Autor: Dra. Juliana Soares

  • Gengiva sangrando: quando é normal e quando procurar um dentista?

    Gengiva sangrando: quando é normal e quando procurar um dentista?

    Uma gengiva saudável é firme, rosada e perfeitamente adaptada ao redor dos dentes, funcionando como um escudo protetor contra bactérias. Se você notar um sangramento durante a escovação ou uso do fio dental, mesmo que pequeno, vale investigar se há uma inflamação na região, que enfraquece a barreira natural de proteção contra as bactérias.

    Se não for tratada, a inflamação na gengiva pode evoluir para doenças periodontais mais graves, comprometendo os tecidos que sustentam os dentes e, nos casos mais avançados, até provocando a perda deles.

    Mas então, como é feito o tratamento? Explicamos, a seguir, os principais cuidados com a higiene bucal em casa e quando você deve procurar ajuda de um dentista.

    Gengiva sangrando ao escovar os dentes é normal?

    Por menor que seja, o sangramento na gengiva ao escovar os dentes ou usar o fio dental não é normal. Uma gengiva saudável é firme, tem coloração rosada e não deve sangrar durante a higiene bucal.

    Na maioria dos casos, o sangramento é um dos primeiros sinais de que há uma inflamação ativa na região, geralmente causada pelo acúmulo de placa bacteriana — uma película invisível e pegajosa, formada por bactérias e restos de alimentos, que se deposita constantemente sobre os dentes.

    Quando a placa não é removida adequadamente com a escovação e o uso do fio dental, ela provoca uma inflamação na gengiva, conhecida como gengivite. Os vasos sanguíneos da região ficam mais sensíveis e frágeis, podendo se romper facilmente durante a escovação ou a passagem do fio dental.

    Principais causas da gengiva sangrando

    As causas do sangramento da gengiva podem variar desde hábitos simples de higiene até alterações no próprio organismo:

    1. Gengivite (inflamação da gengiva)

    A gengivite é a causa mais comum para o sangramento e acontece quando a placa bacteriana não é removida e acaba endurecendo, transformando-se em tártaro. O acúmulo de bactérias irrita a gengiva, provocando vermelhidão, inchaço e sangramento durante a escovação ou o uso do fio dental.

    2. Escovação muito forte ou escova inadequada

    Ao invés de fazer uma limpeza mais eficiente, o excesso de pressão da escovação pode machucar a gengiva e desgastar o esmalte dos dentes. O uso de escovas com cerdas médias ou duras também aumenta o risco de pequenos traumas na região, favorecendo o sangramento, a sensibilidade e até a retração gengival ao longo do tempo.

    3. Uso incorreto (ou falta) do fio dental

    O fio dental é indispensável para remover a placa bacteriana que fica entre os dentes, onde a escova não consegue alcançar. Quando ele é utilizado de forma brusca, pode machucar a gengiva e provocar um pequeno sangramento.

    Vale lembrar que a falta do uso do fio dental costuma ser um problema ainda maior. Sem a limpeza diária, as bactérias se acumulam entre os dentes, provocam inflamação na gengiva e fazem com que ela sangre facilmente quando o fio volta a ser utilizado.

    4. Alterações hormonais

    As oscilações hormonais que acontecem durante a gravidez, a puberdade, o ciclo menstrual e a menopausa podem deixar a gengiva mais sensível à ação das bactérias presentes na boca.

    Como consequência, a região tende a ficar mais inchada, avermelhada e propensa ao sangramento, mesmo quando a higiene bucal é adequada. Na gravidez, o quadro é conhecido como gengivite gravídica e precisa de atenção especial para evitar complicações.

    5. Deficiência de vitaminas

    A falta de vitamina C compromete a produção de colágeno e dificulta a cicatrização dos tecidos, deixando a gengiva mais frágil. Já a deficiência de vitamina K interfere no processo de coagulação do sangue, aumentando a tendência a pequenos sangramentos.

    Apesar das situações serem menos comuns do que a gengivite, elas também devem ser investigadas quando o sintoma persiste.

    O que fazer para tratar a gengiva sangrando?

    Na maioria das vezes, o sangramento pode ser resolvido em casa com os cuidados adequados de higiene, como:

    • Use o fio dental todos os dias: passe o fio pelo menos uma vez ao dia, de preferência antes da escovação noturna;
    • Utilize a técnica correta: deslize o fio com movimentos suaves de vai e vem, abraçando a lateral de cada dente e alcançando levemente a linha da gengiva;
    • Escove os dentes da forma adequada: mantenha a escova em um ângulo de 45° e faça movimentos suaves, circulares ou de varredura, sem aplicar força excessiva;
    • Escove todas as superfícies dos dentes: limpe a parte externa, interna e a superfície de mastigação;
    • Prefira escovas de cerdas macias ou ultramacias: elas removem a placa bacteriana sem machucar a gengiva;
    • Troque a escova regularmente: substitua a escova a cada três meses ou antes, se as cerdas estiverem deformadas;
    • Beba bastante água: a hidratação estimula a produção de saliva, que ajuda a controlar as bactérias da boca;
    • Tenha uma alimentação equilibrada: consuma alimentos ricos em vitamina C, como laranja, limão, kiwi e morango, para fortalecer a saúde da gengiva.

    É comum que a gengiva sangre um pouco mais nos primeiros dias em que você começar a usar o fio dental corretamente, mas não pare o uso. À medida que a placa bacteriana acumulada for removida, a inflamação vai diminuir e o sangramento deve desaparecer em até uma semana.

    Tratamentos caseiros para gengivite funcionam?

    No dia a dia, alguns tratamentos caseiros, como bochechos com água morna e sal ou chá de camomila, podem ajudar a aliviar a inflamação, reduzir o desconforto e diminuir o sangramento da gengiva. No entanto, eles não substituem a escovação adequada, o uso diário do fio dental e a limpeza profissional realizada pelo dentista.

    Por outro lado, algumas receitas populares devem ser evitadas, pois podem prejudicar a saúde bucal. É o caso do bicarbonato de sódio, carvão ativado, limão, vinagre e água oxigenada, que podem desgastar o esmalte dos dentes, irritar a gengiva e até causar queimaduras na mucosa.

    É importante lembrar que os cuidados apenas aliviam os sintomas. Se houver acúmulo de tártaro ou uma inflamação mais intensa, somente o dentista poderá remover a causa do problema e indicar o tratamento adequado.

    Quando ir ao dentista?

    Qualquer sangramento frequente precisa ser avaliado por dentista, especialmente quando dura mais de alguns dias ou acontece com frequência durante a escovação ou o uso do fio dental.

    Também é importante procurar atendimento se o sangramento vier acompanhado de outros sintomas, como:

    • Gengiva inchada, avermelhada ou dolorida;
    • Mau hálito persistente;
    • Retração da gengiva;
    • Presença de pus entre os dentes e a gengiva;
    • Sensação de dentes amolecidos;
    • Dor ao mastigar;
    • Sangramento espontâneo, sem escovação ou fio dental.

    O dentista poderá identificar a causa do problema, avaliar se existe doença periodontal e indicar o tratamento mais adequado. Quanto mais cedo a inflamação for tratada, menores são as chances de ocorrer perda óssea, retração da gengiva e até perda dos dentes no futuro.

    Leia também: Fio dental deve ser usado antes ou depois da escovação?

    Perguntas frequentes

    1. O sangramento na gengiva pode desaparecer sozinho?

    Até pode diminuir temporariamente, mas isso não significa que o problema foi resolvido. Se a causa for a gengivite, a inflamação continuará evoluindo sem o tratamento adequado.

    2. Qual é a melhor escova para quem tem gengiva sensível?

    As escovas de cerdas macias ou ultramacias são as mais indicadas, pois removem a placa bacteriana sem agredir os tecidos da gengiva.

    3. A gengivite pode causar perda dos dentes?

    Se não for tratada, ela pode evoluir para periodontite, uma doença que compromete o osso e os tecidos de sustentação dos dentes, aumentando o risco de perda dentária.

    4. Enxaguante bucal substitui o fio dental?

    Não. O enxaguante ajuda a complementar a higiene, mas não remove a placa bacteriana acumulada entre os dentes.

    5. Em quanto tempo a gengivite melhora?

    Nos casos leves, a melhora costuma acontecer em uma ou duas semanas após a adoção de uma boa higiene bucal e, quando necessário, da limpeza realizada pelo dentista.

    6. É normal a gengiva sangrar durante a limpeza no dentista?

    Pode acontecer, principalmente quando a gengiva já está inflamada. Após o tratamento e a melhora da higiene bucal, o sangramento tende a desaparecer.

    7. Como prevenir o sangramento na gengiva?

    A melhor forma é manter uma boa higiene bucal, escovando os dentes pelo menos três vezes ao dia, usando fio dental diariamente, realizando consultas periódicas ao dentista e evitando o cigarro.

    Confira: Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

  • Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Tomar banho muito quente: o que isso faz de verdade com a pele?

    Um banho bem quente é uma das melhores formas de relaxar depois de um dia cansativo, mas você sabia que ele pode ser o responsável por trás do ressecamento e da coceira na sua pele? Como a alta temperatura atua diretamente na remoção da camada protetora natural da pele, ela favorece a perda de água, diminui a hidratação natural e deixa a região mais sensível às agressões do ambiente.

    Com isso, a pele pode ficar áspera, repuxando, descamando e até apresentar pequenas rachaduras, especialmente em pessoas que já têm tendência ao ressecamento, dermatite ou outras doenças de pele.

    Mas então, o que fazer nos dias mais frios? Não é preciso abrir mão completamente do banho quentinho para manter a pele saudável, mas você vai precisar adotar alguns cuidados simples, como evitar temperaturas muito elevadas, reduzir o tempo embaixo do chuveiro e reforçar a hidratação da pele logo após o banho.

    O que acontece com a pele no banho muito quente?

    A barreira de proteção da pele conta com uma camada superficial chamada manto hidrolipídico, formada por uma mistura de água, suor e gorduras naturais (lipídios) produzidas pelo próprio organismo. Ela ajuda a manter a hidratação da pele e funciona como uma espécie de escudo contra bactérias, fungos, poluentes e outras substâncias irritantes.

    Quando você toma um banho com a água muito quente, parte da camada de gordura natural é removida. A pele perde água com mais facilidade, fica ressecada e se torna mais sensível aos componentes químicos do sabonete, do perfume e até ao atrito da toalha.

    Ao mesmo tempo, a alta temperatura dilata os vasos sanguíneos e pode intensificar a vermelhidão, a coceira e a sensação de desconforto, principalmente em pessoas que já têm doenças de pele, como dermatite, psoríase ou rosácea.

    Principais riscos do banho quente para a pele e cabelo

    A alta temperatura da água afeta tanto o corpo quanto o couro cabeludo, podendo causar:

    Ressecamento e descamação

    A água muito quente remove parte dos óleos naturais responsáveis por manter a hidratação da pele. Sem a proteção, a perda de água aumenta e a pele fica mais seca, áspera e com aquela sensação de repuxamento logo após o banho.

    Com o passar do tempo, as células mortas começam a se desprender de forma irregular, provocando uma descamação fina e esbranquiçada, bastante comum nas pernas, braços e cotovelos.

    Piora de dermatites e psoríase

    Pessoas com doenças de pele, como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou rosácea, costumam sentir os efeitos do banho quente de forma ainda mais intensa. A alta temperatura compromete a barreira de proteção da pele, favorece a inflamação e pode desencadear crises com vermelhidão, coceira, ardência e aumento da descamação.

    Envelhecimento precoce da pele

    Quando a pele permanece ressecada por longos períodos, ela perde parte da capacidade de manter a elasticidade e de se renovar. Embora o banho quente, por si só, não cause envelhecimento precoce, ele favorece o ressecamento crônico, deixando linhas finas e rugas mais aparentes, especialmente em regiões como rosto, pescoço e colo.

    Caspa e aumento da oleosidade do couro cabeludo

    Ao remover a oleosidade natural do couro cabeludo, o organismo pode responder produzindo ainda mais sebo para compensar a perda, o que é conhecido como efeito rebote. A raiz pode ficar oleosa poucas horas depois do banho.

    Além disso, a alteração da barreira cutânea e da microbiota do couro cabeludo favorece o agravamento da dermatite seborreica, aumentando a descamação, a coceira e a irritação. O calor excessivo também abre as cutículas dos fios, facilitando a perda de água e deixando o cabelo mais opaco, áspero e propenso à quebra.

    Qual é a temperatura ideal da água para o banho?

    Para manter a pele saudável e preservar a sua barreira de proteção, os dermatologistas recomendam que a temperatura da água fique entre 29°C e 37°C. Na prática, isso significa tomar um banho morno, o mais próximo possível da temperatura natural do corpo, que gira em torno de 36,5°C.

    Como a maioria das pessoas não mede a temperatura da água com um termômetro, existe um jeito simples de perceber quando ela está quente demais: se o banheiro fica cheio de vapor e o espelho ou o box embaçam rapidamente, é sinal de que a água provavelmente está acima do ideal para a pele.

    Além da temperatura, o recomendado é que o banho dure entre 5 e 10 minutos. Mesmo a água morna, quando utilizada por muito tempo, pode remover parte dos óleos naturais da pele e favorecer o ressecamento. Por isso, banhos mais curtos ajudam a preservar a hidratação natural e reduzem o risco de irritações, principalmente durante os dias mais frios.

    Dica: se você não consegue abrir mão da água mais quente nos dias frios, tente deixar o banho quente apenas para os últimos 2 ou 3 minutos, usando a água morna no restante do tempo para ensaboar e lavar o cabelo.

    Cuidados essenciais para proteger a pele durante e após o banho

    Além de diminuir a temperatura do chuveiro, você também pode adotar alguns hábitos simples na rotina diária para cuidar da saúde da pele, como:

    • Evite usar buchas ou esfregar a pele com força, pois o atrito pode danificar a barreira de proteção;
    • Escolha sabonetes suaves, de preferência hidratantes ou com pH fisiológico, especialmente se a pele for seca ou sensível;
    • Use sabonete apenas nas áreas que realmente precisam, como axilas, pés, virilha e região íntima, evitando o excesso no restante do corpo;
    • Seque a pele delicadamente, dando leves batidinhas com a toalha, sem esfregar;
    • Aplique um hidratante logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida;
    • Capriche na hidratação das áreas mais ressecadas, como pernas, cotovelos, joelhos, mãos e calcanhares;
    • Beba bastante água ao longo do dia para ajudar a manter a hidratação do organismo.

    Se o ressecamento, a coceira, e descamação ou as rachaduras não melhorarem mesmo com os cuidados, o ideal é procurar um dermatologista. Eles podem indicar doenças como dermatite atópica, dermatite seborreica, psoríase ou outras condições que precisam de tratamento específico.

    Confira: Carcinoma basocelular: entenda mais sobre o tipo de câncer de pele que mais afeta os brasileiros

    Perguntas frequentes

    1. Tomar banho quente causa coceira?

    Sim, a água muito quente remove parte da gordura natural que protege a pele, favorecendo o ressecamento. O calor também pode estimular a dilatação dos vasos sanguíneos e a liberação de substâncias inflamatórias, como a histamina, aumentando a sensação de coceira e vermelhidão, principalmente em pessoas com pele sensível.

    2. Por que a pele fica esbranquiçada após o banho quente?

    Isso acontece porque a água muito quente aumenta a perda de água pela pele, favorecendo o ressecamento. Com isso, ocorre uma descamação fina e superficial, que deixa a pele com um aspecto esbranquiçado, principalmente nas pernas, braços e cotovelos.

    3. O banho quente faz mal para o cabelo?

    Sim, a alta temperatura resseca o couro cabeludo, favorece a perda de água dos fios e deixa as cutículas mais abertas. O cabelo pode ficar mais opaco, áspero, com frizz e mais suscetível à quebra, além de desbotar mais rapidamente quando é tingido.

    4. Tomar banho quente abaixa a pressão?

    Pode acontecer. O calor provoca a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode reduzir temporariamente a pressão arterial e causar tontura, sensação de fraqueza ou até desmaios, principalmente em idosos ou pessoas predispostas.

    5. Qual o melhor tipo de sabonete para usar no banho?

    O ideal é optar por sabonetes suaves, com pH fisiológico ou do tipo syndet (sem sabão tradicional). Eles limpam a pele sem remover excessivamente a camada de gordura responsável pela proteção natural.

    6. Qual é o melhor momento para passar hidratante corporal?

    Logo após o banho, de preferência nos primeiros minutos, enquanto a pele ainda está levemente úmida. Isso ajuda a reter a água na superfície da pele e melhora a ação do hidratante.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

  • Caspa nas sobrancelhas e na barba: o que causa, como identificar e tratamento

    Caspa nas sobrancelhas e na barba: o que causa, como identificar e tratamento

    Apesar de mais comum no couro cabeludo, a caspa também pode aparecer na barba e nas sobrancelhas, causando descamação, coceira, vermelhidão e até um certo desconforto no dia a dia. Ela é causada especialmente pela dermatite seborreica, uma doença inflamatória crônica da pele que costuma afetar áreas ricas em glândulas sebáceas, que produzem uma maior quantidade de oleosidade.

    A condição está relacionada tanto à produção excessiva de sebo quanto à proliferação de um fungo chamado Malassezia, que habita naturalmente a pele humana. Contudo, ela não é contagiosa e pode ser tratada com o uso de medicamentos que controlam a inflamação e reduzem a proliferação do fungo. Veja alguns cuidados no dia a dia para cuidar da caspa no rosto.

    Afinal, o que causa caspa nos pelos do rosto?

    A principal causa da descamação na barba é a dermatite seborreica, uma doença inflamatória que afeta regiões do corpo com maior produção de oleosidade, como o couro cabeludo, a barba, as sobrancelhas e as laterais do nariz.

    Ela acontece quando a pele produz sebo em excesso, criando um ambiente favorável para a proliferação do fungo Malassezia, que vive naturalmente na pele de todas as pessoas.

    Em algumas delas, o aumento do fungo desencadeia uma reação inflamatória que faz com que as células da pele se renovem mais rapidamente do que o normal. O resultado são escamas brancas ou amareladas, que ficam presas entre os pelos da barba e nas sobrancelhas.

    Além da oleosidade, outros fatores também podem favorecer o aparecimento ou piorar as crises, como o estresse, o clima frio e seco, as mudanças hormonais e a predisposição genética.

    Como identificar a dermatite seborreica no rosto?

    Os sintomas da dermatite seborreica costumam aparecer aos poucos e podem alternar períodos de melhora e piora, especialmente em épocas de estresse ou clima frio. Os mais comuns incluem:

    • Pequenas escamas brancas ou amareladas (caspa) sobre a pele;
    • Vermelhidão persistente nas áreas afetadas;
    • Coceira de leve a intensa;
    • Sensação de ardor ou sensibilidade na pele;
    • Pele oleosa ou com aspecto brilhante;
    • Descamação na barba, sobrancelhas, laterais do nariz, atrás das orelhas e, em alguns casos, na testa.

    Como os sintomas podem ser parecidos com os de outras doenças de pele, como psoríase, dermatite atópica ou alergias, o diagnóstico deve ser feito por um dermatologista.

    O especialista avalia as características das lesões e, na maioria dos casos, consegue identificar a condição apenas por meio do exame clínico, sem necessidade de exames laboratoriais.

    Como eliminar a caspa nas sobrancelhas e na barba?

    A dermatite seborreica é uma condição crônica, mas os sintomas podem ser controlados com alguns cuidados no cotidiano.

    O primeiro passo é fazer a higienização da região com um shampoo anticaspa indicado pelo dermatologista, especialmente aqueles que contêm ativos como o cetoconazol. Apesar de desenvolvidos para o couro cabeludo, alguns dos produtos também podem ser utilizados na barba e nas sobrancelhas, desde que com orientação médica.

    Durante a lavagem, também é importante evitar água muito quente, pois ela resseca a pele e pode estimular um efeito rebote, fazendo com que as glândulas sebáceas produzam ainda mais oleosidade. Depois da limpeza, a região deve ser seca delicadamente com uma toalha limpa e macia, sem esfregar a pele.

    Por fim, o uso de um hidratante facial leve e adequado para peles oleosas ajuda a fortalecer a barreira de proteção da pele e diminuir a irritação. O ideal é optar por produtos não comedogênicos e livres de óleo, que hidratam sem aumentar a oleosidade da pele.

    Também é importante evitar coçar a região ou remover as escamas com as unhas, pois o hábito pode causar pequenas lesões, piorar a inflamação e favorecer novas crises.

    Erros comuns que pioram a descamação no rosto

    Os sintomas da dermatite seborreica podem piorar por causa de hábitos que irritam a pele ou favorecem o excesso de oleosidade, como:

    • Lavar o rosto com sabonetes corporais ou shampoos comuns: os produtos podem ser agressivos para a pele do rosto, removendo a sua proteção natural e favorecendo o ressecamento e a irritação;
    • Usar água muito quente: além de ressecar a pele, ela pode estimular um efeito rebote, aumentando a produção de oleosidade;
    • Coçar a região ou retirar as escamas com as unhas: o hábito pode causar pequenas lesões, piorar a inflamação e aumentar o desconforto;
    • Aplicar óleos e pomadas na barba sem higienizar a região corretamente: o acúmulo dos produtos pode favorecer a oleosidade e agravar a dermatite seborreica em pessoas predispostas;
    • Interromper o tratamento assim que os sintomas melhoram: como a dermatite seborreica é uma condição crônica, abandonar os cuidados pode facilitar o retorno da descamação e da coceira.

    Além dos hábitos, fatores como estresse, noites mal dormidas, mudanças bruscas de temperatura e clima frio também podem desencadear ou intensificar as crises em pessoas predispostas à dermatite seborreica.

    Quando é hora de procurar um dermatologista?

    Se a caspa na barba ou nas sobrancelhas não melhorar após algumas semanas de cuidados diários e do uso dos produtos recomendados, é importante procurar um dermatologista. A avaliação médica também é indicada se você perceber:

    • Descamação que não melhora ou piora com o passar das semanas;
    • Vermelhidão intensa ou inflamação que se espalha para outras áreas do rosto;
    • Coceira intensa, principalmente quando atrapalha o sono ou a rotina;
    • Feridas, sangramentos, dor ou saída de secreção na região;
    • Placas espessas ou crostas que aumentam de tamanho;
    • Queda de pelos na barba ou nas sobrancelhas associada à inflamação.

    O dermatologista poderá indicar tratamentos mais específicos, como cremes, loções ou shampoos com medicamentos antifúngicos e anti-inflamatórios, além de orientar a melhor rotina de cuidados para controlar a dermatite seborreica e reduzir a frequência das crises.

    Leia mais: 7 sintomas de dermatite atópica (e quais as áreas mais afetadas)

    Perguntas frequentes

    1. Caspa no rosto pode causar queda de pelos?

    Sim, a inflamação intensa gerada pela dermatite seborreica enfraquece a raiz dos fios nas sobrancelhas e na barba, podendo provocar uma queda temporária dos pelos faciais se o problema não receber o tratamento adequado rapidamente.

    2. Vinagre de maçã funciona para caspa na barba?

    Não. O vinagre de maçã possui propriedades que ajudam a controlar os fungos temporariamente, mas o uso do produto puro na pele do rosto causa irritações graves e piora a descamação devido à acidez elevada do líquido.

    3. Caspa na sobrancelha é contagioso?

    Não, pois a descamação nos pelos faciais decorre de uma reação do próprio organismo ao excesso de oleosidade e à proliferação de fungos naturais do corpo humano.

    4. Lavar o rosto várias vezes ao dia resolve o problema?

    A higienização excessiva limpa a pele além do necessário e provoca o chamado efeito rebote, estimulando as glândulas sebáceas a fabricarem ainda mais gordura para compensar o ressecamento.

    5. Quem tem caspa no rosto pode usar maquiagem?

    Pode, desde que escolha produtos adequados para o seu tipo de pele, de preferência não comedogênicos e livres de óleo. Também é fundamental remover toda a maquiagem ao final do dia para evitar irritações e o acúmulo de resíduos.

    6. O uso de boné e máscara piora a situação?

    O uso prolongado de máscaras pode aumentar o calor, a umidade e a oleosidade da pele, favorecendo a irritação em algumas pessoas. Já o boné costuma ter pouco impacto sobre a dermatite no rosto, embora possa influenciar quando a doença também afeta o couro cabeludo.

    7. Sabonete de enxofre serve para tratar a caspa facial?

    Em alguns casos, sim. O enxofre ajuda a controlar a oleosidade e pode auxiliar no tratamento da dermatite seborreica. No entanto, o produto deve ser utilizado com orientação médica, pois o uso excessivo pode ressecar e irritar a pele.

    8. O óleo de barba causa caspa?

    O óleo de barba não causa dermatite seborreica, mas seu uso em excesso ou a aplicação diretamente sobre a pele pode aumentar a oleosidade e piorar os sintomas em pessoas predispostas. O ideal é aplicar o produto apenas nos fios e manter uma boa rotina de limpeza.

    Leia mais: Alopecia: como tratar e prevenir a queda de cabelo

  • Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Escova de dentes: quando realmente é hora de trocar?

    Não é uma novidade que a escova de dentes é um dos itens mais necessários para a higiene diária, ajudando a reduzir o risco de cáries, gengivite, mau hálito e outras doenças bucais. Só que, no dia a dia, é comum notar que precisa trocar a escova quando ela está com as cerdas completamente abertas ou até depois de uma gripe.

    Com o uso diário, as cerdas vão perdendo a firmeza, deixam de remover a placa bacteriana com a mesma eficiência e podem até machucar a gengiva se estiverem deformadas. A escova também acumula microrganismos ao longo do tempo, principalmente quando é armazenada em ambientes úmidos, como o banheiro.

    Por isso, a troca deve acontecer bem antes do desgaste das cerdas ou de qualquer sinal evidente de que ela perdeu a eficiência.

    De quanto em quanto tempo devo trocar a escova de dentes?

    A escova de dentes deve ser trocated a cada três meses de uso. Com o desgaste natural, as cerdas perdem a flexibilidade e a capacidade de limpar os dentes de forma adequada, mesmo que a escovação seja feita pelo tempo recomendado.

    No entanto, existem algumas exceções importantes. Primeiro, se houver gripe, resfriado, dor de garganta ou infecções na boca, mude de escova assim que os sintomas desaparecerem, pois os germes e vírus podem se alojar nas cerdas e aumentar o risco de uma nova infecção.

    Se as cerdas começarem a abrir, deformar ou perder a cor antes de completar 3 meses, também é necessário descartar a escova. As cerdas tortas perdem a capacidade de higienização e podem machucar a gengiva.

    Sinais de que está na hora de trocar a escova antes do tempo

    O uso diário causa desgastes que podem demandar a substituição do item antes dos 3 meses recomendados. Veja alguns sinais de alerta para ficar atento:

    • Cerdas abertas ou tortas: quando as cerdas perdem o formato original e apontam para os lados, perdem a capacidade de limpar os vãos dos dentes e passam a machucar a gengiva;
    • Cerdas moles demais: o uso contínuo faz com que o material perca a firmeza necessária para raspar a placa bacteriana de forma eficaz;
    • Mudança de cor na base: manchas escuras ou amareladas no local onde as cerdas se fixam na cabeça da escova indicam acúmulo de sujeira, restos de pasta e umidade;
    • Recuperação de infecções: gripe, resfriado, dor de garganta ou herpes deixam vírus e bactérias alojados no objeto, tornando a troca obrigatória após a cura para evitar a reinfecção;
    • Falta de elasticidade: cerdas que demoram a voltar para a posição inicial após o aperto dos dedos já perderam a vida útil.

    O que acontece se usar a mesma escova por muito tempo?

    1. Acúmulo de fungos e bactérias

    O banheiro é um ambiente úmido, o que favorece a proliferação de microrganismos. Com o passar do tempo, bactérias, fungos e até coliformes fecais dispersos no ar podem se depositar nas cerdas da escova, principalmente quando ela fica próxima ao vaso sanitário ou é armazenada sem proteção adequada.

    A cada escovação, os microrganismos podem ser levados diretamente para a boca.

    2. Ferimentos e retração na gengiva

    As cerdas tortas, gastas ou endurecidas pelo tempo perdem a flexibilidade necessária para limpar os dentes sem agredir os tecidos. O atrito excessivo pode provocar pequenos cortes, irritação, sensibilidade e sangramentos.

    Com o uso prolongado, o trauma repetitivo também pode contribuir para a retração gengival, deixando a raiz dos dentes mais exposta.

    3. Aumento do risco de cáries e tártaro

    Quando as cerdas estão deformadas, elas deixam de alcançar corretamente os espaços entre os dentes e a linha da gengiva, onde a placa bacteriana costuma se acumular. Como resultado, a limpeza fica incompleta, favorecendo o endurecimento da placa em forma de tártaro e aumentando o risco de cáries e doenças gengivais.

    4. Mau hálito persistente

    Uma escova desgastada não consegue remover completamente os restos de alimentos e as bactérias presentes nos dentes, na gengiva e na língua. Com o acúmulo, os microrganismos passam a produzir substâncias responsáveis pelo mau hálito, que pode persistir mesmo após a escovação.

    5. Risco de infecções sistêmicas

    Quando existem feridas ou inflamações na gengiva, algumas bactérias da boca podem alcançar a corrente sanguínea. Em pessoas com baixa imunidade ou com determinadas doenças, isso pode favorecer infecções e agravar problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e outros processos inflamatórios.

    Apesar do risco ser maior em grupos mais vulneráveis, manter a escova em boas condições ajuda a reduzir a exposição aos microrganismos.

    Cuidados diários para conservar escova de dentes

    A forma como a escova é cuidada após a escovação determina a durabilidade das cerdas e impede a proliferação de microrganismos. No dia a dia, alguns cuidados importantes incluem:

    • Lavar bem após o uso: ao terminar a escovação, lave a cabeça da escova em água corrente abundante. Use os dedos para abrir as cerdas e garantir a remoção completa de restos de alimentos e excessos de pasta de dentes;
    • Retirar o excesso de umidade: nunca guarde a escova encharcada e, após a escovação, dê batidas leves no canto da pia para eliminar o acúmulo de água. Evite secar o objeto em toalhas de banho ou de rosto, que costumam conter germes;
    • Guardar na posição vertical: mantenha o item em pé, dentro de um suporte ou copo aberto. O hábito faz com que a água escorra para baixo, acelerando a secagem natural das cerdas;
    • Evitar capinhas protetoras fechadas: capas plásticas criam um ambiente abafado e úmido, perfeito para o surgimento de fungos e bactérias. Use protetores apenas se forem totalmente ventilados (com furos) ou durante viagens;
    • Manter distância do vaso sanitário: a descarga espalha gotículas invisíveis cheias de bactérias pelo ar do banheiro. Guarde o suporte em um armário fechado ou a uma distância mínima de 1 metro e meio do vaso, mantendo a tampa do vaso sempre abaixada na hora da descarga;
    • Não encostar em outras escovas: se o suporte for compartilhado com a família, garanta que as cabeças dos objetos não fiquem em contato, impedindo a transmissão cruzada de germes de uma boca para outra.

    Lembre-se de que a visita ao dentista deve acontecer, de forma preventiva, a cada 6 meses. As consultas regulares servem para realizar uma limpeza profissional profunda, remover o tártaro que a escova não consegue tirar e identificar problemas logo no início.

    Perguntas frequentes

    1. Posso ferver a escova de dentes para desinfetar?

    Não é recomendado. A água fervendo deforma as cerdas de nylon e derrete o plástico, estragando o objeto e reduzindo a capacidade de limpeza.

    2. Crianças devem trocar de escova no mesmo prazo que os adultos?

    Sim, a cada 3 meses ou antes. Como as crianças costumam morder as cerdas durante o aprendizado, o desgaste pode acontecer bem mais rápido.

    3. Usar enxaguante bucal para lavar a escova ajuda a limpar?

    Ajuda a eliminar bactérias superficiais. Mergulhar a cabeça do objeto em um pouco de enxaguante por alguns minutos uma vez por semana é uma boa prática de higiene.

    4. Escova com cerdas duras limpa melhor?

    Não. Cerdas duras dão a falsa sensação de limpeza, mas desgastam o esmalte dos dentes e machucam a gengiva, provocando retração.

    5. Como saber se a escova de dentes é macia?

    A informação vem escrita de forma clara na parte frontal da embalagem do produto, indicada pelos termos “macia” ou “extramacia”.

    6. Quem usa aparelho ortodôntico precisa trocar a escova antes?

    Sim, os bráquetes e fios do aparelho causam maior atrito, desalinhando e desgastando as cerdas em menos tempo, muitas vezes exigindo a troca a cada 2 meses.

    7. Posso usar vinagre ou bicarbonato para lavar a escova?

    Não é necessário. Água corrente e uma boa secagem já são suficientes para a manutenção diária do item.

  • O que acontece com o corpo ao segurar o xixi por muito tempo?

    O que acontece com o corpo ao segurar o xixi por muito tempo?

    Você costuma ir ao banheiro sempre que tem vontade? No dia a dia, é comum adiar o momento do xixi por causa de uma reunião, de uma aula, de uma viagem, do trânsito ou até mesmo porque o banheiro disponível não parece limpo.

    A bexiga é um órgão muscular e elástico, capaz de armazenar a urina até o momento adequado para o esvaziamento. À medida que ela se enche, os receptores presentes na parede do órgão enviam sinais ao cérebro informando que é hora de ir ao banheiro.

    Se você tende a ignorar a vontade de urinar com frequência, a bexiga continua se distendendo para acomodar um volume maior de urina, o que pode prejudicar o funcionamento do órgão e favorecer o desenvolvimento de alguns problemas de saúde, como uma infecção de urina.

    O que acontece no corpo quando você segura a urina?

    Quando os rins filtram o sangue, eles produzem a urina, que desce pelos ureteres até chegar à bexiga. A bexiga funciona como um reservatório elástico: ela vai se expandindo aos poucos conforme recebe mais líquido.

    Quando já há cerca de 150 a 200 mililitros de urina armazenados, terminações nervosas presentes na parede do órgão enviam um sinal ao cérebro avisando que está na hora de ir ao banheiro.

    Mesmo com o aviso, o organismo consegue adiar a micção por algum tempo, pois o esfíncter urinário, um músculo que fecha a saída da bexiga, permanece contraído, impedindo que a urina seja eliminada até que a pessoa decida urinar.

    Quando a vontade de fazer xixi é ignorada, a bexiga continua enchendo e fica cada vez mais esticada. Para manter a urina armazenada, os músculos da bexiga e do assoalho pélvico precisam fazer mais esforço. Se isso acontece com frequência, a bexiga pode perder parte da capacidade de se contrair corretamente, dificultando o esvaziamento completo.

    Ao mesmo tempo que ocorre o desgaste muscular, o acúmulo de urina por muito tempo favorece a multiplicação de bactérias que podem entrar no trato urinário. Normalmente, o ato de urinar ajuda a eliminar as toxinas, ureia e bactérias que foram filtradas antes que elas se instalem.

    Quando a micção é adiada com frequência, o mecanismo natural de proteção deixa de funcionar, aumentando o risco de infecções urinárias.

    Em situações mais extremas, quando a bexiga fica excessivamente cheia, a pressão interna pode aumentar a ponto de dificultar o funcionamento normal do sistema urinário. Em casos raros, a urina pode até refluir em direção aos ureteres e aos rins, um quadro conhecido como refluxo vesicoureteral.

    Se isso acontecer repetidamente, pode causar lesões nas estruturas renais e comprometer a saúde dos rins ao longo do tempo.

    Principais riscos de prender o xixi por muito tempo

    O hábito de segurar o xixi por muito tempo pode causar problemas como:

    1. Infecção urinária

    Quando você ignora a vontade de ir ao banheiro, a urina permanece parada na bexiga por mais tempo, favorecendo a multiplicação de bactérias, principalmente a Escherichia coli (E. coli), que costuma viver naturalmente no intestino.

    Além disso, ao urinar, o próprio fluxo da urina ajuda a eliminar microrganismos presentes na uretra. Ao adiar o xixi repetidamente, a limpeza natural acontece com menos frequência, facilitando a chegada das bactérias à bexiga.

    Em alguns casos, a infecção pode até atingir os rins, provocando uma condição mais grave chamada pielonefrite.

    2. Incontinência urinária

    A bexiga é um órgão muscular que precisa se expandir para armazenar a urina e se contrair para esvaziá-la completamente. Quando ela permanece cheia por longos períodos de forma repetida, pode perder parte da elasticidade e da força de contração.

    Com o tempo, pode contribuir para alterações no funcionamento da bexiga e favorecer episódios de incontinência urinária, caracterizados pela perda involuntária de urina durante esforços, como tossir, espirrar, rir ou praticar atividade física.

    3. Formação de pedras no trato urinário

    O hábito de prender o xixi não é a principal causa das pedras nos rins, mas manter a urina parada por muito tempo pode favorecer a formação de cálculos na bexiga, especialmente em pessoas que já apresentam outros fatores de risco.

    A urina contém minerais e outras substâncias que, quando ficam acumulados por longos períodos, podem se cristalizar e formar pequenas pedras. Além de causar dor, elas podem dificultar a passagem da urina e aumentar o risco de infecções.

    4. Retenção urinária

    A retenção urinária é uma condição em que a pessoa não consegue esvaziar completamente a bexiga durante a micção, de modo que uma parte da urina permanece acumulada no órgão, aumentando o risco de infecções, formação de cálculos e outros problemas urinários.

    A retenção urinária é mais comum em pessoas com doenças da próstata, alterações neurológicas ou outros problemas que afetam o funcionamento da bexiga, mas o hábito de adiar constantemente a ida ao banheiro também pode contribuir para o problema ao longo do tempo.

    Sintomas de que a prática já está causando problemas

    Se o hábito de adiar a ida ao banheiro for frequente, alguns sinais podem indicar que o trato urinário já está sendo prejudicado, como:

    • Ardência ou dor ao urinar;
    • Vontade urgente e frequente de fazer xixi, mesmo eliminando pouca urina;
    • Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente;
    • Dor ou pressão na parte inferior do abdômen;
    • Urina com cheiro forte, aspecto turvo ou presença de sangue;
    • Dificuldade para iniciar ou manter o fluxo da urina;
    • Perda involuntária de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço;
    • Febre, calafrios, dor na região lombar, náuseas ou vômitos, que podem indicar que a infecção atingiu os rins e exigem atendimento médico imediato.

    Quanto tempo é seguro ficar sem urinar?

    O ideal é não passar de 3 a 4 horas sem urinar, sendo recomendado ir ao banheiro cerca de cinco a seis vezes ao dia. A frequência pode variar de uma pessoa para outra, já que quem bebe bastante água, por exemplo, naturalmente vai sentir vontade de fazer xixi mais vezes.

    O mais importante é não ignorar repetidamente o sinal que o corpo envia e lembrar sempre de beber água ao longo do dia. Uma boa hidratação ajuda os rins a funcionarem corretamente, mantém a urina menos concentrada e facilita a eliminação de bactérias e outras substâncias que o organismo precisa eliminar.

    Leia mais: IST ou infecção urinária? Saiba como diferenciar os sintomas

    Perguntas frequentes

    1. Prender a urina pode estourar a bexiga?

    É extremamente raro. Em situações normais, o esfíncter relaxa sozinho e a pessoa urina na roupa antes do órgão romper.

    2. Por que sentimos dor nas costas ao segurar o xixi?

    Porque o acúmulo excessivo gera uma pressão retrógrada, empurrando o líquido de volta para os ureteres e sobrecarregando os rins.

    3. É normal o xixi arder após segurar por muito tempo?

    Não é normal. A ardência indica que a uretra ficou irritada pela acidez da urina concentrada ou que já existe uma infecção bacteriana em curso.

    4. Por que conseguimos segurar o xixi a noite toda sem acordar?

    Durante o sono, o cérebro libera o hormônio antidiurético (ADH), que reduz o ritmo de funcionamento dos rins e diminui a produção de urina.

    5. Qual médico trata os problemas causados por segurar o xixi?

    O urologista é o especialista responsável pelo sistema urinário de homens e mulheres. Mulheres também podem consultar um ginecologista.

    6. Homens e mulheres sofrem os mesmos riscos ao prender a urina?

    Os riscos de danos à musculatura são os mesmos, mas as mulheres têm um risco muito maior de desenvolver infecção urinária, pois a uretra feminina é bem mais curta, facilitando a entrada de bactérias.

    7. Tomar banho de assento ajuda a aliviar o desconforto de ter segurado o xixi?

    Se houver apenas uma leve irritação na uretra por urina muito concentrada, um banho de assento com água morna pode relaxar a musculatura pélvica. Porém, o método não cura infecções ou inflamações instaladas.

    8. O que é a síndrome da bexiga tímida?

    É uma condição psicológica em que a pessoa sente uma ansiedade tão grande que não consegue relaxar o esfíncter para urinar na presença de outros ou em banheiros públicos, sendo forçada a prender o xixi por horas.

    Veja também: A cor do seu xixi pode revelar muito sobre sua saúde

  • Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Apneia do sono e a saúde do coração: uma conexão perigosa 

    Acordar cansado mesmo depois de uma noite inteira de sono pode ser sinal de algo mais sério do que simplesmente dormir pouco. A apneia do sono é uma condição que interrompe a respiração diversas vezes durante a noite, prejudicando a oxigenação do corpo e roubando a qualidade do descanso.

    Muito além do ronco alto e da sonolência diurna, a apneia tem impactos que preocupam os médicos, afinal, ela pode alterar o funcionamento do coração, elevar a pressão arterial e aumentar as chances de doenças mais sérias, como infarto e AVC.

    Conversamos com a cardiologista Juliana Soares, integrante do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, que explicou como a apneia do sono interfere na saúde do coração e por que merece tanta atenção.

    O que é apneia do sono

    A cardiologista explica que a apneia do sono é uma condição em que a respiração é interrompida durante o sono, o que leva a uma queda na oxigenação do organismo. Essas pausas podem acontecer várias vezes por noite e prejudicam profundamente a qualidade do descanso.

    “A fragmentação do sono também não permite com que os estágios mais profundos do sono sejam atingidos, levando a cansaço excessivo, fadiga e sonolência durante o dia”, conta a médica.

    Segundo a especialista, existem três tipos principais de apneia do sono:

    • Apneia obstrutiva do sono: a mais comum, causada pelo relaxamento dos músculos da garganta, que bloqueiam a passagem do ar.
    • Apneia central do sono: mais rara, ocorre quando o cérebro não envia os sinais corretos para a respiração.
    • Apneia mista do sono: mistura das duas situações.

    “Embora possa atingir qualquer idade, ela é mais frequente em homens acima dos 40 anos, especialmente quando há obesidade”, diz a médica.

    Como a apneia afeta o coração

    A cada pausa na respiração, o corpo entende que está sob estresse. “Essas paradas na respiração promovem liberação dos hormônios do estresse, como a adrenalina e o cortisol, aumentando a pressão arterial e podendo levar a aumento da frequência cardíaca”, detalha a cardiologista.

    Com o tempo e o ciclo se repetindo noite após noite, acontece uma sobrecarga contínua no coração. Isso aumenta o risco de pressão alta, arritmias, aterosclerose (formação de placas de gordura nas artérias), resistência à insulina, diabetes, infarto e AVC.

    “Além disso, as pausas respiratórias demandam um esforço maior do coração podendo levar a ao enfraquecimento do músculo cardíaco e consequentemente a insuficiência cardíaca, condição na qual o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender as necessidades do organismo”, detalha a especialista.

    “Como esse processo se repete dezenas de vezes durante a noite em quem tem apneia do sono, isso promove uma sobrecarga contínua no coração”.

    Esse processo ajuda a entender por que a apneia está tão ligada a doenças cardíacas graves.

    Leia também: Trabalha sentado o dia todo? Conheça os riscos para o coração e o que fazer

    Sinais de alerta da apneia do sono

    Como desconfiar, afinal, da apneia do sono? Muitas vezes, quem nota primeiro os sintomas é quem dorme ao lado. “Pausas na respiração durante a noite, ronco alto e frequente, sono agitado e despertar várias vezes são alguns dos sinais”, afirma a especialista.

    Durante o dia, os sintomas também aparecem:

    • Acordar cansado;
    • Sonolência excessiva;
    • Dor de cabeça ao acordar;
    • Irritabilidade;
    • Dificuldade de concentração.

    Diagnóstico de apneia do sono: como fazer

    O diagnóstico começa pela história clínica, associada a relatos de quem convive com a pessoa. O exame principal é a polissonografia, que avalia funções do organismo durante o sono, como atividade cerebral, respiração, nível de oxigênio, batimentos cardíacos e intensidade do ronco.

    “Como na maior parte das condições de saúde, quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados”, reforça a cardiologista.

    “Além do tratamento diminuir o risco de doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, ele também ajuda na prevenção de acidentes, visto que a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar esse risco”.

    Leia também: Palpitações no coração: o que pode ser e quando procurar atendimento médico

    Tratamento de apneia do sono

    Hoje, pode-se usar alguns aparelhos ou dispositivos para tratar a apneia do sono, como o CPAP, que é um aparelho que envia ar sob pressão através de uma máscara nasal e mantém as vias aéreas sempre abertas. Há também outros aparelhos que podem ajudar, mas somente um médico pode indicar para cada caso.

    “Tratar a apneia ajuda a estabilizar a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo risco cardiovascular”, afirma a médica.

    Outra forma de tratar apneia é diminuir os fatores de risco para ela. Um dos principais é a obesidade.

    “O excesso de gordura na região do pescoço pode provocar obstrução das vias respiratórias durante o sono”, explica a especialista. Por isso, perder peso ajuda a controlar a apneia e a saúde cardiovascular.

    Além disso, a médica recomenda:

    • Praticar atividade física regularmente;
    • Diminuir o consumo de álcool (que relaxa a garganta e piora a apneia);
    • Parar de fumar, já que o cigarro inflama as vias aéreas.

    Confira: Apneia do sono: quando o ronco é sinal de algo mais sério

    Perguntas frequentes sobre apneia do sono e coração

    1. Todo ronco é sinal de apneia?

    Não. Porém, quando o ronco vem acompanhado de pausas respiratórias, merece investigação.

    2. A apneia pode causar pressão alta?

    Sim. As pausas respiratórias ativam hormônios do estresse que elevam a pressão arterial.

    3. Quem tem apneia sempre precisa usar CPAP?

    O CPAP é um dos tratamentos mais comuns, mas a escolha depende de uma avaliação médica. Em alguns casos, mudanças no estilo de vida já ajudam.

    4. Apneia pode levar a insuficiência cardíaca?

    Sim. O esforço extra exigido do coração ao longo do tempo pode enfraquecer o músculo cardíaco.

    5. Existe cura para a apneia do sono?

    Não há uma cura definitiva, mas o tratamento controla os sintomas e previne complicações.

    6. Perder peso melhora a apneia do sono?

    De forma geral, sim. O emagrecimento reduz a obstrução das vias aéreas e pode diminuir muito os episódios.

    Confira: Canetas emagrecedoras e apneia do sono: como a perda de peso melhora a respiração noturna?

  • Dormir com a TV ligada faz mal? Veja como a luz afeta o descanso sem você notar

    Dormir com a TV ligada faz mal? Veja como a luz afeta o descanso sem você notar

    Depois de um dia cansativo, você é o tipo de pessoa que gosta de dormir assistindo à televisão, deixando uma luminária acesa ou até mesmo usando o celular na cama até pegar no sono?

    Apesar de ser um hábito comum para relaxar ou distrair a mente, mesmo quando você consegue adormecer rapidamente, a iluminação do ambiente pode prejudicar a qualidade do descanso sem que você perceba.

    Para descansar de verdade, o organismo precisa da escuridão, pois é justamente na ausência de luz que o cérebro entende que chegou o momento de reduzir o estado de alerta e iniciar os processos que favorecem um sono profundo e restaurador.

    Quando há iluminação vinda da televisão, do celular, do tablet, do computador ou até de uma luminária, o cérebro interpreta que ainda existe atividade ao redor e continua funcionando como se ainda fosse dia.

    Com menos melatonina circulando, hormônio responsável por regular o ciclo do sono, fica mais difícil atingir as fases mais profundas do descanso, que são importantes para a recuperação do corpo e da mente. No dia seguinte, você pode acordar mais cansado, com dificuldade para se concentrar, irritação e falta de disposição.

    Por que a luz atrapalha tanto o sono?

    Quando você dorme com a televisão ligada, o cérebro continua recebendo estímulos de luz e som durante toda a noite, mesmo com os olhos fechados, e isso atrapalha processos importantes que acontecem enquanto o corpo descansa.

    A luz da TV é percebida por células presentes na retina, que enviam uma mensagem para a região do cérebro responsável por controlar o relógio biológico. Ao receber o sinal, o organismo entende que ainda existe claridade no ambiente e diminui a produção de melatonina, hormônio que prepara o corpo para dormir profundamente e recuperar as energias.

    Com menos melatonina, o sono fica mais leve e pode ser interrompido várias vezes sem que a pessoa perceba. Além da luz, as mudanças de brilho e de volume da televisão mantêm o cérebro em um estado de alerta, dificultando que o organismo permaneça por tempo suficiente nas fases mais profundas do sono, que são as mais importantes para descansar de verdade.

    Quando o hábito se repete com frequência, fica mais comum acordar cansado, com dificuldade de concentração, irritação e pouca disposição, além de aumentar o risco de problemas como alterações no metabolismo, ganho de peso e doenças cardiovasculares ao longo dos anos.

    Por que o breu é o cenário ideal para o sono?

    O breu total é considerado o melhor cenário para dormir porque permite que o cérebro entenda naturalmente que chegou a hora de descansar.

    Na ausência de luz, a produção de melatonina acontece de forma mais eficiente, facilitando o início do sono e ajudando o organismo a permanecer por mais tempo nas fases mais profundas, que são responsáveis pela recuperação do corpo e da mente.

    Além de favorecer um descanso mais reparador, um quarto escuro reduz a chance de você acordar ao longo da noite, mesmo que por poucos segundos, o que pode prejudicar a qualidade do sono.

    Os impactos invisíveis na sua saúde física e mental

    A falta de um sono de qualidade, causada pela exposição à luz durante a noite, pode trazer consequências que vão muito além de acordar cansado no dia seguinte, como:

    • Ganho de peso e alterações no metabolismo: dormir mal aumenta a fome, reduz a sensação de saciedade e favorece o consumo de alimentos mais calóricos. Com o tempo, também pode elevar o risco de diabetes tipo 2;
    • Maior risco de doenças cardiovasculares: um sono de má qualidade impede que o coração e os vasos sanguíneos descansem como deveriam, aumentando as chances de hipertensão, arritmias, infarto e AVC;
    • Imunidade mais baixa: as fases profundas do sono são fundamentais para fortalecer o sistema imunológico. Quando o descanso é insuficiente, o organismo fica mais vulnerável a infecções e demora mais para se recuperar de doenças;
    • Irritabilidade e mudanças de humor: dormir pouco dificulta o controle das emoções, aumentando a irritação, a impaciência e a dificuldade para lidar com situações estressantes;
    • Queda da memória e da concentração: a fragmentação do sono prejudica o aprendizado, a memória, a atenção e o raciocínio, reduzindo o desempenho no trabalho, nos estudos e nas tarefas do dia a dia;
    • Maior risco de ansiedade e depressão: a privação frequente de sono altera o equilíbrio de hormônios e neurotransmissores ligados ao bem-estar, favorecendo o surgimento ou a piora de transtornos como ansiedade e depressão.

    Dicas para desacostumar da TV e dormir melhor

    Se dormir com a televisão ligada já virou um hábito, não é preciso fazer uma mudança radical de um dia para o outro. O cérebro também cria associações com a rotina da hora de dormir, por isso vale a pena substituir a TV por hábitos mais relaxantes aos poucos. Algumas dicas incluem:

    • Programe a televisão para desligar automaticamente depois de alguns minutos;
    • Troque a TV por um livro, uma música calma ou um podcast com timer;
    • Evite usar o celular nos 30 a 60 minutos antes de deitar;
    • Diminua a intensidade das luzes da casa conforme a hora de dormir se aproxima;
    • Mantenha horários parecidos para dormir e acordar todos os dias;
    • Deixe o quarto silencioso, confortável e com a menor quantidade possível de luz.

    Com o passar dos dias, o cérebro passa a associar o escuro ao momento de descansar, tornando o sono mais natural e reparador.

    E quem tem medo de dormir no escuro?

    O medo do escuro é comum na infância, mas também pode continuar na vida adulta, principalmente após experiências traumáticas ou em pessoas com ansiedade.

    A melhor medida é reduzir a iluminação aos poucos, trocando uma luz forte por uma luz de presença bem fraca e posicionada longe da cama. Com o tempo, a intensidade da luz pode ser diminuída até que o quarto fique totalmente escuro.

    Quando o medo é muito intenso, provoca sofrimento ou impede a pessoa de dormir normalmente, vale procurar ajuda de um psicólogo. O tratamento pode ajudar a identificar a origem do problema e tornar o momento de dormir mais tranquilo, sem que seja necessário manter o quarto iluminado durante toda a noite.

    Quando procurar um especialista?

    Se, mesmo dormindo entre sete e nove horas por noite, o cansaço persistir, houver dificuldade frequente para adormecer, muitos despertares durante a madrugada, roncos intensos ou sonolência excessiva durante o dia, vale procurar um médico especialista em medicina do sono.

    Em muitos casos, o problema não está apenas na quantidade de horas dormidas, mas também na qualidade do descanso, que pode estar sendo prejudicada por fatores aparentemente simples, como a luz presente no quarto durante toda a noite.

    Leia mais: Falta de sono pode te deixar mais doente

    Perguntas frequentes

    1. A luz vermelha prejudica o sono da mesma forma que a azul?

    Não. A luz vermelha tem um comprimento de onda que estimula muito menos os foforreceptores da retina, sendo a menos prejudicial para a produção de melatonina.

    2. Usar máscara de dormir substitui um quarto totalmente escuro?

    Sim. A máscara de dormir bloqueia mecanicamente a entrada de luz nos olhos, sendo uma excelente alternativa para quem não consegue deixar o quarto totalmente escuro.

    3. O que é “ruído branco” e ele ajuda a dormir?

    O ruído branco é um som contínuo e uniforme (como o de um ventilador ou chuva) que ajuda a abafar barulhos externos repentinos. Ele pode ajudar a dormir, desde que não haja luz associada.

    4. Qual é a melhor cor de luz para usar no quarto se eu precisar de claridade?

    As luzes de tonalidade quente, como a amarela, a laranja ou a vermelha, são as mais recomendadas por imitarem o pôr do sol e agredirem menos o ritmo circadiano.

    5. Deixar a luz do corredor acesa faz mal?

    Se a claridade atingir diretamente o seu rosto na cama, sim. Se for estritamente necessária por segurança, garanta que seja uma luz fraca, amarelada e que não incida nos olhos.

    6. Cochilos durante o dia também precisam ser feitos no breu total?

    Não necessariamente. Os cochilos curtos diurnos (de 20 a 30 minutos) servem apenas para um descanso rápido. Dormir no breu total durante o dia pode confundir o relógio biológico e atrapalhar o sono principal da noite.

    Veja também: 7 sinais de que seu cansaço não é apenas falta de sono

  • Chocolate ao leite ou chocolate amargo: a partir de qual porcentagem ele traz benefícios?

    Chocolate ao leite ou chocolate amargo: a partir de qual porcentagem ele traz benefícios?

    Poucos alimentos despertam tanto entusiasmo no Brasil quanto o chocolate. Além de aparecer em datas comemorativas como a Páscoa, é um dos presentes mais populares e é possível encontrá-lo em sobremesas, bolos e diversas receitas típicas. Quando o consumo é moderado, ele pode trazer uma série de benefícios para a saúde, desde que seja feita a escolha certa.

    As versões ao leite e branca, apesar de mais populares do que o chocolate amargo, contêm grandes quantidades de açúcar e gordura, o que reduz significativamente os benefícios para a saúde.

    As vantagens para a saúde estão concentradas no cacau, ingrediente rico em flavonoides, compostos antioxidantes capazes de combater os radicais livres, reduzir a inflamação e proteger o sistema cardiovascular. Vamos entender mais, a seguir.

    Qual a diferença entre o chocolate ao leite e o chocolate amargo?

    A principal diferença entre os dois tipos de chocolate está na proporção de cacau e na quantidade de ingredientes adicionados, como açúcar e gordura. Normalmente, o chocolate ao leite contém entre 25% e 40% de cacau, além de grandes quantidades de açúcar adicionado e leite em pó, o que o torna mais doce, porém menos nutritivo.

    Já o chocolate amargo apresenta uma concentração muito maior de cacau, o que reduz a quantidade de açúcar. Ele não costuma levar leite na composição, o que preserva o sabor intenso do fruto e garante uma quantidade muito maior de compostos benéficos para o organismo.

    A partir de qual porcentagem o chocolate traz benefícios?

    Para que o chocolate seja benéfico para a saúde, a recomendação é escolher opções com pelo menos 70% de cacau. A partir dessa concentração, há uma quantidade significativamente maior de flavonoides, polifenóis, magnésio, ferro, cobre e outros nutrientes importantes para o organismo.

    Vale apontar que isso não significa que um chocolate com 60% de cacau não ofereça nenhum benefício, mas quanto maior for a concentração de cacau, maior costuma ser a quantidade de compostos antioxidantes e menor é a presença de açúcar.

    Importante: além do percentual de cacau, a lista de ingredientes também deve ser observada, já que alguns produtos com alto teor de cacau ainda podem conter muitos aditivos, aromatizantes e gorduras de baixa qualidade.

    Principais benefícios do chocolate amargo para a saúde

    O consumo moderado de chocolate amargo pode trazer diversos benefícios para a saúde, principalmente por causa da elevada concentração de flavonoides e outros antioxidantes presentes no cacau:

    • Protege o coração ao favorecer a saúde dos vasos sanguíneos e contribuir para um melhor controle da pressão arterial;
    • Ajuda a combater os radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo associado ao envelhecimento precoce;
    • Pode melhorar o humor, já que estimula a produção de substâncias relacionadas à sensação de bem-estar, como serotonina e endorfinas;
    • Contribui para a saciedade, o que pode ajudar no controle do apetite quando consumido em pequenas quantidades;
    • Favorece o funcionamento do cérebro, melhorando o fluxo sanguíneo cerebral e contribuindo para a memória e a concentração;
    • Fornece minerais importantes, como magnésio, ferro, cobre e manganês, que participam de diversas funções do organismo.

    Apesar dos benefícios, lembre-se que o chocolate continua sendo um alimento calórico e deve fazer parte de uma alimentação equilibrada, sem excessos.

    Como escolher o melhor chocolate amargo no supermercado?

    Nem todo chocolate que se diz “amargo” ou “fit” na parte da frente da embalagem é saudável de verdade. Para escolher a melhor opção, é preciso virar a embalagem e verificar atentamente a lista de ingredientes.

    O ideal é que a massa de cacau ou o liquor de cacau apareça como o primeiro ingrediente da lista, indicando que o cacau é o principal componente do produto. Se o açúcar for o primeiro item da lista, significa que aquele produto ainda é majoritariamente composto por açúcar, mesmo que a embalagem destaque os “70% de cacau”.

    Também vale dar preferência aos chocolates com poucos ingredientes e evitar opções com excesso de açúcar, gordura vegetal hidrogenada, aromatizantes artificiais e muitos aditivos.

    Qual a quantidade recomendada por dia?

    Como o chocolate amargo ainda contém calorias e gorduras naturais do cacau, a quantidade recomendada é de cerca de 30 gramas por dia, o que equivale a aproximadamente 4 quadradinhos pequenos de uma barra convencional.

    O ideal é consumir a porção logo após uma refeição principal (como o almoço), já que as fibras ajudam a evitar picos de glicose no sangue.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

    Perguntas frequentes

    1. O chocolate branco tem os mesmos benefícios do amargo?

    Não, o chocolate branco não leva massa de cacau em sua composição, apenas a manteiga de cacau, açúcar e leite. Por isso, ele não possui os antioxidantes do fruto e é rico em gorduras e açúcares.

    2. Chocolate amargo emagrece?

    Sozinho não, mas ele pode ser um aliado. Por conter mais fibras que a versão ao leite, ele aumenta a saciedade e ajuda a controlar a compulsão por doces.

    3. Posso comer chocolate amargo todos os dias?

    Sim. O consumo diário de cerca de 30g (4 quadradinhos) de chocolate com mais de 70% de cacau é seguro e recomendado para garantir seus benefícios cardiovasculares e antioxidantes.

    4. Gestantes podem comer chocolate amargo?

    Sim, com moderação. O chocolate amargo é seguro e até benéfico na gravidez por ajudar a controlar a pressão arterial. O único cuidado é não exagerar devido à presença de pequenas quantidades de cafeína.

    5. Quem tem pressão alta pode comer chocolate amargo?

    Sim, e é recomendado. Os antioxidantes do cacau ajudam a relaxar as artérias, o que contribui diretamente para a redução e o controle da pressão arterial.

    6. O chocolate amargo ajuda a dar energia para o treino?

    Sim. Por conter carboidratos simples combinados com a gordura boa do cacau e um toque de cafeína, ele funciona como um excelente pré-treino rápido para dar energia.

    7. Posso substituir o chocolate amargo por cacau em pó?

    Sim. O cacau em pó 100% (sem açúcar) é a forma mais pura do fruto e traz os mesmos benefícios, podendo ser adicionado em frutas, iogurtes, shakes e receitas fit.

    Leia mais: Colesterol alto: entenda os riscos, causas e como prevenir

  • Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Suco de fruta ou fruta inteira: qual opção protege mais o fígado?

    Tanto o suco natural quanto a fruta inteira vêm do mesmo alimento e fornecem vitaminas, minerais e antioxidantes, mas você sabia que o organismo reage de maneiras diferentes a cada um? A principal diferença está na quantidade de fibras e na forma como o açúcar natural da fruta chega ao sistema digestivo, fatores que influenciam diretamente o trabalho do fígado.

    A fruta precisa ser mastigada, tem mais fibras e faz o açúcar natural chegar ao organismo de maneira mais lenta, facilitando o trabalho do metabolismo. Já o suco, mesmo sendo natural, perde boa parte das fibras durante o preparo e concentra uma quantidade maior de açúcar em poucos goles, deixando a absorção muito mais rápida.

    Se você tem o hábito de trocar as frutas frescas por copos de suco no dia a dia, entenda a seguir como a escolha pode afetar o metabolismo e por que o simples ato de mastigar pode ajudar na saúde do fígado.

    Se é natural, por que o suco pode ser um problema?

    Quando você come uma fruta inteira, o açúcar natural presente nela, chamado frutose, fica envolvido por uma estrutura rica em fibras. Para aproveitar todos os nutrientes, o organismo precisa mastigar o alimento e fazer a digestão aos poucos, permitindo que a absorção do açúcar aconteça de forma gradual.

    Já no preparo do suco, a situação muda um pouco:

    • As fibras são reduzidas ou eliminadas durante o preparo, principalmente quando o suco é coado. Sem a proteção natural, a frutose fica livre para ser absorvida muito mais rapidamente;
    • O açúcar chega ao intestino em pouco tempo e entra na circulação de forma acelerada, demandando uma resposta mais intensa do organismo para controlar a glicemia;
    • A quantidade de fruta também costuma ser maior, pois um único copo de suco pode levar três ou quatro frutas, consumidas em poucos goles.

    Depois de ser absorvido pelo organismo, o açúcar natural da fruta chega ao fígado, onde a frutose é transformada em energia ou armazenada para ser usada mais tarde. Quando uma grande quantidade chega de uma só vez e isso acontece com frequência, o fígado precisa fazer um esforço maior para processar todo o açúcar.

    O que acontece com o fígado quando há excesso de frutose?

    Diferente da glicose, que pode ser usada como energia por praticamente todas as células do corpo, a frutose depende especialmente do fígado para ser aproveitada pelo organismo.

    Quando uma grande quantidade de frutose chega de uma só vez, situação que pode acontecer com o consumo frequente de grandes copos de suco, o fígado precisa trabalhar mais para dar conta de todo o açúcar. A parte que não é utilizada imediatamente como energia pode ser transformada em gordura.

    Com o passar do tempo, o consumo excessivo de frutose, associado a uma alimentação desequilibrada e ao sedentarismo, favorece o acúmulo de gordura nas células do fígado, quadro conhecido como gordura no fígado.

    Além disso, o excesso de gordura pode dificultar a ação da insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue, aumentando o risco de resistência à insulina, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

    Importante: na maioria das vezes, o quadro de gordura no fígado não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberta apenas durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal ou exames de sangue que avaliam a saúde do fígado.

    Todo suco de fruta afeta o fígado?

    O impacto no fígado depende diretamente do tipo de fruta, da forma de preparo e da quantidade consumida. Vale ficar atento a alguns pontos:

    • O tipo de fruta faz diferença: frutas com menor teor de frutose, como limão, acerola, maracujá, caju e kiwi, costumam causar um impacto menor sobre o metabolismo quando comparadas a frutas mais doces, como uva, laranja e tangerina;
    • Os sucos industrializados merecem mais atenção: néctares, refrescos e muitos sucos de caixinha costumam conter açúcar adicionado ou xarope de glicose e frutose. O consumo frequente dessas bebidas está associado a um maior risco de gordura no fígado e de outras alterações metabólicas;
    • A forma de preparo também influencia: o suco preparado no liquidificador e consumido com o bagaço preserva parte das fibras da fruta. Já os sucos coados ou preparados em centrífugas perdem grande parte delas, fazendo com que o açúcar natural seja absorvido mais rapidamente;
    • Os sucos com vegetais podem ser uma boa opção: combinar frutas com ingredientes como couve, espinafre, pepino, hortelã ou gengibre aumenta o teor de fibras e de compostos antioxidantes, tornando a bebida mais equilibrada. Ainda assim, a fruta inteira continua sendo a melhor escolha para o dia a dia.

    Também é importante apontar que um copo de suco natural consumido de maneira ocasional dificilmente causa problemas para uma pessoa saudável. O problema é quando o consumo é muito frequente, em grandes quantidades, especialmente quando o suco substitui a água ou a fruta inteira nas refeições.

    Como incluir frutas na alimentação de forma saudável para o fígado?

    Para aproveitar todos os benefícios das frutas sem sobrecarregar o fígado, você pode adotar pequenas mudanças na forma de consumir os alimentos, como:

    • Prefira consumir a fruta inteira e, quando possível, com a casca ou o bagaço;
    • Acrescente fontes de fibras, como aveia, chia, linhaça ou psyllium, e combine a fruta com iogurte natural ou castanhas;
    • Dê preferência às frutas vermelhas e cítricas, como morango, amora, mirtilo, limão, acerola e maracujá;
    • Se preparar suco, não coe e use apenas uma porção de fruta, completando a bebida com água e vegetais, como couve ou hortelã;
    • Evite adicionar açúcar, mel ou xaropes às frutas e aos sucos.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de, pelo menos, 400 gramas de frutas e vegetais por dia. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta incluir diariamente três porções de frutas e três porções de vegetais na alimentação para garantir uma boa ingestão de fibras, vitaminas e outros nutrientes importantes para o organismo.

    Confira: Pedra na vesícula após emagrecer: qual a relação?

    Perguntas frequentes

    1. O açúcar das frutas (frutose) é igual ao açúcar de mesa?

    Não. A frutose da fruta, quando consumida inteira, vem acompanhada de água, vitamins e fibras. O açúcar de mesa é sacarose pura, refinada e sem nenhum valor nutricional.

    2. Qual o melhor horário para comer frutas e proteger o fígado?

    Nos lanches intermediários ou como sobremesa após refeições que já contenham fibras e proteínas, o que ajuda a frear a absorção do açúcar.

    3. O suco de caixinha é pior que o suco natural?

    Sim, a maioria dos sucos de caixinha contém xarope de milho ou açúcar adicionado, sendo uma bomba de frutose artificial diretamente para o fígado.

    4. O bagaço da laranja ajuda a diminuir a frutose?

    Ele não diminui a quantidade de frutose, mas as fibras do bagaço tornam a absorção desse açúcar muito mais lenta, poupando o fígado.

    5. Bater a fruta no liquidificador preserva as fibras?

    Parte delas permanece, mas a textura muda e o consumo costuma ser mais rápido, favorecendo uma maior ingestão de açúcar.

    6. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    7. O suco detox limpa o fígado?

    Não. O próprio fígado já realiza a desintoxicação do organismo, e não há evidências de que sucos detox façam esse trabalho.

    Confira: Açúcar faz mal para o coração? Veja como o consumo afeta a saúde cardiovascular

  • Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Absorventes internos aumentam o risco de infecções? Veja os cuidados que você deve ter para evitar problemas

    Os absorventes internos, também chamados de tampões ou OB, são produtos de higiene menstrual colocados dentro da vagina para absorver o fluxo menstrual antes que ele saia do corpo. Quando usados corretamente, costumam ser seguros, confortáveis e práticos, mas demandam alguns cuidados básicos para evitar problemas de saúde.

    Quando o absorvente é deixado por muito tempo ou colocado sem a higiene adequada, o ambiente vaginal pode se tornar mais favorável à proliferação de bactérias, aumentando o risco de infecções e irritações.

    Em situações mais raras, o uso inadequado também pode favorecer o desenvolvimento da síndrome do choque tóxico (SCT), uma infecção grave causada por toxinas produzidas por determinadas bactérias.

    Afinal, o absorvente interno faz mal?

    O absorvente interno não faz mal para a saúde e é uma opção prática para quem deseja ir à praia, entrar na piscina, praticar esportes ou realizar outras atividades durante a menstruação sem se preocupar com vazamentos.

    Eles são feitos de algodão, rayon (seda artificial) ou uma mistura de ambos, materiais que são purificados e não causam danos ao tecido vaginal. Além disso, o absorvente interno absorve o sangue menstrual dentro do canal vaginal, sem impedir a saída do fluxo ou fazer com que ele fique preso no organismo.

    O que pode fazer mal, na verdade, é o uso incorreto do absorvente. Como o canal vaginal é um ambiente naturalmente úmido, quente e cheio de bactérias saudáveis, qualquer descuido pode desequilibrar a flora natural e favorecer a proliferação de microrganismos nocivos, aumentando o risco de irritações, infecções e, em casos raros, da síndrome do choque tóxico (SCT).

    Riscos do uso incorreto do absorvente interno

    Os principais riscos do uso incorreto do absorvente interno estão relacionados ao tempo excessivo de uso e à falta de higiene durante a colocação e a retirada, sendo eles:

    1. Vaginose bacteriana

    A vagina possui uma microbiota composta principalmente por bactérias do gênero Lactobacillus, que ajudam a manter o pH ácido e protegem a região contra a proliferação de microrganismos nocivos.

    Quando o absorvente interno permanece por muitas horas, principalmente por mais de oito horas, ou é utilizado em dias de fluxo muito leve, o sangue retido e a menor circulação de ar podem favorecer um desequilíbrio dessa flora natural. Como consequência, bactérias como a Gardnerella vaginalis podem se multiplicar, aumentando o risco de vaginose bacteriana.

    Os principais sintomas são corrimento fino, esbranquiçado ou acinzentado, acompanhado de odor forte, semelhante ao de peixe.

    2. Candidíase

    A Candida albicans naturalmente já faz parte da flora vaginal e do trato gastrointestinal de grande parte das mulheres. O fungo reside lá em pequenas quantidades e de forma inofensiva, mas quando há excesso de calor, umidade e alterações na flora vaginal, ele pode se multiplicar além do normal.

    O uso prolongado do absorvente interno, principalmente em dias quentes ou durante atividades físicas, pode contribuir para um ambiente mais favorável ao crescimento do fungo. Os sintomas costumam incluir coceira intensa, vermelhidão na região íntima e corrimento branco e espesso, semelhante ao leite coalhado.

    3. Irritação, ressecamento e pequenas lesões

    Usar um absorvente interno com capacidade de absorção maior do que a necessária para o fluxo menstrual pode deixar a vagina mais ressecada, já que o produto absorve também parte da lubrificação natural da mucosa.

    Quando o absorvente é retirado ainda seco, o atrito pode provocar irritação e pequenas lesões na parede vaginal, causando dor, desconforto e aumentando a vulnerabilidade da região a infecções.

    4. Síndrome do choque tóxico

    A síndrome do choque tóxico (SCT) é uma complicação rara, mas grave, associada principalmente ao uso prolongado do absorvente interno. O risco aumenta quando o produto permanece por mais de oito horas ou quando são utilizados modelos de alta absorção sem necessidade.

    O quadro acontece quando determinadas bactérias, como o Staphylococcus aureus, produzem toxinas que entram na corrente sanguínea e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa em todo o organismo.

    Os sintomas incluem febre alta de início súbito, queda da pressão arterial, tontura, vômitos, diarreia, manchas avermelhadas na pele e confusão mental, precisando de atendimento médico imediato.

    Como usar o absorvente interno no dia a dia?

    Para usar o absorvente interno com liberdade e segurança, basta adotar alguns cuidados simples no dia a dia:

    • Higiene rigorosa: sempre lave as mãos com água e sabão antes e depois de colocar ou retirar o absorvente interno. O hábito recebe o risco de levar bactérias para o canal vaginal e ajuda a prevenir infecções;
    • Respeite o tempo de troca: o ideal é trocar o absorvente interno a cada 4 a 6 horas, de acordo com a intensidade do fluxo menstrual. Em nenhuma situação ele deve permanecer no corpo por mais de 8 horas, pois o uso prolongado aumenta o risco de infecções e da síndrome do choque tóxico;
    • Escolha o tamanho correto: use um absorvente com capacidade de absorção compatível com o fluxo do dia. Nos dias de fluxo leve, prefira os modelos mini ou médio, já que absorventes muito grandes podem retirar parte da lubrificação natural da vagina, causando ressecamento, desconforto e pequenas lesões durante a retirada;
    • Alterne o uso à noite: se houver possibilidade de dormir por mais de 8 horas seguidas, o mais indicado é utilizar um absorvente externo ou uma calcinha absorvente. Dessa forma, você evita ultrapassar o tempo máximo recomendado para o uso do absorvente interno e reduz o risco de complicações.

    Quem não deve usar ou deve evitar?

    Apesar de muito seguro, o uso do absorvente interno deve ser evitado ou feito com orientação médica nas seguintes situações:

    • Mulheres no pós-parto imediato, pois o útero e o colo do útero ainda estão em cicatrização e o risco de infecções é maior;
    • Mulheres que passaram por cirurgias ginecológicas recentes, como cauterização, biópsia do colo do útero ou cirurgia vaginal, até a liberação médica;
    • Mulheres com infecção vaginal em andamento, como candidíase ou vaginose bacteriana, já que o absorvente pode aumentar o desconforto e dificultar a recuperação;
    • Pessoas com alergia aos componentes do absorvente interno, como algodão, rayon ou fragrâncias presentes em algumas versões;
    • Mulheres com dor durante a penetração, causada por condições como vaginismo ou vulvodínia, pois a colocação e a retirada podem ser dolorosas;
    • Mulheres com prolapso uterino avançado, quando a alteração anatômica dificulta o posicionamento correto do absorvente interno.

    Quando ir ao médico?

    Se você apresentar os seguintes sintomas, é importante procurar atendimento médico:

    • Corrimento com odor forte, mudança na cor ou aumento da quantidade, principalmente se vier acompanhado de coceira ou ardor;
    • Coceira intensa, vermelhidão, inchaço ou irritação na região íntima que não melhora em poucos dias;
    • Dor intensa na vagina, na pelve ou durante a retirada do absorvente interno;
    • Dificuldade para retirar o absorvente ou suspeita de que ele tenha ficado retido na vagina;
    • Sangramento diferente do menstrual ou persistente após a retirada do absorvente;
    • Sintomas que continuam ou pioram mesmo após interromper o uso do absorvente interno.

    Se você apresentar febre alta, tontura, queda da pressão, vômitos ou manchas avermelhadas na pele, retire o absorvente e vá ao pronto-socorro imediatamente.

    Leia mais: Seu ciclo está bagunçado? Saiba quando a menstruação irregular é sinal de alerta

    Perguntas frequentes

    1. O absorvente interno pode se perder dentro do corpo?

    Não, a vagina é um canal fechado que termina no colo do útero, cuja abertura é minúscula (passa apenas o sangue e espermatozoides). O absorvente não tem para onde ir ou “subir” para o restante do corpo.

    2. Posso urinar ou evacuar usando o absorvente interno?

    Sim. A uretra (por onde sai a urina), o canal vaginal (onde fica o absorvente) e o ânus são três aberturas completamente diferentes. Você não precisa tirar o produto para ir ao banheiro, apenas afaste a cordinha para o lado para não a sujar.

    3. Posso nadar na piscina ou no mar com ele?

    Sim. O absorvente interno barra a saída do sangue e impede que a água externa entre no canal vaginal em grande quantidade. O ideal é colocar um novo antes de entrar na água e trocá-lo assim que sair do banho de mar ou piscina, pois a cordinha externa fica úmida.

    4. O que acontece se a cordinha arrebentar?

    É extremamente raro a cordinha arrebentar, pois ela é costurada por dentro de todo o miolo do algodão. Caso aconteça, lave bem as mãos, fique de cócoras e faça uma leve força como se fosse evacuar; use o dedo indicador e o polegar em pinça para tentar puxar a base do absorvente. Se não conseguir, vá ao ginecologista.

    5. O absorvente interno pode causar cólica?

    Não. O absorvente fica posicionado no canal vaginal, enquanto a cólica menstrual é causada por contrações do útero. No entanto, se ele for do tamanho errado ou estiver mal posicionado, pode causar um desconforto que se confunde com cólica.

    6. Quantos absorventes internos posso usar por dia?

    Considerando trocas a cada 4 a 6 horas, o normal é utilizar entre 4 a 6 absorventes por dia.

    7. O absorvente interno causa câncer?

    Não. Os materiais utilizados hoje passam por rigorosos testes de segurança e purificação da ANVISA e órgãos internacionais, não contendo substâncias em níveis capazes de causar câncer.

    8. O que fazer se eu esquecer o absorvente interno lá dentro?

    Se perceber o esquecimento, normalmente pelo odor forte que surge após alguns dias, retire-o imediatamente. Lave a região e fique atenta a sinais como febre ou corrimento. Se notar qualquer sintoma estranho ou não conseguir retirá-lo sozinha, consulte um médico imediatamente.

    Confira: Suspender a menstruação é seguro? Saiba quando tomar essa decisão