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  • Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    Dificuldade para engolir: quando o sintoma merece investigação?

    A dificuldade para engolir, conhecida pelos médicos como disfagia, é um sintoma relativamente comum e que pode surgir em qualquer idade, embora seja mais frequente em idosos. Em alguns casos, a pessoa sente que a comida fica presa na garganta ou no peito. Em outros, há engasgos repetidos ou dificuldade para iniciar a deglutição.

    Embora nem sempre esteja relacionada a doenças graves, a disfagia persistente não deve ser ignorada. O problema pode estar ligado a alterações do esôfago, doenças neurológicas, distúrbios musculares ou até tumores, tornando a investigação médica importante para identificar a causa.

    O que é disfagia?

    A disfagia é a dificuldade de transportar alimentos, líquidos ou até mesmo a saliva da boca até o estômago. Ela pode ocorrer em diferentes etapas da deglutição e variar bastante em intensidade.

    Algumas pessoas apresentam dificuldade apenas para engolir alimentos sólidos, enquanto outras também têm problemas com líquidos.

    Dependendo da causa, os sintomas podem surgir de forma gradual ou aparecer de maneira mais repentina.

    Principais sintomas associados

    Além da sensação de dificuldade para engolir, podem ocorrer:

    • Engasgos frequentes;
    • Tosse durante ou após as refeições;
    • Sensação de alimento parado na garganta ou no peito;
    • Dor ao engolir;
    • Necessidade de beber água para ajudar a passagem da comida;
    • Sensação de que a comida volta para a boca;
    • Rouquidão após as refeições.

    Os sintomas podem variar conforme a causa e a região afetada.

    Quais são as causas mais comuns de dificuldade para engolir?

    Existem diversas condições capazes de provocar disfagia.

    Entre as principais estão:

    • Refluxo gastroesofágico;
    • Inflamações do esôfago;
    • Alterações neurológicas;
    • Distúrbios musculares;
    • Estreitamentos do esôfago;
    • Tumores da boca, garganta ou esôfago.

    A investigação médica é importante para diferenciar situações benignas de problemas que exigem tratamento específico.

    Refluxo pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. O refluxo gastroesofágico crônico pode provocar inflamação do esôfago e, em alguns casos, levar à formação de cicatrizes e estreitamentos.

    Isso pode causar sintomas como:

    • Sensação de alimento preso;
    • Azia frequente;
    • Dor ao engolir;
    • Desconforto no peito.

    Quando o estreitamento se torna importante, a dificuldade para engolir tende a piorar progressivamente.

    Problemas neurológicos podem estar envolvidos?

    Sim. A deglutição depende de uma coordenação complexa entre cérebro, nervos e músculos. Doenças neurológicas podem interferir nesse processo, como:

    • AVC;
    • Doença de Parkinson;
    • Esclerose múltipla;
    • Esclerose lateral amiotrófica (ELA);
    • Algumas doenças neuromusculares.

    Nesses casos, o risco de engasgos e aspiração de alimentos para os pulmões pode aumentar.

    Quando a dificuldade acontece apenas com alimentos sólidos

    Quando a disfagia afeta principalmente alimentos sólidos, algumas causas costumam ser mais prováveis. Entre elas estão:

    • Estreitamento do esôfago;
    • Anéis esofágicos;
    • Esofagite eosinofílica;
    • Tumores do esôfago.

    Em geral, os sintomas tendem a piorar gradualmente com o tempo.

    Quando a dificuldade ocorre com sólidos e líquidos

    Quando alimentos sólidos e líquidos causam dificuldade desde o início, os médicos costumam considerar alterações do funcionamento muscular do esôfago.

    Um exemplo clássico é a:

    Acalasia

    A acalasia é uma doença que dificulta a passagem dos alimentos para o estômago devido ao relaxamento inadequado de uma válvula localizada na parte inferior do esôfago.

    Além da disfagia, pode causar:

    • Regurgitação de alimentos;
    • Dor no peito;
    • Perda de peso.

    Quando a dificuldade para engolir preocupa mais?

    Alguns sinais associados aumentam a necessidade de investigação.

    Procure avaliação médica se houver:

    • Perda de peso sem explicação;
    • Engasgos frequentes;
    • Pneumonias de repetição;
    • Dor ao engolir;
    • Piora progressiva dos sintomas;
    • Sensação persistente de alimento impactado.

    Esses sinais podem indicar doenças mais importantes e não devem ser ignorados.

    Quais exames podem ser necessários?

    A investigação depende das características dos sintomas.

    Os exames mais utilizados incluem:

    1. Endoscopia digestiva alta

    Permite visualizar diretamente o esôfago, o estômago e parte do intestino, identificando inflamações, estreitamentos e tumores.

    2. Esofagograma contrastado

    Avalia a passagem dos alimentos pelo esôfago por meio de imagens obtidas após ingestão de contraste.

    3. Manometria esofágica

    Analisa o funcionamento dos músculos do esôfago e ajuda a diagnosticar distúrbios motores, como a acalasia.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende da causa identificada.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para refluxo;
    • Mudanças alimentares;
    • Dilatação de estreitamentos do esôfago;
    • Tratamento de doenças neurológicas;
    • Cirurgias ou procedimentos específicos.

    Quanto mais cedo a causa for identificada, maiores as chances de evitar complicações.

    Quais complicações a disfagia pode causar?

    Quando não tratada, a dificuldade para engolir pode levar a problemas importantes.

    Entre eles estão:

    • Desnutrição;
    • Desidratação;
    • Perda de peso significativa;
    • Aspiração de alimentos para os pulmões;
    • Pneumonia aspirativa.

    Por isso, sintomas persistentes merecem atenção médica.

    Quando procurar atendimento urgente?

    Procure atendimento imediatamente se houver:

    • Incapacidade súbita de engolir;
    • Engasgo com dificuldade para respirar;
    • Sensação de alimento completamente impactado;
    • Dor intensa no peito associada à deglutição;
    • Salivação excessiva por incapacidade de engolir.

    Essas situações podem exigir avaliação urgente.

    Confira: Acalasia: o distúrbio que dificulta a passagem dos alimentos ao engolir

    Perguntas frequentes sobre dificuldade para engolir

    1. Dificuldade para engolir é normal com a idade?

    Não. Embora seja mais comum em idosos, a disfagia persistente deve ser investigada.

    2. Refluxo pode causar disfagia?

    Sim. O refluxo crônico pode provocar inflamações e estreitamentos do esôfago.

    3. Engasgos frequentes são preocupantes?

    Podem ser. Especialmente quando se tornam repetitivos ou estão associados a perda de peso e pneumonias.

    4. Toda disfagia precisa de endoscopia?

    Não necessariamente, mas a endoscopia é um dos exames mais utilizados na investigação.

    5. Perda de peso associada é um sinal de alerta?

    Sim. Esse é um dos principais sinais que justificam investigação médica mais rápida.

    6. AVC pode causar dificuldade para engolir?

    Sim. Alterações neurológicas são causas importantes de disfagia.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando a dificuldade para engolir é persistente, progressiva ou acompanhada de sinais de alerta como perda de peso, engasgos frequentes ou dor.

    Veja também: É possível prevenir o Alzheimer? Saiba como reduzir o risco e proteger o cérebro ao longo da vida

  • Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    Cardiomiopatia hipertrófica: entenda a doença que engrossa o músculo do coração 

    A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença cardíaca marcada pelo espessamento anormal do músculo do coração, principalmente do ventrículo esquerdo, a principal câmara responsável por bombear sangue para o corpo.

    Embora muitas pessoas convivam com a condição sem sintomas importantes, outras podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, desmaios e limitações para atividades físicas. Por ter origem genética em grande parte dos casos, o diagnóstico também pode levar à investigação de familiares próximos.

    O que é a cardiomiopatia hipertrófica?

    Na cardiomiopatia hipertrófica, ocorre um crescimento excessivo das fibras musculares cardíacas. Esse espessamento não acontece por esforço físico ou treinamento esportivo, mas por alterações na estrutura do próprio músculo do coração.

    Com o tempo, o coração pode ter dificuldade para relaxar adequadamente entre os batimentos, prejudicando o enchimento das câmaras cardíacas.

    O que acontece com o coração?

    O músculo cardíaco espessado pode provocar:

    • Redução do espaço interno do ventrículo;
    • Dificuldade de enchimento do coração;
    • Aumento das pressões cardíacas;
    • Alterações do fluxo sanguíneo.

    Em alguns pacientes, o músculo hipertrofiado também pode dificultar a saída do sangue do coração. Essa situação é chamada de obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

    Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

    A principal causa é genética. Na maioria dos casos, a doença ocorre por mutações em genes responsáveis pelas proteínas que compõem as fibras musculares cardíacas.

    Essas alterações podem ser transmitidas de pais para filhos. Por isso, muitas vezes há histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica ou de morte súbita em parentes próximos.

    A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos segue um padrão de herança autossômica dominante.

    Isso significa que:

    • Um dos pais pode transmitir a alteração genética;
    • Nem todos os familiares terão sintomas;
    • O grau de acometimento pode variar dentro da mesma família.

    Por esse motivo, familiares de primeiro grau costumam ser orientados a realizar avaliação cardiológica.

    Quais são os sintomas mais comuns?

    Muitas pessoas permanecem sem sintomas durante anos. Quando os sintomas aparecem, os mais frequentes são:

    • Falta de ar aos esforços;
    • Cansaço fácil;
    • Dor no peito;
    • Palpitações;
    • Tontura;
    • Desmaios.

    A intensidade dos sintomas varia bastante entre os pacientes.

    Algumas pessoas não apresentam sintomas?

    Sim. Em muitos casos, o diagnóstico acontece por acaso, durante:

    • Exames de rotina;
    • Avaliações esportivas;
    • Investigação familiar após diagnóstico em parentes;
    • Exames solicitados por sopro cardíaco ou alterações no eletrocardiograma.

    Por isso, a ausência de sintomas não exclui a doença.

    Quais são as possíveis complicações?

    Embora muitas pessoas tenham boa qualidade de vida, algumas complicações podem ocorrer.

    1. Arritmias cardíacas

    O músculo cardíaco alterado pode aumentar o risco do surgimento de ritmos cardíacos anormais.

    2. Fibrilação atrial

    A fibrilação atrial pode aumentar o risco de formação de coágulos e AVC.

    3. Insuficiência cardíaca

    Em alguns casos, o coração pode apresentar dificuldade progressiva para funcionar adequadamente.

    4. Morte súbita cardíaca

    É a complicação mais temida, embora relativamente incomum.

    O risco não é igual para todos os pacientes e depende de características específicas avaliadas pelo cardiologista.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico geralmente envolve exames cardiológicos.

    1. Ecocardiograma

    É um dos principais exames para identificar o espessamento do músculo cardíaco e avaliar se existe obstrução à saída do sangue.

    2. Eletrocardiograma

    Pode mostrar alterações sugestivas da doença e ajudar na avaliação do ritmo cardíaco.

    3. Ressonância magnética cardíaca

    Ajuda a avaliar detalhes da estrutura do coração e pode identificar áreas de fibrose no músculo cardíaco.

    4. Testes genéticos

    Podem ser indicados em situações específicas, especialmente quando há suspeita de forma hereditária e necessidade de orientar familiares.

    Como é feito o tratamento?

    O tratamento depende dos sintomas, da presença de obstrução e do risco individual de complicações.

    Pode incluir:

    • Medicamentos para controlar sintomas;
    • Tratamento de arritmias;
    • Acompanhamento cardiológico regular;
    • Orientações sobre atividade física;
    • Restrições específicas para alguns esportes competitivos;
    • Implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em pacientes selecionados.

    Em casos específicos, podem ser necessários procedimentos para reduzir a obstrução causada pelo músculo hipertrofiado.

    A pessoa pode praticar exercícios?

    Depende do caso. A atividade física deve ser discutida com o cardiologista, especialmente em pessoas com sintomas, obstrução importante, arritmias ou histórico familiar de morte súbita.

    Alguns pacientes podem praticar exercícios leves ou moderados com segurança, enquanto outros precisam evitar atividades competitivas ou de alta intensidade.

    Quem deve ser investigado?

    A avaliação médica é especialmente importante para pessoas que apresentam:

    • Histórico familiar de cardiomiopatia hipertrófica;
    • Morte súbita em parentes jovens;
    • Desmaios inexplicados;
    • Falta de ar durante exercícios;
    • Dor no peito aos esforços;
    • Palpitações frequentes;
    • Alterações cardíacas encontradas em exames.

    Familiares de primeiro grau de pessoas diagnosticadas também devem conversar com um cardiologista sobre rastreamento.

    Confira: Insuficiência cardíaca: o que é, sintomas, causas e tratamento

    Perguntas frequentes sobre cardiomiopatia hipertrófica

    1. Cardiomiopatia hipertrófica é a mesma coisa que pressão alta?

    Não. Embora a pressão alta também possa causar aumento da espessura do coração, são condições diferentes.

    2. A doença é hereditária?

    Sim. A maioria dos casos tem origem genética.

    3. Toda pessoa terá sintomas?

    Não. Muitas pessoas permanecem assintomáticas por anos.

    4. Pode causar morte súbita?

    Sim, mas o risco varia entre os pacientes e deve ser avaliado individualmente.

    5. Qual é o principal exame para diagnóstico?

    O ecocardiograma é um dos principais exames utilizados.

    6. Familiares precisam fazer exames?

    Frequentemente sim, principalmente parentes de primeiro grau.

    7. Existe tratamento?

    Sim. O tratamento é individualizado e pode ajudar a reduzir sintomas e prevenir complicações.

    Veja mais: 11 causas de infarto em jovens (e por que as vacinas não são a explicação)

  • Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Por que o exercício físico funciona como um antidepressivo natural?

    Não é segredo que a prática regular de atividades físicas contribui para a perda de peso, a melhora da saúde do coração e o ganho de massa muscular, mas você sabia que ela também pode trazer benefícios importantes para a saúde mental?

    Ao estimular a liberação de substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, como as endorfinas e a serotonina, o movimento ajuda a melhorar o humor, aumentar a disposição e promover uma melhor qualidade de vida. Além disso, os exercícios podem contribuir para um sono mais reparador, reduzir os níveis de estresse e ansiedade e favorecer a concentração e o equilíbrio emocional.

    Inclusive, para pessoas que convivem com o diagnóstico de depressão ou transtorno de ansiedade, ela pode complementar o tratamento e favorecer o controle dos sintomas no dia a dia, como a tristeza persistente, a irritabilidade, a preocupação excessive, a tensão muscular e a dificuldade para dormir.

    O que acontece no cérebro quando nos exercitamos?

    Durante a prática de atividade física, seja caminhada ou musculação, o cérebro passa por uma série de reações químicas e biológicas imediatas e de longo prazo que alteram a maneira como ele funciona.

    Primeiro, o aumento dos batimentos cardíacos durante a atividade física eleva o fluxo sanguíneo para o cérebro, melhorando a oxigenação e o fornecimento de glicose para os neurônios. Por consequência, as células nervosas passam a funcionar de forma mais eficiente, favorecendo processos como a memória, a concentração e o raciocínio.

    Ao mesmo tempo, o sistema nervoso central aumenta a síntese e a liberação de neurotransmissores que atuam na regulação do humor e das funções cognitivas:

    • Endorfina: atua nos receptores opioides do cérebro, ajudando a reduzir a percepção da dor e promovendo sensações de prazer, relaxamento e bem-estar;
    • Serotonina: participa da regulação do humor, do sono, do apetite e da estabilidade emocional;
    • Dopamina: está relacionada aos circuitos de recompensa, motivação, prazer e sensação de realização;
    • Noradrenalina: contribui para o estado de alerta, a atenção, a concentração e a capacidade de resposta diante dos desafios do dia a dia.

    Os exercícios imitam o mecanismo de ação de alguns medicamentos antidepressivos, que buscam justamente aumentar a disponibilidade das substâncias entre os neurônios.

    Além da resposta neuroquímica, a prática regular também estimula a produção de uma proteína chamada BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que favorece a formação de novas conexões entre os neurônios e ajuda a proteger as células cerebrais.

    Por isso, pessoas fisicamente ativas costumam apresentar melhor memória, concentração e capacidade de aprendizado.

    Atividade física como tratamento complementar

    Apesar de não substituir o acompanhamento médico, psicológico e o uso de medicamentos quando necessário, o psiquiatra Luiz Dieckmann explica que a atividade física é uma das principais recomendações para complementar o tratamento de transtornos como a ansiedade e a depressão.

    • Ela potencializa os efeitos dos medicamentos ao estimular a produção natural de substâncias como serotonina e dopamina;
    • Ajuda a reduzir o risco de recaídas e o retorno dos sintomas depressivos;
    • Pode amenizar alguns efeitos colaterais dos medicamentos, como fadiga e ganho de peso;
    • Melhora a qualidade do sono e ajuda a regular o relógio biológico;
    • Aumenta a disposição e ajuda a combater o cansaço e a falta de energia;
    • Favorece a autoestima e a autoconfiança ao estimular a sensação de conquista e autonomia;
    • Contribui para uma maior sensação de controle sobre a própria vida e a rotina;
    • Promove mais bem-estar físico e emocional no dia a dia.

    Se você está em tratamento, o exercício não deve ser visto como uma obrigação de desempenho, mas sim como uma parte da receita médica para recuperar a qualidade de vida e o bem-estar no dia a dia.

    “Incentive as pessoas que estão com um quadro psiquiátrico a fazer atividade física, porque elas terão tratamentos mais eficazes, às vezes mais curtos e com menor associação de medicamentos”, recomenda Luiz.

    Qual é o melhor exercício para quem está deprimido?

    Não existe um exercício que seja considerado o melhor para todas as pessoas que estão deprimidas. O mais importante é encontrar uma atividade de que você goste, que respeite os seus limites e que consiga fazer com frequência. Algumas dicas podem ser:

    • Exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo e natação): ajudam a aumentar a oxigenação do cérebro e estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como a endorfina e a serotonina. As caminhadas ao ar livre ainda oferecem o benefício do contato com a luz solar, que contribui para a regulação do sono;
    • Treinos de força (musculação, pilates e treinos funcionais): precisam de concentração nos movimentos e na execução dos exercícios, ajudando a desviar a atenção de pensamentos negativos. A evolução gradual do desempenho também pode aumentar a autoestima, a autoconfiança e a sensação de conquista.

    Se você convive com um quadro depressivo, ansiedade ou outro transtorno, o ideal é começar aos poucos. Mesmo poucos minutos de exercício todos os dias já contribui para estimular a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina.

    Como começar a se mover mesmo sem energia ou motivação?

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os adultos realizem entre 150 e 300 minutos de atividade física moderada por semana, como caminhada rápida ou ciclismo, ou entre 75 e 150 minutos de atividades mais intensas, como corrida.

    Mas, para quem está começando, pode ser difícil atingir a meta logo de início, especialmente durante períodos de desânimo, falta de energia ou sintomas depressivos. Nesses casos, algumas dicas para começar podem ajudar:

    • Comece com metas pequenas e realistas, como 10 a 15 minutos de atividade por dia;
    • Escolha uma atividade de que você goste para aumentar as chances de manter a rotina;
    • Respeite os limites do seu corpo e evite exageros no início;
    • Aumente a duração e a intensidade dos exercícios de forma gradual;
    • Tente criar horários fixos para se exercitar ao longo da semana;
    • Convide um amigo ou familiar para se exercitar junto, se isso ajudar na motivação;
    • Valorize cada progresso, mesmo que pareça pequeno;
    • Não se cobre por perfeição; o importante é manter a regularidade;
    • Aproveite oportunidades para se movimentar no dia a dia, como caminhar mais ou usar escadas;
    • Procure orientação de um profissional de saúde ou educação física, se necessário.

    Com o tempo, à medida que o corpo se adapta e a disposição aumenta, você pode ampliar gradualmente a frequência e a duração das atividades.

    Leia mais: O que você não deve dizer para alguém com depressão

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo de exercício é necessário para sentir o efeito antidepressivo?

    De acordo com estudos, cerca de 20 a 30 minutos de atividade moderada já são suficientes para liberar endorfina e dopamina, gerando bem-estar imediato após o treino. Para melhorias de longo prazo na estrutura cerebral, os efeitos consolidados começam a aparecer entre 4 e 8 semanas de prática regular.

    2. Como o exercício auxilia no controle da irritabilidade e dos impulsos?

    A atividade física regula os níveis de noradrenalina e dopamina, além de descarregar a tensão muscular acumulada. Isso ajuda a equilibrar o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo autocontrole e pela modulação das emoções.

    3. É melhor fazer exercício ao ar livre ou na academia para a depressão?

    Ambos funcionam, mas os exercícios ao ar livre (como caminhadas em parques) oferecem o benefício extra do contato com a natureza e com a luz solar. A exposição ao sol ajuda a regular a produção de melatonina, melhorando diretamente a qualidade do sono e o humor.

    4. O exercício ajuda na perda de interesse pelas coisas (anedonia)?

    Sim, pois a anedonia ocorre devido a uma disfunção no sistema de recompensa do cérebro. Como o exercício físico estimula a liberação de dopamina (ligada à motivação e prazer), ele ajuda gradativamente o cérebro a recuperar a capacidade de sentir satisfação em outras atividades.

    5. Atividades de baixa intensidade, como alongamento ou ioga, funcionam?

    Sim! As práticas como ioga e alongamento combinam movimento com foco na respiração e meditação, o que reduz os níveis de estresse e melhora a consciência corporal.

    6. Exercício físico reduz a necessidade de aumentar a dose do antidepressivo?

    Pode reduzir. Ao atuar como um reforço natural na regulação dos neurotransmissores, a atividade física frequente ajuda a estabilizar o quadro clínico, evitando reajustes de dosagem para cima.

    Leia mais: Depressão de alta funcionalidade: o que é, como reconhecer e por que merece atenção

  • É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    É possível reverter o pré-diabetes? Endocrinologista explica

    No Brasil, cerca de trinta milhões de pessoas convivem com o pré-diabetes, uma condição em que os níveis de glicose no sangue estão acima do normal, mas ainda não são altos o suficiente para configurar um quadro de diabetes tipo 2. Como normalmente não causa sintomas, é comum identificar a alteração apenas durante os exames de rotina.

    Apesar de não ser considerada uma doença propriamente dita, o pré-diabetes funciona como um sinal de alerta de que o corpo já está encontrando dificuldades para controlar a glicose. Sem o acompanhamento adequado, a condição pode evoluir para o diabetes tipo 2 e aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e AVC.

    Mas afinal, como é possível reverter o pré-diabetes? Como o problem está relacionado principalmente à resistência à insulina, existem alguns hábitos que podem ajudar o organismo a utilizar o hormônio de forma mais eficiente e, consequentemente, reduzir os níveis de glicose no sangue.

    O pré-diabetes tem cura?

    Diferente do diabetes tipo 2, o pré-diabetes tem cura e o quadro pode ser totalmente revertido, de acordo com o endocrinologista André Colapietro. Como as células do corpo estão apenas começando a apresentar resistência à insulina, o pâncreas ainda consegue produzir o hormônio em boa quantidade e, por isso, é possível recuperar o controle da glicose por meio de mudanças no estilo de vida.

    Na prática, a reversão acontece quando os exames de sangue voltam a mostrar níveis de glicose dentro da faixa considerada normal:

    • Glicemia de jejum: deixa de ficar entre 100 mg/dL e 125 mg/dL e volta a apresentar valores abaixo de 100 mg/dL;
    • Hemoglobina glicada: deixa de ficar entre 5,7% e 6,4% e volta a apresentar valores abaixo de 5,7%.

    Vale destacar que, embora a reversão seja possível, isso não significa que o risco desaparece. Se você abandonar os hábitos saudáveis, os níveis de glicose podem voltar a subir ao longo do tempo, aumentando novamente o risco de desenvolver pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

    Como reverter o pré-diabetes?

    1. Ajuste na alimentação e a contagem de carboidratos

    As mudanças na alimentação são a primeira medida para reverter o pré-diabetes e fazer os níveis de glicose no sangue voltarem aos valores considerados normais.

    O recomendado é reduzir o consumo de carboidratos simples e refinados, como arroz branco, pães, massas, doces e refrigerantes, pois eles são digeridos rapidamente e causam picos de glicose no sangue.

    Em vez disso, a alimentação deve priorizar alimentos que ajudam a controlar os níveis de glicose e aumentam a sensação de saciedade ao longo do dia, como:

    • Vegetais e legumes como brócolis, couve, espinafre, abobrinha, cenoura, chuchu e berinjela, que são ricos em fibras e nutrientes importantes para a saúde;
    • Grãos integrais como aveia, arroz integral, quinoa, chia e linhaça, que ajudam a desacelerar a absorção do açúcar pelo organismo;
    • Frutas in natura como maçã, pera, laranja, morango e kiwi, consumidas preferencialmente com casca ou bagaço sempre que possível;
    • Proteínas magras como frango, peixe, ovos, tofu e cortes magros de carne, que contribuem para a manutenção da massa muscular e ajudam a prolongar a saciedade;
    • Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, que combinam fibras, proteínas e carboidratos de absorção mais lenta;
    • Gorduras saudáveis presentes no azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, amêndoas e sementes, que fazem parte de uma alimentação equilibrada e ajudam na saúde cardiovascular;
    • Laticínios com baixo teor de gordura, como leite, iogurte natural e queijos magros, quando indicados pelo profissional de saúde.

    Como as necessidades nutricionais variam de acordo com a idade, o peso, o nível de atividade física e a presença de outras condições de saúde, sempre que possível, a alimentação deve ser planejada com o acompanhamento de um médico ou nutricionista.

    2. Prática regular de exercícios físicos

    A prática regular de exercícios ajuda os músculos a utilizarem a glicose como fonte de energia, reduzindo a quantidade de açúcar circulando no sangue e melhorando a sensibilidade à insulina. Como resultado, o organismo passa a responder melhor à ação do hormônio, facilitando o controle da glicemia.

    A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada por semana, como caminhada rápida, ciclismo ou dança, ou entre 75 e 150 minutos de atividades vigorosas, como corrida e natação intensa.

    A OMS também orienta a realização de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana e destaca a importância de reduzir o tempo sedentário, evitando permanecer muitas horas seguidas sentado.

    3. Perda de peso consciente e sustentável

    O acúmulo de gordura corporal, especialmente a gordura visceral, localizada na região abdominal, libera substâncias inflamatórias que bloqueiam a ação da insulina. Para pessoas que estão acima do peso ou convivem com a obesidade, a perda de peso é necessária para melhorar a sensibilidade à insulina e facilitar o controle dos níveis de glicose no sangue.

    “Mesmo a perda de 5 a 10% do peso corporal, para quem está acima do peso, já faz muita diferença. Quanto mais cedo agir, maiores as chances de evitar o diabetes”, explica André.

    4. Melhora na qualidade do sono

    Quando o corpo passa por noites de sono insuficientes ou de má qualidade (menos de 7 horas por noite), há um aumento na produção de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. O cortisol alto estimula o fígado a liberar mais glicose na corrente sanguínea e, ao mesmo tempo, aumenta a resistência à insulina nas células.

    Além disso, a privação de sono desregula os hormônios da saciedade, aumentando o apetite por alimentos calóricos e doces no dia seguinte.

    5. Uso de medicamentos quando indicado pelo médico

    O medicamento normalmente prescrito para o pré-diabetes é a metformina, que atua diminuindo a quantidade de glicose produzida pelo fígado e aumentando a sensibilidade dos músculos à insulina.

    O uso de remédios costuma ser indicado pelo endocrinologista para pacientes com maior risco de evolução para o diabetes tipo 2, como pessoas com obesidade severa, histórico de diabetes gestacional ou que não conseguiram baixar os níveis de glicose apenas com dieta e exercícios.

    Quanto tempo leva para reverter o pré-diabetes?

    O tempo necessário para reverter o pré-diabetes varia de pessoa para pessoa, pois depende de fatores como genética, idade, peso corporal e, principalmente, do comprometimento com as mudanças no estilo de vida.

    Nas primeiras semanas após a adoção de hábitos mais saudáveis, o organismo já começa a responder melhor à insulina, o que ajuda a reduzir os picos de glicose após as refeições. Em alguns casos, os níveis de glicemia de jejum também podem começar a apresentar melhora nesse período.

    No entanto, para confirmar que o pré-diabetes foi revertido, é necessário observar uma melhora consistente nos exames de laboratório, especialmente na hemoglobina glicada (HbA1c). Como o exame mostra a média dos níveis de glicose no sangue dos últimos dois a três meses, os resultados costumam aparecer de forma mais clara após cerca de 3 a 6 meses.

    O que acontece se o pré-diabetes não for tratado?

    Sem mudanças na alimentação, na prática de atividade física e em outros hábitos de vida, o pâncreas precisa trabalhar mais para produzir insulina, enquanto as células do organismo se tornam progressivamente mais resistentes à ação desse hormônio.

    Com o passar dos anos, a sobrecarga pode levar ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e aumentar o risco de diversas complicações de saúde, como:

    • Diabetes tipo 2, quando os níveis de glicose permanecem elevados de forma persistente;
    • Doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC);
    • Pressão alta e alterações do colesterol, que aumentam ainda mais o risco cardiovascular;
    • Doença hepática gordurosa (esteatose hepática), conhecida popularmente como gordura no fígado;
    • Problemas nos rins, que podem surgir devido aos danos causados pela glicose elevada;
    • Lesões nos nervos, provocando sintomas como formigamento, dormência e perda de sensibilidade, principalmente nos pés e nas mãos;
    • Alterações na visão, que podem comprometer a saúde dos olhos ao longo do tempo.

    Vale apontar que o pré-diabetes é uma condição silenciosa e não costuma causar sintomas evidentes, o que torna importante manter uma rotina periódica de exames de rotina.

    Leia mais: Diabetes: quando usar medicamentos orais e quando a insulina se torna necessária?

    Perguntas frequentes

    1. Qual exame detecta o pré-diabetes e o diabetes?

    Os principais exames são a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que medem a quantidade de açúcar circulando no sangue.

    2. Qual o valor da glicemia em jejum no pré-diabetes?

    O resultado do exame de sangue fica entre 100 miligramas por decilitro e 125 miligramas por decilitro.

    3. Quem tem pré-diabetes pode comer doce?

    O consumo deve ser evitado ao máximo e reservado para ocasiões muito raras e em quantidades bem pequenas.

    4. O que é diabetes tipo 1?

    É uma doença autoimune onde o próprio corpo destrói as células do pâncreas que produzem a insulina.

    5. Quais são os sintomas clássicos do diabetes?

    Os principais sintomas são sede excessiva, aumento da vontade de urinar, perda de peso sem motivo aparente, fome frequente e visão embaçada.

    6. O que é a insulina e para que serve?

    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma chave. Ela permite que o açúcar do sangue entre nas células para virar energia.

    7. O diabetes é uma doença hereditária?

    Existe um forte fator genético, principalmente no diabetes tipo 2. Quem tem pais ou irmãos com a doença tem maior risco de desenvolver a condição.

    8. Quais são as principais complicações do diabetes não tratado?

    A glicose alta por muito tempo danifica os vasos sanguíneos e pode causar infarto, derrame cerebral, problemas de visão, insuficiência nos rins e problemas de cicatrização nos pés.

    Leia mais: Cetoacidose diabética: quando o diabetes vira emergência

  • Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Fentanil: por que essa substância está por trás de tantas overdoses? 

    Considerado um dos opioides mais potentes utilizados na medicina, o fentanil ganhou notoriedade mundial após ser associado a um grande número de overdoses e mortes.

    Medicamento amplamente utilizado em hospitais para controle da dor intensa e sedação de pacientes, quando administrado por profissionais treinados e em doses adequadas, o fentanil é uma ferramenta importante e segura em diversas situações clínicas.

    O problema surge quando a substância é utilizada sem supervisão médica ou misturada a outras drogas. Devido à sua potência extremamente elevada, pequenas quantidades podem ser suficientes para provocar intoxicações graves, parada respiratória e morte.

    Nos últimos anos, o fentanil tornou-se um dos principais responsáveis por mortes relacionadas a opioides em diversos países, especialmente nos Estados Unidos.

    O que é o fentanil?

    O fentanil é um opioide sintético, desenvolvido para atuar no controle da dor intensa. Ele pertence à mesma classe de medicamentos da morfina, mas possui potência muito superior.

    Estima-se que o fentanil seja cerca de:

    • 50 vezes mais potente que a heroína;
    • 50 a 100 vezes mais potente que a morfina.

    Na prática médica, costuma ser utilizado em situações como:

    • Sedação de pacientes internados;
    • Procedimentos anestésicos;
    • Controle da dor pós-operatória;
    • Tratamento de dores intensas em pacientes selecionados.

    O medicamento pode ser administrado por diferentes vias, como:

    • Intravenosa;
    • Intramuscular;
    • Transdérmica (adesivos);
    • Outras apresentações específicas.

    Por que o fentanil é tão potente?

    O fentanil possui alta afinidade pelos receptores opioides presentes no sistema nervoso central. Isso significa que pequenas quantidades já são capazes de produzir efeitos muito intensos.

    Como consequência:

    • Doses mínimas podem causar sedação profunda;
    • Pequenos erros de dosagem podem ser perigosos;
    • O risco de overdose é elevado.

    Essa é uma das principais razões pelas quais o uso recreativo é considerado extremamente arriscado.

    Como o fentanil age no organismo?

    O medicamento se liga aos receptores opioides presentes no cérebro e em outras regiões do sistema nervoso.

    Essa ação provoca:

    • Alívio da dor;
    • Sensação de bem-estar;
    • Relaxamento;
    • Sonolência;
    • Redução da atividade respiratória.

    Embora o efeito analgésico seja desejado em contextos médicos, a diminuição da respiração é justamente a principal causa das complicações fatais associadas ao uso recreativo.

    Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

    Mesmo quando utilizado corretamente, o fentanil pode causar efeitos adversos.

    Entre os mais frequentes estão:

    • Sonolência intensa;
    • Tontura;
    • Náuseas;
    • Vômitos;
    • Confusão mental;
    • Sensação de euforia;
    • Prisão de ventre.

    No uso recreativo, esses efeitos tendem a ser mais intensos devido à dificuldade de controlar a dose consumida.

    O maior perigo: a respiração

    A complicação mais grave associada ao fentanil é a chamada depressão respiratória. Nessa situação, a respiração se torna:

    • Mais lenta;
    • Mais superficial;
    • Menos eficiente.

    Com isso, a quantidade de oxigênio que chega aos órgãos diminui progressivamente. Nos casos mais graves, a pessoa pode parar completamente de respirar, necessitando de ventilação mecânica e suporte intensivo.

    Grande parte das mortes associadas ao fentanil ocorre por esse mecanismo.

    O que é uma overdose por fentanil?

    A overdose acontece quando a quantidade da substância ultrapassa a capacidade do organismo de tolerá-la.

    Os sinais podem incluir:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para despertar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Pupilas muito contraídas;
    • Lábios ou extremidades arroxeadas;
    • Perda de consciência.

    A overdose por fentanil é uma emergência médica e exige atendimento imediato.

    Misturar fentanil com outras drogas aumenta o risco?

    Sim, e aumenta de forma significativa. O perigo aumenta quando o fentanil é combinado com substâncias que também deprimem o sistema nervoso central, como:

    • Álcool;
    • Benzodiazepínicos;
    • Outros opioides;
    • Medicamentos sedativos.

    Além disso, o fentanil também pode estar presente em drogas ilícitas sem que o usuário saiba.

    Há registros de contaminação de substâncias como:

    • Cocaína;
    • Heroína;
    • Drogas sintéticas.

    Nessas situações, o risco de overdose aumenta consideravelmente.

    O fentanil pode causar dependência?

    Sim. O potencial de dependência do fentanil é elevado.

    O uso repetido pode levar ao desenvolvimento de:

    • Tolerância (necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito);
    • Dependência física;
    • Dependência psicológica.

    Quando a substância é interrompida abruptamente, podem surgir sintomas de abstinência, como ansiedade, agitação, dores corporais e mal-estar intenso.

    Existe tratamento para intoxicação por fentanil?

    Sim. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

    Uma das principais medidas é o uso da naloxona.

    Naloxona para tratamento de overdose de fentanil

    A naloxona é um medicamento capaz de reverter temporariamente os efeitos dos opioides. Ela pode restaurar a respiração e salvar vidas em situações de overdose.

    Dependendo da gravidade, também podem ser necessários:

    • Oxigênio suplementar;
    • Ventilação mecânica;
    • Monitorização contínua;
    • Cuidados intensivos.

    Por que o fentanil tem causado tantas mortes?

    Diversos fatores explicam o aumento dos casos de overdose.

    Entre eles:

    • Potência extremamente elevada;
    • Pequenas quantidades podem ser fatais;
    • Mistura com outras drogas;
    • Dificuldade de identificar sua presença;
    • Uso sem conhecimento da dose real consumida.

    Em muitos casos, a pessoa acredita estar consumindo outra substância, sem saber que ela contém fentanil.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar:

    • Sonolência extrema;
    • Dificuldade para acordar;
    • Respiração lenta ou ausente;
    • Perda de consciência;
    • Lábios arroxeados;
    • Suspeita de overdose.

    Nessas situações, cada minuto pode fazer diferença.

    Veja também: Medo de anestesia geral é comum, mas o que diz a medicina?

    Perguntas frequentes sobre fentanil

    1. O fentanil é um medicamento?

    Sim. É utilizado na medicina para controle da dor intensa, sedação e anestesia.

    2. Por que ele é considerado tão perigoso?

    Porque é extremamente potente e pode provocar depressão respiratória grave mesmo em pequenas quantidades.

    3. O uso recreativo pode causar overdose?

    Sim. O risco é elevado e pode ocorrer mesmo com doses aparentemente pequenas.

    4. Quais são os principais sinais de overdose?

    Sonolência intensa, perda de consciência, respiração lenta e lábios arroxeados estão entre os sinais mais comuns.

    5. Existe antídoto para o fentanil?

    Sim. A naloxona pode reverter temporariamente os efeitos dos opioides.

    6. O fentanil causa dependência?

    Sim. O potencial de dependência física e psicológica é alto.

    7. Quando procurar atendimento de emergência?

    Sempre que houver suspeita de overdose ou sinais de dificuldade respiratória.

    Veja também: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Ganhei peso sem mudar a alimentação: quando isso pode indicar um problema de saúde? 

    Nem sempre o aumento na balança acontece apenas porque a pessoa está comendo mais. Alterações hormonais, retenção de líquidos, medicamentos e algumas doenças também podem influenciar o peso corporal.

    Ganhar peso é uma situação comum ao longo da vida e, na maioria das vezes, está relacionado a um desequilíbrio entre a quantidade de calorias consumidas e o gasto energético do organismo.

    Porém, quando o aumento de peso acontece de forma rápida, sem mudanças aparentes na alimentação ou acompanhado de outros sintomas, vale a pena investigar outras possíveis causas. Em alguns casos, o problema pode estar relacionado a alterações hormonais, efeitos colaterais de medicamentos ou até doenças que favorecem retenção de líquidos.

    Venha entender o que está por trás do ganho de peso para identificar situações que merecem avaliação médica e tratamento adequado.

    Nem todo aumento na balança representa ganho de gordura

    Uma informação importante é que o peso corporal não é formado apenas por gordura. O aumento observado na balança pode acontecer por diferentes motivos, incluindo:

    • Acúmulo de gordura corporal;
    • Retenção de líquidos;
    • Ganho de massa muscular;
    • Inchaço associado a doenças.

    Por isso, além do valor mostrado na balança, os médicos costumam avaliar a velocidade do ganho de peso, a distribuição corporal e a presença de outros sintomas.

    Quando o ganho de peso é considerado esperado?

    Existem situações em que o aumento de peso ocorre de forma previsível e gradual.

    Entre as causas mais comuns estão:

    • Excesso de calorias na alimentação;
    • Redução da atividade física;
    • Mudanças na rotina;
    • Envelhecimento.

    Nesses casos, o ganho costuma ocorrer ao longo de meses ou anos, acompanhando mudanças no estilo de vida.

    Hipotireoidismo pode causar ganho de peso?

    Sim. O hipotireoidismo é uma das causas médicas mais conhecidas de ganho de peso. Quando a glândula tireoide produz menos hormônios do que deveria, o metabolismo pode ficar mais lento, o que aumenta sintomas como:

    • Cansaço;
    • Sonolência;
    • Intolerância ao frio;
    • Pele seca;
    • Ganho de peso.

    No entanto, especialistas ressaltam que o aumento de peso causado exclusivamente pelo hipotireoidismo costuma ser relativamente modesto e não explica sozinho casos de obesidade importante.

    Alguns medicamentos podem favorecer o ganho de peso

    Sim. Diversos medicamentos podem contribuir para aumento do peso corporal por mecanismos diferentes.

    Entre eles estão:

    • Corticoides;
    • Alguns antidepressivos;
    • Certos antipsicóticos;
    • Algumas medicações para diabetes;
    • Alguns anticonvulsivantes.

    Dependendo do medicamento, o ganho de peso pode ocorrer por aumento do apetite, retenção de líquidos ou alterações metabólicas.

    Retenção de líquidos pode parecer ganho de peso

    Nem todo aumento rápido na balança representa acúmulo de gordura. Em algumas situações, o peso sobe devido à retenção de líquidos.

    Isso pode acontecer em casos de:

    • Insuficiência cardíaca;
    • Doenças renais;
    • Doenças hepáticas;
    • Alterações hormonais.

    Nessas situações, também podem surgir sintomas como:

    • Inchaço nas pernas;
    • Inchaço abdominal;
    • Sensação de peso corporal aumentado;
    • Falta de ar.

    O ganho de peso costuma ocorrer de forma relativamente rápida, em poucos dias ou semanas.

    Síndrome de Cushing: uma causa hormonal menos comum

    A síndrome de Cushing acontece quando existe excesso de cortisol circulando no organismo. Embora seja uma condição relativamente rara, pode provocar ganho de peso importante.

    Os sintomas são:

    • Aumento de gordura na região do abdome;
    • Acúmulo de gordura no rosto;
    • Fraqueza muscular;
    • Pressão alta;
    • Diabetes;
    • Alterações na pele.

    Por ser uma condição menos frequente, costuma exigir investigação especializada.

    Alterações hormonais femininas podem influenciar o peso?

    Sim. Mudanças hormonais podem favorecer o ganho de peso ou tornar o emagrecimento mais difícil. Isso pode ocorrer em situações como:

    • Menopausa;
    • Síndrome dos ovários policísticos (SOP);
    • Distúrbios da tireoide.

    Além das alterações hormonais propriamente ditas, mudanças no sono, no metabolismo e na composição corporal também podem contribuir para o aumento de peso.

    O estresse pode contribuir para o ganho de peso?

    Sim. O estresse crônico pode influenciar diretamente hábitos e comportamentos relacionados ao peso corporal. Entre os mecanismos envolvidos estão:

    • Aumento do apetite;
    • Maior consumo de alimentos ultraprocessados;
    • Alterações do sono;
    • Redução da prática de atividade física.

    Ao longo do tempo, esses fatores podem favorecer o ganho de peso e dificultar a perda de gordura.

    Quando o ganho de peso merece investigação?

    Embora oscilações leves de peso sejam comuns, alguns sinais merecem atenção.

    Procure avaliação médica se ocorrer:

    • Ganho de peso rápido e sem explicação aparente;
    • Aumento de peso associado a inchaço;
    • Suspeita de alterações hormonais;
    • Falta de ar;
    • Cansaço excessivo;
    • Mudanças importantes no apetite.

    Nessas situações, pode ser necessário investigar causas além da alimentação.

    Quais exames podem ser necessários?

    A avaliação varia conforme a história clínica de cada pessoa. Dependendo do caso, podem ser solicitados:

    • Exames da tireoide;
    • Glicemia;
    • Avaliação da função renal;
    • Avaliação da função hepática;
    • Exames hormonais.

    O objetivo é identificar condições que possam estar contribuindo para o aumento do peso corporal.

    Como saber se o peso ganho é gordura ou líquido?

    Algumas características ajudam a diferenciar.

    Ganho de gordura

    Geralmente ocorre:

    • De forma gradual;
    • Ao longo de semanas ou meses;
    • Sem inchaço importante.

    Retenção de líquidos

    Costuma provocar:

    • Ganho rápido de peso;
    • Inchaço nas pernas ou pés;
    • Marcas de meias na pele;
    • Sensação de corpo inchado.

    A avaliação médica é importante para identificar a causa.

    Confira: O que significa ter o corpo inflamado por obesidade?

    Perguntas frequentes sobre ganho de peso

    1. Todo ganho de peso acontece por excesso de comida?

    Não. Alterações hormonais, medicamentos e algumas doenças também podem contribuir.

    2. Hipotireoidismo engorda muito?

    Pode estar envolvido no ganho de peso, mas geralmente não é a única causa do aumento importante da balança.

    3. Remédios podem aumentar o peso?

    Sim. Alguns medicamentos estão associados a ganho de peso ou retenção de líquidos.

    4. Retenção de líquidos aumenta a balança?

    Sim. Em alguns casos, o aumento pode ocorrer rapidamente.

    5. Ganho de peso rápido é normal?

    Nem sempre. Quando acontece sem explicação aparente, merece investigação.

    6. Estresse pode influenciar o peso?

    Sim. O estresse pode alterar o apetite, o sono e os hábitos de vida.

    7. Quando procurar um médico?

    Quando o ganho de peso é acelerado, inexplicado ou acompanhado de sintomas como inchaço, cansaço excessivo ou falta de ar.

    Veja também: 5 fatores que levam ao desenvolvimento de obesidade (e quando intervir)

  • K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    K9: por que a chamada ‘droga zumbi’ preocupa tanto os médicos? 

    Nos últimos anos, a K9 ganhou destaque em reportagens e registros de intoxicações graves em diferentes regiões do Brasil. Popularmente conhecida como “droga zumbi”, ela está associada a alterações importantes do comportamento, episódios de agitação intensa e quadros potencialmente fatais.

    Embora muitas vezes seja comparada à maconha, a K9 é uma droga muito mais imprevisível e perigosa. Isso acontece porque ela pertence ao grupo dos canabinoides sintéticos, substâncias produzidas em laboratório que podem provocar efeitos muito mais intensos do que os observados com a cannabis natural.

    O que é a K9?

    A K9 não é uma substância única. Ela faz parte de um grupo de drogas conhecidas como canabinoides sintéticos, frequentemente chamadas de “drogas K”, que incluem compostos como K2, K4 e K9.

    Essas substâncias são produzidas em laboratório e podem ser vendidas de diferentes formas:

    • Como produto químico puro;
    • Misturadas a ervas secas;
    • Aplicadas sobre materiais vegetais para simular produtos naturais.

    Um dos principais problemas é que a composição pode variar muito entre diferentes lotes, tornando imprevisíveis tanto os efeitos quanto os riscos de intoxicação.

    Por que a K9 é considerada tão perigosa?

    Ao contrário de drogas cuja composição é relativamente conhecida, a K9 pode conter substâncias extremamente potentes. Além disso:

    • A concentração dos compostos varia amplamente;
    • Diferentes substâncias podem ser misturadas;
    • Pode haver contaminação por produtos tóxicos;
    • Nem sempre o usuário sabe exatamente o que está consumindo.

    Essa imprevisibilidade aumenta significativamente o risco de intoxicações graves.

    Como a K9 age no cérebro?

    Os canabinoides sintéticos atuam sobre receptores do sistema endocanabinoide, presentes em diversas regiões do cérebro. Esses receptores também são ativados pela cannabis natural.

    A diferença é que muitas substâncias presentes na K9 possuem ação muito mais intensa do que o THC, principal composto psicoativo da maconha.

    Como consequência, podem ocorrer:

    • Alterações importantes da percepção;
    • Confusão mental;
    • Alterações do comportamento;
    • Episódios de agitação intensa;
    • Alterações da consciência.

    Quais são os efeitos mais comuns?

    Os sintomas variam conforme a composição da droga e a quantidade consumida.

    Entre os efeitos mais relatados estão:

    • Agitação intensa;
    • Ansiedade;
    • Confusão mental;
    • Sonolência;
    • Alteração da consciência;
    • Comportamento desorganizado;
    • Alucinações;
    • Paranoia.

    A intensidade dos sintomas pode variar bastante de uma pessoa para outra.

    Por que algumas pessoas parecem “desligadas” ou “zumbis”?

    Diversos relatos de intoxicação por K9 mostram usuários com comportamento extremamente alterado. Entre os sinais observados estão:

    • Lentidão extrema;
    • Dificuldade para responder a estímulos;
    • Movimentos anormais;
    • Alterações importantes do estado mental;
    • Perda de contato com o ambiente.

    Foi justamente por causa dessas manifestações que a droga passou a ser popularmente chamada de “droga zumbi”.

    Esses quadros refletem uma intoxicação significativa do sistema nervoso central.

    Quais complicações graves podem ocorrer?

    Em intoxicações mais severas, podem surgir complicações potencialmente fatais. Entre elas estão:

    • Convulsões;
    • Psicose aguda;
    • Coma;
    • Alterações importantes do comportamento;
    • Depressão respiratória;
    • Insuficiência respiratória;
    • Rabdomiólise (destruição de fibras musculares);
    • Lesão renal aguda;
    • Alterações graves da pressão arterial.

    O risco de complicações aumenta porque muitas vezes não é possível saber exatamente quais substâncias estão presentes na droga.

    A K9 pode afetar o coração?

    Sim. Os canabinoides sintéticos podem provocar alterações cardiovasculares importantes.

    Entre elas:

    • Taquicardia;
    • Bradicardia;
    • Aumento da pressão arterial;
    • Queda da pressão arterial;
    • Arritmias cardíacas.

    Essas alterações podem ser especialmente perigosas em pessoas com doenças cardiovasculares prévias.

    A K9 pode causar morte?

    Sim. Existem relatos de mortes associadas ao uso de canabinoides sintéticos em diferentes países.

    As principais causas incluem:

    • Arritmias cardíacas graves;
    • Convulsões;
    • Depressão respiratória;
    • Falência de órgãos;
    • Traumas decorrentes de alterações do comportamento.

    Por isso, a K9 é considerada uma das drogas sintéticas mais perigosas atualmente.

    Como é feito o atendimento médico?

    Quando uma pessoa chega ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação por K9, a prioridade é estabilizar as funções vitais. Os médicos avaliam:

    • Nível de consciência;
    • Respiração;
    • Frequência cardíaca;
    • Pressão arterial;
    • Oxigenação.

    Como muitas vezes não é possível identificar exatamente qual substância foi utilizada, o tratamento costuma ser baseado em suporte clínico.

    Existe antídoto para a K9?

    Não. Atualmente não existe um antídoto específico para a maioria dos canabinoides sintéticos. Por isso, o tratamento é direcionado às complicações apresentadas pelo paciente.

    Dependendo da situação, podem ser necessários:

    • Medicamentos para controlar convulsões;
    • Sedação;
    • Oxigenoterapia;
    • Hidratação venosa;
    • Monitorização intensiva.

    Por que essas drogas são tão difíceis de controlar?

    Os fabricantes frequentemente modificam a estrutura química dos compostos para criar novas versões das drogas. Isso dificulta:

    • A identificação em exames laboratoriais;
    • A regulamentação pelos órgãos de saúde;
    • O monitoramento pelas autoridades.

    Além disso, novos compostos podem surgir rapidamente, tornando o controle ainda mais complexo.

    O consumo de canabinoides sintéticos está aumentando?

    Em diversos países, os canabinoides sintéticos têm sido motivo de preocupação devido ao elevado potencial de intoxicação.

    Curiosamente, estudos realizados nos Estados Unidos observaram redução do consumo dessas substâncias em alguns locais após a ampliação do acesso legal à cannabis entre 2016 e 2019.

    Ainda assim, a K9 continua associada a episódios graves de intoxicação e atendimentos de emergência.

    Quando procurar atendimento de emergência?

    Procure ajuda médica imediatamente se uma pessoa apresentar, após o uso de substâncias desconhecidas:

    • Confusão mental importante;
    • Convulsões;
    • Perda de consciência;
    • Dificuldade para respirar;
    • Agitação intensa;
    • Dor no peito;
    • Alterações importantes do comportamento.

    Esses sinais podem indicar intoxicação grave.

    Veja também: Epilepsia em adultos: como ela se manifesta e quem está em risco

    Perguntas frequentes sobre a K9

    1. A K9 é a mesma coisa que maconha?

    Não. Embora atue em receptores semelhantes, seus efeitos costumam ser muito mais intensos e imprevisíveis.

    2. O que são canabinoides sintéticos?

    São substâncias produzidas em laboratório para agir nos mesmos receptores estimulados pela cannabis.

    3. Por que a K9 é chamada de “droga zumbi”?

    Porque pode provocar lentidão extrema, confusão mental e alterações importantes do comportamento.

    4. A K9 pode causar convulsões?

    Sim. Convulsões estão entre as complicações graves já descritas.

    5. Pode causar problemas cardíacos?

    Sim. Pode provocar taquicardia, alterações da pressão arterial e arritmias.

    6. Existe antídoto para a K9?

    Não. O tratamento é baseado no controle dos sintomas e das complicações.

    7. Quando procurar ajuda médica?

    Sempre que houver alteração importante da consciência, convulsões, dificuldade respiratória ou qualquer sinal de intoxicação grave.

    Confira: Drogas e coração: os riscos reais que você precisa conhecer

  • Veja os riscos ao coração de trabalhar sentado o dia todo

    Veja os riscos ao coração de trabalhar sentado o dia todo

    O sedentarismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças do coração. Passar horas sentado, seja no escritório ou no home office, prejudica a circulação, favorece o acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco de condições ligadas a problemas cardiovasculares, como pressão alta.

    Para entender melhor de que forma o excesso de tempo sentado afeta o corpo e quais estratégias ajudam a proteger o coração, conversamos com Giovanni Henrique Pinto, cardiologista e cardio-oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Ele aponta os principais riscos do sedentarismo e orienta sobre mudanças simples que podem fazer diferença na saúde ao longo da vida.

    Afinal, por que trabalhar sentado por muitas horas faz mal?

    Quando passamos longos períodos sentados, o metabolismo desacelera e a circulação sanguínea é prejudicada. O cardiologista Giovanni Henrique Pinto explica que a falta de movimento reduz o retorno venoso, favorece o inchaço nas pernas, dificulta o controle da glicose e do colesterol e pode até aumentar a pressão arterial.

    Inclusive, estudos indicam que permanecer muito tempo na mesma posição está diretamente associado ao aumento do risco de hipertensão, obesidade, diabetes tipo 2 e, consequentemente, complicações cardíacas graves.

    Além dos impactos internos, há também consequências físicas imediatas. A postura incorreta ao ficar horas sentado sobrecarrega a coluna, gera dores musculares e pode causar lesões ao longo do tempo. Isso desestimula ainda mais a prática de atividades físicas, que são muito importantes para uma vida saudável.

    Como saber se você está sedentário?

    Uma pessoa é considerada sedentária quando não pratica atividade física de forma regular, ou seja, não atinge os níveis mínimos de movimento recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso significa menos de 150 minutos de exercícios moderados por semana ou 75 minutos de exercícios intensos.

    Além disso, o sedentarismo também está relacionado a passar muito tempo em inatividade, especialmente sentado ou deitado, sem movimentar o corpo. Isso é cada vez mais comum em quem trabalha em escritório ou home office.

    Na maioria dos casos, a condição não apresenta sintomas evidentes de imediato, mas, com o tempo, o corpo manifesta sinais de que está sendo afetado pela falta de movimento. Alguns deles incluem:

    • Inchaço nos pés e pernas;
    • Cansaço excessivo mesmo em tarefas simples;
    • Dores nas costas, ombros e pescoço;
    • Dormência ou formigamento em braços e pernas;
    • Falta de flexibilidade;
    • Alterações de humor, com aumento da irritabilidade e ansiedade;
    • Dificuldade para dormir ou sensação de fadiga ao acordar.

    Sinais de alerta para o coração

    Além dos incômodos gerais causados pelo sedentarismo, alguns sintomas precisam de maior atenção por estarem relacionados à saúde do coração. Veja alguns deles:

    • Falta de ar fora do comum;
    • Dor ou pressão no peito durante atividades;
    • Palpitações ou batimentos irregulares;
    • Ganho de peso rápido e sem explicação;
    • Inchaço persistente em pés e pernas.

    Caso os sintomas se manifestem, é importante procurar um atendimento médico. O diagnóstico precoce pode evitar complicações graves e permitir um bom tratamento para proteger o coração.

    Como manter o coração saudável mesmo trabalhando sentado?

    Mesmo pessoas com a rotina agitada podem adotar pequenas mudanças de hábito para reduzir os efeitos do sedentarismo e proteger a saúde do coração. O cardiologista e o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, apontam recomendações práticas que cabem no dia a dia.

    Quanto de atividade física é suficiente

    De acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem acumular entre:

    • 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada (como caminhada rápida, dança ou ciclismo leve);
    • Ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa (como corrida ou esportes mais intensos);
    • Também é importante incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

    O cardiologista reforça: na prática, isso significa fazer cerca de 30 minutos de atividade moderada por dia, cinco ou seis vezes por semana. E para quem passa muito tempo sentado, a dica é levantar a cada 30 a 60 minutos e se movimentar por 1 a 3 minutos.

    As pausas ajudam a circulação e a energia, e podem ser lembradas por aplicativos de celular ou pelo smartwatch, que emitem alertas para quebrar a inatividade.

    Leia mais: Tosse persistente: quando pode ser problema no coração

    Exercícios simples para fazer no trabalho

    Mesmo sem equipamentos, é possível se movimentar no escritório ou em casa com alguns exercícios simples, como:

    • Mini-pausas: levantar, caminhar pelo corredor, subir de 1 a 2 lances de escada, fazer agachamentos, ficar na ponta dos pés para ativar panturrilhas, alongar peito, ombros e pescoço;
    • Intervalos ativos (2–3 vezes ao dia, de 5 a 10 min): caminhada rápida, polichinelos de baixo impacto, prancha isométrica ou sentar e levantar da cadeira 10–15 vezes;
    • Semana equilibrada: 2 dias de exercícios de força (como flexões ou agachamentos) e 3 a 5 dias de atividades aeróbicas leves a moderadas, como caminhada ou bicicleta.

    O Guia do Ministério da Saúde reforça que toda movimentação vale: subir escadas, varrer a casa, andar até o mercado ou brincar com as crianças já ajudam a sair do sedentarismo.

    Veja também: Saúde do coração após a menopausa: conheça os cuidados nessa fase da vida

    O que comer para manter o coração saudável?

    É comum que pessoas que passam o dia sentadas recorram a lanches fáceis ao longo do dia: salgadinhos, biscoitos, refrigerantes ou sanduíches rápidos. O problema é que alimentos ultraprocessados são ricos em sódio, gorduras e açúcares, fatores que contribuem para a pressão alta, ganho de peso e aumento do colesterol.

    Então, afinal, quais hábitos alimentares podem ajudar a manter a saúde e prevenir problemas cardíacos? O cardiologista recomenda padrões alimentares já comprovados em estudos, como a dieta mediterrânea e o DASH. Eles incluem o consumo de:

    • Frutas, verduras e legumes;
    • Grãos integrais e feijões;
    • Oleaginosas e azeite de oliva;
    • Peixes uma ou duas vezes por semana;
    • Limitação de ultraprocessados, carnes processadas, bebidas açucaradas e excesso de sal.

    No dia a dia do trabalho, planejar os lanches também faz diferença: opções como iogurte natural, frutas frescas e mix de castanhas sem sal ajudam a manter energia.

    Confira: Sedentarismo na infância: quais os principais riscos para o coração?

    Perguntas frequentes sobre como manter o coração saudável

    1. Pequenas pausas para se movimentar realmente fazem a diferença?

    Sim. De acordo com o cardiologista Giovanni Henrique Pinto, as chamadas “micro-pausas” — de 1 a 3 minutos a cada 30 a 60 minutos sentado — ajudam a melhorar a pressão arterial, a glicemia e até os níveis de energia durante o dia. Ou seja, levantar-se para pegar água, ir ao banheiro, se alongar ou caminhar alguns passos já funciona como uma forma de “reset” para o corpo.

    2. O uso de meias de compressão é recomendado para quem trabalha sentado?

    Meias de compressão podem ser úteis em casos específicos para melhorar o retorno venoso e prevenir inchaço, mas o uso deve ser orientado por um médico.

    3. Quanto tempo sentado por dia é considerado perigoso para o coração?

    Não existe um número exato que defina o risco, mas o fator mais preocupante é permanecer em longos períodos contínuos de inatividade. Pesquisas indicam que a exposição prolongada ao tempo sentado está associada a maior incidência de doenças cardiovasculares.

    Um estudo publicado no American Journal of Epidemiology, em 2018, apontou que pessoas que permanecem mais de seis horas por dia sentadas apresentam risco elevado de problemas cardíacos, mesmo quando praticam exercícios em outros momentos.

    Por isso, recomenda-se interromper o tempo sentado a cada 30 a 60 minutos com pequenas pausas de movimento.

    4. Quais hábitos simples podem manter o coração saudável no dia a dia?

    Pequenos ajustes de rotina podem reduzir de forma significativa o risco de doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida. As principais recomendações são:

    • Levantar-se a cada meia hora ou uma hora;
    • Fazer alongamentos rápidos no próprio ambiente de trabalho;
    • Reservar 30 minutos do dia para atividade física planejada;
    • Incluir caminhadas, escadas e pequenos esforços ao longo do expediente;
    • Organizar a alimentação para reduzir ultraprocessados;
    • Manter hidratação adequada com água ao alcance;
    • Acompanhar regularmente pressão, peso e exames de sangue.

    5. Quais exames cardiológicos são recomendados para quem trabalha sentado?

    Mesmo sem sintomas, é importante manter um acompanhamento médico. Os principais exames são:

    • Básicos: pressão arterial, IMC, circunferência abdominal, glicemia, hemoglobina glicada e perfil lipídico;
    • Complementares: MAPA em suspeita de pressão alta, eletrocardiograma, teste de esforço ou ecocardiograma, e tomografia de coronárias em casos de maior risco.

    É importante destacar que apenas um cardiologista pode indicar quais exames são mais adequados para cada pessoa, considerando histórico e fatores de risco individuais.

    6. Trabalhar em pé em uma mesa é a solução para o sedentarismo?

    Embora seja melhor do que ficar sentado, trabalhar em pé o dia todo também pode trazer desconfortos, como dores nas pernas, surgimento de varizes e sensação de fadiga.

    O ideal não é apenas substituir a posição, mas sim alternar entre sentar, levantar e se movimentar regularmente, pois o corpo responde melhor quando há variedade de movimentos.

    7. Trabalhar sentado engorda?

    Trabalhar sentado por muitas horas pode contribuir para o ganho de peso, embora nem sempre seja a única causa. O sedentarismo faz com que o corpo queime menos calorias e tenha o metabolismo mais lento, o que facilita o acúmulo de gordura.

    Ficar parado por muito tempo também está ligado a outros fatores de risco para a obesidade, como o aumento da glicemia e dos triglicerídeos.

    8. Trabalhar sentado causa hemorroida?

    Ficar muito tempo sentado pode, sim, aumentar o risco de desenvolver ou agravar as hemorroidas. Isso acontece porque a posição sentada dificulta a circulação na região pélvica e retal, e isso favorece a dilatação das veias. A pressão constante pode causar dor, inchaço, sangramento e desconforto, principalmente em quem já tem predisposição.

    Contudo, é importante apontar que essa não é a única causa da hemorroida. Fatores como prisão de ventre, esforço para evacuar, alimentação pobre em fibras e pouca ingestão de água também podem contribuir para o desenvolvimento do quadro.

    Leia também: Sedentarismo: o corpo não foi feito para ficar sentado o dia inteiro

  • Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    Copa do Mundo: fortes emoções podem causar infarto ou AVC?

    A Copa do Mundo é um dos eventos esportivos mais emocionantes do planeta e costuma mobilizar milhões de torcedores. Durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas, é normal sentir o coração acelerar, ficar ansioso, nervoso, tenso ou extremamente eufórico a cada lance.

    Com tantos sentimentos intensos acontecendo ao mesmo tempo, é natural se perguntar se eles podem aumentar o risco de algum problema de saúde, como infarto ou AVC. De acordo com a cardiologista Juliana Soares, as emoções, independente da origem, podem causar uma série de respostas ao organismo.

    “Em quem já tem alguma predisposição a ter alguma doença cardiovascular ou quem já tem doença cardíaca previamente, as emoções podem aumentar, no momento do pico da emoção, o risco de eventos cardíacos”, explica a especialista.

    Fortes emoções podem mesmo afetar o coração?

    As emoções intensas, independentemente de serem positivas ou negativas, podem funcionar como um gatilho para eventos cardiovasculares, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardíacas pré-existentes.

    O corpo humano não consegue diferenciar o estresse provocado por um jogo de futebol de uma situação de perigo real. Por isso, quando vivemos uma emoção muito forte, o cérebro envia um sinal de alerta que afeta diretamente o funcionamento do coração.

    Em pessoas saudáveis, as alterações costumam ser temporárias, mas em pessoas vulneráveis elas podem representar um risco adicional.

    O que acontece no corpo durante um momento de grande tensão ou euforia?

    Durante um momento de grande tensão, ansiedade ou euforia, Juliana explica que o cérebro avisa o sistema nervoso simpático, que é a parte do organismo responsável por reagir a situações de estresse. O sistema prepara o corpo para uma reação de luta ou fuga, como se precisássemos fugir de uma ameaça física.

    Para preparar o corpo, ocorre uma liberação massiva de hormônios do estresse na corrente sanguínea, principalmente a adrenalina e a noradrenalina, que desencadeiam:

    • Frequência cardíaca mais acelerada, fazendo o coração bater mais rápido e provocando palpitações;
    • Pressão arterial mais elevada, devido à contração dos vasos sanguíneos para acelerar a circulação do sangue;
    • Aumento da força de contração do coração, que passa a trabalhar com mais intensidade;
    • Aumento da necessidade de oxigênio, já que o coração precisa de mais energia para sustentar o esforço extra.

    Em uma pessoa saudável, o corpo costuma lidar bem com esse pico de adrenalina e retorna ao normal pouco tempo após o fim do jogo.

    Mas, em pessoas que já têm placas de gordura nas artérias ou alguma doença cardíaca, Juliana destaca que o aumento súbito da pressão arterial e dos batimentos cardíacos pode provocar o rompimento de uma dessas placas, causando um infarto, além de desregular o ritmo do coração e desencadear arritmias.

    Infarto ou AVC: qual é o maior risco durante o jogo?

    Segundo Juliana, o infarto é o maior risco e o evento cardiovascular mais comum durante um jogo de futebol.

    O aumento dos níveis de adrenalina provocado pela emoção altera diretamente a frequência cardíaca e a pressão arterial, além de poder causar o rompimento de uma placa de gordura presente nas artérias. Quando isso ocorre, pode haver a obstrução do fluxo sanguíneo, levando ao infarto.

    O AVC também pode acontecer em situações de grande tensão emocional, mas é consideravelmente menos frequente. A associação entre emoções intensas e AVC costuma ocorrer principalmente em pessoas com pressão arterial descontrolada ou que apresentam alguma arritmia grave.

    Quem precisa ter cuidado redobrado em jogos emocionantes?

    Os grupos de pessoas que precisam de ter cuidados redobrados são:

    • Pessoas que já sofreram um infarto anteriormente;
    • Doentes com histórico de AVC;
    • Indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca;
    • Pessoas que sofrem de arritmias cardíacas;
    • Pacientes com angina ou outras doenças coronárias conhecidas;
    • Hipertensos com a pressão arterial descontrolada;
    • Diabéticos;
    • Pessoas com níveis de colesterol alto e descontrolado;
    • Fumadores crónicos;
    • Pessoas com obesidade.

    Nesses casos, o estresse e a emoção do jogo podem representar uma sobrecarga maior para o coração. É importante ter atenção redobrada e seguir corretamente todas as orientações médicas para aproveitar as partidas com mais segurança.

    Sinais de alerta: quando a emoção vira uma emergência médica?

    É normal sentir o coração acelerar, ficar nervoso ou até suar mais durante um jogo decisivo, mas alguns sintomas podem indicar um problema de saúde mais sério, como:

    • Dor ou pressão no peito que não melhora com o passar dos minutos;
    • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
    • Suor excessivo acompanhado de desconforto no peito;
    • Náuseas ou enjoos associados à dor no peito;
    • Palpitações intensas ou sensação de que o coração está batendo de forma irregular;
    • Tontura, desmaio ou perda de consciência;
    • Dificuldade para falar ou para compreender o que as outras pessoas dizem;
    • Dor de cabeça muito forte e de início repentino.

    Caso qualquer um dos sintomas apareça durante ou após o jogo, o ideal é procurar atendimento médico imediatamente. Em situações como infarto ou AVC, agir rapidamente pode fazer toda a diferença no tratamento e na recuperação.

    Como torcer e curtir a Copa do Mundo em segurança?

    A emoção faz parte do esporte e da vida, mas alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos, especialmente para quem já tem alguma doença cardiovascular ou fatores de risco. Entre as principais, Juliana orienta:

    • Manter o tratamento médico em dia e seguir corretamente as orientações do profissional de saúde;
    • Não interromper nem suspender os medicamentos por conta própria;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, principalmente durante os jogos;
    • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
    • Controlar fatores de risco como pressão alta, diabetes e colesterol elevado;
    • Realizar consultas médicas regularmente para acompanhar a saúde cardiovascular.

    “A emoção faz parte da nossa vida, nós não temos como nos privar totalmente, mas cuidar da saúde de base, estar com todos os fatores controlados”, finaliza Juliana.

    Leia mais: Muito estressado? Veja o que o estresse prolongado faz com o corpo?

    Perguntas frequentes

    1. De que forma a adrenalina afeta o sistema cardiovascular?

    A adrenalina faz o coração bater mais rápido (taquicardia), aumenta a força de contração do músculo cardíaco e estreita os vasos sanguíneos, o que provoca uma subida rápida da pressão arterial.

    2. O uso de calmantes naturais (como passiflora ou camomila) antes do jogo funciona?

    Sim, fitoterápicos à base de passiflora, valeriana ou camomila ajudam a modular o sistema nervoso central, reduzindo a ansiedade de forma leve. Eles podem ser úteis para pessoas muito ansiosos, pois ajudam a evitar que a frequência cardíaca suba de forma tão abrupta.

    3. Energéticos misturados com álcool aumentam o risco cardíaco na hora do jogo?

    Muito, os energéticos contêm altas doses de cafeína e outros estimulantes que aceleram o coração. Quando misturados ao álcool, mascaram os efeitos de sonolência da bebida, fazendo com que a pessoa beba mais e exponha o coração a um duplo estresse: a arritmia induzida pela cafeína e a toxicidade do álcool.

    4. Por que ficar muito tempo sentado a ver o jogo também é perigoso?

    Ficar sentado imóvel por várias horas, especialmente se associado à desidratação e ao álcool, lentifica a circulação nas pernas, aumentando o risco de trombose venosa profunda (TVP). Se o coágulo se desprender, pode viajar até aos pulmões, causando uma embolia pulmonar. O ideal é levantar e caminhar um pouco no intervalo.

    5. Tomar uma aspirina (AAS) antes do jogo previne o infarto em quem é do grupo de risco?

    Não se deve fazer isso sem orientação médica. Embora a aspirina afine o sangue e previna coágulos, o uso preventivo por conta própria pode mascarar sintomas ou aumentar o risco de hemorragias (inclusive AVC hemorrágico), especialmente se a pressão arterial subir muito durante a partida.

    6. O que é a síndrome do coração partido e como ela se relaciona com o futebol?

    Também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição desencadeada por um forte estresse emocional. Ela causa sintomas semelhantes aos de um infarto, mas ocorre por uma alteração temporária no funcionamento do músculo cardíaco provocada pelo excesso de hormônios do estresse.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

  • Ansiedade causa esquecimento? Sinais de que a sua mente está sobrecarregada

    Ansiedade causa esquecimento? Sinais de que a sua mente está sobrecarregada

    Se você é uma pessoa que convive com a ansiedade, já deve ter notado que alguns lapsos de memória podem acontecer no dia a dia, especialmente em períodos de maior estresse. É comum, por exemplo, esquecer onde deixou as chaves, o que ia dizer no meio de uma conversa ou ter dificuldade para lembrar um compromisso ou uma tarefa.

    Na maioria dos casos, os pequenos esquecimentos são temporários e funcionam como um alerta de que a mente está sobrecarregada. A ansiedade mantém o cérebro em estado constante de alerta, fazendo com que grande parte da atenção fique voltada para preocupações, medos e pensamentos repetitivos.

    Assim, pode ficar mais difícil se concentrar, registrar novas informações e recuperar lembranças com facilidade.

    Como a ansiedade afeta a memória?

    Quando você está passando por uma crise de ansiedade ou vive sob estresse constante, o corpo entende que você está em uma situation de perigo e o cérebro estimula a produção de hormônios como o cortisol e a adrenalina.

    De acordo com o psiquiatra Luiz Dieckmann, uma reação química que coloca você em um estado de alerta total, voltando todas as energias para a sobrevivência.

    Quando permanece elevado por longos períodos, o cortisol pode afetar o funcionamento do hipocampo, região do cérebro responsável pela formação e pelo armazenamento das memórias. Consequentemente, a capacidade de registrar e recuperar informações pode ficar temporariamente prejudicada.

    Ainda, a ansiedade consome grande parte da energia mental com preocupações, medos e pensamentos repetitivos. Com a atenção constantemente voltada para possíveis ameaças ou problemas, fica mais difícil se concentrar no que está acontecendo no momento.

    Assim, o cérebro pode não registrar adequadamente algumas informações, o que favorece esquecimentos, dificuldades de concentração e a sensação de branco mental no cotidiano.

    Principais sinais de esquecimento por ansiedade

    Em casos de ansiedade intensa, é comum que a atenção e a concentração fiquem prejudicadas, o que pode causar falhas como:

    • Esquecer onde guardou objetos comuns como chaves ou celular;
    • Ter brancos na mente no meio de conversas ou reuniões;
    • Entrar em um cômodo da casa e não lembrar o que ia fazer ali;
    • Apresentar muita dificuldade para se concentrar em leituras ou explicações;
    • Esquecer compromissos importantes anotados recentemente;
    • Sentir muita dificuldade para fixar nomes de pessoas recém-apresentadas;
    • Perder o fio da meada ao tentar realizar uma tarefa simples do dia a dia;
    • Levar muito mais tempo para absorver e aprender informações novas.

    “Não é um problema definitivo, ou seja, não há uma morte do neurônio naquela região, mas sim um acometimento que chamamos de funcional. Ele volta ao normal com o tratamento”, explica Luiz.

    Como diferenciar a ansiedade de problemas mais graves?

    Para quem já está ansioso, perceber que a memória está falhando pode causar medo de que isso seja o início de uma doença neurológica grave, como o Alzheimer. No entanto, existem algumas diferenças entre os lapsos causados pelo estresse emocional e os problemas cognitivos mais profundos:

    • A atenção é o principal problema: na ansiedade, a mente fica ocupada com preocupações e acaba registrando menos informações. Por isso, quando alguém relembra o contexto, a pessoa consegue se lembrar do que aconteceu;
    • A orientação permanece preservada: uma pessoa ansiosa pode esquecer compromissos ou datas, mas sabe onde está e reconhece normalmente as pessoas ao seu redor. Em doenças neurodegenerativas, podem surgir dificuldades para se localizar ou reconhecer pessoas conhecidas;
    • O raciocínio continua funcionando: a ansiedade pode causar distrações, mas não costuma comprometer a capacidade de resolver problemas ou realizar tarefas do dia a dia;
    • Os sintomas variam com o estresse: os lapsos de memória tendem a piorar em períodos mais difíceis e melhorar quando a ansiedade está controlada. Já nas doenças neurodegenerativas, a perda de memória costuma ser progressiva;

    Um detalhe importante é que quem convive com ansiedade normalmente consegue notar os esquecimentos e se preocupa com eles. Em muitos casos de demência, são os familiares que percebem as mudanças primeiro.

    “Na maioria das vezes, isso não significa um problema neurológico, mas tem que avaliar, dependendo da a idade, do histórico familiar, dos sintomas que estão acontecendo”, destaca Luiz.

    O que fazer para melhorar a memória afetada pela ansiedade?

    Como os lapsos de memória causados pela ansiedade não são definitivos, a melhor forma de recuperar o foco e a capacidade de retenção é reduzir os níveis de estresse:

    • Praticar exercícios físicos regularmente: além de ajudar a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, ela estimula a liberação de substâncias que melhoram o humor, a concentração e favorecem a memória;
    • Priorizar a higiene do sono: é durante o sono que o cérebro organiza e consolida as informações aprendidas ao longo do dia. Dormir mal pode prejudicar esse processo e aumentar os lapsos de memória. Por isso, vale a pena criar uma rotina de sono e evitar telas antes de dormir
    • Apostar em técnicas de respiração e mindfulness: a meditação e os exercícios de respiração ajudam a reduzir a ansiedade e a trazer a atenção para o momento presente. Com a mente mais calma, fica mais fácil se concentrar e lembrar das informações importantes;
    • Usar ferramentas de apoio: agendas, aplicativos de tarefas, blocos de notas e alarmes podem ajudar a aliviar a sobrecarga mental. Registrar compromissos e lembretes reduz a preocupação de esquecer algo importante
    • Fazer pausas ao longo do dia: passar horas seguidas realizando tarefas pode prejudicar a concentração. Pequenas pausas para descansar, beber água ou simplesmente respirar ajudam o cérebro a recuperar o foco e processar melhor as informações.

    Conforme você aprende a controlar os gatilhos da ansiedade e adota hábitos mais saudáveis, a sensação de névoa mental (brain fog) tende a diminuir, e a sua capacidade de concentração e memória volta ao normal.

    Quando é hora de procurar um médico?

    É importante buscar avaliação médica quando os esquecimentos se tornam frequentes, intensos ou começam a interferir nas atividades do dia a dia. Veja alguns sinais de alerta:

    • Dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples e habituais;
    • Esquecimento frequente de informações importantes ou acontecimentos recentes;
    • Confusão sobre datas, lugares ou situações;
    • Dificuldade para encontrar palavras durante conversas;
    • Mudanças de comportamento, personalidade ou humor sem causa aparente;
    • Perda de memória que piora progressivamente ao longo do tempo.

    Se os sintomas de ansiedade estiverem afetando a sua qualidade de vida, o seu sono, o seu trabalho ou os seus relacionamentos, também vale a pena procurar ajuda profissional. Um médico ou psicólogo pode avaliar o que está acontecendo e orientar o melhor caminho para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. Como saber se meu esquecimento é ansiedade ou Alzheimer?

    O esquecimento por ansiedade flutua (melhora nos dias calmos) e está muito ligado à distração. No Alzheimer, a perda de memória é progressiva, piora continuamente e vem acompanhada de desorientação no tempo, no espaço e perda de habilidades cotidianas.

    2. Tomar remédio para ansiedade melhora a memória?

    Sim, de forma indireta. Ao controlar os sintomas químicos da ansiedade, o cérebro sai do modo de alerta e os níveis de cortisol baixam, o que permite que a concentração e a memória voltem a funcionar de forma adequada.

    3. Vitamina para a memória ajuda no caso de ansiedade?

    Se não houver uma deficiência nutricional real (como falta de vitamina B12), os suplementos sozinhos não vão resolver o problema. O foco deve ser o controle do estresse e a regulação da ansiedade para que o cérebro volte a funcionar bem.

    4. O que é a névoa mental da ansiedade?

    É aquela sensação de que o pensamento está lento, confuso e que exige um esforço enorme para raciocinar. Ela acontece quando o cérebro está exausto de processar tantas preocupações e entra em um estado de fadiga.

    5. O estresse pós-traumático (TEPT) afeta a memória do dia a dia?

    Sim, de forma bastante intensa. O cérebro de quem sofre com TEPT permanece revivendo o trauma em segundo plano, consumindo a maior parte dos recursos cognitivos. Isso deixa pouca energia mental para reter informações simples e cotidianas.

    6. Qual profissional devo procurar primeiro se notar falhas de memória?

    O ideal é começar com um clínico geral ou um psicólogo/psiquiatra se você suspeita que a causa é o estresse. Caso o profissional perceba que os lapsos não condizem com um quadro de ansiedade, ele fará o encaminhamento para um neurologista.

    Veja também: Ansiedade também dói: 12 sinais que aparecem no corpo