose?

    Diversos fatores aumentam o risco de desenvolver trombose venosa profunda.

    Entre eles:

    • Cirurgias recentes;
    • Imobilização prolongada;
    • Viagens longas;
    • Internações hospitalares;
    • Gravidez e pós-parto;
    • Uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Terapia hormonal;
    • Histórico prévio de trombose;
    • Câncer;
    • Trombofilias hereditárias.

    A presença desses fatores aumenta a suspeita quando existe dor importante na panturrilha.

    Problemas arteriais também podem causar dor

    Nem toda dor vascular está relacionada às veias. Problemas nas artérias também podem provocar dor na panturrilha.

    Entre os sintomas que podem sugerir comprometimento arterial estão:

    • Dor ao caminhar que melhora com repouso;
    • Sensação de perna fria;
    • Pele mais pálida;
    • Diminuição dos pulsos da perna;
    • Alteração da coloração dos pés.

    Nos casos de obstrução arterial aguda, a dor costuma ser intensa e representa uma emergência médica.

    Ruptura muscular pode acontecer?

    Sim. Em algumas situações ocorre ruptura parcial ou completa das fibras musculares da panturrilha. Esse problema costuma surgir durante:

    • Corridas;
    • Saltos;
    • Mudanças bruscas de direção;
    • Atividades esportivas intensas.

    Os sintomas são:

    • Dor súbita e intensa;
    • Sensação de estalo;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Hematoma local;
    • Fraqueza da perna.

    Cisto de Baker roto pode simular trombose

    O cisto de Baker é uma bolsa preenchida por líquido localizada atrás do joelho.

    Quando ele se rompe, pode causar:

    • Dor na panturrilha;
    • Inchaço;
    • Sensação de pressão;
    • Vermelhidão.

    Como os sintomas podem ser muito semelhantes aos da trombose venosa profunda, frequentemente é necessário realizar exames para diferenciar os dois quadros.

    Quando a falta de ar associada é um sinal de alerta?

    A associação entre dor na panturrilha e sintomas respiratórios merece atenção imediata.

    Procure atendimento urgente se surgirem:

    • Falta de ar súbita;
    • Dor no peito;
    • Tosse com sangue;
    • Tontura;
    • Desmaio;
    • Palpitações.

    Esses sintomas podem indicar embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave da trombose.

    Como os médicos investigam a dor na panturrilha?

    A investigação depende das características da dor e dos sintomas associados.

    Os exames mais utilizados são os abaixo.

    1. Ultrassom Doppler

    É o principal exame para investigação de trombose venosa profunda.

    Permite avaliar o fluxo sanguíneo nas veias e identificar a presença de coágulos.

    2. Ultrassonografia musculoesquelética

    Pode ajudar na identificação de:

    • Distensões;
    • Rupturas musculares;
    • Hematomas.

    3. Avaliação vascular

    Quando existe suspeita de comprometimento arterial, exames específicos da circulação podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende diretamente da causa identificada.

    Lesões musculares

    Podem ser tratadas com:

    • Repouso;
    • Aplicação de gelo;
    • Fisioterapia;
    • Analgésicos;
    • Retorno gradual às atividades.

    Trombose venosa profunda

    O tratamento geralmente envolve:

    • Anticoagulantes;
    • Acompanhamento médico especializado;
    • Monitorização clínica.

    Problemas arteriais

    Podem exigir:

    • Avaliação vascular urgente;
    • Procedimentos para restaurar a circulação;
    • Internação em alguns casos.

    Quando procurar atendimento imediatamente?

    Procure atendimento médico urgente se houver:

    • Inchaço importante em apenas uma perna;
    • Dor intensa sem causa aparente;
    • Vermelhidão e calor local;
    • Falta de ar associada;
    • Dor no peito;
    • Alteração da cor da perna;
    • Sensação de perna fria;
    • Incapacidade súbita de caminhar.

    Esses sinais podem indicar comprometimento vascular que necessita de avaliação rápida.

    Veja também: Trombose Venosa Profunda (TVP): entenda mais sobre a condição

    Perguntas frequentes sobre dor na panturrilha

    1. Toda dor na panturrilha é muscular?

    Não. Embora seja a causa mais comum, problemas vasculares e outras condições também podem provocar o sintoma.

    2. Como suspeitar de trombose?

    Dor associada a inchaço, calor, vermelhidão e aumento do volume de uma perna são sinais sugestivos.

    3. Trombose sempre causa inchaço?

    Não. Embora seja frequente, alguns pacientes podem apresentar poucos sintomas.

    4. Exercício pode causar dor intensa?

    Sim. Distensões e rupturas musculares podem provocar dor importante.

    5. Falta de ar associada é preocupante?

    Sim. Pode indicar embolia pulmonar e exige avaliação imediata.

    6. Qual exame detecta trombose?

    O ultrassom Doppler venoso é o principal exame utilizado.

    7. Quando procurar um médico?

    Sempre que houver suspeita de trombose, dor intensa sem explicação clara ou sinais de comprometimento vascular.

    Veja também: Essas 10 situações aumentam o risco de trombose e embolia pulmonar

  • Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Menopausa: 5 dúvidas que você provavelmente tem sobre o fim da fase reprodutiva

    Além do fim da menstruação, a menopausa envolve uma série de mudanças físicas, emocionais e hormonais que variam bastante de uma pessoa para outra. Enquanto algumas mulheres convivem com poucos sintomas, outras apresentam ondas de calor, alterações no sono, secura vaginal, mudanças de humor e até preocupações com a saúde dos ossos.

    No meio de tantas alterações, você pode ter dúvidas sobre o que realmente acontece com o corpo no fim da fase reprodutiva. Afinal, quem menstruou cedo entra na menopausa mais cedo? Quem usa anticoncepcional ou DIU hormonal consegue perceber quando a menopausa chegou?

    Para esclarecer algumas das perguntas mais frequentes, conversamos com a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza e reunimos respostas para cinco dúvidas muito comuns sobre essa fase da vida. Confira!

    Dúvidas comuns sobre a menopausa

    1. A idade da primeira menstruação influencia a idade da menopausa?

    A relação entre a idade da primeira menstruação e a idade da menopausa não é bem definida e, segundo Andreia, o fator que mais influencia o momento é a genética. É mais comum que uma mulher entre na menopausa em uma idade parecida com a da mãe do que com base no tempo total em que menstruou ao longo da vida.

    Na prática, a ginecologista aponta que existem vários cenários possíveis: mulheres que menstruam cedo e chegam à menopausa mais tarde, mulheres que menstruam mais tarde e entram na menopausa precocemente, e muitas outras combinações.

    A reserva folicular, que representa a quantidade de folículos presentes nos ovários, também pode influenciar a idade da menopausa, mas a tendência familiar costuma ser o fator mais importante para determinar quando ela acontecerá.

    2. O risco de osteoporose aumenta em quanto tempo após a menopausa?

    Não existe um prazo exato para o surgimento da osteoporose após a menopausa, porque isso varia bastante de uma mulher para outra. Andreia explica que tanto homens quanto mulheres atingem o pico de massa óssea por volta dos 28 aos 30 anos e, a partir dessa fase, os ossos começam a perder densidade de forma lenta e gradual.

    A diferença é que, com a chegada da menopausa e a queda dos níveis de estrogênio, a perda óssea acelera significativamente nas mulheres, enquanto nos homens o processo costuma acontecer de maneira mais linear ao longo da vida.

    A velocidade com que a osteoporose se desenvolve depende da quantidade de massa óssea acumulada na juventude. As mulheres que atingiram um pico de massa óssea mais alto tendem a demorar mais para desenvolver a doença, enquanto aquelas com uma reserva óssea menor podem apresentar osteopenia ou osteoporose mais cedo, inclusive antes da menopausa.

    Para avaliar a saúde óssea, os médicos solicitam a densitometria óssea, exame que analisa dois parâmetros principais:

    • Z-score: compara a massa óssea da pessoa com a de indivíduos da mesma faixa etária e sexo;
    • T-score: compara a massa óssea atual com o pico de massa óssea de adultos jovens saudáveis, permitindo medir a perda óssea acumulada ao longo da vida.

    Vale destacar que, atualmente, o diagnóstico e a decisão de tratamento não se baseiam apenas na densitometria.

    A ginecologista esclarece que também são consideradas calculadoras de risco que combinam os resultados do exame com outros fatores, como baixo peso corporal, uso prolongado de corticosteroides, histórico familiar de fraturas, tabagismo e ocorrência prévia de fraturas.

    Quando o risco de fratura é considerado elevado, o tratamento pode ser indicado mesmo em pacientes que apresentam apenas osteopenia na densitometria.

    Com que frequência realizar a densitometria óssea?

    Se a primeira densitometria e os fatores de risco estiverem normais, o exame deve ser repetido a cada 2 anos durante a menopausa. Como a remodelação óssea é um processo lento, intervalos menores dificilmente mostrarão diferenças consideráveis.

    Intervalos mais curtos, como seis meses, costumam ser reservados para o acompanhamento da resposta ao tratamento em casos mais graves ou específicos, especialmente em pacientes que usam medicamentos como ácido zoledrônico ou denosumabe.

    3. Quem usa anticoncepcional contínuo ou DIU hormonal pode demorar para perceber que entrou na menopausa?

    O uso de anticoncepcionais hormonais pode dificultar a identificação da menopausa, uma vez que os métodos muitas vezes reduzem ou até suspendem os sangramentos menstruais.

    No entanto, eles não impedem o aumento do FSH (hormônio folículo-estimulante), que pode ser identificado por exames laboratoriais, nem evitam o surgimento dos sintomas do climatério.

    Se a mulher está na faixa etária em que a menopausa costuma acontecer, entre os 45 e 55 anos, e começa a apresentar sintomas como ondas de calor, mesmo sem menstruar por causa do método hormonal, o médico já pode suspeitar da menopausa. O mesmo ocorre com mulheres que retiraram o útero, mas mantiveram os ovários.

    Nesses casos, como a menstruação não pode ser usada como referência, é importante acompanhar regularmente os sintomas e realizar exames hormonais a partir dos 45 anos.

    3. A secura e a atrofia vaginal melhoram com o tratamento sistêmico ou apenas com o tópico?

    A reposição hormonal sistêmica costuma funcionar bem para aliviar sintomas como ondas de calor, suores noturnos e alterações do sono. Já para a secura vaginal e a atrofia dos tecidos da região íntima, a resposta costuma ser mais limitada, segundo Andreia.

    5. Existe algum risco em interromper a reposição hormonal de uma vez? É possível voltar a usar depois?

    Na maioria dos casos, a reposição hormonal pode ser interrompida sem necessidade de reduzir a dose aos poucos. A interrupção normalmente acontece porque surgiu alguma contraindicação médica ou porque a própria paciente decidiu parar o tratamento.

    Quando a suspensão ocorre por escolha da mulher, é comum que o médico acompanhe a evolução dos sintomas nos meses seguintes. Se as ondas de calor, a insônia ou outros desconfortos voltarem de forma intensa, Andreia destaca que pode ser discutida a possibilidade de retomar a terapia.

    Por outro lado, quando a interrupção acontece devido ao surgimento de fatores de risco, como trombose, determinadas doenças cardiovasculares ou alguns tipos de câncer, a reintrodução dos hormônios normalmente não é recomendada.

    Quando a reposição hormonal pode ser iniciada?

    Atualmente, os médicos consideram a chamada janela de oportunidade, que é o período em que a reposição hormonal costuma trazer mais benefícios do que riscos. O tratamento é mais indicado quando iniciado nos primeiros 10 anos após a menopausa ou antes dos 65 anos.

    Depois do período, os riscos relacionados ao uso dos hormônios tendem a aumentar, enquanto os benefícios diminuem, principalmente em relação à proteção dos ossos. Por isso, a decisão de iniciar ou manter a reposição hormonal nessa fase deve ser avaliada caso a caso, sempre com acompanhamento médico.

    Perguntas frequentes

    1. O que define exatamente o momento da menopausa?

    A menopausa é um diagnóstico retrospectivo, confirmado quando a mulher passa 12 meses consecutivos sem menstruar, sem que haja outra causa aparente, como gravidez, uso de medicamentos ou doenças.

    2. Com qual idade ela costuma acontecer?

    Normalmente, a menopausa aparece entre os 45 e 55 anos, sendo a média por volta dos 50 anos.

    3. O que é menopausa precoce?

    É quando a falência ovariana ocorre antes dos 40 anos. Ela pode ser espontânea ou causada por cirurgias, quimioterapia ou doenças autoimunes.

    4. A menopausa engorda?

    A queda hormonal e o envelhecimento natural desaceleram o metabolismo, facilitando o ganho de peso e mudando a distribuição da gordura para a região abdominal.

    5. Como o sono é afetado na menopausa?

    Os suores noturnos interrompem o sono várias vezes, causando insônia e cansaço crônico no dia seguinte.

    6. Ainda é possível engravidar no climatério?

    Sim, enquanto a menopausa não for oficialmente confirmada (12 meses seguidos sem menstruar), ainda pode haver ovulações esporádicas, então os métodos contraceptivos continuam necessários.

    7. Quanto tempo duram os sintomas?

    Varia muito. Em média, os sintomas duram de 4 a 5 anos, mas algumas mulheres podem ter ondas de calor por uma década ou mais.

    8. Existe alguma relação entre menopausa e dores nas articulações?

    Sim, o estrogênio age como um anti-inflamatório natural nas articulações. Sem ele, é comum surgir rigidez e dor nos joelhos, mãos e ombros.

  • Peso do mundo nas costas? Veja como o excesso de responsabilidade pode esgotar o seu cérebro

    Peso do mundo nas costas? Veja como o excesso de responsabilidade pode esgotar o seu cérebro

    Dar conta do trabalho, cuidar da família, pagar as contas em dia e ainda tentar manter a vida social são desafios comuns no dia a dia da maioria das pessoas. Mas, com tantas responsabilidades e estímulos ao mesmo tempo, é comum sentir que a mente está sempre ligada e processando informações sem parar.

    Quando você mantém um ritmo intenso por muito tempo sem um período de descanso, o estresse crônico pode alterar o funcionamento cerebral, afetando desde a memória até a capacidade de tomar decisões simples.

    Como consequência, você pode notar sinais como dificuldade para se concentrar, lapsos de memória, irritabilidade e até sensação constante de cansaço. O quadro, conhecido como fadiga mental, pode prejudicar a produtividade, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    O que acontece no cérebro sob pressão constante?

    Quando você vive sobrecarregado por responsabilidades, como no trabalho ou nos estudos, o cérebro pode interpretar a situação como um estado de ameaça constante. Para ajudar o organismo a lidar com a pressão, ele ativa o sistema de resposta ao estresse e aumenta a liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

    Eles são importantes para enfrentar desafios e situações de emergência, mas níveis elevados por períodos prolongados podem provocar alterações no funcionamento do cérebro, como:

    1. Prejudica o raciocínio e a tomada de decisões

    O excesso de cortisol afeta o córtex pré-frontal, região responsável pelo raciocínio lógico, planejamento, organização e tomada de decisões. Por isso, sob muito estresse, é comum ter dificuldade para pensar com clareza, resolver problemas ou manter o foco nas tarefas.

    2. Afeta a memória e o aprendizado

    O estresse crônico também pode prejudicar o funcionamento do hipocampo, área cerebral relacionada à formação de memórias e ao aprendizado. Como resultado, esquecimentos frequentes, dificuldade para reter informações e sensação de confusão mental podem se tornar mais comuns.

    3. Aumenta a sensação de ansiedade e alerta

    Ao mesmo tempo, a amígdala, estrutura ligada ao processamento das emoções e das respostas de medo, tende a ficar mais ativa. Isso faz com que você se torne mais sensível ao estresse, aumentando sentimentos de ansiedade, irritabilidade e a sensação de estar sempre em alerta, mesmo quando não existe um perigo real.

    Sinais de que a mente está sobrecarregada

    Como o desgaste mental acontece aos poucos, é comum ignorar os primeiros sintomas, mas é importante ficar atento aos seguintes sinais:

    • Lapsos de memória frequentes: esquecer onde deixou objetos, perder compromissos ou não conseguir lembrar o que ia dizer durante uma conversa;
    • Dificuldade de concentração: sentir a mente confusa, ter dificuldade para manter o foco e precisar de mais tempo para realizar tarefas simples;
    • Irritabilidade e impaciência: ficar estressado com facilidade, perder a paciência por pequenos motivos e apresentar mudanças de humor mais frequentes;
    • Cansaço que não melhora com o descanso: acordar cansado mesmo após uma noite de sono ou sentir falta de energia ao longo de todo o dia;
    • Dificuldade para relaxar: continuar pensando em problemas, tarefas e preocupações mesmo nos momentos de descanso ou na hora de dormir;
    • Indecisão em tarefas simples: ter dificuldade para fazer escolhas do dia a dia, como decidir o que comer, vestir ou qual tarefa realizar primeiro.

    Vale lembrar que a sobrecarga mental prolongada afeta o sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável a infecções, dores de cabeça frequentes e problemas digestivos.

    Consequências do excesso de responsabilidade para a saúde

    O acúmulo de funções e a autocobrança excessiva podem desencadear problemas de saúde físicos e emocionais graves, como:

    1. Síndrome de Burnout

    A síndrome de Burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional, é considerada o estágio mais avançado do esgotamento profissional e mental, e costuma surgir após longos períodos de estresse crônico, excesso de responsabilidades e falta de tempo para descanso e recuperação.

    No quadro, as atividades que antes pareciam simples passam a exigir um esforço enorme, e a sensação de cansaço permanece mesmo após períodos de descanso. Também é comum surgir um sentimento de incapacidade, como se nenhum esforço fosse suficiente para dar conta das demandas do dia a dia.

    Além dos impactos emocionais, o burnout também pode provocar sintomas físicos, como:

    • Dores de cabeça frequentes;
    • Alterações no sono;
    • Tensão muscular;
    • Problemas gastrointestinais;
    • Sensação persistente de esgotamento.

    Sem tratamento adequado, a condição pode afetar significativamente a saúde mental, os relacionamentos e a qualidade de vida.

    2. Transtornos de ansiedade e a depressão

    A dificuldade constante de relaxar ou o medo de cometer erros podem causar alterações significativas no funcionamento cerebral, aumentando o risco de desenvolver problemas como:

    • Transtornos de ansiedade, que provocam preocupação excessiva e sensação constante de tensão;
    • Crises de pânico, caracterizadas por episódios intensos de medo acompanhados de sintomas físicos, como falta de ar, palpitações e tontura;
    • Ansiedade generalizada, marcada por preocupações pós-persistentes e dificuldade para controlar pensamentos negativos;
    • Episódios de depressão, que podem causar tristeza prolongada, perda de interesse pelas atividades do dia a dia, falta de energia e alterações no sono e no apetite.

    Além de afetar a saúde mental, os transtornos podem prejudicar os relacionamentos, o desempenho profissional, os estudos e a qualidade de vida.

    3. Insônia crônica

    O excesso de cortisol dificulta a entrada do corpo em um estado de relaxamento adequado para o sono profundo. Como consequência, o sono se torna mais leve e fragmentado, prejudicando a recuperação física, a consolidação da memória e o equilíbrio emocional.

    4. Baixa imunidade

    O estresse prolongado afeta o funcionamento do sistema imunológico e reduz a capacidade do corpo de se defender contra agentes infecciosos. Por isso, resfriados frequentes, infecções recorrentes e crises de herpes podem se tornar mais comuns.

    5. Problemas cardiovasculares e gastrointestinais

    A tensão constante aumenta a pressão arterial e acelera os batimentos cardíacos, o que pode elevar o risco de doenças cardiovasculares ao longo do tempo. O estresse também influencia diretamente o funcionamento do sistema digestivo, favorecendo o surgimento ou agravamento de problemas como refluxo, gastrite e síndrome do intestino irritável.

    Como aliviar a sobrecarga mental?

    Nem sempre é possível eliminar todas as responsabilidades do dia a dia, mas algumas estratégias podem ajudar a diminuir o estresse e recuperar o equilíbrio mental, como:

    • Faça pausas durante o dia: pequenas pausas entre as tarefas ajudam o cérebro a descansar, recuperar o foco e evitar o esgotamento mental;
    • Organize as suas prioridades: criar listas e definir o que é mais importante reduz a sensação de excesso de tarefas e facilita a rotina;
    • Reduza o tempo de exposição às telas: limitar o uso do celular, do computador e das redes sociais ajuda a diminuir a quantidade de estímulos que o cérebro precisa processar;
    • Cuide da qualidade do sono: dormir bem é fundamental para a recuperação física e mental, além de melhorar a memória, a concentração e o humor;
    • Pratique atividade física regularmente: os exercícios ajudam a aliviar o estresse, melhorar a disposição e aumentar a sensação de bem-estar;
    • Reserve momentos para atividades prazerosas: ler, ouvir música, passear ou dedicar tempo a um hobby pode ajudar a aliviar a tensão acumulada;
    • Respeite os seus limites: evitar assumir mais compromissos do que consegue cumprir é uma forma importante de prevenir a sobrecarga mental;
    • Pratique técnicas de relaxamento: exercícios de respiração, meditação e mindfulness ajudam a desacelerar os pensamentos e reduzir a ansiedade;
    • Converse com pessoas de confiança: compartilhar preocupações e dificuldades pode aliviar a carga emocional e trazer novas perspectivas para os problemas;
    • Se os sintomas persistirem ou estiverem prejudicando a rotina, procure acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

    Perguntas frequentes

    1. Qual a diferença entre estresse comum e sobrecarga mental?

    O estresse comum geralmente tem um gatilho específico, como uma reunião importante, e passa quando a situação se resolve. A sobrecarga mental é contínua: a pessoa sente que a lista de obrigações nunca acaba, gerando um estresse crônico.

    2. Por que o excesso de responsabilidade causa esquecimentos?

    Porque o cortisol em excesso prejudica o hipocampo, a região do cérebro responsável por armazenar e buscar memórias. Além disso, a falta de foco impede que o cérebro registre a informação direito.

    3. O que é a “névoa cerebral” ou brain fog?

    É aquela sensação de confusão mental, lentidão no raciocínio e falta de clareza para pensar. É o cérebro operando de forma lenta porque gastou toda a sua energia tentando gerenciar o estresse e o excesso de tarefas.

    4. Como o estresse por responsabilidade afeta o estômago e o intestino?

    O cérebro e o sistema digestivo estão conectados. O excesso de hormônios do estresse altera a microbiota intestinal, acelera ou desacelera os movimentos do intestino e aumenta a acidez estomacal, causando gastrite, refluxo ou diarreia.

    5. Por que sinto cansaço mesmo depois de dormir 8 horas?

    Porque o estresse crônico prejudica a qualidade do sono. Você pode até passar 8 horas na cama, mas o cérebro não atinge as fases de sono profundo (sono REM), que são as responsáveis por restaurar a energia da mente.

    6. Como diferenciar o esgotamento mental da depressão?

    No esgotamento mental, a pessoa geralmente melhora quando é afastada da fonte de estresse (como tirar férias). Na depressão, a tristeza profunda, a falta de prazer e o desânimo persistem mesmo quando as responsabilidades diminuem.

    7. Quando devo procurar ajuda médica ou psicológica?

    Procure um médico quando os sintomas começarem a atrapalhar sua vida diária, quando o sono sumir de vez ou se você sentir que perdeu completamente o controle sobre suas emoções.

  • Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    Superfetação: é possível engravidar já estando grávida?

    A ideia de engravidar novamente durante uma gestação pode parecer impossível, mas existe uma condição extremamente rara chamada superfetação, na qual uma nova gravidez ocorre quando já existe um embrião em desenvolvimento no útero.

    O organismo feminino é biologicamente programado para interromper a ovulação e criar barreiras que dificultam uma nova fecundação assim que a gravidez se inicia. No entanto, em casos de superfetação, alterações hormonais e fisiológicas muito incomuns permitem a liberação e a fertilização de um segundo óvulo dias ou semanas após a primeira concepção.

    Quando a superfetação acontece, a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza explica que os dois bebês possuem idades gestacionais diferentes, pois foram concebidos em momentos distintos. A diferença costuma ser de alguns dias ou poucas semanas, o que faz com que um dos fetos apresente um estágio de desenvolvimento mais avançado do que o outro.

    É uma situação extremamente rara, os casos documentados em humanos são raríssimos e, na grande maioria das vezes, estão associados a tratamentos de reprodução assistida.

    É mesmo possível engravidar já estando grávida?

    É possível engravidar já estando grávida, mas é uma situação considerada excepcional na medicina, uma vez que o organismo feminino passa por uma série de mudanças hormonais após a fecundação justamente para impedir que uma nova ovulação aconteça.

    Em uma gravidez normal, depois que o óvulo é fecundado e o embrião começa a se desenvolver, os níveis hormonais aumentam rapidamente e bloqueiam a liberação de novos óvulos pelos ovários.

    O colo do útero também forma uma barreira de muco que dificulta a passagem dos espermatozoides, enquanto o revestimento uterino também sofre alterações para sustentar a gestação já existente. Como resultado, o corpo cria diferentes mecanismos de proteção que tornam uma segunda fecundação extremamente improvável.

    A superfetação ocorreria apenas se, mesmo durante a gravidez, um novo óvulo fosse liberado pelos ovários, fosse fecundado por um espermatozoide e conseguisse se implantar no útero, algo que precisaria acontecer apesar de todas as barreiras biológicas normalmente presentes.

    Qual a diferença entre superfetação e gravidez gemelar?

    A principal diferença entre a superfetação e a gravidez gemelar está no momento da concepção. Segundo Andreia, na gestação gemelar, os dois bebês são concebidos durante o mesmo ciclo reprodutivo e, portanto, possuem a mesma idade gestacional. Os gêmeos podem ser:

    Monocoriônicos (idênticos), quando um único óvulo fecundado se divide em dois embriões durante as primeiras fases do desenvolvimento;

    Ou dicoriônicos (fraternos ou não idênticos), quando dois óvulos diferentes são fecundados por dois espermatozoides distintos no mesmo ciclo menstrual.

    Apesar de poderem apresentar diferenças de peso e crescimento ao longo da gestação, ambos têm a mesma idade gestacional.

    Já na superfetação, os fetos são gerados em momentos diferentes porque uma nova ovulação, fecundação e implantação acontecem enquanto uma gravidez já está em andamento. Por causa da diferença nas datas de concepção, um dos bebês costuma estar mais avançado no desenvolvimento do que o outro.

    Em alguns casos raríssimos, a superfetação pode estar associada à superfecundação heteropaternal, situação em que os bebês possuem pais diferentes porque as concepções ocorreram em momentos distintos e envolveram parceiros diferentes. Contudo, é um fenômeno excepcional e pouco frequente na prática médica.

    Principais causas da superfetação

    Em uma gestação normal, os hormônios impedem a liberação de novos óvulos, o colo do útero se fecha com um tampão mucoso para impedir a entrada de espermatozoides e as paredes do útero mudam para não permitir a fixação de outro embrião.

    Para que a superfetação aconteça, os três mecanismos de defesa precisam falhar simultaneamente, o que pode acontecer por fatores como:

    1. Tratamentos de reprodução assistida

    Durante tratamentos como a fertilização in vitro (FIV), a mulher recebe uma carga hormonal intensa para estimular os ovários a produzirem vários óvulos.

    Se um embrião for transferido para o útero com sucesso, mas a mulher tiver ovulado naturalmente logo em seguida e mantido relações sexuais, pode ocorrer a fertilização desse segundo óvulo, ocorrendo a superfetação.

    2. Uso de indutores de ovulação

    Em casos raríssimos, os medicamentos usados para estimular a ovulação, comuns no tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP) e da infertilidade, podem favorecer a liberação de óvulos em momentos diferentes do ciclo reprodutivo.

    Em situações excepcionais, isso pode ocorrer após uma concepção inicial, antes que os hormônios da gravidez estabeleçam completamente os mecanismos que bloqueiam novas ovulações.

    3. Flutuações hormonais atípicas

    Em casos de superfetação espontânea, sem interferência de tratamentos médicos, o motivo normalmente é uma falha hormonal temporária.

    Nos primeiros dias ou semanas de gravidez, os níveis de progesterona e hCG podem não subir rápido o suficiente para avisar o cérebro de que a ovulação deve ser interrompida, permitindo que um segundo óvulo seja liberado.

    4. Abertura tardia do tampão mucoso

    Logo no início da gravidez, o colo do útero produz um muco espesso que atua como uma barreira física intransponível para os espermatozoides.

    Se houver um atraso na formação completa do tampão, e a mulher mantiver relações sexuais desprotegidas nas primeiras semanas de gestação, os espermatozoides ainda conseguirão alcançar as trompas e fertilizar um novo óvulo disponível.

    Como identificar?

    O diagnóstico de superfetação pode ser bastante difícil, porque não existe um exame específico capaz de confirmar a condição imediatamente.

    Durante os exames de ultrassom, os médicos podem perceber diferenças no tamanho e na maturidade dos fetos, mas, como a probabilidade estatística de se tratar de uma restrição de crescimento fetal ou de alterações nos vasos da placenta é muito maior, a superfetação raramente é a primeira hipótese, segundo Andreia.

    A investigação costuma envolver um acompanhamento detalhado da gestação ao longo das semanas. O especialista avalia se a diferença de desenvolvimento entre os bebês permanece constante e se é compatível com datas distintas de concepção. Também é necessário descartar outras condições mais comuns que podem causar discrepâncias de crescimento entre os fetos.

    Como a superfetação é extremamente rara, o diagnóstico costuma ser feito a partir da combinação de fatores, como os resultados dos ultrassons, o histórico da gestação e a exclusão de causas mais comuns para a diferença de desenvolvimento entre os bebês.

    Quais são os riscos para os bebês?

    De acordo com Andreia, a superfetação é considerada uma gestação de alto risco e pode apresentar complicações como:

    • Maior chance de parto prematuro;
    • Distensão excessiva do útero;
    • Descolamento prematuro da placenta;
    • Atonia uterina após o parto, condição em que o útero tem dificuldade para se contrair adequadamente.

    No entanto, a maior questão é a diferença de idade gestacional entre os bebês. Como um deles foi concebido depois do outro, existe uma diferença real de desenvolvimento.

    Se houver necessidade de antecipar o parto por questões médicas, o bebê mais velho pode já estar em uma fase mais segura de desenvolvimento, enquanto o mais novo ainda pode ser considerado muito prematuro.

    Como é feito o acompanhamento médico?

    O pré-natal deve ser realizado como uma gestação de alto risco, com consultas frequentes e ultrassonografias para acompanhar o crescimento e o bem-estar dos dois fetos.

    Segundo Andreia, o principal objetivo do acompanhamento é monitorar a saúde da mãe e dos bebês e definir o momento mais seguro para o parto. Sempre que possível, a equipe médica busca prolongar a gestação para permitir que o bebê mais jovem alcance uma idade gestacional mais adequada, reduzindo os riscos associados à prematuridade.

    Perguntas frequentes

    1. Os bebês de superfetação são considerados gêmeos?

    Sim, eles nascem no mesmo parto e compartilham o útero, por isso são considerados gêmeos fraternos (não idênticos). A diferença é que um deles foi gerado semanas depois do outro.

    2. Qual pode ser a diferença de idade entre os bebês?

    Normalmente, a diferença varia entre 2 e 4 semanas. É quase impossível uma diferença maior que essa, pois o espaço uterino e as alterações hormonais da primeira gravidez bloqueiam novas concepções após esse período.

    3. Quais são os sintomas da superfetação?

    A mulher não sente nenhum sintoma físico diferente de uma gestação comum. Enjoos, cansaço e atraso menstrual são os mesmos de uma gravidez de um único bebê.

    4. Os bebês podem ser de pais diferentes?

    Na superfetação natural, sim. Se a mulher mantiver relações sexuais com parceiros diferentes com algumas semanas de intervalo (dentro da janela em que a superfetação ainda é possível), os bebês podem ter pais biológicos diferentes.

    5. Qual é o maior risco para os bebês?

    O maior risco é a prematuridade do segundo bebê. Como o bebê mais velho dita o momento do parto, quando ele estiver pronto para nascer, o mais novo será forçado a nascer semanas antes do seu tempo ideal de desenvolvimento.

    6. Os bebês podem nascer no mesmo dia?

    Sim, o útero entra em trabalho de parto ou a cesárea é marcada com base na maturidade do primeiro bebê (o mais velho), o que faz com que ambos nasçam no mesmo dia.

    7. O uso de anticoncepcional previne a superfetação?

    O anticoncepcional previne a gravidez inicial. Se a mulher já descobriu que está grávida, ela não deve tomar anticoncepcionais.

  • Síndrome do impostor: por que ela é tão comum em ambientes corporativos? 

    Síndrome do impostor: por que ela é tão comum em ambientes corporativos? 

    Você já teve a sensação de que não merece estar onde está profissionalmente? Apesar de não ser considerada uma doença ou um transtorno mental, a síndrome do impostor é um fenômeno psicológico que afeta cerca de 70% das pessoas em algum momento da vida.

    Ele faz com que pessoas competentes sintam que são uma fraude, minimizando as próprias conquistas e atribuindo seus resultados à sorte ou ao acaso. Em geral, elas vivem com a sensação constante de que estão enganando os outros sobre suas verdadeiras capacidades.

    A síndrome do impostor pode surgir em diferentes momentos da carreira, mas costuma ser especialmente frequente em ambientes corporativos, onde é constante a cobrança por desempenho, produtividade e resultados.

    O mais curioso é que o sentimento costuma aparecer justamente em profissionais qualificados, dedicados e com bons resultados. Em vez de reconhecer o próprio mérito, eles acreditam que ainda não sabem o suficiente, que precisam provar seu valor o tempo todo ou que não estão à altura das expectativas.

    O que é a síndrome do impostor?

    A síndrome do impostor, também chamada de fenômeno do impostor, é um padrão de comportamento e pensamento em que a pessoa tem dificuldade em reconhecer as próprias capacidades e conquistas. Elas acreditam que estão enganando as pessoas ao redor sobre a sua inteligência, talento e competência.

    Mesmo com evidências concretas de bom desempenho, como diplomas, promoções ou bons resultados, o cérebro tende a encontrar justificativas para o que aconteceu, atribuindo as conquistas a fatores como:

    • Sorte (“Eu estava no lugar certo, na hora certa”);
    • Erros de avaliação alheios (“Eles só me elogiaram porque são bonzinhos”);
    • Esforço desproporcional (“Eu só conseguiu porque trabalhei três vezes mais que os outros, não por capacidade”).

    Inicialmente, acreditava-se que o problema afetava apenas mulheres que ocupavam cargos de destaque no meio acadêmico e corporativo. No entanto, estudos posteriores apontaram que a síndrome é um fenômeno mais amplo e que afeta homens e mulheres de diferentes idades, profissões e níveis de experiência.

    Por que ela é tão comum nas empresas?

    O ambiente de trabalho reúne vários fatores que favorecem o surgimento da síndrome do impostor, como:

    1. A cultura da hiperprodutividade

    Nos últimos anos, a pressão por produtividade aumentou muito em diversos ambientes de trabalho. Diversas empresas valorizam profissionais que estão sempre disponíveis, assumem várias responsabilidades ao mesmo tempo e trabalham além do horário com frequência.

    Para quem já tem tendência à síndrome do impostor, o ambiente pode reforçar a ideia de que é preciso se esforçar constantemente para provar o próprio valor. Assim, a pessoa passa a acreditar que só será reconhecida se trabalhar mais do que todos ao redor.

    2. Metas cada vez mais altas

    No ambiente corporativo, alcançar um objetivo costuma ser apenas o começo de outro desafio. Logo que uma meta é atingida, outra já começa a ser traçada, normalmente ainda mais difícil.

    Com o passar do tempo, muitos profissionais deixam de valorizar as próprias conquistas e passam a olhar apenas para o que ainda falta fazer. A sensação de satisfação dura pouco, dando lugar a uma cobrança constante por resultados cada vez maiores.

    3. Falta de feedbacks e reconhecimento

    Quando líderes e gestores oferecem poucas orientações ou só procuram a equipe para apontar problemas, surgem dúvidas sobre o próprio desempenho. Na falta de um retorno claro, muitas pessoas acabam imaginando cenários negativos e questionando a própria capacidade, mesmo quando estão entregando bons resultados.

    4. Sensação de não pertencer

    A síndrome do impostor também pode ser mais comum entre pessoas que encontram pouca representatividade nos cargos de liderança, como mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+, por exemplo.

    Quando alguém não se vê refletido nos espaços de poder e decisão, ela pode ter a sensação de estar ocupando um lugar que não lhe pertence. Como consequência, cresce a necessidade de provar valor o tempo todo, o que alimenta ainda mais a insegurança.

    Principais sinais e sintomas no trabalho

    No ambiente corporativo, a síndrome do impostor se manifesta por meio de comportamentos e reações emocionais bem específicos:

    • Perfeccionismo excessivo: a pessoa cria padrões muito altos para si mesma e acredita que tudo precisa sair perfeito. Quando comete um pequeno erro, tende a focar apenas nele e esquece todo o trabalho que realizou bem;
    • Procrastinação seguida de sobrecarga: o medo de falhar ou de não atender às próprias expectativas pode fazer com que tarefas importantes sejam adiadas. Quando o prazo se aproxima, surge uma corrida contra o tempo, marcada por estresse, cansaço e longas horas de trabalho;
    • Dificuldade em aceitar elogios: mesmo quando recebe reconhecimento, a pessoa tem dificuldade em acreditar que merece. Muitas vezes, atribui o sucesso à sorte, à ajuda de outras pessoas ou a fatores externos, em vez de reconhecer o próprio esforço;
    • Medo constante de ser julgada ou perder o emprego: existe uma preocupação frequente de não estar à altura das expectativas. Como resultado, situações comuns do dia a dia, como reuniões ou avaliações de desempenho, podem causar ansiedade e insegurança;
    • Receio de assumir novos desafios: muitas pessoas evitam promoções, cargos de liderança ou novas oportunidades por acreditarem que não são suficientemente preparadas para assumir mais responsabilidades;
    • Comparação constante com os colegas: há uma tendência de enxergar apenas os pontos fortes das outras pessoas e ignorar as próprias conquistas. Isso cria a sensação de estar sempre em desvantagem, mesmo quando não há motivos reais para pensar assim.

    Consequências para a saúde física e mental

    Quando a pessoa vive em um estado constante de insegurança, medo de falhar e autocobrança, o estresse acumulado passa a impactar diferentes áreas da vida, prejudicando o bem-estar e a qualidade de vida.

    • Esgotamento profissional (síndrome de Burnout): a necessidade constante de provar competência pode levar ao excesso de trabalho, à dificuldade de descansar e ao acúmulo de responsabilidades. Com o tempo, isso pode causar exaustão física e emocional;
    • Ansiedade e depressão: o medo de errar ou de não atender às expectativas pode manter a pessoa em estado de alerta constante, aumentando a ansiedade e o sofrimento emocional. Em alguns casos, também pode favorecer o surgimento de sintomas depressivos;
    • Problemas de sono: preocupações com o trabalho e com o próprio desempenho podem dificultar o relaxamento e prejudicar a qualidade do sono, afetando a disposição e a concentração no dia seguinte;
    • Desconfortos gastrointestinais: o estresse também pode afetar o sistema digestivo, causando sintomas como azia, refluxo, dores abdominais e alterações no funcionamento do intestino;
    • Dores musculares e dores de cabeça: a tensão acumulada pode provocar contrações musculares, principalmente nos ombros, pescoço e mandíbula, favorecendo o aparecimento de dores e cefaleias relacionadas ao estresse.

    Como combater a síndrome do impostor no dia a dia?

    A síndrome do impostor pode ser difícil de enfrentar, mas existem algumas atitudes que ajudam a reduzir a insegurança e a construir uma relação mais saudável com o trabalho e com as próprias conquistas, como:

    • Reconheça as suas conquistas e valorize os projetos concluídos, os elogios recebidos e os objetivos alcançados;
    • Evite as comparações constantes e lembre-se de que cada profissional tem a sua própria trajetória, experiências e desafios;
    • Aceite os elogios e o reconhecimento pelo seu trabalho sem atribuir os resultados apenas à sorte ou ao acaso;
    • Entenda que os erros fazem parte do aprendizado e não são sinais de incompetência;
    • Estabeleça metas realistas e reconheça os avanços conquistados ao longo do caminho;
    • Converse sobre os seus sentimentos com pessoas de confiança para perceber que as inseguranças são mais comuns do que parecem.

    É importante lembrar que sentir que nunca é bom o suficiente não deve ser encarado como algo normal ou como uma característica da personalidade.

    Quando a insegurança começa a causar sofrimento, prejudicar o trabalho ou afetar a saúde, pode ser importante buscar apoio psicológico para entender a origem dos pensamentos e aprender formas mais saudáveis de lidar com eles.

    Perguntas frequentes

    1. A síndrome do impostor é considerada uma doença mental?

    Não, ela não está classificada no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) como uma doença ou transtorno psiquiátrico. Ela é definida pela psicologia como um fenômeno ou padrão de comportamento e pensamento.

    2. A síndrome do impostor afeta mais os homens ou as mulheres?

    Ela afeta ambos os gêneros, mas as pesquisas mostram que ela é significativamente mais frequente e intensa em mulheres.

    3. Crianças e estudantes também podem sofrer com o fenômeno do impostor?

    Sim, o problema pode começar a se desenhar na infância ou na vida acadêmica, especialmente em ambientes escolares muito competitivos ou em famílias que condicionam o afeto e o valor da criança exclusivamente às notas altas e ao desempenho impecável.

    4. Qual é o papel das empresas no combate a esse problema?

    As empresas podem cultivar uma cultura forte de feedbacks claros e regulares, humanizar o erro (tratando-o como parte do aprendizado), combater a romantização do trabalho excessivo e promover a diversidade e a inclusão em cargos de liderança.

    5. Como um líder pode ajudar um liderado que demonstra sinais de autossabotagem?

    O líder deve fornecer feedbacks objetivos baseados em dados concretos de desempenho, e não em elogios vagos. Além disso, deve encorajar o colaborador a assumir novos desafios de forma gradual, oferecendo suporte técnico e emocional durante o processo de transição.

    6. Quando é necessário buscar a ajuda de um psiquiatra?

    A consulta com o psiquiatra é recomendada quando a síndrome do impostor evolui para um quadro de adoecimento psíquico grave. Se o medo e a ansiedade causarem crises de pânico, sintomas depressivos severos, insônia crônica paralisante ou Burnout, o suporte médico com medicamentos pode ser necessário.

  • Os riscos de beber água que ficou muito tempo parada (e como evitar)

    Os riscos de beber água que ficou muito tempo parada (e como evitar)

    Sabe aquele copo de água que fica na mesa de cabeceira a noite toda ou aquela garrafa esquecida na mesa do trabalho de um dia para o outro? Você já deve ter se perguntado se ainda é seguro beber aquela água no dia seguinte.

    Apesar da água pura não estragar da mesma maneira que os alimentos, o hábito de consumir a água que ficou parada por muito tempo e exposta ao ambiente pode favorecer a contaminação por microrganismos, poeira e outras partículas presentes no ar.

    Na verdade, o simples ato de encostar a boca no copo ou no gargalo da garrafa transfere bactérias da saliva para o líquido, criando condições favoráveis para que os microrganismos se multipliquem ao longo das horas.

    Por isso, embora beber a água que ficou parada por uma noite normalmente não seja um grande perigo para pessoas saudáveis, existem alguns cuidados importantes que ajudam a evitar riscos desnecessários.

    O que acontece com a água parada no copo ou garrafa?

    Quando a água fica parada no copo ou na garrafa por algumas horas, ela passa por algumas transformações físicas e biológicas, como:

    1. Alteração no sabor (reação química)

    Você já deve ter percebido que a água que passa a noite no copo pode ficar com um gosto diferente, e isso acontece porque ela entra em contato com o ar e absorve dióxido de carbono.

    Como consequência, é formado uma pequena quantidade de ácido carbônico, que reduz levemente o pH da água e a torna um pouco mais ácida. A mudança é muito discreta e não representa riscos à saúde, mas pode alterar o sabor e dar a sensação de que a água está menos fresca.

    2. Contaminação e proliferação de microrganismos

    Quando a água fica parada por muitas horas, ela deixa de estar protegida e passa a ficar exposta ao ambiente.

    No caso do copo sem tampa, a água pode acumular poeira, fios de cabelo, pólen e outras partículas que circulam no ar. Pequenos insetos também podem cair no recipiente. As bactérias e fungos presentes no ambiente também podem entrar em contato com o líquido.

    Já quando a água permanece em uma garrafa ou em um copo que já foi utilizado, o contato dos lábios com o gargalo ou a borda do recipiente transfere bactérias naturalmente presentes na boca para o líquido.

    Com o passar das horas, especialmente em ambientes quentes, os microrganismos podem se multiplicar. Se a garrafa ficar exposta ao calor ou à luz solar direta, o processo pode acontecer ainda mais rápido.

    Faz mal beber água velha?

    Depende de como ela foi armazenada e há quanto tempo está ali. Na maioria das vezes, para um adulto saudável, beber a água que passou a noite na cabeceira da cama não vai causar um problema grave de saúde, mas o hábito diário ou o consumo de água parada há muitos dias pode trazer riscos.

    Quando NÃO faz mal (ou o risco é muito baixo)

    • Água em garrafa tampada (por até 24 a 48 horas): se a garrafa foi fechada e ninguém bebeu direto no gargalo, a água continua protegida do ambiente. Ela pode ficar com o gosto levemente alterado, mas continua segura;
    • O copo na cabeceira da cama (de uma noite para a outra): o risco de infecção é baixo se você tiver uma boa imunidade. O maior problema aqui é o desconforto de beber poeira e o gosto ruim devido à troca de gases com o ar.

    Quando pode fazer mal

    • Água que recebeu saliva há mais de 24 horas: quando você bebe diretamente da garrafa ou do copo e deixa a água parada por muito tempo, as bactérias naturalmente presentes na boca podem se multiplicar e contaminar o líquido;
    • Água parada ao ar livre por vários dias: copos ou jarras esquecidos por muito tempo acumulam impurezas e podem se tornar focos de proliferação de fungos e bactérias mais perigosas;
    • Para grupos de risco: idosos, bebês, gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido (em tratamento de quimioterapia ou com doenças crônicas) são muito mais sensíveis. Para eles, mesmo a água de uma noite para a outra pode causar infecções intestinais.

    Riscos de beber água que ficou muito tempo parada

    Quando a água fica parada por muito tempo, especialmente se estiver destampada ou em um recipiente onde você já encostou a boca, ela pode desencadear:

    1. Infecções gastrointestinais

    Quando bactérias e fungos se multiplicam na água, seja por causa do contato com a saliva ou pela exposição ao ambiente, o consumo pode aumentar o risco de desconfortos gastrointestinais. Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos, dores abdominais e diarreia.

    2. Acúmulo de alérgenos e partículas do ambiente

    Um copo de água deixado aberto pode acumular poeira, ácaros, pelos de animais e pólen que circulam no ar e, ao beber a água, a pessoa também entra em contato com as partículas. Para quem tem alergias ou asma, isso pode favorecer irritação na garganta, espirros e até crises respiratórias.

    3. Exposição a substâncias químicas de garrafas plásticas

    Quando a água permanece por muito tempo em garrafas plásticas descartáveis, especialmente sob calor ou exposição ao sol, algumas substâncias químicas presentes no plástico podem migrar para o líquido.

    Uma delas é o bisfenol A (BPA), um composto que tem sido associado a alterações hormonais quando a exposição ocorre de forma frequente e por longos períodos.

    4. Proliferação de mosquitos transmissores de doenças

    Quando a água fica parada em um recipiente destampado por vários dias, ela pode se tornar um local de reprodução para mosquitos, como o Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya.

    Cuidados para garantir uma água segura

    Para garantir que a água esteja sempre saudável e livre de contaminações, você pode adotar algumas medidas no dia a dia, como:

    • Use recipientes com tampa para proteger a água da poeira, dos insetos e de microrganismos presentes no ambiente;
    • Evite beber direto no gargalo se a garrafa for usada ao longo do dia. Prefira servir a água em um copo;
    • Lave as garrafas e os recipientes diariamente com água e detergente neutro, incluindo a tampa e o bico;
    • Não reutilize garrafas plásticas descartáveis por longos períodos, pois elas podem acumular bactérias e sofrer desgaste;
    • Troque a água antes de dormir e coloque água fresca e filtrada no recipiente;
    • Tenha mais cuidado com bebês, idosos, gestantes e pessoas com a imunidade baixa, oferecendo sempre água fresca e filtrada.

    Caso você ou alguém da sua família tenha consumido uma água que estava parada há muito tempo e apresente sintomas como diarreia persistente, vômitos, cólicas abdominais fortes ou febre, é importante consultar um clínico geral ou gastroenterologista para avaliar o quadro e evitar a desidratação.

    Perguntas frequentes

    1. Ferver a água da torneira a torna 100% segura para beber?

    Não totalmente. Ferver a água por pelo menos 1 minuto elimina microrganismos vivos, como bactérias, vírus e parasitas. No entanto, o processo não remove impurezas químicas, como excesso de cloro, metais pesados ou resíduos de agrotóxicos.

    2. Quanto tempo a água pode ficar dentro da garrafa de inox?

    Se a garrafa foi lavada, fechada e você não educa bebeu direto no gargalo, a água permanece segura por até 48 horas. Se bebeu direto na boca, o ideal é consumir em até 24 horas e lavar a garrafa antes de usar novamente.

    3. É perigoso beber água direto do filtro de barro se ele não for lavado frequentemente?

    Sim, a falta de limpeza regular pode fazer com que fungos e bactérias se acumulem nas paredes internas e na vela. O ideal é lavar o reservatório e a vela uma vez por semana usando apenas água limpa. Nunca use sabão ou cloro na vela, pois estraga a sua capacidade de filtragem.

    4. Colocar a garrafa de água na geladeira faz ela durar mais?

    Sim. O ambiente frio da geladeira retarda drasticamente a multiplicação de fungos e bactérias. Uma garrafa fechada (sem contato com a saliva) pode durar de 3 a 5 dias na geladeira com segurança.

    5. Qual é o melhor tipo de garrafa para usar no dia a dia?

    As garrafas de vidro ou de aço inoxidável (inox) são as melhores opções. Elas não liberam substâncias químicas na água, não quebram ou racham internamente com facilidade e são muito mais fáceis de higienizar do que as de plástico.

    6. Qual a forma correta de lavar a minha garrafa de água?

    Lave diariamente com água morna e detergente neutro, utilizando uma escova de garrafa para esfregar bem o fundo e as paredes internas. Preste atenção especial ao bocal e aos cantos da tampa, onde o acúmulo de saliva e sujeira é maior.

  • Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças? 

    Como o excesso de telas pode afetar o neurodesenvolvimento das crianças? 

    A recomendação oficial da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde é de zero telas para crianças de até 2 anos, mas você sabe por que a orientação é tão rigorosa? Nos primeiros anos de vida, o cérebro do bebê está em pleno desenvolvimento e depende diretamente das interações com o mundo real para formar novas conexões neuronais.

    O cérebro da criança pequena não consegue processar as informações da tela da mesma forma que as interações reais, como o toque, o contato visual, o som da voz dos pais e a exploração do ambiente.

    Como consequência, o uso precoce e prolongado do celular, tablet e televisão está diretamente ligado a atrasos na fala, distúrbios do sono e dificuldades de socialização.

    “Quando a gente vai comparar um bebê fazendo a mesma atividade com uma interação ao vivo e fazendo uma interação por meio de um vídeo, o resultado não é idêntico. O desenvolvimento do bebê que realizou a interação ao vivo foi muito superior”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    Como o excesso de telas afeta o cérebro infantil?

    Nos primeiros dois anos de vida, a criança está numa fase de desenvolvimento sensório-motor, de acordo com Bárbara. Ela aprende por meio de sentidos, movimentos e experiências reais, como brincar, conversar, explorar o ambiente, mexer em objetos e interagir com outras pessoas.

    Quando a criança passa muito tempo em frente às telas, parte das experiências é substituída por estímulos digitais, o que pode impactar áreas importantes do neurodesenvolvimento, como:

    1. Desenvolvimento da linguagem

    O aprendizado da fala acontece principalmente por meio da interação com outras pessoas e, durante as conversas, o bebê observa as expressões faciais, escuta diferentes tons de voz, responde aos estímulos e aprende a se comunicar.

    Como a tela é uma comunicação de via única, em que a maior parte do conteúdo é consumida de forma passiva, o excesso pode estar associado a atrasos na linguagem e a dificuldades de comunicação.

    2. Atenção e capacidade de concentração

    Os vídeos e jogos infantis atuais mudam de cena em poucos segundos e entregam cores e sons intensos de forma muito rápida, o que libera uma quantidade artificialmente alta de dopamina, o neurotransmissor do prazer.

    O cérebro da criança se acostuma com o ritmo acelerado, então ela pode recusar atividades naturais mais lentas, como ler um livro, desenhar ou prestar atenção na escola. O resultado é a redução do tempo de concentração e o aumento da impulsividade.

    3. Regulação das emoções

    O córtex pré-frontal, region do cérebro responsável pelo controle dos impulsos, pela tomada de decisões e pela regulação emocional, continua se desenvolvendo ao longo da infância. Ela amadurece gradualmente por meio das experiências do dia a dia, das pequenas frustrações e das brincadeiras.

    Como as telas oferecem distração imediata para momentos de tédio, incômodo ou choro, o uso frequente dos dispositivos para acalmar a criança pode reduzir as oportunidades de ela aprender a lidar com as próprias emoções.

    Principais sinais de que a tela está prejudicando a criança

    Quando o uso de telas ultrapassa os limites recomendados para cada faixa etária, a criança pode começar a apresentar sinais de que o excesso de estímulos está interferindo no desenvolvimento e na rotina diária, como:

    • Atraso para começar a falar ou tem dificuldade para formular frases simples para a idade;
    • Irritação extrema, choro ou agressividade quando o aparelho é retirado;
    • Perda de interesse por brinquedos físicos, desenhos ou interações com a família;
    • Dificuldade visível para manter a concentração em uma conversa ou atividade escolar;
    • O sono se torna agitado, com resistência para dormir ou despertares frequentes durante a noite;
    • Crises frequentes de ansiedade ou tédio quando o dispositivo não está disponível;
    • Apatia ou falta de reação aos estímulos e chamados dos pais enquanto usa a tela.

    Os impactos variam de acordo com a idade, o tempo de exposição e o tipo de conteúdo consumido, mas alguns sinais costumam ser mais frequentes e precisam de atenção dos pais e cuidadores.

    Tempo de tela recomendado por idade

    O tempo de tela ideal varia de acordo com a fase de desenvolvimento, segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde:

    • Até os dois anos: zero, nenhum contato com telas, inclusive de forma passiva, como TV ligada ao fundo;
    • 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, sempre com a supervisão de um adulto e conteúdo educativo;
    • 6 a 10 anos: no máximo 1 a 2 horas por dia, limitando o acesso a jogos e vídeos adequados à idade;
    • 11 a 18 anos: no máximo 2 a 3 horas por dia, evitando o isolamento no quarto e o uso durante a madrugada.

    Para prevenir problemas associados ao sono da criança, é importante desligar celulares, tablets, computadores e televisões entre uma e duas horas antes do horário de sono, já que a luz emitida pelos dispositivos pode interferir na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono.

    Durante as refeições, também é recomendado não utilizar celulares nem manter a televisão ligada, pois o hábito pode prejudicar a percepção de saciedade, além de reduzir momentos importantes de convivência e interação com a família.

    O que fazer para reduzir o tempo de tela?

    Para reduzir o tempo de tela das crianças, os pais podem adotar algumas medidas no dia a dia, como:

    • Estabelecer horários e locais livres de telas: defina regras claras, como proibir o uso de celulares e tablets durante as refeições, no carro e nos quartos. Os aparelhos devem ser carregados em uma área comum da casa à noite;
    • Criar uma rotina de transição antes de dormir: desligue todos os aparelhos de 1 a 2 horas antes do horário de dormir. Substitua as telas por atividades relaxantes, como ler um livro físico, contar histórias ou ouvir uma música calma;
    • Oferecer alternativas de lazer físico: estimule brincadeiras que envolvam o corpo e a criatividade, como jogos de tabuleiro, desenho, blocos de montar, caminhadas ao ar livre ou passeios em parques;
    • Envolver a criança nas tarefas domésticas: chame a criança para ajudar em atividades seguras e adequadas para a idade dela, como organizar os brinquedos, regar as plantas ou ajudar a preparar o lanche;
    • Dar o exemplo dentro de casa: as crianças tendem a imitar o comportamento dos adultos. Evite usar o celular de forma excessiva na presença dos filhos e mantém a televisão desligada quando ninguém estiver assistindo.
    • Fazer uma redução gradual: se a criança passa muitas horas no celular, reduza o tempo aos poucos. Comece diminuindo 30 minutos por dia até atingir o limite recomendado para a idade dela, explicando para ela o motivo da mudança.

    A adaptação pode levar algum tempo, principalmente quando a criança já está acostumada a passar várias horas por dia diante das telas. Nos primeiros dias, é comum ter resistência, reclamações e até momentos de irritação. O mais importante é manter a consistência nas regras e oferecer alternativas interessantes para ocupar o tempo livre.

    Leia mais: Transtornos de neurodesenvolvimento: o que são, tipos e como é feito o diagnóstico

    Perguntas frequentes

    1. As telas podem causar TDAH?

    Não causam o transtorno diretamente, mas o estímulo hiperveloz das telas vicia os circuitos de recompensa do cérebro, reduzindo a capacidade de foco e piorando sintomas de desatenção e impulsividade.

    2. Por que as crianças ficam irritadas quando a tela é retirada?

    As telas geram picos rápidos de dopamina, hormônio do prazer. Retirar o aparelho causa uma queda brusca do neurotransmissor, gerando crises de birra e frustração.

    3. Como o uso de telas afeta o sono infantil?

    A luz azul emitida pelos aparelhos bloqueia a produção de melatonina, hormônio do sono, dificultando o adormecer e deixando o sono mais superficial e fragmentado.

    4. Como o uso de telas afeta a socialização?

    Ao interagir menos com pessoas, a criança deixa de treinar a leitura de expressões faciais, o tom de voz e a empatia, tornando-se mais retraída ou com dificuldade de se integrar.

    5. Quais os sinais de que a criança está “viciada” em telas?

    Isolamento social, queda no rendimento escolar, agressividade extrema ao desligar o aparelho, perda de interesse por outras brincadeiras e alteração de sono/apetite.

    6. Como substituir o tempo de tela de forma saudável?

    Com brincadeiras livres (blocos, desenhos), passeios ao ar livre, leitura de livros físicos, inclusão da criança em tarefas domésticas leves e, acima de tudo, tempo de atenção de qualidade com os pais.

    Veja também: Por que crianças superdotadas também precisam de apoio especializado?

  • 8 exercícios que mais ajudam a emagrecer e queimar gordura

    8 exercícios que mais ajudam a emagrecer e queimar gordura

    Agachamento, remada, levantamento terra, supino. Afinal, quais são os melhores exercícios para queimar gordura de verdade? Se você está no processo de perda de peso, já deve ter se deparado com uma infinidade de treinos e métodos para emagrecer.

    Só que, antes de entender quais exercícios podem ajudar, é importante saber que a perda de gordura não depende apenas do treino escolhido.

    O exercício físico, em si, não é o único responsável pelo emagrecimento. “Se você não estiver em déficit calórico, mesmo fazendo exercícios, o emagrecimento dificilmente ocorrerá. Em resumo, é preciso comer menos e gastar mais para que esse processo ocorra”, explica o profissional de educação física Álvaro Menezes.

    A vantagem da prática de exercícios físicos é que ela contribui para aumentar o gasto energético, ajuda a preservar a massa muscular e favorece o funcionamento adequado do metabolismo, tornando o processo mais sustentável ao longo do tempo.

    Para te ajudar, preparamos uma lista com os 8 melhores exercícios (de força e aeróbicos) para aumentar o gasto diário. Confira!

    Quais os melhores exercícios para emagrecer?

    De acordo com Álvaro, os exercícios multiarticulares costumam ser os mais indicados para quem deseja emagrecer, pois recrutam vários grupos musculares ao mesmo tempo, aumentando o gasto energético durante a atividade.

    Eles são úteis especialmente para quem tem pouco tempo ou quem não suporta ficar no ambiente da academia, por exemplo.

    1. Agachamento

    O agachamento é um dos exercícios mais completos para quem busca emagrecer. Ele recruta grandes grupos musculares, especialmente quadríceps, posteriores de coxa, glúteos e abdômen, aumentando o gasto energético durante a execução e contribuindo para o fortalecimento da parte inferior do corpo.

    2. Levantamento terra

    O Levantamento Terra trabalha diversos músculos simultaneamente, incluindo pernas, glúteos, costas e região do core. Por envolver uma grande quantidade de massa muscular, o exercício exige bastante do organismo e pode favorecer um maior gasto calórico quando inserido em um programa de treino adequado.

    3. Remadas e puxadas

    As remadas e puxadas são exercícios voltados principalmente para a musculatura das costas, mas também recrutam bíceps, ombros e abdômen como estabilizadores. Além de ajudarem no desenvolvimento da força e da postura, aumentam a demanda energética do treino por envolverem vários grupos musculares ao mesmo tempo.

    4. Flexões e desenvolvimentos (exercícios de empurrar)

    Os exercícios de empurrar, como flexões, supino e desenvolvimento de ombros, trabalham principalmente peitoral, ombros e tríceps. Quando realizados de forma regular, ajudam na manutenção e no ganho de massa muscular, fator importante para o emagrecimento e para a melhora da composição corporal.

    Atividades aeróbicas

    As atividades aeróbicas são exercícios que utilizam grandes grupos musculares de forma contínua, aumentando a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio. Para emagrecer, as que mais se destacam são:

    5. Corrida (moderada e vigorosa)

    Dependendo da intensidade, da duração e da frequência dos treinos, a corrida pode contribuir significativamente para a perda de gordura, já que promove um elevado gasto calórico durante a atividade.

    Ela também melhora o condicionamento cardiovascular, aumenta a resistência física, fortalece músculos dos membros inferiores e pode ajudar a reduzir fatores de risco associados a doenças cardiovasculares quando praticada regularmente.

    6. Ciclismo

    Sendo um ótima opção para quem busca emagrecer com menor impacto sobre as articulações, o ciclismo trabalha principalmente os músculos das pernas e dos glúteos, promove um bom gasto energético e pode ser praticada tanto ao ar livre quanto em bicicletas ergométricas.

    7. Pular corda

    Por ser um exercício de alta intensidade, pular corda pode gerar um elevado gasto calórico em um curto período de tempo. A atividade aumenta rapidamente a frequência cardíaca, melhora o condicionamento cardiovascular e trabalha diversos grupos musculares simultaneamente, incluindo pernas, braços, ombros e abdômen.

    8. Natação

    A natação é uma atividade de corpo inteiro que recruta músculos dos braços, pernas, costas e abdômen simultaneamente.

    Além de contribuir para o gasto calórico, ela melhora a capacidade cardiorrespiratória e é uma opção interessante para pessoas que precisam evitar exercícios de alto impacto, como pessoas com excesso de peso, problemas articulares ou lesões nos joelhos ou tornozelos, por exemplo.

    Existe uma combinação ideal entre exercícios aeróbicos e de força para emagrecer?

    Existe uma faixa de intensidade durante os exercícios aeróbicos in que o organismo utiliza proporcionalmente mais gordura como fonte de energia, de acordo com Álvaro.

    Na corrida, por exemplo, a zona é conhecida como Fat Max ou Zona 2, caracterizada por um esforço leve a moderado, no qual a pessoa ainda consegue manter uma conversa durante a atividade.

    No entanto, utilizar mais gordura como combustível durante o exercício não significa necessariamente que haverá maior emagrecimento ao longo do tempo. A perda de gordura está mais relacionada ao gasto energético total e à manutenção do déficit calórico do que à fonte de energia utilizada em um momento específico do treino.

    Por isso, uma das melhores estratégias para quem quer emagrecer é combinar exercícios aeróbicos e musculação. Enquanto os aeróbicos ajudam a aumentar o gasto calórico durante a atividade, os exercícios de força contribuem para a preservação e o desenvolvimento da massa muscular, o que favorece um maior gasto energético ao longo do dia.

    Como um iniciante deve começar a praticar os exercícios com segurança?

    Para reduzir o risco de lesões, o ideal é que o iniciante comece com exercícios de menor complexidade, priorizando movimentos que permitam aprender a técnica correta antes de aumentar a intensidade ou a carga. As máquinas de musculação podem ajudar, já que oferecem mais estabilidade e controle durante a execução.

    Os exercícios livres utilizando apenas o peso do corpo, como agachamentos, flexões adaptadas e pranchas, também podem ser uma opção segura para desenvolver força, coordenação e consciência corporal.

    De acordo com Álvaro, “iniciar em máquinas e exercícios livres com peso do corpo de baixa complexidade poderão proporcionar à ele maior segurança e eficiência na execução, contribuindo para sua evolução e segurança”.

    Qual exercício fazer todos os dias para emagrecer?

    Se a pessoa precisasse escolher apenas um único exercício para fazer todos os dias com foco em perda de peso, Álvaro sugeriria o Levantamento Terra.

    “É um dos exercícios mais poderosos que temos, muito utilizado desde a reabilitação de lesões a desempenho esportivo em virtude do seu grande envolvimento muscular e cerebral (neuromuscular)”, finaliza o profissional.

    Leia mais: Atividade física e produtividade: como mexer o corpo melhora o cérebro

    Perguntas frequentes

    1. Qual é o melhor horário para treinar e emagrecer?

    O melhor momento é aquele que se encaixa na sua rotina e que você consegue manter com consistência. O importante é a regularidade dos treinos, seja pela manhã, tarde ou noite.

    2. É melhor fazer aeróbico antes ou depois da musculação?

    Se o objetivo principal é emagrecer mantendo a massa magra, o ideal é fazer a musculação primeiro. Assim, você usa sua energia máxima nos exercícios de força e, em seguida, utiliza o aeróbico para potencializar a queima de gordura.

    3. Quantas vezes por semana devo treinar para ver resultados?

    Para quem está começando, de 3 a 4 vezes por semana já trazem excelentes resultados de saúde e perda de peso.

    4. Quanto tempo de exercício aeróbico devo fazer por dia?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana. Isso dá uma média de 30 a 60 minutos, de 5 vezes por semana.

    5. É seguro fazer exercícios em jejum para queimar mais gordura?

    Para a maioria das pessoas, não é necessário e pode até ser prejudicial, causando tonturas ou queda de rendimento.

    6. Posso fazer o mesmo treino todos os dias?

    Não é recomendado. O corpo precisa de descanso para reparar as fibras musculares e evitar lesões por esforço repetitivo.

    7. Suar muito durante o exercício significa que estou emagrecendo mais?

    Não, o suor é apenas o mecanismo do corpo para resfriar a temperatura interna e eliminar água e sais minerais, não gordura.

    Confira: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

  • Pressão muito baixa pode ser perigosa? Entenda quando é um problema 

    Pressão muito baixa pode ser perigosa? Entenda quando é um problema 

    A pressão arterial baixa, também chamada de hipotensão arterial, é uma condição que pode ocorrer tanto em pessoas saudáveis quanto em indivíduos com determinadas doenças.

    Muitas pessoas convivem com níveis de pressão naturalmente mais baixos sem apresentar qualquer sintoma ou prejuízo à saúde.

    Por outro lado, quando a pressão cai de forma significativa ou repentina, a circulação sanguínea pode ficar comprometida, o que reduz a chegada de oxigênio e nutrientes a órgãos importantes como cérebro, coração e rins. Nessas situações, é fundamental identificar a causa e avaliar a gravidade do quadro.

    O que é considerado pressão baixa?

    A pressão arterial é medida por dois valores:

    • Pressão sistólica (valor mais alto);
    • Pressão diastólica (valor mais baixo).

    De forma geral, valores abaixo de 90/60 mmHg costumam ser classificados como hipotensão.

    No entanto, o número isolado nem sempre determina se existe um problema.

    O mais importante é avaliar:

    • A presença de sintomas;
    • O padrão habitual da pessoa;
    • A velocidade da queda da pressão;
    • O contexto clínico.

    Uma pessoa que sempre teve pressão baixa pode estar perfeitamente saudável, enquanto outra pode apresentar sintomas importantes com valores semelhantes.

    Algumas pessoas têm pressão baixa naturalmente

    Sim. É relativamente comum encontrar pessoas, especialmente jovens, magras e fisicamente ativas, com pressão naturalmente mais baixa.

    Nesses casos:

    • Não há sintomas;
    • A circulação permanece adequada;
    • Não existe comprometimento dos órgãos;
    • Geralmente não é necessário tratamento.

    Por isso, pressão baixa nem sempre significa doença.

    Quais sintomas podem ocorrer?

    Quando a pressão arterial cai além da capacidade de adaptação do organismo, podem surgir sintomas como:

    • Tontura;
    • Sensação de desmaio;
    • Fraqueza;
    • Visão escurecida;
    • Suor frio;
    • Palidez;
    • Náuseas;
    • Sensação de cabeça leve.

    A intensidade dos sintomas costuma depender da rapidez e da magnitude da queda da pressão.

    Por que a pressão baixa causa tontura?

    O cérebro necessita de fluxo sanguíneo constante para funcionar adequadamente.

    Quando a pressão arterial cai muito, pode ocorrer uma redução temporária da quantidade de sangue que chega ao cérebro.

    Isso pode provocar:

    • Tontura;
    • Escurecimento da visão;
    • Sensação de desequilíbrio;
    • Sensação de desmaio;
    • Perda temporária da consciência.

    Esse mecanismo explica por que algumas pessoas desmaiam após quedas importantes da pressão arterial.

    Quais são as causas mais comuns?

    As causas da hipotensão variam desde situações simples até condições potencialmente graves.

    1. Desidratação

    Uma das causas mais frequentes.

    Pode ocorrer devido a:

    • Vômitos;
    • Diarreia;
    • Febre;
    • Excesso de suor;
    • Baixa ingestão de líquidos.

    Quando o organismo perde muito líquido, o volume de sangue circulante diminui e a pressão pode cair.

    2. Hipotensão ortostática

    Algumas pessoas apresentam queda da pressão ao mudar rapidamente de posição.

    Isso costuma acontecer ao passar da posição deitada ou sentada para a posição em pé.

    Os sintomas costumam ser:

    • Tontura;
    • Visão escurecida;
    • Sensação de fraqueza;
    • Desmaios em alguns casos.

    3. Medicamentos

    Diversos medicamentos podem reduzir a pressão arterial.

    Veja alguns:

    • Anti-hipertensivos;
    • Diuréticos;
    • Alguns antidepressivos;
    • Medicamentos para Parkinson;
    • Vasodilatadores.

    Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a dose ou reavaliar o tratamento.

    Quando a pressão baixa pode ser perigosa?

    A preocupação aumenta quando a queda da pressão compromete a circulação de órgãos vitais.

    Isso pode ocorrer em situações como:

    • Hemorragias;
    • Infecções graves (sepse);
    • Problemas cardíacos;
    • Reações alérgicas graves (anafilaxia);
    • Desidratação intensa.

    Nesses cenários, a pressão baixa pode ser um importante sinal de alerta.

    Choque: a forma mais grave de hipotensão

    O choque ocorre quando a circulação sanguínea se torna insuficiente para fornecer oxigênio adequado aos órgãos. Trata-se de uma emergência médica.

    Os sinais podem incluir:

    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Extremidades frias;
    • Respiração acelerada;
    • Queda importante da pressão arterial;
    • Diminuição da produção de urina;
    • Pele fria e pálida.

    Sem tratamento rápido, o choque pode levar à falência de órgãos.

    Pressão baixa em idosos merece mais atenção?

    Sim. Nos idosos, a hipotensão pode aumentar significativamente o risco de:

    • Quedas;
    • Fraturas;
    • Desmaios;
    • Traumatismos;
    • Internações.

    Além disso, pode ser consequência de doenças cardíacas, neurológicas ou do uso de múltiplos medicamentos. Por isso, quedas recorrentes de pressão nessa faixa etária merecem investigação.

    O que os médicos investigam?

    A avaliação depende da situação clínica e dos sintomas apresentados. Os médicos costumam investigar:

    • Histórico clínico;
    • Uso de medicamentos;
    • Episódios recentes de vômitos ou diarreia;
    • Doenças cardíacas;
    • Sinais de infecção;
    • Possíveis sangramentos.

    Entre os exames que podem ser solicitados estão:

    • Exames de sangue;
    • Eletrocardiograma;
    • Ecocardiograma;
    • Avaliação da função renal;
    • Exames de imagem quando indicados.

    O objetivo é identificar a causa da hipotensão e tratar o problema de base.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende diretamente da causa.

    1. Hidratação

    É uma das principais medidas quando a hipotensão está relacionada à perda de líquidos. Pode ser feita por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade.

    2. Ajuste de medicamentos

    Quando a pressão baixa está associada ao uso de remédios, pode ser necessário reavaliar doses ou esquemas terapêuticos.

    3. Tratamento da doença de base

    Em casos relacionados a infecções, sangramentos, problemas cardíacos e distúrbios hormonais, o tratamento da causa é fundamental para normalizar a pressão.

    O que fazer durante uma queda de pressão?

    Se a pessoa apresentar sintomas de hipotensão:

    • Sente-se ou deite-se imediatamente;
    • Eleve as pernas, se possível;
    • Afrouxe roupas apertadas;
    • Ofereça água, caso a pessoa esteja consciente;
    • Evite levantar-se rapidamente.

    Se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de gravidade, procure atendimento médico.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se a pressão baixa estiver associada a:

    • Desmaio;
    • Dor no peito;
    • Falta de ar;
    • Confusão mental;
    • Sangramento importante;
    • Fraqueza intensa;
    • Alteração do nível de consciência;
    • Palidez intensa.

    Esses sintomas podem indicar uma emergência médica.

    Confira: Isotônico ajuda na pressão baixa? Saiba quando funciona

    Perguntas frequentes sobre pressão baixa

    1. Pressão baixa sempre é perigosa?

    Não. Muitas pessoas têm pressão naturalmente baixa e permanecem completamente saudáveis.

    2. Qual o principal sintoma da pressão baixa?

    A tontura é um dos sintomas mais frequentes.

    3. Desidratação pode causar queda de pressão?

    Sim. A perda de líquidos é uma das causas mais comuns de hipotensão.

    4. Pressão baixa pode causar desmaio?

    Sim. Quando a circulação cerebral fica temporariamente reduzida, pode ocorrer perda de consciência.

    5. Idosos precisam de mais atenção?

    Sim. A hipotensão aumenta o risco de quedas, fraturas e outras complicações nessa faixa etária.

    6. Quando a pressão baixa é uma emergência?

    Quando está associada a sinais de choque, desmaio, dor no peito, falta de ar ou alteração do estado mental.

    7. O que fazer diante de uma queda de pressão?

    Sentar ou deitar a pessoa, elevar as pernas quando possível e procurar avaliação médica se os sintomas forem importantes ou persistentes.

    Veja também: Pressão alta: quando ir ao pronto-socorro?

  • Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Pessimismo ou depressão? Saiba identificar os sinais de distimia (e como tratar)

    Sabe aquela pessoa que está sempre de mau humor, reclama de tudo e parece enxergar o mundo sob uma lente cinzenta? No dia a dia, é normal rotular a postura como pessimismo ou temperamento difícil, mas o psiquiatra Luiz Dieckmann alerta que o comportamento pode indicar um quadro de distimia, também conhecido como transtorno depressivo persistente.

    A distimia é uma forma de depressão crônica leve que provoca uma sensação persistente de tristeza, desânimo e falta de energia, mesmo quando não existe um motivo claro para isso.

    Diferente dos episódios de depressão mais intensos, os sintomas costumam ser mais sutis e podem permanecer por anos, fazendo com que algumas pessoas acreditem que o jeito de pensar, sentir e agir faz parte da personalidade.

    E, apesar dos sinais mais leves, o quadro provoca um desgaste profundo na qualidade de vida, nos relacionamentos e no trabalho e precisa de atenção de um profissional da saúde.

    Afinal, o que é a distimia?

    A distimia é uma forma crônica de depressão em que a pessoa apresenta um um estado constante de desânimo, irritabilidade, baixa autoestima e falta de energia por longos períodos, normalmente por pelo menos dois anos.

    Como os sintomas não costumam ser tão paralisantes quanto os de um episódio de depressão maior, quem convive com distimia costuma acreditar que os sinais fazem parte da própria personalidade, e não de um transtorno que precisa de tratamento.

    “São pessoas que não tinham essa característica e passam a olhar o mundo de uma forma negativa, como se tudo fosse dar errado, nada fosse funcionar e tudo tendesse ao pior cenário possível”, explica Luiz.

    Qual a diferença entre pessimismo e distimia?

    O pessimismo é uma forma de enxergar as situações de maneira mais negativa, mas não é considerado um transtorno mental. Uma pessoa pessimista pode ter uma visão mais crítica da vida e, ainda assim, sentir prazer nas atividades do dia a dia, manter a energia, a autoestima e o funcionamento normal da rotina.

    A distimia, por outro lado, é um transtorno depressivo em que há um sofrimento emocional contínuo que a pessoa não consegue simplesmente mudar o pensamento para resolver. Ela costuma conviver com fadiga crônica, alterações no sono, oscilações no apetite, baixa autoestima profunda e uma incapacidade persistente de sentir alegria.

    “Nem todo pessimista está deprimido, mas pessoas muito pessimistas têm uma chance maior de serem diagnosticadas com um quadro depressivo leve, moderado ou mais grave. Portanto, vale sempre avaliar a situação”, esclarece o especialista.

    Principais sintomas de distimia

    Os sintomas da distimia costumam ser mais leves do que os da depressão maior, mas ainda afetam a qualidade de vida, sendo eles:

    • Tristeza ou desânimo frequente;
    • Mau humor e irritabilidade constante;
    • Visão negativa sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o futuro;
    • Baixa autoestima;
    • Falta de energia e cansaço persistente;
    • Dificuldade de concentração;
    • Falta de motivação para realizar atividades do dia a dia;
    • Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram agradáveis;
    • Sensação de incapacidade ou inadequação;
    • Alterações no sono, como dormir demais ou ter dificuldade para dormir;
    • Alterações no apetite, para mais ou para menos;
    • Sentimento frequente de desesperança.

    No quadro, os sintomas são persistentes e tendem a durar, pelo menos, dois anos.

    O que causa a distimia?

    A distimia é causada por uma série de fatores biológicos, genéticos, psicológicos e ambientais. Como é um transtorno crônico, ele é influenciado ao longo dos anos por diferentes experiências e condições que afetam a saúde mental.

    • Alterações químicas no cérebro: pessoas com distimia podem apresentar alterações em substâncias químicas do cérebro, como serotonina, noradrenalina e dopamina, que ajudam a regular o humor, o sono, o apetite, a motivação e os níveis de energia;
    • Fatores genéticos: ter pais, irmãos ou outros familiares próximos com histórico de depressão ou distimia pode aumentar o risco de desenvolver o transtorno. A genética influencia a forma como cada pessoa lida com o estresse e processa as emoções;
    • Estresse prolongado e experiências difíceis: passar por períodos longos de estresse, como problemas financeiros, conflitos familiares, pressão constante no trabalho ou a responsabilidade de cuidar de um familiar doente, pode favorecer o surgimento da condição;
    • Padrões de pensamento e características emocionais: baixa autoestima, autocrítica excessiva, necessidade constante de aprovação e dificuldade para lidar com frustrações podem tornar algumas pessoas mais vulneráveis ao desenvolvimento da distimia.

    Em muitos casos, a distimia começa de forma discreta ainda na infância ou na adolescência.

    Como é feito o diagnóstico de distimia?

    O diagnóstico de distimia é clínico, feito por um médico psiquiatra ou psicólogo, a partir de uma avaliação dos sintomas, histórico de vida e na duração da condição, normalmente seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

    Durante a consulta, o profissional busca entender há quanto tempo a pessoa apresenta sinais como tristeza persistente, irritabilidade, falta de energia, baixa autoestima e perda de interesse pelas atividades do dia a dia. Um dos critérios mais importantes é que os sintomas estejam presentes na maior parte do tempo por pelo menos dois anos em adultos.

    Além de confirmar o diagnóstico, a consulta também ajuda a identificar outras condições que podem estar associadas, como ansiedade e episódios de depressão maior, permitindo que o tratamento seja planejado de forma individualizada e mais eficaz.

    Como é feito o tratamento de distimia?

    Por ser uma condição de longa duração, o tratamento da distimia involves especialmente o uso de medicamentos, orientado pelo médico, e a terapia.

    Os medicamentos antidepressivos podem auxiliar no equilíbrio das substâncias químicas relacionadas à regulação das emoções, enquanto a psicoterapia ajuda a pessoa a entender os padrões de pensamento negativos, desenvolver medidas para lidar com as dificuldades do cotidiano e fortalecer a autoestima.

    Além do tratamento profissional, alguns hábitos também podem contribuir para o controle dos sintomas, como praticar atividade física regularmente, manter uma rotina de sono adequada, ter momentos de lazer, cultivar relações sociais saudáveis e evitar o consumo excessivo de álcool e outras substâncias.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quem tem distimia pode ter crises de depressão grave?

    Sim, acontece quando uma pessoa que já vive com o desânimo crônico da distimia passa por um período de piora severa, desenvolvendo um episódio de depressão maior.

    2. Como a distimia afeta a memória e a concentração?

    O cérebro sob o peso da distimia funciona em um ritmo de lentidão, o que prejudica as funções executivas, tornando comum que a pessoa se queixe de esquecimentos, mente “enevoada” e dificuldade de foco no trabalho.

    3. Quanto tempo dura o tratamento com remédios?

    Por ser uma doença crônica, o uso de antidepressivos costuma ser mantido por alguns anos e retirado de forma muito gradual pelo psiquiatra após a estabilização completa do paciente.

    4. Como ajudar um familiar que tem distimia?

    Evite frases motivacionais vazias como “reaja” ou “veja o lado bom”. Em vez disso, valide o cansaço dele, ofereça suporte prático em tarefas diárias e incentive, sem pressionar, a busca por uma consulta médica.

    5. A distimia pode surgir após a menopausa?

    O pico de surgimento costuma ser mais jovem, mas as oscilações hormonais da menopausa afetam diretamente o humor e podem, sim, atuar como um gatilho biológico para a manifestação tardia da distimia.

    6. Como diferenciar mau humor de distimia?

    O mau humor comum é passageiro e motivado por fatos. Na distimia, a irritabilidade e o desânimo são constantes e duram anos, sem um motivo aparente.

    7. Quem tem distimia consegue trabalhar normalmente?

    Sim, a pessoa normalmente continua funcional e cumpre suas obrigações, mas faz isso sob um esforço exaustivo e sem sentir prazer nas atividades.

    8. Exercício físico realmente ajuda no tratamento?

    Sim, a atividade física regular libera neurotransmissores como endorfina e dopamina, que combatem diretamente o cansaço crônico e melhoram o humor.

    Leia mais: Depressão pós-parto: conheça os sintomas e quando procurar ajuda