Categoria: Sintomas

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  • Infecção urinária: 7 sintomas mais comuns e como é feito o tratamento

    Infecção urinária: 7 sintomas mais comuns e como é feito o tratamento

    A infecção urinária é uma infecção que pode afetar qualquer parte do trato urinário, como a bexiga, a uretra, os ureteres e os rins. Na maioria das vezes, o quadro começa quando bactérias, principalmente a Escherichia coli, que vive naturalmente no intestino, entram na uretra e chegam até a bexiga.

    Os sintomas da infecção urinária podem variar de acordo com a parte do sistema urinário afetada e com a intensidade do quadro, mas costumam incluir dor ou ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e desconforto abdominal.

    Por ser mais comum em mulheres, devido à anatomia feminina, o diagnóstico e o tratamento precoce são importantes para evitar que o quadro se agrave.

    Quais os tipos de infecção urinária?

    Para definir os sintomas, é importante entender que a infecção urinária é dividida em diferentes tipos, sendo eles:

    • Pielonefrite: é a infecção que atinge os rins e frequentemente começa a partir de uma infecção na bexiga ou na uretra que se espalha. É mais grave e pode causar febre, dor nas costas e mal-estar. Sem tratamento, pode comprometer os rins e até se espalhar pelo sangue;
    • Cistite: é a infecção da bexiga e a forma mais comum e, na maioria dos casos, é causada pela bactéria Escherichia coli. As mulheres têm mais risco por causa da uretra mais curta e próxima da região anal;
    • Uretrite: é a infecção ou inflamação da uretra, e pode ser causada por bactérias do intestino ou por infecções sexualmente transmissíveis, como gonorreia e clamídia. Pode provocar dor ao urinar e, às vezes, secreção.

    Além do local, a infecção urinária também pode ser classificada como simples, quando ocorre em pessoas saudáveis, sem alterações no trato urinário, ou complicada, quando está associada a fatores como gravidez, presença de cálculos renais, uso de sonda urinária ou doenças que afetam a imunidade. Nesses casos, é preciso um acompanhamento mais cuidadoso.

    Quais os sintomas de infecção urinária?

    1. Ardência ou dor ao urinar

    A sensação de ardência, queimação ou dor ao urinar acontece porque a mucosa do trato urinário fica inflamada, tornando o ato de urinar desconfortável e, em alguns casos, doloroso do início ao fim.

    Em algumas pessoas, o incômodo pode ser mais intenso no começo ou no final da micção, podendo vir acompanhado de uma sensação de irritação persistente mesmo após urinar.

    2. Vontade frequente de urinar

    A necessidade de ir ao banheiro várias vezes ao dia, em intervalos curtos, é conhecida como polaciúria. Mesmo com a frequência aumentada, a quantidade de urina eliminada costuma ser pequena, o que implica que a bexiga não foi esvaziada completamente antes ou que está mais sensível e irritada pela presença da infecção.

    A irritação faz com que a bexiga envie sinais constantes ao cérebro, criando a sensação urgente de urinar, mesmo quando há pouca urina armazenada. Como resultado, a pessoa pode ter dificuldade para manter a rotina, já que a vontade de ir ao banheiro surge de forma repentina e repetitiva ao longo do dia.

    3. Presença de sangue na urina

    A hematúria (sangue na urina) costuma ser um dos sintomas que mais assustam, mas, na maioria das vezes, não indica gravidade extrema. Ela acontece por causa da inflamação intensa dos tecidos da bexiga e da uretra, sendo frequente em casos de cistite.

    O sangue na urina pode ser macroscópico, quando é visível a olho nu, ou microscópica, quando é detectada apenas por meio de exames laboratoriais.

    4. Dor na região lombar

    A dor lombar, normalmente concentrada em apenas um dos lados, é um sinal comum de pielonefrite. Ela indica que a infecção subiu pelos ureteres e atingiu os rins. Embora possa ocorrer um desconforto leve na cistite, a dor intensa ou cólica renal forte é característica de quadros que afetam o trato superior.

    5. Alteração no odor da urina

    O mau cheiro pode ser provocado pela presença de bactérias na cistite ou uretrite. Contudo, nem sempre é sinal de infecção e, muitas vezes, indica apenas que a urina está concentrada (pouca ingestão de água), deixando a ureia mais evidente. Se o odor persistir mesmo com hidratação, vale procurar um profissional de saúde.

    6. Incontinência urinária

    A perda involuntária de urina ou a dificuldade em segurá-la até chegar ao banheiro é mais comum em crianças e idosos, e costuma estar ligada a infecções localizadas na bexiga. A inflamação deixa a bexiga mais sensível e aumenta a urgência urinária, reduzindo o controle sobre o momento de urinar.

    Em alguns casos, a vontade surge de forma tão repentina e intensa que não dá tempo de chegar ao banheiro, o que pode causar episódios de escape urinário.

    7. Náuseas e vômitos

    Em casos mais intensos, especialmente quando há comprometimento dos rins, podem surgir náuseas, vômitos e perda de apetite. Os sintomas costumam vir acompanhados de febre e dor lombar, reforçando a necessidade de atendimento médico o quanto antes.

    8. Febre

    Quando as bactérias atingem os rins, o organismo pode reagir com aumento da temperatura corporal (geralmente acima de 38 °C), além de calafrios, náuseas e mal-estar. Os sinais indicam um quadro mais grave, que requer uma avaliação médica imediata.

    9. Corrimento uretral

    A presença de secreção pela uretra, muitas vezes com aspecto purulento (pus), pode ocorrer em casos de uretrite, normalmente associado a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como a gonorreia e a clamídia.

    Em mulheres, o sintoma pode aparecer junto ao corrimento vaginal, o que pode dificultar a identificação da origem da secreção.

    Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico da infecção urinária é feito com uma avaliação clínica, em que o médico analisa sintomas como dor ao urinar e febre para identificar a possível localização da infecção.

    Para confirmar o quadro e identificar o agente causador, costuma ser pedido o exame de urina tipo 1 (EAS), que avalia a presença de leucócitos, bactérias e, em alguns casos, sangue. Já a urocultura permite identificar qual bactéria está presente e quais antibióticos ela é sensível.

    Em situações de infecções recorrentes ou quando há suspeita de complicações, como a pielonefrite, o especialista pode solicitar exames de imagem para uma avaliação mais detalhada do trato urinário, como a ultrassonografia e a tomografia.

    Como tratar a infecção urinária?

    O tratamento de infecção urinária depende do tipo e da gravidade do quadro, mas costuma ser feito a partir do uso de antibióticos prescritos por um médico. A escolha do medicamento leva em conta o agente causador e, quando disponível, o resultado da urocultura, que indica quais antibióticos são mais eficazes.

    Ao mesmo tempo, também é importante adotar alguns hábitos de vida para ajudar na recuperação, como aumentar a ingestão de água ao longo do dia, evitar segurar a urina, manter uma boa higiene íntima e, quando indicado, usar analgésicos para aliviar o desconforto.

    Em situações de infecção urinária recorrente, o médico pode investigar possíveis causas associadas, como alterações anatômicas, cálculos renais ou fatores hormonais, e indicar medidas específicas para prevenir a condição.

    Confira: Nem toda infecção precisa de antibiótico e você precisa entender o porquê

    Perguntas frequentes

    1. Qual a principal causa da infecção urinária?

    A grande maioria dos casos ocorre quando a bactéria Escherichia coli, presente no trato intestinal, migra para a uretra e sobe até a bexiga.

    2. Por que as mulheres são mais afetadas?

    Devido à anatomia: a uretra feminina é mais curta e fica mais próxima do ânus, facilitando a entrada de bactérias no sistema urinário.

    3. Posso parar o antibiótico assim que a dor passar?

    Não, pois interromper o tratamento antes do prazo pode causar resistência bacteriana, fazendo com que a infecção retorne mais forte e difícil de tratar.

    4. A relação sexual pode causar infecção urinária?

    O ato em si não causa a infecção, mas o atrito e o movimento podem facilitar a entrada de bactérias na uretra. Urinar após a relação ajuda a eliminar esses invasores.

    5. O que é infecção urinária de repetição?

    É definida quando ocorrem dois ou mais episódios em seis meses, ou três ou mais episódios em um ano.

    6. Segurar o xixi faz mal?

    Sim, manter a urina na bexiga por muito tempo favorece a proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções.

    7. O consumo de cranberry ajuda no tratamento?

    O cranberry é mais indicado para a prevenção, pois contém substâncias que dificultam a adesão das bactérias às paredes da bexiga. No entanto, ele não substitui o antibiótico quando a infecção já está instalada.

    8. Qual a relação entre menopausa e infecção urinária?

    Na menopausa, a queda do estrogênio causa o ressecamento vaginal e altera o pH da região, reduzindo a proteção natural da flora e tornando a mulher mais suscetível a infecções.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

  • É dor de cabeça ou enxaqueca? Saiba como diferenciar o quadro

    É dor de cabeça ou enxaqueca? Saiba como diferenciar o quadro

    Acordou com aquela pressão incômoda na testa ou uma pulsação que não te deixa nem abrir a cortina? Há quem se pergunte se o incômodo é apenas uma dor de cabeça ou um quadro de enxaqueca, mas apesar dos sintomas parecerem semelhantes em alguns momentos, existem diferenças entre as condições.

    Enquanto uma dor de cabeça comum costuma ser uma pressão passageira causada pelo estresse ou cansaço, a enxaqueca é uma condição neurológica crônica que pode ser bastante incapacitante, inclusive atrapalhando as atividades simples do cotidiano, como trabalhar, estudar ou permanecer em ambientes iluminados.

    Mas afinal, como é possível diferenciar os quadros? A localização da dor, a intensidade, o tempo de duração e os sintomas associados costumam indicar a origem do quadro. Vamos entender mais, a seguir.

    O que é uma dor de cabeça comum?

    A dor de cabeça comum, também conhecida como cefaleia tensional, é aquela que se manifesta a partir de um peso leve na cabeça, normalmente associado ao estresse, tensão muscular ou noites mal dormidas, segundo a neurologista Paula Dieckmann.

    A dor costuma ser mais leve ou moderada e pode aparecer após longos períodos diante das telas, poucas horas de sono, ansiedade ou alimentação inadequada. Entre os sinais, é possível destacar:

    • Sensação de pressão ou aperto na cabeça;
    • Dor dos dois lados da cabeça;
    • Desconforto na região da testa, nuca ou pescoço;
    • Intensidade leve ou moderada;
    • Melhora com descanso, hidratação ou analgésicos simples.

    Na maioria das vezes, você ainda consegue continuar realizando as atividades do dia, mesmo com desconforto.

    O que caracteriza a enxaqueca?

    A enxaqueca é uma condição neurológica crônica, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça moderada a forte, frequentemente latejante e que afeta um lado da cabeça. Diferente de uma dor de cabeça comum, ela é incapacitante e pode causar os seguintes sinais:

    • Dor pulsante ou latejante;
    • Sensibilidade à luz, sons e cheiros;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tontura;
    • Piora da dor com esforço físico;
    • Alterações visuais, como pontos brilhantes ou visão embaçada.

    Durante uma crise de enxaqueca, muitas pessoas precisam interromper completamente as atividades e permanecer em ambientes escuros e silenciosos.

    Como diferenciar a dor de cabeça e a enxaqueca?

    A principal diferença entre uma dor de cabeça comum e a enxaqueca está na intensidade, na localização da dor e nos sintomas associados:

    • Tipo de sensação: na dor de cabeça comum, a sensação é de aperto ou pressão (como uma faixa apertando o crânio). Já na enxaqueca, a dor é latejante ou pulsátil, como se houvesse um coração batendo dentro da cabeça;
    • Localização: a cefaleia comum normalmente afeta os dois lados da cabeça ou a região da testa e nuca. A enxaqueca, na maioria dos casos, concentra-se em apenas um dos lados (dor unilateral);
    • Sintomas acompanhantes: a enxaqueca raramente vem sozinha e costuma ser acompanhada de enjoo, vômitos e uma intolerância aguda à luz, cheiros fortes e ruídos. A dor de cabeça comum dificilmente apresenta os sinais;
    • Duração: uma dor de cabeça tensional pode durar de 30 minutos a algumas horas. Já uma crise de enxaqueca pode persistir por até 72 horas se não for tratada adequadamente;
    • Impacto no movimento: esforços físicos simples, como subir escadas ou caminhar rápido, costumam agravar drasticamente a dor da enxaqueca, o que não acontece na cefaleia tensional leve.

    Além disso, a enxaqueca pode ter gatilhos específicos, como alterações hormonais, estresse, jejum prolongado, privação de sono, excesso de telas, consumo de álcool e alguns alimentos.

    Quando a dor de cabeça pode ser grave?

    Na maioria das vezes, a dor de cabeça é apenas um sinal de cansaço ou tensão no dia a dia, mas dependendo de como ela se manifesta, pode indicar alguma condição mais séria, como infecções, problemas vasculares ou picos de pressão arterial.

    Procure um pronto-socorro imediatamente se a dor apresentar os seguintes sinais de alerta:

    • Início súbito e explosivo, com dor muito intensa que surge em segundos ou minutos, muitas vezes descrita como “a pior dor da vida”;
    • Alterações neurológicas, como confusão mental, desorientação, perda de força em um lado do corpo, dificuldade para falar ou visão turva repentina;
    • Rigidez na nuca acompanhada de febre alta e dificuldade para encostar o queixo no peito;
    • Dor que surge ou piora após uma queda ou batida forte na cabeça;
    • Mudança no padrão da dor em pessoas que já têm enxaqueca, principalmente quando os remédios deixam de funcionar;
    • Dor acompanhada de convulsões, desmaios ou vômitos em jato.

    Além dos casos de emergência, é importante agendar uma consulta com um neurologista se a dor de cabeça se tornar frequente (mais de duas vezes por semana), pois o uso excessivo de analgésicos pode acabar tornando o quadro crônico e mascarando a causa real do problema.

    Como aliviar a dor em casa?

    Se a dor não é grave, algumas medidas podem ajudar a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a tensão muscular, como:

    • Descansar em um ambiente escuro, silencioso e bem ventilado para reduzir os estímulos durante a crise;
    • Utilizar compressa fria na testa ou na nuca para aliviar a enxaqueca;
    • Utilizar compressa morna nos ombros e no pescoço para relaxar a tensão muscular;
    • Manter uma boa hidratação ao longo do dia, já que a desidratação pode piorar a dor;
    • Evitar excesso de cafeína e bebidas muito açucaradas durante a crise;
    • Massagear as têmporas, a nuca e os ombros com movimentos circulares suaves;
    • Apostar em chás calmantes que ajudam no relaxamento e no controle das náuseas, como camomila.

    Vale destacar que as medidas contribuem para o alívio da dor, mas não substituem o tratamento indicado por um médico, especialmente se as crises forem recorrentes.

    Como é feito o tratamento de enxaqueca?

    O tratamento da enxaqueca pode variar de acordo com a frequência, a intensidade das crises e os sintomas apresentados por cada pessoa. Durante as crises, o médico pode indicar remédios analgésicos, anti-inflamatórios, medicamentos específicos para enxaqueca ou para controlar sintomas como náuseas e vômitos.

    Quando as crises são frequentes ou muito incapacitantes, pode ser necessário um tratamento preventivo, a partir do uso de remédios de uso contínuo para diminuir a frequência e a intensidade das crises.

    Além dos remédios, também é importante adotar mudanças no estilo de vida, como:

    • Manter uma rotina regular de sono;
    • Evitar longos períodos em jejum;
    • Controlar o estresse;
    • Praticar atividade física regularmente;
    • Reduzir o excesso de telas e estímulos luminosos;
    • Identificar alimentos ou situações que funcionam como gatilho para as crises.

    Em alguns casos, terapias complementares, acompanhamento psicológico, fisioterapia e técnicas de relaxamento também podem ajudar no controle dos sintomas.

    Leia mais: Dor de cabeça constante: o que pode ser e como aliviar

    Perguntas frequentes

    1. Enxaqueca tem cura?

    Não tem cura definitiva, mas tem controle. O tratamento adequado reduz a frequência, a intensidade e a duração das crises.

    2. O que é a “aura” na enxaqueca?

    São sintomas visuais (pontos brilhantes, flashes) ou sensoriais (formigamentos) que surgem cerca de 15 a 60 minutos antes da dor começar.

    3. Por que sinto enjoo quando tenho dor de cabeça?

    O enjoo é um sintoma clássico da enxaqueca, pois o quadro afeta o sistema nervoso central e pode lentificar o processo digestivo durante a crise.

    4. Qual o melhor médico para tratar isso?

    O neurologista é o especialista indicado para diagnosticar o tipo de cefaleia e prescrever o tratamento preventivo ou agudo.

    5. Gravidez aumenta a enxaqueca?

    Muitas mulheres melhoram da enxaqueca na gestação devido à estabilidade hormonal, mas outras podem ter crises devido às mudanças vasculares.

    6. O que é cefaleia em salvas?

    É uma dor extremamente intensa, geralmente em torno de um olho, que ocorre em ciclos (salvas). É considerada uma das dores mais fortes que existem.

    7. Qual a diferença entre cefaleia e dor de cabeça?

    Nenhuma. “Cefaleia” é apenas o termo médico oficial para qualquer tipo de dor de cabeça.

    8. Por que a luz incomoda tanto durante a crise de enxaqueca?

    Isso se chama fotofobia. Na enxaqueca, o cérebro processa os estímulos visuais de forma hipersensível, tornando a luz dolorosa.

    Confira: Dor latejante e sensibilidade à luz? Pode ser enxaqueca

  • O que pode ser a língua branca? Saiba quando você deve procurar um médico

    O que pode ser a língua branca? Saiba quando você deve procurar um médico

    Você já notou uma camada esbranquiçada cobrindo a sua língua ao se olhar no espelho? Na maioria das vezes, a língua branca é apenas um sinal de que restos de alimentos e bactérias se acumularam sobre as papilas linguais, formando a chamada saburra.

    No entanto, você deve ficar atento se a mancha não sair facilmente com a escovação ou se vier acompanhada de sintomas como dor, ardência ou mau hálito persistente. Nesses casos, a alteração pode indicar desde uma desidratação até infecções por fungos, como a candidíase oral.

    O que pode ser a língua branca?

    A língua branca costuma surgir quando a higiene bucal não é feita de forma adequada, como quando a língua não é escovada ou o fio dental não é usado regularmente. Consequentemente, restos de alimentos e células mortas se acumulam entre as papilas, formando uma camada esbranquiçada que, inclusive, pode causar mau hálito.

    Em casos menos comuns, a língua branca também pode ser causada por:

    • Candidíase oral: infecção fúngica, popularmente conhecida como sapinho, que forma placas esbranquiçadas semelhantes a leite coalhado;
    • Leucoplasia: manchas brancas que surgem na mucosa da boca e na língua, sendo mais frequentes em pessoas que fumam;
    • Líquen plano: uma condição inflamatória que gera linhas ou manchas brancas, podendo causar sensibilidade a alimentos ácidos;
    • Sífilis: a doença, quando em estágio secundário, pode apresentar feridas e manchas brancas na cavidade oral;
    • Desidratação: a falta de ingestão de água reduz a produção de saliva, facilitando o acúmulo de detritos na superfície lingual.

    Como limpar a língua corretamente?

    O ideal é fazer a limpeza da língua todos os dias, preferencialmente pela manhã e antes de dormir, junto com a escovação dos dentes. Para isso, você pode usar um raspador lingual ou a própria escova de dentes:

    • Posicione o raspador ou a escova na parte mais posterior da língua, indo até onde for confortável, sem causar náuseas. Com o tempo, o reflexo tende a diminuir;
    • Faça movimentos de trás para frente, deslizando suavemente em direção à ponta da língua, com leve pressão, repetindo de 3 a 5 vezes e cobrindo toda a superfície, incluindo as laterais;
    • Enxágue o instrumento após cada passada em água corrente para remover os resíduos acumulados;
    • Finalize com um bochecho com água para eliminar os detritos e, se quiser, utilize um enxaguante bucal sem álcool.

    Vale destacar que muitas escovas de dente já vêm com um raspador de língua na parte de trás da cabeça, o que facilita ainda mais. Além disso, lembre-se de manter uma boa hidratação ao longo do dia e não esquecer do uso do fio dental.

    Se você notar acúmulo excessivo de saburra e mau hálito persistente, pode ser necessário aumentar a frequência da limpeza.

    Como tratar a língua branca?

    O tratamento para a língua branca depende do que está causando a alteração. Quando o motivo é a higiene bucal inadequada, limpar a língua todos os dias e beber bastante água já costuma ser suficiente para reduzir a mancha.

    Mas, em casos de infecções, pode ser necessário o acompanhamento médico e o uso de medicamentos específicos:

    • Candidíase oral (sapinho): tratada com antifúngicos, que podem ser em forma de gel, solução ou comprimidos, conforme orientação médica;
    • Infecções bacterianas: podem exigir o uso de antibióticos, dependendo da avaliação do profissional;
    • Líquen plano oral: pode necessitar de medicamentos anti-inflamatórios ou imunomoduladores para controlar os sintomas;
    • Leucoplasia: requer acompanhamento profissional, já que pode estar associada a alterações celulares e, em alguns casos, requer uma investigação mais detalhada.

    Além disso, é importante tratar fatores que contribuem para o problema, como boca seca, uso de determinados medicamentos, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

    Quando ir ao médico?

    Procure um médico nas seguinte situações:

    • A mancha não desaparece mesmo após uma semana de higiene rigorosa com raspadores ou escova;
    • Sensação de queimação constante, especialmente ao comer alimentos ácidos ou picantes;
    • Presença de aftas, úlceras ou caroços que não cicatrizam em até 15 dias;
    • Problemas ou desconforto ao mastigar, engolir ou falar;
    • A língua sangra facilmente ao ser escovada ou ao tentar remover as placas brancas;
    • Manchas que parecem rígidas, ásperas ou que apresentam relevos incomuns (como as da leucoplasia);
    • Presença de febre, gânglios inchados no pescoço ou perda de peso sem causa aparente.

    Nesses casos, a avaliação profissional é importante para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado.

    Como prevenir o aparecimento de manchas na língua?

    Para evitar o surgimento da camada esbranquiçada e manter a saúde da boca em dia, algumas mudanças simples na rotina ajudam, como:

    • Manter a higiene bucal completa, escovando a língua diariamente e usando fio dental;
    • Beber bastante água ao longo do dia para manter a boca hidratada e estimular a produção de saliva;
    • Evitar hábitos irritantes, como fumar e consumir álcool em excesso;
    • Ter uma alimentação equilibrada, com frutas e vegetais que ajudam na limpeza natural da boca;
    • Evitar o consumo excessivo de açúcar, que favorece o crescimento de fungos;
    • Manter bons níveis de vitaminas, como ferro e vitamina B12;
    • Ir regularmente ao dentista para avaliação e limpeza profissional.

    Sempre que terminar de escovar os dentes, dê uma olhada rápida no espelho: uma língua saudável deve ser rosada e limpa. Se notar qualquer mudança que dure mais de uma semana, é hora de reforçar a limpeza ou buscar orientação médica.

    Leia mais: Sífilis: veja como prevenir e tratar essa infecção antiga que voltou a crescer

    Perguntas frequentes

    1. O que causa a língua branca em bebês?

    Pode ser candidíase oral (sapinho) ou resíduos de leite. Se não sair ao passar uma gaze úmida, deve-se consultar o pediatra.

    2. Por que a língua fica branca durante o jejum?

    A falta de mastigação e a menor produção de saliva durante o jejum diminuem a autolimpeza da boca, favorecendo o acúmulo de detritos.

    3. Língua branca pode ser sinal de HIV?

    Pode ser um sintoma indireto, já que o vírus enfraquece a imunidade, facilitando o surgimento de candidíase oral ou leucoplasia pilosa.

    4. Língua branca causa mau hálito?

    Sim, a saburra lingual é uma das principais causas de halitose, pois as bactérias ali presentes liberam gases com odor forte.

    5. Qual o melhor raspador de língua: plástico ou metal?

    Ambos funcionam, mas os de metal (aço inox ou cobre) são mais duráveis, fáceis de esterilizar e acumulam menos bactérias com o tempo.

    6. Língua branca pode ser câncer?

    É bastante raro, mas manchas brancas que não saem (leucoplasia) devem ser avaliadas, pois podem ser lesões pré-cancerígenas, especialmente em fumantes.

    7. Quanto tempo demora para a língua voltar ao normal?

    Se for apenas higiene, a melhora é imediata após a raspagem. Se for infecção, o tratamento com remédios costuma se resolver em 7 a 14 dias.

    Veja também: Candidíase oral (sapinho): por que aparecem placas brancas na boca?

  • Afta na boca: o que causa e como tratar em casa

    Afta na boca: o que causa e como tratar em casa

    A afta na boca, também conhecida como estomatite aftosa, é uma pequena lesão arredondada, esbranquiçada ou amarelada, que surge nos lábios, língua ou bochechas. Apesar de normalmente não ser grave, a dor e a sensibilidade podem dificultar as tarefas simples do dia a dia, como comer, beber ou falar.

    Na maioria das vezes, a afta aparece por causa de pequenos traumas, quedas na imunidade ou deficiências nutricionais, e tende a desaparecer sozinha em poucos dias. Mas se feridas são muito frequentes ou demoram a cicatrizar, pode ser necessário procurar orientação médica. Vamos entender mais, a seguir.

    Afinal, o que é afta?

    A afta é uma pequena ferida que aparece na parte interna da boca, como na língua, gengiva, bochechas ou lábios. Ela costuma ser arredondada, com o centro esbranquiçado ou amarelado e uma borda avermelhada ao redor, e pode causar bastante dor, principalmente ao falar, comer ou escovar os dentes.

    Diferente do herpes, a afta não é contagiosa e ocorre sempre na parte interna da cavidade bucal, nunca do lado de fora dos lábios.

    Quais os tipos de afta?

    As aftas podem ser classificadas de acordo com o tamanho, a quantidade e a intensidade dos sintomas:

    • Afta menor (afta comum): é a mais frequente, sendo pequenas, arredondadas, superficiais e bastante dolorosas, mas não deixam cicatriz. Elas costumam desaparecer sozinhas em 7 a 14 dias;
    • Afta maior: é menos comum, porém mais intensa. As lesões são maiores, mais profundas, podem demorar mais para cicatrizar (até semanas) e, em alguns casos, deixam cicatriz. A dor costuma ser mais forte;
    • Afta herpetiforme: apesar do nome, não tem relação com herpes. Aparece em forma de várias pequenas lesões agrupadas, que podem se juntar e formar áreas maiores. Costuma ser bastante dolorosa e pode surgir com mais frequência em algumas pessoas

    O que causa afta na boca?

    A causa da afta na boca nem sempre é clara, mas ela pode surgir por diversos fatores do dia a dia, que irritam a mucosa ou deixam o organismo mais sensível:

    • Pequenos traumas locais, como mordidas acidentais, uso de aparelhos ortodônticos, próteses mal ajustadas ou escovação muito forte;
    • Períodos de estresse, cansaço extremo ou situações que reduzem a imunidade, facilitando o aparecimento das lesões;
    • Consumo frequente de alimentos mais ácidos, como abacaxi, kiwi e tomate, ou de comidas muito condimentadas, que podem irritar a mucosa da boca;
    • Deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, ferro, ácido fólico e zinco, que são importantes para a saúde da mucosa oral;
    • Alterações hormonais, que podem explicar o surgimento de aftas em alguns períodos específicos, como durante o ciclo menstrual.

    Além disso, algumas pessoas têm uma predisposição natural a desenvolver aftas com mais frequência, o que pode estar relacionado a fatores genéticos ou a uma maior sensibilidade da mucosa oral.

    Quando é preciso se preocupar?

    Apesar das aftas serem comuns, vale a pena buscar orientação de um dentista ou clínico geral se:

    • A afta for excepcionalmente grande (maior que 1 cm de diâmetro) ou se surgirem várias feridas ao mesmo tempo;
    • A ferida demorar mais de 3 semanas para desaparecer completamente;
    • A dor for intensa e não apresentar melhora mesmo com o uso de analgésicos comuns ou pomadas tópicas;
    • O surgimento das lesões vier acompanhado de febre, mal-estar geral, cansaço excessivo ou gânglios inchados no pescoço (“ínguas”);
    • As aftas forem recorrentes, surgindo quase todos os meses, o que pode indicar deficiências vitamínicas, intolerâncias alimentares ou doenças inflamatórias intestinais;
    • Se a dor impedir completamente a hidratação, especialmente em crianças e idosos, devido ao risco de desidratação.

    Nesses casos, o médico ou dentista poderá prescrever tratamentos mais específicos, como corticoides de uso local, ou solicitar exames de sangue para verificar os níveis de ferro, ferritina e vitaminas do complexo B.

    O que é bom para afta na boca?

    As aftas pequenas normalmente não precisam de tratamento e desaparecem sozinhas em até 15 dias, mas alguns cuidados podem acelerar o processo:

    • Manter a higiene bucal adequada, com escovação suave e uso de fio dental;
    • Fazer bochechos com água morna e sol, que ajudam a limpar a região e reduzir a inflamação;
    • Usar pomadas ou géis específicos para afta, que formam uma camada protetora e aliviam a dor;
    • Optar por alimentos mais frios e macios, que não irritam a lesão;
    • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
    • Evitar alimentos ácidos, muito quentes ou condimentados, que podem piorar a dor.

    Em alguns casos, o médico ou dentista pode indicar medicamentos com ação analgésica, anti-inflamatória ou até suplementos vitamínicos, quando há deficiência nutricional envolvida.

    Importante: evite usar bicarbonato de sódio puro diretamente sobre a afta, pois ele pode causar uma queimadura química na mucosa e piorar o tamanho da ferida, retardando a cicatrização.

    Dicas para prevenir o surgimento de aftas

    No dia a dia, pequenos ajustes nos hábitos podem reduzir drasticamente a frequência das crises de afta, como:

    • Usar escovas de cerdas macias e cabeça pequena para evitar machucar a boca;
    • Preferir cremes dentais sem lauril sulfato de sódio (LSS), caso tenha aftas frequentes;
    • Ajustar aparelhos ortodônticos ou próteses quando estiverem incomodando;
    • Observar alimentos que podem desencadear aftas, como os muito ácidos ou crocantes;
    • Manter uma alimentação rica em vitamina B12, ferro e ácido fólico;
    • Controlar o estresse com hábitos como atividade física e sono regular;
    • Beber bastante água para manter a boca hidratada;
    • Evitar morder a parte interna da boca;
    • Não colocar objetos na boca, como canetas ou unhas.

    Além dos cuidados diários, o recomendado é visitar o dentista a cada seis meses para realizar uma limpeza profissional e uma avaliação completa da boca. O profissional pode identificar precocemente alterações na mucosa e indicar o melhor tratamento, evitando que pequenos problemas se tornem recorrentes.

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo demora para uma afta sumir?

    Em média, de 7 a 15 dias. Se a lesão persistir por mais de 3 semanas, é fundamental procurar um médico ou dentista.

    2. O que causa afta constante?

    Pode ser sinal de imunidade baixa, estresse crônico, carências vitamínicas (principalmente B12 e Ferro) ou sensibilidade a certos alimentos e componentes de cremes dentais.

    3. Afta na garganta é perigosa?

    Geralmente não, mas é muito desconfortável. Pode dificultar a deglutição e, se vier acompanhada de febre, deve ser avaliada para descartar infecções como a amigdalite.

    4. Bebês podem ter aftas?

    Sim. Em bebês, é comum ocorrer devido a traumas com brinquedos ou infecções virais (como a estomatite). É importante consultar o pediatra para o manejo da dor.

    5. Afta pode ser sinal de HIV?

    Aftas muito grandes, múltiplas e que não cicatrizam podem ocorrer em diversas condições de imunossupressão, mas apenas um exame de sangue pode dar esse diagnóstico.

    6. Qual a diferença entre estomatite e afta?

    A afta é a lesão em si. A estomatite é o nome dado a qualquer inflamação ou infecção na boca que cause o surgimento de várias aftas ou feridas ao mesmo tempo.

  • 6 sinais de alerta da doença de Parkinson 

    6 sinais de alerta da doença de Parkinson 

    A doença de Parkinson costuma ser lembrada, quase sempre, por um sinal muito específico: o tremor. Mas a realidade é mais ampla do que isso. Em muitos casos, os primeiros sinais aparecem de forma discreta, se confundem com cansaço, envelhecimento ou perda de agilidade, e acabam demorando a chamar atenção.

    Isso ajuda a explicar por que tanta gente só procura avaliação quando os sintomas já estão mais evidentes.

    O Parkinson trata-se de uma doença neurológica progressiva, ligada à degeneração de neurônios produtores de dopamina, substância importante para o controle dos movimentos.

    Ela afeta principalmente a motricidade, mas também pode trazer sintomas não motores, como alterações do sono, do olfato e do intestino. Isso significa que o Parkinson não começa, necessariamente, com um quadro clássico. Muitas vezes, os sinais vão se somando aos poucos.

    O que é a doença de Parkinson?

    A doença de Parkinson é um distúrbio do movimento. O cérebro perde, progressivamente, neurônios que produzem dopamina, e isso compromete a forma como o corpo inicia e coordena movimentos. Os sintomas podem variar de uma pessoa para outra, tanto em intensidade quanto em velocidade de progressão.

    Os sinais motores mais típicos costumam ser:

    • Tremor de repouso;
    • Rigidez;
    • Lentidão;
    • Alterações na marcha e no equilíbrio.

    Embora seja mais frequente em pessoas mais velhas, o Parkinson não deve ser visto como uma consequência normal da idade. Tremores persistentes, rigidez crescente e dificuldade para realizar movimentos do dia a dia não devem ser naturalizados.

    Quanto mais cedo o quadro é reconhecido, mais cedo a pessoa pode iniciar tratamento, fisioterapia, atividade física orientada e acompanhamento neurológico.

    Por que reconhecer os sinais cedo faz diferença?

    O Parkinson ainda não tem cura, mas tem tratamento. E esse tratamento não se resume a remédio. A abordagem costuma envolver também reabilitação, atividade física, estratégias para fala, equilíbrio e funcionalidade.

    Em outras palavras, reconhecer os sinais cedo não muda só o diagnóstico, mas também o tempo de intervenção e o impacto da doença na autonomia da pessoa.

    Além disso, nem todo tremor é Parkinson, e nem toda lentidão indica uma doença neurodegenerativa. Justamente por isso, observar o conjunto dos sintomas é tão importante.

    O diagnóstico é clínico e depende da avaliação médica da combinação entre sinais motores e da sua evolução ao longo do tempo.

    6 sinais de alerta de doença de Parkinson

    1. Tremor em repouso

    Esse é o sinal mais conhecido, mas não está presente em todos os pacientes. O tremor do Parkinson costuma aparecer quando a parte do corpo está parada, principalmente em mãos e dedos, e tende a melhorar durante o movimento voluntário. Também pode surgir em queixo, pés ou, em alguns casos, de forma mais evidente em um lado do corpo.

    O ponto importante aqui é a persistência. Um tremor passageiro, depois de esforço físico, estresse ou excesso de cafeína, pode ter outra explicação. Já um tremor recorrente, especialmente em repouso, merece investigação.

    2. Lentidão para se mover

    A bradicinesia, ou lentidão motora, é um dos sinais centrais do Parkinson. A pessoa passa a demorar mais para iniciar movimentos, sente que o corpo não responde com a mesma rapidez e pode perceber dificuldade para tarefas simples, como levantar da cadeira, abotoar roupas ou começar a andar.

    Esse tipo de lentidão é uma redução real da velocidade e da amplitude dos movimentos, muitas vezes acompanhada de esforço aumentado para fazer atividades comuns. Em algumas pessoas, isso aparece antes mesmo do tremor.

    3. Rigidez muscular

    Outro sinal frequente é a rigidez. Ela pode dar a sensação de músculos duros, travados ou resistentes ao movimento. Às vezes, a pessoa não descreve isso como rigidez, mas como dor, incômodo ou dificuldade para mexer braços, pernas, pescoço ou ombros.

    Essa rigidez pode afetar a marcha, a postura e até a forma de balançar os braços ao caminhar. Quando progressiva, costuma interferir bastante no conforto e na mobilidade.

    4. Alterações no caminhar e no equilíbrio

    No Parkinson, a marcha pode mudar. A pessoa passa a caminhar com passos mais curtos, arrastando mais os pés, com postura inclinada para frente e menor balanço dos braços. Conforme a doença evolui, o equilíbrio também pode ser afetado, aumentando o risco de tropeços e quedas.

    5. Mudança na escrita

    A letra pode ficar progressivamente menor, mais apertada e difícil de ler. Esse achado é conhecido como micrografia e pode ser uma pista útil, principalmente quando surge em pessoas que antes escreviam de forma diferente.

    Como a escrita envolve coordenação fina, velocidade e controle de movimento, ela costuma refletir mudanças motoras precoces. Nem sempre é um sintoma valorizado pelo paciente, mas às vezes chama a atenção da família.

    6. Rosto mais parado e menos expressivo

    A redução da expressão facial também é um sinal possível. A pessoa pode parecer mais séria, piscar menos ou transmitir a impressão de que está com o rosto mais rígido, mesmo sem perceber isso.

    Esse sinal costuma passar despercebido no começo, mas pode ser observado por familiares ou amigos. Quando aparece junto com lentidão, rigidez e alteração da marcha, ganha relevância clínica.

    Outros sinais que também podem aparecer

    A doença de Parkinson também pode causar sintomas não motores. Entre eles estão:

    • Diminuição do olfato;
    • Constipação intestinal;
    • Alterações do sono;
    • Fadiga;
    • Ansiedade;
    • Depressão.

    Em algumas pessoas, esses sintomas surgem antes mesmo dos sinais motores clássicos.

    Quando procurar um médico?

    Vale procurar um neurologista ou clínico geral se houver:

    • Tremor persistente;
    • Rigidez;
    • Lentidão progressiva;
    • Alteração da escrita;
    • Mudança na marcha;
    • Perda de equilíbrio.

    Também vale investigar quando familiares percebem mudanças motoras que a própria pessoa minimiza.

    Veja mais:

    Tremores, lentidão e rigidez: o que é e como tratar o Parkinson

    Perguntas frequentes sobre doença de Parkinson

    1. Tremor sempre significa Parkinson?

    Não. Existem várias causas de tremor, incluindo estresse, medicamentos e tremor essencial.

    2. Parkinson só acontece em idosos?

    É mais comum após os 60 anos, mas pode ocorrer antes disso.

    3. O Parkinson afeta só os movimentos?

    Não. Também pode causar sintomas não motores, como constipação, alterações do sono e de humor.

    4. A doença tem cura?

    Não tem cura, mas tem tratamento para controle dos sintomas.

    5. A escrita menor pode ser um sinal real?

    Sim. A micrografia é um sinal possível da doença.

    6. Toda pessoa com Parkinson tem tremor?

    Não. O tremor é comum, mas não aparece em todos os casos.

    7. Exercício físico ajuda?

    Sim. Atividade física e fisioterapia são consideradas partes importantes do cuidado.

    Confira:

    Exames de sangue: como pequenas alterações podem indicar tendência futura?

  • 5 sintomas de hemorroida que não devem ser ignorados 

    5 sintomas de hemorroida que não devem ser ignorados 

    As hemorroidas são veias dilatadas e inflamadas na região anal ou retal, que surgem quando a pressão nos vasos sanguíneos da área aumenta excessivamente. Isso pode acontecer por esforço físico ao evacuar, sedentarismo prolongado ou mesmo devido a gravidez, já que o crescimento do bebê aumenta a pressão pélvica e comprime os vasos sanguíneos locais.

    A partir da dilatação das veias, começam a aparecer os primeiros sintomas de hemorroidas, que variam conforme o tipo de hemorroida (interna ou externa) e o grau de inflamação.

    Quais os sintomas de hemorroidas?

    1. Coceira persistente (prurido)

    A coceira é um dos primeiros sinais a aparecer em um quadro hemorroidas, especialmente nas externas. Como a pele da região é muito sensível, qualquer irritação causada pela inflamação das veias, pelo atrito ou pela umidade local pode desencadear uma coceira persistente. Com o tempo, o ato de coçar pode causar mais irritação e aumentar o desconforto.

    Vale lembrar que a coceira frequente também pode estar relacionada a outros fatores, como higiene inadequada e dermatites na região, o que torna importante a avaliação médica.

    2. Pequenos caroços

    A presença de pequenas protuberâncias (do tamanho de grãos de feijão) na borda do ânus indica que o sangue pode estar coagulado dentro da veia. O processo, conhecido como trombose hemorroidária, é a complicação mais comum na condição e costuma provocar dor intensa e súbita, além de endurecimento e aumento do volume local.

    Nesses casos, a região pode ficar mais sensível ao toque, com vermelhidão e dificuldade para sentar ou evacuar.

    3. Inchaço ou sensação de peso

    Antes mesmo da dor aparecer, você pode sentir aquele desconforto ao sentar em superfícies duras ou a sensação de latejamento na região após longos períodos em pé.

    Com o aumento da pressão intra-abdominal, seja por esforço ou má postura, as veias hemorroidais se enchem de sangue e aumentam de tamanho, criando a sensacão de que há algo sendo empurrado de dentro para fora no canal anal.

    4. Dor intensa

    As hemorroidas tendem a ser indolores nos estágios iniciais, especialmente quando são internas, mas podem causar dor intensa à medida que o quadro piora.

    Ela normalmente está associada à formação de fissuras anais, que são pequenos cortes ou rachaduras no revestimento do ânus, causados pela passagem de fezes muito endurecidas em pacientes que convivem com prisão de ventre. A dor costuma ser mais intensa durante ou após as evacuações.

    5. Sangramentos

    O sangramento é mais comum nas hemorroidas internas, porque o tecido da região é mais delicado e sangra com facilidade. Na maioria das vezes, o sangue é vermelho vivo e pode aparecer no papel higiênico, nas fezes ou no vaso sanitário após evacuar.

    Como o sangramento também pode estar relacionado a outras condições mais sérias, como pólipos ou câncer colorretal, qualquer episódio deve ser avaliado por um profissional de saúde.

    Qual a diferença entre hemorroida interna e externa?

    A diferença entre a hemorroida interna e a hemorroida externa está principalmente na localização, nos sintomas e no tipo de desconforto que causam:

    • Internas: se formam dentro do resto, acima da abertura anal, e são revestidas por uma mucosa, uma espécie de tecido semelhante ao da parte interna da bochecha. Normalmente não causam dor, mas podem levar ao sangramento durante as evacuações;
    • Externas: são veias que se projetam para fora do ânus, normalmente devido a um esforço intenso para evacuar. Elas costumam causar dor, ardor, inchaço e desconforto, principalmente ao sentar ou evacuar, sendo bastante sensível ao toque. Em alguns casos, pode ocorrer a formação de um coágulo (trombose), o que intensifica a dor e o inchaço local.

    O diagnóstico de hemorroidas é feito durante uma consulta médica, a partir da avaliação dos sintomas e de um exame físico da região anal. O médico pode observar diretamente a área para identificar hemorroidas externas e realizar o toque retal para avaliar alterações internas.

    Quando o profissional suspeita de hemorroidas internas, pode ser indicada uma anuscopia, um exame simples que permite visualizar o interior do canal anal.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

    Perguntas frequentes

    1. Hemorroida pode virar câncer?

    Não. As hemorroidas são varizes (veias dilatadas) e não têm nenhuma relação biológica com o câncer. No entanto, como ambas as condições podem causar sangramento anal, é fundamental que um médico realize o diagnóstico para descartar doenças mais graves.

    2. Quem tem hemorroida precisa de cirurgia?

    A grande maioria dos casos (cerca de 80% a 90%) é tratada com mudanças na dieta, aumento da ingestão de água, pomadas específicas e banhos de assento. A cirurgia é reservada para graus avançados ou quando o tratamento clínico não funciona.

    3. Por que grávidas têm mais chance de ter hemorroidas?

    O aumento do volume do útero pressiona as veias da região pélvica e o aumento do hormônio progesterona relaxa as paredes das veias, facilitando a dilatação. Além disso, a constipação é comum na gestação, o que agrava o quadro.

    4. O que é o banho de assento e como ele ajuda?

    É o ato de sentar em uma bacia com água morna por 10 a 15 minutos. A temperatura da água promove o relaxamento do esfíncter anal e melhora a circulação local, reduzindo significativamente a dor e o inchaço.

    5. Quanto tempo dura uma crise de hemorroida?

    Uma crise aguda costuma durar de 7 a 10 dias com o tratamento adequado. Se houver trombose (um coágulo endurecido), o desconforto pode persistir por algumas semanas até que o corpo reabsorva o coágulo.

    6. Qual a melhor posição para evacuar?

    A posição de cócoras (com os pés elevados em um banquinho à frente do vaso) é a mais anatômica. Ela relaxa o músculo puborretal e retifica o canal anal, exigindo muito menos esforço para a saída das fezes.

    7. Sexo anal causa hemorroidas?

    A prática em si não causa hemorroidas, mas se já houver uma inflamação ou dilatação presente, o atrito pode causar dor, sangramento e agravar os sintomas. O uso de lubrificação adequada e o relaxamento são necessários.

    Veja também: Prisão de ventre: o que fazer quando o intestino trava

  • Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Febre na gravidez é perigoso? Saiba quando se preocupar

    Durante a gravidez, o corpo da mulher convive com tantas mudanças que é natural se perguntar se ela fica mais vulnerável a infecções ou se qualquer sintoma, como uma febre, já é motivo de preocupação.

    Na prática, o que acontece é uma redução da resposta imune celular e um aumento da resposta humoral. Segundo a ginecologista e obstetra Andreia Sapienza, é uma adaptação fisiológica do organismo para manter a gestação e evitar rejeição ou aborto.

    Mas, ao mesmo tempo, as mudanças também podem modificar a forma como o corpo reage a vírus, bactérias e processos inflamatórios. Conversamos com a especialista para entender o que é esperado, o que merece atenção e quando procurar ajuda médica. Confira!

    Quando a febre na gravidez é preocupante?

    A febre na gravidez é sempre um sinal de alerta e deve ser investigada, mesmo quando aparece sem nenhum outro sintoma associado, segundo Andreia. Ela normalmente indica a presença de uma infecção no organismo, e o ideal é identificar a causa o quanto antes para iniciar o tratamento adequado.

    O aumento da temperatura corporal pode impactar tanto a mãe quanto o bebê, elevando a frequência cardíaca de ambos e aumentando o gasto metabólico. Dependendo do agente causador, algumas infecções podem atravessar a barreira placentária e atingir o feto.

    Gestantes ficam mais vulneráveis a infecções?

    A resposta é não necessariamente. O que acontece, na prática, é uma mudança no funcionamento do sistema imunológico.

    De acordo com Andreia, o organismo feminino na gravidez passa por uma modulação imunológica complexa e necessária para garantir a sobrevivência do feto. Como o bebê possui material genético diferente do materno, o corpo realiza um ajuste inteligente para não o identificar como um agente invasor.

    Contudo, a mudança altera a forma como o sistema imunológico responde a determinados patógenos. As gestantes não ficam necessariamente mais vulneráveis a infecções, mas passam a ter um sistema de defesa que funciona de maneira diferente, o que pode aumentar a suscetibilidade a infecções virais, como gripes e resfriados, e a complicações respiratórias, já que a resposta celular se torna menos intensa.

    Além disso, algumas infecções podem se manifestar de forma atípica durante a gestação, com sintomas mais leves ou diferentes do habitual, o que pode atrasar a identificação do problema. Por isso, qualquer sinal of infecção, mesmo que pareça simples, deve ser avaliado com atenção.

    Quais as infecções mais comuns na gravidez?

    As infecções mais comuns na gravidez incluem:

    • Infecção urinária: é a mais frequente na gestação e pode acontecer sem sintomas, por isso é rastreada no pré-natal. Quando não tratada, pode evoluir para infecção renal e aumentar o risco de complicações, como parto prematuro;
    • Infecções respiratórias: incluem gripe, resfriados e covid-19, e podem se manifestar de forma diferente na gestante e, em alguns casos, evoluir com mais gravidade, exigindo acompanhamento mais próximo;
    • Infecções gastrointestinais: normalmente estão relacionadas ao consumo de alimentos contaminados. Podem causar diarreia, vômitos e desidratação, o que exige atenção, principalmente pela perda de líquidos;
    • Infecções de pele: como furúnculos ou celulites costumam ter evolução semelhante à de pessoas não gestantes, mas ainda assim precisam ser avaliadas para evitar complicações.

    Existem infecções que podem ser transmitidas ao feto (transmissão vertical) e por isso são rastreadas rigorosamente no pré-natal:

    • Toxoplasmose, normalmente contraída por água ou alimentos contaminados;
    • Citomegalovírus (CMV), é um vírus comum da família da herpes que pode ser transmitido pelo contato com fluidos corporais;
    • Sífilis e outras ISTs, que devem ser detectadas precocemente para evitar malformações ou complicações no nascimento;
    • Listeriose, uma infecção bacteriana ligada ao consumo de alimentos crus ou mal lavados, que pode ser perigosa para a placenta.

    Riscos da febre e de infecções na gravidez

    A febres leve e passageira normalmente não é perigosa, mas dependendo da intensidade e da causa, ela também pode impactar o bebê, principalmente no início da gravidez, que é um período mais sensível para o desenvolvimento.

    Quando a temperatura da mãe aumenta, o organismo entra em um estado de maior esforço, com aceleração do metabolismo. Andreia aponta que isso pode levar ao aumento da frequência cardíaca tanto da gestante quanto do bebê, como uma resposta natural do corpo ao processo infeccioso.

    Além disso, alguns tipos de infecção conseguem atravessar a placenta, que funciona como uma espécie de barreira de proteção, aumentando o risco de malformações congênitas ou até de aborto espontâneo.

    Em estágios mais avançados, o processo inflamatório pode estimular a liberação de substâncias que provocam contrações uterinas precoces, resultando em parto prematuro ou restrição de crescimento fetal, quando o bebê não recebe os nutrientes necessários para se desenvolver plenamente.

    Algumas infecções bacterianas e virais persistentes, inclusive, podem comprometer a oxigenação do bebê, o que requer um acompanhamento médico mais rigoroso.

    Quando ir ao médico imediatamente?

    A gestante deve procurar o pronto-socorro o quanto antes sempre que apresentar febre, mesmo que seja o único sintoma. Também é importante ficar atento aos seguintes sinais, que podem indicar uma infecção:

    • Temperatura igual ou maior que 38 °C;
    • Febre que persiste por mais de 24 horas;
    • Dor ao urinar ou suspeita de infecção urinária;
    • Falta de ar, tosse intensa ou dor no peito;
    • Vômitos persistentes ou dificuldade para se alimentar;
    • Dor abdominal ou contrações;
    • Mal-estar importante ou sensação de fraqueza.

    Na gestação, o ideal é não esperar os sintomas piorarem e também não aguardar a consulta pré-natal. A avaliação precoce ajuda a identificar a causa e iniciar o tratamento mais seguro para a mãe e o bebê.

    Como tratar a febre na gravidez?

    O tratamento da febre costuma envolver o uso de medicamentos para controlar a temperatura, como paracetamol e dipirona, que são considerados seguros durante a gravidez. No entanto, Andreia ressalta que eles não tratam a causa da febre, apenas aliviam o sintoma.

    Para o tratamento das infecções, é necessário identificar o agente causador, pois cada condição requer uma abordagem específica. Entre as mais comuns, Andreia explica:

    • Infecção urinária pode exigir antibióticos específicos, definidos após exames como a urocultura;
    • Infecções bacterianas têm tratamento direcionado conforme o agente;
    • Infecções virais, na maioria das vezes, são tratadas com suporte, como hidratação e repouso;
    • Em casos de influenza, pode ser indicado antiviral como o oseltamivir.

    Hoje, exames como o PCR (reação em cadeia da polimerase) permitem identificar com precisão o agente infeccioso, especialmente vírus, o que facilita um diagnóstico mais assertivo.

    Vale lembrar que a gestante não deve tomar medicamentos por conta própria. Apenas um médico pode indicar o tratamento mais seguro e adequado.

    Como prevenir infecções durante a gravidez?

    A prevenção das infecções na gravidez está muito ligada aos hábitos do dia a dia, como:

    • Manter boa higiene das mãos ao longo do dia;
    • Ter uma alimentação equilibrada e bem higienizada;
    • Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e ovos;
    • Beber bastante água para manter o organismo hidratado;
    • Dormir bem, com sono de qualidade;
    • Praticar atividade física de forma regular e orientada;
    • Manter as vacinas recomendadas em dia;
    • Evitar contato com pessoas doentes sempre que possível.

    Também é importante manter o pré-natal em dia, já que muitos exames ajudam a identificar infecções silenciosas antes mesmo de causarem sintomas.

    Confira: Grávidas não podem usar de tudo: o que deve ser evitado durante a gestação

    Perguntas frequentes

    1. Qual temperatura é considerada febre na gravidez?

    A partir de 37,8°C já é considerado estado febril. Acima de 38°C, a gestante deve monitorar de perto e entrar em contato com o médico.

    2. Posso tomar paracetamol para baixar a febre?

    Sim, o paracetamol é geralmente o analgésico e antitérmico mais seguro na gestação. No entanto, a dose deve ser sempre orientada pelo obstetra.

    3. O que causa calafrios na gravidez sem febre?

    As mudanças hormonais ou ansiedade podem causar calafrios. Porém, se houver mal-estar, pode ser o início de uma infecção que ainda não manifestou febre.

    4. Como saber se o corrimento é infecção ou normal da gravidez?

    O corrimento normal é fluido e sem cheiro. Se houver cor (amarelado, esverdeado), coceira ou odor forte, pode ser candidíase ou vaginose.

    5. O que é a infecção pelo Estreptococo B?

    É uma bactéria que pode habitar o trato genital da mulher. Ela não costuma causar sintomas na mãe, mas pode infectar o bebê durante o parto normal.

    6. Banho frio ajuda a baixar a febre na gestante?

    O ideal é o banho morno. O banho muito frio pode causar choque térmico e tremores, o que aumenta ainda mais a temperatura interna do corpo.

    7. Quando a febre é considerada uma emergência?

    Se a temperatura não baixar com remédios, se houver falta de ar, dor abdominal forte, sangramento, diminuição dos movimentos do bebê ou confusão mental.

    Veja também: Cirurgia na gravidez é seguro? Saiba o que é feito em casos de emergência

  • Queimadura de sol: como saber quando é grave e como melhorar os sintomas? 

    Queimadura de sol: como saber quando é grave e como melhorar os sintomas? 

    Um dos problemas mais comuns do verão, a queimadura de sol é uma inflamação na pele causada pela exposição excessiva aos raios ultravioletas (UV) sem o uso de proteção, como protetor solar.

    Além dos sintomas desconfortáveis, como vermelhidão, descamação e ardência, a lesão indica um dano celular que, se não for tratado adequadamente, pode resultar em problemas a longo prazo, como envelhecimento precoce ou câncer de pele.

    Na maioria dos casos, os sintomas aparecem algumas horas depois da exposição solar e podem ser aliviados com cuidados caseiros, como compressas frias e hidratação intensa. No entanto, quando a queimadura atinge camadas mais profundas, pode provocar febre, calafrios e desidratação, precisando de atendimento médico imediatamente.

    O que é uma queimadura de sol?

    Uma queimadura de sol é uma lesão na pele causada pela exposição excessiva aos raios ultravioleta, principalmente dos raios UVA e UVB. Quando a pele fica exposta ao sol por muito tempo sem proteção, como protetor solar ou roupas, os raios UV penetram nas camadas da pele, danificam as células e desencadeiam uma resposta inflamatória do organismo.

    Como resultado, podem surgir sintomas como vermelhidão intensa, ardência, dor ao toque e sensação de calor na região afetada. Em casos mais graves, podem aparecer bolhas, febre e mal-estar, indicando uma queimadura mais grave.

    Vale destacar que a exposição solar sem proteção é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de pele ao longo da vida, já que o dano causado pelos raios UV é cumulativo. Quanto mais episódios de queimadura, especialmente na infância e na adolescência, maior tende a ser o risco no futuro.

    Como diferenciar o bronzeado da queimadura?

    A principal diferença é que o bronzeado é uma resposta de proteção da pele, enquanto a queimadura é uma lesão causada pelo sol.

    No caso do bronzeamento, quando a pele entra em contato com os raios UV, ela aumenta a produção de melanina, um pigmento natural que ajuda a protegê-la. Por isso, a cor da pele fica mais escura de forma gradual, normalmente sem dor, vermelhidão intensa e ou desconforto significativo.

    A queimadura solar, por outro lado, acontece quando a exposição ultrapassa o limite de proteção da pele, causando danos celulares e desencadeando uma reação inflamatória. Diferente do bronzeado, que aparece aos poucos, a queimadura costuma surgir algumas horas após a exposição.

    Quais os tipos de queimadura de sol?

    As queimaduras de sol podem ser classificadas de acordo com a profundidade do dano na pele, de forma parecida com outras queimaduras:

    • Queimadura de primeiro grau: é a forma mais leve e comum e afeta apenas a camada superficial da pele, causando vermelhidão, sensação de calor, sensibilidade e dor leve, sem formação de bolhas. A pessoa ainda pode ter descamação nos dias seguintes;
    • Queimadura de segundo grau: é mais intensa e atinge camadas mais profundas, causando vermelhidão mais forte, dor significativa, inchaço e formação de bolhas. A pele pode ficar úmida e o tempo de recuperação é maior;
    • Queimadura de terceiro grau: é rara em casos de exposição solar, mas pode acontecer em situações extremas. Nesse caso, ocorre um dano profundo com destruição das camadas da pele, que pode apresentar um aspecto esbranquiçado, escurecido ou endurecido.

    As queimaduras na pele podem ser intensificadas quando há o contato ou uso de produtos sensibilizantes, como perfumes, limão e algumas outras frutas.

    Sintomas de queimadura de sol

    Os sintomas costumam aparecer algumas horas após a exposição e podem incluir:

    • Vermelhidão na pele;
    • Sensação de calor ou ardência;
    • Dor ao toque;
    • Inchaço leve;
    • Descamação nos dias seguintes;
    • Sensibilidade ao toque;
    • Bolhas e febre em casos mais graves.

    Em alguns casos, também pode haver dor de cabeça, náuseas e sinais de desidratação, especialmente após uma exposição solar prolongada.

    Como diagnosticar a queimadura de sol?

    O diagnóstico da queimadura solar é feito através do exame visual da pele e da análise dos sintomas que surgem entre 2 a 6 horas após a exposição aos raios UV. Na consulta, o médico analisa a presença de vermelhidão, dor, sensação de calor, inchaço, descamação e, em casos mais intensos, a formação de bolhas.

    Também é importante entender quanto tempo a pessoa ficou exposta ao sol, se houve uso de proteção e quando os sintomas começaram, já que a queimadura costuma aparecer algumas horas após a exposição.

    Como melhorar a queimadura de sol?

    O tratamento da queimadura de sol depende da intensidade dos sintomas, mas normalmente é feito com cuidados simples para aliviar a inflamação, a dor e ajudar a pele a se recuperar, como:

    • Interromper a exposição ao sol e proteger a pele até a recuperação completa;
    • Limpar o local com água corrente;
    • Resfriar a região com banhos frios ou mornos e compressas frias;
    • Hidratar a pele com cremes suaves, de preferência com aloe vera ou pantenol;
    • Aumentar a ingestão de líquidos para evitar desidratação;
    • Evitar produtos irritantes, como perfumes, ácidos e esfoliantes;
    • Não puxar a pele que está descamando;
    • Usar roupas leves e soltas para reduzir o atrito na pele.

    Em caso de dor intensa, o médico pode prescrever o uso de cremes analgésicos e anti-inflamatórios, além de medicamentos por via oral para controle da dor e da inflamação. Quando aparecem bolhas, elas não devem ser estouradas, pois elas funcionam como uma proteção natural contra infecções.

    Nos casos mais graves, com presença de febre, calafrios, mal-estar ou áreas extensas de pele afetadas, é importante procurar atendimento médico. Se houver sinais de insolação ou desidratação severa, pode ser necessária a reposição de soro na veia.

    O que não passar na queimadura?

    Quando a pele está queimada pelo sol, ela fica mais sensível e vulnerável, então qualquer receita caseira pode ser perigosa e retardar a cicatrização da pele. Por isso, é importante evitar:

    • Pasta de dente;
    • Manteiga, óleos ou banha;
    • Álcool;
    • Clara de ovo;
    • Vinagre puro;
    • Gelo direto na pele.

    Também evite o uso de perfumes ou colônias na região por alguns dias, já que eles contêm álcool e outras substâncias que podem irritar ainda mais a pele.

    Riscos da queimadura de sol para a saúde

    No curto e no longo prazo, a queimadura de sol pode trazer diferentes riscos para a saúde:

    • Desidratação: a pele lesionada perde a capacidade de reter líquidos, o que pode causar tontura e mal-estar geral;
    • Infecções na pele: a quebra da barreira cutânea, especialmente na presença de bolhas, facilita a entrada de bactérias e pode precisar de tratamento com antibióticos;
    • Envelhecimento precoce: mesmo após a cicatrização, o dano acumulado favorece o surgimento de manchas, perda de elasticidade e rugas antes do tempo;
    • Câncer de pele: a exposição repetida aos raios UV danifica o DNA das células, aumentando o risco de carcinoma basocelular, espinocelular e melanoma;
    • Insolação: em casos de exposição extrema, pode ocorrer uma alteração grave na regulação da temperatura corporal, com risco de comprometimento de órgãos vitais.

    Como evitar as queimaduras solares?

    No dia a dia, é possível evitar as queimaduras de sol com alguns cuidados:

    • Usar protetor solar diariamente, com FPS 30 (no mínimo), aplicando a cada duas horas ou após suor intenso e contato com água;
    • Utilizar barreiras físicas, como chapéus, bonés, óculos de sol e roupas com proteção UV;
    • Procurar sombra sempre que possível, especialmente em ambientes abertos como praia e piscina;
    • Aplicar o protetor solar cerca de 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol;
    • Não esquecer áreas mais sensíveis, como orelhas, nuca, pés e lábios;
    • Manter a pele hidratada e beber bastante água ao longo do dia;
    • Ter atenção redobrada com crianças, que têm a pele mais sensível.

    A recomendação é evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade, normalmente entre 10h e 16h, pois, nesse período, a radiação ultravioleta está mais forte e pode causar danos à pele em menos tempo. Isso aumenta significativamente o risco de queimaduras, mesmo em exposições curtas.

    Leia também: Melanoma: o que é e como identificar o tipo mais perigoso de câncer de pele

    Perguntas frequentes

    1. Quanto tempo dura uma queimadura de sol?

    Em casos leves (1º grau), os sintomas como dor e vermelhidão costumam melhorar em 3 a 5 dias. Já em casos graves com bolhas (2º grau), a cicatrização completa da pele pode levar de 10 a 14 dias.

    2. O que é bom para passar na pele descascando?

    Quando a pele começa a descascar, o ideal é usar hidratantes potentes e livres de fragrâncias, conforme orientado pelo médico. Evite puxar as peles soltas, pois isso pode ferir a camada saudável que ainda está se formando.

    3. Queimadura de sol pode causar febre?

    Sim. Quando a queimadura atinge uma área extensa do corpo, o organismo pode desencadear uma resposta inflamatória sistêmica, causando febre, calafrios e dor de cabeça. Isso pode ser um sinal de insolação.

    4. Quando a queimadura de sol é considerada grave?

    Ela é grave quando apresenta bolhas, quando cobre mais de 15% do corpo, ou quando o paciente apresenta sinais como confusão mental, desmaio, vômitos ou febre alta. Nestes casos, o atendimento médico deve ser imediato.

    5. Quanto tempo depois da queimadura posso me expor ao sol novamente?

    O ideal é esperar a pele se recuperar totalmente, o que leva de 7 a 14 dias. A pele nova que surge após a descamação é extremamente fina e sensível, podendo manchar ou queimar com muito mais facilidade se exposta precocemente.

    6. Queimadura de sol causa manchas permanentes?

    Pode causar. Se a inflamação for profunda ou se a pessoa se expuser ao sol enquanto a pele ainda está se recuperando, podem surgir manchas escuras (melasma solar) ou manchas brancas (leucodermia), difíceis de tratar posteriormente.

    7. Bebês e crianças podem usar os mesmos tratamentos de adultos?

    A pele da criança é muito mais fina e absorve substâncias com mais facilidade. Em bebês, evite automedicação e use apenas produtos indicados pelo pediatra. Se houver febre ou bolhas em crianças, a consulta médica é obrigatória.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

  • 9 sinais de que o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica

    9 sinais de que o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica

    Não é uma novidade que o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes pode causar problemas sérios para a saúde física e mental, incluindo problemas cardiovasculares, hepáticos e psiquiátricos. Por isso, o Brasil proíbe a prescrição e comercialização com finalidades estéticas, de ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo.

    Os anabolizantes atuam profundamente no sistema endócrino, desregulando a produção natural de hormônios e sobrecarregando órgãos vitais como o coração, o fígado e os rins.

    Além dos danos físicos visíveis, como acne severa e queda de cabelo, o uso das substâncias interfere diretamente no sistema nervoso central, podendo desencadear quadros de dependência, depressão profunda e comportamentos agressivos.

    Como saber se o uso de anabolizantes se tornou uma emergência médica?

    O excesso de hormônio no organismo pode desencadear uma série de sintomas, como aponta o cardiologista Remo Furtado e a Associação Médica Brasileira.

    1. Dor ou pressão no peito

    A dor no peito é um dos sinais mais graves do excesso de anabolizantes. Segundo Remo, o uso causa o espessamento das paredes do coração e torna o sangue mais viscoso, dificultando a circulação e aumentando o risco de coágulos, podendo causar um infarto.

    Se você sentir uma sensação de aperto, queimação ou peso que irradia para os braços ou mandíbula, procure socorro imediato.

    2. Pressão alta com dor de cabeça intensa

    Um aumento importante da pressão arterial pode causar dor de cabeça forte, visão turva e sensação de mal-estar. Os anabolizantes pode desregular a pressão e aumentar o risco de complicações como o AVC, especialmente quando utilizados em doses elevadas.

    3. Arritmias ou palpitações fortes

    O comprometimento elétrico do coração pode se manifestar através de batimentos descompassados ou acelerados sem motivo aparente. As palpitações indicam que o músculo cardíaco, impactado pelo uso de hormônios sintéticos, pode estar com dificuldade para manter um ritmo estável.

    As arritmias graves podem evoluir para paradas cardiorrespiratórias, precisando de monitoramento médico urgente para estabilizar a frequência cardíaca.

    4. Icterícia (pele e olhos amarelados)

    O fígado, sobrecarregado pelo processamento dos esteroides (especialmente os de via oral), pode perder a capacidade de filtrar toxinas e metabolizar a bilirrubina. Como consequência, ocorre o acúmulo da substância no sangue, o que causa a coloração amarelada da pele e dos olhos.

    5. Urina escura ou fezes brancas

    A presença de urina muito escura, semelhante à cor de refrigerante tipo cola, ou fezes claras pode indicar alteração no funcionamento do fígado ou dos rins.

    Os sinais mostram que o organismo não está conseguindo eliminar resíduos de forma adequada, o que pode evoluir para quadros graves se não for tratado adequadamente.

    6. Dor abdominal aguda e constante

    Os anabolizantes, especialmente os de uso oral, são altamente hepatotóxicos e podem causar complicações que resultam em dor intensa na região do abdômen superior, como inflamação no fígado, lesões hepáticas ou até o desenvolvimento de alterações mais graves, como tumores.

    7. Inchaço súbito e generalizado (edema)

    O acúmulo rápido de líquidos, perceptível pelo inchaço acentuado nas pernas, tornozelos, mãos ou no rosto, é um indicativo de que os rins ou o coração não estão mais conseguindo bombear e filtrar os fluidos corporais.

    8. Psicose e os episódios de fúria descontrolada

    Os esteroides interferem no controle dos impulsos e na percepção da realidade, podendo levar ao fenômeno conhecido como roid rage. O resultado pode ser um quadro de agressividade intensa ou episódios psicóticos, nos quais a pessoa perde o contato com a realidade e pode colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas.

    9. Sintomas depressivos

    O surgimento de alterações no humor, como tristeza intensa, falta de energia, desânimo constante ou pensamentos negativos, podem acontecer especialmente com a interrupção dos anabolizantes. As substâncias afetam diretamente o funcionamento do cérebro, alterando substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e dopamina.

    O que fazer ao chegar no pronto-socorro?

    Se você chegar ao pronto-socorro com sinais de complicação por uso de anabolizantes, é importante oferecer o máximo de informações possíveis para a equipe médica:

    • Informe o uso de anabolizantes logo no atendimento, mesmo que não tenha sido recente;
    • Diga quais substâncias foram usadas, se souber o nome, a forma de uso (oral ou injetável) e as doses;
    • Explique há quanto tempo está usando e se houve aumento recente da dose;
    • Relate todos os sintomas, mesmo os que parecem leves;
    • Leve embalagens ou fotos dos produtos, se possível.

    Além dos esteroides, relate o uso de qualquer outra substância associada, como termogênicos, diuréticos, suplementos pré-treino ou medicamentos de terapia pós-ciclo (TPC), pois as interações medicamentosas podem agravar o risco de colapso renal ou cardíaco.

    Os danos dos anabolizantes são reversíveis?

    Segundo Remo, os danos causados pelos anabolizantes podem ser reversíveis em alguns casos, quando o uso é interrompido, mas não é o caso para todas as pessoas. Isso varia conforme o tempo de uso, a dose, o tipo de substância e a resposta de cada organismo.

    Leia mais: Ansiedade ou infarto? Saiba como diferenciar os sinais e quando procurar um médico

    Perguntas frequentes

    1. O que são esteroides anabolizantes?

    São substâncias sintéticas criadas para imitar a testosterona. Elas estimulam o crescimento celular e a síntese de proteínas, resultando no aumento da massa muscular e da força física.

    2. Como os anabolizantes atuam no corpo?

    Eles se ligam a receptores nas células musculares, sinalizando ao organismo para acelerar a construção de fibras e a retenção de nitrogênio, o que agiliza a recuperação e o ganho de volume.

    3. Para que servem os anabolizantes?

    São indicados estritamente para tratar deficiências hormonais (hipogonadismo), atraso na puberdade, anemias graves e perda de massa muscular causada por doenças como câncer ou HIV.

    4. Quais os principais efeitos colaterais dos anabolizantes em homens?

    Os mais comuns incluem a redução dos testículos, queda acentuada na produção de espermatozoides (infertilidade), crescimento das mamas (ginecomastia) e calvície precoce.

    5. Quais os principais efeitos colaterais dos anabolizantes em mulheres?

    Ocorre um processo de virilização, caracterizado pelo engrossamento da voz, crescimento de pelos no rosto, irregularidade no ciclo menstrual e aumento irreversível do clitóris.

    6. Como identificar o uso de anabolizantes no sangue?

    Através de exames que mostram testosterona total muito acima do limite, enquanto os hormônios LH e FSH (responsáveis por estimular a produção natural) aparecem zerados ou suprimidos.

    7. É seguro comprar anabolizantes pela internet?

    Não. Produtos de venda online clandestina costumam vir de laboratórios sem higiene, podendo conter impurezas, bactérias, metais pesados ou substâncias diferentes das anunciadas no rótulo.

    Leia mais: Raiva pode causar infarto? Entenda como emoções intensas afetam o coração

  • Por que o autismo pode passar despercebido até a vida adulta? Conheça os sinais mais comuns

    Por que o autismo pode passar despercebido até a vida adulta? Conheça os sinais mais comuns

    Apesar de frequentemente percebido na primeira infância, por ser a fase de desenvolvimento da linguagem, interação social e do comportamento, o transtorno do espectro autista (TEA) nem sempre se manifesta de forma óbvia nos primeiros anos de vida.

    Na verdade, para muitos adultos, o processo até o diagnóstico é marcado por uma sensação persistente de ser diferente ou de precisar realizar um esforço imenso para realizar tarefas que parecem naturais para os outros.

    Mas por que isso acontece? No dia a dia, pessoas com níveis de suporte mais baixos podem desenvolver mecanismos de defesa para se ajustarem às expectativas da sociedade.

    Segundo a neurologista Paula Dieckmann, ao longo dos anos, elas aprendem a imitar gestos, forçar contato visual e decorar roteiros sociais, um fenômeno conhecido como masking.

    O processo, que tende a ser exaustivo e doloroso, pode causar um grande desgaste emocional e mental, aumentando os riscos de burnout, depressão e ansiedade.

    O que explica o diagnóstico tardio de autismo?

    O diagnóstico tardio de autismo, seja na adolescência, vida adulta ou mesmo na terceira idade, pode acontecer por uma série de fatores, mas normalmente envolve a forma como o TEA se manifesta.

    Em pessoas com nível de suporte 1, os sinais na infância tendem a ser mais sutis e acabam sendo interpretados como traços de personalidade, como timidez, perfeccionismo ou necessidade de rotina.

    Com isso, muitas das crianças conseguem acompanhar as demandas do dia a dia sem levantar suspeitas, especialmente quando têm bom desempenho escolar ou conseguem manter interações sociais consideradas adequadas.

    Ao longo da vida, muitas pessoas com o espectro também desenvolvem estratégias para imitar comportamentos neurotípicos, como forçar contato visual e decorar roteiros de conversação, o que é conhecido como masking.

    Isso é mais comum em mulheres, que muitas vezes recebem menos diagnósticos porque apresentam interesses mais aceitos socialmente e são incentivadas, desde cedo, a se adaptar melhor às situações sociais.

    Mas, na vida adulta, com o aumento das demandas, manter as adaptações pode ser extremamente exaustivo. Por isso, é comum que ela apresente quadros de ansiedade, cansaço intenso e sensação de não pertencimento, o que leva à busca por ajuda e, finalmente, ao diagnóstico.

    Como identificar os sinais de autismo em adultos?

    Na vida adulta, os sinais costumam ser mais internos e sutis do que na infância, mas, quando analisados em conjunto, mostram um padrão de processamento neurológico diferente:

    • Dificuldade em manter conversas sociais: pode haver um esforço grande para entender o momento de falar ou para captar as nuances de uma conversa. Isso inclui dificuldade em entender sarcasmo, ironia ou expressões de duplo sentido, levando a uma interpretação muito literal da fala alheia;
    • Desconforto com contato visual: muitos adultos relatam que olhar nos olhos é algo invasivo, desconfortável ou que exige tanta concentração que eles perdem o fio da meada do que está sendo dito;
    • Hipersensibilidade ou hipossensibilidade sensorial: uma reação intensa a estímulos que outros ignoram, como o barulho de uma lâmpada fluorescente, o toque de certas etiquetas de roupas ou o cheiro de determinados alimentos. Por outro lado, pode haver uma alta tolerância à dor ou temperatura;
    • Apego rígido a rotinas: mudanças de última hora nos planos podem gerar uma ansiedade desproporcional ou um sentimento de desorientação, pois a rotina funciona como um suporte de segurança emocional;
    • Foco intenso em interesses específicos (hiperfoco): dedicar uma quantidade excepcional de tempo e energia a um tema, hobby ou área do conhecimento. O adulto pode se tornar um especialista profundo em assuntos específicos e sentir grande prazer em falar sobre eles detalhadamente;
    • Dificuldade em ler sinais não verbais: ter dificuldade para interpretar expressões faciais, linguagem corporal ou o “clima” de um ambiente. Isso pode fazer com que a pessoa pareça, sem querer, indiferente ou inadequada em situações sociais;
    • Exaustão social (social burnout): sentir-se completamente drenado após eventos sociais simples, como uma reunião de trabalho ou um jantar, precisando de muito tempo de isolamento e silêncio para “recarregar as baterias”;
    • Comportamentos repetitivos ou estereotipados: na vida adulta, movimentos como balançar o corpo ou as mãos podem ser substituídos por hábitos mais discretos, como mexer repetidamente no cabelo, roer unhas, balançar a perna ou estalar os dedos de forma constante para autorregulação.

    É importante lembrar que o autismo é um espectro, então uma pessoa não precisa apresentar todos os sinais para estar dentro dele, e a intensidade de cada característica varia muito de um indivíduo para outro. Se você se identifica com vários dos pontos, o ideal é buscar uma avaliação com um psicólogo especializado ou psiquiatra.

    Como é feito o diagnóstico de autismo na vida adulta?

    O diagnóstico de autismo (TEA) na vida adulta é clínico, feito por profissionais especializados, como psiquiatras ou neurologistas, e envolve uma avaliação cuidadosa e aprofundada de toda a trajetória da pessoa. O processo inclui:

    • Entrevistas detalhadas (anamnese);
    • Levantamento do histórico de vida desde a infância;
    • Análise do funcionamento atual;
    • Observação do comportamento em diferentes contextos de vida.

    Na prática, o profissional busca entender como a pessoa se comunica, como se relaciona, como lida com mudanças, com estímulos do ambiente e com a própria rotina. Também podem ser usados questionários padronizados e escalas específicas que ajudam a organizar as informações e identificar padrões consistentes com o espectro autista.

    A avaliação neuropsicológica também pode ser necessária, pois ela permite analisar funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, flexibilidade mental e habilidades sociais, trazendo um panorama mais completo do funcionamento da pessoa.

    Normalmente, Paula explica que familiares ou pessoas próximas podem ser convidados a contribuir com informações, especialmente sobre a infância, já que os sinais do TEA estão presentes desde as fases iniciais do desenvolvimento, mesmo que tenham passado despercebidos.

    Fechei o diagnóstico, e agora?

    No primeiro momento, é comum sentir alívio por finalmente ter uma resposta para algo que você sempre viveu, mas também é normal sentir luto pelo tempo perdido sem suporte adequado, raiva pelo diagnóstico tardio, e às vezes uma desorientação sobre o que fazer com a informação nova.

    A partir do diagnóstico, lembre-se que ele não muda quem você é, apenas oferece respostas e ferramentas para ter uma qualidade de vida melhor. Com ele, fica mais fácil identificar limites, reconhecer necessidades e buscar medidas para lidar com os aspectos que causam sofrimento, como sobrecarga sensorial, esgotamento por masking e relações interpessoais, por exemplo.

    Nesse período, uma dica é conversar com outros adultos com o transtorno. Existem grupos de apoio e comunidades online que ajudam a perceber que seus desafios e talentos são compartilhados por muitos outros, reduzindo o sentimento de solidão.

    No Brasil, a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/12) assegura ao adulto com TEA direitos como atendimento prioritário, acesso a serviços de saúde especializados pelo SUS e, em alguns contextos, acomodações no ambiente de trabalho e educacional.

    Confira: TDAH em adultos: 6 sinais de que não é só falta de organização

    Perguntas frequentes

    1. O autismo pode surgir apenas na vida adulta?

    Não. O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que ele nasce com a pessoa. O que acontece na vida adulta é o diagnóstico, não o surgimento da condição.

    2. O que é o nível de suporte no autismo?

    Atualmente, o autismo é classificado em níveis (1, 2 e 3), baseados em quanta ajuda a pessoa precisa para realizar atividades diárias e se comunicar.

    3. Por que muitos autistas evitam contato visual?

    Para muitos, o contato visual é sensorialmente desconfortável ou distrai o cérebro, dificultando o processamento do que a outra pessoa está dizendo.

    4. O que é uma “crise sensorial” ou meltdown no adulto?

    É uma resposta à sobrecarga de estímulos (sons, luzes, estresse). No adulto, pode se manifestar como uma explosão de irritabilidade ou uma necessidade urgente de se isolar.

    5. Existe exame de sangue para detectar autismo?

    Não. O diagnóstico é estritamente clínico, baseado na observação do comportamento e no histórico do paciente.

    6. Adultos com autismo precisam tomar remédio?

    Não existe remédio para o autismo em si. Medicamentos podem ser usados para tratar condições associadas, como ansiedade, insônia ou depressão.

    7. O adulto com autismo pode tirar carteira de motorista?

    Sim, desde que passe nos testes psicotécnicos e práticos exigidos pelo DETRAN, como qualquer outra pessoa.

    Veja também: Autismo em adultos: sinais que você pode não saber e quando buscar diagnóstico