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  • HIIT: como funciona, benefícios e quem pode praticar no dia a dia

    HIIT: como funciona, benefícios e quem pode praticar no dia a dia

    Se você é uma pessoa que treina regularmente, já deve ter ouvido falar na modalidade HIIT, do inglês high-intensity interval training. A modalidade, também conhecida como treino intervalado de alta intensidade, consiste em alternar períodos curtos de esforço intenso e momentos de recuperação ativa ou em descanso.

    Na prática, a ideia é aumentar a frequência cardíaca durante os intervalos mais intensos, tornando o treino mais eficiente em um período menor de tempo. Uma vantagem é que o método pode ser aplicado em diferentes atividades físicas, como corrida, caminhada, ciclismo e até mesmo na musculação, podendo ser adaptado de acordo com as preferências e nível de condicionamento físico de cada pessoa.

    Como as sessões costumam ser mais curtas do que os treinos aeróbicos tradicionais, o HIIT se tornou uma alternativa interessante para pessoas que têm pouco tempo disponível para se exercitar, mas desejam melhorar o condicionamento físico e aumentar o gasto energético.

    Como funciona a modalidade HIIT?

    O HIIT funciona por meio da alternância entre períodos curtos de exercício em alta intensidade e momentos de recuperação. “O intervalo pode ser em movimento, chamado de ativo, ou totalmente parado, caracterizando-se como passivo”, explica o profissional de educação física Álvaro Menezes.

    A estrutura do treino pode variar de acordo com o objetivo, o condicionamento físico e a atividade escolhida, mas normalmente segue um padrão simples:

    • Aquecimento inicial de 5 a 10 minutos para preparar os músculos e o sistema cardiovascular;
    • Períodos curtos de esforço intenso, que costumam durar entre 20 segundos e 1 minuto;
    • Intervalos de recuperação ativa, com movimentos leves, ou recuperação passiva, em repouso;
    • Repetição dos ciclos de esforço e recuperação por várias séries ao longo da sessão;
    • Retorno gradual à calma ao final do treino, com redução da intensidade e alongamentos leves.

    Um exemplo prático seria realizar 30 segundos de corrida em alta velocidade seguidos por 30 segundos de caminhada, repetindo a sequência por 15 a 20 minutos. O mesmo modelo pode ser aplicado a exercícios como bicicleta, corda, agachamentos, polichinelos, burpees e movimentos funcionais.

    Benefícios do treino HIIT para a saúde

    Por combinar momentos de esforço intenso com períodos de recuperação, o HIIT estimula diferentes sistemas do organismo e pode contribuir para a saúde cardiovascular, metabólica e muscular. Entre alguns dos benefícios, é possível destacar:

    • Economia de tempo, já que treinos curtos podem trazer benefícios semelhantes aos de sessões mais longas de exercícios aeróbicos;
    • Melhora da saúde cardiovascular e da capacidade respiratória, fortalecendo o coração e tornando o corpo mais eficiente no uso do oxigênio;
    • Auxílio na redução da gordura corporal, incluindo a gordura visceral, que fica acumulada ao redor dos órgãos internos;
    • Preservação da massa muscular, especialmente quando o HIIT é combinado com exercícios de força e uma alimentação adequada;
    • Melhora da sensibilidade à insulina, ajudando o organismo a controlar melhor os níveis de açúcar no sangue;
    • Estímulo à produção de hormônios relacionados à recuperação muscular e ao metabolismo energético;
    • Versatilidade para treinar em diferentes ambientes, como academias, parques, ruas ou até mesmo em casa com exercícios usando apenas o peso do corpo.

    Como o HIIT exige um esforço intenso, ele deve respeitar o condicionamento físico de cada pessoa para ser mais seguro e oferecer melhores resultados a longo prazo.

    HIIT ou treino contínuo: o que a ciência diz sobre o gasto calórico e a adesão?

    Nos últimos anos, o HIIT se tornou popular por prometer resultados semelhantes ao treino contínuo de intensidade moderada, como caminhar, correr ou pedalar, mas em um período menor de treino.

    No entanto, um estudo publicado em 2026 na revista científica BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation comparou o HIIT com o treino contínuo de intensidade moderada e observou que os dois métodos tiveram resultados semelhantes na redução da gordura corporal e na manutenção da massa muscular.

    A principal diferença apareceu no condicionamento físico, em que o HIIT foi mais eficiente para melhorar a capacidade cardiorrespiratória, especialmente entre pessoas com obesidade e sedentárias. Isso significa que o organismo se torna mais eficiente para captar e utilizar oxigênio durante os exercícios.

    Em relação ao gasto calórico e ao emagrecimento, o HIIT pode trazer uma redução maior do índice de massa corporal (IMC) em pessoas com obesidade. No entanto, quando os pesquisadores analisaram o percentual de gordura corporal e a quantidade total de gordura, não encontraram diferenças significativas entre o HIIT e o treino contínuo.

    “Como os resultados foram semelhantes para melhoria da composição corporal, o ideal é adequar de acordo com o que mais proporcionar prazer ao praticante”, aponta Álvaro.

    Qualquer pessoa pode praticar HIIT ou existem contraindicações?

    Apesar do HIIT ser uma modalidade bastante adaptável, Álvaro ressalta que, assim como toda prática de exercícios físicos, é importante ter o aval médico antes de começar os treinos.

    Problemas ou dores nas articulações, como joelhos, coluna ou quadris, podem limitar a execução de determinados movimentos tradicionais do HIIT, que costumam envolver impacto. No entanto, se o treinador for qualificado e conseguir adaptar a tarefa, trocando exercícios de salto por movimentos de baixo impacto na bicicleta ou no elíptico, por exemplo, a pessoa pode treinar normalmente.

    No caso de pessoas com problemas cardíacos, uma avaliação médica prévia também é necessária para verificar se a modalidade é segura e adequada para cada situação. Como o HIIT demanda picos de esforço e eleva rapidamente a frequência cardíaca, pode ser necessário ajustar a intensidade dos exercícios ou optar por modalidades mais moderadas até que haja liberação médica.

    “Nós temos várias pesquisas, inclusive a mais recente (Wu e Wang, 2026) nos trouxe praticamente um ‘manual’ com doses ideais para treinar pessoas com doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca, mostrando que o HIIT pode ser utilizado com esse público para promover melhora do estado clínico com segurança”, esclarece o profissional.

    Qual é o tempo mínimo de treino HIIT por semana necessário para começar a ver resultados?

    O ideal é realizar cerca de 30 minutos de HIIT por sessão, pelo menos 3 vezes por semana. Para quem tem uma rotina mais corrida, porém, duas sessões semanais já podem ser suficientes para começar a perceber melhora no condicionamento físico e na disposição.

    Segundo Álvaro, o mais importante é manter a regularidade e aumentar a frequência sempre que possível, aliando a modalidade à prática de musculação.

    “Para quem é iniciante, sugiro ir com calma, 2 a 3x por semana é o ideal para ir se acostumando, de preferência, intercalando os dias para o corpo se recuperar. Após 8 a 12 semanas é possível pensar em aumentar algum dia a mais na rotina”, complementa o profissional.

    O HIIT pode ser adaptado para pessoas com sobrepeso ou obesidade?

    O HIIT pode ser adaptado para pessoas com sobrepeso ou obesidade, desde que o treino seja planejado de acordo com o condicionamento físico e as necessidades individuais.

    A modalidade não precisa incluir corridas, saltos ou movimentos de alto impacto: exercícios realizados na bicicleta ergométrica, no elíptico, na remoergômetro ou até mesmo caminhadas em ritmo acelerado podem ser usados para criar os intervalos de intensidade sem sobrecarregar as articulações.

    Em muitos casos, o ideal é começar com estímulos mais leves e aumentar a intensidade gradualmente, conforme o condicionamento melhora. “O importante é buscar motivação para que a adesão seja contínua”, finaliza o profissional.

    Veja também: Sem tempo para treinar? Veja como criar uma rotina de exercícios

    Perguntas frequentes

    1. O que é o método Tabata?

    É um dos protocolos de HIIT mais famosos do mundo. Ele consiste em 20 seconds de esforço total seguidos por 10 segundos de descanso, repetidos por 8 vezes (totalizando apenas 4 minutos).

    2. Preciso de equipamentos ou de academia para fazer HIIT?

    Não, o HIIT pode ser feito utilizando apenas o peso do próprio corpo (com burpees, polichinelos e corridas no lugar), sendo perfeito para fazer em casa ou ao ar livre.

    3. Como saber se estou realmente na intensidade do HIIT?

    Durante o momento de esforço, você deve sentir que está quase no seu limite (zona de esforço de 8 a 10 em uma escala de 1 a 10). Deve ser difícil falar uma frase completa sem perder o fôlego.

    4. É recomendado fazer HIIT em jejum?

    Como o HIIT exige esforço máximo, o corpo precisa de energia rápida (carboidrato) para atingir a intensidade necessária. Treinar em jejum no HIIT pode causar tonturas, queda de rendimento e perda de massa muscular.

    5. Qual é a diferença entre HIIT e crossfit?

    O HIIT é uma metodologia de treino intervalado focada na frequência cardíaca. O crossfit é uma modalidade esportiva que mistura esse cardio com levantamento de peso olímpico, ginástica e foca em capacidades como força e potência. O crossfit usa o HIIT em suas rotinas, mas não é apenas isso.

    6. O que comer antes de um treino HIIT?

    O ideal é consumir uma fonte de carboidrato de fácil digestão, como uma banana com aveia, uma torrada com geleia ou um suco de frutas, cerca de 30 a 60 minutos antes do treino. Evite refeições pesadas, ricas em gorduras ou fibras, para não ter desconforto estomacal.

    Confira: 7 benefícios do pilates para quem faz musculação e outras atividades (e a frequência ideal)

  • Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    Ginecologia regenerativa: como os novos tratamentos devolvem o bem-estar íntimo? 

    A ginecologia regenerativa, também conhecida como ginecologia íntima funcional, é uma área da medicina que usa tecnologias e procedimentos minimamente invasivos para estimular a recuperação, a renovação e o funcionamento saudável dos tecidos da região íntima feminina.

    Por meio de tecnologias modernas, os tratamentos ajudam a recuperar a elasticidade, a hidratação e a lubrificação natural da região íntima, contribuindo para mais conforto no dia a dia, bem-estar e qualidade de vida.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, os tratamentos podem ajudar mulheres que convivem com sintomas como ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais e até alguns casos de incontinência urinária leve.

    Vale destacar que a área não tem como foco principal a estética, mas a recuperação de funções que podem ser prejudicadas pelo envelhecimento, pelas mudanças hormonais da menopausa, pela gestação, pelo parto e por outros fatores que afetam a saúde íntima ao longo da vida.

    Como funciona a ginecologia regenerativa?

    A ginecologia regenerativa funciona estimulando a capacidade natural do próprio corpo de recuperar e renovar os tecidos da região íntima. Com o envelhecimento ou a queda na produção de hormônio, como o estrogênio, as paredes da vagina e da vulva passam por um processo de atrofia, em que ficam mais finas, perdem colágeno, elastina e capacidade de lubrificação.

    Para reverter o quadro, Andreia esclarece que os tratamentos utilizam o princípio de lesão e reparação. Através de tecnologias físicas ou materiais específicos, o médico realiza estímulos ou microlesões controladas na mucosa vaginal ou na pele da região íntima. O organismo entende que aquela área precisa ser reparada e ativa uma série de mecanismos naturais de regeneração.

    Como resposta, ocorre um aumento da produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação, elasticidade e firmeza dos tecidos. Também há melhora da circulação sanguínea local e da hidratação da mucosa, o que contribui para restaurar parte das características perdidas ao longo do tempo.

    Quando a ginecologia regenerativa é indicada?

    A ginecologia regenerativa é indicada principalmente para mulheres que convivem com:

    • Ressecamento vaginal intenso, com redução da lubrificação natural, coceira, irritação e desconforto no dia a dia;
    • Dor ou desconforto durante as relações sexuais devido à perda de elasticidade e ao afinamento das paredes vaginais;
    • Síndrome geniturinária da menopausa, que reúne sintomas vaginais e urinários relacionados à queda do estrogênio;
    • Incontinência urinária leve, com pequenos escapes de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforços;
    • Infecções urinárias de repetição;
    • Candidíase recorrente;
    • Desconfortos no pós-parto, especialmente em mulheres que estão amamentando;
    • Ressecamento vaginal associado ao uso de anticoncepcionais hormonais;
    • Flacidez e perda de volume dos grandes lábios, que podem causar atrito, ferimentos e dor;
    • Incômodo íntimo durante a prática de atividades físicas, como ciclismo e equitação.

    Vale destacar que, embora o tratamento também melhore a aparência externa da região íntima, a indicação médica sempre prioriza a melhora dos sintomas e a qualidade de vida da paciente.

    Quais são os tratamentos mais comuns?

    Segundo Andreia, os tratamentos mais comuns realizados no consultório são:

    1. Laser vaginal

    O laser vaginal é uma das tecnologias mais utilizadas na ginecologia regenerativa e promove um aquecimento controlado dos tecidos, estimulando a renovação celular, a produção de colágeno e a melhora da lubrificação natural da vagina.

    2. Radiofrequência

    A radiofrequência utiliza ondas eletromagnéticas para aquecer as camadas mais profundas dos tecidos sem causar danos à superfície. A técnica é indicada para melhorar a flacidez, aumentar a elasticidade vaginal e auxiliar no tratamento da incontinência urinária leve.

    3. HIFU (Ultrassom Microfocado)

    O ultrassom microfocado de alta intensidade, conhecido como HIFU, atua nas camadas mais profundas dos tecidos íntimos. O tratamento é especialmente indicado para fortalecer as estruturas que sustentam a uretra e a bexiga, contribuindo para o controle de perdas urinárias.

    4. Fios de PDO

    Os fios de PDO (polidioxanona) são materiais biodegradáveis utilizados para promover a sustentação dos tecidos. Na ginecologia regenerativa, podem ser aplicados para melhorar a flacidez da vulva e reforçar estruturas relacionadas ao suporte da uretra.

    5. Preenchimento com ácido hialurônico

    O preenchimento com ácido hialurônico é indicado para recuperar o volume dos grandes lábios genitais. Além da melhora estética, o procedimento ajuda a proteger a região íntima contra atritos, desconfortos e pequenas lesões.

    6. Estrogenização vaginal local

    A estrogenização vaginal local costuma ser uma das primeiras opções de tratamento para mulheres que apresentam sintomas relacionados à queda do estrogênio. O hormônio é aplicado diretamente na vagina, por meio de cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, promovendo hidratação, elasticidade e recuperação da mucosa local.

    Quando os procedimentos são contraindicados?

    Apesar de serem procedimentos considerados seguros e minimamente invasivos, realizados geralmente em consultório, existem algumas contraindicações que variam de acordo com a técnica escolhida.

    Mulheres com doenças autoimunes ou doenças do colágeno, como o lúpus, precisam de uma avaliação cuidadosa, pois há risco de o organismo rejeitar o produto ou desencadear uma crise da doença. Isso vale especialmente quando o tratamento envolve materiais injetáveis, como fios de PDO, ácido hialurônico ou bioestimuladores.

    A presença de próteses metálicas na região pélvica ou o uso de DIU de cobre ou prata também podem limitar a utilização de algumas tecnologias que funcionam por meio de energia física, como determinados tipos de radiofrequência.

    Além disso, os procedimentos não devem ser realizados quando a paciente apresenta uma infecção genital ativa, como candidíase, vaginose bacteriana ou herpes, já que o tratamento pode agravar o quadro ou prejudicar a recuperação da região.

    Durante a gravidez, por questão de segurança, as tecnologias físicas e os procedimentos injetáveis também não são recomendados.

    Confira: Perimenopausa: o que é, quais são os sintomas e em que idade a fase começa

    Perguntas frequentes

    1. Qual é a diferença entre ginecologia regenerativa e estética íntima?

    A ginecologia regenerativa foca na função, como melhorar o ressecamento, a dor e a perda urinária. A estética íntima foca apenas na aparência. Na regenerativa, a melhora estética é apenas uma consequência positiva.

    2. Quantas sessões são necessárias?

    Normalmente, o protocolo inicial varia de 2 a 4 sessões, realizadas com intervalos de 30 a 45 dias entre elas. O número exato depende da tecnologia escolhida e da gravidade dos sintomas.

    3. Quanto tempo dura o resultado?

    Os resultados costumam durar de 12 a 18 meses. Como o envelhecimento do corpo continua, é recomendado fazer uma sessão de manutenção uma vez por ano.

    4. Mulheres jovens também podem fazer?

    Sim, é indicada para jovens que sofrem com dores na relação devido ao uso prolongado de anticoncepcionais, mulheres no pós-parto (amamentação) ou atletas que sofrem com atrito e dor na vulva.

    5. Quanto tempo depois do parto posso fazer?

    Em geral, o recomendado é aguardar cerca de 60 dias após o parto para que o corpo se recupere fisicamente. O tratamento é seguro e não interfere na amamentação.

    6. Quanto tempo preciso ficar sem ter relações sexuais?

    O recomendado é aguardar de 3 a 7 dias sem relações sexuais após o procedimento, dependendo da tecnologia utilizada (especialmente no caso de lasers ablativos), para permitir a cicatrização do tecido.

    7. O laser vaginal pode causar queimaduras?

    Se for realizado por um médico ginecologista devidamente capacitado, o risco é mínimo. Os aparelhos são regulados com parâmetros de energia específicos e seguros para a mucosa vaginal.

    Veja também: Reposição hormonal na menopausa: benefícios e riscos

  • TDAH em adultos: por que o transtorno pode passar anos sem diagnóstico?

    TDAH em adultos: por que o transtorno pode passar anos sem diagnóstico?

    O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH, é um distúrbio de neurodesenvolvimento que acomete entre 2.5% e 3% da população adulta mundial. No Brasil, cerca de 2 milhões de adultos convivem com a condição, que por muito tempo foi considerada um transtorno da infância e da adolescência.

    Como já sabemos que o transtorno tem origem genética e está presente desde o nascimento, os sintomas acompanham a pessoa desde os primeiros anos de vida. Para pessoas que passam anos sem o diagnóstico, os sinais podem passar despercebidos ou ser interpretados como características da personalidade, falta de disciplina, distração excessiva ou até mesmo desinteresse pelas atividades do dia a dia.

    “Existe um grupo de pessoas com TDAH que passa anos sem diagnóstico ou, quando tem seu diagnóstico, ele é invalidado por todo mundo: ‘não, não existia nada de TDAH’. Isso acontece especialmente em meninas”, explica a neuropediatra Bárbara Macedo.

    O que é o TDAH e por que ele pode passar despercebido?

    O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta funções importantes do cérebro relacionadas à atenção, ao planejamento, ao controle dos impulsos e à organização das tarefas do dia a dia.

    Apesar de normalmente associado a imagem de uma criança inquieta que não consegue se concentrar, o transtorno pode se manifestar de diferentes maneiras, atrasando o diagnóstico durante anos.

    O predomínio do tipo desatento

    O TDAH é dividido em três apresentações principais: predominantemente hiperativa/impulsiva, predominantemente desatenta e combinada. Quando a pessoa apresenta a forma desatenta, os sintomas normalmente não envolvem a agitação física clássica associada ao transtorno.

    As dificuldades costumam estar mais relacionadas à falta de foco, aos esquecimentos frequentes, à desorganização e aos problemas para concluir tarefas e administrar o tempo.

    No ambiente escolar, por exemplo, Bárbara explica que a criança costuma ficar no “mundo da lua”. Como ela não gera indisciplina, não atrapalha os professores e nem incomoda os colegas, a falta de atenção e o sofrimento passam completamente despercebidos.

    De acordo com pesquisas, o diagnóstico tardio acontece especialmente em meninas, porque elas frequentemente apresentam predominância de desatenção em vez de hiperatividade física. A hiperatividade nelas muitas vezes é mental (pensamentos acelerados e ansiedade), o que torna a condição invisível aos olhos de pais e educadores.

    Mecanismos de mascaramento (masking)

    O masking, também conhecido como camuflagem social, é um mecanismo de defesa e enfrentamento desenvolvido por pessoas neurodivergentes, normalmente de maneira inconsciente, para esconder ou compensar as dificuldades causadas pelo transtorno no dia a dia.

    Para evitar erros, esquecimentos ou críticas, por exemplo, é comum criar rotinas extremamente rígidas, usar listas para tudo, programar diversos alarmes no celular ou dedicar muito mais tempo do que o necessário para concluir tarefas.

    Apesar de contribuir para reduzir os impactos dos sintomas na rotina, o esforço constante pode levar ao esgotamento físico e mental, aumentando o risco de Burnout, ansiedade crônica, depressão e baixa autoestima.

    Principais sinais de TDAH em adultos

    Na vida adulta, os sintomas de TDAH se manifestam de forma muito mais interna e comportamental, como:

    • Desorganização frequente e dificuldade para manter a rotina em ordem;
    • Esquecimento de compromissos, prazos e objetos do dia a dia;
    • Tendência a adiar tarefas, principalmente as mais longas ou burocráticas;
    • Dificuldade para começar atividades, mesmo quando elas são importantes;
    • Sensação de mente acelerada e pensamentos constantes;
    • Impulsividade em decisões, compras ou durante conversas;
    • Facilidade para se distrair com estímulos externos ou com os próprios pensamentos;
    • Dificuldade para manter a atenção em tarefas que exigem concentração prolongada;
    • Episódios de hiperfoco, passando horas concentrado em algo de grande interesse;
    • Irritabilidade e baixa tolerância a frustrações do cotidiano;
    • Oscilações emocionais e sensação frequente de não estar rendendo o próprio potential;
    • Cansaço mental causado pelo esforço constante para se organizar e manter o foco.

    Consequências do TDAH não tratado ao longo da vida

    Quando o TDAH não é tratado ao longo da vida, a pessoa acumula uma série de prejuízos emocionais, sociais e profissionais, como:

    1. Ansiedade, depressão e baixa autoestima

    Ao longo dos anos, quando o rendimento escolar ou profissional fica abaixo do esperado, a pessoa é frequentemente chamada de desatenta, incapaz ou preguiçosa. O esforço exaustivo para mascarar os sintomas e tentar se adequar ao padrão neurotípico também pode evoluir para quadros graves de ansiedade generalizada, depressão crônica e burnout.

    2. Impacto na vida profissional e acadêmica

    A falta de tratamento compromete diretamente a capacidade de gerenciar prazos, focar em tarefas longas e manter a organização. Na vida adulta, as pessoas com TDAH têm maior probabilidade de mudar de emprego frequentemente, pedir demissão por impulso ou serem demitidos devido a erros por distração e atrasos crônicos.

    Também é comum encontrar pessoas extremamente inteligentes que não conseguem progredir na carreira ou que abandonaram a faculdade porque o modelo tradicional de ensino ou trabalho demanda uma atenção sustentada que o cérebro delas não consegue manter sem suporte.

    3. Problemas em relacionamentos afetivos e familiares

    Dificuldades com organização, gerenciamento do tempo, atenção e impulsividade são sintomas que podem causar situações que são frequentemente interpretadas pelos outros como falta de interesse, descuido ou irresponsabilidade.

    Seja na família ou em relacionamentos, esquecer compromissos, interromper conversas, ter dificuldade para ouvir com atenção ou não cumprir tarefas combinadas podem causar conflitos e frustrações, afetando a comunicação e a convivência.

    Como é feito o diagnóstico na vida adulta?

    Como não existem exames de sangue, de imagem ou mapeamentos cerebrais que podem diagnosticar o TDAH, é necessário uma avaliação cuidadosa de um profissional de saúde mental especializado, a partir de etapas como:

    • Investigação do histórico desde a infância: como o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento, os primeiros sintomas precisam ter surgido ainda na infância, normalmente antes dos 12 anos de idade, mesmo que não tenham sido reconhecidos ou tenham sido mascarados naquele período;
    • Entrevista clínica detalhada: o médico ou psicólogo avalia o histórico do paciente e utiliza questionários específicos para entender a frequência, a intensidade e o impacto dos sintomas na rotina atual;
    • Análise dos prejuízos no dia a dia: para confirmar o diagnóstico, os sintomas precisam causar dificuldades significativas em diferentes áreas da vida, como trabalho, estudos, relacionamentos ou organização da rotina;
    • Avaliação neuropsicológica: embora não seja obrigatória em todos os casos, pode ser recomendada para analisar funções cognitivas como atenção, memória, planejamento, controle dos impulsos e outras habilidades executivas.

    O profissional também investiga outras condições que podem causar sintomas semelhantes, como ansiedade, depressão, burnout, distúrbios do sono ou alterações hormonais.

    Opções de tratamento para o TDAH em adultos

    O tratamento ideal para o TDAH na vida adulta combina diferentes medidas para reduzir os sintomas e melhorar a qualidade de vida, o que envolve especialmente:

    • Uso de medicamentos, que ajudam a regular os neurotransmissores no cérebro, principalmente a dopamina e a noradrenalina;
    • Terapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que ajuda a pessoa a lidar com os comportamentos moldados por anos sem diagnóstico.

    Também é importante adotar pequenos ajustes no dia a dia, como a prática regular de atividade física, bons hábitos de sono e o uso de ferramentas de apoio (agendas, aplicativos de lembretes, alarmes e listas de tarefas).

    Com o tempo, as estratégias ajudam a melhorar o foco, a organização e a gestão da rotina, reduzindo os impactos do transtorno nas atividades diárias, no trabalho e nos relacionamentos.

    Leia mais: TDAH em adultos: 7 dicas para viver com mais foco

    Perguntas frequentes

    1. O que causa o TDAH?

    O TDAH tem causa multifatorial, com forte base genética e neurológica. Segundo estudos, os fatores hereditários respondem por cerca de 80% dos casos, além de alterações na regulação de neurotransmissores como a dopamina.

    2. TDAH tem cura?

    Não, o TDAH é uma condição crônica do neurodesenvolvimento e não tem cura. No entanto, com o tratamento adequado, é perfeitamente possível controlar os sintomas e ter excelente qualidade de vida.

    3. Qual médico procurar para investigar o TDAH?

    O ideal é agendar uma consulta com um psiquiatra ou um neurologista, profissionais responsáveis por realizar a avaliação clínica, fechar o diagnóstico e prescrever medicamentos, se necessário.

    4. O TDAH pode surgir apenas na idade adulta?

    Não. Por ser um transtorno do neurodesenvolvimento, os sintomas obrigatoriamente começam na infância, antes dos 12 anos.

    5. Todo mundo que tem TDAH precisa tomar remédio?

    Não necessariamente. O uso de medicamentos depende da intensidade dos sintomas e do nível de prejuízo na vida da pessoa.

    6. Quem tem TDAH têm inteligência abaixo da média?

    Não, isso é um mito. O TDAH não afeta a capacidade intelectual do indivíduo, apenas altera apenas a habilidade do cérebro de gerenciar a atenção, o foco e a execução de tarefas cotidianas.

    7. O TDAH pode melhorar com a idade?

    Os sintomas de hiperatividade física tendem a diminuir ou se transformar em inquietude mental com o passar dos anos. No entanto, os desafios com desatenção, foco e memória de trabalho costumam persistir ao longo de toda a vida adulta.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

  • Pneumonia em idosos: sintomas podem ser diferentes e atrasar o diagnóstico 

    Pneumonia em idosos: sintomas podem ser diferentes e atrasar o diagnóstico 

    A pneumonia é uma infecção que afeta os pulmões e representa uma das principais causas de hospitalização e complicações em pessoas idosas.

    Ela pode acontecer em qualquer idade, mas o envelhecimento traz alterações naturais do sistema imunológico e da função respiratória que aumentam a vulnerabilidade às infecções pulmonares.

    Além disso, os sintomas nem sempre são os mesmos observados em adultos jovens, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.

    Reconhecer os sinais precocemente é extremamente importante para reduzir o risco de complicações.

    O que é pneumonia?

    A pneumonia ocorre quando microrganismos infectam os pulmões e provocam inflamação dos alvéolos, pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas.

    Durante a infecção, esses alvéolos podem ficar preenchidos por secreções e células inflamatórias, dificultando a passagem do oxigênio para o sangue.

    Dependendo da extensão do acometimento, a doença pode variar de quadros leves a situações potencialmente graves.

    Por que idosos têm mais risco de pneumonia?

    Com o envelhecimento, diversas mudanças fisiológicas aumentam a suscetibilidade às infecções respiratórias.

    Entre elas estão:

    • Redução da eficiência do sistema imunológico;
    • Menor capacidade de eliminar secreções das vias respiratórias;
    • Redução da força muscular respiratória;
    • Presença de doenças crônicas;
    • Maior risco de aspiração de alimentos, líquidos ou saliva.

    Esses fatores facilitam tanto o surgimento da pneumonia quanto o desenvolvimento de complicações.

    Quais são as principais causas de pneumonia em idosos?

    A pneumonia pode ser causada por diferentes tipos de microrganismos ou situações que favorecem a infecção pulmonar.

    1. Bactérias

    As bactérias estão entre as causas mais frequentes.

    O principal agente é o Streptococcus pneumoniae, conhecido popularmente como pneumococo.

    Outras bactérias também podem estar envolvidas, especialmente em idosos com doenças crônicas ou que tiveram contato recente com serviços de saúde.

    2. Vírus

    Diversos vírus respiratórios podem causar pneumonia, incluindo:

    • Influenza (gripe);
    • Vírus sincicial respiratório (VSR);
    • SARS-CoV-2 (covid-19);
    • Metapneumovírus;
    • Outros vírus respiratórios sazonais.

    Em muitos casos, infecções virais podem abrir caminho para infecções bacterianas secundárias.

    3. Pneumonia aspirativa

    Idosos com alterações da deglutição apresentam maior risco de aspirar alimentos, líquidos ou saliva para os pulmões.

    Essa situação favorece o desenvolvimento da chamada pneumonia aspirativa, especialmente em pessoas com doenças neurológicas, demência ou sequelas de AVC.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Os sintomas clássicos da pneumonia incluem:

    • Tosse;
    • Febre;
    • Falta de ar;
    • Produção de catarro;
    • Dor no peito ao respirar;
    • Cansaço importante.

    Entretanto, em idosos, os sinais podem ser diferentes e menos evidentes.

    Pneumonia em idosos pode ocorrer sem febre?

    Sim. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, idosos podem desenvolver pneumonia sem apresentar febre alta. Isso acontece porque o envelhecimento pode alterar a resposta inflamatória do organismo.

    Em alguns casos, a febre é discreta ou sequer está presente. Por esse motivo, a ausência de febre não exclui a possibilidade de pneumonia.

    Sintomas que podem ser diferentes nos idosos

    Além dos sintomas respiratórios tradicionais, a pneumonia em idosos pode provocar manifestações menos específicas.

    Entre elas:

    • Confusão mental;
    • Sonolência excessiva;
    • Fraqueza importante;
    • Quedas sem explicação aparente;
    • Redução do apetite;
    • Piora repentina do estado geral;
    • Diminuição da disposição para atividades habituais.

    Em algumas situações, esses sintomas podem ser os primeiros sinais da infecção.

    Quando a pneumonia pode ser grave?

    A pneumonia pode se tornar mais grave quando compromete significativamente a capacidade de oxigenação do organismo.

    Alguns sinais de gravidade incluem:

    • Falta de ar importante;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Respiração acelerada;
    • Confusão mental intensa;
    • Pressão arterial baixa;
    • Infecção disseminada (sepse).

    Idosos com doenças cardíacas, pulmonares, renais ou neurológicas apresentam maior risco de evolução desfavorável.

    Como os médicos fazem o diagnóstico?

    O diagnóstico costuma envolver a combinação da avaliação clínica com exames complementares.

    1. Avaliação clínica

    O médico investiga os sintomas, realiza exame físico e avalia sinais de comprometimento respiratório.

    2. Radiografia de tórax

    É um dos exames mais utilizados para confirmar a presença de áreas inflamadas ou infectadas nos pulmões.

    3. Exames laboratoriais

    Podem ajudar a identificar sinais de infecção, avaliar a gravidade do quadro e orientar o tratamento. Em alguns casos, outros exames de imagem ou testes microbiológicos também podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa da pneumonia e da gravidade dos sintomas.

    Pode incluir:

    • Antibióticos, quando a infecção é bacteriana;
    • Hidratação adequada;
    • Controle da febre e do desconforto;
    • Oxigenoterapia quando necessária;
    • Fisioterapia respiratória em casos selecionados.

    Pacientes com quadros mais graves podem necessitar de internação hospitalar para monitorização e suporte intensivo.

    Como prevenir a pneumonia em idosos?

    Algumas medidas ajudam a reduzir significativamente o risco da doença.

    1. Manter a vacinação em dia

    As vacinas contra gripe, pneumococo e outras doenças respiratórias reduzem o risco de infecções graves.

    2. Controlar doenças crônicas

    Pressão alta, diabetes, insuficiência cardíaca e doenças pulmonares devem permanecer bem controladas.

    3. Higienizar as mãos regularmente

    Essa medida simples reduz a transmissão de diversos microrganismos.

    4. Avaliar dificuldades para engolir

    Pacientes com engasgos frequentes ou problemas de deglutição podem precisar de avaliação especializada.

    5. Manter atividade física e boa alimentação

    Esses fatores contribuem para a manutenção da imunidade e da função respiratória.

    Quando procurar atendimento médico?

    Procure avaliação médica se o idoso apresentar:

    • Falta de ar;
    • Tosse persistente;
    • Febre;
    • Confusão mental súbita;
    • Sonolência excessiva;
    • Queda da saturação de oxigênio;
    • Piora rápida do estado geral.

    Quanto mais cedo a pneumonia for diagnosticada e tratada, menores tendem a ser os riscos de complicações.

    Confira: Pneumonia por pneumococo: o que é e quando suspeitar dessa bactéria

    Perguntas frequentes sobre pneumonia em idosos

    1. Pneumonia em idosos sempre causa febre?

    Não. Em muitos casos, a febre pode ser discreta ou até estar ausente.

    2. Confusão mental pode ser sinal de pneumonia?

    Sim. Em idosos, a confusão mental pode ser um dos primeiros sintomas da infecção.

    3. Qual a principal causa de pneumonia nessa faixa etária?

    As infecções bacterianas, especialmente pelo pneumococo, estão entre as causas mais comuns.

    4. Todo idoso com pneumonia precisa internar?

    Não. A necessidade de internação depende da gravidade do quadro e das condições clínicas do paciente.

    5. A vacina ajuda a prevenir?

    Sim. A vacinação reduz o risco de pneumonia e de complicações associadas.

    6. Pneumonia pode ser grave?

    Sim. Especialmente em idosos com outras doenças ou fragilidade clínica.

    7. Quando procurar atendimento urgente?

    Quando houver falta de ar, confusão mental, queda da oxigenação ou piora rápida do estado geral.

    Veja também: 7 sintomas que mostram que a gripe evoluiu para pneumonia (e quando ir ao médico)

  • Voz rouca há semanas? Saiba quando procurar avaliação médica

    Voz rouca há semanas? Saiba quando procurar avaliação médica

    A rouquidão é uma alteração da voz que pode deixá-la mais áspera, fraca, abafada ou com falhas. Na maioria das vezes, ela surge após gripes, resfriados ou períodos de uso intenso da voz e melhora espontaneamente em poucos dias.

    No entanto, quando a rouquidão persiste por várias semanas, especialmente sem uma causa aparente, é importante procurar avaliação médica.

    Embora muitas causas sejam benignas, algumas doenças mais importantes podem se manifestar inicialmente apenas por alterações da voz.

    O que causa a rouquidão?

    A voz é produzida pelas cordas vocais, estruturas localizadas na laringe.

    Qualquer condição que provoque inflamação, irritação, inchaço ou alteração do movimento dessas estruturas pode causar rouquidão.

    A alteração pode variar desde uma leve mudança no timbre até perda importante da qualidade vocal.

    Principais causas de rouquidão temporária

    As causas mais comuns incluem:

    • Gripes e resfriados;
    • Laringites virais;
    • Uso excessivo da voz;
    • Gritar ou falar por longos períodos;
    • Irritação causada por fumaça;
    • Exposição a ambientes muito secos.

    Nessas situações, a melhora costuma ocorrer espontaneamente em alguns dias ou semanas.

    Quando a rouquidão é considerada persistente?

    De forma geral, considera-se que a rouquidão merece investigação quando:

    • Dura mais de duas a quatro semanas;
    • Não apresenta melhora progressiva;
    • Surge sem uma causa evidente;
    • Retorna repetidamente.

    Atualmente, diversas sociedades médicas recomendam avaliação especializada quando a alteração vocal persiste por mais de quatro semanas.

    Refluxo pode causar rouquidão?

    Sim. O refluxo laringofaríngeo é uma das causas mais comuns de rouquidão crônica.

    Nesse quadro, pequenas quantidades de conteúdo do estômago alcançam a região da laringe, provocando irritação persistente.

    Além da alteração da voz, podem surgir:

    • Pigarro frequente;
    • Sensação de algo preso na garganta;
    • Tosse seca persistente;
    • Necessidade constante de limpar a garganta.

    Muitas pessoas com refluxo laringofaríngeo não apresentam azia, o que pode dificultar o reconhecimento do problema.

    Uso excessivo da voz pode provocar lesões?

    Sim. Pessoas que utilizam a voz intensamente têm maior risco de desenvolver alterações nas cordas vocais.

    Entre os grupos mais afetados estão:

    • Professores;
    • Cantores;
    • Locutores;
    • Palestrantes;
    • Operadores de telemarketing.

    O esforço vocal repetitivo pode favorecer o surgimento de:

    • Nódulos vocais;
    • Pólipos;
    • Edema das cordas vocais;
    • Lesões inflamatórias crônicas.

    Tabagismo e rouquidão

    O cigarro é uma das principais causas de irritação crônica da laringe.

    Além de provocar inflamação persistente, o tabagismo aumenta significativamente o risco de:

    • Lesões pré-cancerosas;
    • Câncer de laringe;
    • Alterações permanentes da voz.

    Por esse motivo, fumantes que apresentam rouquidão persistente devem procurar avaliação médica sem demora.

    Quando a rouquidão pode indicar algo mais sério?

    Alguns sinais de alerta merecem investigação mais rápida.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Rouquidão persistente por mais de quatro semanas;
    • Dificuldade para engolir;
    • Dor ao engolir;
    • Falta de ar;
    • Tosse com sangue;
    • Dor persistente na garganta;
    • Perda de peso sem explicação;
    • Caroços no pescoço.

    A presença desses sintomas não significa necessariamente uma doença grave, mas aumenta a necessidade de investigação.

    Câncer de laringe pode causar rouquidão?

    Sim. A rouquidão persistente é um dos sintomas mais frequentes do câncer de laringe.

    O risco é maior em:

    • Fumantes;
    • Pessoas que consomem álcool em excesso;
    • Indivíduos acima dos 40 anos;
    • Pessoas com exposição prolongada ao tabaco.

    Apesar disso, é importante lembrar que a maioria dos casos de rouquidão persistente não está relacionada ao câncer.

    Ainda assim, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

    Como é feita a investigação?

    A avaliação geralmente começa com uma consulta médica detalhada.

    O profissional irá analisar:

    • Tempo de duração dos sintomas;
    • Hábitos vocais;
    • Histórico de tabagismo;
    • Presença de refluxo;
    • Sintomas associados.

    O principal exame utilizado é a laringoscopia.

    Laringoscopia

    A laringoscopia permite visualizar diretamente a laringe e as cordas vocais.

    Com esse exame, é possível identificar:

    • Inflamações;
    • Nódulos;
    • Pólipos;
    • Paralisias das cordas vocais;
    • Tumores.

    Dependendo dos achados, outros exames podem ser necessários.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    As opções podem incluir:

    • Repouso vocal;
    • Tratamento do refluxo;
    • Fonoaudiologia;
    • Suspensão do tabagismo;
    • Controle de alergias;
    • Cirurgia em casos específicos.

    O tratamento adequado costuma proporcionar melhora importante da qualidade vocal.

    Como proteger a voz?

    Algumas medidas simples ajudam a prevenir problemas vocais:

    • Manter boa hidratação;
    • Evitar gritar frequentemente;
    • Fazer pausas durante uso prolongado da voz;
    • Não fumar;
    • Tratar refluxo quando presente;
    • Evitar pigarrear repetidamente.

    Esses cuidados são especialmente importantes para profissionais que dependem da voz no trabalho.

    Quando procurar atendimento médico?

    É recomendável procurar avaliação médica quando:

    • A rouquidão dura mais de duas a quatro semanas;
    • Existe piora progressiva da voz;
    • Há dificuldade para engolir;
    • Surgem falta de ar ou dor;
    • A pessoa é fumante e apresenta alteração persistente da voz.

    A investigação precoce ajuda a identificar tanto causas benignas quanto condições que exigem tratamento específico.

    Veja mais: Riscos do HPV e como a vacina protege contra câncer

    Perguntas frequentes sobre rouquidão persistente

    1. Rouquidão após gripe é normal?

    Sim. É comum que a voz permaneça alterada por alguns dias após infecções respiratórias.

    2. Quanto tempo de rouquidão merece investigação?

    Em geral, alterações que persistem por mais de duas a quatro semanas devem ser avaliadas.

    3. Refluxo pode causar alteração da voz?

    Sim. O refluxo laringofaríngeo é uma das causas mais frequentes de rouquidão crônica.

    4. Fumar aumenta o risco de rouquidão?

    Sim. O tabagismo causa irritação da laringe e aumenta o risco de doenças mais graves.

    5. Toda rouquidão persistente é câncer?

    Não. A maioria dos casos está relacionada a causas benignas, como refluxo ou uso excessivo da voz.

    6. Qual exame avalia as cordas vocais?

    A laringoscopia é o principal exame para avaliação direta das cordas vocais.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando a rouquidão persiste por semanas ou está associada a sintomas como dificuldade para engolir, falta de ar ou perda de peso.

    Veja também: Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

  • Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Insônia: por que dormir mal afeta corpo e mente 

    Dormir virou quase um luxo nos dias de hoje. Entre o celular que não para de apitar, o trabalho que invade a madrugada e a cabeça que não desliga, muita gente já nem lembra como é acordar descansado. Mas o problema vai além do cansaço. A privação de sono pode desencadear problemas físicos, emocionais e até mesmo transtornos como a depressão.

    Hoje, estima-se que 72% dos brasileiros sofram com alterações no sono. Entenda mais sobre a relação entre insônia, depressão e outras doenças, e o que você pode fazer para ter boas noites de sono.

    Por que dormir bem é importante?

    O sono é um processo biológico essencial para a saúde. Enquanto você dorme, seu corpo trabalha e regula hormônios, equilibra o sistema imunológico, consolida memórias e faz até uma espécie de “faxina” no cérebro. Essa limpeza é feita pelo chamado sistema glinfático, que remove toxinas e proteínas associadas a doenças neurológicas, uma função descoberta só em 2012.

    Hoje, o sono é considerado o terceiro pilar da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da atividade física. “Reconhecer seus impactos profundos representa o primeiro passo para uma revolução nos cuidados pessoais e na saúde pública”, afirma a cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein.

    O impacto da insônia na saúde física

    O impacto do sono é brutal. Uma noite maldormida já bagunça o corpo todo. Estudos mostram que uma única noite de sono ruim pode reduzir a sensibilidade à insulina em até 25%, e isso é preocupante, pois deixa o corpo em um estado semelhante ao pré-diabetes. Não é exagero: dormir pouco aumenta a chance de ganhar peso, de obesidade e de diabetes tipo 2.

    Como se não bastasse, a falta de sono também afeta o coração. “Durante o sono, a pressão arterial tende a cair. Quando o sono é curto ou fragmentado, isso não acontece, e o risco de hipertensão e doenças cardíacas aumenta”, explica a cardiologista.

    Coração, pressão e sono andam juntos

    O sono é o momento em que o sistema cardiovascular relaxa. Quando esse descanso não acontece da melhor maneira, o corpo continua em alerta, com a pressão arterial e a frequência cardíaca elevadas, e tudo isso sobrecarrega o coração.

    Estudos também apontam que dormir mal aumenta em até 48% o risco de eventos cardíacos. O motivo é que a falta de sono interrompe processos de autorregulação do sistema nervoso e hormonal, o que deixa o corpo em um estado constante de tensão.

    Insônia e depressão: uma via de mão dupla

    A relação entre sono e saúde mental é mútua. Quem está deprimido tem mais chance de dormir mal, e quem dorme mal tem risco aumentado de desenvolver depressão.

    “A concomitância de insônia e depressão promove maior redução na qualidade de vida do que quando uma dessas condições ocorre isoladamente. Tal interação amplifica a importância do tratamento e da gestão conjunta dessas condições”, afirma Juliana.

    A explicação está no cérebro. Durante o sono, especialmente na fase REM, aquela dos sonhos, o cérebro processa emoções, regula neurotransmissores e se prepara para enfrentar um novo dia. Quando esse ciclo é interrompido, ficamos mais vulneráveis, ansiosos e emocionalmente instáveis.

    Quanto tempo devemos dormir por noite?

    A necessidade de sono muda conforme a idade. Mas, para adultos e idosos, a recomendação da National Sleep Foundation é de sete a nove horas por noite.

    Parece simples, mas a rotina moderna dificulta esse padrão. Trabalho em turnos, uso excessivo de telas, estresse crônico e até a alimentação influenciam na qualidade do sono. E não basta dormir muito, é preciso que o sono seja profundo e restaurador.

    E quando dormir mal vira hábito?

    A insônia crônica é um problema de saúde. Ela reduz a produtividade, afeta o humor, enfraquece o sistema imunológico e, com o tempo, pode aumentar o risco de doenças graves.

    “Um tratamento eficaz para distúrbios do sono pode incluir estratégias comportamentais, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação”, orienta Juliana.

    Alguns sinais para procurar ajuda são:

    • Dificuldade frequente para dormir;
    • Acordar várias vezes durante a noite;
    • Acordar cansado;
    • Ficar irritado;
    • Dificuldade de concentração.

    Sono ruim afeta a qualidade de vida

    Tanto a insônia quanto a depressão afetam o bem-estar de uma pessoa. Quem tem problema de sono relata menos satisfação com a vida, mais cansaço e menor disposição para as atividades do dia a dia.

    O tratamento de distúrbios do sono melhora o humor, a energia e o desempenho no trabalho. Não é exagero dizer que dormir bem muda a vida.

    O que a sociedade pode fazer pelo nosso sono?

    A culpa nem sempre é individual. O ritmo das cidades, a pressão por produtividade e o excesso de estímulos digitais criam um ambiente hostil ao descanso.

    “Políticas de saúde pública devem enfatizar a importância do sono e promover práticas que encorajem padrões de sono saudáveis, especialmente em uma era em que a tecnologia e o ritmo acelerado da vida moderna frequentemente o interrompem”, alerta Juliana.

    Entre as ações que ajudam estão campanhas educativas, inclusão da higiene do sono nas escolas e até programas corporativos que valorizem o bem-estar do trabalhador.

    Dicas práticas de higiene do sono para dormir melhor

    Criar uma rotina na hora de dormir ajuda bastante na qualidade do sono. Veja algumas dicas para dormir melhor:

    • Durma sempre no mesmo horário: tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico.
    • Evite telas antes de dormir: celular, tablet e TV emitem luz azul, que atrapalha a produção de melatonina, o hormônio do sono.
    • Diminua o ritmo à noite: crie um ritual relaxante antes de se deitar, como tomar um banho morno, ouvir uma música tranquila ou ler um livro leve. Encontre o que é melhor para você.
    • Deixe o quarto confortável: o quarto precisa ser escuro, silencioso e com temperatura agradável.
    • Corte a cafeína à tarde: café, chá-preto, energéticos e até chocolate podem atrapalhar o sono se consumidos no fim do dia. Prefira consumir só de manhã.
    • Não faça refeições pesadas à noite: o correto é comer algo leve e pelo menos duas horas antes de se deitar.

    Dormir bem é prioridade, não luxo

    Dormir bem é tão importante quanto comer bem ou fazer exercícios. É durante o sono que o corpo se restaura, o coração descansa e o cérebro se organiza.

    Se você vive acordando cansado, tem dificuldade para dormir ou se sente irritado e sem foco durante o dia, vale a pena rever seus hábitos de sono. Priorize o descanso e procure ajuda médica caso não consiga dormir bem.

    Perguntas frequentes sobre insônia e depressão

    1. Quantas horas de sono são ideais por noite?

    Para adultos, o ideal é dormir entre:

    • 7 a 9 horas por noite, de forma regular
    • Dormir menos que 6 horas com frequência pode afetar a saúde
    • O sono insuficiente está ligado a problemas físicos e mentais, como depressão, ansiedade e doenças cardiovasculares

    2. A insônia pode causar depressão?

    Sim. A insônia crônica é um fator de risco para depressão e pode agravar uma depressão que já existe.

    3. Dormir pouco afeta o coração?

    Sim, sono e coração estão interligados. O sono ajuda a regular a pressão arterial e o funcionamento do coração. Dormir mal aumenta o risco de pressão alta e doenças cardíacas.

  • Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    Ebola: o que é, como se transmite e por que o risco de pandemia é considerado baixo 

    O Ebola é uma doença viral grave causada por vírus do gênero Ebolavirus. A infecção ganhou notoriedade mundial durante os grandes surtos registrados na África Ocidental entre 2014 e 2016, quando milhares de pessoas foram infectadas e mais de 11 mil morreram.

    Embora apresente elevada letalidade em alguns contextos, o comportamento epidemiológico do Ebola é bastante diferente de doenças respiratórias altamente transmissíveis, como a covid-19. Isso faz com que o risco de uma pandemia global seja considerado significativamente menor pelos especialistas.

    Ainda assim, surtos localizados continuam ocorrendo e exigem vigilância constante das autoridades sanitárias.

    O que é o Ebola?

    O Ebola é uma doença infecciosa que pode causar febre hemorrágica grave e comprometimento de múltiplos órgãos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao Rio Ebola, na atual República Democrática do Congo.

    Desde então, surtos esporádicos foram registrados principalmente em países da África Central e Ocidental.

    Como acontece a transmissão?

    A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Entre os principais meios de transmissão estão:

    • Sangue;
    • Saliva;
    • Vômitos;
    • Fezes;
    • Urina;
    • Secreções corporais;
    • Tecidos de pessoas ou animais infectados.

    O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados por esses fluidos.

    Ebola não é transmitido pelo ar

    Uma das características que diferenciam o Ebola de vírus com potencial pandêmico elevado é a forma de transmissão. O Ebola não apresenta transmissão aérea eficiente entre humanos, como ocorre com:

    • Covid-19;
    • Influenza;
    • Sarampo.

    Por isso, sua disseminação depende de contato próximo e direto com pessoas infectadas ou seus fluidos corporais. Essa característica limita significativamente sua capacidade de espalhamento global.

    Quais são os sintomas do Ebola?

    Os sintomas costumam surgir entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus.

    Os sinais iniciais geralmente são:

    • Febre alta;
    • Dor de cabeça intensa;
    • Dores musculares;
    • Fraqueza importante;
    • Dor de garganta;
    • Mal-estar geral.

    Nos primeiros dias, o quadro pode ser confundido com outras infecções virais.

    Como a doença pode evoluir?

    Com a progressão da infecção, podem surgir:

    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Diarreia intensa;
    • Dor abdominal;
    • Desidratação;
    • Alterações hepáticas e renais.

    Nos casos mais graves, ocorre comprometimento de múltiplos órgãos.

    O Ebola sempre causa hemorragias?

    Não. Embora seja conhecido como uma febre hemorrágica viral, nem todos os pacientes apresentam sangramentos.

    Quando eles ocorrem, podem incluir:

    • Sangramento das gengivas;
    • Sangramento gastrointestinal;
    • Sangramento nasal;
    • Hemorragias internas.

    Essas manifestações costumam estar associadas às formas mais graves da doença.

    Qual é a taxa de mortalidade?

    A mortalidade varia conforme diversos fatores, como:

    • A espécie do vírus;
    • O acesso ao atendimento médico;
    • A rapidez do diagnóstico;
    • A disponibilidade de tratamento especializado.

    Historicamente, alguns surtos apresentaram mortalidade superior a 50%, embora esse percentual varie amplamente.

    Existe tratamento para Ebola?

    Sim. Nas últimas décadas houve avanços importantes no manejo da doença.

    O tratamento inclui:

    • Hidratação intensiva;
    • Correção de distúrbios metabólicos;
    • Controle das complicações;
    • Suporte respiratório quando necessário.

    Além disso, terapias com anticorpos monoclonais passaram a ser utilizadas em alguns cenários, reduzindo a mortalidade.

    Existe vacina contra Ebola?

    Sim, mas não para todas as cepas do vírus. Vacinas eficazes foram desenvolvidas e são utilizadas principalmente durante surtos para conter a disseminação do vírus.

    Essas estratégias ajudaram a controlar surtos recentes em diferentes países africanos.

    O Ebola pode causar uma pandemia atualmente?

    Segundo o conhecimento científico atual, o potencial pandêmico do Ebola é considerado muito menor do que o observado em vírus respiratórios.

    Isso acontece porque:

    • A transmissão exige contato direto;
    • Pessoas geralmente não transmitem antes dos sintomas;
    • Casos tendem a ser identificados e isolados mais facilmente;
    • Medidas de controle costumam ser bastante eficazes.

    Por outro lado, surtos regionais continuam sendo uma preocupação relevante para a saúde pública.

    Por que os surtos continuam ocorrendo?

    Os surtos geralmente estão relacionados ao contato inicial com animais infectados e à posterior transmissão entre pessoas.

    Entre os fatores que favorecem a disseminação estão:

    • Sistemas de saúde fragilizados;
    • Diagnóstico tardio;
    • Dificuldade de acesso ao atendimento;
    • Falhas nas medidas de controle de infecção.

    Quando suspeitar de Ebola?

    Fora das áreas onde existem surtos ativos, o Ebola é extremamente raro.

    A suspeita geralmente envolve:

    • Viagem recente para regiões afetadas;
    • Contato com casos confirmados;
    • Exposição a fluidos corporais infectados;
    • Sintomas compatíveis com a doença.

    Confira: Hantavírus: como se pega a cepa que se transmite entre humanos?

    Perguntas frequentes sobre Ebola

    1. O Ebola é transmitido pelo ar?

    Não. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais contaminados.

    2. Todo paciente com Ebola apresenta sangramentos?

    Não. As hemorragias costumam ocorrer nos casos mais graves.

    3. Existe vacina contra Ebola?

    Sim. Atualmente existem vacinas eficazes utilizadas para conter surtos.

    4. O Ebola ainda existe?

    Sim. Surtos esporádicos continuam sendo registrados em algumas regiões da África.

    5. O Ebola é mais letal que a covid-19?

    Historicamente, sim. A taxa de mortalidade do Ebola costuma ser muito maior.

    6. O Ebola pode causar uma pandemia global como a covid-19?

    Atualmente, esse risco é considerado muito menor por conta da forma de transmissão do vírus.

    7. Existe tratamento para Ebola?

    Sim. O tratamento de suporte e as terapias específicas melhoraram significativamente o prognóstico da doença.

    Veja também: Como diferenciar dengue de gripe e covid-19?

  • Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Tremor nas mãos: quando é apenas ansiedade e quando merece investigação? 

    Ansiedade, excesso de cafeína e falta de sono podem causar tremores temporários, mas alguns casos podem estar relacionados a doenças neurológicas ou alterações hormonais.

    Perceber as mãos tremendo costuma gerar preocupação imediata, principalmente pelo receio de doenças neurológicas como a doença de Parkinson.

    No entanto, a realidade é que muitos tremores são benignos e podem ocorrer em pessoas saudáveis. Situações como estresse, ansiedade, noites mal dormidas, febre ou consumo excessivo de cafeína estão entre as causas mais frequentes.

    Por outro lado, quando o tremor se torna persistente, progressivo ou começa a interferir nas atividades do dia a dia, pode ser necessário investigar condições neurológicas, hormonais ou até efeitos colaterais de medicamentos.

    O que é o tremor?

    O tremor é um movimento involuntário, rítmico e repetitivo de uma parte do corpo.

    Embora possa acometer diversas regiões, as mãos são o local mais frequentemente afetado.

    A intensidade varia bastante. Em alguns casos, o tremor é tão discreto que passa despercebido. Em outros, pode dificultar atividades simples, como:

    • Escrever;
    • Segurar um copo;
    • Usar talheres;
    • Digitar;
    • Abotoar roupas.

    A avaliação médica leva em consideração não apenas a intensidade, mas também o momento em que o tremor aparece e sua evolução ao longo do tempo.

    Tremor fisiológico: o tipo mais comum

    Todas as pessoas apresentam um pequeno tremor fisiológico natural.

    Normalmente ele é tão discreto que não é percebido.

    No entanto, algumas situações podem torná-lo mais evidente:

    • Estresse;
    • Ansiedade;
    • Privação de sono;
    • Excesso de cafeína;
    • Exercício físico intenso;
    • Febre;
    • Hipoglicemia.

    Nesses casos, o tremor costuma ser temporário e melhora quando o fator desencadeante é corrigido.

    Tremor essencial: uma das causas mais frequentes

    O tremor essencial é uma das doenças mais comuns associadas ao tremor persistente.

    Suas principais características incluem:

    • Tremor predominante nas mãos;
    • Piora durante movimentos voluntários;
    • Dificuldade para escrever ou segurar objetos;
    • Evolução lenta ao longo dos anos;
    • Frequente histórico familiar.

    Embora não seja uma doença degenerativa grave, o tremor essencial pode impactar significativamente a qualidade de vida.

    Em alguns pacientes, o tremor também pode afetar:

    • Cabeça;
    • Voz;
    • Mandíbula.

    Problemas hormonais podem causar tremor?

    Sim. Algumas alterações hormonais podem provocar ou intensificar os tremores.

    Hipertireoidismo

    Quando a glândula tireoide produz hormônios em excesso, podem surgir sintomas como:

    • Tremor fino nas mãos;
    • Perda de peso;
    • Palpitações;
    • Ansiedade;
    • Sudorese excessiva;
    • Intolerância ao calor.

    Nesses casos, tratar a doença de base costuma melhorar o tremor.

    Medicamentos podem causar tremor?

    Sim. Diversos medicamentos podem provocar tremores como efeito colateral.

    Entre os principais estão:

    • Broncodilatadores usados na asma;
    • Alguns antidepressivos;
    • Estimulantes;
    • Certos medicamentos neurológicos;
    • Epinefrina;
    • Medicamentos contendo cafeína.

    Por isso, uma das etapas da investigação é revisar todos os medicamentos utilizados pelo paciente.

    Quando pensar em doença de Parkinson?

    A doença de Parkinson possui características diferentes das observadas no tremor essencial.

    Os sinais mais comuns incluem:

    • Tremor em repouso;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Rigidez muscular;
    • Alteração da marcha;
    • Diminuição do balanço dos braços ao caminhar.

    Outra característica importante é que o tremor costuma começar de forma assimétrica, afetando inicialmente apenas uma das mãos ou uma das pernas. Com o passar do tempo, o quadro pode se tornar bilateral.

    É importante lembrar que nem todo tremor significa Parkinson. Na verdade, a maioria dos tremores tem outras causas.

    Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. A ansiedade é uma das causas mais frequentes de tremor em pessoas jovens e adultos saudáveis.

    Durante períodos de estresse, o organismo libera substâncias como adrenalina e noradrenalina, que podem provocar:

    • Tremor nas mãos;
    • Sensação de inquietação;
    • Palpitações;
    • Sudorese;
    • Tensão muscular.

    Nesses casos, o tremor costuma piorar em situações emocionalmente desafiadoras.

    Quando o tremor deixa de ser algo benigno?

    O tremor merece investigação médica quando:

    • Surge sem explicação aparente;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere nas atividades diárias;
    • Surge após os 50 anos sem histórico prévio;
    • É acompanhado de outros sintomas neurológicos;
    • Afeta significativamente a qualidade de vida.

    A avaliação precoce ajuda a identificar causas tratáveis e a reduzir o impacto funcional do problema.

    Quais sintomas associados merecem atenção?

    Alguns sinais podem indicar que o tremor faz parte de uma condição mais complexa.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Fraqueza muscular;
    • Alterações de equilíbrio;
    • Dificuldade para caminhar;
    • Rigidez muscular;
    • Alterações da fala;
    • Quedas frequentes;
    • Lentidão dos movimentos;
    • Alterações cognitivas.

    Como os médicos investigam o tremor?

    A investigação geralmente começa com uma avaliação clínica detalhada.

    O médico costuma analisar:

    • Quando o tremor começou;
    • Em quais situações ele aparece;
    • Histórico familiar;
    • Uso de medicamentos;
    • Presença de outras doenças.

    Além disso, podem ser realizados:

    • Exame neurológico;
    • Exames laboratoriais;
    • Avaliação da função da tireoide;
    • Exames de imagem quando indicados.

    Na maioria dos casos, o diagnóstico é baseado principalmente na história clínica e no exame físico.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    As opções podem incluir:

    Controle de fatores desencadeantes

    • Redução da cafeína;
    • Melhora da qualidade do sono;
    • Controle da ansiedade.

    Ajuste de medicamentos

    Quando o tremor está relacionado a remédios, pode ser necessário revisar o tratamento.

    Tratamento de doenças hormonais

    Como nos casos de hipertireoidismo.

    Medicamentos específicos

    Alguns pacientes com tremor essencial podem se beneficiar de medicamentos que ajudam a reduzir os sintomas.

    Tratamento neurológico especializado

    Quando existe uma doença neurológica associada.

    Quando procurar atendimento médico?

    É recomendável procurar avaliação médica quando:

    • O tremor persiste por semanas ou meses;
    • Está piorando progressivamente;
    • Interfere em atividades do cotidiano;
    • Surge associado a outros sintomas neurológicos;
    • Aparece sem causa aparente.

    Embora muitos casos sejam benignos, uma avaliação adequada ajuda a identificar precocemente condições que necessitam de tratamento.

    Confira: Você sente tontura ao se levantar? Entenda o que são as disautonomias

    Perguntas frequentes sobre tremor nas mãos

    1. Tremor nas mãos sempre indica uma doença?

    Não. Muitas vezes está relacionado a fatores temporários, como ansiedade, estresse ou excesso de cafeína.

    2. Ansiedade pode causar tremor?

    Sim. O aumento da adrenalina pode provocar tremores, especialmente em situações de estresse.

    3. Café pode piorar o tremor?

    Sim. A cafeína pode intensificar tremores em pessoas predispostas.

    4. Tremor essencial é perigoso?

    Geralmente não. No entanto, pode causar limitações funcionais importantes em alguns pacientes.

    5. Todo tremor é doença de Parkinson?

    Não. A maioria dos tremores tem causas diferentes da doença de Parkinson.

    6. Quando devo procurar um médico?

    Quando o tremor é persistente, progressivo ou interfere nas atividades do dia a dia.

    7. Medicamentos podem causar tremores?

    Sim. Diversos medicamentos podem desencadear ou agravar o problema.

    Veja também: 6 sinais de alerta da doença de Parkinson

  • Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Por que é tão difícil emagrecer? O papel dos hormônios na perda de peso

    Se você já passou semanas em dieta, perdeu alguns quilos e depois viu o peso voltar rapidamente, já deve saber o quão frustrante o processo de emagrecimento pode ser. Mas, por trás da dificuldade de perder peso, não existe apenas falta de disciplina ou força de vontade.

    O peso corporal é regulado por um sistema complexo que envolve hormônios, genética, metabolismo e hábitos de vida. “O corpo tem mecanismos hormonais que tentam manter o peso. Quando você emagrece, o organismo entende isso como uma ameaça e resiste. Ele aumenta a fome e diminui o gasto de energia”, explica o endocrinologista André Colapietro.

    Nos primeiros meses, a perda de peso costuma acontecer com mais facilidade, mas, com o passar do tempo, o organismo se adapta à redução de calorias e passa a economizar energia. Como resultado, o emagrecimento desacelera e a sensação de fome pode se tornar cada vez mais intensa.

    Por que emagrecer parece tão difícil?

    O principal motivo pelo qual o emagrecimento pode ser tão difícil é que o corpo possui mecanismos naturais que tentam manter o peso estável. Durante milhares de anos, os seres humanos viveram períodos de escassez de alimentos, então armazenar gordura funcionava como uma reserva de energia importante para a sobrevivência.

    Quando você reduz o consumo de calorias para perder peso, o organismo pode entender como uma redução na disponibilidade de energia. Como resposta, ocorrem adaptações hormonais e metabólicas que dificultam o emagrecimento, como:

    • Aumento da fome, devido à alteração dos hormônios que controlam o apetite;
    • Maior vontade de consumir alimentos mais calóricos;
    • Redução do gasto energético, fazendo com que o organismo passe a consumir menos calorias para realizar as mesmas atividades.

    Por isso, a perda de peso costuma estagnar depois de algumas semanas, o que é conhecido como efeito platô, e a sensação de fome aumenta. “Manter o peso perdido às vezes é mais desafiador do que emagrecer. O emagrecimento não é apenas comer menos e gastar mais. Ele é um processo que envolve o corpo inteiro”, complementa André.

    O papel dos hormônios na perda de peso

    Os hormônios funcionam como mensageiros químicos que ajudam a controlar a fome, a saciedade, o gasto de energia e o armazenamento de gordura.

    Durante o processo de emagrecimento, os níveis hormonais podem mudar para tentar fazer você recuperar o peso perdido, já que o organismo entende a redução de peso como uma possível ameaça às suas reservas de energia.

    De acordo com André, os principais hormônios envolvidos no processo incluem:

    • Grelina, o hormônio da fome: é produzida principalmente no estômago e sinaliza ao cérebro quando está na hora de comer. Quando o estômago fica vazio, os níveis de grelina aumentam, estimulando a fome. Durante o emagrecimento, a produção do hormônio pode crescer, aumentando o apetite;
    • Leptina, o hormônio da saciedade: é produzida pelas células de gordura e informa ao cérebro que o corpo possui energia suficiente armazenada. Quando a pessoa perde peso, os níveis de leptina diminuem, reduzindo a sensação de saciedade e favorecendo o aumento da fome.

    Além deles, níveis elevados de cortisol por longos períodos estão associados ao aumento da fome, especialmente da vontade de consumir alimentos ricos em açúcar e gordura. O excesso do hormônio do estresse também pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal.

    Como emagrecer de forma realista e sustentável?

    Para emagrecer de forma sustentável, o ideal é construir hábitos de vida que possam ser mantidos ao longo do tempo, e não apenas por algumas semanas. As principais recomendações envolvem:

    • Evite dietas muito restritivas: cortar grupos alimentares inteiros ou passar longos períodos com fome pode fazer o organismo ativar os mecanismos de defesa mais rapidamente, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia;
    • Pratique atividade física regularmente: exercícios, especialmente a combinação de musculação e atividades aeróbicas, ajudam a aumentar o gasto calórico e a preservar a massa muscular, fator importante para manter o metabolismo mais ativo durante o emagrecimento;
    • Durma bem: a privação de sono altera hormônios relacionados ao controle do apetite. A produção de grelina, o hormônio da fome, aumenta, enquanto a de leptina, responsável pela saciedade, diminui, favorecendo o aumento da fome ao longo do dia;
    • Beba água e consuma fibras: frutas, verduras, legumes e grãos integrais são ricos em fibras, que ajudam a prolongar a sensação de saciedade. A ingestão adequada de água também contribui para o bom funcionamento do organismo e auxilia no controle da fome.

    André também ressalta que o emagrecimento precisa ser baseado em uma alimentação adequada ao gasto energético de cada pessoa. O ideal é estimar quantas calorias o organismo gasta diariamente, levando em consideração fatores como idade, peso, altura e nível de atividade física, e reduzir uma quantidade moderada de calorias.

    O déficit calórico controlado permite que a perda de peso aconteça de forma gradual e mais sustentável, reduzindo as chances de o organismo ativar mecanismos intensos de defesa, como o aumento excessivo da fome e a desaceleração do metabolismo.

    Quando o uso de medicamentos é indicado para emagrecer?

    Em alguns casos específicos, como situações de obesidade ou excesso de peso associado a problemas de saúde, o médico pode indicar o uso de remédios como parte do tratamento para emagrecer. Eles atuam diretamente no sistema nervoso ou no trato gastrointestinal, ajudando a aumentar a saciedade, controlar a compulsão alimentar ou reduzir a absorção de gorduras.

    No entanto, o uso de medicamentos deve ser sempre um complemento à mudança de estilo de vida e ter acompanhamento médico regular. Nunca se automedique!

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. Por que é mais difícil manter o peso do que emagrecer?

    Porque após perder peso, o metabolismo continua lento e os hormônios da fome permanecem alterados por meses. Se você voltar aos hábitos antigos, o corpo recuperará a gordura perdida rapidamente para se proteger.

    2. Por que o metabolismo fica lento durante a perda de peso?

    Porque o corpo reduz o ritmo das suas funções para gastar menos energia e proteger as reservas de gordura, entendendo a dieta como um período de escassez de alimentos.

    3. Como acelerar o metabolismo de forma natural?

    A forma mais eficaz é praticar exercícios de força, como a musculação, para ganhar massa magra. Os músculos gastam mais energia do que a gordura, mesmo quando o corpo está em repouso.

    4. O que é déficit calórico?

    O déficit calórico é consumir menos calorias do que o seu corpo gasta ao longo do dia. É a regra básica e necessária para que o organismo use a gordura estocada como fonte de energia.

    5. Por que o estresse atrapalha o emagrecimento?

    O estresse crônico aumenta a produção de cortisol, hormônio que estimula o apetite por alimentos mais calóricos (doces e gorduras) e facilita o estoque de gordura na região da barriga.

    6. Qual o papel das fibras no processo de emagrecimento?

    As fibras não são digeridas pelo corpo, então elas formam uma espécie de gel no estômago que torna a digestão mais lenta. Isso prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue.

    7. Pular refeições ajuda a emagrecer mais rápido?

    Não é uma boa estratégia para a maioria das pessoas. Pular refeições pode gerar uma fome exagerada na refeição seguinte, levando a exageros, além de deixar o organismo em alerta para economizar energia.

    Leia mais: Orforglipron: o que é e como funciona o novo remédio para emagrecer?

  • Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    Parto com fórceps ou vácuo: o que são e quando são indicados no parto?

    O parto vaginal nem sempre acontece exatamente como o planejado e, em alguns casos, mesmo depois de horas de trabalho de parto, o bebê pode encontrar dificuldades para nascer ou apresentar sinais de que precisa nascer mais rapidamente.

    Quando há indicação médica, podem ser usados instrumentos que auxiliam a saída do bebê pelo canal vaginal, como o fórceps e o vácuo extrator.

    Eles são utilizados em situações muito específicas na fase final do parto, como quando a mãe está muito cansada para continuar fazendo força ou para acelerar o nascimento em caso de sofrimento fetal.

    Apesar da fama de assustar muitas futuras mães, o fórceps e o vácuo extrator fazem parte da assistência obstétrica e podem ser necessários em determinadas situações. Quando usados por profissionais capacitados e nos casos específicos, eles podem evitar cesárias de emergência altamente complexas e, acima de tudo, proteger a vida da mãe e do recém-nascido.

    O que é o parto instrumentalizado?

    O parto instrumentalizado é um parto vaginal em que o médico obstetra utiliza um instrumento específico para auxiliar na saída do bebê, como o fórceps e o vácuo extrator, por exemplo. Eles ajudam quando o parto não evolui como esperado ou quando existe a necessidade de acelerar o nascimento por razões médicas.

    Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, o procedimento só é considerado na fase final do trabalho de parto, conhecida como período expulsivo, quando o colo do útero já atingiu a dilatação completa (10 cm) e a cabeça do bebê já está bem posicionada no canal de parto.

    Durante o trabalho de parto, os ossos do crânio do bebê têm a capacidade de se acomodar e se moldar para facilitar a passagem pela bacia materna, cujas estruturas ósseas são naturalmente estreitas em relação ao tamanho da cabeça fetal.

    Os instrumentos podem ser necessários quando a descida do bebê deixa de progredir adequadamente nos momentos finais do nascimento e é necessário um auxílio para concluir o parto.

    Por isso, a especialista reforça que a instrumentalização não deve ser encarada como uma medida agressiva, mas como um recurso seguro utilizado em situações específicas.

    O que é e como funcionam o fórceps e o vácuo extrator?

    O fórceps e o vácuo extrator servem para guiar e tracionar a cabeça do bebê enquanto a mãe faz força, mas funcionam de maneira diferente.

    Fórceps

    O fórceps é um instrumento cirúrgico metálico composto por duas peças curvas e alongadas, que se assemelham a duas grandes colheres. Ele foi desenhado especificamente para se ajustar perfeitamente e com segurança às laterais da cabeça do bebê, respeitando a anatomia do crânio fetal.

    Durante o parto, o médico obstetra posiciona cuidadosamente cada uma das peças nas laterais da cabecinha do bebê. Segundo Andreia, ele não aperta e não esmaga a cabeça do bebê, mas faz apenas a preensão (ou seja, segura com firmeza) e funciona como uma extensão das mãos do médico para guiar o bebê para fora.

    À medida que a mãe faz as contrações, o obstetra aplica uma força suave e contínua de tração para ajudar o bebê a deslizar pelo canal de parto. Além de ajudar a puxar no final, o fórceps também serve para ajudar a girar a cabeça do bebê para a posição correta de nascimento, caso ele tenha parado de rodar sozinho.

    Vácuo extrator

    O vácuo extrator, também conhecido como ventosa obstétrica, é um instrumento composto por uma pequena cúpula (que pode ser de silicone, plástico rígido ou metal) conectada a uma bomba de vácuo mecânica ou eletrônica.

    Diferente do fórceps, que envolve as laterais da cabeça do bebê, o vácuo-extrator funciona por sucção. O médico obstetra introduz a cúpula no canal de parto e a fixa suavemente no topo da cabecinha do bebê. Em seguida, a bomba cria uma pressão negativa (um vácuo) que mantém a ventosa presa à pele.

    Durante as contrações e o esforço da mãe, o médico puxa delicadamente o cabo do aparelho para ajudar o bebê a deslizar para fora. Como a fixação depende puramente do vácuo, o principal risco associado ao instrumento é a formação de um pequeno inchaço ou hematoma na pele da cabeça do bebê, que costuma desaparecer espontaneamente nos primeiros dias após o nascimento.

    Segundo Andreia, o vácuo extrator é de uso exclusivo para o final do parto, quando o bebê está quase nascendo e a mãe, mesmo fazendo força, não consegue finalizar.

    Principais indicações: quando eles são necessários?

    Segundo Andreia, a decisão de utilizar o fórceps ou o vácuo extrator é baseada em critérios técnicos bem definidos. Durante o período expulsivo, a equipe acompanha o tempo de evolução do parto, levando em consideração fatores como se é a primeira gestação da paciente, o uso ou não de analgesia e a progressão da descida do bebê.

    Entre algumas das indicações, Andreia aponta:

    • Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.
    • Correção da rotação fetal: para nascer, a cabeça do bebê precisa realizar movimentos de rotação dentro da pelve materna. Quando a rotação não acontece espontaneamente, o fórceps pode ser utilizado para auxiliar o posicionamento adequado;
    • Alívio materno-fetal: quando o período expulsivo se prolonga excessivamente, a mãe pode ficar exausta e o bebê pode começar a apresentar sinais de sofrimento fetal. A instrumentalização ajuda a concluir o parto antes que o desgaste se torne um problema;
    • Abreviação do período expulsivo: algumas condições de saúde materna, como cardiopatias, tornam desaconselhável a realização de esforços prolongados. O uso do fórceps pode acelerar o nascimento e reduzir os riscos associados ao esforço físico intenso;

    Em situações raras, o fórceps também pode ser utilizado quando o bebê está em apresentação pélvica (sentado) e a cabeça encontra dificuldade para sair após o nascimento do restante do corpo. Como a cabeça é a maior parte do bebê, ela pode ficar retida no canal de parto.

    O instrumento ajuda a realizar a retirada de forma mais rápida e segura, mas Andreia destaca que a indicação é pouco frequente atualmente, já que os partos pélvicos vaginais são menos comuns.

    Quais as condições necessárias para usar os instrumentos com segurança?

    Para que o fórceps ou o vácuo extrator sejam usados com segurança, o médico obstetra precisa avaliar uma série de critérios antes de tomar a decisão, como:

    • Dilatação completa do colo do útero: a gestante precisa estar com 10 centímetros de dilatação. Os instrumentos não podem ser usados antes que o colo esteja totalmente aberto;
    • Cabeça do bebê em posição baixa: a cabeça do bebê já deve ter descido pelo canal de parto e estar em uma posição favorável para o nascimento. Se ela ainda estiver muito alta, o procedimento não deve ser realizado;
    • Bolsa rompida: a bolsa amniótica já precisa ter se rompido para que o instrumento possa ser posicionado corretamente;
    • Passagem adequada pela bacia: o obstetra deve ter certeza de que a cabeça do bebê consegue passar pela bacia materna. O fórceps e o vácuo extrator servem apenas para auxiliar os momentos finais do nascimento, e não para vencer obstáculos que impedem a passagem do bebê;
    • Bexiga vazia: a bexiga da mãe normalmente é esvaziada antes do procedimento para reduzir o risco de lesões e facilitar o nascimento;
    • O instrumento deve ser utilizado por um profissional capacitado e com experiência na técnica. A escolha entre fórceps e vácuo extrator também leva em consideração o treinamento e a familiaridade do obstetra com cada método.

    O fórceps pode machucar o bebê ou a mãe?

    Quando feito por um profissional capacitado e com a indicação correta, o fórceps não machuca a mãe e o bebê, sendo importante para proteger a vida de ambos. Segundo Andreia, deixar o bebê parado no canal vaginal por muito tempo pode causar sofrimento fetal e, na mãe, pode provocar isquemia tecidual e lacerações graves de difícil correção.

    O medo em relação ao fórceps tem origem em histórias antigas, de uma época em que as cesarianas ainda não eram procedimentos seguros. Antes, quando o bebê ficava preso durante o parto, os instrumentos utilizados eram muito diferentes dos atuais e podiam ser empregados de forma agressiva para tentar viabilizar o nascimento, inclusive reduzindo o diâmetro da cabeça fetal.

    Atualmente, Andreia explica que os fórceps modernos não fazem pressão. O aparelho apenas abraça e segura a cabecinha do bebê para guiá-la para fora, sem apertar ou esmagar. No entanto, como qualquer procedimento médico, existem riscos caso os critérios de segurança não sejam seguidos ou se o profissional não tiver o treinamento adequado

    Ainda dá tempo de fazer cesárea se o parto parar no final?

    Mesmo quando a cabeça do bebê já está muito baixa no canal de parto, a cesárea ainda pode ser realizada. Se o fórceps ou o vácuo extrator não puderem ser utilizados por falta dos critérios de segurança necessários, a equipe médica pode optar pela via de parto para finalizar o nascimento.

    A cirurgia costuma ser mais trabalhosa, porque a cabeça do bebê já está encaixada profundamente na bacia materna e precisa ser retirada de uma posição mais difícil do que aquela encontrada em uma cesárea realizada antes do trabalho de parto avançar. Ainda assim, Andreia esclarece que é um procedimento viável e que faz parte da rotina obstétrica quando necessário.

    Por outro lado, quando a mãe e o bebê atendem a todos os critérios para a instrumentalização e a cabeça já está bem baixa no canal de parto, o fórceps normalmente é a alternativa mais rápida para concluir o nascimento, já que permite ajudar o bebê a percorrer os últimos centímetros do trajeto sem a necessidade de uma cirurgia.

    Confira: Gravidez depois dos 35 anos é perigoso? Conheça os riscos e os cuidados necessários

    Perguntas frequentes

    1. O uso de fórceps é considerado uma violência obstétrica?

    Não, o fórceps é um procedimento médico legítimo, seguro e que salva vidas. A violência obstétrica se caracteriza pelo uso de intervenções sem consentimento, sem indicação médica real ou de forma agressiva. Quando utilizado seguindo os critérios técnicos e com o respeito devido à gestante, o fórceps é uma ferramenta de assistência.

    2. O bebê sente dor quando o fórceps é utilizado?

    O fórceps moderno não aperta a cabeça do bebê, ele apenas a envolve para guiar o nascimento. O bebê pode sentir a pressão normal do canal de parto potencializada pelo instrumento, mas o procedimento em si não causa dor crônica ou traumas físicos quando bem executado.

    3. Quais marcas o fórceps pode deixar no bebê e quanto tempo duram?

    É comum que o fórceps deixe marcas avermelhadas ou pequenos edemas (inchaços) nas laterais do rosto ou atrás das orelhas do bebê, onde as colheres do instrumento se apoiaram. As marcas são superficiais e costumam desaparecer completamente entre 24 horas e poucos dias após o nascimento.

    4. O vácuo extrator é mais seguro do que o fórceps?

    Não necessariamente, pois ambos são seguros se usados corretamente. O vácuo extrator atua por sucção no topo da cabeça e tem menos chance de causar lacerações na mãe, mas pode causar hematomas no couro cabeludo do bebê (lesão de escalpo).

    O fórceps é mais versátil, pois também permite girar o bebê, o que a ventosa não faz tão bem. A escolha depende da necessidade do parto e da experiência do médico.

    5. O fórceps pode causar sequelas neurológicas ou atraso no desenvolvimento do bebê?

    Não, isso é um mito. O fórceps não causa paralisia cerebral ou atrasos cognitivos. O que pode causar sequelas é o fato de o bebê ficar sem oxigênio por passar tempo demais preso no canal de parto. O fórceps entra justamente para evitar que o sofrimento fetal aconteça e cause danos ao cérebro.

    6. Quantas vezes o médico pode tentar puxar o bebê com o fórceps ou vácuo?

    Existem limites de segurança rígidos. No caso do vácuo extrator, se a ventosa descolar da cabeça do bebê por duas ou três vezes, o procedimento deve ser interrompido. No fórceps, se após duas ou três trações vigorosas combinadas com a contração da mãe o bebê não descer, o médico interrompe a tentativa e encaminha a paciente para a cesárea.

    7. O fórceps pode ser usado se o bebê estiver prematuro?

    O uso do fórceps em bebês prematuros não é recomendado como rotina. Devido à fragilidade do crânio e ao risco aumentado de hemorragias, o fórceps costuma ser contraindicado em casos de prematuridade extrema. A cesariana costuma ser a via mais segura.

    Leia mais: Terceiro trimestre de gravidez: entenda quando começa, sintomas e cuidados no período